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Igreja Viva, Comunidade Inclusiva. Caderno de Subsídios. 2012

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Semana Nacional da Pessoa com Deficiência 21-26 de agosto

Igreja Viva, Comunidade Inclusiva Jesus disse aos seus discípulos: Quem vos acolhe, acolhe a mim, e quem me acolhe, acolhe Aquele que me enviou”. Mateus 10.40

Caderno de Subsídios 2012


Semana Nacional da Pessoa com DeficiĂŞncia 21-26 de agosto

Caderno de SubsĂ­dios

2012


Publicação coordenada pelo Programa Diaconia Inclusão da Secretaria da Ação Comunitária da Secretaria Geral da IECLB. Caixa Postal 2876 90001-970 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3284 5400 secretariageral@ieclb.org.br Colaboradores/as: P. Marcos Aurélio de Oliveira, Diác. Nádia Mara dal Castel de Oliveira, Carlos Alberto von Mühlen, Cat. Mariane Bail da Cruz, Sonia Pasini Tiemann, Pa. Karen Bergesch. Coordenação: Carla Vilma Jandrey e Dionata Rodrigues de Oliveira Diagramação e capa: Cláudio Kupka Esta publicação está acessível às pessoas com deficiência visual. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail secretariageral@ieclb.org.br ou pelo fone 51-3284-5400 e solicitar a publicação em formato mp3 ou em braile. No site www.luteranos.com.br a publicação está disponível em formato pdf. A reprodução parcial ou total é permitida desde que indicada a fonte.


Apresentação

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material que está em suas mãos é um instrumento para fomentar a reflexão sobre a inclusão das pessoas com deficiência. Ao estimular a reflexão, queremos que brotem novas atitudes, atitudes de inclusão. É uma tentativa da nossa igreja de se somar às iniciativas que acontecem em vários níveis na Semana Nacional das Pessoas com Deficiência, que vai de 21 a 28 de agosto. É nossa intenção que a reflexão decorrente destes materiais desperte ainda mais na comunidade a importância de sermos uma Igreja Viva, acolhedora, que respeite e viva a inclusão das diferenças entre irmãos e irmãs na fé. Tudo isso se dá quando temos acesso à informação e a partir dela partimos para a ação. O caderno traz uma reflexão sobre Educação cristã e jovens com deficiência, mostra o difícil processo de incluir quem é diferente e traz um relato da experiência de uma família com a deficiência. Também apresenta as seis dimensões da acessibilidade (arquitetônica, metodológica, atitudinal, comunicacional, instrumental e programática). As diferentes dimensões da acessibilidade nos impulsionam a sermos Igreja que inclui a todos e todas em suas diferenças. Quando se busca a inclusão, quer-se, sobretudo, uma mudança não só no espaço físico, mas em tudo o que dificulta para que as pessoas com e sem deficiência sejam sujeitos e membros ativos em suas comunidades e locais em que vivem. Essas dificuldades podem abranger desde atitudes preconceituosas até instrumentos de trabalho e métodos de ensino. Desejamos que a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência nos anime a valorizar e respeitar a diversidade e, a partir disso, construir comunidades inclusivas, cuidadoras, onde todas as pessoas possam viver com qualidade de vida. Roguemos a Deus, pedindo que nos transforme e que alimentemos nossa fé na videira que é Jesus Cristo, e que, como ramos 3


dessa videira, nós produzamos frutos visando à justiça e o amor do Reino de Deus. Nestor Paulo Friedrich Pastor Presidente

