Somos Luteranos
SUBSÍDIOS LITÚRGICOS E ESTUDOS BÍBLICOS PARA O MÊS DA REFORMA
APOIO Comunhão Martim Lutero Pastoral Popular Luterana TESTEMUNHO E AÇÃO
A ssine!
O jornal O CAMINHO é um veículo de comunicação que, além de informação, visa edificação espiritual e integração das comunidades da IECLB no estado de Santa Catarina. Tiragem mensal de 27.000 exemplares – o único jornal da IECLB com suplemento de 4 páginas no idioma alemão.
Assinaturas: Caixa Postal 6390 - Cep 89068-970 - Blumenau/SC Tel/fax: (47) 3337-1110 E-mail: caminho@centrodeliteratura-ieclb.com.br Site: www.centrodeliteratura-ieclb.com.br
Somos Luteranos 4 SUBSÍDIOS LITÚRGICOS E ESTUDOS BÍBLICOS PARA O MÊS DA REFORMA 1ª edição – setembro / 2006 5.000 exemplares ® Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. Reprodução proibida. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida sob quaisquer meios existentes sem autorização por escrito dos editores.
Capa e editoração: Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda. Foto da capa: Geraldo e Roseli Grützmann Revisão final: P. Hugo Solano Westphal
Sumário Apresentação ......................................................................................... 5 1º Encontro – Marcos 9.30-37 ............................................................... 6 2º Encontro – Marcos 9.38-50 ............................................................... 9 3º Encontro – Gênesis 2.18-24 ............................................................ 13 4º Encontro – Amós 5.6-7, 10, 15 ....................................................... 19 Liturgia para o Dia da Reforma .......................................................... 23 Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação pela Fé da Igreja Católica Romana e da Federação Luterana Mundial ....... 31 Posicionamento Oficial Conjunto da Federação Luterana Mundial e da Igreja Católica................................................................. 43 Avaliação informativa da Presidência da IECLB sobre a Declaração Conjunta ................................................................ 44 Credo Niceno ....................................................................................... 46 Credo Atanasiano ................................................................................ 46
APRESENTAÇÃO Sirvam uns aos outros cada qual conforme o dom que recebeu (1 Pedro 4.10). No espírito deste lema da IECLB para o ano de 2006 e, com agradecimento a Deus, a Comunhão Martim Lutero (CML) e Pastoral Popular Luterana (PPL) oferecem às Comunidades da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e às Igrejas ligadas ao ecumenismo, através do Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI), mais um caderno de estudos Somos Luteranos. No conteúdo há quatro subsídios para estudos bíblicos em grupo, uma proposta de liturgia para o Culto comemorativo ao Dia da Reforma - 31 de outubro - e o texto integral da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação pela Fé, da Igreja Católica Romana e da Federação Luterana Mundial. Com alegria, tomamos conhecimento que o Conselho Mundial das Igrejas Metodistas assinou, no dia 23 de julho de 2006, em Seul na Coréia do Sul, a Declaração Conjunta. Com esta adesão juntam-se em torno de 70 milhões de metodistas em todo mundo. O documento, assinado em 1999 em Augsburgo, na Alemanha, é um marco para as igrejas no caminho em direção a maior unidade da cristandade e é recomendado para estudo e reflexão nas Comunidades. Fazemos votos que este caderno de estudos seja um instrumento útil de trabalho e reflexão nas Comunidades. Desejamos, também, que o caderno ajude para o melhor entendimento da base da nossa fé e que cresçamos na comunhão e no testemunho, levando esperança e paz para o mundo. Outubro, 2006 P. em. Friedrich Gierus Secretário Executivo da CML –5–
1º ENCONTRO ESTUDO BÍBLICO: Marcos 9.30-37 O Texto 30 Depois, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e ele não queria que ninguém o soubesse; 31 porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão; e morto ele, depois de três dias ressurgirá. 32 Mas eles não entendiam esta palavra, e temiam interrogá-lo. 33 Chegaram a Cafarnaum. E estando ele em casa, perguntou-lhes: Que estáveis discutindo pelo caminho? 34 Mas eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles era o maior. 35 E ele, sentando-se, chamou os doze e lhes disse: se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. 36 Então tomou uma criança, pô-la no meio deles e, abraçando-a, disse-lhes: 37 Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe; e qualquer que me recebe a mim, recebe não a mim mas àquele que me enviou. Jesus anuncia sua morte e sua ressurreição Os versículos 30 a 37 nos permitem dar uma olhada na escola de Jesus. A lição que o Mestre está querendo transmitir é muito difícil. Os discípulos ouvem, mas não compreendem. Nem tiveram a coragem de perguntar. Eles “temiam interrogá-lo”. Por que será? Talvez não entendessem a nomenclatura “Filho do Homem”. Quem será? Ou se identificassem com Jesus como Filho do Homem. Ainda assim fica a pergunta: Por que deveria morrer? Pois os discípulos não foram cegos. Eles observaram: Da parte do povo não poderá vir nenhum mal sobre ele. Todo mundo gostava dele. Jesus, quando entrava numa aldeia ou cidade, logo, logo estava cercado de muitas pessoas. Entre as mesmas, naturalmente, havia muitos curiosos, mas também amigos que apoiavam Jesus. Sobretudo, aproximavam-se dele muitos doentes na expectativa de serem curados. Portanto, quem poderia ter interesse em matar Jesus? Ninguém! E a outra colocação: “e morto ele, depois de três dias ressurgirá” não foi aceita, pois não entrava na cabeça dos amigos de Jesus. A ressurreição dos mortos foi uma hipótese de uma determinada linha teológica entre os judeus (Leia-se Lucas 20.274). Mas para os discípulos não tinha cabimento, motivo pelo qual não deram credito às palavras de Jesus, pois lhes pareciam utópicas demais, irreais, absurdas. Não é de admirar que eles “não entendiam esta palavra, e temiam interrogá-lo”. A incapacidade de não compreender Jesus teve suas conseqüências. Quando Jesus, de fato, foi crucificado e morto, o desespero tomou conta de seus seguidores. E –6–
estes, sem esperança, pretendiam voltar para casa como se Jesus nunca tivesse anunciado sua ressurreição (Leia-se Lucas 24.13 e seguintes). Quem é o maior? Entrementes, Jesus e os discípulos continuavam sua caminhada, parcialmente em silêncio - até que surgiu uma discussão entre os discípulos. Desta vez tratava-se de um assunto de maior interesse. V. 34: Surgiu a pergunta sobre qual deles era o maior. É algo bem natural: onde pessoas trabalham juntas e convivem no dia-a-dia, sempre tem alguém que se destaca - pela eloqüência, pela idade, pela sabedoria. Às vezes, é simplesmente a personalidade de um do grupo que se destaca, digamos um líder por natureza. Pois é, querer ser o maior é algo muito natural entre os seres humanos. Ninguém deseja ser menor ou insignificante. Pois ser maior do que os outros garante mais segurança, bem-estar, influência e poder. O egocentrismo é algo que está enraizado em todo o ser humano. E em função disto acontece tanta injustiça, violência, mentira, intriga e guerra entre as pessoas, classes, raças, povos e nações. Por isto, Jesus interrompe a caminhada e aproveita o assunto para dar outra lição aos discípulos: “E ele, sentando-se, chamou os doze e lhes disse: se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. Então tomou uma criança, pô-la no meio deles e, abraçando-a, disse-lhes: Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe; e qualquer que me recebe a mim, recebe não a mim, mas àquele que me enviou.” A criança é símbolo da ingenuidade. Ela é fraca, inexperiente, pequena, limitada no raciocínio e, por isso, fácil de ser abusada, dominada e explorada. E justamente uma tal criança Jesus coloca no meio dos discípulos, dizendo que a verdadeira grandeza no homem não é sua inteligência, nem sua força física, nem seus conhecimentos, mas sim, sua capacidade de igualar-se a uma criança. Pois Jesus se identifica com uma criança humilde e naturalmente, por extensão, com todas as pessoas humildes, pobres, marginalizadas, doentes e oprimidas. Jesus se identifica com todos os seres humanos marcados pela violência, vítimas dos que brigam para estar por cima de todos. No Evangelho de Marcos, cap. 10.42-45, esta lição de Jesus foi explanada mais uma vez. A passagem termina com a frase: Quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. O que é que Jesus queria dizer com isto? A competição, a guerra, a briga pelos melhores lugares faz muitas vítimas, escraviza pessoas, marginaliza e desumaniza. Conhecemos o resultado disso. É só ler os jornais ou assistir às notícias na TV. Sabemos de própria experiência: Violência gera violência. Contra este sistema de exploração, de injustiça e ódio só há um remédio: Amor. Amor que se manifesta no serviço ao próximo. Do jeito como Deus o demonstrou –7–
em seu Filho através de sua encarnação, nascendo em circunstâncias extremamente pobres. Solidário com os pobres, com os marginalizados e injustiçados, Jesus ensinou aos seus discípulos dando um exemplo concreto no lava-pés antes de ser preso, condenado e crucificado. Deus mesmo fez a caminhada do amor em humildade e solidariedade até a morte. Mas ele não ficou na morte. Seu serviço não desembocou no desespero e na desilusão. O serviço em amor tem retorno! Muitas vezes, achamos que servir não vale a pena, pois a gente só é explorado. Jesus, no entanto, demonstrou que o amor que se consome como uma vela, irradiando calor e luz, não tem seu ponto final na morte. Sua ressurreição nos dá certeza disto. Todo investimento em nome do amor, que se solidariza com os que sofrem, tem seu retorno. Talvez nem sempre assim como o esperamos ou como gostaríamos de calcular. Mas tem. Do jeito como Jesus teve seu retorno na ressurreição. Portanto, fica claro, a vida e a ética da comunidade cristã se concretizam no serviço à sociedade. Isto significa ser luz do mundo e sal da terra (Mateus 5.13 e 14). Pois ser luz do mundo e sal da terra ultrapassa fronteiras. Ninguém pode segurar a luz ou desfazer a química do sal, uma vez que foi misturado na massa. Mesmo assim devemo-nos perguntar: Como é que eu e a minha comunidade podemos ser luz e sal? A área da comunidade é o laboratório do amor, onde podemos ensaiar e praticar o serviço ao próximo. Na medida que isto funciona vai haver uma irradiação missionária para dentro da sociedade, que transformará o mundo. O lema da igreja para este ano é: Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu (1 Pedro 4.10). Portanto, servir não é coisa de escravo, mas sim, é serviço dignificado pela morte e ressurreição de Jesus, o Filho de Deus. Perguntas a serem refletidas no grupo: 1) Como surgem conflitos e brigas no dia-a-dia? 2) Vale a pena sacrificar tempo e forças para servir onde todo mundo somente pensa em aproveitar? 3) Por que é difícil praticar e viver o amor que Jesus exemplificou em sua vida? 4) O que significa: A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus (1 Coríntios 3.19)? 5) Por que “mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 10.35)?
