UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
O debate sobre a invisibilidade da representatividade e a marginalização da transgeneridade.
São Paulo 2020
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
O debate sobre a invisibilidade da representatividade e a marginalização da transgeneridade.
RAFAEL FERRAZ PEREIRA RGM: 1766493-4
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Graduação em Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel. Orientador (a): Prof. Me. Antonio Lucio R. Assiz
São Paulo 2020
FICHA TÉCNICA
Título: A voz da transgeneridade. Sinopse: Por anos a comunidade trans passou por diversos episódios de repressões e preconceitos, isso resultou em uma marginalização destes indivíduos. Mesmo em tempos atuais a falta de representatividade afeta a vida individual e conjunta deste grupo social, esse documentário traz uma perspectiva direta de como essas pessoas se sentem acolhidas e representadas diante dos dogmas da sociedade. Duração: 00:30:16 Produto: Documentário. Direção: Rafael Ferraz. Orientador: Prof. Me. Antonio Lucio R. Assiz.
“No pride for some of us, without liberation for all of us.” “Nenhum orgulho para alguns de nós, sem libertação para todos nós.” Marcha P. Jhonson.
AGRADECIMENTOS
Sou grato primeiramente aos meus pais, em especial à minha mãe que a todo o momento me incentivou e me deu forças para seguir com os meus propósitos acreditando sempre nos meus sonhos. Aos meus familiares próximos que se dizem orgulhosos de ver o caminho que percorri, aos meus melhores amigos Erick Johny e Andressa Peixoto por sempre me apoiarem em todas as minhas decisões. Aos meus amigos de classe em especial ao meu grupo, por me darem suporte nesses quase quatro anos e também ao meu namorado, Marcelo Caruso, que teve suma importância na decisão do meu tema, por me fazer orgulhoso em ser quem eu sou e por lutar a favor uma causa que sempre acreditamos. Deixo aqui a minha sincera homenagem e respeito a todas vidas trans que lutaram, resistiram e morreram para termos hoje o direito de ser quem somos, dedico este trabalho de pesquisa para todas elas. Por fim agradeço por minha saúde e da minha família, que segue imune nesta pandemia e rezo por todas as vítimas da COVID-19 que até a entrega deste projeto levou mais de 165 mil vidas somente no Brasil.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo reverberar as vozes de pessoas trans que por muitos anos foram silenciadas, com o intuito de trazer à tona a temática transgeneridade de um modo em que leve o público à um pensamento sobre como a representatividade importa para essa comunidade. Para entendermos como o impacto de um grupo social pode levar a marginalização de outro, realizei uma análise de dados apontados por meio do site Gênero e Número que mostraram que indivíduos transgêneros sofrem todos os dias por conta de preconceitos e intolerância. Ao decorrer deste projeto foi produzido o documentário intitulado “A voz da transgeridade” no qual pessoas trans foram entrevistadas e comentaram sobre suas vivencias e como o preconceito impacta em suas perspectivas de vida. Palavras-chaves: acolhimento.
transgeneridade – gênero – representatividade – espaços de
ABSTRACT
This work aims to reverberate as the voices of trans people who have been silenced for many years, in order to bring up a transgender theme in a way that leads the public to a thought about how to be an important representative for this community. In order to understand how the impact of one social group can lead to the marginalization of another, carry out an analysis of data pointed out through the Gender and Number website that prevents transgenders from working every day due to prejudice and intolerance. During the project, the documentary entitled “The voice of transgenderity” was produced, in which trans people were interviewed and commented on their experiences and how prejudice impacts their life perspectives. Keywords: transgenerity - gender - representativeness - welcoming spaces.
SUMÁRIO
1. Introdução........................................................................................................ 7 2. Objetivos............................................................................................................9 2.1.
Objetivo geral...............................................................................................9
2.2.
Objetivos específicos...................................................................................9
3. Problematização e hipóteses..........................................................................10 4. Justificativa......................................................................................................11 5. Plano estratégico.............................................................................................13 5.1.
Descrição do produto.................................................................................13
5.2.
Estratégias.................................................................................................14
5.3.
Público a ser atingido.................................................................................15
5.4.
Técnicas.....................................................................................................15
6. Aspectos teórico..............................................................................................17 7. Referências......................................................................................................20 8. Cronograma geral............................................................................................22 9. Orçamento.......................................................................................................23 10. Apêdices.........................................................................................................24 10.1. Pautas........................................................................................................24 10.2. Roteiro........................................................................................................27 10.3. Imagens......................................................................................................53 11. Diário de bordo...............................................................................................59 12. Anexos............................................................................................................61
7
1. INTRODUÇÃO
A questão gênero sempre se mostrou complexa, desde o nosso nascimento somos atribuídos à um determinado sexo, e junto a ele, uma combinação de princípios morais, como valores, padrões, costumes e até mesmo determinados privilégios. Porém existe alguns indivíduos que transcendem esse sexo de nascença, e já na infância ou na adolescência, não se reconhecem como pertencentes ao corpo ou gênero que lhes foram associados. Pode até parecer complexo delimitar os contornos do que se refere a transexualidade ou travestilidade, mas é algo mais simples do que muitas pessoas dispõem-se a pensar, na perspectiva mais compreensível podemos definir uma pessoa trans como alguém que não se identifica com o gênero concebido ao nascimento. Para exemplificar, a “transgeneridade” nada mais é do que um termo que unifica as identidades trans, abrangendo as pessoas que se reconhecem como travestis, transexuais, transgêneros e não-binarias, de acordo com que explica a autora do livro Vidas Trans, não existe uma resposta coesa que difere cada singularidade que se auto identifica nesta representação. Para algumas pessoas que compõem esse grupo essa divisão pode traçar limites rígidos que separam essas várias identidades, e isso pode acabar estabelecendo novas normas de como a pessoa deve ser, o que volta a segregar quem não se encaixa, ou quem não quer se encaixar. (AMARA MOIRA, 2017). Esse projeto pauta o tema diversidade, em meio a um trabalho amplamente aprofundado sobre a importância da representatividade de pessoas trans na mass mídia, analisamos
a gravidade acerca da falta de políticas públicas que esses
indivíduos enfrentam por intermédio de uma sociedade expressa de condutas preconceituosas e discriminatórias, além da observação de um estudo de uma pesquisa realizada por meio do Transgender Europe (TGEu) que realizou a apuração entre 2008 e 2016 mostrando que o Brasil foi líder no ranking de assassinatos de travestis e transexuais em comparação a outros países ao redor do mundo. Mesmo considerando a realidade deste cenário, contamos com a existência de espaços de acolhimentos, por conta da necessidade de amparar uma parcela desta comunidade, geralmente pessoas trans desamparadas por suas famílias. Esses
8
espaços surgiram com o intuito de servir como principal ferramenta de auxílio e acompanhamento para que esses indivíduos enfrentem a realidade preconceituosa que existe nos mais diversos ambientes da esfera social. Portanto esse projeto de pesquisa e o produto final expõe a falta de representatividade na grande mídia sobre o tema transgeneridade, podendo observar mesmo que de forma intangível os preconceitos que essas pessoas enfrentam diariamente. O documentário produzido através de relatos de quem lida constantemente com algum tipo de discriminação, propôs ouvir e expor vozes que foram silenciadas, mas que reverberam até hoje em lutas por direitos e igualdades. Para melhor conduzir essa análise, usei como base de estudo as teorias, Espiral do Silêncio de Elisabeth Noelle-Neumann, levando em consideração o conformismo e isenção nos discursos políticos sobre essa temática, e também a teoria Sociedade do Espetáculo de Guy Debord que faz referência sobre como determinados assuntos se tornam distorcidos diante da mass mídia. Sendo assim, por um lado veremos a perspectiva do “espetáculo” e em contrapartida testemunharemos a alusão ao “silêncio” no que se refere a posicionamentos que provoquem impactos expressivos na luta contra à marginalização deste coletivo.
9
2. OBEJETIVOS
2.1 Objetivo geral: O intuito deste documentário é gerar uma análise sobre a importância dos direitos humanos e salientar a falta de representatividade geral e midiática que pessoas trans enfrentam em meio ao preconceito e LGBTfobia da sociedade. Além de expor essa desigualdade social, apresentar dados de como a transfobia é expressa em números, sendo que diariamente travestis e transexuais lutam e morrem constantemente pelo reconhecimento de suas identidades de gênero e pelo direito de ser quem são.
2.2 Objetivos específicos:
O projeto articula uma discussão acerca da falta de representatividade em relação a essa comunidade. No documentário destacamos até que ponto os espaços de acolhimento na região da cidade de São Paulo, em destaque o Casa Florescer, auxiliam na introdução desses membros em sociedade. Para este resultado obtive depoimentos de pessoas que se reconhecem como transgêneros, transexuais ou travestis, sobre suas vivências individuais com a temática da transgeneridade.
10
3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESE Sabemos que a representação é um ponto importante para gerar uma identidade, mas se não existe uma imagem onde essas pessoas possam se sentir refletidas, como podemos considerar que esses indivíduos terão uma orientação igualitária. Partindo desse pressuposto que pessoas transgêneros não se sintam representadas na grande mídia, onde existem discursos que se apresentam controversos, ingressamos em uma direção complexa sobre a marginalização desses indivíduos. O isolamento social afeta não somente neste processo de identidade, mas também dificulta nas oportunidades em meio a existência comunitária. Esses espaços, se tornaram a alternativa mais eficaz de um acolhimento humanizado, preparando esses membros para uma vida mais digna e gerando mais possibilidades, como por exemplo, na esfera mercadológica. Já que diversos fatores apontam na falta de oportunidades em relação ao mercado de trabalho para pessoas transgêneros. Para tal problemática engajei as seguintes questões: Existem políticas públicas que colaboram com informações de acessos para o desenvolvimento social em relação ao tema “gênero”? Esses espaços contribuem com o desenvolvimento de membros da comunidade LGBTQIA+ para sociedade? Para sanar tais questionamentos levantei as seguintes hipóteses: A nossa sociedade ainda tem muito o que avançar para combater de vez a transfobia, desse modo o caminho para a mudança pode começar com acesso a informações sobre gênero. Esses espaços de acolhimento, contribuem com o desenvolvimento de pessoas transgênero oferecendo a oportunidade que muitas vezes são negadas pelo fato dessas pessoas se reconhecerem como são.
