UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
VITÓRIA GABRIELLE SILVA ALVES DE MOURA
AS CONSEQUÊNCIAS DA SELETIVIDADE PENAL NO BRASIL
SÃO PAULO – SP 2020
VITÓRIA GABRIELLE SILVA ALVES DE MOURA
AS CONSEQUÊNCIAS DA SELETIVIDADE PENAL NO BRASIL
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentada ao Curso de Jornalismo da Unversidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo., sob a orientação do Professor Mestre Luiz Lazaro.
SÃO PAULO – SP 2020
FORMATO: Livro Reportagem TÍTULO: De quem é a culpa? NÚMERO DE PÁGINAS: 67 páginas NÚMERO DE CAPÍTULOS: 4 capítulos AUTORA: Vitória Moura DIAGRAMAÇÃO: Lucas Padro REVISÃO: Bianca Maia CAPA: Lucas Padro IDIOMA: português EDIÇÃO: 1º edição ANO: 2020 DIMENSÕES: 14,8cm x 21cm
“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes." Albert Einstein
AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente а Deus, que permitiu que tudo isso acontecesse, ao longo de minha vida, е não somente nestes anos como universitária, mas em todos os momentos. Agradeço aos meus pais, pelo amor, incentivo е apoio incondicional. A minha mãe Denilza Bezerra, heroína que mе deu apoio, incentivou nas horas difíceis, de desânimo е cansaço. E ao meu pai que apesar de todas as dificuldades, me fortaleceu. Obrigada meus irmãos, Daiane, Lucas e Maria Luíza, que sempre me apoiaram e me fortaleceram. Me ajudando em cada passo. Ao meu orientador, Prof. Me Luiz Lazaro pela oportunidade, o apoio e empenho dedicado à elaboração deste trabalho. Por acreditar que eu conseguiria. Agradeço а todos os professores por mе proporcionar о conhecimento não apenas racional, mas а manifestação do caráter е afetividade da educação no processo de formação profissional. Meus agradecimentos as meninas, que fizeram cada dia na Universidade mais leves: Bianca Candido, Lorraine Barbosa, Sabrina Rodrigues e Thaynara Bernardo, obrigado por cada risada e apoio para execução deste projeto. Agradeço também, aos meus amigos, que me ajudaram na execução deste trabalho, Natalia Giachetti, por cada cálculo. Flavio Sousa, por aguentar meus surtos e me apoiar. David Trindade, pelo apoio, por cada risada e por cada fonte. Eduardo Ariedo, por sempre me apoiar e ler os capítulos do meu livro. E Matheus Santos, que me ajudou nas fotos e sempre acreditou em mim. Agradeço ao Lucas Padro, que teve paciência para cada mudança que eu solicitava e por ter atenção e carinho com o meu livro. Obrigado a todos, pelo apoio e carinho.
RESUMO
O presente trabalho traz como principal problemática a seletividade social e racial, que interferem constantemente na Justiça Penal Brasileira, que deveria ser imparcial e julgar todos da mesma forma. Por conta dessa seletividade, determinados grupos são marginalizados, criando o falso estereótipo de que são sempre os culpados, independentemente da situação, o que ocasiona em investigações malfeitas, repletas de falhas, além do julgamento da sociedade, marginalizando as pessoas que são declaradas como culpadas e enviadas as prisões, sem nem haver provas que os incriminem ou tenham algum tipo de ligação ao crime. E o resultado dessa cultura preconceituosa são pessoas presas injustamente, uma violação Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro e Declaração Universal dos Direitos do Humanos (DUDH). O livro-reportagem “De quem é a culpa?” peça resultante dessa pesquisa, traz à tona o resultado dessa seletividade penal, que por três anos consecutivos, levou inocentes para o cárcere e destruiu os seus sonhos, roubando aos poucos sua dignidade.
PALAVRAS-CHAVES: Marginalização; Cárcere;
Seletividade;
Justiça
Penal
Brasileira;
Injustiça;
SUMÁRIO 1. Introdução.................................................................................................................... 8 2. Objetivos ................................................................................................................... 11 2.1. Objetivo geral ..................................................................................................... 11 2.2. Objetivos específicos .......................................................................................... 11 3. Problematização e hipóteses .....................................................................................12 3.1. Problema .......................................................................................................... 12 3.2. Hipóteses .......................................................................................................... 12 4. Justificativa ............................................................................................................... 13 5. Plano estratégico ....................................................................................................... 15 5.1. Descrição do produto ........................................................................................ 15 5.2. Estratégia para definição de layout ................................................................... 15 5.3. Técnicas utilizadas ........................................................................................... 16 5.4. Missão .............................................................................................................. 17 5.5. Visão ................................................................................................................ 17 5.6. Valores ............................................................................................................. 17 5.7. Público-alvo ..................................................................................................... 17 6. Referencial teórico .................................................................................................... 18 7. Referências bibliográficas ........................................................................................ 21 7.1 Outras Fontes ....................................................................................................... 21 8. Cronograma .............................................................................................................. 24 9. Orçamento ................................................................................................................. 25 10. Apêndices ................................................................................................................ 26 10.1. Transcrições ...................................................................................................... 26 10.2. Fotos ............................................................................................................... 142 Making off – Discente.............................................................................................. 150 10.3. Capa do livro.................................................................................................... 152 10.4. Autorizações de uso de voz e imagem ............................................................. 153 11. Diário de Campo ................................................................................................... 164 12. Anexos ................................................................................................................... 166
1. INTRODUÇÃO
Há aproximadamente 500 anos, o Brasil era fundado. Passou por diversos momentos dolorosos e vergonhosos em sua construção, resultando em uma evolução completamente ligada a desigualdade e a injustiça. Cenário este, que dividiu os indivíduos, em cidadãos de primeira ou segunda classe, avaliados, pela cor da pele, onde mora, entre outros fatores. Ao nos definirmos, algumas vezes dizemos que somos ingleses ou galeses ou indianos ou jamaicanos. Obviamente, ao fazer isso estamos falando de forma metafórica. Essas identidades não estão literalmente impressas em nossos genes. Entretanto, nós efetivamente pensamos nelas como se fossem parte da natureza essencial (HALL, 1992, p. 29). A sociedade estabelece diversos grupos e categorias dentre as quais serão encaixadas cada tipo de pessoa, quando conhecemos alguém logo tratamos de categorizá-la como pertencente a determinada categoria ou grupo (CORRAL, 2015, p. 33).
A partir dessa divisão, padrões foram enraizados na cultura, onde pessoas que fazem parte da primeira classe, é esperado que tenham um futuro próspero e pessoas de segunda classe, se envolvam em algum momento com o crime, por serem financeiramente vulneráveis. A palavra [marginalidade] introduziu-se em nosso meio como referência a certos problemas surgidos no processo de urbanização posterior à Segunda Guerra Mundial, como consequência do estabelecimento de núcleos de populações recentes e de características sub-standard na periferia do corpo urbano tradicional da maior parte das cidades latino-americanas (...) Como, precisamente, esses povoamentos se levantaram, em regra geral, nas bordas ou margens do corpo urbano tradicional das cidades, o mais fácil era denominá-los "bairros marginais" e seus habitantes, "populações marginais (...) O problema que estes grupamentos encerravam se constituiu no problema das "populações marginais (apud QUIJANO, 1978, p. 18).
Esses padrões preconceituosos, refletem em todas as esferas do poder punitivo brasileiro, desde o policial militar, que para uma pessoa negra, que só está andando, por achar que teve uma atitude suspeita, mas, não faz absolutamente nada, em relação a uma pessoa que o ofende moralmente em um condomínio de luxo, sobretudo que eles são o primeiro contato da população com a lei e a justiça. Quanto ao juiz, que não dá atenção ao caso, julga como apenas mais um caso de roubo, em que uma pessoa negra e/ou periférica está envolvida, não dá atenção as provas.
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E toda essa arbitrariedade, já serviu de palcos para prisões injustas, aqui no Brasil, quanto nos Estados Unidos, que é considerado país de primeiro mundo. O advogado americano, John Grisham, escreveu o livro “O Inocente – Uma história real de crime e injustiça”, que retrata as falhas do sistema judiciário americano, a precariedade da pena de morte e a desesperança daqueles que parecem ter sidos esquecidos pela lei e pela justiça. A Netflix, também produziu uma série documental, que retrata um dos maiores erros penais dos Estados Unidos. “Olhos que condenam”, conta a história de cinco jovens negros, dos bairros periféricos dos E.U.A, que foram acusados, sem provas, de estuprar e agredir brutalmente uma corredora. Aqui no Brasil, também temos casos de arbitrariedade penal, casos antigos, que mostram a total ineficácia por parte do poder punitivo brasileiro e como já é um problema enraizado na sociedade, que finge não ver. No final da década 30, Joaquim Naves Rosa e Sebastião José Naves, os irmãos Naves, foram acusados de homicídio. Inocentados pelo Júri popular, os dois irmãos foram condenados pelo Tribunal de Apelação de Minas Gerais a 16 anos e 6 meses de prisão pelo homicídio do primo, que, mais tarde, apareceu vivo. Ficaram presos mais de 8 anos, e só quando Joaquim já havia falecido, os irmãos conseguiram provar sua inocência. Em 2003, Heberson Lima de Oliveira, tinha 22 anos e foi acusado por estupro. Na cadeia, foi violentado sexualmente por mais de 60 homens e contraiu o vírus HIV. Heberson Lima, não era o culpado. Foi preso injustamente. Só depois, de aproximadamente, três anos, ele conseguiu provar sua inocência. Por casos como esses, que mudam radicalmente uma vida de uma pessoa, no dia 02 de outubro, é o Dia da Condenação Injusta, que faz parte da campanha internacional organizado pela The Innocence Network, que tem como intuito, debater problemas que acarretam prisões injustas. A partir do momento em que se iniciou a pesquisa exploratória, o projeto teve uma grande mudança. Inicialmente, acreditava-se que as pessoas eram presas injustamente, por conta das falhas nos procedimentos de investigações, após análises e entrevistas, foi constatado, que existem muitos erros que causam as prisões, porém, compreendeu-se que tais erros partem da construção da sociedade, que sempre dividiu e marginalizou determinados grupos, os tornando propícios a serem presos injustamente em algum momento de suas vidas. Um mal que está enraizado na cultura e precisa urgentemente ser combatido. 9
Por conseguinte, usamos da pesquisa exploratória, para trazer relatos de pessoas que sentiram o peso de um sistema seletivo, e foram obrigados a passarem por um cárcere injusto. Juntamente, com entrevistas de especialistas, tais advogados, que explicam como devem ser os procedimentos para que ocorra uma prisão regular e por que o sistema é carente de investimentos e políticas públicas. Além da entrevista com sociólogo, que explica como essas práticas punitivas interferem na sociedade, por conseguinte, o historiador, que fala sobre a evolução das práticas punitivas no Brasil. Assim como, a jornalista, que explica sobre o funcionamento da apuração desses casos e a interferência da mídia sensacionalista, que ajuda a difamar a imagem e a honra de uma pessoa, e também, a psicóloga, que explica os impactos na personalidade de uma pessoa, que passou pelo cárcere e foi vítima de prisão injusta. Além do apoio teórico, para o desenvolvimento desse projeto de pesquisa, que trabalha com o sociólogo Stuart Hall, com a obra intitulada: A identidade cultural nos pós modernidade; o filosofo Michael Foucault, com a obra: Vigiar e punir: nascimento da prisão e, o sociólogo e filósofo, Alessandro Baratta, com o livro: Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: Introdução à Sociologia do Direito Penal. E ademais materiais, que ajudaram na produção do relatório e do produto. Usa-se também, os dados disponibilizados pelo Infopen- Departamento Penitenciário Nacional, para evidenciar a superlotação dos presídios e os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), para completar e mostrar a desigualdade existente no Brasil. Dessa forma, o produto foi idealizado com o objetivo de verbalizar as consequências da seletividade social, que refletem no sistema de judiciário, tirando o maior bem humano, a liberdade. Por fim, o formato escolhido para desnudar as falhas do sistema judiciário, é o livro-reportagem, pois apresenta com detalhes ainda não exibidos em outras matérias já publicadas, o descaso que cada vítima foi exposta, contando desde os seus nascimentos, até como estão atualmente, após o cárcere injusto. Afinal, isso não é justiça.
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2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL Evidenciar as consequências da seletividade racial e social, que refletem na Justiça Penal Brasileira.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.
Desenvolver um livro- reportagem, ao qual, será apresentado o porquê de
acontecerem prisões injustas no Brasil. 2.
Mostrar a falta de políticas públicas dentro dos presídios brasileiros.
3.
Evidenciar a nova realidade dessas pessoas que foram vítimas de um
cárcere injusto.
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3. PROLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES
PROBLEMA A sociedade é construída com valores preconceituosos e racistas, que acaba por definir socialmente determinados grupos. Com base na afirmação, até que ponto o sistema pode ser cruel com pessoas negras e/ou periféricas?
HIPÓTESES 1.
A cor da pele e o bairro em que uma pessoa mora, interferem em como a
justiça julgará suas provas testemunhais e físicas. 2.
As atuais práticas punitivas se assemelham com as exercidas no início do
Brasil, como a Lei da Vadiagem, que tinha como intuito, mesmo que indiretamente, de prender pessoas negras e/ou periféricas.
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4. JUSTIFICATIVA
Este trabalho tem como justificativa acadêmica elucidar as falhas no sistema judiciário, que parte da construção da sociedade, que sempre marginalizou pessoas negras e/ou periféricas, provocando as piores consequências possíveis para vidas desses grupos socialmente definidos. Falar de pessoas que foram presas injustamente, independente da categoria prisional, é de tamanha urgência e relevância. Tais erros não podem acontecer e muito menos a população aceitar, fingindo ser um problema distante. Se trata de vidas, que por conta de uma seletividade opressora, desrespeita a integridade moral e consequentemente a integridade física do homem, de modo que viola a Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro e Declaração Universal dos Direitos do Humanos (DUDH). A justiça tenta aparentar que são casos isolados, usando das categorias de prisão, exemplo, a preventiva, que diz, ser utilizada como instrumento do juiz em inquérito policial ou já na ação penal, ou seja, é um instrumento processual. Contudo, deve-se ressaltar, que o Brasil, sofre com problemas severos em relação as investigações prévias ou um reconhecimento que siga o artigo 226 do Código de Processo Penal, sem contar, os inúmeros problemas enfrentados por falta de investimentos e as falsas memórias, fatores esses, que geram prisões injustas. No Brasil, mesmo existindo diversos casos e acontecerem de forma sucessiva, um exemplo, é o próprio livro desenvolvido “De quem é a culpa?”, que descreve três casos, que aconteceram em anos sucessivos, não existe um recorte sobre o número de pessoas que presas injustamente. Ressaltando que no Brasil, 96.195 das pessoas privadas de liberdade, são pessoas negras e 195.085, são pessoas brancas. A ong Innocence Network, fundada Nova York, Estados Unidos, em 1992, atua para provar a inocência de pessoas que foram presas injustamente. Nos Estados Unidos a ong implantou o recorte do número de prisões injustas e mostram, que pessoas negras têm a maior probabilidade de serem condenadas injustamente, do que pessoas brancas, sendo: 3.5 vezes mais por acusações de agressão sexual; 7 vezes mais por acusações de homicídio e 12 vezes mais por acusações de tráfico de drogas. Os dados também mostram, que pessoas negras passam em médias 10 anos e 7 meses presas injustamente, antes de serem inocentadas, cerca de 45% a mais do que pessoas brancas inocentadas. 13
Números que mostram a urgência e a necessidade de haver esse recorte. Contudo, nos Estados Unidos, já se fala mais sobre injustiça penal, do que no Brasil. O projeto abriu uma sede aqui no Brasil, e estão tentando trazer esse debate para o território brasileiro. Até junho, o Innocence Project Brasil, tinham 2 absolvições, 2 liberdades concedidas no curso do processo. Em setembro, tinham 2 casos judicializados para produção de provas, 499 casos recusados ou dispensados, 190 casos em análise, 814 questionários na fila de espera e tudo isso soma 1.508 casos demandados de pessoas que solicitaram ajuda. Expor esse problema racial e social, é necessário, para quem sabe, ter uma pressão social em cima, pedindo que a Justiça seja feita de acordo com as leis, e que todos tenham o mesmo tratamento no judiciário, independente de cor da pele e bairro em que mora, afinal, são vidas, precisa ser tratado com reponsabilidade e respeito. Não se pode aceitar o sistema errando e errando sempre com as mesmas pessoas.
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5. PLANO ESTRATÉGICO
5.1. DESCRIÇÃO DO PRODUTO O livro-reportagem refere-se à seletividade social e racial existente na sociedade, que refletem sob a justiça penal brasileira. Contando a história de três pessoas, que desde crianças lutaram pelo seu espaço e após todos os seus esforços, o Estado destrói os seus sonhos, os culpando de crimes que não cometeram, sem provas, simplesmente são introduzidos em nova realidade cruel, o cárcere. Inspirado na obra intitulada “O inocente – Uma história real de crime e injustiça”, escrito pelo advogado americano John Grisham, que narra a história de dois crimes reais em Oklahoma, nos Estados Unidos, na década de 1980.
5.2. ESTRATÉGIA PARA DEFINIÇÃO DE LAYOUT A escolha do nome “De quem é a culpa?”, partiu da ideia de colocar desde o primeiro momento uma dúvida no leitor, para que no primeiro momento, em que começa a ler cada página, tenha uma pequena percepção, que a culpa não se trata apenas das investigações malfeitas, mas, sim, de algo a mais, que descobrirá a partir da leitura de cada página. Desnudando que a sociedade tem culpa, que os homens que representam o Estado têm culpa. A polícia militar tem culpa. A mídia sensacionalista também, tem culpa. Por conseguinte, a capa foi pensada, em causar o primeiro impacto assim que o leitor ter os livros em mãos. É um problema real. A capa são os três personagens centrais das histórias, ambos estão atrás das grades, sendo o fundo em cor preta e as grades e os rostos, acinzentados. Tudo pensado para representar o momento em que o cárcere lhes foi imposto, destruindo seus sonhos, comprometendo o futuro de cada, como se fossem esquecidos e suas expressões, demostram a raiva, a dor, que ainda sentem por toda omissão do Estado. Dividido em quatro capítulos, verbaliza de forma literária, na voz da narradora e das vozes dos que sofreram prisão injusta, relatando desde as infâncias, as prisões arbitrárias, a falta de políticas públicas nas cadeias e a nova realidade, após um cárcere imposto. Conta também, com vozes das famílias e de especialistas sobre as arbitrariedades do sistema e seus impactos no social. Cada capítulo seguem a ordem cronológica das prisões. Sendo, 2017, 2018 e 2019.
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O primeiro capítulo “Sonhos”, conta sobre a infância difícil de cada e como ambos se superaram, sem ter assistência nenhuma do Estado. Mostrando que estavam de forma dolorosa e cansativa, conquistando seus espaços no mundo. O segundo capítulo “Realidade”, verbaliza como independente de terem sempre seguidos todas as regras, se esforçarem, o sistema os vê só como mais um cidadão de segunda classe e sem provas, são levados presos. Da forma mais arbitrária e desrespeitosa com a vida de cada. Seus sonhos foram invalidados. O terceiro capítulo “Cárcere”, mostra a situação precária dos presídios, a nova realidade de cada, a opressão de ser um preso e todas as marcas que aqueles prédios são capazes de deixar. Por fim, o quarto capítulo “Volta por cima”, conta a nova realidade deles e de suas famílias após o cárcere, como se sentem com todo o descaso. Elucida que mesmo se passando tempo, nada voltará a ser a mesma coisa, o brilho que existia no primeiro capítulo, não existe mais nesse, apenas marcas dolorosas que ficam. Lágrimas que escorrem em lembrar.
5.3. TÉCNICAS ULTILIZADAS Para a produção e concepção do livro-reportagem foi de suma relevância cada entrevista. Tais que aconteceram presencialmente, respeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde, por conta do COVID 19 e as demais de forma remota. Utilizamos da pesquisa exploratória, realizando levantamentos bibliográficos e entrevistas com especialistas e pessoas que foram presas injustamente. Usamos da pesquisa qualitativa, pois o principal objetivo com cada relato era desenvolver um entendimento profundo sobre o problema, trazendo o olhar, a vivência de cada. Cada entrevista trouxe sua particularidade, evidenciando o desrespeito que cada vida foi tratada, mostrando as marcas que cada um carrega. Os encontros fluíram de forma natural, por alguns momentos com interrupções, por serem relatos que machucam os entrevistados ao relembrarem, porém, todos demostram confiança em compartilhar os horrores vividos.
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5.4. MISSÃO Mostrar a situação de pessoas que passaram pelo cárcere injustamente e denunciar as injustiças.
5.5. VISÃO Gerar o debate na sociedade sobre tais injustiças, contribuindo para um mundo sem preconceitos.
5.6. VALORES Ser reconhecido como um trabalho que relata a verdade, prezando a integridade, responsalidade e autenticidade.
5.7. PÚBLICO-ALVO Os dois principais públicos-alvo do livro-reportagem “De quem é a culpa?” são pessoas que passaram pelo cárcere injusto ou estão passando e pessoas que sejam engajadas nesse problema social. Entretanto, o livro-reportagem não está limitado apenas a esses dois grupos de pessoas, mas também, para advogados, que desejem ver um olhar social além do seu jurídico, a ong Innocence Project Brasil, e para quem sentir interesse em introduzisse nessa questão de pessoas presas injustamente.
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6. REFERENCIAL TEÓRICO
Para amparar teoricamente o tema desta pesquisa foi necessário a realização do um levantamento bibliográfico, desde a construção de práticas punitivas, até o atual sistema, que carrega problemáticas sociais, resultando em punições injustas. Desde os primórdios, existem vestígios que apontam para sistemas de punições falhas, sendo que a legislação punitiva passou por diversas transformações, resultando, no atual sistema que segue os princípios da privação de liberdade como modelo de punição coercitiva e regenerativa. O filósofo e historiador francês Michel Foucault, explica em sua obra “Vigiar e punir: nascimento da prisão”, que as novas instituições que se desenvolveram ao longo do século observam e disciplinam as populações modernas, tal como o aprisionamento do ser humano, revelando a face social e política, desta forma, um controle social, aplicado do direito às sociedades. “A punição vai-se tornando, pois, a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade não à sua intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro; a mecânica exemplar da punição muda as engrenagens. Por essa razão, a justiça não mais assume publicamente a parte de violência que está ligada a seu exercício.” (FOCAULT, 1999, p.13).
Entretanto, o atual sistema penal brasileiro reflete uma seletividade social e racial, de modo que pessoas negras e/ou periféricas, sejam sempre os alvos de punições e essas ações podem sim, ser equívocas, acarretando efeitos duvidosos sobre o fazer justiça. Um país que prende muito, mas, prende mal. Tudo isso, é facilmente visto nos levantamentos semestrais do Infopen- Departamento Penitenciário Nacional, que mostram, o número majoritário de pessoas negras e/ou periféricas encarceradas. Diante desses tipos de cenários, nos Estados Unidos da América, no fim da década de 1950 ao início da década de 1960, desenvolvia -se a Teoria labelling approach - a teoria internacionalista do etiquetamento social, que explica que as nações de crimes e criminosos são construídas socialmente, sobretudo, são os grupos marginalizados da sociedade. “A criminalidade não é uma propriedade inerente a um sujeito, mas uma “etiqueta” atribuídas a certos indivíduos que a sociedade entende como delinquentes.”1
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Informações obtidas no site: https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/322548543/teoria-do-etiquetamento-social
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A monografia de pós graduação “Teoria do Etiquetamento Social: do estigma aos aspectos seletivos do sistema penal”, Eduarda Vaz Corral, 2015, explica que a sociedade rotula os indivíduos como desviante e que isso, reflete no sistema penal, que deveria ser igualitário para todos. “Observou-se que o Direito Penal não trata todos de forma igual, como pretendia, mas sim de forma diferenciada e fragmentada, ou seja, a lei penal não é igual para todos os sujeitos e a posição de criminoso é distribuída de forma diversa entre os indivíduos da sociedade, levando em conta determinados fatores e determinadas características que influenciaram no processo de seleção. (...) Nesse sentido, entende-se que os processos de criminalização não se resumem a aplicação de uma lei ao caso concreto, esse momento normativo é precedido por uma seleção advinda dos aparatos oficiais de repressão que selecionam as condutas e os indivíduos que serão levados ao processo de criminalização.” (CORRAL, 2015, p. 48).
Assim, como o filósofo, sociólogo e jurista, italiano, Alessandro Baratta, explica em seu livro “Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: Introdução à Sociologia do Direito Penal, confrontando as aquisições das teorias sociológicas sobre crime e controle social com os princípios da ideologia da defesa social colocando em pauta a seletividade penal. “A criminalidade não seria um dado ontológico pré-constituído, mas realidade social construída pelo sistema de justiça criminal através de definições e da reação social; o criminoso não seria um indivíduo ontologicamente diferente, mas um status social atribuído a certos sujeitos selecionados pelo sistema penal. Os conceitos desse paradigma marcam a linguagem da criminologia contemporânea: o comportamento criminoso como comportamento rotulado como criminoso; o papel da estigmatização penal na produção do status social de criminoso ou seja, a relação do desvio primário, que produz mudanças na identidade social do sujeito, com o desvio secundário no, compreendido como efeito do desvio primário; a rejeição da função reeducativa da pena criminal, que consolida a identidade criminosa e introduz o condenado em uma carreira desviante etc.” (BARATTA, 1999, p.11). a) O direito penal não defende todos e somente os bens essenciais, nos quais estão igualmente interessados todos os cidadãos, e quando pune as ofensas aos bens essenciais o faz com intensidade desigual e de modo fragmentário; b) A lei penal não é igual para todos, o status de criminoso é distribuído de modo desigual entre os indivíduos; c) O grau efetivo de tutela e distribuição do status de criminoso é independente da danosidade social das ações de da gravidade das infrações à lei, no sentido de que estas não constituem a variável principal da reação criminalizante e da sua intensidade (BARATTA, 1999, p.162).
Vale ressaltar que o sistema prisional brasileiro reflete a carência e a falta de políticas públicas, que são obstáculos que afligem o país há muito tempo. Os apenados são expostos a situações insalubres, que desrespeitam e violam a Declaração dos Direitos Humanos. Dentre alguns dos problemas: superlotação, fugas, rebeliões, péssima alimentação. 19
“O sistema prisional nacional é um dos principais setores carentes de políticas públicas na República Federativa do Brasil. (...) A demais, deve se ressaltar que o Brasil prende muito, mas prende mal, visto que uma parcela considerável dos encarcerados são presos provisórios, que sequer tiveram juízo de culpa formado e ainda assim estão sujeitos às intempéries do regime de cumprimento de pena fechado.”2
Diante desse cenário o indivíduo preso é obrigado a se adaptar e colaborar em inúmeras situações, tanto para preservar a própria vida, quanto para não se mostrar vulnerável. Isso contribui para mudanças negativas na personalidade do detento. “Características comuns do ambiente prisional que podem mudar a personalidade de alguém incluem a perda crônica do livre arbítrio e de privacidade, o estigma diário, o medo constante, a necessidade de vestir constantemente uma máscara de invulnerabilidade e a apatia emocional (para evitar a exploração por outros), além da necessidade, dia após dia, de seguir rigorosas regras ou rotinas impostas.”3
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Informações obtidas no site: http://www.justificando.com/2018/06/08/a-carencia-de-politicas-publicas-de-ressocializacao-nosistema-carcerario-brasileiro/
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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987. 288p. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade; tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: Lamparina, 2019. 12ª ed. ALVAREZ, M. C. Bacharéis, criminologia e juristas: saber jurídico e nova escola penal no Brasil. São Paulo. 1996. BARATTA, Alessandro. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: Introdução à Sociologia do Direito Penal; tradução Juarez Cirino dos Santos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos editora, 1999. 11p e 162p. CORRAL, E. V. TEORIA DO ETIQUETAMENTO SOCIAL: do estigma aos aspectos seletivos do sistema penal. Porto Alegre. 2015. FLORÊNCIO, M. A. P. F. Erro no Direito Penal: Análise da Relevância da Violação e da Consciência na Construção Conceitual da Dogmática Penal. Recife. 2008. 7.1. OUTRAS FONTES GOOGLE. O sistema prisional brasileiro e suas deficiências: reflexões acerca dos direitos contidos no artigo 41, I e VII, da Lei 7.210/1984. Disponível em <https://jus.com.br/artigos/46457/o-sistema-prisional-brasileiro-e-suas-deficienciasreflexoes-acerca-dos-direitos-contidos-no-artigo-41-i-e-vii-da-lei-7-210-1984> Acesso em 08/03/2020. GOOGLE. As deficiências do sistema prisional e da ressocialização no Brasil. Disponível em < https://jus.com.br/artigos/41641/as-deficiencias-do-sistemaprisional- e-da-ressocialização-no-brasil> Acesso em 04/03/2020. GOOGLE. A carência de políticas públicas de ressocialização no sistema carcerário brasileiro. Disponível em < http://www.justificando.com/2018/06/08/acarencia-de-politicas-publicas-de-ressocializacao-no-sistema-carcerario-brasileiro/> Acesso em 12/04/2020. GOOGLE. O processo de institucionalização de detentos: perspectivas de reabilitação e reinserção social. Disponível em <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141481452006000400009&script=sci_arttext> Acesso em 07/05/2020. GOOGLE. Como a prisão muda a personalidade de detentos. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-44282247> Acesso em 08/03/2020. 21
GOOGLE.
Banco nacional de estatísticas de presos. Disponível em <https://portalbnmp.cnj.jus.br/#/estatisticas> Acesso em 30/05/2020. GOOGLE. Falsas memórias : questões teórico -metodológicas. Disponível em< https://www.scielo.br/pdf/paideia/v17n36/v17n36a05.pdf> Acesso em 02/09/2020. GOOGLE. Desigualdade e Pobreza no Brasil: retrato de uma estabilidade inaceitável. Disponível em< https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010269092000000100009&script=sci_arttext #baixo1> Acesso em 19/09/2020. GOOGLE. Labelling Approach: o etiquetamento social relacionado à seletividade do sistema penal e ao ciclo da criminalização. Disponível em<http://revistaliberdades.org.br/> Acesso em 12/10/2020 GOOGLE. Teoria do labilling aprouch – a teoria interacionista do etiquetamento e seus efeitos negativos na sociedade. Dispnível em< https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/teoria-do-labelling-aprouch-ateoria-interacionista-do-etiquetamento-e-os-seus-efeitos-negativos-na-sociedade/> Acesso em 12/10/2020 GOOGLE. Teoria do Etiquetamento Social. Disponível em< https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/322548543/teoria-do-etiquetamentosocial >Acesso 12/10/2020 GOOGLE. De quem não é a culpa. Disponível em< https://revistatrip.uol.com.br/tpm/a-ong-innocence-project-brasil-atua-na-defesa-depessoas-que-tenham-sido-condenadas-injustamente >Acesso em 06/11/2020 GOOGLE. Projeto Inocência: nova série mostra histórias de condenados injustamente no Brasil. Disponível em< https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/07/26/projeto-inocencia-nova-seriemostra-historias-de-condenados-injustamente-no-brasil.ghtml > Acesso em 06/11/2020 GOOGLE. A sociedade civil e os caminhos para a abolição. Disponível em< https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010190742015000200029&script=sci_arttext &tlng=pt#fn001 > Acesso em 09/11/2020 GOOGLE. Situações periféricas: etnografia comparada de pobrezas urbanas. Disponível em< https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010133002008000300006 > Acesso em 26/10/2020 GOOGLE. Análise histórica da desigualdade: marginalidade, segregação e exclusão. Disponível em< https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822005000200003>
Acesso 26/10/2020 22
GOOGLE. Departamento Penitenciário Nacional – Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias: Período de janeiro a junho de 2020 < Disponível em https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiMjU3Y2RjNjctODQzMi00YTE4LWEwMDAtZDI zNWQ5YmIzMzk1IiwidCI6ImViMDkwNDIwLTQ0NGMtNDNmNy05MWYyLTRiOGRh NmJmZThlMSJ9 > Acesso em 29/10/2020
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IBGE
|
PORTAL
DO
IBGE
|
IBGE
<Disponível
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https://www.ibge.gov.br/ > Acesso em 30/10/2020
GOOGLE. IBGE: Brasil tem quase 52 milhões de pessoas na pobreza e 13 milhões na extrema pobreza.< Disponível em https://g1.globo.com/jornalnacional/noticia/2020/11/12/ibge-brasil-tem-quase-52-milhoes-de-pessoas-napobreza-e-13-milhoes-na-extrema-pobreza.ghtml> Acesso em 14/11/2020
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8. CRONOGRAMA CRONOGRAMA GERAL – PROJETO DE PESQUISA E EXPERIMENTAL Atividade Escolha do tema e Pesquisas Delimitação
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ X X
Objetivos; Problemas; Hipóteses
X
Introdução e Justificativa Aspectos teóricos e metodológicos Localizar e identificar fontes Entrega da Etapa I do TCC Produção e leituras de apoio Entrevistas e pesquisa de dados
X X
X X
X
X
X
X X
X X X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Decupagem
X
Formulação e elaboração de texto
X
Criação da Identidade visual
X
Diagramação Revisão
X X
Entrega do Trabalho de Conclusão de Curso X Apresentação para banca
X
Fonte: elaborado pela discente.
24
9. ORÇAMENTO
ORÇAMENTO GERAL Item
Quantidade
Valor Unitário
Passagem de trem
08
(em média) R$4,40
Passagem ônibus
08
R$4,10
R$65,60
Fotógrafo
-
-
R$135,20
Diagramação – incluindo fotos Impressão
-
-
R$150,00
0
R$0,00
R$0,00
Arte capa
01
R$50,0 0
R$50,00
Revisão livro
01
R$3,00
R$165,00
Total:
Valor total R$70,40
R$636,20
Fonte: elaborado pela discente. Observação: O fotógrafo não estabeleceu preço por quantidade de fotos, ele registrou as expressões dos personagens centrais, no momento das entrevistas. Também, não foi determinado um valor por lauda para diagramação do livro, avaliou-se pelo tipo de projeto.
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10. APÊNDICES 10.1. TRANSCRIÇÕES Transcrição: Wilson Rosa - Preso Injustamente Leandra Ferreira – Esposa de Wilson Rosa Patrícia Rosa – Irmã de Wilson Rosa Realizada presencialmente, dia 15 de agosto de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular. As três fontes contaram juntos os relatos.