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Subsídio para a prédica

Graça, paz e esperança estejam com todos e todas nós, por meio da fé em Jesus Cristo nosso Salvador. Amém! Estimada comunidade! Certo dia, estava procurando um galho seco para realizar uma atividade. Mas não queria qualquer galho seco. Tinha que ser bonito, 'perfeito'. Depois de muito procurar, me contentei com um galho já apodrecendo, bem 'feio'. Hoje, ao me deparar com este texto, percebo minha tolice – não há como encontrar um galho vistoso desprendido do tronco que lhe confere vida! Somos ramos da videira. A videira nos confere vida, alimento, esperança. A videira é Deus. Dele cremos que nos vem a força necessária para caminhar, seguir nossa jornada. Dele cremos receber também a luz para iluminar, o sal para dar sabor a este mundo e às pessoas. Ao ouvir de Jesus: “Eu sou a videira e vocês são os ramos”, um sentimento de gostosa pertença nos preenche. Não somos galhos secos, desprovidos de cuidado, soltos sem pai nem mãe! Pertencemos a uma videira viva, em flor e fruto, vistosa e cheia de sabor e beleza. Ela, a videira, graciosamente, alimenta e fortalece seus ramos. Somos ramos vivos a partir da videira. Somos filhos e filhas de Deus, vivos e vivas a partir da vida conferida por Ele. Não importa que tipo de ramos somos: se pequeno ou grande; se mais frágil ou mais forte. Não importa se somos ramos torcidos ou retos; se lisos ou cheios de arestas. Somos todos ramos vivos da videira em flor! Em outras palavras: cada pessoa, com sua raça, sua cor, sua etnia, seu gênero, sua deficiência, suas escolhas... – cada pessoa pertence a Deus. São 5


filhas e filhos de Deus – e o Pai concede o alimento necessário para que tenhamos vida. No texto, também, ouvimos: “Sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não ficar unido comigo será jogado fora e secará.” Estas palavras de Jesus não são de condenação nem de ameaça. São palavras de alerta, palavras de quem se preocupa e cuida de seus ramos. De quem se importa. De quem não fica indiferente. De quem quer todas as pessoas incluídas ao seu redor. São palavras de quem sabe que um ramo, longe do tronco que lhe confere vida, fatalmente seca e morre. Onde mais podemos encontrar consolo para nossas feridas e dores, para aquilo que não dá mais para mudar, senão em Deus?! Senão em sua palavra que diz: “Vinde a mim os cansados e sobrecarregados que eu vos aliviarei”. “Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês, vocês receberão tudo o que pedirem”. Estas palavras são de quem ama a vida e a deseja ardentemente para todos. Igreja viva é a comunidade que vive estas palavras e acolhe, consequentemente, as pessoas em angústia e dor. Comunidade que abraça, que chora e que ri. Que compartilha, que se coloca a caminho junto a todas as pessoas. Comunidade que confia e permanece unida em Cristo. Que permanece unida à Videira! Que ama a vida e não mede esforços nem serviço para lutar por mais vida – e vida para todas as pessoas. Que Deus nos ajude a sermos Comunidade Viva e Inclusiva. Que Deus nos ajude a olharmos para nós e percebermos que, independente do tipo de ramos que somos, estamos cheios de vida. E vida quer ser vivida. Pode ser sofrida, ora mais, ora menos; mas quer ser vivida integralmente. Que Deus nos ajude a percebermos que podemos exalar bom perfume e dar frutos, assim como somos. Assim, do jeito que a vida flui em nós, Deus nos ajude a amar e servir a partir das bênçãos que vêm da Videira! Amém! Bênção Que a paz de Deus, que ultrapassa todo o nosso entender, falar e ouvir, guarde os nossos corações e as nossas mentes, em Cristo Jesus. P. Marcos de Oliveira P. Marcos Aurélio de Oliveira Ministro em atividade na Paróquia dos Apóstolos Joinville/SC 6


Educação cristã contínua e jovens com deficiência “Se uma boa amizade você tem, louve a Deus, pois a amizade é um bem. Toda boa amizade você deve conservar; como é bom quando se sabe amar. A amizade vem de Deus e a Deus deve levar; como é bom quando se sabe amar”.

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ste é um trecho de uma canção conhecida nas comunidades da IECLB. Ela fala de um sentimento que contribui e que é essencial para a educação cristã contínua em todas as fases da vida e, mais ainda, para pessoas com deficiência – A AMIZADE!

Estudos científicos comprovam os benefícios de a gente ter amigos e amigas. A amizade é mais importante para o desenvolvimento humano do que ter dinheiro, um bom emprego, uma família bacana. Ela ajuda a combater a depressão, cura doenças e reduz o envelhecimento precoce. Em pessoas com deficiência (física, mental, visual ou auditiva) os benefícios da amizade são ainda mais expressivos. Grupos de lazer e de convivência para pessoas com deficiência criam uma identificação com a comunidade que faz bem para a valorização pessoal e para a autoestima. Participando de um grupo, as pessoas encontram um lugar onde podem fortalecer a autoestima e perceber que não estão sozinhas. Cada deficiência se manifesta de determinada forma – nenhum caso é igual, e a convivência em grupos é muito positiva. Conviver ajuda a superar barreiras de preconceito e fortalece a autoaceitação. Pessoas afastadas do convívio social podem, com o tempo, ter comportamentos agressivos, transtornos mentais, diminuição da autoestima, sensação de abandono e de tristeza. Ao participar de encontros com amigos e amigas para a prática de atividades variadas, a qualidade de vida melhora. Ter uma vida social ativa – ir ao supermercado, assistir a um filme no cinema, estudar, participar de grupos na comunidade de fé, namorar – são práticas comuns no cotidiano de qualquer pessoa, seja 7


