Bússola n.º 11

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n.º 11 JUlHO/Agosto 2011

EQUIPA PROVINCIAL DE PASTORAL VOCACIONAL

PROVÍNCIA PORTUGUESA DA SOCIEDADE SALESIANA

bússola em dia > Fábio Simões

O Mistério da simplicidade Quantas vezes nos queixamos da complexidade da nossa vida? “É mesmo duro ser-se feliz!” dizemos ou pensamos frequentemente depois de mais um dia em que até podemos ter delineado algumas metas interessantes mas voltámos a mergulhar na frustração. Apercebermo-nos que muitas vezes o nosso instinto natural/pecado original se sobrepõe à vontade de Lhe seguirmos as pegadas… Há uns tempos passei o dia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (apesar de frequentar o 12.ºAno) e depois de ter assistido a uma aula de anatomia chegou a altura de um merecido descanso para comer uma merenda num miradouro de Lisboa. Duas sandes, um sumo e uma maçã… O que é isso para nós? Mais um dos inúmeros dados adquiridos a que deixamos facilmente de dar valor. Mas nem todos têm esse privilégio. À saída do jardim vislumbro num banco à minha esquerda um pobre homem cabisbaixo perdido nas suas angústias munido apenas de uma garrafa de vinho. Lembrei-me da sandes que havia sobrado e num instante de segundo decidi-me a abordar o “meu próximo”. Distingui um obrigado espantado depois de exibir a possível única refeição daquele dia com que o premiava. “Mas o que tem isso de especial?” Conto-vos esta história para vos mostrar que a presença do Jesus Cristo naquele banco de jardim mendigando me alimentou a mim de algo muito mais marcante e do qual preciso muito mais do que aquele meu irmão necessita de sandes. Foi a alegria sincera e a força de espírito que senti depois de um gesto tão “insignificante” que me fez dar este testemunho porque é quando nos apercebemos do quão próximo de nós está o mais importante que tudo se desComplica e passa a fazer sentido.

da mihi animas > Pe. José Miguel Núñez, Conselheiro regional do reitor-Mor par a a Europa Oeste

«O Papa e os rapazes de Dom Bosco» de Cavour, para fazer a entrega da oferta dos pobres rapazes. Os rapazes de Dom Bosco, de rosto alegre e sorridente, rodeiam os ilustres senhores e dois deles avançam. Um entrega a quantia angariada, o outro pronuncia um discurso preparado para a ocasião. Ao terminar, um coro de rapazes cantará um hino em honra do Papa.

Corria o ano de 1849 quando, no Or atório de Valdocco, Dom Bosco propôs aos seus r apazes uma colecta par a recolher fundos e ajudar o Santo Padre.

O mecanismo é posto em marcha e aqueles rapazes, entre o abandono e a necessidade de sobrevivência, conseguem juntar 35 liras dos seus bolsos vazios. Dom Bosco, com perspicácia, quer dar ao acontecimento uma solenidade adequada e convida algumas personalidades da cidade de Turim, entre as quais o Marquês

Certamente o Papa chegará a conhecer o gesto simples dos rapazes de Valdocco e alguns meses mais tarde agradecerá oferecendo terços benzidos por ele próprio aos rapazes. Dom Bosco, homem de Igreja com um sentido pedagógico e prático da vida, soube em cada circunstância situar-se adequadamente e oferecer aos seus rapazes as chaves de leitura da realidade, ao mesmo tempo que alcançava os seus objectivos de consolidação da sua obra. A única coisa que lhe interessava eram, certamente, os seus jovens.


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