Skip to main content

Futebol ou comércio: A representatividade do futebol amador - Victor Hugo Granjeia

Page 1

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

Futebol ou comércio A representatividade do futebol amador

São Paulo 2020


Victor Hugo Granjeia

Futebol ou comércio A representatividade do futebol amador

Victor Hugo Granjeia RGM: 1783476-7

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Graduação em Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel

Orientador: Profº Me. Antonio Lucio Rodrigues Assis

São Paulo, 15 de junho de 2020.


AGRADECIMENTOS A esta universidade, seu corpo docente, direção e administração que oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior, eivado pela acendrada confiança no mérito e ética aqui presentes. Ao meu orientador, pelo suporte no pouco tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos. Aos meus pais, pelo amor, incentivo e apoio incondicional. E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o meu muito obrigado.


RESUMO

Este trabalho tem como propósito expor a realidade do futebol de várzea na atualidade. Com o passar dos anos, o futebol amador evoluiu e, consequentemente, a transição do amador para o profissional também mudou. A forma como o futebol amador é abordado na periferia também é de suma importância neste trabalho. Pretende-se abordar a discussão em torno do futebol amador e suas nuances referentes ao seu significado na vida de cada indivíduo. Palavras-chave: jornalismo esportivo; várzea; periferia; futebol amador; sentimentalismo.


ABSTRACT

This work aims to expose the reality of lowland football today. Over the years, amateur football has evolved and, consequently, the transition from amateur to professional has also changed. The way amateur football is approached in the periphery is also of paramount importance in this work. It is intended to address the discussion around amateur football and its nuances regarding its meaning in the life of each individual. Keywords: sports journalism; floodplain; periphery; amateur football; sentimentality.


Sumário 1.0. Desenvolvimento do Projeto de Pesquisa ........................................................................................ 5 1.1. Introdução ..................................................................................................................................... 5 1.2. Justificativa .................................................................................................................................... 6 2.0. Objetivos ........................................................................................................................................... 6 2.1. Objetivo Geral ............................................................................................................................... 6 2.2. Objetivo Específico ........................................................................................................................ 7 3.0. Problematização................................................................................................................................ 8 4.0. Hipótese ............................................................................................................................................ 8 5.0. Aspectos teóricos .............................................................................................................................. 8 6.0. Aspectos metodológicos ................................................................................................................. 11 7.0. Referencias ...................................................................................................................................... 11 8.0. CRONOGRAMA ................................................................................................................................ 13 APÊNDICE – Projeto Experimental ........................................................................................................ 14 1.1. Título Provisório ......................................................................................................................... 14 1.2. Área e Formato .......................................................................................................................... 14 1.3. Sinopse ....................................................................................................................................... 14 1.4. Descrição do Projeto .................................................................................................................. 14 1.5. Pré-Pauta e fontes iniciais ......................................................................................................... 14 2.0. ORÇAMENTO GERAL ...................................................................................................................... 15 3.0. Finalidades ..................................................................................................................................... 16 4.0. Ficha de Inscrição ........................................................................................................................... 17


5

1. Introdução

O presente trabalho ressalta a importância de trabalhos sociais e esportivos na periferia para jovens de baixa renda, especialmente no bairro do Parque de Taipas, na zona oeste de São Paulo. Isso se evidencia pelo alto número de jovens atletas que são ex usuários de drogas, quando não presentes na vida do crime propriamente dita. Diante da atual sociedade em que vivemos, é necessário refletir sobre a forma como os jovens de periferia são marginalizados e pré-julgados por suas condições, faz-se necessária uma válvula de escape tanto física quanto psicológica, a fim de disponibilizar aos jovens periféricos uma nova perspectiva de futuro não só para sí mas também para sua família. Através da teoria do agendamento, o projeto mostrará o papel que a mídia tem para aproximar a população à uma realidade distante, não vivida por alguns dos consumidores de entretenimento esportivo. Atualmente, a mídia enfatiza alguns casos semelhantes aos que o projeto abordará, como o caso de dois jogadores do Clube de Regatas do Flamengo, que vieram da várzea, sem nenhuma base estrutural, sendo um dos jogadores ex usuário e ex traficante de drogas. (R7, 2019) Outro ponto que será enfatizado no projeto será como o futebol se tornou uma indústria, movimentando milhões de reais desde as categorias de base, embasado na “Indústria Cultural” de Edgar Morin, além de criticar também a forma como a mídia usa as histórias de jogadores mais humildes para angariar audiência e, consequentemente, lucrar. Este projeto justifica-se na necessidade de expor a realidade vivida por jovens de periferia que veem o futebol como uma das alternativas para um futuro decente, já que muitas vezes esses jovens se encontram em situação precária, com uso de drogas e prática de crimes, de acordo com o estudo realizado pelo Estadão, que mostra


