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Campanha Nacional de Ofertas Vai e Vem 2018

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S U B S Í D I O S PA R A R E F L E X A O


FICHA TÉCNICA Subsídios para reflexão sobre a Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem 2018, elaborados a partir da análise e do uso de extratos de textos originalmente publicados no Jorev Luterano, principalmente sob a Série Especial Fé, Gratidão e Compromisso (anos 2014 e 2017 - Editoria Gratidão).

Coordenação de Conteúdo Jorev Luterano Sociól. Cerise Tereza Pahl - Assessora do Pastor Presidente Jorn. Letícia Montanet - Núcleo de Comunicação Grupo de Trabalho Qualificação da Ação Missionária P. Altemir Labes - Secretário Adjunto para Missão e Diaconia Diác. Ma. Carla Vilma Jandrey - Coordenadora de Diaconia Fil. Gisele Mello - Coordenadora do Núcleo de Projetos P. Dr. Mauro Souza - Secretário da Ação Comunitária P. Dr. Pedro Puentes Reyes - Secretário de Missão Produção e Redação Subsídios para Reflexão - Vai e Vem 2018 Coordenação Geral da Campanha Vai e Vem P. Dr. Pedro Puentes Reyes - Secretário de Missão

Acesse os materiais da Campanha Vai e Vem no Portal Luteranos www.luteranos.com.br


APRESENTAÇAO

A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem é um movimento que pode ser colocado dentro do grande marco Fé, Gratidão e Compromisso. É verdade que essas palavras têm servido para falar sobre a contribuição financeira das pessoas membros nas Comunidades, mas, neste ano, a partir da Campanha Vai e Vem, queremos olhar para estes três componentes como aqueles que estruturam e dinamizam a nossa vida enquanto pessoas cristãs. Nesse contexto, entendemos que a fé, como confiança, orienta o viver como gratidão a Deus e compromisso para com a vida pessoal, familiar, laboral, comunitária, social e ambiental, a partir dos valores que surgem do Evangelho. Desta forma, buscamos fortalecer o Tema da IECLB para 2018: Igreja, Economia, Política, na certeza que tudo acontece na presença daquele que diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus (Ex 20.2a). Dado que tudo o que fazemos na Igreja está a serviço da Missão, o presente Caderno de Subsídios para Reflexão traz textos de autores e autoras que contribuíram para o Jorev Luterano, jornal nacional da IECLB. Com isso, apontamos para esse instrumento como uma fonte de recursos para encontros de reflexão e diálogo sobre assuntos variados. Neste caso, vinculados à Fé, à Gratidão e ao Compromisso. A IECLB se define como Igreja de Comunidades. Isso significa que o chamado de Deus que recebemos no Batismo, e que assumimos na Confirmação ou Profissão de Fé, nos insere em uma Comunidade de discípulos e discípulas, de irmãos e irmãs que estão a caminho. Para o fortalecimento


dessa Comunidade, faz-se necessário “valorizar e exercitar os diferentes dons, colocando-os a serviço do amor ao próximo. Nela reinam a partilha e a doação de tempo, trabalho, dinheiro e bens, frutos da liberdade para a qual Cristo nos libertou (Gálatas 5.1)”1. Desta forma, será a reciprocidade o distintivo da Comunidade de discípulos e discípulas de Cristo. É essa reciprocidade que dinamiza “a Igreja como Corpo de Cristo (1Co 12). Este corpo comunitário, constituído por muitos membros diferentes entre si, inclusive por aqueles que ‘parecem ser mais fracos’ (v. 22), os que ‘nos parecem menos dignos’ (v. 23) e os que ‘não são decorosos’ (v. 23), caracteriza-se pelo espírito de solidariedade. Nele, os membros cooperam, com igual cuidado, em favor uns dos outros, de maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam (1Co 12.25s). Levar as cargas uns dos outros, cultivar uma saudável relação de reciprocidade, compromisso mútuo, cooperação, mutualidade e solidariedade são valores insubstituíveis no exercício constante de edificação da nossa Comunidade de Fé e da nossa Igreja na atualidade. O exercício diário destes valores nos coloca em um novo modo de vida, sustentado pelo amor. É o exercício do cumprimento da lei de Cristo”2. Que Deus abençoe o nosso testemunho de fé, caracterizado pela gratidão e pelo compromisso para com este mundo que ainda é de Deus. P. Dr. Pedro Puentes Reyes Secretário de Missão Coordenador Geral da Campanha Vai e Vem


ARTE DA VAI E VEM 2018

A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem 2018 se insere nos impulsos orientadores do Tema da IECLB para este ano, de que todos os âmbitos do viver humano estão sob o Lema bíblico de Êxodo 20.2a: Eu sou o SENHOR, teu Deus. A existência humana acontece pelas diversas funções e pelos diversos papeis assumidos no decorrer de uma vida IECLB e que se inserem nas Ordens: Igreja, Economia e Política. É pelo exercício destes papeis que toda pessoa serve a Deus no propósito da promoção da vida. Assim, o mesmo Deus que cria e salva, também vocaciona o ser humano, crente ou não, para uma parceria em prol da preservação da Criação. A partir da Fé, essa vocação, que marca a existência humana, está orientada pela Gratidão a Deus e pelo Compromisso para com o mundo tudo. Eis a razão da chamada no cartaz: Fé - Gratidão - Compromisso. As mãos em cooperação e os pontos expressam a ideia de conexão, união, expansão e também oração. O relato da 3


Criação, no Livro de Gênesis, nos diz que a vida acontece por meio de uma teia de relações, de forma que natureza e humanidade estão profundamente conectadas entre si. Isso significa que o projeto de Deus, de engrandecimento da vida ou vida abundante, só é possível se, em oração, há unidade e cooperação para derrubar todos os muros de exclusão, que ferem o desejo de comunhão colocado por Deus na Criação. #outros 500 apontam para pensarmos na Igreja que desejamos em um futuro próximo. Não é segredo que o amanhã depende, em grande medida, do que fazemos hoje. Se desejarmos que amanhã haja alegria nas nossas vidas e nas Comunidades, precisamos semear a gratidão, que nos conduz ao reconhecimento que tudo vem de Deus. Se queremos ver mudanças nas nossas vidas, nas nossas Comunidades de Fé e na nossa sociedade, precisamos do Compromisso que decorre da Fé e da Gratidão, que se torna visível nos diversos âmbitos do nosso viver: família, comunidade, trabalho, cultura, sociedade, meio ambiente, etc. Precisamos, ainda, de coragem para colocar as sementes de transformação! Se desejamos ser uma Igreja de Comunidades mais atrativas, inclusivas e missionárias no testemunho do Evangelho de Jesus Cristo, hoje é o tempo para começar essa construção.

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SUMÁRIO

Apresentação

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Arte da Campanha Vai e Vem 2018

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Texto Motivador da Campanha Vai e Vem 2018

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Campanha para a Missão na IECLB

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Projetos Missionários Apoiados em âmbito nacional

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Fé como confiança

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Gratidão como atitude de vida

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Compromisso que molda a vida

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Compromisso com a minha casa

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Compromisso comigo mesmo

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Compromisso com a família

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Compromisso com o trabalho

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Compromisso com a Comunidade de Fé

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Compromisso com o contexto social e ambiental

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#outros500

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Referências para consulta

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Recursos Litúrgicos

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TEXTO MOTIVADOR DA VAI E VEM 2018

O tema Fé, Gratidão e Compromisso tem a sua história na IECLB. Ele surge com a intencionalidade de motivar o exercício da sustentabilidade da Comunidade por parte do Sacerdócio Geral das pessoas que creem. No início, sustentabilidade era considerado sinônimo de contribuição financeira. Sob os impulsos do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), que afirma sustentabilidade é estabelecer condições para sustentar a Ação Missionária por meio de recursos financeiros, estruturais e humanos, essa compreensão foi ampliada. Considerando que, na IECLB, todos os Programas, todas as Campanhas e as atividades nacionais, sinodais e locais estão a serviço da Missão de Deus, a Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem nos convida, a partir da chamada Fé - Gratidão - Compromisso, a refletir, articular e desenvolver Ações de Missão, bem como ofertar para o sustento das mesmas. Tudo isto está sob o entendimento que a Missão de Deus é que cria a corrente da fé, que leva à gratidão e ao compromisso. Desta forma, buscamos fortalecer o Tema da IECLB para 2018: Igreja, Economia, Política, na certeza que tudo acontece na presença daquele que diz: Eu sou o SENHOR, teu Deus (Ex 20.2a).

A fé que nasce do amor A carta aos Hebreus (11.6a) diz: Sem fé ninguém pode agradar a Deus. Essa fé não é obra nossa. Essa fé que confia em Deus surge da própria iniciativa de Deus. O primeiro movimento é sempre de Deus. Ele vem e manifesta o seu amor a toda a Criação, sem que esta o mereça, e esse amor nos alcança de forma incondicional e desinteressada. A isto 6


chamamos Graça. No nosso caso, esse amor-graça desperta em nós a fé (uma confiança em Deus), que nos impulsiona a receber, abraçar e aceitar Deus e o seu amor. Assim, pela fé, abraçamos o abraço de Deus, que acolhe, aceita, perdoa, restaura e nos coloca no caminho do discipulado de Cristo. Uma imagem bíblica que coloca em destaque essa resposta de fé, confiança no amor e graça é a do filho pródigo (Lc 15.11-32). Nela, a fé que confia leva o filho até o pai, que espera amorosamente pelo seu retorno. Quando o amor que perdoa e a fé que confia se encontram, acontece o abraço. Para nós, esse abraço acontece já no Batismo e o explicitamos na Confirmação ou Profissão de Fé, que nos inserem no caminho do discipulado, vivenciado em Comunidade de irmãos e irmãs. Então, é a fé como confiança que possibilita um vínculo com Deus, apesar das incertezas. É a fé que acolhe a Palavra que vem de Deus como luz que orienta o nosso viver. É a fé que nos faz acreditar na bondade de Deus, apesar das adversidades da vida. É a fé como confiança que molda a nossa vida como gratidão a Deus e compromisso com este mundo, a partir dos valores que surgem do Evangelho.

A gratidão que vem da fé O conselho apostólico orienta: Agradeçam sempre todas as coisas a Deus (Ef 5.20). Em outras palavras, a vida cristã está orientada pela gratidão, que se dirige primeiramente a Deus, no contexto de culto e louvor, por tudo aquilo que Ele fez, faz e fará em favor de nós. Trata-se de uma gratidão que não está condicionada ao sucesso, à felicidade ou aos bens materiais. Ainda que estas coisas possam nos influenciar e a sua falta possa nos abalar, elas nunca deveriam determinar a nossa relação de gratidão com Deus. Por que a fé que confia leva-nos à gratidão? Porque a gratidão fortalece o reconhecimento e a humildade que desenvolvem a confiança em Deus. O reconhecimento de que tudo vem da mão de Deus afugenta o orgulho e o egoísmo. A humildade 7


protege contra a soberba e a arrogância. Essa gratidão que vem da fé não humilha, mas nutre a liberdade que dá asas à criatividade e à esperança. Em outras palavras: só quando deixamos Deus ser Deus é que o ser humano pode exercer a sua humanidade em plenitude. Uma imagem bíblica típica deste tipo de gratidão encontramos no texto de Lucas 17.11-19. Quando a pessoa que foi curada se volta para agradecer e reconhecer em humildade o dom recebido, a sua cura é completa e ela se torna livre para se comprometer com a Missão de Deus.

