UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
COMO O FUTEBOL FEMININO PODE SE DESENVOLVER NO PAÍS DO FUTEBOL
CAMILA DOS SANTOS RIBEIRO RGM: 1631412-3 TURMA 8ºB
São Paulo 2019
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
COMO O FUTEBOL FEMININO PODE SE DESENVOLVER NO PAÍS DO FUTEBOL
CAMILA DOS SANTOS RIBEIRO RGM: 1631412-3 TURMA 8ºB
Relatório Metodológico apresentado à Universidade Cruzeiro do Sul como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo, sob orientação
do
Professor
Antonio Lucio Assiz.
São Paulo 2019
Mestre
Ă€ todas as pessoas que vivem, apoiam e lutam pelo desenvolvimento do futebol feminino no paĂs.
Ao Professor Mestre Antonio Lucio Assiz que teve paciência e confiou muito no resultado. À todas as fontes que dedicaram seu tempo para me atender. Aos amigos que me apoiaram e incentivaram durante esta caminhada. E por fim, agradecimento especial à minha mãe que sempre acreditou em mim.
FICHA TÉCNICA Título: Da proibição à obrigação: relatos de vitórias no futebol feminino Sinopse: Ainda desprestigiado pela grande mídia, o futebol feminino segue rompendo barreiras e revelando novos talentos. Neste documentário você assiste relatos de jogadoras e comunicadoras sobre a modalidade e seu desenvolvimento no país do futebol. Formato: Vídeo Duração: 00:29:45 Gênero: Documentário Imagens: Camila Ribeiro Produção: Camila Ribeiro Reportagem: Camila Ribeiro Edição de Texto: Camila Ribeiro Edição de Imagem: Bruno Lages Roteiro e Direção: Camila Ribeiro
Entrevistadas: Aline Pellegrino – Diretora de Futebol Feminino na Federação Paulista de Futebol Ary Borges – Jogadora do São Paulo Angélica Souza – Blog Dibradoras Elaine Trevisan – Jornalista Rosana Augusto – Jogadora da Ferroviária São Paulo – Brasil 2019
RESUMO Este estudo tem como objetivo gerar uma reflexão e um debate sobre o futebol feminino no Brasil. O intuito é entender como o futebol feminino pode se desenvolver no país do futebol, uma vez que a desigualdade de gênero e o preconceito contra a mulher no esporte ainda é muito visível. Muitas meninas começaram a jogar futebol nas ruas com os meninos, mas não tiveram o preparo necessário para se desenvolver no esporte. O trabalho mostra a trajetória de jogadoras que tiveram passagens pela Seleção Brasileira. Elas falam das dificuldades que a categoria enfrenta, da pouca visibilidade, falta de investimento, falta de estrutura e também da necessidade de criação de categorias de base, afinal, é preciso qualificar as meninas que são novas e desejam seguir na modalidade.
Palavras-chave: Futebol feminino, Desigualdade de gênero, Preconceito, Estrutura, Seleção brasileira, País do futebol, Categoria de base, Investimento, Visibilidade
SUMÁRIO 1. Introdução......................................................................................................7 2. Descrição dos objetivos................................................................................11 2.1 Objetivo geral.........................................................................................11 2.2 Objetivo específico.................................................................................11 3. Problematização e hipóteses........................................................................12 4. Justificativa...................................................................................................13 5. Plano estratégico..........................................................................................15 5.1 Descrição do produto.............................................................................15 6. Referencial teórico.......................................................................................21 7. Referências..................................................................................................25 8. Cronograma.................................................................................................27 9. Orçamento...................................................................................................28
APÊNDICES...........................................................................................................29 A- Transcrições das entrevistas........................................................................30 B- Roteiro..........................................................................................................69 C- Diário de campo............................................................................................93
ANEXOS.................................................................................................................95 1. Anexo I.........................................................................................................96
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1. INTRODUÇÃO O tema deste projeto está direcionado à compreensão das maneiras como o futebol feminino, que é pouco valorizado, pode crescer no país que é considerado o do futebol. A inclusão das mulheres em uma modalidade ainda muito masculinizada é um desafio e tanto para aquelas que querem e sonham em ter o reconhecimento devido. Há anos o futebol tem sido voltado exclusivamente para a prática masculina. Foi proibido às mulheres na época do presidente Getúlio Vargas, e por isso ainda carrega o preconceito quando se trata da prática desse esporte por elas. Sendo assim, se fez necessário analisar os fatos com intuito de verificar como o futebol feminino poderia se desenvolver. Um cidadão chamado José Fuzeira escreveu uma carta endereçada à Vargas no dia 7 de maio de 1940, na qual dizia: Vem, pois, o signatário, respeitosamente, solicitar a clarividente atenção de V. Ex.ª, para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, Sr. Presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando
centenas
de
moças,
atraindo-as
para
se
transformarem em jogadoras de futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar esse esporte violento sem afetar, seriamente, o equilíbrio psicológico das funções orgânicas, devido à natureza que a dispôs a “ser mãe”. É notória a violência com que, nesse jogo, as bolas atingem, às vezes, o corpo dos jogadores; e também diversos são os casos já ocorridos de consequências graves e fatais. Ora, a constituição orgânica da mulher impõe-lhe o atento cuidado de precaver certos órgãos contra toda a contundência traumática; sendo que, conforme opinião de alguns expoentes da medicina, as pancadas violentas contra os seios podem, até, dar origem ao câncer. Também, por motivo de fenômenos específicos, que nos abstemos de enumerar, ainda outros sérios distúrbios de saúde podem sofrer as moças que venham a escravizar-se ao “sagrado dever” de não faltarem aos treinos e se disponham a aumentar as duras recargas
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de tal jogo; pois esses encontros de impulsos rudes, incontroláveis, hão de evidentemente afetar-lhes o equilíbrio do sistema nervoso e, até (quem sabe?) originando, talvez, funestas consequências futuras, no que se refere aos fenômenos próprios da gestação, pois da perfeita saúde da mãe depende o vigor e a perfeita constituição dos filhos. (Diário da Noite, 1940, ANEXO I)
Fuzeira demonstra uma certa preocupação com a proliferação do futebol feminino na época. Para ele, algo estava errado e a mulher não deveria praticar essa modalidade pois corria diversos riscos. O discurso da carta carrega uma visão de que a mulher tem uma natureza feminina que deve seguir, como por exemplo, ser mãe, conservadora e dona de casa. Fuzeira percebeu uma certa movimentação da mulher no esporte e deduziu que havia grande possibilidade de criação de muitas equipes femininas de futebol: No Rio já estão formados nada menos do que dez quadros femininos. Em São Paulo e em Belo Horizonte também já se estão constituindo outros. E, neste crescendo, dentro de um ano é provável que em todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol, ou seja, 200 núcleos destroçadores da saúde de 2200 futuras mães. (Diário da Noite, 1940, ANEXO I)
Em menos de um ano o presidente assinou um documento que restringia alguns esportes para mulheres, dentre eles o futebol. Esse documento é o Decreto de lei Nº 3.199, de 14 de abril de 1941, que trazia no Art. 54º a seguinte decisão: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. (Diário Oficial da União,1941) Em 1965, através da deliberação de nº 7 do CND, foi divulgada a relação de esportes proibidos para as mulheres, na qual impedia a prática de lutas, futebol, rugby, beisebol, entre outros esportes que eram considerados perigosos. Essa lei foi revogada em 1979, mas somente em 1983 o futebol feminino foi reconhecido
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como prática esportiva. Ou seja, durante quase 40 anos as mulheres foram proibidas de jogar futebol e outros esportes. O futebol feminino poderia ter se desenvolvido muito mais se não houvesse essa interrupção. As mulheres ainda lutam pela busca da igualdade de gênero e querem apenas ter os mesmos direitos que os homens sempre tiveram, sem precisar lutar por isso. Nos últimos anos, o empoderamento feminino se tornou mais forte do que nunca. Fato que pode ter colaborado para essa nova fase que o futebol feminino está vivendo. Há questionamentos sobre as habilidades no futebol, sobre conhecimento de regras, sobre capacidade, sobre tudo que é relacionado à uma mulher no esporte. Elas estão atrasadas na modalidade, não por culpa delas, mas por culpa de uma sociedade conservadora, que acreditava e que ainda carrega a ideia de que a mulher deve ser dona de casa, mas isso está mudando. Knijnik e Vasconcelos (2003) faz referências a jogadores da Seleção Brasileira de futebol, como Rivaldo e Juninho Paulista, uma vez que os técnicos convocavam os jogadores mais qualificados e não os que tinham um padrão de beleza aceitável perante a sociedade. Para os autores as diferenças entre as mulheres e os homens dentro do esporte eram notáveis, uma vez que a mulher acabava servindo de vitrine para aqueles que estavam assistindo. As atletas, antes de tudo, precisam ter o seu ‘visual’ aprovado. E se, além disto, jogarem bem, aí sim estão - desculpem-nos o trocadilho - com a bola toda! Estes mesmos dirigentes, a mesma imprensa que, quando se refere aos homens, querem que os melhores estejam em campo, no caso das mulheres farão tudo para favorecer àquelas que correspondam as suas preferências estéticas. Elas aparecerão na mídia, serão chamadas para entrevistas – e esta visibilidade, muitas vezes sem relação com as qualidades técnicas da atleta, atrairá novos patrocinadores, favorecendo assim carreiras esportivas – se é que podemos chamar esta ascensão profissional de “esportiva”. (KNIJNIK; VASCONCELOS, 2003, p. 165-175)
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As mulheres para serem bem resolvidas no futebol, primeiramente, deveriam seguir um padrão de beleza e estética, depois saber jogar futebol. Critério totalmente irrelevante para o esporte e que em nenhum momento foi considerado na modalidade masculina. O futebol feminino busca por reconhecimento e mesmo estando atrasado em relação ao futebol masculino, em relação a direitos e salários, que inclusive tem uma diferença exorbitante, as mulheres estão, pouco a pouco, conquistando seu espaço. Um grande exemplo disso é a brasileira Marta Vieira, que hoje joga no Orlando Pride. Ela começou jogando bola na rua com os meninos porque o futebol feminino não tinha estrutura. Marta é camisa 10 da Seleção Brasileira, melhor jogadora do país e já foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo, estando à frente de ídolos como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Rivaldo, Kaká e Cristiano Ronaldo. Existe um questionamento sobre qual seria o papel da mídia no desenvolvimento do futebol feminino. De acordo com Santaella (2010, p. 24), citada por Silva (2011, p. 20), a teoria da Agenda Setting indica que a mídia pauta os assuntos que serão falados pelas pessoas em suas conversas no dia a dia. Logo, é bem provável que se aumentassem a veiculação dos esportes praticados por mulheres, o conhecimento e gosto pela modalidade aumentaria. Além disso, incentivariam crianças, adolescentes e jovens a praticarem os diversos esportes voltados ao público feminino.
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2. DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Este documentário foi criado a fim de revelar as dificuldades que o futebol feminino enfrenta e o que precisa para ser desenvolvido, levando em consideração a necessidade de investimento e patrocínio para manter a modalidade viva. Além disso, mostrar que a mídia pode e deve ter um papel importante no crescimento da categoria.
2.2 Objetivo específico O projeto traz relatos de mulheres que são diretamente ligadas ao futebol feminino, que torcem e trabalham pelo fomento da modalidade. Elas apresentam um debate sobre os preconceitos ainda existentes contra a mulher neste esporte, que há muito tempo é masculinizado, e falam sobre a necessidade de driblar a falta de reconhecimento para obter sucesso no país que é considerado o do futebol.
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3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES O problema identificado para a construção deste projeto diz respeito à visibilidade do esporte. Será que a mídia pode ser grande aliada para o crescimento e investimento no futebol feminino? É possível recuperar o tempo perdido e superar o atraso em relação ao futebol masculino? Em uma reportagem produzida para o Globo Esporte, as jornalistas Lorena Dillon e Marcella Dottling disseram que “A regulamentação do futebol feminino veio em 1983 graças à luta de jogadoras e à relevância econômica internacional. A proibição, no entanto, tem reflexos negativos no esporte até hoje, como o pouco incentivo ao futebol feminino e a falta de patrocinadores”.1 O futebol feminino começa a ser visto de uma forma diferente. Em alguns jogos já se conseguiu alcançar um bom número de telespectadores e de torcedores no estádio. Com a transmissão da Copa do Mundo de Futebol Feminino, criação de times femininos pelos clubes da elite do futebol e a transmissão do Campeonato Brasileiro, novas oportunidades surgiram e as crianças começaram a ter mais referências de jogadoras, até mesmo para ter uma inspiração e seguir o caminho do futebol. Um dos setores que exerce um papel fundamental na construção de mitos esportivos no imaginário social é a mídia. É ela que cria, reforça e destrói heróis esportivos, transmite imagens positivas ou negativas sobre os atletas, suas realizações e eventos. (SOUZA; KNIJNIK, 2007)
A mídia pode ser uma ferramenta fundamental para a modalidade, que ainda caminha para um objetivo, o reconhecimento e junto dele, a valorização. Três grandes passos foram dados, criação de equipes femininas de futebol, exibição da Copa do Mundo e transmissão dos jogos das séries A1 e A2 do Brasileirão Feminino pela TV aberta.
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Conteúdo disponível em: <https://globoesporte.globo.com/outros-esportes/noticia/diziam-quefutebol-nao-e-para-mulher-grandes-nomes-do-esporte-destacam-desigualdade.ghtml>. Acesso em 19/05/2019.
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4. JUSTIFICATIVA A justificativa para construção deste projeto de pesquisa se baseia na falta de estrutura e investimento no futebol feminino. A partir deste ano (2019), começou a valer o novo regulamento, no qual os times do futebol brasileiro que ainda não tinham equipes femininas, precisaram criar para poderem disputar a Copa Libertadores da América, a Copa Sul-Americana e outras competições organizadas pela CBF, Conmebol e Fifa. É lamentável que o futebol feminino tenha que ser um investimento obrigatório ao invés de ser algo natural. Mas por outro lado, é uma grande conquista para todas aquelas que sonham em um dia jogar futebol profissionalmente. Agora as chances serão muito maiores, levando em consideração a necessidade e obrigação de criação de categorias de base. A TV Globo exibiu todas as partidas da Seleção Brasileira feminina na Copa do Mundo da França, que começou dia 7 de junho e que pôde ser acompanhada de perto. Foi um marco na história da Seleção feminina, sendo a primeira vez em que as meninas tiveram seu futebol televisionado para todo o Brasil em um evento tão grande. A Copa fez com que o futebol feminino alavancasse, despertou o interesse das pessoas e gerou visibilidade para a categoria. Talvez seja necessário fazer um comparativo daqui a quatro anos, para ver as diferenças que aconteceram durante este ano de 2019, que mostrou a força do futebol feminino e analisar como o esporte está se estruturando no Brasil e no mundo. O futebol feminino está buscando seu espaço, mas é fato que isso levará um tempo, afinal, quando o futebol foi finalmente permitido para as mulheres, o Brasil já era tricampeão mundial com a equipe masculina. O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino possui 52 equipes no total, porém, o número de jogadoras ainda é baixo e o esporte conta com pouca estrutura e investimento. A modalidade ainda é considerada amadora e não é levada a sério pelos dirigentes, tanto é que não há venda de ingressos para as partidas deste Campeonato. A CBF fechou a transmissão de um jogo por partida pela rede social Twitter e acertou com a Band, emissora de TV que tem historicamente foco no esporte, em
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especial o futebol, os direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro Feminino série A1 e A2. Os jogos começaram a ser transmitidos no dia 19 de maio de 2019 e seguiram na grade da emissora todos domingos até o final do campeonato, que teve a Ferroviária campeã pela A1 e o São Paulo pela A2.
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5. PLANO ESTRATÉGICO 5.1 Descrição do produto: O documentário televisivo “Da proibição à obrigação: relatos de vitórias no futebol feminino” é resultado do projeto de pesquisa sobre o futebol feminino no país do futebol e faz parte dos itens obrigatórios para obtenção do título de bacharel em jornalismo. O nome do documentário foi escolhido por conta da proibição da prática de futebol pelas mulheres em 1940 e da obrigatoriedade que começou a valer no início deste ano de 2019, que determina que os clubes tenham e invistam em uma equipe feminina de futebol. Além disso, o presente documentário traz relatos de jogadoras que conhecem muito bem as dificuldades da categoria, mas que venceram os obstáculos e continuam lutando para o desenvolvimento dela. Para a criação deste projeto utilizei uma câmera DSLR Canon T6i, para captação das entrevistas e inserts, e também um microfone lapela e gravador de áudio para ter um trabalho com boa qualidade de imagem e som. Usei o plano médio nas entrevistas, com intuito de aproximar e fazer o telespectador pensar sobre o assunto que está sendo abordado no documentário, Com 29 minutos, o projeto possui uma linguagem simples e classificação indicativa livre, pois o documentário é voltado para todos os públicos que se interessam pela prática esportiva. A edição deste produto audiovisual foi feita no software Premiere Pro CC 2018. Utilizei trilhas brancas da biblioteca do Youtube para deixar o documentário com o clima ideal. A transição de um assunto para o outro foi feita diretamente porque o conteúdo foi bem desenvolvido e um assunto se encaixa no outro sem a necessidade de lettering ou de off. Pensando em um produto visualmente agradável, comecei com uma introdução em tela escura, que segue para uma animação, feita no software After Effects 2018, para cobrir as falas das jogadoras com as frases entre aspas, que estão com a cor amarela para chamar atenção. Os GCs também foram feitos no After Effects e estão com detalhes em amarelos.
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A arte da capa do DVD e do CD foi feita no Photoshop com uma imagem em preto e branco de jogadoras se abraçando. O objetivo é reforçar a ideia de que as mulheres juntas podem vencer essa luta pelo reconhecimento do futebol feminino. Fiz uso de imagens e vídeos da internet, devidamente creditados, para cobrir alguns momentos do futebol feminino que estão no contexto.
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Figura 1 – Arte Capa do DVD
Figura 2 – Arte CD
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Figura 3 – Insert
Figura 4 – Enquadramento Médio (Jogadora)
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Figura 5 – Animação para cobrir off
Figura 6 – Animação GC
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Figura 7 – Vídeo da internet
Figura 8 – Foto da internet
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6. REFERENCIAL TEÓRICO Como embasamento teórico deste projeto, se fez necessário conhecer o período em que o futebol foi proibido e analisar o contexto histórico da época, no caso, o ano de 1941. Foi preciso verificar como as teorias de comunicação são importantes, uma vez que elas tratam da sociedade e da mídia, duas coisas necessárias para o desenvolvimento dos esportes, entre eles o futebol feminino. Na década de 40, havia um conflito muito grande devido à Segunda Guerra Mundial. Em 1942 o Brasil declarou guerra às potências do eixo e marcou sua entrada na Segunda Guerra Mundial2. Nessa mesma época, o futebol brasileiro ainda estava se consolidando, criando uma identidade. Hoje o Brasil é considerado o país do futebol, embora o esporte tenha sido criado na Inglaterra. Os brasileiros receberam esse privilégio por terem se consagrado campeões de cinco Copas do Mundo. A primeira edição da Copa masculina foi em 1930, mas o Brasil só conquistaria o primeiro título no ano de 1958, na Suécia3. No mesmo período histórico, já havia mulheres jogando futebol, mas não eram aceitas pelas famílias conservadoras da época. O futebol feminino carrega desde o início esse preconceito, vindo muitas vezes das próprias mulheres, que não aceitam e que acreditam que futebol é coisa de homem. Fábio Franzini (2005), mestre e doutor em História Social pela USP comenta sobre a questão do espaço da mulher nesse universo: É notório que o universo do futebol caracteriza-se por ser, desde sua origem, um espaço eminentemente masculino; como esse espaço não é apenas esportivo, mas também sociocultural, os valores nele embutidos e dele derivados estabelecem limites que, embora nem sempre tão claros, devem ser observados para a perfeita manutenção da “ordem”, ou da “lógica”, que se atribui ao jogo e que nele se espera ver confirmada. A entrada das mulheres em campo subverteria tal ordem, e as reações daí decorrentes expressam muito bem as relações de gênero presentes em cada
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Conteúdo disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/historiab/brasil-segunda-guerra.htm>. Acesso em 19/05/2019. 3 Conteúdo disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/educacao-fisica/copa-mundo.htm>. Acesso em 19/05/2019.
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sociedade: quanto mais machista, ou sexista, ela for mais exacerbadas as suas réplicas. (FRANZINI, F., 2005)
A observação de Franzini sobre a sociedade e seu envolvimento com a modalidade esportiva ainda é um tema a ser discutido nos dias de hoje. Embora a ideia de que a mulher não possa ou não deva jogar bola senão vira “Maria João” ou “Maria Macho” tenha diminuído, o preconceito ainda é presente e muitas vezes vem disfarçado em sorrisos seguidos de palavras que ferem e que tem o objetivo de desmoralizar e desanimar as mulheres que jogam. Simone de Beauvoir (1967), considerada uma das maiores teóricas do feminismo aborda em sua obra “O Segundo Sexo” o papel da mulher na sociedade e revela que elas querem a igualdade e que sofrem por não a ter. Ela comenta um caso de uma escola mista da França: Entretanto, se estas querem entrar em competição com eles, baterse com eles, censuram-nas. Elas invejam duplamente as atividades pelas quais os meninos se singularizam: elas sentem um desejo espontâneo de afirmar seu poder sobre o mundo e protestam contra a situação inferior à qual são condenadas. Sofrem, entre outras coisas, a proibição de subir nas árvores, nas escadas, nos telhados. (BEAUVOIR, 1967)
Casos como esse ainda são comuns e revelam a importância do feminismo para expressar a luta pelos direitos e valores das mulheres, que são proibidas ou julgadas por terem ou tomarem atitudes que não são consideradas cabíveis para uma moça, mas que seriam totalmente aceitáveis se fossem tomadas pelo sexo oposto. Hoje, graças às conquistas do feminismo, torna-se dia a dia mais normal encorajá-la a estudar, a praticar esporte; mas perdoam-lhe mais do que ao menino o fato de malograr; tornam-lhe mais difícil o êxito, exigindo dela outro tipo de realização: querem, pelo menos, que ela seja também uma mulher, que não perca sua feminilidade. (BEAUVOIR, 1967)
Beauvoir revela a importância do feminismo nas conquistas adquiridas e corrobora a questão de que a mulher é livre para ser e fazer o que ela quiser.
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A feminilidade exigida pela sociedade que ainda tem costumes do conservadorismo está ultrapassada. A mulher não deixa de ser mulher por não querer ser dona de casa, mãe, estar maquiada, de cabelo comprido ou com vestidos longos. Ser mulher é muito mais do que isso. Reolina Cardoso é psicóloga e reafirma que a questão de gênero e desigualdade do ser homem e ser mulher é relevante uma vez que ser mulher parece significar estar a serviço da sociedade exclusivamente para a reprodução da espécie humana: A partir da constatação de que um recém-nascido é do sexo feminino ou masculino, desencadeia-se toda uma série de expectativas, estereótipos, valores e desejos que determinam a condição de mulher ou homem. É o corpo da mulher a sede da contradição básica de sua condição. A natureza colocou nesse corpo a função biológica de reprodução, que se refere à ação própria do corpo da mulher, enquanto organismo com capacidade reprodutora do ser humano. Tal fato colocaria a mulher numa situação de grande poder, mas uma vez que a referida função está a serviço da humanidade, se apropria desse poder, atribuindo à mulher a posição subordinada. (CARDOSO, 1994)
De acordo com o que diz a autora, pode-se, como vimos, relacionar a proibição do esporte em 1941 ao aspecto biológico de ser mãe. As mulheres já conquistaram muitas coisas juntas e precisam dessa união. A busca pela igualdade de gênero ainda é constante. No futebol, essa diferença entre homem e mulher ainda é enorme, um exemplo disso é o Campeonato Brasileiro. O time masculino do Palmeiras foi campeão em 2018 e recebeu um valor de R$ 30 milhões de premiação, sendo R$ 18 milhões pagos pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e R$ 12 milhões pela Crefisa, patrocinadora do clube.4 Enquanto isso, equipe feminina do Corinthians foi campeã e recebeu R$ 120 mil, um valor simbólico se comparado com o masculino.5
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Conteúdo disponível em: <http://www.espn.com.br/futebol/artigo/_/id/4982441/brasileiropalmeiras-embolsa-r-30-milhoes-18-da-cbf-12-da-crefisa>. Acesso em 20/05/2019. 5 Conteúdo disponível em: <https://esporte.uol.com.br/reportagens-especiais/cbf-e-conmebolobrigam-clubes-a-ter-times-femininos-sera-que-agora-vai/index.htm#sem-comparar-com-omasculino>. Acesso em 20/05/2019.
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O futebol feminino já está inserido na cultura de massa, mas com pouquíssimo destaque, valorização e investimento, ele precisa da mídia para alavancar. A teoria da Agenda Setting segundo Shaw (1979) confirma isso: A mídia é persuasiva em concentrar a atenção do público em eventos, questões e pessoas e na determinação das pessoas importantes para assuntos públicos. A teoria da agenda diz que, por causa dos jornais, televisão e outros meios de comunicação, as pessoas estão cientes ou não, prestar atenção ou negligenciar, reproduzir ou rebaixar características específicas do cena pública. As pessoas tendem a incluir ou excluir de suas cognições o que a mídia inclui ou exclui de seu conteúdo. As pessoas também tendem a atribuir uma importância ao que elas incluem, que se assemelha à ênfase dada a eventos, questões e pessoas pelos meios de comunicação de massa. (SHAW, E. 1979)
A mídia tem o poder de pautar os assuntos das pessoas e se a mídia não fala, a chance de as pessoas verem e conhecerem sobre a modalidade são pequenas. Se houvesse um número maior de veiculação de matérias sobre o futebol feminino, a modalidade teria mais facilidade de se desenvolver já que as meninas teriam uma inspiração por verem na TV mulheres praticando o esporte. Além disso, a cobrança para as atletas, para os clubes e para as federações seriam maiores e poderíamos pensar num cenário diferente na história do futebol feminino brasileiro.
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7. REFERÊNCIAS BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo: Experiência vivida. 2. ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967. 500 p. Tradução de Sérgio Milliet. Disponível em: <http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/autores/Beauvoir,%20Simone%20de/ O%20Segundo%20Sexo%20-%20II.pdf>. Acesso em: 12 maio 2019.
CARDOSO, Reolina S. - É uma mulher. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 1994. P. 12 e 13. DILLON, L.; DOTTLING, M. “Diziam que futebol não é para mulher”: grandes nomes do esporte destacam desigualdade. Globo Esporte, 8 de março de 2019. Disponível
em:
<https://globoesporte.globo.com/outros-esportes/noticia/diziam-
que-futebol-nao-e-para-mulher-grandes-nomes-do-esporte-destacamdesigualdade.ghtml>. Acesso em: 16 de maio de 2019. FRANZINI, Fábio. Futebol é "coisa para macho"?: Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol. Rev. Bras. Hist., São Paulo, v. 25, n. 50, p.
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<https://www.academia.edu/3601693/Mulheres_na_%C3%A1rea_no_pa%C3%AD s_do_futebol_perigo_de_gol>. Acesso em: 12 de maio de 2019. LAURENTIIS, Francisco de. Brasileiro: Palmeiras embolsa R$ 30 milhões: 18 da CBF,
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8. CRONOGRAMA 1º Semestre de 2019 – Projeto de Pesquisa Atividades e Períodos
Fev
Busca de referências Leitura de referências
Mar
Abr
Mai
X
X
X
X
X
Fichamento de referências e
Jun
Jul
X
X
X
X
X
X
X
X
influências Estudo teórico Redação
do
projeto
de
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pesquisa
2º Semestre de 2019 – Relatório de Fundamentação Metodológica Atividades e Períodos
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Contato com fontes
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Captação de entrevistas
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Roteiro Edição Relatório
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Revisão
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Entrega do relatório
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Banca
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9. ORÇAMENTO Item
Valor
Transporte
R$ 185,45
Alimentação
R$ 62,00
Impressão
R$ 82,80
Arte da capa DVD
R$ 70,00
Encadernação
RS 18,00
DVD gravado, impresso, box, capa e lacre
R$ 100,00
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APÊNDICES
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APÊNDICE I A- TRANSCRIÇÕES DAS ENTREVISTAS Entrevista: Ary Borges Data: 30/08/2019
TC IN
TRANSCRIÇÃO
00:00:14
Primeiro eu sou de São Luís, do Maranhão. Eu 00:04:10 comecei a jogar bem nova, acho que com cinco ou seis anos, mas na brincadeira, eu sou bem sincera, eu não sonhava em ser jogadora de futebol. Eu tinha muita influência do meu tio. Atrás da casa da minha avó, eu fui criada por ela, meus pais vieram para São Paulo para trabalhar, para cá para o sul. E atrás da casa da minha avó tinha um campo de futebol e por influência dos meus primos, de você estar perto, óbvio que sua principal brincadeira vai ser algo que você tem mais proximidade e aí todo dia que eu chegava da escola meus primos me chamavam e eu ia jogar bola. Nada demais, não sonhava com isso, nem conhecia muito o futebol feminino. E aí jogava todo dia, tudo mais. E aí eu com dez anos eu vim para São Paulo para morar com meus pais. E aí o meu tio falou para o meu pai “a Ary joga futebol, se você quiser, sei lá, levar ela em algum lugar porque aí é mais fácil do que aqui, acho que é uma boa chance”. No começo o meu pai não levou nem um pouco a sério, ele é bem sincero falando isso, ele meio que deixou de lado. Um dia a tarde eu fui para uma quadra que tinha perto de casa jogar futebol. Ele passou na quadra voltando do trabalho. Eu na verdade nem vi ele. Pouco tempo eu volto para casa, ele está lá em casa e ele fala “ah, eu passei lá na quadra e eu te vi jogando. Vou te levar
TC OUT
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numa escolinha dos meninos da vila que tinha ali perto de casa”. Eu falei “sério, que legal, não sei o que”. Ele falou “não, vou te levar lá”. Eu fui para essa escolinha. Eu cheguei lá para treinar com as meninas, só que só tinham três meninas para treinar e era muito complicado. Nunca ia conseguir fazer um exercício maior, um coletivo ou algo parecido com isso. Meu pai meio louco da cabeça falou assim “treina com os meninos então” e eu falei “ah, então está bom, se você concordar”. Ele foi e conversou com o pessoal da escolinha e eles concordaram e eu comecei a treinar com os meninos. Eu passei acho que um ano treinando lá nessa escolinha até que meu pai trabalhava ali perto da vila mariana e ele sempre passava ali. Um dia ele chegou para mim e falou assim “ah, eu vejo umas meninas que passam com a camisa roxa escrito futebol atrás. Só que eu acho que lá é mais sério, então sei lá, se você quiser eu te levo lá, mas já te aviso, o negócio lá parece que é sério”. No começo eu fiquei meio sei lá, não sabia se eu queria isso realmente, como eu falei não era algo que eu sonhava para mim. Até que um dia eu falei “ah pai, me leva lá, vamos ver o que tem por lá”. Um dia ele me levou. Fui fazer minha peneira no Centro Olímpico. Acho que tinha cerca de noventa, oitenta e poucas meninas e para você passar lá, passam tantas, e passaram cinco para treinar com o time e dessas cinco só ficou eu, só que na época que cheguei o Centro Olímpico não tinha esse tanto de categoria de base que tem hoje. Eu entrei com onze anos no sub-15, numa geração 95/96 e eu era 99. Tinha uma diferençazinha ali de uns quatro, cinco anos mais ou menos. Eu bem magricela assim mesmo, fui para o
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Centro Olímpico. No ano seguinte eles criaram o sub13. Eu passei por todas categorias de base, sub-13, sub-15, sub-17. No meu último ano de sub-17, o Lucas era meu treinador no 17 e auxiliar do Jonas no profissional. Em março do meu último ano de 17 eles me
subiram
para
o
profissional.
