AMIGA E AMIGO! O caderno para a Semana dos Povos Indígenas de 2006 tematiza a vida e as lutas do povo Kayabi do Rio dos Peixes, no norte de Mato Grosso. Quando, em 1943, os irmãos Villas-Boas tentaram transferir todo o povo Kayabi para dentro do Parque do Xingu, um grupo de cinco famílias resistiu e ficou no Rio dos Peixes. Os povos indígenas são como árvores adultas, não dá para arrancar aqui e replantar em qualquer lugar. A terra e o território são sagrados, contêm a vida dos ancestrais. Tem na natureza, a exemplo do Salto Kayabi, lugares com especial significado religioso. Sua idéia e uso do tempo são diferentes da sociedade não-indígena. Espaço e tempo são categorias importantes para a nossa vida. Neles construímos nossas identidades e nossa cultura. Esperamos que vocês, leitores e leitoras, possam aprender mais sobre o povo Kayabi e também sobre si mesmos, lendo os textos e brincando com as dinâmicas propostas nesse caderno.
Semana dos Povos Indígenas 2006 Responsabilidade e Coordenação: Conselho de Missão entre Índios – COMIN Colaboraram na produção e coleta de informações professores/as e estudantes Kayabi, e pelo GTME, Augusto Pereira, Wilson Aguiar e Silas Moraes Elaboração: Sônia Luísa Trapp Mees, Joni Roloff Schneider, Valdemar Schultz, Cláudio Becker, Ivan Vieira, Hans Trein, Arteno Spellmeier e Edson Ponick Capa: Projeto gráfico de Isabel Taukane (Bakairi), arte final de Ivan Vieira e fotos de Frans Lindenkamp
Diagramação e Ilustrações: Ivan Vieira Fotografias: Frans Lindenkamp, Augusto Pereira Impressão: Con-Texto Gráfica e Editora Realização: COMIN, em parceria com Departamento de Catequese e Departamento Nacional para Assuntos da Juventude da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Apoio Financeiro: Igreja Evangélica Luterana da Baviera (ELKB) e Centro de Missão Élbia do Norte (NMZ) Tiragem: 25 mil exemplares
Sumário
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povo Kayabi vive em três lugares diferentes: um no Pará, outro no Parque do Xingu – levado pelos irmãos Villas-Boas (1943) – e outro no Rio dos Peixes, na Terra Indígena Apiaká-Kayabi, no município de Juara, Mato Grosso, onde vivem os descendentes de cinco famílias que não aceitaram a transferência para o Xingu. Kayabi é a forma de escrever escolhida por este grupo, embora existam outras formas como: Kaiabi, Cayabi, Cayabis, Kajabi, Cajabis, etc...
Neste mesmo mapa, encontre o lugar onde você mora e faça um pequeno sinal. Veja na contracapa a região da terra Kayabi do Rio dos Peixes
Observe a sua localização e a do povo Kaybi. Longe ou perto, não importa. Você está convidado a se aproximar deste povo, conhecer a sua história e cultura e tornar a sua própria história mais rica e especial.
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... DA SUA VIDA
F
eche os olhos e lembre de todos os lugares que fazem parte da sua vida, que são importantes no seu dia-a-dia. Lugares em que você gosta de passear, ou lugares em que você encontra aquilo que é necessário para viver bem: a sua casa, a casa dos amigos e das amigas, a escola, o local de trabalho da sua família, o mercado, o seu quarto, a praça, a rua, o bairro, a vila... 1- Desenhe um mapa com as ruas ou estradas que você percorre a cada dia e ali coloque os lugares que considera importantes.
2- Olhe com atenção o seu desenho e pense em tudo o que você encontra nos lugares que você representou: abrigo, proteção, amizade, alimento, saúde, estudo, divertimento, solidariedade, sustento da família... Os lugares que você destacou são muito importantes, pois é ali que você está crescendo e construindo a sua história.
... DO POVO KAYABI
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povo Kayabi também tem lugares que são importantes, que ele lutou e ainda luta para conquistar. O povo nem sempre morou na aldeia Tatuí, em Juara, Mato Grosso. Veja parte de um relato do próprio povo, extraído do Currículo da Escola Indígena Kayabi:
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Batelão Área de terra onde, antes, ficavam as aldeias. Esta área já foi demarcada para os Kayabi, mas falta a aprovação final. Por isso, os Kayabi ainda não podem morar lá. Enquanto isso, os madeireiros estão explorando a área e destruindo a vida que tem ali.