O Compromisso que vem da fé A fé que confia nos faz conscientes da realidade mais fundamental do nosso viver: fazemos parte de uma rede inevitável de interações. A pergunta do Criador Onde está o seu irmão? (Gn 4.9) e o Mandamento de Cristo de amar as outras pessoas como amamos a nós mesmos (Mc 12.33) tornam, cada um e cada uma de nós, ‘guardas’ do nosso próximo, o que abrange a responsabilidade para com o contexto. Isso significa que a vida que vem da fé que confia não se reduz a estar inscrito no registro de membros de uma Comunidade, a colaborar financeiramente, a participar de algumas atividades e a cooperar com algum serviço na Igreja. Isso é necessário, desejável e bem-vindo, mas a fé que nasceu da graça de Deus nos faz confiar em Deus e nos torna discípulos e discípulas de Cristo. O discipulado envolve a vida toda com a Missão de Deus, Missão que Jesus Cristo definiu como engrandecimento da vida ou como a promoção de uma vida abundante (Jo 10.10). Essa Missão tem o seu início no coração de cada pessoa, continua por todas as atividades humanas até abraçar a Criação toda. O discipulado nos move para o compromisso com a Missão de Deus e se torna visível nos diversos âmbitos do nosso viver: família, trabalho, Comunidade, sociedade, cultura, meio ambiente, etc., ou, como diz o Tema do Ano: Igreja, Economia e Política. 8


A Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem, cujo lançamento será no Domingo de Pentecostes, em 2018, no dia 20 de maio, estendendo-se até o último domingo de setembro, dia 30, quer oportunizar a reflexão sobre Fé, Gratidão e Compromisso com vistas ao nosso envolvimento com a Missão de Deus no tempo de vida que Deus nos presenteia. Cada novo amanhecer é tempo oportuno para viver na Missão de Deus – com Fé, Gratidão e Compromisso! Desejamos que a Vai e Vem 2018 desperte a gratidão das pessoas, das Comunidades, das Paróquias e dos Sínodos, que conduza à partilha proporcional dos seus recursos de tempo, talentos e tesouros. Desejamos que a Campanha oriente para compromissos concretos nos âmbitos da nossa casa comum (conosco, família, trabalho, amizades), da nossa Comunidade de Fé (Comunidade local, sinodal, nacional e Ecumene), da nossa sociedade (bairro, cidade e país) e da Criação toda (meio ambiente). Inspiradas e inspirados na reflexão do Tema do Ano da IECLB para 2018, Igreja, Economia, Política, reafirmamos que a pessoa é chamada para ouvir o Evangelho, responder com gratidão e alegria, reunir-se em Comunidade, contribuir com recursos e dons, e dar testemunho da vontade de Deus no contexto em que vive. Lutero compreende esse testemunho como cooperação com Deus para o melhoramento do mundo. Como Igreja herdeira dos valores da Reforma e na condição de pessoas livres pela graça de Deus, que possamos reafirmar uma vida de Fé, Gratidão e Compromisso, cujo resultado sempre será o de sermos uma Igreja de Comunidades mais atrativas, inclusivas e missionárias, que acolhem os desafios da fé cristã para os outros 500 anos! P. Dr. Nestor Friedrich Pastor Presidente da IECLB Domingo de Pentecostes, 20 de maio de 2018 9


CAMPANHA PARA A MISSAO NA IECLB Leitura bíblica 2Coríntios 1.4

Reflexão Inicialmente, a Campanha Nacional de Ofertas para a Missão Vai e Vem foi uma proposta do Fórum de Missão realizado em Florianópolis/SC, em 2006, com o objetivo de fomentar a sustentabilidade das Comunidades da IECLB. Essa proposta foi aprovada pelo XXV Concílio da Igreja, ocorrido em Panambi/RS, no mesmo ano. Já são dez anos desde a sua efetivação, em 2008. A Campanha Vai e Vem integra uma das ações do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), que tem como objetivo geral: ampliar e consolidar a Ação Missionária da IECLB. Estamos cientes que a Missão é de Deus, por isso todo tempo é tempo de Missão. Entretanto, sabendo da necessidade constante de fortalecer o vínculo fraternal que vem da fé, destinamos quatro meses do ano para: mobilizar recursos para a Ação Missionária da IECLB, reforçar a unidade da Igreja e desenvolver a consciência missionária dos membros. Os objetivos da Campanha buscam ser alcançados, a cada ano, quando é proposto: Criar espaços comunitários, paroquiais e sinodais para refletir, estudar e dialogar sobre a Missão Por exemplo: Qual é a sua base? Qual é a sua abrangência? Quais são as implicações para a Comunidade e o seu contexto? (Jn 5.39, Ef 3.17-19 e 1Co 5-19-21) Sustentar o testemunho missionário em oração Desenvolvido pelas diversas Ações Missionárias além 10


da nossa Comunidade, Paróquia, Sínodo e Igreja (Ef 6.18, Ts 5.17, Tg 5.16 e 1Co 14.15), porque, enquanto Comunidade local, somos parte do Corpo de Cristo (Ef 4.12, 5.30 e 1Co 12.27). Promover Ações Missionárias Por meio de parcerias de apoio a iniciativas missionárias de outras Comunidades e Paróquias, bem como a instituições identificadas confessionalmente com a IECLB (1Co 16.11). Também por meio do desenvolvimento de iniciativas missionárias locais. Ofertar em apoio às iniciativas missionárias As Ofertas nacionais e sinodais são partilhadas solidariamente (2Co 1.4). Cada Sínodo estabelece uma meta de arrecadação e define as estratégias a serem adotadas para alcançá-la. Assim, a metade dos recursos arrecadados, descontando os investimentos feitos na Campanha, o que inclui, entre outras iniciativas a realização do Encontro de Coordenações Sinodais da Vai e Vem, é partilhado entre os Sínodos para apoiar iniciativas missionárias sinodais alicerçadas no Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) no seu respectivo âmbito de atuação. A outra metade dá suporte aos Projetos Missionários definidos em âmbito nacional. Por que a escolha do nome Vai e Vem para a Campanha? A exemplo do Deus que veio até nós e, seguindo o Mandato de Jesus Cristo, a IECLB (pessoas membro, Comunidades, Paróquias e Sínodos) VAI ao encontro das pessoas que sofrem e do mundo, com inserção propositiva na sociedade civil (Jo 17.18, 20.21 e Mc 16.15) e, ao mesmo tempo, em obediência à palavra de Cristo que diz Venham a mim (Mt 11.28a), ela VEM. A IECLB oportuniza o vinde de Jesus quando, nas Comunidades e nas mais diversas instâncias, aprimora os processos de abertura, inclusão, inserção e integração das pessoas à Comunidade de discípulos e discípulas de Jesus Cristo (Mt 11.28-29, At 10.34, Gl 3.28). Desta forma, VAI e VEM é mais que a descrição de um movimento de 11


reciprocidade (dou e recebo de volta). Mesmo nesse caso já seria uma medida de sabedoria agir assim, pois a advertência apostólica diz: O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá (Gl 6.7b). Em outras palavras, a solidariedade e a generosidade das outras pessoas e Comunidades é proporcional à nossa. Entretanto, há outra questão a considerar sobre a Campanha de Missão da IECLB: a sua data de inicio. O Domingo de Pentecostes foi escolhido para dar inicio à Vai e Vem, pois, nesta data, comemoramos o derramamento do Espírito Santo sobre a Comunidade de discípulos e discípulas de Jesus Cristo (At 2), celebrando o nascimento da Igreja Cristã Missionária, segundo a promessa de Cristo: quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra (At 1.8). Contudo, o Espírito não é só aquele que dinamiza e vocaciona a Comunidade de discípulos e discípulas para a Missão de Deus. Ele também a conduz (Rm 8.14), a carrega (Rm 8.26) e a consola (Jo 14.16-17). Em outras palavras, a Campanha está sob a marca de Pentecostes, porque, sem o agir do Espírito de Deus, tudo o que fazemos carece de força e vocação missionária. É sob essa convicção que desenvolvemos a Campanha e na confiança que Deus confirmará os nossos trabalhos em prol da sua Missão (Sl 90.17).

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PROJETOS MISSIONÁRIOS APOIADOS EM AMBITO NACIONAL

2018

Araucária/PR - Sínodo Paranapanema Nordeste MG e Sul BA - Sínodo Espírito Santo a Belém Norte Fluminense/RJ - Sínodo Sudeste Pastoral do Cuidado/RS - Sínodo Rio dos Sinos Paz/RS - Sínodo Sul-Rio-Grandense Ribeirão Preto/SP - Sínodo Sudeste Rio Brilhante/MS - Sínodo Rio Paraná Santa Fé do Sul/SP - Sínodo Paranapanema São João Batista/SC - Sínodo Vale do Itajaí Sidrolândia/MS - Sínodo Rio Paraná Teresina/PI - Sínodo Brasil Central Visite o Portal Luteranos e acesse a página da Vai e Vem para saber mais sobre os Projetos Missionários da IECLB

www.luteranos.com.br/vai-vem/2018

Lançamento: Domingo de Pentecostes - 20 de maio Encerramento: último domingo de setembro - dia 30

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FÉ COMO CONFIANÇA Leitura bíblica Lucas 15.11-32

Reflexão Nós entendemos que a fé é um dom de Deus. Ela é uma confiança que surge e se fortalece da sua graça, do seu amor inusitado, imerecido e incondicional. O fato de que alguém nos ame, sem interesse e segundas intenções, faz nascer em nós uma confiança, a fé. Segundo o apóstolo Paulo, “a graça de Deus é tanta que transborda. Em Efésios 1.8, o termo usado é eperisseusen, que poderíamos traduzir como ‘escorrer pelas bordas’. Acima de tudo, porém, é Jesus quem mostra concretamente como Deus age de graça com quem nada tem a oferecer em troca. É o caso quando cura cegos, coxos, leprosos e toda sorte de enfermos, além de receber e visitar os pecadores mais detestados”3. Uma vez nascida a fé, como confiança, ela nos empurra a receber, abraçar ou aceitar quem nos ama e o seu amor, que, neste caso, são Deus e a sua graça. O testemunho bíblico nos diz que a máxima expressão desse amor/graça encontramos na vida, morte e ressurreição de Cristo, por isso, “somente por sua graça, Deus nos dá o perdão e a salvação. Não podemos nos apoderar desta graça por meio das nossas obras ou do nosso dinheiro, tornando-nos merecedores do perdão divino. Aceitamos a graça de Deus somente pela fé, que, em resposta de gratidão e em amor, produz frutos e nos compromete com o Reino de Deus”4. Uma figura bíblica que coloca em destaque essa troca de amor/graça e fé/confiança é a do Filho Pródigo. Nela, a fé/ confiança, como presente, leva o filho até o pai, que espera amorosamente pelo seu retorno. O amor que perdoa e a 14


confiança que recebe se unem em um abraço. Para nós, esse abraço acontece no Batismo e o explicitamos na Confirmação ou na Profissão de Fé, que nos insere no caminho do discipulado, vivenciado em Comunidade de irmãos e irmãs. Assim, “esse presente gratuito vem acompanhado da promessa da nova vida, do Espírito Santo, da acolhida e da integração na Comunidade Cristã e da declaração que somos filhos e filhas de Deus. É um presente que nos reveste de uma nova vida, de um novo jeito de viver e nos empodera da esperança da salvação mediante a fé em Jesus. Você sabe por que recebemos este presente de Deus? Simplesmente, porque Deus nos ama e quer nos ver felizes, em paz e em comunhão. As Sagradas Escrituras afirmam: Pela graça de Deus, vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus (Ef 2.8). [...] Como um abraço compartilhado por duas pessoas, a fé em Jesus é o abraço de Deus correspondido pelo nosso abraço - um gesto encontrando outro gesto, braços entrelaçados que se comprometem mutuamente. Assim, a fé em Jesus se torna, simultaneamente, presente, ação, dádiva de Deus e a nossa resposta, ação mediante este presente. Nessa dinâmica do abraço, a fé em Jesus precisa ser alimentada e fortalecida, no dia a dia, com o calor da vida. É da vida comunitária que a fé em Jesus brota, se abastece e se fortalece. Celebrações, Cultos, Estudos Bíblicos, os mais diferentes Grupos Comunitários, são espaços para o exercício do abraço, da espiritualidade, do aprendizado e da vivência cristã. Esses espaços são vitais para manter um coração apaixonado pela Missão de Deus, mas também para promover uma caminhada para fora dos muros dos templos, onde a vida clama por socorro, cuidado e amor. O apóstolo Paulo afirma: a fé vem por ouvir a mensagem que vem por meio da pregação a respeito de Cristo (Rm 10.17). Nesse sentido, podemos afirmar que a fé em Jesus nasce, cresce e se fortalece no encontro com a Palavra de Deus e com os Sacramentos no seio da Comunidade. Essa ‘Palavra’ fala na Missão de Jesus, que, de uma forma prática e visível, revela a graça, o amor e a vontade de Deus para com toda a Criação. 15