Sou de São Paulo nasci nos jardins, eu morava na Vila Olímpica e mataram meu pai. E aí tomaram a casa da minha mãe, tudo bem complicado. você teve que trabalhar desde a sua infância quando você era criança ver se passava por dificuldades assim financeiramente falando mas na sua casa era sempre regado de muito amor carinho ou era assim um pouco mais duro e o que eu botei tá sentindo o cheirinho da vida ela tem uma gatinha não pode continuar aí Mataram meu pai vai antes de eu vir para cá meu pai tomar a casa da minha mãe da ponte na ponte quando isso aconteceu vocês moravam na Vila Olímpia vamos lá da Vila Olímpica da sua mãe seu pai foi assassinado você tinha quantos anos a jogar um papo anos e aí sua mãe teve que manter a renda sozinha você tem Quantos irmãos morreu envolveu entendi e aí como você percebeu que ainda era difícil dentro de casa você tem que começar a trabalhar e aí você e aí você começou a trabalhar já também com isso vendendo bala trabalha o tempo bom até os e até os 12 assim até os 12 você sempre vendendo bala no meio vai pegar um sorvete pedindo nas casas as direto aí depois eu trabalho na Tapeçaria também na pizzaria mas ele não deu muito certo aí eu saí Tapeçaria voltei farol do Farol voltei para Tapeçaria de novo trabalhando na copiadora também não só quer ir ao aniversário já era um pouco era baixo né a trajetória os seus irmãos também trabalhavam nessa época era só você e sua mãe todo mundo para manter a renda aí de lá da Vila Olímpia vocês vieram para cá Jardim Ipiranga O Conde está1 aqui no lugar de um pouco lá Aí ficamos lá não é daqui não entendi aí você conheceu a sua esposa Será que você conheceu sua esposa faz quanto tempo que você já são casados há nove anos é bastante como vocês se conheceram aí oi do nada princesa eu perguntei quem era cabelo que eu trabalhava até na rua dela lá não trabalhava na para ver se ele tem uma coisa eu passava por lá direto né E aí já tem uma viagem para praia aí nós desce para o mesmo banco perguntando pessoal é E ai vocês namoraram durante um tempo ou você já se 26
casaram Depois te dou um e depois ai engravidou a entende gente vai 2003/2002 E aí 2013 da vida entendi sim 2018 aí teve a primeira filha caramba a minha sobrinha também ela foi prematura ela teve ficar um bom tempo na incubadora Mas ele também tiveram também tiveram que passar por todo esse tempo e nessa época você já trabalhava vendendo bala não entendi o é mas tem um tempo lá mas é esse fazendo começou aí nenhum trabalho pouco dinheiro e não dá para eu tinha que dormir lá o que quiser caramba trabalho seus filhos eu não posso ficar trabalhando aqui só porque você é meu amigo que você é legal aqui para trabalhar segunda-feira vou embora na sexta-feira à noite eu to em casa domingo jogar bola seja domingo acabou domingo segunda-feira To aqui de novo então para mim para mim não tá precisando ficar dormindo aqui direto você vai que você aumente Passa nos falar um pouco né Isso aí não dá você dorme aqui você vai trabalhar mais aí eu durmo aqui só aí acordo tem que pagar o café da manhã eu tenho que pagar o almoço aí nós tem que pagar junto o que eu trabalho que eu faço a noite só faz as coisas que eu tão aqui já disse que eu ia perdi já se não dá para você também não dá para mim tá vai praticamente trabalhando para estava pagando para trabalhar não foi e falou assim você vai fazer o quê agora você fazer eu vou voltar de novo acho que desse tamanho se alguém lá com trabalho de você eu falei compro Deus nunca Deixou passar fome e nem hoje que Deus vai deixar ele falou desse jeito grosseiramente vai para sua casa conversa com a Leandra lá pensa direitinho amanhã sem volta aqui da resposta e eu falei não já estava decidido já não achei em casa vou sair ou eu falo não faça então cheguei lá no teu coração que você calêndula não vai dar não tem que sair então faz assim Manda se pode arrumar um emprego para vocês contratar então já que ela não quer que você trabalha aqui da mesma forma que era série que lá então né e o meu Deus e agora eu vou ficar ao foi não então vou querer fazer a folha não estava muito entendido assim né estava muito eu falei vou querer fazer uma coisa eu fiz o corpo pede tudo que eu como que eu trabalho você trabalha lá durante quanto tempo mas aí quando eu voltei da outra vez a UTI Estrada né pela três anos e pouco a estrada e perdeu todos os direitos porque vou fazer uma coisa e tem que devolver a multa lá de quarenta por cento e fundo de garantia e os negócios E aí só isso ele praticamente seguro desemprego juvenil né já desconta de mim direto né o tempo todo contando descontando os controles e já fica meu direito já eu tenho de caso e depois sair nunca mais acabei estátua não vou falar não nunca nem no chão fala pessoalmente você tem segurança e eu trabalhei lá e qual foi a segurança na hora que eu precisei mesmo não dava na copiadora também eu falei alma não dá mais para mim trabalhar salário era 200 e não era 400 e pouco né quero falar do Google depois 27
começou a subir mesmo né então falei com ele tem inflamado não dá para mim trabalhar que assim para mim vir trabalhar aqui eu deixar dinheiro em casa para eles lado e ficar passando por baixo e tem motorista que não quer ir lá caso não dá uma vez eu ficar esperando cinco anos tem um cobrador bom corredor Se você deixar passar por baixo aí o cara veio deixe mas vai deixar ela ficar falando muito legal para mim não quero que você manda embora por isso que esposa vai chegar ela vai se conhecer conversar com os meninos aí ou não sair aí sai também fazer acordo perdi também aí qual foi a vontade de trabalhar histórias tempo todo jeito E aí né não foi não foi não foi agora melhor trabalho no farol agora mãe trabalhar e piscina em guardar dinheiro né Igual a pensamentos Coronel dizer sim é verdade e comum assim você entrou nesse ramo assim da bala assim com como você consegue essas bandas se vale a pena 25 de Março como é que você toma e foi assim foi do tipo quando você saiu desse seu emprego que era CL ter aí você falou você já sabia como era o ah e tem concorrência assim tipo de ponto no para vender ali no farol tem briga entre eu e você mas meus colegas Sério E você já chegou bem e você chegou a vender algum momento dentro do trem também então eu em um a benção tenho mais complicados assim dá para me dar um dinheiro então todo mundo compra legal mas quando o segurança te pega lá eles pensam que você é pronta você que nem imagina eu preciso levantar cedo para trabalhar e ficar com a gente posição verdade não trabalho honesto né a polícia pega e parabéns vovó aqui não pode vender tal né você pode sair da estação normal manda ficar até bater os cara que quer tomar mercadoria que mercadoria não foi não você não chegar na casa de doce lá e pegar uma desgraça lá para vender no trem e o dinheiro sem da sopa e o valor é muito caro assim tipo da mercadoria eu gosto é o em 60 aí R$60 dá para mim fazer a 120 candidato se você gastar 120 pacote aí vender Ah entendi aí por mês assim eu vou fazer uma pergunta preciso saber por mês mais ou menos você tira a planta assim de renda dia bom não por mês assim é o mesmo para baixo no mesmo assim vai para tirar faz às vezes 15 não e perdi trabalha quantas horas por dia qual é o horário que você tá entendi amanhã estou na atividade Caramba você faz cedo gente e no dia assim mais ou menos assim um dia bom segunda-feira você trabalha de domingo a domingo ou não segunda a sexta né e eu estava com o momento é eu estava comendo aí eu falei assim só eu tão vendo muito emoli de prendendo eu ir te ver você conhece Flávio Augusto tá eu comecei com esses cara aí depois que eu comecei nesse cara realmente a Frei não agora vou trabalhar cedo Começar a guardar dinheiro aí que é né quando chegar lá nos 40 anos 45 anos eu já vou trocar minha aposentadoria feita não vou precisar ficar um entendi você tá com quantos anos 36 36 anos EA outra de Março e 28
agora como é que tá o trabalho 11 de Março parei dia onze o que já um foi na sexta-feira né e ele só quer a partir do dia três né ia dar quarentena que não precisa ficar ninguém na rua aí tá bom fui mais aí passou um tempo aí a gente tem um louco né dica de camelô estava um monte de um banho mas eu todo São Paulo entendeu as pessoas falei e aí não sei você já voltou a trabalhar ainda aí tu uma foto tá trabalhando ao fim do mês já tão Mundial vou trabalhar meu fumaça era assim o pessoal tá indo né fala e vou aí só que você não tem que ser percebeu pro lado de cá assim ah tá bastante movimentação Só que lá e você vai em Moema onde eu trabalho lá chegar lá parece ter feriado lá tem ninguém na rua lá e agora como vou também vou para casa Aí complica é porque assim por exemplo que eu falar Tá muito movimento quando tem aula né tem aula Faculdade custam aí agora não tá sem assim sem aulas em faculdades e os cursos são momento ficar bastante então agora na academia esses cinco mil caiu tudo e é só você que trabalha você já vai comigo isso eu estava começando ir chegar ali né Agora eu vou entrar nas perguntinhas um pouquinho mais dele cara é a obra hoje não o primeiro quero saber como essa relação assim com os vizinhos todo mundo aqui sabe o que aconteceu com você todo mundo aqui que eu sou bem caseiro aqui quase não fico muito sendo foto e você teve apoio dos vizinhos da sua família morava aqui não entendi você comprou aqui inclusive com o dinheiro que você vende bala no farol não é seu amigo ressaltou que você conseguiu sua casa com o dinheiro suado de lá mas aí nós compra outra casa de lá mas comprou Aí essa daqui porque nós morava lá no Rio Bonito aqui não dá para você segunda mas bem para trás lá onde o terminal Grajaú uma estação antes do terminal Grajaú Estação Primavera mas morava lá aí ela teve uma enchente lá aí água vivo o deu tudo lá ele passa um E aí tempo foi passando e nós pegou e comprou alcance tá morando de aluguel não tem estava ruim com a mãe dela né mas pegou foi para casa da mãe dela ficou muito tempo na casa da mãe dela aí nós pegou e comprou outra casa de lá Ah entendi guria do Farol casa moto tudo então faz quanto tempo que vocês são morreram aqui aí 3 horas e me corrigem e é como é que você se sentiu quando você foi acusado por um crime que você não cometeu a primeira assim não eu pedi primeiro momento assim primeiro momento eu pensei que ia me solta né tem que chegar na delegacia o pessoal fica calmo chegar na delegacia ele sai daqui né você vai soltar a ficha enganou porque você sabia que era inocente Então você pensou que a justiça e os efeitos filho E aí mais uns você além de você ter roubado o celular aí tá roubando celular você já foi reconhecido e outras salto lá numa casa lá no Morumbi eu falei roupa Moro mesmo senão eu não me viu o trabalhando lá então você foi acusada além do roubo do tablet do celular de ter assaltado uma casa no Morumbi 29
ainda Itapecerica da Serra e eles não tinham provas não nenhuma tocam conversou eu cai em contradição você vai falasse alguma coisa lá a minha cidade é só muito seu irmão foi meu irmão mora perto certo que seu irmão foi meu irmão mora lá perto do Guarapiranga tá vendo se uma mora perto do Guarapiranga perto de Itapecerica da Serra você vai falar para onde que não é você que estava lá para falar para nós que você não conhece mais Itapecerica da Serra por amor só levando 5 e 6 da manhã para trabalhar é trabalho casa trabalho não vou para outro lugar eu saio daqui vou para Santo Amaro com a mercadoria chegou na minha casa um baú no outro dinheiro tem que dormir para vir trabalhar nem sei onde é isso aí eles queriam te ligar o clima de qualquer móvel né você O que é uma prova mais alguma coisa mais assim que eu quando eu aí quando nós entra no carro que naquele assim me prenderam meu pão dele das eu fiquei rodando. Aí quando chegou na última assim que ele foi trocar de carro com amigo dele aí o número dele para mim mas você vai chegar com ele na delegacia vai falar o que poder ligado tão ligado mas não sei lá é bolo não já tão conversando aqui com os caras aqui nós vai dar um jeito deixar ele preso lá ele falou assim aí quando eu cheguei lá já tinha um papel já que o meu nome já 157 É só segurar folha caramba mas você rodou 3333 12 horas porque logo ele me prendeu lá acreditava algemada e volta pro rumo no meu carro né foi mão no seu carro não se você tá falando sério policial é uma viatura aí eu vou normal agora no seu carro mas não acordei na grade aqui na grade lá ficar grande o sogro dele na não daqui não sai não e se chama o viatura a viatura bem eu vou sem viatura vou nós que não haverá isso tudo em frente aos seus clientes como passando que está fazendo eu passo aí porque assim eu pessoal de mim mas o pessoal pensar diferente ainda buscar em frente o cara vai passar a pessoa alguma coisa e você ficou lá durante quantas horas mais ou menos camburão levas foi no camburão Mas você foi sentado na parte de trás um o Real preço e eu acho que estava ali uns 35° que estava e nessas três delegacias que você passou você desceu não dentro do carro a nossa terceira na terceira de sim fui lá na 27 depilar da Avenida Guarapari lá nós vamos sim Oi e aí nesse momento a ficha ainda sua não tinha caído ainda estava acreditando que eu chegar lá linda e aí perceber que foi um mal-entendido e antes soltar chegou lá e assim agora como foi de fato assim Abordagem Policial na hora que ele chegou e chegou até pensei que era brincadeira Acho que ele estava sozinho e aí você tá preso meu tirou assim o redor É mesmo ela pega aqui nem tem quanto está a funcionar mano até mesmo assim eu falei não preciso que sim tá trabalhando em nenhuma mãe dele não tinha explicado o motivo você está sendo preso ele já chegou a segurando seu braço para você tá preso cara maluco as leis foram por água abaixo nesse momento né Direitos 30
Humanos aí o pessoal dos aqui com o trabalho desligou-se do trânsito não conhece o menino aí o menino trabalhador aí e vocês conhecem vocês conhecem aqui você não sabe o que ele faz depois daqui o delegado falou não porque uma pessoa ele finge que trabalha a roubar o pessoal aqui e aí os seus companheiros lá os seus amigos que trabalham junto com você todo mundo falar com ele acreditou em você agora o uau lá me avisa todo estou com o cipó do cinco até agora bom vai lá há quase 30 anos de trabalho na uma baita negligência E aí ele sacou o revólver E aí nesse momento você percebeu que ele não estava dizer Sei lá né Essa arma dispara aí que estava que estava sozinho sei lá e aí você colocou as mãos para trás ou nesse momento é E no momento da E aí nesse momento ele ainda não tinha falado que você ia no carro dele então ele estava falando não sei com quem aí ele tirou minha foto né ele tirou uma foto sua para mandar para mulher dele lá é porque foi a melhor dele que tinha sido assaltada e aí também foto e aí o reconhecimento foi feito assim desse jeito com formas filha tinha minha foto Acho que a mãe dele não tá na delegacia nenhuma Então veja na foto lá eu mando ele lá na hora mesmo e aí ele falou assim olha bate com confere com que a minha esposa falou que você mesmo E ai meu deus do céu ia falando para mim eu sou inocente não se você não sabe o homem de falavam de dentro do carro se você é inocente você tá falando aí você vai sair Pô você nem inocente que você tá falando sou desse jeito tá cansado não fica tranquila que você vai você vai sair pô e nesse momento que você ficou em silêncio ou você respondeu alguma coisa seus amigos também os companheiros já estavam desesperados Meu celular ficou com o que nem eu né e esse cartão estamos levando né nunca passei por assim foi meu Deus do céu tem pão de aqui e aí depois que ele tirou a foto sua para mandar para esposa dele que a esposa dele fez o reconhecimento aí você seja foi na mamãe se você também decidiu que ajoelhar não entendi depois que ele falou assim para você ajoelhar que você se ajoelhou e falou assim você vai no meu carro Quê que eu estava demorando para vender alguma ameaça ele não xingou ele E aí que tá mesmo que hora que ele estava você vê que a pessoa tá vacilando não tem certeza assim sabe a escola meio será que é caro é ou não é mas vai ser isso é que o cara falou que se ela falou para ir lá né a gente vai levar na delegacia chegava desligar pessoal tá aí e aí eu vou mandar um jeito e tal e qual foi a descrição que a esposa dele tinha passado para ele que fez ele ter certeza que era você bloquear a ó alto acho que era um metro e 1,80 Mas eu moro em Campo Grande um contato EA altura bate 70 e 80 lá não É mas ele não falou para mim se essas coisas não essa foto no momento lindo fazer isso aí lá na delegacia né o reconhecimento é feito morena que trabalha junto com você também é ó e esses só esses dois esses outros dois 31
caras que estavam junto para fazer reconhecimento já estava no carro dele ou não vou na Delegacia aí aconteceu a delegacia e roubou todos os outros coisa a caminhão roubado em E aí quando aí depois de uma hora mais ou menos chegou o camburão aí fui lá e lá para dentro do Estado de Israel quer um pouco para cima aí depois de em 7 ainda 27 passem entendi Desculpa você ficou na delegacia Paulo 27 próximos 40 minutos lá em casa quando você chegou lá em e isso é bem localizado delegado ou e no camburão não lá no quartinho da igreja cara preso lá Marcela lá que eu fui na Você Chegou aí já foi para sala que eu fiquei nasceu cheguei lá há 10 horas eu acho que era base quase 10 horas da manhã ontem entre ó e dessas horas até 6 horas da noite sem tomar café sem beber água sem comer senão e eles tiveram direito ao alguma ligação nada eu nem sei como apareceu lá e eu sei comer sem nada aí eu falei moça pode uma pelo menos um pouquinho de água para mim o bebê que E aí eles falaram que é para você espera aí espera aí que eu vou tomar um o meu dinheiro pegar também porque eles devolveram para você de ver acho que três vezes é e quanto que tinha o seu futebol quanto que você tinha no momento em que eles ficaram com o seu dinheiro lá Oi e aí quando Como foi o sentimento de quando você estava dentro da cela foi naquele momento ali que caiu a ficha ainda não é você conversar com o delegado depois né perguntou onde eu morava quanto tempo trabalhavam grau de escolaridade é só isso perguntou aí você não sente fala isso aí até ficar aqui embora da minha casa e se você é incrível né que aqui desses delegacia que só tem só a Gente Inocente né ele falou assim que mais rapidamente falei bom aqui dentro só tem gente na frente eu não sei né sei que eu sou inocente se você foi embora na sua casa tá bom e ele é mais aí então E aí falou tudo isso aí aconteceu e lá e aí o outro lado chegou ele Doutor Santos chegou a todos os clubes por aquele que eu fico no caso Olha eu não sei o que falar a minha esposa lá porque tem falando não tem dinheiro né E esse advogado particular não é entende e ele surgiu assim ele ficou sabendo do caso eu fiquei sabendo eu corri atrás ele tem um amigo que trabalhava 2001/2002 ele entre advogados Formoso do lado do trabalho aí eu entrei em contato com ele falou Leandro eu não tenho como pegar o caso do Risco trabalho o meu é outro Roma eu vou mandar um amigo da minha esposa para o carro E aí eu liguei para o Sandro ele falou o valor dele Claro né porque é advogado particular falei para ele que eu tão Sandro pode ficar em casa esses dias nem eu tenho real no bolso eu não tinha nada tinha assim dinheiro para poder montar a casa e na crise tem naquele dia que ele estava em casa que já tinha direito aí ele falou não eu vou ficar com o caso que eu sei que ele é inocente ele tem conhecer alguém você já sabia que eu estou de você mas pergunta advogado lá não outro atrás de outro ele falou 32
assim aí você está foto que ele tá ele conhece o cara que roubou carga de trabalho falou com ele disse que amigo do cara né eu falo para ele que você trabalhava lá hoje a gente mora junto aqui a gente trabalha junto só que você tem sua vida lá você usar droga eu tão falando E você tá lá a porção lá eu tão aqui fazendo meu trabalho vou vir aqui trabalhando quero casamento sua vida de seu pai se você usa droga não que está sendo prejudicada você tá sempre ligado Então se afundando na droga Você está se afundando eu tão aqui fazendo minha família te avisar e decida mesmos habilidade bom então você trabalha com claro que realmente assaltou a mulher do policial em Ah e não sabia que é e no dia que você foi preso em questão e já tá ainda estava assim já Tipo o que estava acontecendo assim na hora sabe aí já dá para falar mas nem sabia de nada Depois que eu fui que eu saí que saiu tudo não sabia que era ele que tinha roubado quando foi preso aí eu falei nada não deixa para lá E aí ele não o do Nei aí ele ficou meio trabalha com ele eu falei e saiu mano assim e se ele estava no meio no meio assim e que roubou outro amigo dele e ele estava no meio ele falou assim para mim os três foram vendidos até que me prove o contrário os três permissão função sou o culpado falei não ele não é pago tão aqui atrás de uma defesa para ele a provar que ele não fez nada o advogado cobrou absurdo de caro só para ir na delegacia e como R$5000 na delegacia só falar com o delegado a lei não tá bom aí no outro dia eu falei não tudo bem amanhã eu volto fui lá peguei a foto para Obrigado pelo pela atenção que você deu né Aí eu tão falando e ele tá em casa é bom e você sente raiva rancor de um e nem acompanhamento psicológico depois que você foi solto o estado nos proporcionou nada nada nada você só foi solta e voltei simplesmente esqueceu dele não sei o advogado tá correndo atrás poder ter esse negócio aí a cruz não gostei demora de indenização e quando você falar dentro do presídio tem algum assistência psicológica ou especiais tem que você coloca os presos falando calma aqui que você é inocente os preços acreditam que você tem alguns ali dentro você lidou com pessoas realmente que cometeram crime algum também estava lá dentro a polícia chegou e eu vou os três irmãos preso tinha um aquela cantor de funk lá aí eu vou falar por isso que ele era cantor de funk que você ficou brava Bora lá preso lado só por isso sabe que é que eu estou aqui estava roubando o carro que era dele Oi gente e você foi para o presídio mesmo lá para o caderno de Guarulhos tudo o que eles estava ele a o primeiro mês é um mês que você fica inteiro de castigo até passar lá que estava tendo uma guerra contra depois morreu há 60 anos e eu pensei e falei meu desse César certinho está acontecendo lá ponto que eu vou que ser aqui a pensar em sair né falar meu Deus que chegar aí eu não vou nem dormir que quando estava na delegacia era pouca pessoa mas quando eu cheguei 33
lá no presídio mesmo que ele mais de cara se um monte entendeu E quando o seu advogado o seu advogado chegou na delegacia E aí ele viu que não tinha provas assim concretas para você mas não tinha como tem um abraço para ti soltar eu policial falou que eu dei o endereço errado ele falou que foi tipo assim ele perguntou onde eu morava dentro certinho Ele foi lá onde eu morava Ele conversou com o pessoal pessoa falou que me conhecia mas chegou lá na delegacia porque ninguém me conhecia o endereço errado Só por isso você comprei aí como esperando tem as 8 horas é Olá eu sou errado não tinha moradia para os próximos à estação até 8 horas Isso é um absurdo né já vai embora e eles mais de 10 e aí vai ter que ficar gente vão eu abrir aí primeiro de ação saiu o nosso E aí depois que passou essas 24 horas aí eu só ficha caiu que ainda mesmo a cena estava lá na delegacia 5 dias 3 dias 3 dias vão sair aí vai para aí tem o nome é O que é E aí no cinco o tem eu quero preventiva né próximo do dia que foi aí que o policial quando eu fui assim para mudar para o juiz pediu a prisão preventiva dele né mas cinco dias eu pensava que os cara estava lá na sala com o próximo vai embora e depois conversar comigo não é e se desanimar nem nada mas você tá falando que você não sente aí tudo bem a gente vê que você tem gente que nem de sair do sentimento não tem de ladrão mas a gente eu te falo às vezes está na expectativa aí de dar 15 dias e se embora para sua casa mas às vezes pode chegar lá dá 15 dias e você não for para sua casa e fico aí para o cadeirão e o cadeia é o presídio CDP lá então você não vai tomar um banho frio acostumando porque tem na delegacia você ainda toma banho e na delegacia você podia levar comida para ele nada nada nada e aí nesse dia você levou comida para ele ou não podia levar aí eu comprei a água comprei um salgadinho uma bolacha não tem que ele foi preso aí levei para ele tá com fome está trabalhando dentro da manhã ele não cobrou nada não tomou café já vai dar um duas horas da tarde ele tá sem água sem nada aí ele falou Deixa aí que eu dou para ele ó e vou sei lá aí eu fui subir no palco delegado subiu Fábio por policial prendeu ele falou assim não com outro só porque eu não queria falar comigo não fala comigo o outro lado é parceiro dele falou olha sai daqui você está atrapalhando no serviço graça sair daqui agora não sei que você aí eu desci ir desesperada com você né porque eu fiquei sem chão aí eu vi ele na tela dentro Eu falei para ele que ele ia sair de lá aqui no mercado que ele não seja uma pessoa e você ficar preso tem como aí eu sair nós ficou lá esperando porque falou que ia soltar ele delegado que você está vendo sei o que lá não é soltar a ficou uma festa aquela download aí levaram de canguru para outro falta a delegacia fala para essa mas essa troca que tem de delegacia eu não é avisado para vocês eu realmente troca ele aí ele ficou me esperando aí essa ideia do óbito falou se lembra E aí está saindo 34
ali aí tocaram cobrou corri para viver que falar com ele não deixaram e foi embora até os amigos dele foi que ele tem um grupo de dança aí se ele for para ver para tentar falar alguma coisa não sei Aí nós ficamos esperando mas Levaram ele aí no outro dia nós voltamos de novo e no outro dia nós voltamos de novo tempo chorando de novo na delegacia E aí mais uma vez E aí não precisa de novo precisa também não podia ver ele só advogado que vivo ao advogado que com ele eu tão sendo a gente não tem mesmo desde aquele foi preso até o dia que ele saiu daí nós se vemos e só vive no dia de ser preso você perdeu quantos quilos eu nem sei que não tá nem comeu direito lá e nem vem nem comer nem dormir não é e eu fui dormir assim eu dormi mesmo acho que dormir assim eu acho que ontem tá 27 dia que fazendo entendeu não Sábado eu estava não vai ter entrado no serviço você estava com quantos quilos Você lembra mais ou menos não lembrar mais recente que você perdeu muito peso você também percebe perder muito peso eu perdi 16kg mãe estava gordinha sair de lá assim e você também não dormi a noite também não conseguia a o Ricardo não é porque foi 10 horas da manhã eu estava dormindo aí estava com ele é e vai procurar que você foi preso falei fica doida aí eu fui na Débora né Aí nós pegamos um bilhete fomos lá para Moema aí de Moema nós pegamos outro amigo da gente estava lá também trabalhando a nação para delegacia e de lá vamos sair no até descobrir que ele ficou preso estava preso mesmo caramba e nesse até nesse momento em que eu não sabia que era delegacia que ele tá e como você descobriu a delegacia dele da região assim só aí primeiro nós somos nós fomos na que tem em Moema que eu não sei o nome que ele na sombra de Moema aí o delegado falou assim ele foi levado vem um cara um policial falou assim aí eu fui falar para o Zé para crer mentindo é onde a esse amigo dele falou assim o Michel ele falou se área deve ser lá para o lado do São Luís e Caramba como chegar lá condicionado esse lugar outro lado agora Olha onde a irmã o direto e pronto fui no São Luís umas 10 vezes de blocos de ter o que eu ia mas não sei chegasse lugares assim eu falei caramba mas até meio-dia em frente à Delegacia foi batendo aí eu acho assim eles como quando ele chegando lá o cara o policial que o outro não percebe que ele foi o outro fazer alguma coisa para receber acho que tem família né acho que ele achava que não tinha comigo eu tinha ninguém com ele eu fui lá perguntei falei do Delegado eu queria falar com o policial aqui eles não falaram o outro falou que falou com a gente meu bravo Só que nesse todos os dias eu fui para a delegacia não deixei nem o dia de ir fui no meu dia a isso não terceiro dia ele vai sair eu estava lá de novo com roupa e tudo eu levei roupa levei do que eu ia sair para ele ver vou prender aqui lá no terceiro dia lá no outro delegacias também estava ele foi para 35
sentir um o trai mas a 101 companheira mesmo em e aí Aqui você não é assim dá mesmo que você não faz a correria toda também depois vamos lá não é igual Lagos levar o Jumbo eu e mandei meu irmão só que não deixar ele entrar não tem que ele tá de castigo como é preso fica um mês de castigo aí não deixar eu entrar nada nada a gente corrente nada nada mais e 11 Oi e aí o doutor Sandra falou que tá bem que ele estava bem ele ia correr atrás e no primeiro momento quando você finalmente encontrou ele encontrou delegacia que ele estava explicaram para você o que estava acontecendo ou simplesmente foi indicado nada nem o boletim de ocorrência e não quiser não e você é esposa dele vocês são casados no papel mas deveria ter sido passado para ela né aquele nada ele só me deram mochila dele ló aqui tá as coisas dele o celular dele e só e não falaram de qual era o crime que ele estava sendo acordado eu só fiquei sabendo que o advogado que aí todo mundo meu pessoal questionar não porque eu uso assim novo 57 que parece uma irmã por isso não robôs não há você não assinou só perguntou para mim de escolaridade onde eu morava no farol só não estava tudo pronto eu já estava lá e quando ele foi para o presídio assim e aí ele foi depois de cinco dias né que você foi para o presídio e quem mais é o que mais três Nascente unha há três ou dois é porque não a sente unha eu acho que lá quando eu voltei do dia aí eu pensei acho que agora eu vou sair aí eu voltei para lá mas aí conforme os Esquilos de um coloco não tem jeito então você ficou com mais ou menos uma semana entre as delegacias né E quando ele chegou lá na frente mobilidade também falou geralmente a estatura do estatura do nego né é 1,70 careca tal sair É normal sair mas pelo jeito você tá falando aí o trabalhador tal é capaz de sair hoje o delegado de lá falou é porque Já na esperança vai falar o dia já não sei o dia Oi Espera aí que vai chegar você fez lá uma águia esse negócio de medir lá falei não vamos fazer aqui então aí falou mais ó você fica aí que no terceiro dia vai chegar o papel você vai embora eu já estava aqui perto né que a gente vai que pré próximo aqui daqui já tão na minha casa e lá nada no terceiro dia a polícia ao vivo Wilson vai ai meu Deus graças a Deus graças a Deus agora aí e aí falou onde bom geri-los é para mudar de delegacia para presídio em Tá bom depois pode se fosse vai ser transferido lá para Guarulhos dois Falei sim agora caiu aí foi no momento que eu vou ficar nesse momento você ainda não sabia que ele tinha que ele ia ser transferido para presídio já sabia já indo lá já tá ver aí ele vai ser transferido agora os dois aí depois me deu o papel ou você liga lá para saber se fala de visita porque você sabe essas coisas aí eu cheguei a fazer para todo mundo nos coisas esperados que ele ninguém esperava que ele já sair nesses três dias o versículo foi transferido agora já é tem que esperar agora audiência aí vou falar assim seis meses oito meses você tem caramba tudo 36
isso não tá lá fora lá eu falar você falou assim eu falei Duda me tirar daqui né Fala com ele para Deus vai me tirar daqui relação Deus pode mandar lá fora mas aqui dentro aqui quem manda aqui é a polícia por isso colocou aqui vi ele falar para mim direto aí comecei para igreja lá pessoal lá isso aí direto aí eu comecei a frente da delegacia daí a gente tem uma igreja você fazer jejum lá na comecei aí direto ele tá pesando a minha direto aonde eu fiz um jejum de Bom dia há 8 dias de jejum eu fiquei lá quando eu vou fazer o próximo 12 fica sei que Deus vai nos vai abrir a porta que fiquei lá diz um sem comer sem beber das sete horas da manhã até 5:00 da tarde direto troca tirar o café da manhã para falar não pode dar no meu no café pode dar para quem quiser aí a gente dá o café Tchau do almoço também no começo a gente dia acordou assim o aluguel esse ano está de jejum né mas vamos ver até quando você vai aguentar ele vai jantar daqui você não vai sair à levou falei vou direto um dia e se você tem dentro da sua vida Espírito Santo embora então me chamou e tu mudasse ela falou tá vendo mesmo você falou que o menino tinha Deus na vida dele é o primeiro o cara que deita aqui que audiência marcada em 28 dias aí ficou assim marcou mas que ele vai sair não vai sair não vou sair aqui Deus vai tirar daqui Deus vai deixar você envergonhado não é preciso vai ser melhorado não deu para que serve aqui Deus vai tirar daqui você também fez um propósito com Deus aqui fora e não seja Julho ele estava tentando tirar ele de lá mas orei muito pedi muito eu já sabia eu falei não de lá ele vai eu falei para eu falei para mim ele não vai passar o aniversário dele no presídio e não passou cuidava lá no dia corrido mas na madrugada com uma fome lá meu quer tudo bebem pouca sabe E aí eu não tinha visita Então é assim vai lá se ela é assim que você trazer as coisas não a pessoa não é obrigada a dividir tão puder dia de visitar lá na casa dela não tem comida econômicos a entende no dia no dia cujo da visita aí quem leva comida tem comida Quem não recebeu a visita não comi nada aí eu falei aí trouxeram um arroz doce eu fiz Pô você que deve ser dia então beleza assim né O carro parece mais vai ter comida que ele não a comida Esse é ruim mas tem que ser comer vou te comer não que o pessoal trás para não tá estragando a comida da cadeia né mas tem que ver que foi só vai querer dividir aí falei ai meu Deus E eu lá trabalhando podia Como eu queria e agora tem que esperar alguém ver que vai querer de Juiz direto eles não lá na minha sala era tudo enjoado enjoada assim Acho que era duas horas da manhã eu vou lá outro umas o disco vou te pedir alguma coisa para alguém tu comer querer esse pedir se eles compartilham então nós até que nos negócios eu fui pedir para o menino me falou Bruno Karla a sua mãe não trouxe alguma coisa aqui um bolo alguma coisa fica comigo uma forma todo o negão agora uma hora dessa ele queria pedir alguma coisa para comer mil 37
cartões a pessoa falar naquele Tom assim que só apelido lá dentro negão não que eu estava com moicano né jogador de futebol eu estava com moicano grandão Aí eu falei caramba né e esse apelido é os policiais também chama ou é só pessoa que está dentro da célula no Facebook lá sei procurar no Facebook lá tá lá escrito tinha deixar Mineiro né fala-se pouco lá atrás aí ó e não deve Charme negra que tá presa atrás aí o nome dele lá e eles ainda ficavam ficou com meu celular né que estava procurando quem ficou procurando foto de arma sinto a Vitória aí falaram é aquelas roupas lá que você usa lá foram as roupa da 25 de Março se você for na 25 de Março as roupas que eu o cálculo TV online papada lá pessoal a mudança que tem um grupo de dança né aí eu não vou sair bagunçado né É aquele time de futebol que joga tem quantos lá naquele tema olhando com a Grosso todo mundo que joga bola eu te leva tentar induzir você ia falar que cometeu crime aqui fora que tem que faz parte de alguma facção não e tu não para todo mundo é trabalhador seus a droga não é engraçado incrível né sem usar droga você não anda com magro não rouba ninguém você é um santo então você não faz nada aqui o santo aqui então você quer que eu falo coisa que eu não faço você falou que eu fui roubar vou roubar a casa e a fazer que eu nunca roubei nada de ninguém fala o negócio do celular tá pronto não combinam E se ela colocou tenho aqui só tem Até foto ontem você pediu mandar menina trazer a nossa prova o Senhor Tu tem tudo que eu tento trabalhar nunca vou parar de ninguém sempre trabalhando é incrível você não faz nada né Ah tá bom fala um monte de crédito o álbum e você acredita que a sua prisão aconteceu por conta da sua classe social e da sua cor porque se a gente for olhar por exemplo o caso do filho do Eike Batista que atropelou e matou um ciclista Ele pagou a fiança e saiu como você já foi tudo ao contrário por causa de um tablet e um celular simplesmente o policial chegou Pegou no seu braço e falou você tá preso você e você sofrer tudo isso você ainda não acredita que foi por conta da sua coisa sua classe social e também fiquei também para trabalhar não faltou mesmo o mesmo que isso aí ele é todo mundo que enxergo falou com farol como trabalho né é aquele tipo assim às vezes a visão assim ó a outra pessoa tem assim de uma pessoa que trabalhar na rua pessoa pensar passa fome e ai a realidade às vezes né Mas a pessoa tem na cabeça ele trabalho falou Ana você é uma coitada só passa fome sem um zero à esquerda e eu só tenho essa visão aí eu acho que ele também tá com a mesma aviso tá bom o e dentro da delegacia dentro do presídio você sofreu algum ato de racismo olá no presídio os presos mesmo falar pois fala assim só eu escutei falar você tá falando aí que você é inocente mas você negão você negão se você acha que eu vou o juiz acreditar em ninguém eu e você ou na vítima e isso já bom então é bom você pensar direitinho Wilson 38
se você pensar direito que às vezes se foi até sem nos sentimentos você tá falando aqui para nós mas se o juiz não acreditava que você é inocente lá em vez você fala que que você não sente é mas só sei falar que você roubou queria aprender mesmo a pena é baixo então lá velho você é induzido a falar que Você cometeu o crime para Jesus que você não falar o que eu quero inocente e o juiz não acreditasse em vez eu tomar uma pena de cinco anos e quatro meses e a pena podia ser seis apagar é igual a pena que a tomada de 64 e deve ser condenado O que é assim ele falar sobre isso só é assim você tá falando que parecendo sente Talvez eu vou na beleza nós pode até acreditar mas é assim a delegacia e o policial eles fica induzindo a vítima falar que é você que roubou a respeito mas só que no fórum não vai ter como não for só vai ser você e a vítima Olha isso é a vítima chegar lá de novo lá no fórum lá e continuar falando que é você e o boi aí não vai ter quando você com ele e você pensa bem direitinho essa história você falar isso eu se eu fosse você falar que que você roubou que sua família está passando necessidade sei lá é o juiz pode querer ficar com uma dó de você e soltar agora se você continuar mesmo nessa história em sua inocente Às vezes as coisas não pode estar saiu do jeito que você pensa Então você pensa direito aí eu fui não continuar falando com você não sei que sou inocente não certeza eu vou eu fosse você pensava não é e é ninguém quando eu vou continuar falando com você no sítio eu vou ficar falando não você não sente Deus sabe que a senhora sente Então você fez saber mais chegou no fórum Mas falou que era eu acredita que a mulher ainda falou assim vem ele é porque igualzinho e falou assim ele falou que por ele seu marido da vítima ele mesmo que estava fazendo tudo meu policial mesmo que estava aqui me buscava e que me levar já escreva a forma dele nascer que ele que estava fazendo tudo então por essa semana deve que induzindo né a vítima e o parceiro dele então tem a não ter erro né chegar lá no mundo tem que falar aqui fala aí chegou lá aí foi Deus não foi desde a hora que vai vir no momento assim passou pela sua cabeça em assumir a culpa para você a pena diminuída que começou a falar lá em casa a gente não pode nem estar com uma E aí que eu uso deixou minha família muito traumatizada então é um caso que a gente não pode estar falando mal eu só li eu só olhando ali falando só orando o Salmo 71 e nunca mais tu só não falei eu falei Deus o não vai só vai deixar você ver com ela aqui na frente de mim teus forçada se você quiser mas deu tudo certo né Ah mas aí é mas também aí tinha promotora lá também né motora também lado ela trava tentando de todas as formas terminar a Ah então tá querendo determinada lembrar de forma a verdade ver Aí ele começou o carro ele no sofá vamos lá as coisas né só que como se com fome conforme foi a mesmo o parceiro dele tá aí ele fala alguma coisa para ser dele fala volta 39
e fala aí não estava não bate as coisas que ele fala quando ele fala alguma coisa aí falou com o parceiro de falar mal do olho ele foi me prender sozinho aí chegou lá para os desafios os dois áudios foram mais isso e que por onde viatura lá aprender ele para fome mesmo time ou quase foi um sozinho o carro dele lá olha só que ele falou que foi lá onde a gente morava e falou mais das pessoas às vezes não sabia onde ele morava outro falou não algumas pessoas conhecia e outras não conhecia não falou que me conhecia e já conhecia o número de 21 bater contraditório né É o caramba e Ian O que é E aí e quando você quer você sente mesmo assim pela sua família depois de tudo isso passou se sente medo mas eu nunca tive nunca de polícia assim ele fala para falar agora mesmo é O que é igual para tudo assim só para tudo é diferente né Tipo se você pegar um policial em uma lá às vezes é um cara mais tranquilo acho que esse pessoal que vem aqui para favela e ele sabe o que que vem aqui pagar tudo que não quer saber quem é inocente que não cara dependendo o horário para te pegar na rua aí e é saber que era o medo que você tinha no momento que o policial chegou e falou que ia te levar presa né que ele poderia te levar para algum lugar vou levar uma criança foi agredida né então ele poderia querer te agredir Por acreditar que você era o e não falou essa parte aí isso aí depois falar assim mesmo assim que eu tinha roubado a mulher dele assim lá na sentindo já a vocês a pode cobrir então eu vou te chamasse você não estava querendo falar aí ele estava de olho ele tá assim que eu esse cara e foi o tablet bom então amor é só desesperada com a menina ela não fez o boletim de ocorrência o 16/2000 aí ele falou assim o Mundo de Sofia se a cara do Band de tudo e sua esposa tendo que fazer tudo isso aí e nem depois de sair nu não deu queixa do roubo não fez bolinho de coisa Miranda E aí não Mas como sou policial ligou para mim eu tentei acalmar ela só não pude ir lá na hora resolver porque eu estava uma audiência de Custódia então e um feliz É mas lá na frente Olha aí pagou lá me ligou para o homem aí aqui os camburões você tem um sufoco aí conversar com você desde quando eu peguei você estou vendo que você tá orando aí para Deus daí tá ó vou te falar o mesmo de você tá orando aí é o mesmo desse também que eu sinto bom e você inocente Oi José de tirar agora se você não for inocente você vai ficar preso que eu sou marido eu sou o esposo da mulher que você roubou e já fazer outra coisa com você aí você viu que tá voando e se ele falou com quantos dias é já mas mesmo assim só o caramba seis acho que ele falou assim ele tem família primeira traz aqui atrás dele mas aprendendo a pessoa inocente só que como eu tinha feito tudo né ele voltasse atrás eu acho que dá alguma coisa para ele convidar para ele né se não sei E aí ele então populacional do Brasil adiante Espero que Deus abençoe a sua família e a minha que Deus ilumine a cabeça e eu comecei 40
de captação e aplicação começo Ah tá bom olha eu vou até aí levantou e assim olha para trás assim tá com a cabeça meio abaixada assim Acho que me responder agora não tem como eu voltar depois de uma dessa pizza eu falei se você pensar assim por outro lado se você pega você vê alguém agride seu filho você vai querer pegar pessoas e se cara fala como eu fico não tem nesse cara vou eu não sei que era para ser uma pessoa na real que vai ficar só os seus filhos esposa em casa esperar dela foi assaltado na língua por nós aqui tá você vai ao forno uma frase que ele não tinha e fala mês que faz ela pediu para certo e ainda bem que você não aceitou e no carro dele hein o seu é igual até que se eu fosse sabe Deus não sabe Neuza já que o dia que tá no foi instalado assim e quem sabe se quer uma droga ele não tinha nenhuma data né então eu te amo de roubo não tinha nada e para eles você não tinha nem moradia fixa então ia ser só mais um mais um na estatística né o escuro mas estava no aqui chegou na estrada lá se vai só um rato assim para chegar a delegação já imaginei foi meu Deus que estão levando para a empresa né e jamais você mas não tem tanto que mata bastante aqui na empresa viu é o Luís logo o E durante esse tempo que você ficou no presídio você sofrer alguma agressão não tem uma agressão física verbal que não deu muito tempo lá também é que você ficou na solitária também é e no quando eu falo pra assistir lá o pensando quando for assim vai ficar no castigo imaginava por causa que a solitária isso aí né não sei lá sozinha mas é assim o castigo é o lado que não tem droga lado que fiz não tem nada castigo ao lado que não tem nada sabe não tem cigarro não tem nada mas tem outras previsões outros alguma coisa que você tem que você ia ficar durante o que se discutiu de lhe dizer que eu não sei quem é legal você é a pena máxima viu é assim e 4 pode ficar de boa aí estava falando eu só uma coisa agora cedo 54 é o que é e os presos mesmo já sabe mais ou menos que tem como pegar né assim ó só daqui 3 meses aqui só disse a e agora já não passa onde ele já sabiam como é demorado a justiça o menino lá que estava anúncio mesmo esperando ainda é o amigo do amigo do rosto e também o irmão dele ele é daqui mesmo assim que nunca viu Nunca vi ninguém sabe aquele caramba não tem um mês só e até a agência já vai porque eu tenho que demorou seis meses para acontecer a primeira audiência e mesmo assim não deu em nada a primeira mas em algum momento você pensou assim não eu vou ficar aqui durante esses quatro anos em alguma e como eu tão neles quando os presos que não sei falar com meus começou a falar lá então você chegar lá na audiência e essa mulher lá fala que é você Olá pessoal né não vai ter jeito viu estava vai ter jeito só você sofre mais pressão psicológica dos preços do que do próprio policial de mim Levanta aí porque daí também acreditavam que nenhum policial que bateu em nenhum momento é e como é a 41
