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Semana dos Povos Indígenas 2001

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Índice

Apresentação

03

Festa em Família

04

O dia e a noite

06

O tempo do coração

08

Cada dia o dia inteiro

09

A vida de uma criança Deni

10

Marcando o tempo

13

O povo Deni

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Falando Aruak

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O tempo da juventude Deni

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Recriar um novo tempo

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Tempo de ser jovem

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Tempo para tudo

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Mito da chegada do fogo

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Para saber mais

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Apresentação Neste ano, vamos refletir sobre o tema "O tempo passa, o tempo volta" e as diversas formas de se entender o "tempo". Em nossa sociedade, pensa-se, em geral, que o tempo sempre vai avançando e progredindo, como se andássemos em linha reta. Nas sociedades indígenas, pensa-se, em geral, que é como se o tempo andasse em círculos. Aqui você encontrará informações sobre o jeito de o povo indígena Deni da Amazônia viver e entender o tempo. Será que o tempo passa ou será que ele volta? Será que ele vai sempre em frente? Será que ele sempre volta do mesmo jeito? Será que ele passa para sempre? O que você pensa? Converse com os seus amigos e suas amigas sobre este assunto e você vai levantar ainda outras perguntas e, também, achar respostas. Um bom programa, muita diversão e muitas idéias! Os povos indígenas e o seu jeito de entender a vida, a natureza, o mundo são fascinantes e podem lhe ajudar a entender melhor o seu próprio mundo. Coordenação: Conselho de Missão entre Índios - COMIN Informações: Shavari Deni, Walter Sass e Rogério Link Elaboração: Joni Roloff Schneider, Cláudio Becker, Edson Ponick, Marta Nörnberg da Silva e Arteno Spellmeier Capa, ilustrações e prog. visual: Artur Sanfelice Nunes Fotografias: Rogério Link, Ismael Tressmann, Walter Sass e Arteno Spellmeier Impressão: Con-Texto Gráfica e Editora Realização: COMIN, em parceria com o Departamento de Catequese e Departamento Nacional para Assuntos da Juventude/IECLB Apoio financeiro: Igreja Evangélica Luterana da Baviera Tiragem: 45 mil exemplares COMIN - Conselho de Missão entre Índios Caixa Postal 14, 93001-970, São Leopoldo/RS/Brasil Telefone: (51) 590.1440 E-mail: comin@est.com.br Home Page: http://www.comin.ong.org

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Festa em Família

Entre os povos indígenas que ainda sobrevivem na Amazônia, estão os Deni. Este povo é formado por vários grupos espalhados às margens dos rios Xeruã e Cuniuá, ambos afluentes do Rio Solimões (veja mapa na página 12). No Rio Xeruã, vivem aproximadamente 350 Deni e no Rio Cuniuá, vivem 220, totalizando 570, aproximadamente. O que mantém os Deni como povo é o fato de falarem a mesma língua. Os diversos grupos têm nomes diferentes, conforme a região onde vivem. Por exemplo: Upanava deni (os do Rio Mamoriá); Shivakue deni (os do Rio Inauini); Hava deni (os da bacaba) entre outros. Deni é uma espécie de sobrenome acrescentado ao nome da região ou do rio em que se localiza cada grupo. É como se fosse uma grande família: a família Deni. Os Deni tiveram contato com não-indígenas no final do século XIX. A partir de então, a sua vida se tornou muito difícil. Os seringueiros e madeireiros invadiram as terras dos Deni, espalhando doenças como sarampo, gripe e tuberculose, obrigando os índios a trabalho escravo e provocando medo e morte. Apesar destas desgraças, o povo Deni é um povo alegre que gosta de fazer festas. O tempo da seca (no nosso calendário, são os meses de agosto a novembro) é a época das grandes festas Deni. Elas podem durar dias e dias. Na língua Deni, festa é IMA AMUSHINAHA. Escreva a seqüência dos meses do nosso calendário em que acontecem as grandes festas Deni. Depois, complete os espaços conforme os símbolos correspondentes e você descobrirá o que significa a palavra festa em Deni.

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O dia e a Noite Os Deni também têm seus mitos para contar o surgimento das coisas. O Mito do Dia e da Noite dos Deni do Rio Xeruã fala de duas irmãs bem diferentes uma da outra. O escuro é "Zumeniru"; o claro é "Vesherinu". São duas velhas irmãs. No início do mundo, era tudo escuro. Os Deni só usavam o "vami" (resina de árvore) para iluminar. Era tudo escuro. "Zumeniru" cantava sobre cobra e doença. A irmã disse: "Não canta assim. Canta cantos bonitos." Vesherinu cantava bonito. Zumeniru, um dia, cantava de dor de dente; outro dia, de dor de cabeça. Vesherinu dá conselho à irmã: "Não canta assim, canta bonito!" A irmã responde: "Eu vou cantar assim, pois vou morrer!" Vesherinu diz: "Vamos cantar para viver!" Ela cantava bonito; cantava de água boa para a saúde. "Zumeniru" era velhinha, preta e escura como a noite. "Vesherinu"era velhinha, branquinha e clara como o dia. As duas irmãs viram dois rapazes bonitos. "Zumeniru" fala para "Vesherinu": "Vamos casar com os rapazes bonitos!" As duas casaram e tiveram filhos homens. "Vesherinu" deu à luz a "mahi", o sol. "Zumeniru" deu à luz a "abaziku", a lua. Nasceu o dia e nasceu a noite. Mahi nasceu baixinho, foi levantando e esquentando. Todo o mundo podia brincar e ter frutas até "vesherinu" se cansar e ir dormir. Ela cutucava a irmã para ficar acordada, para pegar o turno dela. Três dias depois, morreu à tardinha, ao anoitecer "Vesherinu", o dia. Um tempo depois, morreu de manhã cedo "Zumeniru", a noite. As duas foram enterradas. "Vesherinu" falou para sua irmã "Zumeniru": "Eu vou para cá e tu vais ficar mais baixo." Morreram e nunca mais se encontraram. Mesmo se procurando, as duas nunca mais se encontraram. Por isso, tem dia e noite, dia e noite, dia e noite..... Mito contado por Sharavi Deni, da aldeia Morada Nova, em 25/11/2000.

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Destaque a escrita correta das palavras abaixo: Lua abizaku akuzabi abaziku Claridade vesherinu vesheniru sheverinu Sol miha mahi hami EscuridĂŁo zumerinu zumeniru zumineru

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O tempo do coração Um relógio faz tudo sempre igual: Depois de 60 toques iguais, um minuto; depois, uma hora, daí um dia e assim por diante. E para contar os dias? Aí, entra em ação o calendário, que diz que o dia, a semana, o mês e ano estão passando. O relógio e o calendário medem o tempo; mas o que marca o tempo da gente são as alegrias e as tristezas que vivemos. No relógio, uma hora é sempre igual. Mas, será que uma hora esperando um ônibus é igual a uma hora brincando com o seu melhor amigo? Há diferentes maneiras de ver o tempo. A civilização grega tem duas palavras para designar o tempo: Chronos e Kairos. O chronos mede o tempo, como o relógio. O kairos marca o tempo conforme nossos sentimentos. Na Bíblia se diz que Kairos é o tempo de Deus. Podemos também dizer que é o tempo do coração. Nós precisamos organizar nossa vida dentro do tempo medido pelo relógio, mas não podemos nos tornar escravos dele. Brincar, fazer festa, rir, passear, conversar com familiares e amigos é tão importante quanto todas as outras atividades que realizamos com hora marcada para iniciar e terminar. O texto a seguir nos ajuda a refletir sobre nossa relação com o relógio. Você pode transformá-lo num jogral. Assim, ele pode ser apresentado com a canção Cada dia o dia inteiro, também a seguir. Formam-se cinco grupos (2 a 5 crianças em cada grupo). Um grupo fica repetindo, em voz baixa, o primeiro verso, como um relógio. Depois de um tempo, entra o segundo grupo, repetindo o segundo verso. Depois, o terceiro e assim por diante. Enquanto as pessoas falam, elas caminham dentro do ritmo do tique-taque, como máquinas ambulantes. Quando todos já estão falando, pode-se intercalar a intensidade da voz de cada grupo, de tal forma que a poesia possa ser entendida como um todo. Começando pelo grupo que repete o segundo verso, todos vão abandonando seu verso e repetindo apenas tique-taque. O jogral termina com todos dizendo tiquetaque bem forte e parando abruptamente. Tique-taque-tique-taque-tique... O relógio toca o tempo com seu tique-taque-tique. E o toque deste ataque tá que tá virando tique. Tique-taque-tique-taque-tique...

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Cada dia o dia inteiro Edson Ponick

Jesus percebeu como as pessoas estavam preocupadas com o seu tempo. Por isso, ele as convidou para observarem as aves do céu e as flores no campo. Esta música está baseada neste texto bíblico. Ele está escrito em Mateus 6.25-34.

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A vida de uma criança Deni No texto abaixo, algumas idéias foram trocadas por números. Procure os desenhos numerados e escreva nos espaços tracejados o que eles querem dizer, para ler as frases que contam como é o dia-a-dia das crianças Deni. Ao amanhecer, enquanto está escuro, o tuxaua (1) fala para o seu grupo o que vai acontecer naquele dia e o programa é discutido. As (2)_____________ escutam. Quando o (3)_______________ está despontando por entre as (4)________________ , todos se reúnem ao redor do (5) _______________, dentro da (6) _____________________ , para se aquecer e comer o que sobrou do dia anterior. Se o primeiro programa dos homens for buscar (7) ____________________, os meninos acompanham o pai na pescaria. Se o programa das mulheres for ir para o roçado, as meninas acompanham a mãe para buscar (8) ________________________ ,(9)_________________ e (10)_______________. Agora, na (11)________________, têm professores do próprio povo. As crianças vão à escola para aprender a ler e escrever a língua Deni. À tarde, todos voltam e distribuem os (7)____________ e os alimentos colhidos entre os familiares.

(1)

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As mães fazem o almoço e as crianças brincam no pátio: Os meninos treinam com (12)________________, atirando em calangos (13),(10) ______________ e sementes. As (14)________________ repetem os cantos que escutaram das mães na noite anterior e buscam os meninos na casa deles. O nome desta música de chamar para dançar e cantar é "shava". Logo que escurece, janta-se e todos se deitam na (11)________ para dormir. Quando é noite de dança, as crianças cantam e dançam antes dos pais. Depois, acompanham a dança e o canto dos (16)_______________ e das (17)___________________ da aldeia.

Alguns brinquedos das crianças Deni

Boneca de Madeira

Arco e Flexa

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Peteca

Uma brincadeira das crianças Deni

Os meninos buscam frutas nos roçados e as meninas têm que tomar dos meninos. No outro dia, as meninas buscam as frutas e os meninos têm que tomá-las das meninas.

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Marcando o TEMPO Muitas vezes, dizemos: organizamos o espaço para ganhar tempo. O espaço compreende o lugar onde vivemos: a casa, o quarto, a rua, a mata, a igreja, a escola, etc. Ele pode ser conquistado, organizado, enfeitado, amado, para que o tempo ali vivido seja alegre e agradável. O espaço e o tempo estão sempre juntos porque um está em função do outro: organizamos o espaço da nossa casa para facilitar a vida entre as pessoas, distribuímos as tarefas entre todos para que todos ganhem mais tempo, enfeitamos o espaço para que fique agradável e bonito, para que todos se sintam bem durante o tempo que ali passamos... Os Deni também organizam o espaço onde vivem conforme o tempo de enchente e tempo de seca. Tempo de enchente e tempo de seca são algumas das muitas formas de marcar o tempo. Procure no caça palavras outras formas de marcar o tempo. Agora, complete as encontradas no caça palavras.

frases,

usando

as

palavras

1. Quando alguém diz: - Depois do Natal vou viajar, a forma utilizada para marcar o tempo é conforme as__________________da Igreja. 2. Marque na sua __________________ a data em que você deve entregar os trabalhos escolares. 3. Depois da ________________ das seis irei tomar banho, jantar e telefonar para a vovó. 4. Após a ___________________ do trigo iremos plantar pasto para os animais. 5. Meu avô ensinou: Quando o ___________ estiver sobre a sua cabeça, você conseguirá pisar na sua própria sombra. Para isso, você deve permanecer sem movimentos da cintura para cima. 6. Uma mulher Deni disse para uma amiga com muita alegria: - Daqui a nove ________s cheias, o bebê nascerá. 7. As ___________________ marcam o tempo. Em cada uma, a natureza está de um modo: no verão, é quente; no inverno, muito frio; no outono, muitas frutas e na primavera, tudo está florido. 8. A __________________ é usada para medir o tempo. Ela é feita com dois vidros que tem um pequeno buraco pelo qual passa uma certa quantidade de areia finíssima do vaso superior para o inferior.

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Durante o tempo da seca, os Deni organizam o espaço do roçado preparando a terra para o plantio. A pesca é abundante e há muitas frutas. É tempo de organizar o espaço da aldeia para a festa porque é tempo de fartura. Eles confeccionam roupas novas e enfeitam o corpo para realçar elegância e beleza. Quando chega o tempo da enchente, o espaço é organizado e usado de outro modo. É época de outras frutas e a pesca é feita na mata inundada. O tempo do povo Deni respeita o ciclo da natureza. Os Deni trabalham para fazer festa, se divertir, chamar malocas vizinhas e inventar brincadeiras. É um povo muito criativo com enorme capacidade de improvisar e imaginar.

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O Povo Deni O nome O povo indígena Deni era chamado de Jamamadi, mas através de uma pesquisa descobriu-se que eles próprios não se denominam desta forma. Como se explica na página 3, Deni são todos os que falam a mesma língua, por isso o próprio povo se autodenomina com este nome. Como vivem em 8 aldeias diferentes, usam um nome próprio para cada grupo, acrescentando o sufixo da língua, como por exemplo: Kunivadeni, que são os do Rio Cuniuá. A história A área indígena Deni foi identificada e delimitada pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) somente em 1999. A demarcação definitiva da área deverá acontecer em 2001-2002. Porém, os Deni foram contactados no fim do século XIX, quando chegaram nesta região os brancos em busca de borracha e sorva. Desde aí, começa sua gradativa extinção, através da morte por expulsão da terra, pelo trabalho escravo a que foram submetidos e por doenças trazidas pelos brancos. Até o final da década de 80, o Povo Deni trabalhava na coleta da borracha e da sorva para os seringalistas da região numa relação de exploração abusiva. Isto fez com que sobrasse pouco tempo para a plantação de roçados e para sua vida cultural. Foi uma época de muita exploração, pois como não entendiam as transações comerciais, sempre estavam em dívida com os patrões dos seringais. A educação Devido à realidade de exploração em que vivia, o próprio povo sentiu a necessidade de aprender a escrita de sua língua. Através de estudos lingüísticos de um casal americano, os Deni tiveram à sua disposição uma gramática e um dicionário Deni. Em 1976, construiu-se uma escola na aldeia Marrecão, no Rio Cuniuá, onde se iniciou a alfabetização na língua materna.

O trabalho de educação escolar foi se intensificando. Com o auxílio da equipe de trabalho formada pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e o COMIN (Conselho de Missão entre Índios), homens jovens e adultos começaram a aprender operações básicas de matemática. As crianças, em idade escolar, aprendem a matemática e a língua escrita através do desenho e da modelagem e as mulheres

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iniciaram a alfabetização na própria língua. Os mitos estão sendo gravados para resgatar a memória do povo, dando a possibilidade de elaborarem uma cartilha. Criaram seu próprio calendário escolar, dando oportunidade de parar ou diminuir o horário escolar nas épocas de festas, plantações, pescarias e caçadas. Atualmente, muitos Deni sabem ler e escrever, sendo costume comunicaremse entre as aldeias através de cartas. Alguns se destacaram de tal forma que passaram a administrar aulas em outras aldeias e participam de um curso regular de professores indígenas.

Conforme o Pastor Walter Sass, que atua na região através do COMIN, o maior desafio para os próximos anos é produzir material escolar próprio do povo Deni. A educação, como um todo, deve ser um processo de construção coletiva, envolver uma formação política e específica do professor e da professora, envolver a própria comunidade, as organizações indígenas e articular-se com entidades de apoio governamentais e não governamentais.

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Falando Aruak

Quanto à língua, os Deni são classificados como membros do tronco Arawá, da família linguística Aruak. Abaixo listamos o nome indígena e o nome regional de espécies florestais, de animais, pássaros e peixes mais importantes de caça e pesca, de frutos silvestres, de matérias primas e de plantas cultivadas. Também arrolamos algumas características sobre cada uma. Você terá a tarefa de descobrir o nome regional que corresponde à característica e transcrever o respectivo nome indígena no exercício da próxima página. NOME REGIONAL NOME DENI Anta

Avi

Mutum

Iduki

Ingá

Imi

Açaí

Maraka

Cipó-imbé

Tupi

Breu

Muza

Cará

Biha

Tabaco

Tsina

Seringueira

Aruni

Copaíba

Karuma

Piau

Sakaru

Argila

Tsipa

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Jacamin

Tusipa

Pupunha

Zavida

Caititu

Anupeda

Sorva

Apie

Macaxeira

Himeka

Piranha

Akumi

Nome em Aruak 1.___________________________

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18.__________________________ Características 1. Árvore de madeira branca e leve que produz o látex. 2. Fruto bacáceo, comestível e de tamanho pequeno. Típico da floresta úmida. 3. Madeira avermelhada usada para construção. Também produz óleo para uso medicinal. 4. Atinge até 2 m de comprimento por 1 m de altura e pesa até 180 kg. A carne é comestível. 5. De cor amarelo e negro ou castanho-claro, patas pretas, uma faixa branca em forma de colar do pescoço aos ombros. Sua carne é comestível.

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6. Existem 6 tipos dessas aves no Brasil. Em geral, as suas penas são curtas e eretas. É uma boa vigia das habitações indígenas. 7. Designação comum a várias aves galiformes, de penas da crista curvas na extremidade. 8. Possui duas manchas negras arredondadas nas laterais e 15 a 16 faixas escuras no dorso. Alimenta-se de substâncias vegetais e animais e é utilizado na piscicultura. 9. Conhecidos como peixes carnívoros, vorazes, com dentes numerosos e cortantes, sendo os mesmos usados pelos índios para cortar cabelo, cordas e para uso doméstico em geral. 10. Fruto idêntico a uma vagem, que se caracteriza por ter sementes embebidas numa massa carnosa 11. Fruto de uma palmeira, do qual se faz um suco muito apreciado. 12. Fruto amarelo, com polpa fibrosa e de sabor agradável. Os indígenas a consomem muito, geralmente após cozido em água. 13. Designação a várias plantas ornamentais, de flores verde-amareladas e raízes em forma de cipó. 14. Substância negra obtida pela evaporação ou destilação de matérias orgânicas. Usada como matéria-prima. 15. Usado na confecção de utensílios domésticos. Matéria-prima maleável quando úmida e muito dura quando seca. 16. Plantada em roçados. Sua raíz, quando ralada e secada ao sol, transforma-se em farinha. 17. Cresce no chão ou como trepadeira. Seu fruto é um tubérculo, consumido de forma idêntica à batata. 18. Planta com folhas grandes, alongadas e macias e flores vistosas. Possui nicotina, usada para matar parasitos. Dessecadas, as folhas se constituem em fumo.

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O tempo da juventude Deni Entre o povo Deni, o tempo da juventude é um tempo específico, bonito e com regras muito claras. Vejamos: - Os e as jovens não podem opinar nas discussões dos adultos, pois sua tarefa é aprender. - Os espaços e trabalhos entre homens e mulheres são bem definidos: Os homens são responsáveis pela floresta e tudo que ela significa e as mulheres pela aldeia e tudo que esta significa. Na hora da plantação, por exemplo, os homens são responsáveis pela derrubada da mata e as mulheres pelo plantio e colheita. - Ainda escuro, o tuxaua, líder da aldeia, explica o trabalho do dia. Os rapazes devem ajudar nas atividades dos homens, arrumando os instrumentos de caça e pesca e coletando alimentos. - As jovens se pintam logo cedo, ajudam na cozinha, no roçado, na coleta de frutas silvestres, providenciam a lenha para o fogo, fazem artesanato, carregam água e alimentam os animais. - Quando os rapazes voltam da caça, tomam banho e descansam na rede. As moças auxiliam as mães no preparo da comida e no cuidado das crianças. - Nos jogos e brincadeiras, sempre há separação de sexos, porém, com participação de ambos e troca de papéis. Rapazes e moças gostam de jogar futebol. - Os e as jovens cantam e dançam as músicas tradicionais com os adultos. Ao iniciarem, as moças convidam os rapazes. No outro dia, os rapazes vão convidar as moças. Também gostam de dançar forró. - Os e as jovens Deni gostam de namorar e casam em torno dos 13 e 16 anos. - O casamento acontece entre primos cruzados, quando possível. Ele é ajeitado pelas mulheres e dois dos homens mais velhos, enquanto que os outros vão para a caça. A rede da moça é desatada e levada ao lado da rede do rapaz. Quando os homens voltam, é avisado que os dois estão casados. Logo a mãe da moça traz brasa para ela fazer fogo. Aí tem festa, comida, cantos e os dois podem dormir juntos. - Na primeira menstruação, a moça fica fechada em casa por 5 dias. Se um rapaz casa com uma moça que ainda não entrou no ciclo menstrual, os dois são castigados. As duas redes são separadas e fechadas com palhas. Não devem comer durante 2 dias e o rapaz deve beber caldo de um cipó amargo até vomitar. Após 5 dias, a moça é levada ao terreiro, despida, amarrada a um pau e açoitada pela pessoa mais idosa da aldeia. - Relação sexual antes do casamento significa castigos e reclusão de um dia para os dois. - Quando um rapaz engravida uma moça não casada, a criança é criada pela mãe e depois assumida por sua família. Neste caso não há castigo.

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Dinâmica do Aquário 1. Todos são desafiados a elaborarem uma tese sobre o que leram ou sobre a sua vida enquanto jovens. 2. Dispõe-se 5 cadeiras, conforme desenho. 3. Convida-se uma pessoa para sentar na cadeira A e apresentar a sua tese. 4. Convida-se alguém a rebater a tese ou complementá-la. Esta pessoa deve sentar na cadeira 1. Se tiver mais alguém para falar sobre o mesmo assunto, a pessoa da cadeira 1 senta na cadeira 2 e quem for falar senta na 1. Assim segue o rodízio até se completarem as cadeiras. Se chegar uma quinta pessoa, a que está na cadeira 4 volta para o grande grupo. A pessoa da cadeira A participa da discussão sobre a sua tese, mas quando alguém apresentar uma nova tese, ela volta ao grande grupo. Quem estiver nas outras cadeiras também pode se retirar ou permanecer para discutir o novo assunto. O objetivo é que todos os "peixes" entrem no aquário, pois só aí podem "nadar" (falar).

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Recriar um novo tempo "(...) lamentamos que até hoje o governo federal não tenha sabido tratar nossas diferentes realidades. Afirmamos, então, que erram aqueles que nos olham com olhares economicistas, que só conseguem enxergar em nossas terras o ouro, o urânio, as águas e a biodiversidade. A velocidade, para índios e brancos, em todos os sentidos, é muito diferente. Enquanto a do homem branco navega como o pensamento, a dos índios caminha como a noite e o dia, levando uma enorme desvantagem. Mesmo assim, queremos assegurar a verdade indígena de proteger e promover o meio ambiente para a liberdade, e não para a destruição do amanhã.(...) Queremos descobrir o Brasil com nossos próprios códigos, buscando recriar um novo tempo, ..." Marcos Terena _ índio do Mato Grosso do Sul, do povo Terena, coordenador geral dos Direitos Indígenas da FUNAI. Folha de São Paulo, p. 03, de 02.01.2000 O tempo, no entendimento dos Deni, está ligado ao ciclo da vida. Observando a natureza, o cosmos e o espaço em que acontecem as mudanças, verificam o tempo e a hora em que estão vivendo.

O sol (dia) e a lua (noite), por si só, são a medida da passagem de um dia para outro. A passagem do mês é definida pela posição e tamanho da lua. Acontecimentos passados e futuros são localizados no tempo conforme as constelações mais importantes ao amanhecer, bem como pelo ciclo das estações da seca (verão) e da água (inverno).

Marcos Terena, ao falar da realidade indígena, expõe as conseqüências que o tempo dos brancos traz para o tempo e o

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espaço dos povos indígenas. Não é só questão de ritmos diferentes entre as culturas, mas de concepção de vida.

Se você fosse o ou a presidente do Brasil, que medidas adotaria para que os 220 povos indígenas que vivem em 11% do território nacional, pudessem recriar um novo tempo? Escreva ou desenhe o seu projeto.

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Tempo de ser Jovem O tempo é medido de muitas formas, depende do espaço e do ritmo em que vivem as pessoas. Marcadores naturais do tempo são o sol, a lua e o clima, que por muito tempo foram o guia dos povos indígenas e também das pessoas que vivem na área rural. Mas o mundo da cidade passou a influenciar o ritmo dos povos indígenas e das pessoas do interior, trazendo outros elementos para marcar o tempo. E as transformações foram tantas que o tempo mecânico tomou conta do ser humano, alterando totalmente o ritmo e o espaço em que vivemos. A divisão do tempo também se dá de forma histórica, psicológica, física e biológica. Daí a gente vê que o tempo da juventude é muito especial. Historicamente, é o tempo em que definimos nosso projeto de vida. Psicologicamente, definimos nossa auto-imagem, quem somos e o que queremos. Fisicamente, é o tempo em que o nosso corpo se transforma, de corpo infantil em corpo adulto. Biologicamente, é o início do tempo de procriação. O tempo de ser jovem não volta mais, mas não é uma fase estanque; é a única oportunidade para resolver nosso projeto de vida. Se o tempo da juventude for vivido com integralidade, com prazer, com dignidade, ele será tão significativo que parecerá uma eternidade. Um exemplo é curtir um bom namoro: Parece que o tempo não passa e o guardamos na memória para o resto da vida, desejando que sempre se repita. Se o tempo da juventude for bom, também será prazeroso conquistarmos e organizarmos o espaço em que vivemos. E o nosso tempo seguinte parecerá infinito. Tempo e espaço andam de mãos dadas, com os quais podemos transformar vidas - a nossa e a de outras pessoas.

Dinâmica: Tempo para diálogo Cada integrante do grupo recebe um relógio, como o exemplo a seguir. Confecciona-se um relógio maior, só com as horas e um ponteiro móvel. Convidam-se os participantes a marcarem horário para diálogo, em cada hora do relógio, com pessoas diferentes. É necessário anotar no relógio o nome com quem se está marcando horário. A pessoa contatada também marca o nome com quem combinou tal horário. Todos devem ter todos os horários marcados.

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O/A orientador/a define o horário no relógio grande. Cada um procura a pessoa com a qual marcou hora. Depois de dialogarem por uns 4 minutos, o orientador muda a hora. Não é necessário seguir a seqüência lógica do relógio. Perguntas para a dinâmica 1. Como você administra o seu tempo? 2. Como você se sente no tempo de juventude? 3. Conte um fato marcante do seu tempo de criança? 4. Um desejo para o tempo de 2001? 5. Como você explica a eternidade? 6. O que mais chama a atenção nos marcadores naturais do tempo? 7. Como o tempo mecânico influencia a sua vida? 8. Como você organiza o seu espaço? 9. Como você se adaptaria no tempo e espaço de vida de um jovem Deni? 10. Como você imagina o seu tempo de adulto? 11. Como é seu ritmo de vida? 12. Como podemos ajudar a transformar vidas?

Como você imagina o seu tempo de adulto? O que você faz no tempo livre? Um desejo para 2001!

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Tempo para tudo Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Eclesiastes 3.1-8 Esse texto faz parte da Bíblia, dos chamados textos de Sabedoria, que era o saber adquirido pela experiência na vida e transmitido na educação dada pelos pais, funcionários públicos, sacerdotes e profetas do povo de Israel. O autor de Eclesiastes viveu na época em que o povo de Israel voltou do Exílio para a sua terra, mas a vida continuava difícil. A partir de sua experiência, o autor questiona a afirmação dada pelos sábios de que os fiéis terão mais sorte na vida do que os que não têm fé, pois há incrédulos que têm uma vida tão boa quanto os fiéis. Ele nos faz pensar que, por mais que façamos tudo que é bom e correto ao nosso ver, não conseguimos compreender a obra maravilhosa de Deus, que conhece o nosso tempo e o nosso futuro, dá e tira a vida. Vale, no entanto, jamais perder a confiança em Deus. Diálogo: Qual a mensagem de Eclesiastes 3.1-8 para os nossos dias? Sugestão de dinâmica: Teatro Mudo de Cenas Opostas. Escolhem-se duas pessoas para lerem o texto durante a apresentação. Os demais são divididos em pequenos grupos, sendo que um recebe duas ou mais palavras opostas para encenar, como por exemplo: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de buscar e tempo de perder. Regras da apresentação: cenas rápidas, cenas opostas, cenas sem fala, apresentação na seqüência do texto (que deve ser lido de forma pausada). Ainda pode-se providenciar um fundo musical.

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Mito da chegada do fogo Há muito tempo, um homem Deni foi caçar onça, que era o único bicho mau. De repente, gritou o passarinho bubu ao Deni: - Tem fogo aí! O índio, assustado, viu em frente uma árvore enorme em chamas. Ao se aproximar, sentiu muito calor. Então pegou uma vara, encostou no fogo e a vara queimou. Rapidamente, levou a brasa para casa e fez fogo.

mais nada.

Os outros índios da aldeia se admiraram e pediram fogo para ele, mas o Deni não concedeu uma brasa sequer. Mandou que eles mesmos buscassem mais fogo na árvore no meio da floresta. Os índios foram ao lugar indicado, mas ali não encontraram

Então o índio, que descobriu a brasa, decidiu repartir o fogo. Por isso, os índios Deni não deixam apagar o fogo até hoje.

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Para Saber Mais Vídeos Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco, - EUA,1991, 187 min. - Condor Vídeo. A Missão, de Roland Joffé - ING, 1986, 121 min - Distr. Flashstar. Amazônia em Chamas, de John Frankenheimer - EUA, 1994, 128 min. - Warner Dança com Lobos, de Kevin Costner - EUA, 1990, 128 min. - Abril Vídeo/Hollywood. Livros Esta terra tinha dono - B. Prezia e E. Hoornaert - CEHILA POPULAR - CIMI - FTD - S. Paulo/SP, 3ª ed.,1992. Povos Indígenas: terra é vida - Egon Heck e Benedito Prezia - Ed. Atual, S.Paulo/SP, 1998. A temática indígena na escola - Novos Subsídios para professores de 1º e 2º graus - A. Lopes da Silva e Luís D. B. Grupioni - MEC, MARI E UNESCO, Brasília/DF, 1995. A Terra dos Mil Povos - História Indígena do Brasil contada por um índio Jecupé, Kaká Werá - Fund. Petrópolis, S. Paulo/SP, 1998. 500 Anos - Uma história de resistência - N. Chemin e J. V. Barcia, Serviço de Paz e Justiça, Brasília/DF, 1992. O Papel da Religião no Sistema Social dos Povos Indígenas - Eduardo V. de Castro, GTME, Cuiabá/MT, 1999. Leia também os Cadernos do COMIN e as publicações da Editora Sinodal.

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Semana dos Povos Indígenas 2001 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu