UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
ACSA FREIRE FIGUEIREDO
A CULTURA REGIONAL COMO INCENTIVO AO TURISMO LOCAL
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
São Paulo - SP 2020
ACSA FREIRE FIGUEIREDO
A CULTURA REGIONAL COMO INCENTIVO AO TURISMO LOCAL
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Jornalismo. Orientador (a): Prof. Me. Antônio Lúcio Rodrigues Assiz
São Paulo - SP 2020
Ficha técnica
Título: Cultura e turismo aos olhos de Itaquá Gênero: documentário Formato: HD full (1920x1080) Diretora (ou autora): Acsa Freire Figueiredo Duração: 29 minutos e 53 segundos Ano: 2020
Resumo
Este trabalho aborda a cultura do Município de Itaquaquecetuba, região Metropolitana de São Paulo, tal como o turismo local, a ponto de procurar compreender como a cultura pode auxiliar o turismo e assim, trazer desenvolvimento para a cidade. Os conceitos de Estudos Culturais e Centro-Periferia são tratados de forma a analisar a atuação e relevância da cultura para determinada região e, como esta é um elemento crucial no desenvolvimento social e econômico. Através dessa pesquisa, um documentário foi produzido a fim de esclarecer e apresentar a visão de moradores, artistas como produtores culturais e também, a ótica da Secretaria de Cultura e Secretaria de Turismo de Itaquaquecetuba acerca da administração, pontos fortes da cultura e turismo locais, além de suas dificuldades.
Palavras-chave: Itaquaquecetuba.
cultura,
turismo,
desenvolvimento,
Estudos-culturais,
SUMÁRIO 1.
Introdução ........................................................................................ 6
2.
Objetivos .......................................................................................... 9
2.1. Objetivo geral .................................................................................... 9 2.2. Objetivos específicos ........................................................................ 9 3.
Problematização e hipóteses ......................................................... 10
3.1. Conclusão da problematização e hipóteses ...................................10 4.
Justificativa ..................................................................................... 12
5.
Plano estratégico ............................................................................ 14
6.
Descrição do Produto ..................................................................... 14
6.1. Sinopse .......................................................................................... 18 6.2. Público-Alvo .................................................................................. 18 7.
Referencial teórico .........................................................................19
8.
Referências .................................................................................... 23
9.
Cronograma ................................................................................... 25
10.
Orçamento ..................................................................................... 27
Apêndices ............................................................................................... 28 A- Pré pauta ............................................................................................ 28 B- Autorizações ...................................................................................... 29 C- Decupagens ........................................................................................42 D- Roteiro ................................................................................................ 82 E- Capa e etiqueta .................................................................................. 86
Diário de Campo ...................................................................................... 87 Anexos ..................................................................................................... 94
A- Arquivos cedidos por Dyhogo Arizona para ilustrar documentário ...... 94 B- Arquivos de domínio público extraídos do IBGE ................................. 96 C- Arquivo de domínio público extraído do Wikipédia, com fonte do Instituto Geográfico Cartográfico ............................................................. 97 D- Arquivo extraído do Wikipédia, com autor desconhecido .................... 98
E- Vídeo de arquivo pessoal de Gabriel Cardoso, cedido para ilustrar documentário ...........................................................................................98 F- Vídeo de arquivo pessoal de Jaqueline Félix, cedido para ilustrar documentário ...........................................................................................99
6
1. Introdução Este trabalho aborda como a cultura pode ser um fator de grande relevância e influência ao turismo local. Tem como objeto de pesquisa o município de Itaquaquecetuba, além de focar nos conceitos de Estudos Culturais e Centro-Periferia. O município de Itaquaquecetuba situado na região metropolitana de São Paulo, possui cerca de 352.800 habitantes. É uma região marcada por sua história e que com o passar do tempo tem estabelecido uma proporção estável, porém baixa, em seu desenvolvimento social. Itaquá como também é conhecido, possui diversos movimentos culturais e sociais, ONGs e ações para disseminar a cultura local, que abrangem a confecção de artesanato, arte, música, prática religiosa e eventos culturais. Porém, é notório a pouca exploração do município por parte de visitantes de outras regiões, apesar de possuir potencial para turismo, a pouca visibilidade e má administração política impede que esse aspecto seja mais explorado. É fato que muitas pessoas tendem a frequentar cidades mais desenvolvidas ao consumir cultura, o centro da cidade de São Paulo por exemplo, é repleto de atrações turísticas e é tido como um modelo, tornando-se assim um parâmetro para comparações com outras regiões do Estado. O conceito Centro-Periferia, tem sido abordado durante alguns anos em estudos que buscam analisar as relações que geram paradigmas e comparações quando cultura, economia e desenvolvimento são tratados. Se existe um “centro”, tudo que se acomoda em volta é analisado tendo em vista os padrões desse centro, a referência, o que gera preconceitos com as demais regiões, principalmente periféricas e, consequentemente, desvaloriza a cultura regional dessas localidades.
Uma vez assentido de que há na realidade a existência de um centro economicamente rico e uma periferia pobre, tem-se, com a tese centro/periferia, uma ferramenta analítica de análise da concentração e centralização mundiais da produção social (PINHEIRO; SOUZA, 2019).
7
Desta forma, o centro desenvolvido economicamente, torna-se o parâmetro e a referência de produção cultural, em que a elite é retratada como detentora da “Cultura”, enquanto a periferia é relacionada à “cultura”, uma forma inferior e de menor importância social. Para contextualizar, todo ser humano assim que nasce é inserido em um grupo, e por esta razão torna-se participante de determinada cultura, aprende hábitos, tradições, jeito de falar e maneira de se vestir. Cada grupo social pertencente a determinada região, tem sua própria cultura originada da forma que seus ancestrais compartilham sua experiência de vida. Inicialmente, a cultura é transmitida de forma oral, através de histórias e conversas, porém ao observar a forma que determinada pessoa se comporta, além de suas crenças e costumes, é possível aprender sobre seu modo de viver. A inserção no cotidiano de alguém pode nos tornar mais próximos da cultura em que este vive. Segundo Souza (2015, p.11):
A cultura é o conjunto de formas e expressões que caracterizam no tempo uma sociedade determinada. Pelo conjunto de formas e expressões, entendem-se e incluem-se os costumes, crenças, práticas comuns, regras, normas, códigos, vestimentas, religiões, rituais e maneiras de ser que predominam na maioria das pessoas que a integram.
Porém, como é possível existir cultura e Cultura sendo que, todo indivíduo é parte de uma sociedade? Este é o questionamento de Chauí (2013, p.225):
Num país como o nosso, dizer que alguém é inculto porque é semianalfabeto deixa transparecer que cultura é algo que pertence a certas camadas ou classes sociais socialmente privilegiadas, enquanto a incultura está do lado dos não privilegiados socialmente, portanto, do lado do povo e do popular. [...] não estaríamos diante de uma contradição? Como poderia haver cultura popular, se o popular é inculto?
8
Ela também afirma:
Poderíamos examinar cada frase que dizemos ou ouvimos em nosso cotidiano e que naturalizam os seres humanos, naturalizam seus comportamentos, ideias, valores, formas de viver e de agir. Veríamos como, em cada caso, os fatos desmentem tal naturalização. Veríamos como os seres humanos variam em consequência das condições sociais, econômicas, políticas, históricas em que vivem. (CHAUÍ, 2013, p.224)
Desta forma, a pesquisa a seguir traz uma análise sobre os aspectos da cultura regional e também do turismo, como fatores de desenvolvimento social, além de estar ligado à realidade da realizadora do trabalho, Acsa Freire, como moradora da região de Itaquá. Os aspectos teóricos mostram as teorias (Centro-Periferia e os Estudos Culturais) e os resultados de algumas pesquisas bibliográficas, elas trazem embasamento para este trabalho e também para a realização de um documentário, como projeto experimental do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul.
9
2. Objetivos Os objetivos finais desta pesquisa se dividem em gerais e específicos.
2.1. Geral Este trabalho tem por objetivo geral compreender como funciona a cultura regional através de pesquisa bibliográfica acerca de cultura e turismo, além de contribuir para os estudos que envolvem cultura e turismo regionais.
2.2. Específico A presente pesquisa também coloca à prova as hipóteses apresentadas e aborda de forma sutil o conceito de Centro-Periferia, como ele pode ser observado na cultura regional de Itaquaquecetuba e de que forma esta pode incentivar o possível turismo na região. Além disso, as informações aqui contidas serviram de base para a produção de um documentário como projeto experimental para a realização do Trabalho de Conclusão de Curso.
10
3. Problematização e hipóteses
O problema de pesquisa foi formulado de forma a apontar um questionamento generalizado que se relaciona com o tema deste trabalho, o objeto de estudo, os objetivos e também com o enfoque desejado.
Como a cultura regional ajuda na quebra de paradigmas impostos pelo conceito centro-periferia?
As hipóteses desta pesquisa foram pensadas de forma a responder o questionamento apresentado na problematização de forma simples e sintética:
A cultura regional possui rico contexto histórico e procura democratizar as formas de incentivar a arte e o turismo;
Mesmo com falhas na divulgação de eventos, a comunidade interage com as ações culturais;
As secretarias de turismo e cultura procuram realizar diversas atividades para promover a interação e a cultura regional;
O município possui potencial para turismo.
3.1 Conclusão da problematização e hipóteses
O motivo da realização dessa pesquisa foi mostrar como a cultura regional de Itaquá pode auxiliar e servir de influência para o desenvolvimento do turismo na região, trazendo assim o desenvolvimento social e econômico para o município, além de combater os pré-conceitos acerca de Itaquá, sejam eles o pensamento de que o município não possui cultura, ou, a comparação com a cultura de outros lugares, tornando Itaquá “inferior” culturalmente. Porém, ao sair a campo, entrevistar e
11
conhecer mais sobre o assunto, percebeu-se que a cultura em Itaquaquecetuba não está em ponto de auxiliar o desenvolvimento do turismo, mas antes, precisa ela mesma se desenvolver. Mesmo a cultura regional possuindo um rico contexto histórico e o município tendo espaços propícios para o turismo, a população de modo geral não interage com a cultura, nem com o turismo, que no momento se resume ao turismo industrial. Em relação ao conceito de Centro-Periferia, é possível notá-lo de forma sutil, mas presente em relação ao preconceito com o município de Itaquá, os moradores preferem ir para outras regiões para consumir cultura, os artistas por falta de investimento e incentivo tendem a sair do município para atuar em outras regiões mais próximas e não existe uma mídia local para divulgar os aspectos culturais e turísticos de Itaquá, sendo assim, “Itaquá não tem cultura” é um comentário recorrente acerca do município. Ainda falta um caminho a ser percorrido, falta a aliança entre o Poder Público, os produtores culturais, o Setor Privado e os moradores, a atuação da mídia no local também está em débito. Porém, no ano de realização deste trabalho, 2020, em meio a uma pandemia, as coisas parecem estar caminhando aos poucos por conta do cadastramento de artistas e espaços culturais que está sendo imposto, os artistas têm projetos e muita determinação no que querem, em 2021 uma nova gestão assume a Prefeitura e a Câmara Municipal de Vereadores, além de que a Secretaria de Turismo tem projetos para trazer em média 35% de crescimento e desenvolvimento ao turismo nos próximos cinco anos. Não se sabe ainda se os planos serão concretizados, porém todas as pessoas relacionadas ao município de Itaquá tem um sonho em comum: ver Itaquá crescer. Em relação ao problema de pesquisa, a cultura regional pode combater os preconceitos impostos pelo “centro-periferia” através da movimentação cultural, onde é possível explorar as origens de cada grupo social, trazer à tona debates que possam dar visibilidade aos grupos minoritários em seus movimentos artísticos e assim, mostrar que a cultura da periferia tem história, fundamentos e tradições importantes e valiosos que abrangem não apenas a periferia, mas todas as regiões. No caso de Itaquaquecetuba, o fato de existirem nordestinos, japoneses, bolivianos, ciganos e a origem indígena na história do município, é um elemento mais do que suficiente para trazer identidade cultural e turística para a cidade, desde que haja uma aliança entre artistas, administradores e população