6

maior índice de tráfico de drogas nas regiões periféricas da cidade de São Paulo. (ESTADÃO)

Justificativa A precariedade de pesquisas acadêmicas sobre o futebol amador para crianças e jovens, viabilizou a elaboração desse Relatório de Fundamentação Teórica

e

Metodológica.

O presente trabalho apresentará, em forma de documentário, histórias relacionadas à várzea e ao sentimento por ela causado em pessoas dedicadas ao futebol. Atualmente, o assunto vem sendo muito comentado na mídia em geral, já que recentemente alguns atletas que surgiram de times amadores vem se destacando em grandes clubes pelo Brasil, como Patrick de Paula, na Sociedade Esportiva Palmeiras, após disputar a “Taça das Favelas”, e Bruno Henrique e Michael, no Clube

de

Regatas

do

Flamengo.

Embasado na Teoria do Agendamento, o Documentário tentará aproximar o espectador de uma realidade por ele desconhecida, apresentando personagens que buscam uma melhora em sua vida. Atualmente vivemos em uma sociedade que valoriza, financeiramente, muito mais os jogadores de futebol do que médicos, por exemplo. Diante disso, diversos jovens se espelham em craques da bola em busca da realização de um sonho: ser rico jogando

futebol.

(GLOBO; SINE) Apesar de todo glamour mostrado pela televisão nas transmissões de grandes partidas de futebol, segue sendo desconhecida, para muitas pessoas, a origem da maioria dos jogadores. É sabido que a grande mídia gosta de explorar a juventude de grandes jogadores em busca de audiência e dinheiro, mas são poucos os casos onde a mídia aborda a real situação vivida nos campos de várzea das periferias.

2.0. Objetivos

2.1. Objetivo Geral


7

Este Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica e o projeto final visam expor de forma crítica as situações passadas pelos jovens que buscam se aventurar no futebol de várzea em busca de um futuro melhor e expor o sentimentalismo presente no futebol amador da periferia e todos seus significados. 2.2. Objetivo Específico Tendo em vista a grande representatividade do futebol no entretenimento brasileiro, os objetivos específicos deste trabalho são: mostrar a realidade de alguns jovens que sonham em se tornar jogadores de futebol; mostrar a forma como o futebol amador pode se essencial na vida de pessoas moradoras de periferia que vem no mesmo uma das únicas formas de obter entretenimento e relações afetivas fora

do

âmbito

familiar.


8

3.0. Problematização Tendo em mente que diversos jovens conciliam a rotina de treinos com estudo e trabalho e, ainda, não tem plena certeza de que um dia se tornarão jogadores de futebol profissionais, queremos explorar e explanar um pouco mais da vivência do

dia

a

dia

desses

aspirantes

à

e

profissionais. Qual o impacto que

o sonho de se tornar jogador profissional de futebol tem na vida dos jovens? Quais impactos causados por uma vida inteira dedicada ao esporte?Como o próprio jovem se enxerga em relação ao que está fazendo? 4.0. Hipótese A maioria dos jovens de periferia não enxergam futuro fora do futebol ou das ruas, tendo que fazer uma escolha entre um ou outro. Sendo assim, muitas vezes, investindo o pouco que tem para tentar uma carreira futebolística de sucesso, tentando reproduzir os feitos de Neymar, Gabriel Jesus, Bruno Henrique e outros inúmeros

jogadores

que

vieram

do

“nada”.

Contudo, existe uma grande ilusão por parte dos jovens, já que, segundo o estudo feito pela Auditoria Ernst & Young, apenas 0,1% dos jogadores profissionais no Brasil receberam mais de R$500.000,00 mensalmente no ano de 2018. Com isso, podemos demonstrar mais profundamente a ilusão vivida pela maioria dos aspirantes.

