Skip to main content

Normal é ser diferente. Construindo Comunidades Inclusivas. Caderno de Subsídios. 2011

Page 1

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência 21-28 de agosto

Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração. 1 Samuel 16.7b

Caderno de Subsídios 2011


Semana Nacional da Pessoa com DeficiĂŞncia 21-28 de agosto

Caderno de SubsĂ­dios

2011


Publicação coordenada pelo Programa Diaconia Inclusão da Secretaria da Ação Comunitária da Secretaria Geral da IECLB. Caixa Postal 2876 90001-970 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3284 5400 secretariageral@ieclb.org.br Colaboradores/as: Carla Sueli Tom dos Santos, Luzia Aparecida N. do Nascimento, Marcos Bechert, Tânia Manske e Neli Maske. Coordenação: Carla Vilma Jandrey Diagramação e contrapa: Cláudio Kupka Esta publicação está acessível às pessoas com deficiência visual. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail secretariageral@ieclb.org.br ou pelo fone 51-3284-5400 e solicitar a publicação em formato mp3 ou em braile. No site www.luteranos.com.br a publicação está disponível em formato pdf. A reprodução parcial ou total é permitida desde que indicada a fonte.


Apresentação

A

cada ano, na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, as comunidades e organizações confessionalmente vinculadas à IECLB são motivadas a refletir, junto com a sociedade brasileira, sobre temas relacionados à inclusão e acessibilidade. Neste ano, a Semana acontece de 21 a 28 de agosto. O material que está em suas mãos é um instrumento para fomentar a reflexão sobre a inclusão das pessoas com deficiência a partir da perspectiva bíblico-teológica e dos direitos humanos. A liturgia, o subsídio para a mensagem e os relatos de experiência para estudo em grupos sobre alimentação saudável, educação inclusiva e conselho de direitos nos incentivam a pensar sobre nossas atitudes como pessoas, comunidade cristã e sociedade. Além deste material, cada comunidade receberá um cartaz sobre inclusão com braile. É o cartaz que ilustra a capa deste subsídio. O cartaz tem como objetivo motivar a reflexão sobre a importância de sermos comunidades inclusivas. O braile no cartaz possibilita que as pessoas cegas, que foram alfabetizadas através do sistema braile, tenham acesso a todas as informações contidas nele, inclusive a imagem, que está descrita desta forma: bonecos, simbolizando pessoas; de mãos dadas; entre os braços forma-se um coração. Este cartaz dá cumprimento parcial à moção aprovada durante o XXVII Concílio Geral da IECLB (Foz do Iguaçu, 2010) sobre acessibilidade de comunicação. Esperamos que a reflexão decorrente destes materiais desperte ainda mais na comunidade a importância da acessibilidade (arquitetônica, de comunicação, de atitudes) na vida de cada pessoa. Desejamos que a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência nos 3


anime a valorizar e respeitar a diversidade e, a partir disso, construir comunidades inclusivas, cuidadoras, onde todas as pessoas possam viver com qualidade de vida. Roguemos a Deus, pedindo que nos transforme e que, assim como o próprio Deus, possamos olhar para o coração, valorizando a pessoa como um ser integral, criado à imagem e semelhança de Deus, integrado à sua criação, vivendo a sua paz. Nestor Paulo Friedrich Pastor Presidente

4


Culto Eucarístico 21 de agosto/ 10° Domingo após Pentecostes Celebração da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência “Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração” 1 Sm 16.7b Introdução Nós nos pertencemos uns aos outros. Esta celebração prevê o texto de Rm 12.1-8 para a pregação, epístola prevista para o dia 21 de agosto, quando inicia a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência. Compreendemos a Igreja como um só corpo. Viver em comunidade permite que enxerguemos um pouco além das aparências. Dois pressupostos importantes irão perpassar esta liturgia. Como recurso didático, sugiro que o/a pregador/a use duas rosas. Mas apenas uma fica exposta (pode estar desde o início do culto no púlpito). Em determinado momento, essa rosa é mostrada com a clara intenção de que seja admirada em sua beleza. Pode ser desenvolvido um pequeno diálogo com a comunidade: o que vocês acham, quantas pétalas esta rosa tem? O/A pregador/a começa a arrancar as pétalas, uma a uma, deixando-as cair no chão. Pode motivar as crianças a contar com ele o número das pétalas. O recurso é pra despertar curiosidade sobre a pregação. Finalmente: agora temos muitas pétalas, mas não temos mais uma rosa. Pena! Ela era tão bonita. Uma pétala sozinha, ou mesmo juntando todas elas, não tem mais a mesma beleza da rosa. O mesmo acontece conosco. Individualmente, cada um de nós pode estar bem. Mas, viver em comunidade é muito melhor. No caso da rosa: nenhuma pétala é igual. Mas elas estão ordenadas, a partir do centro (Cristo), onde uma protege a outra. A partir do seu centro, as pétalas têm firmeza e formam uma unidade bonita: a rosa. No caso das pessoas: Somos muito diferentes umas das outras, com limites e dons. Juntos e juntas, formamos a Igreja, o corpo de Cristo. Separados, somos rosa despedaçada. Juntos e juntas, formamos uma bonita rosa (apresentar a outra rosa que estava escondida e colocá-la no lugar daquela que foi despedaçada). Viver em comunidade permite que desenvolvamos nossos dons, onde nossos limites não são problema; onde nos sustentamos mutuamente e onde conseguimos enxergar um pouco mais longe, para dentro do coração. 5


LITURGIA DA ENTRADA Sugerimos que pessoas com deficiência sejam convidadas para participar da liturgia e também auxiliar na distribuição dos elementos da Ceia. Sino (Prelúdio ou momento de silêncio - oração individual) Acolhida L “Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração” (1 Sm 16.7b). Com estas palavras de Samuel queremos saudar a todas as pessoas que aceitaram o convite para celebrar este culto dentro da Semana Nacional das Pessoas com Deficiência. Estamos vivendo numa época que valoriza muito a imagem, o visual, as aparências. A estética tem recebido um grande valor: a cirurgia plástica, os Spas, as academias nunca estiveram tão cheias. Por isto, é muito oportuno que o Programa Diaconia Inclusão de nossa Igreja escolheu como tema desta semana “Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração”. Nesta celebração queremos nos aproximar de Deus, pedindo que Ele nos transforme e, assim como Ele, possamos olhar para o coração, valorizando a pessoa como um ser integral, criado à imagem e semelhança de Deus, integrado à sua criação, vivendo a sua paz. Canto HPD 123 ou 330 ou 333 Saudação Trinitária L Em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. C Amém. L Elevo os meus olhos para os montes e pergunto: de onde me virá o socorro? O Salmista responde: C O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra. Confissão de Pecados L Ao olharmos para a Palavra de Deus como se olhássemos para o espelho, perceberemos as nossas falhas. Por isso, com humildade, confessemos os nossos pecados. L Misericordioso Deus, como membros do teu corpo, nem sempre somos pétalas de uma rosa, que, unidas, se protegem mutuamente e formam uma comunidade. Muitas vezes, colocamos como prioridade nossos interesses individuais e esquecemos as pessoas da família e da comunidade. Preocupamo-nos e focamos muito nossas vidas; não 6


