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Eu fluído by Raissa Sousa

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No corpo sem órgãos, não existe um eu fixo. Não, não existe; é uma experimentação. É como quando você cria uma identidade, ela não será fixa para sempre — é um eu em constante fluxo.

Corpo sem órgãos é um “organismo” sem órgãos. Ou seja, é como se fosse uma mente em super desenvolvimento. Ao contrário do corpo físico

Estou falando disso porque isso é parte do processo de individuação das pessoas no geral, pois eu vou falar de self.

O mito do "eu verdadeiro" e o eu humano e o Eu do Fluxo.

Minha experiência com os narcisistas e como são o passado deles

Narcisistas e a Morte em Vida

Autoaniquilação, aniquilação do ego e samadhi.

Parece um paradoxo, mas é uma relação de causa e efeito.

Sei por experiência própria como funciona o “Transtorno de Personalidade Narcisista”( uso entre as aspas porque não acredito que uma personalidade possa ser um “distúrbio “)(TPN), e acho que agora que

Após anos e anos de auto aniquilação por parte dos narcisistas quando crianças e adolescentes enfrentando situações de abuso, trauma e negligência, eles se tornam mais receptivos a experiências de dissolução do ego, não por "misticismo", mas devido ao efeito dissociativo causado pelo abuso.

A dissociação é um efeito colateral para proteger a mente e o corpo de grandes picos de energia. Isso já foi comprovado cientificamente. E, por ser um mecanismo de defesa, causa esses "efeitos colaterais" tanto em narcisistas quanto em pessoas que não são narcisistas, enfim, em qualquer pessoa. Mas o lado bom é que pode ser uma porta de entrada para estados alterados de consciência.

Por exemplo, quando eu meditava para diminuir os efeitos do TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), que hoje vejo como algo que acontece no meu cérebro devido a um desequilíbrio químico (acredito que "doença mental" seja uma invenção da sociedade), voltando ao assunto, eu meditava, depois de praticar o caminho do Pratyahara, Dharma e mindfulness, e percebia que minha mente estava preparada para o Samadhi (o estado de dissolução que mencionei anteriormente).

Isso é muito bom para pessoas que sofreram abusos e traumas, pois leva o cérebro a um profundo relaxamento.

No entanto, o lado negativo é que, como sei que a meditação profunda pode ser muito arriscada, já adianto. A meditação transcendental tem efeitos muito negativos para quem já possui histórico de transtornos dissociativos ou que vivenciou dissociação devido a traumas de desenvolvimento.

Alguns desses efeitos incluem: ansiedade, perda quase total da memória, memórias traumáticas, ataques de pânico, crises de despersonalização ou a sensação de que o ambiente está se desfazendo ou que não é real.

Um exemplo interessante que observei em uma entrevista recente foi o de uma pessoa com transtorno de personalidade narcisista (TPN). Essa mulher me contou que utilizava pequenas doses de psicodélicos para lidar com os problemas relacionados ao seu transtorno.

Esta é a minha experiência na entrevista.

O que te ajudou a se curar? Os narcisistas devem eliminar a grandiosidade ou integrá-la?

Ela disse:

Coisas diferentes ajudam pessoas diferentes, mas para mim:

• Terapia TFP, TCC, DBT, psicanálise, terapia IFS

• EMDR (usar com MUITA cautela, especialmente em medos fortes/existenciais)

• Uma forte rede de apoio (parceiro(a), terapeuta)

• Sobreviver à mortificação narcisista

• Psicodélicos (usados com muita cautela e em pequenas quantidades)

Isso é muito bom.

Esta é outra resposta.

Eu perguntei a ela.

Perguntas para a entrevista:

Qual foi a sua experiência com o colapso narcisista? Você vivenciou fragmentação da psique (por exemplo, mais de uma personalidade)?

Ela disse:

"Presumo que por colapso narcisista você queira dizer tornar-se disfuncional, isolada, mais autoconsciente ou com aumento da vergonha? Se for isso,

então sim, durante esse período eu me tornei consciente de vários estados ou 'partes' distintas do meu eu.

Identifiquei cinco partes principais:

• O Ditador: um punidor interno severo que impunha padrões, suprimia, editava e substituía traços vergonhosos e priorizava a autopreservação em detrimento da empatia. O objetivo era alcançar sucesso, fama e viver como o eu ideal. Raiva, frieza, implacabilidade, apatia em relação aos outros, planejamento.

"

• O Eu Vergonhoso ("Garota Nuvem de Chuva"): ansioso, inibido e associado a fracassos e períodos de baixa. Muitas vezes eu me sentia uma pessoa completamente diferente nos momentos de euforia e nos de tristeza.

Ela também guardava todas as memórias vergonhosas da escola. Ela também não tinha muita empatia, mas, mais do que o ditador, às vezes sentia culpa e também carregava tristeza, vergonha, inveja, saudade e desejos adolescentes. O ditador queria se livrar dela e editá-la/destruí-la assim que não pudesse mais negar sua existência.

• Meu Eu Ideal: separado do Ditador, representando sucesso, perfeição, personalidade estética em cada detalhe, feito para ser adorado, traços emprestados de outros admirados. Bonito, perfeito, etc.

Este é um trecho do meu texto no blog.

"O direito de ter emoções, o direito de pensar, o direito à liberdade de expressão, o direito de me defender, o direito à autoestima... retornando às partes fragmentadas, eu as juntei.

Inventei uma nova Raissa,

a Raissa esquizoanalista, que é a Raissa que sempre existiu dentro de mim. Sempre me identifiquei com as ideias de Deleuze, toda a minha vida. Quando leio sobre ele, apenas releio o que já sabia e no que sempre acreditei. Sempre pensei da mesma forma também. Em outras palavras, sem que ninguém tentasse me estudar como se eu fosse um 'experimento'.

Esta é a minha opinião, estou dizendo que tive 5 Raissas que juntei. Eu tinha esses eus, ainda os tenho. Para mim, são apenas uma Raissa, porque inventei uma Raissa que uniu as outras partes."

O que eu penso é que existe um "eu" em constante transformação, algo que é vivenciado, não algo que é sempre estático.

...agora sim, esta é a entrevista.

Entrevista com Tessa Henderson

Você conhece a esquizoanálise?

"Não, não antes desta entrevista. Dei uma olhada rápida, mas não me sinto qualificada para comentar muito. A ideia de 'desbloquear o desejo' ressoou com a minha experiência de libertar um eu verdadeiro reprimido e subdesenvolvido, permitindo que ele floresça."

Na minha opinião,

Existe um "eu" em constante transformação, algo que é vivenciado, e não algo que permanece estático.

Na vida, não existe um eu fixo. Não, não existe; é uma experimentação.

É como quando você cria uma identidade, ela não será fixa para sempre — é um eu em constante fluxo.

Então dizem que você precisa encontrar um "eu verdadeiro", mas esse "eu verdadeiro" é uma mentira.

Não nascemos com uma identidade fixa; nascemos e nossas personalidades são construídas à medida que crescemos. Já fui muitas Raissas, não tenho um eu fixo, ninguém tem.

Temos um eu flutuante, que varia, e podemos ser uma coisa hoje e talvez na semana que vem sejamos outra pessoa. Isso também foi discutido por Deleuze e outros filósofos, a diferença é que ele usa termos microfascismos para expressar a ditadura doméstica que ocorre nos lares

Então perguntei a ela: "

Você acha que a psicanálise trata bem os pacientes do Cluster B?

Ajudou ou causou vergonha? "

Ela respondeu

"Acho que a área tem sérias deficiências. Embora minha terapeuta tenha me ajudado no final, havia grandes lacunas de compreensão e, muitas vezes, eu tinha que conduzir meu próprio tratamento. Não acredito que teria

melhorado sem participar ativamente como coanalista e não acho que isso deva ser imposto a um paciente. É por isso que estou tentando me tornar terapeuta para mudar a área."

A despersonalização durante um colapso narcisista é como se você não existisse, mas no caso da Tessa... Tessa, o que era mais sério...

Ela disse que seu corpo desapareceu durante a dissociação.

A vergonha tóxica pode ser um gatilho. Isso é muito comum no Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN), sim, por causa do "eu fragmentado", ela alega ter Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

De qualquer forma, "TEPT" e "TPN" são rótulos, como diabos uma personalidade pode ser um transtorno? Quando leio "transtorno de personalidade borderline", como isso pode ser um transtorno? Na verdade, é ruim para os borderlines serem borderlines, mas seria como dizer que uma pessoa tímida que odeia ser tímida agora tem um "transtorno de personalidade tímida".

Isso é variável. Os efeitos variam.

Voltando ao assunto, rótulos são usados hoje em dia para pessoas introvertidas, por exemplo, uma criança muito quieta pode ser rotulada como "autista" porque se desvia da norma. Na mente das pessoas, uma criança "normal" é uma criança que faz barulho, etc.

E tem outra coisa, os pais querem se sentir especiais e inventam que são pais de “pessoas com transtorno” para gerar atenção ou “empatia”

para o “pobre pai” e a “pobre mãe” que inventou que a filha ou filho possui alguma “doença mental”

Além disso, essas pessoas tendem a ser inseguras, não por timidez, mas porque existe uma multidão de pessoas ao redor querendo mudálas o tempo todo. No caso do Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN), estamos falando de pessoas que sofreram uma morte em vida, ou seja, a aniquilação do ego, no passado.

Dizer a Tessa para mudar porque um psicanalista pediu que ela fosse o que ele queria, de acordo com o que é socialmente mais aceitável, o que todos querem, seria repetir o modelo familiar que criou a constante morte em vida dentro dela.

Aniquilação do ego.

(Essa aniquilação do ego de Tessa se deveu a abusos, controle, falta de incentivo à sua própria opinião, falta de elogios, falta de apoio.

Ela tem um ego fragmentado. Não é culpa dela, adultos fazem isso com crianças o tempo todo.

A criança se torna um "ser vazio" porque os adultos queriam que ela fosse uma cópia de si mesmos.

É sempre bom lembrar que ninguém é obrigado a defender a instituição da família.)

Tempo perdido. É muito tempo perdido.

Porque a aniquilação da identidade no passado faz com que as pessoas vivam em círculos, pessoas traumatizadas abdicam de tempo e energia em prol de outros, além da "compulsão à repetição"; isso é mais uma forma de controle social.

Compulsão à repetição quando a pessoa volta a fazer coisas que remetem a abusos no passado para elaborar um final pra isso porém diferente da visão da psicanálise cientificamente falando nós seres

humanos no geral repetimos coisas porque nosso cérebro opera pela lei do menor esforço.

O cérebro dessas pessoas para economizar a maior quantidade de energia possível vão pelo caminho que já sabem que é o caminho dos hábitos e programação que receberam quando eram mais jovens. Sobre a aniquilação, isso é muito falado no livro o mito da doença mental de Thomas szasz

O livro fala sobre como a psiquiatria das épocas controlavam o comportamento humano, de grupos sociais por meio da psicanálise ou outros métodos.

Interessante que essa entrevistada já havia escrito em algum lugar que ela fez uma teoria que juntaria essas partes separadas dela, porém como ela está imersa na teoria psicanalítica( que fala sobre um eu fixo ou eu verdadeiro) ela nunca mais tocou no assunto.

Interessante porque ela havia dito que pequenas quantidades de psicodélicos ajudaram ela no processo do “tratamento”

Em estados alterados da consciência, que é algo que eu já pratico muito, ocorre processo de não-eu. O Budismo chama isso de Anatta Budismo chama de Anatta, esse estado leva ela para consciência onde ela não possui sentimento negativos com despersonalização ou qualquer outro sentimento que a deixa angustiada. Ela nesse estado falou que não importa se ela tinha “5 selfs” ou não, porque causa da sensação de paz consigo . E chega estado que a pessoa fica sem o eu. Isso também me ajudou quando eu tive muitos "sintomas de toc".

Em estados mais avançados, nós chamamos de samadhi.

Acredito que meditação e samadhi são capazes de diminuir efeitos colaterais da despersonalização, feito com cuidado claro, pois às vezes o efeito é o contrário por exemplo.

Ela no momento é somente a tessa que observa a realidade, não existe aquela mente "fragmentada” ela está livre, eu não tinha toc nesse momento eu estava livre

O objetivo não é sair da realidade, mas sim trazer a sensação de paz e de dissolução do “eu fragmentado” ou “eu com transtorno “ para a realidade cotidiana por meio de práticas

Porque quanto mais se acostuma com isso mais se aplica ao cotidiano. No meu caso e de muitas pessoas, não serviu pra nada teoria que fala de “complexo de Édipo “ ou “complexo de sei lá o que” porque não tem aplicação prática nenhuma na vida cotidiana além de violar princípios da evolução que fala sobre como nossa espécie tem preferência por pessoas com genes diferentes da nossa família, o que torna essa teoria que nem comprovação científica tem, algo obsoleto.

Além de que existe milhões de comprovações científicas que meditação funciona, além de que não tenta moldar ninguém para fins de moralismo ou persona ideal que a sociedade quer que outros tenham.

Raissa Sousa é escritora maranhense (2001) e pesquisadora da interioridade. Transita entre a poesia, o ensaio e a prosa curta, explorando o inconsciente coletivo e estéticas etéreas. Autora independente com títulos na Amazon e Uiclap, possui conto intitulado

Noruega pela editora persona publicado e ganhou prêmio da editora persona no ano de 2025.

Atualmente escreve para concursos literários e escreve para blogs

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