Acordo e me olho pela janela havia um clone meu lá e então ele sumiu, ele riu diretamente pra mim com um sorriso macabro e travesso ao mesmo tempo. Meus olhos capturaram de onde ele poderia vir, de uma porta que estava perto da casa do vizinho, a porta nunca esteve ali antes. De repente a mulher está perto de mim e diz algo bem perto do meu ouvido: “ SE VOCÊ QUISER VER SUA AVÓ DE NOVO, VOCE TERÁ QUE ENTRAR LÁ” eu saio assustada e corro em direção a porta da minha casa porém quando entro vejo que o ambiente mudou e que não estou mais onde deveria estar.
O lugar parece uma lanchonete dos anos 70, a mulher tira a máscara do rosto e eu vejo dentes podres e ela está segurando uma tesoura.
Ela pergunta : “ você me acha bonita?” então, de repente estou de volta.
A mulher está com a cabeça abaixada, ela agora está com figura de uma velha e ela aponta para a porta que está bem na minha frente. Eu penso o que poderia acontecer de mais errado? Estava me olhando no espelho hoje de manhã e agora minha avó foi sequestrada por uma lunática.
E aí algo invade meu peito, uma dor uma alucinação que ocorre quando eu tomo pequenas doses de psicodélicos, como eu sou uma pessoa praticante da New age, eu costumo usar essas doses para tratar crises de ansiedade só que às vezes o tiro sai pela culatra e somente uma pequena quantidade a mais já me faz sentir coisas. Mas não hoje, eu não havia tomado mas me lembro de ter bebido uma bebida em cima de uma mesa com um envelope que dizia ser da vovó Clara, mas a carta estava manchada de gotas de sangue, não liguei a princípio, a bebida era refrescante. Na carta dizia que eu iria morrer caso eu lesse sobre uma lenda japonesa, que estava no fim da mensagem da carta. Revirei os olhos, achei uma bobagem sem fim.
Então quando olho ao redor estou de volta a lanchonete abandonada, a mulher vem a minha frente ela tira a máscara do que dessa vez ela está com rosto lindo, de uma jovem mulher atraente e loira eu pego a mão dela. Eu nem sei porque faço isso. E então ela pega a minha e diz que está tudo bem.
—Você está segura, me desculpe pelo susto anterior. Eu queria me certificar que você está segura, são protocolos dessa dimensão. Meu nome é Anna e sou sua guia espiritual. Suas mãos estavam limpas e perfumadas. Ela encarou meus olhos.
— tive que fazer meus mentorados virem até a mim para celebração do grande dia que está por vir.
Tento falar mas minha voz não sai.
Ela continua olhando pra cima sem piscar com rosto pálido e sem expressão alguma. Então como num passe de mágica volto. Acordo e estou na minha cama, minha avó está costurada no teto do meu quarto e sangue cai no meu rosto
Eu olho pro teto e ele some, só há estrelas e meu corpo está subindo e subindo chega um ponto que ele some e eu sou 7 estrelas ao mesmo tempo mas de repente eu me exalando e viro uma galáxia e depois bilhões delas ao mesmo tempo, eu não sei onde estou, ou quem eu sou . Eu sou o vazio e Anna está dentro de mim, minha avó está dentro de mim, a lanchonete está dentro de mim .
Não existe mais eu, Tunia a professora aposentada do México, apenas carne podre daquela mulher da máscara e o resto da criação e então de repente
Então eu sou levada para o hospital, os médicos tem máscaras e estou presa na cama há um garoto costurado no teto. E já se passaram 7 semanas que minha vida é assim.
Acordo na cama, ainda estou no hospital. Um homem chega , cujo nome é Claudius. Ele é o enfermeiro daqui e somente ele está aqui. Ele não fala muito além de parecer ler meus pensamentos. Estou aqui e falo com ele nos momentos em que ele diz que pode falar.
Ele me contou que Anna cortou a boca dele em outra dimensão e me contou que a alma dele está aprisionada aqui, mas não sei se posso confiar nele, além de que ele usa um perfume com cheiro de lodo horrível. Ele me diz coisas agradáveis às vezes, outra hora pra ele me diz que eu vou morrer. Bem, acho que ele está certo Quando passo pelo corredor há uma velhinha calada, ela está com os olhos fechados e deles sai gosmas verdes e muco, e sangue e ela segura um livro ela está em meditação profunda. Ando por lá e vejo uma garota magricela com óculos baratos e rosto indicando desprezo pela minha presença e é a mesma criatura que tentou me asfixiar no passado. E enquanto tento andar eu sinto medo e ansiedade e muito medo de passar por lá, a mulher com rosto apático está me encarando e enquanto isso o teto gira, o chão fica vermelho e as paredes mudam de cor . Eu fico com a sensação de que estou sendo asfixiada de novo . A magricela me inveja, seus olhos estão me olhando por trás das grossas lentes. Os olhos estão secos, como se ela estivesse morta já muito tempo , depois de atingir o ápice da asfixia eu sinto como se o cheiro de lodo de Claudius agora saísse da minha própria garganta.
Ela diz que pretende fazer centopéia humana comigo, eu já havia ouvido falar desse filme mas a ideia parecia absurda saindo da boca daquela criatura que eu só ri da ideia. O pior a ideia dela estava na minha cabeça. Era como se eu realmente quisesse fazer isso com outras pessoas. Ela me diz que isso acontece com quem passa tempo com pessoas como ela.
— Você não entende, Tunia? — a garota murmurou, a voz soando como papel rasgando. — Ninguém entra aqui para ser curada. Entramos para ser o material de construção.
Olho ao redor, o hospital está sorrindo para depois gotejar suor pelas paredes. As cores mudaram, mas não eram apenas luzes, eram reações químicas de tecidos vivos. O reboco da parede tinha poros.
Estava andando e estava cheio de água. A água subia e subia e eu ia pra cima. O teto me mostrou lembrança
Mostrava magricela onipresente.
No passado era figura inocente de uma garota que dizia ser um anjo que me acompanharia pelo resto da vida quando eu ainda era jovem e cristã e então de repente a entidade não parava de me perseguir e eu tinha que esconder meus pertences e não dormir se não a entidade iria querer possuir minha alma a noite. Eu perguntava o por quê daquela criatura fazer isso comigo e ela apenas gargalhava dizendo que era assim que deveria ser pra ela já que eu não servia mais aos propósitos dela, de adoração e devoção que eu dediquei durante meus estudos na catequese que eu estava, tudo após me interessar por esoterismo
Então a criatura fina ficou me perseguindo por todos os cantos da sala do hospital, a sala principal onde estava Claudius que sumiu desde que eu pensei na velha entidade e então algo ocorreu. Estava com. Medo de apegar aquela entidade. A ideia era grotesca demais e então Claudius apareceu. Sua boca estava costurada mas eu já havia me acostumado com isso seus olhos eram sangue puro e então ele me disse que aquela carta com sangue foi ele colocou após eu ter mandado ele fazer isso no passado, há uma semana quando eu estava sedada e com as mãos sangrando por causa de uma tentativa , ele me enviou aquela carta ensanguentada pra mim há 7 semanas atrás, mas é claro que eu mesma havia escrito. Ele vem até mim, e coloca suas mãos em decomposição sobre meus ombros
Você não entende o ciclo, Tunia?" — Claudius sussurrou, estendendo o envelope manchado.
Você não pode sair ele diz brevemente você está presa aqui pra sempre. E tem algo que quero te dizer.. Você se lembra daquela velha? Bem você sabe que ela é você, você sabe
que ela se disfarça de Anna, a bela mulher para te proteger do que você se tornou, ou do que poderá se tornar.
Bem, agora lembrando quando aquele anjo me p
Acho que na vida quando pessoas como essas te perseguem você precisa ir para algum lugar seguro como um hospital que eu costumava ir. Bem quando era mais nova eu fiz o ritual para encontrar um shikigami que é basicamente uma criatura que obedece o mestre ou a mestra mas algo deu errado no ritual foi quando eu escrevi a carta minha carta
Com sangue, uma vizinha mitomaníaca e que dizia ser minha amiga costumava me dizer que sangue era a única forma de fazer a entidade trabalhar mais depressa. Ela me enganou. Tudo que eu vivi foi culpa de uma pessoa que dizia me amar e me proteger mas ela era mentirosa, uma grande mentirosa. Olhei minha face em poças da parede, que suava e tinha um cheiro muito forte.
Toquei o rosto de Claudius e, por baixo do perfume de lodo, senti a textura. Não era pele. Era fibra. Papel vegetal antigo, saturado de sangue seco. Ele não era um homem, era um Hitogata gigante que eu mesma animei com a carta. Hitogata é boneco que fazemos em alguns locais no Japão, de onde eu vim era comum na família transferir energias ruins ou problemas para o boneco para que ele colocasse tudo em algum simples papel.
— Sua vizinha sabia que o papel faria isso,' — ele murmurou, e o som era o de folhas secas se raspando. — Inclusive a mentira de que você estaria segura nesse local.Ela te dobrou em quatro partes e te selou neste envelope de concreto que você chama de hospital.'" por que alguém faria isso contra alguém? Eu me pergunto na escuridão e enquanto eu estou no quarto a noite, era comum me perguntar, aquela vizinha aquela mulher ela é uma invejosa e sádica . Sempre me perseguiu e simplesmente nunca quis me deixar ir, uma fixação extrema por mim. O garoto se mexe em cima de repente no teto, dia cabeça está no chão e seu corpo se move pelos corredores. Claudius me fala que ele é a única coisa ali que não é parte da minha mente, uma memória de uma criança que minha vizinha matou mas meu cérebro escondeu isso de mim por anos. Agora acordo, meus dedos
Por que você faz isso, Claudius?" — eu tentei perguntar, mas minha voz era apenas o roçar de folhas secas.
Ele pegou minha testa com dedos escamosos. — — Pois eu sou o que sobrou da sua vida Tunia. Sua vizinha me deu a tarefa de manter você sobrevivendo para que ela possa usar seu nome. Quero dizer, cuido de você porque sou o único que lembra que você é humana e não só os rebocos da parede. Se eu parar de cuidar, o hospital te devorar e minha existência voltará a ser apenas mancha de sangue e papel.
Depois disso, some por uma parede
Rasgo os papéis da parede com ódio e logo atrás sou puxada para nova realidade.
O local ao redor vira algo, uma estação de trem. Fico aqui, fecho os olhos e sinto que não sou mais a mesma. Quando fecho os olhos simplesmente sumo da existência. Viro a estação, mas eu não consigo sentir algo , então pássaros pretos passam, só existem bonecas e bonecas ao redor, muitas sem olhos, muitas sem boca , e muitas sem cabelo também. Meus pés estão amarrados por fios de cabelos de mulheres mortas e lá na frente vejo minha avó.
Morta, claro que esqueci que ela havia morrido. Minha memória não era a melhor memória do mundo. Um fantasma vem até e sussurra.
“O ritual das bonecas, aqui você será livre.”
A vizinha estendeu sua mão fria através do vazio e tocou minha bochecha. O toque dela antes, agora era um contato físico entre proprietária e o objeto
— Agora você é perfeita, Tunia’,— ela disse, Sua voz vindo de algum lugar acima de uma prateleira.— ‘bonecas não tem crises de ansiedade. Você é meu segredo mais lindo.
Ela recostou seu corpo para trás. Eu senti o mecanismo nos meus olhos disparar e as novas pálpebras de metal fecharam como um som seco: Essa era minha “liberdade” e “cura” agora: Não sentir absolutamente nada.