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RELATÓRIO METODOLÓGICO - MYLLA STEFANY MELO DOS SANTOS

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

RETRATOS DO SLAM POETRY: A IMPORTÂNCIA DA POESIA COMO INSTRUMENTO DE MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA DAS MINORIAS PERIFÉRICAS DA GRANDE SÃO PAULO

MYLLA STEFANY MELO DOS SANTOS RGM: 1678991-1

SÃO PAULO 2019


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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

Retratos do Slam Poetry: A importância da poesia como instrumento de manifestação artística das minorias periféricas da Grande São Paulo MYLLA STEFANY MELO DOS SANTOS RGM: 1678991-1

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof° Dr. Nivaldo Ferraz

SÃO PAULO 2019


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SUMÁRIO 1. Introdução.............................................................................................................. 7 2. Objetivos ............................................................................................................... 9 2.1.

Objetivo geral..........................................................................................9

2.2.

Objetivos específicos...............................................................................9

3. Problematização e hipóteses .............................................................................. 10 4. Justificativa ......................................................................................................... 12 4.1

Poesia como forma de protesto.............................................................12

4.2.

A importância da literatura marginal.......................................................13

4.3.

Um olhar fotojornalístico........................................................................14

5. Plano Estratégico.................................................................................................16 5.1.

Descrição do produto.............................................................................16

5.2.

Público Alvo...........................................................................................17

5.3.

Finalidade..............................................................................................18

6. Referencial Teórico..............................................................................................19 7.

Referências..........................................................................................................24 7.1.

Bibliografia.............................................................................................24

7.2.

Webgrafia..............................................................................................25

8.

Cronograma.........................................................................................................26

9.

Investimento.........................................................................................................26

Apêndice.....................................................................................................................27


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1. INTRODUÇÃO “É preciso resistir para existir. Poesia é reexistência" (D’ ALVA, 2017)1

O presente projeto “Retratos do Slam Poetry: A importância da poesia como instrumento de manifestação artística das minorias periféricas da Grande São Paulo” propõe apresentar uma nova ótica sobre estes grupos a fim de gerar debates sobre a violência, racismo, feminismo, intolerâncias sobre a identidade de gênero e orientação sexual, buscando desconstruir o estereótipo estrutural recorrente no cotidiano. O Poetry Slam2, popularmente conhecido como “batalhas de poesias faladas” teve início nos anos 80, em Chicago, nos Estados Unidos, porém só chegou ao Brasil por volta de 2008. São Paulo é o estado no qual se concentra o maior número de slams do país, sendo o Zap!Slam o primeiro coletivo de poetry slam do Brasil.

Poderíamos definir o poetry slam, ou simplesmente slam, de diversas maneiras: uma competição de poesia falada, um espaço para livre expressão poética, uma ágora onde questões da atualidade são debatidas ou até mesmo mais uma forma de entretenimento. De fato, é difícil defini-lo de maneira tão simplificada, pois, em seus 25 anos de existência, ele se tornou, além de um acontecimento poético, um movimento social, cultural, artístico que se expande progressivamente e é celebrado em comunidades em todo mundo. (D’ALVA, 2014, p.109)

O que difere a poesia slam dos outros tipos existentes é que o estilo contribui na auto representação das minorias periféricas e marginalizadas, pois retrata as dificuldades, dilemas e vivências destes grupos. Tendo em vista este cenário, analisa-se, por meio do fotojornalismo, um reconhecimento da comunicação existente e presente na poesia slam como ferramenta observadora de protesto, visando o olhar crítico nas fotografias existentes, como meio potencializador capaz de gerar consciência de classe.

Frase dita por D’Alva em entrevista ao Jornal da USP. Disponível em: < https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/slame-voz-de-identidade-e-resistencia-dos-poetas-contemporaneos/>. Acesso em: 10 ago. 2019 1

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Slam é uma onomatopeia americana que significa uma "batida", semelhante a expressão "Pá!" na língua portuguesa. O termo também é utilizado nas enterradas de basquete, por ser um movimento potente e vigoroso. Deste modo, o Slam poetry faz alusão ao esporte, como se os poetas enterrassem a sua poesia no pensamento de quem estiver ouvindo.


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De acordo com Sousa (2002, p.8) “fazer fotojornalismo ou fotodocumentarismo é, no essencial, sinônimo de contar uma história em imagens que exige sempre algum estudo da situação e dos sujeitos nela intervenientes”, e complementa, “Uma imagem fotojornalística, para ter sucesso, geralmente precisa de juntar a força noticiosa à força visual. Só assim consegue, no contexto da imprensa, juntar uma impressão de realidade a uma impressão de verdade.” O intuito deste projeto é produzir uma grande reportagem fotográfica em formato de livro, com imagens das principais batalhas de poesias ocorridas entre agosto e outubro deste ano em São Paulo, a fim de retratar – por meio de fotografias – o ativismo do poetry slam e analisar de que maneira a poesia falada favorece a visibilidade e empodera grupos de minorias periféricas da Grande São Paulo.


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2. OBJETIVOS 2.1.

OBJETIVO GERAL

Utilizar do fotojornalismo para retratar em imagens o ativismo de coletivos de minorias periféricas que utilizam da poesia slam como meio transformador social e, por meio da grande reportagem, compreender a fala poética como sinônimo de empoderamento para estes grupos que possuem temas pertinentes como racismo, desigualdade social, feminicídio, dentre outros assuntos sociais relevantes que geram debates e fazem com que os leitores reflitam a importância desta temática.

2.2.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Apresentar um novo olhar sobre as minorias periféricas.

Analisar de que maneira esses coletivos utilizam do slam como instrumento de visibilidade e empoderamento para as minorias.

Produzir

uma

grande

reportagem

fotográfica

onde

poderemos

compreender de que forma a poesia slam poderá gerar catarse no público e desconstruir o estereótipo da periferia. 

Mostrar – através da fotografia – a expressão de revolta dos slammers3 ao recitar suas vivências em forma de poesia, e a atenção do público ao ouvilas.

Instigar a discussão, de forma consistente e clara para todas as classes sociais; e também a receptividade dada pela identificação do público com o tema.

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Os poetas que participam das batalhas de slam são chamados de slammers.


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3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES “Para os jovens das classes trabalhadoras, a experiência da cidade é de injustiça e não de privilégio.” (CALDEIRA, 2003, p.323)

De acordo com Bueno (2016), o uso da força policial é constantemente direcionado a adolescentes e jovens negros de baixa renda. Em sua matéria, 62,1% dos mortos pela polícia paulistana entre 2013 e 2016 eram negros, a maioria jovens de 15 a 19 anos. Estes dados correlacionam-se aos números da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, segundo a qual 90% das mortes registradas no primeiro semestre de 2017 ocorreram nos bairros mais distantes em relação ao centro da cidade. Com isso, se torna claro que a maior causa responsável pela violência não se dá pelo fato da ação contrária a lei, e sim, através do racismo estrutural presente na sociedade de maneira vigente. Portanto, pode-se observar que a profunda desigualdade que permeia a sociedade brasileira, serve de pano de fundo à violência cotidiana e ao crime.

Se o desempenho da polícia é um fator importante para explicar os altos níveis de violência, isso está relacionado menos aos números policiais e a seu equipamento e mais aos seus padrões de comportamento, padrões esses que parecem ter se tornado cada vez mais ilegais e violentos nos últimos anos. (CALDEIRA, 2013, p.134)

Considerando os levantamentos de dados a respeito do aumento de violência provocada por policiais nas periferias de São Paulo; no preconceito contra as minorias ainda presente; e tendo como entendimento de que a periferia não se resume somente a contravenções e tráficos, é possível observar que os slammers têm muito a dizer a respeito destas questões, onde a sociedade não-marginalizada não tem consciência das dificuldades enfrentadas por estes grupos, que não são ouvidos pela mídia tradicional e que buscam outros meios para reverberar a sua voz e poder refletir positivamente suas ideias poéticas. A partir desse cenário é possível fazer as seguintes perguntas para a elaboração deste projeto:


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1. De que maneira a poesia slam favorece essa visibilidade e torna possível o entendimento do problema racial estrutural presente, ressignificando a imagem da periferia a partir da dialética poética? 2. A poesia poderia mudar o índice de transgressão e violência que cresce entre os jovens da periferia (ADORNO 2017)?

Através das perguntas e com o aprofundamento de estudos para este trabalho acadêmico, foram elaboradas as seguintes hipóteses: 1. Apesar das poesias serem em sua maioria sobre vivências pessoais, os problemas enfrentados pelos poetas poderiam causar uma profunda reflexão para quem estivesse ouvindo. Para as minorias periféricas, as poesias seriam representativas; para os demais, as palavras duras dos poetas causariam uma possível desconstrução de seus privilégios, abrindo assim seus olhos para os problemas reais da sociedade. Desta forma, a imagem da periferia seria ressignificada com a ajuda do slam poetry. 2. Logo no primeiro contato, os poemas poderiam despertar uma reflexão no ouvinte, que se sentiria representado nos versos do poeta. Esta identificação permitiria que a pessoa frequentasse mais encontros de slam e incentivasse outras pessoas – que se sentiriam tocadas pela poesia – a participarem também, formando uma teia de conhecimento sobre o movimento, podendo diminuir o índice de jovens que optam pelo caminho da violência.


