Semana dos Povos Indígenas 2007
Responsabilidade e Coordenação: Conselho de Missão entre Índios – COMIN Organizador: Arteno I. Spellmeier Colaboraram na produção e coleta de informações, lideranças, professores/as e estudantes Arara, SEDUC – RO Educação Indígena Ji-Paraná, e os obreiros do PAPIRON, Nelson Deicke e Jandira Keppi. Elaboração: Sônia L. Trapp Mees, Ione M. Pilger, Valdemar Schultz, Maria Dirlane Witt, Cláudio G. Becker, Ivan Vieira, Hans A. Trein, Arteno I. Spellmeier, Edson Ponick, Nelson Deicke e Jandira Keppi. Diagramação e capa: Ivan Vieira Fotografias: Nelson Deicke Impressão: Con-Texto Gráfica e Editora Realização: COMIN em parceria com Departamento de Educação Cristã da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Apoio Financeiro: Igreja Evangélica Luterana da Baviera (ELKB), Kerkinactie da Holanda e Kirchen helfen Kirchen. Tiragem: 30 mil exemplares ISBN: 978-85-89732-57-4 Editora Oikos Ltda. Rua Paraná, 240 - Cx. P. 1081 93120-020 São Leopoldo/RS Tel.: (51) 3568.2848 contato@oikoseditora.com.br www.oikoseditora.com.br
Olá, amigo! Olá, amiga! Através deste caderno, você conhecerá um lugar especial: a Terra Indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná, Rondônia. Conhecerá histórias de conquistas, dificuldades e desafios do povo indígena Arara, que se auto denomina Karo, o que na sua própria língua significa “Arara”. Seu tronco lingüístico é o Tupi Rama Rama, que só é falado por esse povo.
Índice O Povo Arara ........................................ 3 Jeito de viver ......................................... 4 Educação das crianças ......................... 4 Escola .................................................... 4 Aldeia ..................................................... 5 Agricultura ............................................ 6 Caça e pesca .......................................... 7 Arte ........................................................ 8 Saúde ..................................................... 9 A natureza ........................................... 10 Como vivia o povo Arara .................... 13 Período de colonização ...................... 13 Reorganização das aldeias ................ 14 Conquista da terra .............................. 16 Desafios atuais .................................... 18 Falando sobre nós .............................. 19 As culturas no cotidiano ..................... 20 Catequizando o civilizado ................. 22
O povo Arara Na Terra Indígena Igarapé Lourdes, moram dois povos – Arara e Gavião – sendo que os Arara possuem duas aldeias principais: I’Târap, que significa nossa gente, e Pajgap, que significa buritizal (uma espécie de palmeira). Os nomes das aldeias foram dados a partir do nome de animais, plantas, frutas, rios e de outros aspectos da natureza. Agora, pense no nome do lugar onde você mora: ele lembra uma pessoa, um acontecimento, um lugar ou algo da natureza? Escreva o nome no espaço à direita, na vertical e, para cada letra, escreva uma palavra que lembre aspectos da cultura, das pessoas, da geografia, da natureza, enfim, características do município. Pense em características positivas, valorizando o lugar onde você vive. A escolha do nome de uma terra indígena, uma cidade, um bairro, é especial. Mais especial é a escolha do nome de uma pessoa. Você conhece a história do seu nome? Quem o escolheu? Qual o motivo da escolha? Qual o seu significado? Se você ainda não sabe, pergunte para as pessoas da sua família. Você descobrirá histórias legais. As crianças Arara recebem nomes em Arara e em português, que, geralmente, são escolhidos pelos pais ou avós. O significado do nome Arara tem relação com algum aspecto físico da criança ou com algo que aconteceu no seu nascimento ou durante a gestação. Assim, o nome se torna algo bem característico e especial da pessoa. 3
Jeito de viver Educação das crianças Assim como na escolha do nome, os avós também participam da educação das crianças. Os avós tinham e continuam tendo um papel importante na educação. Os mais velhos contam as histórias vividas ou ouvidas por eles e as passam adiante. São, como se diz, a memória viva do povo. As crianças Arara, assim como as crianças de outras culturas, no início, aprendem olhando o que os adultos fazem no seu dia-a-dia. Depois, elas começam a fazer o que os adultos fazem. As mães ensinam às filhas e os pais aos filhos. Pai e mãe, pajé e outros adultos são responsáveis pela educação.
Escola A aprendizagem acontece a cada dia, na conversa, nas brincadeiras, nos afazeres e no convívio com outras pessoas da comunidade. Porém, em cada aldeia, I’târap e Pajgap, existem escolas com professores indígenas, que ensinam a ler e escrever na língua Karo. O Português é a segunda língua do povo. A Secretaria Estadual de Educação de Rondônia oferece cursos de magistério, especialmente para os povos indígenas. Os professores e professoras estão lutando para que este curso conti4
nue sendo oferecido. Também, há professores e professoras não-indígenas que atuam nas escolas das aldeias, orientando os professores e professoras indígenas. Escola Arara
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Aldeia
quem conviveram por muitos anos. A cozinha é o lugar mais fresco da casa, onde ficam nos dias quentes. Perto das casas são plantadas árvores frutíferas.
Na aldeia, a maioria das casas é de madeira, mas algumas já são de tijolos. Em geral, têm dois ou três quartos. A cozinha, feita de palha e paxiúba, é construída separadamente, ao lado ou atrás da Pupunheira: palmeira da casa. Eles aprendefloresta amazônica, que ram esse jeito de faproduz frutos amarelos zer a casa com os de polpa fibrosa. seringueiros, com
Organize as letras dentro das frutas e descubra o nome de algumas delas que existem na aldeia.
Resposta na página 23
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Ilustrações de Eduardo Arara
A agricultura é uma das principais atividades desenvolvidas pela comunidade indígena, sendo muito importante para o seu sustento. Os Arara também são coletores, ou seja, entram na mata para colher alimentos, como frutas, nozes e raízes. Um alimento importante é a castanha. Célio Nãkyt Arara conta que a castanha é usada para temperar a comida. O óleo serve para temperar peixes e carnes. Ela também é usada junto com mandioca, batata, pamonha, paçoca de carne. Ainda hoje, a castanha é muito importante para o povo Arara, embora restem poucas castanheiras. Sobre a castanheira, existe um mito criado e contado pelo povo Arara. Esse mito não só conta a história da castanheira, mas também traz um ensinamento que aparece nas atitudes dos personagens. A seguir, está o mito contado do jeito de Sebastião Kará Yã Péw Arara. Antigamente, o céu e a castanheira eram baixos e tinha índio que roubava as castanhas da árvore. Quem cuidava da castanheira era Toto néw (Deus) e o Toto néw não gostava que o índio arrancasse as castanhas, todo dia. Um dia, ele foi no pé da castanheira, viu casca de castanha. Depois, ele resolveu ficar escondido para descobrir quem era o ladrão. 6
Eduardo Arara
Agricultura
Ficou escondido e fez o céu ficar alto e a castanheira também cresceu, com o índio em cima dela. Aí o índio ficou preso em cima, no alto da castanheira. O índio pelejava para pular de cima, mas ele não tinha coragem de pular. Ele cuspia, jogava folha, fazia cocô, até que resolveu se cobrir com folhas e pulou lá de cima. Quando caiu dentro da água, desapareceu, secando o igarapé. E desapareceu também a alimentação dos índios.
Caça e pesca
Os índios tentavam plantar semente de açaí, mas não nascia. Plantavam galho de pau, também não nascia. Até que apareceu um índio chamado Toyárõya, que trouxe tudo de volta para os índios, e a castanheira nunca mais ficou baixa.
Ajude o caçador arara a encontrar o caminho da caça. Desenhos do dicionário Arara - p.23 e p.09
A caça e a pesca são mais dois recursos importantes para o sustento da comunidade. Por causa do desmatamento, causado por madeireiros e fazendeiros, a caça e a pesca diminuíram. Assim, o povo Arara quer conhecer técnicas para ajudar na criação de peixes e outros animais. Isto ajudaria a trazer mais recursos para a aldeia. Resposta na página 23
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Arte A arte também se mostra através da confecção de colares de sementes, pulseiras, cestas, redes de tucumã e algodão, vassouras, abanadores, arcos e flechas. Os índios mais velhos ainda se pintam com uma tinta de uma fruta chamada jenipapo. Eles fazem uma linha fina de um lado ao outro do rosto. Além do jenipapo, também usam o urucum para se pintar. A natureza oferece vários elementos para a produção da arte Arara e de outras culturas. Assim, temos um desafio para você: confeccionar algo criativo a partir de elementos da natureza. Use sementes, folhas e galhos secos, cascas de árvores, a própria terra. Temos uma dica: faça cartões, móbiles, quadros, e presenteie familiares e amigos ou enfeite a casa. Outra possibilidade é fazer um
cartaz para a Semana dos Povos Indígenas. Você também pode recolher folhas e flores do chão, colocá-las dentro de um livro e, depois de alguns dias, quando estiverem secas, usá-las para confeccionar cartões ou cartazes. Para não manchar o livro, envolver as flores/folhas num papel e depois colocar dentro do livro. Observe os recursos que a natureza oferece e você terá outras idéias para colocar em prática. Mas lembre-se de algo que o jeito de viver do povo Arara nos ensina: O respeito pela natureza.
Copie, nas sementes, o nome de seis objetos confeccionados pelos Arara que estão na primeira frase deste texto sobre arte. Observe a quantidade de letras e verifique qual palavra se encaixa ali.
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Respostas na página 23 8
Qual das sombras abaixo pertence à silhueta do arco e flechas ao lado?
Resposta na página 23
Saúde A forma como o povo Arara cuida da saúde mudou. Através do relato de Dora Arara, podemos conhecer como era no passado:
Antigamente, a gente usava remédio do mato. Quando a gente estava doente, pajé curava com remédio do mato. Antigamente não existiam remédios dos não-índios, só o pajé que curava as pessoas quando estavam doentes. 9
Você já ganhou um chá de sua mãe ou de sua vó quando não estava se sentindo bem? Converse com a sua família e descubra o nome de algumas plantas que ajudam a cuidar da saúde. Escreva o nome dentro dos potes de barro.
Para cuidar da saúde, usavam-se recursos extraídos da natureza. Isto mudou por causa das doenças que foram transmitidas por pessoas não pertencentes ao povo indígena. Hoje, existem agentes indígenas de saúde mantidos pelo governo que atuam nas aldeias. Contudo, a natureza continua sendo um recurso importante para cuidar da saúde.
A natureza É da natureza que o povo Arara tira grande parte da sua alimentação, as plantas para cuidar da saúde, os materiais para fazer o artesanato e construir suas casas. Na escola e em outras atividades desenvolvidas na aldeia, faz-se uma reflexão sobre como é importante preservar a terra, as matas, os rios e os animais, para se ter uma boa qualidade de vida. A Terra Indígena Igarapé Lourdes está rodeada de fazendas que acabaram com a flores10
ta. Na região de Ji-Paraná, mata mesmo, só existe na terra indígena e na Reserva Biológica do Jaru. Cuidar da natureza é garantir o sustento de hoje e do futuro. Por isso, na aldeia, existe a preocupação com o desrespeito que muitas pessoas têm com a natureza. Veja o que dizem alguns Arara:
* Os madeireiros só fazem destruir a floresta, poluindo e deixando grande desmatamento, acabando com todas as madeiras que têm na floresta. A madeira só dá confusão entre a comunidade e divide as pessoas. Deixa doença para a comunidade. Os madeireiros poderiam tirar a madeira de outras maneiras, não poluindo os rios e igarapés e não destruindo as matas. (Rosana Moxãir Arara)
não vivem sem a floresta. E nós, seres humanos, também precisamos da terra para plantar, para dar sustento à nossa família. (Elizanete Arara, Escola Iterap)
O povo Arara sabe que uma boa qualidade de vida depende da preservação de todos os recursos naturais: terra, água, plantas, animais. No passado, ele já defendeu a sua terra e todos os recursos que ela oferece, enfrentando situações de
* Na nossa terra indígena, nós não queremos barragem, porque as barragens destroem tudo o que vem da natureza, os peixes, a caça. Eles servem de alimento para nós. Com eles que nós sustentamos nossa família. Também destrói as florestas, onde as caças vivem. Os animais
perseguição e morte. Com coragem, buscava forças na sua cultura para lutar pela vida. Hoje, ainda há dificuldades com fazendeiros, madeireiros, palmiteiros e pescadores. Mas, a vontade de cuidar da terra e de sua cultura é maior do que as dificuldades. Cuidando da terra indígena, os Arara cuidam de si mesmos e dos demais povos e culturas. Pensam no bem-estar das pessoas hoje, mas também nas futuras gerações. A sua história é uma lição de vida! O que você achou mais importante na história do povo Arara? 11
Todo povo tem história e faz história Olhando para história da família e para a sua própria história, do que você lembra com alegria? Que perdas tiveram, que trouxeram sofrimento? O que tem reunido familiares? O que tem afastado vocês? O que os fatos históricos do povo indígena Arara, descritos abaixo, têm em comum com a sua história? Através dela, você poderá compreender melhor a história do Brasil. Tradicionalmente, os Arara habitaram a terra onde vivem hoje: Terra Indígena Igarapé Lourdes, Ji-Paraná, Estado de Rondônia.
Mapa com localização das terras de Igarapé Lourdes
Utilize canetas coloridas e demarque no mapa as áreas identificadas na legenda. 12
“Os nossos pais contavam, antigamente... Nós vivíamos sem o branco. Meus pais viviam antigamente por aqui mesmo, por perto”. (falas coletadas por Firmino Xit Xabat)
A história pode ser dividida em diferentes momentos, conforme relato do próprio povo e estudos realizados por Edinéia Aparecida Isidoro, em sua dissertação de mestrado intitulada Situação sócio-linguistica do povo Arara: uma história de luta e resistência (UFG, 2006).
Como vivia o povo Arara no tempo das malocas No período anterior a 1940, eles eram agricultores, coletores, caçadores e pescadores. Sua economia baseava-se no sistema de troca. Organizavam-se em grandes casas por grau de parentesco. O pajé, muito valorizado pelo povo, exercia várias funções na comunidade (rituais, curas e conselhos). Nesta época, habitavam a sua terra tradicional e quase toda região de Ji-Paraná. Não tinham contato com os não-indígenas. Em função da frente de expansão dos não-indígenas, neste período, que expulsava outros povos de suas terras tradicionais, os Arara tiveram contato com os povos indígenas Gavião, Urubu e Zoró. O contato resultou, muitas vezes, em guerras intertribais, ex-
terminando grande número de indígenas. No entanto, também conviviam harmoniosamente. Ouvese, ainda hoje, relatos de experiências amistosas entre os Arara e Gavião. Tempo das malocas refere-se a um período da história Arara, em que várias famílias parentes viviam sob o mesmo teto de uma grande moradia e não tinham contato com os não-indígenas. O sentido pejorativo que a palavra maloca adquiriu, especialmente na região sul, denuncia os abusos cometidos por não-indígenas contra as mulheres indígenas.
Período da colonização, “Correrias” e vida nos seringais A partir dos anos 60, ocorreu no Brasil forte migração de não-indígenas de todo país para a Amazônia. A colonização, planejada e estimulada pelo governo da época, atingiu duramente os povos indígenas, incluindo os Arara. Os não-indígenas foram em busca de novas áreas de exploração econômica. Ocuparam terras, derrubaram mata, expulsando ou atacando quem lá vivia. Implantaram atividades extrativistas (extração de látex da seringueira, minério, madeira). Este é o período das “correrias”, onde os indígenas, expulsos violentamente de suas 13
aldeias, saíram vagando pela mata. Centenas de indígenas foram mortos ou morreram por doenças levadas por não-indígenas, como pneumonia, gripe e sarampo. O seguinte depoimento de Pedro Arara revela um sentimento que persiste até hoje. “Meu pai está enterrado ali, no Riachuelo, dentro daquela fazenda ali - mãe contou para mim - naquela fazenda do Mário Piloto. Fiquei sabendo depois, porque realmente eu não sei explicar o sofrimento, que a gente já perdeu muitos parentes, já morreu muito, o que minha mãe contou para mim, nós éramos muitos Arara, mais do que todos os índios”.
Dicionário Arara, pág.25
Deste contato, resultou a quase eliminação do povo Arara. As pessoas que sobreviveram, foram trabalhar nos seringais como mão de obra barata para os não-indígenas. Estes seringais localizavam-se dentro das terras tradicionais do povo Arara. Neste período, eles se espalharam nos seringais, o que contribuiu para a desorganização da sua vida social.
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Reorganização das aldeias A partir de 1966, os Arara que viviam dispersos, fora das suas terras e nos seringais, retornaram, aos poucos, para o convívio da comunidade. Com a ajuda do SPI – Serviço de Proteção ao Índio – reorganizaram sua vida nas aldeias. Isso garantiu a sua sobrevivência física e contribuiu para a retomada de muitas atividades culturais silenciadas no período dos seringais. Unidos e mais fortes, puderam participar, junto com os Gavião, da luta pela demarcação e homologação da Terra Indígena Igarapé Lourdes. A popula-
ção Arara, a partir deste período, começou a aumentar. O papel das mulheres Arara foi muito importante na preservação da sua língua e sua cultura, pois elas nunca deixaram de ensiná-las a seus filhos. As pessoas mais velhas foram importantes neste período, e ainda são, pois preservam a história do povo.
Conforme relatórios de Denny Moore, em 1966 a população Arara era de aproximadamente 50 pessoas. Houve um aumento de mais de 50% até 1977. No ano de 2004 são 197 pessoas, quer dizer, que em 27 anos a população cresceu aproximadamente 155%.
CRUZADINHAS
Para responder 1. Período em que os indígenas Arara foram expulsos de suas terras, vagando pela mata. 2. Ação planejada pelo governo, que resultou na quase extinção do povo Arara. 3. Exercício praticado na água como lazer. 4. Município de Rondônia onde vivem os Arara. 5. Igarapé: pequeno... 6. Praticado por Pajé; cerimonial. 7. Sigla do Estado, onde vivem os Arara. 8. Artesanato de tucumã e algodão, formando uma espécie de leito para dormir. 9. Atividade implantada por não-indígenas que ocuparam as terras dos Arara. 10. Língua indígena ensinada na escola para ler e escrever.
11. Amêndoa comestível nutritiva, da qual se extrai óleo. 12. História não escrita passada de geração a geração. 13. Pessoa que extrai o látex da seringueira. 14. Artesanato produzido com sementes. 15. Percorrer com a vista e compreender o que está escrito. 16. Delimitar. 17. Guia espiritual, conselheiro e curandeiro. 18. Povo da terra indígena Igarapé Lourdes. 19. Rio pequeno, mas que é navegável. 20. Animal em festa típica do povo Arara. 21. Atividade importante para o sustento da comunidade. 22. Sistema econômico Arara, anterior a 1940. 23. Palmeira de cujo fruto se faz suco nutritivo.
Respostas na página 23 15
Conquista da terra Apesar dos aspectos positivos citados, novas lutas foram necessárias. Para demarcação de sua terra, os Arara percorreram longa caminhada. Junto com os Gavião, apoiados por órgãos governamentais e não-governamentais, os Arara enfrentaram grupos e pessoas que a haviam ocupado. Além disso, em 1976, com a demarcação da Terra Indígena Igarapé Lourdes, os Arara perderam grande quantidade da sua terra tradicional. O território foi dividido com o povo indígena Gavião. O povo Arara passou a viver somente na região sul e os Gavião na parte norte.
Na década de 80, até o final de 90, madeireiros exploraram suas terras, tirando parte das riquezas naturais e acentuando a propagação das doenças sexualmente transmissíveis e o alcoolismo. Mas graças à determinação desses dois povos, eles conseguiram expulsar todos os invasores de suas terras.
Desenho de criança – dicionário Arara
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Dados atuais
O povo Arara hoje
Conforme o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), na Rondônia já foram devastados mais de 70 mil quilômetros quadrados. Isto corresponde a três estados de Sergipe. Os Arara e outros povos indígenas são guardiões da floresta amazônica. Continue acompanhando esta temática através do site www.socioambiental.org.br
Nos diferentes períodos da trajetória do povo Arara, vemos, claramente, uma história de muitas lutas e de resistência. Observamos, também, o orgulho que este povo tem de assumir-se como Arara. A professora Marli Arara, da Aldeia I’Târap, escreve:
“Ser Arara
Eu me acho muito importante, porque sou uma índia. Que vivo na minha aldeia, junto com meus parentes. Eu nunca vou deixar de ser índia, porque ser índia é muito bom. Você vive bem. Tudo o que você quer comer, as frutas ..., você vai buscar na mata. Nós índios não dependemos dos outros para viver. Por isso que eu tenho orgulho de ser Arara”.
Complete as listas A e B.
A Cinco motivos de orgulho para você: 1- __________________________ 2- __________________________ 3- __________________________ 4- __________________________ 5- __________________________
– Quem é você? Tem algo de sua vida que você gostaria de contar com tanta felicidade e sentimento de realização como a professora Marli Arara fala de si e do seu povo? O povo Arara, apesar dos violentos contatos e imensas perdas culturais e humanas, sobreviveu graças a sua força cultural. As mulheres Arara insistiram em preservar a cultura e, junto com as pessoas mais velhas, foram suas principais guardiãs, sob a liderança espiritual dos pajés. Viver em comunidade, entre parentes, mantém o povo Arara unido e animado para enfrentar as dificuldades que surgem no dia-a-dia. Além disso, a organização e articulação com outros povos indígenas é muito importante para enfrentar e encaminhar questões comuns. Um exemplo disto é a Padereehj: Organização dos Povos Indígenas Arara, Gavião e povos da Terra Indígena Rio Branco.
B Cinco motivos de vergonha para você: 1- __________________________ 2- __________________________ 3- __________________________ 4- __________________________ 5- __________________________
Compare o resultado com os colegas e monte uma frase com um item de cada lista. 17
Desafios atuais do povo Arara: • a preservação de cemitérios, antigos elementos culturais, plantas medicinais, animais de várias espécies ameaçadas de extinção com a possível construção de uma hidrelétrica no rio Machado, que alagaria parte da Terra Indígena; • a implementação do Programa de Fiscalização da Terra Indígena Igarapé Lourdes, pois, além das invasões por caçadores, pescadores e fazendeiros que adentram nos limites da terra, há muitos fazendeiros que utilizam veneno nas pastagens, atingindo as aldeias Arara, afetando a saúde do povo e o equilíbrio ambiental; • a revisão dos limites da Terra Indígena Igarapé Lourdes para inclusão da área tradicional dos Gavião, reivindicada pelos povos Gavião e Arara. Por ocasião da demarcação, a Fundação Nacional do Índio – FUNAI só incluiu três das 27 aldeias Gavião; • a implantação e regularização do Ensino Fundamental completo nas escolas das aldeias, que hoje funcionam somente de 1ª a 4ª séries; • a formação continuada dos professores e professoras indígenas;
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• a promoção do programa de desenvolvimento sustentável das comunidades.
Falando sobre nós Organize no seu grupo uma exposição de fotografias e relatos de histórias a partir da família de cada um. Para enriquecer este trabalho, faça uma pesquisa com pessoas da sua família, especialmente idosos. Procure também, pessoas que conhecem ou conheceram seus parentes. Há pessoas que gostam de contar histórias. Traga fotografias de diferentes períodos. Mas, é importante que saiba dizer a época e quem está na foto. Descubra onde moraram seus antepassados, como viviam, como se comunicavam, como se divertiam e, que histórias têm para contar. Ouça bem. Demonstre o valor destas histórias. Anote o máximo possível dos relatos e compartilhe tudo com o grupo. Com certeza, você e seus colegas irão aprender muito. Sugerimos, ainda, que você e seus colegas façam comparações, vendo aspectos comuns e diferenças nas histórias recolhidas. Inclua neste estudo a história do Povo Indígena Arara.
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As culturas se manifestam no cotidiano Toda cultura tem elementos próprios. Esses elementos são construídos e se expressam no dia-a-dia. É no cotidiano, nas vivências corriqueiras, que mostramos quem somos e os valores que nos são importantes. Toda cultura é dinâmica. Está sempre articulando-se com outras culturas e, assim, atualizando-se. Ao ouvir jovens do povo Arara, falando sobre o seu povo, duas festas se destacam: a Festa do Milho Verde e a Festa do Jacaré. “ ... quando é época do milho verde, nós fazemos festa na aldeia e
convidamos parentes para participar da festa. Todas as mulheres vão para a roça buscar milho para fazer chicha. A chicha demora dois dias para ficar pronta para beber. Todas as pessoas se enfeitam de palha de buriti e cocar para a dança. A festa dura dois dias...” (Ernani Nakaxaxiop Arara) Chicha é uma bebida típica do povo indígena. Ela é conhecida também como macaloba ou caissuma. É feita com mandioca, batata doce, milho ou cará. Fermentada, ela tem certo teor alcoólico.
JOGO DAS 7
Compare as fotos da Festa do Jacaré das páginas 20 e 21, e ache as sete diferenças entre elas.
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A Festa do Jacaré sobreviveu, ao longo da história, entre o povo indígena Arara. Esta festa é muito importante para os Arara e um momento de muita alegria. Observe o jacaré no desenho. Ele está brincando com as pessoas num grande círculo. “... primeiro a gente busca o broto do buriti para fazer a saia. Deixa a saia toda pronta. Depois vamos procurar o jacaré no igarapé... trazemos ele para a aldeia... nós dançamos com o jacaré...” (Marina Arara)
DIFERENÇAS
Desenho de aluna da escola Pajgap Arara
O jeito de se relacionar com os animais demonstra traços culturais de um povo. Leia, agora, o relato da página seguinte. Ele é verídico. Aconteceu com um grupo de Arara e um seringueiro no período da colonização de Rondônia.
Resposta na página 23 21
Cansados de tantos sofrimentos, os índios resolveram “catequizar”, “amansar” ou, se quiserem, “domesticar” aquele civilizado... (indígenas falando de um seringueiro) sobre o qual certamente teriam opinião um tanto parecida com a que muitas vezes vemos expender-se a respeito deles mesmos, isto é, a de ser um bárbaro com instinto de fera. Mas ainda assim, não se resolveram a matá-lo; preferiram os meios brandos... o truculento seringueiro atravessava... certo rio, sobre uma pinguela. Dois indígenas puseram-se a esperá-lo bem ocultos, cada qual em uma das cabeceiras da rústica passagem. Vem o seringueiro... quando está todo absorvido com as dificuldades naturais de semelhantes passos, levantam-se os índios, fechando-lhe as saídas... o homem perde a presença de espírito e nem mais se lembra da espingarda que traz a tiracolo. Porém, mais atônito deveria ter ele ficado, quando viu aqueles “selvagens” (falando dos indígenas) que podiam acabar com ele, em um instante, com toda a segurança, estender-lhe as mãos desarmadas, oferecendo-lhe frutas: eram os “brindes” com que tentavam iniciar o trabalho de catequese do civilizado. (Fonte: RONDON, 1916, Apud, Ribeiro, 1987, p.112, citado por Edinéia Aparecida ISIDORO. Situação sócio-linguística do povo Arara: uma história de luta e resistência. Dissertação de mestrado. UFG, 2006).
Esta história faz parte do dia-a-dia dos Arara. Ela mostra vários valores culturais desse grupo. – De tudo o que você já sabe sobre a colonização em áreas indígenas, o que você considera novo e incomum nessa história? – A partir da história acima, o que significa ser “civilizado” e ser “bárbaro”? – O que podemos aprender com essa história? Que tal dramatizar este relato com sua turma/grupo? Apresente a história para outras pessoas, incluindo aprendizagens construídas ao longo deste caderno. 22
Desenho de Célio Nãkyt Arara
Catequizando o civilizado
Respostas Página 5
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LARANJA
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cruzadinhas 1. Correrias 2. Colonização 3. Nado 4. Ji-Paraná 5. Rio 6. Ritual 7. RO 8. Rede 9. Extrativismo 10. Karo 11. Castanha 12. Oral
MANGA COCO PUPUNHA
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13. Seringueiro 14. Colar 15. Ler 16. Demarcar 17. Pajé 18. Arara 19. Igarapé 20. Jacaré 21. Pesca 22. Troca 23. Açaí
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s
Para saber mais LIVROS Situação
sócio-linguística do povo Arara: uma história de luta e resistência – Edinéia Aparecida Isidoro – Dissertação de Mestrado, UFG, 2006. Esta terra tinha dono – B. Prezia e E. Hoornaert - CEHILA POPULAR CIMI - FTD São Paulo/SP, 3a ed.,1992. Povos Indígenas: terra e vida – Egon Heck e Benedito Prezia – Ed. Atual, São Paulo/SP, 1998. A temática indígena na escola – Novos Subsídios para professores de lo e 2o Graus -
A. Lopes da Silva e Luís D.B. Grupioni - MEC, MARI e UNESCO, Brasília/DF, 1995. Papel da Religião no Sistema Social dos Povos Indígenas – Eduardo V. de Castro, GTME, Cuiabá/MT, 1999. Práticas Pedagógicas na Escola Indígena – Aracy Lopes da Silva, Mariana Kawall Leal Ferreira (org) – São Paulo: Global, 2001. A Terra dos Mil Povos – História Indígena do Brasil contada por um índio Jecupé, Kaká Werá - Fundação Petrópolis, São Paulo/ SP, 1998.
Confira dicas de sites e filmes sobre povos indígenas na contracapa! 23