alimentação dentro do Povo de mim e a comida como é quatro colheres já tá com fome é ruim há mais ou menos uns 10 momento que eu ia estava o Kiko é não tinha tanto que eu tinha nada o pão eu posso três vezes não café é bem regado os horários né Vocês levantaram a que horas que era o pão e banana estava em bom estado e o Em algum momento veio alguma comida estragada não então que a vida vir você dá onde né É só que acontecer isso mais na Penitenciária de quando você sair tenho falado que vem esses pedaços de vidro na ferida que lá era de trânsito mas era tipo quem ficar poucos dias fica agora então e aí você ia para o interior de São Paulo só que ia para o interior de São Paulo só tem homenagem a ele e essa de meio-dia como o que que era arroz e feijão não tinha um a carne era tipo parecendo carne de soja né E é claro que não tem um pouquinho né bem retrata a quantidade né você fala que você não queria já esperando dentro da tela mesmo tomar café 7:00 7:30 o e você vai ser vai aí tu salva aí vai para igreja aí vou jogar bola depois meio-dia entra de novo aí entra para tela né toma banho de novo aí eles também que controla um banho e aí depois do meio-dia vocês então tomavam banho né de novo e volta lá para fora Ah entendi então quando você almoçar você já tem que estar tomado banho Oi e esse chuveiro ficar dentro da sala fora assim a gente do céu e água gelada né nossa é um cuidado quando for para aí eu dormindo assim eu fui na sexta-feira fui aí sábado ela visita o que tomar banho porque hoje tem visita aí eu pensei que ele tem brincadeira né foi agora é tomar banho agora tá em casa amanhã é dia de visita você tem que tomar banho de madrugada e quanto e quanto os homens dividiam a cela com você mais ou menos 56 conversaram 57 numa cela 24 na cama o restante chão banheiro não conseguia ficar aqui dormir com ele você estava lá um banho e dormir era sentado Então não é só o que é melhor ainda assim que chegava vez que tinha que revisar um pouco não é porque eu não tenho mesmo como ela é menor do que essa sala vamos se dizer aos ela ou ela ainda maior e quase que assim equivale a cama que atacam corredor Zinho E aí uma parte ele fica em pé e as camas tem revezamento alta Mas já tem dono não adianta ligar se vai saindo né vai embora tipo só vai pôr fogo e aí vai para a foto condenado é quem é o mais antigo que ficar com a cama ou é uma briga não vai dar vai chegar lá na pronta vai subir dentro das Telas você tem como fosse o seu lugar marcado aí eu já tão perto dormir lá na minha vez destruir para alguém sair entendi é como se fosse uma o cara caramba foi bem chocada E aí os sete horas da noite que vocês tomavam a janta você não você já estava segura a 5:30 você tá E aí você come eu comi lá um solos do se abrirá para madrugada e não adianta você ficou com o que é Olá e bem pouquinho também né e ela briga que eu acho que você faça o que não quero mais de 10 cara gritando eu quero 42
caramba ela e dentro da sala Ninguém queria brigar com você não vou brigar com ninguém lá a outra vez que na hora do almoço que você tá na casa do moleque lá e não gostou não vem querer gritar aí e você tem que ir ser sorte na hora né porque senão só quer um pão Evita gente a imagem deverá ficar chorando lá ver lá direto lá então na frente deles você tinha que mostrar que você estava forte duro e é uma lugar deixa eu começo a desesperar então na frente dele esse momento nenhum vai ser chorava vai dar certo sua família aí manda uma carta aí só eu fui a carta lá até hoje o cartão e você fez alguma amizade assim que te proteger ali dentro não conheço bastante gente eu sou bem Falange aí virou Friends no E aí tudo Nossa viu o que ele pensou que você trabalha no farol vende bala você vê o preso inocente tão ruim assim conversar aí na delegacia lá no setor que pois lá pessoal tão indo para lá você não uso meu pessoal não vai ser 7 horas que você lá meu você é uma gente boa tal só vim aqui para te conhecer a quem visita chegando essa minha irmã tá bom Oi Laura tudo bom oi tudo eu te mandei o vídeo acho que eu acho que eu mesmo vou pesquisar Oi boa tarde eu sou Vitória eu sou português Que pena que você não pode também foi também na correria com ela e dentro de [Música] um e o dentro do presídio são divididos por Raio né fez explicou e dentro desse raio tem algum chefe de atingidos próprios presos em algum certo e você virou amigo desse chefe também como ele era Durão era mais ou menos lá só o pessoal da facção afirmando que ali dentro você realmente ligou com pessoas que cometeram crimes e no tráfico pessoal travou sequestro e nenhum momento tipo de homicídio lá o que matou assim acho que eu vi uns quatro lá tinham lá ele tentou matar o pai dele mandou ele tentou depois tentou se matar Mas ele foi mas não conseguiu suportar pegou uma faca abriu aqui assim Fez viu quando ele é muito a camisa lá assim ai todo mundo é esse cara que você estava com alguém aí para mim é uma possível vingança calculista né o pessoal que rouba e passou e eu que não vou pedir nada um toque preso né então tem que ser fora roubar fazer um monte de coisa aqui ó de boa que eu tão aqui estava lhe atrapalhando de boa né um toque Prime é o cabeça de Marcos sei lá mata policial sai entende né opção né já se arrepender então gente tirando aqui mais nada não é bem assim como poodle eu coloquei a mão na garagem assim para tirar o gênio eu virei de frente assim que ele novo cara muito agora acabei de verdade aqui que na delegacia na época era seis cara seis sete caras que tinha na delegacia não era cara fez na casa de tia acaba aqui o bom tinha um para os meninos do caminhão outro pensam não pagou a pensão outro porque o juiz revogou a prisão cara bem mas quando chegou lá mesmo assim agora aqui só o saco mais não ele está aqui imagina imaginava que a qualquer hora polícia entrar batendo sabe eu imaginar ao imaginar que a polícia 43
chegar já foram não porque Painho tá no dizer estão chegando uma rebelião enquanto você estava lá né então vamos lá mas depois que eu sair de lá ainda é e o pessoal fazer a festa lá claro que eu tenho pagode cantando funk e aí os presos disse que não era para ficar cantando nem fazendo barulho não que policial fala que ele não desligar a água sabe desligar a luz tão e estava querendo pegar as visita lá então se ficar as pessoas por meio da casa da fosse embora eficaz bagunçando policial fazer isso aí uma mensagem domingo continuou cantando tá bom visita fechou acabou fechou a cara cantando por cantar pagode Canta aí por enquanto essa conversa você tá triste até quando vamos cantar uma música aí pô é isso fala não viu o rapaz falou que vai fechar que horas que nós não escutamos e não é bom cantar a música aí tá lá que eu tenho papel de parede lá na tá certo o meu filho não viu salve não falou Bruno e além deles cantando não podia porque como eu dormir no chão eles passam por um E aí você pensar que ninguém tá chovendo muito tá chovendo aí fala agora ela não já tomou banho agora deu meio-dia e não tomou banho também 15 horas também não tomou banho aí vai esperando se no outro dia se não tomar banho acontece segunda-feira Olá pessoal já converso com você tem que levantei e tá com você com você isso é tomar banho Então você não vai sair em algum ali dentro para entrar para algum para o mundo do crime mesmo é se tiver uma briga não tive uma briga na cela e você for lá e conversar lá aí né para falar essa pessoa aí o negócio e ainda bem mas se for tá mais chique voltar tinha brigado a célula ativa e voltar e voltar a ficar acordada segunda-feira quem tá acordado das virando dar 7 horas da manhã virando para quatro horas da madrugada vai a pele né que você acha vai dar mais oportunidade para ele ou vai querer que sai das ela já ficava olhando Mas você quer me folgado ele não vai mais porque se eu ficar três Aqui quanto mais gente folgada indo embora é melhor né aquele especial brigam aí tem não aí eu levo assim aí o cara vem de manhã perguntar e aí como é que tá o dia aqui aí fala não tem tantas pessoas para mudar o cara perguntou como que tá tudo bem E o pessoal que estava fazendo barulho aí não estou cantando aí não viu que não era para ter cansado aí a pessoa cantou aí ó O que é pessoal continuo cantando aí será que eu vou ter que ir lá para a reunião lá também com a Balotelli acho que é melhor você vai ter que ir não sei lá aí você aí na hora do almoço e na hora do almoço aí tranca a célula aí Espero que você ficar trancado lá resolver aí só vai sair 5:00 aí então [Música] você não teve visita o dia todo e você também dia todo em pé você não estava cansado que os homens que acha assim a pessoa ficará em breve 24 horas e pernas que dá de tarde só que tá cansada pessoa quer descansar e você ficou meio deles aí você não pediu para falar para ele que você tá descansar queria descansar eu falei hoje eu que eu cheguei fala uma 44
coisa esse cara sei lá né O Leo estava esperando eles parar Ó é assim aqui e se você falar que descansar e ninguém respeita aqui nem que nós tira todo mundo dentro da série deixar só você lá nós faz isso aí após uma vez que acontecer isso aí você vem aqui avisa mas isso acontecia porque você tinha moral Então dentro do ela louco lá né aí eu podia falar mas eu mas a senhora foi aí não aconteceu nada de novo é que fala assim que quando a pessoa tá fazendo barulho que já tá acabando alguma tudo para ir embora fazendo alguma coisa para a versão da polícia para fugir né Ele fala pessoal A Vida É isso aí que tá acontecendo tá bom e tem horário para suas de serem apagadas vocês lindo dormir e aí atendia às 6:00 e 6:30 o e quem tem um barraqueiro que arrumar comida né E aí Ah entendi você fez o quê lá dentro eu fiz faxina no presídio inteiro é falou Fabiana faxina O que é lavar o chão o chão arrumar as camas tudo ah não é o quem dorme na cama e Oi tudo bem eu vou fazer também. E ai que chegou o dia da sua audiência da sua audiência pessoal lá já estava te desmotivando falando olha se você não vai sair e aí que eles ficaram sabendo disso Olha eu vou sair daqui como eles reagiram não então não podia falar também do nosso quando você não fala nada e vamos ouvido né mas espera papel chegar e se você chegar lá atrás lá agora e falar se você não liberdade por isso pode querer fazer uma festinha lá visitar ele é tudo lá e aí o policial está te perseguindo ele pode querer ir fazer alguma coisa ficar meio assim com você queria fazer alguma coisa para travar sua saída não ser você chega lá você fica quieto você não fala nada se torna papel chegar quando for para chegar aí tiver papel na mão Aí sim mas fora isso aí você chega lá que falar e aí que continuar não tão no aguarde estou esperando ele fala sobre era mesmo no dia que você foi lá no outro dia mas aí o os pessoal da igreja e já sabia mais ou menos ser que eu sou da igreja não sabia lá que eu falo ela falou só que teve um cara próxima vindo isso chegou assim de manhã na reunião lá na igreja ali e falou bem assim pastor eu sonhei lá eu sonhei o que estava eu e o rapaz E aí eu estava com patrão na mão aí quando a gente chegou nós dois assim na frente do Juiz assim eu abrir o papel e as letras estavam embalados mas quando abrirá o papel na frente do Juiz assim escrever assim Liberdade ele falou é você eu acho que Deus está dando a liberdade para o Deus tá dando liberdade para alguém aqui eu deixei pastor da igreja sonhou não menino que é lá que é na igreja lá que eu na igreja com você dentro do previsto e o rapaz que eu sei que Deus está dando liberdade é para você hoje e amanhã quando você voltar da audiência ver que Deus não a gente vai te dar a liberdade se não era você que Deus mostrou um sonho aí quando chegou no outro dia na hora do almoço ele falou isso não falei para você que Deus que Deus necessidade mulher desde eu ligo lá e você entendeu cabelo é mas olha o negócio aí 45
depois da audiência você ficou ainda preta quantos dias que é E aí ele falou mas não podia falar comigo policial lá que eu tinha dado milagre puxar perguntou porque por só perguntando quando nós vamos levanta faz o paredão tem que falar a matrícula Wilson marca ele fala 10 4709 matrícula e eu quero que é um amigo toda a parte fazer não sabe na hora que você não tem mais RG mais não agora é esse aqui vai lembrando aí e fala tudo não é eu falei não então sua matrícula agora que essa viu 10 4709 vai ele vai e aí no dia que vou aqui você estava indo embora e o pessoal do sua tela todo mundo gritou de alegria o outro vai ser preso você fala uma coisa para mim aí eu falei ó e ainda tinha mais ou todinha você põe ainda que chama lá ele tinha marcado não sei quantas pessoas lá é ele falou aí Ele acreditou aqui no seu Deus não tinha rapidinho e como foi a sensação quando você passou pelo que o policial falava assim Quem sabe um preso aqui porque a empresa que que foi confundido com outro rapaz né Oi mãe como aconteceu o quê lá eu trabalho fala alguém do bato confundido com outro rapaz que o gomo é de um policial aí a mas é a reportagem já estava lá fora esperando né sair Rapaz quando abre aquele portozão eu já é meter o pé para correr policial e aqui né para correndo ó Nessa hora rapaz meu Deus do céu meu nem um fora você acredita não fala o horário que ela estava com a mil por hora fora também não o policial próximo sua eu vou te absorver aqui aí eu ajoelhar no chão assim né para agradecer a Deus por só pegou meu braço ó que agradecer e por lá fora viu que nem dá para dar a você é joelho ou para agradecer a Deus na sua família vamos fazer todos vai querer fazer ele todo aquele que nunca eu entendi o É mesmo você sendo recebendo a liberdade Eles já mudou outra também aí quando você ainda vou puxar o clube sobre doar mas na hora que estava arrumando as ela lá aí tem que me Levar né tá puxar que eu tenho meio para tal Gema que já que nem um cachorro não levanta a cabeça não viu pode parte da cabeça aí ele vai dar nem para nada assim não é bem conseguir um atestado então eles eu queria me bater né uma coisa assim né não consegui a necessidade para isso e nenhum delegacia não baixar a cabeça e o seu pessoal tá aí se você quiser fazer alguma gracinha aqui se eu fizer e a Comadre não vejo o dia inteiro ele falou que não vai se despediu sua irmã é difícil alguma tá quantas a senhora vai ser um bicho aí vou embora foi embora e a e vocês familiares como são quando vão tentar saber alguma coisa Oi visitar atende caso é maltratado tempo que assim como fazer foi preso né que eles trata gente como não um parente que veio tentar saber na verdade alguém que mais como ele é o acusado e a gente também é usado também para você vai usada por que olhar deles é como se a gente tivesse sendo os ladrões acusações ali e nem a gente tem que não falar que ele não tinha nada a ver com a situação Eles colocaram a 46
gente nem situações assim difícil é humilhante Porque ela estava lá eu tinha saído Quando eu cheguei em casa aí mesmo na internet pegou e ela mandou já tinha mandado mesmo mil mensagem já estava na vida que texto aí eu voltei do meu serviço ela já estava lá né em três horas quando cheguei lá já era quase 5 horas da tarde do meu estava lá ele saiu de lá acho que ele foi atrás dela tá sete horas da noite outro dia inteiro e ela tentou falar ele tipo assim é um dos casal ela estava com comida para ele não deixar não deixar eu lá dar ela ficou lá fora mó tempão trabalhar um ano esse dia estava frio aí não pode ficar dentro do Mendes aqui dentro da delegacia de podia ficar lá esperando resposta desse dia a gente não tinha advogado não tinha nada nada na TV passado de outra forma né abordagem E aí quando a gente chegamos lá que foi conta na situação não der a gente não entendi não entendi o porquê Por quê Porque ele assim para mim passar para ele para mim né nada nada nada informação deu nada nada nada nada a única coisa que eu cheguei lá estava esperando e esperando também pensamos que eles iam falar alguma coisa pra gente um arco ordem de negócio mesmo que a gente ia perguntar algo para eles aí eles recorde deboche aí o estava lá no campo lá no fundo da célula lá aí eles viam lá para conversar com ele lá Nutella vezes depois quando eles saíram feliz falar vamos pegar o carro e vamos levar aí foi quando a gente tem que fazer a pergunta é para onde vocês vão levar aí depois vocês procuram onde eles vão onde ele vai estar aí dali para o exemplo a gente tão perdida não temos informação nenhuma ele não devo mais nada lá vamos lá procurar o que fazer de novo para poder tirar o Wilson dessa situação porque foi difícil aí no dia seguinte A Leandra eu tinha que trabalhar aí já falei para minha linda já não tenho cabeça para trabalhar meu irmão foi preso e ele não é ladrão e eu preciso ir ajudar meu irmão porque a situação Tá difícil mas nós ajudamos a fazer Leandra conversou com ela traz reportagem ajuda porque precisava de ajuda nessa hora né E aí foi onde ela conseguiu a reportagem do Globo né do Caíque aí depois pagou e a gente vai aí que conseguiu com Pedro e Pedro entre em contato comigo isso aí teve uma sombra e também que se disponibilizou e me ajudar a fazer as coisas gestação mas tem tiveram ao segmentando projeto inocência não onde aqui ó e agora mas não sei se não 12 É isso aí é e da cultura entende foram ajudando auxiliando a gente a o que fazer porque a gente até então Fora de Moda também era uma situação onde a gente estava vendo o meu irmão pai de família vendedor de balas sendo preso por algo que ele não tinha feito E aí eu falei meu Deus como que a gente vai poder fazer a eles foram falando vamos fazer uma manifestação vamos lá para Paulista e a gente era um grupo pequeno mas por pela fé que a gente tinha o grupo e quem não morreu muitas coisas né porque não adiantava só e eu 47
Alexandro as crianças né chegamos lá vamos lá vamos fazer vamos fazer vamos ver o que vai dar no posso aí nos dois dias depois era audiência né é dois e depois foi audiência aí ela foi e ele anda por fora de novo na casa esperança que vai dar tudo certo aí o policial passou a esposa dele passou aí eu olhei bem assim eu falei assim outro Será que Deus não coloca a mão nas pessoas dessas e ver que é um país é que tá ali não sente o filho dele é especial Wilson não que eu nunca passou pela cabeça desse daí roubar uma bala de alguém e ele tá ali dentro ali meu Deus fazendo o que ali dentro aí ela foi mais daqui a pouco a esposa do policial saiu da audiência começou audiência ela saiu e aí a gente viu aquele olhar nela assim meio parece Leandra ela tá meio triste eu acho que acho que o negócio ali dentro para ela ali não deu certo e daqui a pouco policial saiu também abraçou ela assim foram embora e daqui a pouco ele saiu a notícia para nós o Dr. Sandro saiu então você vai ver na cruz estava ele é verdade nossa livro de Deus é tremendo né porque foi algo assim que a gente tinha certeza que ele ia sair mas também ao mesmo tempo a gente estava apreensiva porque o culpado verdadeiro não estava ali para poder levar porque ele todas as características batia com Nilson o cara era amada Ah mas tudo bem eu falei assim tá é meio racista isso porque não pega um branco magro alto e coloca o branco sempre vai ser vai ser livre que ele é branco sem falar assim era duas negras que estavam Alice tá eu e a Leandra éramos nós duas que seríamos as acusadas Por que não ele e tinha dois negros vendendo bala nesse dia e os policial cataram isso como o acusado foi triste foi mas graças a Deus deu tudo certo meu irmão tá aí pulamos de alegria estamos todo mundo aqui a família tá eu consiga né que é o que importa Mas assim eu acho que eles erraram bastante a lei errou bastante acho que usou não encerrar não Eles erraram não é a lei errou bastante e assim e ele deveria ter colocado a criação os dois já que tem outra o outro acusado estava lá estava preso deveria ter colocado porque é um pai de família que perdeu o tempo dele preso e a tratamento Wilson era meu filho especial a forma e o nosso eu trabalhando pessoal da gente né Tá eu dele ele usa fralda tem que pedir no outro dia eu tinha comprado fralda né eu fui pressionada a fazer o perfil da hoje na terça-feira a fralda vai durar até terça né Terça Feira eu compro de novo então seu primeiro pensamento Quando você foi preso foi meu filho o meu filho agora e como fazer que você a base financeira até aquele tem próximo ela não isso é o que só trabalho não tente voar na outra pessoa trabalha faz não só trabalho só E como foi financeiramente enquanto Estava tudo muito muito muito ela me deu suporte de fralda de comida de fruta de tudo que esse menininho aí ajudou muito é dez provas no dia que usa de você ele não fala ainda bem alto é sobre a pessoa pode ser tempo Presidente não sai será que quando 48
vocês vão tá morando aonde que placa tem que pagar para ficar morando aqui de pagar para Condomínio de pagar vou ter que pagar a luz lá na outra casa não tá certo um país é o colocar a pressão vai ser sei lá né que deu tudo certo aqui ó e agora às vezes aqui nos dois arquivos no debate assim quando os patrões aí TS Ah tá certo em tudo e toda a parte a que eu sou negro né ele tem essa parte assim também falar foi por isso que ele foi nele que não faz do racismo aí tá mas eu vejo como eu vejo de outro eu vejo, forma sabe eu vejo mais pelo eu vejo mais pelo erro do policial e que notar pela pelo Face não você for preso que é racismo eu não consigo ver eu não ganhei eu não vejo essa parte assim não vou ver se eu te dou o teu me coloca eu me coloco novo me coloco no lugar mas me coloco no lugar do policial também às vezes O que as melhores se você for pelo lado pelo lado dele sim também alguém fazer que o roubo é o rolo não é não foi tipo fala assim nós policial fazendo teve nem em uma coisa inventada né fala não eu já vi um monte de azul Monte sendo presa policial militar e levar a pessoa precisa de um monte já favela de ouvir um monte policial foi já vou já lá e colocar a preso que mais teve o roubo mesmo né De novo deles policial ficou revoltado lá mas um é o moleque que roubou Ele era negro também e era a próxima é mas aí como ele já estava preso e o que eu passado muito tempão machucar a pessoa estivesse aquele negócio mesmo um daqueles deve ser vistas mais o erro deles foi esse achar eu tinha que achar se o roubo aconteceu há quanto tempo atrás três vezes as seis meses atrás ele trabalha numa Pedro de Toledo a quanto tempo todo de segunda a segunda estava na frente de Toledo eu policial passando ali várias vezes ele só ele via ele ali no farol várias vezes já que o roubo tinha vamos lá suposto assim o roubo aconteceu na terça-feira até sexta-feira ele teria que ter pegado ele já que ele tchau suposição a esposa dele já tinha falado a característica do ladrão Então a gente tem um suspeito a gente aprender a sua vida ele né Vamos levar ele esperou passar seis meses para poder pegar ele coloca usado para mim assim não foi nada premeditado ele calculou bem o que que ele ia fazer ele foi racismo cinco assim ele judiou bastante eu já tinha ele tinha 46 pegado um dos três estava lá mas então mas o cara é sozinho eu vou abrir gosta aqui assim Falei o PCI acho que o primeiro que ele pegasse né podia usar qualquer um de nós dois que ele estava sozinho só estava sozinho só tinha um giro e nem que eu pegar os dois aqui vai ser um tem que ser você vai entender assim ele não ia prender minha filha qualquer um Porque ele disse que não foi preso na sexta quarta-feira tinha ido lá só que ele não estava em casa né veio mais cedo e aí o policial foi lá e não viu ele não na quartafeira ele é preso mas ele tá procurando ele já sabia que era ele eu escuto Eu falo isso para ele já estava na mira dele é que ele ali porque é preto sim é aquele ali porque é negro 49
porque foi assim forçado minha esposa pior característica aí ela tem que a característica levado em consideração mesmo foi seu negro né Pois é nego que livro não era também E aí ele também era negro também ele falou de boa com esse mês eu falando sério eu falei meu você não sabe o que aconteceu o Eu não acreditei quando vi você lá e o que que você fez o pai tá preto largando nada que ele queria conhecer falei meu filho preso que você ou foi a surpresa que você roubou a mulher de um policial em outro Tablet o celular da mulher do policial. E ai não eu não tão lembrado disso ó ai como vai ficar com raiva do cara estava assim para Ele é usuário de droga é mas tipo assim né ele era bem assim ó Tu tá conversando com ele agora aqui ele estava de boa sabe aí daqui a pouco você vai conversar com ele de novo aí você já que a pessoa já tá meio nervoso ali então tipo não ficava muito conversando a senhora cantarmos conversando fazer meu trampo que eu trabalho sério né minha obrigação de xingar ninguém mais vai acabar e embora não ficou lá conversando Porque quanto mais tempo vou passar conversando mais tempo vou terminar vou demorar para fazer botão Então já tem que chegar agora 7:00 se eu conseguir acabar 11 horas mais rápido para mim puxar na minha casa descansar então ficava lá conversando aí eu já vi aquela vez que ele estava nervoso eu já ele estava conversando então quase nem ficamos conversando com ele assim aí eu nem aí ficava e ele trabalha atualmente com você né Tá lá ainda então no dia que a gente for lá para ver você um dia trabalhando aí você viu o vídeo a gente vai fazer um quem foi que estava lá no meu lugar não a gente fica chateada né É que eu não conheço ele eu preciso olhar para ele e ele de boa meu irmão dele aí ó E aí um humano e eu falei frio é horrível fui por aqui você pô que levou o celular da mulher eu não tão lembrado não você não tá lembrado eu tão pô falei e ele pediu desculpa fui eu Desculpa aí meu pai jamais eu fazer uma coisa para prejudicar você para né mas ele pensou mas sempre de cocô E aí ficou e no dia que você foi levar juntos aqui viu para ele como que é a polícia falou com você tipo que que ele não deve receber noiva Foi ela que foi falar porque eu não fui eu que estava lá e lá né para gente fazer a carteirinha primeiro para depois entregar à não pode entregar hoje tem essa carteirinha aí eu vejo fora isso longe e essa entrada de João baleia com vocês junto não é só a comida aqui não fez a gente final de semana levar lá comida tem um dia da semana você leva lá entrega para poder fazer a empresa Design no final de semana que você ia fazer a visita aí Graças a Deus não precisou a gente voltou pedindo para trás e aí não precisou fazer a carteirinha não precisou a gente voltar lá né ainda vem né eu acabei a tudo Sérgio eu ia colocar o pulando né eu falei vendo agora vamos fazer a visita né mas não vai trazer ele não vamos trazer ela não casar da revista aí tem que ter que tirar o 50
cabelo que a gente usa trança porque é Como como que era a revista e eu nunca passei por isso eu já sei o que conta a gente tem uma irmã presidiária eu já porque já fui visitar ela então chega lá é com suas vidas é quase 2:30 que a gente passo nessa que tira toda sua roupa ficar se despisse tá com criança tem que a criança também tem que ficar no tira a roupa da criança também então tira tudo abaixa lá três vezes né então é possível que a gente passa é uma ponta humilhação der aí eu falei falando a gente vir aqui trazer não porque o negócio é assim é meio estranho né aí Tá bom então a gente não coloca o nome dela né pensava assim mas não sabe né que eles iam ser condenar você não ia se ele ficasse e a gente ia ter que ir aí o horário para tudo eu já pensava seu causa um tremendo ficar postando trazer pelo menos um desodorante a com muita eu vou levar nessa mesmo é [Música] e a na época do caso vocês tinham quantos filhos português e aí como que eu só para os dois mais velhos não só para só para ela achar ela sabia ela que ela que recebeu a notícia comigo e aí ela teve que validará segredo dos outros irmãos chorava muito né eu falar para ela não fica chorando no pé do Rian porque o Rian pergunta direto do Pai cadê meu pai cadê meu pai cadê meu pai cadê meu pai falei tá trabalhando Ryan Então liga para ele eu quero ver eu falo mas como eu vou ligar para o pessoal que não tem como ficar telefone aí ele fala perguntava direto e ficou doente ele ficou doente o especial ficou doente ele sentiu que o pai estava ele ficou muito doente me estava muito aí eu falei assim Para me tentar arrumar um pouquinho eu vou colocar a camiseta do para ele dormir eu colocado colocava para dormir para ver se até calmou e tem que ir lá correr sabe que ele assim não a rua não está embaixo é só dentro de casa só cara de casa então o sino sempre vem né só precisa você tá no banco é sempre é sempre desde chegou o módulo 2 lá Mentira não se você me chama para jogar baralho não sei dominou sempre que é marcado né pediu baralho Face nuca não sei futebol tipo você me chama para jogar o vô acabou o jogo casa tem negócio de acabar jogo lá vai para/aí você pode não acabou o jogo ele tá dentro de casa então acabou o jogo aqui menorzinho não meu pai não tá demorando muito para chegar não vai chegar vai chegar outro dia outro mas ela sabia aí ela contou lava o choro contra a controlar watts e acrescenta que eu tinha 13 anos não controla aí então você mostrar seu pai tá eu também não chegava perto dele eu preciso mais novos ele estava fazendo uma viagem a trabalha no que a 40 que não deixa ele saber que eu acho que ele falou assim que não vai e ela pode melhorar Mas foi mesmo pra ficar durinha você criou camiseta nele também o seu trabalho aqui eu fui fazer também camiseta nele mas o que perguntava todos os dias a pessoa liga para o pai deixa eu falar com ele tá aqui comigo ele não tem um jeito de ligar Deixa eu ver meu pai todo dia todo dia todo dia e 51
como você se sentiu ao ver seu marido sendo preso por algo que ele nem comer nem falei não teve vídeo que era como se o mundo estivesse desabando no momento eu conto descobriu falei assim não tia primeiro dia pegadinha para que ela começou a chorar não vai fazer o cabo de vou descobrir primeiro para saber o que aconteceu o pior para mim foi a sirene sabe ele dentro à venda avulsa aquilo ali eu acabei falei caramba E ai daqui uns digite está indo preso a pessoa que nunca roubou nunca matou nunca fiz nada até no preso Foi aí que Sua ficha caiu para mim assistir agora aí quando eu vi a sirene rodando se o Cavas no doido falei pronto mas foi horrível prezam costela um Palio um quartinho lá trás acho que o quartinho pequeno e mais quatro presos lá no meu Deus ensinou dentro de um cheiro de xixi estava horrível ser horrível ele naquela telinha chorando para levar os vai ficar aqui não a gente ainda tem esperança eletrônica ele embora com a gente é ela não tá fazendo Tá dando chá de canseira né a segunda nós tudo esse horário aqui era falar para a Milena Vai sair Calma vai sair eu queria falar carro de boi não é longe viu a situação vindo um atrás do outro Algemado Wilson levado junto no meio colocando ele dentro do camburão ali para levar ele mas e ninguém viu nada divulgação fechou o carro e foi falei com Deus e agora falando nós vai agora não vai fugir mais mercado não tem mais quente delegacia aí não sabia o que fazer aí foi onde correu atrás do advogado tudo né Graças a Deus de proteção da apareceu ajudou bastante que a gente estava perdido ele fez assim nas pessoas que ao mesmo tempo a gente acha que sabe de alguma coisa a gente acaba sendo leigo na nossa sociedade quando eu saber de várias coisas que a gente pode assim resolver né próximo da gente a gente acabou sendo legal muitas coisas era para a gente ter arrumado advogado naquela naquele instante só Deus sabia de nada mas nós estava ali pela fé pela razão assinada vai estar mais estava achando que ia sair ele vai sair eu respondo assim penas um susto é e eu não entendi ah não começou a entender para caramba pegava o celular em Moema quando várias delegacias não eu vou fazer aqui pulando onde eu moro que conheço foi fazer aqui no Jardim o creme o trajeto é muito longo eu tinha o tinha algo errado tinha algo muito errado eu amo que ele Vila Mariana né a delegacia mais próxima de queixa são ali né o papel ali até o Shopping Ibirapuera tem ali próximo tem dele assim então seria até ir mais ou menos a resolver o caso e atrás ele pulando o que que os estrangeiros irregulares falou que tu levava a prova em sede de sorvete filho meu Deus do céu que algum policial da área e lá era fora da área de trabalho dele aí eu vou assim como que você pega uma pessoa aqui em Moema vai registrar o roubo da pessoa lá no Guará primo E aí dessa forma de eu sou delegacia trabalho né não na tv pergunta né a pessoa dessa forma que você se você aprende a pessoa no lugar e 52
instalar a sua delegacia pesca essa aí é a forma certa porque dizer aquele trabalhava à noite pulando né seria a forma dele acusar ou estimulando porque ele trabalha lá tem como ele mexer no nos assuntos dele lá em outra delegacia as duas sozinhas que ele pera aí caso é seis meses como você tem prova que ele ia começar a questionar então lá onde ele trabalha ou mais fácil de acusar pronto leva o negão e pronto aí por esse negão pegou boa e acabou e a gente esperando na igual não ele vai sair aí as vezes toma lá aí quando nós ir numa situação que eu falei comigo Deus agora é pra você vai ter que ir aí ver esse dos 50 anos também que a Leandra também do suja assim a camiseta que trabalhamos em São Paulo toda suja camiseta Oi meu amor eu consigo parecia que tinha 40 anos ai meu Deus ela era gordinha ela emagreceu que a gente hoje tá vendo quadro de depressão dela assim mas não podia falar né mas tem que ficar tentando ligar para ela e nós também não estava conseguindo que eu fiquei muito a bom então enquanto ele preso você ter queda de capim início de depressão queda de cabelo perda de peso aniversário instante que eu todo meu aniversário eu to com ele e no dia 24 Janeiro ele lá dentro e o Leandro é um comprar um bolinho cantar parabéns só eu pronto para bolo curso preso. Não quero que ela gostaria de saber lá deitado chorando foi muito ruim não desejo para ninguém e como foi para você lembrar do dia do aniversário dela vai ser um e é e você sente medo por ele e ainda sinto aumente como quando ele sai assim para trabalhar como seu coração ainda fecha que pode acontecer né a gente não tá É mas não você já se sente mais segura então cuidado porque a gente não sabe né mas ele falou que não ia ô E você vai passar lá no farol lá você vai ver que eu nunca vi o bala de um dia que eu vou trabalhar e passou que eu falei para ele quando você foi lá aí viu que eu trabalho e você sentiu um todo mundo falou posso me falar alguns tive na televisão menino que aconteceu lá menino toma bala fala tá bom tchau e todo mundo não foi nada de bom pessoa os outros policial lá né E você sente medo pelo seu irmão agora não agora a gente mas na verdade estamos apegados a gente e aconteceu alguma coisa com ele assim então eu tinha um e está passando ali pela vi ela ali mas acredita não tem dono não tem nome né então cuidado presta atenção Olha os cara aí que tá na redondeza da sua casa aí pelo amor de Deus não pode ser vai continuar dão graças a Deus aconteceu mas a gente sempre sim porque a pessoa para ter uma para fazer uma criança ela dura uma pessoa que quer fazer uma limpeza com a outra ela espera ela sabe esperar e quando menos a gente espera que a gente acha que a gente tá tudo tranquilo é onde acaba acontecendo né e assim que nem os foi absolvido o policial ficou revoltado com a sentença né Mas e aí tinha tentado do fórum revoltado adorei saíram E aí fumaça é uma delas feita pela nossa segurança não saiu quase 53
não a gente não tivemos segurança nenhuma para ele o maior medo e foi a família dele está lá né Vai ter alguma proteção é uma coisa do diácono tio que aí passou um tempo Teve um dia senão vai pegar uma fraude são acolhedores as coisas pros E caso ele ligar para você Onde você trabalha fazer qualquer coisa você corre aqui liga aqui que a gente vamos atrás dele lá foi mais ó da mesma forma que ele que ele me prendeu lá pode muito bem aparecer outra pessoa lá empresa também não vai ter como vir aqui porque como eu confirmar lá eu trabalho lá do servidor público né É porque você mandou até o servidor aqui é o Centro Olímpico aqui ela é paciente movimentar bastante então qualquer pessoa que passou na rolo quero como que ele é policial civil qualquer coisa que eu posso não pode ser policial se vê como que eu podia ir em qualquer um que está aqui pode ser policial se você pode ser policial civil apostilas com que a nova unidade de uma cliente vir aqui e nós de quem a posição né qualquer um pode passar pode ser não sei não viu sei lá se lembra de mim é a vida louca eu vou lá na casa do Washington lá que era para tá aqui né quando eu vou na casa dele lacinho da ócio 6:00 8:00 já foi embora já para você não ficar mesmo que tivesse não se não tivesse essa pandemia você não ia ficar até tarde no farol vendendo bala jamais por exemplo assim e por isso é que não o que é o padre pensa para depois você chega aqui agora vamos aí tá tendo tá tendo blitz ali fole por isso eu te encontro e por isso eu vim quadrado aí gente então ele só por só puxou lá aqui marcando o que que você já teve uma passagem pela polícia qual foi o que você foi presa pela polícia essa passagem aí foi porque eu fui preso enganado foi enganado mas que acontece confundindo de roubo acho que o policial que que sai batendo na rua e vai falar vai querer ele acreditar nisso aí não vai nem te dar tempo é capaz de já aproveitar e foi a outra coisa me levar de volta à Delegacia Ai amor você acha que o cara vai falar ah você foi preso enganado Então você foi preso enganado próxima de nós negão essas horas da noite Vamos porrada você tá certo qualquer coisa É Sim e como você vê esse descaso por parte da justiça brasileira Porque mesmo depois que você foi provado inocente e ele não teve nenhuma assistência psicológica nem nada como você gostou desse dispositivo de nada de nada de nada de nada de nada e eles nem quer saber de nada pô Bom dia quer saber de nada você fica ensina a justiça é lenta segue às vezes se faz isso funcione é da energia você faz e cega ela se faz de surdo e mudo para aqueles que realmente teve deve ter o seu auxílio né porque ele como pai de família foi injustiça especialmente preso eles deveriam ter feito o que olhar pelo caso do Wilson já que tá aí ainda comenta falando agora continua preso eu nem sabia que continuava o nome dele lá com preso deveria sair do sistema já que ele foi absorvido deveria ter tirado desse tempo então esse medo ainda 54
então a gente tem que ter essa certeza que ele falou pode sair ali pode tá tendo blitz pegar ele pode levar ele novamente e aí que a gente vai fazer né a justiça é muito falha né o nosso Brasil é muito cego para muitas coisas eles vão Então eu acho assim que deveria ter mudança do nosso sistema ainda mais o negro a gente abrir mais esquecido eu pago sempre nessa tecla e é porque a gente ia a gente não tem liberdade no nosso país Às vezes o preconceito vem do próprio negro só que nosso país Ele olha como um negro como um todo aqui com um lixo a gente é tratado como lixo e a gente tenta fazer nossa diferença a gente tem que fazer a diferença então ele deve dentro de bala ele é o vendedor de bala ele não rouba ele não for mas não bebe não vai para o Teco ele é um pai de família ele é um cara honesto o sistema não olha ele assim vocês têm maior é a ele como um simples negro que foi preso se for preso agora não abre de novo é um ladrão não vai querer olhar para ele como um pai de família vai querer saber de nada dele então assim o nosso país dele é cego e nosso Brasil Ele é cego Eu acho que deveria mudar nosso sistema deveria mudar para muitas coisas boas e tem como mudar o hoje em dia Entra vários políticos quer saber de nada então se a política tá entrando agora eles querem mudar o sistema começou a olhar para a gente olha a cota Olha aí a briga que tá tendo que de quota de estudante na faculdade para minha filha ou minha sobrinha poder entrar na faculdade ela tem que tomar aquelas Negra mesmo com a cor da pele dela ela tem que provar até os momentos finais doenças retirar é triste o nosso país é triste o que ele faz por nós vemos aqui estamos negro brasileiros moramos aqui nascemos aqui não temos a oportunidade de utilizar o nosso sistema como um todo mundo como qualquer um chega lá de fora se vê lá nos Estados Unidos o branquinho dos olhos verdes falando inglês aqui ele tem mais oportunidades do que eu só porque ele mas aqui é o meu país eles devem olhar para nós como nosso país não fazer isso que faz para gente eles tratam nós daqui de dentro como nos cachorros Oi e aí isso é transparente deveria mudar eu acho que nossos pais deveriam dar uma palavra e como é que vocês vem toda a repercussão que teve o caso porque passou na TV teve página no Facebook teve manifestação que nada aconteceu porque assim Já tem quanto tempo isso é há quatro anos aí falaram assim que Wilson foi ficou foi absolvido aí foi lá para o advogado tá correndo atrás para poder indenizar né seria uma indenização simples sim seria ele era só não é o caso dele você tem uma tentação daqui dois anos vamos lá daqui dois anos já que ele saiu agora vamos essa família foi injustiçado não vamos deixar ele esperar porque ele tá esperando porque são policial ele foi contra o sistema e ele foi lá tipo assim colocou o sistema na parede ele quer vender usado pelo pela pelado ficar ser indenizado pela justiça e a justiça deveria ter olhado para 55
ele e a gente não olhou para ele então ela fala o quê Ah Negão veio aqui ele roubou uma um pai de família disse que não foi ele o ouvido Vamos fazer ele esperar vamos fazer esperar e o sistema está fazendo eles esperar até quando então o nosso país não vai eu é igual veio eu creio que essa indenização saia já era para ter saído atenção para ele só que eles estão fazendo esperar demais eu creio assim que talvez nem pensar eu acho que talvez não sabe Ah mas vou te ver né a fé move montanhas né então Deus na frente ele sempre se é para ser vai ser isso não é para ser graças a Deus meu irmão tá aí ele luta batalha ele não deixa eu faltar na casa dele pô de cada dia tá aí todos os dias né tão sendo abençoado mas assim eu acho que a justiça deveria olhar para família assim olhar pelo que eles fizeram o erro deles que eles fizeram que foi um erro grave colocar um pai de família no chão algemar um pai de família onde passa todo mundo que conhece ele e ali já estava sendo taxado ao momento que colocou uma algema no pulso dele eu estava sendo rachado como ladrão e aí as pessoas passam alivia ele preso não sabe o que o que que ele fez eu pude ajudar ele de qualquer coisa também to passando de ônibus mais um preto ela mais um preto Ladrão safado roubou o que aquele neguinho, até Olha aí olha a trazer um pai de família casado um pai é não é assim que você quer falar comigo E aí de repente foi Windows instalar porque a gente quando vem alguém empresa a gente não vai ser que nem você pedir primeiro o julgamento vem primeiro a gente julga primeiro para depois saber o que que aconteceu e aí foi julgado pela população porque ele estava gelado na rua foi julgado EA população foi julgado lá no fórum foi julgado na prisão saiu ileso saiu livre Por que que não tinha nada a ver com isso no sistema parece que enxerga isso eu vejo que o sistema não tá nem aí não vê que não nem um parecer pode botar o dele até agora deram tá em andamento tá em andamento tá aparecendo um negócio do auxílio emergencial, não sai da análise.
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Transcrição: Emille Rosa – Filha do Wilson Rosa (Preso Injustamente) Realizada presencialmente, dia 15 de agosto de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular. Os pais assinaram o termo que autoriza o uso de voz e imagem por ela ser menor.
Pergunta: Como você se sentiu quando recebeu a notícia que seu pai estava preso? R: De primeira, eu fiquei chocada! Eu fiquei igual a minha mãe, pensando que era uma brincadeira. Porque, a Débora, chegou doida lá em casa ‘Wilson, foi preso, Leandra corre, porque o Wilson está lá em Moema algemado e o Washington, me ligou aqui desesperado, não sei o que está acontecendo. Aí minha mãe, ficou desesperada. E eu sou assim, qualquer coisa, que acontece aqui em casa, me faz chorar, me abala. Aí eu comecei a chorar, fiquei desesperada, por que meu pai estava sendo preso e por que meu pai estava sendo preso? E aí minha mãe saiu e não disse nada e meus irmãos estavam dormindo e eu sozinha com eles, pensando, meu Deus, meu pai foi preso e agora o que vai acontecer? Ele vai ficar preso? Se vão soltar ele? Se vão ver realmente, que ele é inocente e vão liberar ele? E eu vou ficar sozinha aqui com meus irmãos? E aí, minha mãe chegou umas 23horas, e aí eu perguntei, cadê meu pai? E ela, ele não vem para casa, seu pai está preso. E o Ian, acho que estava na minha avó, que morava perto da nossa casa e eu questionei, como iriamos ficar? E aí, veio o Gil para ajudar, fizemos a manifestação, mas, mesmo assim, meu pai não veio embora. E quando minha mãe falou, quando seria o julgamento do meu pai, e quando me disseram, que ele iria sair, eu me questionei, se ele iria sair mesmo?
Pergunta: Você sentiu mudanças em você? R: Eu fiquei normal, mas, eu fiquei muito triste. Eu não podia chorar perto dos meus irmãos, eu não podia mostrar para eles.
Pergunta: Como foi quando seu pai foi solto? R: Eu saí correndo, e abracei ele, comecei a chorar e pensei, meu Deus, ele voltou! Eu fiquei com medo por ele, ainda mais quando ele disse, que o policial que prendeu ele, apareceu no farol.
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Transcrição: Sandro Araújo – Advogado criminalista – Advogado no processo do Wilson Rosa. Realizada presencialmente, dia 25 de agosto de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular. Ele autoriza o uso da voz e imagem por meio de um vídeo, gravada pela câmera do fotógrafo Sony A7iii.
COMENTÁRIOS DO ADVOGADO “Ele foi inocentado ainda antes do julgamento, do habeas corpus. O processo dele, foi um dos processos mais rápidos, que eu já vi na vida! Não sei se por conta da TV, do destaque que houve na época, mas foi um dos processos mais rápidos, que eu já vi! Em 33 dias, a gente, desde o momento da prisão dele, até a comprovação, sentença de inocência dele, levou 33 dias!”
Pergunta: Então não é normal um caso ser tão rápido assim? Quanto tempo mais ou menos, leva para ter o primeiro julgamento? R: Com o advogado, existem 2 situações. Existe o advogado dativo, que é o advogado pelo Estado e existe o advogado privado, que é o advogado contratado pela família e tudo mais. Vamos pensar assim, com o advogado privado, inicia-se desde o momento, praticamente, desde o momento da prisão, como foi o caso do Wilson. E logo que isso acontece, o advogado já começa a trabalhar, com os pedidos, com tudo e o Juiz já começa a ter que se movimentar. Na situação contrária, em que não existe um advogado privado, primeiro o Estado vai perguntar para pessoa (depois de preso) se ele tem advogado. Aí o réu responde que não e até essa resposta chegar para o juiz (demora) .... Aí o Juiz vai mandar fazer a escolha de um advogado dativo e manda isso para defensoria... e aí, a defensoria vai determinar um defensor, podendo até ser um advogado dativo mesmo, dependendo da comarca e após tudo isso, a pessoa vai começar a atuar, e no mínimo leva o tempo de 4 meses. Primeira audiência para alguém que tem um advogado dativo, podese levar em consideração aproximadamente, de 6 a 4 meses, de prisão sem ter conhecido um juiz! Aliás, hoje, quando você é preso em flagrante, vai para uma audiência de custódia, aonde o juiz vai determinar se aquela prisão, é válida ou não. Não sendo válida, vai para rua e responde em liberdade. Sendo válida, não havendo nenhuma contrariedade naquela prisão, permanece preso, até o momento do julgamento, ou então, até a liberação por um habeas corpus, ou até, por um pedido de liberdade provisória. No caso do Wilson, 58
foi feito um pedido de habeas corpus. Foi julgado prejudicado, porque quando foi julgado, o Wilson já tinha sido inocentado.
Pergunta: Como você teve conhecimento do caso? R: Eu fiz um negócio para o Wilson que nem existe! Hoje para você ter ideia, uma ação criminal, hoje, se inicia no valor mínimo de R$8.500,00 e no caso do Wilson, como eu cheguei até ele ou ele chegou até mim, por conta de um colega. Que trabalhou a muitos anos atrás com o Wilson, em uma Tapeçaria. E esse colega, isso quando eles eram mais jovens, hoje ele é advogado, o Hipólito. Na época, a esposa dele, que também é minha amiga, Gabriella, me ligou e disse: “Olha a gente teve um problema, com um colega nosso, e tal...você pode dar uma olhada no caso para gente?” E eu, falei “Ah! Poxa! Vamos ver o que dar para gente fazer”. Então foi assim, foi através de um colega, que também trabalha com advocacia, mas, não com a área criminal. A partir daquele momento, fui até a delegacia. Era um final de semana, porque ele foi preso em uma sextafeira, e eu fui comunicado no sábado e no sábado mesmo, aproveitei que estava pelo centro e já passei na delegacia, conversei com o Wilson. No momento que estava conversando, que vi ele, pensei “Esse rapaz é inocente!
Pergunta: Desde o início você acreditou na inocência dele? R: Sim! Sim! Jamais duvidei! Eu olhei para aquele rapaz e ele começou a conversar comigo, pensei “Senhor! Esse rapaz não é bandido! Ele não é assaltante! Ele não é! Se fez, ele está me enganando muito bem! Porque na verdade, ele era, ele é, muito humilde. E para a gente que trabalha nessa área, a gente sabe se a pessoa estiver mentindo, inventando uma história ou não. E aí, eu já vi de cara, que ele não tinha nada com o negócio, com o crime. Inclusive, na mesma hora, falei, bom Wilson, vamos fazer o seguinte, vou trabalhar com você, a não ser que você não queira, pois você tem esse direito e vou trabalhar para te tirar daí o mais rápido possível. E a partir daí, comecei a coletar todas as informações, fui para delegacia, e para outra delegacia, para levantar toda documentação, levantar o inquérito e tudo. A partir daí, comecei a anomalia que tinha aquele processo, porque aquele processo foi completamente alheio, ao que, a legislação manda e permite. Impossível o próprio marido da vítima sair investigando, como se fosse justiceiro! Eu, policial, eu vou pegar uma área de atuação completamente distante, muito diferente da que ele deveria prestar e aí, começaram a dizer que houve algumas diligências na região, onde foram todas fraudadas. 59
Pergunta: Então, independente, de ele ser investigador, ele não tinha essa autonomia de ir lá e investigar? R: Não! Não tinha essa autonomia, ele não pode fazer isso, porque, assim, quando você tem interesse, o seu testemunho, a sua atuação, ela vai completamente, abaixo. Porque, se você está envolvido com a situação e ali, era envolvimento direto! Era a esposa do policial.
Pergunta: E a queixa foi feita na delegacia que o policial atuava? R: Sim! Sim! Embora, a queixa possa ser feita em qualquer delegacia do estado de São Paulo, a apuração do crime, deve ser feita pela Delegacia Circunscrição, que é chamado de delegacia da área. E aquela área é do 36 e não da 100!
Pergunta: Então o investigador pode ser responsabilizado em algum momento? Ou, foi responsabilizado? R: Foi! Foi responsabilizado. Eu acompanhei o Wilson até a Corregedoria da Polícia Civil, que moveu uma investigação, infelizmente, não sei te dizer qual foi o resultado, mas teve sim, moveu uma investigação no processo Administrativo, em face do policial.
Pergunta: A conduta do policial que mandou uma foto por WhatsApp para reconhecimento, é correta? R: Não existe isso! O reconhecimento tem que ser feito pessoalmente! O que poderia ter sido feito e lá atrás quando o crime aconteceu de fato, ele (policial) poderia ter mostrado um livro de fotos, de suspeitos que atuam na região, para ela, ou então, feito um retrato falado, ou alguma coisa assim, mas quando ela foi fazer a queixa, quando ela foi lá fazer o boletim de ocorrência e isso não consta no processo. Se foi feito, não consta no processo. No processo não aparece. E no processo o que aprece é de simplesmente, tirou a foto do Wilson, mandou para esposa, depois de mais de 5 meses do acontecido. E ela olhou a foto e disse ‘a foi’, e dali, simplesmente, foi e algemou o Wilson e estava inclusive no carro particular dele, carro paisana, sem se identificar. Simplesmente, algemou e pediu apoio para uma outra viatura da Polícia Militar que passava e aí, começaram a rodar com o Wilson, para lá e para cá. Até que mandaram ele para delegacia.
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Pergunta: E para uma prisão dessa, precisa de algum mandado? R: Sim, um mandado de busca e apreensão. Não poderia ter simplesmente, chegado, tirado a foto e querer levar preso. Foi completamente arbitrário, situação arbitraria, porque, o que poderia ter acontecido é, o Wilson em uma situação de suspeito, eles poderiam ter levado ele para a carceragem, sob alegação deles que o Wilson era suspeito e ter levado para a delegacia, na delegacia acontecer o reconhecimento dele. Jamais! Prévio, tirando foto, porque nosso cérebro prega memorias, prega peças. Quando você no momento induz a pessoa a reconhecer, é lógico, que ela vai chegar lá, vai olhar e vai dizer que sim. Deveria ter colocado o Wilson juntamente com no mínimo outras 3 pessoas, com plaquinha, e perguntado ‘Me diz, dos 4, quem foi que te roubou?’, lógico que pessoas com características semelhantes, e daí ela afirmaria com certeza quem cometeu o roubo. E isso não consta no processo e nem no inquérito policial. Embora, na audiência, o policial tenha dito que houve esse reconhecimento..., mas, não consta no processo.
Pergunta: O percurso realizado pelo Wilson até a delegacia é normal? R: O Wilson, deveria ter sido levado diretamente para Delegacia da Circunscrição e ter sido reconhecido lá, aonde eles fariam todo o fichamento, montado tudo e dali eles levariam, caso a delegacia não possua carceragem, mandasse para a delegacia responsável da região, que possua carceragem, até a transferência para o presidio. Esse negócio de ficar passeando para cima e para baixo, com o suspeito dentro do carro, é completamente, sem cabimento! Desumano! Ilegal! Eles deixaram o Wilson embaixo do sol quente, horas e horas, sem água, sem comida, sem nada! É bandido, é ladrão, que se dane! E esse foi o pensamento. Quando na verdade, nem era! É desumano isso! Não pode acontecer! Os policiais sabem qual é a delegacia que atua na região, qual é a Circunscrição. O batalhão sabe, então quando tem que ir para o 36, é o 36.! Não tem que ficar indo para o 27, não tem que ficar indo para o 14. Não tem que ficar indo para lugar nenhum. É o 36, entregou, acabou. Finalizou ali o trabalho!
Pergunta: Qual foi a linha de defesa? R: A linha de defesa foi a falta de provas, porque não havia provas suficientes, que o Wilson havia cometido aquele crime. Então, era a falta de provas e juntando com toda essa arbitrariedade na condução das investigações. A gente juntou a falta de provas com o erro de condução e por fim, dentro da sala de audiência, a gente conseguiu demonstrar a inocência do Wilson. Uma audiência criminal geralmente, com testemunha, tudo, leva 61
por volta de meia hora. Se levar, 1 hora, levou muito tempo! Porque são sempre muito rápidas, porque os juízes nunca têm muito tempo. Essa do Wilson, a gente levou 3H e meia. Uma audiência de 3 horas e meia. Que foi absorvido na mesa do Juiz! A sentença saiu imediatamente!
Pergunta: Qual foi a sensação no momento que o Wilson foi inocentado? R: A emoção de você ver a Justiça sendo feita, é indescritível! É um negócio completamente maluco! É uma sensação de dever cumprido, muito grande! Porque, por diversas vezes, a gente trabalha em casos em que a pessoa nem é culpada e, no final, é sentenciada. E a gente acaba não conseguindo provar que aquilo não aconteceu. Mas, no caso do Wilson foi um trabalho muito difícil, porque tudo apontava para incriminação dele. Porque a testemunha dizia que tinha sido ele, e até no momento da audiência, eu pensei que tinha ido tudo para o brejo! Porque eu acabei fazendo, propondo uma situação, que eu arrisquei! Só que no desenrolar da audiência, eu consegui reverter essa situação. Eu peguei em um dado momento, uma foto do Wilson junto com a foto do rapaz que havia cometido o roubo. Porque lá nos locais, sabiam quem tinha roubado. Sabiam quem cometia os roubos e eles tinham uma foto desse rapaz. Então me deram a foto desse rapaz, e eu tinha a do Wilson. Coloquei as duas fotos ao lado e levei para vítima. E disse ‘A senhora me aponte quem cometeu esse roubo” E ela mais uma vez, apontou o Wilson. Nesse momento, eu achei que a gente tinha perdido, ali essa audiência! A vítima não quis depor em frente ao Wilson.
Pergunta: Quais as semelhanças entre o Wilson e o verdadeiro culpado? R: A semelhança era que ambos são negros, cabelo curto e magros. Essas eram as descrições e semelhanças. Porque visualmente, são pessoas diferentes! Um ao lado do outro, eram pessoas muito diferentes. E no momento ela apontou mais uma vez o Wilson! Só que durante a audiência, o Juiz foi muito atencioso! No momento da audiência ele (Juiz) perguntou para o próprio marido (Policial) da vítima se eles tinham feito a investigação do local que o aparelho foi ligado e tudo mais em um certo momento, o Juiz perguntou ‘Vocês fizeram as pesquisas? ’ e os policiais responderam ‘Ah! Fizemos! ‘E aonde que, apontou o último funcionamento do aparelho? ‘Na favela do Paraisópolis’ (policiais). O Wilson mora no extremo sul, depois do Grajaú e Paraisópolis fica aqui, lugares completamente diferentes. De onde o Wilson mora e de onde o aparelho apareceu pela última vez no dia do roubo. Depois que passou essa parte do depoimento dos 62
policiais, veio o Washington, amigo do Wilson e questionei ‘Washington, onde que o fulano (quem realmente cometeu o crime) mora? ‘Sabemos que ele mora na favela do Paraisópolis, ele é de Paraisópolis, ele comete alguns roubos, alguns furtos ali e depois some e depois volta e, inclusive, sabemos que agora ele estar preso’ e aí o juiz ficou com isso na cabeça. Continuamos fazendo a audiência, questionando outras testemunhas e no final o Juiz acabou entendendo (a gente não consegue dizer com certeza se foi isso ou não da distância) mas houve uma parte da sentença em que o Juiz diz claramente que ‘Wilson mora no extremo sul de São Paulo e o equipamento foi ligado aqui do outro lado, uma distância muito grande um do outro, então, seria praticamente impossível, o roubo ter sido realizado pelo Wilson. Esse caso do Wilson não foi fácil, nem um pouco fácil! Porque as provas, mesmo as produzidas em audiência, apontavam, indicavam muito, que poderia ter sido o Wilson. Contamos bastante com a compreensão do Juiz. O Juiz não era um Juiz novo, tinha experiência, então, ele conseguiu ver que os policiais mentiram muito, dizendo que fizeram campanas na comunidade, na onde o Wilson residia e, na verdade não fizeram. Se fizeram, cadê a documentação? Pois toda diligência quando é feita tem que ser provada, no inquérito tem que ter lá os despachos e não houve, não teve nada disso, mas na audiência, eles disseram que fizeram, que procuraram. Tudo mentira! Cadê essas provas de tudo isso? Eles não têm as provas, porque não aconteceu (essas investigações).
Pergunta: Por que é tão comum este tipo de erro do Poder Judiciário? R: Temos mais de 700 mil presos, no estado de São Paulo, onde nesses 700 mil presos, encontra-se pelo menos 250 mil por erro do Poder Judiciário, porque a apuração é feita de forma leviana! Não existe uma investigação aprofundada nos fatos, e por muitas vezes, a gente não consegue material para provar a inocência da pessoa, porque, hoje em dia, leva-se em consideração, muito forte, o depoimento do policial. Os depoimentos dos policiais, hoje, têm uma fora muito grande e da própria vítima. Em uma situação de roubo, de uma ameaça, você mal olha para pessoa e a emoção e o nervosismo são tão grandes, chega na hora (reconhecimento), a própria vítima fala ‘olha, não tenho tanta certeza’, mas, aí, vem o depoimento do policial, que diz, que pegou próximo, que estava, que acabou, dando alguma direção, a gente vê muito erro no Judiciário, na condução da própria polícia. Os juízes também erram em relação, ao que, é apresentado ali (audiência), eles decidem contrário as provas, por diversas vezes, muitas vezes e eu tenho visto isso demais! Mas não são erros só dos juízes, pois, quando se está em uma audiência de júri, 63
isso também acontece muito. Erro na condução dos casos, esse é, um dos maiores erros no poder judiciário. As investigações são sempre muito falhas, não se vai a fundo nas investigações, elas são sempre muito superficiais, sem contar, que parasse livrar de processos, encerrar processos, eles forjam, jogam a culpa em cima do réu. Quando a vítima vai reconhecer, (policiais falam) ‘Oh! Foi esse aí, foi esse ladrão aí, que te roubou’ e já induz, que estava armado e que poderia ter matado a vítima, quando na verdade, às vezes, nem estava armado. Tem muito policial na delegacia que induz a vítima. Tenho colegas policiais que já falaram, ‘ah Dr. Vou ficar livrando cara de ladrão? ‘Não é livrar a cara de ladrão, é fazer o cara pagar por aquilo que ele fez! Se o indivíduo roubou, ele vai pagar pelo roubo, que ele cometeu! Não pode pagar pelo roubo que ele cometeu mais roubo que outra pessoa cometeu! Isso não pode! Ele tem que pagar justamente pelo o que ele cometeu. O pessoal tem muita mania de dizer, que advogado criminalista compactua com o ladrão. Não! De jeito nenhum, a gente, quer que faça a justiça na medida da Justiça. Se a Justiça é falha, se A Justiça é omissa, se a punição é pequena, é menor do que acha que deveria ser, altere-se a legislação! Pra isso a gente tem o Poder Legislativo, que disciplina isso, que elegem pessoas que diferentes do Tiririca, que tenham condições de fazer uma nova Lei, que mudem a regra, não que se jogue, aumente os delitos, para poder aumentar a pena do acusado, do réu. Então, isso acontece muito, o sistema policial dizer ‘olha, foi ele’, quando a vítima chega ‘olha pegamos o ladrão que te roubou’, indiretamente, ele já está dando o que a pessoa espera e que por muitas vezes, diz que o réu estava fazendo coisas no momento em que foi preso. E a pessoa, pelo senso de Justiça Comum, vai dizer, que foi o réu, para assim, se cumprir a justiça. E ser do subúrbio, a classe social, cor influenciam bastante! E o Wilson é preto, pobre e favelado.
Pergunta: Por que a indenização é tão demorada? R: Essa é uma questão em que o Estado, deveria ser condenado a ressarcir os prejuízos, os danos morais, os danos materiais, que o cidadão teve, só que, o Estado se defende da ação de um agente dele, de um policial, dizendo que ele não saiu de dentro da esfera de atuação dele e que acaba contribuindo para que os resultados aconteçam de forma adversa e que o Estado não tenha que pagar. A forma em que os juízes acabam montando a sentença, se o Juiz vai lá e inocenta no 386, parágrafo, aliás, inciso 5, é diferente das 3867 falas que não houve provas conclusivas, 5 falas que ele não cometeu o fato. Então, na situação do Wilson, fala pelo 7, que não houve provas de que ele pudesse dizer, e não, que não houve provas que não foi ele e as provas são uma peculiaridade do inciso, muito 64
pequena e que leva o Estado a se defender dessa maneira. O 386- o Juiz absolverá o réu mencionando a causa na parte dispositiva desde que reconheça a referência... aí vem aqui, não existir prova ter o réu concorrido para infração penal. Então, aqui, ele determina que o réu não participou, não foi ele que fez, agora aqui, quando você, vem para o 7, não existir provas suficientes para condenação do réu, então, um diz, que ele não concorreu e o outro diz, que não existem provas suficientes para condenar, então, ele deixa a situação bastante dúbia. Inclusive, isso foi um ponto, que eu abordei na própria audiência! Ao final da sentença, eu discordei do Juiz ‘Excelência, eu não concordo que fique no 7 e sim, no 5!’ ‘Não Dr. Eu entendo que é no 7’ (Juiz). Aí.... Você acaba deixando do jeito que estar, não vai, porque já foi uma audiência bastante difícil e é nisso que Judiciário se apega à essa diferença entre essas duas inserções e você vê, que é uma diferença muito pequena, então, em uma ele diz, que não existem provas, aliás, que não existem provas suficientes e no outro ele diz, que não existe prova que ele tenha concorrido. Os dois inocentam! Os dois não dão ao Estado poder de punir e inocenta o suspeito, mas, na hora da indenização, faz uma diferença muito grande, entre um e o outro! Então, o Estado, se apega a não fazer a indenização, diante da decisão do Magistrado.
Pergunta: O Poder Público possui o dever de conceder auxílio psicológico para o Sr. Wilson e sua família? R: Eu acho, que esses incisos se encaixam perfeitamente na situação do Wilson! Se você pegar 98% das sentenças, você vai ver, que a pessoa quando ela é inocentada, ela vai para o 7. Então, existe um consenso entre os Juízes, que vão dizer, que não existiram provas suficientes, mas, existiram provas! As provas não foram conclusivas, mas existiram provas e indícios de que apontavam para o réu. De certa forma, sim, a vítima aponta, embora as outras provas demonstrassem que não foi o Wilson! Então, a vítima apontou, se a vítima não tivesse apontado na audiência ‘não foi o Wilson’ (vítima do crime), não poderia jamais ter enquadrado no 7 e diante disso, o Estado, ele se libera dessa ligação, porque seria cabível, entrar ação, pedindo a prestação do serviço psicológico para restaurar o psicológico do Wilson, só que aí, o que iria acontecer? Iriam mandar para o SUS, para o INSS, para poder entrar naquela fila e tudo mais.... Aonde eu vejo, que quem acaba cobrindo essa lacuna são as ONG’s, são as iniciativas assistenciais, que fornecem um auxilio psicológico, que faz todo esse trabalho aonde que o Estado não consegue atingir e o Wilson foi inocentado na audiência, pois, na audiência já houve a sentença da condenação e ele foi inocentado! 65
Pergunta: Por que o Sr. Wilson teve que mesmo de inocentado ter que voltar para o presidio? R: Eu também não concordo! Mas, o que acontece? O presidio não funciona 24hrs, na área administrativa. Logicamente, que o presídio funciona 24hrs com os agentes prisionais da carceragem, eles funcionam 24hrs. Mas, a área administrativa, o pessoal que trabalha fazendo a documentação, pois tem que ser feita a documentação para a liberação do preso. Eles precisam emitir todos os documentos, o cartório tem que emitir o alvará de soltura, que vai para administração, para dá administração, dá o andamento interno, para não ficar lá marcado, que simplesmente o preso foi embora. Então, para fazer isso, o Juiz determinou, que somente no dia seguinte, por conta, da documentação do presidio, porque terminamos à audiência mais de 18h30 da noite, e pelo, que eu sei, eles (administrativo) trabalham no presidio, até umas 17hrs para liberação do alvará, então, foi por este motivo, que ele só saiu no dia seguinte. Não concordo com ele ter dormido mais um dia, mas dentro de toda a situação, eu resolvi não criar caso, falei para o Wilson, durma mais uma noite lá, que é a última noite, que você dorme lá, e não diga para ninguém que você foi absorvido porque dentro da cadeia, tem muito isso de, que agora que você vai sair, você vai fazer X coisas para gente, então, pedi para o Wilson ficar quieto, chegar lá e vão te perguntar como foi (vamos levar em consideração que 80% das audiências não sai o resultado na hora, fica para depois) .... Então disse para ele, fica quietinho, não para ninguém que você foi absorvido, que você vai sair de lá, não pegue nada para entregar, não leve recado para ninguém, porque tudo isso pode contribuir negativamente para o processo.
Pergunta: O indivíduo que cometeu o crime, foi condenado? R: Olha, sinceramente, não sei! Para nós, não interessava. Se isso interessa para alguém, esse alguém, é o Ministério Público, para o Juiz, que deveria mandar apurar e chamar o tal do Nei (quem cometeu o roubo). Mas isso, para nós, é irrelevante! Não tem relevância nenhuma. E é onde eu acabo encerrando minha participação, porque meu cliente é o Wilson, quem tem que fazer justiça é o promotor e o Juiz.
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COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE COMO ERA COM O WILSON DENTRO DO PRESIDIO “Ele falava assim para mim, ah Dr. Eles ficam falando ‘você fica aí falando que é inocente negão, quero ver a hora, que você for condenado... Se você não vai dizer para mim, que você realmente fez! Porque todo mundo aqui é inocente, até a hora que recebe a sentença, depois, que recebe a sentença aí o cara diz que fez mesmo’, mas, ele sempre dizia ‘não Dr., eu não fiz, eu não fiz, eu não fiz.”
COMENTÁRIO
DO
ADVOGADO
SOBRE
CONSCIENTIZAÇÃO
DA
INJUSTIÇA PENAL “Olha, estamos em uma época tão difícil conscientizar sobre o erro judiciário, porque virou, se tornou, tão banalizado a situação de incriminar, de inocentar, que a sociedade quer apenas condenar e o que a Justiça Publica faz? Ela quer corresponder aos anseios da sociedade, então, o policial não é a pessoa que tá isento, e nem o Juiz tá isento, de ser afetado pela coletividade, eles também fazem parte da coletividade, então, eles vão decidir de acordo com o anseio da população, das pessoas, e hoje a população quer o que? Quer condenar! Você acha que essa é a resposta? Não! Não é a resposta! Condenar, penalizar não é a resposta. A resposta está muito mais além da condição, porque a resposta, ela vem na educação, na saúde, na conscientização. Ela vem por ai! Porque, se uma pessoa tem saúde adequada, educação adequada, ela não vai precisar sair para roubar, traficar! É óbvio que existem pessoas da pá virada, gostam de ser criminosos, inclusive, tenho clientes que gostam de falar para mim ‘sou bandido, sou ladrão, sou do corre!’, eles gostam, ele se sente bem com isso! Mas esses casos (da pessoa gostar de ser criminoso) não chega nem à 10%. Muitos entram no crime por necessidade. Porque, por muitas vezes, a criança cresce vendo a casa que não tem uma comida, que não tem um tênis para pôr no pé, que não tem luz na residência, porque cortou, porque não pagou. Diante este cenário, o que ele faz? Não recebeu educação, não tem profissão, não tem perspectiva, entra para a vida do crime.”
COMENTÁRIO
DO
ADVOGADO
SOBRE
A
DIFERENÇA
DE
TRATAMENTO DO RICO E POBRE “O Wilson pegaria 5 anos e 3 meses de detenção, (por mais, que ele não cometeu o roubo, enquanto o filho de uma pessoa rica, que atropelou e matou, sai livre), lembra daqueles 10% que eu te disse, que gosta de ser bandido? Ai que está, dentro desses 10% que gostam 67
de ser bandido, existe 10% daqueles fazem as coisas erradas e vão ter alguém que vai cobrir, porque o poder econômico de um ‘Thor Batista’ é muito grande e o que acontece? O pai dele é amigo de um desembargador, que é amigo do Juiz, e em uma ligação telefônica consegue tirar a culpa. Tudo é comandado pelo povo, pelas pessoas \. Se o cara me pede 10 salários-mínimos (o que foi pedido no caso do Thor batista) para conceder a fiança do Wilson, o Wilson fica preso, porque a família dele não tem condições de pagar esse valor. Se pedir dois salários-mínimos, já fica preso! Porque até aqueles R$1.000,00 que eu falei que precisa para poder tocar com o processo, cobrir os custos do próprio processo, eles tiveram que fazer vaquinha na comunidade para levantar e mesmo, que não tivesse conseguido levantar, eu teria feito o processo, porque meu amigo me pediu e dentro da advocacia tem muito isso, eu quebro seu galho agora e depois você quebra o meu. Um ajuda ao outro!”
COMENTÁRIO
DO
ADVOGADO
COMO
FOI
NO
MOMENTO
DA
ABSOLVIÇÃO DO WILSON “Quando enfim, o Wilson foi absolvido, ressaltei, que ele não deveria contara nada para ninguém, nem mesmo para o seu melhor amigo lá dentro, que você não tenha melhor amigo lá dentro e ele disse ‘está bom Dr., tá bom’ e dei um abraço nele lá. Pedi para tirar as algemas. Na hora, eu me lembro bem, na hora que eu fiz a defesa, pois tem que ser feita uma defesa oral, quando se tem a sentença na hora, então, quando eu terminei de fazer minha defesa, aí, o Juiz pegou e mandou ficar em pé, que ele iria prolatar sua sentença, aí deu sua sentença e nesse momento o Wilson caiu de joelhos, dizendo ‘Obrigado, Senhor! Obrigada! A Justiça veio’, chorando compulsivamente, como uma criança. Aí, eu o peguei, fui levantar ele, e vieram os policiais dizendo ‘não, não pode! ‘, nesse momento o Juiz falou ‘não, pode! Pode sim! ‘Nesse momento, vieram e soltaram as algemas dele. Dei um abraço nele e disse ‘agora se controla, rapaz’, foi um momento emocionante.”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE COMO É ADVOGAR PARA UM INOCENTE “É muito mais difícil advogar para quem é inocente, é um milhão de vezes mais difícil, muito difícil. Por quê? Porque se carrega o peso nas suas costas, de tentar fazer com que a Justiça seja realmente feita! E quando se está trabalhando como advogado, é
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complicado, porque não depende apenas de você e quando as coisas não dependem só do de você, é complicado!”
Pergunta: Se o Wilson fosse condenado, entraria com a apelação e qual a probabilidade de ele ser inocentado na apelação? R: É difícil reverter uma decisão judicial! Não tem como dizer ao certo quanto tempo levaria e nem quanto tempo o Wilson ficaria, se ele fosse depender da apelação.
Pergunta: No caso do Wilson, você acha a repercussão midiática ajudou? R: Ajudou! Tanto que nunca vi um processo tão rápido! O processo do Wilson foi muito rápido! Inclusive, uma das alegações do Ministério Público, do Estado, em relação à indenização e que ‘ele não sofreu um prejuízo tão grande, porque o processo dele foi muito rápido! ‘, como se passar um mês na cadeia, não fosse nada. Inclusive, o Wilson diz que ficou 33 dias preso nas entrevistas, mas na verdade, ele ficou 34 dias preso. Ele errou em um dia para menos, ele ficou tão feliz (no dia, que foi absolvido) até esqueceu que estava preso! Ele já considerou livre desde o dia da audiência.
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE A INDUÇÃO DOS PRÓPRIOS PRESOS EM DIZER QUE COMETEU O CRIME “É porque é comum! É comum a pessoa ser condenada! É certo que o preso vai ser condenado. Ainda mais, quando a vítima reconhece, como foi no caso do Wilson, pois 99% dos casos, que a vítima reconhece, que ela dá certeza que foi, é condenado! Porque na verdade, o advogado vai para tentar minimizar o tanto de pena, ou tipo de pena que ou, o tipo de pena, que o réu irá receber, porque quando se é reconhecido, esquece! Você já está condenado! Tanto que na hora que ela o apontou, pensei ‘ah! Pronto! Foi para o brejo! Caso perdido!”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE AS FALSAS MEMÓRIAS “Sim! Inclusive, o Juiz aborda as falsas memórias na sentença dele, ele até cita Damásio Jesus, um criminalista famoso, que morreu ano passado, ele aborda bastante esse assunto ‘as falsas memórias’, porque imagina, você tá em um momento de estresse, nervoso, um cara ameaçando você e sua filha, você vai pensar em socorrer a sua filha, pois foram coisas de 2 minutos, depois de seis meses, olhar e falar ‘foi ele sim, tenho certeza’, não tem! Impossível!” 69
Transcrição: Membro do Movimento Pan Africanista Realizada via E-mail no dia 28 de agosto de 2020. Solicitou que seu nome fique em anonimato.
COMENTÁRIO SOBRE O MOVIMENTO “Trata-se de um coletivo de pessoas pretas, que atuam no fortalecimento da autoestima do seu povo e seguem ideias inspiradas em Marcus Garvey, Malcolm X X, Steve Biko, Beatriz Nascimento e Assata Shakur. O coletivo não tem alianças políticas partidárias, assim como não dialoga com Ongs, sindicatos e ou governos.”
Pergunta: Como é o procedimento para essa assistência que vocês deram para família do Wilson? R: Não prestamos assistência, nosso apoio foi no sentido de racializar o ocorrido, visto que a maioria das vezes de fatos como este são pessoas pretas vitimadas.
Pergunta: Como vocês souberam do caso do Wilson? R: Através das redes sociais.
Pergunta: Vocês acreditavam desde o início que o Wilson era inocente? R: Sim, após o contato com a família, ficou ainda mais evidente sobre a inocência do irmão, pessoas humildes e com dignidade que pagam o alto preço por serem pretos aqui no Brasil.
Pergunta: Caso o Wilson fosse condenado, vocês continuariam auxiliando a família dele? R: Nosso apoio não se limita ao que o sistema judiciário racista brasileiro faz ou deixa de fazer, sabemos que o maior crime que o Wilson cometeu foi ser um homem preto e retinto, logo, nunca deixaríamos de apoiá-los neste caso.
Pergunta: Como vocês veem todo descaso e negligência que o Wilson e sua família passou? R: Lamentável, porém, infelizmente não se trata de um caso isolado, Wilson foi só mais um. Diariamente recebemos informações de injustiças e covardias contra pessoas pretas.
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Pergunta: Como vocês veem a Justiça Penal Brasileira? R: A justiça brasileira como um todo faz parte da mesma engrenagem, legislativo, executivo, pôr fim a própria sociedade brasileira, são agentes e poderes que incorporam pessoas que utilizam dos seus juízos de valores para manutenção de privilégios e perpetuação da desigualdade. Por aqui não existe um problema na justiça penal, sim na formação do que entendemos como nação.
Pergunta: Vocês tiveram relação com a passeata/manifestação em prol do Wilson? R: Pedindo justiça. A passeata foi um ato importante para visibilidade do caso, participamos juntamente com a familiares, amigos e vizinhos do Wilson que foram os agentes condutores do processo, ficamos com o papel de apoio.
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Transcrição: Maria Teresa Cruz – Jornalista e escreve para o Portal Ponte jornalismo. Realizada via plataforma zoom, no dia 28 de agosto de 2020. Ela autoriza o uso da voz e imagem ao final da entrevista verbalmente.
Pergunta: Como jornalista, qual sua visão sobre a justiça penal brasileira? R: A Segurança Pública e o sistema de justiça, a Justiça Penal, o que acaba acontecendo, todas as histórias com as quais eu tive contato, todos esses anos, me mostraram que qualquer tese de doutorado, que qualquer grande estudo, embora sejam importantes para nos dar alguma coisa, para nos sinalizar, eles nunca darão conta da máquina de moer, do racismo estrutural, do classismo intrínseco, de como funciona o sistema penal, o sistema de justiça penal brasileiro, porque por mais que você leia teses, você só consegue entender o quanto esse racismo estrutural e também, o classismo, porque sempre falam da sociedade castas, da índia, e tudo mais, é como se fosse algo muito distante da realidade brasileira, e no final das contas, é o que realmente vivemos! A cor da tua pele e o quanto você tem na sua conta, te definem, se você é de primeira ou segunda classe, e só quando você tem, toma contato, jornalisticamente falando, com essas histórias, você consegue dimensionar e entender, o quão para sempre marca a vida das pessoas e destrói vidas, e imprimem uma lógica de justiça injusta ou (in) justiça. A leitura que eu faço sobre como se chegou a isso ou como nosso sistema de justiça chegou a essa situação de cometer injustiças, tudo parte da nossa dívida histórica, por causa de uma abolição teatral, que só existiu no papel e fundou essa sociedade racista. A construção da sociedade que temos hoje, está totalmente fundada nessa falsa abolição, nesse racismo, nessa falsa abolição, como dizem muito bem, os teóricos negros e os movimentos negros, então, chegam-se na fundação de uma sociedade que tem esse racismo estrutural. Só que aí vamos para outro ponto, como esse racismo estrutural se aplica na prática? No sistema judiciário, uma das coisas mais complexas é a cor do judiciário, quem são os homens e mulheres que julgam hoje? São brancos, heteros, da elite e já vamos para outro ponto, como um Juiz, que teve acesso à educação particular, a sua vida inteira, que muitas vezes são filhos de juízes, que são brancos, que não sabem, nunca sofreram racismo na pele, que nunca passou fome, nunca esteve em uma favela, como ele vai conseguir ter empatia por aquele que está ali na sua frente? Com todo esse cenário, acaba tendo, por essa falta de vivência ou descolamento do Brasil real, terá resultados hidroxilos, de uma justiça que é injusta, basicamente, essa experiência, que eu pude ver, que pode se ver em coberturas, que a gente faz mais amplas, mais aprofundadas, e também, em audiências, que é um 72
procedimento previsto pelo Conselho Nacional de Justiça, que surgiu por volta de 2015/2017 para tentar averiguar casos de tortura, de violência nos momentos que privamte, e o que, eu via lá basicamente, nas audiências de custódia, que são mais de quarenta por dia, é um cara pobre, negro, que chega para falar com um juiz branco, e nessas audiências de custódia, essa desigualdade é muito visível, porque o juiz fica no auto, o caro no baixo e dois policiais um ao lado do outro, e nesse momento, você vê essa máquina de moer pobre e negro funcionando na prática.
Pergunta: Como é a apuração de um jornalista em casos de injustiça penal? R: Todos os dias, no Ponte, chega casos de prisão injusta, por e-mail, por facebook, pelas redes sociais, enfim, prisões injustas não são casos isolados, como muitas vezes as autoridades gostam de dizer, tanto a violência policial quanto prisões injustas não são casos velados, pois, as prisões injustas se tornaram um mecanismo de controle social, porque tá enraizado no nosso sistema prisional, que é totalmente precário, superlotado, é um depósito de pessoas, é uma máquina de moer pessoas. As pessoas falam muito da violência policial na rua, mas existe um grande genocídio em curso no sistema prisional brasileiro, porque existe uma ideia, que você vai trancar o sujeito e jogar a chave fora, não se existe a ideia, na prática, que o sistema prisional é para ressocializar, não existe a ideia, o conceito, de que aquele sujeito vai retornar para sociedade, e a pergunta que cabe é a seguinte, que tipo de sujeito, vai ser entregue novamente para a sociedade? No atual sistema prisional que temos no país, que é superlotado, que tem vários dos seus direitos violados, então o cara que está sendo entregue de volta para sociedade, é um cara pior! Nós recebemos casos de prisões injustas diariamente, esses casos acontecem ao monte, e eu tenho uma sensação, que nos últimos anos, principalmente, depois da chegada do Governo Bolsonaro, que tem uma tática, uma lógica de controle social, porque o governo dele trouxe átona, algo que já existia, mas que expos, destacou, autorizou, que essa violência se tornasse legitima, e na minha leitura, percepção, é que temos um agravamento desse controle social, que o racismo acaba por ser fundante. Então, nós como jornalistas, que tem um caso de prisão injusta, o primeiro de tudo é se tomar cuidado, pois o início de uma apuração de prisão injusta, é desconfiar! Não da pessoa ou da história, mas desconfiar porque é uma regrinha boa para qualquer jornalista, repórter bom que se preze. Desconfie sempre! Pronto. Se esse caso chegou por um familiar, você cria um vínculo, uma empatia com essa família, entendendo qual foi a história, tentando quebrar esse ciclo de julgamento. Agora indo para o passo dois, você vai acessar o 73
processo dessa pessoa e entrar em contato com advogado, defensor, e nesse material, procurar encontrar as incongruências. Porque esses casos de injustiça, tem um ponto, que está previsto no nosso código penal, 226, que é o reconhecimento do sujeito e o ponto é, que boa parte dessas prisões injustas tem problema no reconhecimento, vou explicar um pouco sobre como é realizado esse reconhecimento. Primeiro, não pode ser feito o reconhecimento por show up, que é quando se faz o reconhecimento da pessoa por foto, como foi o caso da Babiy, e infelizmente, a Babiy não é a única vítima do show up, pois esse é um reconhecimento muito usado, que resulta em muita injustiça, muitos inocentes presos. Segundo a indução da vítima em reconhecer, porque tem que levar em consideração as memórias falsas, que a vítima está sobre fortes emoções, e aí é mostrado uma única pessoa na delegacia, com alegação de ‘esse é o cara?’ ‘Esse é o bandido’ e a vítima é indagada a dizer que sim ‘foi’... e vários casos que já cobrir, editei, o reconhecimento foi feito assim, sobre indução, que faz com que aconteça mais erros, prisões injustas. Ou seja, a linha não foi respeitada, que é levar a vítima, pedir para ela descrever o suspeito, cor da pele, altura, peso, cabelo, roupa e depois disso, tem que colocar 3 pessoas com características semelhantes, uma ao lado da outra, pra então a vítima, poder fazer o reconhecimento. Só que infelizmente, boa parte dos reconhecimentos são feitos de forma arbitrária, desrespeitando o artigo 226 do Código de Processo Penal (CPP), esse é o primeiro ponto para que aconteça as prisões injustas. A outra questão das prisões injustas, é a própria polícia, que são os flagrantes do tráfico de drogas. O tráfico de drogas é um dos fatores que mais geram prisões injustas, por quê? Como eu costumo dizer, o tráfico de drogas ele é um crime invisível, diferente de um homicídio, que tem a materialidade de um corpo, que tem uma arma, que tem uma série de elementos, que pode-se mandar para uma perícia verificar, já as prisões que acontecem por tráfico de drogas são baseada pelo depoimento de policiais, e ai, entramos em uma série de questões, um debate que é importante e entra em questão a fundada suspeita, que é parte de quando um policial tem que explicar porque abordou um determinado indivíduo e prendeu esse indivíduo por tráfico de drogas, e aí, se configura, ele diz, fundada suspeita. E o que é essa fundada suspeita? É uma favela, exemplo, no caminho da sua casa, que é dentro de uma favela e tem uma boca de fumo e o indivíduo passa por ali, ele não tem nada a ver com a boca de fumo, mas, é visto como fundada suspeita ou, o indivíduo está voltando para casa, com pressa, correndo e o indivíduo é negro e estava correndo com pressa, para pegar o filho e chegar em casa, mas isso colocou em posição de fundada suspeita, em uma atitude suspeita, e isso é muito subjetivo, então as prisões 74
baseada em depoimentos de policiais não pode e não deveria ser somente aceita, porque entra toda a questão de aumento das coisas como são e tem também, o flagrante forjado, que é um debate do próprio policial, que ágil de má fé e tem todo um script pronto para essa criminalização, então esse é um dos pontos que pode-se desconfiar quando pega os documentos para analisar de uma prisão injusta. E por fim, em um processo de apuração, feito esses dois passos, é muito importante que se escute um jurista, um advogado um especialista, que não esteja envolvido com o processo, e que posa te ajudar a entender qual foi o erro que resultou nessa prisão e não esquecendo, como um bom jornalista, ouvir o outro lado, ouvir o delegado, ouvir os policiais que prendeu a pessoa, ouvir o juiz que decretou a prisão, ouvir o Ministério Público e aí, depois desses passos, fecha a reportagem.
Pergunta: Como é o poder colaborar para o encerramento desses casos de injustiça penal? R: Essa parte, essa pergunta, vou te responder um pouco pessimista, porque infelizmente eu acho impossível o trabalho jornalístico encerrar com essas prisões injustas, porque para isso teríamos que refundar a sociedade brasileira. Mas, toda vez, que o nosso trabalho jornalístico contribui para soltar um inocente, promover a verdade, tem que ser comemorado, porque nesse momento vemos que está sendo cumprindo o dever jornalístico. Porque é extremamente gratificante ajudar uma família, uma pessoa que foi vítima de injustiça penal a sair, a provar a inocência.
Pergunta: O que você acha dessas espetacularizações em cima dos casos? R: Bom, temos que dividir em dois pontos, porque existe a publicidade positiva, que ajuda no caso, acompanhar um caso, como um exemplo é o caso da Babiy, que acompanhamos cada audiência, que publicávamos várias matérias, isso pressiona para que haja um resultado favorável, positivo e o outro ponto é a espetacularização, porque tem muito jornalista não periférico, que vai lá na periferia, se aproveita da história, e pronto, ele conseguiu os cliques, a audiência que ele precisava e nunca mais volta, não tem respeito com a história, com a fonte que abriu a casa, abriu a vida, contando sua história, algo que machuca e outro ponto dessas espetacularizações, são os programas sensacionalistas, que pré-julgam, criminalizam e podem sim, contribuir ou cometer injustiças, além que acabam com a reputação de uma pessoa.
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Pergunta: Como é ver essas condenações de inocentes se tornar uma prática comum? R: Vejo com muita preocupação e muita tristeza, e vejo como resultado de toda estrutura de uma sociedade racista, classista. E me dói, vejo com tristeza, porque ninguém é o mesmo depois de passar pela experiência do cárcere, um cárcere provoca marcas profundas em uma pessoa. Primeiro, que mesmo que seja inocente, o rótulo de ex detento não sai e segundo, se torna um cidadão de segunda classe, que pode viver como suspeito para sempre. É uma vida que é destruída, mesmo superando as dificuldades, a marca do cárcere vive para sempre na pele de uma pessoa.
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Transcrição: Wânderson Brandão – Preso injustamente. Realizada presencialmente, dia 30 de agosto de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
COMENTÁRIO DO WÂNDERSON BRANDÃO SOBRE SUA INFÂNCIA “Nasci em Recife, tenho mais 4 irmãos quando chegamos em São Paulo, não tínhamos nada. Meu tio trabalhava vendendo pastéis e acabou por encontrar um amigo dele de Recife, e gostava dele e chamou ele para trabalhar. Quando eu tinha 12 anos, fui trabalhar com ele. Eu via as outras crianças andando de bicicleta, era o meu sonho. Mas a gente não tinha condições. Eu usava roupa ganhada, que vinha remendada. Morava em uma casa de madeira, no fundo do quintal, mas agora estamos bem, conseguimos construir a casa, a loja de rações, alugamos os dois bares. Eu, meu tio e minha mãe cuidamos de tudo. Meu pai mora em Recife, conheci ele com 21 anos, porque minha vó queria me conhecer, mas quando cheguei lá, ela já tinha falecido. Então aproveitei para conhecer ele e o pessoal, fiquei 4 meses e até que eu peguei amizade com ele.”
COMENTÁRIO DO WÂNDERSON BRANDÃO SOBRE O DIA DO CRIME “Eu nunca tive problemas com a justiça. Falaram que eu ia só acompanhar, chegou na delegacia fui colocado para o reconhecimento e as vítimas me reconheceram como o mais violento. Só que eu tinha todas as provas, que sou inocente. As filmagens, que passo na hora em frente, as testemunhas. E na primeira audiência, a de custódia, a juíza não quis ver as provas, disse que era a primeira audiência, então não havia necessidade. Só perguntou se algum policial me bateu, nenhum me bateu, só um me tratou mal. Só que os policiais que foram na audiência não eram os que me prenderam. As vítimas primeiro me reconheceram, depois uma entrou em contradição. Os policiais, um também mentiu, disse que tinha me pego correndo e ele me pegou parado, e ele falava que eu estava até ofegante e suando.”
Pergunta: Como foi a abordagem dos policiais no dia em questão? R: Um chegou calmo e outro já estava irritado. Um inclusive, me conhecia, porque sempre passava em frente da loja de rações e ele depois que fui solto, veio aqui e me disse que sabia que eu seria solto e aí pedi para ele se retirar, ele nem me pediu desculpas. E aí um começou a fazer várias perguntas para o meu amigo, e ele veio da Bahia, não sabe ler e escrever, então já ficou ansioso, nervoso, porque ele não sabe se expressar muito bem. 77
Pergunta: Como você se sentiu quando foi levado preso? R: É humilhante! É pior sensação! Já pensou ser preso por algo que não comete? É banho gelado, não tem privacidade, quando chove alaga, tudo que faz é na frente de outros. É horrível, já é ruim para quem fez algo, imagina para quem não fez.
Pergunta: Como era sua rotina dentro da cadeia? R: A rotina é limpar, acordava as 06 horas da manhã, em dia de visita 04 horas da manhã, banho gelado. Não tem colchão, tem ratos, muitos ratos. A comida é misturada com salitre, são 3 refeições por dia, sem ter horário para a alimentação. Tem dias que não tinha nem comida, diziam que aconteceu alguma coisa com o caminhão. E os próprios presos ajudava, dando um sabonete, mas para me secar, usava minha camiseta mesmo. Não existe higiene. E não tem chuveiro, os próprios presos, fazem um improvisado, colocando um pote de margarina, para não doer tanto quando a água bater no corpo. São muitos homens, dormia sentado. E ao longo de 30 dias, fica sem receber visita, quando entra, não pode receber jumbo e nem visita. Os outros presos me ajudavam, mas os policiais me viam como ladrão. Quase toda semana tem vistoria, e tem que ficar na quadra só de cueca e as mãos na cabeça, olhando para baixo, tudo isso entre 03, 04, 05 horas da madrugada, eu até fiquei doente uma vez, porque peguei cm garoa e machuquei o ombro, precisei de remédio para dormir. E eu chorava todas as noites, esperava o pessoal dormir, porque não pode chorar na frente dos outros. Mas, quando eu vi minha mãe entrando pela primeira vez, eu chorei e perguntei como estava a minha situação. E o cigarro é uma moeda de troca dentro no presídio.
Pergunta: Quando você olha para sua mãe, o que você sente? R: Minha mãe é tudo para mim! Se não fosse ela e meu tio, ainda estria preso. Eles gastaram tudo para me tirar. E depois de tudo que passei, eu parei de confiar nas pessoas, não confio mais, eu queria servir o exército e agora não quero mais, eles levaram uma parte minha, eu não acredito mais que exista pessoas boas. Eu não acredito mais neles.
Pergunta: Você sente medo pela sua família? R: Sinto, porque eu vou entrar com processo contra os policiais, as vítimas e o Estado e me falaram que podem vir atrás de mim, então eu sinto medo.
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Pergunta: Você acredita que a sua classe social teve interferência para você ser preso injustamente? R: Sim! Pensam que quem mora em favela é bandido! E se é rico, paga e está tudo certo. Mata de carro e está tudo certo.
Pergunta: Como foi ver sua mãe entrando no presídio para te visitar? R: Triste e humilhante, porque tem toda a vistoria, é triste demais. É uma humilhação. No primeiro mês, que minha mãe não foi, os presos me ajudaram, fizeram o que os policiais deveriam fazer. Fiz amizade com todos, porque estamos todos no mesmo barco.
Pergunta: Como você viu a tentativa de o Ministério Público recorrer a sua liberdade? R: Eles ainda não recorreram, mas podem. Eu sinto medo de ter que voltar.
Pergunta: Quando você foi levado no camburão, você foi direto para delegacia? R: Não, primeiro fomos em uma depois ficamos rodando, rodando e ai só depois fomos para Sumaré, eu fiquei várias horas no porta-malas, o meu amigo começou a passar mal, pedi para abrirem a porta e um disse, que não, porque não tem que ter boi. E depois o outro abriu, em nenhum momento fiquei algemado. Dentro da delegacia, não me deram nem um copo d’água. E quando entrei, me colocaram para reconhecimento, junto com os outros moleques que eles tinham prendido naquele dia. Um de cada vez e aí, fique preso.
Pergunta: Atualmente como você vê a justiça penal brasileira? R: Eu vejo com muitas falhas, prendem muitas pessoas inocentes e não é todos que tem a sorte, que tive. E eu acho que eles deveriam quem é a pessoa, a índole, coisa que não fizeram comigo. Olhar as provas, não tinha por que eu ficar preso.
Pergunta: Como era sua relação com os outros presos? R: Tinha uns que diziam para eu assumir o crime. E no dia de visita que minha mãe não pode ir, eles me chamavam para ficar juntos.
Pergunta: Como a sociedade te julga depois que você foi preso? R: Meus amigos sabem que eu sou uma pessoa de caráter e não faria isso, então não me julgam e eu não conto para ninguém que fui preso, se alguém pergunta, faço que não sei do que estão falando. 79
Pergunta: Qual a maior diferença que você ver da sua vida antes de ser preso e agora? R: Fui humilhado e isso não deveria ter acontecido comigo. Eu perdi um pouco da minha dignidade, não deveria ter passado por isso. Eu perdi um contrato, que tinha acabado de fechar, para jogar online, ia receber patrocínio, tinha comprado um celular novo, colocado internet boa em casa e eles me tiraram isso. Eu não saio mais sozinho, sempre saio com muitas pessoas e sempre fico em casa ou na rua de casa.
Pergunta: Você acredita que a repercussão midiática ajudou no seu caso? R: Eu acho que sim, ajudou muito, tem muitos presos que ainda irão passar anos lá, graças a Deus, minha mãe conseguiu essa ajuda e eu não esperava menos da minha mãe, é uma pessoa trabalhadora, batalhou muito.
Pergunta: Qual foi sua rotina quando saiu do presídio? R: Eu só ficava em casa. E eu trouxe a rotina de lá, não durmo, vou dormir às 02horas e quando dá 06 horas já acordo. Pensava muito o que tinha acontecido, sai cheio de marcas.
Pergunta: Como foi quando você soube que iria sair? R: No dia eu nem sabia, foi surpresa. O agente foi até a minha cela, falou advogado e depois disse, que eu não iria ver nenhum advogado, que eu iria sair. Voltei para cela, contei para os caras e foi uma festa. Gritavam, comemoram quando alguém vai sair. Tanto que o agente questionou o motivo da festa e eu expliquei que estávamos todos no mesmo barco. Mas eu não pude logo sair, fiquei em uma cela sozinho, durante 05 horas para poder ir embora. E quando sai, a reportagem já estava me esperando do lado de fora, abracei minha mãe e quando cheguei em casa, com uma baita festa, me jogaram ovos e cervejas, quando vi minha vó, chorei.
Pergunta: O que você espera para o futuro? R: Quero voltar para o Recife, quero ir embora de São Paulo, vender tudo e ir embora.
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Transcrição: Luzinete Brandão – Mãe do Wânderson Brandão – Preso injustamente. Realizada presencialmente, dia 30 de agosto de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
Pergunta: Quando você olha para o seu filho, o que você sente? R: Olha, até hoje eu não sei te explicar direito, porque é muito complicado essas coisas, e só Deus e eu sei, o que pastei para tirar ele. Se não fosse o pessoal da Tv que me ajudou, eu dou graças Deus, pelo rapaz da Record que apareceu, porque se não fosse ele, acho que não tinha conseguido até hoje.
Pergunta: Você acreditou desde o primeiro momento que ele era inocente? R: Eu tinha certeza! E até hoje eu tenho certeza! Eu sei que ele nunca mexeu em nada de ninguém, então no caso do Wânderson, é muito difícil. Quando a gente sabe que é vagabundo, tem que aceitar, não que tenha que aceitar, mas temos a certeza de que ele fez e não tem para onde correr, mas no caso dele foi difícil.
Pergunta: Como a senhora se sentiu e se sente por ter visto o seu filho pagar por um crime que não cometeu? R: Uma revolta! E quando eu liguei no CDP para saber se ele já havia dado entrada e quando me atenderam disseram ‘ah! Esse ladrão acabou de dar entrada’ e assim, essas palavras são muitos pesadas! Então você espera 30 dias para poder dar entrada e fazer carteirinha. Desde o primeiro momento fui destratada. Na delegacia, fui destratada. O delegado falou, ‘aqui o que vale é a palavra da vítima e acabou, não precisamos de provas, temos três testemunhas e as três acusam seu filho de ser ladrão e ainda ele é o mais violento’ e essa parte foi a mais difícil, meu filho nunca dirigiu um carro na vida dele! E não é porque não tem, mas o Wânderson não pega nem para dar uma ré, porque ele não sabe dirigir, então essa parte aí, foi muito triste. E ela tinha uma filha de 3,4 anos e essa daí foi a que mais pesou no caso dele, porque a mãe da criança, dizia, tinha certeza que tinha sido o Wânderson e sempre dizia, que o Wânderson tinha pegado a filha dela, jogado a criança no chão e isso foi muito triste. Eu cheguei a ir à rua que o crime aconteceu, levei a foto do meu filho e perguntava: ‘gente, será que vocês podem me ajudar?’, e um sol quente, e as pessoas dizia: ‘mas o que aconteceu?’ ‘gente, é sobre um assalto que teve aqui nessa rua, e esse menino que tá pagando’ e sabe o que aconteceu? Quando foi no dia audiência, ela disse que eu fui à casa dela ameaçar ela e eu nem sabia que ela morava 81
perto do local do crime e no dia que fui lá na rua do crime, eu só queria saber se as pessoas viram o meu filho no dia do crime. Mostrava a foto de Wânderson e aí todos diziam, que ele não estava lá e eu pedia ajuda, dizia que ele já tinha descido para o CDP, mas o pessoal não quis me ajudar. A única pessoa que se propôs a me ajudar, foi uma escola, que tinha logo do lado, só que não pegava as imagens dos meninos que tinham feito esse assalto e eles queriam muito ajudar, eles tinham ajudo em outro mês. Fui à casa de um advogado, porque as câmeras pegavam toda a ação do roubo, mas a esposa dele disse que ia me ajudar e eu estou esperando até hoje, porque eles não quiseram me ajudar. Não quiseram nem sair de dentro da casa. E eu dizia: ‘me ajuda moça, só preciso das imagens das câmeras, para provar que meu filho é inocente, porque enquanto quem fez, continua na rua aprontando, o meu filho tá pagando, lá na cadeia, lá no CDP’ e ela falou, me dá o número do seu telefone, eu vou te ligar’ e até hoje estou esperando! Então todas essas coisas são muito doloridas.
Pergunta: Como é o tratamento quando dos agentes, quando a senhora ia visitar o seu filho no presidio? R: Olha, eu não tenho o que reclamar! Porque assim, eu sabia que ele não tinha culpa, quando eu cheguei a primeira vez, falou assim: ‘coloca a bolsa aqui e passa ali’ ‘vai chorar não né?’ e eu respondi ‘não’ e eu sabia, que ele não ia fazer com que eu chorasse, porque eu sabia que meu era inocente. Só que assim, por mais que todos aqui da rua conheçam o meu filho e saibam que ele é inocente, que me conhecem, ainda sim, tinha uns que falavam: ‘será que ele não estava?’, só quem conhecia ele mesmo, sabia que ele era inocente.
Pergunta: Qual foi o sentimento, quando você passou pelas grades e viu o seu filho? R: Uma revolta muito grande! Mas eu tinha que me manter firme por causado Wânderson. E ele sempre falava assim: ‘mas por que mãe?’ ‘por que mãe estou aqui?’ e eu falava: ‘Wânderson tenha fé em Deus, vai dar tudo certo!’ mas, sabe, lá no fundo parecia que ele estava perdendo a esperança e eu não podia desanimar junto com ele, então, foi daí que eu pensei ‘vou correr atrás de quem pode me ajudar’ e todos me falavam ‘não, isso é muito difícil, você não vai conseguir. Na maioria dos casos é melhor assumir o crime, para pegar uma pena menor’ e hoje o pessoal pergunta, como ele está, e eu digo que meu Wânderson está em casa. Tentavam me induzir para induzir ele, mas em momento nenhum contei para ele e, deixei de canto esse povo negativo. Tinha um rapaz 82
que todos os dias em frente do meu bar, e ele falava assim ‘oi amiga e seu filho?’ ‘tá lá ainda, mas logo ele vai tá aí, com fé em Deus’ e ele falava ‘tomara que você consiga, mas é muito difícil, eu passei por isso e eu não era o culpado e chegou um momento que minha família já tinha gastado todos os recursos, então tive que aceitar um advogado do Estado, que me disse para parar de falar que eu inocente e assumir a culpa. É difícil’ e hoje ele está na rua, mas, com o nome sujo.
Pergunta: A senhora sente medo pelo Wânderson? R: Eu sinto muito medo! Nos primeiros meses que ele estava solto, começou a beber muito e eu dizia, não fica assim não, porque se os caras e pegou bom e já fez tudo isso com você, imagina se eles te pegarem em uma situação dessas. Então eu só quero que ele esteja ciente que a maldade existe e ele não pode vacilar, porque ele sabe pelo o que ele passou e que foi muito complicado, foi difícil, foi muito difícil. Foi Deus que colocou a mão, se não estava preso até hoje.
Pergunta: Como foi o tratamento quando a senhora chegou na delegacia? R: Meu irmão correu, arrumou um advogado, que não conseguiu fazer nada e cobrou um absurdo de honorário. E aí fui atrás das imagens das câmeras, porque precisávamos das provas e depois de toda correria, a juíza na audiência de custódia, não quis olhar as provas. E quando eu vi a foto 157 no computador, eu não conseguia mais dormir, e na delegacia falavam que não tinha mais o que fazer, que as provas não provavam nada. E como não prova? Se o acontecido foram as 16h45, se o Wânderson estava aqui na hora. Como é que isso pode? Como alguém vai estar em dois lugares ao mesmo tempo? Até hoje não entendo isso, mas, me disseram que é assim mesmo que funciona. É o mais incrível de tudo, é que nenhuma dessas três tiveram dúvidas. Todas tinham certeza. Foi ele, ele é o ladrão e pronto. Quando eu cheguei no chiqueirinho, o delegado falou: ‘quer ver ele?’ ‘eu vou deixar você ver ele’ ‘você não vai dar chilique né?’ ‘não, estou tranquila’ e sem acreditar naquela situação. Quando eu cheguei lá, ele estava acocado e o delegado falou assim ‘fica tranquila mãe, fica tranquila’ ‘ as 3, as 3 me conhecem mãe’ e ai botou a mão na cabeça ‘como é que pode?’, naquela hora ali foi o fim, que quando eu sair do lado de fora, continuaram batendo na mesma tecla e o delegado olhou e disse que ele iria ficar, irão resolver a situação dele amanhã, na audiência de custódia. Eu saí tão louca daqui de casa, que quando eu cheguei na barra funda, a audiência já tinha acontecido, e me disseram para voltar, que o Wânderson já estava descendo para o CDP. Não teve acordo, 83
não teve conversa. E daí pra cá, ele passou 3 meses. E eu correndo atrás das provas. Tive que esperar 30 dias para mandar uma roupa para o meu filho; uma cueca; porque ele teve que pagar por tudo, porque quando o cara chega na cadeia, ele tem que ficar 30 dias no castigo e tudo isso aí, ele passou.
Pergunta: Como foi quando a senhora escutou que ele tinha recebido a liberdade? R: Olha da mesma maneira que eu não acreditei que o Wânderson tinha sido preso, até hoje, que ele está aqui do lado de fora, eu não sei nem o que te falar. Para mim, isso foi um pesadelo que passou. E no momento que eu vi ele saindo, não dá nem para acreditar em tudo aquilo, parece que foi uma coisa muito ruim que aconteceu e 3 meses, que pareci uma eternidade, mas foi legal saber, que mesmo que a injustiça do homem seja covarde, o cara lá de cima, a gente ainda pode contar e eu sou uma mulher que tem muita fé. Então isso ninguém vai conseguir tirar de mim, nunca! Mas, eu queria ter a oportunidade de ver essa pessoa que fez isso com ele na minha frente, porque na delegacia eu vi, mas, como não pode chegar perto. Eu só tinha vontade de ver ela na minha frente e pedir para ela, que se uma situação dessas acontecer com ela, prestar muita atenção, porque ela pode colocar outros inocentes na cadeia.
Pergunta: Como a senhora vê a justiça penal brasileira depois de tudo isso? R: Eu não acredito! Eu tenho até medo!
Pergunta: Quando ele saiu do presídio, quais foram as principais mudanças que a senhora percebeu nele? R: Começou a beber desesperado, dormia sentado com o prato. E eu falei ‘o que tá acontecendo com você?’, e ele estava com o olhar vago, acho que ele ficava pensando em tudo que passou lá dentro.
Pergunta: A senhora já consegue dormir normal? R: Quando a gente sabe que não deve, porque assim, eu não tenho muito tempo para dormir, eu trabalho de segunda a segunda, de dia a noite e tem dia, que chego 4 horas da manhã em casa, então assim, já ando praticamente desmaiando. Mas, foi difícil, foi muito difícil.
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Pergunta: A senhora sente algum tipo de discriminação em relação ao seu filho depois do cárcere? R: Sim, muita! Porque por mais que ele foi absolvido, ficam questionando, como que ele foi absolvido se ele não era o culpado. Eu acho que a justiça, tinha que reconhecer o erro que eles cometeram e para poder tudo começar a melhorar. E isso tudo afetou a minha vida. O meu mais novo, que tem 12 anos chorava, não conseguia nem ler as cartas que Wânderson mandava e nas cartas ele sempre falava, que tudo vai ficar bem, que a cadeia não é nem lugar para cachorro e o meu filho começava a chorar e eu tinha medo que ele passasse mal. Só que eu sei, que para o Wânderson, foi bem pior e eu não podia fraquejar, e nem mostrar para o Wânderson, que eu estava abalada. E ainda gastei o que tinha e o que eu não tinha. Agora estou devendo até os cabelos da cabeça, porque todas as quartas, era dia de mandar as coisas, tinha que ir lá no CDP. Todos os finais de semana eu ia visitar, falei para minha filha, que não íamos deixar ele sem visita, chovesse ou fizesse sol.
Pergunta: Como mãe, o que mais dói? R: É saber que eles cometeram essa injustiça com ele. Até hoje dói. Quando eu os vejo na minha frente eu tenho até ódio, eu não gosto. Eu não vejo com bons olhos, porque quando eu os via, pensava que qualquer coisa eles poderiam ajudar, agora eu sei que não. Eu não acredito mais. E para as mães que estão passando por isso, eu digo corram atrás das provas e não abandone.
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Transcrição: Nazaré Sobral – Psicóloga. Realizada presencialmente, dia 04 de setembro de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
Pergunta: Como a prisão muda a personalidade dos detentos? R: Não dá para falar como muda cada um! Só que a prisão muda o indivíduo em todas as características, cada um de uma maneira própria. Tem pessoas que desenvolve muito rápido e tem pessoas que levam um tempo (mudança de personalidade). Tem pessoas que buscam ajuda e tem pessoas que não. Como essas mudanças vem? Ela pode vir com ansiedade, com a depressão, com toque, com diversos problemas, até mesmo, psiquiátricos. Dependendo do grau de como vai mudar a personalidade dessa pessoa, ela pode ter um acompanhamento e buscar seu equilíbrio, ou ter sérios problemas e mudar completamente, sua personalidade, porém, isso não é para todos, só que eu não conheço ninguém, que passou por essa experiência e não desenvolveu algo.
COMENTÁRIO DA PSICÓLOGA SOBRE COMO UMA PESSOA MÁSCARA ESSA DOR “Não direi que é praticamente impossível, mas é surreal, você ser preso injustamente e no futuro você não ter consequências, não ficar com sequelas, a primeira consequência dele, é a capa que ele vestiu. Tem pessoas que seu emocional vem mais fácil, está à flor da pele, tem pessoas, que já vem na sua genética, tem um Q emocional abalado e quando passam por determinadas situações isso vem à tona com mais notoriedade. Já tem pessoas que não, que veste a capa, e a vida que segue em frente. A primeira patologia que ele vai desenvolver, é a camisa de força que ele vestiu, porque quando uma pessoa passa um momento extremamente doloroso, que muda completamente seu social. A família também fica adoecida! Vida se segue em frente, sim! Porque ele já perdeu um todo quando foi preso e se ele não olhar para vida como um todo, permanece preso e com a liberdade.”
Pergunta: Quais são os impactos que gera na família quando vê um parente preso? R: Para a família que ama, sente muito, dói muito! Começando por aquela mãe que não tinha depressão e passa a ter, aquele irmão, que era muito apegado, pode começar a beber e usar drogas, desenvolver todo um novo social, que quem está fora, não entende. Por
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isso, que quando estamos do outro lado, tem que aprender a olhar para a pessoa com um olhar diferenciado. Pergunta: Então a família também pode colocar uma armadura? R: Sim, pode! E é normal, faz parte do ser humano, é a defesa dele. Geralmente, quem mais sofre com isso são as mães, os pais até sofrem, mas por estar hierarquia do pai, de ser o macho alfa, de ser o machão, ele esconde seus sentimentos, que gera resultados, ele não bebia, passa a beber, era uma pessoa dócil, se torna ignorante
Pergunta: A reintegração na sociedade pode ser mais complicada depois de uma sentença longa e injusta? R: Sim! Porque a palavra reintegração, ressocialização é bonito, na teoria funciona, existe, mas na realidade é outra, é complicado, porque não é só a pessoa participar de algumas orientações, de alguns cursinhos, que o próprio governo dá, que vai limpar, tirar, todas as sequelas, apagar o que ele passou. Ele foi só mais um! A pessoa que sai da cadeia, sai sem universo, com a personalidade abalada, porque nem isso buscaram saber, antes de levar preso. O psicológico fica abalado, fica sequelas na pessoa e quem está a sua volta.
COMENTÁRIO DA PSICÓLOGA SOBRE O INJUSTIÇADO QUERER MUDAR DE ESTADO “É uma forma de escape, porque quem tem que mudar é a pessoa e não o lugar! Ele pode mudar, arrumar um novo serviço, quase ninguém lá sabe o que aconteceu e não ser apontado, faz um diferencial, só que o que está dentro dele, vai permanecer para onde ele for! Primeiro é a autoajuda.”
COMENTÁRIO DA PSICÓLOGA SOBRE O INJUSTIÇADO NÃO QUER ACEITAR AJUDA “Ele está doente! Ele não querer aceitar já é uma sequela, que vai trazer consequências, pode não desenvolver agora, mas vai desenvolver depois. Ele tem quantos anos? Essa idade, é uma idade de sonhos, de busca, é para ele estar voando.”
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Pergunta: O tempo de cadeia pode resultar em um aumento da impulsividade e redução de controle de emoção? R: Sim! Porque ele vivenciou um inferno! Onde ele foi marcado e não existe cirurgia para alma, para o corpo tem diversas cirurgias, mas para alma não tem e a nossa alma é aquilo que a gente mais tem de mais sagrado e ela estar conectada direta e indiretamente com a nossa psique. Essa pessoa era um bom cidadão e sair de lá sem ser um bom cidadão, e ser reflexo de tudo o que aconteceu. É comum casos assim, de pessoas que acabam se suicidando, vão para as ruas. O que a vida deu para essas pessoas? Para a sociedade, quando você ganha um rotulo ou você não é compreendido, ninguém vai olhar sua dor e sim, o que você ganhou! É mais fácil você se tornar invisível, de que você ser visto! É muito mais fácil te colocar em uma posição que você fique invisível, do que questionar os porquês de você está vivendo daquele modo ‘a vida é sua, não é minha’ O apoio, o abraço da família é muito importante.
Pergunta: Como uma prisão injusta pode acarretar a personalidade de uma pessoa? R: Vou te falar três. Ele tem a possibilidade de ficar com sequelas, sair, buscar ajuda e seguir em frente, detalhe, seguir em frente, não é esquecer! Segundo, não aceitar ajuda e sempre culpar o que aconteceu. E a terceira, é a pessoa passar a usar medicação. Ter depressão, usar drogas, beber, se suicidar, começar a infringir a lei, desenvolve um problema psiquiátrico e vai passar a usar uma medicação forte e por mais, que os remédios ajudem, uma vez cortado, nunca mais colado.
Pergunta: Qual o papel da família nessas situações? R: O papel da família é fundamental para essa pessoa, que sai, que fica sem chão, sem moral, ele sofreu, porém, a família segura esse peso também, automaticamente, a família fica adoecida e a família também precisa de ajuda. E a família também vai precisar de auxílio para ressocializar.
Pergunta: Deve contar ou esconder de uma criança que a pessoa foi presa? R: Não se deve esconder da criança que o pai, mãe, irmão, foi preso, porque é mais fácil resolver no momento, do que esconder, jogara para debaixo do tapete, não precisa contar começo, meio e fim, mas, mentir não é a solução! Porque a partir do momento, que você decide mentir, o filho, a criança, vai ficar perguntando o tempo inteiro daquela pessoa, vai sentir saudade. Mas a mentira é ruim para a criança, é ruim para escola, é ruim para o 88
social dele, e lá, no futuro, essa sequela vai se mostrar e essa criança que não era agressiva, passa a ser, ela não tinha problema com atenção, passa a ter déficit de atenção, ela não era imperativa, passa a ser, se torna uma pessoa materialista e a família, pode acabar nem associando que foi por conta da prisão, da mentira.
Pergunta: E o irmão mais velho, que tem que carregar o fardo junto com a mãe e guardar o segredo, como ele fica psicologicamente? R: Esse não vestiu a capa, vestiram a capa nele. O psicológico dele fica abalado, porque por ele ser mais velho, a família vê, entende, que ele pode passar por aquilo, que ele vai aguentar, mas, o mais não!
COMENTÁRIO DA PSICÓLOGA SOBRE FALSAS MEMÓRIAS “As falsas memórias contribuem para prisões arbitrárias, pois no calor do momento, não tem como você lembrar com certeza quem foi o indivíduo. E se, a pessoa é preta e pobre, os outros tem maior facilidade em culpar. E para concluir, seu livro trata três histórias, na mídia não vemos com tanta frequência, contudo, esses casos existem de monte, existem ao nosso lado e quem é preto, pobre, periférico tem maiores chances de ser preso injustamente.”
Pergunta: Os homens comentem mais crimes do que as mulheres. Isso tem relação com o homem se sentir socialmente superior a mulher? R: Os números de homens presos são superiores ao das mulheres presas, por conta de uma cultura machista e narcisista de gênero, o homem, se sente o “macho-alfa” pelo pensamento de superioridade social, mesmo que historicamente falando, atualmente ainda é assim. E isso não é exclusivo do Brasil.
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Transcrição: José Beraldo – Advogado criminalista. Realizada presencialmente, dia 09 de setembro de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
Pergunta: Quais são os principais erros que acontecem, que resultam em erros judiciários? R: Investigação péssima no Brasil! No Brasil tudo começa no inquisitório, na polícia civil. Nossa polícia, é polícia judiciária investigativa, por exemplo, existem comarcas, que não tem nem aquele pincel, de pelo de carneiro, para tirar impressão digital e uma única viatura para atender toda região, um único perito criminalista, ou seja, acumula funções, que resultam em perícias malfeitas e as pericias malfeitas, leva aos erros judiciários. Também, tem a falta do reconhecimento formal, é uma investigação meia boca, no onde não se busca saber o que aconteceu, já encaminha para o promotor no fórum, pronto ele ofereceu denúncia, aí o réu é julgado, por algo que não fez, ou fez, mas que aumentaram seu delito e vai mais um para cadeia, resumindo, investigações malfeitas. Você lembra do caso do Nardoni? Que o meu amigo lá o que eu brinco que ele tem olho de vidro, que ele fica bravo promotor de justiça, que fez até uma maquete. Não sei se você lembra o que jogou a criança do sexto andar então aquilo foi a perícia bem-feita, pode ver cortou a renda não fui eu, mas o que eu fizer uma perícia e no tênis dele tem uma marca na cama do tênis dele foi ali que constatou tudo e ele jogou a criança focou em jogar a criança, no lugar que tinha grama, mas ele não jogou do lado tinha cimento, né? E a criança não estava morta, entendeu? Ele jogou porque ele é um pau mandado da mulher tem medo da mulher jogou agora, pai que se preza não jogar uma criança, né? E a prova foi bem-feita, por isso que ele foi condenado. É por isso que eu tenho medo da pena de morte! Apesar que não pode! Tem uma cláusula pétrea, então a perícia tem que ser muito bem-feita, tem que se juntar as provas, para não culminar com o judiciário, que é onde resulta os erros judiciários.
Pergunta: Um caso que tem grande repercussão midiática, tem alguma influência dentro do poder judiciário? R: Eu entendo que tem! O ser humano é falível e como tal e dotado de sentimentos, né? Eu digo por exemplo. Eu vejo assim, pode ser até um desembargador. Mas ele tem mulher tem filho, e um caso que dá muita repercussão, acaba mexendo lá dentro, como se fosse um ‘peso’ maior. Então, eu acredito que tudo que a mídia coloca, a transparência, tem 90
toda aquela publicidade que é torna público um fato. Então a cobrança pela mídia, que dá notoriedade ao caso, o processo se torna mais rápido, pois parece dá-se uma preocupação maior né, então, então a cobrança pela mídia, que dá notoriedade ao caso, o processo se torna mais rápido, pois parece dá-se uma preocupação maior né, então. Eu entendo que tem sim, eu entendo o que eu entendo que há uma. Eu não teria uma influência junto ao tribunal. Desembargadores, mas mexe muito com pessoa. Todo ser humano, né? E quem julga é uma pessoa no ser humano dotado sentimentos, não é uma máquina, computador.
Pergunta: Por que quando o réu prova que não tem envolvimento com o caso e, a vítima o reconhece mesmo assim, as provas físicas não são levadas em consideração? R: Na verdade, costumo dizer assim, os desavisados, os advogados acham que o réu é que tem que provar sua inocência, e o réu não tem que provar sua inocência! Porque o ônus da prova incumbe a quem alega. Então quem que acusou é promotor, o promotor acusou, ele tem que provar que o réu fez o crime, se restar um pouco de dúvida é obrigado a absorver, milita o princípio da dúvida, o in dubio pro réu, pois na dúvida absorve o réu. Então, existe o artigo 226 do Código de Processo Penal, que fala do reconhecimento, tem que colocar duas pessoas iguais ao lado do réu, não pode induzir! Hoje em dia não! A polícia prende o réu, pega uma pessoa qualquer, faz esse reconhecimento, induzindo a vítima que aquele indivíduo é o culpado! E isso acontece muita gente de cor negra, infelizmente, ainda o preconceito milita, então está ali, mostra, induz e a então vítima, reconhece, ‘foi esse mesmo?’ (Delegado), a vítima fala ‘foi’. Aquele reconhecimento está viciado. Porque foi induzida, tem que colocar antes, tem que ter outros elementares, tem que ter o reconhecimento prévio com mais 2 pessoas semelhantes, né? Exame tal então o que está acontecendo é o seguinte os alguns juízes entendem que a palavra da vítima por si, só serve para condenar né? Não, não pode porque só a palavra da vítima não ser ver, porque a vítima no abalo, na emoção, ela pode estar equivocada e reconhecer uma pessoa errada! Eu costumo sempre colocar assim: Mais vale um possível culpado solto, do que um possível inocente preso. Aplico o in dubio pro réu e mesmo porque não a culpa presumida no Direito Civil tem, no Direito Civil, se você pega o carro e ele está escrito, ‘Cuidado escola’ e está saindo criança, tem que andar 20 por hora, a previsão que pode matar alguém ali, se aplicando a teoria da previsibilidade! Muito bem, muito bem, mas no direito penal não pode, porque no direito penal, se aplica teoria da culpa, você não pode, não existe culpa presumida, entendeu então só a palavra da vítima é perigoso! 91
Pergunta: Então podemos dizer que o advogado também peca nesse momento? R: Advogado criminalista, não defende o pecado, ele defende o pecador. Então ele tem que usar todos os recursos, todos os recursos possíveis pedir um reconhecimento pessoal, pedir uma nulidade, pedir uma perícia e, pedir não, requerer! Tem que recorrer, tem que ir tudo o advogado, ele tem que recorrer, ele tem que usar todos os recursos e hoje, nós temos muita tecnologia, então, hoje vale tudo para provar a inocência do réu, vale foto, vídeo. Então tem que usar todos os recursos todos, todos os recursos possíveis necessários, recorrer, produzir provas juntar documentos, perícia. O direito penal não pode operar no campo movediço das dúvidas, se existe dúvida, é porque a prova está malfeita, ela é fraca. Entendeu? Então, a prova tem que ser concreta! Tem que ser firme! Por isso que tem um dispositivo legal do artigo 386 inciso 7 do Código de Processo Penal, fala, quando existir dúvidas o juiz tem que absolver o réu.
Pergunta: Existem estudos em cima das falsas memórias, que comprovam a ineficácia de um possível reconhecimento após um longo período. Com base nestes estudos, por que Justiça continua a usar deste método? R: Porque a Justiça quer usar do reconhecimento, é mais prático. Efetivamente usa, mas a vítima deveria ter certeza, porém, a pessoa passou por um momento trauma, não tem como lembrar com toda certeza, mas o Direito Penal, processo penal, não é como a lógica matemática, entendeu? E você não pode conferir uma prova como milimetricamente, tudo tem que ser mensurado, tem que ter outros elementares, por que o que vale em uma prova? Em uma prova vale o documental, o pericial, e testemunhal, o conjunto probatório tem que ser harmônico, entendeu? Na falta de uma, outra, na falta de outra, outra, entendeu? Então eles usam, os juízes ainda usam para ter uma certeza, por isso tem casos, que a pessoa é culpada, e é absorvida, porque a vítima não tem certeza e se, não tem certeza, o réu tem que ser absorvido.
Pergunta: A pessoa ou o policial que fez o reconhecimento pode ser responsabilizada? R: Não, porque ela não tem dom específico, não cabe naquele crime, que nós chamamos denunciação caluniosa ou imputação falsa de crime, ela foi vítima. Então ela está ali na condição de tipo uma testemunha. Inclusive, ela não está sobre aquele compromisso legal do falso testemunho e pode sim, infelizmente, acontecer equívocos por parte da vítima. O policial sim, porque ele aumenta, erra na condução e para não deixar seu erro aparecer, 92
ele segue mentindo até o final. Alegam coisas maiores, e eles nunca tem uma testemunha civil, uma testemunha comum para comprovar o que o policial está alegando, porque o policial que tenha feito algo errado, tenho cometido um erro, ele vai manter aquele erro dele, para validar o ato errado dele, sob pena de medo, de receber uma penalização.
Pergunta: Qual deveria ser o papel do Estado diante de quem foi vítima de erro penal? R: O papel do Estado ele já está fazendo. O papel do Estado é indenizar moralmente, porque o estado é responsável pelos atos praticados pelos seus agentes. Mas aí eu te pergunto, quanto vale uma vida? Todo tempo que aquela pessoa perdeu? O valor é abissal, é inestimável, e é um absurdo, mas o STJ tem colocado valores, tem uma tabelinha, definindo até 500 salários-mínimos, e isso é um absurdo! Pois infelizmente, temos autoridades frouxas, desembargadores despreparados para ostentar a toga, porque a beca é do advogado, a toga é do magistrado, mas a toga e a beca são irmãs gêmeas e nós, temos que aplicar a justiça de uma forma correta, então por isso, que eu falo sempre, que representa a deusa da justiça, ela está em cima da Alex e a mão direita é uma espada na mão esquerda a balança da Justiça, com a fena nos olhos, porque a justiça não deve olhar quem, tem que ser igual para todos. Mão esquerda, nivelar o desigual, colocar à medida que é igual, está em cima da Alex, quando deparado com a Lei e Justiça, despreze a Lei e aplique Justiça e a espada de erigi para cortar a cabeça da hidra, a hidra é aquela cobra de sete cabeças.
Pergunta: Por que o sistema carcerário brasileiro é tão carente? R: As cadeias se tonaram deposito de seres humanos, e essa carência vem por toda a falta de políticas
Pergunta: Por que é complicado para um indivíduo ser indenizado por um erro do Estado? R: Se ele foi absorvido por falta de provas, o Estado não pode indenizar, ele tem que ser absorvido desde constatado que ele não cometeu o crime, então nesse caso o Estado indeniza. Agora o valor que o Estado vem indenizando é miséria, é um absurdo, porque olhar todo constrangimento, danos morais, e os valores que são pagos, é um absurdo.
Pergunta: Considerando os inúmeros casos de injustiça penal, até onde pode-se dizer que chega à Lei? 93
R: A lei ela tem que buscar a justiça, eu sempre falo que a lei tem que buscar a justiça, e infelizmente nossos juízes, nosso direito pátrio, nossos Juízes são escravagistas, ou seja, ele aplica a lei assim, ó, letra fria da Lei, se é para ser assim, não precisava de juiz, tanto computadores ali. Pode dizer chega então eu percebo que que há muitos juízes que eles aplicam a letra fria da lei, né, mas esquece de toda a dinâmica de toda circunstância de todo o fato. Favela não é sinônimo de violência e criminalidade, tanto que rotularam de comunidade. Mas, exemplo, ela é uma criança, ainda em puberdade, ela não foi embalada, ela não nasceu em uma família que passou todos os valores, viu a fome, faltou educação, veio do útero materno criminosa, ela não é criminosa, mas sua realidade sempre foi extremamente dura e quando ela estiver com entre os 3 e 5 anos, ela vai ver a mãe se prostituindo, o pai preso, só em vive em meio à violência, e eu sempre falo, que quem vive em meio à violência no futuro irá praticá-lo, se não falha a memória, Abraham Lincoln, ex presidente Estados Unidos, disse que o mundo se faz com homens e livros, então eu costumo sempre dizer assim, é preciso analisar cada concreto, cada caso concreto, temos o artigo 59 do Código Penal, e ele é bem claro, que diz que, o Juiz ao sentenciar o réu, deve olhar os antecedentes, as circunstâncias dos fatos, e a personalidade do réu, e essa personalidade do réu é o conjunto de caracteres que norteiam o próprio indivíduo e, infelizmente, também temos o problema das autoridades frouxas e tem que se olhar a lei concreto, você não pode olhar só uma árvore, tem que ler toda uma floresta, tomar um foco do que tá acontecendo, entender o meio onde ele vive, né? O que está acontecendo.
Pergunta: Quais são os procedimentos que deverão ser observados para que uma prisão ocorra de uma forma regular, sem violação dos direitos humanos? R: Basta olhar na Constituição Federal. Mas, como que você quer que um policial militar, que ganha de R$1.800 por mês, que tem o supletivo, ou segundo grau, faz uma academia de Polícia por 3 meses 6 meses, sem ganhar bem, policial militar deveria ter seus direitos assegurados como um desembargador, porque ele é o primeiro que tá ali na ação, protegendo a sociedade, eles tem que respeitar, olhar a constituição. Então os policiais ele tem o procedimento correto com o cidadão, não algemar, pôr o joelho no pescoço, deixar horas dentro de um camburão, deixar horas ajoelhados no sol, fazer o indivíduo passar por constrangimento. Só que o que mais vemos e temos, é policiais desqualificados, despreparados, porque eles não tem preparo psicológico, não tem preparo, e eles, são na maioria dos casos violentos, mas tem que olhar também, que eles 94
passam por uma defasagem, e como digo, os meios fazem a pessoa, faz um homem, ou seja, o sistema, que em si, ensina abordar o sujeito, por exemplo, quantas vezes abordam pessoas, põe no camburão leva para averiguação, e isso, é ilegal, isso é prisão temporária, fere o princípio básico da dignidade da pessoa humana dos direitos humanos que veio do pacto de São José da Costa Rica e a nossa Constituição Federal, tá no artigo 5º em lei cabe todos os incisos, o direito à moradia, privacidade. Bastaria cumprir a Constituição Federal. Mas isso é a Lei Orgânica da Polícia Militar da lei da Polícia Civil administrativamente, eles são punidos quando existem excessos.
Pergunta: A classe social/cor de um indivíduo, o torna mais vulnerável para prisões arbitrárias? R: Sim, há um preconceito, um racismo enraizado na nossa sociedade e infelizmente, é no mundo inteiro. E ainda hoje, a gente vê e infelizmente, que se uma pessoa branca e uma pessoa negra estão andando na rua, os policiais, irão abordar o negro, e vão alegar, que ele teve uma atitude suspeita. o preconceito é muito grande, é uma inversão de valores. Mas isso vem da educação, na verdade, de uma má educação, de uma cultura preconceituosa.
Pergunta: Qual dever do sistema penitenciário com o indivíduo que se encontra preso? R: O dever é preservar a dignidade da pessoa humana, porque a finalidade da pena, é recuperar o indivíduo e devolver ele a sociedade. a finalidade da pena o juiz é muito fácil juiz. Ele está em acastelada com toda a ponta condicionar ele aplica apenas para o réu por um roubo de celular 5 anos e 4 meses eu tenho habilidade é proporcionalidade então a cadeia é para o quê para a ressocializar, recuperar o indivíduo e devolvê-lo a sociedade, mas nós temos o que? Os presos aéreos, os presos que só dorme em rede, dorme no boi, o boi é o banheiro, que é um buraco, uma latrina, 4X4, 20 presos, é uma verdadeira pena de tortura. Ou seja, hoje a pena é cumprida além daquela que é aplicada pelo juiz, entendeu? Ao um constrangimento ilegal. Por isso que eu sempre levantei, defendo, o sistema penal agrícola, onde coloca o preso para trabalhar, cumpre a pena, paga, faz para o Estado, defendo a privatização dos presídios, para de deixar nas mãos do Estado, porque privatizando temos a chance de recuperar o indivíduo. Não estou defendendo o preso, ‘ai coitadinho do preso’, não, não é isso, ele tem que ser recuperado para ser devolvido para sociedade.
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COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE FACÇÕES CRIMINOSAS NA CADEIA “Na época de 90 começou o PCC. Eu falei cuidado, a facção criminosa, que a facção criminosa veio para ajudar os presos, a comunidade, as famílias dos presos, só que hoje a facção criminosa, ela foi para um caminho errado, onde tem o próprio tribunal do crime, eles fazem coisa errada, né? E não era para isso. Entendeu? Não era para o PCC cometer crime, entendeu? Não era, era uma autoproteção deles e hoje quem manda nos presídios são as facções, pois lá dentro carcereiro, delegado não tem poder, é assim, o preso está em uma ala, e tem o raio e a cela 2, cela 1, e assim por diante, e nesse raio quem manda é o chefe do raio. Eles não entram aqui não.”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O QUE OS PRESOS SÃO SUBMETIDOS “Os presos são submetidos a diversas coisas que ferem sua dignidade, só tomam um banho de sol por dia, tratam o preso como uma condição sub-humana, que não recupera ninguém, que a cadeia se tornou uma pena de tortura, são todos misturados, não há uma divisão de presos, e próprio pacote anticrimes que veio, não trouxe nada de bom. E isso, traz a questão da superlotação, cerca de 70% dos presos hoje, poderia ser solto, porque a maior parte desses presos, é por drogas, que não são os verdadeiros traficantes, ou seja, não apresentam riscos para a sociedade, deveria ser dado uma oportunidade. Então hoje que nós precisamos é ressocializar é reformular o sistema carcerário brasileiro.”
Pergunta: o desrespeito com a vida do preso é um descaso do Poder Público ou uma forma de punição ao apenado? R: É um descaso total, uma falta de respeito! Quantas vezes eu vi agente penitenciária jogar esguicho de mangueira, antigamente eles cortavam a careca na marra, a uma discriminação muito grande, tratam como se fossem um dos piores dos insetos, bater nas grades durante a noite, são violentos, agridem, fere a própria essência da pessoa. Se a pessoa está ali, é porque ela tem algum problema, desvio de conduta, não importa, cometeu um crime vai pagar, mas tem que ser curada, tem que ser ressocializada, tem que dar uma oportunidade para ele! O preso vai conseguir um benefício, porque ele tem bom comportamento, costumo dar risada, bom comportamento juiz? Eles são obrigados a terem bom comportamento! O Estado não tem controle nenhum sobre o sistema prisional. E o nosso sistema prisional é falido! E um sistema prisional falido, faz com que aquele 96
que cometeu um crime, ele volte para a sociedade revoltado, marginalizado, e não curado, porque são coisas absurdas que acontecem dentro de um presídio, mas esse descaso todo acontece, porque o presidiário não é tratado com respeito, porque o presidiário tem que ser tratado como ser humano, como uma pessoa que cometeu um delito e diz ‘eu cumpri minha pena, agora eu vou para rua, quero ter a oportunidade de trabalhar, quero ter a oportunidade de estudar’ e quando um parente for visitar, mãe, esposa, sejam respeitadas, porque quando um familiar vai fazer uma visita, passa por todo um constrangimento, em que ficar toda nua, abaixar diversas vezes para ver se não está entrando com nada, um descaso, um desrespeito muito grande, um abuso por parte das autoridades. Então o que nós temos? Que se faça respeitar a dignidade da pessoa humana! Porque isso afronta os direitos humanos, que é algo mundial, é dali que baseia toda Constituição Federal, que são os direitos e garantias fundamentais. Infelizmente na teoria é uma coisa, na prática é totalmente outra!
Pergunta: Pode ser considerado como prova a vítima tem reconhecido o autor do crime por fotos via WhatsApp ou outras redes sociais? R: pode, mais é errado! É duvidoso! Mas hoje tão usando essa tecnologia, os tribunais, juízes estão usando, tanto que hoje muitas audiências acontecem através de vídeo conferência, né? Pode, mas é muito perigoso. Completamente perigoso. Então tudo há uma prova colhida aqui, por exemplo, por meio digital eletrônica, ela tem que ser corroborada, confirmada com outras provas testemunhais, documentais e periciais, senão a meu ver, ela é perigosa! É uma prova pode ensejar o erro judiciário. E mesmo assim, depois tem que ter o reconhecimento em juízo, o reconhecimento na polícia, tem que ser retificado ou ratificado em juízo, retificado é arrumado, ratificado é mantido.
Pergunta: Quais são os meios de reparação para os danos contra a honra de uma pessoa? R: Danos morais, indenização, direito de retratação, direito a imagem, direito de reproduzir outra prova, a pessoa se retratar, se desculpar, de pagar o valor.
Pergunta: Como o senhor vê a Justiça Penal Brasileira? R: A Justiça Penal Brasileira infelizmente, vejo como uma justiça caolha, uma justiça anã, pequena, é uma justiça muito lenta, e uma justiça muito lenta, é uma forma de se fazer injustiça, ela está muito ultrapassada, a parte geral do Código Penal, com algumas reformas que foram feitas em 82, mas nosso Código Penal ainda é de 40. Então acho que 97
a nossa Justiça penal ela tem que ser muito reavaliada, teve um Ministro do Supremo Tribunal Federal, quando ele se aposentou isso faz muitos anos, muitos anos. Se não me falha a memória foi Thompson Flores. Ele falou nossa Justiça estava atrasada mais de 100 anos e isso ele disse há mais de 30 anos atrás. Então, daí percebe-se como ela está atrasada.
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Transcrição: Ana Luiza Villela de Viana Bandeira – Advogada e Coordenadora do Project Innocence Brasil Realizada via plataforma zoom, no dia 11 de setembro de 2020. Ela autoriza o uso da voz e imagem ao final da entrevista verbalmente.
EXPLICAÇÃO DA COORDENADORA SOBRE O PROJECT INNOCENCE BRASIL. O Innocence Project Brasil, começou a atuar aqui no Brasil em dezembro de 2016, e a ideia inicial era trazer o projeto a partir da experiência norte-americana, que surgiu em Nova York, 1992, e aos poucos esse projeto foi se expandindo e hoje em dia ele já integra, o que chamamos de Innocence Networking, que é uma rede internacional de projeto inocência, que somos o 13º país a ter esse projeto, sedo 56 dentro do E.U.A e 13 ao redor do mundo, e a ideia era realmente compartilhar as experiencias desse trabalho pró bônus, que fazemos, que identificamos casos de pessoas inocentes, questão pagando por um crime que não cometeram e procurar provas novas, que são capazes de provar que o sistema cometeu um erro. A nossa ideia de erro judiciário, ao qual a gente trabalha, é que tem que ser uma inocência, não uma inocência de fato ou uma inocência de autoria, isso quer dizer que, a pessoa não cometeu o crime e sim outra pessoa cometeu ou, o crime não existiu, são as duas formas de inocência que a gente trabalha. Não trabalhamos com progressão de regime, não trabalhamos com casos não-criminais, a gente trabalha com essa visão bem estreita do que é inocência. E a ideia do Projeto, tanto nos E.U.A quanto no Brasil, é falar que os erros judiciários são mais comuns do que a gente imagina, acontecem com grande frequência e eles acontecem por falhas no sistema de justiça criminal, e é uma responsabilidade compartilhada, ou seja, é mais do que apontar dedos, e falar que o culpado foi uma pessoa ou outra, queremos levantar as luzes para as falhas do sistema de justiça criminal como um todo, desde os casos que dependem do reconhecimento de pessoas, as falsas memórias, a prova de DNA, que foi para os E.U.A como uma grande prova cabal de inocência, porque isso foi algo construído pelo projeto lá, como uma grande saída para esses casos de condenações injustas e aqui no Brasil, a gente tem trabalhado desde 2016 com uma equipe muito reduzida, sendo 5 pessoas ao total e uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas, em damos aulas sobre erros judiciários, e os alunos ajudam a gente nas investigações dos casos mais avançados. Desde que começamos a atuar aqui no Brasil, conseguimos 4 liberdades, que é um número alto, por sermos um projeto recente aqui no Brasil. Nos E.U.A eles tem casos que duram 99
cerca de 12/15 anos para conseguir provar a inocência de uma pessoa, então, temos essas 4 vitórias, sendo 2 delas em liberdade provisória, que quer dizer, que o Judiciário já mandou soltar mas que existe a probabilidade da pessoa ser culpada e as outros 2 casos, foi constatado que houve equivoco e reconheceu a inocência do cliente. Então trabalhamos com a revisão criminal como instrumento, que é a ferramenta disponível para o advogado quando o caso já acabou! E esse é o nosso principal critério aqui no Brasil, o caso tem que ter sido encerrado, não trabalhamos com prisão provisória, e nem com casos que ainda estão em andamento, ou seja, o caso tem que estar finalizado para começarmos a estudar ele e irmos atrás de provas, uma nova prova e entrar com a revisão criminal. Então vou te falar agora esses dados agora, são até junho de 2020, recebemos 1.508 pedidos de assistência, já recusamos mais de 500 pedidos e estamos atualmente, estudando 16 casos, e 3 desses casos estamos estudando com os alunos da Fundação Getúlio Vargas, que são considerados prioritário. A gente tem alguns casos já judicializados, em fase de produção de provas. Tem casos que a gente precisa começar a produzir antes a prova de entrar com o pedido de revisão criminal. Nós entramos com a ação autônoma, chamada de ação cautelar de produção de provas e ela é preparatória para uma revisão criminal. Então, nosso trabalho envolve tanto essa parte de investigação prévia judicial quanto atuação em juízo, de forma gratuita, voluntária. Então, esses 4 casos são a nossa porta de entrada, de quando as pessoas falam da gente, do Innocence Project Brasil, mas, a nossa rede, da qual participamos, são 592 liberdades até o mês de agosto. Nos E.U.A esses números são bem mais copilados, são mais organizados do que aqui no Brasil. Mas uma das nossas missões como instituição aqui, é poder trabalhar para criar uma estatística de erro judiciário.
Pergunta: O caso do Heberson Lima foi o primeiro de vocês aqui no Brasil? R: Não! O caso do Heberson Lima é anterior a nossa existência aqui no Brasil, ele é um caso da defensoria Pública do Amazonas, mas ele considerado um caso pragmático para quem trabalha no assunto, porque ele foi um caso absurdo, e o que aconteceu com o Heberson dentro do presídio, é a prova do porquê tem que ter muito cuidado com o sistema de justiça criminal, porque é um dano irreparável o que fizeram com ele, mas ele é um exemplo de erro judiciário, assim como os irmãos Naves na década de 30, são um grande exemplo de erro judiciário. Mas a verdade, é que o Brasil não fala se fala muito de erro judiciário, nos E.U.A já se tem uma cultura um pouco maior, mas, no Brasil ainda
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estamos começando, em passos lentos, mas estamos começando, estamos tentando criar aliados para criar esse debate.
Pergunta: Vocês acreditam que a repercussão midiática ajuda para solução dos casos? R: Totalmente! Temos uma parceria muito grande com os jornalistas que cobrem essa pauta de política e justiça e eles, são muito parceiros e respeitosos! A gente começou no mês passado, um quadro no Fantástico, do Projeto Inocência, que vai acompanhar alguns dos nossos casos, mas também fazemos uma avaliação interna, de quais casos podem ser divulgados e quais não podem. Então, só permitimos a divulgação de casos concluídos, as maiores partes do nosso caos acontecem em sigilo, a gente espera até o momento certo para divulgar para mídia, até mesmo para não atrapalhar o caso da pessoa, sendo mal interpretado, pois não queremos que surja algo que prejudique ainda mais o nosso cliente.
Pergunta: A maior porcentagem de injustiçados são pessoas negras? R: Não fazemos esse tipo de auto declaração no preenchimento do nosso questionário. Eu arriscaria dizer que sim, proporcionalmente ao que se encontra no sistema de justiça criminal como um todo, então, é bem provável que exista esse recorte no Brasil, assim como há nos E.U.A. Nos E.U.A temos um recorte, que tá sendo divulgada agora, inclusive, no dia 02 de Outubro é o dia da condenação injusta, então estamos trazendo os dados de fora para falar sobre o problema, e a verdade é que é são 3.5 vezes mais que uma pessoa negra seja condenada injustamente do que uma pessoa branca. Em um caso de homicídio é 7x mais provável que uma pessoa negra seja condenada ao invés de uma pessoa branca. A gente acredita que exista esse recorte no Brasil, mas nós não temos esses dados compilados, para poder te falar com tanta certeza quanto lá nos E.U.A.
Pergunta: Como o projeto vê a Justiça Penal Brasileira? R: Falar das falhas é uma forma de levantar essa responsabilidade compartilhada, porque é um sistema que erra, e erra com frequência e erra sempre com as mesmas pessoas, pois temos uma seletividade penal muito marcante aqui no Brasil, e isso acaba repercutindo na vida das pessoas que são condenadas injustamente, ou não injustamente, porque o sistema penal brasileiro, só olha para determinados tipos penais e determinados grupos de pessoas, então partimos de uma perspectiva de um sistema de justiça extremamente
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falho, defasado e injusto. E através da prova concreta de que o sistema errou, acreditamos que pode ser trazer um debate maior do que precisa ser feito.
COMENTÁRIO DA COORDENADORA SOBRE DADOS “Temos 2 absolvições, 2 liberdades concedidas no curso do processo. Atualmente, temos 2 casos judicializados para produção de provas, 499 casos recusados ou dispensados, 190 casos em análise, 814 questionários na fila de espera e tudo isso soma os nossos 1.508 casos demandados, que as pessoas mandaram para gente, em território brasileiro, não só de SP e esses 499 casos foram recusados porque a maior parte deles não cumpre o critério do trânsito em julgado e a outra parte, é porque não cumprem o nosso outro critério que é a pessoa ter no mínimo 5 anos de pena a ser cumprida, pessoas de regime aberto ou depois da prisão não atuamos, a gente tende a privilegiar pessoas que tem um grande tempo de pena para cumprir, porque vemos que eles precisam mais da nossa assistência, e o restante é porque não são criminais, são civil, trabalhista e até multa de trânsito.”
Pergunta: O que vocês acham que poderia ser feito para diminuir esses casos de erros penais? R: Bom! A reforma do sistema de justiça criminal tem várias possibilidades, podendo começar com o privilégio da polícia investigativa, no sentido de aparatar melhor esses profissionais para fazer uma investigação de qualidade e não só para poderem produzir melhor as provas as quais eles trabalham, mas também para ter recursos disponíveis para se deslocar, coleta de prova biológica, ou seja, acreditamos que investir na perícia técnica no Brasil é uma das formas de evitar que esses erros aconteçam e também, desafogar o sistema de justiça penal brasileiro é uma tarefa essencial, porque os profissionais estão super exauridos e com muito trabalhos para fazer e com isso, eles acabam cometendo mais erros na condução dos processos e algumas reformas do Código de processo penal, sobre algumas provas em especifico, como por exemplo, os erros de reconhecimento que acontecem, porque estamos muito defasados cientificamente sobre o que pode ser feito em relação a preservação da memória da pessoa que foi vítima de um crime.
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Transcrição: Bárbara Querino – Presa Injustamente Realizada presencialmente, dia 12 de setembro de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
COMENTÁRIO DA BÁRBARA SOBRE SUA INFÂNCIA “Eu sou a irmã mais velha dos cinco irmãos homens, então, minha infância sempre foi minha mãe, minha bisa e eu. E eu ajudava a arrumar a casa, a cuidar dos meus irmãos, enquanto minha mãe trabalhava, então, até meus 11/12 anos eu vivia para os meus irmãos, só em casa, até que comecei a fazer vários cursos, a digamos, conhecer um pouco melhor da vida, porque eu fazia cursos, ia sozinha nos lugares, mas mesmo assim, era muito puxado! Porque só era eu e minha mãe, porque minha bisa já era de idade, então ela só ficava em casa, e minha mãe trabalhava em casa de família e trabalhava o dia inteiro e então, acabava, que era sempre eu, a Bárbara, responsável pelos meus irmãos, desde fazer comida, arrumar eles para ir para escola, fazer café da tarde e ajudar nas lições de casa, então, minha infância foi assim, eu passei cuidando dos meus irmãos.”
Pergunta: Seus pais são divorciados? R: Sim, meu pai é da zona leste, moramos um tempo lá.
Pergunta: Como era a relação com sua família antes de tudo e como ficou depois? R: Bom, em 2017, era o ano que eu ainda estava na rua, era bem corrido, minha mãe não morava com a gente, ela morava com o namorado dela, então, era só eu, minha bisa e meus irmãos, só que minha mãe sempre estava em casa, e eu trabalhava, trabalhava registrado na época, e fazia alguns cursos, fazia eventos, e eu quase não ficava em casa, digamos, que só durante a semana, eu ficava em casa, arrumava as coisas, ficava com a minha bisa, com meus irmãos, mas de restante, era sempre trabalhando, dando aula, que eu trabalhava com recreação infantil também na época, então, era sempre dando aula, era sempre com as crianças, então era muito corrido e mesmo corrido, eu conseguia ficar em casa, ajudar a cuidar dos meus irmãos, ajudar minha bisa, porque eu trabalhava para ajudar em casa, e meu irmão, eu lembro que em 2017 todos os meus irmãos estavam na rua, o Wesley estava na rua, o Wesley basicamente, tinha acabado de sair da FEBEM, ele ficou 1 ano e meio na FEBEM e saiu, e foi estudar, mas a gente entende que mesmo depois que sai, tem coisas que ficam nele, só que demoramos para perceber o que iria acontecer, e assim, que eu sai, eu levei um susto, porque todos s meus irmãos estavam 103
enormes, e eu lembro que quando eu fui presa, eram todos menores que eu, e quando eu sai da cadeia, já eram todos maiores, já eram homens, um já trabalhava em uma oficina perto de casa, outros faziam cursos, então eu vi que eles cresceram sem a minha presença ali, alguns se revoltaram muito, o Nicolas, é o terceiro depois de mim dos filhos, e ele foi o que mais ficou revoltado com a minha prisão, e quando eu sair da cadeia, morei um tempo com minha mãe, só que eu percebi que precisava ter o meu canto, e lembro, que ano passado, em novembro, eu me mudei e desde então, estou morando sozinha.
Pergunta: Como foi a reação da sua bisa quando ela soube que você tinha sido presa? R: No dia que foi, que foi em 15 de janeiro de 2018, nesse dia a polícia foi na minha casa, e mandaram eu ir na delegacia assinar uma papelada referente uma audiência, não explicaram exatamente o que era, e só quando eu cheguei na delegacia e soube que eu iria ficar, só que por incrível que pareça, quando eu cheguei na delegacia, já estava minha bisa e minha tia, daí minha bisa perguntou, ‘Mas ela vai ficar? Ela vai para onde? ‘E aí responderam ‘Vai presa! ‘E esse foi o último contato que tive com a minha bisa, que foi no dia que fui presa. Desde então, minha mãe só me falava por cartas, e em dia de visita como ela estava, e sempre me contavam, que ela estava muito triste, que perguntava de mim, que perguntava do meu irmão, tipo ‘ah! Mas e a Bárbara, como ela está? Quando que ela vai sair? ‘, no começo foi bem difícil para minha mãe e para minha bisa, foi algo duro.
Pergunta: Quais eram suas aspirações, sonhos antes de tudo? R: Em 2017, eu prestei o ENEM, para eu poder entrar para faculdade, pois eu queria cursar Jornalismo, eu estava na verdade, entre jornalismo e psicologia, porque eu sou uma pessoa que ama a mente humana, só que daí, eu tinha decidido o jornalismo, porque eu gosto muito dessa área de comunicação, e eu sabia que dentro do jornalismo, eu poderia pegar um pouco das matérias da psicologia, então, eu trabalhava, era uma loucura a minha vida, porque eu vivia fazendo alguns casting, vivia em grupos de cash, para conseguir participar de clipes, trabalhava de hostess em resorts e recreação infantil, então era dessa forma, eu trabalhava e trabalhava muito, e eu estava estudando para entrar na faculdade e eu me lembro, que bem no comecinho de janeiro, antes de tudo acontecer, eu tinha feito a inscrição para poder entrar pelo EDUCAFRO para faculdade de jornalismo, então eu já conseguiria uma bolsa, basicamente, já estava tudo encaminhado para eu entrar na faculdade e eu fui obrigada a parar. 104
Pergunta: Qual a maior mudança que você sentiu depois de tudo? R: Eu acho que a maior mudança para além das coisas aqui fora, foi minha! Porque eu fui presa com 19 anos, então todos os sonhos e todas as coisas que eu tinha planejado naquela época, eu tive que replanejar porque estava tudo encaminhado, e depois que ela sai, eu tive que primeiro encaminhar toda a minha vida e entender qual era o meu real momento, para depois pensar se eu iria fazer faculdade, se eu iria me dedicar a algum outro trabalho, se eu iria ficar na minha mãe ainda, então eu precisei entender esse momento! Eu lembro que bem no finalzinho do ano passado, eu comecei a passar na psicóloga, e eu sempre falava para ela ‘Eu mudei mas eu preciso identificar qual foi essa mudança’...porque parecia que em 2017, eu estava conectada comigo e com tudo que eu queria fazer, e estava tudo fluindo, só que quando eu sair da cadeia, parecia que e tinha me desconectado com tudo, e eu precisa me reconectar de alguma forma, seja pela dança ou por alguma conversa, só que foi um tempo doloroso, bem difícil para poder entender se de fato eu iria conseguir voltar a ser como eu era e eu descobrir que não! Porque as coisas mudaram! Eu mudei! Esse tempo que eu fiquei presa, foi uma nova vida! Tive que readaptar, então, quando eu saio, eu tive que me readaptar ao que eu já vivi aqui fora e as vezes, eu olhava para as coisas e não via sentido, então essa foi a maio mudança, eu nem falo pelas pessoas, foi muito minha, porque eu sair mais receosa, mais fechada. Por mais que eu seja muito comunicativa, só que a Bárbara que eu era, os sonhos que eu tinha, sempre vem me assolar nas madrugadas, tipo, ‘olha o que você perdeu’ ‘e se fosse diferente? ‘‘e se você não tivesse ido presa, será que você estaria no lugar que você está hoje? ‘‘Será que você já não teria terminado a faculdade e encaminhada para outra coisa? ‘Então, são esses pensamentos que ainda me atormentam por conta dessa mudança. Me questiono todos os dias!
Pergunta: Então todos esses questionamentos se tornaram uma revolta? R: Sim! É uma revolta! Dia 13 de maio eu fui absolvida, ganhei meu processo, só que por mais que tenha sido absolvida, eu fiquei revoltada, porque eu tive que ficar presa, eu tive que ser presa, ser sentenciada, cumprir tudo que estipulam, que eu tenho que cumprir um sexto na cadeia, dois terços na verdade, que é um sexto no fechado e um sexto no semiaberto, então eu tive que cumprir tudo isso para depois, assim que eu saio ter uma nova audiência para tentar uma reavaliação de uma prisão totalmente injusta, na qual eu tinha provas que eu não estava e aí, passasse o tempo, quase três anos lutando por uma 105
coisa e batendo de frente por uma coisa que eu não fiz! Então na mesma proporção que eu fiquei feliz, eu fiquei mais revoltada, porque eu não tinha que ter passado por isso. O sistema, eles fazem isso, só que eles não pensam como isso vai afetar a vida de uma pessoa. Eu tinha 19 anos, eu tinha sonhos, eu tinha planos, eu era uma outra Bárbara, e hoje, eu amadureci de uma outra forma, eu me reconheço, mas, às vezes, eu nem me reconheço. Então isso acaba sendo extremamente complexo e se torna uma luta interna.
Pergunta: Por que você acha que suas provas não foram consideradas? R: Bom, eu acho que o norteador de tudo é que a gente vive em uma sociedade que a estrutura é racista, então, a partir do momento que as provas foram apresentadas para o Juiz, ele ignora e só leva em consideração a fala de uma vítima, que não tinha nem como comprovar aquilo e que no processo estava escrachado as divergências que teve, porque em primeira instância, a vítima fala que no dia do assalto em 2017, ela dá o depoimento na delegacia e fala que foram cinco indivíduos homens e que ela não saberia identificar nenhum deles, porque a ação foi muito rápida. Aí, quando meu irmão vai preso a fala muda, porque tem as fotos que foram tiradas no dia que ele foi preso e eu estava com ele, na rua da minha casa, pois na delegacia os policiais tiram as fotos e depois ela muda a fala e diz que tinha uma mulher, e que ela achava que era eu por conta do meu cabelo, então, a partir do momento que o Juiz pega essa fala racista e valida ela, e ignora todas as minhas provas, isso já mostra que essa prisão ela foi em cima de um racismo, essa prisão que foi concretizada porque o Juiz, o judiciário e a vítima são racistas.
Pergunta: Você acha que os antecedentes do seu irmão foram levados em consideração para sua prisão? R: Eu acho que não, porque nessa audiência meu irmão assumiu tudo, mesmo que ele não tenha cometido esse crime, porque esse crime ele não cometeu, ele só assumiu para eu poder ir embora, só que, o juiz utilizou da seguinte fala ‘Ah! São família’, porque foi eu, meu irmão e meu primo, ‘é tudo farinha do mesmo saco’ ‘o irmão está tentando encobertar a irmã e o primo’ então essa foi a fala do juiz. Então ele teve essa fala, ele ignorou meus antecedentes, porque eu não tinha nenhum antecedente criminal, eu trabalhava registrado, estava estudando, tinha tudo que comprovasse, tinha cartas das minhas ex’s chefes comprovando que eu trabalhava registrado, tinha moradia fixa, tinha ensino completo e as outras provas que eu apresentei para mostrar que eu não cometi e nem tinha envolvimento com o crime ou com qualquer tipo de crime. Porque o Judiciário 106
tem muita essa questão, de que se é família, todos são iguais e ninguém é igual! Eu não sou igual a minha mãe, não sou igual ao me irmão, não sou como meu pai! Então para o juiz, eu sou como meu irmão, eu sou bandida como meu irmão! Então, esse foi o critério dele para me sentenciar, uma família preta, periférica e pobre, que tem um irmão criminoso, então todos são criminosos.
Pergunta: Então seu irmão não participou desse crime, mas ele participava de outros? R: Sim, o meu irmão ele já tinha ficado preso 1 ano e meio na FEBEM, ele era de menor, ele tinha cerca de 16 para 17 anos e em 2017 foi quando ele completou 18 anos e é isso, o moleque já tinha ficado preso 1 ano e meio na FEBEM, já tinha visto aquela realidade de lá, e por mais que aqui fora eu, minha mãe e minha bisa falasse ‘Wesley, vai estudar’, é outra visão, é outra perspectiva que os meninos de quebrada vê, porque eles veem que não tem oportunidade, e eles veem que os caras que são do crime tem tudo, tem carro, tem mulher, tem dinheiro, eles querem seguir aquilo porque eles almejam ter essas coisas também, e meu irmão, sim, ele assaltava, meu irmão já cometeu outros crimes porém, esse crime que eu fui presa e ele assumiu, ele não cometeu e tá pagando até hoje por ele. Tem uma coisa que nas quebradas acontece final de ano, final de ano acontecessem vários assaltos, e por exemplo, a polícia prendeu um grupinho ali, então todos os assaltos que aconteceram, vai cair sobre aquele grupinho e mesmo que aquele grupinho não tenha cometido aquele crime, eles induzem a vítima a falar que foi ‘olha aquele ali direito’ ‘olha aquele cabelo’, então é dessa forma que a polícia e o sistema trabalham hoje em dia. Então foi isso que aconteceu, meu irmão foi preso, inclusive nesse dia, 03 de novembro de 2017, esse crime ele nem cometeu, porque nesse dia ele estava na casa do meu primo, que era na mesma rua da minha casa, foi quando os amigos dele chegaram e foi para casa do me primo, desceu e a polícia foi procurando, procurando e achou em uma casa que já tinha outros objetos de furto, então já foram presos tudo ali e a vítima já falou que eram todos que estava ali, já prendeu os meninos e eu fui embora e eu lembro, que no dia estava eu, minha vizinha e minha ex-cunhada, e as três mulheres foram embora, só ficou os homens, meu primo não tinha cometido nada, meu irmão não tinha cometido aquele crime, foi só esses dois amigos que tinham cometido, se é que pode chamar isso de amigos, então, além de cair esse processo para o meu irmão e o que eu fui sentenciada, caiu outros também, alguns que ele tinha cometido, outros não, ao total foram mais de 13 processos, então hoje em dia, meu irmão tem uma cadeia de 17 anos.
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Pergunta: Então seu irmão ainda está preso e você o visita? R: Sim, ele está preso. Não, eu sair e como eu precisava assinar, eu não podia visitar, eu fui absolvida recentemente, em meio a pandemia, então já tinha cancelado visita, já tinha cancelado jumbo. Eu me comunico com ele por carta, porque é assim que eu consigo saber se ele está bem, consigo enviar um jumbo para ele, e eu mando o jumbo pelo nome da minha mãe, porque eu não tenho carteirinha, nunca visitei, e é dessa forma que a gente vai conseguindo dialogar, mandar as coisas e ajudar da melhor forma, e tentar mostrar outra perspectiva de vida.
Pergunta: O que simboliza uma carta lá dentro? R: A carta a gente fala que é uma visita, porque a gente não espera que vá receber uma carta. Eu lembro que minha primeira carta eu recebi, foi assim que eu fui para a primeira audiência e foi uma audiência que foi remarcada e assim que eu chego no raio, em Franco da Rocha, as meninas me falam ‘Bárbara, tem carta para você’, naquela hora parecia que as pessoas que tinham me escrito estavam ali ao meu lado, foi uma carta em conjunto, foram mais de 10 pessoas que escreveram para mim, imprimiram e colocaram os nomes certinho, e desde então, todas as cartas que eu recebia parecia que a pessoa estava lá comigo, me vendo, perguntando como eu estava, a carta é uma vista!
Pergunta: Os agentes em algum momento entram nas celas e rasgam essas cartas? R: Tem as famosas blitzes, a gente nunca sabe quando sabe quando vai ser, eles não avisam, simplesmente entram, e pode ser em qualquer horário, então eles entram fazem toda vasculha e se tem carta lá, eles não estão nem ai e vão rasgando, porque assim, eles vão sempre procurar algo em especifico e se não tem ali, eles destrói a cela, e saem tranquilamente. Lá dentro é o absurdo do absurdo.
Pergunta: No dia que tiraram sua foto na delegacia, como foi a abordagem da polícia? R: Eu lembro que estava na rua da minha casa, eu estava pronta para ir para o cursinho, e eu passei em uma amiga minha que estava grávida na época e tinha passado para deixar algumas coisas para o bebê dela, e logo depois, eu ia encontrar com umas amigas minha para estudar, porque no outro dia era o ENEM e nisso, eu estava esperando dar o horário, então fiquei na rua da minha casa com uma vizinha conversando e quando a polícia desceu, ela nos olhos e ai subiram novamente e depois desceram novamente, quando descem pela terceira vez, eles já falam ‘mão na cabeça, vai pra parede’ e então, a gente 108
vai para a parede, eles nos revistam e perguntam sobre carro, e eu falava ‘mas que carro que é esse?’ ‘Eu não sei, eu ando de ônibus, não sei nem dirigir’ e ai falavam ‘ah! mas é o carro que você estava andando pela quebrada’ e eu ‘não tem carro, ando de ônibus, não sei dirigir’ e nesse dia, me lembro que a policial deu um tapa na cara da minha amiga, minha amiga respondeu e ela deu um tapa na cara da minha amiga, e ai algemaram a gente e nos colocaram no camburão, no chiqueirinho que falam, e dentro disso, começaram a caçar os meninos, até que acharam a casa do meu primo, que ficava na mesma rua que a minha, só um pouco mais para baixo e já acharam meu primo, meu irmão, esses dois amigos do meu irmão e minha ex-cunhada e algemou todos e todos foram para delegacia. Cheguei na delegacia era umas 14horas da tarde e fiquei até 03horas da madrugada, e eu fiquei horas e horas no porta-malas do carro, choveu, anoiteceu e eu estava ainda no porta-malas. Minha família chegou, minha mãe chegou desesperada, porque ela estava trabalhando no dia, minha prima chegou, chegou a família de todos lá e foi um fuzuê, a polícia depois nos chamou para tirar as fotos, então tirar as fotos só dos meninos e depois só das meninas, depois de todos juntos e depois individual. E nessa época eu estava com 19 anos, que pela lei, eles consideram de menor, porque mulher é após os 21. E nisso, eles tiraram fotos, e eu perguntei para policial para que das fotos, e ela me respondeu, que era para ficar no inquérito do dia, e depois que anoiteceu, que choveu, a gente foi para o curo e ficamos aguardando a troca de funcionários, então trocou de funcionários, de delegado, aí dei meu depoimento, minha bisa deu o depoimento e minha ex-cunhada e as três foram liberadas, saímos de lá era 3 horas da manhã e aí cheguei em casa, dormi poucas horas, porque logo cedo eu tinha que levantar para fazer o ENEM, e na mesma semana que essas fotos foram tiradas, que eu perguntei o motivo, elas passam a ser divulgadas em grupos de WhatsApp, em facebook, nas mídias, na televisão, me colocando como bandida, como procurada, e eu me questionava e perguntava para minha mãe e para minha amiga ‘ mas eu estou em casa, como assim estou sendo procurada?’ ‘Lá no meu depoimento tem meu endereço, como estou sendo procurada? ‘
Pergunta: Como você se sentiu depois de ver toda essa exposição indevida? R: Em primeiro momento eu falei ‘vou parar de dançar’, porque eu trabalho com a minha imagem, quem vai querer contratar uma pessoa que está sendo acusada de roubo? Então, eu me lembro que passei um tempo tentando assimilar o que estava acontecendo, e quando passou na televisão, eu fiquei, tipo, mano! Eu entendo que a mídia é 109
sensacionalista, eu entendo que as mídias sempre aumentam as coisas, só que é minha imagem ali, é meu rosto e eu trabalho com meu rosto! E depois de um tempo, eu me lembro que naquela época eu não fui procurar nenhum advogado, porque eu também não tinha condições de pagar um advogado para ver isso, e mesmo que na época ainda não estava alarmante, como eu ia conseguir outros empregos? Então, eu não procurei advogado, continuei trabalhando, realizando meus trabalhos, e depois de tudo isso, os trabalhos de recreação infantil foi o que eu mais fiz, e eu ia, porém, sentia medo que alguma família olhasse e falasse ‘manda ela embora, que eu vi o que ela faz na televisão.
Pergunta: Naquele momento então você percebe que seu futuro estava meio invalidado? R: Sim! Porque por mais que eu entendesse que a mídia é sensacionalista, eu sabia que as pessoas não acreditariam em mim! Porque era meu rosto ali, era sendo colocada como a criminosa, como a bandida! Então, como as pessoas olhariam e falariam ‘não gente, ela não é bandida’.
Pergunta: Como você vê o modo que foi feito seu reconhecimento? R: Tem uma coisa que acontece nas audiências que eles fazem o reconhecimento pessoal, eu tive seis audiências, e a única que eu fui fazer o reconhecimento, foi na última audiência, a vítima já falando que achava que tinha sido eu, e eu nunca nem vi a vítima.
Pergunta: Então, em nenhum momento você teve o reconhecimento feito na delegacia, com mais 2 pessoas? R: Não! Em nenhum momento! Não fui levada a delegacia, eu já fui presa, eu não pude nem falar se cometi o crime ou não, até hoje eu não sei quem é a vítima, e eu me lembro que nessa minha última audiência, que eu fui presa, que eu fui sentenciada, porque eu fui acusada de dois processos, no primeiro eu fui absolvida ainda presa, quando eu fui nessa audiência, ai falaram ‘você vai fazer o reconhecimento’ e eu disse, ‘tá bom’ e como eu sabia que a prática correta, se é uma mulher, vai por outras mulheres parecidas ao meu lado, para ver se de fato, a vítima vai dizer que foi ‘ela’, e não foi isso que aconteceu! Colocaram eu, meu irmão, meu primo e os dois amigos do meu irmão, colocaram apenas as pessoas que estão sendo acusadas por aquele crime, então foi muito para vitima chegar e falar ‘foram eles sim’, eram cinco e entre esses cinco tinha uma mulher, era isso que ela estava alegando e isso tudo foi muito complicado, porque eu fui presa e só quando eu estava presa descobri que estava sendo acusada de dois processos, um eu tinha provas e 110
o outro, eu não tinha provas. Um eu tinha tudo que comprovava que eu não estava no assalto e o outro, era minha palavra contra a palavra da vítima, e eu me lembro, que eu tinha medo de ser sentenciada nesse que eu não tinha provas, porque dificilmente, o juiz vai levar em consideração a palavra do réu, vai pelo que a vítima diz, só que foi ao contrário, a Juíza desse segundo processo, ela foi mais criteriosa, porque a vítima disse, eu acho que foi ela, e a Juíza disse, se você acha que foi ela, não foi ela, porque eu não trabalho com achismo, ai ela me absolveu em novembro de 2018, e eu já estava a quase um ano presa, e fui sentenciada no primeiro que eu tinha provas, olha que contraditório.
Pergunta: Como é a vida no cárcere? E qual foi o pior momento? R: Vou começar pelo pior momento. O pior momento foi quando, porque assim, eu fui para o DP, de lá eu fui para o 89, e passei uma noite lá e de lá eu fui para Franco da Rocha, só que antes de chegar em Franco da Rocha, eu passei por um necrotério para fazer pericia, que tem uma ala lá especifica para fazer pericia, então, de lá eu percebi que as pessoas já começavam a me olhar diferente por eu estar algemada, estava eu e mais uma menina comigo, e os policiais ali e não tinha nenhuma policial mulher, porque eu ia passar por um averiguação do meu corpo, ai como eles teriam que voltar na 89 e pegar uma policial feminina e eles não queriam perder tempo, eles pediram para qualquer mulher que estava ali, entrar na sala e acompanhar e nisso, eu cheguei em Franco da Rocha, a partir do momento que eu botei o pé lá, eu já vi qual era a opressão de estar presa, porque era desce, mão na cabeça, olha para baixo, não olha pro lado, passa na scanner, tira piercing, tira brinco, tira o chinelo, fica descalço, e vai pro curral, e aí chama novamente, vai pagar ‘peladão’, vai pegar roupa de cor caqui, e olha para parede e paga peladão de novo, revista cabelo e olha tatuagem e faz o cadastro, e depois passa a noite no curral até no dia seguinte, você ir para o raio. E o curral é uma sala, que a gente fica aguardando com outras mulheres, na delegacia, é onde você aguarda se vai embora ou não e no presidio, é onde aguarda para o raio, pro pavilhão, então, foi dessa forma e eu me lembro, que no dia seguinte eu peguei tudo que deram, que era um colchão, um colchão tão fino que não tinha nem como se deitar dignamente, um colchão hiper mega fino, um cobertor que soltava muito pelo e era extremamente fina, uma toalha, dois sabonetes, uma pasta de dentes, uma escova de dentes e um saquinho com oito absorventes, daí, fui para um raio, fui paga no raio 4, e assim, que eu chego no raio, eu fico com medo! Porque eu olhei aquele monte de mulheres sentadas do lado de fora e aí imaginei e vi, imaginei aquelas cenas de filmes, nossa será que vão me bater? Será que vão fazer algo comigo? E pelo 111
contrário, eu fui muito bem recebida, e esse foi o maior impacto, foi que caiu a ficha que eu estava presa. Mas aqui fora temos a visão totalmente distorcida do que é o sistema carcerário, justamente porque o governo e a mídia, eles tem um plano, e esse plano é matar e prender pessoas pretas e periféricas, então toda a oportunidade que eles tiverem para dizer que é ruim, irão dizer...e na televisão, a gente escuta que no sistema carcerário tem monstros, que matam, que batem, e quando eu cheguei lá, tive esse receio, eu lembro que eu fui paga no raio 4 cela 9, assim que eu cheguei na frente da cela, eu lembro que eu tinha feito uma amizade com uma menina no curral, e conversamos de ficarmos juntas, já que era a primeira vez que as duas puxavam cadeia, e entramos com muito medo, e estava eu e ela, eu quieta e quando entramos na cela, era horário de almoço, as meninas ajudaram a pegar e guardar nossas coisas, e nos deram prato, colher e copo e começam a conversar e perguntam ‘o que aconteceu?’ ‘Da onde eu sou?’ ‘O meu nome, minha idade’ e ali dentro somos nós’.
Pergunta: E esse apoio entre vocês é o ponto de luz? R: Sim! Tem música que fala sobre família, que família é aquele ajuda o irmão, e bem no comecinho fala, aqui dentro somos uma família, e é real, lá nós éramos a família cela 9, então fazíamos várias brincadeiras, vários jogos, para tentar se distrair e tirar do ser presa, de estar presa, lá tinha dominó, então sempre jogávamos. Ficávamos conversando sobre a vida, imaginando quando sair, então assim, qualquer coisa que ajudasse a diminuir esse peso do que é estar presa, a gente fazia.
Pergunta: Como era as noites na prisão? R: Olha, se os dias eram torturantes, as noites eram piores! Eu tenho insônia hoje, até hoje, por conta do cárcere, então, eram noites sem dormir, porque assim, quando dava 22h da noite, a cadeia em geral tem que fazer silêncio, mas ficar com a luz acesa era opcional, mas na minha cela, todas escolhiam a noite para ficar escrevendo, para escrever para família, para escrever como foi o dia, para escrever como estar o psicológico, e eu não era diferente, eu escrevia a noite, e durante a noite, era quando eu mais pensava na rua, porque era o momento de silêncio, então, eu estava em silêncio mas, a minha mente estava barulhenta, como se eu estivesse tentando sair daquele lugar mentalmente, as noite eram muito dolorosas!
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Pergunta: Com quantas mulheres você dividia a cela? E elas acreditavam na sua inocência? R: Assim que eu cheguei na minha cela tinha 23 mulheres, e tecnicamente, as celas comportam 12 pessoas, porque é onde tem as pedras para gente dormir, e sempre é muito mais do que isso. Quando eu cheguei eu era praiante, praiante é quem dorme no chão, eu dormir no chão durante 2 meses, mas eu conseguia dormir deitada, não tinha essa questão de dormir sentada, e a gente colocava o colchão sempre de frente para grade, que era onde conseguíamos ver o pátio e dava para ver a lua e o céu. E por incrível que pareça, assim que eu cheguei, todas sabiam que eu era inocente! Porque elas sabem, não precisa nem falar, porque o corpo fala, então as meninas sempre falavam ‘meu, você é inocente! O que você está fazendo aqui? ‘Mas assim, elas viam que eu era inocente, só que com o decorrer das minhas audiências, algumas diziam ‘mesmo que você não tenha feito, assume! Para sua pena ser menor’, então tem muito disso, a pessoa não fez, mas assume, para a pena ser menor, para tentar sensibilizar o juiz.
Pergunta: Em algum momento você pensou em assumir a culpa? R: Não! Eu sempre dizia e pensava, o juiz pode me sentenciar há 10 anos, que vou passar esses 10 anos, dizendo que não fui eu!
Pergunta: Pergunta: Como era ver sua mãe entrando para te visitar? R: Era muito difícil! A gente sempre preparava a cela, para visita um dia antes, então a gente sempre fazia faxina na cela, no pátio, eu trocava as cortinas, trocava os lençóis, colocava tudo do bom e do melhor para família, para a visita, e tinha dias que minha mãe não ia, nesses dias, eu ficava acabada! A galera via que eu ficava quieta na minha cama, não queria conversar com ninguém, porque eu ficava me perguntando, o que estava acontecendo aqui na rua? Qual era a situação? Será que ela ainda está conseguindo se sustentar? Porque aqui fora, era eu que ajudava, e na minha primeira visita, eu lembro que ela já entrou chorando e falou ‘não vou te abandonar! Estou aqui’ e naquele momento, eu pensei ‘meu, agora eu vou ter que ser muito atriz, vou ter que por uma máscara, porque minha mãe não pode sentir, o que estou sentindo, porque eu sei como ela via ficar lá fora. Então vou fazer de tudo para ela não sofrer’ ‘mãe podexá, eu tiro de letra, tá tranquilo’. Tudo para ela não ficar preocupada e ela fazia o mesmo comigo ‘ah tá tudo bem lá fora, fica em paz’, mesmo estando um caos aqui fora. A chegada não era tão difícil para mim, mas a ida é muito dolorosa, porque ela vai embora e eu queria ir com ela, e ela queria que 113
eu fosse com ela, a música no fundo do pátio da galera cantando para as famílias poderem se despedir, ai fecha tudo e só Deus sabe quando você vai ver sua família novamente, era muito difícil e no decorrer das visitas, eu fui percebendo, que mesmo eu não falando para minha mãe na real como eu estava, a mãe sente, e minha mãe teve depressão e nessa prisão, ela emagreceu muito, ela mal tinha forças para poder me visitar! E eu sempre falava ‘Mãe se conseguir, não precisa me visitar. Só mandar minhas coisas, fica de boa, fica em casa com os meninos’ e ela sempre me respondia, ‘não consigo, eu preciso vir te ver, ver como você está, ir ver o Wesley, ver se vocês estão bem, estão comendo! ’ Então, era muito difícil! Muito mesmo!
Pergunta: Como era a alimentação dentro do presídio? R: A gente chama de boia, quando não vem estragada, não vem! Eu lembro que em Franco da Rocha e no finalzinho que eu fiquei na PE, eram firmas terceirizadas, eram outras penitenciárias, ou seja, era lá em Campinas, era masculina, então no calor, a comida atravessou SP, então a comida chega estragada, chega com caco de vidro, chega com fezes de rato, barata, eu nunca peguei, mas minhas amigas sim, e eu agradeço muito a Deus, porque se não, eu iria passar muita fome naquela cadeia! Mas era sempre arroz, feijão, quando tinha salada dava uma amenizada, mas não era sempre que vem salada, é raro, fruta era uma vez a cada dois meses, e mistura era salsicha, ovo ou linguiça e essa linguiça era muito estranha! Eu não sei o que tinha ou o que faziam nela, eu só sei que eu não comia, passei a cadeia inteira sem comer a linguiça que davam lá, porque assim, ela tinha uns negócios verde. E mesmo em dias de visitas, eles davam, porque tem pessoas que não recebem visitas, porque assim, lá em Franco da Rocha, a gente recebia a visita, quando a visita ia embora, os portões fechavam, a gente pegava, todas tomavam banho, arrumava a cela, daí todas se sentavam, pegavam o prato e ia servindo da comida para todas da cela, só que as vezes a cela recebia pouca visita então, a gente pegava a comida da cadeia e misturava pra render, para todas terem a mesma quantidade no prato. Só que graças a Deus, a cela que eu fiquei em Franco da Rocha, foi uma cela muito abençoada! A gente sempre tinha visita, a gente sempre conseguia dividir a comida na mesma quantidade, a gente sempre conseguia.
Pergunta: Como era em dia de visita, quando não se recebe uma? R: Tem que sair da cela, tinha um lugar que a gente chamava de parlatório, que era onde ficava as pessoas que não recebiam visitas, então a cela ficava vazia, ficava todas no 114
fundo do pátio, ninguém podia entrar, mas isso era algo que tínhamos entre nós. A gente não entrava para não sujar, para não bagunçar, para visita chegar e está tudo organizado, então, quem não tinha visita, ficava no fundo do pátio ou no parlatório, e quem tinha visita, ficava com ela lá dentro, e as vezes, quem recebia a visita, chamava quem não recebeu para ficar lá dentro da cela.
Pergunta: Como você vê as lágrimas que você derramou? R: Naquela época era tristeza e revolta, hoje em dia, eu ainda continuo com essa mesma ideia, que é uma tristeza e revolta. Eu estava triste por estar presa e fora da minha realidade, só a minha revolta era maior. Eu fiquei presa e foi estalar na minha cabeça que eu pensei ‘meu, vão ter que me segurar quando eu sair’ e não é diferente hoje em dia, mas, foi difícil, porque eu contava os dias e parecia que eles nunca passavam, contava as horas e era sempre a mesma hora, era torturante, era choro de saudade, choro de desespero, choro de questionamento, era choro com alguma resposta do judiciário, era choro com um aguarde de audiência, porque as vezes, a audiência era remarcada.
Pergunta: Quando você saiu do presidio, você notou se trouxe os resquícios dele? Como cronograma. R: Sim! Porque assim a minha última cadeia foi o Butantã, e no Butantã a gente tem que levantar às 07 horas da manhã, para poder pegar, tomar banho, porque quando é 09h30/10h a água acaba e só vai voltar a noite e nesse mesmo esquema, fica por algumas horas e acaba, então eu sair com esse mesmo ritmo, acordava cedo, por exemplo, poderia ir dormir às 04horas da manhã, que acordava às 07horas, então esse ritmo de acordar, tomar café, tomar banho, fiquei com isso por um bom tempo. O barulho também, eu lembro que depois das 22horas da noite, eu lembro que não suportava ouvir barulho, eu me lembro, que quando eu saia com os meus irmãos, eu dizia, ‘fala baixo, que isso? Olha que horas são’, e o cárcere é isso, até hoje em dia, eu não suporto ouvir muito barulho durante a noite, porque quando dava 22horas lá, era silêncio, não tinha mais falação e se tinha era muito baixo, então eu sair muito com isso, e essa questão de alimentação, a Butantã foi a que eu menos me alimentei, e eu sai de lá com esse mesmo ritmo, mas assim, eu sai de lá comendo tudo que eu não comi em 1 ano e 8 meses, comi tanto lanche, parecia que minha fome de lanche nunca acabava, mas eu fiquei um bom tempo, um bom tempo com os resquícios de lá e ainda tenho um pouco.
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Pergunta: Você sente medo por você e por sua família? R: Por mim, não! Agora pela minha família, sim! Mesmo quando eu fui presa, eu disse, não vou abaixar a cabeça! Eu tenho medo pela minha família, porque eu sei que qualquer coisa que eu faça, qualquer pessoa que eu confronte, eles podem chegar na minha família, que é meu ponto fraco. Mas eu lembro, que bem no começo, quando eu sair, quando eu via uma viatura na rua, eu não gostava, eu só ficava em casa e se eu saia, era de um lugar para outro lugar, exemplo, de um evento para minha casa, não perambulava pela rua. E eu me lembro, que na minha primeira semana fora da cadeia, eu participei de uma roda de conversa lá no Islã das Minas, foi a tarde, lá na barra funda, e eu fui tranquila, mas, na hora de voltar, eu vi umas viaturas, eu fiquei meio apreensiva, observadora, foi bem difícil no começo, mas hoje em dia eu vejo e nem ligo mais! E assim, eu já tinha um horário restringido, porque após às 22horas eu não podia estar na rua, que eu saia de RA, então eu assinava carteirinha de 3 em 3 meses, não podia passar das 22h na rua, não podia viajar sem autorização, tinha toda uma restrição, então eu tinha que cumprir esse horário, mas fora esse horário, eu também tinha uma restrição por mim mesma de não querer ficar assim muito visada.
Pergunta: Quando você escutou que estava livre, como foi a sensação? R: Foi no dia 10 de setembro de 2019, inclusive completou um ano, essa quinta que passou, eu estava no término do curso na cadeia, que era o Via Rápida, porque nesse curso a gente fazia pinturas de escola, fizemos esse curso ao longo de 1 mês, e a escola que eu pintava era lá em São Bernardo, com um ônibus que a cadeia disponibilizava lá e voltava com eles, o curso era 2 dias presenciais na unidade, mas eu estava lá no término do curso, eu lembro que eu estava dormindo, porque a professora era super de boa e a gente já tinha feito tudo, estávamos só cumprindo horário, porque não podia liberar mais cedo, até ai tudo bem, não me importei, daqui a pouco, todo mundo ‘olha a requisição, requisição, o alvará’, eu lembro, que na hora eu acordei, e naquele momento, meu coração já sentia a esperança, porque no dia 01 de setembro, meu benefício já podia ser montado, então, eu sabia que depois disso, a qualquer momento eu poderia ir embora, e quem pegou minha requisição foi uma amiga minha, e ela chegou com aquele olhar, e eu já estava chorando na biblioteca, e ela me chamava de Maria e ela chegou ‘Maria?’ ‘Oi Yanca’ ‘Está chorando por que amiga? Lembra que você dizia para mim, para eu trazer seu alvará? ‘E eu ‘lembro’ e ela nesse momento disse ‘Você vai embora! “E aí foi aquele choro na sala, aí eu subir para minha cela, e todas já me aguardando e me ajudando a arrumar minhas 116
coisas para ir embora, foi uma loucura aquele dia. Eu sair, e nem acreditava, é um sentimento muito louco. E naquele dia saíram mais 9 pessoas, comigo somava em 10 de alvará e eu sair sem saber para onde ia, ninguém sabia que eu tinha saído, foi de surpresa, e eu e as meninas que saíram, pegamos uma carona no ônibus e saindo do Butantã, eu peguei um telefone emprestado com um cara em uma barraquinha de açaí, liguei para uma amiga e quando ela atendeu, ela questionou quem era e eu disse, ‘É a Bárbara, tu sai’, ela não acreditou, gritou ‘Mentira, como assim nem avisaram? ’ E eu ‘Nem eu sabia, todas foram pegas de surpresa’ e aí, ela foi me buscar no Butantã e desde então, estou livre!
Pergunta: As mulheres que dividiam a cela com você, como foi a reação delas? R: Eu cheguei no andar e estavam todas do lado de fora, me esperando, quando eu pisei, gritaram ‘você vai embora! ‘Ai começaram a cantar, começaram a gritar, começaram a chorar, é aquele abraço, ‘amiga, eu vou sentir saudades’ ‘amiga, vamos nos ver na rua! ‘e tipo, eu deixei muita coisa lá, levei embora só as minhas cartas, o restante deixei tudo lá, e levei os chinelos, porque existe uma superstição lá, que é, leva o chinelo embora ou você vai voltar! Eu lembro que pegue, me despedir de todas as minhas amigas, e eu tinha uma amiga que o aniversário dela é dia 11 e ela estava com o mesmo prazo que eu para ir embora, e era contagem regressiva, ir eu ou ela embora, e aí ela falava, Bi era como ela me chamava, ‘Bi, amanhã é meu aniversário, não esquece de mim, em’ e eu falava ‘está bom, pode deixar’ e hoje em dia, ela já saiu e tá trabalhando. A gente já se viu!
Pergunta: E tem alguma música quando recebe a liberdade? R: Tem sim, tem uma que é a música de Jacó, que dentro do presidio é adaptada ‘Jacó segurou o anjo, segurou o anjo, e não deixou subir, Jacó segurou o anjo, segurou o anjo, e não deixou subir. E o anjo perguntou, o que queres que eu te faça? Me dá meu alvará para eu sair daqui’ e aí todo mundo canta. É uma celebração muito bonita. E todas falam ‘não volta para esse lugar mais’ vai viver sua vida, vai trabalhar’, é bem assim, é uma família.
Pergunta: Quando está saindo algum agente fala alguma coisa? Solta alguma piada agressiva? R: Com certeza! Eu estava usando tornozeleira, porque eu estava no curso, então precisava usar, então eu precisei ir tirar, daí assim que eu sair, um agente falou ‘olha, vai 117
lá tirar a tornozeleira, se não a diretora vai brigar, é melhor já ir adiantando’, aí eu fui tirar. Estou lá tirando e aí vem a supervisora do dia e pega e fala ‘reeducada, onde você estava? ‘ ai eu falei ‘eu vim tirar a tornozeleira, o doutor Alexandre, mandou eu vir tirar a tornozeleira para já ir adiantando as coisas’ e ela disse ‘Estou te caçando, estou te chamando e nada de você’ ‘eu não ouvir, estava aqui tirando a tornozeleira’ e ai a agente que estava tirando a tornozeleira abaixou a cabeça e disse assim, ‘não responde ela não’, e ai ela respondeu assim, ‘não esquece que você tá saindo de RA, RA volta viu’ e a agente ‘não responde, porque RA é complicado, e ela pode fazer qualquer coisa e você acabar não saindo’, então engoli tudo seco.
Pergunta: Você sofreu algum tipo de agressão verbal ou física por parte dos agentes? R: Física nunca. Verbal foram todos os dias! Todos os dias xingam, e assim, são as palavras mais baixas! Eles só não fazem na frente de muitas pessoas, por medo de revolta. Mas maltratam. E os xingamentos são do tipo, ‘você não é digno’ ‘você não é merecedor’ ‘você não é uma pessoa boa para conviver em sociedade’ ‘se estivesse trabalhando, não fosse vagabundo, não estaria aqui preso’, é desse jeito. Mas tem agentes boas, que dão um tratamento humano e falam que tudo aquilo vai passar, só precisa ter fé. E no Butantã tem funcionários homens, eles não poderiam subir o andar, mas eles sobem. Existem boatos que eles assediam, eu nunca vi, mas rola muitos boatos. O que mais tem na cadeia são boatos.
Pergunta: Como você vê as pessoas que fizeram seu reconhecimento? R: Eu nunca guardei ódio. Eu só fico revoltada. Eu sinto dó dessas pessoas. O fato deles terem falado, que foi eu, por conta do meu cabelo e por ter sido, por conta, do dinheiro e da ganancia, porque eles precisavam de pessoas presas para ter o reembolso do seguro, isso tudo foi minha advogada que me falou, porque assim, as vítimas colocaram coisas absurdas que tinham dentro do carro, do tipo, quatro bolsas dentro do carro, tinha vários celulares, quem anda com tudo isso dentro de um carro? Foi tudo pensado no seguro, eles pensaram no dinheiro deles, e o dinheiro dele, me fez ficar presa 1 ano e 8 meses. Só que eu falo que tenho dó, porque eu saí mais potente! E eles vão ter que me aguentar! Não os conheço, nunca os vi pessoalmente! Mas irão escutar muito falar de mim! Já estão escutando e a única coisa que eu queria, era um pedido de desculpas, não que fosse apagar o que eu passei, só que nem isso eu mereci.
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Pergunta: Você pensa em processar? R: Eu vou processar, não pelo dinheiro, porque isso não vai apagar o tempo que eu fiquei ali, mas é pela minha reparação, a gente está falando de reparação histórica. Eles não dizem, que o sistema judiciário é para ajudar? Então, vamos começar ajudando reconhecer os seus erros, as pessoas que estão julgando as vidas lá dentro! Eu sair da cadeia para botar a boca no mundo.
Pergunta: Como você ver a justiça penal brasileira? R: Por mim explodia tudo! São pessoas de classe média alta, são pessoas brancas, são pessoas que não vem da periferia, não conhecem a realidade periférica, pessoas que nasceram em um berço, que dava acesso a tudo, várias possibilidades de emprego, pessoas mesquinhas, que julgam a vida de pessoas pretas, de pessoas periféricas. Pessoas que não entendem essa outra realidade. Pessoas que estão trabalhando e contribuindo para um genocídio, então, para mim tinha que explodir e fazer tudo novamente, fazer tudo do zero.
Pergunta: Você acredita que a repercussão midiática ajudou no seu caso? R: Sim, eu sair rápido por conta de uma pressão social. Eu vi pessoas que pegou a mesma pena que a minha e ficou vários anos na cadeia. A maneira como meu processo foi rápido, em 1 ano, eu tive seis audiências, e nunca, que em 1 ano tem tudo isso. E essa rapidez, foi por conta de uma pressão social, que foram pessoas, aos jornais online, aos movimentos, algumas matérias independentes, algumas entrevistas comigo enquanto estava encarcerada, foi por conta disso que eu sai, foi por conta disso, que ganhei absolvição, e a absolvição, foi por conta disso, os juízes viram o que aconteceu, as manifestações, as reportagens, as pessoas que bateram de frente. Eles entenderam, se estava acontecendo tudo isso está errado! Ou, fizeram isso, para descartar logo. Eu não duvido de nada.
Pergunta: O que você espera para o futuro? R: Eu vou estudar direito. Só que meu intuito de estudar direito, não é para ser advogada ou juíza, não é para isso. Eu preciso entender essas leis! E pra mim fazer leis contra essas leis, então, hoje em dia eu tenho 22 anos e pode ser, que inicie a faculdade esse ano, ou ano que vem, porque tem muita coisa na minha vida, que preciso estruturar, só que eu vou fazer direito, para entrar com projetos no sistema carcerário, e fazer de fato a ressocialização, levar para as pessoas uma nova perspectiva de vida, levar força para 119
pessoas presas injustamente, você é mais que isso, eu demorei para entender o que e ser mais que um sistema carcerário, mais que uma prisão injusta. Eu tenho muita esperança, precisamos ter esperança, por mais que seja difícil, uma hora você sai. Para mim, foi uma eternidade, mas eu sabia, que uma hora iria acabar, tentava me manter firme, seja em oração, seja em pensamento, seja em alguma escrita, seja na minha dança. Então, digamos, que é isso, ter esperança, porque o sistema carcerário é uma máquina de moer sonhos, de moer esperanças, porque eles podem querer moer tudo, mas não deixe moer, quem é você, seus sonhos, sua essência, sua esperança, isso é o que carregamos até a gente morrer.
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Transcrição: Marcos César Alvarez – Doutor em sociologia. Realizada por ligação de telefone, dia 15 de setembro de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular.
Pergunta: Por que a sociedade não questiona as violações dos direitos fundamentais do preso? R: No Brasil, a questão da punição é difícil de ser trabalhada! Já que existe um grande taxamento/distanciamento entre classes médias, elites, e a prática punitiva, que sempre atingiu mais os setores mais pobres da população, racialmente definidos, tornando tudo mais difícil! Tem também, a construção política, que fazem discursos contrários aos direitos humanos, propagando que ‘bandido bom, é bando morto’ isso são construções que já vem já da tradição democrática, os famosos discursos do populismo penal. Então, por essas questões do populismo penal e por essa seletividade do sistema de justiça e a própria insegurança da vida social, por ser também, uma sociedade violenta, existe uma certa percepção de que respostas autoritárias seriam melhores, e tudo isso, prejudica a defesa dos direitos fundamentais, sobretudo, de pessoas que se encontram presas, condenadas. No Brasil é muito comum a expressão cidadão de bem, que faz parecer que os direitos fundamentais, são apenas para os cidadãos de bem! O que não é o caso! Pois quem cometeu um crime, tem que ser julgado e punido de acordo com a Lei, de acordo com os direitos humanos.
Pergunta: Por que a sociedade acredita e propaga que quem está preso é bandido e merece sofrer todos os desrespeitos? R: São por esses acúmulos de razões, porque temos tradicionalmente, um sistema punitivo, judiciário que é seletivo, que sempre atinge a classe baixa, tem a desigualdade no tratamento em relação a posição social, então, já temos essa tradição, e ainda, temos, desde a transição democrática essas formas de populismo penal, que vão tentar mobilizar contra, como se qualquer ideal de reabilitação não interessasse, então são acúmulos dentro da história da própria justiça criminal do pais, quanto ao uso político dessas ideias do populismo penal, que colocam nessa situação.
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Pergunta: A classe social e a cor de um indivíduo o tornam mais vulnerável para prisões arbitrárias? R: Sem dúvidas! Essa é uma das questões chaves, porque a gente acaba tendo um sistema de Justiça Criminal e Segurança Pública muito enviesado, que tende a criminalizar mais determinados grupos racialmente definidos, que são pretos e pobres, que moram nas periferias das grandes cidades, isso os torna mais vulneráveis a esse tipo de ação, que muitas das vezes são arbitrárias, uma tendência já da cultura enraizada, que considera esses grupos perigosos, e ao mesmo tempo, uma certa blindagem das elites e setores das classes médias, que se sentem, como o direito penal não dissesse, não tenha relação com eles. E na verdade, o direito penal é para todos! Pois, qualquer indivíduo que cometer um crime, vai ser punido, penalizado, em condições que ao menos esperamos que sejam minimamente humanas.
Pergunta: O descaso e o desrespeito com a população carcerária é uma maneira de incutir medo na sociedade? R: Não chega a ser assim, tão direto! Mas sem dúvidas, tem sim, esse aspecto! Porque entende-se que punição tem que ser dura, que um sistema prisional tem que maltratar, e que isso, diminuiria a violência, só que não é esse o caso. temos todo um castigo desumano, que são traços que aparecem muito forte na nossa sociedade, diria, até que é disfuncional, porque isso não contribui nem com a manutenção da ordem social, pois ela é precária, nem ao combate à criminalidade, não produz segurança, mas já está tão enraizada na práticas e nas concepções dos autores, das elites, dos meios de comunicação, que é difícil sair disso, é um ciclo.
COMENTÁRIO DO SOCIÓLOGO SOBRE A ENFATIZAÇÃO DE QUE A SOCIEDADE
ESTÁ
MUITO
PREOCUPADA
EM
PRENDER
E
NÃO
DESCOBRIR O AUTOR “Temos uma sociedade que puni muito, mas, que pune mal! Pois temos um sistema seletivo. Falamos muito dos crimes de corrupção, mas existem uma grande dificuldade em processar e punir os setores mais privilegiados. Então vemos, que a punição é seletiva e o resultado que vemos, é violento, tanto de violência policial, quanto de violência nas prisões e o resultado, de todo esse sistema vicioso, não é o desejado. Pois não temos uma sociedade pacificada, nossas taxas de homicídio são muito altas, insegurança, nesse sentido, vemos o quanto é disfuncional o sistema, ele se mantém pela concepção da 122
ordem, que seria muito perigoso o indivíduo não responder dessa forma, que os indivíduos que se encontram presos não merecem a ressocialização, então dizemos e vemos, que são práticas hierárquicas que vão se construindo de forma desigual.”
COMENTÁRIO
DO
SOCIÓLOGO
SOBRE
OS
PROGRAMAS
SENSACIONALISTAS QUE PROPAGAM QUE BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO “Esses programas são uma questão chave! Eles que propagam essas concepções de populismo penal, com interesses econômicos e políticos, essa é uma grande questão, pois vários partidos políticos se fortaleceram nas últimas décadas, defendendo essas saídas que não satisfatória, não são iguais, que são desumanas.”
Pergunta: Atualmente, o sistema carcerário brasileiro contribui para que os presos se tornem criminosos ao invés de ressocialização? Uma pessoa condenada injustamente, pode ser influenciada por essas condições? R: Sem dúvidas! Temos vários estudos que apontam que a prisão acaba sendo um lugar de reprodução da criminalidade, que ocupam o lugar também, do crime organizado, pois em uma cadeia, não se tem condições para que o indivíduo depois tenha alguma inserção no mercado de trabalho, isso é um dado que tem no Brasil, que os grupos criminosos tem se organizado em torno das prisões, isso também cria espaços arbitrários, porque cria a ideia, que só terei a garantia da minha vida se me juntar à uma facção ou uma igreja evangélica, alguma coisa nesse sentido, então a ressocialização acaba sendo só um ideal mesmo... isso, quando se defende o ideal, porque a tendência é, o indivíduo entrou na prisão, acaba se socializando ao mundo do crime e as dificuldades de sair do mundo do crime, de uma facção é imensa!
Pergunta: Por que o erro penal e as consequências na vida de um indivíduo, que se tornou a vítima não é pautado pela sociedade? R: Temos a história do populismo penal, da salubridade, que para a sociedade é melhor punir mal, mesmo que seja com erro, do que não punir! Quando na verdade, é o inverso, porque se existe alguma dúvida, não se condena, porque um erro em uma condenação, é algo muito grave! Cria injustiça para o indivíduo, para sua família, para a percepção da sociedade. Mas, no Brasil é como se as coisas estivessem de ponta cabeça nessa questão, a ideia é ao contrário, é preciso punir, mesmo que não seja a pessoa certa! Porque sem 123
essa punição, a se a ordem não se mantém, e também, se parece uma sociedade muito insegura, que qualquer tentativa de seguir, de fazer justiça, prece que vai colocar em perigo uma ordem, que na verdade, é precária, porque não tem como acreditar em uma boa ordem social, com essas taxas altas de homicídio, de violência.
Pergunta: Como sociólogo, como o senhor vê essas condenações de inocente se tornar uma prática comum? R: É criado situações de injustiça, não está sendo produzido segurança, pelo contrário, está produzido insegurança, porque cria-se o medo de ser processado mesmo sendo inocente, como casos que passam na mídia, como esse, do jovem negro, que não estava fazendo nada e teve o seu reconhecimento de uma forma discutível, então, um jovem negro e periférico, sabe que pode, que corre o risco de ser pego pela polícia, de ser acusado sem ter feito nada, então todo esse cenário, cria uma insegurança para esses grupos, e do outro lado, uma falsa sensação de segurança, como se isso, estivesse criando, garantindo, algum tipo de segurança, de pacificação, de ordem social.
COMENTÁRIO DO SOCIÓLOGO SOBRE ESSE CICLO QUE SE REPETE VÁRIAS VEZES “Sim! Temos essa espécie de acumulação desse ciclo vicioso, em que vai se acumulando experiências nesse ciclo vicioso, de mortes, de famílias que tem que buscar pela justiça, de injustiça, de impunidade do outro lado, isso sinaliza o desastre político, porque as pessoas claramente, percebem que a ordem social não é justa, não está se fazendo justiça, e por essas razões, e para tentar sair desse ciclo, escolhem os piores candidatos, mas dá para ver que é um ambiente que vai piorando, que a opção política, ao intensificar isso, como governadores do Rio de Janeiro, que diz que tem que atirar na cabeça, e esses políticos são sempre envolvidos em corrupção, vemos que é um ciclo, que uma coisa, atrai a outra.”
COMENTÁRIO DO SOCIÓLOGO SOBRE COMO DESDE O PRINCÍPIO A SOCIEDADE É ENSINADA A PUNIR MAL “Somos socializados na desigualdade, somos ensinados a esperar determinados padrões de determinados grupos, temer a determinados grupos sociais, achar que determinados grupos não vão se envolver de forma alguma no crime, um exemplo disso temos o Cabral, que foi governador do Rio de Janeiro, muitas pessoas questionaram que ele era um 124
cidadão de bem, como se a elite não cometesse crimes, enquanto, suspeitar do indivíduo pobre e negro é fácil, mesmo ele não tendo feito nada, somos ensinados a suspeitar desses grupos e isso já tão enraizado na socialização dos brasileiros, que se torna difícil finalizar, encerrar esse ciclo. Só que por outro lado, qualquer espaço, é espaço de mudança! Podese mudar pela educação, pela mudança das instituições, são múltiplas causas, mas aí, temos que olhar e querer agir, mudando as direções.”
Pergunta: Como sociólogo, como o senhor vê a justiça penal brasileira? R: Ela tem a tradição de hierárquica, tem um tratamento desigual em relação a população, dificuldades de acesso, obviamente, isso não é homogêneo, muitas transformações, avanços ocorreram, mas, infelizmente muitas práticas continuam sendo reproduzidas. Desde a transição democrática, avançamos muito em mecanismos de controle, as novas gerações estão mais sensíveis a isso. Mas, a democracia também, coloca um novo patamar de exigências, porque antes era muito pior, só que agora a exigência é muito maior, que pede um tratamento mais igualitário, que a Justiça seja de alguma forma mais acessível, e o desconforto acontece um pouco por isso, porque as cobranças vão crescendo.
Pergunta: A reintegração na sociedade pode ser mais complicada depois de uma sentença longa e injusta? R: Sim, sem dúvidas! Toda prisão independente de ter cometido o crime ou não, ela não ressocializa, e penas de longa duração, é pior ainda e de injustiça, é pior ainda! Pois tem que agir justamente na direção contrária, menos tempo na prisão, prisões muito longas só em casos extremamente graves, apostar mais na prevenção, sendo o caminho oposto, que muitas vezes no Brasil ganha o referendo eleitoral, que diz que as penas tem que ser mais duras, penas maiores, porque por mais que tenha uma discussão do preso, que não precisa cumprir toda a pena em regime fechado, o sistema é muito perverso, porque as prisões são sempre muito violentas, muito ruins, não dão condições de aprender qualquer trabalho.
Pergunta: Existem estudos em cima das falsas memórias, que comprovam a ineficácia de um possível reconhecimento após um longo período. Com base nestes estudos, por que Justiça continua a usar deste método? R: Porque é uma não prioridade, como se a punição atingisse só o lixo da vida social, só a margem pobre, então para que gastar dinheiro com ela, para que sofisticar, então é mais 125
fácil manter algo rotineiro na atividade policial, que é esse reconhecimento fotográfico e a tendência, de achar que o negro e periférico é o culpado. E o outro lado, é o custo, que implicaria isso, que o Sistema de Justiça Criminal é estruturador da vida social, ele é muito importante, para não se dar importância para ele em todos os aspectos e no Brasil, é quase que o inverso, que isso não valesse a pena, que esse investimento não valesse a pena, então isso acaba sendo tratado com práticas que criam a possibilidade de erro.
Pergunta: Como sociólogo, como o senhor acha que daria para reverter essa situação? R: O decisivo é o aprofundamento democrático, porque diversas situações passaram a aparecer logo com a transição democrática, então sem mais democracia, não tem negociação nenhuma. Primeiro, que a democracia é valor, e não se negocia com valor, se defende o valor. Segundo, melhores mecanismos de gestão, de transparência, de discursão, como hoje, na sociedade civil existem vários grupos que se mobilizam em torno da prisão, bem ou mal, aparece como pauta jornalística, e eu acho, que é necessário insistir nisso, porque a questão da punição, é uma questão fundamental. E sobretudo, não fazer essa divisão, dos investimentos na prisão, porque funciona muito essa divisão do cidadão de bem, ainda mais nesse momento de crise, de pandemia, é o primeiro corte que se faz, que classifica, se para o cidadão de bem já está difícil, sem emprego, por que pensar no bandido? Essa divisão não funciona, porque já está sendo criado essa hierarquia, como se existisse isso, ‘o cidadão de bem’, porque pessoas respeitáveis também irão cometer crimes, que as vezes são piores, porque se rouba milhões do sistema de saúde, vou estar matando milhares de pessoas, o impacto é muito maior, do que um homicídio. Como se apenas o homicídio tivesse que ser combatido, como se aquele criminoso fosse um mostro, que não nasceu de condições sociais, então esse tipo de divisão que é politicamente manipulada, que vão criando essa situação.