11
4. JUSTIFICATIVA Por diversos anos a comunidade LGBTQIA+1 resiste a opressões de diferentes formas. Desde ofensas, agressões até mesmo assassinatos, fazem desta camada social uma das que mais sofrem com a intolerância, porém existe uma parcela deste grupo que enfrentam ainda mais preconceitos, são esses, pessoas que se identificam como transgêneros, indivíduos que assumiram uma identidade de gênero, masculina, feminina ou neutra, diferente da biológica. Por conta de suas naturezas, essas pessoas vivem a sombra da sociedade, à deriva em um país que detém uma escassez de políticas públicas e de acesso à educação, saúde e direitos básicos. O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de travestis e transexuais, esses dados pertencem à ONG Transgender Europe (TGEu) que realizou a pesquisa entre 2008 e 2016. (CORREIO BRAZILIENCE, 2018) Com a cidadania negada em tantas esferas, a população LGBT é mais vulnerável e é executada todos os dias pelo simples fato de existir. No Brasil, a expectativa de vida de travestis e transexuais é de apenas 35 anos – para comparação, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) calcula que a expectativa de vida do brasileiro é, em média, de 75 anos. Segundo dados da ONG Transrespect, nosso país, sozinho, registrou 38% dos assassinatos dessa população que ocorreram em todo mundo entre janeiro de 2008 e junho de 2016. (SOARES, 2017, p.4)
De contra partida, observei a existência de espaços de acolhimento direcionados a comunidade LGBTQIA+, que foram criados para acolher indivíduos que geralmente são expulsos de suas casas ainda na adolescência e por conta desse desamparo encontram-se muitas vezes a mercê da sobrevivência, porém com o auxílio desses espaços e profissionais, essas pessoas recebem abrigo e acompanhamento psicológico para enfrentar os obstáculos do mundo externo, e com isso compõem o poder de assumir o direito a ter voz e vez em uma sociedade afetada por preconceitos. Pelo presente motivo escolhi como objeto de estudo o centro de acolhida para mulheres travestis e transexuais “Casa Florescer”, que conta em sua estrutura com
1
LGBTQIA+ é a abreviação para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, intersex, agêneros, assexuados e mais (BORTOLETTO, 2019)
12
uma república de acolhimento, um ponto cultural de acesso livre à atividades diversas e uma assistência social de atendimentos psicoterápicos através de orientações sobre saúde mental, para ser usado como referência como espaço de acolhimento. Na maioria das vezes a existência desses indivíduos são ignoradas nas pautas gerais da grande mídia. Por se tratar de uma luta minoritária essa representação se torna árdua e discriminatória, também existem diversos conflitos públicos acerca do tema “transgeneridade” principalmente em discursos conservadores majoritariamente expostos por pessoas cis heterossexuais, como por exemplo uma recente fala da atual ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, Damares Alves, onde disse “menino veste azul e menina veste rosa” 2, referindo-se ao gênero masculino e feminino como opostos, incitando um discurso controverso ao que se referiu como “ideologia de gênero”. Com esse episódio, notei que a questão da falta da representação e a marginalização de pessoas transgêneros vem tomando uma proporção cada vez maior. Confirmando assim a importância de abordar temas como este em pesquisas de análise aprofundada, sobre tudo considerando o fato de que pouco é falado sobre a realidade vivida por essas pessoas.
2
Conteúdo disponibilizado em < https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-
veste-rosa-diz-damares-alves-em-video-23343024 >. Acesso em: 20 mai. 2020.
13
5. PLANO ESTRATÉGICO
5.1 Descrição do produto:
O documentário televisivo foi intitulado como “A voz da transgeneridade” desde o momento inicial da escolha do produto final. A definição do título condiz com o propósito de reverberar as vozes desta comunidade que por muitos anos foram silenciadas. Nesta obra o público será capaz de mergulhar na realidade vivida por essas pessoas através de relatos de histórias de vida, por meio da perspectiva de quem sente na pele os preconceitos diários de viver a beira da sociedade. O documentário aborda de forma crítica e pluralista os principais episódios de intolerância, que estas pessoas, sofreram no decorrer de suas transições. Para a produção deste documentário, realizei uma vasta pesquisa em diversos catálogos de produções do mesmo gênero, mas dentre todos os que mais me deram uma perspectiva e entusiasmo foram: “A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson” dirigido por David France, que se tornou um fenômeno no Mainstream nos últimos anos, e também a produção nacional “Bixa Travesty” com a direção de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, que pautou a luta pela desconstrução de estereótipos de gênero, classe e raça. Ambos foram de extrema importância para o resultado final deste curta-metragem. Em seu formato original o documentário totalizou uma duração de 72 minutos, porém o projeto exige uma restrição que culminou no corte de cenas, totalizando o tempo de 30 minutos de vídeo. O projeto final contém quatro atos, no qual se separam por tópicos de discussões entre as narrativas das personagens, o primeiro deles, intitulado de “Mais sobre mim, mais sobre nós”, leva a audiência conhecer cada entrevistado e suas histórias de chegada até o momento atual de suas vidas, na sequência o telespectador é apresentado a uma análise individual sobre como eles se sentem representados diante da mídia e da sociedade, intitulado de
“Espelho,
espelho meu (?)” o segundo ato, traz a alusão da falta de representatividade e como isso afeta diretamente a vida de pessoas trans. Um pouco após a metade do filme o telespectador é transportado à uma nova atmosfera, onde os entrevistados comentam sobre suas experiências ao enfrentar o preconceito, “Nós por nós” mescla entre
14
problemas e soluções, trazendo cenas reais tiradas da internet de travestis e transexuais sofrendo nas ruas por preconceito. No ato final, o ciclo é fechado com uma visão de futuro deixada por cada entrevistado, “Somos mais, e somos fortes” encerra com uma mensagem de esperança de luta e conquista sobre o empoderamento e a luta diária que essa comunidade enfrenta nos tempos atuais. Ao final o intuito é que o espectador entenda a importância de conhecer a fundo as vozes de pessoas que pertencem a esse coletivo, e que reflitam sobre o impacto social que a representatividade traz para a vida de pessoas transgêneros.
5.2 Estratégias:
O método inicial de pesquisa utilizado para este estudo foi o parâmetro qualitativo, considerando que foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental, abordando os principais temas discutidos em meio a transgeneridade. Em um primeiro momento encontrei conteúdos em sites, portais, artigos, teses e monografias, na seguinte etapa concentrei minhas pesquisas em base à minha delimitação, a partir deste ponto considerei a leitura dos principais autores teóricos usados em minha pesquisa, tais como: Elisabeth Noelle-Neumann, Stuart Hall e Guy Debord. No próximo passo comecei a pesquisar conteúdos que englobavam a temática trans no site Gênero e Número, a partir desses dados de pesquisa tracei um parâmetro de busca de espaços sociais de acolhimento para o público LGBTQIA+. Portanto, uma vez contactada, a Casa Florescer foi escolhida como plano de fundo para a produção do documentário, nesta realizei uma seleção de pessoas como fontes que puderam relatar suas vivências dentro deste espaço. Para os planos in loco utilizei a técnica de entrevista a partir de histórias de vida, com este escopo coletei informações pessoais destes indivíduos que se identificam como transexuais, travestis ou transgêneros sobre suas trajetórias. Ao final com os relatos coletados, realizei a produção do documentário intitulado “A voz da transgeneridade”, por meio deste realizei a análise sobre como pessoas trans se sentem representadas diante da mídia e de contra partida como se
15
sentem acolhidas em consequência da marginalização social que são vinculadas as suas imagens.
5.3 Público a ser atingido:
Em linhas gerais a pretensão do projeto é atingir o máximo de audiência possível, mas existe uma intenção específica de que este conteúdo chegue em pessoas que ignoram a existência da comunidade trans, ou que, de algum modo já formularam algum tipo de concepção imagética destes indivíduos. O documentário apresenta ao público uma análise sobre como a representatividade midiática em torno da transgeneridade, afeta diretamente as vidas destes indivíduos, e também abre o debate sobre as tendências de comportamento de sociedade, seus paradigmas e preconceitos em torno da temática, além de propor uma reflexão, de como a marginalidade é acentuada em uma grande parcela desta comunidade. O produto de formato documental em vídeo, tem como características a produção independente, a pretensão é que ele seja publicado em portais, sites ou bloggers de discussões acerca do assunto diversidade, além de que circule nas principais páginas dirigidas à comunidade LGBTQIA+, o intuito é que o projeto experimental alcance o maior número de espectadores possíveis, engajando assim um público que talvez não tenham nenhuma orientação sobre essa temática.
5.4 Técnicas:
Nas gravações utilizei uma câmera modelo Nikon D5300 com a lente 35mm, tanto nas captações de interna e externas, para a captação de áudio foi utilizado o microfone de lapela BOYA BY-M1DM, Omni direcional duplo. Reforcei a ideia de utilizar equipamentos com relevância no mercado, pensando em um resultado de extrema qualidade audiovisual. Nas entrevistas optei por utilizar as variáveis entre primeiro plano e plano médio com o auxílio de um tripé. Para as imagens de apoio ousei em ângulos mais complexos como por exemplo: plano geral, contra-plongée, over shoulder e ¾.
16
O produto foi editado e renderizado no software Premiere Pro 2020, do pacote Adobe. Todos os conteúdos visuais existentes, foram estrategicamente pensados para levar o telespectador à uma atmosfera aprofundada com a temática. Em cada interlúdio foi utilizado um background de luzes coloridas desfocadas em um fundo preto, esse conteúdo faz parte de um pacote disponibilizado de forma gratuita na internet. Na trilha sonora, utilizei a biblioteca do Youtube para selecionar todas as músicas utilizadas para ambientar e potencializar a climatização do documentário, com exceção de duas trilhas autorais selecionadas para compor a introdução e o encerramento, ambas receberam ao final os devidos créditos. Para ilustrar algumas falas foram retiradas imagens da internet, a proposta foi deixar mais tangível o entendimento da audiência com o diálogo do entrevistado, neste caso todas as imagens e vídeos receberam os indicativos de crédito ou informativos que foram retiradas da internet. Em destaque a tipografia, os GC’s e os elementos, receberam uma palheta de cor semelhante à bandeira do orgulho trans, com as cores azul bebê, branco, rosa e preto para dar contraste. O objetivo é reforçar a identidade visual a todo o momento, fazendo com que o espectador esteja imerso no conjunto visual. As colorações também foram trabalhadas, para ajustar todas as cenas gravadas. Tanto as captações internas como externas, receberam o recurso Cor de Lumetri que permitiu ajustar o brilho e contraste, além de uma camada de tom mais azulado, levando em consideração que algumas imagens originais estavam em tons amarelados e com a cor branca estourada. A tipografia utilizada em todo o projeto constituí de forma padronizada, para condizer com uma estética limpa e objetiva, as fontes selecionadas foram “Cooveltiva Bold” e “Love Beard”, ambas possuem um contraste entre si, e mesclam na composição do design de um modo geral. Para a produção da capa e disco do DVD, utilizei o software Photoshop 2020, também do pacote Adobe. O arquivo em PSD com as dimensões pré-definidas foi baixado através de um site especializado neste seguimento, que disponibiliza estes arquivos de forma gratuita na internet. A imagem utilizada na capa é uma ilustração do site Getty Images, onde é preciso assinar um pacote para a autorização do download e uso do arquivo, que neste caso, consegui através de uma assinatura disponibilizada por um colega. Os componentes de cores foram pensados para seguir uma estética similar ao do documentário, assim como a tipografia.
17
6. ASPECTOS TEÓRICOS
O movimento LGBTQIA+ tem ganhado cada vez mais força em sua representação, podemos reconhecer essa relevância na 23ª edição da “Parada do Orgulho LGBT” de São Paulo, que aconteceu no ano de 2019 e atraiu cerca de 3 milhões de pessoas para as ruas da capital Paulista3, porém isso corresponde apenas à uma pequena parcela dessa comunidade. Por mais que atualmente exista um amplo debate acerca desse coletivo, os números de casos de agressões contra pessoas transgêneros só aumentam, segundo um levantamento do site Gênero e Número, por dados adquiridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan, parte do Ministério da Saúde) via Lei de Acesso à Informação, em média 11 pessoas trans foram agredidas por dia no ano de 2017 (esse é o ano mais recente em que os dados foram compilados). A maioria das pessoas que se identificam como transgênero ainda se sentem invisíveis diante da sociedade, onde é raro encontrar uma imagem que gere representatividade, e muitas das vezes por conta disso acabam recorrendo como única alternativa às ruas ou a prostituição como opção de sobrevivência. Mas o que seria a representação em si? Stuart Hall afirma que: Representação é uma parte essencial do processo pelo qual os significados são produzidos e compartilhados entre os membros de uma cultura. Representar envolve o uso da linguagem, de signos e imagens que significam ou representam objetos. (HALL, 2016, p. 31)
No âmbito midiático é ainda mais raro encontrar pautas que levantam discursos sobre a transgeneridade, podemos até observar que existem, porém quando são vinculados conteúdos, as imagens dessas pessoas se tornam um espetáculo de irresponsabilidades de comunicação, um produto que se mostrou relevante para essa pesquisa foi a monografia de Luccas Castro, publicada em 2018, é um trabalho realizado, segundo o autor, com o objetivo de analisar como é construída a
3
Conteúdo disponibilizado em <https://www.metropoles.com/brasil/parada-lgbt-reune-3-milhoes-
de-pessoas-em-sao-paulo>. Acesso em: 22 mai. 2020.