enxergamos as necessidades e alegrias de quem vive ao nosso lado. Nesse sentido, reconhecemos nosso pecado e, por isto, clamamos: C Perdão, Senhor, perdão. L A tua ação quer nos manter unidos e unidas, mas somos sensíveis a outras orientações que nos desviam da tua palavra. Desorientados, muitas vezes, zanzamos como ovelhas sem pastor, carentes, solitários e até mesmo zangados e nervosos. Reconhecemos, no entanto, teu grande amor e sabemos que enxergas o que se passa em nossos corações. Por ser a tua graça maior do que a nossa culpa, ousamos levantar nossa voz a Ti e, com esperança, pedimos: perdoa-nos, Senhor, e dá que possamos começar sempre de novo. C Perdão, Senhor, perdão. Proclamação da Graça - Palavra de absolvição L “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos e a verdade não está em nós. Se, porém, confessarmos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo, nos perdoará e nos purificará de toda injustiça.” (1Jo 1.8-9) Como ouvimos neste anúncio, Deus, que é amor, já perdoou aos que sinceramente se arrependeram. É este perdão que lhes anuncio, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. C Amém. Kyrie L Trazemos diante de Deus, que nos vê por inteiro, as dores causadas pelo preconceito e pela dureza do coração humano. Pelas dores que abrem feridas internas difíceis de tratar, e que ferem a criação, clamemos ao Senhor, cantando: Canto “Pelas dores deste mundo” Gloria in Excelsis L “O Verbo se tornou carne e habitou entre nós”, testemunha João em seu Evangelho. Lucas conta que isto foi motivo para que os anjos entoassem “Glória a Deus nas alturas”. Nós também temos muitos motivos para glorificar a Deus: pela ação do Espírito Santo, que tem chamado pessoas à fé e, a partir dela, construíram e continuam construindo comunidades nas quais todas as pessoas são acolhidas e animadas com a pregação e o testemunho da Palavra. Glorificamos a Deus porque espaços preciosos de acolhimento, de educação e de saúde têm sido construídos em nossa sociedade. Glorificamos a 7


Deus, pois não somos pétalas perdidas, mas temos nossa unidade garantida a partir da ação de Jesus Cristo. Portanto, como pessoas agradecidas e fortalecidas, a uma só voz, cantamos Glória a Deus nas alturas. Canto Glória, glória, glória Oração do Dia L Oremos: Deus bondoso! Obrigado por podermos levar a ti nossa oração, falando de nossas dores, culpa e desespero. Somos pessoas gratas porque prometes saciar a nossa sede com a água da vida. Louvado sejas por tua graça, que nos fortalece em nossas fraquezas e limites com a ação do teu Espírito Santo. Abre nossos corações e nossas mentes para a tua palavra. Faze-nos colaboradores e colaboradoras que levam, em teu nome, rios de água viva, apoiando e confortando aos que têm sede de amor, permitindo assim a constituição de comunidades unidas, inclusivas e sensíveis. Por Jesus Cristo, que contigo e o Espírito Santo vive e reina eternamente. Amém. LITURGIA DA PALAVRA Canto HPD 379 ou 351 Leituras Bíblicas 1ª Leitura L Isaías 51.1-6 Canto “A tua Palavra é semente” ou “Pela Palavra de Deus” Salmo do dia L Salmo 138 Evangelho L Aclamemos o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, cantando: C Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia. L Mateus 16.13-20 L “Fiel é a Palavra e digna de inteira aceitação” (1 Timóteo 4.9). Preparando-se para a pregação, cantamos: Canto “Bom que já nos pertencemos” Pregação Romanos 12.1-8 8


Confissão de Fé: Credo Apostólico Canto HPD 209 Oração Geral da Igreja L A comunidade cristã reunida tem uma tarefa especial: orar. É o que queremos fazer agora. Oremos. Deus bondoso, ajuda a tua Igreja a permanecer fiel e a proclamar a tua salvação em palavras e em obras de misericórdia. Pedimos, Senhor, pelas lideranças, para que não lhes falte ânimo para o serviço comprometido com a causa do Evangelho. Ajuda as comunidades para que possam ser unidas, sem fazer distinção das pessoas com seus limites e dons, onde todos possam apoiar-se mutuamente como membros de um só corpo. Pedimos que as pessoas possam sentir e se alegrar com a tua presença. Dá à tua Igreja a capacidade de amar cada vez mais a ti e a irmãos e irmãs. Auxilia as pessoas responsáveis pelo trabalho da diaconia para que sua ação resulte na inclusão de cada pessoa no seio da Igreja e na sociedade. Pedimos, Senhor, para que assistas as pessoas que sofrem porque vivem afastadas de Ti e não têm esperança de dias melhores, caindo em desânimo e nas ilusões que o mundo oferece. Pedimos pelas pessoas que encontram limites na inclusão, na Igreja, escola, trabalho e círculos sociais. Pedimos também pelas pessoas entristecidas, enfermas e enlutadas (lembrar nomes e situações ...................... ) para que encontrem em Ti a força que necessitam para viver, encontrando alívio para suas dores. Ajuda-nos como comunidade a sermos mais acolhedores e sensíveis e ensina-nos a testemunhar o teu amor. Acolhe, Senhor, a nossa oração que trazemos a Ti neste dia. C Amém LITURGIA DA CEIA Anúncio das Ofertas L Ofertar é um gesto da nossa motivação para servir com nossos recursos financeiros para o testemunho da Igreja no mundo. O Conselho da Igreja destina as ofertas deste culto para o trabalho junto às Pessoas com Deficiência. As ofertas são para a manutenção deste trabalho, que visa proporcionar aos Sínodos a oportunidade de realizar seminários, cursos, oficinas sobre o tema inclusão e deficiência. Além da formação, as ofertas auxiliam na elaboração de materiais, como o Subsídio para a Semana Nacional da Pessoa com 9