P. em. Friedrich Gierus Comunhão Martim Lutero –8–
2º ENCONTRO ESTUDO BÍBLICO: Marcos 9.38-50 1. Dirigente: (ou alguém da casa) Sejam bem-vindos e bem-vindas a esta celebração em tempos que lembramos a Reforma. Que possamos, através da presença do Santo Espírito de Deus, nos animar na fé, na esperança e no amor. Alegramo-nos por Deus permitir este encontro e por ter dado a sua palavra, que é nova a cada dia. 2. Canto: 3. Dirigente: A bondade de Jesus, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos nós. Amém. 4. Leitor/a: Acendemos uma luz em nome de Deus, que viu, iluminou o mundo e nos soprou o alento da vida (acende a vela e põe sobre o altar). 5. Leitor/a: Acendemos uma luz em nome de Jesus, que caminhou ao encontro do ser humano e o salvou (acende a vela e põe sobre o altar). 6. Leitor/a: Acendemos uma luz em nome do Espírito Santo, que abraça o ser humano e permite experimentar o Deus que se faz presente em seu viver (acende a vela e põe sobre o altar). 7. Dirigente: Estamos reunidos como um grupo de pessoas pertencentes a uma comunidade. Não estamos isolados e nem fechados em nós mesmos. Afinal, são muitas as dores existentes no mundo e muitas delas atingem a nós mesmos. Delas queremos lembrar (recortar manchetes de jornais que mostram fatos onde a vida criada por Deus é ferida pela sede de poder por parte de lideranças políticas e religiosas. Colocar estas manchetes sobre o altar. Podem ser feitos comentários. Após este momento, cantar): 8. Todos/as: e Misericórdia, Senhor, misericórdia! Misericórdia! Senhor, escuta o lamento e tem de nós compaixão. Ao povo dá novo alento, a tua graça e perdão. Misericórdia, Senhor, misericórdia! Misericórdia! 9. Dirigente: Deus vem a nós através da Palavra e dos Sacramentos. Ali, pessoas encontram ânimo e orientação para colocar sinais do Reino de Deus neste mundo (recortar manchetes de jornais - Jorev, Semeador, O Caminho e outros - que mostram espaços onde a dignidade da vida criada por Deus está sendo preservada/resgatada. Colocar sobre o altar. Após, cantar): 10. Todos/as: e Onde reina amor, fraterno amor, onde reina amor, Deus aí está. –9–
11. Dirigente: Oremos: Amado Deus. Concede-nos o teu olhar neste encontro. Permite que bebamos na fonte da tua salvação. Livra-nos de toda angústia. Perdoa nosso pecado. Desvia nossos passos dos caminhos em que te ofendemos e ferimos nossos semelhantes. Liberta-nos da sede de poder. Preenche nossa vida com a alegria do trabalho que está ao teu serviço. Amém. 12. Canto: HPD 166 13. Leitor/a: Estamos no mês em que lembramos a Reforma. A palavra graça, para a Igreja Luterana, tem um peso muito forte para a sua identidade. Quando Lutero descobriu-se justificado por graça e não pelas obras, mudou radicalmente sua forma de viver. Essa descoberta não o tornou imóvel, mas o fez trabalhar de alegria, traduzir a Bíblia, compor hinos, enfim, o fez trabalhar a serviço do Evangelho sem querer, por isso, recompensa ou reconhecimento. O mesmo fez o apóstolo Paulo, que não cruzou os braços, mas lançou-se de corpo e alma no serviço do apostolado. Considerou seus bens, sua reputação e seu nome como lixo diante da oportunidade de pregar o Evangelho da salvação (Fp 3.8). 14. Leitor/a: Infelizmente isso não se pode dizer da Igreja Luterana como um todo. A garra dos reformadores não proliferou como se esperava. Ao invés de se apostar na alegria de sermos justificados por graça, novamente se pôs a carroça na frente dos bois, ou seja, acenou-se com a lei e com o terror do inferno. Ou, quando não se apelou ao terror, barateou-se a graça de Deus como se fosse possível ser cristão sem olhos, mãos e pés, ou seja, sem ação - sal sem gosto. 15. Leitor/a: Vejamos esta questão à luz de Mc 9.38-50 (leitura do texto). 16. Leitor/a: Os discípulos estão com Jesus rumo a Jerusalém. Enquanto Jesus fala de paixão, os discípulos sonham com poder, não entendem a proposta do mestre e discutem quem seria o maior (v. 33-37). O poder sempre ofuscou olhos e entendimento. Jesus, como grande pedagogo e político, traz uma criança para o centro. A criança era o símbolo vivo dos pequeninos insignificantes na sociedade de então, e de hoje também, para mostrar a serviço de quem está o Reino de Deus. 17. Leitor/a: Mas a questão do poder ainda não se resolve. Os discípulos atribuem a si mesmos o direito de proibir alguém fazer o bem em nome de Jesus, só porque este não segue o seu grupo. Este homem poderia ser o samaritano que socorre o assaltado, que cumpre o grande mandamento do amor ao próximo (cf Lc 10.25ss). 18. Leitor/a: Jesus repreende os discípulos para não o proibirem. Alerta que não há quem faça o bem, para depois falar mal de Deus. O contrário, segundo Jesus, é possível: Fazer o mal e depois falar bem de Deus. Neste sentido, ele alerta: Nem – 10 –
todo que me diz senhor, senhor, entrará no Reino dos Céus. E Jesus valoriza novamente a ação anônima daquele que em seu nome dá um copo de água aos que lutam pela causa da vida (Mt 25.31ss). 19. Leitor/a: Os olhos, os pés, as mãos de Jesus estão a serviço dos pequeninos. Aqui estão incluídos as crianças, os doentes, as mulheres, os pobres e todos que estão à margem da sociedade. Nos dias de hoje, 70% da população não é contemplada no projeto neoliberal. São estes a menina dos olhos de Deus. É por estes que Jesus radicaliza, usando palavras de choque. 20. Leitor/a: A partir do jeito de Jesus, podemos entender que o projeto político que não levar a sério a inclusão dos pobres deve ser amarrado numa pedra de moinho e lançado no fundo mar. É exatamente no caminho em direção aos mais pobres, no caminho da inclusão que o neoliberalismo tropeça. 21. Leitor/a: Para o ouvinte da época, morrer afogado era algo horrível. Tão horripilante como morrer afogado é para Jesus fazer fracassar o projeto de vida plena para os pequeninos. Os projetos políticos e eclesiásticos fracassam exatamente quando faltam olhos, mãos e pés: olhos que vêem o sofrimento; pés que se aproximam; mãos que libertam, que cuidam, que conduzem (Ex 3.4-7, Jo 5.1-9, Lc 10.25-37). 22. Leitor/a: Os discípulos de Jesus estão diante da tentação de fazer fracassar o projeto do Reino por causa da ambição. É o mesmo que acontece com tantas lideranças quando se aproximam do poder. A causa, pela qual se discursou, perde-se ao subir no trono. Podemos lembrar do descaso na saúde pública, dos sanguessugas... 23. Leitor/a: Quando Jesus fala em arrancar olho, decepar mão e pé, ele novamente radicaliza contra tudo o que possa impedir que o projeto do Reino seja colocado em prática: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus” (Lc 9.62). Olhar para trás é perder o rumo do projeto de vida plena. Se essa unidade de forças não funciona, o trabalho não pode ser realizado. Então estes órgãos são como o sal que perde sua capacidade de salgar. 24. Leitor/a: O projeto de Jesus é um projeto de salvação coletivo. O sal que nos salga é a palavra de Deus, que nos preserva da tentação de esquecer a causa maior e provocar divisão. Conforme Paulo, somos membros do corpo de Cristo no mundo para cuidar uns dos outros, especialmente dos mais fracos (1 Co 12.25). A sua graça é que nos possibilita participar do seu Reino. Essa oportunidade não deve ser perdida por nada. 25. Leitor/a: Paulo, Lutero e tantas outras pessoas jogaram tudo para o alto por esta causa. E o fizeram não por medo de serem lançados no fundo do mar ou de irem – 11 –
para o inferno, mas por verem em Jesus o Reino de Deus, o projeto de vida plena se concretizando. Reis e profetas quiseram ver o Reino de Deus acontecer (Lc 10.24). Em Jesus, o Reino acontece através dos pequeninos. Nada deve impedir essa alegria. Perder esse momento é como ser lançado no fundo do mar. 26. Dirigente: Queremos ter um momento de reflexão: • Jesus alerta os discípulos, dizendo: Não há quem faça o bem, para depois falar mal de Deus. O contrário é possível: Fazer o mal e depois falar bem de Deus. Comente. • Somos cristãos luteranos. Como podemos viver nosso Batismo, sabendo que o projeto de Jesus é um projeto de salvação coletivo? • Que compromisso podemos firmar a partir deste encontro? 27. Canto: HPD 429 28. Dirigente: Oremos: Agradecemos-te, Senhor, nosso Deus, por nos amares como um bondoso pai e cuidares de nós como uma carinhosa mãe. Agradecemos-te porque tu tens olhos que enxergam o sofrimento do teu povo, pés que caminham ao seu encontro e mãos que libertam e afagam em meio ao sofrimento. Tu nos convidas e te alegras com a nossa presença em tua grande família. Tu nos fazes instrumentos de transformação e valorização da vida. Apesar de todas as nossas falhas e limitações, queremos colocar-nos a tua disposição. Anima-nos e fortalece-nos. Em tuas mãos queremos colocar pessoas que sofrem diariamente a exclusão promovida por esta sociedade neoliberal: crianças e idosos, jovens e casais, desempregados e desesperançados... Olha com carinho para todas as pessoas que nos são queridas, perto ou longe. Deus do amor, que agradável é sabermos que teus ouvidos se inclinam para a oração e à prece dos que te invocam e que estás atento ao que te pedimos. Sê conosco e nos guarda. Por Jesus Cristo: Pai Nosso... 29. Dirigente: (convidar para colocar a mão direita sobre o ombro de quem está à direita) Que todos e todas levem consigo a inspiração deste momento! Fica conosco, Senhor, e faze-nos instrumentos do teu Reino. 30. Todos/as: Que Deus nos ilumine com a sua graça e nos fortaleça para não perdermos a bem-aventurança de participar deste grande mutirão da vida para o qual Jesus nos convida. Amém. P. Anivaldo Kuhn P. Fábio Staggemeier P. Décio Weber Pastoral Popular Luterana – 12 –
3º ENCONTRO ESTUDO BÍBLICO: Gênesis 2.18-24 Sugestão de Preparo do ambiente: (sugestão) Providenciar Bíblias na Tradução de João Ferreira de Almeida (neste caso, mais próxima ao original do que a Bíblia na Linguagem de Hoje). Ter ao centro, sobre panos coloridos, no chão do círculo ou sobre a mesa do encontro, vela, cruz, flores. 1. Acolhida: 2. Canto: (sugestões) “Vem, Santo Espírito” (O Povo Canta - p. 211) ou “Palavra não foi feita” (O Povo Canta - p. 78). 3. Oração: Deus da vida, nós temos dificuldade em nos relacionarmos igualmente como seres criados à tua imagem: criamos distinções entre homens e mulheres, entre pessoas adultas e crianças, entre ricos e pobres, entre povos, entre as diferentes religiões e confissões religiosas a que pertencemos. Ah, como somos limitados! Carecemos de teu perdão e de teu amor. Ao meditarmos em torno de tua Palavra, sê tu conosco através de teu Santo Espírito, para que tenhamos disposição em romper com conceitos e preconceitos que nos separam e que reforçam a crença na superioridade de uns e na inferioridade de outros/as; permitenos vivermos a liberdade com que fomos criados/as. Por Jesus Cristo, nós oramos. Amém. 4. Estudo do texto: Gênesis 2.18-24. (Sugestão: Num primeiro momento, pessoas do grupo lêem, espontaneamente, os versículos que compõem o texto. Em seguida, sugere-se ao grupo que feche suas Bíblias e ouça o texto na voz do/a coordenador/ a. Num terceiro momento, solicita-se ao grupo que (apenas) reconte o que guardou na memória, sem o auxílio do texto em si.) Partilha de impressões (“chuva de idéias”), vivências e sentimentos Perguntas motivadoras: a) Como você se sente diante deste texto? b) Como homem e mulher nos são apresentados neste texto? Quais sãos as ações, as falas, os silêncios, os acontecimentos e as iniciativas projetados sobre homem e mulher? Como se relacionam homem e mulher no texto? Que conceitos e preconceitos de sua época o texto revela? c) Como repercute entre nós este texto na atualidade? Você lembra de expressões, – 13 –
piadas, textos ou frases que aludem a esta passagem bíblica em nossos dias? Que conceitos e preconceitos eles expressam? d) É possível falar de um projeto de Deus para sua criação (pensando também nos versículos 19-20a) a partir deste texto? Qual é este projeto? Algumas informações sobre o texto, em seu contexto, e sua interpretação ao longo da história da Igreja Um texto bíblico não pretende ser histórico no sentido de oferecer um relato fidedigno de acontecimentos; tampouco, ele é “a voz de Deus” (embora a gente ouça Deus falar através do texto!). Um texto bíblico é, sobretudo, testemunho de fé de um povo diante da ação de Deus. Nesse sentido, portanto, somos convidados/as a nos aproximarmos do texto de Gênesis 2.18-24. Aliás, tal compreensão permite que indaguemos sobre a época de surgimento do texto, sobre as perguntas que estiveram na sua origem e que conduziram a sua elaboração e, ainda, sobre as vivências, conceitos e preconceitos que foram embutidos no texto a partir do “mundo” das pessoas que o redigiram. Essa é a proposta para este momento: procurarmos por respostas (possíveis)! Gn 2.18-24 está inserido na unidade maior, que compreende Gn 2.4b-3.24. Esta unidade, formada, por sua vez, por pequenos blocos que foram se juntando no decorrer de muitos anos, oferece um testemunho da compreensão de um povo sobre a criação do mundo e as conseqüências do pecado da humanidade. Isso permite caracterizá-la como saga etiológica, isto é, uma “história”, cuja função consiste em explicar sobre a origem e a existência de algo. Sua redação data, provavelmente, do período entre os séculos X e VIII aC, entre o início do reinado e a atuação de alguns profetas. O texto remete à vida do campo como experiência fundante. Alguns elementos do texto conduzem a tal compreensão (ainda mais se comparados à história da criação conforme Gn 1-2.4a): terra e céus (nessa ordem) são criados por Deus (v. 2.4b); o “caos” se expressa na ausência da terra agricultável e de pessoas que a cultivam (2.5); o ser humano é formado do pó da terra (2.7); o jardim que lhe serve de “casa” requer cuidados - “cultivar e guardar” -, semelhante à propriedade agrícola (v. 2.8, 15); os animais estão muito próximos dos seres humanos e também eles são criados do pó da terra (2.19); e, ainda, a (única) profissão sugerida como meio de obter o sustento é a de agricultor/a (3.17-19). Nesta “unidade” (Gn 2.4b - 3.24), dois projetos são contrapostos: um de vida e um de morte. No primeiro projeto, sem entrar ainda no específico do “nosso texto” - Gn 2.18-24 -, o jardim é o espaço da vida harmoniosa para os seres humanos e os animais; as pessoas o cultivam (por causa das suas necessidades) – 14 –
e o preservam (para a sobrevivência da própria natureza). No segundo projeto, acontece a quebra das relações harmoniosas entre os seres humanos e, ainda, entre estes e os animais; além disso, os seres humanos são expulsos do jardim, e a terra, que estava na sua origem e que representava potencialmente sua possibilidade de vida, agora representa o seu fim (“tu és pó e ao pó tornarás” 3.19). A serpente, símbolo da idolatria, expressa o poder do Estado; dentro da lógica do Estado, não há relação de parceria, mas de dominadores e dominados/ as. O segundo projeto revela o distanciamento dos seres humanos de Deus. Nesta lógica, o texto de Gn 2.18-24 se insere dentro do projeto de vida como expressão da vontade divina! Foi realmente assim que ele nos pareceu no primeiro momento, quando dialogamos sobre ele? Olhemos mais de perto Gn 2.18-24, tendo em mente o diálogo estabelecido inicialmente entre o grupo e comparando a tradição aí registrada com outra, na mesma unidade (Gn 2.7), e, ainda, com aquela que se encontra formulada em Gn 1.27, cuja origem reporta ao século VI aC. Conforme Gn 1.27, “Deus criou os seres humanos (adam) à sua imagem (...); homem e mulher os criou”. Aqui parafraseio Milton Schwantes (p. 33): “Imagem (de Deus) não é nem o masculino e nem o feminino e muito menos o indivíduo. Reside na relação destas diferenças que representam mulher e homem. A mediação da imagem de Deus é, pois, coletiva”. Nesta tradição, não há menção a uma hierarquia entre os sexos (masculino e feminino), pelo contrário, justamente por estarem em relação entre si e com Deus é atribuída aos seres humanos a imagem de Deus. Segundo Gn 2.7, Deus criou os seres humanos (adam, isto é, homem e mulher, e não somente o homem - masculino - como consta em várias traduções) do pó da terra (não poderia ser diferente dentro do mundo do/a agricultor/a, como foi dito anteriormente). A partir do v. 18, entra em cena outra tradição, diferente da de Gn 1 (distantes entre si inclusive pela época de surgimento) e diferente da de Gn 2.7, que perfaz com o “nosso texto” uma unidade. Neste sentido, já fizemos menção anteriormente a diversos pequenos blocos que teriam constituído essa “unidade” - Gn 2.4b-3.24. Em Gn 2.18ss, homem e mulher são criados separadamente e a mulher não é formada do pó da terra (diferentemente do homem e dos animais), mas da costela do homem! Ela existe porque ele existiu primeiro! Ela não é parceira do homem, como nas duas outras tradições, mas “auxiliadora”. Nesta tradição, o homem dá nome aos animais (ele recebe poder criativo para tal) e ele fala (Gn 2.23); a mulher é passiva - silenciada! Estes elementos revelam, sem dúvida, o mundo patriarcal no qual o texto teve origem; mas, cuidado, não revelam, certamente, a vontade divina! Se em nossos dias, ainda, homens e mulheres (em geral) não – 15 –
experimentam uma relação de igualdade, de parceria, não poderia ser diferente há dez ou oito séculos antes de Cristo! Se nos contentarmos em apontar somente estes elementos do texto, no entanto, vamos “perder” aspectos significativamente novos dentro desta tradição redacional. Segundo Milton Schwantes, a partir dos termos hebraicos - língua original do texto -, a mulher como “auxiliadora” (Gn 2.20) “seria ‘como’ e estaria ‘diante’ do homem. (...) Ora, a mulher que é ‘como’ (igualdade) e está ‘diante’ (diferença) a rigor já não é mais ‘auxiliadora’, nas categorias patriarcais”. É como se de dentro do próprio texto, da pena de quem escreve, houvesse uma tentativa de romper/quebrar com a relação hierárquica entre homem e mulher vivenciada no ambiente de surgimento do texto! Por fim, Gn 2.24 também sugere uma novidade: não é a mulher que acompanha o homem, quando se casam, mas o homem deixa sua família e se junta à família da esposa. Este certamente não é um indicativo de uma relação hierárquica, como no caso de Gn 3.16, onde um dos “castigos” imputados sobre a mulher é ser dominada pelo homem, visto ser o homem aquele que sai da casa paterna/materna e precisa se adaptar ao “mundo” da mulher/esposa. Antes de fazermos menção, brevemente, acerca de algumas interpretações do texto de Gn 2.18-24 ao longo da história da Igreja, "recolho" alguns indícios apontados até aqui: • Não é possível ler e entender um texto bíblico “ao pé da letra”. • Texto bíblico não é relato histórico e nem foi ditado por Deus; é testemunho de fé. • Um texto bíblico expressa o contexto do seu surgimento, com os conceitos e preconceitos da época; ele não é, portanto, "neutro" e nem nós o lemos com neutralidade. • O texto de Gn 2.18-24 é uma saga etiológica que, em sua época de redação, dá testemunho de compreensão de um povo sobre a criação do mundo, entre outras coisas. • O texto de Gn 2.18-24 revela um contexto patriarcal, onde o homem é descrito em oposição à mulher: ativo x passiva, criado do pó da terra, seu bem máximo x criada da costela do homem, fala x é silenciada. Ao mesmo tempo, permite vislumbrar uma nova relação entre homem e mulher, na medida em que a mulher é como/idônea/com a mesma capacidade que o homem e ele a acompanha, quando da união de ambos. Neste sentido, se comparado a Gn 3, ele integra o projeto de vida de Deus. Esse texto foi amplamente explorado, em diferentes épocas e contextos, ao longo da história da Igreja. Sua interpretação, no entanto, geralmente serviu para conferir legitimidade de mando ao homem - em casa e nos espaços comunitário– 16 –
sociais. Menciono apenas alguns exemplos: Vamos encontrá-lo ainda no Novo Testamento, na Segunda Epístola de Paulo a Timóteo (2.11ss), quando às mulheres está sendo tolhida sua participação em público, no âmbito da comunidade. Nesta carta, homem e mulher são identificados como Adão e Eva (nomes próprios) e não entendidos em seu significado hebraico: adam = seres humanos e ev = vida. Entre as outras duas tradições possíveis que falam da criação dos seres humanos, anteriormente mencionadas, justamente esta é invocada para dizer que “primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1Tm 2.13), com evidente intenção de restabelecer a antiga ordem patriarcal de atuação de ambos os sexos, superada em Jesus Cristo. Entre o final do século XVI até meados do século XVIII, milhares de mulheres foram assassinadas, especialmente na Europa, num período que ficou conhecido como “caça às bruxas”. Em tempos de Inquisição, o Tribunal Eclesiástico condenava as mulheres por desconhecimento e temor da sua sexualidade. Elas eram acusadas, a partir de Gn 3, de serem coniventes com o demônio; além disso, segundo o Manual de Caça às Bruxas (Malleus Maleficarum), escrito em 1848, se alegava que “Eva nasceu de uma costela torta de Adão, portanto nenhuma mulher pode ser reta”. Martim Lutero, por sua vez, a partir de Gn 1 e Gn 2.18, afirmou a igualdade de homens e mulheres perante Deus e a sociedade. Apesar disso, manteve-se fruto de sua época ao sugerir a obediência da esposa/mulher ao marido/homem, no âmbito do casamento. Ao elaborar um “Manual da bênção matrimonial para os pastores pouco letrados”, Martim Lutero fala da “cruz” que Deus colocou sobre o matrimônio a partir de Gn 3.16, segundo ele, também a da mulher ser submissa ao seu marido e tê-lo por seu senhor. Bem recentemente, em termos de história da Igreja, a teologia feminista reivindica também a experiência das mulheres na interpretação bíblico-teológica. Como diz Rosemary Ruether, “(...) o uso da experiência das mulheres na teologia feminista explode como uma força crítica, revelando que a teologia clássica, incluindo suas tradições codificadas, baseia-se na experiência masculina, e não na experiência universal”. Neste sentido, ela tem possibilitado novas reflexões e re-visões de textos com ampla tradição de interpretação. O texto de Gn 2.18-24 em nossos dias Espaço de diálogo: como a leitura e a interpretação deste texto podem “fazer novos os sistemas de pensar” (OPC - 211) e nos motivar para relações renovadas entre toda a criação de Deus e, especialmente, entre homens e mulheres? 5. Canto: (sugestões) “Momento Novo” (O Povo Canta - p. 44) ou “Jesus Cristo, esperança do mundo” (O Povo Canta - p. 32). – 17 –
6. Oração: Dar-se as mãos. Formular preces espontâneas. Encerrar com a oração que Jesus nos ensinou: Pai Nosso... 7. Bênção e envio: Que o sopro de vida do Deus criador restabeleça, sempre de novo, as relações entre as pessoas e entre toda sua criação e nos permita vivermos à sua imagem e semelhança na coletividade; que Jesus Cristo nos impulsione para rompermos com conceitos e preconceitos que nos impedem de vivermos como irmãs e irmãos, nem mais nem menos do que o/a outro/a, cada qual servindo conforme os dons recebidos; que o Espírito Santo escute nossas dores e alimente em nós a chama do amor e a coragem de mudar. Que assim nos abençoe o Deus da vida! Amém. Vamos em paz e sirvamos a Deus, com alegria!
Pa. Scheila dos Santos Dreher Pastoral Popular Luterana Referências bibliográficas: • DREHER, Scheila dos Santos; SCHLABITZ, Claire; OST, Maria Helena. Bem me quero Bem te quero. Construindo Relações de paz. 2001 a 2010 - Década para Superar a Violência. São Leopoldo: PPL/CEBI, 2005. p. 11-26. • KRAMER, Heinrich; SPRENGER, James. O martelo das feiticeiras. Malleus Maleficarum. 3ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1991. • LUTERO, Martinho. Da Vida Matrimonial. Tradução: Ilson Kayser. In: LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Ética: Fundamentos - Oração - Sexualidade - Educação - Economia. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1995, p. 149-159. (Obras Selecionadas, 5). • LUTERO, Martinho. Manual da bênção matrimonial para pastores pouco letrados. Tradução: Walter O. Schlupp. In: LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Ética: Fundamentos - Oração - Sexualidade - Educação - Economia. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1995, p. 283-286. (Obras Selecionadas, 5). • REIMER, Ivone Richter. O Belo, as Feras e o Novo Tempo. São Leopoldo: CEBI/Vozes, 2000. p. 15-27. • RUETHER, Rosemary R.. Sexismo e Religião. Rumo a uma Teologia Feminista. São Leopoldo: Sinodal/EST, 1993, 239 p. • SCHWANTES, Milton. Projetos de Esperança. Meditações sobre Gênesis 1-11. Petrópolis: Vozes/ CEDI/Sinodal, 1989. p. 1-36; 73-84. (Coleção Deus conosco).
