Terça-feira, 9 de junho de 2009
ali com o colono, mas que pode acontecer em outros lares, em outras formações.
um super-herói das colônias. Claro que há sempre adaptações nas histórias em função da época e do passar do tempo, como o Radicci lidar com computador, por exemplo. Como podemos identificá-lo como "gaúcho"? O Radicci é uma HQ regional. Ele é um ítalo-gaúcho, então tem todo aquele aspecto de abordar coisas como o churrasco, o machismo, a caça, a pesca. Essa identidade cultural é feita em pequenos detalhes. De outra parte, existe uma espécie de resgate de atitudes e hábitos peculiares que formam uma "geleia" cultural própria. De todo modo, as pessoas entendem as piadas numa boa, sem que seja preciso muita reforma na coisa toda. Eu acho que o personagem tem condições de se expandir para o centro do País, pois ele é
SAIBA
um tipo universal com roupagem regional. O senhor foi o candidato brasileiro com a maior votação nas eleições italianas. Ao todo, foram 13.920 votos, o que lhe garantiu a suplência no Senado. Como foi isso? Fui convidado a concorrer por um movimento associativo sem vínculos partidários com esquerda, direita etc. Isto foi o que me motivou a participar desta empreitada, tanto para participar das escolhas e ajudar os imigrantes e descendentes nas questões que surgem por aqui – busca de dupla cidadania, por exemplo. Quis estar ligado a questões de âmbito cultural da relação entre a Itália e os países da América Latina, buscar um intercâmbio. O resultado da votação também acabou me sur-
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Em 1983, no jornal Pioneiro, nasceu Radicci, o mais popular dos personagens de Iotti. Depois surgiu a família do Radicci: a mulher Genoveva, o filho Guilhermino, o pai Anacleto. Radicci esteve em rádios, revistas, televisão e na Copa do Mundo. Em 1997, Iotti ganhou o HQ Mix, prestigiado prêmio de quadrinhos brasileiro.
CULTURA
Jornal de Brasília
Iotti ainda publica diariamente no Diário Catarinense, O Diário de Criciúma, O Diário do Sul (SC), O Diário do Sudoeste (PR) e O Estado do Paraná. Iotti participa do programa Show de Esportes, da Rádio Gaúcha, e apresenta semanalmente o programa Demo Via, na Rádio Atlântida de Caxias, além do quadro especial Iotti Repórter, no Jornal do Almoço (RBS TV).
preendendo, pois há muita abstenção. Eu não tinha verba para arcar com uma campanha e acabou que hoje sou segundo suplente no Senado italiano. Como se dá o lance de interpretar seu próprio personagem no rádio? Isto foi algo que também aconteceu meio que naturalmente. Me convidaram pra fazer um programa e eu assumi a voz do personagem, o jeito, as piadas… Facilitava a minha vida no sentido de "me vestir" com as características do Radicci e isto foi ganhando audiência. Tenho um programa de rádio semanal em que conto muito com a participação do público. Há quadros que foram surgindo pela sugestão das pessoas que acompanham. No meio desta loucura toda, acaba sendo muito divertido. Hoje, Radicci é o principal personagem da imprensa gaúcha. Na sua opinião, porque ele cativa tantas pessoas? O Radicci completou 25 anos no ano passado. De lá pra cá, ele foi ganhando espaço para além dos quadrinhos – justamente por este modo como o personagem foi se tornando querido pelo público que o lê, auxiliado pelo fato de que passei a "interpretá-lo". Neste período, o Radicci migrou para o rádio, televisão, internet. As pessoas acabam se reconhecendo, eu acho, em algumas dessas características de anti-herói, que são universais. E a isso eu atribuo o carisma que o Radicci foi conquistando com o passar do tempo. O público se identifica com a família Radicci, pois ela fala do cotidiano, do dia a dia do colono. Que pode acontecer
O Radicci já é mais popular que você? Às vezes há uma confusão entre criador e criatura e aí as pessoas esperam que eu me comporte como o Radicci. Não fazem a distinção entre o Iotti e o intérprete do Radicci. Isso sempre gera fatos engraçados, que até rendem repertório para as piadas mesmo. Um dia, encontrei um colono em um distrito de Caxias do Sul. Ele me olhou embasbacado e disse: "Oh, tu que é o Radicci?". "Sim, sou eu", retruquei. "Ma Dio! Até meio negro tu é!", o colono disse. Eu fiquei
rindo, fazer o quê? Mas, às vezes, o pessoal fica um pouco decepcionado, sabe, porque espera que eu seja gordo e bonachão. Ele pode virar animação, algum dia? Acho que pode sim, mas animação é um trabalho gigantesco, pra poucos (e loucos). Aí depende da proposta pra isso se viabilizar. Quais são suas influências eternas nos quadrinhos? Eu admiro muito o Jaguar, que é um desenhista carioca, que foi editor do Pasquim, um marco no jornalismo brasileiro. Gosto ainda do Ziraldo e do Angeli, que é o criador do Chiclete com Banana e que atualmente está fazendo charges para a Folha de S. Paulo. Mas dá pra dizer que existe uma "escola gaúcha" de criação de HQ. Ela é muito influenciada pela proximidade da Argentina, um centro fortíssimo em termos de criação gráfica. Nessa "escola", os expoentes que mais me influenciaram foram: Canini, Santiago, Edgar Vasques
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e grafistas como Jaca e Joaquim da Fonseca. Qual é o melhor personagem de quadrinhos de todos os tempos? É uma pergunta difícil, né? (risos). Elencar um personagem é complicado, mas apostaria na Mafalda, do argentino Quino. As histórias que ele cria são completamente atemporais. Podem ser lidas a qualquer tempo e com muita graça. E os novos projetos? Há uma grande vontade de publicar o Radicci na Itália. Há uns dois anos saiu um livro em italiano e fiz um site para ser lançado lá (www.radicci.it). Para este ano, pretendo conseguir publicar as
tiras em algum jornal ou revista de lá e ver o que acontece. O que espera encontrar em sua vista por Brasília? Conheci Brasília em uma Feira do Livro há um tempo atrás. No mês passado, estive aí para lançar o cartaz do projeto Carbono Zero, da Polícia Federal e foi bem legal, pois botei um calção e fui correr pela cidade. A gente vê as coisas que antes só conhece por foto ou cartum – o Senado, a Câmara, o Palácio do Planalto. Então foi divertido e o povo, bastante receptivo. Além de ver motoristas bem mais educados do que os daqui! Serviço 17 Expotchê – Expobrasília (Pavilhão A - Parque da Cidade). Até o dia 14 de junho de 2009. De segunda a sexta, das 16h às 23h; sábados e domingos, das 11h às 23h. A Mostra Literária será realizada amanhã, às 21h. Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Informações: 3039-8114