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O 'FOMO' como uma consequência da Indústria Cultural - Jean Carlos Gonçalves

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Universidade Cruzeiro do Sul

O ‘FOMO’ como uma consequência da Indústria Cultural

Jean Carlos Gonçalves Silva

São Paulo 2020


1 . Ficha Técnica Jean Carlos Gonçalves Silva: Estudante do oitavo semestre de Jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul. Desenvolveu o presente projeto e o produto experimental com orientação da Professora Doutora Mirian Meliani Nunes. Funções: pesquisador, repórter, pauteiro, redator e editor. Modalidade: Reportagem Multimídia Composição: 

Vídeo explicativo sobre o que é o termo objeto (2’15’’)

Texto com narrativa estilo pingue-pongue

Texto com narrativa em discurso direto

Infográfico (4 X 800px X 2000px)

Podcast (31’51’’)

Link: https://sites.google.com/view/jcgs QR Code:

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Jean Carlos Gonçalves Silva

O ‘FoMO’ como uma consequência da Indústria Cultura

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientadora: Profa. Dra. Mirian Meliani Nunes

São Paulo 2020. 3


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2. Resumo Este trabalho teve como objetivo estudar a relação do capitalismo e do conceito de Indústria Cultural,

criado por

Theodor Adorno e Marx Hockeimer e depois resgatado por Edgar Morin, e sua relação com o surgimento de novas condições humanas que nasceram com o avanço das tecnologias, suas facilitações e também dependências e ansiedades, como por exemplo a maneira como as mídias sociais fortalecem o ‘Fear of Missing Out’, que é o medo de perder alguma informações cotidianas que aprendemos a dar algum tipo de valor de interesse. Palavras-chave: Redes; sociais; mídias; digitais; excesso de informação; internet; dependência; ansiedade.

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Sumário 1 . Ficha Técnica ......................................................................... 2 2. Resumo ................................................................................... 5 4 . Introdução .............................................................................. 9 5. Objetivos ............................................................................... 11 6. Problema e Hipóteses de pesquisa ........................................ 13 7. Justificativa ........................................................................... 14 8. Plano Estratégico .................................................................. 16 9. Referencial Teórico ............................................................... 19 10. Aspectos metodológicos ..................................................... 30 11. Referências .......................................................................... 32 12. Cronograma ......................................................................... 36 13. Orçamento ........................................................................... 37 14. Apêndices A ........................................................................ 38 15. Apêndices B ........................................................................ 89 ................................................................................................... 92 ................................................................................................... 93 ................................................................................................... 94 7


................................................................................................... 95 16. Diário de Bordo................................................................... 96

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4 . Introdução A pesquisa em questão tratou da relação entre os conceitos de Capitalismo e da Industria Cultural além da busca pelo poder com o aumento de patologias socias que surgem através da internet, como o caso do FOMO um acrônimo de ‘Fear os Missing Out’ que é uma expressão em inglês que em tradução literal significa o Medo de estar perdendo algo, que é a sensação angustiosa de não conseguir acompanhar todas as informações que recebemos diáriamente em tempo real na internet principalmente através das redes socias. Para isso foi utilizado como norte um levantamento feito pela empresa britânica de pesquisa de mercado Global Web Index sobre o aumento do tempo médio gasto em aplicativos e sites de redes sociais pelos brasileiros, um fato que é contrario a quase metade dos 45 países analisados e principalmente aos países de primeiro mundo. Foi resgatado também, os conceitos de Theodor Adorno, Max Horkheimer e Edgar Morin de Indústria Cultural como uma consequência do capitalismo, utilizando então os seus conceitos para explicar a relação destes com a forma que a busca incessante 9


por consumo contribui para aumentar sintomas como angustia, ansiedade e depressão que são algumas das consequências do Fear Of Missing Out. Além disso, foi analisada a pesquisa de Byung-Chul Han sobre a sociedade do cansaço através das redes sociais, como ele define a maneira que a sociedade se molda de forma involuntária a partir do avanço das tecnologias, principalmente da comunicação.

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5. Objetivos Objetivo Geral – Analisei como as redes sociais possuem uma mecânica de funcionamento para manter os usuários o máximo de tempo possível, criando uma cultura de consumo excessivo e a sensação de não conseguirmos acompanhar o ritmo do mundo, e mostrando como esse processo baseia-se basicamente no modus operandi do sistema capitalista. Objetivos Específicos – Com pesquisas apontando o crescimento da dependência dos jovens brasileiros das mídias sociais, o objetivo da presente pesquisa foi mostrar de qual forma criou-se através das redes uma cultura de consumir a vida que outras pessoas tem, ou bens que estas possuem, gerando ansiedade, angústia e frustração por não alcançar tais objetos de status, dando então a sensação de não ser possível viver a própria vida e permanecer desejando a vida do outro, atrapalhando nossa vida social, pessoal e profissional gerando dependência ou medo de perder alguma informação que aprendemos a dar um valor pessoal de interesse. Demonstrei de quais formas esse processo é criado com base nos conceitos do capitalismo e da industrialização do 11


conhecimento, que além de ser considerada uma tática política para criar na população uma sensação de anestesia social impedindo que grupos sejam criados para questionar a realidade vivida, também incentiva om consumo de bens e/ou experiências. Criarei assim um site com reportagem multimídia de cunho político-científico, com depoimentos de especialistas e apresentando histórias de pessoas que reconheçam os traços dessa condição humana em suas vivências. Além de mostrar como o fator bizarrice da atual situação política e vida cotidiana do brasileiro afetam esse processo.

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6. Problema e Hipóteses de pesquisa Problema - Partindo do ponto que no Brasil há uma crescente anual no tempo gasto com sites e aplicativos de redes sociais, ao contrário do que ocorre em quase metade dos países que são líderes do mercado mundial de internet, principalmente os países mais desenvolvidos. Qual a relação da indústria cultural com a geração e sensação do medo de estar perdendo algo? Hipóteses – No âmbito digital se tem um contato maior com informações, produtos artísticos e peças publicitárias que apelam mais para o nosso emocional do que para a nossa razão. Elas trabalham o nosso desejo e inveja para ter aquilo que o outro tem, nos projetando na vida do outro. Além disso, há a possibilidade de que forças políticas atuam para causar na população os sentimentos de inercia e apatia, se aproveitando da “falta de alma” das massas que habitam os meios digitais, e toda a sua dificuldade de organização e reação.

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7. Justificativa O presente trabalho visou explicar a relação das redes sociais e o excesso de informação que recebemos diariamente, com uma fobia social que ganhou uma definição no início dos anos 2000 pelos pesquisadores Andrew Przybylski e Patrick McGinnis, a partir do termo criado pelo estrategista de marketing americano Dan Herman no final dos anos 1990, ‘FOMO’ um acrônimo da expressão em inglês ‘Fear of Missing Out’, que é o medo de estar perdendo algo, em tradução literal, isto é, o medo de estar perdendo alguma informação através das redes sociais, gerando assim um ciclo de ansiedade, angústia, frustração e dependência. Em pesquisa divulgada no final de 2019, o Brasil ocupou a segunda colocação dos país que gastam mais tempo em redes sociais no mundo, totalizando 225 minutos diários. Seguindo a contramão de quase metade dos países, os quais o consumo diário de sites e aplicativos de redes sociais está em decréscimo com relação às pesquisas anteriores. O fundamento do presente trabalho foi entender qual a relação da busca de poder político e a perpetuação do sistema 14


capitalista atuam para fortalecer cada vez mais sequelas na vida social, pessoal e profissional em jovens nativos ou migrantes digitais, seja através da Indústria Cultural teorizada por Theodor Adorno e Edgar Morin, incentivando o consumo e apelando para o lado emocional das pessoas através das produções artísticas, de peças publicitárias, ou da venda de estilos de vida, plantando o desejo de possuir aquilo que o outro possui.

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8. Plano Estratégico 8.1 Descrição do produto A partir da presente pesquisa foi definido então que seria feito uma reportagem multimídia com o título “Medo de estar por fora?”, em web site como parte dos itens obrigatórios para a obtenção

do

título

de

bacharel

em

jornalismo.

No o projeto final foi baseado na linha editorial e com layout inspirado na Gama Revista, do grupo Nexo Jornal. A revista define um assunto específico que será o tema da semana, e em cima deste ela publica cinco formatos jornalísticos para abordar o assunto. Foi definido então que para seria utilizado um vídeo que explica o que é o meu objeto, o ‘Fear Of Missing Out’, o formato é inspirado na série “explicando do canal de Youtube do

Nexo. Foi utilizado dois tipos de texto jornalísticos, um é uma

entrevista pingue-pongue com Marizilda Pugliese que é psicóloga no Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) da Unifesp, onde ela responde perguntas relevantes para o tema e conta sobre as adversidades e as suas experiências pessoais e profissionais durante o período de pandemia do COVID-19. Outro formato é a narrativa direta, onde trago dois 16


depoimentos um de Caio Batista publicitário e influenciador digital que fala sobre seu conhecimento tanto como publicitário quanto como criador de conteúdo para a internet. E também utilizei de entrevista com Edney Souza, também conhecido como Interney, que tem um vasto currículo com trabalhos na internet inclusive dando consultoria para o marketing digital de marcas. Criei uma sequência de infográfico trazendo alguns aspectos retirados de formulário que divulguei através das redes sociais

e

consegui

obter

474

respostas.

E por fim, somou-se ao projeto um podcast que envolve uma entrevista com Anna Lúcia Spear King coordenadora do Instituto Delete da UFRJ, além de dois depoimentos retirados a partir de pessoas que responderam o formulário. 8.2 Público O meu projeto não delimita um público específico, sua função é ter a atenção do máximo de pessoas possível para chamar atenção não apenas para o ‘FOMO’, mas todos os tipos de condições que podem ser geradas através da utilização das redes sociais de forma descontrolada, lembrando sempre que o problema é o excesso e a talvez a forma como é utilizada, porém a maior parte de pessoas que possuem grande propensão de 17


desenvolver situações mais críticas de problemas de saúde como os levantados pela pesquisa são os mais jovens, adolescentes e crianças, justamente pela forma cultural que foi criada da utilização das redes, o trabalho busca conversar com esse público e com as pessoas que referem-se diretamente à eles.