12
4. Justificativa A realização deste trabalho tem como fator de relevância três aspectos, a razão pessoal que está ligada diretamente a autora desta pesquisa, a razão social que visa o município de Itaquaquecetuba em si, e por fim, a razão acadêmica, onde a relevância da continuidade e interesse pela temática cultural são apontados. A autora da presente pesquisa é residente do município de Itaquaquecetuba e vê em seu trabalho uma oportunidade para explorar a região onde mora, levando em conta aspectos culturais pouco valorizados, na intenção de quebrar paradigmas sobre a cultura da periferia e crescer pessoalmente como um indivíduo social, sem preconceito e que é adaptável a diversos ambientes. Tendo em vista a importância da cultura da periferia e das regiões menos favorecidas economicamente, como construção histórica e social. O município de Itaquaquecetuba na zona leste de São Paulo, traz consigo importantes aspectos históricos e culturais da região. Itaquá como também é conhecido, organiza diversos eventos em sua agenda cultural durante o ano, tais como oficinas de artesanato, aulas de dança, teatro e também exposições em seu Centro Cultural, porém poucas pessoas vindas de outros municípios participam das atividades, não se sabe ao certo os motivos. Além do aspecto cultural, Itaquá também oferece alguns pontos que possuem potencial para turismo: um espaço exclusivo para a prática de skate, um shopping e um parque ecológico para atividades recreativas, além da praça no centro do município que conta com a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e seu rico contexto histórico. Além disso, é importante colaborar com pesquisas que envolvem a relação CentroPeriferia no nosso cotidiano e, dar visibilidade para as periferias e seu riquíssimo contexto histórico e importância social. Além de que é possível notar a escassez de trabalhos acadêmicos que envolvam o município de Itaquaquecetuba como foco principal. É papel do jornalista compartilhar informações verídicas para que todas as opiniões formadas a partir da comunicação venham agir de forma objetiva e imparcial, sempre visando o cumprimento da Moral e da Ética. É importante lembrar que os Estudos Culturais (também abordados neste trabalho), são uma área de pesquisa
13
contínua, que deve ser abordada visando diferentes elementos da cultura, da sociedade e da economia, portanto a relevância desta pesquisa.
14
5. Plano estratégico Para desenvolver este projeto, foi criado um cronograma a fim de cumprir com os prazos e realizar as etapas de forma gradual. Deu-se início à produção do produto experimental no mês de agosto, o qual foi designado para o planejamento. No mês de setembro deu-se início à captação de material, início do roteiro e decupagens, no mês seguinte, iniciou-se a edição e de acordo com o planejamento, as decupagens foram finalizadas. Para o mês de novembro, o objetivo foi a finalização do projeto.
6. Descrição do Produto Este documentário explora as diferentes opiniões acerca da cultura e do turismo em Itaquá, sempre atuando com a Ética e com a Moral, a fim de expor informações verídicas e agir sem pré-conceitos. O audiovisual tem por duração 29 minutos e 53 segundos e apresenta edições simples como cortes, sobreposições de elementos, transições e letreiros. Visando abranger o público de forma geral, este projeto usa de linguagem por vezes informal e clara, traz imagens que ilustram e ambientam as entrevistas e trilha sonora coesa com o sentimento de cada exposição. As fontes e cores foram pensadas de forma
a
ajudar
telespectador,
na
trazendo
leitura um
do leve
contraste entre o branco e o verde, sem fugir do esquema de cores e do tema do audiovisual. A cor branca foi usada pensando no destaque na tela e o verde remete ao Parque Ecológico do município de Itaquaquecetuba e sua grande área verde. Alguns filtros foram utilizados para dar melhoria nas cores dos clipes, tal como nas imagens do trem, em que o filtro utilizado causou um efeito envelhecido e ao mesmo tempo nostálgico.
15
Em imagens que contém muito verde, o filtro serviu para ressaltar as cores, dando mais vida e uma sensação
de
dia
ensolarado.
O filtro preto e branco foi usado em partes que necessitavam de “drama”.
Por conta da pandemia não foi possível a utilização de gravador externo, câmera, nem tripé, o uso do celular foi necessário para realizar as filmagens externas, sendo assim,
16
alguns clipes tiveram de ser reproduzidos em velocidade reduzida para evitar o tremor extremo. Além disso, o uso de plataformas digitais como o Zoom e o Google Maps serviram de auxílio na captação de algumas imagens. Uma barra preta foi utilizada em vídeos de background para dar a sutil sensação de tela de cinema, já nas entrevistas apresentadas, a mesma barra não aparece.
A trilha sonora foi escolhida de acordo com cada sensação que a produtora do projeto gostaria de causar em quem o assistisse, dando por vezes a sensação de melancolia, alegria, tristeza e inspiração. Todas as trilhas foram usadas a partir da biblioteca de áudios da plataforma Youtube. Algumas imagens e vídeos foram cedidos pelas personagens do documentário, tal como o vídeo de dança Anestesia, cedido por Jaqueline Felix,
17
O vídeo de dança contemporânea, cedido por Gabriel Cardoso,
As
imagens
das
escolas
de
samba,
cedidas
por
Além de imagens históricas de uso público do IBGE e do IGC
Dyhogo
Arizona,
18
O título escolhido para este audiovisual foi: Cultura e turismo aos olhos de Itaquá. A justificativa da escolha se deve a relação com o conteúdo do documentário, já que apresenta os pontos de vista de moradores, artistas e Poder Público do município de Itaquaquecetuba.
6.1. Sinopse Este documentário aborda a cultura e o turismo do município de Itaquaquecetuba. Traz entrevistas com moradores, artistas e também com responsáveis da Secretaria de Cultura e Turismo acerca da visibilidade da cultura regional, a atuação da mídia, relação com o Poder Público, dificuldades
e fatores que influenciam o
desenvolvimento cultural e turístico do município.
6.2. Público-Alvo
O documentário foi idealizado para todos aqueles que se interessam pelos temas relacionados à cultura, turismo e desenvolvimento, além de mostrar diferentes pontos de vista para que as partes envolvidas possam se inteirar da realidade vivida pelos moradores, produtores culturais e Poder Público.
19
7. Referencial Teórico Este artigo aborda a prática da cultura regional, em específico do município de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, como influência direta para o potencial turismo da região. Para contextualizar o assunto, alguns conceitos como Estudos Culturais e Centro-Periferia são de suma importância para poder entender a cultura regional, o turismo local e também colocar à prova as hipóteses apresentadas acima. Os Estudos Culturais são uma área de pesquisa multidisciplinar que abordam aspectos sociais, políticos e econômicos como influência primária à produção e consumo de cultura. Estudiosos de diversos campos de ação contribuíram para a pesquisa de temática cultural, em especial Stuart Hall, um teórico e sociólogo britânico-jamaicano, contribuinte da linha de pensamento dos Estudos Culturais, este que foi criado a partir de mudanças observadas em aspectos sociais que evoluíam na década de 50 e que necessitavam ser analisados e até mesmo repensados. Segundo Hall (2003), os Estudos Culturais surgem em um momento de “rupturas significativas”, pensamentos e significados antigos são adaptados à nova realidade existente, surgem novos temas a serem abordados, e essas mudanças são o suficiente para que os pensamentos existentes sejam repensados. Os Estudos Culturais abordam a forma de como a cultura em si é modificada através de contextos e mudanças históricas, sociais e políticas, variantes que se adaptam com o passar tempo. Essas mudanças podem ser percebidas nos dias atuais como consequências trazidas pela indústria cultural e também através das diversas classes sociais existentes. Os resultados das análises feitas através dos Estudos Culturais apontam que a “nova cultura” não é monopolizada, mas sim diversa, mesmo dentro de um sistema capitalista onde existe uma potência econômica, a forma como as pessoas vivem e se comportam em seu dia-a-dia é o que influencia em suas práticas culturais.
20
Além disso, outro conceito que é relevante para esta pesquisa é o Centro-Periferia, que envolve diversos autores e é tratado principalmente pela Escola LatinoAmericana. Este conceito aponta a relação entre o “centro”, região economicamente mais desenvolvida e a “periferia”, de menor desenvolvimento econômico. A ótica que analisa o centro e a periferia levando em conta o desenvolvimento econômico, se analisada para fins de temática cultural, produz assim um paradigma, um padrão e como consequência, um pré-conceito de que o centro por ser mais desenvolvido possui maiores chances de apresentar uma produção cultural melhor elaborada, mais refinada, o que não é de todo mentira. Porém, não se deve esquecer que é na periferia onde se encontra a maior diversidade de formas livres de se expressar artisticamente, mesmo que com influências da indústria cultural que tende a padronizar a produção cultural, adaptando aspectos de identidade de determinado grupo para que sejam consumidos pelo maior público possível, a massa. O turismo por sua vez, está diretamente ligado a esses elementos, economia e cultura. De acordo com Barbosa (2005), o turismo se divide em quatro grupos: o primeiro trata de aspectos da natureza como o clima e parques naturais, o segundo, aspectos tradicionais como a cultura local, o terceiro aborda elementos que envolvem monumentos, museus e parques temáticos, e por último, estabelecimentos de alimentação e estadia. Usando isso como base para analisar a situação do município de Itaquá, é possível dizer que o local tem sim potencial para desenvolvimento turístico, que no momento tem como foco a área industrial do município, já que possui aspectos naturais, dentre eles um parque ecológico e grande área verde, com animais e diversidade de plantas e árvores. A cultura local se apresenta na prática de artesanato e outras formas de expressões artísticas, o lugar possui algumas estátuas e igrejas com arquitetura histórica, museu e centros culturais. Também há opções onde os visitantes podem provar diversos tipos de alimentos oferecidos na região e fazer compras no centro do município e no shopping regional. Pode se dizer que o turismo é uma forma de valorização da cultura regional, além de uma estratégia que eleva o nível de desenvolvimento econômico de determinada região. Quando se investe no turismo, os visitantes podem ter acesso às práticas culturais e tradições de um lugar e passar a reconhecer o valor simbólico que essas práticas têm para a população local, além de fomentarem os comércios locais, o que
21
gera oportunidades de emprego. Barbosa (2005) diz que o interesse dos turistas (o que buscam ao se deslocar de seu lugar de origem) e o interesse do local que recebe os turistas, devem ser levados em conta, além de que os resultados para o desenvolvimento aparecem à medida que existe investimento no turismo, o que consequentemente proporciona a circulação da moeda e o consumo de serviços oferecidos, além de trazer a possibilidade da abertura de novas empresas que se alimentam do turismo. A prática do turismo é uma via de mão dupla, ela não ajuda apenas na valorização da cultura, mas necessita dela para sobreviver. A cultura regional, no município de Itaquaquecetuba por exemplo, é um elemento que pode ajudar no potencial turismo da região. As feiras de artesanato, aulas de teatro, dança, música, exposições de arte e também a prática de atividades recreativas e esportes, que ocorrem num parque ecológico, além do centro comercial e do shopping, tem o poder de alavancar o turismo. A Secretaria de Cultura e Secretaria de Turismo têm trabalhado juntamente para que o turismo e cultura sejam igualmente valorizados.
A presença dos turistas leva o Poder Público a adaptar seu comportamento às novas necessidades. Não são mais aceitas falhas no fornecimento de água, luz, rede de esgoto e o recolhimento do lixo. É necessário que a localidade tenha boa pavimentação e sinalização. (BARBOSA, 2005, p.108)
Porém, como nem tudo é fácil, a atuação da mídia também se faz necessária para trazer desenvolvimento e visibilidade para qualquer região que for.
A reflexão sobre a concentração e o controle da mídia e a circulação e distribuição massiva da informação versus um modelo de comunicação midiática que privilegia problemáticas locais, regionais, anti-hegemônicas e alternativas impõe um outro debate, sobre a forma como a mídia brasileira contribui para a construção de um imaginário e uma realidade excludentes, que diz respeito à reformulação do espaço público das minorias brasileiras e da positivação de sua real inserção no processo civilizatório brasileiro e na demarcação de seu espaço na esfera do exercício de cidadania. (FREITAS, 2007, p. 209)
22
No caso de Itaquá, o portal da Prefeitura disponibiliza notícias quase que diárias para informar a população do município acerca dos eventos culturais, estes desenvolvidos na Casa de Cultura, Centro Cultural e outros ambientes, juntamente das secretarias de Cultura e Turismo. Mas uma questão é levantada quanto a divulgação dos eventos, geralmente apenas os participantes assíduos dos eventos culturais em Itaquá sabem de antemão da agenda cultural e/ou frequentam os lugares propícios ao turismo regional, fora estes, é difícil algum morador de outra cidade se informar sobre as oportunidades culturais e turísticas, a menos que entre no portal da Prefeitura de Itaquaquecetuba, ou por meio de notícias em jornais locais de regiões próximas, como Suzano, Mogi das Cruzes e Poá, por exemplo. O engajamento em redes sociais e o investimento em divulgações e na manutenção dos locais turísticos são pontos que devem ser levados em conta, para que tudo o que a cultura regional e o turismo do município oferecem sejam melhor explorados, não apenas pelos itaquaquecetubenses, mas também por visitantes de outros lugares. Para finalizar, depois de analisar as teorias, conceitos e autores que contribuem para a pesquisa, é possível observar a importância das práticas culturais do município de Itaquaquecetuba, como ambiente rico em diversidade e potencial para desenvolvimento social, econômico e turístico. É necessário adquirir conhecimento acerca de diversas regiões, que abrangem patamares diferentes em desenvolvimento, para que sejam assimilados a realidade, identidade e valores de cada população. Deve-se reconhecer o que torna a cultura de diferentes regiões, semelhantes: a importância histórica, identidade, influências no estilo de vida, valores sociais, entre outros aspectos. Respondendo o problema de pesquisa apresentado no tópico 4 deste trabalho, a cultura regional contribui para a quebra de paradigmas impostos pelo Centro-Periferia através das práticas culturais, que tendem a democratizar as formas de produção e consumo de cultura, onde toda a população pode interagir, mas não apenas isso, além de dar visibilidade aos locais com menor desenvolvimento econômico, a cultura regional auxilia no turismo, este por sua vez tem papel fundamental no desenvolvimento de qualquer região.
23
8. Referências BARBOSA, Fábia Fonseca. O turismo como um fator de desenvolvimento local e/ ou regional. Caminhos de Geografia: Revista do programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Uberlândia – MG, v.6, n.14, p.107-114, fev. 2005. Disponível em: < www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/15380/8679>. Acesso em: 13 de março de 2020.
BRASILEIRO, Maria Dilma Simões; MEDINA, Júlio César Cabrera; CORIOLANO, Luiza Neide (Orgs.). Turismo, cultura e desenvolvimento [livro eletrônico]. 1ª Edição. Campina Grande- PB: EDUEPB, 2012. ISBN 978- 85-7879-194-0
CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. 1ª Edição. São Paulo: Ática, 2013. ISBN: 978 85 08 13036-8
FREITAS, Ricardo Oliveira de. A periferia da periferia: mídias alternativas e cultura de minorias em ambientes não-metropolitanos. Especiaria: Cadernos de Ciências Humanas, [s.l.], v.10, n.17, p. 191-212, jan./jun. 2007. Disponível em: < periodicos.uesc.br/index.php/especiaria/article/view/866>. Acesso em: 06 de março de 2020. ISSN: 1517-5081
HALL, Stuart; SOVIK, Liv (Org.). Da diáspora: identidades e mediações culturais. 1ª Edição. Belo Horizonte: UFMG, 2003. ISBN: 85-7041-356-4
IGC, Instituto Geográfico e Cartográfico. Praça de Itaquaquecetuba em meados do século XIX (fotografia). Wikipédia, 2015. Disponível em <commons.wikimedia.org/wiki/File:Pra%C3%A7a_de_Itaquaquecetuba_em_meados _do_s%C3%A9culo_XIX.png>. Acesso em 21 de novembro de 2020.
ITAQUAQUECETUBA por volta de 1927, antes de sua emancipação. Wikipédia, [s.d.].
Disponível
em
<
pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Itaquaquecetuba_sob_o_nome_de_Nossa_Senhora_d %27Ajuda.png#/media/Ficheiro:Itaquaquecetuba_sob_o_nome_de_Nossa_Senhora _d'Ajuda.png>. Acesso em 21 de novembro de 2020.
LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática de produção. 1ª Edição. São Paulo: Summus Editorial, 2012.
24
NAVARRO, Eduardo de Almeida. Método moderno de tupi antigo. São Paulo: Editora Global, 2005. ISBN 8526010581
PINHEIRO, Natália Pereira; SOUZA, Luíz Eduardo Simões de. A construção da tese centro-periferia no pensamento cepalino. Anais do 7ª Conferência Internacional de História de Empresas e IX Encontro de Pós-Graduação em História Econômica. Ribeirão Preto: USP/ABPHE, 2019.
PRAÇA dos Expedicionários: Itaquaquecetuba, SP. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [19--]. Disponível em: biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=446484>. Acesso em: 21 de novembro de 2020.
PRAÇA Padre João Álvares: Igreja Matriz (de Nossa Senhora D’Ajuda): Itaquaquecetuba, SP. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [19--]. Disponível em: <biblioteca.ibge.gov.br/index.php/bibliotecacatalogo?view=detalhes&id=446483>. Acesso em 21 de novembro de 2020.
PREFEITURA Municipal: Itaquaquecetuba, SP. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, [19--]. Disponível em <biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=446485>. Acesso em: 21 de novembro de 2020. SOUZA, Gerson M.; PEREIRA, Tarcísio J. Cultura popular. 1ª Edição. Brasília – DF: Projeção, 2015.
25
9. Cronograma geral Cronograma Geral do Projeto de Pesquisa e Experimental JAN
Atividades Definição
do
FEV
MAR
X
X
ABR
MAI
JUN
X
X
tema e produto experimental Delimitação
do
X
tema, objetivos, definição
da
problematização e hipóteses Levantamento
X
X
bibliográfico Início
da
produção
do
projeto
de
X
pesquisa: Introdução
e
justificativa Aspectos
X
teóricos
e
Metodológicos Término
da
produção
do
projeto
de
X
pesquisa Entrega
da
X
Etapa I do TCC Pré roteiro Início entrevistas formulários
X de por
X
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
26
Entrevistas
X
X
pessoalmente Roteiro
X
definitivo Captação
de
X
X
Imagens/ gravações Edição
e
X
X
decupagem Finalização Apresentação da II etapa do TCC
Fonte: Elaborado pelo autor
X X
27
10. Orçamento ORÇAMENTO GERAL Item
Quantidade
Valor Unitário (em
Valor total
média) Condução (carro
R$20,00
pessoal) Celular
01
Já possuo
Cartão de memória
01
Já possuo
Editor
01
Editado pela autora
Capa DVD
Entregue em pdf
Pen Drive
01
Total:
R$60,00
Fonte: Elaborado pelo autor
R$:40,00
R$: 40,00
28
Apêndices
A- Pré-Pauta
PRÉPAUTA
Acsa Freire Figueiredo “Cultura e turismo aos olhos de Itaquá”
PRODUTO: Documentário
TEMA/ASSUNTO:
DATA DA ENTREVISTA:
Cultura regional e turismo
HISTÓRICO
Este documentário aborda a cultura e o turismo do município de Itaquaquecetuba. Traz entrevistas com a população e também com responsáveis da Secretaria de Cultura e Turismo acerca da visibilidade da cultura regional, a atuação da mídia e fatores que influenciam a visita de moradores de outras regiões para que possam conhecer Itaquá. ENFOQUE/ANGULAÇÃO
Trazer uma análise sobre a cultura regional, sem preconceitos e/ ou críticas, buscando
apontar os fatores de relevância social para a região, além do peso histórico que a cultura regional traz para moradores de regiões menos favorecidas economicamente. POSSÍVEIS PERGUNTAS E FONTES
Secretário de Cultura: iniciativas de divulgação e produção cultural. Secretário de Turismo: divulgação e investimento em espaços propícios ao turismo. Moradores de Itaquaquecetuba: conhecimento e participação da cultura e do turismo regional. Visitantes de outras regiões: conhecimento e participação da cultura e do turismo de Itaquaquecetuba.
EQUIPAMENTOS
REPÓRTER
Acsa Freire Figueiredo
29
Computador,
softwares,
aplicativos,
gravador; câmera de vídeo; câmera fotográfica;
tripé;
formulário virtual.
B-Autorizações
plataforma
de
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
C- Decupagens Entrevista com Éder Bispo, Diretor da Secretaria Municipal de Cultura
43
44
45
46
47
Entrevista com Michael Oliveira, Diretor da Secretaria Municipal de Turismo
48
49
50
51
52
53
54
55
Entrevista com a moradora Maria Cleonice del Vecchio
56
57
Entrevista com a moradora Dayane Gonçalves
58
59
Entrevista com a cantora e produtora cultural Maria Cristoilma
60
61
62
63
64
65
Entrevista com a bailarina Estefani Reis
66
67
Entrevista com Cindy Araújo, representante da Arte Brasil
68
Entrevista com Roginaldo “Dorado”, grafiteiro
69
70
Entrevista com Mateus Rodrigues, coordenador do curso de teatro em Itaquá (parte 1)
71
Entrevista com Mateus Rodrigues, coordenador do curso de teatro em Itaquá (parte 2)
72
Entrevista com Mateus Rodrigues, coordenador do curso de teatro em Itaquá (parte 3)
73
Entrevista com Mateus Rodrigues, coordenador do curso de teatro em Itaquá (parte 4)
74
Entrevista com o dançarino Gabriel Cardoso
75
76
77
Entrevista com a bibliotecária Mariana Ferreira
78
Entrevista com Jaqueline Felix, bailarina e professora de dança (parte 1)
79
Entrevista com Jaqueline Felix, bailarina e professora de dança (parte 2)
80
Entrevista com Dyhogo Arizona, presidente da Liga das Escolas de Samba de Itaquá
81
82
D-Roteiro
83
84
85
86
E- Capa e etiqueta
87
Diário de Campo Este trabalho teve início em fevereiro, quando eu tinha um outro tema em mente, porém ele se tornou inviável, e depois de uma semana turbulenta sem conseguir escolher um outro assunto para pesquisar sobre, no meu último dia de prazo, “cultura”, um assunto que eu amo e “Itaquá”, o lugar onde moro se juntaram e deram início à isso tudo. Meus pais me ajudaram a definir esse tema. O primeiro semestre se resume em algumas semanas tendo aulas presenciais e a curiosidade sobre o processo de fazer um TCC, início da pandemia e quarentena e... ABNT, foi tudo uma maravilha (risos). Abaixo seguem os meus registros do segundo semestre e da produção do documentário.
17.08.20 - Segunda-Feira Hoje começo meu diário de campo, embora meu processo de produção do TCC já esteja em andamento a algum tempo. Semana passada começamos a primeira orientação, meu orientador é o professor Antônio, ele nos propôs a tarefa de entrar em contato com nossas possíveis fontes essa semana. Confesso que estou um pouco preocupada em relação a isso, no momento tenho muitas incertezas devido à pandemia. Em um instante eu tinha quase tudo planejado, um pré-roteiro pronto, estava com o dinheiro para comprar uma câmera e agora... tudo virou do avesso. Os planos mudaram quase que drasticamente, não poderei comprar minha câmera por conta de as lojas estarem fechadas, e por esse motivo meu documentário será produzido pelo celular, sim, meu smartphone, um novo desafio já que a qualidade da imagem e do som são prioridade em um audiovisual, mas vou ter que me adaptar com o que tenho. As entrevistas também terão de ser feitas à distância, o que eu não consigo me acostumar. Meu orientador, disse que as personagens da “história” é que dão vida ao nosso trabalho, devemos nos conectar com elas, porém como fazer isso pela internet? Enfim, para finalizar esse primeiro dia do meu diário, acabei de enviar e-mails para algumas fontes pedindo que analisem a possibilidade de uma entrevista para o mês
88
que vem (como está no planejamento que o professor nos deixou), mas uma das fontes mais importantes está com a caixa de entrada cheia. Vou tentar mais tarde.
22.08.20 - Sábado Surpreendentemente estou indo bem com meu trabalho. Quero dizer, é claro que sou uma pessoa positiva e que crê em Deus e tem fé de que tudo vai dar certo no final, é só que mesmo se acreditamos em milagres, quando eles realmente acontecem leva um tempo para nos livrarmos do choque. E é exatamente isso que aconteceu comigo nesta semana. Para começar, eu tinha que realizar a tarefa de entrar em contato com minhas fontes, o que foi relativamente fácil, apenas enviei e-mails para os secretários de Cultura e Turismo de Itaquá, porém, não obtive resposta de nenhum deles, mas por outro lado, achei uma bibliotecária de Itaquaquecetuba no Instagram e acredite ou não, ela me adicionou no grupo de artistas de Itaquá! Um grupo contendo exatos cento e quatro artistas era mais do que o suficiente para fazer meu trabalho. E após a primeira orientação individual que foi nesta quinta, eu oficialmente comecei minhas “entrevistas”. Eu escrevi entrevistas entre aspas pelo fato de eu não poder ir pessoalmente entrevistar ninguém, o professor Antônio pediu no mínimo duas ou três entrevistas para a semana que vem, o que está em andamento. Eu entrei em contato com a fontes, após anunciar meu trabalho no grupo de artistas. Pedi que cada fonte me enviasse um vídeo, com o celular na horizontal e apoiado em algum objeto para dar estabilidade à imagem, também orientei meus entrevistados a respeito do enquadramento que eu queria no vídeo e também, enviei um mini roteiro com as perguntas gerais sobre meu tema para servir de guia para o que quer que falassem no vídeo. No momento estou no aguardo, uma fonte me enviou suas respostas, além da autorização do uso de imagem e áudio que enviei para que assinasse. Pensei em fazer as entrevistas através de outros meios como Skype, Zoom e afins, porém pensei que ao fazer uma chamada de vídeo a imagem não seria tão boa e, como não pretendo aparecer no documentário, não achei necessária a minha
89
participação. Meu objetivo é “costurar” as entrevistas para que possam contar uma história no final, de acordo com o assunto que desejo abordar. Meu orientador também pediu que eu atentasse às imagens de apoio, coisa que eu já venho planejando desde o começo, mas que me causou uma certa preocupação, novamente por conta da pandemia. Minha solução mais lógica para essa situação foi pedir que cada entrevistado “mostrasse sua arte”, que o ator entrevistado pudesse encenar enquanto apresentasse suas respostas às minhas perguntas, que o bailarino dançasse e assim por diante. Por enquanto não obtive todas as respostas, mas ainda é sábado e seis fontes estão encarregadas de me responder até terça-feira.
30.08.20 Domingo O tempo está passando e essa semana não foi muito produtiva. Algumas coisas têm me tirado o foco, ocupando minha mente até mesmo enquanto durmo. Por isso hoje, sendo domingo, estou organizando todas as pendências “externas” e planejando minha semana para tudo dar certo. Na próxima quinta-feira, será minha terceira orientação individual, devo entregar algumas das decupagens, mais quatro entrevistas e, aparentemente começaremos a tratar do roteiro, outra coisa que me preocupa. Eu tinha um pré roteiro planejado como disse nos primeiros dias desse diário, porém, muita coisa mudou desde então. Mas vamos ver o que acontece. Sem preocupações desnecessárias. Lidar com minha ansiedade também tem sido uma tarefa, cansativa, mas necessária.
14.09.20 Segunda-Feira Muitas coisas aconteceram na última semana. Meu orientador pediu que eu realizasse as entrevistas pelo zoom, para ter maior interação com as personagens. Eu tentei, mas meu computador não gravou com uma boa qualidade, então tive de mudar de dispositivo. Fiz uma entrevista na terça feira, dia 8, estava indo tudo muitíssimo bem até que o notebook travou e eu pensei ter perdido a entrevista de 40 minutos que estava sendo gravada.
90
Graças à Deus, eu consegui achar o arquivo não convertido que havia sido salvo e não perdi a entrevista. Nessa semana tentarei decupar as entrevistas, acho que essa é a pior parte, por mais que eu goste de escrever, o fato de ter que ficar pausando um vídeo para transcrevêlo é muito cansativo, e eu estou atrasada com essa tarefa.
29.09.20 Terça-Feira Estou na etapa das decupagens, para mim é a pior parte, fico procrastinando e acabo a semana sem produzir nada. Nessa semana eu pretendo começar a edição dos vídeos e mal posso esperar para editar o documentário, não acho que será fácil, mas é algo divertido de fazer. Por enquanto estou escrevendo esse capítulo do Diário de Campo por preguiça de fazer a decupagem; tenho que produzir.
05.10.20 Segunda-Feira Meu documentário está aos poucos tomando forma. Estou num momento crítico pois as decupagens, o roteiro e a captação de material estão acontecendo simultaneamente. Algumas fontes estão demorando para enviar os termos de autorização de uso de imagem e áudio, continuo persistindo para que não esqueçam do compromisso comigo. Algumas trilhas sonoras já estão pré-selecionadas, algumas partes de entrevistas estão encaixadas no lugar (posteriormente serão realocadas, com certeza) e as decupagens dos materiais que já tenho continuam lentamente; mas continuam.
26.10.20 Segunda-Feira Para resumir a correria que foram as últimas semanas, vou começar pelas imagens. Consegui ir no centro de Itaquaquecetuba para fazer algumas imagens e acabei conseguindo entrevistar uma moradora. Nesse dia tentei ir na Secretaria de Turismo para falar com algum representante, porém, a Secretaria fechou antes do horário de almoço.
91
Na mesma semana, consegui fazer imagens da estação de trem e do parque ecológico. Comecei a organizar os arquivos no editor e enviei a primeira versão do roteiro para meu professor orientador. Após a orientação da última quinta-feira, obtive melhores noções de como fazer a abertura do documentário e na sexta entrevistei o diretor da Secretaria de Turismo e dele, consegui uma entrevista com o diretor da Secretaria de Cultura, graças ao meu pai, que conseguiu contato com o representante do turismo dois dias antes. Agora estou finalizando as decupagens das últimas entrevistas, e é correr contra o tempo, pois faltam apenas 28 dias para a entrega do trabalho.
20.11.20 Sexta-Feira Provavelmente esse será o último dia em que escrevo nesse diário, não tenho atualizado muito por conta da correria. Ontem foi minha última orientação, me senti muito emocionada pelo fato de tudo ter dado certo no final. Depois de tantos problemas com o computador, com falta de espaço nos pen drives e no Drive, com alterações no documentário, fontes que se atrasaram para entregar a autorização, o touch screen do meu celular que parou de funcionar... acho que tudo o que tinha que dar errado esse ano deu, mas nunca na minha vida eu fui tão abençoada. Me lembro que em uma das minhas orientações, quando entrei na sala de conversa, a Vanessa estava sendo orientada e estava mostrando seu documentário, isso foi numa sexta, depois da minha orientação eu fiquei desesperada porque não tinha começado a editar o meu documentário ainda e ela já estava mostrando o projeto dela. No dia seguinte comecei a edição e levei cinco dias para fazer a primeira versão do meu audiovisual. Tenho que agradecer à Vanessa depois pelo empurrão (risos), isso foi numa semana em que eu estava desanimada, sem ideias, meu roteiro estava confuso para o professor e eu não tinha muitas imagens, apenas as entrevistas. Foi o incentivo que eu precisava para começar. Teve uma época em que eu assistia o meu trabalho e ficava com raiva, estava até decorando todas as falas, não conseguia dormir por ansiedade e preocupação, minha mãe me disse para olhar pelo lado bom pois só aconteceram coisas boas, mas para
92
mim aconteceram situações muito complicadas, que me tiraram a paz (risos), mas em todas elas eu venci (nesse momento comecei a chorar enquanto escrevo). Saber que Deus fez uma pessoa tão limitada como eu ser capaz de fazer um documentário e um relatório do zero em meio a uma pandemia, sem recursos, sem equipamentos e com o computador ruim, me faz perceber o quão abençoada eu sou. Sou abençoada por ter uma família que me apoia e incentiva em tudo, por ter o Professor Antônio que muitas vezes me deixou chateada por ter que fazer alterações no meu trabalho sendo que eu dei tanto duro por ele, mas que se não fosse por ele eu não teria melhorado, pelas professoras Mirian e Rosângela que me ajudaram a definir meu tema de pesquisa no primeiro semestre e nos ajudaram (minha turma) em todo o embasamento para que esse projeto experimental fosse realizado, enfim sou grata por tudo. Terminar esse Trabalho de Conclusão de Curso me fez perceber o tanto que cresci nesse ano e com essa experiência. Eu me vi ultrapassando meus limites e enfrentando a mim mesma, meus amigos e família sabem que meu forte não é entrevistar, minha timidez atrapalha às vezes, e durante esse trabalho pensei em desistir algumas vezes por conta disso, eu me escondia atrás do celular, para mim era mais fácil ficar na minha zona de conforto, enviar as perguntas para as fontes e esperar que me mandassem os vídeos; até que meu touch screen estava com dificuldades para funcionar e eu não conseguia mais seguir com esse plano. Eu estava completamente insatisfeita comigo mesma, o jornalismo tem que mostrar diversos lados e opiniões diferentes, e eu só tinha a visão dos artistas. Houve um momento em que eu disse para mim mesma “Acsa, você precisa fazer isso, vá procurar outras personagens e faça as entrevistas pessoalmente”, eu precisava de moradores e representantes das Secretarias no meu documentário. Depois que fiz a primeira entrevista presencial, consegui mais três e ainda as imagens que faltavam, tudo em dois dias. Depois do documentário editado foi a hora de fazer a capa do dvd e a etiqueta, eu não tinha ideia nenhuma e nada que eu fazia ficava bom, então fui dormir. No dia seguinte tudo fluiu e o professor Antônio gostou do resultado. Para terminar, hoje terminei a etiqueta, estou encerrando este relatório e amanhã vou exportar o documentário e fazer o upload teste para o Youtube.
93
Aqui encerro essa jornada (que pareceu uma eternidade, mas acabou rápido demais), com muito orgulho de mim mesma, com muita esperança para o futuro da minha cidade, e com a mesma paixão pelo jornalismo que eu tinha no primeiro semestre do curso. OBRIGADA.
94
Anexos A- Arquivos
cedidos
documentário
por
Dyhogo
Arizona
para
ilustrar
95
96
B- Arquivos de domínio público extraídos do IBGE
Igreja Nossa Senhora D’Ajuda
Praça dos Expedicionários
97
Prefeitura Municipal de Itaquá
C- Arquivo de domínio público extraído do Wikipédia, com fonte do Instituto Geográfico Cartográfico
Praça central de Itaquaquecetuba
98
D- Arquivo extraído do Wikipédia, com autor desconhecido
Itaquaquecetuba antes de sua emancipação
E- Vídeo de arquivo pessoal de Gabriel Cardoso, cedido para ilustrar documentário
99
F- Vídeo de arquivo pessoal de Jaqueline Félix, cedido para ilustrar documentário