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4º ENCONTRO ESTUDO BÍBLICO: Amós 5.6-7, 10,15 Procurar a Deus faz procurar o bem. Preparando o encontro: Para o desenrolar desta celebração, sugerimos providenciar revistas e jornais que contenham notícias recentes. Também cartolina ou papel pardo e canetões. Sem esquecer de preparar o espaço do encontro com símbolos litúrgicos (vela, cruz, panos, flores...). Acolhida Dirigente: Damos graças a Deus porque temos a oportunidade de nos encontrarmos neste momento. Na sua companhia, cantamos e suplicamos, ouvimos sua palavra e nos comprometemos com o seu Reino. Vamos, em conjunto, invocar o nome de Deus, cantando o hino “Vem, Espírito de Deus” (O Povo Canta, 206). Canto Comunitário Dirigente: Em oração, vamos nos valer das palavras do Salmo 90.12-17, lendo o texto em dois grupos. Todos: Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Grupo 1: Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Grupo 2: Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos, das tuas servas. Grupo 1: Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Grupo 2: Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade. Grupo 1: Aos teus servos e às tuas servas apareçam as tuas obras, e a seus filhos e à suas filhas, a tua glória. Grupo 2: Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus; confirma sobre nós as obras de nossas mãos. Todos: Sim, confirma a obra das nossas mãos! Amém! Dirigente: Cantamos mais uma canção. Alguém quer escolher um hino? Canto Comunitário – 19 –
Palavra Dirigente: Hoje nós vamos usar o tempo para olhar algumas coisas da nossa vida, notícias que fazem parte do nosso cotidiano, da realidade perto e longe da gente. Durante alguns minutos, vamos ler os jornais, as revistas que estão aqui. (Proporcionar em torno de 5 minutos para que as pessoas possam descobrir as notícias relevantes. Em seguida, abrir espaço (até10 minutos) para a troca de impressões, onde as notícias são partilhadas, tendo a sensibilidade para dar o tempo adequado.) Dirigente: Também a Palavra de Deus é importante para nós. Ela é notícia que deve sempre estar presente em nossas casas, na nossa vida, por onde quer que andemos. E hoje temos o convite para ouvir o que está guardado em Amós 5.6-7, 10-15. Vamos abrir estas palavras e descobrir o que elas nos dizem! Amós 5.6-7, 10-15 (conforme a tradução constante em “Bíblia Sagrada - Edição Pastoral” {Paulus}) 6 Procurem a Javé, e vocês viverão. Senão, ele virá como um fogo sobre a casa de José e a queimará, e em Betel não haverá quem o apague. 7 Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra. 10 Eles odeiam os que defendem o justo no tribunal e têm horror de quem fala a verdade. 11 Porque esmagam o fraco, cobrando dele o imposto do trigo, eles poderão construir casas de pedras lavradas, mas nelas jamais irão morar; poderão plantar vinhas de ótima qualidade, mas do seu vinho não beberão. 12 Pois eu sei como são numerosos os seus crimes e graves os seus pecados: exploram o justo, aceitam subornos e enganam os necessitados no tribunal! 13 É por isso que nesse tempo o prudente se cala, pois o tempo é de desgraça. 14 Procurem o bem e não o mal; então vocês viverão. Quem sabe, assim como vocês dizem - Javé, Deus dos exércitos, estará com vocês. 15 Odeiem o mal e amem o bem; restabeleçam o direito no tribunal. Quem sabe, assim Javé, Deus dos exércitos, terá misericórdia do resto de José. Dirigente: As palavras deste texto são fortes! Isso revela que Deus está, sempre de novo, ouvindo o clamor de seu povo, como fez no tempo de Moisés, sob o domínio do Faraó do Egito. As palavras do profeta descobrem a indignação de Deus com determinadas práticas existentes no dia-a-dia da vida. Leitor 1: Amós era criador de cabritos e ovelhas. Também coletava essências oleosas de sicômoros. Esta era a sua profissão. E foi chamado para ser profeta. Ele é – 20 –
uma das primeiras testemunhas bíblicas que revelam que a fé em Deus tem a ver com a realidade da vida. Deus tem algo a dizer quando o cotidiano da vida é marcado pelo domínio de idéias e ações que não produzem sinais de vida. Leitor 2: Antes, lemos notícias da nossa cidade, do nosso Estado, do nosso País. Também acontecimentos de lugares diferentes deste mundo criado por Deus. Muitas destas notícias também revelam situações da vida de um jeito muito parecido com o que o profeta Amós revela. Leitor 3: Nós também conhecemos a realidade da vida. E a nossa fé no Deus da Vida plena e abundante, conforme a promessa de Jesus, não nos deixa ficar de braços cruzados nessa situação. O próprio profeta nos dá as indicações do caminho que podemos seguir. Leitor 4: Primeiro, ele revelou o que estava acontecendo. Depois, ele convidou para uma ação com ênfase em dois pontos fundamentais: procurar Deus e procurar o bem! Esta é a proposta de Amós para a nossa vida de fé. Leitor 1: Quando Martim Lutero elaborou o Catecismo, ele incluiu nele os Dez Mandamentos. E recomendou que o Catecismo Menor fosse um livrinho a ser usado por todas as famílias. É na família, no espaço da casa, que acontece o primeiro contato com a Palavra de Deus. Desta forma, pai e mãe podem cumprir o que prometeram no momento do Batismo, cuidando de sua filha, de seu filho. Leitor 2: Todos os mandamentos são palavras de orientação para uma vida digna e plena. Hoje, a partir do texto do profeta Amós, podemos lembrar dois deles. O primeiro: “Eu sou o Senhor, seu Deus. Você não deve ter outros deuses além de mim”. Lutero diz que devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de tudo. É conseqüência do que o profeta Amós diz: procurem a Deus e vocês viverão! Leitor 3: E também o oitavo mandamento é importante para a nossa meditação no encontro de hoje: “Não fale mentiras a respeito do próximo”. E na explicação, o Catecismo guarda o que Lutero ensina: devemos temer e amar a Deus e, por isso, não enganar o nosso próximo com falsidade, traí-lo, caluniá-lo ou fazer acusação falsa contra ele. É, também, conseqüência ao que Amós propõe: procurar o bem, restabelecer o direito, a justiça. Leitor 4: A palavra de Deus nos motiva a agir. Deus mesmo nos capacita com diferentes dons para edificar sinais de seu Reino entre nós. Por Jesus Cristo, no seu Evangelho de Palavra e Ação, somos pessoas libertadas, por graça e fé, de tudo o que impede a vida. Assim, somos pessoas renovadas e fortalecidas pelo Espírito Santo, dispostas a assumir a conseqüência que a Palavra de Deus provoca em nós.
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Dirigente: Vamos, então, fazer um painel (cartaz) que demonstre qual é o compromisso que assumimos para dentro do cotidiano de nossas vidas. Quando nos comprometemos com alguém ou com algo, demonstramos o nosso cuidado, o nosso carinho, a nossa vontade por vida inundada de justiça e paz. Vamos lá! (Animar as pessoas a construírem conjuntamente o compromisso para a vida! Depois do cartaz pronto, ...) Este cartaz nós vamos levar ao culto da Comunidade, para envolver todas as pessoas nesta caminhada em busca e em luta pela dignidade da vida. É o nosso compromisso de cuidar da fé e da vida entre nós! Envio e Bênção Dirigente: Na companhia de Deus, temos a oportunidade de colocar diante dele a nossa oração. Vamos, hoje, fazer um pouco diferente. Por um momento, cada pessoa pode fazer a sua oração em silêncio. Podemos agradecer por acontecimentos em nossa vida, podemos interceder por pessoas que necessitam de cuidado e de carinho, podemos lembrar a caminhada de nossa igreja, podemos pedir pelas pessoas que governam... Depois, finalizamos em conjunto com a oração que Jesus ensinou. Oramos! (momento de silêncio) Pai Nosso... Dirigente: Por fim, vamos pedir em conjunto pela bênção de Deus para a nossa caminhada de vida e fé! Em tuas mãos, os nossos dias estão bem guardados, Senhor. Pertence-te a nossa história. O tempo, nos dás por amor. Abriga-nos em tua graça, se o tempo quer entardecer. Que livres do medo sigamos, confiantes no amanhecer. Fica conosco, Senhor, em tempos de paz e de dor! Ajuda teu povo a seguir na fé, na esperança e no amor! Amém! Rodolfo Gaede Neto Canto Comunitário: Antes de nos despedirmos, cantamos mais alguns hinos! Quem sugere o primeiro?...
P. Cristov Kayser Pastoral Popular Luterana
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LITURGIA – Dia da Reforma
I - PREPARAÇÃO Comunidade (C): Hino de invocação do Espírito Santo - HPD II, 367 - 3x (ou 365 - 3x). Intróito Pastor (P): Nós estamos reunidos para este Culto no Dia da Reforma da Igreja de Jesus Cristo em nome de Deus Pai, (†) Filho e Espírito Santo. C: Amém. P: Eu elevo os meus olhos para os montes. De onde me virá o meu socorro? C: O nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu, a terra, e tudo que neles existe, e por graça ainda os mantém. P: O apóstolo Paulo nos ensina (em 1 Co 3.11) : “Ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” - Cantemos louvores ao Trino Deus. C: Glória seja ao Pai, e ao Filho, e...
II - CONFISSÃO DE PECADOS E ABSOLVIÇÃO P: Estamos aqui reunidos na presença do Senhor para ouvir a sua Palavra da justificação por graça mediante a fé (e com ações de graça, celebrar a sua Ceia ). Por isso vamos reconhecer em humildade que somos pecadores e pecadoras e pedir o seu perdão, orando juntos: C: Deus todo-poderoso, Pai misericordioso! Eu, pessoa pecadora, confesso-te todos os meus pecados e injustiças que cometi com pensamentos, com palavras, com ações e omissões. Com eles tornei-me culpado perante Ti e meus semelhantes e causei a tua ira, merecendo o teu castigo nesta vida e na eternidade. Todos estes pecados, que tu conheces um por um, pesam na minha consciência e eu deles me arrependo profundamente. Peço-te, ó Deus, por causa de tua misericórdia que não tem fim e da inocente e amarga paixão e morte de teu Filho Jesus Cristo: Tem misericórdia de mim, pessoa pecadora; perdoa-me os meus pecados; e dá-me a força do teu Espírito Santo para
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melhorar a minha vida. Amém. ou: P: Caros irmãos e irmãs em Cristo: Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós; se, porém, confessamos os nossos pecados, DEUS é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça. Por isso, em um momento de silêncio, vamos refletir sobre as nossas culpas - e depois pedir-lhe perdão contando o Hino HPD I, 150. C: Hino HPD I, 150.1-4. P: E agora eu lhes pergunto diante da face do Santo Deus: É sincera esta sua confissão? E vocês buscam de coração o seu perdão em Jesus Cristo? Então respondam: Sim. C: Sim! P: Diante desta confissão de vocês, eu, como ministro ordenado da Igreja para o ministério da reconciliação, lhes anuncio o perdão dos seus pecados em nome do Pai, e do Filho (†) e do Espírito Santo. C: Amém. P: Pela sua graça e seu amor louvemos a Deus cantando do HPD I, 241.1+4-5. C: Hino HPD, 241.1+4-5.
III - KYRIE P: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. C: E com você também. P: A Sagrada Escritura nos ensina: “Ele te declarou, ó ser humano, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes em humildade com o teu Deus.” (Mq 6.8) Por isso vamos trazer perante Ele as dores do mundo: P: Em paz oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: pela paz no mundo inteiro , em especial no Oriente Médio; pela paz em nosso – 24 –
país, em nossas cidades, em nossas famílias, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: pelas pessoas que sofrem injustiças e perseguições; pelos assolados por fome, doença e desemprego, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: pelas pessoas que se encontram desorientadas, sem verdadeiros valores de vida a partir do evangelho, e por isso caem em drogas, em prostituição, em desrespeito pela vida, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: pelos novos governantes e representantes do povo eleitos em nosso país e estado, para que sejam justos em seus atos, e consigam superar a corrupção, a injustiça e a violência, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: pela sua Igreja e pelas autoridades nela eleitas recentemente, para que se orientem na verdade do Evangelho de Jesus Cristo, e para que o seu testemunho e sua vida de fé sejam vigorosos em nosso país, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: por esta casa santa e todos que a buscam com fé e temor a Deus, oremos ao Senhor. C: Tem, Senhor, piedade... (Kyrie eleison) P: Por graça, socorre-nos, Senhor. C: Amém.
IV - GLÓRIA (de Taizé) P: Vamos todos louvar e glorificar a Deus, cantando-lhe o Glória: Todos: Glória, glória... 1: Senhor Deus, Rei dos céus, Pai todo-poderoso: 2: Nós te louvamos e bendizemos, 1: Nós te adoramos e glorificamos, – 25 –
2: Nós te damos graças por tua imensa glória. Todos: Glória, glória... 1: Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito; 2: Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai: 1: Tu que tiras o pecado do mundo, tem piedade de nós. 2: Tu que tiras o pecado do mundo, acolhe nossas súplicas. 1: Tu que estás à direita do Pai, tem piedade de nós. 2: Só tu és o Caminho a Verdade e a Vida; 1: Só tu és a Luz do Mundo; 2: Só tu és o Pão da Vida 1: Jesus Cristo, com o Espírito Santo, 2: na glória de Deus Pai. Amém. Todos: Glória, glória...
