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O Jornalismo Esportivo na era tecnológica - Matheus Ornellas

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA

SÃO PAULO 2020


UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA

MATHEUS ORNELLAS CORRÊA LEITE RGM: 1734711-4

Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Graduação em Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel

Orientador: Profº Dr. Antonio Lucio Rodrigo Assis

SÃO PAULO 2020


RESUMO Este trabalho tem como propósito analisar os métodos e abordagens utilizadas no jornalismo esportivo com o uso da tecnologia. Diversos fatores foram fundamentais para as mudanças que a comunicação no meio do esporte sofreu através dos anos, como as tecnologias, linhas editorias diferentes, além da mudança da forma que o público consome o jornalismo esportivo. Pretendese abordar a discussão das mudanças causadas dentro da comunicação, se essas mudanças tornaram o jornalismo esportivo melhor ou pior e quais vantagens e desvantagens do cenário atual. Palavras-chave: jornalismo esportivo; imprensa; atletas; noticiabilidade nos esportes; sensacionalismo.


ABSTRACT This work aims to analyze the methods and approaches used in sports journalism with the use of technology. Several factors were fundamental to the changes that communication in the sports environment has undergone over the years, such as technologies, different editorial lines, in addition to changing the way the public consumes sports journalism. It is intended to address the discussion of changes caused within communication, whether these changes have made sports journalism better or worse and what are the advantages and disadvantages of the current scenario. Keywords: sports journalism; press; athletes; sports news; sensationalism.


SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 5

2.

OBJETIVOS ................................................................................................................................ 6 2.1

OBJETIVO GERAL ............................................................................................................................. 6

2.2

OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................................................... 6

3.

PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES ............................................................................................. 7 3.1

PROBLEMA ..................................................................................................................................... 7

3.2

HIPÓTESES...................................................................................................................................... 7

4.

JUSTIFICATIVA ........................................................................................................................... 8

5.

PLANO ESTRATÉGICO PARA DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO ..............................................10 5.1

DESCRIÇÃO DO PROJETO .................................................................................................................. 10

5.2

SINOPSE ....................................................................................................................................... 10

5.3

FORMATO .................................................................................................................................... 10

5.4

ESTRATÉGIA PARA TRANSIÇÃO, CORTES E DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIA......................................................... 11

5.5

FINALIDADE .................................................................................................................................. 11

6.

REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................................12

7.

REFERÊNCIAS ...........................................................................................................................13

8.

CRONOGRAMA ........................................................................................................................15

9.

ORÇAMENTO ...........................................................................................................................16

10.

APÊNDICE .................................................................................................................................17

10.1

PAUTAS................................................................................................................................... 17

10.2

DIÁRIO DE CAMPO .................................................................................................................... 20

10.2.1

Agosto ............................................................................................................................. 20

10.2.2

Setembro ......................................................................................................................... 21

10.2.3

Outubro ........................................................................................................................... 21

10.2.4

Novembro ........................................................................................................................ 22

10.3

TERMOS DE AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM E SOM...................................................................... 22

10.3.1

Cláudio Zaidan ................................................................................................................. 22

10.3.2

Fredy Junior ..................................................................................................................... 23

10.3.3

Eric Filiardi ....................................................................................................................... 24


10.3.4

Matheus Pinheiro ............................................................................................................ 25

10.3.5

Frederico Batalha ............................................................................................................ 26

10.4

BANCO DE IMAGENS .................................................................................................................. 27

10.4.1

Acervo Pexels Vídeos ....................................................................................................... 27

10.4.2

Acervo Pexels Vídeos ....................................................................................................... 27

10.4.3

Acervo Pexels Vídeos ....................................................................................................... 28

10.4.4

Acervo ISTOÉ ................................................................................................................... 28

10.4.5

Acervo Globo Esporte.com .............................................................................................. 29

10.4.6

Acervo Revista Cult .......................................................................................................... 29

10.4.7

Acervo Fundação Padre Anchieta.................................................................................... 30

10.4.8

Acervo Cheni no Campo................................................................................................... 30

10.4.9

Acervo Pessoal Eric Filiardi .............................................................................................. 31

10.4.10

Acervo UOL .................................................................................................................... 31

10.4.11

Acervo Gazeta Press ...................................................................................................... 32

10.4.12

Acervo Gazeta Press ...................................................................................................... 32

10.4.13

Acervo Newspaper Archive ............................................................................................ 33

10.4.14

Acervo Travinha.com ..................................................................................................... 33

10.4.15

Acervo Que Fim Levou ................................................................................................... 34

10.4.16

Acervo Pessoal Fredy Junior .......................................................................................... 34

10.4.17

Acervo Pessoal Fredy Junior .......................................................................................... 35

10.4.18

Acervo Pessoal Fredy Junior .......................................................................................... 35

10.4.19

Acervo Pessoal Eric Filiardi ............................................................................................ 36

10.4.20

Acervo O Globo .............................................................................................................. 36

10.4.21

Acervo Pexels Videos ..................................................................................................... 37

10.4.22

Acervo Que Fim Levou ................................................................................................... 37

10.4.23

Acervo UOL .................................................................................................................... 38

10.4.24

Acervo Pexels Vídeos ..................................................................................................... 38

10.4.25

Acervo Pexels Vídeos ..................................................................................................... 39

10.5

TRANSCRIÇÃO DAS ENTREVISTAS................................................................................................... 39

10.5.1

Claudio Zaidan ................................................................................................................. 39

10.5.2

Fredy Junior ..................................................................................................................... 44

10.5.3

Frederico Batalha ............................................................................................................ 49

10.5.4

Eric Filiardi ....................................................................................................................... 55

11.

ROTEIRO ..................................................................................................................................59

12.

CAPA DVD ................................................................................................................................80


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1. Introdução O jornalismo esportivo tem diversas linhas e maneiras de se conectar ao seu público. Segundo Tubino, Garrido e Tubino (2007), os primeiros jornais brasileiros que davam espaço ao “esporte”, tinham enfoque em instruir e ajudar seus leitores em como melhorar sua forma física e, consequentemente, sua saúde. É possível afirmar que a comunicação esportiva existia em terras tupiniquins antes do futebol ser apresentado por Charles Miller. Porém, após suas primeiras aparições em jornais da época, o esporte começou a tomar seu espaço dentro das redações. Assim, como nos tempos atuais, na década de 20, os jogos em si eram muitas vezes deixados de lado. Para Coelho (2011) o assunto foi destacado em sua obra, em que explicou como os jornalistas romantizavam o jogo em si e, com isso, deixavam as informações “importantes” de lado. No entanto, durante os anos 70 e 80, o jornalismo esportivo brasileiro teve seu período de maior foco para falar sobre os esportes, com o intuito de informar seu público alvo, e tratar desses assuntos com uma abordagem mais crítica. Com isso, as publicações conseguiam criar um leitor que pudesse se informar melhor e criar uma opinião acerca de diversos assuntos voltados ao esporte na época. A chegada da internet teve grande influência na mudança editorial do atual jornalismo esportivo. Um exemplo a ser destacado foi maior atenção à parte extracampo dos atletas, em que se ganhou espaço. Somada com a necessidade de atender a esse a um novo público, que consome muito conteúdo online e imediatista, o jornalismo esportivo passou por grandes mudanças nos anos seguintes. O objetivo deste trabalho é analisar essas mudanças, as diferenças entre os antigos moldes do jornalismo esportivo, como as tecnologias revolucionaram o trabalho dos jornalistas e discutir os métodos atuais e antigos de se trabalhar dentro do jornalismo esportivo.


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2. Objetivos 2.1

Objetivo Geral Analisar as principais mudanças dentro do jornalismo esportivo, como tecnologias,

forma de se comunicar e acompanhar eventos esportivos, além das mudanças dentro das redações no Brasil. Utilizar do formato documentário para apresentar a opinião e conhecimento de diversos profissionais da área, com diferentes idades e funções na comunicação esportiva. 2.2

Objetivos Específicos •

Apresentar modelos antigos de transmissão do Jornalismo Esportivo.

•

Questionar formato atual de comunicação.

•

Entender principais mudanças que as tecnologias trouxeram para dentro da comunicação.

•

Produzir um documentário com personagens distintos, que tem visões diferentes de como o jornalismo esportivo opera.

•

Apontar os principais problemas que o jornalismo esportivo enfrenta.


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3. Problematização e hipóteses 3.1

Problema Desde sua origem, o jornalismo esportivo vive em constante mudança. Desde a forma

de transmitir a informação e opinião dos profissionais do jornalismo esportivo, até mesmo o tipo de conteúdo que chega ao consumidor final. Em 2020, o jornalismo esportivo já passa dos 120 anos dentro das redações brasileiras, sejam elas de TVs abertas ou fechadas, rádios, web rádios e afins. Porém, tais mudanças não necessariamente apresentam uma melhora no jornalismo esportivo, já que boa parte do conteúdo vem se tornado repetitivo ou até mesmo sensacionalista. Teriam as editorias obrigação de mudar seus formatos visando criar um público mais crítico ou deveriam manter o enfoque em somente gerar o máximo de audiência possível, independentemente dos temas abordados? 3.2

Hipóteses Os grandes editoriais mantem pautas subservientes na busca desenfreada pela ampliação

da audiência. Por conta disso, temos uma grande repetição de matérias, quase sempre com temas sensacionalistas, que chamam a atenção do leitor, mas não agregam para uma melhora na análise crítica de quem acompanha a editoria. Seguindo sempre essa linha editorial, os veículos de comunicação mantêm um bom relacionamento com atletas, clubes, entidades, competições e afins. Mesmo que isso custe uma maior diversidade de matérias e conteúdos que poderiam criar um maior senso crítico em sua audiência. Com essa limitação, diversos profissionais da área de comunicação esportiva, se limitam a produzir “mais do mesmo” e acabam sendo desestimulados indiretamente por suas próprias redações.


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4. Justificativa Evidentemente que, nos diversos contextos históricos, nota-se que as práticas da mídia esportiva, tiveram lógicas diferentes de atuação. Na verdade, o jornalismo esportivo contemporâneo faz parte, apenas de uma etapa, do processo histórico esportivo, instalado na humanidade desde a antiga Roma. Importante ressaltar, que o primeiro jornal da história foi produzido na antiga Roma. Por volta de 59 A.C., Júlio César tinha vontade e desejo de que toda a sua população tivesse acesso a notícias: como fatos políticos, militares, entre outras decisões que aconteciam dentro do império romano. Quase dois mil anos depois, o jornalismo esportivo teve sua primeira aparição nas folhas dos jornais. Segundo Tubino, Garrido e Tubino (2007), graças ao jornal inglês Sportsman, o primeiro diário de esportes foi lançado em 1852, em Londres. Já no Brasil, as primeiras matérias voltadas para o meio esportivo eram veiculadas em jornais locais, de acordo com Ribeiro (2007). Como o futebol ainda não havia sido “descoberto” pelo povo brasileiro, as matérias davam atenção para outros esportes, como turfe, remo e até mesmo críquete. O primeiro jornal totalmente voltado aos esportes foi O Atleta, que chegou ao Brasil, em 1856, no Rio de Janeiro, segundo Tubino, Garrido e Tubino (2007). É importante destacar que o jornal foi lançado com intuito de ensinar e ajudar os leitores cariocas a melhorar sua forma física. Dois anos depois, São Paulo teve seus primeiros jornais impressos, segundo afirma Ribeiro (2007). O Sport e o Sportsman, começaram a ser veiculados na cidade em 1858. Como o futebol ainda não era tão popularizado no país, os assuntos principais ainda eram turfe, ciclismo e remo. Em 1901, o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro usou sua coluna de esportes para fazer a primeira matéria falando sobre futebol, de acordo com Ribeiro (2007). Segundo ele, a pequena nota comentava a partida entre Paysandu Cricket Club e Rio Cricket and Atlhetic Association. Hoje com mais de 120 anos presente nas redações de todo o país, o segmento dos esportes passou por diversas mudanças e direções editoriais. Diversos fatores foram cruciais e importantes para que todas as mudanças fossem aplicadas dentro do jornalismo esportivo atual como: Chegada de tecnologia na comunicação, meios de se acompanhar o esporte a distância, o jornalista ter se tornado um profissional de multitarefas, entre outros.


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Conforme Barbeiro e Rangel (2006), são autores que sempre apontaram em suas obras, a importância de se separar a emoção no jornalismo esportivo. Os autores apontam questões éticas que envolvem a cobertura esportiva e como o jornalista precisa manter sempre o foco em seu trabalho. Os autores ainda mencionam que a relação muito próxima com atletas pode prejudicar muito o comunicador no desempenho da profissão. Outra questão que justifica a discussão desse tema é o caso do Jornal Gazeta Esportiva. Para os que não conhecem a história, o jornal possuía sua versão impressa, que, segundo Coelho (2011) era “leitura obrigatória por quem se interessava por esportes”. O autor também relata como a circulação do jornal era muito boa na época, entre os anos 1960 e 1970. Souza (2015), também relatou sobre a função desempenhada pela editoria de esportes e por seus profissionais. Segundo a autora, durante o período dos anos 1960 e 1970, esquemas táticos, formações e outros detalhes da parte técnica do futebol, tinham grande enfoque nas matérias produzidas. “Conseguia sucesso sem apelar para o aspecto mais popular da notícia nem para as manchetes sensacionalistas, nem para as histórias mais pitorescas.” (COELHO, 2011, p. 84). No entanto vale ressaltar que, assim como nas áreas política, econômica e afins, o jornalismo esportivo exige muito estudo e análise para se tornar um profissional qualificado, crítico e argumentativo. Conforme Silveira (2009, p. 78) “[...] trabalhar com o jornalismo esportivo requer competência também para escrever sobre diferentes assuntos complementares, mas fundamentais para a qualidade da matéria”.


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5. Plano Estratégico para desenvolvimento do produto 5.1

Descrição do projeto •

Linguagem: Visamos deixar o documentário com uma narrativa o mais simples e dinâmica possível, para que com isso seja possível atingir um maior público e facilitar o entendimento de todos os assuntos, principalmente para aqueles que não estão habituados com o meio esportivo;

•

Formato: Documentário;

•

Duração: 28 minutos e 31 segundos;

•

Missão: Levantar questionamentos sobre o jornalismo esportivo, usando personagens que já estão inseridos dentro da área;

•

Recursos de Edição: Pacote Adobe (After Effects e Premiere);

•

Estratégia para definição de cores: A cor laranja foi selecionada para o fundo das legendas devido ser uma tonalidade comum dentro dos programas esportivos, enquanto a cor das legendas segue um padrão branco com um pequeno traçado preto;

•

Público a ser atingido: Inicialmente o documentário foi pensado para um público que já consome jornalismo esportivo, mas sua construção e narrativa permite que qualquer pessoa possa entender o conteúdo que está sendo exibido.

5.2

Sinopse Com mais de 120 anos presente no Brasil, o jornalismo esportivo passou por diversas

mudanças através dos tempos. Elas ocorreram por diversos fatores como: tecnologia, modernização, alinhamentos editoriais, além é claro do perfil consumidor do jornalismo esportivo. Mas será que todas as mudanças foram positivas para a comunicação esportiva? 5.3

Formato O documentário apresentar quatro comunicadores esportivos: Claudio Zaidan,

renomado comentarista esportivo pela rádio Bandeirantes. Frederico Batalha, que tem desempenhado a função de assessor de imprensa a muitos anos, tendo diversos atletas de nome


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e até federações esportivas. Fredy Junior, que atuou e atua em diversos segmentos dentro do jornalismo esportivo, como apresentador, comentarista, setorista, entre outras funções. E por fim temos Eric Filiardi, que atua como Diretor de Jornalismo no site Futebol na Veia e na rádio Poliesportiva. A diversidade dos entrevistados foi uma das ideias centrais do documentário, pois cada um apresenta uma visão sobre diversos questionamentos, seja pelo tempo dentro do jornalismo esportivo, seja pela função que cada um desempenha e até mesmo pela diferença considerável de idade em alguns casos. 5.4

Estratégia para transição, cortes e definição de estratégia Visando deixar evidente que se trata de um documentário de não ficção, a utilização de

plano único representou a melhor perspectiva. Por mais que a mesma não crie tanto impacto direto naqueles que o assistem, as inserções de imagens e vídeos cumprem esse papel de chamar a atenção do público e com isso reforçar a importância na narrativa de cada um dos personagens. Esse conceito pode ser considerado reflexivo ou expositivo, pendendo mais para a primeira opção, onde existem menos voice overs e o tema não ser considerado tão delicado como um expositivo abordaria. 5.5

Finalidade Como o próprio documentário relata, o jornalismo esportivo por vezes é mais importante

para determinadas pessoas do que a própria política do país. Por isso, é necessário abordar questões como a qualidade do material que é produzido e até mesmo se o conteúdo apresentado realmente agrega algum valor para aquele que o consome, independentemente do formato utilizado. O documentário tem por si uma discussão com grande potencial. Pois apresenta profissionais questionando o atual modelo usado nas redações brasileiras, além de apontar alguns problemas que os próprios comunicadores enfrentam durante a produção de uma matéria.


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6. Referencial Teórico Diversos autores foram utilizados durante a construção do projeto e cada um é igualmente vital para que o mesmo tenha uma boa qualidade e o máximo de estudo possível. Segundo Nichols (2016), um documentário precisa de um propósito para ter êxito. O autor também reforça o entusiasmo, esforço e principalmente o investimento de curiosidade para a realização de um bom produto documentário. Van Sijll (2017, p. 15) também relata sobre a importância do roteiro para uma produção, “Um roteiro eficaz tem que ser um esboço do filme, o que implica transmitir para o leitor o que ele vai assistir e ouvir na tela”. Para Nicolato (2019), quando o jornalista volta seus pensamentos para as várias etapas que uma notícia leva para ser produzida, ele acaba sendo levado para as teorias do jornalismo. O autor ainda fala sobre como a teoria do gatekeeper auxilia os profissionais da comunicação a identificar a interferência na construção da realidade. “Tanto ao definir o que entra no jornal quanto ao eliminar o que não será notícia, as escolhas do jornalista – na edição, na apuração, na publicação e em vários outros momentos da consolidação da notícia – podem determinar o recorte da realidade de várias pessoas.” (NICOLATO, 2019, p. 77) Em uma publicação para a revista Mediação, Flores (2004) fala sobre a transformação dos atletas em heróis dos tempos modernos produzidas pelos jornais e revistas. O autor também menciona como em muitas das vezes, a cobertura esportiva, principalmente do futebol, é usada de uma forma muito rasa e como as notícias positivas têm se tornado as mais queridas dentro das redações. Souza (2015), relata sobre como as histórias dos jogadores, no âmbito privado ou particular, começavam a ganhar muito destaque. A autora exemplifica o caso do casamento do jogador brasileiro Ronaldo com a apresentadora Daniela Cicarelli, para demonstrar como a editoria de esportes havia mudado com o passar dos anos. Camargo (2001), expressa o uso da mídia pela imagem do jogador. Segundo a autora, a vida pessoal do atleta é explorada e usada como destaque para a grande mídia. Há de se considerar, a afirmação de Camargo (2001, p. 92) “Outro tema também de grande importância são os aspectos relacionados com a saúde, enfatizando que a prática do esporte, poderá proporcionar saúde e bem-estar ao seu praticante”.


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7. Referências BARBEIRO, H.; RANGEL, P. Manual do Jornalismo Esportivo. 1ª. ed. São Paulo: Contexto, 2006.

CAMARGO, V. R. T. O comunicador e o educador esportivo: Novos paradigmas para o esporte midiático. Revista Conexões, Campinas, v. VI, p. 90-96, 2001.

COELHO, P. V. Jornalismo Esportivo. 3ª. ed. São Paulo: Contexto, 2011.

FLORES, R. Quando o jornalista vira torcedor, como fica a cobertura esportiva? Mediação, Belo Horizonte, v. IV, p. 63-71, dezembro 2004.

LAGE, N. Teoria e técnica de reportagem, entrevista e Pesquisa Jornalística. 1ª. ed. Florianópolis: Record, 2001.

NICHOLS, B. Introdução ao documentário. 6ª. ed. Campinas: Papirus, 2016.

NICOLATO, R. Teorias do Jornalismo. 1ª. ed. Curitiba: InterSaberes, 2019.

RIBEIRO, A. Os donos do espetáculo: histórias da imprensa esportiva do Brasil. 1ª. ed. São Paulo: Terceiro Nome, 2007.

SILVEIRA, N. E. D. Jornalismo Esportivo: conceitos e práticas. 2009. 92 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Jornalismo). Curso de Jonalismo. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 2009.

SOUSA, L.-C. S. C. S. Cobertura esportiva na televisão: Jornalismo ou entretenimento ? Universidade Federal de Pernambuco. Recife, p. 159. 2015.


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TRAQUINA, N. Teorias do Jornalismo. 2ª. ed. Florianópolis: Insular, 2005.

TUBINO, M. J. G.; GARRIDO, F. A. C.; TUBINO, F. M. Dicionário enciclopédico Tubino do esporte. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2007.

VAN SIJLL, J. Narrativa cinematográfica: contando histórias com imagens em movimento: as 100 convenções mais importantes do mundo do cinema que todo cineasta precisa conhecer. 1º. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017.


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8. CRONOGRAMA Tabela 1 – Cronograma Etapa I (1º Semestre de 2020)

Atividade

JAN FEV MAR ABR MAI JUN

Escolha do Tema + Pesquisa

x

Delimitação do Tema

x

Objetivos + Problemas + Hipóteses

x

Introdução, Justificativa, Aspectos Teóricos e Metodológicos

x

Pesquisa de Fontes

x

Entrega da Etapa I do TCC

x

Fonte: elaborado pelo autor. Tabela 2 – Cronograma Etapa II (2º Semestre de 2020)

Atividade Agendamento de Entrevistas Início das Gravações

JUL AGO SET OUT NOV DEZ x x

Decupagem

x

Início da Edição do Videodocumentário

x

Finalização da Edição Finalização da Capa, Sumário e Acabamentos Entrega do Trabalho de Conclusão de Curso

Fonte: elaborado pelo autor.

x x x


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9. Orçamento Tabela 3 – Orçamento Geral

Valor Unitário (média)

Item

Quantidade

Câmera Nikon D3300

2

R$

3.500,00 R$

7.000,00

Cartão de memória Classe 10 64gb

2

R$

120,00 R$

240,00

Microfone de Lapela

1

R$

60,00 R$

60,00

Microfone Direcional

1

R$

200,00 R$

200,00

Transporte

4

R$

15,00

R$

60,00

R$

4.560,00

Total Fonte: elaborado pelo autor.

Valor Total


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10. APÊNDICE 10.1 Pautas

Matheus Ornellas Corrêa Leite PAUTA

“O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA.”

PRODUTO:

TEMA/ASSUNTO:

Documentário em Vídeo

Jornalismo Esportivo

DATA DA ENTREVISTA: 01/09/2020

FONTE Fredy Junior – (11) 99142-9127 - Jornalista, Apresentador, Comentarista e Repórter ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Apresentar personagens com diferentes idades e funções dentro do jornalismo esportivo e, com isso, alimentar a discussão sobre diferenças nos modelos de jornalismo e como o mesmo é aplicado nos dias de hoje. PERGUNTAS - Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? - Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? - Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? - Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente? - Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? - O que você vê como as principais mudanças positivas no formato atual do jornalismo? - O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo? - Quais os principais motivos para que o jornalismo esportivo esteja caindo nesse modelo de repetição?


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Matheus Ornellas Corrêa Leite PAUTA

“O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA.”

PRODUTO:

TEMA/ASSUNTO:

Documentário em Vídeo

Jornalismo Esportivo

DATA DA ENTREVISTA: 17/08/2020

FONTE Frederico Batalha – (11) 99724-8116 – Jornalista, Assessor de Imprensa, Comentarista Esportivo ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Apresentar personagens com diferentes idades e funções dentro do jornalismo esportivo e, com isso, alimentar a discussão sobre diferenças nos modelos de jornalismo e como o mesmo é aplicado nos dias de hoje. PERGUNTAS - Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? - Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? - Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? - Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente? - O uso do sensacionalismo dentro do jornalismo esportivo prejudica a imagem do jornalista e/ou do veículo que publica essas matérias? - Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? - Você acredita que os jornalistas mais novos tentam ajudar os mais velhos e dos mais velhos em ajudar os mais novos? - O que você vê como as principais mudanças positivas no formato atual do jornalismo? - O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo?


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Matheus Ornellas Corrêa Leite PAUTA

“O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA.”

PRODUTO:

TEMA/ASSUNTO:

Documentário em Vídeo

Jornalismo Esportivo

DATA DA ENTREVISTA: 17/08/2020

FONTE Eric Filardi – (11) 99261-3953 – Jornalista, Diretor de jornalismo, Repórter, Escritor ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Apresentar personagens com diferentes idades e funções dentro do jornalismo esportivo e, com isso, alimentar a discussão sobre diferenças nos modelos de jornalismo e como o mesmo é aplicado nos dias de hoje. PERGUNTAS - Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? - Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? - Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? - Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente? - O uso do sensacionalismo dentro do jornalismo esportivo prejudica a imagem do jornalista e/ou do veículo que publica essas matérias? - Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? - O que você vê como as principais mudanças positivas e negativas no formato atual do jornalismo?


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Matheus Ornellas Corrêa Leite PAUTA

“O JORNALISMO ESPORTIVO NA ERA TECNOLÓGICA.”

PRODUTO:

TEMA/ASSUNTO:

Documentário em Vídeo

Jornalismo Esportivo

DATA DA ENTREVISTA: 06/08/2020

FONTE Claudio Zaidan – (11) 98513-8624 - Comentarista da Rádio Bandeirantes ALINHAMENTO EDITORIAL - ENFOQUE/ANGULAÇÃO Apresentar personagens com diferentes idades e funções dentro do jornalismo esportivo e, com isso, alimentar a discussão sobre diferenças nos modelos de jornalismo e como o mesmo é aplicado nos dias de hoje. PERGUNTAS - Como o senhor começou no Jornalismo Esportivo e em qual ano aproximadamente? - Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? - Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? - O que você vê como as principais mudanças positivas no formato atual do jornalismo? - O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo? 10.2 Diário de Campo 10.2.1 Agosto Na primeira semana do mês em questão, fui atrás de todas as fontes que já havia entrado em contato anteriormente, além de buscar novos contatos que poderiam agregar na produção do documentário. Ainda na primeira semana consegui realizar a primeira entrevista, com o comentarista de rádio Claudio Zaidan. Por conta da pandemia e de seu atual momento dentro da rádio, ele não se encontrava em São Paulo e sim em Minas Gerais, seu estado natal. Para a gravação, utilizamos o aplicativo Zoom. A plataforma permite que o usuário faça gravações de até quarenta minutos de forma totalmente gratuita. Além desse fator, o próprio Claudio Zaidan questionou se poderíamos usar aquela plataforma, pois era a que ele mais tinha familiaridade.


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Com o decorrer do mês tive que tentar adequar ao máximo minha agenda com as dos entrevistados, tendo em vista que estamos em uma pandemia e era necessário tomar todos os cuidados possíveis e imagináveis. A melhor solução foi marcar as duas entrevistas seguintes no mesmo local. Com isso, pude evitar uma maior locomoção e ainda garantir um local que fosse seguro para os entrevistados Frederico Batalha e Eric Filiardi. 10.2.2 Setembro No primeiro dia do mês realizei minha última entrevista, com o jornalista Fredy Junior. Como ele havia sido acometido com a Covid-19 no início do mês anterior, tivemos que reagendar a entrevista para essa data. Por questões de segurança e de comodidade para o entrevistado, realizamos a entrevista em um salão de seu prédio. Com isso teríamos um ambiente totalmente controlado e tranquilo para a realização da entrevista. Ainda estava prevista mais uma entrevista para este documentário, com Danilo Lacalle, que é editor do site Torcedores.com. Porém, tivemos diversos problemas para agendamento da entrevista e, após conversas com meu orientador, decidimos que o material já coletado era suficiente para a produção completa do documentário. Nas últimas duas semanas do mês dividi minha atenção em todas as entrevistas, onde tive algumas ideias de como construir um roteiro que causasse impacto, mas que conseguisse prender a atenção de todos por um período maior. Por conta disso, antecipei o início da edição do documentário, para testar o melhor método, além de começar também pequenos testes de correção de cor nas gravações originais e de definir as cores que seriam utilizadas para momentos de legenda que seriam necessários. 10.2.3 Outubro Sem dúvidas o mês de outubro se tornou o mais desafiador desse processo. Isso pois tive uma mudança de emprego, o que acabou me tomando dias de aprendizado e entendimento dessa nova função. Por conta disso, dediquei menos tempo para o projeto, mas consegui definir grandes questões como: Uso de imagens de fundo, cores utilizadas nas legendas e apresentação dos personagens, além de definir a melhor narrativa para o documentário e ter um esqueleto bem estruturado.


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10.2.4 Novembro Na primeira semana do mês, consegui finalizar a edição do documentário e encaminhar para meu orientador. Após sua análise, discutimos algumas mudanças pontuais, mas que foram de grande ajuda para que o produto final ficasse ainda melhor. Após a finalização, comecei o processo de definição de capa para o DVD. Seguindo a mesma paleta de cores usada dentro do projeto original, cheguei em um resultado satisfatório e que atendia minha ideia original 10.3 Termos de autorização de uso de imagem e som 10.3.1 Cláudio Zaidan


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10.3.2 Fredy Junior


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10.3.3 Eric Filiardi


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10.3.4 Matheus Pinheiro


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10.3.5 Frederico Batalha


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10.4 Banco de Imagens 10.4.1 Acervo Pexels Vídeos

10.4.2 Acervo Pexels Vídeos


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10.4.3 Acervo Pexels Vídeos

10.4.4 Acervo ISTOÉ


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10.4.5 Acervo Globo Esporte.com

10.4.6 Acervo Revista Cult


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10.4.7 Acervo Fundação Padre Anchieta

10.4.8 Acervo Cheni no Campo


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10.4.9 Acervo Pessoal Eric Filiardi

10.4.10

Acervo UOL


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10.4.11

Acervo Gazeta Press

10.4.12

Acervo Gazeta Press


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10.4.13

Acervo Newspaper Archive

10.4.14

Acervo Travinha.com


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10.4.15

Acervo Que Fim Levou

10.4.16

Acervo Pessoal Fredy Junior


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10.4.17

Acervo Pessoal Fredy Junior

10.4.18

Acervo Pessoal Fredy Junior


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10.4.19

Acervo Pessoal Eric Filiardi

10.4.20

Acervo O Globo


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10.4.21

Acervo Pexels Videos

10.4.22

Acervo Que Fim Levou


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10.4.23

Acervo UOL

10.4.24

Acervo Pexels Vídeos


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10.4.25

Acervo Pexels Vídeos

10.5 Transcrição das entrevistas 10.5.1 Claudio Zaidan Como o senhor começou no Jornalismo Esportivo e em qual ano aproximadamente? Eu comecei em 1975, portanto há 45 anos, quando eu comecei era momento de fazer muita coisa, eu tinha que fazer reportagem de futebol, locução de jornal e redação. O jornal que a gente fazia a gente não só lia, mas também redigia que era aqueles jornais antigos, com três locutores, então a gente redigia. Eu tinha 14 para 15 anos então comecei novo, fazia reportagem de futebol, fazia Jornal noticiário e redigia. E esse aprendizado era ainda mais amplo porque como não havia óbvio internet, em uma rádio do interior de Minas, então nem sequer um fax né. Então você tinha que usar aparelho de rádio para captar notícias nacionais e internacionais e enfim. Mas é interessante porque você tem muitas funções ou se acaba pelo menos tendo a oportunidade de aprender a trabalhar com muitas coisas isso é bom aprendizado interessante né. Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? Foram muitas mudanças e até como decorrência também das mudanças tecnológicas. É claro que eu me lembro que nos anos 60 por exemplo, futebol e rádio eram coisas amalgamadas e misturadas uma inerente a outra. Televisão fazia jogos as vezes o jogo quarta à noite mas não era para sempre e jogos do domingo. Geralmente a Tupi fazia um jogo do campeonato paulista


