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RELATÓRIO METODOLÓGICO - JÉSSICA FRANCIELE DOS SANTOS SILVA

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL JORNALISMO

JÉSSICA FRANCIELE DOS SANTOS SILVA

APLICATIVOS DE RELACIONAMENTO DA ERA MILLENNIALS: UM DIÁLOGO SOBRE ACESSIBILIDADE

SÃO PAULO - SP 2019


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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL JORNALISMO

APLICATIVOS DE RELACIONAMENTO DA ERA MILLENNIALS: UM DIÁLOGO SOBRE ACESSIBILIDADE

JÉSSICA FRANCIELE S. SILVA RGM: 1632116-2, 8B

Relatório

de

Metodológica)

Fundamentação

Teórica

e

apresentada

Curso

de

ao

Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo, sob orientação do Professor Mestre Antonio Assiz.

SÃO PAULO - SP 2019


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Dedicatória

Dedico este trabalho a todas as minorias que ainda precisam lutar por um espaço mais digno na sociedade, para que no futuro, batalhar por igualdade não seja uma das maiores ações de uma pessoa.


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Agradecimentos

Este trabalho não seria concluído se eu não tivesse o apoio da minha família, em especial dos meus pais, que sempre me deram suporte emocional e financeiro para seguir em frente.

Aproveito para agradecer, também, a todos os amigos que fiz durante os quatro anos que passei na Universidade Cruzeiro do Sul, em especial Beatriz Tavares, Giovanna Lima, Luiz Lucas, Maria Melo e Wesley Santana; aos meus professores,

que

a

demonstraram

interesse

todo em

momento me

ajudar,

principalmente, meu orientador, Antonio Assiz, que acompanhou de perto toda a minha evolução como profissional; as minhas melhores amigas, Juliana e Beatriz; e a todas as pessoas que passaram, ficaram e marcaram a minha vida durante esse tempo, sobretudo, a Alyni, que esteve comigo nos melhores e piores momentos deste ano. A todos, digo meu mais sincero obrigada.

Desta

jornada,

acredito

que

além

de

conhecimento, levo a certeza de que me tornei alguém melhor e mais interessada em conhecer as pessoas por dentro, para contar suas histórias.


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“Só existe um tipo de gente: gente.” (O Sol é Para Todos, Harper Lee)


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LISTA DE FIGURAS Figura 1 ..................................................................................................................... 19 Figura 2 ..................................................................................................................... 20 Figura 3 ..................................................................................................................... 21 Figura 4 ..................................................................................................................... 22 Figura 5 ..................................................................................................................... 23 Figura 6 ..................................................................................................................... 24 Figura 7 ..................................................................................................................... 25 Figura 8 ..................................................................................................................... 26 Figura 9 ..................................................................................................................... 27 Figura 10 ..................................................................................................................... 28 Figura 11 ..................................................................................................................... 29 Figura 12 ..................................................................................................................... 30 Figura 13 ..................................................................................................................... 57 Figura 14 ..................................................................................................................... 58 Figura 15 ..................................................................................................................... 59 Figura 16 ..................................................................................................................... 60 Figura 17 ..................................................................................................................... 61 Figura 18 ..................................................................................................................... 62 Figura 19 ..................................................................................................................... 82 Figura 20 ..................................................................................................................... 83


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LISTA DE ANEXOS Anexo 1 ..................................................................................................................... 49 Anexo 2 ..................................................................................................................... 50 Anexo 3 ..................................................................................................................... 50 Anexo 4 ..................................................................................................................... 51 Anexo 5 ..................................................................................................................... 52 Anexo 6 ..................................................................................................................... 53 Anexo 7 ..................................................................................................................... 54 Anexo 8 ..................................................................................................................... 84 Anexo 9 ..................................................................................................................... 84 Anexo 10 ..................................................................................................................... 85 Anexo 11 ..................................................................................................................... 85 Anexo 12 ..................................................................................................................... 86 Anexo 13 ..................................................................................................................... 86 Anexo 14 ..................................................................................................................... 87 Anexo 15 ..................................................................................................................... 88 Anexo 16 ..................................................................................................................... 78 Anexo 17 ..................................................................................................................... 79


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SUMÁRIO

1. Introdução .................................................................................................................... 11 2. Descrição dos objetivos ............................................................................................. 13 2.1 Objetivo geral ........................................................................................................... 13 2.2 Objetivo específico ................................................................................................... 13 3. Problema de pesquisa ................................................................................................ 14 4. Hipóteses ..................................................................................................................... 15 5. Justificativa ................................................................................................................. 16 6. Plano estratégico ........................................................................................................ 17 6.1 Descrição do produto ............................................................................................... 17 6.2 Linha editorial ........................................................................................................... 17 6.3 Área digital ............................................................................................................... 18 6.4 Páginas reproduzidas .............................................................................................. 19 6.5 Estratégias para definição ........................................................................................ 31 6.6 Público-alvo ............................................................................................................. 33 6.7 Técnicas utilizadas ................................................................................................... 33 7. Referencial teórico ...................................................................................................... 35 8. Considerações finais .................................................................................................. 38 9. Referências .................................................................................................................. 39 10. Cronograma ............................................................................................................... 41 11. Orçamento .................................................................................................................. 42 12. Apêndice .................................................................................................................... 43 12.1 Diário de campo ................................................................................................... 44 12.2 Estude de interface (Galileu) ................................................................................ 47 12.2.1 Acessibilidade ............................................................................................... 47 12.2.2 Interatividade ................................................................................................. 48


5 12.2.3 Usabilidade e navegabilidade ......................................................................... 49

12.2.4 Público-alvo .................................................................................................... 50 12.2.5 Experiência do usuário (UX) ........................................................................... 51 12.2.6 Arquitetura da informação (Design) ................................................................ 52 12.3 Estude de interface (Tinder) ................................................................................... 54 12.3.1 Acessibilidade ................................................................................................ 54 12.3.2 Interatividade .................................................................................................. 54 12.3.3 Navegabilidade ............................................................................................... 55 12.3.4 Público-alvo .................................................................................................... 55 12.3.5 Experiência do usuário (UX) ........................................................................... 55 12.4 Proposta ................................................................................................................ 57 12.5 Transcrição das entrevistas ................................................................................... 63 12.6 Anexos. .................................................................................................................. 78


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RESUMO Trabalho fundamentado para o curso de jornalismo com o principal objetivo de compreender o mecanismo que um deficiente visual precisa percorrer para ter acesso, não só a trabalho e educação, mas a tecnologias da geração Y, popularmente conhecida como millennials, como, por exemplo, aplicativos de relacionamento virtual e o processo de comunicação com outro usuário por meio dele. Esta pesquisa, tratou, por meio da teoria das mediações, de temas como acessibilidade e preconceitos contemporâneos, a fim de buscar meios e apontamentos que beneficiem, com exemplos, sugestões e maneiras assertivas, o público-alvo desta equação. Por fim, com os relatos apresentados por meio dos entrevistados, o estudo conclui que há, sim, prejulgamentos e problemas estabelecidos que, por mais que haja avanços e mudanças tecnológicas, ainda vai afetar grupos pré-estabelecidos na sociedade moderna.

Palavras-chave: inclusão social; inclusão digital; deficiente visual; acessibilidade; preconceito.


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ABSTRACT Work based on the journalism course with the main objective of understanding the mechanism that a visually impaired person needs to go through to gain access, not only to work and education, but the technologies of Generation Y, popularly known as millennials, like, for example, virtual relationship applications and the process of communicating with another user through it. This research will treat, through the theory of mediations, themes such as accessibility and prejudices contemporary, in order to seek out means and notes that benefit, with examples, suggestions and assertive waus, the target audience of this equation. Finally, with the reports presented through the interviewees, the study concludes that there are, yes, prejudgments and problems established that, as there are advances and technological changes, it will still affect pre-established groups in modern society.

Keyword: social inclusion, digital inclusion, visually impaired, accessibility, prejudices.


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1.

INTRODUÇÃO Ano após ano, o acesso a meios tecnológicos que aproximam um indivíduo de outra

se torna um dos recursos mais habituais do século 21. A rápida inserção de usuários à modernização dos aparelhos eletrônicos celulares atinge diferentes faixas-etárias. De acordo com a 29ª Pesquisa Anual de Administração de Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada em 2018 pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o Brasil superou a marca de um smartphone por cidadão e, atualmente, conta com 220 milhões de celulares inteligentes ativos. Vagarosamente, a sociedade obteve avanços significativos na inserção de deficientes no mercado de trabalho, na área educacional e nos espaços públicos, porém, quando alguns grupos, embora não em sua maioria, utilizam e se integram nesta estatística, o senso comum busca maneiras de questionar a probabilidade da situação, o que reafirma estereótipos superficiais longe de serem quebrados. A sociabilidade por aplicativos móveis é, atualmente, um segmento que sofre com essa separação entre o senso comum e a cibercultura. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei 13.146/2015 acredita que a deficiência está no meio e não nas pessoas, portanto, é compreensível que todos são capazes de se integrar ao sistema. Cada pessoa com acesso à internet faz parte do ciberespaço quando troca informações, compartilha dados, publica alguma informação, enfim, usa essa infraestrutura técnica. Embora seja possível estabelecer algumas distinções mais sutis, pode-se dizer que, ao se conectar à internet, o indivíduo está presente no ciberespaço. (MARTINO, 2014)

Por conseguinte, encaminhamo-nos para o centro de nossa pesquisa, onde se faz necessário apontar os principais problemas demográficos e culturais entre a interação de cegos e a procura por assimilar a alta comunicação via redes sociais e como elas funcionam de forma adaptada através da realização de pesquisas e argumentos que apresentam prós e contras de como os softwares adaptados auxiliam na inclusão digital de uma pessoa portadora de necessidades especiais na sociedade. Assim, é possível partir para outras questões teóricas a fim de vincular a globalização e a pessoa com deficiência (PCD) como um conjunto e não algo desassociado. Para isso, a busca deverá ser efetuada para saber quais são os projetos inclusivos já existentes,


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principalmente no Brasil, para que a inclusão social seja um ponto cada vez mais assertivo. Como já determinado pelo tema da pesquisa, a acessibilidade e a inclusão social para deficientes visuais em aplicativos móveis, foi necessário empregar um modelo característico. Apoiando-se na era dos millennials, que configuram a geração nascida entre os anos 80 até o começo dos anos 2000, os aplicativos móveis escolhidos para a pesquisa são os de relacionamento, por exemplo, o Tinder, líder de usuários cadastrados no Brasil e também aplicativos que já segmentam seus usuários com versões somente para cegos (este ainda não desenvolvido no Brasil). Em geral, o problema vai muito além dos aspectos, pois esses espaços de relacionamento denotam uma atenção maior a discriminações que estes grupos possam sofrer no ambiente virtual. Para Bursztyn (2007, p.25), “a situação da dessemelhança, em que a desigualdade chega a um nível tal que ‘o outro’ é visto não como alguém que pertence à mesma espécie, mas como algo diferente”. Sendo assim, utilizaremos como protótipo questões cotidianas, aparentemente de pouca importância para grupos que não participam da esfera abordada, mas de fundamental relevância para os grupos envolvidos: a inclusão social, digital, a acessibilidade e o preconceito. Por último, outro aspecto que pode causar incômodo para deficientes visuais em aplicativos de relacionamento/namoro é a estima pelo corpo. A recusa em procurar saber mais sobre estes apps atribui-se, também, a uma forma de autoproteção, possivelmente, como forma de barreira para possíveis discriminações vindas de outros indivíduos, tornando-se por ambos fatores, um diálogo (im)possível. Deste modo, é imprescindível que o trabalho busque e forneça conteúdos que informem de maneira clara sobre o assunto, abordando sobre a falta de acessibilidade nesses meios e, também, sobre os preconceitos vividos.