18
representação de mulheres transgêneros baseada em um programa telejornalístico. Segundo o que retrata o autor: Essa complexidade é muitas vezes ignorada pela mídia, por exemplo, que constrói um discurso essencialista, baseado em dogmas religiosos que não procuram compreender as diversidades, fenômeno que leva a mídia a ser um ambiente de discriminação e violências simbólicas aos transgressores dessa ordem patriarcal heteronormativa vigente ou de um discurso hegemônico que define o que é normal baseando-se na distinção das identidades a partir do sexo biológico dos sujeitos, [...] (CASTRO, 2018, p. 42)
Diante de uma exposição superestimada, temos a reflexão sobre qual a quantidade de membros dessa comunidade que estão ocupando esses espaços midiáticos, sendo assim levantei alguns questionamentos sobre essas pessoas em meio ao que as representam. Quantos travestis estão no elenco de um programa televisivo? Quantos homens trans assumem um cargo em um telejornal? Quantas mulheres trans fazem parte da produção de um roteiro de telenovelas, nas quais são representadas? Isso levando apenas em consideração o âmbito midiático, a resposta não se mantém muito distante de zero. Com esses questionamentos capacitei um paralelo entre as teorias de Guy Debord acerca da Sociedade do espetáculo e Espiral do silêncio de Elisabeth Noelle-Neumann. Para Debord (1967) estamos vivendo em uma era de dominação das imagens, pois essas, exercem um controle de influência sobre a determinação da realidade visto que “o espetáculo na sociedade representa concretamente uma fabricação de alienação”. Desse modo percebemos que a representação de pessoas transgênero podem gerar uma imagem destorcida quando não vinculada de forma adequada, e o motivo dessa marginalização pode ser considerada quando aos olhos de milhares de espectadores de um canal televisivo aberto, são provocadas discussões controvérsias acerca do debate sobre a transgeneridade. Para exemplificar esse contexto, podemos notar na prática como dentro das pautas midiáticas esses assuntos são abordados de um modo ínfimo, quase como uma característica sazonal. São poucos os programas da mass mídia ou personalidades públicas que de fato se comprometem com posicionamentos em que estimule uma visibilidade com a causa, motivando assim uma influência de conformismo somente naquela imagem baseada em estereótipos que são
19
apresentadas. Isso respaldado nas circunstâncias macrossocial passa a permear a percepção da importância de políticas públicas para essas pessoas, inclusive as mais vulneráveis. Desse modo podemos refletir, até que ponto a falta de uma opinião interfere no aspecto em que a sociedade enxerga uma determinada temática. Partindo desse contraponto, observei como se aplica a teoria Espiral do Silêncio, neste contexto a “opinião pública” é caracterizada pelo poder dominante, exercido tanto no governo, quanto em cada indivíduo. Essa opinião influencia diretamente no comportamento das pessoas, causando assim um medo de embaraçamento ou isolamento social, de acordo com Noelle-Neumann, uma situação se torna embaraçosa ou constrangedora por um grupo ou sociedade quando diverge do consenso social, ou seja, da opinião maioritária. A mídia colabora na construção das representações sociais, desse modo o silenciamento de grupos, geralmente minoritários, coloca em xeque a importância de causas e tira da sociedade o foco em assuntos importantes, podendo assim, dar origem à um processo de naturalização dos objetos silenciados. (MENDONÇA, 2015). Claro que devemos ponderar que existem diversos posicionamentos nos veículos de comunicação, entretanto, algumas representações sobressaem, à medida que outras são silenciadas. Para a autora o medo do isolamento aumenta com o tamanho do público, e a audiência televisiva é um campo amplo de espectadores. (NOELLENEUMANN, 1973) Trazendo para essa temática da transgeneridade podemos refletir sobre a característica de como esse assunto é tratado na grande mídia, repercutindo pontualmente na vida dessas pessoas. De um lado observamos a perspectiva do “espetáculo” e em contrapartida testemunhamos a alusão ao “silêncio” no que se refere a posicionamentos que provoquem impactos expressivos na luta contra a marginalização deste coletivo. Com o suporte dessas teorias e a produção de um documentário foi possível observar com um olhar crítico e apurado, como essas pessoas se sentem representadas e acolhidas diante de uma sociedade que se mostra carregada de preconceitos e intolerância.
20
7. REFERÊNCIAS
A VIDA e a morte de Marcha P. Johnson. Direção David France. [s.l.]: Netflix. 2017. Streaming (105 min), son., color. BORTOLETTO, Guilherme. LGBTQIA+: identidade e alteridade na comunidade. São Paulo. 2019, 5 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialista em Gestão de Produção Cultural). Curso de Comunicação e artes. Universidade de São Paulo São Paulo, SP, 2019. CASA 1. Quem somos. 2020. Disponível em: <http://www.casaum.org/quemsomos/> Acesso em: 12 mai. 2020 CASTRO, Luccas. TRANSGÊNERO NO TELEJORNAL: A representação da mulher trans no telejornal Cidade Alerta. São Paulo. 2018, 42 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Jornalismo). Curso de Jornalismo. Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, MG, 2018. CONNEL, Reawyn. PEARSE, Rebecca. Gênero – Uma perspectiva global. 1. ed. São Paulo: nVerso. 2015. CORREIRO BRAZILIENCE. Brasil lidera ranking mundial de assassinatos de transexuais. 2018. Disponível em: <http://especiais.correiobraziliense.com.br/brasillidera-ranking-mundial-de-assassinatos-de-transexuais> Acesso em: 19 mai. 2020. DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. 1. ed. [s.l.]: eBooks Brasil. 2003, p 26.
GÊNERO E NÚMERO. Transfobia: 11 pessoas trans são agredidas a cada dia no Brasil. Conteúdo disponibilizado em < http://www.generonumero.media/transfobia11-pessoas-trans-sao-agredidas-a-cada-dia-no-brasil-2/> Acesso em: 22 mai. 2020. HALL, Stuart. Cultura e representação. Organização e Revisão Técnica: Arthur Ituassu; Tradução: Daniel Miranda e William Oliveira. Rio de Janeiro: Editora PUCRio: Apicuri, 2016. MARILAC, Luísa.; QUEIROZ, Nana. Eu, Travesti – Memórias de Luísa Marilac. 3. ed. São Paulo: Record. 2019.
21
MENDONÇA, Rhayssa. BRAGA, Claudomilson. A Espiral do Silêncio e as Representações Sociais: Os Meios de Comunicação, a Legitimação e a Naturalização. Goiás. 2015. 10 f. Trabalho apresentado no GP Teorias da Comunicação do XV Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
METRÓPOLES. Parada LGBT reúne 3 milhões de pessoas em São Paulo. Conteúdo disponibilizado em <https://www.metropoles.com/brasil/parada-lgbt-reune3-milhoes-de-pessoas-em-sao-paulo>. Acesso em: 22 mai. 2020. MIDÕES, Miguel. Caso Esmeralda e a Espiral do Silêncio de Elisabeth NoelleNeumann. 2008. 5 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Pública, Política e Intercultura). Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal, 2008.
MOIRA, Amara. et al. Vidas trans: A coragem de existir.1. ed. São Paulo: Astral Cultural. 2017. NOELLE-NEUMANN, Elisabeth. A Espiral do Silêncio – Opinião pública: Nosso tecido social (Português). 1. ed. [s.l.]: Estudo Nacionais. [s.d.]
OGLOBO. 'Menino veste azul e menina veste rosa', diz Damares Alves em vídeo <https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-dizdamares-alves-em-video-23343024> Acesso em: 20 mai. 2020. SOARES, Nara. Mini Manual de jornalismo humanizado Parte V: LGBT. Think Olga. Disponível em thinkolga.com. 2017. Acesso em 20 mai. 2020.
22
8. CRONOGRAMA GERAL
CRONOGRAMA GERAL – PROJETO DE PESQUISA E EXPERIMENTAL Atividades Escolha do tema + Pesquisa. Delimitação do tema. Objetivos + Problemas + Hipóteses. Introdução; Justificativa; Aspectos Teóricos e Metodológicos. Pesquisa de fontes Entrega da Etapa I do TCC Contato com as fontes. Início das gravações. Decupagem.
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
X
X
JUN
JUL
AGO
X
X
SET
OUT
X X X
X X
X
X X
X
Edição das sonoras.
X
Início das edições.
X
Finalização da edição. Finalização da capa e acabamentos finais. Entrega do Trabalho de Conclusão de Curso.
NOV
X
X
X
DEZ
23
9. ORÇAMENTO
ORÇAMENTO GERAL Item
Quantidade
Valor Unitário (média)
Valor total
Passagem de trem com integração.
22
R$ 4,40
R$ 96,80
Aplicativo de transporte.
16
R$ 15,00
R$ 240,00
Alimentação.
06
R$ 25,00
R$ 150,00
Cartão de memória 64gb.
02
R$ 110,00
R$ 220,00
Tecido para canário.
01
R$ 78,90
R$ 78,90
Placa SSD para Software.
01
R$ 190,00
R$ 190,00
Tripé.
01
R$ 140,00
R$ 140,00
Impressão do Projeto de Pesquisa.
02
R$ 10,00
R$ 20,00
Total:
R$ 1135,70
24
10. APÊNDICE
10.1 Pautas:
PAUTA
Rafael Ferraz Pereira “O debate sobre a invisibilidade da representatividade e a marginalização da transgeneridade.”
PRODUTO:
TEMA/ASSUNTO:
DATA DA ENTREVISTA:
Documentário em Vídeo;
“Gêneros”; “Transgeneridade”; “Pessoas Transgênero” etc.
Segundo semestre;
HISTÓRICO O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de travestis e transexuais, esses dados pertencem à ONG Transgender Europe (TGEu) que realizou a pesquisa entre 2008 e 2016. No meio de tanto preconceito, como pessoas trans se sentem representadas e acolhidas diante da sociedade. O documentário traz uma perspectiva por meio dos relatos desses indivíduos. ENFOQUE/ANGULAÇÃO Produzir um documentário, abordando os principais temas da transgeneridade por meio de depoimentos, conduzindo o espectador para uma reflexão sobre a importância de entender o impacto social que temos sobre essas pessoas. POSSÍVEIS PERGUNTAS Mais sobre mim, mais sobre nós
Como foi o seu processo de transição?
Como foi lhe dar com sua família depois da transição?
De onde você recebeu mais apoio no momento em que você mais precisou?
Na sua opinião, o que seria uma família perfeita?
Existiu pessoas que se afastaram ou rejeitaram de você, depois que você assumiu quem você realmente é?
25
Tinham pessoas que te inspiravam quando você era mais jovem?
Como você imaginaria um personagem na sua infância se ele fosse trans no filme/desenho?
Você acha que o processo seria diferente se existisse esse personagem?
Espelho, espelho meu (?)
Para você o que é representatividade?
Em quais momentos você sente mais a falta de uma imagem que te represente?
Na sua opinião, porque as empresas (em geral) não usam pessoas trans como modelos?
Sabemos que a representação é um ponto importante para gerar uma identidade, mas se não existe uma imagem onde você pode se sentir refletida, faz com que você se sinta invisível?
Você tem alguma experiência que você sentiu falta da representatividade em algum momento da sua vida?
O que na sua opinião precisa ser feito para levar mais acesso à informação sobre a transgeneridade?
A Maioria das pessoas trans ainda se sentem invisível na sociedade, onde majoritariamente vemos pessoas Cis ocupando cargos, locais de fala. Na sua opinião como isso pode ser mudado?
Existem poucos programas, marcas ou até mesmo personalidades, que se comprometem em levantar a bandeira da causa LGBTQIA+, na sua opinião existe um receio das pessoas em vincular a imagem da sua marca a uma pessoa trans?
Na sua opinião a falta de representatividade causa um impacto na marginalização da imagem trans? (A falta sobre ser falado neste assunto, faz com que as pessoas se tornem cada vez mais preconceituosas, colaboram com que as pessoas sejam mais preconceituosas?)
Nós por nós
“A classe LGBTQIA+ é mais vulnerável e é executada todos os dias pelo simples fato de existir. No Brasil, a expectativa de vida de travestis e transexuais é de apenas 35 anos – para comparação, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) calcula que a expectativa de vida do brasileiro é, em média, de 75
26
anos”. O que você pode comentar sobre esta realidade?
“Em 2019, 124 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. País lidera ranking de assassinatos nos últimos 10 anos, segundo Dossiê da Antra divulgado este ano”. O Brasil é líder em assassinatos de pessoas trans, esses são os dados que foram contabilizados, este número pode ser maior, na sua opinião o que faz o nosso país ser líder neste aspecto?
Mesmo em tempos atuais pessoas trans são a linha de frente em relação a serem vítimas de preconceito e questões discriminatória?
Você já sofreu algum tipo de preconceito?
Você percebeu a falta de oportunidade depois da transição?
Você tem algum medo, por ser quem realmente você é?
Você se sente acolhida dentro da sua própria comunidade LGBTQIA+?
O que você tem a dizer sobre a travestis e trans que lutam e morrem por esta causa?
Somos mais e somos fortes
Quais são os seus maiores objetivos, e o que você quer conquistar?
Qual a mensagem que você deixa para a causa, e para a todas mulheres e homens trans, travestis que lutaram e lutam para o direito de ter voz e vez na sociedade?
Como você enxergar esta luta daqui há alguns anos?
O que você diria para quem está começando a se transicionar neste momento?
Qual o conselho que você daria para sí mesma? E qual o conselho que você dá para as travestis, mulheres e homens trans que estão se sentindo desamparadas/sozinhos neste momento?
O que mais te orgulha em ser quem você é?
Em poucas palavras você consegue resumir o que de fato é ser uma pessoa trans?
FONTES
CLÉO MOREIRA;
27
GABRIELLY CÉSAR;
KATHARINA SELERGER;
RAFAEL SENNA;
REBECA BITTENCOURT;
SIMONE OLIVEIRA;
SASHA DOS SANTOS.
EQUIPAMENTOS
REPÓRTER
Computador, softwares, microfones, gravador, câmera de vídeo, câmera fotográfica, tripé e iluminação.
Rafael Ferraz Pereira
10.2 Roteiro:
GENÊRO: DOCUMENTÁRIO
TÍTULO: A VOZ DA TRANSGENRIDADE
ORIENTADOR: PROF. ME. ANTONIO LUCIO R. ASSIZ
ROTEIRO E DIREÇÃO: RAFAEL FERRAZ
FORMATO: HIGH DEFINITION 1080P
DURAÇÃO: 00:30:16
SINOPSE: POR ANOS A COMUNIDADE TRANS PASSOU POR DIVERSOS EPISÓDIOS DE REPRESSÕES E PRECONCEITOS, ISSO RESULTOU EM UMA MARGINALIZAÇÃO DESTES INDIVÍDUOS. MESMO EM TEMPOS ATUAIS A FALTA DE REPRESENTATIVIDADE AFETA A VIDA INDIVIDUAL E CONJUNTA DESTE GRUPO SOCIAL, ESSE DOCUMENTÁRIO TRAZ UMA PERSPECTIVA DIRETA DE COMO ESSAS PESSOAS SE SENTEM ACOLHIDAS E REPRESENTADAS DIANTE DOS DOGMAS DA SOCIEDADE.
INTERNAS / EXTENAS / BG’S / TS’S / GC’S / INSERT VÍDEO / INSERT IMAGEM BG: TÍTULO: A VOZ DA TRANSGENERIDADE / PRODUTO:
TC IN / TC OUT
TC IN: 00:05:00 TC OUT: 00:07:00
SONORAS
28
DOCUMENTÁRIO/ DIREÇÃO: RAFAEL FERRAZ / TEMPO: 30”16/ ORIENTADOR: PROF. ME. ANTONIO LUCIO R. ASSIZ / PROJETO EXPERIMENTAL DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL. NOVEMBRO-2020
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:00:08 TC OUT: 00:00:42
TS: BROWN SKIN GIRL – BEYONCÉ - THE LION KING: THE GIFT
EXTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP. INSERT VÍDEO: PLANO ABERTO PAREDE “RESPEITA AS MONA” / PLANO MÉDIO CURTO
SONORA SELERGER:
KATHARINA
LIDAR COM A FAMILÍA SEMPRE FOI ALGO COMPLICADO NÉ PORQUE A FAMILÍA ESTÁ JÁ BASEADA EM OUTROS ENSINAMENTOS QUE AS VEZES NÃO BATE NÉ AS DUAS IDEIAS. ENTÃO A PRIMEIRA VEZ QUE EU FALEI PARA MINHA MÃE FOI MUITO DIFÍCIL, PORQUE A PRIMEIRA VEZ ELA NÃO ACEITOU, FOI QUANDO EU REGREDI NA MINHA TRANSIÇÃO, ELA FALOU PARA MIM QUE EU NUNCA IRIA SER UMA MULHER DE VERDADE, QUE EU NUNCA PODERIA TER UM FILHO, PORQUE EU NUNCA TERIA UM ÚTERO. E EU FALEI PARA ELA QUE AQUILO NÃO SE RESUME UMA MULHER, NÃO SÃO GENITAIS NEM O QUE VOCÊ TEM POR DENTRO. VOCÊ SE TORNA UMA.
TC IN: 00:00:43 TC OUT: 00:01:11
29
“EXTERNA REBECA” / PLANO MÉDIO “EXTERNA SASHA” / PLANO MÉDIO “EXTERNA GABRIELLY” / PLANO AMERICANO INTERNO CLÉO. BG: TÍTULO “A VOZ DA TRANSGENERIDADE”.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP. INSERT IMAGEM: EXTERNA FACHADA DA CASA. INSERT IMAGEM: PLANO DETALHE DE OBJETO. INSERT IMAGEM: INTERNA DA CASA. INSERT GC: ALBERTO SILVA – COORDENADOR DA CASA FLORESCER
TC IN: 00:01:12 TC OUT: 00:02:23
SONORA ALBERTO SILVA: A CASA FLORESCER É UM CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRANS E TRAVESTIS, QUE SE ENCONTRAVA EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL. ESSA OCORRENDO EM SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA DIVERSAS, ENTÃO MUITAS MENINAS QUE AQUI REZIDEM, SÃO 30, MUITAS QUE FICAM 24 HORAS, PASSARAM EM ALGUM MOMENTO PELA RUA, DEVIDO ATÉ UMA PRÓPRIA QUESTÃO DE SUBEXISTÊNCIA EM CONTATO COM E DEPENDENCIA QUÍMICA, EM FUNÇÃO DE TODOS ESTES PROCESSOS DE EXCLUSÃO, DESDE A DA FAMILIA, A EXPULSÃO DA ESCOLA, A EXPULSÃO SOCIAL, A EXPULSÃO DE VÁRIOS SENTIDOS DA VIDA NÉ. EM VÁRIOS ASPÉCTOS, ENTÃO AQUI A GENTE PROCURA FAZER UM TRABALHO PAUTADO NA POLÍTICA DE ARTICULAÇÃO DE REDE ENTENDENDO QUE NÃO É SÓ VOCÊ ACOLHER, É VOCÊ ACESSAR OUTROS TERRITÓRIOS QUE ERAM DESCONHECIDOS, COMO UMA SAÚDE EFICIENTE, UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, UMA CULTURA QUE CONSIGA
30
TE MOSTRAR OUTRAS FERRAMENTAS SOCIAIS, O ESPORTE, MEIO AMBIENTE. TUDO ISSO CORRELACIONADO ATÉ QUE VOCÊ CONSIGA ENTENDER A SUA RESIGNIFICAÇÃO EXISTENCIAL, QUE VOCÊ É UMA CIDADÃ DE DIREITO, ENTÃO É UM PROCESSO MEIO QUE DE ENCONTRO.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:02:24 TC OUT: 00:02:34
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:02:35 TC OUT: 00:02:46
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:02:47 TC OUT: 00:03:10
SONORA CLÉO MOREIRA: MEU NOME É CLÉO MOREIRA, NASCI EM ARGOLO MUNICÍPIO DE VIÇOSA, BAHIA, VIM DO INTERIOR DA BAHIA PARA CÁ, PRA SÃO PAULO, PRA TENTAR A VIDA NÉ.
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
MEU NOME É GABRIELLY, EU TENHO 28 ANOS, EU VIM DA CIDADE DE AMPARO INTERIOR DE SÃO PAULO, CHEGUEI EM SÃO PAULO EM UMA TERÇA-FEIRA E TIPO ASSIM, SEM CONHECER NADA.
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
MEU NOME É SASHA / QUANDO EU CHEGUEI EM SÃO PAULO EU FUI DIRETO PARA A RUA, EU TRABALHEI NA RUA E AÍ EU ESTAVA EM OUTRO LUGAR SEM SER AQUI NO CENTRO, E PASSEI POR OUTRAS COISAS TAMBÉM, QUE DIFÍCIL NÃO SÓ PARA MIM, MAS PARA TODAS QUE CHEGAM EM SÃO PAULO NÉ, QUE VEM EM BUSCA DE SONHOS E OBJETIVOS QUE NA
31
VERDADE NADA ACONTECE.
EXTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:03:11 TC OUT: 00:03:33
BG: MAIS SOBRE MIM, MAIS SOBRE NÓS.
TC IN: 00:03:34 TC OUT: 00:03:39
SONORA BITTENCOURT:
DISSO
REBECA
OI, EU SOU REBECA BITTENCOURT, TENHO 29 ANOS, SOU DE MINAS, BH / PRA MIM CHEGAR ATÉ AQUI NESSA CASA EU / PASSEI POR MOMENTOS DIFICEIS, FIQUEI MUITO TEMPO NA RUA, AÍ DEPOIS EU CONHECI E OUVI FALAR SOBRE A FLORESCER, SOBRE A CASA, E HOJE ME ENCONTRO AQUI, EU TO BEM, UMA CASA QUE ME ACOLHEU NO MOMENTO.