Salto Kayabi O salto Kayabi é um lugar sagrado para o povo. O salto ia ser transformado em represa hidrelétrica, mas o povo Kayabi não deixou. Manter esse lugar preservado é uma das lutas do povo. Eles preocupamse também com a preservação de outros rios, destruídos por garimpeiros ou por grandes produtores de soja, que plantam soja até às margens. Embora enfrente dificuldades, o povo Kayabi busca seus direitos e luta para voltar ao seu espaço de origem que tanto lhe significa.
Augusto Pereira
A aldeia Kayabi era acima do Salto. Hoje, o povo Kayabi está dividido em três grupos: um no Pará, outro no Xingu e outro no Rio dos Peixes. Nós, Kayabi, fazemos parte do tronco lingüístico Tupi. O nosso território tradicional no Batelão, fica às margens do Rio dos Peixes. Nós, Kayabi, não morávamos no Tatuí. Ocupávamos essa terra somente para caçar, buscar flecha. E não eram só os Kayabi, outras tribos também andavam por aqui, por exemplo, Munduruku, Canoeiros. Para o povo Kayabi, a terra, a casa, a aldeia, a comunidade, a escola, a mata, os rios são importantes. Nesses lugares, as pessoas do próprio povo convivem umas com as outras e com pessoas de outros povos. Dali elas tiram o seu sustento e mantêm viva a sua história e a sua cultura.
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O salto Kayabi é sagrado para o povo. Esse salto ficou sagrado quando os nossos parentes vieram descendo o Rio Teles Pires. Quando eles chegaram no Rio dos Peixes, viram uma enorme cachoeira. Aí eles tentaram passar, mas não conseguiram. A canoa virou. E nessa canoa tinha um pajé muito forte, que o povo não conseguiu salvar. Ele passou três dias e três noites cantando e depois afundou. É por isso que chamamos o salto de sagrado. (Texto de Cloves Serapin Kuacin Paias, 4ª série.)
Ajude as crianças kayabi a encontrar o caminho para o outro lado da margem e descubra a palavra com 7 letras
_ _ _ _ _ _ _ Relativo às coisas divinas, à religião, aos ritos ou ao culto
SAGRADO
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Frans Lindenkamp
Fonte: Dicionário Aurélio
APRENDER JUNTO
A
educação das crianças do povo Kayabi é muito especial. No diaa-dia, a criança acompanha as atividades dos pais e, assim, aprende na escola da vida. Algumas histórias contadas na aldeia mostram como acontecem as vivências dos meninos junto às pessoas da aldeia, principalmente com os pais.
Manoel conta o que seu pai fazia enquanto ele olhava. Quando ele terminava, chamava para lhe mostrar o que havia feito. Na hora da pescaria, ia junto e ele ensinava como se flechava o peixe. Sobre a roça, aprendeu o trabalho com seu pai desde pequeno. Sebastião disse que, quando começou a caçar, o pai dele o levava no mato, porque no mato poderia encontrar bicho brabo e que, talvez, não poderia mexer com ele, pois podia ser muito brabo. Nicolau conta que, antigamente, a flecha dos meninos não podia ser do tamanho da flecha do pai. Os meninos só podiam usar flecha grande quando crescessem. (Extraído do Currículo da Escola Indígena Kayabi.)
Frans Lindenkamp
Desenho de Edlaine – Escola Municipal A. Kayabi
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A caça faz parte das atividades do povo Kayabi. Dela vem parte de seus alimentos. Como a mata da área indígena está se recuperando, a caça também está melhorando. Os macacos são a caça mais apreciada. Também o peixe existe em grande quantidade. Por estarem próximos do rio ele é muito consumido pelo povo.
