UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
A VIDA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM SÃO PAULO
JOANA CAROLINA TEIXEIRA MOTA RGM: 1600806-5 TURMA: 8ºA
São Paulo 2019
JOANA CAROLINA TEIXEIRA MOTA
A VIDA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM SÃO PAULO
Relatório
de
Metodológica
Fundamentação apresentado
à
Teórica
e
Universidade
Cruzeiro do Sul como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de bacharela em Jornalismo, sob orientação do Profº Me. Luiz Lazaro.
São Paulo 2019
Mota, Joana Carolina Teixeira, 1998A vida de pessoas com deficiência visual em São Paulo / Joana Carolina Teixeira Mota. – 2019. 60 f. : il. Color. ; 30 cm. Orientador: Prof. Me. Luiz Lazaro. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Cruzeiro do Sul, Curso de Jornalismo, 2019.
Para todos aqueles que acreditaram e confiaram em mim. Agradeço imensamente pelo apoio nas horas mais difíceis. Para todas as pessoas com deficiência visual, em especial à Eliana, João Maia e João Vitor. Obrigado pela ajuda. Ao meu tio Amaro (in memoriam), que sempre estará ao meu lado.
Agradeço a Deus, por ter me dado forças para continuar e realizar um sonho que não é apenas meu, mas da minha família.
À minha mãe e minha irmã, minha base para tudo o que faço. Sem o apoio de vocês nada disso seria possível.
Ao meu pai, que mesmo distante sempre mandou energias positivas e se preocupou. Às minhas amigas, Adenize, Lele, Rauena e Queila: “porque juntas somos invencíveis!”.
À Thalyta e Marillia, obrigado por sempre me ouvirem nos momentos em que mais precisava.
Aos amigos que o Sesc me trouxe: Camile, Carlos, Estevão, Gabriel, Rachel e Rafael. Cada um de vocês foi fundamental na minha vida. Mil vezes obrigado.
À Juliana, minha melhor amiga. Agradeço por ouvir minhas angústias, enxugar minhas lágrimas e me fazer rir. Você será uma arquiteta incrível, lembre-se disso.
À Fernanda e Gabriela: não há palavras que descrevam toda a ajuda que me deram. Do NX para a vida toda.
A todos os professores, em especial ao meu orientador, pela luz que ascendeu no fim do túnel.
Aos demais amigos da faculdade, por toda a força e paciência que tivemos nesses quatro anos. Sem dúvidas seremos grandes jornalistas.
Por fim, dedico a mim, por nunca desistir dos meus sonhos.
FICHA TÉCNICA Joana Carolina Teixeira Mota - Estudante de Jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul no 8º semetre. Atualmente trabalha como estagiária de Comunicação no Sesc Vila Mariana. Possui em seu currículo cursos de Informática (SOS Informática), Administração e Gestão de Empresas (UP Center Educação Profissional) e Inglês intermediário (CNA Idiomas); além de conhecimentos básicos em Adobe InDesign, Première e Wordpress. Funções executadas - repórter, cinegrafista, pauteira, fotógrafa, produtora, diagramadora, editora de texto, vídeo e áudio. Adenize Portela - Estudante de Jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul no 7º semetre. Possui o curso técnico em Finanças (ETEC Getúlio Vargas) e Auxiliar de Serviços Administrativos (ISBET). Função executada - auxiliar de câmera. Rachel Sciré - Jornalista e Mestre em Culturas e Identidades Brasileiras pelo Instituto de Estudos Brasileiros – IEB/USP. Função executada - revisora.
Características técnicas
Título: O olhar de quem não vê Número de caracteres: 21.149 Formato: Reportagem expensa para o meio eletrônico Sinopse: Esta reportagem extensa produzida para o site Uol Tab pretende mostrar como vivem as pessoas com deficiência visual em São Paulo, seus desafios diários, tanto pessoais como profissionais e educacionais.
Fontes: Eliana Nice Coelho – 56 anos, massoterapeuta. Deficiente visual desde nascença. João Maia – 44 anos, fotógrafo. Deficiente visual desde 2004, aos 29 anos. João Vitor Domingues Francisco – 23 anos, estudante de psicologia da PUC-SP, deficiente visual desde os 15 anos.
Instituto Padre Chico para Cegos – terceiro instituto para pessoas com deficiência visual fundado no Brasil. Fundação Dorina Nowill – principal instituição de auxílio à pessoa com deficiência visual.
RESUMO
O presente trabalho apresenta a uma reportagem extensa O olhar de quem não vê, que traz a reflexão de como é a vida de uma pessoa com deficiência visual em São Paulo. A escolha do produto se deu pela pesquisa teórica realizada anteriormente, onde esse público foi estudado e por meio de diversas fontes foi estabelecido uma forma de fazer com que a integração das pessoas com e sem deficiência visual seja mais efetiva. Dessa forma, é possível mostrar os desafios que essa parte da população enfrenta diariamente, em sua vida pessoal, profissional e educacional. A partir de entrevistas e histórias de vida, é possível dar maior atenção aos portadores desse tipo de deficiência.
Palavras-chave: Deficiência visual. Cegueira. Baixa visão. Inclusão. Acesssibilidade.
SUMÁRIO 1.
INTRODUÇÃO...........................................................................................9
2.
DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS...............................................................10 2.1
Objetivo geral.................................................................................10
2.2
Objetivos específicos.....................................................................10
3.
PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES......................................................11
4.
JUSTIFICATIVA........................................................................................12
5.
PLANO ESTRATÉGICO...........................................................................15 5.1
Descrição do produto....................................................................15
5.2
Estratégias para definição.............................................................15
5.3
Público a ser atingido....................................................................15
5.4
Técnicas utilizadas.........................................................................16
6.
REFERENCIAL TEÓRICO.......................................................................17
7.
REFERÊNCIAS........................................................................................20
8.
CRONOGRAMA.......................................................................................23
9.
ORÇAMENTO..........................................................................................24 APÊNDICES...............................................................................................25 ANEXOS....................................................................................................55
9
1. INTRODUÇÃO Esta pesquisae o especial multimídia dela decorrente apresentam a vida de três pessoas com deficiência visual que vivem na cidade de São Paulo, a partir de seus desafios e vivências diárias nos meios educacionais, pessoais e profissionais. Deficiência,
segundo
a
Classificação
Internacional
de
Deficiências,
Incapacidades e Desvantagens (CIDID) pode ser definida como qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Nesse sentido, representa a exteriorização de um estado patológico e, em princípio, reflete distúrbios no nível do órgão. A deficiência visual pode ser definida como a perda total ou parcial da visão. Pode ser congênita (desde o nascimento) ou adquirida. Existem ainda dois grupos de deficiência: a cegueiraperda total ou pouca capacidade de enxergar, e a baixa visão ou visão subnormal – um comprometimento grave na visão, mesmo depois de tratamentos e correções. Por meio de entrevistas é possível mostrar as dificuldades de uma pessoa com deficiência visual na cidade de São Paulo e quais as alternativas para a melhoria da acessibilidade e inclusão na cidade. A pesquisa qualitativa analisou e estudou os personagens, suas particularidades e estilo de vida, fazendo com que a reportagem extensa apresente as necessidades desta parte da população.
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2. DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS
Discutir e conscientizar pessoas e entidades a respeito da deficiência visual e das reais necessidades das pessoas com deficieência visual.
Este Projeto tem seu objetivo focado na discussão e conscientização das pessoas e entidades a respeito das pessoas com deficiência visual.
2.1 OBJETIVO GERAL
Fazer com que os leitores se conscientizema respeito dos desafios de uma pessoa com deficiência visual em meio ao dia a dia pessoal e profissional.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Por meio de um especial multimídia a ser veiculado em meio digital,mais precisamente na plataforma Uol Tab, retratar a interação da pessoa com deficiência visual na cidade e em sua vida cotidiana.
Discutir questões de acessibilidade na cidade, empresas, instituições de ensino, em suas casas e a inclusão nesses meios.
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3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES São Paulo está preparada para a inclusão dessas pessoas?A pessoa com deficiência visual é discriminada nos espaços em que convive em seu cotidiano? Para responder à estas questões, foram trabalhadascom as seguintes hipóteses: A cidade foi arquitetada para o transporte urbano, seja ele um veículo coletivo (ônibus) ou individual (carros e motos). Ao observarmos, percebemos que a infraestrutura da cidade não é voltada ao pedestre, muito menos à uma pessoa com deficiência, em especial o deficiente visual. A noção que se tem da pessoa com deficiência visual é de que ela é frágil, um cidadão que precisa ser protegido, quando na verdade, ela deve exercer seus direitos da mesma forma de uma pessoa sem deficiência.
12
4. JUSTIFICATIVA
Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010, apenas na cidade de São Paulo existem em torno de 810 mil pessoas com deficiência. Desses, mais de 345 mil, ou 42%, são deficientes visuais (com cegueira total ou grande dificuldade em enxergar).A partir da inclusão dessa parte da população é possível resolver um grande problema que atinge quase um milhão de deficientes. Atualmente, a Fundação Dorina Nowill (FDN) – principal instituição de auxílio à pessoa com deficiência e a Fundação Padre Chico – terceiro instituto para pessoas com deficiência visual fundado no Brasil, realizam diariamente trabalhos para a alfabetização, como aulas e produção de material didático em Braille, além de trabalhar a inclusão ea autonomia dessa considerável parcela da população. Hoje, graças a essas e outras instituições – sendo 16 delas apenas na cidade de São Paulo, os portadores de deficiência visual vivem de uma forma menos dependente. Com o aprendizado dentro e fora desses locais, conseguem cozinhar, lavar roupas, arrumar a casa, ir ao mercado, e realizar outras tarefas sem a necessidade de uma pessoa vidente1. O Decreto de Lei nº 3.298/1999 exige que as empresas de grande porte tenham de 2% a 5% dos seus funcionários portadores de deficiência, sendo reabilitados ou não. Ao pesquisar sobre inclusão e acessibilidade, Ross (2006), explica que para não contratar uma pessoa com deficiência, algumas empresas utilizavam diversos argumentos, entre eles a baixa produtividade, o risco de acidente de trabalho, a depreciação da imagem da empresa e, por mais que não seja possível, um risco de contágio. Acreditar que a pessoa com deficiência visual é limitada, dependente e incapaz não condiz com o Decreto Lei n°3.596, que promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência:
Reafirmando que as pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são 1
Vidente adj. 2g. S.2g6 que ou aquele que vê, que pode fazer uso da vista; visual (HOUASSIS, VILLAR, 2009)
13 inerentes a todo ser humano (...) (BRASIL, 2001)
Devido às grandes mudanças de gestão, os trâmites para tornar a cidade de São Paulo realmente acessível são lentos. Responsável pela acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, a Norma Brasileira (NBR) da ABNT 9050:2004 define que:
Visa
proporcionar
à
maior
quantidade
possível
de
pessoas,
independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos. (NBR 9050:2004, p.1)
Segundo um estudo realizado no fim de 2018 pela Rede Nova São Paulo e o Ibope Inteligência, 57% dos 800 entrevistados – em que 15% disseram que possuem deficiência ou convivem com pessoas nessas condições –, avaliaram como péssimas as condições das vias públicas da cidade.2 Quanto aos equipamentos e serviços públicos acessíveis, segundo a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, aproximadamente 200 espaços se adequam às normas de acessibilidade. Por meio desses dados, analisa-se que a justificativa deste trabalho deve-se a necessidade de apresentar à população os desafios cotidianos das pessoas portadoras de deficiência visual, não apenas por conta de seu diagnóstico, mas por outras questões que as limitam. Em entrevista para o jornalista Luiz Roberto de Souza Queiroz, Dorina Nowill relatou que: O mesmo mundo que se contenta em “passar a mão na cabeça do ceguinho e que em vez de o ajudar o inferioriza, tratando-o como se fosse menor de idade” e não o incentiva, não o respeita nem o aceita a não ser que ele se torne capaz e competitivo, esse mundo é igualmente severo com a organização que se dedica aos cegos. (QUEIROZ, 2011)
Este projeto torna-se relevante pela ausência de produtos e meios jornalísticos que tratem desse assunto. A partir dele, será possível conhecer mais 2
Disponível em: https://www.cidadessustentaveis.org.br/arquivos/viver_em_sp_pessoa_com_deficiencia.pdf. ACESSO EM 28/03/2019.
14
sobre a vida das pessoas com deficiência visual e entender a importância de cada direito conquistado por eles.
15
5. PLANO ESTRATÉGICO 5.1
DESCRIÇÃO DO PRODUTO O especial multimídia, definido como a web-reportagem que se utiliza de
elementos multimidiáticos integrados (imagens, sons e texto verbal) (Longhi, 2010), segue os padrões de acessibilidade utilizados guiado pelo WCAG - Web Content Accessibility Guidelines (Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web, em português), que consiste em um conjunto de recomendações para padronização dos sites de todo o mundo. Essas diretrizes são baseadas em critérios que garantem o mínimo de acessibilidade (A), o nível aceitável (AA) e a acessibilidade total (AAA). Para a produção deste projeto, é trabalhado o mínimo de acessibilidade, com alguns recursos do nível aceitável, como a audiodescrição, por exemplo. A plataforma Tab da Uol foi criada em 2014 como uma resposta ao público que procura conteúdos criados de forma criativa e interessante. Desde então, o formato usado teve diversas mudanças, até chegar ao que existe atualmente, sendo uma referência na narrativa multimídia. 5.2
ESTRATÉGIAS PARA DEFINIÇÃO O especial multimídia possui o máximo de recursos gráficos existentes na
plataforma Uol Tab. Neste caso, foi deixado de lado alguns recursos de digitais e de design para que as pessoas com deficiência visual possam utilizar o leitor de tela para acesso. O diferencial deste projeto é a inclusão de legendas e audiodescrição no vídeo, recurso no qual o Uol Tab não utiliza. Durante a criação do espelho da página, foi optado por um link que direcione diretamente para a reportagem, sem página inicial, facilitando para o encontro do texto.
5.3
PÚBLICO A SER ATINGIDO O público a ser atingido foi definido a partir da escolha do tema. O alcance,
inicialmente foi focado às pessoas com deficiência visual, expandindo ao restante do público interessado no assunto e aos leitores do Uol Tab.
16
5.4
TÉCNICAS UTILIZADAS A partir das entrevistas e pesquisas utilizadas na produção deste projeto, foi
possível obter um resultado positivo em relação ao alcance dos objetivos propostos. No caso das entrevistas, foram realizadas perguntas que aproximassem a fonte do tema e fazendo com elas refletissem sobre seu cotidiano e os problemas que enfrenta diariamente.