8.0. Referencial teórico


9

O presente projeto visa expor o cotidiano de jovens da periferia que enxergam no futebol uma válvula de escape para os problemas do dia a dia, como as drogas, álcool e pobreza. É como se pudessem construir, através de seus encontros no futebol, alguns episódios cotidianos em detrimento aos momentos problemáticos da vida no âmbito da casa, nos quais eles reordenam seu mundo social (VALENTIN E CAVICHIOLLI, 2007). De acordo com Cruz (2003), as regiões periféricas acabam, por falta de investimento, não tendo muitas opções de lazer para seus moradores, que acabam optando

pelo

tradicional:

futebol

e

churrasco.

“O fato é, que todos os finais de semana o povo brasileiro produz um grande show

de

bola

[...].

Nesse show, as comunidades simples das periferias são ao mesmo tempo: promotores,

atores,

torcedores.

[...] Milhões de brasileiros organizam e praticam o futebol amador, uma resposta caseira ao

riquíssimo

e

descompromissado

futebol

profissional.

Em muitas regiões periféricas do país, esse futebol frequentemente tona-se o único meio de lazer.” (CRUZ, Antônio Roberto, 2003, p.10)

Segundo Elias e Dunning (1992), o lazer proporciona “relaxamento das tensões”, ajudando a recuperar a fadiga do trabalho, escola ou qualquer outra atividade que possa ser mentalmente estressante. (ELIAS; DUNNING, 1992, p.142-143). Para muitos dos jogadores amadores, o futebol é vislumbrado como salvação, oportunidade de sair da pobreza e elevar sua qualidade de vida. Este pensamento é passado a eles através do que acompanham nas grandes ligas de futebol profissional, observando jogadores como Lionel Messi e Neymar, que estão na lista de futebolistas mais bem pagos do mundo. (GOAL,

2019)

De acordo com o filosofo francês Edgar Morin, o imaginário, o desejo de ser ou ter acaba se tornando a representação do amor ou felicidade.


10

Através do imaginário, através da informação romanceada ou vedetizada, através dos contatos e dos conselhos, através da publicidade, efetua-se o impulso de temas fundamentais que tendem a se encarnar na vida vivida. E é uma imagem da vida desejável, o modelo de um estilo de vida que finalmente esboçam, como as peças de um quebra-cabeça, os múltiplos setores e temas da cultura de massa. Essa imagem é ao mesmo tempo hedonista e idealista; ela se constrói, por um lado, com os produtos industriais de consumo e de uso, cujo conjunto fornece o bem-estar e o standing e, por outro lado, com a representação das aspirações privadas — o amor, o êxito pessoal e a felicidade (MORIN, 1997, p. 104).

Entretanto, Rodrigo Vieira Azevedo de Souza (2014) enxerga o futebol além do esporte de alto rendimento. Para o autor, o esporte é um meio de formação e difusão, visando o desenvolvimento social.

Sem dúvidas, o futebol possui grande capacidade de socialização, por se tratar de um esporte coletivo. É um desporto que um depende do outro e o sucesso de todos depende do trabalho de cada um, sendo, portanto, um excelente veículo integrador, contribuindo efetivamente para o aspecto sócio-afetivo. A socialização é um dos mais importantes fatores que envolvem atividade física para crianças e jovens. É impressionante observar uma criança iniciar a prática de qualquer desporto totalmente inibida e, após alguns meses, poder percebê-la totalmente integrada e satisfeita com a atividade. (SOUZA, 2004, p. 31)

Contudo, muitas das vezes em que o jovem consegue alçar voo e atingir outro patamar na prática desportiva, a mídia ignora até que seja rentável divulgar, como aconteceu recentemente em Goiás, com o jogador do Clube de Regatas do Flamengo, Michael. (Rímoli, 2019) A cultura da mídia promove espetáculos tecnologicamente ainda mais sofisticados para atender às expectativas do público e aumentar seu poder e lucro. As formas de entretenimento invadem a notícia e a informação, e uma cultura tabloide, do tipo infoentretenimento, se torna cada vez mais popular. (Kellner, 2001, p.5).


11

Já

nos

aspectos

comunicacionais,

podemos

analisar

a

teoria

do

agendamento, desenvolvida por Maxwell McCombs e Donald Shaw a década de 1970. Segundo esta teoria, é a mídia que determina os assuntos que farão parte das conversas dos consumidores de notícia. Shaw (1979, p.25) relata: [...] em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que o mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende aquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas. (SHAW, 1979).