* Ilustrador Ivan Vieira com fotos de Frans Lindenkamp
No exercício de completar as palavras, descubra o nome de seis animais que vivem na mata. Os colaboradores dos desenhos foram: Adalto, Flávia, Lucas e Franciele
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CADA VIVÊNCIA, UMA LIÇÃO As meninas têm suas vivências de aprendizagem junto com a mãe: A minha mãe me ensinou a fazer rede, fiar algodão e tingir, fazer chicha na panela. Aprendi a plantar na roça, plantar amendoim. Quando cresci, ensinei as minhas filhas a tecer algodão. A criança olha as mães fazerem a comida. As crianças aprendem com a mãe. O pilão é para socar o milho, que depois é peneirado. Para socar, tem madeira própria para o pilão. As meninas fazem rede, panela de barro, bacia de barro e tigela também. Uma menina pergunta como cuidar da criança. A mãe põe para dormir. Quando tem irmão pequeno, o maior cuida do menor. (Relato extraído do Currículo da Escola Indígena Kayabi.) Ligue as figuras abaixo conforme as atividades listadas ao lado.
• PESCAR • FIAR • SOCAR
Respostas na página 23
OS ALIMENTOS O povo Kayabi valoriza a qualidade de sua alimentação. Preocupa-se com a fonte de seus alimentos: a natureza. Leia o que escreve Durcivania, da 4ª série: Nós, Kayabi, damos muito valor à nossa alimentação nativa. Porque não precisa colocar veneno para proteger.
A castanha é uma fruta importante para o povo. A partir dela, o povo Kayabi nos dá uma lição de solidariedade. A castanha é vendida para fora da aldeia. O que é arrecadado com a sua venda é distribuído entre o povo. Também outros alimentos tirados da natureza são divididos com os vizinhos quando a produção é grande. 9
Augusto Pereira
Frans Lindenkamp
UTENSÍLIOS DO DIA-A-DIA Para carregar as castanhas e outros alimentos, os Kayabi usam as cestas. Outros utensílios importantes para as atividades de cada dia são as peneiras, para peneirar e secar alimentos, e as flechas, usadas na caça e na pescaria. No relato sobre a educação das meninas, fala-se um pouco sobre a alimentação do povo Kayabi. No desenho, você encontra alguns alimentos consumidos pelo povo. Descubra o nome, organizando as letras que estão dentro dos desenhos.
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Resposta na página 23
ARTESANATO O povo Kayabi quer preservar a sua cultura de diversas formas. Uma delas é através do artesanato, principalmente de trançados como da peneira. Também quer aumentar a sua produção de potes de argila. Mas, há outros materiais produzidos que mostram a arte deste povo. Veja os desenhos das crianças: * Bordunas – desenho de Márcio As bordunas eram usadas como armas de guerra. Hoje, servem como enfeites.
* Brinco – desenho de Edlaine Myau * Colar – desenho de Adriane
Assim se faz, a cada dia, a vida do povo Kayabi: vivências em conjunto, preservação da natureza, confecção de artesanato, histórias contadas de adultos para crianças, partilha de alimentos e idéias, luta pela terra, esperança de novas conquistas para o bem-estar das pessoas, plantio e colheita dos frutos da terra... Esses acontecimentos da vida são levados para a escola, onde os saberes são desenvolvidos em conjunto. A vida do povo e sua relação com a terra e a natureza são tão importantes que se tornaram a base da elaboração do calendário da escola. Veja o calendário na página central deste caderno! A partir do calendário do povo Kayabi, temos um desafio para você e sua turma ou sua família: a confecção de um calendário com os acontecimentos que marcam de uma forma especial a sua vida e a vida da sua família, escola ou comunidade. Pense nas suas vivências, nos fatos da natureza, nos acontecimentos do dia-a-dia que envolvem você e as outras pessoas. Separe isso por mês ou por época. Pegue uma folha e desenhe símbolos para representar tudo isso. Junto, escreva o seu significado. Com certeza, você descobrirá fatos muito especiais sobre sua vida e a vida que existe ao seu redor. 11
Em que consiste o nosso trabalho?
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istribuímos as 24 horas do dia com trabalho ou estudo, refeições, higiene, lazer, sono... Ao longo dos séculos, mudanças aconteceram na organização do dia das pessoas.