O convite Vamos para perto de Jesus (Hb 13.13) nos remete a viver a dinâmica da fé, do abraço de Deus, reconhecendo, crendo e se comprometendo com os valores e os ensinamentos evangélicos que Jesus nos deixou. É sair do comodismo, da fé proclamada para a fé compromissada, abraçada à cruz. Talvez você concorde comigo que é fácil dizer ‘tenho fé’, ‘creio em Deus’, ‘me identifico com os valores cristãos’ porém, é difícil assumir, na prática, a cruz que vem do compromisso evangélico com as pessoas exploradas, marginalizadas, com necessidades específicas e carentes de afeto, amor, paz e perdão. Não há verdadeira fé em Jesus se não vem acompanhada pelo compromisso que dela emerge: Não é toda pessoa que me chama de ‘Senhor, Senhor’ que entrará no Reino dos Céus, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu (Mt 7.21). A fé em Jesus anda de braços dados com o testemunho prático dos ensinamentos de Cristo. É nessa dinâmica que as sementes do Reino vão sendo semeadas e fazem florescer a vontade de Deus. Estas sementes, por sua vez, espalham novas sementes de vida abundante. Se a vida abundante não está brotando com força em nosso meio, então é tempo de repensar o manejo das sementes. A mensagem pregada ensina o processo de cultivar as sementes do Reino que valorizam a vida, a solidariedade e o compromisso de cuidado mútuo com toda a Criação de Deus. É no encontro com o mundo que encontramos Jesus”5. Então, é a fé como confiança que possibilita um vínculo com Deus, apesar das incertezas. É a fé que acolhe a palavra que vem de Deus como luz que orienta o nosso viver. É a fé que nos faz acreditar em Deus e na sua bondade, apesar das adversidades da vida. É a fé que nos faz descansar nas promessas de Deus que nutrem a esperança. Finalmente, segundo a palavra bíblica: sem fé, ninguém pode agradar a Deus (Hb 11.6). Sem confiar em Deus, não há como lhe agradar.

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GRATIDAO COMO ATITUDE DE VIDA Leitura bíblica Lucas 17.11-19

Reflexão “Como cristãos, sabemos das nossas dívidas junto a Deus. Nós vivemos, sem nenhuma exceção, do que Deus nos deu e dá. Isto vale tanto em termos materiais como espirituais. Vivemos do que a natureza nos dá e vivemos do que o Evangelho nos dá, a exemplo da fé, do amor e da esperança. Deus sempre dá de graça! Será demais agradecer a Deus por isto? [...] Quem não sabe agradecer, é duro de coração, cego com relação às dívidas com Deus, deixa de ser gente para se tornar robô. A gente não paga a Deus pelas suas dádivas, a gente agradece. Eu não pago pelo direito de ser membro da minha Comunidade. Foi Deus que me deu este ‘direito’, e isto por graça, pelo Batismo, pelo chamado do Espírito Santo. Importa não esquecer que, antes de perguntar pelos meus direitos, devo perguntar pelos meus deveres. A Comunidade não é um clube criado para atender determinadas necessidades dos seus sócios. Ela é o corpo de Cristo, constituída por membros. Na Igreja, não existem sócios, só existem membros e estes são, como vimos: contribuintes por natureza”6. Segundo este texto, há muitas razões para agradecer a Deus. As circunstâncias adversas da vida não podem ser a medida da nossa gratidão. A nossa gratidão a Deus não deveria estar condicionada ao sucesso, à felicidade ou aos bens materiais. Estas coisas podem nos influenciar e sua falta pode nos abalar, mas elas nunca deveriam determinar a nossa relação de gratidão com Deus. Autonomia e dependência simultânea são características do humano. 17


Somos seres que precisam de toda a amplitude do céu para as asas da nossa liberdade, mas, ao mesmo tempo, necessitamos do chão e do aconchego da segurança. Esse misto de grandeza e fragilidade encontra o seu justo equilíbrio na gratidão. Por que na gratidão? Porque, enquanto a gratidão evidencia a nossa relação de confiança em Deus, que reconhece que tudo vem da sua mão, ao mesmo tempo, esse tipo de confiança floresce na humildade. Essa gratidão, que vem do reconhecimento e da humildade, não humilha. Muito pelo contrario, ela nutre a liberdade que dá asas à criatividade e à esperança. Em outras palavras: só quando deixamos Deus ser Deus é que o ser humano pode exercer a sua humanidade em plenitude. Então, o amor (graça) de Deus produz a fé como confiança. Logo, é pela fé que confiamos-abraçamos o amor (graça) de Deus. Essa fé, que confia no amor de Deus, desperta a humildade que nos leva a reconhecer e a agradecer que tudo vem de Deus. Entretanto, “quando nos esquecemos do presente de Deus, começamos a nos lembrar diuturnamente do nosso trabalho duro, a nos desentender sobre a renda familiar com a nossa esposa, o nosso marido, a olhar por cima dos muros para ver como há vizinhos que se dão bem e, então, sentir inveja. Se nos avaliarmos, perceberemos que estamos vivendo na Terra Prometida como se vivêssemos cotidianamente em qualquer lugar do planeta. Fazer o quê? Mudarmos o jeito de encarar a vida sendo pessoas gratas! Gratas pelo que somos e por tudo o que ainda desfrutaremos se não estivermos com os nossos pensamentos plantados em outro lugar. A dificuldade de agradecer se origina na não percepção da preciosidade da vida, do presente que Deus continua dando (pão, casa, esposa, esposo, empregados...), da não visualização do Doador de toda a riqueza”. Creiam! A ‘gratidão’ nos faz pessoas ‘ricas’. Podemos dizer ‘é lindo e suficiente’ em vez de ‘quero mais, mais, mais’! Nada 18


de brigar com o mundo injusto que insiste nessa segunda opção! Libertemo-nos da inveja, da satisfação venenosa, que se acumula em nós. Agradeçamos a Deus pelas nossas forças, mesmo mergulhados na fraqueza. Perdoemo-nos! Não nos sintamos menores se carecermos da força dos outros. Que Deus nos dê da sua alegria. Que Ele expulse de nós toda a inveja. Que Ele nos faça perceber a bênção que derrama sobre as nossas irmãs e os nossos irmãos nas suas casas. Que Ele queime o musgo mesquinho que se forma sobre as nossas cabeças. Que Ele termine com a disputa anticristã que faz ninho nos nossos ombros. Que Ele renove os cômodos do nosso coração. Que Ele permita que nos alimentemos, que ouçamos e que sempre renovemos o nosso coração na Sua Palavra. Que possamos perceber o Seu amor como o maior, o mais bonito e o mais nobre de todos os tesouros!”7. As palavras anteriores apontam para algo que não devemos perder de vista. Se, por um lado, “a gratidão e o compromisso não são pré-requisitos para entrar nesse Reino. Eles fazem parte do jeito de viver de quem já está nele e tem consciência disso. Por outro lado, corremos o risco de supor erroneamente uma operação de causa e efeito, como se a gratidão e o compromisso brotassem espontaneamente da graça de Deus, mas a disposição de fazer exercício físico não é proporcional à ingestão de calorias. A gratidão não é uma resposta automática. Ela é aprendida. É consciência de aprendiz na fé. É saber-se incluído no Reino. Jesus disse que o que sai da boca contamina o corpo. O ambiente do Reino de Deus contamina com gratidão. O ambiente fora dele, não. [...] A gratidão e o compromisso são, porém, desafios da educação cristã”8. Isso significa que a gratidão é algo que se aprende e se fortalece agradecendo e há muitas formas de agradecer. Um exemplo de gratidão encontramos em uma carta de Lutero enviada a Justus Jonas, em 23 de setembro de 1542: “Creio que ficaste sabendo que minha querida filha Madalena renasceu para o reino eterno de Cristo. Eu e 19


minha esposa nada mais deveríamos fazer senão agradecer com alegria por um passamento tão feliz e um final tão bemaventurado. Mesmo assim, o poder do amor natural é tão grande, que nós não o podemos fazer sem soluçar e gemer o coração, sim, nem mesmo sem grande mortificação, pois os olhares, palavras e gestos da filha obediente e respeitosa ao extremo, quando viveu e quando morreu, prendem-se ao fundo de nossos corações, de maneira que nem mesmo a morte de Cristo pode retirar esse pesar como deveria, por isso agradece a Deus em nosso lugar, pois ele realmente fez uma grande obra em nós e glorificou sobremaneira nosso corpo. Ela tinha - como sabes - um caráter suave e amável, sendo querida para com todos. Louvado seja o Senhor Jesus Cristo, que a chamou, escolheu e glorificou. Tomara que eu, todos os meus e todos os nossos tenhamos por sorte uma morte assim. É o único que peço a Deus, ao Pai de todo o consolo e de toda a misericórdia”9. Existe dor maior do que a perda de um filho, uma filha? Madalena faleceu aos 13 anos de idade. De todas as formas, Lutero busca consolo em sua fé. Tenta racionalizar, recorrendo à análise das circunstâncias e ao discurso da fé. Contudo, o pai está dividido. Como alguém que crê, sente que deveria reconhecer a ação de Deus e ser-lhe grato. Como pai, sente que a perda é injustificável. A mãe, Catarina, vivencia as coisas de igual modo. A imagem da filha amada, gravada nos corações, não permite que sejam agradecidos agora, por isso Lutero pede a Justus Jonas: agradece a Deus em nosso lugar. Eis aqui um bom exemplo da fé, como confiança, que leva à gratidão. Nesta vida, só nos resta dizer: Confiamos em ti Senhor, por isso somos gratos e gratas! Ajuda na nossa falta de confiança e gratidão.