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domingo às quatro e a Globo um jogo do campeonato carioca domingo às cinco, isso na televisão. Então o futebol era acompanhado pelo rádio. É claro que já era um pouco diferente do que aconteceu na Copa de 58, quando as pessoas ouviam pelo rádio nós tivemos transmissões com 95%, uma coisa absurda como aconteceu com Pedro Luiz e Edson Leite no Rio de Janeiro Jorge Cury né. A primeira Copa do Mundo ao vivo é de 70, então por exemplo até a copa de 66 o que havia era tape, 62 e 66 tape. 66 chegava um pouco mais próximo, as pessoas conseguiam ver o jogo pouco depois, mas ao vivo só em 70. Então você imagina o que era o rádio até a primeira metade dos anos 70, aí começa a ter mais amiúde ali transmissão em televisão, mas ainda com rádio predominando os jogos de quarta e sábado à tarde, não havia TV a cabo ou TV especializada em esporte é óbvio Então rádio ele já não monopolizava como nos anos cinquenta, mas ainda era para dominante. E do ponto de vista de quem fazia jornalismo esportivo, é bom lembrar o seguinte o seguinte, primeiro as informações do estrangeiro como se dizia antigamente, eram escassas e circunstanciais e esporádicas. Então eu pego um exemplo a Holanda de 74. Porque ela foi uma surpresa até para o Zagallo que era o técnico da seleção. Pro Uruguai eu me lembro de perguntar para o Pablo Forlan como é que foi aquele jogo e ele disse, ele jogou como titular do Uruguai, a gente não entendia o que estava acontecendo o que que era aquilo. Você pegava a bola e via 3 holandeses te cercando. O holandês pegava uma bola e via três holandeses livres para receber e a velocidade do jogo e aquela coisa toda. E depois a Holanda avançou e enfrentou o Brasil, ganhou do Brasil 2 a 0. E a imprensa, eu me lembro como telespectador vendo o jogo que eu me surpreendi eu assistir ao vivo Holanda e Uruguai na Copa de 70 e falava “O que é isso?”. Na copa de 70 por exemplo, quatro anos antes, o Brasil enfrentou a campeã do mundo Inglaterra, enfrentou a antiga Tchecoslováquia e Romênia que os times fortes. O Peru dirigido pelo Didiu, que foi a melhor seleção peruana da história. O Uruguai com um time muito forte e a Itália campeã europeia. E, no entanto, a gente ia descobrindo essas seleções jogo a jogo. Agora voltando para a Holanda de 74, o Feyenoord foi campeão europeu em 70, o Ajax ganhou em 71 72 73 e mesmo assim aqui na América do Sul a gente não sabia nada sobre aquela Holanda mesmo com times holandeses vindo de quatro títulos europeus, um do Feyenoord do Van Hanegem e depois o Ajax em 71 ainda com o Rinus Michels, depois ele foi para o Barcelona e o Cruijff foi para o Barcelona em 73. Porque? Porque nós tínhamos informação, nos víamos jogos brasileiros. Assim como o Nelson Rodrigues em fevereiro de 58 viu pela primeira vez o Pelé em campo no jogo Santos e América 5 a 3 para o Santos, antes da Copa pois foi em fevereiro. E o Nelson Rodrigues portanto antes dos Franceses chamam o Pelé de rei ele fala “esse garoto é um rei” naquela linguagem dele né “ele tem verossímeis 17 anos”, aquela coisa genial do Nelson Rodrigues. Ou seja assim como em 58 57, 59 um jogador paulista muitas vezes passava anos sem ser visto sem ser conhecido no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais em Pernambuco e até no Rio de Janeiro e a recíproca era verdadeira, o jogador carioca muitas vezes passava a carreira dele sem ser visto pelo público de São Paulo e muitas vezes pela crônica de São Paulo.


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Claro que 74 isso acontecia conosco em relação futebol do estrangeiro nós só víamos o que acontecia aqui. Quer dizer, hoje em 1970 você já teria no Brasil 50 jornalistas que saberiam decifrar todo o esquema do Feyenoord e depois iriam se embrenhar no Ajax do Rinus Michels de 71 e tal e depois do Ernest Rappel aquela coisa toda Então isso vai mudando paulatinamente, na verdade começa a mudar nos anos 80, quando a gente começa a receber a transmissão do campeonato italiano, Luciano do Valle traz o campeonato italiano para TV Bandeirantes. A cultura e depois e depois a ESPN, que tinha outro nome na época, não me lembro direito, mas não era ESPN. O Trajano levou o futebol alemão, então você começa a ter contato ali, mais com italiano até pelas seleções, Maradona no Napoli, os holandeses no Milan, os alemães na Inter eram times formidáveis. Ao mesmo tempo, começa a transmissão da NBA com o Lakers do Kareem Abdul-Jabbar, ele já estava no final de carreira e a gente passa ver aquele fenômeno Magic Jhonson. Mas veja que na segunda metade dos anos 80 que a gente começa a ver esses eventos. O próprio automobilismo, o rádio já faz transmissão por causa do Emerson. O brasileiro tem muito isso, de repente você tem um cara que tem chance de ganhar, as pessoas começam a se interessar. E o pai dele, o barão Wilson Fittipaldi, ele na Jovem Pan fazia transmissões de Fórmula 1 e com as vitórias do Emerson em 72 o país começa a se interessar por aquilo. Mas você começa a ter transmissão pela televisão depois, a Fórmula Indy também chega nos anos 80. Por exemplo, o que nós vimos da Maria Esther Bueno? Hoje você vê ali gravações e tal, mas nos anos 60 as pessoas liam pelo jornal. Quem foi a exceção e isso eu me lembro bem foi o basquete brasileiro com aqueles títulos mundiais e com o bronze Olímpico, começa a ter interesse. E também começa a ter interesse pelo boxe e o Eder Jofre quebra isso, havia transmissões ao vivo no rádio de lutas do Éder Jofre. Ele era exceção ao futebol, futebol nacional já que as transmissões eram de futebol nacional. E, em certa medida, algum interesse pelo basquete feminino que começa nos anos 70 quando surgem também dois fenômenos Paula e Hortência. Mas a gente começa a ter transmissão sabe como uma coisa rotineira nos anos 80 na televisão. Então até a metade dos anos 80 você tinha noticiário “o que aconteceu no campeonato francês”. O Joel Camargo campeão do mundo com o Brasil em 70, depois foi para o Paris saintgermain, ficou pouco tempo é verdade isso virou notícia, mas as pessoas não acompanhavam. Então primeiro a transmissões por satélite revolucionam isso. Copa do Mundo ao vivo, e aí a copa do mundo vai provocando interesse por outros países, pelo futebol de outros países e Claro na medida em que você tem mais transmissão pela televisão porque Claro as pessoas eu me lembro por exemplo eu estava fazendo um jogo no Pacaembu isso já nos anos 90 década de 90, e aí dois estudantes foram na cabine e era um jogo do jogo do Corinthians que a gente tinha feito, achei que eles queriam conversar sobre o Corinthians, mas queriam conversar sobre NBA e ali eu percebi. Até pelos meus filhos também é o interesse por outros esportes e por futebol internacional


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Então isso foi mudando. Agora a internet revoluciona, mas não muda só o público porque ao mudar o público ao provocar o interesse com as transmissões e com as notícias chegando do exterior e aí hoje você tem a notícia na hora: o Liverpool faz um anúncio você aí no seu telefone fica sabendo sem precisar abrir um jornal ou sem ligar o rádio. Mas isso também mudou o jornalismo, porque se antes nós tínhamos cronistas, alias de altíssimo nível, que acompanhavam o futebol nacional, sabiam alguma coisa ali da Argentina, então por exemplo Roberto Petri era uma exceção. Porque o Roberto Petri já no final dos anos 40 se interessou pelo futebol argentino, tanto que virou torcedor do San Lorenzo de almagro. Mas eram exceções, assim como havia um ou outro que se especializaram no basquete, em vôlei em Boxe, Boxe mais por conta do Eder Jofre, em tênis, mas majoritariamente como ainda hoje, eram os cronistas de futebol e do futebol Tupiniquim, do futebol Nacional. Havia também uma exceção: o João Saldanha, por que ele morou na Tchecoslováquia, estudou lá uma época, então ele acompanhava sempre que possível o que acontecia no futebol europeu, ele tinha interesse, mas eram exceções. Basicamente, a crônica de esportes do Brasil era uma crônica sobre o futebol brasileiro. Claro, você tinha o noticiário de turfe que na época tinha muito sucesso. Haviam noticiários que eles chamavam de esportes amadores, na época era assim. Tênis, vôlei, basquete, porque havia quase que uma exigência, por exemplo, você não podia participar dos Jogos Olímpicos se não fosse considerado amador. Era uma hipocrisia, muitos eram remunerados e bem remunerados, inclusive no Futebol. Porque que o Puskas virou Major? Para que ele tenha uma remuneração, mas ele não precisava ir no quartel né, ele ganhava para jogar bola. Mas oficialmente ele ganhava como oficial do exército húngaro. Mas hoje não, você começa a ter essa mudança e aí da mesma maneira que a tecnologia mudou muito rapidamente a mudança também foi muito rápida, aí começa a aparecer as gerações que fazem o meio-campo que já tem que um olhar para o futebol internacional e para outros esportes. E aí começa a haver uma reprodução de gente interessada em tênis, NBA, futebol americano, beisebol, em Fórmula 1, que nós já tínhamos especialistas como o Edgar o Carsugi, depois veio o Flávio Gomes, o Fábio Seixas e hoje tem uma porção de gente especializada em Fórmula 1 e em automobilismo em geral. E mais do que isso, hoje não só uma redação, você senta na mesa de buteco com mais quatro pessoas e quantas e quantas vezes você passa e as pessoas estão falando do jogo do Bayern, estão falando do jogo do Barcelona e Real Madrid, que torcedores do mundo inteiro. Na Índia onde o futebol não é o grande esporte nacional, você tem torcedores fanáticos por Barcelona e Real Madrid. Na China, no Paquistão, esses times são clubes mundiais, assim como Liverpool, Bayern, a Juventus E hoje virou uma coisa rotineira. Hoje é mais fácil um sujeito te dar a escalação da Juventus do que a do Botafogo, há mais facilidade, inclusive dentro de uma redação ir ali na mesa do pessoal do esporte. Qualquer um deles te joga a escalação da Juventus sem pestanejar, agora a do Botafogo o cara vai fazer “Pera ae”, porque muda muito. A do Cruzeiro, que tá na série B, ou mesmo a do Coritiba, do Goiás e porquê? As pessoas acompanham aquilo que elas veem a miude, que elas veem toda hora.


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Hoje você vê Messi duas vezes por semana, vê o Cristiano Ronaldo duas vezes, vê o Neymar duas vezes por semana. Quantas vezes nós vimos o Cruijff ao vivo? Só na Copa. Só na Copa, é que depois você se interessa e começa a achar arquivos, jogos inteiros porque hoje isso tem. Hoje tem jogo inteiro da Copa de 58, você assiste o jogo inteiro. Você vê o monstro Didi comandando o meio campo e isso a mais de 60 anos. Você hoje tem quase inteiro jogos do Di Stefano e do Puskas no Real Madrid então ficou mais fácil. Na época não, você não tinha nada disso e os caras da época, o Beckenbauer e Cruijff eram fenômenos, só na Copa. Ia ver aonde? Então mudou, a tecnologia, o satélite e tal, então você passa a ter um público interessado. Havendo demanda, haverá oferta. Havendo quem quer saber, haverá quem vai se informar para oferecer informação. O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo? E hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos, por questões de mudanças da tecnologia e aprendizado? Pode ser um problema sim, porque até porque a tecnologia não é estanque, ela não fica parada, as mudanças são diárias e na minha idade por exemplo você vai se cansando de coisas que mudam tão rapidamente. Mas por exemplo, eu nem sabia direito que que era um Twitter e foi necessário eu conhecer por causa do UOL. Eu precisava escrever uns negócios pro UOL ali, no ao vivo do jogo. Então, às vezes eu fazia isso da rádio, aí eu falei pô como isso é bom. Eu aqui na rádio, tô fazendo um jogo para rádio e ao mesmo tempo tô fazendo um jogo para o UOL, mandando alguns textos curtíssimo sobre o jogo. E depois quando eu passei a escrever crônicas semanais para o UOL, eu mandava pelo WhatsApp. Mandava para o editor e pronto, eu podia escrever em qualquer lugar, então às vezes eu estava trabalhando na rádio escrevendo ali o texto, ou em casa e a minha mulher, a Valéria, ela tem ela tem um papel o gigantesco nesse troço, porque minha ignorância em tecnologia é muito grande, ficou muito grande então ela ela facilitou a lei para que eu tivesse compreensão de como funciona esse negócio né. Mas tem esse lado positivo, duas coisas positivas. Primeiro, o fato de que como eu disse eu estava no estúdio da Rádio comentando um jogo para rádio e ao mesmo tempo mandando a notícia lá para o prédio do UOL. Eu não tinha de ir lá, eu não tinha que levar o texto, e era na hora instantâneo, eu não tinha de estar lá. Segundo, além dos textos e as crônicas pelo o WhatsApp imagina, antes eu teria que ir lá entregar quando muito mandar entregar por fax, então o WhatsApp eu escrevia e mandava. Mas a grande a grande novidade, a mais importante de longe, não é nem a facilidade, não é nem em ganhar tempo, é o fato de que os sites geraram emprego, muito emprego. Outra coisa, a TV a cabo com as TVs especializadas: ESPN, ESPN Brasil, Fox, SporTv e depois Esporte Interativo, isso empregou muita gente. Olha quanta gente estaria desempregada e não só no esporte, a Globo News, a Band News, a Record News, agora CNN. Quantas pessoas estariam desempregadas se fosse só a TV aberta e rádio como era antigamente, então isso foi muito bom.


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É claro que a tecnologia também produz desemprego. Por exemplo, em 94 eu já estava na Rádio Bandeirantes em 1994 a 26 anos. Eu abria o programa chamado 40 repórteres e não é força de expressão. Eram 40 repórteres: havia dois do Rio, dois em Santos, havia repórter só para o palácio dos Bandeirantes, só para prefeitura, só para câmara municipal, dois em Brasília. Hoje você tem cinco, seis né. E na central técnica, você entrava tinha oito, dez pessoas, hoje são duas, as vezes uma, porque você tem um equipamento que trabalha por cinco, seis pessoas e isso é muito ruim. Porque a tecnologia ela não veio para desempregar, quer dizer, idealmente não é para desempregar, mas para dar mais tempo para as pessoas, mas ela está produzindo desemprego em várias escalas. Além dela provocar o desaparecimento de atividades né. Imagina o sujeito que tinha uma videolocadora, uma loja de CDs né. Então você ainda tem, por exemplo, nos Estados Unidos é muito comum lojas de vinil que as pessoas querem ouvir vinil, tudo bem. Mas CD que é uma coisa que se reproduz tão facilmente, e hoje o que substituiu o CD e substituiu o videocassete também já é obsoleto né, também já obsoleto, então os negócios ficam mais instáveis. Uma banca de revistas, os caras tiveram que se adaptar, começar a vender caneta, isqueiro, baralho, livro, concorrer com a livraria, porque ele não pode viver só de jornal como ela antigamente, só vender jornal e revista. E Então, muitas empresas, montadoras por exemplo, muita gente perder o emprego né com a robotização. Então você tem os dois lados. Agora o que eu acho que mudou negativamente na crônica esportiva não tem a ver com a tecnologia, tem a ver com uma coisa que eu acho que é um fenômeno brasileiro. A Globo inclusive deu o pontapé inicial para isso né. Uma ideia meio falsa e errada, uma premissa meio errada de quê para rejuvenescer a audiência era preciso fazer programas engraçadinhos, com mais humor do que informação. E isso se espalhou, até pela força da Globo na época, era o parâmetro. E ela começou a fazer um programa com muito menos informações e muito mais sacadas, jogadas com imagens eu não sei o que e isso se espalhou. Mas acho que é uma fase e não uma tendência, não é algo irreversível. Então a tecnologia ela fez uma revolução impressionante, abriu empregos, mas também produziu perda de empregos, o que é normal. Toda tecnologia faz isso, desde a máquina a vapor, que produziu desempregos, mas que abriu outras oportunidades. 10.5.2 Fredy Junior Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? Eu acho que é um tipo de jornalismo que mexe muito com a paixão das pessoas né. A cobertura do jornalismo esportivo, claro a política é muito mais importante em relação aos assuntos nacionais do país, mas o jornalismo esportivo para quem acompanha né, o leitor, ouvinte, aquele telespectador, ele tem uma importância tão quanto às vezes os assuntos principais da do país, por incrível que pareça. Por mais que não devia ser assim, o esporte deveria ser uma coisa muito mais leve, na reação das pessoas, da cobertura de imprensa, mas não é.


