EDIÇÃO 1 | VOL. 1 | DEZEMBRO 2020
VOCÊ SELVAGEM VIVA O DESCONHECIDO
O IMPACTO DA FOTOGRAFIA DA VIDA SELVAGEM PELAS LENTES DE MÁRCIO LISA. A IMPORTANCIA DA FOTO UM BATE PAPO COM O FOTÓGRAFO E PROFESSOR, VALTER PATRIAL CURIOSIDADE SOBRE A VIDA DE ANIMAIS BRASILEIROS.
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CARTA AO LEITOR Nem tudo são cinzas
EDITORIAL
Pantanal chamou à atenção das pessoas, celebridades de todos os ramos estão ajudando na conscientização e recuperação do bioma. Luciano Huck, Luan Santana, National Geographic, e vários outros, ajudaram e estão ajudando com campanhas para arrecadação de verba para prestar alguma ajuda para o local.
Querido leitor, a escolha de onde e quando se posicionar é crucial para a fotografia, afinal, ela não é imparcial e nem tem a intenção de ser. Por mais fiel que seja, a imagem é apenas um recorte daquele momento do fotógrafo. Todas essas decisões influenciam no resultado obtido e na mensagem que a imagem passa a dissemi- Diversos grupos de voluntários, dos mais variados ramos também estão ajudando na causa, nar. toneladas de alimentos foram distribuídos para Não interferir na ação ou no bioma é algo como os animais da região, médicos-veterinários e uma lei para quem gosta de fotografar, afinal, zootecnistas estão na linha de frente resgatanregistrar o que está acontecendo da maneira do animais atingidos pelos incêndios, o Consemais real possível, é o que passa a verdadeira lho Federal de Medicina Veterinária, aprovou o essência do trabalho. Na fotografia da nature- Plano Nacional de Contingência de Desastres za não poderia ser diferente, porém, existe um em Massa Envolvendo Animais, o documento fator importante, a ação humana contra a natu- traz orientações para a atuação dos profissioreza deve ser ignorada? nais em cenários dessa natureza, com diretrizes As queimadas no Pantanal são algo comum e de como conduzir o resgate, a assistência veterecorrentes, de certo modo até fazem parte da- rinária, a manutenção e a destinação de animais quele bioma, a estiagem natural que ocorre no domésticos e silvestres. inverno é algo que pode ocasionar em queimadas naturais da região, a ação dos raios é outro grande ponto para este fator ocorrer. Entretanto, o que tem sido visto ultimamente é um aumento considerável desses focos em épocas muito secas e em grandes áreas, o que leva a crer que esses focos sejam causados pela ação humana.
O Pantanal não está sozinho, os animais não estão sozinhos, o interesse lucrativo é grande, porém, o amor pela vida é maior, convido você, leitor, a apreciar essa revista e que de alguma forma ela chegue até a você e cause o impacto necessário para conscientizar e ajudar a preservar. Somos todos natureza.
A interferência humana para fins lucrativos acaba gerando uma maior taxa de queimadas e desmatamentos, de acordo com o Instituto Na- Cézar Augusto - Diretor de Redação cional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o ano de 2020, possui mais focos de queimadas do que o ano de 2019. Neste ano temos cerca de 15800 focos, contra 10025 em 2019. Cerca de 12% do bioma do Pantanal foi destruído. As ações antrópicas tem acelerado a degradação da natureza. Algo que antes parecia distante da nossa realidade, agora já faz parte do cotidiano de diversas pessoas, secas devastadoras recorrentes do desmatamento, mudanças climáticas, desgelo; entre outros. O tamanho do estrago causado no bioma do 2
SUMÁRIO 4 Márcio Lisa
Um olhar sobre o impacto da fotografia da vida selvagem pelas lentes do fotógrafo
11 Queda em Ascenção Os dados mais recentes do estudo realizado pela WWF Living Planet sobre a queda da biodiversidade no planeta
Através de suas lentes o fotógrafo conta suas aventuras e vivências ao redor do globo, Márcio aborda diversos ter mas, como o polemico Shark Finning.
12 Valter Patrial O fotógrafo e professor fala sobre como a fotografia beneficia o meio em que vivemos
16 Curiosidades Selvagens Curiosidades sobre alguns dos animais que são encontrados no bioma brasileiro
18 Na lente A fotografia da vida selvagem na prática, uma imersão no zoo
12 A vida dos animais que são contemplados por crianças e adultos, um pouco da história por trás desses grandes seres.
04 A Vida do fotógrafo é transformada cada vez mais com a influência que o mesmo causa na vida de seus alunos, levar o resultado de seus trabalhos para dentro da sala de aula é algo que beneficia a todos.
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O IMPA
Cézar Augusto
A admiração pela natureza e pela vida selvagem é algo que sempre esteve presente na vida das pessoas, contemplar fotografias e vídeos chega a aliviar o stress do dia-a-dia. Já para os amantes da fotografia da natureza isso acaba levando a diversos temas, como o aquecimento global, sustentabilidade e claro, a preservação das espécies.
que entra a fotografia, documentando e eternizando diversos momentos históricos. Um grande exemplo é o do fotografo, Mathew Brady, que entre 1861 e 1865, fotografou a guerra civil e é considerado um dos pioneiros da “fotografia de guerra”. Suas fotos mostram a vida no campo de batalha ao longo da guerra, trazendo grande vivencia daqueles dias para as pessoas.
Ao longo da história vimos o impacto O fato é, estamos interligados com todo que o ser humano pode causar ao meio ambien- o ambiente do planeta, seja de maneira direta, te, tanto de forma negativa como positiva. Aí como as coisas que estão a nossa volta, ou in4
ACTO DA FOTOGRAFIA NA VIDA SELVAGEM
direta, ao consumir qualquer tipo de matéria. Mas afinal, as imagens são capazes de evocar uma reação emocional nos leitores? Marcio Lisa é um fotógrafo de vida selvagem especializado em fotografia subaquática. Claro que o “Marcinho”, como é conhecido pelos amigos, fotografa muito mais do que só a vida marinha. Grande amante dos animais, sua maior “arma” na defesa deles, é a câmera fotográfica.
ABERTURA Marcio tem nos genes o toque da fotografia, filho do fotógrafo Nestor Lisa, ele começou desde cedo a trabalhar com fotografia. Ainda adolescente, ajudava o pai nas mais diversas tarefas, iluminação, carregamento de equipamento e em todo processo de revelação das fotos. Chegou a trabalhar quando ainda ti5
nha 14 anos, em um pequeno estúdio na periferia de São Paulo, onde residia na época. “Eu ajudava meu pai com a iluminação, ficava escondido atrás do altar das igrejas iluminando o fundo de batizados, casamentos, fizemos de tudo. Eu era, o que chamamos hoje, um assistente de fotógrafo“. Após a adolescência, iniciou a graduação em tecnologia da informação. Desde então, a carreira administrativa foi o seu foco, onde permaneceu por mais de 20 anos, tendo a fotografia apenas como um hobby. Hoje em dia, vive 100% da fotografia, levando grupos para fotografar no continente africano, executando “jobs” para diversos veículos de comunicação e ministra aulas de fotografia. A fotografia da natureza e da vida selvagem é algo que dá prazer ao Marcio, mostrar para as pessoas o que está acontecendo com o planeta é um dos grandes motivos de ter rumado para esse caminho. As aventuras de Marcio não param por aí, com um vasto currículo de viagens internacionais e publicações em diversas mídias, o fotógrafo também realiza expedições ao redor do mundo. Encorajado por alunos e colegas, em 2016, Marcio levou seu primeiro grupo para uma expedição fotográfica: o destino, Namíbia, no continente africano. Outrora Marcio já havia viajado para o país, porém a trabalho, num “job” para a National Geographic. As aulas que antes eram ministradas em parques da capital paulista, teve sua gama ampliada para uma paisagem um pouco mais longínqua. “Em 2016 eu montei o primeiro grupo, basicamente com alunos de fotografia e levei para um roteiro que já tinha conhecido, trabalhando para a National Geographic. Fiz essa primeira viagem com 12 pessoas, um grupo pequeno, e adorei fazer isso, porque uma coisa é você dar aula de fotografia de natureza no Parque do Ibirapuera, outra coisa é você dar aula de fotografia na África, onde você realmente tem muitas oportunidades de encontros com a vida selvagem.”, conta Marcio. O fotógrafo atualmente realiza quatro expedições fotográficas por ano, levando pequenos grupos para a África: Namíbia em Ju6
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nho, Quênia e Tanzânia no carnaval, Madagas- “ventilação ram”, para que as brânquias obtecar em setembro e Etiópia em novembro. nham o oxigênio da água, o tubarão deve se manter em movimento. Em 2016 e 2019, o fotógrafo teve a oportunidade de captar imagens do lobo-etíoO fotógrafo e diretor de fotografia de pe, também conhecido como lobo-abissínio. documentários, Shawn Heindrichs, em parceria Um dos mais raros e ameaçados canídeos do com a WildAid e o governos Chinês, fizeram mundo. Na primeira ocasião, conta, que exis- uma longa campanha na China para mostrar o tiam cerca de 600 espécimes vivendo em meio impacto que o Shark Finning estava causando selvagem. Atualmente esse número está perto ao planeta. O comercial produzido foi veiculade 400, o que faz o lobo-etíope ser uma das do em horário nobre para milhões de pessoas. espécies mais mais ameaçadas do planeta. Essa campanha ajudou a reduzir o consumo de barbatanas em 70% na China. Marcio também relembra da sua coleção de cards da vida selvagem que teve na infância, “Como cineasta e fotógrafo, eu posso que vinham de brinde num chocolate chamado contar histórias e mostrar a realidades às pes“Surpresa”. As fotos eram de um dos precur- soas... A imagem cria uma voz e quando param sores da fotografia de vida selvagem no Brasil, de comprar, a matança também para” Luiz Cláudio Marigo. Um dos grandes fotógraO conteúdo está disponível na plataforfos que tem como inspiração. ma de streaming da netflix, Tales by light. FOCANDO
PRÓXIMO CLICK
Mas nem só de belas cenas vive o fotógrafo. A trabalho para a National Geographic, Marcio presenciou o “shark finning”, prática que consiste em cortar as barbatanas de tubarões e raias, descartando os corpos dos animais, ainda vivos e mutilados, nos oceanos.
O futuro da preservação e da natureza no Brasil é algo que acaba sempre estando em pauta nos principais meios de comunicação, para o Marcio não é diferente. Na sua opinião, faltam investimentos públicos e privados nessa área. Um grande exemplo é que, hoje, na tv aberta, “Hoje se mata muito tubarão somente pelas você raramente vê algum programa sobre vida barbatanas e essas fotos acabam mexendo com muita selvagem e conservação. gente, gosto de fotografar os animais vivos em seu amOs recursos não são ilimitados, como biente, mas o que realmente toca as pessoas costumam pensavam muitas pessoas no passado, a imporser as fotos de maus tratos a natureza. São aquelas tância da conservação está ligada diretamente não gostamos de ver”. ao futuro da humanidade. Atualmente cerca de 100 milhões de tubarões são mortos anualmente e tem suas barbatanas arrancadas para a comercialização. As barbatanas são uma grande iguaria da culinária asiática, onde acreditam ter poderes afrodisíacos. Grande parte dos tubarões capturados são de águas internacionais, onde a fiscalização fica ainda mais difícil do que nas áreas costeiras. Os tubarões que têm suas barbatanas retiradas e são jogados de volta ao mar, o que acaba gerando a morte do animal, já que muitas espécies utilizam o sistemas de respiração chamado de 8
Investir na educação ambiental para crianças e nas próximas gerações são algo que o fotógrafo acredita que seja um dos pontos mais importantes no caminho da preservação e da continuidade da natureza. A verdade é, a natureza está em todo local, não necessariamente você precisa viajar ou conhecer outros países para poder fotografar animais, uma das principais formas de aprender a fotografar continua sendo a mais básica, fotografando.
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REVELAÇÃO Em suas viagens para a Namíbia, Marcio, costuma fotografar a mesma arvore, quase que do mesmo local e ângulo. Grande fã dos felinos, seja dos grandes felinos africanos, ou dos nossos aqui do Brasil, o fotografo já capturou imagens de diversas espécies. Já no mar o fotógrafo revela que tubarões e baleias são os que atraem sua atenção. Certa vez mergulhando com baleias-francas na Patagonia, Marcio conta uma experiência única que vivenciou.
Capturando sons e vozes no silêncio da fotografia, Marcio Lisa, nos traz uma visão privilegiada de tudo, através das suas lentes. Marcio não apenas retrata a vida humana, nas mais diversas e adversas situações, como também captura a essência da natureza, com esplendor e simplicidade
Legendas:
“ Elas sabem que você sabe que você está ali, eu Mergulhando com baleias-franca na Paestava fotografando e acabei ficando entre no meio de tagônia. uma mãe e seu filhote. A mamãe saiu nadando deliO Lobo-etíope: um dos mais ameaçados cadamente a alguns metros de mim, sem me tocar. Ela mamíferos do planeta. sabia que eu estava ali e não oferecia nenhum tipo de perigo”. Elefante Africano com o seu tão cobiçaO olhar do fotógrafo encontra a beleza, do marfim. a emoção e as palavras ocultas na imagem. A terrivel pratica do shark finning. 10
QUEDA EM ASCENSÃO Cézar Augusto
O
relatório mais recente do WWF Living Planet*, World Wide Fund for Nature, o de 2020, apontou o declínio em mais de 4 mil espécies acompanhadas, entre elas estão, mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios. O estudo mostra que nos últimos 50 anos, mais de dois terços da população, dos animais acompanhados, foi reduzida. A pesquisa também aponta que cerca de 40% do oceano foi corrompido de alguma forma, o que pode gerar conseconsequências para o planeta. A iniciativa é uma colaboração entre a WWF International e o Zoological Society of London, mostrando que o desmatamento e o crescimento do setor agrícola, foram grandes responsáveis pelos mais de 60% da decadência das espécies entre os anos de 1970 e 2016. A perda de habitat é um dos maiores fatores apontados pelo estudo, segundo Marco Lambertini, diretor geral da WWF. “É uma queda acelerada que nós estamos monitorando por 30 anos e que continua indo na direção errada”. A américa central e do Sul é onde mais tem ocorrido essa redução. O estudo ainda aponta alguns fatores que podem ajudar a diminuir esse número tão crescente**, uma possível readaptação alimentar para uma dieta mais saudável e a redução do desperdício de alimentos, juntamente com uma produção ecologicamente correta, segundo a pesquisa, é um grande começo para ajudar a prevenir a perda da biodiversidade. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a taxa de desmatamento na Amazônia aumentou 34% no ano de 2020. Os dados são do programa Deter, um sistema rápido de monitoramento, baseado em imagens de satélite de média resolução, projetado para detectar desmatamentos “em tempo real” e alertar as autoridades sobre possíveis atos anti-ambientais em andamento. O agronegócio é peça-chave nesse debate. Fre-
quente-
mente apontado como o “grande vilão” do desmatamento no País, o setor sofre também com as consequências negativas da devastação — da própria floresta, do clima e da reputação do País no exterior.
*O acesso ao estudo completo está disponível no site da WWF. ** O WWF junto com algumas outras instituições publicaram na revista Nature um artigo intitulado de Bending the curve of terrestrial biodiversity needs an integrated strategy que argumenta como um esforço global pode ajudar a estabilizar e reverter a situação atual.
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A conservação através d Batepapo com um dos maiores fotógrafos e ativistas do ramo Cézar Augusto
O contato com a natureza foi o que despertou em Valter Patrial a curiosidade para ser um fotografo da vida selvagem. A fotografia entrou na vida de Valter ainda quando criança, sua mãe costumava tirar fotos da família,
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e Valter acabou criando gosto pela coisa, na adolescência se tornou o fotógrafo entre os amigos, a curiosidade foi aumentando com o tempo. Na faculdade, cursou algumas matérias relacionadas a fotografia, uma forma de con-
da fotografia tinuar com seu passatempo. Após alguns anos trabalhando como professor de física, área em que atua há mais de 25 anos, Valter viu naquela paixão adormecida uma oportunidade, não só de trabalho, mas também uma válvula de escape para voltar a fazer o que amava. O fotógrafo costuma levar para os seus
alunos o resultado de seus trabalhos e expedições. Valter também dá aulas de fotografia durante e fora de suas expedições fotográficas. “Depois de uma expedição, uma viagem, eu volto e passo algum tempo mostrando os biomas para meus alunos na sala de aula, aquilo que eu encontrei, as coisas erradas e o que poderia ser melhorado, contando essas histórias pra eles.” Revela o fotógrafo. Durante uma de suas expedições o fotógrafo conta sobre o retrato que fez de uma onça que estava espreitando um pequeno jacaré. “Pessoal, prepara, para de clicar um pouco. Ela vai saltar na água, aí vai ser o momento da foto” As instruções de Valter foram precisas aos alunos, o resultado? A belíssima imagem da onça capturando a pequena presa. Conhecer os hábitos e o bioma em que os animais estão inseridos é um grande trunfo na hora de fotografar. Para o fotografo, ter um guia que conhece a região e os hábitos do animal é algo fundamental. Por trás de cada foto, existe todo um estudo e preparo. E o fotografo garante, a sensação de estar em frente a uma onça é única. Valter utiliza da fotografia para dar voz a natureza, segundo ele, as pessoas só irão dar mais valor à natureza, se elas a conhecerem. Levar esse conhecimento e imagens para as
“Dar voz a natureza se tornou o meu objetivo como fotógrafo” pessoas é um dos feitos que Valter vêm realizando há anos. “Primeiro eu preciso impactar, para que elas criem um laço, um amor por aquilo, quando criam esse vínculo, aí sim passam a preservar”. Escrever um livro contando suas aventuras no Pantanal é um dos planos futuros do fotógrafo, falar sobre fotografia, mostrar como algumas fotos foram feitas, e até revelar 13
alguns segredos dos bastidores são o tipo de conteúdo que estarão na obra. Parte do valor arrecadado com suas expedições e com o futuro livro serão destinados às comunidades do Pantanal e para ajudar na preservação dos animais na região.
mais que mil palavras.” Frase atribuída ao filósofo chinês Confucio, para transmitir algumas informações de maneira rápida a imagem desempenha papel fundamental. Que conselhos daria a quem pensa seguir a profissão de fotografo?
Valter - Use as principais ferramentas que você tem O trabalho do fotógrafo já foi inspiração para ex-alunos que hoje trabalham e vivem para fotografar: Cérebro, visão e coração. Qual sua foto preferida? da fotografia. Confira parte da entrevista com o fotógrafo.
Valter - A que eu vou fazer na minha próxima viagem. Fico sempre em busca da melhor luz, do melhor ângulo, por isso acredito que a melhor será a próxima, assim nunca vou parar.
Por que decidiu fotografar a natureza/vida selvaQuando e onde começou a sua carreira na fotografia? gem? Valter - A carreia de fotógrafo começo sem que Valter - Aprendi desde criança que somos natureza, me desce conta, quando me dei conta estava até o a diferença entre os seres está na forma como os pescoço, hoje eu vivo fotografia. Difícil precisar um elementos se agrupam, diamante e grafite só têm momento, foi acontecendo gradativamente, eu não carbono e são diferentes, mas na essência são iguais. fui a uma loja, comprei uma câmera e escrevi no perfil da rede social, Valter Patrial Fotógrafo, foi aos poucos, estudando e conhecendo técnicas, foi um período de transição entre a fotografia analógica e a digital. Onde costuma buscar a inspiração necessária para criar o seu trabalho? Valter - Sempre na Natureza. Qual o seu género de fotografia preferido? Valter - Wildlife e Landscapes Que tipo de preparação você faz antes de fotografar? Valter - Estudar sobre os locais, espécies que vou encontrar ou que pretendo fotografar. Como é a sua equipe de colaboradores habituais? Valter - Conto com a ajuda de biólogos, veterinários, fotógrafos, cinegrafistas e guias locais, os guias locais são de fundamental importância, conhecem detalhes que os técnicos não sabem. Maiores dificuldades nessa área? Valter - A maior dificuldade está na aquisição de equipamentos, a política de importação, não favorece os profissionais da área, os valores praticados no Brasil tornam muitas vezes inviáveis determinados trabalhos, pois o valor final dos produtos foge da realidade econômica de quem contrata os serviços. Como vê a fotografia atualmente e no futuro? Valter - Vou usar uma frase clichê para responder sua pergunta hoje ou amanhã. “Uma imagem vale 14
Pensar desta forma foi fundamental para seguir neste caminho. Quais os benefícios que a fotografia leva para a natureza/vida selvagem? Valter - A natureza precisa ser descoberta, descoberta pela humanidade, só damos valor aquilo que conhecemos, registrar, documentar e levar a público, dar vozes, fazer com que o maior número de pessoas conheçam o nosso planeta pode ser uma das saídas para a conservação. Recorda de alguma história em que sua foto gerou um engajamento para a vida selvagem?
Legendas: Silhueta do fotógrafo refletida nos olhos de um crocodilo. Duelo de Gigantes. Hipopótamos na Tanzânia.
A entrevista completa está disponível pelo QR code
Valter - Tem várias, mas uma que me marcou, foi fotografar a minha silhueta refletida no olho de um jacaré, depois de alguns meses eu fiz uma tatuagem desta imagem. Gera muita curiosidade, querem saber detalhes de como foi feita. Quais são seus objetivos? Valter - Dar vozes a natureza
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Curiosidades Selvagens Seleção Natural. A competição pela sobrevivência de cada espécie, a alta competitividade e a recorrente disputa pelo alimento são alguns dos pontos abordados nesse teoria criada por Charles Darwin e Alfred Wallace. Existem outros mecanismos de evolução, a deriva genética, o isolamento, as mutações e o fluxo gênico. Diversos fatores podem influenciar nisso, seja o ambiente, as interações entre os animais, os predadores, fontes de alimento e vários outros, e recente um incomum, o ser humano. Onça-pintada A onça-pintada (Panthera onca) é uma espécie bastante conhecida do nosso país e encanta por seu tamanho e por suas cores marcantes. É o maior carnívoro da América do Sul. Está no topo da cadeia alimentar nas áreas em que é encontrada. Alimenta-se de mais de 85 espécies diferentes. A potência da mordida de uma onça-pintada é a maior quando comparada a de outros felinos. Vive cerca de 15 anos. O peso da onça-pintada varia entre 35 kg e 135 kg. Apesar de serem felinos, as onças não miam, mas emitem uma espécie de ronco, denominado esturro. Urubus Os urubus são conhecidos, principalmente, por seu hábito alimentar peculiar, geralmente baseado na ingestão de carne em decomposição. Os urubus são aves encontradas no continente americano. Das 7 espécies, 5 são encontradas no Brasil. O olfato e a visão são superdesenvolvidos. Um urubu é capaz de ver um animal morto a 3000m de altura e sentir o cheiro de carniça a mais de 50km de distância. Eles tem pouco ou quase não tem penas na região da cabeça e do pescoço por conta da alimentação. Os urubus podem chegar a 91 centímetros de comprimento. Por não terem glândulas sudoríparas para ajudar na transpiração, eles urinam e defecam nas próprias pernas para abaixar a temperatura.
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Lobo-guará O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus.), conhecido também como lobo-de-crina, lobo-vermelho, aguará e aguaraçu, é o maior canídeo da América do Sul. É um dos animais mais ameaçados de extinção no Brasil. Por ser onívero é um grande dispersor de sementes. Tem hábito crepuscular-noturno. Eles marcam seu território utilizando fezes e urina. São encontrados na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru, estando possivelmente extinta no Uruguai. O lobo-guará vive principalmente nos Cerrados e Pampas. Costumam ter entre 95 cm e 115 cm de comprimento. Tamanduá O tamanduá é um animal estranho, do qual certamente você já ouviu falar. É parente da preguiça e assim como ela pertence à ordem dos dentados. Pode ser encontrado em países da América do Sule na América Central. Vivem cerca de 15 anos, são encontrados em florestas, savanas e campos abertos. Come por volta de 30 mil insetos por dia. A língua do tamanduá mede entre 40 e 60 centímetros. Mede entre 1,80 e 2,20m Tucano Os tucanos (Ramphastidae) são aves que vivem nas Américas, tanto a Central com a do Sul. É um animal bem barulhento. Seu bico é oco, porém tem vasos sanguíneos que ajudam na refrigeração do corpo. A língua dos tucanos tem em média 15 centímetros Existem cerca de 49 espécies de tucanos.
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Pela minha lente: O impacto em fotografar Cézar Augusto
Para a filhote de Lobo-Guará, Glória, de apenas 5 meses, a manhã no Zoológico de Guarulhos é sempre agitada, a ida até o seu recinto dentro do Zoo é uma grande aventura, sempre em companhia de algum veterinário ou de funcionários do local. É comum para ela ser parada no caminho, afinal, um Lobo-Guará tão brincalhão e extrovertido com os humanos é algo um pouco raro. Glória foi a única sobrevivente dentre os três filhotes de Lobo-Guará que nasceram no Zoo de Guarulhos, há pouco mais de três meses. Conhecidos pela sua coloração avermelhada e suas longas patas, o Aguará, nome popular do maior canídeo da América do Sul. Segundo o Instituto Chico Mendes de
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Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o lobo-guará é um dos animais que está constantemente na lista de vulnerabilidade no Brasil. O desmatamento das áreas em que a espécie vive, a expansão urbana das regiões e os atropelamentos, cerca de 70 por ano, segundo o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Campo Grande (MS). O carinho, atenção e zelo com que os funcionários do zoológico de Guarulhos tratam os animais é algo louvável, existe toda uma história para cada um daqueles animais, grande parte foi resgatada de alguma forma, seja do tráfico ou até de situações que colocaram sua vida em risco.
Segundo dados do Ecoa e do Ibama, cerca de 1100 animais silvestres foram resgatados no ano de 2019, o número é um pouco mais baixo se comparado com anos anteriores, em 2017 e 2018, foram mais de 1300 casos. Em 2020 a polícia federal já resgatou mais de 25 mil animais que estavam sendo transportado ilegalmente. A biopirataria é algo que teve um aumento significativo nos últimos anos, é o que aponta um relatório produzido pelas organizações não-governamentais Traffic e União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O estudo estima que 82.040 animais foram traficados em São Paulo entre 2017 e agosto de 2019, com base em informações da Polícia Militar Ambiental. De acordo com o documento Wildlife Trafficking in Brazil* (Tráfico de Vida Selvagem no Brasil, em tra-
dução livre), o país precisa desenvolver uma estratégia de combate a esse crime. A reprodução em cativeiro, coisas em que o zoológico de Guarulhos é grande referência, são desconhecidas por grande parte do público. Em conversa com a bióloga e educadora ambiental, Flávia Queiroga, ela explica os benefícios que isso traz para a fauna brasileira. O Sagui-da-serra-escuro é a maior conquista do zoo no tema, o animal que é natural da mata atlântica corre sério risco de extinção. Em 2009 o zoológico recebeu alguns animais da espécie que viviam cativeiros ilegais e deu início ao trabalho de reprodução. Hoje o zoológico é referência no assunto. A bióloga têm a frase de Gandhi como um mantra: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. 19
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Madiba, o leão, é o príncipe do pedaço, sua pequena juba ainda não é tão ostentosa quanto a do antigo leão do zoo, o Nero. Madiba chegou no zoológico no dia 12 de agosto, veio transferido do zoológico de São Paulo. Filho de Erindi, leoa vinda de um zoológico da Holanda, e Iduma, leão trazido da África do Sul, Madiba faz parte do processo de preservação da espécie, após a junção do casal, em 2016. Os leões, diferentes do loboguará, não são animais que fazem parte do bioma brasileiro. Mais de 90% dos animais que estão no Zoológico de Guarulhos são da fauna nacional. A conservação é um assunto muito sério dentro do zoológico também, grande parte dos animais do recinto são resgatados da natureza, como é o caso dos dois filhotes de onça-parda, também conhecida como Puma e Suçuarana, o Logan e o Scott. Logan foi resgatado no interior de São Paulo, em Guaíra, numa usina da região. O filho de puma foi encontrado pela GCM local, cheio de machucados e com fraturas. Mesmo após ter se recuperado totalmente, o animal não poderá ser solto na natureza devido ao inevitável e intenso convívio que teve com humanos durante seu tratamento. Já Scott foi encontrado em São José do Rio Preto. Jasmin, a exótica anta que nasceu e viveu no zoológico de Guarulhos, foi solta na reserva ecológica de Guapiaçu, no Rio de Janeiro. Filha das antas Antônia e Antenor, que permanecem no zoo, vai continuar recebendo alimentos até que se adapte aos outros animais da sua espécie. Vale ressaltar que nem todos os animais conseguem ter uma reabilitação completa, ou seja, sem sequelas, porém, os que conseguem são reinseridos na natureza. Até mesmo animais que não são tão bem vistos pela sociedade, como o urubu, tem a sua importância no eco sistema. Esses animais costumam eliminar carcaças, que são 21
fontes de diversos tipos de doenças, dessa forma eles ajudam na propagação de doenças, eliminam bactérias que poderiam fazer mal a outros animais. Alguns estudos mostram que em áreas sem estes “limpadores naturais” as carcaças de animais levam de 3 a 4 vezes mais tempo para se decompor. Criado em 2014, o sistema Urubu se tornou um dos maiores aliados na conservação da biodiversidade brasileira, o aplicativo, disponível para smartphones, é para que as pessoas mostrem onde um animal, silvestre ou doméstico, tenha sido atropelado e os dados obtidos através dessas informações são cedidos a pesquisadores para que possam conhecer mais sobre as transições das espécies. Assim auxiliando governos e concessionarias na redução dos acidentes. A importância na conscientização e preservação é algo que deve ser levado mais a sério pelas autoridades competentes, se levarmos em conta que assuntos como a preservação da natureza só é veiculado e levado em pauta quando se ocorre algum tipo de atrocidade ou acidente, nos mostra que o tema não tem a devida atenção, afinal, tomar medidas e fazer algo depois que aconteceu não garante que não irá ocorrer novamente, na verdade, nada garante, porém, estar preparado e saber como lidar com situações é o que deveria ser o foco de grandes entidades. Enquanto muitos lutam pela sobrevivência e convivência entre as espécies, assim como o faz o zoológico de Guarulhos e diversos outros lugares e pessoas, outros não dão a mínima, a reeducação e respeito pela vida, seja para com qualquer espécie é essencial para a sobrevivência e vivencia entre nós. Afinal, nós seres humanos somos os racionais. Ou deveríamos ser.
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A vida selvagem não está só nas florestas e savanas mundo à fora, um pássaro cantando, uma lagarta em seu casulo seguindo sua metamorfose. Um jardim com toda sua biodiversidade, um lago com todos os seus visitantes. Todos estão ligados a vida selvagem. Com olhos e ouvidos atentos no início ou no fim do dia, você via presenciar algo, sinta, respeite e viva isso. *O relatório Wildlife Trafficking in Brazil pode ser acessado através do link: https://www.traffic.org/ publications/reports/brazils-widespread-wildlife-trafficking/ Acessando o QRCode abaixo você pode ver mais fotografias da vida selvagem feitas por mim.
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VOCÊ SELVAGEM VIVA O DESCONHECIDO
O IMPACTO DA FOTOGRAFIA DA VIDA SELVAGEM PELAS LENTES DE MÁRCIO LISA. A IMPORTANCIA DA FOTO UM BATE PAPO COM O FOTÓGRAFO E PROFESSOR, VALTER PATRIAL CURIOSIDADE SOBRE A VIDA DE ANIMAIS BRASILEIROS.
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CARTA AO LEITOR Nem tudo são cinzas Querido leitor, a escolha de onde e quando se posicionar é crucial para a fotografia, afinal, ela não é imparcial e nem tem a intenção de ser. Por mais fiel que seja, a imagem é apenas um recorte daquele momento do fotógrafo. Todas essas decisões influenciam no resultado obtido e na mensagem que a imagem passa a disseminar. Não interferir na ação ou no bioma é algo como uma lei para quem gosta de fotografar, afinal, registrar o que está acontecendo da maneira mais real possível, é o que passa a verdadeira essência do trabalho. Na fotografia da natureza não poderia ser diferente, porém, existe um fator importante, a ação humana contra a natureza deve ser ignorada? As queimadas no Pantanal são algo comum e recorrentes, de certo modo até fazem parte daquele bioma, a estiagem natural que ocorre no inverno é algo que pode ocasionar em queimadas naturais da região, a ação dos raios é outro grande ponto para este fator ocorrer. Entretanto, o que tem sido visto ultimamente é um aumento considerável desses focos em épocas muito secas e em grandes áreas, o que leva a crer que esses focos sejam causados pela ação humana. A interferência humana para fins lucrativos acaba gerando uma maior taxa de queimadas e desmatamentos, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o ano de 2020, possui mais focos de queimadas do que o ano de 2019. Neste ano temos cerca de 15800 focos, contra 10025 em 2019. Cerca de 12% do bioma do Pantanal foi destruído. As ações antrópicas tem acelerado a degradação da natureza. Algo que antes parecia distante da nossa reali-
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EDITORIAL
dade, agora já faz parte do cotidiano de diversas pessoas, secas devastadoras recorrentes do desmatamento, mudanças climáticas, desgelo; entre outros. O tamanho do estrago causado no bioma do Pantanal chamou à atenção das pessoas, celebridades de todos os ramos estão ajudando na conscientização e recuperação do bioma. Luciano Huck, Luan Santana, National Geographic, e vários outros, ajudaram e estão ajudando com campanhas para arrecadação de verba para prestar alguma ajuda para o local. Diversos grupos de voluntários, dos mais variados ramos também estão ajudando na causa, toneladas de alimentos foram distribuídos para os animais da região, médicos-veterinários e zootecnistas estão na linha de frente resgatando animais atingidos pelos incêndios, o Conselho Federal de Medicina Veterinária, aprovou o Plano Nacional de Contingência de Desastres em Massa Envolvendo Animais, o documento traz orientações para a atuação dos profissionais em cenários dessa natureza, com diretrizes de como conduzir o resgate, a assistência veterinária, a manutenção e a destinação de animais domésticos e silvestres. O Pantanal não está sozinho, os animais não estão sozinhos, o interesse lucrativo é grande, porém, o amor pela vida é maior, convido você, leitor, a apreciar essa revista e que de alguma forma ela chegue até a você e cause o impacto necessário para conscientizar e ajudar a preservar. Somos todos natureza.
Cézar Augusto - Diretor de Redação
SUMÁRIO 4 Márcio Lisa Um olhar sobre o impacto da fotografia da vida selvagem pelas lentes do fotógrafo 11 Queda em Ascenção Os dados mais recentes do estudo realizado pela WWF Living Planet sobre a queda da biodiversidade no planeta
Através de suas lentes o fotógrafo conta suas aventuras e vivências ao redor do globo, Márcio aborda diversos termas, como o polemico Shark Finning.
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12 Valter Patrial O fotógrafo e professor fala sobre como a fotografia beneficia o meio em que vivemos
16 Curiosidades Selvagens Curiosidades sobre alguns dos animais que são encontrados no bioma brasileiro
18 Na lente A fotografia da vida selvagem na prática, uma imersão no zoo
12 A vida dos animais que são contemplados por crianças e adultos, um pouco da história por trás desses grandes seres.
A Vida do fotógrafo é transformada cada vez mais com a influência que o mesmo causa na vida de seus alunos, levar o resultado de seus trabalhos para dentro da sala de aula é algo que beneficia a todos.
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O IMP
Cézar Augusto
A admiração pela natureza e pela vida selvagem é algo que sempre esteve presente na vida das pessoas, contemplar fotografias e vídeos chega a aliviar o stress do dia-a-dia. Já para os amantes da fotografia da natureza isso acaba levando a diversos temas, como o aquecimento global, sustentabilidade e claro, a preservação das espécies.
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Ao longo da história vimos o impacto que o ser humano pode causar ao meio ambiente, tanto de forma negativa como positiva. Aí que entra a fotografia, documentando e eternizando diversos momentos históricos. Um grande exemplo é o do fotografo, Mathew Brady, que entre 1861 e 1865, fotografou a guerra civil e é considerado um dos pioneiros da “fotografia de guerra”. Suas
PACTO DA FOTOGRAFIA NA VIDA SELVAGEM A experiência e vivência por trás da câmera
fotos mostram a vida no campo de batalha ao longo da guerra, trazendo grande vivencia daqueles dias para as pessoas. O fato é, estamos interligados com todo o ambiente do planeta, seja de maneira direta, como as coisas que estão a nossa volta, ou indireta, ao consumir qualquer tipo de matéria. Mas afinal, as imagens são
capazes de evocar uma reação emocional nos leitores? Marcio Lisa é um fotógrafo de vida selvagem especializado em fotografia subaquática. Claro que o “Marcinho”, como é conhecido pelos amigos, fotografa muito mais do que só a vida marinha. Grande amante dos animais, sua maior “arma” na defesa deles, é a câmera fotográfica.
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ao Marcio, mostrar para as pessoas o que está acontecendo com o planeta é um dos grandes motivos de ter rumado para esse caminho.
ABERTURA
Marcio tem nos genes o toque da fotografia, filho do fotógrafo Nestor Lisa, ele começou desde cedo a trabalhar com fotografia. Ainda adolescente, ajudava o pai nas mais diversas tarefas, iluminação, carregamento de equipamento e em todo processo de revelação das fotos. Chegou a trabalhar quando ainda tinha 14 anos, em um pequeno estúdio na periferia de São Paulo, onde residia na época. “Eu ajudava meu pai com a iluminação, ficava escondido atrás do altar das igrejas iluminando o fundo de batizados, casamentos, fizemos de tudo. Eu era, o que chamamos hoje, um assistente de fotógrafo“. Após a adolescência, iniciou a graduação em tecnologia da informação. Desde então, a carreira administrativa foi o seu foco, onde permaneceu por mais de 20 anos, tendo a fotografia apenas como um hobby. Hoje em dia, vive 100% da fotografia, levando grupos para fotografar no continente africano, executando “jobs” para diversos veículos de comunicação e ministra aulas de fotografia. A fotografia da natureza e da vida selvagem é algo que dá prazer
As aventuras de Marcio não param por aí, com um vasto currículo de viagens internacionais e publicações em diversas mídias, o fotógrafo também realiza expedições ao redor do mundo. Encorajado por alunos e colegas, em 2016, Marcio levou seu primeiro grupo para uma expedição fotográfica: o destino, Namíbia, no continente africano. Outrora Marcio já havia viajado para o país, porém a trabalho, num “job” para a National Geographic. As aulas que antes eram ministradas em parques da capital paulista, teve sua gama ampliada para uma paisagem um pouco mais longínqua. “Em 2016 eu montei o primeiro grupo, basicamente com alunos de fotografia e levei para um roteiro que já tinha conhecido, trabalhando para a National Geographic. Fiz essa primeira viagem com 12 pessoas, um grupo pequeno, e adorei fazer isso, porque uma coisa é você dar aula de fotografia de natureza no Parque do Ibirapuera, outra coisa é você dar aula de fotografia na África, onde você realmente tem muitas oportunidades de encontros com a vida selvagem.”, conta Marcio.
O fotógrafo atualmente realiza quatro expedições fotográficas por ano, levando pequenos grupos para a África: Namíbia em Junho, Quênia e Tanzânia no carnaentender val, Madagascar em setembro e cerca de Etiópia em novembro.
“Espero que um dia consigamos que compartilhamos o planeta com 9 milhões de espécies... E que somos a unica espécie capaz de destruir todas as outras!”
Em 2016 e 2019, o fotógrafo teve a oportunidade de captar imagens do lobo-etíope, também conhecido como lobo-abissínio. Um dos mais raros e ameaça-
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dos canídeos do mundo. Na primeira ocasião, conta, que existiam cerca de 600 espécimes vivendo em meio selvagem. Atualmente esse número está perto de 400, o que faz o lobo-etíope ser uma das espécies mais mais ameaçadas do planeta. Marcio também relembra da
sua coleção de cards da vida selvagem que teve na infância, que vinham de brinde num chocolate chamado “Surpresa”. As fotos eram de um dos precursores da fotografia de vida selvagem no Brasil, Luiz Cláudio Marigo. Um dos grandes fotógrafos que tem como inspiração.
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FOCANDO
Mas nem só de belas cenas vive o fotógrafo. A trabalho para a National Geographic, Marcio presenciou o “shark finning”, prática que consiste em cortar as barbatanas de tubarões e raias, descartando os corpos dos animais, ainda vivos e mutilados, nos oceanos. “Hoje se mata muito tubarão somente pelas barbatanas e essas fotos acabam mexendo com muita gente, gosto de fotografar os animais vivos em seu ambiente, mas o que realmente toca as pessoas costumam ser as fotos de maus tratos a natureza. São aquelas não gostamos de ver”. Atualmente cerca de 100 milhões de tubarões são mortos anualmente e tem suas barbatanas arrancadas para a comercialização. As barbatanas são uma grande iguaria da culinária asiática, onde acreditam ter poderes afrodisíacos. Grande parte dos tubarões capturados são de águas internacionais, onde a fiscalização fica ainda mais difícil do que nas áreas costeiras. Os tubarões que têm suas barbatanas retiradas e são jogados de volta ao mar, o que acaba gerando a morte do animal, já que muitas espécies utilizam o sistemas de respiração chamado de “ventilação ram”, para que as brânquias obtenham o oxigênio da água, o tubarão deve se manter em movimento. O fotógrafo e diretor de fotografia de documentários, Shawn Heindrichs, em parceria com a WildAid e o governos Chinês, fizeram uma longa campanha na China para mostrar o impacto que o Shark
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Finning estava causando ao planeta. O comercial produzido foi veiculado em horário nobre para milhões de pessoas. Essa campanha ajudou a reduzir o consumo de barbatanas em 70% na China. “Como cineasta e fotógrafo, eu posso contar histórias e mostrar a realidades às pessoas... A imagem cria uma voz e quando param de comprar, a matança também para” O conteúdo está disponível na plataforma de streaming da netflix, Tales by light.
PRÓXIMO CLICK
O futuro da preservação e da natureza no Brasil é algo que acaba sempre estando em pauta nos principais meios de comunicação, para o Marcio não é diferente. Na sua opinião, faltam investimentos públicos e privados nessa área. Um grande exemplo é que, hoje, na tv aberta, você raramente vê algum programa sobre vida selvagem e conservação. Os recursos não são ilimitados, como pensavam muitas pessoas no passado, a importância da conservação está ligada diretamente ao futuro da humanidade. Investir na educação ambiental para crianças e nas próximas gerações são algo que o fotógrafo acredita que seja um dos pontos mais importantes no caminho da preservação e da continuidade da natureza. A verdade é, a natureza está em todo local, não necessariamente você precisa viajar ou conhecer
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outros países para poder fotografar animais, uma das principais formas de aprender a fotografar continua sendo a mais básica, fotografando.
REVELAÇÃO
Em suas viagens para a Namíbia, Marcio, costuma fotografar a mesma arvore, quase que do mesmo local e ângulo. Grande fã dos felinos, seja dos grandes felinos africanos, ou dos nossos aqui do Brasil, o fotografo já capturou imagens de diversas espécies. Já no mar o fotógrafo revela que tubarões e baleias são os que atraem sua atenção. Certa vez mergulhando com baleias-francas na Patagonia, Marcio conta uma experiência única que vivenciou. “ Elas sabem que você sabe que você está ali, eu estava fotografando e aca-
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bei ficando entre no meio de uma mãe e seu filhote. A mamãe saiu nadando delicadamente a alguns metros de mim, sem me tocar. Ela sabia que eu estava ali e não oferecia nenhum tipo de perigo”. O olhar do fotógrafo encontra a beleza, a emoção e as palavras ocultas na imagem. Capturando sons e vozes no silêncio da fotografia, Marcio Lisa, nos traz uma visão privilegiada de tudo, através das suas lentes. Marcio não apenas retrata a vida humana, nas mais diversas e adversas situações, como também captura a essência da natureza, com esplendor e simplicidade
QUEDA EM ASCENSÃO
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Cézar Augusto
relatório mais recente do WWF Living Planet*, World Wide Fund for Nature, o de 2020, apontou o declínio em mais de 4 mil espécies acompanhadas, entre elas estão, mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios. O estudo mostra que nos últimos 50 anos, mais de dois terços da população, dos animais acompanhados, foi reduzida. A pesquisa também aponta que cerca de 40% do oceano foi corrompido de alguma forma, o que pode gerar conseconsequências para o planeta. A iniciativa é uma colaboração entre a WWF International e o Zoological Society of London, mostrando que o desmatamento e o crescimento do setor agrícola, foram grandes responsáveis pelos mais de 60% da decadência das espécies entre os anos de 1970 e 2016. A perda de habitat é um dos maiores fatores apontados pelo estudo, segundo Marco Lambertini, diretor geral da WWF. “É uma queda acelerada que nós estamos monitorando por 30 anos e que continua indo na direção errada”. A américa central e do Sul é onde mais tem ocorrido essa redução. O estudo ainda aponta alguns fatores que podem ajudar a diminuir esse número tão crescente**, uma possível readaptação alimentar para uma dieta mais saudável e a redução do desperdício de alimentos, juntamente com uma produção ecologicamente correta, segundo a pesquisa, é um grande começo para ajudar a prevenir a perda da biodiversidade.
*O acesso ao estudo completo está disponível no site da WWF.
** O WWF junto com algumas outras instituições publicaram na revista Nature um artigo intitulado de Bending the curve of terrestrial biodiversity needs an integrated strategy que argumenta como um esforço global pode ajudar a estabilizar e reverter a situação atual.
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A conservação através da Batepapo com um dos maiores fotógrafos e ativistas do ramo Cézar Augusto
O contato com a natureza foi o que despertou em Valter Patrial a curiosidade para ser um fotografo da vida selvagem. A fotografia entrou na vida de Valter ainda quando criança, sua mãe costumava tirar fotos da família, e Valter acabou criando
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gosto pela coisa, na adolescência se tornou o fotógrafo entre os amigos, a curiosidade foi aumentando com o tempo. Na faculdade, cursou algumas matérias relacionadas a fotografia, uma forma de continuar com seu passatempo. Após alguns anos traba-
a fotografia lhando como professor de física, área em que atua há mais de 25 anos, Valter viu naquela paixão adormecida uma oportunidade, não só de trabalho, mas também uma válvula de escape para voltar a fazer o que amava. O fotógrafo costuma levar para os seus alunos o resultado de seus trabalhos e expedições. Valter também dá aulas de foto-
grafia durante e fora de suas expedições fotográficas. “Depois de uma expedição, uma viagem, eu volto e passo algum tempo mostrando os biomas para meus alunos na sala de aula, aquilo que eu encontrei, as coisas erradas e o que poderia ser melhorado, contando essas histórias pra eles.” Revela o fotógrafo. Durante uma de suas expedições o fotógrafo conta sobre o retrato que fez de uma onça que estava espreitando um pequeno jacaré. “Pessoal, prepara, para de clicar um pouco. Ela vai saltar na água, aí vai ser o momento da foto” As instruções de Valter foram precisas aos alunos, o resultado? A belíssima imagem da onça capturando a pequena presa. Conhecer os hábitos e o bioma em que os animais estão inseridos é um grande trunfo na hora de fotografar. Para o fotografo, ter um guia que conhece a região e os hábitos do animal
“Dar voz a natureza se tornou o meu objetivo como fotógrafo” é algo fundamental. Por trás de cada foto, existe todo um estudo e preparo. E o fotografo garante, a sensação de estar em frente a uma onça é única. Valter utiliza da fotografia para dar voz a natureza, segundo ele, as pessoas só irão dar mais
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valor à natureza, se elas a conhecerem. Levar esse conhecimento e imagens para as pessoas é um dos feitos que Valter vêm realizando há anos. “Primeiro eu preciso impactar, para que elas criem um laço, um amor por aquilo, quando criam esse vínculo, aí sim passam a preservar”. Escrever um livro contando suas aventuras no Pantanal é um dos planos futuros do fotógrafo, falar sobre fotografia, mostrar como algumas fotos foram feitas, e até revelar alguns segredos dos bastidores são o tipo de conteúdo que estarão na obra. Parte do valor arrecadado com suas expedições e com o futuro livro serão destinados às comunidades do Pantanal e para ajudar na preservação dos animais na região. O trabalho do fotógrafo já foi inspiração para ex-alunos que hoje trabalham e vivem da fotografia. Confira parte da entrevista com o fotógrafo. Quando e onde começou a sua carreira na fotografia? Valter - A carreia de fotógrafo começo sem que me desce conta, quando me dei conta estava até o pescoço, hoje eu vivo fotografia. Difícil precisar um momento, foi acontecendo gradativamente, eu não fui a uma loja, comprei uma câmera e escrevi no perfil da rede social, Valter Patrial Fotógrafo, foi aos poucos, estudando e conhecendo técnicas, foi um período de transição entre a fotografia analógica e a digital. Onde costuma buscar a inspiração necessária para criar o seu trabalho? Valter - Sempre na Natureza. Qual o seu género de fotografia preferido? 14
Valter - Wildlife e Landscapes Que tipo de preparação você faz antes de fotografar? Valter - Estudar sobre os locais, espécies que vou encontrar ou que pretendo fotografar. Como é a sua equipe de colaboradores habituais? Valter - Conto com a ajuda de biólogos, veterinários, fotógrafos, cinegrafistas e guias locais, os guias locais são de fundamental importância, conhecem detalhes que os técnicos não sabem. Maiores dificuldades nessa área? Valter - A maior dificuldade está na aquisição de equipamentos, a política de importação, não favorece os profissionais da área, os valores praticados no Brasil tornam muitas vezes inviáveis determinados trabalhos, pois o valor final dos produtos foge da realidade econômica de quem contrata os serviços. Como vê a fotografia atualmente e no futuro? Valter - Vou usar uma frase clichê para responder sua pergunta hoje ou amanhã. “Uma imagem vale mais que mil palavras.” Frase atribuída ao filósofo chinês Confucio, para transmitir algumas informações de maneira rápida a imagem desempenha papel fundamental. Que conselhos daria a quem pensa seguir a profissão de fotografo? Valter - Use as principais ferramentas que você tem para fotografar: Cérebro, visão e coração. Qual sua foto preferida? Valter - A que eu vou fazer na minha próxima viagem. Fico sempre em busca da melhor luz, do melhor ângulo, por isso acredito que a melhor será a próxima, assim nunca vou parar. Por que decidiu fotografar a nature-
za/vida selvagem? Valter - Aprendi desde criança que somos natureza, a diferença entre os seres está na forma como os elementos se agrupam, diamante e grafite só têm carbono e são diferentes, mas na essência são iguais. Pensar desta forma foi fundamental para seguir neste caminho. Quais os benefícios que a fotografia leva para a natureza/vida selvagem? Valter - A natureza precisa ser descoberta, descoberta pela humanidade, só damos valor aquilo que conhecemos, registrar, documentar e levar a público, dar vozes, fazer com que o maior número de pessoas conheçam o nosso planeta pode ser uma das saídas para a conservação.
Valter - Tem várias, mas uma que me marcou, foi fotografar a minha silhueta refletida no olho de um jacaré, depois de alguns meses eu fiz uma tatuagem desta imagem. Gera muita curiosidade, querem saber detalhes de como foi feita. Quais são seus objetivos? Valter - Dar vozes a natureza A entrevista completa está disponível pelo QR code
Recorda de alguma história em que sua foto gerou um engajamento para a vida selvagem?
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Curiosidades Selvagens Seleção Natural. A competição pela sobrevivência de cada espécie, a alta competitividade e a recorrente disputa pelo alimento são alguns dos pontos abordados nesse teoria criada por Charles Darwin e Alfred Wallace. Existem outros mecanismos de evolução, a deriva genética, o isolamento, as mutações e o fluxo gênico. Diversos fatores podem influenciar nisso, seja o ambiente, as interações entre os animais, os predadores, fontes de alimento e vários outros, e recente um incomum, o ser humano. Onça-pintada A onça-pintada (Panthera onca) é uma espécie bastante conhecida do nosso país e encanta por seu tamanho e por suas cores marcantes. É o maior carnívoro da América do Sul. Está no topo da cadeia alimentar nas áreas em que é encontrada. Alimenta-se de mais de 85 espécies diferentes. A potência da mordida de uma onça-pintada é a maior quando comparada a de outros felinos. Vive cerca de 15 anos. O peso da onça-pintada varia entre 35 kg e 135 kg. Apesar de serem felinos, as onças não miam, mas emitem uma espécie de ronco, denominado esturro. Urubus Os urubus são conhecidos, principalmente, por seu hábito alimentar peculiar, geralmente baseado na ingestão de carne em decomposição. Os urubus são aves encontradas no continente americano. Das 7 espécies, 5 são encontradas no Brasil. O olfato e a visão são superdesenvolvidos. Um urubu é capaz de ver um animal morto a 3000m de altura e sentir o cheiro de carniça a mais de 50km de distância. Eles tem pouco ou quase não tem penas na região da cabeça e do pescoço por conta da alimentação. Os urubus podem chegar a 91 centímetros de comprimento. Por não terem glândulas sudoríparas para ajudar na transpiração, eles urinam e defecam nas próprias pernas para abaixar a temperatura.