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9. Referencial Teórico No final de 2019 foi divulgado pela GlobalWebIndex um levantamento feito com os 45 principais países no mercado de internet no mundo. O resultado apontou o Brasil na segunda colocação em tempo gasto com aplicativos ou sites de mídias sociais, com uma média de 225 minutos diários. Um aumento no comparativo com o ano de 2018 onde foi gasto em média 219 minutos. A pesquisa que foi feita com aproximadamente 1,8 milhão de pessoas mostrou que ao contrário do Brasil, quase metade dos países ficaram iguais ou diminuíram as médias de tempo gasto. Os jovens na faixa etária entre 16 e 24 anos são os que mais gastam tempo nas mídias sociais digitais e segundo a pesquisa é possível analisar que quanto mais jovem a população, mais o número médio em tempo nas redes sociais cresce. Com essa pesquisa divulgada, especialistas começam a alertar para a preocupação do surgimento ou piora no volume de casos de pessoas com problemas mentais. Com o estudo é possível apontar que as pessoas que gastam mais tempo com redes

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sociais são mais infelizes, e doenças como ansiedade e depressão se tornam cada vez mais recorrente. É um fato que as sociedades passam por transformações conforme avança a tecnologia, principalmente a dos meios de se comunicar. O filósofo Byung-Chul Han diz que a mídia digital especificamente,

de

forma

inconsciente,

“transforma

decisivamente nosso comportamento, nossa percepção, nosso pensamento e nossa vida em conjunto”. Com isso nós acabamos nos embriagando dela, sem analisarmos quais as consequências. Em 1954 o antropólogo J.A. Barnes começou a pesquisar o conceito de rede social, e divulgou em 1968 o artigo “Redes Sociais e o Processo Político” analisando a formação e o conceito de redes sociais. Ele cunhou que estas são processos que transpassam os limites de grupos e categorias, são relações interpessoais que surgem a partir da afiliação a um grupo que fazem parte da rede social total que seria uma junção de pequenas redes sociais que vinculam pessoas de grupos diferentes. Para o sociólogo Michel Maffesoli (1988), são formadas na sociedade tribos urbanas, que são reuniões onde as pessoas “se enraízam, se retraem, buscam abrigo e segurança”, as pessoas 20


buscam o sentimento de pertença, e essas tribos são reafirmadas através das novas tecnologias. A única diferença é a questão da temporalidade própria. Ele fala que as “firmas que veiculam informática, criam uma matriz comunicacional de configurações e com objetivos diversos”. E assim, através de múltiplos vieses, se constituem "tribos" esportivas, de amigas, sexuais, religiosas ou outras. Cada uma delas tem durações variáveis de vida, conforme o grau de investimento de seus protagonistas. (Maffesoli, 1988, pág 194)

Fato é que com o avanço da utilização das redes sociais é possível analisar o surgimento de novas patologias, dentre elas a “FoMO” que é um acrônimo da expressão ‘Fear of Missing Out”, em tradução literal significa o medo de estar perdendo algo, termo este que foi utilizado pela primeira vez no final dos anos 1990 pelo estrategista de marketing americano Dan Herman e posteriormente nos anos 2000 foi melhor estudado pelos pesquisadores sociais Andrew Przybylski da Universidade de Oxford e Patrick McGinnis da Universidade de Harvard. O termo busca definir a sensação de angustia causado nas pessoas que não conseguem acompanhar o volume de 21


informações que recebe diariamente e em tempo real pela internet. Seja através de veículos de informação, seja através de redes sociais dos famosos, influenciadores digitais, de amigos e conhecidos, etc. Muito se assemelha à Síndrome da Fadiga Informativa que o psicólogo David Lewis nomeou em seu livro “Morrendo pela Informação”. David cita que esta síndrome pode gerar tensão, estresse, distúrbios de sono, problemas gástricos, irritabilidade e dificuldade de memorização. Em muitos casos pode levar até mesmo a doenças psiquiátricas como pânico, ansiedade e outros distúrbios. No entanto, o FoMO se trata de informações de modo geral, não apenas da informação útil, mas sim de toda informação que damos um valor pessoal de interesse, seja ele as teorias por trás de uma franquia de filmes que são debatidas em fóruns e ‘hashtags’, novos lançamentos musicais, quem foi para o grande festival de música, carregado por horas visualizando cada ‘stories’ postados por pessoas que estavam presentes e a quantidade de vídeos divulgados nos canais que se está inscrito no Youtube, e também os textos postados pelo blog favorito, além de se manter informado de todos os últimos acontecimentos e movimentos políticos do país e do mundo. 22


Não existe uma forma saudável de consumir informações excessivas, para Han ”quanto mais informação é liberada, mais o mundo se torna não abrangível, e fantasmagórico”. O cansaço de informação é uma das características da depressão, que é uma doença narcisista na visão de Han. A pessoa que se afunda numa depressão se afunda em si mesmo e a nossa sociedade é cada vez mais narcisista, assim como todas as redes sociais como o Facebook e Twitter. E o ‘FoMO’ conversa com o que cunhou Byung-Chul Han, sobre como através das redes sociais as pessoas que antes eram agentes passivos da informação e apenas as consumia, hoje com as mídias digitais viraram produtores da informação. Somos simultaneamente consumidores e produtores. Esse duplo papel aumenta enormemente a quantidade de informação. A mídia digital não oferece apenas uma janela para o assistir passivo, mas sim também portas através das quais passamos informações produzidas por nós mesmos. (...) Nisso as mídias digitais se distinguem das mídias de massa como o rádio ou a televisão. Mídias como blogs, Twitter ou Facebook desmediatizam a comunicação. (Byung-Chul Han, 2018, pág. 19)

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Para Han é importante que haja o respeito nas relações através das mídias digitais e ele diz que para que ele exista são necessárias duas condições, a primeira é que o as pessoas envolvidas nessa relação sejam conhecidas. A outra é que haja uma distância, e que isso se perde com as mídias digitais, pois existe a presença de anonimato, ou seja, poucas pessoas se conhecem além daquilo que é mostrado, e também nós somos incentivados à compartilhar nossas vidas privadas, se perde a relação de o que é público e o que é privado confundindo-os, a comunicação digital quebra a barreira da distância e ele cita como depositamos nosso emocional nas redes digitais dando o exemplo as cartas pois tínhamos a capacidade para ler e repensar aquilo que escrevemos, diferentemente das redes sociais. Uma

outra

caracteriza

a

Enquanto

temporalidade

carta se

de a

leitor. redige

esforçadamente a mão ou com a máquina de escrever, a exaltação imediata

já

comunicação

desvaneceu. digital,

A em

contrapartida, torna uma descarga de afetos instantânea possível. Já por conta de sua temporalidade ela

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transporta mais afetos do que a comunicação analógica. A mídia digital é, desse ponto de vista, uma mídia de afetos. (Byung-Chul Han, 2018, pág. 9)

Han escreve que o smartphone, assim como o digital em geral, enfraquece a capacidade de lidar com o negativo, e que eles prometem mais liberdade, parte uma coação fatal, a saber, uma coação da comunicação. Com isso se tem uma relação quase obsessiva, compulsória com o aparato digital. As redes sociais fortalecem enormemente essa pressão de comunicação. Ela resulta, em última instância, da lógica do capital. Mais comunicação significa mais capital. A circulação acelerada de comunicação e informação leva à circulação acelerada de capital. (Byung-Chul Han, 2018, pág. 31)

O que traz para a discussão o pensamento de Adorno e Horkheimer (1944) a respeito de como aquilo que vemos como cultura e conhecimento, como o cinema, o rádio, as revistas, as manifestações estéticas e tendências políticas opostas “entoam o mesmo louvor do ritmo de aço”. Ou seja, eles quiseram apontar 25


para o a produção e venda industrial da cultura, ou a chamada Indústria Cultural. O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles se definem a si mesmos como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos. (Adorno e Horkheimer, 1944, pág 99)

E é importante ressaltar como esse processo de produção da cultura tem impulso no espírito capitalista, no entanto, ele transpassou esse regime como afirma Edgar Morin (1962) “o movimento ultrapassa o capitalismo propriamente dito: nos começos do Estado Soviético, Lenin e Trotsky reconheceram a importância social do cinema. A indústria cultural se desenvolve em todos os regimes, tanto no quadro do Estado quanto na iniciativa privada”. Morin ainda aponta o poder político que pode ter sobre a indústria, apesar dela ter certa liberdade, essa liberdade é limitada para que haja uma padronização industrial. 26


Os conteúdos culturais diferem mais ou menos radicalmente segundo o tipo de intervenção do Estado — negativo (censura, controle) ou positivo (orientação, domesticação, politização) — segundo o caráter liberal ou autoritário da Intervenção, segundo o tipo de Estado interveniente. (Morin, 1962, pág 23)

Morin fala sobre como através da indústria cultura distribui as produções no mercado do consumo em massa, como em informações, jogos, mais principalmente nos espetáculos, há uma homogeneização, aquilo que ele chama de sincretismo, ele tende a unificar os dois setores da cultura industrial, que é a informação e o romanesco. A industrialização é feita para que haja o desejo de obter, muitas vezes gerando nas pessoas um espelhamento na vida do outro. A busca pelo ter cria uma sociedade baseada apenas no resultado A sociedade atual não é uma sociedade do “amor ao próximo”, na qual nos realizaríamos reciprocamente. Ela é, muito antes, uma sociedade do desempenho, que nos individualiza. O sujeito de desempenho explora a si mesmo até ruir. E ele desenvolve uma

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autoagressividade que não raramente desemboca no suicídio. O Si como belo projeto se mostra como projétil, que ele, agora, aponta contra si mesmo. (ByungChul Han, 2018, pág. 40)

E isso atua numa fraqueza gerada através das mídias digitais que é a dificuldade de combate àquilo que se deseja mudar. O filosofo Byung-Chul Han fala como vivemos hoje em dia em uma sociedade do desempenho, onde buscamos cada vez mais o resultado através de números e como isso se reflete em uma positividade excessiva que causa um mal estar. Essa positividade em excesso baseada na expressão “yes, we can”, produz pessoas depressivas e fracassadas, pois é um modelo que busca sempre o bom desempenho como finalidade. Em sua obra, Han referência a “Psicologia das Massas” (1895) de Gustave Le Bon, onde ele cita que a modernidade seria a ‘Era das Massas’, se referindo à capacidade que o ser humano teria de se unir em prol do bem estar social com maior facilidade devido às transformações que a sociedade sofreria, no entanto, Han cita que as massas possuem alma, ou seja, os indivíduos se reúnem, fundam uma unidade com um objetivo ao qual ele chama de ‘alma’ e diz que os grupos aos quais ele denomina de enxame digital, não possuem alma. 28


Os indivíduos que se juntam em um enxame não desenvolvem nenhum Nós. Não lhes caracteriza nenhuma consonância que leve a massa a se unir em uma massa de ação. O enxame digital, diferentemente da massa, não é em si mesmo coerente. Ele não se externa como uma voz. (ByungChul Han, 2018, pág. 14)

Na Grécia antiga, Hipócrates utilizou a frase “A arte é longa, a vida é breve…”, para mostrar que por mais que a gente tentasse a vida é insuficiente para conhecer ter acesso à quantidade de informação, conhecimento, ciência e técnica existente no mundo. Por isso devemos analisar a melhor formas de acessarmos às melhores informações necessárias.

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10. Aspectos metodológicos O processo de pesquisa do presente trabalho teve inicio no levantamento

bibliográfico

e

documental

num

primeiro

momento, em portais e servidores de artigos, teses e dissertações, e com a leitura materiais jornalísticos, com matérias relativamente atuais sobre o presente assunto, para que fosse possível delimitar e exemplificar a investigação proposta. A partir daí, foi possível então definir parâmetros para definir os principais teóricos da pesquisa: Adorno, Horkheimer, Morin e Byung-Chul Han, e através de seus estudos, definir outros nomes que de alguma maneira puderam contribuir para a pesquisa. Foi também necessária uma análise para que da melhor forma pudessem ser utilizados mesmo se houvesse um tipo de conflito em suas ideias. Levando em consideração esses procedimentos e todo o projeto de pesquisa, que até que o trabalho seja finalizado será de grande importância continuar a pesquisar aspectos teóricos para contribuir com o engrandecimento da pesquisa, além de ouvir a opinião de especialistas sobre assuntos relacionados à pesquisa além de conhecer pessoas que vivem ou já superaram a presente 30


fobia relatada no projeto. Para assim realizar uma pesquisa de forma qualitativa. O objeto final será uma revista de cunho políticocientífico com o enfoque em mostrar a realidade dos nativos ou migrantes digitais, estudos sobre qual a melhor forma de se adaptar e melhor utilizar a imensa quantidade de conteúdo presente na internet.