TS: MYDNYTE - NOIR ET BLANC VIE.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP. INSERT GC: SASHA DOS SANTOS:
TC IN: 00:03:40 TC OUT: 00:04:19
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
ENTÃO, MEU PROCESSO DE TRANSIÇÃO COMEÇOU NA MINHA CIDADE AINDA, E FOI UM POUCO DIFÍCIL, PORQUE, POR SER UMA CIDADE, PERNANBUCO, É UMA CIDADE AINDA MUITO QUE, É MEIO QUE DESINFORMADA DESSE MUNDO LGBT, E ERA MUITO DIFÍCIL, E AI EU COMECEI A FAZER MINHA TRANSIÇÃO E FOI AONDE COMEÇOU OS EMPECILHOS DA MINHA VIDA / AS PESSOAS XINGAREM, QUEREM BATER E AMEAÇAR E A GENTE NÃO PODER SAIR DA FORMA QUE A GENTE SE SENTE BEM, E ELES CRITICAREM, E ISSO ERA MUITO DOLORIDO, ERA DESSAS FORMAS QUE A GENTE
32
TINHA QUE ACEITAR AS COISAS.
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA- VIA SKYPE. SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH. INSERT SENNA
GC:
TC IN: 00:04:20 TC OUT: 00:04:45
POR MUITO TEMPO EU ME VESTI, TIPO, ROUPA FEMININA E TAL, E TENTEI SER O MAIS FEMININO POSSÍVEL, E NÃO QUE EU NÃO TENHA UM LADO FEMININO, OU QUE EU ABOMINO O FEMININO, DE FORMA ALGUMA, MAS TIPO, EU NÃO ME SENTIA CONFORTÁVEL COM MEU NOME, NÃO ME SENTIA CONFORTÁVEL COM AS ROUPAS, SEI LÁ, MINHA MÃE ME FAZIA USAR, OU ENTÃO AS ROUPAS QUE EU USAVA PARA TENTAR ME ENCAIXAR EM ALGUMA COISA SABE.
RAFAEL
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:04:46 TC OUT: 00:04:59
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
EU COMECEI COM 10 ANOS DE IDADE, POR SER FAMÍLIA DO INTERIOR, PAIS TIPO ASSIM, HOMOFÓBICOS, ACHAM TIPO ASSIM, TINHAM MEDO DE FALAR O QUE EU ERA.
INSERT GC: GABRIELLY CÉSAR
BG:MAIS ESPELHO, ESPELHO MEU.
SONORA RAFAEL SENNA:
TC IN: 00:05:00 TC OUT: 00:05:05
TS: BACK TO THE FUTURE JELLYFISH – NOMBE.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP. INSERT GC: MOREIRA
CLÉO
TC IN: 00:05:06 TC OUT: 00:05:17
SONORA CLÉO MOREIRA: QUANDO EU ERA JOVEM, EU VIA NO SILVIO SANTOS AS TRANSFORMISTAS NÉ, AI MEU SONHO ERA SE TRANSFORMAR IGUAL ELAS. FICAR PARECENDO UMA MULHER E FOI ISSO QUE ME LEVOU A FUGIR DE CASA.
33
INSERT REPRODUÇÃO PROGRAMA SANTOS.
VÍDEO:
TC IN: 00:05:18 TC OUT: 00:05:55
SILVIO
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:05:56 TC OUT: 00:07:08
SONORA SELERGER:
KATHARINA
SE EXISTISSE UMA PERSONAGENS QUE DESDE PEQUENA EU VISSE, SE ELA FALASSE “VOCÊ PRECISA ENTENDER QUEM VOCÊ É” E EXPLICASSE SOBRE TRANSIÇÃO, SOBRE O QUE É SER UMA MULHER TRANS, O QUE É ESSA BELEZA TODA SABE, E UMA PERSONAGEM QUE FOSSE AINDA NEGRA QUE REFORÇASSE A CULTURA AFRO JUNTO COM A TRANSIÇÃO, JUNTO COM SER UMA MULHER TRANS, ACHO QUE SERIÁ IMPECÁVEL, TERIA MUDADO MUITA COISA. / A GENTE FICA MUITO PRESA NÉ EM VARÍOS PADRÕES SOCIAIS, ENTÃO POR EXEMPLO, QUESTÕES BÁSICAS PARA PESSOAS CIS, AS MULHERES CIS, PARA A GENTE SÃO QUESTÕES MUITO MAIORES, ENTÃO QUANDO EU FALO POR EXEMPLO, BANHEIRO, É UMA COISA SUPER BÁSICA NÉ, TODO MUNDO TEM DIREITO AO BANHEIRO, MAS O QUE CUSTA COLOCAR UMA PLACA NO BANHEIRO QUE IDENTIFIQUE QUE TODAS AS MULHERES PODEM USAR, MULHERES TRAVESTIS, TRANSEXUAIS, MULHERES NÃO BIANRES NÉ, O QUE CUSTA VOCÊ COLOCAR ESSA REPRESENTAÇÃO? PARA QUE AS PESSOAS LEIAM AQUILO E ENTEDAM, E SE
34
ELAS NÃO ENTENDEREM, ELE SE QUESTIONEM, “QUEM SÃO AS MULHERES TRAVESTIS QUE USAM ESSE BANEHRIO?” , “QUEM SÃO AS MULHERES TRANSEXUAIS?”, ENTÃO FALTA PARA MIM, ESSA QUESTÃO BÁSICA, DE POR EXEMPLO COLOCAREM UMA PLACA DE BANHEIRO.
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA - VIA SKYPE. SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH. INSERT: IMAGEM DE APOIO / PLANO – OVER SHOULDER / PLANO – DETALHE.
TC IN: 00:07:09 TC OUT: 00:08:36
SONORA RAFAEL SENNA: POR EU SER TRANS, EU ACHO QUE SINTO ESSA FALTA EM QUALQUER ÃMBITO SOCIAL E EM QUALQUER ÂMBITO MIDIÁTICO, POR QUE POR EXEMPLO, TEVE A PRIMEIRA VEZ QUE EU VI UM HOMEM TRANS SENDO RETRATADO NA TV BRASILEIRA, POR EXEMPLO, FOI NAQUELA NOVELA DA GLÓRIA PEREZ NA GLOBO, SÓ QUE MESMO TENDO UM HOMEM TRANS ALI, É UMA IMAGEM MUITO ESTERIOTIPADA SABE, NÃO É UMA VIVÊNCIA QUE EU TINHA SABE, UMA VIVÊNCIA QUE ACHO QUE A MAIORIA DAS PESSOAS TRANS VIVEM, É UMA VIVENCIA QUE É MUITO. ELES “PATOLOGISAM” MUITO A VIVÊNCIA TRANS SABE, E QUANDO VOCÊ “PATOLOGISA” PARECE QUE TODO MUNDO TEM QUE VIVER ALI ODIANDO O PRÓPRIO CORPO E SENDO DISFÓRICO, E SABE, PARECE QUE TRANS NÃO PODE SE AMAR, E É ISSO QUE EU SEMPRE VEJO EM QUALQUER FILME, QUALQUER SÉRIE OU QUALQUER NOVELA QUE RETRATA SOBRE TRANSEXUALIDADE/ A GENTE NÃO PRECISA ODIAR O NOSSO PRÓPRIO CORPO SABE, PARA SER TRANS, E ACHO QUE
35
QUANDO VOCÊ CRIA ESSA IMAGEM NA MÍDIA QUE A PESSOA TRANS ODEIA O PRÓPRIO CORPO E ESTÁ NO CORPO ERRADO, EU ACHO QUE VOCÊ CRIA UMA COISA MUITO DOLORIDA PARA A GENTE VIVER SABE, TIPO, É MUITO TRISTE VOCÊ ODIAR SEU PRÓPRIO CORPO, E FALAR QUE VOCÊ TÁ NO CORPO ERRADO, E VOCÊ NÃO ESTA NO CORPO ERRADO SABE... O CORPO É SEU E É ISSO.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:08:37 TC OUT: 00:09:13
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:09:14 TC OUT: 00:10:44
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
EU ACHO QUE TIPO ASSIM... ESTE NEGÓCIO DE TV SABE, EU ACHO QUE ESTÁ TUDO ERRADO. COLOCAR UMA TRANS TEM QUE CONHECER A HISTÓRIA NOSSA SABE, ANTES DE COLOCAR NAS NOVELAS, PORQUE ACHO AS PERSONAGENS TIPO, QUE FEZ GAY, COLOCA UMA REALIDADE, REALIDADE DESSAS TRAVESTI DE RUA SABE, QUE LEVOU TAPA NA CARA, PORQUE ESSAS MERECEM APARECER NAS IMAGEMS SABE, NÃO ESSES ATORES QUE FAZ SÓ O PAPEL E GANHAM MILHÕES COM A NOSSA IMAGEM ENTENDEU.
SONORA SELERGER:
KATHARINA
QUANDO EU ERA CRIANÇA, EU GOSTAVA MUITO DE USAR UM SALTO ALTO QUE ERA DA MINHA MÃE, AQUELA COISA BEM DE CRIANÇA SABE? “PEGUEI AS COISAS DA MINHA MÃE E COLOQUEI” E FICAVA BRINCANDO, MINHA AVÓ ACHAVA ISSO
36
HORROROSO, ELA BRINCAVA, ELA FALAVA “NOSSA, PARA COM ISSO”, MAS ELA DAVA RISADAS. SÓ QUE TIPO, NÃO TINHA NINGUÉM PARA ME ORIENTAR, O QUE É QUE EU ESTAVA GOSTANDO E PORQUE EU GOSTAVA DAQUILO NÉ, PASSOU-SE O TEMPO, EU FUI ME DESCOBRINDO, ME DESCOBRINDO, E ME DESCOBRINDO TOTALMENTE SOZINHA, EU ME DESCOBRI PRIMEIRAMENTE, EU ME ENTENDIA COMO UM HOMEM GAY, MAS EU FICAVA “NÃO, MAS TEM ALGO DE ERRADO, ALGO ESTA FALTANDO” E EU NUNCA ENTENDI O QUE FALTAVA, E EU FICAVA PENSANDO “NÃO MAS EU NÃO GOSTO DE TRAVESTI, ELAS SÃO BANDIDAS, ELAS MATAM, ELAS BATEM NAS PESSOAS” E ISSO É UM PENSAMENTO QUE A GENTE CRIA, QUE É INTRODUZIDO E INRRAIZADO NA NOSSA SOCIEDADE, QUE TODA TRAVESTI É VIOLENTA, MAS A TRAVESTI, ELA NÃO É VIOLENTA, E EU FUI APRENDER ISSO DEPOIS DE UM TEMPO QUANDO EU ME ASSUMI, ME ENTENDI COMO MULHER TRANS, NÓS NUNCA FOMOS VIOLENTAS E NUNCA SEREMOS VIOLENTAS, O QUE ACONTECE É UM GRANDE PROBLEMA SOCIAL ONDE ELES IMPÕE PARA GENTE O QUE ELES QUEREM, E NO NOSSO MOMENTO DE PEDIR POR DIREITOS, NOSSA FALA É TOTALMENTE VISTA DE UMA FORMA VIOLENTA, ELA É VISTA POR OUTROS OLHOS.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL
TC IN: 00:10:45 TC OUT: 00:11:07
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
37
PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP. INSERT IMAGENS: REPRODUÇÃO SERIE POSE.