ela com ou sem deficiência. Estimular e oferecer encontros de grupos de pessoas com e sem deficiência é fundamental para reverter quadros que envolvem medo, vergonha e até mesmo preconceito, garantindo uma vida mais digna e feliz. No espaço de convívio, poderão encontrar apoio, respostas para suas dúvidas, consolo para suas aflições e orientação para sua vida e a de seus entes queridos. A seguir, cito exemplos de grupos de convivência que têm sido bênção na vida de muitas famílias e comunidades. Grupo Arte de Viver Este grupo é formado por pessoas com deficiência física, por pessoas com doença mental, seus familiares e grupo de apoio voluntário. Todos os anos, em agosto, o Grupo Arte de Viver participa ativamente na celebração do culto especial voltado à pessoa com deficiência, na Paróquia Cristo Redentor, em Joinville – SC. Pessoas do grupo prestam ajuda como recepcionistas; outras colaboram com as leituras bíblicas; outras, ainda, com encenações teatrais e também no recolhimento das ofertas. Durante o culto, é muito bom ver nos rostos dos familiares a emoção, a alegria e o orgulho gostoso em ter seus filhos e filhas servindo com seus dons na igreja. A comunidade reunida presencia cada ação, por mais simples que seja, como demonstração de gratidão e louvor a Deus por possibilitar a superação de limites que a sociedade impõe. O Grupo Arte de Viver se reúne duas vezes por mês, durante duas horas. Neste tempo de encontro, tarefas são distribuídas entre todo o grupo: para o preparo do lanche, a arrumação da mesa e, também, para a limpeza. Oração, confraternização, cantos, mensagem, troca de experiências, artesanato, culinária, passeios, teatro e música são atividades realizadas pelo grupo. Desde 2003, o projeto de inclusão digital oferece aulas de informática básica para pessoas com deficiência. Esperamos que a experiência do Grupo Arte de Viver encoraje outras comunidades a criarem espaços de convivência para pessoas com deficiência e para suas famílias. Esta convivência é gratificante. Outra experiência enriquecedora é a do Encontro de Mães. A palavra encontro significa “ir ter com alguém”. Uma pessoa “vai ter com alguém” que a acolhe, que a ouve e que a compreende. O Grupo de 8


Mães de Filhos com Deficiência surgiu a partir do Serviço da Pessoa com Deficiência da Comunidade Evangélica de Joinville. Esse grupo nasceu, cresceu e continua se desenvolvendo. Os encontros acontecem uma vez ao mês nas dependências da Paróquia “Unida em Cristo”. Atualmente, ele é coordenado pela pedagoga aposentada Erica Beulke, que o assumiu de forma voluntária. Para um bom convívio, procuramos nos conhecer para nos compreender melhor. O diálogo é fundamental para a troca de informações e de saberes; ele é indispensável às pessoas que têm sede de um tempo só para si. Assim, compartilhamos nossas alegrias e tristezas e buscamos forças para continuar na tarefa de cuidar do filho ou da filha com deficiência. A partir desses gostosos bate-papos, trabalhamos os nossos temas, com auxílio de assessorias capacitadas. Enquanto as mães participam do encontro, suas filhas e filhos são atendidos por um grupo de voluntárias que brinca, desenha, conta histórias e lancha com os meninos e meninas. Os testemunhos são unânimes: trata-se de uma tarde divertida e gostosa para os filhos e as filhas que acompanham suas mães. No final do encontro, todas voltam para suas casas sabedoras de que a igreja de Jesus Cristo é parceira de suas “caminhadas”. O Encontro de Mães não termina quando elas se despedem, no final da tarde. No tempo que antecede o próximo encontro, ocorrem visitas e contatos telefônicos. As mães se visitam e gostam de estar juntas na casa de uma ou de outra. Dessa forma, elas fomentam o vínculo que foi estabelecido no grupo. Eis uma iniciativa que todas as comunidades de Jesus Cristo poderiam oferecer às famílias que têm pessoas com deficiência. Diaconia é ir ao encontro das necessidades das pessoas, é incluir sem titubear! Sugestão de texto bíblico para reflexão: Atos 2.42-47. Hinos: Se uma boa amizade. Tempo de Revoar (Edson Ponick, CD: Semente de Libertação, 11). Cat. Mariane Bail da Cruz Sínodo Norte Catarinense Rio Negrinho/SC 9