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11. Referências ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1944. COSTA, Wendell Marcel Alves. Redes Sociais e Processo Político em J. A. Barnes. 2017. 8. Ciências Sociais – PUC-RS, Porto Alegre, 2017. DE SOUZA, Milena Costa. Sociologia do Consumo e Indústria Cultural. 1ª Edição. Curitiba: Editora InterSaberes, 2017. FELDMAN-BIANCO, Bela. Antropologia das Sociedades Contemporâneas: Métodos. São Paulo: Global, 1987. HAN, Byung-Chul. No Enxame: perspectiva digital. Edição Digital. Petrópolis - RJ: Editora Vozes,2018. HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. 2º Edição. Petrópolis - RJ: Editora Vozes, 2017. MAFFESOLI, Michel. O Tempo das Tribos: O declínio do individualismo nas sociedades de massa. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária,1998.

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MORIN, Edgar. Culturade Massas no século XX: O Espírito do Tempo. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 1962. SILVA, Carla Cardoso. Informação em excesso: a normose e a percepção de nativos e imigrantes digitais no Twitter.2011.139. Comunicação Social – Universidade Estadual do Norte Fluminense, Campo dos Goytacazes - RJ, 2011. SOUZA, Reniton de Santana. Influências das relações afetivas para os atos de consumo na Cibercultura. 2015.111. Psicologia Social – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2015. ANDRADE – Tadeu – “A arte é longa, a vida é breve…” – 2013 – https://tadeuandrade.wordpress.com/2013/07/09/a-arte-elonga-a-vida-e-breve/ –acesso em: 15 Jun. 2020. BERTI – Vicenzo – Você sofre da Síndrome da Fadiga Informativa? – 2016 – http://www.equipedigital.com/noticias.php?id_noticia=441&id_ categoria=16 - acesso em: 15 jun. 2020. DE CARVALHO – Fábio Rodrigues – O que é a sociedade em rede? – 2016 – http://sqinodireito.com/o-que-e-a-sociedade-emrede/ – acesso em: 15 Jun. 2020. 33


DE MACEDO – Caio Sperandéo – Sociedade em rede e cidadania – 2013 – https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direitoconstitucional/sociedade-em-rede-e-cidadania/ – acesso em: 15 jun, 2020. DUARTE – Fernada – Brasil é 'vice' em tempo gasto em redes em ranking dominado por 'emergentes' – 2019 – https://f5.folha.uol.com.br/nerdices/2019/09/brasil-e-2o-emranking-de-paises-que-passam-mais-tempo-em-redessociais.shtml – acesso em: 15 jun 2020. GIANTOMASO – Isabela – O que é FoMO? 'Fear of missing out' revela o medo de ficar por fora nas redes sociais – 2017 – https://www.techtudo.com.br/noticias/2017/05/o-que-e-fomofear-of-missing-out-revela-o-medo-de-ficar-por-fora-nas-redessociais.ghtml – acesso em: 15 jun 2020. RAMALHO – João – Redes Sociais — O estudo pioneiro de J.A. Barnes – 2017 – https://medium.com/@jornalismoespm2017.1/redes-sociais-oestudo-pioneiro-de-j-a-barnes-3012f00045f1 – acesso em: 15 jun. 2020. 34


REDAÇÃO PSICANÁLISE CLÍNICA – O que é FOMO: Fear of missing out? – 2019 – https://www.psicanaliseclinica.com/fomo-fear-of-missing-out/ – acesso em: 15 jun 2020. O nome do autor pode ser omitido. RING – Berenice – Tendência: FOMO, o inquietante e agonizante Medo de Ficar Por Fora – 2012 – https://www.mundodomarketing.com.br/index.php/artigos/beren ice-ring/23821/tendencia-fomo-o-inquietante-e-agonizantemedo-de-ficar-por-fora.html – acesso em: 15 jun 2020. VIANA – Victor – Desculpa o Textão: sabe o que é FOMO? Talvez você esteja com os sintomas e não saiba – 2019 – https://www.purebreak.com.br/noticias/a-internet-te-deixaansioso-o-desculpa-o-textao-desse-mes-vai-falar-sobrefomo/86323 – acesso em: 15 jun. 2020.

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12. Cronograma

Projeto de pesquisa Projeto experimen tal Divulgaçã o de formulário Entrevista s Decupage m Redação

Fe

M

A

M Ju Ag S

v

ar

br

ai

n

x

x

x x

x

x

O No

o

et ut

x

x

x

x

v

x

x

x

x

x

x

Diagrama ção Relatório de fundament ação teórico metodológ ica

x

Entrega

x

x

36


13. Orçamento

Produto

Valor (R$)

Assinatura Nexo

48

Infográfico

5

Vídeo

530,86

Total

583,86

37


14. Apêndices A 14.1 Transcrição de entrevista 1 Nome: Marizilda Pugliese Profissão: Psicóloga do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental (CAISM) da Unifesp, Marizilda Pugliesi Decupagem:

Tempo in / out

Conteúdo

3:40/14:26

Fazendo um retrocesso histórico do desenvolvimento da pessoa, o ser humano é a única espécie que precisa de um semelhante para se constituir como pessoa, como um indivíduo, ele precisa de uma relação pessoal, seja da mãe ou de um alguém que cuide pra ele se constituir como gente e através do cuidado da mãe ou do cuidador responsável, que essa criança vai se percebendo na relação do cuidado, então de acordo com a faixa etária ela tem necessidades psíquicas, necessidades afetivas, e através das necessidades ela vai se constituindo, nada substitui no início da vida de uma pessoa a relação com uma pessoa, para que ela se perceba através do olhar dessa pessoa pessoa que cuida dela, então a criança vai se percebendo como uma pessoa através do olhar e das expectativas que as pessoas têm em 38


relação a ela. É muito comum a gente ouvir as pessoas falando ainda quando bebê recém nascido o ele será quando crescer, então as pessoas trazem expectativas para aquela criança e isso é importante, que se suponha algo para aquela criança, para que ela possa existir como pessoa. Porém a gente percebe que no mundo moderno, a mãe que ao contrário das mães de antigamente que tinham maior disponibilidade, porque era a função da mãe criar e cuidar dos filhos. A mulher moderna depois da Revolução Industrial, acabou ocupando um outro espaço, não apenas a da mãe cuidadora, mas também a de mão de obra, ela foi para o mercado de trabalho, então falando forma geral, existem especificidades, exageros, ou não, então não podemos afirmar por exemplo que toda criança moderna está suscetível a desenvolver um transtorno mentais através dos eletrônicos, mas de modo geral, muitos dos eletrônicos, antes eram as babás eletrônicas, mas as televisões não são tão interessantes como os tablets, que tem aquelas musiquinhas, aqueles desenhos, aquelas imagens que capturam as crianças, não à toa as pessoas responsáveis por criar isso são pessoas que sabem como fazer para chamar atenção de crianças em determinada faixa etária. Sendo assim, desde cedo essas relações se dão não só com o seu semelhante, mas também com os eletrônicos. As crianças que são submetidas às intoxicações eletrônicas, a uma carga muito grande, muito intensa dessas relações, elas têm 39


um prejuízo emocional muito grande, porque uma criança quando está em contato com uma pessoa, ela faz perguntas, tem contato com o sentimentalismo, e a criança vai respondendo afetivamente através disso. Com os eletrônicos, fica essa coisa metalizada, em uníssono, então as respostas são sempre as mesmas, a criança aperta um botão, fala, as músicas são sempre as mesmas, os personagens são sempre os mesmos, as coisas se repetem e não geram troca, não existe uma troca afetiva, apenas uma troca virtual, crianças que são muito prejudicadas, a gente até percebe no modo como essa criança fala, imitando o modo ou fala de um personagem, então são crianças que estão se constituindo de uma forma estereotipada, daí está o prejuízo, api ela evolui dentro dessa cultura, se não houver uma intervenção precoce, cada vez o prejuízo será maior, então aí surge uma suscetibilidade, porque são crianças que tem aí o seu desenvolvimento psico-social prejudicado. Então eu penso na constituição psíquica do sujeito, claro que existem crianças que se constituíram e que não estão tão prejudicadas, mas que também são capturadas por jogos que são realmente interessantes, legais, interativos, jogam e conversão com amigos, a gente vê muito isso entre os adolescentes, Esses dias fui chamar meu neto pra comer e ele pediu pra eu esperar que ele já estava “morrendo”, como assim? São interessantes, interativos, esse 40


fascínio que é, aí surge o prejuízo social, porque uma criança em desenvolvimento precisa brincar, competir, desenvolver a psicomotricidade, a criança vai se desenvolver de uma maneira global, não é só na cabeça, mesmo que os jogos sejam importantes e desenvolvam coisas como o raciocínio matemático, porém a criança tropeça quando vai andar, mal sabe andar em uma calçada esburacada como as de São Paulo, Vejo muito dessa fragmentação, os jovens vão perdendo as relações sociais, vão perdendo a relação com o mundo real devido a esse contato extremo com o mundo virtual. A grande suscetibilidade está relacionada a isso, primeiro com a constituição psíquica, depois com a falta de limite dos pais que acabam se acomodando porque as crianças ficam quietas, não dão trabalho, e justificam com essas coisas de que vão se desenvolver de algum jeito e que no final também estão capturados nos seus celulares, recebendo mensagens, fotos, enfim, que são também muito interessantes, mas a vida não é só isso, (As crianças segundo estudos podem começar a ter dificuldade em ter a capacidade de leitura de expressão facial, as expressões que elas conhecem são através de emojis) sim, pois é o modelo de conexão que ela tem com o mundo são esses personagens estereotipados, ela fala e age como um personagem.

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14:53/15:50 É o meio que os jovens vivem, dependendo de quantos “Okeys” eles recebem, eles são mais ou menos populares. Então é um consumo, o adolescente precisa pertencer a um grupo, existe uma sensação de pertencimento, ele precisa estar em um grupo e se relacionar com ele, e se ele não for aceito por esse grupo virtual, é como se ele não participasse e não tivesse a sua identidade naquele grupo o qual ele se identifica, é muito difícil, e o adolescente é muito vulnerável à tudo isso. 16:13/19:06 O ponto nevrálgico, é a perda do contato com a realidade, o grande prejuízo é a perda e as relações afetivas, por que que é importante que as pessoas façam as suas alimentações sentados à mesa? Quando as pessoas se unem, a alimentação não é apenas algo que nos satisfaz fisicamente, a gente come, mas existe uma troca de afetos, a gente estando sentados à mesa trocamos coisas, criamos laços, não à toa quando queremos bater um papo, a gente convida a pessoa pra tomar um café, tomar uma cerveja, comer um pedaço de pizza, essas coisas estão interligadas, o afeto, aquilo que se come. Aquilo que se faz junto, na medida que se perde isso, o contato afetivo com as outras pessoas, tudo fica predicado, as relações, a percepção de si, porque a gente se percebe na relação com o outro. Quando estamos sozinhos, nós não percebemos o nosso próprio limite, percebemos isso quando o nosso limite atinge o limite do outro, a tendência do ser humano é a 42


busca do prazer, busca pelo desejo, satisfazer o desejo, mas muitas vezes pra que o ser humano satisfaça todos os seus desejos, ele invade o limite de outro, e quando vivemos em sociedade, a gente precisa estabelecer limites, existem regras sociais, então se não é estabelecida uma relação com o outro, não dá pra conviver socialmente. Então, o maior prejuízo é a perda das relações sociais e da própria percepção de si. 20:06/22:44 Hoje em dia não existe uma relação pessoal (entre as pessoas na internet), muitas vezes apenas se fala e não se sabe nem pra quem, mas é uma questão importante (sobre jovens que não se importam em como nem com o que falar para outras pessoas na internet) tem que haver um limite, vivemos num momento mundialmente, que nos damos conta de uma série de questões que teremos que lidar, questões como o respeito ao outro, à natureza, temos que ser solidários, senão não sairemos dessa, temos que rever todas essas questões. Eu trabalho muito com crianças, e vejo que através da educação, que eu acredito que seja a única saída para a mudança social, juntamente com a cultura, as crianças já estão tendo essas questões de respeito à natureza, de colocar lixo no lixo, então eu tenho muita esperança que as coisas podem mudar, porém dependerá de muito esforço de nossa parte, porque é muito mais interessante quando já estamos exaustos e ficar apenas recebendo informação, mas a vida 43