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COMPROMISSO QUE MOLDA A VIDA Leitura bíblica Lucas 12.41-48

Reflexão Deus veio até nós e despertou, com o seu amor (graça), a fé (confiança) em nós. Assim, atraídos e atraídas pela graça de Deus, abraçamos o abraço de Deus que acolhe, aceita, perdoa, restaura e nos coloca no caminho do discipulado de Cristo. Agora, o nosso viver está orientado pela gratidão e pelo compromisso (responsabilidade). Quer dizer, a vida cristã não se reduz a uma simples colaboração, cooperação ou contribuição com as atividades da Igreja. Ela é engajamento, doação integral à causa de Cristo, o que inclui as nossas diversas funções no dia a dia. Por que tem de ser assim? Por que não posso ficar no meu canto, quieto, quieta, na minha? Ao final, a fé não é coisa pessoal, particular? As respostas às perguntas anteriores são sim e não. Sim, a fé é coisa pessoal, porque somos pessoas criadas à imagem de Deus, em liberdade, consequentemente, cada uma deve responder ao chamado de Deus. Não, a fé é coisa pública, porque ninguém é uma ilha! A nossa vida acontece inserida em âmbitos, tais como família, trabalho, comunidade, sociedade, cultura e meio ambiente. Isso significa que vivemos em uma inevitável interação, o que, querendo ou não, nos torna pessoas responsáveis. Em outras palavras, no momento de nascer fomos inseridos e inseridas na corrente da vida, que se concretiza por esses âmbitos. Cabe a nós fortalecer ou debilitar, vitalizar ou corromper, engrandecer ou rebaixar a vida que acontece nos âmbitos do nosso viver. Assim sendo, somos responsáveis não só pelo presente, mas pela inevitável herança que deixarmos para as próximas 21


gerações. Essa ideia está no texto dos apóstolos Paulo e João: seu nome esta escrito no livro da vida (Fl 4.3 e Ap. 3.5). Essas palavras apontam para o fato que há pessoas cujas vidas não são perfeitas, mas dignas de recordação. Vidas a serem guardadas no livro da vida. A chave para uma vida assim é aquela motivada pelo amor, segundo Cristo. Amor que o apóstolo descreve: ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos (Jo 15.13). Uma vida egoísta fecha-se em si mesma e tem o seu fim na morte. Entretanto, uma vida que desde o amor não se esgota nem fecha em si mesma, mas procura restaurar, preservar e promover a vida, nas suas diversas manifestações, ao ponto de entregar a própria vida, será lembrada, honrada e colocada como inspiração para outras vidas. Uma vida assim toca a eternidade. Não há como errar! Em outras palavras: o seu nome estará escrito no livro da vida. Para isto é que “somos motivados e motivadas a colocar toda a nossa vida a serviço do Reino de Deus. Para isso, é preciso reconhecer o amor e a presença de Deus constantemente em nossa vida, porque creio, porque a fé move o meu coração”10. Tudo bem, a fé se nutre da Palavra que vem de Deus. A gratidão se dirige primeiramente a Deus, no contexto de culto e louvor. O compromisso (responsabilidade), que tem como finalidade o sustento e a promoção da vida, articulase pelos diversos âmbitos por onde a vida se organiza. Entretanto, de onde virão os impulsos para o exercício desse compromisso? A vida cristã é para ser vivida a partir da Comunidade de discípulos e discípulas, como sinal do Reino de Deus. É nela que ensaiamos o nosso compromisso com o mundo. É nela que exercitamos a partilha daquilo que recebemos de Deus. Assim sendo, “podemos contribuir com o nosso tempo, as nossas capacidades, as nossas experiências, as nossas forças, os nossos bens materiais. [...] A Comunidade Evangélica Luterana vive da contribuição dos seus membros. Se não 22


mais houver membros contribuintes, ela vai morrer. Não existe ‘membro’ do corpo que não cumpra determinada função. Todos os membros são importantes, disse o apóstolo Paulo em 1Coríntios 12. Todos receberam o seu carisma e todos têm algo a contribuir. Quem o nega, se afasta do corpo e deixa de ser membro. Aquele membro entra em ‘disfunção’. Este é um dos fortes argumentos em favor da ‘contribuição geral de todos os crentes’. Os carismas dos membros são diferentes, por isso são exortados a se servirem mutuamente. Isto de acordo com a ‘lei de Cristo’, que, conforme o apóstolo Paulo, consiste em carregarmos as cargas uns dos outros (Gl 6.2). A Comunidade cristã deveria ser um exemplo de tal ‘fraternidade’. Aliás, nem se trata de fraternidade. Trata-se simplesmente de uma questão de justiça”11. A vida acontece como em uma teia. Deus, como doador e sustentador da vida, nos compromete e responsabiliza com o seu engrandecimento. Para tanto se faz necessário fazer uso adequado dos recursos que possuímos, a saber: tempo, talentos e tesouros.

Tempo “Ser pessoa grata é uma resposta à graça de Deus e isso se faz de várias maneiras: colocando os nossos dons a serviço, dedicando o nosso tempo e ofertando! A graça e o amor de Deus nos motivam a agradecer – com alegria e com o coração leve. Servir, dedicar tempo e ofertar não deveriam ser resultado de uma lei imposta por alguém. Gratidão é a nossa resposta pelo que Deus fez por nós!”12. Talvez, este seja um dos recursos mais difíceis de partilhar nos dias de hoje. Por um lado, há uma quantidade de ‘compromissos’ que exigem o nosso tempo. Como nunca, todo mundo vive com a sua agenda lotada. Mesmo quem não tem agenda, corre o dia todo. O urgente, o importante e o empolgante consomem o nosso dia a dia! Esgotados e esgotadas, ficamos com a sensação que o dia foi curto ou longo de mais. Assim, no tempo que ‘resta’, queremos 23


descansar e curtir. Por outro lado, em geral, quando destinamos tempo para participar de algo, estamos ausentes. Estamos... mas nem tanto! É como se parte de nós estivesse em outro lugar, participando de outro evento. Participamos, mas de longe, sem nos envolver. Muitas vezes, trata-se de uma presença ausente’! Destinar tempo de qualidade àquilo que participamos tornou-se quase um desafio. Para tanto, é necessário assumir que qualquer envolvimento de corpo e alma ou engajamento que compromete tem algumas condições. Primeiro: não é possível estar em todo lugar ao mesmo tempo. Segundo: é necessário escolher e assumir a escolha feita, o que, inevitavelmente, nos leva a abrir mão de outros caminhos.

Talentos “O apóstolo Paulo recomenda, em Romanos 12.8: O que contribui, o faça com liberalidade! Em muitas Comunidades, existem pessoas que se dedicam de ‘corpo e alma’ à causa comum, não só com as Ofertas e as contribuições em dinheiro, mas com a sua disposição e a sua alegria em servir nos diferentes setores. Esta postura só é possível para quem se reconhece parte de um mesmo corpo, em que as partes contribuem em favor do bem-estar do todo”13. O compromisso, expresso por meio dos talentos, as habilidades e os dons, nunca pode ser resultado de uma coação. Dons têm a ver com dar o melhor de nós mesmos, porque os dons e os talentos têm a ver com aquilo que mais nos identifica e realiza. Tem a ver com quem eu sou. Por outro lado, isso significa que os dons e os talentos não podem ser aprisionados pelo egoísmo. Desde a fé, eles são entendidos como doação. “Os nossos dons são graça, presentes preciosos que recebemos de Deus. Para construirmos uma Comunidade viva, solidária e acolhedora, a nossa participação e o nosso serviço são imprescindíveis [por isso], jamais determinados dons podem ser supervalorizados em detrimento de outros”14. 24


Assim, o que recebemos de graça, partilhamos de graça, por isso o chamado é para que o nosso engajamento esteja perpassado por aqueles saberes e fazeres que são parte de nós mesmos, que nos realizam e empolgam.

Tesouros Em geral, a compreensão popular é que os bens materiais são fruto de sangue, suor e lágrimas. Isso tem a sua quota de verdade. Entretanto, deveríamos incluir: tempo, saúde e circunstâncias. Também desde a fé entendemos que Deus tem alguma coisa a ver com tudo isso. No Catecismo Menor, na explicação do primeiro artigo, Lutero escreve: “Creio que Deus [...] me dá roupa, calçado, comida e bebida, casa e lar, família, terra, trabalho e todos os bens”. O compromisso com o tesouro (dinheiro/bens) é uma ação conectada à alegria, generosidade e espontaneidade, como resposta de fé e gratidão a Deus por tudo que fez e faz por nós. A mesma fé nos compromete com a Missão da Igreja, de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo e com o serviço em favor da vida digna e abundante”15. Os recursos do tempo, do talento e do tesouro estão sob a palavra de Jesus, que diz: a quem muito foi dado, muito lhe será exigido e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão (Lc 12.48). Elas “expressam com clareza o princípio da proporcionalidade. Entretanto, com isso, estamos na contramão do mercado e da nossa sociedade. Aí vale o princípio de ‘direitos e deveres’. Quem cumpre os seus deveres, adquire os seus direitos – e ponto! Aí tem quem merece e quem não merece. Muitas vezes, é com essa convicção que se participa da Comunidade. Desse jeito, conflitos não faltarão! Para entender melhor, a gente precisa se perguntar por que o cristão deve contribuir. Basicamente, há duas razões: todos foram ricamente agraciados por Deus (1Co 12 e Mt 25.14-30) e todos são chamados a amar o próximo (Mt 22.37-39). [Então], o cerne da contribuição cristã: ela é expressão do amor a Deus e ao próximo. Na realidade, 25


ela também é uma graça de Deus (2Co 8.1) concedida aos cristãos, mesmo os mais pobres. Gratidão e amor não se medem pela quantidade de esforço ou de dinheiro envolvido. Isso vemos na oferta da viúva pobre (Mc 12.42-44). Embora a quantidade fosse mínima, Jesus afirma que ela ofertou mais que todos. A sua oferta tinha a ver com a sua dedicação e gratidão a Deus. É aí que entra a proporcionalidade. Em uma Comunidade, não são todos iguais: nem todos receberam os mesmos talentos e dons, nem todos têm o mesmo chamado, mas todos são chamados a contribuir. O quão grato você é a Deus? O quanto você ama o seu próximo? É disso que irá depender a sua contribuição!”16. A fé que confia em Deus compromete a totalidade da vida: o nosso tempo, os nossos talentos e os nossos tesouros. A Palavra que vem de Deus nos convida a construir com engajamento sem abrir mão da sabedoria (Sl 90.12).

COMPROMISSO C0M A MINHA CASA Leitura bíblica Jeremias 29.5-7

Reflexão Nos textos anteriores falou-se que a fé, que abraça o amor de Deus, orienta o nosso viver para a gratidão e o compromisso (ou viver responsável). Também foi dito que esse compromisso inclui recursos fundamentais: tempo, talentos e tesouros. Agora queremos apontar para alguns âmbitos pelos quais a vida se desenrola, segundo aqueles papeis e funções assumidos neles em cada fase da vida. Contudo, estes não são exclusivos à fé, mas comum a toda pessoa. 26


O diferencial para a pessoa de fé está naquilo que motiva e orienta os papeis e as funções assumidos na vida: o amor como compaixão e serviço. Como nutrir um amor assim? A nossa fé cristã aponta para Jesus Cristo como o critério, a inspiração e a força desse amor. A sua mensagem nos oferece subsídios para analisar, avaliar e enfrentar as diversas situações que a vida nos apresenta. Nesse encontro e diálogo com o Mestre Jesus, seguimos o conselho do salmista: Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios (Sl 90.12).