7.0.

Plano

7.1

•

Estratégico

de

desenvolvimento

Descrição

do

do

produto

Projeto

Linguagem: Visamos deixar o documentário com uma narrativa o mais simples e dinâmica possível, para que com isso seja possível atingir um maior público e facilitar o entendimento de todos os assuntos, principalmente para aqueles que não estão habituados com o meio esportivo;

•

Formato: Documentário;

•

Duração: 18 minutos e 40 segundos;

•

Missão: Expor a forma como o futebol de várzea é visto por moradores das periferias e mostrar a realidade vivida por jovens que sonham em se tornar jogadores profissionais.;

•

Recursos de Edição: Sony Vegas 17;

•

Público a ser atingido: Inicialmente o documentário foi pensado para um público que desconhece a realidade 7.2

vivida

dentro

das

periferias. Sinopse

Após 125 anos do surgimento do futebol no Brasil, vemos sua importância diária na vida dos cidadãos. Seja ele torcedor, jogador profissional ou amador. Sendo o esporte mais popular do mundo, é capaz de formar sentimentos inexplicáveis, fazendo até com que uma pessoa dedique inteiramente sua vida a este

esporte.


12

7.3

Formato

O documentário apresenta um conflito de gerações, porém com enfoque no Sr. José Pedro, ex-jogador amador de futebol e amante do esporte. Após, temos a aparição de Pedro Santos e Breno Cauã, dois moradores da periferia de São Paulo que passam visões diferentes em relação ao sonho de se tornar jogador profissional

e

a

importância

que

o

futebol

tem

em

suas

vidas.

A ideia de mostrar este conflito de gerações foi justamente para mostrar a discrepância de idade entre os entrevistados 7.4

e

suas

Estratégias

diferentes

para

visões

definição

de

de

mundo plano,

em

relação

cortes

e

ao

futebol.

trilha

sonora

Para evidenciar que o produto é um documentário informativo e não uma ficção, foi utilizado um único plano

nas

entrevistas.

Para manter a imersão do espectador, foram feitas transições suaves, com som chamativo, afim de que quem esteja

assistindo

mantenha

o

foco

e

não

se

disperse.

7.5

Finalidade

Este documentário tem como finalidade trazer à tona a discussão sobre o futebol amador e todas suas significâncias

na

vida

de

quem

sempre

se

dedicou

e

amou

o

esporte.

A obra visa também mostrar com clareza a diferença entre a forma que diferentes gerações enxergam e amam

o

futebol.

Este projeto poderá, futuramente, servir como alça para jovens estudantes de jornalismo que encontrarem dúvidas na hora da produção de seus projetos, assim como eu mesmo tive. 9.0. Referencias

Clubes pagaram R$1Bi em salários em 2018;7% dos atletas concentram R$800 milhões. Disponível em :<https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/clubespagaram-r-1-bi-em-salarios-em-2018-7percent-dos-atletas-concentram-r-800milhoes.ghtml> acesso em 05.jun.2020 Criminalidade

Bairro

a

Bairro.

Disponível

em:<https://infograficos.estadao.com.br/cidades/criminalidade-bairro-a-bairro/> Acesso em 15/04/2020 CRUZ, A.R. Futebol Brasileiro: um caminho para a inclusão social. São Paulo: Esfera, 2003 ELIAS, Norbert; DUNNING, Eric. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992. Ex-viciado. Ex-traficante. Escapou da morte seis vezes. Michael. Disponível em: <


13

https://esportes.r7.com/prisma/cosme-rimoli/ex-viciado-ex-traficante-escapou-damorte-seis-vezes-michael-09112019 >. Acesso em: 20.mai. 2020. Estudo

Ernst&Young.

Disponível

em:

<https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/clubes-pagaram-r-1-bi-em-salariosem-2018-7percent-dos-atletas-concentram-r-800-milhoes.ghtml>


14

KELLNER, D. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru, SP: Edusc Editora, 2001. MORIN, Edgar. A indústria Cultural. Cultura de Massa no Século 20. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977 Descubra quanto ganha um médico no Brasil!. Disponível em: <https://www.sanarmed.com/quanto-ganha-um-medico-no-brasil> Acesso em 5.jun.2020 Shaw, E.F. Agenda-setting and mass communication theory. Gazzete, 25(2),1979. SOUZA, Rodrigo Azevedo. A importância da Psicomotricidade para o desenvolvimento infantil através do futebol. 2004. 45 f. Monografia (Especialização em Psicomotricidade) – Departamento de Pós-Graduação, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2004. VALENTIN, R.B.; CAVICHIOLLI, F.R. Futebol escape e mímesis: um estudo sobre representações sociais. In: Revista Movimento, v.13, n.3, 2007 Messi, Neymar, CR7: os 10 maiores salários dos jogadores de futebol. Disponível em: <https://www.goal.com/br/listas/messi-neymar-cr7-os-10-maiores-salarios-dosjogadores-de/18isdjj1cncc61g46xpzdn7v0n>. Acesso em: 27.mai. 2020.


15

10.0. CRONOGRAMA

CRONOGRAMA GERAL – RELATÓRIO DE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E METODOLÓGICA E EXPERIMENTAL Atividade

JAN

FEV

Escolha do tema + Pesquisa

X

Delimitação do tema.

X

Objetivos + Problemas + Hipóteses. Introdução; Justificativa; Aspectos Teóricos e Metodológicos. Pesquisa de fontes Entrega da Etapa I do TCC Seleção de fontes e autorização de uso de imagem Início das gravações com pessoas ligadas à várzea.

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

NOV

X

X

X X X

X

Decupagem

X

Edição das sonoras

X

Início da edição do vídeodocumentário. Finalização da edição. Finalização da capa, sumário e acabamentos. Entrega do Trabalho de Conclusão de Curso. Tabela 1 - definição das fases do trabalho pelo autor do projeto.

11. Orçamento

OUT

X X

X

X

DEZ


16

Item

Quantidade

Valor Unitário

Valor total

Passagem de ônibus

20

(em média) R$4,40

R$88,00

Táxi por aplicativo

03

R$15,00

R$45,00

Câmera Canon EOS Rebel T7 Premium Cartão de memória Classe 10 64gb Microfone de Lapela

01

R$2.899,00

R$2.899,00

01

R$55,00

R$55,00

01

R$48,90

R$48,90

Tripé

01

R$75,40

R$75,40

Ring Light

01

R$89,99

R$89,99

Condensador de áudio Total:

01

R$153,60

R$153,60

R$3.454,89


17

12.0 Apêndice 12.1 Pautas

12.2 Diário de Campo 12.2.1 Agosto Durante o mês de agosto, dividi minha atenção entre manter meu projeto original ou adapta-lo, como de fato foi feito. Após algumas semanas, comecei a procurar fontes palpáveis com os dois projetos, afim de manter o original. 12.2.2 Setembro Após finalmente decidir adaptar o projeto original, por conta da pandemia de coronavírus, iniciei as entrevistas, buscando sempre manter a fonte à vontade e procurando fazê-las em um ambiente propício e seguindo todo o protocolo de segurança para a realização das mesmas. 12.2.3 Outubro Início da decupagem e elaboração de roteiro para enfim iniciar os trabalhos de edição. 12.2.4 Novembro Revisão 12.3 12.3.1

do

relatório,

Termos Pedro

finalização de

da

edição

autorização Henrique

e de dos

realização

da

uso

de Santos

pós-produção. imagem Barros


18

12.3.2

12.3.3

Breno

José

Cauã

Pedro

dos

da

Silva

Santos

Costa


19

12.4 Acervo

Banco

de

imagens VarzeaPedia


20

Acervo

Futebol

da

Vila


21

Acervo

G1

–

Globo


22

Acervo

Acervo

R7

–

Rede

Record

Pexels


23

Acervo

Pexels


24


25

Acervo

Jaragua

SP

Acervo

Acervo

Lance

Rádio

Santa

Cruz


26

Acervo

Acervo

Acervo

UOL

Coluna

Taça

do

das

Fla

Favelas


27

Acervo

Doentes

Acervo

por

Futebol

Terceiro

12.5

Transcrição

Tempo

das

entrevistas

Pedro O

Santos que

é

futebol

para

você?