COMENTÁRIO DO SOCIÓLOGO SOBRE A POLÍCIA MILITAR “O primeiro contato que a população tem com o sistema de justiça criminal, é a polícia militar, que são a porta de entrada, a maior parte dos indivíduos sabem que se eles são bem tratados ou não, pelo Estado é via ao contato com a Policia Militar, como é feita essa abordagem, como o indivíduo é tratado, por que se é visto com atitudes suspeitas, mas também, do outro lado, no meu ponto de vista, é que a polícia tem muitas dificuldades, é uma instituição com pressões da sociedade, fora todos os conflitos da vida social, então, não se trata simplesmente, acusar os policiais, mas sensibilizar, porque é visível que as 126
coisas não funcionam bem, isso é um dado no mundo, no Brasil, da injustiça criminal, a polícia tem um papel, e a polícia é até bem avaliada pela população, mas esses setores pobres, de características negros e pardos avaliam muito mal, então, essa é a população que não é bem tratada na abordagem, na forma de ser investigado, e se não incluir essa parte da população, caímos mais uma vez no conto do só trabalho para o cidadão de bem e isso não vai funcionar, então, o que falta nas forças policiais é uma sensibilização, de colocar o problema, combater esse problema, tentar parceria com universidades, pesquisas, mas no Brasil, é tudo mais complicado, nem para a pandemia, o Governo Federal não quer promover uma pesquisa e precisamos de mais pesquisas na área de segurança pública.”
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Transcrição: Luiz Flávio Filizzola D’Urso – Advogado criminalista. Realizada por ligação de telefone, dia 06 de outubro de 2020. Para entrevista utilizou-se o gravador do celular. Pergunta: Quais são os principais erros, que resultam em erros judiciários? R: É uma questão muito complexa. Precisamos partir do princípio. A justiça é feita por homens e homens são falíveis, homens tem preconceitos. Homens tem experiências de vida, esses homens, que eu falo, são seres humanos. Então, isso acaba, sem dúvidas nenhuma, em interferir nos julgamentos. Até uma questão bastante discutida, há muito tempo, é a pena de morte aqui no Brasil, justamente, pelo homem ser falho, porque ele traz uma carga, por mais neutro que ele tente ser, ele acaba trazendo uma carga de suas vivencias, que interfere nos autos. Então, dai, a importância da pluralidade de instancias, porque só assim, conseguimos encerrar com o erro. Ai a importância, da primeira instancia, julgado por um juiz; a segunda instancia, julgado por três desembargadores e assim vai, até os tribunais superiores, aí está a importância de mais olhares, para diminuir da ocorrência de um erro judiciário. Então, o problema é próprio ser humano, por ter uma justiça humana. Isso justifica os eventuais erros de boa-fé, não os erros intencionais.
Pergunta: Então, um juiz pode sim, a vir cometer erros, por conta de suas doutrinas? R: Por mais imparcial que o ser humano tente ser, ele traz uma carga. É impossível se desvincular dos seus princípios, então, por mais imparcial que seja, vai ter um atrito com os seus valores. Isso não é tão simples assim.
Pergunta: Por que no Brasil não existe um recorte de pessoas que foram presas injustamente? R: Temos que partir do princípio. Se for uma prisão preventiva, não é visto como injusta, porque é um interesse do processo, e a defesa desse indivíduo, tem que provar a não necessidade dessa prisão, então, vai atrás das provas, porque o processo, busca no final a justiça. Agora, no final, depois de todo processo, e haver uma condenação, um erro judicial, que resulta na prisão injusta. Então, temos questões, que precisariam ser melhores dívidas, para poder existir esse recorte. E aí abrimos um parêntese, sobre condenações de segunda instância, porque o julgamento ainda não acabou, em tese, deveria ser considerado inocente até o trânsito em julgado. Então, prisões injustas é mais difícil falar, porque tem todas as categorias processuais. Mas havendo uma condenação e 128
se ver, quando se entra com uma revisão processual e aí consegue reverter essa pena ou anular ela, então seria muito difícil fazer esse recorte. Isso é muito complexo. Uma prisão preventiva não está em tese prendendo-o, mas, sim é o interesse do processo, porque se ele ficar solto, pode interferir nas investigações, então em tese, não existiria injustiça penal. Mas, agora se tendo a condenação em segunda instância, o indivíduo inicia o cumprimento de uma pena, e após o cumprimento de uma pena, uma pena imposta, vem a ser modificada pelos tribunais superiores. Em tese, é uma injustiça, porque ele ficou preso e não deveria, após verifica-se que ele é inocente, vê que ele não deveria ter ficado um dia se quer preso. Mas, uma pena para um inocente é já simplesmente o processo penal, porque isso é muito grave para uma pessoa, tira a paz dele, tira a tranquilidade. O indivíduo que sofre uma perseguição penal, ele fica realmente fora da sua paz interior, então para o inocente, o processo já é uma pena.
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O VALOR DA PALAVRA DA VÍTIMA “Para embasar a resposta, o advogado começa dando um exemplo de um caso particular, para o entendimento do valor da palavra da vítima. A questão do erro, não está apenas ligado as investigações, às vezes, a vítima pode sim mentir no testemunho, são vários pontos para montar o quebra cabeça, por isso, que os julgadores precisam ter muita responsabilidade para julgar, e se atentar a todos os fatos. O relato da vítima tem um valor enorme!”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O CASO DO WÂNDERSON, QUE FOI SÓ PARA ACOMPANHAR O AMIGO E TERMINOU PRESO “Não há motivos para levar uma outra pessoa por simplesmente por estar junto. Em tese, não tem motivos para ele ir junto ou se ele só foi para acompanhar, ir dentro do camburão. Não existe isso!”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE FALSAS MEMÓRIAS “Tem uma série, que eles fazem um experimento, que colocam um indivíduo para entrar na sala e furtar um objeto e depois que ele sai, entram dentro da sala e pendem para os alunos descreverem a ação e verificou-se que mesmo todos estando no mesmo ambiente, cada um tinha uma percepção diferente, cada aluno viu o suposto criminoso, de forma
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diferente. E isso, pode levar um inocente para a prisão. Por isso, a necessidade da pluralidade de provas.”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O CASO DA BÁRBARA QUERINO E A RELAÇÃO DO IRMÃO DELA JÁ TER SIDO PRESO “A pena não pode extrapolar a pessoa do condenado. Quem sofre a pena é o indivíduo e não os familiares, porque não é justo a uma família ser julgada, pelo crime que um familiar cometeu. Em nenhum lugar do mundo isso não é justo! E por lógica, não é justiça.”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O ESTADO “Os erros já são os próprios excessos. Havendo o erro, deveria de alguma forma ser compensado e o Estado deveria ser a favor desses indivíduos, que passaram por um cárcere injusto, deveriam compensá-los de alguma forma, porque um tempo de vida dele foi roubado.”
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O CASO DO WILSON “Quando se coloca emoção em um caso, acaba por se ter decisões que podem ser injustas, porque quando se coloca a emoção junto com o poder estatal pode atrapalhar o caso.”
Pergunta: Olhando para os casos comentados, até onde podemos dizer que chega à lei? R: Temos leis boas, obviamente, que todo ordenamento jurídico pode ser melhorado continuamente, mas, o Brasil, temos boas leis. Contudo, voltamos para o ponto inicial, quem executa a lei, são homens e isso acaba por envolver inúmeros fatores, que podem em resultar em um não fazer justiça.
COMENTÁRIO DO ADVOGADO SOBRE O ATUAL SISTEMA CARCERÁRIO “Não se tem dedicação e nem interesse em melhorar a situação prisional do sistema carcerário. Não há um interesse social. Não se tem interesse de melhorar as condições de pena. Não há interesse em ressocializar os apenados. Os presos sofrem todos os tipos de mazela nos presídios. Não se há um interesse político e ne financeiro.”
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Pergunta: Por que o sistema penal e carcerário brasileiro é tão carente? R: Porque não existe um interesse político e muito menos orçamentária e um preso, em alguns estados custam entre 2 a 3 mil reais, por preso e temos outros setores que precisam desse dinheiro, e politicamente, se prioriza outras questões que irão trazer resultados positivos, e em a questão do interesse político nas horas das eleições e o candidato se aproveita da cultura do encarceramento para ser eleito. Inclusive, quando um preso sai, as pessoas sempre falam ‘nossa, mas já saiu?’, as pessoas não têm ideia do que é ser preso, do que é um dia no cárcere. Basta um dia preso, para ver como aquele sistema é insalubre, injusto.
Pergunta: O reconhecimento por foto é aceito como prova? R: Se um reconhecimento acontece por foto, é necessário que haja um reconhecimento com outras pessoas, porque foto tem luz, tem filtros. Uma foto não é suficiente para se dizer que a pessoa é a culpada. E temos as questões das falsas memórias.
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Transcrição: Geraldo dos Santos – Historiador. Realizada via plataforma zoom, dia 20 de outubro de 2020. Ele autoriza o uso da voz e imagem ao final da entrevista verbalmente.
Pergunta: Me fala sobre essa construção de práticas punitivas que a gente tem na sociedade e como o todas as pessoas que têm nela aceitam com tanta naturalidade. R: Olha é uma prática desde que o Brasil é Brasil né, e tem sendo. E eu sempre como cabeça de historiador né de professor de história, a gente acaba sempre fazendo esse link com o passado né , o Brasil é um pais relativamente jovem comparado com outros países do mundo, tem 500 anos e assim um poco mais de 500 anos e a gente tem uma pratica que muita gente se assimila ao que é e o que foi praticado a 100 200 anos atrás que é uma pratica de ;perseguição e de punição e determinados grupos, e ai você categoriza alguns grupos alguns grupos de pessoas e alguns extratos sociais, todos vão no mesmo balaio; quem tem responsabilidade quem cometeu algum crime, e quem não cometeu ,ou por morar nos determinados territórios, ou pela cor da pele; por tanto todos daquele grupo acabam sendo responsabilizado da gente pensa que no Brasil colônia é você ter uma situação com os negros com os africanos vindo pra cá e seus descendentes. E ai você terá uma questão muito punitiva né, isso é pena de morte, degredo é, fazer com que a pessoa fosse morar em outros locais; é depois da tem o período do império que ai você tem o crime de vadiagem que começa a ser colocado e depois o Brasil republica isso permanece e sempre permanece com determinados grupos sociais, então assim quem são os pobres os que moram na periferias os negros e então você tem um alvo sempre especifico. E ai você começa a procurar um inimigo incomum, qual é o inimigo da sociedade são esses marginalizados então a nossa sociedade coloca alguns inimigos e esses inimigos precisão ser combatido só que tem um porem nesses inimigos, esses inimigos eles precisão ser criados e você precisa cria uma construções para que eles justifique a prisão deles é e muitas vezes você cria isso a partir de bases não investigativas que não aprofundam o trabalho de pesquisa e investigação da parte da polícia e a partir daí você começa a aprende aleatoriamente você vai prende o cara que é culpado mas as vezes você vai prende o cara parecido com aquele que era culpado teoricamente , você vai prende um moleque lá que era o moleque de da pele mais escura ia e como ele mora na periferia.
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Pergunta: Por que é mais fácil marginalizar esses grupos periféricos e pessoas negras? R: Bom aí novamente a gente vai para o contesto histórico, desde sempre, é desde que o africano chegou aqui. A população negra sempre foi vista como um ser perigoso na sociedade marginalizado considerado inferior e por ele ser considerado inferior é você precisa cria fatos com que você domine esse povo domine essa comunidade esse grupo social ,e uma das formas de dominar esses grupos sociais é prende-los e além de colocar aspectos negativos você coloca características negativas onde ele seria mais propenso a criminalidade por exemplo com estudo da frenologia com estudo higienista do século 20 e ai você fala olha os negros são mais propensos a criminalidade eles são mais propensos a vagabundagem ficam mais propensos a beber ao ócio a então partir daí você cria elementos pra prende esse grupo social. Todo momento que você cerca esse grupo social, você não quer o convívio com esse grupo primeiro você afasta do convivo deles são boa parte das pessoas negras não só aqui em são Paulo mais em boa parte do Brasil moram afastados da elite branca né convencionou-se a chamar-se assim e depois ela é ela não se satisfaz com isso apenas porque ainda continua sendo perigoso porque ele está livre ele pode andar ele pode caminha passa no meu bairro o bairro de bacana e dá de cara com esse elemento como é que eu faço ou eu docilizo através do convencimento de que ele é inferior , ou eu faço ou não juntamente a isso eu prendo ele eu crio prisões crio centros e espaços crio uma legislação especifica não preciso falar é que to prendendo o negro né mais eu preciso colocar leis que levem a prender esses determinados grupos. Tanto é que no Brasil império surgiu a lei da vadiagem então antes disso tinha as alternações Filipinas é o código filipino que é o um código extremamente punitivo; arranca cabeça, mata é manda pra fora do pais era esse Brasil império 1824,1830 alguma coisa assim e assim a sociedade precisava criar normas leis pra justifica a prisão desses seres entre aspas perigosos e ai você cria a lei da vadiagem no Brasil império e depois no Brasil republica a Salem amplia tanto é que no Brasil republica é ele amplia né ele é só pra mendigo morava na rua você amplia pra capoeiristas desempregados então a pessoa na rua e essa lei da vadiagem por incrível que pareça dura até... a alguns anos atrás ela até valia nem sei se vale hoje mais uma lei que o código penal não tinha mexido nela que ela diz que essas pessoas que são encontradas por exemplo sem a carteira de trabalho na rua elas vão ser presas vão passar de 15 dias a um mês presas por que ela não tem como comprova que está trabalhando por que se não está trabalhando esta vagabundando na rua, eu uso até um exemplo do meu falecido pai que ele falava que na época da ditadura ele tinha sido preso uma vez por que ele estava lá em Itaquera andando e ai os caras pararam ele 133
e ele estava sem a carteira de trabalho dele passo uma noite na cadeia e tal é o que ele contava né e assim é o relato de muita gente antiga que passo por alguma situação do tipo e os mendigos. No início do século 20 no final do século 19 no século 20, a capoeira foi muito
marginalizada e quem praticava a capoeira eram os negros por que os
governantes as elites achavam que era uma coisa perigosa é uma forma de luta extremamente perigosa eles podem machucar as pessoas então se a gente achar qualquer capoeiristas em qualquer espaço tem que se prende eles então a pratica da capoeira foi muito descriminada é as pessoas eram pressas por isso, o Candomblé a Umbanda as religiões de matriz afro brasileira também ai não é o caso de prisão especificamente mais era o caso da polícia ir lá e quebra terreiros e afins mais assim você tinha já um processo de denominação dos corpos como o supor diz né do livro dele que eu lembro da questão do vou prende-los pra que eles sejam cercados e ai eles tem o corpo docilizado pra que quando ele volta pra que quando eles voltem pra sociedade eles não pratiquem mais isso ele seja submisso ele obedeça, então a partir daí você tem uma perseguição constante a população pobre e sobre tudo em boa parte de quem são pobres são os negros não que os brancos pobres também não eram preços eram também mais é que os negros pela cor da pele eles sempre foram mais categorizados, e pensa que no início do século 20 a gente tinha as ideias de superioridade racial crescentes no Brasil então considerava-se o negro inferior, pior, incapaz ,mais propenso a criminalidade então você via o negro como potencial inimigo perigoso assustador. E hoje se vê isso só que hoje é vergonhoso fala as vezes as pessoas inconscientemente tem essa mentalidade que história da mentalidade demora um pouco pra passa acho que as mudanças estruturais tem mais passam mais talvez mais rápido mais a mentalidade racista no início do século 20 ainda permanece então a gente tem ainda hoje uma visão que as pessoas falam se você pergunta pra qualquer pessoa , ela vai falar não existe isso ; mas se você mora num bairro pobre, ou se você é negro; ainda existe da parte da história das mentalidades essa ideia de que o negro é perigoso, de o quem mora na cidade Tiradentes, quem mora nos estreitos da periferia são pessoas perigosas são pessoas que a gente tem que tomar cuidado, e ai você cria todo um sistema penal pra que essas pessoas entre aspas entre na linha e não é à toa que na ditadura você tinha grupos de extermínios nas periferias nos bairros mais pobres que ai eram policiais que fora do horário de serviço jornalista faziam perseguições a quem eles achavam que era criminosos e exterminavam mesmo, São Paulo e Rio de janeiro. Até um jornalista lanço um livro agora que está sendo publicado, exatamente sobre esses grupos de extermínio e o que tem ave com as milícias hoje em dia, mas você tem bastante isso. 134
E aí você no Brasil você não tem uma legislação que fale olha prenda tal grupo social porque isso não cabe num país ocidental, que tenha o mínimo de civilidade. Mas você coloca outros condicionantes então por exemplo quando a gente fala da guerra drogas você fala vou prender os traficantes. A guerra as drogas são benéficas para quem ela já prova que não dá certo, ela prende muito mais as pessoas negras a gente fala aí, mas ele estava traficando as vezes não. A guerra as drogas é uma guerra que diz que as pessoas é que determinados grupos, eu voo prende esses determinados grupos porque ele tá envolvido com a compra e venda de drogas principalmente venda né, bom quem é esse grupo que vai tá vendendo drogas ? é o grupo que mora geralmente nessa guerra as drogas se mostra falha ela só serve pra mata e pra persegui ,e além do mais quando a gente pensa no sistema prisional você tem quase 40 por cento e um pouquinho mais de pessoas que foram presas só que elas estão ainda ou em prisão preventiva ou ainda não foram ao julgamento delas nem responde em liberdades elas respondem fala a mas prisão tem que prende o cara que mato que estupro. No Brasil nem é investigado direito a questão de assassinato, homicídio pouquíssimas pessoas são presas por homicídio no Brasil a maioria é por tráfico , então assim e esse trafico é um trafico que criminaliza determinado grupo social por que você prende pessoas especificas, então tem até estudiosos Ângela Devis eu não vou lembra de outros, que eles usam que a prisão é um sistema pra prende pessoas negras pobres e negras ela foi construída e a forma que foi organizada nos Estados Unidos no Brasil e em outros países é apenas pra trancafia os corpos negros por que como é eu você justifica continuar com a política de confronto ao tráfico e você confronta a prende outros traficantes prende as drogas, mais daqui a um mês tá lá de novo ,o negócio tá funcionando de novo e vai continua invés de você fazer outro debate. Então se diz que essa guerra drogas também é uma guerra contra uma população que tá a mercê , ninguém tá falando que eles são inocentes ,o debate não é esse ; a gente dizendo que essa guerra as drogas essa defesa de combate as drogas e não descriminaliza ou de não abri esse debate. Até hoje então se diz que o sistema penal brasileiro estadunidense dele é construído pra prende os próprios negros, e ai a gente analisando a história desde o período do império colonial passando pro império republica a gente confirma isso porque o negro sempre foi visto como perigoso quem mora longe quem é afastado quem não é da mesma classe social da minha, é considerado perigoso, é considerado um ser que eu tenho que tomar todo cuidado e se for o caso eu prendo esse ser pra que ele ou tente se regenerar ou tente melhorar ou que ele se acalme e obedeça as ordens porque se não for assim, se antes eles prendiam quando terminaram o quilombo dos palmares ou 135
colocavam ou a guerra de canudos e mostrava a cabeça das pessoas pra dizer olha aqui o se vocês fizerem se rebelaram ou contra a escravidão ou contra o sistema , olha o que vocês vão ter; porque eles pendurava em praça pública, agora não a prisão de uma certa forma é utilizada pra isso, a matança dos policias é utilizada pra isso, né e ai utiliza o que olha com bandido não tem vez a gente mete bala ; mais não é melhor você passar por todo um possesso legal prende, julga né do que você mata ,i ai a nossa sociedade se fala nossa é uma sociedade que pensa por que a gente acaba usado é uma ideia clara de Mark né , pode descorda, pode dizer mais tem coisas que ele diz e que ele explica muito bem o capitalismo , que a ideia dominante na sociedade é a ideia da classe dominante, então a ideia da classe dominante é uma ideia que é princípio da sociedade então se classe dominante diz , essas pessoas perigosas vamos mata ,bandido bom é bandido morto, eu vou defender isso. Por que se cria todo um argumento uma justificativa pra isso por que bandido bom é bandido morto? mais que bandido, que tipo de bandido, bandido que faz negociata no meio político; ou bandido que assalta que rouba um carro, ou que assalta determinada pessoa ou trafico determinada coisa. A gente sabe exatamente que tipo de bandido bom é bandido morto a elite brasileira defende, e infelizmente essa ideia é passada por toda sociedade é fato a sociedade tem medo eu moro na periferia é um lugar que se eu anda de noite eu posso ser assaltado , tem assalto de manhã tem assalto 5 anos atrás na entrada da minha casa nem sabe que tem essa questão da violência , não é desconsiderado o que as pessoas falam, mais é tenta intende os causadores disso que levam as pessoas a compreender essa realidade por que eu só preciso compreender que bandido bom é bandido morto . Beleza eu mato um; por que se a sociedade continua do mesmo jeito vão aparecer outros como continua aparecendo, tanto é que os índices de pessoas pressas aumento gigante nos últimos 20 anos, desde a lei da nova lei lá da prisão em flagrante do traficante e tal é só que agora a maior parte dos presos são presos por tráfico e muitos desses ainda nem foram julgados tão lá passando muito tempo sem o julgamento devido. Então todo sistema brasileiro ele mostra que quem é punido são geralmente as pessoas negras e pobres.
Pergunta: O atual sistema carcerário brasileiro são resquícios do passado? R: Totalmente, totalmente ele é o resquício do Brasil que sempre existiu um Brasil extremamente desigual um Brasil que prende, mas não está preocupado de fato com ressocialização. Por que assim, é o que você falo prendeu coloco na sociedade mais eu coloco em quais condições eu to preocupado com ressocialização dessa pessoa, não to 136
preocupado, eu to preocupado apenas em prende ele tira ele de circulação , e se ele fizer se ele manda na minha ele vai volta a ser preso de novo então assim é uma sociedade que não se preocupa , então ai é um problema muito grave , por que as pessoas defende que a prisão ; a deixa esse povo morre , deixa acaba lá. Só que as pessoas não percebem que estão presas ou que vão ser presas, todo santo dia elas são recrutadas lá dentro, porque o poder público não dá conta lá dentro, o poder público abandona nas piores condições abandona a família desses presos, sempre foram abandonadas e continuam. Quem assume o lugar que o estado não assumiria? não assume não está? é o tráfico por exemplo em São Paulo organização criminosas que existe no Rio de janeiro as organizações criminosas que chega lá e fala opa quer fazer parte do meu grupo então assim vou ajudar sua família e ai quando você volta pra rua você vai fazer determinadas atividades pra mim, então a sociedade não percebe que se vira as costas pra essas pessoas se o estado vira se a sociedade em geral vira as costas pra eles e deixa eles nessas condições, outros vão ocupar aquele espaço que a organização criminosa aqui de São Paulo ocupa esse espaço muito bem o organiza a vida lá dentro começa consegue se organiza aqui fora também . E é isso e dentro dessa perspectiva as prisões sempre foram espaços extremamente insalubres geralmente e ai você tem a prisão de quem tem ensino superior isso já é uma divisão de classe também né ensino superior ou não e nos últimos 30, 40 anos essa questão da prisão e essa questão da super lotação ela se torno um agravante ela chega num nível em que as pessoas acham que aquilo tem que ser assim mesmo, a gente paga nossos impostos pra sustenta esses vagabundos meu tem que manda fazer não sei o que , mata é melhor ,então gente a gente tem uma questão social muito forte dos últimos anos que as pessoas acreditam de fato que manter o preso lá em condição péssima, ele mereceu ele merece; não ele merece paga o que ele fez mas em condições dignas em que aquilo que ele saia dali uma pessoa melhor , uma pessoa que não pense em continua fazendo o que ele faz .Então é essa é a grande questão esse é o grande entrave que nós temos na sociedade; por que se lá no passado a gente tinha grupos sociais sendo excluídos e presos, e ai a gente passa por período de ditadura que ai você tem a pratica corrente que são as torturas que vem lá do pré da escravidão né ,pau de arara e tudo mais e nos períodos de ditadura Vargas ditadura militar, ela cresse bastante a tortura ela permanece até hoje e as pessoas ainda infelizmente as pessoas acham , eu acho não as pessoas veem isso como uma questão boa manter em condições péssimas, mais manter é ,tortura mata extermina e a gente sabe que quem vai ser morto exterminado são os pobres; e ai eu penso só professor de escola pública me dói no coração quando eu vejo história de alunos meus que se 137
envolveu em criminalidade. E eu dei aula pra um menino com 10, 11 anos eu falei esse moleque não era um menino mal , e em alguns momentos da vida ele foi elevado a isso, então a gente precisa pensa em algo maior em sociedade a gente precisa evitar que essas pessoas cheguem nessa condição de serem presas né por que esse é o grande debate, não o debate de bandido bom é bandido morto, acho que bandido bom é bandido morto é uma frase extremamente classista por que ela aponta o dedo pra quem é o bandido pobre né teórica mente né e o bandido pobre as vezes você não sabe quem é você acha que é você já faz um julgamento anterior e nesse balai vai gente que não tem nada a ver com a história.
Pergunta: Por que é tão fácil para sociedade aceitar as injustiças? R: Então é eu assim eu acredito que as pessoas são condicionadas pelo meio muitas vezes que elas vive então esse meio ele tem alguns princípios por exemplo um princípio da meritocracia eu estou aqui por que eu mereço, eu ganhei tal coisa por que eu mereço se ele tá preso é por que ele não conseguiu ou se ele trabalha e ganha poco ele não merece, então tem muitas coisas assim que fazem as pessoas acreditarem que o esforço individual vai fazer elas conseguirem; e se o cara opto pelo crime é claro que ele opto mais ele está optando por determinadas condições que ai eu costumo fala que o pobre ele tem opção A B e C as vezes e o rico tem a opção A B C D E F G então a possibilidade de um cara que é rico se torna um vendedor de drogas por exemplo existe nas classes altas com certeza deve existir mais a possibilidade de dele ser preso pego e se torna um criminoso disso é bem menor por que ele tem outras opções na vida e ele vai fazer outras coisas entende então assim aqui os pobres não mais infelizmente aqui entre a sociedade ela vê isso como uma coisa só ela vê isso apenas volta fala volta a remete ao estudo da sociedade, do sistema capitalista que a gente vive, é um sistema que mostra que ela vende ilusões ela vende o carro da Tv vende isso vende aquilo como possível, ela vende aquilo como real como é factivo e ai ser factivo pra muita gente ; meu um carro de 200 mil não da, não dá pra gente não dá pra compra aquele carro ou você vai de gol ou vai se mata de trabalha e olhe lá ou você vai fazer outras coisas outros meios pra consegui . Então assim a sociedade capitalista vende uma ilusão e essa ilusão é muito bem vendida muito bem construída as ideias, e infelizmente a gente abraça essas ideias a gente abraça e ai por exemplo eu posso usa até o exemplo da questão racial da questão do machismo , fala a mulher estava andando ela foi estuprada, mas também, o que ela estava fazendo ali não sei o que, a mais o negro também é preconceituoso, a o racismo acontece por que não se 138
valoriza , então a gente tem algumas ideias que são construídas pra fazer com que a pessoa que é desfavorecida ache que esse é o destino dela ou que ela é precisa briga acredita na meritocracia de que olha se eu trabalha muito eu vou enriquece ou eu vou ganha muito dinheiro e o cara não tem nada por que ele não se esforço ele não fez por onde então a gente tem uma construção muito grande é das relações a partir da ilusão capitalista da ideia da ideologia dominante passa por toda sociedade e as pessoas acreditam nisso elas acreditam e elas justificam . E aí isso acomoda né acomoda e aí você tem a visão religiosa também aí ela se acomoda aí ela fala assim a meu é assim mesmo eu tenho que fazer eu vou esperar o céu chega ou na outra vida as coisas vão melhora. Então assim é pegando questão religiosa é pegando a sociedade capitalista a gente tem isso das pessoas acharem que o mundo é assim mesmo que não dá pra mudar ou acha que é assim vou trabalha ganha um troquinho viaja um dia o outro bebe no final de semana e isso é a vida isso está bom então as pessoas acreditam nisso então quando você fala que é uma injustiça tem gente ganhando o triplo te explorando ai a pessoa fala não está errado você está assim o a vida está boro só consigo ter um dinheiro pra compra uma cerveja final de semana consigo viaja pra tal lugar então ela se contenta com isso enquanto uma parte da sociedade tem direito a tudo nos brigamos por algumas migalhas e a gente se acostuma a ficar feliz apenas com essas migalhas o capitalismo é muito poderoso por isso por que ele te convence que o modo de vida que você vive está bom está super você não precisa ser rico está bom seu dinheirinho está bom; está tendo dinheirinho pra come pra si de vez em quando está ótimo é isso as pessoas elas são levadas por todo um sistema e ai esse sistema é construído na tv nos espaços nas instituições na escola que reforça isso não deveria ser mais é por que a escola faz parte do estado então ela não pode contesta esse estado teoricamente né, a igreja então você tem instituições que reforçam isso todo dia pra você é igual, quando eu comecei na educação eu falava muito isso deque; na escola nos meus primeiros anos vi uma mãe lá por que a gente convoco a mãe por que o aluno desrespeito tal professor ou bateu no colega ,ou é muito bagunceiro ou não fez nenhuma lição a mãe foi lá ai eu falava olha ele tem que estudar pra ser alguém na vida mais o que que é ser alguém na vida , ser alguém na vida é ser advogado é ser médico não ser gari é ser alguém ser pedreiro tudo, você já é alguém é uma frase que carrega um pouquinho esse, ele acha que só quem consegue outras coisas um pouquinho maiores entre aspas uma valorização salaria é considerado alguém, a gente tem essa visão muitas vezes e a escola ajuda a reforça isso e é um exemplo é um exemplo né que a gente tem vários de fala aluno você não vai consegui não só vai trabalha mesmo de pedreiro; então muitas vezes a escola 139
reforça isso e eu falo do espaço onde eu to o espaço onde eu to onde eu atuo né mais os outros espaços religioso o espaço da mídia em geral da grande imprensa tv jornal que tem a gente tem os espaços que ajuda que todo dia tão reforçando isso de que o capitalismo é o melhor lugar do mundo ,é assim mesmo que o mundo está dado está posto e o que você tem que luta é pra você briga pra ter um bom emprego um salarinho básico pra sobrevive e a gente acha que isso é o legal o bacana e ai é o que entra na questão da prisão é que os marginalizados não se contenta com isso esse é o mundo esse e o mundo que eu quero também a esse é o mundo carro de tanto tênis de tanto então eu vou ser valorizado se eu tiver passando de carro na rua eu vou ser tratado bacana é isso que eu vou é isso que eu vou ser entendeu então ia e quem é muitas vezes o cara vai procura caminhos pra ser isso o caminho do trabalho tradicional talvez não te leve a isso ou talvez você demore muito pra chegar a isso você pode escolher outros caminhos mais fáceis que é o caminho da criminalidade as vezes o faz ser mais rápido esse cara com um certo status com certo poder ne da sociedade do ter né o tênis aa roupa o carro é ter o respeito entre aspas né , é i mais assim a gente tem um sistema que todo dia reforça isso pra gente diz que a gente tem que se contenta com o nosso lugar e que as injustiças tão ai o mundo é assim ninguém é igual a ninguém que tem muito esse discurso né ninguém é igual a ninguém e se ninguém é igual a ninguém tem gente que vai ganha mais tem gente que vai ganha menos e é assim tem gente que vai ser pedreiro e vai ganha mil reais por mês , o cara que é empresário vai ganha 50 milhões lá na empresa dele por mês; e assim e a gente trabalha com isso com uma naturalidade com uma normalidade e que o sistema é assim ,mais nem sempre foi assim e não significa que vai ser assim, o mundo não é o mundo não está sendo o mundo não é uma coisa finalizado, o mundo é um processo é uma construção que lá no passado se dizia a escravidão né a escravidão era uma coisa dada só que muita gente vez o movimento e a escravidão agora não é mais algo dado, é criminalizado hoje a escravidão então a gente precisa desnaturalizar algumas coisas, pra pode avançar e falar esse não é um mundo que vai ser sempre assim. Já foi de outro jeito outra sociedade de outro jeito , pode ser melhor pode ser de outro jeito, é possibilidade o mundo não é uma coisa fatalismo não é um determinismo então mas infelizmente é uma discussão muito difícil muito complicada e que você é, julgado olha é o comunista ó você quer que seja igual a união sobre ética não sei o que e ai entra no campo do bolsonarismo que é muito complicado hoje em dia e ai você interdita qualquer discussão que ai o pessoal fala a você está defendendo esse ai você é comunista você defende lá. Eu falo gente a gente está falando de injustiça social das pessoas ter o que beber ter o que comer com dignidade 140
que isso que é importante viver com dignidade, que isso no Brasil muitos grupos socias não tiveram até hoje os negros não tiveram, as mulheres no Brasil não tem dignidade a mulher não pode andar na rua a noite sozinha que ela vai ter medo, a gente vive sobrevive com várias injustiças e a gente vai naturalizando né por que se esse sistema faz a gente naturaliza muitas vezes, ai a gente abraça e acha normal que o mundo é assim é assim mesmo dane-se vou curtir minha vida né, vou curti o agora né ; a pandemia fez muito isso as pessoas não queriam mais fica em casa e falava a vou pra balada vou sai não quero nem sabe mais dane-se é aquela coisa vou vive a vida agora não tem não tem que pens nos outros vou pensa em min né que ai a sociedade é extremamente individualista né e está permeado esse sistema também né é eu e pronto dane-se o resto, vou curti não sei o dia de amanhã né então é isso ne a gente se acostuma com a desigualdade naturaliza ela e infelizmente estamos em 2020 nessa condição enquanto o Brasil que é uma das piores condições, e te ai não é em coisas desse governo principalmente desse último e ai não é nem fazendo defesa dos outros governos que teve Dilma, Lula não é nem isso é pra dizer que esse governo que a gente tem aspectos muitos piores até no período da ditadura no período da ditadura nenhum presidente da ditadura disse que era a favor da tortura por exemplo a vou tortura lá nas prisões por que ele sabia que era vergonhoso defende uma tortura, hoje em dia o cara defende a tortura então cara defende abertamente tipo danese vou falar que eu só a favor mesmo tem que tortura tem que mata mesmo e a 30, 40 anos atrás as pessoas falava então tem muita coisa que regrediu e a gente vai precisa ocupa os espaços resisti pra gente construí uma outra narrativa mais humana e que trate as pessoas com dignidade e não pense apenas em morte .
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10.2. FOTOS ENTREVISTA: WILSON ROSA E SUA FAMÍLIA FOTOS: MATHEUS SANTOS
Figura 1 - Família Rosa.
Figura 2 - Emille Rosa abraça o pai que se emociona ao lembrar do cárcere.
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Figura 3 - Wilson Rosa preso injustamente.
Figura 4 - Emille Rosa, filha de Wilson Rosa.
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Figura 5 - Wilson Rosa ao lembrar de bons momentos.
Figura 6 - Patrícia, irmã de Wilson Rosa.
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ENTREVISTA: SANDRO ARAÚJO - ADVOGADO DO PROCESSO DE WILSON ROSA FOTOS: LUCAS PRADO
Figura 7 - Dr. Sandro Araújo
Figura 8 - Dr. Sandro Araújo explicando o artigo em que Wilson foi absolvido.
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ENTREVISTA BÁRBARA QUERINO FOTOS: LUCAS PRADO
Figura 9 - Bárbara Querino. Presa Injustamente.
Figura 10 - Babiy sorrir ao lembrar de suas amigas do cárcere.
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Figura 11 - Babiy ao lembrar de situações que foi exposta no cárcere.
Figura 12 - Bárbara ao falar do cárcere injusto.
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ENTREVISTA: WÂNDERSON BRANDÃO E LUZINETE BRANDÃO. FOTOS: LUCAS PRADO
Figura 13 - Luzinete Brandão e Wânderson Brandão.
Figura 14 - Wânderson Brandão. Preso injustamente.
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Figura 15 - Wânderson ao lembrar do cárcere injusto.
Figura 16 - Luzinete, mãe do Wânderson.
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MAKING OFF – DISCENTE FOTOS: LUCAS PRADO
Figura 17 - Entrevista Bárbara Querino
FOTO: LUCAS PRADO
Figura 18 - Entrevista advogado Sandro Araújo.
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FOTO: MATHEUS SANTOS
Figura 19 - Entrevista Wilson Rosa.
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10.3. CAPA DO LIVRO
Figura 20 - Capa Lucas Padro
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10.4. AUTORIZAÇÕES DE USO DE VOZ E IMAGEM
Figura 21 - Autorização fotos fotógrafo
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Figura 22 - Advogado Criminalista José Beraldo
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Figura 23 - Bárbara Querino
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Figura 24 - Patrícia Rosa - irmã do Wilson Rosa
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Figura 25 - Wilson Rosa - Preso injustamente
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Figura 26 - Leandra Ferreira - esposa do Wilson Rosa
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Figura 27 - Emille Rosa - filha do Wilson Rosa.
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Figura 28 - Psicóloga Nazaré Sobral
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Figura 29 - Sociólogo Marcos César Alvarez
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Figura 30 - Wânderson Brandão - preso injustamente
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Figura 31 - Advogado Criminalista Luiz Flávio Filizzola D'Urso
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11. DIÁRIO DE CAMPO Durante todo o processo de pesquisa e produção para o livro-reportagem, percebi a necessidade e as dificuldades de falar sobre pessoas presas injustamente. Difícil não se envolver emocionalmente com as histórias. No começo do ano, eu não tinha ideia e nem imaginava a dimensão do problema. Algo muito além de investigações malfeitas.
AGOSTO As entrevistas e pesquisas começariam, tudo estava preparado. Entrevistas foram fechadas ao longo de julho. No dia 15 de agosto, realizei a primeira entrevista, com uma pessoa vítima de prisão injusta. Entrevista essa, que rendeu. Estava empolgada, a próxima entrevista com uma pessoa vítima de injustiça penal estava chegando, até que dia 21 de agosto, a fonte desistiu e nenhum argumento foi suficiente para fazer mudar de ideia. No dia 22 de agosto, ao tentar contato com outra fonte vítima de injustiça, fui bloqueada pelo WhatsApp. Uma busca por uma nova fonte. Mais pesquisas se iniciaram. No dia 25 de agosto, entrevistei o advogado do Wilson Rosa e no dia 28 de agosto, entrevistei a jornalista Teresa Cruz, do Ponte Jornalismo. Tudo estava se encaminhando, marcada uma nova entrevista com um outro ‘injustiçado’. No dia 30 de agosto, entrevistei o Wânderson e sua mãe Luzinete. Parecia que o mês tinha passado correndo.
SETEMBRO Outro mês, com ele o início do planejamento da capa e dos capítulos do livro. No dia 04 de setembro, entrevistei a psicóloga Nazaré, que foi um amor de pessoa. A entrevista com a Bárbara, estava marcada para o dia 05 de setembro, mas, caiu. Remarcamos para o dia 12 de setembro. No dia 09, entrevistei o advogado José Beraldo, que tirou diversas dúvidas jurídicas e ficou disposto a ajudar em qualquer possível dúvida que aparecesse. No dia 11, entrevistei a coordenadora do Project Innocence Brasil. E no dia 12, conheci a Babiy e ela deu um show de entrevista. No dia 15, entrevistei por uma ligação de telefone, o sociólogo Marcos Alvarez; a entrevista foi agendada pelo zoom, porém ele teve problemas com a conexão da internet, então pedi para fazer por telefone, colocando no viva voz e gravando com um gravador, de outro aparelho celular. Afinal, eu tinha curtido várias fotos deles no Instagram, para ele poder me responder, não poderia perder a oportunidade de o entrevistar. Final do mês iniciei a escrita do livro. Mais um mês terminou. 164
OUTUBRO A escrita estava fluindo e minha gastrite atacando. Esse mês, foi o de passar as madrugadas acordada para escrever. Várias xicaras de café. No dia 06, entrevistei o advogado Luiz Flávio Filizzola D’Urso, que foi extremamente solicito e, ficou disposto a tirar qualquer dúvida que surgisse. E a última entrevista chegou, dia 20 de outubro, entrevistei o historiador Geraldo, que me deu uma aula das práticas punitivas no Brasil e a marginalização dos grupos socialmente definidos. Ademais, foi escrita e ansiedade.
NOVEMBRO O pior mês chegou, aquele que os alunos guardam o medo, a ansiedade e o nervosismo. O mês da entrega do trabalho de conclusão de curso. As madrugadas em claro para finalizar e no dia 23 entregar. Finalizei a escrita do livro, no dia 13. Dia 17, voltou da revisão e por fim, no dia 22, o livro ficou pronto. Mês de correria.
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12. ANEXOS REPORTAGENS WILSON ROSA
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REPORTAGENS BÁRBARA QUERINO
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REPORTAGENS WÂNDERSON BRANDÃO
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