Deficiência. Um mundo mais justo e inclusivo, onde se respeitam as diferenças, é um mundo melhor para as pessoas com e sem deficiência, pois será um mundo em que se vive comunhão e solidariedade. Canto HPD 249 (enquanto isto as ofertas são recolhidas e os elementos da Ceia são trazidos ao altar) Oração de Ação de Graças L Oremos: Nós te louvamos, Deus provedor, por estas ofertas e te agradecemos porque dispões do fruto do nosso trabalho para o serviço do teu reino. Para o teu louvor, dizemos (cantamos) juntos e juntas: C Graças, Senhor, por tua bondade, teu poder, teu amor. L Nós te louvamos e agradecemos, Deus Salvador, pelo fruto do trigo e o fruto da videira, tuas dádivas, que com o trabalho humano foram transformados em pão e suco (vinho), que aqui te trazemos. Pedimos-te que estes alimentos sejam para nós, nesta Ceia, comida e bebida para nossa salvação. Para teu louvor, dizemos (cantamos) juntos e juntas: C Graças, Senhor, por tua bondade, teu poder, teu amor. L Nós te louvamos, Deus vivificador, tu que santificas o corpo da Igreja e infundes nela o sopro da vida: habitas em nós e nos tornas templos vivos de tua presença. Para o teu louvor, dizemos (cantamos) juntos e juntas: C Graças, Senhor, por tua bondade, teu poder, teu amor. Narrativa da instituição L Por tudo que fizeste por nós, Deus de amor, também reavivamos e celebramos o que Jesus nos ordenou que fizéssemos em sua memória quando instituiu a Santa Ceia: Nosso Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi traído, ele, nosso Senhor Jesus Cristo, tomou o pão, rendeu graças, o partiu e o deu aos seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim.” A seguir, depois de cear, tomou também o cálice, rendeu graças e o deu a seus discípulos, dizendo: “Bebei dele todos, porque este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós, para remissão dos pecados. Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. 10


L

Portanto, todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos a morte do Senhor por nós até que ele venha. C Anunciamos, Senhor, a tua morte e proclamamos a tua ressurreição. Epiclese L Envia, Deus bondoso, o Espírito Santo, o mesmo que enviaste aos teus apóstolos no dia de Pentecostes. Ele mantém viva a fé em nós e nos estimula para a comunhão e a partilha. Que pela presença deste mesmo Espírito o pão e o suco da videira sejam para nós, nesta Ceia, corpo e sangue de Cristo. C Envia teu Espírito, Senhor e renova a face da terra. Pai Nosso L Juntemos nossas mãos e vozes e oremos a oração que Jesus mesmo nos ensinou: C Pai nosso A Paz L A paz duradoura somente o Senhor poderá nos dar. Roguemos ao Senhor para sustentar nossa esperança pela paz verdadeira. Roguemos para que, como as pétalas estão unidas no cerne da rosa, a paz nos reúna na comunhão. Nesse sentido, cumprimentemo-nos mutuamente, desejando a “paz de Cristo”. Fração L O cálice pelo qual damos graças é a comunhão no sangue de Cristo. O pão, pelo qual damos graças, é a comunhão no corpo de Cristo. C Nós, embora muitos, somos um só corpo. Comunhão L Vinde, pois tudo está preparado. Vinde participar da Ceia do Senhor! Oração Pós-Comunhão L Oremos: Deus de amor, revigorados e revigoradas com teu alimento, envia-nos para viver sob o poder do teu Espírito. Conduze-nos em alegria e fé, em verdade e justiça, para que possamos receber e viver o teu Evangelho no mundo e manter a unidade e o vínculo que temos em Ti. Por Jesus Cristo, pedimos. Amém. LITURGIA DE DESPEDIDA Canto HPD 377 11


Bênção Final L Nas noites de deserto, caminha à nossa frente, Senhor. Nas tempestades da vida, sê nossa proteção. Nas incertezas da alma, sê nossa esperança. Nas alegrias e nas vitórias, seja a ti o nosso louvor! A bênção de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, seja com vocês, agora e para sempre. Amém! Envio L Vão em paz e, nela unidos como as pétalas da rosa, sirvam ao Senhor com alegria. Liturgia moldada pelo Pastor Sinodal Marcos Bechert Sínodo Vale do Taquari

12


Subsídio bíblico para a Mensagem

Inclusão na diversidade - um bom sinal de Esperança O convite para sermos inclusivos na diversidade nos desafia como Igreja e como pessoas cristãs. A sociedade em que vivemos está imersa nas qualidades humanas definidas pela perfeição, em todos os âmbitos. Está definida por estereótipos que são normas para conquistar posição e espaços sociais, trabalho, respeito, entre outras coisas. Quando as pessoas cristãs entendem que a mensagem bíblica da palavra de Deus é contrária a este modelo social de vida, então somos chamados e chamadas a colocar em prática esse modelo que Deus nos convida a seguir e aplicar no nosso cotidiano. O tema para a semana nacional da pessoa com deficiência deste ano, nos desafia mais uma vez a pensar como a Igreja pode ser sinal de esperança na vida daquelas pessoas que são vistas como “deficientes” aos olhos humanos. O texto do 1º livro de Samuel nos mostra como Deus tem a visão única de perceber as capacidades e virtudes de cada ser humano criado por ele incluindo aquela(s) e aquele(s), que aos olhos humanos são vistos como deficientes, fracos, incapazes de realizar esta ou aquela tarefa. Apresentar esta reflexão a partir do tema “normal é ser diferente” convida a ir ao fundo dos nossos comportamentos mais cotidianos frente a tudo aquilo que nos é diferente; que nos dificulta as relações, a compreensão, e que se transformam em intolerância nas relações humanas. Ser intolerante para com o diferente é contra a vontade de Deus. Deus espera de nós uma profunda mudança a partir da leitura da sua palavra e mensagem. Às vezes a intolerância representa uma cruz que aumenta seu peso no caminho. A intolerância não nos ajuda a crescer em comunhão mútua e com Cristo, não nos permite fazer visível e palpar a esperança que Deus quer para cada um e cada uma de nós neste 13


mundo. A esperança é tarefa de cada pessoa cristã que, movida pela esperança em Cristo ressuscitado deposita esta semente do reino de Deus no meio da vida, no cotidiano das relações humanas, sem marcar a diferença como um ato de deficiência, mas como um ato de crescimento mútuo e fraterno. A disposição pessoal, quando impulsionada pelo amor de Cristo, gera vida e cresce a esperança de que os sinais do reino de Deus estão presentes aqui e agora. Para pensar sobre a intolerância para com o diferente numa sociedade “moderna”... Uma história de Ruben Alves: “A porquinha do rabinho esticadinho” Conta-se a história de uma porquinha “diferente” que nasceu entre oito porquinhos com seus rabinhos enroladinhos. Lili era a única dos nove com seu rabinho esticadinho. E Ruben Alves escreve assim: Logo chegaram todos os animais para conhecer os novos integrantes da granja. Ali estavam os nove porquinhos transformados em boca mamando em fila e felizes. Iguaizinhos... bem, não todos, observou o burro, discreto notou, o rabinho esticadinho. Sua vista se fixou ali... O tempo passou, e em enquanto isso os porquinhos eram felizes. E aconteceu que certo dia um deles se deu conta do rabinho esticadinho da irmãzinha. - Lili é diferente, ela tem o rabinho esticadinho, disse ele. Se rabinho enrolado é melhor que esticadinho, ninguém discutiu. A questão é que ela é diferente. E ali estavam os oitos com olhos fixos no rabinho da irmã. E isso doeu muito, porque parece que todos querem ser iguais. Porque quem não pertence ao bando dos iguais, fica fora. E quem fica fora sente vergonha, se esconde. Lili ficou assim, não queria mais sair de casa para brincar. Sentava-se em cima do rabinho e ali ficava o dia todo pensando e com raiva do seu rabinho. De noite rezava: papai do céu me dá um rabinho enroladinho... Um dia já não aguentou mais, e chorou para a mamãe: - mamãe eu queria um rabinho enroladinho, ser igual aos outros. - E para que serve um rabinho enroladinho? - lhe perguntou a mãe. 14