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Inclusão da diferença: um grande desafio

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omos todos e todas iguais na diferença! Por isso, somos todos únicos e todas únicas e especiais! A diversidade enriquece a convivência, ensinando como interagir com capacidades e dons diferentes daqueles que temos ou que estamos acostumados e acostumadas a conviver. Na escola, encontramos colegas que são bons de bola ou que sabem desenhar, pintar e escrever muito bem. Esses mesmos colegas, essas mesmas colegas podem ter outros limites, como, por exemplo, dificuldades de fala, de audição, de deslocamento, de aprendizagem em alguma área, etc. Isso não significa que devemos esconder a dificuldade ou desistir diante de seus desafios, nem mesmo ignorarmos aquela pessoa que sempre necessita de ajuda. Por exemplo, uma grande dificuldade é saber conviver com a diferença quando essa se refere a algum tipo de deficiência física ou intelectual. Nesse caso, todos e todas podem aprender a conviver! E, nessa aprendizagem, todos e todas nós ganhamos, pois nos aproximamos mais da realidade da outra pessoa e desenvolvemos novas capacidades em nós mesmos, em nós mesmas, que às vezes nem imaginamos possuir. Então, em vez de rapidamente dizer que não sabemos, que não podemos ou não conseguimos conviver bem com a condição física ou intelectual dos colegas e das colegas, podemos assumir outra atitude: a de aprender com essa nova situação. Jesus indica os primeiros passos na nova atitude de vida. No texto de Marcos 2.1-12, um grupo traz um amigo paralítico para ser curado. Quando Jesus o vê, afirma que seus pecados estão perdoados. Então, os escribas que questionavam a pregação e as atitudes de Jesus perguntaram por que oferecer o perdão dos pecados quando somente Deus poderia fazê-lo. Ao perceber a crítica, Jesus pergunta: 11


“O que é mais fácil dizer ao paralítico: 'Os seus pecados estão perdoados' ou 'Levante-se, pegue a sua cama e ande'? A seguir, Jesus ordena ao paralítico que tome o seu leito e ande. No texto, Jesus ensina duas coisas: primeiramente, não ter preconceito: saber conversar, aceitar e acolher a pessoa com deficiência. Para isso, é necessário conhecer as características de cada pessoa, para saber como interagir para que uma boa intenção não seja inconveniente; também, porque sempre há novos estudos a respeito da causa das deficiências. Nesse processo, aprendemos igualmente sobre nós mesmos: sobre nossos limites relacionados ao preconceito, a medos e inseguranças. Conviver com outras pessoas é aprender sobre nós mesmos! E isso é enriquecedor, pois compreendemos que temos algum limite a superar. Em segundo lugar, Jesus fala da cura. A busca pela saúde plena é uma constante na história da humanidade. Por isso, são dedicados tanto tempo e recursos financeiros para a pesquisa científica. Assim, hoje é que muitas pessoas podem utilizar aparelhos auditivos, óculos, próteses e remédios que equilibram o sistema químico do corpo, por exemplo. A informação e o acesso aos novos recursos são fundamentais. Então, o primeiro passo, como ensina Jesus, é deixar de lado o nosso preconceito, para que a pessoa com deficiência seja acolhida e possa superar o medo de ser rejeitada e a insegurança frente a sua limitação. O segundo passo é buscar informação sobre os centros de referência em sua cidade para auxiliar pessoas com deficiências físicas, intelectuais e sensoriais. Proposta de atividade Faça uma pesquisa sobre os centros de atendimento existentes em sua cidade para pessoas com deficiência física, intelectual e sensorial. Inclua na pesquisa o apoio dado pela prefeitura a essas entidades e procure conhecer as famílias que necessitam de recursos. Compartilhe a pesquisa em forma de seminário, abordando também o tema do preconceito. Pa. Karen Bergesch Pastorado Escolar do Colégio Cônsul Carlos Renaux, Brusque/SC 12


Do luto para a luta!

