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RELATÓRIO METODOLÓGICO - JESSICA AMANCIO DA SILVA

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

AS RELAÇÕES ENTRE DISFEMISMOS DO CICLO MENSTRUAL E O DOMÍNIO DO CORPO FEMININO

JESSICA AMANCIO DA SILVA

SÃO PAULO 2019


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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO

AS RELAÇÕES ENTRE DISFEMISMOS DO CICLO MENSTRUAL E O DOMÍNIO DO CORPO FEMININO

Jessica Amancio da Silva RGM: 16409051 Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de

Jornalismo

da

Universidade

Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientadora: Profa. Dra. Mirian Meliani Nunes

SÃO PAULO 2019


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Ă€s Mulheres E ao estudo da Interseccionalidade


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AGRADECIMENTOS Em especial à minha mãe Maria do Carmo Amancio da Silva, pelo grande exemplo de como se tornar uma mulher forte. À minha sobrinha Patricia Raquel Moreira Carramão, pela grande ajuda cedida em todo o decorrer do meu trabalho. A meu pai, irmãos e amigos por sempre acreditarem em meu esforço. À Universidade Cruzeiro do Sul e todos os seus docentes e funcionários que contribuíram direta e indiretamente em meu aprendizado.


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“AH, COMIGO O MUNDO VAI MODIFICAR-SE. NÃO GOSTO DO MUNDO COMO ELE É.”

CAROLINA MARIA DE JESUS

(1914-1977)

Escritora brasileira.


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RESUMO Este trabalho aborda a menstruação em seu aspecto social, estigmas e padrões de comportamento na sociedade brasileira. Como as mulheres se sentem em relação ao seu ciclo menstrual e como isso afeta suas vidas fisicamente e psicologicamente. Delineando as matrizes culturais que transformam a relação da mulher com seu próprio corpo, desde a menarca1 até a menopausa2. Observando a crescente onda de empoderamento feminino principalmente de mulheres jovens que constroem uma nova narrativa para a função de seus ciclos menstruais. Foi desenvolvido um estudo qualitativo, exploratório e descritivo. Palavras-chave: menstruação, pílula anticoncepcional, coletor menstrual, tabu, vídeo documentário

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Menarca: a menarca é o primeiro ciclo menstrual, ou o primeiro sangramento menstrual, em mulheres do sexo feminino. 2 Menopausa: é o nome que se dá à última menstruação, um episódio que ocorre, em geral, entre os 45 e 55 anos.


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SUMÁRIO Introdução.................................................................................................9 Objetivos...................................................................................................10 Objetivo Geral..............................................................................10 Objetivos Específicos...................................................................10 Problematização e Hipóteses...................................................................10 Problematização..........................................................................10 Hipóteses.....................................................................................10 Justificativa................................................................................................11 Plano Estratégico......................................................................................12 Descrição do Produto...................................................................12 Estratégias....................................................................................13 Público..........................................................................................15 Técnicas........................................................................................15 Referencial Teórico....................................................................................17 Revisão da Literatura....................................................................17 Teorias da Comunicação..............................................................20 Referências................................................................................................21 Cronograma...............................................................................................23 Orçamento.................................................................................................24 Apêndices.................................. ...............................................................25 Pautas...........................................................................................25 Transcrições das Entrevistas........................................................36 Roteiro...........................................................................................56


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Fotos............................................................................................108 Diário de Campo..........................................................................115 Anexos......................................................................................................118 Insert’s de Imagem.......................................................................118 Ficha de Inscrição........................................................................132 Autorização de Uso de Imagem...................................................133


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INTRODUÇÃO Este Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Jornalismo para cumprimento das etapas do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) se baseia nas raízes históricas e culturais por trás dos estigmas em torno da menstruação. Com exemplos extraídos de narrativas que bem ilustram como os diferentes significados e condutas associados ao menstruar obedecem lógicas culturalmente específicas, abrangeu os impactos do tabu em torno do ciclo menstrual nas mulheres, como elas se sentem quando estão menstruadas e até mesmo antes da menarca, como a relação aos fluídos menstruais é modificada pela mídia através de comerciais de absorventes que reforçam a ideia de fragilidade e insegurança ao período, como o assunto é evitado e cercado de vergonha. O ciclo menstrual não é fácil para a maioria das mulheres, gera dores e desconfortos, mas quando não nomeamos alguma coisa, reforçamos a ideia de que é algo que não deve ser nomeado, não se sentir a vontade para tocar no assunto gera a falta de autoconhecimento sobre o próprio corpo e os incômodos se materializam no período. Procurou-se uma semelhança de ideias entre os autores, pesquisadores e teóricos para entender os fenômenos a cerca do ciclo menstrual, seus impactos sociais nas mulheres e a crescente onda feminista que vem trazendo empoderamento feminino nas mais diversas áreas, inclusive ao próprio corpo, com aceitação e autoconhecimento para algo tão comum e natural como a menstruação.


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OBJETIVOS Objetivo Geral - Analisar os disfemismos3 relacionados ao ciclo menstrual no cotidiano de mulheres, tabus que fomentaram tais mistificações. Objetivos Específicos - Apontar como os disfemismos sobre o ciclo menstrual possuem um contexto histórico cultural; - Denotar como o autoconhecimento sobre o ciclo menstrual vem ajudando mulheres, defasando o tabu; - Apresentar por meio da produção de documentário a importância do debate sobre o ciclo menstrual no âmbito feminino.

PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES Problematização - Mulheres conotam o seu ciclo menstrual a um problema? Hipóteses - Desde a menarca até a menopausa as mulheres são condicionadas por fatores históricos e culturais que remetem o ciclo menstrual a algo impuro e vergonhoso; - O debate a respeito do ciclo menstrual é algo que verdadeiramente as mulheres não acham necessário.

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Disfemismo: emprego de palavra ou expressão depreciativa, ridícula, sarcástica ou chula, em lugar de outra palavra ou expressão neutra.


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JUSTIFICATIVA O tabu da menstruação é um tipo de misoginia. Tabus negativos nos condicionam a entender a função menstrual como algo que deve ser escondido, algo vergonhoso, em torno desse debate propus uma investigação sobre os estigmas a cerca do ciclo menstrual, suas raízes histórico-culturais e como as mulheres se sentem em relação a algo comum de seus corpos. Uma pesquisa realizada em 2018 pela marca de absorventes Sempre Livre em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, revelou os principais temores sobre o tema. Foram entrevistadas 1.500 mulheres, de 14 a 24 anos, em cinco países: Brasil, Índia, África do Sul, Filipinas e Argentina; 54% disseram que não sabiam nada a respeito da sua primeira menstruação (menarca) e 56% se sentem incomodadas durante todo o período menstrual. Especificamente entre as mulheres brasileiras, durante a menstruação, as entrevistadas se sentem: 66% desconfortáveis, 57% sujas, 42% inseguras; em relação a mudança de hábitos: 74% deixam de entrar na piscina, 66% param de praticar esportes, 47% não dormem fora de casa, 46% evitam sair de casa; em relação a constrangimentos quase metade esconde o absorvente no caminho ao banheiro e hesitam de falar para alguém que estão menstruadas; InovaSOCIAL, 2018. Diante desta pesquisa e através do ponto de vista dos autores, pesquisadores e teóricos aqui citados, abordei a menstruação em seu aspecto social, estigmas e padrões das mulheres brasileiras, objetivando as matrizes culturais que transformam a relação da mulher com seu ciclo menstrual. Vivemos uma crescente onda feminista em todo o mundo, que nada mais é do que a defesa de igualdade social, econômica e política entre homens e mulheres. A pesquisa Datafolha realizada em 2019, aponta, entre outros aspectos, que 47% das mulheres entre 16 a 24 anos se consideram feministas no Brasil, sendo o maior percentual em mulheres jovens, mostrando uma analogia para voz feminina. Observa-se uma mudança de hábitos com a chegada do coletor menstrual no mercado, ao contrário das marcas de absorventes que tanto reforçaram a ideia de fragilidade e insegurança na mulher menstruada, trazem suas propagandas para o empoderamento e liberdade feminina.


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Do ponto de vista jornalístico, os profissionais podem acompanhar o processo de mudança das mulheres, com o crescimento de debates em torno do tema e mudança de discursos das marcas de cuidados femininos, voltando os olhares para a mídia. A pesquisa também tem relevância no âmbito acadêmico, pois retrata o processo de mudança e as transformações a respeito do tema, conceitos históricos, culturais e sociais do menstruar na sociedade apontados por estudiosos das mais diversas áreas do conhecimento humano.

PLANO ESTRATÉGICO Descrição do Produto A pesquisa científica desenvolvida no presente relatório final gerou um vídeo documentário intitulado “Meu Sangue é Sagrado” como parte dos itens obrigatórios para a obtenção do título de bacharel em jornalismo. Documentário é um filme de não ficção que explora a realidade, subjetiva do documentarista, assim como traz um tratamento criativo aos acontecimentos, como observou Luiz Carlos Lucena, em seu livro intitulado “Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática de produção”. Muitos conceitos teóricos foram formulados para definir o documentário. Ainda concordo com o conceito clássico, desenvolvido por Grierson após ter assistido aos filmes de Robert Flaherty: documentário é o tratamento criativo da realidade (ou atualidade, para alguns). Segundo Grierson, cabe ao documentário (e ao documentarista) desenvolver esse “tratamento criativo da realidade” [...] (LUCENA, 2012, p.11)

No projeto experimental o nome provisório do documentário era “Você Odeia Menstruar?”, uma pergunta direta ao público principal que são as mulheres, posteriormente denominado “Meu Sangue é Sagrado”. A escolha do título se deu principalmente para a questão do sangue menstrual, que assim como todo o ciclo recebe uma conotação ruim e impura, observei a crescente onda de mulheres que estão voltando as práticas ancestrais ao tratar o sangue, com rituais como o “plantar a lua” e pinturas de quadros, quis chamar a atenção também com a característica forte


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que seria conotar o sangue como algo sagrado e não demonizado como geralmente é retratado. Em particular, para produção meu produto está como referência o documentário “Absorvendo o Tabu” da diretora Rayka Zehtabchi, que ganhou o Oscar 2019 na categoria de Melhor Documentário de Curta Metragem. “Não acredito que um filme sobre menstruação ganhou um Oscar”, Zehatabchi, durante a premiação, ele trouxe à tona o tabu da menstruação na Índia em uma comunidade rural localizada em Harpur. Além das vergonhas em torno do tema que as mulheres enfrentam em todo o mundo, na Índia a menstruação ainda é considerada doença, as mulheres de lá sofrem com a falta de produtos de higiene adequados, que resultam em severas infecções, além de precisarem largar os estudos e o trabalho quando estão menstruadas, o que resulta na desistência de independência dessas mulheres. O documentário foi produzido integralmente por mulheres, e serviu para o financiamento coletivo da produção de maquinas de absorventes biodegradáveis de baixo custo, que estão sendo produzidos em Harpur pelas próprias mulheres da comunidade. Para a criação da sinopse utilizei dados de uma pesquisa realizada pela marca Sempre Livre em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, com 1.500 mulheres de 5 países, incluindo o Brasil, sobre questões do período menstrual, dados de 2018: “Comum e natural, porém, mais da metade das brasileiras se consideram sujas durante a menstruação. Este documentário analisa os tabus cotidianos que contribuem para que o ciclo menstrual seja tratado como algo desagradável, e como coletivos de mulheres estão buscando o autoconhecimento para a quebra desse pensamento negativo.”

Estratégias O arquivo possui exatos 30 minutos de duração, foi editado e renderizado no software Adobe Premiere Pro CC 2018, em alta resolução, FULL HD 1080p x 29,97, com coloração RGB e áudio estéreo. Desenvolvido na capital da cidade de São Paulo, Brasil, 2019.


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O curta tem entrevistas com mulheres diversas, desde especialistas e coletivos que discutem sobre menstruação, há mulheres urbanas que se relacionam com o tema por se tratar de um aspecto comum entre todas, o contraste de mulheres diversificadas trás maior dinâmica e fluidez nos cortes entre as entrevistas. Há insert’s4 do centro da cidade de São Paulo no início, com textos explicativos de uma pesquisa de 2018 sobre menstruação da marca de absorventes Sempre Livre em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria. Houve também o uso de pequenos textos explicativos em forma de perguntas entre os temas citados nas sonoras5 para trazer maior clareza aos telespectadores sobre as questões apontadas. Legendas na cor amarela foram adicionadas em algumas sonoras feitas em forma de enquete nas ruas, por questões de ruídos externos. O DVD se inicia com o botão “Iniciar”, logo no início há um fundo preto e aparece o ícone/logo da Universidade Cruzeiro do Sul em azul anil, em seguida um insert do encontro sobre ciclo menstrual do coletivo “Teia”, com a produtora cultural Letícia Pasqual palestrando, em seguida vem os dados da pesquisa sobre menstruação da Sempre Livre, e então a abertura do documentário, com uma arte desenvolvida no Adobe PhotoShop CC 2018, a partir da foto de Laura Mocellin Teixeira, o começo e o fim do documentário conta com a trilha sonora da música “Reception” de William Rosati, extraída de um banco gratuito de músicas na plataforma do YouTube Studio (Beta). A arte da capa do DVD e CD foi desenvolvida através de um PSD do Adobe PhotoShop CC 2018, fornecido pelo local de impressão de ambos, a figura principal da capa é a foto da médica Laura Mocellin Teixeira, recortada e disposta sobre um fundo branco com manchas em vermelho, simbolizando o vermelho do sangue menstrual, manchas também dispostas na contracapa, com fotos de algumas entrevistas e a ficha técnica. Foram utilizadas as fontes “Loud an Clear” e “Monofonto” do banco de fontes online e gratuito “DaFont”, “Corier New Regular black outile” e “Arial” do próprio software, fontes também utilizadas nos GC’s6 das sonoras e textos explicativos com e sem perguntas.

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Inserção breve de uma imagem na tela. Entrevistas. 6 Gerador de caracteres. 5


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Público O público pretendido é majoritariamente de mulheres em idade fértil, em torno dos 12 aos 40 anos de idade, residentes na capital da cidade de São Paulo, porém é suscetível de públicos diversos, pois oferece uma grande reflexão e campo de estudo sobre o tema. Oferecendo aos telespectadores uma exposição de como mulheres diversas se sentem em relação ao seu corpo, como isso afeta suas vidas fisicamente e psicologicamente, e como coletivos femininos, principalmente de jovens, estão disseminando a ideia de autoconhecimento para que o ciclo menstrual seja tratado com mais leveza e menos dor. O produto se caracteriza pelo formato documentário, voltado especificamente para a produção independente, produzido através de rede colaborativa e transmitido em exposições de curta-metragens de centros e ocupações culturais, debates sobre questões de gênero e igualdade, entre outros. Este documentário aborda a menstruação em seu aspecto social, estigmas e padrões da sociedade brasileira. Objetivando as matrizes culturais que transformam a relação da mulher com seu próprio corpo, desde a menarca até a menopausa. Afim de ser veiculado em plataformas que proporcionem debates acerca de igualdade de gênero e questões sobre o corpo da mulher.

Técnicas Tenho como referência de informações técnicas e estéticas o livro “Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática de produção” 2012, de Luiz Carlos Lucena. Para questões de enquadramentos das sonoras o documentário “Quebrando o Tabu”, 2011, dirigido por Fernando Grostein, disponível na página oficial do filme no YouTube, que retrata a descriminalização do consumo de drogas ao redor do mundo, com figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o médico Drauzio Varella. Foi utilizado o primeiro plano – a figura humana é enquadrada do peito para cima; o plano americano – a figura humana é enquadrada do joelho para cima e o primeiríssimo plano – a figura humana é enquadrada dos ombros para cima na


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gravação das entrevistas. Para a captura dos insert’s foi utilizado o plano de conjunto – com um ângulo visual aberto a câmera revela uma parte significativa do cenário à sua frente, a figura humana ocupa um espaço relativamente maior na tela, é possível reconhecer os rostos das pessoas mais próximas à câmera. Todas as imagens foram filmadas com a câmera Canon EOS Rebel T7i lente 18-55, exceto na sonora em conjunto com a Bruna Guimarães e Letícia Pasqual, do coletivo “Teia”, que utilizei também a câmera Nikon D3100 DSLR lente 18-55. Microfone lapela para celular na gravação dos áudios. Etapas de produção: - Pesquisa qualitativa; - Pesquisa exploratória, visando proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito e construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão; - Pesquisa explicativa, visando identificar os fatores que determinam ou contribuem para ocorrência dos fenômenos; aprofundando o conhecimento da realidade, explicando a razão e o “porque” das coisas; métodos observacionais; - Pesquisa bibliográfica; - Entrevista – aberta, estruturada e com grupo focal; - Enquete; - Roteiro, pensando em ideias; - Cenas em ordem de prioridade; - Esboço sequencial (storyboard) para ilustrar as angulações e os planos; - Diário de campo, erros e melhoras; - Analise das gravações e decupagem; - Edição.


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REFERENCIAL TEÓRICO Revisão da Literatura Para amparar teoricamente o tema desta pesquisa o livro “O Segundo Sexo’’, de Simone de Beauvoir, 1949, que emergiu a nova onda feminista na década de 1960, abrange diversos aspectos psicossociais da mulher na sociedade, sendo referência aos estudos feministas. A filósofa escreve sobre os temores da primeira menstruação e a significação dos fenômenos que se produzem nela. Todos os testemunhos são concordes: a criança tenha ou não sido avisada, a ocorrência apresenta-se sempre a ela como repugnante e humilhante. É muito frequente que a mãe tenha negligenciado de preveni-la: verificou-se que as mães revelam mais facilmente às filhas os mistérios da gravidez, do parto e até das relações sexuais que o da menstruação; é que elas próprias têm horror a essa servidão feminina, horror que reflete os antigos terrores místicos dos homens e que transmitem a sua descendência. (BEAUVOIR, 1949, p. 50-51)

O artigo “De Sangrias, Tabus e Poderes: A Menstruação em uma perspectiva sócio-antropológica”, Sardenberg, 1994 apresenta como os diferentes significados e condutas associados ao menstruar obedecem lógicas culturalmente específicas. [...] Tal qual ocorre quando se move um caleidoscópio, isso resulta em configurações sócio-culturais ou ordens prático-simbólicas da menstruação bastante diferentes. E, na medida em que elas são interiorizadas no processo de socialização e enculturação, pode-se afirmar que, embora ‘sangrar todo mês’ seja destino de toda e qualquer mulher, a experiência vivida da menstruação será significativamente diferente para mulheres situadas em diferentes contextos históricos, culturais, sociais. (SARDENBERG, 1994, p. 332)

A dissertação de mestrado “Supressão da menstruação: ginecologistas e laboratórios farmacêuticos re-apresentando natureza e cultura”, Manica, 2003 expressa a desnaturalização da menstruação como produto da cultura. E se insistirmos na ambiguidade da menstruação, que permanece mal resolvida entre natureza e cultura, tendendo por um momento a defender sua desvinculação do domínio natural, vemos que a proposta da supressão da menstruação reforça a valorização positiva da natureza. Afinal, como já haviam pretendido os fundadores da primeira pílula, trata-se novamente de mimetizala. (MANICA, 2003, p. 157)


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No artigo “A Desnaturalização da Menstruação: hormônios contraceptivos e tecnociência”, Manica, 2003 analisa o livro “Menstruação, a sangria inútil” do médico ginecologista Elsimar Coutinho, 1999, e a dissociação entre menstruação e natureza, uma analogia com o desacreditado método das sangrias terapêuticas. Na perspectiva de Coutinho, natural é a gravidez. Com isso, ele pretende defender que a supressão da menstruação não deve ser um efeito temido pelas usuárias de hormônios, e sim desejável. Ao longo de todo o livro, Coutinho recorre a um discurso pautado pela distinção entre os domínios da natureza e da civilização. (MANICA, 2003, p.198-199)

Na tese de doutorado “Influências dos fatores individuais e sócio-culturais na ocorrência da síndrome pré-menstrual (SPM) em adolescentes”, Azevedo, 2005 estuda a conotação familiar dada à síndrome pré-menstrual, influência do grupo de iguais e da mídia falada, conotação dada a menstruação e a expectativa frente a menarca. É importante entender como a televisão, por ser, hoje o veículo com maior poder de penetração, influencia os jovens. A grande parte do domínio que a televisão exerce sobre crianças, adolescentes e adultos ocorre de forma indireta, sutil, subliminar e cumulativa; lembrando que poucas vezes isso acontece de maneira direta e imediata. (AZEVEDO, 2005, p. 61)

Refletindo os tabus da menstruação em campanhas publicitárias de absorventes, o artigo “O Tabu da Menstruação Reforçado pelas Propagandas de Absorvente”, Ratti, Azzellini, Barrense, Grohmann, 2015, permite perceber que a publicidade utiliza-se de discursos reproduzidos na sociedade para reforçar os tabus acerca do corpo da mulher e dos seus processos biológicos. “A peça publicitária mostra apenas mulheres entre 20 e 30 anos, reflete que essa é a faixa etária em que a mulher tem mais valor na sociedade, desde que não demonstre que está menstruada” (RATTI, AZZELLINI, BARRENSE, GROHMANN, 2015, p. 8), analise sobre um comercial de televisão da marca de absorventes Intimus. Com a mesma reflexão, o artigo “O corpo pedagogizado: Fluidos femininos e propagandas de absorvente”, Ciribelli, 2017, examina publicidades estáticas vinculadas em publicações impressas de três décadas diferentes “[...] de acordo com nossa observação, evoluíram somente em questões técnicas relativas à sua produção; o discurso simbólico que acionam, no entanto, pouco se altera” (CIRIBELLI, 2017, p. 52).


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Trazendo uma nova perspectiva na semiótica e representação dos signos nos discursos publicitários em campanhas de absorventes, o artigo “O Empoderamento Feminino nas Propagandas de Absorvente da Libresse: Uma análise semiótica da transformação de discurso”, Schinaider, Lazzarotto, Santos, 2017 observa a mudança no discurso levando em consideração a ascensão do empoderamento feminino ao passar dos anos. No presente artigo, ao comparar os comerciais de absorventes Tamponger (2010) e Blood (2016) da marca Libresse, pode-se concluir que, devido à crescente ideia do empoderamento feminino na sociedade, propagandas audiovisuais sentiram a necessidade de mudança em seus discursos. (SCHINAIDER, LAZZAROTTO, SANTOS, 2017, p. 11)

Reforçando a importância da representação da menstruação na publicidade veiculada no Brasil, o artigo “Perspectivas Sobre a Menstruação: Análise das representações na publicidade e na militância feminista online”, Souza, 2017 explora a militância feminista em produções audiovisuais online que problematizam a patologização da naturalidade feminina. Os relatos e conversas dessas mulheres – na maioria jovens, militantes e feministas que lutam contra a dominação e o silenciamento dos corpos femininos e pelo fim do tabu acerca da naturalidade dos fluídos corporais – abrem espaço para conversas sobre a menstruação que ainda não são comuns entre muitas pessoas. (SOUZA, 2017, p. 302)

O livro “Ginecologia Sem Hormônios”, Saide, 2017, é escrito em torno da abordagem de que é possível viver sem pílula, fomenta a reflexão sobre o modelo ginecológico vigente para a maioria das mulheres, buscando através do autoconhecimento um paradigma de liberdade e consciência do corpo. Por fim, é ostentado no artigo “A Propagação e a Quebra do Tabu da Menstruação na Publicidade”, Cianflone, Covaleski, 2018, o papel do fazer publicitário para a construção social de valores, bem como o potencial e a responsabilidade envolvidos no posicionamento de marcas. “A negação do aspecto penoso do ciclo menstrual apenas contribui ainda mais para o tabu e este, por sua vez, afeta a construção que a sociedade tem das mulheres, e que mulheres tem de si mesmas’’ (CIANFLONE, COVALESKI, 2018, p. 4).


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Teorias da Comunicação Compreendemos este tema sob a perspectiva teórica da teoria da comunicação denominada “Modelo de Lasswell”, surgida após a primeira teoria criada, a Teoria Hipodérmica, também conhecida por Teoria da Bala Mágica, na década de 1930, elaborada pela Escola Norte Americana. A estrutura e a função da comunicação na sociedade, o Modelo de Lasswell, desenvolvido pela pesquisa do cientista político Harold Lasswell em 1948, acredita em cinco questões para compreensão correta da mensagem: “Quem? – controle; Diz o quê? – conteúdo; Através de que canal? – meios; A quem? – sociedade; Com que efeito? – efeitos”. Conseguindo as respostas para tais perguntas, a mensagem é caracterizada como clara e completa. Para Lasswell, nos refletimos nossa herança social, o autor examina as funções dos meios de comunicação nas sociedades. Nessa perspectiva, acreditamos que nosso tema se relaciona na medida em que o contexto histórico-cultural apresentado pelos autores na revisão da literatura – sobre o ciclo menstrual, difundido por crenças, primórdios do patriarcado e questões sociopolíticas que restringem as mulheres nos meios midiáticos na sociedade atinge especificamente as mulheres, conotando o sangue menstrual a natureza impura e vergonhosa. A estratégia da propaganda, estipulada em termos culturais, pode ser prontamente descrita em termos de “estímulo-resposta”. Traduzida nesse vocabulário, que é especialmente inteligível para alguns, pode-se dizer que o propagandista está preocupado com a multiplicação dos estímulos que poderiam instigar as respostas indesejadas. (LASSWELL, 1927, p. 630)

Englobamos ainda a contribuição de Charles Sanders Peirce, com o estudo da Semiótica, de 1867 a 1914. Peirce dividiu em três aspectos o que a mente humana consegue captar: primeiridade, secundidade e terceiridade. A primeiridade é a sensação inicial a apresentação de algo, a secundidade é a reação, para a segundidade se manifestar, a primeiridade precisa estar inserida em algo material, e a terceiridade é a compreensão dos signos. Segundo Peirce, o Signo é a representação de algo, criando na mente humana uma imagem similar ao objeto original. “Um signo é algo que representa algo para alguém sob algum prisma” Peirce. A semiótica peirciana aplicada nas propagandas de absorventes, analisa a importância dos signos nos discursos utilizados, que fomentam tabus sobre o sangue


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menstrual, como por exemplo, uso da cor azul e não vermelha para representar o sangue menstrual. Observamos também as mudanças crescentes nas campanhas, voltando a aplicação dos signos para o empoderamento feminino.

REFERÊNCIAS BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1967.

SARDENBERG, Cecilia MB. De sangrias, tabus e poderes: a menstruação numa perspectiva sócio-antropológica. Revista Estudos Feministas, v. 2, n. 2, p. 314, 1994.

MANICA, Daniela Tonelli et al. Supressão da menstruação: ginecologistas e laboratórios farmacêuticos re-apresentando natureza e cultura. 2003. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/281973

AZEVEDO, Maria Regina Domingues de. Influências dos fatores individuais e sócio-culturais

na

ocorrência

da

síndrome

pré-menstrual

(SPM)

em

adolescentes. 2005. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-04012006-093943/en.php

MANICA, Daniela Tonelli. A desnaturalização da menstruação: hormônios contraceptivos e tecnociência. Horizontes antropológicos, v. 17, n. 35, p. 197-226, 2011.

MARTINO, Luís Mauro Sá. Além do paradigma: propaganda política e democracia em seis artigos de Harold Lasswell. Interin, v. 13, n. 1, p. 1-13, 2012.


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LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática de produção. 2. ed. [S. l.]: Summus Editorial, 2012. 128 p.

GERBASE, Carlos. Cinema Primeiro Filme: Descobrindo, Fazendo, Pensando. 1. ed. Brasil: Artes e Oficios, 2012. 277 p.

RATTI, Claudia Ramos et al. O tabu da menstruação reforçado pelas propagandas de absorvente. In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, XXXVIII. 2015. p. 15. Disponível em: http://portalintercom.org.br/anais/nacional2015/resumos/R100436-1.pdf

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CIRIBELLI, Fernanda. O corpo pedagogizado: flluidos femininos e propagandas de absorvente. Revista Internacional de Comunicación y Desarrollo (RICD), v. 2, n. 6, p. 47-56, 2017.

SCHINAIDER, Bianca Zancanaro; LAZZAROTTO, Geovana; DOS SANTOS, Hilario Junior. O Empoderamento Feminino nas Propagandas de Absorvente da Libresse: Uma Análise Semiótica da Transformação de Discurso, 2017. Disponível em: http://portalintercom.org.br/anais/sul2017/resumos/R55-0359-1.pdf

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CRONOGRAMA Tarefas Escolha do tema do TCC Pesquisa de referências

Fev

Mar

Abr

X

X

X

X

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov


24

Leitura e produção de

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

fichamentos Produção do projeto de pesquisa Produção do projeto experimental Planejamento das etapas de

X

produção Produção do relatório

X

X

X

Gravações

X

X

X

Decupagem

X

X

X

X

X

X

metodológico

Edição Banca

X X

ORÇAMENTO Cartão de memória micro SD 8gb

R$ 18,00

Pen Drive 16gb

R$ 9,99

Microfone lapela para celular duas unidades

R$ 30,20

Envio de equipamentos

R$ 35,60

Aplicativo de transporte

R$ 30,00

Aplicativo de carona paga

R$ 47,00


25

Transporte público

R$ 107,30

Gasolina

R$ 85,50

Alimentação

R$ 32,99

Recarga de créditos pré-pagos no chip do celular

R$ 25,00

Impressão capa CD/DVD

Presente

Brindes

Presente

Total

R$ 421,58

APÊNDICES PAUTAS NOME DO VEÍCULO

PAUTA

Meu Sangue é Sagrado

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TEMA/ASSUNTO

EDIÇÃO

Documentário

Coletivo de mulheres Teia

Setembro de 2019

HISTÓRICO: O coletivo Teia é um grupo de mulheres idealizado por quatro estudantes do município de Mauá, na região metropolitana do estado de São Paulo. O grupo surgiu em 2019, tendo o seu primeiro encontro em abril, contando com a presença de 55 mulheres, as reuniões ocorrem mensalmente na Casa Helenira Preta de Referência para Mulher, em Mauá, a casa tem como objetivo o combate à violência contra as mulheres, atuando tanto no atendimento das vítimas de violência quanto na prevenção da violência de gênero. Os agrupamentos acontecem com temas destinados ao universo feminino, em 2 de junho se reuniram para falar sobre menstruação, aspectos negativos relativos a ela e o processo cíclico das mulheres.


26

Bruna Caroline Guimarães Vieira, 23, é estudante de Psicologia e uma das idealizadoras da Teia, juntamente com a Letícia Alencar Pasqual, 22, que é formada em Produção Cultural e trabalha com projetos voltados a população indígena. Ambas atuam no grupo com articulação de temas, possuindo um vasto conhecimento sobre o ciclo menstrual e como as questões negativas relacionadas a menstruação afetam as mulheres, compartilham destes e outros conhecimentos nos encontros.

FONTES: Bruna Caroline Guimarães Vieira, 23. Celular: (13) 9 9163-5947 e-mail: brunacgv3@gmail.com Letícia Alencar Pasqual, 22. Celular: (11) 9 9130-0348 e-mail: pasqualeticia@gmail.com

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar a entrevista no autoconhecimento que compartilham no coletivo Teia sobre menstruação, além de perguntas sobre experiências próprias. PERGUNTAS: 1= A Tensão Pré Menstrual (TPM) é mal compreendida, você acha que as mulheres são tratadas como frágeis e desequilibradas em excesso nesse período? 2= A cólica, por ser relativa de cada mulher, também é mal compreendida, você já teve que esconder alguma situação de desconforto? 3= Você já sofreu alguma brincadeira de mal gosto sobre a sua menstruação ou já presenciou outra mulher sofrendo? 4= Você já deixou de fazer alguma coisa por estar menstruada, ou já presenciou alguma mulher deixando de fazer? 5= Você já sentiu vergonha ou já presenciou alguma mulher sentindo por estar menstruada e outras pessoas descobrirem? 6= Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre mostrou que no Brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, antes da sua busca pelo autoconhecimento, você já teve repúdio do próprio sangue?


27

7= O sangue menstrual historicamente e culturalmente é tratado como algo impuro, sujo e até mesmo “perigoso” em muitas sociedades, qual a importância da quebra desse pensamento negativo? 8= Por ser algo biológico e natural do corpo feminino, o sangue menstrual deveria ser encarado com mais leveza? 9= Na sua opinião qual a maior forma de preconceito relacionado ao sangue menstrual? 10= Qual a importância de um coletivo como a Teia reunir mulheres para falar abertamente sobre menstruação? 11= Quando e como o assunto menstruação chegou para ser tema do coletivo Teia? 12= Como você se relaciona atualmente com o seu ciclo menstrual e o seu sangue?

OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída e captar imagens panorâmicas do encontro com outras mulheres na Teia. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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Laura Mocellin, Médica Nutróloga

Setembro de 2019

HISTÓRICO: Laura Mocellin Teixeira, 27, é médica com especialidade em Nutrologia, natural do Rio Grande do Sul reside na capital de São Paulo há um ano e meio. Laura foi protagonista de uma polêmica na rede social Twitter após postar uma selfie em junho na sua conta particular, a foto mostrava o seu sangue menstrual no rosto e ombros, três dias depois da postagem havia uma grande


28

quantidade de compartilhamentos com comentários insultando a médica. “Plantar a Lua” é um movimento que vem crescendo nas redes sociais e é inspirado em tradições ancentrais, em que o sangue menstrual é visto como símbolo de fertilidade, Laura faz parte dele e principalmente na sua conta no instagram ela faz posts sobre o tema. FONTE:

Laura

Mocellin

Teixeira,

27.

Celular:

(51)

9655-4538

e-mail:

lauramocellinteixeira@gmail.com ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar a entrevista no autoconhecimento que compartilha nas redes sociais sobre menstruação, além de perguntas sobre experiências próprias. PERGUNTAS: Apresentação Laura 1 = Quando e porque você começou o ritual chamado “Plantar a Lua”? 2 = Como é feito esse ritual? 3 = Qual a sua atual relação com o seu ciclo menstrual? 4 = Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre mostrou que no Brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, antes da sua busca pelo autoconhecimento, você já teve repúdio do próprio sangue? 5 = Na sua opinião qual a maior forma de preconceito relacionado ao sangue menstrual? 6 = O sangue menstrual historicamente e culturalmente é tratado como algo impuro, sujo e até mesmo “perigoso” em muitas sociedades, qual a importância da quebra desse pensamento negativo na sociedade? 7= Qual a importância de falar abertamente sobre menstruação e movimentos como o ‘’Plantar a Lua’’ para outras mulheres? 8 = Qual foi a sua reação quando usuários diversos, inclusive o comediante Danilo Gentile, comentaram sobre uma foto que você postou no Twitter consagrando o seu sangue menstrual no rosto e parte dos ombros? 9 = Você acha importante que as mulheres não tenham vergonha de expor suas relações positivas com o sangue e ciclo menstrual?


29

10 = Por ser algo biológico e natural do corpo feminino, o sangue menstrual deveria ser encarado com mais leveza? OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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Mulheres da cidade de São Paulo

Setembro de 2019

HISTÓRICO: São Paulo abriga uma população de 12.038.175, sendo a cidade mais populosa do Brasil, entre diversos contrastes de habitantes, encontra-se mulheres diferenciadas e distintas entre seu trabalho, sua família e sua vida social, cada uma com uma percepção do ciclo menstrual que ao mesmo tempo pode ser simultânea e

distinta.

Em

busca

desses

contrastes,

procurei

identificar

mulheres

aparentemente diferentes, cada uma com uma opinião pessoal sobre a menstruação.

FONTES: Mulheres habitantes da cidade de São Paulo, região central e zona leste. Marilene Oliveira telefone: (11) 9 7567-0814 Josileide Brito telefone: (11) 9 7255-0590 Vanessa Garcia telefone: (11) 9 7454-4066 Erika Silva Nágila Oliveira telefone (11) 9 7066-8059 ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar as entrevistas em perguntas simples e diretas. PERGUNTAS: 1 = Qual a sua relação com a sua menstruação?


30

2 = Você tem nojo do seu sangue menstrual? 3 = Você sente cólica? 4 = Você sente TPM? 5 = Você acha o absorvente confortável? 6 = Já ouviu falar em coletor menstrual? 7= Faz uso da pílula anticoncepcional? 8 = Conhece algum método natural contra gravidez? OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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Documentár

Victória Nascimento, Atriz

Setembro de 2019

io

HISTÓRICO: Ao buscar histórias de experiências pessoais de mulheres e sua menstruação em grupos que fiquei inserida durante o planejamento do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) cheguei até a Victória Nascimento, natural de Maceió, Alagoas e atualmente residente em Santo André, São Paulo, há cerca de três anos, Victória passou em um processo seletivo para estudar teatro em São Paulo, ela já possui licenciatura na arte. A atriz passou por processos singulares a respeito da sua primeira menarca e o decorrer da primeira vez que disse a sua mãe que já menstruava, além de episódios constrangedores com seu pai. FONTE:

Victória

Nascimento,

victoriasouto97@gmail.com

atriz

telefone:

(11)

9

3051-5736

e-mail:


31

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar nas experiências pessoais da entrevistada. PERGUNTAS: 1= Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre mostrou que no Brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, você já teve repúdio do próprio sangue? 2= A Tensão Pré Menstrual (TPM) é mal compreendida, você acha que as mulheres são tratadas como frágeis e desequilibradas em excesso nesse período? 3= Como foi a sua primeira menstruação (menarca)? 4= Pelas suas experiências pessoais a respeito da sua menstruação na adolescência, qual a importância de se falar abertamente sobre menstruação? OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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Encontro sobre ciclo menstrual do coletivo Teia

Setembro de 2019

HISTÓRICO: O coletivo Teia é um grupo de mulheres idealizado por quatro estudantes do município de Mauá, na região metropolitana do estado de São Paulo. O grupo surgiu em 2019, tendo o seu primeiro encontro em abril, contando com a presença de 55 mulheres, as reuniões ocorrem mensalmente na Casa Helenira Preta de Referência para Mulher, em Mauá, a casa tem como objetivo o combate à violência contra as mulheres, atuando tanto no atendimento das vítimas de violência quanto na prevenção da violência de gênero. Os agrupamentos acontecem com temas destinados ao universo feminino, em 2 de junho se reuniram para falar sobre menstruação, aspectos negativos relativos a ela e o processo cíclico das mulheres.


32

No dia 29 de setembro se reunirão novamente para falar sobre ciclo menstrual, “A Biologia e os Poderes Sagrados da Menstruação”.

FONTES: Mulheres que irão ao encontro sobre ciclo menstrual da Teia.

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Fazer panorâmicas do encontro e focar nas explicações dadas as mulheres. PERGUNTAS: Observar se haverá momentos propícios para fazer perguntas pertinentes.

OBSERVAÇÃO: Deixar o ambiente confortável para filmar. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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Amanda Santana, Atriz

Outubro de 2019

HISTÓRICO: A estadunidense Leona Chalmers inventou e patenteou, em 1937, o que foi considerado como o primeiro copo menstrual comercializado, era feito de borracha e com design semelhante aos encontrados hoje em dia. A produção não vingou, na época a menstruação e o tabu entre as próprias mulheres era grande. No Brasil os coletores só começaram a ser populares em 2015, surgindo diversas


33

marcas no mercado, quase 80 anos depois da primeira ideia de usar um “copinho” para coletar o sangue menstrual. Amanda Marcondes de Santana, 20, é estudante de Pedagogia e atriz de peças teatrais, vegana há 5 anos, faz uso do coletor menstrual em oposição ao absorvente comum, que gera lixo em excesso, desconfortos durante a menstruação e possui produtos químicos prejudiciais. A chegada do coletor menstrual vem mudando a relação das mulheres com o seu sangue, fazendo com que o contato seja mais íntimo no período, proporcionando autoconhecimento sobre a quantidade de fluído gerado, por exemplo. Diversas mulheres possuem dúvidas sobre o seu uso, Amanda explicará como é o seu ciclo menstrual com esse utensílio feminino que está ganhando cada vez mais adeptas no país.

FONTES: Amanda Marcondes de Santana, 20. Telefone: (11) 9 6969-7120

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar a entrevista em explicações sobre o uso do coletor menstrual. PERGUNTAS: 1 = A quanto tempo você usa o coletor menstrual? 2 = Por que você começou a usar o coletor menstrual? 3 = Como foi parar de usar o absorvente comum? 4 = Como se usa o coletor menstrual? 5 = Quanto tempo pode ficar com o coletor menstrual? 6 = Qual o tempo de duração do coletor menstrual? 7 = Você começou a ter mais noção de quanto sangra no período menstrual? 8 = Por que outras mulheres deveriam utilizar o coletor menstrual? OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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34

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Daniela Tonelli Manica, Antropóloga

Agosto de 2019

HISTÓRICO: Daniela Tonelli Manica é Doutora em Antropologia Social pela Unicamp (2009). Tem experiência de docência e pesquisa nas temáticas de corpo, gênero, tecnociência e biomedicina; relações entre natureza e cultura; hormônios, fluidos corporais e técnicas do corpo; biografia, etnografia e itinerários intelectuais; etnografias de laboratório. Atua nas áreas da Antropologia da Ciência e da Tecnologia, Estudos Feministas, Antropologia da Saúde e Teoria Antropológica. Linhas de Pesquisa: *Cultura Científica e Sociedade; e *Informação, Comunicação, Tecnologia e Sociedade. Fonte: Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo –

Labjor

http://www.labjor.unicamp.br/?mestrado-professores=daniela-tonelli-

manica Daniela estuda o tema da menstruação há 20 anos, escreveu artigos a respeito,

entre

eles

“A

desnaturalização

da

menstruação:

hormônios

contraceptivos e tecnociência” e a dissertação de mestrado “Supressão da menstruação: ginecologistas e laboratórios farmacêuticos re-apresentando natureza e cultura”. Abordando questões como o surgimento da pílula anticoncepcional e as representações de médicos ginecologistas sobre o sangue e ciclos menstruais, além de análise dos comportamentos da sociedade a respeito da menstruação.

FONTE: Daniela Tonelli Manica, antropóloga e professora da UNICAMP, e-mail: dtmanica@gmail.com

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar a entrevista no campo de estudo da fonte. PERGUNTAS:


35

1 Como se dá a visão negativa sobre o ciclo menstrual no Brasil? 2 Como os crescentes debates em torno do ciclo menstrual e o sangue menstrual se relacionam com questões feministas? 3 Quais os efeitos dos movimentos femininos que estão propagando uma visão de autoconhecimento sobre a menstruação? 4 E quanto a rejeição ao uso da pílula anticoncepcional e absorventes comuns, como se entende esse fenômeno atualmente?

OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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PAUTA

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Ilza Maria Urbano, Médica Ginecologista

Outubro de 2019

HISTÓRICO: A Universidade Estadual de Campinas conta com o Hospital de Clínicas, Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Hospital da Mulher JA Pinotti e o Pronto Socorro Unicamp, sendo o primeiro um hospital de grande porte e alta complexidade. Todos os atendimentos realizados na UNICAMP são integralmente executados pelo Sistema Único de Saúde e pagos com recursos públicos, provenientes de impostos e contribuições sociais. Fonte: hc.unicamp.br Ilza Maria Urbano é médica ginecologista e docente de pós-graduação na Universidade Estadual de Campinas, seu campo de estudo é sangramento uterino anormal, também atende no Ambulatório de Planejamento Familiar – Cemicamp. A médica é essencial para explicações biológicas sobre o ciclo menstrual e o processo da primeira menarca e uso da pílula anticoncepcional, riscos e benefícios.


36

FONTE: Ilza Maria, ginecologista e docente da UNICAMP, e-mail: ilza@unicamp.br

ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO: Focar a entrevista no campo de estudo da entrevistada. PERGUNTAS: 1 Como acontece a primeira menstruação nas meninas? 2 Como funciona o ciclo menstrual no corpo da mulher? 3 Muitas mulheres relatam que na primeira consulta ao ginecologista o médico (a) já receita o uso da pílula anticoncepcional, por que isso acontece? 4 Há males no uso continuo da pílula anticoncepcional? 5 Quais outros métodos contra a gravidez são indicados? OBSERVAÇÃO: Tornar a entrevista descontraída. PAUTA: JESSICA AMANCIO

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TRANSCRIÇÕES DAS ENTREVISTAS Bruna Guimarães e Letícia Pasqual Realização da gravação: 01/09/2019 TIME CODE IN7

7 8

Código de tempo em. Código de tempo esgotado.

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT8


37

Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre mostrou que no Brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, antes da sua busca pelo autoconhecimento, você já teve repúdio do próprio sangue? Bruna Guimarães: Eu era essa pessoa 00:01:02

que quando via sangue no lixo eu ficava

00:01:25

nossa que nojo sabe, que porca, por que fizeram isso? Por que não enrolaram direitinho? Não encostava no sangue, eu sentia

repúdio

de

verdade.

Letícia

Pasqual: Eu também e a minha mãe, ela está aprendendo agora a se distanciar desse nojo por mas que ela não menstrue mais. Qual a importância de um coletivo como a Teia reunir mulheres para falar abertamente sobre menstruação?

Bruna Guimarães: Eu acho que é aquilo, quem ao seu redor gosta de menstruar? Então a gente gosta, e a gente gosta 00:03:27

porque

tivemos

acesso

a

esse

autoconhecimento cíclico a partir de todas as condições de privilégio, então por conhecer ginecologistas que falam sobre isso, por ter frequentado alguns cursos de percepção de fertilidade. Letícia Pasqual: A “Teia”, ela vem nessa transmissão de conhecimentos,

que

não

são

00:04:30


38

conhecimentos teóricos ou acadêmicos exatamente, mas conhecimentos de vida mesmo, eu iniciei esse aprendizado ao conhecer mulheres que amavam o ciclo, ao entender que eu poderia amar meu ciclo porque outras mulheres amavam também. Então trazemos a “Teia” e esse encontro para transmitir esse conhecimento, dessa autonomia,

desse

aprendizado,

que

aprendemos na troca, por isso a “Teia” significa: trocas e estudos de imersão no autoconhecimento. A Tensão Pré Menstrual (TPM) é mal compreendida, você acha que as mulheres são

tratadas

desequilibradas

como em

frágeis

excesso

e

nesse

período?

Letícia Pasqual: A TPM é mal interpretada, mas a TPM é maravilhosa e tipo ninguém, é até um absurdo falar que ela é 00:05:10

maravilhosa, porque é o momento de introspecção, um momento de olhar, se entender e entender tudo que aconteceu nos últimos dias do ciclo. Então a TPM dentro do ciclo é essencial e como não podemos

pausar,

nós

não

podemos

silenciar, tem que estar produzindo todos os

dias

nesse

tempo

masculino

de

produção constante que não é cíclico e não encerra e recomeça, então veem como tensão, veem como algo negativo porque não condiz com o externo.

00:05:51


39

A cólica, por ser relativa de cada mulher, também é mal compreendida, você já teve que

esconder

alguma

situação

de

desconforto?

Bruna Guimarães: A cólica não é uma doença aleatória, porque meu ciclo é ruim comigo, porque a menstruação é ruim, 00:07:52

porque sempre tenho cólica e a minha TPM

00:08:21

é um inferno, não é assim! Não é para ser assim! O ciclo menstrual é para ser tranquilo não é para ser um fardo, ele é o seu mapa comportamental, ele diz como você está, como estão as suas relações emocionais e como está a sua relação alimentar, então tudo isso interfere na cólica. Você já sentiu vergonha ou já presenciou alguma

mulher

menstruada

sentindo

e

por

outras

estar

pessoas

descobrirem?

Bruna

Guimarães:

Teve

de

amigas

sujarem a cadeira da escola e quando 00:19:39

levantaram, meu Deus do céu, e essa questão de alguma amiga ir no banheiro por ter ficado menstruada na escola e pedir absorvente e entrar na sala e ter que pedir um absorvente era impensável. Então era uma vergonha as pessoas descobrirem que tem alguém menstruada. Letícia Pasqual: Eu não lembro das coisas específicas mas eu lembro que a gente tinha que falar em

00:20:42


40

código para conseguir um absorvente caso estivesse menstruada, tipo cochichando, podia falar só em código e se algum menino descobrisse era chato, era extremamente chato, eles iam falar, eu lembro deles falarem que nojo, nossa vai feder, e eu lembro que um dia uma menina estava com cheiro ruim e eles falaram porque ela está menstruada. O sangue menstrual historicamente e culturalmente é tratado como algo impuro, sujo e até mesmo “perigoso” em muitas sociedades, qual a importância da quebra desse pensamento negativo?

Bruna

Guimarães:

A

história

da

menstruação eu acho que tem a ver com uma maldição da Eva, alguma coisa assim, têm várias histórias de que isso é a 00:23:46

maldição,

então

somos

sujas

e

00:24:20

amaldiçoadas por menstruar. Letícia Pasqual: Mas é que se formos a fundo nessas histórias, as mulheres foram amaldiçoadas por menstruarem porque foi compreendido que o sangue menstrual é muito poderoso e que o ciclo menstrual é muito poderoso e que nesse processo de autoconhecimento cíclico e constante das mulheres, elas chegavam em níveis de sabedoria muito rapidamente. Quando e como o assunto menstruação 00:26:06

chegou para ser tema do coletivo Teia?

00:27:49


41

Letícia Pasqual: Depois que eu conheci mulheres que falavam como era incrível menstruar eu pesquisei mais em grupos de sagrado

feminino,

comecei

entender

porque que ele era sagrado, o que era um ciclo e a importância dele dentro de mim. Bruna Guimarães: A minha relação foi um pouco diferente mas também teve esse encontro, mas foi porque eu não queria tomar anticoncepcional e eu não queria engravidar de forma nenhuma, então eu tinha uma alternativa quanto a isso, o que eu poderia fazer e aí como o Universo é maravilhoso apareceu na Universidade da minha amiga uma mulher falando sobre percepção de fertilidade e eu fui nesse encontro e foi aí que deu o start sobre a minha relação com o meu ciclo. Ela fala (Marcela

Campos)

sobre

o

que

é

biologicamente o ciclo menstrual e os sinais que seu corpo te dá todos os dias do mês, então eu comecei a querer falar sobre isso para as mulheres que eu conhecia. Letícia Pasqual: A importância da união, porque

estávamos

sempre

trocando,

quando a Bruna chegou com a percepção da fertilidade e quando eu cheguei com o coletor,

foi

pensamos,

fantástico. nossa,

existe

De um

repente mundo

mágico, essa troca de mulheres, cada uma aprendendo uma coisa e junta foi essencial.


42

Laura Mocellin Teixeira Realização da gravação: 09/09/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT

Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes sempre livre mostrou que no brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, antes da sua busca pelo autoconhecimento, você já teve repúdio do próprio sangue?

Quando eu comecei a menstruar eu passei pela aquela fase de esconder que ia comprar absorvente, esconder que estava menstruada, ter vergonha, eu pensava, meu Deus, como eu vou contar para minha 00:01:58

mãe a primeira vez que eu menstruar? Como se fosse uma coisa horrível, como se eu estivesse cometido um delito, então sim, passei muito por isso. Depois eu passei por uma fase de aceitar como uma coisa mais normal, não ter vergonha de falar, mas mesmo assim eu ainda achava o sangue nojento, e principalmente porque a gente usa absorvente né, e o absorvente comum, o absorvente descartável possui muitas substâncias tóxicas para mucosa vaginal e ele

também

passagem

de

bloqueia oxigênio

um

pouco

deixando

a um

ambiente mais propício a proliferação de micro-organismos,

bactérias,

fungos,

00:02:51


43

coisas que podem se proliferar e gerar um odor mais ruim, que é o motivo pelo qual a gente sente o cheiro mais ruim do nosso sangue, e ao sentir cheiro ruim a gente com certeza vai ter nojo. Qual a sua atual relação com o seu ciclo menstrual? Eu comecei a pensar, eu me cuido, eu me alimento com uma comida natural, não quero usar nenhum cosmético que não seja natural, não quero agredir o meio ambiente 00:12:30

nem os animais e ainda estou tomando um

00:12:53

hormônio sintético, externo, que eu não preciso, porque eu não tenho nenhum problema, literalmente só para regular o meu ciclo, regular a minha pele e isso não fazia sentido. (Pílula anticoncepcional). Qual foi a sua reação quando usuários diversos, inclusive o comediante Danilo Gentile, comentaram sobre uma foto que você postou no Twitter consagrando o seu sangue menstrual no rosto e parte dos ombros? 00:20:43

Geralmente passamos por preconceitos mais velados em relação a isso, de não poder mostrar, de estar com uma calça suja as vezes, de manchar um banco e sentir a maior vergonha do mundo, como se estivesse feito alguma coisa errada, e as vezes não é porque alguém falou algo para ti, mas sim porque isso foi construído na tua cabeça por muito tempo, assim como todos

00:23:01


44

os outros preconceitos e pré-julgamentos são construídos pela nossa sociedade. Quando eu comecei a fazer o ritual de “Plantar a Lua” descobri também através de algumas meninas que compartilhavam experiências comigo

podemos utilizar o

sangue não só para colocar nas plantas, mas que podemos fazer arte com ele também, então têm mulheres que pintam quadros com seu próprio sangue, passam no rosto, inclusive, existem até terapias cosméticas que são feitas com o sangue. Mas não é esse o intuito que eu utilizo, comecei a utilizar também na minha pele o sangue como um meio de se reconectar. Infelizmente acabei postando no twitter um dia que é a rede mais tóxica que existe no Universo mas as vezes é necessário, caiu no conhecimento público essa foto, alguém postou e viralizou e todo mundo começou a postar. Esse foi o único momento que eu realmente sofri um preconceito horrível, julgamentos horríveis, críticas horríveis, as pessoas realmente me ameaçando só por causa disso, como se eu estivesse feito mal para alguém, sendo que eu não fiz mal para ninguém, sendo que as pessoas veem sangue, morte, guerra o tempo inteiro e acham

completamente

normal,

acham

normal ter porte de arma por exemplo e uma mulher não pode usar o seu sangue para algo dela. Eu não estou obrigando


45

ninguém a fazer nada, eu não falei para ninguém fazer, e mesmo assim sofri esse preconceito, então eu acho que esse foi o exemplo mais claro assim de que a menstruação ainda assim é um tabu, mesmo

que

as

pessoas

falem

que

menstruação é normal mas não é normal tu passar teu sangue, por que que não é normal? Quem falou que não é normal? E se eu quiser fazer isso? As pessoas fazem cada coisa estranha e cada um faz o que quer com o seu próprio corpo, desde que não esteja fazendo mal para ninguém eu não vejo problema as pessoas fazerem o que elas querem. Quando e porque você começou o ritual chamado “Plantar a Lua”? Como é feito esse ritual? A gente começou a criar mecanismos para passar pelo período menstrual sem parecer que estávamos passando pelo período menstrual, pílula para 00:24:20

não sentir dor e

menstruar ou para ter um ciclo sem tantas modificações hormonais , de humor, corpo e também para não mostrar o sangue. Começamos a usar o absorvente para esconder o sangue, só que isso gerou ao longo do tempo uma desconexão completa das

mulheres

com

a

sua

própria

menstruação, hoje em dia não sabemos mais nada sobre a nossa menstruação,

00:26:05


46

sobre as nossas alterações hormonais e de humor. O movimento de “Plantar a Lua” nada mais é do que um movimento de reconexão com o nosso sangue menstrual, é o ato da gente pegar coletar o sangue, usando absorvente acaba ficando mais difícil, por isso a maioria das mulheres que fazem isso ou elas usam um pano absorvente ou absorventes de pano mesmo que já existem, ou o coletor menstrual que é um copinho que a gente introduz na vagina e ele coleta o sangue. Pegamos esse sangue e devolvemos ele para a terra, é como se fosse o lugar onde ele deveria estar, onde ele permanece. Antigamente

as

mulheres

quando

menstruavam elas se uniam todas no período da menstruação para colocar o sangue na terra como forma de nutrir aquela terra.