- Serve para ser olhado e para dizer que somos todos iguais - respondeu ela. A mãe de Lili decidiu tomar providências. Começou com uma dieta especial. – se o corpo está feito do que comemos, comer coisas enroladas ajudará a enrolar este rabinho, pensou ela. Mas de nada adiantou. Então resolveu apelar para a sabedoria das comadres que lhe ensinaram algumas simpatias: besuntar o rabo com suco de cipó, em banha de sucuri derretida, em curva de pau, em tranca de barbante... durante oito dias (porque oito é o número com mais curvas)... e todo mundo na expectativa. Agora sim deu resultado, pensaram todos. Mas foi só Lili dar uns pulos de alegria e o rabinho voltou a esticar. No outro dia decidiram ir para o salão do cabeleireiro: ali estava Lili 3 horas numa posição meio estranha, mas no fim o resultado esperado: ali estava Lili com seu rabinho encrespado, enrolado, meio assado de tanto capacete elétrico. Mas qualquer sacrifício vale para ser igual aos outros. Voltaram triunfantes, para casa. Lili sacudindo orgulhosamente seu rabinho novo. De longe ouviu a gritaria e a festa dos seus irmãos, correu e saltou junto a eles na poça d'água. - Veja meu rabinho, igual ao de vocês... Mas nem deu tempo de olhar... A água acabou com tudo, desfez o permanente e o rabinho esticou de novo. Que pena, Lili chorava aos prantos... Mas nada a faria desistir... Foi quando a mãe lembrou-se da fala da Arara multicolor, dizia que tudo é uma questão de cabeça. Basta pensar positivo e tudo muda a favor do pensamento. Então, se Lili tiver força de vontade (isso é muito importante!) e só pensar no seu rabo enrolado, ele acabará obedecendo a cabeça. Por mais exercícios vocais e concentração, de nada adiantou. O tempo passou sem novidades. Até que uma coisa nunca antes vista aconteceu. Chegou à fazenda um circo, com palhaços, equilibristas, mágicos e trapezistas. Foi aquela alegria e a bicharada até se esqueceu de toda tristeza. Inclusive Lili se esqueceu do rabinho esticadinho. - Mas que pena- chegou a hora da despedida. O circo iria embora. Mas no meio do último espetáculo, o dono, da fala enrolada, anunciou: respeitável público o circo está a procura de dois jovens que desejam se 15


tornar artistas e sair pelo mundo para fazer as pessoas felizes. Foi aquele rebuliço. Os irmãozinhos de Lili foram os primeiros da fila. Agitavam seus rabinhos graciosamente. Para eles não havia nada mais belo que um rabinho enrolado. (parece que não são os únicos a pensar assim. Tem gente que passa a vida toda namorando seus próprios rabos. E por isso não enxergam muito longe...) O dono do circo os examinava cuidadosamente, até escolher um deles e disse: - Esse rabinho enroladinho fará todos darem risadas... E parou pensativo. Lili estava bem distante da fila, desde longe olhava e pensava: - Eu não seria uma boa palhacinha. Mas gostaria de ser trapezista. O dono do circo olhava ao redor e num olhar se encontrou com Lili. - Menina venha cá, disse ele. - Você tem olhos de trapezista. Gostarias de subir ao trapézio? -Mas meu rabinho, disse ela quase pedindo desculpas. - A quem lhe interessa isso? Quem tem rabo enroladinho passa olhando ou para trás ou para o espelho. Mas quem não o tem olha para cima, para frente, para o vazio. E isso é o que torna belas as pessoas: não o que elas têm sobre seu corpo, mas o que tem dentro dos olhos. Lili sorriu e disse que sim, aceitaria o convite. E transformou-se na trapezista de olhos tristes e profundos que todos amavam. Seu rabinho deixou de ser uma preocupação. Refletindo sobre 1º livro de Samuel 16.7b. “Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração”. Samuel é enviado por Deus para a casa de Jessé, para ungir entre os seus filhos um deles; aquele que o Senhor escolheu como novo rei. Samuel vai e observa, mas se deixa levar pelas aparências. Após observar e emitir sua opinião, Davi foi o escolhido, pois finalmente os olhos de Samuel se deixaram guiar pelo olhar do Senhor; assim Samuel pode ver com a luz de Deus, isso lhe permitiu ver a realidade da mesma forma que Deus. E optou pelo candidato que ninguém teria imaginado; o mais jovem dos filhos de Jessé: Davi, aquele que não tinha condição nenhuma para ser rei, já que recebia trato de servo cuidando de rebanhos no campo. 16


Observa-se nessa escolha amorosa de Deus a beleza humana como sinal de harmonia e saúde, a beleza interior que fala também de um coração disposto ao chamado de Deus; e tão notável por alguém que levou uma vida de servo e relegado por sua própria família. Percebe-se assim, que Davi não vive do ressentimento. Seu coração está em outras coisas. Davi sabe posicionar-se sobre as aparências, sobre tudo o que é exterior. Tem algo dessa luz de profeta que sabe ver além das aparências. Os olhares de Samuel e Davi se encontram, e Samuel pronuncia palavras de sabedoria que vem de Deus à sua boca: "É este mesmo!" Unja-o (v.12) Na escolha que Deus faz por Davi, seu olhar e percepção é algo fundamental. Este é o convite a nós hoje em nossa sociedade classista: olhar com atenção, com carinho, com olhos de Jesus Cristo para que todas as pessoas possam ter uma vida com dignidade. Para Deus, a vida digna inicia com um aprender a olhar de outra maneira. Para poder ver a luz e ser luz para os outros, teremos que aprender a ver com o coração e ao coração da outra pessoa. A vivência do amor começa por aprender a ver-nos com bondade e carinho, a visualizar o mais importante. O grandioso aos olhos de Deus significa aprender a ver a grandeza do que é pequeno e insignificante aos olhos humanos. A inclusão que Deus adota na pessoa de Davi como um grande líder e personagem bíblico está fora das normas humanas quando escolhemos nossos líderes. Deus tem o cuidado de incluir aquele que não cabe nas normas legais estabelecidas pelo ser humano. Deus nos motiva a recriar a esperança a partir de sua dinâmica de inclusão. Motiva-nos a pensar novas formas de ser cristão, cristã, de ser igreja de Cristo neste mundo e a pensar o ser humano distinto, livre de aparências ou modelos superficiais. Como exemplo, um breve e recente fato: Um menino de oito anos com deficiência física, num programa de televisão, comentou que, ao olhar-se no espelho se fixava em tudo o que o seu corpo era capaz de realizar, apesar da ausência de suas pernas. Desde pequeno sentiu que Deus lhe concedia a possibilidade de redescobrir as capacidades do seu corpo e não suas limitações. Isso nos indica que, assim como Samuel olhou a Davi com os olhos de Deus, também muitas pessoas com deficiência nos desafiam e nos pedem para olhar suas capacidades e não sua deficiência. Isso nos permite redescobrir no outro e em nós mesmos aquilo que Deus 17