“E não vos conforeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente!” Romanos 12.2

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uando nossa filha nasceu, eu tinha 19 anos. Morava em Concórdia, SC. O pediatra que a atendeu nos passou informações incorretas do seu diagnóstico, deixando-nos apavorados, num primeiro momento, e sem saber o que fazer. Após o recebimento da notícia de que nossa filha havia nascido com deficiência, começaram a surgir as tão temidas e, por vezes, inescrupulosas dúvidas. Também nos sobrevieram muitas preocupações decorrentes da falta de conhecimento sobre o que é deficiência em si. É aquele tão conhecido medo do “desconhecido”! Na fase inicial, passamos por choro e decepção, uma sensação de que éramos impotentes e solitários. De fato, no momento de “cabeça quente” e refletindo muito, não aceitamos isso que estava acontecendo conosco. Porém, logo depois, entendemos que, para aceitar os fatos, primeiro precisávamos nos “debater” e confrontar com a situação. Não podemos negar que passamos pelo momento de achar que DEUS não estava olhando por nós. Tivemos que nos dar esse tempo, pois faz parte do processo. Não conseguiríamos seguir em frente fazendo o que era necessário para o bom desenvolvimento da criança se tudo isso não estivesse bem assimilado. Passamos do momento do luto para a luta – foi isso que aconteceu em nossa família. Jamais devemos aceitar a deficiência por si só, mas aceitar o nosso filho ou nossa filha como é, fazendo com que seja cada vez mais incluído na sociedade. É normal ouvirem-se comentários indesejados, não porque as pessoas sejam maldosas, mas porque muitas vezes são desinformadas e, sem 13


querer, acabam nos derrubando em vez de ajudar. Contudo, não nos sentimos abatidos; e, sim, a motivação pela vida de nossa filha se tornou maior. Decidimos, então, procurar orientação e saber tudo o que fosse possível sobre a deficiência. Não foi fácil. Mas a tarefa feita por amor, dedicada a alguém por quem temos grande estima, se tornou prazerosa. E a cada dia que ia passando percebíamos que todo sofrimento se revertia em imensas alegrias; que nossa filha sempre foi uma grande bênção em nossa vida e que DEUS nos deu um anjo para conviver conosco. Em seguida, fomos à busca de conhecimento e orientação sobre o que poderíamos fazer para melhorar a vida de todos, a nossa, mas principalmente a dela, em seu processo de desenvolvimento. Assim sendo, descobrimos que nada disso era um “bicho de sete cabeças”, e que não éramos os únicos a passar por semelhante situação. A partir da informação, vimos que era possível que ela se desenvolvesse como todas as outras crianças sem deficiência, dentro do seu próprio ritmo, assim como todos. Depois de dois anos de fisioterapia, ela andou. Seguindo o curso da vida, foi avançando na idade, tranquilamente, como qualquer criança, sempre muito amada e feliz. O seu relacionamento com outras crianças também transcorreu da melhor forma possível. Graças a DEUS, sempre tivemos, meu esposo e eu, o apoio incondicional de nossos familiares. Não nos restam dúvidas de que isso foi fundamental para passarmos por esse momento e para hoje podermos olhar para trás e ver quão bonitos aprendizados e passos demos nessa caminhada. Hoje, nossa filha tem 27 anos. É uma mulher adorável, amada por todos. Fez a confirmação sem faltar a um encontro. Adora participar do grupo de jovens de nossa comunidade e ajuda no culto infantil. É muito participativa e bem aceita por todas as pessoas na sociedade. E, assim, seguimos firmes e cheios de fé, nos desafios e nas tristezas, mas sobretudo nas alegrias que temos na jornada. Sônia Pasini Joinville/SC