Passei
pelo
profissional do Centro Olímpico e depois o Jonas que era o treinador foi para o Sport no ano seguinte e aí ele me convidou para ir para o Sport. Eu fiquei no Sport em dois mil e dezessete, dois mil e dezoito e agora eu estou aqui no São Paulo.
00:00:11
Acho que primeiro a quantidade de times que tem pelo 00:01:09
Segundo
fato da obrigatoriedade e tudo mais. Acho que a
vídeo
visibilidade na modalidade também aumentou demais. Desde quando eu entrei no Centro Olímpico. Hoje eu vejo as meninas desde o sub-11. Elas hoje vão para Disney jogar campeonato. Hoje as meninas, toda hora elas aparecem na TV. Já vi as meninas indo no programa da Fátima Bernardes. Então acho que assim, a visibilidade para modalidade aumentou. Ainda não é o que a gente sonha, o necessário, eu acho talvez, mas aumentou. A quantidade de meninas jogando futebol também cresceu demais. Acho que o investimento
na modalidade
querendo ou
não
aumentou. Como eu falei, ainda não é o que a gente espera e o que a modalidade realmente necessita, mas foi algo que cresceu demais nesses últimos anos e o tanto de pessoas que têm abraçado a modalidade também, hoje é bem bacana.
00:01:40
Eu não gosto muito de ficar comparando o futebol 00:03:35 feminino com o masculino porque são esportes
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diferentes. É o futebol, mas são pessoas diferentes, são investimentos diferentes. Então eu sou uma pessoa que não gosta de ficar comparando. Mas sempre que alguém me faz essa pergunta, eu gosto de falar porque eu acho que a Copa e o que eu falei anterior, a obrigatoriedade dos clubes, acho que foram duas coisas que fizeram com que a modalidade alavancasse do jeito que está hoje, principalmente esse ano. Acho que o fato de obrigar os clubes, querendo ou não, tem outro peso você assistir um jogo, por exemplo, na TV, sei lá. O Centro Olímpico talvez é um grande time dentro da modalidade, mas não tem tanto nome. Uma coisa é você chegar, você ligar sua TV lá na Band e está passando São Paulo e Palmeiras ou um Santos e Corinthians. Cria-se uma visão muito maior pelo fato de ser um time de camisa. Acho que essa obrigatoriedade e a Copa. Acho que a Copa mostrou que tem gente que gosta do futebol feminino, que o futebol feminino é um produto que pode ser vendido, tem pessoas que vão comprar produtos do futebol feminino. Então acho que essas duas coisas fizeram com que hoje a modalidade, talvez esteja num topo que nunca chegou. Eu acredito que sim. Eu torço para que não seja apenas um êxtase pós-Copa, recente e torço para que assim, que isso continue acontecendo. Acho que a chegada da Pia também hoje trouxe uma visibilidade maior para nossa Seleção e eu torço muito para que as pessoas continuem vendo o futebol feminino como algo bacana, que continue passando na TV, que o investimento aumente para que aí as pessoas começam a ver a modalidade como um produto cada vez mais consumível.
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00:04:36
Eu fiquei muito chateada, é óbvio, mas eu acho que é 00:06:21 complicado porque às vezes falta um pouquinho de o pessoal mostrar que ia ter jogo. Primeiro do nosso clube. Hoje eles, assim, o São Paulo hoje mostra toda vez que a gente tem jogo, avisa e tudo mais. Mas lá no comecinho, porque ainda estava no comecinho, eles demoravam um pouquinho ainda para passar nossos jogos, que dia ia ser. Então querendo ou não o torcedor não sabia que a gente não tinha jogo e é difícil você cobrar eles também e foi algo que me irritou, infelizmente. Mas assim, foi bem bacana porque a gente fala “pô Ary, depois que você fez aquele gol, todo mundo falou, todo mundo sabia quem era o time feminino do São Paulo”. O torcedor zoa porque o torcedor se vingou com seu gol, os gols de cobertura que o masculino tomou. Então foi algo bem bacana porque aquilo trouxe uma visibilidade muito grande para o nosso time, principalmente, não só para Ary, mas para o nosso time, para modalidade também que em todos os lugares você via “olha o golaço que saiu no futebol feminino”, não era tipo “foi no jogo do São Paulo”. Era “no futebol feminino”. Eu achei isso super bacana. Acho que o clube mesmo aprendeu isso. O próprio São Paulo, o pessoal do marketing aprendeu que dava para olhar um pouquinho melhor para gente. Hoje dos clubes que fazem acho que é um dos melhores nessa questão de anunciar os jogos, de aproximar o torcedor para com a gente. Acho que nisso o clube evoluiu e foi super bacana o fato do gol for num clássico, gol bonitinho.
00:06:44
Acho que em dois mil e treze, se eu não me engano, 00:08:28 era a primeira convocação da história da Seleção feminina sub-15. Eu fui convocada, estava super feliz.
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Primeiro porque era um marco para modalidade. Primeira
convocação
da
história da
categoria.
Infelizmente a gente viajava na segunda e numa quinta-feira num treino antes no Centro Olímpico acabei quebrando o braço. Foi um momento bem triste para mim porque eu era bem mais nova. Acho que hoje se isso acontecesse acho que eu daria um pouquinho mais de tranquilidade para tratar sobre isso, mas foi um momento em que eu falei para os meus pais que não queria mais jogar futebol, que acho que ali já estava mostrando que as coisas não iam dar certo e foi um momento que me baqueou bastante, mas foi triste ver minhas amigas principalmente indo para convocação porque tinham sido várias meninas lá do Centro Olímpico convocadas e depois elas pegando o Sul-Americano, Mundial. E aí eu falava “pô, eu poderia estar ali”. Infelizmente eu quebrei o braço, mas naquele momento eu me apeguei a minha família. O pessoal também da comissão do Centro Olímpico foi super bacana comigo, me abraçou, me mostrou que as coisas não estavam tudo errado, que eu tinha um futuro. Em seguida depois eu voltei para Seleção. Foi um momento em que a Ary realmente duvidou do que ela poderia fazer e de que o sonho acho que não era aquilo para ela. Mas graças a Deus eu me levantei e continuei minha carreira. Mas foi um momento bem complicado para mim.
00:08:34
O ápice. Acho que... Vou citar dois, ou três, vai. Acho 00:10:13 que foi o título do Sul-Americano. Passei um ano bem complicado no esporte. Foi a primeira convocação para a Seleção. Perdi acho que todo o processo dela de preparação do Sul-Americano do ano passado e aí
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numa última convocação elas iam passar cinco dias apenas na Granja, do dia dezoito ao dia vinte e três de dezembro e no dia dois saiu a convocação para o SulAmericano e aí o treinador na época era o Doriva. Mandou uma mensagem para o Jonas “ah, estou pensando em convocar a Ary. Ver o que ela pode me mostrar”. Aí eu lembro que falei para ele “pô, eu tenho cinco dias, mas eu vou para o Sul-Americano”. Não sabia como, mas eu falava “eu quero muito ir para o Sul-Americano”. Acho que em cinco dias eu... Acho que a Ary focou realmente no que ela queria e acabei indo para o Sul-Americano. Foi muito feliz assim, ver que eu fui convocada. Acho que no dia dois de janeiro eu fiquei sabendo. Depois do título foi assim, sensacional ser campeã pela sua Seleção. Acho que esse foi o primeiro momento. O segundo foi ter sido convocada para uma Copa do Mundo, que acho que também é o que todo atleta sonha. Acho que talvez é o auge. Infelizmente a gente não fez uma boa campanha, mas foi um momento bem especial para mim. Acho que o terceiro foi meu primeiro título aqui pelo São Paulo. É meu time do coração e foi mais especial ainda por vestir uma camisa mística do clube e por ter levantado a taça. Acho que esse momento também foi bem bacana para mim.
00:10:18
Olha, para ser bem sincera, tem momento que eu não 00:11:13 acredito ainda que eu vivo isso. Eu brinco que eu sou uma capitã de aluguel porque a capitã realmente do time é a Roberta, só que infelizmente ela rompeu o tendão no começo do ano. Depois era a Gi e a Gi acabou quebrando o pé e é bem complicado essa faixa. Por quem passa está deixando aí uma série de
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lesão, mas eu falo que elas são as capitãs do time. Eu sou uma capitãzinha de aluguel. Eu vivo um momento muito feliz na minha carreira. Primeiro, como eu falei, por vestir a camisa dez do São Paulo já é um peso enorme. Às vezes eu paro e falo “não pira com o que está acontecendo porque senão você enlouquece” por ser camisa dez, por ser capitã. Mas acho que é um momento muito especial para mim, que eu vivo na minha carreira e eu tento levar com a maior tranquilidade do mundo porque como eu falei, senão eu fico louca da cabeça com tanta responsabilidade.
00:11:21
Quem é a Ary? Ary é uma menina de dezenove anos 00:11:47 que adora brincar, vive a vida, graças a Deus, com toda alegria do mundo e que curte todo momento que ela vive na vida dela. Acho que é isso. Ary é uma menina feliz, com tudo o que passa na vida.
00:11:58
Eu diria que você vai começar agora, você vai 00:12:51 enfrentar
um
monte
de
coisa,
vai
enfrentar
preconceito, dificuldade porque não é fácil começar no futebol feminino, ainda mais você sendo bem nova. É difícil achar clube. Mas se você acredita que você tem capacidade para isso, se você acredita que esse é realmente o seu sonho, corre atrás e se apega nas pessoas que te apoiam, que estão ali do seu lado, que vivem o seu sonho junto comigo. Acho que foi isso que fez a Ary estar aqui hoje. Foi me apegar na minha família que sempre me deu apoio, nas pessoas que sempre estiveram do meu lado. Então acho que é isso, acredita no seu sonho, luta contra o que tiver na sua frente de barreira e vai com Deus, que se Deus quiser vai tudo dar certo.
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Entrevista: Angélica Souza Data: 11/09/2019
TC IN
TRANSCRIÇÃO
TC OUT
00:00:20
O Dibradoras nasceu em dois mil e quinze. Fomos 00:01:00 quatro pessoas que já eram ligadas com o futebol, então, que ou já jogavam ou eram torcedoras e que resolveram fazer um blog, a princípio, para falar de futebol. A princípio era de futebol masculino, era uma visão mais torcedora do futebol. Então como a gente sabia que tinham poucas mulheres que falavam sobre o futebol masculino, opinavam sobre o futebol masculino, apesar de ter bastante repórter não tinham mulheres que opinavam sobre o futebol, a gente resolveu criar um blog para falar sobre nossos times, sobre
os
jogos
do
campeonato
brasileiro,
os
campeonatos que estavam rolando por aqui.
00:01:20
A gente começou a trilhar esse caminho de mulher no 00:04:46 esporte, de esportes femininos, depois que a gente tinha já feito o Dibradoras porque a gente percebeu que assim como não tinham mulheres comentando futebol, parecia que a mulher não praticava esportes porque a gente entrava em qualquer portal esportivo e não tinha nada ali do papel da mulher no esporte. Não tinha uma nota ou qualquer cobertura sobre o campeonato de futebol feminino ou campeonato de vôlei, ou mesmo um Grand Slam feminino. Tinha, mas era muito pequeno e se você entra em qualquer portal hoje você vai ver que parece que o futebol feminino não existe. Então a gente resolveu, sim, continuar falando de futebol masculino, a gente ainda fala, mas priorizar aqueles conteúdos que as pessoas querem consumir, mas não podem porque
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ninguém divulga. E aí a gente percebeu que isso fazia parte de um ciclo vicioso que é: a mulher não se sente inserida no esporte porque ela não é representada, porque ela não vê, ela não assiste, ela não lê sobre uma mulher no esporte. Ela acha que aquilo não é para ela, aquilo não existe. E a partir disso, a gente começou uma cobertura muito focada em esportes femininos. Então a gente começou em dois mil e quinze. Só a gente fazia a Copa do Mundo feminina. Então a gente fez um podcast. A Renata estava no Canadá e a gente fez um podcast com ela no Canadá falando da Copa do Mundo feminina e também no Pan-Americano, mas começou na Copa do Mundo feminina. Se for perceber a diferença da cobertura da Copa do Mundo feminina de dois mil e quinze para dois mil e dezenove, é absurda. Então a gente já estava lá e aí desde então a gente começou. Então a gente fez as Olimpíadas do Rio, sempre pelo viés da mulher. A gente fez uma campanha que era ‘mais que musas’, que era para as mulheres não serem tratadas como musas. Então não existe a “musa da natação” ou “a musa da ginástica”. Existem atletas ali. Aí dois mil e dezessete também. A gente continuou, começou a fazer mais conteúdo de vídeo. Aí em dois mil e dezoito a gente mudou o nosso site. O nosso blog foi para dentro do Uol. A gente começou a ter mais visibilidade e também, as coisas que a gente estava fazendo começaram a aparecer mais pelo tamanho do Uol e pela visibilidade. A gente cobriu a Copa do Mundo masculina, que foi bem legal também, e esse ano a gente cobriu a Copa do Mundo feminina. Eu acho que as principais dificuldades são que ainda há muita resistência da mulher no esporte, em todas as áreas, então por mais que seja um esporte feminino, por
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exemplo, na Copa do Mundo a gente viu uma comissão técnica do Vadão quase que inteira masculina. Na Seleção de vôlei feminina se for ver, o banco todo da comissão técnica é masculina, são homens. Não que eles não mereçam estar ali, eles são muitos bons, mas a gente tem que saber, se não tem nenhuma mulher apta, o que eu acho difícil, a gente tem que formar mulheres para estarem ali. Nós temos mulheres boas para narrar, mulheres boas para comentar o esporte, como a Ana Thaís precisou de cinquenta anos para comentar um jogo na TV Globo. Como aconteceu no SporTV na Copa do Mundo feminina. Então eu acho que é uma resistência ainda porque os homens se sentem um pouco ameaçados de a gente querer roubar o lugar deles, mas a gente não quer roubar o lugar deles. A gente só quer metade homem, metade mulher. A gente quer só a nossa metade.
