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CONTATO PARA RESERVA e-mail: larbelem@luteranos.com.br Site: www.luteranos.com.br/larbelem Campinas-SP Tel: (19) 3252 5458 Novolhar_63_JulSet_2016.indd 2
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Olimpíadas no Rio 8 a 23
DA GRÉCIA AO RIO - 120 ANOS DE OLIMPÍADAS ESPORTE OU POLÍTICA ECONÔMICA? OLIMPÍADA EVANGÉLICA REFUGIADOS NAS OLIMPÍADAS DO RIO ESPÍRITO OLÍMPICO QUANTO VALE O QUE NÃO TEM PREÇO PARALIMPÍADAS CONTRIBUEM PARA A INCLUSÃO? FICAR PARADO CONTRADIZ A NATUREZA
ÍNDICE
Ano 14 –> Número 63 –> JULHO A SETEMBRO DE 2016
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Casamento bombástico de Martim e Catarina
Rosa, pastora e militante
Os 130 anos do Sínodo Riograndense
HISTÓRIAS LUTERANAS
PERSONALIDADE
HISTÓRIA
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CIDADANIA Legado de um impeachment
SEÇÕES
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Violência não é só caso de polícia
70 por cento vêm dos pequenos
SOCIEDADE
ALIMENTOS
PALAVRAS CRUZADAS > 6 MOSAICO BÍBLICO > 6 NOTAS ECUMÊNICAS > 7 CONSULTÓRIO DA FÉ > 35 REFORMA 500 ANOS > 36 DE OLHO NA CIDADANIA > 37 REFLEXÃO > 38 ESPIRITUALIDADE > 40 PENÚLTIMA PALAVRA > 42 NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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AO LEITOR Revista trimestral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil-IECLB, editada e distribuída pela Editora Sinodal CNPJ 09278990/0002-80 ISSN 1679-9052
Diretor Nestor Paulo Friedrich Coordenador Eloy Teckemeier Redator João Artur Müller da Silva Editor Clovis Horst Lindner Jornalista responsável Eloy Teckemeier (Reg. Prof. 11.408) Conselho editorial Clovis Horst Lindner, Denize Inez Volkart Pinto, Eloy Teckemeier, Jaime Jung, João Artur Müller da Silva, Marli Lutz, Robson Luis Neu e Werner Kiefer. Arte e diagramação Clovis Horst Lindner Criação e tratamento de imagens Mythos Comunicação - Blumenau/SC Capa Arte: Cristiano Zambiasi Jr. Impressão Gráfica e Editora Pallotti Colaboradores desta edição Cibele Kuss, Claudete Beise Ulrich, Claudio Röhsig, Derti Jost Gomes, Donário Bencke, Gerson Engster, Gilciney Tetzner, Irineu Valmor Wolf, Jaime Jung, Karine Rizzardi, Leandro Hofstaetter, Leonídio Gaede, Luciana Benchimol Reichert, Márcia Scherer, Marie Ann Krahn, Martin Norberto Dreher, Paula Oliveira, Rui Jorge Bender e Viegas Fernandes da Costa.
Publicidade Editora Sinodal Fone/Fax: (51) 3037.2366 E-mail: editora@editorasinodal.com.br Assinaturas Editora Sinodal Fone/Fax: (51) 3037.2366 E-mail: novolhar@editorasinodal.com.br www.novolhar.com.br Assinatura anual: R$ 36,00 Correspondência E-mail: novolhar@editorasinodal.com.br Rua Amadeo Rossi, 467 93030-220 São Leopoldo/RS
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Olimpíadas
A
primeira olimpíada na América do Sul, marcada para o mês de agosto na Cidade Maravilhosa, deveria ser uma festa inesquecível. Mas o Rio de Janeiro decretou bancarrota, o zika vírus fez muitos atletas desistirem de lutar pela mais cobiçada das medalhas e o Brasil, bem... O Brasil resolveu subir no lugar mais alto do pódio da corrupção e, em meio a uma crise ética sem precedentes, enfrenta vergonha internacional por conta de uma sequência infindável de notícias vexatórias. Quando aceitamos fazer uma olimpíada do nosso jeito, nem sequer imaginávamos que, além de preparar tudo para os jogos, teríamos que enfrentar tamanha convulsão política e institucional. Nós aqui, da redação da Novolhar, estamos na confiante torcida para que os primeiros Jogos Olímpicos em solo brasileiro não se transformem numa grotesca olim... piada. Em todos os casos, está tudo pronto para receber mais de dez mil atletas de 200 países. Que seja realmente uma festa de confraternização, paz e hospitalidade! Vemos como um bom sinal a primeira delegação de dez atletas refugiados de diversos países, que vão disputar suas modalidades sob a bandeira olímpica. Alegria maior nos causa o fato de dois desses atletas serem refugiados em solo brasileiro. As matérias sobre a olimpíada, como sempre, trazem novos olhares sobre o tema esporte, resiliência, fair play (jogo limpo) e congraçamento. Sabemos que, num evento dessa magnitude, nem sempre o esporte é a principal motivação. Há muita política e interesses econômicos em jogo, mesmo que tudo aconteça sob a premissa idealizada do amadorismo esportivo. Ainda assim, enquanto o mundo inteiro se vê às voltas com uma assustadora e crescente sombra nacionalista e xenófoba, por aqui vamos promover o encontro, o abraço, a inclusão e a aceitação do diferente. Em agosto, o Brasil será espaço de encontro e convivência das nações do mundo. Paz, portanto! Como de costume, ainda espera por você uma série de reportagens instigantes nas páginas desta edição. Você fica sabendo como o casamento de Martim Lutero com Catarina von Bora foi a sensação do século 16. Também entra no debate sobre segurança pública para entender que a violência tem sua origem quase sempre na exclusão social. Conhece os 130 anos da história do surgimento do Sínodo Riograndense, precursor da IECLB. E ainda fica conhecendo a realidade da agricultura familiar, responsável pela produção de 70 por cento de todos os alimentos que estão sobre a nossa mesa. Equipe da Novolhar
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PELAS REDES
Migrantes em busca de sonhos
Excelente, muito especial o nº 62 da revista focando o tema das “migrações”. Li praticamente toda a revista num par de horas, algo inusitado para mim, sempre às voltas com tantas leituras por questão de ofício. Impressionante a coerência dos artigos, a precisão das informações e a forma estética de apresentar um tema dos mais importantes no mundo atualmente. Vou levar a revista ao nosso Grupo de Pesquisa no Programa de Pós-Graduação de Faculdades EST, justamente porque estamos organizando desde 2015 o III Simpósio sobre Interculturalidade e Migrações. Grato por este trabalho sério, criativo e tão relevante que vocês prestam às comunidades da IECLB e a todas as pessoas que procuram ser coerentes com a fé no Cristo, também ele migrante de todas as ortodoxias e templos sagrados. Roberto E. Zwetsch São Leopoldo (RS)
Extorsão no Hospital Universitário de Florianópolis No dia 1º de junho, a direção do Hospital Universitário publicou o memorando Circular (nº 007/2016/DG/HU), denunciando que há uma quadrilha ligando para familiares de pacientes internados no Hospital Universitário (HU), com o intuito de extorquir para compra de medicamentos, exames e procedimentos cirúrgicos. A direção do hospital pede a ampla divulgação desse memorando, pois o HU é público, 100% SUS, sendo ilegal qualquer tipo de cobrança. Segundo a direção, todas as medidas legais estão sendo tomadas. Pede-se pela ampla divulgação do fato para esclarecimento. Quem subscreve o memorando é a professora Maria de Lourdes Rovaris, diretora-geral do HU.
Tema da próxima edição A edição no 64, de outubro a dezembro de 2016, terá como tema de capa REINO DE DEUS. Que reino é este? O que significa colocar sinais do Reino? Parábolas do reino. “Meu reino não é deste mundo.”
Canções para além do louvor por Pe. Zezinho SCJ De cada 20 canções de louvor cantadas nos templos católicos e evangélicos, 19 falam e cantam o louvor. A solidariedade, a compaixão e a família raramente são celebradas. Casais, pais e filhos, noivos, pobres e enfermos e a justiça social nunca são cantados. Isso quando 130 dos 150 salmos cantam a libertação dos pobres e de um povo oprimido. Canta-se voltado para o altar e raramente para o mundo lá fora, sobre o qual se ora. Na hora de orar, os cantores pensam no mundo pecador. Mas, na hora de cantar, esquecem de cantar as cruzes que o povo carrega. A música religiosa católica e evangélica enveredou pelo funil do louvor e esqueceu os grandes temas bíblicos que os profetas celebravam! É como se Isaías, Amós, Jeremias, Oseias e os Salmos não tivessem existido e tivessem só cantado louvores a Javé. A nova mídia religiosa entrou de tal maneira na música católica, pentecostal e evangélica, que na maioria das paróquias e seminários, e até das congregações e ordens com mística e cantos próprios, o que se ouve nas missas são as canções voltadas 97% para o louvor! Isto em todas as igrejas. Os cristãos desistiram de cantar a solidariedade e a compaixão! Vão na direção oposta dos profetas libertadores. Apenas abordam a libertação do coração pecador. Fome, violência, separações de famílias, crianças abandonadas, adolescentes sem educação e corrupção não se cantam e não se exortam! Os profetas não fugiam desses temas. Os cantores cristãos dos últimos 30 anos optaram por não tocar nesses temas. Família, ecumenismo, solidariedade, temas sociais, violência contra as mães, pais e filhos, enfermos, libertação, ecologia, nada disso é cantado, como se a Igreja só pudesse evangelizar com cantos de louvor. Agem como se a compaixão pelos pobres, pelos enfermos e o diálogo em família não fossem formas de louvor. Alguém tem que passar aos compositores e cantores de agora os textos de Mateus 25.31-46, Mt 7.15-22, Mt 5.23 e os salmos políticos e sociais para que se inspirem neles. Liturgia não é só louvor. Também é teologia, sociologia, catequese familiar e compaixão. Bastaria ver as leituras do dia, os salmos e os responsórios. Quem motivou essa moçada a só cantar louvores esqueceu de ensinar o louvor que clama em favor do pobre e do coração ferido. Louvor sem compaixão é cruz de um só poste. Não tem os braços estendidos para as dores do povo. Será que alguém vai me rebater e provar que estou enganado? Ou o que eu digo merece uma séria reflexão? NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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PALAVRAS CRUZADAS
MOSAICO BÍBLICO
Frases de Lutero
Casamento Nos tempos bíblicos, os jovens normalmente não decidiam por si mesmos com quem se casariam, mas eram seus pais que geralmente faziam essa escolha por eles. O PREÇO DA NOIVA: Após a escolha da noiva para o filho, era feito um acordo em que os pais da noiva deveriam ser ressarcidos financeiramente pela perda da filha. Além disso, o pai da noiva entregava à filha um presente em dinheiro: o dote (Gn 24.59-61). O NOIVADO: Depois de todas as providências costumeiras, o homem e a mulher faziam um voto de compromisso (Mt 1.18-20) de um ano de duração enquanto se preparavam para o casamento propriamente dito. A família da noiva aprontava o vestido de casamento e também se encarregava dos preparativos para a festa. O CASAMENTO: Durante a cerimônia, a noiva e o noivo celebravam um acordo de valor jurídico e, em seguida, pronunciava-se uma bênção sobre eles. Depois disso celebrava-se a festa de casamento, em que todos os convidados compareciam vestindo trajes adequados para a ocasião. Geralmente, a festa era oferecida pela família da noiva.
Elaborado pelo pastor Irineu Valmor Wolf, que reside em Indaial (SC)
A FESTA: Após a chegada do noivo, todos retornavam à casa dele. Os convidados levavam lamparinas para iluminar o caminho. Quando entravam na casa do noivo, a noiva e o noivo sentavam-se embaixo de uma cobertura ornamentada. Esse momento marcava o início da festa com muitas danças, música, comida e bebida. A festa poderia durar até sete dias (Jz 14.12). Certa vez, Jesus compareceu a uma festa de casamento na aldeia de Caná, próximo a Nazaré, N sua cidade natal (Jo 2). FONTE: Bíblia Sagrada com Enciclopédia Bíblica, da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB)
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Notas ecumênicas
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Mulheres da Reforma
JOSÉ GERALDO MAGALHÃES é editor do Expositor Cristão da Igreja Metodista
Adiós, Pagura FEDERICO PAGURA (93 anos), bispo emérito metodista argentino, faleceu em Rosario no dia 6 de junho. Pagura foi ícone do ecumenismo e da defesa dos direitos humanos na América Latina. Foi pastor e bispo da Igreja Evangélica Metodista Argentina. Pós-graduado em Teologia nos EUA, a afirmação ecumênica era uma característica de todo o seu ministério. Foi bispo metodista em Costa Rica e no Panamá. Na Argentina, foi um incansável profeta contra a ditadura militar, denunciando o desaparecimento de pessoas naquele período. Durante 12 anos integrou o Movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos da Argentina. Foi presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas e personagem fundamental do Conselho Mundial de Igrejas. Recebeu diversos títulos de Doutor Honoris Causa. Além disso, era também músico e compositor, sendo dele o “primeiro tango evangélico”, a marselhesa evangélica, com o título “Tenemos esperanza”.
“QUANDO SE FALA DOS REFORMADORES, NÃO SE FALA DAQUELAS [MULHERES] QUE ESTAVAM TRABALHANDO COM ELES. OUTRA COISA IMPORTANTE A DIZER É QUE ISSO NÃO É UM PROBLEMA APENAS DA REFORMA, MAS DE TODA A IGREJA. NO TEMPO DOS “PAIS DA IGREJA”, ELAS FICARAM ESQUECIDAS. EM TEMPOS MAIS RECENTES, AS MULHERES QUESTIONAM: ‘ONDE ESTÁ A NOSSA HISTÓRIA?’. NÃO É UMA TAREFA FÁCIL, PORQUE A MAIOR PARTE DOS DOCUMENTOS FALA PRINCIPALMENTE DOS HOMENS. ENTÃO É NECESSÁRIO MUITAS VEZES LER NAS ENTRELINHAS PARA DESCOBRIR AS MULHERES NESSE CENÁRIO.”
Encontro pela paz
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Deus não é objeto!
O encontro pela paz em Assis na Itália, em setembro, acontecerá 30 anos depois do primeiro evento do gênero, promovido pelo papa João Paulo II por ocasião da guerra fria e do conflito entre os Estados Unidos da América e a então União Soviética. “Juntos veremos quais são os princípios reconhecidos por todas as religiões para a paz. Qual o contributo que a política, a ciência e a cultura em geral podem propor para um futuro marcado por uma sã convivência humana”, aponta o frei Mauro Gambetti, responsável pela comunidade franciscana de Assis na Itália.
O conteúdo religioso, proclamado pela quase maioria absoluta de deputadas e deputados no dia 17 de abril de 2016, utilizando a religião cristã para justificar posições e atitudes desprovidas de análise política e repletas de violência no contexto de votação do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, trouxe a público a relevância de um contínuo debate sobre o papel da religião na sociedade brasileira e, de forma estratégica, a responsabilidade de organizações confessionais e ecumênicas para contribuir com a reflexão teológica. O Estado brasileiro é laico e democrático. A Fundação Luterana de Diaconia repudia todas as manifestações contrárias à democracia e às diversidades. Por uma vida sem violências! NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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CAPA
DA GRÉCIA
AO RIO 120 anos de olimpíadas
MASCOTES: Nada mais brasileiro do que esses dois. Cariocas eles s
por Luciana Benchimol Reichert colaboração: Gerson Engster
OS JOGOS OLÍMPICOS DA ERA MODERNA FORAM REALIZADOS PELA PRIMEIRA VEZ NO ANO DE 1896 NA CIDADE DE ATENAS, NA GRÉCIA. ELES RETOMAVAM UMA HISTÓRIA DE MAIS DE MIL ANOS DE COMPETIÇÕES NOS JOGOS OLÍMPICOS DA ANTIGUIDADE. APÓS 120 ANOS DA RETOMADA DO ESPÍRITO OLÍMPICO, O EVENTO ACONTECE PELA PRIMEIRA VEZ NUM PAÍS DO HEMISFÉRIO SUL. A CIDADE HOSPEDEIRA É O RIO DE JANEIRO. 8
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osso país vai sediar neste ano – de 5 a 21 de agosto – o maior evento esportivo do planeta, o único capaz de reunir delegações de mais de 200 países numa mesma cidade. O Rio de Janeiro será a sede dos jogos da XXXI Olimpíada. Estarão em disputa 42 esportes olímpicos, mais de dez mil atletas em 306 provas, que valerão medalhas, entre 136 femininas, 161 masculinas e nove mistas. Passaram-se 120 anos até esta edição dos Jogos da Era Moderna, que acontece pela primeira vez no Brasil. O primeiro torneio de Jogos Olímpicos da era moderna aconteceu na cidade
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ariocas eles são até no nome. Vinícius (esq.), uma mistura dos animais brasileiros, é mascote das Olimpíadas. Tom (dir.), mistura das nossas plantas, é mascote das Paralimpíadas
de Atenas, na Grécia, em 1896. Já a origem dos Jogos Olímpicos foi muito antes disso. A mitologia diz que eles nasceram das mãos de Hércules por volta de 2500 a.C, em homenagem a seu pai Zeus. Hércules teria plantado a oliveira de onde eram colhidas as folhas para a coroa a ser usada por quem triunfasse nas competições. O termo olímpico viria cerca de dois mil anos depois. A Grécia Antiga, que deixou inúmeros legados culturais na história, filosofia, dramaturgia, entre tantos outros, também foi responsável por desenvolver o esporte. Até então, os homens exercitavam-se de forma involuntária, em busca da caça para a sobrevivência.
Os gregos iniciaram o culto ao corpo e em homenagem ao deus supremo inauguraram os Jogos Olímpicos por volta de 776 a.C, data de fundação dos jogos. O termo “Olimpíadas” surgiu após Iftos, rei de Ilia, aliar-se ao monarca de Esparta, Licurgo, e ao rei de Pissa, Clístenes. A aliança foi selada no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Um temporal limitou a realização plena dos Jogos em 776 a.C., impedindo que a maioria das provas programadas fosse disputada. Ficou definido desde então que as Olimpíadas seriam realizadas a cada quatro anos, com provas abertas aos gregos que fossem cidadãos livres e que nunca tivessem cometido crimes. As
competições eram vetadas às mulheres, que não podiam nem mesmo assistir às disputas, com exceção das sacerdotisas de Dêmetra. Por volta do século 5 a.C., já eram dez provas nas competições, como corrida, arremesso de disco, pentatlo, corrida de bigas, corrida de cavalos, salto em distância, lançamento de dardo, boxe, luta e pancrácio (arte marcial antiga que aliava técnicas do boxe e da luta olímpica). A última Olimpíada da Era Antiga foi realizada em 393 a.C. O imperador bizantino Teodósio I cancelou os jogos após proibir a adoração aos deuses. Terminava ali um período de competições da história grega com 293 edições dos Jogos Olímpicos antigos.
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ERA MODERNA – A ressurreição dos jogos ocorreu em 1896, quando o francês Pierre de Frédy, que se tornaria conhecido como o Barão de Coubertin, recriou as Olimpíadas na cidade de Atenas. Os jogos ocorreram no estádio Panathenaic, construído em 566 a.C. e reconstruído em 329 a.C. Nessa edição, participaram 14 países e 241 atletas masculinos, divididos em nove modalidades esportivas: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, halterofilismo, luta, natação, tênis e tiro. Além de fundador das Olimpíadas Modernas, o Barão de Coubertin também criou, em 1912, o símbolo dos anéis olímpicos, que representa a união entre as nações. A bandeira tradicional é composta por um fundo branco com cinco anéis nas cores azul, amarelo, preto, verde e vermelho. As cores não indicam os cinco continentes. Elas foram escolhidas porque representavam as cores das bandeiras dos 28 países que disputaram as Olimpíadas daquele ano em Estocolmo, Suécia.
Os Jogos Olímpicos foram interrompidos em dois períodos: entre 1914 e 1918, na Primeira Guerra Mundial, e entre 1939 e 1945, na Segunda Guerra Mundial. As Olimpíadas foram também palco de manifestações políticas, distorcendo o seu objetivo de promover a paz entre os povos. Nas Olimpíadas de Berlim (1936), o chanceler alemão Adolf Hitler, movido pela ideia de superioridade da raça ariana, não ficou para a premiação do atleta norte-americano negro Jesse Owens, que ganhou quatro medalhas de ouro. Nas Olimpíadas da Alemanha em Munique (1972), um atentado do grupo terrorista palestino Setembro Negro matou 11 atletas da delegação de Israel. Hoje, além das Olimpíadas de Verão, do tipo que será realizado no Rio, também acontecem as Paraolimpíadas, versão dos jogos para atletas com deficiências, e os Jogos Olímpicos de Inverno. Os Jogos de Inverno envolvem esportes praticados em regiões mais frias do globo, como bobsled (uma descida
Foto Wikipedia
BARÃO DE COUBERTIN: O francês Pierre de Frédy recriou as Olimpíadas em 1896 em Atenas/Grécia. Ele também foi o criador dos anéis olímpicos (veja significado no box da página 15). Coubertin também idealizou a crença olímpica de que é mais importante participar do que vencer. Para ele, o essencial não era conquistar e sim lutar bem.
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em curvas dentro de um trenó), curling (espécie de bocha no gelo), patinação artística e esqui, que exigem pistas e quadras com gelo ou neve. LEMA – O lema olímpico Citius, Altius, Fortius, que em latim quer dizer “o mais rápido”, “o mais alto” e “o mais forte”, foi criado pelo pastor dominicano Henri Didon, amigo do Barão de Coubertin. O lema foi proposto pelo barão na criação do Comitê Olímpico Internacional em 1894. O francês utilizou a frase do amigo sobre “mais rápido, mais alto e mais forte”, uma representação da trilogia correr, pular e arremessar, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1924 em Paris. Também são símbolos olímpicos a Carta Olímpica, documento que serve de código do Comitê Olímpico Internacional (COI), a Bandeira Olímpica, também idealizada pelo barão, a Chama Olímpica, que é levada desde 1928 de Olímpia, na Grécia, até a cidade-sede dos Jogos, o Hino Olímpico, composto em 1896, mas oficializado apenas em 1958, e as mascotes, que são o principal meio de propaganda dos jogos. Também foi adotado por Coubertin a crença olímpica que diz que “a coisa mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como a coisa mais importante da vida não é a vitória, mas a luta. O essencial não é conquistar e sim lutar bem”. O fundador das Olimpíadas da Era Moderna ouviu essa frase do bispo da Pensilvânia, Ethelbert Talbot, durante uma missa celebrada durante os Jogos de Londres em 1908. ATLETA E MEDALHISTA OLÍMPICO – Os atletas de alto rendimento que sonham com a medalha olímpica percorrem um longo e, muitas vezes, sofrido caminho. A rotina de treinos sempre tem uma companheira: a dor. O campeão olímpico de vôlei em Atenas em 2004 e medalha de prata nas Olimpíadas de Pequim em 2008 Gustavo Endres disse
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que, quando se é um atleta, o corpo sempre está no limite. “A dor é normal para o atleta, o que difere é a intensidade da dor”, afirma ele. Endres começou no vôlei profissional aos 17 anos. Saiu de Passo Fundo (RS) para participar da peneira em São Paulo e foi aprovado. “Fui sozinho e foi uma grande mudança na minha vida. Foi aí que deu o início da minha carreira. Saí de uma cidade que não tinha nem 100 mil habitantes para uma grande, para São Paulo, longe de tudo e de todos. Passei a jogar com pessoas que tinham um nível até maior do que o meu”, comentou o melhor bloqueador do mundo e também o melhor sacador da seleção brasileira e de vários torneios que disputou. Gustavo Endres aposentou-se das quadras em 2015 e hoje está com 40 anos. O jogador disse que os treinos eram praticamente diários. As manhãs eram destinadas para musculação, parte técnica, como bloqueio e defesa, e fundamentos individuais. Durante a tarde e à noite, treino coletivo, simulando o jogo. Seguia à risca cuidados com alimentação e treino. “Sempre fui muito ‘caxias’”, destacou. Além da rotina de treino, os profissionais ficam, muitas vezes, longe da família. Como estava longe de casa e de seus familiares, Endres disse que se apegou ao esporte para evoluir. “Já que estava longe, já havia terminado o Ensino Médio, o meu foco foi o esporte; dediquei-me a isso. Eu sabia que meus pais estariam me esperando se algo não desse certo, mas logo fui convocado. Um ano depois, fui para a seleção paulista. Foi tudo muito rápido na minha carreira”, relatou. Sobre as disputas em quadra, o jogador disse que numa competição o adversário é visto como inimigo. “É uma guerra! Quem está do outro lado quer vencer, quer ganhar. E você tem que querer ganhar mais do que o cara do outro lado. A tua vontade tem que ser maior do que a dele”, enfatizou.
ENDRES: No jogo em equipe, o altruismo é maior; tem que fazer pela equipe e pensar no outro
Endres acredita que isso também se deve ao trabalho do técnico Bernardinho. “Acho que isso foi muito da seleção do Bernardinho. Também tem um pouco dessa coisa latina de encarar como uma ofensa pessoal. Em quadra, o brasileiro tem mais garra, grito, emoção. No Brasil, a visão é diferente do que nos outros países da Europa. Aqui tem esse lado mais sanguíneo, mais quente”, contou. No país do futebol, onde o segundo lugar não é valorizado, o jogador de vôlei acredita que isso aos poucos vem se modificando. “Acho que está muito ligado à cultura do futebol; ou tu és campeão ou tu não és nada, mas, de uns dez anos para cá, acredito que isso mudou um pouco, porque muitos esportes nas Olimpíadas estão trazendo medalhas para o Brasil”, opina Endres. Para chegar à conquista da
medalha de ouro na Olimpíada de Atenas em 2004, Endres disse que foi também uma mudança de comportamento. “O vôlei é um esporte coletivo. Não tem como dar destaque apenas a um. É diferente no futebol e no basquete, em que, mesmo sendo coletivos, até tem como um jogador se destacar, quando um jogador pode fazer mais gols ou mais pontos em uma partida, mas no voleibol isso não tem como. Tem que estar todo mundo entrosado, tem o toque de bola, e o que mudou foi a forma de pensar: não tem como um aparecer mais do que o outro; o altruísmo é maior, tem que fazer pela N equipe, pensar no próximo”.
LUCIANA BENCHIMOL REICHERT é jornalista em São Leopoldo (RS) GERSON ENGSTER é vice-diretor e coordenador de Ensino do Colégio Sinodal em São Leopoldo (RS) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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CAPA
Esporte ou política econômica? NA ESCOLHA DA CIDADE-SEDE DOS JOGOS OLÍMPICOS, OS CRITÉRIOS POLÍTICOS E SOCIAIS TÊM UM PESO MUITO MAIOR DO QUE OS ESPORTIVOS. por Paula Oliveira
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Foto: Arquivo Pessoal
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gosto. 2016. Brasil. Rio de Janeiro. Estádio Olímpico lotado. Nas arquibancadas, torcedores ansiosos aguardam o início das competições. Em meio ao grande burburinho de vozes e cornetas, atletas concentram-se nos bastidores, recebem as últimas recomendações dos treinadores e preparam-se para a disputa. Em volta da arena, profissionais da imprensa fazem entrevistas e comentários ao vivo. Banners de patrocinadores enfeitam o local. Uma voz anuncia pelo alto-falante o início das competições. De repente: o silêncio. Vai começar! De quatro em quatro anos, esse cenário repete-se em um país diferente. Este ano, nesta edição dos Jogos Olímpicos sediados no Brasil, mais de 10 mil atletas de 206 países encontram-se no Rio de Janeiro em busca do maior prêmio do esporte: uma medalha olímpica. O Brasil quer ser o décimo no quadro geral de medalhas, e para alcançar a meta, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB)
MARCOS VINICIUS: Para o diretor executivo de esportes do COB, o objetivo é proporcionar condições aos atletas para realizar o melhor desempenho de suas carreiras durante os jogos. A meta é tornar o Brasil o décimo colocado no quadro geral de medalhas das Olimpíadas do Rio
elaborou ainda em 2009 um Mapa Estratégico que envolveu investimentos em diversas áreas como Ciências do Esporte, intercâmbio de treinamentos e competições, capacitação de treinadores, apoio às equipes multidisciplinares, compras de equipamentos e várias outras ações. “Queremos proporcionar aos atletas as condições para exercer o melhor desempenho de suas carreiras nos jogos” – afirma o Marcus Vinicius Freire, diretor executivo de esportes do COB. Mas os Jogos Olímpicos são mais do que pódios e cerimônias de premiação com hinos nacionais. Constituem um momento de enorme visibilidade para o Brasil no cenário internacional. Um evento esportivo que se propõe a colocar o esporte a serviço da promoção de uma sociedade pacífica, solidária e de respeito por princípios éticos fundamentais. No entanto, as Olimpíadas também podem significar o seu inverso. A começar pelos critérios levados em conta na hora da escolha de uma cidade-sede, bem como os setores beneficiados. A avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) envolve diversos critérios, como apoio político e social por parte do governo, infraestrutura geral da cidade, estrutura dos locais de competição, oferta de acomodações, sistema de transporte, plano de segurança e experiências anteriores que a cidade tenha com megaeventos. Esses critérios estão ligados diretamente a setores da administração pública da cidade. Em outras palavras, os critérios políticos e sociais têm peso muito maior do que os esportivos, e o desenvolvimento econômico e social que supostamente deveria favorecer o país como um todo geralmente beneficia alguns poucos. Para o jornalista, crítico e comentarista esportivo Luiz Fernando Amaral, virou piada o elevado ideal expresso pelo fundador dos Jogos Olímpicos modernos, o francês Pierre de Coubertin: “O importante na Olimpíada não é vencer,
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CRITÉRIOS POLÍTICOS E SOCIAIS: Têm peso muito maior do que os esportivos, e o desenvolvimento econômico e social que supostamente deveria favorecer o país como um todo geralmente beneficia alguns poucos
Foto: Arquivo Pessoal
mas participar, pois o essencial na vida não é conquistar e sim competir com lealdade”. O que se propunha a ser um encontro de povos sucumbiu ao nacionalismo e às disputas ideológicas, tornou-se um negócio e afogou os Jogos Olímpicos numa onda de escândalos e corrupção. “Por trás do glamour de sediar as Olimpíadas estão as obras estruturais superfaturadas, os orçamentos ‘furados’, as pessoas retiradas sob pressão de seus lares, as melhorias que jamais sairão do papel e uma imensa fatura a ser paga”, afirma o jornalista e crítico. Vale lembrar que, em 2014, a Copa do Mundo no Brasil aconteceu num momento de economia estagnada ou até em contração. O tempo mostrou que não foi tão bom negócio assim para o Brasil, embora tenha sido ótimo para empreiteiros e políticos. Os Jogos Olímpicos acontecem em plena recessão, e o montante total necessário para organizar
LUIZ FERNANDO: Por trás do glamour de sediar as Olimpíadas estão as obras estruturais superfaturadas, os orçamentos ‘furados’, as pessoas retiradas sob pressão de seus lares, as melhorias que jamais sairão do papel e uma imensa fatura a ser paga
o evento chegou a R$ 39,1 bilhões. O que virá depois é a preocupante indagação que fica. Segundo Luiz Fernando Amaral, “o legado pode ser positivo, mas as mudanças precisam ir além da construção de estruturas físicas e programas que incentivem práticas de atividades esportivas. São necessárias mudanças em setores como saúde, trabalho, habitação e transporte”. Já na opinião do coordenador de esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro, Ciro Winckler, “os jogos do Rio deixam o legado do desenvolvimento do transporte público e da melhoria na acessibilidade da cidade”. Para quem não sabe, os Jogos Paralímpicos ocorrem em setembro, na sequência dos Jogos Olímpicos. Ao todo deverão ter 4.100 N paratletas de 170 países. PAULA OLIVEIRA é jornalista em São Paulo (SP) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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1. Paulo Amotun Lokoro Sudão do Sul 24 anos Refugiado no Quênia Modalidade: Atletismo
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A EQUIPE DE ATLETAS REFUGIADOS
Refugiados nas Olimpíadas do Rio por Rui Bender
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quipe dos Atletas Olímpicos Refugiados é o nome de uma delegação que participará dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em agosto próximo. Os atletas refugiados foram autorizados a competir pela primeira vez nas Olimpíadas. A delegação terá uma cerimônia de boas-vindas na Vila Olímpica e será acomodada no local, assim como todas as outras equipes. Uma equipe de profissionais que incluirá chefe de missão e comissão técnica será designada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que também providenciará os uniformes dos atletas. Na cerimônia de abertura, a Equipe dos Refugiados vai desfilar com a bandeira olímpica antes do anfitrião Brasil, última delegação a se apresentar. Espera-se que ela tenha entre cinco e
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dez representantes nos jogos do Rio. Acolhendo os atletas refugiados no Rio, “nós queremos mandar uma mensagem de esperança a todos os refugiados do mundo”, disse o presidente do COI, Thomas Bach. Atualmente, existem cerca de 20 milhões de refugiados no mundo, um número que cresce a cada dia. De acordo com Bach, o COI criou um fundo estimado em 2 milhões de dólares para “trazer esperança aos refugiados por meio do esporte”. “Ao mesmo tempo, nós estamos ajudando atletas de alto rendimento que sejam refugiados a continuar suas carreiras esportivas. Nós os ajudamos a realizar seu sonho de praticar um esporte de excelência após sua fuga da violência e da fome”, acrescentou o N presidente do COI. RUI BENDER é jornalista em São Leopoldo (RS)
2. Yonas Kinde Etiópia 36 anos Refugiado em Luxemburgo Modalidade: Atletismo 3. Anjelina Nada Lohalith Sudão do Sul 21 anos Refugiada no Quênia Modalidade: Atletismo 4. Yusra Mardini Síria 17 anos Refugiada na Alemanha Modalidade: Natação 5. Rose Nathike Lokonyen Sudão do Sul 23 anos Refugiada no Quênia Modalidade: Atletismo 6. Rami Anis Síria 25 anos Refugiado na Bélgica Modalidade: Natação 7. Yiech Pur Biel Sudão do Sul 21 anos Refugiado no Quênia Modalidade: Atletismo 8. Popole Misenga República Democrática do Congo 24 anos Refugiado no Brasil Modalidade: Judô 9. James Nyang Chiengjiek Sudão do Sul 28 anos Refugiado no Quênia Modalidade: Atletismo 10. Yolande Bukasa Mabika República Democrática do Congo 28 anos Refugiada no Brasil Modalidade: Judô
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Espírito olímpico por Donário Bencke
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m circo internacional chega à cidade para uma temporada. O diretor do circo resolve reunir seus artistas para uma cerimônia religiosa no domingo. E lá no picadeiro e no espaço do público estão sentados os palhaços, os trapezistas, as dançarinas, os auxiliares, numa grande expectativa diante do que aconteceria. A surpresa: o pregador fala no idioma local, desconhecido para a maioria. Não havia intérprete. Dá-se uma debandada? Não, todos permanecem atentos. E cada vez que o pregador menciona o nome de Cristo, todos curvam a cabeça ao nome do qual talvez já ouviram falar ou que
conheciam vagamente. Desperta um clima de adoração. Não foi uma “réplica”, fraca e menos significante, mas surpreendente e contagiante de Pentecostes? No Rio de Janeiro irão congregar-se atletas provenientes de muitos países. Nem todos têm fluência na comunicação em português ou inglês. São de origens e etnias diferentes. Eles vêm para apresentar a melhor performance possível. E nesse sentido são adversários. Que graça teria competir sem adversários? Adversários, melhores ou piores, cada representação enfrenta desafios. Tem quem vai levar medalha, outros voltam sem. Cabe uma menção especial aos competidores paraolímpicos, que aceitam as suas limitações, mas não se sentem inferiorizados. Durante a olimpíada no Rio, assim como nas anteriores desde Atenas, na Grécia, em países mais ou menos desenvolvidos, tremulam as bandeiras de todos os participantes. Olhar para a bandeira e ouvir o hino nacional pátrio aquecem o entusiasmo, o orgulho. Entretanto todos vão ouvir e sentir que os
adversários também têm vez e voz. E surge um sentimento de respeito, quem sabe até de admiração pelos que são “de fora” e completam o cenário esportivo. Surge um espírito de aproximação em meio às diferenças geográficas, culturais, étnicas... A palavra “espírito olímpico” cabe em meio à diversidade. O juramento do atleta expressa o compromisso com o regulamento, que é igual para todos. Voltando à cerimônia religiosa no circo, onde todos curvavam a cabeça ao ouvir o nome de Cristo, surge a pergunta: a unidade na fé também é a marca da igreja? O seguidor de Cristo também está empenhado numa corrida pelas palavras do apóstolo Paulo (1 Coríntios 9.24)? E o prêmio? Uma coroa que dura para sempre. A “olimpíada” congrega “atletas” numa grande diversidade de povos, reunidos pelo mesmo nome. O compromisso vem do Batismo. A “medalha” é a coroação de uma comunhão eterna com Deus. A diferença é que ela pode ser estendida a todas as pessoas N por graça e fé. DONÁRIO BENCKE é teólogo e psicólogo em Ivoti (RS)
Símbolo olímpico O símbolo dos Jogos Olímpicos é composto por cinco arcos entrelaçados com as cores azul, amarelo, preto, verde e vermelho sobre um fundo branco. Ele foi originalmente concebido em 1913 pelo barão Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos modernos. O emblema foi escolhido para ilustrar e representar o Congresso Mundial de 1914. Esses cinco anéis representam as cinco partes do mundo, que agora são conquistadas para olimpismo e dispostas a aceitar uma concorrência saudável. As cores utilizadas nos cinco anéis foram escolhidas e representadas por Pierre de Coubertin devido à frequência em que apareciam nas bandeiras das diversas nações do mundo. Pelo menos uma das cores está presente em cada bandeira. Dessa forma, além de simbolizar a união dos cinco continentes, integra
todos os países, fornecendo um sentido universal para as Olimpíadas. Cada anel representa um continente, sendo o anel azul correspondente à Europa, o anel amarelo à Ásia, o preto à África, o verde à Oceania e o vermelho às Américas. Fonte: Wikipedia
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Paralimpíadas contribuem para a inclusão?
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esde os últimos Jogos Paralímpicos, disputados em Londres em 2012, o interesse da mídia brasileira e dos órgãos governamentais pelos esportes ditos paralímpicos vem aumentando. É provável, entretanto, que esse interesse pouco esteja relacionado ao reconhecimento dos atletas com deficiência ou a uma valorização dos aspectos competitivos das modalidades existentes. Afinal, é o uso político do esporte e o discurso nacionalista por esse alimentado que realmente importam ao Estado e aos veículos de comunicação de massa. O orgulho da nação construído com medalhas! Se nas Olimpíadas convencionais daquele ano o Brasil alcançou apenas o 22º lugar geral, nas Paralimpía das a comitiva tupiniquim conquistou uma honrosa sétima colocação. Apesar do uso político do esporte na construção da imagem de uma nação forte e no desenvolvimento de uma falsa impressão de que o bom rendimento dos atletas brasileiros nas Paralimpíadas representaria uma maior inserção da pessoa com deficiência na cidadania, queremos discutir aqui até que ponto os Jogos Paralímpicos contribuem efetivamente para essa inserção. A principal explicação para o termo paralimpíada argumenta que esse originou-se da contração das palavras
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paraplegia e olimpíadas. Seria um bom argumento, não fosse o fato das modalidades paralímpicas serem disputadas por pessoas com diferentes deficiências e não exclusivamente por atletas paraplégicos. Na realidade, desde que o médico Ludwig Guttmann promoveu o primeiro evento esportivo disputado por pessoas com deficiência em 1948, já se pensava em associá-lo aos jogos olímpicos. Olimpíadas e Paralimpíadas são tratadas, na prática, enquanto eventos diferentes, ainda que pesem os esforços realizados para a sua aproximação, especialmente a partir de 2001, quando o Comitê Olímpico Internacional e o Comitê Paralímpico Internacional assinaram um acordo estabelecendo que as cidades-sede gerenciem ambos os jogos. Atualmente, as Paralimpíadas são disputadas imediatamente após o encerramento das Olimpíadas. Trata-se, obviamente, de um avanço no reconhecimento da pessoa com deficiência também como atleta. Por outro lado, a separação dos jogos e a existência de comitês distintos faz com que os atletas com deficiência sejam segregados não só pela cobertura midiática diferenciada dos jogos e pelo público significativamente menor que se dispõe a assistir às competições, mas principalmente porque impede que desportistas com deficiência e
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por Viegas Fernandes da Costa
INCLUSÃO REAL? Olimpíadas seguidas de Paralimpíadas não promo
desportistas sem deficiência convivam em uma mesma vila olímpica, compartilhem experiências e contribuam coletivamente para o desenvolvimento do esporte. Ainda que a Carta Olímpica afirme que qualquer tipo de discriminação é incompatível com o movimento olímpico, a existência dos Jogos Paralímpicos de forma paralela ou subsequente às Olimpíadas caracteriza, de certo modo, um tratamento discriminatório aos atletas com deficiência, que os desabilita a participar das modalidades olímpicas oficiais. O grande desafio é justamente fazer com que o esporte paralímpico seja considerado olímpico e que suas modalidades possam ser percebidas como efetivamente são: modalidades esportivas distintas, do mesmo modo como são distintos o triatlo feminino e o triatlo masculino ou as categorias que diferenciam os lutadores pelo peso. Não se trata de afirmar que a pessoa com deficiência não possua compro-
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Quanto vale o que não tem preço por Jaime Jung
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as não promove inclusão de fato por separar atletas
metimentos para a atividade esportiva, mas reconhecer que os esportes por ela praticados respeitam suas possibilidades e incentivam suas potencialidades, características inerentes do tão propalado espírito olímpico. E mesmo que algumas pessoas com deficiência tenham disputado as Olimpíadas em condições de igualdade com os demais atletas, como é o caso da arqueira Neroli Fairhall, da maratonista Maria Runyan e do ginasta George Eyser, a maior parte dos atletas com deficiência dificilmente conquistará o reconhecimento olímpico simplesmente por causa do estigma de paralímpicos. Muito mais do que disputados, os Jogos Olímpicos deveriam ser celebrados. E tanto melhor a celebração do espírito olímpico quanto maior a inclusão que puder promover. N VIEGAS FERNANDES DA COSTA é professor do Instituto Federal Santa Catarina em Imbituba (SC)
sonho de todo atleta é vencer e garantir seu lugar no pódio. Melhor ainda se for com uma medalha de ouro no peito. Alguns conseguem até repetir esse feito, como o nadador norte-americano Michael Phelps, que já conquistou dezoito medalhas áureas. Uma vitória olímpica tem seu valor e seu preço. O valor é o reconhecimento mundial, é ultrapassar os limites dos competidores e seus próprios. O preço envolve o patrocínio e a dedicação total aos treinos. Mesmo assim, no milésimo de segundo final, ainda que todas tenham dado o melhor de si, apenas uma pessoa será premiada com a medalha de ouro. Nem sempre os vencedores dos Jogos Olímpicos ganhavam medalhas. Na antiguidade, eram homenageados com uma coroa de ramos de oliveira ou de louro. Foi assim até 1904. É difícil dizer quanto vale uma medalha – mesmo calculando seu preço e considerando que a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos nem é feita de ouro maciço. Era sim até a Olimpíada de Estocolmo, na Suécia, em 1912. Hoje, é feita de prata e apenas banhada a ouro: tem seis centímetros de diâmetro, três milímetros de espessura e seis gramas de ouro puro em seu revestimento.
Ser campeão vale – ou deveria valer – mais pelo prestígio do que pelo retorno financeiro. Um exemplo são disputas esportivas, como alguns torneios de sumô, em que os vencedores ganham apenas prêmios simbólicos, como um saco de arroz, que é dividido no final entre todos os participantes. Então, para avaliar muitos aspectos da vida, é fundamental que a pessoa saiba a diferença entre preço e valor. O portal Canal Kids tenta esclarecer isso, dizendo que “preço é a quantidade de dinheiro necessária para comprar alguma coisa. Já o valor é a importância que atribuímos a ela”. E traz um exemplo: “Imagine que você tenha um diamante valiosíssimo, que custa um milhão de reais, pois foi o preço que você pagou por ele. Mas você está perdido no deserto, sem água e sem comida há dias e sem um tostão furado no bolso. Daí você encontra um beduíno, com o camelo carregado de alimentos e bebidas, que valem, no máximo, quinhentos reais. É claro que o diamante vale muito mais do que isso. Mas a sua demanda por comida é muito maior do que a oferta dela. Você vai acabar vendendo o diamante por essa ninharia para não morrer de fome”. Resumindo: a vitória da vida, afinal, não tem preço. A respeito disso, o velejador Pierre Schürmann pergunta: “Quais seriam
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as coisas mais valiosas em nossa vida? Hoje podemos precificar quase tudo. Porém os momentos especiais com aquela pessoa que você ama, o dom de um artista, saber que tem saúde e o amanhecer são exemplos de pequenas coisas que não têm preço. Em nosso anseio por ter, às vezes nos confundimos, acumulando coisas que custam muito, mas não têm muito valor. A vida fica mais rica quando aprendemos a compreender a diferença entre os dois e a dar valor às coisas sem preço”. O jogador Paulo André Jukoski da Silva, o Paulão do Vôlei, lembra que “não importam o brilho ou a cor do nobre metal. (...) Mas, sim, cada gota valiosa de suor, esforço, dor, dedicação, entusiasmo, prazer, chuva, frio, calor, noites maldormidas, nervosismo... E o orgulho de fazer o seu melhor sempre!”. E isso vale para todas as esferas da vida humana: a pessoa não vale pelo que conquista, mas pelo que é em sua essência. Um dos subtemas da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) em 2016 diz que as pessoas não estão à venda. Significa que o ser humano não tem preço, mas, sim, um valor inestimável. É o que Jesus ilustra ao falar sobre o homem que possuía cem ovelhas e vai atrás de uma delas que se havia se perdido. Isso porque seu valor é imenso. Na corrida da vida, a vitória não é alcançada por força própria, mas pela fé em Cristo. Não significa que devemos ficar inertes, mas nos mover pelo amor que recebemos de Deus. O apóstolo Paulo escreveu aos Filipenses: “Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado N por Cristo Jesus”.
Olimpíada Evangélica por Gerson Engster
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m 1954, precisamente nos dias 18, 19 e 20 de setembro, ocorreu na área esportiva do Colégio Sinodal, em São Leopoldo (RS), a “1ª Olimpíada dos Estabelecimentos Secundários Evangélicos do Rio Grande do Sul”. Era a primeira edição dos jogos olímpicos entre as escolas luterano-evangélicas. Foram disputadas, na ocasião, as modalidades de basquete, vôlei, atletismo e xadrez – conforme Circular nº III/54: por exiguidade de espaço de hospedagem para maior número de estudantes e por dificuldades outras surgidas – em categoria única (até 17 anos). As disputas bianuais aconteceram até o ano de 1974, quando se decidiu que, em razão do número de participantes e das estruturas necessárias, a realização das olimpíadas seria anual, intercalando as modalidades de atletismo e xadrez num ano e basquete e vôlei no ano seguinte.
Até 1983, a chamada “Olimpíada Evangélica” era realizada somente por escolas do Rio Grande do Sul filiadas à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), mas, a partir de 1984, tornou-se extensiva às escolas de Santa Catarina e Paraná, também filiadas ao Departamento de Educação da IECLB, passando a chamar-se Olimpíada Nacional das Escolas Evangélicas (ONEE). No ano 2000, em sua 36ª edição, a Olimpíada recebeu sua terceira denominação: Olimpíada Nacional da Rede Sinodal de Educação (ONASE), que perdura até os dias atuais. Em maio de 2015, em entrevista com os professores Hans Günther Naumann e Kurt Schmeling, que em 1954 eram diretores da Escola Normal Evangélica e da Fundação Evangélica de Novo Hamburgo, respectivamente, e integraram o grupo de diretores que idealizaram a pri-
HISTÓRIA DE SEIS DÉCADAS
BASQUETE Uma partida de basquete na primeira Olimpíada dos Estabelecimentos Secundários Evangélicos do Rio Grande do Sul, no ano de 1954, na quadra do Colégio Sinodal em São Leopoldo
JAIME JUNG é teólogo, assessor de Comunicação do Sínodo Rio dos Sinos e ministro da IECLB em Novo Hamburgo (RS)
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Fotos: Arquivo Histórico do Colégio Sinodal
ONASE: Em 2000, surgiu a Olimpíada Nacional da Rede Sinodal de Educação; aqui a abertura de 2004
meira olimpíada, buscaram-se as origens e intenções dessa iniciativa. Concluiu-se que, na época, a Olimpíada tinha como objetivo apenas promover uma integração esportiva entre um pequeno grupo de dez escolas, e não se imaginava a dimensão que aquela iniciativa poderia tomar. A opção pelas modalidades de atletismo, basquete, vôlei e xadrez sempre gerou alguns questionamentos. A explicação mais lógica para essa opção parece ser que, quando da primeira edição da competição, o atletismo, o vôlei e o basquete eram considerados esportes “mais nobres” ou adequados para os estudantes (o futebol era inclu-
PESO Prova de arremesso de peso na edição da Olimpíada no ano de 1956. Os jogos eram a cada dois anos até o ano de 1974, quando viraram anuais
sive proibido em algumas escolas, como o Colégio Sinodal), e o xadrez entrou como um esporte mais intelectualizado ou acadêmico. Com isso a maioria das escolas acabou, com o tempo, dirigindo e concentrando suas equipes escolares nessas quatro modalidades. Outras experiências regionalizadas já foram tentadas com outras modalidades, como o handebol e o futsal, mas o fato é que, nos moldes atuais, a olimpíada não comporta mais modalidades. Hoje, na fase nacional, nos jogos coletivos, ela é disputada em duas categorias: até 15 anos e até 17 anos; enquanto isso, no atletismo já são três categorias: até 13 anos, até 15 anos e até 17 anos,
sempre nos naipes masculino e feminino. Em 2004, para celebrar os 50 anos da Olimpíada Evangélica, o Colégio Sinodal, de São Leopoldo, a Instituição Evangélica, de Novo Hamburgo, e o Colégio Pastor Dohms, de Porto Alegre, uniram-se para realizar a olimpíada nas três cidades, juntando as quatro modalidades que são disputadas numa só edição, reunindo mais de mil atletas estudantis num grande evento comemorativo. Dessa olimpíada já participaram milhares de jovens, entre eles muitos que seguiram a carreira esportiva, como Cláudio André Taffarel, goleiro tetracampeão pela seleção brasileira de futebol; Priscila Daroit, jogadora de vôlei do Praia Clube; Lucas Saatkamp (o Lucão), jogador do SESI e da seleção brasileira de vôlei; Tiago Brendle, líbero do Taubaté; e outros famosos como a modelo Gisele Bündchen, que participou jogando vôlei. Hoje, passados 62 anos e em sua 52ª edição, pode-se dizer que essa é uma das competições esportivas escolares mais consistente e contínua no Brasil, congregando as 52 escolas da Rede Sinodal N de Educação. GERSON ENGSTER é professor, vice-diretor e coordenador de Ensino do Colégio Sinodal e reside em São Leopoldo (RS)
CORRIDA Durante uma prova de 100 metros rasos, no ano de 1968. A partir de 1984, a Olimpíada passou a ter também a participação das escolas do Paraná e de Santa Catarina
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Ficar parado contradiz a natureza por Leonídio Gaede
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onsidero o equilíbrio sobre duas pernas uma grande façanha do ser humano. Pode estar nisso não só um princípio de sobrevivência, mas também de aperfeiçoamento do viver. Uma mistura de motivos tornou-nos bípedes. A necessidade de disputar alimento é um deles. Enfrentar concorrentes e predadores adaptou nosso corpo à prática de apanhar frutas no pé, ampliando a fronteira do mercado de oferta do alimento e adquirindo vantagem sobre seres que permaneciam restritos ao ato de comer frutas do chão. Além disso, erguer a parte dianteira do corpo mais do que dobrou nossa estatura. Isso ampliou o campo de visão enormemente. Passamos a olhar por cima do capim da savana e vislumbramos nosso inimigo predador a uma distância maior. Isso desenvolveu a reflexão sobre o leque de possibilidades de nossas ações: enfrentar, afastar, desviar ou esconder. Em terceiro lugar, colocar-se de pé modificou a estrutura do pescoço e da coluna vertebral. Segurar a cabeça com o pescoço em posição vertical possibilitou modificações que sofisticaram a emissão de sons. Isso se associou à liberação da língua do bruto serviço
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de catar alimento, coisa assumida pelas mãos. Encurtando o caso, desenvolvemos nosso corpo e nossa mente por um misto de necessidades e novas perspectivas. Temos a forma que temos por causa da necessidade do movimento. A forma de forquilha com duas fortes articulações no vértice, envolvendo os dois ossos mais longos e uma forte bacia de encaixe, só faz sentido com o imperativo do movimento. Dizer não ao movimento quer, por isso, dizer agir contra a natureza. As aves também se tornaram bípedes quando destinaram os membros superiores ao voo. Elas, porém, não têm o final do tubo digestivo e nem do aparelho reprodutor entre as pernas na parte inferior do corpo. A complexidade da musculatura que nas aves foi para as asas, para nós foi para o assoalho pélvico. Nosso movimento de pernas desenvolve a musculatura dessa área de tal forma que adquirimos um assoalho capaz de resistir à pressão que vem de cima devido ao nosso corpo ereto. Essa desvantagem de carregar a pressão que vem de cima é muito pequena, tendo em vista a grande vantagem que adquirimos com a possibilidade do movimento em relação à pressão que vinha dos lados, de nossos concorrentes e predadores.
Não só a forma do corpo, mas também o regime alimentar que adotamos é adaptado à necessidade do movimento. Ingerimos alimentos para constituir-se em energia a ser consumida pelo movimento. Não havendo esse, os alimentos tendem a encapsular nossas vísceras com gordura.
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LEONÍDIO durante a Meia Maratona de Tubarão (SC). Movimentar-se dá prazer e ajuda na saúde, aumentando inclusive a capacidade de concentração e a paciência.
Foto: Arquivo Pessoal
“Resolvi ofertar os primeiros dez por cento das horas de meu dia na forma de atividades que mantêm e melhoram a obra de Deus que é a minha vida.”
Não procuro provar a cientificidade do que acabo de afirmar acima. Só sei que o neurobiólogo Humberto Maturana, chileno, com seu jeito de aplicar psicologia à biologia, convenceu-me a ser um corredor de rua. Para ser isso, a convicção se faz
necessária. Ela constrói a força de vontade. O médico Drauzio Varella diz que não costuma alongar-se antes de sua corrida matinal, pois ficar esse momento por aí poderia representar o risco de voltar para a cama. É mais ou menos isso.
Há mais de dez anos, meu relógio desperta-me às 6h da manhã e ainda o mantenho longe da cabeceira da cama para não correr o risco de desligá-lo e voltar a dormir. Também por isso busquei reforçar minha convicção com a reflexão sobre as primícias da vida que pertencem ao Senhor com base em textos como, por exemplo, Provérbios 3.9 e Romanos 11.16. Resolvi ofertar os primeiros 10 por cento das horas de meu dia na forma de atividades que mantêm e melhoram a obra de Deus que é a minha vida. Assim veio a convicção. Ela só, porém, não bastou. Depois dela veio o reforço da sensação de prazer. Toda corrida é seguida de uma enorme sensação de prazer. Querer voltar a ter essa sensação, que acrescenta qualidade de vida ao dia, faz a gente voltar a correr no dia seguinte. Em terceiro lugar, estão os resultados. Entre esses, os clínicos são importantes. É compensador receber apenas elogios do médico que analisa o resultado da bateria de exames do check-up. Há, porém, outros resultados igualmente gratificantes que interferem na qualidade de vida: o bom funcionamento intestinal, a manutenção da boa percepção de lateralidade, o equilíbrio e a noção de distância, coisas que tendem a diminuir com o avanço da idade. Também a capacidade de concentração e a paciência são desenvolvidas pelo hábito da corrida. Afinal de contas, nem sei o que exige mais nesse nosso modelo de vida comandado pela pressa: resistir fisicamente numa maratona ou ter paciência para repetir ininterruptamente o mesmo movimento durante duas horas, como foi o caso da minha última meia maratona em N Tubarão (SC).
LEONÍDIO GAEDE é teólogo, mestre em Teologia e ministro da IECLB em Itati (RS) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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CINEMA NACIONAL
Vida de paratletas vira filme PARATODOS ACOMPANHA QUATRO EQUIPES PARALÍMPICAS E APRESENTA O COTIDIANO DE ESPORTISTAS DE ALTA PERFORMANCE: A PRESSÃO, AS VITÓRIAS, AS DERROTAS E SEUS CONFLITOS. por Xandra Stefanel
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ntes do início da prova de 200 metros rasos nas Paralimpíadas de Londres em setembro de 2012, o atleta sul-africano Oscar Pistorius sorria confiante em sua vitória. Até então considerado o maior atleta paralímpico, nos últimos segundos da corrida se vê surpreendentemente ultrapassado pelo brasileiro Alan Fonteles. “Ele simplesmente chegou de lugar nenhum”, exclama o narrador nas primeiras cenas do documentário Paratodos. O filme dirigido por Marcelo Mesquita vai muito além do esporte como inclusão social de pessoas com deficiência. Ele mostra o cotidiano de esportistas profissionais de alta performance que têm uma intensa rotina de treinamentos, que suportam altos níveis de pressão e de cobrança – própria, dos treinadores, patrocinadores e do comitê – e que têm seus conflitos internos, suas dúvidas e fraquezas como qualquer pessoa. Além de tratar sobre superação e quebra de barreiras, o longa-metragem também sai
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do lugar-comum porque aborda questões pessoais como autoestima, perfeccionismo e companheirismo entre paratletas. De 2013 a 2016, a equipe do filme acompanhou de perto as equipes paralímpicas de natação, atletismo, canoagem e futebol em campeonatos realizados na França, Canadá, Japão, Itália, Catar e Brasil. Além de Alan Fonteles, Paratodos traz as histórias do nadador Daniel Dias; do ex-Big Brother e tetracampeão de paracanoagem Fernando Fernandes; da velocista Teresinha Guilhermina; da nadadora Susana Schnarndorf; de Yohansson do Nascimento, do paratletismo; de Fernando Rufino Cowbói, da paracanoagem; e de Ricardinho, que é jogador de futebol de cinco. Depois de alguns minutos em frente à tela, desaparecem as deficiências e fica apenas a imagem dos esportistas como um todo. A cada prova mostrada vêm junto a tensão, a pressão, as alegrias da vitória, as decepções e os entraves da classificação, que divide os “níveis” de deficiência. Não ficam de fora as arro-
gâncias, questões ligadas à autoestima, o bullying, os momentos de descontração e de companheirismo entre os atletas. A superação dos próprios limites é um tema presente do início ao fim, porém ela vai além das limitações impostas pelas deficiências físicas. A busca pelo tempo cada vez melhor, pela performance perfeita, pela medalha de ouro e pelo primeiro lugar no pódium estão lá da mesma forma que estariam se os esportistas em foco não fossem paratletas. “Se você olhar para o que uma pessoa pode fazer em vez do que ela não consegue fazer, a perspectiva muda e perde-se a visão de coitadinho”, afirma Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro. “O esporte paralímpico não é só inclusão social. No começo, ele é inclusão social, mas, quando chega aqui, ele é alto
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rendimento, é performance. Isso aqui é meu trabalho, eu sobrevivo disso”, declara Fernando Fernandes, da paracanoagem. Além de trabalho, o esporte é o que os mantém vivos e motivados. É o caso da ex-triatleta, hoje nadadora, Susana Schnarndorf, a única atleta da delegação paralímpica brasileira a ter representado o país tanto entre os convencionais, antes de sua doença se manifestar, como entre os paralímpicos. Uma das principais triatletas brasileiras, com participação em 13 edições na prova Iron Man, ela descobriu por volta dos trinta anos que tinha uma grave doença degenerativa que “desconecta” seu cérebro aos poucos e “desliga” suas funções. “Foi um ano bem difícil. Diziam: ‘Você tem seis anos de vida, três anos de vida…’ E eu tinha uma filha de seis meses nessa
FICHA TÉCNICA Direção: Marcelo Mesquita Roteiro: Peppe Siffredi Produção executiva: Mariana Ricciardi, Raphael Bottino, Mila Perle, Mariana Moroni e Marilia Pellicciari Fotografia: Alexandre Viana e Pedro Ciampolini Montagem: Jair Peres, Felipe Lacerda, Daniel Grinspum e Marcelo Mesquita Trilha sonora: Fábio Góes Canção original: Marcelo Yuka Produção: Sala 12 Coprodução: Barry Company Distribuição: O2 Play Gênero: documentário Formato: longa-metragem Duração: 110 minutos País: Brasil
época. Foi difícil para mim aquilo. Ninguém tem bola de cristal para saber quanto tempo você tem aqui, mas eu decidi fazer do tempo que eu tenho aqui o mais feliz que eu posso ter”, afirma Susana. Foi por meio da natação que ela conseguiu recuperar parte de seus movimentos e voltou a competir como paratleta. Além de levar essas histórias às telas do cinema, Paratodos também estará disponível para exibição em instituições, organizações sociais que trabalham com inclusão e em escolas públicas. O desafio é chegar a 2 mil unidades escolares e aproximadamente 200 mil alunos até o fim de 2016. Para promover a exibição, é preciso cadastrar-se no site Taturana Mobi. N XANDRA STEFANEL, especial para RBA, publicado em 22/06/2016. Divulgação NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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HISTÓRIAS LUTERANAS
WITTENBERG: Casal de atores representa o casamento de Martin e Käthe durante festa na cidade de Lutero
Casamento bombástico! por Leandro Hofstätter
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casamento de Martin Luther com Katharina von Bora no dia 13 de junho de 1525 foi uma das maiores bombas do século 16! Ora, tal século não estava preparado para uma união entre um monge e uma monja. Havia dois caminhos a seguir naquela época: o espiritual, da salvação certa, tornando-se parte do clero, que era o caso de Luther e Bora; ou o caminho mundano, do casamento, das coisas terrenas, como sexo, filhos, trabalho árduo, sofrimento, festas, cerveja etc. Justamente esse caminho mundano deveria ser “salvo” através das penitências e das indulgências. Mais: somente o clero poderia conceder tal salvação aos “per-
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didos”! No entanto, dois representantes do caminho espiritual por excelência escolheram uma outra via. Como pôde tal sacrilégio realmente acontecer? É importante ressaltar que o casamento tem relação direta com a teologia da Reforma: Deus desce e salva o mundo e os seres humanos por graça, de graça, dando-nos liberdade para responder em fé a essa acolhida por parte de Deus em Jesus Cristo. Tal redescoberta do evangelho coloca não somente a relação com Deus, mas também a relação com o mundo e com os outros seres sob uma nova ótica: tanto seres humanos como a criação são imagem de Deus, e nada menos que o próprio Deus considerou
essa criação como boa. Veio o pecado e atingiu todos, quebrando a relação. Apenas Cristo conseguiu reestabelecer o que havia sido destruído. Assim, de forma agradecida pela salvação concedida sem merecimento, podemos novamente nos regozijar e desfrutar de tudo aquilo que Deus nos dá. Uma das bênçãos concretas que Deus nos concede e sobre a qual podemos nos alegrar é o amor entre homem e mulher, que é celebrado no casamento, com tudo o que isso significa, inclusive o sexo. Imaginem as faces enrubescidas das pessoas à época! E isso Lutero redescobre a partir da Bíblia. Imaginem: o ser humano tem liberdade para curtir a vida. Mas o amor de Deus não é abstrato. Era necessário vivenciá-lo e colocar um sinal. Por isso Lutero se casou com Käthe, estando seguro da bênção de Deus para essa união. Fantástico! No entanto, não apenas a cúria e todos os “santinhos do pau oco” da época ruborizaram-se com a atitude do reformador. Até mesmo no círculo mais restrito dos seus amigos e conhecidos houve quem reprovasse a coragem dos nubentes. O que mais ficou chateado certamente foi Melanchton: “Inesperadamente, Luther resolveu se casar com a Bora, sem ao menos informar os seus amigos sobre suas intenções”. Quem sabe, justamente por ser contrário ao casamento, Melanchton nem foi convidado para a cerimônia. Coube ao pastor Johannes Bugenhagen, amigo e confessor pessoal de Lutero, realizar a bênção. Não foi por acaso que o primeiro filho do casal se chamou Johannes (1526). Foram abençoados com mais cinco filhos: Elisabeth, Magdalene, Martin, Paul e a caçula Elisabeth. O amor de Deus tornado concreto em Jesus Cristo realmente transforma a vida. N
LEANDRO HOFSTATTER é teólogo, filósofo, advogado, professor universitário e assessor do Sínodo Norte Catarinense em Joinville (SC)
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PERSONALIDADE
Rosa, pastora e militante por Clovis Horst Lindner
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pastora luterana Rosa Marga Rothe faleceu vítima de câncer aos 76 anos no dia 4 de junho em Belém (PA). A pastora Rosa era uma mulher de muita luta e dedicação, cuja importância ultrapassa os limites da IECLB. Chamou atenção que os dados a seguir utilizados para compor este artigo foram retirados da Wikipedia, enciclopedia digital da internet. Poucos ministros ou ministras da IECLB têm sua biografia publicada ali. Também merece destaque o fato de que a sua morte foi notícia no Portal G1 da Globo. Rosa nasceu durante a Segunda Guerra Mundial, na localidade de Mückenberg, hoje Lauchhammer-West, em Brandenburgo/ Alemanha, no dia 1º de junho de 1940. Ela veio ao Brasil aos nove anos com sua família, que se fixou em Teófilo Otoni (MG). Após duas décadas, Rosa Marga mudou-se para Belém, naturalizando-se brasileira. Rosa Marga Rothe era graduada em Teologia pela Universidade Federal do Pará e mestre em Antropologia Social. Além de pastora luterana, foi antropóloga, feminista e ativista social, que se destacou por sua aguerrida atuação em movimentos sociais ligados à defesa dos direitos humanos no estado do Pará. Durante seus estudos de Teologia, atuou ao lado das feministas paraenses
treinados. Durante sua jornada, a pastora Rosa recebeu diversos prêmios por sua luta. Entre eles, o Prêmio Direitos Humanos da Presidência da República na categoria “Segurança Pública”, por indicação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (2004); o Prêmio José Carlos Castro da OAB do Pará (2008), além de ser Doutora Honoris Causa pela Faculdades EST (2010). Após concluir Teologia na UFPA, no final da década de 1970, Rosa ingressou no ministério pastoral na IECLB, tendo sido uma das primeiras mulheres ministras da igreja luterana brasileira. Ela foi uma das fundadoras da comunidade de Belém (PA) e foi pastora ali por muitos anos. A luta e a determinação da pastora Rosa Marga Rothe marcaram forte presença luterana não apenas na capital paraense e no estado do Pará, mas em todo o país, especialmente nos anos bicudos da ditadura. Seu nome não deve ser esquecido entre nós, e seu exemplo inspira-nos a não desistir da defesa dos direitos humanos e das mulheres, para que o debate de gênero não se perca na falsa premissa de que é mera ideologia. N
ROSA MARGA ROTHE (1940-2016)
Iza Cunha e Ecilda Veiga, que combatiam a ditadura militar e, ao lado de Rosa, fundaram a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) em 1977. A luta contra o regime era feita de forma coletiva, especialmente via SDDH, Jornal Resistência e movimentos populares como a Comissão dos Bairros de Belém (CBB), Campanha pelo Direito de Morar, e no Centro de Intercâmbio de Pesquisas e Estudos Econômicos e Sociais (CIPES) – no qual adultos eram alfabetizados com o Método Paulo Freire e monitores eram
CLOVIS HORST LINDNER é teólogo e editor da Novolhar e reside em Blumenau (SC)
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Fotos: Arquivo do Autor
HISTÓRIA
TEMPLO MODESTO: No centro está o templo de São Leopoldo (RS), no qual foi realizado o concílio de fundação do Sínodo Riograndense
Os 130 anos do Sínodo Riograndense por Martin N. Dreher
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ntes que surgisse em maio de 1886 no nada pomposo templo da Comunidade Evangélica de São Leopoldo (RS), já vinha carregado de muita história de fé e vida. Doze pastores, dois professores e nove representantes leigos expressavam o anseio dos descendentes de luteranos chegados ao Rio Grande do Sul em 1824 e que se haviam espalhado pelo território rio-grandense fundando congregações. Nessas
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congregações, houve auxílio mútuo expresso na ajuda entre vizinhos, na organização de cemitérios, de escolas, na construção de templos. Era diaconia entre pessoas que não eram cidadãs, pois só eram toleradas. Não tinham matrimônios reconhecidos, não tinham direito a cemitérios, seus templos não se podiam assemelhar a igrejas, seus cultos não podiam ser público louvor a Deus. Só podiam participar de vida política localmente. Mas tiveram que
ser “voluntários da pátria” nas Guerras Cisplatinas, na Revolução Farroupilha, na Guerra do Paraguai. Gente sem direitos só os consegue pela união. Depois de uma visita do embaixador da Prússia ao Rio Grande do Sul, fundou-se, em 1864, na cidade alemã de Barmen, um comitê para auxiliar os “Protestantes Alemães no Brasil Meridional”. Esse comitê passou a enviar pastores, professores e professoras para o Rio Grande do Sul.
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O pastor Borchard tentou reunir as congregações luteranas em 1868 em um primeiro sínodo, caminho comum para a defesa dos direitos dos acatólicos. A experiência não foi duradoura. A duradoura deveu-se à liderança de Wilhelm Rotermund, que convenceu lideranças comunitárias, professores e pastores da necessidade de um órgão que os representasse. Assim, nos dias 19 e 20 de maio de 1886, aconteceu, em São Leopoldo, a fundação do Sínodo Riograndense. Nele, a representação leiga sempre seria igual ou superior ao dobro dos pastores presentes. Igreja jamais poderia ser igreja de pastores. A representação feminina estava ausente. “Elas” eram o fiel da balança nas congregações. Havia muito por fazer. Em 1887, os conciliares reunidos em Santa Cruz do Sul (RS) aprovaram uma primeira ordem do culto para todas as congregações. No mesmo ano, os luteranos viram-se confrontados com exigência
de delegado de polícia que, em Santa Maria, exigia a demolição da torre recém-construída. Sob a liderança do Sínodo, conseguiu-se coletar assinaturas em todo o Império exigindo igualdade de direitos para todos os cultos religiosos. Essa igualdade só viria com a República, mas a demonstração de unidade surtiu efeito. No ano seguinte, o Sínodo passava a ter um órgão de imprensa, denominado “Folha Dominical do Sínodo Riograndense”, fusionado em 1970 com jornais dos demais sínodos e hoje ainda existente sob o nome de “Jornal Evangélico Luterano”, talvez o mais antigo jornal da imprensa brasileira ainda em circulação. A partir da necessidade diacônica, o Sínodo promoveu a pregação itinerante, que se materializou na fundação, em 1892, dos Asilos Pella e Betânia. Duas irmãs, Lina e Amália Engel, que haviam assumido a escola de sua irmã Johanna, transferiram ao Sínodo, em 1895, a Fun-
dação Evangélica, já então com 25 anos de existência. Nos anos que seguiram, o Sínodo assumiu a escola de Santa Cruz do Sul, fundou a Associação de Professores, deu início à Missão entre Indígenas, ao Seminário para a Formação de Professores, à Obra Gustavo Adolfo, à Caixa de Aposentadoria, ao Instituto Pré-Teológico, ao Almanaque, ao Centro de Impressos, ao Hinário, à Folhinha para as Comunidades Evangélicas na América do Sul, ao Amigo das Crianças, passou a ter Casa Sinodal, Casa Matriz de Diaconisas, Colégio Sinodal, Casa do Estudante Universitário, Escola de Teologia, Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas, Juventude Evangélica, Legião de Homens... embriões da Igreja Evangélica de Confissão N Luterana no Brasil (IECLB).
MARTIN N. DREHER é doutor em Teologia, historiador, pastor emérito da IECLB, residente em São Leopoldo (RS)
Os fundadores do Sínodo Riograndense em 1886, com Wilhelm Rotermund (sentado, no centro da foto) na liderança
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CIDADANIA
Legado de um impeachment
por Leandro Hofstätter
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iante do maniqueísmo social vivido contemporaneamente no Brasil, fica difícil discutir política. Maniqueísmo entendido como “visão de mundo que o divide em uma luta entre poderes opostos e incompatíveis”. Aliás, diante desse fenômeno, é complicado discutir qualquer assunto! Algo que deveria ser óbvio – o diálogo sobre posicionamentos diferentes, embasados em argumentos e não apenas em “achismos” – torna-se, infelizmente, o que eu chamo de mera “constatação espacial”, ou seja, de que lado estás? “Ah, você está do lado deles... dos bons! Ah, você está do lado destes... dos maus!”. E aqui o primeiro absurdo: o próprio processo de discussão é abortado de antemão. O embate de ideias, portanto, que deveria conduzir a um melhoramento tanto dos seres humanos como da sociedade onde vivem – já que o diálogo pressupõe que nos coloquemos em uma posição primariamente de discussão dos
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argumentos e que, dessa disputa, aceitemos as melhores ideias que conduzem às melhores soluções –, simplesmente não existe! Mais: discussão se fundamenta também em aceitação ou rechaço das ideias e soluções, jamais da outra pessoa em si. O verdadeiro diálogo que se coloca contra a homofobia e qualquer violência, pois, pressupõe ética, ou seja, a busca pela verdade e pelas melhores saídas às situações humanas e desumanas que vivenciamos e não apenas retórica e falsidade. Um exemplo clássico de retórica e falsidade nos vem da nossa classe política, aqui apenas caricaturado no voto da deputada Raquel Muniz (PSD-MG). Ela citou seu marido como bastião da honestidade e aos berros enfatizava o “Sim, sim, sim...”, votando a favor do início do processo de impedimento da presidente da República, querendo significar sua luta contra a corrupção. Depois ficou claro que seu marido não era honesto, o que veio à tona com
sua prisão no outro dia, preso justamente por crime de corrupção! Diálogo, discussão, debate e embate de ideias e posições não significa enganação, falsidade e mentira. E aqui outro absurdo: os “bons” e os “maus” já estão definidos de antemão, sem mesmo precisar de provas, apenas conforme a cor da camiseta ou religião que professam. O que mais me entristece, pelo perigo que isso significa, é que, aliada a esse maniqueísmo político, está uma bancada “evangélica” que de evangelho não tem nada. Usa e abusa da fé das pessoas apenas visando o amor ao poder, esquecendo totalmente que Jesus Cristo viveu e pregou o poder do amor. O exemplo caricaturesco dessa bancada é Jair Bolsonaro, declarado réu pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por afirmar em plenário que “só não estupraria a sua colega, a deputada Maria do Rosário, pois ela não merecia”. Irá responder por apologia ao crime de estupro e por injúria. A ação penal foi movida pela Procuradoria-Geral da República. Gostaria apenas de reproduzir aqui o voto do ministro Luis Roberto Barroso, que, acertadamente, pontuou o cerne da questão: imunidade parlamentar não dá direito a violar a dignidade das pessoas. “Ninguém deve achar que a incivilidade, a grosseria e a depreciação do outro são formas naturais de viver a vida. O instituto da imunidade parlamentar é muitíssimo importante. Porém não acho que ninguém possa se escudar na imunidade material parlamentar para chamar alguém de ‘negro safado’, para chamar alguém de ‘gay pervertido’ ou fazer apologia do estupro”. Diante desse “fundo do poço”, quais as saídas que nos restam? Primeiramente, a conclusão de que o silêncio não nos ajuda. Diante dos extremismos, o caminho do meio não pode ser aquele da mediocridade. É necessário que as pessoas tomem posição. A igreja cristã, da qual a IECLB é parte importante, deve também se
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OLHAR COM POESIA posicionar contra os fundamentalismos religiosos que insistem em fazer do cristianismo uma religião dos fanáticos do “Senhor dos exércitos”. Nós já sabemos onde isso termina, não por conta de que somos profetas ou por algum poder sobrenatural, mas pela história da nossa religião e pelo próprio rosto de Deus mostrado em Jesus Cristo. O Senhor dos exércitos é colocado de lado pela cruz de Cristo. O poder agora é do amor e não da guerra. Uma primeira consequência prática disso deveria ser o nosso total repúdio aos cortes de verbas nas áreas da saúde e educação, pois é justamente essa última que nos salvará da ignorância e da mediocridade completamente instaladas. Segundo, uma volta às Escrituras é fundamental. Precisamos de mais formação teológica e de qualidade. Nesse sentido, a IECLB tem muito a contribuir. Mas é preciso voltar a fazer Teologia da Reforma, que não tem medo da disputatio e que precisa, para sua própria sobrevivência, de espaços de discussão em que as pessoas possam expor e se expor no diálogo. O Solus Christus e a Sola Scriptura nunca foram N tão necessários neste nosso país!
Secura da alma por Lothar Carlos Hoch Ora, vivo dias e semanas de abundante inspiração, ora, tempos de deserto sem ternura, sem amor e sem água fresca que possa a alma fecundar. Não consigo entender muito menos explicar as razões ocultas que movem o Espírito. Assim vou crendo que Ele Só sopra quando lhe aprouver. ... e me alimento da fé de que é Ele que me abastece e sacia e que em tempos de secura d’alma só me resta esperar que Ele volte a me inspirar.
LOTHAR CARLOS HOCH é teólogo e professor aposentado da Faculdades EST em São Leopoldo (RS)
LEANDRO HOFSTÄTTER é teólogo, filósofo, advogado, professor universitário e assessor do Sínodo Norte Catarinense em Joinville (SC)
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SOCIEDADE
Violência não é só caso de polícia por Márcia Scherer
Todos observam que houve um impressionante aumento nos números da criminalidade nos últimos anos. É certamente o fenômeno social mais importante hoje, já que atinge todos de uma ou de outra maneira. A escalada da violência deu-se de forma tão intensa, que o Estado tem se mostrado incapaz de acompanhar o ritmo desse crescimento com o oferecimento de estruturas de prevenção e de repressão tradicionais. Isso se torna evidente quando se observa que os presí-
dios são poucos e cada vez menores para acomodar toda a massa carcerária, que se multiplicou de forma geométrica nos últimos anos. Além disso, está decrescendo o número absoluto e relativo de policiais para fazer frente a toda a demanda. Para compreender o fenômeno, deve-se entender que o aumento da violência urbana não se gera por si só e não se dá exclusivamente devido ao afrouxamento da repressão estatal. Ele tem relação com outras importantes transformações sociais. Por exemplo: a
urbanização das populações e o consequente desenraizamento comunitário; a melhoria do acesso ao consumo, no qual, porém, não se vem logrando incluir todos; o conflito de valores culturais, fruto da passagem de um período de repressão política e cultural intensa para outro extremo de ampla liberdade; e ainda a facilitação do acesso às drogas. Vamos analisar esses fenômenos. Enquanto, em 1940, apenas 31% da população brasileira viviam em cidades, neste início de século, mais de 80% dos brasileiros moram em zonas urbanas. Esse percentual de concentração da população nas cidades é igual ao de países desenvolvidos. De fato, a migração das famílias para a zona urbana representou diversos benefícios, como o acesso ao emprego, à saúde e à educação públicas. O avanço do capitalismo oportunizou uma significativa melhoria no nível de consumo e da qualidade de vida das famílias. Por outro lado, com o desenraizamento de seu local de origem para um novo espaço desconhe-
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SEGURANÇA: A sociedade exige um aparato policial cada vez mais repressivo, mas a solução para a violência urbana não está nisso
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cido, perderam-se referências culturais e sociais, gerando exclusão. Sabemos que, nas comunidades pequenas, todos estão incluídos em seu contexto – são estabelecidos fortes vínculos de afetividade a partir das relações de vizinhança, de parentesco, de igreja e de outras agremiações. Esses vínculos, além de cuidado, representam também controle. A cidade proporciona a proximidade física de pessoas desconhecidas e também dá oportunidade para o crime: o jovem morador de bairro socialmente vulnerável, cooptado para o tráfico, não se importará em vender droga para o “playboyzinho” que mora no bairro de classe média ao lado. Embora possam viver a poucas quadras um do outro, eles não se conhecem e um não se importa com o outro. A “legitimação” do crime ocorre com base na ideologia de Robin Hood: “Vou tirar dos ricos para ter dinheiro para as minhas coisas, já que sou pobre!”. Aliás, em um contexto de falta de oportunidades, o adolescente somente se sente incluído por sua capacidade de consumo. A nova geração quer tudo “para ontem”. A ascensão social por meio da educação e do trabalho árduo é um processo lento e não é para todos. Então o chamariz do lucro fácil com o comércio ilícito de drogas mostra-se irresistível. O caminho do crime é sem volta! Nesse submundo, vale a lei do mais forte. A conquista da hierarquia e do poder dá-se por intermédio do uso da força e da guerra. É a lei da sobrevivência: “ou eu mato, ou eu morro”. Sabemos que as instituições tradicionais perderam seu poder repressivo. Estamos dispostos a ser uma sociedade democrática. No entanto, a noção de democracia não está muito clara em nós. Muitos confundem-na com o sistema em que a liberdade é absoluta e não há regra nenhuma. O que não é verdadeiro. Em confusão de valores, aos pais não foram
INCLUSÃO: Políticas de educação para a cidadania e de humanização das cidades são um bom caminho
ensinados meios alternativos de educação dos filhos, e eles não sabem como confrontar os filhos quando esses os chamam de “quadrados”. A insegurança paterna leva, por fim, à acomodação e acaba deixando os filhos “por conta” de sua própria irresponsabilidade. Mas temos alternativas para isso. A nossa proposta é que o enfrentamento à violência não seja mais assunto só de polícia. Até porque os mecanismos de repressão têm se mostrado insuficientes para controlar o fenômeno. Conforme se procurou demonstrar, a violência origina-se de muitas causas. Assim, é momento de entender a questão como sistêmica e de tratar o tema como de responsabilidade intersetorial. Dessa forma, quando estivermos realizando ações de inclusão social, de cuidado e acolhimento, as ações de educação para a cidadania, de humanização das nossas cidades, de acompanhamento dos jovens em situação de vulnerabilidade, de fortalecimento das mulheres, estaremos, isto sim, promovendo ações de prevenção à violência e tornando o mundo melhor.
A comunidade cristã é chamada a engajar-se nesses processos sociais, compreendendo como fundamental a sua função amorosa de cuidado para com o outro e a outra. N
MÁRCIA SCHERER é delegada de polícia, professora universitária, tecnóloga em Gestão Pública e especialista em Direito, mestre em Ambiente e Desenvolvimento, doutoranda em Direito e reside em Estrela (RS)
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ALIMENTOS
70 por cento vêm dos pequenos
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sistema agroalimentar mundial, dominado pela agricultura industrial em larga escala, é altamente concentrado, integrado e transnacionalizado. Caracteriza-se pela utilização de muito capital em
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insumos como sementes, fertilizantes, agrotóxicos e máquinas”, observa Martín Drago, coordenador do Programa de Soberania Alimentar de Amigos da Terra Internacional, em recente entrevista à agência Noticias Aliadas. Drago acrescentou: “É um sistema que corresponde
aos interesses do comércio internacional, que tem o apoio de verbas públicas, também de instituições financeiras internacionais e um crescente envolvimento da área financeira, que possui um interesse nitidamente especulativo”. No tocante à alta concentração na produção de insumos, Drago lembra que recentemente a empresa Monsanto (multinacional de agricultura e biotecnologia) estava analisando uma possível associação com as transnacionais químicas Basf ou Bayer. Se, por exemplo, a Monsanto se associasse à área agrícola da Bayer, o novo grupo controlaria mais de 65% das vendas mundiais de pesticidas e quase 61% das vendas comerciais de sementes. Contudo, mesmo assim, a agricultura em pequena escala é a que produz a maioria dos alimentos que a humanidade consome: 70%, segundo o Grupo ETC, que monitora o impacto das tecnologias emergentes e as estratégias corporativas sobre a agricultura, a biodiversidade e os direitos humanos. Assim, “para mudar o sistema alimentar mundial, os principais agentes são os pequenos agricultores”, frisa Drago. Mas por que mudar o sistema dominante? Segundo a GRAIN (organização internacional que apoia camponeses, pequenos agricultores e movimentos sociais), entre 44% e 57% de todas as emissões de gases têm origem no sistema alimentar mundial. A agricultura em grande escala expande a fronteira agrícola, desmata florestas para o plantio, como acontece no Brasil com a soja, o milho e a cana-de-açúcar. A agricultura deslocou-se para áreas onde antes havia gado, e o gado movimentou-se para onde havia florestas, como a Amazônia, provocando o desmatamento. Sabemos que as florestas são importantes para a captura do gás carbônico. “Por sua vez, a produção agroecológica de alimentos tem um efeito completamente distinto, porque emite menos gases, mas, ao
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trabalhar em harmonia com a natureza, recupera o solo, e assim o solo amplia sua capacidade de reter carbono de forma natural. Além disso, quando se reduzem as distâncias entre produtores e consumidores, as emissões de gases do setor de transportes também diminuem”, acentua Drago. Haveria um modelo alternativo? Drago argumenta que “basicamente se propõe o modelo da soberania alimentar, e hoje falamos da agroecologia para a soberania alimentar”. Isso quer dizer “produção agroecológica em harmonia com a natureza, cuidando dos recursos naturais”. Além disso, tem a ver também com uma forma de consumir alimentos: “caminhos curtos entre produtores e consumidores”. Assim, o produtor, sem intermediários, recebe um preço melhor, e o consumidor paga muito menos. Enfim, “é preciso mudar os padrões de produção e de consumo, mas também
as condições de vida no campo, para que a juventude permaneça ali. Aqui é fundamental o papel do Estado. Esse deve proporcionar infraestrutura para que os produtores possam transportar sua produção e espaços onde possam armazenar seus alimentos e vendê-los”, propõe Drago. Os principais desafios passam por entender que a produção de alimentos não necessariamente tem que estar nas mãos do agronegócio. É preciso mudar o imaginário popular. Na verdade, a produção de alimentos está em sua grande maioria nas mãos dos pequenos produtores. Também é preciso mudar a crença de que todos os métodos de produção conhecidos como “tradicionais” são um atraso. “O agricultor também é de certa maneira um cientista, porque é uma pessoa que por meio da experimentação e do erro vai evoluindo e desenvolvendo seus métodos de produção, adaptando-os”, observa Drago.
Os consumidores também precisam entender que é preciso mudar nossos padrões de consumo. E outro desafio bem grande, segundo Drago, é “mudar a correlação de forças que temos hoje em dia, na qual as academias de agronomia e veterinária, vinculadas à grande produção de alimentos, impõem a ideia de que não há possibilidade de alimentar o mundo sem o agronegócio”. Enfim, o entrave principal é que “o Estado tem que deixar de estar a serviço das elites nacionais e corporações transnacionais, donas do agronegócio, para colocar-se a serviço de uma produção de alimentos que gere soberania nacional, menos impacto ambiental e melhores condições de vida para aqueles que produzem os N alimentos”, finaliza Drago. Por RUI BENDER, artigo traduzido e adaptado.
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COMPORTAMENTO
Não escolha os atalhos TUDO VAI BEM EM SUA VIDA ATÉ VOCÊ SE DEPARAR COM UM CONFLITO QUE TE DIRECIONA PARA CAMINHOS OPOSTOS. ESTAMOS SEMPRE TENDO A CHANCE DE ESCOLHER ENTRE O CERTO E O ERRADO. por Karine Rizzardi
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rodovia desejamos seguir. Às vezes, essas escolhas são fáceis e sem maiores dificuldades, porém há outras que nos deixam parados e reflexivos. Em todo esse processo, uma coisa é certa: é inegável desconsiderar as consequências que cada escolha pode gerar.
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uando penso nas escolhas da vida, imagino uma pessoa no trevo da estrada que vai para Juvinópolis ou que aponta para Curitiba. Nossa existência é marcada por uma série de trevos, onde temos o privilégio de escolher qual
Tudo vai bem em sua vida até você se deparar com um conflito que te direciona para caminhos opostos. Estamos sempre tendo a chance de escolher entre o certo e o errado, entre o fácil e o difícil, entre o cômodo e o árduo. Independente de qual seja sua dinâmica pessoal, não dá para negar que quem escolhe os atalhos sempre cai em armadilhas posteriores. Quando uma pessoa casada sente-se atraída por alguém do sexo oposto e escolhe trair, ela está necessariamente escolhendo um atalho que, em algum momento de sua vida, lhe trará desordens emocionais e familiares. Quando alguém tem alguma tendência a comportamentos compulsivos por comer demais, beber demais ou trabalhar exaustivamente e mesmo assim diz a si mesmo que “só por hoje eu vou satisfazer todos os meus desejos”, essa pessoa está escolhendo um atalho que a deixa ainda mais distante de uma sobriedade pautada pelo equilíbrio. Quando um jovem ou uma jovem não aguenta mais se sentir sozinho e para anestesiar suas emoções escolhe perder seu tempo “ficando” com uma
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CONSULTÓRIO DA FÉ ou várias pessoas erradas, esse jovem ou essa jovem está escolhendo um atalho que pode prejudicar sua própria imagem, podendo afastá-lo ainda mais da pessoa certa. Você pode estar nesse trevo escolhendo sempre o que é mais fácil, mas o mais fácil nem sempre é o excelente. Aquele que deseja ganhar uma promoção no trabalho usando o atalho de “puxar o saco” do patrão não entende que só conseguirá chegar nesse patamar provando sua própria capacidade e competência. Aquele que quer emagrecer e não consegue sem ir a mil clínicas de estética ou tomar todos os tipos de remédios não conseguirá ser curado de algo que precisa começar de dentro para fora. Aquela mulher que quer salvar o casamento não deve recorrer ao atalho da cirurgia plástica, achando que agindo assim conseguirá ter seu marido de volta, pois o retorno da conquista se dá quando se retiram todas as pedras das mágoas e ressentimentos que ficaram para trás. Eu teria uma porção de outros exemplos que demonstram como a busca por atalhos nos prejudica, mas não há espaço suficiente para expor aqui. Só sei que você não precisa estacionar em uma vaga de idoso para tentar um atalho que justifica sua falta de gerenciamento em relação à pressa e nem ser seduzido por comerciais mentirosos que o fazem iludir-se com uma vida que você não tem. Não adianta mentir para nós mesmos: atalhos são caminhos que nos causam a falsa sensação de que chegaremos mais rapidamente ao lugar onde queremos, mas o fato é que NÃO existe como pular etapas. Ou você enfrenta a realidade e exercita o controle de suas próprias emoções, ou você paga um preço alto demais para lidar com as consequências N desagradáveis desse processo.
KARINE RIZZARDI é psicóloga especialista em casais e família em Cascavel (PR)
O jovem pode negar-se ao serviço militar? por Marie Ann Wangen Krahn O jovem pode negar-se ao serviço militar sim, mas não com um simples “eu não quero servir”. É necessário que esse jovem se declare ser objetor de consciência por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política e que forneça argumentos verdadeiros e concretos que substanciem essa declaração. Esse jovem está amparado pelo art. 5º, VIII da Constituição Brasileira, que diz: “Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”. O “imperativo de consciência” é um direito estabelecido pela Constituição desde 1988. O artigo 143 da Constituição determina no parágrafo primeiro que seja atribuído serviço alternativo ao serviço militar, e a Lei Federal 8.239 define em seu terceiro parágrafo o que seria o serviço alternativo. Publicada em 1992, a Portaria 2.681 do Ministério da Defesa estabelece “normas e processos” para a aplicação da Lei Federal 8.239. Com a pouca divulgação, um número muito pequeno de jovens recusa cumprir serviço militar por imperativo de consciência. Por isso, em vez de implantar um sistema de serviço alternativo, a prática tem sido de simples dispensa por excesso de contingente. Cristo ensinou: amem e orem por seus inimigos, perdoem e não matem. Reflitamos sobre isso nesse contexto militar que N vivemos neste país e no mundo. MARIE ANN WANGEN KRAHN é professora de hebraico na Faculdades EST e coordenadora da ONG SERPAZ-Serviço de Paz em São Leopoldo (RS) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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REFORMA 500 ANOS
Elisabeth von CalenbergGöttingen: duquesa, escritora e reformadora por Claudete Beise Ulrich
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Imagem: Wikipedia
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lisabeth von Calenberg-Göttingen, duquesa de Braunschweig-Lüneburg, foi uma mulher regente, reformadora com uma grande influência pública e política. Ela introduziu a Reforma Protestante na parte da Baixa Saxônia na Alemanha. Elisabeth nasceu em 1510 em Cölln an der Spree (hoje Berlim) de uma família nobre. Seus pais, Eleitor Joachim I, de Brandenburg, e sua esposa Elisabeth, da Dinamarca, preocuparam-se para que seus filhos e filhas recebessem educação. Ela recebeu uma sólida educação fundamental. Adquiriu conhecimentos da língua alemã, matemática, latim. Foi educada rigidamente na fé católica. Como era costume na época, os casamentos entre as pessoas nobres e ricas eram arranjados, e assim também foi arranjado o casamento de Elisabeth. Com apenas 15 anos, ela casou com o viúvo, sem filhos, 40 anos mais velho do que ela, duque Erich I, regente de Braunschweig-Calenberg-Göttingen. Uma tarefa urgente que Elisabeth recebeu, assim que casou, foi engravidar, pois se necessitava de um herdeiro para o reino. Até os 25 anos, ela deu à luz quatro crianças: as filhas Elisabeth (1526), o herdeiro do reino, Erich II (1528), Anna Maria (1532) e Katharina (1534). Em 1534, Elisabeth von Calenberg-Göttingen, duquesa de Braunschweig-
-Lüneburg, visitou sua mãe Elisabeth von Brandenburg em Lichtenberg junto a Wittenberg e lá conheceu Martim Lutero pessoalmente. No dia 7 de abril de 1535, a duquesa Elisabeth recebeu, acompanhada de suas damas de honra e empregadas, a Ceia nas duas espécies (pão e vinho), segundo o rito luterano. Elisabeth manteve, regularmente, correspondência com o reformador Martim Lutero e também enviou presentes a ele,
como vinho e queijo, e também recebia presentes de volta, como vinho de amoras. Ela também recebeu uma Bíblia traduzida para a língua alemã com uma dedicatória pessoal de Lutero. Em 1538, Elisabeth recebeu a visita de sua mãe e de seu irmão Christian, que já havia introduzido a Reforma onde ele governava, em Küstrin, e indicou à sua irmã o pastor Antonius Corvinus para ser seu conselheiro pessoal. Nesse mesmo ano, influenciada por sua família e através do pastor Corvinus, Elisabeth converteu-se definitivamente ao protestantismo. O marido Erich I faleceu em 1540; durante os dois últimos anos, o casal convivera com as duas confissões: ela protestante e ele católico. Após a morte do marido, Elisabeth tornou-se a regente do reino até o filho Erich II alcançar a maioridade. Ela governou durante seis anos (1540-1546) e, nesse período, introduziu a Reforma Protestante em seu território com a forte colaboração do pastor Antonius Corvinus, o qual coordenou visitas e mudanças na organização das igrejas e também na ordem do culto, da Santa Ceia, do Batismo. Um passo importante já havia sido dado em 1530, quando as cidades de Göttingen e Hannover pediram a sua liberdade religiosa e receberam-na em 1536 sob o pagamento de uma grande soma em dinheiro, e a cidade de Northeim conseguiu o mesmo em 1539. No entanto, Elisabeth não queria que a Reforma somente alcançasse as cidades.
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DE OLHO NA CIDADANIA Ela queria que a Reforma alcançasse todos os rincões do reino que estava sob seu comando. Esse período de seis anos sob a regência de Elisabeth von Calenberg-Göttingen foi muito importante para o movimento da Reforma na região da Baixa Saxônia. Atualmente, a maior igreja territorial da Alemanha encontra-se nessa região da Alemanha, tendo como capital a cidade de Hannover, região essa que pertencia ao território em que Elisabeth governou e introduziu o protestantismo sob a orientação segura do pastor Antonius Corvinus. Quando seu filho alcançou a maioridade, Elisabeth sofreu muito, pois o filho Erich II buscou reintroduzir o catolicismo, movimento da Contrarreforma, além de descartar a presença e os conselhos da mãe. Importante lembrar que a introdução da Reforma nos diferentes reinos foi sempre alvo de disputas, em que não somente interesses da religião estavam em jogo, mas, muitas vezes, interesses sociais e econômicos. Em 1546, Elisabeth, viúva, com apenas 36 anos, casou-se novamente com o conde Poppo zu Henneberg-Schleusingen. Desse casamento nasceram duas meninas. Elisabeth, regente eleitora de Calenberg-Göttingen, duquesa de Braunschweig-Lüneburg, foi uma mulher notável da Idade Média, adiantada em seu tempo e não somente como duquesa regente e apoiadora do movimento da Reforma, mas também como escritora e estudiosa leiga de Teologia. Ela faleceu no dia 25 de maio de 1558 com a idade de 48 anos. Martim Lutero e Filipe Melanchthon falavam com muito apreço dela. Melanchthon sublimou em um escrito: “Elisabeth governou esta igreja com um coração materno, suave e doce, alimentada e N nutrida pelo evangelho”. CLAUDETE BEISE ULRICH é teóloga, doutora em Teologia e professora na Faculdade Unida em Vitória (ES)
Nossa fé denuncia um massacre por Cibele Kuss No dia 14 de junho, em Caaparó, no estado do Mato Grosso do Sul, cerca de 70 fazendeiros invadiram a terra Toro Paso, território ancestral dos indígenas Guarani Kaiowá, retomado. Assassinaram o indígena Clodioli Aquileu, de 26 anos, e feriram à bala mais cinco indígenas, entre eles um menino de doze anos. A intenção dos fazendeiros era matar, exterminar, acabar com a vida daquelas pessoas indígenas. Nossa fé denuncia o massacre Guarani Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul. Denuncia o pecado da violência em curso contra os povos indígenas no Brasil. Segundo dados do COMIN/IECLB – Conselho de Missão entre Povos Indígenas e do CIMI – Conselho Indigenista Missionário, em 2015 foram 138 vítimas. Há um alto índice de suicídios (a média nacional é de cinco por cada 100 mil pessoas; entre indígenas é de 30 por cada 100 mil, em decorrência da desestruturação cultural, discriminação, conflito social, baixa autoestima); mortes por desassistência à saúde; taxa elevada de mortalidade infantil; diversas invasões ilegais de terras indígenas para garimpagem; extração ilegal de madeira e outros recursos naturais; exploração de mão de obra indígena, com denúncia de situações análogas à escravidão (colheita de maçã em Bom Jesus da Serra e Vacaria/RS); exploração e abuso sexual, que, na região sul, foram denunciados à comissão da Secretaria Nacional de Direitos Humanos-CNDH em março-abril de 2016; impacto da construção e implantação de grandes empreendimentos e obras públicas (Barragem Norte, José Boiteux/SC; Unidade Hidrelétrica de Belo Monte/PA; duplicação das BRs 101, 116, 386, 290); postergação e inconclusão dos processos demarcatórios de terras indígenas e políticas públicas de sustentabilidade e gestão territorial e ambiental. Isso tem causado violência extrema aos povos que pleiteiam a demarcação de suas terras. Muitas comunidades vivem em condições sub-humanas nas beiras das estradas e embaixo de lonas, submetidas a todo tipo de violência; e, mais uma vez, suas vidas são ceifadas pela força cruel da ganância e do sistema econômico. No Evangelho de Mateus 5.1316, Jesus chama-nos para ser sal e luz no mundo, transformando as realidades duras e violadoras em nome do amor transformador do Cristo Crucificado. Nossa fé denuncia o massacre dos povos indígenas no Brasil. Como pessoas e comunidades que professam Jesus Cristo, somos chamadas a participar em processos de justiça e de paz, de misericórdia, de denúncia e de anúncio para que pare o massacre indígena. Que a luz da justiça que herdamos de Jesus Ressuscitado brilhe em nossas ações públicas em defesa dos direitos N de toda a criação! CIBELE KUSS é teóloga e secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia em Porto Alegre (RS) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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REFLEXÃO
Sabor nas relações TENHAM SAL EM VOCÊS MESMOS E VIVAM EM PAZ UNS COM OS OUTROS. Marcos 9.50
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lguns anos atrás, o grupo da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE) de Estrela (RS) visitou o Uruguai. A viagem turística permitiu conhecer o belo país vizinho e a Comunidade Evangélica Luterana de Montevideo, na qual o grupo assistiu a um encontro nacional de coros. Foi uma linda viagem. Houve apenas algumas dificuldades diante do cardápio. A maioria dos pratos era desconhecida, e muitos deles desafiavam o paladar das senhoras. Já no primeiro dia, foi encontrada uma saída. Descobriu-se que o prato chamado Entrecot era uma chuleta desossada, carne muito apreciada no sul do Brasil. Foi isso que o grupo pediu. No entanto, na primeira mordida na carne suculenta, a surpresa: a ausência de sal. Que coisa bem ruim, comer carne sem sal – exclamou alguém do grupo. O fato é que há leis no Uruguai que restringem o uso de sal nos alimentos preparados pelos restaurantes e proíbem inclusive saleiros sobre as mesas. Quem quiser sal deve pedir ao garçom. De fato! No Brasil, estamos acostumados a comer a carne e demais alimentos bem salgados. Embora o consumo exagerado seja prejudicial à saúde, é o nosso jeito de preparar os alimentos, e quando provamos uma carne sem sal, é natural que não agrade o nosso paladar.
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Mas se carne sem sal é ruim, imagine um mundo sem sal. Como seria? Imagine se as pessoas cristãs fossem sem sal. Como seria? No Evangelho de Marcos 9.50, Jesus Cristo diz a seus discípulos: “Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros”. Como entender esse ensinamento de Jesus? O que significa ter sal em si mesmo? Essas palavras foram ditas aos discípulos num contexto de competitividade. Eles discutiam entre si sobre quem era o mais importante e sobre o fato de alguém que não era do grupo poder ou não fazer milagres em nome de Jesus. Ele lhes ensina que o maior é o que serve e que ninguém pode fazer milagres se Deus não o permitir e finaliza orientando-os a ter sal em si mesmos. O sal na cultura judaica é a própria Torá, a palavra de Deus que dá gosto à vida nas relações humanas baseadas na justiça. Ter o sal em si mesmo é seguir os ensinamentos da palavra de Deus e vivê-los no serviço e no amor ao próximo. O sal tem a função primordial de dar sabor aos alimentos, mas também serve para conservá-los e tem poder curativo. Por isso também é usado em rituais de purificação. Sendo assim, ter o sal em si significa ser chamado para dar sabor ao mundo, às relações humanas. Para, através do serviço ao próximo e da busca da justiça, conservar e purificar o mundo.
Foto: www.feiticosaromaticos.com.br
por Gilciney Tetzner
Creio que esse pedido de Jesus é profundamente atual, pois o mundo anda meio sem sal. Sem graça. A natureza tem sido devastada por pessoas e empresas preocupadas apenas com seus lucros. O rio Doce não é mais doce, e a floresta amazônica está cheia de plantações e de gado. As relações humanas, em grande parte, são marcadas por interesses. As pessoas aproximam-se das outras pensando em que elas podem servir-lhes. Isso é ainda mais evidente no meio político, em que cargos e votos são negociados a todo instante. O clima de competitividade presente entre os discípulos de Jesus é assumido hoje pelas
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O mundo precisa de sal. As relações precisam de mais sabor. Todos precisamos mais servir do que servir-nos. A orientação de Jesus para nós hoje é a mesma: Tenham sal em si mesmos!
igrejas. Também nelas há a disputa pelo maior, pelo mais poderoso ou pela exclusividade em realizar milagres. O mundo precisa de sal. As relações precisam de mais sabor. Todos precisamos mais servir do que servir-nos. A orientação de Jesus a seus seguidores e às suas seguidoras em 2016 é a mesma: tenham sal em si mesmos! É através do serviço e do amor ao próximo, demonstrados nas pequenas ações em nossa comunidade, bairro ou cidade, que daremos mais sabor à vida. É por meio da justiça e do cuidado que, pela graça de Deus, seremos instrumentos de cura para um mundo doente. Somente com serviço, cuidado e justiça alcançaremos a paz uns com os outros. Por isso não seja sem sal. Não seja sem graça. Tenha N sal em si! GILCINEY TETZNER é teólogo e pastor sinodal do Sínodo Vale do Taquari da IECLB em Teutônia (RS)
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ESPIRITUALIDADE
Dificuldades e possibilidades de inclusão por Claudio Röhsig
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apóstolo Paulo ensina a considerar o padrão de Deus: “Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha que é loucura; e, para envergonhar os poderosos, ele escolheu o que o mundo acha fraco. Para destruir o que o mundo pensa que é importante, Deus escolheu aquilo que
o mundo despreza, acha humilde e diz que não tem valor” (1 Coríntios 1.27-28). Nessa perspectiva, o respeito e a humildade sempre deverão ser marcas nos relacionamentos e na vida da comunidade cristã. Todos os membros – tanto os aparentemente fortes como os fracos – são importantes, e uns precisam dos outros. O apóstolo exemplificou isso
no exemplo do corpo humano, que tem muitos membros, mas todos interdependentes (1 Coríntios 12.12ss).
CONTEXTO – Todas as comunidades realizam cultos e celebrações para todos os seus membros, e normalmente são encontros maiores. Muitas vezes, acontece que algumas pessoas são esquecidas em sua singularidade ou não encontram seu espaço. Assim, é muito importante que a comunidade tenha grupos, espaços que permitam uma convivência mais próxima e a oportunidade de cuidado e de valorização de cada pessoa. Isso evidentemente não exclui a necessidade de cuidado para que todos sejam incluídos nos encontros e atividades maiores. Consideramos vital o envolvimento da família da pessoa com deficiência para uma efetiva integração. Se a família tem a visão de buscar ajuda e acredita nas instituições, como a escola e a igreja, muito pode ser alcançado. Por outro lado, as
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Rian no dia de sua Confirmação durante a Eucaristia com seus pais
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Arquivo pessoal
Rian (esquerda) participou da apresentação de Natal.
instituições precisam fazer o trabalho de conscientização e oferecer espaços e oportunidades de desenvolvimento, participação e integração para todas as pessoas.
EXPERIÊNCIA – Nos últimos anos, tivemos algumas experiências no grupo de adolescentes que se preparam para sua profissão de fé: a Confirmação. Mesmo com muitas limitações, tentamos ser participantes num processo maior, como um elo no meio de uma corrente. A questão inicial logo aparece: como integrar um menino com síndrome de Down, que não lê e fala com dificuldade, num grupo de Ensino Confirmatório? Como orientadores espirituais, sabemo-nos responsáveis para despertar a fé no sentido integral, e isso inclui o sentimento de pertença ao grupo e à comunidade ou igreja.
Compartilhamos um pouco da experiência com o menino Rian. Foi vital para nós ouvirmos os pais, especialmente a mãe. Rian teve a felicidade de ser bem-vindo e amado em seu lar. A família sempre buscou ajuda e aprendeu a não se acomodar com as dificuldades. Com isso envolveu prefeitura, escola e igreja. Se estamos conseguindo um resultado bom, foi pelos esforços e dedicação de várias partes. Logo no início dos encontros, a mãe explicou como seu filho age, suas dificuldades e as possibilidades. Procuramos levar isso em conta nos encontros regulares, mesmo com a natural dificuldade. Para o culto de apresentação dos confirmandos, a ministra candidata Soliana Schneider trabalhou a importância da palavra de Deus na família por meio de uma peça teatral com a inclusão de Rian. A apresentação foi no culto de Natal.
Vimos que essas atividades criaram um sentimento de pertença muito importante no menino. Também foi vital o envolvimento da professora de educação especial, Fabiane Engeroff, que sugeriu atividades para Rian. Achamos uma boa ideia tematizar a Rosa de Lutero. A professora orientou a atividade prática, a confecção do símbolo, nos encontros semanais com o menino. Tudo foi documentado com fotos, que foram mostradas no telão no dia do culto. Dessa forma, toda a comunidade tomou conhecimento e foi envolvida na causa da pessoa com deficiência. O desafio é continuar a olhar para o tema e, com sabedoria, encontrar meios para valorizar as pessoas com deficiência de N maneira autêntica e permanente. CLAUDIO RÖHSING é teólogo e ministro da IECLB em São José do Hortêncio (RS) NOVOLHAR.COM.BR –> Jul/Set 2016
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Divulgação Novolhar
PENÚLTIMA PALAVRA
Direitos humanos no preparo docente por Derti Jost Gomes
O
amadurecimento da sensibilidade com o tema das diferenças é uma conquista recente. O problema do encontro e do conflito entre culturas geralmente tem sido enfrentado e resolvido valendo-se de perspectivas etnocêntricas que procuraram impor o próprio ponto de vista como o único válido, justificando a escravização e o genocídio dos povos nativos. A própria educação, em particular a escola, através de um currículo monocultural tem desempenhado o papel de agenciar a relação entre culturas com poder desigual, contribuindo para a manutenção e difusão dos saberes mais fortes contra as formas culturais contrárias ao pensamento científico-racional, consideradas como limitadas, infantis, erradas e supersticiosas. Nos cursos de formação docente, consideramos importante trabalhar a temática voltada à promoção de uma educação intercultural, objetivando a formação educativa dos futuros professores. A proposta é desenvolvida considerando a perspectiva
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intercultural que emerge num contexto de lutas contra o processo crescente de exclusão social e, segundo Candau, “quer promover uma educação para o reconhecimento do ‘outro’, para o diálogo entre os diferentes grupos sociais e culturais”. De início, os acadêmicos das licenciaturas são desafiados a refletir sobre a sua própria identidade cultural e, em seguida, são convidados a analisar e contestar a construção histórica de categorias que nos têm marcado como raça, nação, sexualidade, masculinidade, feminilidade, idade etc. Em outro bloco, faz-se necessário penetrar no universo de preconceitos e discriminações que impregnam as relações sociais que configuram os contextos em que vivemos. Caminhar na direção de uma educação multicultural e antidiscriminatória implica promover processos de desnaturalização e explicitação da rede de estereótipos e preconceitos que povoam nossos imaginários individuais e sociais em relação aos diferentes grupos socioculturais. O aprofundamento da temática da
formação cultural brasileira também se faz imprescindível. Questionar os lugares comuns, as leituras hegemônicas da nossa cultura e de suas características, assim como das relações entre os diferentes grupos sociais e étnicos, constitui outro aspecto que é discutido e aprofundado. Outro eixo importante é a interação com diferentes grupos culturais e étnicos. A intenção é propiciar uma interação reflexiva, que incorpore uma sensibilidade antropológica e estimule a entrada no mundo do “outro”. Considerando que a ação educativa acontece em uma realidade com diversidade cultural, ética, religiosa e social que necessita ser respeitada, o ISEI mantém, em seu currículo, um eixo voltado à interculturalidade. Procura-se refletir sobre a fundamentação pedagógica necessária à docência, a fim de adequar a realidade do sistema educacional à realidade do sujeito que aprende. As propostas acima são apenas alguns desafios com os quais desejamos inspirar e ao mesmo tempo instigar futuros professores para a promoção e a afirmação dos direitos humanos no cotidiano do contexto escolar como uma possibilidade de encurtar e minimizar as distâncias e desigualdades culturais, sociais, políticas e econômicas existentes N em nossa sociedade. DERTI JOST GOMES é professora do Instituto Superior de Educação Ivoti em Ivoti (RS)
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Pais Comprometidos Filhas bem-sucedidas Ser pai de menina traz
um peso a mais para os homens. A ideia de carinho, cuidado e proteção que possuem com filhos, são aumentadas exponencialmente quando se trata de uma filha. Neste livro, Robert Wolgemuth tira toda a ansiedade desses pais nervosos e os anima para momentos maravilhosos que virão. Código: 263463 - Formato:14,5 x 22,5cm - 192 páginas
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