COMPROMISSO COMIGO MESMO Leitura bíblica Lucas 16.19-31

Reflexão A preocupação com a própria pessoa, nos âmbitos da saúde física, psicológica, emocional, social e espiritual, faz parte dos nossos compromissos e das nossas responsabilidades. Falar sobre o cuidado consigo mesmo tem a ver com a fé. O segundo grande Mandamento, de amar as outras pessoas como a si mesmo (Mt 22.39), nos diz que, na luta pelo bem-estar das outras pessoas, não devemos esquecer de nós mesmos. Sem o amor à própria pessoa o amor às outras pessoas, pode não ser algo sadio. Quando distorcido, o amor direciona-se para o preenchimento de uma carência pessoal. Assim sendo, usa-se das fragilidades e necessidades do próximo para um beneficio próprio. Um amor assim está longe de ser desinteressado. Na sociedade de hoje, tornou-se comum falar sobre o cuidado consigo mesmo centrado no aprimoramento do 27


desempenho pessoal. Em certo sentido, trata-se de uma preocupação legítima. Dar o melhor de si envolve tempo, talentos e tesouros, além de demonstrar responsabilidade. Entretanto, hoje, muito desse aprimoramento está marcado por um perfeccionismo centrado no egoísmo. Não há lugar para erro e para o perdão, consequentemente, sacrifica-se o cuidado próprio em favor de uma ‘performance’ (desempenho). Contudo, o interesse da fé não está em assinalar uma prioridade entre o material, social, psicológico, espiritual, relacional, recreativo, etc. Ela quer apontar para aquilo que dá sentido, organização e sustento à vida toda. (ver: Pv 29.23, Rm 12.3 e 16, 1Pe 3.8 e 5.5). É sobre isso que fala a Parábola do Rico e Lázaro. O que podemos dizer dele? Pela sua laboriosidade, disciplina e empreendedorismo, talvez fosse alguém honesto. Com certeza, cultivava certa espiritualidade, pois conhecia a Lei de Moisés. Também mantinha uma vida descente segundo a moral e os bons costumes. Em geral, ele tinha aprimorado o seu desempenho laboral, religioso e social. Entretanto, nada disso é determinante na avaliação da sua vida. O que condenará o resto da sua existência é a falta de compaixão para com o mendigo Lázaro. O relato diz: você recebeu na sua vida todas as coisas boas, porém Lázaro só recebeu o que era mau (Lucas 16.25). O problema não está na sua riqueza (tempo, talentos e tesouros), que evidencia o seu esforço no cuidado em relação ao aprimoramento do seu desempenho. O problema está no uso que fez desse desempenho. Ele construiu uma vida que esgotava toda a sua criatividade, devoção e fidelidade no fiel cumprimento do dever, por isso, em relação ao mendigo Lázaro, ele fez o mínimo exigido pela lei. De certa forma, ele usa a lei, as normas estabelecidas, o envolvimento com o seu desempenho, para ocultar o seu egoísmo e a falta de compaixão. Se, por um lado, viveu a sua vida segundo o que dele se esperava, e nada além disso, por outro lado, teve uma vida míope, egoísta e satisfeita com as conquistas obtidas pelo seu sucesso. Assim, sendo rico, tinha uma vida empobrecida, porque não estava governada, orientada pelo amor como compaixão e serviço. 28


Temos algumas observações quanto à responsabilidade e ao compromisso para conosco. Primeiro, é salutar cumprir o dever, seja religioso, moral ou social. Contudo, não havendo nenhum mérito nisso, o texto alerta para uma vida que se esgota no cumprimento do dever, pois ela pode ocultar uma maldade passiva de omissão. Aquela maldade que se nutre da indiferença, se satisfaz com a esmola que tranquiliza a consciência e não se compromete com a transformação daquilo que produz os ‘lázaros da vida’. O exercício da compaixão vai além do dever ou da convenção sociocultural. Ela antecede o dever, porque compaixão é postura e atitude de vida que se nutrem do exemplo de Cristo. O maior desafio com o cuidado de si não está em desenvolver um equilíbrio entre as dimensões material, social, psicológica, espiritual, relacional, recreativa, etc., mas em fortalecer aquilo que as motiva e orienta: o amor como compaixão e serviço. Então, o que motiva as nossas decisões e atividades? Qual é o interesse final naquilo que fazemos? O apostolo João é definitivo: aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (1Jo 4.20b). Só a compaixão e o serviço nos colocam na esteira do cuidado que se inicia conosco para alcançar as outras pessoas.

COMPROMISSO COM A FAMÍLIA Leitura bíblica João 2.1-12

Reflexão Por que, para o evangelista João, é tão importante que Jesus inicie o seu Ministério em uma festa de casamento e se preocupe para que haja vinho nela? Não seria melhor ocultar 29


este episodio tão mundano? Foi essa a crítica das pessoas que queriam desprestigiar Jesus: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores (Lc 7.34). Entre as cerimônias e os ritos realizados pelas pessoas, o casamento é um símbolo de futuro. As pessoas casam e se unem porque apostam em um projeto de vida: sonham e investem tempo, talentos e tesouros para que esse sonho se torne realidade. O casamento também é um sinal de querer criar raízes na vida, um sinal de perpetuidade e de permanência na vida. Isso envolve mais do que duas pessoas, conecta familiares e amizades. Cria-se uma nova rede de pessoas em prol da vida, motivo de alegria, representado pela presença do vinho na festa (Sl 104.15). A presença de Jesus nesta boda é o sim de Deus para a vida humana assim organizada. É o sim para os sonhos e os projetos que promovem a vida humana a partir da família. Boda e vinho, porque todo compromisso com a promoção da vida humana em dignidade é como uma festa, uma festa da vida, na qual as pessoas se encontram, se entrelaçam e multiplicam a vida. A rigor, a vida humana só é possível se há entrega e partilha, não só de tempo, talentos e tesouros, mas de nós mesmos. Hoje, há uma grande discussão sobre o que seja família. A este respeito, o Posicionamento da IECLB intitulado Valorizando a Família (1997) pontua: “Sob família, a Igreja entende o grupo de pessoas relacionadas entre si por laços de parentesco, afetividade, compromisso ou comunhão cristã. Portanto, o conceito de família vai além do grupo de pessoas formado por pai, mãe, filhos e filhas vivendo legalmente sob o mesmo teto. Com respeito e amor, a Comunidade Cristã também aceita, acolhe e ampara grupos familiares com características especiais. Família é uma comunidade em que as relações das pessoas que a compõem estão moldadas pelo amor e o respeito que conduzem para uma vida digna. Em um contexto assim, ela é uma oportunidade para o crescimento 30


e o desenvolvimento saudável, tanto na esfera física como também na emocional, social e espiritual. Esse crescimento é previsto para esposa e marido, pais e mães, filhos e filhas, crianças, pessoas adultas e idosas”17. Então, faz parte do nosso compromisso investir tempo, talentos e tesouros no cuidado da família como um espaço de interações de afeto, consolo, perdão, reconciliação, estímulo e esperança, que fortalecem a vida em todas suas preocupações, anseios, sonhos, frustrações, sucessos, sofrimentos e alegrias. Por causa disso, o Posicionamento mencionado desafia as Comunidades à criação de uma instância comunitária que ajude na coordenação das seguintes tarefas: a) Educação para o Matrimônio, b) Comunicação Conjugal e Familiar, c) Cursos sobre Valores Éticos e Cristãos, d) Celebrações dos Ritos de Passagem, e) Compartilhar dos Eventos Críticos e f) Relacionamento Interfamiliar. Outros trabalhos desenvolvidos nas Paróquias e nos Sínodos podem ser mencionados, bem como iniciativas nacionais que procuram o fortalecimento da família como um espaço de desenvolvimento, em respeito e dignidade de todas as pessoas que dela fazem parte.

COMPROMISSO COM O TRABALHO Leitura bíblica Gênesis 1-2

Reflexão Por muito tempo, o fato de ter que trabalhar foi interpretado a partir da narrativa de Gênesis 3.17-19: um dos castigos dados por Deus a Adão e Eva. Esse entendimento deu uma conotação negativa para o trabalho, de forma que 31


trabalho e serviço a Deus não combinavam. Entretanto, esses versículos propõem uma constatação e não um desígnio. Eles apontam para aquilo que constatamos no dia a dia: que toda a energia gasta no esforço diário dificilmente será recuperada. Que o cansaço e o esgotamento diários deixam as suas marcas. Contudo, essa não é toda a verdade do texto bíblico quanto ao trabalho. Vejamos algumas considerações. O texto bíblico do Gênesis abre o seu relato apresentandonos um Deus que cria, que trabalha arduamente na sua Criação, um Deus cujo trabalho está marcado pela bondade e pelo otimismo na sua obra. Assim o expressa a frase que se repete após cada ato criador: E viu Deus que era bom (v. 4, a luz; v. 10b, água e terra; v. 12, vegetais; v. 18b, firmamento, sol, lua, estrelas; v. 21 animais; v. 31, ser humano - muito bom). O ser humano é criado à semelhança deste Deus que cria, por isso, ele vive sob o mandato de trabalhar na Criação, antes do relato da tentação (Gn 3). As marcas do seu trabalho são: cuidar e dar continuidade (Gn 2.15), bem como recriar a Criação (Gn 2.19). O versículo de Gênesis 1.28 anota que o propósito do ser humano é o de ‘frutificar, multiplicar e encher a terra e submetê-la’. Entretanto, como conectar as palavras ‘encher’ e ‘submeter’? Elas parecem opostas. A ideia é que ambas se complementam, isto é: submetemos somente enquanto preservamos e preenchemos todos os recursos consumidos. O contrário seria depredar. Isto significa que o trabalho não pode ter como único critério a satisfação das necessidades e dos desejos de uma pessoa ou de um grupo. Ele precisa juntar criatividade e responsabilidade. Gastamos o nosso tempo, os nossos talentos e os nossos tesouros não para destruir ou adorar a natureza, mas para desfrutá-la, cuidá-la e preservá-la para nós e as futuras gerações. Cabe mais uma consideração: o relato sobre o Deus trabalhador-criador termina com o sábado (Gn 2.1-3). Isso significa que o trabalho não pode ser o definitivo e determinante na vida de uma pessoa. O trabalho é um instrumento 32


que está a serviço do sustento e do desenvolvimento da vida. O definitivo sempre será um ser humano que, à imagem de Deus, em liberdade, celebra a vida em diálogo com a natureza, com as pessoas que lhe rodeiam e com o seu Criador.

COMPROMISSO COM A COMUNIDADE DE FÉ Leituras bíblicas Efésios 1.13-14 e 1Coríntios 12.12-27

Reflexão Quem de nós já não escutou a frase: ‘Eu não preciso ir à Igreja para me relacionar com Deus. Basta ler a Bíblia e orar’. Para quem fala assim, é bom lembrar que Jesus Cristo formou em torno de si e da sua mensagem uma Comunidade de discípulos e discípulas. Mais tarde, essa Comunidade, formada a partir da Palavra, se tornou a sua depositária e testemunha. Como diz o apóstolo, nós somos membros do Corpo de Cristo (Ef 5.30). A Comunidade é um instrumento para a proclamação dessa Palavra ao mundo (Evangelização), para a comunhão governada pelo amor, para o exercício do amor como serviço (Diaconia), para o louvor e Culto a Deus (Liturgia), para a formação na fé em todas as fases da vida (Discipulado). Para tanto, se destacam algumas características:

Persevera na doutrina “A Comunidade é a mão de Deus no mundo quando ela persevera na doutrina dos apóstolos. A pregação da Comunidade deve ser coerente com o discurso das primeiras testemunhas. Isso acontece quando a Comunidade está empenhada em conhecer e pregar a Palavra de tal maneira que questione e oriente a vida, 33


denuncie as trevas e anuncie a luz, desconstrua os esquemas da morte e construa novamente sobre a graça e a salvação que vêm de Jesus. É por meio dessa Palavra pregada que o Espírito Santo atua em um mundo que se decompõe – a Comunidade é sal da terra. É também por meio dessa Palavra que o Espirito Santo ilumina um mundo em trevas – a Comunidade é luz do mundo (Mt 5.13-16).

