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Análise da cobertura jornalística e os efeitos do ataque na escola Raul Brasil - Daniel Marques

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

Daniel Marques

Raul Brasil em Pauta

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

SÃO PAULO 2020


Daniel Marques

Raul Brasil em Pauta

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel. Orientador: Prof Dr: Antonio Lucio Assis

SÃO PAULO 2020


FICHA TÉCNICA

Formato: Livro-reportagem; Título: Raul Brasil em Pauta; Páginas: 105; Capítulos: 4; Idioma: Português/BR; Ano: 2020; Dimensões: 14,8cm x 21cm; Revisão: Fernando Barreto; Diagramação: Daniel Marques.


RESUMO

O trabalho teve como objetivo principal reunir relatos de um estagiário em jornalismo e de profissionais da área, para compreender a dificuldades e quais efeitos a cobertura de um massacre como o da escola Professor Raul Brasil, ocorrido em Suzano, podem causar aos profissionais dos mais diversos estágios da carreira. O livro-reportagem tem, ainda, a cronologia do ataque realizado pelos dois suicidas, bem como as consequências dele tanto aos envolvidos direta ou indiretamente, quanto para a cidade e a segurança das escolas. Para isso, foram realizadas diversas entrevistas com profissionais que estiveram na cobertura, bem como analisadas as imagens geradas no dia do ataque, além de uma profunda pesquisa sobre o pós-ataque, a fim de descrever, com precisão, cada passo dado pelos suicidas e cada efeito que a ação deles gerou. Foram analisadas várias publicações de diferentes períodos, para termos dados sobre a cobertura, incluindo formas de abordagem e a frequência na qual o assunto foi abordado. A obra tem linguagem simples, para que possa atingir todos aqueles que gostam deste tipo de leitura.

Palavras-chave: Raul Brasil, Atentado, Massacres em escolas, Suzano, Coberturas jornalísticas.


SUMÁRIO

1. Introdução ............................................................................................................. 5 2. Objetivos ............................................................................................................... 7 2.1. Objetivo geral ..................................................................................................... 7 2.2. Objetivos específicos ......................................................................................... 7 3. Problema de pesquisa ............................................................... .......................... 9 4. Hipóteses ............................................................................................................ 10 5. Justificativa .......................................................................................................... 11 6. Plano estratégico ................................................................................................ 13 7. Referencial teórico .............................................................................................. 15 7.1. Agenda Setting ................................................................................................. 16 7.2. Teoria do Espetáculo ........................................................................................ 16 7.3. Teoria da Generalização ................................................................................... 17 8. Referências ......................................................................................................... 19 9. Cronograma ........................................................................................................ 21 10. Investimento ...................................................................................................... 22 11. Apêndices .......................................................................................................... 23 12. Diário de Campo ................................................................................................ 67 13. Anexos ............................................................................................................... 69


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1. INTRODUÇÃO

O livro Raul Brasil em Pauta trouxe o relato de um estagiário da redação do jornal Diário de Suzano, bem como de profissionais do respectivo veículo, sobre a cobertura do ataque na escola estadual Professor Raul Brasil, ocorrido em 13 de março de 2019, na cidade de Suzano-SP. Em uma situação rara, este estudante - em seu segundo dia de redação - teve que reportar um evento com grande repercussão no Brasil e no mundo. Mais do que isso, teve que reportar um fato naquela que, talvez, seja a escola mais tradicional da cidade. E mais ainda, um caso comovente envolvendo diretamente colegas e professores na qual tem relação amigável desde os primeiros anos de ensino fundamental, transformando a cobertura em um verdadeiro teste de equilíbrio emocional. Essa obra também teve acontecimentos da cobertura do caso e relatos de jornalistas de mídias regionais que participaram dela. O livro também relembrou tudo o que aconteceu naquele dia, detalhando o ataque realizado por Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, destaca o pós-ataque, como as mudanças na segurança das escolas, as indenizações às famílias e a vida de sobreviventes e trazendo o fato pela ótica de profissionais que cobriram o caso, se tornando o primeiro livro do Brasil a reportar o massacre na escola de Suzano. Durante mais de um ano convivendo quase todos os dias com o assunto, minha missão se tornou essencial para mostrar às pessoas como é difícil o início em uma profissão que exige tanta responsabilidade, determinação e entrega por parte do profissional. Pouquíssimas obras mostram a vida de um estagiário nestas circunstâncias. Escassas são as que mostram jornalistas "do interior" em coberturas deste peso. Foi preciso trazer essa discussão à tona, para mostrar o quanto um jornalista – não só do interior, ou iniciante, ou até mesmo das grandes mídias – é importante para a democracia e para a informação. Ao mesmo tempo, foi necessário mostrar para as pessoas que o jornalista também é um ser humano e que ele também sente dor, sofre e sente efeitos físicos e psicológicos provocados por grandes tragédias, tanto quanto os envolvidos direta ou indiretamente.


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Como nem tudo são flores, também abordamos o lado negativo da cobertura, já que assim como em grandes tragédias, o caso Raul Brasil também foi marcado por jornalistas que foram “questionados” nas mídias sociais pela forma como conduziram determinadas situações, principalmente nas primeiras horas do pós-ataque. Aqui, colocamos a visão de jornalistas, para entender o que viram de negativo nesta cobertura. Óbvio que não trouxemos um “manual do jornalismo 100% correto”, até porque cada caso é um caso e cada visão é respeitada. Mas o leitor desta obra com certeza teve a visão mais coerente possível do assunto. Coberturas de casos como o da Raul Brasil são raras demais para serem escritas por um estudante que viveu isso de perto, "em meu próprio quintal", como costumo dizer. Em um país onde o desemprego bate à porta, como estudante, sempre precisei me apropriar do máximo de conhecimento possível, mesmo que tivesse que colocar meu equilíbrio emocional em xeque.


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2. OBJETIVOS

2.1.

Objetivo geral

O objetivo geral consistiu em elaborar um livro-reportagem intitulado Raul Brasil em Pauta, com relatos de um estagiário de jornalismo, bem como de jornalistas formados, que participaram da cobertura do ataque na escola estadual Professor Raul Brasil, ocorrido em Suzano, em 13 de março de 2019. Com os relatos, o livro trouxe detalhes do ataque realizado por Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos na época, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos na época. Dois ex-alunos que invadiram a escola e atiraram contra vários estudantes, matando cinco deles, além de uma coordenadora pedagógica e uma inspetora, antes de cometerem suicídio. A ideia do livro foi de conter uma linguagem leve e de fácil compreensão, mas que retratasse com todas as letras o que aconteceu naquele dia e nos posteriores. Que retratasse sentimentos e sensações de pessoas que nunca imaginaram viver algo como aquilo. Raul Brasil em Pauta com certeza mexeu com quem gosta do assunto, retratando em várias faces os efeitos de uma das tragédias de maior repercussão da década.

2.2.

Objetivos específicos

A obra foi conduzida pelos relatos de quem participou da cobertura jornalística do ataque. No entanto, dois pontos de vista do ataque foram abordados em especial em Raul Brasil em Pauta: o do autor do livro, Daniel Marques, estudante de jornalismo que havia acabado de chegar ao jornal Diário de Suzano e, no segundo dia em uma redação, já teve que fazer a cobertura de um ataque que envolveu pessoas conhecidas de uma escola tradicional da cidade onde reside; e o de jornalistas de diversas mídias de relevância regional, traçando a forma como cada profissional de mídias “do interior” encarou a situação. Aqui, foram abordados os fatores psicológicos que afetaram, tanto o estagiário quanto o profissional. Como seguiu a vida deles? Como passaram a viver após o


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ataque? Quais os efeitos que uma cobertura de tamanha relevância provocou na mente de cada um? São perguntas que marcaram essa obra e fizeram a sociedade ver que o jornalista não é um robô. Que ali, por trás daquele profissional, existe um ser humano com sentimentos e uma sensibilidade que tem pouco espaço para ser mostrada.


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3. PROBLEMA DE PESQUISA

Muitas vezes, o profissional de jornalismo não tem para onde correr quando há um caso de grande repercussão. Deve haver um empenho por parte de toda a redação, para informar tudo da melhor forma possível. Só que o jornalista precisa ir além do seu limite pela informação, provocando um desequilíbrio emocional que pode deixar sequelas para toda a vida. Com base nos dois tipos de jornalistas que realizaram a cobertura do ataque na escola Raul Brasil (estagiário e profissional), a ideia foi de tentar entender quais foram os efeitos deixados por essa cobertura nestas pessoas. A missão se tornou ainda mais relevante quando se escutou quem trabalhou próximo ao local onde o crime aconteceu. Será que essas pessoas viveram dias normais após essa cobertura, sabendo que havia conhecidos ali dentro, e que se tratava de uma das escolas mais populares da cidade? E o estagiário, aquele que está começando na profissão, como se sente ao chegar no segundo dia do estágio e já pegar essa “bucha”?


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4. HIPÓTESES

Nenhum jornalista de mídia regional está preparado para fazer a cobertura de um massacre em sua própria cidade. O dia a dia é marcado por notícias leves, como prisões de suspeitos de tráfico de drogas, crimes de agressão, entre outras situações que não causam tantos efeitos. No entanto, como profissional, o jornalista precisa ter equilíbrio emocional e se colocar como um porta-voz para a sociedade. Como resposta para isso, o veículo em que ele trabalha precisa estar preparado para recebe-lo com apoio psicológico nessas situações. Deve haver apoio do jornalista para a população e do jornal para o jornalista, para que a engrenagem gire e as coisas funcionem. Já para o estagiário, os dias atuais o tornam uma pessoa importante dentro de uma redação de mídia regional. Cabe ao estagiário ir para a rua e apurar as informações para o jornal do dia seguinte. É ele quem põe o “pé na lama”, como costumo dizer. Ele está sujeito a coberturas como essa, e deve estar preparado para o que vier. O mercado exige isso, e acaba ajudando na preparação para o futuro. O estagiário está atrás de uma efetivação, e é assim que ele se torna peça fundamental dentro de uma redação. Ao chegar e pegar uma cobertura como essa de cara, o estagiário ganha maturidade e, a partir daí, dá as cartas em uma espécie de jogo da própria carreira. Se quiser, ele vence sem dificuldades pela maturidade adquirida em tão pouco tempo.


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5. JUSTIFICATIVA

Poucas obras literárias abordam um caso tão repercussivo (como o massacre na escola Raul Brasil, em Suzano) da forma como essa abordou. Confesso que nunca li um livro que conta uma tragédia de repercussão mundial ocorrida fora de uma capital, escrito por uma pessoa que mora na mesma cidade do fato, cobriu o caso, conhece o local e envolvidos e que estava exercendo a profissão de repórter em uma redação há poucos dias. Raul Brasil em Pauta trouxe um relato precioso que dificilmente será contado de novo da mesma forma. A obra mostrou o caso por duas óticas diferentes: de um estagiário e de jornalistas profissionais, todos certamente vivendo a cobertura mais difícil da carreira. Alguns com uma trajetória de vinte e cinco anos no jornalismo, outros com dez anos, outros com dois anos, e eu, com dois dias. É fundamental, em um período onde o jornalista é constantemente atacado por muitos lados, sejam eles políticos ou sociais, que as pessoas entendam que ali também tem um ser humano. Um trabalhador que ama o que faz, a ponto de se submeter ao desafio de reportar um massacre que deixou cinco crianças inocentes mortas. E não é reportar olhando pela televisão, é ali dentro, no olho do furacão. Raul Brasil em Pauta teve uma importância imensa porque, entre tantas obras do tipo, ela se sobressaiu com relatos de jornalistas nos mais diversos estágios da profissão, que não só viveram o caso e se entregaram à cobertura, como também tiveram que manter o equilíbrio ao contar algo que poderia ter acontecido nas escolas onde estudaram ou onde os próprios filhos frequentam. E mais: retratou o lado humano dessas pessoas, a empatia diante da situação e a entrega durante a intensa emoção. Ao mesmo tempo, retratou também erros a qual nos submetemos, justamente por sermos humanos, e a forma como profissionais da área enxergam isso. O caso em questão expôs algumas situações ruins que não devem servir de parâmetro para o julgamento da sociedade, mas muitas vezes servem de forma injusta. A intenção de Raul Brasil em Pauta também foi de mudar essa visão. Foi mostrar que o jornalista está a serviço da sociedade, e não a desserviço.


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Claro, o livro também contou detalhes do que aconteceu naquele 13 de março de 2019 e as consequências do ataque, onde dois suicidas invadiram a escola e vitimaram fatalmente cinco alunos, uma inspetora e uma coordenadora pedagógica. Aqui, ele seguiu grandes livros-reportagem, como os que relatam o massacre de Columbine – caso semelhante, ocorrido no estado americano do Colorado, em 1999 – só que com detalhes observados por jornalistas que estiveram no local no dia do crime, bem como nos hospitais para onde as vítimas foram socorridas, nos cemitérios onde foram sepultadas e nas casas onde foram acolhidas. Raul Brasil em Pauta confrontou todos que não enxergam o jornalista como peça fundamental na sociedade. Ele bateu de frente com quem questiona o caráter destes profissionais e mostrou que a história de uma tragédia vai além das páginas de jornal. Ela chega até o psicológico de quem conta.


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6. PLANO ESTRATÉGICO

Por ser um livro-reportagem sobre um crime notório, era essencial que ele tivesse relatos de quem participou direta ou indiretamente do fato. Assim, a maior parte do livro foi realizada com pesquisa qualitativa, ou seja, entrevistas com jornalistas e pessoas que traçaram os caminhos da obra. O livro também teve a cronologia do ataque, que foi escrita com base nas imagens internas e externas da Raul Brasil, na qual tive acesso, bem como inúmeros relatos e documentos que foram usados para traçar o pós-ataque. Consequências para alunos e mudanças na segurança das escolas foram contadas em Raul Brasil em Pauta. Inicialmente, a intenção era de fazer poucas pesquisas quantitativas. No entanto, precisei realizar uma que foi essencial para entender, na prática e com dados, qual foi o tamanho desta cobertura. Analisei 15 capas de edições do Diário de Suzano de períodos pré e pós-ataque, além do período mais quente de cobertura. Foi possível constatar quanto do jornal foi dedicado à tragédia com esse levantamento. Ele tem um capítulo especial no livro. Para o projeto, as referências foram apenas para pesquisas sobre aspectos teóricos e livros que serviram de base para a construção de Raul Brasil em Pauta, já que o autor participou ativamente da cobertura do ataque. Algumas reportagens de outros veículos foram usadas para entender alguns detalhes que deixamos passar na cobertura do Diário de Suzano, mas a maior parte da obra foi feita com informações que eu já tinha, que havia adquirido ao longo do período de trabalho. Sobre a tipologia, optei por uma fonte serifada – Times New Roman – confortável para leituras longas. As folhas, na impressão, serão do tipo pólen, que refletem menos luz e tornam a leitura mais confortável. É o mesmo tipo usado por Dave Cullen em Columbine, maior inspiração para este projeto. A capa a foto de uma vela com fundo preto, representando o luto daquele dia. A vela foi um material muito usado durante os memoriais que sucederam o ataque. Eu poderia puxar a capa para algo sobre o jornalismo, mas pela representatividade da vela e do fundo preto, foi inevitável não colocar esses elementos na capa. É


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importante deixar sempre muito claro o tamanho da tragédia, e a foto da capa representa bem isso. A fonte usada na dedicatória foi a Lucida Handwriting. Escolhi porque, de todas, foi a que mais se aproximou da minha letra de mão. Quis escrever a dedicatória com ela, justamente para “assinar” o meu trabalho, dedicando às pessoas mais importantes neste processo. Ao longo do livro, há fotos de capas do Diário de Suzano e de momentos do ataque e do memorial. As capas servem para ilustrar as pesquisas e a dedicação do jornal para o caso. Já as fotos, estão no livro para mostrar o quão cruel e bárbaro foi este ataque. Quanto ao público-alvo, claro, é aquele que aprecia reportagens sobre crimes notórios e que gosta de uma linguagem menos técnica sobre este assunto. Também o jovem jornalista que tem interesse em saber como é uma cobertura como essa. Há pessoas que se interessam por saber, ainda, como alguém consegue lidar com determinados (e delicados) assuntos. Raul Brasil em Pauta é um prato cheio para essas pessoas.