depositou em nós, ao criar-nos à sua imagem e semelhança. A história da porquinha do rabinho esticado nos lembra da sociedade em que vivemos. Uma sociedade marcada pelas aparências, pela beleza exterior, que exclui deixando fora todo ser humano que não se enquadra nas normas estabelecidas. A lógica da inclusão na diversidade provoca mudanças profundas na nossa forma de estabelecer a vida: como pessoa cristã, temos a possibilidade de ler o evangelho de Cristo e entendê-lo livre da lei e das aparências. Como cidadãos e cidadãs de uma sociedade moderna, o desafio está em saber parar para perceber o que Deus quer de cada pessoa. Mas também estar ao lado daquela pessoa que considero diferente e dar-me o tempo de aprender que ser diferente não é o mesmo que ser “deficiente”. Uma vez mais a decisão de Deus a favor de Davi, revela nossa condição humana e nosso compromisso de ser co-criadores de esperança nesse mundo. Nossos olhos poucas vezes logram ver o que Deus quer que vejamos. Nossa vista carece da luz de Deus, que nos pode iluminar a mente e o coração e despertar na humanidade aquilo que Deus aponta e vislumbra. Uma breve pergunta nos ajuda a refletir sobre nossa capacidade limitada de olhar as pessoas com deficiência: quando nos encontramos na rua com uma pessoa em cadeira de rodas ou com uma bengala, o que vemos primeiro? A pessoa ou a cadeira de rodas, ou a bengala? Muitas vezes nós só percebemos a cadeira de rodas ou as bengalas, e não a pessoa e menos ainda as suas capacidades. Apesar da deficiência humana em olhar o outro e não perceber ali a criação de Deus, a esperança que Deus deposita no coração humano ajuda a superar limites e permite sonhar com um mundo mais justo e fraterno. Como pessoas cristãs somos motivados a ser esperança na vida daqueles que a perderam. Somos enviados a colocar em prática essa esperança desde nossas atitudes, nossas decisões, nossos olhares, nossas palavras, nosso silêncio. Pode a Igreja hoje ser esperança para as pessoas com deficiência? Qual é a contribuição da sua Igreja para a sua vida cotidiana? Quem sabe nossas Igrejas, nossa teologia e mensagens precisam ter um pouco mais de ambiente de circo, de alegria, e de atitude de buscar e visualizar dons e capacidades naquelas pessoas que estão isoladas e 18


esquecidas no meio do público. Quantas são, em nossas comunidades, aquelas pessoas que muitas vezes pedem desculpas por não se sentirem aptas aos modelos impostos? Que as fazem sentir pequenos mendigos das nossas atitudes de lástima e “ajuda social”. Estamos dispostos a olhar para estas pessoas com os mesmos olhos que Samuel, enviado de Deus, olhou para Davi? Semear a esperança, com atitudes e palavras no meio das aparências do mundo em que vivemos. Isto podemos entender como um grande desafio para a Igreja que decide ser inclusiva; que decide acolher e aprender com as pessoas com deficiência. Sim, é um grande desafio que não requer apenas lutar contra uma sociedade fora ou distante de nossas comunidades e Igreja. Mas, sim, enfrentar-nos com nossas próprias atitudes, decisões, palavras, gestos quando não incluem. A comunidade cristã, a partir do Evangelho, é convidada a pensar em como está incluindo as pessoas com deficiência, por exemplo: quando se discute a deficiência da outra pessoa, sem que ela mesma seja agente de mudança, sem sua presença, com seus desejos de mudança, com o reconhecimento de sua capacidade de contribuir para a vida da Igreja, estamos sendo inclusivos? Essa reflexão quer ser um convite a repensar assuntos relacionados às pessoas com deficiência nas nossas comunidades e igreja. Por exemplo, na informação estatística de pessoas com deficiência. Porque não pensar nas capacidades das pessoas com deficiência dentro de nossas comunidades? Quem sabe, um plano de trabalho onde as pessoas com deficiência sejam elas mesmas atores principais deste plano, com os objetivos e solicitudes desde suas necessidades reais. Uma e outra vez a Igreja é chamada a revisar seus espaços físicos, sua liturgia, a linguagem, acesso, entre outros, para que as pessoas com deficiências sintam que a sua Igreja realmente lhes dá o alimento espiritual gerador de esperança e vida digna, como Cristo mesmo desejou a cada um e cada uma de nós. Chamados e chamadas em Cristo a estar atentos ao envio de sermos instrumentos de paz, justiça e esperança é o objetivo principal quando celebramos e lembramos que em nosso meio está o Cristo ressuscitado: 19


Para ser luz aos olhos dos que não veem... Para caminhar junto a nós quando não podemos caminhar sozinhos... Para ser o abraço inclusivo, quando a intolerância humana abandona e discrimina... Para ser a voz que sussurra, como vento suave, a esperança renovada e confiada em Cristo ressuscitado. “Porque as pessoas veem as aparências, mas Deus vê o coração”. Que o Senhor nos ajude a entender nosso desafio cristão: “aprender a olhar ao coração e não deixar-nos levar pelas aparências”. Neli Maske Pastora na IELCH - Chile. Professora de Teologia Prática na CTE- Santiago de Chile. Mestre em Teologia Prática pela PPG – Faculdades EST - São Leopoldo/Brasil.