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Culto Eucarístico 26 de agosto/ 13° Domingo após Pentecostes Culto da Semana da Pessoa com Deficiência Tema – “Igreja Viva, Comunidade Inclusiva” LITURGIA DE ABERTURA Prelúdio Canto 478 HPD2 Acolhida L “Jesus disse aos seus discípulos: ’Quem vos acolhe, acolhe a mim, e quem me acolhe, acolhe Aquele que me enviou’”. Mateus 10.40 Viver é acolher constantemente a vida que vem de Deus. É acolher com o coração agradecido aquilo que nos é dado com amor. Também é dar graças a Deus pela vida que insiste em pulsar em nossos corpos, mesmo limitados e frágeis. É comprometer-se com gestos acolhedores que incluem, consolam e reconciliam. É insistir em esforços para construir acesso e passagem para que a comunidade possa celebrar. Bem-vindos e bem-vindas a este encontro com Deus! Celebremos e agradeçamos a vida, presente de Deus! Canto 249 HPD1 Saudação Apostólica L Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com vocês... C E também com você. Confissão de Pecados C Deus da vida, sou teu filho, sou tua filha. E me encontro diante de ti para confessar minha culpa. Quero confessar minha raiva, minha mentira e covardia, minha negligência e impaciência, minha falta de amor. Quero confessar minha desconfiança, minha infidelidade, minha futilidade. Preciso confessar ainda minha barganha, meu descuido e minha acomodação. Senhor, há pecados em mim que 15


nem lembro mais. Creio, meu Deus, que tu perdoas todos os pecados. Ó Deus de compaixão, lava-me de toda falta e tem misericórdia de mim. Amém! Canto 453 HPD2 Anúncio da Graça L “... muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo.” (Hb 9.14b) Assim vos anuncio o perdão dos pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Oração C Deus de bondade e plenitude, tu que acolheste com amor e esperança teu povo desde o Egito até nossa geração. Tu que conferes vida a cada filho, a cada filha. Vem, com tua presença, abraça cada um e cada uma de nós, e que, como comunidade viva, saibamos incluir todas as pessoas, respeitando as diferenças. Isto te pedimos, em nome do teu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que contigo e com o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Amém! LITURGIA DA PALAVRA Canto 379 HPD2 Leitura Bíblica Salmo 139.1-18 Aclamação do Evangelho L Jesus Cristo diz: – “Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada.” (João 15.5) Aleluia! Canto 353 HPD2 Leitura do Evangelho João 15.1-10 Prédica Canto 431 HPD2 Oração Geral da Igreja L Graças, Senhor, pelas pedras removidas do caminho de nossas vidas, libertando-nos para um caminhar seguro. Obrigado pelas barras que apóiam e sustentam os nossos corpos, e pelos esforços para promover a acessibilidade em nossas construções, instituições e templos. 16


Graças, Senhor, pelas palavras e olhares desprovidos de preconceito. O acolhimento recebido de uma comunidade é como um manto suave e leve, que aproxima, aquece e inclui. Graças, Senhor, pelos sorrisos e abraços cheios de ternura e paz, que alegram os corações, nos enchem de perfume e esperança e nos animam para a convivência fraterna. Graças, Senhor, pela mobilização, pelo amor e pela dedicação de todas as pessoas e comunidades que fizeram e fazem parte da igreja viva de Jesus Cristo, por trilharem caminhos inclusivos, onde todas as pessoas podem viver dignamente e se sentirem acolhidas. Deus de amor e graça, tu acolhes a todas as pessoas e ensinas a sermos comunidade viva e inclusiva. A força de teu Espírito possibilita vida digna, justa e participativa para todas as pessoas. Por isto, agradecemos cantando... Graças, Senhor! Graças, Senhor! Por tua bondade, teu poder, teu amor: Graças Senhor! Senhor, pedimos que ilumines a tua igreja, para que seja verdadeira no anúncio e na prática do Evangelho, oportunizando vida digna e inclusiva para todas as pessoas. Pedimos pelas autoridades civis para que governem, com justiça e sensibilidade, os povos e as nações. Senhor, pedimos que libertes as pessoas da opressão e de todas as formas de violência e exclusão, para que vivam com dignidade e paz. Intercedemos também, Deus acolhedor, por nossas comunidades, para que, na convivência diversa e fraterna, trilhemos caminhos que respeitam a diversidade, a humanidade, a fragilidade e a limitação. Que a inclusão seja resposta, em palavra e ação, da vida por ti conferida a todas as pessoas. Acolhe com teu manto protetor as intercessões desta comunidade e de cada pessoa. Atende-nos segundo o teu querer. Amém! LITURGIA DA CEIA DO SENHOR Ofertório L Deus nos alimenta com vida. Experimentamos isso de maneira especial na ceia que ele oferece e para a qual todas as pessoas são convidadas. Deus nos chama para partilhar, com gratidão, a vida e tudo o que ele nos concede generosamente. Nossa oferta de gratidão, nesta celebração, se destina ao Trabalho 17


