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A Tragédia em Paraisópolis e a espetacularização da violência pela mídia - Lucas Rodrigues

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

A tragédia em Paraisópolis e a espetacularização da violência pela mídia

SÃO PAULO 2020


UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL GRADUAÇÃO EM JORNALISMO

A tragédia em Paraisópolis e a espetacularização da violência pela mídia

LUCAS RODRIGUES DE SOUZA SANTOS RGM: 1763055 – 0

Relatório de Fundamentação Teórica e Metodológica apresentado ao curso de Graduação em Jornalismo, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a abstenção do titulo de bacharel. Orientador: Nivaldo Ferraz

SÃO PAULO 2020


AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus por me abençoar e sempre estar comigo nos momentos difíceis ao longo da vida acadêmica.

A Profa. Dra. Mirian Meliani, por todo o apoio e compreensão durante a escolha e estruturação do tema deste projeto no primeiro semestre.

Ao Prof. Dr. Nivaldo Ferraz, que me orientou no decorrer do semestre para desenvolver e concluir este projeto.

A minha mãe Cristiane Rodrigues de Souza, que sempre esteve ao meu lado esses quatro anos e me fez hoje, o homem que sou e com certeza o homem melhor que vou ser no futuro. Menções a todas as pessoas da minha família, saibam que todos vocês vão estar no meu coração.

A minha psicóloga Dafni Gomes, pelos conselhos que me ajudaram a manter paciência em momentos difíceis e por ser uma ótima ouvinte.

Aos meus amigos Kevin Costner, Luana Lopes por me ajudarem em algum momento a confeccionar esse trabalho e que estiveram ao meu lado em qualquer coisa que eu precisasse. Aos demais inúmeros amigos que me mandaram uma palavra de apoio e acreditarem no meu potencial.

À turma de jornalismo de 2017/2020 da Universidade Cruzeiro do Sul, por me proporcionar bons momentos e aprendizados.

E por fim, a todas as pessoas que foram entrevistadas e que contribuíram para esse trabalho acontecer.


FICHA TÉCNICA Título: A tragédia em Paraisópolis e a Espetacularização da violência pela mídia

Característica Técnica do Produto: 

Produto: Reportagem extensa digital

Formato: Página de Internet (Wix site)

Duração/Páginas: 2 páginas

Recursos de edição: Wix para páginas e Photoshop

Sinopse: Nesta reportagem, o leitor encontra a história linear sobre os fatos que ocorreram na Tragédia de Paraisópolis, além da atualização das investigações e dos dados ainda não concluídos. Até que ponto a influência da exposição da violência pela mídia afeta o comportamento das pessoas envolvidas?

Edição de texto: Lucas Rodrigues de Souza Santos Reportagem: Lucas Rodrigues de Souza Santos Roteiro: Lucas Rodrigues de Souza Santos Orientador: Prof° Doutor Nivaldo Ferraz Coordenador do curso: Prof° Mestre Antônio Assis

Entrevistados: Luis Adorno – Jornalista Leonardo Martins – Jornalista Arthur Stabile – Jornalista Eduardo Corrêa Batista – Promotor Gilson Rodrigues – “Prefeito” de Paraisópolis Samuel do Lago Souza - Policial militar da reserva, cantor, compositor e escritor Margibel Adriana de oliveira – Professora e Palestrante na área de Oratória, Redação e Eventos. Eduardo Marangoni Canesin - Sociólogo formado pela USP e especialista em Educação a Distância e Mestre em Ciências Sociais.


RESUMO

O relatório aborda como é de suma importância entender ainda mais sobre a ética do jornalismo, diferença de classes e sobre o grave preconceito envolto na nossa polícia, poder público e como a comunicação aborda diferentes casos de letalidade no Estado de São Paulo. O número de pessoas mortas por policiais militares dentro e fora de serviço no estado de São Paulo de janeiro a maio de 2020 é o maior de toda a série histórica iniciada em 2001: 442 vítimas segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Procurando não só falar sobre o modus operandi da PM, iremos comentar sobre diversos casos de violência policial divulgados pela imprensa, mas com um foco em uma reportagem especial sobre um ano da tragédia do baile Dz7, na comunidade da Paraisópolis, no qual mesmo após meses dos acontecimentos os devidos autores da falha operação de dispersão dos profissionais da corporação não foram indiciados e o sentimento de medo envolto aos jovens da periferia cheio de racismo e impunidade. Para entendermos ainda mais sobre a relação Segurança Pública e sociedade, abordaremos as responsabilidades da mídia no enfrentamento da violência, qual é o verdadeiro intuito dos programas policiais em divulgar imagens ou temas que banalizam a vida e trazem discursos e imagens de insegurança. Para entendermos o quanto esse diálogo democrático entrevistei professores, teóricos, fundadores da comunidade de Paraisópolis, conhecedores da área de segurança pública e membros da corporação. Assim ouvimos experiências e observamos pontos que precisamos mudar ou mesmo saber mais. Palavras - Chaves: Estado de São Paulo, periferia, jornalismo, democracia, gênero, etnia, poder público, sociedade, letalidade policial, desigualdade social e criminalização da pobreza.


ABSTRACT

The report addresses how extremely important it is to understand even more about the ethics of journalism, class differences and the serious prejudice involved in our police, public authorities and how the communication addresses different cases of lethality in the State of São Paulo. The number of people killed by military police in and out of service in the state of São Paulo from January to May 2020 is the highest in the entire series established in 2001: 442 killed according to the Brazilian Public Security Forum. Looking not only to talk about the PM's modus operandi, we will comment on several cases of police violence reported by the press, but with a focus on a special report about a year of the tragedy of the Dz7 ball, in the Paraisópolis community, in which even after months due to the events, the proper authors of the failed operation of dispersion of the corporation's professionals were not indicted and the feeling of fear enveloped young people from the periphery full of racism and impunity. In order to understand even more about the Public Security and society relationship, we will address the media's responsibilities in confronting violence, what is the real purpose of police programs in disseminating images or themes that trivialize life and bring discourses and images of insecurity. To understand how much this democratic dialogue I interviewed teachers, theorists, founders of the Paraisópolis community, experts in the area of public security and members of the corporation. So we hear experiences and observe points that we need to change or even know more about. Key-words: State of São Paulo, periphery, journalism, democracy, gender, ethnicity, public power, society, police lethality, social inequality and criminalization of poverty.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 08 2 OBJETIVOS ........................................................................................................ 10 2.1 Objetivo geral ................................................................................................... 10 2.2 Objetivos específicos ....................................................................................... 10 3 PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES ................................................................ 11 3.1 Problematização ............................................................................................... 11 3.2 Hipótese ............................................................................................................ 11 4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 12 5 PLANO ESTRATÉGICO ...................................................................................... 13 5.1 Descrição do Produto ....................................................................................... 13 5.2 Público-alvo ...................................................................................................... 14 5.3 Técnicas utilizadas ........................................................................................... 14 6 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................. 15 7 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 21 8 CRONOGRAMA................................................................................................... 25 9 ORÇAMENTO ..................................................................................................... 26 10 DIÁRIO E CAMPO ............................................................................................ 27 APÊNDICES .......................................................................................................... 30


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1 INTRODUÇÃO

A força policial paulista, nos 185 anos de existência, foi organizada e reorganizada diversas vezes. Dentro da Província e, futuramente, do Estado de São Paulo, a Polícia Militar, assim como o Corpo de Bombeiros, a Guarda Nacional, a Marinha e o Exército Fixo, faziam parte da Força Pública de São Paulo.

Às

vésperas da Revolução de 1930, a Força Pública do Estado de São Paulo já era o segundo maior corpo armado da América Latina, somente superada pelo Exército Brasileiro. Finalmente, e oficialmente, em 9 de abril de 1970, após unificação da Força Pública com a Guarda Civil de São Paulo, a polícia paulista recebeu o nome de Polícia Militar do Estado de São Paulo - PMESP ou, simplesmente, PM. Assim como todas as outras PMs brasileiras, a PMESP tem a obrigação constitucional de prestar seus serviços dentro dos limites do severo cumprimento do dever legal. O principal objetivo do policiamento ostensivo é a prevenção de crimes, e todas as demais ações que são levadas a efeito pela Polícia Militar a fim de impedir a tentativa de ilícitos penais ou de delitos administrativos sujeitos ao controle da Instituição. Com o passar do tempo, o modus operandi da força pública ganha cada vez mais espaço na mídia, porém, essa imagem não é bem vista por muitos na sociedade, sendo que uma dessas críticas é sobre como as abordagens contra jovens, principalmente das periferias, são mediadas, e de casos em que a truculência, isto é, o uso exagerado e mesmo desnecessário da força por parte dos polícias resultam em sensação de constante insegurança e até mortes. Exemplo dessa atenção pela mídia pode ser visto na citação abaixo. Ter acesso à notícia que Chico Plaza divulga em primeira mão na madrugada é o objetivo da minha visita. O plano é fazer um plantão no seu estúdio, com a esperança de receber ao vivo (instantaneamente) as informações sobre tiroteios entre policiais militares e criminosos. (...) Quando surgir o primeiro caso, pretendo me dirigir rápido ao local para fazer a reportagem o mais perto possível da ação dos matadores (BARCELLOS, 2003, p.247).

O presente projeto de pesquisa tem como objetivo questionar as ações da PMESP mediante operações com a força excessiva contra jovens da periferia, manifestações culturais, com o pensamento de tratar um ano da tragédia no baile


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funk da Dz7, situado em Paraisópolis, onde deixou nove mortos após PMs teriam encurralado os frequentadores do pancadão, ao fechar as saídas de fácil evacuação entre as esquinas do bairro, deixando apenas duas vielas como rota de fuga. Lá, as nove vítimas morreram por asfixia mecânica, segundo os laudos, e outras 12 pessoas ficaram feridas. Desde então familiares e moradores da comunidade cobram a resolução do caso e a punição dos culpados. E paralelamente, tratar a ideia de como a violência se espetaculariza com ajuda da mídia, trazendo debate sobre a relação entre violência na TV, banalização da vida, comportamento agressivo na sociedade, linchamentos virtuais, erros no quesito ética jornalística, função da mídia e os impactos na vida dos adolescentes e impacto negativo para a sociedade.


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2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Indicar a relação da grande mídia e da espetacularização entorno da violência. Sua função e os impactos causados na sociedade. Contar um ano da tragédia que deixou nove mortes no baile da Dz7, em novembro de 2019 e a sensação de insegurança entre os moradores com a força publica de segurança.

2.2 Objetivos específicos

Produzir uma reportagem para mídia online onde realizo uma reconstituição minuciosa dos fatos, analisando-o com base no maior número de informações disponível, após um ano da tragédia e com o fim das investigações. Debate sobre o funk e a festa que o cerca, sendo de uma maneira controvérsia, mas são também uma forma de expressão que a maioria dos jovens se sentem “conectada’’ com os demais longe de uma sociedade que tanto as oprimem. Como a periferia é vista pela sociedade de fora e como muitas vezes o treinamento dos agentes de segurança tem diversas fragilidades. Mostrar como parte da mídia aborda alguns casos de violência na sociedade, como isso pode provocar um descontrole social, difusão do medo e como esses meios de comunicação elevam o patamar civilizatório trazendo um grande estímulo ou atitudes de apoio a violência. Compreender como a sociedade é impactada com o espetáculo midiático e o sensacionalismo na comunicação. Como uma área tão rica de cultura única como a das comunidades do Brasil, muitas vezes são noticiadas como apenas um cenário de guerra, com grande apontamento de desigualdade social, preconceito e principalmente a criminalização da pobreza no nosso país.


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3 PROBLEMATIZAÇÃO E HIPÓTESES

3.1 Problematização

Apontar como a violência se espetaculariza na sociedade atual, mostrando como a cada dia a sociedade se torna mais alienada e a cultura do medo mobiliza a opinião pública, influenciando no discurso jornalístico com o oficial. Mostrar que mesmo depois de quase um ano ao ocorrido em Paraisópolis, sensação de revolta por parte dos familiares das vitimas e da comunidade. Que mesmo após uma tragédia com tantos mortos a letalidade no ano de 2020 tem aumentado ao ano anterior e o poder público ainda não finalizou a denúncia, deixando até o momentos os reais autores impunes.

3,2 Hipótese

Sim, a televisão vai conseguir ser mais humanistas, no sentido de como abordar temas ou pessoas sem preconceitos enraizados, sempre seguindo a boa ética e resistentes a qualquer tipo de quebra de protocolo. Sim, os policiais estão preparados para ações que ocorreram no baile ou em qualquer lugar da comunidade. Não, a televisão irão continuar com os seus preconceitos enraizados, realizando quebras e mais quebras de protocolos banalizando ainda mais a vida do próximo. Não, os policiais não estão humanamente preparados para ações que ocorreram no baile e a segurança pública não vai conseguir ter uma boa relação com a comunidade.


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4 JUSTIFICATIVA

Em 2019 e 2020, o balanço registrado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou um aumento na letalidade policial, sendo este ano até Maio, 442 pessoas foram mortas por policiais militares no estado, maior número para o período desde o início da série histórica, em 2001. Devido a isso há uma urgência na adoção de uma política de uso da força formalizada e transparente para reduzir as ocorrências com resultado de morte. Há uma progressão para o uso excessivo da força pela polícia que engloba pelo menos cinco níveis, dos mais suaves para o mais violentos: presença uniformizada do policial, comunicação, táticas físicas desarmadas, uso de armas menos letais e uso da força letal. Políticas essas que são fundamentais para evitar casos de disparos totalmente descabidos em perseguições, de pessoas mortas ou gravemente feridas quando deveriam ser apenas detidas. Por meio disso, chega-se ao ponto central desta justificava, isto é, a tragédia mais recente no estado, na comunidade de Paraisópolis, na qual 9 pessoas perderam a vida durante a realização do baile da Dz7, (pancadão que a quase uma década é o mais famoso da periferia, atraindo milhares de jovens de todo o estado) em um tumulto iniciado, supostamente, pela perseguição de policiais a criminosos que nunca foram encontrados. Portanto, o produto final deste projeto busca retratar da melhor forma a história de como as abordagens contra jovens, principalmente das periferias acontecem, a sensação de insegurança que esses jovens sentem quando saem na rua não importa o horário, trazer um debate e questionando se os profissionais de segurança pública seguem à risca de maneira que casos em que a ‘’truculência’’ das forças policiais dentro de bailes funks ocasionaram mortes. Expor as intenções da mídia, toda a desigualdade social que é sentida na pele de muitos cidadãos de bairros mais carentes, e o que a população ganha com essa estereotipização ao trafegar em um paralelo da história.


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5 PLANO ESTRATÉGICO

5.1 Descrição do Produto

O site que traz uma grande reportagem que tem como intuito o levantamento de dados e como está sendo abordado a violência contra jovens da periferia, nas comunidade do Estado de São Paulo. O último caso que teve extrema repercussão foi no bairro de Paraisópolis em novembro de 2019, que após uma dispersão de um baile funk falha por parte da Policia Militar, resultou em nove mortos e diversos feridos. Incluindo no projeto irei realizar uma analise sobre as responsabilidades da mídia no enfrentamento da violência, jornalismo policial, linchamento virtual e o impacto desse jornalismo na vida dos jovens. Trabalhamos com dois textos dissertativos, colocamos em prática entrevistas, dados e referencia para complementar tais assuntos, a clareza do site foi de suma importância para se encaixar no que foi abordado. O portal brasileiro El País, é espanhol, fundado em abril de 1976, chegou ao Brasil em novembro de 2013, tratando de temas gerais, próprias ao país a partir de informações internacionais, e também a tradução de conteúdo produzido pelos 350 jornalistas do "El País" e a rede de correspondentes e colunistas. Priorizando as explicações analíticas dos fatos. Tendo como objetivo contribuir com um debate político mais qualificado. A matéria foi escolhida por priorizar conteúdos de profundidade e dar espaço ao debate sobre as relações étnicas – raciais, desigualdade social, oratória abordando a real imprensa e sua ética. O El País é um jornal referencia também no jornalismo multimídia, presente em 22 países, cada um com sua audiência relevante. A Reportagem Extensa para a Área Digital passa pela oportunidade de ofertar conteúdos multimídia que dão dinâmica à matéria e contribuem com o engajamento do leito. Apresentando duas fotos, dois infográficos pelo qual o site traz, também conta com entrevistas que são tão relevantes, com relatos que trazem toda transparência sobre a ética do jornalismo, pesquisadores, professores com referenciais teóricos, jornalistas que cobrem segurança publica e moradores da comunidade onde ocorreu a tragédia no baile da Dz7.


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5.2 Público-alvo

O público-alvo deste trabalho é jovens de todas as classes sociais, novos ou futuros jornalistas que estão saindo da universidade, publico que consome qualquer tipo de jornal com cunho policial, sendo assim um publico vasto, sem qualquer segmento para tal conhecimento, pois assim todas as pessoas pudessem ter acesso ao material recolhido. El País foi premiado com o Prêmios Vladimir Herzog de Fotografia, em 2019, com a obra "Exército detém dez militares ligados a assassinato de músico no Rio" (El País – Rio de Janeiro/RJ), do autor Fabio Alarico Teixeira, mostrando como este veículo não se cala sobre “as coisas que incomodam o poder” assim como os temas abordados nessas matérias.

5.3 Técnicas utilizadas

Foram utilizados para atingir uma excelência nesse devido projeto, uso de entrevistas, pesquisas bibliográficas, desde livros, artigos, teses, dissertações, vídeos aulas, apresentando um uso de linguagem que segue um uso de linguagem com um compreendimento perfeito para todo público.

Demais técnicas para a realização do portal foram o Wix plataforma online de criação e edição de sites. A fonte usa foram as Playfar Display para os títulos e subtítulos. Para o texto corrido e legendas foi usado a fonte DIN Next e a base de proporção é uma tela full HD, de 1920X1080 px.


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6 REFERENCIAL TEÓRICO

Este trabalho foi embasado a estudos e levantamentos que tenham sustentação teórica necessárias para conhecer como é a atuação da polícia militar nas comunidades do estado; os direitos do cidadão perante abordagens realizada pelos agentes; para que a corporação foi criada; todo histórico negativo e/ou positivo na sociedade; a grande mídia, superexposição em torno da segurança pública; preconceito por meio da padronização dos bens culturais; diversidade cultural e social no país. Conforme observado em publicação oficial do governo paulista a letalidade da polícia de São Paulo aumentou 2,6% em 2019 em comparação com o ano anterior. No total, no estado, em 2019, ocorreram 867 mortes em decorrência de intervenção policial (com agentes em serviços ou na folga): 845 relacionadas à Polícia Militar e 22, à Polícia Civil. Os dados foram divulgados no mês de julho, deste ano, pelas Corregedoria da Polícia Militar, mostram pessoas mortas por policiais militares dentro e fora de serviço no estado de São Paulo de janeiro a maio de 2020 é o maior de toda a série histórica iniciada em 2001: 442 vítimas. O total deste ano ultrapassou o número de mortos por PMs em 2003, com 409 mortes em decorrência de intervenção policial, o número de mortos por policiais de batalhões das cidades da Grande São Paulo, com exceção da capital paulista, aumentou 70% de janeiro a maio de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com levantamento feito pelo G1. Desses números, homens, negros, e jovens da periferia são as principais vítimas de homicídio doloso ou culposo por parte da polícia. A grande questão reside no estigma carregado por pessoas desses grupos sociais, moradores dos bairros de periferia que são vistos, geralmente, como vilões. As pessoas têm medo nas cidades e aceitam esse tipo de policiamento sem perceber os efeitos colaterais que isso tem produzido. O motivo que mais dialoga com a letalidade é o policial que enfrenta o inimigo, que tem cor e endereço. A letalidade não é aleatória, o perfil dos mortos pobres chega a 99% e, desses, 65% são jovens negros. Pesquisa realizada pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo em 2018 1, que analisou 80% das ocorrências de intervenção policial que resultaram em morte no

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Disponível em: http://www.ssp.sp.gov.br/transparenciassp/Consulta.aspx. Acesso em: 11 nov. 2020


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ano de 2017, indicou que houve uso inadequado da força na maioria das ocorrências. A Rota foi responsável por 104 mortes de pessoas em 2019 – aumento de 98% na comparação com o ano anterior, quando o batalhão foi responsável pela morte de 51 civis. Imagina – se que o sentimento de serem “justiceiros” e do senso comum de que “bandido bom, é bandido morto’’ por parte da população mais conservadora influencia diretamente no trabalho da corporação. Já foi amplamente observado, por exemplo, que a opinião de que "o mundo lá fora" é perigoso e é melhor evitá-lo é mais comum entre pessoas que raramente saem à noite - se é que chegam a sair -, quando os perigos parecem mais aterrorizantes. E não há como saber se essas pessoas evitam sair de casa devido ao senso de perigo ou se têm medo dos perigos indizíveis à espreita nas ruas escuras porque, na ausência do hábito, perderam a capacidade de lidar com a presença de uma ameaça ou tendem a deixar correr solta a imaginação já aflita pelo medo, ao carecer de experiências pessoais diretas de ameaça (BAUMAN, 2008, p.10).

Estudos dizem que é preciso uma “definição de novos protocolos” relacionados à abordagem policial e a principal opção para reduzir a letalidade é concentrar a investigação de mortes de civis na Corregedoria da PM. Podendo ter uma diminuição de até 50% na letalidade caso a medida seja aplicada. Os policiais também são vítimas do trabalho. No ano passado, foram registrados 23 casos de suicídio de policiais militares2. Nem 30% do efetivo da Polícia Militar é atingido pelo programa enquanto a Policia Civil nunca teve um programa de saúde mental. Como é mostrado pela reportagem veiculada pelo portal de notícias Exame, da editora Abril, que escancara que os nossos agentes sofrem com suicídios e transtornos mentais sem apoio da corporação. HORKHEIMER, M.; ADORNO, T.W. em seu livro Dialética do esclarecimento, discute amplamente essa questão da padronização dos bens culturais, que são falsas identidades locais. No caso das comunidades, o baile funk é onde os jovens periféricos exercem seu direito à cultura e lazer. Isso explica como a periferia é um “território de exceção”, como disse a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Raquel Rolnik, em uma entrevista ao portal Rede Brasil Atual, que esbanja críticas negativas à atuação da Policia Militar e seu modus operandi. Para o sociólogo Zygmunt Bauman (2008), a questão do medo na sociedade mostra a falência do estado em tentar proteger o cidadão. Este é um dos seus 2

Disponível em: https://exame.abril.com.br/brasil/pms-sofrem-com-suicidios-e-transtornos-mentais-semapoio-da-corporacao. Acesso em: 11 ago. 2020.


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tópicos quando discute sobre os medos Secundários/Primários que trazem uma ameaça não concreta (do perigo cara a cara) e, sim, de um rastro de experiência passada. Como muitas vezes acontece com crianças e adolescentes da periferia, que têm um olhar de quem já conviveu com a opressão policial.

Os perigos dos quais se tem medo (e também os medos derivados que estimulam) podem ser de três tipos. Alguns ameaçam o corpo e as propriedades. Outros são de natureza mais geral, ameaçando a durabilidade da ordem social e a confiabilidade nela, da qual depende a segurança do sustento (renda, emprego) ou mesmo da sobrevivência no caso de invalidez ou velhice. Depois vêm os perigos que ameaçam o lugar da pessoa no mundo - a posição na hierarquia social, a identidade (de classe, de gênero, étnica, religiosa) e, de modo mais geral, a imunidade à degradação e à exclusão sociais. Mas numerosos estudos mostram que, nas consciências dos sofredores, o "medo derivado" é facilmente "desacoplado" dos perigos que o causam. As pessoas às quais ele aflige com o sentimento de insegurança e vulnerabilidades possam interpretá-lo com base em qualquer dos três tipos de perigos - independentemente das (e frequentemente em desafio às) evidências de contribuição e responsabilidade relativas a cada um deles. As reações defensivas ou agressivas resultantes, destinadas a mitigar o medo, podem assim ser dirigidas para longe dos perigos realmente responsáveis pela suspeita de insegurança (BAUMAN, 2008, p.10).

Bauman (2008) enfatiza o sentimento de insegurança do cidadão durante sua vida cotidiana e afirma que a sensação de medo também pode ser maior do que propriamente a existência de um motivo para se ter medo. Em um dos seus capítulos, o sociólogo traz a teoria da Síndrome do Titanic, onde vivemos em uma sociedade com classes totalmente diferentes, estilos diferentes, gestos e diálogos que mostram que a ‘cultura das pessoas e os meios legais não são para todo mundo. O Titanic somos nós, nossa sociedade triunfalista, autocongrarulatória, cega e hipócrita, sem misericórdia para com seus pobres - uma sociedade em que tudo está previsto, menos os meios de previsão... Todos nós imaginamos que existe um iceberg esperando por nós, oculto em algum lugar no futuro nebuloso, com o qual nos chocaremos para afundar ouvindo música (BAUMAN, 2008, p.21)

Em seguida, sobre a comunicação de massa e o sensacionalismo em torno das notícias a respeito das ações de policiamento ostensivo realizadas pela Policia Militar de São Paulo, destacamos, entre outras obras, o livro Reportagem Policial Um Jornalismo Peculiar, escrito e publicado por Eduardo Velozo Fuccia, em 2008. O autor faz uma análise a respeito da influência e interferência dos meios de


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comunicação de massa, em relação à segurança pública. O jornalista aborda o grande interesse que esse tipo de noticiário desperta na sociedade e os cuidados que a mídia deve ter ao transmiti-lo. Em Sociedade do Espetáculo, lançado em 1967, Guy Debord inicia sua análise crítica da então sociedade moderna de consumo. Debord mostra que a cada dia nos tornamos mais alienados. Todos passam a ser espectadores, com relações sociais mediadas pelas imagens. Nesse sentido, é notória a espetacularização que a mídia e os meios de comunicação promovem sobre a segurança pública. Ou seja, a sociedade é alimentada pelo espetáculo, ao mesmo tempo que o alimenta.

O espetáculo na sociedade representa concretamente uma fabricação de alienação. A expansão econômica é principalmente a expansão da produção industrial. O crescimento econômico, que cresce para si mesmo, não é outra coisa senão a alienação que constitui seu núcleo original. (DEBORD, 1967, p.20)

Tratar a ideia de como a violência se espetaculariza na sociedade atual, como os apresentadores se performam ou fazem tudo pela imagem, é um aspecto importante de abordagem. Muitas vezes, a discussão é emocional, como ter raiva de bandido, mas não pensamos nas ações e do porquê eles fazem isso.

Outra

influência é a cultura do medo, mobilizando a opinião pública, fomentando dúvidas, interpretação de verbos (marcas linguísticas) e a influência no discurso jornalístico com o oficial. Pois quando as notícias começam a ser divulgadas, tudo é passado de maneira branda. Após isso há uma ação implícita, ao mesmo tempo que a imprensa tenta informar e cobrar as autoridades maiores (estado, políticos, polícia, ministério público etc.). A sociedade que repousa sobre a indústria moderna não é fortuitamente ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculista. No espetáculo da imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenvolvimento é tudo. O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo... o espetáculo é a principal produção da sociedade atual.(BAUMAN, 1967, p.12).

Como os apresentadores se performam ou fazem de tudo pela imagem, muitas vezes a discussão é emocional, como ter raiva de bandidos, mas não pensamos nas ações e do porque ele faz isso, apenas reagimos como a massa distribuindo ódios e linchamentos.


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Tomemos como exemplo o programa Linha Direta, exibido pela Rede Globo de Televisão, de maio de 1999 até o final do ano de 2007. Ele mostra crimes não solucionados pela Justiça, crimes esses nos quais os acusados (ou parte deles) estão foragidos. Segundo Daniel Barsi Lopes em A violência urbana como espetáculo midiático a esquete-reportagem do Linha Direta e a ficcionalização do real (2008); O programa se torna uma outra janela jornalística dentro da televisão, pode ser considerado um gênero híbrido, pois se utiliza de dois dos maiores fenômenos de audiência da Rede Globo: o telejornalismo e a telenovela, ambos aliados ao espetáculo e suas lógicas de funcionamento. E é justamente na construção e na exibição da esquete-reportagem que o programa se filia às regras do espetáculo televisivo de exibição da violência. O autor Danilo Angrimani (1994) discute o fenômeno do sensacionalismo na imprensa sob várias dimensões: sua história através dos tempos, sua produção, e as razões mais profundas que fazem com que um amplo público seja atraído por este produto. O livro analisa como a linguagem é usada sem a devida transparência ou profissionais adequadas, na qual essas marcas linguísticas são comuns e remetem ao inconsciente dos consumidores atendendo a necessidades psicológicas coletivas. Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que, em outras circunstâncias editoriais, não mereceria esse tratamento. Como o adjetivo indica, trata-se de sensacionalizar aquilo que não é necessariamente sensacional, utilizando-se para isso de um tom escandaloso, espalhafatoso. Sensacionalismo é a produção de noticiário que extrapola o real, que superdimensiona o fato. Em casos mais específicos, inexiste a relação com qualquer fato e a “notícia” é elaborada como mero exercício ficcional. O termo “sensacionalista” é pejorativo e convoca a uma visão negativa do meio que o tenha adotado. Um noticiário sensacionalista tem credibilidade discutível. A inadequação entre manchete e texto – ou ainda, manchete e foto; texto e foto; manchete, texto e foto – é outra característica da publicação sensacionalista, o que pode reforçar a posição de descrédito do leitor perante o veículo. Isto porque a manchete, dentro da estratégia de venda de uma publicação que adotou o gênero sensacionalista, adquire uma importância acentuada. A manchete deve provocar comoção, chocar, despertar a carga pulsional' dos leitores. São elementos que nem sempre estão presentes na notícia e dependem da “criatividade” editorial. (ANGRIMANI, 1994, p.16)

Dentro das análises do livro, a teoria do Fait Divers foi implantada, onde investiga os mecanismos que interagem no processo de atração, que designa a notícia do dia - nome principal da “alimentação” do noticiário sensacionalista. No


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Brasil, adquirem denominações como cenas de sangue, troca de tiros, perseguições e notícias diversas. O fait divers, como informação autossuficiente, traz em sua estrutura imanente uma carga suficiente de interesse humano, curiosidade, fantasia, impacto, raridade, humor, espetáculo, para causar uma tênue sensação de algo vivido no crime, no sexo e na morte. Consequentemente, provoca impressões, efeitos e imagens (que estão comprimidas nas formas de valorização gráfica, visual, espacial e discursiva do fato-sensação). A intenção de produzir o efeito de sensacionalismo no fait divers visa atrair o leitor pelo olhar na manchete que anuncia um acontecimento produzido, jornalística ou discursivamente, para ser consumido ou reconhecido como espetacular, perigoso, extravagante, insólito, por isso, atraente (ANGRIMANI, 1994, p. 26).

Considerando tudo isso, e fazendo tais relações, tomamos consciência do que o ser humano é capaz de fazer quando está no poder ou dissemina ele. Muitas vezes no âmbito jornalístico ocorrendo linchamentos virtuais, reportagens policiais com maior pensamento leigo de que a abordagem é equivocada na maioria das vezes, pois ela pode disseminar um sentimento de medo, revolta e insegurança. Esse entendimento também se vale quando colocamos lado a lado com os jovens da periferia, pois mesmo a maioria tendo um acesso mais difícil as navegações da internet, os jornais de televisão aberta continuam mostrando em horários nobres cenas de cenário de guerra, muitas vezes nas próprias comunidades que esses jovens moram. Por isso mesmo, misturado com a real sensação de inseguranças com uma corporação de segurança do Estado que deveria proteger e não reprimir. Faz com que muitos adolescentes procurem ficar em seus bairros, procurar um lazer em suas ”áreas”, mas sabemos que mesmo dessa forma nada impede das ações desastrosas da Policia Militar.


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7 REFERÊNCIAS

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8 CRONOGRAMA

Atividades

Jul

Ago

Set

Out

Dez

Leitura de referências

O

O

O

O

O

O

O

O

O

O

O

O

Contato com as fontes em potencial Entrevistas com as fontes Produção da reportagem

O

extensa

Redação do relatório final

Revisão do relatório final

Apresentação para banca

Nov

O

O

O

O


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9 ORÇAMENTO

Este trabalho foi feito, na maioria das partes, de forma remota, realizadas em áudio de WhatsApp, plataformas Google Meets, Zoom e Skype. Em relação aos equipamentos utilizados, não houve gastos. Uma designer também foi chamada para me auxiliar na criação do site e infográficos, também não houve gastos.


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10 DIÁRIO E CAMPO

Toda essa pesquisa foi bem pessoal para mim pois trabalho na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, estava no de plantão no dia dos fatos, foi um misto de realizar o meu trabalho e entender a dor dos familiares dos jovens que perderam suas vidas. No outro dia lembro que fui designado para realizar todo o monitoramento de mídia do caso, passei todas as minhas 6 horas de estágio apenas realizando uma função e como estava a um ano da entrega do meu trabalho de conclusão, no qual não tinha uma ideia definida, vi na tragédia em Paraisópolis uma forma de me expressar e ao mesmo tempo expressar as incongruências da nossa justiça brasileira e de como esses jovens veem numa diversão como baile funk, uma forma que expurgar tudo o que sentem. A ideia se encaixou mais ainda quando eu li o livro Rota 66, do escritor Caco Barcellos, ele mostrou uma ideia de como seguir o projeto e serviu de inspiração em um determinado momento. Mas ai vieram as dificuldades, o coronavírus me fez mudar diversas estratégias de acompanhar passeatas de protestos, fazer uma matéria exclusiva acompanhando jovens até o baile e ir até a comunidade onde houve os fatos. É claro que nesse segundo semestre eu tive que ir até o local e entender muito sobre os moradores da Rua Ernest Renan, onde houve os fatos e percebi muitas dificuldades e dilemas que fiz questão de abordar na minha matéria. Ao mesmo tempo como trabalho com escutas de todas as mídias da imprensa e transcrições de matérias de jornais policiais liguei um traço que junte duas matérias ao mesmo tempo que cada uma tem a sua importância. É claro para que com o meu Orientador Nivaldo que me acompanha sempre, sabe que a primeira ideia era realizar um livro com muitas ideias boas e fontes. Mesmo assim por ficarmos “presos” em nossas casas prejudicou muito as minhas ideias de como prosseguir e vi nas reportagens extensas uma forma redigir todas essas histórias. Nesse segundo semestre primeira coisa que fiz foi realizar estudo de dados nos quais eu coloco tanto nesse relatório como nas minhas matérias. Todos os sites onde filtrei os dados estão em minhas referências e me auxiliaram para ter um norte de escolhas de escrita e fontes. A partir dai consegui bons personagens para minha história, entrevistei dez pessoas, mas julguei interessante colocar apenas oito delas. Nível de relevância, como demos andamento nas entrevistas, suas respostas mais


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interessantes e fluência do texto foram levadas em consideração para tomar tais decisões. Todas as minhas fontes são especialistas no assunto, mesmo assim fiquei meses entrando em contato com familiares das vítimas e apenas duas pessoas aceitaram conversar, mas em um determinado momento não me responderam mais, fiquei entrando em contato até a finalização do projeto, mas não obtive resposta e olha que usei mais de uma rede social para entrar em contato. De resto todas as outras pessoas se mostraram favoráveis a ajudar e me ajudaram encaminhando teses sobre o assunto e até novidades que ainda não tinha sido postada na rede internet. Demais sites, trabalhos de doutorado ou até matérias especiais foram usadas como referencial teórico. Ao finalizar minhas entrevistas, comecei a fluir ideias e percebi como o meu texto se encaixaria nos modelos do El País, que já tem matérias especiais sobre o caso de Paraisópolis, foi dai que vi uma relação de tudo que estava escrevendo parecido com o coração do portal e abracei a ideia de emular uma reportagem extensa para eles. Estou em contato com alguns colegas de profissão do El País para que vejam a minha matéria e que talvez gere oportunidades futuras. Anteriormente a previsão era a realização de um livro reportagem, mas durante as orientações semanais, escutei coisas bem importantes, pois durante elas tive a conclusão que a produção de uma matéria extensa para um veiculo online era a melhor opção atualmente. Talvez o motivo seria que o meu assunto precisava de um fio condutor, parentes de familiares ou pessoas que estavam no local seriam esse fio pois seriam personagens que se conectariam. Já que não havia uma historia verdadeira a ser contada e contava com muitos especialistas sobre Segurança Pública, organizadores do evento, da própria comunidade, promotor que cuida do caso e doutores optei seguir pela reportagem de veículo online. Após as entrevistas, percebi que todas renderam muito conteúdo para texto, durante o desenvolvimento do produto a maioria das coisas que já tinha pensado foram sendo tornadas realidade, outras foram sendo adicionadas e de bom proveito. Digo com grande propriedade que superei todas as minhas expectativas que tive sobre as minhas matérias, meu maior medo é que elas ficassem repetitivas e que pelo numero de folhas pedidas ficasse cansativa. Encaminhei após a realização das revisões para e o meu orientados e alguns entrevistados e gostei muito das respostas. Todas comentaram que a forma como escrevia, dava vontade de sempre


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saber o que tem pela frente. Fiquei muito feliz com todos os feedbacks, pois quis transmitir não só o meu lado pessoal sobre os assuntos, mas também como um cidadão dentro de uma sociedade que ainda existem diversos tabus que podem ser quebrados, pouco a pouco. Apesar de algumas dificuldades que tive durante o ano, não só eu mas como todas as pessoas do mundo, perder uma das minhas melhores amigas de anos por derrame cerebral me fez entender mais sobre a vida, sempre fui um cara durão que me expressava bem, mas que para algumas pessoas que não me conheciam soava um ser humano frio. Ver que pessoas que você gosta tanto saírem da sua vida em minutos mostra que não somos deuses desse planeta que nos últimos tempos estão se defendendo de tantas coisas horríveis que nós humanos fazemos com ela, por isso dedico todo esse processo para Thais Mesquita, minha grande amiga, familiares e amigos que me deram apoio em todos os momentos. É claro agradeço a mim por não ter desistido em nenhum momento, mesmo em que algumas conversas no começo das orientações eu parecesse falar sem tesão sobre essa etapa final da minha vida todos os grupos mencionados acima e eu por fortalecer minha mente consegui me blindar a qualquer tipo de negatividade. Por fim espero que tudo que escrevi sirva de reflexão para todas as pessoas que vão ler se não servir que pensem mais sobre o ser humano e deem valor a todos eles. É com esse sentimento que as matérias são direcionadas para um grande veículo que é o El País.


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APÊNDICES


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APÊNDICE 1

Papel social do jornalismo na democracia

No mundo moderno uma das características é de que a humanidade nunca teve no atual momento tantas informações transmitidas por diversos e abundantes veículos de comunicação. A divulgação de informações é feita ao mesmo tempo em que ocorrem os fatos, influenciando decisões políticas e econômicas em todo o mundo. Assim como falar dessas influencias sem levar em conta os seus aspectos comunicativos é enfraquecer sua dimensão, pensando no lado racional, analisando a comunicação sem questionar as suas ligações políticas é fechar os olhos ao seu critério mais relevante, trazendo uma relação estabelecida como iguais, superiores ou inferiores aos seus interlocutores. Ou seja, a formação de sentido e identidade, inerente à construção social da realidade, é sempre um processo, ao mesmo tempo, comunicativo e político. Para que a profissão seja praticada de maneira correta, é necessário que seus profissionais atuem da maneira mais livre e democrática. Sendo assim, exercendo críticas e questionamentos em relação ao governo e as políticas públicas atuais. No Brasil temos como exemplo, um período sem liberdade de expressão, a ditadura militar, foi um momento que o país não possuía uma democracia e diversos jornalistas foram torturados perseguidos e presos. Por isso, também está expresso no Código de Ética, que o jornalista não deve concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual. Sendo ele estabelecendo os direitos e deveres de uma categoria profissional.Por isso, segundo o artigo 9º do Código de Ética do Jornalista, é dever do jornalista: 

Divulgar todos os fatos que sejam de interesse público;

Lutar pela liberdade de pensamento e expressão;

Defender o livre exercício da profissão;

Valorizar, honrar e dignificar a profissão;


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Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como

defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem; 

Combater e denunciar todas as formas de corrupção, em

especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação; 

Respeitar o direito à privacidade do cidadão;

Prestigiar as entidades representativas e democráticas da

categoria; Portanto, o papel do jornalista é levar a devida informação apurada e que tenha o interesse público para a sociedade. Além disso, o código deixa claro que o compromisso dos profissionais é com a verdade dos fatos e é fundamental não se pautar em interesses individuais. Se o profissional escreve para seu leitor é por ele, e para ele, sempre, que deve se pautar. A intimidade e círculo de confiança gerado pelos jornais de pequenas esferas de abrangência, como jornais e cadernos de bairro, atendem de forma muito mais crucial aos interesses coletivos do que a generalização de abraçar o mundo dos grandes veículos. A estes últimos caberia o papel não de formadores de opinião, mas de proponentes da reflexão. Por isso então percebemos que o verdadeiro papel do jornalista é fazer pensar, sempre foi e será.


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APÊNDICE 2

Jornalismo da periferia e iniciativa ao debate público

A cada dia fica mais visível que vivemos em um mundo de disputa na nossa sociedade, essa que é rodeada em profundas marcas das desigualdades desenhadas ao longo da história. No Brasil, atualmente, o jornalismo vivencia um cenário em que veículos de comunicação de massa propagam narrativas limitadas por estereótipos para alguns contextos, como as periferias, Diante disso, grupos de jornalistas se articulam nessas localidades com o propósito de construir sua própria comunicação. Mas o povo da comunidade quer mais. Propondo-se a dar visibilidade à cultura local e a oferecer uma perspectiva positiva do cotidiano periférico. Nesse momento é ter direito de fala, não só quando essa é concedida, pois existem diversas vozes múltiplas e plurais sobre o cotidiano vivido. A ótica de periférico no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que os originaram, e a variedade de experiências conectadas não só com a cor da pele.

Ainda sim, tão significativo quanto expor informações de pertinência popular, é garantir que estes conteúdos cheguem a quem se destina. Fica claro então que estas preocupações em mente, já existem diversas iniciativas digitais de jornalismo voltadas à cobertura, são estratégias novas que as comunidades populares têm experimentado e a periferia não ficou de fora dessa nova busca de alternativas. Ressalto que, diante do privilegio que determina a grande mídia brasileira, existe uma “censura” em relação a temas que não estão no foco de interesse de grandes grupos. As periferias faz parte desse deserto. Embora reúnam uma significativa parte da população brasileira e influenciem historicamente comportamentos e movimentos culturais que acabam sendo apropriados pela classe dominante. Há algum tempo é visível o crescente movimento de valorização das periferias, embora a classe dominante se aproprie (historicamente) comportamentos e movimentos culturais. E a comunicação faz parte desse processo, pois, a partir da emergência de movimentos culturais e coletivos, preocupados sobretudo com questões relacionadas à diversidade social, racial e de gêneros, entre outras.


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Com isso, observamos que o objetivo dessas iniciativas e novas estratégias pesquisadas é dar voz as periferia, além de debater questões sociais, culturais, políticas e econômicas sob a ótica das comunidades. Os coletivos personificam em suas matérias, vídeos para a internet ou encontros que registram o ambiente cultural da periferia, o lado positivo da comunidade, suas carências e graduais transformações. Esse tipo de trabalho jornalístico não é realizado por dados, como nos veículos massivos, mas com a identificação de nomes e rostos. São historias a famosa “vivencia”, passar na pele as dificuldades, usar elas como incentivos para os jovens já estão nesse mundo e aqueles que irão aparecer. Essa é a considerada característica da comunicação construída e protagonizada pelas periferias. Assim, a contribuição para o desenvolvimento local e para a democratização da mídia e da informação narram à progressiva construção do chamado jornalismo periférico.


