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Atrás das Câmeras - Melissa Mendes

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EDITORIAL

Caro Leitor,

Nesta edição você encontrará dados e informações que podem ser desconhecidas para você, mas que me fizeram entender que por mais que a conversa sobre igualdade esteja em destaque em diversos nichos, no cinema essa igualdade ainda está um pouco longe de acontecer, como podemos ver com as mulheres diretoras. Além disso, você percorrerá um caminho que mostrará como está acontecendo essa retomada e como você, consumidor, pode auxiliar as mulheres a ter seu espaço reconhecido no cinema, assim como diversas dicas de filmes e diretoras que você deve prestigiar. Espero que você aprenda tanto quanto eu aprendi na produção desse trabalho e, que ele te faça refletir sobre como enquanto sociedade podemos influenciar algo que molda nosso jeito de ser e nossas maneiras: o cinema. PS: se eu fosse você começava logo a leitura, e não deixava nada passar (Atenção aos eastereggs!) Um beijo, e boa leitura!

Melissa Mendes Diretora de conteúdo

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Foto: arquivo pessoal

NAS PRÓXIMAS PÁGINAS você irá encontrar minhas descobertas para essa primeira edição da revista “Atrás das câmeras”. Nesta edição estamos falando sobre aquelas que estão sempre ao nosso redor, as mulheres, homenageando aquelas que sempre estiveram atrás das câmeras e que estão em retomada para o devido destaque que merecem nos último anos.


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Foto: arquivo pessoal

Mulheres atrás das câmeras: Como a igualdade de gênero ainda está longe de chegar

sumário 04  olhares

16  representação da mulher

06  mulheres atrás das câmeras

20  consumidora

de princesas a super heroínas

diretoria

subtítulo nome matéria

12  teste de bechdel

conheça o teste que revolucionou a indústria cinematográfica

Envie comentários e sugestões pelo e-mail faleconosco@atrasdascameras.com com nome completo, profissão e cidade

bate papo com cinéfila

24  políticas públicas

mulheres em busca de igualdade

26  lançamentos

diretoras e protagonistas

revistaatrasdascameras Disponível também na versão digital. Baixe gratuitamente o aplicativo da revista Atrás das Câmeras

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ENTREVISTA

Olhares: Diretora CIBELE AMARAL, é atriz, diretora, roteirista e produtora de cinema que possui uma história inspiradora e paixão sobre o comportamento humano, tanto que é formada em psicologia. A diretora que tem 14 anos de carreira e participou dos longas “Um assalto de fé” de 2011 “Até que a casa caia” de 2015 e está trabalhando na divulgação do seu mais recente projeto “Por que você não chora?” lançado no festival de Gramado deste ano, com protagonistas mulheres conta como o cinema faz parte de sua vida. Confira abaixo a entrevista exclusiva falando sobre a mulher no cinema e um pouco mais sobre a sua trajetória: Você pode começar se apresentando, falando um pouco da sua experiência com o cinema e tudo mais? Eu sou de Brasília né, nasci em Brasília e desde muito cedo eu comecei a trabalhar com as artes. Eu já na escola eu escrevia e dirigia peças de teatro, atuava então desde muito cedo eu comecei a fazer teatro profissional, com 12 anos já apresentava e com 15 já me apresentava profissionalmente. E aí com 19 anos eu fui estudar teatro na Itália, me formei lá na Academia Internacional de Roma e foi muito bacana porque era um curso muito focado também na direção, na criação então é muito legal, ali também eu aprendi como escrever e como dirigir para teatro. E ali na Itália também eu comecei já conhecer o cinema, que eu era muito fã, tanto que com 15 anos eu já trabalhava em vídeo locadora para dar conta de pagar os filmes que eu queria ver na época então eu sempre fui muito devoradora de filmes e quando eu fui para Itália eu tive oportunidade de conhecer o set de filmagem e trabalhar fazendo figuração em filmes, pela curiosidade mesmo, acabei fazendo um pequeno papel que depois foi cortado na montagem, coisa que depois descobri que acontece com muita frequência, eu mesma já cortei muitos atores, depois eu comecei a trabalhar produção de audiovisual e então voltei para o Brasil e comecei a trabalhar como atriz no cinema. Eu fiz o meu primeiro curta com o José Eduardo Belmonte que é um diretor hoje bastante conhecido e tivemos uma parceria de

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muitos anos, até que aí eu comecei a perceber que realmente queria muito escrever e comecei a fazer cursos, porque minha formação não era até agora em cinema, então eu tinha as ideias não conseguia colocar andar para frente. Comecei a fazer cursos cursos com Luiz Carlos Maciel, com a Suzana Amaral e com várias pessoas

"Eu acho que assim as mulheres que conseguiram se colocar nesse mercado porque muitas delas tiveram que gritar" muito interessantes e fiz meu primeiro longa em 1998 que ficou pronto em 2000 que foi no curso com a supervisão da Suzana Amaral e daí para frente eu não parei mais de dirigir. Eu voltei para Itália e estudei mais, eu fiz vários cursos, o mais importante foi o curso de formação para roteiristas da RAI ( que é a rádio televisão italiana). Voltei para o Brasil e continuei produzindo meus filmes. Em 2003 eu fiz um curta que foi muito premiado que ganhou em Gramado o prêmio do júri popular e depois eu fiz meu primeiro longa em 2011 que se “Chama um assalto de fé”, uma comédia que lancei no circuito comercial e aí eu fiz fazer uma trajetória um pouco diferente. Eu queria muito estudar psicologia e nunca tinha estudado eu era muito fã, achava importante também para o que eu escrevia e fui fazer uma faculdade, aí eu fiquei um longo período sem filmar, continuei trabalhando escrevendo os projetos, tanto que quando eu voltei depois a dirigir emplaquei vários filmes em vários editais, então tô com muitos filmes para lançar e um que eu mandei esse ano no festival de Gramado, que é o “Por que você não chora?” que é um filme que já pós faculdade psicologia, então já uma pegada bem diferente. Você, como diretora, percebe que existe essa diferença de linguagem entre um filme dirigido por mulheres e outro dirigido por homens? É muito diferente?


Quando você vai trabalhar no set de filmagem, você tem essa preocupação de trabalhar com mulheres? Ou é um set misto? Olha, nesse filme que é o “Por que você não chora?” a minha equipe foi muito mais feminina, então tive que continuísta mulher, assistente de direção foram primeira e segunda mulher, a equipe de arte era em sua grande maioria mulher, equipe de fotografia não tinha mulher, foram homens e produção, muita mulher, o roteiro fui eu quem fiz enfim eu diria que 70% desta equipe, dos cabeças de equipe 80% eram mulheres e o elenco 90% mulher . Depois eu dirigi um outro filme e por forças de circunstâncias foram mais homens, por exemplo eu tive uma assistente mulher um assistente homem, eu senti uma grande diferença que antes eu não percebi né?! A gente tá falando sobre isso nosso olhar muda. Então eu tive momentos em que eu tive que falar assim “ ei tem uma diretora aqui neste set, e sou eu”. Eu acho que assim as mulheres que conseguiram se colocar nesse mercado porque muitas delas tiveram que gritar, o que é uma coisa muito chata e que hoje eu tô fazendo todo um caminho né para desconstruir isso, mas acontece que é muito interessante mais nas próximas produções vou sim tentar me cercar de mais mulheres. Qual a sua melhor experiência com o cinema? Algo marcante, uma memória afetiva que você tenha... É sempre muito lindo, a coisa mais linda é você depois quando você vê o seu filme, o seu não

Foto: arquivo pessoal

É muito! Eu participo de vários grupos de mulheres do audiovisual, e a gente tem muita discussão e isso é muito perceptível sim. Às vezes quando alguém diz assim “ah não acho” eu falo logo o seguinte “Tá bom, cena de sexo. Na maioria dos filmes que você ver a mulher não goza na cena, para quando o cara goza, tá mudando mas o que que significa isso?! essa mulher já gozou, vai gozar ainda ou não vai ? não importa? tanto faz? como é que é isso?”. Então isso é só um detalhe para você entender,para os incrédulos entenderem o quão diferente é o ponto de vista. E não, eu não acho que a mulher diretora, roteirista ela tem que fazer só filmes com temáticas feminina não, eu acho que da mesma forma que os homens sempre dirigiram tudo e escreveram tudo, nós também podemos escrever histórias sobre o homens e fazer histórias de temáticas variadas. Mas respondendo à sua pergunta quando é uma temática feminina eu acho que é muito interessante que seja uma mulher sim, porque durante muitos anos foram os homens falando sobre nós e isso cria uma referência né.