é outra, Um jornalista por exemplo, pode ter como instrumento de trabalho as redes sociais, os eletrônicos etc, mas o mundo que ele vai viver tem que ser mundo real, as informações reais, a ética de um jornalista é importante, e muitas informações partem deles, os jornalistas que são responsáveis em fazer a sociedade pensar sobre o mundo, trazendo para a sociedade as informações. 23:49/26:00 (O Fomo) é uma condição humana, o ser humano sempre vai em busca do seu desejo, sempre falta algo, Freud já falava isso desde o final do século XIX, que o homem vai em busca da satisfação dos seus desejos, porque sempre lhe falta algo, e essa é uma condição humana, não é um transtorno, porém algumas pessoas tendem a patologizar tudo, a pessoa não pode ficar triste que já está deprimido, não pode ficar alegre porque tem mania, a pessoa não pode ficar ansiosa porque pode estar com transtorno de ansiedade, não é assim, no meio de uma pandemia quem não estiver ansioso está negando tudo que está acontecendo por aí, se não está triste porque perdeu alguém é porque está negando, são sentimentos. O que torna algo patológico, é a dimensão do fato, do fenômeno, quando uma pessoa perde em qualidade de vida, aí a pessoa está adoecendo, é isso que devemos medir, mas se uma pessoa está se utilizando dessas coisas, mas a vida vai bem, a criança está brincando, vai bem na escola, ou não, a mulher está dando conta, sai com as 44


amigas, o homem está trabalhando, tem amigos, sai pra beber, pra jogar futebol, a vida está indo, o problema é quando isso para, as pessoas param de fazer as coisas, daí devemos olhar com mais atenção. 26:06/28:58 Existe, estamos aqui (a entrevista foi gravada por Skype). Meu marido comprou um telescópio um pouco antes do início da pandemia, e existem sites incríveis sobre astronomia, e enquanto olhamos as estrelas, ele consegue ver na tela o céu naquele exato momento na direção que estamos olhando, então é possível identificar todas as estrelas que estamos vendo, e isso é fascinante, conseguimos saber o que outras pessoas do outro lado do mundo estão pensando sobre qualquer coisa que quisermos pesquisar, converso com minha filha que mora em outra cidade qualquer hora do dia, converso com meu neto que mora em outra cidade e ela conta as coisas, canta as musiquinhas que aprendeu na escola, e faz as gracinhas todas que ele tem pra fazer, ou então ele me liga pra dizer que está com saudade, aí a gente chora. Então é fascinante, além da questão pedagógica, é um avanço da humanidade, outro dia estava lendo, e os computadores utilizados para realizar a primeira viagem à Lua, era menos potente do que os celulares que usamos hoje em dia, então qualquer pessoa tem a capacidade com a tecnologia que possuímos pode fazer coisas incríveis, é fascinante como podemos nos 45


comunicar, avançar culturalmente, tecnologicamente, então é muito saudável se usado de uma forma consciente. 29:37/ 32:47

Eu nunca pensei na possibilidade de poder atender online, sou psicóloga há 41 anos, sempre tive consultório, trabalhei na rede pública, sempre fui funcionária pública, nunca pensei que pudesse atender crianças, adultos, adolescentes, dar aula online para alunos de medicina, psicologia, e fui obrigada nesse período a ter que dar conta dos meus pacientes, não podia de jeito nenhum abandoná-los, então fui propondo para eles essa forma de trabalhar e deu muito certo, e juntamente com o Conselho de Psicologia, nós montamos formas, plataformas, para podermos dar conta, não só atendendo quem a gente já atendia, mas também para abrir a possibilidade de abrir oportunidade para que outras pessoas também poderem usufruir do nosso serviço, porque muitas pessoas buscaram com a pandemia, até por conta dessa confusão toda, então temos usado muito, abrimos no serviço público a oportunidade de pessoas que trabalham em hospitais, a possibilidade de usar os nossos serviços, atendemos profissionais da linha de frente, e outros psicólogos abriram oportunidades para atendimento de graça pra quem necessitasse, tem sido muito interessante, e as pessoas têm se beneficiado muito com isso e nós também, porque é mais um instrumento 46


de trabalho, porque quando a gente voltar com os atendimentos presenciais, a gente não vai voltar só com os atendimentos presenciais, teremos que fazer uma mistura.

14.2 Transcrição de entrevista 2 Nome: Edney Souza, “Interney” Profissão: é Diretor Acadêmico na Digital House Brasil, Organizador da Social Media Week São Paulo, editor e tradutor WordPress.com para o Brasil, Colunista do ProXXima, Diretor da ABP (Associação Brasileira de Propaganda) e Conselheiro da ABRADi (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

1 - Sobre a sua vivência nas redes sociais, você costuma separar o pessoal do profissional? É possível? Eu confesso que comecei a deixar as coisas pessoais fora da rede, queira você ou não as pessoas do trabalho vão te achar na rede e o que vc faz na sua vida pessoal vai afetar a forma como te enxerga na sua vida profissional. O contrário também vale, você vai vai estar naquele churrasco tranquilo com amigos e alguém vai lhe pedir um conselho profissional. 47


Talvez pra quem use perfis fechados seja mais fácil separar, como minha vida profissional é pública isso te torna bem complicado.

2 - Já sentiu estar consumindo redes sociais em excesso? Sim, uma das coisas que fiz foi diminuir a quantidade de notificações e deixar de acessar e-mails e outros contatos profissionais fora do horário comercial.

3 - Como você costuma utilizar as mídias digitais profissionalmente? Basicamente só uso profissionalmente no momento.

4 - Como começou a estudar e trabalhar com o ambiente digital? Eu fiz um curso de programação em 89, em 90 estava trabalhando como programador, acessei a internet desde que surgiu no Brasil, basicamente toda a minha vida profissional foi digital.

5 - Como você enxerga a mecânica estrutural e engenharia das redes sociais hoje em dia? 48


As redes permitiram democratizar o acesso a informação, facilitar a comunicação, mas também facilitaram o acesso ao preconceito, as notícias falsas, ao discurso de ódio e violência. Tinha muita coisa ruim que a humanidade escondia. Os algoritmos atuais que mostram mais coisas que você gosta tem se mostrado perigosos por criar bolhas de opiniões, é preciso repensar os algoritmos se queremos uma sociedade mais unidade em breve.

6 - A gente sabe que o dinheiro que ronda nas redes sociais é proveniente das publicidades, no seu ponto de vista, as empresas estão preocupadas com a situação da saúde mental e consumo consciente dos usuários das redes sociais? Definitivamente não estavam preocupadas com a saúde mental de ninguém, os algoritmos de redes sociais foram criados para manter a pessoa o máximo de tempo possível conectada. Ultimamente algum esforço tem sido feito para minimizar esse dano, mas uma mudança mais significativa, que poderia afetar a lucratividade das redes, não é feita.

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7 - O que pode atrapalhar o marketing digital das empresas com a utilização desenfreada pelos usuários das mídias digitais? Na verdade para o marketing digital isso é bom, o único problema talvez seria o excesso de competição, pois cada usuário é também um produtor de conteúdo e disputa atenção das pessoas assim como as empresas.

8 - E o que pode ajudar? Tirando a competição de atenção o restante é totalmente benéfico para o marketing digital. Você tem centenas de oportunidades diárias de falar com alguém super segmentado sobre o que você quer vender, é o sonho de qualquer empresa.

9 - Como é para as empresas lidar com o anonimato das pessoas no ambiente virtual? Você encontra alguma dificuldade em lidar com isso atualmente? Não deveria existir nenhum problema em relação a isso. Se a pessoa deixa claro o que ela quer, então quem ela é não é muito importante. Só não dá pra permanecer anônimo e querer exigir regalias reservadas para clientes, nesse caso a

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identificação é importante para esclarecer o que ele tem direito.

10 - Diante de algumas pesquisas, levantamentos e por suposição. Entendemos que nesse período de quarentena houve um aumento na utilização das redes sociais. Houve algum impacto seja positivo ou negativo para o marketing das empresas? O aumento da utilização em si foi positivo para as empresas. Mais

oportunidades

para

contatar

o

consumidor

e

segmentação mais precisa. Quem não dependia dos espaços presenciais para o negócio funcionar teve inclusive crescimento durante a quarentena.

11 - A partir desse impacto no marketing das empresas, teve algum para os usuários das redes? Com as restrições de deslocamento e perda do poder aquisitivo pouco mudou no consumo dos usuários, na verdade eles se tornaram mais conservadores para economizar e concentraram suas despesas em bens de primeira necessidade, alimentação e utilidades para a casa.

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12

-

Pra

você

tanto

pessoalmente

quanto

profissionalmente, houve algum impacto? Eu trabalhei quase 10 anos em Home Office dos anos 2000 até hoje, foi possível adaptar meu trabalho atual para o ambiente digital sem problemas, então o impacto que tive foi mais pessoal do que profissional. Cancelei muitas viagens, férias e outras coisas que planejava na vida pessoal, mas a vida profissional decolou.

13 - Você diria que existe uma forma de usar as redes sociais de maneira menos nociva para o consumidor e que também seja positiva para as marcas? As marcas podem assumir um papel protagonista ao cuidar de causas importantes para a sociedade. É possível ajudar o ecossistema que você está inserido e receber todo o respeito e carinho do consumidor em troca. Se alguma marca não está engajada em uma causa porque acredita em um mundo melhor deveria no mínimo estar fazendo isso pelo dinheiro, porque as marcas engajadas em causas tem sido mais lucrativas e fidelizado melhor o cliente.

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14 - A gente sabe que vivemos em uma realidade onde pessoas se informam exclusivamente através das redes sociais. Você acredita que hoje em dia isso é uma preocupação para as empresas que investem no marketing digital? Acredito que a maioria das empresas não pensa nas consequências disso, entendem que não é papel delas informar, algumas que dependem de ter um consumidor bem informado ou acreditam em algumas causas tem feito esforços tímidos, mas na maioria das vezes temas fora do seu dia-a-dia como saúde, política e meio ambiente ficam fora das suas pautas. 15 - Vi que palestrou sobre “A era dos likes”. Você analisa de forma positiva ou negativa a forma como o ambiente digital se moldou em busca da aprovação? Tem alguma consideração também sobre a famosa e “nova” cultura do cancelamento? Na minha palestra eu falo que a era dos likes morreu, seja porque as marcas perceberam que o like quase nunca se converte em venda, seja porque as pessoas perceberam que isso afeta sua saúde mental, ou ainda porque estão 53


descobrindo como os algoritmos afetam a sua sociedade. Considero que em pouco tempo outra cultura deve surgir, menos preocupada com a aprovação alheia. A Cultura do Cancelamento, como você mesmo sinalizou nas aspas, sempre existiu, apenas ganhou uma dimensão maior em todo os setores em função do alcance das redes. Você sempre vai enfrentar as consequências de tudo o que diz, basicamente quando as pessoas estão "cancelando" estão pedindo apenas que o cidadão preste contas pelo que fala ou faz. Se alguém não tem condições de enfrentar a reação popular sobre alguma coisa, então deveria refletir mais antes de falar. Não dá pra pedir pra todo mundo virar um cordeirinho e ficar quieto. Por outro lado não dá pra se preocupar tanto assim com as mobilizações sociais. Vivemos num país com mais de 130 milhões de pessoas conectadas a internet, muita gente vai protestar, muita gente vai concordar, muita gente fala para causar discussão e movimentar as redes, quem fala para receber aplausos talvez deva começar a ficar quieto até entender como o mundo funciona, porque as redes não são a sala da sua casa, o palco cheio de admiradores ou seu canal de tv, a rede é plural, mista e diversa. Tudo vai receber aplausos, 54


vaias e indiferença, tudo ao mesmo tempo, temos de aprender a lidar com isso.

14.3 Transcrição de entrevista 2 Nome: Caio Baptista, “Caco” Profissão: Publicitário e criador de conteúdo para a internet Decupagem:

Tempo in / out 0:25/1:25

Conteúdo

Eu sou o Caio mais conhecido como Caco,tenho 22 anos de idade, sou publicitário formado, nascido e criado aqui em São Paulo, minha formação também compreende uma universidade daqui de São Paulo, me formei no Mackenzie, trabalho na área desde 2012, acredito eu, por volta disso. Já desenvolvi trabalho como redator. Hoje em dia eu sou um híbrido entre conteúdo, Community Manager e redator, eu acabo meio que fazendo as três funções ao mesmo tempo. Hoje eu tenho dois trabalhos paralelos, o meu podcast Poc de Cultura e o meu canal vamos falar. Então eu estou na internet não só pelos clientes e pelas contas que eu atendo, mas também atendendo enquanto pessoa e 55


1:44/3:50

desenvolvendo trabalhos. Fora isso eu também estou fazendo consultoria de conteúdo, ou seja, eu estou produzindo conteúdo para outras pessoas e eu estou focando em blogueiras e pessoas que querem produzir conteúdo para a internet. Eu comecei a produzir conteúdo na internet na verdade em 2003, ou 2004. Eu fui da geração que cresceu com a internet, uma das primeiras gerações que cresceu com a internet. Então pra mim a questão com blog e tudo o mais era basicamente desde muito cedo. Eu tive alguns blogs ao longo da vida, nenhum deles foi muito sério, mas quando eu realmente pensei “eu quero produzir conteúdo”, foi em 2009 quando eu comecei a produzir um blog que era basicamente inspirado no PapelPop, mas escrito do meu jeito, e fazendo piadas do meu jeito, em cima das notícias, que se chamava ‘Is On Fire’, aí era sempre o nome da pessoa e ‘Is On Fire’, eram sempre uns textos assim. Eu escrevi durante um bom tempo nele, acho que coisa de um ano e meio, mas quando eu estava no auge da faculdade, trabalhando e estudando, eu não tinha tempo pra fazer isso e parei. Depois disso eu fiquei um bom tempo sem produzir conteúdo na internet, só consumindo, aí eu tive a ideia de voltar a produzir em 2014, fiz três temporadas no meu canal, desisti das três temporadas porque não achei que a qualidade tava boa, aí ficou um lixo, eu desisti de tudo, então eu decidi voltar em 2018 com o projeto do canal e estranhamente no mesmo ano que o projeto do canal resolveu voltar 56


4:08/6:36

à ativa, foi onde nasceu o ‘Poc de Cultura’, entãos as duas coisas meio que conversam em datas de aniversário, porque foram feitas na mesma época, mas hoje em dia por exemplo, o ‘Poc de Cultura’ é um trabalho, embora ainda seja um trabalho paralelo, e o canal ainda assim é uma diversão, por sorte deu tudo certo. Faz muita diferença isso (trabalhar com o que a gente se diverte), mas é difícil pra caramba, Eu sempre visei produzir conteúdo na internet de forma rentável sim, eu não achava que isso fosse possível. Porque se a gente parar pra pegar os perfis das pessoas que fazem sucesso na internet, eles são muito específicos, e infelizmente a gente sabe que a gente vive numa bolha muito pequena e se eu for juntar todas as intersecções que me somam enquanto pessoa, eu com certeza não vou estar num público alvo muito grande. Eu sendo um homem negro, gordo e gay e ainda tendo um estilo super alternativo, a tendência das pessoas se dirigirem a mim como uma fonte de visão acaba sendo muito menor, porque acaba de que alguma forma a estética ou construção dos fatores acabam barrando um pouco. Até mesmo olhando o Top 10 de influenciadores brasileiros, 90% deles são brancos, então eu já sei que não seria uma coisa que eu alcançaria, eu tenho em mente que não terei um sucesso de tipo um milhão de pessoas, tenho total e plena noção de que não vai acontecer, mas eu acho que existem formas de se ter noção de sucesso de um ‘achievement’ de público que variam, eu não acredito que eu tenha 57


6:54/8:37

atingido isso ainda, que não é uma renda fixa ainda, embora a gente tenha contrato e tudo o mais, até porque esse produto é dividido por quatro, mas acredito que a tendência é que se organize melhor daqui pra frente e comece a fazer por onde, eu não me considero nem como um influenciador nesse sentido, porque o trabalho que eu realizo, a grana que subsidia tudo é da minha pessoa física, ou seja, embora eu seja apresentado como Caco e tudo o mais, ainda quem tá por trás do dinheiro é o Caio, o Caco infelizmente não tá fazendo dinheiro nenhum, quer dizer, tá, mas não o suficiente para me sustentar. Acredito que será um caminho um pouco mais longo de desenvolvimento, porque querendo ou não isso depende também de percepção de público, depende de percepção de marca, depende de abertura de espaço, depende de muita coisa. O trabalho com as redes sociais foi 200% (prejudicial), está até na moda por causa do documentário que rolou (O Dilema das Redes, Netflix), eu acho o documentário bem tacanha, porque “olha como nós estamos bilionários e tristes agora que a gente percebeu que a gente tá prejudicando a vida de vocês, eu acho isso muito cretino pra falar o português claro. Eu acho que existe sim um lance prejudicial, como o tempo de permanência nos celulares, a forma como as redes sociais são aditivas, a forma como o número sempre fica na mente das pessoas, ou seja, a gente está sempre galgando por números maiores 58


9:06/11:18

quando não são coisas pra fazer a gente ser notado, quando no final das contas isso é minimamente orquestrado por uma rede social que quer que você passe tempo alí, eu acho que tudo isso é muito duro, muito complicado, isso já mexe com a forma que a gente entende o mundo, fora que assim, ansiedade, depressão, ‘FOMO’, entre outras coisas, são todas geradas através do uso das redes sociais, a gente não conheceria a ansiedade nos aspectos que a gente vê se não fossem as redes sociais, a gente não saberia o que é o ‘FOMO’ se não fosse pelas redes sociais. Isso dá abertura para diversas doenças psíquicas, mas em contrapartida poucas resoluções pra esse tipo de problema. Existem muitas coisas boas, mas a quantidade de coisas ruins que levam a gente a usar as redes sociais é muito maior. A função cultural do que a gente faz, sendo publicitário, a gente ajuda a formar cultura, infelizmente pelo consumo e não pela arte, existem pitadas de arte, mas o consumo está alí 100%, e se a gente de alguma forma ajuda a montar o que as pessoas entendem por cultura e cultura de consumo, é de responsabilidade da marca saber que isso está afetando a vida das pessoas diretamente, e não é que está afetando pouco, está afetando pra caramba, tem muita gente sendo afetada por isso. Existe sim uma necessidade de ter um pensamento em controle sobre isso porque no final das contas como as pessoas vão perceber isso vai editar o consumo delas, vai editar ao redor delas. Se isso dá 59


ascensão social, status, permanência, amizades, uma série de coisas que podemos ver nos comerciais nós vamos querer isso. O problema disso justamente é que metade dos produtos que estão promovendo esse tipo de coisa, desde a sensação de pertencimento, até mesmo com a sensação de mexer com o corpo de uma forma que o corpo atribua valores padronizados e de alguma forma isso vai trazer felicidade, tudo isso está mexendo com o psicológico das pessoas, ou seja, se isso não der certo, se isso der problema, se gente morre por isso, é tudo responsabilidade. Acredito que o mercado se exime muito disso, por exemplo, a forma como o mercado entende o padrão de beleza ainda massacra milhares de pessoas, mas não se vê uma postura do mercado em fazer isso mais assertivo. Até mesmo agora que colocam pessoas fora do padrão, são pessoas padrão dentro do que é fora do padrão. Querendo ou não a gente não está trazendo essa conversa à tona, a gente não está mudando a forma como tudo isso acontece, nós estamos nos enquadrando nos padrões que um grande sistema tem pra fazer a gente se sentir pior o tempo todo 11:36/15:49 Em termos de uso de redes se eu falar em controle das redes eu estaria mentindo, não existe. Eu não me controlo mesmo, eu estou literalmente assistindo mil coisas, passando horas no celular, mais do que deveria, literalmente é a primeira coisa que eu pego pela manhã, até porque por incrível que pareça eu to de Home office, mas estou sempre atrasado. Mas em termo de 60


postagem eu sou muito regrado com isso, o que está exposto eu tenho total controle, ou seja, se eu falei aquilo, eu falei aquilo mesmo, nunca teve um momento que bateu uma loucura e eu disse isso. Se está lá eu disse, se de alguma forma eu deixei ali é porque eu vejo de alguma forma parecida, e dependendo da situação eu estou sim endossando o que está sendo dito, mas eu faço isso com um grande pesar em cima. Tudo que eu estou consumindo eu passei mais o olho sobre isso. Se estou dando uma opinião crítica ou dando voz para uma opinião crítica, eu estou pesquisando sobre isso, eu tenho todo um controle, não exponho minha vida ao máximo, não sou o tipo de pessoa que fica postando uma sequência de Stories, até porque não faz sentido, não sou uma pessoa que posta por postar, eu fico dias sem postar as vezes, largo, ou esqueço o app do jeito que está. Não sou de ficar preocupado não. Já tive mais épocas de estar mais preso, de colocar na cabeça que eu precisava postar, precisava engajar, mas percebi que por exemplo, no caso do Instagram, é uma ferramenta que te faz viver nessa vida de hamster o tempo todo, a pessoa fica correndo o tempo todo atrás de uma audiência, essa audiência não chega e a pessoa não para de correr, ou seja, eu estou afim de continuar assim? Não, então eu trato como eu tratava o meu Fotolog na adolescência, se eu não quero eu desativo por um tempo, se eu quero eu posto qualquer coisa e tá tudo bem, e eu perdi a vergonha dessa coisa de “precisar ser conceitual”, 61


Não foda-se, não preciso ser conceitual, se eu quiser posto 6 fotos minhas e acabou sabe? A gente entra em tanta regra, hoje em dia está nessa ideia de precisar ter um feed organizado, eu pensei “eu realmente preciso? Isso vai pagar minhas contas? Não vai, então eu não preciso.”. Eu gosto do Twitter, porque ele dá uma expressividade para as relações que eu posso falar sobre o que eu quiser, apaixonadamente ou não, vai ficar lá quem gostar gostou, quem não gostar vai continuar lá. Com o Instagram eu percebi que já que a função era retratar bons momentos, então comecei a retratar bons momentos, sem me doer por conta disso, sem comparar minha vida com a vida dos outros, ter uma relação mais saudável, hoje eu acho que a minha relação com a internet mudou muito, ela tende a mudar cada vez mais, e eu entendo a necessidade de manter uma regularidade para ganhar público, porém eu ainda acho que isso é uma grande esteira que a gente vai continuar chegando e nunca chegar no resultado, ainda mais visto os últimos acontecimentos que mostraram como o algoritmo da rede é racista, que as pessoas brancas que só por serem brancas já tinham o triplo ou quádruplo de audiência do que as pessoas pretas, eu realmente vou me esforçar pra dar algoritmo sendo que ele não está ao meu favor? Eu não quero, estou de boa.