É HIPOCRISIA NÉ, SÃO PESSOAS HIPÓCRITAS QUE ACHAM QUE SABEM DE TUDO, E NÃO SABEM DE NADA, E ACHAM QUE SIMPLESMENTE, QUE A GENTE É OBRIGADA A FAZER O QUE ELES QUEREM, PORQUE MUITO TEMPO A GENTE TEVE IDENTIDADE APAGADA / E SE EU FOR REAGIR DA MINHA MANEIRA EU VOU SER A TRAVESTI MARGINALIZADA.
TC IN: 00:11:08 TC OUT: 00:012:15
SONORA SELERGER:
KATHARINA
TEM UMA SÉRIE QUE RETRATA MUITO ISSO, A SÉRIE SE CHAMA “POSE” É UMA SERIE QUE ESTA NA NETFLIX, E UMA DAS GAROTAS TRANSEXUAIS VAI PROCURAR EMPREGO EM UMA LOJA DE UM SHOPPING, É UMA LOJA DE COSMÉTICOS, ELA É UMA MENINA MUITO BONITA E QUANDO ELA VÊ A PLACA NA LOJA ESCRITO “ESTAMOS CONTRATANDO” E QUANDO ELA ENTRA COM O CURRÍCULO DELA, A MENINA FALA “VOCÊ NÃO, VOCÊ A GENTE NÃO CONTRATA”, ENTÃO ASSIM, QUANDO A GENTE FALA DE EMPREGO, EXISTE UMA QUESTÃO TAMBÉM CHAMADA PASSABILIDADE, QUE AS EMPRESAS QUEREM ISSO, QUE AÍ A GENTE PODE VOLTAR NAQUELA QUESTÃO LÁ TRÁS, NA REPRESENTATIVIDADE NÉ, QUANDO MAIS PASSÁVEL VOCÊ FOR, MAIS VOCÊ VAI TER CHANCES, ENTÃO NÃO É UMA QUESTÃO TIPO SÓ DO PRECONCEITO SÓ POR SER TRANS, SE VOCÊ TIVER UMA IMAGEM DE
38
CIS, VOCÊ SERVE PARA O MERCADO DE TRABALHO, PORQUE VOCÊ ESCONDE QUEM VOCÊ É DE VERDADE SE VOCÊ MOSTRAR ESSE GOGÓ, SE VOCÊ MOSTRAR QUE AINDA TEM PELOS NO CORPO, ESSA SUA VOZ É MEIO GROSSA NÉ PARA UMA MULHER, PARA ELES NÃO SERVE PARA O MERCADO DE TRABALHO.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:12:16 TC OUT: 00:13:05
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA - VIA SKYPE. SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH.
TC IN: 00:13:06 TC OUT: 00:13:46
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
A GENTE NÃO PODE CONTAR COM EMPRESA PARA SER EMPREGADA, PARA SER INSERIDA NAQUELE MERCADO SABE, PORQUE ELES NÃO ACOLHEM, ELES TEM AQUELE CERTO PRECONCEITO, AQUELE CERTO RECEIO DE ACEITAR UMA MULHER NA EMPRESA, PORQUE A MULHER TRANS É VISTA COMO MARGINAL, COMO OBJETO SEXUAL ONDE OS RAPAZES VÃO CHEGAR LÁ, VÃO GOZAR E TCHAU PARA ELA, E ASSIM, AS EMPRESAS SÃO... COMO QUE EU POSSO FALAR, MEDÍOCRES NESSAS PARTES SABE, DE NÃO QUEREREM ACEITAR UMA PESSOA, UMA MULHER TRANS NÉ QUE QUERENDO OU NÃO, A ÚNICA DIFERENÇA DE MIM É QUE EU SOU UMA MULHER TRANS, MAS ASSIM, EU SOU UMA MULHER E EU LUTO PELOS MEUS DIREITOS QUE TODAS AS MULHERES ESTÃO LUTANDO.
SONORA RAFAEL SENNA: PARECE QUE QUANDO A PESSA FALA QUE A GENTE ESTÁ NO CORPO ERRADO,
39
PARECE QUE A GENTE TEM QUE SE ENCAIXAR NUM PADRÃO CIS NORMATIVO E A GENTE PRECISA PARECER SER CIS PARA SERMOS VALIDOS ÀS NOSSA IDENTIDADES ENTENDEU? E... SÓ QUE A GENTE É TRANS E PROVAVELMENTE ALGUMAS PESSOAS VÃO CONSEGUIR UMA PASSABILIDADE CISGENERA E VAI CONSEGUIR PARECER SER CIS MAS NEM TODAS VÃO SABER, E A GENTE TEM QUE PARAR COM ESSA NARRATIVA, TANTO NA MÍDIA QUANTO NO MOVIMENTO TRANS MESMO, NO MOVIMENTO LGBT EM GERAL DE TRATAR COMO SE A GENTE FOSSE CIS SABE?, TEM QUE FALAR, “TA TUDO BEM SER TRANS” É UMA IDENTIDADE.
INSERT: IMAGEM DE APOIO / PLANO – OVER SHOULDER / PLANO – DETALHE.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:13:47 TC OUT: 00:14:33
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
PRECONCEITO TEM EM TODO LUGAR, TEM GENTE QUE FALAR QUE O PRECONCEITO ACABAOU, MAS NÃO ACABOU, NÃO ACABOU, EU SOU UMA TRANS NEGRA E EU SOFRO MUITO PRECONCEITO VOCÊ ENTENDEU? LÁ NA MINHA CIDADE, EM AMPARO NO INTERIOR, TINHA A FABRICA YPÊ SABE, É ENORME E EU TENHO SEGUNDO COLEGIAL E VOU TERMINAR O TERCEIRO AGORA, E TIPO LÁ ENTRA COM O SEGUNDO COLEGIAL COMPLETO, E EU TENHO COMPLETO, TENHO DIPLOMA, TENHO TUDO E ELES NÃO ME ACEITARAM / PORQUE TIPO ASSIM, AS VEZES UM “NÃO” É PIOR
40
DO QUE UM TAPA NA CARA, PORQUE A FÁBRICA COLOCA QUE LÁ ESTÁ PRECISANDO DE FUNCIONÁRIOS E AÍ CHEGA LÁ UMA TRANS NÃO É RECONHECIDA COMO SER HUMANO / EU QUERO SER O QUE EU SOU, QUERO SER A GABRIELLY, EU CRESCI GABRIELLY E VOU MORRER GABRIELLY ENTENDEU?
BG:NÓS POR NÓS.
TC IN: 00:14:34 TC OUT: 00:14:40
TS: THIS SNOW DOESN'T – PATCHES.
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP. INSERT IMAGENS: REPRODUÇÃO IMAGENS DA INTERNET.
TC IN: 00:14:41 TC OUT: 00:17:22
SONORA SELERGER:
KATHARINA
EU TENHO UM PARENTE QUE QUANDO EU ERA PEQUENA, ASSIM, EU TINHA NO MAXÍMO 16 ANOS, ELE FALAVA QUE IA ME MATAR. ELE FALAVA QUE ELE SABIA ONDE EU ANDAVA, QUE ELE SABIA ONDE EU ESTAVA NOS HORÁRIOS ONDE EU ESTAVA NA RUA E QUE UM DIA ELE IRIA ME MATAR, UM DIA EU ESTAVA DORMINDO E ELE FOI ATÉ ONDE EU ESTAVA DORMINDO E FALOU “EU VOU TACAR ÓLEO QUENTE NA SUA CARA”. ENTÃO ASSIM, ISSO FOI A COISA MAIS PESADA QUE UMA PESSOA TÃO PRÓXIMA PODIA TER FALADO PARA MIM, E EU USEI ISSO PARA ME DAR FORÇAS PARA VIVER HOJE, PORQUE JÁ OUVI TAMBÉM DE “HÁ VOCÊ NÃO LIGA NÉ? É QUE EU ESTOU ME ACOSTUMANDO, VOCÊ TEM ESSA IMAGEM DE HOMEM”, ENTÃO ASSIM, PRECONCEITO A GENTE
41
VAI SOFRER SEMPRE E NÃO PARECE QUE NÃO IMPORTA QUANTO TEMPO PASSE, QUANTO VOCÊ SE SINTA BEM COM VOCÊ MESMA, VOCÊ SEMPRE VAI TER ALGUEM QUE VAI TE COLOCAR NAQUELA MESMA POSIÇÃO QUE VOCÊ SE SENTIA LÁ NO COMEÇO, COMO UM MENINO QUE SE VESTE DE MENINA, PARECE QUE SEMPRE ALGUÉM VAI REAFIRMAR ISSO, VAI TIPO, COLOCAR ESSA QUESTÃO PARA VOCÊ. UM DIA EU ESTAVA NO BANEIRO QUANDO UMA MOÇA ENTROU NO MESMO BANHEIRO QUE O MEU ELA ME OLHOU COM UMA CARA DE ESPANTO E SAIU DO BANHEIRO, ENTÃO ASSIM, EU FICO PENSANDO SE UM DIA UMA PESSOA CHAMAR A POLÍCIA PORQUE ISSO ACONTECE, AS PESSOAS ACHAM QUE A GENTE TA INVADINDO O BANHEIRO DELAS, EU MOSTRAR O MEU RG E O P.M. NÃO FOR COM A MINHA CARA, ELE VAI FAZER O QUE? ELE VAI ESCREVER “BICHA” QUE NEM ELE ESCREVEU NO RG DE UMA OUTRA TRAVESTI NA RUA E VAI DANIFICAR MEU RG E EU VOU TER QUE GASTAR DINHEIRO PARA FAZER OUTRO E SOFRER AINDA VIOLENCIA. / A ALTERNATIVA QUE FICA MAIS EVIDENTE PARA MIM É QUE ELE VAI ME BATER E ISSO SE ELE NÃO ME MATAR, ENTÃO ASSIM, O PRECONCEITO A GENTE SOFRE DIÁRIAMENTE, NUM CRUZAR DE OLHOS DAS PESSOAS, É NO JEITO COMO AS PESSOAS RIEM DA GENTE NO MEIO DA RUA.
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA - VIA SKYPE.
TC IN: 00:17:23 TC OUT: 00:17:54
SONORA RAFAEL SENNA:
42
SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH.
POR EXEMPLO EU TENHO MEDO, SE EU ESTOU EM UM AMBIENTE CERCADO DE PESSOAS CIS E NINGUÉM ME CONHECE, EU TENHO MEDO DE ALGUÉM DESCOBRIR QUE EU SOU TRANS, E EU SOFRER ALGUMA COISA SABE, ESSA QUESTÃO DA PASSABILIDADE CIS CHEGA ATÉ SER UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA SABE, PORQUE TIPO, SE EU NÃO TENHO “CARA DE TRANS” ENTÃO VOCÊ CONSEGUE PASSAR MELHOR E ASSIM, TER MAIS SEGURANÇA.