Junto às Pessoas com Deficiência, coordenado pelo Programa Diaconia Inclusão da Secretaria da Ação Comunitária da Secretaria Geral da IECLB. Enquanto o pão e o fruto da videira são trazidos à mesa e as ofertas são recolhidas, cantemos... Canto 358 HPD2 Oração do Ofertório L Louvado sejas, Deus da vida, por este pão e por este fruto da videira, frutos da tua criação. Que o pão e o vinho sejam recebidos por nós para nossa salvação. Oração Eucarística L Deus generoso e reconciliador, tu és digno de louvor, pois tua vontade é que todas as pessoas sejam acolhidas e compartilhem das dádivas da vida. A ti, todo louvor e toda a glória! Louvamos-te e adoramos-te, pois temos a garantia da tua acolhida e presença nesta comunhão. Jesus, na noite em que foi traído, sentado com seus discípulos e tomando o pão, disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Tomando também o cálice, continuou dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Derrama sobre nós, ó Deus, teu Santo Espírito. Dá que, partilhando deste pão e bebendo deste cálice, sejamos alimentados e fortalecidos na fé. Acolhidos por ti nesta comunhão, ensina-nos, dia por dia, a sermos comunidade justa, inclusiva e acolhedora. Somos muita gente neste mundo de Deus! Somos diferentes. Nossos dons são distintos. Mas, em Cristo, somos irmãos e irmãs. Ao estender nossas mãos à outra pessoa, recebemos a mão do próprio Cristo. Oremos, de mãos dadas, a oração que Ele nos ensinou. Por Cristo, com Cristo, em Cristo, seja a ti, Pai, todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e sempre. Amém, amém, amém. Pai Nosso Gesto da Paz Fração L O pão, pelo qual damos graças e que partimos, é a comunhão do corpo de Cristo. O cálice, pelo qual damos graças, é a comunhão do 18


sangue de Cristo. Convite L Este é o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. Venham, pois tudo já está preparado. Comunhão Oração pós-comunhão L Graças te rendemos, ó Deus, porque vieste a nós nesta ceia que nos fortalece e nos reconcilia. Concede-nos ânimo e esperança para sermos igreja viva. Que possamos seguir confiantes na promessa de que tu nos acolhes e nos incluis no teu amor e sempre estás conosco. Por Cristo, teu Filho amado e nosso Senhor. Amém! Canto 440 HPD2 LITURGIA DE DESPEDIDA Avisos Bênção L Que o vento sopre suave sobre nossa vida, trazendo sempre o aroma da paz. Que a chama do Espírito Santo aqueça nosso coração, deixando-o sempre pleno de ternura. Que a palavra que sair de nossos lábios e as que visitarem os nossos ouvidos levem e tragam sempre o som de uma bênção. Amém! Envio L Vamos na paz do Senhor. Sigamos confiantes, sendo Igreja Viva! Liturgia moldada por Diác. Nádia Mara dal Castel de Oliveira Ministra em atividade na Paróquia dos Apóstolos Joinville/SC

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Igreja viva é acessível!

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esta Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, queremos lembrar que as temáticas ligadas à acessibilidade não são novas na nossa igreja. Há moções que foram debatidas nos concílios da IECLB e que tratam deste assunto e de suas implicações práticas. O Concílio Geral de Três de Maio, em 1990, por exemplo, aprovou a moção sobre barreiras arquitetônicas e deu um prazo de 10 anos para que as edificações das comunidades fossem adequadas às normas pertinentes, em especial no que se refere às instalações sanitárias. Já o Concílio Geral de Foz do Iguaçu, de 2010, ratificou as moções sobre barreiras arquitetônicas e ampliou a percepção para a acessibilidade de comunicação, além de sugerir ações na área da formação teológica e questões de inclusão em geral. Vinte anos se passaram desde Três de Maio. Muita coisa aconteceu de lá para cá. Houve muitos avanços, certamente; mas também muito ainda falta a resolver. A reflexão sobre o assunto não parou! Agora, além de buscarmos a eliminação das barreiras físicas, queremos eliminar toda e qualquer barreira que impeça pessoas com deficiência de viverem sua liberdade e expressarem sua fé cristã. Para isso, seguimos falando sobre os diversos tipos de acessibilidade. ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA É a forma de acessibilidade que prevê a eliminação de barreiras ambientais físicas: nas residências, nos edifícios, nos espaços e equipamentos urbanos, nos meios de transporte individual ou 21


coletivo. Ela traz consigo a expressão da luta para que não haja impedimentos para que as pessoas com deficiência exerçam seu livre direito de ir e vir. Propõe que haja rampas, banheiros adaptados, classes adaptadas, etc. Vale lembrar que “Onde uma pessoa com deficiência passa, todas passam com maior qualidade de vida”. ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL É a acessibilidade que se dá sem barreiras na comunicação interpessoal: face a face, melhorando a dicção e falando pausadamente com pessoas com deficiência auditiva, não obstruindo a visualização da boca; língua de sinais, intérprete de Libras; gesticulação; na comunicação escrita: jornal, revista, livro, carta, apostila, incluindo textos em braile, fontes ampliadas, etc., e virtual: acessibilidade digital, DVD em Libras, arquivo para programas de computador, leitores de tela, vídeos com audiodescrição, etc. ACESSIBILIDADE ATITUDINAL Refere-se à acessibilidade que visa a acabar com preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações em relação às pessoas em geral, de qualquer país, etnia ou grupo social. Deseja-se, então, que haja acolhimento, inclusão, respeito e estar disposto e disposta a aprender com as pessoas diferentes ou com deficiência, com suas famílias e cuidadores e cuidadoras. Aqui vale lembrar que devemos entender a deficiência como uma diferença e que cada um e cada uma de nós possui características únicas, que fazem parte daquilo que somos. Por isso, as pessoas com deficiência não devem ser tratadas como “pobrezinhas” ou incapazes, mas devem ser respeitadas como pessoas que são, acima de tudo. ACESSIBILIDADE METODOLÓGICA A acessibilidade metodológica visa a eliminar as barreiras nos métodos e técnicas de estudo e considera as diferenças ao realizar 22


dinâmicas, trabalhos em grupos, brincadeiras, utilização de imagens. "Diversos não são os outros, diversos somos todos nós" (Reinaldo Bulgarelli). A partir desta afirmação, podemos entender que cada pessoa possui o seu jeito de aprender e de ensinar e que simplesmente decorar o conteúdo não é garantia de aprendizado. A diversidade nos métodos de ensino é que enriquece o conhecimento. ACESSIBILIDADE INSTRUMENTAL A acessibilidade instrumental busca eliminar as barreiras existentes nos instrumentos, utensílios e ferramentas e se propõe a elaborar materiais adaptados. Exemplos de instrumentos e utensílios: Ÿestudo - lápis, caneta, transferidor, régua, teclado de computador, materiais pedagógicos; Ÿtrabalho - ferramentas, máquinas, equipamentos;Ÿatividades da vida diária - tecnologia para comunicar, fazer a higiene pessoal, vestir, comer, andar, tomar banho, etc.; Ÿlazer, desporto e recreação - dispositivos que atendam às limitações sensoriais, físicas e mentais etc. Assim, de acordo com as necessidades que uma pessoa com deficiência possui, adaptem-se os seus instrumentos e utensílios, lembrando sempre que pessoas com deficiência visual são diferentes entre si, o mesmo acontecendo com auditivos, físicos, etc. ACESSIBILIDADE PROGRAMÁTICA A acessibilidade programática quer extinguir barreiras invisíveis embutidas em políticas públicas (leis, decretos, portarias, etc.), normas e regulamentos (institucionais, empresariais, etc.). Além do mais, deseja informar e divulgar que todas as pessoas com deficiência têm direito a participar de espaços públicos e dar motivações para que se insiram em discussões do dia-a-dia da vida comunitária, em específico da vida da igreja. 23


O contato e convívio de todas as pessoas dentro da comunidade promovido por nossas ações inclusivas é a chave para que vivamos as boas novas do Evangelho de Jesus, onde todos e todas, em todas as circunstâncias, têm lugar. É através dele que o processo de crescimento da comunidade cristã se dá, a partir do testemunho público de nossa fé, com grandes e pequenas ações que visam à inclusão de todas as pessoas. Carlos Alberto von Muhlen Teutônia/RS

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Igreja Viva, Comunidade Inclusiva. Caderno de Subsídios. 2012 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu