UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
Telespectadores Organizados: A nova realidade das torcidas organizadas paulistanas em meio à pandemia
SÃO PAULO 2020
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
Telespectadores Organizados: A nova realidade das torcidas organizadas paulistanas em meio à pandemia
LUIZ AUGUSTO SOARES DE CAMARGO
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel. Orientador: Prof. Dr. Nivaldo Ferraz
SÃO PAULO 2020
FICHA TÉCNICA
Título: Telespectadores Organizados
Característica Técnica do Produto:
Produto: Reportagem extensa digital Formato: Página de Internet (Wix site) Páginas: 1 página.
Recursos de edição: Edição de fotos: LightRoom e Photoshop. Elaboração do site: Plataforma Wix Sinopse: Retratação do cotidiano de torcidas organizadas dos três maiores clubes da Cidade de São Paulo em meio a pandemia do coronavírus, a fim de observar os impactos e mudanças provocados em suas atividades e costumes.
Edição de texto: Luiz Augusto Soares de Camargo Reportagem: Luiz Augusto Soares de Camargo Roteiro: Luiz Augusto Soares de Camargo Orientador: Prof° Doutor Nivaldo Ferraz Coordenador do curso: Prof° Mestre Antônio Assis Entrevistados: Antônio Augusto Granai Salmim – Integrante da Torcida Rasta Alviverde Iandra Bettoni Cavalcante – Integrante da Torcida Rasta Alviverde Rafael Campos Lima – Integrante da Torcida Rasta Alviverde Rodrigo Freitas – Líder da Torcida Movimento Tradição André Azevedo – Integrante da Torcida Movimento Tradição Rignaldo de Mello Francisco – Líder da Torcida Camisa 12 Eder Francisco de Souza – Integrante da Torcida Camisa 12 Felipe de Oliveira – Integrante da Torcida Camisa 12
RESUMO
Este projeto tem como objetivo analisar e compreender a razão pela qual os torcedores paulistanos, principalmente aqueles pertencentes às classes sociais mais baixas estão deixando de acompanhar com mais afinco seus times de coração, principalmente de forma presencial nos estádios. Acompanharemos a rotina de torcedores comuns e organizados nos dias das partidas, analisando como os mesmos estão lidando com o espetáculo na atualidade e observando quais mudanças ocorreram em comparação aos períodos anteriores, onde o envolvimento com o esporte tinha um valor mais acessível em todos os campos. Abordaremos pautados pela mercantilização do futebol esta questão, cujo processo vem ocorrendo no Brasil há algum tempo, porém com mais rigor desde a última copa do mundo sediada no nosso país em 2014.
Palavras-chave: futebol; torcedores; estádio; mercantilização; esporte; arquibancadas.
ABSTRACT
This project aims to analyze and understand the reason why fans from São Paulo, especially those belonging to the lower social classes, are no longer following their teams at heart, especially in person at the stadiums. We will follow the routine of ordinary and organized fans on match days, analyzing how they are dealing with the spectacle today and observing what changes have occurred compared to previous periods, where involvement with the sport had a more accessible value in all fields. We will address this issue, which has been going on in Brazil for sometime, but with more rigor since the last world cup based in our country, in 2014.
Key words: soccer; fans; stadium; commodification; sport; grandstand.
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 4
2.
JUSTIFICATIVA ............................................................................................. 5
3.
OBJETIVOS ..................................................................................................... 6 3.1 OBJETIVO GERAL............................................................................................. 6 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................. 6
4.
PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES ......................................................... 7
5.
ASPECTOS TEÓRICOS.................................................................................. 7
6.
ASPECTOS METODOLÓGICOS ................................................................ 12
7.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................... 13
8.
CRONOGRAMA ............................................................................................ 14
APÊNDICE – PROJETO EXPERIMENTAL ...................................................... 14 1. PROJETO EXPERIMENTAL........................................................................... 14 1.1 TÍTULO ............................................................................................................ 14 1.2 ÁREA E FORMATO ............................................................................................ 14 1.3 SINOPSE........................................................................................................... 15 1.4 DESCRIÇÃO DO PROJETO .................................................................................. 15 2.
CRONOGRAMA GERAL ............................................................................. 16
3.
INVESTIMENTO ........................................................................................... 16
4.
FINALIDADES ............................................................................................... 16
5.
ANEXO ........................................................................................................... 18 5.1 FICHA DE INSCRIÇÃO DO TCC .......................................................................... 18
6.
DIÁRIO DE CAMPO ..................................................................................... 19
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1. INTRODUÇÃO
Para sediar a Copa do mundo de 2014, os estádios brasileiros passaram por uma enorme mudança estrutural visando atender as exigências impostas pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA), para a realização da competição. Em São Paulo, apenas o estádio do Sport Club Corinthians Paulista representou a cidade no torneio, totalizando seis partidas, entre elas a abertura no dia 12 de junho de 2014 entre Brasil x Croácia e a semifinal em 9 de julho entre Argentina x Holanda. Dois anos depois, a Arena Corinthians ainda fora sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e da Copa América de 2019. Mesmo sem terem sido contemplados em sediar o torneio, os outros dois clubes da cidade considerados ao lado do alvinegro os maiores do Estado, Sociedade Esportiva Palmeiras e São Paulo Futebol Clube, investiram na reforma e modernização de seus estádios. Essa adequação evidentemente beneficiou todos os participantes do espetáculo, em especial aos torcedores, que atualmente usufruem de toda segurança e conforto oferecidos pelas arenas com padrão FIFA. Porém, essa reformulação fez com que os clubes aumentassem os valores dos ingressos cobrados de forma exorbitante, ocasionando uma segregação social nas partidas, onde os torcedores mais endinheirados, que podem arcar com os ingressos caros, e programas de fidelização mensais ou anuais compareçam com muito mais frequência aos jogos. Tal elitização, corrompe a tradicional cultura de torcer e compromete a “autêntica” paixão pelo futebol brasileiro. Toda a festa e alegria das arquibancadas vibrantes de outrora, agora deram lugar a um público mais passivo e comportado, que embora tenha um grande apreço pelo clube, não tem em seu “DNA” a vibração e paixão das antigas torcidas gerais que lamentavelmente estão se extinguindo em nosso país. Diante desse cenário, esta pesquisa tem como meta explorar as contradições e os conflitos existentes no atual futebol paulistano em meio a pandemia do Coronavírus, tendo como base o comportamento de torcedores dos três maiores clubes da cidade: Corinthians, Palmeiras e São Paulo, contra transformações econômicas, sociais e arquitetônicas presentes nos estádios de seus clubes. Com essa observação, temos o objetivo de compreender como a voz desses grupos podem restaurar ou transformar o atual cenário de dominação presente no futebol paulistano, e também identificar de qual forma os torcedores estão acompanhando seus times, já que por enquanto não podem adentrar os estádios.
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Este projeto se desdobrará para uma reportagem impressa extensa a ser publicada em uma edição já existente da revista Placar, com sua forma e linguagem ajustadas aos moldes e conceitos presentes no produto da Editora Abril. 2. JUSTIFICATIVA
O futebol tem uma importância enorme na vida de milhões de pessoas em todo o mundo, capaz de mudar humores, de fortalecer relações, até de horizontalizar mundos verticalmente opostos. Quando o assunto é o jogo do final de semana, o presidente e o faxineiro da empresa conversam no mesmo patamar. Porém atualmente o esporte que sempre foi um instrumento de inclusão social e cidadania, está passando por uma grande mudança física e estrutural devido ao protocolos de distanciamento e isolamento sociais causados pela pandemia da Covid-19vem se tornando uma mercadoria através da mercantilização dos novos moldes e regras impostos pelas entidades que comandam os clubes, como a modernização dos estádios, transformados em arenas, que aderiram quase totalmente aos programas de sócio torcedor e tiveram os ingressos superinflacionados. Segundo Paraná (2013), para se ter uma ideia, o valor do ingresso subiu 300% enquanto o salário mínimo aumentou 183% na última década. O Brasil é o país onde a renda per capita compra a menor quantidade de ingressos no mundo. Isso acaba gerando uma elitização, pois privilegia uma minoria mais endinheirada da população e exclui a grande massa, pois são pessoas que não têm condições de pagar por um programa de sócio torcedor, tão pouco comprar um ingresso avulso com um preço elevado. Essas novas arenas com capacidade para aproximadamente 45 mil espectadores muitas vezes registram públicos abaixo de 30 mil pessoas dependendo do jogo, ou seja, sobram 15 mil lugares que poderiam ser ocupados pela torcida, que é a razão principal da existência e da popularidade do clube, que grita e apoia durante os 90 minutos. No fim das contas, isso acarreta prejuízos para o próprio time, pois acaba não se aproveitando do seu mando de campo com o torcedor mais atuante e atrai a torcida mais comportada, uma plateia que não incentiva tanto, e isso acaba refletindo no desempenho técnico dos jogadores. Além disso, todo o show vindo das arquibancadas, como a pirotecnia com fogos e sinalizadores, mastros, instrumentos musicais e bandeirões estão sendo banidos porque os clubes erroneamente preferem tirar a alegria do jogo e do torcedor do que aumentar a segurança em seus estádios.
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Esse novo cenário também influencia diretamente os astros do espetáculo, os jogadores, que não podem mais comemorar seus gols tirando a camisa ou festejando junto à torcida no alambrado, muito menos provocando o rival com brincadeiras ou gestos. Até o drible é passível de punição por demonstrar desrespeito ao adversário. O amor à camisa, infelizmente já não existe mais. O que se vê são salários astronômicos e quando o jogador completa 100 jogos pelo clube já é considerado ídolo, pois estão sempre migrando de time em time visando um salário ainda maior. Atletas da categoria de base antes mesmo de serem promovidos ao time principal, já são vendidos para clubes europeus por cifras astronômicas e esse interesse é sempre maior do que o de servir a seleção brasileira que antigamente era o sonho principal e a plena realização de todo jogador. Uma nova dinâmica se estabelece a partir dessa dimensão pandêmica, em que frequentar o estádio com ingresso caro, não acontece no momento do desenvolvimento deste TCC em sua parte prática. Mas nada do que se diz aqui será inútil, pois a pandemia passará, e a mesma realidade de um difícil acesso do torcedor comum aos estádios com ingressos exorbitantes se restabelecerá. Desta forma, tivemos de escolher um momento de realizar a prática do TCC, visitando as torcidas das três principais equipes da cidade de São Paulo, para averiguar como a emoção de torcer pela TV principalmente tem acontecido neste momento.
3. OBJETIVOS
3.1
Objetivo Geral
Compreender os efeitos decorrentes da Pandemia da Covid-19 no comportamento dos torcedores das três equipes profissionais de futebol da cidade de São Paulo, e como eles fazem para continuarem a torcer mesmo sem terem acesso aos estádios.
3.2
Objetivos Específicos
Demonstrar o quanto a mercantilização do futebol vem prejudicando a áurea do esporte mais popular do planeta, e como isso interfere diretamente nas arquibancadas, distanciando aqueles que são os integrantes principais do espetáculo, os torcedores mais
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apaixonados. Acompanhando também os torcedores em sua forma nova de torcer durante a Pandemia. Compreendendo se essa limitação desagrada as torcidas.
4. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES
Levando em consideração que o futebol é o esporte mais popular do mundo, um dos principais símbolos do Brasil e desde a sua criação sempre foi um poderoso instrumento de inclusão social e cidadania, iremos analisar por quais motivos a grande massa popular não acompanha mais os jogos de seus times com a mesma frequência e empolgação, tanto por transmissão televisiva quanto presencialmente nos estádios. Algumas das hipóteses seriam: uma barreira social está sendo erguida pelos clubes a fim de contemplar somente aqueles torcedores com melhores recursos financeiros, que podem pagar pelos benefícios oferecidos de forma periódica e constante; o aumento no valor dos ingressos vem afastando os torcedores dos estádios e extinguindo as famosas arquibancadas “gerais” (setores com ingressos a preços populares); os torcedores estão se tornando consumidores, investindo em programas de fidelidade impostos pelos clubes e pagando valores exorbitantes em ingressos, promovendo desta forma uma segregação social; os interesses comerciais estão tornando as arquibancadas antes animadas e festivas em plateias de teatro, vendendo a partida como um espetáculo que visa somente o lucro. Com a Pandemia da Covid-19, essa condição fica suspensa temporariamente, mas irá voltar, revalorizando a pesquisa feita até aqui. Cabe, no entanto, uma adaptação de última hora da Metodologia do trabalho para a condição atual do torcedor, de buscar em espaços públicos de reunião de iguais, a única forma atual de assistir ao jogo de seu time: a televisão. Essa condição não invalida a pesquisa feita durante toda a extensão do Sétimo Semestre, mas na Metodologia é necessário aplicar esse apêndice, como única forma de concluir este TCC.
5. ASPECTOS TEÓRICOS
O presente trabalho, tem como objetivo compreender a forma como a mercantilização do futebol, um fenômeno que vem crescendo exponencialmente em nosso país nos últimos anos, impacta na relação entre os torcedores e seus respectivos clubes, principalmente após a
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copa do mundo de 2014, interferindo na forma como os mesmos se motivam a acompanhar as notícias e partidas, tanto a distância através da mídia, como de forma presencial nos estádios, o que acarreta um desgaste na áurea do esporte mais popular do planeta, que em sua história sempre foi um importante instrumento de cidadania, emoção e inclusão social.
O futebol é muito mais que um esporte, ou mesmo um modo de vida: é uma metáfora da nova ordem mundial, com toda a sua complexidade. Os clubes de futebol espelham classes sociais e ideologias políticas, e frequentemente inspiram uma devoção mais intensa que as religiões. É um esporte com interesses reais – capaz de arruinar regimes políticos e deflagrar movimentos de libertação. (FOER apud SOUZA, 2013, p. 8)
Para compreender esse fenômeno, é necessário apurar os momentos da história em que o futebol passou por tais transformações, no Brasil e no mundo. Na sua origem, o futebol brasileiro se caracterizava essencialmente por seu caráter lúdico e pela centralidade de valores como a construção de laços afetivos e de identidade entre os indivíduos. As características centrais do futebol eram o lazer, a diversão, o ócio e a criação de laços de pertencimento entre os indivíduos. (GONÇALVES; CARVALHO, 2006, p. 2)
O futebol é o esporte mais consumido e praticado em todo o mundo. Sua história constituída por várias etapas, onde foi exposto a um processo constante de mercantilização. Sua midiatização se tornou um grande alvo do capitalismo, que o transformou em uma gigante indústria cultural, gerando uma mudança significativa na forma em que seu público acompanha e conduz o esporte. O termo Indústria Cultural refere-se ao fenômeno descrito por Theodor Adorno e Max Hockheimer na Escola de Frankfurt, onde os bens culturais foram apropriados pelo capitalismo, tornando-se objeto de um grande mercado consumidor. “A participação de milhões em tal indústria imporia métodos de reprodução que, por seu turno, fazem com que inevitavelmente, em numerosos locais, necessidades iguais sejam satisfeitas com produtos estandardizados.” (ADORNO, 2009, p. 6) A indústria cultural alcança seus objetivos através dos produtos culturais que servem a uma demanda formada ideologicamente, e o interesse por estes produtos têm origem em desejos econômicos de grandes grupos empresariais que influenciam as pessoas pelos veículos de comunicação. Porém quando observamos seu uso pela Indústria do Entretenimento, o futebol se destaca por suas diversas vertentes, por mídias tradicionais como televisão e rádio, ou novas mídias como no caso da Internet, porque a maioria dos torcedores não pode acompanhar as partidas nos estádios, seja por questões financeiras ou de logística, já
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que praticamente todos os clubes brasileiros possuem torcedores em outras cidades, estados e muitas vezes em outros países, pois além do processo de imigração cada vez mais frequente no mundo, uma determinada partida pode ser transmitida para diversos países simultaneamente, principalmente os campeonatos que têm um maior apelo do público por seu nível técnico e competitividade, como os torneios europeus e a Copa do Mundo. A Copa do Mundo é um dos principais eventos esportivos do mundo e a cada edição realizada quadrienalmente, bilhões de pessoas assistem aos jogos. Segundo dados compartilhados pela FIFA, a final da copa de 2014 realizada no Brasil teve audiência de um bilhão de espectadores em todo o planeta. Um torneio que dispõe de um apelo midiático tão amplo, reunindo os melhores jogadores que atuam pelos maiores clubes do planeta, requer uma estrutura que condiz com o espetáculo. Por conta disto, a FIFA cobra uma série de exigências aos países escolhidos para sediar o evento, bem como possuir pelo menos 12 campos de futebol, com capacidade mínima para 40 mil pessoas, sendo que a partida final deve ser disputada em um estádio com pelo menos 80 mil lugares. A nação escolhida também deve ter uma excelente infraestrutura tecnológica para a transmissão das partidas em tempo real, assim como as demais informações via internet e telefone. Com o anúncio do Brasil como sede da edição de 2014, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) precisou se adequar o quanto antes para atender a todas as recomendações impostas pela FIFA. Foram consideradas como principais, as reformas e construções dos estádios dentro de todas as minuciosas determinações exigidas pela entidade máxima do futebol. Hoje, seis anos após a realização da Copa do Mundo, as doze arenas que sediaram o evento tiveram os mais variados desfechos, umas mais outras menos utilizadas para receber as partidas de clubes locais, porém o legado mais polêmico que a copa tenha deixado no Brasil talvez tenha sido a elitização imposta pelos novos padrões das arenas. O futebol mundial vem sendo atingido por esse fenômeno há algum tempo, mais precisamente no início da década de 90 na Inglaterra, com o incidente conhecido como a tragédia de Hillsborough, que ocasionou a morte de 96 torcedores durante a semifinal da copa da Inglaterra, entre Liverpool e Nottinghan Forest em 1989. O estádio da cidade de Sheffield havia ultrapassado sua ocupação máxima e dezenas de pessoas morreram ao serem prensadas por um muro que cedeu na arquibancada inferior do estádio.
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Na ocasião, o governo britânico considerou que os responsáveis pelo ocorrido foram os próprios torcedores e para tanto, impuseram várias mudanças nos estádios do país, como punições severas aos hooligans, que são os torcedores mais fanáticos famosos pelas confusões nas partidas, que passaram a ser punidos e banidos do ambiente esportivo. A partir de então, os estádios se modernizaram, as regras se endureceram e, como consequência houve uma determinação de aumento significativo no valor dos ingressos. Atualmente, assistir uma partida de futebol na “Terra da Rainha” é uma experiência totalmente confortável e segura, entretanto o custo dessa transformação foi a mudança de perfil dos torcedores, pois além de só poderem participar do espetáculo aqueles mais endinheirados, os mesmos acompanham as partidas como uma peça de teatro, no conforto de suas poltronas somente aplaudindo os lances mais empolgantes. No Anfield Road, estádio do Liverpool, o ingresso mais barato para uma partida de menor apelo custa 42 libras, o equivalente a 192 reais. Esse cenário de elitização se instaurou em praticamente todas as nações que possuem vínculo com o futebol, sendo que Brasil, conhecido historicamente por ser o país símbolo desse esporte, acabou não sendo diferente. Ainda assim, existe uma grande diferença em comparação com os países do velho continente. Segundo Capelo (2015), uma pesquisa realizada pela University College of Football Business em Londres, o ingresso brasileiro é o mais inacessível do mundo. Um trabalhador brasileiro que recebe um salário mínimo, precisa trabalhar em média onze horas para conseguir comprar o ingresso do setor mais econômico do estádio de seu time, enquanto na Alemanha, o torcedor do maior clube do país, o Bayern München, precisa exercer atividade remunerada por apenas uma hora e quarenta e oito minutos, sendo que essa partida vai oferecer um retorno técnico muito superior, por se tratar de uma equipe mais qualificada que disputa as principais competições europeias. Além do fenômeno social provocado por tais mudanças, esse processo de elitização vem devastando toda a magia e áurea que a as arquibancadas vibrantes e pulsantes de outrora agregavam aos estádios através da elitização do público pagante. A partida de futebol se tornou um ponto de consumo, onde todas as ações dos torcedores em suas visitas ao estádio tornaram-se rentáveis aos clubes, indo muito além somente da aquisição do ingresso. As novas arenas ampliam e radicalizam o sentido da cidade-mercadoria, ao impor valores comerciais muito mais altos para os ingressos e para a alimentação em seu interior, eliminando assim agentes e serviços informais que tradicionalmente compunham a experiência dos torcedores naquele espaço vivido. (SIMÕES, 2017, p.
11 16)
O torcedor apaixonado sempre foi o maior patrimônio de um clube de futebol, todavia na ótica elitista predominante nos estádios da atualidade, esse indivíduo é tratado apenas como um consumidor, e quanto mais capital ele esteja disposto a investir no seu clube de coração, melhor para os clubes e seus respectivos dirigentes. Apesar de essas constatações mostrarem como o futebol está definitivamente inserido no mercado capitalista, há um componente que foge a essa racionalidade capitalista: a paixão dos torcedores por seu clube de coração. Estas paixão, típica da irracionalidade humana está contrastando com o profissionalismo e com o alto grau de mercantilização da racionalidade capitalista para a qual está se transmutando o futebol. O torcedor, mesmo entendendo a necessidade de seu time do coração se profissionalizar, se modernizar, guarda na memória os tempos em que o futebol é apenas amor à camisa. (CASTELLARI, 2020, p. 27)
Na maior metrópole da América Latina, esse panorama se faz presente de forma intensa nos três maiores clubes da cidade de São Paulo. Torcedores palmeirenses mal podem adentrar nos entornos do Allianz Parque em dias de jogos, que são bloqueados por próprios funcionários do clube para o acesso só permitido para torcedores com ingresso em mãos. Grande parte dos Corintianos, torcedores do clube mais popular do estado, em seis anos após a inauguração da Arena Corinthians, não tiveram oportunidade de adentrá-la, devido aos altos valores dos ingressos destinados para os torcedores comuns. Já no Estádio do Morumbi os ingressos têm um valor um pouco mais acessível aos São Paulinos, contudo só conseguem acompanhar partidas com menor apelo midiático, já que os clássicos ou jogos de competições internacionais são destinados quase que em sua totalidade aos sócios-torcedores. Diante dos fenômenos aqui mencionados, o projeto irá se debruçar sobre essas questões para compreender melhor as transformações promovidas nas arquibancadas paulistanas, como os torcedores estão lidando com esse processo mercantilista junto a seus clubes e quais mudanças foram ocasionadas em seu ato de torcer através desse novo cenário. Porém, como a Pandemia da Covid-19 eliminou a presença de torcedores no estádio, optamos por manter essa estrutura teórica e acrescentar essa novidade que se estabelece a cada dia, podendo mudar conforme evolui ou involui a situação brasileira diante da pandemia. Desta forma, faz parte deste item do trabalho as observações desta nova condição.
O problema a ser resolvido é trazer de volta a alma do jogo que o vírus tirou, de uma forma real e rentável, que gere valor e receita para o mercado do futebol, e mais, para que ele se torne, efetivamente, um ecossistema. Torcida virtual, transformada
12 em cenário, confete ou som ambiente são apenas maquiagem. Os jogadores continuam jogando em estádios vazios e os jogos permanecem sem gerar receitas diretas para os seus clubes (mandantes). (EXAME, 2020) Os especialistas em saúde defendem que quando for analisada a volta dos torcedores aos estádios, que as autoridades tenham um cuidado especial para a criação dos protocolos e regras de prevenção, como a disponibilidade de álcool gel em vários setores dos estádios e arquibancadas, divisão dos torcedores por diversos setores dos estádios e arenas, criação de um esquema especial para o consumo e venda de alimentos, higienização de banheiros e ainda, evitar aglomerações em diversos locais fechados - entre outras medidas. (MINHA TORCIDA, 2020).
6. ASPECTOS METODOLÓGICOS
O processo de pesquisa foi alicerçado através de um estudo bibliográfico e documental em consultas a artigos acadêmicos, teses, dissertações e matérias jornalísticas com enfoque no tema. A partir de sua adequada delimitação, foram analisados livros de autores que exploram o assunto de forma mais centralizada, e principalmente teorias críticas como a de Theodor Adorno sobre a Indústria Cultural, evidenciando como o tema tem sua importância e relevância até os dias atuais. O projeto pretende desenvolver entrevistas com torcedores organizados dos três grandes clubes da Cidade de São Paulo: Corinthians, Palmeiras e São Paulo, Camisa 12, Rasta Alviverde e Movimento Tradição, através de uma pesquisa participante, com entrevistas e observações feitas sobretudo em dias de jogos nas sedes dessas torcidas ou em espaços que elas ocupem para acompanhar as transmissões e analisar de forma mais contundente quais são os impactos que a pandemia do coronavírus impôs sobre os grupos mais fanáticos pelo clube que são os torcedores organizados. Dependendo do desdobramento da pandemia em nossa cidade, poderá ser utilizada uma pesquisa via questionário online para a obtenção de informações mais amplas. O objeto final é uma reportagem extensa a ser publicada na internet se baseando no site da Revista Placar, procurando se aproximar ao máximo de sua linguagem, conceito e padrões.
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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRIL, Placar. Disponível em: < http://publiabril.abril.com.br/marcas/placar/ plataformas/revista-impressa>. Acesso em: 10 junho 2020,
ADORNO, T. W. Indústria Cultural e Sociedade. 5ª. ed. São Paulo: Paz e Terra S/A, 2009.
CAPELO, R. A elitização do futebol: ingresso brasileiro é o mais inacessível do mundo. Época, 2015. Disponível em: <https://epoca.globo.com/vida/esporte/noticia/2015/08/ elitizacao-do-futebol-ingresso-brasileiro-e-o-mais-inacessivel-do-mundo.html>. Acesso em: 10 junho 2020.
CASTELLARI, A. A. O tradicional e o moderno no futebol brasileiro: do moderno e de elite a uma moderna elitização. 2010. 125 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) - Pontífica Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP, São Paulo, SP, 2010. Disponível em: <https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/4196/1/Ademir%20Angelo %20Castellari.pdf>. Acesso em: 10 junho 2020. GONÇAVES, J. C. S.; CARVALHO, C. A. A mercantilização do futebol brasileiro: instrumentos, avanços e resistencias. Scielo, Recife, Abril 2006. LORDELLO, Vinícius. Futebol sem torcida: a solução precisa funcionar durante e pós-pandemia. Exame. 25 de jul. de 2020.Seção Esporte Executivo. Disponível em: <https://exame.com/blog/esporte-executivo/futebol-sem-torcida-a-solucao-precisafuncionar-durante-e-pos-pandemia/ > Acesso em: 18 de nov. de 2020. MÜLLER. Profissionais da saúde e CBF pregam cautela com a volta dos torcedores aos estádios. Minha Torcida. 31 de ago. de 2020. Notícias. Disponível em: < https://www.minhatorcida.com.br/brasileirao-serie-a-2020/9172-profissionais-dasaude-e-cbf-pregam-cautela-com-a-volta-dos-torcedores-aos-estadios> Acesso em: 18 de nov. de 2020 PARANÁ, R. B. Preço dos ingressos subiu 300% nos últimos 10 anos. Pluri Consultoria, 2013. Disponível em: <http://new.pluriconsultoria.com.br/noticias/preaso -ingressos-subiu-300-aoltimos-10-anos-2/>. Acesso em: 10 junho 2020.
SIMÕES, I. Clientes versus Rebeldes: novas culturas torcedoras nas arenas do futebol moderno. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2017.
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SOUZA, E. D. Futebol: Paixão, Produto ou Identidade Cultural. 2013. 25 f. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização (Especialização em Mídia, Informação e Cultura) - Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da Escola de Artes e Comunicações. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2013. Disponível em: < http://myrtus.uspnet.usp.br/celacc/sites/default/files/media/tcc/5611590-1-PB.pdf>. Acesso em: 10 junho 2020.
8. CRONOGRAMA Tabela 1 – Cronograma Etapa I (1º Semestre de 2020)
Etapas
Fev
Mar
Abr
Mai
Levantamento de Referências
✓
✓
✓
✓
Fichamento de Referências
✓
✓
✓
Leitura de Princípios Teóricos
✓
✓
✓
Produção do Projeto de Pesquisa Entrega do Projeto de Pesquisa Fonte: elaborado pelo autor.
APÊNDICE – Projeto Experimental
1. PROJETO EXPERIMENTAL
1.1 Título
Telespectadores Organizados.
1.2 Área e Formato
Área: Reportagem Extensa Formato: Digital
✓
Jun
✓ ✓
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1.3 Sinopse
Nesta matéria digital da Revista Placar, retrataremos o cotidiano de torcidas organizadas dos três maiores clubes da Cidade de São Paulo em meio a pandemia do coronavírus, a fim de observar os impactos e mudanças provocados em suas atividades e costumes.
1.4 Descrição do Projeto
Por se tratar de uma reportagem para um produto já existente, o projeto irá se adequar ao formato e linguagem da Revista Placar, do grupo Abril, preservando a sua missão, visão e valores: Missão: A Abril está empenhada em contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento, para o progresso da educação, a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento das instituições democráticas do país. Visão: Ser a companhia líder em multimídia integrada, atendendo aos segmentos mais rentáveis e de maior crescimento dos mercados de comunicação e educação. Valores: Excelência, integridade, pioneirismo e valorização das pessoas.
O público alvo são pessoas que apreciam ou têm interesse pelo futebol e suas vertentes, totalizando atualmente 2.573.000 leitores em todo o Brasil.
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2. CRONOGRAMA GERAL Tabela 2 – Cronograma Etapa II (2º Semestre de 2020)
Etapas
Jul
Ago
Set
Out
Apuração das Informações
✓
✓
✓
Leitura de Referências
✓
✓
✓
Contato com Fontes
✓
✓
✓
Pesquisa de Campo
✓
✓
✓
Entrevistas e Obtenção de Informações
✓
✓
✓
Roteirização e Produção da Revista
✓
✓
✓
Revisão da Revista
✓
Diagramação da Revista
✓
Nov
Dez
✓ ✓
Impressão da Revista
✓
Entrega e Apresentação do Produto Fonte: elaborado pelo autor.
3. INVESTIMENTO Tabela 3 – Orçamento Geral
Item Passagem de Ônibus Passagem de Trem com Integração Fotógrafo/editor de Imagens Elaboração do site Impressões Gastos Adicionais (alimentação etc.) Fonte: elaborado pelo autor.
4. FINALIDADES
Quantidade 1 5 3 1 150 3
Valor unitário R$ 4,40 R$ 4,40 R$ 70,00 R$ 80,00 R$ 0,25 R$ 35,00
Valor total R$ 4,40 R$ 22,00 R$ 210,00 R$ 80,00 R$ 37,50 R$ 105,00
Total
R$ 458,90
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Este projeto foi idealizado através do interesse em expandir meus conhecimentos esportivos, especificamente quanto ao futebol, que me acompanha desde a infância, e com mais intensidade atualmente como torcedor, estudante e futuro jornalista. Com a produção desta reportagem pretendo expor minhas ideias e opiniões sobre a área esportiva, a fim de obter um futuro reconhecimento de veículos de comunicação, onde terei eventualmente a oportunidade de exercer esta honrosa profissão. Este produto poderá ainda ser consumido por futuros alunos para aquisição de maiores conhecimento e aprofundamento no assunto; bem como fiz com os materiais utilizados na construção deste projeto. Minha expectativa acima de tudo é que este trabalho seja reconhecido e sua divulgação contribua para aprimorar a formação de opinião de seus leitores.
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5. ANEXO 5.1 Ficha de Inscrição do TCC
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6. DIÁRIO DE CAMPO
Agosto • 31/08/2020 - Fechei o acordo com a produtora para o desenvolvimento do site e fotografias.
Setembro • 08/09/2020 - Agendei a visita a Torcida Rasta Alviverde com o integrante Nil (Iugui Reginaldo). • 10/09/2020 - Visitei e fotografei a Torcida Rasta Alviverde. • 14/09/2020 – Agendei a visita à Torcida Movimento Tradição com o líder Rodrigo Freitas. • 15/09/2020 – O integrante Tony (Antônio Augusto Granai Salmim) da Rasta Alviverde respondeu o questionário via Whatsapp. • 16/09/2020 – O integrante André Azevedo do Movimento Tradição respondeu o questionário via Whatsapp . • 29/09/2020 – Demos início ao desenvolvimento da matéria no site. • 30/09/2020 - Visitei e fotografei a Torcida Movimento Tradição.
Outubro • 03/10/2020 – O líder Gomes (Rignaldo de Mello Francisco ) da Camisa 12 responde ao questionário via Whatsapp. • 05/10/2020 – A integrante Iandra Bettoni Cavalcante da Rasta Alviverde responde o questionário via Whatsapp.
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• 06/10/2020 – O líder Rodrigo Freitas do Movimento Tradição responde o questionário via Whatsapp. • 07/10/2020 - Agendei a visita à Torcida Camisa 12 com o Jhonny (Ricardo Amista). • 07/10/2020 - Visitei e fotografei a Torcida Camisa 12. • 12/10/2020 – O integrante Meleira (Felipe de Oliveira) da Camisa 12 responde o questionário via Whatsapp. • 18/10/2020 – O integrante Bob (Eder Francisco de Souza) da Camisa 12 responde o questionário via Whatsapp.
Novembro • 03/11/2020 – O integrante Rafa (Rafael Campos Lima) da Rasta Alviverde responde o questionário via Whatsapp. • 11/11/2020 – Finalizada a primeira etapa da edição da matéria no site. • 18/11/2020 – Relatório de fundamentação teórica e metodológica concluído conforme as orientações do Professor Nivaldo.
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Pautas
PAUTA EDITORIA Esportes
Telespectadores Organizados TEMA/ASSUNTO EDIÇÃO Como os torcedores organizados da Cidade de São Paulo estão acompanhando seus 13/11/2020 times em meio à pandemia
FONTES Tony (Antônio Augusto Granai Salmim) – Integrante da Torcida Rasta Alviverde Rafa (Rafael Campos Lima) - Integrante da Torcida Rasta Alviverde Iandra (Iandra Bettoni Cavalcante) – Integrante da Torcida Rasta Alviverde ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas aos integrantes da Torcida Rasta Alviverde (Sociedade Esportiva Palmeiras) 1- Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? 2- Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? 3- Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? 4- Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? 5- Quais são suas melhores lembranças recentes do Allianz Parque? 6- Como foi para você acompanhar o primeiro título à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão). 7- A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? 8- Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? 9- Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? 10- Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? OBSERVAÇÃO
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PAUTA EDITORIA Esportes
Telespectadores Organizados TEMA/ASSUNTO EDIÇÃO Como os torcedores organizados da Cidade de São Paulo estão acompanhando seus 13/11/2020 times em meio à pandemia
FONTES Rodrigo Freire – Líder da Torcida Movimento Tradição André Azevedo – Integrante da Torcida Movimento Tradição ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas aos integrantes da torcida Movimento Tradição (São Paulo Futebol Clube) 1- Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? 2- Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? 3- Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? 4- Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? 5- Quais são suas melhores lembranças recentes do Morumbi? 6- A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? 7- Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? 8- Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? 9- Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? OBSERVAÇÃO
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PAUTA EDITORIA Esportes
Telespectadores Organizados TEMA/ASSUNTO Como os torcedores organizados da Cidade de São Paulo estão acompanhando seus times em meio à pandemia
EDIÇÃO 13/11/2020
FONTES Bob (Eder Francisco de Souza) – Integrante da Torcida Camisa 12 Meleira (Felipe de Oliveira) – Integrante da Torcida Camisa 12 Gomes (Rignaldo de Mello Francisco) – Líder da Torcida Camisa 12 ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Perguntas aos integrantes da torcida Camisa 12 (Sport Club Corinthians Paulista) 1- Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? 2- Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? 3- Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? 4- Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? 5- Quais são suas melhores lembranças recentes da Neo Química Arena? 6- Como foi para você acompanhar a primeira final à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão). 7- A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? 8- Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? 9- Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? 10- Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? OBSERVAÇÃO
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Transcrição das entrevistas Entrevistado: Tony (Antônio Augusto Granai Salmim) – Integrante da Torcida Rasta Alviverde
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Antes da pandemia nossa rotina era baseada em sempre pensar numa maneira de entrar com as nossas faixas aonde o Palmeiras fosse jogar, independentemente do estádio, cidade, estado ou até mesmo país. Nos jogos em casa, o pré-jogo era banhado de muita cerveja e reggae. Devido o alto valor dos ingressos, alguns dos nossos não conseguiam entrar no estádio em todos os jogos, mas a gente sempre tentava entrar com o maior número de membros possível. Isso em dias de jogos, mas a gente que vive a torcida não pensa só no dia do jogo, somos o Palmeiras e torcida 24 horas por dia, sempre fazendo tudo com muito amor em prol de um Palmeiras vencedor.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Durante a pandemia ficou muito difícil fazer algo que não fosse se cuidar e cuidar dos nossos, pensando nisso fizemos diversas ações sociais com doação de cobertores, marmitas, bebidas, entre outras coisas, para moradores de rua principalmente nos bairros ao redor do Allianz Parque. Com a volta dos jogos, voltamos a abrir a sede, pois o aluguel continuou sendo cobrado e precisamos de uma fonte de renda para arcar com os compromissos da torcida. Em dias de jogo a gente reúne os mais “chegados” na sede para assistirmos juntos aos jogos do Palmeiras.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? Está sendo um momento difícil para nós, porque mesmo com a flexibilização, alguns membros ainda evitam participar das nossas ações preocupados com sua saúde e de sua família, e cada ausência conta muito, já que nossa torcida não é tão grande comparada com as outras que existem há mais tempo como a Mancha Verde, TUP entre outras. Mas mesmo assim estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance, como enfeitar o estádio com nossas faixas e bandeiras, fazendo queima de fogos para incentivar o time de fora do estádio e indo na porta do CT apoiar a equipe na saída para os jogos.
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Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? O que eu mais sinto falta é de acordar num dia de jogo, ir para o trabalho com a camisa do Palmeiras na mochila, esperar ansiosamente o horário de sair do trabalho para vesti-la, passar no mercado para comprar uma cerveja e ir bebendo desde o metrô, chegar ao estádio alegre e rever meus amigos. Essa pandemia tirou a maior alegria da minha vida que é entrar no Palestra Itália e ver meu time jogar, abraçar meus amigos no momento do gol, jogar cerveja pro alto... Sinto muita saudade de tudo isso.
Quais são suas melhores lembranças recentes do Allianz Parque? O dia mais feliz da minha vida no Allianz Parque foi o título da copa do Brasil contra o Santos, com o gol do Fernando Prass, meu maior ídolo da história recente do Palmeiras. Mas minha lembrança mais marcante foi no dia do título Brasileiro de 2016, chorei o jogo inteiro antes até do nosso gol. Fomos campeões depois de mais de 20 anos, erguemos a taça, Gabriel Jesus se despediu chorando no microfone no meio do campo, os jogadores da Chapecoense assistiram tudo, bateram palmas e minutos depois começaram a preparação para a final da Sul-americana, que aconteceria dias depois. Não sai da minha cabeça o Ananias e o Josimar, que jogaram no Palmeiras, correndo até o escanteio e eu gritei: "A gente foi campeão hoje e vocês serão semana que vem!" e eles me olharam e fizeram sinal de positivo, porém muito infelizmente essa final nunca aconteceu devido ao acidente aéreo no dia seguinte.
Como foi para você acompanhar o primeiro título à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) A gente alerta nossos membros e amigos para sempre usarem máscara e lavar as mãos sempre que possível, mas na adrenalina da vitória, os protocolos de saúde acabam sendo esquecidos, com todos os abraços e calor humano, pois não existe sensação melhor no futebol do que ver seu time de coração levantando um troféu. Pra mim aquele foi o momento de maior alegria concentrada num lugar só dentro da cidade de São Paulo desde o início da quarentena sem dúvidas. Ali não dava pra controlar a emoção, só torcer pra ninguém adoecer depois.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que
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parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? Quando eu assisto pela TV eu gosto de deixar no último volume para me sentir dentro do estádio, muitas vezes eu sinto essa sensação, mas nada melhor do que estar pisando na arquibancada. Durante a pandemia, muitos clubes colocam as vozes da torcida cantando nos autofalantes e permitem a torcida enfeitar o estádio com suas bandeiras e faixas para dar um clima mais legal ao jogo, isso é uma boa iniciativa, mas eu sinto um vazio profundo vendo as arquibancadas sem ninguém. A gente até brinca que antes nós entrávamos e as bandeiras eram proibidas, agora as bandeiras entram e nós estamos proibidos (risos). A pandemia inverteu muita coisa.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Sem sobra de dúvidas é muito mais tenso ver pela TV, porque é onde eu consigo analisar melhor o desempenho do time na partida. No estádio eu fico muito mais tranquilo e confiante, pois você está em peso com milhares de pessoas incentivando o time com o objetivo comum de sair com a vitória e um sorriso no rosto, além disso, xingar o juiz e os jogadores adversários pessoalmente é muito mais divertido.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Olha, o que a gente menos quer na nossa vida é criticar os nossos jogadores. Nós queremos sempre venerá-los, desejando que cada um deles se torne ídolo e marque história no clube, por isso sempre apoiamos e continuaremos a apoiar visando as conquistas, o que é bom para todas as partes envolvidas com o Palmeiras. Mas em muitos períodos na nossa história, alguns jogadores não entenderam onde estavam jogando, não entenderam a importância e o significado do Palmeiras na história do futebol, através de atitudes que mancharam nossa gloriosa história. Nesses casos a torcida também deve ser a primeira a cobrar um melhor rendimento dos atletas, afinal o Palmeiras é gigante pela força e tamanho de sua torcida, então exigimos dedicação. Acredito numa relação de proximidade entre elenco, comissão técnica, diretoria e torcida para que juntos nós tracemos um objetivo e solucionemos os problemas que surgirem, assim nunca seria necessário manifestações e cobranças exageradas.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia?
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Acho que, até pela modernização das arenas, o futebol vai se tornar um programa muito mais organizado em termos de higiene. Porém nosso maior receio é que a classe alta ocupe ainda mais os setores populares, que há tempos vem sendo reduzidos. Já nos setores das organizadas, eu imagino muita festa e muita alegria. Tenho certeza que assim como eu, todo torcedor fanático sonha com o dia de poder voltara pisar numa arquibancada lotada para apoiar o time. Nesse dia eu serei o homem mais feliz do mundo!
Entrevistado: Rafa (Rafael Campos Lima) - Integrante da Torcida Rasta Alviverde
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? A torcida se organizava para os jogos em casa ou fora fazendo caravanas. Desenvolvíamos diversos projetos sociais e eventos, como doações de roupas e alimentos para moradores de rua e campeonatos de futebol. Além disso, coordenávamos reuniões semanais com os associados e as vendas de artigos oficiais em nossa loja física e virtual.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? No começo da pandemia demos uma estagnada. Paramos de fazer eventos, não conseguimos movimentar a torcida, e só conseguíamos nos reunir nos dias de colocar nosso material no estádio, que virou uma rotina árdua por conta dos horários impostos pelo clube, sempre 10 horas antes do início das partidas.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? Difícil, pois aconteceu algo que não estávamos preparados e nunca vivenciamos, além disso, pela torcida ser pequena, precisávamos do recurso social para movimentar a verba, o que acabou quebrando nosso caixa naquele período.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? Da energia da torcida, vendo o pessoal se reunindo, podendo sentir de perto a emoção de toda a torcida e se sentir mais vivo com aquela vibração.
Quais são suas melhores lembranças recentes do Allianz Parque?
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Os títulos conquistados no Allianz, em especial o campeonato brasileiro de 2016, que não conquistávamos desde 1994.
Como foi para você acompanhar o primeiro título à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) Foi bom pelo fato de ser campeão em cima deles, mas teria sido bem mais gostoso com a aglomeração na arquibancada, como em tantas outras conquistas de nossa história.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? Não atende completamente, porque não chega nem perto da mesma sensação de estar ali no meio da torcida. Isso mostra a todos que um estádio sem torcida tira todo o brilho da transmissão de uma partida. Pode até disfarçar o som gerado pelo sistema de som, as bandeiras, mas o jogador e o telespectador sentem muito a ausência das milhares de vozes apoiando o time.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Diria que depende muito do jogo. Jogos rotineiros como os de campeonatos de pontos corridos são mais tranquilos de assistir tanto pessoalmente quanto pela TV. Já mata-mata é mais emocionante estar presente no estádio pela tensão.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Eles são mais influenciados pelo incentivo, porque o desempenho muda com a torcida empurrando o time. Cada jogada tem mais vigor da parte deles. A crítica desmotiva e o jogador se sente mais inseguro.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? Ficamos preocupados com uma provável mudança na forma de torcer. Mas com certeza todas as torcidas organizadas ou não, de todas as cidades estão aguardando com muita ansiedade por esse momento.
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Entrevistada: Iandra (Iandra Bettoni Cavalcante) – Integrante da Torcida Rasta Alviverde
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Sempre tentamos estar presentes em todos os jogos, dentro e fora de casa. Existem reuniões no batalhão de choque sempre 2 dias antes dos jogos em casa no Allianz, para serem passadas as orientações para todas as torcidas. Sempre chegamos 2 horas antes do início do jogo logo na abertura dos portões, levando nossos instrumentos, bandeiras e faixas no setor Gol norte. As pessoas se reúnem ao redor do estádio ou na nossa sede no pré-jogo. Ao fim das partidas nós recolhemos o material e guardamos na sede, onde ficamos mais um tempo fazendo um churrasco entre os membros.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Fizemos algumas ações sociais como doação de marmitas, alimentos e kit de higiene para moradoras de rua. Nos jogos podemos levar nossos materiais com mais ou menos 10 horas antes do início das partidas para que o clube consiga fazer a higienização antes do jogo. Aos poucos estamos voltando a assistir o jogo na sede, com toda prevenção usando álcool em gel, mesas afastadas e máscaras.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário?
Ainda está difícil, muita gente ainda tem medo de sair de casa, a sede não está enchendo muito em dias de jogo, lotou mais na final do Paulista. Estamos fazendo revezamento das pessoas que vão colocar o patrimônio pra todo mundo ter o gosto de matar a saudades da nossa casa no meio da pandemia.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? O som da batucada, a galera cantando e emoção de estar na arquibancada não tem nada igual, seja aonde for. E principalmente as caravanas para as viagens em outras cidades e estados.
Quais são suas melhores lembranças recentes do Allianz Parque?
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Eu consegui entrar no estádio depois que fomos campeões paulistas, mas antes disso o dia mais emocionante foi na final do Brasileiro 2016 contra a Chapecoense, pois eu estava com meu irmão, a pessoa que foi comigo pela primeira vez em um jogo do Palmeiras, em 2003 quando estávamos na série B. E também na final da copa do Brasil de 2015 decidida nos pênaltis. Quando o Fernando Prass fez o último gol eu senti meu corpo flutuando no estádio (risos).
Como foi para você acompanhar o primeiro título à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) Foi difícil, porque além de ser uma final, é um clássico contra o maior rival, e este é o momento onde mais queremos estar presentes no estádio. Na rua da sede tinha umas 60 pessoas, fumaça, sinalizador, bebidas, mas nada se compara estar presente na arquibancada.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? Não, mesmo porque quando é gol, chega primeiro no celular e depois na TV. Não tem as pessoas em volta, torcida, bateria, até mesmo o juiz e os jogadores adversários para a gente xingar.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Muito mais tenso, no estádio estamos ali pertinho, podemos gritar e a torcida é o 12° jogador, mesmo que fora de campo, então nós fazemos diferença estando presentes. À distância você sabe que o time não está te ouvindo e jogando na mesma sintonia que você.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? E acho que a crítica abala mais, mas são dois pesos, quando a crítica vem em rede social, centro de treinamento, é diferente do que ouvir seu nome ecoando por 40 mil pessoas. No estádio abala muito mais. Hoje em dia as torcidas até que estão tranquilas, antigamente as torcidas iam atrás, nas casas, baladas, restaurantes pra cobrar os jogadores. Sobre elogios, de qualquer lugar é bem vindo, mas creio também que dentro de campo, eles dão mais garra ainda.
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Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? Um pouco de receio ainda por conta da doença, pelo valor do ingresso e como será feita a provável redução dos assentos, pois existem informações de que não poderemos levar instrumentos e nem ficarmos em pé. Essas coisas são meio que incontroláveis, não tem como não cantar, não tem como não bater palma e muito menos assistir sentada, mas de qualquer forma, com o retorno voltaremos a cantar e vibrar como nunca, no lugar que nos traz mais alegria que é o Allianz Parque, nossa segunda casa.
Entrevistado: André (André Azevedo) – Integrante da Torcida Movimento Tradição
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Antes da pandemia, a torcida exercia o papel que o próprio nome já diz que é torcer. Tínhamos como maior finalidade ir aos jogos e caravanas, e isso se perdeu, porque por mais que você tenha uma sede, faça projetos sociais entre outras coisas a essência de tudo é estar na arquibancada.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Durante a pandemia estamos nos reinventando achando outras tantas finalidades, coisas que a gente até fazia, mas precisávamos de mais atenção já que se perdeu. No caso fizemos muitas lives pela internet, nossos projetos sociais foram intensificados, saímos mais da arquibancada do âmbito de torcer e buscamos mais parcerias para nos mantermos financeiramente. Foi um momento em que todos nós precisamos nos reinventar de alguma forma.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? Eu acho que ficarão legados de tudo isso, porque na realidade, alguns acontecimentos como esse caem no esquecimento depois de um tempo, como outras pandemias inclusive. No futuro não muito distante quando descobrirem uma cura, uma vacina ou o que seja, as pessoas serão mais gratas e humildes por terem sobrevivido a esse momento. Pra gente ficou marcada a participação da torcida através da internet com as nossas lives, algo que era pouco
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explorado. Passamos a dar mais valor para projetos sociais também, porque esse momento nos mostrou que independente de classe social, ideologia, partido político e etc, todos corremos risco de contaminação, todos somos humanos e frágeis. Isso torna não somente a nossa torcida, mas toda a humanidade mais consciente e solidária.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? Assistir jogo na televisão é um martírio. Nós somos acostumados a estar em todos os jogos então aquele era o clima: a galera, a conversa, a comemoração do gol, às vezes você comemora o gol abraçando uma pessoa que você nem conhece, comentar o jogo, enfim, a gente sente falta de tudo, de tudo que engloba ir ao estádio. Assistir aos jogos na TV não alivia nenhum pouco a falta de estar longe do Morumbi.