20


SUGESTÃO DE TEMAS PARA REFLEXÃO EM GRUPOS

Alimentação Saudável

C

omo futura profissional na área da nutrição, sinto-me envolvida e feliz em poder contribuir com a formação de hábitos alimentares mais saudáveis, principalmente no que diz respeito à população menos favorecida. Entendo que a orientação nutricional e a convivência comunitária são uma oportunidade de inclusão, pois cada pessoa pode e deve fazer parte deste processo. Lembro alguns trabalhos desenvolvidos nos estágios de nutrição. Um deles foi com um grupo de pessoas idosas. Realizou-se avaliação nutricional de todos, e deu-se o incentivo para mudança no hábito alimentar. Para isso, orientou-se para os mesmos substituírem o sal, a gordura e o açúcar por temperos e condimentos naturais. Após o término do estágio, verificou-se uma melhora nos níveis de açúcar e colesterol destas pessoas. Também ocorreu uma melhora naqueles idosos que apresentavam hipertensão arterial elevada no início do estágio. Porém, saliento que além da melhora nos sintomas, os mesmos relataram e apresentaram uma mudança importante na autoestima, bem estar emocional, sensação de tranqüilidade, paz, amor, alegria e compreensão, características importantes para se ter qualidade de vida. Levando em conta as mudanças que vêm ocorrendo nos padrões do consumo alimentar, como hábitos inadequados, principalmente na infância e na adolescência, outra vivência importante foi um trabalho desenvolvido com escolares. Sabemos que as doenças crônicas degenerativas (Diabetes Mellitus, Hipertensão, Obesidade, Doenças Cardiovasculares, entre outras) afetam crianças, jovens e adultos. Assim, educação nutricional é de suma importância no cotidiano do escolar, proporcionando um futuro com adultos mais conscientes, com hábitos de vida mais saudáveis. 21


Algumas pessoas com doenças crônico-degenerativas relatam sofrer com o preconceito, até mesmo dos próprios familiares. Ao mesmo tempo, passam a experimentar diferentes sentimentos e comportamentos decorrentes de alterações na capacidade física, na auto-estima e na imagem corporal, nas relações com outras pessoas e na realização de uma série de atividades da vida diária. Lembramos que estas doenças, quando não tratadas, podem causar danos físicos, ex.: Diabetes Mellitus pode levar a amputações de membros e cegueira; a Hipertensão pode causar AVC, paralisação de membros, demência, entre outros. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares estão entre as maiores causas de óbito no Brasil. São moléstias, como a hipertensão, que afetam o coração e vasos sangüíneos. A febre reumática pode causar lesões definitivas no coração e gera, segundo o Ministério da Saúde, mais de 8 mil cirurgias cardíacas anualmente em crianças brasileiras. Há em torno de 175 milhões de diabéticos no mundo, sendo 13 milhões no Brasil. Esta moléstia crônica pode ter efeitos devastadores como, por exemplo, a cegueira. No mundo, 28 milhões de pessoas (um milhão, no Brasil) não conseguem contar os dedos da mão do médico à distância de 3 metros, sendo esta a definição de cegueira segundo a OMS. A nutrição é um dos principais determinantes da saúde e do bem estar do ser humano, principalmente nos primeiros anos de vida. Ali acontece a formação dos principais hábitos alimentares que se desenvolvem no período pré-escolar de 2 a 6 anos de idade e são carregados por toda a vida. Portanto, é imprescindível o envolvimento da comunidade neste processo de reflexão sobre os hábitos alimentares. Lembramos que a orientação nutricional pode ser desenvolvida onde a pessoa está inserida: Igreja, salão comunitário, quadras de esporte, escolas, entre outras. Como ter uma alimentação saudável? Uma alimentação saudável é aquela que reúne os seguintes atributos: é acessível e não é cara, valoriza a variedade e as preparações alimentares usadas tradicionalmente, é harmônica em quantidade e qualidade, é naturalmente colorida e segura sanitariamente. 22


Com o objetivo de orientar-lhe a ter uma alimentação saudável e fazer escolhas alimentares mais adequadas, seguem algumas dicas que podem ajudar a refletir e modificar os hábitos alimentares. Lembro que estas orientações são para pessoas saudáveis, com mais de dois anos de idade. Caso você tenha alguma doença como diabetes, hipertensão, colesterol alto e necessite de orientação nutricional específica, procure uma nutricionista. Dicas: 1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições. 2. Inclua diariamente seis porções do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como as batatas e raízes, como a mandioca/macaxeira/aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. 3. Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. 4. Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. 5. Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis. 6. Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. Fique atento aos rótulos dos alimentos e escolha aqueles com menores quantidades de gorduras trans. 7. Como regra da alimentação, evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas. 8. Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque, salsicha, lingüiça, presunto, salgadinhos, conservas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. 9. Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. 23


10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Mantenha o peso dentro de limites saudáveis. Além da alimentação saudável, a atividade física regular é importante para manter um peso saudável. Movimente-se! Descubra um tipo de atividade física agradável, o prazer é também fundamental para a saúde. Caminhe, dance, ande de bicicleta, jogue bola, brinque com crianças. Aproveite o espaço doméstico e espaços públicos próximos a sua casa para movimentar-se. Convide os vizinhos, amigos e familiares para acompanhá-lo. Incentive as crianças a realizarem brincadeiras mais ativas como aquelas que você fazia na sua infância e ao ar livre: pular corda, correr, pular amarelinha, escondeesconde, pega-pega, andar de bicicleta e outras. Lembre-se! Decisões devem ser tomadas diariamente, hora a hora, minuto a minuto! Decida melhorar-se, comece com pequenas mudanças, pois pequenas vitórias de hoje nos tornarão vencedores de amanhã! Tânia Manske Cursando Nutrição Santa Cruz do Sul/RS

24


Educação e inclusão UMA EXPERIÊNCIA DE VIDA

V

ou contar um pouco de minha história para que vocês possam conhecer um pouco da vida de uma pessoa cega. Meu nome é Luzia Aparecida; sou cega total e aqui vai um pouco de tudo que passei durante minha vida de estudante. Morava numa cidade pequena no interior de Goiás onde não tinha recursos escolares e nem sociais para uma pessoa com deficiência visual, pois eu era a única pessoa cega que residia naquela cidade. Com o passar do tempo tudo foi ficando mais difícil para minha família, pois meus pais se separaram e minha mãe ficou sozinha com quatro crianças pequenas e uma dessas crianças era cega e precisava ter uma vida melhor. Um dia minha mãe achou melhor mudar de cidade, pois a vida para ela não era fácil lá. Os recursos eram poucos para ela cuidar de seus filhos. Mudamos para outra cidade pequena de Goiás com mais possibilidades para minha mãe, mas para mim não tinha nada ainda. Via que todos meus irmãos estudavam, mas eu que queria tanto ser professora de crianças cegas não conseguia estudar nem me socializar. A cidade não tinha o que eu precisava naquele momento. Com o passar do tempo surgiu a oportunidade de minha família se mudar para Uberlândia/MG onde tudo começou para mim. A partir daí comecei a me sentir uma pessoa de verdade; sabia que minha vida ia mudar de uma vez. Chegando na cidade, logo me matriculei numa escola do bairro que eu morava, pois era a mais próxima de minha casa. Para mim foi radiante estudar, pois, até então, eu nunca havia entrado numa sala de aula. Que maravilha! - disse para mim mesma. Agora vou aproveitar tudo o que eu nunca tinha tido! Só que me faltava uma coisa - o braile. Lá não tinha, pois a escola não atendia nenhuma pessoa com deficiência. Fui a 25