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4. JUSTIFICATIVA Com base em notícias sobre a violência, artigos sobre poesias faladas, literatura na periferia e livros sobre fotojornalismo e fotografia, justificou-se a escolha do tema e o desenvolvimento o projeto a partir dos seguintes subtópicos:

4.1. POESIA COMO FORMA DE PROTESTO A baixa política pública de segurança nas periferias e o alto índice de violência contra as minorias resultou nas mortes entre os jovens de 15 a 29 anos, que subiram 15,2% entre os anos de 2005 e 2015 (IPEA 2017)4. A pesquisa também aponta que a mortalidade de jovens negros e pardos é quase três vezes maior que a de brancos neste período. Em uma notícia publicada pelo portal online da UOL, Adorno (2017) – com base nos dados do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública – afirma que o índice criminal entre os jovens cresce consideravelmente nas regiões periféricas, o que corrobora com o discurso da professora do Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Teresa Pires do Rio Caldeira:

A profunda desigualdade que permeia a sociedade brasileira certamente serve de pano de fundo à violência cotidiana e ao crime. A associação de pobreza e crime é sempre a primeira que vem à mente das pessoas quando se fala de violência. Além disso, todos os dados indicam que o crime violento está distribuído desigualmente e afeta especialmente os pobres. (CALDEIRA, 2013, p.134)

Vale ressaltar que as políticas públicas de segurança marcadas por operações policiais, são focadas primeiramente na repressão e no enfrentamento, deixando de lado a preservação da vida. Trata-se então de uma força policial militarizada, que vê os jovens da periferia como potenciais inimigos que precisam ser combatidos. Essas e tantas outras adversidades comumente – seja pela polícia já citada, mídia ou pela própria sociedade – é o combustível dos slammers, que utilizam da sua vivência para discorrer sobre os problemas que estão enraizados na estrutura social, sendo da 4

Dados coletados da pesquisa do IPEA 2017 disponível na matéria jornalística do site G1. Disponível em: <

https://g1.globo.com/politica/noticia/taxa-de-homicidio-de-jovens-de-15-a-29-anos-cresce-172-de-2005-a-2015.ghtml > Acesso em: 09 set. 2019


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discriminação até a alta violência, visando um futuro no qual a periferia possa estar armada de livros na mão.

A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até quatrocentas páginas. Jovens traficando contos; adultos, romances. Os mais desesperados cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara enrolou um soneto bem na frente da minha filha (VAZ, 2008, p. 117)

A poesia slam se torna, portanto, um importante espaço e ferramenta onde os jovens de periferia expressam sua visão de mundo e do cotidiano e o reitera de forma positiva. Segundo Petrina (2018) em sua matéria para o jornal online Brasil de Fato: “o slam é um meio de dar visibilidade à periferia, suas dificuldades, seus sonhos. É um grito de existência que dá visibilidade e sentido à vida do jovem da periferia.” Inicialmente, as batalhas de poesias eram um espaço para o poeta recitar poemas de qualquer temática, seja de amor, infância ou com um viés político. Porém no Brasil, as poesias de protesto ganharam fama e se popularizam entre os slammers que procuram transmitir as suas vivências através dos versos punchline5 com o objetivo de estimular as relações interpessoais sobre os problemas sociais e ressignificar as ideias e estereótipos muitas vezes impostos pela mídia, tornando as poesias slam uma potente ferramenta para uma transformação social das classes marginalizadas, como cita Neves (2017) em seu artigo para a Revista Linha D’Água da USP: Na performance poética do slam, o poeta age como locutor/falante interativo, o interlocutor/ouvinte como leitor ativo, responsivo e replicante, e que as condições de recepção (a escuta), e de produção (a escrita) estão o todo tempo em jogo, isto é, são determinantes para a construção do gênero discursivo/textual poético. (NEVES, 2017, p. 101)

4.2. A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA MARGINAL Do preconceito existente com sua aplicação nos espaços públicos, até seu reconhecimento como fundamento social e político, a poesia slam passou por diversas

Termo emprestado do RAP, que significa “linha de soco”, ou seja, versos marcantes carregados com uma grande ironia ou mensagem direta que acerta em cheio quem estiver ouvindo. 5


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adaptações de pautas sociais, de modo que não seja vista apenas como âmbito cultural, mas sim como um processo criador e revolucionário.

Indicativas do caráter revolucionário do discurso produzido na periferia são também as imagens, recorrentes na literatura marginal e nas letras de rap, que fundem literatura e violência. Nesse campo de produção, a metáfora da escrita/leitura como armamento ou munição é um tropo poderoso, que ressignifica tanto o gesto de afronta ou crime, quanto a função da literatura. (...) A literatura vista por esse prisma é indissociável da função política, e a violência, agora discursiva, tem como fim combater as desigualdades sociais e, por fim, a própria violência física. (MINCHILLO, 2016, p. 134)

Tem-se assim uma visão poética que não busca soluções rápidas e prontas, mas que gere questionamentos aos ouvintes e estimule novas visões do que é a luta informativa, partindo para uma comunicação clara e objetiva. Segundo pesquisa do Instituto Pró-livro (2016)6, o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano, sendo que 30% da população nunca comprou um livro. Em paralelo, o mercado editorial brasileiro sofreu uma queda significativa de 4,5% em 5 anos consecutivos, aponta estudos da SNEL (2016).7 O baixo índice de leitura no país não desanima os slammers, que contam com apoio da própria comunidade para se manter. Para Neves (2017), os coletivos de slams não tem o intuito de lucrar com as poesias, muito menos ganhar fama midiática, mas sim de dar voz a comunidade e, consequentemente, serem ouvidos. “Promover batalhas de performances poéticas, transformar os slams em linguagem, em educação - eis os desafios dos slammers ao/no mundo contemporâneo”, (NEVES, 2017, p. 97).

4.3. UM OLHAR FOTOJORNALÍSTICO Entre as linguagens do jornalismo, o gênero fotojornalístico leva em conta o contexto de inserção das imagens e a intenção jornalística dos fatos. Para Sousa

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Disponível em: <http://prolivro.org.br/home/images/2016/Pesquisa_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_-_2015.pdf>. Acesso em: 09 ago. 2019 7

Disponível em: <https://snel.org.br/wp/wp-content/uploads/2017/08/Apresenta%C3%A7%C3%A3o-Pesquisa Produ%C3%A7%C3%A3o-e-Vendas_2016_1.pdf >. Acesso em: 09 ago. 2019


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(2002), o fotojornalismo é uma atividade particular que utiliza a fotografia como um veículo de observação e análise que, além de informar, credibiliza a informação textual. A fim de compreender melhor os conceitos de uma fotografia, fez-se necessário recorrer aos conhecimentos de Freeman (2012, p. 98) que afirma: “fazer uma fotografia é criar a imagem de um evento”, delimitando o espaço a um “retângulo que corta o visível” (MACHADO, 2019, p.73) no qual cabe ao fotógrafo destacar algo - ou um assunto - a ser valorizado por meio de recursos em relação ao ângulo, planos, composição e direcionamento do olhar. Dessa forma, a escolha da grande reportagem fotográfica como produto para o projeto acadêmico, foi pensada para preencher uma lacuna que está em falta nas universidades: um estudo de pesquisa, apresentado em grande reportagem fotográfica, sobre a importância da fotografia com recurso mediador e reflexivo, a fim de proporcionar um novo olhar à poesia de protesto das minorias.

A imagem é muito mais que um objeto: ela é o lugar de um processo vivo, ela participa de um pensamento. A imagem é pensante (...) na medida em que as ideias por ela veiculadas e o que ela faz nascer dentro de nós - quando as olhamos - são ideias que somente se tornaram possíveis, porque ela, a imagem, participa de histórias e de memórias que as precedem. (SAMIAN, 2012, posição 355)8

A imagem é pensante, e Buoro (2003) complementa: “A imagem exige olhar diferenciado que critica, opina e interpreta”. Com isso, este projeto de pesquisa e a grande reportagem fotográfica em forma de livro, se justificam ao analisar de que maneira estas poesias faladas ressignificam a imagem das minorias citadas e de como elas utilizam do slam como recurso para a visibilidade, ativismo e informação.

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Leitura realizada em Ebook no Kindle, no qual apresenta o nº das páginas em posições.


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5. PLANO ESTRATÉGICO 5.1. DESCRIÇÃO DO PRODUTO E ESTRATÉGIAS PARA DEFINIÇÃO 

Título: Slam Poetry: Retratos da Resistência

Periodicidade: Edição Única

Gênero: Fotojornalismo

Capa: Dura com laminação Soft

Dimensão: Altura 15,5cmx 23cm

Papel: Miolo couche fosco

Gramatura: 170g

Quantidade de páginas: 84

Número de Capítulos: 3

Utilização de imagens: 42 imagens

Recursos de edição: Lightroom e Photoshop para tratar as imagens e InDesign para edição de texto e layout gráfico.

Sinopse O novo estilo de poesia cada vez mais famoso nas periferias ganha um significado maior além das competições que ocorrem em outros países. No Brasil, o slam poetry se torna um instrumento de empoderamento das minorias periféricas que utilizam as palavras como munição para atingir em cheio quem estiver passando pelas ruas de São Paulo. Slam Poetry: Retratos da Resistência acompanha a caminhada dos slammers nas preparações das poesias e por meio da fotografia, retrata o impacto que as batalhas de slam causam tanto para quem observa de fora do contexto quanto para aqueles que sentem na pele cada verso dos poemas, desconstruindo a imagem marginalizada da periferia.

Formato O livro fotográfico contém as fotografias de algumas batalhas de slam que aconteceram em São Paulo no segundo semestre de 2019. Através delas podemos ver os poetas se preparando para as batalhas, a energia ao declamar a poesia e as


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reações do público. O “Slam Poetry: Retratos da Resistência” também apresenta entrevistas com os principais slammers para ajudar a compreender a história do slam e a mostrar de que forma estes poetas se organizam e transmitem toda luta e ativismo que estão nos versos de suas poesias. A escolha dos entrevistados se dá pelo fato de serem os organizadores dos maiores e mais significativos coletivos de slam de São Paulo e por participarem de muitos campeonatos de poesia, estando em altas posições ou mesmo sendo os grandes vencedores das competições dos anos anteriores.

Recursos Gráficos A capa e a contra capa são compostas pelas cores vermelho e preto. Vermelho por representar a violência cotidiana das periferias e preto pelo fato de a maioria dos encontros de poesia slam serem realizados a noite. Na contra capa também temos a imagem de um poste, representando a fonte de luz que ilumina os “palcos” das ruas. O livro apresenta fotografias em páginas duplas e também fotos em tamanho menor a fim de mesclar texto, entrevistas dos slammers e imagens das apresentações. As fotos, em preto e branco, geram uma atenção maior na própria fotografia, provocando um sentimento diferente para quem está vendo a imagem.

Nada no mundo é em branco e preto. Mas o fato de eu transformar toda essa gama de cores em gamas de cinza me permitiam fazer uma abstração total da cor e me concentrar no ponto de interesse que eu tenho na fotografia. A partir desse momento, eu comecei a ver as coisas realmente em branco e preto. (SALGADO 2013)9

A escolha por apresentar as imagens com um ruído notável se deu por um recurso estético no qual traz uma identidade para as fotografias presentes no projeto.

5.2. PÚBLICO-ALVO A grande reportagem fotográfica busca atingir as pessoas não têm conhecimento sobre a poesia slam e sua importância para as comunidades e grupos

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Trecho da entrevista de Sebastião Salgado para o site G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-dejaneiro/noticia/2013/05/sebastiao-salgado-explica-o-planeta-em-branco-e-preto-que-traz-ao-rio.html> Acesso em: 10 out. 2019


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de minorias periféricas que lutam contra o racismo, homofobia e misoginia. A proposta é desconstruir a imagem estereotipada desses grupos e apresentar uma alternativa para esses indivíduos que buscam se expressar de alguma forma e fazer com que as suas vozes sejam ouvidas.

5.3. FINALIDADE Sabendo da potente transformação que a poesia slam e seus coletivos podem exercer sobre aqueles que os escutam e, sobretudo naqueles que participam, este projeto tem como finalidade no âmbito social de agregar conhecimentos sobre um novo estilo de poesia pautada pelo tom de duras críticas sobre a sociedade e desmistificar a ideia de que a periferia é marcada apenas por violência, pobreza e outros aspectos negativos que são ressaltados pela grande mídia e pelo pré-conceito existente.

É para mostrar para os meninos da fundação que existem outros caminhos, pois a única diferença entre eu e eles é que estou com uma caneta na mão ao invés de um fuzil mas nós somos iguais: preto, pobre e favelado, pronto para ser eliminados, mas voltaremos armados de conhecimento para tentar mudar esse jogo. (EVOLUTIO, 2019, p. 25-26)

No âmbito jornalístico, haverá um aprimoramento em fotografia fotojornalística, realização de entrevistas na prática, noção de iluminação, olhar fotojornalístico e tratamento de imagens para projetos fotográficos futuros em agências de conteúdo.


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6. REFERENCIAL TEÓRICO

“O que pertence ao crime é tudo o que a sociedade considera impróprio” (CALDEIRA, 2003, p.80)

Para amparar teoricamente este presente projeto, fez-se necessário compreender todo o estudo de pesquisa de Teresa Pires do Rio Caldeira – professora do Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia – em sua obra Cidade de Muros: Crime, segregação e cidadania em São Paulo, onde Caldeira nos mostra de que forma a violência e o medo se manifestam nas cidades contemporâneas, com foco em São Paulo. De acordo com a autora, o recente aumento da criminalidade violenta é resultado não apenas da desigualdade e da pobreza, mas sim da falta de acesso à justiça e desrespeito aos direitos das classes mais pobres, que são marginalizadas

por

não

se

adequarem

ao

padrão

socioeconômico

e/ou

comportamental que a sociedade impõe.

A lista de preconceitos contra eles é infinita. São considerados intrusos (...). São também considerados marginais: diz-se que têm famílias divididas, que são filhos de mães solteiras, crianças que não foram criadas devidamente. Condena-se seu comportamento: diz-se que usam palavrões, são sem vergonha, consomem drogas e assim por diante. De certo modo, tudo o que quebra os padrões do que se considera boa conduta pode ser associado a criminosos, ao crime e a seus espaços. (CALDEIRA, 2003, p. 80)

Com o tempo, estes grupos considerados “marginais” pela sociedade começaram a se organizar a fim de reverberar o preconceito que sofrem, buscando espaço de protesto para serem ouvidos e compreendidos. Como alternativa, alguns recorreram a literatura como instrumento de manifestação artística para romper o silêncio e compartilhar a visão de mundo destes grupos de minorias através das poesias faladas, como podemos observar no livro “Querem nos calar: poemas escritos para serem lidos em voz alta” da escritora, poeta e produtora cultural Mel Duarte que afirma: A poesia falada nada mais é do que uma herança cultural, uma memória deixada em nossos genes por quem nos antecedeu. A oralidade era utilizada como forma de manter os costumes e crenças vivos, desde a Grécia Antiga, passando pelos trovadores provençais e os griots¸ e desde então vem sendo inserida em diversos movimentos como o beatnik, o dos direitos civis e a


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afirmação negra norte-americana, chegando aos poetas de rua, aos saraus e, hoje, aos slams. (DUARTE, 2019, posição 70-71)10

O Slam Poetry teve início nos Estados Unidos com o poeta Marc Kelly Smith, mas foi através da poeta Roberta Estrela D’Alva que o movimento chegou ao Brasil em dezembro de 2008, na cidade de São Paulo com o ZAP! Slam. Aos poucos, as batalhas de poesias foram ganhando espaço, alcançando 18 dos 26 estados do país. De acordo com a professora da Universidade Estadual de Campinas Cynthia Angra de Brito Neves (2017), em seu artigo Slams – Letramentos Literários de Reexistência ao/no Mundo Contemporâneo – fundamental para os nossos estudos – o Slam Poetry é um fenômeno de poesia oral e performática crescente no mundo contemporâneo. Inicialmente, os encontros de slam aconteciam em bares ou espaços fechados, mas foi com Emerson Alcalde, vice-campeão da Copa do Mundo de slam na França em 2014, que o conceito de realizar as batalhas de poesias em locais públicos (como ruas e praças próximas aos metrôs) se popularizou, ao fundar o primeiro coletivo de slam de rua, o Slam da Guilhermina. Há dois momentos principais nos encontros: o “Mic aberto”, no qual tanto os poetas quanto o público são convidados a declamar suas poesias livremente, e a batalha de poesias em si, no qual – de acordo com D’Alva (2014) – os slammers devem declamar poemas de própria autoria de no máximo três minutos sem utilizar nenhum figurino específico, nem adereços ou acompanhamento musical. Com isso, os poetas dependem da auto performance para impressionar o júri, composto por cinco jurados escolhidos pelos organizadores. A fim de compreender o conceito de performance poética, fez-se necessário recorrer aos conhecimentos de Ferreira (2011) em seu artigo para a Revista Repertório, no qual contextualiza o termo como “o movimento do corpo de forma indeterminada, em que o gesto, a voz, a expressão e a comunicação, a cada experiência vivida esteticamente, mostram-se no mais alto grau da imprevisibilidade do dizer poético.” Os slammers, em suas apresentações, recorrem as influências do RAP e Hip Hop para dar ritmo, musicalidade e fluidez aos versos; utilizam também as expressões faciais e o próprio corpo para dar ênfase as palavras e/ou demonstrar uma ação correspondente ao que está sendo emitido. Paul Zumthor em seu livro “A letra e 10

Leitura realizada em Ebook no Kindle, no qual apresenta o nº das páginas em posições.