Quais são suas melhores lembranças recentes do Morumbi? A gente já estava esperando a paralisação do futebol no mês de março, porque já víamos outros países interrompendo seus campeonatos. Então já esperando isso nós fizemos uma grande festa no jogo contra a LDU na libertadores, porque além do fato da provável despedida, a gente precisava apoiar o time bastante, porque a situação no campeonato poderia ficar muito complicada com um empate ou derrota. Fizemos uma grande festa desde a saída dos jogadores do centro de treinamento até o final da partida, e o resultado foi nítido, com uma atuação muito boa vencendo por 3x0. Infelizmente não temos conquistado muitos títulos nos últimos anos, mas vitórias como essa, onde a torcida joga junto com entusiasmo são ótimas lembranças.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? A televisão não mata 1% da saudade de estar no estádio. Acho que na realidade ela trás um aperto no coração e faz a gente sentir mais falta. A gente fica imaginando, “A se eu tivesse aí”, coisas desse tipo. Não ajuda muito a matar a saudade não.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Considero muito mais tenso ver o jogo na televisão. Eu fico muito mais nervoso, mais que o dobro assistindo na TV. No estádio a gente está vivendo mais aquilo, mais próximo,
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extravasando com músicas, é uma coisa inexplicável.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Pelo incentivo sem dúvidas. Para times menos expressivos e para times em crise, falando até em uma forma geral e não só do São Paulo, a torcida faz muita falta. Houve vários jogos recentes em que o São Paulo perdeu, muito provavelmente pela ausência da torcida. Nós que acompanhamos de perto entendemos como isso mexe com o psicológico do time. Sem a torcida você pode ver que os times visitantes estão vencendo mais do que no período em que havia torcida. Isso faz com que todos os jogos sejam em campo neutro.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? As expectativas para o retorno do futebol são imensas, e chega a ser engraçado porque parece que você sempre dorme e quando acorda você imagina que vai ver alguma noticia referente a isso, mesmo que aqui no Brasil deve começar assim com uma porcentagem menor, mas acho que só de estar lá, de estar acompanhando o jogo em loco, uma coisa assim já pode ser muito mais interessante. A ansiedade é imensa, até mesmo com todo mundo que eu falo é o mesmo, nunca imaginamos ficar praticamente um ano, de 7 a 8 meses sem ver o time jogar e então estamos muito ansiosos para o retorno.
Entrevistado: Rodrigo (Rodrigo Freitas) – Líder da Torcida Movimento Tradição
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Antes da pandemia a gente reunia nosso pessoal religiosamente sempre 3 horas antes do inicio da partida na Praça Roosevelt, tem um bar lá que é como se fosse a nossa sede, a gente ficava lá e depois partia até o estádio de metrô ou de ônibus alugado dependendo da quantidade de pessoas. Na porta do estádio fazíamos mais uma resenha com cerveja e às vezes churrasco. Ao termino da partida parávamos na Praça Roosevelt novamente, fazíamos mais um tempo lá para falar sobre a partida, comemorando a vitória ou esquecendo a derrota, ou seja, um jogo de futebol era um evento, começava 3 horas antes da partida e acabava 3 horas depois.
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Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Durante a pandemia, quando houve a flexibilização e as pessoas voltaram a ter um contato maior do que antes, a gente começou a fazer churrascos em reuniões dos grupos, em dias e horários antes dos jogos. Cada jogo em um bairro diferente, fazendo rodízio na casa de integrantes que podiam nos receber.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? A adaptação é muito difícil, porque o futebol é paixão, é adrenalina, é estar ali presente, e é bem difícil, mesmo que volte agora um percentual de publico no estádio, vai ter que manter um distanciamento nas arquibancadas, não é a mesma coisa, é um novo normal, mas em breve torcemos para que tudo se normalize.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? O que eu mais sinto falta é o antes e depois, além de acompanhar a partida e a resenha com o pessoal como foi citado anteriormente, pois além do evento em si que é a partida, a presença dos seus amigos é o que faz tudo ser mais divertido e gratificante.
Quais são suas melhores lembranças recentes do Morumbi? Boas lembranças recentes é difícil para um são paulino (risos), mas pra mim todo jogo que o Morumbi está em festa e a torcida em sintonia com o clube é um grande momento. Nesse ano foi o primeiro jogo em casa pela Libertadores contra a LDU, que nós fizemos uma festa incrível e conseguimos a vitória com o time jogando muito bem.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? As transmissões televisivas melhoraram muito atualmente devido a tecnologia, porém ainda existe uma grande quantidade de comentaristas e profissionais que não assumem uma imparcialidade durante as apresentações, especialmente na TV aberta. Isso acaba trazendo um ar de amadorismo à programação esportiva.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV?
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Tanto pessoalmente como na TV é muito estressante, muito tenso, mas no estádio você extravasa mais gritando e apoiando o time. Acho que essa é a diferença.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Depende da personalidade do jogador. Tem cara que já tem um espirito vencedor e que honra a camisa, então ele sempre vai ser incentivado e aquilo será um combustível. Tem outros que mesmo se esforçando não apresentam um bom rendimento nas partidas, e a torcida pega mais no pé desses atletas em derrotas ou atuações ruins. Funciona mais na base da pressão. Depende do jogador e das circunstâncias.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? Acredito que com a cura desse vírus, e as torcidas voltando ao normal, a gente vai fazer de tudo para sentir o mesmo ambiente que tinha antes. É questão de tempo. Agora para os clubes vai ser um grande desafio, muito clube está endividado e o futebol tende a passar por dias difíceis e baixar ainda mais o nível. Mas independente de tudo isso iremos continuar acompanhando o futebol, que é a nossa maior paixão e de todo o povo brasileiro.
Entrevistado: Bob (Eder Francisco de Souza) – Integrante da Torcida Camisa 12
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Nós somos um órgão de apoio ao Corinthians, denominado 12º jogador. Sempre procuramos estar presentes nos jogos e ações do time e além disso fiscalizamos as ações do clube, tanto antes como durante a pandemia.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Nós buscamos nos reunir em alguns pontos, onde há a maior concentração de sócios pra conversarmos, fazermos reuniões, traçarmos planos de acordo com a situação e também porque a entidade em si é a torcida organizada, então não paramos. Nós temos uma loja virtual e uma loja física que já reabriu após a autorização da prefeitura. Então com essas responsabilidades nós temos a obrigação de continuar seguindo nossas ideias e ideologias.
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Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? No panorama atual não existe uma adaptação, e sim adequação, porque mesmo após tantos meses nesse contexto, foge totalmente da ideologia da torcida não estar presente na arquibancada incentivando o time pessoalmente e não obstante. Nenhum integrante está satisfeito com esse cenário. Não podemos ir para o estádio, mas podemos nos reunir, então uma adaptação completa não existe e a gente nem cogita isso, porque adaptação é se estivéssemos conformados com isso, e nos não estamos. Estamos buscando algumas alternativas até mesmo falando diretamente com o clube para que o quanto antes a gente possa voltar a frequentar a arquibancada dentro das possibilidades.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? É um conjunto de coisas que nós sentimos saudades. De apoiar, de buscar junto com o time a vitória e os três pontos, e rever os amigos, daquela velha e boa resenha, e de discutir assuntos importantes para o dia a dia da torcida com os amigos que a gente só consegue encontrar no dia do jogo, então sentimos saudade de tudo isso aí. E de mais algumas coisas que elencar aqui não tem nem como pela profundidade.
Quais são suas melhores lembranças recentes da Neo Química Arena? Eu tenho diversas lembranças recentes da Arena, até porque ela não é tão antiga assim. A primeiro jogo da final do paulistão em cima do Palmeiras em 2018 onde mesmo com a derrota estávamos confiantes com a volta e saímos campeões na casa deles ainda. São vários momentos, basicamente todos os gols que nós já comemoramos deixam saudades, independente do adversário ou do campeonato.
Como foi para você acompanhar a primeira final à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) Foi algo muito diferente acompanhar a final do paulistão esse ano a distância. Porque é muito estranho você estar em uma final e não poder se mobilizar, não poder fazer a concentração na quadra, não poder arrumar as bandeiras... é totalmente ao avesso do que nós somos e do porque somos. E a principal diferença hoje é resumidamente você não estar lá. Não participar da resenha, não ter esse momento. Porque é a final, o ultimo jogo, todo mundo
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lutou pra isso, jogadores, comissão técnica, torcedores e todos ligados de alguma forma ao clube.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? A transmissão televisionada nunca atendeu minhas expectativas, porque a TV conta com profissionais que de certa forma já tem um discurso pronto, não podendo falar tudo o que pensam de forma mais aberta, diferentemente do rádio, que tem uma transmissão melhor porque dá uma maior liberdade para seus comentaristas e tem uma narração mais empolgada e entusiasmante. E além disso, no Brasil temos essa situação de TV por assinatura e pay-perview, coisas que acabam restringindo bastante o futebol para os torcedores mais humildes assim como a maioria de nós, e tudo que é restrito já me incomoda.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Não é questão de ser mais calmo ou mais tenso. É aquela coisa, você não tá exposto a “N” situações, nada pode dar certo como também nada pode dar errado, você não pode fazer nada, não tem nenhuma atitude, então o que eu faço resumidamente é sentar no meu sofá, abrir uma cerveja e assistir ao jogo junto com a minha família. Até se torna mais calmo, mas eu nem caracterizo assim, eu acho que é algo extremamente incomodo essa calmaria para nós que estamos acostumados com o calor do jogo.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Eu acredito que nenhum tipo de profissional é incentivado por críticas. A crítica é algo necessário a partir do momento que algo ultrapassa a linha do normal, e a cobrança vem nesse momento. Mas quando você pega muito no pé, vaia todo tempo mesmo quando não há necessidade, você acaba prejudicando o jogador, que se sente menos confiante e acaba errando mais pelo psicológico. E o que o Corinthians de hoje sente falta com certeza é o incentivo da torcida, que é um baita de um reforço, e está muito claro que o principal jogador do Corinthians é aquele que está na arquibancada apoiando. Hoje nós vemos isso pelo momento ruim que o clube atravessa.
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Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? A expectativa é enorme, mas também temos uma percepção que a sociedade como um todo vai precisar se adequar. A gente sabe que o futebol não vai voltar de uma hora pra outra, e que quando voltar não será normalmente como antes, e aí sim a gente vai precisar se adaptar a partir desse retorno, mas eu torço para que algumas medidas já comecem as ser tomadas para termos essa perspectiva, que no momento não existe ainda. Tanto que na última vez que foi noticiada a possível volta das torcidas, o poder público criticou fortemente a ideia, já que estamos muito longe do cenário ideal para esse retorno. Entrevistado: Meleira (Felipe de Oliveira) – Integrante da Torcida Camisa 12
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? A gente acompanhava todos os jogos do Corinthians não só no futebol principal, mas em todas as modalidades como futsal, natação e basquete. Além disso, tinham os nossos próprios eventos na quadra da torcida, como feijoadas, reuniões e ações sociais.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? Agora com a pandemia a gente está se empenhando mais com os projetos sociais dentro das nossas condições, como doação de alimentos, cestas básicas e roupas em comunidades carentes e moradores de rua, focando mais a região da Cracolândia. Além de acompanhar os jogos à distância na sede.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? As torcidas organizadas sempre se adaptaram a diversos cenários difíceis, então essa será apenas mais uma adaptação. Estamos fazendo o possível para seguir em frente.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? A energia que a galera transmite, todo mundo reunido, apoiando o Corinthians com o coração, essa é a “parada” que eu mais sinto falta.
Quais são suas melhores lembranças recentes da Neo Química Arena? São várias lembranças, mas toda vitória contra os porcos (Palmeiras) é uma lembrança
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especial (risos).
Como foi para você acompanhar a primeira final à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) Foi ruim demais, ainda mais pra gente que sempre esteve presente no estádio, mesmo com a proibição da torcida visitante nos clássicos. Sempre a gente dava um jeito de se infiltrar (risos). Mas nessa final foi pior porque não tinha torcida pra nenhum dos lados, e a final perde muito a emoção sem a nossa presença.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? Acompanhar pela TV atende a minha expectativa sim, porém é bem diferente. No estádio você participa do jogo, sua voz interfere diretamente na postura dos jogadores. Com certeza o Corinthians está em baixa nesse momento porque não tem a torcida para apoiar na Arena. Dá pra perceber isso nas partidas.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Meio que dá na mesma. O sofrimento é igual de qualquer jeito, mas no estádio você fica mais vidrado no jogo, é mais emocionante por estar ali presente. Na TV você consegue se “distrair” com outras coisas, ou se o Corinthians perde você apenas desliga a TV e vai dormir, não tem aquela sensação de desânimo do estádio inteiro decepcionado sabe.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? Com certeza pelo incentivo que vem da arquibancada. Mas a torcida do Corinthians não critica muito. Principalmente a organizada não tem esse costume de criticar os jogadores dentro do campo, ela vai apoiar o máximo que der, por mais que o jogador seja limitado como vários do elenco atual, durante os 90 minutos a gente incentiva o máximo que consegue. Mas depois do jogo se o resultado não vem, aí sim a gente cobra uma postura mais dedicada de todo o time.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia?
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Bom, as expectativas são sempre as melhores possíveis, porque por mais que o momento seja difícil, no começo da pandemia a gente pensava que não teria mais campeonatos esse ano, então dá pra considerar como um “lucro” o time estar jogando. Mesmo assim a realidade é essa: vários times com jogadores infectados, times desfalcados em todas as rodadas, nenhum time jogando cem por cento. Mas pra gente o importante é ter futebol, é ver o Corinthians jogar, aquela ansiedade boa no dia de jogo é o que motiva a gente. Entrevistado: Gomes (Rignaldo de Mello Francisco) – Líder da Torcida Camisa 12 Litoral
Resumidamente, como era a atuação da torcida antes da pandemia? Antes da pandemia a gente vivia aquele ritmo que muda a nossa vida. A gente chega naquela quarta-feira, naquele sábado, domingo, se reúne com a família e os amigos, vai junto cantando, tomando uma gelada, chega na quadra da torcida, revê amigos de longa data e todo mundo ali naquele sentimento do “Corintianismo”, naquela empolgação a caminho do estádio e ali você sente aquela emoção do coração batendo pelo Corinthians, isso pra gente é o amor pelo Corinthians, que antes, durante e depois da pandemia sempre será o mesmo.
Resumidamente, como está sendo a atuação da torcida durante a pandemia? A pandemia complicou todo o sistema, porque ela acabou regredindo a nossa expectativa e os nossos laços de amizade, e a gente se tornou distante. Não deixou de existir aquela irmandade, mas ela mudou todo o nosso modo de vida com a insegurança e a incerteza. Mas na medida do possível a gente procurou ter uma rotina próxima do passado, assistindo todos os jogos e mantendo nossos projetos sociais.
Como você enxerga a adaptação da torcida nesse novo cenário? A adaptação nesse cenário é bem complexa. A gente teve que se modernizar e se adaptar, e ver de qual forma a torcida podia participar com mais ênfase no meio da pandemia. Nos solidarizamos com os profissionais da saúde com homenagens e ações sociais pelas nossas redes sociais, porque eles que fazem esse “jogo da vida” estando entre a vida e a morte, a doença e a cura. Então mesmo com o distanciamento a gente conseguiu ter voz e divulgar o “Corintianismo” no ar. E dessa forma começou a ter uma crescente nas atividades
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sociais promovidas por nós da Camisa 12.
Do que você mais sente falta em estar presente no estádio? Propriamente estar no estádio. Nosso estádio tem uma atmosfera que não tem cor nem religião, até porque as cores da Camisa 12 são o preto e o branco, e a religião sempre será o Corinthians, então estar ali com a irmandade sabendo que vamos ver a nossa vida, nossa história e nosso amor que é o Corinthians, é uma coisa que não tem preço e não tem explicação. Como não podemos mais estar lá, perdemos essa essência que bate no coração, uma essência que explode na arquibancada naquela atmosfera do mundo alvinegro, que todos estão com um só objetivo. É complexo de falar, mas é um amor que você consegue manifestar no sorriso, no grito, na batucada, tremulando a bandeira então a falta é gigantesca desse sentimento.
Quais são suas melhores lembranças recentes da Neo Química Arena? Foi logo no início da pandemia, quando fomos proibidos de entrar no estádio no campeonato paulista. Porém o nosso papel é ser o décimo segundo jogador, como diz o nosso nome, e a gente compareceu ficando fora do estádio naquele momento, claro que com todo mundo ali protegido com máscaras e atenção redobrada. A gente quis deixar o recado que independente do momento ou da circunstância nós estamos com o Corinthians. O ônibus passou na nossa frente e os jogadores puderam ver aquilo e pensar: “os caras estão aí, os caras não nos deixam, não param”. Essa é uma das lembranças que eu posso dizer que é gloriosa. Também na final, quando os jogadores entraram na arena e viram nossas faixas, nossas bandeiras, aquele grupo de torcedores que não podiam se manifestar, mas estavam ali representados naquela decoração planejada em cada detalhe, e entenderam que o Corinthians jamais estará só. Então as minhas melhores lembranças recentes foram essas. Mostrar para os jogadores que o maior patrimônio do Corinthians que é a torcida estará junto com o Corinthians em qualquer ocasião.
Como foi para você acompanhar a primeira final à distância? Ainda mais sendo um derby? (Paulistão) Foi diferente, mas quando você é corintiano de verdade o clima é praticamente o mesmo em qualquer ocasião. O mundo do Derby se fez presente em cada um de nós. A gente
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sabia da nossa missão que era se preparar, vestir a camisa, comprar a cerveja, comprar rojão, preparar as bandeiras, se reunir com toda a galera dentro dos limites da pandemia, claro, mas enfim, fazer a sua parte para viver aquela final, que é o dia mais importante do campeonato, ainda mais em cima da “porcada”, em um dos maiores clássicos do mundo. Todo mundo confiante e pensando positivo, e como eu falei na pergunta anterior, o jogador sabia que a gente estava com eles, que existia aquela energia vinda da gente. Mesmo de longe a união existia e eles retribuíram com muita raça e dedicação. Infelizmente a gente não ganhou dessa vez, mas foi um jogo brigado, todos dando o seu melhor, lutando até o fim, tanto que fizemos um gol no ultimo lance e o jogo só foi decidido nos pênaltis.
A transmissão pela TV atende as suas expectativas? Ela oferece mesmo que parcialmente a mesma perspectiva de estar no estádio? A questão da transmissão na televisão mudou muito com o tempo. Tem muitas propagandas, muita divulgação do próprio canal, e os comentários parecem que estão fora do aspecto do jogo, são opiniões imparciais, o sentimento que é transmitido para o torcedor chega muito mais “fraco”. Então é muito diferente e bem menos emocionante do que estar pessoalmente na arquibancada. Ainda tem alguns narradores e comentaristas “raiz”, mas são bem raros. Estão em extinção.
Você considera mais calmo ou mais tenso acompanhar os jogos pela TV? Acompanhar jogos pela TV é muito calmo. Não tem aquela adrenalina, aquele sentimento de entrar no glamour do jogo. Então é muito morno, porque quase sempre os narradores e comentaristas são imparciais e não fazem o torcedor se sentir dentro do estádio como no rádio, por exemplo, que mesmo sem a imagem você sente mais emoção na fala rápida e inspirada do narrador. Isso acaba “esfriando” o jogo na TV.
Em sua opinião, os jogadores são influenciados mais pelo incentivo ou pelas críticas dentro de campo? É relativo. A crítica serve como uma cobrança para eles se esforçarem mais, e o incentivo serve pra mostrar que o esforço deles tem o nosso reconhecimento. Os dois fazem parte do mesmo contexto, mas são muitas das vezes usados de acordo com o momento que se torna mais cabíveis, mas eu acho que dentro do estádio o incentivo faz tudo mudar, porque faz
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eles entenderem que ali é no coração, ali é na raça, atitude, é sangue no olho, é tapa na orelha, então ali os caras vão com tudo. Pra mim o incentivo tem um peso maior por isso.
Quais são as suas expectativas para o retorno do futebol após a pandemia? O retorno é necessário e vai trazer valores e lições, não só no futebol, mas em todas as atividades que vão voltar depois da pandemia. Eu acredito que mesmo com a cura, com uma vacina eficaz, ainda podem ter medidas de prevenção na volta da torcida. A adaptação da torcida organizada pra mim não será muito complicada porque a gente já tem essa vivência há muito tempo e mesmo na quarentena ainda procuramos manter uma rotina o mais próximo possível do que era antes. Eu imagino que para o torcedor comum vai ser mais “estranha” a volta ao estádio, mas com certeza vai ser bom para todos, principalmente para os jogadores, que voltarão a ter o apoio que se perdeu nesse momento difícil. O corinthiano sempre é otimista, a gente acredita que o time vai jogar bem, jogadores bons serão contratados, vamos ganhar títulos e com a pandemia não será diferente. Mas nosso maior desejo é a cura para todos e a volta do futebol que é a nossa maior alegria.
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Luiz Augusto Camargo
Nov 11
Telespectadores organizados Como a pandemia do coronavírus afetou a rotina das torcidas organizadas dos principais clubes de São Paulo e quais as lições e aprendizados elas podem aplicar no futebol pósisolamento social.
O ano de 2020 definitivamente entrou para a história. Desde o dia 31 de dezembro de 2019, quando a China alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre uma pneumonia de origem desconhecida, nossa vida não é mais a mesma. A partir do início da pandemia da Covid-19, a humanidade tem a mesma indagação: o que será do futuro póspandêmico? Com as medidas de isolamento, praticamente todos os setores mundiais precisaram se adequar a nova realidade imposta pelo vírus. A interação social e a ocupação física dos espaços, por exemplo, são transformações que sentimos desde já, e com o esporte mais popular do planeta e um dos principais entretenimentos mundiais, não poderia ser diferente. Todos os setores do futebol foram afetados e causaram perdas significativas que colocam em xeque diversos aspectos e costumes há muitos anos praticados no esporte bretão. As partidas e a dinâmica de todos os estádios ao redor do mundo mudaram completamente, adotando medidas e protocolos que não imaginávamos nem em um futuro distante. O primeiro país a dar continuidade ao seu campeonato foi a Alemanha, com o recomeço da Bundesliga em 16 de maio. A partir de então, os torneios ao redor do mundo foram retomados, porém com inúmeras e rígidas normas de segurança sanitária. Porém o protocolo mais óbvio, que é a realização das partidas com portões fechados, tem mudado muito a característica do jogo com a neutralidade dos estádios, já que o time da casa sempre teve uma vantagem psicológica com o apoio e incentivo das milhares de vozes presentes. Diante desse atual panorama, como o torcedor fanático, que sempre foi e será o maior patrimônio de um clube, e principal elemento para a fama e popularidade do esporte mais famoso do mundo está se portando ausente dos estádios? Acompanhamos três torcidas organizadas dos três maiores clubes da cidade de São Paulo durante seus jogos em diversos ambientes e circunstâncias para analisar como estão sendo os seus comportamentos distantes de suas arquibancadas, e quais são os principais impactos e mudanças provocados por essa nova era. Ostentando a sua fibra Quinta feira, 10 de setembro de 2020. O maior Derby do Estado de São Paulo estava prestes a ser realizado na Neo Química Arena. Um mês após a conquista de seu 23º título paulista, o Palmeiras do então técnico Vanderlei Luxemburgo, visitava seu maior rival em partida válida pela 9ª rodada do campeonato brasileiro. No lado alviverde, uma oportunidade de alcançar os líderes da tabela e manter o bom retrospecto no clássico em 2020. Do outro lado um Corinthians com a ferida aberta em ter deixado escapar a oportunidade do tetra campeonato paulista e buscando a redenção no campeonato nacional. Ótimos ingredientes para uma noite emocionante na Arena corintiana, porém apenas para os jogadores. Aos torcedores só havia a possibilidade de acompanhar esse embate pela TV, exemplo da Torcida Rasta Alviverde. Nos encontramos por volta das 18 horas com o líder da torcida, Davi, que nos recepcionou em sua pequena porém calorosa sede, localizada na rua Tucuna, a apenas 300 metros do Allianz Parque. No local reuniam-se aproximadamente 10 torcedores naquele momento, já preparando o ambiente com as faixas e bandeiras hasteadas na frontaria, contrastando o verde e branco palestrino com o verde, amarelo e vermelho rastafári, principal inspiração da torcida. Rapazes de várias regiões da cidade chegavam cantando suas tradicionais canções, trazendo consigo tambores e batuques que horas antes do início da partida já agitavam as ruas da região. Bastante cerveja e destilados aqueciam o pré-jogo, e diferente dos anos anteriores, dessa vez o retrospecto positivo no clássico se refletia no otimismo de todos os membros ali presentes. Mesmo jogando como visitante, o Palmeiras iria a campo escalado de forma ofensiva, procurando impor pressão e posse de bola. Weverton, Mayke, Luan, Gustavo Gómez, Matías Viña, Patrick de Paula, Lucas Lima, Gabriel Menino, Zé Rafael, Wesley e Luiz Adriano tinham a responsabilidade de erguer o time na tabela e frustrar novamente o lado alvinegro. A cada minuto que o apito inicial se aproximava, os cânticos ecoavam com mais furor. Finalmente às 19 horas o juiz autorizava o início do duelo. Um jogo bem equilibrado como é de costume, onde mesmo quando um dos times não está atravessando um bom momento, a partida sempre é disputada e aguerrida, tanto que o primeiro lance decisivo do jogo aos 43 minutos teve origem em um pênalti cometido pelo lateral direito Fágner, que dentro da área obstruiu a passagem da bola com o braço. Nesse momento os quase 20 palestrinos presentes vão à loucura, comemorando a marcação como propriamente um gol, que além da vantagem ainda expulsava o capitão corintiano com o cartão vermelho direto. Do pé direito de Luiz Adriano explodia o grito de alegria dos mais de 11 milhões de alviverdes em todo o Brasil, estremecendo também a sede da Rasta, com muita celebração e abraços após o pênalti convertido. O primeiro tempo acaba e mais torcedores vão chegando para compartilhar do momento de alegria e confiança com os parceiros. Ao início da etapa final, não demorou muito para a alegria voltar à tona: em um contra ataque fulminante Gabriel Verón ampliou o marcador aos 25 minutos. Naquele momento, com um jogador a mais, dominando as ações do jogo, e com a vantagem de dois gols, a vitória estava praticamente sacramentada. Os batuques e hinos repercutiam com mais ânimo, e com o término da partida a comemoração se estendeu pelo restante da noite com muito reggae roots e cerveja. A torcida Rasta Alviverde surgiu inspirada na torcida Rasta do Vasco, organizada do clube carioca que é aliada palmeirense, cujo intuito é levar a paz e a positividade para as arquibancadas, apoiando e incentivando o time independente das circunstâncias. A ideia foi semeada pelo então presidente David Bazarello, que em São Paulo oficializou a fundação da torcida com alguns amigos em janeiro de 2013, e desde então o número de seguidores e apoiadores palmeirenses vem crescendo não somente na capital paulista mas em todo o Brasil. Antes da pandemia, a torcida estava presente em todos os jogos no Allianz Parque e também nas partidas fora de casa. O grupo sempre chegava no estádio 2 horas antes do início da partida ao abrir dos portões, carregando seus instrumentos e hasteando suas típicas faixas com as cores rastafári. Após as partidas, eram organizados churrascos para comemorar a presença de todos. Fora dos dias de jogo, a torcida organizava eventos, campeonatos de futebol, ações de marketing para definir todos os planos em prol do clube, principalmente a contribuição financeira pra idealizar todos os projetos da torcida, desde ações sociais até as caravanas para os jogos como visitante. Com a chegada da pandemia, o grupo se voltou com mais ênfase as ações sociais que já existiam, como doações de roupas, cobertores e marmitas para moradores de rua, principalmente nos entornos do Allianz Parque. Assim que os campeonatos foram sendo retomados, a diretoria autorizou que o estádio fosse enfeitado com bandeiras e faixas das torcidas organizadas, algo que a Rasta vem fazendo até hoje com regularidade. Segundo o integrante Tony, a adaptação está sendo difícil, pois uma parte da torcida ainda prefere não participar dos eventos em prol da saúde de seus familiares, e por ser uma torcida relativamente pequena, cada colaborador faz uma grande diferença. A atmosfera que envolve o dia dos jogos, principalmente durante as viagens e caravanas que eram organizadas, são as ações que mais fazem falta para eles, além do momento mais importante que são as comemorações dos gols na arquibancada. Dentre as várias lembranças recentes do Allianz Parque, a mais emblemática de Tony, é o jogo do título brasileiro de 2016. Além de quebrar um jejum de 22 anos sem a conquista, aquela foi a última partida da Chapecoense antes da viagem para a final da copa sul americana na Colômbia, que não ocorreu devido ao trágico acidente aéreo que aconteceria dois dias depois, abalando o mundo do futebol. Ao término da partida, o jovem fez questão de saudar os atletas Josimar e Ananias, os quais já defenderam as cores do Palmeiras anteriormente, e gritou "A gente foi campeão hoje e vocês serão semana que vem!" Eles retribuíram o carinho com um sorriso e o gesto de positivo, porém infelizmente aquela seria a última partida da equipe. A final da copa do Brasil de 2015 também foi marcante, por ser a primeira conquista na nova arena, e pela tensão do jogo, que só foi decidido nas penalidades máximas. O título mais recente conquistado pelo clube, foi o campeonato paulista deste ano, onde venceu o maior rival Corinthians nos pênaltis. Acompanhar a primeira final a distância devido a pandemia foi um grande desafio para a torcida. “Além de ser uma final, é um clássico contra o maior rival, e este é o momento onde mais queremos estar presentes no estádio”, conta Iandra. Mas toda a angústia foi recompensada com a vitória e o 23º título paulista, que não era conquistado desde 2008. “Na adrenalina da vitória, os protocolos de saúde acabam sendo esquecidos, com todos os abraços e calor humano, pois não existe sensação melhor no futebol do que ver seu time de coração levantando um troféu.” Tony ainda conta que prefere assistir os jogos pela TV com o volume máximo, para que a sensação seja a de realmente estar dentro do jogo. Mesmo com a iniciativa dos clubes em permitir a colocação das bandeiras e reproduzir os cânticos da torcida através do sistema de som do estádio, ainda assim ainda fica um vazio na transmissão sem ver as arquibancadas repletas de palmeirenses. “Antes nós entrávamos e as bandeiras eram proibidas, agora as bandeiras entram e nós estamos proibidos (risos) a pandemia inverteu muita coisa.”, completa Tony. A transmissão televisiva causa mais tensão do que acompanhar ao jogo presencialmente. “Você não está em peso com milhares de pessoas incentivando o time com o objetivo comum de sair com a vitória e um sorriso no rosto, além disso, xingar o juiz e os jogadores adversários pessoalmente é muito mais divertido”. A torcida evita criticar e vaiar seus jogadores. O propósito é sempre incentivá-los e venerá-los com a intenção de que todos eles marquem a história no clube se tornando ídolos. Por isso sempre buscam apoiálos ao invés de reprová-los, mas em alguns momentos um ou outro jogador não tem a noção da grandeza do clube e toda a sua história, e nosso dever nesses casos é se manifestar cobrando uma postura mais dedicada por parte dos atletas. Há um clima de apreensão quanto ao retorno das torcidas, sobretudo pelas medidas preventivas que afetarão o comportamento dos torcedores, principalmente os organizados, além disso, existe o provável aumento no valor dos ingressos, já que os clubes em geral estão numa situação financeira delicada nesse cenário atual. “Mas de qualquer forma, com o retorno voltaremos a cantar e vibrar como nunca, no lugar que nos traz mais alegria que é o Allianz Parque, nossa segunda casa” finaliza Iandra.
Clube bem amado Quarta feira, 30 de setembro de 2020. O soberano São Paulo Futebol Clube apostava todas as suas fichas em dos desafios mais importantes e decisivos da temporada. Apenas a vitória interessava para a equipe de Fernando Diniz seguir viva na Copa Libertadores da América. Porém, o confronto naquela noite era contra ninguém menos que o gigantesco River Plate, para muitos o melhor clube sul-americano na atualidade. Em caso de empate, o clube do Morumbi se manteria matematicamente com chances de classificação, mas precisaria torcer por um tropeço dos Milionários na última rodada diante da LDU e ainda tirar uma diferença de 11 gols de saldo. Mesmo diante desse complicado panorama, os milhões de tricolores espalhados por todo Brasil alimentavam a fé da classificação, assim como a torcida organizada Movimento Tradição. Nossa jornada iniciou-se na Praça Roosevelt por volta das 17 horas, nos encontrando com o líder da torcida, Rodrigo Freitas, que já nos alertou sobre o risco de um possível confronto com outras organizadas, pois naquela noite Corinthians e Palmeiras também jogariam e, no atual cenário, seus torcedores se reúnem em diversos pontos da cidade para acompanhar as partidas. De início essa informação nos preocupou, porém a apreensão minimizou-se quando mais pessoas chegavam ao local se enturmando conosco. Gente das mais variadas regiões da cidade, homens, mulheres, adolescentes e crianças, uns de bermuda e chinelo, outros ainda com a roupa social vindo diretamente do trabalho. Não é surpresa que o futebol sempre teve esse papel de unir as pessoas independentemente de suas classes sociais, idades ou ideologias. Mesmo com a ciência de todos sobre o perigo de contaminação pelo vírus, a empolgação e entusiasmo acabam abrindo uma brecha no uso das máscaras, que em sua maioria foram guardadas ou dobradas sob o pescoço para saborear a cerveja gelada e prestar todo o apoio pré-jogo com o mais vasto repertório de cânticos incentivando o time. Por volta das 19 horas, quando a maioria dos torcedores já havia chegado, surge também o ônibus fretado que nos levaria até o extremo da zona sul, na comunidade de Paraisópolis. A torcida então começa a se organizar para adentrar o veículo, que para em uma rua paralela à praça, onde fomos entrando carregando os tambores e faixas, que seriam utilizados durante o percurso e na chegada a arena. Assim que foi dada a partida do veículo, iniciou-se uma grande festa, com cantos e batuques que foram repercutindo por todas as ruas que passávamos. Músicas que honram a história da torcida e enaltecem a grandeza do clube que não cessavam por nem um segundo nos quase 16 quilômetros percorridos, mesmo com a apreensão com uma possível emboscada por torcedores rivais. Finalmente, após quase uma hora de viagem, chegamos ao nosso destino. Se na Praça Roosevelt com pouco mais de 60 torcedores já nos sentíamos em peso, agora mais ainda, com outras torcidas se juntando a nós, e mais de 200 vozes reverberando os hinos tricolores enquanto adentrávamos a comunidade na zona sul. A quadra já estava toda enfeitada com bandeiras de grupos de vários lugares do Brasil. Toda a atmosfera pronta para a verdadeira batalha que seria travada na Argentina. As luzes e estrondos dos fogos e rojões, os cantos que já ecoavam com força pela praça Roosevelt e nas ruas por onde o ônibus passava, agora reverberavam com o dobro de intensidade pelas centenas de vozes ansiosas porém confiantes pelo início da partida, servidas com muita cerveja e churrasco. Cada atleta da equipe tricolor tinha seu nome prestigiado durante a escalação. Thiago Volpi, Juanfran, Diego Costa, Léo, Reinaldo, Tchê-Tchê, Daniel Alves, Hernanes, Vitor Bueno, Igor Gomes e Pablo tinham a missão de resgatar o brio dos mais de 16 milhões de tricolores ao redor do Brasil, que desde 2016 não comemoravam uma classificação ao matamata da maior competição de clubes do continente. Quanto mais próximo o momento do apito inicial, mais tenso ficava o clima, que mesmo com a festa e os gritos de incentivo, não disfarçavam a angústia e apreensão de uma possível eliminação precoce do Gigante Brasileiro. Enfim a bola rolava, e via-se um jogo truncado com o legítimo clima de libertadores, onde mesmo sem os torcedores presentes na arquibancada, a atmosfera copeira predominava naturalmente com os sete títulos das duas equipes em campo. O time argentino começou pressionando e aos 11 minutos abriu o placar com o atacante Julián Alvarez. Por alguns segundos a quadra sentiu o golpe e diminuiu o volume da empolgação, que gradualmente voltou a crescer, e após 26 longos minutos vinha o empate na cabeçada de Diego Costa, que foi o suficiente para inflamar novamente os ânimos de todos ali presentes com a fé na classificação, já que o time vinha jogando bem, com mais posse de bola e troca de passes. Porém a alegria não durou por muito tempo. Novamente dos pés de Julián Álvarez saiu o último gol da partida, selando a eliminação precoce da equipe de Fernando Diniz, que não esboçou poder de reação durante todo o restante do jogo. Uma narrativa que provavelmente desanimaria a maioria dos torcedores em suas casas, que já estariam mudando de canal ou desligando a TV, mas é nesse cenário que compreendemos a importância que a torcida organizada exerce tanto dentro como fora de campo. Mesmo a mais de dois mil quilômetros de um estádio fechado pela pandemia, todos os torcedores ali presentes não se abalaram com o resultado adverso e a iminente eliminação, e continuaram a cantar e demonstrar toda a alegria e entusiasmo de poder estar ali, acompanhando ao lado dos amigos e aliados a maior paixão de suas vidas, que é o futebol e o São Paulo Futebol Clube. Fundado em dezembro de 2018, o Movimento Tradição surgiu com o propósito de fiscalizar e cobrar tanto o elenco de atletas quanto da direção do clube, a fim de fazer do São Paulo uma equipe cada vez mais forte e soberana novamente. Essa conduta já se reflete na política e no comportamento dos conselheiros, que passaram a ter uma nova postura no dia a dia da entidade. Antes da pandemia, o maior propósito da torcida era estar sempre presente junto ao time, tanto nos jogos no Morumbi, como em partidas como visitante em outras cidades através de caravanas. Nos jogos em casa, era sempre seguida religiosamente a mesma rotina de se reunir na Praça Roosevelt antes das partidas e retornando até lá para comemorar as vitórias ou esquecer as derrotas, sempre com cerveja, churrasco e muita união. Com a chegada da pandemia, isso obviamente se perdeu com a paralisação dos campeonatos, mas aos poucos, quando se iniciou a flexibilização, o grupo voltou a se reunir para acompanhar as transmissões nas sedes da torcida. Segundo o líder Rodrigo Freitas, a adaptação é muito difícil de assimilar, porque o futebol é paixão, é adrenalina, é estar ali presente, e mesmo que os estádios voltem a ter jogos com torcida de forma parcial, o distanciamento e medidas de prevenção nas arquibancadas não irão trazer a mesma experiência de outrora de forma imediata. Sua maior lembrança é a rotina anterior à pandemia, onde todos podiam festejar e estar presentes no estádio livremente. A última boa lembrança do Morumbi foi a partida contra a LDU, no dia 11 de março, que inclusive foi o último jogo do São Paulo com torcida. Naquela ocasião, houve uma grande festa para recepcionar o time, que fez uma partida impecável e avassaladora, triunfando por 3 a 0. “As transmissões televisivas melhoraram muito atualmente devido a tecnologia, porém ainda existe uma grande quantidade de comentaristas e profissionais que não assumem uma imparcialidade durante as apresentações, especialmente na TV aberta. Isso acaba trazendo um ar de amadorismo à programação esportiva”, enfatiza Rodrigo. Tanto assistindo pela TV, quanto comparecendo pessoalmente ao estádio, o stress e a tensão são praticamente os mesmos, com o diferencial que no campo existe o contentamento de poder estar gritando e apoiando diretamente o time, extravasando mais todos os sentimentos. Os incentivos e críticas vindos da arquibancada são recebidos de formas diferentes de atleta para atleta. Os que honram a camisa e tem um espírito vencedor incorporam o apoio como um combustível, para dar o máximo de si durante os 90 minutos. Porém apesar da luta dos jogadores em campo, nas derrotas a torcida costuma aumentar o nível de pressão e cobrança, ainda mais com atletas que não vem apresentando um bom rendimento. Quando tudo voltar ao normal com a descoberta de uma vacina eficaz contra o vírus, e a torcida novamente poder frequentar os estádios, farão o possível para propiciar o mesmo ambiente de antes. É questão de tempo. Com certeza esse processo será mais desafiador para os clubes, com todas as dívidas principalmente financeiras causadas por esse período. Apesar de tudo isso, o Movimento Tradição e todas as outras torcidas, sejam elas organizadas ou não, sempre irão acompanhar o futebol, independentemente de todos os fatores, pois é a maior paixão do povo brasileiro.