28

Meu nome é Pedro, tenho 16 anos, moro em São Paulo, Zona Norte, Jaraguá. O futebol para mim é um esporte que tem como objetivo fazer gols e não tomar. O futebol para mim é vida. É importante porque com ele saímos do sedentarismo, e dentro das quatro linhas, normalmente, nos sentimos felizes e esquecemos dos problemas. Você tinha alguma ambição dentro do futebol? Já sonhou em ser jogador de futebol? Já. Eu sonhava em ser jogador de futebol, mas com o passar dos anos descobri que isso daí não era pra mim. O futebol é para quem tem dinheiro. Se fosse só futebol mesmo, só daria a favela jogando. Podemos ver isso no próprio futebol profissional brasileiro. Só “os perna de pau” jogando, enquanto em jogos de várzea, “só moleque bom”, ou seja, futebol é para quem tem dinheiro. Você

alguma

vez

já

se

iludiu

com

o

futebol?

Nunca. Nunca nem tive oportunidade. Só joguei no Molecada (time local), aqui no português (quadra do bairro) e ali na Parada de Taipas (bairro próximo). O que você sente jogando futebol e o que sente assistindo? São sentimentos diferentes? São sentimentos diferentes. Assistindo, eu me sinto motivado, e jogando, me sinto como um maestro. Assistindo, me inspiro nas pessoas jogando, como no Gil (Zagueiro do Corinthians). Você acha que o fato de morar na periferia e ser negro dificultou o acesso às categorias de base? Eu acho que não, foi mais por questões financeiras. Não acho que o fato de ser da periferia tenha interferido, porque na periferia existem muitos que tem uma condição boa também. Não é pelo fato de você morar na periferia que você não tem uma boa condição financeira. Breno O

Cauã que

é

Santos

futebol

para

você?

Meu nome é Breno, tenho 16 anos, moro no Jaraguá, São Paulo. O futebol para mim é alegria. Sempre que estou triste ou com raiva, venho jogar bola para esquecer dos problemas. Sempre fico feliz quando to jogando bola. Ainda mais com meus amigos, monto uma panela (time forte) e já era. Você

poderia

descrever

um

pouco

este

sentimento?

Não sei, é felicidade mesmo. “Estar dando” risada, dar um drible bonito e todo mundo fica... elogia e “zoa” o outro. Dá uma “caneta” (drible futebolístico) bonita, faz um gol bonito. Já assistindo, o sentimento é diferente. Meu time me dá motivação. Você já tentou investir na carreira de jogador? Você tinha esse sonho? Essa pretensão? E por que não deu certo? Como não deu certo? Ainda tenho 16 anos, Sempre tive esse sonho’ e sempre vou ter, mas não é que eu desisti, escolinha do Santos, quando era menor, mas não sei se vou tentar ainda pra virar jogador. Mas se eu quiser eu consigo. Se eu

tudo pode acontecer. eu nem tentei. Já joguei na ou não, com vontade mesmo correr atrás eu consigo.

Por que você acha que você não correu atrás? Não teve vontade a ambição foi pouca?


29

É, pouca ambição. Durante minha vida eu nunca foquei em nada, não à toa que eu to aí (fazendo alusão a estar “largado” no mundo). Você acha que se tivesse tentado, sendo uma pessoa muito habilidosa, você acha que realmente teria chance de ser bem sucedido no futebol? Acha que a situação socio-econômica e as questões raciais pesaram mais? Acho que se eu tentasse eu conseguiria. Poderia demorar, mas eu iria conseguir. E para mim não faz muita diferença as questões econômicas. Racial também não. Terão alguns clubes que você não vai conseguir porque você é negro ou porque não tem dinheiro mesmo, mas uma hora você consegue. De tanto tentar, as portas se abrem. O

que

O

racismo

você em

sí

acha é

uma

sobre merda.

o

Não

sei,

racismo são

um

no bando

futebol? de

idiotas.

Dentro do futebol, você tem alguma inspiração? Alguém que faz você se espelhar? O Messi e o Cristiano (Ronaldo). Porque os dois tinham doenças. O Messi por não crescer e precisar tomar injeções, e o Cristiano tinha problema no coração. Os dois superaram e estão aí há dez anos disputando o prêmio de melhor do mundo. Se não for no futebol, quero ser sucedido igual eles em outra profissão. Você acredita que exista uma máfia dentro do futebol ou são todos aquelas figuras boazinhas que aparecem na televisão? Isso aí sempre teve. Pagar resultados. Não é à toa que antigamente o Pablo Escobar lavava dinheiro no Atlético Nacional (Clube de futebol colombiano), e acabou sendo pego dessa forma. José Qual

Pedro sua

relação

com

o

Futebol

de

Várzea?

Bom, primeiramente eu me chamo José Pedro, moro aqui no bairro do Pq. De Taipas e vamos conversar a respeito dos times da região. Futebol de verdade. Anos 70 ao possível começo dos anos 2000. Minha relação com o futebol foi que meu pai não me deixava jogar e por montarem um time onde um dos diretores era amigo dele, ele resolveu me deixar no time desse amigo dele. Joguei por muito tempo. Joguei em vários times, mas não muitos. Não fui muito camiseiro não. Eu gostava mesmo de jogar nos times que me sentia bem, então o Vila Nova foi o ícone da coisa e até hoje ainda de fala desse time. O

que

a

várzea

representou

na

sua

vida?

A várzea representava um coleguismo. Nós éramos muito amigos. Os times que vinha na época era de conhecidos. Os que vinham de fora, da (Zona) Leste, da Sul... Da Leste não porque vinham sempre, mas os da Sul era mais difícil. Os da Leste era aquele tipo de coisa, quando vinham pra cá era amizade, inclusive, me recordo de um time que veio de lá, era os XI Primos, da Vila Matilde, passaram o dia todo no CDM da região aqui. Trouxeram até fogão, fizeram comida... A gente tinha um salão de recepção, que agora acabaram com esse salão. O campo perdeu todo espaço que tinha. O Campo era só lazer, agora ao lado do campo se criou uma creche, uma escola primária e uma escola ginasial, e agora o campo ficou restrito a um espaço pequeno.


30

Hoje eu, pra dizer a verdade, não me envolvo com nenhum time, apesar de ter sido colocado na diretoria do Gana, que é mais um time que foi fundado por amigos, não participo muito, porque não posso sair. Mas eu gostaria que voltassem os tempos do futebol de várzea como antigamente. Agora o futebol de várzea, da elite, é como se fosse uma mini várzea federado, porque a maior parte dos jogadores dizem que recebem para jogar. Na minha época ninguém dizia que recebia pra jogar. Eram times mesmo de coração, não era time comprado, no caso. Agora a maior parte dos caras não sabem matar a bola, mata a bola de joelho e ganha trezentos reais para jogar nesse time, é complicado. No time que eu joguei, se fosse aparecer agora, certos colegas meus, eles seriam profissionais tranquilamente, porque na época era mais difícil. Batiam de frente com jogadores já consagrados. Mas no Santa Cruz, jogaram garotos como Toninho Vanusa, Zé Roberto que jogou no Londrina. O Toninho Vanusa foi campeão. O título que o Flamengo reivindica, foi por Sport porque o Flamengo ficou com medo de perder pra um time da série amarela, no caso. E iria perder, porque o Sport detonou tudo quanto foi time, e o Flamengo não quis fazer a final. Tanto é que o título ficou garantido pro Sport. Não sei se o Flamengo vai conseguir entrar como título dele, mas não é. A Justiça já deu ganho de causa pro Sport. E o técnico era o Leão, do Sport. Esse Zé Roberto tem uma passagem muito boa pelo Londrina, tanto é que o Londrina ganhou do Flamengo no Maracanã, de 1 a 0. O Zé Roberto foi quem marcou o Zico. Até hoje a gente se conhece. Ele mora aqui por Perus. O que eu falo é o seguinte: muito dos garotos que na época não conseguiam, se aparecessem hoje, seria salário de exterior. Iriam jogar no exterior, tranquilo, como aconteceu com o moleque da base do Palmeiras, daqui do Jd. Peri, o Gabriel Jesus. O Senhor acha que na sua época era mais difícil por questões financeiras, falta de conhecimento? Não, o problema é que era mais difícil porque se exigia mais do pessoal. Só que, vamos supor, um garoto daqui, se aparecesse e não tive se um ”padrinho”, não entrava. Esse era o problema. Então tiveram vários garotos, no Vila Nova teve um meia-esquerda que fazia o que queria com a bola. Mas quando veio pra cá com 17,18 anos, dizia que tinha que ”puxar as gavetas” pro Vasco da Gama, porque ele era carioca né. Ele apareceu aqui porque as irmãs moravam aqui e ele veio uma temporada, ficou e não saiu mais. Me parece até que mora ali pro lado do Ipiranga. No sentido prático da coisa, se não tivesse um padrinho, não jogava. É como agora, empresário. Se você começar na várzea e não tiver um empresário bom, nem teste você não faz. Você vê jogo da Copa Kaiser, tem time que se você falar assim ”vou pegar esse time e treinar pra disputar o Campeonato Paulista” iria dar trabalho pros times grande. Mas se for ver, tem ex profissional, moleque federado jogando ali. Não existe mais várzea, a várzea era quando se jogava pelo coração. O time do Comercial mesmo, soube que alguns jogadores recebiam né, mas antigamente não, os caras jogavam pela amizade. Amizade e pelo time. O Comercia, pra se dizer a verdade, na nossa região aqui, foi um dos times de ponta, era um time de referência, como o Praça e agora, ultimamente o Regina. São os times top. Agora apareceram uns times que estão fazendo nome, mas antigamente os times eram melhores. Tanto é que de um time de Perus saiu um meia-esqueda que jogou no Juventus, Cesar. Aqui, se fosse pra falar ”não, fulano vai ser profissional, fulano vai ser profissional...”, no mínimo uns quinze moleques teriam sido profissionais. Você acha que os times de várzea tem alguma função social com as