Enquete: Marilene Oliveira / Vanessa Garcia / Josileide Brito / Erika Silva / Nágila Oliveira Realização das gravações: 12/09/2019 / 15/09/2019 / 03/10/2019 / 04/10/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta Qual

00:02:52

a

sua

menstruação?

relação

com

TIME CODE OUT a

sua 00:02:53

00:02:54

00:03:05

00:03:06

00:03:17


47

Marilene

Oliveira:

A

mais

péssima

possível. Vanessa Garcia: É cólica, é TPM, meu humor muda totalmente, fico atacada no chocolate, a mulher fica inchada. Eu e minha menstruação é terrível a nossa relação. Josileide Brito: Não é que eu não gosto, eu fico muito nervosa, irritada é TPM total. Você sente TPM? Erika Silva: Antes, durante, após. Nágila Oliveira: É bem mutável, a cada 00:04:31

cinco minutos eu estou de um jeito, as

00:04:34

00:04:35

vezes estou mais estressada, fico com os

00:04:50

nervos à flor da pele, muito estressada, muito calma, muito feliz ou muito triste, é bem relativo, depende do momento. Acha o absorvente confortável? 00:08:22

Nágila Oliveira: Não muito, já tentei o interno e tal, uso porque tenho que usar na

00:08:28

verdade. Você conhece o coletor menstrual? 00:08:53

Nágila Oliveira: Eu acho um pouco

00:08:58

00:09:26

estranho, não imagino se seria confortável,

00:09:35

mas experimentaria.


48

Eu tenho medo pela insegurança de você tá usando e virar, acontecer alguma coisa, encher o copinho, não sei como funciona.

Victória Nascimento Realização da gravação: 24/09/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT

Uma pesquisa global de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre mostrou que no Brasil 57% das mulheres se sentem sujas durante a menstruação, entre diversas outras questões, você já teve repúdio do próprio sangue? 00:01:26

Já senti nojo principalmente porque eu

00:01:57

acho que o próprio absorvente deixa um odor, uma coisa mais. Hoje eu entendo melhor , não sinto mais raiva do meu corpo, porque eu entendo que é um processo natural que a gente passa de fertilidade. A Tensão Pré Menstrual (TPM) é mal compreendida, você acha que as mulheres são

tratadas

desequilibradas

como em

frágeis

excesso

e

nesse

período? 00:04:51

00:05:09 Existe essa separação entre meninos e meninas e acontece muito bullyng. Quando a mulher ela vai se expressar, ela quer ser mais incisiva dizem que ela está de TPM.


49

Como foi a sua primeira menstruação (menarca)?

Quando eu fiz treze anos eu menstruei, só que os meus pais nunca conversaram comigo sobre menstruação, sobre sexo, sobre nada. Menstruei e não contei para ninguém, fiquei três anos sem contar para minha mãe

até que ela descobriu, não

sabia como reagir, eu tinha dezesseis anos quando

ela

menstruação 00:15:39

descobriu, sempre

foi

e

minha

desregulada,

pegava absorvente escondido, pegava

00:17:34

papel. Um tempo depois, meus pais tinham uma loja de roupa e eu estava na loja sentada de vestido, levantei e meu pai falou caiu alguma coisa, eu olhei sangue no chão, a maneira como ele reagiu eu não gostei, tipo brigando comigo, sai correndo para o banheiro, fiquei super sem graça, nunca conversamos sobre esse episódio. Fui entendendo algumas coisas, cresci e fui tirando isso de mim, tirando essa timidez, esse não falar sobre menstruação. Pelas respeito 00:27:50

suas da

experiências sua

pessoais

menstruação

a na

adolescência, qual a importância de se falar abertamente sobre menstruação? Eu fico pensando como seria diferente quando eu era criança se eu ouvisse mais falar. se tivesse mais informação se isso

00:28:00


50

fosse

tratado

de

forma

natural.

(Menstruação).

Amanda Santana Realização da gravação: 26/10/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT

Por que outras mulheres deveriam utilizar o coletor menstrual? Além dele trazer o autoconhecimento a gente precisa se tocar para fazer o uso. 00:08:59

Temos

noção

da

quantidade

que

00:09:25

menstruamos, as vezes não chega nem na metade do copinho e pensamos que saiu bastante. Faz bem ao planeta porque não produz lixo e também não provoca alergias e nem assaduras, é super higiênico. Como se usa o coletor menstrual?

Tem vários tipos de dobras, uma delas é a dobra diamante, que é a que eu mais uso. Dobra-se assim no meio, para mim é a mais 00:09:36

confortável e a mais rápida, introduz na região e empurra com o dedo indicador, quando ouvimos um vácuo é porque está bem seguro, no final do dia, epois de completado quatro, oito, doze horas, o máximo recomendado! Aperta com cuidado aqui em baixo, para isso serve esse

00:10:15


51

cabinho, também tem a opção de cortá-lo, descarta, lava e usa novamente.

Daniela Manica Realização da gravação: 29/10/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT

Como se dá a visão negativa sobre o ciclo menstrual no Brasil? Tornar visível desconfortos socialmente e os efeitos que isso pode ter por exemplo para as mulheres poderem trabalhar, num 00:06:51

mercado

de

trabalho

capitalista,

competitivo, neoliberalista, essa coisa de

00:07:26

sempre fazer muito e fazer mais. Um corpo que precisa de tempo para descansar que não está bem por causa de algum desconforto é visto como menos produtivo e por tanto sai um pouco dessa esfera. Como os crescentes debates em torno do ciclo menstrual e o sangue menstrual se relacionam com questões feministas?

O que o coletor tem de interessante é 00:10:16

possibilitar para nós mulheres das cidades, pessoas que menstruam nas cidades, um contato mais palpável com o sangue e esse contato palpável que vai um pouco na direção de se apropriar um pouco mais dos nossos

processos

corporais,

várias

mulheres pensaram, poxa, eu posso fazer

00:10:53


52

tanta coisa com isso aqui, posso reinserir isso no mundo de uma forma criativa e política. E quanto a rejeição ao uso da pílula anticoncepcional e absorventes comuns, como se entende esse fenômeno atualmente?

A pílula acabou se tornando uma tecnologia muito favorável para várias coisas, tanto para as mulheres que queriam ter o controle sobre a sua sexualidade e querer conseguir desvincular a sexualidade de reprodução. 00:12:53

Os

homens

fazem

isso

automaticamente, as mulheres ficam com o

00:13:46

ônus da relação sexual e da potência reprodutiva, então a pílula veio um pouco para

preencher

esse

lugar

de

reinvindicação de mais autonomia das mulheres

sobre

seus

processos

reprodutivos, mas ao mesmo tempo, as primeiras pílulas tinham uma dosagem hormonal gigantesca e as mulheres faziam uso da pílula com esse desejo de resolver a questão reprodutiva, sem ter muita noção de que tipos de efeitos colaterais isso teria. Como se dá a visão negativa sobre o ciclo menstrual no Brasil? 00:23:02

00:23:45 Nosso olhar sobre a menstruação é muito específico e muito marcado pela nossa estrutura de vida urbana, o apartamento ou


53

a casa que tem um banheiro e o lugar da menstruação

é

o

lugar

dos

outros

excrementos. Então nesse nosso contexto o que a gente pode dizer sobre a menstruação na nossa experiência vital até poucos anos atrás é que ela tinha esse lugar do invisível, do pânico dela se tornar visível em público, aquele medo do sangue vazar na roupa, de as pessoas saberem que você está menstruada e verem o sangue. Quais os efeitos dos movimentos femininos que estão propagando uma visão de autoconhecimento sobre a menstruação?

A gente não pode reduzir a experiência de mulheres a nada que seja único, porque as mulheres negras, as mulheres indígenas, as

mulheres

no

particularizamos 00:28:01

Islã,

as

quando

experiências

individuais muito daquilo que imaginamos como sendo algo geral e universal, que possa

ser

uma

bandeira

única

se

desintegra. E Existem mulheres sem útero, homens com útero, mulheres já na menopausa que não menstruam, as garotas jovens que ainda não menstruaram, então não é que a menstruação também dá conta de uma experiência universal, mas com certeza as próximas

gerações

de

pessoas

que

menstruam vão ter benefícios de estar

00:29:19


54

tornando essa discussão mais pública. Tornando a menstruação menos polêmica ou menos cheia de interdições e tabus, é um exercício diário, para mim tem sido um exercício há vinte anos, falar disso como pesquisa , apresentar a pesquisa, falar de menstruação

olhando

nos

olhos

das

pessoas e as pessoas tendo que lidar com ela.

Ilza Maria Urbano Realização da gravação: 01/11/2019 TIME CODE IN

Pergunta e Resposta

TIME CODE OUT

Muitas mulheres relatam que na primeira consulta ao ginecologista o médico (a) já receita o uso da pílula anticoncepcional, por que isso acontece?

Geralmente quando a menina procura o ginecologista, ela está começando a ter a sua menstruação e uma das queixas muito 00:11:17

comuns

é

cólica

menstrual

e

fluxo

aumentado, quando ela chega com essa queixa no médico a postura médica tradicional dar um tratamento para dor e diminuir o sangramento. A pílula vai regularizar

o

fluxo

e

diminuir

a

menstruação. A menina sai com a receita de pílula para controlar a cólica, é tão importante de se

00:12:28


55

pensar, porque existe estudo australiano do ano passado

que mostra que 29% das

adolescentes começam a usar pílula, não para evitar filhos, mas para controlar esses sintomas de menstruação, então um terço delas saem com o método. Há males no uso contínuo da pílula anticoncepcional?

Os

estudos

complicações

mostram que

segurança,

podem

as

acontecer

acontecem interrompendo mensalmente ou continuamente na mesma proporção, usar a pílula continuamente tem uma vantagem de diminuir os períodos de transtorno e 00:13:47

esse é o que chamamos de benefício não

00:14:38

contraceptivo do uso estendido da pílula, evita cólica,

mulheres sentem dor de

cabeça quando param a pílula, se ela usa continuamente a dor de cabeça não aparece, e as vezes uma dor de cabeça muito forte que pode atrapalhar o trabalho, estudos, dia de prova. O uso estendido e contínuo é bem-vindo, o problema é saber usar. Como acontece a primeira menstruação nas meninas?

00:18:08

Logo que a menina nasce nos dois primeiros anos de vida ela tem um estímulo que vem lá do sistema nervoso central e que mantém ali os hormônios, tem bebê

00:19:38


56

que

as

vezes

pode

apresentar

sangramento e isso é normal, não há um bloqueio prenotado, aos dois anos de idade começa esse bloqueio, ele só vai ser liberado quando for o momento dela iniciar o processo de maturação sexual. Então lá pelos oito, nove anos começa o desbloqueio e a menstruação costuma acontecer lá pelos onze anos e meio. O desbloqueio acontece por vários motivos, se a menina tem uma composição de gordura um pouco maior ela pode ter um desbloqueio adiantado, porque o hormônio que é produzido pela gordura é um tipo de estrogênio

e

ele

pode

estimular

o

hipotálamo que fica no cérebro e isso libera a produção de hormônios dela.

ROTEIRO

LAUDA TV

ROTEIRO DOCUMENTÁRIO DATA

ROTEIRO: JESSICA AMANCIO DA SILVA ORIENTAÇÃO:

BASE:01/10/2019 DATA EDIÇÃO:15/10/2019

PROFA. DRA. MIRIAN MELIANI NUNES

DATA ENTREGA:11/11/2019

TÍTULO: MEU SANGUE É SAGRADO


57

SINOPSE: COMUM E NATURAL, PORÉM, MAIS DA METADE DAS BRASILEIRAS SE

CONSIDERAM

SUJAS

DURANTE

A

MENSTRUAÇÃO.

ESTE

DOCUMENTÁRIO ANALISA OS TABUS COTIDIANOS QUE CONTRIBUEM PARA QUE O CICLO MENSTRUAL SEJA TRATADO COMO ALGO DESAGRADÁVEL, E COMO

COLETIVOS

DE

MULHERES

ESTÃO

BUSCANDO

O

AUTOCONHECIMENTO PARA A QUEBRA DESSE PENSAMENTO NEGATIVO.

RETRANCA DO DOCUMENTÁRIO:

PRODUÇÃO: TIME CODE IN / OUT

JESSICA AMANCIO DA

MENSTRUAÇÃO /

SILVA

FEMINISMO SONORAS / BG’S / GC’S /

EXTERNAS / INTERNAS / INSERT’S DE

TC IN / TC OUT

INSERT’S DE TEXTO / INSERT’S DE ÁUDIO /

IMAGEM

LEGENDAS

INSERT IMAGEM: LOGO DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL /

TC IN: 00:00:00

-

TC OUT: 00:00:05

FUNDO BRANCO SONORA

LETÍCIA

PASQUAL:

A

GENTE

VÊ

MULHER TEMENDO HOMEM INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA SOBRE CICLO MENSTRUAL – MAUÁ – SP

/ A GENTE TEME HOMEM / TC IN: 00:00:05

PORQUE OS POLICIAIS SÃO

TC OUT:00:00:25

HOMENS

/

POLÍTICA

É

PORQUE

A

MASCULINA

DEMAIS / SENDO QUE A GENTE CARREGA ISSO / É MUITO LOUCO MESMO / É COMO

SE

NÃO


58

ESTIVÉSSEMOS

USANDO

UMA SUPER CAPACIDADE BG: MÚSICA “RECEPTION” – WILLIAM ROSATI INSERT TEXTO: 66% DAS MULHERES

BRASILEIRAS

SE

SENTEM

DESCONFORTÁVEIS DURANTE A MENSTRUAÇÃO / EXTERNA: CENTRO

57%

SUJAS

INSEGURAS

DA CIDADE DE SÃO

TC IN: 00:00:25

PAULO / PESSOAS

TC OUT: 00:00:50

ANDANDO

/

/ O

42% MAIOR

ÍNDICE NA MÉDIA GLOBAL / 50%

ESCONDEM

O

ABSORVENTE NO CAMINHO AO BANHEIRO E HESITAM FALAR

QUE

ESTÃO

MENSTRUADAS / APENAS 19% SE SENTEM CAPAZES BG: MÚSICA “RECEPTION” – WILLIAM ROSATI INSERT IMAGEM:

INSERT

ABERTURA DO

AMANCIO

DOCUMENTÁRIO / ARTE ILUSTRAÇÃO FOTO LAURA

TEXTO:

JESSICA

APRESENTA

/

MEU SANGUE É SAGRADO TC IN: 00:00:50 TC OUT: 00:01:01

BG: MÚSICA “RECEPTION” – WILLIAM ROSATI

MOCELLIN SONORA LETÍCIA PASQUAL

INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

TC IN: 00:01:02 TCOUT:00:01:25

E

BRUNA

BRUNA

GUIMARÃES

GUIMARÃES:

/

EU

ERA ESSA PESSOA QUE QUANDO VIA SANGUE NO


59

LIXO / EU FICAVA NOSSA QUE NOJO SABE / QUE PORCA / POR QUE FIZERAM ISSO

/

POR

QUE

NÃO

ENROLARAM DIREITINHO / NÃO

ENCOSTAVA

SANGUE

/

EU

NO

SENTIA

REPÚDIO DE VERDADE // LETÍCIA

PASQUAL:

EU

TAMBÉM / PORQUE A MINHA MÃE

ESTÁ

APRENDENDO

AGORA A SE DISTANCIAR DESSE NOJO POR MAS QUE ELA NÃO MENSTRUE MAIS GC:

BRUNA

GUIMARÃES

IDEALIZADORA DA TEIA GC: LETÍCIA

PASQUAL

IDEALIZADORA DA TEIA SONORA

VICTÓRIA

NASCIMENTO: NOJO

/

JÁ

JÁ

SENTI

SENTI

/

PRINCIPALMENTE PORQUE EU ACHO QUE O PRÓPRIO ABSORVENTE INTERNA: ESCOLA LIVRE DE TEATRO –

TC IN: 00:01:26

SANTO ANDRÉ – SP

TC OUT: 00:01:57

ELE

DEIXA

UM ODOR / UMA COISA MAIS NOJENTA ASSIM QUE EU DE FATO SENTIA / HUM / AI QUE RAIVA NÉ / TIPO DÁ UMA RAIVA ASSIM / É HOJE EU ENTENDO MELHOR / NÃO SINTO MAIS RAIVA DO MEU CORPO ENTENDO

/

PORQUE QUE

É

EU UM


60

PROCESSO NATURAL QUE A GENTE

PASSA

FERTILIDADE

DE

MESMO

/

ENTÃO / MAS EU JÁ SENTI / JÁ

SENTI

NOJO

VICTÓRIA ATRIZ

GC:

NASCIMENTO

INSERT

TEXTO:

ESCOLA LIVRE DE TEATRO – SANTO ANDRÉ – SP SONORA

LAURA

MOCELLIN:

QUANDO

EU

COMECEI A MENSTRUAR EU PASSEI PELA AQUELA FASE DE

ESCONDER

QUE

IA

COMPRAR ABSORVENTE / ESCONDER

QUE

TAVA

/

TER

MENSTRUADA

VERGONHA / EU PENSAVA / INTERNA:

MEU DEUS / COMO EU VOU

APARTAMENTO DA

CONTAR PARA MINHA MÃE A

MÉDICA – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO - SP

TC IN: 00:01:58

PRIMEIRA

TC OUT: 00:02:51

MENSTRUA FOSSE

VEZ /

QUE

EU

COMO

SE

UMA

COISA

HORRÍVEL NÉ / COMO SE EU ESTIVESSE COMETIDO UM DELITO ASSIM / ENTÃO SIM / PASSEI MUITO POR ISSO / DEPOIS EU PASSEI POR UMA

FASE

DE

ACEITAR

COMO UMA COISA MAIS NORMAL

/

NÃO

TER

VERGONHA DE FALAR / MAS MESMO ASSIM EU AINDA


61

ACHAVA

O

SANGUE

NOJENTO

/

E

PRINCIPALMENTE PORQUE A GENTE USA ABSORVENTE NÉ / E O ABSORVENTE COMUM / O ABSORVENTE DESCARTÁVEL

/

POSSUI

ELE MUITAS

SUBSTÂNCIAS

TÓXICAS

PARA MUCOSA VAGINAL E ELE TAMBÉM BLOQUEIA UM POUCO A PASSAGEM DE OXIGÊNIO

DEIXANDO

UM

AMBIENTE MAIS PROPÍCIO A PROLIFERAÇÃO DE MICROORGANISMOS / ENTÃO / BACTÉRIAS

/

FUNGOS

/

COISAS QUE PODEM SE PROLIFERAR E GERAR UM ODOR MAIS RUIM / QUE É O MOTIVO

PELO

QUAL

A

GENTE SENTE O CHEIRO MAIS

RUIM

DO

NOSSO

SANGUE / E AÍ AO SENTIR CHEIRO RUIM A GENTE COM CERTEZA VAI TER NOJO GC:

LAURA

MOCELLIN

MÉDICA

NUTRÓLOGA

INSERT

TEXTO:

APARTAMENTO DA MÉDICA – SÃO PAULO – SP EXTERNA: TRANSPORTE

TC IN: 00:02:52

SONORA

TC OUT: 00:02:53

MARILENE

ENQUETE OLIVEIRA:

A


62

PÚBLICO -

MAIS

PINHEIROS – SÃO

PÉSSIMA

POSSÍVEL

INSERT TEXTO: QUAL A SUA

PAULO - SP

RELAÇÃO

COM

A

MENSTRUAÇÃO?

/

PINHEIROS –SÃO PAULO SP GC: MARILENE OLIVEIRA DONA DE CASA LEGENDA: A MAIS PÉSSIMA POSSÍVEL SONORA VANESSA

ENQUETE GARCIA:

É

CÓLICA / É TPM / MEU HUMOR TOTALMENTE

MUDA /

FICO

ATACADA NO CHOCOLATE / A MULHER FICA INCHADA / EU E MINHA MENSTRUAÇÃO É

TERRÍVEL

A

NOSSA

RELAÇÃO INSERT TEXTO:

EXTERNA: VÃO

QUAL A SUA RELAÇÃO COM

LIVRE DO MUSEU DE

TC IN: 00:02:54

ARTE DE SÃO PAULO

A MENSTRUAÇÃO? / VÃO

TC OUT: 00:03:05

LIVRE MASP – SÃO PAULO–

– SÃO PAULO - SP

SP GC: VANESSA GARCIA RECEPCIONISTA LEGENDA: É CÓLICA / É TPM / MEU HUMOR TOTALMENTE

MUDA /

FICO

ATACADA NO CHOCOLATE / A MULHER FICA INCHADA / EU E MINHA MENSTRUAÇÃO É

TERRÍVEL

RELAÇÃO

A

NOSSA


63

SONORA

ENQUETE

JOSILEIDE BRITO: ASSIM / NÃO É QUE EU NÃO GOSTO, EU FICO MUITO

NERVOSA

DEMAIS

TENHO

BANHEIRO PÚBLICO CPTM - TATUAPÉ –

/

IRRITADA /

/ AO

EXTREMO / É TPM TOTAL EU

EXTERNA:

ESTAÇÃO METRÔ E

NERVOSA

INSERT

TEXTO:

QUAL A SUA RELAÇÃO COM TC IN: 00:03:06 TC OUT: 00:03:17

SÃO PAULO - SP

A

MENSTRUAÇÃO?

/

TATUAPÉ – SÃO PAULO – SP GC:

JOSILEIDE

AUXILIAR

DE

BRITO LIMPEZA

LEGENDA: ASSIM / NÃO É QUE EU NÃO GOSTO, EU FICO

MUITO

IRRITADA

NERVOSA /

/

NERVOSA

DEMAIS / AO EXTREMO / É TPM TOTAL EU TENHO INSERT

ÁUDIO

BRUNA

GUIMARÃES: EU ACHO QUE É AQUILO / QUEM AO SEU

INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA –

REDOR

GOSTA

DE

TC IN: 00:03:18

MENSTRUAR?

TC OUT: 00:03:26

TEXTO: O COLETIVO TEIA É

MAUÁ – SP

INSERT

UM GRUPO DE MULHERES QUE

COMPARTILHAM

CONHECIMENTOS ENTRE SI INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP INSERT

SONORA:

LETÍCIA

TC IN: 00:03:27

PASQUAL

E

BRUNA

TC OUT: 00:04:30

GUIMARÃES

/

GUIMARÃES:

ENTÃO

BRUNA A


64

IMAGEM: FLYER DO

GENTE GOSTA / E A GENTE

ENCONTRO DA TEIA

PORQUE A GENTE TEVE

SOBRE MENSTRUAÇÃO

ACESSO

A

ESSE

AUTOCONHECIMENTO CÍCLICO / A GENTE É / A PARTIR

DE

TODAS

AS

CONDIÇÕES DE PRIVILÉGIO QUE A GENTE CONSEGUIU ACESSAR

/

ENTÃO

POR

CONHECER GINECOLOGISTAS

QUE

FALAM SOBRE ISSO / POR TER

FREQUENTADO

ALGUNS

CURSOS

PERCEPÇÃO FERTILIDADE

DE DE

/

ENTENDER

E O

VOCÊ QUE

ACONTECE NO SEU CORPO COMO

UMA

COISA

PERFEITA / É PERFEITO O NOSSO CICLO MENSTRUAL / ELE É O REGULADOR DA NOSSA

SAÚDE

REGULADOR

/ NOSSO

EMOCIONAL

LETÍCIA PASQUAL: A TEIA / ELA

VEM

NESSA

TRANSMISSÃO

DE

CONHECIMENTOS NÉ / QUE NÃO SÃO CONHECIMENTOS TEÓRICOS / ACADÊMICOS EXATAMENTE

/

MAS

CONHECIMENTOS DE VIDA MESMO / ENTÃO ISSO EU


65

APRENDI / EU INICIEI ESSE APRENDIZADO CONHECER

AO MULHERES

QUE AMAVAM O CICLO / AO ENTENDER

QUE

EU

PODERIA AMAR MEU CICLO PORQUE

OUTRAS

MULHERES

AMAVAM

TAMBÉM / ENTÃO A GENTE TRÁS A TEIA E TIPO ESSE ENCONTRO

PARA

TRANSMITIR

ESSE

CONHECIMENTO / DESSA AUTONOMIA APRENDIZADO GENTE

/

DESSE /

QUE

APRENDEU

A NA

TROCA MESMO NÉ / POR ISSO QUE A TEIA CHAMA / TROCAS E ESTUDOS DE IMERSÃO

NO

AUTOCONHECIMENTO INSERT TEXTO: IDEALIZADO POR QUATRO ESTUDANTES

DO

MUNICÍPIO DE MAUÁ / NA REGIÃO

METROPOLITANA

DO ESTADO DE SÃO PAULO / TEIA: TROCAS E ESTUDOS DE

IMERSÃO

NO

AUTOCONHECIMENTO

EXTERNA: VÃO LIVRE DO MUSEU DE

TC IN: 00:04:31 TC OUT: 00:04:34

SONORA ENQUETE ERIKA SILVA: ANTES / DURANTE / APÓS INSERT TEXTO: VOCÊ


66

ARTE DE SÃO PAULO

SENTE TPM? / VÃO LIVRE

– SÃO PAULO - SP

MASP - SÃO PAULO - SP GC: ERIKA SILVA ESTUDANTE LEGENDA:

ANTES

/

DURANTE / APÓS SONORA ENQUETE NÁGILA OLIVEIRA: É BEM MUTÁVEL / A CADA CINCO MINUTOS EU ESTOU DE UM JEITO, AS VEZES EU ESTOU MAIS ESTRESSADA, FICO COM OS NERVOS A FLOR DA PELE / MUITO ESTRESSADA

/

MUITO

CALMA / MUITO FELIZ OU MUITO TRISTE / É BEM RELATIVO / DEPENDE DO

EXTERNA: RUA TUIUTÍ– TATUAPÉ SÃO PAULO - SP

TC IN: 00:04:35

MOMENTO INSERT TEXTO:

TC OUT: 00:04:50

VOCÊ

SENTE

TPM?

/

TATUAPÉ – SÃO PAULO – SP GC:

NÁGILA

OLIVEIRA

AUTÔNOMA LEGENDA: É BEM MUTÁVEL / A CADA CINCO MINUTOS EU ESTOU DE UM JEITO, AS VEZES

EU

ESTOU

MAIS

ESTRESSADA, FICO COM OS NERVOS A FLOR DA PELE / MUITO

ESTRESSADA

/

MUITO CALMA / MUITO FELIZ OU MUITO TRISTE / É BEM


67

RELATIVO / DEPENDE DO MOMENTO SONORA

VICTÓRIA

NASCIMENTO: EXISTE ESSA SEPARAÇÃO

ENTRE

MENINOS E MENINAS / UMA GUERRINHA / E ACONTECE

INTERNA: ESCOLA LIVRE DE TEATRO –

TC IN: 00:04:51

MUITO BULLYNG / MUITAS

SANTO ANDRÉ – SP

TC OUT: 00:05:09

COISAS / E DIRETO QUANDO A

MULHER

ELA

VAI

SE

EXPRESSAR / ELA QUER SER MAIS INCISIVA / AI TÁ DE TPM / AI NÃO SEI O QUE / PARA DE SER PARANÓICA SONORA:

LETÍCIA

PASQUAL

E

BRUNA

/

LETÍCIA

GUIMARÃES PASQUAL: COMO

COMEÇA

A

TPM

É

AI MAL

INTERPRETADA / PORQUE TPM ELA É MARAVILHOSA / E TIPO NINGUÉM / É ATÉ UM INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

TC IN: 00:05:10 TC OUT: 00:05:51

ABSURDO FALAR QUE ELA É MARAVILHOSA / PORQUE É O

MOMENTO

INTROSPECÇÃO

DE /

UM

MOMENTO DE OLHAR / SE ENTENDER TUDO NOS CICLO

QUE

/

ENTENDER ACONTECEU

ÚLTIMOS /

DIAS

ENTÃO

A

DO TPM

DENTRO DO CICLO / ELA É ESSENCIAL / E A GENTE /


68

COMO A GENTE NÃO PODE PAUSAR / A GENTE NÃO PODE SILENCIAR / A GENTE TEM QUE TÁ PRODUZINDO TODOS

OS

TEMPO

DIAS

NESSE

MASCULINO

PRODUÇÃO

DE

CONSTANTE

QUE NÃO É CÍCLICO / QUE NÃO

ENCERRA

E

RECOMEÇA / A GENTE NÃO PODE / ENTÃO VEEM COMO TENSÃO / VEEM COMO É ALGO NEGATIVO PORQUE NÃO

CONDIZ

COM

O

EXTERNO SONORA ENCONTRO TEIA LUCIANA SANTOS: PORQUE NÃO TEM / NÃO EXISTE / VEM FRASE

AQUELA /

FRESCURA

AI /

FAMOSA ISSO COISA

É DE

MULHER / É / E MUITA INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

GENTE TAMBÉM TC IN: 00:05:52

DA PRÓPRIA FAMÍLIA ATÉ

TC OUT: 00:06:50

ENTENDER QUE ERA UMA COISA QUE REALMENTE EU PASSAVA MAL / QUE NEM NA FASE EU MENSTRUEI COM QUINZE NÉ / ENTÃO ATÉ A FAMÍLIA VÊ QUE NÃO / ELA REALMENTE

ESTÁ

PASSANDO MAL DEMOROU MUITO TEMPO / DEMOROU


69

PORQUE

QUANDO

EU

COMECEI A TRABALHAR / COMECEI

A

TRABALHAR

COM DEZESSETE / QUE AI COMEÇOU A INTERFERIR MUITO NO TRABALHO / QUE AI

ACABARAM

MANDANDO

ME EMBORA

PORQUE EU NÃO IA / A PATROA FALOU / E ERA UMA MULHER A MINHA PATROA / A VOCÊ FALTA UMA VEZ POR MÊS / COMO ASSIM / TODA VEZ / TODA MULHER QUE

MENSTRUAR

VAI

FALTAR / EU NÃO CONSIGO / NÃO TENHO COMO / VOU FAZER O QUE / AI FOI BEM ASSIM EU FUI MANDADA EMBORA DE

QUATRO

TRABALHOS

POR CONTA DISSO INSERT TEXTO:

CÓLICA

/

ENCONTRO DA TEIA SOBRE MENSTRUAÇÃO – MAUÁ – SP GC: LUCIANA SANTOS ARTESÂ INTERNA:

SONORA DANIELA MANICA:

LABORATÓRIO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM

TORNAR

VISÍVEL

TC IN: 00:06:51

DESCONFORTOS

TC OUT: 00:07:26

SOCIALMENTE

ESSES

E

OS

JORNALISMO –

EFEITOS QUE ISSO PODE

UNIVERSIDADE

TER POR EXEMPLO PARA A


70

ESTADUAL DE

GENTE

CAMPINAS –

PODER

TRABALHAR

CAMPINAS – SP

/

É

/

NUM

NÉ

/

MERCADO DE TRABALHO COMO É O MERCADO DE TRABALHO CAPITALISTA / COMPETITIVO

/

NEOLIBERALISTA

/

ESSA

COISA DE SEMPRE FAZER MUITO E FAZER MAIS / E AI UM CORPO QUE PRECISA DE

UM

TEMPO

PARA

DESCANSAR / UM CORPO QUE NÃO ESTÁ BEM POR CAUSA

DE

ALGUM

DESCONFORTO QUE ESTÁ PASSANDO É VISTO COMO MENOS PRODUTIVO E POR TANTO

SAI

UM

POUCO

DESSA

ESFERA

INSERT

TEXTO:

UNICAMP

CAMPINAS

–

SP

DANIELA

– GC:

MANICA

ANTROPÓLOGA SONORA ENCONTRO TEIA MARINA BERNARDES: EU TENHO INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

CÓLICAS

MUITO

FORTES E SÃO NA COXA E TC IN: 00:07:27

PARA TODAS AS MULHERES

TC OUT: 00:07:51

QUE EU FALO NINGUÉM / AH EU SINTO CÓLICA NA COXA / TODO MUNDO FICA NOSSA NA COXA / E EU DEMOREI MUITO

TEMPO

PARA


71

PERCEBER

QUE

ERA

CÓLICA / EU ACHAVA SUPER QUE EU TINHA DORMIDO DE MAL JEITO / QUE EU TINHA FEITO EXERCÍCIO / COISA QUE EU NÃO FAÇO / ENTÃO NÃO FAZIA SENTIDO / E AI TIPO EU DEMOREI MUITO PARA

ASSOCIAR

ESSAS

DORES FÍSICAS / A DOR NA COXA

DIREITA

MENSTRUAÇÃO

A INSERT

TEXTO: ENCONTRO DA TEIA SOBRE

MENSTRUAÇÃO

–

MAUÁ – SP GC: MARINA BERNARDES ESTAGIÁRIA SONORA:

LETÍCIA

PASQUAL

E

GUIMARÃES

BRUNA /

BRUNA

GUIMARÃES: A CÓLICA NÃO É UMA DOENÇA ALEATÓRIA / PORQUE MEU CICLO É RUIM COMIGO / PORQUE A

INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

TC IN: 00:07:52 TC OUT: 00:08:21

MENSTRUAÇÃO É RUIM / ENTÃO / EU SEMPRE TENHO CÓLICA E A MINHA TPM É UM INFERNO / NÃO É ASSIM / NÃO É PARA SER ASSIM / O CICLO MENSTRUAL / ELE É PARA SER TRANQUILO / ELE NÃO É PARA TER DOR / NÃO É PARA SER UM FARDO / ELE

É

O

SEU

MATA


72

COMPORTAMENTAL / ELE DIZ COMO VOCÊ ESTÁ / COMO

ESTÁ

AS

SUAS

RELAÇÕES EMOCIONAIS / COMO

ESTÁ

A

SUA

RELAÇÃO

ALIMENTAR

ENTÃO

TUDO

/

ISSO

INTERFERE NA CÓLICA SONORA ENQUETE NÁGILA OLIVEIRA: NÃO MUITO / JÁ TENTEI O INTERNO

E

TAL

/

USO

PORQUE TENHO QUE USAR EXTERNA: RUA TUIUTÍ– TATUAPÉ SÃO PAULO - SP

NA

VERDADE

TC IN: 00:08:22

TEXTO:

TC OUT: 00:08:28

ABSORVENTE

INSERT

ACHA

O

CONFORTÁVEL? LEGENDA: NÃO MUITO / JÁ TENTEI O INTERNO

E

TAL

/

USO

PORQUE TENHO QUE USAR NA VERDADE SONORA

AMANDA

SANTANA: POXA/, SAI SÓ ISSO E NÃO VAZA / OLHA ELE PODE FICAR DE OITO À

EXTERNA: CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – VERGUEIRO – SÃO PAULO – SP

TC IN: 00:08:29 TC OUT: 00:08:52

DOZE HORAS, MAS EU NÃO CONFIO HORAS

DEIXAR

DOZE ISABELA

RODRIGUES: NOSSA SÓ SAI ISSO DE SANGUE? AMANDA SANTANA:

AS EU ESTOU

MORRENDO/ CERTEZA QUE


73

VAI SAIR DOIS LITROS E NÃO/ SAI METADE AQUI / OITO HORAS UMA VEZ EU DEIXEI PORQUE ESTAVA NA RUA / AI TIREI NO BANHO INSERT TEXTO: COLETOR MENSTRUAL

/

CENTRO

CULTURAL SÃO PAULO – SÃO

–

PAULO

ISABELA

SP

GC:

RODRIGUES

ARQUITETA

LEGENDA:

POXA/, SAI SÓ ISSO E NÃO VAZA / OLHA ELE PODE FICAR DE OITO À DOZE HORAS, CONFIO

MAS

EU

NÃO

DEIXAR

DOZE

HORAS / NOSSA SÓ SAI ISSO DE SANGUE? / AS EU ESTOU MORRENDO/ CERTEZA QUE VAI SAIR DOIS LITROS E NÃO/ SAI METADE AQUI / OITO HORAS UMA VEZ EU DEIXEI PORQUE ESTAVA NA RUA / AI TIREI NO BANHO SONORA ENQUETE NÁGILA OLIVEIRA: EU ACHO UM POUCO ESTRANHO / NÃO EXTERNA: RUA TUIUTÍ– TATUAPÉ SÃO PAULO - SP

TC IN: 00:08:53 TC OUT: 00:08:58

IMAGINO

SE

CONFORTÁVEL, EXPERIMENTARIA TEXTO: COLETOR

SERIA MAS

EU

INSERT

CONHECE

O

MENSTRUAL?

LEGENDA: EU ACHO UM


74

POUCO ESTRANHO / NÃO IMAGINO

SE

SERIA

CONFORTÁVEL / MAS EU EXPERIMENTARIA SONORA

AMANDA

SANTANA:

ALÉM

DELE

TRAZER

O

AUTOCONHECIMENTO

/

PORQUE A GENTE PASSA A NOS CONHECER MELHOR / A

GENTE

PRECISA

SE

TOCAR PARA FAZER O USO DELE. TEMOS NOÇÃO DA QUANTIDADE QUE A GENTE MENSTRUA / AS VEZES NÃO CHEGA NEM NA METADE E A EXTERNA: FÁBRICA DE CULTURA –

TC IN: 00:08:59

BELÉM – SÃO

TC OUT: 00:09:25

PAULO – SP

GENTE

ACHA

MENSTRUOU FAZ

BEM

QUE

BASTANTE. AO

PLANETA

PORQUE NÃO PRODUZ LIXO E TAMBÉM NÃO PROVOCA ALERGIAS

E

NEM

ASSADURAS / ELE É SUPER HIGIÊNICO INSERT TEXTO: BELÉM – SÃO PAULO – SP GC:

AMANDA

SANTANA

ATRIZ

LEGENDA:

ALÉM

DELE

TRAZER

O

AUTOCONHECIMENTO

/

PORQUE A GENTE PASSA A NOS CONHECER MELHOR / A

GENTE

PRECISA

SE

TOCAR PARA FAZER O USO


75

DELE. TEMOS NOÇÃO DA QUANTIDADE QUE A GENTE MENSTRUA / AS VEZES NÃO CHEGA NEM NA METADE E A GENTE

ACHA

MENSTRUOU FAZ

BEM

QUE

BASTANTE. AO

PLANETA

PORQUE NÃO PRODUZ LIXO E TAMBÉM NÃO PROVOCA ALERGIAS

E

NEM

ASSADURAS / ELE É SUPER HIGIÊNICO SONORA ENQUETE NÁGILA OLIVEIRA: EU TENHO MEDO PELA

INSEGURANÇA

DE

VOCÊ TÁ USANDO E VIRAR / SEI

LÁ

/

ACONTECER

ALGUMA COISA / NÃO SEI / EXTERNA: RUA

ENCHER O COPINHO / NÃO

TUIUTÍ– TATUAPÉ

TC IN: 00:09:26

SÃO PAULO - SP

TC OUT: 00:09:35

SEI

COMO

FUNCIONA

LEGENDA: EU TENHO MEDO PELA

INSEGURANÇA

DE

VOCÊ TÁ USANDO E VIRAR / SEI

LÁ

/

ACONTECER

ALGUMA COISA / NÃO SEI / ENCHER O COPINHO / NÃO SEI COMO FUNCIONA SONORA

EXTERNA: FÁBRICA DE CULTURA – BELÉM – SÃO PAULO – SP

TC IN: 00:09:36 TC OUT: 00:10:15

AMANDA

SANTANA:

TEM

VÁRIOS

TIPOS DE DOBRAS / UMA DELAS

É

A

DOBRA

DIAMANTE / QUE É A QUE EU


76

MAIS USO, A GENTE DOBRA ASSIM NO MEIO / PARA MIM É A MAIS CONFORTÁVEL E A MAIS RÁPIDA / AI A GENTE INTRODUZ NA REGIÃO E EMPURRA COM O DEDO INDICADOR AQUI/ QUANDO OUVIMOS UM VÁCUO / É PORQUE

ESTÁ

BEM

SEGURO / NO FINAL DO DIA,/ DEPOIS DE COMPLETADO / QUATRO

/

OITO/

DOZE

HORAS / QUE É O MÁXIMO RECOMENDADO / A GENTE APERTA

COM

CUIDADO

AQUI EM BAIXO / PARA ISSO QUE SERVE ESSE CABINHO / TAMBÉM TEM A OPÇÃO DE CORTAR / A GENTE APERTA COM CUIDADO, DESCARTA / LAVA E USA NOVAMENTE LEGENDA:

TEM

VÁRIOS

TIPOS DE DOBRAS / UMA DELAS

É

A

DOBRA

DIAMANTE / QUE É A QUE EU MAIS USO, A GENTE DOBRA ASSIM NO MEIO / PARA MIM É A MAIS CONFORTÁVEL E A MAIS RÁPIDA / AI A GENTE INTRODUZ NA REGIÃO E EMPURRA COM O DEDO INDICADOR AQUI/ QUANDO OUVIMOS UM VÁCUO / É


77

PORQUE

ESTÁ

BEM

SEGURO / NO FINAL DO DIA,/ DEPOIS DE COMPLETADO / QUATRO

/

OITO/

DOZE

HORAS / QUE É O MÁXIMO RECOMENDADO / A GENTE APERTA

COM

CUIDADO

AQUI EM BAIXO / PARA ISSO QUE SERVE ESSE CABINHO / TAMBÉM TEM A OPÇÃO DE CORTAR / A GENTE APERTA COM CUIDADO, DESCARTA / LAVA E USA NOVAMENTE SONORA DANIELA MANICA: O QUE O COLETOR TEM DE INTERESSANTE POSSIBILITAR

É PARA

NÓS

MULHERES DAS CIDADES / É /

INTERNA:

PESSOAS

QUE

LABORATÓRIO DE

MENSTRUAM NAS CIDADES

ESTUDOS

/ É / UM CONTATO MAIS

AVANÇADOS EM

PALPÁVEL MESMO COM O

JORNALISMO –

TC IN: 00:10:16

SANGUE NÉ / E AI / É ESSE

UNIVERSIDADE

TC OUT: 00:10:53

CONTATO PALPÁVEL QUE

ESTADUAL DE

VAI UM POUCO NA DIREÇÃO

CAMPINAS –

DE A GENTE SE APROPRIAR

CAMPINAS – SP

UM

POUCO

NOSSOS

MAIS

DOS

PROCESSOS

CORPORAIS MULHERES

/

VÁRIAS

PENSARAM

/

POXA / EU POSSO FAZER TANTA COISA COM ISSO AQUI

/

EU

POSSO


78

REINCERIR ISSO NO MUNDO DE UMA FORMA CRIATIVA E POLÍTICA SONORA ENCONTRO TEIA MARINA BERNARDES: EU LEMBRO A PRIMEIRA VEZ QUE

EU

FUI

NA

GINECOLOGISTA/ ELA MAL PERGUNTOU

/

MAL

BALBUCIOU TRÊS FRASES / ELA A TOMA AÍ / AMOSTRA GRÁTIS / E EU NÃO TOMEI / ÓBVIO.

EU

NENHUMA NÃO INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

NÃO

ALTERAÇÃO

SABIA

OVÁRIO

TINHA

SE

TINHA

POLICÍSTICO /

/

ACHEI

/

TC IN: 00:10:54

NADA

UM

TC OUT: 00:11:16

DESRESPEITO

INSERT

TEXTO:

PÍLULA

ANTICONCEPCIONAL LEGENDA: EU LEMBRO A PRIMEIRA VEZ QUE EU FUI NA MAL

GINECOLOGISTA/ PERGUNTOU

/

ELA MAL

BALBUCIOU TRÊS FRASES / ELA A TOMA AÍ / AMOSTRA GRÁTIS / E EU NÃO TOMEI / ÓBVIO.

EU

NENHUMA NÃO

NÃO

ALTERAÇÃO

SABIA

OVÁRIO

TINHA

SE

/

TINHA

POLICÍSTICO

/


79

NADA

/

ACHEI

UM

DESRESPEITO SONORA

ILZA

MARIA

URBANO:

GERALMENTE

QUANDO

A

MENINA

PROCURA

O

GINECOLOGISTA / ELA TÁ COMEÇANDO A TER A SUA MENSTRUAÇÃO / UMA DAS QUEIXAS MUITO COMUNS É CÓLICA

MENSTRUAL

FLUXO

/

AUMENTADO

MUITAS VEZES E CÓLICA INTERNA:

MENSTRUAL / QUANDO ELA

AMBULATÓRIO DE

CHEGA COM ESSA QUEIXA

PLANEJAMENTO

NO MÉDICO / A POSTURA

FAMILIAR – CEMICAMP UNIVERSIDADE

TC IN: 00:11:17 TC OUT: 00:12:28

MÉDICA TRADICIONAL É / EU VOU

TE

DAR

UM

TRATAMENTO PARA ESSA

ESTADUAL DE

DOR / EU VOU TIRAR ESSA

CAMPINAS –

DOR / EU VOU DIMINUIR SEU

CAMPINAS – SP

SANGRAMENTO

/

ENTÃO

TOMA UM ANALGÉSICO / A MAS EU JÁ TOMEI / EU COMPREI NA FARMÁCIA E NÃO TIROU MINHA DOR / TÁ / ENTÃO VAMOS FAZER O SEGUINTE / EU VOU TE DAR UMA PÍLULA / QUE ELA VAI REGULARIZAR SEU FLUXO / VAI

DIMINUIR

MENSTRUAÇÃO MUITAS

SUA /

QUE

MENINAS

TÊM


80

DIMINUIÇÃO

DA

MENSTRUAÇÃO

QUANDO

TOMAM

/

PÍLULA

E

VAI

DIMINUIR SUA DOR / SUA CÓLICA / E AI ELA SAI COM A RECEITA DE PÍLULA PARA CONTROLAR A CÓLICA / ISSO É TÃO IMPORTANTE DA

GENTE

PENSAR

/

PORQUE TEM UM ESTUDO QUE

SAIU

PASSADO

AGORA

ANO

ACHO

QUE

AUSTRALIANO

/

QUE

MOSTRA VINTE E NOVE POR CENTO

DAS

ADOLESCENTES

/

ELAS

COMEÇAM A USAR PÍLULA / NÃO PARA EVITAR FILHOS / MAS

PARA

ESSES

CONTROLAR

SINTOMAS

DE

MENSTRUAÇÃO/ ENTÃO É UM TERÇO DELAS SAEM COM O MÉTODO / É / PARA CONTROLAR TEXTO:

INSERT

UNICAMP

–

CAMPINAS – SP GC: ILZA MARIA

URBANO

MÉDICA

GINECOLOGISTA SONORA INTERNA: APARTAMENTO DA MÉDICA – JARDIM

TC IN: 00:12:30 TC OUT: 00:12:53

LAURA

MOCELLIN: NOSSA / POR QUE QUE EU TÔ FAZENDO TUDO ISSO / EU ME CUIDO / EU ME ALIMENTO COM UMA


81

PAULISTA – SÃO

COMIDA NATURAL / EU NÃO

PAULO - SP

QUERO

USAR

NENHUM

COSMÉTICO QUE NÃO SEJA NATURAL / EU NÃO QUERO AGREDIR O MEIO AMBIENTE / OS ANIMAIS / E EU AINDA TÔ

TOMANDO

HORMÔNIO

UM

SINTÉTICO

EXTERNO / QUE EU NÃO PRECISO / PORQUE EU NÃO TENHO

NENHUM

PROBLEMA QUE EU TENHA NECESSIDADE

/

LITERALMENTE

SÓ

PARA

REGULAR O MEU CICLO / REGULAR A MINHA PELE / E EU COMECEI A PENSAR / NOSSA / ISSO NÃO FAZ SENTIDO SONORA DANIELA MANICA: A

PÍLULA

ACABOU

TORNANDO INTERNA:

SE UMA

TECNOLOGIA

MUITO

LABORATÓRIO DE

FAVORÁVEL PARA VÁRIAS

ESTUDOS

COISAS NÉ / TANTO PARA

AVANÇADOS EM JORNALISMO –

TC IN: 00:12:53

AS

MULHERES

QUE

TC OUT: 00:13:46

QUERIAM TER O CONTROLE

UNIVERSIDADE

SOBRE

ESTADUAL DE

SEXUALIDADE NÉ / QUERER

CAMPINAS –

CONSEGUIR DESVINCULAR

CAMPINAS – SP

A

A

SEXUALIDADE

SUA

DE

REPRODUÇÃO / QUE ATÉ ENTÃO / OS HOMENS FAZEM


82

ISSO AUTOMATICAMENTE / AS MULHERES FICAM COM O

ÔNUS

DA

RELAÇÃO

SEXUAL E DA POTÊNCIA REPRODUTIVA NÉ / ENTÃO A PÍLULA VEIO UM POUCO PARA

PREENCHER

ESSE

LUGAR

DE

REINVINDICAÇÃO DE MAIS AUTONOMIA

DAS

MULHERES

SOBRE

SEUS

PROCESSOS REPRODUTIVOS / MAS AO MESMO

TEMPO

/

PRIMEIRAS TINHAM

PÍLULAS

UMA

HORMONAL NÉ

/

E

FAZIAM COM

AS

DOSAGEM

GIGANTESCA AS

MULHERES

USO

ESSE

DA

PÍLULA

DESEJO

RESOLVER

A

DE

QUESTÃO

REPRODUTIVA E SEM TER MUITA

NOÇÃO

TIPOS

DE

DE

QUE

EFEITOS

COLATERAIS ISSO TERIA NÉ

INTERNA: AMBULATÓRIO DE PLANEJAMENTO FAMILIAR – CEMICAMP UNIVERSIDADE ESTADUAL DE

SONORA

ILZA

URBANO:

OS

MARIA ESTUDOS

MOSTRAM SEGURANÇA / AS TC IN: 00:13:47

COMPLICAÇÕES

QUE

TC OUT: 00:14:38

PODERIAM

ACONTECER

ACONTECEM

USANDO

/

INTERROMPENDO MENSALMENTE

OU


83

CAMPINAS – CAMPINAS – SP

CONTINUAMENTE MESMA

NA

PROPORÇÃO

USAR

A

/

PÍLULA

CONTINUAMENTE TEM UMA VANTAGEM DE DIMINUIR OS PERÍODOS

DE

TRANSTORNO / E ESSE É O QUE A GENTE CHAMA DE BENEFÍCIO

NÃO

CONTRACEPTIVO DO USO EXTENDIDO DA PÍLULA / EVITA CÓLICA / TEM GENTE QUE TEM DOR DE CABEÇA QUANDO PARA A PÍLULA / AQUELE

PERIODOZINHO

QUE CAI OS HORMÔNIOS / ENTÃO

SE

ELA

USA

CONTINUAMENTE A DOR DE CABEÇA NÃO APARECE / E AS VEZES UMA DOR DE CABEÇA MUITO FORTE QUE PODE

ATRAPALHAR

O

TRABALHO / ESTUDO / DIA DE

PROVA

/

QUALQUER

COISA ASSIM / ENTÃO / O USO EXTENDIDO / O USO CONTÍNUO / ELE É BEM VINDO / E O PROBLEMA É CONSEGUIR

USAR

/

QUANDO VOCÊ COMEÇA A USAR

EXTENDIDO

PODE

TER MUITO ESCAPEZINHO NO COMEÇO / PRECISA TER


84

PACIÊNCIA QUE ISSO AS VEZES DEMORA UM ANO PARA PASSAR SONORA ENCONTRO TEIA MARINA BERNARDES: A GENTE QUE TÊM QUE ABDICAR E PASSAR POR TODAS

ESSAS

TRANSFORMAÇÕES BRUSCAS /, SENDO QUE A GENTE FICA FÉRTIL MENOS DE

UMA

SEMANA

LEMBRO

/

QUE

EU

TINHA

CHEGADO UNS AVANÇOS DE FORMULAÇÃO DE UM ANTICONCEPCIONAL INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

MASCULINO / MAS FICA AÍ A TC IN: 00:14:39

REFLEXÃO

SOBRE

ISSO,

TC OUT: 00:15:38

PORQUE

MAIS

UMA

RESPONSABILIDADE

QUE

É

CAI PRA GENTE E NÃO FAZ SENTIDO BIOLÓGICO / JÁ QUE É TANTO UMA PAUTA BIOLOGIA

BRUNA

GUIMARÃES: A QUESTÃO É / ESSA

É

A

DIFERENÇA

BRUSCA QUE A GENTE FICA FÉRTIL EM MÉDIA OITO DIAS NO MÊS / EU VOU EXPLICAR MAIS PORQUE SÃO OITO / MAS É ISSO / POR QUE A GENTE TÊM QUE TOMAR ANTICONCEPCIONAL


85

SENDO QUE NÃO É A GENTE QUE É FERTIL TRINTA DIAS DO MÊS/ E TODOS OS DIAS DA VIDA / A GENTE SÓ É FÉRTIL

A

PRIMEIRA

PARTIR

DA

MENSTRUAÇÃO

ATÉ A MENOPAUSA / É UM PERÍODO DA NOSSA VIDA / O HOMEM TEM UM PERÍODO BEM

MAIOR

DE

FERTILIDADE LEGENDA: A GENTE

QUE

TÊM

QUE

ABDICAR E PASSAR POR TODAS

ESSAS

TRANSFORMAÇÕES BRUSCAS /, SENDO QUE A GENTE FICA FÉRTIL MENOS DE

UMA

SEMANA

LEMBRO

QUE

/

EU

TINHA

CHEGADO UNS AVANÇOS DE FORMULAÇÃO DE UM ANTICONCEPCIONAL MASCULINO / MAS FICA AÍ A REFLEXÃO

SOBRE

ISSO,

MAIS

UMA

RESPONSABILIDADE

QUE

PORQUE

É

CAI PRA GENTE E NÃO FAZ SENTIDO BIOLÓGICO / JÁ QUE É TANTO UMA PAUTA BIOLOGIA / A QUESTÃO É / ESSA

É

A

DIFERENÇA

BRUSCA QUE A GENTE FICA FÉRTIL EM MÉDIA OITO DIAS


86

NO MÊS / EU VOU EXPLICAR MAIS PORQUE SÃO OITO / MAS É ISSO / POR QUE A GENTE TÊM QUE TOMAR ANTICONCEPCIONAL SENDO QUE NÃO É A GENTE QUE É FERTIL TRINTA DIAS DO MÊS/ E TODOS OS DIAS DA VIDA / A GENTE SÓ É FÉRTIL

A

PRIMEIRA

PARTIR

DA

MENSTRUAÇÃO

ATÉ A MENOPAUSA / É UM PERÍODO DA NOSSA VIDA / O HOMEM TEM UM PERÍODO BEM

MAIOR

DE

FERTILIDADE SONORA

VICTÓRIA

NASCIMENTO: QUANDO EU FIZ

TREZE

ANOS

EU

MENSTRUEI / SÓ QUE OS MEUS

PAIS

NUNCA

CONVERSARAM

COMIGO

SOBRE INTERNA: ESCOLA

MENSTRUAÇÃO

/

SOBRE SEXO / SOBRE NADA

LIVRE DE TEATRO –

TC IN: 00:15:39

/ ERA ASSIM / ERA UMA

SANTO ANDRÉ – SP

TC OUT: 00:17:34

COISA QUE NÃO PODIA ME ATINGIR / E EU FILHA ÚNICA / ENTÃO / SEMPRE TRATADA DE

MANEIRA

MUITO

INFANTILIZADA / E AI EU MENSTRUEI E NÃO CONTEI PARA NINGUÉM E FIQUEI TRÊS ANOS SEM CONTAR


87

PARA MINHA MÃE / ATÉ QUE ELA DESCOBRIU / É / E AI ELA ENFIM REAGIU DE UMA FORMA MEIO ASSIM E EU TAMBÉM / NÃO SABIA COMO REAGIR

/

EU

TINHA

DEZESSEIS ANOS QUANDO ELA DESCOBRIU / QUE EU JÁ MENSTRUAVA / E MINHA MENSTRUAÇÃO

SEMPRE

FOI DESREGULADA NÉ / E AI EU PEGAVA ABSORVENTE ESCONDIDO DELA / PEGAVA PAPEL

/

COISAS

ENFIM /

E

ESSAS

AI

DEPOIS

DESSE EPISÓDIO / MEUS PAIS TINHAM UMA LOJA DE ROUPA E EU TAVA NA LOJA SENTADA / EU TAVA DE VESTIDO / E AI EU LEVANTEI / AI MEU PAI FALOU / AI VICTÓRIA

CAIU

COISA

AI

/

ALGUMA

EU

OLHEI

SANGUE NO CHÃO/ E A MANEIRA

COMO

ELE

REAGIU EU NÃO GOSTEI / ELE FALOU AI VICTÓRIA / TIPO

BRIGANDO COMIGO

NÉ POR UM MOTIVO QUE / AI EU SAI CORRENDO PARA O BANHEIRO E TAL / EU FIQUEI SUPER SEM GRAÇA / A GENTE

NUNCA


88

CONVERSOU SOBRE ESSE EPISÓDIO / E / MAS AI DEPOIS

EU

ENTENDENDO

FUI ALGUMAS

COISAS / CRESCI E FUI TIRANDO ISSO DE MIM NÉ / TIRANDO ESSA TIMIDEZ / ESSE NÃO FALAR SOBRE MENSTRUAÇÃO TEXTO:

A

INSERT PRIMEIRA

MENSTRUAÇÃO SONORA ENCONTRO TEIA VICTÓRIA

MARQUES:

EU

MENSTRUEI / EU LEMBRO QUE EU DEMOREI TIPO UNS ANOS PARA FALAR PARA ELA / PORQUE TIPO NÃO VINHA

MENSTRUAÇÃO

E

TAL / QUANDO EU SENTI ASSIM QUE REALMENTE EU INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

TINHA UM FLUXO / AI EU TC IN: 00:17:35

CONVERSEI COM ELA E TAL

TC OUT: 00:18:07

E ELA NATURAL / EU USAVA AQUELES

ABSORVENTES

NORMAIS / NORMAIS NÉ / AQUELE EXTERNO / COMUM NÉ / E EU ACHAVA QUE EU TINHA UM FLUXO MUITO INTENSO E EU ME SENTIA TIPO UMA INÚTIL TAMBÉM / NÃO

CONSEGUIA

FAZER

NADA / EU SENTIA MUITA DOR / DA CINTURA PARA


89

BAIXO PARECIA QUE TINHA UM

PESO

LOMBAR

NA

GC:

MINHA VICTÓRIA

MARQUES ESTUDANTE SONORA

ILZA

MARIA

URBANO: COMO ACONTECE A PRIMEIRA MENSTRUAÇÃO /

EXISTE

LOGO

QUE

A

MENINA NASCE NOS DOIS PRIMEIROS ANOS ELA TEM UM ESTÍMULOZINHO QUE VEM LÁ DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E QUE MANTÉM

ALI

OS

INTERNA:

HORMÔNIOS MAIS / É /

AMBULATÓRIO DE

LIBERADOS / TANTO QUE

PLANEJAMENTO

TEM BEBÊ QUE AS VEZES

FAMILIAR – CEMICAMP UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – CAMPINAS – SP

TC IN: 00:18:08 TC OUT: 00:19:38

PODE

APRESENTAR

SANGRAMENTO MENINA E ISSO É NORMAL / ATÉ DOIS ANOS

NÃO

BLOQUEIO

HÁ

UM

PRENOTADO /

AOS DOIS ANOS DE IDADE COMEÇA ESSE BLOQUEIO E ELE SÓ VAI SER LIBERADO QUANDO FOR O MOMENTO DELA INICIAR O PROCESSO DE MATURAÇÃO SEXUAL / ENTÃO LÁ PELOS OITO / NOVE

ANOS

COMEÇA

DESBLOQUEIO MENSTRUAÇÃO ACONTECER

E

O A

COSTUMA LÁ

PELOS


90

ONZE ANOS / ONZE ANOS E MEIO / A GENTE ACABOU DE VER AQUI NO ESTUDO COM MAIS

DE

TRINTA

MIL

MENINAS COM UMA IDADE MÉDIA DE ONZE VÍRGULA SETE ANOS A PRIMEIRA MENARCA / ENTÃO AINDA ESTAMOS COM ESSA IDADE AI DE ONZE / ONZE E MEIO COMO A IDADE MÉDIA DA MENARCA / POR QUE QUE ISSO ACONTECE / POR QUE ACONTECE

O

DESBLOQUEIO

/

POR

VÁRIOS MOTIVOS / SE A MENINA

TEM

COMPOSIÇÃO

UMA /

UMA

QUANTIDADE DE GORDURA UM

POUCO

PODE

MAIOR TER

ELA UM

DESBLOQUEIO ADIANTADO / PORQUE O HORMÔNIO QUE É

PRODUZIDO

PELA

GORDURA É UM TIPO DE ESTROGÊNIO E ELE PODE ESTIMULAR O HIPOTÁLAMO QUE FICA LÁ NO CÉREBRO E ISSO LIBERA A PRODUÇÃO DE HORMÔNIOS DELA

INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO

TC IN: 00:19:39

SONORA LETÍCIA PASQUAL

TC OUT: 00:20:42

E

BRUNA

GUIMARÃES

/

BRUNA GUIMARÃES: TEVE


91

COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

DE

AMIGAS

SUJAREM

A

CADEIRA NÉ DA ESCOLA E QUANDO DEUS

LEVANTA

DO

CÉU

MEU

SABE

/

SANGUE AQUI / NÃO PODE EXISTIR SANGUE SOCORRO / E ESSA QUESTÃO DE ALGUMA

AMIGA

IR

NO

BANHEIRO / TER FICADO MENSTRUADA NA ESCOLA E PEDIR

ABSORVENTE

E

VOCÊ ENTRAR NA SALA E TER

QUE

PEDIR

UM

ABSORVENTE

ERA

IMPENSÁVEL

ASSIM

ENTÃO

ERA

VERGONHA

AS

DESCOBRIREM ALGUÉM

/ UMA

PESSOAS QUE

TEM

MENSTRUADA

MEU DEUS DO CÉU / ESSAS COISAS JÁ PRESENCIEI JÁ LETÍCIA

PASQUAL:

EU

LEMBRO DE TER VIVIDO ASSIM / EU NÃO LEMBRO DAS COISAS ESPECÍFICAS MAS EU LEMBRO QUE A GENTE TINHA QUE FALAR EM

CÓDIGO

CONSEGUIR ABSORVENTE

PARA UM CASO

ESTIVESSE MENSTRUADA / TIPO

COCHICHA

ALI

ABSORVENTE / NÃO PODIA


92

FALAR

SÓ

EM

CÓDIGO

E

SE

ALGUM

MESMO

MENINO DESCOBRISSE ERA CHATO

/

ERA

EXTREMAMENTE CHATO / ELES IAM FALAR / ELES IAM FALAR QUE

NOJO /

EU

LEMBRO DELES FALAREM QUE NOJO / NOSSA VAI FEDER / EU LEMBRO QUE UM

DIA

UMA

MENINA

ESTAVA COM CHEIRO RUIM E ELES FALARAM PORQUE ELA

ESTÁ

MENSTRUADA

CARA POR ISSO ELA TÁ FEDENDO / E ERA NOVO TINHA TREZE ANOS INSERT TEXTO: VERGONHA SONORA

INTERNA:

LAURA

APARTAMENTO DA

MOCELLIN:

MÉDICA – JARDIM

GERALMENTE PASSA POR

PAULISTA – SÃO

PRECONCEITOS

PAULO – SP

SANGUE DE

GENTE

MAIS

VELADOS EM RELAÇÃO A ISSO

INSERT DE IMAGEM: QUADRO COM

A

/

DE

NÃO

PODER

TC IN: 00:20:43

MOSTRAR / DE ESTAR COM

TC OUT: 00:23:01

UMA CALÇA SUJA AS VEZES

MENSTRUAÇÃO DE

/ DE SEI LÁ / MANCHAR UM

LETÍCIA PASQUAL /

BANCO OU UMA CALÇA / UM

TWEET DA FOTO DE

BANCO DE ALGUM LUGAR

LAURA MOCELLIN

QUE

VOCÊ

ESTAVA

COM O SEU SANGUE

SENTADA E SENTIR A MAIOR

MENSTRUAL NO

VERGONHA DO MUNDO /

ROSTO E OMBROS /

COMO SE EU ESTIVESSE


93

VÁRIOS TWEET’S

FEITO

ALGUMA

COISA

COM

ERRADA / E AS VEZES NÃO

CHINGAMENTOS EM

É PORQUE ALGUÉM FALOU

RESPOSTA A

ALGO PARA TI / MAS SIM

MÉDICA

PORQUE

ISSO

CONSTRUÍDO

FOI

NA

TUA

CABEÇA POR MUITO TEMPO / ASSIM COMO TODOS OS OUTROS PRECONCEITOS / PRÉ-JULGAMENTOS QUE A GENTE

TÊM

SÃO

CONSTRUÍDOS NOSSA

PELA

SOCIEDADE

/

QUANDO EU COMECEI A FAZER

O

PLANTAR

RITUAL A

LUA

DE /

EU

COMECEI / EU DESCOBRI TAMBÉM

/

ALGUMAS

ATRAVÉS MENINAS

DE QUE

COMPARTILHAVAM EXPERIÊNCIAS QUE

A

COMIGO

GENTE

PODE

UTILIZAR O SANGUE NÃO SÓ PARA COLOCAR NAS PLANTAS

/

MAS QUE

A

GENTE PODE FAZER ARTE COM ELE TAMBÉM / ENTÃO TÊM

MULHERES

PINTAM

QUADROS

QUE COM

SEU PRÓPRIO SANGUE / TÊM

MULHERES

PASSAM INCLUSIVE

NO

QUE

ROSTO

EXISTEM

/

ATÉ


94

TERAPIAS

COSMÉTICAS

QUE SÃO FEITAS COM O SANGUE / MAS NÃO É ESSE O INTUITO QUE EU UTILIZEI / E EU COMECEI A UTILIZAR TAMBÉM NA MINHA PELE O SANGUE

PARA

TAMBÉM

COMO UM MEIO DE SE RECONECTAR

E

INFELIZMENTE

ACABEI

POSTANDO NO TWITTER UM DIA QUE É A REDE MAIS TÓXICA QUE EXISTE NO UNIVERSO MAS AS VEZES É NECESSÁRIO / A GENTE TÊM QUE FAZER TAMBÉM COISAS

LÁ

INFELIZMENTE

E

DAÍ

CAIU

NO

CONHECIMENTO

PÚBLICO

ESSA

ALGUÉM

FOTO

POSTOU E

/

VIRALIZOU E

TODO MUNDO COMEÇOU A POSTAR ESSE

FOI

O

ÚNICO

MOMENTO

QUE

EU

REALMENTE

SOFRI

UM

PRECONCEITO HORRÍVEL / JULGAMENTOS HORRÍVEIS / CRÍTICAS HORRÍVEIS / AS PESSOAS REALMENTE ME AMEAÇANDO

SÓ

POR

CAUSA DISSO / COMO SE EU ESTIVESSE

FEITO

MAL


95

PARA ALGUÉM / SENDO QUE EU NÃO

FIZ MAL PARA

NINGUÉM / SENDO QUE AS PESSOAS VEEM SANGUE / MORTE / GUERRA O TEMPO INTEIRO

E

ACHAM

COMPLETAMENTE NORMAL NÉ / ACHAM NORMAL TER PORTE

DE

ARMA

POR

EXEMPLO E UMA MULHER NÃO PODE USAR O SEU SANGUE PARA ALGO DELA / EU NÃO ESTOU OBRIGANDO NINGUÉM A FAZER NADA / EU

NÃO

FALEI

PARA

NINGUÉM FAZER / E MESMO ASSIM

SOFRI

ESSE

PRECONCEITO / ENTÃO EU ACHO QUE ESSE FOI O EXEMPLO ASSIM

MAIS DE

CLARO

QUE

MENSTRUAÇÃO

A

AINDA

ASSIM É UM TABU / MESMO QUE AS PESSOAS FALEM SIM

/

NORMAL

MENSTRUAÇÃO /

É

É

NORMAL

MULHER MENSTRUAR / MAS NÃO É NORMAL TU PASSAR TEU SANGUE / UÉ PORQUE QUE NÃO É NORMAL QUEM FALOU QUE NÃO É NORMAL / E SE EU QUIZER FAZER ISSO NÉ / AS PESSOAS


96

FAZEM

CADA

COISA

ESTRANHA E CADA UM FAZ O QUE QUER COM O SEU PRÓPRIO CORPO / DESDE QUE NÃO ESTEJA FAZENDO MAL PARA NINGUÉM EU NÃO VEJO PROBLEMA AS PESSOAS FAZEREM O QUE ELAS QUEREM / ENTÃO SIM ISSO DEMONSTRA QUE A GENTE TÊM UM TABU MUITO GRANDE

/

PRECONCEITO TEXTO:

UM INSERT

QUADRO

DE

LETÍCIA PASQUAL SONORA DANIELA MANICA: NOSSO OLHAR SOBRE A MENSTRUAÇÃO

ELE

É

MUITO ESPECÍFICO E MUITO INTERNA:

MARCADO POR ISSO QUE É

LABORATÓRIO DE

A NOSSA ESTRUTURA DE

ESTUDOS

VIDA QUE É A ESTRUTURA

AVANÇADOS EM JORNALISMO –

TC IN: 00:23:02 TC OUT: 00:23:45

URBANA

/

QUE

É

O

APARTAMENTO OU A CASA

UNIVERSIDADE

QUE TEM UM BANHEIRO E AI

ESTADUAL DE

O

CAMPINAS – CAMPINAS – SP

LUGAR

DA

MENSTRUAÇÃO É O LUGAR DOS

OUTROS

EXCREMENTOS QUE É O BANHEIRO / ENTÃO NESSE NOSSO CONTEXTO O QUE A GENTE PODE DIZER SOBRE A

MENSTRUAÇÃO

NA


97

NOSSA EXPERIÊNCIA VITAL ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS É QUE ELA TINHA ESSE LUGAR DO INVISÍVEL / DO PÂNICO DELA SE TORNAR VISÍVEL

EM

PÚBLICO

/

AQUELE MEDO DO SANGUE VAZAR NA ROUPA / DE AS PESSOAS

SABEREM QUE

VOCÊ ESTÁ MENSTRUADA / VEREM O SANGUE INSERT

ÁUDIO

GUIMARÃES: DA

COLETIVO TEIA –

HISTÓRIA

MENSTRUAÇÃO

EU

ACHO QUE TEM A VER COM

INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO

A

BRUNA

TC IN: 00:23:46 TC OUT: 00:24:00

UMA MALDIÇÃO DA EVA NÉ / ALGUMA COISA ASSIM / TÊM VÁRIAS HISTÓRIAS DE QUE

MAUÁ – SP

ISSO É A MALDIÇÃO / ENTÃO A GENTE É SUJA / É ERRADA /

É

ALMADIÇOADA

POR

MENSTRUAR SONORA LETÍCIA PASQUAL E

BRUNA

GUIMARÃES

/

LETÍCIA PASQUAL: MAS É INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

TC IN: 00:24:01 TC OUT: 00:24:20

QUE SE A GENTE FOR A FUNDO NESSAS HISTÓRIAS / ELAS SÓ FORAM / É / AS MULHERES

FORAM

AMALDIÇOADAS

POR

MENSTRUAREM

PORQUE

FOI COMPREENDIDO QUE O


98

SANGUE

MENSTRUAL

É

MUITO PODEROSO E QUE O CICLO MENSTRUAL É MUITO PODEROSO E QUE NESSE PROCESSO

DE

AUTOCONHECIMENTO CÍCLICO E CONSTANTE DAS MULHERES

/

ELAS

CHEGAVAM EM NÍVEIS DE SABEDORIA

MUITO

RAPIDAMENTE SONORA

LAURA

MOCELLIN:

ENTÃO

AS

INTERNA:

MULHERES AO LONGO DO

APARTAMENTO DA

TEMPO FORAM PERDENDO

MÉDICA – JARDIM

ESSA CONEXÃO / A GENTE COMEÇOU

PAULISTA – SÃO

PASSAR

INSERT IMAGEM:

PARA

PELO

PERÍODO

MENSTRUAL SEM PARECER

MATÉRIA BBC NEWS

A LUA: O POLÊMICO

CRIAR

MECANISMOS

PAULO – SP

BRASIL – PLANTAR

A

TC IN: 00:24:20 TC OUT: 00:26:05

QUE

A

GENTE

TAVA

PASSANDO PELO PERÍODO

RITUAL COM

MENSTRUAL

SANGUE DE

PÍLULA PARA A GENTE NÃO

MENSTRUAÇÃO /

SENTIR DOR / PÍLULA PARA

FOTO DA LAURA

A GENTE NÃO MENSTRUAR

MOCELLIN COM SEU

OU PARA A GENTE TER UM

SANGUE

CICLO MAIS SEM TANTAS

MENSTRUAL NO ROSTO E OMBROS

/

ENTÃO

MODIFICAÇÕES HORMÔNAIS / SEM TANTAS MODIFICAÇÕES DE HUMOR / DE PELE / DE CORPO E TAMBÉM PARA A GENTE


99

NÃO MOSTRAR O SANGUE E NEM PARA A GENTE MESMA VER O SANGUE / ENTÃO A GENTE COMEÇOU A USAR O ABSORVENTE

PARA

ESCONDER

AQUELE

SANGUE / SÓ QUE ISSO GEROU

AO

LONGO

DO

TEMPO UMA DESCONEXÃO COMPLETA DAS MULHERES COM

A

SUA

PRÓPRIA

MENSTRUAÇÃO E A GENTE HOJE EM DIA NÃO SABE MAIS NADA SOBRE A NOSSA MENSTRUAÇÃO / A GENTE NÃO

SABE

NOSSAS

SOBRE

AS

ALTERAÇÕES

HORMONAIS / SOBRE AS NOSSAS ALTERAÇÕES DE HUMOR / A GENTE NÃO RESPEITA ELAS / A GENTE NÃO

QUER

QUE

ELAS

ACONTEÇAM / ENTÃO O MOVIMENTO DE PLANTAR A LUA NADA MAIS É DO QUE UM

MOVIMENTO

DE

RECONEXÃO COM O NOSSO SANGUE MENSTRUAL / É O ATO DA GENTE PEGAR O NOSSO SANGUE / COLETAR O

SANGUE

USANDO ACABA

/

ENTÃO

ABSORVENTE FICANDO

MAIS


100

DIFÍCIL

/

MAIORIA

POR DAS

ISSO

A

MULHERES

QUE FAZEM ISSO OU ELAS USAM PANO / UM PANO ABSORVENTE

OU

ABSORVENTES

DE

PANO

MESMO QUE JÁ EXISTEM HOJE

OU

MENSTRUAL

O

COLETOR

QUE

É

UM

COPINHO QUE A GENTE INTRODUZ NA VAGINA E ELE COLETA O SANGUE / ENTÃO A

GENTE

PEGA

ESSE

SANGUE E DEVOLVE ELE PARA A TERRA / QUE É COMO SE FOSSE O LUGAR ONDE ELE DEVERIA ESTAR / ONDE ELE PERMANECE / PORQUE ANTIGAMENTE AS MULHERES QUANDO ELAS MENSTRUAVAM

ELAS

SE

UNIAM TODAS NO PERÍODO DA MENSTRUAÇÃO PARA COLOCAR O SANGUE NA TERRA

/

ELAS

MENSTRUAVAM NA TERRA / COMO FORMA DE NUTRIR AQUELA TERRA / PORQUE QUERENDO

OU

NÃO

O

SANGUE É MUITO RICO EM NUTRIENTES

INSERT

TEXTO: ARQUIVO PESSOAL


101

SONORA LETÍCIA PASQUAL E

BRUNA

GUIMARÃES

LETÍCIA

PASQUAL:

/ E

DEPOIS QUE EU CONHECI MULHERES QUE FALAVAM COMO

ERA

INCRÍVEL

MENSTRUAR EU PESQUISEI MAIS

EM

GRUPOS

DE

SAGRADO FEMININO / É / EU COMECEI PORQUE

ENCONTRO DO COLETIVO TEIA –

INSERT IMAGEM: FOTO MARCELA CAMPOS / SLIDES DELA SOBRE A PERCEPÇÃO DA FERTILIDADE

QUE

ELE

ERA

SAGRADO / O QUE ERA UM

INTERNA: CASA DE

MAUÁ – SP

ENTENDER

CICLO

SAGRADO

PORQUE

NÃO

NÍTIDO

NÉ/

FICA

DA

TÃO

GENTE

TC IN: 00:26:06

ENTENDER

UM

CICLO

TC OUT: 00:27:49

SAGRADO / POR QUE É SAGRADO / O QUE É / E ENTENDER A IMPORTÂNCIA DELE

DENTRO

BRUNA

DE

MIM

GUIMARÃES:

A

MINHA RELAÇÃO / ELA FOI UM POUCO DIFERENTE MAS TAMBÉM

TEVE

ENCONTRO

/

ESSE

MAS

FOI

PORQUE EU NÃO QUERIA TOMAR ANTICONCEPCIONAL E EU NÃO QUERIA ENGRAVIDAR DE

FORMA

ENTÃO

EU

ALTERNATIVA

NENHUMA TINHA

/

UMA

QUANTO

A

ISSO / O QUE EU POSSO


102

FAZER / ALGUMA COISA DENTRO DE MIM FALAVA QUE EXISTIA UM CAMINHO / E AI COMO O UNIVERSO É MARAVILHOSO APARECEU NA

UNIVERSIDADE

DA

MINHA AMIGA UMA MULHER FALANDO

SOBRE

PERCEPÇÃO FERTILIDADE

DE E

EU

FUI

NESSE ENCONTRO E FOI AI QUE DEU O START SOBRE A MINHA RELAÇÃO COM O MEU CICLO / PORQUE A PARTIR DESSE CURSO ELA FALA

SOBRE

O

QUE

É

BIOLOGICAMENTE O CICLO MENSTRUAL E OS SINAIS QUE SEU CORPO TE DÁ TODOS OS DIAS DO MÊS / E AI EU COMECEI A QUERER FALAR SOBRE ISSO PARA AS

MULHERES

QUE

EU

CONHECIA / AI VEIO A LÊ COM A PARTE SAGRADA LETÍCIA PASQUAL: E EU JÁ ESTAVA

NO

COLETOR

TAMBÉM / AI VOCÊ VÊ A IMPORTÂNCIA DA UNIÃO / PORQUE A GENTE TAVA SEMPRE

TROCANDO

/

QUANDO A BRUNA CHEGOU COM

A

PERCEPÇÃO

DA


103

FELICIDADE / PERCEPÇÃO DA FERTILIDADE / A GENTE TIPO MEU DEUS / COMO QUE A GENTE NÃO SABIA DISSO

/

E

QUANDO EU

CHEGUEI COM O COLETOR E A GENTE FALANDO É FANTÁSTICO / NÃO PRECISA MAIS FICAR COM AQUELA RELAÇÃO E GERANDO LIXO E TAL / A GENTE UNIR AS COISAS / DE REPENTE A GENTE FALOU CARA TEM UM

MUNDO

MÁGICO

/

ENTÃO ESSA TROCA DE MULHERES

/

CADA

UMA

APRENDENDO UMA COISA E JUNTA PARA

FOI A

ESSENCIAL

GENTE

INSERT

TEXTO: MARCELA CAMPOS SONORA

VICTORIA

NASCIMENTO:

INTERNA: ESCOLA LIVRE DE TEATRO –

EU

FICO

PENSANDO

COMO

SERIA

DIFERENTE

QUANDO

EU

TC IN: 00:27:50

ERA

TC OUT: 00:28:00

OUVISSE MAIS FALAR SE EU

SANTO ANDRÉ – SP

CRIANÇA

SE

TIVESSE INFORMAÇÃO

EU

MAIS SE

ISSO

FOSSE TRATADO DE FORMA NATURAL INTERNA: LABORATÓRIO DE

TC IN: 00:28:01

SONORA DANIELA MANICA:

TC OUT: 00:29:19

A

GENTE

NÃO

PODE


104

ESTUDOS

REDUZIR A

EXPERIÊNCIA

AVANÇADOS EM

DE MULHERES A NADA QUE

JORNALISMO –

SEJA ÚNICO NÉ / PORQUE

UNIVERSIDADE

AS MULHERES NEGRAS / AS

ESTADUAL DE

MULHERES INDÍGENAS / AS

CAMPINAS –

MULHERES NO ISLÃ / ENFIM

CAMPINAS – SP

/

A

GENTE

SEMPRE

/

INSERT IMAGEM:

QUANDO

A

GENTE

BIANCA BIN FAZ

PARTICULARIZA

AS

RITUAL COM

EXPERIÊNCIAS INDIVIDUAIS

SANGUE

MUITO

DAQUILO

QUE

MENSTRUAL:

GENTE

IMAGINA

“PLANTE SUA LUA” –

SENDO

ALGO

A

COMO

GERAL

/

UNIVERSA / FOTO

UNIVERSAL / QUE POSSA

FOTOGRAFA JADE

SER UMA BANDEIRA ÚNICA

BEALL

SE DESINTREGA / EXISTEM

MENSTRUADA /

MULHERES SEM ÚTERO /

FOTO ATLETA

EXISTEM

HOMENS

KIRAN GANDHI

ÚTERO

COMPETINDO

MULHERES

/

COM

EXISTEM JÁ

MENSTRUADA /

MENOPAUSA

FOTO POETA RUPI

MENSTRUAM

MAIS

EXISTEM

GAROTAS

KAUR MENSTRUADA

AS

QUE

NA NÃO /

/ CENA DO

JOVENS / CRIANÇAS / QUE

DOCUMENTÁRIO

AINDA NÃO MENSTRUARAM

“ABSORVENDO O

/ ENTÃO NÃO É QUE A

TABU”

MENSTRUAÇÃO DÁ

CONTA

TAMBÉM DE

UMA

EXPERIÊNCIA UNIVERSAL / COM

CERTEZA

AS

PRÓXIMAS GERAÇÕES DE PESSOAS QUE MENSTRUAM VÃO TER BENEFÍCIOS DA


105

GENTE TÁ TORNANDO ESSA DISCUSSÃO MAIS PÚBLICA É / TORNANDO ELA MENOS POLÊMICA

OU

MENOS

CHEIA DE INTERDIÇÕES E TABUS / E É UM EXERCÍCIO DIÁRIO NÉ / PARA MIM TEM SIDO UM EXERCÍCIO HÁ VINTE

ANOS

DE

FALAR

DISSO COMO PESQUISA / APRESENTAR A PESQUISA / FALAR DE MENSTRUAÇÃO OLHANDO NOS OLHOS DAS PESSOAS E AS PESSOAS TENDO QUE LIDAR COM AQUILO NÉ INSERT TEXTO: ATRIZ

BIANCA

BIN

/

FOTOGRAFA JADE BEALL / ATLETA KIRAN GANDHI / FOTO:

COURTESY

KIRAN

GANDHI / POETA RUPI KAUR / CENA DO DOCUMENTÁRIO “ABSORVENDO O TABU” / REPRODUÇÃO INSERT

ÁUDIO

GUIMARÃES: INTERNA: CASA DE ENCONTRO DO COLETIVO TEIA – MAUÁ – SP

/

BRUNA

TUDO

QUE

VEM DO CORPO DA MULHER TC IN: 00:29:20

É NOJENTO / TUDO QUE A

TC OUT: 00:29:41

GENTE

FAZ

QUALIFICADO SANTOS:

É

MENOS LUCIANA

PORQUE

ELES

TÊM MEDO / PORQUE A GENTE

TÊM

TUDO

ISSO


106

DENTRO DA GENTE / A GENTE

TÊM

NATUREZA

A

PRÓPRIA

DENTRO

DA

GENTE / A GENTE TÊM TODAS

AS

ESTAÇÕES

DENTRO DA GENTE / NÓS SOMOS

CRIADORAS

/

GERADORAS / NÓS TEMOS O PODER FEMININO BG: MÚSICA

“RECEPTION”

–

WILLIAM ROSATI INSERT

ÁUDIO

LETÍCIA

PASQUAL: É UM RESGATE / TIPO / PELAS ACENTRAIS / PELAS NOSSAS FAMÍLIAS / AS MULHERES DA NOSSA FAMÍLIA QUE TANTO FORAM INTERNAS / EXTERNAS: TODAS AS ENTREVISTADAS

TC IN: 00:29:42

SILENCIADAS FISICAMENTE

TC OUT: 00:30:00

/ MAS É ESSE RESGATE E AO MESMO TEMPO É UMA

/ DESCONTRAÍDAS

NOVA FERRAMENTA DE SE EMPODERAR DE GANHAR VOZ

E

PRÓPRIO MÚSICA

DESCOBRIR

O

PODER

BG:

“RECEPTION”

–

WILLIAM ROSATI INSERT

INSERT IMAGEM: FINAL DO DOCUMENTÁRIO / ARTE ILUSTRAÇÃO FOTO LAURA MOCELLIN

TC IN: 00:30:00 TC OUT: 00:30:10

TEXTO:

MEU

SANGUE É SAGRADO BG: MÚSICA

“RECEPTION”

WILLIAM ROSATI

–


107

INSERT TEXTO: NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO E ARTES (NCA) CURSO DE GRADUAÇÃO EM JORNALISMO ROTEIRO / PRODUÇÃO / DIREÇÃO / IMAGENS E EDIÇÃO JESSICA AMANCIO ARTE E FINALIZAÇÃO NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO E ARTES (NCA) ORIENTADORA PROFA. DRA. MIRIAN INSERT IMAGEM: LOGO DA UNIVERSIDADE

MELIANI NUNES TC IN: 00:30:11

TRILHA SONORA

TC OUT: 00:30:40

RECEPTION – WILLIAM

CRUZEIRO DO SUL /

ROSATI

FUNDO BRANCO

DADOS SEMPRE LIVRE EM PARCERIA COM KYRA PESQUISA & CONSULTORIA ENTREVISTADAS BRUNA GUIMARÃES LETÍCIA PASQUAL VICTÓRIA NASCIMENTO LAURA MOCELLIN MARILENE OLIVEIRA VANESSA GARCIA JOSILEIDE BRITO ERIKA SILVA NÁGILA OLIVEIRA DANIELA MANICA


108

AMANDA SANTANA ILZA MARIA URBANO ESTE TRABALHO / SEU CONTEÚDO E ABORDAGEM SÃO DE TOTAL RESPONSABILIDADE DE SUA AUTORA JESSICA AMANCIO 2019

FOTOS

Atriz Amanda Santana / Foto: Jessica Amancio.


109

PoliclĂ­nica Ginecologia UNICAMP e Dra. Maria Ilza Urbano / Fotos: Jessica Amancio.


110

Quadro de Letícia Pasqual, estudante Bruna Guimarães e produtora cultural Letícia Pasqual / Fotos: Jessica Amancio.


111

Dra. Laura Mocellin, fachada UNICAMP / Fotos: Jessica Amancio.


112

NĂĄgila Oliveira, autĂ´noma e Vanessa Garcia, recepcionista / Fotos: Jessica Amancio.


113

Encontro sobre menstruação do coletivo “Teia”, atriz Victória Nascimento / Fotos: Jessica Amancio.


114

ILUSTRAÇÃO ABERTURA E FIM DO VÍDEO

CAPA DVD


115

CAPA CD

DIÁRIO DE CAMPO Antes mesmo de iniciar o curso de jornalismo, eu sempre gostei e me atentava muito aos noticiários e programas jornalísticos da TV, porém, não fazia ideia de como seria essa graduação, escolhi o jornalismo por questões ligadas aos mais diversos cursos que eu não queria fazer. Agora, depois de quatro anos entendendo como ser


116

jornalista abrange muito mais do que aquilo que eu tanto assistia na TV, digo com orgulho que escolhi a profissão certa, ser jornalista, mais do que isso, digo que o jornalismo me escolheu. A sensação de descobrir o que a gente gosta e nasceu para fazer é maravilhosa, aquilo que nos dedicamos e que nos trará grandes triunfos, tudo só depende de nós. Desde os últimos passos do fim da graduação, imaginei fazer um Trabalho de Conclusão de Curso voltado para questões relacionadas as mulheres. Acho que mais do que nunca estamos vivendo a era do empoderamento feminino escancarada. Pensei muito em falar sobre as mulheres que marcaram época, filósofas, escritoras, sociólogas, cientistas, pesquisadoras e todas aquelas que lutaram por direitos iguais entre homens e mulheres, delimitando os meus olhares para personagens brasileiras. Mulheres que foram protagonistas de suas próprias vidas e da história da humanidade, por muitas vezes não sendo lembradas como devem ser. Observei um crescente engajamento online feminista nas redes sociais, e através desses grupos e perfis que compartilham questões sobre machismo, aceitação do corpo, mercado de trabalho, violência contra a mulher e diversos outros assuntos, encontrei depoimentos falando sobre ciclo menstrual, além de experiências pessoais que tive em grupos de mulheres denominados de “Sagrado Feminino”, que trilharam a minha escolha pelo tema ciclo menstrual. Nunca imaginei como são fortes as questões relacionadas a ele, como mulheres conseguem ter uma visão totalmente diferente sobre isso, como conseguem aceitar e manipular esse período comum entre todas para a aceitação do corpo e da mente, percebi o tabu que o cerca e que afeta outras mulheres de forma negativa no mundo todo. Estava confusa sobre a modalidade de trabalho experimental, entre a área impressa e a televisiva, pois imagino que documentário exige mais paciência, tempo, orçamento e dedicação, mas como uma boa consumidora de jornalismo televisivo, optei pelo documentário, além de perceber que eu poderia atingir um maior número de pessoas com o meu trabalho através das plataformas digitais de vídeo, principalmente as entrevistadas, muito interessadas pelo tema. Na busca por fontes em coletivos de mulheres que se organizam para falar sobre menstruação, cheguei até uma das principais protagonistas do documentário, a médica nutróloga Laura Mocellin Teixeira, que faz rituais com o seu sangue menstrual,


117

o chamado “plantar a lua”. Em julho de 2019, Laura foi vítima de diversas críticas no Twitter ao postar uma foto com o rosto e ombros cobertos de seu sangue menstrual, o que motivou a importância de colocá-la no meu trabalho. O coletivo “Teia” trouxe uma visão diferente sobre como se relacionar com o ciclo menstrual, que por muitas vezes é tratado de forma muito ruim pela maioria das mulheres, percebi o quão é a conotação desagradável dada a menstruação e a todo o período nas entrevistas nas ruas da cidade de São Paulo. As experiências que adquiri entrevistando docentes da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, que trabalham com o tema há 20 anos, como é o caso da antropóloga Daniela Tonelli Manica, e a médica ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, serviram para abrir os horizontes para o mundo acadêmico, como questões sociais se relacionam com o tema. Praticamente todas as entrevistadas que estudam menstruação, ou que interpretam seus ciclos menstruais de forma voltada para o autoconhecimento, disseram do desapego ao absorvente comum e o uso do coletor menstrual, achei importante ao menos uma simples explicação sobre ele, entrevistando a estudante e atriz, Amanda Marcondes Santana, que utiliza o coletor menstrual há cerca de três anos. Dentre as minhas principais dificuldades, marcar as entrevistas foi o que mais me requereu persistência, pois as entrevistadas estiveram com as agendas lotadas. A enquete realizada nas ruas da cidade de São Paulo, mostrou que existe sim um tabu em torno da menstruação, e muitas pessoas são conseguem falar abertamente sobre o tema. O grande número de entrevistadas solicitou um maior tempo de elaboração do roteiro, contudo, trazendo uma dinâmica interessante ao documentário. Tive obstinação para trazer contrastes de mulheres diferentes, sem distinção de classe, raça, estudo e idade. Falar sobre menstruação me mostrou como até o ciclo menstrual pode se tornar um meio de empoderamento e protagonismo feminino, mostrar e tocar no sangue que escondemos por receios construídos na sociedade é ato de aceitação e amor ao corpo, entender esse processo comum entre todas que menstruam e precisam trabalhar e estudar, condicionadas aos processos lineares do mundo, sem tempo de olharem e repousarem no período, mostra como somos fortes e capazes. Pretendo continuar fazendo trabalhos na área audiovisual e impressa, aprendendo com os erros e acertos que obtive durante toda a realização do projeto inicial e do documentário. Investigar e apurar tudo o que está movendo o mundo para


118

se tornar um lugar de maior empatia e aceitação entre as pessoas. “Jornalista, a melhor profissão do mundo”. ANEXOS INSERT’S DE IMAGEM

Arquivo pessoal de Letícia Pasqual


119


120


121

Reprodução Twiiter


122


123

DisponĂ­vel em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-48745162


124

Reprodução


125

Arquivo pessoal de Laura Mocellin


126


127

Reprodução – Marcela Campos


128

DisponĂ­vel em: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/10/07/bianca-bin-faz-

ritual-plantar-a-lua-com-sangue-de-menstrual.htm

Foto: Courtesy Kiran Gandhi – Atleta Kiran Gandhi


129

Reprodução Instagram – Fotografa Jade Beall

Cena do documentário “Absorvendo o Tabu” / Reprodução – Netflix Brasil


130

Reprodução Instagram – Poeta Rupi Kaur

Disponível em: https://catracalivre.com.br/entretenimento/instrutora-de-yoga-da-aula-sem-

absorvente-e-quebra-tabu/


131

DisponĂ­vel em: https://piaui.folha.uol.com.br/maria-vai-com-as-outras-6-o-bicho-que-sangra-todo-

mes-e-nao-morre/


132

FICHA DE INSCRIÇÃO


133

AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM


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137


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154


155


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