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16:35/ 25:08

Por conta da base de pessoas que me acompanham ter crescido de forma orgânica, porque eu tenhos as mesmas redes, Facebook desde 2009, Twitter desde 2008 ou 9, e o Instagram desde 2012, por aí, comecei tarde. São as mesmas redes que eu tenho desde então, todo o crescimento das pessoas que vieram junto comigo, vieram desde quando acessei pela primeira vez as redes, o que é muito louco, porque é uma base sólida, eu sei que são pessoas que estão comigo há muito tempo, tem gente que virou amigo, tem gente que virou peguete, tem gente que eu vi nude, tem pra todos os gostos de interações que rolaram nesse meio tempo, então foi uma coisa que me trouxe muita proximidade e relações muito mais confiáveis nesse sentido, eu sei que quando estão elogiando o que estou fazendo, vai ter uma galera que eu sei que conhece o meu trabalho e me conheci a muito tempo, e será um termômetro pra isso. Acaba sendo um ponto bem legal porque eu não tenho que mobilizar uma fanbase, está sendo que os meus amigos me apoiando, tem muita gente que acaba virando nesse espaço, obviamente aparecem pessoas as quais eu não conheço, não tenho liberdade alguma, ou sei lá, vieram pelo Poc(de Cultura), inclusive, eu estava mandando no grupo com os meninos (do podcast), eu estava comentando dos filmes Jovens Bruxas, a nova versão e que eu queria assistir, daí o José (parceiro de podcast) comentou que o arquivo era de 6Gb no Torrent, e não conseguiria 63


compartilhar pelo celular, não deu quatro minutos eu recebi uma mensagem de um ouvinte escrito: “Foi aqui que pediram um arquivo com menos de 6Gb?” Então assim, é muito louco, eu estou com o link para download do filme no celular porque esse tipo de situação rola, é muito legal saber que eu estou mobilizando uma galera que simpatiza comigo só por eu ser quem eu sou,além disso, para o lado negativo, não tem tanto respaldo porque eu não sou uma pessoa tão conhecida, e acredito que dentro disso tem muitas pessoas que me seguem, e não é que seja uma grande bolha, mas as pessoas já sabem como funciona, enquanto pessoa, enquanto política, o que eu penso, o que dou RT, se está entrando junto comigo, está entrando dos mesmos ideais, se isso não te fere de forma nenhuma tudo bem, do contrário, eu posso contar nos dedos as vezes que eu tive problema com alguém que me segue falando alguma coisa, ou recebendo hate de outras pessoas. Inclusive é muito engraçado, porque a minha história na internet é marcada por um caso de crime de racismo online, onde eu fui exposto a 10 a quatro meses de hate, todo dia, casos de racismo pesado, depois de grande eu não passei por nada nem semelhante, tirando quando eu fui cancelado por fã da Taylor Swift, mas só, eu não tive nada, nem uma treta, nada que eu precisasse explicar muito e também eu parto do princípio que o seguinte, o que eu falo nas redes sociais, ninguém é obrigado a concordar e se alguém me responde eu não sou obrigado a 64


responder a pessoa de volta, dependendo do nível da situação se eu estiver afim de responder eu respondo, caso contrário, isso não me afeta, até mesmo por conta de tudo o que me aconteceu, eu sei que a internet não tem esse poder sobre mim, tanto que aconteceu esse ataque online, na minha vida privada estava tudo bem, nada aconteceu, tudo isso aqui (diz apontando para a tela), são dispositivos, são partes da minha vida, agora eu não dou a importância pra isso a ponto de chorar, ou temer cancelamento por falar qualquer coisa, eu não me preocupo com isso, na minha opinião quem tende a ser cancelado em rede social é quem não faz o mínimo de pesquisa para falar sobre as coisas, e uma coisa muito boa que a minha mãe me ensinou é “quem muito fala dá bom dia a cavalo”, ou seja, se eu não tenho o que falar, é melhor ficar quieto, eu não vou dar pano pra manga para ser cancelado, ou sofrer algum tipo de hate na internet, o meu público sabe que esse tipo de atitude pra cima de mim não vai rolar, então é um controle benéfico. Eu não tento me explicar sobre postar foto com o meu namorado, não tento me explicar sobre postar foto em drag, não tento me explicar sobre postar foto maquiado normal, eu não ter que explicar nada sobre isso já é um grande pacto de acordo com as minhas redes de que as pessoas vão encontrar isso, se não gostar, só lamento, a pessoa tem o direito de sair fora, dar unfollow. Já levei unfollow de gente famosa? Sim, levei unfollow da Potyguara (cantora drag), justamente por isso, 65


não gostou? caí fora, sem problemas. A gente se prende muito a ser de um jeito, ou então ser de outro, não, a gente que define as nossas etiquetas e como a gente se define em rede social, e se isso não corresponde a uma etiqueta geral, sendo muito difuso do que as pessoas pensam, problema é nosso. Por isso a gente está vivendo a merda que a gente está, todo mundo achou que existia uma forma e não tem. Eu acho um absurdo cobrar posicionamento de gente que não tem coisa pra falar, e infelizmente isso acontece muito, se a gente entende que a gente tem que cobrar outras pessoas, e motivar as pessoas a se posicionar, e estudar sobre, a coisa muda. O lance é quem a gente está cobrando, e porque que a gente está cobrando, porque que essa voz é importante pra endossar um coro, a partir desse momento a gente vê se vale a pena ou não virar e comentar num perfil da rede social o porquê de ela não estar se posicionando sobre a Amazônia, sei lá, pra alguém que posta Reels o dia inteiro fazendo coreografia, eu vou cobrar uma militância? Se a pessoa me entrega, sim, agora dependendo do nível, não, não devemos nos preocupar com isso. Não vou cobrar que essa pessoa faça dez posts mostrando que ela é anti racista, pra quê? Para o meu trabalho felizmente as coisas estão 25:29/28:18 andando, eu trabalho em uma empresa que traz shows para o Brasil, e obviamente o setor em si foi arrasado, está arrasado, mas o meu trabalho está bem porque eu estou produzindo conteúdo para a empresa, querendo ou não ainda se tem 66


alguns caminhos pra fazer, poucos, mas tem, então da parte profissional não mudou nada, não aconteceu nada que afetasse, agora pra produzir conteúdo para outras pessoas, obviamente a quantidade cai absurdamente, porque nem todo mundo está consumindo conteúdo, mas eu acho que é um ajuste normal. Em termos pessoais, eu me mudei em Outubro a pandemia começou em Março, então eu estava com uma casa nova, com uma estrutura nova, num momento novo da minha vida, não posso reclamar porque eu morava em prédio, agora eu moro em casa, morar em casa durante pandemia é muito mais liberdade, segurança, não precisa se preocupar se o vizinho está contaminado ou não, não existe o medo de pegar elevador com alguém que possa estar infectado. Está sendo um período diferente, obviamente é um período obviamente difícil, exaustivo, ansioso, mas ainda tenho espaço pra criar, desenvolver, pensar nas coisas, estou o tempo todo pensando em projetos, pensando em situações, fazendo alguma coisa, olhando alguma coisa, isso tem sido a minha motivação durante a quarentena, então pra mim foi um momento para poder me reorganizar e poder criar mais, uma vez que o meu universo compreende no meu quarto, acaba ficando um pouco mais fácil, mas é horrível falar que a quarentena está sendo algo bom, porque não está, não tem como estar, mas eu não acho que eu passo metade dos perrengues que eu poderia passar, então isso é estar bem.

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29:03/32:46

Estamos em período de eleição, então querendo ou não a busca por informação em período de eleição cresce um pouquinho. Isso tem uma influência muito grande do mercado e do mundo que a gente vive. Não acredito que isso dê uma luz tão certeira sobre o mercado de produção e produção de conteúdo, o fato das pessoas estarem consumindo mais informações, claro que isso é sobre audiência, dentro da nossa audiência tivemos um aumento significativo. Mas aconteceu por motivos que não são necessariamente a pandemia, reparamos que durante a pandemia inclusive as pessoas ouviam menos podcast, porque muitas ouviam no caminho do trabalho, ou coisas assim, dentro de casa dificilmente você vai ter tempo de parar pra ouvir seu podcast favorito, tem gente que não faz isso trabalhando, eu mesmo é muito difícil ouvir um podcast enquanto estou trabalhando. Acredito que seja muito mais sobre como a nossa audiência está se organizando em volta da gente, do que de fato uma observação ou análise crítica de como as coisas estão funcionando durante o corona, acredito que seja muito oscilante, igual a história das lives, no início da quarentena existia live até não poder mais, hoje você vê quantas lives estão acontecendo? São raras. Não é negar dado (sobre como as pessoas estão consumindo mais informações através das redes sociais), mas eu não acho que dê pra balizar um comportamento como um reflexo grande dentro da comunidade porque ela é muito oscilante. 68


Existem diversas nuances para que a gente categorize uma audiência, que vai desde tempo de permanência na plataforma, tamanho dos episódios, conexão com o assunto, tudo isso passa num crivo, fora que existem mais conteúdos apelativos com a intenção de chamar mais audiência, então isso realmente vai trazer a vontade das pessoas buscarem mais informação porque as vezes é o assunto do momento, e por ser o assunto do momento e justamente por isso consegue um alcance diferente, por exemplo, em 2019 eu postei um vídeo sobre salvador branco, que é essa relação de sempre ter uma pessoa branca como mentora é uma coisa bizarra e bíblica. Passou um tempo, rolou no Big Brother Brasil um assunto sobre isso por causa da Rafa Kalliman, que tinha no máximo 50 ou 100 plays, passou a ter 1.700, não foi por minha causa, foi porque coincidentemente calhou de ser um assunto da moda e deu uma luz pra cima disso, é muito rotativo, muitas vezes o assunto precisa rotacionar pra que quando chegue mais uma vez o momento de falar sobre isso as pessoas revejam o seu assunto, então é muito específico. 33:18/34:38

Sobre produzir conteúdos que sejam datados, obviamente algumas coisas ficam datadas, e se a gente observa para o cenário isso fica distante, mas existem coisa que não importa quando for falado, elas continuaram sendo basicamente sendo a mesma coisa, principalmente se falando de opressão, grupos oprimidos, não é como se o 69


sistema fosse mudar e se tornar um sistema inclusivo pra todo mundo, então existem coisas que a gente fala agora e poderão ser consumidas ainda porque fazem sentido, mas elas tem que fazer sentido, ao invés de perder o propósito daqui uma semana, Acredito inclusive que corremos um risco quando escolhemos o nome do podcast, pois foi uma leva de sazonalidade do nome, do Choque de Cultura, que na época fazia sentido, hoje em dia talvez não faça tanto, então é sobre isso, não só fazer um conteúdo legal, mas também pensar no quanto esse conteúdo pode ser relevante daqui algum tempo, porque se não for daí a gente repensa muito se vale a pena, se é algo que realmente vale a atenção, porque pra morrer na praia sobre o assunto, ele apenas fica.

14.4 Transcrição de entrevista 2 Nome: Luana Miyuki Profissão: Trabalha com revisão de português em textos e transcrição de vídeos para uma plataforma de cursos online Decupagem:

Tempo in / out

Conteúdo

70


0:17/0:41

Sim, no meu trabalho eu uso e-mail, trabalho com planilhas do Google, e com a plataforma da empresa que eu presto serviço,

0:45/0:49

Sim, não deveria (usar as redes sociais durante o trabalho/estudo)

0:51/0:57

Sim, (ja sentiu se sentiu deprimido, angustiado e ansioso ao usar as redes sociais). E não uso mais uma rede social por conta disso.

1:04/1:51

Sim, eu penso, eu consegui largar uma, justamente por me sentir muito ansiosa usando aquela rede social, decidi abandoná-la, as que eu continuo usando agora, eu gosto delas, mas constantemente eu fico: “ah eu deveria passar menos tempo aqui né? Poderia estar fazendo alguma coisa mais produtiva, alguma coisa mais relaxante, tem dias que eu consigo, finais de semana principalmente eu consigo ficar sem entrar em rede social, mas dia de semana é um pouco mais difícil e eu não sei te explicar o porquê, acredito que seja uma questão de ansiedade do dia a dia. Eu gosto de acompanhar pessoas que trabalham com coisas que eu gosto, por exemplo, filmes, séries, eu sigo muitos atores, não por querer ver o estilo de vida deles, ou alguma coisa do tipo, e sim porque eu sou fã do trabalho deles, algum filme, algum trabalho que eles fizeram me tocou e eu gosto de manter contato, mesmo que só eu

1:59/3:46

71


3:51/3:59

4:07/5:14

esteja mantendo contato com eles, e eles não estejam comigo, eu também sigo alguns diretores, roteiristas, sigo também pessoas que fazem podcasts que eu ouço e gosto, costumo também acompanhar artistas, fotógrafos, ilustradores, cantores, bandas também, e esse é o conteúdo que eu mais gosto de consumir em rede social, algum criador de conteúdo tem sim porque a maioria deles são criadores de conteúdo se parar pra pensar, artistas, desenhistas e tudo o mais, agora geralmente os criadores de conteúdo que eu sigo são os que eu me identifico muito com eles, ou senão, eles fazem algum conteúdo que eu gosto muito, que me faz rir, ou alguma coisa do gênero. Conteúdo de amigos eu sigo sim, comparados com os outros que eu falei são poucos até e assumo que eu não tenho tanto interesse também, Sim, eu sou a procrastinadora nata, mas no final do dia, na maioria dos dias eu consigo fazer as coisa que eu preciso fazer, Profissionalmente não mudou muito porque eu já trabalhava de casa, contínuo de casa, faço um trabalho remoto, então nesse quesito não mudou, o que não mudou foi o ritmo de produção, no começo da pandemia eu ainda comecei a produzir muito bem, apesar de estar pirando por dentro, mas depois disso tive um problema familiar e eu não consegui produzir o tanto que eu produzia antes, agora eu produzo num ritmo bem mais lento, e eu estou tentando fazer as 72


pazes com esse meu ritmo lento, porque no meu trabalho eu ganho dependendo do quanto que eu produzo, então a parte chata é que por ter diminuído a minha produção, o meu pagamento caiu, mas eu estou aí aos poucos, não estou tentando forçar a produção que tinha antes, eu estou seguindo o tempo, seguindo o ritmo, até conseguir achar um tempo que eu vou estar boa de novo e voltar a produzir o tanto que eu produzia. 5:15/5:56

Pessoalmente foi e ainda é um momento difícil, no começo era muito mais angústia, muito mais ansiedade, não que eu não sinta isso agora, mas é que agora é um misto ne? eu ainda tenho medo do que está acontecendo, mas aí você vê as pessoas retomando a vida, o trabalho, tudo aberto, então fica aquele sentimento que a vida realmente não pode parar, mas também fica aquilo tipo meu Deus se parasse a gente conseguiria resolver todo esse problema logo, ma enfim, posso ficar horas e horas tendo essa conversa interna.

5:59/ 6:54

Sim, no começo foi um pico estrondoso, eu tenho um app que mede o tempo que eu uso nas redes sociais, e no começo como eu estava muito ansiosa querendo saber notícias da minha cidade, estado, país, do mundo inteiro, eu ficava muito em redes sociais principalmente o Twitter, querendo saber de tudo, então a minha média era de quatro horas por dia em rede social, hoje em 73


6:58/7:41

7:46/9:47

dia eu já diminui para duas horas, duas horas e meia, algo em torno disso, mas eu sinto que ainda estou nesse aumento de uso de rede social, poderia diminuir mais, mas quando eu estou trabalhando bate uma ansiedade, aí eu tenho que descarregar essa ansiedade numa rede social ou alguma coisa do tipo. Sim e não, quando começou a pandemia como eu disse agora a pouco, eu estava doida querendo saber notícias de todo lugar, então eu ficava muito no Twitter, porque eu sigo contas daqui, de fora, então qualquer noticiazinha eu tava de olho e eu acompanha mais as notícias pelo twitter, mas por agora, eu de vez em quando eu dou uma olhada nessas parte de notícias, assim eu dei uma parada porque estava me fazendo mal ficar todo dia procurando coisa assim, não estava me fazendo muito bem. Minha opinião sobre as redes sociais é dividida em parte boa, e parte ruim. A parte boa é: Eu conheci muita gente de fora da minha cidade, até da minha cidade mesmo, das outras cidades do meu estado, outras cidades do país, por conta de redes sociais, acho que desde a primeira vez que eu fiz uma rede social, o Orkut, sempre estou conhecendo gente nova, de outros lugares, eu gosto muito disso, também gosto das redes sociais para você expor o seu trabalho, principalmente se você é um ilustrador, um artista, gosto muito teve uma época que eu era assim, não sei se você se lembra, mas tinha o MySpace, caçar bandas que assim, ninguém 74


9:49/12:34

nunca ouviu falar, passava horas e horas naquele site, também gosto das pessoas que se expressam, tem àquelas que são engraçadinhas, fazem memes, tem pessoas que falam de coisas mais sérias e eu gosto disso também, sair um pouco da caixa, conhecer outras histórias, outras vivências, e também as redes sociais pra mim, eu não sou uma pessoa muito extrovertida, eu sou muito quieta na minha, então os meus amigos reclamam “ah você desapareceu”, então às vezes as redes sociais me ajudam nisso, então eu vou lá comento, entro em contato, é um jeito pra mim estar sempre em contato com meus amigos, ainda mais que não dá para ver eles pessoalmente.E também graças às redes sociais que alguém deu RT nos seus questionários e eu estou aqui respondendo às suas perguntas. Na minha opinião a parte ruim das redes sociais, é que... nossa tem tanta coisa… bom, tem todo o consumismo que gera, tanto o consumismo real, quanto aquele consumismo irreal, de querer ter a vida perfeita, que ninguém tem, mas vendem isso nas redes sociais, não vendem, alguns vendem, outros só vivem na mentira, e eu acho que é prejudicial isso de só ficar mostrando a parte perfeita da vida, e também tem toda a questão de pessoas que sofrem ataques, o bullying, o cyberbullying, racismo, discriminação, assédio sexual também, é um assunto muito sério, eu fico muito preocupada com meninas novas, a exposição disso na vida delas, eu sou formada em letras, e tive que fazer 75


estágio em letras, e lembro que um dia eu cheguei na escola e estava na sala pra dar aula na turma e toda a escola estava falando que uma menina do sétimo ano se eu não me engano, teve uma nude vazada por outro colega da escola, e eu fiquei muito chocada, sétimo ano eu nunca que ia pensar em mandar uma foto intima pra alguém na internet, eu usava a internet pra procurar banda, ver GIF de gatinho, é doido pensar nisso, nessa exposição precária que as crianças e adolescente tem nas redes sociais, com a internet de modo geral, não só com as redes sociais, tem também toda a questão de negócios no meio das redes sociais, os números contam, é aquela briga por like, eu lembro que quando o Instagram falou que iria tirar o número de likes, mas ele na verdade não tirou, você consegue ver do mesmo jeito, quando o Instagram falou que ia tirar o número de likes, as blogueiras ficaram loucas porque as marcas não iriam ver mais os likes das fotos delas, então assim, tem muita coisa ruim, muita mesmo. 12:39/14:24 Pra mim de modo geral, o uso que eu faço das redes sociais, são para me expressar, conhecer coisas novas, ficar em contato com assuntos que eu gosto, cinema, música, com os criadores de conteúdo que me trazem assuntos relevantes, assuntos que me fazem sair um pouco da bolha, querer pensar diferente. Eu vi muito sobre as redes sociais “querem moldar você”, mas acredito que o jeito que você é que influencia o jeito que as redes sociais vão influenciar você, se 76


é que fez algum sentido isso que eu falei, mas acho que o jeito que você é mesmo, já vai influenciar o jeito que a rede social vai aprender o seu comportamento a gente sabe disso, a rede social está alí, milhões de coisinhas acontecendo atrás da tela, rastreando o seu comportamento alí pra te mostrar coisa que te interessam, que façam você comprar, que façam você interagir, então acho que é isso, tudo tem um lado ruim, um lado bom, eu tento focar no lado bom.

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14.5 Transcrição de entrevista 2 Nome: Flavio Henrique de Oliveira Profissão: Estudante Decupagem:

Tempo in / out

Conteúdo

áudio 1

Sou o Flávio, tenho 23 anos e estudo ciências na UFGD, Universidade Federal da Grande Dourados. Ultimamente por conta do período pandémico estou utilizando bastante dessas ferramentas digitais pra ter aula em EAD, para dar continuidade no semestre, mas antes disso era bem raro, a gente usava mais o whatsapp pra troca de conteúdo. Eu sempre estou grudado no celular, ele é quase uma extensão de mim, e sempre quando estou em sala de aula, se eu não estiver muito interessado, ou se o meu celular vibra, eu logo já perco a atenção e acabo olhando, daí perco uns dois três minutos da aula olhando o celular. Tem vez que eu fico bem, deprimido, porque daí eu fico pensando que as pessoas estão vivendo uma vida que eu queria viver, as vezes quando vejo um stories fico meio deprimido, meio borocoxô, mas vida que segue.