Teu presente é uma lição Quarta feira, 7 de outubro de 2020. O Sport Club Corinthians Paulista disputaria seu 2º clássico contra o Santos na temporada. Enquanto o alvinegro praiano buscava o G-4 e encostar no então líder Atlético-MG, o Timão em momento conturbado, com forte pressão da torcida e ainda sem técnico efetivo, precisava vencer para não correr o risco de entrar na zona de rebaixamento. Com o time ocupando uma colocação desfavorável na tabela, apresentando um futebol pobre e em meio a pandemia, a maioria das torcidas poderiam não fazer questão de acompanhar essa partida, o que jamais seria o caso da Camisa 12, que em qualquer ocasião e faz presente apoiando o time. O grupo que representa uma das maiores torcidas organizadas do clube, se reuniu para acompanhar essa partida no bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital Paulista. Após enfrentar a lotação do trem da CPTM e mais um ônibus no horário de pico, finalmente conseguimos chegar ao bar que é a sede da torcida Fiel Ermelino e naquela noite também receberia outras torcidas, em sua maioria a Camisa 12. Fomos recebidos por Macarrão, como é chamado um dos principais integrantes da torcida, que naquele momento estavam em pequeno número com apenas cinco integrantes assistindo ao pré-jogo, mas mesmo assim já havia um clima de ansiedade e tensão pelo início da partida. Conforme o início da partida se aproximava, mais empolgante ficava o ambiente, com faixas sendo estendidas, bastante cerveja gelando no bar e a churrasqueira sendo acesa. Os gritos de apoio ao time ressoavam com mais força à medida que iam chegando mais torcedores. Rojões explodiam iluminando o céu, anunciando que o time do povo estava prestes a entrar no gramado. Cássio, Fagner, Gil, Danilo Avelar, Lucas Piton, Léo Natel, Roni, Gabriel, Mantuan, Luan e Jô eram os encarregados por somar três pontos; além disso alegrar o “bando de loucos” que mesmo distantes fisicamente da Arena devido a pandemia, estão sempre unidos pela alma com o time. A partida se inicia e os gritos de apoio logo encobrem o som da transmissão. O Santos começa pressionando e aos 11 minutos inaugura o marcador com Madson, após uma bela troca de passes do Peixe. A intensidade santista diminuiu após gol, mas o Corinthians não conseguiu melhorar. Apesar de um desempenho bem abaixo do esperado, o Timão conseguiu empatar o clássico nos acréscimos, aos 46 minutos, quando Danilo Avelar aproveitou a sobra do escanteio para estufar rede adversária. A torcida se inflamou com o gol, festejado por todos ali presentes e também ao redor da vizinhança que predominantemente é alvinegra. Com o término do primeiro tempo, e o alívio do empate, a atenção se volta novamente a presença dos amigos e a degustação da cerveja gelada e churrasco. Mais alguns torcedores vão chegando durante a pausa para acompanhar o restante do jogo, pessoas de todas as idades, idosos, mulheres e crianças que moram na região. Todos ali estavam confiantes na virada e numa exibição melhor da equipe de Dyego Coelho, que voltou com três alterações para a segunda etapa. Mesmo com o time mais corajoso e ocupando mais o campo de ataque, a equipe santista se manteve bem postada e garantiu um ponto importante fora de casa. Mesmo sem a vitória, todos os corinthianos presentes na ocasião se deram por satisfeitos com o placar, já que o time estava ainda buscando uma identidade com a troca de treinador recente. O churrasco e a festa continuaram, pois o que vale mesmo após o apito final é celebrar o amor pelo Corinthians na companhia dos grandes amigos de torcida. A Fiel Torcida Jovem Camisa 12 foi fundada em agosto de 1971 por jovens torcedores apaixonados pelo Corinthians, pertencentes à denominada "Fiel Torcida", que resolveram homenagear a "Nação Corintiana", exaltando a importância da força da torcida, como um 12º jogador nas arquibancadas. Antes da pandemia, a torcida acompanhava não somente a equipe principal de futebol, mas também todas as outras modalidades do clube, como futsal, natação ebasquete. Além da presença nas arquibancadas como torcedores, o grupo é um órgão fiscalizador das ações do Corinthians. Mesmo com a insegurança causada pela chegada da pandemia, a torcida procurou se unir fazendo reuniões para traçar planos e metas durante esse cenário, como a manutenção da loja virtual e física que reabriu após autorização da prefeitura. As ações sociais foram intensificadas, como a distribuição de alimentos e roupas em comunidades pobres a aos moradores de rua, visando mais a Região da Cracolândia. Segundo Eder Francisco de Souza, chamado por todos de Bob, “no panorama atual não existe uma adaptação, e sim adequação, porque mesmo após tantos meses nesse contexto, foge totalmente da ideologia da torcida não estar presente na arquibancada incentivando o time pessoalmente e não obstante. nenhum integrante está satisfeito com esse cenário”. Um sentimento que se intensificou nesse momento foi a solidariedade, na qual a torcida fez uma série de homenagens a os profissionais da saúde, através de ações por suas redes sociais. Os fatores que mais fazem falta em estar presente no estádio são a atmosfera vibrante da arquibancada em meio aos irmãos de torcida, o êxtase de comemorar um gol transbordando a alma de alegria , sem distinção de cor ou religião. Até porque segundo Rignaldo de Mello Francisco, chamado por todos de Gomes, “As cores da Camisa 12 são o preto e o branco, e a religião sempre será o Corinthians”. Todo o apoio, a busca pela vitória jogando junto com o time durante os 90 minutos gritando e tremulando as bandeiras são lembranças que deixam uma grande lacuna no coração de todos. As lembranças mais marcantes da história recente da Arena são, em sua maioria, as vitórias contra o maior rival, Palmeiras. Sendo a principal delas a conquista do título paulista de 2018, onde mesmo com a derrota em casa por 1x0, o mesmo placar foi devolvido no Allianz Parque, garantindo o bi campeonato e um dos títulos mais festejados da história alvinegra. Para Gomes, uma lembrança marcante da Arena foi durante a pandemia, antes do primeiro jogo da final do campeonato paulista, em que a torcida recepcionou o ônibus na entrada do estádio com muita festa, mostrando para todos os jogadores que independente do momento ou da situação, a torcida está presente e nunca vai abandonar o time. Ainda sobre a final do Paulistão, a sensação de acompanhar os jogos à distância foi bem desconfortável, pelo fato de não poderem se mobilizar da mesma forma, sem a concentração na quadra e o recebimento do time em campo. A final é o jogo mais esperado, onde todos os times lutaram para chegar, e não poder celebrar esse marco da arquibancada é totalmente o avesso do papel que a torcida sempre impôs nesses quase 50 anos de existência. Porém o maior título da historia do clube também foi acompanhado a distância pela grande maioria da torcida, quando o Timão bateu o Chelsea em 2012 pelo mundial de clubes em Tóquio. A transmissão pela TV de certa forma supre a necessidade de acompanhar a partida, porém nem de longe se compara com a visão e a emoção da presença na Arena. Mesmo porque além da essência de fazer parte do espetáculo, os profissionais que atuam na transmissão na maioria das vezes não te “inserem” no jogo por serem muito imparciais durante a transmissão. Não podem falar tudo o que pensam, tendo um discurso pronto em todas as partidas. Já no rádio a liberdade é maior para os profissionais e a transmissão se torna mais emocionante, mesmo sem as imagens do jogo, o clima e entusiasmo geram uma sensação muito mais empolgante do que na TV. Além disso, a elitização prejudica bastante, pois a maioria dos jogos é ofertada somente na TV por assinatura ou por pacotes de pay-perview, o que muitas vezes está fora do alcance da torcida mais humilde. Acompanhar as partidas pela TV é muito mais tranquilo e menos tenso do que pessoalmente, pois você não consegue interferir no andamento da partida com o incentivo aos jogadores, tampouco construir a sua própria narrativa do que está ocorrendo. Na TV cabe aos narradores e comentaristas conduzirem os fatos do jogo, que muitas vezes não enviam a real emoção existente nas quatro linhas. Dentro dos 90 minutos a torcida visa somente apoiar o jogador, mesmo que ele não seja tão habilidoso ou esteja em um momento ruim no jogo; a função da Camisa 12 é mostrar para o atleta que aquelas milhares de vozes estão do lado dele buscando a vitória e a sua redenção. A crítica quase sempre acaba desmotivando ainda mais o atleta, que sente a pressão e se omite. “Após o jogo sim, a postura muda para conscientizar o time sobre a importância que existe em defender as cores do time do povo. A realidade que podemos acompanhar é que o desempenho ruim do Corinthians nessa temporada tem uma parcela grande pela ausência dos seus torcedores. Os jogadores não têm aquele combustível extra para encorajá-los no jogo.” A expetativa é alta, porque no início do ano imaginavam que nem haveria a retomada dos campeonatos, então mesmo nessa situação podem dizer que é um “lucro”. Mas até que seja desenvolvida a cura para o vírus, o cenário vai continuar sendo pessimista com jogadores e profissionais dos clubes infectados e os torcedores afastados. Quando se trata de futebol sempre pensam positivo. Acreditam que o time estará jogando bem, bons jogadores serão contratados, o time ganhará títulos, e com o fim da pandemia não pode ser diferente. Além de todos esses desejos o maior deles é a cura e a saúde de toda a humanidade.
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