nosso porque o filme é uma obra de muita gente, mas quando você vê pronto aquela ideia que saiu da sua cabeça, que foi ganhando vida, foi crescendo. Quando tá pronto e você recebe os elogios, você fala sobre isso, é maravilhoso. Vale muito a pena e assim as melhores experiências são no set, é muito gostoso quando você trabalha com comédia por exemplo, porque o set é um barato do início ao fim! Você morre de rir com os atores, o que vai para o filme é só um pedacinho, e ao mesmo tempo quando você trabalha com drama também é muito lindo você viver junto com as atrizes e os atores aquela emoção, trazer aquela emoção. É muito gratificante, são momentos lindos! Você pode deixar uma dica para quem pretende seguir essa carreira de diretora, produtora roteirista, não é fácil né ?! Acho que estudar é muito importante! Estudar mesmo, estudar roteiro, fotografia, estudar direção de arte, estudar atuação. O cinema é muito complexo são muitas interfaces, pós-produção. Então o diretor tem que entender de tudo, tem que saber de tudo e tem que dialogar com todo mundo. Outra dica: sair do seu mundinho! A primeira dica que costumam dar nos cursos de roteiro é: “ fale sobre o que você conhece”. Eu acho ótima porque você falar do que não conhece é muito difícil, mas eu diria: “Conheça mais do que você conhece , amplie seus conhecimentos, entre o seu universo”. Às vezes o áudio visual fica saturado dos mesmos temas né?! Então assim é interessante flertar com outras áreas, eu fiz psicologia e agora tô querendo estudar direito. Então eu acho que é interessante a gente estudar e conhecer para além do mundo do audiovisual né, essas são as duas dicas mais legais que eu posso deixar para vocês.

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Foto: freepik

MULHERES ATRÁS DAS CÂMERAS

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Mulheres atrás das câmeras: Como a igualdade de gênero ainda está longe de chegar SEJA NA FRENTE OU ATRÁS DAS CÂMERAS, é fato que a mulher é minoria em ambos, seja na representação, seja na direção, as mulheres estão em fase de retomada de seus postos de destaque no cinema. Essa desigualdade é vista principalmente em grandes premiações, onde vemos que em 91 edições, apenas 5 mulheres foram indicadas a um dos maiores prêmios da noite, o de melhor direção. E dessas 5 apenas 1 mulher ganhou a estatueta da academia, Kathryn Bigelow com o filme “Guerra ao Terror”. Esse número é preocupante, e mais ainda quando vamos em qualquer cinema e prestamos atenção nos filmes em cartaz, quase não tem (ou não tem mesmo) filmes feitos por diretoras mulheres, a maioria tem como diretor homens. Não existe um único fator que seja o motivo das mulheres terem menos projetos de direção do que os homens, mas o machismo que existe na sociedade e os orçamentos que são disponibilizados pelas indústrias são os principais. Podemos dizer que a chave para a mudança está no público, seja prestando atenção e pedindo por mais mulheres na direção de grandes filmes, ou seja apoiando o trabalho de diretoras consumindo o seu trabalho e divulgando.

O estudo Gender Bias Without Borders, realizado pelo Instituto da atriz Geena Davis aponta que há mais chances de uma mulher ser protagonista de um filme se a pessoa por trás das câmeras for uma mulher, isso quer dizer que na maioria das vezes os filmes que têm mulheres em destaque tem uma diretora por trás, não é uma regra, mais é uma afirmação. Esse cenário ganhou mais forma e discussão nos últimos anos com o surgimento de movimentos como o #metoo e o Time’s Up que mostraram como a igualdade entre homens e mulheres no cinema é gigante.

Porque elas não ganham destaque? É importante salientar que as mulheres sempre estiveram atrás das câmeras, segundo o documentário “Mulheres em Hollywood — é hora da mudança” elas eram maioria enquanto o cinema era mudo, e esse cenário mudou após o descobrimento do som e imagens em conjunto onde os maiores orçamentos eram entregues para os homens, pois eram de maior “confiança”, cenário esse que se estende até os dias atuais, onde mulheres cineastas recebem orçamentos menores e produções menores e os diretores

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Foto: freepik

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esbanjam com filmes de produção milionárias, como sinaliza Luísa Pécora do site Mulher no Ci-nema: “Quanto mais dinheiro entra, mais as mulheres saem, então você tem essa questão de “ah não da pra dar esse orçamento tão grande, é muito arriscado” Essa ideia de risco que Hollywood vê em colocar um filme na mão de uma mulher” Atualmente vemos mulheres ganhando destaque na direção de peças como documentários e romances, pois o primeiro gênero é mais barato de se fazer e o segundo a indústria hollywoodiana acredita que seja mais o perfil das cineastas, sobre isso Luisa complementa “Esse tipo de ideia ainda é muito resistente e acaba atrapalhando muito por exemplo no caso desses filmes que estão na lista de ‘100 filmes de maior bilheteria’, o que mais tem? Os filmes de maior bilheteria são todos esses de ação , de quadrinhos, de ficção científica que são justamente o que eles — indústria cinematográfica — afirmam que as mulheres não sabem fazer”. “Você faz jornalismo, e você sabe que é um meio que tem bastante mulher, mais quem

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manda ainda são os homens, porém quantidade não é qualidade. A gente vê sim que tem muita mulher trabalhando com o cinema, se você levantar o relatório da ANCINE cerca de 17% dos filmes são dirigidos por mulheres” diz Flávia Guerra, jornalista, documentarista e roteirista sobre a realidade do audiovisual brasileiro, ela ainda complementa mostrando algumas das funções que as mulheres ficam atrás das câmeras: “A grande maioria das mulheres tem funções como direção de arte, tem maioria mulher na produção que organiza a casa e são importantíssimas essas posições, mas as decisões criativas ainda são tomadas por homens, quero dizer, a maioria é homem, ainda que tenha bastante mulher roteirista e dirigindo documentários de não ficção”. Para Sheila Souza, diretora iniciante de cinema, esse assunto de mulheres diretora é uma “novidade”, pois ela está despertando para esse pensamento, se sentindo até mesmo um pouco culpada pois dentro do seu top 5 diretores favoritos, só tem homens: “Faz um ano que eu também estou pesquisando sobre


“Hollywood tem muito preconceito com mulheres, principalmente para atrizes que vão pra essa camada de direção.”

as mulheres e tentando ver mais trabalhos, mas assim eu sempre fui fã de certos diretores e eu percebi que meu top não tem uma mulher, porque eu tive menos chances de assistir elas, então agora eu também to indo nessa vibe de tentar procurar uma coisa mais feminina ou olhar mais feminino sobre os filmes.” A fala de Sheila mostra como é importante que esse tipo de assunto é necessário estar nos debates e não cair no esquecimento. Como diretora iniciante, Sheila concorreu ao 6º Festival Curta de Campos do Jordão na categoria Curta experimental chamado “Através dos meus olhos” que através do voto popular ficou em terceiro lugar na premiação, segundo ela Hollywood ainda tem muito preconceito com atrizes que se aventuram nessa atmosfera de direção “Hollywood tem muito preconceito com mulheres, principalmente para atrizes que vão pra essa camada de direção, Angelina Jolie sofreu com isso, a Olivia Wilde ta sofrendo com isso agora e são mulheres que tem um olhar diferente [...] Quando as pessoas olham para ela — Angelina Jolie — você vê uma mulher sexualizada a mulher dos sonhos e

ela vai e faz um filme sobre guerra e você se questiona, se elas que são do meio tem dificuldade porque eu não vou passar?!” Segundo Luísa, essa discussão de igualdade de gênero está sendo uma conversa maior pois tem muita gente interessada: “Acho que essa questão da conversa sobre o assunto, disso ter se tornado um assunto que como eu disse, acompanha todos os festivais, acompanha todas as indicações, isso virou uma preocupação maior, tanto na imprensa, quanto nas redes sociais, quanto no público, quanto nos produtores de conteúdos e tal [...] Acho que essa questão da conversa sobre o assunto melhorou, agora se melhorou a presença da mulher isso já é uma questão mais difícil da gente analisar.” Luísa continua falando que o existe um movimento promissor mas que depende muito do público para manter o assunto vivo e cobrar mais mulheres em destaque atrás e na frente das câmeras!”.

