UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUÇÃO DE JORNALISMO
Patricia de Mello Pontes
O grito silencioso: Como a invisibilidade dos coletivos feministas na sociedade acarreta a exclusão de temas importantes para as mulheres
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
SÃO PAULO 2020
Patricia de Mello Pontes
O grito silencioso: Como a invisibilidade dos coletivos feministas na sociedade acarreta a exclusão de temas importantes para as mulheres
Relatório
de
Metodológica
Fundamentação apresentado
ao
Teórica
e
curso
de
jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel. Orientadora: Profa. Dra. Mirian Meliani Nunes
SÃO PAULO 2020
Agradecimentos
Primeiramente gostaria de agradecer a todas as mulheres que lutaram pelos nossos direitos, é graças a vocês que hoje esse projeto, como tantos outros, pôde ser feito e apresentado. Agradecer aos meus familiares, amigos e noivo, obrigada por sempre acreditarem em mim, mesmo quando nem eu tinha essa convicção Para esse projeto três mulheres foram essenciais, começando pela professora Mirian Meliani, sem sua orientação o caminho seria mais difícil, obrigada por todos os conselhos e dicas e puxões de orelha. Vanessa Pontes, sem você e sua ajuda com as decupagens e transcrições das entrevistas, o caminho seria mais longo. A Heloísa Barbosa que foi responsável pela criação da identidade gráfica do projeto, obrigada por tornar meu portal o que é hoje. E por último Danielle Lima, sem a sua revisão a minha reportagem não seria a mesma. Aos professores por tudo o suporte e conhecimento ao longo dos 4 anos de faculdade.
Ficha técnica Título: O grito silencioso Descrição: A invisibilidade dos coletivos femininos na comunicação causa uma exclusão de assuntos importantes para as mulheres. E como isso é fundamental para a criação da identidade da mulher feminista na sociedade. Carácteres: 24.088 palavras Link do portal: https://patympontes.wixsite.com/o-grito-silencioso
Participantes
Patricia Pontes: Graduando em Jornalismo na Universidade Cruzeiro do Sul, Campus São Miguel Paulista. Atualmente cursando 8ª semestre do ciclo de graduação. Funções desenvolvidas: pauteira, repórter, redatora, editora do podcast e vídeo.
Mirian Meliani: É professora universitária, jornalista e historiadora, com doutorado em comunicação e semiótica sobre narrativas jornalísticas nas redes digitais. Funções desenvolvidas: Orientadora do trabalho de conclusão de curso
Heloísa Barbosa: Designer formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (2019). Atualmente trabalha como autônoma na área de design gráfico e comunicação visual. Funções desenvolvidas: Design gráfico das artes do portal.
Danielle Lima: Danielle Lima Ferreira é estudante de Letras- Português e Inglês e trabalha de forma autônoma com revisão de textos e ensino da língua portuguesa. Funções desenvolvidas: Revisão da reportagem
Fontes: Márcia Tiburi – Escritora e professora Marilia Kayano - União de Mulheres do Município de São Paulo Fatine Oliveira - Coletivo Feminista Helen Keller Paula Kaufmann - Coletivo Juntas Maria Aparecida Lima - Associação das mulheres da Zona Leste Rafaela Ferreira - Coletivo Lobas Ana Luiza Santos, Bianca Silveira, Carolina Jardim e Eduarda Cerutti - Coletivo Zaha Nathalia Campos - Coletivo Entre Elas Bianca Tocaccelli, Thaís Pantaleão e Mariana Mata – Femisistahs Rosemary Sampaio – Movimento das mulheres Negras Amanda Serdezello -Você que fala Ana Veiga - Revista dos Estudos Feministas Isis Maria - Planeta Ella Luciana Araújo - Instituto Patricia Galvão
"Não se pode escrever nada com indiferença" (Simone de Beauvoir)
Resumo A reportagem para o portal com o título: O grito silencioso. Como a invisibilidade dos coletivos feministas na sociedade acarretam a exclusão de temas importantes para as mulheres tem como objetivo identificar e entender o motivo que os coletivos feministas e temas relacionados ao movimento feminista são excluídos da comunicação de massa. E como essa falta de interesse por parte da grande mídia gera uma falta de representação da mulher feminista na sociedade. Como base para construção da reportagem usamos entrevistas com coletivos feministas, criadoras de conteúdos feminista e a autora do livro Feminismo em Comum, Márcia Tiburi. Palavras chaves: 1. Coletivos feministas; 2. comunicação de massa; 3. identidade; 4. Invisibilidade; 5. Feminismo.
Resumen
El informe del portal con el título: El grito silencioso. Como la invisibilidad de los colectivos feministas en la sociedad resulta en la exclusión de temas importantes para las mujeres. Tiene como objetivo identificar y comprender la razón por la que los colectivos feministas y los temas relacionados con el movimiento feminista están excluidos de la comunicación de masas. Y cómo este desinterés por parte de los grandes medios genera una falta de representación de las mujeres feministas en la sociedad. Como base para la construcción del informe se utilizaron entrevistas a colectivos feministas, creadoras de contenido feminista y autora del libro Feminismo em Comum, Márcia Tiburi.
Palabras clave: 1. colectivos feministas; 2. comunicación masiva; 3. identidad; 4. invisibilidade; 5. Feminismo.
Sumário 1. Introdução ..................................................................................................... 7 2. Objetivos ........................................................................................................9 2.1
Objetivo geral ............................................................................................ 9
2.3
Objetivo específico .....................................................................................9
3. Problematização e hipótese .........................................................................10 4. Justificativa ...................................................................................................11 5. Plano estratégico ...........................................................................................13 5.1
Descrição do produto ...............................................................................13
5.2
Estratégias ...............................................................................................13
6. Referencial teórico .........................................................................................15 7. Referências ....................................................................................................18 8. Cronograma ................................................................................................... 21 9. Orçamento ..................................................................................................... 22 10. Apêndice ....................................................................................................... 23 11. Diário de campo ............................................................................................ 61 12. Anexos ...........................................................................................................63
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1. Introdução
O agrupamento de mulheres sempre foi uma questão conturbada em nossa história, vista por muitos como uma afronta ao sistema patriarcal (em que o pai é considerado o dominador central da família). Esses coletivos de mulheres sempre foram deixados sem o prestígio que mereciam. Um dos movimentos essenciais para que as mulheres pudessem votar, foram as sufragistas que herdaram o nome da Lei do sufrágio que era responsável pela proibição da mulher ao voto, esse grupo foi um dos primeiros a erguer a bandeira do feminismo bem alto e abrir o caminho para que outras mulheres pudessem se juntar em grupos. No Brasil podemos dizer que o princípio da luta das mulheres sempre foi ligado a casos do senso comum, ou seja, lutas em que todos da sociedade participavam. Uma das primeiras batalhas das brasileiras foi a questão abolicionista. As escritoras Bandeira e Melo (2010, p. 11 e 12) afirmam que “A luta pelo fim da escravidão também foi vivida pelas mulheres negras e que apesar das limitações impostas às mulheres no século XIX conseguiram criar organizações em prol de si mesmas e dos excluídos.” Quase todas as revoltas que aconteceram no século XIX tiveram uma participação, por menor que seja, das mulheres. Outra questão amplamente defendida era a luta pela educação da mulher que, na visão da educadora Nísia Floresta (1810 – 1885), o ensino deveria ser igual ao que era oferecido para os homens. Desse jeito as mulheres poderiam conseguir autonomia política e econômica. A grande perseguição das brasileiras, desde o movimento abolicionista era a questão do voto e de garantir sua cidadania, foi apenas em 1932 quando o presidente Getúlio Vargas com o decreto nº.21.076 promulgou os direitos das mulheres de voto, após esse fato os movimentos feministas no Brasil deslancharam. Nos anos seguintes tivemos uma grande pausa na luta dos direitos das mulheres voltando a ter destaque no final da ditatura. Até o presente momento as mulheres no Brasil conseguiram obter várias conquistas, e um dos maiores exemplos foi a eleição da Presidente Dilma Vana Rousseff em 2010. Apesar das vitórias obtidas nos últimos anos, como a presidência, ainda há um longo caminho a percorrer para que essa a igualdade seja finalmente alcançada.
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A reportagem tem como objetivo estudar a invisibilidade dos coletivos feministas na comunicação de massa e como esse fato afeta diretamente a construção da identidade e representação da mulher na nossa sociedade. Dentre os motivos que podem explicar essa marginalização dos coletivos feministas, além do próprio nome, é a falta de interesse da mass media em criar conteúdo aprofundado dos temas que envolve esses coletivos e não somente em datas pontuais em que eles são considerados muletas para assuntos maiores e quando essas datas passam os coletivos são esquecidos juntos. A finalidade é ouvir depoimentos dos coletivos feministas da cidade de São Paulo e criadores de conteúdos com temas feministas. Reuniremos essas informações para criar uma reportagem extensa para internet no formato do UOL TAB que são conteúdos aprofundados sobre temas que ainda são tabus para a sociedade. O formato escolhido foi a reportagem extensa para internet, pois é um dos meios da comunicação de massa que tem um maior alcance de pessoas. O projeto experimental tem como objetivo maior retirar os coletivos da sombra e trazer à tona para sociedade, transformar o feminismo em pauta popular. As pautas foram baseadas na experiência dos coletivos acerca da invisibilidade se essas mulheres feministas se sentem representadas atualmente nos modelos de identidade que estão expostas na mass media.
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2. Objetivos
2.1.
Objetivo geral
Analisar o motivo da invisibilidade dos coletivos feministas na comunicação de massa.
2.2.
Objetivo específico
De forma mais aprofundada, a reportagem tem como o objetivo entender o motivo da invisibilidade dos coletivos feministas por meio de entrevista e compreender a visão dessas mulheres sobre a invisibilidade. O produto escolhido será a criação de uma reportagem extensa para internet com o formato UOL TAB, que é um produto multimídia, ou seja, usa imagens, vídeos e o texto como base da reportagem. São conteúdos geralmente provocativos e lançados semanalmente e trabalham com a ideia de textos aprofundados e que são um tabu para a sociedade. A ideia é atingir o maior público possível não somente os relacionados aos coletivos feministas, o principal objetivo é criar um conteúdo que seja acessível para todos os públicos e que se encaixe na comunicação de massa.
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3.
Problematização e Hipóteses
Grande parte do que é importante e secundário em nossas vidas não vem de nós mesmos e sim da agenda midiática, ou seja, se não está no mass media (mídia de massa) então não existe. A falta dessa agenda em torno dos coletivos feminista gera uma invisibilidade na criação das pautas e aprofundamento das mesmas e assim gerando uma falta de conhecimento dos trabalhos que os coletivos realizam. A mass media ainda não conseguiu definir uma identidade para coletivos feministas e essa falta de definição causa o isolamento e invisibilidade deles. A palavra feminismo só se tornou notável para comunicação de massa nos últimos anos, em que a pautas sobre feminicídio, violência doméstica e outras agressões contra as mulheres se tornaram um problema grave na sociedade civil. Podemos pontuar que o preconceito com a palavra feminismo e suas derivações (coletivo feminista é um grande exemplo disso), pode ser uma das causas da invisibilidade que os coletivos sofrem e isso gera a falta de construção da identidade, gerando a sensação de exclusão para essas mulheres que não conseguem se enxergar nesse meio.