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7. REFERENCIAL TEÓRICO

Em resumo, casos de grande repercussão na mídia só ganham esse status por sua exibição insistente somada a elementos que chamem a atenção do público. Neste cenário, temos duas teorias que ditam esse jogo: a Agenda Setting e a Sociedade do Espetáculo. Enquanto uma trata do que será assunto das rodas de conversa, a outra nos traz a visão “comercial” de uma notícia. É comum vermos, nestes casos, aqueles jornalistas que querem aparecer mais do que a notícia, ou que se desesperam para passar determinada informação. Em algumas situações, são até instruídos a agirem com excessos, sob a recompensa de audiência, mas ficando com a imagem triste de um profissional despreparado. Enquanto isso, pessoas ficam presas aos veículos tradicionais, acompanhando a todo o tempo a mesma coisa. Essas são as mesmas que chegarão, no dia seguinte, em conversas com outras pessoas que fizeram a mesma coisa, unicamente para debater quem estava certo ou errado na história, o que motivou determinada ação e as consequências dela. O caso Raul Brasil contou muito com isso. Durante dias, falou-se sobre a mesma coisa. Jornalistas de veículos tradicionais, sobretudo das emissoras de televisão SBT e Bandeirantes, deram uma aula de como fazer coberturas desastrosas. Os repórteres Márcia Dantas (SBT) e Marcelo Moreira (Band) foram os principais alvos de críticas. A primeira teria chegado à escola ofegante, sem saber bem o que estava acontecendo e questionando de forma insensível o que havia ocorrido. Já o segundo, seguiu a mãe de um dos suicidas, enquanto ela claramente se negava a responder as perguntas. Não foi só isso. Alguns programas e algumas pessoas também fizeram imagens chocantes sobre o ataque. Teve gente que entrou na escola e fez vídeos das vítimas em meio a poças de sangue. Houve casos de pessoas que fizeram fotos dos caixões e jogaram nas redes socias, e outras coisas mais.


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7.1.

Agenda Setting

Aqui, os assuntos que serão consumidos e tomarão rodas de conversa são definidos pela mídia. Quanto maior a exposição do assunto, mais importante ele é para as pessoas. Para Maxwell McCombs, “a Teoria da Agenda atribui um papel central aos veículos noticiosos por serem capazes de definir itens para a agenda pública.” O caso Raul Brasil foi um exemplo clássico disso. Foi um dos assuntos mais falados na época, pela tradição da escola, pela ação cruel dos assassinos e por envolver crianças. O fato praticamente ganhou cadeira cativa em telejornais, atraindo atenção internacional, com a presença até de jornalistas russos e franceses no velório, além das diversas manifestações realizadas por artistas, políticos, personalidades e até pelo Papa Francisco, que enviou uma carta de solidariedade à cidade de Suzano. É inegável que o caso Raul Brasil foi um dos assuntos mais falados nos últimos anos pela mídia, tornando-se pauta de debates por muitos dias.

A Teoria da Agenda não é o retorno à teoria da bala ou hipodérmica sobre os poderosos efeitos da mídia. Nem os membros da audiência são considerados autômatos esperando para serem programados pelos veículos noticiosos. Mas a Teoria da Agenda atribui um papel central aos veículos noticiosos por serem capazes de definir itens para a agenda pública. (McCOMBS, 2009, p. 24)

7.2.

Teoria do Espetáculo

Teoria que analisa tudo o que é “espetacular” na mídia, como pilar o modelo capitalista. O próprio telespectador é convidado a assistir imagens espetaculares, interpretando-as como um “espetáculo”. Guy Debord diz que “espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida. É a forma mais elaborada de uma sociedade que desenvolveu ao extremo o ‘fetichismo da mercadoria’”. No caso Raul Brasil, alguns programas e algumas pessoas gravaram imagens que chocam. Teve gente que entrou na escola e fez imagens das vítimas,


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compartilhando em redes sociais. Houve também exagero por parte de profissionais de imprensa, que não se contiveram diante de uma situação tão desastrosa para tantas pessoas e apelaram para situações horrorosas do outro lado da tela.

O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens. (Debord, 1997, p. 14)

7.3.

Teoria da Generalização

Dito tudo isso, chegamos ao grande ponto do projeto, que diz respeito aos jornalistas que não têm culpa de absolutamente nada do que alguns colegas fizeram naquela situação e em tantas outras semelhantes, e acabaram sendo pulverizados pela sociedade apenas por serem jornalistas. A situação é grave, e se há quem diga que “o jornalismo acabou”, isso se deve a uma minoria que mancha a profissão com atitudes desastrosas, parciais e de efeitos inimagináveis. O jornalismo não acabou, mas há quem queira que este serviço essencial para a democracia acabe. Há, inclusive, gente que está na profissão e faz força para que isso aconteça. E há aqueles que se encaixam na Teoria da Generalização, achando que todos os jornalistas são iguais. E não, não são iguais. São diferentes. Cada um tem uma maneira de trabalhar. O Argumento da Generalização, do filósofo norte-americano Marcus George Singer, diz que “Se cada um fizesse isso, as consequências seriam devastadoras ou indesejáveis. Por isso, ninguém deve agir assim”. Ele entende que é importante generalizar, para que as pessoas possam saber o que é moral e eticamente correto. Isso é o que vemos com as mídias sociais atualmente. Infelizmente, as pessoas veem um jornalista fazer algo errado e acham que todos são assim. A ideia de Raul Brasil em Pauta também é de desconstruir esse pensamento. É de mostrar que nem todos os jornalistas são tendenciosos, que muitos apuram a informação antes de transmitir, que consultam fontes confiáveis e, no caso do Raul Brasil, que tiveram sensibilidade com a situação em meio a alguns trogloditas que fizeram a cobertura. As teorias citadas têm ligação entre si, formando um “efeito dominó”. Uma receita péssima que traz sérios prejuízos para os profissionais de imprensa


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competentes. No caso Raul Brasil, surge a necessidade de se repercutir um grande crime. Em paralelo, a vontade de o profissional “chamar a atenção” da sociedade para aquilo que ele está falando ou mostrando, e isso é feito das piores maneiras possíveis exatamente para que haja visibilidade ao veículo em que trabalha. Assim, a última pedra do dominó é o jornalista que não tem nada a ver com a história e mesmo assim é apedrejado pela sociedade, por conta do irresponsável que empurrou a primeira pedra fazendo uma cobertura apenas por fins comerciais, e não informativos.

Todos nós temos convicções morais, convicções do que é certo e do que é errado. Se não as tivéssemos, também não teríamos problemas morais. Pois, problemas morais resultam de nossas convicções morais - do fato de que elas às vezes são inadequadas, muitas vezes vagas e frequentemente contraditórias. (Singer, 1975, p. 28)


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8. REFERÊNCIAS

AQUINO, J. E. F. D. Espetáculo, comunicação e comunismo em Guy Debord. Kriterion [online], Belo Horizonte, v. 48, n. 115, 2007. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-512X2007000100010>. Acesso em: 3 jun. 2020.

ARBEX, Daniela. Todo o Dia a Mesma Noite: A história não contada da boate Kiss. 1. ed. [S.l.]: Intrínseca, 2018. p. 1-248.

BAHIA, José Aloise. A sociedade do espetáculo. Observatório da Imprensa, Portal online, v. 12, n. 313, p. 1, jan./2005. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/speculum/a-sociedade-do-espetaculo>. Acesso em: 2 jun. 2020.

CASTRO, Davi De. Agenda-setting: hipótese ou teoria?: Análise da trajetória do modelo de Agendamento ancorada nos conceitos de Imre Lakatos. Intexto, Porto Alegre, v. 31, p. x-x, dez./2014. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/intexto/article/viewFile/46390/32217>. Acesso em: 13 abr. 2020.

CULLEN, Dave. Columbine. 1. ed. [S.l.]: Darkside, 2009. p. 1-480.

DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. 1. ed. Rio de Janeiro: eBooksbrasil, 2003. p. 1-169.

DIÁRIO DE SUZANO. Polícia Civil conclui inquérito do massacre na Raul Brasil; quatro são indiciados. Disponível em: https://www.diariodesuzano.com.br/cidades/policia-civil-conclui-inquerito-do-massacrena-raul-brasil-quatro-sao/48460/. Acesso em: 4 jun. 2019.

DIÁRIO DE SUZANO. Saiba quem são as vítimas do massacre na Escola Raul Brasil. Disponível em: https://www.diariodesuzano.com.br/cidades/saiba-quem-sao-asvitimas-do-massacre-na-escola-raul-brasil/47225/. Acesso em: 13 mar. 2019.


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DIÁRIO DE SUZANO. Tiroteio na escola Raul Brasil deixa 8 mortos; há suspeita de bomba no local. Disponível em: https://www.diariodesuzano.com.br/policia/tiroteio-naescola-raul-brasil-deixa-8-mortos-ha-suspeita-de-bomba-no/47210/. Acesso em: 13 mar. 2019.

PAIVA, J., & de OLIVEIRA, R. (2015). A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: UMA AUTOTRADUÇÃO COMO CRÍTICA. Non Plus, 4(7), 139-155. https://doi.org/10.11606/issn.2316-3976.v4i7p139-155

RAUBER, Jaime José. A teoria da generalização de M. Singer. Veritas, Porto Alegre, v. 43, n. 4, p. 1021-1030, 1998. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/veritas/article/download/35491/18616> . Acesso em: 13 jun. 2020.

CRUZ, Elaine. Polícia Civil finaliza inquérito sobre atiradores em escola de Suzano. Agência Brasil, [S. l.], p. 1, 4 jun. 2019. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-06/policia-civil-finaliza-inqueritosobre-atiradores-em-escola-de-suzano. Acesso em: 4 out. 2020.


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9. CRONOGRAMA

Cronograma completo – Projeto Experimental Ação

Leitura de livros de base Confirmação do tema Pesquisa de informações de base Elaboração de textos de base Consulta às fontes Delimitação do tema Problema de pesquisa Objetivos Hipóteses Início da construção do livro com relato próprio Introdução + Justificativa Aspectos teóricos e metodológicos Entrega da 1ª etapa do projeto Realização de entrevistas com fontes Decupagem Análise das imagens para cronologia Reorganização do texto Revisão do texto Finalização Entrega do TCC

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

x

x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x


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10. INVESTIMENTO

Investimento Item

Quantidade

Valor médio (unidade)

Valor total estimado

Transporte para entrevistas fora de Suzano

6

R$ 5,50

R$ 33,00

Lanches para entrevistas

3

R$ 7,20

R$ 21,60

** Como já era previsto, pelo fato de o livro-reportagem tratar de um assunto dentro de Suzano (cidade onde resido), bem como em uma escola que fica muito próxima de minha casa, não tive tantos custos com transporte ou lanche para essas entrevistas. As impressões para a análise das capas foram feitas com material do jornal Diário de Suzano.


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11. APÊNDICES

Sete feridos no ataque na escola Raul Brasil estão internados no Hospital Santa Maria (Por: Daniel Marques/DS): https://www.diariodesuzano.com.br/cidades/sete-feridosno-ataque-na-escola-raul-brasil-estao-internados-no/47214/; Da Raul Brasil à Marginal do Una: relembre 70 principais fatos de 2019 (por: Daniel Marques/DS): https://www.diariodesuzano.com.br/cidades/da-raul-brasil-a-marginaldo-una-relembre-70-principais-fatos-de-2019/51684/; Justiça solta suspeitos de envolvimento em massacre na Raul Brasil (Daniel Marques/DS):

https://www.diariodesuzano.com.br/policia/justica-solta-suspeitos-de-

envolvimento-em-massacre-na-raul-brasil/52372/; Massacre na Raul Brasil completa um ano hoje e ainda deixa marcas (Daniel Marques/DS):

https://www.diariodesuzano.com.br/cidades/massacre-na-raul-brasil-

completa-um-ano-hoje-e-ainda-deixa-marcas/52727/. Entrevista Rodrigo Barone (DAT/Mogi-News): Na estrutura não, mas no ambiente sim. Foram dias bem pesados porque por mais que você carregue uma frieza quando você trabalha muito tempo em qualquer profissão. As vezes a gente acha que o médico é muito frio, o policial de repente pode não ter a sensibilidade que deveria, mas ele está vendo todo dia aquilo, um veterinário, e o jornalista também. Mas apesar dessa frieza, foi algo que deixou o clima bem carregado no sentido de a gente conhecer pessoas. Eu não conhecia estudante, mas conhecia pessoa que perdeu amigo lá, que perdeu sobrinho, então é uma coisa que você vai carregando dia após dia. Aquela tragédia não acabou ali, durou por meses. Lembro que da minha parte que depois de ter conversado com pessoal que a semana era mais carregada, todo mundo parecia mais cansado do que o normal o pessoal no final de semana. Apesar da frieza necessária que se ganha na profissão, já que você vê morte todo dia, você tem uma responsabilidade em cima daquilo, e as pessoas vão ler aquilo e querer entender o caso, você não pode deslizar. A pressão aumenta logo o comportamento das pessoas também acaba sendo afetado. Mas não tivemos nenhum problema. O jornal diário já tem uma tensão normal, tem as pautas que passa pro pessoal ou as vezes uma pauta que passam pra você, mas no meio do caminho aquilo te leva pra outro lugar. Nesse


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caso foi diferente. Escola, crianças é uma coisa muito marcante que chegou no mundo todo. O psicológico do pessoal ficou abalado nos dias seguintes. Todos os dias íamos ao Raul brasil. Depois do incidente tem muita coisa pra fazer em relação ao caso, além da programação do governo do estado, de homenagens no local por parte do corpo docente e das famílias e dos amigos, a gente tinha que ir atrás de tudo. Qualquer pauta que a gente faz, dificilmente ela começa e termina no mesmo dia. Sempre tem um resquício pro dia seguinte. Uma reunião do prefeito que seja, ou uma inauguração de uma obra. Qualquer coisa se você cavucar, você pode dar continuidade a ela. toda a pauta que você fizer no dia, se você quiser, tem coisa pra fazer no dia seguinte, e uma situação como essa tem muita coisa pra fazer. Passamos indo pra Raul brasil todo o dia, talvez semanas, talvez um mês todo o dia e depois eventualmente toda semana, uma duas vezes por semana porque tinha compromissos lá, alguma homenagem ou anuncio do governo, pintura de muro, reforma ou mudança da escola, foi uma pauta que demorou muito pra ter um ponto final. O ataque em si: senti uma tristeza muito grande, e confesso que a tristeza não vem no momento, porque você tem que ter a frieza e não pode sentar e chorar, você ta trabalhando com aquilo, você tem que saber o procedimento que você vai seguir, tem muita preocupação acontecendo. Mas me lembro no final do dia de ficar bem baqueado, na hora que fui pra casa realmente que me veio tudo aquilo. Com a cabeça um pouco mais fria fora do jornal, me veio muita coisa. Fiquei muito triste por vários dias, até hoje lembrando daquele dia, lembra como mexeu e como foi pesado. Em relação ao que eu acho, uma pauta que foi muito discutida é que eles jogavam algum jogo, que eles se inspiraram, dava a entender que eles teriam se inspirado em algum tipo de jogo de videogame pra fazer aquilo, acho que é muito mais complicada a situação. Não acredito que jogos violentos. Acho que isso vem de antes, algum desvio que a pessoa já tem. Sabemos que são alunos que sofreram bullying, e isso é muito sério, o isolamento social e o bullying. Acho que a maioria ou todos os colegas que entrevistamos do Taucci e do castro falavam a mesma coisa, que eram tranquilos, mas isolados e sofriam bullying. O bullying tem que ser tratado em todas as escolas constantemente, não dá mais pra deixar acontecer, tenho 37 anos e quando começou esse assunto de bullying tudo parecia uma grande bobagem. Na minha época de 14, 15 anos isso não existia, você sofria bullying na escola, mas você não sabia e era


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obrigado a passar por aquilo, mas está errado, é um assunto muito preocupante e as escolas precisam ter especialistas no assunto pra tratarem, tentar minimizar esse assunto pra identificar algum comportamento de isolamento e bullying. São jovens que mereciam ter tido mais atenção, não querendo defender a atitude deles, mas acho que toda a pessoa que comete um crime bárbaro, seja esse, estupro, pedofilia, essas pessoas precisam de atenção. É muito fácil falar em prender, matar, linchar. Sou totalmente contra. Já tive esse pensamento e você começa a perceber que isso está completamente errado. Precisam de ajuda, de repente precisam ficar presos, excluídos da sociedade, fazendo algo de prestativo pra sociedade, mas precisamos entender que essas pessoas tem algum desvio, algum problema causado talvez na infância, no nascimento, não sei, mas precisam de atenção e não é simplesmente serem largadas, execradas como pessoas maldosas. Dias seguintes: é um grande teste quando acontece isso assim, como profissional. Mostra pra você se você está preparado, quem está preparado da sua equipe pra acontecimentos pesados ou não. Foram dias, meses difíceis, mas trabalhando em jornal, a gente vê que mortes e tragédias acontecem todos os dias. A preocupação maior seria como a gente trataria esse assunto, com todo o cuidado do mundo de não errar na informação. Já erramos, não no caso do Raul brasil, mas pro jornalista é horrível quando dá uma notícia errada. Um massacre como esse é algo que mexe e preocupa muito porque o clima de instabilidade ficou muito grande, chegamos a pensar que isso iria acontecer de novo, e não parávamos de receber mensagem, de ameaça de massacre em Mogi, em escola em poá, tínhamos a impressão de que aconteceria de novo. O governo não está preparado pra trazer segurança máxima pra escola. Ficamos muito preocupados de acontecer em outro lugar. Sabemos que numa escola se você entrar armado, ninguém vai te barrar. Ficamos bastante preocupados que isso fosse um gatilho pra que outras pessoas fizessem a mesma coisa. Reações dos jornalistas na porta: um ou outro era de consternação. Não eram todos. Muitos estavam sérios, não tinha uma diferença, estava chorando, se emocionava. Eu não vi. Lembro que uma hora, duas da tarde, quando uma das merendeiras falou com o pessoal, muitos só estavam gravando olhando pra ela, não necessariamente consternados, tristes, chorando. Só estavam ali atentos a cada informação que ela fosse falar, um detalhe, uma palavra do que ela viu. Em relação a sentimentos não vi assim o pessoal chorando. No dia também você não consegue assimilar o que


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aconteceu. Acho que é essa questão. O pessoal estava muito atento a todas as informações. Eram três ruas, depois limitaram pra duas, depois uma, cada vez foram fechando mais. Então naquele perímetro você tinha uma gama de informações que só dependiam de você, somente do repórter ouvir uma pessoa, o que ela falasse, porque muita gente chegou lá de curioso. Que viu na TV, tinha gente que não era pra está lá. Dependia muito do faro jornalístico do repórter de saber se a fonte era boa, se não era. Aconteceu isso, muito atento o pessoal ficou. Teve muito disse me disse. Muitos falaram que viram os meninos escalando essa grade, pulando, se machucando, caindo em cima do outro. Foi um complemento da matéria. Muitos vizinhos vendo aquele monte de gente correndo ou abrigando muitos, como aconteceu, foi o faro. Acho que o disse me disse foi essa questão. Depois a própria cidade ficou num ambiente muito triste por uns dias, você saia na rua você via as pessoas, via o semblante de incerteza, medo. Putz invadiram uma escola, mataram muitos jovens, sonhos. Então aí posteriormente ao ocorrido começou isso em muita gente, olha como a vida é um sopro. Talvez nos repórteres pode ter acontecido isso, mas como são da grande imprensa não tem como saber. Dias seguintes, cabeça: Eu não tenho filho, então não tem como me colocar por completo no lugar dos pais que perderam. Nunca perdi um familiar por violência. Então é difícil de se colocar no lugar verdadeiramente porque quando um familiar morre por conta de uma doença, você tem uma explicação que não tratou, que faltou algum remédio especifico, um exame. Ta ali. Já nesse caso não, vem uma pessoa e tira sua vida. Eu me senti mais reflexivo, dar mais valor a minha mãe, meu irmão, minha esposa, aos pais dela. Então você fala puts não, acho que foi essa questão. Muitos policiais que entrevistei depois falaram. Foi um negócio rápido, um sopro que tirou a vida de oito pessoas. Você dá mais valor para as coisas simples da sua vida. Eu dou mais valor pras coisas simples, converso, abraço, acho que é isso e lembro acho que fiquei uma semana acordando mais cedo do que o comum, tipo 5 e pouco, 6 horas, às vezes 7. Não sei se necessariamente por conta de tudo o que aconteceu. Não sei, talvez não bateu em mim, até por conta desse sentimento de saber a dor da pessoa. A gente imagina, mas não sente. A matéria que fiz foi do ocorrido, e vi os desdobramentos, corre corre, coisas do tipo, basicamente isso. O restante, as demais informações foram outros repórteres. O


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jornal parou totalmente, quem tinha escrito 3 materias parou tudo, elas caíram pra entrar 3 da Raul brasil. Foi um clima pesadasso durante semanas. Depois de umas 2, 3 horas da tarde, tinha gente que não tava nem aí pra você. Fui no velório e lá entrei ao vivo para uma, duas rádios falando da situação e não lembro quem, mas pediu um copo de água. E o cara tinha um cooler cheio e o cara ignorou simplesmente, sendo que era da imprensa. Não lembro qual emissora que era. Sabe? No dia eu estava com 4 águas, ainda dei água pra GCM, barrinhas pros caras. Tinha que ter. eu não saí de frente do Raul por estar atento a todos os detalhes, então o que eu tinha eu dividi mesmo. No velório estava muito pesado. Tinha gente que olhava pro nada, gente levando a paz, um pouco de carinho pros pais, no dia estava muito pesado no velório. Consternação total de todos. Ninguém sabia ao certo o que fazer, o que pensar. Foi punk. Lembro que na quadra eram os caixões com as vítimas e cada espaço ali era reservado para os familiares, e nas arquibancadas era imprensa, e tinha muita gente. E quem não era da família, quisesse dar uma palavra de carinho, tinha uma fila pra entrar. Tinha jornalista do DF que falou comigo, acho que era metrópole. Tinha jornais de outros estados, tinha gente da BBC, tinha gente com sotaque espanhol. Efeitos na cabeça: eu tava dopado de adrenalina. Saí do diário direto pra faculdade. Não cheguei em casa, não consegui descansar. No inicio era uma adrenalina muito grande e a minha cabeça tentando entender o que tinha acontecido. Quando eu tava na faculdade, antes disso acontecer, sempre coloquei na minha cabeça que se acontecesse algo grande precisava me manter calmo, não podia me envolver, senão eu ficava perdido, eu não conseguiria fazer meu trabalho. Era esse sentimento de tentar entender, ter um pensamento humanizado, mas não se envolver mais do que era necessário. A gente sente medo, insegurança. No começo, lembro que foi um atentado domestico, você entra na estação de trem, lembro no dia seguinte, você ve um monte de gente, dá uma sensação estranha, ruim, medo de que algo pode acontecer. Mas é por isso que acho importante o jornalista, repórter, ter um acompanhamento psicológico muito bom com um profissional, pra conseguir lidar com esse stress no dia a dia. Senão a gente se perde, acaba cedendo às emoções e não focando no trabalho.


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Não cheguei a chorar. Acho que minha sorte neste sentido, lembro que a Aline entrevistou muita gente que se envolveu diretamente, pais de vitimas. O natan da TV Diário fez um monte de reportagem com pessoas que se envolveram diretamente. Como eu fiz muito depois do que aconteceu, de homenagens, eu via coisas boas, via amor, carinho, demonstração de afeto, então aquilo me ajudou a me sentir mais calmo. Quem entrevistou um pai que perdeu um filho, els acabaram sentindo mais, sofrendo mais. Cobertura de um ano depois: quando aconteceu, eu estava como estagiário começando, sem experiencia. Você pegar um caso e voltar um ano e recontar com uma experiencia maior é algo muito diferente, e já como produtor, você se sente mais seguro pra contar a historia. Tudo o que eu sentia naquele dia de não saber com quem pegar fonte ou com quem conversar, hoje em dia por conta do que aconteceu, me sinto bem mais seguro. Edgar Leite (Diário de Suzano: Foi sem duvida, o jornal vai fazer 60 anos em setembro de 2021 e foi sem duvida a cobertura mais marcante e mais triste da historia do diário de Suzano. Estou aqui há 25 anos. Jornalismo e essa pra mim foi a cobertura mais triste, exaustiva e emotiva, por conta de tudo o que aconteceu. Por volta das 8h30, o Marcus Pontes que faz a cobertura de policia recebeu a informação de que havia 8 pessoas baleadas dentro da escola Raul brasil. É uma escola muito tradicional em Suzano, que no IDEB tem boas notas. Tradicional e com boas evoluções em notas. Marucs foi pra la e quando ele confirmou que essas pessoas haviam sido baleadas, eu desloquei mais duas pessoas para lá, para que ele não ficasse sozinho. Era uma coisa muito vituosa, não é todo o dia que a gente ve oito pessoas baleadas em uma escola, só em filmes. Eu estava em casa, mas recebi whatsapo de algumas pessoas falando isso. No começo a gente não acredita muito, deve ser duas, três. Quando ele confirmou, enviei reforço porque já estava imaginando que seria uma cobertura muito ampla pelo episodio tão triste. Cheguei as 11 horas, entro a tarde para fazer o fechamento. O telefone não parava de tocar. Quando vi que a coisa realmente era muito grande, o jornal que faz cobertura das 10 cidades do alto tiete, ele tem editoria de cidades que cobre so Suzano, região cobre outras cidades fora Suzano, ai tem nacional, esporte cultura. Quando vi que o episodio era muito grande, de grande repercussão, o jornal passou a dedicar as seis


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paginas de cidades exclusivamente para esse caso. Além da cobertura que a gente ia fazer no dia, ia ter vários desdobramentos. Quando eu cheguei na redação às 11 horas, outras emissoras não paravam de ligar pra cá. O caso aconteceu em Suzano, o jornal é Diario de Suzano, então nós estávamos muito próximos do ocorrido e muita gente de outras regiões, do estado até fora do pais começaram a ligar pra gente. Só que a gente ainda tava apurando as infos e o que tínhamos passávamos para as outras emissoras. Lembro que teve uma de Campos do Rio, do Estado de Minas, passamos bastante coisa, uma emissora francesa ligou pro jornal, eu que atendi e passei pra eles algumas infos, muitas emissoras de radio do Rio, Estadão, Folha, dos grandes jornais. Foram muitas ligações. Na medida que dava, a gente ia passando. O dennis e o marcus deram muita entrevista também. Só que tinha muita info que a gente não tinha também porque a gente tava apurando pra publicar no nosso portal e também dar a continuidade do caso que já tava no portal, no jornal impresso, de uma maneira bem mais detalhada, profunda do que tinha acontecido mesmo. No portal, a gente faz noticia pro minuto seguinte, cinco minutos seguintes, e a população ligando pro jornal também pra saber o que tinha acontecido e o portal foi um canal importante do DS pra gente divulgar o que tínhamos. E o impresso foi o canal que trouxe o detalhe do que aconteceu, no dia seguinte, publicados os detalhes desse triste episodio. O impacto para a cidade é muito grande. A Raul brasil é uma escola tradicional aqui na cidade, existe há muitos anos e muita gente, políticos que estudaram na Raul brasil. A escola tem boas notas, esta localizada num ponto estratégico. É uma escola que pra você entrar no centro de Suzano você vai passar um pouco pela Raul brasil. Ela fica perto do viaduto ryu mizuno, que dá acesso a poá e Suzano, fica perto da armando salles de oliveira a escola, uma avenida importante de Suzano, então o impacto é muito grande porque nunca teve nada disso dentro da cidade. É um caso de chacina, uma tragédia tão grande dentro de uma escola, os pais entendem que o filho na escola está seguro, mas um caso como esse nunca tinha visto, com essa dimensão tão grande. Não impacta não só Suzano, mas o estado, a região, o brasil inteiro e o mundo. Principalmente agora com as redes sociais. Um caso desse sem rede social é de um jeito, com rede social é de outro. Você começa a ver vídeos sendo publicados a todo o tempo em redes sociais e isso traz mais impacto ainda. O jornal teve cuidado de divulgar a coisa de uma maneira profissional, jornalística.


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O jornal a editoria de cidades foi só pra isso. A gente divulgou seis paginas só pra isso, primeiro contando o caso, depois ouvbindo o prefeito o governador que veio pra cá, depois ouvindo autoridades de segurança, tentar mostrar um pouco como eram as pessoas que morreram, a família, os médicos e hospitais que atenderam. O jornal segue todas as normas jornalistas, não usamos sensacionalismo. Essa tragédia abateu os jornalistas também, a gente foi vitima também. Ficamos uma semana com uma carga negativa muito grande. Eu por exemplo sai no dia 13, eu sai de casa, tenho filho, eu saí chorando. Fiquei chorando por alguns dias. Você sente um pouco de depressão em uma cobertura como essa, mas você tem que saber separar as coisas na hora que você ta fazendo profissionalmente uma cobertura como essa. Mesmo assim você não consegue, a gente é ser humano também. Durante alguns dias, duas três semanas, a redação ficou um velório, uma carga negativa muito grande. A gente olhava pros jornalistas que fizeram a cobertura, a gente ficou meio aéreo, não acreditava que uma tragédia tão grande como essa tinha acontecido tão próximo da gente, e quando é muito próximo, abala o psicológico da gente. De lá pra cá, o jornal se mantem ético nas coberturas, profissional, não houve mudanças significativas. No dia conseguimos fazer uma cobertura ampla, t5azendo uma capa só sobre o assunto, uma capa mais fúnebre e os assuntos não param, até hoje as famílias recebem tratamento psicológico, a escola ainda não retornou por conta da pandemia, mas vai ser uma cobertura importante que vamos fazer, quando os estudantes voltarem presencialmente pra escola. Foi isso que aconteceu. De lá pra cá, a gente segue cobrindo, não com tanta ênfase como era no começo, nos meses subsequentes ao episiodio, mas até hopje a gente segue acompanhando, conversa com algumas famílias, autoridades pra saber o que está acontecendo na escola. Infelizmente alguns órgãos de comunicação vão pecar pelo sensacionalismo, alguns vivem de audiência. É lamentável. Vimos em alguns lugares uma tragédia dessa ser transformada em sensacionalismo. É uma linha muito tênue que você tem da cobertura e do sensacionalismo. Você tem que ter muito cuidado em fazer uma divulgaão disso, não escondendo nada, evidentemente, de acordo com o código de ética do jornalismo, tem que divulgar mas não criando sensacionalismo. Alguns órgãos de imprensa pecam não por querer pecar, mas acabam cometendo alguns exageros. Na medida do possível, posso falar pelo DS, que conseguimos. No portal, colocar vídeo, mas colocar tarja. Tomar cuidado nas fotos, não divulgar o nome dos


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assassinos, colocamos só as iniciais. Demos vozes as autoridades e seguimos nosso código de ética do jornalismo. Voce tem que dar muita orientação. Nossos estagiários começam como estagiários, mas estão sempre conversando e sendo supervisionados. O jornal tem uma linha editorial, então eles são muito bem orientados, todos os dias a gente conversa, passa o caminho que eles tem que seguir. Temos tido muita sorte de pegar bons estagiários no DS, porque antes de entrarem eles também passam por um teste, mas ele não tem responsabilidade total sobre aquela materia é lida pelo editor antes de ser divulgada, passa por um pente fino. Então a orientação que é dada pro estagiário, a supervisão e a edição que é feita depois contribui bastante para que o produto final, a informação, seja passada de qualidade e de maneira verídica. As matérias de polícia são sempre mais difíceis quando você ta in loco lá. Até hoje eu não esqueço foi uma que eu fiz lá em Poá, de um tio que matou o sobrinho de forma barbara. E a imprensa foi ao local, o tio estava ainda dentro da casa e fomos para pegar as informações no local com a policia. Foi uma cobertura bem difícil. As coberturas policiais são as que deixam você mais assustado, impactado. Essa foi no final da década de 90. Marcus Pontes (Diário de Suzano): Vim normal para trabalhar cedo, por volta das 7, 8 horas. Comecei a fazer a ronda, passei em Suzano e fomos pra itaqua. Quando estávamos la, me ligaram e falaram “olha, parece que teve um latrocínio na av mogi das cruzes”, e eu ia passar na delegacia de poa. Falei que latrocínio conseguiria me virar e viemos direto pra Suzano. chegando na mogi das cruzes, já vimos as viaturas com barulheira e gente correndo pra tudo que e lado. Celso me deixou na mogi das cruzes e fui andando e comecei a ver, não entendendo o que, na rua ali do Raul brasil. Vi um grupo de meninas chorando muito, uma caindo no chão de tanto chorar, mas não conseguia entender. Fui me aproximando até chegar próximo a escola. Quando estava chegando em Suzano, me falaram que possivelmente os caras me falaram que possivelmente os que mataram na mogi das cruzes fugiram pra escola, então falei que poderia ir por aqui que pegaria algo lá. Pegamos a mogi das cruzes e depois entramos na rua da Raul brasil. Quando desci do carro vi varias viaturas. Tinha uma fonte minha de itaqua que o negocio era feio, feio, feio. achei que poderia ser algo refém, tentaram roubar deu errado e fizeram reféns. Quando cheguei na porta da escola vi vários


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agentes de segurança, gcm, pm, viatura do bombeiro chegando a todo o momento e a todo momento chegava uma viatura. Quando olhei, encontrei um conhecido meu da PM, ele falou que os caras entraram e atiraram nos alunos. Eu me assustei. Comecei a tentar raciocinar e quando começou a chegar mais viaturas, tanto da pm quanto dos bombeiros pra fechar a rua, foi que comecei a ter uma noção porque quando eles fecharam tudo, eu ainda estava ali no meio; até que saí pra não atrapalhar eles e também pra esperar. Não quis ficar ali porque quem me conhecia sabia que eu era repórter. No único momento que titubiei, achei por bem na realidade, foi de não entrar. Fui, olhei. Pessoal estava na porta e eu vi bem de longe um pouco de sangue, algo assim, que foi das primeiras vitimas ali da entrada, e a porta aberta. Fui conversando e comecei a mandar mensagem pra redação, pedindo pra parar tudo e vem todo mundo pra cá porque o caso é muito mais do que a gente imaginava. Foi quando teve toda a mobilização, mandaram mais repórteres pra lá, foram vários outros reporteres. Alguns que me reconheceram pediram ajuda e meio que foi indo. Por volta do meio dia fecharam a rua da escola, um pedaço e nessa já estavam chegando mais e mais repórteres de outras emissoras. Foi indo aquela bola de neve até a tarde quando eu parei. Lembro que saí de lá umas 5, 6 horas. Cheguei lá umas 9,50, 10 horas. Vi sangue das duas primeiras vitimas, mas muito de longe. Depois fecharam a porta. Um amigo meu que estava na outra entrada, a primeira da Raul brasil, falou para eu me afastar para que os caras não viessem me encher o saco. Me afastei e fui pegando as informações. O clima do lado de fora era desesperador, nem dos alunos, mas das mães. Porque havia vários grupos de alunos e além dos alunos tinha as mães que chegavam desesperadas porque ouviram na tv ou pelo facebook, whatsapp e alastrou. Chegavam mães, pais, avós desesperados perguntando do filho e chegavam já cortando o cordão de isolamento desesperados. Não sabiam ao certo o que eles esperavam, se era filhos deles. Lembro que essas imagens das meninas ajoelhando no chão e chorando e dos pais foi bem marcante. Não é só porque a gente é repórter que não vai imaginar o desespero de não saber se é seu amigo, filho, neto, sobrinho. Redação: quando cheguei eu tava esgotado porque não tinha comido, fiquei demanhã até a tarde lá e me levaram umas barrinhas que dividi com um pessoal que estava lá há algum tempo, água também. Fui dividindo. Estava exausto, minha cabeça explodindo, minhas pernas doendo, fiquei no sol o dia inteiro. Todo mundo meio em


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espanto, incrédulo, aconteceu em Suzano o negocio. Aqui já teve outro no brasil, mas em Suzano, fomos os primeiros a chegar. Era uma bola de informações e ficava cada um fazendo um pouco, ajudando um ao outro. Lembro que quando cheguei o Edgar falou que era radio do mundo todo, emissoras, todo mundo tava ligando na redação. Era da frança, espanha, Portugal. Lembro que falei com uma pessoa só quando cheguei na redação que acho que era do sul, não lembro ao certo, para entrar ao vivo e dar detalhes do que tinha ocorrido e os demais estagiários e repórteres da época foram atendendo os demais. Sei que era muita gente, o telefone não parava. Você parava um pouco para escrever um trecho da matéria e era ligação, ligação, ligação. Foi algo atípico, anormal. Acabou que tivemos que ter profissionalismo. Tínhamos que noticiar, não tinha o que fazer. Vi (corpos), mas como tinha muita gente, como era colega de todo mundo da gcm fiquei num canto que consegui ver, mas já estavam ensacados. Já arrumavam. Ninguém via nada, só via colocando nos carros funerários e saindo, mas maca, essas coisas ninguém viu. Eles blindaram pra ninguém tirar foto. Você tem que saber diferenciar, alguns casos vão te marcar e sempre você vai lembrar. Apesar de cobrir policia, esse vai ser o único que nunca vou esquecer. Os demais até com o tempo esquece, lembro vagamente algum detalhe ou outro, mas muito pouco. Mas esse, tudo fica na memória. Acho que o papel da imprensa regional foi de superar seus limites. A imprensa regional você ta limitado. A grande imprensa não. Além da gama de infos e privilégios deles, no regional você tem uma limitação X e tem que superar. Muitas vezes aconteceu, não só da gente como dos outros jornais, eles superavam em algum detalhe, personagem. Foi a superação dos limites. Até essa questão do papa mostrou um pouco porque lembro que quando emitiram a carta, o Edgar falou. É um acontecimento falei olha o papa falando da região. Os demais jornais não vi isso. A imprensa regional está vendo os detalhes todos, o que está acontecendo, até após o ocorrido, que foi a apreensão do adolescente, a imprensa regional estava um pouco a frente por conta da proximidade com as fontes da região e a questão que eles davam um toque e a gente já tava lá, apesar que havia cinegrafistas amadores de plantão que ficaram uma, duas semanas de plantão na delegacia, todos os dias. Ai você ve o papel da imprensa regional. Às bezes a gente dava um toque pra eles, olha aquele cara que foi


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apreendido por ter negociado a munição, as armas. Aconteceu muito disso. O feling da imprensa regional, mostrando que não é a grande imprensa que também consegue esses detalhes com essa rapidez. A imprensa regional teve um papel de superação total. Reações dos jornalistas na porta: um ou outro era de consternação. Não eram todos. Muitos estavam sérios, não tinha uma diferença, estava chorando, se emocionava. Eu não vi. Lembro que uma hora, duas da tarde, quando uma das merendeiras falou com o pessoal, muitos só estavam gravando olhando pra ela, não necessariamente consternados, tristes, chorando. Só estavam ali atentos a cada info que ela fosse falar, um detalhe, uma palavra do que ela viu. Em relação a sentimentos não vi assim o pessoal chorando. No dia também você não consegue assimilar o que aconteceu. Acho que é essa questão. O pessoal estava muito atento a todas as informações. Eram três ruas, depois limitaram pra duas, depois uma, cada vez foram fechando mais. Então naquele perímetro você tinha uma gama de infos que só dependiam de você, somente do repórter ouvir uma pessoa, o que ela falasse, porque muita gente chegou lá de curioso. Que viu na TV, tinha gente que não era pra ta lá. Dependia muito do faro jornalístico do repórter de saber se a fonte era boa, se não era. Aconteceu isso, muito atento o pessoal ficou. Teve muito disse me disse. Muitos falaram que viram os meninos escalando essa grade, pulando, se machucando, caindo em cima do outro. Foi um complemento da matéria. Muitos vizinhos vendo aquele monte de gente correndo ou abrigando muitos, como aconteceu, foi o faro. Acho que o disse me disse foi essa questão. Depois a própria cidade ficou num ambiente muito triste por uns dias, você saia na rua você via as pessoas, via o semblante de incerteza, medo. Putz invadiram uma escola, mataram muitos jovens, sonhos. Então aí posteriormente ao ocorrido começou isso em muita gente, olha como a vida é um sopro. Talvez nos repórteres pode ter acontecido isso, mas como são da grande imprensa não tem como saber. Fecharam uma rua. Aí quando acho que o governador tava pra chegar ou que ele viria, fecharam outra rua. Depois por volta das 4, 5 horas, fecharam outra rua. Aí deixaram os repórteres em um espaço, um cruzamento. Fecharam em cima, então fecharam em quadrado. E aí avisaram que teria uma coletiva se não me engano com secretario de segurança aí liberaram um pedaço pro pessoal descer e entrar pra


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acompanhar a coletiva, mas só o pessoal da imprensa. Antes dessa liberação pra coletiva, fui até o comandante da pm, e o chamei. Ele me passou infos e foi quando o pessoal ficou me ohando. Depois da coletiva passou alguns detalhes que já tinha me passado, complementou sobre os feridos e foi isso. Tinha um pessoal que de passarem meu telefone. Quando ocorreu, liguei para um amigo meu da record e falei, para oq vocês estão fazendo e vem pra cá. A record foi a primeira emissora a confirmar a info do ataque e depois também com imagens. Me ligaram pra saber mais detalhes. Depois deles foi a tv diário, depois alguns jornais locais que me perguntaram algumas coisas. Depois redetv, essas coisas. Fui passando um pro outro. Internet e erros imprensa: Por exemplo, whatsapp. Poderia ter feuti o que muitos fizeram, entraram na escola pra ver, antes da chegada da gcm e tudo mais. Não tem como controlar, a pessoa ta com celular zap, tirou foto mandou pra um, três fotos e vai indo, é uma bola de neve, não tem como frear. As vezes a própria pessoa da sua família vai mandar pra outro porque achou impactante. Sobre os erros de imprensa, teve a rodo. Lembro que teve uma que você via que não sei se era falta de preparo, não sei ao certo. Chegou uma repórter de alguma emissora de tv, e fingindo um choro pra dramatizar a situação. Ela foi abordar uma mãe desesperada por uma informação do filho, e insistindo com ela duas, três quatro vezes, até que a mãe deu um grito “sai daqui, sai daqui”, então faltou preparo pra muitos que estavam lá. Alguns não tinham sensibilidade pra saber que aquilo era algo de fora do comum, acontecer em uma cidade da grande são Paulo que não se esperava a proporção, talvez a sede de ter uma imagem, entrevista impactante acaba sendo erro, foi a própria questão de eu não errar. Se eu entrasse poderia ter feito uma foto X, ter visto todo aquele ambiente, mas e o respeito? Ao próprio trabalho da policia, gcm, bombeiros. As vezes os próprios policiais não estavam assimilando o que tinha acontecido. Então saber, apesar de ter obrigação profissional de noticiar o fato, de ter o filing de entender “pra que, não tem necessidade. Criar uma dor de cabeça desnecessária”. Fazer foto lá dentro, mas e ai, e as pessoas que perderam a vida? É saber onde ce ta, saber conversar com as pessoas. Dias seguintes, cabeça: Eu não tenho filho, então não tem como me colocar por completo no lugar dos pais que perderam. Nunca perdi um familiar por violência. Então


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é difícil de se colocar no lugar verdadeiramente porque quando um familiar morre por conta de uma doença, você tem uma explicação que não tratou, que faltou algum remédio especifico, um exame. Ta ali. Já nesse caso não, vem uma pessoa e tira sua vida. Eu me senti mais reflexivo, dar mais valor a minha mãe, meu irmão, minha esposa, aos pais dela. Então você fala puts não, acho que foi essa questão. Muitos policiais que entrevistei depois falaram. Foi um negocio rápido, um sopro que tirou a vida de oito pessoas. Você da mais valor para as coisas simples da sua vida. Eu dou mais valor pras coisas simples, converso, abraço, acho que é isso e lembro acho que fiquei uma semana acordando mais cedo do que o comum, tipo 5 e pouco, 6 horas, às vezes 7. Não sei se necessariamente por conta de tudo o que aconteceu. Não sei, talvez não bateu em mim, até por conta desse sentimento de saber a dor da pessoa. A gente imagina, mas não sente. A matéria que fiz foi do ocorrido, e vi os desdobramentos, corre corre, coisas do tipo, basicamente isso. O restante, as demais informações foram outros repórteres. O jornal parou totalmente, quem tinha escrito 3 materias parou tudo, elas caíram pra entrar 3 da Raul brasil. Foi um clima pesadasso durante semanas. Depois de umas 2, 3 horas da tarde, tinha gente que não tava nem aí pra você. Fui no velório e lá entrei ao vivo para uma, duas rádios falando da situação e não lembro quem, mas pediu um copo de água. E o cara tinha um cooler cheio e o cara ignorou simplesmente, sendo que era da imprensa. Não lembro qual emissora que era. Sabe? No dia eu tava com 4 aguas, ainda dei água pra gcm, barrinhas pros caras. Tinha que ter. eu não saí de frente do Raul por estar atento a todos os detalhes, então o que eu tinha eu dividi mesmo. No velório estava muito pesado. Tinha gente que olhava pro nada, gente levando a paz, um pouco de carinho pros pais, no dia tava muito pesado no velório. Consternação total de todos. Ninguém sabia ao certo o que fazer, o que pensar. Foi punk. Lembro que na quadra eram os caixões com as vítimas e cada espaço ali era reservado para os familiares, e nas arquibancadas era imprensa, e tinha muita gente. E quem não era da família, quisesse dar uma palavra de carinho, tinha uma fila pra entrar. Tinha jornalista do DF que falou comigo, acho que era metrópole. Tinha jornais de outros estados, tinha gente da BBC, tinha gente com sotaque espanhol.


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Editor-chefe do Grupo Mogi News – Rodrigo Luiz Barone – era uma equipe reduzida, 3 editores, chefe de reportagem, 1 reporter, 4 estagiários e 2 fotógrafos. Se não me engano, não fiquei sabendo antes de chegar aqui. Assim que cheguei e comecei a separar as pautas me veio a noticia, a gente tem muito contato entre os jornalistas e já veio a noticia, também já veio na tv, é aquele momento que você muda tudo, a gente no jornal impresso já ta acostumado a ter que derrubar a pauta. Você chega de um jeito e no decorrer do dia as coisas podem mudar, muitas vezes ocorre, os acontecimentos fazem com que você tenha que se programar de uma forma diferente. A partir do momento que a gente ficou sabendo do que aconteceu, dessa ocorrência em Suzano, paramos tudo. Derrubamos todas as pautas. No começo até continuamos com algumas pautas até termos informações mais precisas, mas prontamente já encaminhamos uma repórter e um fotografo pra Raul brasil e minutos depois, quando fomos vendo a gravidade da situação, a edição inteira passou a ser sobre a Raul brasil. Foi a primeira vez que o mogi News fez uma edição sobre um assunto só que não fosse de mogi. Temos o mogi News e o dat no mesmo grupo, e dedicamos o moginews e o dat inteiro pro caso da Raul brasil pela gravidade. Na época se não me engano, foi a nona ocorrência no Brasil, mas não estamos muito acostumados com esse tipo de situação, embora na editoria de policia que a gente não tem mais, mas tinha, todo o dia a gente ve casos de mortes, latrocínio, homicídio, realmente quando entra numa questão de educação com jovens, crianças quase, dentro de uma escola, isso mobiliza a região de uma forma diferenciada. A gente dedicou todo o jornal mogi News ao caso e as primeiras infos que a gente tinha, tomando o cuidado pra não partir pro sensacionalismo. No jornal diário, tendo contato com policia, a gente ve que todo dia tem mortes, estupros, coisas terríveis aqui na região mesmo. Mas não teve como tratar como algo comum. As mortes são comuns, a gente recebe todos os dias, não são normais, nunca é normal, mas são comuns porque ocorrem muitas vezes todos os dias. Foi um episodio diferenciado e chocou todo mundo, foi pra imprensa internacional, foi pro the guardian, el pais, foi pro mundo inteiro e acontecendo aqui do nosso lado. É aquele dia que marca o período da sua carreira de jornalista. Nunca passei por algo parecido, nunca tinha passado e nunca passei depois. Gerenciar equipe: Apesar de uma equipe nova, costumo dizer que é aquela uhora um dos momentos cruciais pra saber se o cara tem dom ou não, se vai entrar na linha ou não vai. Foi um momento que a gente teve que parar tudo o que estava fazendo e


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mobilizar todo mundo. Aqui quando aconteceu, tivemos uma reunião bem rápida, de menos de 5 minutos, no máximo, e tivemos que mobilziar estagiários e reportagem, até porque nossa equipe já era pequena, não tão pequena como hoje, mas tivemos que mobilizar, por exemplo o nicholas que tinha acabado de entrar, uma repórter, a lilian, que nãota mais aqui, os outros estagiários, fotografo, mais um ou dois repórteres que estavam aqui fora edição, fotógrafos e nosso grupo que temos de jornalistas que trocam infos, então foi todo mundo mobilizado e conforme as infos iam chegando a gente ia direcionando pra um e outro. O mais importante foi a apuração lá, a repórter e o fotografo que estavam lá. Enquanto isso, a gente, os demais já colhendo infos pra gente já ta sabendo quase tudo o que aconteceu, até porque aquele dia a gente não teve muitas infos, o que tivemos de mais importante foi um cronograma dos assassinos. O que mais deu trabalho nesse dia foi fazer a cronologia, deles saírem de casa, o luiz tinha um problema com vizinho, bateu na porta ele não atendeu, o gulherme acabou matando o tio, então conseguimos criar esse cronograma até com a ajuda da policia. Não é um caso tão difícil de apuirar, é extremamente delicado de entender e aceitar, mas pra apuração não foi muito difícil porque foi repercussão nacional, a gente pegava mt coisa da policia que entrava em contato com a gente, até mesmo do governo do estado, nos programas de tv, então conseguimos ter acesso. Conseguimos ter acesso, acho que a imprensa inteira da região conseguiu fazer um trabalho bem completo em relação a isso justamente por ser algo cvom repercussão nacional e internacional. As vezes uma pauta interna de mogi as bezes dá mais trabalho, de repente o prefeito em reunião com alguém e não é pra saber, e você precisa tentar um, tentar outro e tirar uma info picada aqui, outra ali. Essa não, essa acabou caindo no nosso colo tudo até pela reportagem também nossa, que estava no local. Repercussão que foi tomando, como lidaram: A gente vive numa época de fake News e a gente recebe as vezes algumas infos que a gente ta acostumado, e estamos acostumados a não entrar em desespero, não se afobar porque depois a gente vai ver e a coisa não é tão grande quanto parecia. Inclusive depois da Raul brasil, foi muito reincidente, infos de atentados em escolas em mogi, e nenhuma se confirmou. A primeira coisa que vem na sua cabeça é “será que é isso mesmo?’” porque as infos chegam picadas, mas ai a gente ligou a tv e já tava lá. Foi uma coisa muito escancarada, muito sério. A gente entrou em contato com a prefeitura em seguida e


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logo eles já confirmaram, foi tudo muito rápido. No começo a gente não acredita se é aquilo mesmo, e se é verdade você não quer acreditar. Aí liga pra um, pra outro, liga a tv, troca mensagem com grupo de policia que já ta no local e e isso mesmo, você começa a pensar que hoje é um dia importante. Você sente uma coisa dessa magnitude que acontece, a gente tem muito o cuidado de não levar pro sensacionalismo. Então além do caso, vem na cabeça do editor como a gente vai tratar isso. A gente trata algo que acontece pela manhã, o jornal impresso hoje tem um desafio que é sempre no dia seguinte trazer algo a mais, uma info a mais. O que acontece de manhã, a gente sabe que ao longo do dia as infos preliminares todo mundo já conseguiu, mas tem algumas situações que você precisa marcar sua edição. Não poderíamos abrir no dia seguinte falando que policia investiga, mal comparando é o 7 a 1 da Alemanha contra o brasil. No dia seguinte todo mundo já sabia do 7 a 1, mas não podia falar que CBF pensa em reformulação, não a gente tem que marcar a edição com o 7 a 1. A mesma coisa da Raul brasil. A gente falou oq a gente faz, já tinha infos a mais da policia de como o inquérito ia acontecer, mas a gente tem que pensar que daqui 5, 10 anos se alguém pegar o arquivo do mogi News vai ter que ter aquele dia marcante, então por mais que o impresso tenha que ter no dia seguinte uma info diferenciada em termos de apuração, trazer um passo além do que já deram no dia anterior, isso é um fenômeno recente depois da internet. Normalmente a gente trata assim. Mas nesse caso tivemos que abrir com o Raul brasil, com todos os mortos. Não foi um dia comum e não é aquele dia que acaba ali, aquilo tem meses pra acabar, porque a historia continua, a apuração, o inquérito, família, questão psicológica, como escola, estado, prefeitura iriam reagir, e o que acontece em Suzano é um alerta pra mogi, como vai ficar a segurança nas escolas. Pessoas com desvio mental existe em qualquer lugar, isso pode acontecer em qualquer lugar. Por isso que fui contra e sou sempre contra armar a população. Acho que poderia ter guardas armados nas escolas, mas armar um professor, um cidadão, não, isso sou sempre contra. Cobertura: Acompanhei não só na edição no dia seguinte, como até hoje acompanho todos os dias os veículos da região. Em relação à Raul brasil, eu acho que foi perfeito. Não me lembro de ninguém ter escorregado em alguma info errada. Me lembro da imprensa inteira envolvida no caso, tomando todo o cuidado como conheço o Edgar, o trabalho dele. Fez um trabalho muito bom, fez o que deveria ser feito sem nenhum


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tipo de sensacionalismo também. O diário de mogi, nosso concorrente direto, também com uma apuração menor, porem muito completo também com tudo o que ocorreu, detalhes do caso, acompanhamento diário do caso. Não me lembro de alguém ter escorregado em alguma info errada ou que prejudicasse investigação ou denegrisse a imagem de alguém. Foi uma cobertura bem completa. Páginas: eu me referia aos concorrentes do impresso. Na internet ta no caminho de melhorar infos, um cuidado maior, mas na internet ainda sabemos que é onde acontece de tudo, a questão é mal apurada e jogada lá as vezes sem um cuidado, até porque muitas vezes não são profissionais que soltam as infos, então a net tem que tomar muito cuidado ainda, mas eu acho que ta se encaminhando pra um veiculo bastante confiabilidade, ainda considero uma terra do nunca, meio sem lei. Há uns 5, 6, 10 anos atrás não se tinha cuidado nenhum com o que se jogava na internet. Não me lembro de nenhum site com noticias de mogi que tenha escorregado. Sites de jornalistas mesmo acabaram fazendo uma cobertura boa. Mudança: Na estrutura não, mas no ambiente sim. Foram dias bem pesados porque por mais que você carregue uma frieza quando você trabalha muito tempo em qualquer profissão. As vezes a gente acha que o medico é muito frio, o policial de repente p0ode não ter a sensibilidade que deveria, mas ele ta vendo todo dia aquilo, um veterinário, e o jornalista também. Mas apesar dessa frieza, foi algo que deixou o clima bem carregado no sentido de a gente conhecer pessoas. Eu não conhecia estudante, mas conhecia pessoa que perdeu amigo lá, que perdeu sobrinho, então é uma coisa que você vai carregando dia após dia. Aquela tragédia não acabou ali, durou por meses. Lembro que da minha parte que depois de ter conversado com pessoal que a semana era mais carregada, todo mundo parecia mais cansado do que o normal o pessoal no final de semana. Apesar da frieza necessária que se ganha na profissão, já que você ve morte todo dia, você tem uma responsabilidade em cima daquilo, e as pessoas vão ler aquilo e querer entender o caso, você não pode deslizar. A pressão aumenta logo o comportamento das pessoas também acaba sendo afetado. Mas não tivemos nenhum problema. O jornal diário já tem uma tensão normal, tem as pautas que passa pro pessoal ou as vezes uma pauta que passam pra você, mas no meio do caminho aquilo te leva pra outro lugar. Nesse caso foi diferente. Escola, crianças é uma coisa muito marcante que chegou no mundo todo. O psicológico do pessoal ficou abalado nos dias seguintes.


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Todos os dias íamos ao Raul brasil. Depois do incidente tem muita coisa pra fazer em relação ao caso, além da programação do governo do estado, de homenagens no local por parte do corpo docente e das famílias e dos amigos, a gente tinha que ir atrás de tudo. Qualquer pauta que a gente faz, dificilmente ela começa e termina no mesmo dia. Sempre tem um resquício pro dia seguinte. Uma reunião do prefeito que seja, ou uma inauguração de uma obra. Qualquer coisa se você cavucar, você pode dar continuidade a ela. toda a pauta que você fizer no dia, se você quiser, tem coisa pra fazer no dia seguinte, e uma situação como essa tem muita coisa pra fazer. Passamos indo pra Raul brasil todo o dia, talvez semanas, talvez um mês todo o dia e depois eventualmente toda semana, uma duas vezes por semana porque tinha compromissos lá, alguma homenagem ou anuncio do governo, pintura de muro, reforma ou mudança da escola, foi uma pauta que demorou muito pra ter um ponto final. O ataque em si: senti uma tristeza muito grande, e confesso que a tristeza não vem no momento, porque você tem que ter a frieza e não pode sentar e chorar, você ta trabalhando com aquilo, você tem que saber o procedimento que você vai seguir, tem muita preocupação acontecendo. Mas me lembro no final do dia de ficar bem baqueado, na hora que fui pra casa realmente que me veio tudo aquilo. Com a cabeça um pouco mais fria fora do jornal, me veio muita coisa. Fiquei muito triste por vários dias, até hoje lembrando daquele dia, lembra como mexeu e como foi pesado. Em relação ao que eu acho, uma pauta que foi muito discutida é que eles jogavam algum jogo, que eles se inspiraram, dava a entender que eles teriam se inspirado em algum tipo de jogo de videogame pra fazer aquilo, acho que é muito mais complicada a situação. Não acredito que jogos violentos. Acho que isso vem de antes, algum desvio que a pessoa já tem. Sabemos que são alunos que sofreram bullying, e isso é muito sério, o isolamento social e o bullying. Acho que a maioria ou todos os colegas que entrevistamos do Taucci e do castro falavam a mesma coisa, que eram traquilos, mas isolados e sofriam bullying. O bullying tem que ser tratado em todas as escolas constantemente, não dá mais pra deixar acontecer, tenho 37 anos e quando começou esse assunto de bullying tudo parecia uma grande bobagem. Na minha época de 14, 15 anos isso não existia, você sofria bullying na escola, mas você não sabia e era obrigado a passar por aquilo, mas está errado, é um assunto muito preocupante e as escolas precisam ter especialistas no assunto pra tratarem, tentar minimizar esse


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assunto pra identificar algum comportamento de isolamento e bullying. São jovens que mereciam ter tido mais atenção, não querendo defender a atitude deles, mas acho que toda a pessoa que comete um crime bárbaro, seja esse, estupro, pedofilia, essas pessoas precisam de atenção. É muito fácil falar em prender, matar, linchar. Sou totalmente contra. Já tive esse pensamento e você começa a perceber que isso está completamente errado. Precisam de ajuda, de repente precisam ficar presos, excluídos da sociedade, fazendo algo de prestativo pra sociedade, mas precisamos entender que essas pessoas tem algum desvio, algum problema causado talvez na infância, no nascimento, não sei, mas precisam de atenção e não é simplesmente serem largadas, execradas como pessoas maldosas. Dias seguintes: é um grande teste quando acontece isso assim, como profissional. Mostra pra você se você ta preparado, quem está preparado da sua equipe pra acontecimentos pesados ou não. Foram dias, meses difíceis, mas trabalhando em jornal, a gente ve que mortes e tragédias acontecem todos os dias. A preocupação maior seria como a gente trataria esse assunto, com todo o cuidado do mundo de não errar na informação. Já erramos, não no caso do Raul brasil, mas pro jornalista é horrível quando da uma noticia errada. Um massacre como esse é algo que mexe e preocupa muito porque o clima de instabilidade ficou muito grande, chegamos a pensar que isso iria acontecer de novo, e não parávamos de receber mensagem, de ameaça de massacre em mogi, em escola em poá, tínhamos a impressão de que aconteceria de novo. O governo não ta preparado pra trazer segurança máxima pra escola. Ficamos muito preocupados de acontecer em outro lugar. Sabemos que numa escola se você entrar armado, ninguém vai te barrar. Ficamos bastante preocupados que isso fosse um gatilho pra que outras pessoas fizessem a mesma coisa. Dennis Maciel, 22, produtor da TV Diário: Naquele dia, aconteceu algo muito engraçado que foi na hora que cheguei, não tinha ngm. Acho que cheguei uns 5 minutos atrasado e não tinha ngm, o Lucas não tava lá, as meninas não estavam, o carro da redação não tava, e eu já pensei “alguma coisa grande aconteceu”. Entrei, sentei na minha mesa e tinha um grupo wpp na redação, e quando abri o grupo vi as primeiras mensagens. No começo, era tudo muito confuso porque não sabíamos o que tinha acontecido especificamente. Lembro que quando vi pela primeira vez as mensagens, não tinha ideia da proporção que o caso tinha, porque chegou pra gente assim “aconteceu um tiroteio numa escola aqui em Suzano”, e era isso que a gente


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tinha, tinha acabado de acontecer. O diário fica muito perto do Raul brasil. Na hora que aconteceu já ficamos sabendo, foi mais ou menos na hpra que eu entrava na redação. Aí aos poucos as primeiras infos foram chegando. Estava sentado no computador, abri tudo que era pagina de internet da folha, G1 pra tentar entender o que estava acontecendo. As pessoas que estavam na rua começavam a mandar infos, de que crianças estavam baleadas, que entraram com o objetivo de atirar nelas, não foi uma briga, confusão que aconteceu. Lembro que logo cedo o Edgar chegou na redação e me deu as primeiras orientações do que tinha acontecido. E o que é engraçado de lembrar, curioso na verdade, é que tudo foi muito rápido. Foi um dia que passou muito rápido, extremamente rápido. Lembro que não sabíamos o que tinha acontecido, depois foram chegando as primeiras infos e pelo diário de Suzano ser o jornal local que estava do lado, as emissoras, os outros veículos de comunicação começaram a ligar pra redação pra saber o que tinha acontecido, então invés de sermos apenas o jornal que divulga, a gente se tornou fonte. Porque nos estávamos lá no lado. Lembro que a record começou a ligar, jonais de outros estados. Então a pressa pela informação precisa e correta tinha uma cobrança bem maior pra gente, porque somos de Suzano, eramos na época. O Edgar não estava na redação, ele chegou, entrava a tarde, chegou correndo. Juntei as infos que o pessoal na rua pegou, aline, marcus, e eles começaram a mandar, e logo cedo tive o desafio de muita responsabilidade, que o Edgar falou pra mim “olha, tem umas emissoras de radio e você vai entrar ao vivo pra explicar o que estava acontecendo”, isso em meia hora depois que cheguei na redação. Tive que correr com as infos que o pessoal que estava na rua tinha, juntar e anotar tudo o que sabíamos e entrar ao vivo numa radio. Tinha uma do RS e outra de SP, acho que entrei em duas, três rádios. E os jornalistas perguntavam com uma precisão enorme e a minha dificuldade é que eu não tinha ido lá, era apenas a info que o pessoal da rua estava passando. Lembro que entrei com medo assustado mas tendo que explicar, de uma maneira sucinta, as hipóteses do que estava acontecendo lá. Hoje em dia é tudo muito certo, a gente sabe quantas pessoas, quais pessoas foram atingidas, quem matou, o que aconteceu, quantas foram atingidas, mas antes não, principalmente no momento. Era a dificuldade de organizar a informação correta, checar a informação. E tinha uma pressão tão grande, tanto de demanda de produzir os textos pros jornais, sabia que a tarde teria que sair da redação pra cobrir que o prefeito estava em brasilia e vindo pra cá e essa coisa de você ter que se manter sereno, calmo e não se abalar com o que está acontecendo,


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porque isso podia comprometer. Ao longo do dia a gente foi se acalmando, adrenalina baixando, e começamos a entender a dimensão do que tinha acontecido. Aqui é um jornal local, a gente cobre os bairros, estamos acostumados a cobrir reclama, inauguração, essas coisas mais comuns de região, e de uma hora pra outra estávamos cobrindo noticia nacional e internacional. O Raul brasil estava lá no le mond, no new York times, no the guardian, e a gente tava do lado. Esse compromisso de entregar uma info correta, conscisa e com os dados precisos e, ao mesmo tempo, tendo um carinho e respeito muito maior. Porque a gente não ta falando de um caso que aconteceu em outra cidade, estamos falando de um caso que pode ter atingido o filho de um leitor, parente de um leitor ou até um leitor do jornal, então a preocupação, o cuidado foi muito maior, e se manter calmo e pleno numa situação dessa é praticamente impossível. Então a gente tem que juntar toda a bagagem que a gente adquiriu ao longo do tempo e colocar em pratica, pra não se deixar levar pelas emoções e fazer um trabalho que se desvia. Responsabilidade: Eu tinha uns 4 meses só de DS. Foi uma experiencia, ao mesmo tempo, assustadora, enriquecedora. Porque assustou porque foi tudo muito inesperado, eu tinha na cabeça que eu ficava pensando que tnha que ficar frio, não me envolver. O que define o trabalho jornalístico num caso como esse é a pressão pelo trabalho, talvez até medo de errar, um dado, uma maneira de falar porque é um assunto delicado, temos que ter muito cuidado. É um mix de sentimentos que envolvem medo, pressão, mas a sensação de precisar ajudar o outro e informar. Cenário quando chegou: fiquei na redação de manhã, ajudei o Edgar e fomos juntando o que chegava da rua, e o pessoal foi voltando pra escrever o que tinham captado. Lembro que o que ajudou muito a gente foi que estávamos com um integrante a mais, que era o douglas, que ajudou muito. O pessoal teve que se virar, fez live na rua, vídeos, e eu continuei na redação de manhã e fui lá à tarde. Fui em um onde teve uma coletiva com o prefeito, que não foi na frente da escola, foi em outro local e depois fui pra frente da escola. Ali, presenciei dois cenários. Na coletva dele não tinha famílias, muitos alunos. O que estávamos cercados mesmo era de jornalistas de todo o brasil, e tava todo mundo com aquele olhar de cansado, assustado. O márcio gomes estava lá, e você sentia o cansaço no olhar dele, porque quando acontece uma coisa dessa você precisa trabalhar em dobro num período curto praticamente. Lá na frente tive isso de ver o olhar do jornalista, todo mundo olhando, trocando ideia junto todo mundo,


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independente da emissora, e depois fui pra frente da escola, e lá vi uma cena muito triste porque os pais ainda estavam lá, muitos sem entender o que estava acontecendo, muitas pessoas levaram flores, homenagens, não tínhamos certeza de quem tava vivo e não tava, e à tarde tivemos que começar a fazer apurações nos hospitais pra ver os estados de saúde, mas tudo muito incerto. O que presenciamos foi tristeza, dor e o sentimento de um tentar confortar o outro, entre os alunos, pais e professores. A gente via muita gente se abraçando, isso foi o que marcou. Acredito que quem foi lá cedo encontrou um cenário mais de caos. Eu encontrei um cenário de tentar confortar o outro, e depois manter a cobertura, o desenrolar, e o que o estado estava preparando pra tentar trazer sensação de segurança, porque o que a população tinha era sensação de medo. -Jornalistas se ajudando: isso foi o que me marcou tabmeb, até mesmo na cobertura regional os veículos tem uma certa limitação pra trocar informações, quem é de mogi não troca muita ideia com Suzano e vice versa, mas aquele dia foi o contrario, todo mundo se ajudando. Pessoal da globo pega info com sbt, troca ideia com record, com diário de Suzano, diário de mogi. lembro que quando terminavam as gravações, na mesma hora, todo mundo se juntava. No DS o ashiuchi terminou de falar já veio o pessoal do DAT, do G1, falando com a gente, ficou todo mundo junto, tentando deixar o ambiente menos pesado, trocando ideia e conversando. Era um sistema de cooperação um com o outro, esquecemos naquele momento qualquer tipo de rivalidade de empresa e entendemos que o importante naquela hora era se ajudar. Dias seguintes na porta: ainda nos primeiros dias, o cenário no entorno da escola era muito agitado, bagunçado, tnha muita gente indo pra lá e pra cá, tinha policia até no segundo dia, fazendo pericia, vendo câmera de segurança, então essa parte de policia, bombeiros, me marcou muito no entorno da escola. Ao longo do tempo, o que cobrimos mais foram falas de governantes falando sobre as medidas que tomariam, e as homenagens, que foi enriquecedor de cobrir. Lembro que saia na rua e a maioria das matérias eram nesse sentido, pessoas que faziam pinturas nos muros em homenagem as crianças, colavam cartazes, flores, grupos de apoio entre os pais que apareceram. Ao longo dos dias tinha dois viés de cobertura: as homenagens e as mudanças que o estado aplicaria nas escolas para evitar que algo parecido se repetisse.


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O ataque: foi bárbaro. Chocante. Pela frieza e como foi organizado. Não foi nada feito de gatilho, eles pensaram meses antes de fazer. O que tenho de base sobre a motivação foi o que policia, investigação que o MP fez sobre o caso, que os dois eram ex-alunos, haviam sofrido bullying. Não sei se o jogo influenciou ou não, porque acredito que isso vai variar de pessoa pra pessoa, mas acredito que uma serie de fatores, pode ser familiares, psicológicos, até o bullying também, podem ter sim influenciado. Mas como eles se mataram, uma resposta concreta fica muito difícil de dar, mesmo depois de tanto tempo. Pessoal descobriu áudios que eles estavam em grupos com esse objetivo, vejo que era um crime planejado e eles estavam carregados de raiva e ódio no coração. Foi um crime muito chocante. Encontrar uma escola naquele estado foi terrível. Reação ao descobrir: a primeira reação foi de confusão, não sabia o que tinha acontecido, mas quando descobri a gravidade, foi susto, tristeza, principalmente por ser na escola, eram crianças, jovens, professores. As imagens chocaram muito. Quem viu de casa viu as imagens com borrões, mas nós não, vimos as imagens cruas, da maneira que aconteceu. Foi um choque muito grande. Sobre aquele dia TV Diário: o que conversei com eles é que o sentimento que tivemos no DS de tristeza misturada com medo e de não querer acreditar que aquilo aconteceu tão perto se replicou lá também, mas ao mesmo tempo aquela responsabilidade de cobrir com cuidado foi algo que eles também sentiram. Pelo o que sei da TV, ela parou nesse dia. Na tv funciona assim, o jornal que vai ao ar de manhã é feito no dia anterior, metade dele, e a outra metade é feito de manhazinha. Imagina o atentado aconteceu entre 9h30 e 10h, nesse horário o jornal já ta encaminhado. Então tinham o jornal inteiro encaminhado pra jogar fora. Não tinha como colocar uma noticia feliz naquele dia, resgatar e jogar no ar. Em duas horas e pouco tiveram que refazer o jornal de um dia inteiro e fazer também uma cobertura muito extensa, eles trabalham tanto aqui na rede quanto nacional, então foi exaustivo pelo o que eles falam, foi um cenário de muito medo e responsabilidade. Mas na TV pelo menos, o assunto é evitado hoje em dia. Dificilmente eles falam como foi e até mesmo na cobertura pós. De um ano, meses depois, ela segue regras na TV bem especificas, porque é um assunto delicado. Cobertura 1 ano Raul como produtor na TV: foi um sentimento bem intenso porque quando cobri o Raul brasil estava como estagiario no DS e tirando esse fato, o que


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veio nos primeiros meses depois, cobrimos muita homenagem, muita coisa boa, manifestações de alunos, passeatas, apoio, todo um movimento. Quando entrei na TV, a gerencia já tinha me apontado as matérias que fiz aqui, e lembro que já entrei com essa carga, de estagiário que cobriu o Raul Brasil, e quando a Prefeitura anunciou que ia fazer um evento pra celebrar a paz um ano depois, eles me jogaram pra fazer a produção porque eles sabiam que eu tinha feito uma cobertura muito próxima, tanto de localidade, quanto pela profundidade da cobertura do DS, ficamos semanas quase meses acompanhando o desenrolar. Acho que o sentimento foi exatamente o oposto, ao invés de ser algo que não gostamos de noticiar, fizemos algo com um carinho muito maior. A TV preparou um especial e buscamos resgatar historias de superação. Fizeram vários VTs de pessoas que sofreram algum ferimento e hoje em dia estão bem, e eu sai com a equipe pra rua pra fazer a produção do Suzano pela paz, foi o evento que aconteceu no Max, foi uma cobertura muito bonita, principalmente por essa sensação de resgate, pegar algo ruim que aconteceu e transformar em uma materia em conteúdo bom, pra cima, de superação, que fala de amor, paz. No dia da produção eu estava na rua com a equipe do Cassio Andrade e o vinicius silva, que é o cinegrafista, e também tinha a outra equipe que tem a carol paes e o helton pires, que é o cinegrafista dela. Lembro que naqule dia o que me marcou é que na rua tinha muitos jovens, alunos, estudantes se abraçavam, cantavam, e ali no max feffer, perto da Raul brasil, eles fizeram esse evento onde os alunos fizeram vídeos, depois assistiram, tinha esculturas com varias frases positivas e no final as crianças soltaram os balões brancos simbolizando a paz, e aquilo me marcou muito porque era muito bonito, eles estavam felizes. Foi o oposto. Foi muito gratificante. Essa principal fizemos pro Diario TV e pro Jornal Hoje. Pro estagiário. E os desafios: é assustador. Para um estagiário é assustador. A gente querendo ou não, não tem essa vivencia suficiente pra saber lidar com um caso desses. A maior dificuldade lembro que era saber o que fazer, pra quem vou ligar, com quem vou falar e pedir info, e é importante, neste momento a gente ter orientação, e o Edgar orientou muito bem. Estava todo mundo um pouco perdido, porque tinham vários estagiários na época. A gente não sabia direito o que fazer, e neste momento a orientação de um jornalista formado e com experiencia é fundamental pra dar um norte pra gente. Nunca cobri um atentado, e acontece uma coisa dessas rápida precisamos ir atrás de fontes, pegar infos, pegar telefone de envolvidos e se não


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tivermos um direcionamento, já era. Antes de ele chegar eu não sabia o que fazer ainda. Tinha medo de errar, de não fazer a noticia vingar. Veículos que falou: falei com a record, globo ligou, na rua praticamente todo mundo, peguei os contatos do pessoal da Folha, da TV cultura, da CBN, eles foram atrás do Diário, tanto a TV quanto o jornal, e teve muita troca de info. Cobertura dos veículos como um todo: aqui na região temos um déficit de veículos de informação credenciados, corretos, formais. Temos basicamente o DAT e o Mogi News, o grupo da TV Diário, com O Diário, e o Diário de Suzano, o restante o que temos são páginas que muitas vezes administradas por pessoas que muitas vezes são administradas por pessoas que nem fizeram jornalismo, e nelas estão o problema. No DS tínhamos cuidado gigante pra proteger fonte, as crianças, na TV Diário também, então os veículos formais fizeram uma boa cobertura. Hj em dia a gente vai fazer uma cobertura desse atentado, tanto de um ano quanto a matéria JN, a globo manda uma série de protocolos pra gente seguir, palavras que não podem ser usadas, nomes que não podem ser citados. Na época a gente não tinha tanta noção assim igual hoje em dia eu tenho. Os veículos formais fizeram um bom trabalho, agora os outros pecaram muito. Tínha pagina de internet mostrando imagens sem embaçar nada, mostrando as crianças sendo atingidas por machado e tiro sem o mínimo de sensibilidade por parte do jornalista. Sim, precisa divulgar a verdade do que ta acontecendo, mas a gente também tem que entender que a audiência, muitas vezes quem vai receber a noticia, ela não ta preparada pra aquilo, e ela não precisa ver aquilo daquela maneira. Veiculos a TV, o Diário tiveram um cuidado maior, mas no geral achei que muitos jornais pequenos não formais, páginas de instagram e facebook que se intitulam jornais, pecaram feio. Antes da tarde, a maioria das pessoas da região que mexe muito com celular já tinha visto as imagens sem tarja, então houve falta de cuidado. Foi algo assustador. Efeitos na cabeça: eu tava dopado de adrenalina. Saí do diário direto pra faculdade. Não cheguei em casa, não consegui descansar. No inicio era uma adrenalina muito grande e a minha cabeça tentando entender o que tinha acontecido. Quando eu tava na faculdade, antes disso acontecer, sempre coloquei na minha cabeça que se acontecesse algo grande precisava me manter calmo, não podia me envolver, senão eu ficava perdido, eu não conseguiria fazer meu trabalho. Era esse sentimento de


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tentar entender, ter um pensamento humanizado, mas não se envolver mais do que era necessário. A gente sente medo, insegurança. No começo, lembro que foi um atentado domestico, você entra na estação de trem, lembro no dia seguinte, você ve um monte de gente, dá uma sensação estranha, ruim, medo de que algo pode acontecer. Mas é por isso que acho importante o jornalista, repórter, ter um acompanhamento psicológico muito bom com um profissional, pra conseguir lidar com esse stress no dia a dia. Senão a gente se perde, acaba cedendo às emoções e não focando no trabalho. Não cheguei a chorar. Acho que minha sorte neste sentido, lembro que a Aline entrevistou muita gente que se envolveu diretamente, pais de vitimas. O natan da TV Diário fez um monte de reportagem com pessoas que se envolveram diretamente. Como eu fiz muito depois do que aconteceu, de homenagens, eu via coisas boas, via amor, carinho, demonstração de afeto, então aquilo me ajudou a me sentir mais calmo. Quem entrevistou um pai que perdeu um filho, els acabaram sentindo mais, sofrendo mais. Cobertura de um ano depois: quando aconteceu, eu estava como estagiário começando, sem experiencia. Você pegar um caso e voltar um ano e recontar com uma experiencia maior é algo muito diferente, e já como produtor, você se sente mais seguro pra contar a historia. Tudo o que eu sentia naquele dia de não saber com quem pegar fonte ou com quem conversar, hoje em dia por conta do que aconteceu, me sinto bem mais seguro.

Matérias de base escritas por mim (quase todo o pós-ataque foi feito com base em 14 reportagens que apurei e escrevi. Seriam usadas para o especial 1 ano de Raul Brasil. Porém, a data coincidiu com o início da pandemia. O jornal acabou não publicando as reportagens por conta da “notícia quente”, e algumas delas, usei para falar sobre o ataque. Todas apuradas e escritas por mim junto a órgãos e fontes oficiais. Detectores de metais nas escolas: Os custos para a implantação de detectores de metais nas escolas são inviáveis. A informação


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foi passada pelo secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares da Silva, ao deputado estadual Marcos Damasio (PL). O DS confirmou a decisão com a pasta de Educação. Em nota, o deputado informou que o chefe da pasta classificou como “inviável” o custo para a implantação do equipamento nas escolas da rede estadual de ensino. A justificativa foi de que seria necessário contar com profissionais capacitados para cada uma das realidades, o que, segundo o secretário, foge da realidade da pasta. O parlamentar encaminhou o pedido, em março de 2019, ao governador João Doria (PSDB). Na época, os deputados estaduais Estevam Galvão (DEM) e Rodrigo Gambale (PSL) se mostraram favoráveis à ideia. Medida de segurança Implantação de Detectores de metais foi uma medida de segurança muito citada após o massacre na Raul Brasil, que completa um ano nesta sexta-feira, 13, para evitar casos semelhantes. Guilherme Taucci Monteiro, na época com 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, com 25, entraram com vários tipos de armas no prédio, como um revólver calibre 38, usado pelo adolescente para atirar nas crianças e a machadinha, usada por Castro para golpeá-las – ambos compostos por metal. Ainda segundo o deputado, o secretário alegou que a pasta já desenvolve ações contínuas para a “proteção escolar”, que envolvem segurança, ambiente, convivencia, bem-estar ea afetiva integração de toda a comunidade escolar. Ele citou a parceria com a Polícia Militar, vídeomonitoramento, professor mediador escolar e comunitário e registro de ocorrências escolares. Em Suzano


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A Prefeitura de Suzano afirmou que a proposta de detectores de metais foi discutida e analisada. No entanto, entende-se que a medida “não seria a mais adequada” para o momento. A administração municipal informou que os recursos utilizados nesta implantação foram direcionados a outras ações preventivas. O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Boa Vista também citou a ideia. Inclusive, durante uma das reuniões, o grupo afirmou que enviaria um ofício ao Estado solicitando a implantação de detectores nas escolas. No entanto, muitos membros de escolas da cidade, que participaram da reunião, teriam se mostrado contrários a ideia. “Fizeram de tudo para não continuarmos o que queríamos fazer. Era um grande projeto”, disse o presidente do Conseg, Ebert Vicente, o Ebert Bola.

Botão de pânico e alarme: A Prefeitura de Suzano instalou alarme sonoro e botão de pânico em todas as 75 escolas municipais da cidade. A medida foi adotada após a tragédia e é considerada uma das principais realizadas pelo Executivo suzanense nas escolas. O alarme tem como objetivo aumentar a sensação de segurança nas escolas e preservá-las, principalmente quando estiverem fechadas. Já os botões de pânico foram instalados para serem acionados em situações de emergência. Ambos estão integrados à Central de Segurança


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Integrada (CSI) da cidade, inaugurada em maio de 2019. Diversas outras ações foram citadas pelo prefeito Rodrigo Ashiuchi (PL) na época da tragédia. Estratégias para identificar possíveis terroristas e capacitação aos professores, para que conseguissem identificar casos de bullying nas escolas, foram algumas delas. Além da instalação dos alarmes e botões de pânico, portões com grades secundárias foram instalados nas unidades escolares. A ideia foi criar uma barreira de acesso à unidade, controlada pelo agente de segurança escolar. Policiais da reserva Uma das propostas que mais causaram polêmica na época foi a de policiais nas escolas. Neste caso, os militares atuariam na parte administrativa das unidades de ensino da cidade. A ideia foi repassada às autoridades estaduais e federais pela Prefeitura, mas não chegou a ser colocada em prática. A ideia dividiu opiniões. Muitas pessoas e entidades se posicionaram contrárias ao projeto, como o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Na época, o sindicato alegou que “escola não era lugar de polícia” e que “alguns países têm isso, e se mostrou ineficiente”. A administração suzanense, então, optou por capacitar os agentes de segurança escolar da


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cidade e contratar mais 20 profissionais, que se juntaram aos que já atuavam, chegando a 92 agentes nas escolas do município. Assim, a Prefeitura completou o quadro e todas as escolas municipais passaram a contar com o profissional. Os funcionários receberam treinamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e da Guarda Civil Municipal (GCM). Em uma espécie de “atualização”, os profissionais aprenderam técnicas de segurança, rotinas e procedimentos para diversas situações, bem como para a necessidade de identificar possíveis agressores. Prevenção Capacitar funcionários da rede municipal para encontrar a raiz do problema foi uma aposta da Prefeitura que, em parceria com o Instituto Cultiva, também implantou o projeto “Prevenir a Violência Escolar” em Suzano. Ele tem como objetivo promover a capacitação de funcionários da rede municipal, a fim de avaliar, acompanhar e identificar casos de vulnerabilidade social e bullying. Atualmente, o projeto é praticado em 33 escolas do Ensino Fundamental I na cidade e já formou mais de 100 colaboradores. Os profissionais realizam visitas domiciliares, para identificar problemas sociais ou de saúde.


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Dependendo da necessidade identificada, a família é encaminhada a uma Rede de Apoio Intersetorial. Até o momento, 150 visitas já foram realizadas.

Mudanças na escola após o massacre: O prazo para a entrega das obras na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, foi estendido para meados de abril. Inicialmente, o término das intervenções estava previsto para o final de março. Atualmente, as obras estão com 90% de conclusão. Segundo o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, o atraso acontece por conta do “calendário de chuvas” que atrapalhou o andamento das obras. O valor investido foi de R$ 3,1 milhões, superando os R$ 2,7 milhões previstos no projeto, e será pago por empresas parceiras. “Imediatamente após a entrega do espaço escolar e da revisão final, será colocado o mobiliário no início do mês de abril e a retomada da escola, naturalmente, aqui no local de origem, a partir de meados de abril”, esclareceu o secretário, durante vistoria às obras na manhã da última segunda-feira, 9. Reforma Com cerca de 2 mil metros quadrados, a escola passa por algumas mudanças significativas, como a construção de dois novos prédios, dois novos espaços para esportes e reforma


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considerável da estrutura antiga. A entrada principal também não será mais pela Rua Otávio Miguel da Silva. A nova entrada contará com uma passagem exclusiva para alunos e outra controlada, que dará acesso para pais, ex-alunos e comunidade. Segundo o secretário, um dos blocos que estão sendo construídos será destinado à parte pedagógica e contará com novas e maiores salas de aula dotadas de maior luminosidade. O outro será específico para a parte de gestão da escola. Ele vai comportar a direção da escola e a sala dos professores – essa última considerada um problema do prédio antigo, já que era muito pequena. O bloco antigo contará com uma biblioteca maior, que será capaz de comportar uma turma inteira, e um laboratório maker, com notebooks, smart TV e impressora 3D. As salas de aula também serão reformadas. Na parte central, as intervenções ocorrem na cozinha, que está sendo refeita, construção de banheiro exclusivo para funcionários, novo deposito, nova área de convivencia com praça arborizada e um novo espaço para a cantina. O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL) destacou a parceria entre o município e o Estado


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na reconstrução da Raul Brasil e os efeitos que a reforma traz para a sociedade brasileira. “Desde o início, não houve divisão. Não discutimos se a escola era estadual ou municipal. Sempre tivemos parceria. Tem mudança estrutural, mas traz um debate sobre a educação e preparação nas escolas”, frisou o prefeito. Mudança no regimento Atualmente, cada escola estadual tem seu próprio regimento. Isso deve mudar, já que a Secretaria de Educação deve apresentar ao Conselho Estadual de Educação, ainda neste ano, um regimento padrão para todas as escolas do estado. Todas as unidades terão que cumprí-lo, podendo realizar algumas adaptações. Ação de paz O massacre na Raul Brasil completa um ano hoje. Segundo o prefeito Rodrigo Ashiuchi, além de atos de cultura de paz, as crianças da rede municipal vão espalhar mensagens em bilhetes e cartas por vários pontos da cidade.

Aumento na procura pela escola: A procura por vagas na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, aumentou 10,5% neste ano, no comparativo com 2019. Ao todo, a unidade tem 1.072 alunos matriculados, 102


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a mais do que no ano passado. Os dados foram passados pelo secretário de Educação, Rossieli Soares, durante visita à escola realizada na manhã da última segunda-feira, 9. &quot;Neste ano, tivemos uma procura maior de matriculas. Um aumento, em relação a 2019. Houve uma estabilidade, mas tivemos também uma melhoria no número de funcionários e equipe de psicólogos&quot;, disse o secretário. A escola tem lista de espera. Questionado sobre o número de estudantes que deixou da unidade, o secretário disse que &quot;não foi um número grande&quot;, sem dar detalhes da quantidade. &quot;Respeitamos o desejo daqueles que optaram por eventuais trocas, tanto alunos quanto profissionais. Grande parte desejou permanecer, porque tem carinho, identificação e paixão por essa escola, bem como a maioria absoluta dos alunos&quot;, explicou o chefe da pasta de Educação. Para comportar os alunos, após a inauguração, a escola passará a ter 21 espaços pedagógicos. Projeto de Vida O secretário disse, ainda, que neste ano, todas as escolas estaduais passaram a contar com a disciplina Projeto de Vida. Os alunos do 6° ano ao ensino médio, agora, possuem um espaço para falar de seus sonhos e desejos.


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“É o desenvolvimento do projeto de vida do aluno. Tem que ter um espaço dentro da escola para que a gente, cada vez mais, escute e entenda quais são os sonhos e os desejos dos nossos estudantes. Para que a própria escola se organize em torno deles e dê apoio”, disse Soares. A cada semestre, os alunos podem, ainda, escolher duas eletivas e também a aula de tecnologia e inovação, que consiste em trabalhar todos os conceitos do novo mundo da tecnologia. Questionado sobre reclamações de professores a respeito de problemas de conexão ou falta de computadores no projeto, o secretário disse que “a disciplina não é só baseada em uso de equipamentos”, e que isso é um “erro de interpretação”.

Um ano do ataque: Considerada a pior tragédia da história de Suzano, o ataque na escola estadual Professor Raul Brasil completa um ano nesta sexta-feira, 13. O massacre realizado por Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos na época, e Luiz Henrique de Castro, de 25, vitimou oito pessoas fatalmente e deixou outras 11 feridas na manhã de 13 de março de 2019. Após o ataque às vítimas, Guilherme teria atirado em Luiz e, em seguida, se suicidado, aumentando o número de mortos para 10.


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Entre as oito pessoas assassinadas estavam cinco alunos (Caio Oliveira, 15, Kaio Lucas da Costa Limeira, 15, Douglas Murilo Celestino, 16, Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16, e Claiton Antônio Ribeiro, 17), a coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Vieiras Umezo, 59, a inspetora da escola Eliane Regina Oliveira Xavier, 38, além do tio do atirador Guilherme, Jorge Antônio de Morais, 51. Este último, morto em uma agência de veículos. O ataque aconteceu por volta das 9h40. Os suicidas entraram na escola com um revólver calibre 38, uma besta, uma machadinha e coquetéis molotov. Guilherme atirou contra várias pessoas, enquanto Luiz desferiu vários golpes de machadinha nas vítimas (leia a cronologia abaixo). O DS foi o primeiro veículo de comunicação a chegar à escola. O ataque foi realizado durante o horário de intervalo dos alunos. O chamado foi feito instantes após o atentado. A reportagem chegou às 9h45 ao local. Estudantes e pais de alunos se aglomeravam em frente à porta da escola, em busca de informações sobre feridos e mortos. Policiais, socorristas e moradores do entorno tentavam acalmar pessoas exaltadas e a cada esquina, a reportagem do DS via estudantes caindo no chão chorando, por conta da falta de notícias de colegas que ainda estavam dentro do prédio.


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Muitas crianças buscaram ajuda em casas e comércios do entorno da escola. Muitas delas também correram para o Hospital Santa Maria, que fica próximo à escola. Um dos estudantes chegou com a machadinha usada por Luiz Henrique grudada no tórax. Ele estava agitado e não conseguia explicar a situação. A partir daí, outras crianças começaram a chegar, e o hospital teve que montar um aparato para receber os jovens. Repercussão O caso ganhou grande repercussão na mídia nacional e internacional. Jornais americanos como o “The Guardian” e o “The New York Times”, o britânico “BBC News” e o francês “Le Monde” noticiaram o ataque em seus portais, relembrando casos parecidos, como o de Realengo, em 2011.

Ao saber do caso, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL), que estava em uma viagem para Brasília, voltou às pressas para a cidade e decretou três dias de luto. “É um episódio muito triste, não só para a cidade de Suzano, mas para todo o país. Prestaremos todo o apoio necessário para as famílias das vítimas. É uma situação atípica e lastimável. Suzano está de luto”, disse o prefeito no dia.


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O governador João Doria (PSDB) foi pessoalmente até a escola. Ele também decretou três dias de luto oficial no estado, acompanhado de bandeiras a meio mastro. “Foi a cena mais triste que assisti em toda a minha vida”, disse Doria. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou uma nota em suas redes sociais lamentando o ocorrido. Outras personalidades e times de futebol do Brasil e do mundo também prestaram condolências às vítimas e familiares. O velório foi realizado na Arena Suzano e contou com a presença de 15 mil pessoas. Entre elas, o ministro da Educação na época, Ricardo Vélez. Um memorial foi montado em frente à escola com flores, velas e cartazes em homenagens às vítimas. Outras diversas manifestações de entidades aconteceram após o ataque na cidade. Até mesmo o Papa Francisco lamentou o ocorrido e se solidarizou por meio de telegrama enviado à Diocese de Mogi das Cruzes. Na ocasião, ele disse estar “profundamente entristecido” com o fato e desejando “conforto espiritual às famílias atingidas”. Muitas pessoas que não conheciam as vítimas foram até a escola para prestar homenagens. Por diversas vezes ao longo de muitos dias, a reportagem do DS flagrou pessoas emocionadas com a situação. O ataque marcou a vida dos suzanenses. O movimento nas lojas e nas ruas caiu e o assunto no


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transporte público da cidade era um só. Todas as festividades do aniversário de 70 anos da cidade, que seria comemorado em 2 de abril de 2019, foram canceladas. Suspeitos Três suspeitos de envolvimento no massacre foram soltos da Penitenciária 2 de Tremembé (SP) no dia 14 de fevereiro. Eles foram detidos sob suspeita de fornecerem armas e munições aos assassinos. A decisão foi tomada pela Vara Criminal de Suzano. Um quarto indivíduo também teve a soltura determinada, mas permaneceu preso por porte ilegal de munição. Um ano após o caso, a escola Raul Brasil ainda passa por obras. Além de criar um espaço novo, a ideia do governo do Estado é tentar amenizar as lembranças do dia do massacre. A estimativa do governo do Estado é que a entrega seja feita em meados de abril.

Debates sobre segurança nas escolas: O massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil trouxe uma série de debates sobre a segurança nas escolas. O caso fez com que o Governo do Estado anunciasse medidas para melhorar esse fator. Foram lançados o projeto Escola Mais Segura, em julho de 2019, eo Programa de Melhoria da Convivencia e Proteção Escolar (Conviva SP), em outubro do mesmo


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ano. Os dois trazem ações, mas, um ano depois, algumas delas ainda não foram aplicadas. O primeiro consiste em um pacote de melhorias que preve aumentar o patrulhamento feito por policiais militares em 216 escolas consideradas “prioritárias”. Além disso, a ideia é de reforçar as escolas com até 622 policiais e, em uma das iniciativas, acrescentar até 190 militares na Ronda Escolar por dia. Medidas educativas, criação do Gabinete Integrado de Segurança e Proteção Escolar (Gispec), contratação de equipes multidisciplinares para dar apoio às escolas de 28 diretorias de ensino e integração de câmeras de segurança com o Centro de Operações Integradas (COI), também são algumas das propostas do Escola Mais Segura. Viaturas e Gispec Por meio do programa, foram adquiridas 566 novas viaturas de Ronda Escolar para todo o estado, superando a estimativa inicial, que era de 500. O investimento foi de R$ 25 milhões. O governo também implantou o Gispec por meio do programa. O gabinete conta, atualmente, com alocação de policiais militares que planejam ações integradas e gerenciam ocorrências em escolas estaduais. Um técnico da Secretaria de Educação também fica alocado no COI, para fazer monitoramento


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e atuar de maneira integrada com as demais agências de segurança em caso de anormalidades, bem como acompanhar as ações em tempo real. Em junho, 1.495 Agentes de Organização Escolar (AOE), aprovados em concurso público, foram nomeados para atuar nas escolas estaduais de São Paulo. Os agentes têm a responsabilidade de controlar a movimentação dos estudantes nas dependências da escola, auxiliar a manutenção da disciplina geral e contribuir com a gestão escolar na organização de atividades. No mês de março, a Secretaria de Educação promoveu visitas dos diretores das escolas em todo o Estado a batalhões da Polícia Militar, para abordar estratégias de segurança nas unidades escolares. O objetivo foi abrir espaço para que os diretores possam tirar dúvidas e estreitar a relação com a Polícia Militar. Em nota, a pasta não citou as demais ações prometidas no projeto como cumpridas. Por telefone, a reportagem foi informada que “nem todas as ações já foram realizadas”. Conviva SP O Conviva SP é outro programa lançado pelo governo para ampliar o Sistema de Proteção Escolar (Spec), que vigora desde 2009. Ele consiste na aplicação de questionários, que identificam a vulnerabilidade de cada unidade escolar para a implementação de ações que reduzam esses problemas.


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O programa também preve a criação de uma plataforma para registrar ocorrências em sistema, a fim de integrar o histórico de cada estudante da rede estadual. Plataforma criada O Conviva SP funciona de maneira integrada com o Escola Mais Segura. Das ações prometidas pelo projeto, a Secretaria Estadual de Educação destacou a criação da Plataforma Conviva (Placon). Inclusive, uma estudante, de 9 anos, entrou em uma escola de Suzano com uma faca. O DS trouxe a notícia em 19 de fevereiro. Na ocasião, a plataforma foi usada para registrar o caso. “Uma reunião será realizada para definir as medidas pedagógicas que serão adotadas (a respeito da criança). A unidade também irá incluir o caso na Plataforma Conviva (Placon)”, informou a pasta, na época. A pasta de Educação ainda ressaltou que são realizadas reuniões periodicamente entre a Polícia Militar e os dirigentes regionais de ensino. A ideia é planejar novas ações e analisar, quantitativa e qualitativamente, ocorrências em escolas estaduais, para policiamento orientado.

Cálculos da pesquisa quantitativa (uso das capas do jornal)

12 abr / 63 + 140 cm


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13 abr / 380 cm 14 abr / 380 + 45 cm 16 abr / 152 + 154 cm 17 abr / 63 cm 4938,5 cm² 13.140 cm² 876 cm² 1.007,5 4380 cm 8 mar / 49,5 cm 9 mar / 18 cm 10 mar / 161,5 + 22,5 cm 12 mar / 304 cm 13 mar / 380 + 72 cm 14 mar / 756 cm 15 mar / 756 cm 16 mar / 756 cm 17 mar / 756 cm 19 mar / 196 + 161,5 + 180 cm 12 abr / 63 + 140 cm 13 abr / 380 cm 14 abr / 380 + 45 cm 16 abr / 152 + 154 cm 17 br / 63 cm


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12. DIÁRIO DE CAMPO Escrever um livro sobre o ataque na escola estadual Professor Raul Brasil era praticamente uma obrigação, por tudo o que passei junto aos meus colegas naquele período onde vi a cidade que eu moro e uma escola onde tenho amigos e professores estampando capas dos principais jornais do mundo. Ali, começava minha carreira no jornalismo: com dois dias em uma redação. Para o trabalho, optei por livro-reportagem por três motivos: o primeiro é que um documentário, podcast ou qualquer outro tipo de mídia não seria suficiente para que o projeto fosse esclarecedor. Nenhum deles suportaria um caso tão rico em detalhes sem que algo faltasse. O segundo é que o este livro tem importante relevância social, principalmente por dar voz aos que costumam dar voz e por se tratar de algo que mexeu muito com o emocional de cada um. Ele será eternizado pelo assunto que trata. E o terceiro é que um livro-reportagem para TCC “enche os olhos” dos professores. Sei que eles amam quando escolhemos isso. Juntou a fome com a vontade de comer. Evidentemente, Raul Brasil em Pauta não para por aqui. Ele não será apenas um projeto de TCC. Prometo me aprofundar muito mais no assunto para publicar um livro bastante completo. É minha obrigação. Pela minha cidade e por todos aqueles que estiveram ao meu lado durante esse tempo, se tornou uma obrigação. Porém, creio que saio desta experiência muito mais preparado para a pesquisa futura. Ao longo do processo, aprendi que apenas o relato não vale, que precisaria ter um exemplo estatístico para comprovar tudo aquilo o que estava falando. O fiz, e consegui provar, em números, que o atentado na Raul Brasil foi muito mais do que um simples caso policial. Entrevistar jornalistas que fizeram parte da cobertura do ataque na Raul Brasil foi algo único. Olhar nos olhos de cada um e ver a consternação pelo o que aconteceu me fez valorizar ainda mais essa profissão. Estivemos juntos nisso e passamos por momentos horríveis, exaustivos e de extrema responsabilidade. Escutá-los, dar voz a jornalistas que foram tão importantes para a cobertura deste caso para o mundo inteiro, é algo fora da curva.


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Apesar de conviver diariamente com a correria de uma redação de jornal diário, consegui fazer um trabalho que espero agradar aos avaliadores. Mas mesmo que não agrade, principalmente pelo gosto de alguns por assuntos mais voltados para a questão social, tenho certeza que ele representa muito para minha cidade e para todos que aqui estão. E é como eu disse: o projeto seguirá e será muito mais aprofundado, independente do resultado da banca. Agradeço a todos que fizeram parte disso: aos entrevistados, aos professores que me orientaram e aos alunos que me ajudaram neste processo. O conhecimento adquirido, as habilidades em elaborar roteiros, escrever textos e diagramar, e o bom relacionamento com os professores, ficam como legado deste trabalho longo e exaustivo.


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13. ANEXOS

Portal Comunique-se: Raul Brasil: o caso de muitas causas (por: Carla Fiamini): https://portal.comunique-se.com.br/raul-brasil-o-caso-de-muitas-causas/; Portal Comunique-se: Jornalistas também são seres humanos (Editorial): https://portal.comunique-se.com.br/editorial-jornalistas-seres-humanos/.


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Análise da cobertura jornalística e os efeitos do ataque na escola Raul Brasil - Daniel Marques by Rede Código - Issuu