INSERT:IMAGEM DE APOIO / PLANO – OVER SHOULDER / PLANO – DETALHE.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:17:55 TC OUT: 00:18:22
EXTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:18:23 TC OUT: 00:18:40
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
COM 12 ANOS EU ESTAVA NA ESCOLA E JÁ ESTAVA NA MINHA TRANSIÇÃO DE ROUPAS DE MENINA, EU ESTAVA NA FILA E UMA MOLEQUE OUVIU MINHA VOZ E COMEÇOU A FALAR UM MONTE PARA MIM, E EU SOU AQUELAS PESSOAS QUE NÃO LEVAM DESAFORO PARA CASA, EU QUERO RESOLVER ALI, ELE VEIO COM PRATO DE SOPA NA MINHA CARA, JOGOU O PRATO DE SOPA NA MINHA CARA, AI SAÍMOS NO MURRO, NO CHÃO ROLANDO E AI LÁ FORA TINHA UMA BANCA DE MOLEQUES PARA ME BATER, MAS AI EU ERA BEM CONHECIDA AI OS MOLEQUES NÃO DEIXARAM BATEREM EM MIM.
SONORA BITTENCOURT:
REBECA
EU ESTAVA ANDANDO NA RUA COM MEUS AMIGOS E FUI AGREDIDA POR QUATRO RAPAZES E LEVEI UMA PEDRADA NO
43
ROSTO, E FIQUEI MESES SEM PODER COMER POR CAUSA QUE MACHUCOU MEU MAXILAR, ENTÃO FOI MUITO RUIM SABER QUE EU NÃO FIZ NADA E TIVE QUE FICAR NA CAMA SENTINDO DOR SABE, FOI HORRÍVEL PARA MIM ESSA EXPERIÊNCIA.
BG: ATÉ AGOSTO DE 2020 O BRASIL REGISTROU 129 ASSASSINATOS DE PESSOAS TRANS.
TC IN: 00:18:41 TC OUT: 00:19:32
BG: O NÚMERO SUPERA O TOTAL DE VÍTIMAS EM 2019, SEGUNDO O LEVANTAMENTO DA ANTRA. (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRAVESTIS E TRANSEXUAIS) FONTE: O GLOBO. INSERT IMAGENS:REPRODUÇÃO IMAGENS DA INTERNET BG: O PAÍS LIDERA O RANKING DE ASSASSINATOS NOS ÚLTIMOS 10 ANOS, SEGUNDO DOSSIÊ DA ANTRA DIVULGADO NESTE ANO. FONTE: BRASIL DE FATO.
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:19:33 TC OUT: 00:19:57
SONORA SELERGER:
KATHARINA
NAS NOITES MAIS PROFUNDAS A GENTE SEMPRE PENSA NÉ, “E SE EU NÃO FOSSE TÃO POLÍTICA, SERÁ QUE EU ME DARIA MELHOR COM AS PESSOAS? SERÁ QUE EU REALMENTE PRECISO FICAR ME AUTO AFIRMANDO O TEMPO INTEIRO, EU PRECISO FALAR PARA AS PESSOAS
44
QUEM EU SOU, DA MINHA HISTÓRIA, SERÁ QUE EU REALMENTE PRECISO DISSO?” / SÓ QUE O PROBLEMA É QUE, SE EU NÃO FALAR, QUEM VAI FALAR POR MIM?
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:19:58 TC OUT: 00:20:33
EXTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:20:34 TC OUT: 00:20:57
SONORA CLÉO MOREIRA: LOGO QUANDO EU COMECEI A “VIRAR” EU FAZIA TEATRO E ESTUDAVA EM VITÓRIA, ESPÍRITO SANTO, AI UM BELO DIA EU PASSANDO NA FRENTE DO COLÉGIO EU VI UM LUGAR QUE ERA PONTO DE TRANS, TRAVESTIS, AI EU CURIOSA PAREI NESSE LUGAR, DEPOIS QUE EU PAREI NESSE LUGAR MINHA VIDA MUDOU, PAREI COM ESTUDO, PAREI DE FAZER TEATRO, PAREI COM TUDO E COMECEI A SE PROSTITUIR AI EU VI QUE AQUELE MUNDO NÃO ERA LUCRATIVO, ENTENDEU? AI EU FUI ME AFASTANDO DA MINHA FAMÍLIA POUCO A POUCO, A PONTO DE CHEGAR A ME LEVAR ATÉ AS RUAS, MORAR NAS RUAS.
SONORA BITTENCOURT:
REBECA
TEM MUITAS MENINAS AQUI EM SÃO PAULO NAS RUAS, E NÃO SÃO POUCAS, EU FIQUEI MUITO TEMPO NA RUA E SEI COMO QUE É. SÓ NA PRAÇA QUE EU FICAVA, QUE ERA NA PRAÇA DA SÉ, ERAM MILHARES DE MENINAS NÃO ERAM 10 NEM 20 ERAM 50 SÓ EM ESTADO DE RUA, SITUAÇÃO DE RUA, ENTÃO É MUITO COMPLICADO, E MUITAS MENINAS INTELIGENTÍSSIMAS, QUE
45
PODERIAM HOJE.
INSERT IMAGENS: IMAGEM DE APOIO, CÉU E NUVENS. TS: SANGRIA SAIDBYSED.
BEM
TC IN: 00:20:58 TC OUT: 00:21:02
–
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP. TS: SANGRIA SAIDBYSED.
ESTAR
TC IN: 00:21:03 TC OUT: 00:21:44
O ORGULHO ACHO QUE DO ESPAÇO PARA TODAS ELAS É MOSTRAR SUA EXISTÊNCIA, MOSTRAR QUE ESSES CORPOS EXISTEM, QUE ELES NÃO PRECISAM ESTAR NAS PISTAS PARA SEREM EXPOSTOS, QUE ELES TEM VOZ, QUE ELES TEM POSSIBILIDADES, ENTÃO ACHO QUE ISSO É O MAIOR FATOR POSITIVO, MAIOR AVANÇO QUE NÓS TIVEMOS DE MOSTRAR UM POUCO A EXISTÊNCIA DESSAS MULHERES TRANS E TRAVESTIS QUE ESTAVAM NA RUA, NAS ESQUINAS, E QUE HOJE CONSEGUEM EXPOR UM POUCO DA SUAS EXISTÊNCIAS DE UMA FORMA MAIS TRANQUILA, CONTAR SUAS NARRATIVAS EM PRIMEIRA PESSOA, ENTÃO ELAS NÃO SÃO CONTOS DE FADAS, NEM GRANDES PESADELOS, ELAS SÃO HISTÓRIAS QUE TEM OS SEUS PERCALÇOS MAS QUE TAMBÉM CONSTROEM OUTRAS POSSIBILIDADES RUMO À VITÓRIA.
–
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
SONORA ALBERTO SILVA:
TC IN: 00:21:45 TC OUT: 00:22:12
SONORA LEMOS:
MAYARA
ASSIM QUE AS MENINAS CHEGAM A GENTE APRESENTA A CASA, FALA COMO QUE É AS REGRAS,
46
TS: SANGRIA SAIDBYSED.
ORIENTA, AJUDA ELAS A TIRAREM DOCUMENTAÇÃO, FAZER TRABALHO DE ESCOLA, NAS LIÇÕES ATÉ. / ACHO QUE É GRATIFICANTE VOCÊ PORDER AJUDAR, SENTAR E CONVERSAR COM ELES SABE, QUANDO ELAS DESABAFAM COM VOCÊ E VOCÊ ESTA ALI PARA PODER AJUDAR, EU ACHO QUE ELAS SE SENTEM CONFORTAVEL NÉ, A GENTE ACABA SE TORNANDO A FAMILIA DELAS NÉ.
–
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:22:13 TC OUT: 00:22:31
TC IN: 00:22:32 TC OUT: 00:22:43
E
TS: ANITMATTER - THE WESTERLIES.
DOS
SONORA CÉSAR:
GABRIELLY
UMA COISA DIFERENTE QUE EU ESTAVA PENSANDO, EU NUNCA CONVIVI COM TRANS, COM MUITAS TRANS, NO MEU ERA SÓ EU, E JÁ ERA ENTENDEU? MAS AGORA AQUI ESTÁ SENDO UMA EXPERIÊNCIA MUITO GRANDE.
TS: THINKING OF US PATRICK PATRIKIOS
BG: SOMOS MAIS SOMOS FORTES.
SASHA
SIM MUITO, MUITO, ELES ME DÃO A POSSIBILIDADE DE FAZER COISAS QUE EU NUNCA IMAGINARIA FAZER. / NÃO SÓ DE APOIO DE TIRAR DA RUA, MAS A CASA TE FORNECE COISAS QUE VOCÊ ABRANGE ISSO PARA SUA VIDA VOCÊ TRAZ ISSO PARA SUA VIVÊNCIA.
TS: THINKING OF US PATRICK PATRIKIOS
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
SONORA SANTOS:
TC IN: 00:22:44 TC OUT: 00:22:52
47
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP. TS: ANITMATTER - THE WESTERLIES.
TC IN: 00:22:53 TC OUT: 00:25:15
SONORA SELERGER:
KATHARINA
GRATIDÃO NÉ, GRATIDÃO É LITERALMENTE VOCÊ SALDAR O SEU “EU GRANDE” NO “EU” DA PESSOA, É BASICAMENTE ISSO, QUE PALAVRAS MAIS EU TERIA PARA DIZER A NÃO SER GRATIDÃO OU MUITO OBRIGADA POR AQUILO, POR VOCÊ COLOCAR SUA CARA A TAPA, VOCÊ COLOCOU SUA VIDA INTEIRA ALI, PARA VOCÊ TRAZER ISSO PARA OUTRAS PESSOAS, PARA VOCÊ PRODUZIR PARA VOCÊ CONSEGUIR QUE OUTRAS PESSOAS TIVESSEM AQUILO QUE VOCÊ NÃO TEVE / GIOVANNA BABY POR EXEMPLO, NORDESTINA QUE VIVEU NA ÉPOCA DA DITADURA CRIOU A PRIMEIRA INSTITUIÇÃO BRASILEIRA NÉ Á ACOLHER MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS, O QUE SERIA DA GENTE SEM ELA? MARSHA P. JOHNSON, A SYLVIA RIVERA QUE ERA AMIGA DA MARSHA, AS DUAS JUNTAS, O QUE SERIA DA POPULAÇÃO LGBTQIA+ SEM AS DUAS, PORQUE O MOVIMENTO NÃO COMEÇOU COM UMA BANDEIRA COLORIDA DO ARCO IRIS BALANÇANDO AOS CÉUS COM HOMENS MUSCULOSOS E BRANCOS EM UM “CARRINHO” ALEGÓRICO NÃO É MESMO? COMEÇOU MUITO DIFERENTE DISSO, COMEÇOU EM UM BAR ONDE ERA POUCO POSSÍVEL EXISTIR UMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DE GÊNERO E DE IDENTIDADE DE GÊNERO, ONDE PESSOAS MAFIOSAS PAGAVAM
48
PARA POLICIAIS NÃO IMPEDIREM AQUILO DE EXISTIR E QUANDO ELES RESOLVERAM IMPEDIR, TEVE UMA REVOLTA, A REVOLTA DE STONEWALL, ENTÃO QUANDO ISSO ACONTECEU NÃO FOI AS “GAYS PADRÕES” QUE NÓS CONHECEMOS, VOU ME REFERIR DESTA FORMA PORQUE A FORMA REAL QUE A GENTE VÊ, E SÃO ESSAS PESSOAS QUE NÃO ESTAVAM LUTANDO LÁ QUE MAIS INIBEM E QUE MAIS REBAIXAM AS MULHERES TRANSEXUAIS, ENTÃO ACHO INCRÍVEL NÉ PARA ESSAS MENINAS QUE ESTAVAM LUTANDO LÁ QUE CONSEGUIRAM DAR A CARA A TAPA E QUE FORAM PARA FRENTE DE UMA LUTA, QUE SUBIRAM EM CIMA DE PALCOS E DERAM DISCURSOS MAGNÍFICOS E TENTARAM TRAZER TUDO DE BOM PARA GENTE, COMO ELAS SÃO ESQUECIDAS NÉ, E RESUMIDAS Á “PARADA GAY”.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:25:16 TC OUT: 00:25:29
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA - VIA SKYPE. SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH.