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4. Justificativa
Atualmente é possível notar que os coletivos feministas só se tornam pautas na imprensa em certas datas, como por exemplo no mês de março em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, ou no carnaval em que as campanhas de conscientização do assédio ganham força. Observando com um olhar crítico as notícias que são publicadas, nenhuma retrata especificamente sobre os coletivos, ou seja, eles nunca são a pauta principal, são sempre o apoio para as notícias. Essa falta de representatividade é extremamente prejudicial para as mulheres, em seu livro “A Mãe de Todas as Perguntas”, a ativista e historiadora Rebecca Solnit descreve o que é o silêncio para as mulheres e como isso já faz parte do que é a mulher. Solnit afirma: “Se nossas vozes são aspectos essenciais da nossa humanidade, ser privado de voz é ser desumanizado ou excluído da sua humanidade. E a história do silêncio é central na história das mulheres.” (SOLNIT, 2017, p.28). A teoria de comunicação do agendamento dos pesquisadores Maxwell McComb e Donald Shaw afirmam que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados com maior destaque na cobertura jornalística, e que a tendência do consumidor é excluir ou incluir da sua bagagem aquilo que a mass media considera importante, ou seja, se ela retirar da sua redoma, o consumidor tende a excluir da sua também. Outro ponto a ser observado é a questão do preconceito que a palavra feminismo carrega consigo e pode contribuir para que os meios de comunicação excluam das suas pautas, pois não são apenas coletivos de mulheres, são grupos que bebem da fonte do feminismo para poder montar seus ideais e carregam a denominação feminista em seus nomes. Por não conseguirem colocar uma identidade nessas mulheres, muitas vezes
elas são
colocadas de lado na comunicação de massa e quando aparecem nesse meio não são representados como deveriam e esse é um dos questionamentos de Jesús MartinBarbeiro em sua teoria da mediações, os meios estão falando, mas está quem está reconstruindo essa mensagem? O modelo de reportagem escolhido foi o UOL TAB, pois ele aborda temas que ainda são provocativos na sociedade. Esperamos que a reportagem gere um interesse na imprensa de incluir em suas pautas o aprofundamento dos coletivos feministas,
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para que eles não sejam apenas um coadjuvante nas notícias, e também que enxerguem a necessidade de criar novas identidades para que essas mulheres se sintam representadas na esfera da comunicação de massa. Esse é o momento das mulheres quebrarem o silêncio nos quais vivem há milhares de anos, Solnit explica que nós só construiremos um mundo mais justo quando começarmos a ouvir aqueles que foram silenciados, ela afirma que “Sempre há uma mulher lutando para encontrar palavras e vontade de contar sua história” (SOLNIT, 2017, p.8). Nosso dever como comunicadores é dar voz àqueles que não podem e por causa desses fatos que os temas relacionados aos coletivos feministas precisam ser atemporais.
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5. Plano estratégico 5.1. Descrição do produto O modelo escolhido reportagens realizadas pela seção UOL TAB do portal de conteúdo que pertence ao grupo Folha. São reportagens que tem uma periodicidade semanal e conforme o nome já explica, tem como objetivo criar conteúdo que são considerados tabus para a sociedade, se encaixa perfeitamente ao projeto, pois o tema tem como finalidade discutir os coletivos feministas e o motivo da invisibilidade deles na comunicação de massa. As reportagens realizadas são basicamente acompanhadas de texto + infográficos, algumas tem vídeos, mas são poucas. Em relação ao texto, o UOL TAB mistura o lead pirâmide invertida com o misto e usa as entrevistas como base principal na construção da reportagem. Não necessariamente ele expressa a sua opinião sobre o assunto em questão, sempre abre para que as fontes façam esse papel.
5.2. Estratégias Para construção do projeto foram adotadas algumas estratégias, começando pela pesquisa do produto escolhido em especial reportagens do UOL TAB que tinha como tema principal o feminismo. Para a criação do portal foi usado o criador de site Wix, e foi escolhido um design mais simples. O vídeo com o tema Dicionário Feminista foi criado e editado pelo aplicativo Videoscribe, ele tem como objetivo explicar um pouco sobre as palavras mais usadas no feminismo. O podcast com os cinco livros sobre feminismo foi editado na ferramenta Audacity e as músicas que compõe foi baixado da biblioteca do Youtube. A criação do infográfico e tratamento das imagens foram feitas pelo design Heloisa Barbosa e tiveram a inspiração colagens de mulheres e a cultura pop e mesclam as cores roxo e rosa. O título escolhido foi O Grito Silencioso, pois durante as entrevistas e o processo de pesquisa foi descoberto que os coletivos feministas criam conteúdos, fazem as manifestações e tentam ficar em evidência, porém como a mass media não se interessa pelos temas, é como se a voz delas fossem silenciadas. O texto foi divido
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em cinco blocos, com um estilo de escrita misturando jornalismo literário e o lead misto e a cada novo bloco, a divisão é feita uma faixa com a montagem que foi criada pelo design. O público-alvo segue o mesmo do UOL TAB que possui matérias de caráter provocativos e abre a discussão para todos. Foram feitas entrevistas com coletivos feministas, criadoras de conteúdos para internet e a autora do livro Feminismo em Comum Márcia Tiburi. Os dados do infográfico foram retirados do Instituto Patricia Galvão sobre a pesquisa Feminismo e violência contra a mulher (2019).
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6. Referencial teórico
A reportagem tem como objetivo analisar o motivo da invisibilidade dos coletivos feministas na comunicação de massa e como essa falta de visibilidade é prejudicial para a identificação da mulher feminista na sociedade. A autora Rebecca Solnit (2017) coloca lado a lado a história do silêncio com a das mulheres, em todos os períodos a falta de voz e a imposição do silêncio ao sexo feminino é algo que está enraizado em todos os momentos e aspectos do mundo, desde a pré-história até os dias atuais. Outro aspecto que rodeia a falta de visibilidade desses coletivos é a palavra feminista que é derivada do movimento feminismo, na sua essência significa “Lutar pelo reconhecimento de direitos e oportunidades para as mulheres e, com isso, pela igualdade de todos os seres humanos”, afirma Carla Cristina Garcia (2015 p.12). A junção das palavras mulher e feminismo ainda causa impacto na sociedade de modo negativo, Márcia Tiburi (2018) define que todas as palavras possuem marcações e a palavra mulher em toda história já tem uma marca negativa então ao se reconhecer como uma mulher feminista esse indivíduo recebe uma dupla marcação negativa: O feminismo foi primeiramente usado em um sentido negativo. Aliás, duplamente negativo, porque as feministas eram mulheres que, em muitos casos, eram tratadas como se não fossem mulheres, como se fossem uma espécie de aberração por suas reivindicações que eram entendidas como antinatural.” (TIBURI, 2018, p.81).
A marginalização dessas mulheres na comunicação de massa pode ser explicada no sentido que, por ainda ser um termo tabu é preferível não dizer ou escrever sobre esses temas e com isso essa mulher ou os coletivos feminista que claramente bebem da fonte do feminismo são deixados de lado e não conseguem criar uma identidade ou seja não se enxergam nos meios de comunicação de massa. A teoria do agendamento ou agenda setting é baseada no contexto o que está sendo discutido pela agenda pública é previamente agendado pela mídia. Podemos dizer que esse modelo é uma segunda onda de pensamento em que considera a mídia como fio condutor do que acontece ao redor do mundo e o que a massa imagina em sua mente é resultado do que a mídia compartilha. A grande primeira teoria desse modelo se deu no começo da década de 20 com jornalista Walter Lippmann em seu
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livro A Opinião Pública, ele discute a relação entre a opinião e a mídia, especialmente para os assuntos de natureza política: Existem excelentes livros sobre governo e partidos, isto é, sobre a maquinaria que em teoria regista as opiniões públicas após formadas. Mas quanto às fontes que as constituem, aos processos da sua formação, existe muito pouco. De um modo geral, a existência da força designada Opinião Pública é simplesmente dada como adquirida (LIPPMANN, 1922, p. 253)
É se baseando nesse modelo que Maxwell McComb e Donald Shaw vão realizar pesquisas para comprovar que se a mídia falar sobre os assuntos 1,2 e 3 as chances da massa tratar esses assuntos com maior prioridades são extremamente altas, McComb afirma que “Enquanto a mídia não pode nos dizer o que pensar, ela é supreendentemente bem-sucedida em nos dizer sobre o que pensar” (McCOMB, p.115). O motivo da invisibilidade dos coletivos feministas pode ser explicado por meio da teoria de McComb e Shaw, pois se os assuntos relacionados a esses grupos não são colocados em pauta ou na agenda da mídia, o consumidor de notícias não conversa sobre eles e assim gerando uma falta de visibilidade. A teoria desenvolvida pelos norte-americanos se encaixaria perfeitamente no tema desse trabalho de pesquisa, se ignorarmos dois fatores essenciais que descartam completamente a compatibilidade com o tema, como por exemplo: o fato do objeto de pesquisa estar inserido no contexto da América Latina que tem processos culturais diferentes do que acontece no resto do mundo e infelizmente esse fator é deixado de lado pois temos na grande maioria estudos de comunicação focados na sociedades alemãs, francesas e norte-americanas. E o outro, é o fato de que para funcionar o agendamento precisamos categorizar o receptor da mensagem como um indivíduo passivo, ou seja, que receba a mensagem e apenas a decodifique e não reconstrua. Pensando em todas essas diferenças que o espanhol naturalizado colombiano Jesús Martin-Barbero por meio dos estudos de recepção formulou a teoria das mediações, que para ele é o modelo que melhor define os processos de comunicação na América Latina, Barbero afirma “Se não existem mediações políticas nem culturais na história dos meios, isto ocorre sem dúvida porque a maior parte da história escrita
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na América Latina continua deixando de fora o espaço cultural” (BARBERO, p.228). A teoria das mediações tem como objetivo estudar os processos, culturais, econômicos e sociais que englobam os processos de produção e recepção da mensagem, para Barbero (1997, p.191), não existe somente reprodução quando há por exemplo uma leitura, temos também um tipo de reprodução desse texto. As mediações são basicamente o contexto em que esse indivíduo está, a sua história, seu núcleo familiar, ou outras questões que interferem diretamente no processo de recepção da mensagem, ou seja, as mediações estão no meio entre o indivíduo e por exemplo a tela e elas atuam na recepção e reconstrução da mensagem. A recepção depende de como o indivíduo (na teoria das mediações os termos massa e público são substituídos por indivíduo) está, seu estado de humor, se estiver sozinho ou não, suas condições sociais e financeiras, pois assistir um mesmo conteúdo de um lugar e de outro completamente diferente muda a recepção e reconstrução da mensagem. Esse receptor que decodifica as mensagens relacionados com os coletivos feministas, tem o poder de mudar o sentido e reconstruir essa mensagem por meio das mediações se baseando em suas crenças ou até mesmo com o preconceito citado acima com a palavra feminismo e seus derivados. Em seu livro base para essa teoria Dos Meios às Mediações, Barbero afirma “Fazer história dos processos implica fazer história das categorias com que os analisamos e das palavras com que os nomeamos.” (BARBERO, p.23). Talvez o caminho para que os coletivos feministas tenham mais visibilidades na comunicação de massa seja a reconstrução do significado da palavra feminismo na sociedade ou seja implementar nos meios o seu verdadeiro significado e propósito, para que esses ruídos que tornaram a palavra feminista uma conotação negativa sejam esquecidos e que nas próximas mediações esse indivíduo possa reconstruir a mensagem de forma que faça com que essas mulheres sejam reconhecidas, pois conforme indicado por Barbero “Seu caráter de processo produtor de significações e não de mera circulação de informações, no qual o receptor, portanto, não é um simples decodificador daquilo que o emissor depositou na mensagem, mas também um produtor.” (BARBERO, p.287), o receptor na teoria das mediações é tão importante e talvez maior ainda do que o produtor, pois é a partir dele, da sua reconstrução da mensagem que os outros ao seu redor conhecem o tema e assim gerando uma visibilidade que é capaz de tornar os assuntos visíveis
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7. Referências
BANDEIRA, Lourdes; MELO, Hildete Pereira. Tempos E Memórias: Movimento Feminista no Brasil. Brasília: SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres), 2010. BARBERO, Jesús Martin. Dos Meios às Mediações. Comunicação, Cultura e Hegemonia. 1ª. ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997. BASTOS, Marco Toledo de Assis. Do sentido da mediação: as margens do pensamento de Jesús Martín-Barbero. Revista FAMECOS. Porto Alegre, 2008. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/4096. Acesso em 12 maio 2020 BEAUVOIR, Simone. Segundo Sexo Volume 01: Fatos e Mitos: 3ª.ed. Nova Fronteira, 2016 BIROLI, Flávia; MIGUEL, Luís Felipe. Mídia e representação política feminina: hipóteses de pesquisa. Opinião Pública. Campinas, 2009. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/op/article/view/8641320. Acesso em 12 maio 2020. CIPOLA, Marina Martins. Comunicação feminista para além das margens. Análise do coletivo “Nós, mulheres da periferia”. São Paulo, 2017. (Especialização em Mídia, Informação e Cultura). Disponível em: http://celacc.eca.usp.br/?q=ptbr/tcc_celacc/comunicacao-feminista-para-alem-das-margens-analise-coletivomulheres-da-periferia. Acesso em 24 março 2020 DANTAS, José Guibson Delgado. Teoria das Mediações Culturais: Uma Proposta de Jesús Martín-Barbero para o Estudo de Recepção. (Intercom). São Luís, 2008. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2008/resumos/r12-0015-1.pdf. Acesso em 12 maio 2020. FARREL, Amy Erdman. A Ms. Magazine e a promessa do feminismo popular: 1ª.ed. São Paulo: Barracuda,2004.
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FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital:4ª.ed. São Paulo: Contexto, 2010. FORMIGA, Fábio de Oliveira Nobre. A evolução da hipótese de agenda-setting. Brasília, 2006. (Mestrado). Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/2257. Acesso em: 25 março 2020. GARCIA, Carla Cristina. Breve História do Feminismo. 3ª.ed. São Paulo: Claridade, 2015 GREGORI, Juciane de. Feminismos e resistência: trajetória histórica da luta política para conquista de direitos. Caderno Espaço Feminino. Uberlândia, 2017. Disponível em http://www.seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/38949. Acesso em: 12 maio 2020. HOLANDA, Heloisa Buarque de. Explosão Feminista: 1ª.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. LIPPMANN, Walter. Opinião Pública. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2009. MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria de Comunicação. 4ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2019. MILONE, Jerônimo de Camargo. Resenha: McCOMBS, Maxwell. A Teoria da Agenda: a mídia e a opinião pública. Revista Opinião Filosófica. Porto Alegre, 2012. Disponível em: http://periodico.abavaresco.com.br/index.php/opiniaofilosofica/article/view/489/433. Acesso em: 12 maio 2020. McCOMBS, Maxwell. A Teoria da Agenda A Mídia e A Opinião Pública. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2009. PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2007 SOLNIT, Rebecca. A Mãe de Todas as Perguntas: 1ª. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. SILVA, Jéssica Moura da. et al. A Influência da Mídia na Construção do Feminino: O Caso “Bela, Recatada e do Lar”. Caruaru, 2016 (Intercom). Disponível em:
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http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2016/lista_area_IJ01.htm.pdf. Acesso em: 21 fevereiro 2020. SILVA, Mariah Christine Rafael Guedes da. A cidade, a comunicação e as mulheres: atuação de coletivos feministas contra a violência simbólica sobre corpos femininos no Rio de Janeiro. Curitiba, 2017. (Intercom). Disponível em: http://portalintercom.org.br/anais/nacional2017/resumos/R12-0661-1.pdf. Acesso em:25 março 2020. TIBURI, Marcia. Feminismo em Comum: 7ª.ed. Rio de Janeiro: Rosa Dos Tempos, 2018.
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8. Cronograma Cronograma - Projeto Experimental Tarefas Criação do cronograma detalhado Criação do fluxo de fontes Agendamento e realização das entrevistas Elaboração do primeiro esboço da reportagem Decupagem das entrevistas Escrever reportagem Envio do briefing para o design Início do Design do site em definitivo Começar o vídeo - Dicionário feminista Apresentação do seminário - Estudo do produto Gravação do podcast Criação do RFTM Entrega do Design Edição do podcast Apresentação do seminário - Resultados Parciais. Revisão do RFTM Revisão escrita da reportagem Revisão das imagens Revisão do infográfico - Dados sobre Feminismo no Brasil Revisão do vídeo - Dicionário feminista Ajustes Entrega do projeto Apresentação na Banca
Data 24/08 a 28/08 10/08 a 14/08 10/08 a 20/09 20/08 a 27/08 07/09 a 07/10 09/09 a 31/10 09/09 a 1409 14/09 a 31/10 14/09 a 28/09 17/09/2020 06/10 a 06/10 05/10 a 19/10 05/out 13/10 a 16/10 22/10/2020 02/11 a 06/11 02/11 a 06/11 09/11 a 13/11 09/11 a 13/11 09/11 a 13/11 16/11 a 26/11 23/11/2020 30/11 a 04/12
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9. Orçamento
ORÇAMENTO GERAL Item
Quantidade
Valor Unitário (em
Valor total
média) Contratação da Design Contratação da ferramenta de vídeo Videoscrib Revisor dos conteúdos
01
R$ 280
R$ 280
02 meses
R$ 105
R$ 210
01
R$ 200
R$ 200
Total:
R$ 585
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10. Apêndice
Apêndice I – Pauta Coletivos Feministas
PRÉPAUTA PRODUTO:
O grito silencioso
TEMA/ASSUNTO:
DATA DA ENTREVISTA:
Coletivos feministas Reportagem extensa para internet
-
HISTÓRICO
Feministas e coletivos feministas sempre estiveram as margens da comunicação de massa, mas por qual motivo? É a palavra feminismo que é a base de existência dos coletivos? Ou o fato de os temas não interessarem a grande massa? Vamos investigar e entender melhor o motivo que tornou os coletivos feministas invisíveis na comunicação de massa.
ENFOQUE/ANGULAÇÃO
Entrevistar os Coletivos feministas para podermos ter a visão deles dessa invisibilidade na comunicação de massa e como eles acreditam que seja a solução.
POSSÍVEIS PERGUNTAS Vocês acreditam os coletivos feministas não tem espaço na comunicação de massa? Na opinião de vocês, o que falta para que os temas relacionados aos coletivos feministas ganhem destaque na comunicação de massa?
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FONTES • • • • • • • • •
Marilia Kayano - União de Mulheres do Município de São Paulo Fatine Oliveira - Coletivo Feminista Helen Keller Paula Kaufmann - Coletivo Juntas Maria Aparecida Lima - Associação das mulheres da Zona Leste Rafaela Ferreira - Coletivo Lobas Ana Luiza Santos, Bianca Silveira, Carolina Jardim e Eduarda Cerutti - Coletivo Zaha Nathalia Campos - Coletivo Entre Elas Bianca Tocaccelli, Thaís Pantaleão e Mariana Mata – Femisistahs Rosemary Sampaio – Movimento das mulheres Negras
EQUIPAMENTOS
REPÓRTER
Computador e gravador
Patricia Pontes
Apêndice II – Pauta Criadoras de conteúdos feministas
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PRODUTO: Reportagem extensa para internet
TEMA/ASSUNTO:
DATA DA ENTREVISTA:
Coletivos feministas
HISTÓRICO Feministas e coletivos feministas sempre estiveram as margens da comunicação de massa, mas por qual motivo? É a palavra feminismo que é a base de existência dos coletivos? Ou o fato de os temas não interessarem a grande massa? Vamos investigar e entender melhor o motivo que tornou os coletivos feministas invisíveis na comunicação de massa.
ENFOQUE/ANGULAÇÃO
Conversar sobre a importância de um jornal ou portal feminista e que cria conteúdos com esse tema em destaque.
Usar o livro A Ms. magazine e a promessa do feminismo popular que conta a história da primeira revista feminista, como referência.
POSSÍVEIS PERGUNTAS Qual a importância de criar conteúdo feministas? Vocês conseguem perceber as mudanças nas mulheres que recebem os seus conteúdos? Vocês acreditam que ainda estamos longe de ter os conteúdos feministas em grandes portais como tema de destaque?
FONTES • • • •
Amanda Serdezello -Você que fala Ana Veiga - Revista dos Estudos Feministas Isis Maria – Planeta Ella Luciana Araújo – Instituto Patricia Galvão
EQUIPAMENTO
REPÓRTER
Usar gravador e computador
Patricia Pontes
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Apêndice III – Pauta Márcia Tiburi
PRÉPAUTA PRODUTO: Reportagem extensa para internet
O grito silencioso
TEMA/ASSUNTO:
DATA DA ENTREVISTA:
Coletivos feministas
15/09/2020
HISTÓRICO Feministas e coletivos feministas sempre estiveram as margens da comunicação de massa, mas por qual motivo? É a palavra feminismo que é a base de existência dos coletivos? Ou o fato de os temas não interessarem a grande massa? Vamos investigar e entender melhor o motivo que tornou os coletivos feministas invisíveis na comunicação de massa. ENFOQUE/ANGULAÇÃO O livro Feminismo em Comum que foi usado em meu projeto como uma das bases teóricas para discutir a palavra feminismo. A ideia é conversar com ela e entender esse preconceito que a palavra carrega. POSSÍVEIS PERGUNTAS Em seu livro você explica um pouco mais sobre como a palavra feminista tem uma marcação negativa, você acredita que em 2020 a sociedade não consegue entender o real significado de feminismo? O que você acha que precisa mudar para que esses temas relacionados ao feminismo ganhem mais destaque? Estamos retrocedendo ou evoluindo nas questões feministas? FONTES Márcia Tiburi
EQUIPAMENTOS
Computador e gravador.
REPÓRTER
Patricia Pontes
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Apêndice IV – Roteiros Roteiro 1: Podcast “No mar da pisciana”
O grito silencioso – 06/10 – Patricia Pontes – RGM 1723556-1 Técnica
Entra música de abertura
Patricia
OLÁ, BEM-VINDOS AO NO MAR DA PISCIANA/ EU SOU A PATRICIA PONTES/ VINTE E TRÊS ANOS/ E QUASE JORNALISTA. HOJE VAMOS FALAR DE UM DOS MOVIMENTOS MAIS SIMPLES DO MUNDO/ PORÉM O QUE MAIS AS PESSOAS GOSTAM DE TORNAR COMPLICADO/ O FEMINISMO/ A PROPOSTA AQUI É SIMPLES AMIGO OUVINTE/ SELECIONEI CINCO LIVROS DIRETAMENTE DA MINHA ESTANTE/ QUE EXPLICAM O FEMINISMO DE UMA FORMA SIMPLES E DIRETA/VAMOS COMEÇAR?
Técnica
Entra música de transição
Patricia
O PRIMEIRO LIVRO É O SEGUNDO SEXO DA ESCRITORA SIMONE DE BEAUVOIR/
CONSIDERADO
POR
MUITOS
UMA
BÍBLIA
DO
FEMINISMO/ ESPECIALMENTE O VOLUME UM/ QUE CARREGA EM SUAS PÁGINAS AS ANÁLISES DO QUE É SER MULHER/ NA VISÃO BIOLÓGICA/ HISTÓRICA/ E PSICANALISTA./ NÃO CONSIDERO QUE SEJA UMA LEITURA FÁCIL/ É BEM DESAFIADORA PARA SER HONESTA/MAS FUNDAMENTAL ENTERDEMOS O QUE NOS TORNA MULHER. Técnica
Entra música de transição
Patricia OUVINTE VOCÊ JÁ OUVIR FALAR SOBRE O TERMO MANSPLAINING? / É QUANDO UM HOMEM EXPLICA PARA UMA MULHER ALGO QUE ELA JÁ SABE/ FOI PENSANDO NISSO QUE EU PEGUEI O LIVRO/ OS HOMENS EXPLICAM TUDO PARA MIM/ DA AUTORA E CRIADORA DO TERMO MANSPLAINING REBECCA SOLNIT./ EM UMA DAS HISTÓRIAS DO LIVRO/ ELA FALA SOBRE A DE UM HOMEM QUE EXPLICAVA PARA
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ELA SOBRE UM DETERMINADO LIVRO QUE ELA DEVERIA LER/ SEM DAR UMA CHANCE PARA ELA FALAR QUE O LIVRO EM QUESTÃO ERA DELA/ ALÉM DESSA HISTÓRIA, TEMOS OUTROS ENSAIOS EM QUE ELA FALA SOBRE SEXISMOS, AGRESSÃO, MISOGINIA ENTRE OUTROS ASSUNTOS/ VALE A PENA DAR UMA CHANCE PARA ESSES IRREVERENTES ENSAIOS. Técnica
Entra música de transição
Patricia
O TERCEIRO É O FEMINISMO EM COMUM/ DA MÁRCIA TIBURI/ ELE TEM COMO OBJETIVO EXPLICAR ALGUMAS COISAS SOBRE FEMINISMO
PARA
TODOS/
COM
CAPÍTULOS
PEQUENOS
E
OBJETIVOS QUE TRATAM POR EXEMPLO ASSUNTOS COMO/ LUGAR DE FALA/CRIAÇÃO DE IDENTIDADE/ DIFERENÇAS DO FEMINISMO E FEMININO ENTRE OUTROS/ É UM LIVRO BEM IMPORTANTE PARA PODERMOS ABRIR NOSSAS MENTES PARA NOVOS DIÁLOGOS E PENSAMENTOS. Técnica Patricia
Entra música de transição O QUARTO LIVRO FOI FEITO PARA/ COMBATER UM AMBIENTE DE TRABALHO MACHISTA/ A JORNALISTA JESSICA BENNET ESCREVEU O/ CLUBE DA LUTA FEMINISTA: UM MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA (PARA UM AMBIENTE DE TRABALHO MACHISTA)./ELE É UM DOS MELHORES LIVROS PARA RECONHECER/ENTENDER/ E COMO COMBATER ESSE MACHISMO PRESENTE NO AMBIENTE DE TRABALHO/ QUE AS VEZES É UMA COISA GRITANTE/, OUTRAS UMA COISA SILENCIADA QUE A GENTE ENTENDE COMO NORMAL/ OUTRO PONTO QUE EU AMO NO LIVRO É QUE DENTRO ELE É TODO ILUSTRADO E A LINGUAGEM É BEM SIMPLES/ É COMO SE EU ESTIVESSE CONVERSANDO COM UMA AMIGA SOBRE ISSO./ESSE É AQUELE LIVRO QUE VOCÊ TEM QUE LEVAR DEBAIXO DO BRAÇO/ E CONSULTAR SEMPRE QUE TIVER DÚVIDAS.
Técnica
Entra música de transição
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Patricia O ÚLTIMO LIVRO DESSA LISTA É/ O CONTO DA AIA DA MARGARET ATWOOD/ QUE SE INSPIROU EM VÁRIOS ACONTECIMENTOS SOBRE OS DIREITOS DAS MULHERES SOBRE O CORPO/ EM ESPECIAL A PROCRIAÇÃO QUE RODEAVA O MUNDO EM MIL NOVECENTOS E OITENTA E CINCO/ O ENREDO É BEM SIMPLES, CONTA A HISTÓRIA DE UMA SOCIEDADE QUE SE TORNOU TOTALITÁRIA E QUE A RELIGIÃO/ ERA A BASE PRINCIPAL/ E AS MULHERES FORAM OPRIMIDAS E DIVIDIDAS EM CATEGORIAS/ AS QUE NÃO PODEM ENGRAVIDAR SE TORNAM ESPOSAS/ AS QUE PODEM TER FILHOS SE TORNAM PROPRIEDADES DO GOVERNO/ E POR UM PERÍODO FICAM DE CASA EM CASA PARA GERAR OS HERDEIROS DA NAÇÃO./ O LIVRO É IMPORTANTE PARA PERCEBERMOS QUE OS DIREITOS DAS MULHERES PODEM SER TIRADOS AOS POUCOS SE NÃO PERCEBEMOS. Técnica Patricia
Entra música de transição. ENTÃO É ISSO MEUS QUERIDOS OUVINTES/ ESSAS FORAM AS MINHAS INDICAÇÕES/ ESPERO QUE GOSTEM. / SE EU NÃO VER MAIS VOCÊS BOM DIA, BOA TARDE E BOA NOITE.
Técnica
Entra música de finalização
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Roteiro 2 – Vídeo “Dicionário feminista” Vídeo animado
Tema/Assunto:
Dicionário Feminista
Edição
Palavras que compões o feminsimo
Título: Dicionário feminista
Outubro/2020
Tela roxa com o título do vídeo
Sonora Feminismo é um movimento político e social que
Boneco animado de uma mulher e um homem
busca a equidade entre mulheres e homens. No
Boneco animado de uma mulher segurando um
dicionário feminista há várias palavras que
livro
explicam bem as situações que as mulheres enfrentam, que tal conhecer algumas delas? Sonora Patricia Tela roxa com o título do tópico Título: Empoderamento É o termo que usamos quando temos várias ações que tem como objetivo fortalecer as mulheres.
Boneco animado de duas mulheres segurando uma barra de ferro e outra levantando os braços
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Sonora Patricia Título: Gaslighting É quando um homem convence uma mulher que ela está insana. Esse termo foi retirado do filme
Tela roxa com o título do tópico Boneco animado de um homem gritando e uma mulher falando
Gaslighting (Á meia luz no Brasil) que conta a história de um homem que para retirar a fortuna da sua mulher convence que ela está sem o domínio da razão. Sonora Patricia Título: Mansplaining Esse é um dos termos mais utilizados do glossário
Tela roxa com o título do tópico
feminista. Ele é usado quando os homens explicam
Boneco animado de um homem falando algo e
para as mulheres coisas que elas já sabem e muitas
uma mulher com as mãos no rosto
das vezes sem serem solicitados. Esse termo é a junção das palavras “man (homem)” + “explaining” (“explicando”) em inglês. Sonora Patricia Título: Manterrupting Uma das coisas que mais acontece com as mulheres
Tela roxa com o título do tópico
é esse termo que junta as palavras “man (homem)” Bonecos animados de três pessoas conversando + “interrupting” (“interrompendo”). Ele é usado quando as mulheres são interrompidas em suas falas por homens. Sonora Patricia Título: Sororidade Conceito fundamental do movimento feminista, a
Tela roxa com o título do tópico
palavra sororidade vem da palavra em latim soror
Bonecos animados de quatro mulheres
que significa “irmã”. Ela é usada para destacar a união entre as mulheres acima de tudo e banir a rivalidade entre elas.
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Roteiro: Patricia Pontes Edição: Patricia Pontes
Informações de roteiro e edição na tela roxa
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Apêndice V - Transcrição das entrevistas Entrevista 1 – Márcia Tiburi Data da entrevista: 15/09/2020 Entrevista remota Transcrição da entrevista realizada com a Doutora e autora do livro Feminismo em Comum Márcia Tiburi A entrevista foi feita de maneira remota por conta da pandemia do COVID-19 e pela entrevista residir na França. Não foram feitas perguntas especificas e sim sobre o contexto da minha pesquisa e da sociedade atual. Rejeição da palavra feminismo Então tem sim, mas essa rejeição a palavra tem sentido, tem fundamento, porque vamos analisar um pouco, quando essa palavra surgiu no século 19, primeiro ela foi usada por homens, então só naquele movimento, na virada do século, sobretudo no começo do século 20 no movimento das sufragistas é que essa palavra foi tomada pelas mulheres e ressignificada. O primeiro sujeito a usar essa expressão em termo sociológico foi o Alexandre Filho e aí ele usava essa expressão pra falar mal dos homens que defendiam os direitos das mulheres, que no século 19 havia alguns, ao longo da história houve um e outro que defendeu os direitos das mulheres, bom, no começo do século 20 a palavra já é polêmica e tanto as mulheres conservadoras e machistas não assumem então pouco as socialistas, então essa questão das mulheres revolucionárias que não assumiam o feminismo, isso vai até os anos 70, a Simone de Beauvoir escreve o segundo sexo pra falar das mulheres, uma análise super densa e crítica mas ela só vai se declarar feminista nos anos 70 quando termo feminista já deu muitas voltas, então quer dizer o que essa auto declaração significa pra nós? O que significa pra uma mulher se dizer feminista, é importantíssimo isso, bom, ao mesmo tempo que esse feminismo de hoje, da marca ele virou também uma coisa perigosa, então pessoas que não tem práticas feministas e muitos homens inclusive reivindicam o lugar do feminismo, essa logomarca feminista que a gente tem que tomar muito cuidado e por isso eu digo, não tem problema os homens serem feministas desde que eles ajam como uma feminista, o que significa participar da luta para uma sociedade mais justa e que os homens não serão sujeitos dos privilégios,
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então eu acho que esse é um ponto pra nós pensarmos, e eu mesma aprendi a dizer que eu era feminista no contexto de necessidade, porque eu nunca tinha tido, até porque na minha geração e no meu contexto não se falava em feminismo, esses dias eu dei uma entrevista, porque esse meu livro ele saiu na Itália e aí as italianas não entendem lendo o livro, mesmo as jornalistas elas fazem perguntas porque elas não entendem certas coisas, são culturas diferentes e eu me lembro dela ter feito uma pergunta e eu nem lembro qual era a pergunta mas eu me lembro de ter respondido assim, olha, para a minha mãe por exemplo não havia feminismo, a minha mãe morava no interior do RS, uma situação super precária sob as piores condições, e quando eu era menina pra mim aos meus 18 anos também não havia feminismo, então não tinha como eu descobrir o feminismo, então eu digo que eu descobri o feminismo sozinha, porque a faculdade que eu fiz não tinha, não era moda, há 30 e poucos anos atrás eu terminei a faculdade de filosofia quando eu tinha 20 anos faz exatos 30 anos porque hoje eu tenho 50 e aí eu me lembro que assim, na minha época, quando eu fiz mestrado ninguém falava disso, até porque eu só tinha colegas homens, quando eu fiz doutorado também não tinha, eu me lembro que no doutorado eu comecei a me dar conta que eu não tinha colega mulheres e aí depois lendo os livros dos filósofos, depois de tantos anos de leitura eu me dei conta que toda vez que a gente via as mulheres ali dentro como objeto de estudos ou mencionadas eles falavam mal, então eu fui me dando conta, então eu só falei eu sou feminista quando eu já tinha 34 anos e estava fazendo um programa de televisão e aí eu tive que dizer diante certas coisas chatas que eu estava escutando, coisas machistas que vinha dos discursos das próprias mulheres, eu tive que dizer, gente eu sou feminista, desculpa, e aquilo foi, imagina nem faz tanto tempo, 15 anos, embora eu tinha pesquisa de história das mulheres na filosofia, mas aí eu me dei conta que o feminismo era uma postura, uma prática, naquela época sozinha, sem ler autoras feministas, porque não tinha isso no Brasil gente, não tinha mesmo, então é muito recente, no meu campo, no campo da filosofia eu tenho certeza que eu ajudei nessa discussão porque eu fiz o primeiro congresso chamado as mulheres e a filosofia há 20 anos atrás, mesmo naquele congresso a gente não se dizia feminista, a gente estava atrás de uma pesquisa, até que eu me dei conta e fazer aquela pesquisa, propor aqueles trabalhos, tudo aquilo já era feminismo e quando eu estou fazendo um programa de televisão e que chega a esfera pública com uma carga totalmente diferente da esfera acadêmica, e não ali se
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tratava mesmo de assumir e pra era uma coisa que eu precisava dizer publicamente porque pra mim não era uma coisa tão pensável, quando você faz processos de reflexão muito sozinha e de fato 15 anos atrás, 20 anos atrás, mas se você pensar bem é muito tempo, e quando você faz essas reflexões muito sozinha é mais demorado, e eu fico muito feliz de ver as jovens assumindo, podendo dizer, eu vejo pela minha filha, ela deve ter a sua idade, pra ela é tão fácil falar que é feminista desde a adolescência e eu não tive essa sorte porque não havia feminismo para mim, então eu entendo que muito dessas mulheres que estão na luta diária, na vida cotidiana fazendo muita coisa, trabalhando muito, criando os seus filhos, segurando a onda das famílias, fazendo coisas que nenhum homem faria porque não tem forças, essas mulheres elas não reconhecem como feministas porque elas não tem acesso a essa informação feminista, e por isso é importante a gente espalhar essa conversa, elas não tem acesso e também sofrem na labuta, claro que tem aquelas que são aliadas do patriarcado, que são vítimas e aliadas, mas existem muitas mulheres que são realmente vítima, que não se dão conta, outras que não tem espaço, outras que não tem acesso então eu não culpo essas mulheres, o que eu acho complicado são essas mulheres que odeiam o feminismo, aí não são pessoas que não são vítima e sim ingratas, porque tudo o que as feministas conquistaram, elas conquistaram para todas as mulheres, tudo o que nós fizemos como feministas é bom para todas as mulheres, então é absolutamente importante que isso seja claro, que a gratidão é uma virtude feminista e a ingratidão é efeito do machismo e é uma postura assumida por certas mulheres que realmente não se dão conta do papel que o feminismo tem na suas próprias vidas. O Futuro do Feminismo Eu acredito muito em um projeto que eu estou chamando de feminismo dialógico, atualmente eu estou escrevendo sobre isso, provavelmente meu próximo livro vai ser sobre isso e o que eu chamo de feminismo dialógico, é o feminismo que a gente faz entre as gerações, porque a minha geração não é nada sem a geração da Simone de Beauvoir, a geração da Simone de Beauvoir não é nada sem a geração das sufragistas, e assim por diante, então a gente tem uma afinidade com as mulheres do passado que são as nossas heroínas, elas que abriram espaços para nós e nós temos nesse sentido uma coisa que eu gosto muito de falar que é o nosso passado comum, as mulheres que nos antecederam sofreram, foram espancadas, mortas,
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dizimadas, não puderam construir a suas vidas, sofreram muita violência e essa violência tem a ver com classe, com raça e tudo que a gente já falou, e também dos preconceitos capacitastes, então as mulheres do futuros também dependem de nós, quando eu falo mulheres do futuro eu não falo das mulheres daqui há 100 anos eu estou pensando que eu sou uma mulher de uma geração e você é o meu futuro, então você sou eu no futuro, assim como eu sou a minha mãe no futuro, e eu acho muito impressionante a gente falar sobre isso porque as mulheres que sustentaram a nossa chance de estarmos aqui são mulheres que não tiveram essa chance, então quantas mulheres mortas, massacradas, só porque eram mulheres, até me emociono a falar isso porque eu acho forte demais, muito forte pensar na Marielle Franco e muitas outras né, pensar nessas mulheres que foram realmente destruídas por esse sistema só porque eram mulheres, então olha a importância da gente se juntar tanto nas gerações que sustentam uma as outras, o meu trabalho como feminista, eu faço para as mulheres do passado e também do futuro, mas também para as mulheres do presente, a gente não é da mesma geração mas nós participamos da mesma luta hoje e com tantas outras mulheres de outras classes sociais, culturais que podem se apoiar para a mudança da sociedade e a gente tem que pensar nessas mulheres nesse momento, e a gente sabe que essas mulheres do futuro dependem das mulheres do passado e por isso a nossa sororidade ela precisa ser dialógica, do tempo e do espaço, então a gente tem que saber ser irmã e isso não é fácil, os homens fazem isso, e por isso eles são donos do poder e por isso nós temos que fazer algo parecido, nós temos que fazer uma luta não violenta que tire essas minorias políticas desses lugares de violência e o feminismo abre caminhos pra tudo isso, por isso eu acho uma política ético política de transformação da sociedade
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Entrevista 2 – Luciana Araújo Data da entrevista: 07/09/2020 Entrevista remota A jornalista Luciana Araújo que coordenou o dossiê “Imprensa e Direitos das Mulheres: papel social e desafios da cobertura sobre feminicídio e violência sexual" do Instituto Patricia Galvão. O papel da imprensa na cobertura dos casos de feminicídio Então, certamente a ausência não só de um debate feminista, obviamente nós reivindicamos que o debate sobre as mulheres se dê numa perspectiva feminista, mas não só o debate nessa perspectiva mas a falta de visibilização mesmo das articulações, das redes e espaços de auto organização das mulheres em geral que existem espaços que atendem e mobilizam mulheres que não tem tanto essa perspectiva ou pelo menos não reivindicam, vamos dizer assim a perspectiva de uma feminista, ela é muito prejudicial, porque nós somos mais da metade da população em primeiro lugar e a questão da violência contra mulher é uma saga social brasileira histórica que tem a ver com o processo de colonização e de uma sociedade erguida sobre a escravização de pessoas primeiro a população indígena e depois a população negra e que atinge índices de guerra né, todos os dados de violência e violações de direitos das mulheres no Brasil em particular das mulheres negras têm números esclarecedores há muitos anos e que inclusive hoje tem mais visibilidade ou em alguma medida há estudos sobre isso, houve uma redução como no caso dos feminicídios das mulheres brancas que tem uma tendência de decrescimento, ou no caso dos crimes previsto na Lei Maria Penha que há um estudo do IPED que em 2017 aponta que a incidência na redução foi de pelo menos 10% dos crimes contra as mulheres após a edição da lei que é muito nova né, se a gente for pensar uma lei de 2006 é quase nada pra história brasileira mas já há impactos mensuráveis e você não abordar a perspectiva das mulheres que debatem essa agenda a fundo e que se propõe a ajudar outras mulheres a sair do círculo de violência, a buscarem mecanismos de autonomia financeira e econômica para permitir que elas e os filhos sobrevivam, é muito grave além de tudo não é só o jornalismo é grave porque muitas vezes inclusive o jornalismo ele reitera as violências, nós somos parte da sociedade,
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não estamos imunes a ela, nós jornalistas somos criados como cidadãos e cidadãs nessa cultura que é uma cultura violenta e preconceituosa e muitas vezes reproduzimos
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Entrevista 3 – Ana Veiga Data da entrevista: 01/09/2020 Entrevista remota Professora e editora a REF (Revista dos estudos Feministas) Papel da Revista na criação de conteúdos feministas No caso da REF que é uma revista que está aí há muito tempo, no começo dos anos 90, então é uma revista de bastante conhecida, normalmente a gente tem em média de 25 artigos por número e são três números por ano e tudo mais, estou te falando um pouco disso pra situar esse debate dentro da revista, porque bom, revista de estudos feministas, como você viu pelo próprio nome ela tem esse propósito, essa preocupação, por outro lado ela também serve como um guarda-chuva pra temáticas diversas, que são: estudos de gênero, queer, os feminismos, abarcando o trans feminismo, feministas negras, indígenas, agricultoras, tem vários segmentos que aparecem na revista, nos artigos. É uma revista que está longe de ser entendida como comunicação de massa, é uma revista acadêmica basicamente, embora chegue e abre espaço aos movimentos sociais, então assim, eu acho que essa efervescência dos coletivos nos últimos anos, ela acaba também chegando nessa publicação acadêmica, a gente tem muitas feministas e muitos coletivos que estão dentro das universidades, que emergem aí como resposta, como encontro que se dá nesse âmbito acadêmico, então sim, na REF a gente tem essa preocupação também com os coletivos, a gente entende que é muita gente que trabalha na perspectiva de gênero, na abordagem de gênero e nos estudos feministas, então seria assim como revistas gênero, seria aí um local privilegiado pra essa divulgação, tanto de estudos sobre os coletivos como de publicações de pessoas que compõem esses coletivos também. Agora, uma outra questão que você traz é essa questão da comunicação de massa e eu entendo que a própria conceituação de comunicação de massa de uma certa maneira ela foi um pouco alterada nos últimos tempos né, se você for pensar nessa comunicação de massa como algo de longo alcance que atinge a diversas camadas sociais e tudo mais né, então a gente pensa na televisão, no cinema, nos rádios, mas a gente tem algo que vem se constituindo aí na última década que é a questão das redes sociais mobilizada pela internet, então é claro, não dá pra gente
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dizer que a inclusão digital é algo que seja pleno no Brasil, longe disso, mas muita gente hoje em dia já tem o acesso, por mais precário que seja né, acaba tendo um celular, que acaba tendo conexões, porque essas conexões elas se tornam prioritárias na vida das pessoas quando se trata, por exemplo, de uma família que ta longe, de pessoas que migram em busca de melhores condições de vida, então de uma certa maneira como houve o bum da própria televisão, principalmente a partir da época de 80, 90, eu acho que a gente tá vivendo o bum da comunicação via redes sociais, então talvez até pensar numa perspectiva de uma nova massificação, e aí se a gente aceitar isso, encarar, seguir esse caminho, eu acho que aí sim os coletivos podem ser considerados aí seguindo uma via de comunicação mais massiva, mais massificante, no sentido de ressignificar a própria internet e as redes sociais. Agora se a gente for falar dessa comunicação de massa na visão tradicional, pensar em reportagens de tv, programas de rádios, esses de longo alcance que chegam em diversas regiões, principalmente esses de emissoras maiores, aí eu acho que a gente encontra barreira, aí eu vou te dar um exemplo disso que eu mesma vivi quando a gente estava fazendo o último “fazendo gênero” que foi em 2017 e aconteceu lá na UFE junto com o mundo de mulheres, e foi a primeira vez do mundo de mulheres na América do Sul e foi no Brasil, bom , o evento teve a inscrição de 10 mil pessoas, vamos dizer que dessas 10 mil pessoas que se inscreveram, entre 7, 8 mil esteve na cidade de Florianópolis para o evento, foi um evento que levou junto movimentos sociais, então veio pessoas do Brasil inteiro, fora do Brasil, tudo nessa perspectiva desse encontro, das arenas múltiplas de debates que foram abertas ali. Nesse encontro a gente promoveu uma marcha que acabou se chamando marcha mundo de mulheres por direitos, então havia um título para a marcha, havia um panfleto que explicava o que era a marcha, foi explicado com uma ampla divulgação pra dizer o que era essa marcha, inclusive para a imprensa, desde a imprensa alternativa que era o que de fato nos interessava naquele momento, mas também foi pra imprensa como Record, afiliada da Globo, SBT, foi mais ampla a cobertura. Não deu pra ser algo que passasse batido pela grande imprensa porquê de fato estiveram nas ruas de Floripa 10 mil pessoas no dia 2 de agosto de 2017, então toda aquela mobilização, desde cedo nas ruas, fazendo faixas, fazendo desenhos, máscaras e instalações, parte teatral, várias questões mobilizadas ao mesmo tempo então acabou crescendo aos olhos da imprensa que viu que realmente o movimento iria ser algo maior né, aí o que acontece, de todo modo
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acaba tendo um esvaziamento da pauta feminista, porque na hora das reportagens, houve as entrevistas, eu mesma participei, dei algumas entrevistas, outras colegas e a gente ali se mobilizando, o pessoal também das frentes sociais, todo mundo ali, e está, e a gente foi assistir a principal reportagem da emissora afiliada da Globo, naquela noite, a marcha começou no meio da tarde então a noite saiu a reportagem, e aí a reportagem falando das mulheres nas ruas, que era a maior mobilização, só que em momento algum foi mencionado o nome da marcha e nem os objetivos da marcha, eles falaram que era uma grande manifestação das mulheres que eram fora temer, a pauta naquele momento era também o fora temer, claro, mas não era o objetivo dessa marcha, então a gente percebe a manipulação de uma informação que não diz para as pessoas que estão em casa que as mulheres estão nas ruas exigindo, lutando, reivindicando direitos, que é o que se a gente for reduzir a escala.
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Entrevista 4 – Fatine Oliveira Data da entrevista: 25/08/2020 Entrevista remota Fatine Oliveira é integrante do Coletivo Feminista Helen Keller que tem foco em mulheres com deficiência. Motivos da invisibilidade dos coletivos feministas Realmente há uma certa dificuldade em pauta que ela é um pouco espinhosa para você levar de uma vez para as pessoas, eu digo espinhosa porque ela é muito polêmica, quando você fala feminismo há todo um estereótipo da mulher feminista que é aquela mulher nervosa, que é uma mulher considerada mal amada, feia e isso já cria um impedimento para poder levar outras maneiras, outras formas de ver o que essas mulheres estão dizendo. Uma das pautas do feminismo é a questão do aborto, da mulher ter direito do próprio corpo e isso não é bem visto, então esses assuntos sempre caem em uma polemica. Então eu acho que isso é uma das polêmicas, a gente tem visto entretanto umas pequenas exceções de assuntos relacionados como feminismo, algumas atrizes, vamos falar da globo que a globo é um grande veículo de comunicação do nosso país, temos vistos algumas atrizes assumindo essas pautas, temos vendo muito nas redes socais as mulheres trazendo isso, muitas feministas, as mulheres negras mulheres com deficiências que tem trazendo isso nas redes sociais, tentando ocupar esses espaços, então assim eu compreendo que a comunicação em todo é um campo de disputa constante disputa e ai ter que ter certos capitais para ter visibilidade em certos lugares, quando eu falo capitais não refiro somente a dinheiro e também acesso a você ter acesso ao uma informação, você ter um corpo que esteja no padrão, uma mulher branca falar de feminismo é muito mais fácil e talvez ela seja mais ouvida que uma mulher negra porque são mulheres que estão ali dentro do que a gente entende de feminismo universal, a mulher que tem um corpo padrão . Se você ver uma mulher considerada bonita de acordo com os padrões da sociedade vai ser muito fácil ela começar a chegar e falar que ela tem direito de fazer o que quiser com o próprio corpo O Feminismo sempre está associado com pautas muito polêmicas, porque penso só você está lutando para que mulheres tenham autonomia, saiam da condição
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de subalternidade que te agride todos os dias, você pode não precisa mais casar se não quiser, não precisa ter filhos se não quiser. Então você ta criando ali todo um rearranjo dessa sociedade que deixa todo mundo apavorado porque as pessoas entendem as outras dentro de caixinhas. Mulher é: aí vem todos os papeis, mulher é mãe, mulher tem que ser bonita ai vai listando. Ai chega alguém em você e diz eu não preciso ser isso ai não, não preciso ser bonita para ser mulher e as próprias mulheres que não se enxergam dentro do feminismo dizem eu não posso ser bonita ah mais eu não posso ser, eu acho que muitas pessoas entendem isso que o feminismo vai te impedir de continuar sendo bonito, de estar se cuidando pra se achar bonito que o feminismo te impede de ter filhos de casar mas eu queria ah pode casar ninguém est te impedindo a gente só está te dizendo que não é a única coisa que você precisa fazer para se sentir mulher, eu acredito que seja muito isso. O caminho seria a educação, essas questões serem tratadas desde a sala de ser discutidas os papéis de gênero, como os machismos prejudica incluso os homens, esses papéis que são colocados de masculinidade, a masculinidade é tóxica para o homem seria o lugar, mas infelizmente a gente está lidando com estruturais. Mas a gente está lidando com um governo que cria muitas dificuldades cria muitos entraves, muitas barreiras, é um governo predominante cristão quer dizer disse que é e isso tudo prejudica que e tudo prejudica estamos um momento muito sério de pandemia tem muitas mulheres que estão sendo violentadas dentro de casa, e isso seria um momento para começar a discutir olha vamos falar sobre a violência de gênero, como as mulheres estão sendo tratadas, então acho que o caminho é o que a gente tem feito , de certa maneira ou não , por exemplo você é uma jovem está aí pesquisando sobre isso, a sua geração é uma que já está crescendo com esses discursos sendo falado, discutindo e acaba que a gente vai confiando nisso, que as novas gerações vão trazendo isso nos seus comportamentos, em seus pensamentos. A sua geração é uma tecnológicas, as mulheres de 10, jovens de 18 já estão crescendo com isso porque veem na internet, já pegam um livro porque veem isso, fica mais fácil de ler, isso é muito, tem autoras que estão criando livros direcionados para esse público, que fica mais facilita para eles entendem como eu posso me comportar o que eu não devo aceitar, meninas também a gente ta tendo uma literatura infantil, sexualidade gênero tem sido colocadas através desses outros moveres que não do governo que a gente acaba tendo esses respiros ainda bem
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É muito importante os lugares virtual a participação em lugares físicos, em congressos não pode abandonar eu falo pelos coletivos em geral, não tem condições de construir um movimento sem trazer essas duas dimensões, o digital e o presencial, se organiza no digital e mas a presença na rua são bem importantes. As transcrições completas estão no link: https://drive.google.com/drive/folders/1ZNzfKyqVgyQHaJQQ3fxVBiLnI5WDACx?usp=sharing
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Apêndice VI – Imagens
Capa
Divisória entre os blocos de texto
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Infográfico sobre feminismo no Brasil – Dados retirados da pesquisa: Feminismo e violência contra a mulher – Instituto Datafolha – abril de 2019.
Capa do vídeo
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Capa do podcast
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Apêndice VII – Primeira versão da reportagem
O grito silencioso
Como a invisibilidade dos coletivos feministas na sociedade acarreta a exclusão de temas importantes para as mulheres
Ser uma mulher feminista nunca foi fácil. Juntar-se com outras mulheres que são feministas ou criar um grupo ou coletivo em que a igualdade de gênero pauta as discussões é mais difícil ainda. Talvez o nome “coletivo feminista” seja novo, mas a sua essência é bem mais antiga, a luta das mulheres pela libertação e conquista dos mesmos direitos que os homens é algo que sempre esteve presente na história. Um marco simbólico dessa luta é a organização das sufragistas, que ao final do século XIX iniciaram um movimento para a liberação do voto feminino. A partir dessa conquista, vários outros ideais se desencadearam, surgiram quatro ondas do feminismo e novos direitos foram alcançados. Entretanto, ainda há um mar de desafios para as mulheres. Nos últimos anos, o movimento das mulheres retornou à cena reivindicando conquistas e a manutenção dos seus direitos, como a Marcha das “Vadias”, que teve início em Toronto, no ano de 2011, e espalhou-se ao redor do mundo. O motivo: um policial, ao ministrar uma palestra sobre a segurança no campus da Universidade de Toronto, orientou as mulheres a não se vestirem como “vadias” a fim de evitar os estupros, o que gerou revolta e protestos nas ruas da cidade canadense. É interessante notar que esse movimento se espalhou por todo o mundo, chegando até o Brasil; isso explica a força de um dos aliados mais importantes do feminismo na quarta onda: a internet. Foi a partir de mensagens em blogs que as mulheres do mundo ficaram sabendo do ocorrido e começaram a se manifestar. No Brasil, em 2015, aconteceu um fenômeno que foi nomeado “Primavera feminista”, e um dos marcos foi a manifestação das mulheres pelo direito de contracepção. Os movimentos eram contra o PL 5069/2013, de autoria do até então presidente da
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Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que tinha como objetivo proibir a distribuição da pílula do dia seguinte e dar ênfase na criminalização do aborto. Um dos pontos mais polêmicos foi a questão da modificação do que é violência sexual, que foi estabelecida na lei 12.845/2013 e entrou em vigor em 1º de agosto de 2013 pela expresidenta do Brasil Dilma Rousseff. Conforme o Art. 2º: “Considera-se violência sexual, para os efeitos desta Lei, qualquer forma de atividade sexual não consentida”. Ela também garante que a mulher vítima da violência tenha o direito dos serviços básicos em toda rede SUS, como o amparo médico e o diagnóstico das lesões, além de facilitar o encaminhamento do registro de ocorrência. Já o PL 5069/2013 prevê que antes de ter acesso aos serviços do SUS, a mulher precisa provar que foi violentada, sendo obrigada a fazer o boletim de ocorrência e o exame pelo Instituto Médico Legal (IML) e só depois de passar por esse processo que ela poderá ser atendida pela rede pública. Com isso também se modifica o entendimento de violência sexual, que na nova proposta, é quando resulta em danos físicos e psicológicos comprovados por exames. A repercussão negativa do PL 5069/2013 motivou protestos contrários às medidas e desencadeou o surgimento de uma nova onda do feminismo para as mulheres do Brasil. Foram essas revoltas que ergueram os coletivos feministas. Mas por que eles continuam às margens da sociedade se suas pautas são extremamente necessárias? Falar de coletivos feministas, mulheres e direitos nunca foi tão importante quanto hoje.
Mas afinal, o que é esse tal de feminismo? Na versão online do dicionário Michaelis feminismo significa: “Movimento articulado na Europa, no século XIX, com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos sociais e políticos de ambos os sexos, por considerar que as mulheres são intrinsecamente iguais aos homens e devem ter acesso irrestrito às mesmas oportunidades destes.” Na música Flawless, que faz parte do álbum da intitulado More Only (2014), a cantora Beyoncé usa como referência o discurso da autora Chimamanda Ngozi Adichie no TEDxEuston em 2014, que posteriormente foi transcrito e virou o livro Sejamos Todos Feministas (2015); para ela, feminista é “uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos.” Mas afinal, o que é feminismo?
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Antes de compreender o conceito, precisamos nos atentar que o movimento feminista é historicamente dividido em ondas, sendo que a primeira se iniciou no século XX e sua maior reivindicação era o direito ao voto, mobilização que ficou conhecida como o movimento das sufragistas. Já a segunda onda, que começa nos anos 60 e vai até os anos 80, tem como principal motivação o fato de que os direitos conquistados na primeira ainda estavam no papel, mas no dia a dia estava longe de ser algo praticável; foi nesse período em que se começou a questionar mais incisivamente o motivo da submissão da mulher na sociedade. A terceira onda, que se iniciou nos anos 90, tem a ideia de que o feminismo precisa ser plural, pois as mulheres são diversas e cada uma tem seu recorte. Dentro do guarda-chuva do feminismo há os movimentos segmentados que ganham força nesse período. A doutora em filosofia e autora do livro Feminismo em Comum, Márcia Tiburi, relembra que a palavra “feminismo” passou por um momento de ressignificação na história. O termo “feminismo” foi citado pela primeira vez no século XIX e era usado para criticar os homens que defendiam os direitos das mulheres. Somente quando o movimento das sufragistas começou a tomar corpo, no século XX, as mulheres tomaram posse do termo e deram-no um novo conceito. Mas é interessante notar que mesmo aderindo essa palavra e colocando ela debaixo do braço, várias mulheres só vão se autointitular feministas bem depois. Um bom exemplo dessa situação é o caso da escritora Simone de Beauvoir, que só foi se declarar feminista nos anos 70: “A Simone de Beauvoir escreveu O Segundo Sexo para falar das mulheres, uma análise superdensa e crítica, mas ela só vai se declarar feminista nos anos 70, quando o termo feminista já deu muitas voltas”, explica Márcia Tiburi. É interessante observar que desde a primeira vez em que se falou em feminismo, grande parte das próprias mulheres rejeitam o simples fato de se associar ao termo pelo estereótipo que foi criado: “Não conseguem ter essa visão e entendem o feminismo como algo ainda relacionado a rótulos pejorativos que são criados para isso, então feminismo é algo para as mulheres lésbicas, que são mal amadas, que são feias, que são raivosas, que não se depilam”, afirma a professora e editora Ana Veiga da Revista dos Estudos Feministas (REF). Mas ao mesmo tempo, se você questionar se essa mulher é a favor da equidade entre homem e mulher, a resposta geralmente é sim, então o que causa desconforto não são os ideais e sim a palavra.
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Atualmente estamos vivendo uma nova onda do feminismo: a quarta. Ela começou em 2010 com as manifestações sobre os direitos das mulheres sobre o corpo e os casos de violência. Em seu livro Explosão Feminista (2018), a autora Heloisa Buarque de Hollanda faz uma reflexão da nova onda: “Embora só em 2015 a quarta onda feminista tenha alcançado maior amplitude, capaz de atingir diferentes setores da sociedade, desde o início da década de 2010 ela já vinha mostrando sua força em manifestações públicas.” O feminismo, nos dias de hoje, conta com mulheres mais jovens e aliadas à internet, principalmente para movimentar pessoas, como ocorreu nas vésperas das eleições de 2018 no Brasil em que um grupo de mulheres mobilizou outras milhares de pessoas para o movimento “Ele Não”, que tinha como objetivo protestar contra o até então candidato à presidência Jair Bolsonaro (sem partido). Para Rosemary Sampaio, que por muito tempo participou de vários centros de acolhimento de mulheres e outros projetos que tinham como objetivo fortalecer a identidade da mulher negra na sociedade “Todos os espaços em que há mulheres reuinidas, é um espaço, um movimento em que uma mulher quer dizer para outra: você tem direitos”, afirma Rosemary. Durante toda a história do feminismo o movimento passou por altos e baixos, com mulheres entregando as esperanças de um futuro melhor para as mais jovens. “A nova geração é uma que já está crescendo com esses discursos sendo falados, discutidos... E acaba que a gente vai confiando nisso, que as novas gerações vão trazer isso nos seus comportamentos, em seus pensamentos”, explica Fatine Oliveira, integrante do Coletivo Feminista Helen Keller. O que vamos ver daqui para a frente é a história escrita em nossos olhos, vamos poder contemplar para onde esse feminismo vai.
As vozes silenciadas A comunicação de massa tradicional (TV e rádio) sempre se manteve longe de assuntos considerados polêmicos, seja na parte do entretenimento ou na jornalística. Porém, evitar falar dessas pautas tem se tornado algo impossível, principalmente depois da sanção da lei 13.104/2015, que passou a considerar o assassinato praticado contra a mulher por causa do seu sexo como feminicídio. Até mesmo a lei Maria da Penha (11.340/2006), que conforme o seu artigo 5º “[...] configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
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patrimonial”, é algo muito recente no Brasil. A jornalista Luciana Araújo, que coordenou o dossiê "Imprensa e Direitos das Mulheres: papel social e desafios da cobertura sobre feminicídio e violência sexual", do Instituto Patrícia Galvão, relembra
que “A lei é muito nova, se a gente for pensar, é uma lei de 2006, é quase nada para a história brasileira, mas já há impactos mensuráveis”. Foi a partir dessas conquistas que as pautas dos direitos das mulheres começaram a ter um espaço na comunicação de massa, principalmente nos casos de violência doméstica, que ao ser enquadrada na lei Maria da Penha, escancarou o ciclo de violência que as mulheres sofriam no Brasil, mostrando a sua gravidade. Temos também o grande problema da palavra feminismo, que gera uma grande aversão na comunicação de massa tradicional. Além disso, historicamente as mulheres estão nas sombras da sociedade e mudar algo que já está enraizado é muito complicado. “Essa falta de visibilidade dos coletivos feministas na grande imprensa está muito ligada a isso, dessa invisibilidade histórica, essa invisibilidade das pautas, que vão mexer com muita coisa que o sistema não quer mexer, poque o machismo é estruturante na nossa sociedade”, afirma Marilia Kayano, integrante da União de Mulheres do Município de São Paulo. Mas a situação ainda está longe de ser ideal para as pautas feministas no Brasil. Para Mariana Mata, integrante do Coletivo FemiSistahs, quando o assunto chega na mídia geralmente é tarde demais: “A gente muitas vezes acaba aparecendo tarde demais. Então o que a gente costuma ver é quando a agressão já aconteceu. A gente vê bem pouco (a agressão) ser divulgada, o que vemos são os casos de feminicídio e geralmente têm uma visibilidade maior quando são casos chocantes para sociedade”. Um grande exemplo disso é o caso da criança que engravidou aos 10 anos em decorrência de estupros que seu tio praticava contra ela desde os 06 anos. Para conseguir realizar um aborto legal, que estava previsto em lei, a menina teve que percorrer um longo caminho, pois o procedimento foi negado em seu estado (Espírito Santo); entretanto, autorizado em Recife. Após esse fato que chocou o Brasil, várias pautas sobre o tema começaram a surgir, como por exemplo o número de meninas que engravidam dos 10 aos 14 anos vítimas de estupro ou quais hospitais podem fazer o aborto legal na rede SUS. “De alguma uma maneira isso fez com que o debate sobre aborto fosse discutido na maioria dos veículos, nem sobre a legalização do
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aborto ou sobre a descriminação dele, mas o acesso legal ao aborto se impôs, uma pauta que o movimento feminista há anos debate”, ressalta Paula Kaufmann, integrante do Coletivo Juntas. Muitas vezes as pautas estão aí, as mulheres estão falando e até mesmo gritando, mas raramente são ouvidas. Outro ponto importante é que quando as mulheres são ouvidas, geralmente não são representadas como deveriam. Helena Zolic, participante da SOF (Sempre Viva Organização Feminista), conta uma história sobre essa falta de representatividade, relatando que durante a 3º Marcha das Mulheres, que aconteceu em 2010 e reuniu mais de três mil mulheres para percorrer 120 km entras a cidades de Campinas e São Paulo, a imprensa não fez a cobertura sobre o que a caminhada representava em nenhum momento e uma das únicas passagens jornalísticas foi sobre como a marcha estava atrapalhando o trânsito; “A gente não tem espaço e quando tem, não é da forma correta”, afirma Helena. Até mesmo casos mais graves como o feminicídio são representados de forma desastrosa. “Pode ser que o jornalismo não se atente no papel que ele tem de combater essa realidade, enquanto a gente não combater, esse cenário não muda e o jornalismo tem muita força pra combater”, afirma Luciana Araújo. Para ela, o papel da comunicação de massa é fundamental para alertar a população sobre os casos e as consequências. Hoje, quando acontece um feminicídio, fala-se muito sobre o agressor, os motivos que o levaram a cometer o crime, mas se esquece que a vítima teve uma vida, deixou família e um legado para trás, a mulher se torna mais um corpo entre os outros. “Não tem discussão do porquê essas mulheres estão morrendo, só a venda dos corpos estirados sem explicação. Só há visibilidade na morte”, declara Sabrina Lopes, integrante do coletivo FemiSistahs. A função social do jornalista é dar a voz a quem não pode, é o seu dever e muitas vezes o veículo em si tem medo de se associar com os coletivos e perder público. Luciana Araújo enfatiza que “Isso é jornalismo, não é militância, porque normalmente é o escudo que os veículos usam, mas a gente não pode fazer um discurso militante, não, a gente só cobra que faça jornalismo mesmo.” O jornalista não precisa tomar o partido, precisa fazer o papel dele.
O poder da internet
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Uma das maiores aliadas do feminismo nos últimos anos é a internet. Isso acontece pois ela é utilizada como ferramenta para a produção de conteúdo. Temos grandes exemplos de como a internet consegue mobilizar milhares de pessoas, como aconteceu com a contratação do Robinho pelo Santos, sendo que o jogador havia sido condenado em nove anos pelo estupro de uma mulher em uma boate na Itália. A sua volta ao futebol brasileiro mobilizou milhares de pessoas, que foram para as redes sociais comentar o caso e em sua grande maioria repudiar a admissão. Após uma matéria especial do Globo Esporte, que trazia a transcrição de uma série de áudios em que o jogador falava mais sobre o crime, uma revolta na internet foi iniciada e inúmeras pessoas começaram a pedir a revogação da contratação do jogador. Nesse caso, todos os meios de comunicação falaram mais profundamente sobre o tema, pois estávamos lidando com um caso chocante que se trata de uma pessoa já conhecida. No fim das contas, por pressão dos patrocinadores, o time da baixada santista em conjunto com o jogador revogou o contrato. Em seguida, Robinho concedeu uma entrevista ao UOL, em uma das falas ele afirma que “Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres às vezes não são nem mulheres, para falar o português claro, e se levantam contra.” Esse foi o estopim para que as páginas em redes sociais que têm como foco principal a criação de conteúdos feministas levantassem a bandeira e mostrassem o porquê de felizmente o feminismo existir. Esse fenômeno das redes sociais causou uma democratização na distribuição das pautas feministas; enquanto na comunicação de massa tradicional a disseminação dessas informações anda de maneira lenta, na internet ela voa. “Estamos vendo muito nas redes socais as mulheres trazendo isso. Muitas feministas, as mulheres negras e mulheres com deficiências vêm trazendo isso nas redes sociais, tentando ocupar esses espaços”, afirma Fatine Oliveira, integrante do Coletivo Feminista Helen Keller. É interessante notar que nos últimos anos a necessidade de estar na internet, nas mídias sociais, ultrapassou o desejo de estar na televisão, por exemplo. Quem explica bem a visão de que muitas vezes a internet supre as necessidades da comunicação de massa tradicional é a Amanda Serzadello, criadora da página Você que Fala, que tem como objetivo tratar de assuntos que geralmente não são pautados na televisão: “A página surgiu com essa necessidade trazer para as pessoas o conhecimento que eu tive acesso, e o que eu falo não está na mídia.”
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Outro benefício das redes sociais é realizar a conexão entre várias pessoas, como por exemplo o Planeta Ella, que desde 2014 organiza o encontro de mulheres do mundo inteiro e em 2020, por conta da pandemia da Covid-19, esse encontro aconteceu de forma online. Também houve a intensificação dos posts em suas redes sociais: “A gente pensou que deveria falar mais sobre a diversidade dos feminismos, e não só necessariamente essas lutas por igualdade. Então quando você vê o nosso Instagram, ele fala bastante sobre representação do corpo, autoestima, mas também fala sobre negritude, vai falar de maternidade, igualdade salarial, no esporte. A nossa ideia enquanto comunicação é passar um pouco sobre esse lugar, de conseguir trazer o debate mais amplo dentro do que a gente entende sobre feminismo”, explica a integrante do Planeta ELLA Isis Maria. Os coletivos feministas usam a internet como um aliado na divulgação e no engajamento de seus projetos, como é o caso dos coletivos feministas nas universidades que geralmente são divididos em cursos e que têm como objetivo realizar ações para as mulheres. Como todos os coletivos, os que são criados e organizados nas universidades enfrentam problemas para poderem realizar seus eventos. “Eu acho que a cultura da universidade colabora com a falta de visibilidade da gente porque, por exemplo, já tiveram situações muito desagradáveis em sala de aula e a gente tenta fazer o máximo possível para ajudar e deixar coletivo aberto para todas as meninas”, declara Carolina Bispo, integrante do coletivo Zaha do curso de arquitetura da universidade Mackenzie. Esses coletivos são bem importantes, pois com eles as estudantes se sentem mais unidas, como é o caso do coletivo Lobas da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá – UNESP, que por ser uma instituição que só tem matérias de exatas, a porcentagem de estudantes do sexo feminino é menor. “A minha faculdade é de engenharia, só exatas, engenharia, física e matemática e é muito machista, porque é muito homem que entra, então o hino dela é totalmente machista”, relata Rafaela Ferreira, integrante do coletivo. É nesses momentos que a internet ajuda os coletivos a se organizarem em prol do seu objetivo. Outro ponto importante é que não podemos esperar que esses conteúdos compartilhados na internet cheguem a todos. “A gente tem essa falsa percepção, essa ideia de que a internet está no mundo e que todos têm acesso. Mas não é verdade, então o ideal para os coletivos terem essa visibilidade com a massa é entender onde as massas estão, porque senão a gente vai ficar falando somente para os nossos”,
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afirma Nathalia Campos, que faz parte do coletivo Entre Elas. Uma pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) no ano de 2019 relata que, no Brasil, cerca de 26% da população (47 milhões de habitantes) não têm acesso à internet, sendo assim, ficam reféns dos conteúdos produzidos pela comunicação de massa tradicional. O grande desafio dos coletivos e das pautas feministas é lutar pela democratização das informações para que todos possam ter a chance de consumir os mesmos conteúdos.
O futuro é feminino? Pensar no futuro, ou melhor, tentar adivinhar o que vai acontecer nele é algo que sempre moveu a humanidade. Uma das estampas mais famosas dos últimos anos é a frase “The future is Female” (O futuro é feminino); a primeira vez em a frase apareceu foi em 1975, quando a fotógrafa Liza Cowan retratou a sua namorada Alix Dobkin e essas palavras estavam estampadas em sua camiseta. A frase nos remete muito à época em que a foto foi tirada: eram os anos 70 e a segunda onda do feminismo estava em alta e já encaminhava a ideia de um feminismo repartido, dentro do guardachuva do movimento em geral. Desde a primeira onda, as mulheres já se preocupavam com o futuro, pois quando elas se reuniam e lutavam por seus direitos, a luta era por todas as mulheres, não só as que apoiavam o movimento. “Tudo o que as feministas conquistaram, elas conquistaram para todas as mulheres, tudo o que nós fizemos como feministas é bom para todas as mulheres, então é absolutamente importante que isso seja claro”, afirma Márcia Tiburi. Talvez falar sobre futuro hoje para as mulheres seja algo um pouco complicado, já que “hoje nós estamos vivendo um tempo meio obscuro, de que o próprio movimento de mulheres está sendo perseguido”, como relatou Cida Lima, presidente da Associação das Mulheres da Zona Leste. No atual governo, as questões sociais são deixadas de lado e muitas vezes temos a sensação de que realmente são pautas que não vão entrar em discussão e que esses coletivos feministas terão que lutar em dobro para que os direitos já conquistados não sejam perdidos. “A gente está lidando com um governo que cria muitas dificuldades, cria muitos entraves, muitas barreiras”, conclui Fatine Oliveira. Além disso, é nesse governo que o Brasil entrou para o grupo de países que foram contra um trecho da resolução da ONU que visa o combate da discriminação contra as mulheres. O parágrafo em questão sugere como forma de
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combate à violência e discriminação que meninas tenham o acesso à educação sexual. Essa sombra de regressão dos direitos das mulheres paira no Brasil e preocupa os coletivos feministas. Ao mesmo tempo é possível perceber que as mulheres estão engajadas na luta por seus direitos e que está começando cada vez mais cedo a percepção de que a igualdade de gênero é algo que está longe de ser justa. “Esse crescimento da luta feminista nos últimos anos, uma popularização do feminismo de alguma maneira... Então hoje você vai em uma escola, por exemplo, do ensino médio e pergunta na sala de aula: quem é feminista? 90% vai levantar a mão e isso significa muita coisa, mas elas se identificam com o feminismo. Isso, quando eu estava na escola não existia, então acho que existe uma popularização do feminismo”, afirma Paula Kaufmann, integrante do Coletivo Juntas. Mesmo com esse novo “ar fresco” que a nova geração trouxe ao feminismo, não podemos esquecer de todas as mulheres do passado que lutaram para o futuro das mulheres de hoje. “O feminismo dialógico é o feminismo que a gente faz entre as gerações, porque a minha geração não é nada sem a geração da Simone de Beauvoir, a geração da Simone de Beauvoir não é nada sem a geração das sufragista, e assim por diante, então a gente tem uma afinidade com as mulheres do passado que são as nossas heroínas, elas que abriram espaços para nós”, completa Márcia Tiburi sobre a questão de como todas as ondas e mulheres se conectam em toda a história e reconhecer isso é entender a importância que cada mulher do passado tem no presente e no futuro. Afirmar que “o futuro é feminino” é algo que as mulheres sempre fizeram, depositar as esperanças nas novas gerações é acreditar que futuramente o mundo vai se transformar e que as pautas feministas serão algo normal e não vistas como “tabu”. “Acho que daqui a alguns anos vai ser muito mais feio você dizer que você não é feminista, sabe? Vai ser do ponto vista da moralidade, sabe? Acho que hoje a geração mais velha olha torto para você quando diz que é feminista, mas daqui a alguns anos vai ser inverso”, conclui Paula Kaufmann. Observar a luta das mulheres na história do mundo é compreender que elas não vão parar até que todas as mulheres tenham os mesmos direitos. Com o aumento dos coletivos feministas e da identificação das mulheres com o feminismo, estamos caminhando para um futuro cada vez mais feminino.
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Apêndice VIII – Portal Link para acessar o portal online: https://patympontes.wixsite.com/o-grito-silencioso
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11. Diário de campo
O primeiro passo desse projeto foi definir que eu iria falar sobre mulheres em especial o motivo que as mulheres ficam de lado na comunicação de massa. Em fevereiro foi definido junto as professoras Rosangela Paulino e Mirian Meliani o tema: Sou, logo existo, por que não apareço? Coletivos feministas na cidade de São Paulo e sua invisibilidade na comunicação de massa. Esse recorte de falar sobre os coletivos feministas foi escolhido pois ao pesquisar mais sobre esses grupos, foram encontradas poucas informações ou quase nada. Para encontrar o motivo da invisibilidade desses coletivos procuramos na autora Márcia Tiburi, que em seu livro Feminismo em Comum debate o assunto que a mulher feminista já carrega um preconceito, pois ser feminista é algo considerado “anormal” para sociedade. E na Rebecca Solnit que em seu livro a Mãe de Todas as Perguntas aborda o mal que o silêncio acarreta a vida as mulheres. Na parte de analisar a comunicação de massa, trabalhamos com os autores Maxwell McComb e Donald Shaw que são os criadores da Teoria do Agendamento, em que considera o consumidor de notícias tem a tendência de considerar mais importante para sua vida os assuntos que são veiculados na mass media. Usamos também a teoria das mediações do Jesús Martin-Barbero em que ele afirma que o indivíduo é responsável por receber e reconstruir essa mensagem. Após a parte teórica do projeto, foi definido qual a modalidade do projeto experimental, foi definido que seria a reportagem extensa para internet e o portal escolhido foi o UOL TAB pois são reportagens que tem uma periodicidade semanal e conforme o nome já explica, tem como objetivo criar conteúdo que são considerados tabus para a sociedade e coletivos feministas se encaixam perfeitamente. Em junho foi entregue a primeira parte do projeto. Em agosto se iniciou as solicitações de entrevista, o começo do design definitivo do portal e as definições dos conteúdos que estariam lá. Em setembro continuamos as entrevistas, em especial a autora do livro Feminismo em Comum Márcia Tiburi, foi uma conversa importante pois o seu livro foi amplamente utilizado na construção do referencial teórico e metodológico da pesquisa. Outro processo
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importante foi a contratação do design Heloisa Barbosa que fez a identidade visual das imagens do portal e a criação do infográfico “Feminismo no Brasil” com os dados obtidos da pesquisa: “Feminismo e violência contra a mulher – Instituto Datafolha – abril de 2019”. Em outubro aconteceu a gravação do podcast “No mar da pisciana” que tem como objetivo indicar cinco livros sobre feminismo para o ouvinte. Houve também a criação do vídeo animado “Dicionário Feminista” que vai falar um pouco sobre algumas palavras do glossário feminista em forma de animação, para ser mais didático. No final de outubro a reportagem foi finalizada e encaminhada para revisão. Conforme o planejamento, o mês de novembro foi deixado para as revisões de todos os conteúdos criados para a reportagem e a finalização do site.
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12. Anexos Anexo I - Termo de autorização Marilia Kayano Morais
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Anexo II – Termo de autorização Rosemary Gomes Sampaio
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Anexo III – Termo de autorização Fatine Conceição Oliveira
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Anexo IV- Termo de autorização Paula Kaufmann Sacchetto
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Anexo V - Termo de autorização Ana Maria Veiga
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Anexo VI - Termo de autorização Amanda Serzedello de Souza
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Anexo VII - Termo de autorização Luciana Gomes de Araújo
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Anexo VIII - Termo de autorização Maria Aparecida de Lima
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Anexo IX - Termo de autorização Rafaela Ferreira
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Anexo X – Termo de autorização Marcia Angelita Tiburi
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Anexo XI – Termo de autorização Isis Maria Oliveira Juvêncio
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Anexo XII – Termo de autorização integrantes do coletivo Zaha •
Ana Luiza Santos Fernandes de Faria
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Bianca Silveira Rossato
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Carolina Jardim dos Santos Bispo
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Eduarda Cerutti Savian
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Anexo XIII – Termo de autorização integrantes do Femisistahs •
Thaís Pantaleão de Camargo
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Bianca Tocaccelli Sisto
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Mariana Mata Ribeiro
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