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Então, eu colocaria que o jornalismo esportivo é um dos pilares do jornalismo no Brasil no sentido desse Impacto que traz de torcedor que busca informação, da carga que tem de informações. Muita coisa ao vivo hoje a gente vê, Web Rádio surgindo transmissões no YouTube Então eu acho que é uma perspectiva de quem tá no meio ver outras nuances aparecendo do jornalismo esportivo, mas é um jornalismo que já foi o patinho feio, mas que tem a sua grande importância devido toda essa paixão que move o futebol, esporte, mas principalmente o futebol. Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? Eu sempre quis ser jornalista desde pequeno e eu sempre pratiquei esporte. Então, eu joguei futebol de salão federado, joguei tênis federado, fiz judô, natação, então eu sempre gostei muito de esporte e era uma coisa que eu sempre quis fazer. E eu sempre acompanhei. Eu sou nascido em 78, então na década de 80 o rádio era muito presente e muito vivo, não que não seja hoje. Mas não tinham muitas transmissões ao vivo de televisão, televisão às vezes passava muito compacto, eram poucos jogos que eram transmitidos ao vivo para as pessoas, então o rádio era muito presente na nossa vida. Então eu sempre gostei. Eu assinava a gazeta esportiva, que era o jornal que hoje seria o lance, mas era gazeta esportiva na época. Eu sempre vivenciei muito jornalismo esportivo, sempre quis ser jornalista e repórter, fui repórter da minha festa de nove anos de idade. Mas eu sempre gostei, sempre acompanhei e é algo que realmente para você trabalhar no meio você tem que gostar mesmo não importa você só vou gostar de jornalismo, tem que gostar do que envolve o esporte, que é dedicação de quarta quinta à noite, sábado e domingo. Na época eu peguei momentos de viagens, hoje que não tem com tanta constância. Mas eu coloco como algo muito importante para mim, sempre gostei e sou realizado em poder fazer algo que eu sempre gostei desde criança. Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? A internet estava engatinhando quando eu começo como repórter esportivo mesmo nos clubes e treinamentos. Eu fui setorista do Palmeiras pela rádio Jovem Pan de 2002 à 2015, perdão à 2017, foram quinze anos como setorista do Palmeiras. Eu sou o setorista de forma ininterrupta que mais tempo ficou cobrindo o Palmeiras. Até hoje, mesmo após eu ter saído da Jovem Pan, eu continuo com essa marca de 15 anos direto cobrindo o clube. E eu peguei ainda onde a internet não era forte, onde o rádio era muito presente com vários repórteres. Era uma concorrência sadia e saudável, mas sempre um querendo ter mais informação que o outro, mas isso era normal, e com várias rádios presentes nos treinos e a televisão também. Ainda não existia entrevista coletiva, eram poucas as coletivas, você tinha a liberdade de você escolher um entrevistado após o treino, entrar no campo e falar com tal pessoa e fazer uma entrevista só você com a pessoa. Algo que hoje é inimaginável, é impossível. Hoje com muitos treinos fechados, muita entrevista coletiva, isso não acontece mais. Vejo a partir dos anos 2000,2001,2002 o crescimento e surgimento mais da internet nas coberturas dos clubes e dos jogos. O rádio começa a perder um pouco a força em relação a estar


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presente em jogos fora de São Paulo, das rádios paulistas eu falo. Viajei para alguns lugares para acompanhar fora de São Paulo, mas isso cada vez mais raro né. Eu ainda tive essa sorte, hoje a pessoa que entra no jornalismo esportivo, dependendo da onde você vai estar, você não vai viajar. Algo que é bem legal, não é só por você ir para algum lugar, é você ter contato com outros jornalistas, você ter contato com outros estádios, são experiências bacanas para você guardar. Então eu vi essa mudança e fui acompanhando a mudança da comunicação. As redes sociais surgindo e aparecendo, o rádio perdendo um pouquinho o seu espaço e indo para o web rádio. Transmissões via Youtube, algo que parecia meio “poxa, será que alguém vai ficar assistindo a gente transmitindo um jogo?” e cada vez mais tem mais audiência essa forma de transmissão. Com a TV a cabo crescendo, a TV aberta vai diminuindo os seus espaços, algumas mudanças em linhas gerais em campo de trabalho e mercado de trabalho, para o bem e para o mal. Tem essas duas coisas. Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente? Hoje está pior. Alguns por culpa dos profissionais que estão trabalhando, mas muito mais pela falta de liberdade que a gente tem hoje. Hoje é muita coletiva, é muito treino fechado, então você fica amarrado. Se vocês não perceberam, é só vocês olharem o que você vai assistir na Fox, na ESPN, no SporTV, em outro canal, TV Globo, Gazeta, RedeTV, o que você assistir são as mesmas entrevistas. É um personagem só falando, você vai ouvir as mesmas respostas em qualquer outra emissora, você não vai ter nada novo. Dificilmente agora você tem as entrevistas especiais, que você faz só com uma pessoa, uma entrevista exclusiva, chamada exclusiva, então fica muito difícil. Está uma forma muito repetitiva. A função de repórter esportivo está ficando em extinção. É com muita dor no coração que eu sou repórter, minha origem é repórter, de ser repórter esportivo. É uma função que está em extinção hoje no jornalismo esportivo no Brasil, é com muita pena que eu falo isso. Porque não está tendo espaço, é muita coletiva, muita gravação, muitas perguntas que você não consegue dar continuidade. Porque você pergunta na coletiva, a pessoa responde e você não consegue fazer uma outra pergunta, porque às vezes caberia uma outra pergunta, não é porque você quer dominar, mas as vezes caberia e você não consegue fazer. E isso limita muito o trabalho, então o repórter não consegue ser repórter. O que eu fiz quando setorista do Palmeiras quando começou se a fechar as coisas e o treino: Eu fui para um lado da cobertura política do clube, que é algo que desgasta muito mais, porque você é cobrado muito mais por torcedor, por conselheiro e pelo clube. Mas que me trouxe um retorno, um reconhecimento de um trabalho que eu fazia diferente. Enquanto todo mundo tinha a mesma entrevista, eu ia buscar além dessa entrevista, óbvio eu não deixava de ir lá, buscava uma coisa a mais que era uma cobertura do clube, de política, de momentos de eleição, algo que sempre mexe no futebol do clube essa parte política, então eu fui para esse lado. Não lado de fofoca, um lado jornalístico mesmo, uma cobertura onde eu pudesse me destacar e acabou dando certo para mim. E tem alguns que fazem dessa maneira também, outros não porque dá trabalho mesmo, é desgastante e há uma cobrança muito forte sobre isso. Então


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eu vejo que teve o surgimento de novos meios de transmissão, Youtube, web rádio, mas ao mesmo houve uma diminuição na qualidade. Eu vejo por exemplo, internet e jornais, as pessoas combinarem manchete “Que que você vai dar hoje? Olha vamos dar isso aqui.” para um não ser furado pelo outro. Então para você que faz jornalismo ou estuda jornalismo, eu não estudei isso de combinar manchete, ah vamos combinar de dar a mesma coisa, pelo contrário. Eu vou dar na minha ótica, vou fazer o meu trabalho e o outro vai fazer o trabalho dele. Por mais que possamos ser amigos, a gente está trabalhando e eu preciso vestir a camisa de onde eu estou. Então isso me incomoda e vem acontecendo de uns anos pra cá, vocês podem ver. Leiam todos os sites, as manchetes são todas parecidas, eles combinam manchete, combinam o que vai dar “Hoje eu vou dar isso, amanhã vou dar aquilo” e sai tudo igual. Então você acaba contribuindo para essa repetição que está atrapalhando hoje o mercado. Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? Eu acho que todos nós tivemos que se adaptar e se reinventar para esses novos formatos de comunicação, mas eu ainda acho que existe um preconceito com o mais velho infelizmente. É uma falta de respeito com o mais velho e isso eu posso falar porque, quando eu comecei, todos aqueles que eu ouvia estavam lá comigo numa coletiva. Eu tinha coletiva que eu nem perguntava, porque eles já perguntavam as coisas ou eu realmente às vezes no início você está mais tímido e você não quer fazer uma pergunta assim achincalhada no bom sentido, não que você queira constranger ninguém, mas tem essas brincadeiras, os trotezinhos isso é normal acontecer. Mas eu tinha um respeito tão grande pelos mais velhos, mas tão grande, que hoje eu infelizmente eu não vejo isso. E com muita tristeza, eu gostaria que os mais novos e quem ta acompanhando a gente que está sonhando em ser jornalista esportivo: respeite os mais velhos. Todo mundo tem uma história, se você hoje gosta de jornalismo esportivo, é porque você acompanhou o trabalho de algum, ou o meu trabalho ou de alguém que é mais velho que você e que fez alguma coisa legal. Claro, eu não estou falando que so tem perfeitos não, tem gente que erra bastante e erra muito, todo mundo erra. Mas eu vejo essa falta de respeito, esse olhar que eu tinha em relação ao mais velho de admiração, hoje eu não sinto no mais novo. Eu sinto assim, não estou falando de todos, mas o que eu sinto de alguns é que parece que o jornalismo esportivo começou quando ele se formou na faculdade e não é assim. O jornalismo esportivo tem desde o início de mil novecentos e alguma coisinha no Brasil, mil oitocentos e pouco na Inglaterra e em outros países da Europa, na Itália com a La Gazzetta dello Sport. Então assim, existe uma história lá pra trás. Para você ter se apaixonado, ter acompanhado numa emissora de TV, uma transmissão de rádio, de web rádio, o que seja, qualquer transmissão esportiva, alguém fez antes de você, então falta esse respeito. O espaço está cada vez mais reduzido, está mais difícil, o mais velho tem mais dificuldade de se recolocar no mercado, mas eu sinto essa falta de respeito com os mais velhos. Gostaria que não existisse isso, porque os mais velhos estão mais propensos e de braços abertos a querer ajudar, ele quer também essa troca. Ele quer aprender com o mais novo “o que será


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que ele já tem de bagagem? Um cara mais antenado na internet, com mais conhecimento”, todo mundo quer aprender. Então acho que falta esse detalhe e torço para que isso melhore com certeza. Até porque eu tenho visto dos mais novos uma coisa que tem me incomodado. Na quarentena eu fiz muitas lives, com vários estudantes: A falta de conhecimento da história do futebol, tanto nacional quanto internacional. É muita valorização só de hoje do futebol europeu né. Está faltando um conhecimento, uma história do futebol nacional para você ter um acompanhamento, uma linha do tempo mesmo. Não é saudosismo, não é nada disso. É para você conhecer o futebol, para você ser diferente não adianta você saber somente a parte tática. Ah, marcação alta, marcação baixa, ataque, sistemas táticos. Não, você precisa conhecer a história do esporte, a história do que você está falando e isso eu senti muita ausência da molecada. O pessoal hoje fica só na “Europa, Europa” e esquecendo um pouquinho da história do futebol do Brasil e do futebol em geral. O que você vê como as principais mudanças positivas no formato atual do jornalismo? O do bom é, por exemplo, web rádio aparecendo, então tem mais oportunidades para as pessoas aparecerem. Aliás, até um toque viu gente, pessoal que vai para web rádio, ouçam transmissões de rádio. Tem um pessoal surgindo querendo fazer web rádio que nunca ouviu uma transmissão de rádio e isso me surpreendeu, mas eu entendo porque houveram mudanças em relação a comunicação. Então assim, webrádio e maior campo de trabalho para narradores, comentaristas e repórteres e isso é excelente para um mercado tão fechado para quem está na TV e no rádio tradicional. Transmissões de Youtube eu acho bem legal e bem bacana trazer isso. A comunicação hoje é muito mais leve no sentido de: Eu posso pegar um celular, gravar um vídeo e vai para o ar. Antes tinha todo um “Não, se tremer um pouquinho não pode aparecer. Olha está aparecendo de fundo tal coisa”, hoje não tem essas preocupações que antes eram em cima. O som mesmo, nossa o som se viesse um chiadinho você levava uma bronca “Por, você mandou um áudio assim?”. Hoje já se é permitido um chiadinho e tal, mas claro não pode estragar o que está se falando, até porque fica ruim para quem está ouvindo. Mas eu sinto um jogo de cintura maior para se permitir coisas que antes não se permitia e eu acho isso positivo para a velocidade da comunicação, isso é muito legal. O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo? A parte negativa é a falta de criatividade, repetição, muita coisa tudo igual, querer mostrar conhecimento para falar difícil. Hoje agora a mania é “o time entregou tal coisa, o jogador entregou” é tudo delivery agora, é jogador delivery, time delivery, você não pode falar o time hoje não conseguiu jogar bem, o time hoje não conseguiu jogar legal, o jogador não foi bem. Não usar termos que é a mesma coisa que se falava antes entendeu? Então isso eu acho meio mala. Essa época de quarentena eu assisti bastante coisa e essas coisas me incomodaram. Você não precisa mostrar conhecimento querendo falar palavras diferentes, você tem que mostrar conhecimento com o desenvolvimento das suas ideias, isso que o mais importante, isso que é o jornalismo. Você, com a sua opinião, formar outras opiniões, com sua opinião elucidar fatos. Então acho isso muito mais importante, e isso eu senti um pouco de falta e venho sentindo um pouquinho no jornalismo esportivo.


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Quais os principais motivos para que o jornalismo esportivo esteja caindo nesse modelo de repetição? Hoje tudo está muito sensível, qualquer assunto ganha uma proporção gigantesca. Então, claro que tem algumas emissoras que se apoiam na polêmica para tentar gerar conteúdo. Você está três, quatro horas no ar, você não vai só colocar as mesmas respostas que o programa anterior que estava ao vivo também colocou. Você tem que gerar fatos para você rodar e conseguir atrair audiência, conseguir que o programa flua com discussões. Mas ao mesmo tempo que a gente entende esse lado, tem esse perigo. Nem tudo é polêmica, você não pode fazer polêmica de tudo. E isso é a grande dificuldade que eu vejo no meio que eu trabalho, nem tudo é polêmica e querem fazer polêmica de tudo. Essa é a grande dificuldade, então tem que se fazer um meio termo. Sabe, acho que da pra se discutir situações que não geram polêmicas, mas temas, sobre táticas, postura de jogadores, postura de clube, conduta de técnico, mas sem ser polêmico. Tudo tem que gerar uma polêmica e forçar a barra e isso é a grande dificuldade que hoje o jornalismo esportivo vem encontrando, principalmente nas transmissões de televisão. Os programas ficam três, quatro horas ao vivo, aí entra outro com três horas ao vivo, então fica nesses assuntos assim e você vê os mesmos temas sendo discutidos, se torna uma coisa meio massante e que incomoda bastante. Então eu acho que esse é o lado que deveria ser melhorado, esse lado da repetição que eu vejo e me incomoda bastante. 10.5.3 Frederico Batalha Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? Bom, o jornalismo esportivo é um segmento do jornalismo geral, da comunicação social com habilitação em jornalismo, que cuida da área esportiva. Parece claro, mas tem que explicar isso. Você pode fazer o dia a dia para jornal, rádio, televisão, internet, que são as mídias mais vistas hoje. O grande lance é você passar informação de um acontecimento, de um fato, de uma equipe ligada ao esporte para o seu consumidor que é a pessoa que vai ler, vai acompanhar, vai assistir. Então você tem que estar sempre focado na verdade, acompanhar os fatos e ser o mais claro e fiel possível nas informações. Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? Bom, desde pequeno eu sempre estive ligado ao esporte por conta de família. Meus pais sempre orientaram a fazer a prática esportiva, a praticar modalidades. E eu segui para ser profissional do esporte, eu jogava sempre futebol e basquete e quando eu cheguei aos 16 anos eu optei pelo futebol à contragosto da família, que preferiam que eu fosse para o basquete. Só que quando eu fui me profissionalizar, fazer o exame médico com o doutor Nabil Ghorayeb, que é um mestre na medicina esportiva, eu descobri um problema cardiovascular congênito de nascimento, e ele não me liberou para fazer a prática esportiva. A partir daí eu fiquei um tempo desnorteado e veio a ideia de fazer jornalismo esportivo. Eu sempre brinco que “atleta frustrado vira jornalista esportivo” e ai surgiu essa vontade de fazer.


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Eu já acompanhava muito os programas de rádio e televisão, sempre me identifiquei muito com os programas. Gostava muito do É Hora de Esporte, da TV Cultura que tinha uma equipe fantástica na década de 80. Gostava muito da equipe da rádio Jovem Pan, com José Silvério, Orlando Duarte e Claudio Carsughi. A equipe da Record quando eu era mais jovem com Silvio Luiz, Ciro José, Pedro Luis, Flávio Prado. Eu sempre assisti junto com meu irmão, que também gosta de esportes. Ele agora está mais voltado para a música, é jornalista na área de música. E meu pai também sempre incentivou, então nós escutávamos. Tinha o show de rádio na rádio Jovem Pan que era um marco, que era uma brincadeira, primeiro programa que tinha brincadeira que fazia com esporte. Então, quando veio essa notícia que eu não podia ser atleta e eu também me preparava para fazer educação física, eu recorri a um teste vocacional que eu tinha feito no Objetivo Júnior, que eu estudei na Santo Amaro. E lá tinha que eu era apto para fazer a parte de comunicação. E eu tinha parado de estudar, fiz supletivo e logo na sequência prestei o vestibular e entrei na universidade Braz Cubas de Mogi das Cruzes, que a família do meu pai era de lá. E eu acabei fazendo a faculdade e residindo lá. Trabalhei no jornal da cidade, o Mogi News e em meio ao curso de comunicação eu fiz o curso que é orientado pelo Flávio Prado, que é um jornalista famoso, que ele fazia um curso de crônica esportiva na universidade São Judas. Eu fiz a primeira turma desse curso, onde ele trazia nomes importantes da crônica do esporte para conversar, passar dicas e tudo mais. E aí mostrou mesmo que era isso que eu queria, que eu estava no caminho para ser feliz. E eu digo para todo mundo, às vezes a pessoa levanta, acorda, vai trabalhar e fala “Puxa, vou ter que fazer isso”. E eu não, eu levanto e falo “Oba, hoje mais um dia de trabalho, vamos ver o que vai acontecer”. Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? Bom a primeira mudança que a gente tem que comentar que não tem jeito é a tecnologia né. Antigamente, vou falar mais na parte de assessoria que eu estou hoje, você mandava o release por carta. Hoje você manda o release, o jogo ou evento terminou agora a um minuto, você pode mandar o material via e-mail, via rede social, via internet em tempo quase que real. E a pessoa também acompanha esse evento quase que em tempo real se ela quiser. Antigamente você tinha dificuldade de saber se ia ter uma transmissão de televisão, uma cobertura de rádio ou ficava esperando o jornal do dia seguinte, que eram os meios mais comuns. Hoje não. Hoje a exatidão é uma coisa importante para a área de assessoria. Não adianta você cozinhar o galo para amanhã senão você fica velho. Como eu te falei o imediatismo que a internet trouxe você tem que acompanhar, não tem jeito. Só que assim, eu vejo hoje uma coisa que é pelo fato de não existir mais a obrigatoriedade do diploma de formação de jornalista, comunicação social para exercer a profissão, você vê muitos curiosos. Antigamente não existia essa obrigatoriedade a muito tempo atrás, mas as pessoas se preparavam com outras faculdades. Hoje você vê pessoas trabalhando no meio da imprensa sem nenhuma formação. Talvez para você falar de automobilismo você


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não precisa ter uma formação jornalística, até porque é um assunto específico se tiver melhor ainda, mas você precisa ter o conhecimento do caso. Mas em outras áreas você precisa ter a ligação do jornalismo. Por exemplo, nada contra, mas a gente vê hoje pessoas que são desabilitadas principalmente em apresentação de programa. Fazer comentário eu acho que é o de menos, porque como eu expliquei agora, vai da parte específica e da experiência da pessoa na carreira, dentro do que ela vivenciou. Se foi no futebol dentro do campo, se foi no basquete dentro da quadra, se foi no automobilismo dentro da pista, então isso traz uma experiência que é importante e enriquece uma transmissão. Mas eu acho fundamental você ter um jornalista acompanhando. É a mesma coisa quando você fala do técnico de futebol. Eu acho que o técnico, aquele que dirige o time, não precisa ser formado em educação física, mas tem que estar acompanhado de um profissional da área, pelo menos como preparador físico, para não fazer besteira em outros setores. Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente? Isso varia muito. Tanto antigamente como hoje, existem os bons e maus profissionais. Então você precisa saber peneirar e você visualiza isso no texto, numa matéria, numa cobertura, depende de qual for o veículo que a pessoa trabalha. Hoje existe a competitividade de você querer soltar a notícia antes e muitas vezes o cara acaba colocando uma notícia que eu brinco, de qualquer jeito. Acabou o jogo, ele não faz uma entrevista, ele não viu o jogo direito porque hoje infelizmente as redações são complicadas, o cara tem que fazer mais de uma modalidade e ele solta um texto genérico só para ser o primeiro. Eu costumo dizer que às vezes não é importante quem é o primeiro, é importante quem noticia melhor. Por exemplo, eu não vejo hoje você receber um release de assessoria de imprensa, a não ser que seja uma situação muito difícil ou uma derrota acachapante, não colocar a declaração de uma pessoa que não seja o seu cliente. Você tem que dar subsídios para um jornalista escrever uma matéria e na cobertura você tem que procurar esses subsídios. Por exemplo, você citou quando nós conversamos antes que você trabalhou muito com esportes americanos. Ai seria muito difícil você conseguir informações específicas, porque é outra língua, é outro país, outro horário, você, as vezes não tem a facilidade para estar credenciado para falar com uma pessoa ou outra, então tem tudo isso. Ai vale você fazer uma cobertura sem colocar uma palavra, sem buscar a informação de alguém. Mas coisas no Brasil eu acho que, ainda mais com a existência das assessorias de imprensa hoje, você tem a obrigação de correr atrás da melhor informação. E para isso você precisa estar acompanhando, tentar conversar com alguém ou mesmo receber as palavras, boas fotos e ir pra cima. Então eu não vejo quem chega primeiro como mais importante, vejo com quem noticia melhor. As vezes quando é um furo, às vezes o cara tem um ponto até positivo, mesmo que a matéria não seja de primeira linha, por ser o primeiro a falar do assunto. Mas eu prefiro apostar em quem escreve melhor, quem apura melhor, quem visualiza o fato de uma maneira mais crítica quando for o caso, ou de uma maneira mais fotográfica entre aspas, que trata bem aquilo que aconteceu no evento. Acho que isso quem vai peneira é o leitor ou telespectador. As vezes ele precisa de uma informação rápida, porque o cara está cheio de coisa para fazer, então essa matéria mais curta e menos elaborada serve para ele. Agora a pessoa mais crítica, aquele que gosta de ler, tem interesse de saber a fundo o que está acontecendo, prefere uma matéria mais elaborada.


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O uso do sensacionalismo dentro do jornalismo esportivo prejudica a imagem do jornalista e/ou do veículo que publica essas matérias? Sim, eu acho que atrapalha. Por exemplo, você fazer uma matéria em meio a tantas outras de jornalismo especificamente, talvez até caiba e fique legal. Agora você fazer isso uma rotina, toda hora, acho que cansa. Como eu citei, quem quer saber informação jornalística pula esse tipo de matéria. Hoje em dia por exemplo você vê muitas pessoas fazendo quiz, fazendo olhe essas fotos, galerias citando coisas do passado. Usando com parcimônia é legal, mas tudo que é em excesso, do factual, do dia a dia e daquela cobertura que o pessoal está acostumado vai. Sem você exagerar, usando uma ou outra vez, um assunto bem pensado que você pescou legal, até serve como uma mudança de perfil, de tirar um pouquinho aquele cansaço do dia a dia. Mas você exagerar nisso eu acho que atrapalha muito e eu não gosto também de uma coisa exagerada. Talvez esse tipo de matéria fique interessante para as férias né, quando não está havendo competição. Não vamos agora porque, por causa da pandemia, o calendário ficou todo bagunçado mundialmente. Mas normalmente no Brasil no final de ano as coisas param né, aí se procuram pautas diferentes, talvez nesse período caiba alguma coisa assim. O sensacionalismo eu acho que também é um subterfúgio às vezes só para ganhar view e ibope e esse tipo de coisa. Mas assim, usando com parcimônia e muito bem colocado eu não tenho nada contra. Exagerando, eu já também não sou a favor não. Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? Eu acho que a atualização é importante em qualquer momento, seja você sendo jovem, mais velho ou tiver idoso entre aspas, você tem que se adequar a situação. Hoje não dá mais para o cara ir numa redação, pegar uma lauda, botar numa máquina e escrever, porque ele não vai conseguir publicar nada. E se ele estiver trabalhando num portal por exemplo, como ele vai fazer? Ele precisa estar ligado com internet, estar ligado com e-mail, estar ligado com site, com tudo. Então essa atualização é necessária. Eu acho que uma boa redação se faz com um meio termo. A experiência que um jornalista veterano pode passar para o mais novo é muito boa e importantíssima, seja na cobertura, na hora de fechar uma matéria seila. Hoje infelizmente o que está acontecendo é você trocar um profissional mais antigo, talvez por questão de custo, por um profissional novo e ainda não preparado. Ao meu ver se eu tivesse a condição de montar uma equipe de redação, eu ia colocar um mais velho com um mais novo e fazer esse meio, que é pra justamente para um passar a experiência para o outro. O mais jovem passar a experiência para o mais velho de como que está hoje em dia a tecnologia e tudo mais. E o mais velho passar tudo que ele aprendeu uma experiência que eu acho fundamental. Nada contra a faculdade de comunicação, ela te da conceitos básicos importantes de tudo e acho que todo profissional precisa passar pela faculdade. Mas onde você mais aprende é no dia a dia, indo pro “pau”, como se diz na linguagem esportiva. Aprendendo na rua, em uma cobertura e tudo mais. Por que assim, por mais técnico e melhor que seja o professor, ele nao vai te dar aquele conceito do dia a dia. Você vai numa cobertura e o cara não te deixa entrar,


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como você faz para passar por isso na próxima? Como se faz para entrar na quadra ou no campo para entrevistar um atleta. Você visualizar os caras mais experientes trabalhando. Eu fiz muito isso aí, quando eu comecei eu trabalhei em um jornal de bairro e ia nos jogos com um gravadorzinho pequeno, que na época era novidade, e ficava vendo os caras trabalhando para pegar dicas, para você ficar olhando. Eu tinha toda aquela bagagem teórica que a faculdade te dá, apesar de alguns trabalhos práticos, mas eu fui vivenciar isso no dia a dia e foi muito bom. Então hoje para mim uma redação tinha que ser composta por alguns jornalistas mais veteranos que não ficaram parados no tempo, posso até dar um exemplo de pessoa que não ficou parado no tempo, o Claudio Carsughi, que é especialista em futebol, fórmula um e outras modalidades que tem muita ligação com esporte europeu por ele ser italiano. Pô, você visivelmente vê que ele é uma pessoa de idade e hoje em dia ele faz live, ele cobre coisas para site, coisas para televisão e rádio. Quer dizer, não parou no tempo e está ativo até hoje. Porque uma pessoa dessa eu imagino que, se for para casa ficar só vendo televisão e tal, ela vai só abreviar a sua morte, porque esse pessoal precisa de ação. Só que também não pode ficar acomodado. E o mais jovem não chegar numa redação achando que sabe tudo, porque sabe dominar um programa de computador, porque sabe usar bem as tecnologias, as redes sociais. Tem que fazer essa e aprender sempre, seja jovem ou seja mais velho.

Você acredita que os jornalistas mais novos tentam ajudar os mais velhos e dos mais velhos em ajudar os mais novos? Existe gente que só pensa nela né, como em todos os setores da nossa vida infelizmente. E no jornalismo não vai ser diferente, no jornalismo esportivo não vai ser diferente porque a competitividade é grande. O mercado de trabalho diminuiu bastante, por exemplo, antigamente você tinha vários jornais circulando e hoje você tem poucos jornais impressos. Tudo bem, cresceram o número de portais, sites, mas não é todo mundo que consegue uma vaga nesses lugares e tem um caminho aberto. Então existe a competitividade, existe a pessoa que só pensa nela, existe o cara mais velho que tem medo de abrir espaço para o mais novo achando que um dia vai perder o lugar, existe o mais novo que quer puxar o tapete do mais velho. O ideal seria que tivesse mesmo esse meio termo, esse elo de ligação entre os dois né. Eu posso citar o exemplo que aconteceu comigo quando eu comecei a trabalhar com assessoria de imprensa eu fui para uma empresa chamada Tudo Comunicação, que tinha Oliverio Junior e o Tim Teixeira. O Oliverio era mais cara de rua, jornalista de cobertura e o Tim por ser mais velho fazia parte do escritório, redação e por ter um dos melhores textos, já foi ganhador de prêmio Shell, um cara fera. E eu trabalhei muito com ele e eu aprendi demais com ele. Eu ficava fazendo mais trabalho de redação, então foi muita coisa que me ajudou. Ele me ajudou a dar uma apurada no texto, me ajudou em,como se trabalhava com assessoria de imprensa. Então no meu caso foi muito salutar essa troca de experiência e informações, a gente nunca pensou em um derrubar o outro, tinha espaço para todo mundo. Eu acho que assim, ao invés de puxar o tapete, se você não tiver competência, você pode até puxar o tapete, mas você vai cair lá em cima. E não adianta você ser competente e brecar o outro, porque se ele for bom ele vai passar por cima de você, então precisa ser um trabalho honesto e em equipe. Eu acho


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que o esporte ensina isso, quem praticou esporte sabe o quão importante é trabalhar em equipe, um ajudando o outro. O que você vê como as principais mudanças positivas no formato atual do jornalismo? Olha o que mudou para melhor é que você hoje faz um material e, dependendo do veículo tirando jornal impresso ainda, pelo resto ele vai para o ar na hora. Ele não fica velho para o dia seguinte, você não precisa enfocar um ponto diferente. Hoje não, hoje você fez uma cobertura, fez uma entrevista, alguma coisa, se você quiser publicar assim que você terminar de transcrever você põe no ar. O que melhorou: você receber informações de assessoria, receber informações de clube, de entidades, de todas as coisas que você trabalha, principalmente foto. Hoje você pode fazer uma entrevista via WhatsApp que é custo zero. Antigamente você tinha que ligar no telefone, se fosse interurbano tinha todo aquele custo, se fosse fora do país então nem se fala. Então hoje você tem essa facilidade de ter acesso a essas pessoas. Eu acho que a proliferação das assessorias para trabalhar e você colher essas informações ajuda bastante. Apesar de ter maus profissionais na área e alguns que querem aparecer mais que os clientes, eu brinco para todo mundo nas palestras de assessorias que eu tenho feito no curso do Flavio e em outros lugares: Você é quase invisível, o dia que você aparecer é porque deu algum problema. Se você tem vaidade e quer fazer outras coisas, vai para o outro lado e fica nessa área. Então eu acho que essa parte é a melhor.

O que você vê como as principais mudanças negativas no formato atual do jornalismo? A parte ruim é que às vezes a pessoa domina uma tecnologia e não está preparada para ser jornalista e ela se acha jornalista. O fim da obrigatoriedade do diploma, a pessoa se considera jornalista porque fez um, dois textos e não tem aquela essência do jornalista que nem você que está na faculdade, você já tem isso ou está buscando. Como eu te expliquei do Luciano do Valle antes da entrevista, falar que o jornalismo tá no sangue. Mas você precisa ter algumas técnicas, saber o que é, não usar o jornalismo para o seu benefício próprio, você plantar notícias. Hoje em dia infelizmente tem esse negócio de Fake News que ataca todas as áreas, mais a política lógico por que os caras são interessados, mas no esporte também existem essas coisas. Então acho que o bom foi esse acesso à informação, as tecnologias te dão meios para isso. E a parte ruim é que todo mundo se acha jornalista. Hoje você pode entrar na internet comprar um domínio e fazer um blog. Quem que te pesquisa? Até na assessoria, eu posso criar um atleta. Posso falar o Frederico fez cinco gols hoje no jogo do time A com o time B, o jornalista nem vai pesquisar se é verdade e publica isso, então também tem esse negócio. O afã de dar uma notícia antes e povoar o seu veículo com mais informações, o cara as vezes esquece de checar e ver alguma coisa. Tem notícia que você recebe e você fala assim: “Poxa vida, isso aqui não está cheirando bem. Deixa eu dar uma olhadinha”. Você tem aquele feeling e basicamente acho que o que atrapalha é isso.


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10.5.4 Eric Filiardi Como você explicaria o Jornalismo Esportivo para alguém? Eu responderia que jornalismo esportivo para mim é tudo. Mas se eu for descrever para alguém, eu descreveria que é uma viagem dentro do esporte, uma vez que a maioria dos brasileiros gosta de esporte, não necessariamente só de futebol, muita gente gosta de vários outros esportes. Então assim, se você gosta de esportes, você gosta de jornalismo esportivo, é meio que uma lógica. Você tem a sua opinião, seja do bar, seja da resenha com os amigos, você tem a sua opinião. Então, é basicamente você colocar sua opinião em um papel, em um áudio ou em um vídeo, você vai estar fazendo jornalismo esportivo. Eu acho que todo mundo faz jornalismo esportivo só que não sabe. O brasileiro em si tem essa veia de ser um técnico fora do campo, ser um técnico no bar, no sofá de casa. Eu acho que todo mundo faz jornalismo esportivo. As pessoas só não tem essa dimensão porque não estudaram mais para isso, mas eu diria que jornalismo esportivo é exatamente o que você faz na sua casa quando você está vendo um jogo, uma partida, dando sua opinião, é basicamente o que a gente faz. Só que a gente coloca um pouco mais de informação, um pouco mais de fatos e a gente estudou um pouco mais para isso.

Para você, como o Jornalismo Esportivo impactou a sua vida? Bom o jornalismo esportivo mudou minha vida no fato que eu pude analisar os esportes com uma visão mais correta do que é o esporte. Quando a gente é torcedor apenas, a gente vê tudo com muito fanatismo, a gente coloca muita paixão, a gente chora quando o time perde, a gente grita e quer zuar os amigos. Quando a gente vai para o jornalismo a gente tem outra visão, uma visão política, uma visão crítica. Você consegue assistir o seu time sem necessariamente criticar com fanatismo, você tem uma opinião melhor. De fato, o jornalismo não mudou a minha vida, porque eu ainda busco que ele mude a minha vida. Hoje eu não vivo do jornalismo, mas, muita gente também não vive do jornalismo. A gente espera, a gente que ainda é jovem, trabalha e espera para chegar esse momento de ter a oportunidade de viver do jornalismo. Eu acho que a gente faz muito mais pelo jornalismo e o jornalismo faz pouco para a gente, a classe não é muito unida. Muita gente puxando o tapete da outra, ao invés de todo mundo se ajudar. Eu sou uma pessoa que tento ajudar o máximo de pessoas possíveis. Porque na época que eu estava precisando de um estágio, eu não tive alguém que fez “Oh Eric, vamos lá! Faz isso”. Então eu tento fazer com a galera o que não fizeram comigo, para que tenham oportunidade, coisa que eu não tive quando estava fazendo a faculdade. Eu tive que correr atrás depois de estar formado. Então eu acredito que o jornalismo ainda pode me dar frutos, então eu insisto muito nisso. Eu tenho um emprego paralelo, mas ainda insisto na área de jornalismo esportivo, porque é meu sonho. Quando é o seu sonho você vai até o fim. Eu posso ter trinta, quarenta anos, ainda vou estar acreditando no jornalismo.


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Quais são as principais mudanças que você vê de quando começou no Jornalismo Esportivo para os dias de hoje? Eu acho que a principal mudança foi a tecnologia, a tecnologia mudou tudo. Quando eu comecei, em 2014,2015, a gente tinha o contato de internet mas era muito por Facebook, que era a coisa que estava no auge, você tinha muito e-mail ainda. Telefone era uma coisa que dificilmente se usava para fazer ligação e tal, então era uma coisa que demorava muito. De lá para cá, tudo se modernizou. Vou dar o exemplo do Jovem Pan no mundo da bola. Quando eu entrei, acho que foi em 2018 ou 2017 não me recordo exatamente, a gente ia até o estúdio da Jovem Pan e gravava o boletim ao vivo. Estudava o boletim, o Flávio Prado chamava a gente, a gente ia ao vivo e entrava para fazer o nosso boletim. Aí depois de um tempo, a gente não era remunerado, eles mandaram a gente ir para casa e fazer os boletins de casa. A gente começou a gravar o áudio no próprio celular e mandar por e-mail,para não perder a qualidade porque no WhatsApp perde qualidade, para a redação e eles subiam para o ar, então isso já foi uma modernidade. O programa ficou um ano fora, retornou em agosto deste ano totalmente em vídeo, ele é cem por cento em vídeo, mais uma coisa que se modernizou. Quando eu fazia transmissões, a gente fazia transmissão para rádio. Hoje a gente faz para rádio, internet, dá para fazer live. Como nós não temos direito de transmissão, a gente filma o nosso rosto, uma coisa que não tinha antigamente e hoje tem, a gente pode fazer uma live conosco. Quando a gente queria fazer uma entrevista, por exemplo quando eu fui fazer o meu TCC, eu tive que fazer quatro entrevistas em um dia, indo da zona sul, para zona norte, zona leste e toda essa correria em um dia só. Hoje não, eu posso fazer tudo pela internet, via live, posso fazer um zoom com a pessoa, um meet. Acho que o que mais mudou foi a tecnologia. Hoje você ter WhatsApp é ouro, quanto mais contatos você tem, mais rico você é. Por que você manda mensagem para a pessoa, a pessoa responde você praticamente instantaneamente, sem você precisar sair da sua casa. E a pandemia trouxe isso para a gente, esse home office forçado, mas que pode ser uma coisa do futuro. Hoje você pode ver as transmissões de Globo, ESPN, Fox, muitos jornalistas fazendo de casa. Um cara no estúdio, para ter um ar mais profissional e o restante tudo de casa. Então eu acho que a tecnologia foi o que mais mudou de lá para cá. Você acredita que hoje, por conta dessa grande demanda que existe dentro do Jornalismo Esportivo, se produz um material melhor ou pior que antigamente?

Mas assim, o que é factual você tem que fazer de uma maneira mais corrida. Antes você fazia de uma maneira corrida também, mas você tinha um tempo maior para entrega. Hoje se você não entregar instantaneamente, após o jogo você não entregar o pós-jogo, o outro cara já deu porque ele estava fazendo isso durante o jogo. Então eu acho que antigamente era um pouco mais cuidadoso, um pouco melhor em informação. Mas eles tinham mais tempo, então eu não julgo o moderno. O moderno a gente tem que se adequar ao momento, hoje a gente tem que fazer de uma forma corrida e tentar ao


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máximo colocar o profissionalismo, não ter erro, revisar enquanto está escrevendo e essa é a nossa vida hoje. Eu acho que o jornalismo pegou essa vibe de ser corrido, ágil, de falar rápido, de mandar informação rápido porque o cara vai entrar, então eu acho que é isso. Antigamente era melhor, mas nao da pra julgar o momento, pois o jornalismo se modernizou de acordo com as circunstâncias, então hoje não é “pior”, é diferente. O uso do sensacionalismo dentro do jornalismo esportivo prejudica a imagem do jornalista e/ou do veículo que publica essas matérias? Acontece e acontece muito, mas eu acho que é uma coisa inevitável. Porque se você busca acesso, você busca uma chamada um pouco melhor. Por exemplo, recentemente eu vi um vídeo no Youtube que estava “Cristiano Ronaldo é do PSG”. Aí quando eu fui ver, porque era um vídeo que chamava a atenção, eu já sabia que ele não ia para o PSG, mas eu fui ver o vídeo para ver o que ele falava. E ele falava “Cristiano Ronaldo pode pintar no PSG. Isso porque o PSG tem dinheiro e a Juventus está um pouco endividada”, então assim, o cara fez uma chamada para puxar a pessoa interessada no vídeo dela. Eu acho que esse sensacionalismo é uma coisa que está acontecendo muito no jornalismo, a gente vê muitos sites que fazem isso. Você vê que é uma chamada muito interessante, você sabe que não é verdade, mas você tem que clicar para verificar aquela informação, então acontece muito disso. Eu acho que isso prejudica muito o veículo, mas as vezes nem tanto o jornalista. Por que quando a pessoa é muito de redação, você as vezes não conhece a pessoa, mas a pessoa que está no vídeo é mais famosa. Por exemplo, todo mundo sabe que a Fox faz um conteúdo muito sensacionalista. Eles são muito escrachados, muito debate, muita mesa redonda, hoje acontece menos mas tem gritaria, briga. A galera já sabe que Fox Sports é aquele programa tenso, quente e que tem seu público. Eu acho que esse sensacionalismo que acontece muito no jornalismo esportivo é de fazer uma coisa que vende. O Neto hoje está na Band a muito tempo e muita gente critica ele, mas cara ele vende muito. Ele é um produto que para Band deve dar bastante grana, por isso ele está lá até hoje. Então eu acho acredito que mancha um pouco o jornalismo esportivo, mas não vai deixar de ser feito. Acho que ele tem o seu público e não tem o que fazer, é uma coisa que virou tendência, por mais que não seja o meu estilo ou não goste muito, mas virou uma tendência. Hoje você acredita que o mercado ainda dá espaço para os jornalistas mais velhos? Cara eu tenho uma visão de mundo que a mescla é perfeita. Se a gente puder colocar numa transmissão um cara bem jovem com um cara muito experiente, é a mescla perfeita. O experiente trás realmente essa experiência dele, essa vivência que o jovem muitas vezes não tem. E o jovem traz essa modernidade para eles. Eu sou o tipo de pessoa que ama os jornalistas mais velhos, porque aprendo muito e eu amo aprender. Então eu acho que tem muita gente mais jovem que quer sim abraçar a galera mais velha e realmente ensinar, botar pra fazer, deixar essas pessoas por dentro da nossa modernidade. Ver pessoas como Quartarollo, o cara super velha guarda trabalhou com Osmar Santos um monstro do rádio, está com a gente nas web rádios. Fredy Junior fazendo parte de web rádio.


58

Então assim, a galera que era velha guarda do rádio e da TV, ela está se modernizando também, porque eles não querem perder espaço e eles tem muito conteúdo para abranger. Eu acho que a galera jovem quer a galera mais velha com eles, mas não quer perder espaço para essa galera mais velha. E essa galera mais velha, ela tem um respaldo dos gestores, que também são mais velhos, de que isso leva credibilidade. Mas o que acontece muito hoje é: os grandes gestores estão dispensando as pessoas mais velhas, mesmo que tenham experiência, pelo alto salário. Por que a pessoa está a muitos anos no cargo, o salário vai aumentando. E com o salário de uma pessoa mais velha, ela paga três, quatro pessoas mais novas, que não necessariamente tem a mesma bagagem e o mesmo conhecimento da pessoas mais velha, mas ela agrega de muitas formas. Hoje o jornalista ele é multifunção: ele escreve, ele edita, ele faz reportagem, ele narra, ele comenta, ele tira foto e ele faz tudo. Então é uma coisa que normalmente uma pessoa mais velha não tem essa habilidade. E não é nem porque ela não quer, é porque essa pessoa não foi ensinada na faculdade, quando ela fez faculdade esse tentáculo que hoje nós temos. Eu acho que a mescla tem que ser feita de forma perfeita, assim como é no futebol. Na maioria das narrações é um ex-jogador, que tem a vivência de campo e um jornalista que estudou para isso. O que você vê como as principais mudanças positivas e negativas no formato atual do jornalismo? Essa pergunta ela é muito boa e a resposta ela é praticamente a mesma. A tecnologia ela é boa e a tecnologia é ruim. O que ela fez de aproximar, ela também distanciou. É uma coisa meio ilógica, mas é real. A gente está muito próximo das pessoas via vídeo, via live, por exemplo eu fiz lives com pessoas que eu nem imaginava. Então assim, dificilmente eu conseguiria fazer isso pessoalmente. O que aconteceu de melhor foi facilitar o contato com as pessoas. Hoje as pessoas passam WhatsApp, passa seu contato de uma maneira mais simples para todo mundo, todo mundo não, mas para outros jornalistas para aproximar. E eu acho que o pior que aconteceu foi justamente isso: A gente está próximo por tecnologia, próximo pelo celular e está distante pessoalmente. Quem gosta muito desse jogo de tato, de estar perto, de tocar, de ser ver olho no olho, perde um pouco disso. Eu sou uma pessoa que gosta muito desse contato. Fazer jogo de tubo para mim é horrível, eu gosto de ver o jogo ali, com o calor da torcida, outra coisa que foi ruim. Hoje a gente faz jogo, mesmo que por tubo, sem torcida. É horrível fazer jogo sem torcida, você não vê a galera gritando, empurrando, você não pode falar “E a torcida vem junto e a torcida inflama”, não dá pra falar isso. E o esporte sem torcida ele perde e perde demais, a torcida gritando é uma coisa muito emocionante. Resumindo, o fato de distanciar as pessoas pessoalmente é a parte ruim. E a parte boa é que você ainda está em contato com as pessoas, mesmo que por vídeo.


59

11. Roteiro CURSO DE JORNALISMO TRABALHO

DE

CONCLUSÃO

DE

CURSO

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL DOCUMENTÁRIO: O Jornalismo Esportivo na era tecnológica DATA: 23/11/2020 ALUNO (A): Matheus Ornellas Corrêa Leite SINOPSE: Com mais de 120 anos presente no Brasil, o jornalismo esportivo passou por diversas mudanças através dos tempos. Elas ocorreram por diversos fatores como: tecnologia, modernização, alinhamentos editoriais, além é claro do perfil

consumidor

do

jornalismo

esportivo. Mas será que todas as mudanças

foram

positivas

para

a

comunicação esportiva? ROTEIRO: TEMPO

TIPO

00:0000:02

BG

00:0300:05

00:0600:08

BG

BG

ÁUDIO / TEXTO

VÍDEO / IMAGEM

Vídeo retirado do site Pexels Videos. Nele, temos uma pessoa utilizando um celular, com um notebook de fundo. O trecho ainda conta com o título do documentário

Boa noite! Finalizei a matéria sobre o jogo Animação criada pelo autor, para emular uma conversa de WhatsApp. Vídeo retirado do site Pexels Videos. Nele, temos uma pessoa utilizando um celular, com um notebook de fundo. O trecho ainda conta com o título do documentário


60

00:0700:15

BG

00:1600:20

BG

00:2100:25

00:2600:29

Perfeito! Mande título, imagem, legenda e Animação criada pelo autor, para emular texto o quanto antes. Clássico termina com uma conversa de WhatsApp. 7 gols e muita pancadaria. Ídolo da torcida passa a vilão em apenas duas jogadas. Ninguém teria um palpite que pudesse representar o Animação criada pelo autor, para emular uma conversa de WhatsApp.

O fim da obrigatoriedade do diploma, a pessoa se considera jornalista porque fez PER um, dois textos

PER

Mas você precisa ter algumas técnicas, saber o que é

Entrevista Frederico Batalha

Entrevista Frederico Batalha

falta de criatividade, repetição, muita coisa Entrevista Fredy Junior tudo igual

00:3000:33

PER

00:3400:43

Você não precisa mostrar conhecimento Entrevista Fredy Junior querendo falar palavras diferentes, você PER tem que mostrar conhecimento com o desenvolvimento das suas ideias, isso que o mais importante, isso que é o jornalismo

00:4400:48

00:4900:53

00:5401:00

e na minha idade por exemplo você vai se cansando de coisas que mudam tão PER rapidamente

PER

TS

Entrevista Claudio Zaidan

eu nem sabia direito que que era um Twitter

Entrevista Claudio Zaidan

JORNALISMO ESPORTIVO E AS MUDANÇAS PELA TECNOLOGIA

Vídeo retirado do site Pexels Videos. Nele, uma partida de futebol é filmada de um ângulo aéreo. O trecho ainda conta com o título do documentário


61

01:0101:36

PER

PER 01:3701:45

PER 01:4601:51 01:52 – 01:56

PER

PER 01:5702:18

PER 02:1902:25 02:2602:31

PER

Bom, o jornalismo esportivo é um segmento Entrevista Frederico Batalha. Na imagem do jornalismo geral, da comunicação social temos o uso da legenda com nome do com habilitação em jornalismo, que cuida entrevistado e sua função dentro da da área esportiva. Parece claro, mas tem comunicação. Também é usada uma que explicar isso. Você pode fazer o dia a ilustração na legenda. dia para jornal, rádio, televisão, internet, que são as mídias mais vistas hoje. O grande lance é você passar informação de um acontecimento, de um fato, de uma equipe ligada ao esporte para o seu consumidor que é a pessoa que vai ler, vai acompanhar, vai assistir. Então você tem que estar sempre focado na Imagem retirada do site IstoÉ. A matéria verdade, acompanhar os fatos e ser o mais em questão fala sobre o caso do atacante claro e fiel possível nas informações Robinho e apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. para mim é tudo. Mas se eu for descrever Entrevista Eric Filiardi. Na imagem para alguém, eu descreveria que temos o uso da legenda com nome do entrevistado e sua função dentro da comunicação. Também é usada uma ilustração na legenda. é uma viagem dentro do esporte, uma vez Imagem retirada do site GE.com. A que a maioria dos brasileiros gosta de matéria em questão fala sobre a esporte, não necessariamente conquista da Copa do Mundo de Futebol de 1970 e apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. só de futebol, muita gente gosta de vários Entrevista Eric Filiardi outros esportes. Então assim, se você gosta de esportes, você gosta de jornalismo esportivo, é meio que uma lógica. Você tem a sua opinião, seja do bar, seja da resenha com os amigos, você tem a sua opinião. Então, é basicamente você colocar sua opinião em um papel, em um áudio ou em um vídeo, você vai estar fazendo jornalismo esportivo. Eu acho que todo mundo faz jornalismo esportivo só que não sabe. é um tipo de jornalismo que mexe Entrevista Fredy Junior. Na imagem temos o uso da legenda com nome do muito com a paixão das pessoas né. A entrevistado e sua função dentro da comunicação. Também é usada uma cobertura do jornalismo esportivo, ilustração na legenda. claro a política é muito mais Imagem retirada do site Revista Cult. A matéria em questão fala sobre a importante em relação aos assuntos comparação que Juca Kfouri fez entre o futebol e a política e apresenta uma nacionais do país legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma.


62

mas o jornalismo esportivo para Entrevista Fredy Junior

PER

quem acompanha né, o leitor, ouvinte, aquele

02:3203:33

telespectador,

ele

tem

uma

importância tão quanto às vezes os assuntos principais da do país, por incrível que pareça. Por mais que não devia ser assim, o esporte deveria ser uma coisa muito mais leve, na reação das pessoas, da cobertura de imprensa, mas não é. Então, eu colocaria que o jornalismo esportivo é um dos pilares do jornalismo no Brasil no sentido desse Impacto que traz de torcedor que busca informação,

da

carga

que

tem

de

informações. Muita coisa ao vivo hoje a gente vê, Web Rádio surgindo transmissões no YouTube Então eu acho que é uma perspectiva de quem tá no meio ver outras nuances

aparecendo

do

jornalismo

esportivo, mas é um jornalismo que já foi o patinho feio, mas que tem a sua grande importância devido toda essa paixão que move

o

futebol,

esporte,

mas

principalmente o futebol. PER 03:3404:32

Bom, desde pequeno eu sempre Entrevista Frederico Batalha

estive ligado ao esporte por conta de família. Meus pais sempre orientaram a fazer a prática esportiva, a praticar modalidades.

E

eu

segui

para

ser

profissional do esporte, eu jogava sempre futebol e basquete e quando eu cheguei aos 16 anos eu optei pelo futebol à contragosto da família, que preferiam que eu fosse para


63

o basquete. Só que quando eu fui me profissionalizar, fazer o exame médico com o doutor Nabil Ghorayeb, que é um mestre na medicina esportiva, eu descobri um problema cardiovascular congênito de nascimento, e ele não me liberou para fazer a prática esportiva. A partir daí eu fiquei um tempo desnorteado e veio a ideia de fazer jornalismo esportivo. Eu sempre brinco que “atleta frustrado vira jornalista esportivo” e ai surgiu essa vontade de fazer. Eu já acompanhava muito os programas de rádio e televisão, sempre me identifiquei muito com os programas. 04:3304:38

04:3904:44

04:4504:48

PER

Gostava muito do É Hora de Vídeo retirada do acervo da Fundação

Padre Anchieta. A reportagem fazia um

Esporte, da TV Cultura que tinha uma relato de uma partida do campeonato brasileiro de 1986 e apresenta uma equipe fantástica na década de 80.

legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER Gostava muito da equipe da rádio Imagem retirada do site Cheni em Campo. A imagem foi usada para divulgar Jovem Pan, com José Silvério, Orlando a nova formação da Rádio Jovem Pan da época e apresenta uma legenda para Duarte e Claudio Carsughi. informar o local de onde foi retirada a mesma. PER A equipe da Record quando eu era Entrevista Frederico Batalha

mais jovem com Silvio Luiz, Ciro José, Pedro Luis, Flávio Prado.

04:4904:58

04:5905:17

PER E eu digo para todo mundo, às vezes a Entrevista Frederico Batalha pessoa levanta, acorda, vai trabalhar e fala “Puxa, vou ter que fazer isso”. E eu não, eu levanto e falo “Oba, hoje mais um dia de trabalho, vamos ver o que vai acontecer” PER Bom o jornalismo esportivo mudou minha Entrevista Eric Filiardi vida no fato que eu pude analisar os esportes com uma visão mais correta do que é o esporte. Quando a gente é torcedor apenas, a gente vê tudo com muito fanatismo, a gente coloca muita paixão, a gente chora quando o time perde, a gente


64

grita e quer zuar os amigos.

05:1805:27

PER

Quando a gente vai para o jornalismo a gente tem outra visão, uma visão política, uma visão crítica. Você consegue assistir o seu time sem necessariamente criticar com fanatismo, você tem uma opinião melhor.

Imagem retirada do acervo pessoal de Eric Filiardi, onde ele está desempenho seu trabalho dentro do jornalismo esportivo. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. E eu sempre acompanhei. Eu sou Entrevista Fredy Junior

nascido em 78, então

05:2805:32

na década de 80 o rádio era muito Imagem retirada do acervo do UOL. Na

PER

05:3805:49

imagem, é divulgada a equipe da rádio

presente e muito vivo, não que não seja Record no começo dos anos 80. É apresenta uma legenda para informar o hoje. Mas não tinham muitas

05:3305:37

local de onde foi retirada a mesma.

transmissões ao vivo de televisão, Entrevista Fredy Junior

PER

televisão às vezes passava muito compacto, eram poucos jogos que eram transmitidos

ao vivo para as pessoas, então o rádio era muito presente na nossa vida. Então eu sempre gostei 05:5005:55

Eu assinava a gazeta esportiva, que Imagem retirada do acervo Gazeta Press.

PER

As imagens tem um salto de tempo entre

era o jornal que hoje seria o lance, mas era elas, sendo uma do começo dos anos gazeta esportiva na época.

05:5606:11

Eu

PER

sempre

vivenciei

muito Entrevista Fredy Junior

jornalismo esportivo, sempre quis ser

jornalista e repórter, fui repórter da minha festa de nove anos de idade. Mas eu sempre gostei, sempre acompanhei e é algo que realmente para você trabalhar no meio você tem que gostar mesmo

2000 e outra dos anos 60. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma.


65

LOC

06:12 – 06:28

06:2906:43

06:4406:49

06:5007:01

07:0207:22

07:2307:28

Imagens retiradas do acervo Newspaper Archive e Travinha.com. As imagens servem para ilustrar e casar com a locução de jornais do passado, tanto no Brasil quanto no mundo. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER Eu comecei em 1975, portanto há 45 anos, Entrevista Claudio Zaidan. Na imagem quando eu comecei era temos o uso da legenda com nome do entrevistado e sua função dentro da comunicação. Também é usada uma ilustração na legenda. PER momento de fazer muita coisa, eu tinha que Imagem retirada do acervo Que Fim fazer reportagem de futebol, locução de Levou. A imagem apresenta o jornal entrevistado junto com sua equipe na rádio. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER e redação. O jornal que a gente fazia a gente Entrevista Claudio Zaidan. não só lia, mas também redigia que era aqueles jornais antigos, com três locutores, então a gente redigia. PER E esse aprendizado era ainda mais amplo Entrevista Claudio Zaidan. porque como não havia óbvio internet, em uma rádio do interior de Minas, então nem sequer um fax né. Então você tinha que usar aparelho de rádio para captar notícias nacionais e internacionais e enfim. PER A internet estava engatinhando Imagem retirada do acervo pessoal de Fredy Junior, quando ele começou a quando eu começo como repórter esportivo trabalhar dentro da comunicação. É apresenta uma legenda para informar o mesmo local de onde foi retirada a mesma. PER

nos clubes e treinamentos. Eu fui Entrevista Fredy Junior

setorista do Palmeiras pela rádio Jovem

07:2907:35

Pan de 2002 à 2015 PER

07:3607:41

PER 07:4207:56

Segundo Tubino, o primeiro jornal voltado totalmente para o esporte foi o Sportsman, lançando em 1852 em Londres na Inglaterra. Quando falamos do Brasil, o primeiro jornal que se tem conhecimento é o Atleta, que foi lançado em 1856.

perdão à 2017, foram quinze anos Imagem retirada do acervo pessoal de Fredy Junior, durante seu trabalho

como setorista do Palmeiras. Eu sou o cobrindo partidas de futebol. É apresenta uma legenda para informar o local de setorista de forma onde foi retirada a mesma.

ininterrupta que mais tempo ficou Entrevista Fredy Junior

cobrindo o Palmeiras. Até hoje, mesmo

após eu ter saído da Jovem Pan, eu continuo


66

com essa marca de 15 anos direto cobrindo o clube. E eu peguei ainda onde a internet não era forte, onde o rádio

07:5708:02

08:0308:21

08:2208:27

08:2808:34

08:3508:44

08:4509:01

PER era muito presente com vários repórteres. Imagem retirada do acervo pessoal de Era uma concorrência sadia e saudável, mas Fredy Junior, durante seu trabalho sempre um querendo ter mais informação cobrindo partidas de futebol. É apresenta que o uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER outro, mas isso era normal, e com várias Entrevista Fredy Junior rádios presentes nos treinos e a televisão também. Ainda não existia entrevista coletiva, eram poucas as coletivas, você tinha a liberdade de você escolher um entrevistado após o treino, entrar no campo e falar com tal pessoa e fazer uma entrevista só você com a pessoa. PER Quando eu comecei, em 2014,2015, a gente Entrevista Eric Filiardi tinha PER o contato de internet mas era muito por Facebook, que era a coisa que estava no auge

Imagem retirada do acervo pessoal de Eric Filiardi, onde ele está desempenho seu trabalho dentro do jornalismo esportivo. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER você tinha muito e-mail ainda. Telefone era Entrevista Eric Filiardi uma coisa que dificilmente se usava para fazer ligação e tal, então era uma coisa que demorava muito. De lá para cá, tudo se modernizou. LOC Talvez um dos maiores problemas Vídeo retirado do Jornal O Globo. As imagens servem para ilustrar e casar para os jornalistas mais experientes seja a com a locução de profissonais mais tecnologia. Por mais que ela traga diversas experientes no mercado encarando a tecnologia utilizada nos dias de hoje. É melhorias aos profissionais da apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma.

comunicação, a constate mudança dessas

tecnologias pode ser uma grande barreira

para os jornalistas que estão a mais tempo dentro do mercado. 09:0209:45

PER Eu acho que a galera jovem quer a galera Entrevista Eric Filiardi mais velha com eles, mas não quer perder espaço para essa galera mais velha. E essa galera mais velha, ela tem um respaldo dos gestores, que também são mais velhos, de


67

09:4610:28

PER

que isso leva credibilidade. Mas o que acontece muito hoje é: os grandes gestores estão dispensando as pessoas mais velhas, mesmo que tenham experiência, pelo alto salário. Por que a pessoa está a muitos anos no cargo, o salário vai aumentando. E com o salário de uma pessoa mais velha, ela paga três, quatro pessoas mais novas, que não necessariamente tem a mesma bagagem e o mesmo conhecimento da pessoas mais velha, mas ela agrega de muitas formas. Hoje o jornalista ele é multifunção: ele escreve, ele edita, ele faz reportagem, ele narra, ele comenta, ele tira foto

Eu acho que a atualização é Entrevista Frederico Batalha

importante em qualquer momento, seja

você sendo jovem, mais velho ou tiver idoso entre aspas, você tem que se adequar a situação. Hoje não dá mais para o cara ir numa redação, pegar uma lauda, botar numa máquina e escrever, porque ele não vai conseguir publicar nada. E se ele estiver trabalhando num portal por exemplo, como ele vai fazer? Ele precisa estar ligado com internet, estar ligado com e-mail, estar ligado com site, com tudo. Então essa atualização é necessária. Eu acho que uma boa redação se faz com um meio termo. A experiência que um jornalista veterano pode passar para o mais novo é muito boa e importantíssima, seja na cobertura, na hora de fechar uma matéria seila. 10:2910:51

PER se eu tivesse a condição de montar uma Entrevista Frederico Batalha equipe de redação, eu ia colocar um mais velho com um mais novo e fazer esse meio, que é pra justamente para um passar a experiência para o outro. O mais jovem passar a experiência para o mais velho de como que está hoje em dia a tecnologia e tudo mais. E o mais velho passar tudo que ele aprendeu uma experiência que eu acho


68

fundamental. 10:5212:30

todos nós tivemos que se adaptar e Entrevista Fredy Junior

PER

se reinventar para esses novos formatos de comunicação, mas eu ainda acho que existe um preconceito com

o mais velho

infelizmente. É uma falta de respeito com o mais velho e isso eu posso falar porque, quando eu comecei, todos aqueles que eu ouvia estavam lá comigo numa coletiva. Eu tinha coletiva que eu nem perguntava, porque eles já perguntavam as coisas ou eu realmente às vezes no início você está mais tímido e você não quer fazer uma pergunta assim achincalhada no bom sentido, não que você queira constranger ninguém, mas tem essas brincadeiras, os trotezinhos isso é normal acontecer. Mas eu tinha um respeito tão grande pelos mais velhos, mas tão grande, que hoje eu infelizmente eu não vejo isso. E com muita tristeza, eu gostaria que

os

mais

novos

e

quem

ta

acompanhando a gente que está sonhando em ser jornalista esportivo: respeite os mais velhos. Todo mundo tem uma história, se você hoje gosta de jornalismo esportivo, é porque você acompanhou o trabalho de algum, ou o meu trabalho ou de alguém que é mais velho que você e que fez alguma coisa legal. Claro, eu não estou falando que so tem perfeitos não, tem gente que erra


69

bastante e erra muito, todo mundo erra. Mas eu vejo essa falta de respeito, esse olhar que eu tinha em relação ao mais velho de admiração, hoje eu não sinto no mais novo. Eu sinto assim, não estou falando de todos, mas o que eu sinto de alguns é que parece que o jornalismo esportivo começou quando ele se formou na faculdade e não é assim. O jornalismo esportivo tem desde o início de mil novecentos e alguma coisinha no Brasil, mil oitocentos e pouco na Inglaterra e em outros países da Europa, na Itália 12:3113:09

13:1013:55

PER Até porque eu tenho visto dos mais novos Entrevista Fredy Junior uma coisa que tem me incomodado. Na quarentena eu fiz muitas lives, com vários estudantes: A falta de conhecimento da história do futebol, tanto nacional quanto internacional. É muita valorização só de hoje do futebol europeu né. Está faltando um conhecimento, uma história do futebol nacional para você ter um acompanhamento, uma linha do tempo mesmo. Não é saudosismo, não é nada disso. É para você conhecer o futebol, para você ser diferente não adianta você saber somente a parte tática. Ah, marcação alta, marcação baixa, ataque, sistemas táticos. Não, você precisa conhecer a história do esporte, a história do que você está falando e isso eu senti muita ausência da molecada. O pessoal hoje fica só na “Europa, Europa” e esquecendo um pouquinho da história do futebol do Brasil e do futebol em geral. PER E hoje virou uma coisa rotineira. Entrevista Claudio Zaidan.

Hoje é mais fácil um sujeito te dar a escalação da Juventus do que a do Botafogo, há mais facilidade, inclusive dentro de uma redação ir ali na mesa do pessoal do esporte. Qualquer um deles te


70

joga

a

escalação

da

Juventus

sem

pestanejar, agora a do Botafogo o cara vai fazer “Pera ae”, porque muda muito. A do Cruzeiro, que tá na série B, ou mesmo a do Coritiba, do Goiás e porquê? As pessoas acompanham aquilo que elas veem a miude, que elas veem toda hora. Hoje você vê Messi duas vezes por semana, vê o Cristiano Ronaldo duas vezes, vê o Neymar duas vezes por semana. Quantas vezes nós vimos o Cruijff ao vivo? Só na Copa. 13:5614:08

LOC

As décadas de 60,70 e 80 são vistas Vídeo retirada do acervo da Fundação

Padre Anchieta. As imagens servem para

como referência para o nosso jornalismo ilustrar e casar com a locução de imagens esportivo brasileiro. Será que os atuais antigas do jornalismo esportivo. É apresenta uma legenda para informar o

modelos e formatos são melhores que a era local de onde foi retirada a mesma. de ouro da nossa comunicação? 14:0914:38

14:3917:57

PER Agora a internet revoluciona, mas não Entrevista Claudio Zaidan. Na imagem muda só o público porque ao mudar o temos o uso da legenda com nome do público ao provocar o interesse com as entrevistado e sua função dentro da transmissões e com as notícias chegando do comunicação. Também é usada uma exterior e aí hoje você tem a notícia na ilustração na legenda. hora: o Liverpool faz um anúncio você aí no seu telefone fica sabendo sem precisar abrir um jornal ou sem ligar o rádio. Mas isso também mudou o jornalismo PER Hoje está pior. Alguns por culpa Entrevista Fredy Junior. Na imagem temos o uso da legenda com nome do dos profissionais que estão trabalhando, entrevistado e sua função dentro da mas muito mais pela falta de liberdade que comunicação. Também é usada uma ilustração na legenda.

a gente tem hoje. Hoje é muita coletiva, é muito treino fechado, então você fica

amarrado. Se vocês não perceberam, é só vocês olharem o que você vai assistir na Fox, na ESPN, no SporTV, em outro canal, TV Globo, Gazeta, RedeTV, o que você assistir são as mesmas entrevistas. É um


71

personagem só falando, você vai ouvir as mesmas respostas em qualquer outra emissora, você não vai ter nada novo. Dificilmente agora você tem as entrevistas especiais, que você faz só com uma pessoa, uma

entrevista

exclusiva,

chamada

exclusiva, então fica muito difícil. Está uma forma muito repetitiva. A função de repórter

esportivo

está

ficando

em

extinção. É com muita dor no coração que eu sou repórter, minha origem é repórter, de ser repórter esportivo. É uma função que está em extinção hoje no jornalismo esportivo no Brasil, é com muita pena que eu falo isso. Porque não está tendo espaço, é muita coletiva, muita gravação, muitas perguntas que você não consegue dar continuidade. Porque você pergunta na coletiva, a pessoa responde e você não consegue fazer uma outra pergunta, porque às vezes caberia uma outra pergunta, não é porque você quer dominar, mas as vezes caberia e você não consegue fazer. E isso limita muito o trabalho, então o repórter não consegue ser repórter. O que eu fiz quando setorista do Palmeiras quando começou se a fechar as coisas e o treino: Eu fui para um lado da cobertura política do clube, que é algo que desgasta muito mais, porque você é cobrado muito mais por torcedor, por conselheiro e pelo clube. Mas que

me

trouxe

um

retorno,

um


72

reconhecimento de um trabalho que eu fazia diferente. Enquanto todo mundo tinha a mesma entrevista, eu ia buscar além dessa entrevista, óbvio eu não deixava de ir lá, buscava uma coisa a mais que era uma cobertura do clube, de política, de momentos de eleição, algo que sempre mexe no futebol do clube essa parte política, então eu fui para esse lado. Não lado de fofoca, um lado jornalístico mesmo, uma cobertura onde eu pudesse me destacar e acabou dando certo para mim. E tem alguns que fazem dessa maneira também, outros não porque dá trabalho mesmo, é desgastante e há uma cobrança muito forte sobre isso. Então eu vejo que teve o surgimento de novos meios de transmissão, Youtube, web rádio, mas ao mesmo

houve

uma

diminuição

na

qualidade. Eu vejo por exemplo, internet e jornais, as pessoas combinarem manchete “Que que você vai dar hoje? Olha vamos dar isso aqui.” para um não ser furado pelo outro. Então para você que faz jornalismo ou estuda jornalismo, eu não estudei isso de combinar manchete, ah vamos combinar de dar a mesma coisa, pelo contrário. Eu vou dar na minha ótica, vou fazer o meu trabalho e o outro vai fazer o trabalho dele. Por mais que possamos ser amigos, a gente está trabalhando e eu preciso vestir a camisa de onde eu estou. Então isso me


73

incomoda e vem acontecendo de uns anos pra cá, vocês podem ver. Leiam todos os sites, as manchetes são todas parecidas, eles combinam manchete, combinam o que vai dar “Hoje eu vou dar isso, amanhã vou dar aquilo” e sai tudo igual. Então você acaba contribuindo para essa repetição que está atrapalhando hoje o mercado. 17:5818:42

18:4319:28

PER Hoje existe a competitividade de você Entrevista Frederico Batalha. Na imagem querer soltar a notícia antes e muitas vezes temos o uso da legenda com nome do o cara acaba colocando uma notícia que eu entrevistado e sua função dentro da brinco, de qualquer jeito. Acabou o jogo, ele comunicação. Também é usada uma não faz uma entrevista, ele não viu o jogo ilustração na legenda. direito porque hoje infelizmente as redações são complicadas, o cara tem que fazer mais de uma modalidade e ele solta um texto genérico só para ser o primeiro. Eu costumo dizer que às vezes não é importante quem é o primeiro, é importante quem noticia melhor. Por exemplo, eu não vejo hoje você receber um release de assessoria de imprensa, a não ser que seja uma situação muito difícil ou uma derrota acachapante, não colocar a declaração de uma pessoa que não seja o seu cliente. Você tem que dar subsídios para um jornalista escrever uma matéria e na cobertura você tem que procurar esses subsídios. PER Eu acho que antigamente era feito com mais Entrevista Eric Filiardi. Na imagem cuidado. Você tinha um imediatismo, mas a temos o uso da legenda com nome do concorrência não era tanta. Hoje uma entrevistado e sua função dentro da pessoa pode estar vendo o jogo e comunicação. Também é usada uma escrevendo ao mesmo tempo, coisa que ilustração na legenda. antigamente não era possível. Então hoje a informação ela é muito mais corrida, então às vezes pela pressa de você dar as informações, você acaba pecando em erros ortográficos, erros de espaçamentos, enfim. Nessa correria que é o jornalismo hoje, acaba te deixando um pouco sufocado de mandar uma informação muito rápido. Às vezes os próprios veículos pedem que você agilize a informação, escreva o texto durante a partida, então às vezes você não vê detalhes da partida porque você está escrevendo. Então eu acho que essa


74

correria prejudica um pouco do jornalismo. 19:2919:40

Seria

LOC

injusto

pensar

que

as Vídeo retirado do site Pexels Videos. As imagens servem para ilustrar e casar

tecnologias e mudanças só trouxeram com a locução de uso de tecnologias coisas ruins para a comunicação esportiva. usadas atualmente. É apresenta uma

legenda para informar o local de onde foi

Existem diversas melhorias e formas de se retirada a mesma. trabalhar que fazem a diferença no jornalismo atual. 19:4120:08

e na minha idade por exemplo você Entrevista Claudio Zaidan.

PER

vai se cansando de coisas que mudam tão rapidamente. Mas por exemplo, eu nem sabia direito que que era um Twitter e foi necessário eu conhecer por causa do UOL. Eu precisava escrever uns negócios pro UOL

20:0920:14

PER ali, no ao vivo do jogo. Então, às vezes eu fazia isso da rádio

20:1520:28

PER aí eu falei pô como isso é bom. Eu aqui na rádio, tô fazendo um jogo para rádio e ao mesmo tempo tô fazendo um jogo para o UOL, mandando alguns textos curtíssimo sobre o jogo PER E depois quando eu passei a escrever Imagem retirada do acervo do UOL. Na crônicas semanais para o UOL, eu mandava imagem, é apresentada a capa de uma pelo WhatsApp. matéria escrita pelo entrevistado. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. PER Mandava para o editor e pronto, eu podia Entrevista Claudio Zaidan. escrever em qualquer lugar, então às vezes eu estava trabalhando na rádio escrevendo ali o texto ou em casa

20:2920:34

20:3520:47

20:4821:53

PER

Imagem retirada do acervo Que Fim Levou. A imagem apresenta o entrevistado junto com sua equipe na rádio. É apresenta uma legenda para informar o local de onde foi retirada a mesma. Entrevista Claudio Zaidan.

Olha o que mudou para melhor é Entrevista Frederico Batalha

que você hoje faz um material e, dependendo do veículo tirando jornal


75

impresso ainda, pelo resto ele vai para o ar na hora. Ele não fica velho para o dia seguinte, você não precisa enfocar um ponto diferente. Hoje não, hoje você fez uma cobertura, fez uma entrevista, alguma coisa, se você quiser publicar assim que você terminar de transcrever você põe no ar.

O

que

informações

melhorou: de

você

assessoria,

receber receber

informações de clube, de entidades, de todas

as

coisas

que

você

trabalha,

principalmente foto. Hoje você pode fazer uma entrevista via WhatsApp que é custo zero. Antigamente você tinha que ligar no telefone, se fosse interurbano tinha todo aquele custo, se fosse fora do país então nem se fala. Então hoje você tem essa facilidade de ter acesso a essas pessoas. Eu acho que a proliferação das assessorias para trabalhar e você colher essas informações ajuda bastante. 21:5422:33

PER A comunicação hoje é muito mais leve no Entrevista Fredy Junior sentido de: Eu posso pegar um celular, gravar um vídeo e vai para o ar. Antes tinha todo um “Não, se tremer um pouquinho não pode aparecer. Olha está aparecendo de fundo tal coisa”, hoje não tem essas preocupações que antes eram em cima. O som mesmo, nossa o som se viesse um chiadinho você levava uma bronca “Por, você mandou um áudio assim?”. Hoje já se é permitido um chiadinho e tal, mas claro não pode estragar o que está se falando, até porque fica ruim para quem está ouvindo. Mas eu sinto um jogo de cintura maior para se permitir coisas que antes não se permitia e eu acho isso positivo para a velocidade da comunicação, isso é muito legal.


76 22:3423:22

PER

Mas a grande a grande novidade, a Entrevista Claudio Zaidan.

mais importante de longe, não é nem a facilidade, não é nem em ganhar tempo, é o fato de que os sites geraram emprego, muito emprego. Outra coisa, a TV a cabo

com as TVs especializadas: ESPN, ESPN Brasil, Fox, SporTv e depois Esporte Interativo, isso empregou muita gente. Olha quanta gente estaria desempregada e não só no esporte, a Globo News, a Band News, a Record News, agora CNN. Quantas pessoas estariam desempregadas se fosse só a TV aberta e rádio como era antigamente 23:2323:34

LOC

Mas os problemas também são Vídeo retirado do site Pexels Videos. As imagens servem para ilustrar e casar

evidentes na forma atual da comunicação. com a locução de uso de tecnologias Além das constantes mudanças usadas e um modelo de redação de TV. É apresenta uma legenda para informar o

tecnológicas, a forma de se atrair o enfoque local de onde foi retirada a mesma. para o público ou até mesmo como as redações operam atualmente. 23:3524:34

É claro que a tecnologia também Entrevista Claudio Zaidan.

produz desemprego. Por exemplo, em 94 eu já estava na Rádio Bandeirantes em 1994 a 26 anos. Eu abria o programa chamado 40 repórteres e não é força de expressão. Eram 40 repórteres: havia dois do Rio, dois em Santos, havia repórter só

para o palácio dos Bandeirantes, só para prefeitura, só para câmara municipal, dois em Brasília. Hoje você tem cinco, seis né. E na central técnica, você entrava tinha oito, dez pessoas, hoje são duas, as vezes


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uma, porque você tem um equipamento que trabalha por cinco, seis pessoas e isso é muito ruim. Porque a tecnologia ela não veio

para

desempregar,

quer

dizer,

idealmente não é para desempregar, mas para dar mais tempo para as pessoas, mas ela está produzindo desemprego 24:3526:10

PER

às vezes a pessoa domina uma Entrevista Frederico Batalha

tecnologia e não está preparada para ser

jornalista e ela se acha jornalista. O fim da obrigatoriedade do diploma, a pessoa se considera jornalista porque fez um, dois textos e não tem aquela essência do jornalista que nem você que está na faculdade, você já tem isso ou está buscando. Como eu te expliquei do Luciano do Valle antes da entrevista, falar que o jornalismo tá no sangue. Mas você precisa ter algumas técnicas, saber o que é, não usar o jornalismo para o seu benefício próprio, você plantar notícias. Hoje em dia infelizmente tem esse negócio de Fake News que ataca todas as áreas, mais a política lógico por que os caras são interessados, mas no esporte também existem essas coisas. Então acho que o bom foi esse acesso à informação, as tecnologias te dão meios para isso. E a parte ruim é que todo mundo se acha jornalista. Hoje você pode entrar na internet comprar um domínio e fazer um blog. Quem que te pesquisa? Até na assessoria, eu posso criar


78

um atleta. Posso falar o Frederico fez cinco gols hoje no jogo do time A com o time B, o jornalista nem vai pesquisar se é verdade e publica isso, então também tem esse negócio. O afã de dar uma notícia antes e povoar

o

seu

veículo

com

mais

informações, o cara as vezes esquece de checar e ver alguma coisa. Tem notícia que você recebe e você fala assim: “Poxa vida, isso aqui não está cheirando bem. Deixa eu dar uma olhadinha”. Você tem aquele feeling 26:1127:07

27:2828:21

PER A parte negativa é a falta de criatividade, Entrevista Fredy Junior repetição, muita coisa tudo igual, querer mostrar conhecimento para falar difícil. Hoje agora a mania é “o time entregou tal coisa, o jogador entregou” é tudo delivery agora, é jogador delivery, time delivery, você não pode falar o time hoje não conseguiu jogar bem, o time hoje não conseguiu jogar legal, o jogador não foi bem. Não usar termos que é a mesma coisa que se falava antes entendeu? Então isso eu acho meio mala. Essa época de quarentena eu assisti bastante coisa e essas coisas me incomodaram. Você não precisa mostrar conhecimento querendo falar palavras diferentes, você tem que mostrar conhecimento com o desenvolvimento das suas ideias, isso que o mais importante, isso que é o jornalismo. Você, com a sua opinião, formar outras opiniões, com sua opinião elucidar fatos. Então acho isso muito mais importante, e isso eu senti um pouco de falta e venho sentindo um pouquinho no jornalismo esportivo. PER Agora o que eu acho que mudou Entrevista Claudio Zaidan.

negativamente na crônica esportiva não tem a ver com a tecnologia, tem a ver com

uma coisa que eu acho que é um fenômeno brasileiro. A Globo inclusive deu o pontapé


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inicial para isso né. Uma ideia meio falsa e errada, uma premissa meio errada de quê para rejuvenescer a audiência era preciso fazer programas engraçadinhos, com mais humor do que informação. E isso se espalhou, até pela força da Globo na época, era o parâmetro. E ela começou a fazer um programa com muito menos informações e muito mais sacadas, jogadas com imagens eu não sei o que e isso se espalhou. Mas acho que é uma fase e não uma tendência, não é algo irreversível. Então a tecnologia ela fez uma revolução impressionante, abriu empregos, mas também produziu perda de empregos, o que é normal. Toda tecnologia faz isso, desde a máquina a vapor, que produziu desempregos, mas que abriu outras oportunidades. 28:2228:31

BG

TÍTULO O Jornalismo Esportivo na era Créditos Finais do Documentário, sendo tecnológica PRODUÇÃO Matheus Ornellas apresentados em formato de cascata. Corrêa Leite CÂMERA Matheus Ornellas Corrêa Leite SOM DIRETO Matheus Ornellas Corrêa Leite ROTEIRO Matheus Ornellas Corrêa Leite EDIÇÃO Matheus Ornellas Corrêa Leite DIREÇÃO Matheus Ornellas Corrêa Leite AGRADECIMENTOS Claudio Zaidan, Fredy Junior, Frederico Batalha, Eric Filiardi e Matheus Pinheiro. Este produto audiovisual é o projeto experimental do Trabalho de Conclusão de Curso, do curso de Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, do (a) estudante Matheus Ornellas Corrêa Leite, realizado sob a orientação do prof Antonio Lucio Rodrigues Assis Novembro/2020


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12. Capa DVD


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O Jornalismo Esportivo na era tecnológica - Matheus Ornellas by Rede Código - Issuu