As mudanças na história do trabalho Houve um tempo, em que as pessoas trabalhavam para seu próprio sustento. Mas, quando surgiram os primeiros reis e seus exércitos, foram feitas guerras para ampliar o território, saquear os outros povos e transformá-los em escravos. Alguns poucos tiveram poder para obrigar muitos a trabalharem
para eles. A relação com o trabalho mudou muito. As mudanças foram tantas que as pessoas perderam até a sua liberdade. Tornaram-se escravas, instrumentos de trabalho, sendo, depois, substituídas pelas máquinas. O problema não é possuirmos bens, mas o modo como os adquirimos. O problema está em nossos valores, quando achamos que podemos adquirir bens a qualquer custo, nem que seja nos apropriando do que é do outro. Para refletir: antigamente as pessoas trabalhavam para viver e, hoje, vivem para trabalhar.
As diferentes jornadas de trabalho ao longo dos séculos: • Comunidades tribais 4 a 6 horas/dia - 1.000 a 1.500 horas/ano
• Sociedade de Classes 12 horas/dia - 3.000 horas/ano
• Idade Média 10 horas/dia - em torno de 2.500 horas/ano
• Capitalismo 16 a 18 horas/dia - em torno de 4.000 horas/ano 14
• Segunda Revolução Industrial 8horas/dia - em torno de 3.000 horas/ano
• Terceira Revolução Industrial Os computadores aumentam a automação, e com isso diminuem os empregos. A finalidade é alcançar as metas da empresa a qualquer custo. O banco de horas obriga o empregado a fazer o seu repouso quando a empresa determina. Texto extrato da Folha de São Paulo. São Paulo, 30/05/ 1999, Caderno Especial, Ano 2.000 p.5
Fotografias de Frans Lindenkamp
a) Com que atividades utilizo meu tempo num dia (quantas horas para cada atividade)? b) Que critérios uso para delimitar as prioridades do que vou fazer? c) O que me dá mais prazer? d) Troque idéias com os colegas.
Cloves – 11 anos, 4a série
Desenhe ou escreva dentro do relógio:
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É comum os pais idealizarem: Meu filho será empresário. Minha filha tem um jeito para ser modelo! Falas como estas incomodam. Hoje, vemos crianças se preocupando com emprego. Aos 7 anos perguntam sobre qual paga mais, em qual se é mais reconhecido, e precisa esforçar-se menos e assim por diante. Passado o período escolar, na juventude, continuando ou não os estudos, assumimos mais responsabilidades e temos maior capacidade para decidir e agir. Entretanto, a família continua sendo fundamental. Ela é como a raiz de uma árvore. E nós somos como uma árvore, que quanto maiores ficamos, mais profundas e grossas ficam as raízes, para enfrentar as tempestades. E a raiz nos nutre para produzirmos bons frutos.
ATIVIDADE: a) Levar um galho seco, com muitos galhos, ou desenhar uma árvore bem grande e recortá-la. b) Cada integrante do grupo recebe um papel verde do qual recorta uma folha. - Num lado da folha, escreve: Como a minha família (minha raiz) me ajudou a constituir-me como árvore? Caso não seja a família, quem foi o meu referencial até o momento? - No outro lado da folha, escreve: Se eu fizesse o meu auto-retrato, como pintaria o meu futuro?
Auto-retrato No retrato que eu faço - traço a traçoÀs vezes, me pinto nuvem, Às vezes me pinto árvore... Às vezes, me pinto coisas De que nem há mais lembranças... Ou coisas que não existem, Mas que um dia existirão. É nesta lida que busco - pouco a poucominha eterna semelhança. (Mário Quintana)
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SOMOS COMO ÁRVORES Muitas culturas usam o símbolo da árvore para falar da convivência entre as pessoas. O autor do Salmo 1.3, da Bíblia Cristã, escreveu: Essas pessoas são como árvores que crescem na beira de um riacho; elas dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham. Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo.
Os povos indígenas têm muitos símbolos, lendas e mitos para falar da vida. Os Kayabi nos contam uma lenda muito profunda que fala especificamente do futuro das gerações comparado a plantas e sementes. Vejamos:
HISTÓRIA DA PRIMEIRA PLANTA Antigamente, os Kayabi plantavam tucum e inajá. Uma velha senhora, que já estava cansada de comer miolo de tucum, do qual se fazia farinha e beiju, e inajá, então disse para os seus filhos: – Façam uma roça bem grande porque já estou cansada de ver vocês passando fome. Os filhos fizeram a roça, mas a velha não avisou que também deviam queimá-la. No dia da queimada, a senhora disse para os filhos: – Amarrem a minha rede no meio da derrubada. Os filhos não queriam obedecer. Ela então disse: – Se não me queimarem, vocês não terão sementes para plantar. Se me queimarem, vocês terão sementes para o resto da vida. Mas vocês terão que cuidar da semente que eu vou dar. Antes de tudo ainda quero avisar: quando o fogo me queimar, darei um grito. Mas vocês só vão para a roça quando a maritaca passar em cima de suas casas, porque aí as plantações já estarão maduras. Nessa lenda a linguagem está repleta de símbolos. Os símbolos transpõem o real e nos ligam à experiência do mistério.
REFLITA COM O SEU GRUPO: A) Quais são os símbolos que aparecem nessa lenda? B) A partir do que leu sobre o Povo Kayabi, como você pode entender essa lenda? Resposta na página 23
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C) Qual a relação da lenda com o símbolo da árvore e com o futuro de um jovem?
Escola Kayabi
Nas páginas anteriores, lemos sobre como as crianças aprendem com o pai e a mãe as tarefas do dia-a-dia. Isso é fundamental e normal entre o povo, já que os Kayabi casam jovens, ainda adolescentes. O casamento é a entrada no mundo adulto, o que é diferente com os jovens não-índios. Enquanto crianças, adolescentes e jovens, a grande maioria tem a tarefa de estudar e se formar numa profissão. Num dos extremos da realidade brasileira, encontram-se aqueles que sequer aprendem coisas básicas, como preparar uma comida ou lavar a sua roupa. Tudo é feito pela empregada. No outro extremo, crianças passam o dia na rua procurando o seu sustento, sem nenhuma proteção. Entre os Kayabi, no momento em que o jovem casa, participa normalmente em todas as decisões da comunidade. Não há divisões sociais formadas por linhagens, grupos de idade ou outras estruturas. A associação citada anteriormente, hoje é dirigida por um jovem, assim como também o cacique, professores(as) e a
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JOGO DOS 7 ERROS
LIDERANÇAS KAYABI
Frans Lindenkamp
Resposta na página 23
JOGO DOS 7 ERROS
maioria dos seus membros são jovens. Existe a discussão de criar-se uma associação das mulheres Kayabi. A estrutura social existente é o núcleo familiar, de pais e filhos, e a unidade doméstica, formada pela parentela. Essa unidade é guiada por um wyriat (aquele que toma conta do lugar). No passado essa era tarefa do membro masculino mais velho da unidade. Era ele que organizava todo o trabalho agrícola da unidade, escolhendo o lugar a ser roçado e derrubado e delimitando as porções de terreno para cada chefe da família nuclear. Após, cada família realizava o plantio. Atualmente o perfil do líder Kayabi mudou. Como modificou-se a forma de organização das aldeias, agora mais multi-familiares, não há como escolher uma pessoa que tenha parentesco ou afinidade com todas as famílias da aldeia. O critério para escolher o novo líder passou a ser outro: alguém que tenha desenvoltura no relacionamento com os não-índios. A tarefa do novo líder tornou-se basicamente ser mediador entre índios e não-índios e buscar as formas de acesso aos bens e serviços da sociedade envolvente. No entanto, assim como os antigos chefes, o novo líder deve ‘cuidar’ do seu povo. Por isso, a maioria dos líderes é jovem, por ter mais facilidade de comunicação e de articulação. Mas não pense que os Kayabi colocaram os velhos de escanteio, como acontece na sociedade não-indígena. Eles continuam com as tarefas internas, como a função de pajé e a de “farmacêuticas”. Homens e mulheres idosas são ouvidos porque transmitem a cultura de geração em geração. Esta cultura é uma herança que o Povo Kayabi não quer perder, ao lado da luta pela homologação do Batelão, a terra que habitavam, antes de parte do povo ser transferido para o Parque Indígena Xingu.
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Diz um depoimento no Currículo da Escola Indígena Kayabi: A escola na aldeia serve para ajudar o índio a desenvolver o saber e entender as coisas do não-índio, para se defender, buscar novos conhecimentos, fortalecer a organização dentro da comunidade. As escolas indígenas têm e estão montando seus calendários específicos, ligados com os ciclos da natureza, mostrando todas as transformações que ocorrem nos doze meses do ano.
O que é importante ensinar na Escola Kayabi A Escola Indígena Kayabi oferece o Ensino Fundamental. O conhecimento é organizado em seis áreas: Linguagem, Matemática, Ciências Naturais, Ciências Sociais, Arte e Educação Física. Preencha a lista conforme as áreas disponíveis e conheça alguns conteúdos trabalhados. LEGENDA ( ) Descrever rios e peixes. 1- Linguagem 4- Ciências Sociais ( ) Calcular porcentagens. 2- Matemática 5- Arte ( ) Conhecer os recursos hídricos da área. 3- Ciências Naturais 6- Educação Física ( ) Conhecer e participar de danças. ( ) Conhecer e praticar técnicas de caça. ( ) Medir madeira em metros cúbicos. ( ) Saber remar para poder pescar. ( ) Conhecer os animais e sua classificação. ( ) Conhecer a cultura Kayabi. ( ) Conhecer o clima da região. ( ) Conhecer o alfabeto do povo. ( ) Produzir e decorar máscaras e flechas. ( ) Usar o sistema monetário. ( ) Escrever sobre roça, plantio e colheitas. ( ) Fazer o mapa da aldeia. ( ) Saber jogar linhada. ( ) Fazer colares, brincos pulseiras. Resposta naepágina 23
PARA SABER MAIS PESQUISA NA INTERNET Conselho de Missão entre Índios disponibiliza o material de pesquisa deste caderno para a sala de aula: www.comin.org.br Instituto Socioambiental disponibiliza informações atualizadas e indicação de literatura sobre o povo Kayabi: www.socioambiental.org Conselho Indigenista Missionário disponibiliza informações atualizadas e posicionamentos frente à política indigenista do governo: www.cimi.org.br
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LIVROS Diários do Xingu – Berta Ribeiro – Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1979 Xingu: Os Kayabi do rio São Manoel – Villas Bôas, Orlando e Cláudio - Kuarup, Porto Alegre, 1989 Esta terra tinha dono – B. Prezia e E. Hoornaert - CEHILA POPULAR CIMI - FTD S.Paulo/SP, 3a ed.,1992. A temática indígena na escola – Novos Subsídios para professores de l’ e 2' Graus A. Lopes da Silva e Luís D.B. Grupioni - MEC, MARI e UNESCO, Brasília/DF, 1995.
A Terra dos Mil Povos – História Indígena do Brasil contada por um índio Jecupé, Kaká Werá - Fundação Petrópolis, S.Paulo/SP, 1998. Papel da Religião no Sistema Social dos Povos Indígenas – Eduardo V. de Castro, GTME, Cuiabá/MT, 1999.
RESPOSTAS Página 6
Práticas Pedagógicas na Escola Indígena – Aracy Lopes da Silva, Mariana Kawall Leal Ferreira (org) – São Paulo: Global, 2001. Uma extensa relação de literatura sobre os Kayabi encontra-se no site do Instituto Socioambiental www.socioambiental.org/pib/portugues/fontes/ k.shtm#kaiabi
VÍDEOS (CONFIRA NAS
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LOCADORAS)
Cateto, veado, tatu, queixada, anta e quati
• Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco, EUA, 1991, 187 min. - Condor Vídeo
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• A Missão, de Roland Joffé - ING, 1986, 121 min. - Distr. Flashstar.
Melancia, feijão, batata, castanha, banana, e mandioca
• Dança com Lobos, de Kevin Kostner - EUA, 1990, 128 min. - Abril Vídeo/ Hollywood.
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Pesquisando na web “(Indígenas) Kayabi ou Caiabi ou Kaiabi” há aproximadamente 840 referências.
Página 19 Comin: Conselho de Missão entre Índios Caixa Postal 14 – CEP 93001-970 São Leopoldo/RS Tel./fax: (51)3590-1440 E-mail: comin@est.com.br www.comin.org.br
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Departamento de Catequese: Caixa Postal 14 – CEP 93001-970 São Leopoldo/RS. Tel.: (51)35924491 E-mail: depcat@uol.com.br
Página 22 2, 3, 3, 5, 1, 6, 1, 2, 3, 5, 6, 6 ,4,1, 2, 4, 5 Departamento Nacional para Assuntos da Juventude: Caixa Postal 191 CEP 930001-970 – São Leopoldo/RS
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