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Lobo-guará O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus.), conhecido também como lobo-de-crina, lobo-vermelho, aguará e aguaraçu, é o maior canídeo da América do Sul. É um dos animais mais ameaçados de extinção no Brasil. Por ser onívero é um grande dispersor de sementes. Tem hábito crepuscular-noturno. Eles marcam seu território utilizando fezes e urina. São encontrados na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Peru, estando possivelmente extinta no Uruguai. O lobo-guará vive principalmente nos Cerrados e Pampas. Costumam ter entre 95 cm e 115 cm de comprimento. Tamanduá O tamanduá é um animal estranho, do qual certamente você já ouviu falar. É parente da preguiça e assim como ela pertence à ordem dos dentados. Pode ser encontrado em países da América do Sule na América Central. Vivem cerca de 15 anos, são encontrados em florestas, savanas e campos abertos. Come por volta de 30 mil insetos por dia. A língua do tamanduá mede entre 40 e 60 centímetros. Mede entre 1,80 e 2,20m
Tucano Os tucanos (Ramphastidae) são aves que vivem nas Américas, tanto a Central com a do Sul. É um animal bem barulhento. Seu bico é oco, porém tem vasos sanguíneos que ajudam na refrigeração do corpo. A língua dos tucanos tem em média 15 centímetros Existem cerca de 49 espécies de tucanos.
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Pela minha lente: O impacto em fotografar Cézar Augusto
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Para a filhote de Lobo-Guará, Glória, de apenas 5 meses, a manhã no Zoológico de Guarulhos é sempre agitada, a ida até o seu recinto dentro do Zoo é uma grande aventura, sempre em companhia de algum veterinário ou de funcionários do local. É comum para ela ser parada no caminho, afinal, um Lobo-Guará tão brincalhão e extrovertido com os humanos é algo um pouco raro.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o lobo-guará é um dos animais que está constantemente na lista de vulnerabilidade no Brasil. O desmatamento das áreas em que a espécie vive, a expansão urbana das regiões e os atropelamentos, cerca de 70 por ano, segundo o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Campo Grande (MS).
Glória foi a única sobrevivente dentre os três filhotes de Lobo-Guará que nasceram no Zoo de Guarulhos, há pouco mais de três meses. Conhecidos pela sua coloração avermelhada e suas longas patas, o Aguará, nome popular do maior canídeo da América do Sul.
O carinho, atenção e zelo com que os funcionários do zoológico de Guarulhos tratam os animais é algo louvável, existe toda uma história para cada um daqueles animais, grande parte foi resgatada de alguma forma, seja do tráfico ou até de situações que coloca-
ram sua vida em risco. Segundo dados do Ecoa e do Ibama, cerca de 1100 animais silvestres foram resgatados no ano de 2019, o número é um pouco mais baixo se comparado com anos anteriores, em 2017 e 2018, foram mais de 1300 casos. Em 2020 a polícia federal já resgatou mais de 25 mil animais que estavam sendo transportado ilegalmente. A biopirataria é algo que teve um aumento significativo nos últimos anos, é o que aponta um relatório produzido pelas organizações não-governamentais Traffic e União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O estudo esti-
ma que 82.040 animais foram traficados em São Paulo entre 2017 e agosto de 2019, com base em informações da Polícia Militar Ambiental. De acordo com o documento Wildlife Trafficking in Brazil* (Tráfico de Vida Selvagem no Brasil, em tradução livre), o país precisa desenvolver uma estratégia de combate a esse crime. A reprodução em cativeiro, coisas em que o zoológico de Guarulhos é grande referência, são desconhecidas por grande parte do público. Em conversa com a bióloga e educadora ambiental, Flávia Queiroga, ela explica os benefícios que isso traz para a fauna brasileira. O Sagui-da-serra-escuro é a maior conquista do zoo no tema, o 19
animal que é natural da mata atlântica corre sério risco de extinção. Em 2009 o zoológico recebeu alguns animais da espécie que viviam cativeiros ilegais e deu início ao trabalho de reprodução. Hoje o zoológico é referência no assunto. A bióloga têm a frase de Gandhi como um mantra: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.
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Madiba, o leão, é o príncipe do pedaço, sua pequena juba ainda não é tão ostentosa quanto a do antigo leão do zoo, o Nero. Madiba chegou no zoológico no dia 12 de agosto, veio transferido do zoológico de São Paulo. Filho de Erindi, leoa vinda de um zoológico da Holanda, e Iduma, leão trazido da África do Sul, Madiba faz parte do processo de
preservação da espécie, após a junção do casal, em 2016. Os leões, diferentes do lobo-guará, não são animais que fazem parte do bioma brasileiro. Mais de 90% dos animais que estão no Zoológico de Guarulhos são da fauna nacional.
to sério dentro do zoológico também, grande parte dos animais do recinto são resgatados da natureza, como é o caso dos dois filhotes de onça-parda, também conhecida como Puma e Suçuarana, o Logan e o Scott. Logan foi resgatado no interior de São Paulo, em Guaíra, numa usina da região. O filho A conservação é um assunto mui- de puma foi encontrado pela GCM local, cheio de machucados e com fraturas. Mesmo após ter se recuperado totalmente, o animal não poderá ser solto na natureza devido ao inevitável e intenso convívio que teve com humanos durante seu tratamento. Já Scott foi encontrado em São José do Rio Preto. Jasmin, a exótica anta que nasceu e viveu no zoológico de Guarulhos, foi solta na reserva ecológica de Guapiaçu, no Rio de Janeiro. Filha das antas Antônia e Antenor, que permanecem no zoo, vai continuar recebendo alimentos até que se adapte aos outros animais da sua espécie. Vale ressaltar que nem todos os animais conseguem ter uma reabilitação completa, ou seja, sem sequelas, porém, os que conseguem são reinseridos na natureza. Até mesmo animais que não são tão bem vistos pela sociedade, como o urubu, tem a sua importância no eco sistema. Esses animais costumam eliminar carcaças, que são fontes de diversos tipos de doenças, dessa forma eles ajudam na propagação de doenças, eliminam bactérias que poderiam fazer mal a outros animais. Alguns estudos mostram que em áreas sem estes “limpadores naturais” as carcaças de animais levam de 3 a 4 vezes mais tempo para se decompor. 21
Criado em 2014, o sistema Urubu se tornou um dos maiores aliados na conservação da biodiversidade brasileira, o aplicativo, disponível para smartphones, é para que as pessoas mostrem onde um animal, silvestre ou doméstico, tenha sido atropelado e os dados obtidos através dessas informações são cedidos a pesquisadores para que possam conhecer mais sobre as transições das espécies. Assim auxiliando governos e concessionarias na redução dos acidentes. A importância na conscientização e preservação é algo que deve ser levado mais a sério pelas autoridades competentes, se levarmos em conta que assuntos como a preservação da natureza só é veiculado e levado em pauta quando se ocorre algum tipo de 22
atrocidade ou acidente, nos mostra que o tema não tem a devida atenção, afinal, tomar medidas e fazer algo depois que aconteceu não garante que não irá ocorrer novamente, na verdade, nada garante, porém, estar preparado e saber como lidar com situações é o que deveria ser o foco de grandes entidades. Enquanto muitos lutam pela sobrevivência e convivência entre as espécies, assim como o faz o zoológico de Guarulhos e diversos outros lugares e pessoas, outros não dão a mínima, a reeducação e respeito pela vida, seja para com qualquer espécie é essencial para a sobrevivência e vivencia entre nós. Afinal, nós seres humanos somos os racionais. Ou deveríamos ser.
A vida selvagem não está só nas florestas e savanas mundo à fora, um pássaro cantando, uma lagarta em seu casulo seguindo sua metamorfose. Um jardim com toda sua biodiversidade, um lago com todos os seus visitantes. Todos estão ligados a vida selvagem. Com olhos e ouvidos atentos no início ou no fim do dia, você via presenciar algo, sinta, respeite e viva isso.
Acessando o QRCode abaixo você pode ver mais fotografias da vida selvagem feitas por mim.
*O relatório Wildlife Trafficking in Brazil pode ser acessado através do link: https://www.traffic.org/publications/reports/ brazils-widespread-wildlife-trafficking/
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