áudio 2

áudio 3

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áudio 4

áudio 5

áudio 6

áudio 7

Eu me vejo muito viciado nas redes sociais e eu já pensava antes em diminuir meu uso, mas depois que eu assisti um documentário da Netflix, ‘O dilema das redes’, me deu uma paranóia e eu fiquei com mais vontade ainda de excluir algumas coisas, de desativar as notificações pra não ficar olhando o meu celular, mas ainda assim não consegui, não fiz isso, sou bem fissurado, mas eu penso em um dia, sei lá, algum momento da minha vida eu vou parar de usar, Gosto muito de ver sobre moda, humor, notícia, essas paradas, mas nada muito específico, sempre muito aleatório e às vezes o que o feed traz pra mim. Eu não sigo nenhum famoso, ou algum blogueiro em específico, justamente por ficar pensando nisso, na vida que eu queria ter, aí eu costumo seguir só meus amigos mesmo. Eu vejo notícias a partir do twitter geralmente, tirando a televisão, eu vejo sempre, o twitter que me intera com as novidades do mundo, pra mim é até estranho pensar nisso, mas é isso. Eu acho que eu não tenho uma opinião formada assim sobre as redes sociais, mas eu vejo que ela tem um lado bom e o lado ruim. Ela tem esse lance de conectar a gente com outras pessoas que estão distantes, as vezes colocar a gente de ante à outros assuntos que estão fora do nosso espaço, e os malefícios são esses, da gente ficar dependente, de ficar no feed, ficar postando, esse negócio da aceitação.

80


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14.6 Transcrição de entrevista 2 Nome: Anna Lucia Spear King Profissão: Coordenadora do Instituto Delete Decupagem:

Tempo in / out

Conteúdo

Áudio 2

Meu nome é Anna Lucia Spear King, sou psicóloga clínica, doutora em saúde mental do Instituto de psiquiatria da UFRJ, eu coordeno dentro do Instituto de psiquiatria um laboratório chamado Delete, detox digital e uso consciente de tecnologias e também sou professora da pós graduação do IPUB - UFRJ na disciplina ‘Dependência Digital e temas relacionados’ A primeira questão que você fez, por que os jovens são mais propensos a desenvolverem novas patologias através do ambiente digital, essa afirmação a gente não pode fazer que os jovens são mais propensos sem estudos científicos que afirmem isso. Hoje em dia a gente vê que qualquer pessoa pode ser influenciada pelos ambientes digitais. Os jovens geralmente têm uma tendência maior porque eles são mais inseguros, influenciáveis, as vezes tem baixa autoestima, às vezes precisam de uma afirmação, precisam se ver inserido em algum contexto, como uma rede social, precisa estar inserido em algum grupo, então ele fica mais

Áudio 3

82


vulnerável, então ele pode ser mais influenciado pelas redes sociais e pela dependência das tecnologias. Áudio 4

Sim, nas redes sociais existem milhares de tutoriais de beleza, de exercícios físicos, de maquiagem, para se tornar belo, ou então popular, então para cada pessoa ela fica buscando esses milhões de informações, para administrar essa metamorfose da sua própria imagem, pra que se adeque a esse padrão que as redes sociais pedem, o padrão de beleza estética, é uma sociedade de espetáculo na verdade. então eles ficam postando selfies constantemente nas redes sociais e criando uma imagem pra que se reinvente duma maneira como a pessoa gostaria de ser vista não na verdade como é. Então é uma cultura que trata hoje em dia com indiferença a relação com o passado, ou com um projeto futuro, valoriza-se o imediatismo e o que é superficial, é uma tensão tanto nas exigências e constante comparações nos ideias, naquele cara que é bem sucedido, naquele cara que tem o corpo perfeito, aquela mulher que tem uma barriga tanquinho, e as pessoas ficam, principalmente jovens muito vulneráveis a entrarem em depressão ou ficarem angustiadas porque as pessoas comuns que não têm corpos perfeitos e ficam perseguindo esse padrão tão exigente que a internet fica divulgando, então fica difícil para as pessoas. Então há na internet essa prevalência duma aparência em detrimento de qualquer profundidade de pensamento, emoções e palavras.

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Áudio 5

Áudio 6

Áudio 7

Bom, tudo que é demais faz mal, então as pessoas de modo geral têm que passar a consumir as informações com equilíbrio e bom senso, porque a grande maioria das notícias que circulam atualmente são fakes e a pessoa que acredita em tudo que é postado pode se comprometer. Principalmente os jovens são mais vulneráveis à esse consumo excessivo de informações, porque eles são despreparados, são vulneráveis, têm baixa autoestima, são dependentes emocionais e são muito influenciáveis por tudo que é postado, então sempre lembrar que os pais e adultos são responsáveis pela vida digital dos menores de idade e deve-se acompanhar esses jovens no que estão vendo, no que estão postando, no que estão acessando, com quem eles estão conversando e como eles estão lidando com as redes sociais no dia a dia, tem que ser acompanhado diariamente, então usar a internet sempre com equilíbrio, não acreditar em tudo que é postado e tudo que é demais faz mal, então usar as tecnologias com bom senso. Bom, a sigla ‘FOMO’ vem da expressão em inglês ‘Fear Of Missing Out’, que em português significa o medo de ficar fora de alguma situação que o jovem principalmente, vê na internet, é uma necessidade constante de saber o que as outras pessoas estão fazendo, e a pessoa que fica observando tem o sentimento de inveja, medo de estar perdendo alguma coisa, uma festa, um evento, e sempre se sentir por fora de um evento e as coisas que estão acontecendo, é uma pessoa que acaba tendo uma necessidade de se atualizar constantemente nas redes sociais, e 84


geralmente são pessoas que são inseguras, são ansiosas, têm baixa autoestima, e ficam angustiadas e se sentem inseguras quando não conseguem estar dentro dos eventos que a internet está oferecendo frequentemente. Áudio 8

Áudio 9

A ‘FOMO’ não é considerada uma patologia ou um vício oficialmente, no manual diagnóstico estatístico dos transtornos mentais é uma condição recente que está sendo estudada e observada nas pessoas que usam muito as tecnologias, mas não é uma patologia oficial. Na verdade, o que a pessoa tem, já existe nela, por exemplo, então se a pessoa tem uma ansiedade, tem uma compulsão, tem um medo, tem uma insegurança, isso se reflete no comportamento dela nas redes sociais, então não é que a pessoa tem ‘FOMO’ fica com esse desejo em excesso informações em excesso e começa a se tornar dependente, ela é dependente porque ela tem um transtorno mental que faz ela caminhar pra essa dependência, por exemplo, se a pessoa já teve uma compulsão ou um transtorno compulsivo primário, ela provavelmente vai entrar nas redes sociais por intermédio de uma tecnologia que vai ser apenas o canal de representação características daquele próprio transtorno original, então ela vai repercutir essa compulsividade ficando viciada em jogos, viciada em sites de pornografia ou outros sites específicos, sites de compra, então vai representar apenas características que já existem nela, então a gente não pode afirmar que o ‘FOMO’ é um 85


resultado da situação, ele é resultado, mas ele vem de um transtorno original, então ele pode surgir em pessoas ansiosas, em pessoas compulsivas, em pessoas que tem alguma fobia, então a gente não pode generalizar, cada caso é um caso e a gente tem que estudar individualmente. Áudio 10

Áudio 11

Eu não diria que é compulsão, e eu não diria que há um público alvo específico, a propensão geralmente são os jovens, os adolescentes que são vulneráveis, que são mais dependentes emocionais, têm baixa autoestima geralmente, são inseguros e provavelmente eles ficam se influenciando muito mais frequentemente por situações que ele vê na internet, então quando esse jovem vê que toda a galera dele, os amigos estão todos sendo convidados para festas que postam fotos, estão em alguns grupos de academia, ou participando de outros eventos e eles estão excluídos ou não foram convidados, eles se sentem péssimos, mas eles se sentem assim por próprias características já da personalidade dele, e não por uma influência da internet, então a gente não pode generalizar que é esse tipo de compulsão, não se usa esse termo. Sim, existe uma forma saudável de consumir as redes sociais ou qualquer outra tecnologia com bom senso, fazendo intervalos regulares, sabendo o horário de parar, determinando os limites de uso, e a idade, eu tenho um livro cartilha digital, que é um livro que explica exatamente as idades,

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Áudio 12

Falando em uso das tecnologias em geral, por exemplo bebês entre zero e três anos não devem ter qualquer exposição às tecnologias, crianças de três a cinco anos, devem evitar ou ter acesso restrito à uma hora por dia sob supervisão de um adulto, crianças e jovens de seis a dezoito anos, devem ter acesso limitado a duas horas por dia, também sob supervisão de um adulto, lembrando sempre que os pais são responsáveis pela vida digital dos filhos, se eles postarem alguma coisa errada como calúnia difamação, ofensa, preconceito, postagens de preconceito de cor, religião, eles vão responder na justiça se forem processados, então os pais é que vão responder na justiça, se o filho fizer uma postagem dessas, e a partir dos dezoito anos, o jovem ou as pessoas devem usar a tecnologia conhecendo os benefícios e os prejuízos desse uso, os limites entre o uso e o abuso da mesma e a quantidade recomendada de uso diário é aquele que não prejudique a sua vida pessoal, social, ou familiar. Então, deve desligar uma hora antes de dormir para não prejudicar o teu sono. E também saber diferenciar o público do privado, porque isso é uma coisa bastante importante nas redes sociais, não postar coisas pessoais, pra que você não tenha a sua vida privada invadida, e usar sempre as tecnologias com bom senso, tudo que é demais faz mal.

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15. Apêndices B 15.1 Formulário Google

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16. Diário de Bordo Curiosamente quando eu entrei na faculdade eu já tinha em mente todo o projeto do meu trabalho de conclusão e precisaria apenas focar em estudar o tema. Conforme a gente vai vivendo a Universidade nos moldamos de uma forma que não sei explicar, adquirimos experiências e muitas expectativas. Jamais imaginei que me identificaria tanto com o curso, e bastou pouco tempo pra que eu tivesse certeza que tinha feito a escolha correta, e nessa empolgação criei listas de outros possíveis assuntos que gostaria de tratar no TCC. No penúltimo ano decidi ir excluindo as possibilidades, utilizei outros temas pra fazer trabalhos semestrais, pra no fim em Fevereiro de 2020 anda pré-pandemia enfim escolher um tema que não estava listado. Por incrível que pareça entre a escolha do tema e a conclusão do

trabalho

não

se

passou

nem

um

ano.

E qual o porquê da escolha desse tema? Até a satã da entrega deste relatório posso atestar que ainda não sei, é um assunto atual, tem relevância, me fez pensar muito sobre as minhas atitudes e escolhas, me fez duvidar de mim mais do que eu era acostumado, e posso afirmar que com todas essas dificuldades eu ainda não fiquei satisfeito e talvez o meu medo tenha me impedido de executá-lo com a excelência que que sei

que

sou

capaz.

Ainda assim, durante o percurso eu me reconectei bastante com o meu lado que me fez escolher o curso e gostar tanto do curso, nem as

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horas desesperadoras e intermináveis de decupagem foram capaz de me tirar isso e posso afirmar com definitiva certeza que infelizmente ou felizmente talvez um outro momento eu teria me empolgado mais em fazê-lo. Durante o processo foi importante para que eu buscasse entender também o porquê das minhas dificuldades e constar que o maior modelo da pesquisa em si não estava em livros e sim na minha vivência pessoal, poucos assim como eu teriam tal chance de provar como o descontrole na utilização do ambiente digital realmente faz mal, não apenas mentalmente, mas também fisicamente, e talvez o último suspiro de forças que me deu pra seguir com o projeto, foi e é aquilo que eu entendo ser a maior função do jornalista, que é estudar um tema e divulgar para que a partir do olhar dele a sociedade veja problemas reais e lute para não se torne um problema cada vez maior. Não a que exatamente agradecer, não tenho exatamente a quem oferecer, mas eu tenho em mente que o que iniciei aqui não se encerra com a entrega do projeto.

Obrigado! Jean Carlos Gonçalves

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O 'FOMO' como uma consequência da Indústria Cultural - Jean Carlos Gonçalves by Rede Código - Issuu