E o futuro? “Eu acho que seria ideal pra mim, que eu falaria Ok então agora nem precisa nem existir

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Foto: freepik

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o site mulheres no cinema, seria quanto as mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens de fazer qualquer filme que elas queiram fazer” diz Luísa Pécora sobre o futuro ideal da igualdade de gênero entre diretores de cinema, isso mostra que por mais que estejamos no caminho para alcançar essa igualdade, ainda falta um longo caminho a ser percorrido, onde as indústrias cinematográficas vejam que as mulheres podem ter grandes orçamentos as diretoras e cabe aos espectadores mostrar que os filmes dirigidos por uma ótima feminina são tão interessantes quanto os outros. Grandes premiações estão buscando a inclusão, como por exemplo o Oscar que desenvolveu novas regras que serão válidas somente para a categoria de melhor filme a partir de 2022, as que citam a mulher são “Os cargos de liderança ou chefe de departamento (diretor de elenco, cineasta, compositor, figurinista, diretor, maquiador, supervisor de efeitos visuais, escritor, cenografista, editor de dom, produtor e designer de produção) precisam ter ao menos dois representantes dos grupos: mulheres, grupos raciais ou étnico, LGBTQI+, pessoas com deficiências cognitivas e físicas” e “ao menos 30% da equipe toda da produção deve ser composta pelos grupos: mulheres, grupos racial e étnico, LGBTQI+, pessoas com deficiências cognitivas ou físicas”, isso significa um grande avanço para as premiações e um exemplo a ser observado pelas demais, pois o Oscar é a maior festa do cinema mundial. Aqui no Brasil, os festivais de cinema estão buscando se adaptar a essa igualdade, Flávia

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faz parte do coletivo Elviras — mulheres criticas de cinema — que tem o nome inspirado por a Elvira Gama, primeira mulher no país a escrever sobre imagem e movimento para o Jornal Brasil entre 1894 e 1895 — que mapeou críticas do país inteiro pois estavam cansadas de questionar os organizadores desses festivais o motivo de não ter mulheres mediando painéis, que eles não conhecia muitas críticas: “E ai a gente falou ‘não conhece ? Perai que a gente lista’ e as Elviras tem mais de 100 mulheres fazendo criticas no Brasil todo, tem mulher do Acre até o Rio Grande do Sul”, ela também salienta como a internet tem ajudado as mulheres a se organizarem e fazerem reuniões sobre esse tema “A gente tem grupo o WhatsApp, tem grupo no Facebook, tem o Instagram das Elviras também [...] e ai a gente vai se articulando online para combinar, mas temos feito coisas sempre”.

Como podemos ajudar? Flávia diz a chave da mudança está com o público com eles “Eu acho que o público tem que ficar atento né? Quais são os filmes dirigidos por mulheres, quem são essas mulheres que estão dirigindo, acessar sites como o mulheres no cinema, mas procurar, porque o público em geral ele não procura saber quem é o diretor, quanto mais a diretora” e complementa salientando que essa questão de falta de procura é um problema da sociedade em geral, não somente no Brasil “O mundo é machista, as estruturas são machistas e não sou só eu que estou dizendo isso, tenho amigas que são professoras universitárias que falam que desde sempre as alu-


Grandes premiações estão buscando a inclusão, como por exemplo o Oscar que desenvolveu novas regras que serão válidas somente para a categoria de melhor filme nas, sem querer querendo, quando vão fazer trabalhos em grupos são colocadas como produtoras, assistente de direção, assistente de produção e os meninos vão assumir a direção do projeto” Já Luísa cita um ditado americano sobre como o consumo pode influenciar diretamente no tipo de produção que elas vão aplicar o dinheiro: “Aqui nos Estados Unidos é mais comum que eles falaram que o espectador vota com o dinheiro, então onde você coloca seu dinheiro tem uma repercussão né, por exemplo, se um filme como Mulher Maravilha fosse mais ou menos o que hollywood ia pensar?! Que não deu certo né, que as pes-

soas não querem ver filme de quadrinho sobre mulher” ela ainda dá a seguinte dica para quem pergunta como ajudar “Eu sempre falava pras pessoas fazerem, por exemplo, tem um filme nacional dirigido por uma mulher, sobre uma mulher que tá em cartaz na sua cidade né. Se você vai ver esse filme principalmente na primeira e na segunda semana já ajuda a esse filme a ficar mais tempo em cartaz, você vai lá coloca seu dinheiro naquele filme também vai nas suas redes sociais fala para os seus seguidores que o filme é demais, chama eles para assistirem, já ajuda aquele filme”.

Anna Muylaert

Katheryn Bigelow

Diretora brasileira do filme “Que horas ela volta?” nos festivais de Sundance e Berlim.

Primeira e única diretora mulher a ganhar o Oscar na categoria de Melhor Filme

Greta Gerwig

Adélia Sampaio

Única diretora mulher indicada ao Oscar de melhor direção na 90ª Edição da premiação.

Primeira diretora negra a dirigir um longa no Brasil, “Amor Maldito”, de 1984.

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Fotos: divulgação

4 cineastas que você não pode deixar de prestigiar


TESTE DE BECHDEL

Conheça o teste que revolucionou a indústria cinematográfica

Alison Bechdel era cartunista e no ano de 1985, após sair de um cinema com uma amiga, ficou se questionando sobre a representação da mulher no filme em que viram e transformou isso em uma tirinha ironizava o cinema Hollywoodiano da época por representar as mulheres de forma estereotipada e clichê. Após 28 anos, o que era apenas um quadrinho acabou de tornando a principal justificativa para estudiosos da representação da mulher no cinema e a sueca Ellen Tjle, citada anteriormente, criou o selo A-rate (A de aprovedd — em português ou Alison Bechdel e rate de taxa em inglês) para classificar se um filme é aprovado no teste ou não.

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Os quesitos para avaliar se uma obra passa ou não no teste são simples, o filme de ficção tem que ter duas ou mais personagens com nomes próprios, elas têm que se conversar entre si e, o assunto dessa conversa não pode ser um homem. Apesar de simples, muitos filmes consagrados da história do cinema e que impactaram diretamente a vida de muitos telespectadores não passam da primeira regra, como por exemplo Star Wars, Toy Story e Blade Runner. No ano de 2017, o Brasil foi o primeiro país da América Latina a adotar o selo A-rate do teste de Bechdel no ano de 2017 em uma iniciativa que contou com o apoio de salas de cinema como Caixa Belas Arte, Espaço Itaú de Cinema e Reserva Cultural, além das distribuidoras Ello Company, Fênix, Imovision, Pandora e Vitrine. Após o lançamento do selo no país, as críticas de cinema do coletivo Elviras, que existe desde o mesmo ano

Ilustração: freepik

A PARTICIPAÇÃO DA MULHER como consumidora nas salas de cinema tem sido maior desde o ano de 2010, porém com o aumento de discussões como feminismo, racismo e até mesmo assédio depois dos movimento Metoo e Time’s UP as indústrias cinematográficas têm prestado mais atenção nesse público e desenvolvido mais filmes que atinjam essas consumidoras que tem ficado mais criteriosas nas suas escolhas quando vão às salas de cinema. Mas não basta somente ter mais mulheres em filmes, se elas não forem bem representadas, é importante que elas tenham uma história e pelo menos um nome para não serem somente um apoio para os demais personagens (normalmente masculinos), por isso em 2013 a programadora de salas de cinema em Estocolmo Ellen Tejle passou a usar o teste de Alison Bechdel para classificar os filmes exibidos classificando a representação da mulher.


Charge: divulgação

de lançamento do teste no país e tem esse nome em homenagem a Elvira Gama, primeira mulher no país a escrever sobre imagem e movimento para o Jornal Brasil entre 1894 e 1895, se comprometeram a utilizar o selo em suas resenhas, além da criação da página Teste de Bechdel Brasil no facebook, que posta a dica de vários filmes nacionais que são certificados no teste. Ao contrário do que muitos pensam, o teste não em o intuito de dizer que o

filme é machista, que não deve ser visto, ele tem o objetivo de questionar como está sendo feita a abordagem feminina em filmes de ficção já que atualmente elas têm menos tempo de tela que os homens, em média a mulher tem 29% de protagonismo em um filme. Muitas vezes filmes de grande bilheteria ou premiados, com o Oscar de melhor filme, não passam no teste e como a mulher tem sido a maioria do público nas salas de cinema, elas querem se ver em papéis mais reais que condizem a sua realidade e que sejam de importância para a história dos filmes. Por falar em Oscar, em 93 anos de premiação, apenas 5 mulheres já foram indicadas a um dos maiores prêmios da noite, o de direção, desse número, somente uma mulher ganhou o prêmio que foi Katheryn Bigelow com um filme que (surpresa) não passa no teste de bechdel, pois não tem nenhuma mulher. Em conversa com Andressa Almeida, crítica de cinema, ela cita as novas regras

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TESTE DE BECHDEL

Geena Davis Institute

on Gender in Media

Gender Bias

Without Borders GENDER BIAS WITHOUT BORDERS An Investigation of Female Characters in Popular Films Across 11 Countries A N I N V E S T I G AT I O N O F F E M A L E C H A R A C T E R S I N POPULAR FILMS ACROSS 11 COUNTRIES Dr. Stacy L. Smith, Marc Choueiti, & Dr. Katherine Pieper with assistance from

Media, Diversity, & Social Change Initiative University of Southern California Annenberg School for Communication & Journalism 3502 Watt Way, Suite 223 Los Angeles, CA 90089 stacy.smith@usc.edu

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que as premiações como o Oscar estão adotando para melhorar a forma com que as minorias, como as mulheres são retratadas no cinema: “Oscar está com novas medidas que vão valer a partir do oscar de 2024, a ideia é que os filmes para concorrer na categoria de melhor filme tem que seguir quatro pautas de representatividade e inclusão, seguindo pelo menos uma eles são elegiveis a melhor filme, é uma forma do Oscar trazer mais representatividade para a industria, trazer mais mulheres, trazer mais negros, trazer mais,enfim, minorias em geral”. Além do Oscar as demais premiações também tem se preocupado com o fato de como a mulher está sendo representada, e isso foi impactado diretamente por movimentos como o teste de Bechdel, seja uma preocupação totalmente comercial pois como dissemos a mulher é a maioria dentro de uma sala de cinema, seja pela preocupação de realmente mudar a história do cinema e trazer a tona a visibilidade que as mulheres merecem. Para te incentivar a pensar mais sobre o assunto, confira abaixo uma lista com filmes que passam tranquilamente no teste de Bechdel e uma outra lista com filmes que foram reprovados nesse teste que chegou no Brasil em 2017. No site oficial do teste Bechdel Test Movie List (http://bechdeltest.com/) — infelizmente em inglês — temos uma lista de alguns filmes que são aprovados (sinalização verde) ou reprovados e por

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Fonte: seejane.org/ / mulhernocinema.com

Yu-Ting Liu & Christine Song

que (sinalização vermelha), além disso a lista é dividida por ano, começando em 1888 e indo até 2020. Nesse site, também é possível fazermos comentários sobre os filmes, em inglês caro, além de conferir comentários de outros cinéfilos sobre o filme em questão além de enviar nossas sugestões de filmes que são aprovados irem para análise e divulgação. O Brasil tem se preocupado com a representatividade da mulher no cinema tanto que em 2017, no ano que o teste chegou no país, alguns alunos da PUC-Rio (Pontificia Universidade Católica) desenvolveram um aplicativo chamado “Alice” que listava a representação da mulher no cinema mundial. Além do usuário ter a experiência de avaliar os filmes, ele também pode realizar o teste de bechdel e classificar se o filme passa ou não no teste. O aplicativo estava disponível somente para o sistema IOs e infelizmente foi removido da plataforma. O caminho para a representação da mulher está sendo construído, apesar das mudanças significativas e sensação de que vemos mais mulheres nos filmes, ainda falta muito pra chegar no número ideal de filmes aprovados no teste de Bechdel, por isso é importante consumir sempre um filme com mulheres protagonistas, divulgar esse filme e fazer com que mais pessoas vejam para que cada vez mais a indústria entenda que seu público mudou e que queremos mulheres bem representadas nas telas de cinema.


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REPRESENTAÇÃO DA MULHER

Fonte: divulgação

De princesas à super heroínas: como a representação da mulher tem evoluído no cinema. De princesas à super heroínas: como a repre- assistir, mais que é a chave central da história: sentação da mulher tem evoluído no cinema. “Você pega a franquia Crepusculo bem ou A discussão sobre a representação da mulher mal é uma franquia protagonizada por uma no cinema tem ganhando mais destaque mulher e deu muito dinheiro para a produtora, desde que movimentos como #metoo (após a e o homem era só o acessório, e a gente está reportagem do New York Times com de- falando de um filme de 2008, a gente (criticos) núncias de assédio contra Harvey Weinstein) chamamos essas obras de adaptação literária e o Times Up (protesto silencioso que acon- e temos mulheres escrevendo sobre mulheres teceu durante uma cerimônia do Oscar rei- a muito tempo e foi mais ou menos nessa vindicando mais mulheres diretoras e papéis época que a industria falou: ‘opa as mulheres de destaque) vieram a tona e impulsionaram estão vendo mais filmes, então a gente pode essa pauta e as indústrias cinematográficas investir nisso com tranquildade’” Com essa a produzirem mais filmes para aquelas que discussão veio a necessidade de ver mais musão maioria nas salas de cinema em todo o lheres reais, e mais próximas a realidade que mundo desde 2010 como frisa nossa entre- as espectadoras vivem, e a dificuldade dos vistada Andressa Almeida, carioca que é crí- estúdios em ter boas personagens e que não tica de cinema voltada mais sobre o femi- tivessem a necessidade de ser somente o nismo nas telas: “A mulher é o público mais braço direto de um homem no filme. rentável de cinema, falando somente de cine- Filmes como “O Escandâlo” que tratam de asma mesmo sem contar streamings ou séries, suntos como assédio com mulheres e dirientão não é coincidência que desde 2010 a gidos e roteirizados por homens mostram gente tem mais mulheres protagonizando fil- que cada vez mais é necessário termos filmes porque a indústria entendeu que ela pre- mes para mulheres feitos por mulheres, e cisava colocar como protagonista aquela que não a ideia de um homem sobre determinaestava assistindo.” das situações e conforme mostra o estudo A Indústria cinematográfica percebeu essa Gender Bias Without Borders (Preconceito de mudança de espectadores quando vimos fran- Gênero sem Fronteiras) que fez uma invesquias literárias serem adaptadas para o cine- tigação em filmes de 11 países ao redor do ma como em Crepúsculo que Andressa frisa mundo (inclusive no Brasil) mostra que é ser protagonizada por uma mulher, não a mu- 6,8% maior a chances de termos mais perlher emporedada que a critica feminista curte sonagens mulheres em destaque quando o fil-

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me tem uma diretora e 7,5% quando tem uma roteirista mulher, sobre esse assunto Andressa reforça que o filme deve ser recomendado, mesmo sendo a visão de um homem sobre assédio sexual pois “eu não vou falar não veja porque para alguns caras e mulheres também vai ser uma forma de eles compreenderem como funciona o abuso mesmo que não seja na visão de uma mulher”. Ainda sobre a relação mulheres em destaque nos filmes e diretoras, conversamos com Barbara Demerov, crítica de cinema do portal Adoro Cinema e do site Cinematecando: “Eu acho que sim a representação da mulher no cinema tem evoluído, seja na frente ou atrás das câmeras, porque as diretoras estão crescendo, ou melhor estão sendo mais reconhecidas pelo mercado como por exemplo a Sofia Wilde e outras diretoras independentes que tem aparecido mais em festivais como Berlim e Canes, então sim, tem uma movimentação positiva nesse sentido”. Não podemos negar que sim, vemos mais mulheres em papéis principais em filmes, principalmente nos de super heróis que não é comum vemos a personagem principal como mulher, sobre isso filmes como “Mulher Maravilha”, “Capitã Marvel”, “Viúva Negra” “Aves de Rapina” e outros tem revolucionado mostrando que a indústria tem notado que mais mulheres vão ao cinema e que precisam atingir esse público comercialmente, como diz a crítica de cinema Andressa Almeida “Não é coincidência que desde 2010 (segundo estudo feito) a gente tem mais mulheres protagonizando filmes, isso porque a indústria entendeu que ela precisava colocar como protagonistas aquela pessoa que estava ali assistindo, então é um demanda comercial” Não basta somente termos mais mulheres nos cinema, é importante que elas tenham falas também sobre isso o estudo Gender Bias

“A mulher é o público mais rentável de cinema, falando somente de cinema mesmo sem contar streamings ou séries, então não é coincidência que desde 2010 a gente tem mais mulheres protagonizando filmes.” Confira o estudo Gender Bias Without Borders escaneando o QR code

Without Borders é importante para comprovar em números como a desigualdade da representação da mulher no cinema é discrepante em algumas situações como Bárbara também frisa: “Movimentos como o #metoo e o Times Up revolucionaram muito mesmo e incentivaram a conversa sobre o tempo de tela — das mulheres no cinema. Isso a gente via muito nos filmes dos anos 2000 onde tinha a sexualização da mulher e infelizmente hoje isso ainda acontece”. Segundo o Gender Bias Without Borders dos 5.799 personagens com fala e nome dos filmes avaliados 69,1% eram homens e apenas 30,9% desses personagens era mulher, a diferença é significativa, visto que os homens são maioria em quase todos os filmes da indústria. O estudo ainda aponta que nos filmes do cinema nacional estudados 72,8% dos personagens masculinos eram empregados e apenas 43,1% das mulheres tinham emprego. Não existe jeito certo de representar a mulher, o importante é elas estarem lá. De princesas, donas de casas a guerreiras e donas da sua própria empresa a representação da mulher no cinema passa por altos e baixos e

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Fonte: divulgação

REPRESENTAÇÃO DA MULHER

é interessante observar que nos últimos anos pesquisas e estudos sobre a mulher nas telonas tem feito com que a indústria cinematográfica representasse a forma de ilustrar as mulheres e trazer mais para a vida real, afinal o que vemos nos filmes é um retrato da nossa própria realidade. Mas existe uma fórmula mágica para representar a mulher no cinema? Não, afinal se o cinema retrata a nossa própria realidade, devemos ter os diversos tipos de mulheres que existem no mundo, e essa diversidade vai desde tons de pele, características físicas, orientação sexual, cores de cabelos, etnias, afinal queremos ver um reflexo do que somos e podemos ser nas histórias que pagamos para assistir nos cinemas. Em conversa com crítica de cinema Barbara Demerov, ela me diz que essa questão de definir uma representação ideal da mulher na sétima arte é bem interessante, pois atualmente temos mais diretoras que representam vários tipos de mulheres, mais também as diretoras mais antigas como Agnes Varda, representavam uma mulher mais humana: “eu acho que a gente pode definir a representação como algo humano sabe? Então definindo a representação ideal é você se ver um pouquinho na tela”. Sobre a mulher feminista no cinema ou a mulher ideal Andressa fala que a melhor opção é ver as mulheres sendo representadas: “è por que existem vários tipos de mulheres né, vai ter mulher que acredita no feminismo e vai ter mulher que não. Eu acho que a melhor opção é você ter mulheres sendo representadas das diferentes formas, como por muito tempo a gente não teve, a gente tinha somente mulheres que serviam de escadas para os homens.” ela ainda diz que no cenário atual

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do cinema encontramos mulheres mais complexas e que toda representação é válida o importante é ela não ser somente um acessório. Podemos dizer que as mulheres estão — e sempre estiveram - no cinema, porém nos últimos anos elas têm ganhado mais voz, mais espaço e mais nomes, o que já é uma diferença enorme se compararmos com filmes dos anos 90 que víamos nos créditos finais assim “mãe”, “avó”, “filha” e com isso percebemos que é importante a mulher estar nos filmes, mulheres cada vez mais reais e de acordo com a realidade daquelas que são maioria nas salas de cinema e que querem se ver nos filmes.

Os filmes de super heroínas É uma realidade que os filmes de super — heróis estão se adaptando para serem mais inclusivos como diz Bárbara: “Eu acho que existe sim uma evolução no cinema e heróis, por exemplo o filme do homem formiga e vespa, a vespa de destaca mais, uma coisa bem natural sabe assim como a Viúva Negra nos filmes dos Vingadores que foi crescendo muito como personagem, Mulher MAravilha então nem se fala ela realmente criou uma nova perspectiva né? Hollywood está criando uma nova fase com mais diversidade e mais inclusão né?! Acho que inclusão é a palavra”. Isso porque começamos a ver mais filmes de super heroínas sendo produzidos e financiados por grandes estúdios, como Mulher Maravilha, Capitã Marvel, Homem — formiga e Vespa, Viúva Negra e diversos outros. Isso reforça o que dissemos no início da matéria que os estúdios estão ouvindo e vendo que o público feminino está ganhando força nas salas de cinema, mais o público mascu-


lino não está gostando muito dessa revolução comercial que os estúdios estão fazendo: “Capitã Marvel fez uma grande diferença, aí inclusive fez com que vários homens ficassem magoados até hoje com esse protagonismo. Isso tem que acontecer para as pessoas acordarem e ir saindo das suas bolhas, especialmente os homens lá no Estados Unidos. Existe muita muito preconceito com cinema de ação feminino, até mesmo Mulan e Viúva Negra que estão filmes que ainda vão estar aqui no Brasil, também geraram discussão Aves de rapina então nem se fala, porque realmente eu acho que o filme é feito para todos não somente para um nicho do Herói.” diz Bárbara. A pergunta é por que isso só agora? Andressa reforça que esses filmes de heróis foram uma mudança puramente comercial: “eu acho que é puramente comercial no sentido de ‘a temos mulheres assistindo esses filmes aqui então a gente pode pegar os quadrinhos que existem personagens mulheres e colocar’. Já vínhamos tendo uma discussão sobre o feminismo no cinema, há muito tempo se questionava porque não tinha um filme sobre a mulher maravilha, por que não tinha um filme sobre a capitã marvel, porque a indústria entendia que não iria dar dinheiro entendeu? por mais que houvesse um debate sobre o assunto a indústria entendia que não ia dar dinheiro nesses casos, no momento que deu dinheiro eles começaram a investir mais porque tinha um público ali disposto a comprar.

O futuro da representação da mulher no cinema Pensando sobre onde essas discussões sobre tempo de tela, sobre qualidade e quantidade

de representações de mulher no cinema Bárbara acredita que veremos um pouco sobre a mulher real e sobre como nós telespectadores podemos ajudar nessa luta: “O que a gente pode esperar e acho, que são mulheres reais e filmes com mais mulheres, desde a mulher pé no chão a mulher na porrada com os outros, como Mulher Maravilha que foi maravilhoso ver isso, uma mulher incrivelmente forte e independente, a gente não quer ver somente imagens a gente quer ver ações, então ver um mulher emanar forma e emanar identidade, eu acho que é isso que importa. E como público acho que o que a gente pode fazer é conhecer mais a história do cinema e incentivar mais diretoras.” Andressa por outro lado está esperando os lançamentos que foram adiados por conta da pandemia que o mundo está vivendo: “Se você ver os projetos que estão sendo pensados para o ano que vem, que vão ser lançados no ano que vem porque nesse ano não puderam ser lançados, muitos têm protagonismo feminino e não vamos entrar no mérito de bom ou ruim, a gente está tendo mais mulheres sendo chamadas para dirigir filmes e estamos tendo uma crescente nessa direção e tem que aumentar e crescer, a indústria já entendeu que a gente quer se ver nas telas,de algum jeito mais a gente quer se ver.” Para o próximo ano temos filmes como Mulher Maravilha 84, Um lugar silencioso parte 2, Viúva Negra, Espíritos Sombrios e Godzilla vs Kong terão mulheres como protagonistas e são muito aguardados tanto pela crítica quanto pelos telespectadores, até lá podemos ficar com o aguardado Mulan que chega em dezembro no Brasil, um mês após o lançamento do também aguardado streaming Disney+.

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CONSUMIDORA

Olhares: Consumidora Para a sessão dois olhares: bate-papo com uma cinéfila desta edição, conversamos com a Jéssica de 29 anos jornalista. Jéssica é apaixonada por filmes de super heróis e nacionais e quando criança queria ser o Hulk, por falta de super heroínas além disso ela ama a emoção de estar em uma sala de cinema e se imergir na história dos personagens, fazendo com que ela pense neles por dias depois de ver o filme, confira essas e a opinião dela sobre mulheres no cinema e do cinema nacional abaixo. Bom Jéssica queria que você começasse se apresentando. Meu nome é Jéssica Silva, tenho 29 anos e sou formada em Jornalismo. Atuo na área tem 5 anos e eu trabalho no setor de comunicação de um movimento sindical, e a gente tem todo o tipo de comunicação empresarial, seja online, vídeo o que vier a gente faz. E quando você começou a se interessar sobre cinema? Então eu tenho uma relação com a minha família né, porque eu lembro que desde sempre, desde pequena a gente alugar filmes porque não tinha cinema em Guarulhos, então eu lembro de todo o final de semana a gente alugava filme pegava na locadora três fitas e era nosso programa de sábado e domingo, depois a gente rebobinava e devolvia e enfim eu cresci nesse ambiente. Sempre fui uma pessoa muito visual então como eu sou caçula e minha mãe me deixava com as minhas irmãs elas colocavam cinderela pra mim assistir, tanto que sei todas as músicas de cor porque era só colocar e eu ficava á sentadinha então essa é a minha relação com fil-

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mes. Quando inaugurou o shopping aqui em Guarulhos eu tinha uns 10 anos e foi quando comecei a ir no cinema de fato, na época não lembro qual era a rede que tinha, mais era um cinema bem grande e então a programação que era aqui em casa se transferiu pro cinema e acho que isso influenciou eu ir trabalhar em uma área de comunicação sabe, por que eu acho que o cinema tem essa influência.

"Acho que o jornalismo que proporcionou essa maior visão a fim de mundo e depois disso eu comecei a reparar “aqui tá faltando mulher.” E quando você percebeu que era mais do que somente gostar, que você era uma verdadeira cinéfila e essa era sua paixão? Olha eu to percebendo agora na quarentena sabia?! Porque está me fazendo muita falta. Na verdade eu sempre gostei de ir no cinema, então eu sempre arrumava um tempo pra fazer isso né, eu trabalhava e estudava mais sempre arrumava um tempo para isso né, juntava os amigos, o namorado e vamos na sessão da meia-noite, mesmo que no outro dia a gente vá trabalhar como um zumbi [risadas]. Então eu acho que fui reparar que sentia falta da sala sim do cinema, da emoção da sala de cinema agora, porque está me fazendo falta, pois no começo do ano eu estava com ressaca de cinema sabe? aquele momento em que nenhum filme te chama a atenção, e eu sou o tipo de pessoa


que assiste qualquer coisa, então foi muito duro porque agora não tem como ir no cinema e eu assim eu sou o tipo de pessoa que entra no personagem mesmo sabe, eu fico sentindo o que eles sentem , não precisa ser um personagem muito complexo, porque os complexos então eu demoro pra sair do personagem, às vezes o filme acaba e eu fico pensando nele ainda. Eu cheguei até a ir em um drive in, assisti matrix, o que foi muito legal porque é filme de 1999 e eu não cheguei a ver no cinema, eu gostei bastante da experiencia mais estou sentindo falta ainda da sala, do clima e da telona, é outra coisa sabe. Eu acho que você se descobriu cinéfila na época que estava estudando e trabalhando e mesmo assim não deixava de ir [rimos] É verdade, eu tenho uma história com isso, eu não lembro se estava esperando meu cunhado com o Alex (namorado) um dia que eu fui fazer alguma coisa em São Paulo depois do trabalho, nesse dia faltei na faculdade porque acho que iria ter algum evento e então eu tava lá esperando ele sair da faculdade, na época ele estudava na Cásper Líbero (faculdade) e aí eu olhei pro Alex e falei assim “Vamos no Cinema”, do nada e então a gente foi no cinema, não lembro se foi no Reserva ou no Alvorada que tava tendo um filme francês e filme francês e eu tava cansada porque tinha trabalhado o dia todo, ia ter que pegar a matéria que eu perdi na faculdade, mais vamos assistir um filme francês que você nunca sabe o que tá acontecendo porque o humor deles é muito peculiar o filme nem música tem e enfim, foi bom.

Foto: arquivo pessoal

assistia filmes de super-heróis eu queria ser um super-herói homem, eu não achava que era estranho porque não tinha uma superheroína entendeu?! Para mim tudo bem, eu queria ser o Hulk [risos]. Mas acho que Falando um pouco sobre as mulheres no também por causa da minha família, meu cinema, sobre a igualdade de Gênero, você pai nunca fez isso de “você não pode ser se interessa sobre esse assunto? Qual a porque é menina”. Acho que o jornalismo sua opinião? que proporcionou essa maior visão a fim de Muito me interessa! Eu acho que falta muita mundo e depois disso eu comecei a reparar mulher em muita coisa inclusive no jorna- “aqui tá faltando mulher” e não, não tem a lismo também ainda hoje e a gente tem que mesma visibilidade. Claro que tem mulheres invadir aí porque senão não vai mudar as excelentes principalmente no cinema nacional coisas né?! Assim eu eu não lembro em que inclusive o meu filme favorito nacional que é momento que eu parei assim para pensar, “o bicho de sete cabeça” foi dirigido por uma porque a gente cresce nessa sociedade — mulher e depois que eu asumi esse filme machista — eu pelo menos eu não pensava como o meu preferido que eu fui ver quem assim. O papo quando eu era menor eu era a Laís Bodansky, e aí já fui “caramba uma

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CONSUMIDORA

mas também como ela é retratada em pleno século 21 a gente ainda ver coisas absurdas e assim a partir do momento que eu acho que você entende isso e que você fala “putz é isso eu preciso consumir mais filmes produzidos por mulheres, dirigidos por mulheres ,com mulheres protagonistas” você começa despertar para isso.

mulher que coincidência eu gostar do um filme”. De 2018 para cá eu comecei a participar de um coletivo de mulheres e aí desse coletivo que eu fui me perguntando para outras Artes além da literatura que também tivesse mulher também. A gente não consome é muito fácil é só culpar mas assim dá para a gente ir atrás pesquisando e assistindo. O cinema querendo ou não ainda é um local muito elitista e muito machista, não diferente de toda a sociedade, a mulher não só atrás das câmeras mas em produtoras

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Quando você vai assistir um filme, você se preocupa em ver um filme dirigido por mulheres ou com mulheres como protagonistas, algo do tipo? Tenho, tenho sim. Acho que desde que nem você falou que eu comecei que eu me despertei nesse assunto que eu falei caramba caramba quem dirige isso quem filmou esse filme Mas eu sempre procuro mulheres ou tanto na produção ou atrizes que a gente sabe que tem um engajamento que não repercute esse tipo de machismo da área do cinema assim claro que eu assisto Qual que é o filme que tiver passando se você me perguntar qual foi o último filme que eu assisti eu assistir Dora ontem inclusive é muito legal o filme dela mas assim eu tenho essa preocupação e eu acho eu gosto a sensação de você falar cara foi uma mulher que que foi uma mulher que dirigiu eu acho importante a gente buscar esse conteúdo e esse e consumir esse tipo de produção mas eu gosto eu gosto Então é o útil ao agradável Inclusive a sua revista Eu acho que vai ser um sucesso porque é um assunto extremamente necessário extremamente importante porque querendo ou não aqui no Brasil cinema é uma coisa complicada Depende muito da das distribuidoras a gente ainda não é uma coisa muito acessível a gente vai na sessão mais barata a gente paga meia até quando a carteirinha da faculdade venceu então assim as pessoas acabam consumindo que chega mais fácil para elas então é extremamente importante. Falando sobre representação da mulher, você consome bastante filmes de superheróis certo? Essa representação da mulher tem mudado muito nesses filmes né?


Total assim, eu lembro de quando saiu capitã Marvel que eu vi as críticas horrorosas a ela, a atuação e eu falei “deixa eu ver com outros olhos”, porque a primeira vez que eu vi eu me emocionei o filme inteiro, e então o que eu reparei foi que ela não é sexy em nenhum momento e a maioria das críticas de atuação era masculina, ela não usa uma roupa chamativa,e ela não tem o relacionamento amoroso, o relacionamento amoroso dela é com uma amiga porque é um filme de identidade, então ela tá descobrindo quem ela é, e tudo isso é muito louco porque você pensa “realmente ela foi falha na atuação ou ela só quebrou um padrão que tá todo mundo acostumado?!”. Eu lembro de ver a princesa Léia, logo que eu comecei assistir filmes de ficção científica e essas coisas, e eu fiquei “caramba quero ser ela!”, foi uma das primeiras personagens femininas que eu olhei e falei “nossa que incrível”. Falando de herói, eu lembro que no primeiro filme do demolidor, acho que é de 2008 que tem o Ben Affleck, e aí tem a Elektra Natchios e tem a cena de transformação dela, que ela tá se preparando para luta eu fiquei emocionadíssima e ela não é uma personagem assim super revolucionária mas ela era a mocinha e virou uma Ninja. Você procura consumir mais cinema nacional mesmo? Eu procuro, e tenho buscado bastante porque ano passado eu fiz um curso livre de cinema e foi bem intenso porque era voltado para a produção mesmo e ai eu participei da produção de dois curtas, um como aúdio né, captação de áudio mesmo com microfone e tudo e no outro eu fui produtora, nossa eu nunca sofri tanto na minha vida. Enfim esse curso foi tenso e eu vi o quanto é maravilhoso o cinema nacional e porque a gente não valorizar o cinema nacional, a gente está muito acostumado a ver os filmes que a Globo Filmes produz, o que não tem nada de errado, mais é o que é acessível né?! E quando você pesquisa tem

muito mais coisa de muito mais produtores e é um cinema riquíssimo e que merecia toda a verba destinada possível e que você sabe que não tem, é um cinema guerrero e por isso ainda sobrevive né, então eu sempre gostei nunca tive nada contra mas sempre assisto qualquer filme mas do ano passado pra cá eu procuro sair tanto de Hollywood quanto de filmes dirigidos por homens. E depois do curso você tem interesse em atuar com essa área? Ah eu gosto e sempre gostei de produção audiovisual, tanto que meu TCC da faculdade de jornalismo eu fiz algo voltado pra isso, e eu fiz esse curso por indicação de um amigo meu que também fez e que me falou que era muito legal você ver toda produção como é e tal e eu gostei bastante. Assim eu gosto muito do áudio, porque a música em um filme faz toda a diferença , então eu acho que trabalharia nessa parte sim, se eu me qualificar né, e na edição, é muito louco como que é feito por que você pensa “Nossa que louco esse filme”, mas foi filmado totalmente fora de ordem cenas foram acrescentadas cenas foram retiradas e eu fiquei bem interessada mesmo. E pra terminar você pode deixando alguma dica sobre filmes com mulheres protagonistas ou diretoras? Deixa eu colar aqui nas minhas anotações, porque eu não tinha costume de anotar os filmes que eu assisti, então eu falei “eu vou anotar todo filme que ver no cinema esse ano” aí vem a pandemia e estragou tudo [riso]. Eu vou puxar a sardinha para Laís Bodanzky, porque eu gosto muito dela, o “Como Nossos Pais” eu gosto muito da atuação, de como ela retrata a relação de mãe e filha, é um filme completo que tem uma mulher dirigindo com mulheres protagonistas e a relação quebra aquele ideal perfeito, de filha dedicada. Acho bem legal e outra e os homens não prestam no filme é bem a realidade [risos], mas assim é bem legal.

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POLÍTICAS PÚBLICAS

Políticas Públicas x Mulheres: Em busca da igualdade no cinema Os últimos anos não tem sido fáceis para políticas públicas voltadas para o audiovisual no país. Desde a paralisação de órgãos como a Agência Nacional de Cinema (Ancine), o fechamento da Cinemateca Brasileira - local que possui o maior acervo de imagem em movimento da América Latina - até mesmo a pandemia que assolou o mundo em 2020 fez com que toda a indústria do audiovisual lutasse para sobreviver. Mas afinal, quais o que são as políticas públicas do audiovisual? Você deve conhecer a principal delas, a lei da meia entrada (Lei nº 12.993/2013) que em seu primeiro artigo diz: É assegurado aos estudantes o acesso a salas de cinema, cineclubes, teatros, espetáculos musicais e circenses e eventos educativos, esportivos, de lazer e de entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares, mediante pagamento da metade do preço do ingresso efetivamente cobrado do público. Mas além dessa temos algumas leis que são importantes para o incentivo da cultura e produção de filmes, séries e documentários em todo o país como a Lei do Audiovisual, Lei Rouanet e o Fundo setorial, todos auxiliam produtores a fazer com que seus projetos saiam do papel, mais possuem algumas diferenças cruciais, saiba mais sobre eles a seguir. Lei do Audiovisual (Lei Nº 8.865/1993) A Lei do Audiovisual não permite que o Ministério da Cultura e a Ancine repasse verbas diretamente para a produção independente de filmes de curta, média ou longa metragem, telefilmes, minisséries, obras seriadas ou programas culturais e educativos para TV. Ela possui uma série de regras, conhecidas como instruções normativas e funciona da seguinte forma: Uma produtora independente faz seu cadastro no site da Ancine; essa produtora se cadastra em um dos editais disponíveis; após aprovação no edital a produtora começa a pesquisar em-

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presas e oferecer seu projeto em busca de apoio financeiro das mesmas; a empresa que se interessar e oferecer a verba necessária para sua produção (até 4% do IR para pessoa jurídica e 6% para pessoa física). Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura – Nº 8.313/1991) Conhecida pelo sobrenome do Secretário da Cultura da época que foi sancionada — Sérgio Paulo Rouanet — seu modo de funcionamento é muito parecido com a anterior, as principais diferenças é que ela é mais utilizada para financiar curtas e documentários, a empresa que financiar o projeto tem que ser inseridas nas peças de divulgação do projeto e 10% do produto cultural restante deve ser distribuído através de uma contrapartida social, em forma de ingressos gratuitos e vagas em cursos e seminários. No final do projeto, a produtora independente faz um relatório de prestação de contas e envia para o Ministério da Cultura. Fundo setorial do audiovisual (FSA) (Lei Nº 11.347/2006) O FSA recolhe taxas geradas dentro da atividade audiovisual no país todo ( como a CONDECINE (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e de concessões e permissões, para reinvestir em projetos como desenvolvimento, produção e distribuição de longas-metragens e séries, construção e modernização de salas de cinema, financiamento de empresas de pósprodução e inovação e capacitação profissional. O fundo reúne editais nacionais (que são disponibilizados pela Ancine) e regionais de investimento (como SPcine e Riofilme). Para utilizar o Fundo setorial do audiovisual é necessário ter uma empresa registrada na Ancine que esteja classificada como agente econômico, depois é necessário elaborar uma proposta de acordo com o perfil do projeto que deseja se inscrever, prestando atenção aos prazos e instruções normativas do edital. Depois é necessário fazer a inscrição da


proposta junto com uma série de documentos solicitados, para que passem pela triagem e por fim pela análise, depois é só acompanhar no portal e verificar os projetos que foram deferidos.

E o espaço da mulher?

“Quando eu era coordenadora da SPcine, eu chamei para um café da manhã algumas mulheres do setor, então eu pensei em um público bem variado, profissionais que atuassem no cinema, na televisão, na publicidade, nos games, produtora executiva, executiva de canal, pessoas mais consagradas até novos talento então foi o primeiro passo para entender quais eram os problemas do setor e se elas se sentiam oprimidas e tal, foi uma reunião bem catártica e saiu muitos desdobramentos.” conta Malu Andrade que é diretora de desenvolvimento e políticas audiovisuais da SPcine, ela ainda complementa contando que em 2016 eles instituíram a paridade de júri em algumas comissões ou seja, um júri misto e bem igual, além de um edital experimental de curta metragens com cotas para mulheres, negros, trangêneros, pessoas com deficiência e indígenas “ o resultado foi bem impressionante, se não me engano são 60% são de realizadores negros e 50% de mulheres, e foi muito legal esse resultado nesse primeiro piloto.” Inspirada pelas políticas públicas do reino unido, quando convidada a assumir a direção da SPcine, implementou uma política mais afirmativa nessa questão de igualdade “Essas políticas são orientadas por alguns pilares, o primeiro é a paridade de júri, ou seja no mínimo 50% do júri mulheres, diversidade do júri também, no mínimo uma pessoa negra no júri e isso já um belo de um adianto, pontuação indutora em todos os editais da Spcine, então projetos que tenham direção de mulheres, roteiro de mulheres, direção de fotografia de mulher ou supervisão de pós de mulher, ou essas profissões também com pessoas transgêneros - ou seja mulher trans e homens trans — ganha um ponto e empresas de sócios negros ganham dois pontos, isso ajuda a aumentar a pontuação de muitos projetos e não só aumentar as chances dessa pessoas, por exemplo um diretor branco ganha um ponto se ele colocar uma mulher na supervisão, e isso faz com que ele se interesse em dar emprego pra essa pessoa, e é isso que a gente queria. E a outra ta baseada

Foto: arquivo pessoal

na formação então os projetos que estão dentro da política afirmativa e que ganham têm mentorias, a gente vai fazer um worshop para os vencedores sobre como trabalhar marcas dentro de roteiros, justamente pensando em financiamento, colocando eles em contato com distribuidoras e toda a parte de masterclass e workshops não só para os vencedores, nossa prioridade são pessoas negras e mulheres, e essa é a tríade da SPCine, que é a primeira política pública realmente voltada para essa diversidade”

O que podemos esperar para o futuro

Malu ainda complementa que empresas como a SPcine sabem que existe um caminho a ser percorrido para a igualdade de gênero ser inclusiva também na questão de políticas públicas: “Precisa pensar em novas narrativas, porque não adianta só a gente pensar nas novas narrativas na hora de selecionar isso também precisa valer para o mercado. Evidentemente que é uma parte que o mercado para fazer mas a gente pode ajudar colocando eles em contato, mostrando porque que que é importante, poder público neste momento não é dinheiro, é articulação.” Ela ainda diz que os consumidores podem influenciam diretamente nas políticas públicas através do voto e consumo de produtos audiovisuais que possuem mulheres atras e na frente das câmeras: “As políticas públicas precisam de políticas de estado e não de governo, o problema é quando o governo resolve que vai fazer coisas totalmente fora do que deveriam ser feitas, algumas percepções equivocadas machistas do lugar da mulher ou do negro ou de outras dicas minorias então enquanto sociedade civil é saber em quem votar né. Eu acho que hoje em dia falta a sociedade se mobilizar mais, de cobrar quem está no poder, acho que é isso que dá para a sociedade civil fazer em quando a gente fala de políticas públicas”.

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LANÇAMENTOS

Confira os próximos lançamentos com mulheres diretoras e mulheres protagonistas para 2021 AÇÃO Viúva Negra • 07 de maio de 2021 Sinopse: Em Viúva Nera, após seu nascimento, Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) é dada à KGB, que a prepara para se tornar sua agente definitiva. Quando a URSS rompe, o governo tenta matá-la enquanto a ação se move para a atual Nova York, onde ela trabalha como freelancer. Após aventuras com os Vingadores, ela retorna para seu país de origem e se une à antigos aliados para acabar com o programa governamental que a transformou em uma assassina. O filme é dirigido por Cate Shortland.

DRAMA Por que você não chora • sem data de lançamento divulgada Por que Você Não Chora explora a delicada temática do suicídio. No longa, Jéssica (Carolina Monte Rosa) é uma pessoa introspectiva, enquanto Bárbara (Barbara Paz) é explosiva. Ambas se encontram em um estágio da faculdade de psicologia, onde Jéssica é a psicoterapeuta de Bárbara. A convivência leva as duas a questionarem suas vidas, procurando mudar suas perspectivas. O drama é dirigido por Cibele Amaral.

TERROR A Assistente 11 de fevereiro de 2021 Dirigido e roteirizado por Kitty Green, o drama mostra o olhar ardente sobre um dia na vida de uma assistente de um executivo poderoso. À medida que Jane (Julia Garner) segue sua rotina diária, ela se torna cada vez mais consciente do abuso insidioso que ameaça todos os aspectos de sua posição. O filme é inspirado na história que iniciou o movimento #metoo

CINEBIOGRAFIA MUSICAL Respect: A História de Aretha Franklin 11 de fevereiro de 2021 Dirigido e escrito por Liesl Tommy o longa conta história da diva musical Aretha Franklin que será interpretada pela atriz e cantora Jennifer Hudson.

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Agradecimentos Sufoco. Se tivesse que definir esse trabalho em uma palavra seria essa, mas também seria realização, daquela menina de 11 anos que foi na banca comprar sua revista com sua primeira mesada e que depois disso não parou mais. Escrever pra uma revista, ter uma coluna ou fazer um editorial sempre esteve nos meus sonhos mais distantes. Mas foi o motivo pelo qual eu me decidi pelo jornalismo, eu queria ser reconhecida e fazer trabalhos grandiosos, mais ao mesmo tempo recortava as imagens da revista e fazia minhas próprias colagens. Se tem uma parte desse trabalho que me senti realizada, foi no momento da idealização das páginas, escolha de cores, imagens que iria utilizar… Definitivamente entendi que sou da parte visual, não tem escapatória hahaha. Mas, mais desafiei a escrever muito, depois de um momento muito complicado profissionalmente, onde duvidei da minha capacidade e me recusava a escrever qualquer coisa, até mesmo um parabéns (no qual sou especialista). Esse trabalho foi uma realização e desafio, no qual dei o meu melhor, ou o que consegui fazer do meu melhor. Foi preciso muitas lágrimas, tirar forças do inimaginável e muitas horas de sono, para chegar ao final e ver que tudo sempre da certo. Eu quero primeiramente agradecer a Deus, porque sem ele não estaria nem aqui fazendo esse trabalho, agradeço pelas várias conversas e por me dar a força que sempre pedi. Segundo, quero agradecer a minha família, pela paciência e por aturar meus surtos, a minha mãe que duvidando sempre me incentivou, seja com os lanchinhos para a faculdade seja me falando pra se jogar e sair do emprego fixo e ir fazer estágios, nunca vou ser capaz de retribuir o que Dona Dirce fez por mim, amo com todas as forças existentes. Ao meu eterno parceiro, amado e meu bem, Gabriel, que me aturou mesmo com meus surtos e me fez ver que a vida no extremo não é legal, você me dá forças e me incentiva a ser uma pessoa melhor e com um coração melhor todos os dias, te amo futuro digníssimo. Aos meus irmãos, que sempre falam com orgulho e perguntam sobre a faculdade me incentivando mesmo de longe, Camila, Sueli, Ricardo e Elaine, obrigada, amo todos vocês. Quero agradecer também aos meus amigos, Mayumi e Júnior por me aconselharem e trocarem experiências sobre o que já passaram e entenderem eu furar o rolê ou deixar vocês com o Gabriel enquanto fazia entrevistas (perdão amigos). As minhas queridas meninas malvadas, Liliane, Bia e Camila, meu presente da faculdade, vocês foram meu consolo quando chorei, a alegria das aulas pra mim e principalmente as pessoas que mais fizeram bullying comigo no decorrer desses 4 anos, vou ser eternamente grata por tudo e sou extremamente orgulhosa do que fizemos nesses anos juntas, parceiras de profissão, amo vocês demais. Vanessa, também não posso deixar de te agradecer, você apareceu na Planeta W na hora certa, obrigada por topar participar da minha loucura e me auxiliar nesse projeto que no fim deu certo. Quero agradecer muito aos meus professores, todos me ajudaram muito a me tornar a profissional que sou hoje, e nunca saberei retribuir todo o carinho, atenção e cuidado que tiveram conosco em todos esses anos. Em especial, gostaria de agradecer ao meu orientador Professor Antonio Lucio Rodrigues que me ajudou em todos os momentos a construção dessa revista e principalmente, soube ouvir minhas descobertas sobre um tema tão nichado e me desafiar a melhorar cada vez mais, meu muito obrigada. Obrigada a todos os entrevistados que tive a honra de conversar, aprender e compartilhar aprendizado, todas as mulheres fizeram a diferença nesse trabalho e fizeram com que eu me apoderasse desse assunto e falasse dele a todo mundo, espero ter honrado seus ensinamentos e ter reproduzido o que falaram sem erros. E por fim a você, que leu até aqui e prestou atenção no trabalho, que você termine essa leitura se questionando sobre o que aprendeu e o que vai fazer para ajudar a mudar esse cenário da desigualdade de gênero no audiovisual, se apenas uma pessoa entender e começar a falar sobre, vamos ver várias pessoas comentando e divulgando e pedindo mais mulheres no cinema, vou sentir que vou ter feito a minha parte e ser reconhecida. Guarulhos, 12 de novembro de 2020

Melissa Mendes :)


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