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2.

DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL A principal narrativa que a pesquisa aspira apresentar é a aproximação do senso comum à relação de exclusão do deficiente visual na sociedade moderna concebida a partir da era digital. Para isso, é necessário compreender que, embora seja um assunto que todos tenham conhecimento, mesmo que de forma superficial, ainda não é amplamente abordado. Assim, é importante que, com esse estudo, cada vez mais pessoas busquem saber mais e se abrir para as mudanças que, em pleno século XXI ainda são consideradas tabu, como a autonomia do deficiente visual. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Para entender como é visto e tratado um deficiente visual no Brasil, país de terceiro mundo, a partir do ponto de inclusão social, digital e acessibilidade, foram necessárias: ●

Pesquisas sobre como funciona o desenvolvimento de softwares pensando

nesse meio; ●

Localização de pessoas que se encaixam neste panorama, a fim de mostrar

a experiência do uso de aplicativos de relacionamento, mas também conhecer a trajetória desses indivíduos; ●

Propor um comparativo à natureza da alcançabilidade, destacando o Tinder

como objeto de análise; ●

Introduzir os meios de comunicação como uma das mais importantes e

efetivas auxiliadoras de um diálogo para todos.


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3.

PROBLEMA DE PESQUISA O problema de pesquisa identificado e esclarecido para a composição deste

trabalho remete à provável falta de adequação de segmentos culturais que aplicativos de relacionamento virtual – e notícias relativas a isso – proporcionam aos usuários. Assim, tornando-se perceptível, por este motivo, a exclusão digital como um todo, afastando o contato entre possuidores e não possuidores de deficiência visual. Desta forma, é cabível responder as seguintes questões: ●

A interpretação do conceito de inclusão para pessoas sem deficiência visual

não retrata a realidade do problema, logo que este termo não é pensado como igual. Como os meios jornalísticos afetam ou podem oferecer perspectivas mais abrangentes para o público? ●

A resguarda do PDC em confiar nos aplicativos móveis para relacionamento

é capaz de distanciar ainda mais o diálogo entre grupos. A comunicação abrange, também, os meios de comunicação. Podemos afirmar que este tema atinge todas as formas de interlocução. Como empresas produtoras de aplicativos móveis podem explorar tais discussões?


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4.

HIPÓTESES Como forma de decifrar alguns problemas descobertos durante a fase inicial do

projeto de pesquisa, para responder a este tópico, consideramos três hipóteses: ●

A era que desafia os limites da tecnologia, ainda encontra obstáculos para

criar diálogos que tornam a comunicabilidade atingível a pessoas portadoras de deficiência; ●

O estigma social, bem como o preconceito, faz o portador da deficiência

abdicar dos programas para relacionamento virtual com medo de rejeição; ●

As tecnologias digitais não atuam de maneira empenhada para desenvolver

uma sociedade igualitária.


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5.

JUSTIFICATIVA Para Hobsbawm (1994) o século XX seria de conquistas sociais, com crescimento

de igualdade e de redução de iniquidades. Entretanto, o que podemos observar, cem anos depois, é a lenta diminuição da desigualdade, não o fim dela. Com isso, para elaborar uma linha de pensamento sobre o conteúdo, precisamos olhar o recorte em que vivemos, principalmente quando é necessário, como propósito de estudo, fechar os territórios pertencentes ao terceiro mundo. Os problemas destes países vão desde a tecnologia, o que é visível e dito por todo o senso comum, até a falta de inclusão por preconceitos firmados dia após dia. É importante frisar que, mesmo sendo uma nação em fase de crescimento e desenvolvimento, o Brasil se destaca em várias questões tecnológicas e muitos produtos são importados para o país. Desta forma, estes episódios são pontuais pelo mundo todo, o que reflete em diferentes continentes, como a América do Sul. De outros meios, podemos incluir na pesquisa do projeto que a falta ou a baixa procura por acessibilidade digital entre os cegos, mais de 500 mil em território nacional (39 milhões em todo o mundo), de acordo com o IBGE, pode afetar no desenvolvimento de aspectos decisivos para a evolução de uma nação como educadora. Também é perceptível como argumento, a problematização na comunicação que os meios proporcionam para o PCD. Talvez este, um dos pontos mais importantes a serem analisados nesta pesquisa: como a comunicabilidade dos meios funciona para que o receptor não desenvolva uma inclusão necessária na informação e, portanto, não seja capaz de superar um tabu. Sendo assim, os principais pontos a serem alcançados com a pesquisa são: mostrar as desigualdades, as ideias já propostas para facilitar o uso de aplicativos móveis para deficiente, o lado positivo e negativo da segmentação de determinados programas e a viabilidade do desenvolvimento e progresso da inclusão.


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6.

PLANO ESTRATÉGICO Como forma de diminuir teores excludentes do assunto, neste projeto, todas as

ações pensadas e tomadas tiveram o intuito de não criar algo “novo”, mas, sim, incluir ao já existente em um universo voltado à inclusão e acessibilidade. A escolha por um material eletrônico foi direcionada para o lugar onde recursos acessíveis mais agem no momento, principalmente se pensado na geração Z, a millennial. Com isso, nosso repertório de ideias foi, pouco a pouco, desmontado e reorganizado para melhor centralizar a opinião dos nossos entrevistados, além de acertar o ponto de partida da nossa pesquisa teórica, que apresenta, de uma forma mais clara, a exclusão quando o assunto é “acessibilidade na era digital”. 6.1 Descrição do produto Periodicidade: Semanal Área: Digital Formato: Reportagem extensa para site Galileu1 6.2 Linha editorial A premissa que buscamos com o desenvolvimento deste projeto é, antes de tudo, utilizar uma linguagem inclusiva para ambos meios sociais, visando como prioridade, é claro, o PCD. Pretendemos, contudo, que a obra seja direcionada ao público leitor online, tratando de temas como tecnologia, geração y e voltagem acessível. Missão (Globo) A revista/site Galileu não possui uma missão disponível para acesso na Internet. Retiramos de sua fundadora, a Globo, os seguintes dizeres: Criar, produzir e distribuir conteúdo de qualidade que informem, divirtam, contribuam para a educação e permitam aos indivíduos e comunidades construir relações que tornem a vida melhor. Visão (Globo) A revista/site Galileu não possui uma visão disponível para acesso na Internet.

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Disponível em: <https://jefreboucas.wixsite.com/galileu>. Acesso em novembro de 2019


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Retiramos de sua fundadora, a Globo, os seguintes dizeres: Queremos ser o ambiente onde todos se encontram. E encontram informação, diversão e cultura, instrumentos essenciais para uma sociedade que busca a felicidade de todos e de cada um. Valores (Globo) A revista/site Galileu não possui uma visão disponível para acesso na Internet. Retiramos de sua fundadora, a Globo, os seguintes dizeres: Paixão por comunicação; brasilidade; atitude otimista; talento e liderança; respeito à diversidade; qualidade e inovação; estética; crescer juntos. 6.3 Área Digital Desenvolvimento de conteúdo temático jornalístico sob o formato de site, portal ou reportagem extensa para ambiente digital - ou demais produtos digitais de caráter jornalístico. Conteúdo jornalístico hospedado na rede mundial, com um mínimo de 20 mil caracteres (30 mil máx.), composto de textos, ilustrações, fotografias e conteúdo multimídia. O produto final será digital (site, portal ou demais produtos digitais de caráter jornalístico apresentado em mídia a ser definida, acompanhado de Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica, que incluirá obrigatoriamente a reprodução das páginas.


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6.4 PĂĄginas reproduzidas

Figura 1 â&#x20AC;&#x201C; Homepage Galileu


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Figura 2 â&#x20AC;&#x201C; Homepage Reportagens


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Figura 3 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 4 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 5 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 6 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 7 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 8 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 9 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 10 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 11 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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Figura 12 â&#x20AC;&#x201C; Reportagem


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6.5 Estratégias para definição Para desenvolver um conteúdo em formato de reportagem extensa, como recursos gráficos foram usados hiperlinks, infográficos, fotos, produto de audiodescrição nas páginas reproduzidas por all frame, desenvolvidas no Photoshop, e peças para materiais publicitários vistos ao decorrer da pesquisa. Além disso, a reprodução das páginas também foi desenvolvida pelo site Wix. As técnicas utilizadas, buscando melhor entendimento e atender o maior número de pessoas interessados, foram a hipermídia e o estudo da cibercultura no ciberespaço. Para tal experiência, dois livros foram utilizados como referência, o primeiro deles, “Cibercultura”, Lévy (1999), um filósofo da informação, desenvolve uma narrativa sobre a construção das tecnologias e globalização. Além disso, ele propõe um diálogo sobre uma possível fonte de exclusão vinda do modelo de cibercultura atual. A cada minuto que passa, novas pessoas passam a acessar a Internet, novos computadores são interconectados, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna "universal", e menos o mundo informacional se torna totalizável. O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha diretriz. (1999, p.118)

Com isso, foi possível avaliar que, já no final do século XX, quando o livro foi escrito, a ideologia de comunicação era progressiva e, de certa forma, inclusiva. Como cita o filósofo, o ciberespaço precisa se ampliar, sem possuir paradigmas que o impeçam de tal feito. A segunda direção que tomamos para conduzir este projeto foi com o livro “Jornalismo 2.0: Como sobreviver e prosperar”. No conteúdo escrito por Mark Briggs, é possível analisar, por exemplo, como conquistar o público-alvo almejado. Para Briggs (2007) O blog é “um caderno de anotações aberto ao público de modo que os repórteres ficam sabendo que assuntos são mais atraentes aos leitores, ajudandoos a priorizar as matérias que eles devem fazer”. Parte da dificuldade enfrentada hoje em dia pelos jornalistas tradicionais é que nós não somos muito bons em caminhar para frente, se não sabemos para onde estamos indo. O problema é que ninguém sabe o quanto a comunicação online vai mudar o que nós fazemos ou que oportunidades este novo modelo nos apresenta. A única forma que temos de tirar vantagem é estarmos conectados às tecnologias e participarmos ativamente na mudança de cenário. (BRIGGS, p.37


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Além disso, também nos preocupamos com a arquitetura da informação, e de que forma isso iria proporcionar um melhor aproveitamento para o leitor. No livro “Arquitetura da informação pervasiva”, os autores, Oliveira, Vidotti e Bentes, abordam, com diversas referências, sobre a importância de técnicas e recursos que proporcionem um ambiente heterogêneo para todos que acessarem quaisquer que seja o veículo digital. Com isso, além de estudar toda a estrutura de interface do site Galileu, também foi cabível entender como melhorar o direcionamento do site, visto que nosso objetivo inicial era evoluir os produtos escolhidos. Como o tema desta pesquisa, “Aplicativos de relacionamento da era millennials: um diálogo sobre acessibilidade”, conversa com outros produtos, o Tinder por exemplo, também foi preciso apresentar uma pesquisa de interface à plataforma, que compromete a inclusão de deficientes visuais. Na parte técnica das entrevistas, em primeiro lugar com os personagens da pesquisa, o objetivo foi transparecer não só os problemas que tais produtos exalavam no cotidiano do PCD, mas a história de vida de cada um deles. Em inúmeras orientações para o estudo, foi aconselhado seguir um modelo que não ficasse direcionado apenas nas mazelas que esse público enfrenta. Todavia, com muito cuidado, as perguntas corriqueiras foram postas à mesa, para que o projeto surtisse o efeito desejado. No final, além de compreender as necessidades que o deficiente visual precisa para poder usufruir de plataformas como o Tinder, também conseguimos criar saídas que, pelo menos, demonstram uma solução adequada para sanar determinados problemas. Além dos personagens, as fontes especialistas tiveram questões pertinentes ao tema. Buscamos com todas as entrevistas, analisar o tema de forma mais jovial, até mesmo pelo tipo de produto com que estamos lidando. Desde o princípio, nosso foco era pensar na melhor plataforma para deficientes visuais, na melhor narrativa, na construção da história, no modelo de linguagem e, também, nas questões mais importantes a serem abordadas no tema: acessibilidade e inclusão digital.


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Outras pesquisas etnográficas determinaram o rumo das entrevistas, como relatórios do IBGE, que identifica o número de deficientes visuais no Brasil e a quantidade de pessoas com baixa visão, dados do Tinder, números alcançados no país e o seu públicoalvo, e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei 13.146/2015. 6.6 Público-alvo A reportagem extensa que foi desenvolvida sobre o tema “Aplicativos de relacionamento da era millennials: um diálogo sobre acessibilidade” buscou tratar de forma ampla para diferentes públicos, ainda assim focando nos principais interessados na notícia, os deficientes visuais. Apesar disso, a nossa pesquisa não é direcionada só para este grupo. Desde o começo do levantamento teórico do projeto, nós buscamos colocar pontos que indicavam o motivo para que pessoas sem deficiência não buscassem saber mais sobre o assunto. É de extrema importância que o nosso conteúdo alcance o maior número de pessoas “leigas” tópico, para informar que as tecnologias estão aqui para envolver pessoas em diferentes circunstâncias. Nessa inversão de sinal, o significado do termo "acessibilidade" foi ampliado. Percebemos que acessibilidade era mais do que construir rampas - embora rampas sejam, sempre, fundamentais. Mas representam, literalmente, apenas o primeiro passo. Rampas precisam levar a escolas, centros de saúde, teatros, cinemas, museus, shows de rock. Este novo sentido foi aplicado a outras esferas do fazer humano; passamos, então, a refletir sobre a acessibilidade (e o acesso a) na Educação, no Trabalho, Lazer, Cultura, Esportes, Informação e Internet. (GIL, 2006)

Assim, fica claro saber que mesmo que exista conhecimento em um ponto específico de acessibilidade, existe, ainda, uma gama de recursos desconhecidos pelo senso comum. Portanto, o público-alvo desta matéria é determinado por deficientes visuais e pessoas, principalmente entre 18-27 anos, interessadas em saber como funcionam os novos mecanismos de relacionamento para grupos com deficiência. 6.7 Técnicas utilizadas A linguagem do jornalismo online trará uma analogia ao que estamos propondo para este projeto de pesquisa. O público reportado pela mídia, utilizando o computador, o


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celular e todos os novos apetrechos que a geração millenials propõe aos indivíduos, fará uma imersão mais aprofundada de questão de acessibilidade digital e inclusiva. Levando em consideração o alcance da mensagem e todos os aspectos citados anteriormente, é fundamental pensar em um formato que tenha relevância e atue não só com um público, mas com todos os envolvidos na discussão. Ainda que haja algumas dificuldades para públicos fora dos padrões sociais utilizarem recursos tecnológicos, o foco deste projeto é criar uma página online acessível a todos.


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7.

REFERENCIAL TEÓRICO A concepção do projeto “Aplicativos de relacionamento da era millennials: um

diálogo sobre acessibilidade” surgiu por meio de uma publicação em um grupo no Facebook de um dos personagens desta pesquisa. À vista disso, uma procura mais incisiva foi necessária para começar um delineamento de tal contexto. O primeiro referencial encontrado foi um vídeo publicitário da Vivo Fibra1, associado com a campanha “#PraCegoVer 2”. O filme, de 30 segundos e com descrição, mostra o primeiro encontro de um casal que deu “match” em um aplicativo de relacionamento. Após trocarem mensagens, a mulher vai à casa do rapaz, que já planejava um jantar e foi receber a moça na porta de sua residência. No contexto proposto, o homem é cego, mas só descobrimos isso no final. O slogan do vídeo propôs “viver mais as descobertas e menos os limites” ao usuário. A campanha deu o pontapé inicial para abrir caminhos e possibilidades de discussão sobre o tema. Mas, além disso, foram utilizados dois artigos, escritos por um de nossos personagens, Gustavo Torniero, para a BBC 3 e HuffPost4. O primeiro, “Aplicativos para pessoas com deficiência: como a inteligência artificial pode melhorar a vida de milhões de brasileiros”, conversa com o tema desta pesquisa, que também fala sobre plataformas de relacionamento com relação aos deficientes. Na matéria, Gustavo entrevista pessoas com deficiência visual e aborda como alguns aplicativos podem facilitar o cotidiano desse público. Ele, inclusive, conversa com um rapaz surdocego5, o primeiro a cursar uma faculdade no Brasil. O segundo artigo, “Projeto promove formação de mulheres com deficiência e 1 Disponível

em: <https://www.youtube.com/watch?v=9cEu7y50zQ0>. Acesso em: abril de 2019 em: < https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/pessoa_com_deficiencia/noticias/?p=233655>. Acesso em: outubro de 2019 3 Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/geral-46685874>. Acesso em: agosto de 2019 4 Disponível em: < https://www.huffpostbrasil.com/entry/mulheres-comdeficiencia_br_5d120061e4b07ae90da3bbe8>. Acesso em: agosto de 2019 5 Surdocegueira é uma deficiência que apresenta perdas auditivas e visuais. 2 Disponível


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cuidadoras”, não possui identidade parecida com a proposta no projeto, mas foi necessária para auxiliar a condução da conversa com o entrevistado. Para o estudo de interface do site Galileu, a tese “Inclusão digital via acessibilidade web”, Cusin e Vidotti* (2009), foi utilizada como base para a iniciação da pesquisa de diferentes. Com isso, uma pesquisa detalhada sobre o portal foi desenvolvida. Contudo, o artigo explicativo “O que é arquitetura de informação em websites” também foi utilizado em determinado estágio da pesquisa. A fim de apresentar um conteúdo pertinente, também foram empregados artigos como “Acessibilidade para pessoas com deficiência visual como fator de inclusão digital”6, de Letícia Ramos Reinaldi, Cláudio Rosa de Camargo Júnior e Angélica Toffano Seidel Calazans, que tem como finalidade abordar o tema, exemplificar ferramentas acessíveis e discutir o propósito da pesquisa. Agora, para analisar o ponto de vista legal da questão, o Estatuto da Pessoa com Deficiência diz que a acessibilidade é um direito que garante à PCD viver de forma independente e com participação social. Trata-se como acessível: a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2015, art. 3, item I).

Como podemos observar, a lei assegura o direito a todos de acessibilidade e inclusão digital, entretanto, é muito fácil observar o declínio de tais conotações no cotidiano. Na comunicação midiática, por exemplo, é necessária uma busca avançada para saber mais sobre como deficientes visuais utilizam smartphones, tabletes, notebooks, etc. Todavia, a mídia não é a única, nem a maior responsável pela falta de aplicabilidade da informação sobre o tema. O indivíduo comum, que não tem interesse em procurar conhecimento sobre o tema, também perpetua a ausência de mensagem. Poucas são as

6 Disponível

em <https://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/gti/article/view/1292/1483>. Acesso em outubro de 2019


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informações a

respeito

das tecnologias inclusivas para deficientes.

Por isso,

compreendemos que, apesar de já existirem aplicativos e sistemas acessíveis para deficientes (não em sua totalidade e eficiência) o emissor, a mensagem, o receptor, o código e o canal são parcialmente responsáveis pela estagnação da inclusão do deficiente, transformando-se, então, em uma exclusão.

Para simplificar, entende-se como fundamentador de paradigmas que afastam uma pessoa considerada “comum” de outra com aspectos “diferentes”, quem não fomenta o contrário, então, acreditamos que seja viável empregar a teoria das mediações para explicar como a comunicabilidade funciona de apoio como um modelo que dificulta o processo de aceitação do deficiente visual em assuntos ligados à tecnologia, aplicativos virtuais e signos instrutivos. O criador da teoria das mediações (dentro do campo da teoria “culturalista” das comunicações), Jesús Martín Barbero, identifica o ponto ressaltado acima: Na redefinição da cultura, é fundamental a compreensão de sua natureza comunicativa. Isto é, seu caráter de processo produtor de significações e não de mera circulação de informações, no qual o receptor, portanto, não é um simples decodificador daquilo que o emissor depositou na mensagem, mas também um produtor. O desafio apresentado pela indústria cultural aparece com toda a sua densidade no cruzamento dessas duas linhas de renovação que inscrevem a questão cultural no interior do político e a comunicação, na cultura (Martín-Barbero, 1997:356).

Para chegar a esta conclusão, a princípio, foram analisadas a ideia de que os novos estudos de comunicação não acreditam que o ser humano seja um receptor passivo, portanto, os meios tecem uma linhagem de assuntos delicados para abordar. Também não é perceptível que o receptor seja alheio a sua realidade, mas fecha os olhos à realidade do outro, considerado “dessemelhante”. Ou seja, nestes casos, a mídia não trabalha como dominante ao passo que o receptor é o ser dominado. “Os conteúdos culturais são responsáveis, juntamente com a vivência do individual, pelos repertórios que cada sujeito possui para interpretar a realidade” (DANTAS, 2018).


38

8.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O desenvolvimento deste trabalho, bem como todas as pesquisas que foram feitas

para o seu progresso, indicaram problemas pertinentes vindos das primeiras análises teóricas levantadas. Principalmente buscando entender as interfaces de cada produto, pudemos crescer ideias para a conclusão do estudo. Como dito por Pierre Lévy, “usamos o termo "interfaces" para todos os aparatos materiais que permitem a interação entre o universo da informação digital e o mundo ordinário”. Com isso, compreendemos que temos total responsabilidade por aquilo que foi publicado, de qual maneira que foi ao ar e como os usuários vão receber a informação. Ao compreender este problema, grandes veículos digitais se comprometem em não fornecer a acessibilidade necessária para deficientes visuais, por exemplo. No entanto, não são só veículos de notícias que pecam ao não integrar a inclusão necessária aos usuários da internet. Como foco da nossa pesquisa de campo, o Tinder (e outros aplicativos de relacionamento ou redes sociais), que não trata o deficiente visual como igual para com uma pessoa sem deficiência. Neste ponto, entramos em várias questões de Experiência do Usuário até chegarmos em softwares e suas evoluções, como cita Lévy: “o ciberespaço não compreende apenas materiais, informações e seres humanos, é também constituído e povoado por seres estranhos, meio textos, meio máquinas, meio atores, meio cenários: os programas” Um programa, ou software, é uma lista bastante organizada de instruções codificadas, destinadas a fazer com que um ou mais processadores executem uma tarefa. Através dos circuitos que comandam, os programas interpretam dados, agem sobre informações, transformam outros programas, fazem funcionar computadores e redes, acionam máquinas físicas, viajam, reproduzem, etc. (1999, p.44)

Desta forma, a partir de pesquisas de campo, foi possível entender que empresas podem ou não estar interessadas em desenvolver meios para ampliar acessibilidade em sua plataforma.


39

9.

REFERÊNCIAS

ACESSIBILIDADE, INCLUSÃO SOCIAL E DESENHO UNIVERSAL: TUDO A VER. São Paulo, 22 out. 2006. BRIGGS, Mark. Jornalismo 2.0: Como sobreviver e prosperar. Texas: Knight Center For Journalism In The Americas, 2007. BRASIL. Decreto n. 6.949, de 6 de jul. de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF, jul 2015. CUSIN, Cesar Augusto; VIDOTTI*, Silvana Aparecida Borsetti Gregorio. Inclusão digital via acessibilidade web. 2009. 21 f. Tese (Doutorado) - Curso de Comunicação, Unesp, Rio de Janeiro, 2009. DANTAS, José Guibson Delgado. Teoria das Mediações Culturais: Uma Proposta de Jesús Martín-Barbero para o Estudo de Recepção. 2008. 10 f. Tese (Doutorado) - Curso de Comunicação, Universidade de Malága, Malága, 2008. HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. 632 p. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34 Ltda, 1999. MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ 1997. 356 p. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria das Mídias Digitais. 3. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2015. 291 p. MUSBURGER, Robert B. Roteiro para Mídia Eletrônica: TV, rádio, animação e treinamento corporativo. São Paulo: Singular, 2008. 301 p. PETRY, Alany. Deu Match: os aplicativos de relacionamentos virtuais e as pessoas com deficiência física. 2018. 139 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Diversidade Cultural e Inclusão Social, Universidade Feevale, Nova Hamburgo, 2018. TORNIERO, Gustavo. Aplicativos para pessoas com deficiência: como a inteligência artificial pode

melhorar

a

vida

de

milhões

de

brasileiros. Disponível

em:

<https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/aplicativos-para-pessoas-com-deficiencia-como-ainteligencia-artificial-pode-melhorar-a-vida-de-milhoes-debrasileiros,cde726daf9f1f768a424fe1075d6eb15hrw48vvh.html>. Acesso em: 20 jan. 2019


40

TORNIERO, Gustavo. Projeto promove formação de mulheres com deficiência e cuidadoras. Disponível

em:

<https://www.huffpostbrasil.com/entry/mulheres-com-

deficiencia_br_5d120061e4b07ae90da3bbe8>. Acesso em: 25 jun. 2019. VIVO Fibra - Encontro. São Paulo: Vivo, 2018. P&B NICÁCIO, Jalves Mendonça. Técnicas de Acessbilidade: Criando uma web para todos. Alagoas: Edufal - Editora da Universidade Federal de Alagoas, 2010.


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10.

CRONOGRAMA

Atividade

Fev

Levantamento

x

Mar x

Abr

Mai

x

x

x

x

Redação do projeto experimental

x

x

Coleta de dados

x

x

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

bibliográfico Redação do projeto de pesquisa

Tratamento de dados

x x

x

x

Contado com fonte

x

x

x

Pesquisa de campo

x

x

x

x

Redação do relatório metodológico

x

x

x

Entrevistas/

x

x

x

x

x

Decupagem Redação do Site

Edição Site/All

x

x

x

x

Frame Revisão Impressão

x

Apresentação

x


42

11.

ORÇAMENTO ITEM

QUANTIDADE

VALOR

Transporte App

4

R$ 75,00

Alimentação

2

R$ 50

Design - Photoshop

5

R$ 200

4

R$80

Impressão do relatório metodológico Impressão e Encadernação do relatório final Total

1

R$ 150

R$ 555


43

APÃ&#x160;NDICES


44

12.1 DIÁRIO DE CAMPO Após realizar a pesquisa de campo, nossa concentração ficou em contatar as fontes desejadas para a reportagem extensa a ser desenvolvida. Durante uma pesquisa detalhada sobre deficientes visuais em aplicativos de relacionamento, o projeto definiu três personagens, sendo eles dois homens e uma mulher. O primeiro personagem escolhido foi Heverton Rodrigues, de 26 anos, morador de Uberlândia. Em seu Facebook, ele costuma postar várias publicações relacionadas a deficiência visual, cotidiano e relacionamentos amorosos. O primeiro contato foi feito pelo Messenger, posteriormente conseguimos o contato telefônico dele. Nossa entrevista foi feita por telefone, com cerca de 8 minutos de duração. As respostas de Heverton foram esclarecedoras, porém bastante objetivas. Com isso, o colocamos como um personagem secundário na nossa história, que já possuía uma segunda figura confirmada, Gustavo Torniero. Recém-formado em jornalismo, Gustavo Torniero, de 23 anos, participou de dois programas que conseguiram bons números de players e views. O primeiro, que conversou bastante com o tema desta pesquisa, foi no Podcast “Imagina Juntas”, apresentado por Carol Rocha, Jéssica Grecco e Gus Lanzetta. Já o segundo, foi com Cid Cidoso, no quadro “Dúvidas duvidosas: cegos”, que possui quase 100 milhões de visualizações. O contato com Gustavo começou pelo Twitter, rede social que ele mais utiliza, com cerca de 9 mil seguidores. Ao mandar um DM para o rapaz, ele rapidamente respondeu e compartilhou conosco seu número no Whatsapp. Depois disso, nós marcamos uma entrevista presencial em sua casa, no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo. A entrevista se desenvolveu como planejado, com duração de 1 hora e 5 minutos. O jornalista falou abertamente sobre sua história, carreira, relacionamento, tecnologia, etc. Mariana Romano Rocha foi a terceira personagem da pesquisa. Deficiente visual desde nascença, foi a peça feminina para falar sobre aplicativos de relacionamento para deficientes visuais. Com a agenda cheia, ela não conseguiu estar em uma entrevista presencial, então nosso contato foi por telefone.


45

Nossa entrevista com Mariana também durou cerca de 10 minutos, no entanto, ela estava relutante em falar sobre o tema. A princípio, a musicista, que nos disse ser viciada no aplicativo “Tinder”, estava envergonhada em falar sobre seus namoros passados e sua história com a plataforma. No entanto, ela foi a única dos três que apresentou uma boa devolutiva quando aos seus relacionamentos dentro do aplicativo. A personagem também fez um comparativo com a plataforma “Devotee”, criada especialmente para pessoas com deficiência e pessoas que se atraem por quem possui deficiência. Já para as fontes desta pesquisa, selecionamos três pessoas. A primeira resposta efetiva veio de Talita Pagani, profissional de UX e especialista em tecnologias para Web. Em sua conversa conosco, via internet, ela contou coisas pertinentes ao nosso tema, algumas, nós usamos até mesmo para desenvolver um estudo de interface do aplicativo Tinder. A penúltima fonte contatada foi Ricardo Alonso Jorge, 34, criador do aplicativo de relacionamento Devotee. Sua plataforma, como dito acima, contempla pessoas com deficiência e pessoas que sentem atração por quem as possui. A nossa entrevista foi presencial, no Shopping Cidade Jardim, no distrito do Morumbi, em São Paulo. Nossa conversa durou cerca de 30 minutos, onde ele contou sobre seus planos atuais e para o futuro para desenvolver nossos recursos voltados à pessoa com deficiência. A senadora de São Paulo, Mara Gabrilli. Além de política, ela é formada em psicologia e publicidade. Meu primeiro contato com Mara por próprio Whatsapp, do qual Ricardo passou o contato. Posteriormente, sua assessoria entrou em contato conosco para revisarmos como seria a entrevista. Com agenda cheia, ela não conseguiria uma pausa para uma entrevista pessoal, portanto ficou definido um bate-papo por e-mail. Nenhuma das gravações utilizou captação de vídeo, porque este não era o foco da nossa pesquisa. A princípio, o desejado era incluir o deficiente visual em diretrizes confortáveis para ele. Recursos de descrição para materiais audiovisuais ainda é escasso no Brasil, por isso optamos somente pela gravação de áudio, quando necessária. Por fim, todas as entrevistas foram favoráveis e enriquecedoras para o tema, sendo


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possível desenvolver uma reportagem extensa adequada ao que imaginamos no início da coleta de informações. Além disso, com conversas e mais algumas pesquisas relacionadas, pensamos em possibilidades para amenizar alguns quesitos pontuados pelos entrevistados.


47

12.2 ESTUDO DE INTERFACE - GALILEU 12.2.1 Acessibilidade No mercado atual, muitos recursos estão sendo desenvolvidos para tornar melhor a usabilidade de usuários com deficiência em sites e aplicativos, por exemplo. No entanto, alguns veículos digitais não estão incluídos nessa questão. É importante lembrar que, mesmo que o site não tenha funções que o tornem acessível, algum programa pode cumprir essa necessidade. No entanto, é muito mais viável e justo que os hospedeiros da leitura dos usuários tenham o comprometimento em tornar o lugar o mais acessível possível. A Galileu enfrenta este problema. Seu site não ofereceu o recurso de leitura, por exemplo. Já outros sites, como trago em especial o Hugo Gloss, utiliza o recurso fornecido pela empresa Audima. Outra coisa que sentimos falta em questão de acessibilidade do site são as descrições abaixo de imagens. Em uma análise do site, podemos observar que os editores colocam o contexto do conteúdo, mas não a descrição exata da foto, o que dificulta o entendimento do deficiente visual. Web acessível é a representação de uma Web ideal, onde todas as pessoas teriam acesso ao seu conteúdo. Não só pessoas, mas também sistemas, uma vez que sistemas também acessam conteúdos de páginas na internet para algum propósito, dependendo do sistema. (NICÁCIO, 2010)

Anexo 1 – Galileu


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Anexo 2 – Hugo Gloss

12.2.2 Interatividade Seguindo uma das modalidades mais habituais do mercado, a Galileu, que também atua como revista impressa, utiliza o recurso de landing page para atrair usuários a outros lugares específicos em seu site, no caso, a assinatura de sua versão impressa. Mas, se analisarmos uma das portas de entrada mais antigas para um diálogo eficiente entre emissor e receptor, que é o comentário após a matéria/notícia, o site da Galileu não ofereceu tal função.

Anexo 3 – Galileu


49

12.2.3 Usabilidade e Navegabilidade O site da Galileu, marca da Globo, é simples. Suas cores são sóbrias, apostando, principalmente, no preto e branco; seu menu é sucinto; e seu layout não é exagerado e confuso. Contudo, para uma pessoa que entra no site pela primeira vez, essa entrada pode não ser explicativa o necessário. A arquitetura do site poderia adorar nomes mais claros para editorias, por exemplo. A navegabilidade, no entanto, é bem eficaz. O usuário não se sente perdido em determinada informação. Quem acessa o site consegue encontrar facilmente algo específico, até mesmo pelo site já propor algo mais delimitado. Ícones de lupa e redes sociais estão presentes no início e fim da página, além da própria barra da Globo em cima. O site não é pesado, então as informações carregam rápido, sem erro. A Galileu online apresenta uma versão mobile para ser acessada por aparelhos celulares e tabletes. Outros pontos importantes para levantar em uma análise de navegabilidade são pop-ups repetitivos, algo que o site não apresenta. Apesar disso, publicidades estão presentes nos cantos laterais das páginas.

Anexo 4 – Galileu


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Anexo 5 – Galileu

12.2.4 Público-alvo A Galileu carrega em seu nome a proposta de fazer o leitor conhecer a “ciência que ajuda a mudar o mundo”. Com isso, seu segmento tem relação com o tema. Os tópicos que envolvem tanto a revista impressa quanto o site online não falam sobre famosos, entretenimento, política, economia (só se, claro, a ciência em sua forma, estiver relacionada ao tema). O blog se transformou numa grande ferramenta organizacional para os repórteres especializados. É um caderno de anotações aberto ao público de modo que os repórteres ficam sabendo que assuntos são mais atraentes aos leitores, ajudando-os a priorizar as matérias que eles devem fazer. (BRIGGS, 2007).

O jornalismo como forma de diálogo “bate e volta” entre profissionais e o público ainda um conceito novo e que precisa ser reforçado, conforme dito por Mark Briggs no livro “Jornalismo 2.0: como sobreviver e prosperar”. Contudo, o público-alvo da Galileu já está definido, até mesmo por sua revista, que conquistou leitores antes da chegada de sua versão online. Em seu menu, estão as seguintes editorias: ciência, sociedade, cultura, vestibular e Enem. Já em sua homepage, também são editorias como: arqueologia, astronomia, meio ambiente e atualidades. Por mais que as separações não deixem o leitor confuso, por serem claras, ainda assim como sugestões nós faríamos uma junção de todas as editorias, seja para pôr no menu ou na homepage.


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Contudo, podemos observar que o público-alvo da Galileu, que vem muitas vezes da revista, está ligado à ciência como principal fonte de interesse. Todavia, se o receptor estiver procurando alguma outra questão, que possua correlação com o conceito da revista, também poderá ler seu conteúdo para ter uma nova versão mais detalhada sobre um tema, não aquilo que é mastigado em sites de notícias. 12.2.5 Experiência do Usuário (UX) O site da Galileu é muito intuitivo. Além de ter uma eficiência em trazer os conteúdos pertinentes ao seu propósito, o usuário tem facilidade para navegar pelo site. O link para matérias relacionadas também funciona bem para o site, pois isso impulsiona o leitor a continuar acompanhando as publicações da empresa. Com isso, a estrutura da informação fica mais clara e objetiva, o que é o foco de um website que transmite mensagens em massa para usuários. Contudo, um dos pontos negativos do site é a quantidade de ads presentes durante uma leitura. Isso pode fazer com que os leitores fiquem irritados, porque quanto mais propagandas, mais extensa fica a página.

Anexo 6 – Galileu


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Anexo 7 – Galileu

12.2.6 Arquitetura da Informação (Design) Em uma pesquisa aprofundada sobre o tema, encontramos uma citação pertinente ao tema para começarmos nossa análise sobre o design do site Galileu. De acordo com Dijck (2003), “O principal trabalho de um arquiteto de informação é organizar a informação de um website para que seus usuários possam encontrar coisas e alcançar seus objetivos.” Outra citação, agora de Toub (2000), fortalece o conceito: “Arquitetura de informação é a arte e a ciência de estruturar e organizar ambientes de informação para ajudar as pessoas a satisfazerem suas necessidades de informação de forma efetiva.” Agora, com essas informações que destacam tudo que foi dito anteriormente, podemos entrar nas cores e tipografia do website, que contam com um design sóbrio e simples. As principais cores presentes no site Galileu são o preto e o branco. Alguns elementos mostram a cor azul clara, mas isso não é apontado com prioridade. Já a tipografia, mudou um pouco de uns meses para cá. A fonte dos títulos continua a mesma, Roboto. Já a fonte utilizada nos textos, que antes era a Times New Roman, agora mudou para Arial. A arquitetura da Informação envolve o desenho das informações (textos, imagens e sons) apresentadas na tela do computador, sua classificação em agrupamentos conforme o objetivo do site e das necessidades do usuário, como a construção de estruturas de navegação e de busca de informações. (CORRADI; VIDOTTI, 2007, p. 6)


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Com isso, além da tipografia e das cores, o site ainda precisa se importar com as imagens e sons, para ter um ambiente o mais heterogêneo possível. Porém, como dito em tópicos anteriores, falta acessibilidade em determinados tempos do site, como na descrição de imagens e na falta de audiodescrição de textos. Estas não são mudanças drásticas, mas de devida importância para quem precisa delas.


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12.3 ESTUDO DE INTERFACE - TINDER 12.3.1 Acessibilidade Apesar de hoje já existirem aplicativos de acessibilidade para smartphones, como o “Be My Eyes”, que possibilidade que pessoas de todo o mundo sejam os olhos de indivíduos com deficiência; o popular “Hand Talk”, tradutor que usa recursos de tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras); ou o “Wheelmap”, que mostra lugares com acessibilidade já visitados por outras pessoas com deficiência, as plataformas individuais ainda precisam estudar mais seus níveis de inclusão digital. Um dos entrevistados na nossa pesquisa, Gustavo Torniero, ressaltou durante a conversa que aplicativos de relacionamento como o Tinder não são muito “acessíveis”. Em suas experiências no app, o rapaz precisava da ajuda de amigos para saber com quem estava dando os famosos “matchs”. Para todos os deficientes visuais entrevistados, o grande problema do Tinder é a falta de descrição nas imagens, o foco central da plataforma. Pensamos em duas sugestões para, ao menos, tentar diminuir o problema: um recurso que traduz imagens em áudio e uma proposta similar ao movimento #PraCegoVer, que realiza uma descrição detalhada logo abaixo da foto. 12.3.2 Interatividade O Tinder é o principal produto para quem procura diretamente um relacionamento. Sua interatividade é bem superficial, começa por likes, depois, para começar uma conversa, os dois usuários precisam combinar um “match”. Só após esses passos de interesse, um diálogo pode começar. Fora isso, em sua aba de conversas, o aplicativo é bem similar aos outros. Além disso, o produto desenvolveu recursos que ligam o Spotify e Instagram ao programa. O que, de certa forma, ajuda até mesmo deficientes visuais terem mais contato com gostos e estilos de seus matches. Contudo, em pesquisas relacionadas ao tema, é possível ver que outras empresas, como o Google, oferecem opções mais interativas com seus usuários. O “Lookout” é um exemplo. O recurso apresenta ideias como "Work and Play", que indica ambientes e


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trajetos, o que pode ganhar uma forma mais específica em apps de relacionamento. Além do "Scan", que faz uma audiodescrição acessível de determinada imagem.

12.3.3 Navegabilidade O quesito navegabilidade é um ponto positivo para o Tinder. O modelo herdado pelo aplicativo remete-se ao estilo desktop, que é um dos mais utilizados ultimamente. Ele permite fácil acesso aos usuários. Além disso, se utilizado com audiodescrição de celular, o modelo é um dos mais costumeiros para deficientes visuais. Além disso, o aplicativo não é pesado, não armazena muitas coisas, se não conversas. Seu carregamento é rápido, já que também não possui pop-ups ou muitos ads. A única compra indicativa no site é para a conta premium, que faz com que o usuário possa visualizar likes e, também, mandar “Super Likes” para outros indivíduos. 12.3.4 Público-alvo O Tinder é um aplicativo amplo, que embora não forneça toda a acessibilidade necessária, abriga quaisquer que tenha vontade de se cadastrar. Contudo, o público-alvo (adultos que querem encontrar novos relacionamentos) muitas vezes chega à plataforma cercado de preconceitos e estereótipos. A dimensão do Tinder, por exemplo, é muito maior que a de apps como o Devotee, que abriga, maioritariamente, deficientes visuais e pessoas que tenham interesse em deficientes visuais. De certa forma, essa delimitação não é a mais adequada, mas pode filtrar, mesmo que minimamente, PCDs pode ser uma boa saída para a diminuição do preconceito. 12.3.5 Experiência do usuário (UX) Assim como vários aplicativos do momento, o Tinder é muito intuitivo. Entre seus recursos, existem alguns ícones com símbolos objetivos, nada rebuscados, mas com bom direcionamento. Para uma pessoa que não porta nenhum tipo de deficiência, a plataforma funciona bem, sem falhas.


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No entanto, uma de nossas entrevistadas durante a pesquisa alertou para três pontos que uma empresa precisa ter quando se é falado em acessibilidade: entender as necessidades deste público a partir da perspectiva destas pessoas, seguir recomendações de acessibilidade e testar com usuários deficientes. Para deficientes visuais, a inclusão digital ainda é um caminho extenso a ser concluído. Essa inserção deve ser buscada, também, por empresas. Além de campanhas assertivas, é importante sempre salientar e procurar entender as necessidades do próximo.


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12.4 PROPOSTA Depois de desenvolver as entrevistas, pensamos em formas efetivas de contribuir, não só em forma de texto, mas com sugestões para reduzir questões de inacessibilidade dentro do aplicativo Tinder. Para não criar algo “novo”, que seria excludente para algum grupo, avaliamos a possibilidade de desenvolver uma parceria entre a plataforma e uma empresa de audiodescrição. Com isso, surgiu a ideia de desenvolver uma plataforma para ligar aplicativos de relacionamento com aplicativos de audiodescrição. O logotipo da proposta de empresa de audiodescrição é baseado no símbolo de acessibilidade desenvolvido pela ONU.

Figura 13 – Escuter


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Nesta interface, pensando no Ícone para ativar descrição Escuter.

Figura 14 – (Escuter+Tinder)


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Símbolo Escuter + símbolo de audiodescrição

Figura 15 – (Escuter+Tinder)


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Mensagem de alerta às novas normas do aplicativo, que começa a integrar a proposta do Escuter.

Figura 16 – (Escuter+Tinder)


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Tela de configuração de conta, indicando a ativação do app Escuter

Figura 17 – (Escuter+Tinder)


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Exemplo de símbolo no perfil de uma pessoa portadora de deficiência visual

Figura 18 – (Escuter+Tinder)


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12.5 TRANSCRIÇÃO DE ENTREVISTAS Gustavo Torniero (Deficiente visual) Pergunta: Gustavo, conta um pouco da sua história, como uma minibiografia? Resposta: Nasci com deficiência visual, com catarata e glaucoma congênito. Ainda pequeno, fiz cerca de nove cirurgias. Só que, pelo excesso de procedimentos, o quadro se agravou e perdi a visão total do olho esquerdo. Hoje, eu enxergo um pouco de vulto, cores e luz. Os médicos não conseguem dizer ao certo o meu grau, alguns já disseram 2%, outros 5%. A partir dessa situação, meus pais totalmente perdidos, não sabendo nada sobre o assunto, foram procurar apoio para que eu pudesse me desenvolver. Então, fui para uma das principais associações para deficientes visuais. Sempre estudei em escola particular, mas tive dificuldade com materiais didáticos. Até porque, em escolas públicas é obrigatório o material de apoio para deficientes, no particular não. Foi lá que eu conheci uma professora de braile que me acompanhou até o nono ano. Quando eu tinha uns 15, 16 anos de idade, criei um programa com mais dois amigos cegos sobre assuntos aleatórios. A gente gravava muitas vezes a distância. Era um programa profissional, ele foi transmitido para vinte rádios comerciais para todo o país, mas nunca ganhamos dinheiro com ele. Depois disso, entrei na faculdade, onde também tive que lidar com as questões de acessibilidade. Prestei vestibular para algumas universidades, mas fiquei na ESPM. Lá, recebi muito apoio e comecei a estudar jornalismo. Eu já estava inserido nesse meio de rádio e comunicação. Gostava disso. Comecei a acompanhar vídeos no Youtube, pesquisar sobre o tema. Sempre gostei de ler e conversar, então decidi pelo jornalismo. Outro ponto era que, no momento, para mim, a universidade dava muitas oportunidades de carreira. Antes minha liberdade era muito restrita, eu moro no mesmo prédio há 15 anos. E foi nesse meio tempo que comecei a ter uma vida mais ‘social’, digamos assim. Questões como autonomia e independência foram se desenvolvendo nessa época de ingressão à


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faculdade, porque, até então, eu sempre tive muita supervisão familiar, uma condição normal para quem tem deficiência. Depois disso, comecei a sair, ir à balada. Minha mãe ficava nervosa no começo, mas ela via que eu sempre voltava em segurança. Com o tempo, isso foi se tornando natural. Hoje sou formado, já participei de ações de marcas; faço textos para agências; presto consultoria em acessibilidade e audiodescrição; e estou envolvido com vários projetos. Além disso, já fiz uma ‘freela’ para a BBC, coincidentemente falando sobre acessibilidade, que é um assunto que estou muito incluído, e sou secretário de juventude na Organização Nacional de Cegos do Brasil. Pergunta: Como funciona o seu relacionamento com a tecnologia? Resposta: Eu tive contato com tecnologia mesmo só com 12 anos de idade. Antes eu não conhecia, estava muito restrito ao meu ambiente escolar. Não lembro exatamente como aconteceu isso, mas surgiu a ideia de fazer aula de informática, em casa mesmo, algo comum entre os deficientes. E foi a partir deste momento que eu comecei a ter mais contato com a tecnologia, depois não parei mais, foi uma revolução na minha vida. Isso transformou a minha forma de comunicação, a minha visão de mundo. Foi a partir desse momento que eu comecei a ter mais contato com pessoas com deficiência e, também, a ler mais, porque livros em braile são muito restritos. Passei a ter mais acesso a comunicação e a informação. Além do entretenimento, músicas, jogos, etc. Nesta época, aliás, conheci alguns dos amigos que eu mantenho até hoje, pela internet. Mas isso me levou a dois pontos, o positivo e o negativo, porque a internet me deixou um pouco isolado. A minha mãe ficava preocupada, mas entendia que era a minha forma de me conectar com o mundo. Grande parte das coisas que eu sei hoje, mais nessa linha intelectual, surgiram a partir do computador.

Já pelo celular, no começo, eu ainda utilizada aqueles botões físicos, não existia smartphone por aqui. O iPhone e todos os outros chegaram depois. Eu só fui ter um celular touchscreen com recursos de acessibilidade em 2012, e eu fiquei maravilhado com todas as novidades.


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Pergunta: Desde quando você começou a utilizar redes sociais e aplicativos de relacionamento? Resposta: Logo nas aulas de informática, eu já aprendi criar coisas básicas no computador, aprender a digitar. Desde o começo, eu sempre fui ensinado a escrever com todos os dedos, como se fosse máquina de escrever. Lá para 2008, meus amigos e familiares me incentivaram a criar Orkut. Depois veio o Facebook. Comecei a participar das redes sociais normalmente. Twitter, inclusive, foi uma das minhas primeiras redes e a que eu mais utilizo atualmente. Há um tempo falaram para mim ‘Ah, cria um Tinder’. Criei. Um amigo pegou fotos, perguntou o que eu queria colocar na bio, e fui desenvolvendo meu perfil. Mas, na verdade, nunca deu nada frutífero, por assim dizer. Eram diferentes chegadas, primeiro eu dava o meu celular na mão de alguns amigos e pedia para darem likes ‘livres’ (em quem eles quisessem), mas em outras vezes eu perguntava como era a pessoa, alta baixa, cabelo curto ou longo, cor dos olhos, etc. Nisso, eu até dei alguns matchs, e já conversei com algumas pessoas, mas nunca chegou a rolar um encontro presencial. Teve uma época que eu fiz uma amizade com uma menina, mas era uma relação mais voltada à amizade. Ela morava em São Paulo, mesmo assim a gente não se encontrou, todas as conversas foram pela internet. Durou mais ou menos 1 ano, até eu começar a namorar com outra menina. Mas, sinceramente, primeiro que, lógico, eles são inacessíveis, não tem descrição de imagem, não tem nada. Depois, a minha percepção é que sempre existiu preconceito. Na verdade, o preconceito existe, o preconceito com os relacionamentos, com a vida sexual do deficiente visual, com a vida afetiva da pessoa com deficiência. Na minha biografia no Tinder, eu dizia que tinha deficiência visual, nas fotos também dá para perceber. E, infelizmente, a gente pode fazer diversas avaliações sobre isso, mas esses aplicativos sempre vão funcionar como uma espécie de vitrine. Por mais que haja, e eu acredito que haja, uma diversidade de aparências, as pessoas selecionam as fotos e editam da forma como querem ser vistas.


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Por esse fato, por se tratar de uma pessoa com deficiência, intimida um pouco as pessoas. E eu sentia isso até nas abordagens, nas conversas que eu tinha. De forma geral, o preconceito e a falta de informação acabam fazendo parte desse meio. Teve uma época que eu consegui o contato direto com o responsável do Tinder no Brasil, propondo alguma ação de acessibilidade, inclusão e/ou diversidade. Acho que seria algo que agregaria para o aplicativo e para a imagem dele, a questão da responsabilidade social. Mas nunca obtive uma resposta. Gustavo acrescentou sua participação no quadro ‘Dúvidas Duvidosas’ de Cid do ‘Não Salvo’ No ano passado eu participei de um vídeo com o Cid do “Não Salvo”, o “Dúvidas Duvidosas: Cegos”. Ele tem esse quadro para sanar dúvidas que são ‘idiotas’, mas interessantes. Entre os convidados, já foram aeromoças e até o pessoal da terra plana. O vídeo, que na última vez que eu vi tinha quase 1 milhão de visualizações, deu o buzz na minha vida. Ele me mandou uma dm, pedindo para eu participar do projeto, e eu topei. Depois disso, eu conquistei uma divulgação mais efetiva do meu trabalho. Também melhorei minha forma de expressão, de comunicação, de me portar e posicionar como uma pessoa com deficiência que é divertida. E tem aquele estereótipo, né, que a pessoa com deficiência ou é coitada e triste o tempo todo ou é bem-humorada, a pessoa mais feliz do mundo. E não é assim, depende. Pergunta: Gustavo, fala sobre o seu último relacionamento, que começou pela internet? Resposta: Depois de participar desse vídeo com o Cid, eu comecei a namorar, a minha ex agora (risos). Ela me conheceu por esse quadro e começamos uma interação no Twitter, por troca de DMs. Em pouco tempo nós já estávamos saindo. Ela morava em Jundiaí, mas vinha sempre para cá (São Paulo - SP). Antes dela, eu nunca havia namorado. Já tinha tido alguns ‘namorinhos’ a distância, pela internet e, claro, já tinha ficado com outras pessoas, em festas e tudo mais, mas relacionamento sério mesmo, foi o meu primeiro.


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E foi veio outra revolução na minha vida, abordei várias questões com essa relação, principalmente relacionadas à minha deficiência. E apesar disso, ela sempre me aceitou. Com ela, eu sempre fui tratado de igual para igual. E desde que eu terminei o relacionamento, não baixei o Tinder de novo. Não descarto a possibilidade, mas por enquanto estou bem assim. Pergunta: Como você definiria sua da experiência com os aplicativos de relacionamento? Resposta: Os aplicativos de relacionamento são interessantes, mas não são satisfatórios. Esse meio, sobretudo, é baseado em fotos, e para isso funcionar, as pessoas teriam que colocar legenda descrevendo a imagem. Outra saída seria empresa desenvolver uma inteligência artificial no app, que hoje já existe em outros meios, para descrever sucintamente o que está sendo apresentado. Em consequência, os aplicativos de relacionamento não são os que eu mais me sinto atraído em participar, por causa dessa barreira social, que torna muita coisa inacessível. Quando nós falamos de barreiras, existem as barreiras de acessibilidade, que são arquitetônicas; de web; as comunicacionais, entre os deficientes que têm dificuldade para se comunicar e tudo mais. Mas também existe a barreira atitudinal, que é a forma como a sociedade lida com as pessoas com deficiência. É por isso que ainda continua toda uma discussão de movimentos de pessoas com deficiência, movimentos internacionais, para se chegar hoje ao que a gente chama de ‘conceito de pessoa no modelo social de deficiência’, porque antes o PCD era visto apenas como objeto de estudo e de tratamento médico, o que é importante, claro. Mas também tem o social, ou seja, na maioria das vezes a pessoa com deficiência não tem a condição de se desenvolver e ser mais autônoma pelas barreiras que a sociedade impõe. As barreiras atitudinais são a falta de informação. Por exemplo, “Ah, um cego, cara? Como eu vou sair com ele? Como ele usa o celular?” Hoje se quer as pessoas que não tem contato com esse contexto sabem que as pessoas com deficiência utilizam computador, têm acesso às tecnologias…


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Já aconteceram casos de eu pedir a descrição de alguma imagem no Twitter e me perguntarem como eu faço para ler, às vezes de uma forma até pejorativa. E com a sexualidade e relacionamentos afetivos, a questão é ainda mais complexa. Eu já sofri esse tipo de preconceito, da pessoa não querer ficar comigo porque eu sou deficiente visual. Isso é bem doloroso, mas acontece bastante atualmente. Em conversas pelo Tinder, onde as pessoas ainda não tinham notado minha deficiência, ao falar disso, já pararam de me responder ou mudaram completamente a comunicação. Isso é algo muito complexo para a gente. Acredito que virtualmente, principalmente nesses aplicativos, é mais complicado. Porque você não tem uma comunicação presencial, que é muito mais afetiva e empática. Até por isso estou um pouco reticente em voltar a utilizá-los. Pergunta: Qual o papel da mídia da abordagem e disseminação de informações sobre acessibilidade e pessoas com deficiência? Resposta: Creio que o maior problema é com a grande mídia, canais de TV, emissoras de rádio...De forma geral, assim, sem elencar ‘A’ ou ‘B’, a mídia tende a retratar a pessoa com deficiência por alguns vieses. Primeiro pela superação, ou seja, superestimar a pessoa com deficiência, tratá-la como heroína, “vejam só onde ela consegue trabalhar, mexer no computador, que incrível, não?”. Depois, o contrário disso, a subestimação do PDC como o “coitado” que precisa de ajuda. A mídia perpetua alguns estereótipos para a pessoa com deficiência, de forma geral. Existem trabalhos e estudos que mostram que quando a mídia cobre, por exemplo, esportes paraolímpicos, costuma construir esses rótulos de vitimização, infantilização ou superação. E o papel dos meios de comunicação deveria ser o oposto, de desconstruir esses estereótipos. Claro, eu entendo que a falta de informação também atinge a mídia e o jornalismo, mas o problema é que o jornalismo tem o papel social de descomplicar e explicar as coisas de forma correta e sem sensacionalismo. Aos poucos, a mídia, está se referindo ao PCD de forma mais assertiva. Mas ainda é uma situação que acontece com bastante frequência. Então, os grandes meios de comunicação, sim, contribuem para que esses rótulos permaneçam. Não posso ser categórico e dizer que


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a mídia é a única responsável, mas é um ponto de influência, porque a mídia é muito influente. Eu analise que com as novas plataformas de conteúdo e por causa de um aumento na visibilidade das pessoas com deficiência, isso tem se alterado. Hoje existem vários canais de pessoas com deficiência no Youtube, várias escrevendo no Twitter, envolvidas em instituições, pessoas que estão demonstrando que “Opa, não é bem assim”. Então, esse discurso acaba ficando um pouco limitado porque, claro, nem todo mundo tem acesso à internet, mas de uma forma acaba amplificando o discurso e o engajamento de pessoas com deficiência. Quando o site é ‘nichado’ ele tem um viés mais voltado para cobertura de assuntos sociais, direitos humanos, acessibilidade e inclusão. Pergunta: Qual a perspectiva que as empresas devem ter para o aumento de materiais acessíveis? Resposta: As empresas deveriam colocar em seus projetos o desenvolvimento de aplicativos e aplicações de serviços com base no desenho universal. O que é desenho universal? É você produzir, fazer um produto que seja acessível ao maior número de pessoas possível, independente da deficiência. Esse produto, será adaptado, porque quando um produto é adaptado, ou quando você precisa fazer alguma modificação, é mais custoso em relação ao tempo e dinheiro. Se as empresas de aplicativos, e de produtos de forma geral, fizerem isso desde a concepção, com base nesse desenho, que é um conceito da própria arquitetura, aí sim, vamos ter aplicativos completamente acessíveis. E pesquisar, né, “Como eu posso deixar o meu produto acessível?” Quem são as pessoas com deficiência e o que elas precisam.” As empresas deveriam se capacitar, ou buscar capacitação externa, para que eles possam ter mais possibilidade de colocar isso na cultura da organização. Um ponto muito importante é dialogar com os grupos de interesse, porque não adianta nada você fazer um produto que na teoria seria “acessível”, sendo que uma pessoa com deficiência visual ou auditiva não testou o recurso. Não dá para tirar da cabeça, tem que consultar as pessoas para testar o produto.


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Pergunta: Você acha que ao longo dos anos, tivemos uma evolução positiva sobre inclusão social? Resposta: Nos últimos anos a gente tem tido muitos avanços, no Brasil e no mundo, mas principalmente aqui. O que muitas pessoas não sabem é que a legislação brasileira é uma das mais avançadas em relação a acessibilidade e inclusão. Hoje temos vários decretos, diversas leis. Uma das mais recentes foi a Lei Brasileira de Inclusão, que ficou em debate no congresso por mais de dez anos. Ela ganhou contribuições de organizações, profissionais, pessoas com deficiência e múltiplos partidos. Com ela, tivemos uma construção coletiva que desenvolveu ainda mais as evidências para a acessibilidade. A lei possui uma série de artigos em relação a lazer, cultura, entretenimento, discriminação, várias coisas. Então, em questão de leis, temos uma das mais avançadas. O problema é a fiscalização e, no atual momento, a regulamentação de alguns artigos da LBI, que como qualquer outra lei é genérica e precisa de decretos e regulamentação com processos definidos. Por exemplo, fazer acessibilidade na tv: quais são os parâmetros? O que precisa? Além disso, nós também temos problemas municipais, que não são de ordem federal, aí eu não posso falar especificamente, porque cada município tem os seus problemas, A questão é que o Brasil é um país de dimensão continental, né. Um país muito grande, com muitos problemas, principalmente onde o acesso a informação é mais restrito, onde há mais vulnerabilidade social. Aqui em São Paulo, por exemplo, ainda tem muitos problemas: ruas esburacadas, calçadas esburacadas, transporte. Em questão de transporte para o deficiente, a cidade tem muito o que melhorar. Contudo, acredito que nos últimos anos a gente tem tido bastante evolução em questão de acessibilidade e inclusão, mas precisamos estar sempre em alerta em relação ao que acontece de forma geral no Brasil, enfim, no congresso, para não ter um retrocesso em direitos que já foram garantidos. Heverton Rodrigues (Deficiente visual) Pergunta: Heverton, conta sobre a sua história e diagnóstico?


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Eu sou graduado em estatísticas, e atualmente servidor da Universidade de Uberlândia. Sou assistente de administração. Eu adquiri a deficiência visual aos 18 anos, devido a uma síndrome genética neurofibromatose tipo II, essa síndrome me fez desenvolver um tumor benigno que atrofiou meu quiasma óptico. Logo após eu ter ficado cego, uns três meses mais ou menos, eu já conheci a tecnologia assistiva para computador, no caso um leitor de telas. Ele funciona, basicamente, por síntese de voz e comandos do teclado. Pergunta: Como era seu relacionamento com redes sociais e aplicativos de relacionamento antes e como ficou depois da doença? Resposta: Eu uso redes sociais desde adolescente, antes da perda da visão, e continuei utilizando. O Facebook é a rede social que eu mais utilizo. Já utilizei o Tinder, mas considero o aplicativo bem problemático, porque é extremamente visual. Das vezes eu utilizei, eu sempre estive com alguém por perto ou dava likes para todo mundo. Mas é melhor ter alguém por perto, porque a pessoa vai me descrevendo as características do usuário, caso eu curta ou não. Alguns aplicativos, principalmente do Google, pensam muito nessas questões de acessibilidade. Pergunta: Você já teve receio de conversar com alguém online? Nunca tive receio de me relacionar com outras pessoas em redes sociais. Coisas chatas e preconceito já aconteceram. Por exemplo, porque muitas pessoas não percebem que eu sou cego, então quando eu conto as pessoas param de conversar comigo. Mariana Rocha Pergunta: Mari, fala um pouco sobre você? Resposta: Eu nasci cega, fiz três cirurgias para tentar reverter a deficiência, mas acabou não dando certo. Eu sempre estudei em escolas particulares, inclusive já estudei tecnologia da informação, mas depois mudei para o jornalismo. Hoje eu dia, sou jornalista, youtuber e musicista.


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Uma coisa importante para saber é que além de mulher, eu sou lésbica. Não tenho relacionamentos heterossexuais no Tinder. Então já é uma coisa a mais para contar. Uma experiência feminina e homoafetiva. Pergunta: Como é o seu dia a dia? Fica muito tempo no celular? Resposta: O meu semestre está um pouco louco. Eu fico bastante tempo no celular. Antes, quando meu tempo estava mais tranquilo, fiquei meio viciada no Tinder. Eu tinha terminado um relacionamento de quase dois anos e aí, no começo, eu só ficava nele (aplicativo). Até porque, só uso ele. Pergunta: Como funciona o seu relacionamento com aplicativos de namoro? Resposta: Já tive experiências no Devotee, no Badoo, que teve um caso bem estranho. E eu utilizo esses aplicativos de relacionamento desde os 15, 16 anos. Não recomendo que as pessoas façam isso, porque é perigoso para caramba. Em uma ocasião, uma pessoa teve preconceito comigo. Não acreditou em mim, achou que eu estava zoando sobre a minha deficiência. Falei que era cega e a pessoa sumiu. No Badoo, quando eu era mais novinha, uma menina meio que se apaixonou, mas ela era mais velha, fumava maconha. No começo eu achava isso muito irado, mas era muito ingênua, pensava que se ficasse com ela alguém poderia fazer alguma coisa. Depois da faculdade, eu fui aprender que isso (fumar maconha) era “normal”. Pergunta: Já teve experiências positivas nesses aplicativos? Resposta: Eu tive experiências legais. Fiquei com uma menina no começo da faculdade, que conheci no Tinder. Eu ia para casa dela direto, porque descobri que ela morava do lado da minha faculdade. Somos amigas até hoje. Eu tive momentos muito legais no aplicativo. Conheci uma mulher trans no Tinder. A gente saiu uma vez, não deu certo, mas também temos amizade. O único ponto é que eu nunca namorei ninguém sério, por lá. Quase aconteceu. Ela queria namorar, mas por opção minha isso não rolou. Eu estava me relacionando com mais duas pessoas (risos).


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Ricardo Alonso Jorge Pergunta: Você disse que havia sofrido um acidente, conta sobre ele. Resposta: Em julho de 2007, eu sofri um acidente de wakeboard, em Orlando, Estados Unidos. Nisso, tomei muita aspirina e eu tive uma hemorragia que resultou em um coágulo e fiquei em coma. Fiquei 10 anos me recuperando ainda, muito tempo de cama. Fiquei tanto tempo em casa que tive atelectasia pulmonar, que é o acúmulo de secreções nos brônquios. Isso causa bloqueio na passagem do ar. Fiz fisioterapia pulmonar depois disso. Hoje ainda faço fisioterapia e tomo remédio todos os dias. Pergunta: E depois disso, como é a sua rotina agora? Resposta: Atualmente eu trabalho com administração de um Shopping de São Paulo. Antes do acidente, com 22 anos, eu só estudava. Hoje, qualquer um pode fazer o que quiser na internet. No meu caso, eu só utilizo o celular com o mouse, porque tenho deficiente na mão direita. Antes eu conseguia jogar, por exemplo. Pergunta: De onde surgiu a motivação de desenvolver um aplicativo de relacionamento? Resposta: Depois do acidente eu namorada, depois eu casei e me separei no ano passado. Eu utilizei o Tinder antes de desenvolver o meu aplicativo, mas as pessoas não davam match. Acho que tinha muito preconceito envolvido. Tipo quando eu falava com as mulheres, elas não me respondiam, por exemplo. Depois dessa experiência, eu desenvolvi o Devotee. Hoje ele alcança em média 3 mil pessoas, não só deficientes. Para criar o aplicativo, eu comecei com uma empresa, mas passei para um programador. Eu dei todas as ideias. Lá tem o cid, você pode por sua doença, seus medicamentos. Pergunta: Qual é a maior barreira para um deficiente utilizar um aplicativo de namoro?


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Resposta: Acredito que a maior dificuldade na hora de se expor em um aplicativo de relacionamento é a vergonha, porque nós não temos um lugar certo para se colocar sem ficar fora da caixa. Acho que o Devotee é mais aberto e inclusivo para os deficientes. Não tem preconceitos. Talita Pagini Pergunta: Como a tecnologia vê a acessibilidade? Resposta: Quando falamos em acessibilidade, não podemos direcionar somente para deficiência, porque a acessibilidade considera diferentes barreiras de acesso que vão além de uma deficiência, como estar um dos braços ocupados, estar em um local barulhento em que você não consegue ouvir, acessar uma rede de internet limitada, entre outros. Mas falando especificamente sobre deficiência, um passo importante é entender as necessidades dessas pessoas, quais as principais barreiras de acesso e quais as práticas que devem ser seguidas para construir aplicações acessíveis. Isso envolve todas as pessoas que trabalham no desenvolvimento, de designers a testadores. Pergunta: Como funciona a acessibilidade digital? Resposta: A parte da acessibilidade digital é muitas vezes associada a uma atividade mais técnica, que compete somente a pessoas da área de programação. Mas a acessibilidade digital é sobre todo o conteúdo, como o uso de linguagem adequada, cores com bom contraste e facilidade de navegação, além do acesso adequado através de software leitores de tela. Além de entender as necessidades, é importante seguir diretrizes internacionais, como a WCAG 2.1 (Web Content Accessibility Guidelines - Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo na Web) e também as próprias diretrizes de desenvolvimento da Apple (iOS) e da Google (Android), que têm orientações específicas sobre acessibilidade. Pergunta: Apesar de termos um vasto conteúdo, por que ainda existem tantos aplicativos inacessíveis?


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Resposta: Bom, existe a falta de conhecimento sobre o assunto, mas também há muita falta de interesse das empresas, que não entendem que acessibilidade não é um adicional do projeto, deve estar dentro do processo de desenvolvimento. Outro ponto importante é testar os aplicativos com as pessoas, algo que muitas empresas ainda não fazem. Pessoas com deficiência são consumidoras tanto quanto qualquer outra pessoa, mas muitas empresas acham que não estão perdendo ao negligenciar este público. Pergunta: Quais pontos as empresas devem destacar para desenvolver projetos acessíveis? Resposta: O que eu sei de outras empresas que têm uma mentalidade voltada para a acessibilidade, como o QuintoAndar e Itaú, é que eles costumam ter também pessoas com deficiência em seus times técnicos e elas focam muito nestes três pontos: entender as necessidades deste público a partir da perspectiva destas pessoas, seguir recomendações de acessibilidade e testar com usuários. Mara Gabrilli Pergunta: Como o deficiente enfrenta a sociedade e a acessibilidade limitada que ela propõe? Resposta: Quando projetamos espaços fisicamente acessíveis, estamos tornando mais fácil o ir e vir de uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. Quando aplicamos em nossas plataformas de comunicação conceitos de acessibilidade, estamos derrubando barreiras no território da informação, que além de ser uma ferramenta transformadora para qualquer ser humano, aproxima ainda mais o cidadã com deficiência de seus direitos Isso acontece principalmente porque a maioria dos sites não é construída utilizando as recomendações para acessibilidade do W3C - comunidade internacional que determina padrões para Web. Vivemos em um mundo que a cada dia mostra que há maneiras independentes para produzir informação, com ferramentas gratuitas à disposição de todos. Mas, ainda sim, a população com deficiência muitas vezes é tolhida de toda essa informação por falta de acessibilidade nos sites e canais da rede.


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A Lei Brasileira de Inclusão, que eu relatei na Câmara e que já está em vigor em todo o Brasil, prevê que os sites de todo o Brasil oferece acessibilidade ao público com deficiência. Isso significa que todas as pessoas com deficiência, seja física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla devem ter o direito de navegar na rede sem barreiras. Pergunta: Por que é importante que os meios de comunicação abordem mais sobre inclusão social, direitos do PCD e acessibilidade? Resposta: O número de brasileiros hoje com acesso à internet corresponde a quase metade da população do país inteiro. De acordo com o levantamento do Ibope Media, até o ano passado o total de internautas chegou a 102,3 milhões. Redes sociais, sites, portal de notícias, e-mail, vídeos, Skype. Ou seja, o brasileiro hoje faz uso de ao menos uma dessas plataformas para se comunicar. Podemos dizer que o ciberespaço é hoje o “território” mais populoso do mundo. Não é por acaso que se discute tanto a necessidade de democratizar o uso da rede para que cada vez mais pessoas interajam com o que antes era tido como intangível. Mas quando falamos da população com deficiência, as barreiras ainda são grandes. Os cidadãos surdos e com deficiência auditiva, por exemplo, não podem contratar determinado serviço via telefone e precisam, muitas vezes, da internet para sua comunicação básica. Outra questão é a inserção de conteúdos acessíveis para cegos, que hoje encontram enormes barreiras para acessar o conteúdo pela falta de sites e plataformas acessíveis. Para se ter uma ideia, de 45 milhões de pessoas com deficiência de nosso país, 35 milhões têm deficiência visual. Como ignorar uma parcela tão expressiva da nossa nação? Você já parou para pensar em como essa população faz para ter acesso a todos os conteúdos que temos a nossa disposição nos dias de hoje, que é totalmente visual? Ou o quanto essas pessoas poderiam contribuir caso tivessem acesso a todas as informações? Da mesma forma como as mídias se convergiram para vários meios, hoje, os recursos de acessibilidade para os cegos também se converteram para novas plataformas. Cabe as editoras e os canais de comunicação acompanharem esses avanços e oferecerem acesso ao público com deficiência, que tem direitos garantidos por Lei, inclusive, como consumidores.


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Assim como uma rampa ou elevador resolvem facilmente meu problema, recursos como a audiodescrição e os softwares com leitores de tela podem fazer a diferença na vida de uma pessoa que não enxerga. Pergunta: Como você definiria a inclusão digital para o deficiente no Brasil? Resposta: Ainda incipiente. Mesmo com a possibilidade de expandir acessos à diversidade humana, as pessoas com deficiência ainda enfrentam diversas barreiras em todas as plataformas de comunicação - das mais recentes surgidas na rede, até as mais tradicionais, como o livro. A editora que lançou minha biografia, por exemplo, teve resistência para cumprir uma exigência feita por mim desde que aceitei o convite de contar minha vida: disponibilizar o livro também em formato acessível a quem não enxerga. Imagine a posição das editoras com relação a outros títulos? Pergunta: Quais são as maiores dificuldades de implementar/seguir com leis que beneficiem o deficiente no país? Resposta: O cumprimento das leis e a fiscalização. Por isso, estamos trabalhando para criar também um mecanismo que puna quem infringir as normas de acessibilidade na web, como hoje já ocorre com crimes cibernéticos. Pergunta: Na psicologia, quais são os principais pontos de estigma social que uma pessoa com deficiência tem ao se relacionar com outro indivíduo? Resposta: Costumo muito dizer que a deficiência está nas cidades e não nas pessoas. Então o maior preconceito que pode existir é a falta de acessibilidade. No caso da comunicação isso impede a pessoa de participar, inclusive, da democracia. Temos uma das legislações sobre pessoa com deficiência mais completas do mundo. Precisamos fazer valer a lei. A Lei Brasileira de Inclusão trouxe novas garantias, inclusive em relação à discriminação em razão da deficiência, que passou a ser crime. Precisamos denunciar, seja para o PROCON, seja para o Ministério Público e até mesmo para a polícia. Cabe aos veículos de comunicação investirem na diversidade e na acessibilidade para que as pessoas com deficiência se sintam cada vez mais incluídas e respeitadas como consumidoras .


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12.6 ANEXOS Figura 19 â&#x20AC;&#x201C; Gustavo Torniero


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Figura 20 – Infográfico


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Anexo 8 – Ilustração

Anexo 9 – Mara Gabrilli


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Anexo 10 – Pixabay

Anexo 11 – Youtube Mari Romano


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Anexo 12 – Pixabay

Anexo 13 – Devotee


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Anexo 14 â&#x20AC;&#x201C; Ricardo Alonso (Devotee CEO)


Anexo 15 – Autorização de uso de imagem


Anexo 16 – Autorização de uso de imagem


Anexo 17 – Autorização de uso de imagem


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