TC IN: 00:25:30 TC OUT: 00:26:06
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
PARA MIM, E PRA MUITAS ESTAREM AQUI FALANDO, PARA EU ESTAR AQUI FALANDO, A GENTE JÁ PASSOU POR MUITAS COISAS, ENTÃO ASSIM, NÃO É FACIL, É DIFÍCIL, VAI TER VÁRIAS BARREIRAS, VAI TER VARÍOS PRECONCEITOS QUE ISSO AÍ TEM EM QUALQUER LUGAR ATÉ DENTRO DE CASA.
SONORA RAFAEL SENNA: POR MUITO TEMPO, EU CAÍ NESSA LADAINHA DE ESTERIÓTIPO DE DISFORIA QUE TODO
49
TS: VICTIM TO VICTOR – RKVC.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TRANS PRECISAVA SER DISFÓRICO, DE TODO TRANS PRECISAVA ODIAR O PRÓPRIO CORPO, SÓ QUE EU NUNCA ODIEI O MEU CORPO SABE, E AI EU ACHO QUE O QUE ME ORGULHA FOI ESSA TRAJETÓRIA QUE EU CRIEI SABE, DE APRENDER A AMAR O MEU PRÓPRIO CORPO DE NOVO SABE, APRENDER A AMAR MINHA IDENTIDADE DE NOVO E CONSEGUIR SER EU MESMO SEM MEDO DE ME EXPRESSAR.
TC IN: 00:26:07 TC OUT: 00:26:18
SONORA CLÉO MOREIRA: SIM, É SE SENTIR UMA MULHER, É VOCÊ SE OLHAR NO ESPELHO E SE ACHAR BONITA ENTEDEU, VOCÊ SE SENTIR COMO VOCÊ QUER SER.
TS: VICTIM TO VICTOR – RKVC. INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:26:19 TC OUT: 00:26:33
GABRIELLY
SER A PESSOA QUE EU SOU, SER A PESSOA QUE EU ME TORNEI, QUE EU NUNCA, TIPO, ME ENVOLVI COM DROGAS, BEBIDAS, SÓ FUMO MEU CIGARRO E É ISSO, VOU LEVAR ISSO O RESTO DA MINHA VIDA.
TS: VICTIM TO VICTOR – RKVC.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
SONORA CÉSAR:
TC IN: 00:26:34 TC OUT: 00:26:49
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
E PARA AS PESSOAS QUE ACHAM QUE ELAS ESTÃO ESQUECIDAS, ELAS NÃO ESTÃO ESQUECIDAS. QUE ELAS SE LEVANTEM E CORRAM ATRÁS, TODOS OS DIAS, PORQUE A GENTE CAI, MAS A GENTE SE LEVANTA, NÃO É TODO
50
DIA QUE A GENTE VAI VENCER.
INTERNA: ENTREVISTA REMOTA - VIA SKYPE. SÃO PAULO – SP / SÃO JOÃO DEL-REI – BH.
TC IN: 00:26:50 TC OUT: 00:27:21
CADA UM É CADA UM SABE, ENTÃO, ESSA IMAGEM MIDIÁTICA QUE CRIAM DE QUE TODO TRANS É IGUAL ESSA IMAGEM ESTERIOTIPADA, FAZ ACREDITAR QUE TODA PESSOA TRANS É A MESMA COISA QUE PASSA PELA MESMA COISA, SÓ QUE CADA PESSOA TRANS É UMA SABE, E ACHO QUE NÃO DÁ PARA FALAR EXATAMENTE O QUE É O HOMEM TRANS, ENTÃO ACHO QUE CADA UM TEM UMA VIVÊNCIA, CADA UM TEM UM EXPERIÊNCIA, CADA UM TEM UMA FORMA DE IDENTIFICAR, SABE.
TS: INTO IT - KWON.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:27:22 TC OUT: 00:27:33
TC IN: 00:27:34 TC OUT: 00:27:43
GABRIELLY
SONORA CLÉO MOREIRA:
NÃO É ERRADO VOCÊ SER UMA TRANS, ENTENDEU, MAS VOCÊ TEM QUE TER SEU ESTUDO E SER ALGUEM, ESTÁ ME ENTENDENDO? PARA VOCÊ SER VALORIZADO NA SOCIEDADE.
TS: INTO IT - KWON.
EXTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES
SONORA CÉSAR:
É ISSO, A GENTE É IGUAL A TODO MUNDO, O SANGUE QUE ROLA, ROLA EM MIM ROLA EM VOCÊ, ROLA EM TODOS, A GENTE SÓ QUER SER FELIZ, E JÁ ERA.
TS: INTO IT - KWON.
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
SONORA RAFAEL SENNA:
TC IN: 00:27:44 TC OUT: 00:28:00
SONORA BITTENCOURT:
REBECA
51
TRAVESTIS TRANSEXUAIS FLORESCER”. PAULO – SP.
E “CASA – SÃO
ACHO QUE NÓS SOMOS INCRIVEIS NÉ, PORQUE SOMOS FORTES, AGUENTAMOS SITUAÇÕES HORRÍVEIS NA RUA E A GENTE NÃO FAZ NADA PARA NINGUÉM, A GENTE SÓ QUER SER FELIZ E TER RESPEITO, MAIS NADA, SER RESPEITADA E É ISSO.
INSERT IMAGENS:REPRODUÇÃO IMAGENS DA INTERNET
INTERNA: CENTRO DE ACOLHIDA ESPECIAL PARA MULHERES TRAVESTIS E TRANSEXUAIS “CASA FLORESCER”. – SÃO PAULO – SP.
INTERNA: ESTÚDIO IDEAL. SÃO PAULO – SP.
TC IN: 00:28:01 TC OUT: 00:28:31
SONORA SANTOS:
SASHA
DOS
GUERREIRA! A MULHER TRANS É UMA MULHER GUERREIRA, É ISSO, UMA MULHER TRANS É UMA MULHER GUERREIRA. NÃO É SÓ UM LEÃO QUE A GENTE TEM QUE MATAR POR DIA, SÃO VÁRIOS E A GENTE SEMPRE TEM QUE ANDAR ATENTA EM TODO LUGAR, E É POR ISSO QUE EU FALO, QUE A MULHER TRANS É UMA MULHER GUERREIRA E ELA NUNCA DESISTE, É ISSO.
TC IN: 00:28:32 TC OUT: 00:30:16
SONORA SELERGER:
KATHARINA
EU FICO MUITO ORGULHOSA PORQUE HOJE, EU SOU AQUILO QUE REALMENTE EU ME SINTO SER, ME REPRESENTO DE UMA FORMA REAL, COMO UMA PESSOA SOCIAL, COMO UMA CIDADÃ, HOJE EU TENHO MEU RG, TENHO MEU DOCUMENTO COM MEU NOME RETIFICADO ENTÃO O QUE ME ORGULHA É ESSA CONFIANÇA QUE EU ESTOU TENDO HOJE DE PODER COLOCAR O MEU NOME REALMENTE EM PAUTA SOCIAL / O BOM DA PALAVRA TRANS É QUE ELA É UMA PALAVRA QUE VEM DE TRANSFORMAÇÃO, TRANSFORMAR, TRANSCENDER. ENTÃO
52
SER UMA PESSOA TRANS É TRANSPASSAR É TRANSCENDER A SOCIEDADE É VOCÊ SAIR DAQUELE BLOCO FECHADO DAQUELA CAIXA ÚNICA DE BNARIDADE DE “SÓ AQUILO” E IR PARA UM ESPAÇO MUITO ALEM, ONDE VOCÊ CONSEGUE VIVER E TER EXPERIENCIAS COM DIVERSAS COISAS NÉ, COM TUDO AQUILO QUE É DIFERENTE, TUDO AQUILO QUE É OPOSTO AO PADRÃO SOCIAL, ENTÃO PARA MIM, ESSA PARTE É UMA DAS MAIS IMPORTANTES, É VOCÊ TRANSPASSAR AQUILO QUE TE FOI IMPOSTO DESDE NASCIDA. OFF: ACABOU! KATHARINA SELERGER: AH EU TO MUITO FELIZ.
53
10.3 IMAGENS Capa e disco do DVD:
54
Abertura:
Interlúdio:
55
GC:
Claims:
56
Entrevista remota:
Entrevista remota plano Over Shoulder:
57
Correção de cores ANTES/DEPOIS:
58
Timeline do projeto:
59
11. DIÁRIO DE BORDO
Antes da produção do meu projeto de pesquisa busquei pautar temas que tenham relevância social, e avaliar o impacto que essas escolhas levariam para a vida das pessoas. No momento em que tomei a decisão, assumi com total convicção uma responsabilidade com a jornada profissional que estava prestes a adentrar. Porém com a chegada da COVID-19 todos os meus planos foram alterados, não imaginava poder realizar toda a pesquisa e grande parte da produção de forma remota. No início, para poder produzir a edição do documentário, me matriculei em um curso livre especializado. Contudo o curso foi interrompido por conta da quarentena obrigatória, desse modo busquei recorrer ao Youtube, buscando por vídeos tutoriais para conseguir concluir recursos, que de alguma forma achei necessário existir na versão final do meu produto. De fato, a pandemia não impediu de realizar as entrevistas de forma presencial, porém ressalto um ponto importante, neste novo cenário caótico, planejei de forma rígida zelar pela minha segurança e dos meus convidados, deste modo tomando todas as precauções indicadas pela OMS durante as gravações, mantendo o distanciamento social, usando máscara cobrindo o rosto e álcool em gel em todas as entrevistas. Poder visitar a Casa Florescer por duas vezes e conviver com essas mulheres, tornou única, a minha experiência como profissional. Em um ambiente totalmente fora da minha realidade, poder me conectar com a pluralidade das histórias de vidas, e ao mesmo tempo exercer meu papel de jornalista, me trouxe um grande crescimento pessoal.
Ao chegar no Centro de Acolhida me deparei com uma receptividade
totalmente calorosa, por parte da equipe e grande maioria das residentes. Antes de conversar com as meninas passei pelo Coordenador da casa Alberto Silva, no qual apresentei o projeto e pude conhecer as diretrizes para poder iniciar o processo de gravação. Com o projeto em ascensão realizei mais duas entrevistas, uma delas de forma remota e a outra em um estúdio cedido para a realização das filmagens.
60
Por fim pretendo com essa pesquisa gerar um interesse científico por abordar a temática transgeneridade de um modo crítico e reflexivo, desta maneira servir como referência para futuras obras ou como objeto de estudo para pósteros pesquisadores. Incentivando assim futuros jornalistas sobre o senso de responsabilidade em meio ao âmbito da comunicação social, abordando pautas de extrema importância para o desenvolvimento desses coletivos. Contudo neste processo pude desenvolver a minha capacidade no domínio da linguagem áudio visual, por meio da criação do documentário “A voz da transgeneridade”, contribuindo ainda mais em alavancar a representatividade trans em meio à marginalização que a figura dessas pessoas é permeada, desempenhando assim a função mais importante que o jornalismo tem com a sociedade.
61
12. ANEXOS
62
63
64
65
66
67
68