V - ORAÇÃO DO DIA P: Oremos: Senhor nosso Deus e Pai! Nós te louvamos e agradecemos, porque podemos nos reunir aqui para celebrar este Dia da Reforma. Agradecemos por teu servo Martim Lutero, que nos apontou de novo o centro do Evangelho da salvação por graça mediante a fé. Nós te pedimos, Senhor, que estejas conosco agora, quando nos falares pela tua Palavra. Abre-nos o coração e mente para aceitarmos a tua verdade e integrá-la em nossa vida. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina para todo o sempre. C: Amém.
VI - LITURGIA DA PALAVRA P: Para nos prepararmos para receber a Palavra de Deus, cantamos o hino HPD I, 90.1-3 (alternativas: HPD II, 380 ou 381). C: Hino HPD I, 90.1-3 (ou HPD II, 380 ou 381).
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P: Ouçamos a leitura do AT para hoje de Is 62.6-7,10-12 (ou Sl 46.1-7). C: Hino HPD II, 380 (ou 381). P: Ouçamos a leitura da Epístola para hoje de Rm 8.9-28 (ou Mt 5.2-10). Senhor, conserva-nos na tua Verdade, a tua Palavra é a Verdade. Amém. C: Amém. P: Aclamemos o Evangelho, cantando Aleluia! C: |: Aleluia, aleluia, aleluia! Alelu-u-u-ui-a! :| P: O evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo para este dia está em João 8.31-36. (ou: O texto para a nossa prédica de hoje está em Gálatas 5.1-6) Esta é a Palavra do Senhor! C: Louvado sejas, Cristo. C: Hino HPD I, 156.1-3. P: Prédica do dia T: PROFISSÃO DE FÉ: Credo Apostólico (ou Hino HPD I, 88.1-3 cantado ou recitado). P: Comunicações que implicam oração de intercessão e ação de graças (autoridades; direção da Igreja; enfermos; enlutados, noivos, batismos, etc...). C: (Preces...) “Senhor, escuta a nossa prece”!
VII - LITURGIA DA SANTA CEIA C: Canto de Ofertório HPD II, 359 (ofertas de gratidão são recolhidas e, juntamente com os elementos, colocadas sobre o altar). OFERTÓRIO P: Nós te bendizemos, Senhor Deus Criador, pelo pão, fruto da terra e do trabalho, que aqui te trazemos. C: Bendito sejas para sempre. P: Nós te bendizemos, Senhor Deus Criador, pelo vinho (fruto da videira), fruto da terra e do trabalho, que aqui te trazemos. C: Bendito sejas para sempre.
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P: Reúne-nos, Senhor, desde os confins da terra, em teu Reino, assim como nos reúnes agora em torno desta mesa para a tua Ceia. C: Amém.
ORAÇÃO EUCARÍSTICA P: O Senhor esteja com todos vocês. C: Ele está no meio de nós. P: Elevem os seus corações. C: Nós os elevamos a Deus. P: Vamos dar graças ao Senhor, nosso Deus. C: Isto é digno e justo.
P: Sim, é digno e justo, e de nosso dever / que, em todos os tempos e lugares, nós te rendamos graças, / ó Deus eterno e todo-poderoso, por Jesus Cristo, nosso Senhor. / Salvos pela graça mediante a fé - sendo isto Dom gracioso de Deus e não obra nossa - / nós somos filhos e filhas de nosso Pai celeste. / Por isso, com toda a tua Igreja, / louvamos e adoramos teu glorioso Nome, / cantando o sempiterno hino: C: Hino HPD II, 362 (ou HPD I, 125.1-2). P: Graças te damos, ó Pai, que vieste a nós em Jesus Cristo, teu Filho, que se fez gente e habitou entre nós; Ele curou doentes, perdoou pecados, aceitou excluídos e perdidos, e anunciou um novo Tempo, até ser crucificado. C: Ele veio nos salvar. P: O nosso Senhor Jesus Cristo, na noite ... (palavras de instituição)... Portanto, todas as vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, anunciam a morte do Senhor, por nós, até que Ele venha. C: Anunciamos, Senhor, a tua morte e proclamamos a tua ressurreição. Vem, Senhor Jesus! P: Envia o teu Espírito, Senhor, para que partilhando desta tua Ceia, pela fé nos tornemos um só corpo, que anuncia e vive a esperança. C: Ó vem, Santo Espírito. – 28 –
P: Guia-nos, Senhor, à festa da alegria de teu reino, para ali proclamar o teu louvor e anunciar a salvação, para a qual em Cristo nos chamaste. C: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, seja a ti, Pai todo-poderoso na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e sempre. Amém. T: Pai Nosso...
GESTO DE PAZ P: A paz do Senhor seja sempre com todos vocês. C: E com você também.
COMUNHÃO P: O cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo; o pão que (re)partimos é a comunhão do corpo de Cristo. C: Nós , embora muitos, somos um só corpo em Cristo. P: Venham, porque tudo está reparado! (Durante a Comunhão a comunidade canta Hinos HPD I 49; 155; 156; 161...)
ORAÇÃO PÓS-COMUNHÃO P: Oremos: Deus, todo-poderoso! Nós te agradecemos e te louvamos, porque nos restauraste através da comunhão do corpo e sangue de teu Filho Jesus Cristo. Dá, Senhor, em tua bondade, que esta Ceia nos fortaleça na fé e na esperança em ti. Dá que ela nos assegure em nossa salvação, e nos possibilite um amor sempre maior a ti e às pessoas com que convivemos.. Isto te pedimos, ó Pai, por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. C: Amém.
VIII - LITURGIA FINAL P: Avisos Comunitários. C: Canto de despedida - HPD I 97.1-4. P: Abençoe-os Deus, o todo-poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo; hoje e – 29 –
sempre. Amém. C: Amém. P: Vão em paz, e sirvam a Deus com alegria. C: Damos graças a Deus.
P. Dr. Osmar Zizemer Comunhão Martim Lutero
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Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação pela Fé da Igreja Católica Romana e da Federação Luterana Mundial Preâmbulo 1) A doutrina da justificação teve importância central para a Reforma luterana do século XVI. Era considerada o “primeiro e principal artigo”[1] e simultaneamente “regente e juiz sobre todas as partes da doutrina cristã”[2]. A doutrina da justificação foi particularmente sustentada e defendida em sua expressão reformatória e sua relevância especial face à teologia e à Igreja católicas romanas de então, as quais, por sua vez, sustentavam e defendiam uma doutrina da justificação com características diferentes. Aqui, segundo a perspectiva reformatória, residia o cerne de todas as confrontações. Elas resultaram em condenações doutrinais nos escritos confessionais luteranos[3] e no Concílio de Trento da Igreja Católica Romana. Essas condenações vigoram até hoje e têm efeito divisor entre as igrejas. 2) Para a tradição luterana a doutrina da justificação conservou essa relevância especial. Por isso, desde o início, ela também ocupou um lugar importante no diálogo oficial luterano-católico. 3) Remetemos em especial aos relatórios “O evangelho e a Igreja” (1972)[4] e “Igreja e justificação” (1994)[5], da Comissão Mista Católica Romana/Evangélica Luterana internacional, ao relatório “Justificação pela fé” (1983)[6], do diálogo católico-luterano nos Estados Unidos, e ao estudo “Condenações doutrinais divisoras das igrejas?” (1986)[7], do Grupo de Trabalho Ecumênico de teólogos evangélicos e católicos na Alemanha. Alguns destes relatórios de diálogo obtiveram 1 2 3
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Os artigos de Esmalcalde II, 1 (Livro de concórdia: as confissões da Igreja Evangélica Luterana, 3. ed., São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1983, p. 312). “Rector et iudex omnia genera doctrinarum” (Edição de Weimar das obras de Lutero, 39/I, 205). Note-se que uma série de igrejas luteranas adotaram como base doutrinária compromissiva somente a Confissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Lutero. Estes escritos confessionais não contêm condenações doutrinais referentes à doutrina da justificação em relação à Igreja Católica Romana. COMISSÃO MISTA NACIONAL CATÓLICO-LUTERANA, O evangelho e a Igreja, s. d. GEMEINSAME RÖMISCH-KATHOLISCHE/EVANGELISCH-LUTHERISCHE KOMMISSION (ed.), Kirche und Rechtfertigung: Das Verständnis der Kirche im Licht der Rechtfertigungslehre, Paderborn/Frankfurt, 1994. Lutherisch/Römisch-katholischer Dialog in den USA: Rechtfertigung durch den Glauben (1983), in: Harding MEYER, Günther GASSMANN (eds.), Rechtfertigung im ökumenischen Dialog: Dokumente und Einführung, Frankfurt, 1987, p. 107-200. Em inglês: Lutherans and Catholics in Dialogue, Minneapolis, 1985, vol. VIII. Lehrverurteilungen - kirchentrennend?: vol. I: Karl LEHMANN, Wolfhart PANNENBERG (eds.), Rechtfertigung, Sakramente und Amt im Zeitalter der Reformation und heute, Freiburg/Göttingen, 1986.
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recepção oficial. Exemplo importante constitui o posicionamento compromissivo emitido pela Igreja Evangélico-Luterana Unida da Alemanha, juntamente com as outras igrejas pertencentes à Igreja Evangélica na Alemanha, com o máximo grau possível de reconhecimento eclesiástico do estudo sobre as condenações doutrinais (1994)[8]. 4) Todos os relatórios de diálogo citados, bem como os posicionamentos a seu respeito, revelam, em seu tratamento da doutrina da justificação, alto grau de orientação e juízos comuns. Por isso está na hora de fazer um balanço e de resumir os resultados dos diálogos sobre a justificação, de modo a informar nossas igrejas, com a devida precisão e brevidade, sobre o resultado geral desse diálogo e de darlhes, ao mesmo tempo, condições de se posicionarem de modo compromissivo a respeito. 5) É isso o que pretende a presente Declaração Conjunta. Ela quer mostrar que, com base no diálogo, as igrejas luteranas signatárias e a Igreja Católica Romana[9] estão agora em condições de articular uma compreensão comum de nossa justificação pela graça de Deus na fé em Cristo. Esta Declaração Comum [DC] não contém tudo o que é ensinado sobre justificação em cada uma das igrejas; mas abarca um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação e mostra que os desdobramentos distintos ainda existentes não mais constituem motivo de condenações doutrinais. 6) Nossa DC não é uma exposição nova e independente, ao lado dos relatórios de diálogo e documentos já existentes, nem pretende, muito menos, substituílos. Ela se reporta, antes, a esses textos e sua argumentação. 7) Assim como os próprios diálogos, também esta DC se baseia na convicção de que uma superação de questões controversas e de condenações doutrinárias até agora vigentes não minimiza as divisões e condenações nem desautoriza o passado da própria Igreja. Repousa, porém, sobre a convicção de que no decorrer da história nossas igrejas chegam a novas percepções e de que ocorrem desdobramentos que não só lhes permitem, mas ao mesmo tempo também exigem que as questões e condenações divisoras sejam examinadas e vistas a uma nova luz.
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Gemeinsame Stellungnahme der Arnoldshainer Konferenz, der Vereinigten Kirche und des Deutschen Nationalkomitees des Lutherischen Weltbundes zum Dokument “Lehrverteilungen - kirchentrennend?”, Ökumenische Rundschau, v. 44, p. 99-102, 1995; incluindo os posicionamentos que servem de base a essa resolução, cf. Lehrverurteilungen im Gespräch: Die ersten ofiziellen Stellungnahmen aus den evangelischen Kirchen in Deutschland, Göttingen, 1983. Na presente DC a palavra “Igreja” reproduz a respectiva autocompreensão das igrejas participantes, sem que com isso se queira considerar resolvidas todas as questões eclesiológicas a ela associadas.
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1. A mensagem bíblica da justificação 8) Fomos levados a essas nova percepções por nossa maneira conjunta de escutar a palavra de Deus nas Escrituras Sagradas. Juntos ouvimos o evangelho de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Esta boa nova é exposta de diferentes maneiras nas Escrituras Sagradas. No Antigo Testamento ouvimos a palavra de Deus sobre a pecaminosidade humana (Sl 51.1-5; Dn 9.5s.; Ec 8.9s.; Ed 9.6s.) e sobre a desobediência humana (Gn 3.1-19; Ne 9.16s.,26), bem como sobre a justiça (Is 46.13; 51.5-8; 56.1 [cf. 53.11]; Jr 9.24) e o juízo de Deus (Ec 12.14; Sl 9.5s.; 76.7-9). 9) No Novo Testamento os temas “justiça” e “justificação” são abordados de maneira diferenciada em Mateus (5.10; 6.33; 21.32), em João (16.8-11), na Epístola aos Hebreus (5.13; 10.37s.) e na Epístola de Tiago (2.14-26)[10]. Também nas cartas paulinas o dom da salvação é descrito de diferentes modos, entre outros como “libertação para a liberdade” (Gl 5.1-13; cf. Rm 6.7), como “reconciliação com Deus” (2 Co 5.18-21; cf. Rm 5.11), como “paz com Deus” (Rm 5.1), como “nova criação” (2 Co 5.17), como “vida para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6.11,23) ou como “santificação em Cristo Jesus” (cf. 1 Co 1.2; 1.30; 2 Co 1.1). Salienta-se entre esses conceitos a descrição como “justificação” do pecador pela graça de Deus na fé (Rm 3.23-25), que foi destacada de maneira especial no tempo da Reforma. 10) Paulo descreve o evangelho como poder de Deus para a salvação do ser humano caído sob o poder do pecado: como mensagem que proclama a “justiça de Deus de fé em fé” (Rm 1.16s.) e que presenteia a “justificação” (Rm 3.21-31). Ele anuncia Cristo como “nossa justiça” (1 Co 1.30) ao aplicar ao Senhor ressurreto o que Jeremias disse acerca do próprio Deus (Jr 23.6). Na morte e na ressurreição de Cristo estão enraizadas todas as dimensões de sua obra redentora, porque “nosso Senhor foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitou por causa de nossa justificação” (Rm 4.25). Todos os seres humanos necessitam da justiça de Deus, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23; cf. Rm 1.183.22; 11.32; Gl 3.22). Nas cartas aos Gálatas (3.6) e aos Romanos (4.3-9) Paulo entende a fé de Abraão (Gn 15.6) como fé no Deus que justifica o pecador (Rm 4.5) e invoca o testemunho do Antigo Testamento para sublinhar seu evangelho de 10 Cf. Relatório de Malta nº 26-30; Rechtfertigung durch den Glauben, nº 122-147. Por incumbência do diálogo sobre justificação nos EUA, os testemunhos neotestamentários não-paulinos foram examinados por John REUMANN, Righteousness in the New Testament, com reações de Joseph A. FITZMEYER e Jerome D. QUINN (Philadelphia/New York, 1982), p. 124-180. Os resultados deste estudo estão compilados no relatório de diálogo Justification by Faith [em alemão: Rechtfertigung durch den Glauben], nos nº 139-142.
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que aquela justiça será imputada a todos os que, como Abraão, confiam na promessa de Deus. “O justo viverá pela fé” (Hc 2.4; cf. Gl 3.11; Rm 1.17). Nas cartas paulinas a justiça de Deus é simultaneamente o poder de Deus para cada crente (Rm 1.16s.). Em Cristo ele faz com que ela seja nossa justiça (2 Co 5.21). Recebemos a justificação por Cristo Jesus, “a quem Deus propôs, em seu sangue, como propiciação [eficaz] mediante a fé” (Rm 3.25; cf. 3.21-28). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras” (Ef 2.8s.). 11) Justificação é perdão dos pecados (cf. Rm 3.23-25; At 13.39; Lc 18.14), libertação do poder dominante do pecado e da morte (Rm 5.12-21) e da maldição da lei (Gl 3.10-14). Ela significa acolhida na comunhão com Deus, já agora, mas de forma plena no reino vindouro de Deus (Rm 5.1s.). Une com Cristo e sua morte e ressurreição (Rm 6.5). Acontece no recebimento do Espírito Santo no batismo como incorporação no corpo uno (Rm 8.1s.,9s.; 1 Co 12.12s.). Tudo isso provém somente de Deus, por amor de Cristo, por graça, pela fé no “evangelho de Deus com respeito a seu Filho” (Rm 1.1-3). 12) As pessoas justificadas vivem a partir da fé que provém da palavra de Cristo (Rm 10.17) e que atua no amor (Gl 5.6), o qual é fruto do Espírito (Gl 5.22s.). Mas, visto que poderes e ambições atribulam as pessoas crentes por fora e por dentro (Rm 8.35-39; Gl 5.16-21) e elas caem em pecado (1 Jo 1.8,10), precisam repetidamente ouvir as promissões de Deus, confessar seus pecados (1 Jo 1.9), participar do corpo e do sangue de Cristo e ser exortadas a viver uma vida justa em conformidade com a vontade de Deus. Por isso o apóstolo diz às pessoas justificadas: “Desenvolvei vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer quanto o realizar, segundo sua boa vontade” (Fp 2.12s.). Permanece, porém, a boa nova: “Já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1) e nos quais Cristo vive (Gl 2.20). Por intermédio da obra justa de Cristo haverá justificação que dá vida para todos os seres humanos (Rm 5.18). 2. A doutrina da justificação como problema ecumênico 13) No século XVI, a interpretação e aplicação contrastantes da mensagem bíblica da justificação constituíram uma das causas principais da divisão da Igreja ocidental, o que também se expressou em condenações doutrinais. Por isso, para superar a divisão na Igreja, uma compreensão comum da justificação é fundamental e indispensável. Acolhendo resultados da pesquisa bíblica e percepções da história da teologia e dos dogmas, desenvolveu-se no diálogo ecumênico desde o Concílio Vaticano II uma nítida aproximação no que diz respeito à doutrina da justificação, de modo que a presente DC pode formular um consenso em verdades básicas – 34 –
da doutrina da justificação a cuja luz as correspondentes condenações doutrinais do século XVI não mais se aplicam ao parceiro de hoje. 3. A compreensão comum da justificação 14) O ouvir comum da boa nova proclamada nas Sagradas Escrituras e, não por último, os diálogos teológicos de anos recentes entre as igrejas luteranas e a Igreja Católica Romana levaram a uma concordância na compreensão da justificação. Ela abarca um consenso nas verdades básicas; os desdobramentos distintos nas afirmações específicas são compatíveis com ela. 15) É nossa fé comum que a justificação é obra do Deus triúno. O Pai enviou seu Filho ao mundo para a salvação dos pecadores. A encarnação, a morte e a ressurreição de Cristo são fundamento e pressuposto da justificação. Por isso justificação significa que o próprio Cristo é nossa justiça, da qual nos tornamos participantes através do Espírito Santo segundo a vontade do Pai. Confessamos juntos: somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para boas obras[11]. 16) Todas as pessoas são chamadas por Deus para a salvação em Cristo. Somos justificados somente por Cristo ao recebermos essa salvação na fé. A própria fé, por sua vez, é presente de Deus através do Espírito Santo, que atua na palavra e nos sacramentos na comunhão dos crentes e que, ao mesmo tempo, conduz os crentes àquela renovação de sua vida que Deus consuma na vida eterna. 17) Compartilhamos da convicção de que a mensagem da justificação nos remete de forma especial ao centro do testemunho neotestamentário da ação salvífica de Deus em Cristo: ela nos diz que como pecadores devemos nossa vida nova unicamente à misericórdia perdoadora e renovadora de Deus, misericórdia esta com a qual só podemos ser presenteados e que só podemos receber na fé, mas que nunca de qualquer forma que seja - podemos fazer por merecer. 18) Por isso a doutrina da justificação, que assume e desdobra essa mensagem, não é apenas um aspecto parcial da doutrina cristã. Ela se encontra numa relação essencial com todas as verdades da fé, as quais devem ser vistas numa conexão interna entre si. Ela é um critério indispensável que visa orientar toda a doutrina e prática da Igreja incessantemente para Cristo. Quando luteranos acentuam a importância singular desse critério, não negam a conexão e a importância de todas as verdades da fé. Quando católicos se sentem comprometidos com vários critérios, não negam a função especial da mensagem da justificação. Luteranos e católicos 11 Cf. “Alle unter einem Christus”, nº 14, in: Dokumente wachsender Übereinstimmung, vol. I, p. 323-328.
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compartilham do alvo comum de confessar em tudo a Cristo, ao qual unicamente importa confiar, acima de todas as coisas, como mediador uno (1 Tm 2.5s.) pelo qual Deus, no Espírito Santo, dá a si mesmo e derrama seus dons renovadores. 4. O desdobramento da compreensão comum da justificação 4.1. Incapacidade e pecado humanos face à justificação 19) Confessamos juntos que o ser humano, no concernente à sua salvação, depende completamente da graça salvadora de Deus. A liberdade que ele possui para com as pessoas e coisas do mundo não é liberdade com relação à salvação. Isto quer dizer que, como pecador, ele se encontra sob o juízo de Deus, sendo por si só incapaz de se voltar a Deus em busca de salvamento, ou de merecer sua justificação perante Deus, ou de alcançar a salvação pela própria força. Justificação acontece somente por graça. Porque católicos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer: 20) Quando católicos dizem que o ser humano “coopera” no preparo e na aceitação da justificação por assentir à ação justificadora de Deus, eles vêem mesmo nesse assentimento pessoal um efeito da graça, e não uma ação humana a partir de forças próprias. 21) Segundo a concepção luterana o ser humano é incapaz de cooperar em sua salvação, porque como pecador ele resiste ativamente a Deus e à sua ação salvadora. Luteranos não negam que o ser humano possa rejeitar a atuação da graça. Quando sublinham que o ser humano pode tão-somente receber (mere passive) a justificação, rejeitam com isso qualquer possibilidade de uma contribuição própria do ser humano para sua justificação, mas não negam sua plena participação pessoal na fé, que é operada pela própria palavra de Deus. 4.2. Justificação como perdão de pecados e ato de tornar justo 22) Confessamos juntos que Deus, por graça, perdoa ao ser humano o pecado, e o liberta ao mesmo tempo do poder escravizador do pecado em sua vida e lhe presenteia a nova vida em Cristo. Quando o ser humano tem parte em Cristo na fé, Deus não lhe imputa seu pecado e, pelo Espírito Santo, opera nele um amor ativo. Ambos os aspectos da ação graciosa de Deus não devem ser separados. Eles estão correlacionados de tal maneira, que o ser humano, na fé, é unido com Cristo, que em sua pessoa é nossa justiça (1 Co 1.30): tanto o perdão dos pecados quanto a presença santificadora de Deus. Porque católicos e luteranos confessam isso conjuntamente, deve-se dizer: 23) Quando luteranos enfatizam que a justiça de Cristo é nossa justiça, querem sobretudo assegurar que ao pecador, pelo anúncio do perdão, é presenteada – 36 –
a justiça perante Deus em Cristo e que sua vida é renovada somente em união com Cristo. Quando dizem que a graça de Deus é amor que perdoa (“favor de Deus”[12]), não negam com isso a renovação da vida do cristão, mas querem expressar que a justificação permanece livre de cooperação humana, tampouco dependendo do efeito renovador de vida que a graça produz no ser humano. 24) Quando católicos enfatizam que ao crente é presenteada a renovação da pessoa interior pelo recebimento da graça[13], querem assegurar que a graça perdoadora de Deus sempre está ligada ao presente de uma nova vida, que no Espírito Santo se torna efetiva em amor ativo; mas não negam com isso que o dom da graça divina na justificação permanece independente de cooperação humana. 4.3. Justificação por fé e por graça 25) Confessamos juntos que o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo; essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora, o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidas a esperança em Deus e o amor a ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer. 26) Segundo a compreensão luterana, Deus justifica o pecador somente na fé (sola fide). Na fé o ser humano confia inteiramente em seu Criador e Redentor e está, assim, em comunhão com ele. Deus mesmo é quem opera a fé ao produzir tal confiança por sua palavra criadora. Porque essa ação divina constitui uma nova criação, ela afeta todas as dimensões da pessoa e conduz a uma vida em esperança e amor. Assim, na doutrina da “justificação somente pela fé”, a renovação da conduta de vida que necessariamente se segue à justificação e sem a qual não pode haver fé é distinguida da justificação, mas não é separada dela. Com isso é indicado, antes, o fundamento do qual provém tal renovação. Do amor de Deus, que é presenteado ao ser humano na justificação, provém a renovação da vida. A justificação e a renovação estão ligadas pelo Cristo presente na fé. 27) Também segundo a compreensão católica a fé é fundamental para a justificação, pois sem fé não pode haver justificação. Como ouvinte da palavra e crente o ser humano é justificado por meio do batismo. A justificação do pecador é perdão dos pecados e ato que torna justo através da graça justificadora, que nos torna filhos e filhas de Deus. Na justificação as pessoas justificadas recebem de 12 Cf. WA 8, 106. 13 Cf. DS 1528.
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Cristo fé, esperança e amor e são, assim, acolhidas na comunhão com ele[14]. Essa nova relação pessoal com Deus se baseia inteiramente na graciosidade divina e fica sempre dependente da atuação criadora de salvação do Deus gracioso, que permanece fiel a si mesmo e no qual o ser humano pode, por isso, confiar. Por esta razão a graça justificadora nunca se converte em posse do ser humano, à qual ele pudesse apelar diante de Deus. Quando, segundo a compreensão católica, se acentua a renovação da vida através da graça justificadora, essa renovação em fé, esperança e amor sempre depende da graça inescrutável de Deus e não representa qualquer contribuição para a justificação da qual pudéssemos orgulhar-nos diante de Deus (Rm 3.27). 4.4. A pessoa justificada como pecadora 28) Confessamos juntos que no batismo o Espírito Santo une a pessoa com Cristo, a justifica e realmente a renova. Não obstante, a pessoa justificada, durante toda a vida, permanece incessantemente dependente da graça de Deus que justifica de modo incondicional. Também ela está continuamente exposta ao poder do pecado e suas investidas (cf. Rm 6.12-14), não estando isenta da luta vitalícia contra a oposição a Deus em termos de cobiça egoísta do velho Adão (cf. Gl 5.16; Rm 7.7,10). Também a pessoa justificada precisa pedir, como no Pai-Nosso, a cada dia o perdão de Deus (Mt 6.12; 1 Jo 1.9), é chamada constantemente à conversão e ao arrependimento e recebe constantemente o perdão. 29) Luteranos entendem isso no sentido de que a pessoa cristã é “ao mesmo tempo justa e pecadora”: ela é totalmente justa porque Deus, por palavra e sacramento, lhe perdoa o pecado e lhe concede a justiça de Cristo, da qual ela se apropria pela fé e a qual em Cristo a torna justa diante de Deus. Olhando, porém, para si mesma através da lei, ela reconhece que continua ao mesmo tempo totalmente pecadora, que o pecado ainda habita nela (1 Jo 1.8; Rm 7.17,20); porque reiteradamente confia em falsos deuses e não ama a Deus com aquele amor indiviso que Deus como seu criador dela exige (Dt 6.5; Mt 22.36-40 par.). Essa oposição a Deus é, como tal, verdadeiramente pecado. Não obstante, graças ao mérito de Cristo, o poder escravizante do pecado está rompido: já não é pecado que “domina” a pessoa cristã por estar “dominado” por Cristo, com o qual a pessoa justificada está unida na fé; assim a pessoa cristã, enquanto vive na terra, pode ao menos em parte viver uma vida em justiça. E, a despeito do pecado, não está mais separada de Deus, porque no retorno diário ao batismo ela, que renasceu pelo batismo e pelo Espírito Santo, tem seu pecado perdoado, de sorte que seu pecado já não lhe acarreta conde14 Cf. DS 1530.
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nação e morte eterna[15]. Portanto, quando luteranos dizem que a pessoa justificada é também pecadora e que sua oposição a Deus é verdadeiramente pecado, não negam que, a despeito do pecado, ela está inseparada de Deus em Cristo e que seu pecado é pecado dominado. Neste último aspecto estão em concordância com os católicos romanos, apesar das diferenças na compreensão do pecado da pessoa justificada. 30) Segundo a concepção católica, a graça de Jesus Cristo concedida no batismo apaga tudo o que é “realmente” pecado, o que é “digno de condenação” (Rm 8.1)[16], mas que permanece na pessoa uma inclinação (concupiscência) proveniente do pecado e tendente ao pecado. Uma vez que, conforme a convicção católica, o surgimento dos pecados humanos sempre implica um elemento pessoal, e como este elemento falta naquela inclinação contrária a Deus, católicos não vêem nela pecado em sentido autêntico. Com isso não querem negar que essa inclinação não corresponde ao desígnio original de Deus para a humanidade nem que é objetivamente oposição a Deus e que permanece objeto de luta vitalícia; em gratidão pela redenção por intermédio de Cristo querem destacar que a inclinação contrária a Deus não merece o castigo de morte eterna[17] e não separa a pessoa justificada de Deus. Quando, porém, a pessoa justificada se separa voluntariamente de Deus, não basta voltar a observar os mandamentos, mas ela precisa receber, no sacramento da reconciliação, perdão e paz pela palavra do perdão que lhe é conferida por força da obra reconciliadora de Deus em Cristo. 4.5. Lei e evangelho 31) Confessamos juntos que o ser humano é justificado na fé no evangelho “independentemente de obras da lei” (Rm 3.28). Cristo cumpriu a lei e, por sua morte e ressurreição, a superou como caminho para a salvação. Confessamos ao mesmo tempo que os mandamentos de Deus permanecem em vigor para a pessoa justificada e que Cristo, em sua palavra e sua vida, expressa a vontade de Deus, que constitui padrão de conduta também para a pessoa justificada. 32) Os luteranos sustentam que a distinção e a correta correlação de lei e evangelho é essencial para a compreensão da justificação. A lei, em seu uso teológico, é exigência e acusação às quais está sujeita, durante a vida inteira, toda pessoa, também a pessoa cristã, na medida em que é pecadora; e a lei põe a descoberto seu pecado, para que, na fé no evangelho, ela se volte inteiramente para a misericórdia de Deus em Cristo, a qual unicamente a justifica. 33) Uma vez que a lei como caminho de salvação foi cumprida e superada pelo 15 Cf. Apologia da Confissão de Augsburgo II, 38-45. 16 Cf. DS 1515. 17 Cf. DS 1515.
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evangelho, católicos podem dizer que Cristo não é um legislador à maneira de Moisés. Quando católicos acentuam que a pessoa justificada é obrigada a observar os mandamentos de Deus, não negam com isso que a graça da vida eterna é misericordiosamente prometida aos filhos e filhas de Deus por Jesus Cristo[18]. 4.6. Certeza de salvação 34) Confessamos juntos que as pessoas crentes podem confiar na misericórdia e nas promissões de Deus. Também em face de sua própria fraqueza e de muitas ameaças para sua fé, podem basear-se - graças à morte e ressurreição de Cristo - na promessa eficaz da graça de Deus em palavra e sacramento e, assim, ter certeza desta graça. 35) Isso foi acentuado de maneira especial pelos reformadores: em meio à tribulação a pessoa crente não deve olhar para si mesma, mas inteiramente para Cristo e confiar somente nele. Assim, na confiança na promissão de Deus, ela tem certeza de sua salvação, mesmo que, olhando para si mesma, nunca esteja segura. 36) Católicos podem compartilhar da preocupação dos reformadores de basear a fé na realidade objetiva da promessa de Cristo, desconsiderando a própria experiência e confiando somente na palavra promitente de Cristo (cf. Mt 16.19; 18.18). Com o Concílio Vaticano II os católicos sustentam: crer significa confiar-se inteiramente a Deus[19], que nos liberta das trevas do pecado e da morte e nos desperta para a vida eterna[20]. Neste sentido não se pode crer em Deus e, ao mesmo tempo, não considerar confiável a promessa divina. Ninguém deve duvidar da misericórdia de Deus e do mérito de Cristo. Mas toda pessoa pode estar preocupada com sua salvação quando olha para suas próprias fraquezas e insuficiências. Mesmo inteiramente consciente de seu próprio fracasso, contudo, a pessoa crente pode ter certeza de que Deus quer sua salvação. 4.7. As boas obras da pessoa justificada 37) Confessamos juntos que boas obras - uma vida cristã em fé, esperança e amor - se seguem à justificação e são frutos da justificação. Quando a pessoa justificada vive em Cristo e atua na graça recebida, produz, biblicamente falando, bom fruto. Essa conseqüência da justificação é ao mesmo tempo uma obrigação a ser cumprida pelo cristão, na medida em que luta contra o pecado durante a vida toda; por isso Jesus e os escritos apostólicos admoestam os cristãos a realizar obras de amor. 18 Cf. DS 1545. 19 Cf. DV 5. 20 Cf. DV 4.
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38) De acordo com a concepção católica, as boas obras, tornadas possíveis pela graça e pela ação do Espírito Santo, contribuem para um crescimento na graça de tal modo que a justiça recebida de Deus é conservada e a comunhão com Cristo, aprofundada. Quando católicos sustentam o caráter “meritório” das boas obras, querem dizer que, segundo o testemunho bíblico, essas obras têm a promessa de recompensa no céu. Querem destacar a responsabilidade do ser humano por seus atos, mas não contestar com isso o caráter de presente das boas obras nem, muito menos, negar que a justificação como tal permanece sendo sempre presente imerecido da graça. 39) Também entre os luteranos existe a idéia de uma preservação da graça e de um crescimento em graça e fé. Acentuam, contudo, que a justiça, como aceitação da parte de Deus e como participação na justiça de Cristo, sempre é perfeita; mas dizem ao mesmo tempo que seu efeito na vida cristã pode crescer. Quando vêem as boas obras da pessoa cristã como “frutos” e “sinais” da justificação, não como “méritos” próprios, não deixam, no entanto, de entender a vida eterna, conforme o Novo Testamento, como “galardão” imerecido no sentido do cumprimento da promessa divina aos crentes. 5. O significado e o alcance do consenso alcançado 40) A compreensão da doutrina da justificação exposta nesta DC mostra que entre luteranos e católicos existe um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação. À luz desse consenso as diferenças remanescentes na terminologia, na articulação teológica e na ênfase da compreensão da justificação descritas nos parágrafos 18 a 39 são aceitáveis. Por isso as formas distintas pelas quais luteranos e católicos articulam a fé na justificação estão abertas uma para a outra e não anulam o consenso nas verdades básicas. 41) Com isso também as condenações doutrinais do século XVI, na medida em que dizem respeito à doutrina da justificação, aparecem a uma nova luz: a doutrina das igrejas luteranas apresentada nesta Declaração não é atingida pelas condenações do Concílio de Trento. As condenações contidas nos escritos confessionais luteranos não atingem a doutrina da Igreja Católica Romana exposta nesta Declaração. 42) Com isso não se tira nada da seriedade das condenações doutrinais referentes à doutrina da justificação. Algumas delas não eram simplesmente infundadas; elas conservam para nós “o significado de advertências salutares”, que devemos observar na doutrina e na prática[21]. 21 Lehrverurteilungen - kirchentrennend?, 32.
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43) Nosso consenso em verdades básicas da doutrina da justificação precisa surtir efeitos e comprovar-se na vida e na doutrina das igrejas. A esse respeito ainda existem questões de importância variada que necessitam de maior esclarecimento: referem-se, por exemplo, à relação entre palavra de Deus e doutrina eclesiástica, bem como à doutrina a respeito da Igreja, da autoridade na Igreja, de sua unidade, do ministério e dos sacramentos, e finalmente à doutrina da relação entre justificação e ética social. Temos a convicção de que a compreensão comum alcançada oferece uma base sólida para esse esclarecimento. As igrejas luteranas e a Igreja Católica Romana continuarão se empenhando por aprofundar a compreensão comum e fazê-la frutificar na doutrina e na vida eclesiais. 44) Damos graças ao Senhor por este passo decisivo rumo à superação da divisão da Igreja. Rogamos ao Espírito Santo que nos conduza adiante para aquela unidade visível que é a vontade de Cristo. Tradução e revisão: Johannes F. Hasenack e Luís M. Sander
O texto do documento acima (páginas 31 à 42) foi publicado no livro Doutrina da Justificação por Graça e Fé, editado pelo Centro de Estudos Bíblicos - CEBI; e no livro A Mensagem da Justificação pela Fé - Uma introdução à sua compreensão bíblico-reformatória (páginas 50 à 62), de Hans Schäfer, editado pela Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda.
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Posicionamento Oficial Conjunto da Federação Luterana Mundial e da Igreja Católica 1. Com base nas concordâncias alcançadas na Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (DC), a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica declaram juntas: “A compreensão da doutrina da justificação exposta nesta Declaração mostra que entre luteranos e católicos há um consenso em verdades básicas da doutrina da justificação” (DC 40). Com base neste consenso, a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica declaram juntas: “A doutrina das Igrejas luteranas apresentada nesta Declaração não é atingida pelas condenações do Concílio de Trento. As condenações expressas nos escritos confessionais luteranos não se aplicam à doutrina da Igreja Católico Romana apresentada nesta Declaração” (DC 41). 2. Com relacão à Resolução sobre a Declaração Conjunta, do Conselho da Federação Luterana Mundial, de 16 de junho de 1998, e à Resposta da Igreja Católica, de 25 de junho de 1998, bem como aos questionamentos levantados por ambas as partes, a constatação anexada (chamada “Anexo”) dá maiores esclarecimentos sobre o consenso alcançado na Declaração Conjunta; desse modo, se torna claro que as condenações doutrinárias do passado não se aplicam à doutrina dos parceiros de diálogo como apresentada na Declaração Conjunta. 3. Ambos os parceiros de diálogo se comprometem a dar continuidade e aprofundamento ao estudo das bases bíblicas da doutrina da justificação. Além disso, também se empenharão por uma compreensão comum da doutrina da justificação que vá além do que está expresso na Declaração Conjunta e no posicionamento esclarecedor anexado. Com base no consenso alcançado, é necessário continuar o diálogo especialmente sobre as questões especificamente mencionadas na própria Declaração Conjunta (DC 43) como sendo carentes de maior clarificação, a fim de alcançar plena comunhão eclesial, uma unidade na diversidade na qual diferenças remanescentes seriam “reconciliadas”, não continuando a ter força separadora. Luteranos e católicos vão continuar seus esforços de forma ecumênica para interpretar em seu testemunho comum a doutrina da justificação numa linguagem relevante para as pessoas de nosso tempo e levando em consideração as preocupações individuais e sociais da atualidade. Por este ato de assinatura a Igreja Católica Romana e a Federação Luterana Mundial confirmam a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação em seu todo. O texto do documento acima foi publicado no livro A Mensagem da Justificação pela Fé - Uma introdução à sua compreensão bíblico-reformatória (página 63), de Hans Schäfer, editado pela Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda.
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Avaliação informativa da Presidência da IECLB sobre a Declaração Conjunta Depois das celebrações da assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação surgiram perguntas no âmbito das comunidades da IECLB: Que significa esse evento? Como serão as relações entre as Igrejas daqui para a frente? Quais são as implicações teológicas, práticas e ecumênicas? No texto a seguir, o Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil faz uma avaliação informativa desse evento ecumênico, dando respostas orientadoras para a continuação da caminhada. O Pastor Huberto Kirchheim, como um dos Vice-Presidentes da Federação Luterana Mundial (para a região América Latina e o Caribe), foi um dos líderes eclesiásticos que assinaram a Declaração Conjunta. 1 - Na história bimilenar do cristianismo, Augsburgo se destaca como encruzilhada histórica. Pois ali, em 1530, evangélicos e católicos partiram em rumos diferentes. Agora, em 1999, voltaram para esta encruzilhada para celebrar um consenso sobre o ponto mais central da fé cristã: a doutrina da justificação por graça e fé, fé essa que se torna ativa no amor a Deus e ao próximo. Esse consenso se tornou possível graças ao encontro sob a Bíblia, o evangelho do Senhor da Igreja que ora ao Pai “a fim de que todos sejam um (...) para que o mundo creia” (João 17.21).Sob este Senhor comum, reconhecemos que a busca da unidade é tarefa de toda Igreja que se diz cristã. 2 - Se nos séculos passados, de forma polêmica, foram enfatizadas as divergências, de agora em diante ambas as Igrejas proclamam em conjunto a fé na salvação somente pela graça de Deus, não por mérito de obras humanas. O cumprimento do duplo mandamento do amor é resposta do ser humano agraciado. A partir desse consenso bíblico ambas as Igrejas querem aceitar-se como parceiras ecumênicas. Assim, agora, sem o rancor do passado, há um novo clima para cooperar e dialogar sobre outras divergências. Pessoalmente sou grato pelo privilégio que tive em poder participar das celebrações por ocasião da assinatura da Declaração Conjunta, em Augsburgo, nesse histórico Dia da Reforma, 31 de outubro de 1999. A ênfase na aproximação fraterna realmente é motivo de gratidão e de esperança. 3 - Mas que significa isso para a convivência prática das Igrejas? Aceitação mútua, paz e unidade não significam união ou fusão de estruturas. A Declaração Conjunta é antes uma plataforma para uma nova fase de convivência ecumênica, ou - como disse alguém - “uma carta de intenções”. A própria Declaração menciona os assuntos sobre os quais não há consenso. Os diálogos teológicos, por isso, deverão continuar, tanto no âmbito internacional, como no nacional, aqui no Brasil. E, ao mesmo tempo, as comunidades – 44 –
serão animadas a dar passos práticos, a ensaiar encontros e a hospitalidade eucarística em ocasiões especiais. Livres das condenações recíprocas, poderão buscar com melhores resultados a cooperação em obras e reivindicações sociais, somando forças em favor de causas comuns, como o bem-estar e a paz, os direitos humanos e a justiça, e visando condições de vida digna especialmente para os pobres. A Campanha da Fraternidade - Ano 2000 e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos constituem boas oportunidades para o ensaio público desse propósito de maior unidade na missão. Os diálogos teológicos e a convivência concreta serão um processo de aprendizagem, e a Bíblia nos deverá dar os critérios para os limites da comunhão ecumênica. Pois na religiosidade popular há práticas que não podem ser aceitas como coerentes com a mensagem bíblica. E fora do enfoque central da Bíblia, que é Jesus Cristo, não pode prosperar unidade. 4 - Face aos desafios do mundo em rápida transformação, é urgente que as Igrejas trabalhem de mãos dadas. De qualquer maneira, perante o mundo, os cristãos são vistos como um grupo que mais tem em comum do que os separa. Justamente a ênfase na gratuidade da salvação é mensagem significativa e libertadora numa sociedade competitiva como a de hoje, que mais e mais pratica a exclusão social de povos e indivíduos, valorizando mais o “mercado” do que a vida. Por uma questão de vida e sobrevivência neste mundo, continua atualíssimo, portanto, o chamado para uma mudança de mentalidade segundo o evangelho. Deus , em Jesus Cristo, acolhe e valoriza suas criaturas incondicionalmente por seu amor, sua graça e misericórdia. 5 - Processos de aprendizagem e de mudança de mentalidade demandam paciência e tempo, tolerância e perseverança. Nisso convém lembrar que, para Deus, “mil anos (...) são como o dia de ontem que se foi”(Salmo 90.4). Enquanto estamos a caminho, em meio a transitoriedade do tempo, temos saudade de sermos aperfeiçoados na unidade do corpo de Cristo. Certamente, essa unidade plena dos membros entre si e dos membros com o Senhor só se realizará no fim dos tempos, com a vinda do Reino de Deus. Mas esse Reino já irrompeu no mundo e começou a realizar-se por sinais. Gratos pelos sinais que já nos iluminam o caminho para a unidade, podemos avançar com alegria e esperança.
O texto do documento acima (páginas 44 e 45) foi publicado no livro A Mensagem da Justificação pela Fé - Uma introdução à sua compreensão bíblico-reformatória (páginas 67 e 68), de Hans Schäfer, editado pela Gráfica e Editora Otto Kuhr Ltda.
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CREDO NICENO Creio em um só Deus, o Pai onipotente, criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus e nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas; o qual, por amor de nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, e encarnou, pelo Espírito Santo, na Virgem Maria, e se fez homem; foi também crucificado em nosso favor sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras; e subiu aos céus; está sentado à destra do Pai, e virá pela segunda vez, em glória, para julgar os vivos e os mortos; e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e vivificador, o qual procede do Pai e do Filho; que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas. E a igreja, una, santa, cristã e apostólica. Confesso um só batismo, para remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Amém.
CREDO ATANASIANO Todo aquele que quer ser salvo, antes de tudo deve professar a fé cristã. Quem quer que não a conservar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá eternamente. E a fé cristã consiste em venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a substância. Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade. Qual o Pai, tal o Filho, tal também o Espírito Santo. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo. Imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo. Eterno o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; contudo, não são três eternos, mas um único eterno; como não há três incriados, nem três imensos, porém um só incriado e um só imenso. Da mesma forma, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente; contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente. – 46 –
Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; e todavia não há três Deuses, porém um único Deus. Como o Pai é Senhor, assim o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; entretanto, não são três Senhores, porém um só Senhor. Porque, assim como pela verdade cristã somos obrigados a confessar que cada pessoa, tomada em separado, é Deus e Senhor, assim também estamos proibidos pela religião cristã de dizer que são três Deuses ou três Senhores. O Pai por ninguém foi feito, nem criado, nem gerado. O Filho é só do Pai; não feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai e do Filho; não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente. Há, portanto, um único Pai, não três Pais; um único Filho, não três Filhos; um único Espírito Santo, não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada é anterior ou posterior, nada maior ou menor; porém todas as três pessoas são coeternas e iguais entre si; de modo que em tudo, conforme já ficou dito acima, deve ser venerada a Trindade na unidade e a unidade na Trindade. Portanto, quem quer salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade. Mas para a salvação eterna também é necessário crer fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. A fé verdadeira, por conseguinte, é crermos e confessarmos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado da substância do Pai antes dos séculos, e é homem, nascido, no mundo, da substância da mãe. Deus perfeito, homem perfeito, subsistindo de alma racional e carne humana. Igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade. Ainda que é Deus e homem, todavia não há dois, porém um só Cristo. Um só, entretanto, não por conversão da divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus. De todo um só, não por confusão de substância, mas por unidade de pessoa. Pois, assim como a alma racional e a carne é um só homem, assim Deus e homem é um só Cristo; o qual padeceu pela nossa salvação, desceu aos infernos ressuscitou
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dos mortos, subiu aos céus, está sentado à destra do Pai, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. À sua chegada todos os homens devem ressuscitar com os seus corpos e vão prestar contas de seus próprios atos; e aqueles que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna; aqueles que tiverem praticado o mal irão para o fogo eterno. Esta é a fé cristã. Quem não a crer com fidelidade e firmeza, não poderá salvar-se. Amém.
A Comunhão Martim Lutero é uma entidade que trabalha em função da IECLB e, como tal, abraça o tema da Igreja para 2007: No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação. Ela tem por objetivo colocar todo o seu potencial à disposição para fortalecer a Igreja de Jesus Cristo, do jeito como ela se manifesta na IECLB, de modo especial na sua confessionalidade luterana. A Comunhão Martim Lutero tem por objetivo fomentar o testemunho e a comunhão, sob a orientação do lema para 2007: Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos (Atos 4.20). Para tal, promove retiros de reflexão e encontros de treinamento a fim de estimular a comunhão e capacitar para a ação missionária e diaconal.
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A CML mantém: Livraria Martin Luther: A LML é distribuidora da Editora Sinodal e da Editora Otto Kuhr. O seu objetivo é a missão através da palavra escrita e a venda de livros e materiais para trabalho nas comunidades da IECLB. Gráfica e Editora Otto Kuhr: A GEOK produz impressos tais como folhetos e livros, usados na divulgação da palavra de Deus no âmbito da IECLB e fora dos seus limites. Obra Acordai: O Núcleo Obra Acordai é composto de coros de trombones localizados na maioria dos Sínodos da IECLB. O objetivo do Núcleo é participar da missão da IECLB através de suas atividades musicais em cultos e demais eventos festivos. CERI: O Centro de Educação e Recreação Infantil é um projeto social em implantação, localizado em Blumenau/SC, que visa atender crianças e adolescentes de 6 a 16 anos, no período complementar ao horário escolar. Convênio com a Unimed: Este convênio é um plano de saúde coletivo, sob a responsabilidade da CML, aberto a todas as pessoas ligadas à IECLB que queiram filiar-se ao plano. Missão de Folhetos: A CML, em parceria com a IECLB, dá suporte à missão de folhetos, através da publicação e distribuição dos mesmos e de outros materiais que visam à divulgação da palavra de Deus. – Junte-se a nós nesta missão. Informe-se no endereço abaixo –
COMUNHÃO MARTIM LUTERO Caixa Postal 6390 - Cep 89068-970 Blumenau.SC Tel/fax: (47) 3337-1110 – E-mail: cml@centrodeliteratura-ieclb.com.br Conservemos firmes a nossa confissão! –
Hebreus 4.14
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