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APÊNDICE 3

Textos do site El País na íntegra

Há um ano, ação truculenta da PM silenciava o baile funk em Paraisópolis 48 semanas e 2 dias após ação da PM que culminou em nove mortos durante a festa Dz7, o aumento do temor entre os jovens da comunidade e um clamor de dignidade da vida ecoam entre as vielas estreitas do bairro

Até seria mais uma madrugada de sucesso para os jovens e comerciantes que se aglomeraram na Rua Ernest Renan, no chamado baile da 17 (mais conhecido pela sigla "DZ7") em que o número vem de um bar, o 17 Rei da Batida, muito conhecido na região onde abrigava um pagode famoso aos domingos. Hoje o baile ocorre a quase uma década, de quarta a domingo, reunindo nos fins de semana não só moradores do bairro, mas também ‘’caravanas’’ de outros locais da capital. Aqui todos são bem recebidos, fica claro que acumulando a rotina exaustiva de trabalho, transporte público lotado e estudo, o fim de semana é religiosamente guardado para diversão. Não é raro você ver o pancadão começar na quinta-feira e só terminar no fim do final de semana. Sem muitas opções de lazer e equipamentos culturais, como o padrão das periferias da cidade, o destino da maioria dos jovens é sempre o mesmo nessa caminhada do fim de semana até um novo surgir. O alto consumo de bebidas alcoólicas e de drogas, segundo relatam os moradores, se destaca no meio de uma multidão de mais de 30 mil pessoas dependendo do dia. Mas no dia 1 de Dezembro, o “fluxo” se espalhou para demais ruas e vielas do entorno do bairro. Até a chegada da polícia, pelo que se sabe, a festa transcorria na normalidade. O descontrole da situação teve relação direta com o procedimento da PM, que fez com que os gritos dos jovens que estavam naquele local não fossem de alguma letra de música, não eram gritos de libertinagem entre os demais amigos e sim de repressão pelos fatos que aconteciam. De acordo com a PM, policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) entraram na comunidade durante uma perseguição a homens armados fugindo em motocicletas. A versão


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oficial também comenta que os suspeitos atiraram contra os agentes. Moradores negam a versão oficial da Polícia Militar de que tiros tenham partido de uma moto e afirmam que os frequentadores, na verdade, foram encurralados pelos policiais nas demais ruas que acompanham as concentrações dos jovens no momento. Os suspeitos na motocicleta não foram encontrados. Conforme os primeiros registros sobre as mortes no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi), quando os policiais entraram na comunidade usaram “munições químicas” para dispersar o baile funk. Os frequentadores teriam atirado garrafas e latas nos PMs, o que teria iniciado a confusão. Esse é mais um caso em que a violência exercida pelos órgãos repressores do Estado brasileiro contra trabalhadores, negros, moradores de periferias e favelas sintetizam uma imagem clara dos dias atuais, em que há um aumento do autoritarismo no país, a autorizar ações que intensificam a tensão entre os órgãos do Estado e as comunidades. A dispersão dita pelo poder público não é vista da mesma forma como vídeos dos próprios moradores nas redes sociais mostraram. Em alguns é mostrado PMs agredindo indiscriminadamente as pessoas que estavam no baile. Para muitos no local, não houve uma fatalidade, houve algo premeditado, uma espécie de armadilha. As vielas e todas as saídas das ruas estavam interditadas. Um sentimento apenas de traumatizar vidas, com uma motivação que até hoje não sabemos levando para os céus os jovens Gabriel dos Santos, 22 anos, Gustavo Cruz Xavier, 14, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16, Denys Henrique Quirino da Silva, 16, Dennys Franca, 16, Mateus dos Santos Costa, 23, Eduardo da Silva, 21, Luara Victoria Oliveira, 18, e Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos. O domingo e a semana após a tragédia foram os mais dolorosos da comunidade, apenas uma palavra era reivindicada, justiça por esses jovens que nos deixaram da forma mais hedionda. Logo após, uma guerra de posicionamentos a favor e contra os bailes funks cresceu. Uma pena que essa discussão esteja sendo influente após a perda de vidas, de jovens que nem da comunidade eram, mostrando mais uma vez a realidade de que quem cresce em Paraisópolis sabe em que direção correr para salvar a pele da repressão policial, mas os visitantes, não conseguiram. O Baile da Dz7, como outros pancadões ou fluxos acontecem na maioria das periferias das cidades, são expressões em que a maioria dos jovens se sente


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“conectada’’ com os demais longe de uma sociedade que tanto as oprimem. É preciso entender, antes, a dinâmica dos bailes de favela. O baile não é a última opção de lazer de um local que não tem opção de lazer, como muita gente tenta retratar.

Conhecendo a comunidade Para entendermos toda essa repressão que um espaço sofre com vários preconceitos, devemos conhecer sobre como ela foi composta. Mesmo depois de anos, vários estudos apontam Paraisópolis como a segunda maior favela paulistana e a quinta maior do Brasil . Isso faz com que haja uma intensificação maior no quesito de investimento e sustentabilidade do local. Em entrevista concedida ao nosso portal, o presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, conta sobre a história da ocupação do local, a relação dos moradores com o bairro vizinho, o Morumbi, e a criminalização do funk. Segundo ele a comunidade composta majoritariamente por uma população de trabalhadores provenientes do Nordeste, “minha família veio do nordeste, assim como a maioria das pessoas da comunidade, 85% são nordestinos ou filhos do mesmo. Já se faz (sic) 70 anos que eu e a minha família estamos aqui, viemos com um sonho de morar na cidade grande, onde as crianças teriam boa educação e os pais ficarem ricos. Minha mãe era surda e muda, teve 14 filhos e após ela morrer de câncer fomos todos dados na periferia. Nós não sonhamos que a nossa moradia seria ao lado de um córrego, passando diversas dificuldade”,diz. Gilson comenta que o crescimento da comunidade veio porque Paraisópolis fez parte de um loteamento para milionários que deu errado, por isso é um espaço extremamente grande, cheio de terrenos quem vem aumentando de acordo com os anos. “Muitos proprietários resolveram comprar algumas terras, mas nunca criaram nada naquele local, com o tempo houve a chegada do Palácio do governo, hospital de luxo foi erguido e o estádio do Morumbi. Então, muitos nordestinos vieram até a região, com isso à área verde do terreno foi se ocupando e concentrando cada vez mais cheio de casas” comentou. O líder comunitário diz que devido às dificuldades da “cidade grande” e o descaso dos governos, muitas famílias ficaram descrentes de um sonho onde as


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crianças teriam boa educação e os pais ficarem ricos. Isso fez com que Paraisópolis crescesse de forma desorganizada. Hoje Gilson diz que vê uma clara diferença entre o início, quando veio com sua família e irmãos para o que a comunidade está hoje, no quesito organização. Que não há como haver uma dispersão da população para sair do local, mostrando que Paraisópolis se consolidou como um grande bairro e que agora está tentando implementar, de fato, um bairro de verdade. “Posso te dizer agora então que a comunidade está crescendo fazendo parte de um bloco de líderes empreendedores sociais das 10 maiores favelas do Brasil, a G10, e nós acreditamos que a gente possa mostrar as boas iniciativas e o potencial que a favela tem para que essas oportunidades sejam alavancadas para um processo de informação”, comentou

O baile funk ainda é uma “dor de cabeça” dentro e fora da comunidade Não é porque em muitos aspectos a comunidade melhorou, que todos os problemas serão solucionados o mais rápido possível. É de se acreditar que esse sonho poderia se realizar mesmo Paraisópolis sendo uma das maiores favelas do Brasil. O funk e a festa cheia que ele trás estão cercados de controvérsia. Para muitos o local é recheado de desordem, com conteúdo de letra cheia de apelos ao tráfico, apologia ao crime e à pornografia. Esse pensamento por pessoas de fora do bairro, muitos moradores da rua e vielas onde o baile funk ecoa mostram uma dificuldade clara de conversa. Gilson comentou sobre o assunto e disse que com relação ao baile existem dois movimentos, o primeiro é dos vizinhos que sofrem bastante com o barulho e com tudo o que a festa pode criar em um aspecto negativo, mas ao mesmo tempo existe uma perspectiva positiva de comércio, geração de trabalho e renda que esses moradores também usufruem. Segundo o chamado prefeito de Paraisópolis, na região onde o baile está existe um problema concreto, por falta de estrutura para um série de benfeitorias que poderia melhorar tanto a condição de quem vem, quanto dos moradores. O baile não apresenta lideranças para organizar o fluxo, chega que quiser para se “divertir’’ e os traficantes, que concorrem por territórios, se empolgam com o fluxo de clientes em potencial e o poder público faz de pouco caso. Segundo afirma Leonardo Martins, que cobre a área de segurança pública na rádio Jovem Pan, você não resolve baile funk com a segurança pública, “o funk já é


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algo que saiu da comunidade, então como a gente faz festa nas nossas casas, eles decidiram se juntar, cresceram e trouxeram sim problema para moradores do local. Então tem todo um problema a ser resolvido, mas mostra pelo menos que a falta de cultura e acesso tenham formado a criação desses bailes. (...) converso com policiais e a reclamação deles é a mesma, baile funk não é caso de polícia, você não resolve isso com bala de borracha e spray de pimenta”. Em contraponto um dos maiores grupos que é contra a tal “baderna” dita pelos moradores são muitos conservadores ou integrantes da nossa segurança pública, o sargento aposentado Samuel do Lago, hoje candidato a Vereador do Estado de São Paulo comentou que se mostra bem contra como os bailes são realizados e diz que o silêncio urbano é algo grave que precisa ser respeitado, pois muitos trabalhadores se veem acuados por tanto crime realizado à mostra para todos. Foi claro ao dizer que a melodia do funk em si não é um problema, mas sim como ele está à mercê da lei. “Não só critico o funk, não podemos generalizar, hoje em dia o sertanejo também vem com melodias bem problemáticas, é um incentivo ao consumo desenfreado de bebidas alcoólicas onde as pessoas não entendem que vivemos em um pais onde acidentes de transito causados uso de álcool vem aumentado cada vez mais(...). Um dos problemas que nós enfrentamos hoje é o silencio urbano, o nosso programa psiu não funciona direito, não temos ninguém para acompanhar essas festas, como é realizada no carnaval.” afirma Sargento Lago, deixando claro que para a juventude da comunidade, a descontração é a maneira mais democrática de se divertir, mas que a quantidade de jovens sem total controle de um poder público deixa alguns moradores em um legítimo sofrimento. Para entender um pouco mais sobre esse crescimento do baile, Gilson Rodrigues nos disse que se veio após a realização da novela I Love Paraisópolis, então isso reforçou a identidade do baile ser algo legal, com atores globais e outras personalidades vindo até o local. Assim se tornando símbolo de desejos e atraindo cada vez mais gente. Gilson também diz que da maioria dos fins de semana cerca de 90% das pessoas que estão na festa são de outras comunidades ou de bairros de classe média alta/baixa e que isso reforça o potencial da comunidade, seja para eventos ou segurança. Quando entrei em uma conversa em relação ao massacre acontecido no dia 01 de Dezembro, o prefeito da comunidade disse que o clima foi de extrema


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“derrota”. “Acredito que após o acontecimento, houve uma situação de revolta, a constatação que todos os mortos não eram moradores da comunidade demorou, então muita gente daqui considerava que era alguém próximo, só após a constatação de que eram moradores de fora, fez com que nos preocupassem bastante” diz. Gilson reiterou que ainda não existe um pós-tragédia e relatou como foi o impacto econômico após o fato. “Acho que não existe uma pós tragédia ainda, tudo isso continua a medida em que não se tem uma solução para o problema, que os culpados não foram condenados e que a comunidade durante esse período recebeu uma onda de informação positivas e negativas onde impactaram socialmente e economicamente” afirma Gilson. Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão na mídia As imagens da multidão de jovens correndo de forma desesperada diante do ataque da polícia militar de São Paulo correu o Brasil. Hoje, com a internet, as imagens tem o poder de correr o mundo. O caso de Paraisópolis só nos mostrou por meio dos vídeos de moradores anônimos como foi a invasão da casa grande sobre a senzala, para reiterar o sadismo constitutivo da formação do Brasil na forma de racismo e genocídio. O saldo no fim foram nove jovens que tiveram suas vidas acabadas após uma ação sádica de uma corporação que deveria nos proteger. No meio disso algo chamou atenção de muitos foi a repercussão e a mobilização que essa tragédia causou. Fato é que precisamos entender que existem inúmeros casos que ocorrem todos os dias em diversas cidades, mas é claro que o número de mortos no ocorrido de 01 de Dezembro realçou ainda mais a grande repercussão. Segundo os jornalistas que cobrem a área de Segurança Pública, como Luis Adorno, Leonardo Martins e Arthur Stabile, que conseguem controlar e visualizar o número de views de seus textos, fica claro que o número de mortos influenciou na curiosidade de muitos a até conhecerem mais casos desses tipo. “No caso de Paraisópolis, 31 PMs envolvidos estão soltos. Vale o questionamento: o que é repercussão? Eu prefiro uma repercussão que influencie na prática, para além disso, são outros tempos, a sociedade brasileira tem debatido coisas atualmente que não debatia no passado: o racismo, a violência policial, o machismo, entre outras questões. Entendo que Paraisópolis mobilizou muitas favelas no Brasil porque é debate público nos últimos anos o racismo e a violência policial” diz Adorno.


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Para o jornalista Arthur Stabile, repórter da Ponte Jornalismo, portal onde muitas vítimas podem realizar denúncia sobre abusos policiais, independente do número de mortos o site noticiaria o assunto com a mesma gravidade, que só por causa do número de mortes foi dada a devida seriedade e diz que as pessoas, principalmente de classes mais privilegiadas estão tendo um interesse em ler sobre esses casos e apoiar as causas. Eu acredito que a proporção definiu muito qual o grau de cobertura que deveria ser feita, se fosse nove ou uma morte a Ponte ia noticiar da mesma forma (...) empatia é a base do nosso trabalho na Ponte, por isso só depois de nove mortos a gente viu uma pequena sensibilidade por parte da imprensa” diz Stabile. Um programa bem interessante que a Ponte tem para fortalecer a relação do site com a população é uma ideia de como essas pessoas podem colaborar, por isso foi criado uma plataforma onde muitas vezes vítimas de algum abuso de autoridade relatam os seus casos com provas por meio de vídeos, áudios ou demais depoimentos. Mas o jornalista deixa claro que o portal é cauteloso e pede muito cuidado as pessoas quando gravarem esses fatos”. “Na Ponte temos um muito grande cuidado quando recebemos vídeos de abordagem, não importa que quem esteja gravando seja a vítima ou morador escondido, então pedimos muita cautela para essas pessoas, entender a situação que está se tiver um mínimo de segurança filma, se não só o áudio, precisamos do fato para ser validado e darmos continuação em alguma história” finalizou o jornalista. Depois desses depoimentos só fica mais claro, como muitas vezes, notícias de abuso policial são tratadas com a maior superficialidade, é apenas aquele momento em que a maioria das pessoas sente “pena” ao ver vídeos de protestos pedindo justiça ou de algum familiar, chorando em cima do caixão. Particularmente acredito que a nossa profissão atualmente entendeu como se faz uma matéria com esses tipos de abordagens e aos pouco vem recebendo um devido crédito. Agora basta percebermos quem quer olhar para o futuro ou continuar nesse jornalismo do passado, até porque obviamente a cultura do medo está nos programas televisivos que tratam sobre o mundo policial e toda espetacularização que a própria mídia faz sobre ela. Violência da audiência e o interesse da desgraça chama atenção hoje e sempre.


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As investigações do caso e o que temos após um ano da tragédia Após dois meses de investigações, o laudo oficial apontou que mortos foram pisoteados e morreram asfixiados. A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo considerou legal a atuação dos policiais militares durante o baile. O documento aponta ainda que os agentes sequer praticaram infração militar, sugerindo assim o arquivamento do caso ao Tribunal da Justiça Militar, que solicitaram novas imagens e depoimentos para esclarecer quem são os organizadores do baile funk da DZ7. Quem solicitou esse novo inquérito foi o promotor Edson Corrêa Batista. Para ele, após as diligências e os demais laudos que mostram a morte em decorrência de asfixia mecânica, devido ao grande número de pessoas, os organizadores não identificados até agora podem ser responsabilizados por promover festas sem cumprir as leis municipais. “Necessariamente nesta questão, de fato, estabelecer responsabilidade, pois no primeiro momento a carga de responsabilidades vai toda aos PMs, se eles com a incursão na favela provocaram o encurralamento, assim criando a aglomeração de pessoas que no momento de pânico morreram por asfixia. Diante dessa aglomeração entendemos que também a responsabilidade dos organizadores do evento, quem são esses que convocam centenas de pessoas para aquele tipo de local” diz Corrêa. Para o promotor, a tônica da acusação é que aqueles policias militares ao procederem daquela forma, assumiram o risco da ocorrência daquele resultado, isso que é posto em debate e serão essas as questões que serão debatidas dentro do processo que passou por ele e será concluído pela promotora no Tribunal do Júri, no Ministério Público. Quando perguntado se ele acreditava se o processo seria finalizado ainda esse ano, Edson disse que quando chegar à promotora o processo de finalização será bastante penoso, pois haverá diversos réus, recursos, então é algo que fica cansativo, mas ressaltou que as investigações realizadas em primeiro momento e depois as solicitadas pelo próprio foram rápidas. “As investigações sem dúvidas estão em vias de encerramento, pelo menos o processo vai ter, agora o desfecho do processo será bastante penoso, haverá diversos réus, recursos, então é algo


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cansativo. Vamos aguardar o Ministério Público, mas achei que as diligências do caso foram rápidas e até propus diligências aditivas” reforçou o promotor.

Existem medidas para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? O caso em Paraisópolis escancarou diversos problemas. Um deles a respeito de como a sociedade enxerga a periferia. Outro, sobre como é o treinamento da polícia para lidar com moradores de comunidades pobres. Digamos que o modelo brasileiro de policiamento é guiado por uma profecia que sempre se cumpre: a do negro criminoso. No Brasil, o fazer da polícia se orienta muito mais pelo conjunto de valores, conceitos, práticas, idade, cor, gírias, vestimenta, comportamentos e endereço pré-definidos passados dos policiais mais experientes aos iniciantes, do que por quaisquer protocolos. A criminalização da pobreza e a violência por parte do estado se mostraram ainda mais visíveis, mostrando que na maioria das vezes esses tais jovens mortos são tratados como degenerados, de uma sociedade preconceituosa e elitista, que exclui dos pobres da ascensão econômica por meio de restrição de oportunidades. É aí que entramos em uma discussão repleta de posicionamento, quando falamos de atuações da policia militar com os jovens da periferia, pois todos os dias essas condições favoráveis e desfavoráveis estão misturados no noticiário, infelizmente o lado dos criminosos é sempre o do favelado, do traficante, negro e pobre. A explicação para isso é simples, segundo O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. A entidade traçou um perfil dos assassinatos cometidos por policiais em 2018. Entre os mortos, 75,4% eram negros, 81,5% só possuíam o ensino fundamental, evidenciando o racismo e o preconceito de classe institucionais. Com esse resultado obtivemos outros dados. Um, de acordo com o Atlas da Violência 2020, as taxas de homicídios de negros aumentaram 11,5% no país durante os últimos dez anos enquanto as de não negros caíram 12,9%. Em 2018, por exemplo, para cada não negro assassinado, 2,7 negros foram mortos. Analogamente, em 2019, a taxa nacional de negros mortos pela polícia (4,2) foi mais que o dobro da taxa de brancos (1,5), como indica o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.


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Um terceiro levantamento, produzido pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade Federal de São Carlos aponta que, negros têm entre 2,4 vezes mais chances de serem presos em flagrante do que brancos. Embora os negros correspondam a 37% da população do estado e os brancos a 62%, as abordagens policiais não obedecem a essa proporcionalidade. Ainda segundo o anuário, o efetivo das polícias é majoritariamente branco (53%), apesar de a maioria dos policiais assassinados serem negra (65,1%). Fica claro que já passou da hora das corporações cortarem essa linha do tabu em torno do racismo que os cercam e adotarem medidas para que debates internos sobre o assunto aconteçam ainda mais, com pessoas do meio. Seria interessante militantes da periferia entrarem em um debate sem conflitos, para que assim aconteça o fim desse problema. É necessário programar novas ideias, a questão da raça na formação dos policiais tem que começar a aparecer nos treinamentos e a diversidade tem que ser incorporada no comando das instituições. Para o prefeito de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, que comentou sobre a repressão na comunidade que lidera, um passo grande era existir uma nova polícia. “A melhor forma no quesito mudança é uma nova polícia, onde ela seja mais humana, identificada com a periferia e isso torna ela mais segura. Mesmo assim eu acho que nós não viveremos isso nos próximos anos, cada vez mais temos governos que nos lembram tempos de repressão, colocando o estado contra a sociedade” comentou. Só essa mensagem, de uma pessoa de dentro da comunidade mostra que não dá mais para que apenas homens brancos cheguem ao topo da carreira da Polícia Militar. Na capital algumas iniciativas (pequenas ainda) estão começando a surgir em todas as carreiras da polícia. Precisa haver uma postura que venha a defender as instituições e em engajar nas discussões, para que haja alterações nas práticas cotidianas da corporação. Todos os dias essas condições favoráveis e desfavoráveis estão misturados no noticiário. Infelizmente, essas atitudes contribuem para o crescimento do estado de violência que o país vive. O pedido de socorro é reprimido pelos noticiários, por meio da publicação de matérias sobre crimes, cometidos pelos marginalizados, legitimam-se as barbaridades do Estado na tentativa de conter esse “mal”. É aí que entramos na conclusão de que quais medidas devem ser realizadas para esse retrocesso na criminalização, segundo o jornalista Leonardo Martins, São


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Paulo ainda segue em passos lentos, mas ele acredita em uma mudança. “O nosso estado é o que está melhor pensando em segurança pública, mas deveria pensar mais.Devemos pensar na inteligência, não pode ser algo apenas ostensivo, de tiro, porrada e bomba. O crime organizado está enraizado no Brasil e a gente não resolve esse problema pensando apenas na pólvora” disse. Esse comentário só reforça o entendimento de que a exposição frequente à violência que milhões de brasileiros vivem, fazem com que todo esse tipo de espetacularização cegue a maioria das pessoas diante de um poder de repressão no qual a polícia militar ama realizar. Lembrando que antes de dizer isso, não podemos generalizar todos os PMs como vilões, muitos exercem a carreira com grande respeito e seguem a ideia do proteger e servir à risca. Segundo o Sargento Lago a polícia militar de São Paulo é a melhor do país, não só por número de efetivos, mas também por quesitos treinamento e reiterou em dizer que as pessoas não conhecem os perigos que os agentes de segurança passam nas ruas. “Todo ser humano que é policial está nivelado como qualquer um, vejo sim alguns se sentirem superior só por estarem de farda, mesmo assim é uma minoria, em geral todos são muito bons” disse. Mesmo assim, para a superação do racismo por parte das polícias brasileiras exige uma urgente mudança de mentalidade, com debates abertos e francos, livres do dogmatismo e do corporativismo que reinam hoje. É preciso reprimir em massa, mas não de forma generalizada. Para isso, é preciso desumanizar o contingente a ser reprimido. Aliás, a desumanização é a forma mais legitimadora da violência. É preciso apontar medidas ainda que sejam transitórias. Podemos ter tempos áureos para que propostas de mudanças um dia se concretizarem, é um tsunami que nós estamos vendo que está chegando e não realizamos nada para acabar com esses tempos “caóticos”. Link disponível da matéria publicada https://designerluanals.wixsite.com/baileemparaisopolis


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Urgência e Alerta: Um olhar sobre as responsabilidades da mídia em casos de sensacionalismo e enfrentamento da violência O conceito de sensacionalismo pode ser definido como o nome que se dá para certa postura na comunicação em massa onde à notícia é transformada em espetáculo por possuir um caráter mercadológico, utilizando-se imagens que chocam tendem a segurar a atenção do público. O jornalismo policial vem em voga a um bom tempo mantendo o pedido da cartilha sensacionalista, os programas como Brasil Urgente, Cidade Alerta e Balanço Geral ocupam o horário vespertino trazendo audiências e números impressionantes, mostrando imagens de cadáveres, gatilhos psicológicos e pessoas na maioria das vezes desfavorecidas sendo colocadas em situações constrangedoras. Nesta reportagem o El Pais, vai mostrar os resultados desse tipo de mídia que recria um espetáculo midiático e tentar entender a razão da existência desses programas na televisão. Quem nos ajuda nessa leitura convidamos, os jornalistas Luis Adorno, do portal Uol e Leonardo Martins da rádio Jovem Pan; Profa. Dra. Margibel de Oliveira palestrante na área de Oratória de casos sensacionalistas e Eduardo Canesin, doutor na área de ciências sociais na área social. A professora Margibel Oliveira em 2015 realizou uma tese de doutorado em retórica argumentativa do discurso jornalístico por antecipação ao discurso jurídico neles ela analisava as peças das denúncias e das sentenças, além das notícias de crimes dos jornais selecionados, a respeito da morte de Isabella Nardoni e Eloá Cristina, em 2008. Esses acontecimentos deixaram claro a tese de que a imprensa sente-se no direito-dever de investigar, apurar fatos, e que, na maioria das vezes expõe pessoas, sentenciando em caráter definitivo. Para Margibel ela muitas vezes a força midiática quando aplicada com o desejo de justiça frente aos crimes impactantes e uma dose de sensacionalismo pode gerar danos irreparáveis e erros grotescos na aplicação do Direito. “(...) um dos primeiros casos que me chamou atenção, bem como me chamou atenção o caso da Isabella Nardoni. Mas, saiu o caso do Lindemberg, porque eu me lembro de que a gente assistia a aquele espetáculo ao vivo. (...) Esses casos eu fui construindo na minha cabeça, com a ideia de como a mídia pressiona as autoridades para que elas tomem determinadas atitudes, ficando uma visão de pressão” disse. Como previsto, esses dois casos houve repercussão imensa na mídia, no caso Nardoni, desta vez, foi possível recolher evidências que provassem a autoria


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dos acusados, resultando na condenação do pai e da madrasta da vitima. Segunda Margibel neste caso o papel da mídia foi de interferir no devido processo legal, mesmo assim a forma assídua como à divulgação dos fatos era orientada despertava cada vez mais a indignação da população. A violência se disseminou pela sociedade brasileira, se tornando um discurso bem comum na mídia, dessa forma ela causa interferências e causa danos às vezes irreparáveis. Para Eduardo Canesin, essas ações mostram um claro movimento de banalização do sofrimento, por mostrar uma insensibilização e tentar mostrar o sofrimento como algo banal, como a violência como algo corriqueira. “(...) seu choro será mostrado não para mostremos seu sofrimento, não para buscarmos uma empatia tentando te confortar ou compadecer, mas a gente vai mostrar seu sofrimento para justificar o ódio e a perseguição contra aquele que te causou esse sofrimento” disse. Os meios de comunicação, de modo geral, colocam para o público determinados temas de seu interesse, como a questão da violência. Para Eduardo a imprensa atualmente está tendo função considerável na construção da banalização da violência. “O foco deixa de ser no sofrimento da vítima e passa a ser sempre no agressor, temos que eliminá-lo para que não passar mais a ver sofrimento”, finalizou Canesin. Obviamente, a imprensa se aproveitou do direito de liberdade de expressão nos dois casos. O que deveria ser uma função de utilidade pública passou a poder provocar certos efeitos de sentidos e até mesmo influenciar na formação de opinião. Segundo Eduardo, os programas teriam que parar com infrações, começar a gerar um serviço de informações e não um desserviço “(...) até onde um jornalista que está apurando e ultrapassa essa linha e vira só um circo de horrores, quer dizer, mostrar o que de pior aconteceu sem promover um debate, essa discussão é crucial para que se possa fazer um bom jornalismo policial ou qualquer outro ponto” disse o doutor. Segundo o jornalista Leonardo Martins, muitas dessas cenas influenciam e criam a cada dia uma cultura do medo e de influencias psicológicas. “Obviamente a cultura do medo está nesses programas televisivos, que o chamamos de “mundo cão”, que trás uma influencia psicológica nas pessoas e por isso mesmo é alvo de estudo há muitos anos. Violência da audiência e o interesse da desgraça chama atenção hoje e sempre”.


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O seu companheiro de profissão Luis Adorno, completa a resposta dizendo que o medo por meio dos programas de televisão é claro, mas reforça que muitas coisas que a mídia expõe é um reflexo da sociedade, pois muitos já não se sentem seguros, principalmente no estado de São Paulo onde o índice de violência cresce exponencialmente. ‘‘As pessoas ficam com medo por meio dos programas de televisão que retratam o trabalho policial. Faço-te uma provocação: você acha que São Paulo é um estado seguro ou inseguro? Responda “para si mesmo a pergunta e, depois, entre no Atlas da Violência 2020 e veja qual a taxa de homicídios no estado”. Link disponível da matéria publicada https://designerluanals.wixsite.com/urgenciaelaerta


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APÊNDICE 4

Fotos utilizadas no site

Autor: Miguel Schincariol


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APÊNDICE 5

Fotos utilizadas no site

Autor: Banco de imagens site Freepiks


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APÊNDICE 6

Transcrição completas e literais das entrevistas realizadas

Jornalista, Leonardo Martins 1 - Porque você escolheu jornalismo como profissão? Me fala um pouco sobre o seu dia a dia cobrindo segurança pública? Você se interessou por isso logo que entrou na faculdade? Eu comecei a gostar de jornalismo no ensino médio, gostava de historia, geografia, mas nunca me destacava em alguma matéria , foi ai que comecei a ler, professor de literatura me emprestou o livro do Lourenço Mutarelli, “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa” e isso destravou a leitura em mim, comecei a ler mais, escrever também, em uma dessas diversões ganhei o concurso de redação do colégio. Por isso sempre gostei de estar antenado, transparecia minha opinião na escrita, comecei a ler jornais e quando me formei no ensino médio escolhi o jornalismo, na faculdade Casper Líbero, estagiei no Uol, durante dois anos, Estadão e entrei na Jovem Pan onde estou agora. Eu me interessei em segurança publica, quando estava no Uol, conheci o melhor jornalista da área Luis Adorno, que me mostrou a importância do tema, entendi e peguei gosto pelos assuntos. Estou até hoje na área, mas isso não me inibe de falar sobre qualquer outro tema. 2 - Assim como um jornalista que escolhe falar sobre política, ciente das opiniões diferentes, até mesmo agressivas, na segurança publica o mesmo acontece, como você lida com tais respostas ‘’ignorantes’’? Você já foi hostilizado por pessoas do poder publico por causa de alguma matéria? Que repórter atualmente com meses de carreira já não foi hostilizado por políticos ou policial? Sempre assim, é um movimento engraçado, muita gente acha que somos antipolicia, que defendemos bandido, sempre é assim. Quando reportamos problemas de próprios profissionais da corporação, recebemos elogios de pessoas de dentro, mas em outras matérias de crimes, excesso violência policial sou taxado de defender bandido.


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Então basicamente minha vida é assim, em uma semana é pessoas me elogiando, na outra xingando. Quando se fala de um caso especifico, no ultimo protesto realizado pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, fui hostilizado por todos e tive que sair do local. Nem mesmo eu trabalhando para Jovem Pan, rádio que tem mais um viés conservador, não passei ileso pela maioria dos manifestantes. Ultimo caso que tive foi na cobertura da Ouvidoria das Policias, o deputado estadual Frederico D'avila, propôs o fim da ouvidoria, mais de uma vez e em investigação ao gabinete dele e encontrei uma situação delicada em que o chefe de gabinete do mesmo é acusado de agredir um delegado de 80 anos. Caso estava sendo investigado pela Ouvidoria das Policias e então realizei a matéria e fui agredido verbalmente pelo político, mesmo assim digo, só fiz o meu trabalho, apresentei fatos, mostrando assim que estou fazendo um bom trabalho, quem for ser repórter tem que se acostumar. 3 - Em minhas pesquisas percebi que você trás diversas informações de Paraisópolis, às vezes nem sendo sobre segurança, já li muitas vezes falando sobre a própria pandemia na comunidade, movimentos culturais, regularização de moradia etc. Eu queria saber se o seu intuito de escrever sobre o bairro em si é também para mostrar uma outra realidade e o total preconceito social carregado que muita das outras classes tem sobre ela ? Cara o que eu acho especificamente de Paraisópolis é que ela nem uma é favela, diria uma micro cidade dentro de São Paulo, tudo muito grande, surreal, lá obviamente tem criminalidade, como qualquer área da cidade, mas também tem muita gente boa, tenho amigos próximos lá. Eu diria que lá é um polo cultural e econômico. Acho que não seja só sobre crime, a um preconceito com a favela sim, isso é inegável, mas na comunidade conheço muita gente boa, que acorda cedo pra trabalhar, por isso mesmo eu não faço reportagens com o intuito de tirar esse preconceito e sim como aquele local tem gente competente e muito boa. Talvez o meu trabalho não seja com intuito de tirar o preconceito, mas ele acaba resolvendo isso.


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4 - Por consequência da tragédia, Paraisópolis recebeu todos os holofotes possíveis, porém, a cobertura da imprensa ainda se resume ao noticiário policial, tratando sempre a favela como cenário de guerra, diferente do jornalismo independente que apresenta diversas historias de superação, investimentos, Ongs, espaços artísticos, festas culturais etc. Você acredita que a grande mídia ainda peca em não apresentar mais historia diferentes? A certa criminalização da pobreza por parte deles? Grande parte dela sim tem com o cenário policial, mas acredito que isso deixou de ser à um bom tempo matérias das quais você pontuou na sua pergunta, de cabeça eu lembro do projeto do Uol chama Ecoa, onde mostramos vários projetos sociais e dessas viraram matérias incríveis, acho que atualmente é muito fácil encontrar noticias diversificadas, mas é óbvio que quando você coloca um crime, morte, isso gera muita atenção por parte do grande publico, filosoficamente falando o ser humano tem um gosto pornográfico pela desgraça. Mas como disse anteriormente, não é difícil encontrar outras matérias no estilo, aconselho você a procurar o projeto Mães de Maria, é lindo e rende sempre ótimas reportagens.

5 - Moradores de Paraisópolis querem que o poder público ajude a organizar o Baile da Dz7. Com a medida, a Prefeitura e o Estado seriam responsáveis por fornecer a estrutura do evento, mas com os bailes tendo regras definidas, como horários para começar e terminar. Você vê o poder publico preparado para cuidar desses bailes? Olha como eu sou repórter, digo que sou um grande aprendiz, então a opinião que eu tenho hoje semana que vem possa mudar, mas o que eu posso falar sobre os bailes funks, é algo cultural, existe a muito tempo, isso mostra a falta de cultura para esses jovens fora da periferia, então por estarem longe de muitos lugares de lazer fazem com que esses jovens se juntem e criem algo próprio. O funk já é algo que saiu da comunidade, então como a gente faz festa nas nossas casas, eles decidiram se juntar, cresceram e trouxeram sim problema para


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moradores do local. Então tem todo um problema a ser resolvido, mas mostra pelo menos que a falta de cultura e acesso tenho formado a criação desses bailes. Talvez esse pepino tenha que ser “descascado” pelo setor cultural do poder público, converso com policiais e a reclamação deles é a mesma, BAILE FUNK NÃO É CASO DE POLICIA, você não resolve baile funk com a segurança publica e sim sobre espaço publico, discussão cultural. Você não resolve isso com bala de borracha e spray de pimenta

6 - Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão, diferente de outros parecidos como Favela Naval, em Diadema, 1997? Muita gente fora do estado se mobilizou pelo acontecimento, você entende o porque disso? Olha, eu acho que Favela Naval foi o primeiro caso a ser noticiado, inaugurou a discussão da violência policial no estado com vídeos comprovando todos os atos, são pesos que ouso dizer que são incomparáveis, por isso digo que foram episódios diferentes, contextos diferentes, mas sim o numero de mortos influenciou e chamou atenção.

7 - Como o uso das bodycam podem influenciar positivamente nas ações da PM dentro da periferia Não me sinto competente para agregar com você nas duas perguntas, acho que especialistas de segurança podem te informar melhor. 9 - Qual seria a medida necessária para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? Bom São Paulo é o primeiro estado que está pensando em segurança publica e acredito que deve se pensar mais ainda. Pensa pouco mesmo assim, devemos pensar na inteligência, não pode ser algo apenas ostensivo, de tiro, porrada e bomba. O crime organizado está enraizado no Brasil e a gente não resolve esse problema pensando apenas na pólvora.


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9 - Qual é a influencia no discurso jornalístico com o oficial? Você acha realmente que ele influencia no pensamento da sociedade, elas são usadas com a devida transparência ou profissional adequada? Você acredita que o publico é 100% influenciado pelos programas de televisão que trazem a violência como espetacularização? Olha eu acho que o jornalismo que usava o discurso oficial do estado e da policia como o correto é um jornalismo muito anos 90. A nossa profissão atualmente entendeu que esse discurso à gente coloca na matéria, mas é sempre alvo de criticas, suspeitas, pois nunca é a versão oficial, existe o posicionamento da vitima ou testemunhas. Na sua segunda pergunta obviamente a cultura do medo está nesses programas televisivos, que o chamamos de “mundo cão”, que trás uma influencia psicológica nas pessoas e por isso mesmo é alvo de estudo há muitos anos. Violência da audiência e o interesse da desgraça chama atenção hoje e sempre.

Promotor, Edson Corrêa Leite 1 - Porque você escolher ser promotor como profissão? Me fala um pouco sobre o seu dia a dia de segurança pública? A carreira eu “abraço” tem 25 anos, de Ministério Publico, atuei em diversas áreas e mais recentemente me removi para a promotoria de Justiça Militar, então como eu já tinha uma certa empatia com a Policia Militar foi se criando uma relação vendo algo bacana. Entendo que se trata de uma instituição extremamente rígida e que merece o respeito de toda sociedade e com isso colaboramos para que esse status continue. Dessa forma, processamos policiais que infelizmente foram para o mundo do crime, dando as costas para a sociedade e nós temos a função de retirar esses maus elementos.


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2 - Após serem julgados, tais policiais realizam trabalhos administrativos, a Justiça Militar tem voz ativa para afirmar se o agente vai realizar procedimentos disciplinar ? Todas as investigações que apuram crimes militares, são investigados pelos batalhões, cada um desse tem uma seção, tendo um delegado, esse preside uma seção e ali naquela delegacia militar instaura os inquéritos. Por isso esses batalhões instauram números assustadores, somente eu nos últimos três meses, recebi algo de entorno 480 inquéritos, por isso é um engano das pessoas achar que policia militar protege os seus agentes, muito pelo contrário, não admitem falhas. Então quando chegam até a Promotoria Militar realizamos a leitura desses inquéritos e digo para você, mais de 95% desses inquéritos são arquivados, pois na realidade não hà um crime militar na sua essência, sendo assim abrindo um procedimento disciplinar. Mesmo assim mostra como a corporação é sim rígida no quesito de erros pela ética. Então veja, no meio de todo esse rigor temos um número de denúncias muito pequeno. Infelizmente então maior parte da imprensa, desavisada - mente, não conhece essa realidade e faz mau juízo da corporação.

3 - Edson, em fevereiro você solicitou novas imagens e depoimentos em inquérito que investiga mortes, você pediu isso por achar que realmente as diligencias não encontraram devidamente um culpado, ou houve alguma falha nas investigações? É normal os promotores pedirem mais diligencias desse tipo? Pelo Código de Processo Militar e pela Constituição Federal as investigações envolvendo crimes militares é da atribuição da chamada Policia Judiciária Militar, isso está na lei, mas com a mudança de competência o processamento e o julgamento foram destinados ao Tribunal do Júri. Perceba, é julgado pela Justiça Comum, mas continua sendo investigado pela Justiça Militar. Então a imprensa na maioria das vezes rotula – se a Policia Militar sendo parcial para as investigações.


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Nesse caso especifico de Paraisópolis, temos dois inquérito, um da Policia Militar e outro da Civil. O primeiro fica sob a minha presidência, por isso mesmo eu reconhecendo após diligencia que houve crime de homicídio praticado por PM contra civil a nossa obrigação por lei e encaminhar a justiça comum. Necessariamente nesta questão, de fato, estabelecer responsabilidade, pois no primeiro momento a carga de responsabilidades vai toda aos PMs, se eles com a incursão na favela provocaram o encurralamento, assim criando a aglomeração de pessoas que no momento de pânico morreram por asfixia. Diante dessa aglomeração entendemos que também a responsabilidade dos organizadores do evento, quem são esses que convocam centenas de pessoas para aquele tipo de local. Ali dentro você encontra drogas, criminalidade, apologia ao crime e armamento pesado. Esses jovens ficam em situação de vulnerabilidade, mesmo assim só queremos saber quem são essas pessoas que organizam isso. Dentro uma perspectiva que não deve ser afastada, entendemos nós, que também a uma possibilidade de responsabilização dos criadores do evento, quem são essas pessoas, convocam centenas de pessoas para um local que você não tem acesso a paramédicos, envoltos na criminalidade, tudo às escondidas... tudo realizado na clandestinidade, nada informado ao poder publico, por isso os jovens ficam em uma situação de vulnerabilidade, agora quem são essa pessoas, um ponto importante que deve ser desvendado.

4 - Moradores de Paraisópolis querem que o poder público ajude a organizar o Baile da Dz7. Com a medida, a Prefeitura e o Estado seriam responsáveis por fornecer a estrutura do evento, mas com os bailes tendo regras definidas, como horários para começar e terminar. Você vê o poder publico preparado para cuidar desses bailes? Discurso político às vezes é incoerente, principalmente uma falta de pulso firme por parte de nossos lideres. Mesmo assim com todos os problemas com a grande imprensa ainda há gente que defenda esse espaço como cultura, manifestação de liberdade de expressão etc.


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Mesmo assim sendo uma forma de diversão ou não, claro que isso poderia ser regrado em uma área apropriada com o poder publico sendo informado com antecedência. Enfim me parece que dando ares de oficialidade os jovens podem manifestar o seu pensamento. É uma situação muito sensível.

5 - Como você informou, as duas investigações ocorrendo ao mesmo tempo, essas apurações podem trazer entendimentos diferentes? pode haver conflitos internos, ainda mais. Tudo já está em andamento e vai para o Ministério Publico, ele ficando satisfeito com o que foi apurado pode denunciar ao Tribunal do Júri. No quesito entendimentos diferentes, conversei com a investigadora da Policia Civil apenas uma vez, mas eu não sei o que está sendo levantado. O que pode acontecer apenas é entendimento diferentes, podendo até gerar conflito.

6 - A Justiça Militar pode interferir nos bailes funks? Acho que dentro da promotoria não podemos interferir, só realizamos táticas de inteligência e investida. Agora quem pode interferir é a Promotoria de habitação e urbanismo, aqui só verificamos se o Policial Militar “andou mal ou não”.

7 - Uma coisa legal foi que a polícia usa imagem 3D de Paraisópolis para apurar ação de PMs, esse uso da tecnologia você vê que no futuro vai auxiliar ainda mais nas diligencias? A capitação de imagem é muito importante e sempre bem vindo, isso faz com que as operações sejam muito mais transparentes e isso só coopera, muito válido”.


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8 - Programa do retreinamento, sob o comando da gestão Doria, pode trazer uma sensação mais de segurança por parte da periferia? Lógico que é favorável, para o bom policial é mais um instrumental que vai comprovar a sua boa forma de atuação, gera segurança para todo mundo, não vejo como isso possa ter opiniões contrárias. Esse monitoramento pelo policial com essas câmeras trás mais sossego para quem está sendo abordado e como eu disse gera uma transparência da ação que é inquestionável. Mas acho também que a policia comunitária, o agente conhecendo melhor os moradores, essa aproximação, ela é sempre muito salutável. Mas não vai ser agora que a insegurança de muito moradores vai acabar, mas auxilia muito pois o mal policia quando quer se deslocar clandestinamente o sistema vai informar onde ele estava e o que estava fazendo nas localidades de um crime ou agressão. Para você ver Lucas, a reciclagem dos policiais é constante, nós pressionamos na escola de sargento e vemos que estão aprendendo a manter a ética e direitos humanos.

9 - Você acredita que o processo seja finalizado até o fim do ano? As investigações sem duvidas estão em vias de encerramento, pelo menos processo vai ter agora o desfecho do processo, será bastante penoso, haverá diversos réus, recursos então é algo cansativo. Vamos aguardar o Ministério Publico, eu achei que as diligências do caso foram rápidas e até propus diligências aditivas. Para você ver a Justiça Militar é muito rápida, mais célere do Brasil.

10 - Qual seria a medida necessária para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? Eu tenho uma posição que é muito contundente perante a isso, quer me parecer que essa situação pode melhorar com uma modificação da nossa educação básica, pecamos muito nisso, a partir do dia que tivermos uma modificação estrutural essas


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pessoas desfavorecidas com uma educação você vai oferecer opções de uma vida digna, que penso eu vem através da educação. Um pais que investe pesadamente no terceiro grau para promover o acesso das pessoas nas universidades, mas sem nenhuma condição de estarem lá. Pessoas semi alfabetizadas e foram alçadas aos bancos da faculdade através de empréstimos e hoje não tem condição de exercer profissão nenhuma por não saber ler ou escrever. É um estelionato educacional, não podemos colocar na universidade quem não tem condições. Lembrando que a culpa não é dessa pessoa, pois sua base foi fraquíssima. Entendo que o nosso país deve se voltar a aquela criança desassistida, desfavorecida, vitimizada, que vê desgraça após desgraça, indo para o crime e em um determinado dia troca tiros com a policia e morre. Esse é o futuro desse jovem, portanto temos que focar na educação com a máxima excelência.

Jornalista, Arthur Stabile 1 - Porque você escolheu jornalismo como profissão? Me fala um pouco sobre o seu dia a dia cobrindo segurança pública? Você se interessou por isso logo que entrou na faculdade? Essa minha escolha aconteceu no segundo ano do Ensino Médio, minha professora de português olhava minhas redações e via uma certa facilidade minha em escrever sobre diversos assuntos. Foi ai que ela me apresentou o curso de jornalismo, olhei com calma e pós termino da escola vi que esse era o “melhor caminho para o meu sucesso”. Uma coisa que me empurrou para a escolha do curso foi o esporte, sou apaixonado por futebol, como palmeirense era um sonho cobrir o meu time e por fato de na época estarmos próximo à Copa do Mundo no Brasil me interessei ainda mais. Por fim realizei o curso na faculdade Anhembi, onde estagiei no instinto Diário de São Paulo e cobri a Copa. Referente de seguir na área de Segurança Publica, sempre fui uma pessoa com senso político muito transparente, sempre gostei de debater, mas essa politicagem e


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toda espetacularização me fez entender que naquela esfera eu perdia minha identidade. Quando eu fiquei meio “desacreditado” a Ponte do Jornalismo surgiu no fim de 2014 e a partir da li eu vi uma nova forma de fazer cobertura de segurança que me chamava muito mais a atenção do que era feito antes.

2 - Como você lida com tais respostas ‘’ignorantes’’? Demorou muito pra você entender onde você estava se metendo ou já tinha ciência? Você já foi hostilizado por pessoas do poder publico por causa de alguma matéria? Um dos principais pontos que tive para analisar na época ao ingressar nessa área foi à questão das ameaças, pois Segurança Publica é muito diferente de esporte. Mesmo que aja interesses e pessoas influentes que inflamam uma internet contra você por exemplo, não chega aos pés de você falar sobre a Segurança. Por exemplo, se existe uma pessoa que não gosta do seu trabalho ou das reportagens que você escreve, na Segurança Publica esses indivíduos andam armados por ai, que com apenas um clique conseguem puxar alguns dados sobre você e te achar em qualquer lugar. Você ou sua família né, então cogitei no começo não caminhar para essa ares, mas hoje costumo ignorar, poucas vezes entro em debate. Eu diria que não somos pessoas publicas, mas o nosso trabalho é publico, então temos que saber como lidar com isso.

3 - Atualmente como é o relacionamento dos repórteres de segurança publica com a própria assessoria da SSP – SP? Eles são claros no requisito de repassar a informação para a sociedade? Olha eu acho que essa assessoria da SSP, não é uma assessoria de imprensa para o publico e sim para o governo. Muitas questões não são repassadas ou transmitidas, posso te dar um exemplo, esse ano o primeiro semestre de 2020 foi o mais letal da policia em 24 anos e para nossa assessoria quando recebemos as


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informações dos dados, parece que tudo está tudo bem, que a população está extremamente servida, as vezes eu sinto uma passada de pano em alguns momentos. Ai eu não se é uma passada de pano coletiva, individual, para os oficiais, para os “praças” ou uma passada de pano para que o governo geral em si não fique tão alvo desses comentários que vão gerar quando à uma ação específica.

4 - Por consequência da tragédia, Paraisópolis recebeu todos os holofotes possíveis, porém, a cobertura da imprensa ainda se resume ao noticiário policial, diferente do jornalismo independente. Você acredita que a grande mídia ainda peca em não apresentar mais historia diferentes, não á um espaço correto devido para a comunidade? Olha primeiramente, acho que a gente não deve ignorar quando a algum tipo de tragédia, o ponto é como tratar isso, exemplo o próprio massacre do bairro de Paraisópolis, não podemos tratar como uma questão de que a culpa é dos organizadores do evento, eles são responsáveis por todas as mortes, como muitos veículos de mídia repassaram, aliás, esse caso nem teve solução então não podemos apontar nada sem que o caso seja encerrado. Ao mesmo tempo tem muito veiculo que só quer realizar matéria positiva da quebrada, eu acho isso um erro, pois assim você está fazendo uma alto censura, pois ai você acha que está estigmatizando a região. Acho que você tem que apontar esses tipos de problema como, assim no caso em Paraisópolis, a policia agiu errado e não o bairro é errado por causa daquilo. Pois ai você torna tudo o que acontece na comunidade, culpa da pobreza dela, agora que estamos na pandemia, vemos uma ação dos próprios moradores de Paraisópolis que está salvando muita gente, financeiramente e em questões de saúde. Posso te dizer que o poder publico não fez nada, então isso tem um porque, é uma escolha, o nosso governador e prefeito tem que aparecer para responder.


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5 - Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão, assim como outros parecidos como Favela Naval, em Diadema, 1997? Muita gente fora do estado se mobilizou pelo acontecimento, você entende o porquê disso? Eu acredito que a proporção definiu muito qual o grau cobertura deveria ser feita, se fosse nove ou uma morte a Ponte ia noticiar da mesma forma, mas a gravidade e quantidade de vitimas norteou muito a forma como os veículos cobriram. Empatia é a base do nosso trabalho na Ponte, por isso só depois de nove mortos a gente viu uma pequena sensibilidade por parte da imprensa. 6 - Esse ano nós tivemos ondas de protestos que se espalharam pelo mundo no caso Goerge Floyd , muito se fala dessa repercussão, aqui no Brasil a gente tem quase todo dia esse tipo de violação de conduta policial, a crescente dos números de casos de violência tem aumentado ou é mais um interesse das pessoas em ler sobre esses casos ? Eu acredito que agora hà uma maturidade maior sobre o tema em si, de a população entender que isso não pode ficar debaixo do tapete, agora em relação ao crescimento da Ponte, isso se deve a existência dela a mais tempo, temos 6 anos de site, muita gente não conhece, então quanto mais divulgamos casos, contarmos historias sobre os problemas sociais na periferia, mais se tem confiança no nosso trabalho. Outra coisa, no geral, sem considerar a gente salvadores da pátria, mas desde que a Ponte começou a cobrir segurança, a forma como cobertura sobre o assunto em outros veículos digital mudou. Mas mesmo assim temos espaço para melhorar ou mudar, não só o nosso site como os demais.

7 - Hoje a importância da participação das pessoas nas filmagens das ações policiais é enorme, a Ponte fala muito sobre isso, pede para que as pessoas gravem algumas ações, isso até funciona como apuração para vocês, mesmo assim dentro portal isso pode soar como algo danoso? Nós temos um grande cuidado quando recebemos vídeos desse tipo, às vezes uma pessoa só apenas filmando pode ser prejudicial do que muitas ali em volta de uma


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ação. Então pedimos que essas pessoas tenham cautela, entender a situação que está, se tiver um mínimo de segurança você filma, ou só o áudio. Isso serve como apuração, nós confiamos nas nossas fontes, ao mesmo tempo a gente dá a maior proteção para as nossas fontes. Nós não podemos ser assessoria de imprensa, então em um contexto geral devemos ponderar muito o impacto das nossas matérias.

8 - Como o uso das bodycam podem influenciar positivamente nas ações da PM dentro da periferia e o Programa do retreinamento, pode trazer um sensação mais de segurança por parte da periferia ? Bom vou começar pela ultima pergunta, de todos os especialista que eu já ouvi, poucos conseguiram me dizer que o retreinamento servirá mesmo como um retreinamento. A unanimidade diz que essa é uma ação totalmente política por parte do governador, as duas eu diria. Então dos especialistas mais voltados aos Direitos Humano não dá para atingir uma tropa de 90 mil pessoas com vídeos em duas semanas e ter mudanças na outra. Do lado de quem atua ou já atuou na Segurança, o retreinamento não são necessárias, as pessoas já são treinadas e o comando precisa alertar de forma mais rígida os protocolos. Enquanto a questão da bodycam, em conversa com um especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Publica, estudos mundiais mostram que esse tipo de uso não tem uma definição se é boa ou ruim. Então essa resolução de não termos uma conclusão, trás um alarde de como essas câmeras vão chegar à nossa capital, estou curioso de como isso vai ser, eu como cidadão acho a iniciativa positiva, mas como alguém que trabalha diariamente com isso tem algumas ressalvas com a forma de uso.

9 - Esse tipo de apuração da mídia ajuda também o pode publico em alguns casos?


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Olha ajuda sim, sem sobra de dúvidas, a morte do jovem Rogério Ferreira, no Parque Bristol, foi importante, pois nós fomos o primeiro veiculo a dar, com depoimentos e imagens. Isso claramente impulsiona com que a Corregedoria se mexa para entrar no caso.

10 - Qual seria a medida necessária para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? O que eu acho é que à questão social muito forte nossa, tanto de desigualdade quanto de preconceito, encarar os negros, periféricos, mulheres e lgbtqia+ como pessoas inferiores. Isso fora a questão de oportunidades, então essas bases sociais estão diretamente interligadas com as questões de segurança pública.

Prefeito de Paraisópolis, Gilson Rodrigues 1 - Me fala um pouco sobre você, como chegou até São Paulo, como foi a criação do G10? Olá eu sou Gilson Rodrigues, sou uma espécie de prefeito de Paraisópolis, comunidade com mais de 100 mil habitantes, segunda maior de São Paulo e a quinta maior do Brasil. Famosa por estar no coração do Morumbi, já comparado como bairro europeu, mas ao mesmo tempo temos uma população carente ao lado na qual uma parcela passa por grandes dificuldades. Minha família veio do nordeste, assim como a maioria das pessoas da comunidade, 85% são nordestinos ou filhos do mesmo. Já se faz 70 anos que eu e a minha família estamos aqui, viemos com um sonho de morar na cidade grande, onde as crianças teriam boa educação e os pais ficarem ricos. Minha mãe era surda e muda, teve 14 filhos e após ela morrer de câncer fomos todos dados na periferia. Nós não sonhamos que a nossa moradia seria ao lado de um córrego, passando diversas dificuldade. Mas devido às dificuldades da “cidade grande” e o descaso dos governos ao longo dos anos fez com que Paraisópolis crescesse de forma desorganizada. Com o


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tempo fui decidindo mudar esse meu destino de que um dia eu me tornaria bando ou que as drogas poderiam me “pegar” e em um processo de grêmio estudantil na escola, iniciei minha militância onde virei presidente do grêmio e de Paraisópolis anos depois. Posso te dizer agora então que a comunidade está crescendo fazendo parte de um bloco de líderes empreendedores sociais das 10 maiores favelas do Brasil, a G10, e nós acreditamos que a gente possa mostrar as boas iniciativas e o potencial que a favela tem para que essas oportunidades sejam alavancadas para um processo de informação.

2 - Gilson me fala um pouco sobre como a comunidade de Paraisopolis? Como ela foi construída o crescimento da área para chegar até o que conhecemos hoje? Paraisópolis faz parte de um loteamento para milionários que deu errado, por isso é um espaço extremamente grande cheio de terrenos. Muitos proprietários resolveram comprar algumas terras, mas nunca criaram nada naquele local, com o tempo houve a chegada do Palácio do governo, hospital de luxo foi erguido e o estádio do Morumbi. Então muitos nordestinos vieram até a região, com isso à área verde do terreno foi se ocupando e concentrando cada vez mais cheio de casas. Esse processo durou cerca de 10 anos com a gente sofrendo com a ausência do poder público, então os nossos números sempre foram grandes, no sentido de falta de creches/escolas, desemprego, postos de saúde. Hoje não há como sairmos daqui, são muitas famílias em uma região muito concentrada mostrando que Paraisópolis se consolidou como um grande bairro e que agora estamos tentando implementar de fato em um bairro de verdade 3 - Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão, muita gente fora do estado se mobilizou pelo acontecimento, você entende o porquê disso? Olha eu acho que esse caso deveria ter mais visibilidade, pois toda a visibilidade que você diz ainda não trouxe justiça para as famílias, então daqui alguns dias vai se fazer 11 meses do massacre e as pessoas aqui quase nem falam o que


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aconteceu. Toda repercussão que houve ainda é pouco, pois foram 9 vitimas tiradas, nove famílias esperando uma resposta e uma comunidade que se sente vitimizada/marginalizada com tudo que aconteceu. Então se nós não continuarmos fornecendo a visibilidade necessária, a gente corre um risco de acontecer novamente, é inadmissível que a gente permita que uma coisa dessa aconteça novamente, aqui ou em qualquer comunidade.

4 - Como ficou Paraisópolis pós a tragédia do baile? Acredito que pós o acontecimento, houve uma situação de revolta, a constatação que todos os mortos não eram moradores da comunidade demorou, então muita gente daqui considerava que era alguém próximo, só após a constatação de que eram moradores de fora, fez com que nos preocupassem bastante, pois temos um grande número de pessoas vindo aqui e isso reforça o potencial da comunidade seja para eventos ou segurança, mas concretamente das cinco mil pessoas que acompanham os bailes mais de 90% são de pessoas externas.

Agora o baile passou a ter mais força, as pessoas perceberam que para as famílias se sentissem acolhidas elas precisariam ser apoiadas, então o baile continua ainda maior, junto com os problemas também.

5 - Das nove vitimas da tragédia, todos não eram moradores da comunidade, você consegue entender o porque disso ? O baile da Dz7 virou uma grande atração para todos os jovens das outras periferias. Sim, o baile na comunidade ficou muito famoso, principalmente após a novela I Love Paraisópolis, então isso reforça a identidade do baile ser algo legal, atores globais e outras personalidades vindo até aqui. Assim se torna símbolo de desejos e atrai mais gente.


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6 - Como é a convivência dos moradores com os frequentadores do baile? Paraisópolis é uma comunidade que está extremamente acostumada a receber visitas, então sempre temos alguma coisa acontecendo, com relação ao baile temos dois movimentos, primeiro os vizinhos do baile sofrem bastante com o barulho e com tudo o que a festa pode criar em um aspecto negativo ao mesmo tempo existe uma perspectiva positiva de comércio, geração de trabalho e renda que esses moradores também usufruem. Então na região onde o baile está existe um problema concretamente por falta de estrutura, a uma série de benfeitorias que poderia melhorar a condição de quem vem quanto dos moradores.

7 - Moradores de Paraisópolis querem que o poder público ajude a organizar o Baile da Dz7. Com a medida, o Prefeitura e o Estado seriam responsáveis por fornecer a estrutura do evento, mas com os bailes tendo regras definidas, como horários para começar e terminar. Você vê o poder público preparado para cuidar desses bailes? Nós não queremos ajuda no sentido de organização, ele acontece e vai continuar dessa forma, é uma coisa espontânea da comunidade. Mas diante dessa situação o governo podia apoiar a comunidade, o baile é como se fosse um carnaval, se derem uma mesma infraestrutura como a que acontece nas festas do começo do ano isso tudo pode virar ferramentas de prevenção para que não aconteça novamente algo parecido.

8 - Pós a tragédia você sente um olhar diferente agora no quesito de atrair pessoas? Acho que não existe um pós tragédia ainda, tudo isso continua a medida em que não se tem uma solução para o problema, que os culpados não foram condenados e que a comunidade durante esse período recebeu uma onda de informação positivas e negativas onde é culpada que impactaram socialmente e economicamente.


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Antes dos fatos estávamos em um momento prospero, mas depois do caso da Dz7 e do covid o cenário de luta se tornou ainda mais difícil.

9 - Qual seria as alternativas para não ter essa repressão policial nos bailes da comunidade? Eu acredito que a policia que nós temos hoje tenha uma cultura de abordagem diferente quando é realizada em uma comunidade para um bairro de classe média alta. Quantas vezes nós já escutamos isso de coronéis ou militares, é um preconceito claro, por isso vivemos nesse dilema do “Alphaville e o Alphavela”. A melhor forma no quesito mudança é uma nova policia, onde ela seja mais humana, identificada com a periferia e isso torna ela mais segura. Mesmo assim eu acho que nós não viveremos isso nos próximos anos, cada vez mais temos governos que nos lembram tempos de repressão, colocando o estado contra a sociedade. Ao mesmo tempo que eu acredito na organização da comunidade, então já que a policia que existe age dessa forma, usamos do artifício da tecnologia para gravarmos ações erradas e denuncias de maus policiais.

10 - Quais medidas seriam necessárias para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? Eu acredito que a melhor forma de respondermos essa pergunta é a extinção da corrupção, nos vivemos em um país rico em água, minério, petróleo, mas que infelizmente vive momentos de pura desgraça, então a medida que a gente consiga combater a corrupção nós teremos de maneira transversal mudanças favoráveis em todos os setores.

Sargento da reserva, Samuel Lago 1 - Qual é a verdadeira responsabilidade de um agente militar na sociedade?


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Olha, eu quando falo que a policia militar do nosso estado é a melhor do nosso Brasil eu falo com muita bagagem, viajei para todos os lugares do nosso país para realização do meu livro, esse que para quem leu mostra a valorização do agente, justamente pois desde o inicio da minha atividade policial eu percebi o quanto essas pessoas são abandonadas e não recebem o devido valor que deveriam. Lembrando que os níveis de atuação é parecido em todos os estados, todo ser humano policial está nivelado por cima, em todos os estão são muito bons. Agora nos quesitos de equipamento, estrutura, tecnologia o Estado de São Paulo está na frente de todas. Mas respondendo a sua pergunta com clareza, o policial por ser muito visível é fácil ser atirado pedras nele, eu faço um comparativo com um árbitro de futebol, é uma fração de segundos, você pode ir do céu para o inferno. Então esse agente arrisca a vida dele, não sabe como irá voltar para casa, mas sabemos que quando sai é com um único pretexto de proteger e servir. Para que isso aconteça nós temos que ter uma estrutura de treinamento, a da nossa cidade é completa, eu vejo gente dizendo que precisamos de retreinamento, o policial já é bem treinado para qualquer tipo de situação. Eu tive situações que eram assim, decidir em uma fração de segundo o que fazer em alguma determinada ação. Agora se você me disser que existem policiais que praticam abuso de autoridade eu vou dizer que sim, não vou esconder uma coisa dessas que já está na cara de todos, agora vamos ver em porcentagem quantos agentes cometem esse tipo de falta de ética, é claramente uma minoria, mas que chama atenção.

2 - Você teve algumas decepções em todos esses anos de corporação? Bom eu acredito que seja uma falta de efetivo, quando eu viajei o Brasil detectei isso em todas as bases, até porque existe um número X de policiais para o número de habitantes, então a defasagem desse quadro é grande. Além também que na minha época a havia outras defasagens como as estruturais, coletes vencidos, armas que não correspondem com as solicitadas então de uma


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forma geral como eu disse São Paulo tem uma boa estrutura, mas quando você sai percebe que as necessidades de outros estados são maiores.

3 - Qual é realmente a mensagem que você quer trazer para a sociedade com o livro Papa Mike? Olha eu quis aproximar o policial militar como ser humano para a sociedade, é claro, primeiro eu conversei com os agentes, o que cada policial de cada estado sofre, deixar uma mensagem que a luta é a mesma só muda a cor da farda. E para as pessoas do mundo civil, que não pertence a esse universo mostrar o quanto de humano tem esse policial, as emoções, dilemas são iguais como de qualquer pessoa e assim você instiga a pessoa, a saber, mais sobre esse sentimento do que é ser policial na sua intimidade.

4 - Por toda sua vivência no mundo da musica, o que você acha desses novos gêneros como o funk e os seus bailes que hoje são movimentos culturais nas favelas? Olha eu acredito que ela venha para o jovem com uma finalidade de entretenimento, até porque todos nós precisamos da músicas e temos que respeitar o estilo de cada um. No passado, mais ou menos em 1940/50, se existia um grande preconceito com o samba, então os gêneros musicais a serem perseguidos em determinado momento vão se esquecendo disso. O funk para mim,veio com uma proposta clara de atender os dois da periferia, mas ai quando você vai no conteúdo da letra é um apelo a pornografia e criminoso. Não só critico o funk, não podemos generalizar, hoje em dia o sertanejo também vem com melodias bem problemáticas, é um incentivo ao consumo desenfreado de bebidas alcoólicas onde as pessoas não entendem que vivemos em um pais onde acidentes de transito causados uso de álcool vem aumentado cada vez mais. Um dos problemas que nós enfrentamos hoje é o silencio urbano, o nosso programa psiu não funciona direito, não temos ninguém para acompanhar essas festas, como


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é realizada no carnaval. Então o volume horroroso é um problema a ser resolvido, ninguém dorme na comunidade, então rola sexo, droga, bebidas é digamos que uma curtição desses jovens que mesmo assim estão em volta de pessoas armadas e do crime organizado. Volto a repetir, não generalizo, mas o funk está a mercê da lei.

5 - Com tudo o que já foi investigado houve claramente uma ação reativa dos policias após toda a perseguição até chegar no baile funk, você vê que nesse caso essa dispersão para continuar atrás dos dois meliantes, foi um erro? recuar não teria sido mais razoável até também para a proteção dos policiais? Bom entenda uma coisa, o policial está naquele lugar para acertar, quando ele erra veja os motivos primeiro, pois punisse rapidamente os agentes, no caso Paraisópolis não era nem 12 horas depois do fato muitas emissoras já estavam dando como uma ação falha da Policia Militar, então assim tem toda uma historia por trás, será que aquela pessoa que anteriormente não apresentou nenhum erro de ética, estava hábil a entrar em campo aquele dia? Como anda o psicológico desse agente? Ele está recebendo em dia? Tem toda estrutura adequada para sair na rua com segurança? então assim, o estado é responsável pela qualidade do trabalho que ele exerce. Entendo morreram pessoas inocentes naquele local, os policias erraram naquela ação, mas entenda que eles também serão vitima de um sistema que poderia ter cuidado melhor. É claro como em qualquer outra profissão, a policiais bons e ruins, mas o buraco é muito maior do que decidirmos os lados certos e errados. O problema é sério, não tiro a responsabilidade dos agentes, até porque temos alguns vídeos de abuso do poder que não se aprende isso em um treinamento. A maioria erra por outras questões, não por ter o gosto de errar. Isso é consequência devia entrar ou não deveria? Agir ou não agir? Tudo bem eu entendo que tudo isso tem que ser debatido, toda vida é importante, é claro, mas vamos chegar na essência, se ficar nessa de discutir tudo sempre vai continuar morrendo gente no futuro.


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Vamos discutir outras coisas então, aquele baile funk sendo realizando no meio de uma rua publica era legal? Segundo passo o que estava fazendo menores de idade naquela madrugada, muitos deles que atravessaram a capital ou vieram do interior, cadê a mãe e o pai dessas crianças? Eu estou mostrando um monte de questões que teriam que ser discutidas antes do que você chegar e culpar o policial. As pessoas julgam as causas e não as consequências. Eu não estou querendo defender os policias, já disse para você, a sentença já está feita. Eu digo para você, fico muito chateado que as pessoas querem criticar a policia sem ter a mesma vontade de conhece – lá. Prender o policial é você prender o lado mais fraco da historia, fui preso depois de 8 anos aposentado por crime de escrever texto na internet, então não pense que o policial passa batido o tempo todo.

Jornalista, Luis Adorno 1 - Porque você escolheu jornalismo como profissão? Me fala um pouco sobre o seu dia a dia cobrindo segurança pública? Você se interessou por isso logo que entrou na faculdade? Quando eu tinha 9 anos, vi meu melhor amigo, de 10, ser morto por policiais militares na minha frente. Eu morava em Guaianazes. No dia seguinte, uma repórter da Rede Record foi até o local e gravou uma passagem na rua onde ele foi baleado apenas com a versão policial. Uma história inventada: um jovem que foi morto por traficantes porque não cumpriu com seus compromissos na criminalidade. Eu, criança, e vizinhos e familiares tentamos narrar a verdadeira história para a repórter: havíamos jogado bola juntos o dia inteiro; iríamos em uma vendinha tomar refrigerante de saquinho. Ele não olhou para as duas direções da rua antes de atravessar e foi atropelado pela viatura. Começou a gritar de dor. Os policiais o colocaram na viatura e os gritos de dor só pararam com estampidos de dois tiros. Meu melhor amigo foi enterrado como um traficante. Perdi minha infância. Quando eu estava no ensino médio, comecei a ler alguns textos do repórter André Caramante no jornal Folha de S.Paulo. Lá, ele desmentia policiais militares seguidas vezes. Quando o conheci, decidi que queria fazer o mesmo. Hoje, em cada reportagem que dedico meus esforços e lembro do Luís Adorno de 9 anos. Eu


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escuto, atentamente, cada palavra de cada fonte. Deixo que as pessoas falem, mesmo que a pauta não seja aprovada pelos meus chefes ou caia. Porque sei o quão duro é você tentar falar e ninguém estar disposto a ouvir.

2 - Assim como um jornalista que escolhe falar sobre política, ciente das opiniões diferentes, até mesmo agressivas, na segurança pública o mesmo acontece, como você lida com tais respostas ‘’ignorantes’’? Demorou muito para entender onde você estava se metendo ou já tinha ciência? Você já foi hostilizado por pessoas do poder público por causa de alguma matéria? Minutos após João Doria ter sido eleito governador, em 2018, questionei na coletiva de imprensa se ele teria preocupação com a letalidade policial. Havia cerca de 3 mil militantes do PSDB. Ele afirmou: "não esperava outra pergunta vindo de você" e todos riram. Mais atrás, em 2015, eu tive que sair da quebrada onde nasci e cresci, na Vila Jacuí, e tenho que morar no centro de São Paulo, porque policiais militares da zona leste ameaçaram a mim, minha mãe e minha então namorada de morte, depois de eu ter revelado um grupo de extermínio que agia nas zonas sul e leste da capital. Há maneiras e maneiras de se cobrir segurança pública. É possível, e também é digno e honroso, cobrir segurança pública ao lado de policiais, mostrando o bom serviço de membros da corporação. Eu escolhi fazer uma cobertura técnica e crítica, para que todos os brasileiros, independentemente de onde moram, sejam bem acolhidos por policiais, o que atualmente não acontece, sobretudo na periferia. Eu faço muitas reportagens também sobre o PCC. Nunca fui ameaçado por qualquer integrante da facção. Mas a cada reportagem que reporto erros de policiais, policiais e simpatizantes dizem que sou pró-bandido. É do jogo. O importante é você estar seguro e reportar os fatos com o máximo de precisão. Eu já tinha ciência, porque Caco Barcellos e André Caramante tiveram que sair do país exatamente por esse tipo de cobertura. Foi uma escolha.

3 - Por consequência da tragédia, Paraisópolis recebeu todos os holofotes possíveis, porém a cobertura da imprensa ainda se resume ao noticiário policial, tratando sempre a favela como cenário de guerra, diferente do jornalismo independente que apresenta diversas histórias de superação,


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investimentos, ONGs, espaços artísticos, festas culturais etc. Você acredita que a grande mídia ainda peca em não apresentar mais histórias diferentes? Há certa criminalização da pobreza por parte deles? Eu concordo com o cerne da sua primeira afirmação, mas, respeitosamente, discordo da totalidade. Trabalhei no jornal Metro, na Record, no SBT, no jornal Agora e no UOL e sou co-fundador de um grande portal independente, que é a Ponte Jornalismo, além de ter passado pelo Blog Mural (agora Agência Mural). São necessárias ambas as coberturas jornalísticas. O jornalismo deve retratar fatos. Sempre. Doa a quem doer. Sempre me doeu retratar a criminalidade e a violência policial constante no extremo leste de São Paulo, de onde eu sou. Mas se eu não retrato, se ninguém retrata, a opinião pública entende que o local está perfeito como está. E não está. Em muitas vezes, essas reportagens fazem pressão pública para que órgãos competentes e governos se mexam. É a partir desse tipo de reportagem, por exemplo, que muitos jovens de periferia são soltos depois de terem sido presos de

maneira

forjada,

a

exemplo

do

que

aconteceu

ontem

(https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/09/02/aquele-pm-sujou-aimagem-de-bons-pms-diz-motoboy-agredido-a-coronhadas.htm). Se passaram nove meses do caso de Paraisópolis e, até agora, a investigação pouco avançou. Imagina se não houvesse pressão da imprensa? Estaria debaixo do tapete. Por outro lado, jornalismo cultural é diferente de jornalismo investigativo. No jornalismo investigativo, a denúncia, bem embasada, é o principal foco. Há jornalismo cultural bem feito em vários jornais, não só nos independentes. Mas sinto que há uma força da quebrada para barrar o jornalismo investigativo e impulsionar apenas o cultural. Não vejo essa a melhor solução.

4 - Moradores de Paraisópolis querem que o poder público ajude a organizar o Baile da Dz7. Com a medida, a Prefeitura e o Estado seriam responsáveis por fornecer a estrutura do evento, mas com os bailes tendo regras definidas, como horários para começar e terminar. Você vê o poder público preparado para cuidar desses bailes? É preciso entender, antes, a dinâmica dos bailes de favela. O baile não é a última opção de lazer de um local que não tem opção de lazer, como muita gente tenta


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retratar.

Jovens

atravessam

a

cidade

para

ir

a

um

baile

de

favela

(https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/12/10/baile-de-favela-naoe-ultima-opcao-jovens-atravessam-sp-por-preferencia.htm). É necessário entender as partes dos frequentadores e dos moradores antes de se cobrar algo das autoridades públicas. A prefeitura tentou, após o caso de Paraisópolis, montar um baile organizado na Cidade Tiradentes. Não rolou. Não sei se rolaria em Paraisópolis. É preciso entender a dinâmica territorial. Tentativas podem acontecer, mas é impreciso saber se daria certo ou não. Financeiramente, estado e prefeitura têm verba pública para as secretarias de cultura. Esse dinheiro poderia ser alocado nos bailes.

5 - Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão, diferente de outros parecidos como Favela Naval, em Diadema, 1997? Muita gente fora do estado se mobilizou pelo acontecimento, você entende o porquê disso? Discordo que o caso da Favela Naval não tenha tido repercussão. Abriu o Jornal Nacional do dia, os PMs foram denunciados, presos e condenados. No caso de Paraisópolis, 31 PMs envolvidos estão soltos. Vale o questionamento: o que é repercussão? Eu prefiro uma repercussão que influencie na prática, como foi o caso da Favela Naval. Para além disso, são outros tempos, a sociedade brasileira tem debate coisas atualmente que não debatia no passado: o racismo, a violência policial, o machismo, entre outras questões. Entendo que Paraisópolis mobilizou muitas favelas no Brasil porque é debate público nos últimos anos o racismo e a violência policial.

6 - Com tudo o que já foi investigado houve claramente uma ação reativa dos policias após toda a perseguição até chegar no baile funk, você vê que ali foi o ponto errado dos agentes em fazer essa dispersão para continuar atrás dos dois meliantes, recuar não teria sido correto, até para a proteção dos policiais? Não posso dizer, porque não sou policial nem promotor. O que familiares entrevistados à época reclamaram é que os PMs deram como única rota de fuga um


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corredor estreito. Para a promotora do caso, os PMs assumiram o risco de matar com essa atitude (https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/08/27/houve-doloeventual-em-paraisopolis-e-pms-serao-denunciados-diz-promotora.htm). Norma interna da PM aponta que o policial, em qualquer ocorrência, deve se proteger primeiro e, caso apresente risco a uma terceira pessoal, não envolvida no caso, se prefere deixar o suspeito escapar do que um inocente terminar ferido ou morto. Aqui não compete o que acho ou deixo de achar, trata-se da regra interna.

7 - Como o uso das bodycam podem influenciar positivamente nas ações da PM dentro da periferia? Quando se fala em trabalho que protege a vida, a transparência é 100% primordial. É uma prova do ato. É positivo também a policiais vítimas de violência. Mas com o PM decidindo a hora de gravar e parar a gravação não vale de nada.

8 - Sobre unidades pacificadores, como poderia ser implementada em São Paulo, fazendo com que seja diferente do Rio de Janeiro? Rio e São Paulo são territórios com dinâmicas diferentes. O Rio tem facções rivais e milícias. Há locais bem definidos de onde estão os criminosos e onde ocorrem os confrontos. Nunca em Ipanema. Já São Paulo tem uma facção dominante e o crime é espalhado por todo o estado, sobretudo na capital e na Baixada Santista, mas não há locais exatos como no Rio. Não seria viável em São Paulo.

9 - Qual seria a medida necessária para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? Políticas públicas de segurança que tenham a prevenção da vida como ponto de partida. E políticas públicas de educação, cultura e saúde como prevenção para que


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jovens não sejam tentados a entrar na criminalidade. Ou, pelo menos, terem opção de escolha entre um trabalho digno e o crime.

10 - Qual é a influência no discurso jornalístico com o oficial? Você acha realmente que ele influencia no pensamento da sociedade, elas são usadas com a devida transparência ou profissional adequada? Você acredita que o público é 100% influenciado pelos programas de televisão que trazem a violência como espetacularização? Acredito que as pessoas ficam com medo por meio dos programas de televisão que retratam o trabalho policial. Te faço uma provocação: você acha que São Paulo é um estado seguro ou inseguro? Responda para si mesmo a pergunta e, depois, entre no Atlas da Violência 2020 e veja qual a taxa de homicídios no estado. Para ter como base de comparação, órgãos internacionais admitem como "aceitável" a taxa de 10 mortos a cada 100 mil habitantes.

Sociólogo e especialista em Educação a Distância e Mestre em Ciências Sociais. Eduardo Canesin 1 - Cara, vamos lá! Eduardo, eu queria saber de você, porque você escolheu o jornalismo? Como foi na faculdade e é hoje na profissão. Poderia comentar um pouco sobre o seu dia a dia na área da comunicação. Minha graduação, tanto como mestrado e agora o doutorado, é na área de ciências sociais na área social, no qual realizo pesquisas na área da sociologia da comunicação em jornalismo. Foi onde iniciei meus estudos. A princípio, o ambiente familiar contribuiu, meus tios que eram os sociólogos e que faziam questionamento da mídia, só que era um questionamento meio lesado, tipo, a mídia é inimiga. O que eu quis fazer foi estudar o jornalismo da como uma linguagem e como uma função, que tem as vezes um viés, tentando compreender a contribuição social que ela tem. Quando eu entrei no Instituto de violência da USP em 2013, tinha um grande banco de dados de notícias sobre linchamento, execução sumaria e violência policial da década de 80,90 e 2000. Na época, a matéria estava parada e aí, juntamente com o


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Vitor Glota e outros membros, decidimos fazer uma pesquisa sobre o material, gerando o artigo sobre as mudanças de discurso nos casos de linchamento ao longo das décadas. Nos anos 80, quem ouvia vítimas de linchamento era considerado anormal, um monstro, constituindo uma parcela mutável da população, que era nociva. Nos anos 90, o predomínio da cobertura identificava as vítimas de linchamento como culpadas, então, ele foi linchado porque era um assassino, um estuprador, um ladrão. Antes era uma coisa patológica, um monstro, depois mudou para uma categoria jurídica, mas já com a condenação e sem presunção de inocência, e sim presunção de culpa. Apenas em 2000 que há uma alteração, uma discussão no termo suspeito ao acusado, por exemplo, a pessoa era retirada da delegacia e etc. Tem uma preocupação com a categoria do direito com a presunção da inocência, curiosamente, não estávamos falando de causação, estávamos falando de correlação. O mundo de linchação reduziu drasticamente nos anos 2000, conforme teve também essa mudança de discurso na mídia, alguns fatores de ordem econômica e política, mas o que costumamos discutir é como jornalismo se espelha e espelha na sociedade, com uma atitude mais reflexiva sobre os linchamentos de maneira mais humanizada. Publicamos o artigo na época do linchamento ocorrido no Guarujá.

2 - Quando vocês fizeram essa iniciação científica, vocês tinham essa finalidade de mostrar essa redução a partir dos anos 2000, ou ela teria alguma outra finalidade? Neste primeiro momento, foi pesquisado do NEV, né, a pesquisa científica foi gerada, antes do NEV nós queríamos buscar apenas uma análise das categorias dos discursos empregados, buscando uma relação com o que acontecia nos movimentos por direitos humanos, uma democracia mais participativa, mais cidadã, onde criamos o estatuto correlacionado, para aí mostrar a diminuição dos casos de linchamento por conta da cobertura e, conforme teve esse caso do Guarujá, então teve o discurso “politivista”, e ai surgiu a iniciação cientifica, que foi feita na época também pela USP e era sobre o telejornalismo, não mais sobre o jornalismo impresso. Aí analisamos Cidade Alerta e Brasil Urgente para ver quais discursos


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eram mobilizados e uma coisa que ficou bastante clara no começo foi a supremacia da estética ante a ética. Você tenta contextualizar, mostrar o lado humano de alguém que está sendo considerado bandido e ponto. É mobilizado para isso, uma ótica religiosa como se o apresentador fosse um oficiante e estivesse exorcizando mal, o criminoso é um bode expiatório e todo mal está nele e se contrapõe a nós, cidadãos de bem. Isso é uma lógica não só desses programas, do discurso religioso do telejornalismo policial. O sociólogo francês, Philippe, que estuda essa lógica em outros países, sobretudo na França, claro. A mesma lógica de divisão, nós versus eles.

3 - Entrando para um lado que também é importante no meu projeto, que é uma é pergunta que eu faço para maioria dos meus entrevistados. Qualquer tipo de apuração da mídia pode ajudar o público, além de contribuir com o discurso oficial, ou não? Essa é uma boa pergunta, tem a vertente, o principal de duas vertentes, que do poderio

a

isso.

Uma

teoria

armazeniana,

diria

que

sim,

fazer

uma

apuração/cobertura possibilita gerar uma discussão; o público irá debater, idealmente mediante um debate com razões e de maneira patológica. Com isso, ele vai ou refutar o que foi apurado ou irá concordar dizendo que realmente foi isso, premiando o bom jornalismo e condenando o jornalismo além de exigir uma retratação, o que aconteceu nas ocupações secundaristas. O povo sempre tratou com razão, ao ver como movimento legítimo, teve que mudar a cobertura e passou usar o termo ocupação até discutir a minha dissertação e chegou ao ponto de apoiar tanto a reorganização tanto a ocupação, quer dizer, estava tudo bem. também chegou onde apoio a organização da ocupação. Quer dizer, tinha o medo das artimanhas dentro manifestação armazeniana, outras teorias, por exemplo, da constipação, diz que uma apuração tende a ser nociva, deliberadamente tendenciosa, uma apuração mal feita utilizando referenciais estéticos dos éticos, então, influenciaria a percepção dos indivíduos, Coberturas falando de baile funk que tem drogas, bandidos e prostituição, então quem nunca vai para esses bailes funks acha que é isso porque a mídia retratou, então provavelmente é isso, desde os anos 70 tem sido feita essas pesquisas sobre a teoria da constipação pra que nos


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grupos tenham mostrado que realmente há um grande potencial de uma percepção enviesada, considerando que a forma que a notícia é enquadrada vai afetar a percepção do público. Como daria para conjugar essas duas teorias que aparentemente são discordantes? A ideia é de se for algo que seja um tema caro, que afete o público, ele conhece alguém que participa daquele meio, que tem contato, aí poderia ter uma recepção mais crítica, agora, quando é um tema alienígena para pessoa, ele tenderia a aceitar o coberto noticioso que é atribuído a aquele meio.

4 - Eduardo, você acredita que o público é 100% influenciado pelos programas de televisão que trazem essa violência como espetacularização? E como você vê isso atingindo, você que falou de grupos, as diferentes classes da baixa, média e alta? Em primeiro lugar, não acredito que o público é 100% influenciado, na verdade, acreditar isso é quase retirar a potência das pessoas, considerar elas como massa não como cidadãos ou indivíduos. Então, boa parte da crítica que se faz, por exemplo, as teorias da indústria cultural, da teoria crítica é torna os indivíduos como massa e não percebe capacidade de resistência que eles tem, então, não é 100 % de forma alguma, alguns grupos estariam mais passiveis a acreditar e serem influenciados, também é temerário dizer que só a classe que vai afetar, quer dizer, uma pessoa sem instrução vai acreditar em tudo que é dito na televisão ou na televisão é uma pessoa mais instruída, não, ela vai ter uma reserva. Na verdade, é uma conjuntura situacional, então, vai depender do tema que está sendo trazido pelo meio noticioso, por exemplo, a televisão está falando que a economia está muito bem, o cidadão com baixa instrução, sem emprego, vendo sua família, ele vai falar que não está bem, está bem pra quem? Então tudo vai depender do contexto que tá atingindo a pessoa mesmo, sobre a violência, esse é um tema mega interessante porque nos anos 90 foi feito uma pesquisa dos bairros mais perigosos da região na época, desses bairros violentos por confrontos com a polícia ou homicídios, a violência não era considerado o


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problema principal - era falta de iluminação, de saneamento, já nos bairros mais ricos, era a violência o problema, então tem essa lógica da percepção da violência. O que gera essa percepção? São só esses programas? Certamente não. Mas, a mídia cumpre sim de divulgar com uma lente de aumento sobre casos estatisticamente a queda, por exemplo, nos números de homicídios, que às vezes tem aumento, mas que são números baixos, só que se você ligar no Cidade Alerta ou um Brasil Urgente, só mostra esses casos violentos e isso pode sim, não causar e não estamos falando de casualidade, mas um afeto, a pessoa irá se sentir afetada, vai estar mais propensa caso ela testemunhe algo ou sei lá, algo sobre violência até criar esse reforço: "hum, já estavam falando"

5 - Você falou uma coisa muito interessante de mostrar bastante a violência na televisão desses programas. Nos últimos anos, a gente vem tendo não só casos de letalidade policial viralizando, mas também nós temos muita gravando e postando violência doméstica, agressões de trânsito que resultam em morte, brigas em festas, bem como violência nos estádios de futebol. Esses são alguns dos casos que vemos de selvageria, que parecem despertar um sinal de alerta na nossa sociedade. Gostaria de saber se estamos vivendo uma onda de descontrole social e qual papel da mídia nesses casos, será que de alguma forma ela inflama ainda mais? Não usaria o termo descontrole, mas, realmente é uma situação de exacerbação da agressividade. Sempre tem esse mito do brasileiro cordial de Sérgio Buarque e sim que está tendo a cordialidade a pessoa. Sei lá, a pessoa trata como grande, uma pessoa muito amigável, que dá um jeitinho, cordio é do coração, é muito ligado as emoções aos sentimentos, então sempre tende essa violência naturalizar nas relações, sempre houve continuidade autoritária social, quanto na democracia e nas próprias relações.

6 - Eduardo, qual seria a função da internet nesses casos, ela pode ser considerada um veículo de grande legitimidade? Há uma ética do jornalismo diferente da internet para televisão.


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Certo. Antes de mais nada, a gente está falando do uso da internet por um profissional da comunicação... Eu acredito que não afeta a legitimidade de forma alguma, na verdade, aumenta o potencial da questão de público quanto à possibilidade de cobrir mais afundo a pauta, uma apuração a pressão de um editor, sem nenhum tipo de gerencia, mas com uma limitação. Enquanto o jornal, seja televisivo ou impresso tem o investimento maior, tem uma possibilidade aberta ao jornalista, um jornalista independente - a não ser que ele se associe a uma rede - conta só com os próprios recursos e isso que dificultoso.

7 - Só criticar e demonizar essas ações violentas, seria o máximo que essa grande mídia, que essa grande imprensa pode fazer? Ou não, a gente tem um poder ainda maior? De forma alguma, na verdade, criticar e demonizar é basicamente um desserviço, o veículo de comunicação não está cumprindo o papel dele. Ele deveria trazer a discussão para as estruturas que ocasionam os conflitos, as violações da lei como esclarecimentos sobre... tanto, meios para reduzir meios factíveis, ouvindo autoridades

de segurança pública ou pessoas que pesquisam em vez de se

envolver com pessoas simplistas... vamos trazer a pena de morte, vamos trazer a resolução da maioridade penal e isso vai resolver os problemas. Quando na verdade, não há um discurso qualificado. O potencial desses meios noticiosos é de qualificar o debate. Isso é verdade não qualificado mesmo se ousa ao debate.

8 - Isso já tem coisa de um mês no máximo, em pesquisa, que o Senado vai analisar uma sugestão legislativa que proíbe a exibição de programas policiais sensacionalistas para televisão aberta com o horário das 18 até às 22 da noite. Você acha que essa medida pode ser essencial para uma saúde mental na nossa sociedade ou independente do horário, isso não vai mudar nada?


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Eu não acredito que vá mudar. Na verdade, isso seria um passo atrás, seria algo considerado prejudicial em só empurrar para outro horário como se isso fosse resolver. Não. Deveria ter uma discussão sobre os meios usados por esse tipo de jornalismo visando, sobretudo, a autorregulação. Quer dizer, deveria ser os meios eles pensando na ética jornalística, na ética noticiosa como divulgável, tem que ter uma regulação externa, porque isso tenderia apenas a matar um debate sobre teologia jornalística, fica uma questão de faixa etária de colocar para depois das 22 horas e tudo resolvido.

9 - Como essas facetas do sensacionalismo e às vezes até o poder da desinformação desses veículos de imprensa podem influenciar diretamente na criação dessas fakenews?

Eu tinha falado para você do caso do

atropelamento que tinha visto na Record, que era um horário cedo, pelo horário a gente vê que muitas crianças estão em casa nesse horário, né. Mas assim, é preciso a gente debater o excesso da mídia em algumas coberturas de tragédias, principalmente em casos que envolvem até crianças? Como a gente vê o que aconteceu no caso da Escola da Raul Brasil. Certo. Sim. Em casos que envolvam crianças não tem nem dúvida, tanto é que tem o ECA e alguns dispositivos sobre a área e etc. De um modo geral, sim, há todos tem essa reflexão como é divulgado, o que é divulgado e como é divulgado não só para crimes violentos, mas para casos, por exemplo, a cobertura do massacre do presidio de Pedrinhas, né, em 2016/2015 - os jornais impressos colocavam fotos de cabeças decapitadas, corpos perfurados, até onde isso um jornalista que está apurando e ultrapassa essa linha e vira só um circo de horrores, quer dizer, mostrar o que de pior aconteceu sem promover um debate, essa discussão é crucial para que se possa fazer um bom jornalismo policial ou qualquer outro ponto. Ou a gente vai apresentar até onde podemos ir para fazer um serviço e não um desserviço.


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10 - Eu lembro que no começo você tinha falado daquele uso de imagens, né, que antes era pior em décadas passadas. A publicação e o uso dessas imagens, principalmente as trágicas, elas trazem uma banalização do sofrimento ou forma de sensibilização? Banalização eu diria que sim. Não iria tão longe para dizer uma insensibilização, mas, a banalização, sim! Tanto mostrar o sofrimento como algo banal, como a violência como algo corriqueira. Todos estão sujeitos à violência e, justamente por estarmos sujeitos, a gente pode sofrer, ou talvez a gente sofra, então, seu sofrimento deixa ter algo único, quer dizer, algo seu, e vira algo que afeta todo mundo, seu choro será mostrado não para mostremos seu sofrimento, não para buscarmos uma empatia tentando te confortar ou compadecer, mas a gente vai mostrar seu sofrimento para justificar o ódio e a perseguição contra aquele que te causou esse sofrimento. Então, o foco deixa de ser no sofrimento da vítima e passa a ser sempre no agressor, temos que eliminá-lo para que não passar mais a ver sofrimento.

11 - Como já tinha falado lá no comecinho, eu tinha uma pergunta todos os meus entrevistados e eu finalizo também com uma pergunta que é como se fosse uma pergunta central do tema do meu TCC, que seria, como poderia ser uma medida necessária para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? Como a realidade social é bastante complexa, deveria é uma conjunção de fatores. Sem dúvida um discurso mais qualificado contribuiria pela autorregulação do próprio meio refletindo a pratica jornalística, mas também envolveria a diminuição da desigualdade porque é algo comum pensar que criminalidade está relacionada com pobreza, quando na verdade está relacionada com desigualdade. Então essa diminuição de desigualdade é fundamental para diminuir a violência quanto uma existência democrática efetiva, até então temos uma continuidade autoritária. Como a gente conseguiria essa redução da desigualdade? Boa parte das indicações pode-se vir, sobre tudo... o economista francês, o Piketty, ele fala que há está envolvido na taxação das grandes fortunas e em uma celebração de convênios


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internacionais buscando taxações conjuntas para não ter uma evasão fiscal, com transparência e alíquota semelhante. Cada vez mais estamos vendo o nacionalismo cada vez mais forte, que vai impedir qualquer medida globalizante neste sentido, mas eu diria que a saída partiria da desigualdade com investimento em educação, com catalizador também para reduzir a desigualdade e discurso qualificado, não só nos jornais mais também nas redes sociais, que também parece um momento patológico da esfera pública.

12 - Muita gente fala sobre educação, cara, foi quase unânime. Educação realmente é a chave. O problema é que uma aposta, você vai investir na educação e colher resultado daqui 10,15 anos, então não terá retorno politico, então não é interessante, você vai querer investir na truculência. As pessoas veem a relação, não vê a estrutura.

13 - O agora também, né, a maioria dos nossos governos...são quatro anos, mas educação conseguir se renovar durante quatro anos, acho que a gente nos dois primeiros anos de mandato colocando assim a gente tenta em muito tipo de mudança porque não é só chegar e bater carteirada e falar que vai mudar. A gente tem um sistema lá dentro que às vezes decide até mais do que os nossos chefes, os nossos presidentes, governadores, essas coisas. Ah sim, sem dúvida. É uma estrutura relativamente engessada e para mudar isso é algo que demanda tempo, não tem jeito, tem que ser com agenda suprapartidária, quer dizer, tudo deveria concordar com a educação como o meio para se resolver, tanto as questões de desigualdade e violência, como a formação do cidadão da própria democracia, mas não é isso que a gente tem. Governos tratam a educação como à inimiga que forma, desvirtua e destrói a família, como um gasto.


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14 - E esse tipo de sensacionalismo, estamos vivendo uma nova década, virando a chave e, consequentemente, a gente está vivendo um momento complexo que é o momento de uma pandemia onde a gente também vê que uma mudança no estilo do jornalismo. Você vê que, após a pandemia, tudo isso acabar, eu não digo nem agora, nem nesse ano, mas depois de vacina tudo isso que a gente vai vir totalmente com a revolução. Ou a gente não vai mudar em nada, mesmo com todo esse baque que foi essa pandemia.

Isso é curioso porque naquele livro recém lançado da Patricia Campos Mello, A Máquina do ódio, ela fala que o futuro do jornalismo... quer dizer, essa... não só uma reinvenção, mas um grande folego por conta dessa pandemia, porque as pessoas estão vendo o papel crucial que os meios de comunicação tem para fornecer informação. Quer dizer, enquanto as redes sociais libera fakenews e desinformação, o jornalista faz uma apuração, vai ouvir autoridades, então isso vai servir como uma forma de legitimar novamente o vigor do jornalismo, se tornando uma tendência geral, mostrando que realmente faz sentido e que já é trazido com supremacia da fakenews ganhando os holofotes, todo mundo falando de fakenews, o jornalismo está ganhando mais destaque como meio verificador, será que realmente é isso ou não? É um trabalho ingrato, porque as vezes você apuração você uma fakenews e surge outras dez, mas também sendo uma forma de ganhar legitimidade, isso é importante. Sobre esses programas de jornalismo policial, infelizmente eu tenho a ser pessimista, acredito que eles não mudar substancialmente, por que eu acredito isso? primeiro porque há essa estética dos programas, segundo porque o público que assiste esse tipo de telejornalismo, espera esse tipo de cobertura, se houvesse mudança muito drástica, acredito que fatalmente haveria uma migração deste público, qualquer mudança que for ocorrer, é bem gradualmente.

Professora e Palestrante na área de Oratória, Redação e Eventos, Margibel Adriana de Oliveira.


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1 - Quando estávamos conversando, você falou que essa área retórica e argumentação desperta bastante curiosidade em você, né. É uma analise que você gosta muito de falar. Como se deu essa sua ideia de dessa criação? Ela partiu só de você ou teve outros professores que te auxiliaram? Conta-me mais sobre o projeto da tese. De fato, quando eu comecei a dar curso no direto em 2004/2005, comecei a observar que era uma área um pouquinho diferente em termos de todo o aparato que você tem que trabalhar com construção de textos. Seja o texto que a gente considera do ponto linguístico, seja o texto oral ou o escrito. Então você percebe que é muito presente essa questão da argumentação, lógico, em todas as áreas do conhecimento, mas principalmente no universo do curso de direito. E, como eu comecei dando aula no quinto do curso para elaboração da monografia jurídica, já inicie a trabalhar com um aluno que não era o aluno ‘inicial’, era um aluno que já tinha uma boa base da argumentação. Depois, quando eu passei a trabalhar com aluno de primeiro semestre, que então era aquele aluno que não sabe direito se gosta do curso ou não, eu tive que começar a construir todo uma estratégia didática e argumentativa para chamar esse aluno a se inteirar do curso e, tirando o aluno daquela visão de ensino médio, momento em que comecei a trabalhar com muito texto jornalístico. Às vezes, quando começava a trabalhar com texto jurídico, petição inicial e tal, eles começavam a construir as peças e trazer uma argumentação. Quando eu perguntava o fundamento da argumentação e, normalmente, respondiam que haviam pegado de site de notícias. Desta forma, começou a me despertar o interesse em desenvolver a tese, mas isso foi cerca de dois/três anos depois. Depois, em 2008, eu assisti um grupo de pesquisas da USP, que é o Gerar, um grupo de estudos de retórica e argumentação – do qual faço parte até hoje, e então que eu conheci minha orientadora na época. Já tinha frequentado outros grupos, todavia, esse grupo da argumentação me chamou atenção amplitude dos estudos. A minha visão central da retórica da argumentação é uma visão que você tem uma noção geral de discurso para muitas áreas do conhecimento cientifico.


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2 - Na sua retórica, você usou dois casos, que foi o do Nardoni e o do Lindemberg. Nesses dois casos, você enxerga que a mídia tentava ao máximo pressionar as autoridades? Além disto, por ser casos tão polêmicos, você o escolheu de cara ou fez uma pesquisa minuciosa? Quando eu entrei no doutorado, tinha começado a pesquisar aquele caso do jornalista Glauber, da Folha de S.Paulo, que foi assassinado por um dos frequentadores de um grupo de religioso que ele frequentava. Foi um dos primeiros casos que me chamou atenção, bem como me chamou atenção o caso da Isabella Nardoni. Mas, saiu o caso do Lindemberg, porque eu me lembro que a gente assistia aquele espetáculo ao vivo. Ele concedendo entrevista para a Sônia Abrão, e ela falando mil coisas sobre o assunto. Esses casos eu fui construindo na minha cabeça, com a ideia de como a mídia pressiona as autoridades para que elas tomem determinadas atitudes, ficando uma visão de pressão.

Ao mesmo tempo, eu analisei casos em que eu pegava, por exemplo, uma sequência de noticias e vi que não tinha nada de novo, o lead era chamativo, mas o resto era resto. Ou seja, você vai buscar por novidade quando na verdade não tem muita coisa.

É uma espécie de Netflix que eles vão deixar as pessoas na

expectativa para a próxima temporada.

3 - Neste seu foco dos dois assuntos, você focou no texto do Estado de S.Paulo e na Folha de S.Paulo, né? Sim

4 - E por que vocês não decidiram ir para a mídia televisiva? Seria mais fácil? Daria uma outra perspectiva do texto? As pessoas sempre me perguntam isso e eu sempre digo que ficaria muito fácil. A mídia televisiva, como no caso do Datena, fica ali horas e horas falando do mesmo


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assunto e dando munição. Mas, por outro lado, o nosso grupo de pesquisa trabalha com texto escrito, então teria que partir de uma outra perspectiva no sentido teórico. Teríamos que fazer uma pesquisa de campo, teria que transcrever. Então, assim, seria algo e o próprio foco da análise em termos teóricos seria outro, então, por isso que não buscamos o discurso da TV.

5 - Nesse caso dos textos, vocês trouxeram mais daquelas pessoas que queriam mostrar que tinha novidade, mas no final não tinha, era meio que uma alusão do que estava acontecendo ali, né. Seria mais para encher o site, certo? É bem isso. Na verdade, nós fizemos alguns tipos de analise de maneira macro, no qual coletamos 20 notícias. O primeiro passo foi ver de quanto em quanto tempo sai as informações, sendo que tinha dia que havia quatro noticias no site sem novidade. No caso da Isabella Nardoni, ocorreu te ter cinco matérias dizendo que ela tinha sido asfixiada, mas a prova nem sido imposta, então essa foi uma análise macro – adotando o nome de fluxo continuo. Depois fizemos uma analise micro de cada fala, o grupo buscava por referidas citações e aparecia vários textos, foi uma analise bem pontual. Após isso, avaliamos os tipos de argumentação, que é utilizada pra dar sustentação, então nós usamos “disse que” e “afirma que”.

6 - Eu queria perguntar se o discurso jornalístico tenta antecipar algum tipo de fase do processo investigativo de algum caso, bem como se esse tipo de apuração da mídia contribui com que o poder público com os casos, ou até mesmo o caso da mídia antecipar algo que venha a ser beneficio para uma investigação de órgãos públicos. Como eu fiz a analise com a ideia de documentos processuais para justamente trabalhar com essa ideia do discurso, analisei o boletim de ocorrência, a peça da denúncia e da sentença, então procurei fazer uma analise visando encontrar o tipo de discurso no boletim de ocorrência. É aquele voltado para o discurso descritivo narrativo, ele vai contar os fatos. Agora, quando você para a peça da denúncia você


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tem uma visão em que o promotor vai justamente utilizar de toda argumentação para tratar do ponto de vista de quem cometeu o crime e então oferecer a denúncia. Então, podemos ver que, às vezes, tem promotor que é influenciado pelo discurso jornalístico. Sobre a contribuição da mídia para os órgãos, eu acredito que não. O discurso jornalístico, dependendo do tipo de mídia, possui uma ideia muito retrógada com aquela ideia de jornalismo investigativo, sendo que se o jornalismo não for investigar, ele não está cumprindo seu papel. Penso que acaba atrapalhando, porque ele não tem um olhar de perito na referida área.

7 - Em 2013, ocorreu aquele caso entre Gugu e PCC, que se foi mostrado uma farsa, ocorreu uma briga do Datena que estava na Band com o SBT. Você acha que essa foi uma tentativa de divulgação para alimentar ainda mais esse tipo de noticiário sensacionalista. Será que foi a partir dali que quase tudo se tornou um show, uma guerra por audiência? Não diria que foi a partir deste momento, mas acho que essa ideia no qual você apontou de guerra pelo ibope é plausível. Eles têm como fazer essa medição e, logicamente, sabem o momento de pico, além de saber quantos ponto tem cada emissora. Desta forma, não vejo como o causador, mas, até hoje o Datena, agora a CNN, com furos de informação – algo que eu vejo como uma bobagem, se você pegar uma faixa etária de 25 anos para baixo, ninguém vai assistir TV. Pode ter sido o marco, mas toda essa disputa é algo velado.

8 - Quando a gente fala de discurso jornalístico oficial, dessas influências, gostaria de saber, o jornalista/mídia em si, quer atingir quem? Ou até mesmo cutucar autoridades, o poder público, ela tem um foco ou é só mesmo de jogar para a massa que consome o conteúdo? Muitas vezes, uma pressão, depende a quem aquela mídia está servindo. Não podemos ser ingênuos ao ponto de saber se tem um dono ou acionistas que estão


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bancando rede. Então a gente começa fazendo uma analise meio que com o pé atrás. A gente vê hoje a declaração de guerra explícita entre Bolsonaro e Rede Globo, depois vemos uma parceria entre Bolsonaro e Silvio Santos, e por consequência contratou o genro do Silvio, então, dependendo do foco da mídia, ela vai querer atingir determinado governo, fazer uma pressão, é um grande universo para se observar. Se tiver que dar um direcionamento assim, eu diria que o discurso televisivo irá ter o jornalístico, dependendo da emissora, ele vai focar muito no Estado, né. O Datena, por exemplo, cita o presidente, o Doria, nunca vão fazer algo abrangente, irão sempre fazer a pressão para determinado alvo.


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Há um ano, ação truculenta da PM silenciava o baile funk em Paraisópolis 48 semanas e 2 dias após ação da PM que culminou em nove mortos durante a festa Dz7, o aumento do temor entre os jovens da comunidade e um clamor de dignidade da vida ecoam entre as vielas estreitas do bairro.

Crucifixo em viela de Paraisópolis, onde 9 morreram pisoteados durante ação da PM em um baile funk. MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

Lucas Rodrigues São Paulo - 22 NOV 2020 - 00:00 BRT

Até seria mais uma madrugada de sucesso para os jovens e comerciantes que se aglomeraram na Rua Ernest Renan, no chamado baile da 17 (mais conhecido pela sigla "DZ7") em que o número vem de um bar, o 17 Rei da Batida, muito conhecido na região onde abrigava um pagode famoso aos domingos. Hoje o baile ocorre a quase uma década, de quarta a domingo, reunindo nos fins de semana não só moradores do bairro, mas também ‘’caravanas’’ de outros locais da capital. Aqui todos são bem recebidos, fica claro que acumulando a rotina exaustiva de trabalho, transporte público lotado e estudo, o fim de semana é religiosamente guardado para diversão. Não é raro você ver o pancadão começar na quinta-feira e só terminar no fim do final de semana. Sem muitas opções de lazer e equipamentos culturais, como o padrão das periferias da cidade, o destino da maioria dos jovens é sempre o mesmo nessa caminhada do fim de semana até um novo surgir. O alto consumo de bebidas alcoólicas e de drogas, segundo relatam os moradores, se destaca no meio de uma multidão de mais de 30 mil pessoas dependendo do dia. Mas no dia 1 de Dezembro, o “fluxo” se espalhou para demais ruas e vielas do entorno do bairro. Até a chegada da polícia, pelo que se sabe, a festa transcorria na normalidade. O descontrole da situação teve relação direta com o procedimento da PM, que fez com que os gritos dos jovens que estavam naquele local não fossem de alguma letra de música, não eram gritos de libertinagem entre os demais amigos e i d ã l f t t i D d PM li i i d

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sim de repressão pelos fatos que aconteciam. De acordo com a PM, policiais da Este com site foi desenvolvido com o construtor de sites .com. Crie seu site hoje. Rocam (Ronda Ostensiva Apoio de Motocicletas) entraram na comunidade

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durante uma perseguição a homens armados fugindo em motocicletas. A versão oficial também comenta que os suspeitos atiraram contra os agentes. Moradores negam a versão oficial da Polícia Militar de que tiros tenham partido de uma moto e afirmam que os frequentadores, na verdade, foram encurralados pelos policiais nas demais ruas que acompanham as concentrações dos jovens no momento. Os suspeitos na motocicleta não foram encontrados. Conforme os primeiros registros sobre as mortes no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi), quando os policiais entraram na comunidade usaram “munições químicas” para dispersar o baile funk. Os frequentadores teriam atirado garrafas e latas nos PMs, o que teria iniciado a confusão. Esse é mais um caso em que a violência exercida pelos órgãos repressores do Estado brasileiro contra trabalhadores, negros, moradores de periferias e favelas sintetizam uma imagem clara dos dias atuais, em que há um aumento do autoritarismo no país, a autorizar ações que intensificam a tensão entre os órgãos do Estado e as comunidades. A dispersão dita pelo poder público não é vista da mesma forma como vídeos dos próprios moradores nas redes sociais mostraram. Em alguns é mostrado PMs agredindo indiscriminadamente as pessoas que estavam no baile. Para muitos no local, não houve uma fatalidade, houve algo premeditado, uma espécie de armadilha. As vielas e todas as saídas das ruas estavam interditadas. Um sentimento apenas de traumatizar vidas, com uma motivação que até hoje não sabemos levando para os céus os jovens Gabriel dos Santos, 22 anos, Gustavo Cruz Xavier, 14, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16, Denys Henrique Quirino da Silva, 16, Dennys Franca, 16, Mateus dos Santos Costa, 23, Eduardo da Silva, 21, Luara Victoria Oliveira, 18, e Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos. O domingo e a semana após a tragédia foram os mais dolorosos da comunidade, apenas uma palavra era reivindicada, justiça por esses jovens que nos deixaram da forma mais hedionda. Logo após, uma guerra de posicionamentos a favor e contra os bailes funks cresceu. Uma pena que essa discussão esteja sendo influente após a perda de vidas, de jovens que nem da comunidade eram, mostrando mais uma vez a realidade de que quem cresce em Paraisópolis sabe em que direção correr para salvar a pele da repressão policial, mas os visitantes, não conseguiram. O Baile da Dz7, como outros pancadões ou fluxos acontecem na maioria das periferias das cidades, são expressões em que a maioria dos jovens se sente “conectada’’ com os demais longe de uma sociedade que tanto as oprimem. É preciso entender, antes, a dinâmica dos bailes de favela. O baile não é a última opção de lazer de um local que não tem opção de lazer, como muita gente tenta retratar.

Conhecendo a comunidade

Para entendermos toda essa repressão que um espaço sofre com vários preconceitos, devemos conhecer sobre como ela foi composta. Mesmo depois de anos, vários estudos apontam Paraisópolis como a segunda maior favela paulistana e a quinta maior do Brasil. Isso faz com que haja uma intensificação maior no quesito de investimento e sustentabilidade do local. Em entrevista concedida ao nosso portal, Gilson Rodrigues, considerado “Prefeito" de Paraisópolis, conta sobre a história da ocupação do local, a relação dos moradores com o bairro vizinho, o Morumbi, e a criminalização do funk. Segundo ele a comunidade composta majoritariamente por uma população de trabalhadores provenientes do Nordeste, “minha família veio do nordeste, assim como a maioria das pessoas da comunidade, 85% são nordestinos ou filhos do mesmo. Já se faz (sic) 70 anos que eu e a minha família estamos aqui, viemos com um sonho de morar na cidade grande, onde as crianças teriam boa educação e os pais ficarem ricos. Minha mãe era surda e muda, teve 14 filhos e após ela morrer de câncer fomos todos dados na periferia. Nós não sonhamos que a nossa moradia seria ao lado de um córrego, passando diversas dificuldade”, diz. Gilson comenta que o crescimento da comunidade veio porque Paraisópolis fez parte de um loteamento para milionários que deu errado, por isso é um espaço extremamente grande, cheio de terrenos quem vem aumentando de acordo com os anos. “Muitos proprietários resolveram comprar algumas terras, mas nunca criaram nada naquele local, com o tempo houve a chegada do Palácio do governo, hospital de luxo foi erguido e o estádio do Morumbi. Então, muitos nordestinos vieram até a região, com isso à área verde do terreno foi se ocupando e concentrando cada vez mais cheio de casas” comentou. https://designerluanals.wixsite.com/baileemparaisopolis

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O líder comunitário e organizador no quesito da união dos Moradores e do comércio de Paraisópolis diz que devido às dificuldades da “cidade grande” e o descaso dos governos, muitas famílias ficaram descrentes de um sonho onde as crianças teriam boa educação e os pais ficarem ricos. Isso fez com que Paraisópolis crescesse de forma desorganizada. Hoje Gilson diz que vê uma clara diferença entre o início, quando veio com sua família e irmãos para o que a comunidade está hoje, no quesito organização. Que não há como haver uma dispersão da população para sair do local, mostrando que Paraisópolis se consolidou como um grande bairro e que agora está tentando implementar, de fato, um bairro de verdade. “Posso te dizer agora então que a comunidade está crescendo fazendo parte de um bloco de líderes empreendedores sociais das 10 maiores favelas do Brasil, a G10, e nós acreditamos que a gente possa mostrar as boas iniciativas e o potencial que a favela tem para que essas oportunidades sejam alavancadas para um processo de informação”, comentou.

O baile funk ainda é uma “dor de cabeça” dentro e fora da comunidade

Não é porque em muitos aspectos a comunidade melhorou, que todos os problemas serão solucionados o mais rápido possível. É de se acreditar que esse sonho poderia se realizar mesmo Paraisópolis sendo uma das maiores favelas do Brasil. O funk e a festa cheia que ele trás estão cercados de controvérsia. Para muitos o local é recheado de desordem, com conteúdo de letra cheia de apelos ao tráfico, apologia ao crime e à pornografia. Esse pensamento por pessoas de fora do bairro, muitos moradores da rua e vielas onde o baile funk ecoa mostram uma dificuldade clara de conversa. Gilson comentou sobre o assunto e disse que com relação ao baile existem dois movimentos, o primeiro é dos vizinhos que sofrem bastante com o barulho e com tudo o que a festa pode criar em um aspecto negativo, mas ao mesmo tempo existe uma perspectiva positiva de comércio, geração de trabalho e renda que esses moradores também usufruem. Segundo o chamado prefeito de Paraisópolis, na região onde o baile está existe um problema concreto, por falta de estrutura para um série de benfeitorias que poderia melhorar tanto a condição de quem vem, quanto dos moradores. O baile não apresenta lideranças para organizar o fluxo, chega que quiser para se “divertir’’ e os traficantes, que concorrem por territórios, se empolgam com o fluxo de clientes em potencial e o poder público faz de pouco caso. Segundo afirma Leonardo Martins, que cobre a área de segurança pública na rádio Jovem Pan, você não resolve baile funk com a segurança pública, “o funk já é algo que saiu da comunidade, então como a gente faz festa nas nossas casas, eles decidiram se juntar, cresceram e trouxeram sim problema para moradores do local. Então tem todo um problema a ser resolvido, mas mostra pelo menos que a falta de cultura e acesso tenham formado a criação desses bailes. (...)converso com policiais e a reclamação deles é a mesma, baile funk não é caso de polícia, você não resolve isso com bala de borracha e spray de pimenta”. Em contraponto um dos maiores grupos que é contra a tal “baderna” dita pelos moradores são muitos conservadores ou integrantes da nossa segurança pública, o sargento aposentado Samuel do Lago, hoje candidato a Vereador do Estado de São Paulo comentou que se mostra bem contra como os bailes são realizados e diz que o silêncio urbano é algo grave que precisa ser respeitado, pois muitos trabalhadores se veem acuados por tanto crime realizado à mostra para todos. Foi claro ao dizer que a melodia do funk em si não é um problema, mas sim como ele está à mercê da lei. “Não só critico o funk, não podemos generalizar, hoje em dia o sertanejo também vem com melodias bem problemáticas, é um incentivo ao consumo desenfreado de bebidas alcoólicas onde as pessoas não entendem que vivemos em um pais onde acidentes de transito causados uso de álcool vem aumentado cada vez mais(...). Um dos problemas que nós enfrentamos hoje é o silencio urbano, o nosso programa psiu não funciona direito, não temos ninguém para acompanhar essas festas, como é realizada no carnaval.” afirma Sargento Lago, deixando claro que para a juventude da comunidade, a descontração é a maneira mais democrática de se divertir, mas que a quantidade de jovens sem total controle de um poder público deixa alguns moradores em um legítimo sofrimento. Para entender um pouco mais sobre esse crescimento do baile, Gilson Rodrigues nos disse que se veio após a realização da novela I Love Paraisópolis, então isso reforçou a identidade do baile ser algo legal, com atores globais e outras personalidades vindo até o local. Assim se tornando símbolo de desejos e atraindo cada vez mais gente. Gilson também diz que da maioria dos fins de semana cerca de 90% das pessoas que https://designerluanals.wixsite.com/baileemparaisopolis

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Gilson também diz que da maioria dos fins de semana cerca de 90% das pessoas que estão na festa são de Este outras deobairros dede classe alta/baixa e hoje. sitecomunidades foi desenvolvidoou com construtor sites média .com. Crie seu site que isso reforça o potencial da comunidade, seja para eventos ou segurança. Quando entrei em uma conversa em relação ao massacre acontecido no dia 01 de Dezembro, o prefeito da comunidade disse que o clima foi de extrema “derrota”. “Acredito que após o acontecimento, houve uma situação de revolta, a constatação que todos os mortos não eram moradores da comunidade demorou, então muita gente daqui considerava que era alguém próximo, só após a constatação de que eram moradores de fora, fez com que nos preocupassem bastante” diz. Gilson reiterou que ainda não existe um pós-tragédia e relatou como foi o impacto econômico após o fato. “Acho que não existe uma pós tragédia ainda, tudo isso continua a medida em que não se tem uma solução para o problema, que os culpados não foram condenados e que a comunidade durante esse período recebeu uma onda de informação positivas e negativas onde impactaram socialmente e economicamente” afirma Gilson.

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Porque o caso Paraisópolis teve tanta repercussão na mídia

As imagens da multidão de jovens correndo de forma desesperada diante do ataque da polícia militar de São Paulo correu o Brasil. Hoje, com a internet, as imagens tem o poder de correr o mundo. O caso de Paraisópolis só nos mostrou por meio dos vídeos de moradores anônimos como foi a invasão da casa grande sobre a senzala, para reiterar o sadismo constitutivo da formação do Brasil na forma de racismo e genocídio. O saldo no fim foram nove jovens que tiveram suas vidas acabadas após uma ação sádica de uma corporação que deveria nos proteger. No meio disso algo chamou atenção de muitos foi a repercussão e a mobilização que essa tragédia causou. Fato é que precisamos entender que existem inúmeros casos que ocorrem todos os dias em diversas cidades, mas é claro que o número de mortos no ocorrido de 01 de Dezembro realçou ainda mais a grande repercussão. Segundo os jornalistas que cobrem a área de Segurança Pública, como Luis Adorno, Leonardo Martins e Arthur Stabile, que conseguem controlar e visualizar o número de views de seus textos, fica claro que o número de mortos influenciou na curiosidade de muitos a até conhecerem mais casos desses tipo. “No caso de Paraisópolis, 31 PMs envolvidos estão soltos. Vale o questionamento: o que é repercussão? Eu prefiro uma repercussão que influencie na prática, para além disso, são outros tempos, a sociedade brasileira tem debatido coisas atualmente que não debatia no passado: o racismo, a violência policial, o machismo, entre outras questões. Entendo que Paraisópolis mobilizou muitas favelas no Brasil porque é debate público nos últimos anos o racismo e a violência policial” diz Adorno. Para o jornalista Arthur Stabile, repórter da Ponte Jornalismo, portal onde muitas vítimas podem realizar denúncia sobre abusos policiais, independente do número de mortos o site noticiaria o assunto com a mesma gravidade, que só por causa do número de mortes foi dada a devida seriedade e diz que as pessoas, principalmente de classes mais privilegiadas estão tendo um interesse em ler sobre esses casos e apoiar as causas. “Eu acredito que a proporção definiu muito qual o grau de cobertura que deveria ser feita, se fosse nove ou uma morte a Ponte ia noticiar da mesma forma (...) empatia é a base do nosso trabalho na Ponte, por isso só depois de nove mortos a gente viu uma pequena sensibilidade por parte da imprensa” diz Stabile. Um programa bem interessante que a Ponte tem para fortalecer a relação do site com a população é uma ideia de como essas pessoas podem colaborar, por isso foi criado uma plataforma onde muitas vezes vítimas de algum abuso de autoridade relatam os seus casos com provas por meio de vídeos, áudios ou demais depoimentos. Mas o jornalista deixa claro que o portal é cauteloso e pede muito cuidado as pessoas quando gravarem esses fatos”. “Na Ponte temos um muito grande cuidado quando recebemos vídeos de abordagem, não importa que quem esteja gravando seja a vítima ou morador escondido, então pedimos muita cautela para essas pessoas, entender a situação que está se tiver um mínimo de segurança filma, se não só o áudio, precisamos do fato para ser validado e darmos continuação em alguma história” finalizou o jornalista. Depois desses depoimentos só fica mais claro, como muitas vezes, notícias de abuso policial são tratadas com a maior superficialidade, é apenas aquele momento em que a maioria das pessoas sente “pena” ao ver vídeos de protestos pedindo justiça ou de algum familiar, chorando em cima do caixão. Particularmente acredito que a nossa profissão atualmente entendeu como se faz https://designerluanals.wixsite.com/baileemparaisopolis

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uma matéria com esses tipos de abordagens e aos pouco vem recebendo um devido Este site foi desenvolvido com o construtor de sites .com. Crie seu site hoje. crédito.

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Agora basta percebermos quem quer olhar para o futuro ou continuar nesse jornalismo do passado, até porque obviamente a cultura do medo está nos programas televisivos que tratam sobre o mundo policial e toda espetacularização que a própria mídia faz sobre ela. Violência da audiência e o interesse da desgraça chama atenção hoje e sempre.

As investigações do caso e o que temos após um ano da tragédia

Após dois meses de investigações, o laudo oficial apontou que mortos foram pisoteados e morreram asfixiados. A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo considerou legal a atuação dos policiais militares durante o baile. O documento aponta ainda que os agentes sequer praticaram infração militar, sugerindo assim o arquivamento do caso ao Tribunal da Justiça Militar, que solicitaram novas imagens e depoimentos para esclarecer quem são os organizadores do baile funk da DZ7. Quem solicitou esse novo inquérito foi o promotor Edson Corrêa Batista. Para ele, após as diligências e os demais laudos que mostram a morte em decorrência de asfixia mecânica, devido ao grande número de pessoas, os organizadores não identificados até agora podem ser responsabilizados por promover festas sem cumprir as leis municipais. “Necessariamente nesta questão, de fato, estabelecer responsabilidade, pois no primeiro momento a carga de responsabilidades vai toda aos PMs, se eles com a incursão na favela provocaram o encurralamento, assim criando a aglomeração de pessoas que no momento de pânico morreram por asfixia. Diante dessa aglomeração entendemos que também a responsabilidade dos organizadores do evento, quem são esses que convocam centenas de pessoas para aquele tipo de local” diz Corrêa. Para o promotor, a tônica da acusação é que aqueles policias militares ao procederem daquela forma, assumiram o risco da ocorrência daquele resultado, isso que é posto em debate e serão essas as questões que serão debatidas dentro do processo que passou por ele e será concluído pela promotora no Tribunal do Júri, no Ministério Público. Quando perguntado se ele acreditava se o processo seria finalizado ainda esse ano, Edson disse que quando chegar à promotora o processo de finalização será bastante penoso, pois haverá diversos réus, recursos, então é algo que fica cansativo, mas ressaltou que as investigações realizadas em primeiro momento e depois as solicitadas pelo próprio foram rápidas. “As investigações sem dúvidas estão em vias de encerramento, pelo menos o processo vai ter, agora o desfecho do processo será bastante penoso, haverá diversos réus, recursos, então é algo cansativo. Vamos aguardar o Ministério Público, mas achei que as diligências do caso foram rápidas e até propus diligências aditivas” reforçou o promotor.

Existem medidas para que aconteça um retrocesso na criminalização e um avanço na democracia? O caso em Paraisópolis escancarou diversos problemas. Um deles a respeito de como a sociedade enxerga a periferia. Outro, sobre como é o treinamento da polícia para lidar com moradores de comunidades pobres. Digamos que o modelo brasileiro de policiamento é guiado por uma profecia que sempre se cumpre: a do negro criminoso. No Brasil, o fazer da polícia se orienta muito mais pelo conjunto de valores, conceitos, práticas, idade, cor, gírias, vestimenta, comportamentos e endereço pré-definidos passados dos policiais mais experientes aos iniciantes, do que por quaisquer protocolos. A criminalização da pobreza e a violência por parte do estado se mostraram ainda mais visíveis, mostrando que na maioria das vezes esses tais jovens mortos são tratados como degenerados, de uma sociedade preconceituosa e elitista, que exclui dos pobres da ascensão econômica por meio de restrição de oportunidades. É aí que entramos em uma discussão repleta de posicionamento, quando falamos de atuações da policia militar com os jovens da periferia, pois todos os dias essas condições favoráveis e desfavoráveis estão misturados no noticiário, infelizmente o lado dos criminosos é sempre o do favelado, do traficante, negro e pobre. A explicação para isso é simples, segundo O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. A entidade traçou um perfil dos assassinatos cometidos por policiais em 2018 Entre os mortos 75 4% eram negros 81 5% só possuíam o ensino

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2018. Entre os mortos, 75,4% eram negros, 81,5% só possuíam o ensino fundamental, evidenciando o racismo e o preconceito de classe institucionais. Este site foi desenvolvido com o construtor de sites .com. Crie seu site hoje. Com esse resultado obtivemos outros dados. Um, de acordo com o Atlas da Violência 2020, as taxas de homicídios de negros aumentaram 11,5% no país durante os últimos dez anos enquanto as de não negros caíram 12,9%. Em 2018, por exemplo, para cada não negro assassinado, 2,7 negros foram mortos. Analogamente, em 2019, a taxa nacional de negros mortos pela polícia (4,2) foi mais que o dobro da taxa de brancos (1,5), como indica o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Um terceiro levantamento, produzido pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da Universidade Federal de São Carlos aponta que, negros têm entre 2,4 vezes mais chances de serem presos em flagrante do que brancos. Embora os negros correspondam a 37% da população do estado e os brancos a 62%, as abordagens policiais não obedecem a essa proporcionalidade. Ainda segundo o anuário, o efetivo das polícias é majoritariamente branco (53%), apesar de a maioria dos policiais assassinados serem negra (65,1%). Fica claro que já passou da hora das corporações cortarem essa linha do tabu em torno do racismo que os cercam e adotarem medidas para que debates internos sobre o assunto aconteçam ainda mais, com pessoas do meio. Seria interessante militantes da periferia entrarem em um debate sem conflitos, para que assim aconteça o fim desse problema. É necessário programar novas ideias, a questão da raça na formação dos policiais tem que começar a aparecer nos treinamentos e a diversidade tem que ser incorporada no comando das instituições. Para o prefeito de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, que comentou sobre a repressão na comunidade que lidera, um passo grande era existir uma nova polícia. “A melhor forma no quesito mudança é uma nova polícia, onde ela seja mais humana, identificada com a periferia e isso torna ela mais segura. Mesmo assim eu acho que nós não viveremos isso nos próximos anos, cada vez mais temos governos que nos lembram tempos de repressão, colocando o estado contra a sociedade” comentou. Só essa mensagem, de uma pessoa de dentro da comunidade mostra que não dá mais para que apenas homens brancos cheguem ao topo da carreira da Polícia Militar. Na capital algumas iniciativas (pequenas ainda) estão começando a surgir em todas as carreiras da polícia. Precisa haver uma postura que venha a defender as instituições e em engajar nas discussões, para que haja alterações nas práticas cotidianas da corporação. Todos os dias essas condições favoráveis e desfavoráveis estão misturados no noticiário. Infelizmente, essas atitudes contribuem para o crescimento do estado de violência que o país vive. O pedido de socorro é reprimido pelos noticiários, por meio da publicação de matérias sobre crimes, cometidos pelos marginalizados, legitimamse as barbaridades do Estado na tentativa de conter esse “mal”. É aí que entramos na conclusão de que quais medidas devem ser realizadas para esse retrocesso na criminalização, segundo o jornalista Leonardo Martins, São Paulo ainda segue em passos lentos, mas ele acredita em uma mudança. “O nosso estado é o que está melhor pensando em segurança pública, mas deveria pensar mais.Devemos pensar na inteligência, não pode ser algo apenas ostensivo, de tiro, porrada e bomba. O crime organizado está enraizado no Brasil e a gente não resolve esse problema pensando apenas na pólvora” disse. Esse comentário só reforça o entendimento de que a exposição frequente à violência que milhões de brasileiros vivem, fazem com que todo esse tipo de espetacularização cegue a maioria das pessoas diante de um poder de repressão no qual a polícia militar ama realizar. Lembrando que antes de dizer isso, não podemos generalizar todos os PMs como vilões, muitos exercem a carreira com grande respeito e seguem a ideia do proteger e servir à risca. Segundo o Sargento Lago a polícia militar de São Paulo é a melhor do país, não só por número de efetivos, mas também por quesitos treinamento e reiterou em dizer que as pessoas não conhecem os perigos que os agentes de segurança passam nas ruas. “Todo ser humano que é policial está nivelado como qualquer um, vejo sim alguns se sentirem superior só por estarem de farda, mesmo assim é uma minoria, em geral todos são muito bons” disse. Mesmo assim, para a superação do racismo por parte das polícias brasileiras exige uma urgente mudança de mentalidade, com debates abertos e francos, livres do dogmatismo e do corporativismo que reinam hoje. É preciso reprimir em massa, mas não de forma generalizada. Para isso, é preciso desumanizar o contingente a ser reprimido. Aliás, a desumanização é a forma mais legitimadora da violência. É i t did i d j t itó i P d t t á

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É preciso apontar medidas ainda que sejam transitórias. Podemos ter tempos áureos site foi desenvolvido o construtor de .com. Crienós seu site hoje. para que propostas deEste mudanças um dia secom concretizarem, é sites um tsunami que

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estamos vendo que está chegando e não realizamos nada para acabar com esses tempos “caóticos”. Fontes: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2020/10/anuario-14-2020-v1-interativo https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/24/atlas-da-violencia-2020 https://static.poder360.com.br/2018/06/180604_atlas_da_violencia_2018.pdf

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Urgência e Alerta: Um olhar sobre as responsabilidades da mídia em casos de sensacionalismo e enfrentamento da violência

Grupo de cinegrafistas filmando para uma matéria. Autor Desconhecido Lucas Rodrigues São Paulo - 22 NOV 2020 - 00:00 BRT

O conceito de sensacionalismo pode ser definido como o nome que se dá para certa postura na comunicação em massa onde à notícia é transformada em espetáculo por possuir um caráter mercadológico, utilizando-se imagens que chocam tendem a segurar a atenção do público. O jornalismo policial vem em voga a um bom tempo mantendo o pedido da cartilha sensacionalista, os programas como Brasil Urgente, Cidade Alerta e Balanço Geral ocupam o horário vespertino trazendo audiências e números impressionantes, mostrando imagens de cadáveres, gatilhos psicológicos e pessoas na maioria das vezes desfavorecidas sendo colocadas em situações constrangedoras. Nesta reportagem o El Pais, vai mostrar os resultados desse tipo de mídia que recria um espetáculo midiático e tentar entender a razão da existência desses programas na televisão. Quem nos ajuda nessa leitura convidamos, os jornalistas Luis Adorno, do portal Uol e Leonardo Martins da rádio Jovem Pan; Profa. Dra. Margibel de Oliveira palestrante na área de Oratória de casos sensacionalistas e Eduardo Canesin, doutor na área de ciências sociais na área social. https://designerluanals.wixsite.com/urgenciaelaerta

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A professora Margibel Oliveira em 2015 realizou uma tese de doutorado em retórica argumentativa do discurso jornalístico por antecipação ao discurso jurídico neles ela analisava as peças das denúncias e das sentenças, além das notícias de crimes dos jornais selecionados, a respeito da morte de Isabella Nardoni e Eloá Cristina, em 2008. Esses acontecimentos deixaram claro a tese de que a imprensa sente-se no direito-dever de investigar, apurar fatos, e que, na maioria das vezes expõe pessoas, sentenciando em caráter definitivo. Para Margibel ela muitas vezes a força midiática quando aplicada com o desejo de justiça frente aos crimes impactantes e uma dose de sensacionalismo pode gerar danos irreparáveis e erros grotescos na aplicação do Direito. “(...) um dos primeiros casos que me chamou atenção, bem como me chamou atenção o caso da Isabella Nardoni. Mas, saiu o caso do Lindemberg, porque eu me lembro de que a gente assistia a aquele espetáculo ao vivo. (...) Esses casos eu fui construindo na minha cabeça, com a ideia de como a mídia pressiona as autoridades para que elas tomem determinadas atitudes, ficando uma visão de pressão” disse. Como previsto, esses dois casos houve repercussão imensa na mídia, no caso Nardoni, desta vez, foi possível recolher evidências que provassem a autoria dos acusados, resultando na condenação do pai e da madrasta da vitima. Segunda Margibel neste caso o papel da mídia foi de interferir no devido processo legal, mesmo assim a forma assídua como à divulgação dos fatos era orientada despertava cada vez mais a indignação da população. A violência se disseminou pela sociedade brasileira, se tornando um discurso bem comum na mídia, dessa forma ela causa interferências e causa danos às vezes irreparáveis. Para Eduardo Canesin, essas ações mostram um claro movimento de banalização do sofrimento, por mostrar uma insensibilização e tentar mostrar o sofrimento como algo banal, como a violência como algo corriqueira. “(...) seu choro será mostrado não para mostremos seu sofrimento, não para buscarmos uma empatia tentando te confortar ou compadecer, mas a gente vai mostrar seu sofrimento para justificar o ódio e a perseguição contra aquele que te causou esse sofrimento” disse. Os meios de comunicação, de modo geral, colocam para o público determinados temas de seu interesse, como a questão da violência. Para Eduardo a imprensa atualmente está tendo função considerável na construção da banalização da violência. “O foco deixa de ser no sofrimento da vítima e passa a ser sempre no agressor, temos que eliminá-lo para que não passar mais a ver sofrimento”, finalizou Canesin. Obviamente, a imprensa se aproveitou do direito de liberdade de expressão nos dois casos. O que deveria ser uma função de utilidade pública passou a poder provocar certos efeitos de sentidos e até mesmo influenciar na formação de opinião. Segundo Eduardo, os programas teriam que parar com infrações, começar a gerar um serviço de informações e não um desserviço “(...) até onde um jornalista que está apurando e ultrapassa essa linha e vira só um circo de horrores, quer dizer, mostrar o que de pior aconteceu sem promover um debate, essa discussão é crucial para que se possa fazer um bom jornalismo policial ou qualquer outro ponto” disse o doutor. Segundo o jornalista Leonardo Martins, muitas dessas cenas influenciam e criam a cada dia uma cultura do medo e de influencias psicológicas. “Obviamente a cultura do medo está nesses programas televisivos, que o chamamos de “mundo cão”, que trás uma influencia psicológica nas pessoas e por isso mesmo é alvo de estudo há muitos anos. Violência da audiência e o interesse da desgraça chama atenção hoje e sempre”. O seu companheiro de profissão Luis Adorno, completa a resposta dizendo que o medo por meio dos programas de televisão é claro, mas reforça que muitas coisas que a mídia expõe é um reflexo da sociedade, pois muitos já não se sentem seguros, principalmente no estado de São Paulo onde o índice de violência cresce exponencialmente. ‘‘As pessoas ficam com medo por meio dos programas de televisão que retratam o trabalho policial. Faço-te uma provocação: você acha que São Paulo é um estado seguro ou inseguro? Responda “para si mesmo a pergunta e, depois, entre no Atlas da Violência 2020 e veja qual a taxa de homicídios no estado”.

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23/11/2020

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São Paulo, 16 de Dezembro de 2020.

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São Paulo, 16 de setembro de 2020.

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Cotia 19 de outubro de 2020

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