00:05:17
Com certeza. Acho assim, é um caminho que começou 00:06:46 e acho que esse ano da Copa de dois mil e dezenove foi muito marcante porque foi a primeira vez que a Copa foi transmitida em TV aberta, os jogos do Brasil. Então você imagina que há quatro anos, que era dois mil e quinze, tecnicamente a gente já estava num ano muito evoluído e uma Copa do Mundo não era transmitida para o país do futebol. E tantas outras Copas. Em dois mil e sete a gente foi vice-campeão e também não passou. Então eu acho que desde dois mil e quinze, nesse curto espaço de tempo, que são quatro anos, muita coisa mudou. A gente já teve programa para encontrarem narradoras, a gente já teve espaço para narradoras em algumas transmissões. Mulheres na reportagem a gente sempre teve, só que agora as
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mulheres além de fazer reportagem, elas também opinam, como a Nádia Mauad, como a Ana Thaís Matos, como tantas outras que fizeram uma cobertura de Copa do Mundo. Ana Thaís até na Copa de dois mil e dezoito, na Rússia, ela também estava fazendo aqueles programas pós-jogo que faz os comentários, análises táticas, análises do jogo, o que é muito importante. Então, colocar a mulher, não só como uma coadjuvante, como ela era antigamente no Bem Amigos, que só lia e-mail do amigo internauta, mas sim com uma posição que dá opinião, que consegue analisar e que também tenha o seu ponto de vista valorizado.
00:07:23
Eu acho que é possível, assim, a gente conseguir. 00:08:35 Querendo ou não a competição nacional agora tem duas divisões. Os clubes grandes se não fizeram por boa vontade tiveram que fazer por obrigação, mas paciência, a Conmebol também fez isso. É importante a gente ter um campeonato forte, então a gente tem um campeonato com duas divisões, com os principais clubes e se fizer direito, se colocar jogos bons, se evoluir taticamente e tecnicamente e der oportunidade para as pessoas assistirem, não adianta colocar um jogo quarta feira as três da tarde que realmente fica difícil de as pessoas irem assistir. Mas se a gente fomentar, alimentar que as pessoas saibam que vai ter jogo, que vai ser, por exemplo, no Pacaembu, que vai ser que seja na fazendinha, e que elas possam ir num domingo à tarde, num sábado à tarde ou numa quartafeira à noite, qualquer dia da semana a noite que seja viável para uma pessoa que trabalha, uma pessoa normal, eu acho que a gente pode pensar em evolução
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sim. Com a técnica da Seleção nova também, a CBF se mostra disposta a mudar o patamar da Seleção Brasileira e a pensar grande no futebol feminino do Brasil.
00:09:04
Eu acho que assim, os clubes, a Federação as vezes 00:10:37 eles jogam um para outro, que é responsável pelo horário, pelo lugar do jogo. Mas eles têm que ter um consenso de que o principal público deles tem que ser o torcedor, que sem torcedor não tem futebol. Esses times já tem um torcedor de futebol masculino, mas eles não conseguiram ainda formar o torcedor de futebol feminino. Então eles têm que primeiro comunicar, falar “ó, esse time vai jogar não sei aonde, tal horário. Venha assistir. O ingresso é tanto”. Um jogo onze horas da manhã num dia de semana é inviável para o torcedor, qualquer brasileiro médio. Um jogo São Paulo e Palmeiras às duas da tarde em Vinhedo num domingo tendo Palmeiras e São Paulo no Allianz Parque nesse mesmo domingo é inviável para o torcedor. Primeiro que já inviável ir para Vinhedo para um torcedor do Palmeiras. Segundo, tendo um jogo aqui em São Paulo não faz sentido. Tem que priorizar e pensar no torcedor. Pensar como conquistar esse torcedor, nem que seja pensar nele como consumidor, que de fato ele é, mas conseguir com que “gente, vamos pensar que, fomos obrigados? Fomos! Mas vamos tentar fazer uma coisa legal. Vamos tentar fazer nossa obrigação, que ela faça valer, que vá ter retorno. Se a gente tiver um time forte, se chamar nossa torcida, todo mundo vai ganhar mais dinheiro, todo mundo vai ganhar mais visibilidade, todo mundo vai ganhar mais torcedor ainda”.
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00:11:18
Eu acho que a mídia tem um papel importante. Eu sou 00:13:26 publicitária, na real, mas sou comunicadora. Todos nós como comunicadores temos uma responsabilidade muito grande, que é de responsabilidade social também, de a gente entender o que está acontecendo no mundo e fazer nossa parte para melhorar. Um dos grandes problemas no mundo é desigualdade de gênero. Então faz parte o futebol feminino, ele não ser evoluído, ele não ter espaço faz parte da desigualdade de gênero, que é desde que o mundo é mundo e o patriarcado está aí. Então, eu não acho que a mídia está fazendo um papel só pensando nisso, especificamente nisso. Ela tem todo o papel comercial dela. A Band comprou a transmissão, ela vende cotas, em finais de campeonato tem as placas de campo, tem quem compra, como teve nesse torneio, último da Seleção Brasileira aqui. Então ela tem a parte comercial dela, mas também é uma parte de todos da comunicação social, de todos que falam com alguém e tem o poder da comunicação e tem a voz que é mexer com estruturas e melhorar a realidade seja lá de onde for. Eu acho que, a Band por exemplo, comprando os direitos, acho que a Band durante muito tempo ela transmitiu o campeonato brasileiro em parceria com a Globo. A Globo cedia alguns jogos para ela e ela sempre foi uma emissora muito ligada ao esporte e ao futebol. Domingo o dia inteiro fica passando futebol e ela não tinha nada para transmitir. Ela foi lá, comprou o Campeonato Brasileiro. Está dando excelentes resultados para ela. Querendo ou não ela passa exclusivamente ali o campeonato. Então ela gera até uma identificação das pessoas que gostam do futebol feminino, querem consumir o futebol feminino para o canal dela. A Band
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já tinha feito isso há muito tempo atrás com Luciano do Valle, então eu acho bem legal. Acho que é o papel da mídia de responsabilidade mesmo, de a gente conseguir falar e através da nossa voz equilibrar um pouco mais o mundo.
Entrevista: Rosana Augusto Data: 26/09/2019
TC IN
TRANSCRIÇÃO
00:00:15
Vou tentar resumir de forma breve. Eu sempre falo que 00:02:57 não fui eu quem escolheu o futebol. O futebol que me escolheu. Comecei na rua com os meninos, tinha mais ou menos uns seis anos de idade e aí todo mundo já via que eu tinha um certo talento, eu também sentia isso. Eu dominava a bola e não ela que me dominava e no meio dos meninos eu ainda assim me destacava. Mas tive alguns empecilhos, inclusive meu pai era um cara super preconceituoso logo no começo, não aceitou muito bem. Então, tive uma certa dificuldade nessa trajetória, mas em contrapartida minha mãe e meu irmão principalmente, sempre me apoiaram, me levaram para os clubes. Na escola eu comecei com doze anos, mais ou menos. Foi o primeiro time o colégio fez. Comecei a disputar a associação. Disputei a associação. O Spy, que é um time de Itanhaém, futsal, me viu, me chamou para disputar a Federação. Disputei contra o São Paulo. Me destaquei. O São Paulo me convidou para que eu fizesse um teste no campo. Fui nesse teste. Num primeiro momento me colocaram de
TC OUT
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meia, eu falei “nossa, descobri minha posição, é essa aí”. Fui muito bem, a treinadora “ah, você é meia”. Num segundo momento me colocaram de atacante, fui bem, “ah, você é atacante” e eu estava iludida que eu jogaria do meio para frente e aí faltou lateral esquerdo, e aí onde de fato eu comecei, na lateral esquerda do São Paulo Futebol Clube e assim prossegui fazendo uma carreira dentro do São Paulo mesmo, aí já era como ala porque se jogava no três, cinco, dois. Então era mais uma jogadora de meio campo, muito ofensiva. Passei por vários outros clubes aqui no Brasil, como Palmeiras, Corinthians, Internacional de Porto Alegre. Agora terminei minha carreira no próprio Santos. Aí países de fora. Joguei na Áustria, no Neulengbach. Joguei na França, no Lyon e PSG. Joguei nos Estados Unidos, no Sky Blue FC e no NC Courage. Na Noruega eu joguei no Avaldsnes. Foram esses times que eu joguei fora do país. De forma bem resumida, essa foi minha trajetória no futebol. Por enquanto...
00:03:09
Na Seleção Brasileira, minha primeira convocação foi 00:04:36 no ano de dois mil, em março de dois mil mais especificamente. Fui disputar a Copa Ouro nos Estados Unidos,
eu
tinha
dezessete
anos
e
aí
como
consequência do que eu fiz, fui para olimpíada de dois mil. Foi a primeira grande competição que eu disputei com a Seleção. Disputei mais três Olimpíadas, então no total quatro Olimpíadas. Sendo a primeira em dois mil, em Sidney. Dois mil e quatro em Atenas, conquistando a medalha de prata pela primeira vez na história do futebol brasileiro, da Seleção Brasileira. Dois mil e oito em Pequim, também conquistando a medalha de prata e dois mil e doze. Também disputei quatro Mundiais,
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dois mil e três, dois mil e sete, onde fomos vicecampeãs, dois mil e onze e dois mil e quinze. Então, de forma bem breve essa é minha carreira, minha trajetória na Seleção. Ah, também disputei três Sul-Americanos, três Pan-Americanos, inclusive o do Brasil foi um marco porque tinha setenta mil pessoas no Maracanã. Minha família pôde assistir. Contribui bastante com a Seleção Brasileira, então foi um momento realmente único.
00:04:47
Na verdade, em noventa e seis eu assisti alguns jogos 00:08:09 da Seleção Brasileira na Olimpíada em Atlanta e aí fui onde eu entendi que sim, existia futebol feminino e aí eu coloquei uma meta, eu tinha doze anos, coloquei uma meta na minha cabeça que eu ia para seleção. Achava que ia de goleira porque eu jogava gol a gol com meu primo, achava que eu era boa, mas não era nada disso, era ruim para caramba no gol. Mas eu coloquei na minha cabeça que um dia eu ia estar ali e aí quatro anos depois eu estava representando meu país numa Olimpíada. Não foi nada fácil, antigamente teve até uma proibição no futebol feminino. Então assim, eu peguei essa primeira geração, nem foi a primeira geração, na verdade foi a segunda geração, até antes das pioneiras, e era sempre muito difícil, um tratamento ainda um pouco, como é que eu posso dizer, vago. As meninas ainda sem apoio, sem visibilidade. Até um momento em que deu um pico muito grande, onde teve o Paulistana, aí foi um momento de ascensão no futebol feminino, onde as pessoas começaram a conhecer um pouco mais. Eu sinceramente achei que não ia regredir, mas regredimos. Teve até um momento onde as meninas que tinham cabelo curto foram proibidas de jogar o Paulista. Foi uma regressão muito grande. É um fator
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que não deveria, não poderia, contou como eu falei das meninas que tinham cabelo curto. Então ao invés de ter um desenvolvimento, uma ascensão, teve uma regressão.
Depois disso, ficou alguns anos aí,
estagnado e aí começou, acho que por volta de dois e onze, e doze. Obvio, teve o pico da Olimpíada também em dois mil e quatro e dois mil e sete no Pan. Quando eu achei que “agora vai”, não foi. A gente viveu de promessas, mas não de atitudes. Acho que o pico maior começou a se dar depois, digamos assim, de dois mil e onze. Começou a crescer de forma muito lenta, porém gradativa. Coisa que não acontecia antes. Estagnava e regredia. Começou numa crescente. Acho que agora, depois da Copa do Mundo principalmente, onde a FIFA tem posse de dados, onde se criou uma obrigação justamente por isso, da FIFA entender que o momento do futebol feminino é grandioso e se tem que aproveitar isso. Então eu acho que agora sim estamos caminhando a passos largos, ainda não é o ideal, mas já tivemos uma evolução muito grande quando eu olho para trás e vejo a construção que teve no futebol feminino, essa progressão.
00:08:21
Eu acho que sim. Eu acho que foi um marco mesmo 00:09:48 essa Copa do Mundo, como eu falei anteriormente, a FIFA tem posse dados e entendeu que a valorização do futebol feminino, ela é necessária porque todo mundo vai ganhar com isso. Ninguém faz nada de graça. Então sim, foi um marco depois da Copa do Mundo com essa visibilidade, mas ainda precisamos nos atentarmos a outras coisas que são muito importantes. Que é o fomento da categoria nas escolas, muita gente fala que não existe preconceito, eu acredito ainda que exista, ele
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tem diminuído e vai acontecer de forma gradativa até pelo empoderamento da mulher em todas as áreas e acho que o futebol é uma ferramenta muito importante também para contribuir com isso. Mas é necessário que as meninas possam jogar desde pequenas, que elas ganhem uma bola de futebol quando começar a caminhar, assim como os meninos. E aí na escola tenha a oportunidade de jogar, que se criem fundamentadas categorias
de
base,
mas
com
uma
estrutura
interessante, de forma gradativa mesmo. A gente ainda não tem tanta mão de obra, então é necessário que se faça passo a passo, mas que não se deixe de fazer.
00:09:59
Eu tenho certeza que o futebol feminino tem uma certa 00:11:15 desigualdade com o masculino porque isso é patriarcal e nós especialmente no Brasil. O Brasil é um país patriarcal ainda. Como eu falei, de forma gradativa a gente vai conquistando as coisas, mas isso é muito claro. O fato de ter tido uma proibição de quase quarenta anos nos deixou muito atrasada e defasada em relação ao futebol masculino. Isso é uma consequência bruta do que ocasionou o futebol feminino, o porquê o futebol ainda precisar provar algumas coisas, ainda precisar de alguns números para que
as
pessoas
acreditem.
Sem
dúvida
essa
paralisação de quase quarenta anos foi fundamental para que a gente não conseguisse devolver da forma que poderia e merecia, mas como eu falei, acho que agora as pessoas entenderam mais o que é o futebol feminino, está tento uma aceitação melhor e acho que a gente não dá mais passo atrás.
49
00:11:33
Eu acho que é possível e é necessário melhorar o 00:13:05 calendário, mas do que se tinha antes, hoje já está muito
melhor.
As
coisas
não
vão
acontecer
rapidamente, isso é de forma gradativa. Acho que a gente tem que pensar também no que vem se fazendo de bom. Antes a gente não tinha nada, hoje a gente já tem um calendário de base. Acho que poderia ser melhor, não colocar as finais, por exemplo de Paulista e Brasileiro e a própria Libertadores juntos, como vai acontecer esse ano. Até para ter um futebol mais empolgante, para as meninas performarem melhor, não ter o cansaço, que é uma limitação. Mas em contrapartida, não posso falar só coisa ruim. É importante ter um calendário cheio. Eu acho que as datas poderiam ser mais espaçadas para que se tivesse competição o ano inteiro e não ficasse três, quatro meses sem atividade, no sentido de jogo mesmo. Mas eu acho que já teve uma melhora muito grande. Precisa rever algumas coisas, se criar o calendário com antecedência, e a Confederação e as Federações se comunicarem. Obviamente no Nordeste, não só no feminino, mas no caso do masculino também é mais difícil. Então a gente precisa rever de que forma vai ficar melhor para todo mundo, tanto clubes, Federações, Confederações e principalmente atletas.
00:13:34
Eu acho que na verdade, uma série de fatores que 00:14:25 estão interligados. Desde patrocínio, TV, aí se correlacionam
com
a
torcida
e
divulgação
principalmente. Então, esses fatores precisam estarem todos
interligados
para
que
a
coisa
funcione.
Independente do estádio, sempre vai ter gente na cidade. Agora, é necessário que se tenha uma
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divulgação, uma comunicação melhor. Obviamente a TV pode ajudar muito nisso e consequentemente patrocinadores, torcedores. Como eu falei, é um ciclo que eles se interdependem. Não tem como fazer uma coisa só e achar que vai dar certo. Precisam estar, todos esses itens que eu citei, conectados.
00:14:31
Sem dúvida alguma. Eu acho que a mídia talvez seja
00:15:35
uma das principais armas para que o futebol feminino evolua. Você divulgando, você demonstrando, a exigência até para as atletas, ela vai se tornar maior, para as comissões ela vai se tornar maior. Então, todo mundo quando é visto precisa fazer o melhor. Então todo esse desenvolvimento também passa pela imprensa e eu costumo falar, a imprensa pode te colocar no céu ou no inferno em um dia. Então é importante que a imprensa também saiba valorizar quem de fato tem feito pelo futebol feminino e que mostre isso, divulgue mais isso e claro, como eu citei anteriormente, ninguém faz nada de graça, mas agora com essa ascensão do futebol feminino, esse consumo que está tendo pelo futebol feminino, a mídia mais do que ninguém vai se dar bem.
00:15:52
Como eu falei, eu acho que não foge muito disso. A 00:16:49 primeira
coisa
é
fomentar
o
futebol
feminino,
principalmente nas idades inicias, eu diria quatro, cinco anos. Deixar mesmo a menina jogar, ter projetos que tenham lugares seguros para as meninas jogarem. Na escola principalmente. Engajamento de Prefeituras, de instituições governamentais e aí até chegar nos clubes. Então assim, é uma série de fatores que vai contribuir para o desenvolvimento do futebol feminino. E aí chega
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na última parte que a gente já comentou, de calendário, de comunicação, mas tudo isso vai começar com certeza com o fomento da categoria para que as meninas possam de fato jogar.
00:17:04
Pergunta difícil hein, mas vou tentar resumir em poucas 00:18:05 palavras. Acho que a Rosana Augusto é uma sonhadora, até porque eu penso que o sonho é o oxigênio do ser humano, tudo começa por um sonho. Então eu sempre sonhei, dentro disso tracei minhas metas, fui atrás, abdiquei de muitas coisas. Então eu definiria a Rosana Augusto como uma sonhadora, mas que concretiza esses sonhos de acordo com as possibilidades e uma pessoa muito tranquila que gosta de ajudar muito, disponível para todos os momentos. Acho que dentro de campo eu assumo um papel importante de liderança. Me cobro demais. E eu acho que uma pessoa agregadora.
00:18:14
A mesma coisa que eu fiz. Sonhar, traçar metas, não 00:00:14 desistir no primeiro empecilho que tiver. E uma coisa Segundo muito importante, não deixe que alguém imponha limite, vídeo só você pode impor o próprio limite e aí quando a gente sonha e a gente traça metas, a gente não tem limite.
00:00:49
Eu tive vários desafios na minha carreira. Auto 00:03:07 rendimento é muito difícil. As pessoas, não sei se elas falam sério ou se elas brincam falando “ah, você faz o que você gosta”. Mas nem sempre é fácil. Na verdade, a gente abdica de muitas coisas. Primeiro desafio é o treinamento. É um treinamento diferente, é forte. Tem treinamento que você tem vontade de sair vomitando,
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enxerga tudo preto. Você se desafia o tempo inteiro. Tem a pressão própria, tem a pressão do treinador, tem a pressão da diretoria, da companheira, do presidente, da instituição, dos torcedores. Então assim, é muita pressão. E aí o tempo todo a gente está se desafiando. Tem as outras coisas também. Abdicar de ficar perto da família. Enquanto todo mundo passeia, você treina. Enquanto todo mundo tem feriado, você joga, você é parte do espetáculo. Então assim, é uma vida muito difícil e desafiante. Os desafios, eles são diários na carreira de atleta. É claro que, eu principalmente, tive momentos muito difíceis não só dentro do futebol, mas fora do futebol, quando eu perdi meu pai, perdi meu noivo no mesmo ano. Foi uma superação enorme para continuar jogando e confesso que continuei porque eu me senti exemplo para muita gente, muita gente me mandou mensagem e eu não tinha dimensão do quanto eu era querida. E aí descobri que a minha missão era sim jogar e levar essa mensagem de força e superação para outras pessoas que talvez tivessem passando a mesma coisa que eu passei e não conseguiam expressar ou criar algum tipo de força e confesso que, obvio, ainda é difícil, mas hoje eu me sinto muito mais preparada para tudo que eu vou fazer. Eu faço tudo com muito mais intensidade. Acho que a gente sempre, embora tenha sido perdas, a gente sempre aprende com os momentos e eu posso dizer que eu aprendi muito.
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Entrevista: Elaine Trevisan Data: 16/10/2019
TC IN
TRANSCRIÇÃO
00:00:26
A Rede Vida tem uma tradição de transmitir o futebol 00:05:39 feminino, que não é de hoje. Depois a gente teve uma pausa e alguns anos não foram transmitidos por questão de acertar com o time mandante, enfim. Para TV sempre tem um horário específico de transmissão, então as vezes o time não acha vantagem mudar o horário só para ser transmitido. Então a gente deu, teve um hiato aí nas nossas transmissões de dois mil e quinze a dois mil e dezenove. A gente passou um tempo sem, mas a gente sempre transmitiu. E, durante esse período ali dois mil e dezoito e esse ano de dois mil e dezenove, eu acho que todos os outros veículos deram uma atenção especial para o futebol feminino que não tinha antes e foi muito momentâneo. Eu acho que teve a... Agora em dois mil e dezoito teve a Copa na Rússia e daí já começaram a puxar para a Copa do Mundo da França feminina em dois mil e dezenove. Então deu aí motivo para eles falarem do futebol feminino porque sempre existiu, as meninas sempre jogaram, então eu acho que alguma coisa aí fez eles transmitirem. A gente já transmitia, voltamos a transmitir. Eu comecei a fazer muitas transmissões pela Federação Paulista e daí quando os jogos do Campeonato Paulista foram para a TV, daí a gente sentou e conversou e decidiu que tipo, eu participaria dessas transmissões de uma forma diferente, não só como repórter ou comentarista, também como narradora até porque eu já vinha fazendo esse trabalho até na própria TV, narrando e em outros lugares. Bom, para mim, assumir, tipo, tem outros
TC OUT
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narradores na TV também. Eu faço parte de uma equipe do jornalismo esportivo ali e é surreal para mim porque querendo ou não, a gente sempre fala “pô, no jornalismo você tem um leque de coisas para fazer e daí você vai experimentando uma, se especializa numa editoria. Por exemplo, eu sempre fui apaixonada por esportes, joguei futebol por muito tempo, até para faculdade e eu falei “pô, já que eu vou ser jornalista, eu tenho que encontrar minha paixão também aqui. Não só por comunicar, mas também a paixão que eu tenho pelo futebol”. Só que daí você vai trabalhando. Quando narrei pela primeira vez, que foi na Rede Vida, foi primeiro de outubro de dois mil e dezesseis, apesar de todo nervosismo e tal, acho que tinha uma pressão muito grande alí também por ser a primeira, mas quando eu consegui falar “não, eu vou narrar sem muito pensar nos outros”, foi como tipo, acho que colocar um peixinho de novo na água. Hoje eu me encontro na narração. Para mim, fazer aquilo, é o que eu quero fazer da vida. Você fala “pô, você é jornalista”. Eu adoro ser jornalista, eu adoro contar uma história por dia, eu adoro conhecer uma história, mas de fato narrar parece que me realiza numa coisa bem maior. Quando eu entro na transmissão parece que o mundo some em volta de mim, sei lá, é uma sensação surreal e para mim é muito bom. Se tem preconceito? Tem, mas é o que eu sempre falo, a narração de mulheres, como todo mundo fala, a narração feminina, ela não é comum porque a gente tem aí anos de transmissões, desde o rádio até TV, agora internet, sem mulheres narrando. Então é normal quando uma pessoa vê e fala “pô, é uma mulher que está narrando”. Eu acho que esse estranhamento é normal, mas o que a gente não pode achar que isso não
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pode se realizar. Eu acho que a gente tem que oferecer possibilidade de vozes e a pessoa ver qual que ela gosta ou qual que ela não gosta. Por exemplo, tem vários narradores homens, eu não gosto de todos. Tem um que eu gosto mais, outro que eu gosto menos. Isso vai acontecer também entre as mulheres, mas entre homens e mulheres. Você olhar e falar “pô, eu não gosto desse cara, mas eu gosto dessa mina. Eu não gosto desse cara, mas eu gosto desse cara”. E viceversa, entendeu? Acho que não tem que dividir entre feminino e masculino. Eu acho que tem que ter possibilidade de vozes. Eu gosto disso, eu gosto de ter a possibilidade e eu procuro fazer o melhor e sempre quando alguém pergunta sobre “ah, mas mulher narrando isso”. Eu falei “pô, dá uma chance, escuta. Como você vai... Baseado em que você está fazendo esse comentário se você não ouve mulher narrando porque não é comum”, entendeu? Eu acho que é isso, mas narração para mim é muito uma realização e eu fiquei
muito
feliz de
a
TV,
principalmente no
campeonato feminino, que é uma modalidade que eu gosto
muito,
o
futebol
feminino,
de
ter
essa
oportunidade.
00::06:12
Eu acho que o futebol feminino, ele passa por várias 00:08:08 dificuldades, mas eu acho que a gente tem que falar muito de estrutura. Então a gente pode cobrar um veículo de comunicação transmitir, a gente pode cobrar de um time de ter obrigatoriedade de ter o futebol feminino e isso ser feito muito superficialmente. O futebol feminino precisa de estruturas para se desenvolver. Então o que que adianta eu transmitir um jogo de dois times que não tem estrutura, o jogo vai
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acabar sendo ruim e daí em vez de eu dar visibilidade para essa modalidade, eu acabo meio que queimando ela. Então eu acho que falta pensar o futebol feminino como futebol, como esporte paixão nacional. Indiferente do gênero, de ser feminino ou masculino, a estrutura tem que ser a mesma. Tem que ter equipe multidisciplinar, as meninas têm que ter, as mulheres né, tem que ter condições de treinar, tem que ter um alojamento, tem que ter um bom salário. Enfim, quando essa estrutura for dada, aí a gente vai chamar de futebol mesmo, como qualquer outro, só que praticado por mulheres. Obviamente que tem diferença entre o futebol feminino e masculino, porque um é jogado por mulheres, outro por homens, cada um tem as suas características e enfim. Mas eu acho que falta essa estrutura geral na questão de formação de um time, na organização
de
um
campeonato.
A
gente
vê
campeonatos muito parelhos, mas a gente vê campeonatos muito desiguais também. Geralmente na primeira fase de quase todos os campeonatos, isso a gente pega desde o nacional até os estaduais, a gente tem alguns jogos com placares elásticos e a gente vê uma diferença muito grande, técnica, de um time para o outro. Então, eu acho que essa diferença ainda está na falta de estrutura. A gente tem muita gente se doando, trabalhando muito pelo futebol feminino, mas é preciso também incentivar essas pessoas e dar condições para que elas desenvolvam o futebol feminino.
00:08:18
Foi e não é só, é o Flamengo chegou e passou de 00:09:54 cinquenta gols, mas o campeonato carioca vem de uma sequência de placares muito desiguais. Então já teve vinte e poucos, dezoito, então é uma coisa que a gente
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vê muito. Quatro grandes estão se destacando. Botafogo está goleando, Fluminense está goleando, Flamengo está goleando, Vasco está goleando e inclusive
se
destacando
muito as meninas do
campeonato paulista, que foram agora para jogar o carioca. Tem a Ariel que era do Taubaté e está no Fluminense. Tem a Vivian, que está no Botafogo. O Flamengo já é uma potência e não é de hoje, tem meninas aí sempre na Seleção, também se destaca no brasileiro, mas enfim, é isso. Você colocar um time, daí vai muito da organização. Quando você vai inscrever um time num campeonato, eu acho que a Federação, a entidade que está ali, tem que cobrar requisitos mínimos, mas aí você pensa “pô, se eu cobrar requisitos mínimos, talvez eu fique sem times para esse campeonato”, então proporcione incentivo, e financeiro também, obviamente, para que esses times consigam se consolidar. “Ah, mas pô, talvez não é uma responsabilidade da Federação”. Então vamos pensar em campanhas, vamos pensar em agregar o futebol feminino com uma imagem positiva a empresa, sabe. Vamos tentar repensar num todo, mas desde a organização, desde uma entidade estadual, nacional. Pensar em formas de incentivo para trazer essa questão financeira para melhorar a estrutura para todos os times.
00:10:35
Quando a gente fala de preconceito e desigualdade, eu 00:13:57 acho que a gente sempre tem que pensar um pouco na história do Brasil. A gente tem uma história sociocultural com um machismo muito enraizado. Então se a gente pensar em conquistas, a gente demorou muito tempo para votar, enquanto os homens votavam, a gente não
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votava, eu falo a gente, mulheres. A gente foi ter um futebol permitido por lei em setenta e nove, quando é um ano de anistia. A gente está falando de anistia política de um período ditatorial, sabe. Então, para você ver o grau que a gente estava elevando essa questão do futebol feminino na questão do preconceito mesmo. Quando chega ali na década de setenta, no fim da década de setenta quando o futebol feminino é permitido, o Brasil masculino já é tricampeão mundial. Então a gente tem um atraso sim em relação a isso. Eles se desenvolveram muito antes da gente e a gente está correndo atrás do prejuízo, indo atrás de estrutura e de investimento e enfim, para dar toda essa questão. A gente tem uma cultura ainda muito machista que pensa muito na divisão de homens e mulheres. O que a mulher pode, o que é de homem, o que é de mulher. E a gente não tem só isso no futebol. Desde pequenininho “ah, essa brincadeira é para meninos, essa brincadeira é para meninas. Para meninas a gente dá a boneca, para o menino a gente dá a bola. A gente tem muito isso, a gente sente isso na comunicação esportiva na questão da narração, que é muito nova ainda porque tem esse preconceito “pô, o posto de narrador sempre foi de homem, então para que uma mulher? ”. Eu acho que o posto de narrador tem várias coisas que envolvem ele. Primeiro, “narrador é meio que o que comanda ali a transmissão, então você vai dar esse posto para uma mulher? Ela que vai ter que distribuir quando o comentarista fala, quando o repórter fala”. Outra coisa, “o comando de uma transmissão de futebol? ”. Tipo assim, muita gente acha que mulher nem entende de futebol. A gente está em pleno dois mil e dezenove, uma Copa do Mundo sendo transmitida,
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com todo movimento a favor do futebol feminino e a gente teve essa semana um comentarista de uma rádio grande falando que mulher deveria ficar em casa cuidando do marido e dos filhos. Ele foi chamado para um outro programa para falar “olha, talvez você tenha se equivocado”. Ele falou “não, não tenho. Eu acho que é isso mesmo”. Então a gente tem esse machismo muito presente. Eu acho que não só no futebol, mas em toda sociedade. No futebol talvez a gente perceba mais ou sinta essa diferença porque é o esporte paixão nacional. O futebol é muito passional. Ele movimenta as pessoas por paixão, por amor. Quando a gente coloca uma camisa é muito mais do que só futebol. Não é só futebol. O futebol tem toda uma coisa bem maior que envolve ele. Então, eu acho que talvez a gente perceba mais, mas fato que existe essa diferença. Eu acho que existe essa diferença quando a gente fala “ah, o futebol feminino é feio. Ah, o futebol feminino não tem técnica. Ah, eu não gosto de futebol feminino”. Tem sempre essas frases e obviamente, as frases “pô, por que essa mulher está jogando bola? Por que não vai cuidar do marido, dos filhos? ”. Enfim, as vezes não é isso que ela quer. Ela só quer jogar bola.
00:14:27
Bom, eu acho que tem várias maneiras de um clube 00:16:35 fazer isso, mas ele vai muito, acho que vai muito da estratégia de marketing. Mas eu acho que é isso, se um time tem a equipe feminina e a equipe masculina, elas estão atreladas ao mesmo escudo, elas defendem o mesmo time, apesar de serem duas equipes de gêneros diferentes. Então eu acho que divulgar, sabe. Se você já tem muitos adeptos ao masculino, vamos apresentar as meninas nesse cenário, “olha, agora a gente também
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tem um time de futebol feminino. Vamos apoiar também”. Porque a pessoa, ela torce pelo time, não pela equipe de futebol, pela equipe de basquete. Por exemplo, quem torce para o Corinthians, torce para o Corinthians. Vai torcer para o Corinthians futebol de amputados, para o Corinthians futebol feminino, para o Corinthians futebol americano, para o Steamrollers, enfim, vai torcer para o Corinthians, ela está torcendo para aquele time. A mesma coisa acontece São Paulo, Palmeiras, Santos, enfim, toda a gama que tem de equipes. Então eu acho que talvez uma estratégia de marketing
das
equipes
assumirem
as
equipes
femininas, os times femininos de futebol, sabe. Colocar o escudo e falar “pô, elas são nossas, elas nos representam também, então, vamos apresentar elas”. Eu acho que se as vezes você não leva as meninas, mas pô, por que não anunciar junto? Até num jogo de futebol, por que não falar que vai ter na mesma semana uma disputa do feminino em tal lugar? Por que que na hora que você entrega o ingresso, não está impresso ali um convite, que muitas vezes os jogos do futebol feminino são gratuitos, “olha, se você quiser assistir, entre em tal site, retire isso”. Enfim, eu acho que assumir de fato que você tem uma equipe feminina, falar “olha, elas nos representam tanto quanto qualquer outra equipe” ia ajudar muito aí nos torcedores conhecerem. Os que ainda não sabem que tem o time feminino, conhecerem. Mas tem muita torcida que eu acho que já está abraçando aí as equipes femininas.
00:16:53
Eu sempre fico pensando nessa questão de a gente 00:17:26 adjetivar o feminino ou o masculino. A gente adjetiva geralmente porque é quem pratica. Então esse é por
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mulheres, esses é por homens. Mas é o futebol, e é o esporte paixão nacional. Então acho que não pode ser um esporte paixão nacional para uma parcela da população porque senão ele não é o nosso esporte paixão nacional.
00:17:38
Essa questão de adjetivar o feminino e o masculino, eu 00:20:58 acho que ela existe só porque um é praticado por mulheres e outro praticado por homens. Mas o futebol é o esporte paixão nacional, pelo menos é dito como esporte paixão nacional e a gente vê pela massa que ele movimenta, por toda estrutura que ele movimenta, veículos de comunicação, investimento, enfim. E realmente o brasileiro gosta, o brasileiro da importância e ama esse esporte. Quando a gente fala “por que desenvolver o futebol feminino. Como desenvolver o futebol feminino no futebol país do futebol” que eu acho que o futebol abrange todos os futebóis aí que estão envolvidos nisso, eu acho que é a acabando com o preconceito. E quando a gente parar de pensar que o futebol das meninas não é futebol, a gente consegue colocar ele na paixão nacional porque ele é, é futebol igual. Eu estou sentindo e fico feliz as vezes em ler, não em detrimento do masculino, mas algumas torcidas falam “nossa, esse time está jogando muito. Eu queria ver o masculino jogando como o feminino”. Aí você fala “pô, então eles já estão começando a ver também como futebol, sabe”. Eu acho que a gente tem que quebrar algumas barreiras. A primeira do preconceito, porque quando a gente não tiver mais preconceito, a gente consegue ver o futebol praticado por mulheres como parte do futebol. Eu já vejo algumas pessoas, algumas pessoas já veem. Então eu acho que a gente tem que
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quebrar preconceitos. É fácil? Pô, não é. A gente tem uma história de anos aí de retrocesso, de machismo, de misoginia, enfim, de vários preconceitos aí contra a mulher, que coloca ela numa posição de submissão e tudo mais. E isso vai passando por todos os setores da sociedade, inclusive chegando ao esporte, ao futebol. Então, eu acho que a primeira coisa é acabar com o preconceito. O preconceito de ver a mulher como um ser que não possa praticar esse esporte que a gente tanto ama. Quando acabar com isso, a gente consegue ver melhor. Não estou falando que ninguém vê. Para mim futebol feminino é muito futebol e em vários momentos eu vejo um futebol muito mais bonito praticado pelas mulheres do que por homens. Mas enfim, é isso. Vamos tentar quebrar preconceito. Como quebrar esses preconceitos? Eu acho que tudo começa muito por educação. A gente tem novas gerações sendo formadas. Eu acho que isso já começa e educação é respeito. É você, indiferente da sua escolaridade, de tudo isso, é respeitar outra pessoa como uma pessoa, indiferente de gênero. Ela tem os mesmos direitos que você. Eu acho que a gente fala muito e eu acho que tem que ser uma palavra batida no futebol feminino, sobre equidade, direitos equivalentes. Iguais? Não. São pessoas diferentes, são gêneros diferentes, tem necessidades diferentes, mas tem que ter direitos equivalentes, ou seja, tem que ter as mesmas
oportunidades
aí
dentro
das
suas
características. Então, acho que tem que subir essa questão do respeito e acabar com o preconceito.
00:21:09
Eu acho que a gente é considerado o quarto poder né. 00:23:34 Tipo, a gente em o Executivo, Legislativo, Judiciário e a
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imprensa sempre é colocada ali como um quarto poder. A imprensa já elegeu presidente, já derrubou presidente, já colocou temas em discussão, já ajudou muito a combater alguns preconceitos. Eu acho que ela tem um poder surreal. Hoje é raro você falar com uma pessoa que não escuta um rádio, que não assiste uma TV ou que pelo menos não lê algo na internet. Mesmo o jornal impresso, que está ali, as pessoas leem. A imprensa está em todos os lugares informando e desinformando. Basta ela entender o que ela quer fazer. Então eu acho que é fundamental o papel da mídia nesse trabalho de reeducar as pessoas em relação aos preconceitos que elas têm em relação ao futebol feminino, a prática de alguns esportes pelas mulheres e também, em relação ao preconceito. A mídia tem papel fundamental. Ela pode fazer isso através de histórias, de novela ou de informação, de números. Quantos feminicídios tem? Quantas mulheres que jogam sofrem com esse preconceito? E o que acontece com os homens? Para a gente levar essa reflexão. Eu acho que quando a mídia de fato colocar isso como uma proposta para ela, vai ficar muito mais fácil. Eu acho que como ela também tem essa questão de audiência e tal, ela está indo gradativamente, mas já subiu muito. Eu acho que é fundamental e hoje eu acho que a gente tem que pensar muito em internet. Internet ainda não é um meio de comunicação conglomerados,
monopolizado dominado
pelos
grandes
pelos
grandes
conglomerados midiáticos. Então ali a gente pode falar também “e se a gente fizer um movimento de respeito? E se a gente não começar a espalhar isso para rede e chegar a um setor, e chegar as pessoas que gostam do futebol feminino, depois a pessoas que gostam de
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futebol”. Enfim, fazer esse movimento eu acho que depende muito da mídia, ela tem uma importância fundamental, mas eu acho que hoje a gente já consegue fazer isso também e eu acho que tem que ter esse movimento.
Entrevista: Aline Pellegrino Data: 01/11/2019
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TRANSCRIÇÃO
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00:00:14
Quando eu comecei não tinha nenhuma menina 00:01:00 jogando. Tinha só a Aline jogando. Eu acho que já é um grande ponto, assim, diferente. Hoje eu vejo dirigindo meninas com bola de futebol na mão, mochila, com caneleira. Naquela época, se eu visse grupo de meninas na rua, elas com certeza estavam com uma roupa de vôlei, com joelheira. Então, o futebol não era algo ali que você pensava para meninas. Então, eu acho que isso, hoje já mudou muito. Eu não via mulher jogando na televisão quando eu comecei a jogar. Hoje você tem os jogos sendo transmitidos, essas meninas sonhando e querendo estar ali. Então acho que já é uma evolução muito grande se pensar que foram, mais ou menos, mais de trinta anos quando eu comecei ali com seis anos a jogar na rua.
00:01:06
Eu acho que a gente está num momento muito 00:01:50 produtivo. Em outros anos, sei lá, cinco anos atrás,
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talvez eu falasse de visibilidade. Isso mudou muito, isso faz uma grande diferença. Talvez a maior dificuldade que eu veja hoje é a questão do engajamento de patrocinadores porque eu acho que os grandes avanços que a gente teve, principalmente esse ano pensando em Copa do Mundo, é porque você tem investidores
ali,
você
tem
patrocinadores
que
conseguem dar uma entrega melhor. Acho que uma dificuldade ainda é, sim, a questão de um machismo que a gente tem, de um preconceito ainda com relação a mulher no futebol. Está mudando, melhorou muito, mas eu acho que isso ainda atrapalha um pouco no desenvolvimento.
00:01:59
Eu acho que entender o futebol como não ter gênero. A 00:03:00 gente é o país do futebol, mas a gente pensa esse futebol diferente para homens e para mulheres. Então eu acho que a gente tem que entender o país do futebol, mas para os dois gêneros. Então é os clubes de futebol entenderem que não é que o futebol feminino é outra modalidade. O futebol feminino é mais uma categoria, é dentro do clube, como o sub-11 masculino, sub-13. Então acho que isso é uma chave que a gente precisa virar, mas porque as vezes tem a ver com essa situação da sociedade, de machismo, de pensar que a mulher pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Então, é o clube ter um time de futebol, uma categoria, precisa de um campo, precisa de uma bola, precisa de um técnico, de uma técnica. Para as mulheres é a mesma coisa, você não precisa fazer nada de diferente. Eu acho que as pessoas precisam entender que ter futebol feminino é ter só mais uma categoria. Você precisa fazer as
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mesmas coisas e se tem uma coisa que o Brasil saber fazer, é futebol.
00:03:07
Extremamente importante porque é o que vai te dar 00:04:06 suporte, literalmente, para a carreira. Então assim, a minha é uma geração que não teve esse futebol de base. A gente chegou lá, mas com certeza chegou menos preparada do que poderia ter chegado. Poderia ter tido resultados melhores se tivesse tido esses processos bem cumpridos de desenvolvimento e formação na base. Hoje já é uma das coisas que mudam. Falei lá na primeira pergunta, naquela época você não tinha categoria de base, hoje a gente tem, pelo menos na Federação, uma categoria sub-17. Vai começar agora o terceiro ano do festival sub-14. Tem duzentas e sessenta e sete meninas inscritas, entre doze e quatorze anos. O quanto isso não vai fazer diferença daqui dez anos. O quanto essa menina não vai tendo começado com doze, ela vai chegar melhor quando tiver vinte e dois. Falam que você para ser muito bom em alguma coisa, precisa ter no mínimo dez anos de prática e antes a gente começava com dezesseis. Então até a gente atingir o auge era com vinte e seis. Então essas meninas hoje estão em outro processo e isso é muito bom e importante.
00:04:13
Eu acho que é uma representatividade importante. 00:05:21 Obviamente que as vezes eu acabo levando os louros como se eu estivesse fazendo, revolucionando tudo. Eu tenho uma Federação do tamanho da Federação Paulista por trás, desde a presidência até a primeira pessoa que abre o portão da Federação todo dia, envolvido, trabalhando, engajado em desenvolver
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futebol e o futebol feminino é um dos ‘futebóis’ que a gente tem que desenvolver dentro da Federação. Mas é importante ter uma representatividade, é importante abrir essa porta como tantas outras estão sendo abertas para técnicas, para repórteres, para árbitras cada vez mais. Esse ano também a gente fez pela primeira vez um curso só para as mulheres, que aumentou muito o engajamento delas. Então “ah, está colocando diferença dos homens para as mulheres”. Não. As vezes a gente vai precisar de estratégias diferentes nesse momento para desenvolver e depois fazer as coisas acontecerem de uma maneira única. Então acho que é extremamente importante eu estar hoje representando todas as mulheres no futebol no Brasil, em São Paulo. Então eu fico muito feliz, mas é uma responsabilidade muito grande também
00:05:30
Eu com seis anos não tinha perspectiva nenhuma de 00:06:33 ser uma atleta de futebol, chegar numa Seleção Brasileira, jogar Copa do Mundo, Olimpíada e todo mundo falou para mim que não era para eu fazer, que não ia dar certo e hoje eu estou aqui como Diretora da Federação Paulista de Futebol, tendo sido técnica supervisora, atleta por dezesseis anos, jogado Copa do Mundo. E o futebol transformou a minha vida. Então assim, para essas meninas que estão começando, que sonham,
acreditem
porque
o
sucesso
não
é
necessariamente chegar numa Seleção Brasileira. O caminho, às vezes, vai te dar outras coisas como também me deu uma bolsa de estudos, a minha profissão que era o que eu queria fazer, o que eu queria ser desde pequena, que era ser profissional de educação física. Então eu acho que o futebol, sonhar o
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futebol, se você se dedicar, tiver disciplina, ele vai te agregar coisas boas, eu tenho certeza disso. E, ter o plano B, o C e o D, e o E também, porque as vezes é difícil, é um funil, para as mulheres ainda um pouco menos, mas não é todo mundo que vai chegar lá, mas às vezes o chegar lá numa Seleção não é o que vai te trazer sucesso, não é o que vai fazer você feliz.
00:06:43
Eita. Quem é Aline Pellegrino? Nem eu sei mais. A 00:07:03 gente vai mudando, a gente vai crescendo, todo dia a gente vai aprendendo. Eu estou num momento, nesses últimos quatro anos, de aprender muito, de olhar muito para frente. Mas eu acho que é uma sonhadora. Uma sonhadora.
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B- ROTEIRO Gênero: Documentário Título: Da proibição à obrigação: relatos de vitórias no futebol feminino Duração: 00:29:45 Direção: Camila Ribeiro Previsão de entrega: 11/11/2019 Sinopse: Ainda desprestigiado pela grande mídia, o futebol feminino segue rompendo barreiras e revelando novos talentos. Neste documentário você assiste relatos de jogadoras e comunicadoras sobre a modalidade e seu desenvolvimento no país do futebol. TEMPO
TIPO
6’
ÁUDIO
VÍDEO
Título do documentário
Tela
escura,
com
gramado e arte de rede
Off
Trilha 1 Eyeliner
em movimento.
"O futebol que me escolheu"
Arte com a frase escrita
2’ Trilha 1 Eyeliner 3’
Off
Arte com a frase escrita "Eu não sonhava em ser jogadora de futebol"
Trilha 1 Eyeliner 3’
Off
Arte com a frase escrita "Eu dominava a bola, e não ela que me dominava"
Trilha 1 Eyeliner 4’
Off
"Tem momentos que eu não acredito Arte com a frase escrita ainda que eu vivo isso"
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Trilha 1 Eyeliner 1’18
Sonora “Na escola eu comecei com doze Rosana Augusto anos, mais ou menos. Foi o primeiro time o colégio fez. Comecei a disputar Fotografias dela quando a associação. Disputei a associação. jogava pelo São Paulo O Spy, que é um time de Itanhaém, futsal, me viu, me chamou para Fotografia dela com a disputar a Federação. Disputei contra Seleção o São Paulo. Me destaquei. O São Paulo me convidou para que eu Fotografia com a mãe e fizesse um teste no campo. Mas tive o irmão alguns empecilhos, inclusive meu pai era um cara super preconceituoso logo no começo, não aceitou muito bem. Então, tive uma certa dificuldade nessa trajetória, mas em contrapartida minha
mãe
e
meu
irmão
principalmente, sempre me apoiaram, me levaram para os clubes. Em noventa e seis eu assisti alguns jogos da Seleção Brasileira na Olimpíada em Atlanta e aí fui onde eu entendi que sim, existia futebol feminino e aí eu coloquei uma meta, eu tinha doze anos, coloquei uma meta na minha cabeça que eu ia para Seleção. Achava que ia de goleira porque eu jogava gol a gol com meu primo, achava que eu era boa, mas não era nada disso, era ruim para caramba no gol. Mas eu coloquei na minha cabeça que um dia eu ia estar ali e aí quatro
71
anos depois eu estava representando meu país numa Olimpíada. ”
Trilha 1 Eyeliner Trilha 2 Ver Trilha 3 Ben 1’36
Sonora “Atrás da casa da minha avó tinha um Ary Borges campo de futebol e por influência dos meus primos, de você estar perto, Inserts da Ary fazendo óbvio que sua principal brincadeira vai embaixadinha ser
algo
que
você
tem
mais
proximidade e aí todo dia que eu chegava da escola meus primos me chamavam e eu ia jogar bola. Nada demais, não sonhava com isso, nem conhecia muito o futebol feminino. E aí jogava todo dia, tudo mais. Eu com 10 anos eu vim para São Paulo para morar com meus pais. E aí o meu tio falou para o meu pai “a Ary joga futebol, se você quiser, sei lá, levar ela em algum lugar porque aí é mais fácil do que aqui, acho que é uma boa chance”. No começo o meu pai não levou nem um pouco a sério, ele é bem sincero falando isso, ele meio que deixou de lado. Um dia a tarde eu fui para uma quadra que tinha perto de casa jogar futebol. Ele passou na quadra voltando do trabalho. Eu na verdade nem vi ele. Pouco tempo eu volto para casa, ele está lá em casa e
72
ele fala “ah, eu passei lá na quadra e eu te vi jogando. Vou te levar numa escolinha dos meninos da vila que tinha ali perto de casa”. Eu falei “sério, que legal, não sei o que”. Ele falou “não, vou te levar lá”. Eu fui para essa escolinha. Eu cheguei lá para treinar com as meninas, só que só tinham três meninas para treinar e era muito complicado. Nunca ia conseguir fazer um exercício maior, um coletivo ou algo parecido com isso. Meu pai meio louco da cabeça falou assim “treina com os meninos então” e eu falei “ah, então está bom, se você concordar”. Ele foi e conversou com o pessoal da escolinha e eles concordaram e eu comecei a treinar com os meninos. ”
Trilha 4 Smile 40’
Sonora “Quando
eu
comecei
não
tinha Aline Pellegrino
nenhuma menina jogando. Tinha só a Aline jogando. Eu acho que já é um grande ponto, assim, diferente. Hoje eu vejo dirigindo meninas com bola de futebol
na
mão,
mochila,
com
caneleira. Naquela época, se eu visse grupo de meninas na rua, elas com certeza estavam com uma roupa de vôlei, com joelheira. Então, o futebol não era algo ali que você pensava para meninas. Então, eu acho que
73
isso, hoje já mudou muito. Eu não via mulher jogando na televisão quando eu comecei a jogar. Hoje você tem os jogos
sendo
transmitidos,
essas
meninas sonhando e querendo estar ali. Então acho que já é uma evolução muito grande se pensar que foram, mais ou menos, mais de trinta anos quando eu comecei ali com seis anos a jogar na rua. ” 42’
Sonora “Passei por vários outros clubes aqui Rosana Augusto no
Brasil,
como
Palmeiras,
Corinthians, Internacional de Porto Fotografias
dela
Alegre. Agora terminei minha carreira clubes no próprio Santos. Aí países de fora. Joguei na Áustria, no Neulengbach. Joguei na França, no Lyon e PSG. Joguei nos Estados Unidos, no Sky Blue FC e no NC Courage. Na Noruega eu joguei no Avaldsnes. Foram esses times que eu joguei fora do país. De forma bem resumida, essa foi minha trajetória no futebol. Por enquanto. ” 23’
27’
Sobe
Gol pela Ferroviária na sua volta aos Rosana Augusto
som
gramados
Sonora “Fui para o Centro Olímpico. No ano Ary Borges seguinte eles criaram o sub-13. Eu passei por todas categorias de base, sub-13, sub-15, sub-17. Em março do
nos
74
meu último ano de 17 eles me subiram para
o
profissional.
Passei
pelo
profissional do Centro Olímpico e depois o Jonas que era o treinador foi para o Sport no ano seguinte e aí ele me convidou para ir para o Sport. Eu fiquei no Sport em dois mil e dezessete, dois mil e dezoito e agora eu estou aqui no São Paulo. ” 13’
2’16
Sobe
Ary cobrando escanteio que resultou Ary Borges
som
no gol do São Paulo
Sonora “Eu tive vários desafios na minha Rosana Augusto carreira. Auto rendimento é muito difícil. As pessoas, não sei se elas Vídeo dos treinamentos falam sério ou se elas brincam falando da Rosana pela Seleção “ah, você faz o que você gosta”. Mas nem sempre é fácil. Na verdade, a Vídeo gente
abdica
de
muitas
da
Rosana
coisas. jogando pela Seleção
Primeiro desafio é o treinamento. É um treinamento diferente, é forte. Tem Arte post sobre perda do treinamento que você tem vontade de pai e noivo sair vomitando, enxerga tudo preto. Você se desafia o tempo inteiro. Tem a pressão própria, tem a pressão do treinador, tem a pressão da diretoria, da companheira, do presidente, da instituição, dos torcedores. Então assim, é muita pressão. E aí o tempo todo a gente está se desafiando. Tem as outras coisas também. Abdicar de ficar perto da família. Enquanto todo
75
mundo passeia, você treina. Enquanto todo mundo tem feriado, você joga, você é parte do espetáculo. Então assim, é uma vida muito difícil e desafiante. Os desafios, eles são diários na carreira de atleta. É claro que,
eu
principalmente,
tive
momentos muito difíceis não só dentro do futebol, mas fora do futebol, quando eu perdi meu pai, perdi meu noivo no mesmo ano. Foi uma superação enorme para continuar jogando e confesso que continuei porque eu me senti exemplo para muita gente, muita gente me mandou mensagem e eu não tinha dimensão do quanto eu era querida. E aí descobri que a minha missão era sim jogar e levar essa mensagem de força e superação para outras pessoas que talvez tivessem passando a mesma coisa
que
eu
passei
e
não
conseguiam expressar ou criar algum tipo de força e confesso que, óbvio, ainda é difícil, mas hoje eu me sinto muito mais preparada para tudo que eu vou fazer. Eu faço tudo com muito mais intensidade. Acho que a gente sempre, embora tenha sido perdas, a gente
sempre
aprende
com
os
momentos e eu posso dizer que eu aprendi muito. ”
76
36’
Sobe
Rosana fazendo gol pela Seleção
Rosana Augusto
som 1’41
Sonora “Em dois mil e treze, se eu não me Ary Borges engano, era a primeira convocação da história da Seleção feminina sub-15. Inserts da Ary chutando Eu fui convocada, estava super feliz. no gol Primeiro porque era um marco para modalidade. Primeira convocação da Vídeo do gol da Ary pela história da categoria. Infelizmente a Seleção gente viajava na segunda e numa quinta-feira num treino antes no Centro Olímpico acabei quebrando o braço. Foi um momento bem triste para mim porque eu era bem mais nova.
Acho
que
hoje
se
isso
acontecesse acho que eu daria um pouquinho mais de tranquilidade para tratar sobre isso, mas foi um momento em que eu falei para os meus pais que não queria mais jogar futebol, que acho que ali já estava mostrando que as coisas não iam dar certo e foi um momento que me baqueou bastante, mas foi triste ver minhas amigas principalmente indo para convocação porque tinham sido várias meninas lá do Centro Olímpico convocadas e depois
elas
pegando
o
Sul-
Americano, Mundial. E aí eu falava “pô, eu poderia estar ali”. Infelizmente eu quebrei o braço, mas naquele momento eu me apeguei a minha
77
família.
O
pessoal
também
da
comissão do Centro Olímpico foi super bacana comigo, me abraçou, me mostrou que as coisas não estavam tudo errado, que eu tinha um futuro. Em seguida depois eu voltei para Seleção. Foi um momento em que a Ary realmente duvidou do que ela poderia fazer e de que o sonho acho que não era aquilo para ela. Mas graças a Deus eu me levantei e continuei minha carreira. Mas foi um momento bem complicado para mim.” 32’
Sonora “Talvez a maior dificuldade que eu Aline Pellegrino veja hoje é a questão do engajamento de patrocinadores porque eu acho Inserts meninas jogando que os grandes avanços que a gente futebol teve,
principalmente
esse
ano
pensando em Copa do Mundo, é porque você tem investidores ali, você tem patrocinadores que conseguem dar uma entrega melhor. Acho que uma dificuldade ainda é, sim, a questão de um machismo que a gente tem, de um preconceito ainda com relação a mulher no futebol. Está mudando, melhorou muito, mas eu acho que isso ainda atrapalha um pouco no desenvolvimento. ”
Trilha 5 Eyes
78
36’
Sonora “Eu sinceramente achei que não ia Rosana Augusto regredir, mas regredimos. Teve até um momento onde as meninas que tinham cabelo curto foram proibidas de jogar o Paulista. Foi uma regressão muito grande. É um fator que não deveria, não poderia, contou como eu falei das meninas que tinham cabelo curto. Então ao invés de ter um desenvolvimento, uma ascensão, teve uma regressão. ”
57’
Sonora “A gente é o país do futebol, mas a Aline Pellegrino gente pensa esse futebol diferente para homens e para mulheres. Então eu acho que a gente tem que entender o país do futebol, mas para os dois gêneros. Então é os clubes de futebol entenderem que não é que o futebol feminino é outra modalidade. O futebol
feminino
é
mais
uma
categoria, é dentro do clube, como o sub-11 masculino, sub-13. Então acho que isso é uma chave que a gente precisa virar, mas porque as vezes tem a ver com essa situação da sociedade, de machismo, de pensar que a mulher pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Então, é o clube ter um time de futebol, uma categoria, precisa de um campo, precisa de uma bola, precisa de um técnico, de uma técnica. Para as mulheres é a mesma
79
coisa, você não precisa fazer nada de diferente. Eu acho que as pessoas precisam entender que ter futebol feminino é ter só mais uma categoria. Você precisa fazer as mesmas coisas e se tem uma coisa que o Brasil saber fazer, é futebol. ” 17’
Sobe
Gol de falta pela Seleção
Cristiane Rozeira
som 2’21
Sonora “Quando a gente fala de preconceito e Elaine Trevisan desigualdade, eu acho que a gente sempre tem que pensar um pouco na Insert matérias sobre o história do Brasil. A gente tem uma preconceito história
sociocultural
com
com
a
um mulher no futebol
machismo muito enraizado. Então se a gente pensar em conquistas, a Fotografias da Seleção gente demorou muito tempo para masculina
sendo
votar, enquanto os homens votavam, tricampeã mundial a gente não votava, eu falo a gente, mulheres. A gente foi ter um futebol Vídeos de torcedores permitido por lei em setenta e nove, quando é um ano de anistia. A gente Insert Ary está falando de anistia política de um período ditatorial, sabe. Então, para você ver o grau que a gente estava elevando essa questão do futebol feminino na questão do preconceito mesmo. Quando chega ali na década de setenta, no fim da década de setenta quando o futebol feminino é permitido, o Brasil masculino já é
80
tricampeão mundial. Então a gente tem um atraso sim em relação a isso. Eles se desenvolveram muito antes da gente e a gente está correndo atrás do prejuízo, indo atrás de estrutura e de investimento e enfim, para dar toda essa questão. A gente tem uma cultura ainda muito machista que pensa muito na divisão de homens e mulheres. O que a mulher pode, o que é de homem, o que é de mulher. E a gente não tem só isso no futebol. Desde
pequenininho
“ah,
essa
brincadeira é para meninos, essa brincadeira é para meninas. Para meninas a gente dá a boneca, para o menino a gente dá a bola. A gente tem muito isso. Então a gente tem esse machismo muito presente. Eu acho que não só no futebol, mas em toda sociedade. No futebol talvez a gente perceba mais ou sinta essa diferença porque é o esporte paixão nacional. O futebol
é
muito
passional.
Ele
movimenta as pessoas por paixão, por amor. Quando a gente coloca uma camisa é muito mais do que só futebol. Não é só futebol. O futebol tem toda uma coisa bem maior que envolve ele. Então, eu acho que talvez a gente perceba mais, mas fato que existe essa diferença. Eu acho que existe essa diferença quando a gente
81
fala “ah, o futebol feminino é feio. Ah, o futebol feminino não tem técnica. Ah, eu não gosto de futebol feminino”. Tem
sempre
essas
frases
e
obviamente, as frases “pô, por que essa mulher está jogando bola? Por que não vai cuidar do marido, dos filhos? ”. Enfim, as vezes não é isso que ela quer. Ela só quer jogar bola. ”
Trilha 5 Eyes 51’
Sonora “A minha é uma geração que não teve Aline Pellegrino esse futebol de base. A gente chegou lá, mas com certeza chegou menos Fotografias dela jogando preparada
do
que
poderia
ter pela seleção
chegado. Poderia ter tido resultados melhores processos
se
tivesse
bem
tido
cumpridos
esses de
desenvolvimento e formação na base. Hoje já é uma das coisas que mudam. Falei lá na primeira pergunta, naquela época você não tinha categoria de base, hoje a gente tem, pelo menos na Federação, uma categoria sub-17. Vai começar agora o terceiro ano do festival sub-14. Tem duzentas e sessenta e sete meninas inscritas, entre doze e quatorze anos. O quanto isso não vai fazer diferença daqui dez anos. O quanto essa menina não vai tendo começado com doze, ela vai chegar melhor quando tiver vinte e
82
dois. Falam que você para ser muito bom em alguma coisa, precisa ter no mínimo dez anos de prática e antes a gente
começava
com
dezesseis.
Então até a gente atingir o auge era com vinte e seis. Então essas meninas
hoje
estão
em
outro
processo e isso é muito bom e importante. ” 1’01
Sonora “Eu acho que o futebol feminino, ele Elaine Trevisan passa por várias dificuldades, mas eu acho que a gente tem que falar muito de estrutura. Então a gente pode cobrar um veículo de comunicação transmitir, a gente pode cobrar de um time de ter obrigatoriedade de ter o futebol feminino e isso ser feito muito superficialmente. O futebol feminino precisa
de
estruturas
para
se
desenvolver. Então o que adianta eu transmitir um jogo de dois times que não tem estrutura, o jogo vai acabar sendo ruim e daí em vez de eu dar visibilidade para essa modalidade, eu acabo meio que queimando ela. Então eu acho que falta pensar o futebol feminino como futebol, como esporte paixão
nacional.
Indiferente
do
gênero, de ser feminino ou masculino, a estrutura tem que ser a mesma. Tem que ter equipe multidisciplinar, as meninas têm que ter, as mulheres né,
83
tem que ter condições de treinar, tem que ter um alojamento, tem que ter um bom salário. Enfim, quando essa estrutura for dada, aí a gente vai chamar de futebol mesmo, como qualquer outro, só que praticado por mulheres. ” 54’
Sonora “Essa obrigatoriedade e a Copa. Acho Ary Borges que a Copa mostrou que tem gente que gosta do futebol feminino, que o Arte post matéria de futebol feminino é um produto que jornal
sobre
pode ser vendido, tem pessoas que obrigatoriedade
a do
vão comprar produtos do futebol futebol feminino feminino. Então acho que essas duas coisas fizeram com que hoje a Arte post matérias sobre modalidade, talvez esteja num topo a Copa do Mundo e a que nunca chegou. Eu acredito que visibilidade sim. Eu torço para que não seja apenas um êxtase pós-Copa, recente Fotografias
da
e torço para que assim, que isso técnica da Seleção continue acontecendo. Acho que a chegada da Pia também hoje trouxe uma visibilidade maior para nossa Seleção e eu torço muito para que as pessoas continuem vendo o futebol feminino como algo bacana, que continue passando na TV, que o investimento aumente para que aí as pessoas começam a ver a modalidade como um produto cada vez mais consumível. ” Trilha 6 Romantic
Pia,
84
41’
Sonora “Eu fiquei muito chateada, é óbvio, Ary Borges mas eu acho que é complicado porque às vezes falta um pouquinho de o Arte post do Twitter pessoal mostrar que ia ter jogo. Primeiro do nosso clube. Hoje eles, assim, o São Paulo hoje mostra toda vez que a gente tem jogo, avisa e tudo mais. Mas lá no comecinho, porque ainda estava no comecinho, eles demoravam um pouquinho ainda para passar nossos jogos, que dia ia ser. Então querendo ou não o torcedor não sabia que a gente não tinha jogo e é difícil você cobrar eles também e foi algo que me irritou, infelizmente. Mas assim, foi bem bacana porque a gente fala “pô Ary, depois que você fez aquele gol, todo mundo falou, todo mundo sabia quem era o time feminino do São Paulo”. “
28’
Sobe
Gol da Ary de cobertura
Ary Borges
som 1’05
“O torcedor zoa porque o torcedor se Ary Borges vingou com seu gol, os gols de cobertura que o masculino tomou. No final da sonora, cai Então foi algo bem bacana porque para o vídeo do gol de aquilo trouxe uma visibilidade muito cobertura da Ary com grande
para
o
nosso
time, narração
principalmente, não só para Ary, mas para o nosso time, para modalidade também que em todos os lugares você
85
via “olha o golaço que saiu no futebol feminino”, não era tipo “foi no jogo do São Paulo”. Era “no futebol feminino”. Eu achei isso super bacana. Acho que o clube mesmo aprendeu isso. O próprio São Paulo, o pessoal do marketing aprendeu que dava para olhar um pouquinho melhor para gente. Hoje dos clubes que fazem acho que é um dos melhores nessa questão de anunciar os jogos, de aproximar o torcedor para com a gente. Acho que nisso o clube evoluiu e foi super bacana o fato do gol ser num clássico, gol bonitinho. ” 1’30
Sonora “Tem que ter um consenso de que o Angélica Souza principal público deles tem que ser o torcedor, que sem torcedor não tem Vídeos de torcidas futebol. Esses times já tem um torcedor de futebol masculino, mas eles não conseguiram ainda formar o torcedor de futebol feminino. Então eles têm que primeiro comunicar, falar “ó, esse time vai jogar não sei aonde, tal horário. Venha assistir. O ingresso é tanto”. Um jogo onze horas da manhã num dia de semana é inviável para o torcedor, qualquer brasileiro médio.
Um
jogo
São
Paulo
e
Palmeiras às duas da tarde em Vinhedo
num
domingo
tendo
Palmeiras e São Paulo no Allianz
86
Parque nesse mesmo domingo é inviável para o torcedor. Primeiro que já inviável ir para Vinhedo para um torcedor
do
Palmeiras.
Segundo,
tendo um jogo aqui em São Paulo não faz sentido. Tem que priorizar e pensar no torcedor. Pensar como conquistar esse torcedor, nem que seja pensar nele como consumidor, que de fato ele é, mas conseguir com que “gente, vamos pensar que, fomos obrigados? Fomos! Mas vamos tentar fazer uma coisa legal. Vamos tentar fazer nossa obrigação, que ela faça valer, que vá ter retorno. Se a gente tiver um time forte, se chamar nossa torcida, todo mundo vai ganhar mais dinheiro, todo mundo vai ganhar mais visibilidade, todo mundo vai ganhar mais torcedor ainda”. ” 1’53
Sonora “Se um time tem a equipe feminina e Elaine Trevisan a
equipe
masculina,
elas
estão
atreladas ao mesmo escudo, elas defendem o mesmo time, apesar de serem duas equipes de gêneros diferentes.
Então
eu
acho
que
divulgar, sabe. Se você já tem muitos adeptos
ao
masculino,
vamos
apresentar as meninas nesse cenário, “olha, agora a gente também tem um time de futebol feminino. Vamos apoiar também”. Porque a pessoa, ela
87
torce pelo time, não pela equipe de futebol, pela equipe de basquete. Por exemplo,
quem
torce
para
o
Corinthians, torce para o Corinthians. Vai torcer para o Corinthians futebol de amputados, para o Corinthians futebol feminino, para o Corinthians futebol
americano,
para
o
Steamrollers, enfim, vai torcer para o Corinthians, ela está torcendo para aquele time. A mesma coisa acontece São Paulo, Palmeiras, Santos, enfim, toda a gama que tem de equipes. Então eu acho que talvez uma estratégia de marketing das equipes assumirem as equipes femininas, os times femininos de futebol, sabe. Colocar o escudo e falar “pô, elas são nossas,
elas
nos
representam
também, então, vamos apresentar elas”. Eu acho que se as vezes se você não leva as meninas, mas pô, por que não anunciar junto? Até num jogo de futebol, por que não falar que vai ter na mesma semana uma disputa do feminino em tal lugar? Por que que na hora que você entrega o ingresso, não está impresso ali um convite, que muitas vezes os jogos do futebol feminino são gratuitos, “olha, se você quiser assistir, entre em tal site, retire isso”. Enfim, eu acho que assumir de fato que você tem uma equipe
88
feminina e falar “olha, elas nos representam tanto quanto qualquer outra equipe” ia ajudar muito aí nos torcedores conhecerem. Os que ainda não sabem que tem o time feminino, conhecerem. Mas tem muita torcida que eu acho que já está abraçando aí as equipes femininas. ” 43’
Sonora “A
mídia
talvez
seja
uma
das Rosana Augusto
principais armas para que o futebol feminino evolua. Você divulgando, Vídeos dela treinando você demonstrando, a exigência até pela Seleção para as atletas, ela vai se tornar maior, para as comissões ela vai se tornar maior. Então, todo mundo quando é visto precisa fazer o melhor. Então todo esse desenvolvimento também passa pela imprensa e eu costumo falar, a imprensa pode te colocar no céu ou no inferno em um dia. Então é importante que a imprensa também saiba valorizar quem de fato tem feito pelo futebol feminino. ” 1’04
Sonora “A imprensa já elegeu presidente, já Elaine Trevisan derrubou presidente, já colocou temas em discussão, já ajudou muito a Inserts meninas jogando combater alguns preconceitos. Eu futebol acho que ela tem um poder surreal. Hoje é raro você falar com uma pessoa que não escuta um rádio, que não assiste uma TV ou que pelo
89
menos não lê algo na internet. Mesmo o jornal impresso, que está ali, as pessoas leem. A imprensa está em todos
os
lugares
informando
e
desinformando. Basta ela entender o que ela quer fazer. Então eu acho que é fundamental o papel da mídia nesse trabalho de reeducar as pessoas em relação aos preconceitos que elas têm em relação ao futebol feminino, a prática de alguns esportes pelas mulheres. Quando a mídia de fato colocar isso como uma proposta para ela, vai ficar muito mais fácil. Eu acho que como ela também tem essa questão de audiência e tal, ela está indo gradativamente, mas já subiu muito. ” 5’
Sobe
Ary, Aline e Rosana jogando futebol
som
Fotografias
delas
jogando Trilha 4 Smile
21’
Sonora “Quem é a Ary? Ary é uma menina de Ary Borges dezenove anos que adora brincar, vive a vida, graças a Deus, com toda Inserts da Ary jogando e alegria do mundo e que curte todo sorrindo momento que ela vive na vida dela. Acho que é isso. Ary é uma menina feliz, com tudo o que passa na vida. ”
58’
Sonora “Pergunta difícil hein, mas vou tentar Rosana Augusto resumir em poucas palavras. Acho
90
que a Rosana Augusto é uma Vídeo Rosana fazendo sonhadora, até porque eu penso que gol pela Seleção o sonho é o oxigênio do ser humano, tudo começa por um sonho. Então eu Fotografias dela jogando sempre sonhei, dentro disso tracei minhas metas, fui atrás, abdiquei de muitas coisas. Então eu definiria a Rosana
Augusto
como
uma
sonhadora, mas que concretiza esses sonhos
de
acordo
com
as
possibilidades e uma pessoa muito tranquila que gosta de ajudar muito, disponível para todos os momentos. Acho que dentro de campo eu assumo um papel importante de liderança. Me cobro demais. E eu acho que uma pessoa agregadora. ” 21’
Sonora “Eita. Quem é Aline Pellegrino? Nem Aline Pellegrino eu sei mais. A gente vai mudando, a gente vai crescendo, todo dia a gente Fotografias dela jogando vai
aprendendo.
momento,
nesses
Eu
estou
últimos
num pela Seleção quatro
anos, de aprender muito, de olhar muito para frente. Mas eu acho que é uma sonhadora. Uma sonhadora. ”
Trilha 5 Eyes 29’
“Eu diria que você vai começar agora, Ary Borges você vai enfrentar um monte de coisa, vai enfrentar preconceito, dificuldade Fotografia da Ary porque não é fácil começar no futebol
91
feminino, ainda mais você sendo bem nova. É difícil achar clube. Mas se você
acredita
capacidade
que
para
você
tem
se
você
isso,
acredita que esse é realmente o seu sonho, corre atrás e se apega nas pessoas que que te apoiam, que estão ali do seu lado. ”
1’00
Sonora “Eu
com
seis
anos
não
tinha Aline Pellegrino
perspectiva nenhuma de ser uma atleta
de
futebol,
chegar
numa Fotografias da Aline pela
Seleção Brasileira, jogar Copa do Seleção e na Federação Mundo, Olimpíada e todo mundo falou Paulista de Futebol para mim que não era para eu fazer, que não ia dar certo e hoje eu estou aqui como Diretora da Federação Paulista
de
Futebol,
técnica
supervisora,
tendo
sido
atleta
por
dezesseis anos, jogado Copa do Mundo,
Olimpíada.
E
o
futebol
transformou a minha vida. Então assim, para essas meninas que estão começando, que sonham, acreditem porque
o
sucesso
necessariamente
chegar
não
é
numa
Seleção Brasileira. O caminho, às vezes, vai te dar outras coisas como também me deu uma bolsa de estudos, a minha profissão que era o que eu queria fazer, o que eu queria ser desde pequena, que era ser
92
profissional de educação física. Então eu acho que o futebol, sonhar o futebol, se você se dedicar, tiver disciplina, ele vai te agregar coisas boas, eu tenho certeza disso. E, ter o plano B, o C e o D, e o E também, porque às vezes é difícil, é um funil, para as mulheres ainda um pouco menos, mas não é todo mundo que vai chegar lá, mas às vezes o chegar lá numa Seleção não é o que vai te trazer sucesso, não é o que vai fazer você feliz. ”
20’
Sonora Sonhar, traçar metas, não desistir no Rosana Augusto primeiro empecilho que tiver. E uma coisa muito importante, não deixe que alguém imponha limite, só você pode impor o próprio limite e aí quando a gente sonha e a gente traça metas, a gente não tem limite.
Trilha 1 Eyeliner
54’
Sobe
Comemoração delas caindo para os Ary, Aline e Rosana
som
créditos finais.
93
C- DIÁRIO DE CAMPO Antes de ingressar no curso de jornalismo, eu assistia programas de esportes todos os dias, principalmente o Jogo Aberto da Band por ter uma mulher como apresentadora, que me serviu de inspiração. Embora eu trabalhe hoje em um programa de entretenimento e com a experiência eu tenha gostado muito, principalmente da edição, o meu objetivo é seguir com o jornalismo esportivo. O tema escolhido para este trabalho faz parte do meu dia a dia. Eu como mulher e praticante do esporte, conheço os preconceitos existentes contra a mulher no futebol feminino, logo, resolvi unir duas paixões, o futebol e o jornalismo para fazer esse projeto. Para dar início ao documentário, entrei em contato com diversas fontes que são ligadas diretamente ao futebol feminino. A princípio eu tinha imaginado o documentário de outra forma, mas não conseguia imaginar o produto final, com as entrevistas e cobertura. Após a orientação com o Professor Mestre Antonio Lucio Assiz, eu consegui dar forma ao produto e saiu muito melhor do que eu poderia imaginar. Uma das grandes dificuldades que eu encontrei para a realização das entrevistas, foi a disponibilidade das fontes. Eu acreditava que seria mais fácil e tinha em mente entrevistar diversas pessoas que vivem do esporte, mas infelizmente eu não consegui marcar com algumas pessoas que eu gostaria e que dariam mais credibilidade ao documentário, sendo que são pessoas com grande repertório no futebol feminino. Das fontes entrevistadas, a mais difícil foi com a Aline Pellegrino, que é Diretora do Futebol Feminino na Federação Paulista de Futebol. Lá ela realiza um trabalho que tem o objetivo de fomentar a categoria. A agenda dela é apertada por conta dos compromissos com os campeonatos e times paulistas, mas depois de bastante insistência eu consegui. Outra dificuldade foi ligar os assuntos na hora da edição e ter que cortar algumas falas que eu gostei bastante por conta do tempo estipulado. Durante a produção deste documentário, reportagem e edição de texto, pude ter mais certeza ainda do que eu quero seguir. Eu já sabia muitas coisas sobre o
94
futebol, sobre a prĂĄtica das mulheres, mas as fontes me ensinaram muito e me deram uma visĂŁo que eu ainda nĂŁo tinha, tanto sobre o esporte quanto sobre o jornalismo. .
95
ANEXOS
96
1. ANEXO I