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O que vem depois? Do acolhimento institucional à vida adulta - Sabrina Rodrigues da Silva

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

O QUE VEM DEPOIS? DO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL À VIDA ADULTA

SÃO PAULO 2020


UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

O QUE VEM DEPOIS? DO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL À VIDA ADULTA

Sabrina Rodrigues da Silva RGM: 1836035-1

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado à Universidade Cruzeiro do Sul como parte do Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo. Orientadora: Profª. Dra. Mirian Meliani Nunes.

SÃO PAULO 2020


AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus por me permitir chegar até aqui, por me fortalecer, e me guiar nessa trajetória, após muitos conflitos, dificuldades e anseios pude chegar até esta etapa da minha vida. Sou grata aos meus pais, minha mãe Vanusa e meu pai Salustriano, que foram os meus maiores apoiadores desde o início, me ajudando nas despesas e me encorajando a não desistir em meio as adversidades, dedico esse momento da minha vida a eles, eu os amo demais Agradeço aos meus irmãos, minhas primas, minhas tias e tios, minhas avós. Por direta ou indiretamente me ajudarem, e apoiarem me estimulando sempre. Agradeço aos meus irmãos de fé da igreja que faço parte, são muito importantes nesse momento da minha vida, sempre me animaram para nunca retroceder. Sou grata a cada colega de turma, e em especial às minhas amigas do grupo Tropa Comunicação, sem elas eu não teria coragem de trocar de publicidade para jornalismo, não teria vencido as dificuldades e medos ao longo desta jornada, foram e são grandes companheiras só tenho agradecer a Deus, por cada uma delas na minha vida. Agradeço cada professor da Universidade Cruzeiro de Sul, que contribuíram para eu me tornar uma profissional na área do jornalismo, e particularmente a minha orientadora Mirian Meliani pela paciência e apoio, e ao nosso querido Coord. de curso Antônio Assiz, por proporcionar ótimas experiências acadêmicas ao longo desses quase quatro anos. E os meus muito obrigado, a cada entrevistado, por disponibilizarem o seu tempo e contribuir positivamente com suas histórias, e experiências ao meu projeto se tornaram fundamentais para a realização desse sonho, e o fechamento conclusivo dessa trajetória.


FICHA TÉCNICA

Título: O que vem depois? Do acolhimento institucional à vida adulta Sinopse: Quando se vive em um abrigo, o primeiro abandono é o dos parentes. Mas quando a maioridade chega e não se têm a quem recorrer, o que será de seu futuro pós-desligamento? Esse documentário visa conscientizar a população, ao acolher esses novos adultos, e pressionar os Poderes do Estado para criação de políticas públicas efetivas. Formato: Vídeo Duração: 18”09 Gênero: Documentário Imagens: Sabrina Rodrigues Produção: Sabrina Rodrigues Reportagem: Sabrina Rodrigues Edição de imagem: Amanda Eduarda Roteiro e Direção: Sabrina Rodrigues

Entrevistados: Ianca Aparecida – Personagem Ângelo David – Personagem Dairton – Promotor de Justiça Cristina – Psicóloga especialista em adoção Simone Uriatti – Coord. do Projeto “Adoção Tardia”


RESUMO Este documentário visa analisar, com relatos, às experiências de quem viveu acolhido em orfanatos e abrigos, no estado de São Paulo. Após completarem dezoito anos, se veem obrigados a deixarem a casa de acolhimento, onde viveram boa parte de suas vidas, eles que criam vínculos familiares com os outros acolhidos, com seus cuidadores e com os voluntários. E isso acaba tornando todo esse processo mais doloroso, e cada um deles possuem diferentes experiências, tanto negativa quanto positiva desde a chegada na casa, os momentos vividos lá dentro e as dificuldades pós desligamento. As opiniões de cada personagem, e cada profissional traz uma visão do que tem sido o tratamento de abrigos, a importância da adoção tardia e as dificuldades da vida pós desligamento.

Palavras-chave: adoção tardia, acolhimento, orfanatos e abrigos, desligamento institucional por maioridade, sistema de adoção do brasil.


SUMÁRIO 1. Introdução ....................................................................................................................... 5 2. Objetivo ........................................................................................................................... 7 2.1. Objetivo geral .............................................................................................................. 7 2.2. Objetivo específico ..................................................................................................... 7 3. Problematização e Hipóteses.......................................................................................... 8 4. Justificativa ...................................................................................................................... 9 5. Plano estratégico ........................................................................................................... 10 6. Referencial teórico......................................................................................................... 11 7. Referências .................................................................................................................... 14 8. Cronograma ................................................................................................................... 17 9. Orçamento ...................................................................................................................... 18 10. Apêndices..................................................................................................................... 19 10.1. Transcrições de entrevistas ....................................................................................20 10.2. Roteiro........................................................................................................................39 10.3 Pautas..........................................................................................................................47 11. Diário de campo ........................................................................................................... 52 12. Anexos .......................................................................................................................... 54 12.1. Capa do DVD............................................................................................................54 12.2. CD.............................................................................................................................55 12.2. Autorizações............................................................................................................56


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INTRODUÇÃO Orfanatos e abrigos, são casas de acolhimento temporárias, para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, podendo acontecer por diversos fatores, sendo por negligência dos pais, abandono, perca do vínculo com a família de origem, negligência do Estado e por outros diversos motivos. O acolhimento, segundo estatuto da criança e do adolescente, deve ser de no máximo 24 meses, pois ou o Estado consegue uma família para aquela criança ou adolescente, ou capacita a família biológica, para restituir aquele menor a seu convívio. Mas isso não é o que tem acontecido. Muitas das vezes, eles chegam menores e por não encontrar, uma família precisam enfrentar o desligamento por maioridade. Segundo os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) no estado de São Paulo, mais de 8.000 crianças e adolescentes vivem em situação de acolhimento, e em torno de 1.000 dessas crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção. No Brasil, adotar crianças em idade avançada, que compete a idade de 8 anos em diante não é comum, pois é uma faixa etária em que o número de pretendentes à adoção, começa a diminuir drasticamente, e muitas crianças que não se encaixam no perfil idealizado por muitos candidatos a pais são deixadas para trás. Mas também a muitas histórias, de acolhidos nessas instituições que ainda mantém vínculos afetivos com sua família biológica, e não desejam ser adotados por outras famílias, e isso é respeitado. Essa pesquisa, a primeiro momento, se propôs a revelar, se todos os abrigos e cases lares, do estado de São Paulo capacitavam os seus abrigados a como enfrentar o mundo além do abrigo, e se de alguma forma, o Estado os acompanha e os auxiliam nessa nova fase de suas vidas. E a primeiro momento, o meu desejo era acompanhar a rotina de um adolescente acolhido, em idade de desligamento por maioridade, e de um que tenha saído a mais tempo da casa. Mas, não foi possível por não ter tido autorização, para adentrar uma casa de acolhimento, então optei só pela segunda opção fazendo um comparativo das duas histórias. Com as pesquisas e as entrevistas pude entender, que sim, os abrigos apoiam os adolescentes em idade de desligamento, mas que nem sempre as experiências que eles têm de lá são positivas. Existem várias histórias a serem exploradas, e o


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Estado poderia intervir mais, para que os processos deles sejam agilizados para adoção os que optem por ser adotados, ou que crie formas de reestruturar a família para poder restituir aquele menor ao seu convívio. Caso, ele não consiga ser adotado e nem voltar à sua família, o poder público venha intervir criando mais políticas públicas, que apoie esses adolescentes a se manter, ao sair da casa, criando mais oportunidades para eles. Essa temática é de grande relevância, o abrigo para os acolhidos acaba se tornando seu lar, eles enfrentam muitas adversidades até à chegada na casa desde agressões e abusos, as demais crianças para eles se tornam sua família. A adoção é importante, e é necessário trabalhar na mídia, a adoção de crianças e adolescentes em idade avançada pois não há um volume significativo de referências sobre o assunto. Isso sinaliza que este vem sendo pouco discutido e abordado, em meios acadêmicos, movimentos sociais e midiáticos. Baseio essa pesquisa nos autores Stuart Hall e Edgar Morin. Hall aborda questões sobre liderança e cultura o uso da linguagem como operador de uma estrutura de poder, instituições, política e economia. Morin discutia a informação, mesmo no sentido jornalístico da palavra, para ele o conhecimento é o resultado da organização da informação.


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OBJETIVOS Objetivo geral – Mostrar quando adolescentes de abrigos chegam aos dezoito anos, e não são adotados, por opção ou por idade avançada. E precisam deixar a casa de acolhimento, o que eles fazem para conseguir se estabilizar sozinhos. E se as políticas públicas existentes, foram eficazes no momento do desligamento. Objetivo específico – Os objetivos específicos quem tangem esse trabalho são: mostrar as dificuldades enfrentadas pelos abrigados, dentro da casa de acolhimento, o que eles sentiam por ver que não seriam adotados. Se foi opcional da parte deles ou se foi pela idade avançada, e todas as dificuldades, que tiveram quando se aproximou o momento do desligamento, desde sentimental por deixar o abrigo, cuidadores que criaram vínculos afetivos e dos amigos que ali fizeram, que até o presente momento ocuparam o espaço de família, até as dificuldades de adaptação ao mundo sem uma família e sem o apoio do abrigo. Trouxe relatos e depoimentos, de personagens reais, fazendo um comparativo, com duas experiências distintas da vivência que tiveram nas casas onde moraram, a área e o formato, permaneci com um documentário televisivo.


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PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES Problematização Todas as casas de acolhimento de São Paulo, criam maneiras visando preparar os adolescentes para futuro antes de obterem maioridade civil, caso não sejam adotados? Os abrigados recebem amparo psicológico necessário? E como os abrigos fazem para receber apoio governamental, para auxiliar os recém saídos do abrigo? A partir dessa problematização, foram abertas três hipóteses, que são:

Hipóteses 1 – A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude do estado, responsável por defender as crianças e adolescentes de abrigos tem sido impotente em relação ao cuidado dos direitos dos institucionalizados. Pois, cabe aos poderes públicos interferirem diretamente com leis eficazes no cuidado, e tratamento de jovens que entram na fase adulta de suas vidas e não tem um suporte familiar, assim dependendo desses poderes para se auxiliarem. 2 – As causas, movimentos e programas sociais, têm apoiado um número limitado de recém saídos dos abrigos. Visto que, precisam entrar em filas para concorrer com outros tantos jovens abrigados, por moradia de mais alguns anos ou um auxílio financeiro para aqueles que tiveram mais dificuldades em encontrar emprego, e aprender a se virar sem a ajuda de seus cuidadores. 3 – Porque as organizações, indústrias e empresas não acolhem de forma gradual jovens com oportunidades de emprego, pois se o estado se mantem omisso a demanda, de adolescentes recém saídos do acolhimento, muito pouco as industrias podem fazer.


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JUSTIFICATIVA Muitas crianças e adolescentes chegam aos abrigos de adoção a partir de denúncias de maus tratos, perda dos vínculos com os pais responsáveis ou abandono familiar, retirada de situação de rua e até mesmo por determinação da justiça. A grande relevância do tema, é mostrar que a vida em um abrigo não é como em novelas, existem poucas medidas políticas que auxiliam adolescentes de abrigos há lidar com a sociedade e o futuro ao chegar na maioridade. No estado de São Paulo, mais de 8.000 crianças e adolescente vivem em abrigos, e cerca de 1.000 delas estão disponíveis para adoção, sendo que os pretendentes buscam adotar crianças com idade inferior a 8 anos, os que tem idade superior são deixados lá. E quando se chega em uma idade avançada (entre 15 e 17 anos), eles entendem que precisarão deixar o abrigo ao completar 18, o que acontecerá com eles sem ajuda? Se o abrigo em que viveram não tiver apoio governamental, seu destino será se virar sozinho. Muitos trazem histórias de maus tratos, descaso e desprezo. Viver sem uma família já é difícil, e sem apoio é pior ainda. Muitos desconhecem o poder que possuem na definição da vida de abrigados em instituições de acolhimento, desde acompanhar uma criança socialmente falando com projetos de apadrinhamento, visitas, auxiliar uma instituição sendo financeira ou não. Sendo até, pressionar os poderes públicos, participando e se interessando por essa causa, pois sabemos que cuidar de crianças que serão o futuro, é de extrema urgência. Existe hoje uma necessidade de conscientizar o Poder Legislativo e Executivo do Estado, a criar políticas públicas em favor das crianças e adolescentes de abrigos, a sociedade e seus vários grupos (imprensa, grupos de interesse, sindicatos, dentre outros) tem um papel importante, pressionar, acompanhar e avaliar o que o estado tem feito por eles, e seguir as políticas públicas que são criadas.


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PLANO ESTRATÉGICO Esse documentário, é resultado do meu projeto de pesquisa que faz parte dos itens obrigatórios para obtenção do título de bacharel em jornalismo. O gênero escolhido foi o documentário, formato televisivo. Trato esse tema, como assunto de extrema relevância, e a escolha por documentário veio da ideia que um produto audiovisual teria mais impacto, mostrando de fato, as experiências de vivenciar a passagem por casas de acolhimento (orfanatos e/ou abrigos). Dando voz a esses que muitas das vezes são esquecidos, e tratados a segundo plano. Nessa fase de distanciamento, adotei as novas formas de entrevistas. Contando com algumas feitas remotamente, com o programa Zoom de vídeo conferência, e as presenciais filmadas em formato 4K. Para gravação do áudio, utilizei um microfone de lapela no entrevistado, com gravador. Os enquadramentos utilizados foram: médio para entrevistas com a psicóloga, promotor e a coordenadora do projeto adoção tardia. E intercalei entre o primeiro plano e o primeiríssimo plano, para os entrevistados que vivenciaram o desligamento do abrigo, em falas importantes e emocionantes que tiveram, para que assim o telespectador deste produto possa se sentir mais próximo do tema e das histórias. O documentário, que ficou na média de 18 minutos, com uma linguagem simples e emocional, por se tratar de história reais. Indicação livre para todos os públicos. A edição foi feita no programa Premiere Pro CC 2018, utilizei uma trilha sonora da biblioteca do Youtube, a melodia se encaixa com o tom emotivo do documentário. Entre a transição das falas, foram necessários três off, com ajuda de um lettering, no segundo para melhor entendimento do telespectador, pois contava com informações em dados. Começa com um off e imagens de filmes, séries e novelas sobre casa de acolhimento, em seguida surge o tema em um fundo preto, os gc’s das entrevistas, tratamento do áudio e vídeo foram feitos também no Premiere. O DVD e o CD, no programa Canva. E por fim utilizei algumas imagens da internet, devidamente creditada. Público-alvo: A faixa etária é para maiores de 12 anos, por ser um tema que trata de uma linguagem sensível.


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REFERENCIAL TEÓRICO O que leva os pais a abandonarem seus filhos? Ou caso a chegada de um menor de idade a uma instituição de acolhimento, não seja por abandono, o que levou o Estado a retirar essa criança de sua família? No Brasil, ocorria com frequência o abandono de crianças. E para enfrentar esse problema, o Estado criou mecanismos e instituições para cuidarem dos abandonados, entre elas foi instalado, as chamadas Rodas dos Expostos ou Enjeitados, que passaram a funcionar nas Santas Casas de Misericórdia (entidades católica, para doentes e inválidos) e a adoção era realizada por algumas famílias seletivamente. Segundo CAMARGO (2005, pág. 31): Consta que a primeira roda foi construída e utilizada em 1758 e que em 1881, após a difusão de sua existência e eficiência em relação ao ocultamento do resultado das más condutas sexuais (adultérios, 22 instalada nas Santas Casas de Misericórdia, garantia que a criança fosse entregue anonimamente pela mãe biológica em tal instituição asilar. A roda dos expostos foi fundada no século XII, entre 1201 e 1204 na Itália, chegou a Portugal no ano de 1273 e no Brasil, com a reivindicação pelas autoridades da colônia à coroa portuguesa, no ano de 1726, em Salvador. A segunda “roda” instalada no Brasil, foi construída no Rio de Janeiro, em 1738.

Essas rodas, a princípio, serviam para as crianças que nasciam de forma ilegítima, famílias carentes que não tinha estrutura financeira para cuidar de seus filhos, famílias que utilizavam da roda para simplesmente se desfazerem das crianças sem nenhuma culpa e havia aquelas que se aproveitavam para conseguir tirar dinheiro do Estado abandonando os seus. Podemos pontuar, que essa época foi a mais vexaminosa para a nossa sociedade, crianças abandonadas sem amparo familiar, e sem apoio governamental, sobrevivendo em ambientes que não agregaria em nada no seu futuro. A roda dos enjeitados ou expostos, como era chamado esses “centros” de acolhimento, foi uma tentativa desastrosa de conservar o que era considerável moral e normal da época, e que gerou uma popularização desnecessária para essas rodas. Vemos que as crianças não eram valorizadas “as pessoas se divertiam com a criança pequena como um animalzinho, um macaquinho impudico. Se ela morresse então, como muitas vezes acontecia, alguns podiam ficar desolados, mas a regra geral era não fazer muito caso, pois uma outra criança logo a substituiria” (ARIÈS apud FLEURY, 2018 pág 25).


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Foram necessários muitos anos para que no Brasil se encaixasse o termo adoção, esse feito só veio se concretizar no Código Civil de 1916. Anos mais tarde, em 1990 com a criação do ECA, esses direitos ganharam mais eficácia, pois era um estatuto voltado exclusivamente ao direto de crianças e adolescentes. E esse estatuto permitiu que a família, a sociedade e ao Estado garantisse qualidade de vida para as crianças, atribuindo a eles deveres, que outrora não existiam. Art. 32: A criança e ao adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata essa Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 52: Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais (BRASIL, 1990).

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA, do ano de 2004 revelam que a pobreza é ainda o maior motivo de acolhimento no Brasil, com 24% dos acolhimentos relacionados à pobreza, 18,8% relacionado ao abandono, 11,6% relacionado à violência doméstica, 11,3% é fruto da dependência química dos pais e responsáveis, 7,0% pela situação de rua, 5,2% pela orfandade, 3,5% a prisão dos pais ou responsáveis e 3,3% o abuso sexual praticado pelos pais ou responsáveis. Segundo o artigo 23 do ECA a falta de recursos materiais da família ou a pobreza não motivam o acolhimento em abrigos, nem a perda ou a suspensão do poder familiar.

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Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio.

Infelizmente quem sofre com tudo isso são as crianças e adolescentes, pois viver em um abrigo deveria ser uma opção com casos extremos, o Estado deve intervir com os programas de apoio as famílias carentes, e evitar que haja uma grande porcentagem de menores institucionalizados, e futuramente crianças que não serão adotadas . HALL (1992) explica que, o meio em que somos criados nacionalmente com diferentes culturas, crenças e conceitos, na modernidade em que vivemos, se constitui uma das principais fontes para o descobrimento da nossa identidade cultural. Quando o menor


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tem que ser retirado do seu convívio familiar pela falta de condições financeiras de seus progenitores, e tem de enfrentar uma nova realidade em detrimento daquela que nasceu, prejudica a sua formação de identidade, por se tratar de uma faixa etária em que estão descobrindo o que são, o que é a vida, a família etc. A condição de homem (sic) exige que o indivíduo, embora exista e aja como um ser autônomo, faça isso somente porque ele pode primeiramente identificar a si mesmo como algo mais amplo - como um membro de uma sociedade, grupo, classe, estado ou nação, de algum arranjo, ao qual ele pode até não dar um nome, mas que ele reconhece instintivamente como seu lar. (HALL apud Scruton 1986, p.156.)

Ao chegar na fase de maioridade civil, o adolescente se vê obrigado a deixar o abrigo. De acordo com GRANZOTTO e MILNITSKY 2007, caberia aos poderes tanto legislativo quanto judiciário do Estado intervir para ajudar esse jovem recém adulto a dar continuidade com a sua formação pós-desligamento buscando parcerias e apoios, sendo que os institutos pouco podem fazer pelos desligados. Mas, infelizmente essa não tem sido a realidade, pois existem poucas políticas públicas que ajuda os ex institucionalizados, e ocorre que recebem outro abandono, o do Estado. “[...] a ausência de maior envolvimento do governo federal e estadual para com a população juvenil e sua família contribui sobremaneira para a acentuada cronificação de um processo histórico de abandono e, em consequência, de institucionalização da pobreza. (GRANZOTTO e MILNITSKY, 2007, p. 632

A sociedade tem um papel relevante para decisão das políticas públicas para qualquer área, em especial para crianças e adolescentes de abrigos pois estamos tratando disso. Acompanhar efetivamente das assembleias que criam as políticas públicas em favor dos mais necessitados, e reivindicá-las é dever de todos os cidadãos. Só que esse tema não é considerado relevante, para os meios comunicacionais, pois não vemos aparecer com tanta veemência. E quando se aborda, é de forma rasa e objetiva sem aprofundamento, só quando os índices de criminalidade aumentam, pessoas em situação de rua, viciados na cracolândia e aglomeração nos presídios, a mídia busca saber o porquê de estarem ali e a trajetória que os levou para tal situação. Quando se fala em orfanato, logo se remete a união amizade, fraternidade etc. Mas a realidade é diferente de como vemos em novelas, filmes e series, as pessoas se tornam alienadas por esses conteúdos, e são desviadas do que realmente acontece no mundo. Segundo MORIN (1962, p. 23): “O poder de


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decidir o que pode ou não ser vinculado nas mídias vem do Estado, o poder privado quer divertir e entreter no limite da censura, já o público quer ensinar e educar a população.


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REFERÊNCIAS

CAMARGO, Mário Lázaro. ADOÇÃO TARDIA: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE FAMÍLIAS ADOTIVAS E POSTULANTES À ADOÇÃO (MITOS, MEDOS E EXPECTATIVAS). 2005. 269 fls. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Assis, para a obtenção do título de Mestre em Psicologia (Área de Concentração: Psicologia e Sociedade).Assis.2005.Disponívelem:https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11 449/97679/camargo_ml_me_assis.pdf; jsessio. Acesso: 22 nov 2020.

CAVALCANTE, Crisley. O que acontece com crianças que não são adotadas? Ceará, 2015. Entrevista concedida promotor Dairton Costa de Oliveira 18 dezembro 2015.

Disponível

em:

https://www.oestadoce.com.br/especiais/adocao/o-que-

acontece-com-criancas-que-nao-sao-adotadas/. Acesso em: 10 mar 2020.

COSTA, Ana Carolina Pontes. Trajetórias sociais de jovens que vivenciaram o processo de desligamento por maioridade em abrigos institucionais. 2012. 126 f. Dissertação (pós-graduação em educação social) - Programa de Pós Graduação em Educação Social. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Pantanal, MS, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufms.br:8443/jspui/handle/123456789/3405. Acesso em: 19 mar 2020

HALL, Stuart. A Identidade Cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro. 1992. Tradução Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro.

MARTINEZ, Ana Laura M.; SILVA, Ana Paula S. O momento da saída do abrigo por causa da maioridade: a voz dos adolescentes. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, 2008.Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/per/v14n2/v14n2a08.pdf Acesso em: 17 mar 2020.


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MORIN, Edgar. Cultura de Massas no Século XX: O Espírito do Tempo – 1 Neurose. 9. ed. Rio de Janeiro. 1962. Tradução Maura Ribeiro Sardinha.

OLIVEIRA, Ana Paula Granzotto de.; SAPIRO, Clary Milnitsky. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Políticas públicas para adolescentes em vulnerabilidade social: abrigo e provisoriedade, Porto Alegre RS. p. 622-635. Mar/07. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141498932007000400005. Acesso em: 14 jun 2020.

RUBÉ, Joaquim Fleury Ramos. ADOÇÃO TARDIA: UM NOVO (RE)COMEÇO? Goiânia.2018. 96 fls. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, como requisito obrigatório para a obtenção do título de Mestre em Educação. 2018. Disponível em: http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/bitstream/tede/4047/2/JOAQUIM%20FLEURY%20 RAMOS%20JUB%C3%89.pdf. Acesso em: 22 nov 2020.

SILVA, Enid Rocha Andrade da. (IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O perfil da criança e do adolescente nos abrigos pesquisados. O Direito à Convivência Familiar e Comunitária : os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil. Examina a situação de instituições que têm a responsabilidade de cuidar de uma parte das crianças e adolescentes do Brasil. Analisa as condições do atendimento nessas instituições, à luz dos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com ênfase na garantia do direito à convivência familiar e comunitária. A situação estudada envolve as diferentes formas de organização, funcionamento e atendimento encontrados. São explorados aspectos relativos às ações desenvolvidas pelos programas de abrigos para as crianças e os adolescentes sob sua guarda. Brasília, 2004,v.2,p.1_30.Disponívelem:https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com _content&id=5481. Acesso em: 13 mar 2020.


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TUMA, Tatiana Bernardes Vieira. Acolhimento Institucional e Maioridade: Trajetórias institucionais de jovens e o momento da saída. 2016. 112.f. Dissertação (Pós-Graduação em Serviço Social) – Programa de Pós Graduação em Serviço

Social.

PUC-Rio,

Rio

de

Janeiro,

2016.

Disponível

em:

https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/vie wTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4582557. Acesso em: 19 mar 2020.

ZACHARIAS, Gabriellen de Oliveira.; TOALDO Adriane M. MOSTRA NACIONAL DE TRABALHOS CIENTIFICOS. O processo de adoção no Brasil: O apadrinhamento como alternativa de possibilitar aos menores nos lares um vínculo de afeto. [s.l], [s.d],v.1,p.1_15.Disponivelem:https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/ article/view/19627. Acesso em: 09 mar 2020.


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CRONOGRAMA

Fonte: Sabrina Rodrigues

Entrevistas Preparação de pré roteiro

Datas 27 de agosto

Psicóloga Cristina

04 de setembro

Ianca Aparecida

10 de setembro

Promotor Dairton

21 de setembro

Simone Uriatti

24 de setembro

Ângelo David

17 de outubro

Decupagem

Datas

Psicóloga Cristina

05 de setembro

Ianca Aparecida

11 de setembro

Promotor Dairton

22 de setembro

Simone Uriatti

25 de setembro

Ângelo David

18 de outubro

Preparação de roteiro

26 de outubro

Edição Gravação de offs

Datas 01 de novembro

Edição das imagens

09 a 16 de novembro

Relatório (RFTM)

16 a 20 de novembro

Revisão final Revisão do documentário pronto Revisão do Relatório (RFTM) final

Datas 17 de novembro 21 e 22 de novembro


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ORÇAMENTO

ORÇAMENTO GERAL Item

Quantidade

Valor Unitário (em

Valor total

média) Passagem

6

R$ 4,40

R$ 26,40

Microfone de lapela (para celular)

1

R$ 25

R$25

Alimentação

2

R$ 5

R$10

Edição do Doc

1

R$ 400

R$ 400

Total:

R$ 461,40


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APÊNDICES

A – TRANSCRIÇÕES DE ENTREVISTAS

Entrevista: Ianca Aparecida Data: 11/09/2020 00:05

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Eu entrei no orfanato com sete anos, só que eu não entrei sozinha entrei com mais cinco irmãos somos em seis.

00:16

00:41

Nunca passei por entrevista para ser adotada quando eu e meus irmãos pedimos para entrar para a adoção eu tinha dez anos de idade e aí a psicóloga e a assistente social responsável pelo o processo disse que nem eu e nem meu irmão Igor poderíamos ser adotados por causa da idade, ela iria colocar na fila mas a probabilidade é que não seríamos adotados ela tinha falado antes mesmo de colocar na fila.

00:00

00:35

Eu morei em três instituições, orfanato que foi o primeiro que eu morei que fiquei dos sete aos dezesseis anos não foi uma experiência muito boa no sentido de ter mais problemas do que ajuda. Elas batiam, castigavam tudo o que a gente ganhava elas vendiam literalmente tudo roupa sapato, e eles viviam pedindo para a gente escolher e isso é o pior, por que tipo chegava natal e eles dizias escolhe o que você quer ganhar, eu respondia: “quero ganhar uma Barbie”. Mas você pede para não ficar é para vender diretamente as vezes não podia nem abrir o presente para não danificar e dar para vender de novo.

00:41

01:22

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Uma boa e uma ruim, a boa foi a questão dos cursos dentro do orfanato nós fazíamos muitos cursos eu tive curso de informática intermediário/avançado eu pude entrar no curso que eu queria no grafite pois eu gosto muito, então eu entrei no curso com o projeto de grafite e as educadoras me apoiaram até o final para eu conseguir entrar nesse projeto. O ruim foi quando eu discuti com a diretora e foi o motivo do orfanato ter fechado ela quase me transferiu para a fundação casa com uma desculpa de que eu tinha agredido ela e não houve agressão tive um grande problema, eu realmente achei que iria para a fundação casa. No orfanato a gente era uma grande família todo mundo se apoiava logico que as vezes tinha discussão, briga ou um ficar contando o que o outro fez de errado, mas a gente se apoiava porque estava todo mundo na mesma situação. Quando eu mudei para o Saica, que era um abrigo teve uns problemas, por causa da educação dentro do orfanato nós éramos totalmente regras com horários e etc. eu só sabia obedecer quando a gente foi para o Saica foi totalmente diferente as crianças de lá não seguiam muito as regras, a maioria tinha acabado de chegar recentemente das famílias então cada um é do seu jeito então teve muita briga nesse sentido de eu sempre fui a que seguia as regras, e eles não eram então dava muita discussão por isso.


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A sensação é pânico quando você vai completar dezoito anos, por que você fica achando que não vai dar certo, que você não vai ter onde morar você não sabe se amanhã você vai ter uma casa ou um lugar por que você não pode voltar para a sua família, e não tem outra família para você ir fica totalmente incerto.

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Geralmente nas instituições, de acordo com a disponibilidade do fórum que é um órgão que regulamenta as instituições de acolhimento, dependendo da disponibilidade deles de marcar a audiência e essas audiência é um ano antes de você completar dezoito anos e ai eles perguntam para o jovem o que ele quer para o seu futuro, ou qual proposito ele pensa para o futuro geralmente eles dão para você três opções que o fórum pode ajudar a primeira é o auxílio aluguel que o próprio governo disponibiliza que é de 460$, a segunda seria uma república do governo que você concorre para entrar e é totalmente grátis e é igual ao abrigo e a terceira seria você começar e ele te apoiar a morar de aluguel para morar sozinho independente só que ai tenta entrar no programa bolsa família ou programa social para poder receber algum valor do governo para te auxiliar no início das contas.

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A mesma sensação de quando eu entrei é pânico, a gente chora todos os jovens que saem todos choram, todos ficam mal e é muito ruim.

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O apoio que eu tive na minha audiência foi que eu solicitei o auxílio, só que por conta do período, não foi possível porque tinha muitos jovens solicitando então eles me ajudaram a entrar na república. Então eu consegui ficar na república e lá você pode ficar três anos, você não paga nada é igual ao abrigo a diferença é que não tem educadoras quem vai fazer tudo é você, não vi ter ninguém par fazer as coisas para você mas você não paga nenhuma conta. Então você vai poder guardar dinheiro até conseguir se estruturar sozinha depois de três anos.

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Na verdade, eu já trabalhava, podemos dizer que eu era um pouco diferente por quê como eu era mais velha dos meus irmãos eu sempre pensava se os meus irmãos não forem adotados onde vamos morar. Então eu comecei a procurar cursos profissionalizantes com quatorze para quinze anos, com dezesseis eu entrei em um trabalho e com dezessete eu fui contratada então quando completei dezoito eu já estava efetiva em um trabalho e continuei nesse trabalho entre seis a sete anos.

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A primeira dificuldade que a gente enfrenta geralmente a maioria dos jovens eu falo assim a minha educação no orfanato foi diferente a gente aprendeu como limpar casa, cuidar de casa e a fazer tarefas diárias a maioria dos jovens não aprende dentro da instituição ou abrigo poucos abrigos ensinam a como você vai fazer para lavar e passar sua roupa fazer essas atividades, então eles ficam perdidos sem saber o que fazer. No meu caso como eu já trabalhava e estudava e já fazia um monte de coisa eu só tive que me adaptar a rotina e o complicado era dividir o espaço com uma pessoa estranha, como você cresceu muitos anos com as mesmas


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crianças e mesmo jovens é complicado você chegar em uma casa com pessoas que você nunca viu. 04:41

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Dos jovens, da maneira como a gente se tratava, das coisas que a gente já tinha combinado e tudo mais, dos passeios. Quando eu fui para o Saica eu ganhava as coisas e eu podia ficar então eu sentia falta disso, depois que você completa dezoito anos as pessoas entendem que agora você é adulto você se vira, então você não precisa de mais nada teoricamente é mentira porque você cresceu em Saica e abrigo e no abrigo só tinha roupa de doação as roupas que eram minha eram de todo mundo, então eu não tinha roupa só minha e quando eu fui para a república eu não tinha muita coisa minha, algumas educadoras se organizaram e fizeram pra mim tipo um chá de casa nova para eu poder ir para republica para ter alguma coisa na república você não tem mais nada e as pessoas não estão mais dispostas a te ajudar eles entendem você é maior então se vira, mas você fica bem perdia por que você não tem quase nada.

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Da república eu tinha falado que como sobrou só três irmãos meus nós éramos em seis, três foram adotados os mais novos e os três mais velhos ficamos e ai eu falei que como eu ia completar dezoito anos eu gostaria de entrar na república para juntar dinheiro para morar de aluguel com os meus irmãos mais novos era o tempo de eles saírem nós somos escadinha com exceção do meu irmão Igor nós somos gêmeos de ano nascemos no mesmo ano então eu tinha só um anos para poder trazer ele para morar comigo de aluguel e aí elas me instruíram a como fazer e como é a entrevista para entrar na república, quais os comportamentos que são aceitos lá e como eu já fazia faculdade e já tinha um trabalho e eles falavam para eu falar da minha faculdade e trabalho, e sobre o que eu almejo para o futuro para eles entenderem que você está trabalhando para o seu futuro, se você não estiver fazendo nada nem cursando nem estudando faltando escola não trabalhando eles geralmente exclui você da lista para entrar em uma república.

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Um dos privilegio que eu tive foi a minha cor, porque eu sou branca então tipo assim eu não tive dificuldade para entrar em curso nem em republica as outras jovens que eu conheci eram negras tiveram mais dificuldades do que eu nesse sentido porque é mais difícil encontrar trabalho mais difícil entrar na república é mais difícil conseguir o auxílio também assistencial do governo tudo por questão racial essas dificuldades eu não passei mas ainda assim é complicado e é muito difícil esse processo de transição de você passar para república e você se sente totalmente perdido por que eles te falam assim hoje você é criança amanhã você é adulto é uma coisa assim amanhã você muda e acabou você faz dezoito anos daqui a uma semana e é se vira daqui em diante. Na novela Chiquititas e todo mundo quando eu falo que morei em um orfanato me pergunta se é igual a Chiquititas não é por que na novela mostra uma realidade de como deveria ser os abrigos ou de como as pessoas acham que é os abrigos por que no período em que trouxeram essa novela para o Brasil pq ela é mexicana havia muita propaganda nas tvs dizendo que casa lar é legal que orfanatos eram legais mas assim as


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pessoas só sabiam que era mostrado nos site do governo no real não é tudo aquilo muitas crianças se sentem desconfortáveis com a situação, não tem acolhimento emocional por que as educadoras não podem se apegar a você pela contratação mesmo eles não podem, então fica assim a elas est]ao aqui para cuidar da gente mais ao mesmo não tempo não está, estou aqui para te ensinar a limpar a casa mas não posso te dar um abraço quando você precisar quando você se sentir só. Eles não ajudam com a questão de tratamento psicológico, eu passei por várias psicólogas dentro do orfanato onde eu morei e demorou um ano para eles descobrirem que eu sofri um abuso sexual dentro da minha família e depois de descobrirem ficaram algumas educadoras falando que era mentira e tudo mais e as psicólogas que viam eram contratadas pelo o fórum e só queriam receber não estavam nem ai se estavam ajudando. Então muitas das vezes estavam piorando o quadro de muitas crianças lá dentro nesse sentido só precisava melhorar nesse sentido do acolhimento em si porque eles chamam de instituição de acolhimento, mas não é bem assim não existe um acolhimento emocional e só acolhimento físico mesmo. 13:01

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Como a gente pode mudar na mídia podemos mudar de duas formas a primeira é uma petição para abrir mais instituições de acolhimento para não ficar tanta criança na mesma instituição falar para as pessoas que é bom trabalhar nessas instituições por que tem pessoas que acham horrível trabalhar nessas instituições

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E tentar desconstruir a ideia que as pessoas tem de que acolhimento e orfanato é tudo muito fofinho muito legal e que todos esses lugares estão pensando no acolhimento da criança tenta prestar atenção se aquela criança realmente se sente acolhida naquele ambiente ou se não por que se a pessoas se visse antes pq eu fiquei dos sete até os dezesseis e nenhum voluntário percebeu que a instituição que eu estava era acolhedora e agente passou por vário abusos lá dentro psicológico e físico de baterem e castigarem de tomarem tudo da gente, ficar trancando em lugares escuros e ninguém percebeu isso dos voluntário por que a mídia mostra o orfanato como Chiquititas que tudo é lindo e maravilhoso que todas as educadoras amam as crianças e que estão trabalhando lá por puro amor e não é assim muitas delas estão lá por dinheiro e muitas se importam em receber e não se importam se a criança está se desenvolvendo ou não. Trabalhar nessa proposta de desenvolvimento das crianças e de acolhimento isso realmente deveria mudar nas instituições e pegar mais depoimentos pq as pessoas pensam essa foi a experiência da Ianca. E quando eu fiz o vídeo para o quebrando tabu era isso que queríamos recolher não só a minha experiencia mas de outros jovens que passaram por outros orfanatos e tiveram as mesmas experiencias que é como tem lá nos comentários de orfanatos diferentes, de abrigos diferentes e passaram pelas as mesmas experiências que eu.


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Entrevista: Promotor Dairton Data: 18/09/2020 01:19

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Se a gente for ver o passado, hoje a gente cuida muito mais. Mas o nosso cuidado de hoje é péssimo.

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Essa criança o processo foi tratado foi, mas demorou demais só que se você comparar com dois mil e nove que foi quando foi lançado o Sistema Nacional de Adoção, 2009 a gente tinha 80 mil crianças e adolescentes nos abrigos, hoje nós temos 40 mil bem menos 36 mil, vamos colocar pela metade você teve uma evolução que te levou de 80 mil esquecidos para só 40 mil significa dizer que a gente melhorou muito, mas 40 mil é muita coisa ainda. Para você ter ideia só mais ou menos 10% dos processos se resolviam, hoje em Fortaleza tem 20% dos processos resolvidos o Estado do Ceará tem 12% dos processos dessas crianças resolvidos, mas você tem ai 88% sem resolver, era muito pior do que isso eu te garanto mas a gente melhorou. Só que a gente melhorou a gente saiu de um 9 para um 18 em uma escala de 0 a 100.

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Se você fosse se basear por 40% de processo de criança resolvido a nota é 4 e 4 é insuficiente, mas para o que existia antigamente é que você tinha 8% de solução hoje você tem cerca de 20% muito melhor.

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Nós estamos falando de infância e juventude, tanto tem a área infracional como tem a área protetiva, mas não tem outra coisa. A única coisa que vai melhorar isso tudo mesmo, se chama educação, não existe outra área para que você possa investir que coloque as pessoas dentro do que nós chamamos de sistema de produção legal de riquezas.

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O promotor costuma falar que para você produzir médico, para produzir um advogado, produzir um jornalista, produzir um professor você leva no mínimo 20 anos investindo em uma geração de crianças, por quê ela entra na escola com 6 anos, faz 9 anos de ensino fundamental mais 3 de ensino médio e aí são 12, e uma boa faculdade de 5 anos, 17 com especialização na estrada de 3 anos para você ter uma excelente profissional você tem que investir nessa criança uns 20 anos no mínimo.

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E agora para fazermos um marginal quantos anos precisamos investir? Nenhum.


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É a escola que tira ela dá completa ignorância, da para ela o ensino fundamental a base fundamental dá para ela um ensino médio, e transforma ela depois em um ensino superior em um profissional técnico de referência em alguém que produz a própria riqueza. Se você tirar ela de um único ano desse sistema, ela fica a margem do sistema e a margem do sistema de produção legal de riqueza, você tem pessoas marginalizadas e aquelas que ofendem o sistema são chamadas de marginais. Então a margem você só forma marginais e marginalizados quanto mais criança nós tivermos fora desse sistema de produção legal mais marginais e marginalizados vamos formar.

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A gente só tem isso a partir de estatísticas, estudos e pesquisas a partir dessas que você está fazendo aí a gente precisa de pesquisas práticas, mais amplas hoje a gente quer dados nesse sentido tem, o que eu posso dizer é que aqui a gente não sabe para onde essas crianças vão, elas estão indo para abrigos de família e maioria elas sem nenhuma colocação dentro do sistema de produção legal de riquezas. Então posso até responder com certeza não nenhuma dessas crianças nenhum desses adolescentes que eu conheça sai como advogado, engenheiro ou médico todos eles entram para sub empregos a maioria vira adulto sem terminar o 2°grau tá precisando muito o ideal que era eles saíssem direto para uma faculdade e continuasse no sistema.

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Essa menina e os outros estão a margem do sistema de formação, aqueles que vão buscar o sistema de produção ilegal de riquezas lá no tráfico lá no roubo vão ser chamados marginais mas eles só estão buscando relações de pertencimento a busca da produção de riqueza dentro do estado, é livre arbítrio é mas veja que mesmo esses que não vão para o sistema ilegal eles ficam a margem do sistema legal então com isso nós produzimos marginais ou marginalizados. Não só eles, mas todos que estão fora do sistema de produção de legal, ou seja, fora de uma escola que possa formar médicos, que te proporciona formar advogados, que possa formar engenheiros ou seja, fora de uma escola pública de qualidade você está à margem do sistema.

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A família é a base da sociedade nós estamos em um estado constitucional que a gente tem essas famílias como essa base e a obrigação do estado proteger a sua célula base, a partir do momento que você tem uma organela um elemento, alguém de dentro da sociedade deslocado da sua célula base, ela está prejudicada por que vão faltar a proteção básica necessária para que ela possa se desenvolver, para que essa criança ela ficou todo o tempo em segundo plano ela recebeu o que a gente costuma dizer de uma atenção acessória do estado,


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tanto que se ela não passar de ano ninguém está ne ai se ela não entrar para a faculdade ninguém tá nem ai só que nós vamos sofrer as consequências dessa negligência de cuidado para com essas crianças e adolescentes, nós vamos perder o que a gente chama de futuro da nação. 11:26

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Um país que não cuida dos seu jovens adequadamente, não tem futuro estamos melhorando a nossa qualidade do futuro dos nossos jovens está muito melhor as nossas família graças a Deus estão mais abastecidas de informação mais capacitadas ao cuidado já foi muito pior, mas as nossas crianças dos abrigos são muito relevadas a segundo plano e infelizmente por que, por que nós temos um sistema de justiça que não trata como prioridade absoluta os processos dessas crianças deixando elas viveram nos abrigos indeterminadamente sem respeitar os prazos legais dos processos dessas crianças Depois que chega a idade de desligar ines é morta e já é tarde, você vai ter que correr atrás de tudo o que você tinha que fazer que deixou de fazer durante o período de desenvolvimento dele o ideal é que os processos dessas crianças sejam acelerados e que os sistemas de acolhimento familiar sejam otimizados, que a gente tenha o mínimo possível de crianças e adolescentes nos abrigos que a gente substitua de forma otimizada o sistema institucional pelo acolhimento familiar agora já que está lá a única forma de você continuar cuidando e colocando esse jovem adulto dentro do sistema de formação legal de riquezas e qual é o sistema de formação legal de riquezas? É escolarização e profissionalização, sem escolarização e profissionalização de qualidade você não vai ajudar ninguém nunca. É interessante que o ministério público ele é o que a gente chama na nova ordem constitucional de quarto poder nós não temos autoridade de forçar, mas nós temos a autoridade para servir como fomentador da política para incentivar, mobilizar a sociedade civil e os demais poderes públicos constituídos para fazer acontecer o que a gente chama de ações públicas civi publicas estruturantes ou litígios estruturantes a gente pode entrar como pedidos ou como ações com conversas entre os poderes para fazer com que as coisas se estruturem mas é difícil por que ultimamente os poderes podiam conversar muito pouco, existe uma certa vaidade nas pessoas que se isolam e se entendem como cada um como detentor do poder absoluto e da verdade absoluta quando na verdade a gente precisa conversar para fazer a coisa acontecer. Ações estruturantes hoje são o futuro do ministério público, a gente colocar o judiciário para conversar com o executivo, para conversar com o legislativo e fazer a coisa funcionar.


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A eficiência do sistema é essa que eu te disse 20%, 10% tem eficiência sim, mas ela ainda está muito aquém um diálogo regular para chegar a bom e ótimo mais distante ainda.

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O ministério público está chamando o legislativo para criar leis de acolhimento familiar, leis de obrigatoriedade para o executivo fazer o acolhimento da cidade entrando também com conversa com o judiciário para que os processos necessários de ações estruturantes sejam julgados com prioridade absoluta esse é o grande problema. Se você não julga com prioridade o executivo não coloca prioridade o legislativo não cria obrigação legal de proteção as coisas não funcionam, mas o MP pode sim entrar nesse jogo para fazer melhorar essa eficiência a gente pode sim responsabilizar os atores.

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a mídia tem um poder extraordinário ela tem o poder de condução das massas o que que está faltando o sistema qualificar melhor a própria mídia ou seja os próprios jornalistas.

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Sobre adoção muita pouca gente sabe muita gente bate por exemplo na adoção direta quando o promotor toma uma criança por exemplo de alguém que está adotando por fora da fila todo mundo acha que o promotor está sendo um cruel sendo um monstro que está tirando aquela criança de alguém que ama mas não se você não respeitar a fila do cadastro único de adoção os adolescentes que estão lá não serão vistos pelos pretendentes e não serão adotados. Uma que posso te dizer que marcou é o fato de que as ruas para crianças são mil vezes mais salutares do que o abrigo.


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Entrevista: Psicóloga Cristina Data: 05/09/2010 0:03 0:27 Sempre me interessei pelo trabalho no sistema de garantia de direitos. E aí após concurso público e o ingresso no trabalho, comecei a aprender um pouco mais o que era e a complexidade desse trabalho e conforme eu fui aprendendo fui me encantando com os desafios e com a responsabilidade que esse trabalho exige do profissional. 0:36

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É uma pergunta bem ampla, eu acho importante só contextualizar um pouco que, o que antigamente se chamava como abrigo hoje se chama serviço de acolhimento institucional e são medidas protetivas para crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade e por vários motivos eles são acolhidos, seja por situação de violência doméstica, negligencias, negligencia também na correte do estado e falta de política pública em que acabam levando as crianças e adolescentes de famílias mais vulneráveis para o acolhimento. E a experiência no nosso cotidiano é; de um trabalho intenso, para conhecer as origens, conhecer as histórias e conhecer as necessidades dessas crianças e adolescentes e dessas famílias também, para que possam resgatar os laços sempre que possível então é uma experiência rica, desafiadora, intensa e com muitos conflitos também, por que é muito difícil estar em um serviço de acolhimento é muito difícil ser afastado da família, ser cuidado por pessoas diferentes desconhecidos em princípio. Então a gente sempre tenta entender todo esse sofrimento, toda essa história e escutar muito a criança e ao adolescente, é sentir como que é caminhos que são possíveis para cada um.

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É uma boa pergunta, eu acho sempre importante antes de mais nada apontar que para a criança ou para o adolescente que tá acolhido, nem sempre a adoção é o melhor indicativo então as vezes a gente ainda tem uma ideia do abrigo como um local em que estão todos a espera de adoção, e esse é uma compreensão equivocada que vem muito dos abrigos antigamente como deposito de crianças, hoje em dia muita das crianças e adolescentes que estão no serviço de acolhimento eles ainda tem laços familiares, eles não podem estar em uma família eles não podem estar em um convívio familiar por ainda terem uma vulnerabilidade muito grande por questões financeiras embora a lei diga que o acolhimento não se dá por essas questões, então nem todos estão na espera de adoção nem todos desejam a adoção também. Então tem adolescentes lá que convivem com a família, que passam finais de semana com a família e que não esperam a


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adoção e nem tem isso como objetivo; alguns que não tem mais contato com a família, cuja família foi destituída do poder familiar foram rompidos os laços jurídicos de afiliação, mas que também esses adolescentes não se veem no desejo de constituir uma nova família, não entendem e não desejam adolescentes ter alguém para chamar de mãe e pai já em uma fase adolescente, e isso é respeitado, isso precisa ser escutado por todos nós e alguns sim desejam família, desejam ser inseridos em uma nova família e vivem com muita angustia em relação a faixa etária, em saber que a maioria dos pretendentes a adoção eles buscam filhos biológicos na adoção os filhos biológicos que não tiveram , e ai é muito difícil pretendentes que se abram que busquem crianças maiores, adolescentes para iniciar um convívio familiar. É um grande desafio e adolescer com essas angustias é muito difícil principalmente por que a adolescência ela também traz uma angustias em relação a auto estima; ‘quem eu sou’ e ‘quem gosta de mim’ e estar em acolhimento traz a sensação de abandono de: “Por que eu não pertenço a família ao qual eu nasci ou eu sou cuidado por pessoas que crio vínculos de afeto, mas que aos 18 anos esses vínculos vão se romper, é muito comum os adolescentes se angustiarem e discutirem com os profissionais do acolhimento e dizerem: “Você gosta ou não gosta de mim? Você não gosta de mim não se importa comigo você está aqui porque ganha um salário para cuidar de mim”. E é verdade, mas também não é verdade e os vínculos são muito difíceis principalmente quando chega perto da hora de sair do serviço de acolhimento, então adolescer nessa condição tem peculiaridades que precisam ser cuidadas e é mesmo muito difícil. 06:06

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Nem sempre eles mudam de lar em lar, às vezes eles ficam em uma mesma instituição de acolhimento. Existem adolescentes que já passaram por várias residências tentaram morar com avó, com tio, com tia e com vizinha e ai chega um momento em que acabam indo para o serviço de acolhimento e alguns que assim que se verifica uma situação difícil em casa são acolhidos e permanecem na mesma instituição. O que acontece alteração de instituição é quando eles por algum motivo evadem do serviço, decidem fugir e ai passam muito tempo longe quando retorna as vezes a vaga foi preenchida, mas existe sempre uma tentativa de se manter a mesma instituição, agora quanto a quebras a gente nunca tem na psicologia do ser humano a gente nunca entende as coisas linearmente, sempre depende muito de quanto cada um suporta as quebras que a vida traz alguns suportam quebras e rompimentos, e vão conseguindo construir novos vínculos alguns ante a pequenos rompimentos já se quebram então existe um tanto que de


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fato é importante evitar, importante evitar frustrações tantos vínculos rompidos ao longo de uma vida principalmente vínculos que se rompem trazendo no adolescente sentimento culpa, mas também é não é tão linear assim como se o rompimento trouxesse efetivamente um prejuízo, mas é sempre importante garantir uma continuidade, um acolhimento de fato é por isso que até o termo mudou de abrigo, por que abrigo é só uma casa só um canto para ficar mudou a terminologia para serviço de acolhimento institucional por que o acolhimento ele já engloba outros fatores emocionais Também é o que o que esses adolescentes precisam. Os adolescentes que não encontram na adoção ou porque não querem ou porque não encontram famílias no perfil deles a gente sempre trabalha com eles a autonomia, desde que a criança é acolhida cada faixa etária é trabalhado toda criança que entra no serviço de acolhimento ou adolescente ele tem o PIA, que é um plano individual de atendimento e neste PIA tudo que a criança e adolescente precisa é cuidado tanto em relação a família, escola, saúde e educação tudo, e quando se percebe que o caminho é a autonomia o serviço de acolhimento trabalha o desenvolvimento daquela criança daquele adolescente, quais são os cursos que se interessa buscar profissionalização inserção em mercado de trabalho, também a uma preocupação em ensinar coisas do cotidiano mesmo como fazer uma compra, o que se compra quando se mora sozinho por que muitos acabam gastando todo dinheiro nos primeiros meses que saem do acolhimento com todas as guloseimas que não podiam comprar antes então orientamos a respeito de como usar como aplicar o dinheiro em relação a trabalho relação também pessoal no trabalho, todo um trabalho de preparação mesmo desse adolescente para poder ter uma vida autônoma, uma vida independente buscamos também padrinhos afetivos por que entre a família e a adoção também existe outras possibilidades que muitas vezes são mais importantes ou significativas do que a própria adoção, então o apadrinhamento afetivo é uma possibilidade de um convívio fora de serviço de acolhimento, de inserção em uma nova família através de vínculos de afeto vínculos de amizades, e alguns fóruns e alguns abrigos fazem trabalho de capacitação qualificação de pessoas interessadas em apadrinhar, então também é uma possibilidade de convívio, de amizade e de suporte. Eu não vejo que exista uma relação direta entre uma coisa e outra, mas eu posso apontar que de fato é muito sofrido sair de um serviço de acolhimento aos dezoito anos muitas vezes sem muito suporte, ou sem muito amparo familiar. Então alguns saem do serviço de acolhimento (11:08 problemas na imagem) com algum emprego, com algum trabalho, algum


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curso profissionalizante e tem ainda a família biológica como apoio ainda vão morar com a família biológica aos dezoito, ou tem na família algum tipo de respaldo e que aí sendo maior já a vulnerabilidade que tinha já não é mais algo tão perigoso tão difícil de lidar, até por que vai se trabalhando em relação a isso como se proteger em relação coma família que a gente tem que cada um tem mas alguns saem do serviço de acolhimento sem contato com a família biológica e sem suporte e é muito angustiante existem serviços de republicas para jovens que é um acolhimento para maiores de dezoito anos que fica dos dezoito até os vinte e um, mas que não é tão tutelado quanto o serviço de acolhimento mas ele tem uma assistente social tem uma equipe que orienta então tem moradia garantida, tem uma verba para alimentação e vai se dando um suporte para esse adolescente como utilizar o dinheiro que tá ganhando do trabalho, como investir, o que comprar vai conversando pra que ele vá começando a amadurecer essa vida dos dezoito a vinte e um de uma forma mais amparada. Mas infelizmente no estado, são pouquíssimas republicas e pouquíssimas vagas nessas republicas então nem todos conseguem esse suporte e aí a gente busca o serviço de acolhimento a equipe do serviço acaba buscando um local para alugar para morar e com esse custo também que ele acaba tendo que bancar então é uma vida mesmo muito angustiante principalmente quando eles se dão conta que eles vão ter que se bancar sozinhos, depende agora da força de trabalho deles do alimento, das contas e é extremamente angustiante para quem trabalha com eles tanto para eles e aí o que a gente vê são vários boicotes eles quando estão perto para sair do abrigo eles perdem o emprego, ficam doentes e joga tudo para o alto por que talvez se mantenham acolhido mais tempo e é muito mesmo angustiante por isso trabalho tem que ser muito cuidadoso e acho que é uma passagem muito brusca, deveria ter a política pública que cuidasse um pouquinho mais dessa passagem que permitisse um pouquinho mais de colo para eles por um período, mas eu não vejo uma linha direta em relação a isso causar um impacto de novo acho que é aquela questão de cada um consegue dar conta das dores que sofreu e quantas pauladas já levou na vida antes disso, quando se tem muitas quebras ao longo da vida as vezes não se tem estrutura emocional mesmo para se ver sozinho diante da vida é muito angustiante é um peso muito grande, mas alguns conseguem ao longo disso mesmo que com muitas quebras construir outros suportes outros apoios (interferência na imagem 14:22) e aí essa passagem não se faz de forma tão doida ou tão prejudicial assim com tantos prejuízos. O que eu vejo é que o Brasil está a anos luz de ser um país que protege crianças e adolescentes e a gente pode assistir


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inúmeras situações que dão caos a isso até recentemente, é um país que não entende que uma menina estuprada aos dez anos não é uma mulher que pode ser mãe. Quando a gente se pauta só nos pequenos exemplos a gente tá pautado em uma lista de violações uma lista enorme de violações e de preconceitos e que acabam sendo respaldados inclusive com mudanças na lei que já eram garantia com aborto legal. Então faltam muitas políticas púbicas, e apoio a essas famílias por que a gente não pode entender criança e adolescente como algo descolado de suas famílias, primeiramente para cuidar bem de crianças e adolescentes o país precisa cuidar bem das famílias e famílias que estão bem cuidadas bem assistidas, com políticas públicas que garantam acesso mínimo a educação, a saúde e a trabalho não se tornam famílias vulneráveis, então primeiramente isso é fundamental e isso está em lei e isso é engraçado por que sempre se pensa em alteração na lei sem pensa em alterações na lei para facilitar ou agilizar adoções, e nunca se pensa em alterações para garantir políticas públicas que já está no mesmo ECA para que essas família não percam seus filhos para que elas possam cuidar dos seus filhos mas uma vez sendo política e sendo indicado para criança necessidade de adoção, porque adoção não é política púbica adoção não é a saída para todas as crianças é isso é algo muito sério por que a gente não pode entender que adoção seja a solução de todos os problemas das famílias e das crianças, mas uma vez adoção sendo o foco da criança entendo que existe sim uma política de bom cuidado, existe um mito de que as crianças fiquem esquecidas nos serviços de acolhimento que não é verdade a verdade é que essas famílias precisam de chance de serem trabalhadas se pensarmos em um sobrinho ou parente nosso nós não gostaríamos que nosso parentes fosse direto para a adoção, a gente gostaria de ter a chance de tê-los em nossa família, não podemos achar que uma família pobre ela pode ser atropelada e não ter direito a defesa direito a suporte. Então falta muita políticas públicas e assistência nisso e a dificuldade na adoção também muitas vezes é também por não ter pretendente que abarque o perfil as vezes a gente te grupos de irmãos numerosos e não temos pretendentes para abarcar a gente tem crianças que possuem doença crônicas e poucos pretendentes disponíveis e sabemos que a questão racial e de gênero é algo que influência muito também nas adoções temos muito mais procuras por meninas do que por meninos, brancos do que negros são muitas situações que dificultam a falta de iniciativa ou de interesse em buscar adoção para essas crianças Sim, vários por que desde famílias que conseguem resgatar seus filhos de situações muito vulneráveis de violência doméstica e conseguem se organizar conseguem ser vistas


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pela rede de atendimento e conseguem crescer e ter seus filhos de volta e famílias que conseguem adoção de grupos de irmãos ainda q separados em novas famílias conseguem manter a convivência fraterna quando encaminhadas a adoção como histórias triste de devolução de adoção pretendentes que tinham como ideia um filho ideal e quando surge o filho real elas não se adaptam aquela criança e a devolução ocorre com muitas marcas sempre com muita culpabilização da criança nesse aspecto e histórias de crianças que desbravaram o mundo aos dezoito anos, alguns com muita dor outros com mais estruturação e que foram dando conta.


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Entrevista: Ângelo David Data: 18/10/2020 00:03 00:04 Eu entrei no abrigo com 16 anos. 00:10

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Já uma vez já passei sim com um conhecido meu ele me conheceu no abrigo, mas não concluiu a questão da adoção por desistência minha.

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Foi pela má convivência com meu pai a gente brigava muito e a questão de eu achar que ele não era bom o suficiente para mim e aí ele me levou para o abrigo.

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Foram muito boas eu aprendi bastante coisa conheci bastante pessoas novas o abrigo abriu um leque de opções na minha vida o abrigo me deu bastante opções através disso conseguir realizar muitas coisas na minha vida me ajudou bastante.

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Positiva foi quando abrigo me conseguiu um trabalho para mim de carteira assinada como jovem aprendiz foi um dia muito marcante para mim pois era um mundo novo para mim eu sempre gostei de trabalhar então.

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Eu passei por dois abrigos.

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Por um lado eu entendo que tem umas crianças que eles acabam ficando revoltados pela questão do pai e da mãe não está presente às vezes não entender o porquê daquilo acontece na vida delas eu sei que tem umas que acabam ficando revoltadas e de vez em quando tinha uns certos conflitos lá dentro do abrigo acaba tendo briga xingando e às vezes até ofendendo as cuidadoras que estavam cuidando da gente. E isso foi uma experiência negativa para mim.

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O abrigo me ajudou muito nessa questão me apoiaram bastante fizeram bastante instruções ele sempre me ajudaram o mercado de trabalho faculdade questão de moradia me apresentaram depois que eu saí do abrigo tinha a questão da republica que você pode ficar também depois dos seus 18 que você pode ficar até os 23 eu não cogitei a possibilidade de ir para lá mas é como uma regra deles para você escolher ir para lá Mostrar para você depois dos seus 18 anos é uma opção se você não tiver recursos e nem uma boa convivência com seus pais naquele exato momento da saída do abrigo me ajudaram bastante nessa questão.

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Era muito boa eles me apresentaram bastante opções de poder sair do abrigo como eu disse anteriormente na questão da república me mostraram a questão de eu voltar a morar com meu pai também cogitaram essa possibilidade se havia um bom convívio poderiam chegar e conversar com ele mas assim quando eu saí do abrigo eu fui morar direto com um amigo meu.


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Triste realmente me senti triste pois eu gostava muito de ficar lá pela questão dos cuidados que eu tinha a maioria das pessoas nunca tive problema com nenhuma cuidadora e com as crianças também não tinham elas gostavam muito de mim o convívio era muito bom eu gostava bastante e eles foram para mim minha família então eu me senti triste até hoje em dia eu tenho contato com alguns deles às vezes eu faço umas visitas também.

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Na questão deles arranjar para mim emprego quando ele estava no abrigo Já estava trabalhando porque eles já tinham conseguido para mim e depois que eu sair teve a questão da faculdade que eles conseguir um para mim também.

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A dificuldade que eu tive eu acho que foi da questão do cuidado que as cuidadoras tinham com a gente e o convívio com as outras pessoas também e quando você convive com as outras pessoas com muita gente no mesmo espaço é totalmente diferente você conviver em um espaço com poucas pessoas a convivência geralmente conviver com mais crianças na mesma faixa etária que eu então quase seria a mesma coisa quando você sai para o mundo totalmente diferente quando você começa a lidar com adultos e com a vida real aí já é bem diferente com a questão da convivência com as outras pessoas.

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O tratamento de abrigos vai muito da pessoa que você é porque quando você chega tem várias pessoas e tem vários tipos de histórias então depende muito de quando você chega no abrigo e às vezes você fala a minha história melhor do que a sua eu sou mais sofrido do que você e não adianta você querer colocar uma dor a mais do que a outra então você tem que tentar entender a questão da história de todo mundo e saber que quem tá lá dentro está lá para te ajudar tem muitas pessoas que entra lá dentro e acho que lá é como se fosse um inferno já tive experiências assim que achava que lá era uma prisão e não é lá as pessoas estão para te ajudar e você tem que entender a história de cada um e tentar ter um convívio melhor com as pessoas.

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Eu vejo que as pessoas preferem adotar as criancinhas bebê por quê e eles falam eu quero criar ele comigo fazê-lo aprender as coisas do meu jeito e quando você cria quando você adota um adolescente geralmente de uns 10 a 12 anos para cima você não pega só ela e fala que vai ser só minha com a minha história atrás dessa criança tem a história dela então você leva ela e a história dela Não adianta você querer Pegar só ela e tentar modificar a ela e mudar você tem que amá-la e adotá-la do jeito que ela é com seu histórico.


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Eu sempre dei o meu melhor sempre gostei de aprender então sempre quis aprender sempre quis estar gostei de aprender e mostrei isso para ela que o meu forço para de alcançar minha vida e poder realizar os meus sonhos então elas corriam atrás comigo também de realizar os meus sonhos me mostrar umas opções que eu tinha na minha vida então acredito que não sempre foi méritos meu com o meu esforço meu e com ajuda deles também. Quando você chega no abrigo eles te dão opção é optativo e não obrigatório da questão do psicólogo quando eles observam no começo eles para passar com a psicóloga no começo eu achava meio chato eu falava para que eu tenho que chegar lá e falar da minha vida para uma pessoa que eu nem conheço no começo eu pensava isso mas ela me ajudou bastante na tomada de decisões da minha vida as questões dos meus projetos dos meus pensamentos assim e eu acredito que o abrigo tinha essa total razão de me encaminhar para ela e tanto que quando eu saí do Abrigo depois de um ano e meio eu continuei passando com a psicóloga porque a gente formou uma união tão boa uma amizade tão boa que ela virou uma amiga para mim não só uma psicóloga mais uma amiga.


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Entrevista: Simone Uriatti Data: 02/10/2020 00:16 01:59

Bom a ideia da escolha de trabalhar com a adoção ela foi conectada com a minha história pessoal por que eu sou filha por adoção e eu sou de um grupo de cinco irmãos dos quais os dois mais velhos não foram dotados e eu e os dois mais novos fomos adotados por diferentes famílias claro que isso foi em um cenário diferente do que a adoção hoje em dia, eu fui adotada em 1992. Isso mudou bastante as possibilidades e oportunidades que eu tive na vida, quando eu comecei a ter mais consciência disso procurar entender melhor a minha história eu comecei a pensar quero contribuir de alguma forma e na época de 2014 eu estava fazendo um curso de design pessoal na universidade do rio grande do sul, e eu precisava de um tema para graduação e daí eu pensei bom quem sabe eu vou escolher um tema que tenha haver com a minha história pessoal e que eu possa contribuir de alguma forma e foi assim que resolvi trabalhar com adoção e eu passei um ano estudando mais e entendendo o que tinha mudado de 1992 para 2014 na época, e enquanto que algumas coisas de certa forma melhoraram, por exemplo, tem menos preconceito em relação à raça e ao gênero da criança que tinha muito no começo, mas hoje em dia temos um problema gigante que é em relação à adoção de crianças com mais de sete anos de idade e então foi por isso que eu acabei focando em adoção tardia e depois acabou surgindo o projeto com o mesmo nome que é o adoção tardia.

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Oficialmente o projeto existe desde 2015 que dai eu já estava formada e resolvi dar continuidade ao projeto e depois mais pessoas acabaram entrando para equipe e é o que é hoje.

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Agora a gente vai entrar em um tema muito delicado. Quando o projeto nasceu com o objetivo de ser sensibilização para pretendentes a adoção, então desmitificar a adoção, trazer informações que ajudassem essas pessoas a ampliar o perfil, mas de forma responsável, a gente acredita que não é assistindo um vídeo que você vai mudar de perfil. A gente não quer que as pessoas mudem ou ampliem o perfil de criança desejada depois de terem visto um vídeo nosso isso tem que ser uma construção então a gente quer só sensibilizar esse foi o objetivo inicial. A gente fez algumas campanhas que eram campanhas de adoção de adolescente isso com autorização judicial é importante colocar o contexto, lá em 2015 ainda não se tinha aplicativos para adoção que hoje alguns estados já têm e é onde tem mais informações sobre as crianças e adolescentes que estão aptos e é onde os pretendentes podem acessar de maneira segura. Nessa época não tinha isso e se tinha um grande problema em ter esses adolescentes que já estavam oito a dez anos em uma instituição de acolhimento e de alguma forma a gente tinha que divulgar além da rede, o abrigo à comarca que faz parte conseguisse foi por isso que a gente fez algumas campanhas de adoção que eram divulgadas em redes sociais depois não só a gente, mas outras instituições começaram a fazer isso e ao mesmo tempo começo um movimento de aparecer esses aplicativos que tem mais segurança e até protege melhor a imagem da criança e a gente começou a ver que não fazia mais sentido continuarmos com essas campanhas em divulgação em redes sociais por que também a gente não podia garantir o sucesso dessas campanhas a

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primeira campanha que gente fez foi a da Thaiane ela foi lançada em uma semana, e teve várias famílias foi uma adoção com sucesso e até hoje ela mora com essa nova família, na época ela tinha 15 anos só que as três campanhas seguintes que laçamos elas não obtiveram esse nível de sucesso, até houve famílias interessadas, houve aproximação, houve período de adaptação mas não se constituiu uma adoção com sucesso; então a gente começou a entender que era uma responsabilidade muito grande que não era uma coisa que nós como projeto poderia assumir por que isso envolve toda a rede de proteção da criança e do adolescente, envolve o preparo dessas famílias que vão adotar, envolve o preparo desses adolescentes que vão para família envolve uma série de fatores que não estavam sobre a nossa condição de lidar e que a gente começou a reflexão que a gente também não era o melhor da nossa energia nisso, e que sim as consequências que traz uma devolução e uma adoção não bem sucedida são enorme para a criança então pensamos nós temos que focar a nossa energia de volta há nossa proposta inicial que é a sensibilização que é mudar como as crianças e adolescentes acolhidos são recebidos e sensibilizar os pretendentes a adoção. 08:57 10:13

Eu acho que é muito difícil a gente dá uma resposta direta isso em geral por que os desafios de cada região do Brasil são muito diferentes e dentro de cada região e dentro cada estado tem diferenças entre comarcas então sim tem comarcas e dentro da própria comarca existem vários tipos de instituição tem instituições que são conveniadas com a prefeitura, tem instituições que são diretamente públicas e cada uma dessas instituições e cada uma dessas comarcas tem as suas diferenças e temos sim instituições maravilhosas com equipes técnicas super bem preparadas que conseguem dar todo o apoio para o desenvolvimento psicológico e físico das crianças e doas adolescentes que estão lá e que se comprometem com o futuro delas que se comprometem com a educação para fazer de tudo, por que elas as vezes não possuem os recursos financeiros para isso. Ao mesmo tempo tem instituições e regiões do Brasil com dificuldades com muito mais complexas com falta de equipe técnica que consiga suprir todas as demandas, tem sim abrigos com mais crianças do que deveria estar.

10:20 11:25

Mas tem abrigos e casa lares, então tem diferenças nos números de crianças uma casa lar geralmente é de dez a quinze crianças então tem uma atmosfera diferente de um abrigo. Então tem abrigos com muitas crianças, casas lares pequenas tem diferentes tipos de gestão, é muito difícil te dar uma resposta, será que o Brasil cuida ou não cuida eu acho que tem muito a melhorar com certeza em todos os níveis até aquelas que estão fazendo muito bem tem muito espaço para melhorar, tem muito espaço também por que no estatuto da criança e do adolescente tem um artigo lá que diz que o acolhimento institucional ele é uma situação temporária, provisória e que deve ser até no máximo 24 meses e isso não acontece, então ai já tem um ponto para melhorar onde é que a gente tá errando que o acolhimento ele não está sendo temporário para muitas crianças eles está sendo oito dez ou até a pessoa ter 18 anos então nesse ponto serve para todo o Brasil.

13:29 15:00

A grande questão é o número de crianças que estão aptas à adoção tem aumentado nos últimos anos, o número de pretendentes a adoção é 5 vezes maior toda essa mídia todas essas campanhas publicitárias e tal elas deixam o pop mas elas não estão de certa forma informando a responsabilidade que é você ter um


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filho, por que adoção é você ter um filho e você ter um filho que vai trazer toda uma história. Então eu acho que sim é bom que esteja na mídia e ao mesmo tempo tem uma parte de que tem que ser desaromatizado sobre adoção que não vai ser tudo lindo por que a gente não tem os número divulgados de devolução de crianças no Brasil, mas a gente sabe qualquer pessoa conversa da rede de proteção vai contar os casos que tiveram de devolução e a devolução é um dos piores cenários que vai ser o segundo trauma na vida de dessas crianças e quando a gente fala de adoção das campanhas publicitárias e de uma reportagem muito curta e superficial ela não mostra realmente a verdade ou os desafios que aquela família adotou, e teve que passar e quanto ela se preparou para conseguir ter aquela adoção formar aquela família então eu quero a adoção continue na mídia continuem em pauta, espero que em algum dia não precisemos falar de adoção que seja tão normal como qualquer outro modelo de família. 23:07 25:32

Eu acho que é porque está na lei no estatuto que toda criança tem direito a convivência familiar e comunitária e para mim não importa a idade se está lá na lei e no estatuto, que é um estatuto incrível que o Brasil tem em relação aos direitos da criança e do adolescente muito completo se está lá que tape dezoito anos você tem direito a uma família então não importa sua idade você tem que ter direito assim como está lá que a situação de acolhimento tem que sare provisória por 24 meses, então ou estado resolve e dá meios para essa família biológica se reestruturar e esse adolescente voltar para a sua família seu núcleo familiar ou encontra uma família substituta essa é a minha visão não existe diferença em relação a idade. O segundo ponto que eu queria abordar é que de certa forma a adoção ela deveria existir em casos muito específicos por que ela é uma falha de alguma forma do sistema, como é que o estado à comunidade no geral deixou que a situação de uma família chegasse a tão certo ponto que a única forma é retirar essa criança da sua comunidade, da sua família então houve um erro ali alguém errou seja na rede de educação, seja na assistência social, na saúde, mas a gente tem que prevenir por que isso cadê a rede de apoio cadê os outros mecanismos que a gente pode criar para que isso não tenha que acontecer, e que se aconteça seja bom e realmente se em caso de morte dos pais biológicos e sem nenhum familiar por perto que seria o caso de orfandade que os orfanatos os órfãos, que como assim você vai olhar os dados não tem quase órfãos no Brasil na maioria das crianças que estão acolhidas elas tem pais e mães biológicas então de alguma forma a gente tá errando e também podendo ter outras formas de ajudar essas famílias que às vezes não é exatamente colocando em uma instituição.

31:48 32:11

Como é que você vai exigir de alguém que tenha uma vida independente, que tenha um emprego, que tenha moradia, que tenha enfim estabilidade emocional para lidar com tudo o que acontece para lidar com a vida da gente com 18 anos, então a gente também está de certa forma forçando muito que esses adolescentes estejam prontos.


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B – ROTEIRO

Gênero: Documentário Título: O que vem depois? Do acolhimento institucional à vida adulta Duração: 00:18:09 Direção: Sabrina Rodrigues Sinopse: Quando se vive em um abrigo, o primeiro abandono é o dos parentes. Mas quando a maioridade chega e não se têm a quem recorrer, o que será de seu futuro pós-desligamento? Esse documentário visa conscientizar a população, a acolher esses novos adultos, e pressionar os Poderes, do Estado para criação de políticas públicas efetivas. Cena

Vídeo

07”

Claquete

10”

Imagens de filmes, séries ou novelas

Voz entrevista

Áudio Nome do doc. Gênero Duração

Off 1

Essas cenas de filmes, novelas e séries retratam um estereótipo de como é a vida de quem vive acolhido em orfanatos e abrigos. Mas em cada instituição as histórias são bem diferentes.

Abertura

Nome do documentário

Ianca Aparecida

Eu entrei no orfanato com sete anos, só que eu não entrei sozinha entrei com mais cinco irmãos somos em seis.

Cena 1

IMG_4197

Sonora

06 segundos

Eu entrei no abrigo com 16 anos. Cena 2 Ângelo 13 segundos

Sonora

Foi pela má convivência com meu pai a gente brigava muito e a questão de eu achar que ele não era bom o suficiente para mim e aí ele me levou para o abrigo.


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Cena 3

IMG_4198 1 minuto e 5 segundos

Ianca Aparecida

Sonora

Eu morei em três instituições, orfanato que foi o primeiro que eu morei que fiquei dos sete aos dezesseis anos não foi uma experiência muito boa no sentido de ter mais problemas do que ajuda. Elas batiam, castigavam tudo o que a gente ganhava elas vendiam literalmente tudo roupa sapato, e eles viviam pedindo para a gente escolher e isso é o pior, por que tipo chegava natal e eles diziam escolhe o que você quer ganhar, eu respondia: “quero ganhar uma Barbie”. Mas você pede para não ficar é para vender diretamente às vezes não podia nem abrir o presente para não danificar e dar para vender de novo. ///////////// A boa foi a questão dos cursos dentro do orfanato nós fazíamos muitos cursos eu tive curso de informática intermediário/avançado eu pude entrar no curso que eu queria no grafite pois eu gosto muito, então eu entrei no curso com o projeto de grafite e as educadoras me apoiaram até o final para eu conseguir entrar nesse projeto. Eu passei por dois abrigos. Quando abrigo me conseguiu um trabalho para mim de carteira assinada como jovem aprendiz foi um dia muito marcante para mim pois era um mundo novo para mim eu sempre gostei de trabalhar então.

Cena 4 Ângelo

45 segundos

Sonora

Tem umas crianças que eles acabam ficando revoltados pela questão do pai e da mãe não está presente às vezes não entender o porquê daquilo acontece na vida delas eu sei que tem umas que acabam ficando revoltadas e de vez em quando tinha uns certos conflitos lá dentro do abrigo acaba tendo briga xingando e às vezes até


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ofendendo as cuidadoras que estavam cuidando da gente. E isso foi uma experiência negativa para mim.

Cena 5 15 segundos

Imagens de crianças e adolescentes + Lettering com os dados

Off 2

Sonora

O que antigamente se chamava como abrigo hoje se chama serviço de acolhimento institucional e são medidas protetivas para crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade e por vários motivos eles são acolhidos, seja por situação de violência doméstica, negligências, negligência também na corrente do estado e falta de política pública em que acabam levando as crianças e adolescentes de famílias mais vulneráveis para o acolhimento.

Dairton Promotor

Sonora

Um país que não cuida dos seu jovens adequadamente, não tem futuro estamos melhorando a nossa qualidade do futuro dos nossos jovens está muito melhor as nossas família graças a Deus estão mais abastecidas de informação mais capacitadas ao cuidado já foi muito pior, mas as nossas crianças dos abrigos são muito relevadas a segundo plano e infelizmente por que, por que nós temos um sistema de justiça que não trata como prioridade absoluta os processos dessas crianças deixando elas viveram nos abrigos indeterminadamente sem respeitar os prazos legais dos processos dessas crianças

Simone Adoção Tardia

Sonora

No estatuto da criança e do adolescente tem um artigo lá que

Cena 6 Psicóloga Cristina 26 segundos

Cena 7 36 segundos

Cena 8

No Brasil cerca de 30 mil crianças e adolescentes estão em situação de acolhimento. No estado de São Paulo esse número é de mais de 8.500, sendo que mais de 6 mil dessas crianças e adolescentes estão em idade avançada e possivelmente não serão adotados.


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27 segundos

diz que o acolhimento institucional ele é uma situação temporária, provisória e que deve ser até no máximo 24 meses e isso não acontece, então ai já tem um ponto para melhorar onde é que a gente tá errando que o acolhimento ele não está sendo temporário para muitas crianças eles está sendo oito dez ou até a pessoa ter 18 anos então nesse ponto serve para todo o Brasil.

Cena 9 IMG_4199 12 segundos

Ianca Aparecida

Cena 10 Ângelo

Sonora

Sonora

Eu gostava muito de ficar lá pela questão dos cuidados que eu tinha a maioria das pessoas nunca tive problema com nenhuma cuidadora e com as crianças também não tinham elas gostavam muito de mim o convívio era muito bom eu gostava bastante e eles foram para mim minha família então eu me senti triste até hoje em dia eu tenho contato com alguns deles às vezes eu faço umas visitas também.

Sonora

A sensação é pânico quando você vai completar dezoito anos, por que você fica achando que não vai dar certo, que você não vai ter onde morar você não sabe se amanhã você vai ter uma casa ou um lugar por que você não pode voltar para a sua família, e não tem outra família para você ir fica totalmente incerto. /////////// a gente chora todos os jovens que saem todos choram, todos ficam mal e é muito ruim. ////////// Quando eu fui para o Saica eu ganhava as coisas e eu podia ficar

11 segundos

Cena 11 IMG_4199 1 minuto e 41 segundos

Ianca Aparecida

No orfanato a gente era uma grande família todo mundo se apoiava logico que as vezes tinha discussão, briga ou um ficar contando o que o outro fez de errado, mas a gente se apoiava por que estava todo mundo na mesma situação.


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então eu sentia falta disso, depois que você completa dezoito anos as pessoas entendem que agora você é adulto você se vira, então você não precisa de mais nada teoricamente é mentira porque você cresceu em Saica e abrigo e no abrigo só tinha roupa de doação as roupas que eram minha eram de todo mundo, então eu não tinha roupa só minha e quando eu fui para a república eu não tinha muita coisa minha, algumas educadoras se organizaram e fizeram pra mim tipo um chá de casa nova para eu poder ir para republica para ter alguma coisa na república você não tem mais nada e as pessoas não estão mais dispostas a te ajudar eles entendem você é maior então se vira, mas você fica bem perdia por que você não tem quase nada.

Cena 12 Ângelo

Sonora

A dificuldade que eu tive eu acho que foi da questão do cuidado que as cuidadoras tinham com a gente e o convívio com as outras pessoas também e quando você convive com as outras pessoas com muita gente no mesmo espaço é totalmente diferente você conviver em um espaço com poucas pessoas a convivência geralmente conviver com mais crianças na mesma faixa etária que eu então quase seria a mesma coisa quando você sai para o mundo totalmente diferente quando você começa a lidar com adultos e com a vida real aí já é bem diferente com a questão da convivência com as outras pessoas.

Sonora

A maioria dos pretendentes a adoção eles buscam filhos biológicos na adoção os filhos biológicos que não tiveram, e aí é muito difíceis pretendentes que se abram que busquem crianças maiores, adolescentes para iniciar

34 segundos

Cena 13 1 minuto e 37 segundos

Psicóloga Cristina


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um convívio familiar. É um grande desafio e adolescer com essas angustias é muito difícil principalmente por que a adolescência ela também traz uma angustias em relação a auto estima; ‘quem eu sou’ e ‘quem gosta de mim’ e estar em acolhimento traz a sensação de abandono de: “Por que eu não pertenço a família ao qual eu nasci ou eu sou cuidado por pessoas que crio vínculos de afeto, mas que aos 18 anos esses vínculos vão se romper, é muito comum os adolescentes se angustiarem e discutirem com os profissionais do acolhimento e dizerem: “Você gosta ou não gosta de mim? Você não gosta de mim não se importa comigo você está aqui porque ganha um salário para cuidar de mim”. E é verdade, mas também não é verdade e os vínculos são muito difíceis principalmente quando chega perto da hora de sair do serviço de acolhimento, então adolescer nessa condição tem peculiaridades que precisam ser cuidadas e é mesmo muito difícil. //////// Eu posso apontar que de fato é muito sofrido sair de um serviço de acolhimento aos dezoito anos muitas vezes sem muito suporte, ou sem muito amparo familiar.

Cena 14 IMG_4199 1 minuto e 52 segundos

Ianca Aparecida

Sonora

A primeira dificuldade que a gente enfrenta geralmente a maioria dos jovens eu falo assim a minha educação no orfanato foi diferente a gente aprendeu como limpar casa, cuidar de casa e a fazer tarefas diárias a maioria dos jovens não aprende dentro da instituição ou abrigo poucos abrigos ensinam a como você vai fazer para lavar e passar sua roupa fazer essas atividades, então eles ficam perdidos sem saber o que fazer. No


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meu caso como eu já trabalhava e estudava e já fazia um monte de coisa eu só tive que me adaptar a rotina e o complicado era dividir o espaço com uma pessoa estranha, como você cresceu muitos anos com as mesmas crianças e mesmo jovens é complicado você chegar em uma casa com pessoas que você nunca viu. //////// Eu consegui ficar na república e lá você pode ficar três anos, você não paga nada é igual ao abrigo a diferença é que não tem educadoras quem vai fazer tudo é você, não vi ter ninguém par fazer as coisas para você mas você não paga nenhuma conta. Então você vai poder guardar dinheiro até conseguir se estruturar sozinha depois de três anos. ///////// Depois que você completa dezoito anos as pessoas entendem que agora você é adulto você se vira, então você não precisa de mais nada teoricamente é mentira porque você cresceu em Saica e abrigo e no abrigo só tinha roupa de doação as roupas que eram minha eram de todo mundo, então eu não tinha roupa só minha e quando eu fui para a república eu não tinha muita coisa minha, algumas educadoras se organizaram e fizeram pra mim tipo um chá de casa nova para eu poder ir para republica para ter alguma coisa na república você não tem mais nada e as pessoas não estão mais dispostas a te ajudar eles entendem você é maior então se vira, mas você fica bem perdida por que você não tem quase nada.

Cena 15 Ângelo 32 segundos

Sonora

O abrigo me ajudou muito nessa questão me apoiaram bastante fizeram bastante instruções ele sempre me ajudaram o mercado de trabalho faculdade questão de


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moradia me apresentaram depois que eu saí do abrigo tinha a questão da republica que você pode ficar também depois dos seus 18 que você pode ficar até os 23 eu não cogitei a possibilidade de ir para lá mas é como uma regra deles para você escolher ir para lá Mostrar para você depois dos seus 18 anos é uma opção se você não tiver recursos e nem uma boa convivência com seus pais naquele exato momento da saída do abrigo me ajudaram bastante nessa questão.


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C – PAUTAS DOCUMENTÁRIO

PAUTA EDITORIA Investigativo Políticas públicas

TEMA/ASSUNTO

EDIÇÃO

Entrevista: Ianca Aparecida

Sabrina Rodrigues

HISTÓRICO Ela passou a vida em um orfanato, e nunca teve a oportunidade de ser adotada. E com todas as dificuldades enfrentadas dentro da instituição, ainda teve que seguir com um futuro incerto. Perguntas: 1- Com quantos anos você entrou no abrigo? 2- Você alguma vez passou por entrevista para ser adotada? 3- Quais foram as suas experiências no abrigo? Se positiva ou negativa (pedir uma história marcante) 4- Como era a sua relação com as demais crianças e adolescentes do abrigo? 5- O que você sentiu quando estava perto de completar dezoito anos? 6- Qual era o tratamento dado quando você estava perto do desligamento do abrigo? 7- Como você se sentiu quando chegou a data de deixar o abrigo? 8- Após o desligamento você teve algum apoio do abrigo ou do Estado? 9- Quais dificuldades você enfrentou assim que deixou o abrigo? 10- O que você mais sentiu falta quando deixou o abrigo? 11- O abrigo ajudou você a conseguir algum programa de apoio? 12- Qual a sua opinião sobre o sistema de adoção do Brasil? E do tratamento de abrigos? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Analisar a Ianca como personagem do documentário por não ter sido adotada. OBSERVAÇÃO Usar a câmera para fazer gravação em plano geral; Usar a outra câmera para fazer uma gravação em plano médio e fazendo alguns closes nos momentos de falas relevantes; Haverá uma lapela se precisar. Data: 10/09/2020 Horário: 14hs PAUTEIRA (O) Sabrina Rodrigues

REPÓRTER Sabrina Rodrigues


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PAUTA EDITORIA Investigativo Políticas públicas

DOCUMENTÁRIO TEMA/ASSUNTO Entrevista: Cristina Rosa – Psicóloga judiciária

EDIÇÃO

Sabrina Rodrigues

HISTÓRICO Psicóloga judiciária, trabalha com adolescentes em serviço de acolhimento institucional.

Perguntas: 1- O que levou você a entrar na área da psicologia judiciária? 2- Como tem sido sua experiência com os adolescentes de abrigo? 3- A adolescência é uma fase da vida em que as transformações acontecem “a todo vapor”, e nem todos estão preparados para as mudanças. Como isso influencia na formação de jovens que permanecem na incerteza de serem ou não adotados por uma família? 4- O acolhimento institucional é um programa que visa trazer uma referência familiar para as crianças de abrigo, mas isso faz com que migrem de lar em lar. Existem riscos de desenvolver problemas psicológicos por conta da instabilidade ou os ganhos do acolhimento acabam sendo mais importantes? 5- Quando um adolescente chega à maioridade e não é adotado, qual é a tendência de apresentar dificuldades de adaptação à vida fora do abrigo? 6- Qual é o tratamento dado aos adolescentes que possivelmente não serão adotados? 7- Quais medidas você acredita que o Estado deva tomar em relação ao desligamento institucional para que o jovem alcance sua emancipação com mais tranquilidade? 8. Pela sua experiência, você acredita que o Brasil é um país que cuida bem das crianças que vivem em abrigos e aguardam a adoção? E dos jovens que possuem essa experiência no passado? Como o panorama poderia ser melhorado? 9. Você lembra de uma história que tenha marcado sua atuação como psicóloga no atendimento a crianças e jovens em situação de abrigo? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Observar como a psicóloga auxilia os adolescentes de abrigos. OBSERVAÇÃO

Data: 04/09/2020 – Local: Online via Zoom Horário: 13h30 PAUTEIRA (O)

REPÓRTER

Sabrina

Sabrina


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DOCUMENTÁRIO

PAUTA EDITORIA Investigativo Políticas públicas

TEMA/ASSUNTO

EDIÇÃO

Entrevista: Promotor de Justiça da Infância e da Juventude

Sabrina Rodrigues

HISTÓRICO Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude - Dr. Dairton Costa de Oliveira. Perguntas: 1- Há quanto tempo o Sr trabalha na área da infância e juventude? 2- Por que muitos adolescentes que saem dos abrigos não recebem ajuda do Estado? 3- O Sr acredita que o Brasil é um país que cuida bem das crianças que vivem em abrigos e aguardam a adoção? E dos jovens que possuem essa experiência no passado? Como o panorama poderia ser melhorado? 4- O Sr acredita que o poder público tem desempenhado bem o papel de apoiar os recém saídos dos abrigos? 5- Quais medidas o poder público poderia tomar para ajudar os adolescentes de abrigo em idade de desligamento institucional? 6- A promotoria possui algum tipo de autoridade sobre as políticas públicas criadas que garante as crianças e adolescentes de abrigos? 7- O Sr acredita na eficiência dessas políticas públicas? 8- O Sr lembra de alguma história que tenha marcado sua atuação como promotor no atendimento a crianças e jovens em situação de abrigo? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO

Observar como o trabalho da promotoria pode ajudar na defesa dos adolescentes de abrigos. OBSERVAÇÃO

Online pelo zoom Data: 21/09/2020 – Local: Zoom Horário: 14h30 PAUTEIRA (O)

REPÓRTER

Sabrina

Sabrina


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PAUTA EDITORIA Investigativo Políticas públicas

TEMA/ASSUNTO EDIÇÃO Entrevista: Simone Uriatti – Projeto adoção tardia Sabrina Rodrigues

HISTÓRICO Simone Uriartt foi adotada aos 3 anos, ela cresceu com a família que a acolheu. Desenvolveu um TCC sobre o tema adoção tardia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E é coordenadora do projeto adoção tardia. Perguntas: 1- De onde surgiu a ideia de criar um projeto voltado para adoção tardia? 2- O projeto existe a quanto tempo? 3- Quantas crianças em idade avançada o projeto conseguiu que encontrasse uma família? 4- O projeto recebe algum apoio financeiro ou político? 5- Pela sua experiência com o projeto, você acredita que o Brasil é um país que cuida bem das crianças que vivem em abrigos e aguardam a adoção? E dos jovens que possuem essa experiência no passado? Como o panorama poderia ser melhorado? 6- Quais suas expectativas para o projeto no futuro? 7- Você tem alguma história que tenha te marcado, tanto na elaboração do seu TCC quanto coordenando o projeto? 8- O que adoção de adolescentes em idade avançada representa para você? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Explorar o projeto adoção tardia, e o impacto que ele tem tido na vida de crianças em situação de idade avançada. OBSERVAÇÃO Data: 24/09/2020 – Local: Online Via Plataforma Zoom Horário: 15hs PAUTEIRA (O) REPÓRTER Sabrina Rodrigues Sabrina Rodrigues


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DOCUMENTÁRIO

PAUTA EDITORIA Investigativo Políticas públicas

TEMA/ASSUNTO

EDIÇÃO

Entrevista: Ângelo David

Sabrina Rodrigues

HISTÓRICO Ele chegou ao abrigo com 15 anos, por ter problemas com o pai dele. Perguntas: 13- Com quantos anos você entrou no abrigo? 14- Você alguma vez passou por entrevista para ser adotado? 15- Quais os motivos que o levaram ao abrigo? 16- Você alguma vez quis ser adotado? 17- Quais foram as suas experiências no abrigo? Se positiva ou negativa (pedir uma história marcante) 18- Como era a sua relação com as demais crianças e adolescentes do abrigo? 19- O que você sentiu quando estava perto de completar dezoito anos? 20- Qual era o tratamento dado quando você estava perto do desligamento do abrigo? 21- Como você se sentiu quando chegou à data de deixar o abrigo? 22- Após o desligamento você teve algum apoio do abrigo ou do Estado? 23- Quais dificuldades você enfrentou assim que deixou o abrigo? 24- O que você mais sentiu falta quando deixou o abrigo? 25- O abrigo ajudou você a conseguir algum programa de apoio? 26- Qual a sua opinião sobre o sistema de adoção do Brasil? E do tratamento de abrigos? ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Analisar o Ângelo como personagem do documentário por não ter sido adotada. OBSERVAÇÃO Usar a câmera para fazer gravação em plano geral; Usar a outra câmera para fazer uma gravação em plano médio e fazendo alguns closes nos momentos de falas relevantes; Haverá uma lapela se precisar. Data: 17/10/2020 Horário: 11hs PAUTEIRA (O) Sabrina Rodrigues

REPÓRTER Sabrina Rodrigues


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DIÁRIO DE CAMPO A um ano e meio, veio a nós a notícia de que o nosso TCC seria adiantado, e realizaríamos com a nossa turma que estava um semestre avançado. Desde desse momento, busquei vários temas em que pudesse me apropriar e criar um excelente projeto. Nas férias de janeiro, buscando por temas assisti alguns filmes e séries relacionados sobre como é a vida em abrigos, sobre orfandade, abandono dos familiares nessas casas e se realmente a vidas deles é como retratada nessas ficções, essas questões me fizeram questionar, o que acontecia com os jovens que completam dezoito anos em abrigos ou orfanatos, e precisam deixar a instituição por maioridade. Sempre tive empatia com esses temas sociais e achei que seria relevante seguir por esse caminho. Precisei afunilar muito esse tema, por ser muito abrangente. Primeiro dediquei a pesquisa nos abrigos, orfanatos e instituições de acolhimento no estado de São Paulo, indo mais afundo decidi por não falar das casas em si, e nem de como é viver lá, mas abordar como é sair aparentemente sem nada, e sem para onde ir ao completar dezoito anos. Após isso, quis mostrar também, uma experiência de quem havia se desligado a muito tempo e outra que estivesse por completar dezoito anos e ainda vivesse na casa abordando o que sentia, os medos e apreensões. Não pude dar seguimento a essa estrutura, por ter problemas com essas fontes, por serem menores de idade e não obtive autorização judicial para gravá-los, então mudei minha estrutura para apenas os que já haviam se desligado há algum tempo. Buscando por material acerca dessa temática, notei que se trata de um tema pouco abordado, e quando tratado nas mídias o que levam em conta é só os abrigos e adoção. Obtive por pesquisas, que no Brasil crianças com idade superior a sete anos, possivelmente não serão adotadas, é o que chamam de idade tardia. E quando chegam aos dezoito, eles precisam se desligar da instituição, quis mostrar as dificuldades de se passar por essa fase da vida, sem uma família como apoio, ter que deixar tudo que consideravam sua família ao completar dezoito anos, se tais experiências causam traumas ou sequelas, e se como retratadas nas histórias cinematográficas na instituição era o que realmente eles vivenciaram, mas precisei


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acrescentar falas de como é ser abrigado, e sobre adoção porque é algo que as próprias fontes fazem muita menção. Como fontes para sustentar ou contestar a minha opinião, fui atrás de uma psicóloga, um promotor de justiça da infância e pessoas que vivenciaram o desligamento por maioridade. Foi por um vídeo em um canal de uma determinada rede social, que conheci a minha primeira fonte Ianca Aparecida, que passou quase toda infância e adolescência, se revezando em orfanato e abrigo e teve muitas experiências negativas. Após conseguir a primeira fonte, tive certa resistência de algumas outras fontes com histórias principais, até que consegui contato com o Ângelo David que chegou ao abrigo com quinze anos, e tem muitas experiências positivas de lá e novamente tive que mudar a estrutura para uma visão diferente da que iria apresentar, as pessoas acreditam que as casas de acolhimento ou são muito terríveis ou são ótimas, e as histórias tanto do Ângelo quanto da Ianca me fizeram atribuir ao documentário duas visões de como era para eles viverem lá. Por conta das diversas mudanças na estrutura, na edição precisei fazer uns recortes e conciliar as melhores partes das entrevistas, tanto as presenciais quanto as online.


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ANEXOS A – CAPA DO DVD


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B - CD


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C - AUTORIZAÇÕES


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O que vem depois? Do acolhimento institucional à vida adulta - Sabrina Rodrigues da Silva by Rede Código - Issuu