crianças?

No caso, afastar das drogas é meio embaçado, isso já digo porque eu vejo os moleques que jogam. Mas tem um pessoal que faz esse agrupamento pra tentar mudar um pouco a rotina do pessoal. Inclusive tem um que nós financiamos o fardamento pra disputar a Copa das Favelas, o Real Mirim. O rapaz que toma conta desse time é deficiente visual e ele corre atrás pra tudo quanto é lugar com os


31

moleques dele. Tanto é que participou da Copa das Favelas e perdeu pro campeão, nas quartas de final. Pra você ter noção, essa copa das favelas não revelou nenhum profissional, já a do Rio de Janeiro, colocou ou 4 ou 5 moleques em times grandes. Aqui em São Paulo, quem revelava muitos jogadores era o Nacional. Agora o Santos fabrica muitos jogadores, mas fica com ele lá. O Corinthians fabricava bastante, continua fabricando, mas não rende nada. Então a molecada fala ”eu gostaria de jogar no Corinthians, mas eu não vou porque não dão chances”. A gente não pode julgar todo mundo, mas é muito difícil juntar um grupo de 50, 60 crianças e não ter uns 5 ou 6 de 12, 14 anos já ta fumando maconha ou até envolvido com o tráfico. Não dá pra separar o joio do trigo. O Senhor não acha que esses times não poderiam resgatar e tirar essas crianças da mão do traficante? Não que seja impossível, mas no ambiente que a gente vive, é difícil. Aqui na rua, mesmo, moleque de 12, 13 anos já vendendo droga. É complicado. Jogar bola, não sei nem se sabe chutar. Antigamente, que isso, rapaz, tinha um campinho ali na frente, onde hoje tem algumas lojinhas. Aqui na rua mesmo, as vezes a gente tirava racha. Eu mesmo rasguei o pé jogando bola. Agora não, onde você tem lugar pra jogar? Agora só lá no fundão, atrás do calipau, parece que tem um meio campo, ou alguma coisa assim, onde o pessoal vai jogar, ou então o CdM. E o único CdM que deixava o campo aberto, de segunda à segunda, é esse aqui. Porque em todas as comunidades que você vai, você não entra no campo não. Aqui era de segunda à segunda aberto. Mas, dentro do campo tirar racha e depois ir fumar maconha, é complicado. É diferente. Eu admiro o serviço que o Márcio faz, porque ele e a molecada correm atrás e tudo, mas no meio deles também tem. Mas é aquela história né. É um pessoal que tá ali direto, então não dá chance pro azar. O que o senhor acha que mudou dos anos 80 pra agora?

Mudou muita coisa, até a falta de vontade da molecada pra jogar bola. O que mais influi é isso, a falta de vontade da molecada de jogar bola, porque nem nas escolas, que eles fazem mais campeonatos de futebol de salão, não vejo ninguém abrir lá, de domingo, como era antigamente, pra ir jogar futsal. Antigamente os colégios estaduais eram abertos de domingo para se jogar. Para lazer. Agora não acontece nada, não sei se por causa da pandemia né, 8 meses já.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Futebol ou comércio: A representatividade do futebol amador - Victor Hugo Granjeia by Rede Código - Issuu