primeira a chegar numa escola de um bairro humilde e com professores que se depararam com uma situação nova na vida deles. Nisso eu já tinha 18 anos de idade, era adulta, já tinha passado toda a etapa de alfabetização e achava que tudo era motivo de alegria, até as dificuldades dos professores eu encarava com naturalidade, para mim tudo era perfeito. Assim, fui seguindo minha vida dentro daquela escola. Conseguir terminar o ensino de primeira a quarta série foi uma vitória para mim. Um dia eu e minha mãe estávamos assistindo televisão quando ouvimos falar de uma escola onde estudavam somente pessoas cegas. Na verdade não era uma escola, era uma associação de cegos que existia em minha cidade. Pedi para minha mãe para que me levasse até a tal escola. Chegando à associação me deparei com várias pessoas cegas que tinham diversos tipos de atividades para fazer. Atividades que eu nem imaginava que um dia fosse conseguir realizar. Foi então, que comecei a viver numa realidade de pessoa cega, pois lá tinha tudo que eu precisava, era tudo muito novo para mim aquela situação. Lá eu me alfabetizei no método de leitura e escrita - o sistema braile. Aprendi a me locomover sozinha pela cidade, pratiquei esportes como natação, corrida, arremesso de peso, dardo e disco, cheguei a competir em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas, ainda continuava meus estudos fora da associação; ia para a escola na parte da manhã e para a associação no período da tarde. Já andava sozinha pela cidade, conhecia toda a cidade e aprendi a memorizar as paradas dos coletivos. Eu já era uma pessoa bastante independente, me sentia livre, pois não era mais aquela pessoa que dependia da família para tudo. Os anos foram passando e meu estilo de vida foi melhorando. Só me faltava uma coisa, ter um trabalho do qual pudesse tirar meu sustento, pois não queria depender da minha família para toda vida. Terminei o ensino fundamental. Fui para o ensino médio, pois queria fazer magistério para realizar meu sonho de ser professora de crianças cegas e fazer uma faculdade de pedagogia. Consegui terminar o magistério com muitas dificuldades, pois os professores não acreditavam em meu potencial, mesmo vendo meu desempenho na escola. Foi muito difícil provar para o professor que eu era capaz de ser uma profissional de 26


qualidade e fazer com que acreditasse no potencial de uma pessoa cega. Alguns professores diziam: Mas, e se ela não conseguir, vai ficar frustrada. Contudo, provei para a escola toda que eu sou apenas uma pessoa que não enxerga. Terminei o magistério e fui logo batalhar por uma vaga na universidade federal da cidade, pois eu queria fazer o curso de pedagogia. Foi então que fui à luta e comecei a estudar para prestar a prova de vestibular. Em 1999 prestei meu primeiro vestibular na Universidade Federal de Uberlândia, não tive muito sucesso, pois a prova era oral e não tinha ledores preparados para ler a prova. Os ledores não tinham nenhuma capacitação para nos orientar em termos de imagens visuais de gráficos e até mesmo de entonação na leitura. Não passei, pois o tempo dado para fazer a prova não foi suficiente para que eu pudesse terminar a prova. Tentei no ano seguinte numa faculdade particular e passei. Contudo, não tinha recursos financeiros para uma vaga numa faculdade particular. Lutei por uma bolsa de estudo, com muito custo consegui e foi assim que fiz minha faculdade. A faculdade de pedagogia já estava sendo para mim uma dádiva, mas novamente me deparei com a dificuldade de recursos didáticos, pois não tinha nada em braile para que eu pudesse estudar. Pude contar com a ajuda de muitos colegas e professores para estudar, minha turma de colegas era maravilhosa, era a melhor turma que tinha no curso de pedagogia e comigo, então, eram muito solidários. Conclui o curso em quatro anos, pois me dedicava manhã e tarde para ir para as aulas pelo menos um pouco preparada. Terminei o curso e logo surgiu um concurso público municipal, assim, mais uma vez me dediquei de corpo e alma aos estudos para que pudesse passar. E assim fiz. Estudava dias e noites com a ajuda de ledores voluntários, que liam os conteúdos para mim. Prestei o concurso em outubro de 2002 e passei em uma boa colocação. No ano de 2003 fui chamada para exercer minha profissão de professora de crianças cegas numa escola pública no atendimento educacional especializado. Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Naquele momento, chegou o grande dia de realizar o sonho de ingressar no mercado de trabalho. Comecei a trabalhar numa escola que não fica perto de minha casa e me 27


senti a mais feliz das pessoas que Deus colocou no mundo. Estava realizando meu sonho de ter meu primeiro trabalho. Em 2005 fiz uma pós-graduação em educação especial que me capacitou ainda mais para desenvolver meu trabalho e ter um desempenho melhor diante de meus alunos. Gosto muito do meu trabalho. Faço com toda dedicação e tenho condições de dar uma atenção melhor para cada aluno, pois trabalho com o atendimento individual e tento suprir as necessidades do aluno de acordo com suas dificuldades. Hoje trabalho em duas escolas públicas municipais. Tenho 5 alunos com cegueira total e cada um com uma necessidade diferente. Alguns alunos vêm para a escola sem saber como realizar atividades cotidianas, pois alguns pais não estão preparados para lidar com a deficiência de seu próprio filho; muitos precisam superar os seus próprios preconceitos, seus medos de errar e a superproteção. Desta forma, como professora, estou suprindo parte do que o aluno não tem em casa que é este apoio familiar e, nas minhas aulas, lhes ensino algumas atividades para viverem de forma autônoma. Faço meu trabalho tentando incluir meus alunos dentro da sala de aula com o professor e com os outros alunos também. A inclusão ainda não existe como deveria ser, mais enquanto ela não chega vou fazendo meu trabalho dentro das escolas em que atuo. Falo para meus alunos que eles são pessoas como as outras, que tem necessidades, reações e sensações como uma pessoa humana que precisa viver numa sociedade mais igualitária e que são importantes para a sociedade, escola e, principalmente, no meio familiar. Luzia Aparecida N. do Nascimento Pedagoga especialista em Educação Especial Uberlândia/MG

28


Comunidade cristã e conselho municipal da pessoa com deficiência

U

ma comunidade cristã – por ser cristã - é parceira de todos os seus membros, inclusive das pessoas com deficiência. A participação da comunidade cristã é de extrema importância nos conselhos municipais, especialmente no conselho municipal de direitos das pessoas com deficiência, pois ela, a partir do Evangelho, vai questionar leis e estruturas que oportunizam e favorecem a discriminação e a exclusão. Cabe à comunidade cristã colocar-se ao lado de todas as pessoas. Faço parte de uma comunidade, tenho uma deficiência e um familiar com deficiência e é reconfortante saber que não estou sozinha na luta por meus direitos. Compreendo que uma Igreja cristã, pelo evangelho, é motivada a promover a cidadania. A experiência que obtive no conselho municipal de direitos da pessoa com deficiência foi muito importante não só para meu crescimento pessoal, mas também porque tive várias oportunidades dentro da minha comunidade de compartilhar essa experiência com irmãos e irmãs, destruindo o preconceito, quebrando barreiras, trazendo para a comunidade não apenas a ideia de integrar. Ao contrário, pudemos discutir sobre inclusão, auxiliando a compreender e promover a diversidade dentro da comunidade, no esforço de conquista, efetivo respeito e cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência, que nem sempre tem acesso e conhecimento dos seus direitos. É esse o papel da comunidade cristã. É caminhar junto com todas as pessoas para que possam sentir que a razão principal de estarem aqui é viver em e com Cristo efetivamente. Então, em sua cidade existe o Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência? A sua comunidade tem representação neste órgão para propor, acompanhar e avaliar as políticas públicas relativas aos direitos da 29


pessoa com deficiência? Continuando, o que é um Conselho de Direito? O Conselho é um órgão composto por representantes do governo e por representantes da comunidade/sociedade de forma paritária (50% de cada grupo). Tem como objetivo principal propor, acompanhar e avaliar as políticas públicas relativas aos direitos da criança e do adolescente, da pessoa idosa, na área da saúde, educação, assistência social, assim como da pessoa com deficiência. O Conselho é criado por lei em nível federal, estadual e municipal. É através do conselho que a comunidade (por meio de seus representantes) participa da gestão pública. Para facilitar a criação dos Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência, sugere-se observar os seguintes procedimentos/orientações: 1. Quem pode criar um Conselho? Qualquer pessoa pode propor a criação de um Conselho Estadual/Municipal, que será criado mediante lei estadual/municipal. Vale lembrar ser imprescindível que a vontade de criar um Conselho surja a partir de discussões de movimentos organizados de pessoas com deficiência. 2. Legislação A criação de Conselhos é garantida pela Constituição Federal de 1988, mas é necessária a elaboração e a apresentação de um Projeto de Lei à Assembléia Legislativa/Câmara dos Vereadores. Há vários caminhos para proposição de Projetos de Lei, mas o caminho mais fácil é identificar lideranças do governo estadual/municipal comprometidas com a causa da pessoa com deficiência, que poderá encaminhar o projeto de Lei ao Chefe do Poder Executivo. Este deverá encaminhá-lo ao Legislativo para aprovação. Conforme a realidade local o Projeto de Lei que cria o Conselho poderá ser encaminhado, diretamente, ao Poder Legislativo. Vale contar com a colaboração de advogado (a) de sindicato, partido político ou associação de bairro, com experiência na elaboração de projetos de lei, para a preparação de um texto formal. É importante lembrar que a mesma lei que cria um conselho estadual/municipal dos Direitos da Pessoa com deficiência também deve instituir a Conferência Estadual/Municipal dos Direitos da Pessoa com 30


Deficiência. 3. Como fazer para criar um Conselho? A pessoa ou pessoas interessadas deve identificar e mobilizar no estado/município as entidades (movimento organizado) de e para pessoa com deficiência (todos os tipos de deficiência) e organizações de diferentes segmentos da sociedade, por meio de um fórum estadual/municipal para a formação de uma Comissão Organizadora da I Conferência, onde será oficialmente, criado o Conselho. 4. Qual a função da Comissão Organizadora? A Comissão deve promover uma ampla discussão com os diversos setores da sociedade civil e com os movimentos organizados de pessoa com deficiência (entidades de e para pessoa com deficiência), não só para transparência do processo, mas fundamentalmente para viabilizar a realização da I Conferência Estadual/Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a criação do Conselho. Por isso, deve envolver associações de e para pessoa com deficiência, entidade e/ou órgãos que trabalham com a pessoa com deficiência, sindicatos de empregados e empregadores, educadores, comunidade cientifica, militantes de partidos políticos, deputados, vereadores, médicos, psicólogos, fisioterapeutas, arquitetos, engenheiros e qualquer outro profissional que trabalhe na área de pessoas com deficiência. É fundamental que os representantes da sociedade civil sejam eleitos durante a Conferência Estadual/Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Além de eleger os conselheiros não-governamentais, a Conferência também avaliará as políticas públicas de atenção à pessoa com deficiência implementadas no Estado ou Município, assim como aprovará diretrizes para a elaboração, implementação e controle social de tais políticas. Com a realização da Conferência, a composição e posse do Conselho, extingue-se a Comissão Organizadora. 5. De onde vêm os recursos para o funcionamento do Conselho? Caberá ao governo do respectivo Conselho Estadual/Municipal dotá-lo de orçamento e estrutura necessários para o seu pleno funcionamento, devendo, no Projeto de Lei de Criação do Conselho Estadual/Municipal, conter artigo que assegure tal recurso. Entretanto, na Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, há recurso destinado à implantação de conselhos 31


estaduais/municipais, com apoio técnico e financeiro, objetivando o fortalecimento institucional e a capacitação dos Conselheiros. 6. Quem são os integrantes do Conselho? O Conselho deve ser constituído paritariamente, por representantes de instituições governamentais e da sociedade civil, observando-se, entre outros requisitos, a representatividade e a efetiva atuação em nível estadual/municipal, relativamente à defesa dos direitos da pessoa com deficiência. Os Conselheiros, titulares e suplentes, representantes dos órgãos governamentais, serão indicados pelo Governador/Prefeito, podendo ter representação das seguintes secretarias de Estado/município: Justiça, Trabalho, Ação Social, Saúde, Educação, Cultura, Turismo, Esporte, InfraEstrutura, Transporte e Fazenda. Os Conselheiros, titulares e suplentes, representantes da sociedade civil, deverão ser eleitos durante a I Conferência, conforme regras publicadas no Edital de convocação da Conferência. As organizações/entidades de e para pessoas com deficiência devem representar as diferentes áreas das deficiências; Conselhos/Entidades Regionais e/ou representativos de classes; Sindicatos dos empregadores e trabalhadores e comunidade científica; Os ministérios públicos serão convidados a participar do processo desde a organização da Conferência e no transcorrer dos trabalhos do Conselho, como órgãos de defesa de direitos, fiscalização e promoção da cidadania. Informações coletadas na seguinte bibliografia: Brasil/Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência. Diretrizes para Criação de Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Brasília: CONADE, 2007. 42 p.: 21 cm Disponível em: http://portal.mj.gov.br/conade/ Carla Sueli Tom dos Santos Conselheira do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Joinville e integrante do Conselho Sinodal da Pessoa com Deficiência do Sínodo Norte Catarinense 32


33


Partitura BOM QUE JÁ NOS PERTENCEMOS

34


35


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Normal é ser diferente. Construindo Comunidades Inclusivas. Caderno de Subsídios. 2011 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu