UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL CURSO DE JORNALISMO
THAYNARA BERNARDO DA SILVA
TORÇAM COMO ELAS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
SÃO PAULO - SP 2020
THAYNARA BERNARDO DA SILVA
TORÇAM COMO ELAS
Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao Curso de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como requisito para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Orientador: Prof. Me. Antonio Lucio Assiz
SÃO PAULO - SP 2020
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, por ter me dado energia e força em todos os momentos difíceis da minha vida. Agradeçço aos meus pais, Cleuza e Cariolano, que me incentivam desde o começo a não desistir dos meus sonhos, e nunca duvidaram do meu potencial, independente da profissão que eu escolhesse. Aos amigos que fiz durante a faculdade, em especial as coleguinhas mais excluídas do jornalismo, vulgo Tropa Comunicação. Saudades das nossas manhãs animadas. Grata a todas mulheres que responderam à pesquisa e todas as entrevistadas que contribuiram para a produção do documentário. Agradeço a todos os professores da Universidade Cruzeiro do Sul, que participaram para a construção da minha carreira profissional, em especial ao meu orientador, professor Antonio, que não me deixou desistir do projeto e me apoiou em todos os momentos.
FICHA TÉCNICA
Título: Torçam como Elas
Sinopse: Da saída de suas casas até chegarem aos estádios, é comum que as mulheres enfrentem uma série de desafios que fazem com que muitas desistam de acompanhar presencialmente os jogos de seus times do coração. Dirigido ao público que ama futebol, o documentário “Torçam como Elas” mostra quem são essas torcedoras, seus costumes e hábitos, e propõe uma discussão sobre a importância da mulher nas arquibancadas paulistas.
Formato: Vídeo Duração: 00:23:19 Gênero: Documentário Formato: HD
RESUMO
Este estudo tem o intuito de causar uma reflexão sobre o machismo no futebol. O documentário apresenta a história das torcedoras paulistas, buscando compreender o percurso e motivações de tornar-se torcedora, bem como a relação estabelecida entre elas com o time do coração. Além disso, as torcedoras contam os problemas que já enfrentaram ao ir pro estádio, ambiente considerado como espaço simbólico de exaltação dos atributos masculinos.O trabalho aponta as possíveis soluções para evitar o assédio e machismo nas arquibancadas, como por exemplo, os coletivos femininos criados pelas próprias torcedoras, além da campanha da Federação Paulista de Futebol para incentivar as mulheres a irem aos estádios. Palavras-chave: Torcedora, Futebol, Estádio, Assédio, Futebol paulista.
SUMÁRIO
1. Introdução................................................................................................6 2. Objetivos..................................................................................................8 2.1 Objetivo geral.....................................................................................8 2.2 Objetivo específico.............................................................................8 3. Problematização e hipóteses...................................................................9 4. Justificativa..............................................................................................10 5. Plano estratégico.....................................................................................11 5.1 Descrição do produto.........................................................................11 5.2 Estratégias para definição de Layout.................................................12 5.3 Público a ser atingido.........................................................................17 5.4 Técnicas utilizadas..............................................................................17 6. Referencial teórico....................................................................................18 7. Referências...............................................................................................22 8. Cronograma..............................................................................................24 9. Orçamento................................................................................................25
APÊNDICES A. Decupagens das entrevistas................................................................26 B. Roteiro..................................................................................................80 C. Pesquisa Google Forms.......................................................................96 D. Relatório da pesquisa..........................................................................100 E. Diário de campo...................................................................................101 F. Pautas..................................................................................................103
ANEXOS Anexo I – Fotos..........................................................................................112 Anexo II – Autorizações de imagem..........................................................122
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1. INTRODUÇÃO
O futebol é considerado um dos maiores fenômenos socioculturais presentes na nossa sociedade, considerado até como um grande espetáculo. Para Werthein (2004), ele é capaz de influenciar seus adeptos à comportamentos, valores, modos de ser e estar no mundo. Porém traz um histórico com proibições às mulheres e práticas sexistas.
Pode-se considerar que os anos de 2015 e 2016 ficaram marcados pelo avanço de engajamento e luta feminista no Brasil. Os clubes de futebol, junto com as federações que organizam os campeonatos estaduais, sempre fazem uma homenagem à suas torcedoras e campanhas contra o assédio em datas comemorativas, como o Dia Internacional da Mulher e o Dia das Mães.
Para analisar o que afasta as mulheres dos estádios em São Paulo, foi realizada uma pesquisa qualitativa no Google Forms, que obteve 218 respostas. Os números apontam que o motivo que mais desmotivam a ida delas aos jogos é o assédio. Com isso, foi produzido o documentário que aborda o sentimentos das mulheres com o clube, e algumas situações desagradáveis que as mesmas já passaram.
Para o desenvolvimento do documentário, conversamos com torcedoras dos quatro principais times paulistas: Santos Futebol Clube, São Paulo Futebol Clube, Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras. Algumas das entrevistadas, além de torcedoras são administradoras dos coletivos femininos: Bancada das Sereias, Movimento Alvinegras, São Pra Elas e VerDonnas.
Para amparar teoricamente o tema desde trabalho, foi preciso compreender como o futebol chegou no Brasil, e como ele se tornou uma das manifestações culturais mais importantes do país. Além de entender o contexto histórico que afastou as mulheres do esporte, até chegar a sua proibição, em 1941, foi preciso abranger a luta feminista, desde os primórdios.
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É importante ressaltar que este trabalho não tem a intenção de debater sobre os clubes e suas conquistas. Mas sim, conhecer as torcedoras dos quatro principais times de São Paulo, e proporcionar ao público uma reflexão sobre os problemas que rodeiam a vida dessas mulheres. [...] por medo da violência, elas costumam ir poucas vezes ao ano e evitam clássicos. “Futebol é coisa de homem” é um discurso que vem perdendo força no século XXI, porém, culturalmente associamos a ginástica artística às mulheres, tudo isso pelo discurso pregado por uma imposição sociocultural de conferir características de esportes de contato à virilidade do homem. (MELO; LIMA; CASTRO, 2019, p. 141)
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2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Este trabalho foi elaborado a fim de apresentar a importância da representatividade feminina nas arquibancadas, que com o passar do tempo vem se mostrando cada vez mais forte, através dos coletivos femininos, fundados pelas torcedoras dos times paulistas.
2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO
Trazer relatos de mulheres que estão ligadas emocionalmente à clubes de futebol, e fazer com que o público reflita e entenda que a torcedora não é objeto de embelezamento dos estádios, e muito menos vai aos estádios para arrumar um companheiro.
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3. PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES O problema de pesquisa que direciona este trabalho aborda a falta de público feminino nos estádios. Em pesquisa realizada pelo DataFolha, indica que apenas 14% do público presente nos estádios de futebol de São Paulo é feminino. Com isso, chegamos ao questionamento: O que afasta essas torcedoras dos estádios?
Para responder essa pergunta, chegamos as seguintes hipóteses: – Há uma cultura equivocada e machista que estádio não é lugar de mulher, muito por conta da violência e brigas entre torcedores, e isso acaba refletindo no conceito familiar ou social, ocasionando falta de incentivo e/ou companhia para ir aos jogos. – Segundo algumas torcedoras, o momento da revista policial na entrada dos estádios é algo bem incômodo, já que muitas precisam passar entre vários homens para conseguir chegar na revista feminina. Acontece que nesse processo alguns homens se acham no direito de assediar e até passar a mão nas torcedoras. Ou seja, o assédio está presente nos estádios e pode ser um dos principais fatores que afastam as mulheres.
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4. JUSTIFICATIVA
Nos últimos anos, a luta feminista vem crescendo cada vez mais na sociedade brasileira. A ideia de que a mulher deve ficar em casa, cuidando dos filhos, já é um pensamento retrógado e patriarcal.
No futebol, o pensamento conservador ainda é muito forte, porém a conquista delas vem quebrando esses paradigmas de que futebol é ‘coisa de homem’. Aliás, estamos no ‘país do futebol’, e obviamente ele não é constituído apenas por homens.
A escolha deste tema fundamenta-se após uma pesquisa realizada pelo Datafolha indicar que apenas 14% do público presente nos estádios de futebol em São Paulo é feminino. Um número muito abaixo do esperado.
Diante desse resultado, a Comissão de Comunicação e Marketing da Federação Paulista de Futebol (FPF) encomendou uma pesquisa junto ao Ibope/Repucom, no fim do ano passado, que ouviu três perfis de torcedoras: as que não vão aos jogos, as que costumam ir eventualmente e as frequentadoras assíduas.
O resultado identificou dois principais fatores que as afastam dos estádios: o conceito familiar de que o estádio não é lugar para mulher, e a falta de incentivo e/ou companhia para ir aos jogos. Diante desse resultado, a FPF e os clubes participantes do campeonato paulista se uniram e lançaram o movimento #ElasNoEstádio em janeiro deste ano, que visa incentivar as mulheres à frequentarem os estádios com mais segurança.
Dessa forma, o presente trabalho teve como alvo entender se esse movimento surtiu efeito no campeonato paulista de 2020 até a sua parada por conta do Covid-19. E fica uma pergunta: Como as torcedoras enxergam essa campanha futuramente?
Outro fator importante para a realização desse trabalho, é a de que as próprias torcedoras criaram os chamados, coletivos femininos, para levar cada vez mais mulheres para os estádios de futebol.
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5. PLANO ESTRATÉGICO
5.1 Descrição do Produto: O documentário televisivo “Torçam como Elas” é resultado do projeto de pesquisa sobre as torcedoras de futebol dos principais times paulistas, e faz parte dos itens obrigatórios para a obtenção do título de bacharel em jornalismo.
O nome do documentário foi escolhido em forma de inspiração de hashtags famosas
que
evidenciam
a
luta
das
mulheres,
como
por
exemplo:
#JogueComoUmaGarota, #DeixaElaTorcer.
Por conta da pandemia, o produto foi produzido de forma não convencional. As gravações presenciais foram feitas pelo celular Iphone 7, com a resolução em 4K. Porém, a resolução teve que ser diminuída para melhor edição. Já as entrevistas à distância, foram realizadas pelo aplicativo Zoom, por conta do distanciamento social.
O projeto tem a participação de nove torcedoras paulistas, que são frequentadoras de estádios e algumas já passaram por situações desconfortáveis. Para a escolha dessas personagens, foi realizada uma pesquisa qualitativa no Google Forms, onde havia um espaço específico para relato de histórias marcantes. Ao todo, obtivemos 60 respostas, e as mais marcantes foram convidadas a participar do documentário.
O produto também conta com a participação de Aline Pellegrino, que luta pela causa feminina no esporte, e é uma das embaixadoras do movimento #ElasNoEstádio.
Em pouco mais de 23 minutos, o documentário possui uma linguagem simples, para que todos os que tiverem acesso ao conteúdo, tenham fácil compreensão a mensagem transmitida.
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5.2 Estratégias para definição de layout
A vinheta foi criada com o intuito de remeter ao local exposto no documentário, já que o refletor é algo bem marcante nos estádios. A trilha sonora é o grito de guerra da torcida corinthiana, que justamente é citada na sonora anterior pela torcedora.
O gerador de caracteres (GC) foi pensado de maneira estratégica. Cada clube citado tem uma cor predominante, sendo elas: Corinthians - Preto, Palmeiras – Verde, Santos – Branco e São Paulo (Vermelho). Com isso, o retângulo utilizado teve suas cores mudadas conforme o time do coração de cada personagem. Já o GC da Aline Pellegrino não obteve o fundo retangular, pois ela está representando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Figura 1 – Pergunta da enquete, que originou a escolha das personagens
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Figura 2 – Arte Capa do DVD
Figura 3 – Arte CD
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Figura 4 – Enquadramento médio (Torcedora)
Figura 5 – Lettering
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Figura 6 – Animação GC
Figura 7 – Vídeo da Internet
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Figura 8 – Arquivo TV Globo
Figura 9 – Foto: Daniela Ramiro/ FPF
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5.3 Público a ser atingido
O documentário tem como principal público-alvo os torcedores de futebol, as mulheres que lutam pela igualdade de gênero no esporte. Além de jornalistas e estudantes que queiram se aprofundar nesse tema.
5.4 Técnicas utilizadas
Para a produção do documentário, primeiramente foram feitas pesquisas sobre o preconceito que as mulheres sofrem no meio futebolístico, seja como jogadora ou torcedora. Com a pesquisa mais afunilada, foi realizada uma enquete no Google Forms com torcedoras dos quatro clubes de São Paulo.
Para obter um número maior de respostas, foi feito contato com as administradoras dos coletivos femininos Bancada das Sereias, Movimento Alvinegras, São Pra Elas e VerDonnas, que compartilharam a enquete em seus grupos de torcedoras.
Em seguida, foi feito colhimento das histórias mais marcantes e então a realização das entrevistas com nove torcedoras, entre elas as próprias administradoras dos coletivos.
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6. REFERENCIAL TEÓRICO
Para darmos embasamento teórico a este trabalho, se fez necessário primeiramente compreender como o futebol chegou no Brasil, e o afastamento das mulheres no esporte. Com isso, é preciso analisarmos as lutas feministas e o porquê das mulheres serem colocadas em segundo plano, na sociedade.
Futebol no Brasil Segundo registros da época, Charles Miller – brasileiro que estudou na Inglaterra – trouxe na sua volta ao Brasil, duas bolas, um par de chuteiras, uniformes usados e algumas regras anotadas. Sendo ele o primeiro brasileiro a ter contato com o esporte, em 1894, Miller ficou conhecido como o pai do futebol, e seu grande sonho era tornar o esporte uma paixão nacional. Mesmo com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 1888, os preconceitos raciais e sociais continuavam a existir no mundo futebolístico. Desde que começou a ser disputado por aqui, o futebol vetou velada e até explicitamente a participação de negros e pobres em suas equipes. Os clubes que não impediam a associação das chamadas “pessoas de cor” ou então de operários em seus estatutos cobravam valores impensáveis a essas classes, o que acabava por impedir a indesejada presença em seus quadros sociais.(TREVISAN, 2019, p.15)
Porém, não demorou muito para o esporte inglês se tornar popular por aqui. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, houve um grande aumento de clubes formados pelas classes excluídas da elite, como negros e operários.
Exclusão da mulher na esfera pública
Segundo Witter (1990), a partir do momento em que o futebol começou a ser praticado pela população negra e classes populares, a participação feminina nos estádios foi apagada, com a justificativa de que “Filhas de boa família não devem se misturar com jogadores de futebol” (WITTER, 1990, p.58). Dessa forma, as belas moças que sempre assistiam seus pares dentro das quatro linhas, foram excluídas e ficaram cada vez mais distantes da esfera pública.
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Susan Moller Okin é considerada uma das filósofas políticas mais importantes do Ocidente, e ela faz uma referência sobre o “Público x Privado” ser o “Público x Doméstico”. Sendo assim, partindo do ponto em que as mulheres eram excluídas da esfera pública, elas tinham que, em sua essência, fazer parte apenas da esfera privada, que consistia em cuidar dos filhos, casa e marido. Os homens são vistos como, sobretudo, ligados às ocupações da esfera da vida econômica e política e respondáveis por elas, enquanto as mulheres seriam responsáveis pelas ocupações da esfera privada da domesticidade e reprodução. As mulheres têm sido vistas como “naturalmente” inadequadas à esfera pública, dependentes dos homens e subordinadas à família. (OKIN, 2008, p.307).
O que é Feminismo?
Em todas as sociedades patriarcais existe o feminismo, que nada mais é que a rejeição da supremacia masculina sobre o feminino e sua cultura, além da luta pelos direitos da mulher. Feminismo não é, portanto, um programa de conteúdo fixo, mas uma atitude: feministas, tanto mulheres quanto homens, consideram a distinção entre os sexos um instrumento de análise importante sem o qual não é possível compreender processos e relações sociais. E, em seu ativismo, eles se orientam pelo critério da liberdade feminina, pois a liberdade das mulheres tem em si um valor que não precisa ser justificado. (SCHRUPP, 2019, p.5)
O Feminismo busca romper os padrões tradicionais, acabando com a opressão sofrida pelas mulheres. Há uma teoria que divide o feminismo em três ondas, cada qual marcada por suas conquistas e interesses.
Ondas Feministas
A primeira onda feminista ocorreu ainda na Revolução Francesa, em 1789. A princípio, essa fase inicial do feminismo buscava a igualdade de direitos entre homens e mulheres, por meio da educação e igualdade no casamento. Na época, as mulheres reinvindicavam teoricamente e ativamente, porém ainda eram exclusas de documentos oficiais.
A pensadora Olympe de Gouges foi uma das feministas mais fortes da época,
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pois além de escrever documentos sobre os direitos das mulheres e cidadãs (em contra-proposta do 1º documento oficial pós revolução), ela ainda buscava o direito de participar, direta e indiretamente, das formulações de leis.
O sufrágio foi um movimento que teve início na Inglaterra, por conta da rejeição do governo de conceder o voto feminino. No início, o movimento das sufragistas era feito de forma pacífica. Porém, essas mulheres começaram a ser ridicularizadas pelos homens e o movimento perdeu força. As sufragistas argumentavam que as vidas das mulheres não melhorariam até que os políticos tivessem de prestar contas a um eleitorado feminino. Acreditavam que as muitas desigualdades legais, econômicas e educacionais com que se confrontavam jamais seriam corrigidas, enquanto não tivessem o direito de voto. A luta pelo direito de voto era, portanto, um meio para atingir um fim. (ABREU, 2002, p.460).
Entre os anos de 1960 e 1980, perante a lei, havia igualdade entre homens e mulheres, mas na prática não era bem assim. Como resultado, deu início a segunda onda feminista, para compreender o por quê da submissão das mulheres. A pergunta “O que é ser mulher?” encabeçou esse movimento, e uma das pensadoras que ajudou a solucionar essa questão foi Simone de Beauvoir (1980), com sua obra “O Segundo Sexo”.
Simone acreditava que a gestação e amamentação eram culturalmente relacionadas a funções inferiores e que a mulher não era o “segundo sexo” por razões naturais, e sim por uma série de processos históricos e sociais que criaram essa situação, entre eles o androcentrismo. Hoje, graças às conquistas do feminismo, torna-se dia a dia mais normal encorajá-las a estudar, a praticar esportes; mas perdoam-lhe mais que ao menino o fato de malograr; tornam-lhe mais difícil o êxito, exigindo dela outro tipo de realização: querem, pelo menos, que ela seja também uma mulher, que não perca sua feminilidade” (BEAUVOIR. 1980, p. 23).
O androcentrismo é algo muito presente no futebol, muito por conta da contrução social de que o esporte é algo violento.
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[...] apesar da adoção de posicionamentos para a desconstrução do machismo no cenário desportivo, mulheres ainda têm que lidar com a constante desconfiança por parte dos demais torcedores e até de seus próprios clubes do coração com relação ao seu conhecimento esportivo e ao seu potencial de consumo, respectivamente (MELO; LIMA; CASTRO, 2019, p.142)
A falta de visibilidade do futebol feminino e a proibição às mulheres da prática esportiva durante 38 anos, podem ser fatores que corroboram para tal preconceito.
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7. REFERÊNCIAS
ABREU, Maria Zina, Gonçalves. Luta das Mulheres pelo Direito de Voto. In: COLLING, Ana Maria; TEDESCHI, Losandro Antonio. Dicionário Crítico de Gênero. Ponto Delgada: Revista da Universidade dos Açores, 2ª série, VI, 2002. Disponível em: https://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/380. Acesso em 18 nov. 2020. BARRETO, Soraya. Mulheres no Campo: O Ethos da Torcedora Pernambucana. Recife: [s.e.], 2019. BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo. 01. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. BOARETO, Luiza. TORCEDORAS: mulher, estádio e futebol. 2020. (21m32s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R0ry6YR9oRA&list=PLFpUPxrF8i6Qt8_qBZcb5s zkGgSJFdndP&index=3. Acesso em12 jul. 2020. BORA PENSAR. Pílula Filosófica #13 | Esfera Pública. 2020. (11m25s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IMWB5lsI5Fo. Acesso em: 16 nov. 2020. DALBEM, Alexia. O jogo virou. Medium, 8 set. 2020. Disponível em: https://medium.com/@alexiadalbem/o-jogo-virou-936cd9679fa1. Acesso em: 10 out. 2020. FRASER, Nancy. Rethinking the public sphere: a contribution to the critique of actually existing democracy. London: MIT Press, 1992. LUGAR de mulher. Globo Esporte. São Paulo: Rede Globo, 08 março de 2019. Programa de TV. 14 min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=S8g5qh7st2Y. Acesso em 18 jan. 2020. MELO, Gabriela Lohana; LIMA, Lerynda; CASTRO, Paloma. Consumo delas: a presença nos estádios da torcida feminina dos três clubes da capital pernambucana. Elas e o Futebol. Pernambuco: Xeroca!, 2019. Disponível em: https://issuu.com/editoraxeroca/docs/elas_e_o_futebol. Acesso em 30 out. 2020. OKIN, Susan. Gênero, o público e o privado. In: Revista Estudos Feministas, (v16, n. 2), 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104026X2008000200002&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 12 nov. 2020. PASSAFARO, Natália. Assédio, estrutura precária e insegurança afastam mulheres de estádios. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 fev. 2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2020/02/assedio-estrutura-precaria-einseguranca-afastam-mulheres-de-estadios.shtml. Acesso em 20 mar. 2020. PIRES, Breiller. Objetificação de torcedoras em programa esportivo une clubes rivais contra assédio. El País, São Paulo, 22 fev. 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/22/deportes/1519339859_874629.html.
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Acesso em 13 mar. 2020. SCARELLIS, Renata.Do salto alto ao bandeirão: a relação entre as torcedoras mulheres e os clubes de futebol. 2012. 102 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Relações Públicas). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: https://pt.slideshare.net/renata_scarellis/tcc-renata-scarellis. Acesso em 27 mar. 2020. SE LIGA NESSA HISTÓRIA. Ondas feministas | História e vertentes do feminismo. 2018. (30m31s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zGHdDnKw8Cc&t=1314s. Acesso em 19 nov. 2020. SE LIGA NESSA HISTÓRIA. Simone de Beauvoir | O segundo sexo e a condição da mulher. 2018. (31m42s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zhaq6AqeS_o&t=1234s. Acesso em 19 nov. 2020. SICREDI, Paulistão. Por público feminino, FPF e clubes lançam movimento #ElasNoEstádio. 2020. (03m05s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PvLw35CYfgg. Acesso em 22 mar. 2020. SCHRUPP, Antje. Uma breve história do feminismo no contexto euro-americano. São Paulo: Blucher, 2019. TREVISAN, Márcio. A história do futebol para quem tem pressa. São Paulo: Valentina, 2019. WITTEKIND, Milena. Empoderamento Feminino: Estudo de manifestações feministas nas redes sociais por meio de hashtags. 2016. Monografia (Bacharel em Jornalismo) – Curso de Jornalismo – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Ijuí, 2016. Disponível em: https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/bitstream/handle/123456789/4139/Milena %20Wittekind.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 19 nov. 2020. WITTER, José Sebastião. O que é futebol. São Paulo: Brasiliense, 1990.
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8. CRONOGRAMA 1º Semestre de 2020 – Projeto de Pesquisa
Atividade
JAN FEV
MAR
ABR
MAI
Levantamento de referências
X
X
X
X
Fichamento de referências
X
X
X
X
Leitura dos principais teóricos
X
X
Redação do Projeto de Pesquisa
X
X
Contato com possiveis fontes
X
Entrega do Projeto de Pesquisa
JUN
X
X X
Fonte: Elaborado pelo autor. 2º Semestre de 2020 –Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica
Atividade
JUL
AG O
Contato com fontes
X
X
Gravação de entrevistas Roteiro Edição
X
SET
OUT
NO V
X X
X X
X
Design da Capa
X
Relatório
X
Revisão
X
Entrega
X
Banca Fonte: Elaborado pelo autor.
DEZ
X
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9. ORÇAMENTO
ITEM
VALOR
Transporte
R$ 127,55
Alimentação
R$ 13,67
Impressão
R$ 20
Gráfica
R$ 123
TOTAL
R$ 284,22
26
APÊNDICES A. Decupagens das entrevistas
TC IN 0’51”
TC OUT 2’16”
2’22”
2’42”
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (ALINE PELLEGRINO) ASSUNTO/ PERGUNTA DECUPAGEM DE ÁUDIO O que é #ElasNoEstádio?
o Então, o #ElasNoEstádio é foi uma campanha da Federação Paulista de Futebol junto com os 16 clubes da série A1. Foi montado um grupo de marketing pra discutir entre os clubes ali ações porque acabava cada um encabeçando na mesma competição uma pauta, aí ficavam coisas que, é importantes mas que acabavam perdendo forças né, porque cada um tava falando de uma coisa diferente, e aí criou esse grupo de marketing, e dentro desse grupo aí de todos os participantes da série A1, chegou-se a no tema de falar sobre a questão das mulheres no estádio. Então foi algo que foi construído da Federação naquele momento, junto com os 16 clubes. E aí veio essa campanha #ElasNoEstádio, então entendendo que a presença da mulher nos estádios não é um número alto, e principalmente a partir daí tentando buscar as respostas do porquê. Então foi contratado ali dois grupos de pesquisa, então fizeram essas entrevistas com essas mulheres, então foi algo bem específico mesmo pra chegar no tema, e obviamente que daí cada um, dentro do tema geral, fosse desmembrar especificamente com o seu torcedor, com a sua torcida, a característica do clube ali. Como os clubes reagiram Acho que reagiram muito bem, foi com a proposta desse como eu falei, foi algo criado por todos projeto? então não foi algo ali definido pela Federação, existiam várias possibilidades, e os 16 clubes e a Federação chegaram nesse tema
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2’55”
4’05”
4’13”
6’14”
então entendo é que pra todos é algo importante, é algo relevante a ser tratado, discutido, melhorado. E os Coletivos Eu acho que algumas inclusive Femininos? Como chegaram a participar dessa pesquisa, reagiram? dessas entrevistas. Há 1 ano antes, no Dia Internacional da Mulher inclusive, de 2019. Aí uma coisa mais específica do Departamento de Futebol Feminino, a gente fez um seminário que discutiu o espaço das mulheres no futebol. E a Verdonnas tava lá, o...esqueci como é o nome certinho do Corinthians. Bom tava ali os grupos das quatro torcidas né, nesse debate discutindo, então foi muito interessante porque essa rivalidade toda que tem nas torcidas, partindo do cenário masculino, no futebol feminino não tem, elas conversam muito, entendem que cada uma tem um time, mas que nenhum dos quatro grupos conseguem torcer e se dedicar como gostariam pelo fato de serem mulheres de estarem ocupando esse espaço, então foi um debate muito legal que aconteceu praticamente um ano antes, e depois, um ano depois vem essa campanha encabeçada ainda mais forte realmente pela Federação como um todo e os 16 clubes da série A1. ‘Como surgiu a ideia da Eu acho que foi bem bacana né, seletiva de imprensa? obviamente a Federação acaba interferindo um pouco mais, porque o lançamento oficial partiria da Federação, aí cada clube desmembrar ali, desdobrar a campanha então foi algo construído ali com o departamento de comunicação, de marketing, ali junto né: Aline vem cá, o que você acha? E aí é o tipo de coisa que eu adoro né, eu acho que a gente pra algumas coisas quando nos da a possibilidade de construir algo bacana e gerar uma provocação, um impacto no sentido que foi criado pela Federação. Porque quando tem as coletivas ou qualquer pauta, então você convida todo mundo ali, e aí meio
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7’03”
7’30”
7’55”
8’37”
Pós-pandemia, campanha continua?
que se segue esse padrão, e na hora de fazer essa coletiva pro lançamento da campanha, tinha ali né, não em letras garrafais, mas tava ali bem determinado que a preferência era para os veículos darem preferencias para as mulheres. Então alguns trouxeram, outros tinham homens e mulheres, e aí outros só mandaram os homens. Aí pra quem só mandou os homens, ficou ali do lado de fora. Então tinha um espaço ali, o auditório da Federação é na parte de cima, e no rol ali, no salão nobre, tinha o suporte de televisões tudo, então você ouvia o que tava acontecendo ali dentro, mas eles não poderiam estar ali dentro. As meninas das torcidas foram convidadas, estavam sentadas ali na primeira fila. Participou da coletiva eu e a Laura, Laura Zalo, que é a coordenadora de marketing do Botafogo. E eu acho que foi muito bacana assim, eu acho que essa campanha nunca ninguém vai sentir o que a gente passa na pele ao não ser convidada a ir ao estádio, ou a hora que está ali não se sente confortável, mas minimamente a gente tentou replicar isso para aqueles repórteres e jornalistas homens que foram barrados ali no momento de subir para a coletiva. E aí no dia coletiva participou de forma oficial, eu ali representando a Federação, e a Laura Louzago, a coordenadora de marketing do Botafogo de São Paulo, então acho que foi bem bacana, as meninas da torcida estavam ali na primeira fila, e só repórteres e jornalistas mulheres ali participando. Um ou outro do pessoal lá da câmera, que eram homens, mas assim exceção! Éramos 95% de mulheres na coletiva. a Então, nesse período ainda teve a minha mudança aí da Federação pra CBF, então eu estou aí desde o começo de setembro, 1 mêszinho aqui na CBF, então não estou tão por
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8’54”
10’01” Atualmente, como Coordenadora de Competições Femininas da CBF, você pensa em incorporar a campanha para o Brasil inteiro?
10’11” 10’46” Com essa campanha, se a mulher for assediada, o que ela deve fazer?
dentro da continuidade da Federação, mas esse grupo que foi formado lá, com os coordenadores, com os coordenadores de marketing, é algo que vai ficar pra todas as edições, então imagino que de fato foi uma campanha que ela começou e não conseguiu terminar, então entendo que deveriam continuar mas não posso dizer agora como é que vai ser, eu precisaria saber certinho deles ali, como que vai ser o desdobramento pro ano que vem. A hora principalmente que tiver as torcidas. Eu acho que, agora aumenta muito o desafio né, são vários aspectos e aí eu acho que na Federação eu fiquei por 4 anos e a gente foi avançando né, em várias frentes, então é importante como tem outras coisas que são importantes, e é difícil nesse momento que eu tô chegando agora falar isso é importante mais do que aquilo, e tudo é importante, mas eu acho que as coisas vão acontecer gradativamente, assim como eu fui na Federação, e acho que a Aline entende todas essas demandas, e a Confederação também Então eu acho que todas as oportunidades que a gente tiver pra avançar, quando a gente fala do futebol feminino, do futebol das mulheres. A gente tá falando das torcedoras, das árbitras, das repórteres, de todo mundo então a gente precisa avançar como um todo, então é com certeza algo que está no nosso radar, a gente precisa equilibrar todas as demandas de importância. E na Federação aconteceu ali vai, não depois de 4 anos, aconteceu acho que no momento certo, no momento que tinha que acontecer. Acredito muito nisso também, então aqui tenho certeza que as coisas não serão diferentes, a gente vai caminhando aí, pode ter certeza. No caso da campanha, do #ElasNoEstadio, passaria a ter ali dentro do estádio já, um local para
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essa denúncia, e a campanha também indicava todos os canais possíveis, pra que se fizesse essa denúncia, então eu acho que isso de uma certa forma você ter isso já dentro do estádio esse primeiro local de atendimento, então isso era algo ali como bem importante, além dos canais, da própria Federação, dos clubes com a ouvidoria, para que as denúncias sejam feitas, é extremamente importante que sejam feitas. 10’52” 12’31” Na sua opinião, o que A pesquisa mostrou que tem aí uma afasta as mulheres do questão mesmo, social no sentido de estádio? não somos nem convidadas sabe? As pessoas realmente dentro da nossa sociedade entendem que aquele espaço não é das mulheres, então isso é algo que chamou bastante atenção ali na época, é de que assim: estamos em uma roda de amigos, vai ter jogo, começa 16h daqui a pouco, tá todo mundo almoçando, e 14h todos os homens levantam da mesa e se convidam vamos todos para o futebol, e a gente não é perguntada se a gente gostaria de ir ou não. Então tem uma restrição social muito forte né, uma barreira muito forte. Seja do amigo pra amiga, do pai pra filha, do esposo pra esposa, e assim, criou-se uma cultura de que aquele espaço não é da mulher então isso chamou bastante atenção, obviamente que isso está atrelado a outras questões. Então porque as pessoas ou a sociedade acha que não é, ah porque é violento, mas não deveria ser violento nem para homens nem pra mulheres. Ah porque a estrutura do banheiro não é boa, não deveria ser, deveria ser boa tanto para homens quanto pra mulheres e não achar que por isso a gente não poderia estar lá. Mas para mulher não é tão seguro! E são várias coisas ali que na verdade a gente nem pode partir dessa premissa, porque não deveria acontecer pra nenhum tipo de torcedor, que quer ir pro estádio, que
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12’41” 13’49” Você acredita que a proibição da mulher no esporte ainda reflete nos dias de hoje?
13’58” 14’43” E qual seria o futuro ideal para a torcedora?
tá pagando o seu ingresso pra ver um espetáculo. Mas essa questão foi bem importante, foi bem uma restrição social mesmo imposta pela sociedade, a ponto de não sermos convidadas a estrem ali, não nos consideram naquele espaço. Influenciou muito, nos trouxe aí um atraso minimamente, no papel 40 anos. A gente não consegue estipular o quanto isso de atraso trouxe, de uma forma geral. Se os 40 anos de prática, no calendário atrasou 40, 50, 60 anos, não dá pra saber. Então essa proibição reforçou essa restrição social acontecesse, é se reforçasse. Mas é algo que a gente precisa trabalhar e avançar, e acho que pensando né mais especificamente na proibição das mulheres de jogarem o futebol oficialmente, pós os 40 anos de proibição, e acho que a gente avançou muito, e aí a gente tem que avançar e entender que uma mulher não queria estar na torcida porque não podia jogar, não queria ser árbitra porque queria jogar, não queria ser técnica. Então a gente tá nesse processo de mudança, e eu acho que nesse sentido a gente avançou muito, não só como atleta, como técnica, como árbitra, como repórter, jornalistas, mas a gente precisa avançar muito mais. Acho que a gente entrou na direção correta né, e agora a gente precisa caminhar. Que a hora que ela quisesse ir sozinha, sem estar acompanhada fosse bem recebida, que ela tivesse uma estrutura que a acolhesse, ela se sentisse representada, que ela vai sair dali e vai voltar novamente seja com amigo, com amiga, com marido, com filha. Então eu acho que o mundo ideal é a hora que essa mulher consegue viver plenamente o futebol aonde ela quiser, seja no campo, na arquibancada, dentro de campo como árbitra, fora de campo como técnica, e que ela vá no jogo que é 3 horas da
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tarde, 10 horas da noite, que ela consiga ir em segurança, que ela consiga voltar em segurança. Que elas voltem, que elas sempre voltem. Que ela vá para ter uma primeira experiência, e essa experiência seja plena para que ela volte sempre.
TC TC IN OUT 0’06’’ 0’16’’
0’20’’ 0’34’’
0’37’’ 0’58’’
1’03’’ 1’36’’
1’44”
2’19”
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (AUANNY ARAUJO) ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO PERGUNTA A quanto tempo você “Desde sempre! Desde quando eu era torce pro Corinthians? pequena eu acompanhei o Corinthians com meu pai, o meu pai é corintiano, e desde sempre! Nunca torci pra outro time” O que é o Corinthians “Olha, essa é uma resposta bem difícil de pra você? dar, porque acho que não tem explicação, é só você sentindo mesmo, é como se fosse uma parte de mim, é uma parte de mim” Como que começou “Olha, eu não lembro exatamente, mas eu essa paixão? lembro que eu sempre assistia jogo com meu pai, eu e meu pai tem essa conexão né, eu ia pra casa dele, a gente não mora junto, nunca morou, então todo final de semana eu ia pra casa dele, e sempre tinha jogo, então ele sempre assistia e eu tava lá com ele” Como foi a primeira vez “Nossa, foi indescritível! Eu lembro que no estádio? eu chorei, porque não tem como explicar, é uma paixão que não explica, você só tá lá e você fica nossa eu consegui! Era meu objetivo, porque eu fui a primeira vez eu acho que em 2016 ou 2017, não lembro, e eu sempre quis, mas aí quando eu tive oportunidade, eu fui e foi incrível” Você se priva de ir “Olha, hoje não, mas já! E também maquiada ou com shorts quando eu vou eu escuto bastante por conta do assédio? comentários de homens, os comentários de sempre não sei o que não sei o que lá aí você fica: nossa, você veio aqui pra assistir o jogo ou pra olhar pra minha roupa? Mas hoje não. Eu não gosto de ir maquiada, mas isso é uma questão minha, mas com roupa eu evito, mas quando tá calor eu vou de short, de
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0’10”
1’18”
Briga com torcedor que xingou bandeirinha
1’22”
1’34”
Você faz parte do Movimento Alvinegras?
1’37”
2’15”
E qual sua opinião sobre esses movimentos que incentivam a mulher ir pro estádio?
2’23”
2’51”
Você vê que o Corinthians tem um relacionamento próximo com vocês torcedoras?
chinelo, mas na maioria das vezes eu vou de calça e de tênis” “Foi horrível! A gente tava lá, assistindo o jogo. E sempre quando essas coisas ocorrem, é em um setor específico, onde ficam os homens de classe média, e que se acham superiores a tudo. Ai eu tava assistindo o jogo, e a bandeirinha ficava bem em frente a gente, eu não lembro o lance, mas acho que ela deu impedimento uma coisa assim, e ele começou a xingar ela de vagabunda de várias coisas e eu fiquei nervosa, aí eu comecei a falar pra ele: NÃO XINGA ELA, NÃO TEM MOTIVO PRA XINGAR ELA! Aí ele falou ah mas se fosse homem eu também xingaria, aí eu mentira, você não ia xingar! Aí a gente ficou lá discutindo um tempão, e foi isso. Foi horrível mas, nossa eu não medi as palavras, ele ainda deu uma abaixada na bola, porque como ele tava com várias outras pessoas, eu também tentei apartar logo, porque nunca se sabe o que eles podem fazer né” “Eu não faço parte efetivamente, mas assim eu to no grupo das meninas, eu nunca participei de nenhum evento delas, e nunca fui num jogo, eu acompanho” “Eu acho que é importante, porque a gente não vê nenhum dos clubes fazendo campanha, agora tem, mas antes não tinha nenhuma campanha que incentivasse a mulher porque eles acham, ELES acham que mulheres não gostam de futebol, não entendem de futebol ou só vão pro estádio pra agradar um homem. Eu acho o movimento importante pra incluir as mulheres e mostrar que sim, a gente gosta de futebol, a gente vai porque gosta, não por algum motivo secundário” “Agora, com o movimento alvinegras a gente teve mais destaque com o clube, mas antes não tinha, eu não via, eram poucas as coisas. Mas agora, tanto o Corinthians quanto os outros clubes começaram a se conscientizar que as mulheres também fazem parte do time, e na maioria das vezes, a grande parte da torcida são mulheres”
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3’07”
4’38”
4’44”
5’17”
0’07”
1’01”
Falta de produtos “Não, não tem. Até porque tem os licenciados femininos patrocinadores, porque os patrocinadores muitas das vezes não pensam, eles acham que é um produto que a gente não vai consumir, mas é mentira porque já tem relatos que a gente consome bastante os produtos dos clubes, mas é um pensamento machista deles e eles acham que a gente não vai consumir os produtos, e eu sinto bastante falta, não pra mim porque eu não uso muito produtos femininos, por conta do meu tamanho, na maioria das vezes não cabe, mas pelas outras meninas. Eu sempre vejo minhas amigas reclamando porque tem que comprar camisa masculina pequena, porque não tem a feminina. Teve até uma época, eu não lembro quando fui, mas que teve uma movimentação pro Corinthians fazer a camisa feminina de um ano X porque eles não iriam fazer. Eles fizeram a masculina e disseram: a feminina nós não vamos fazer porque não tem público pra atingir, aí a gente falou como assim? A gente fez uma movimentação, eu não lembro, mas eles decidiram fazer as camisetas” #ElasNoEstádio “Eu achei bem legal, eu acho que é importante não só a Federação, mas os clubes também, o futebol em si enxergarem as mulheres, não só na parte da torcida mas também na parte do esporte mesmo, porque a gente vê que o futebol feminino, todo esporte feminino não é tão valorizado quanto o masculino, e eu acho que essa iniciativa é uma motivação pra gente que não tem costume...” CONTINUA VIDEO 4 “Então, eu acho importante pra incentivar não só a torcida feminina, mas também o esporte em si, na parte do feminino não é tão valorizado quanto o masculino, eu acho que essa iniciativa é uma motivação pra gente consumir o esporte feminino, e tanto a torcida feminina quanto a masculina, consumir o esporte e continuar na luta pra gente conseguir alcançar os espaços que a gente quer, e é isso que a gente quer na verdade, ser vista como um torcedor normal, e não
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1’07”
1’40”
Onde vocês chegar?
1’53”
2’16”
Você acha que a imprensa tem sua parcela de culpa por não trazer a mulher como sua telespectadora?
TC IN 0’04’’
TC OUT 0’08’’
querem
como uma torcedora mulher etc etc, pelo nosso clube e não por qualquer outro motivo” “Eu acho que é só isso, todos nos veem como torcedoras, e não qualquer outra coisa. A gente só quer ir lá ficar brava igual, torcer igual, abraçar igual, como todos os homens fazem e é normal, é uma coisa normal” “Eu acho que sim, com toda certeza! Eu acho que eles fazem isso pra...não sei te dizer...pra atingir o público masculino, porque quando eles objetificam uma mulher, é pra atingir o público masculino
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (BIANCA ARAUJO) ASSUNTO/ PERGUNTA DECUPAGEM DE ÁUDIO
Há quanto tempo você “Desde que eu me entendo por gente torce pro Corinthians? eu torço pro Corinthians, desde sempre” 0’11’’ 0’33’’ O que é o Corinthians pra “É muito difícil falar o que é pra mim você? sabe? É tudo, saindo um pouco do clichê, falando ai é minha vida, é meu amor, eu acho que o Corinthians é tipo um refúgio, sabe, ir pro estádio é uma maneira que eu tenho de me desligar do mundo, e me conectar só com aquilo, só com o jogo, só com o campo, só com a torcida, é isso” 0’36’’ 0’57’’ Como começou essa “O meu pai, quando eu era criança, era paixão por futebol? aquela coisa de pai né, coloca camisa, incentiva. Mas a família da minha mãe é muito fanática, meu tio, meus primos eles sempre foram muito pro estádio, sempre jogaram, então acho que a convivência me fez virar louca pelo Corinthians, fanática por futebol, e a paixão só foi crescendo no decorrer dos anos” 01’05’’ 02’11’’ Pai conservador “Meu pai, quando eu era criança, me incentivava muito, igual eu falei, aquela coisa coloca roupinha de criança, mas conforme você vai crescendo, acaba ficando opa, pera aí né. Eu sempre pedia pra ele me levar no estádio, mas era aquela coisa ah,
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02’16’’ 03’04’’ Como foi a primeira vez no estádio?
03’10’’ 03’50’’ Você se priva de ir maquiada ou com determinado tipo de roupa, por ser um ambiente predominante masculino?
criança não pode, mulher não pode ir no estádio e não sei o que. Quando eu tinha 17 anos eu resolvi ir sozinha, falei vou, ganhei ingresso dos meus amigos, falei vou vou vou, falei pra minha mãe e fui. Quando eu tava no meio do caminho, meu pai acabou descobrindo, que a minha mãe falou, e aí ele me ligou volta pra casa agora, se você pisar nesse estádio, você não entra mais em casa, e aquela história toda, e eu não sabia o que fazer e acabei voltando pra casa né, e chorava horrores, nossa acho que eu nunca chorei tanto na minha vida. Aí depois, 1 ano depois, eu tava namorando, aí meu namorado na época me levou, no meu primeiro jogo no estádio, e a partir de então eu nunca mais parei de ir, eu vou em quase todos os jogos, eu vou sempre, ele ainda não gosta muito, reclama que eu to no estádio etc, mas ele sabe que agora não tem o que fazer, eu vou de qualquer jeito” “Eu chorei horrores, eu chorei muito, eu fui de Sul, eu não tinha ido ainda na Gaviões, mesmo assim a emoção era muito grande. Foi um empate, não foi vitória, mas mesmo assim eu ficava meu deus do céu, eu não acredito que eu to aqui. Eu olhava ao redor, a torcida toda gritando, pulando, eu chorei muito, eu lembro como se fosse hoje, ó to até arrepiada, incrível, a sensação foi única. Nossa foi perfeito, eu demorei pra ir, mas depois...Foi na Arena, a primeira vez foi na Arena, aí depois fui no Pacaembu. O que eu mais vou é na Arena porque agora a gente só vai na Arena né. Os planos pra esse ano era ir em algum jogo fora, mas infelizmente não deu certo” “Maquiada não, mas eu evito, quando eu não vou com o grupo de amigos, eu evito de ir com camisetas que tenham meu nome atrás, porque eu já fui uma vez, escrito Bianca né, aí começaram a falar aí Bia, não sei o que Bia, sabe, coisa de homem mexendo, aí eu fiquei
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03’55’’ 04’53’’ Movimento Alvinegras
05’08’’ 05’40’’ #ElasNoEstádio
bastante preocupada nesse dia, porque eu tava sozinha, não tava com meus amigos ainda, e eu nunca mais fui com a camiseta que tenha meu nome, pelo menos não quando eu to sozinha, assim quando eu vou encontrar alguns amigos lá, e no meio do caminho eu possa encontrar alguma Organizada, então nunca quando eu vou daqui de Ribeirão pra lá eu vou com a camisa que tem meu nome” “Eu não faço parte, mas eu conheço todas as adms etc, eu ajudo quando dá, eu não sou adm, mas eu sempre vou com as meninas, conheço todas, encontro algumas delas que nunca foram pra gente poder ir junta pro estádio Isso, a gente tem vários grupos, do ABC, de São Paulo mesmo. As meninas sempre perguntam se alguém vai sozinha, aí como eu vou sempre eu falo ó eu vou passar na estação tal horário, se você quiser ir comigo a gente se encontra e vai todo mundo junto, ou então a gente tem vários pontos de encontro, tanto na Arena quanto nas estações próximas da Arena, então quando alguma menina vai chegar lá sozinha a gente fala ó tem um grupo aqui na estação de Artur Alvim, tem aqui na estação de Itaquera, tem perto do telão da Arena, quando tem alguma perdida dentro do estádio. Então a gente sempre usa os grupos pra se comunicar e ver se tem alguém sozinho pra não fica, sem ninguém” “Eu acho perfeito, eu acho que hoje a torcida do Corinthians, a maioria a gente vê nas pesquisas, é de mulher, e no estádio a gente ainda não vê esse reflexo, ainda que a quantidade seja muito grande de mulheres hoje no estádio, não chega nem perto do número de homens né, então eu acho que quanto mais incentivo a gente tiver, melhor porque, lugar de mulher é no estádio, é em qualquer lugar, a
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gente tem que ir mesmo, sozinha, com amigo, com pai, com qualquer um gente. Eu acho que a gente tem que ir mesmo” 05’51’’ 06’15’’ Movimento “A gente fica todo mundo ligado lá no Alvinegras na Pandemia grupo, comentando aí esse lance não, faz isso, faz aquilo, gol, então todo jogo a gente se reúne, as meninas postam lá pra interagir no instagram, acaba tendo live também, então tá todo mundo separado, mas tá junto né. Foi uma maneira que a gente achou pra continuar torcendo, continuar apoiando o time mesmo com essa situação que a gente tá passando hoje” 06’26’’ 07’53’’ Futuro do “O reconhecimento do clube eu acho Movimento que o movimento alvinegras tem bastante ultimamente, porque eles repostam. Mas eu acho que é muito além de postar no instagram, eu acho que é incentivar, falar não gente, vamos, e por mais que tenha todo esse incentivo nas redes sociais, as mulheres ainda sofrem nos estádios, então você vai em uma torcida organizada, você sofre porque você tá com uma blusa diferente porque você não sabia, que sei lá, a Gaviões é mar negro, e aí a mulher ah é mulher, com certeza não sabe né, e não, qualquer pessoa poderia chegar lá de uma vez e pode não saber disso, sabe? Então sofre por ah não sabe falar de futebol, ah me fala a escalação (clássica) ah você ta aqui no meio da Gaviões, tá aqui na Norte, o que que você veio fazer na Norte, me fala aí quem que vai jogar hoje, qual a escalação do Corinthians, então você sempre arruma uma dessas né: você no meio de uma Organizada? Você vai aguentar o ‘Poropopó’? Claro que não, claro que não vai! Então sempre tem dessas sabe? Então eu acho que tem o incentivo, das redes sociais tem tudo, mas eu acho que quando a gente pisa no estádio, a história é completamente diferente, sempre houve uma piadinha aqui, uma
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piadinha ali, um comentário tosco, então precisa mudar bastante, e é o que você falou, é a igualdade porque gente, mulher homem...é esporte, todo mundo apoia, todo mundo é torcedor, então eu acho que todo mundo tem que ser tratado igual, sem esse lance de piadinha que a gente tem sofrido” 08’02’’ 08’41’’ Apoio da Torcida “Eu acho que demonstrar apoio assim, Organizada eu nunca vi, em rede social igual a gente tem com o Corinthians etc, mas grande parte da torcida eu acredito que eles super apoiam, tem muita mulher na Gaviões, são atitudes isoladas sabe? Daqueles que se acham mais torcedores do que os outros etc. Então são sempre pessoas que, pra mim, não é torcedor sabe? Porque torcedor você apoia todo mundo, então tá todo mundo junto, mais melhor, e tá todo mundo ali torcendo pro seu time é igual etc. Essas pessoas pra mim não são torcedores, nem sei o que sabe, mas torcedor não é” ‘
TC IN 0’11”
TC OUT 0’29”
0’34”
0’49”
0’54”
1’21”
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (BRUNA GUSMÃO) ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO PERGUNTA Há quanto tempo você Olha, eu acho que desde sempre, eu torce pro São Paulo? não tenho uma data, um ano, mas desde que eu me recordo eu sou torcedora do São Paulo. Meu pai é, então eu fui criada torcendo pro São Paulo. O que é o São Paulo pra Ah, o São Paulo pra mim é a paixão né. você? Eu paro tudo que eu estou fazendo, se tem jogo durante o expediente eu fico com o celular ali do lado...o São Paulo realmente é a paixão. Quando que começou Eu me lembro que teve, assim eu esse amor por futebol? sempre fui torcedora do São Paulo e o que me marcou muito foi aquele jogo da Libertadores em 2005, eu tenho 25 anos, mas o que realmente mudou foi o jogo da libertadores em 2005, que o São
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1’43”
2’09”
Você já sofreu assédio, machismo, ou já duvidaram do seu amor pelo São Paulo por você ser mulher?
2’13”
3’24”
Como surgiu o São Pra Elas?
3’35”
4’28”
Depois desse episódio (camisetas) vocês notaram alguma aproximação do São Paulo?
Paulo foi campeão em cima do...até esqueci o nome do time... Ah sim, é comum né, isso acontece bastante por você ser mulher, e você ter, e você ser recriminada por essa paixão. Então quando você tá torcendo, ou num bar junto com os amigos, você não é levada a sério, só porque você é mulher né, então isso infelizmente acontece bastante. O São Pra Elas surgiu em 2017, em 2017, no final de 2017, quando a antiga fornecedora do São Paulo né, a de camisetas, não fabricava nenhum uniforme feminino, então a gente não tinhas as camisetas de jogos lá do São Paulo, e surgiu com a ideia no twitter né, só uma hashtag, pra antiga fornecedora começar a fazer, a fabricar os uniformes, e a partir daí eles começaram a fazer né, o São Paulo viu essa hashtag, teve muita visibilidade, o São Paulo entrou em contato com a gente e eles começaram a fornecer as camisas femininas. E aí a gente viu que não era só isso né, tinha tantas coisas pendentes, outras meninas nos procuraram pra saber como fazia pra ir no Morumbi com a gente assistir o jogo, então a gente viu que não era só as camisetas que faltavam, então a gente firmou realmente né, na época a gente era são-paulinas uniformizadas, e com o tempo a gente amadureceu a ideia né, realmente viramos um Movimento, e nós estamos aí com o Movimento São Pra Elas. Olha, é muito difícil você falar, mas assim é vem conquistando um espaço né, realmente antes a gente se sentia um pouco excluída, se sentia muito não fazendo parte daquilo né. E aos poucos o São Paulo vem melhorando, vem notando o público feminino, óbvio que ainda tem muita coisa pra mudar, tem muita melhorar, mas assim o São Paulo tem se preocupado, mas a gente sabe que ainda tem muita coisa a fazer né, a gente sabe que é um lado histórico né, a mulher não é vista, ainda mais no
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4’42”
5’23”
A Torcida Organizada já demonstrou apoio ao movimento de vocês?
5’41”
6’28”
Como está sendo o São Pra Elas durante a pandemia?
6’40”
7’22”
O que o São Pra Elas acharam do #ElasNoEstadio?
meio do futebol, que é muito machista né, então é por isso que a gente tá aí acompanhando, cobrando o São Paulo, cobrando imprensa, enfim. Então, tem conhecimento sim, mas nós mesmas do Movimento não queremos essa proximidade com a torcida, porque a gente fala que a torcida é a torcida, e a gente é um movimento, totalmente diferente ali. A gente já chegou sim a conversar com os líderes da Independente, já fizemos reuniões com eles, pra gente realmente mostrar o porque da gente tá ali, o que nós somos, o que nós queremos né, mas assim é uma coisa totalmente diferente, a gente não quer se vincular a torcida. A gente quer mostrar que a gente torce pro São Paulo, e que a gente tem uma luta por trás disso, é defender o espaço da mulher dentro do futebol. É, antes né, quando teve a pausa do futebol, a gente tava realmente, o grupo tava bem parado, a gente tava até falando um pouco de outros esportes né, porque realmente foi um período bem difícil, mas assim que voltou o futebol, os grupos já começaram a deslanchar né, hoje a gente tem quatro grupos no whatsapp, e todos eles bem cheios, e a gente conversou bastante, aí no primeiro jogo da volta que foi contra o Paulista, a gente fez uma live com as meninas, entraram várias meninas, a gente colocou pra assistir o jogo lá também, e foi bem legal. Fora isso a gente tá sempre conversando nos grupos, ontem mesmo a gente o jogo do São Paulo conta o River, e óbvio a gente tava xingando bastante, torcendo bastante, então é bem legal isso. A gente até chegou a participar desse movimento tá, a gente foi convidada, eles chamaram a gente, aí a gente foi pra lá. É importante ver que a gente atingiu uma visibilidade boa, se você for ver foi a Federação Paulista de Futebol, viu a necessidade, viu que é um meio muito carente, que a gente não tem nada, e fez um evento pra demonstrar
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7’30”
8’03”
Como que foi esse dia?
8’13”
9’28”
E aonde torcedora chegar?
9’33”
10’17” Na sua opinião, o que afasta a mulher do estádio?
vocês querem
isso né, então é foi muito legal, a gente sempre apoia esse tipo de ação, e a gente sempre gosta de participar, a gente se dá sempre ao máximo pra participar dessa ações, porque a gente vê como muito importante. A gente recebeu esse convite por email, a Federação mandou o e-mail pra gente, e pediu que uma ou duas participantes fossem pra participar desse evento né, então a gente mandou duas representantes do movimento, e não só do São Paulo, teve do Santos, do Corinthians e do Palmeiras. Como a gente é bem próxima, a gente até fala que nós somos as rivais mais unidas do Brasil, então a gente acabou indo lá, conversando, foi bem legal. Acho que sempre vai existir, a gente não pensa em acabar o movimento, mesmo a gente atingindo os objetivos, as metas, mas nesse momento a gente vê o Movimento São Pra elas como um ponto, realmente um ponto de encontro, né onde a gente pode ter o máximo de mulheres, que realmente são apaixonadas por futebol, são realmente apaixonadas pelo São Paulo, e que não se sentem acolhidas, então a gente sente muito isso. As meninas procuram o movimento, pra se sentirem acolhidas, pra se sentir parte daquele momento né, sentir parte daquele grupo, daquele jogo que é importante, então hoje o nosso objetivo é trazer o máximo de mulheres que não se sentem acolhidas, que não se sentem suficientes no futebol, pra que lá no movimento elas se sintam a vontade pra torcer, e que esse tabu de mulher não poder gostar de futebol seja realmente só mais um tabu, pra que ele seja quebrado. Tá, é a gente infelizmente viu muitas e muitas matérias sobre o machismo no futebol, sobre violência, e isso acaba afastando né, e não só isso. Você imagina assim: no trajeto de você da sua casa, até o estádio, você está com a camisa do seu time e um shorts, meu é...você sofre assédio da porta da sua
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10’24” 11’06” Você se priva de ir com alguma roupa por conta do assédio?
11’15” 11’33”
TC TC IN OUT 0’05” 0’08” 0’12” 0’20” 0’24” 0’33”
0’38” 0’58”
E você já sofreu assédio depois que deixou isso de lado?
casa, até a porta do estádio, então começa muito antes né, começa você saindo de casa, por ser mulher e estar com a camisa do seu time, você já sofre o assédio, então é isso que a gente tem tentado mudar né, essa visão. Não mais, mas confesso que já deixei de ir pro estádio de short, porque era desconfortável né, mas ai você diz: você nunca foi assediada por um homem dessa maneira...Não, mas eu já vi relatos de mulheres que já foram assediadas diversas vezes, e eu não quero passar por essa situação, pra mim era desconfortável essa situação. Mas ai eu parei de me privar, parei de pensar nisso e assim, por quê não né? Por que eu não posso ir de short por estádio, assistir o jogo que eu gosto né, então é mais por isso. Não, não de forma tão direta...mas acontece sempre de só você sair com a camisa do seu time, você escuta piadinhas né, do tipo ah por você eu virava são-paulino, então tem essas piadas que a gente infelizmente se acostuma de ouvir né.
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (ESTHER SANTANA) ASSUNTO/ PERGUNTA DECUPAGEM DE ÁUDIO “Ah desde pequenininha, desde que eu nasci” “É o meu ponto de paz, as vezes me estressa? Às vezes me estressa! Mas é meu ponto de paz” Como que começou essa “Meu pai me incentivou, meu pai me paixão? levava nos jogos, e aí ele parou de me levar e eu continuei indo, foi incentivo dele” E como foi sua primeira “Ah eu fiquei com medo né, porque eu fui ida ao estádio? sozinha...Não, na verdade a primeira vez eu que fui eu era pequenininha, foi em 2003, Santos e Boca Juniors, então eu não lembro muito assim, eu lembro da torcida chorando obviamente porque o Santos perdeu naquele dia, mas não A quanto tempo você torce pro Santos? O que é o Santos pra você?
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1’07” 1’24”
E qual jogo mais te marcou? E qual é a sensação de estar lá junto com a torcida?
1’30” 2’05”
Você se priva de ir maquiada, ou com alguma roupa por conta do assédio? Você já foi assediada no estádio?
2’13” 2’33”
Como surgiu a ideia de criar o movimento Bancada das Sereias?
2’44” 3’00”
Vocês tem proximidade com as meninas do São Pra Elas, Alvinegras e Verdonnas?
3’05” 3’21”
Que ações são essas?
3’29” 3’43”
Como vocês se sentiram dando entrevista pra Globo?
4’02” 4’16”
O Santos peca em falta de produtos licenciados para as mulheres?
lembro muito bem. Meu pai falava não, fica tranquila...essas coisas acontecem.” “aí eu amo, eu esqueço todos os problemas quanto eu estou na arquibancada, quando eu tô com o pessoal...é maravilhoso! O jogo que mais me marcou foi o da Libertadores de 2011, que o Santos...a final. Maquiada não, mas com determinados tipos de roupa sim. Shorts eu até vou, mas tem que estar muito calor. Saia nem pensar! Nas idas pro estádio já! A gente sempre escuta aqueles comentários constrangedor, parece que mulher é um produto, é horrível a sensação. “Então, nós estávamos reunidas em um grupo de WhatsApp de umas amigas que são santistas, e a gente tava falando nossa, iria ser mil vezes melhor a gente conseguir reunir um número maior de garotas pra poder ir nos jogos e se reunir pra assistir...aí surgiu a ideia, a gente começou a organizar isso e surgiu a Bancada” Temos, a gente tem até grupo no WhatsApp juntas. A gente, as vezes a gente quer fazer ações juntas, agora não tá dando, mas a gente tinha umas coisas programadas pra fazer juntas esse ano. Só não deu certo por causa do Corona, mas de resto a gente tem bastante proximidade, conversa bastante” A gente pensou em fazer agora um FutChurras. Reunir as meninas, jogar um futebol, comer churrasco. Já tivemos ações juntas, teve entrevista com a Globo juntas. Ai foi maravilhoso, foi uma sensação incrível porque a gente nunca imaginava passar na Globo. A gente passou duas vezes no Globo Esporte e uma vez no Jornal Nacional. Foi incrível! Peca, eu acho que peca porque a questão de uma parte da feminina é muito limitada, é muito limitada, você não tem muita opção de escolha. Sem contar que quando você vai comprar, não tem nem seu tamanho ali.
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4’30” 4’53”
5’00” 5’03”
5’20” 5’43”
TC IN 0’27’’
0’44’’ 0’57’’
O que você achou do Aí eu gostei bastante, deu pra gente ter #ElasNoEstadio? um pouquinho mais de espaço né, porque é uma coisa, a questão de assédio, essas coisas é uma coisa que dificulta muito pra gente, a gente não tem voz pra falar no estádio. E ter sido chamada pela Federação, pra conversar sobre isso, pra saber que eles estão escutando a gente foi espetacular. Agora com a ida da Aline Creio que sim, creio que sim! A Aline é pra CBF, você acredita uma pessoa espetacular. que o movimento vai crescer ainda mais? Aonde vocês querem O futuro ideal é a gente poder ir pro chegar? Qual o futuro estádio em paz né, com a roupa que a ideal? gente quiser, da forma que a gente quiser, ser respeitada porque a gente respeita, o que precisamos é de respeito e é isso. Eu sei que falta muito pra chegar nessa questão, mas o ideal é que nós podemos ir pro estádio e ser respeitada, ter o nosso espaço sem ser invadido.
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (LARISSA BOTELHO – VERDONNAS) TC ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO OUT PERGUNTA 0’39’’ Há quanto tempo “Não sei, eu torço pro Palmeiras desde que você torce para o eu nasci praticamente, meu pai é muito Palmeiras? palmeirense né, então eu já nasci palmeirense mesmo sem saber que eu era palmeirense ou não era palmeirense” Seu pai sempre te “Sim, meu pai sempre me apoiou, meu pai apoiou? foi o que mais me incentivou a gostar de futebol”. 1’38’’ “Na verdade, eu entendi que meu pai gostava de futebol, muito pequena, eu devia ter uns 3, 4 anos. Meu pai é taxista, então ele nunca tá em casa, ele sempre tá trabalhando. Então quando eu era pequena eu falei ‘Puts, meu pai fica pouco tempo em casa, e o pouco tempo que ele fica, ele fica assistindo TV, assistindo futebol. Será que se eu gostar desse negócio eu vou ter alguma coisa a mais pra falar com meu pai? ’. Aí no final das contas foi isso que me fez gostar de futebol, meu pai é palmeirense, então obviamente eu
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1’48’’
2’41’’
2’48’’
4’20’’
tendi a gostar do palmeiras né. E aí hoje eu e meu pai vamos pro estádio juntos desde que eu tinha 5 anos de idade”. O que sentiu ao ir ao “Eu não tenho muita lembrança viva do estádio pela primeira jogo né, óbvio porque eu gostava mas meu vez? conhecimento técnico, tático ou qualquer outra coisa era mínimo, eu era uma bebê. Mas eu tenho uma lembrança muito viva da torcida sabe? Dos gritos, eu lembro das músicas, tanto que tem músicas que eu escuto no estádio hoje, que eu brinco com meus pais que essa música eu cantava quando eu era pequena no estádio. Mas uma das lembranças mais vivas que eu tenho são dos bandeirões, que naquela época desciam os bandeirões no estádio inteiro, e eu lembro que tinha um cheiro muito ruim né que aquele tecido fica guardado, toma chuva e aí de quem tentasse tirar o negócio que eu tava segurando na minha mão, que eu era pequenininha, ficava brava se tirasse o negócio da minha mão”. O que é o Palmeiras “Aí o Palmeiras pra mim é família, é pra você? amizade, como diz a música ‘Palmeiras minha vida é você’. Porque a grande maioria das minhas relações têm o Palmeiras em torno. Meu pai, minha família quase toda aqui de São Paulo é palmeirense, meus tios...então eu cresci em um ambiente muito ligado ao Palmeiras, e meu pai é uma pessoa extremamente apaixonada pelo Palmeiras, ele tem um respeito muito grande pela instituição, e ele passou isso pra mim. E por exemplo, um dos meus sobrenomes é Botelho, um dos grandes ídolos do Palmeiras é o Julinho Botelho, então é uma representatividade que quando eu era pequena eu fala “UAL”. Então basicamente o Palmeiras pra mim é a alegria, às vezes a tristeza, na minha vida. Então é uma das melhores coisas que eu tenho, criei muitas amizades por conta do Palmeiras, eu tenho um vínculo emocional muito grande, o Palmeiras é amor, família, eu não sei definir, é uma coisa muito intangível, eu não consigo achar uma palavra que eu consiga definir muito bem”.
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4’44’’
7’11’’
7’00’’
surgiu “Eu sou adm do Verdonnas hoje, mas eu não tava quando ele foi criado, eu entrei uns meses depois. Eu tava no dia 1 no grupo geral, e não na adm. Mas o Verdonnas surgiu naquele episódio no metrô, quando duas palmeirenses encontraram a torcida do Corinthians, elas estavam assistindo o jogo num bar, e tava tendo jogo aqui em São Paulo do Corinthians, o Palmeiras jogou fora. E elas acabaram sendo agredidas dentro do metrô, aí as meninas tiveram a ideia ‘poxa, por que não a gente não cria um grupo pra expor essa situação né, que não é confortável, não é de hoje que acontece, não é só com rival, acontece também com torcedor da nossa própria torcida, e criaram o Verdonnas. Eu abracei desde o dia 1, mesmo não estando na adm, e isso foi um debate no twitter: ‘vamo criar um grupo?’ ‘vamo!’ e criaram o grupo. Algumas meninas que tem mais amizade, se conhece da arquibancada mesmo, e elas criaram esse grupo e virou o que é hoje né, talvez elas não tinham nem noção, nem imaginavam que teria a dimensão que tem hoje e o engraçado é que uma ou duas semanas antes, eu Larissa, mesmo não estando na adm, passei por um momento horrível no estádio, e fez com que (não que eu não soubesse que acontecesse né) mas esse episódio me fez abraçar com todas as forças o Verdonnas desde o início, mesmo não estando na adm, e mesmo com tanto tempo de estádio, a situação me fez enxergar o quanto a gente precisa de voz, amparo de outras pessoas, o quanto a gente precisa falar né, o simples fato de ter com quem falar já é confortante, você já se sente abraçada por outras pessoas”. 10’34’’ Sobre o episódio. “Eu tava com a minha mãe e com meu namorado no estádio, era Palmeiras e Corinthians em 2018, e eu tava assistindo o jogo no anel superior do Allianz Parque, na primeira fileira, não sei se você já foi, mas lá tem um vidro nas primeiras fileiras, então assim quem tá na primeira e segunda fileira tem a visão cortada pelo vidro, quando bate sol, você não consegue Como Verdonnas?
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enxergar. Eu tenho 1,63, eu tava em pé, a pessoa que tava atrás de mim na segunda fileira era um homem, com certeza mais alto que eu e ainda tava em um nível mais acima, e assim era um clássico, tava todo mundo em pé, ninguém senta em Palmeiras e Corinthians. Alguns setores sentam né, lá tem setores mais elitizados, que realmente as pessoas sentam, então se você tá em pé, você é o diferente, você acaba ‘atrapalhando’ o ingresso é mais caro, enfim, ai é outra postura, é como se fosse à parte. Mas tudo bem, eu tava em pé, no alto do meu 1,63, aí o cara que tava atrás de mim falou ‘senta aí’ e sempre acompanhado de um palavrão né, nada de ‘senta aí fofa, por favor minha querida’. Eu tava ignorando, mas teve uma hora que eu perdi a linha e falei ‘eu não vou sentar, ponto’. ‘não que você tem que sentar, tá me atrapalhando, que não sei o que’. Aí ele me chamou de filha da puta, de vagabunda, aí minha mãe tava comigo, minha mãe tomou as dores e disse ‘você respeita a minha filha, ela não é filha da puta, eu não sou puta’. Então o cara ele meio que fechou a mão, não sei se ele teria coragem de bater na minha mãe, mas ele fechou a mão assim, com ódio, e eu disse: ‘se você encostar um dedo na minha mãe eu vou arrebentar a sua cara’. Aí meu sangue subiu assim, no final minha mãe saiu dali e foi chamar a polícia, meu namorado foi atrás pra ver o que ia acontecer com minha mãe, ficou com medo, e eu fiquei ali sozinha, e todo mundo que tava na minha volta me xingando de vagabunda, que eu não deveria estar ali, que o cara realmente tinha que ter me dado um soco pra eu cair ali e morrer, não voltar pro estádio, e tipo eu tava errada? O cara me xingou, me ameaçou, levantou a mão pra mim não né, tava certo. Minha mãe voltou com a polícia, tiraram o cara de lá, e quando tiraram o cara de lá, começaram a hostilizar meu namorado: ‘seu pau mandado, você foi atrás da polícia com essas duas vagabundas, que não sei o que’, aí meu namorado disse: ‘vocês queriam o que? Que eu deixasse o cara
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10’37’’
11’15’’
12’29’’
13’59’’
bater nelas? ’. Aí o policial virou pros caras e disse: ‘vocês querem ir junto? ’. Aí como o ambiente estava muito hostil o policial disse que precisava mudar a gente de lugar, aí a gente desceu pro setor que fica todo mundo sentado, porque lá em cima realmente não tinha como ficar, tanto pra mim quanto para as pessoas ruins que estavam me xingando”. 11’02’’ Tinha mulher “Não, até tinha mulher, mas quem tava me xingando? xingando eram uns 3, 4 homens”. E detalhe, eu sempre ia naquele setor, eu sempre via aqueles caras 12’12’’ Quem quiser entrar “A gente tem os grupos no whatsapp né, o no Verdonnas grupo não tem como pedir pra entrar, então a gente pede que a pessoa entre em contato com a gente pelo facebook, twitter ou instagram e por lá a gente consegue enviar o link pra pessoa entrar no grupo. Nós temos 4 grupos, acho que um só ta lotado, o resto tá quase lotado. Então são quase 800 meninas, no whatsapp, fora os números das outras redes sociais né, o twitter tem quase 5 mil seguidores ou mais, não to falando besteira. Então a gente tem canal aberto pra mandar dm no twitter, direct no instagram, inbox no facebook, aí a gente consegue enviar o link pro grupo do whatsapp.” 13’36’’ Apoio das Torcidas “Boa pergunta, na verdade a gente não Organizadas tem nenhum contato com nenhumas das torcidas organizadas, algumas das meninas dos grupos mesmo fazem parte, na grande maioria das vezes, da manchaverde né. Eu realmente não sei responder essa pergunta porque eu não sei a opinião deles quanto a isso, a gente nunca teve contato com nenhuma torcida organizada, mas também nunca ouvi relatos que eles tenham algum posicionamento contra, isso eu acho que consigo afirmar, mas eu não tenho muita certeza. Até porque a gente sempre fala que o Verdonnas é um movimento, não somos uma torcida organizada, a nossa finalidade é completamente alheia a torcida organizada, só não sabemos a opinião deles para com o Verdonnas.” 16’35’’ #ElasNoEstádio “Eu achei legal que quando eles fizeram a campanha #ElasNoEstádio eles nos
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16’54’’ 20’00’’
Verdonnas na pandemia
chamaram, a Federação Paulista nos chamou, assim como chamou as meninas do Santos, do Corinthians e do São Paulo. Eu achei essa questão muito bacana porque a Aline Pellegrino ela é mulher né, então é ela quem fez essa campanha, então ela teve toda essa carga de colocar os homens pra fora, foi incrível, a sacada dela foi perfeita, eu achei maravilhoso. Mas eu vou ser bem sincera, no estádio a vida continua sabe? Muitas vezes óbvio que causa um reboliço, a gente escuta: ‘a mais isso é mimimi’ sempre tem, na própria página do Verdonnas, a gente posta e comentam ‘a mais isso é frescura, é mimimi’ já ouvi muita mulher também:’eu vou no estádio há 30 anos e nunca aconteceu nada comigo’ beleza, ótimo. Eu também ia há sei lá 15 e nunca tinha acontecido comigo, aconteceu. Não é que acontece em todo jogo, em todo setor...Mas acho que é importante, essa chamada de atenção que a Aline conseguiu, mesmo que seja uma atenção negativa, é necessário. É importante a gente fazer barulho, porque se a gente não faz barulho, não sai do lugar né. O barulho precisa acontecer para as pessoas saberem o que acontece. Mas eu não consegui sentir ainda, até porque ainda não deu né, a pandemia não deixou, de fato uma diferença. Mas eu Larissa, a única vez que tive problema no estádio foi essa situação, e uma outra porque eu xinguei o Lucas Lima, e o cara achou que o Lucas Lima não deveria ser xingado, mas há controvérsias né, tem a opinião de cada um, e o cara não respeitou eu dar minha opinião ali em um lugar que todo mundo dá né, mas foi uma coisinha mais tranquila ali, eu xinguei o cara, o cara me xingou e não teve nada muito mais sério. “Na pandemia tá bem complicado, eu confesso pra você, principalmente pra gerar conteúdo. Agora tá tendo jogo né, mas pra ser bem sincera a gente perdeu o ritmo de conhecer o nosso público na internet, porque o instagram mesmo ele é muito crítico com o algoritmo dele, então ele requer uma constância muito grande, e
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como na pandemia a gente ficou sem nenhum tipo de conteúdo, até porque o que a gente vai postar? As vezes uma coisa que a gente posta pode ser sensível pra alguém, a gente tem todo esse cuidado pra não ser polêmica, não trazer essa visibilidade negativa pra página, mais do que a gente já tem de certa forma (ai a frescura, o movimento político), óbvio que o Verdonnas é um movimento que não dá pra se isentar da parte política infelizmente, a gente tentou mas não dá. Ou você concorda com algumas coisas, você não concorda né, não tem como concordar e discordar, senão não casa. Então a gente acabou ficando sem conteúdo durante a pandemia, agora que os jogos voltaram a gente tentou retomar, postar foto, bastante difícil, porque por exemplo, a gente não consegue criar uma sala de zoom pra assistirem juntas porque são muitas pessoas, imagina 800 pessoas em uma sala de zoom, falando, muitas não vão desligar o microfone, enfim iria virar uma baderna. Mas nos dias de jogo, os grupos são bem mais movimentados do que em um dia normal. Elas falam, elas trocam mensagens do jogo, comemora gol, comemora título, agora a gente ganhou né o Paulista, então foi bem bacana, ganhamos em cima do nosso maior rival né, isso não tem preço, é muito bom zoar rival, é maravilhoso. Então elas dão uma animada, de resto não dá pra assistir jogo junto, o nosso conteúdo de pós jogo sempre era foram assistir o jogo no estádio com a família ou com as amigas, então a gente acabou perdendo esse conteúdo né, então fica bem difícil criar pra página né, mas a interação continua assim, as meninas falam de assuntos diversos, o grupo não é mais sobre o Palmeiras, sobre meninas palmeirenses que querem ir pro estádio juntas, o grupo é outra coisa, já é amigas que conversam ali todo dia.” 20’10’’ 21’18’’ Você já se privou de “Não eu nunca me privei, mas eu sempre usar determinada falo que eu estou coberta por uma bolha de roupa no estádio? privilégio. Eu sempre fui com meu pai, eu sempre fui de carro, então a minha
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realidade não é a mesma de quem pega transporte público, de quem quer ir sozinha, então eu Larissa nunca precisei fazer isso, porque eu tava com meu pai né, meu pai é grandão, é homem né, não é uma mulher sozinha, então eu, na minha bolha de privilégios não, mas eu já ouvi meninas que deixavam de vestir um shorts no jogo, porque sempre tem algum comentário né, alguma gracinha. Homens né, não vou generalizar, mas eles não perdem a oportunidade de fazer esse tipo de comentário sem graça né, o estádio não é o único lugar que isso acontece.” 21’41’’ 25’23’’ Você acha que os “Eu acho que não, até porque minha mãe seguranças ajudam que foi atrás da polícia, no estádio sempre mesmo? tem aquelas pessoas da organização né, que seriam as pessoas que deveriam chegar e ‘pessoal da uma segurada’. Na situação, você não tem que sentar, no ingresso não tá escrito que você tem que sentar e ver o jogo os 90 minutos sentada, não tem, mas por exemplo eu fiquei em pé ali, e na parte do vidro não pode ficar em pé apoiado no vidro, então direto alguém da organização chega e fala pro pessoal ‘afasta do vidro, é perigoso, pode quebrar, pode ficar em pé, mas não apoiado’. Mas nessa situação que aconteceu comigo, tinha uma pessoa da organização lá e ela simplesmente fez a egípcia né, e fingiu que não estava acontecendo nada. Então eu não acho que o estádio esteja preparado para amparar a torcedora, que sofre algum tipo de preconceito, sofre algum tipo de violência, porque violência não é só física, verbal também é uma violência, então eu não acredito que seja um ambiente que esteja preparado, mas eu sempre falo que aqui em São Paulo, a gente está coberto por uma bolha de privilégios, por exemplo: Se a gente for comparar um estádio do nível do Allianz Parque, que tem banheiro feminino, tem revista feminina, não precisa nem ir muito longe, o Pacaembu é um estádio que não é tão bem preparado assim, quanto o Allianz Parque. A gente participou de uma entrevista das mulheres em março na Globo, eu não sabia as outras torcidas que iriam participar, mas a
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gente participou junto com o Movimento Coralinas, que é do Santa Cruz, e as meninas dizendo que não tem acesso à banheiro, o banheiro delas é uma foça literalmente, isso quando os caras não entram no banheiro feminino. Então assim, a gente briga pelas pessoas que são babacas, lá elas brigam por muito mais, pelo mínimo, que é um banheiro pra elas irem, imagina você fica lá quase 2h sem poder ir no banheiro, então assim não a questão de segurança, a infraestrutura do Allianz Parque é igual tanto para o público masculino, quanto para o público feminino. O Pacaembu é banheiro químico, eu adoro o Pacaembu, adoro assistir jogos lá, acho que lá tem aquele ar de futebol, aquela coisa raiz, aquilo ali você não vai encontrar no Allianz Parque nunca, mas a gente tem alguns confortos que a gente não tem no Pacaembu. Aí você pensa, nossa no Pacaembu é banheiro químico, imagina pras meninas lá do nordeste que não tem nem um banheiro químico, elas tem uma foça.” 25’44’’ 30’30’’ Você vê proximidade “Não! O Palmeiras sabe que a gente do Palmeiras com o existe, não tem como não saber, hoje em Verdonnas? dia, tendo em vista que eles tem uma equipe de marketing, que a gente passou na Globo duas vezes, já deu entrevista pra N lugares, então não tem como o pessoal não saber, até porque vincula o nome do Palmeiras ‘a as torcedoras do Palmeiras, as torcedoras palmeirenses’, então eles acabam vendo. Por exemplo, o Palmeiras Tour segue o Verdonnas no instagram, o Avanti já chamou uma das nossas adm, a Tainá Shimoda pra fazer o comercial de agora do Avanti o Verde e une a gente, e eu achei bacana porque eles chamaram a Tainá, e ela tem descendência asiática, acho que foi bem bacana pra trazer essa mistura racial, pra desmistificar essa coisa de agora que o Palmeiras é de nazista, pra tirar isso. Porque o Palmeiras é um time de operário, se você for pegar a história, o Palmeiras foi criado pelos operários italianos, eles eram oprimidos pela alta sociedade paulistana, que não aceitava
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que os italianinhos, que eram operários jogassem futebol, que era o esporte da alta sociedade na época. Então eles pegando alguém de descendência asiática, outra chamaram uma menininha que viralizou cantando o hino do Palmeiras, conheci a família dela, uma fofa, e essa é uma experiência do Verdonnas que eu acho incrível, e chamaram ela pra participar também, e ela é uma menina negra, do cabelo black, então eu achei bacana trazer criança, uma mulher, criança, negra pra transportar a mensagem do Avanti, pra transportar a mensagem do Palmeiras. Então a Taina foi através do Verdonnas, a Tainá tem uma outra página que se chama Base Palestrina, que basicamente sobre o futebol feminino do Palmeiras, então eu acho bem legal porque a Tainá tem esse contato muito forte com o futebol feminino né, que também não adianta nada a gente falar do Verdonnas, falar do feminismo, falar de tudo, e não dar visibilidade pro time feminino que a gente tem hoje, mesmo que obrigatoriamente, a gente tem em casa o que a gente não tinha se a gente não desse visibilidade. Então a Tainá ela sempre ta nos jogos, tem um contato mais próximo com o pessoal do time feminino. Mas o Palmeiras, chegar e falar ‘puts, quais são as dores de vocês?’ quanto torcedoras né ‘o que vocês acham que a gente deveria circular nas nossas redes sociais’ . Até porque o torcedor tem essa coisa de ‘puts, se o Palmeiras falou então melhor, faz sentido’, se o Verdonnas falar ‘não, cala boca, vocês estão com frescura’ , mas se o Palmeiras falar vão falar, vão pensar né ‘puts, verdade, faz sentido, realmente a gente tem que fazer tal coisa’. Não todo mundo né, não to dizendo que todo mundo seja massa de manobra, mas a gente teria um respaldo maior com o Palmeiras falando do que só com as meninas daqui que vão pro estádio falando. Mas ainda não aconteceu, eu espero que aconteça, torço muito pra que isso aconteça, porque a gente não quer nada né, a gente só quer torcer como qualquer outra pessoa, então eu acho que
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se o Palmeiras passa essa mensagem, assim como eles estão querendo passar na propaganda do Avanti, chamando a Tainá, chamando a Nicoly, chamando outras pessoas, chamaram um casal de deficientes, dois irmãos meninos que gostam de futebol, então eu acho que se o Palmeiras passar essa mensagem fica mais fácil da torcida engolir, mais fácil da torcida digerir essa informação de que ‘puts realmente mulher gosta de futebol, mulher gosta de futebol não só pra arrumar namorado, não só pra ir lá no estádio atrás de homem, não só porque tá lá com o namorado né, puts to indo pro estádio porque meu namorado me chamou né, tô indo porque meu pai me chamou, to indo pra acompanhar meu pai, não ela pode estar lá porque ela quer, não só pra ser acompanhante’.” 31’04’’ 33’47’’ Falta de produtos “Acho que as discussões das camisas femininos oficiais do femininas elas vão acontecer em todos Palmeiras times. O Palmeiras trocou de fornecedora de material esportivo a pouco tempo, pouco não, já tem quase 2 anos, foi a Puma. Na Adidas, enquanto as camisas de jogo, a reclamação era ‘são muito decotadas’, eu Larissa gostava, não porque nossa era super decotada, mas era uma camiseta porque não era uma camiseta de fato de jogo, até porque a gente não tinha um time feminino né, então era uma camiseta de torcedora, uma camiseta babylook feminina. Agora com a entrada da Puma, entrou também o time feminino, então as camisas femininas de agora são camisas de jogo, elas tem uma modelagem para que as jogadoras possam jogar. Não é que eu não gosto, é que a camiseta tem a gola muito alta, eu tenho o ombro largo, mas enfim, é uma opinião pessoal Larrisa, mas a maioria das meninas reclamavam do decote, principalmente quem tem os seios muito grandes, ai a camiseta fica aparecendo muito e tal, ou a menina era um pouco mais gorda ne, aí ela a mas a camisa GG não me serve tenho que comprar uma camisa masculina, e camisa de treino não tem feminina, camisa de goleiro não tem
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33’54’’ 35’05’’ Você acredita que seja uma miopia mercadológica que os outros times têm?
38’35’’ 38’58’’ Valores diferenciados sóciotorcedor
para
39’18’’ 40’28’’ Se tivesse esse desconto pra mulher, haveria mais sócias?
feminina, moletom agora tem moletom feminino, desde que a Puma entrou a gente tem, não é aquele unissex, realmente é feminino, mas é casual, aquela linha de treino/ viagem, é só masculino. O que vai ter feminino é camiseta né, porque tem que ter né. As meninas do futebol feminino provavelmente usam o moletom, a camisa de goleiro elas devem usar uma masculina tamanho pequeno talvez, mas pra torcedora não chega. No caso das jogadoras eu acho que usam, não sei se de fato elas usam. Pra torcedora não chega,não tem a gente tem a primeira, segunda, terceira camisa e a linha casual.” “Eu acho que é, até porque tem mercado, as mulheres têm poder aquisitivo pra comprar, então por exemplo, tem a calça de moletom, mas eu não vou comprar porque não tem meu tamanho, eu sou pequenininha, eu vou comprar uma calça P masculina vai ficar gigante, eu vou ter que fazer barra, vou ter que fazer isso aquilo, então eu não compro. Mas tem mercado. Não acredito que seja só uma miopia, e sim uma ‘burrice’, porque você fechar um mercado, que você poderia lucrar com isso, é rentável. Então eu não vou fazer 50 mil unidades igual eu faço do masculino, mas sei lá, faz 1000 unidades, vê se vende, faz um teste, talvez tenha um retorno financeiro. Até porque isso não é nenhuma caridade, o time não me da a camisa, eu compro, então se não tem eu não vou comprar mas se tiver talvez eu compre.” “No Palmeiras é igual, tanto mulher quanto homem pagam o mesmo valor, a única diferença são os planos né, e as vantagens que você tem em relação a esses planos né, não tem essa diferença de gênero, hoje eu não sou mais, mas eu já fui sóciotorcedora e pagava o mesmo valor que qualquer outra pessoa.” “Eu acho que sim ,mas também ao mesmo tempo que acho que poderia gerar um...Eu acho interessante a proposta de ser mais barato pra mulher, porque provavelmente a mulher não vai em todos os jogos,
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40’45’’ 41’20’’
TC TC IN OUT 0’16” 0’23” 0’26” 0’29” 0’32” 0’48”
0’52” 1’06”
porque além de ganhar menos, a mulher tem obrigações que o homem não tem, por exemplo quando ela é mãe, o pai vai pro jogo e a mãe fica cuidando da criança, não to dizendo que é sempre, mas pode ser que aconteça. Mas eu acho que...na verdade eu não tenho opinião formada pra ser sincera, porque eu nunca tinha parado pra pensar, já que no Palmeiras nunca teve essa diferença. Mas pode ser que seja uma boa ideia, pra atrair as mulheres, em um primeiro momento pro sócio-torcedor, eu acho que no geral seria uma boa ideia, não que eu tenha uma opinião formada, porque eu nunca tinha parado pra pensar, mas eu acho que seria uma boa ideia. Eu acho que até porque o ingresso teoricamente tem o lance da meia-entrada né, pra idoso, deficiente, estudante, enfim. Eu nunca tinha ouvido falar do ingresso, do sócio-torcedor ter diferença de valor, é interessante pra se pensar, mas a única coisa que eu vejo contra é falar ‘ai vocês querem as coisas igual mas o preço do ingresso é mais barato’. Não to dizendo que a ideia seja ruim, mas eu já imagino os comentários que vão acontecer.
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (MAYARA RODRIGUES) ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO PERGUNTA Há quanto tempo Ai desde criança, eu sempre fui palmeirense você torce pro desde criança, desde pequenininha. Palmeiras? O que é o Palmeiras O Palmeiras hoje é minha vida pra você? Como começou essa Pelo meu pai, desde pequenininho foi paixão por futebol? torcedor, ele ia no antigo Palestra Itália, e aí começou essa paixão desde criança, e foi crescendo foi crescendo, e só foi aumentando. Quando você decidiu Há uns três anos atrás, foi quando eu decorar todo seu realmente comecei a ir em todos os jogos, quarto do Palmeiras? que começou realmente todo meu fanatismo, ai quando eu fui ver já tava tudo assim decorado.
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1’10” 1’31”
1’39” 1’53” 2’00” 2’15” 2’20” 2’53”
3’10” 3’16”
3’33” 4’04”
4’18” 5’00”
5’09” 5’30”
5’47" 6’00”
Como foi a sendação Nossa, a melhor do mundo! Não tem como na sua primeira vez no explicar, eu não tive palavras, eu só chorava estádio? naquele dia. Se eu não me engano foi contra a Ferroviária, foi 4x0 pro Palmeiras. Eu cheguei, assim que eu cheguei no estádio o Palmeiras fez o gol. Foi inesquecível. Já duvidaram do seu Sim! Por ser mulher eu acho, de falarem: ‘ah amor pelo Palmeiras? você não entende de futebol! O que que é escanteio?’ ASSÉDIO Lá dentro da torcida, pelo menos a minha torcida eles nunca tiveram isso, eles sempre respeitaram. Desde quando você Eu entrei na mancha em 2017, porquê desde faz parte da mancha? quando eu comecei a frequentar estádio, eu E porque você era muito sozinha, ai você começa a fazer entrou? uma amizade aqui, outra ali, e eu conheci muita gente na mancha, muita mesmo, hoje eu conheço gente do mundo inteiro da mancha. E aí foi quando eu decidi entrar, virar sócia e entrar. E você frequentava Eu sempre ia com amigos,sim! com quem? Você se sentiria a vontade em ir sozinha? Na sua opinião, o Eu acho que sim, porque hoje em dia, pelo palmeiras se que eu frequento estádio, eu vejo o preocupa com a movimento na torcida feminina crescendo torcedora? muito. Eu vejo muito, e já fizeram uma página sobre isso, sobre as mulheres no futebol do palmeiras. Então pelo que eu vejo, o movimento feminino tá crescendo demais. O que você acha do Eu acho bom, eu gostei. Por que tem muita #ElasNoEstadio gente que não vai pensando nisso, não vai e não frequenta organizada por pensar outra coisa. Mas quando você ta la dentro você vê que é totalmente diferente. Pelo tempo que eu to, eu sempre fui respeitada por todo mundo. E as minhas amigas também, foi até através delas que eu fui pro futebol, porque eu não ia. E sua família aceita No começo eles não concordaram muito né, normal você ser tao porque era muito fanatismo, todo jogo eu fanática pelo tava, era clássico, não era clássico, todo palmeiras? jogo eu tava. E no começo eles não aceitavam ne, só o meu pai, porque ele já foi e tal, mas hoje é normal. Tudo que eles veem do palmeiras eles me trazem, me dão, então é normal. Luta das mulheres, Mostrar que não é porque a gente é mulher, onde querem chegar? que a gente não entende! A gente entende
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sim, então eu acho que é isso. A mulher está ali igual a todos, a gente canta e vibra igual a eles, se duvidar, até mais que eles, ali dentro do estádio.
TC IN 5’08”
TC OUT 6’37”
6’40”
7’20”
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (TATIANE VIDAL) ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO PERGUNTA Há quanto tempo Deixa eu ver, da barriga da minha mãe, você torce para o brincadeira...eu sou baiana tá, e meu pai Corinthians? é torcedor do Bahia, e eu comecei a torcer para o Corinthians no título de 90 com seis anos quando eu estava no bar com meu pai e eu vi o título do Corinthians festejando comemorando e aquilo me deu um estalo aí eu fui procurar saber que time era aquele aí eu vi Corinthians aí eu fiz uma ligação que é meio complicada de entender, mas eu fiz uma ligação com o livro, uma página da Bíblia, que é o Corintios, aí eu falei ai Corinthians deve ser um time bíblico deve ser de Deus e aí eu comecei a torcer para o Corinthians meu pai gostou muito da ideia apesar dele ser torcedor do Bahia ele meio que começou comprar coisas para mim começou a comprar camisa, faixa começou a gritar na rua quando tinha jogo “olha começou o jogo do Corinthians vem ver” aí eu lembro claramente de um dia que eu tava jogando brincando na rua e ele me gritou na janela do terceiro andar né ele falou assim vai ser falta de Marcelinho a hora do gol e eu subi descarrerada, sabe? Subi muito rápido para ver, e realmente foi gol do Marcelinho, até porque naquela época né o Marcelinho bater falta era quase gol, então eu subi correndo pra ver esses lances e ele que me motivou muito a torcer pro Corinthians mesmo sendo torcedor do Bahia. Então você sempre Sempre, ele ama futebol, é apaixonado teve o apoio do seu por futebol, futebol de Várzea, futebol de pai? pelada, na rua. Ele é daqueles homens que tem rede, apito, cartão, bola, tem tudo em casa o guarda-roupa dele é cheio de padrões de times da Várzea né Ele é muito apaixonado pelo Bahia, então
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7’24”
8’10”
8’14”
9’27”
para ele eu torcer pra um time é motivador tipo “não é o meu mas eu gosto”né. Tanto que minhas irmãs torcem pro Vitória e ele também apoiava né, ele gosta de quem gosta de futebol então meu pai foi o maior motivador para que todas nós de casa gostassemos de futebol. O que é o Corinthians Ah eu sou uma frase bem clichê mas o para você? Corinthians é minha vida, minha história, meu amor. Parece bobagem mas é parte da minha história de verdade muita coisa que eu construí, muitas lembranças que eu tenho tem ligação com o Corinthians, as muitas alegrias e derrotas tem ligação com o Corinthians, é muitas loucuras que fiz tem ligação com o Corinthians, é uma parte da minha vida nesses últimos 30 anos. O Corinthians faz parte de muito do que eu sou, tudo que eu falo, tudo que foi construído, o que eu tenho é por causa desse time então é uma paixão né., não tem como fugir disso, não tem como explicar, só sentir. Qual foi a sensação Eu fui no estádio muito muito nova, muito de ir a primeira vez no nova mesmo, antes de torcer para o estádio? Corinthians até. Meu pai ele é pai de quatro meninos tá e como ele gosta muito de futebol a gente tinha uma questão de minha mãe falar para ele assim ó “vai para o futebol, vai para o jogo mas vai ter que levar as meninas, não vou ficar com quatro em casa não tá” porque minha irmã mais nova não era nascida né. “Não vou ficar com três em casa não, leva uma eu fico com duas” e aí ele sempre me levava, então eu fui pro estádio com dois anos de idade, com 3 anos de idade eu ia pro estádio com o meu pai, a gente ficava na geral ali da Fonte Nova, eu tenho lembranças de estar sempre no colo de alguém sabe, tipo ele ia com os amigos a gente ia para casa da minha vó almoçar, ficava um pouquinho, de lá a gente desci no sol quente, eu no ombro dele pequenininha. E aí eu ia para o jogo né com mais idade, desculpa, com mais idade eu comecei aí com ele para torcida do BaMor, que era a organizada do Bahia, era mais adrenalina que tipo lá e
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9’31”
tal aí eu já fico mais idade com 7,8 anos. Mas dos 2 ao 7 eu ia na geral da Fonte Nova, mas aí eu já não era eu não era corinthiana ainda né 13’29” E no jogo do Eu moro em São Paulo agora né, Corinthians assim na atualmente moro em São Paulo, quando arena como é que eu morei em São Paulo realmente na foi? capital, eu nunca tinha ido no estádio né porque, era no Pacaembu e era contra mão para Santo André não tinha com quem ir, meu marido não é torcedor não é corintiano, ele apoia e tudo mas não é, então era contra mão, a gente tinha uma filha pequena, então era meio complicado a gente ir no estádio. aí a gente quando o rapaz veio para que ele aí Acho muito difícil que não conhece muito axé baiano veio de lá gente não conhece muito aí a gente pode ir para o estádio aqui perto e a gente acabou aí no site do Santo André de qualquer jogo que tinha a ideia beijou a gente gosta e eu não tinha ido no estágio do Corinthians e aí eu mudei para cá para Americana relógios São Paulo não sei falar porque o homem que eu sou meio lenta disso umas 3 horas daqui de São Paulo e aí aqui americana com o estágio com Arena química eu falei com ele falou eu quero muito um estágio ele falou se ela é como falei assim como a gente tem uma filha vou ter que deixar ela é meio complicado nós três porque eu gasto muito grande né uma para você ir para São Paulo que você acha mais de r$ 100 ida e volta de ônibus de viagem aí você tem que falar transporte você tem que pagar locomoção tem que pagar o ingresso Tem que pagar comida e Gustavo de hoje é um luxo que não podem ir infelizmente virou uma coisa seletiva né e tiraram meio que o povo é uma das críticas maior do que eu faço os status hoje é o futebol é um pouco de eletrização Então para mim para eu ir para cidade com ele com ela ficaria muito difícil né já estaria por baixo mas quanto mais r$ 500 E aí eu falei eu não vale a pena e aí a gente tem um casamento em São Paulo que encheria né nossos amigos e tem um
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jogo do Corinthians Domingo nós vamos para São Paulo aí já é uma opção eu vou encostar com os amigos meus lá no estádio já que você não quer ir ele falou Beleza se você consegue contar seus amigos eles vão te dar respaldo proteção perguntando se você pode ir agora deixa o celular carregar deixa carregadinho para eu entrar em contato com você porque né aí no meu nome é uma mulher sozinha no status que nunca foi ali no bairro que nunca foi aí um dos meus amigos não tem uma casa lá em Santo André fui com ele de manhã cedo a gente saiu 6 horas da manhã tô falando com você 4 horas da tarde acho que foi para lá aí eu fiz o tour a gente encontrou com outros amigos nós fizemos turnos tarde às 10 horas que é apaixonada né para mim aquilo era tipo um sonho realizado de lá e saí foi para o Esquenta que não é para ti não esquenta do Corinthians ali na estacionamento tinha um esquenta netinha banda e tal a gente ficou no Esquenta conhece muita gente que eu conheço pelo Twitter e com a senhora vai para o jogo ver o jogo corinthiansbotafogo não esqueço do show do Pedrinho fiquei no norte do norte ali perto da Gabi onde fica do lado da gaviões e ela meu Deus é tipo assim para mim não era novidade e pronto Tati ficar com torcida porque ele tinha ido para o amor já conhecia torcida organizada mas eu nunca tinha ido no Corinthians gritar e pular o tempo inteiro mas eu tenho que ter tipo um físico de maratonista que é impossível ficar parado em você tá sentado não tenho que tentar não ter que parar não tem como ficar calado e saí de lá às 6 horas né Peguei um ônibus cheguei em casa era 9 horas da noite o marido chupando e aí realizar um sonho mas é complicado né ainda aqui brincando é difícil foi duas vezes depois fui para São Jorge para jogo das meninas mas não é uma coisa fácil para quem mora interior né porque mora interior Ir para Estádio é loucura e é dinheiro também
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15’45” 19’29” Movimento Alvinegras
Em outubro de 2018 teve um evento meio chato, no metrô de São Paulo, onde duas meninas do Palmeiras entraram em um vagão que tinham muitos corinthianos, elas entraram sem saber, e estavam com a roupa do palmeiras, o boné, e elas meio que foram mal tratadas, e meio que foram assediadas moralmente, mexeram no boné delas, botaram elas pra correr, uma situação bem chata e deixou duas meninas com medo, imagina já deixa homem com medo, imagina duas meninas ali que não sabiam de nada, não mexiam com Organizadas nem nada. Elas meio que foram botadas pra fora do vagão, e ficou um clima muito chato, o vídeo viralisou na internet, o Corinthians até lançou o #RespeitaAsMinas sobre isso, falou que tava contra essa atitude. E ai as meninas do palmeiras criaram um movimento para que meninas como elas não tivessem mais medo, tipo ‘vem com a gente, que a gente vai direto, cola com a gente que vai ser legal’ e elas criaram as Verdonnas. Aí quando foi uma semana depois um amigo nosso desse grupo entrou em contato com a Alana e falou ‘olha Alana, que legal né, como vocês vão pro estádio sozinhas, se reúnem, porque vocês não fazem isso com a torcida do Corinthians?’. Aí a Alana trouxe pro nosso grupo e isso e disse o que vocês acham? Ai a gente topou, é trabalho? É! Vai ter dinheiro? Não! Mas vamos lá! E aí a gente criou esse grupo, a gente começou a bolar uma ideia, Alana entrou em contato com as meninas do Verdonnas pra ver como foi, porque a gente precisava saber como era, e elas deram um apoio pra gente, ficou tipo brother nossa, e aí a gente colocou algumas caras e postou no Instagram e Twitter, aí o pessoal começou a dar RT, pedindo pra participar. Nosso primeiro jogo foi a final do Brasileirão Feminino em 2018, foi o jogo no Parque São Jorge, contra o São José do Rio Preto, a gente ganhou de 4 x 0 se eu não me engano, e a gente marcou com as meninas de ir ‘vamos lá galera,
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vai ser legal, quem nunca foi no parque são Jorge vai ser de graça, vai ser bacana’. Aí a gente marcou na estação ali mais próxima do parque são Jorge, mas quando a gente chegou e a gente foi tirar foto, tinha mais de 50 meninas sabe? Eram muitas mulheres que nunca tinham ido, mulheres que levaram filhos, crianças, aí a gente: ‘caramba, muita gente, a gente não tinha noção que seria tanto’. As meninas levaram cartazes, foram cantando da estação de metrô até o parque são Jorge, foi uma coisa grandiosa nesse dia, a gente tem uma foto bem linda, e nos marcou bastante. Foi assim que começou nossa ideia, a gente abriu um grupo no facebook que só entra meninas, esse grupo tem hoje 3 mil meninas. A gente viu que as meninas queriam ter um contato maior, então a gente abriu grupo no whatsapp, hoje a gente tem 13 grupos no whatsapp, divididos por setor, zona, zonas de São Paulo, interior, fora do brasil, fora de são Paulo que é brasil né, Guarulhos, litoral, e as meninas se encontram nesses grupos específicos que são próximos as suas casas e marcam encontros, marcam eventos, marcam saídas, marcam de ir pro jogo, e assim tem dado certo. 20’05” 22’18” O que você achou do Ano passado, em 2019, nós fomos movimento convidadas pela Federação Paulista, #ElasNoEstádio? pela Aline Pellegrino pra ir junto com os outros movimentos de São Paulo, até a Federação e falar um pouco mais sobre Mulher no Esporte. Foi um dia específico das mulheres, teve as meninas do Dibradoras, do Joga Amigas, e pessoas falando coisas bem legais sobre o esporte, sobre a presença da mulher no esporte, e teve uma mesa redonda com a gente né, com o São Pra Elas, o Bancada das Sereias, o Verdonnas e nós do Movimento Alvinegras. Eu tava lá nesse dia, e uma coisa que a gente citou e por exemplo, a gente falou até do futebol feminino, é um trio, é uma cadeira de três pés. É a mídia, tem os jogadores e a parte técnica dos jogos, as pessoas que
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estão envolvidas no jogo, a arbitragem, comissão técnica e tal, e tem a parte que é muito ignorada, que é a torcida. Tem uma placa que eu gosto muito, sem a torcida, não existe futebol, não tem graça, é uma das partes mais negligenciadas, né, e a gente falou sobre isso, foi bem legar, e citar essa parte de ‘trabalha com a gente, trabalha com a gente que a gente tem muita coisa pra apresentar, pra falar sobre a mulher no esporte’, e eu não to falando só dos movimentos, não que só os movimentos são importantes, eu falo sobre trabalhar com a torcida feminina. A torcida feminina é consumidor, é uma torcida que consome bastante, é uma torcida que participa bastante, é uma torcida que tá presente. Então não dá pra ignorar uma fatia de mercado como se não fosse nada, não tem como fazer isso. E a gente falou disso na Federação Paulista, e ver depois de um ano, a gente ser convidada de novo pra estar lá e ver um trabalho exclusivo pra isso, que incentiva as mulheres, um cuidado com as mulheres, eu acho bacana demais, é bom ser ouvida sabe. 28’43” 29’00” O futebol, como a sociedade ainda tem discursos machistas velados, a gente passou esse ano, com um discurso super homofóbico do nosso diretor sobre o número 24 do Catillo. Depois pediu desculpas, tá, mas é um discurso que precisa ser quebrado. 30’43” 32’00” Seu amor pelo ah muitas vezes, ‘ah você gosta do Corinthians já foi Corinthians mesmo? Me fala aí a duvidado, pelo fato escalação, e é uma coisa que me irrita de você ser mulher? muito, porque eu sei a escalação do Corinthians, eu estou atenta a quem entra e quem sai, participo de um grupo de análise corintiano, participo de revistas sobre o Corinthians, mas isso não deveria ter colocado em conta, porque mesmo que eu não soubesse, eu tenho o direito de torcer e ser corintiana. Eu tenho direito de não saber a escalação e não tem nenhum problema eu não saber, não tem nenhum problema eu não saber quem fez o gol em 2013,
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não tem nenhum problema, tem muitos homens que não sabem, e não são questionados né, tem torcedor do Corinthians que você chega e pergunta ‘quem foi Zenon?’ ‘não sei’ e paciência, agora se você perguntar e for mulher e não saber, fica ‘ah só podia ser mulher’ e não, não é por ela ser mulher. Ela não sabe, como ele não sabe e tá de boa! Não gosto muito dessa coisa de ter que saber, ter que mostrar. Então tem vezes que eu prefiro não saber, não falar, porque elas vão ser criticadas se não souberem, e podem ser atacadas por eu saber, por exemplo: ‘olha a Tati sabe a escalação toda, e você não sabe’, então eu não quero ser usada de exemplo pra humilhar alguém, sabe? Eu sei, mas eu não vou ser usada pra isso. 32’59” 33’35” Aonde vocês querem A gente quer que mais mulheres chegar? apareçam e venham pro estádio, a gente quer que família tomem conta desse lugar. Eu quero que minha filha vá pro estádio sozinha e fale: ‘mão foi massa, foi legal, fui e voltei em segurança, ninguém mexeu ninguém me tocou, ninguém falou nada’. Quero que mais mulheres vão pro estádio sem medo, sem preocupação que vai estourar uma briga e vai ter que sair correndo.
TC IN 0’06’’
TC OUT 0’12’’
0’15’’
0’28’’
0’32’’
1’46’’
FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (VANESSA CARVALHO) ASSUNTO/ DECUPAGEM DE ÁUDIO PERGUNTA Há quanto tempo você “Eu torço pro São Paulo desde os 8 torce pro SPFC? anos de idade, eu to com 35, então dá pra fazer uma conta aí né básica, mas a bastante tempo” O que é o SPFC “São Paulo pra mim é uma religião, pra você? acho, é um amor, uma paixão incondicional. Já tentei não gostar né, já tentei largar de mão, mas é mais forte que eu, eu não consigo, não dá” Como começou essa “Essa paixão começou na final do paixão pelo SPFC, pelo mundial de 92, foi o primeiro mundial né futebol? conquistado pelo São Paulo. Na época eu nunca tive muita referência de futebol, meu pai era santista, mas
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1’49’’
2’52’’
assim, não era muito fanático, então ele não ligava muito. Meu irmão do meio era corintiano, mas também não era tão fanático, e meu irmão mais velho era são-paulino, já fanático. Então eu lembro da final desse mundial, eu tava dormindo, aí ele me acordou aos berros, no último, na verdade no segundo gol do Raí, ali no finalzinho do segundo tempo, que foi na conquista do título, aí ele...eu lembro que eu acordei, eu lembro ainda muito nítido a imagem dele chorando grudado na TV. Primeiro eu fiquei muito brava, porque ele tinha me acordado, e aí depois que passou a raiva eu continuei olhando a imagem. Eu lembro até hoje a imagem do Raí correndo ali, comemorando com os reservas do banco, com o Tele, e eu fiquei toda arrepiada (tô até arrepiada agora de novo, de lembrar) e eu fiquei prestando atenção e falei nossa, foi ali que virou uma chave, que eu entendi o que era o amor pelo futebol, por um clube. Aí eu falei nossa é essa sensação que eu quero ter pro resto da minha vida, pra esse time que eu quero torcer” Como foi a primeira vez “Olha, apesar de desde os 8 anos no estádio? começar a torcer, e ali na minha adolescência eu já me tornar um pouco fanática, eu demorei muito pra ir pro estádio. Eu comecei a ir pro estádio acho que há uns 5 anos atrás, mais ou menos, então eu demorei muito tempo pra ir pro estádio por medo, né por medo, por briga mesmo, violência, então eu demorei muito pra ir pro estádio, sempre tive muita vontade, mas não ia. E também eu nunca tive um incentivo pra ir pro estádio, e aí eu acabei indo pro estádio a primeira vez, não era um jogo oficial, era na despedida do Rogério Ceni, então né foi bem tardio, e então eu decidi ir ne, não era um jogo tão oficial então eu me senti mais tranquila, e ai depois dessa primeira vez, que já era um dia mágico que envolvia ali a data, mas eu vi que era uma energia totalmente diferente,
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2’59’’
4’59’’
Você já sofreu algum preconceito, machismo, ou as pessoas duvidarem do seu amor pelo SPFC por ser mulher?
eu me arrepiei a primeira vez no Morumbi, foi muitas primeiras vezes, então dali pra frente eu comecei a ser assídua nos estádios” “Sempre! Eu brinco assim, que quando você é homem e você entra em uma discussão, em uma conversa sobre futebol, é tranquilo; as pessoas aceitam com naturalidade. E quando você é mulher e faz algum comentário, ou entra em uma discussão sobre futebol de imediato eles te colocam um provão de vestibular! Então as pessoas olham e falam nossa, mas você gosta de futebol? E aí que começa o provão ‘o que é impedimento, quem é o terceiro goleiro do seu time?’ como se você tivesse que provar que você realmente gosta de futebol, como se você é, e assim, não que a sua parte, o seu conhecimento técnico valide ou não o quanto você gosta de futebol porque embora que eu saiba o que é impedimento e quem é o terceiro goleiro do meu time, mas muitas pessoas não sabem, meninas e meninos, homens e mulheres, e isso não invalida sua paixão pelo clube ou você gostar de futebol. Mas quando você é mulher isso é muito colocado a prova né, então já vi comentários, não sofri diretamente comentários assim mais violentos ou machistas, mas as vezes quando eu comento alguma coisa em algum post sobre futebol, não só do São Paulo, mas do futebol em geral, ali numa rede social, logo vem um comentário abaixo essa aí não entende de futebol, aí ela não acompanha, ou eu vejo comentários de outras meninas, ou fotos até, aí o pessoal, homens comentando que é só pra chamar atenção, que a menina não gosta de futebol, que mulher só vai pro estádio pra chamar atenção. Enfim e por aí vai, então não só eu, mas todas as mulheres, a gente enfrenta ainda muito machismo e o preconceito no futebol, como se você que gostasse de futebol precise ter uma imagem
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5’05’’
6’12’’
6’15’’
7’29’’
masculinizada. Você não pode ir pro estádio de batom, não pode ir de maquiagem, não pode ir de brincão ou shortinhos, porque você ta indo pra chamar atenção de machos, né. Que é o que a gente ouve muito, e não porque você gosta de futebol, então o preconceito ainda existe, acho que diminuiu pouco, muito pouco, mas ainda existe” Você se priva de ir “Eu não me privo pelos comentários, eu maquiada ou com me privo pelo perigo, não no estádio, shortinho? mas no caminho mesmo, no trajeto. Então é que eu sou mais relaxada, então eu costumo ir pro estádio mais preocupada no conforto mesmo, né então eu vou mais de tênis, vou mais largada mesmo, não vou de brincão por conta de briga, por ter que correr, se acontecer alguma coisa. Então eu penso em tudo isso no trajeto de ida e volta. Mas depende do dia, se eu acordar num dia animada e quiser passar um batom vermelho pra ir pro estádio eu vou passar, não vou me privar de passar. Mas eu vejo meninas que vão mais arrumadas, e eu vejo olhares, comentários, como se o menino que tá la sem camisa, o menino vai sem camisa e eu não posso ir com meus shortinhos por que? Qual é a diferença disso, então eu já vi assédio, já vi olhares, mas não como só no estádio, como se eu andar na rua e a gente vai sofrer olhares maldosos e preconceituosos de homens que acharem que você estar com shorts pra chamar atenção de homem, e não porque está um calor de 30º e você vai passar calor” Você faz parte do São “Faço, faço parte do movimento, que é Pra Elas? um movimento incrível, eu sei que os outros clubes tem esses movimentos como o São Pra Elas, eu acho muito bacana porque é um movimento que da força para as mulheres, pra torcida feminina. Tem muita mulher que não vai pro estádio porque não tem companhia, ou porque tem medo, como era o meu caso por exemplo. Eu
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7’32’’
8’13’’
8’24’’
9’23’’
comecei a ir com meu marido, embora ele não seja são-paulino, mas ele começou a me acompanhar nos jogos, pra eu poder ir né, pra eu me sentir mais segura, e o movimento São Pra Elas é bom por causa disso, se você não tem companhia elas marcam um ponto de encontro, se ajudam com informações pra você ir segura, pra você ir tranquila. É um movimento que exalta o nosso empoderamento feminino né, como mulher e como torcedora. Então nos grupos que a gente tem por whatsapp a gente vê meninas discursando sobre vários outros assuntos, não só sobre futebol ou sobre o São Paulo, mas é um movimento que da muita força e coragem pra quem não tem coragem de ir ao estádio por violência, por machismo, ou por não ter companhia, conseguir realizar o sonho e ir pro estádio que é uma energia totalmente diferente de você assistir os jogos em casa, pela TV” Você acha que o São “Eu acho que tem, eu acho que ta Paulo tem olhado pra caminhando pra isso, mas eu acho que sua torcedora? ta muito distante ainda, falta muito incentivo, enfim. Acho que tem aí umas falhas do marketing, de investir, de incentivar a torcida feminina, pra que a gente se sinta mais segura, de ter pontos estratégico, assim como o São Pra Elas, mas é um movimento a parte do SPFC. Acho que o SPFC poderia investir mais no São Pra Elas e em movimentos que fazem esse tipo de trabalho, pra que a torcida feminina vá cada vez mais no estádio, acho que tá no caminho mas tá muito longe de ser o ideal” Falta de produtos “Não teve, eles não tiveram esse femininos insight, eu não sei o que falta pra ter esse insight, porque falta tudo! Você encontra a camisa I e II básica no modelo feminino. Você não tem uma corta-vento, nem jaqueta, nenhum produto feminino, além das camisas oficiais I e II, então falta muito investir. E assim, o marketing peca muito nessa
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parte, porque mulher né, consumista, tá na nossa veia, então a gente consumiria muito mais que o público masculino, então eles teriam uma receita muito maior com isso, e eles não investem, não sei te dizer por que. Acho que é outra falha muito grande, acho que eles deveriam investir em todos os produtos, colocar também pro público feminino. A gente costuma consumir produto masculino mesmo, grande, maior, mas não é o ideal. O ideal é que realmente tivesse o produto voltado pro público feminino, tamanhos femininos...isso falta” 9’41’’ 10’18’’ O Morumbi tem “Tem, isso eu não posso reclamar. Já estrutura para o público visitei outros estádios, todos que eu feminino? visitei aqui em São Paulo, não deixaram a desejar na questão de toillet, eu acho que isso evoluiu muito já. Até o Pacaembu que eu vi que é um estádio mais antigo, não vi problema em questão a banheiros. É claro, em dia de jogo ali, mais de 10 mil pessoas não da pra garantir 100%, mas não vi problemas maiores em relação a segurança, higiene, eu acho que é tranquilo, o Morumbi especificamente não deixou a desejar em nada” 10’31’’ 11’20’’ #ElasNoEstádio, o que “É esse tipo de motivação que vai fazer você achou? a mulher a ir cada vez mais no estádio. Então a mulher que não vai por vários motivos que a gente citou aqui, por medo, por violência, por falta de companhia, ela precisa de incentivo, mas ela precisa que esse incentivo venha de órgão maiores, pra gente se sentir respaldada por isso, então dependendo da Federação, tem um peso maior, eu acho que falta muito pra gente chegar lá, mas a mulherada tá começando a ser vista com outros olhos no futebol. Que tem um público muito grande, que tem interesse, que consome, então eles têm que olhar pra esse público, acho que a iniciativa da Federação foi perfeita! Espero que não pare por aí né, não adianta você fazer uma iniciativa uma vez e esquecer, eu acho que ela tem que ser renovada e
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11’27” 13’16”
eles continuar fazendo esse investimento” Aonde vocês querem “Bom, a gente busca igualdade, no chegar? sentido ali profissional falando, que eles invistam mais no futebol feminino, que seja visto com outros olhos. A gente vê aí a Marta que é uma ídola não só do Brasil, mas do mundo né, ela já ganhou mais bolas de ouro do que Messi e Cristiano Ronaldo juntos, mas não tem o mesmo valor. A gente entende que é cultural, futebol masculino, futebol feminino, mas eu acho que a gente tem que olhar de uma outra forma pra esse público, eu acho que essa cultura do machismo nos estádios, falando como torcedora, ela tende a mudar, mas eu sei que vai ser aos poucos, porque é uma coisa cultural, estrutural, não é uma coisa só do estádio, é fora dele também, eu acho que tem que mudar a cabeça masculina aqui fora, a criação de quem tá vindo agora, pra que a gente possa mudar lá na frente. Eu acho que é um caminho muito longo que a gente vai ter que percorrer, mas a gente já conquistou muita coisa, está muito longe de ser o ideal ainda pra que a gente se sinta segura, mas o meu sonho como torcedora é poder ir no estádio, e ver meninas no estádio no trajeto de ida, durante o jogo e no trajeto de volta se sentindo segura, seja com a roupa que ta vestindo, seja com a maquiagem que está usando, seja estar acompanhada de uma amiga, ou de um homem, eu não quero me sentir segura no estádio só se eu estiver acompanhada do meu marido, eu quero ser respeitada por mim, e não porque eu estou acompanhada dele então que acho que o maior sonho é eu me sentir segura e dizer hoje eu vou assistir um jogo, não tenho companhia, vou assistir sozinha tudo bem tranquilo. Hoje não acontece, mas em um futuro um pouco distante, espero que não muito, aconteça isso daí”
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TC IN 0’05”
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FICHA DE DECUPAGEM ARQUIVO (Vitória Meireles) ASSUNTO/ PERGUNTA DECUPAGEM DE ÁUDIO Há quanto tempo você torce Ai não tem, não sei dizer um tempo, pro Santos? mas desde que eu vi o meu pai torcendo, o meu irmão torcendo. Então vamos dizer assim que vai, uns 18 anos, eu tenho 23, uns 18,19 anos. O que é o Santos pra você? O Santos? Nossa o Santos é muita coisa. Eu acho que eu nunca tive um amor tão canalha quanto o Santos. É um misto de paixão, é uma paixão muito grande, uma admiração muito grande, mas ao mesmo tempo uma raiva muito grande por N motivos que englobam o time, a gestão do time, a administração, os jogadores, então eu digo o que o Santos é um amor bandido porque você sofre muito, principalmente quando você ve a situação do time, principalmente dos últimos anos, mas é um dos amores mais puros que tem, porque você ama, e eu digo, você não tem nada em troca, você só passa raiva com o time. Mas o Santos pra mim é amor, é sinônimo de amor, de admiração pelo futebol, pela história, é uma coisa que eu não sei dizer, é fora do normal, o bagulho é louco! Como começou essa paixão Meu pai, a influência veio do meu pelo futebol? pai, ele é santista roxo, e eu lembro que quando eu morava em Cuiabá, ele, a gente, se eu não me engano foi em 2002, quando o Santos foi campeão brasileiro, e o jeito que eu vi meu pai comemorar aquele título, de gritar, de pular, de se esgoelar, pra mim foi tipo, eu não entendia muito bem porque eu era muito nova, mas eu fiquei admirando o que tava acontecendo, tentando
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entender o que tava acontecendo, e foi começou pelo meu pai, fui influenciada pelo meu irmão também, e diríamos que eu tivesse que escolher algo que me faça gostar do Santos foi a influência do meu pai. A minha mãe fala que a única coisa que meu pai prestou pra me ensinar foi amar o Santos. 2’01”
3’50”
É uma sensação única, porque você sente Me conta qual foi a sensação de ir a primeira vez ao a energia do local, então é a torcida estádio, e qual jogo te com você. Não tem quem narre o jogo, então você vai pro estádio, e você não marcou mais.
tem aquela familiaridade de alguém narrando o jogo pra você. Então é algo mais assistido, então você presta muito mais atenção pra você entender a dinâmica do jogo, e você sente muito mais a energia, seja ela boa ou ruim, quando a torcida comemora, a arquibancada treme, quando a torcida canta, a arquibancada treme, você faz amizade na arquibancada, você conhece muita gente. Então assim, é uma sensação não tem nem comparação você assistir no sofá da sua casa, ou você estar no estádio, é fora do normal, porque é uma energia que dentro da sua casa não vai ter, porque dentro da sua casa só vai ter você e mais algumas pessoas. No estádio não, é você e mais 30 mil pessoas. E o jogo que mais me marcou foi Santos x Penarol, na final da Libertadores de 2011. Eu lembro que depois que o Santos voltou aqui pra São Paulo, e começou a vender, naquela época não tinha tanta facilidade com internet, então não vendia ingresso pela internet, eu lembro que meu pai dormiu na fila, meu pai foi pro Pacaembu às 5h da manhã pra conseguir comprar o ingresso. Quando a gente chegou lá a fila tava dando volta, mas meu pai ficou até abrir, que geralmente abria sei lá 11h, e foi nesse dia que tinha mais de 40 mil pessoas no estádio, e aquela Praça Charles Muller entupida de santista, e eu tipo tinha uns 12, 13 anos, e eu não sabia se eu gritava, se eu chorava, se eu entrava em desespero, tipo Neymar pulando na...nossa fiquei até arrepiada,
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Neymar pulando nas grades e aquela coisa, e foi o melhor jogo da minha vida, juro foi inesquecível, foi marcante demais cara, nossa não sei nem o que dizer...
3’55”
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Você se priva de ir maquiada ou com determinado tipo de roupa por conta do assédio?
4’56”
5’52”
Você já sofreu assédio, ou Assédio já, uma vez eu fui com uns violência no estádio? amigos, eu não lembro o jogo que foi, mas deve ter sido Paulista, domingo, 18h, 19h o jogo sei lá. E os meus amigos ficaram comendo na Praça Charles Muller, que sempre tem aquelas barracas, e eu decidi vir embora, porque no outro dia eu ia trabalhar. E quando eu tava subindo pra vir aqui pras Clínicas, mano a quantidade de caras que me parava pra perguntar se eu queria carona, pra perguntar se eu precisava de companhia, o por quê que eu tava sozinha, foi assustador! Então assim, depois daquele dia eu nunca mais fui embora sozinha, eu nunca fui em estádio sozinha, porque assim naquele dia eu senti muito medo real, porque por mais que eu tava subindo com a torcida, eu tava sofrendo muito assédio, muito. Se o caminho durou 10 minutos na
Sim! Toda vez que eu vou pro estádio eu tento ir com roupas confortáveis, que não me peguem muito, que não marquem meu corpo. Por exemplo, se tá calor eu evito ir de shorts, vou de calça jeans e camisa de time, não vou maquiada, não vou de brinco, relógio. Só vou com meu celular, o ingresso, dinheiro as vezes pra tomar alguma cerveja, comer alguma coisa, e documento e acabou. Não vou mesmo, você é muito assediada, muito mesmo. Eu já cheguei a ir em jogos sozinha, mas por causa do assédio eu evitei muito, porque se você vai sozinha, parece que você tá dando uma abertura para a pessoa conversar com você, sei lá te dar uma cantada, ser bem incisivo, então eu evito muito ir sozinha no estádio, e ir com qualquer tipo de roupa que marque meu corpo, eu evito demais.
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5’59”
7’21”
Você conhece o Bancada das Sereias? O que você acha desse movimento?
7’36”
8’45”
Dos grandes, o Santos é o único que tem desconto pra mulher no sócio-torcedor. Você acha que isso é uma maneira de trazer a torcedora pro estádio? Você vê uma preocupação com as
prática, na minha cabeça durou uma vida porque foi uma sensação ruim. Olha, eu acho bacana, eu acho que as pessoas têm que normalizar o fato da mulher ir ao estádio, o fato da mulher gostar de futebol. Que é algo que você gosta pra você, não é algo que você gostar pra mostrar pra outra pessoa que você gosta, que você entende de futebol. Porque você gosta cara, é uma paixão. Você não vai pagar 200 pal numa camiseta porque é hobby, sabe, ou é porque a outra pessoa não tem nada pra fazer, as pessoas pagam caro nas coisas porque gostam. Eu acredito que esse incentivo seja pra mostrar pra sociedade que é normal a mulher gostar de futebol, que qualquer pessoa pode gostar de futebol, criança, velho, novo, homem pode gostar de futebol, e não é estranho. O movimento, pra mim é bom, mas é muito foda você ter que criar um movimento pra mostrar pra alguém que você tem, que você pode gostar de futebol. Porra, é normal gostar de futebol cara. Nossa agora eu vou ter que criar um movimento pra provar pra Bianca que eu gosto de futebol, ou que o meu amor por futebol é tão normal quanto o dela, ou de qualquer outra mulher, ou de qualquer outro homem. É bom, mas ao mesmo tempo é triste, porque porra eu tenho que fazer um movimento que prove que eu gosto, que é normal eu gostar de futebol. Eu tenho que fazer toda essa mobilização? É muito foda, é bom mas é ruim, digamos assim. Certo...eu não sou sócia do Santos, já fui, hoje em dia não sou mais. Eu acho muito bacana eles darem esse desconto, incentivarem as mulheres a ser sócias, mas eu não vejo algo além do dinheiro nisso. Eu não conheço nenhuma iniciativa do
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torcedoras clube?
8’50”
partindo
do Santos assim fiel, além disso vai, não vejo, não conheço. Acompanho o futebol feminino do Santos, e eu acho que entre os grandes de São Paulo, ele é um dos poucos que investem pesado no futebol feminino. Que ainda consegue manter o futebol feminino, porque se eu não me engano, antes dessa iniciativa da Federação Paulista, o Santos era o único que tinha futebol feminino, entre os grandes...então assim, eu acho que o Corinthians não tinha mais, mas enfim. É muito pouco pra um movimento tão grande, um desconto não é o que a gente quer, não é ainda, é muito pouco. 10’27” Você acha que o A lógico, com certeza. Porque cara clube deveria olhar mais pro eu sou uma pessoa que gosta seu público feminino muito de comprar artigos (produtos licenciados) esportivos, e tipo do Santos eu tenho umas 10, e porra eu quero um moletom, um short feminino, que os homens têm, eu quero uma jaqueta, e eu não encontro. Quando a Umbro assumiu a fabricação das camisetas do Santos, teve uma ação das torcedoras de boicotar as redes sociais da Umbro, mostrando pra eles que eles precisavam fabricar artigos pra mulher, aí eles me fizeram uma camiseta branca com rosa, que é essa que eu tenho, as vezes você acessa os sites pra comprar e não consegue, porque não tem produto. Por exemplo, eu tenho alguns produtos do Santos que é masculino e é PP, porque, e ainda fica grande, porque não tem pro público feminino, o moletom não tem. Se tem é uma coisa que não agrada os olhos, não é bonito tanto quanto o dos homens, então assim é muito difícil eu comprar alguma coisa do Santos, sem ser as camisas de jogo, porque realmente não tem, é pouquíssimo. Eu acho que eles deveriam investir sim, não que venda na mesma
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10’38” 11’43” Opinião #ElasNoEstadio
sobre
11’50” 13’19” Em relação a luta das torcedoras contra o machismo, aonde vocês querem chegar?
proporção, mas que fabrique uma quantidade reduzida, mas que tenha, porque tem mercado. Eu vejo que nos outros times tem, no Corinthians tem, no São Paulo tem muito, no Palmeiras também, mas o Santos eu vejo que deixa muito a desejar na linha feminina, demais. Eu acho bacana, mas a mulher sabe que ela pode ir. Hoje a mulher sabe que ela pode ir ao estádio, ela sabe que tem uma situação financeira que pode ir ao estádio. Porque dependendo do jogo o ingresso não é tão alto. Pelo menos quando eu vou, quando o Santos manda jogo no Pacaembu, sei lá o preço mais alto que eu pago é 40 reais, quando não é meia paga 20. É bacana, mas eu acho pouco, é como eu falei pra você, eu acho muito pouco, é algo que vai ‘eu vou incentivar você ir ao estádio’, mas só um movimento? Sendo que na teoria a gente vê que não é assim que funciona, não mudou, muito pelo contrário. Você vai no estádio, mas você não vê tanta gente feminino, o público feminino sim, mas é uma área marjoritariamente feita por homens, mas assim, é um movimento tá, mas eu só vou fazer umas publicações nas redes sociais e já era, eu vou ler lá e ‘puta, agora que a federação falou isso eu vou no estádio!’, e mano não é assim sabe? É só um movimento. A igualdade, a mesma coisa que por exemplo, meu irmão vira pra mim e fala que vai num jogo, e eu não questiono o sentimento ou o por que que ele tá fazendo isso, eu também quero ir num jogo e ninguém falar ‘nossa, você acompanha o Santos? Nossa você gosta do Santos?’ como se fosse algo de outro mundo cara, eu gosto do meu time, eu acompanho meu time, eu escrevo sobre meu time, eu uso produtos do meu time, eu
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não sou menos mulher por gostar de futebol, eu não sou mais mulher por gostar de futebol, da mesma maneira que o homem não é mais homem por gostar, ou deixar de gostar de futebol. A gente só quer isso, que as pessoas olhem pra gente com a normalidade de olhar pra um homem que gosta de futebol. Eu gosto de futebol, acompanho meu time, passo raiva, tenho amor, sofro, assim como outro torcedor, independente se eu sou mulher, ou se eu sou homem, não me faz menos gente por gostar de futebol. Eu acho que a luta pela igualdade é isso, o feminismo, é a gente ser vista com os mesmo olhos que olha pra um homem que gosta de futebol, apenas isso, não tem nada demais, não é algo exorbitante, mas como a gente sabe o futebol é algo muito elitizado, e principalmente composto por homens, é isso.
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B. Roteiro DOCUMENTÁRIO: Torçam como Elas DIRETORA: Thaynara Bernardo da Silva
ENTREGA: 23/11/2020
SINOPSE: Da saída de suas casas até chegarem aos estádios, é comum que as mulheres enfrentem uma série de desafios que fazem com que muitas desistam de acompanhar presencialmente os jogos de seus times do coração. Dirigido ao público que ama futebol, o documentário “Torçam como Elas” mostra quem são essas torcedoras, seus costumes e hábitos, e propõe uma discussão sobre a importância da mulher nas arquibancadas paulistas. ROTEIRO: TEM PO 7”
TIPO
ÁUDIO / TEXTO
VÍDEO / IMAGEM
CLAQUET E
TÍTULO: Torçam como Elas PRODUTO: Documentário Fundo preto com letras DIREÇÃO: Thaynara Bernardo brancas da Silva TEMPO: 23’29” ORIENTADOR: Prof. Me. Antonio Lucio R. Assiz Projeto Experimental como Trabalho de Conclusão de Curso, do Curso de Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul. Novembro/ 2020
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OFF
“Quando surge o alviverde Torcedoras do Palmeiras imponente. No gramado em que a luta o aguarda. Sabe bem o que vem pela frente…” “Salve o Corinthians tradições e glórias mil Tu és orgulho Dos desportistas do Brasil”
de Torcedoras do Corinthians
“Nascer, viver e no Santos morrer é um orgulho que nem Torcedoras do Santos todos podem ter, no Santos…” “Ó tricolor. clube bem amado. As Torcedoras do São tuas glórias…” Paulo
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BG: On Foot 10”
LETTERIN G
Uma vez por semana o torcedor Fundo preto com letras foge de casa, e aproveita a festa brancas da arquibancada que só o amor por um clube de futebol pode proporcionar Mas para os machistas de plantão, as mulheres não são bem vindas no estádio… BG: Estádio “Homem é flagrado filmando as Manchetes (prints) nádegas de uma torcedora do Botafogo durante jogo”
19”
“Vai lavar roupa”: ex-jogador Jairzinho escancara o machismo no futebol” “Objetificação de torcedoras em programa esportivo une clubes rivais contra assédio” “Assédio, estrutura precária e insegurança afastam mulheres de estádios” 10”
Sonora Bruna
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Sonora Vitória
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Sonora Larissa
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Sonora Bianca
BG: Ether - Silent Partner “Só de você sair com a blusa do seu time, você já escuta piadinhas né, do tipo ah por você eu até virava são-paulino” “Se você tá sozinha, parece que você tá dando uma abertura para a pessoa conversar com você, sei lá te dar uma cantada, ser bem incisivo.” “Homem...alguns né, também não vamos generalizar. Não perde a oportunidade de fazer esse tipo de comentário sem graça.” “Você no meio de uma Organizada? Você vai aguentar o ‘Poropopó’?”
Torcedoras são-paulinas P&B
Torcedoras santistas P&B
Torcedoras palmeirenses P&B
Torcedoras corinthianas P&B
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Vinheta
Um filme de Thaynara Bernardo “TORÇAM COMO ELAS”
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Céu azul, com a imagem de um refletor de estádio de futebol.
BG: Poropópó “O Palmeiras hoje é minha Mayara Rodrigues vida!” “O Palmeiras pra mim é família, Larissa Botelho é amizade, como diz a música ‘Palmeiras minha vida é você’” Palmeiras minha vida é você Mancha Verde Palmeiras minha vida é você Palmeiras minha vida é você “o Corinthians é tipo um refúgio, sabe, ir pro estádio é uma maneira que eu tenho de me desligar do mundo, e me conectar só com aquilo, só com o jogo, só com o campo, só com a torcida.” “É só você sentindo mesmo, é como se fosse uma parte de mim, é uma parte de mim.” “São Paulo pra mim é uma religião, acho, é um amor, uma paixão incondicional. Já tentei não gostar né, já tentei largar de mão, mas é mais forte que eu, eu não consigo, não dá.” “Ah, o São Paulo pra mim é a paixão né. Eu paro tudo que eu estou fazendo, se tem jogo durante o expediente eu fico com o celular ali do lado...o São Paulo realmente é a paixão.” “Eu acho que eu nunca tive um amor tão canalha quanto o Santos”
Bianca Araújo Bianca com as camisas do Corinthians
Auanny Araújo
Vanessa Carvalho
Bruna Gusmão
Vitória Meireles
“O Santos pra mim é amor, é sinônimo de amor, de admiração, de paixão, pelo futebol, pela história do futebol...é uma coisa que eu não sei dizer, é fora do normal...o bagulho é louco!” “É o meu ponto de paz, as vezes Esther Sant’Ana me estressa? Às vezes me
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estressa! Mas é meu ponto de Foto Arquivo Pessoal paz.” O INÍCIO Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio “O meu pai, quando eu era criança, era aquela coisa de pai né, coloca camisa, incentiva. Mas a família da minha mãe é muito fanática, meu tio, meus primos eles sempre foram muito pro estádio, sempre jogaram, então acho que a convivência me fez virar louca pelo Corinthians, fanática por futebol...” “Eu sempre fui palmeirense, desde criança, desde pequenininha. Eu sempre ia no antigo Palestra Itália, e aí começou essa paixão desde criança, aí foi virando, foi crescendo, só foi aumentando...” “Essa paixão começou na final do mundial de 92, foi o primeiro mundial né conquistado pelo São Paulo”
Bianca Araújo
Mayara Rodrigues Mayara segurando porta-retrato
Vanessa Carvalho
Imagens da “Meu irmão mais velho era são- comemoração do Raí paulino, já fanático. E aí eu lembro na final desse mundial, eu tava dormindo, aí ele me acordou aos berros, no segundo, na verdade no último gol do Raí, ali no finalzinho do segundo tempo” “Eu lembro que eu acordei, eu lembro ainda muito nítido a imagem dele chorando grudado na TV. Primeiro eu fiquei muito brava, porque ele tinha me acordado, e aí depois que passou a raiva eu continuei olhando a imagem. Eu lembro até hoje a imagem do Raí correndo ali, comemorando com os reservas do banco, com o Tele, e eu fiquei toda arrepiada
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(tô até arrepiada agora de novo, de lembrar) e eu fiquei prestando atenção e falei nossa, foi ali que virou uma chave, que eu entendi o que era o amor pelo futebol, por um clube. Aí eu falei nossa é essa sensação que eu quero ter pro resto da minha vida, pra esse time que eu quero torcer” “ e diríamos que eu tivesse que escolher algo que me faça gostar do Santos foi a influência do meu pai. Minha mãe fala que a única coisa que meu pai prestou pra me ensinar foi amar o Santos.” “Eu entendi que meu pai gostava de futebol, muito pequena, eu devia ter uns 3, 4 anos. Meu pai é taxista, então ele nunca tá em casa, ele sempre tá trabalhando. Então quando eu era pequena eu falei ‘Puts, meu pai fica pouco tempo em casa, e o pouco tempo que ele fica, ele fica assistindo TV, assistindo futebol. Será que se eu gostar desse negócio eu vou ter alguma coisa a mais pra falar com meu pai?” Então foi isso que me fez gostar de futebol, meu pai é palmeirense então obviamente eu tendi a gostar do Palmeiras né…” “Eu lembro que eu sempre assistia jogo com meu pai, eu e meu pai tem essa conexão né, eu ia pra casa dele, a gente não mora junto, nunca morou, então todo final de semana eu ia pra casa dele, e sempre tinha jogo, então ele sempre assistia e eu tava lá com ele” “Meu pai me levava nos jogos, e aí ele parou de me levar e eu continuei indo...foi incentivo dele” “Eu sempre fui torcedora doSão Paulo, mas algo que me marcou muito foi aquele jogo da
Vitória Meireles
Larissa Botelho Fotos com o pai
Auanny Araújo
Esther Sant’Ana
Bruna Gusmão
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Libertadores de 2005. Eu tenho 25 anos, mas foi esse jogo que realmente mudou foi o jogo da Libertadores de 2005, que o São Paulo foi campeão.” EMOÇÃO Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio “É uma sensação única, porque Vitória Meireles você sente a energia do local, então é a torcida com você. Não Imagens do Neymar tem quem narre o jogo, então subindo nas grades você vai pro estádio, e você não tem aquela familiaridade de alguém narrando o jogo pra você. Então é algo mais assistido, então você presta muito mais atenção pra você entender a dinâmica do jogo, e você sente muito mais a energia, seja ela boa ou ruim, quando a torcida comemora, a arquibancada treme, quando a torcida canta, a arquibancada treme, você faz amizade na arquibancada, você conhece muita gente. Então assim, é uma sensação não tem nem comparação você assistir no sofá da sua casa, ou você estar no estádio, é fora do normal, porque é uma energia que dentro da sua casa não vai ter, porque dentro da sua casa só vai ter você e mais algumas pessoas. No estádio não, é você e mais 30 mil pessoas. E o jogo que mais me marcou foi Santos x Penarol, na final da Libertadores de 2011.” “E foi nesse dia que tinha mais de 40 mil pessoas no estádio, e aquela Praça Charles Muller entupida de santista, e eu tipo tinha uns 12, 13 anos, e eu não sabia se eu gritava, se eu chorava, se eu entrava em desespero, tipo Neymar pulando na...nossa fiquei até arrepiada,
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Neymar pulando nas grades e aquela coisa, e foi o melhor jogo da minha vida, juro foi inesquecível, foi marcante demais cara, sei nem dizer!” “Nossa, foi indescritível! Eu lembro que eu chorei...” “Eu chorei horrores, eu chorei muito, eu fui de Sul, eu não tinha ido ainda na Gaviões, mesmo assim a emoção era muito grande. Foi um empate, não foi vitória, mas mesmo assim eu ficava meu deus do céu, eu não acredito que eu to aqui. Eu olhava ao redor, a torcida toda gritando, pulando, eu chorei muito, eu lembro como se fosse hoje, ó to até arrepiada, incrível, a sensação foi única.” “Eu demorei muito pra ir pro estádio, sempre tive muita vontade, mas não ia. E também eu nunca tive um incentivo pra ir pro estádio, e aí eu acabei indo pro estádio a primeira vez, não era um jogo oficial, era na despedida do Rogério Ceni”
Auanny Araújo Bianca Araújo Fotos Arquivo Pessoal
Vanessa Carvalho
“Não era um jogo tão oficial então eu me senti mais tranquila, e aí depois dessa primeira vez, que já era um dia mágico que envolvia ali a data, mas eu vi que era uma energia totalmente diferente, eu me arrepiei a primeira vez no Morumbi, foi muitas primeiras vezes, então dali pra frente eu comecei a ser assídua nos estádios” “Se eu não me engano foi contra Mayara Rodrigues a Ferroviária, foi 4x0 pro Palmeiras. Eu cheguei, assim que eu cheguei no estádio o Palmeiras fez o gol. Foi inesquecível!” “A primeira vez que eu fui, eu era Esther Sant’Ana pequenininha. Foi em 2003, Santos e Boca Juniors, então eu não lembro muito assim...eu
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lembro da torcida chorando, porque o Santos perdeu naquele dia…” “Eu tenho uma lembrança muito viva da torcida sabe? Dos gritos, eu lembro das músicas, tanto que tem músicas que eu escuto no estádio hoje, que eu brinco com meus pais que essa música eu cantava quando eu era pequena no estádio. Mas uma das lembranças mais vivas que eu tenho são dos bandeirões, que naquela época desciam os bandeirões no estádio inteiro, e eu lembro que tinha um cheiro muito ruim né que aquele tecido fica guardado, toma chuva” PROBLEMAS
Larissa Botelho Fotos de Arquivo Pessoal
Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio “Quando você é homem e você Vanessa Carvalho entra em uma discussão, em uma conversa sobre futebol, é tranquilo; as pessoas aceitam com naturalidade. E quando você é mulher e faz algum comentário, ou entra em uma discussão sobre futebol de imediato eles te colocam um provão de vestibular! Então as pessoas olham e falam nossa, mas você gosta de futebol? E aí que começa o provão ‘o que é impedimento, quem é o terceiro goleiro do seu time?’ como se você tivesse que provar que você realmente gosta de futebol.” “Meu pai, quando eu era criança, Bianca Araújo me incentivava muito, igual eu falei, aquela coisa coloca roupinha de criança, mas conforme você vai crescendo, acaba ficando opa, pera aí né. Eu sempre pedia pra ele me levar no estádio, mas era aquela coisa ah, criança não pode, mulher não pode ir no estádio e não sei o que. Quando eu tinha
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17 anos eu resolvi ir sozinha, falei vou, ganhei ingresso dos meus amigos, falei vou vou vou, falei pra minha mãe e fui. Quando eu tava no meio do caminho, meu pai acabou descobrindo, que a minha mãe falou, e aí ele me ligou volta pra casa agora, se você pisar nesse estádio, você não entra mais em casa, e aquela história toda, e eu não sabia o que fazer e acabei voltando pra casa né, e chorava horrores, nossa acho que eu nunca chorei tanto na minha vida.” “Eu tava com a minha mãe e Larissa Botelho com meu namorado no estádio, era Palmeiras e Corinthians em Foto Arquivo Pessoal 2018, e eu tava assistindo o jogo no anel superior do Allianz Parque, na primeira fileira” “E assim era um clássico, tava todo mundo em pé, ninguém senta em Palmeiras e Corinthians” “Eu tava em pé, no alto do meu 1,63, aí o cara que tava atrás de mim falou ‘senta aí’ e sempre acompanhado de um palavrão” “Eu tava ignorando, mas teve uma hora que eu perdi a linha e falei ‘eu não vou sentar, ponto’. ‘não que você tem que sentar, tá me atrapalhando, que não sei o que’” “Aí ele me chamou de filha da puta, de vagabunda, aí minha mãe tava comigo, minha mãe tomou as dores e disse ‘você respeita a minha filha. ’” “Então o cara ele meio que fechou a mão, não sei se ele teria coragem de bater na minha mãe, mas ele fechou a mão
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assim, com ódio, e eu disse: ‘se você encostar um dedo na minha mãe eu vou arrebentar a sua cara’. Aí meu sangue subiu assim, no final minha mãe saiu dali e foi chamar a polícia, meu namorado foi atrás pra ver o que ia acontecer com minha mãe, ficou com medo, e eu fiquei ali sozinha, e todo mundo que tava na minha volta me xingando de vagabunda, que eu não deveria estar ali, que o cara realmente tinha que ter me dado um soco pra eu cair ali e morrer, nunca mais voltar pro estádio e tipo eu tava errada? O cara me xingou, me ameaçou, levantou a mão pra mim não né, tava certo. Minha mãe voltou com a polícia, tiraram o cara de lá”
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“A situação me fez enxergar o quanto a gente precisa de voz, amparo de outras pessoas, o quanto a gente precisa falar né, o simples fato de ter com quem falar já é confortante.” “Uma vez eu fui com uns amigos, Vitória Meireles eu não lembro o jogo que foi, mas deve ter sido Paulista, domingo, 18h, 19h o jogo sei lá. E os meus amigos ficaram comendo na Praça Charles Muller, que sempre tem aquelas barracas, e eu decidi vir embora, porque no outro dia eu ia trabalhar. E quando eu tava subindo pra vir aqui pras Clínicas, mano a quantidade de caras que me parava pra perguntar se eu queria carona, pra perguntar se eu precisava de companhia, o por quê que eu tava sozinha, foi assustador! Então assim, depois daquele dia eu nunca mais fui embora sozinha, eu nunca fui em estádio sozinha, porque assim naquele dia eu senti muito medo real,
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porque por mais que eu tava subindo com a torcida, eu tava sofrendo muito assédio, muito. Se o caminho durou 10 minutos na prática, na minha cabeça durou uma vida porque foi uma sensação ruim.” “Lá dentro da torcida, pelo Mayara Rodrigues menos a minha torcida eles nunca tiveram isso, eles sempre respeitaram.” “Sempre quando essas coisas Auanny Araújo ocorrem, é em um setor específico, onde ficam os homens de classe média, e que se acham superiores a tudo.” COLETIVOS FEMININOS Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio Manchetes (prints) “Mulheres driblam assédio e machismo e ganham espaço em estádios de futebol” “Movimento incentiva mulheres a irem aos jogos de futebol de São Paulo” “Cansadas de machismo, palmeirenses criam movimento para mulheres torcerem juntas” BG: Anthem of Inspiration
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“O VerDonnas surgiu naquele episódio no metrô, quando duas palmeirenses encontraram a torcida do Corinthians, elas estavam assistindo o jogo num bar, e tava tendo jogo aqui em São Paulo do Corinthians, o Palmeiras jogou fora. E elas acabaram sendo agredidas dentro do metrô, aí as meninas tiveram a ideia ‘poxa, por que não a gente não cria um grupo pra expor essa situação né, que não é confortável, não é de hoje que acontece, não é só com
Larissa Botelho Vídeo de palmeirenses no metrô Fotos VerDonnas
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rival, acontece também com torcedor da nossa própria torcida’, e criaram o VerDonnas. ”
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“A gente sempre fala que o VerDonnas é um movimento, não somos uma torcida organizada.” “Eu sou uma das fundadoras Tatiane Vidal com Alana, com Rafa, Jhennifer, são 10 meninas aí que fundou” Fotos Alvinegras “A gente tem um grupo, desde 2015, esse grupo nasceu do twitter, a gente era de um grupo, aí a gente criou um outro grupinho entre a gente” “Um amigo nosso, desse grupo que eu te falei entrou em contato com a Alana e falou ‘olha Alana, que legal né, como vocês vão pro estádio sozinhas, se reúnem, porque vocês não fazem isso com a torcida do Corinthians? ’”
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“A gente começou a bolar uma ideia, Alana entrou em contato com as meninas do Verdonnas pra ver como foi, porque a gente precisava saber como era, e elas deram um apoio pra gente, ficou tipo brother nossa, e aí a gente colocou algumas caras e postou no Instagram e Twitter, aí o pessoal começou a dar RT, pedindo pra participar.” “O São Pra Elas surgiu em 2017, Bruna Gusmão em 2017, no final de 2017, quando a antiga fornecedora do Fotos São Pra Elas São Paulo né, a de camisetas, não fabricava nenhum uniforme feminino, então a gente não tinhas as camisetas de jogos lá do São Paulo, e surgiu com a ideia no twitter né, só uma hashtag pra antiga fornecedora começar a fazer, a fabricar os
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uniformes, e a partir daí eles começaram, o São Paulo viu essa hashtag, teve muita visibilidade, o São Paulo entrou em contato com a gente e eles começaram a fornecer as camisas femininas. E aí a gente viu que não era só isso né, tinha tantas coisas pendentes, outras meninas nos procuraram pra saber como fazia pra ir no Morumbi com a gente assistir o jogo, então a gente viu que não era só as camisetas que faltavam, então a gente firmou realmente né, na época a gente era são-paulinas uniformizadas, e com o tempo a gente amadureceu a ideia né, realmente viramos um Movimento, e nós estamos aí com o Movimento São Pra Elas.” “Então, nós estávamos reunidas em um grupo de WhatsApp de umas amigas que são santistas, e a gente tava falando ‘nossa, iria ser mil vezes melhor a gente conseguir reunir um número maior de garotas pra poder ir nos jogos e se reunir pra assistir’...aí surgiu a ideia, a gente começou a organizar isso e surgiu a Bancada” #ELASNOESTÁDIO
Esther Sant’Ana Fotos Bancada das Sereias
Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio “Passaria a ter ali dentro do Aline Pellegrino estádio já, um local para essa denúncia, e a campanha Foto da seletiva de também indicava todos os imprensa canais possíveis, pra que se fizesse essa denúncia, então eu acho que isso de uma certa forma você ter isso já dentro do estádio esse primeiro local de atendimento, então isso era algo ali como bem importante” “E aí no dia coletiva participou de forma oficial, eu ali
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representando a Federação, e a Laura Louzago, a coordenadora de marketing do Botafogo de São Paulo, então acho que foi bem bacana, as meninas da torcida estavam ali na primeira fila, e só repórteres e jornalistas mulheres ali participando. Um ou outro do pessoal lá da câmera, que eram homens, mas assim exceção! Éramos 95% de mulheres na coletiva.” “Eu achei legal que quando eles Larissa Botelho fizeram a campanha #ElasNoEstádio eles nos chamaram, a Federação Paulista nos chamou, assim como chamou as meninas do Santos, do Corinthians e do São Paulo. Eu achei essa questão muito bacana porque a Aline Pellegrino ela é mulher né, então é ela quem fez essa campanha, então ela teve toda essa carga de colocar os homens pra fora” “É esse tipo de motivação que Vanessa Carvalho vai fazer a mulher a ir cada vez mais no estádio. Então a mulher que não vai por vários motivos que a gente citou aqui, por medo, por violência, por falta de companhia, ela precisa de incentivo, mas ela precisa que esse incentivo venha de órgãos maiores, pra gente se sentir respaldada por isso, então dependendo da Federação, tem um peso maior, eu acho que falta muito pra gente chegar lá, mas a mulherada tá começando a ser vista com outros olhos no futebol.” “Deu pra gente ter um pouquinho Esther Santana mais de espaço né, porque é uma coisa, a questão de assédio, essas coisas é uma coisa que dificulta muito pra gente, a gente não tem voz pra falar no estádio. E ter sido chamada pela Federação, pra
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conversar sobre isso, pra saber que eles estão escutando a gente foi espetacular.” “Ver um trabalho exclusivo pra Tatiane Vidal isso, que incentiva as mulheres, um cuidado com as mulheres, eu acho bacana demais, é bom ser ouvida sabe.” FUTURO Frase escrita com letras brancas, e fundo com BG: Bateria Torcida Jovem foto de estádio “O futuro ideal é a gente poder ir Imagens torcedoras do pro estádio em paz né, com a Santos roupa que a gente quiser, da forma que a gente quiser, ser Esther Santana respeitada porque a gente respeita, o que precisamos é de respeito e é isso. Eu sei que falta muito pra chegar nessa questão, mas o ideal é que nós podemos ir pro estádio e ser respeitada, ter o nosso espaço sem ser invadido.” “A gente quer que mais Tatiane Vidal mulheres apareçam e venham pro estádio, a gente quer que família tomem conta desse lugar. Eu quero que minha filha vá pro estádio sozinha e fale: ‘mãe foi massa, foi legal, fui e voltei em segurança, ninguém mexeu ninguém me tocou, ninguém falou nada’. Quero que mais mulheres vão pro estádio sem medo, sem preocupação que vai estourar uma briga e vai ter que sair correndo.” “O mundo ideal é a hora que Aline Pellegrino essa mulher consegue viver plenamente o futebol onde ela quiser, no campo, na arquibancada, dentro de campo como árbitra, fora de campo como técnica” “Eu acho que essa cultura do Vanessa Carvalho machismo nos estádios, falando como torcedora, ela tende a mudar, mas eu sei que vai ser aos poucos, porque é uma coisa cultural, estrutural, não é uma
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CRÉDITO S FINAIS
coisa só do estádio, é fora dele também, eu acho que tem que mudar a cabeça masculina aqui fora, a criação de quem tá vindo agora, pra que a gente possa mudar lá na frente. Eu acho que é um caminho muito longo que a gente vai ter que percorrer, mas a gente já conquistou muita coisa, está muito longe de ser o ideal ainda pra que a gente se sinta segura, mas o meu sonho como torcedora é poder ir no estádio, e ver meninas no estádio no trajeto de ida, durante o jogo e no trajeto de volta se sentindo segura.” roteiro e direção THAYNARA BERNARDO gravação e edição THAYNARA BERNARDO imagens CORINTHIANS TV SANTOS TV SÓCIO MANCHA VERDE SPFC TV TV GLOBO TV PALMEIRAS VIDEEZY.COM trilha sonora ANTHEM OF INSPIRATION ETHER - SILENT PARTNER ON FOOT - UNDERBELLY JOGADEIRA TORCIDA JOVEM apoio BIANCA CANDIDO SABRINA RODRIGUES agradecimentos BANCADA DAS SEREIAS MOVIMENTO ALVINEGRAS SÃO PRA ELAS VERDONNAS Este produto audiovisual é o projeto experimental do Trabalho de Conclusão de Curso, do curso de Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, da estudante Thaynara Bernardo da Silva, realizado
Imagens de apoio das personagens
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sob orientação do Professor Mestre Antônio Lucio R. Assiz. C. Pesquisa Google Forms
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D. Relatório da pesquisa A pesquisa realizada pelo Google Forms sobre a torcida feminina dos principais clubes de São Paulo foi disponibilizada para as torcedoras responderem entre os dias 02 de julho de 2020 e 14 de agosto de 2020. Ao todo, 218 torcedoras deram opiniões sobre o assunto.
As primeiras três perguntas, eram relacionadas a informações pessoais, como nome, idade e e-mail para contato. Após essa coleta, vamos conhecer o perfil dessas torcedoras. A enquete aponta que 87,6% são solteiras, e que 55,8% já estão cursando Ensino Superior.
Em seguida, partimos para a relação delas com o futebol. Um dado que reflete no video-documentário é de que a maioria teve a influência do time causada pelo pai, que na pesquisa resultou no valor de 43,1%. Já quando o assunto é o local que mais assiste os jogos, 62,8% responderam que assistem em casa. Talvez esse número seja tão alto pelo fato das hipóteses já citadas, como o assédio e machismo.
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Perguntadas sobre já terem ido ao estádio, 11,9% ainda não tiveram a oportunidade de acompanhar seu time ao vivo e a cores. E em sua grande maioria, as mulheres vão acompanhadas de familiares, amigos ou companheiros. Apenas 7% tem a coragem e disposição de ir sozinha.
Quando o assunto são os coletivos femininos e o assédio, 99,5% responderam que a mulheres ainda sofrem assédio nos estádios. Segundo a pesquisa, os coletivos femininos são desconhecidos por 5% delas. 81,2% das torcedoras relatam que o conteúdo presente na mídia sobre o assunto ainda não é suficiente para o entendimento do público em geral, ou seja, uma crítica aos veículos de comunicação que só debatem sobre o tema em datas específicas, como no mês da mulher.
Muitos foram os fatores que afastam as torcedoras dos estádios, mas o assédio lidera o ranking com 45,4% das respostas. Por último, foi deixado um espaço para a torcedora relatar alguma situação que ela presenciou ou viveu nos estádios. Com base nessas respostas, as personagens do documentário televisivo foram escolhidas E. Diário de campo Quando comecei o curso de jornalismo, sempre me senti a vontade na editoria de esportes. No fim do ano passado, eu já estava pensando sobre os possíveis temas que eu poderia fazer no meu Trabalho de Conclusão de Curso, além de já ter em mente que gostaria de fazer um documentário.
Em janeiro, antes de começar as aulas, me deparei com a manchete “Federação Paulista de Futebol e clubes do Paulistão lançam movimento para incentivar mulheres a irem aos jogos”. Logo fiquei bem feliz com a notícia, pois sou torcedora, frequento jogos, e sei o que nós mulheres passamos só em falar que torcemos para algum time. Dei uma leve pesquisada, e vi que não tinha muito conteúdo com esse tema. Resolvi então que este seria meu tema de TCC.
Em fevereiro, entrei em
contato com os coletivos femininos, que
particularmente eu já tinha conhecimento. As meninas super toparam e estavamos combinando até de ir em jogos juntas, para gravarmos as imagens necessárias. Porém, em março o mundo parou com a chegada do novo Coronavírus. Com ele, veio
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o distanciamento social, e o futebol parou. Com isso, eu comecei a entrar em desespero e até pensei em desistir, mas até então, achei que até agosto estaria tudo bem. Agosto chegou, o futebol tinha acabado de voltar, mas sem público. Eu pensei, “como vou fazer esse documentário?” Pensei em mudar de tema, mas tudo que planejei desde janeiro cairia por terra, e acredito que eu não teria saúde mental para a mudança. Então, meu orientador Antonio não me deixou desistir, e aconselhou de diversas maneiras como poderíamos dar continuidade no trabalho.
Conversei
com
as
personagens,
algumas
ainda
topavam
fazermos
presencialmente, outras não. Por um momento acreditei que isso poderia prejudicar meu trabalho, mas mantive a esperança e logo comecei as gravações. No fim de setembro já estava com praticamente todas as entrevistas. Faltava apenas uma, da Aline Pellegrino. Ela tinha acabado de sair da Federação Paulista de Futebol (FPF) e ir para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a agenda dela estava super apertada. Eu entrei em contato com a assessora dela, a quem sou muito grata, e após muito tempo de espera, ela conseguiu me atender num domingo.
Em outubro, começou a parte mais difícil. Eu estava com o roteiro pronto, mas não sabia mexer nas ferramentas de edição, no caso, o Adobe Premiere. Após ver vários tutoriais comecei a entender como funcionava, e consegui fazer a edição. Outro desafio é criar uma arte para a capa, mas com muito esforço e tutoriais no youtube, consegui pegar jeito, digamos que aprendi na marra.
Com toda certeza, me tornei uma profissional mais capacitada com esses grandes desafios, fico orgulhosa de ter conseguido entregar um documentário com criação 100% minha.
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F. Pautas PAUTA
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS
EDITORIA
TEMA/ASSUNTO
EDIÇÃO
ESPORTE
ENTREVISTA – Aline Pellegrino Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Aline Pellegrino Ex-zagueira da Seleção Brasileira, passou pelos clubes Santos F.C. (BRA) e WFC Rossiyanka (RUS) e medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de 2007; Foi Co-Diretora do Guerreiras Project, coletivo formado por ativistas, atletas, artistas e acadêmicos que atuam em prol da igualdade de gênero e da visibilidade para o futebol feminino; Ex-Coordenadora do Departamento de Futebol Feminino da Federação Paulista de Futebol (FPF), e uma das embaixadoras do #ElasNoEstádio. Atualmente é Coordenadora de Competições Femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
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Perguntas: 1 – Como surgiu o projeto #ElasNoEstádio? 2 – Como os clubes reagiram com a proposta do movimento? 3 - E os coletivos femininos? Ficaram surpresos? 4 - A ideia da “seletiva de imprensa” foi bem marcante, nunca havia tido isso antes, como foi essa ideia, e por quê? 5 - Agora na CBF, você pretende levar o #ElasNoEstádio para o campeonato brasileiro? 6 - Por conta do Covid-19 o futebol continua sem a presença das torcidas nos estádios. As medidas do #ElasNoEstádio continuarão a ser executadas quando houver a volta de público aos jogos? 7 - Na sua opinião, o que afasta a mulher do estádio? 8 - Pra você, o quanto a proibição da mulher no esporte que houve no passado, reflete nos dias de hoje? 9 – Caso a mulher for assediada no estádio, o que ela deve fazer para denunciar? 10 - Pra você, qual seria o futuro ideal para as torcedoras? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Conhecer mais sobre o projeto da FPF, além de descobrir os caminhos que ele pode percorrer não só no Estado de São Paulo, mas sim em campeonatos nacionais. OBSERVAÇÃO Entrevista por vídeo-chamada Data: 04/10 Plataforma: ZOOM Horário: 14h30 PAUTEIRA (O) / REPÓRTER Thaynara Bernardo
PAUTA EDITORIA ESPORTE
TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Auanny Araujo
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Auanny Araujo da Silva E-mail: auannyaraujo2@gmail.com/ (11) 98796-6082 Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Corinthians? 2 – O que é o Corinthians pra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol?
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4 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 5 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 6 – Na pesquisa você relatou que já discutiu com um homem, por ele xingar a bandeirinha né, como foi essa situação? 7 – Você faz parte do Movimento Alvinegras? 8 – Quando você decidiu participar do movimento? 9 – Vocês acredita que o Corinthians tem essa preocupação com as torcedoras? 10 – Eu vejo que muitas torcedoras reclamam da falta de produtos licenciados femininos, como camisa de treino, camisa de goleiro, você acha que o clube deveria olhar mais pro seu público feminino? 12 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que você achou dessa ação para incentivar as mulheres a irem aos jogos? 13 – Em relação a luta das mulheres contra esse machismo, onde vocês torcedoras querem chegar? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista gravada com celular e iluminação natural. Data: 11/09 Local: Rua Leais Paulistanos, 525 Bloco B, apto 86 Horário: 10h PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo PAUTA EDITORIA ESPORTE
TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Bianca Araújo
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Bianca Araújo Estudante de Relações Internacionais E-mail: araujobiat@gmail.com/ (11) 97526-9282 “Meu pai é super conservador e machista, sempre amei futebol e quis ir pro estádio mas ele nunca deixava, pedia pra ele levar e nada, dizia que estádio não era lugar de mulher. Tentei ir uma vez escondida mas minha mãe acabou contando quando eu já estava no meio do caminho, ele me ligou e disse que se eu pisasse no estádio não ia mais entrar em casa, chorei horrores, briguei, mas acabei voltando. A primeira vez que fui no estádio, tinha 19 e meu ex me levou (a partir de então meu pai passou a odiar ele). Isso me fez perceber que eu não podia mais aceitar a situação e comecei a frequentar os jogos, alguns até sozinha. Acho que de tanto a gente ouvir, no começo tinha medo de ir desacompanhada, não sabia o que podia acontecer e sempre tem alguém mexendo com você, passei a evitar inclusive as camisas que tinham meu nome para não dar brechas e ficarem chamando o tempo todo. Hoje vou em praticamente em todos os jogos e fiz muitos amigos por causa do Corinthians e que frequentam os jogos comigo, mas antes disso era bem difícil. Meu pai ainda não gosta muito da ideia, mas acaba não falando mais nada
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porque sabe que não vai me fazer não ir mais.” Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Corinthians? 2 – O que é o Corinthians pra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 - Na pesquisa você disse que seu pai é bem conservador e não gosta que você vai aos jogos, me conta um pouco sobre isso. 5 –Qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio? 6 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 7 – Você já sofreu algum tipo de assédio ou machismo? 8 – Você faz parte do Movimento Alvinegras? 9 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. Infelizmente por conta do Covid-19, os jogos foram suspensos, porém você notou alguma mudança a favor das mulheres no pouco tempo que teve? E o que você achou da iniciativa da FPF? 10 - Nesses tempos de jogos sem torcida, vocês se reuniram por vídeo-chamada ou até em grupo de WhatsApp pra comentar sobre o jogo, ou até assistir ‘juntas’? 11 - Onde o Movimento Alvinegras quer chegar? Qual a visão de futuro? 12 - As torcidas organizadas como a Gaviões da Fiel, por exemplo, que em sua maioria são frequentadas por homens, respeitam o movimento e já incentivaram vocês? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista gravada com celular e iluminação natural. Data: 29/08 Local: Rua Gomes Leal, 251- Centro Alto – Ribeirão Pires/SP Horário: 14h PAUTEIRA (O) Thaynara Bernardo
REPÓRTER Thaynara Bernardo
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TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Bruna Gusmão
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Bruna Gusmão – Adm do Coletivo São Pra Elas E-mail: gusmaobruna@outlook.com / (11) 98636-2223 Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o São Paulo? 2 - O que é o São Paulo pra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 5 - Você já sofreu algum tipo de assédio, machismo ou violência? 6 – Como surgiu o São Pra Elas?
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7 – Quem quiser entrar no São Pra Elas, o que tem que fazer? 8 – As torcidas organizadas como a Independente, por exemplo, que em sua maioria são frequentadas por homens, respeitam o movimento ou já incentivaram vocês? 9 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que vocês acharam dessa iniciativa vindo da própria Federação? 10 – Nesses tempos de jogos sem torcida, vocês se reuniram por vídeo-chamada ou até em grupo de WhatsApp pra comentar sobre o jogo, ou até assistir ‘juntas’? 11 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 12 – Vocês vê proximidade do São Paulo com o movimento de vocês? 13 - Muitas mulheres reclamam da falta de produtos licenciados do clube, as sãopaulinas sofrem com isso? 14 – O que vocês mulheres, que lutam por esse respeito, querem chegar? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista por vídeo-chamada Data: 18/09 Plataforma: ZOOM Horário: 18h PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo
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TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Esther Sant’Ana
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Esther Administradora Bancada das Sereias (11) 98610-4190 Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Santos? 2 – O que é o Santospra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 –Qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio? 5 - Na sua opinião, o que afasta a torcedora do estádio? 6 – Você já sofreu algum tipo de assédio ou machismo? 8 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 7 – Como surgiu o Bancada das Sereias? 8 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que você achou da iniciativa da FPF? 9 - As torcidas organizadas como a Torcida Jovem, por exemplo, que em sua maioria são frequentadas por homens, respeitam o movimento e já incentivaram vocês? 10 - Onde vocês torcedoras querem chegar? Qual o futuro ideal? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol.
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OBSERVAÇÃO Entrevista por vídeo-chamada Data: 04/10 Plataforma: ZOOM Horário: 15h30
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TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Larissa Botelho
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Larissa Brandão Botelho – Adm do Coletivo Verdonnas Estagiária em um Banco e estudante de Engenharia Elétrica* E-mail: Larissa.bbotelho@outlook.com / (11) 96474-1914 “Eu faço parte da administração do movimento feminino Verdonnas, e é uma das coisas mais importantes que já fiz na minha vida como torcedora. Eu sempre tive uma relação muito próxima com o futebol, mas isso foi um privilégio que não atinge a todas as mulheres. Meu pai me leva ao estádio desde os 5 anos e sempre me incentivou a torcer e acompanhar o Palmeiras, incentivo de forma natural. Digo isso, pois meu pai é fanático por futebol e sempre trabalhou muito, no seu tempo livre, sempre assistia futebol e eu desde muito pequena entendi que dessa forma, eu teria um assunto em comum com meu pai. E hoje ele é o meu parceiro de estádio da vida inteira, agora somado ao meu namorado e ocasionalmente alguns amigos e amigas. Acredito que seja um dos momentos mais felizes e gratificantes da minha rotina.” Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Palmeiras? 2 – Seu Pai sempre te apoiou? Como começou essa paixão por futebol? 3 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 4 – O que é o Palmeiras pra você? 5 - Como surgiu o Verdonnas? 6 – Você já sofreu algum tipo de assédio, machismo ou violência? 7 – Quem quiser entrar no Verdonnas, o que tem que fazer? 8 – As torcidas organizadas como a Mancha Verde, por exemplo, que em sua maioria são frequentadas por homens, respeitam o movimento e já incentivaram vocês? 9 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. Infelizmente por conta do Covid-19, os jogos foram suspensos, porém vocês notaram alguma mudança a favor das mulheres no pouco tempo que teve? E o que você achou dessa ação? 10 – Nesses tempos de jogos sem torcida, vocês se reuniram por vídeo-chamada ou até em grupo de WhatsApp pra comentar sobre o jogo, ou até assistir ‘juntas’? 11 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 12 - Você acredita que os seguranças do estádio ajudam nessas situações como você passou? 13 – Vocês vê proximidade do Palmeiras com o Verdonnas? 14 - Muitas mulheres reclamam da falta de produtos licenciados do clube, como você vê isso? 15 – Você acredita que seja uma miopia mercadológica que os times têm? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO
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Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista por vídeo-chamada Data: 25/08 Plataforma: ZOOM Horário: 18h PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo PAUTA EDITORIA ESPORTE
TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Mayara Rodrigues
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Mayara Rodrigues (11) 97753-9881 Integrante da Torcida Organizada Mancha-Verde Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Palmeiras? 2 – O que é o Palmeiras pra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 - Quando você decidiu decorar todo seu quarto com o tema do Palmeiras? 5 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 6 - Você já sofreu assédio, preconceito ou já duvidaram do seu amor pelo Palmeiras, pelo fato de você ser mulher? 7 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 8 – Você faz parte de Torcida Organizada? Se sim, já sofreu algum preconceito por ser mulher? 9 – Você conhece o Movimento Verdonnas? O que acha dele? 10 – Vocês acredita que o Palmeiras tem essa preocupação com as torcedoras? 11 – Eu vejo que muitas torcedoras reclamam da falta de produtos licenciados femininos, como camisa de treino, camisa de goleiro, você acha que o clube deveria olhar mais pro seu público feminino? 12 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que você achou dessa ação para incentivar as mulheres a irem aos jogos? 13 – Em relação a luta das mulheres contra esse machismo, onde vocês torcedoras querem chegar? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista gravada com celular e iluminação natural. Data: 16/09 Local: Rua Bartolomeu de Brito nº57 - São Mateus SP Horário: 11h PAUTEIRA (O) REPÓRTER
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Thaynara Bernardo
Thaynara Bernardo
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TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Tatiane Vidal
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Tatiane Vidal (71) 99287-1509 Uma das administradoras e fundadoras do Movimento Alvinegras Perguntas: 1 – O que é o Corinthians pra você? 2 – Quando começou essa paixão pelo Corinthians? 3 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 4 - Como surgiu a ideia de criar o Alvinegras? 5 – Vocês acredita que o Corinthians tem essa preocupação com as torcedoras? 6 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. Infelizmente por conta do Covid-19, os jogos foram suspensos, porém você notou alguma mudança a favor das mulheres no pouco tempo que teve? E o que você achou dessa iniciativa? 7 – Em relação a luta das mulheres contra esse machismo, onde vocês torcedoras querem chegar? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista por vídeo-chamada Data: 12/09 – Plataforma: ZOOM - Horário: 12h PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo PAUTA EDITORIA ESPORTE
TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Vanessa Carvalho
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Vanessa Carvalho E-mail: vcarvalho84@bol.com.br/ (11) 98432-4981 ‘Não vou ao estádio desacompanhada de uma companhia masculina por ter medo do assédio e violência’ Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o São Paulo? 2 – O que é o São Paulo pra você?
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3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. 5 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 6 – Na pesquisa você disse que não vai ao estádio sem uma presença masculina, por quê? Você já sofreu algum tipo de violência ou assédio? 7 – Você faz parte do Movimento São Pra Elas? 8 – Quando você decidiu participar do movimento? 9 – Vocês acredita que o São Paulo tem essa preocupação com as torcedoras? 10 – Eu vejo que muitas torcedoras reclamam da falta de produtos licenciados femininos, como camisa de treino, camisa de goleiro, você acha que o clube deveria olhar mais pro seu público feminino? 12 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que você achou dessa ação para incentivar as mulheres a irem aos jogos? 13 – Nesses tempos de jogos sem torcida, como vocês do São Pra Elas se unem, mesmo que virtualmente? 14 – Em relação a luta das mulheres contra esse machismo, onde vocês torcedoras querem chegar com essa luta? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista gravada com celular e iluminação natural. Data: 06/09 Local: Rua Franklin do Amaral, 1051 – Bloco B Apto 31 Horário: 10h30 PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo PAUTA EDITORIA ESPORTE
TEMA/ASSUNTO ENTREVISTA – Vitória Meireles
DOCUMENTÁRIO TORÇAM COMO ELAS EDIÇÃO Thaynara Bernardo
HISTÓRICO Victória Meireles (11) 98625-4484 Perguntas: 1 – Há quanto tempo você torce para o Santos? 2 – O que é o Santos pra você? 3 – Como começou essa paixão por futebol? 4 – Me conta qual foi a sensação de ir à primeira vez no estádio. Qual jogo te marcou mais? 5 - Você se priva de ir maquiada, ou com determinada roupa por conta do assédio? 6 – Você já sofreu assédio ou violência no estádio? 7 – Você conhece o Bancada das Sereias? O que você acha desses movimentos que incentivam a mulher a ir pros jogos?
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8 – Entre os grandes de SP, o Santos é o único que dá um desconto no plano de sóciotorcedora, vocês acredita que isso é uma forma de trazer as mulheres pro estádio? E você vê uma preocupação com as torcedoras partindo do clube? 9 – Eu vejo que muitas torcedoras reclamam da falta de produtos licenciados femininos, como camisa de treino, camisa de goleiro, você acha que o clube deveria olhar mais pro seu público feminino? 10 – Em janeiro deste ano, a Federação Paulista de Futebol criou o movimento #ElasNoEstádio. O que você achou dessa ação para incentivar as torcedoras a irem aos jogos? 13 – Em relação a luta das mulheres contra esse machismo, onde vocês torcedoras querem chegar? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar e conhecer o perfil da torcedora, além de compreender o percurso da construção da paixão pelo futebol. OBSERVAÇÃO Entrevista gravada com celular e iluminação natural. Data: 19/09 Local: Largo da Batata Horário: 11h PAUTEIRA (O) REPÓRTER Thaynara Bernardo Thaynara Bernardo
ANEXOS Anexo I – Fotos
Larissa Botelho
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Movimento Alvinegras
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Bancada das Sereias
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Bianca Araújo
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São Pra Elas
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VerDonnas
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Anexo II – Autorizações de imagem Aline Pellegrino
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Auanny Araújo
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Bianca Araújo
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Bruna Gusmão
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Esther Sant’Ana
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Larissa Botelho
Tatiane Vidal
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Mayara Rodrigues
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Vanessa Carvalho
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Vitória Meireles