17 6. REFERENCIAL TEÓRICO
A visão é o canal mais importante do relacionamento com o mundo exterior, ajudando a compreender a realidade social (ISHIKAWA; BELLUZZO, p.148). Para conhecer mais sobre a deficiência visual, foi necessário um aprofundamento teórico baseado na vida dessas pessoas e nas instituições que os auxiliam. ‘Dorina Nowill: Um relato da luta pela inclusão social dos cegos’, biografia escrita pelo jornalista Luiz Roberto de Souza Queiroz, foi de extrema importância para o aprofundamento sobre os objetos. A obra, além de contar a história de vida de Nowill, relata sua luta para a inclusão das pessoas com deficiência visual no meio educacional, social, empregatício e a autonomia na vida pessoal. Os cegos não são um grupo à parte’, ensinava. ‘Devem reivindicar por si mesmos as soluções para os grandes problemas que os afetam, seja na área da educação, do trabalho, do convívio social, da participação na vida cultural, esportiva e política do país.’ E ela complementava que não estava defendendo os direitos das pessoas cegas, mas os direitos do homem, o direito à cidadania que é inerente a cada um desde o nascimento [...] (QUEIROZ, 2011, p.28)
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015, p.10) classifica seis barreiras existentes que limitam a pessoa com deficiência: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo; b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados; c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes; d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação; e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas; f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da
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pessoa com deficiência às tecnologias. Maria Inês Garcia Ishikawa e Regina Célia Baptista Belluzzo (2013, p.150) analisaram as práticas inclusivas para deficientes visuais. A partir deste estudo, entende-se que é necessário construir um novo tipo de sociedade através de pequenas e grandes transformações. Para tal, é importante quebrar as barreiras arquitetônicas e atitudinais, se colocar no lugar de uma pessoa com deficiência visual, entender o contexto social em que vive, para incluí-la de forma igualitária e justa. Seguindo este pensamento, entramos na teoria do Interacionismo Simbólico de Charles Horton Cooley, analisada por Armand e Michèle Mattelart (2014). Nela, a cidade torna-se um ‘laboratório social’, onde observam as interações sociais, a desorganização, marginalidade e a aculturação. Com isso, definiram uma comunidade por três elementos, sendo uma delas a população organizada em um território, em maior ou menor medida nele enraizado, cujos membros vivem numa relação de interdependência mútua de caráter simbiótico (MATTELART, MATTELART, 2014, p.31). Essa premissa defende a ideia da necessidade de um convívio coletivo, independentemente da condição e local em que se vive. O direito e a inclusão de todas as pessoas com deficiência foi analisado por Mariana Moron Saes Braga e Aluisio Almeida Schumacher (2013, p.5), orientada pela teoria do reconhecimento social, do filósofo social alemão Axel Honneth. A partir da análise desta teoria, o termo inclusão é associado à individualização, já que a legislação garante a inserção da pessoa com deficiência nas escolas e empresas, porém não assegura a igualdade, criamos formas de diferenciá-los dos demais indivíduos. A maioria das mães entrevistadas não acredita que as leis tenham força suficiente para fazerem valer o direito à educação inclusiva. As leis poderiam garantir acesso, mas não a permanência e a qualidade na educação. É possível supor que as mães apresentem o temor que, com a obrigatoriedade, seus filhos sejam compulsoriamente aceitos na escola em virtude da criminalização da recusa da efetivação da matrícula, mas sejam segregados e sofram discriminação (BRAGA; SCHUMACHER, 2013, p.7).
Boaventura Sousa Santos (2008) realizou um estudo sobre a ciência moderna, onde afirma que hoje o objeto é a continuação do sujeito por outros meios (SANTOS, 2008, p.83), ou seja, os dois estão integrados, transformando
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e influenciando não só a ciência mas como o todo. Atualmente, o objeto deixa de ser algo estático e passa a ser participante nas pesquisas realizadas pelo sujeito. Hoje não se trata tanto de sobreviver como de saber viver. Para isso, é necessária uma outra forma de conhecimento, um conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe e antes nos una pessoalmente ao que estudamos (SANTOS, 2008, p.85).
Neste Projeto, é importante que a pessoa com deficiência visual atue de forma participante, levantando os problemas e o que poderiam ser as suas soluções. Para a condução do Projeto Experimental, foi necessário pesquisar sobre os conceitos do jornalismo na era digital e quais as suas diferenças do jornalismo tradicional. Pollyana Ferrari explica que uma das sugestões passadas por Jonathan Dube, editor e publisher do Instituto Americano de Imprensa é que precisamos conhecer o público e manter o foco nas necessidades e hábitos dos leitores (2014, p.51).
(...) Os internautas tendem a apenas passar pelos sites muito mais do que lê-los assiduamente. Diversas pesquisas apontam ainda que o público on-line tende a ser mais ativo do que o de veículos impressos e mesmo do que um espectador de TV, optando por buscar mais informações em vez de aceitar passivamente o que lhe é apresentado (FERRARI, 2014, p.51).
Além disso, Ferrari também fala da combinação de todos os recursos possíveis na web além do texto, como áudios, vídeos, entre outros, explorando as possibilidades para a encontrar a melhor forma de contar uma notícia.
20
7. REFERÊNCIAS ACESSIBILIDADE TOOLKIT (Brasil). Guia WCAG. Disponível <https://guia-wcag.com/>. Acesso em: 09 out. 2019.
em:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2 ed. Rio de Janeiro: Abnt, 2004. 97 p. Disponível em: <https://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bf ield_generico_imagens-filefield-description%5D_24.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2019. BRAGA, Mariana Moron Saes; SCHUMACHER, Aluisio Almeida. Direito e inclusão da pessoa com deficiência: uma análise orientada pela teoria do reconhecimento social de Axel Honneth. Sociedade e Estado, [s.l.], v. 28, n. 2, p.375-392, ago. 2013. FapUNIFESP (SciELO).. BRASIL. Lei nº 13, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).. . Brasília, DF, 06 jul. 2015. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20152018/2015/Lei/L13146.htm>. Acesso em: 14 abr. 2019. BRASIL. Decreto nº 3, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências.. . Brasília, DF, 20 dez. 1999. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm>. Acesso em: 15 abr. 2019. BRASIL. Decreto nº 198, de 08 de outubro de 2001. Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência.. . Brasília, 08 out. 2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/d3956.htm>. Acesso em: 11 maio 2019. BRASÍLIA. Senado Federal. Coordenação de Edições Técnicas. Estatuto da pessoa com deficiência. 2015. Disponível em: <https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/513623/001042393.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2019. FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. 4. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2014. 128 p. FUNDAÇÃO DORINA NOWILL (São Paulo). Tecnologia assistiva. Disponível em: <https://www.fundacaodorina.org.br/a-fundacao/deficienciavisual/tecnologia-assistiva/>. Acesso em: 02 out. 2019. FUNDAÇÃO DORINA NOWILL (São Paulo).O que é deficiência? Disponível em: <https://www.fundacaodorina.org.br/a-fundacao/deficiencia-visual/o-que-e-
21
deficiencia/>. Acesso em: 28 mar. 2019. GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo (Org.). Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora da Ufrgs, 2009. 120 p. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf>. Acesso em: 06 maio 2019. ISHIKAWA, Maria Inês Garcia; BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Práticas inclusivas para deficientes visuais, baseadas na informação e conhecimento: reflexões e ações. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 2, n. 2, p.147-164, dez. 2013. Disponível em: <https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/255>. Acesso em: 14 abr. 2019. MATTELART, Armand; MATTELART, Michèle. História das teorias da comunicação. 16. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2014. 227 p. MOBILIZE - MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL (Brasil). Calçadas do Brasil. 2019. Disponível em: <http://www.mobilize.org.br/campanhas/calcadasdo-brasil-2019/>. Acesso em: 25 out. 2019. NAYÁ FERNANDES (São Paulo). Jornal O São Paulo (Ed.). O terceiro instituto para pessoas com deficiência visual fundado no Brasil. 2019. Disponível em: <http://www.osaopaulo.org.br/noticias/o-terceiro-instituto-parapessoas-com-deficiencia-visual-fundado-no-brasil>. Acesso em: 28 mar. 2019. QUEIROZ, Luiz Roberto de Souza. Dorina Nowill: Um relato da luta pela inclusão social dos cegos. Vinhedo: Avis Brasilis, 2011. 324 p. ROSS, Paulo Ricardo. Trabalho das pessoas com deficiência: transformando barreiras em oportunudades. In: MANZINI, Eduardo José. Inclusão e Acessibilidade. Marília: Marquezine e Manzine, 2006. p. 171-180. SÃO PAULO. FUNDAÇÃO DORINA NOWILL. (Org.). A Fundação: Há mais de sete décadas, a Fundação Dorina tem se dedicado à inclusão social das pessoas com deficiência visual. Disponível em: <https://www.fundacaodorina.org.br/a-fundacao/quem-somos/>. Acesso em: 28 mar. 2019. SÃO PAULO. Fundação Dorina Nowill. Fundação Dorina Nowill (Org.). Relatório Anual de Atividades 2019. 2019. Disponível em: <https://www.fundacaodorina.org.br/wpcontent/uploads/2019/02/FDNC_Relat%C3%B3rio2017_pocket.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2019. SÃO PAULO. Ibope Inteligência. Ibope Inteligência (Org.). Viver em São Paulo: A cidade e as pessoas com deficiência. 2018. Disponível em: <https://www.cidadessustentaveis.org.br/arquivos/viver_em_sp_pessoa_com_d eficiencia.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2019.
22
SÃO PAULO. Secretaria Municipal da Pessoa Com Deficiência. Secretaria Municipal da Pessoa Com Deficiência (Org.). Censo Brasileiro de 2010: Dados indicam que a deficiência visual é a mais comum na capital. 2019. Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/pessoa_com_deficiencia/c adastro_inclusao/dados_censoibge/index.php?p=43402>. Acesso em: 28 mar. 2019. SILVA, Sandro Takeshi Munakata da. Teorias da comunicação nos estudos de relações públicas. Porto Alegre: Edipucrs, 2011. 102 p. UNILASER - UNIDADE OFTAMOLÓGICA DE LASER (São Paulo). Saiba mais sobre as cores da bengala. Disponível em: <http://unilaseroftalmo.com/noticias/saiba-mais-sobre-as-cores-da-bengala/>. Acesso em: 02 out. 2019. UOL (São Paulo). História Sobre UOL. Disponível <https://sobreuol.noticias.uol.com.br/historia/>. Acesso em: 03 nov. 2019.
em:
UOL TAB (São Paulo). UOL TAB lança primeiro minidoc TAB Explica. 2019. Disponível em: <https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/07/22/uoltab-lanca-o-primeiro-minidoc-tab-explica.htm>. Acesso em: 03 nov. 2019.
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8. CRONOGRAMA Tabela 1 - Cronograma Etapa I (1º Semestre de 2019) FASES
FEV
MAR
ABR
Levantamento de referências
X
X
X
Fichamento das referências
X
X
X
Leitura dos principais tópicos
X
X
X
Redação do projeto de pesquisa
X
X
Contato com possíveisfontes
X
X
MAI
Pré-pauta
X
Entrega do Projeto de pesquisa
X
JUN
Tabela 2 - Cronograma Etapa II (2º Semestre de 2019) FASES
AGO
SET
OUT
NOV
Elaboração de pautas
X
Execução do Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica
X
X
Montagem da plataforma
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Produção da reportagem Produção do Vídeo
X
Revisão do Relatório Final e da reportagem
X
Banca examinadora
X
DEZ
24
9. ORÇAMENTO Tabela 3 ITENS
VALOR
Transporte
R$ 50,30
Alimentação
R$ 63,90
Impressão
R$ 150
Armazenamento de arquivos na nuvem
R$ 13,80
TOTAL
R$ 278
25
APÊNDICES
26
APÊNDICE A – LINK PARA ACESSO AO PRODUTO FINAL projetouoltab.wixsite.com/o-olhardequemnaove http://bit.ly/o-olhardequemnaove
27
APÊNDICE B – PAUTA
PAUTA TCC
Tema /Assunto A vida de pessoas com deficiência visual em São Paulo
DATA BASE
SINOPSE Mostraremos o cotidiano de três pessoas com deficiência visual em São Paulo, acompanhando sua vida pessoal e profissional e estudantil. LEAD/SUBLEAD Segundo o Censo IBGE 2010, 810.080 pessoas em São Paulo possuem algum tipo de deficiência, sendo 345.478 deficientes visuais (cegueira total ou grande dificuldade em enxergar). Eliana Nice Coelho, de 56 anos,massagista, nasceu cega após sua mãe receber uma vacina durante sua gravidez. Hoje ela é casada e possui um filho de 27 anos, que não possui nenhum problema de visão. Mora com sua família e mãe em uma casa no Ipiranga. João Maia tem 44 anos, é fotógrafo e perdeu a visão aos 29 anos. Mora sozinho no bairro do Belém. João Vitor tem 23 anos, estudante de psicologia e perdeu a visão com 15 anos. Vive em Perdizes, em uma república com dois amigos. FONTES Fundação DorinaNowill Instituto Padre Chico Eliana Nice Coelho João Maia João Vitor Domingues Glauber Coelho PERGUNTAS INICIAIS Para as pessoas com deficiência: Apresentação Qual a maior dificuldade que você encontra no dia a dia? As instituições existentes trouxeram algum tipo de auxílio? Para você, qual o maior preconceito que as pessoas videntes têm contra o cego? Para as instituições: Quando a instituição foi fundada? Qual era o seu propósito? Qual é atualmente além das aulas? Qual a faixa etária que vocês atendem? Quais as formas de auxílio que vocês dão à pessoa com deficiência?
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Quais as principais dificuldades que vocês observam no dia a dia do cego? Para Glauber: Como foi descobrir desde o nascimento até sua infância que sua mãe e seu pai eram deficientes visuais? E como é conviver com pessoas com deficiência visual? A convivência com eles te traz algum desafio? Algo que você nunca imaginou que faria?
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APÊNDICE C – ROTEIRO DE VÍDEO
Roteiro Pauta: Joana Carolina Imagens: Joana Carolina e Adenize Portela Roteiro: Joana Carolina
Retranca: O olhar de quem não vê IMAGEM João Maia andando pela rua com seu amigo. BG: serenity BG: serenity Corta para a Entrevista com a Eliana
AUDIODESCRIÇÃO João Maia e seu amigo cego caminhando com bengala longa em uma rua esburacada
TIME 01:21
TEXTO
Eliana Nice
00:09 Meu nome é Eliana, eu tenho 57 anos, trabalho com massagem
Eliana massageando os braços de uma cliente
00:24 sou massoterapeuta e esteticista
01:30
GC1: Eliana Nice Coelho Insert - Eliana realizando massagem Entrevista com a Eliana BG: serenity Entrevista com João Maia GC1: João Maia Insert - Fotos do João Maia Insert - Fotos do João Maia Entrevista com Eliana
00:34 e deficiente total de 00:37 nascença. João Maia Fotografias de atletas que João Maia registrou na última Olimpíada
Eliana Nice
00:28 Sou deficiente visual, tenho baixa visão 00:35 e minha profissão é fotógrafo.
03:41 A pessoa que enxerga não tem muita confiança na gente.Se eu estiver com uma pessoa que enxerga, ela vai se reportar a essa pessoa e não a mim. Principalmente o 03:58 que eu quero, se eu to numa loja.
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Entrevista com Eliana_2
Entrevista com João Maia
João Maia
Entrevista com Eliana_2
Eliana Nice
Entrevista com João Maia
João Maia
00:30 Eu acho que assim: a gente vai em uma loja e as pessoas perguntam pra quem tá com 00:47 a gente, sabe? “O que ela quer?”, “O que ela gosta?”. Então é como se nossa opinião não fosse uma coisa muito segura. 02:07 A gente percebe que quando eu to acompanhado a pessoa direciona a conversa pra quem tá do meu lado e enxerga e não direciona pra mim, que é o interessado. Por isso que eu, 02:31 particularmente, prefiro resolver minhas coisas sozinho, sem o apoio de outra pessoa, porque a pessoa vai ter que conversar comigo, vai ter que olhar no meu olho e vai ter que se comunicar comigo. 01:54 E mesmo assim, dentro de um contexto às vezes de trabalho. Se você, como eu, faz um trabalho voluntário, muitas vezes as pessoas se 02:27 reportam à outras pessoas quando precisam de uma resposta que eu mesma posso dar. 01:00 Eu vejo que nem todas as pessoas estão preparadas pra se comunicar com uma pessoa com deficiência. 01:05
01:21 Ao se aproximar de uma pessoa com deficiência elas ficam meio sem saber o que fazer. Por isso eu acho que toda empresa ou órgão público tem que preparar seus funcionários para como lidar com uma pessoa com 01:52 deficiência, em especial as pessoas com deficiência
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visual. Por que é dessa forma que a gente gostaria de ser tratado: com respeito, com dignidade; e não como “coitadinho”, “o que é que eu faço agora?”, “será que eu posso falar que a pessoa com deficiência é cego?”. 03:04 Não existe desculpa pra quando você encontrar uma pessoa com deficiência ficar todo sem jeito, sem saber o 03:19 que faz, o que fala. Hoje com a tecnologia possibilita isso: acessibilidade atitudinal.
Insert- João Maia e seu amigo desviando do lixo GC3: Joana Teixeira Reportagem, imagens, edição e finalização
João Maia e seu amigo cego tentando desviar de uma calçada esburacada e cheia de lixo
02:41 Hoje a gente tem infinitos meios de comunicação em que você consegue informações sobre as pessoas com deficiência: canais no youtube de pessoas com deficiência que 03:03 ensinam como lidar; sites… Existe toda a informação para que você possa lidar com a pessoa. Existem sites de fundações e instituições que trabalham com pessoas com deficiência visual. 00:01
00:13
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fade com a tela preta e o logo do Uol Tab e Ăcones de rede social
Fundo preto com o logo do Uol Tab e botĂľes para compartilhamento nas redes sociais em branco
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APÊNDICE D – TRANSCRIÇÕES DAS ENTREVISTAS Entrevista com João Maia 1- Comece se apresentando: nome, idade, profissão e quando você ficou cego. Meu nome é João Batista Maia da Silva, meu nome de fotógrafo é João Maia. Sou deficiente visual, eu tenho baixa visão e minha profissão é fotógrafo. Eu nasci em 1974, não nasci com deficiência visual, eu fiquei com deficiência visual em 2004 devido e uma uveíte bilateral... é uma inflamação em alto grau que acometeu os meus dois olhos, no meu olho direito com uma baixa visão ou visão subnormal, desculpa... o meu olho direito é zerado eu tive um descolamento de retina. E no meu olho esquerdo tive uma lesão no nervo óptico, por isso eu tenho baixa visão. Eu tenho uma percepção de vultos coloridos desfocados até um metro e meio, depois disso cabo, tudo se funde e vira uma mancha só. Pra resumir, minha visão é totalmente desfocada, eu não tenho foco.
2- Qual a maior dificuldade que você encontra no seu dia a dia?
A maior dificuldade que encontro no dia a dia é não ter acessibilidade física e acessibilidade atitudinal. A acessibilidade física é no caso de calçadas que não tem acessibilidade, no caso de semáforos sonoros, no caso também de alguns lugares de não ter piso tátil ou piso direcional. Então a gente encontra essas barreiras pra poder se deslocar com mais fluidez nessa cidade tão grande. No caso da acessibilidade atitudinal eu vejo nem todas as pessoas estão preparadas para se comunicar com uma pessoa com deficiência, tanto como, a respeito de pessoas em órgãos públicos e órgãos privados ou em lojas, departamentos, o que seja. A gente percebe muito isso, que ao se aproximar de uma pessoa com deficiência não sabe o que fazer, por isso que eu acho que toda a empresa ou órgão público tem que preparar seus funcionários para como lidar com uma pessoa com deficiência, em especial uma pessoa com deficiência visual. Porque é dessa forma que a gente gostaria de ser tratado, com respeito, com dignidade e não como “coitadinho, o que eu faço agora?, será que posso falar que a pessoa com deficiência é cego?”. Então assim, você tem um preparo de como tratar uma pessoa com deficiência fica tudo mais fácil pra vocês. Quando a gente chega em
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alguma loja, algum apartamento, algum órgão público e percebe que eu estou acompanhado, a pessoa direciona a conversa para quem está do meu lado pra pessoa que enxerga, e não direciona a conversa para mim que estou interessado, por isso que eu particularmente prefiro resolver minhas coisas sozinho, sem apoio de outra pessoa, porque a pessoa vai ter que conversar comigo, vai ter que olhar no meu olho, vai ter que se comunicar comigo. Então o que eu espero é que as pessoas procurem saber o que é a deficiência visual, hoje nós temos infinitos meios de comunicação que se consegue ter informação de pessoas com deficiência. Canais no youtube de pessoas que ensinar como você deve lidar, sites... existe toda informação para que você possa lidar com a pessoa. Existe site de instituições, fundações que trabalham com pessoas com deficiência visual, então não existe desculpa pra quando você encontrar uma pessoa com deficiência ficar todo sem jeito, com o que faz, o que fala. Hoje a tecnologia possibilita isso, possibilita a acessibilidade atitudinal.
3- As instituições trouxeram algum tipo de auxílio?
Eu tive contato com todas as instituições que você possa pensar aqui em São Paulo: Laramara, Cadevi, Adeva, Padre Chico e a Fundação Dorina. A Fundação Dorina foi onde eu tive o processo de reabilitação, lá eu aprendi escrita Braille, aprendi atividade da vida diária, como viver em uma casa sozinho, como fazer suas refeições higiene pessoal da tua casa, varrer, passar pano, limpar o banheiro, lavar roupa, todo cotidiano da sua casa. Ter essa autonomia. E hoje, eu sou conselheiro da fundação Dorina, fui convidado ano passado e tive a grata satisfação de ser convidado pela Ika Fleury, presidente da fundação Dorina. E hoje eu vivencio os bastidores e como a importância do papel de um conselheiro, e a importância da Fundação Dorina para um cenário nacional e internacional. É uma das instituições mais representativas do Brasil e a gente sabe que não é fácil essas políticas públicas para que possa melhorar a vida de uma pessoa com deficiência a inserção, reabilitação de uma pessoa no mercado de trabalho. Acho que um dos principais papéis de uma instituição é reabilitar uma pessoa com deficiência, se ele teve deficiência desde criança, ou ficou depois de adulto, é possibilitar que essa pessoa possa voltar ao mercado de trabalho, porque qualquer pessoa com deficiência que fazer parte dessa sociedade mais
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produtivamente. Ela quer pagar impostos, ela quer ter o direito de ir e vir, ter o direito de ser um consumidor, direito de votar, direito de participar dessa sociedade mais produtivamente, oferecendo o que ela tem, o seu trabalho, porque o trabalho pra mim é dignidade. Então o papel de qualquer instituição hoje é além de tudo reabilitar a pessoa, mas preparar ele pra vida, para ser uma pessoa autônoma independente.
4- Para você, qual o maior preconceito que as pessoas videntes têm contra o cego?
O maior preconceito contra uma pessoa independente da sua deficiência é a informação. Eu acho que a partir do momento que você tem a informação e conhece um pouco sobre x deficiência fica tudo mais fácil. O que eu quero como uma pessoa com deficiência é ser tratado com respeito, com dignidade, não como um coitadinho incapaz de fazer algo. Eu vou fazer tudo que eu quiser, claro, com as minhas limitações, mas isso não me impede de ter essa autonomia, de viajar sozinho, ir no shopping fazer comprar, ir no comércio popular, no supermercado, sair me divertir, lazer, ir em museus, shows, ter uma vida como qualquer outra pessoa tem. O que uma pessoa com deficiência quer? Autonomia e sua liberdade. E a gente só vai conquistar essa liberdade com trabalho e dignidade. E o preconceito só vai existir por falta de informação. Então quando você conhece a deficiência x, e no meu caso a visual, quais as limitações? Quais as potencialidades? Você não vai mais ver essa pessoa como alguém improdutivo, incapaz, um coitadinho. Claro, eu tenho minha limitação visual, mas isso não me impede de fazer algo que eu queira. Porque todo mundo tem um tipo de limitação, com ou sem deficiência.
5- Você gostaria de dizer mais alguma coisa?
Dê oportunidades para as pessoas com deficiência, para que elas possam mostrar o seu potencial, principalmente as pessoas com deficiência visual. Existe uma grande resistência do mercado de trabalho, principalmente no departamento do RH de grandes empresas e instituições por achar que uma pessoa com deficiência não é capaz de exercer qualquer que seja a função dentro daquela
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instituição. A pessoa com deficiência hoje trabalha muito com computadores através dos leitores de tela, então eu tenho acesso ao mundo, posso me conectar com o mundo e posso ser uma pessoa produtiva. Mas acima de tudo, você que é empresário o seu programa de computador, que você utiliza na sua empresa tem que ter acessibilidade. Eu só vou conseguir ser produtivo na empresa quando ela me possibilita que esse programa seja acessível e vou conseguir utilizar como qualquer outra pessoa. O grande obstáculo que encontramos hoje como deficiente visual ao ingressar no mercado de trabalho, claro sempre utilizando o computador, é que os programas não têm acessibilidade. E aí? Como vou conseguir ser produtivo se o programa que a empresa usa não tem acessibilidade. Então o que a gente quer é isso, acessibilidade na web, nos programas, nos aplicativos, ser tratado de igual para igual e possibilitando a satisfação não só para o empresário, mas para mim também, de que estou sem útil para essa empresa e dessa forma crescer profissionalmente. Então vamos deixar os programas acessíveis e assim seremos todos iguais.
6- Porque você escolheu ser fotógrafo?
Escolhi ser fotografo porque é uma profissão fácil, uma profissão que a gente não trabalha... Não, falando sério: quando eu comecei a fotografar eu não tinha esse negócio de profissionalmente de “Ah, eu vou ser um fotógrafo”. Gostava da fotografia como hobby, eu fui despertar para a fotografia e querer mesmo ter uma projeção no sentido de retorno financeiro quando eu fique deficiente, que eu conheci um dos maiores fotógrafos cegos do mundo que é o Bavcar. Aí sim eu tive a noção de que eu poderia ser um fotógrafo e eu poderia viver do meu trabalho, então isso foi a minha decisão.
7- O que você pensou quando descobriu que ficaria cego?
Você tem dois caminhos: aceita que você vive melhor ou então vai ficar ai com depressão, doente em casa e as pessoas vão ter pena de você. A única coisa que as pessoas vão ter de você é pena.
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Entrevista com Glauber Coelho 1- Faça uma apresentação sobre você: nome, idade, profissão...
Meu nome é Glauber, eu tenho 27 anos, trabalho com edição de som e eu sou filho da Eliana.
2- Como foi descobrir desde o nascimento até sua infância que sua mãe e seu pai eram deficientes visuais?
Pra mim sempre foi muito normal porque eu nunca tive uma experiência com pais que enxergassem, então pra mim sempre foi muito natural. Talvez quando eu era pequeno estranhasse algumas coisas dos outros e não dos meus pais, porque minha referência sempre foi essa, mas eles sempre estavam juntos, minha mãe sempre jogava videogame comigo quando eu era pequeno, então tudo o que a mãe dos outros fazia minha mãe fazia também, então não tinha diferença nenhuma.
3- E como é conviver com pessoas com deficiência visual?
Ah... é muito tranquilo, assim, isso com relação a qualquer deficiência é você entender até que ponto a pessoa precisa de ajuda ou não, sabe? Meus pais são muito tranquilos com isso, fazem de tudo, tem gente que aceita de uma maneira diferente, quando aceita, e acho que é entender até quando a pessoa quer, precisa da sua ajuda, porque muitas vezes não precisa.
4- A convivência com eles te traz algum desafio? Algo que você nunca imaginou que faria?
Acho que desafio não, mas acabou moldando algumas coisas em mim, tanto que eu trabalho com edição de som e eu acho que muito provavelmente é por causa disso, porque eu smpre fui muito ligado ao som, a música, sempre prestei muita atenção nisso por causa deles e acabou me levando um pouco pra esse caminho. Mas desafio... Como eu falei eles são muito tranquilos, nunca teve
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nenhum obstáculo muito grande. Talvez por dirigir, poque todo mundo tem aquela coisa de “ah, eu vou aprender a dirigir” e tem o pai lá do lado, ensinando, pra puxar o freio de mão qualquer hora ou enxer o saco... Eu acho que isso foi até bom, porque eu não tive ninguém do meu lado pra colocar esse tipo de pressão. Então eu nunca passei por isso, mas eu acho que é um lado bom e não ruim.
Entrevista com Eliana Coelho
1- Faça uma apresentação sobre você. Meu nome é Eliana, eu tenho 57 anos, trabalho com massagem, sou massoterapeuta e esteticista, então faço tanto shiatsu como drenagem linfática. Sou deficiente visual total de nascença, eu tenho lesão no nervo óptico e nunca enxerguei. E levo a vida assim, da forma mais normal possível. Sou mãe, tenho um filho de 27 anos, sou casada, meu marido também é deficiente visual, ele trabalha em uma instituição financeira. Minha mãe mora com a gente, eu já não tenho mais meu pai… é isso. 2- Qual a maior dificuldade que você encontra no dia a dia?
Acho que a maior dificuldade que eu e todos nós deficientes visuais encontramos ainda é a facilidade de muitas coisas que não tem em Braille, não tem identificação. Por exemplo, uma lata de ervilha: se a gente não colocar um aplicativo, alguma coisa assim, se não tiver quem enxerga… Agora nós temos um aplicativo onde umas pessoas nos ajudam. Mas se não tiver uma pessoa por perto que enxerga, fica um pouco difícil. A gente tem que organizar as coisas, se não a gente acaba se perdendo. Mas no dia a dia mesmo, eu acho que ainda precisa de muita mudança: calçadas, na nossa locomoção… É preciso ter muita conscientização das pessoas, não deixar as coisas no meio da calçada, não estacionarem errado, porque pode nos prejudicar… Degraus… Eu moro numa região que tem muita subida, descida, então isso atrapalha um pouco nossa mobilidade.
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3- As instituições existentes trouxeram algum tipo de auxílio?
O Padre Chico, porque foi onde eu estudei né, onde eu aprendi tudo, tudo o que eu sei, tanto a parte didática quanto a paradidática. Tudo o que a gente sabe, tudo o que eu sei foi baseado naquilo que eu aprendi no Padre Chico. Claro que com grande apoio da minha família né. Mas lá eles nos ensinaram muitas coisas, tanto na parte escolar quanto assim, na vida diária mesmo né, porque nós tínhamos atividades da vida diária. Nós éramos internos lá né, então a gente, eu ficava no internato, eu entrava na segunda e saía no sábado, e só passava o final de semana em casa. E lá eles no ensinavam tudo, como cuidar de um bebê, como cuidar de uma casa, tudo, tudo o que a gente precisava aprender a gente aprendeu lá. E também assim, comportamento, e tudo mais, tudo oque faz parte até da nossa vida social, muita coisa a gente aprendeu lá. E a Dorina Nowill, nos trouxe tudo o que a gente pode ler em Braille né, a gente deve agradecer a ela, a toda a luta dela, que depois fez aquela fundação maravilhosa, onde a gente tem os livros, tanto didáticos quanto paradidáticos. Então sim, trouxe muito benefícios pra nós. 4- Para você, qual o maior preconceito que as pessoas videntes têm contra o cego? A pessoa que enxerga não tem muita confiança na gente. Se eu estiver com uma pessoa que enxerga, ela vai se reportar a essa pessoa e não a mim. Principalmente o que eu quero, se eu tô numa loja. Eu acho que assim: a gente vai a uma loja e as pessoas perguntam pra quem tá com a gente, sabe? “O que ela quer?”, “O que ela gosta?”. Então é como se nossa opinião não fosse uma coisa muito segura. Dentro de um contexto às vezes de trabalho... Se você, como eu, faz um trabalho voluntário, muitas vezes as pessoas se reportam a outras pessoas quando precisam de uma resposta que eu mesma posso dar. Eu acho que nossa maior barreira é essa, mas a gente consegue passar por cima.
5- Porque você escolheu trabalhar com a massoterapia? Eu não trabalhava com massoterapia. Eu trabalhei por 5 anos e meio na General Motors, eu saí e depois engravidei. E eu queria acompanhar todas as
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fases dele. Então quando ele era pequenininho eu fiquei sem trabalhar. Quando ele fez 12 anos eu falei "não, eu preciso arrumar algo pra fazer" e comecei a fazer cursos. Eu gosto de lidar com pessoas, em todos os sentidos, psicologicamente, quanto para fazer massagem. E eu adoro, ajuda as pessoas, elas se sentem bem, me deixa muito feliz.
Entrevista com Nice Coelho
1. Faça uma breve apresentação sobre você. Meu nome é Nice, tenho 80 anos, moro com a minha filha Eliana, o marido dela e meu neto. 2. Como foi pra você saber que sua filha nasceria cega? Se você chegar e falar “você vai ter uma pessoa deficiente visual na tua...” você vai dizer “não, não vou saber como lidar”. E eu, eu sei lá, eu não tenho dúvida nenhuma de que eu fiz a coisa certa em relação a ela. Eu nunca deixei ela porque geralmente quem tem filhos assim querem que eles fiquem quietinhos no canto, que eles sejam… mesmo na escola falava era muito fácil ter um filho deficiente e simplesmente dar um radinho de pilha e deixar ele lá sentado ouvindo música o tempo todo. Quando a Eliana chegava aqui nas férias ou no final de semana ela fazia o que ela queria, tinha amiguinhos, quer dizer, aí eu fui acreditando que ela era uma pessoa normal, então aquilo não me fazia sofrer.
Entrevista com João Vitor
1. Faça uma apresentação sobre você: nome completo, idade, bairro em que mora, com quem mora, qual foi o diagnóstico da sua deficiência visual, quando perdeu a visão, onde estuda e o que faz e o que mais achar relevante.
Então nome completo: João Vitor Domingues Francisco, tenho 23 anos, moro em Perdizes, bem ao lado da PUC. Moro no que eu não sei se posso chamar de república, mas eu moro em um apartamento com o Mateus, aluno de jornalismo da PUC e a Giulia, uma amiga nossa que foi aluna de multimeios da PUC. Eu nasci com glaucoma, então foi glaucoma congênito. A causa foi desconhecida. Eu
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nasci com glaucoma, sem visão. Mas quando eu tinha alguns dias, alguns meses de vida eu fiz transplante, recuperei a visão e até os meus 15 anos de idade eu enxergava uns 69, 70%, de modo que eu andava de bicicleta, praticava atividades rotineiras de uma forma normal. Eu não conseguia enxergar muito de longe, usava óculos e tal, mas era naturalmente normal. Mas meu olho deu muitos problemas ao decorrer dos anos. E quando eu estava na adolescência eu só enxergava com o olho esquerdo e quando o olho dá muito problema assim, geralmente o que dá problema é a córnea, e foi o que aconteceu comigo. Minha córnea começou a inchar do nada, eu fui ao médico, fiz o transplante de córnea, mas a córnea tinha afetado a retina e retina não se regenera, célula nervosa não se regenera. Enfim, algumas regeneram, mas a retina não. E aí eu perdi a visão por conta disso, com 15 anos. A retina ficou totalmente danificada, etc. Eu estudo na PUC, faço psicologia na PUC, acho que é isso.
2. Sua família tem algum histórico de deficiência visual?
Não, minha família não tem nenhum histórico de deficiência visual.
3. Como foi pra sua família e pra você saber que ficaria cego? Como foi para a minha família? Bom... na verdade eu... saber, saber eu não sabia. Eu perdi a visão de repente, a gente tava, enfim... Eu fiz a cirurgia, deu certo, mas a retina tava muito danificada como eu falei e eu no dia perdi a visão. A reação inicial, lógico, foi de muito susto, foi um susto gigante. Eu, particularmente já estava esperando, porque minha visão já estava muito danificada mesmo, mas enfim... mesmo que eu estivesse esperando o susto foi gigante. Meus pais ficaram bem tristes, não foi tão pior porque no decorrer da minha vida eu perdi a visão algumas vezes, quando eu era criança eu perdi a visão umas duas, três vezes, na adolescência, quando eu tinha uns 13 anos eu perdi e tinha recuperado... Então assim, até meus 15 anos eu tinha perdido a visão umas cinco vezes e ela voltava geralmente com um mês, dois meses. Então é assim, o meu olho sempre deu problema no decorrer do tempo e sempre foi voltando, agora que não voltou. Então a gente sabia, de certa forma lidar, eu já tinha perdido a visão algumas vezes então não foi algo desconhecido, mas minha família ficou em choque, bem em choque mesmo, até porque quando eu perdi a visão com 15
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anos eu tava no primeiro ano do ensino médio, que é quando a gente começa a pensar em vestibular, né? Então toda a preocupação de vestibular, de universidade, onde eu ia estudar, etc e etc. Mas eu também fiquei razoavelmente em choque no início, nos primeiros dias mas eu também logo fiz terapia. E como eu tinha perdido a visão algumas vezes eu meio que logo me recompus. “é, então é isso, eu vou ter que viver dessa forma” e logo voltei ao normal, a um estado emocional bom.
4. Qual a maior dificuldade que você já encontrou ou ainda encontra no dia a dia? Para você, qual o maior preconceito que as pessoas videntes têm contra a pessoa com deficiência visual?
Aqui eu vou unir duas perguntas, que é qual a maior dificuldade que eu encontro no dia a dia e a outra é qual o maior preconceito que as pessoas videntes têm, porque me parece que é a mesma resposta. O que mais me incomoda, que também é o maior preconceito é que a maioria das pessoas acham que as pessoas com deficiência visual são incapazes. Então é isso... eu tenho que ficar me provando, provando que sou competente... até acontece algumas situações engraçadas, porque eu, particularmente, gosto muito de estudar, muito mesmo. Então de vez em quando acontece algumas coisas engraçadas... eu tô em uma aula ou em algum grupo conversando e eu começo a falar das coisas que sei, argumentar. E de vez em quando aparece alguém que fala “nossa, mas você é inteligente!”, e eu “sim!” e esse preconceito é tão grande que eu chego em ambiente acadêmicos, mais intelectual e eu logo já me coloco como um estudante sério. É muito comum que eu, nas primeiras aulas, faça comentários durante a aula, justamente pra mostrar que eu só não enxergo, e que você não precisa ter pena de mim.
5. As instituições como Dorina Nowill e Instituto Padre Chico trouxeram algum tipo de auxílio?
A Dorina e o Padre Chico, não, porque eu nunca os contatei. Como eu sou do interior, de Nova Granada, vim pra cá pra estudar, eu nunca contatei. Na verdade eu não contatei nenhuma instituição. Eu tenho minhas críticas à elas e eu
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costumo não expor, porque isso poderia pegar mal pra mim. Mas eu já comprei algumas coisas no LARAMARA.
6. Você sente alguma dificuldade no local que estuda? Recebe todo o apoio necessário?
Na PUC eu tenho uma boa recepção. Já foi pior, mas eu fui um dos que ajudou a fundar a comissão de acessibilidade da universidade. A comissão começou com o curso de psicologia, comigo e uma professora que trabalha com as pessoas com deficiência, algumas alunas e outra professora. A gente tentou resolver algumas coisas e levamos pra reitoria, que instituiu uma comissão para a universidade. Eu consegui intérpretes para os surdos, instalação de um elevador para cadeirantes em um local que só tem escadas, outro elevador para ir à um dos prédios que só tinha escada... Mas a assistência não é total, falta muita coisa. Eu leio os materiais da seguinte forma: eu baixo, por exemplo, o artigo da internet e uso o leitor de tela do celular. Quando não tem online eu escaneio, mando para uma gráfica, escaneio, baixo para o celular, computador ou table e leio. A gente ainda tá correndo com os professores para eles disponibilizarem todo o conteúdo online. Mas tem que ver quem que vai bancar isso, se é os professores, a faculdade... É claro que os videntes pagam para escanear, nós deficientes visuais não estamos pedindo algo gratuito, a gente teria que pagar algum valor. Mas eu ainda tenho que correr muito atrás disso. De resto é bem tranquilo, os professores sempre tentam adaptar as informações que são mais visuais.
7. Pra você, qual a importância de se falar sobre a inclusão das pessoas com deficiência visual?
Bom... falar da importância é indescritível. Eu, por exemplo, sou um dos únicos cegos na PUC, contando a graduação e a pós-graduação e se você pegar a quantidade nas universidades em geral, o número é extremamente pequeno. Acho que a importância tá justamente no reconhecimento da pessoa como pessoa mesmo, porque existem pessoas que pensam que as pessoas com
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deficiência visual ficam trancadas em casa, sem estudar... Isso acontece, muitas pessoas não tem qualificação, estão trabalhando em lugares que só as contrataram para cumprir a cota... Tanto que eu sou uma pessoa que tem pouquissimos amigos cegos e entre eles eu sou uma figura estranha, porque eles são muito isolados, convivem apenas com cegos, não estudam e trabalham... Eu nunca entendi porque o fato de eu ser cego me fizesse conviver com pessoas cegas. Eu participo de grupos com pessoas cegas, onde compartilhamos informações, mas meu cotidiano é 99% com pessoas videntes. Eu saí do interior pra morar e estudar sozinho, tive um pouco de receio, mas nunca achei que a deficiência visual pudesse me impedir de fazer o que eu quisesse fazer. Sempre que eu penso em fazer alguma coisa eu falo “ah, vou fazer”. Eu olho para as barreiras de forrma superada.
8- Conte mais um pouco sobre a comissão de acessibilidade da PUC e seu processo de criação.
Essa comissão começou mais ou menos há um ano e meio e existe uma característica bem comum entre as pessoas com deficiência que é a de não relatar algumas dificuldades que estão passando. Isso se dá desde que elas são crianças, quando relatam as dificuldades para as instituições, escolas, enfim... e geralmente elas não resolvem, tapam com a peneira e não resolvem. Então as pessoas se sentem desacreditadas em melhorias, transformações. Como eu disse, eu tive um pouco de sorte. Os médicos lá da minha cidade recomendaram aos meus pais quando eu tinha uns 6 anos, quando se começa o processo de alfabetização, que me colocassem em uma escola particular, porque eu teria mais atenção mais especial. Na época eles não tinham muita grana, mas foram lá, deram um jeito, conversaram com a diretora da escola e me colocaram. A minha segunda sorte veio quando eu fui muito bem aceito. Normalmente algumas escolas não aceitam uma pessoa com deficiência visual, mesmo não podendo eles dão um jeitinho “ah, não tem vaga, depois a gente liga”... No meu caso, eles contrariaram todas as expectativas, sempre se adaptaram a mim, de forma que eu cresci em um lugar onde eu poderia reclamar e seria atendido. Eu nunca cresci com aversão às instituições porque comigo foi diferente. Eu sempre me virei na PUC, mas comecei a conhecer outras pessoas, com outras
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deficiências e outros problemas, problemas muito graves. Começou com algumas alunas surdas que não conseguiam acessar ao material, sofreram resistência da parte dos professores e eu falei “não, a gente tem que fazer alguma coisa”. Mas os alunos eram muito resistentes por conta disso que falei, mas eu me reuni com os professores e criamos a comissão.
9- E onde você aprendeu o Braille? Como foi esse processo de aprendizado?
Eu não aprendi o braile. Pode-se dizer que eu sou analfabraille. E ai eu acho interessante tocar no ponto que eu havia te falado que eu sou um tipo de cego que foge um pouco do padrão ou do esteriótipo que muitas vezes se confirma nesse padrão que eu disse. É um pouco polemico dizer isso e tal e geralmente eu tendo a não dizer por que enfim, isso causa uma série de inconveniências, pessoas que se ofendem e tal, mas eu particularmente acho que o braille não tem mais a importancia que tinha há algum tempo então, como eu já te expliquei, meu modo de leitura, por exemplo, eu escaneio os textos, livros ou artigos que eu baixo pela internet e leio e etc. Agora tem novas tecnologias de leitura por cameras, entao voce tira foto, o celular também lê e enfim... então esse desenvolvimento tá bem rápido, eu não acho que o braille é tão útil assim, pelo menos não pra mim.
10- Quando você estava no ensino médio, tinha um auxílio de alguma professora para fazer as leituras?
As leituras de livros e apostilas não, porque eu leio pelo celular desde o ensino médio, escaneando ou pegando online. O único auxílio que eu tinha, mas que mudei na faculdade é que eu fazia prova oral. Eu ia pra uma sala e alguma coordenadora lia cada questão e eu ditava a resposta. Hoje, na faculdade, os professores me mandam a prova por e-mail no mesmo horário que os alunos videntes estão fazendo a prova, eu digito no celular e envio de volta.
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11- Você realiza tarefas diárias em casa, como lavar a roupa, varrer a casa? Se sim, o que você acha mais difícil de fazer?
Eu realizo algumas tarefas diárias. Varrer a casa e outras relacionadas à limpeza, não, Mas porque eu e meus amigos contratamos faxina. De vez em quando lavo a louça e roupa. Não acho nenhuma difícil, acho que lavar a roupa no quesito de que a máquina não é acessível. Tem algumas que falam, que dá pra conectar dispositivos, enfim... deixam a máquina acessível. A minha é antiga, então eu tenho que fazer a combinação dos botões ou chamar algum vidente pra me dizer o que eu tô selecionando ali.
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APÊNDICE E – FOTOS
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DIÁRIO DE CAMPO
SEMANA
ATIVIDADE REALIZADA
5 a 9/8
Alinhamento do projeto com o professor orientador I
12 a 16/8
Início da produção do Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica
Produção do Relatório de Fundamentação Teórica e 19 a 23/8
Metodológica e criação da plataforma
26 a 30/8
Criação da plataforma e alinhamento com as fontes
2 a 6/9
Produção da reportagem e entrevista com as fontes
9 a 13/9
Produção da reportagem e roteirização
16/9 a 11/10
Produção da reportagem e da plataforma
14 a 25/10
Produção da reportagem
28/10 a 1/11
Finalização da reportagem e envio para a revisão
Finalização do Relatório de Fundamentação Teórica e 4 a 8/11
Metodológica, ajustes na reportagem e na plataforma
11/11
Entrega do projeto
55
ANEXOS
56
ANEXO A – TERMO DE USO DE IMAGEM E VOZ Eliana Nice Coelho Anadão
57
JoĂŁo Batista Maia da Silva
58
ANEXO B – FOTOS
59
60