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a voz: a literatura medieval” explica que a poesia está ligada não a literatura escrita, mas sim ao corpo. Para o autor, “o simbolismo primordial integrado ao exercício fônico se manifesta eminentemente no emprego da linguagem, e é aí que se enraíza toda a poesia” (ZUMTHOR, 1993, p. 10). Em complemento, Gilmar Leite Ferreira afirma:

Na performance poética, o corpo se contorce, caminha por labirintos de movimentos imprevisíveis sem a preocupação de achar a porta da comunicação, e, quando menos se espera, a expressão se joga numa arena de corpos que interagem numa mesma sinergia de um estado poético uno, sem hierarquias nem determinações. Nesse sentido, a poesia provoca o ouvinte, tornando-o sujeito da abertura poética, e a voz do declamador é mais do que uma expressão sonora, é um homem que sai do seu oculto para uma comunicação de revelação. (FERREIRA, 2011, p. 137)

O slam como um dos instrumentos de empoderamento das minorias periféricas tem como principais pautas sociais o racismo estrutural, violência, feminismo negro e LGBTQIA+fobia. Cada poeta levanta uma temática que dá o tom dos encontros de poesias, sendo o Slam das Minas SP

11,

um dos movimentos que trazem à tona a

violência contra a mulher e o feminismo negro. Na obra “Quem tem medo do feminismo negro?” de Djamila Ribeiro – mestre em filosofia e colunista das revistas Elle e CartaCapital – a autora compreende que o termo “empoderamento feminino”, para o feminismo negro, possui um significado coletivo, “trata-se de empoderar a si e aos outros e colocar as mulheres como sujeitos ativos da mudança” (RIBEIRO, 2019, p. 135). É possível traçar um paralelo do pensamento de Ribeiro com a poesia oral declamada nos encontros de slams, pois os poetas buscam não somente a auto compreensão como também a potencialização do discurso empoderador. Outro assunto

muito

debatido

entre

os

poetas

são

as

intolerâncias

contra

identidades/ideologias de gênero e a violência contra as pessoas LGBTQIA+. Paulinha Turra, poeta que se assumiu lésbica há três anos, nos presenteia com a poesia “Agora eu tenho 19 anos”, declamada no Slam Resistência em 2017, no qual cita a sua maneira de ser mulher, de se vestir e sobre sua sexualidade.

11

O Slam das Minas SP é organizado pelas poetas Luz Ribeiro, Pam Araújo, Carol Peixoto e Mel Duarte, autora do livro Querem nos calar: Poemas para serem lidos em voz alta, utilizado para o referencial teórico deste presente projeto.


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Hoje em dia eu nem ligo, sou do jeito que eu quiser. O jeito que eu falo, que eu penso, que eu me movo, é meu jeito de ser mulher! E vai ter gente falando que eu tô confusa, mas confuso é quem quer me dar beijo, mas não beija porque se assusta. Eu beijo mina, bicha, diva, viada e sapatão. Eu não tenho lista de pré-requisitos, eu não tô atrás de um padrão. E se hétero quiser estar comigo na balada, não é porque tá bêbado e a visão tá embaçada, é porque eu sou uma puta mina gata, e de macho eu não tenho nada. Eu posso até ter falado muito, me embolado e falado demais, mas é que eu só comecei a falar três anos atrás. (TURRA, 2017)12

Desta forma, é possível observar que o slam é um movimento poético político e democrático “que tem como principal conceito a liberdade de expressão, fazendo do livre diálogo uma ferramenta para a construção de novos horizontes e para além de um espaço de fala, é também um convite a escuta” (DUARTE, 2019, posição 97). Após todo este referencial teórico a respeito do movimento poético em periferias e seus estudos, o projeto visa transmitir a ideia por meio da fotografia. Para isso, fez-se necessário a leitura das obras “A Ilusão Espetacular: Uma Teoria da Fotografia” de Arlindo Machado e “O Olho do Fotógrafo” de Michel Freeman, nos quais apresentam teorias essenciais para a execução da grande reportagem. Em seu livro, Freeman dá uma aula sobre composição, direcionamento do olhar, dinâmica do quadro, textura e diversos conceitos aplicados nas fotografias presentes no produto.

O olho busca harmonia, ainda que isso não faça desta uma regra de composição. Negar o equilíbrio perfeito ao olho pode resultar em uma imagem mais interessante e ajudar a provocar a resposta que o fotógrafo deseja. A composição efetiva não está comprometida com a produção de imagens delicadas segundo proporções facilmente reconhecíveis. Geralmente, ela satisfaz visualmente, mas, em última instância, o bom design é funcional. Ele começa pela clareza que o fotógrafo tem quanto ao potencial fotográfico de uma cena e sobre qual deve ser o efeito da imagem. (FREEMAN, 2012, p. 33)

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Trecho da poesia de Paulinha Turra declamada no Slam Resistência em 2017.


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Para compreender melhor o papel da fotografia no âmbito jornalístico, fez-se necessário ler a obra “Fotojornalismo Uma introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa” de Jorge Pedro Sousa e ter em mente o conceito de “instante decisivo” de Henri Cartier-Bresson, para desenvolvimento da ótica fotojornalística. Uma pesquisa de campo foi realizada nas regiões de Osasco e Guilhermina, nos quais foram observados os coletivos SlamOz e Slam da Guilhermina. O Poeta Márcio Ricardo, Emerson Alcalde, Evolutio, Yasmin, Maria Ribeiro da Silva e a jornalista Paloma Vasconcelos foram entrevistados para o andamento do projeto. Para transcrever as entrevistas realizadas e estabelecer uma narrativa jornalística que se adequasse ao produto, recorreu-se aos conhecimentos do jornalista Felipe Pena, em seu livro “Jornalismo Literário”, no qual explica o termo “estrela de sete pontas” que são sete objetivos que o jornalista tem que ter em mente ao escrever um texto deste gênero jornalístico. A grande reportagem fotográfica preocupou-se em evidenciar três deles: potencializar os recursos do jornalismo, exercitar a cidadania e ter em mente a perenidade do tema.

Não se trata apenas de fugir das amarras da redação ou de exercitar a veia literária em um livro-reportagem. O conceito [de jornalismo literário] é muito mais amplo. Significa potencializar os recursos do Jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lead, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos. (PENA, 2018, p. 13).

Devido ao embasamento teórico dos autores, compreendeu-se que é possível levar as informações dos grupos de slam por meio do fotojornalismo e do jornalismo literário, sendo assim, uma ferramenta de fácil acesso e compreensão do ativismo presente nas poesias faladas.


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7. REFERÊNCIAS 7.1.

BIBLIOGRAFIA

BUENO, Samira. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: Fórum Brasileiro, 2016. BUORO, Anamelia Bueno. O olhar em construção. Uma experiência de aprendizagem e de ensino da arte na escola. São Paulo: Ed. Cortez, 6º ed. 2003. CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros: Crime, Segregação e cidadania em São Paulo. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2003. D’ALVA, Roberta Estrela. Teatro hip-hop: a performance poética do ator-MC. São Paulo: Pers-pectiva, 2014. RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro?. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. DUARTE, Mel. Querem nos calar: Poemas para serem lidos em voz alta. São Paulo: Editora Planeta, 2019. EVOLUTIO. Travessia. São Paulo: Grandir Edições, 2019. 44 p. FERREIRA, Gilmar Leite. A Performance Poética. Revista Repertório, Salvador, v. 17, p.136-142, fev. 2011. FREEMAN, Michael. O Olho do Fotógrafo. São Paulo: Bookman, 2012. 192 p. MACHADO, Arlindo. A Ilusão Espetacular: Uma Teoria da Fotografia. São Paulo: GG, 2019 MINCHILLO, Carlos Cortez. Poesia ao vivo: algumas implicações políticas e estéticas da cena literária nas quebradas de São Paulo. Estud. Lit. Bras. Contemp. [online]. 2016, n.49, p.127-151 NEVES, Cynthia Angra de Brito. Slams - letramentos literários de reexistência ao/no mundo contemporâneo. Revista Linha D’Água (2017) p. Online. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/linhadagua/article/view/134615. Acesso em 14 abr. 2019.


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SOUSA, Jorge Pedro. Fotojornalismo Uma introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa. São Paulo: Porto, 2002. 151 p. VAZ, Sérgio (2008). Cooperifa: antropofagia periférica. Rio de Janeiro: Aeroplano ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a literatura medieval. Trad. Jerusa Pires Ferreira e Amalio Pinheiro. São Paulo: Cia das Letras, 1993.

7.2.

WEBGRAFIA

ADORNO, Luís. Matéria jornalística do site UOL. Número de adolescentes apreendidos cresce seis vezes no Brasil em 12 anos. 2017. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/10/30/numero-deadolescentes-apreendidos-cresce-seis-vezes-no-brasil-em-12-anos.htm>.

Acesso

em: 09 set. 2019. BULCÃO, Luís. Matéria jornalística do site G1. Sebastião Salgado explica o planeta em branco e preto que traz ao Rio. 2013. Disponível em:<http://g1.globo.com/riode-janeiro/noticia/2013/05/sebastiao-salgado-explica-o-planeta-em-branco-e-pretoque-traz-ao-rio.html>. Acesso em: 07 set. 2019. IGNACIO, Ana. Matéria jornalística do site HuffPost Brasil. Roberta Estrela D’Alva, a voz pioneira nas batalhas de slam pelo Brasil. 2018. Disponível em: <https://www.huffpostbrasil.com/2018/10/21/roberta-estrela-d-alva-a-voz-pioneiranas-batalhas-de-slam-pelo-brasil_a_23566380/>. Acesso em: 07 set. 2019. PETRINA, Adelaide. SLAM cresce e se torna um novo espaço de resistência nas periferias. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2018/09/02/slam-crescee-se-torna-um-novo-espaco-de-resistencia-nas-periferias/>. Acesso em: 07 set. 2019.


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8. CRONOGRAMA

JAN Atividades Apuração x tema Bibliografia Pesquisa de campo Encontros de Slam Relatório Redação texto Contato fontes Entrevistas Diagramação Revisão Decupagem entrevistas Entrega para gráfica Entrega do produto final Apresentação

FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV

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9. INVESTIMENTO ITEM

QUANTIDADE

Transporte MicroSD 32 GB Bateria Revisão Diagramação Livro Total

40 1 2 --------5

VALOR UNITÁRIO(MÉDIA) R$ 4,30 R$ 75 R$ 70 --------R$ 167

TOTAL R$ 160 R$ 75 R$140 R$ 100 R$ 100 R$ 950 R$ 1525


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APÃ&#x160;NDICE


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Diário de Campo – 2º semestre de 2019

Agosto Em agosto concluí a pesquisa bibliográfica e dei continuidade a elaboração do relatório. Entrei em contato com a Roberta Estrela D'Alva, Lukas Koka, Mel Duarte e Emerson Alcalde para entrevistá-los e fui, pela segunda vez, ao SlamOz para fotografar o 20º encontro de batalhas de poesias. Os slammers me trataram muito bem e me explicaram como funcionavam as batalhas.

Setembro Setembro foi o mês mais intenso. Fui em mais um encontro do SlamOz para fotografar e realizar as entrevistas. Entrevistei a Alessandra Mansano, o Poeta Marcio Ricardo, a Yasmin, Evolutio e a Dona Maria que estava passeando pelo local e decidiu declamar a sua poesia, todos os entrevistados me atenderam bem e responderam tranquilamente as perguntas. Entrei em contato com a jornalista Paloma Vasconcelos e realizamos a entrevista por troca de mensagens. Planejei a capa, contra capa e a diagramação do produto. Entrei em contato com o diagramador que me entregou o esboço da capa e das primeiras páginas do livro. Após a escolha do papel e da estimativa da quantidade de páginas eu pedi o orçamento de duas gráficas: AlphaGrafics e Inprima. Na última sexta do mês eu fui na Grande Final do Slam da Guilhermina, no qual tirei mais fotos que ficaram com maio resolução devido a presença de 3 softbox que colocam no local. O evento estava lotado e terminou mais tarde do que o esperado.

Outubro Em outubro comecei a escrever o texto para a grande reportagem fotográfica e continuei tentando entrar em contato com a Roberta Estrela D'Alva, porém sem sucesso. Novas opções de capa foram feitas, assim como a organização das fotos dentro do livro. Consegui uma entrevista com Emerson Alcalde no evento de lançamento da Coletânea de Slam, que ocorreu na Livraria Martins Fontes. O poeta foi muito acessível, me concedeu a entrevista e fiquei até o final do evento porque teria uma batalha de poesias dentro da livraria, por isso aproveitei para tirar mais fotos.


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Novembro Conclusão do livro e do relatório. Fechei o orçamento com a AlphaGrafics que ofereceu um belo desconto para a produção. Convidei os slammers a comparecerem à apresentação da banca e eles aceitaram prontamente o convite.

Pautas

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Slam Poetry: Retratos da Resistência TEMA/ASSUNTO EDIÇÃO A importância do slam como instrumento de manifestação artística para dar visibilidade as periferias de São Paulo

FONTES Alessandra Mansano - (11) 97806-0363 – Organizadora do SlamOz Emerson Alcalde – Organizador do Slam da Guilhermina ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas aos Organizadores dos principais grupos de slams de São Paulo. O objetivo é coletar mais informações sobre o estilo de poesia e o movimento de resistência através dela. Perguntas: 1. Como surgiu o (nome do grupo de slam)? 2. Em média, quantos poetas participam das competições? 3. Por que as batalhas de poesias são importantes para a comunidade? 4. Qual a importância da apropriação do espaço público pelos artistas como modo de resistência? 5. Qual o impacto do slam para os jovens que moram nas periferias? 6. Por que fazer as batalhas de slam nas ruas? Qual a diferença entre batalhar em um local fechado e nas ruas? 7. Como você se sente em saber que o Slam Guilhermina é referência para os outros grupos de Slam aqui no Brasil? 8. Como foi representar o Brasil num mundial de slam? 9. No Slam, é mais importante ganhar ou passar a mensagem? 10. O próprio grupo de slam que arca com as passagens para o ganhador ir competir na copa mundial do slam que ocorre na França? 11. Existe diferença entre participar das batalhas de poesias aqui no Brasil e lá na França? 12. Qual a maior importância de lançar uma coleção de livros sobre slam para a periferia?


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FONTES Márcio Poeta (Márcio Ricardo da Silva) – Slammer Yasmin – Slammer Evolutio – Slammer ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas aos slammers que se apresentam nos principais grupos de slams da grande São Paulo. Perguntas: 1. Quando e como você começou a declamar a sua poesia nestes encontros? 2. Como você define a poesia slam? 3. Quais as diferenças e semelhanças entre a poesia que encontramos nos livros da poesia slam? 4. Qual a influência do rap e hip hop nas poesias faladas? 5. A palavra é um instrumento muito poderoso de transformação. Quando você traduz a sua vivência em palavras, você acredita que promove essa transformação não só em você mesmo, mas nas outras pessoas também? 6. Como você enxerga o surgimento de novas vozes no slam? 7. Você acha que é possivelmente expressar toda a luta e ativismo que o slam traz nas poesias através de uma fotografia? Se sim, porque? OBSERVAÇÃO SlamOZ – Saída sentido centro comércio de Osasco


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FONTE Paloma Vasconcelos ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas a jornalista da Ponte (Jornalismo independente) LGBT ligada ao slam e pautas sobre cidadania. Perguntas: 1. Quando e como foi o seu primeiro contato com o Slam? 2. Você já foi em quantos grupos de Slams diferentes? E quais? 3. Você acredita que a poesia slam é capaz de mudar uma situação social de um indivíduo ou de uma comunidade? 4. O que você sente ao ouvir cada poesia declamada nos encontros? 5. Qual a importância de fazer um jornal da comunidade para a comunidade? 6. Como o jornalismo pode auxiliar na visibilidade dos grupos de slam? 7. Como foi escrever o livro "Transresistência: Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho" para o seu TCC e o impacto que o seu trabalho teve na sua carreira?


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Transcrição das entrevistas Entrevistado: Poeta Marcio Ricardo Quando e como você começou a declamar sua poesia nos encontros de slam? Eu comecei a declamar quando eu fui convidado pelo Slam do Treze, eu não sabia o que era slam, eu fui convidado na primeira edição, em 2013, que acontece no terminal santo amaro, toda última segunda do mês. Eu fui chamado para lançar meu livro, e ai eu acabei, pessoal falou participa, eu acabei participando, tanto que as poesias que tinham mais punchline eu não mandava, eu mandei poesia de amor, na verdade hoje criou um padrão de slam, eu acredito que poesia é poesia, você podia mandar poesia de amor, tudo é poesia, tudo deveria ser avaliado nos slam, mas infelizmente as que chamam mais atenção, são as punchline, o lance de você falar de política, na naquela época não, eu mandei uma poesia que falava sobre todos os estados do Brasil, uma poesia de amor e na final fui com o Emerson Alcalde, e na final eu mandei a conjunto de ideias, que é a do A até o Z, eu mandei ela lendo, porque eu não sabia ela de cor, ai o Emerson ganhou, e nesse ano ele ganhou as finais dos slams e foi representar o Brasil na França, então eu comecei em 2013 mesmo.

Você tem alguma referência nesse meio, algum ídolo no slam? Eu acho que assim, referência no slam, eu acho que é muito bom, quando eu vou nos slams, e encontro diversos tipos de poesias, diversos tipos de vertentes, eu acho que todo é minha referência, com todo mundo eu aprendo, e todo mundo eu ajudo a evoluir através da minha arte. Eu acho que a gente caminha todo mundo muito, temos uma admiração muito grande um pelo outro e acredito que isso seja o mais importante.

Como você define a poesia slam? A poesia é definida como algo além daquilo que é só falado, no seu olhar, na sua performance no seu grito, a sua poesia é o que ultrapassa folha, não é aquilo que tá lá só na folha, que as pessoas leem e tal, é aquilo que ultrapassa tudo e chega no coração.


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Qual a influência do Rap e Hip Hop nas poesias faladas? O Hip Hop, o RAP, a gente sabe que a sigla é ritmo e poesia, então eu acho que o slam se enquadra muito dentro no Hip Hop, porque é a poesia falada, eu sou rapper, e alguns trabalhos meus no rap eu mando como poesia. Eu acho muito legal na minha concepção, quando a gente manda um som, as pessoas ficam curtindo a batida e não presta atenção na letra, e no slam não, como ele não tem o acompanhamento musical, a pessoa acaba de te ouvindo, ouvindo o que você está falando na letra e fica pensando: “mano, é aquilo lá que ele falou”. Acho que o slam tem tudo à ver com o Hip Hop e eles caminham lado a lado, porque é som de luta é movimento de luta.

Você acha que é possível expressar toda luta pela fotografia? Acho sim, a fotografia é também uma expressão artística enorme. Tem poetas que tem performances que quando o fotógrafo tira a foto você olha a foto e você já sabe do que ele tá falando ali. Eu tenho uma poesia muito emblemática que é a Estação de Rádio, que eu coloco a mão na boca e finjo que é um rádio. Quando o fotógrafo tira a foto e a pessoal olha, todo mundo sabe o que eu tô mandando, por exemplo, quando Lucão abaixa assim com a mão, todo mundo sabe que ele tá mandando a poesia do Tim. Tem isso, tem o lance de conectar aquilo que você já viu com aquilo que está sendo retratado ali e fica eternizado.

Como você enxerga o surgimento de novas vozes no slam? Eu acho importantíssimo, não há dono no slam, o slam é um movimento continuo, onde cada vez mais o jovem tem que participar, colocar o seu ponto de vista, sua voz e o seu grito. Eu com muito orgulho faço parte de um time chamado Slam Interescolar, organizada pelo Slam da Guilhermina, e eu fiquei responsável por sete escolas e para fazer um slam em cada escola. Hoje dia 25 de setembro eu fui numa escola, Salvador Móia, no Jabaquara, e tivemos a Noemi, uma menina talentosíssima, vencendo o slam e ela está classificava pro SlamSP, onde vai enfrentar os outros slammers de outras escolas. E não é só eu que cuido disso, eu cuido de sete escolas, Mariana mais sete, Beká mais sete, cada um tem a suas escolas por ai espalhados


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pelo SP, são mais de 100 escolas e no final do ano, vai ter essa super final do fundamental e do ensino médio. E isso é incrível porque vemos a maturidade muito da juventude chegando pelo slam e isso é muito louco porque passa um ano e eles já estão aqui, batalhando com a gente, no slam de rua, porque já tiveram o pontapé inicial. Isso é fundamental.

Você acredita que a poesia slam é capaz de mudar uma situação social de um indivíduo e/ou de uma comunidade? Eu acho que sim. Eu acho que qualquer movimento que usa a palavra e a voz e que tem um direcionamento certo e que seja ampliado pra comunidade e para o povo é válido e importante e o slam é uma dessas ferramentas, que usa da poesia falada para poder questionar, correr atrás dos seus direitos, fazer com que o outro entenda seu lado e suas dores, é super válido o slam, assim como o Hip Hop luta também, o slam é uma arma para usar cada vez mais nossa voz para a luta.

Entrevistada: Poeta Yasmin Gabrielle Quando e como você começou a declamar sua poesia nos encontros de slam? A minha caminhada com o slam em 2016, mas em 2017 que sei que existe espaços próximos a mim que eu consiga utilizar. O primeiro que comecei a participar foi o Slam Resistência. Eu comecei como ouvinte por necessidade, como válvula de escape e que precisava escutar o que os outros tinham pra me dizer, até que eu descobri que tinha espaço de fala ali importante. Foi através do B Boy Banx? Que já se foi, mas que acabou me apadrinhando. Ele me puxa e fala: ‘você faz poesia vem cá, eu quero ver você recitando’ e a partir disso eu começo a participar dos encontros que além de ouvindo eu começo a ser participante.

Como que faz para começar no slam, sempre tem que ter alguém dentro do slam para apadrinhar? Não, não existe isso, aconteceu comigo porque tinha que acontecer, foi por pura identidade, meu nome é Yasmin e o nome da filha dele também era Yasmin, mas


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na questão o slam é aberto para todo mundo, você pode chegar e ver o Mic Aberto ou que ta tendo inscrição, você pode se inscrever, a casa é aberta para todo mundo. O slam é um espaço de fala, a gente tem a seguinte frase: “A gente passa 15 minutos falando se passarmos de fase, mas são quase três horas escutando o outro” O slam para além de um espaço de fala é um espaço de escuta, então está para todo mundo, eu estou pra te escutar assim como você está para me ouvir.

Como você define a poesia slam? Eu acho que não tem como definir a poesia slam, não existe um formato, existe você e sua vivencia. Acredito que baseando na sua vivência, com o que te ronda e com o que você vê, o slam vai falar mais forte nisso.

Diferente e semelhança da poesia do livro e do slam? É uma necessidade, tanto da escrita quanto da fala, é a spokingword, a modalidade da fala. É os tempos, se formos pegar Solano de Trindade que é de um outro tempo, mas que sofria tanto quanto hoje, que sofremos com o impacto da sociedade, ele vai retratar e militar na escrita dele, é a necessidade de fala, de demonstrar através de alguma expressão o que você sente e querer ser ouvido, e no caso da escrita é uma forma de ser lido, que transpassa e que vai além do tempo, por isso acredito que são algo em comum, os dois vão ultrapassar o tempo.

Você acha que é possível expressar toda luta pela fotografia? Eu acho que eles se complementam, cada um vai trazer suas características, eu já vi fotografias que me fizeram chorar, que me fizeram me reconhecer e me trazer uma alegria muito forte, então acredito que uma fotografia pode identificar uma poesia e as duas juntas se complementam.

Você acredita que a poesia Slam é capaz de mudar uma situação social de um indivíduo e/ou de uma comunidade?


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Sim, porque mudou minha vida. Eu vivi o mundo acadêmico, eu fazia técnico em química, um lugar completamente elitista, onde sai pra voltar para as ruas, e na época pensei, isso não vai ser minha profissão, hoje eu sou poeta. É o que me traz sustento pra casa, o que tenho certeza que trouxe perspectiva para várias pessoas que estão aqui também, é uma nova forma de viver, hoje eu conheço São Paulo por causa da poesia, do slam. Com certeza muda.

Quais grupos de slam você participou? Slam Rua, onde vou sair para o estadual, na casa amarela. Slam Fluxo que acontece lá na Matarazzo, zona leste. Slam Prego, em Guarulhos, Slam Peixe Podre, em Pirapicuiba, Slam Resistência, centro de São Paulo na Roosevelt, SlamOz, minha casa em Osasco. Slam Usperifa. E cada coletivo é uma magia diferente. ZAP!Slam, primeiro slam do Brasil. Slam Guilhermina, o primeiro slam de rua do mundo, por isso no Brasil, graças ao Slam Guilhermina que eles são assim. O Slam do Treze e muitos outros. São 43 grupos slams no campeonato de SP. E é muito legal poder somar com cada um deles.

Entrevistada: Alessandra Mansano Como surgiu o SlamOz? O SlamOz surgiu à partir do Lucão e da Lais, que frequentavam o poesia de esquina, ele conheceram lá, ai eles fizeram a primeira edição aqui em Osasco, na CPTM, ai na segunda edição veio eu, Wesley Moraes, Cauê Tavano e John Melo, e todas as edições se fecharam nesse grupo, mais pra frente entrou o Ismael na parte de tecnologia, porque temos o site, nós temos toda uma estrutura. Eu sou produtora, que além de fazer parte do coletivo, eu produzo todo o trabalho do SlamOz, agora mais recentemente chegou a Bruna, ela é jornalista, ajuda bastante para divulgar conteúdo. Slam nasceu em novembro de 2017.

Quantos poetas participam por competição?


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Sempre dão mais de 20 poetas, mas fazemos sorteio e limitamos para 15 poetas, senão se estende muito, as vezes quanto estamos adiantamos abrimos uma exceção, ou quando é uma edição especial.

Para você qual a importância desses encontros? É a troca de afeto em primeiro lugar, pois é um movimento muito inclusivo. É uma troca de ideia enriquecedoras, porque tem um poeta aqui falando sobre racismo, sobre homofobia, sobre política, e as vezes tem uma pessoa passando aqui e chama a atenção para ele, as vezes ele sente que é racista ou homofóbico, e não me atento e acaba prestando atenção na fala do poeta. Já ouvimos história que as poesias mudaram a forma de pensar, conscientizou as pessoas. É um movimento de resistência, um movimento político muito importante para esse momento que estamos vivendo no país, e sofremos muito, porque temos muita repressão, no começo do ano tinha polícia que ficavam do nosso lado. Porém temos autorização para ficarmos aqui, e não podem nos tirar daqui, e eu sempre suavizo para ambos os lados, eu até vou aos policias e falo que o evento vai começar daqui a pouco, e fazemos política de boa vizinhança, mas agora graças a Deus não tem mais.

Qual a maior dificuldade? Em Osasco aqui o SlamOz é novidade, o SlamOz faz slam no Sesc, fazemos de poesias curtas de até 15 segundos no Sesc de Osasco, tornamos o slam conhecido em Osasco, tem professores que nos procuram interessados, fazemos oficinas nas escolas, é o movimento dos poetas vivos, poxa tem Castro Alves, e outros, mas temos esses poetas que estão aqui vivos, e isso foi se tornando famoso entre as escolas. No Pavio Curto dentro do Sesc, já recebemos quatro professores querendo material, comprando livros dos poetas, para passar nas escolas, querendo agendar oficinas para dar choque de realidade. O slam é um movimento literário, estamos movimentando bastante. Tenho uma editora menor que ajuda os escritores a começar a publicar livros. No Sesc, o vencedor em primeiro lugar ganha uma publicação de um Zine de 24 páginas que para quem não tem dinheiro, dá uma ajudada, e oriento que estão ganhando 30 Zines e que podem vender a tanto, e com isso terá um lucro e poderá comprar mais, e afins. É um movimento literário grande, não só em Osasco e


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sim em toda São Paulo, e assim todos estão tomando conhecimento do slam. Acreditamos e que estamos chamando atenção, e antigamente não era assim, essa era nossa maior dificuldade.

Há quanto tempo existe os poetas vivos? Esse movimento é geral, é pra quem frequenta o slam. Vamos conversar com os poetas vivos, vamos estudar eles, é geral, é um movimento que surgiu e está presente na sociedade, quando ouvimos eles falarem das suas angustias, seus problemas e necessidades, do seu dia a dia em que não são compreendidos, e somos escuta, e ajudamos a superar aquilo, e após uma poesia pesada tem o abraço, o afeto e o carinho, tem a troca de ideia.

Entrevistado: Evolutio Quando e como você começou a declamar sua poesia nos encontros de slam? Poesia de slam eu comecei em 2018, mas antes disso eu tinha ido no Slam da Guilhermina de 2016 a 2017, eu não frequentava nenhum outro slam e também não me dedicava ao slam, mas em 2018 eu disse pra mim mesmo, eu quero me dedicar pra cena do slam, quero ser reconhecido como um poeta slammer. Em fevereiro de 2018 marca minha entrada no slam.

Você tem alguma referência nesse meio, algum ídolo no slam? Tenho vários, não é só um. Os poetas de slam que me fez começar a escrever, o primeiro foi o Emerson Alcalde, organizado do Slam da Guilhermina, ele chegou muito próximo de vencer o mundial da França, na época que eu conheci ele estava muito em alta. Depois do Emerson veio outros, Felipe Marinho, Cleyton Mendes, geração antes da minha, e a galera que entrou junto comigo eu comecei a admirar muito, que é o Beká, Rafa Nunes, Marcio Ricardo, Yasmin, Thayane Theorodo, Renato Cola, todos os meus amigos me influência de certa forma. É uniname, como eu também influencio os outros.


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Como você define a poesia slam? Eu gosto de usar um termo que nem todo mundo gosta, o slam é um jogo, um jogo que tem que saber jogar, você ganha ou perde é natural das coisas, mas eu defino a poesia de slam uma poesia que não tem tempo para pensar, por exemplo eu escrevo outras poesias mais complexas de entender e as coloco no meu livro, eu não recito ela em slam. A poesia que eu faço no slam, ela tem que ser mais direta, que a pessoa em três minutos consiga absorver, mas não uma mensagem direta que seja rasa, acredito que a poesia slam tem que ser uma mensagem que as pessoas voltem pra casa conscientizadas, e a minha poesia eu gosto de escrever com referências, citando pessoas para que as conheça. E assim ele abre um link pra conhecer outras poesias. E se você quiser ganhar o slam você tem que acabar sendo competitivo, e a competição para cada um é tratado de uma forma, eu a trato de forma natural, é uma competitividade mas é saudável. A Roberta Estrela D’Alva fala algo muito interessante, o que é mais importante, ganhar ou passar a mensagem? E eu acredito que os dois sejam importantes, o slam mudou minha vida.

Como o slam mudou sua vida? De diversas formas, eu escrevi uma poesia recentemente que se chama Aluno nota 10, que na poesia eu falo: “Eu calei a boca da professora que disse que meu futuro era o crime ou a roça, hoje eu sou lido dentro das escolas”, quando eu tinha mais ou menos 13 anos a professora falou pra mim que eu não tinha futuro. Mas percebi que com minha poesia eu consigo escrever e atingir as pessoas, e é muito bom receber mensagem da galera dizendo que está usando minha poesia pra fazer trabalho dentro da escola, meu livro ta dentro da escola, eu cito que na poesia que ela está nos TCCs, mudou minha vida nesse sentido, de reconhecimento, de um moleque periférico, porem sai da periferia e quebrei alguns muros, e hoje vou pra alguns lugares, desde televisão até empresas privadas.

Qual a influência do Rap e Hip Hop nas poesias faladas? Na minha poesia tem total influencia, eu sou muito apaixonado por RAP, eu estou com uma teoria que tenho que ficar uma semana sem escutar nenhum RAP,


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porque sou muito viciado em RAP, e eu vim das batalhas de MC. Eu vim das batalhas de Rap. Se você pegar o jeito que eu escrevo se você colocar um beat, e ver eu recitando, colocar uma métrica tem toda uma formalidade de uma escrita para uma letra de música, o hip-hop além de me ensinar a escrita, me ensinou sobre as questões da rua, sobre levar o conceito da rua. O pessoal do RAP estuda muito, para você ter referência, então essa questão de querer estudar muito veio dali das batalhas, a minha poesia é hip-hop, tem muito hip-hop, eu amo muito hip-hop, amo os quatros elementos, e acrescento mais um que é o conhecimento, e tem total influencia porque consigo ligar esses pontos, eu não sou o poeta do as poesias dos quintetos, eu sou poeta da rua, marginal e temos muita influência. Está tudo ligado.

A palavra transforma as outras pessoas? Total, eu estudo cinema, eu acredito que não só a palavra, mas a arte influencia diretamente nas pessoas, a palavra tem uma coisa direta por ser oral. Por mais que a pessoa esteja em Manaus e esteja vendo um vídeo meu, a palavra tá ecoando, através de um instrumento sonoro, que chega no ouvido. É uma conversa, por exemplo, se você não tem um pai em casa e escuta alguém falando sobre o mesmo problema se cria uma empatia, do tipo, caramba olha o que ele fez. Por isso a poesia falada tem tanto poder, porque ela é direta, ela não tem muito rodeio, chegamos direto no ponto e diz, eu posso também. O Slam foi a maior faculdade da minha vida, no slam eu aprendi coisas que quem entra numa pública ou federal só aprende a decorar as formas pra passar no vestibular e não conhece sobre classe, sobre espaço e lugar de fala, a respeitar as mina. O Slam ajuda a dar base, ouvi minhas manas falar, você tá errado nisso, e vamos trocar uma ideia. Então o slam me fez isso, a palavra é isso, ao mesmo tempo que ela vai como poesia, eu penso nela como um quadro, que pinto da forma que eu quero, ai vão para as outras pessoas e elas fazem um novo quadro sobre a poesia, e cada pessoa é um quadro. Cada um tem sua interpretação. Cada um pensa de uma forma. Por exemplo eu tenho uma poesia que fala sobre crises psicológicas, eu lancei um vídeo no ano passado, e aí varia mensagem dizendo obrigado, me deu várias luzes, e eu digo olha isso, como a palavra tem muito poder, e por isso digo que precisamos saber como usá-la, para não causar dano.


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Você acha que é possível expressar toda luta pela fotografia? Sim, a fotografia é um registro de um momento, pelo slam ser um movimento muito pulsante, assim como a vida é pulsante, a fotografia pode, mas depende do direcionamento que você vai dar, mas em linhas gerais é uma representação de um momento, se eu pego o momento que o poeta esteja no grito que ele vai soltar e você pega nesse instante esse momento de boca aberta, aquelas fotos maravilhosas, e pensamos assim, ele está passando um sentimento, as pessoas sabe disso. Se pegamos um exemplo, essa fotografia tem um sentimento muito forte. É uma arte de militância e da pra linkar com tudo. Participei de um projeto que escrevíamos uma poesia na cidade Tiradentes e o fotografo ia lá e tirava uma foto fazíamos o processo inverso. E deixava na Cidade Tiradentes.

Entrevistada: Maria Ribeiro da Silva Motta Você conhecia o slam? Não conhecia ninguém, vim pra cá e fiz teatro, danças brasileiras Maracatu, e vou me apresentar. Eu adoro isso tudo. Essa foi a primeira vez que vim num encontro e recito a poesia.

Faz tempo que você escreve as poesias? Escrever eu não escrevo, as pessoas que me dão, por exemplo se você me der uma poesia hoje, e falar quero em 04 dias eu já estaria pronto. Todas feitas por amigos, aí vou lá e recito e fiz aberturas de show. Fui uma das primeiras pessoas que se formou em canto no Senac. A Alessandra que é poeta me passa e eu falo, várias pessoas e eu vou pra todo lugar e recito as poesias.

Entrevistado: Emerson Alcalde Como surgiu a ideia de fundar o Slam da Guilhermina? Eu já frequentava os saraus de perifa, Cooperifa, Sarau do Binho na zona Sul, e eu sempre morei na Zona Leste, eu conheci o ZAP, fui na primeira edição e


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frequentei durante anos, e eu queria fazer um evento de literatura marginal na zona leste que não tinha, nem sarau nem slam, já tinha só um slam no Brasil e ficava na pompéia, bairro nobre, e eu pegava ônibus pra ir pra lá e voltava, e me perguntaram, porque você não faz um no seu bairro, falei acho que não tem a cena, mas resolvi fazer um sarau, e acabei no final das contas fazendo um slam, por mais que já tivesse um, foi um a ideia mesmo sem condições, e foi por necessidade. Comecei a buscar espaços e eu morava no Cangaiba, e fui em vários bares, perguntei pra vários donos e nenhum me causava firmeza, minha referência era bar porque o ZAP era num bar, e eu pensava que deveria ser num bar também. Aí um dia, atravessei a Guilhermina para o outro lado, onde tem a pracinha, e eu nunca tinha atravessado para o outro lado, e falei, nossa que lugar é esse, ela é perfeita, vai ser aqui, pensei em janeiro e em março aconteceu a Guilhermina.

Existe alguma diferença em fazer Slam na Rua ou em Bar outro lugar? Toda diferença, percebemos que um lugar aberto, sente muita mais gente e pessoas que não entram em local fechado. Tudo bem, quem frequenta bares? Lógico que tem a Cooperifa, que vão pro local depois de estabilizados, mas normalmente lá tem um certo público, e locais fechados como o Teatro, algumas pessoas acham que não são para elas. Os populares não acessam lugares institucionais de cultura porque acreditam que seja para classe média, que estejam bem vestidos ou que vão ser olhados de forma errada. E fazer na rua a gente atinge pessoas que estão saindo do Trabalho, pessoas que nunca viram, veem as poesias e acabam falando: Eu também escrevo poesia em casa, e querem recitar, a gente atinge as pessoas que não tem o hábito. E fazer em lugar aberto, acreditamos que seja o que cativou e fez ir para os 04 cantos do Brasil. Hoje temos mais de 200 Slams e a maioria estão na rua. Ou seja, a gente estimulou os poetas e grupos fazerem na rua, sem estrutura e que atinja mais gente.

Como você se sente sabendo que a Guilhermina virou referência para esses grupos de Slam? Ficamos muito felizes e orgulhosos, pois apostamos em algo que funcionou, conseguimos a princípio em não ter espaço, e foi a melhor coisa, porque hoje não


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saberia o que é fazer slam aqui. E lá é uma praça, e ficamos muito honrados em ter criado algo que possibilita pessoas. Por exemplo eu fui no Acre com a Roberta, e existia um grupo que fazia Slam na Praça, e isso enriquece demais, por que um estimula o outro. E assim se espalhou para todo o Brasil.

Como foi representar o Brasil no Mundial do Slam na França? Foi uma experiência incrível, porque as pessoas que tinha ido até então não tinham passado da primeira fase, ai eu fiquei assim, eu tenho que ir para passar de fase, ai eu me preparei, já organizei o slam aqui, já cumpri o papel, enquanto poeta preciso ir pra cima, ai quando passei da primeira fase eu chorei, fiquei bobão, não acreditei, ai quando passei me deu um animo, foi pra casa, e pensei, eu tenho que passar de novo, ai fui lá e passei, e aí começou uma campanha enorme aqui no Brasil, cheguei na final, pessoas com cartazes, #somostodosAlcalde #somostodosdaleste, na internet e tudo, fiquei bobo, até chegar na escola em uma professora que me deu aula no fundamental, aí a professora fez uma campanha com os alunos, na escola onde eu estudei, com cartaz na lousa, aquilo me arrepiou, aí eu fui pra final com um canadense, empatei na final, e fomos pro desempate, aí eu perdi e ficamos em segundo lugar, mas foi incrível algo que eu não esperava. Muitos dizem, Alcalde você chegou tão longe, e eu falo, foi o momento, foi o preparo, eu fazia poesia a mais de 10 anos. O preparo técnico, de escrita, de performance, e agora pra eu passar só se for ganhando.

No Slam você acha que é mais importante ganhar ou passar a mensagem? Acho que todos querem ganhar, o slam é um jogo, e ele só vai rolar se todo mundo se preparar, querer ganhar, o eu posso ganhar, mas também tem aquilo, só um vai ganhar de 20. Então eu tenho que pensar, eu preciso falar algo interessante, ai você passa a primeira fase, é incrível, ai um poeta diz aquela poesia que ele nem ganhou o evento, mas que mexe com as pessoas e fica na cabeça, que toca. A função do slam, não é descobrir quem é o melhor poeta, eu não fui o segundo melhor do mundo, eu consegui levar minha poesia para que pudesse tocar as pessoas naquele momento, presente, quem tava na final gostou. É um jogo ao qual você escolhe as suas poesias, os momentos, a melhor coisa é o encontro de pessoas, elas poderiam


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estar em qualquer lugar, mas estão ali, querendo ouvir a poesias, pela literatura, jovens se reunindo para ouvir literatura é fantástico.

Competição Gastos França? É a produção do Slam BR, não é a França que paga, quem paga ultimamente é o Sesc ou o Itaú Cultural, paga o Cachê e uma parte é para os custos, e pagam hospedagem.

Existe diferença da batalha aqui no Brasil e na França? Sim, na França as pessoas são mais frias, o poeta fala parado, eles não se emocionam tanto, eles ganham parado, os brasileiros que foram, que pega o corpo, a fala, agita para o público, é tudo muito diferente e estranho para eles, eles estão lá para ouvir sua poesia, vai lá e diga sua poesia, os temas são diversos, lá não é o social que pega mais, aqui são os mais efervescentes que ganham, lá não necessariamente, pode ser uma poesia romântica, que se for bem escrito passa de fase, é mais calmo, menos euforia, é normalmente num teatro, as pessoas sentam, apagam as luzes. É diferente.

Qual a maior importância de lançar uma coleção de livros de Slam? Essa foi a grande sacada que teve o grupo da autonomia literária. Nós fomos até eles propor a publicação, mas queríamos fazer para um selo, chegar nas livrarias em outros estados, mas somente o nome do slam não vai pegar, e pensou em fazer por tema, Antífa, LQBTQIA+, Negritude e Empoderamento Feminino, uma maneira de chegar. E comecei a estruturar, fui coordenador, chamei poetas de todo o Brasil para os livros, e agora estão em todos os lugares do Brasil onde a gente não consegue chegar, muitos poetas estão felizes pela publicação. Os poetas normalmente têm publicações independentes, e ter algo grandioso como isso é muito bacana e importante. A coleção ela marca um momento histórico no mercado editorial, para o Slam, na literatura oral estamos dominando mas em publicação, essa é a primeira vez.


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Entrevistada: Paloma Vasconcelos Quando e como foi o seu primeiro contato com o Slam? Eu acompanho poetas a bastante tempo, mas a primeira ida a um slam mesmo só aconteceu em 2015. na época eu fui no Slam Resistência, que sempre acontece na praça Roosevelt. o slam entrou na minha vida por causa do RAP, que é o estilo musical que eu mais acompanho. aí os slammers e os MC’s tem muita proximidade e acabei conhecendo daí.

Você já foi em quantos grupos de Slams diferentes? E quais? Em três slams. todo mês eu vou no Slam das Minas, às vezes colo no Slam Resistência e no Slam Moinho.

Você acredita que a poesia slam é capaz de mudar uma situação social de um indivíduo ou de uma comunidade? Sem dúvida. a poesia é o maior impulsionar de mudanças assim como o hip hop. é impossível você ir em um slam ou acessar alguma poesia de alguma forma e não sair revolucionado. eu acompanho bastante os poetas de slam, principalmente as meninas do Slam das Minas justamente por isso. mesmo que você veja a mesma poesia sendo recitada dez vezes, cada uma das vezes essa arte tem um impacto na sua vida. e a maior alegria é que hoje essas poesias são documentadas, é incrível demais ter na minha coleção de livros poesias de pessoas que eu admiro tanto, como a Mel Duarte, a Luz Ribeiro, a Luiza Romão, poetas que nem comentem mais em slam mas que são a raíz disso, como o caso da Mel e da Luz

O que você sente ao ouvir cada poesia declamada nos encontros? A palavra que define o sentimento é renovação, em todos os sentidos. eu sou ativista de direitos humanos e militante LGBT+, feminista e antirracista, então o ambiente do slam e as poesias mostram que a luta continua.


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Qual a importância de fazer um jornal da comunidade para a comunidade? Essa pergunta se enquadra mais para o que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias faz do que a Ponte. apesar de falarmos muito sobre pautas da periferia, a Ponte enquanto veículo não está dentro do território. mas como eu já fui da Mural, enxergo que é essencial ter correspondentes dentro da quebrada porque só conhece a periferia quem mora na periferia, então pautas como a Mural faz ganham muita força quando os jornalistas estão naqueles locais. Como falamos de segurança pública na Ponte, por exemplo, o repórter não poderia estar naquele território, pois isso traz riscos, por exemplo uma repórter que mora no Jardim Peri, uma das quebradas da zona norte bem próxima do bairro onde eu cresci, não poderia fazer uma matéria sobre uma chacina no local.

Como o jornalismo pode auxiliar na visibilidade dos grupos de slam? O jornalismo pode atuar na cobertura dos slam ou fazendo matérias com os slammers. É a melhor forma de contribuir para divulgação desses trabalhos.

Como foi escrever o livro "Transresistência: Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho" para o seu TCC e o impacto que o seu trabalho teve na sua carreira? O Transresistência foi o maior impulsionador da minha carreira e eu fui bem orientada na época da faculdade para fazer um trabalho bem feito e usá-lo para entrar no mercado de trabalho, por isso toda a construção do meu TCC foi pensando no futuro. a escolha da temática do TCC já era a escolha da temática da minha carreira e isso me possibilitou entrar na Ponte cerca de 4 meses depois da minha banca de defesa do TCC. ser especialista em alguma editoria é um diferencial muito importante hoje em dia, em que temos vários bons jornalistas. escrever esse livro me mudou por inteira, porque foi uma experiência enriquecedora em todos os aspectos, principalmente no aspecto humano. Eu enquanto LGBT pude usar o meu privilégio cis para contar essas histórias, que até hoje não são tratadas com respeito na mídia.


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