Persevera vivendo em amor cristão A Comunidade é a mão de Deus no mundo quando ela persevera vivendo em amor cristão. A fé vem pelo ouvir da Palavra e, quando a fé é verdadeira, o amor a segue espontaneamente. O amor que segue a fé vai além de um sentimento: é diaconia que vive, sofre e atua, empenhando tempo, talentos e tesouros pela outra pessoa. Assim, o abraço que dou, o prato de comida que alcanço, o emprego que ajudo a arranjar, a admoestação e o consolo que levo, a oração com a qual carrego a pessoa, tudo passa a ser mão de Deus atuando. Por quê? Porque já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim (Gl 16.20).

Persevera no partir do pão A Comunidade é a mão de Deus no mundo quando ela persevera no partir do pão. O partir do pão é uma referência à Ceia do Senhor, alimento espiritual para todas aquelas pessoas que não têm mais forças, para aquelas que aceitam entregar a Cristo as suas frustrações, os seus pecados, as suas angústias, as suas tribulações e receber dele o perdão que traz consigo aceitação, amor, paz, harmonia, alegria, união, comunhão. Da comunhão com Cristo, resulta uma nova possibilidade de comunhão de umas pessoas com as outras e com toda a Criação.

Persevera nas orações A Comunidade é a mão de Deus no mundo quando persevera nas orações. A oração é o meio encontrado pela Comunidade para agradecer, louvar e adorar a Deus, mas 34


também é um meio de carregar a cruz, suportar as dores e atravessar os dias de sofrimento com dignidade. Enfim, a Comunidade Cristã é sinal histórico do Reino. Isto é: Deus se faz presente no mundo por meio da Comunidade das pessoas que chamou e que assumiram não viver mais para si mesmas, mas para Deus (2Co 5.15) e viver para Deus, é viver para a outra pessoa (1Jo 4.20). Essa é a vocação da Comunidade. Do contrário, ela perde a sua razão de existir e morre”18. As palavras anteriores assinalam uma continuidade. O que Cristo iniciou tem continuidade na sua Comunidade ou, como diz o apóstolo: “A Igreja é o Corpo de Cristo. Ela completa Cristo, o qual completa todas as coisas em todos os lugares (Ef 1.23). É um privilegio ser Comunidade de discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Em razão disto, “somos pessoas desafiadas a nos comprometer com o Sacerdócio Geral de todas as Pessoas Crentes, que possibilita a todas as pessoas servirem a Deus a partir dos dons que Ele próprio concedeu a cada uma, fortalecendo as relações de coletividade, de respeito, de cuidado”19. Esse privilégio nos torna pessoas “responsáveis pela edificação das nossas Comunidades e da nossa Igreja. Cada Comunidade faz parte de uma Comunidade maior, a IECLB. Então, lembremos das palavras do Apóstolo Paulo: Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que tendo sempre em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra (2Co 9.7-8)”20. Então, Deus, em Cristo, mostrou o seu amor e chamou a cada um e cada uma de nós. Pela fé, dissemos sim a esse chamado e, pelo Batismo ou pela Profissão de Fé, fomos inseridos e inseridas na Comunidade de Jesus Cristo. Agora, vivemos a nossa vida como partes de um corpo, em uma Comunidade de discípulos e discípulas de iguais, a partir do Evangelho. 35


O compromisso com a Comunidade de Fé envolve o nosso tempo, os nossos talentos (1Co 12.27-30) e os nossos tesouros. Quanto à sua sustentabilidade financeira, isso não pode ser fruto da tristeza nem por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria (2Co 9.7). “Assim nós nos deparamos com o que pode ser o dado mais fantástico da Oferta segundo a visão bíblica: dinheiro na Igreja é assunto diretamente ligado à convicção de fé. O que me move a ofertar como membro da IECLB (seja a contribuição regular para compor o orçamento da Comunidade, seja o apoio a uma Campanha, seja a participação em promoções) é que eu quero doar, devolvendo uma parte de tudo que recebi e continuo recebendo de Deus. A minha oferta é, na realidade, atitude alegre de gratidão. Doo por gratidão. Oferto pela alegria de ver florescer a Missão de Deus. Sinto-me livre para ser pessoa generosa. Este é meu prazer. Esta é minha alegria. É a liberdade que me move a assumir esse compromisso!”21. Sim! Sustentamos a Comunidade com a contribuição espontânea, sistemática e regular, bem como pelas Ofertas, “por gratidão a Deus, Senhor da terra e dos céus, de quem tudo recebemos, por acreditarmos nas bênçãos dos céus, em solidariedade aos irmãos necessitados e aos que se dedicam à causa de Deus, pela gratuidade vivida todos os dias e pela certeza que Deus a todos justifica, dignifica e capacita a vivermos como irmãos. Expressamos a nossa gratidão com as Ofertas. Não o fazemos por interesse, longe disso. Antes, o assumimos como sagrado compromisso! Confiamos e esperamos pelas bênçãos dos céus, pela oferta de salvação em Cristo, prometida aos filhos de Deus!”22. O compromisso com a Comunidade tem a ver com a permanência do testemunho do Evangelho de Jesus Cristo, por isso “a Sustentabilidade é tarefa permanente de uma organização, incluindo Comunidades, Paróquias, enfim, toda a Igreja, pois elas dependem de recursos financeiros, mas dependem, sobretudo, da qualidade da organização e do compromisso com a Missão estabelecida. Igreja sustentável 36


necessita, ainda, de lideranças capazes de criar as melhores condições para o engajamento dos seus membros. [...] O enfoque da Sustentabilidade da Igreja está fundamentado no conceito da Missão de Deus. Uma Igreja melhora a sua Sustentabilidade quando, simultaneamente, planeja estratégica e participativamente, desenvolve os dons das pessoas, cuida dos recursos financeiros e materiais e amplia a sua atuação missionária”23. O nosso compromisso como Comunidade, o Corpo de Cristo, envolve doação com liberdade, de um coração grato, segundo os recursos tempo, talentos e tesouros. Sabendo que esses recursos estão sob a palavra evangélica que diz: será pedido muito de quem recebe muito. Daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido (Lc 12.48).

COMPROMISSO COM O CONTEXTO SOCIAL E AMBIENTAL Leituras bíblicas Salmo 8.3-9 e Romanos 8.19-25

Reflexão A vida humana acontece na intersecção entre a natureza e o social. O ser humano depende de ambos os ambientes para desenvolver o seu viver. A vida humana é profundamente marcada pelas interações que as pessoas fazem com a natureza. Acontece, assim, uma circularidade entre a natureza e a sociedade: a saúde de uma depende da saúde da outra. Não há como separá-las, por isso, o ser humano, se pretende perpetuar-se no tempo, precisa comprometer-se radicalmente com a saúde do seu ambiente social e natural (meio ambiente). Isso também 37


é valido para a fé. “Uma Comunidade atuante é relevante para o seu contexto. [...] Igreja é apenas Igreja quando ela existe para os de fora”24.

Compromisso com o ambiente social Eu estava com fome e vocês me deram comida. Estava com sede e me deram água. Era estrangeiro e me receberam na sua casa. Estava sem roupa e me vestiram. Estava doente e cuidaram de mim. Estava na cadeia e foram me visitar (Mt 25.25-36). Deixem a violência! Deixem de explorar o povo! Façam o que é direito e justo! Nunca mais expulsem o meu povo da terra deles! (Ez 45.9). Sabido é que as relações sociais são fortemente configuradas pela questão econômica. Esta, por sua vez, é alimentada por determinados valores. Assim, “o mercado cria insatisfações que são preenchidas com a compra de produtos supérfluos. O crescimento econômico está fundamentado em inutilidades e futilidades. O ser humano busca pela felicidade como um objetivo insaciável, pois, hoje, compra um produto que vai trazer a felicidade. No entanto, ao comprar, percebe que a felicidade prometida não vem. Em algum momento vêm a frustração e o vazio. O problema [sócio]-ambiental tem a sua origem em questões profundamente espirituais. A busca da felicidade nas promessas dos bens de consumo enche-nos de coisas fúteis e, ao mesmo tempo, esvaziam as nossas mentes e os nossos corações. A publicidade agressiva gera necessidades e a comparação com outros aponta para aqueles que compraram a felicidade adquirindo um determinado produto, despertando inveja e cobiça. Não se está mais centrado no caráter da pessoa, na sua honestidade, na solidariedade, mas nas joias que usa, no carro que dirige, nas roupas que traja. A sociedade moderna é profundamente doente por organizar-se em torno do ter. O sentido da existência está no ter e no ser invejado pelos outros. A partir do momento que o cristão vive da realidade que Deus 38


amou o universo, ele pode viver em gratidão pelo que tem. Não somos mais determinados pela ganância e pela inveja, mas pelo cuidado e pela alegria com a Criação de Deus. O encantamento com a bondade de Deus acontece pelos olhos da fé. O mesmo Deus que nos fez justos por meio de Cristo é o Deus que nos incumbe de pregar o Evangelho e de cuidar da Criação. A preservação da Criação é uma ordem de Deus, resumida nos Dez Mandamentos, para que a vida seja possível e para que o Evangelho tenha acolhida no coração das pessoas. A pessoa que pertence a Jesus também coloca o seu corpo a serviço de Deus, que é o criador e o mantenedor da vida, pois o corpo é o templo do Espírito Santo”25. Segundo a tradição bíblica, uma vida comprometida com o ambiente social estrutura-se pelo amor. Amor como àquele que nutre o discernimento crítico e configura as atitudes e ações direcionadas para o bem, segundo a verdade, a justiça e a paz. Amor que se manifesta em ações concretas, tais como: fazer justiça aos explorados, dar comida aos famintos, por em liberdade os prisioneiros, dar visão aos cegos, endireitar os curvados, amar os justos, proteger os estrangeiros, encorajar as viúvas e os órfãos e fazer fracassar o plano dos maus (ver Is 58.6-8, Ez 18.7 e 16 e Jr 22.3). Desde a perspectiva da fé, toda relação injusta que acontece neste mundo comove Deus: Os gritos dos que trabalham nas colheitas têm chegado até os ouvidos de Deus, o Senhor Todo-Poderoso (Tg 5.4b). Assim, o Deus da fé cristã não é apático e indiferente. Ele opta por se solidarizar com a miséria e o sofrimento humano para transformá-lo. Insta a sua Comunidade de discípulos e discípulas a fazer o mesmo: proteger, guardar, curar, levantar, sustentar, transformar e libertar o ferido, o explorado, o perdido (Mt 18.11).

Compromisso com o ambiente natural (meio ambiente) Qualquer consideração sobre a nossa relação com o meio ambiente passa inevitavelmente pela afirmação do que seja a natureza e de qual é o nosso papel dentro dela. Uma 39


boa definição se encontra no Manifesto da IECLB Bioética - O Cuidado pela Vida, do qual destacamos os seguintes pontos: - A fé cristã entende a vida a partir da ação criadora de Deus. Sendo Ele o doador da vida, não é possível reduzi-la a uma propriedade privada. A vida é concessão, é presente, é dom de Deus. Porque criada e nutrida por Deus, a vida tem uma profundidade insondável. Esta profundidade misteriosa da vida não permite que ela seja transformada em coisa ou objeto que se possa manipular, vender ou comprar. O bem da vida é uma graça que recebemos, mas da qual não podemos dispor. Porque é indisponível, a vida não pode ser consumida irresponsavelmente nem pode ser descartada levianamente. A vida é um bem sagrado. O testemunho da Escritura aponta para esta sacralidade da vida e nos convida a assumirmos uma atitude de profundo respeito, pois Deus viu que o que criou era ‘bom’, ‘muito bom’ (Gn 1.10, 12, 18, 21, 25 e 31). - Contudo, a bondade da Criação não reside no fato dela ser boa em si mesma. A bondade da Criação repousa sobre o amor transbordante de Deus. Mesmo depois da queda, Deus continua amando a sua Criação e a tem sob o seu governo. A prova maior deste amor é o fato de Deus ter enviado o seu Filho, Jesus Cristo, para a salvação de todas as pessoas e para a redenção do universo. - O pecado é a real tragédia do ser humano e de toda a Criação, que é marcada pela morte. O pecado rompeu definitivamente a relação entre Deus e o ser humano, entre o ser humano e os outros seres da Criação e a relação dos seres humanos entre si. Cada qual se transforma no inimigo do seu semelhante. Contudo, Deus e o mundo não são inimigos. O mundo não é propriedade do diabo, mas permanece sendo a boa Criação de Deus, ainda que profundamente marcada pelo pecado. - De fato, há uma fraternidade na tragédia e na esperança entre todos os seres vivos. Na tragédia, porque a Criação 40


como um todo sofre a realidade da morte, que também se mostra na destruição dos seres vivos (Rm 8.20 e 22-23), mas há também uma solidariedade na esperança, porque todos aguardam pela realização do Reino de Deus, que significa a superação da morte e do sofrimento (Rm 8.19, 21 e 24-25). - Entretanto, isso não dispensa o cristão de assumir a sua tarefa de ser um bom administrador, cuidando da boa Criação de Deus (Gn 2.15). Somos chamados à responsabilidade, ou seja, devemos responder pelos nossos atos diante do Deus vivo e verdadeiro. Muitas pessoas cristãs ficam inquietas com as notícias que a ciência já dispõe de instrumentos técnicos para viabilizar a clonagem de seres humanos. Isso assusta também a opinião pública e muitos Cientistas. - A Igreja de Jesus Cristo tem o compromisso de afirmar a dignidade da vida humana. Falar isso somente é possível na medida em que afirmamos que a vida é um dom de Deus. A visão corrente na mídia – que somente a qualidade de vida é critério para definir a dignidade da vida – parte do pressuposto que a ausência de dor e de sofrimento é o critério maior para determinar a dignidade da vida humana. O prazer de viver é o imperativo categórico da sociedade de consumo e o sofrimento é considerado uma condição inaceitável26. Com base no exposto, surge a pergunta: O que fazer para sair da passividade para com as questões do meio ambiente? Selecionamos algumas orientações: - Um dos primeiros passos para uma eventual e esperada superação da letargia é o reconhecimento dos sinais da crise ambiental, especificamente aqueles derivados da ação humana. Trata-se de um exercício de sensibilidade, que depende do nível de consciência de cada pessoa. Trata-se também de perceber em que medida eu, como indivíduo integrante de um todo maior, contribuo para aumentar ou diminuir tais crises. A constatação do apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos pode servir de alerta: Toda a Criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora (Rm 8.23). 41


- Em segundo lugar, trata-se de perceber a si mesmo como integrante de uma rede maior de relações de produção e consumo. A própria necessidade de sobrevivência impõe ininterrupta intervenção sobre o ambiente. Os humanos alimentam-se de outras formas de vida para a sua própria manutenção. As intervenções, contudo, podem ser diferentemente moduladas. A ‘pegada humana’ sobre o ambiente pode ser mais pesada ou mais leve. Depende do modo como se pisa. No fundo, depende do exercício da sabedoria. - Como membros da Comunidade evangélicoluterana em sentido amplo, comungamos de um ponto fundamental do Credo Cristão de que o mundo que habitamos resulta da ação criadora e amorosa de Deus (ver a interpretação de Martim Lutero ao Primeiro Artigo do Credo Apostólico). - Trata-se, pois, em terceiro lugar, de falar mais concretamente sobre esta dimensão da fé. Deus é o criador e o mantenedor. Os humanos são criaturas juntamente com os demais elementos da Criação. Todos os elos da Criação têm dignidade própria. Ao homem, Deus conferiu dignidade especial de ‘imagem e semelhança’. Atribuiu, também, responsabilidades. Até algum tempo atrás, era absolutamente comum dizer ou ouvir, também na Igreja, que o homem era o centro e o sentido de toda a Criação, pois ele teria a função de ‘dominar e sujeitar’ o mundo criado (Gn 1.26-28). Isso constitui a chamada concepção antropocêntrica. Hoje, essa afirmação vem caindo em desuso, reforçandose a noção, também profundamente bíblica, que o ser humano deve ser ‘mordomo da Criação’. A sua tarefa fundamental deve ser ‘cultivar e guardar’ (Gn 2.15). O ‘cultivar’ implica necessariamente em intervenção sobre o ambiente natural, produzindo ou retirando dele os elementos para suprir as necessidades e os desejos dos homens. O ‘guardar’ é um exercício de responsabilidade e cuidado. Trata-se de um mandato que exige a sabedoria 42


de perceber-se integrante do todo da Criação, com a tarefa de zelar para que a natureza se mantenha, para além do tempo presente, em suas próprias bases ecossistêmicas. Também podemos citar o ‘princípio responsabilidade’ como elemento fundamental da ética, como foi proposto pelo Filósofo Hans Jonas. O cuidado do homem com o ambiente deve incluir as gerações futuras. - Há várias passagens na Bíblia em que a dimensão do cuidado dos humanos pela integridade da Criação é destacada: Êxodo 20.10-11 (descanso da terra, dos pobres e dos animais), Deuteronômio 20.19-20 (contra o desmatamento desmedido), 22.6-7 (pássaros e ninhos), 23.13-15 (saneamento básico), Salmo 104 (natureza perpassada pelo espírito divino), Jó 38-42 (complexidade da Criação). De tais textos, quase nunca se fala na Igreja. Em Êxodo 23.10-11, é proposto que, ao homem, é legitimamente concedido cultivar a terra e recolher os seus frutos. Trata-se da atividade da produção, mas o ritmo produtivo e explorador deve ser temporalmente limitado a seis anos, devendo o sétimo ano ser um tempo de pousio ou ‘descanso sabático’. O texto indica três finalidades: a) primeiro é dito que a própria terra deve poder descansar. Isso é estranho ao nosso modo de pensar, pois estamos acostumados com a ideia que a terra deve somente servir para satisfação das nossas necessidades (e desejos), b) em segundo lugar, os pobres devem poder colher o que nascer por conta própria no sétimo ano, tendo uma provisão extra além da sua limitada alimentação usual e c) em terceiro, indica-se que os animais do campo devem poder comer o que sobrar. Explicitamente, incluem-se os animais do campo dentro de um ciclo ecológico. Três seres ameaçados em sua existência devem ser contemplados no modo de se organizar a vida em sociedade: a terra, os pobres e os animais. Isso é o que se pode chamar de uma ‘visão ecológica’ da vida. Os interesses são limitados pela integridade da vida e da Criação. - Por trás do texto do descanso sabático está uma estrutura de tempo que marca a nossa existência, mas que, 43


hoje, é constantemente desrespeitada, a saber: a estrutura da semana de sete dias. Hoje, a Medicina já reconheceu que a pessoa que não observa tempos de descanso em meio às jornadas de trabalho adoece mais e, em geral, morre mais cedo. No ritmo de vida do mundo moderno, há certamente exigências que nos obrigam a trabalhar mais. Porém, observar tempo de pausa pode ser uma boa fonte de investimento em sua própria vida, economizando dinheiro que seria gasto com Médicos e remédios! - Além da tarefa de zelador, cuidador ou mordomo da Criação, o ser humano é constantemente chamado ao exercício da misericórdia. Há muitas narrativas da prática e do ensino de Jesus Cristo que podem ser lembradas, mas é a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37) que se presta muito bem a essa indicação, obviamente com uma interpretação expansiva. A história é conhecida: um homem maltratado está deitado à beira do caminho. Duas pessoas passam e desviam do caminho. Um terceiro passante, vendo-o, compadeceu-se dele (v.33). A expansão quase alegórica consiste em substituir o ‘homem ferido’ pela ‘natureza maltratada’. Esta geme, em dores, em correntes de exploração humana, aguardando a redenção e a manifestação plena dos filhos de Deus. Assim, natureza e humanidade estão incluídas no plano redentor de Deus para toda a sua Criação. - Saber que toda a Criação faz parte da obra criadora e redentora de Deus remete os humanos ao seu lugar legítimo como elos ou elementos de uma rede cósmica maior. Isso pode abrir possibilidades para a admiração e o louvor a Deus, conduzindo a um viver em que a vida é entendida como dádiva e, como tal, pode ser vivida, em gratuidade, em confiança na presença e no amor gratuito de Deus. O cuidado com o ambiente pode e deve ser uma resposta ao amor redentor de Deus. Com o Criador, podemos ser cuidadores e mantenedores, ajudando a salvaguardar a dignidade da vida das gerações futuras27.

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#outros500 Leitura bíblica Eclesiastes 3.1-8

Reflexão “O legado da Reforma nos move à gratidão a Deus e também nos compromete com a mensagem da liberdade cristã e do serviço de amor ao próximo. Ser luterano, luterana é ser livre sobre todas as coisas e viver a liberdade que Cristo conquistou, mas também é servir a todos e estar sujeito a todos por amor a Deus. [...] Contribuir com generosidade e alegria é um dom que vem de Deus. É uma oportunidade de colocar aquilo que temos e que nos foi confiado a serviço da Missão de Deus”28. Com essas palavras, queremos refletir sobre os desafios futuros que envolvem tanto as Comunidades como o todo da IECLB. Pensar o futuro da IECLB é responsabilidade de cada pessoa membro e, principalmente, das lideranças, Ministros e Ministras. A grandeza da tarefa da IECLB, que é a sua Missão, exige captar os impulsos do Espírito de Deus para construir, em diálogo participativo, uma visão organizada e planejada do futuro esperado. Assim sendo: o que devemos esperar para os próximos anos ou até, por exemplo, 2024, quando celebraremos 200 anos da presença luterana em terra brasileira? Quanto aos desafios das Comunidades, tem-se insistido no Planejamento Missionário como uma das estratégias para a sua revitalização, mas estão em aberto os desafios do conjunto, a IECLB como um todo. Lembramos que, a partir do Fórum de Missão realizado em 2017, em São Leopoldo/RS, encontra-se em processo de construção um Plano Missionário com prioridades que marquem o rumo da 45


IECLB nos próximos anos. Entretanto, enquanto esperamos o resultado desse trabalho, podemos elencar alguns dos desafios que exigem uma resposta. Não se trata de algo exaustivo, mas de focar áreas onde estão acontecendo mudanças que exigem revisarmos as nossas práticas para elaborarmos respostas mais adequadas.

Desafios do contexto à Igreja No caminho de sermos uma Igreja de Comunidades que testemunham o amor e misericórdia de Deus, a IECLB se vê constantemente confrontada. Assim, urge responder as seguintes perguntas: - Como ser uma Igreja de Comunidades em uma sociedade hedonista, individualista e consumista, em que tudo é efêmero e descartável, na qual as pessoas se sentem livres para uma participação descompromissada, transitória, dependente da emoção e do ambiente? - Como falar sobre a graça que dignifica, cria pertença à Comunidade de Jesus Cristo e liberta no exercício do amor ao próximo, em um contexto em que as pessoas valem pelos méritos medidos pela produtividade e pelo consumo? - Como falar a respeito do Deus que se encarna e abraça toda a humanidade e a Criação, em uma sociedade na qual o modelo econômico atual insiste em impor que há pessoas e formas de vida supérfluas e descartáveis?

Desafios do contexto à Comunidade As mudanças no âmbito religioso são significativas. Elas comprometem o formato e as dinâmicas que articulam a vivência comunitária, por isso, às vezes, e dependendo do lugar, elas têm se mostrado inadequadas para acompanhar a novidade que está aí. Assim, por exemplo: - Em geral, ainda esperamos que filhos e filhas assumam, em um futuro próximo, a vida comunitária, mas a tendência, hoje, é que cada pessoa escolha livremente a sua fé, sem 46


depender da tradição. O resultado é que a transmissão e o futuro da fé estejam comprometidos. Isso significa que, por um lado, precisamos desafiar os nossos próprios filhos e as nossas filhas a abraçar a fé à qual foram entregues no Batismo. Por outro lado, é urgente nos organizarmos como Comunidades abertas, que olham para além ‘dos nossos membros’ e centrar o Planejamento Missionário das tarefas comunitárias nas necessidades das pessoas que estão à nossa volta. Isso, obrigatoriamente, nos leva à pergunta: Para quem e para que somos Comunidade de testemunhas? Comumente, centramos a nossa ação ministerial e a articulação da vida comunitária no atendimento das pessoas membros (Doutrina, Culto, Ofícios). Esperamos que as pessoas venham e participem dos nossos programas e atividades, mas, hoje, quem não sai em busca das mesmas, as perderá para quem as procura. Inclusive, o convite já não é suficiente! É necessário que as pessoas se sintam convidadas e valorizadas, por isso precisamos que a nossa saída, a nossa procura, o nosso convite estejam carregados da afetividade que acolhe sem preferências. Aqui perguntamos: A quem estamos convidando e qual é o espírito desse convite? Nos dias de hoje, em geral, as pessoas participam das atividades e dos programas de forma descompromissada, transitória, dependente da emoção e do ambiente. Na Comunidade, não é muito diferente, por isso assistir a uma atividade, mesmo que tenha sido uma boa experiência, não conduz, necessariamente, para um compromisso e, muito menos, para uma pertença ou para um vínculo à Comunidade. Neste contexto, faz-se necessário repensar os processos de inclusão, inserção e integração das pessoas à vida da Comunidade. Aqui perguntamos: O que fazemos para que as pessoas possam criar vínculos de pertença à Comunidade? 47


- A complexidade dos desafios torna difícil que uma pessoa ou um pequeno grupo da Comunidade articulem uma resposta. A tarefa, hoje, exige, no mínimo, levarmos a sério o Sacerdócio de todas as Pessoas que Creem, de forma que o exercício dos diversos dons das pessoas membros da Comunidade venha a acontecer. Para tanto, precisamos despertar lideranças, Ministros e Ministras visionárias, envolvidas, envolventes, formadoras e facilitadoras de processos, pessoas que realmente articulem e organizem o trabalho da Comunidade em equipes, de forma participativa. Perante os desafios expostos, tem-se apontado para a necessidade do fortalecimento, da vitalidade e da saúde das Comunidades. Para tanto, foi visto como estratégico o Planejamento Missionário, segundo as orientações do Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) 2008-2012, não como um simples preenchimento de formulário, mas, isso sim, como uma resposta obediente à Palavra do Deus, que está à nossa frente fazendo missão e nos convida e compromete a fazermos parte dela, lá onde a Comunidade se encontra. Os desafios de hoje não permitem simples remendos locais. Eles exigem respostas sistêmicas, em que o todo e as partes se articulam de forma coerente, por isso é necessário olharmos para a IECLB como um todo. Quais os recursos que a IECLB tem para enfrentar esses desafios? Como sabemos, a IECLB possui um rico e diverso patrimônio em recursos, tais como: confessional, institucional, financeiro, físico/predial, humano, cultural, social e ético. Em parte, ele foi herdado e, em parte, foi construído com muito engajamento, esforço, criatividade, fé, amor e esperança. Igrejas parceiras do exterior elogiam a nossa boa organização e a nossa transparência institucional. Isso é um bom testemunho sobre nós. Entretanto, não é possível ocultar alguns sinais de enfraquecimento deste patrimônio, o que nos fragiliza perante os diferentes desafios a enfrentar. É por isso que refletir e avaliar o impacto que 48


os nossos procedimentos e as nossas ações exercem sobre esse patrimônio é essencial. O nosso maior patrimônio vem da Palavra. Nela, a nossa fé aprendeu com os profetas do Antigo Testamento que, para mudar, é necessário mudar! Resumindo: Arrependa-se e faça o que é certo, assim o bom, o justo, o verdadeiro crescerá. Parece simples, mas o arrependimento e o perdão requerem muita coragem. Aquela coragem que vem da humildade que quebra a arrogância, o orgulho e a autossuficiência, para nos colocar no caminho da mudança. Então, a confissão e o perdão nos concedem uma liberdade para, com coragem e criatividade, realizarmos as mudanças que fortaleçam a IECLB como uma Igreja de Comunidades mais atrativas, inclusivas e missionárias, para, assim, encarar os outros 500. Que Deus nos ajude!

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REFERENCIAS PARA CONSULTA

1 P. em. Geraldo Schach - Ética e gestão de recursos financeiros (Jorev Luterano nº 776 - setembro/2014) 2 P. Dr. Rodolfo Gaede Neto - Contribuição e solidariedade (Jorev Luterano nº 777 - outubro/2014) 3 P. Me. Leonídio Gaede - A graça de Deus (Jorev Luterano nº 771 - abril/2014) 4 P. Gilciney Tetzner - Contribuição: compromisso com o Reino de Deus (Jorev Luterano nº 772 - maio/2014) 5 Pa. Dione Carla Baldus - A fé como presente e abraço de Deus (Jorev Luterano nº 775 - agosto/2014) 6 P. Dr. Gottfried Brakemeier - Fé, Gratidão e Compromisso: contribuição (Jorev Luterano nº 769 - janeiro-fevereiro/2014) 7 P. Renato Luiz Becker - A gratidão que provém da graça (Jorev Luterano nº 774 - julho/2014) 8 P. Me. Leonídio Gaede - A graça de Deus (Jorev Luterano nº 771 - abril/2014) 9 P. Dr. Ricardo Willy Rieth - (adaptação) Martim Lutero, discípulo, testemunha, reformador (2007) 10 P. Eloir Carlos Ponath - Jesus Cristo é a motivação e o exemplo a ser seguido (Jorev Luterano nº 804 - abril/2017) 11 P. Dr. Gottfried Brakemeier - Fé, Gratidão e Compromisso: contribuição (Jorev Luterano nº 770 - março/2014) 12 Pa. Anelise Knüppe - A Deus, o nosso agradecimento! (Jorev Luterano nº 805 - maio/2017) 13 P. em. Irineu Valmor Wolf - Contribuir, ofertar... Por quê? (Jorev Luterano nº 778 - novembro/2014) 50


14 Pa. Heloisa Gralow Dalferth - Expressões da contribuição a partir de 1Coríntios 12.4ss (Jorev Luterano nº 773 - junho/2014) 15 P. Gilciney Tetzner – Contribuição: compromisso com o Reino de Deus (Jorev Luterano nº 772 - maio/2014) 16 P. em. Dilmar Devantier - Os dilemas da contribuição proporcional (Jorev Luterano nº 779 - dezembro/2014) 17 Manifesto da IECLB - Valorizando a Família (1997) - Família: um desafio para os próximos 500 (Jorev Luterano nº 806 - junho/2017) 18 P. Elisandro Rheinheimer - A Comunidade é a mão de Deus no mundo (Jorev Luterano nº 807 - julho/2017) 19 P. Sérgio Wruck Klippel - Rumo aos 500 anos da Reforma Protestante! (Jorev Luterano nº 806 - junho/2017) 20 P. Leandro Luis da Silva - A contribuição nossa: a Igreja é de todos e todas nós! (Jorev Luterano nº 811 - novembro/2017) 21 P. Dr. Romeu Martini - Liberdade para assumir compromisso (Jorev Luterano nº 810 - outubro/2017) 22 P. Irineu Valmor Wolf - Contribuir, ofertar... Por quê? (Jorev Luterano nº 778 - novembro/2014) 23 Miltom de Oliveira - Sustentabilidade da e na Igreja (Jorev Luterano nº 809 - setembro/2017) 24 Pa. Dra. Marceli Fritz Winkel - Sou parte da Comunidade! (Jorev Luterano nº 808 - agosto/2017) 25 Dr. Euler Renato Westphal - Cuidar da Criação de Deus: ecologia na Igreja: orar + ação (Jorev Luterano nº 729 - junho/2010) 26 Manifesto da IECLB - Bioética: o cuidado pela vida - Cuidar da Criação de Deus: a diferença que podemos fazer (Jorev Luterano nº 725 - janeiro-fevereiro/2010) 27 P. Dr. Haroldo Reimer - Cuidar da Criação de Deus: saindo da passividade (Jorev Luterano nº 728 - maio/2010) 28 P. Jorge Batista Dietrich de Oliveira - Alegres, jubilai: vamos contribuir com alegria? (Jorev Luterano nº 812 - dezembro/2017)

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RECURSOS LITÚRGICOS Campanha de Missão Vai e Vem

Oração Geral da Igreja Senhor, nosso Deus. Por tua palavra de graça, abraçada pela fé, fundaste tua comunidade de discípulos e discípulas, que prometeste guardar, por isso nós te rogamos: Sê misericordioso à tua cristandade. Permite que ela seja a luz do mundo por meio do testemunho do Evangelho de Jesus Cristo. Nós te rogamos por esta nação, pelas autoridades e todas as pessoas que nela moram. Senhor, às autoridades, concede: sabedoria, para discernir o que seja melhor para o povo, coragem, para agir com integridade e compromisso, esperança, para não desanimar e continuar a lutar contra toda espécie de mal. Para o povo, estende o teu amparo e proteção. Abençoa todo trabalho honesto. Concede alegria e perseverança às pessoas envolvidas na educação da criança e do adolescente. Permanece com teu amor e proteção sob as crianças. Desperta o coração da juventude para que vejam em Cristo a maior aventura de suas vidas. Seja tua misericórdia com as pessoas que estão preocupadas e tristes. Ampara as que padecem injustiças, para que não desanimem. Àquelas que andam em dias sombrios, dá forças para que lancem sobre ti suas inquietudes. Anima os doentes e ampara os que sofrem. Cerca-nos com a tua paz, para que tenhamos tranquilidade em meio às agitações e concede-nos a tua bênção para uma semana cheia de graça. Amém. 52


Obrigado, Pai Celeste

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Letra: Alfonso Butzke Melodia: Hans Günther Naumann Livro de Canto da IECLB - 477

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1. Obrigado, Pai Celeste, pelas bênçãos que nos deste, pelo pão de cada dia, por saúde e alegria, por tristeza e por prazer, por trabalho e por lazer. 

2. Por meu lar, meu obrigado, que em amor tens abençoado.  Graças dou por cada amigo, pelo irmão que deu-me abrigo,  pelo povo de Jesus, pela salvação na cruz. 

3. Graças – que no mau momento és amparo e és sustento.  Minha culpa perdoaste, do abismo me salvaste. Quero, pois, a ti servir e somente a ti servir.       

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