Ano XXIX
Nยบ 29 2016
Expediente Editorial
conteúdo janeiro/julho 2016 Lições, editada pela Rede Sinodal de Educação, é uma revista de ensino e pesquisa que reúne, anualmente, estudos produzidos pelo corpo docente das escolas da Rede Sinodal de Educação e textos de palestras proferidas em eventos da mesma. A responsabilidade dos artigos publicados é do(a) autor(a) do texto. Ano XXIX, N. 29: Jan./Jul. 2016 ISSN: 1677-342X Conselho Editorial Celso Moletta Junior (Colégio Sinodal Ruy Barbosa) Cynthia von Mühlen (Colégio Sinodal) Daniele Bauml Tesser (Colégio Martinus) Karin Kern (Colégio Martin Luther) Leila Rubia Zielke Rebellato (Instituto Sinodal da Paz) Marilei Inês Zart Assini (Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM) Rosângela von Mühlen Maciel (Colégio Evangélico Alberto Torres) Sinara Emmel (Colégio Sinodal do Salvador) Tânia Cristine Lindemann (Centro de Ensino Médio Pastor Dohms) Coordenação Editorial Rosângela Markmann Messa – Coordenadora Pedagógica Ruben Werner Goldmeyer – Diretor Executivo Capa Por Colégio Evangélico Jaraguá Programação Visual Gilson Garibaldi Direitos de Publicação e Editoração Associação Sinodal de Editoração Caixa Postal 11 93001-970 – Amadeo Rossi, 467 – São Leopoldo / RS Tel.: (51) 3037 2366 www.editorasinodal.com.br Tiragem: 2.000 exemplares
N
Profª Rosângela Markmann Messa Coordenadora Pedagógica Rede Sinodal de Educação
revistalições
REVISTA DE ENSINO E PESQUISA Publicação Anual
os dias 19, 20 e 21 de julho de 2016, foi realizado o 31º Congresso da Rede Sinodal de Educação, no Colégio Evangélico Jaraguá, na cidade de Jaraguá do Sul/SC. O evento teve como temática central a seguinte: “Escola Luterana: Compromisso com a Educação!” Mais de 750 professores/as de instituições da Rede Sinodal de Educação estiveram reunidos/as para refletir, quase 500 anos depois da Reforma Luterana, sobre o papel que exercem e desempenham nos dias de hoje em escolas evangélico-luteranas de nosso país. O programa do evento foi elaborado a partir de uma palestra de abertura, intitulada “Escola Luterana: compromisso com a educação - Provocações Iniciais”, seguido de três blocos temáticos, a saber: a) “O Pensamento de Lutero”; b) “O Cenário Atual e o Luteranismo”; e c) Escola Luterana e os desafios pedagógicos”, respectivamente. Em cada um dos blocos houve a contribuição de dois palestrantes convidados, que trouxeram diferentes perspectivas em relação ao tema do eixo. Ao término das duas exposições, um moderador convidado fez a sistematização das principais contribuições trazidas e procurou identificar desafios e questões tendo em vista o cenário concreto das instituições da Rede Sinodal de Educação. Na última manhã, a pretexto de “Provocações Finais”, três convidados/as que acompanharam todas as atividades foram desafiados/as a trazer questões que pudessem dar continuidade à reflexão e ao debate crítico acerca das questões discutidas no Congresso. No fechamento do evento, houve um culto com a presença do Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, em que foi enfatizada a importância das instituições da Rede Sinodal de Educação na educação de crianças e jovens, baseada nos ensinamentos cristãos. Na Revista Lições 2016, queremos resgatar um pouco do que aconteceu e foi discutido no Congresso. Esperamos que o material publicado aqui possa auxiliar nas reflexões que serão realizadas nas instituições da Rede Sinodal de Educação dos mais diversos modos.
3
Sumário
5
6
REFLEXÃO
35
30
FOTOS DAS DELEGAÇÕES
38
COMPARTILHAMENTOS
40
24
PALESTRAS
LANÇAMENTO DE LIVRO
36
ESCOLA LUTERANA
ENCORE - ENCORSE
DEPOIMENTOS
42
46
CONCURSO DE REDAÇÃO
95 TESES
revistalições
55
4
ASSISTI E RECOMENDO
53
LI E RECOMENDO
56
CULTO DE ENCERRAMENTO
Reflexão
Pela graça de Deus, livres para educar e libertar! “Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele” (Provérbio 22.6)
A
necessário avaliar, refletir e perceber qual foi o papel da educação para chegar a isso e quais são os caminhos que a educação propõe para contrapor e superar este tempo. É necessário que se reflita de maneira muito responsável e que se tenha em mente que, através da educação, é possível desobstruir o pensamento, os caminhos, os acessos ao saber, resultando assim em crescimento pessoal, familiar e social. No âmbito da Igreja Cristã isso já foi experimentado com a Reforma do século XVI. A tradução da Escritura Sagrada; a alfabetização e instrução das pessoas para que pudessem acessar os conteúdos da fé; são alguns exemplos dos frutos da Reforma. Esse compromisso com a educação a Igreja Luterana herdou e tem repassado e propagado via suas escolas confessionais. E isso é parte da identidade luterana.
Neste ano a IECLB tem como tema: “Pela graça de Deus, livres para cuidar.” Penso que, como escolas da Rede Sinodal de Educação, é possível reafirmar o compromisso de ser: “Pela graça de Deus, livres para educar e libertar.” Sim, pois com a educação vem o saber, abrem-se os olhos, amplia-se o discernimento, cria-se autonomia, fortalece-se o protagonismo. Uma pessoa com esta marca, experimenta liberdade e os desdobramentos desta. Como famílias, instituições de ensino, instituições religiosas temos a responsabilidade de educar para que as pessoas, desde pequeninas, busquem o bem e não o mal, vivam plenamente: em paz, harmonia, cuidado e amor. Graça e Paz! P. Marcos Aurélio de Oliveira Pastor Vice Sinodal – Sínodo Norte Catarinense
revistalições
educação, desde sempre, é considerada imprescindível na vivência diária. Uns dos primeiros elogios que uma pessoa recebe é a conhecida frase: “Como você é educada, como você é educado, parabéns!”. Ouvir isso influencia fortemente uma pessoa. Qualquer pai ou mãe se envaidece e se enche de orgulho, quando escuta isso a respeito de sua filha ou filho. Que coisa boa ouvir isso sobre si. Que incentivador ouvir isso a respeito de alguém que se tem a responsabilidade de educar no caminho que deve seguir. Tal frase é resposta afirmativa de que se está realizando com êxito a tarefa assumida. De certa forma, isso vale também para as instituições de ensino, pois assumem semelhante tarefa. A educação é algo tão importante que precisa ser partilhada, assumida por várias mãos, ser realizada em parceria, somando dons, talentos, tempo, recursos. Jamais de forma isolada ou mercantilizada. Vivemos em um tempo marcado pelo individualismo, que valoriza a eficiência pessoal, que exige dedicação de boa parte de nossa atenção, trazendo como consequências: a sensação de vazio, a falta da experiência do convívio, o isolamento, a virtualidade das relações. Diante deste quadro, faz-se
5
Compartilhamentos
A
A CONSTRUÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO NO COLÉGIO SINODAL DA PAZ
revistalições
construção do trabalho científico no Colégio Sinodal da Paz iniciou com as tradicionais Feiras de Ciências, envolvendo alunos e professores desta área, até o hoje denominado Ensino Fundamental II. Em 1998, com a implantação do Ensino Médio, houve a necessidade de iniciar um trabalho mais sistemático, a partir de projetos desenvolvidos em todas as disciplinas. Assim, em 1999, houve a inserção da Literatura nesta Feira e, consequentemente, as outras disciplinas foram inserindo-se neste espaço investigativo. Concomitantemente, a partir disso, o Ensino Médio incluiu no seu currículo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), de caráter individual. Atualmente, temos dois momentos de exposição de trabalhos de caráter investigativo, no final do mês de agosto: um da Educação Infantil até o Ensino Fundamental II (Mostra de Projetos), e outro do Ensino Médio (FEICIPAZ), que segue a regulamentação das Feiras Científicas nacionais e internacionais. Acreditamos que, sempre que o aluno é desafiado, o envolvimento é diferenciado, e a melhor maneira de instigá-lo é na produção de textos e artigos científicos, nos quais tem a possibilidade de demonstrar seu conhecimento e sua criatividade aliados às pesquisas em textos de outros autores. Com o avanço tecnológico, tornou-se fácil ter acesso às mídias, e isso tem permitido que as pessoas as utilizem de diversas maneiras, mas nem sempre da forma correta.
6
No desenvolvimento de Projetos de Iniciação Científica, os alunos precisam selecionar e coletar dados relevantes a fim de fundamentar sua pesquisa na busca do conhecimento, aprimorando sua aprendizagem, porém é preciso ressaltar a importância do respeito aos trabalhos utilizados, reconhecendo e valorizando os mesmos. Durante a elaboração das pesquisas científicas, devemos enfatizar que os direitos
de produção devem aparecer em seus trabalhos na forma de citações direta e/ou indiretas. Dentro deste contexto, os alunos do Ensino Médio são orientados e preparados para desenvolverem os Projetos que são apresentados na FEICIPAZ, Feira de Iniciação Científica do Colégio Sinodal da Paz. E para que isto ocorra de forma mais completa, é importante adquirir conheci-
mentos científicos e tecnológicos; assim, é oportunizado aos mesmos o uso do Laboratório de Informática para o acesso à Plataforma APICE - Aprendizagem Interativa em Ciências e Engenharia, para que participem do curso de Metodologia Científica, com carga horária de 30 horas. Ao desenvolvermos as habilidades e competências, a autonomia na busca do conhecimento, por meio da pesquisa científica, acontece naturalmente, propiciando ao aluno a construção destes saberes e procurando solucionar problemas políticos, sociais, econômicos e ambientais. Segundo Carvalho (2004), um ensino que vise à aculturação científica deve ser tal que leve os estudantes a construir o seu conteúdo conceitual, participando do processo de construção e dando oportunidade de aprenderem a argumentar e exercitar a razão, em vez de fornecer-lhes respostas definitivas ou impor-lhes seus próprios pontos de vista, transmitindo uma visão fechada das ciências. Referências: ZANCHET, B. M. B. A. O exame nacional do ensino médio (ENEM): o que revelaram professores do ensino médio acerca dessa avaliação. Contrapontos. v. 7, n. 1, p. 55-69, 2007. CARVALHO, A.M.P (org.). Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. Profas Carmen Maria da Silva Pereira Fonseca e Silvana Pereira Noll Colégio Sinodal da Paz
Compartilhamentos “AWOP-BOP-A-LOO-WOP-ALOP-BAMBOOM”: Encontros entre História e Rock’n Roll no Ensino Médio
Prof. Waldy Luiz Lau Filho Colégio Mauá
revistalições
N
o contexto atual, cada vez é maior o número de jovens que se percebem sem condições de atribuir sentido a tudo aquilo que a escola lhes oportuniza. Por outro lado, quando o processo educativo oportuniza ambientes pedagógicos cooperativos e solidários, abertos à conversação e à convivência, abre-se um amplo horizonte para que os estudantes possam assumir a autoria de sua trajetória e, ao mesmo tempo, atribuir sentido às suas ações e ao processo de aprender. Com o objetivo de contemplar esta perspectiva, o Colégio Mauá organiza, há nove edições, a vivência denominada “Aulão de História – Dia Mundial do Rock”, um ambiente de aprendizagem elaborado, desenvolvido e apresentado por professores de diferentes áreas do conhecimento e alunos das três séries do Ensino Médio. Anualmente, todos os participantes são desafiados a elaborar conjuntamente uma aula de História, a qual é apresentada para o público da escola num primeiro momento e, na sequência, em um evento aberto a toda a comunidade de Santa Cruz do Sul, no teatro do Colégio Mauá. Ao longo dos primeiros oito anos, vários temas foram abordados, como “A Juventude faz História”, “O Rock contra a guerra” e “Rock e Ativismo”. No ano de 2016, o Aulão de História trouxe o tema do amor, a partir da provocação “Os Brutos também Amam”. Entendo que esta proposta seja instigante, uma vez que, a partir do tema central, aproximadamente 70 pessoas buscam trazer sua colaboração para abordar e apresentar a temática proposta, através de múltiplas linguagens, como música, teatro, poesia,
fotografia, televisão, cinema, dança, e o que mais for possível realizar, o que também confere um caráter de inovação e experimentação constante a esta proposta educativa. Como educador, meu papel consiste, basicamente, em conduzir este grande grupo constituído por pessoas interessadas em fazer parte desse ambiente pedagógico, sem tirar a sua autonomia e capacidade de criação. Cumpre ressaltar que essa atividade pedagógica é realizada em horário extraclasse, e que não se transforma em nota ou conceito ao final do processo. O meu desafio particular, a cada edição do evento, é não cair numa simples repetição do que já se fez. Da mesma forma, contemplar a temática selecionada da maneira mais rica possível, surpreender o grande público que nos prestigia e homenagear artistas e músicos que fazem parte da própria história de Santa Cruz do Sul. Sobretudo levar alunos da escola e colegas professores a se interessarem pela discussão do tema trabalhado, buscar mais leituras, provocar diálogos a respeito e desencadear maior interesse pelo estudo da História. O grande diferencial deste projeto está na sua produção coletiva. Parte significativa de seu sucesso, que se renova a cada ano, está neste detalhe: muitas mãos envolvidas, mas somente um coração a pulsar. A História saboreada no presente e vivida em ato, ao som do bom e velho Rock n’ Roll.
7
Compartilhamentos Avaliação da Educação Infantil influenciando nas ofertas educativas
revistalições
O
8
presente trabalho originou-se a partir dos estudos da coordenadora pedagógica Rosemeri Henn em seu projeto de doutorado na Universidade de Aveiro, Portugal, na área de Educação em Supervisão e Avaliação. O locus da coleta de dados é junto às professoras da Educação Infantil do Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann e prevê contributos da avaliação sustentada pelo Sistema de Acompanhamento das Crianças – SAC no processo educativo e na melhoria das práticas pedagógicas baseadas na perspectiva e necessidades das crianças. Esse estudo está em desenvolvimento há um ano e meio. Perante a necessidade de estratégias avaliativas para auxiliar o professor a não fazer um “checklist” (PORTUGAL & LAEVERS, 2010) e sim pensar em estratégias que auxiliam no constante desafio que abarca a avaliação, recorreu-se ao SAC construído para apoiar o educador na prática pedagógica e que facilita a relação entre as práticas de observação, avaliação e a edificação curricular, procurando assegurar uma avaliação autêntica, dinâmica e “útil” (PORTUGAL, 2013, p. 236). O SAC é uma proposta de Avaliação do Desenvolvimento da Criança – guiado pelo referencial teórico da educação experiencial e os princípios socioconstrutivistas (PORTUGAL & LAEVERS, 2010; LAEVERS, 2005). A avaliação no SAC deve ser processual, em que o professor procura assegurar níveis mais elevados de implicação e bem-estar emocional e deve tornar possível o desenvolvimento de práticas orientadas não apenas para resultados, mas também para guiar as intervenções educativas de acordo com as necessidades das crianças, dar atenção diferenciada para as que necessitam de um atendimento extra e intervir na melhoria do contexto educativo. O SAC é composto por um ciclo de observação, avaliação, reflexão e ação. Em cada ciclo ocorrem três fases, as quais se interligam, e resultam em um novo ciclo. Este é organizado em um conjunto de “fichas gerais e específicas, relacionadas com o contexto, o grupo e as crianças individualmente” (CARVALHO, 2012, p. 16).
Indubitavelmente, o SAC, para esse grupo das professoras do Colégio Frederico Jorge Logemann, está sendo uma grande alternativa para a questão da avaliação na Educação Infantil, constituíndo, assim, novas possibilidades de
avaliação, em que cada professora é desafiada a fazê-la em relação a cada aluno e turma, em que se respeita a individualidade e a interação e se delinea um trajeto de iniciativas que levam à resolução dos problemas. Assim, as professoras estão tendo subsídios para melhorar a qualidade das suas ofertas educativas, inovando-as (aprimorando o espaço educativo – criando diferentes áreas – introduzindo materiais e atividades não convencionais) mediante a prática pedagógica e a aprendizagem da criança e enfatizando, assim, o desenvolvimento curricular contextualizado e significativo, bem como a autoavaliação em relação ao processo e ao contexto educativo.
Referências: CARVALHO, C. M. “CRECHEndo” com qualidade – construção de um instrumento de avaliação das práticas educativas em creche (Dissertação de Mestrado). Coimbra: Universidade
de Coimbra, Faculdade de Psicologia e de Ciências da educação. Retirado de http://hdl.handle.net/10316/23416 . 2012. LAEVERS, F. Deep-level-learning and the experiential approach in early chidhood and primary educacio. Experiential Education. Leuven: Katholieke Universiteit. 2005. p.1-11. PORTUGAL, G. & LAEVERS, F. Avaliação em educação pré-escolar – sistema de acompanhamento de crianças. Porto: Porto Editora. 2010. PORTUGAL, G. Avaliar o desenvolvimento e as aprendizagens das crianças – Desafios e possibilidades. In M. J. Cardona & C. M. Guimarães (org.). Avaliação na Educação de Infância. Viseu: Psicossoma. 2013. p.234-253. Profa Rosemeri Henn Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann – CFJL
Compartilhamentos Projeto “Ação e Reação” tem como finalidade trabalhar temas relacionados ao meio ambiente, à sustentabilidade e a questões sociais, contribuindo na formação integral do ser humano, exercitando o pertencimento e a criticidade. Cada vez mais, faz-se necessário que a escola, enquanto agente de transformação social, possibilite aos alunos ações em que eles sejam protagonistas na construção da aprendizagem. Por essa razão, este projeto contribui para uma reflexão da atualidade e dos possíveis problemas que cada grupo de alunos identifica no meio em que está inserido, buscando soluções criativas e viáveis para dar conta de tais demandas. Ele ocorre desde 2013, no Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke de Taquara-RS, com as turmas de 2º anos do Ensino Médio em três etapas, conforme segue: escolha do tema, campanha de ação e divulgação da reação. Esse projeto foi sendo aprimorado no decorrer desses anos. Inicialmente, era realizado durante um trimestre, mas, atualmente, ocorre durante o ano todo e os alunos devem apresentar um banner e escrever um artigo sobre o projeto desenvolvido.
No decorrer do projeto, conseguimos verificar o engajamento dos componentes e a preocupação dos mesmos com a realização e a obtenção de resultados. Para um melhor andamento das atividades, todos os trabalhos são acompanhados pelas professoras de Biologia, Geografia, Sociologia, Filosofia e Química, o que o caracteriza como um projeto de abrangência interdisciplinar. Os trabalhos finalizados são compartilhados com todos os envolvidos no projeto e apresentados no ano seguinte para os alunos que participarão do mesmo, como motivação ao trabalho. A proposta é sensibilizar os alunos com a divulgação dos projetos já desenvolvidos podendo dar continuidade aos trabalhos que demandam um tempo maior na realização da reação. Os resultados alcançados pelo projeto demonstram que o jovem pode ser protagonista de ações sociais capazes de impactar, positivamente, a comunidade na qual a escola está inserida. Dessa forma, é possível contribuir na formação de cidadãos mais éticos e conscientes de seus deveres na sociedade.
Desenvolver projetos sociais e ambientais é exercitar o pertencimento, possibilitando momentos de reflexão sobre as ações, além da busca por possíveis soluções. A proposta do projeto “Ação e Reação” vem ao encontro dessa ideia, possibilitando que o aluno investigue um problema que lhe preocupe no meio em que vive e, também, possa fazer as devidas intervenções sociais. Conseguimos concluir que o projeto “Ação e Reação” contribui na formação integral de nossos alunos e desperta nos jovens a preocupação com o próximo, tendo como foco questões sociais ou ambientais. No compartilhamento final do projeto, podemos verificar o encantamento com o resultado e a satisfação em ter desenvolvido um trabalho que contribua para as gerações presentes e futuras. Para nós, docentes, é uma honra poder acompanhar o crescimento e a maturidade dos alunos no andamento dos trabalhos. Como se isso não fosse o suficiente, o projeto nos permite verificar o crescimento dos estudantes no que diz respeito às apresentações orais e escritas, contribuindo na formação de jovens éticos e responsáveis pelo ambiente em que vivem. Profª Juliana Bergmann Kohn Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke
revistalições
O
Ação e Reação
9
Compartilhamentos Ensino Médio Integral Redimensionando os tempos para aprimorar os processos de ensino-aprendizagem.
A
revistalições
s instituições de ensino vivem, na contemporaneidade, inúmeros desafios à busca da excelência. Vivenciar o universo escolar coloca-nos em constante exigência e em um repensar das práticas e concepções. A velocidade com que fatos e fenômenos em diferentes áreas ocorrem e geram outros, sucessivamente, colocam em xeque algumas certezas que outrora balizavam o cotidiano escolar. Em interface a isso, insurgem gerações que vivem a efemeridade do tempo e das descobertas. Como lidar com tudo isso e ainda galgar a excelência da formação básica de jovens especialistas em tecnologias, mas ainda incipientes na maturação intelectual, em cujas rotinas são devorados pelos apelos mediáticos e seus desdobramentos? Impelido pelo desejo de manter a excelência na formação de estudantes adolescentes, mas consciente de que é preciso enfrentar desafios novos, em 2015, o Colégio Evangélico Augusto Pestana (CEAP) de Ijuí/RS implantou o Ensino Médio Integral. O projeto busca atender às demandas indicadas pelas inúmeras análises e reflexões, desencadeadas em diferentes espaços, cuja preocupação voltava-se à falta de motivação dos adolescentes aos estudos e aos compromissos escolares, acrescida da dificuldade dos pais, em razão da dinâmica familiar, de acompanharem e assessorarem os filhos, estes cada vez mais conectados às redes sociais e com amplo desregramento do tempo de descanso (sono); cuja situação interferia diretamente na qualidade dos estudos. Além disso, os estudantes do CEAP, concluintes do novo Ensino Fundamental, em 2014, foram os precursores de uma nova proposta que necessitava de continuidade. Ainda, concorreu para essa decisão, a crença nos estudos da neurociência que apontam sobre as dificuldades de concentração dos jovens por longo tempo e a necessidade de intensificar estímulos visuais e auditivos às aulas como facilitadores às aprendizagens. Assim, iniciamos a implantação do projeto de Ensino Médio Integral pela 1ª série do Ensino Médio, num processo gradativo às outras séries desse nível de ensino, nos anos subsequentes. A proposta consiste em 40 horas semanais, com aulas de 50 minutos, em horário diferenciado, conforme segue: de segunda a sexta-feira, das 8h20min às 11h55min; à tarde; das 14h20min às 17h55min. Ampliou-se a carga horária em Filosofia, Artes, Literatura, História e Geografia, além da inserção dos componentes Metodologia da Pesquisa, na 1ª série; Projeto de Pesquisa, na 2ª
10
série e Conversação em Língua Inglesa, nas três séries. Extinguiu-se a obrigatoriedade do tema e/ou tarefa extraclasse. O principal desafio desse projeto consiste em contribuir para que o estudante desenvolva a efetiva autonomia intelectual pela percepção de que a inexistência da obrigatoriedade do tema e/ou tarefa extraclasse não extingue o compromisso pessoal e intransferível do aproveitamento do tempo em sala de aula e do estudo extraclasse, demanda que o coloca em constante busca de aprimoramento. E essa construção deve ocorrer ao longo do Ensino Médio. Assim, a ampliação dos tempos de estudos no universo escolar, gerenciada pelos professores, permite o acompanhamento e a orientação in loco das possibilidades de aprendizagem e das ingerências em relação às não aprendizagens. A inserção do componente curricular Conversação em Língua Inglesa imprime ao estudo dessa língua maior dinamismo e aperfeiçoamento. Nessa mesma direção, destaca-se a inserção dos componentes Metodologia da Pesquisa e Projeto de Pesquisa , nas 1ª e 2ª séries, respectivamente, os quais se complementam em relação à preparação para a elaboração e execução de projetos de pesquisa, construto indispensável à formação acadêmica. Os encontros semanais, no Projeto de Pesquisa, têm se constituído por momentos de efetivo exercício de corresponsabilidade. Condição iniciada no componente curricular Metodologia da Pesquisa, na 1ª série, momento em que são apresentadas aos estudantes a complexidade da produção do conhecimento e a resolução de problemas. Prioriza-se a vivência da pesquisa desde a
Compartilhamentos
inquietação temática até o contato com diferentes fontes de estudo. Ambos devem contribuir para o desenvolvimento da autoria e da significativa apropriação de novos conhecimentos, cuja culminância se dá no Ceap em Ação e na Mostra Científica, momentos de apresentação à comunidade dos resultados das pesquisas. O Ensino Médio Integral inicialmente gerou algumas certezas e muitas dúvidas, mas indiscutivelmente levou à convicção de que a mudança se fazia necessária. 2015 foi o ano de muita insegurança, erros e acertos; 2016 veio para validar propósitos
Profa Sandra Regina Rychescki Colégio Evangélico Augusto Pestana - CEAP
O Sentido da Vida: contado pelas crianças
aquele instante escutávamos os olhares e víamos os ruídos curiosos, como se tudo, de repente, simplesmente parasse para que contássemos uma bela história – e aquela não era uma história qualquer, mas a nossa história. Não demorou muito para que o burburinho escorresse pelas imensas paredes do Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre. Aliás, não era para menos, as pessoas estavam simplesmente perplexas, não entendiam a sorte que tinham em estar diante de uma das mais incríveis bonecas viajantes. Claro, não são todas as bonecas que possuem um espírito livre e uma pré-disposição a dar a volta ao mundo em busca de respostas, ou melhor, em busca de novas perguntas. Mas, Beleleia, a nossa boneca, era diferente. Ela não morava na terra das certezas, há muito tempo havia fugido para um lugar onde moravam as pessoas que amavam as perguntas e, diga-se de passagem, essas eram pessoas bem pequenininhas (um bando de crianças de quatro anos da Educação Infantil do Colégio Sinodal do Salvador, de Porto Alegre – dezoito crianças e duas professoras).
Beleleia fora feita por muitas crianças, costurada de pano, preenchida de nuvens (manta acrílica), mas a sua vida se dava ao fato de termos misturado alguns ingredientes fundamentais: imaginação, sonhos, devaneios e autoria. Não podemos esquecer que, sem pó de pirilimpimpim (purpurina), nada teria se tornado tão real. E, mesmo tendo presenciado seu nascimento, no fundo sabíamos: ela existira desde sempre. E isso se dava justamente ao fato de que recebera, em sua essência, um pouco de cada um de nós. Uma única história rabiscada por muitas vozes. Beleleia visitou as casas das famílias e, com elas, foi ao shopping, comeu churrasco, participou da festa do pijama, passeou de carro, viajou... As famílias, juntamente com as crianças, tiveram o cuidado de constituir uma narrativa, no Diário de Bordo da personagem, em um exercício constante de não apenas narrar uma história, mas de narrar-se a si mesmo neste processo autoral.
Constantemente costurávamos em sua essência o que tínhamos de mais precioso: a poética, a música, os sonhos... Mas, também respingávamos nela algumas de nossas fraquezas, anseios, angústias e também os medos. E foi justamente em meio a tantas essências que os devaneios
revistalições
N
que não se encerram em cada ano. Percebem-se, nos alunos, maior maturidade, motivação e envolvimento e aprofundamento nos estudos dos sujeitos aprendizes. São jovens que se constituem cada vez mais inquiridores diante de fatos e fenômenos de análise; autônomos em relação à busca de complementação de estudo para além da sala de aula, exigentes e seletivos. Dentre as mudanças ofertadas pelo ensino integral, destaca-se o horário diferenciado do turno da manhã, cuja aceitação foi unânime. De fato nosso jovem produz melhor. Agregado a isso, temos o relato de pais satisfeitos com a rotina de estudo, horário regrado para o sono, abandono relativo do aparelho celular e do computador, qualificando o acompanhamento em sala de aula. Além disso, as interações nas diferentes situações de estudo vêm qualificando gradativamente as aprendizagens. Muito se discute de que diante das novas formas de organização familiar e os avanços tecnológicos e científicos, as instituições de ensino precisam se reinventar diante de estudantes extremamente articulados em relação às tecnologias, mas igualmente frágeis e despreparados a enfrentar as exigências do mundo contemporâneo. Assim, é mister olhar para as possibilidades e ratificar aquilo que nos move e nos mantém como instituição de ensino, sem medo de inovar. Pequenas mudanças podem significar enormes resultados. E é nisso em que acreditamos.
11
Compartilhamentos de Beleleia passaram a ser em busca do sentido da vida! Com algumas bagagens e muita coragem a boneca viajante partiu rumo a sua jornada ao redor do mundo. Porém, para viajar de avião, Beleleia precisou visitar a Polícia Civil, a Polícia Federal, a INFRAERO (afinal, monstros não podem viajar de avião pelo mundo sem uma autorização prévia) e, à cada instância, foi contando suas histórias e recebendo em si novas histórias. Beleleia enviou para os
revistalições
O
12
pequenos uma série de cartas, fotografias e correspondências, contando sobre os lugares por onde passou, as pessoas que conheceu, os vínculos que criou e os sentidos que rabiscou em sua própria história. E, quando chegamos perto de nos despedirmos, ao término do ano letivo, voltamos ao aeroporto para esperar Beleleia chegar de viagem... O coração pulsava forte e, enquanto o comissário de uma conhecida empresa aérea caminhava len-
tamente atravessando o portão de desembarque tendo em mãos a boneca viajante, nos demos conta de que o sentido da vida era simplesmente contar uma história. Não uma história qualquer, mas a nossa história. A história da nossa vida, que não é só nossa, mas sim uma história de muitos. Profª Nicole Cerbaro Colégio Sinodal do Salvador
Herbário Vivo: Vivenciar para preservar
Programa Herbário Vivo, desenvolvido pelo Instituto de Educação Ivoti, busca promover a conscientização das crianças e de suas famílias para que assumam uma postura responsável na relação com o meio ambiente, pois compreendemos que, desde a mais tenra idade, é necessário conscientizar as crianças de cuidarem do ambiente e dos outros para que, a vida, como a conhecemos, possa ser preservada. Nossa proposta valoriza os saberes tradicionais e a preservação ambiental, pois entendemos que o processo de conscientização ambiental se amplia à medida que a criança experiencia momentos significativos de interação e de comprometimento com o meio que a cerca. As aulas de Programa Herbário Vivo têm por base o princípio da ecologia planetária e fazem parte do currículo escolar. Participam do programa crianças do Berçário até o 5° ano do Ensino Fundamental com aulas semanais. A abordagem dos conteúdos é realizada na perspectiva teórico-prática e organizada de forma participativa. No ano de 2006, quando iniciamos a construção e implantação do Programa Herbário Vivo, já havia na escola atividades envolvendo o assunto das plantas medicinais. No primeiro ano de execução do programa, a ênfase foi, além do estudo e do cultivo, o resgate do saber comunitário sobre plantas medicinais numa perspectiva ecologicamente sustentável. Em 2007, além do estudo das plantas medicinais, as turmas estudaram sobre as abelhas com ferrão. A observação do movimento das abelhas Apis mellifera provocou
o desejo de tocá-las e ao observarem as flores, foram descobrindo e se encantando com as abelhas sem ferrão e outros insetos. Naquele ano, as crianças da Educação Infantil se envolveram e encantaram a comunidade com a organização do 1º Seminário estudantil sobre as Abelhas Apis mellifera. Em 2008, a ênfase do Programa foi o estudo das abelhas sem ferrão (meliponídeos). Através desse estudo, as crianças foram, aos poucos, descobrindo as diferentes espécies e sua importância no ecossistema. No mesmo ano iniciamos o processo de Mapeamento e repovoamento do espaço escolar com abelhas sem ferrão. Em 2009, além do estudo das plantas e das abelhas, foi criado o banco de sementes. As crianças aprenderam a identificar e armazenar sementes, com o intuito de preservação da biodiversidade; sensibilizando-se também para a valorização das sementes crioulas como parte da Campanha Mundial de Soberania dos Povos. No ano de 2010, o foco referencial foi o estudo e o preparo de pratos com flores comestíveis, a organização de mini-hortas e o estudo de árvores nativas que fazem parte Mata Atlântica.
Nos anos seguintes, novas abordagens foram acrescentadas ao Programa. No desenvolvimento histórico do Programa Herbário Vivo, pode-se perceber a abrangência que foi alcançada ao longo dos dez anos de atividades. Acreditamos que a criança que tem contato com a natureza aprenderá a amá-la e a respeitá-la, pois se sentindo parte dela aplicará, em seu dia a dia, o conceito de sustentabilidade. É importante compreender que a sustentabilidade, muito mais que em ações isoladas, precisa ser vivenciada sempre e deve ter como objetivo o bem-estar e a qualidade de vida de todos. Profas Camila Costa, Charline Becker, Débora Regina Nunes, Soeli Presser e Vera Kern Hoffmann Instituto de Educação Ivoti
Compartilhamentos O programa Barão Ambiental
Prof. José Constantino Sommer Escola Barão do Rio Branco
revistalições
A
Escola Barão do Rio Branco, em Blumenau, integrante da Rede Sinodal de Educação, possui um amplo programa denominado de Barão Ambiental, criado em 2014, e em que atividades de educação e gestão ambiental são desenvolvidas com o intuito de promover, manter e incentivar ações que interfiram na comunidade escolar. O programa centraliza as ações na escola e em suas três unidades de educação infantil. Para coordená-lo, foi criado o Comitê Ambiental, que atua de forma colegiada e democrática e com representação dos setores da escola, para que as múltiplas percepções e informações sejam contempladas. A iniciativa que originou o programa é a mini empresa Ecológica, que incentiva o espírito empreendedor e o desenvolvimento pessoal nos alunos do Ensino Médio, através do conceito de sustentabilidade e sob a orientação de professor responsável. Suas atividades principais são: o recolhimento de óleo de cozinha, a separação dos resíduos nas salas de aula e na escola, a organização do Festival Ecológico da Canção (Feeco) e a fabricação e comercialização de produtos de higiene e de limpeza. A mini empresa e o Barão Ambiental também fazem o acompanhamento do controle de gastos com a energia elétrica, com a água e a geração de resíduos da escola, além de proporcionar um suporte teórico-prático de educação ambiental para os funcionários. Desde que foi criado, o programa Barão Ambiental alcançou resultados muito interessantes, destacando-se entre eles atividades práticas de educação ambiental em todos os níveis, da educação infantil ao ensino médio, como conversas temáticas, palestras, montagem de murais, produção de brinquedos com materiais recicláveis, produção de hortas e visitas científicas dirigidas. Neste período, quase 1.000 alunos visitaram o Parque Natural Municipal São Francisco de Assis, uma área protegida em que pesquisas e observações foram realizadas. Entre as ações mais destacadas ocorridas desde 2014 estão: o recolhimento e a destinação adequada de resíduos e de eletrônicos inservíveis (mais de 1.400 produtos em duas edi-
ções); as trocas de materiais, brinquedos, livros e uniformes entre alunos; os informativos semanais para todos os funcionários, com pequenos artigos sobre assuntos ambientais e que será transformado em livreto ainda neste ano; a participação nas duas edições do Encontro Blumenauense de Educação Ambiental; o programa Sala Mais Comprometida, em que alunos colaboram em manter suas salas organizadas e na economia de energia e materiais, com destaques a cada dois meses; as formações específicas para educadores; as trocas de lâmpadas por LED; a campanha Apague o Desperdício para diminuição do consumo de energia em toda a escola; a participação no Concurso Internacional Cidades à Beira de Rios, da instituição alemã Pasch, com 10 trabalhos premiados e; a parceria com o programa Galo Verde de gestão ambiental da IECLB. Também neste ano ocorreu a primeira edição do Junho Sustentável que contou com um grande número de ações na escola e unidades, como palestras, exposições, Feirinha de Trocas, recolhimento de resíduos especiais, construção de horta e maquetes, debates, produção de brinquedos, palestras, Dia do Lanche sem Lixo, contação de estórias, teatro, culinária sustentável, entre outras iniciativas. Além disso, várias outras ações estão em curso ou projetadas, como a ampliação do Carbono Social, em que alunos “compram” árvores para serem plantadas em propriedades rurais e de indígenas; a produção de um guia e de uma cartilha ambiental; o passeio ciclístico anual, com centenas de participantes; a criação de um guia das árvores da escola para aulas práticas; a busca pela certificação dos programas; a criação de grupo de discussão permanente sobre temas ambientais; a elaboração de projetos de captação da água da chuva e de geração fotovoltaica; o recolhimento de água dos condicionadores de ar e; o programa de entrega voluntária de resíduos especiais. Com o programa, a Barão pretende se apresentar como uma escola de contexto ambiental, em que o tema ambiental permeie todas as suas ações.
13
Compartilhamentos Oficina de Produção Textual para as Séries Iniciais “Escrever é ler o mundo com a ponta do lápis.” (Geraldo Peçanha de Almeida)
A
s palavras de Peçanha nos remetem à importância de despertarmos em nossos alunos o gosto tanto pela leitura quanto pela escrita. Assim, com o objetivo de possibilitar ao aluno a ampliação de sua capacidade de escrita, leitura, interpretação e produção textual, o Colégio Evangélico Martin Luther implantou, em 2014, o Projeto de Produção Textual para os alunos do 5º ano. As aulas acontecem no contraturno escolar, com duração de 1h30min. A proposta não substitui o trabalho do professor regente, pois trata-se de uma “oficina”, contando com uma professora específica para realizar este trabalho e um espaço próprio, que oferta todas as condições para que consigam se concentrar e produzir o esperado. Por ser uma oficina com tema específico, o trabalho deve iniciar retomando aspectos básicos (jamais partir da ideia de que “isso eles já aprenderam no ano anterior”). Independentemente da atividade planejada, registra-se um tópico no caderno do aluno (exemplo: 11ª Oficina Textual...), o que auxilia no comprometimento e na organização do aluno e facilita
o acompanhamento da família. Para que ocorra aproveitamento total, as atividades propostas são fundamentadas, a fim de provocar no aluno a percepção da importância da temática e o compromisso de/com sua escrita, possibilitando questionamentos (toda dúvida é pertinente!). Neste processo de escrita e reescrita, lembramos que rascunhar é importante, pois valoriza o surgimento das ideias e seu posterior desenvolvimento. Certamente um dos passos definitivos no trabalho desenvolvido na Oficina de Produção Textual é a correção do professor – tudo deve ser corrigido. As observações devem ser claras para de fato sanar as dúvidas e facilitar a reescrita por parte do aluno, possibilitando a percepção do quanto é possível ampliar e melhorar a sua produção ao reescrever. O projeto ganha um sentido ainda maior quando a escola consegue conciliar e trabalhar a oralidade, desenvolvendo a oratória e a postura do aluno ao falar em
público. E, por fim, desde o lançamento da proposta, foi estabelecido com os pais um elo de informações claras e objetivas quanto à importância do projeto. Enquanto escola, percebemos a evolução dos nossos alunos em relação a suas produções textuais. Professores e pais avaliam de forma extremamente positiva os resultados obtidos com a aplicação deste projeto, o que nos motiva a seguir buscando novos diferenciais pedagógicos, compartilhando-os para que possamos sonhar e produzir coletivamente. Profª Liane Stamm Schwingel Colégio Evangélico Martin Luther
Programa de Aprendizagem, Avaliação e Recuperação
N
revistalições
o 31º Congresso de Educação da Rede Sinodal de Educação, o Instituto Educacional Luterano apresentou o seu Programa de Aprendizagem, Avaliação e Recuperação. A finalidade deste programa, que está sendo implantado no colégio, tem como objetivo melhorar a aprendizagem e diminuir os índices de reprovação dos alunos. Aprendizagem é o processo pelo qual as competências, habilidades, os conhecimentos, o comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação. Este processo pode ser 14 analisado a partir de diferentes perspecti-
vas, de forma que há diferentes teorias de aprendizagem. Aprendizagem é uma das funções mentais mais importantes em humanos e animais e também pode ser aplicada a sistemas artificiais. Aprendizagem humana está relacionada à educação e ao
desenvolvimento pessoal. Ela deve ser devidamente orientada e é favorecida quando o indivíduo está motivado. O estudo da aprendizagem utiliza os conhecimentos e as teorias da neuropsicologia, psicologia, educação e pedagogia. O PAAR, como é chamado, foi elaborado com o grupo de professores em reuniões pedagógicas. Este documento foi elaborado em estrutura de tópicos com os professores seguindo as diversas solicitações do grupo, bem como, estruturação do sistema de recuperação, aprendizagem, registro das notas, conteúdo, registro das ocorrências. O PAAR baseia-se no princípio de que quanto
Compartilhamentos menos “burocracia” para o dia-dia do professor melhor e que o registro deve ser eficiente e prático. Com a implantação do PAAR o sistema de avaliação passa a ser integralmente dentro dos quatro bimestres letivos e não mais em um período letivo e não mais no final do ano letivo. Esta mudança propiciou uma melhora significativa no resultado dos alunos que possuem mais oportunidades para melhorar seu desempenho escolar. Todos os professores foram organizados de forma a entender os processos que queremos enquanto re-
sultados finais. Mas, afinal, o que mudamos? Bem, vamos lá. Reestruturamos o formato de recuperação visando à apren-
dizagem significativa do aluno. Os momentos de formação dos professores são realizados em dias integrais, com conteúdo contínuo de aprendizagem/avaliação. Também o formato de registro com as notas, em que os professores têm controle total sobre as provas e trabalhos solicitados aos alunos. Além disso, os conselhos de classe passaram a ser um momento reflexivo sobre a situação das turmas e não um julgamento. Prof. Carlos Henrique Nascimento Instituto Educacional Luterano
O valor das aprendizagens espontâneas na Educação Infantil e no 1º Ano do Ensino Fundamental I Em 2015, a escola iniciou a implantação do Berçário e os periquitos foram importantíssimos para a adaptação dos pequeninos que iniciavam sua vida escolar. Nesse mesmo ano, a turma do 1º Ano, conhecida como turma do Chiquinho e da Chiquinha, começou seus estudos no 2º Ano. A turma do Jardim iniciou seus estudos no 1º Ano e, ao chegar nessa fase da vida escolar, um dos objetivos foi adotar os periquitos e assim aconteceu. Ao perceber que as pequeninas e frágeis aves poderiam ter um espaço maior e mais adequado para viver, a turma projetou a construção de um viveiro, que foi construído e inaugurado, tornando-se um lugar especial na pracinha, onde tudo começou. Profª Silvete Quadros Colégio Ipiranga
revistalições
N
a Educação Infantil e nos Anos Iniciais, pode-se perceber a relevância de aproveitar situações espontâneas, pois elas servem como momentos ricos de aprendizagens entre alunos e professores. Essas situações, quando bem aproveitadas, podem ter uma abrangência para além da sala de aula. A valorização de uma visita inesperada à pracinha da escola proporcionou muito conhecimento aos alunos envolvidos. Foi o caso do aparecimento de um periquito australiano, que foi batizado como Chiquinho e que se tornou mascote da escola e objeto de estudo para o 1º Ano do Ensino Fundamental. Ao conviver com os alunos em atividades da turma, estes perceberam a solidão de Chiquinho. Um pai de aluno, solidarizado com a história, trouxe uma companheira para ele, que foi batizada de Chiquinha. Os dois periquitos conviveram durante aquele ano (2014) com o 1º ano e, aos finais de semana, visitavam as casas dos alunos da turma. Cada qual se tornou responsável por eles e criou laços de afetividade e carinho com os bichinhos. Os periquitos conquistaram todos os que por eles passavam. Começaram a cantar, o que não faziam inicialmente, e se acostumaram com as crianças e as crianças com eles.
15
Compartilhamentos Por uma educação bilíngue de qualidade
D
evido ao grande aumento da oferta de escolas bilíngues, faz-se necessário entender o modo como essa modalidade de ensino se constitui no Brasil e inserir-se no ambiente acadêmico para que os Programas de Educação Bilíngue sejam implementados com responsabilidade. Sugere-se aos que começam a trilhar seus caminhos por essa área tão instigante que façam leituras de autores que problematizam essa modalidade de ensino em âmbito mundial, tais como Ofelia Garcia, Colin Baker, Ellen Bialystok e Fred Genesee. Esses autores apresentam diferentes perspectivas de bilinguismo, trabalhando o âmbito cognitivo e social de indivíduos bilíngues. No contexto brasileiro, falando especificamente de escolas bilíngues de prestígio português-inglês, também chamadas de escolas de imersão, o blog Educação Bilíngue no Brasil, e eventos de escolas bilíngues, como o BIC (Brazilian Immersion Conference), são essenciais para congregar as escolas e profissionais interessados em refletir sobre suas práticas.
revistalições
Projeto de Biletramento Dentro do modelo de educação bilíngue do Bom Jesus/IELUSC fez-se necessário investigar estratégias eficazes de alfabetização e letramento na língua inglesa. A coordenação organizou um grupo de estudos com as professoras alfabetizadoras do Year 1 (1ª série) e Year 2 (2ª série). Esse grupo estudou textos acadêmicos e o material Jolly Phonics. Também foram feitas visitas a escolas bilíngues de referência em São Paulo e foi planejada uma consultoria especializada. A base para que uma alfabetização eficaz em inglês aconteça está em nosso Kinder, onde trabalhamos a oralidade e os sons da língua através de músicas, jogos, rimas, histórias e atividades artísticas. No Year 1 trabalhamos os 42 sons da língua inglesa através de contação de histórias, músicas, fichas com letras, figuras e palavras para que nossos alunos aprendam a “sound out words”, ou seja, decodificar palavras através da estratégia de “blending”, ou aglutinação dos sons de cada letra para formar palavras. Num segundo estágio, os alunos trabalham com atividades de codificação, ou seja, representar graficamente as palavras que conhecem, através da estratégia de “segmenting”, que é saber separar os sons das palavras que escutam e relacioná-los às letras correspondentes para escrevê-las.
16
No Year 2 há o desenvolvimento da fluência na leitura e escrita. A professora trabalha com ditados de palavras e frases, além da escrita espontânea de frases inspiradas em histórias e desenhos. O objetivo é desenvolver a fluência e a autoconfiança do aluno como leitor e escritor. É importante lembrar que, desde o Kinder, os alunos estão convivendo com o gênero literário e a palavra escrita, o que é essencial para que se aprenda a função social da escrita. Durante esse período, eles praticam a decodificação de palavras com o suporte da professora e de forma livre, estimulando sua curiosidade e a formação de hipóteses sobre a língua. Profas Angela Cristina Cardoso e Sandra Regina Kohntopp Bom Jesus/IELUSC
Compartilhamentos Pastoral no Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
Objetivos O objetivo é criar, aos alunos e às alunas, a possibilidade de conhecer e reconhecer necessidades alheias, convivendo e compartilhando a vida, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de um projeto de vida, baseado e fundamentado no Evangelho de Jesus Cristo. Com isso, pretende-se contribuir de forma significativa com o desenvolvimento integral de toda comunidade escolar, promovendo cidadania, solidariedade, respeito mútuo, justiça e diálogo. Os projetos desenvolvidos constituem-se em ações pedagógicas voltadas para a formação de cidadãos ou, na linguagem escolar, para a formação de jovens conscientes, solidários e críticos, bem como o fortalecimento de uma educação inclusiva. Desenvolvimento Com crianças e adolescentes Os projetos do Ensino Médio desenvolvem-se durante a semana no extra turno.
A Pastoral oferece uma lista de inscrição, exposta na Equipe Pedagógica e o aluno escolhe de qual projeto quer participar (segundas, quartas e sextas-feiras). Dezoito alunos compõem cada projeto com duração total de 15 horas. Um dos projetos, chamado de “Caminhada Ecológica”, tinha como desafio escalar dois morros perto do Rio Guaíba e como objetivo interagir com a natureza e proporcionar um momento de compartilhamento no cuidado da vida um do outro. A Instituição acolhedora chama-se Amparo Santa Cruz, localizada na Zona Sul de Porto Alegre, que atende crianças, adolescentes e também idosos em casas separadas.
Construção da praça As idosas experimentam, junto aos alunos, em projetos posteriores, muitas alegrias expostas ao sol. São levadas, em cadeiras de roda, para passear, sentar nos bancos da praça, interagir e animadas para a vida. Atualmente, essa praça continua sendo cuidada, em parte, por alunos e voluntários ligados ao Dohms.
Com a Terceira Idade Um 2º exemplo, voltado para a melhoria de vida de pessoas da terceira idade, os alunos desenvolvem um projeto de construção de uma praça. Durante as visitas ao Lar, chamado Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Cachoeirinha, os alunos observaram que as idosas só faziam dois movimentos durante o dia: sair do quarto ao refeitório e voltar novamente. Elaboraram, então, um grande projeto, envolvendo pais e voluntários do Dohms, para construir uma praça no terreno ao lado do Lar.
revistalições
a) A ação comunitária Desde 1998, alunos do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio Pastor Dohms realizam visitas a Instituições carentes. Em vez de sentar em sala de aula para ouvir, os alunos tornam a aula de Ensino Religioso em uma ação concreta da Palavra de Deus. Alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, além da aula semanal, realizam uma visita trimestral que fundamenta, na prática, o Ensino Religioso na sala.
17
Compartilhamentos
b) A Semana Luterana A discussão sobre a introdução da Semana Luterana iniciou em 2008. Qual a percepção dos princípios luteranos na escola? A conclusão foi que a comunidade escolar fala pouco e tem pouco conhecimento dos princípios que norteiam e fundamentam o Projeto Pedagógico do Dohms. A 1ª Semana Luterana tinha um objetivo claro: ela deve falar da nossa identidade e deve ter um tema acolhedor que contemple a integração entre escola e comunidade. A frase escolhida para o cartaz é um dito de Lutero: “A ninguém se pode e nem se deve obrigar à fé”.
A cada ano é escolhido um tema diferente com uma frase adaptada de Lutero como motivação de estudo e releitura de simbologias luteranas, como as que seguem: 2009: Doar é um ato de liberdade, de amor, espontâneo. 2010: Vivemos rodeados da bênção de Deus. Reconhecemos isso? 2011: Se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, hoje plantaria uma macieira. 2012: Você é livre sobre todas as coisas. Mas também servidor e sujeito a todos. 2013: É sinal de humildade revelar os dons que Deus nos concedeu. 2014: Felizes os que trabalham pela paz. 2015: Ensinamos melhor aquilo que precisamos aprender. 2016: As boas obras não tornam boas as pessoas, mas as pessoas boas praticam boas obras. Em 2015, como exemplo, o tema interpretou a comunicação através dos cinco sentidos huma-
nos, usando o tema da IECLB, Chamad@s para comunicar. O corpo humano é dotado de cinco capacidades que lhe possibilita interagir com o mundo exterior que são as pessoas, os objetos, os fenômenos climáticos, os cheiros, os sabores, etc. Através da visão, da audição, do tato, do paladar e do olfato são enviadas ao cérebro as sensações que efetuam a interpretação. P. Bertilo Schneider Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
Momento de Leitura na Escola
revistalições
Parte 1 São oito horas da manhã, quando toca o sinal. Deveria ser mais um dia comum na sala de aula: os alunos fecham os cadernos, guardando-os nas mochilas, trocam de sala; nos corredores, passos e conversas; nada anormal no coração pulsante da vida escolar. Mas, ao contrário dos outros dias, nesse, o sinal abriu um espaço de silêncio absoluto. Os desavisados perguntam: Neste prédio tem aula? Tem sim, alguém responde. Se pudessem, abririam as portas das salas e se deparariam com o motivo de tanta calma: os livros. Os alunos, os professores, a equipe pedagógica,...todos estão lendo. E lerão pelos próximos 15 minutos, antes de a aula recomeçar e o coração da vida escolar retomar o ritmo pulsante. O projeto Momento de Leitura na Es18 cola surge a partir de uma necessidade
simples: ler e compreender. Não é preciso pesquisar muito, para saber que o Brasil é um dos países cujos nativos estão entre os que menos reservam algum tempo do seu dia para a leitura. Em uma sociedade consumida pela excessiva quantidade de informação, emitida diariamente por tantos meios e com uma velocidade avassaladora, sábio é aquele que tem tempo para debruçar-se sobre a leitura e entender o que está lendo. E a preocupação com o hábito da leitura precisa começar cedo, se não na família, então na escola. A escola prepara e forma cidadãos para vida; para que sejam pessoas melhores, protagonistas de um futuro e de um mundo melhor. É preciso ler para conhecer, para argumentar, para construir. E, para ler, é preciso o hábito. É preciso compreender para avaliar o que lemos e, a partir disso, saber posicionar-se. Nas duas unidades do Colégio Sinodal – em São Leopoldo e em Portão - o projeto há muito tempo vinha sendo desenhado. Acreditamos na leitura como um processo que cria o gosto de ler. Há mais
tempo temos projetos que envolvem alunos e professores nas práticas de leitura e escrita, mas nenhum que fosse tão direto ao objetivo e tão simples, mas com resultados imensuráveis. O ponto de partida foi um seminário docente de início de ano: ouvimos dos palestrantes suas metodologias nas escolas onde atuavam, sobre como o “saber ler” é possível. Foi o estopim para começarmos (em março de 2014 iniciou este projeto). Parte 2 Os professores, os alunos e a equipe pedagógica paralisam suas atividades durante dois momentos da semana, por 15 minutos. A cada mês, alternam-se os dias, isso para que todos os professores sejam contemplados com o projeto em seu horário de aula. E a leitura? É a leitura de livro impresso. Os participantes têm a liberdade de trazer de casa as obras preferidas, de cabeceira: aqueles livros empilhados na estante que nunca foram lidos por falta de tempo (ou de interesse). E valem livros em outras línguas, sobre os mais diversos as-
suntos. Valem, sim, as leituras obrigatórias ou ainda aquelas cheias de desenhos que contam uma história pra lá de especial de que os pequenos do Ensino Fundamental gostam tanto. Quem, por fatalidade, esquecer o seu livro, recorre à mini-biblioteca do professor do período ou à Biblioteca Central (livros lá não faltam). Na Educação Infantil, “não saber ler” não existe: os professores leem e fazem a história refletir na imaginação dos alunos. Não foram necessários recursos materiais, nem financeiros, nem contratar pessoas para implantação do projeto. Foi possível realizá-lo em nosso ambiente de trabalho. Aproveitamo-nos da simplicidade da ação para fazê-la acontecer. O local? A sala de aula, sem modificá-la, sem sair do lugar: o único gesto é estender a mão e pegar o seu livro na mochila. Mas a leitura também pode acontecer no pátio, no ginásio, na recepção, onde estiverem o aluno e o professor. O horário? São 15 minutos por dia, duas vezes por semana: as turmas da manhã têm o seu tempo e, quem estuda apenas à tarde (os alunos do Fundamental – Anos Iniciais) tem o mesmo ritual. Ele sempre acontece das 8h05min às 8h20min ou à tarde entre 14h e 14h20min, dependendo da unidade da escola. Os quinze (15) minutos de leitura não têm como base qualquer estudo científico: é o tempo que julgamos necessário para estimular a concentração, o ritmo de leitura e a compreensão do texto, sem prejudicar o tempo de aula que cada professor tem para lecionar sua disciplina. Como já foi dito anteriormente, a cada mês os dias da semana para a leitura mudam, para que todos os professores sejam contemplados em seu horário de aula. Desde março de 2014, são 15 minutos do dia em que cerca de 1.700 alunos e 200 professores (contando as duas unidades) param e leem. Partes 3 e 4 Na aula de Língua Espanhola da terceira série do Ensino Médio, o assunto é Cultura e Civilização. Perto das oito horas da manhã daquele dia, o gesto é automático: todos sabem que, às vezes, mesmo sem sinal, é o momento de voltar-se para as páginas do livro preferido, por isso, todos param instantaneamente ao olhar o relógio. A aluna, que já terminou a leitura obrigatória da semana, rende-se a uma obra de artigos e crônicas de um jornalista e escritor. Apesar de parecer pouco tempo para quem não tem o hábito de ler, 15
minutos são suficientes para ela. “Li uma crônica inteira”, conta, ao final. Essa observação é o início de um processo de avaliação do projeto para pensa-lo em longo prazo, uma vez que ele entra em seu recente quarto mês. Já existe um esforço coletivo para que todos possam usufruir o momento sem interrupções. Em 15 minutos, todos já conseguem organizar-se, mesmo que no plano das ideias, para se concentrar, ler e compreender o que estão lendo. Foi criada uma espécie de cultura de foco na leitura. Dificilmente esses momentos são interrompidos, exceto por alguma emergência de âmbito pedagógico. A concentração e a atenção nas aulas já são o maior reflexo do projeto. Quando ele foi implantado, todos foram favoráveis, mas não sabiam mensurar os seus resultados, apesar da proposta simples. Em um momento de avaliação entre os alunos do Ensino Médio, por exemplo, os professores os questionaram sobre o real valor desse momento de leitura. Mesmo sabendo sobre a importância do projeto, assustaram-se com a repercussão: a aprovação dos alunos foi unânime. Nos relatos, os alunos disseram organizar-se mentalmente para conseguir desligar das atividades e dedicar-se à leitura. A própria concentração estimulada tem ajudado em outras tarefas diárias, tanto do estudo quanto em outras atividades. Eles entenderam a importância do silêncio e o poder que ele tem no aprendizado deles. Compreenderam a relação dele com a atenção. “Percebi que era hora de parar de ler quando voltei a ouvir a voz das crianças”, conta uma professora do Ensino Fundamental. Parte 5 Ainda é cedo para falar em retorno, mas já observamos muitos alunos nos corredores e nas áreas livres prosseguindo em sua leitura nos períodos de intervalo. De vez em quando, deparamo-nos com alguns assustados de culpa correndo à Biblioteca para pegar emprestada uma obra. Aliado a isso, uma boa conversa entre professor e aluno sobre a importância de cada um ter o seu livro e sobre o fato de se aproveitar o máximo cada momento dedicado exclusivamente à leitura fazem com que menos alunos fiquem ociosos. Em um país onde sua maioria reserva apenas seis minutos diários de leitura, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), ler por 30 minutos (15 duas vezes por semana) porque pode e porque quer, traz um sentimento de mis-
são cumprida, enquanto educadora. Se toda escola pudesse, de alguma forma, reservar um tempo mínimo para leitura, talvez a educação exigisse menos respostas. E é tão simples, mais do que se pensa. Gostar de ler ou não, isso é muito pessoal, mas o hábito, esse é intrínseco. Podemos relacionar à dieta: a pessoa não gosta de frutas, mas se criar um hábito de comer pelo menos uma ao dia, ela vai deixar de comer algo nocivo à saúde e, talvez, despertar nela outro olhar sobre aquilo de que não gostava tanto. Uma maçã, uma laranja, um abacaxi, uma salada de frutas; um livro de romance, uma roda de leitura, uma crônica, uma coletânea de autores, são mundos a serem descobertos. Esse hábito queremos que dure para sempre. É preciso fazer constantemente a verificação dos resultados da leitura, considerando tanto em curto prazo como em longo prazo, fazendo as adaptações sempre que necessário. Aliado a esse estão os nossos outros projetos de leitura (projeto aluno-leitor, projeto professor-leitor, feira do livro, projeto autor presente) e escrita, que são fundamentados na multidisciplinariedade. Os professores têm a tarefa de organizar diversas situações que estimulem o aprendizado e o hábito de leitura. Eles apostam em atividades realizadas dentro e fora de sala de aula, unindo diversas áreas, além da literatura, para que os jovens criem e cultivem esse hábito. A escritora Delia Leiner já dizia que, para que a leitura se torne um objeto de aprendizagem, é necessário que ela tenha sentido para o aluno, o que significa que deve ter um propósito que ele conhece e valoriza. Quando lemos um texto, cada um de nós produz ou constrói no mínimo quatro imagens que permitem indicar elementos para compreender ou agir em determinada situação. Por isso é que esses projetos multidisciplinares, aliados à proposta do Momento de Leitura na Escola, querem permanentemente construir esse hábito de leitura. Para que ele possibilite o acesso à cultura, motive a troca de conhecimento e experiências e ofereça a oportunidade para que, tanto os alunos quanto os educadores, possam compreender a sociedade e o ambiente em que vivem e em que estão inseridos.
revistalições
Compartilhamentos
Profas Cynthia von Mühlen, Denize Volkart Pinto e Merlinde Piening-Kohl Colégio Sinodal 19
Compartilhamentos Projeto Aluno Leitor
“E
revistalições
is a árdua tarefa da escola: assumir a tarefa de formar leitores. Isso impõe a ela a responsabilidade de organizar-se em torno de um projeto educativo comprometido com a intermediação da passagem do leitor de textos facilitados (infantis ou infanto-juvenis) para o leitor de textos de complexidade real, tal como circulam socialmente na literatura e nos jornais; do leitor de adaptações ou de fragmentos para o leitor de textos originais e integrais.” (Irandé/2003). Na proposta pedagógica do Centro de Ensino Médio Pastor Dohms, é enfatizada uma metodologia ativa, em que o aluno participa do processo de ensino e aprendizagem, aprendendo a aprender, construindo hipóteses e encontrando soluções para problemas. Também é desafiado a criar uma significação própria de conceitos e integrar a eles outros, estando em constante movimento de construção da sua aprendizagem e da sua própria identidade. Assim, com o objetivo de estimular a interação texto-leitor de obras de cunho literário e jornalístico, o Centro de Ensino Médio Pastor Dohms realiza, desde 2002, o projeto Aluno Leitor em todas as suas Unidades de Ensino. Inicialmente, o objetivo do projeto era promover a aproximação entre leitor e escritor, proporcionando momentos de leitura e produção, de interação e acesso à cultura em geral. Com o passar do tempo, sentimos a necessidade de resgatar a leitura dos clássicos e de obras cujos significados fossem além do texto como simples documento escrito, ou seja, de obras que tivessem uma subjetividade mais complexa e que permitissem ao leitor integrar suas experiências de vida ao passado histórico e à própria estrutura textual das obras literárias, permitindo a plena interação com o texto. Atualmente, além da visita semanal dos alunos da Educação Infantil e dos Anos Iniciais à Biblioteca, há um número mínimo de leituras estabelecidas para todas as Unidades de Ensino, de
20
acordo com o nível em que se encontram. Ao professor cabe a proposição de atividades em forma de dramatizações, saraus literários, rodas de leitura, maquetes, uso de fantoches e de sucatas para criação de personagens, entrevistas, seminários, atividades essas que potencializam o processo de construção de sentidos capazes de contribuir para a formação humana e social do aluno e proporcionam a transversalização de temas em práticas interdisciplinares, respeitando sempre o caráter literário da obra, a fim de que não seja percebida como meramente paradidática. Além disso, também temos presente, desde sempre, a necessidade de estimular a leitura de jornais, de textos informativos e argumentativos e de outros gêneros textuais específicos, cujas características permitem desenvolver - principalmente, nos adolescentes - a argumentação tanto na leitura quanto na escrita, de modo que compreendam melhor o mundo, conheçam a sociedade em que vivem e desenvolvam a consciência da cidadania, tornando-se, assim, leitores mais críticos, mais livres e capazes de pensar por si mesmos. No Ensino Médio, buscamos a ressignificação de leituras obrigatórias da UFRGS e do ENEM a partir de experiências éticoestéticas, apresentando estratégias que permitem aos alunos não só a apreciação de obras, mas também o entendimento do cânone da literatura brasileira como capital simbólico e cultural de um país. Os seminários realizados dinamizam a apresentação de argumentos e o confronto de ideias, aprimorando o trabalho de leitura e produção textual em diferentes gêneros, como entrevistas, debates públicos regrados, simulação da defesa de personagens antagônicos, busca de soluções de problemas a partir de diferentes concepções políticas e urbanas. Em sua completude, portanto, o projeto Aluno Leitor, do Centro de Ensino Médio Pastor Dohms, é fundamental na formação dos nossos estudantes. É ele que lhes permite uma reflexão maior sobre a estrutura da língua, a produção cultural do país, o mundo de cada um, o mundo em que estamos todos e, por fim, o mundo em que desejaríamos estar, fonte primeira de qualquer transformação social. Profas Daniela Guizzo de Oliveira, Michele Santos e Loni Araujo Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
Compartilhamentos
Projeto “Brincando com o corpo: descobertas sensoriais”
A
brincar na sala escura, onde as crianças acharam formas geométricas na parede. Também brincaram com garrafas coloridas feitas com água e glitter, para conhecer e identificar algumas cores. Para aguçar o sentido do olfato, as professoras ofereceram diferentes odores para as crianças, como: cebola, manjericão, perfume e café. Conversaram e identificaram cada um deles. O tato foi explorado pelas crianças ao confeccionarem o tapete das sensações, experimentando e diferenciando cada textura com pés e mãos: macio, áspero, ondulado, liso, fino e grosso. Também brincaram de manipular a argila. O Projeto foi rico em atividades práticas e significativas ao aprendizado das crianças. Durante todo o processo foi priorizado a utilização de materiais recicláveis e reutilizáveis. Referências: Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília: MEC, SEB, 2010. Profas Alexandra Essig e Aline Vieira Princesa Isabel Educação Infantil
revistalições
s crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito próprio. Os conhecimentos são construídos a partir das interações que estabelecem com outras pessoas e com o meio em que vivem. Tendo em vista que a percepção de mundo se dá através dos sentidos sensoriais, a união e o estímulo desses sentidos facilitam o processo de aprendizagem das crianças, pois o conhecimento de mundo chegará por meio deles. Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010, p.25) “As práticas pedagógicas (...) devem garantir experiências que promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança.” O Projeto “Brincando com o corpo: descobertas sensoriais” foi desenvolvido com crianças de 1 a 2 anos na Princesa Isabel Educação Infantil, com o objetivo de estimular a exploração dos sentidos, assim como promover o autoconhecimento e a exploração do meio à sua volta. As memórias são criadas a partir de atividades rotineiras. Mas, o aprender não se configura em memorizar informações, para tal é preciso saber relacioná-las, ressignificá-las e refletir sobre elas. O lúdico é a melhor forma de desenvolver a consciência de si e do meio no qual a criança está inserida. No decorrer do projeto, foram estimulados e explorados os cinco sentidos sensoriais de forma lúdica e prazerosa. A audição foi explorada com um CD com os sons do cotidiano (liquidificador, descarga, cachorro latindo, etc). As crianças também confeccionaram chocalhos com material alternativo, os quais ficaram ao alcance das crianças o tempo todo para que explorassem no momento em que desejassem. A história da Chapeuzinho Vermelho foi utilizada para estimular o paladar ao experimentarem alguns ingredientes utilizados na receita dos docinhos que fizeram em seguida. Em outro momento, as crianças observaram a preparação de gelatinas e, na hora de comê-las, foram desafiadas a utilizarem a colher sozinha, desenvolvendo, assim, autonomia e segurança. Na exploração da visão, o que mais marcou foi o passeio de lanterna pela escola e
21
Compartilhamentos
O
Projeto construir um futuro melhor
revistalições
Centro Sinodal de Ensino Médio de Sapiranga (Escola Duque) é uma das instituições mantidas pela ISAEC e é a mais antiga do município, com 166 anos de atuação escolar. Seu planejamento estratégico iniciou em 2007, quando O Projeto Construir Um Futuro Melhor começou a ser idealizado para compor um conjunto de iniciativas que pudessem ajudar a diminuir os espaços ociosos, de alternativa de receitas e de oportunidade de aprofundar suas iniciativas de voluntariado e assistência social. Esse projeto tem por estratégia a construção da marca da instituição como a escola de todos os grupos sociais da localidade. Então, vendo a dificuldade de os jovens encontrarem um preparo e uma formação inicial para o mercado de trabalho e as alternativas de emprego crescendo na área da informática, na área de atendimento ao público e vendas, foi que o Projeto nasceu e se consolidou, estando, em 2016, na sua oitava edição ininterrupta. Assim sendo, firmamos parceria com o COMDICA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, com a Prefeitura Municipal de Sapiranga e, mais tarde, com FEEVALE, FACCAT, FLD – Fundação Luterana de Diaconia, CEDICA- Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e profissionais voluntários de diversos segmentos do mercado de trabalho. O Projeto Construir Um Futuro Melhor é direcionado para adolescentes de 15 a 18 anos, estudantes em situação de vulnerabilidade social e econômica, carentes de uma oportunidade de aprendizagem e formação para o mercado de trabalho, neste caso, Informática & Cidadania. Após a divulgação do projeto nas escolas públicas, os interessados dirigem-se ao Centro Sinodal para efetuar sua inscrição e os selecionados devem preencher os requisitos básicos acima citados, além do comprometimento assumido, juntamente com um responsável pelo adolescente, de que estará disposto a aproveitar a oportunidade recebida.
22
Com uma carga horária de 760 horas, o curso acontece de março a dezembro no turno da tarde, de segunda à sexta-feira, das 13h30min às 17h30min, sendo que 40% da carga horária corresponde às aulas de Informática (Word, Excel, Power Point, Fotoshop, Movie Maker, Autocad, Rhinoceros e mais recentemente Robótica) e o restante (60%) à formação cidadã, como Empreendedorismo, Telemarketing, Atendimento ao Público, Etiqueta Social e Profissional, Orientação Sexual, A descoberta do eu, Meio Ambiente, Solidariedade e Voluntariado, bem como visitas a empresas, Universidades, entre outros... Então, ao longo dos anos, temos visto resultados bastante expressivos na vida de adolescentes que passaram pelo Projeto. São mais de 170 egressos, dos quais cerca de 80% estão no mercado de trabalho, inclusive a escola possui funcionários oriundos do Projeto, e, em 2016, estaremos formando a oitava turma, resultado incontestável de que a escola tem atingido seus objetivos no quesito solidariedade em prol da comunidade em que atua. Profª Sirlei M. Rorato e Prof. Sérgio E. Michels Centro Sinodal de Ensino Médio de Sapiranga
Compartilhamentos Escola de Ensino Fundamental Sinodal Sete de Setembro, localizada no município de Não-Me-Toque, no planalto médio do Rio Grande do Sul, apresentou o Projeto “Releitura de Obras de Arte” que vem sendo desenvolvido há nove anos na instituição, desde a Educação Infantil até Anos Iniciais do Ensino Fundamental. A realização desse projeto torna-se necessária para o educando expressar-se e comunicar-se através de todas as áreas do conhecimento, fazendo a leitura de um texto visual, para uma releitura plástica e dissertativa de forma pessoal ou coletiva, relacionando a percepção, criação, sensibilidade e emoção. É notória a importância da Arte no desenvolvimento como forma de expressão e, acima de tudo, como linguagem. As Artes devem ser concebidas como uma das mais importantes formas de expressão humana, sendo necessário repensar a prática pedagógica, de modo a valorizar as diversas formas de expressão proporcionadas pelas atividades artísticas, considerando seus diferentes aspectos. Vale ressaltar a importância das Artes no processo de construção da identidade, desenvolvimento da autonomia e a necessidade de proporcionar a formação do indivíduo integral. Trabalhando as diversas formas de interferências e mutações em imagens, o projeto tende a oferecer aos alunos a oportunidade de estarem observando, es-
tudando e apreciando a arte nos aspectos práticos e teóricos, aguçando a curiosidade e desenvolvendo o espírito artístico em cada um; favorecendo o olhar do intérprete, com liberdade de compreensão. O aspecto teórico trabalha a história do artista, suas obras e épocas. O aspecto prático coloca ao dispor dos alunos as diversas linguagens artísticas para se trabalhar, além do aprendizado, seu próprio talento e criatividade. É com este conceito que se pretende tornar mais fácil compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas. Na parte prática, o aluno poderá desenvolver, também, sua competência estética e artística nas diversas áreas da arte, tanto para produzir trabalhos pessoais e grupais quanto para que possa, progressivamente, julgar os bens artísticos, buscar e saber organizar informações sobre a arte, em contato com obras, documentos, livros, revistas, jornais, ilustrações e outros acervos. Assim, estará reconhecendo e compreendendo com mais clareza a variedade de produtos artísticos e as concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias.
O Projeto também proporciona uma formação multidisciplinar e interdisciplinar, promovendo a liberdade de criação e de expressão, oportunizando atividades pedagógicas que desenvolvam habilidades e competências, transformando informações em conhecimento. A escolha anual dos artistas ocorre com alternância, de acordo com o reconhecimento regional e internacional. Os artistas regionais visitam a escola, interagem com os alunos por meio de oficinas e participam da exposição final. A etapa final de aplicação prática, consiste na exposição dos trabalhos realizados e a comunidade escolar é convidada a apreciar a produção dos alunos. A avaliação acontece de maneira contínua, mediante observação, considerando o processo e não apenas o produto. Neste sentido, espera-se que o aluno se torne não apenas um apreciador, mas também assuma seu papel como agente cultural, criando e recriando a realidade à sua volta, tendo como ferramenta de comunicação a arte em suas diferentes linguagens. Profas Leila Fernandes Grahl e Paula Wildner Escola de Ensino Fundamental Sinodal Sete de Setembro
revistalições
A
Projeto Releitura de Obras de Arte
23
Palestras Escola luterana e os desafios pedagógicos: A Reforma e as mudanças necessárias na educação
revistalições
U
24
ma preliminar: Em minha exposição ficarei mais nos balizadores de mudanças necessárias na educação do que em propostas de “mudanças necessárias”. Breve animação preparada na Hungria como preparativo para os 500 anos da Reforma busca retratar como se dava a educação formal no final do século XV e início do século XVI. https://www.youtube.com/watch?v=jtRXluiVVpY&list=WL&index=19 A descoberta da Liberdade [ELEUTHERIA – LUTHER(O)] e da aceitação incondicional do ser humano da parte de Deus tiveram consequências também para a educação formal e deram início à caminhada da qual usufruímos. O pai Hans Luder quis “programar” o filho. O filho Martin Luther(o) propôs o Evangelho como balizador da educação. Aqui Liberdade e Aceitação são princípios fundamentais, baseados em Jesus e que podem ser resumidos na palavra “Amor”. No entanto, Lutero não acredita que o Decálogo esteja com seu prazo de validade vencido. É no quarto mandamento do Decálogo que ele ancora a educação; ali estão dados os parâmetros, de cuja falta a sociedade atual se ressente. Honrarás a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá. Na compreensão de Lutero, este é o único mandamento a falar de “honra”. Monges não honravam os pais ao ingressarem em mosteiros. Filhos honram os pais ao deles cuidarem. Por outro lado, do mesmo mandamento ele deduz a responsabilidade dos pais em relação aos filhos: Se queremos pessoas excelentes e hábeis tanto para o governo secular como para o espiritual, cumpre deveras que não nos poupemos empenho, faina e gastos na tarefa de ensinar e educar os nossos filhos, a fim de que possam prestar serviços a Deus e ao mundo. [Deus] nos confiou filhos para que os eduquemos e governemos de acordo com sua vontade. Saiba cada qual que é seu dever, sob pena de perder a graça divina, educar os seus filhos, acima de tudo, no temor
e conhecimento de Deus, e, se forem aptos, dar-lhes oportunidade para aprender e estudar, a fim de que possam ser úteis nas necessidades que houver. As palavras “temor e conhecimento de Deus” têm grande importância pedagógica. Temor não é medo, mas reverência; conhecimento de Deus é saber e vivência do Evangelho. Temor e conhecimento de Deus significam respeito que preserva vida. “Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mateus 19, 17). É porque se despreza isso que Deus castiga o mundo de forma tão aterradora, que não temos disciplina, nem direção, nem paz. Todos lastimamos esse estado de coisas, mas não vemos que nós mesmos somos os culpados; porque do modo como os criamos, temos filhos e súditos estragados e desobedientes. (Catecismo Maior). Na animação que vimos, em sala de aula que faz dos alunos meros repetidores de fórmulas, Hans Luder diz do professor que ele “transforma diabos em anjos”. Mais tarde, Lutero dirá que já somos filhos de Deus, o que seremos no futuro ainda está por ser revelado. Atividade escolar não se resume a decorar fórmulas latinas (a língua dos anjos), a ensinar obediência e disciplina. Obediência e disciplina lhe são importantes, mais importantes, contudo, são a liberdade dada por Deus em Cristo e sua aceitação incondicional. Daí que vai acentuar a importância do elemento lúdico e do canto na atividade escolar. Vai acentuar o aprendizado do idioma das crianças, da história da humanidade (e não mais exclusivamente a história dos santos), da geografia, da matemática em um mundo que está se ampliando, mas mantendo a tradição humanística. A tradição humanística transmite o que foi legado pelos eu foram antes de nós, com o ensino das línguas antigas, dos pensadores de outrora. Sua proposta educadora visa a ampliar horizontes. A “vara” a ser usada é o Evangelho. Daí sermos designados de “evangélicos”, conceito que deveríamos aprender a defender. Pergunta que fica: qual o limite entre obediência-disciplina e liberdade. Como proceder, quando os pais não dão mais conta de obediência, disciplina e liberdade e pensam que o professor/escola é o recurso que res-
Palestras ta? Penso que está na hora de a escola confessional luterana se propor a educar pais. A Reforma do Século XVI teve como tese o pressuposto de que a educação formal é de competência do Estado. Deveria ser tirada do controle da instituição religiosa que mantinha populações em situação de “cativeiro”. No caso brasileiro é necessário afirmar que o Estado não tem cumprido com sua obrigação no tocante à educação formal. Em nenhum nível ela lhe é prioridade. Foi essa nossa experiência no período colonial, imperial e republicano. Para Lutero, a cada florim gasto com armamento devem ser gastos cem com a educação formal. Como o Estado não faz o que lhe compete e está descumprindo o mandato que lhe foi confiado por Deus, a Igreja Luterana, através de suas congregações e de seus membros instalou e manteve escolas no Brasil, mesmo quando o Estado brasileiro a acusou de “desnacionalizar” jovens brasileiros. Cumpre-lhe, pois, oferecer ensino de qualidade pautado no evangelho. Para educadores luteranos cabe dizer quem são! Esta na hora de vencer a baixa autoestima! Têm atrás de si legado que é admirado pelos resultados obtidos. Criticamente deve ser dito em relação à Igreja Luterana (IECLB) que ela vem sendo omissa ao não criticar o Estado que deixa de fazer no tocante à educação o que lhe compete. Mérito dos governos Lula e Roussef foi o investimento na educação superior. Agora, não teremos intelectualidade capaz sem boa base anterior à universidade! As colocações de Lutero relativamente à educação formal foram feitas no início de período da história da humanidade que designamos de Modernidade. Vivemos em tempos de Pós-modernidade, quando uma das características é a ausência de parâmetros. Essa ausência de parâmetros não é conquista, pois leva ao fim da Ética. Ausência de parâmetros não é liberdade. Já dizia o apóstolo Paulo: tudo é lícito, mas nem tudo me convém. Por desconhecer o Evangelho, vivemos em sociedade que “deixa de
P. e Prof. Martin N. Dreher
Lutero no cenário atual
inco séculos se passaram desde que Martinho Lutero publicou suas 95 teses causando a maior reviravolta socio-religiosa jamais vista na era Cristã. O leitor já parou para pensar em como e no quanto aquela longínqua atitude seria cabível no mundo de hoje? Evidentemente que seria preciso dar um ‘’desconto’’ ao caráter estritamente religioso de parte de algumas teses, mas, convenhamos, no que se refere ao momento social, político e econômico que vivemos no Brasil e no mundo, sobrariam – sob o ponto de vista da oportunidade – ‘’coincidências’’ (ou seriam coincidências sem aspas, mesmo?).
revistalições
C
pagar as dívidas e plantar macieiras” (Lutero). O Evangelho é confundido com Lei e transforma Igreja (que é lugar em que diferentes se tornam irmãos) em espaço de legalismo que não admite diferenças. Por isso, importante teólogo brasileiro (Ricardo Gondim) implora que “Deus nos livre de um Brasil evangélico”, antevendo o escândalo de 17 de abril no parlamento brasileiro. Traduzo para a realidade escolar luterana: liberdade e parâmetros são indispensáveis e também sua correta distinção. Por causa do fim dos parâmetros é fundamental reconsiderar o papel do professor a partir do quarto mandamento do Decálogo. A acentuação da diversidade não elimina o RESPEITO diante da função diversa. Na escola luterana acresce a isso a visão do professor como pessoa que está a serviço do Evangelho. Não devemos ter medo de sermos rotulados. Quem fala frente a abusos da liberdade, mantém verdades e pilares. É necessário que se tenha a coragem de enfrentar os relativismos. O Estado também deve ser lembrado de que ele é LAICO. A Suprema Corte Brasileira deve ser alertada de que está deixando de preservar a laicidade do Estado. Para concluir: a Igreja Luterana nasceu a partir da universidade. Lutero era professor universitário, colega dos professores da Rede Sinodal de Educação. Em sua atividade havia ensino, pesquisa e extensão. Não podemos dissociar escola e igreja, igreja e escola. Não podemos esquecer a contribuição da Igreja Luterana através da Escola Luterana, nem da contribuição da Escola Luterana através da Igreja Luterana. Uma é consequência da outra. Darwin e Albert Schweitzer eram teólogos e pastores! O primeiro era anglicano, o segundo luterano. Foram luteranos os pais do pensamento histórico-crítico; não podemos permitir que “evangélicos” nada críticos destruam o que nasceu do estudo do Evangelho na Universidade.
25
revistalições
Palestras
26
Eu não vejo mero acaso em fatos. Vejo semelhanças. Mudaram os nomes, os líderes e até os propósitos, mas não mudaram os fins. No cenário mundial, cada vez mais vivemos a praga da xenofobia, da intolerância, do desamor. Não acho que atitudes isoladas como a que os britânicos recentemente tomaram no ‘’brexit’’ seja o ‘’bicho-papão’’ que alguns enxergam. Tomam esse como o exemplo máximo da injusta barreira a estrangeiros, mas muitos o fazem porque precisam de um bode expiatório. Mesmo não concordando (e é o meu caso), é preciso saber, conhecer – e, quiçá, entender – os motivos dos britânicos. Alegam, pois, que não dava mais para conviver com uma imigração sem limites, sem organização, sem planejamento e, para piorar, sem que fosse (a migração) necessariamente solução para os que a ela recorrem – cerca de 3 milhões de refugiados, a maioria proveniente de países islâmicos, sendo metade interessada em se abrigar sob o guarda-chuva dos benefícios públicos britânicos, de longe o mais liberal, moderno, irrestrito e organizado sistema social do planeta Terra. Mas isso absolve os britânicos? Não, claro que não. Nem eles e nem os demais europeus merecem o perdão. Foram, até ‘’ontem’’, imperialistas, expansionistas e invasores. No momento em que são invadidos, tornam-se arautos do nacionalismo disfarçado de racionalismo. É claro que esse é um problemão, mas é também evidente que tal ‘’abacaxi’’, como chegou a dizer um proeminente líder europeu, não pode ser descascado apenas na origem. É preciso que no destino dessa massa de imigrantes incidentais seja feito algo verdadeiramente sério e duradouro. Costuma-se atribuir erroneamente a causa dessa fuga em massa às disparidades religiosas e conflitos de ideologia. Poucos se dão ao trabalho de investigar e descobrir que tudo deriva de problemas muito íntimos de nós, brasileiros: as diferenças sociais e econômicas, a opressão das camadas mais abastadas sobre as faixas mais pobres, o domínio político de grupos carimbados (famílias que impõe verdadeiras dinastias), a corrupção, a injustiça social, a impunidade… Ninguém abandona sua vida, sua história, sua terra e sua cultura para arriscar a sorte sabe Deus onde sem que haja uma razão verdadeiramente forte por trás, empurrando. Exceção somente para um ou outro mal-intencionado que se aproveita do fluxo migratório para romper barreiras e espalhar o medo. Mas terroristas são minoria, embora muitos se valham da desculpa da religião para inventar justificativas para seus atos diabólicos. O fato é que esses são minoria, sim, e, evidentemente, devem ser evitados ou banidos. Sem, no entanto, punir a todos. E todos precisam ser tratados como gente, como seres de Deus – o que nem sempre acontece. Por muito menos os senhores da guerra eliminaram líderes supostamente sanguinários; onde estão esses líderes agora?
No Brasil vivemos um momento de divisão jamais visto na história desse país. ‘’Nós’’ versus ‘’eles’’! Em defesa de projetos falidos e promessas comprovadamente descumpridas, vemos exércitos invadirem as ruas prontos para a batalha campal e carnal. Na outra trincheira, sob a bandeira da mudança e pelo fim das práticas nefastas, sobretudo na política, outra legião disposta a tudo para fazer justiça com as próprias mãos. No meio desse tiroteio, a classe política parece cada vez mais perdida, mais desnudada e, infelizmente, mais decidida a agir para se salvar a qualquer custo. Não é de hoje que ouvimos falar de propostas de mudança de regras em pleno jogo para amenizar leis e penas, favorecendo sobretudo os próprios legisladores. Para quem via o Brasil como um grande Carnaval, não tem sido agradável perceber que a festa acabou. É como entrar no salão e se deparar com o pessoal da limpeza recolhendo as cadeiras e deixando-as de pernas para cima, sobre as mesas. Nesse cenário releio as teses de Lutero e algumas de suas vastas obras. E tenho a certeza de que ele seria mais contemporâneo do que nunca nos dias atuais. Também não tenho dúvida de que igualmente seria excomungado, detestado pelos poderosos e injuriado. Não duvidem que até fosse preso e morto em algum porão qualquer… Talvez aqui seja pertinente lembrar que nem Jesus agradou a todo mundo e que – é o que eu acho – faz parte da natureza humana combater o contraditório com força quando faltam argumentos. Sempre foi assim. Mas, existe uma solução pacífica, senão imediata, que funciona com persistência e continuidade: educação. No trigésimo primeiro Congresso da Rede Sinodal de Educação eu tive a honra e a grata satisfação de comprovar que há um exército de combatentes cujo alvo é a desigualdade, a xenofobia, o ódio, a visão restrita, a falta de criatividade, o comodismo… e todos os piores males que afligem a raça humana. Vi soldados da educação dispostos a se reciclar, a se reinventar e a produzir cérebros. Pena que os nossos governantes não conseguem fazer o mesmo com o ensino público. Pena que nossa pátria não se torne, definitiva e verdadeiramente, educadora. Mas, sorte a nossa que temos essas ilhas de exceção. No fundo, vi no rosto de cada participante do congresso o olhar crítico, decidido e corajoso de Lutero. Um corpo docente que não tem medo da neo-excomunhão. Saí do Congresso com a sensação de que esses professores são uma esperança de que um dia possamos desvirar novamente as cadeiras e recomeçar a festa. Sr. Marcos Losekann Jornalista
Palestras m 2017 serão comemorados os 500 anos da Reforma Luterana. No Brasil, especificamente, esse movimento está presente a partir da chegada dos imigrantes alemães no século XIX. Nesse mesmo período são fundadas pelas comunidades religiosas vinculadas à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) inúmeras escolas de confessionalidade luterana e comunitárias, especialmente na região Sul do país. Hoje há no Brasil 51 instituições vinculadas à IECLB e congregadas na Rede Sinodal de Educação. As instituições da Rede Sinodal são responsáveis pela formação de cerca de 40.000 alunos e estudantes em 2016. Eles fazem parte de um universo muito maior de alunos e estudantes do Brasil, 49.771.371 na Educação Básica e 7.000.000 no Ensino Superior. As escolas e instituições de Ensino Superior em que esse contingente estuda são mantidas por entidades públicas, particulares, comunitárias e confessionais. As escolas filiadas à Rede Sinodal de Educação são confessionais. Ela é a Rede confessional evangélica mais antiga do país. Já são quase 200 anos de história na área da educação no país. Originários de uma Igreja de imigração, as escolas evangélico-luteranas passaram por diferentes fases nesses dois séculos. Superar desafios sempre esteve na agenda das instituições educacionais. Hoje não é diferente. A gestão escolar é uma área do conhecimento bastante recente. Inicialmente denominava-se de administração escolar. Seu foco era essencialmente administrar o processo pedagógico da escola. Hoje a gestão escolar é entendida como uma área que possui oito ênfases: didático-pedagógico, administrativo, econômico-financeiro, pessoas, infraestrutura, desempenho, secretaria e comunidade. Os atuais gestores precisam obrigatoriamente ter uma visão sistêmica dessas ênfases. Dessa forma, os líderes terão um olhar multifocal. O atual Plano Nacional de Educação de nosso país tem vigência até 2024. Ele estabeleceu 20 metas e 254 objetivos/estratégias a serem alcançadas. Desafio para as instituições da Rede Sinodal é contribuir ao máximo para o atingimento dessas metas e objetivos. Assim as escolas estarão contribuindo com sua parcela. Um segundo desafio é revisar e estudar o Projeto Pedagógico da escola de forma continuada, observando a inclusão dos princípios pedagógicos da Rede e definição do perfil do egresso. O planejamento e organização das matrizes curriculares e planos de estudos também representam um grande desafio. Nesse planejamento é necessário considerar as diretrizes curriculares nacionais elaboradas para os diferentes níveis de ensino da Educação Básica pelo MEC. O processo pedagógico de uma escola efetiva-se essencialmente na sala de aula. Determinante para que a aula seja eficiente e eficaz é o preparo dela pelo professor. A aula é o principal ponto de entrega de nosso serviço educacional na escola. Outro desafio para escola hoje é olhar para seu professor e funcionário. Inicialmente deve-se observar a formação formal desses profissionais. Posteriormente é fundamental cuidar da formação continuada. A escola também precisa preocupar-se com seus novos quadros. Uma alternativa é estabelecer parceria com instituições formadoras para detectar profissionais que possam se integrar à instituição. Finalmente, é importante que a escola estruture uma política para manter e atrair talentos. Nos últimos anos o papel das Equipes Pedagógicas da escola foi ampliado. Novas atribuições foram criadas para que ela consiga desempenhar o que dela se espera. A Equipe transformou-se em
uma equipe gestora. A escola hoje só terá êxito se o trabalho for executado de forma conjunta por professores, funcionários e equipe. Qualificação da gestão como um todo é imperativo na escola que busca sua permanência no cenário. Precisamos desenvolver a consciência de que somos Equipe para atingir resultados. Isso pressupõe um nível de profissionalização da escola cada vez maior. Realizar avaliação institucional já faz parte do dia a dia de muitas escolas. Contudo, trabalhar com os dados obtidos ainda é um desafio. Esses dados devem integrar o planejamento das instituições educacionais e posterior implantação. Um exemplo de dimensão que deve ser avaliada continuamente são os processos internos da escola. Uma característica fundamental de uma instituição escolar é a sua formação por pessoas. A comunicação interna e externa representa um desafio contínuo. A escola precisa ter um discurso claro e abrangente, conseguindo se comunicar com seus diferentes públicos. Nas duas últimas décadas as escolas da Rede Sinodal tiveram, em geral, um crescimento no número de alunos e uma estabilidade financeira maior. Hoje contribuímos para desenvolvimento e crescimento das comunidades onde estamos inseridos. Assim temos uma responsabilidade social que precisamos assumir. Sustentabilidade, redução de custos, matriz de receitas, vagas, demanda e taxa de ocupação são desafios diários nas organizações educacionais. Toda escola precisa gerar resultado para poder cumprir a sua missão. As escolas precisam conhecer e estudar o cenário em que estão inseridas. Elas também devem conhecer seus diferenciais. Os diferenciais são as vantagens competitivas que cada uma tem. A continuidade de atuação da escola no mercado hoje pressupõe amplo conhecimento de si e do contexto. Continuamente as escolas estão diante do desafio tradição x inovação. As instituições também precisam elaborar um conjunto de indicadores pedagógicos, preocupar-se continuamente com a elevação do nível de aprendizagem dos alunos, desenvolver um projeto para trabalhar com alunos que apresentam dificuldades e maior potencial de aprendizagem e redução da taxa de reprovação. A relação com pais e mães na escola tem sido um dos maiores desafios da atualidade. Novas formas de se relacionar deverão estar na agenda das escolas. Além disso, a legislação brasileira na área educacional é complexa e de difícil aplicação. Há muitas exigências, especificamente, para o setor confessional e comunitário de escolas. Finalmente, o aluno de nossa escola precisa ser preparado para viver em uma sociedade de grandes incertezas, reunindo competência profissional e pessoal para isso. Portanto, são muitos os desafios que as escolas da Rede Sinodal enfrentam no dia a dia. Elas ainda são desafiadas a contribuir mais para a melhoria da educação no país. Tudo o que hoje se realiza é a contribuição de nossa IECLB para a sociedade brasileira. Somente através de muito trabalho, profissionalismo, competência, e consequente reconhecimento, as instituições da Rede garantirão sua perenidade. Referências: Anuário Brasileiro da Educação Básica – Todos pela Educação e Editora Moderna Gestão Estratégica Escolar Ensinar a viver Prof. Waldir Werner Scheuermann
revistalições
E
Escola Luterana e os Desafios Pedagógicos
27
Palestras
revistalições
N
28
O cenário atual e o luteranismo
estes tempos turbulentos em que vive a Nação Brasileira, é oportuno um olhar sob um aspecto histórico: É juvenil nossa história republicana (1889) e pode-se considerar “em construção” o sistema de representação; nestes 126 anos apenas um em cada quatro presidentes foi eleito diretamente pelo povo. Foram dezenove os presidentes eleitos e destes apenas onze concluíram seu mandato. Cabe lembrar o profeta Isaías 66.8: “nasceria uma nação de uma só vez?”. O ensinamento é que a construção e consolidação das condições que constituem uma nação requerem identidade, amadurecimento e consolidação, atributos que demandam tempo e dedicação maternal. Outro parâmetro nesta nossa busca é a história das Constituições Brasileiras; já contamos nove desde a independência, sendo sete apenas no período republicano e a Constituição em vigor foi promulgada em 1988. Outros países tiveram sorte diferente. Talvez por estarem suportados pelo sistema jurídico Anglo-Saxão, os Estados Unidos mantém suas raízes na sua primeira (e única) constituição, promulgada em 1789 (o sistema jurídico Brasileiro é Romano-Germânico). Nestas horas é oportuno analisar as condições que parecem haver favorecido democracias sólidas ao redor do mundo e uma das constatações que tem me atraído diz respeito à definição de “Cultura Nacional”. Refiro-me neste contexto à definição genérica formulada por Edward B.Tylor, segundo a qual cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Países mais estáveis parecem gozar de uma cultura sólida e enraizada. Sem entrar no mérito, como exemplo, relembro um ditado que se tornou popular no Brasil por volta da metade da década de 1970: “O negócio é levar vantagem em tudo, certo?”, a “lei de Gerson” como foi conhecida. Na época este ditado estava no cotidiano das pessoas e representava um nível de permissividade impensável dos dias atuais. Na época havia inclusive uma propaganda na TV promovendo um produto com esta chamada. Nos tempos atuais acredito que não ocorreria a alguém utilizar esta “lei” para promover um produto ou conceito.
A riqueza do momento que estamos vivendo está em oportunizar a construção da Cultura Nacional, com a escolha do conjunto de conhecimento, crenças, arte, moral, lei e costumes e outros hábitos e capacidades sobre os quais queremos conscientemente alicerçar nossa promissora República Brasileira. Percebo a “lei de Gerson” como representação da permissividade, interesses próprios acima dos interesses gerais, cenário para permitir prosperassem desvios de conduta, eventualmente corrupção, jogos e artimanhas em que os fins justificavam os meios. Talvez ainda não tenhamos encontrado a forma clara para expressar o que aceitamos como definição do que, sim, queremos. As manifestações do povo diante das descobertas do Ministério Público e da Polícia Federal parecem estar a indicar não aceitarmos mais condutas como as suportadas pela “lei de Gerson” na nossa Cultura Nacional. Confio que neste caminhar acabaremos encontrando a forma de ir esclarecendo este conjunto de princípios, valores, moral e etc., que queremos sim como parte da Cultura Nacional. No próprio meio político estas transformações se farão sentir, lamentavelmente, tão lentamente como é a construção de uma cultura nacional. Seria de se esperar que uma parcela suficiente da população negue a eleição ou reeleição de líderes identificados com a “lei de Gerson”, elegendo em seus lugares pessoas comprometidas com serviço, justiça, respeito, honra e amor ao próximo. Alguém poderá nesta altura se perguntar sobre o papel da educação neste processo, ainda mais, qual o papel da educação evangélico-luterana diante de tudo isso? Na minha forma de ver, absolutamente tudo. Observo este estado de coisas e sinto um chamado e um compromisso em sermos “sal da terra e luz do mundo” (Mateus, 5,13). Dos vários caminhos possíveis para nos levar a este destino, lembro que as instituições de educação, mesmo as confessionais, são instituições seculares (não religiosas). Sermos o “sal da terra” representa a oportunidade de vivenciarmos nas instituições (chamados que somos a assim agir em todos ambientes) sagradamente os dons que de Deus recebemos. Desde a ocasião do Batismo nos foi conferida a missão de fazermos a diferença de forma positiva na nossa sociedade.
Conforme 1Co 12, somos membros do mesmo corpo. Martin Luther menciona o Sacerdócio Geral de Todos os Crentes, que reforça a tese do serviço ao próximo. Vislumbro as escolas evangélico-luteranas como espaço de testemunho e serviço, onde os alunos experimentam a beleza da plenitude da dedicação da direção, dos funcionários e professores deste amor ao próximo de forma a inspirar alunos para que, independente da profissão que seguirem, a exerçam com devoção, com respeito e amor ao próximo, com senso de justiça e honra, vivendo como Jesus ensinou. Quem já não se sentiu tocado por um anjo ao ser servido por alguém que transmite e inspira amor, seja em enfermagem, num restaurante, em um posto de gasolina, alguém não foi sensibilizado por um professor, um pastor ou músico? Constantemente podemos observar os bons exemplos, sejamos todos estes inspiradores do melhor que existe em cada um. Acompanhada da formação científica de qualidade, esta visão missionária se complementa com a formação de jovens com capacidade de compreensão e discernimento responsável, para o exercício da liberdade responsável e de serviço com amor ao próximo (livres e servos de todos) formando o conjunto de conhecimentos e habilidades características dos cidadãos e cidadãs egressos das instituições de ensino evangélico-luteranas. Este conjunto representa o tempero (sal da terra) que estamos sendo chamados a aportar, individualmente e como instituições de ensino, na construção da Nação que esperamos ser, animando as gerações futuras que venham a ter orgulho da Cultura Brasileira. Sr. Martin Mundstock
Palestras
A
formulação da Teologia de Lutero está intimamente relacionada a sua biografia. Experiências do medo e da morte levam-no a ingressar em mosteiro. Está aterrorizado ante à perspectiva de ter que enfrentar Deus a qualquer hora. Por isso, busca tornar Deus agradável a sua pessoa, seguindo instruções da Igreja da época. Descobre ser incapaz de fazer a partir de si mesmo sua salvação e desespera. Também não encontra paz na oferta que lhe é feita pela Igreja: adquirir cartas de crédito (indulgências) que lhe permitiriam acesso a Deus na eternidade. Tropeça na certeza da justiça de Deus, entendida como justiça distributiva: Deus castiga quem é mau e recompensa quem é bom. O Deus que lhe é apresentado é totalmente juiz. É Cristo sentado sobre o arco-íris, tendo as mãos escoradas sobre os joelhos, espada de dois gumes na boca e raios saindo de seus olhos. Por isso tropeça nas palavras de São Paulo de que a Justiça de Deus se revela no Evangelho (Romanos 1.17). Evangelho é boa notícia, justiça é desespero. A libertação das angústias vem, quando verifica que a justiça de Deus é a aceitação incondicional do ser humano exemplificada em Jesus que acolhe justamente aqueles que são considerados injustos e transgressores da Lei mosaica. O que resta ao ser humano é abrir os olhos e verificar que no amor de Deus não existe medo (1 João 4.18). Era necessário revisar toda a doutrina e deixar que Deus fosse Deus, assim como Ele quer se apresentar ao ser humano, em Jesus. Isso leva, em 1529, a que formule na explicação do 1º mandamento do Decálogo: Devemos temer e amar a Deus e confiar nele sobre todas as coisas Cuide-se: temor não é medo, mas reverência. A resposta do ser humano ao Deus que o aceita incondicionalmente só pode ser reverência, amor e confiança. Por isso, podemos afirmar que a Teologia de Lutero é um grito: Vamos deixar Deus ser Deus! Para que isso fique claro é necessário que na leitura da Bíblia, base para a compreensão da fé cristã, pois nela está o testemunho dos apóstolos, saibamos distinguir entre Lei e Evangelho, pois Bíblia é “uma manjedoura dentro da qual Cristo está deitado. Se não o encontrares só tens palha”. A Lei ordena a Justiça que deve ser
cumprida. O Evangelho aponta para Cristo, no qual está cumprida a justiça que é apreendida pela fé. Na Lei Deus exige, no Evangelho ele doa. Cuide-se ,porém, que Lutero não elimina a Lei. Há um uso pedagógico da Lei, especialmente do Decálogo. Ele é espelho, no qual podemos verificar nossa real situação de Deus (pecadores|) e entender a profundidade de seu amor. Quando deixamos Deus ser Deus e distinguimos entre sua Lei e seu Evangelho, compreendemos que Deus tem outro rosto do que aquele que lhe atribuímos: Deus tem o rosto do crucificado. É na cruz de Jesus que Deus quer ser encontrado. Podemos tentar conhecer a Deus de outras formas, mas só no crucificado compreendemos a Deus. Ali ele está presente sob o contrário do que é. Ele quer ser reconhecido a partir de seu sofrimento, impotência, fraqueza, loucura, escândalo. É o Deus que vem totalmente em busca do ser humano e com ele se solidariza totalmente. É amor no qual não existe medo. Igreja é, então, comunhão daquelas pessoas que vivem a partir da mensagem da aceitação incondicional de Deus e cuja comunhão é criada, alimentada, nutrida por essa mensagem (Palavra). Ela é reconhecida na pregação desse Evangelho, onde é ministrado o Batismo e celebrada a Santa Ceia (Eucaristia), onde perdão dos pecados é anunciado e vivido, onde são chamadas pessoas para o ministério (missão) da Igreja, onde oração está presente. Lutero elimina a distinção entre clero e laicato. Por causa do Batismo, todos os cristãos são clero e participam do sacerdócio de Cristo. Não há cristãos mais importantes do que outros ou que estejam mais próximos da salvação. Se há servidores eclesiásticos é porque a comunidade não é apenas comunidade que anuncia e vive a Palavra e os Sacramentos, mas com eles também tem que se confrontada. Esse confronto (denúncia), porém, é serviço e não domínio. A descoberta da aceitação incondicional do ser humano da parte de Deus significa LIBERDADE. Nas palavras de São Paulo, em Gálatas 5,1, LIBERDADE é ELEUTHERIA. Por isso, desde 1518, o monge e professor universitário Martin LUDER passa a assinar seu nome com Martin LUTHER. Note-se que o TH substitui o D. Assim, o nome Luther, Lutero, Luterano
é expressão da Liberdade que Deus nos dá em Cristo, no qual nos é mostrado que Deus nos aceita incondicionalmente. Trata-se de Liberdade do medo, da morte, de um Deus opressor, de Lei que oprime. Trata-se de Liberdade para servir, em nome de Deus. Pessoas cristãs não se preocupam com “céu”, pois este lhes foi dado de graça. Por isso, olham “para baixo”, para onde Deus olha (expressões de Lutero ao interpretar o Cântico de Maria). Disso brota nova ética. Cristãos lutam em favor do melhoramento do mundo criado por Deus. Ética luterana não é moral, é serviço. Mesmo que o fim do mundo venha amanhã, hoje não devemos deixar de “pagar as dívidas” e “plantar macieiras”. Dessa ética que brota da liberdade que temos a partir da aceitação incondicional de Deus faz parte, para a salvação da boa criação de Deus a Educação formal. Daí a exigência de Lutero para que os vereadores e prefeitos das cidades construíssem e mantivessem escolas para meninos e(!) meninas e que os pais, sob pena de castigo divino, mandem seus filhos à escola. Sua intenção: A escola tem que ser tirada do monopólio eclesiástico para que todos tenham acesso à Bíblia; A escola contribui para que todos possam participar do cântico comunitário. A escola forma cidadãos conscientes e prepara-os para o novo mundo que se descortina no início do Século XVI. Daí a exigência de que se estude além dos conteúdos da fé cristã, História, Geografia, Matemática, Música. O ensino deve se dar de forma lúdica. Das exigências educacionais de Lutero surgiu legislação da Prússia, em meados do século XVII, tornando o ensino obrigatório para meninos e meninas até o 14º ano de vida. O luterano August Hermann Francke (1663-1727) criou a primeira Escola Normal para a Formação de Professores. Essas tradições foram trazidas ao Brasil pelos imigrantes luteranos que ao se depararem com Estado que não investia em educação formal (em 1824, a Província do Rio Grande do Sul mantinha uma única escola: o Colégio Militar!), criaram suas próprias escolas, mantiveram seus professores e criaram suas escolas para a formação de professores.
revistalições
O Pensamento de Lutero - A perspectiva teológica
P. e Prof. Martin N. Dreher 29
Fotos das Delegações
Bom Jesus – IELUSC
Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke
Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann
Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
Colégio Sinodal Tramandaí Colégio Evangélico Panambi
Colégio Sinodal
revistalições
Instituto Educacional Luterano
30
Instituição Evangélica de Novo Hamburgo
Colégio Evangélico Divino Mestre
Fotos das Delegações
Colégio Evangélico Jaraguá
Centro Sinodal de Ensino Médio de Sapiranga
Escola Barão do Rio Branco
Escola Barão do Rio Branco Faculdades EST
Escola de Ensino Fundamental Sinodal Sete de Setembro
Colégio Cônsul Carlos Renaux
revistalições
Colégio Froebel
Princesa Isabel Educação Infantil
Colégio Mauá
31
Fotos das Delegações
Colégio Ipiranga
Colégio Martinus Colégio Sinodal Progresso
Colégio Sinodal Barão do Rio Branco
Colégio Evangélico Rui Barbosa
Colégio Sinodal Tiradentes Colégio Evangélico Augusto Pestana Colégio Sinodal Ruy Barbosa
revistalições
Colégio Sinodal Gustavo Adolfo
32
Instituto de Educação Ivoti e Instituto Superior de Educação Ivoti
Colégio Evangélico Martin Luther
Instituto Sinodal da Paz Colégio Martin Luther
Colégio Sinodal Rui Barbosa
Fotos das Delegações
Colégio Sinodal do Salvador
Instituto Sinodal Imigrante
Colégio Sinodal da Paz
Colégio Teutônia
Colégio Sinodal Conventos Instituto Luterano de Educação do Parecis
Colégio Sinodal Doutor Blumenau
revistalições
Colégio Gaspar Silveira Martins
Instituto Rio Branco
Colégio Evangélico Alberto Torres
33
Palestras O cenário atual e o luteranismo Das cidades das crianças às cidades dos adultos
R
revistalições
eparem na atualidade dos excertos da orientação “Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha, para que criem e mantenham escolas cristãs” escrita por Martin Luther há quase 500 anos:
34
“Em primeiro lugar, constatamos hoje em todas as partes da Alemanha que as escolas estão no abandono.” “...se alguém der um ducado para guerra…, seria justo que se doassem cem ducados (para a educação), embora com eles se pudesse educar apenas um garoto...” “ Mesmo que os pais fossem aptos e o quisessem assumir, eles não têm tempo nem espaço em face de outras atividades e dos serviços domésticos. Portanto, a necessidade obriga a mantermos educadores comunitários para as crianças.” “Por isso certamente será de competência do conselho e das autoridades dedicar o maior cuidado e o máximo empenho à juventude. A eles, como curadores, foram confiados os bens, a honra, corpo e vida de toda a cidade. Portanto, não agiriam responsavelmente perante Deus e o mundo se não buscassem, com todos os meios, dia e noite, o progresso e o melhoramento da cidade. (…) o melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados, honestos e bem-educados.” “Falo por mim mesmo: se eu tivesse filhos e tivesse condições, não deveriam aprender apenas as línguas e História, mas também deveriam aprender a cantar e estudar Música, com toda a Matemática.” “...não se poupem esforços nem dinheiro para a instalação de livrarias ou bibliotecas...” in Martinho Lutero – Obras Selecionadas – Vol. 5, 1995.
A escola, espaço essencialmente coletivo, é lugar de vivenciar o social em todas as suas dimensões e implicações. O que oportunizamos às nossas crianças para que se tornem adultos capazes de compreender, respeitar e ter vida social saudável? Advinda de uma unidade social menor, a família, lugar primordial de educação, a criança ingressa na escola e precisa aprender a dividir brinquedos, espaço, atenção. Precisa aprender a esperar a sua vez. Precisa entender o que pode e o que não pode nessa pequena ‘cidade da criança’ para que possa exercitar o que é ser cidadão na grande ‘cidade dos adultos’. Como oportunizamos o desenvolvimento das crianças e dos jovens a fim de que possam realizar sonhos e dar conta de suas responsabilidades e contribuir para um mundo melhor, com espaço para todos e cuidado para com o bem comum? A História tem capacidade profética se entendida como lição já vivida. A Geografia, que eu me localize e me veja um entre muitos e em tantos e diferentes lugares. A Matemática pode ajudar a organizar, a entender a grandeza das nossas intercessões em mundos menos quadrados. As Tecnologias (quando acessíveis) permitem localização instantânea de informações. As Artes (Música, Teatro, Literatura, Dança) sensibilizam e são uma excelente maneira de juntar os conhecimentos e transformá-los em expressões sábias. Os Esportes são um desafio ao nosso corpo e mente e, por sua prática, os mantém saudáveis. As Ciências da Natureza precisam olhar incessantemente para o convívio entre espécie
humana e ambiente por ela habitada, a fim de preservar e melhorar a qualidade de vida. Enfim, escola precisa ser lugar de pensar novos caminhos; de descobrir maneiras de valorizar o ‘eu’ e o ‘nós’ coexistentes nesse mesmo espaço. Aliás, uma escola bem cuidada por todos que nela habitam denota muitas lições de cuidado aprendidas. A tendência é que as cidades em que escolas assim se inserem sejam bem cuidadas também. Quero destacar, nesse contexto, uma resposta do historiador, professor e jornalista Tau Golin ao jornalista Luiz Antônio Araujo na Zero Hora, do dia 7 de fevereiro de 2016, sobre o ensino de História: “Precisamos fazer os alunos perceberem o que é um Estado-nação e vincular essa ideia à utopia de comunidade de destino, em que todos são responsáveis por todos. Isso depende da imaginação dessa comunidade de destino. Você só forma uma sociedade com uma ideia de comunidade de destino, e para isso você precisa imaginá-la. Para imaginá-la, você precisa saber quem é a nação: quais as etnias, as culturas, as regiões. Isso permite equalizar e estabelecer uma alteridade, em que um reconheça que é feito no espelho do outro com respeito à diversidade. O problema maior que vejo para entender o Brasil é decifrar como se formou e funciona o Estado-nação. (…) Se as nações que existem no país não se equalizarem numa comunidade de destino, não há solução. Tenho de saber que a minha felicidade depende da do nordestino, dos povos amazônicos, de Mato Grosso, de todos os lugares. É preciso que tenhamos as referências básicas e elementares do brasileiro, que, de certa forma, estão inscritas na Constituição, que não é obedecida.”
Uma escola que se vê como espaço de melhoria do convívio, que envolve seus alunos na busca de soluções de problemas locais e em propostas para um mundo melhor, com o empenho dos diversos componentes curriculares, preparará, em corresponsabilidade com pais ou responsáveis, adultos com capacidade de olhar com amor e cuidado para os seus próprios filhos e que os ensinem continuamente a “buscar o bem e não o mal”, conforme o profeta Amós no capítulo 5, versículo 14 do seu livro. Precisamos, acima de tudo, fazer com que os saberes tratados nas escolas sirvam para instrumentalizar os alunos na busca por caminhos que promovam a vida em sua plenitude. Prof. Everton Augustin Instituto de Educação Ivoti
Lançamento de livro Uma escola séria demais 17-30/jul./1988
S
D
urante o Congresso da Rede Sinodal de Educação, houve um momento dedicado ao lançamento do livro “Crônicas” do Prof. Dorival Adair Fleck. O livro contém crônicas escritas pelo professor, que foram publicadas, inicialmente, no Jornal Evangélico, no período de janeiro de 1987 a dezembro de 1991. Além das crônicas, o livro contempla textos de pessoas que conviveram em diferentes espaços profissionais com o Prof. Fleck, como no Colégio Ipiranga, na Rede Sinodal de Educação, no Conselho de Educação do estado do Rio Grande do Sul, na Associação Evangélica de Ensino. Embora escritos e publicados no final dos anos 80, os textos são extremamente atuais e retratam as preocupações e os anseios do autor em relação à educação, mais especificamente, à educação evangélico-luterana.
“A simples reflexão em si mesma é uma perigosa enfermidade mental.” Schelling
empre que tenho essa oportunidade, alerto os professores para o absurdo que é pensar que o aluno, na escola, pode ser tratado como se fosse apenas cérebro. Muitos professores imaginam que o aluno, quando entra na sala de aula, deve trazer apenas sua cabeça, deixando o resto do corpo lá fora. A dor de barriga, a alegria pelo dia de aniversário, a euforia pela vitória no jogo de futebol precisam ficar para o recreio ou para depois das aulas. A escola séria é aquela em que se trabalha, em que se aplica o raciocínio, em que a reflexão crítica comanda o espetáculo – pensam muitos. Nada mais errado... Deus criou o homem como uma unidade biopsicossocial. E é como uma unidade que a escola deve ser capaz de receber o aluno. E faz parte dessa unidade, também, o humor. A capacidade de perceber o ridículo das situações que o homem cria e ser capaz de – literalmente – rir dessas situações é condição fundamental para o equilíbrio da pessoa. Albert Schweitzer conta que, certa vez, ao atravessar um rio, de canoa, com amigos, começou a espadanar água, molhando, por brincadeira, seus companheiros. Reclamaram, pedindo que assumisse atitude mais adulta. Schweitzer respondeu-lhes que se tornar-se adulto consistia em não poder brincar, não desejava ser adulto. As pessoas capazes de rir, admitindo a possibilidade de existirem coisas ridículas em si mesmas, são, de modo geral, pessoas com quem é fácil conviver, pois sabem levar-se a sério na justa medida – isto é, nunca demais. Acredito que a escola precisa aprender o enorme valor pedagógico do riso. Do riso franco, saudável. Não o riso do deboche que entristece, mas o riso da alegria que desarma os espíritos. O riso do humor, do bom humor. O riso de quem está de bem com a vida. A escola séria é aquela capaz de receber, de acolher a pessoa inteira, portanto, aquela capaz de reservar espaço, também, para o riso. O puro raciocínio, a pura reflexão tornam as pessoas taciturnas, de cara fechada, amarrada. Intratáveis. Já referi uma vez, aqui nesta coluna, a pedagogia do espanto – que seria o resgate da capacidade de ver, realmente, o que existe no mundo ao nosso redor e espantar-nos com o que vemos. Talvez nos espantemos também se tivermos a coragem de observar que o riso, a alegria e a felicidade estão relacionados entre si. A escola séria é uma escola risonha e franca. A outra é apenas séria demais...
revistalições
Lançamento do livro “Crônicas”
35
Escola Luterana “Ao lado de cada igreja, uma escola”
revistalições
P
36
ara exemplificar a máxima de Lutero que, ao lado de cada igreja deveria ter uma escola, seguem imagens de igrejas e escolas da Região do Vale do Taquari, desenhadas pela professora Liane Paaschen do Colégio Evangélico Alberto Torres.
Escola Luterana
riar uma situação de protesto foi o desafio proposto em aula. Em cenas cotidianas os alunos apresentaram, entre outros, o silêncio, o voto e o diálogo. Mas, não surpreendendo, a teimosia, o grito, o choro e as tão na moda passeatas, predominaram nas dramatizações. Inegavelmente, todas as cenas evidenciavam cidadãos protestantes. No entanto, o momento exigia análise e reflexão: De que forma alcançar significativos resultados para os nossos anseios e buscas de reforma? Apresentei-lhes então Lutero, um monge, que, em 1517, na Alemanha, manifestou seu descontentamento frente à igreja através da escrita, da música e da arte. Sim, a tão almejada escrita em nossas escolas foi o caminho por ele escolhido. Foi um protesto argumentativo, fundamentado no Evangelho e que teve grande repercussão na época, estendendo-se até os nossos dias. Em suas propostas, especialmente através da tradução da Bíblia Sagrada, encontramos uma educação para a autonomia e liberdade de ação e de pensamento. Seu legado de uma escola ao lado de cada igreja, ainda perceptiva em nossas comunidades, inclusive na nossa, trouxe consigo a ideia de um mundo de novas possibilidades, de congraçamento e de uma perspectiva de vida cristã e responsável, sem medos, sem amarras, sem barganhas. Compreendemos uma intersecção dialógica entre a pedagogia e a teologia e reconhecemos Lutero em nossas atividades escolares: Somos fruto de sua doutrina. Portanto, somos escola protestante, luterana e evangélica! Resolvemos escrever a história aprendida e depois a encenamos em culto na comunidade e em reunião com as se-
nhoras da OASE. Criamos novos ritmos para os hinos compostos por Lutero, ao mesmo tempo em que nos apropriamos e cantamos suas sacras melodias. Perplexos frente à ousadia e criatividade usadas há quase 500 anos, realizamos releituras de obras que serviram estrategicamente na divulgação das ideias do protestantismo. E enfim, imitando a ação de Lutero, também fazendo uso da escrita, reafirmamos a nossa identidade, compartilhando e expondo as nossas teses em paredes e porta da igreja... Protagonistas em ações educativas, conhecemos o verdadeiro tesouro do Evangelho da glória e da graça de Deus defendido por Lutero. Profª Susane Elise Giongo Colégio Evangélico Alberto Torres
revistalições
C
Redescobrindo-nos como escola protestante, luterana, evangélica
37
Depoimentos Educação luterana representa... vida liberta, com respeito e olhar afável às singularidades para ser plural, ativo, repleto de entrega, cuidado, reflexão, conhecimento e amor. Profª Danieli Eichwald Instituto Sinodal Imigrante
Prof. Bruno Segatto Colégio Sinodal do Salvador
Temos o compromisso, como escola luterana, de promover, nos educandos, uma educação pautada na autonomia, liberdade, verdade, solidariedade, qualidade, busca da excelência, humildade, abertura ao novo e no referencial Luterano.
Trabalhar em uma Escola Luterana significa... Promover a parceria entre escola e família para que o conhecimento ocorra de forma significativa. A educação luterana no Brasil representa... Uma educação fundamentada em valores cristãos, sendo uma referência no meio educacional.
Profª Marisete M. da Luz Colégio Evangélico Rui Barbosa
Profª Edilene Moraes Colégio Teutônia
Meu compromisso com a Escola Luterana é... Contribuir e colaborar para a formação de cidadãos comprometidos com a ética, os valores humanísticos, o respeito às leis e à diversidade e que estejam empoderados para pensar criticamente a realidade e propor mudanças na sociedade. Trabalhar em uma Escola Luterana significa... Atuar em um espaço educativo privilegiado de modo a instigar os valores éticos e humanistas de Lutero, a autonomia, a leitura crítica do mundo e a promover a elaboração de ideias e propostas destinadas à transformação da realidade política, social e econômica do país. A educação luterana no Brasil representa... Um valioso e histórico esforço iniciado em pequenas comunidades preocupadas 38
revistalições
com a educação de suas crianças. Atualmente, a educação luterana representa um potencial caminho para o ensino inovador e de qualidade que contribuirá, a longo prazo, para a superação de problemas e obstáculos da política, da economia e da sociedade brasileira.
Meu compromisso como escola luterana é prestar um serviço essencial para o progresso sadio da sociedade, formando indivíduos íntegros, éticos e capazes de resolver problemas do mundo que os cerca. Dá-se isso na medida em que os alunos carregam a marca registrada da educação tradicional luterana, a saber, um ensino voltado para o conhecimento, a arte (sobretudo a música) e o esporte. Como escola luterana, esperamos despertar no aluno o interesse na área de pesquisa científica e inovação tecnológica, mas sem esquecermos a importância da ética pessoal e profissional. Por isso, a abordagem de temas transversais em meditações e aulas são imprescindíveis para a constituição de valores humanitários na pessoa formada por uma escola luterana. Prof. Igor Schwingel Colégio Sinodal
Ser professor numa escola luterana é estar comprometido com a formação de qualidade de criança, adolescentes e jovens. É manter-se conectado com a tradição, vinculado a valores fundamentais à vida plena e mobilizado na direção do conhecimento pelo constante construir-se no próprio fazer docente. Profª Mariluza da Silva Lucchese Colégio Evangélico Augusto Pestana
Trabalhar em uma Escola Luterana significa reconhecer que a educação plena só pode ser efetiva a partir da alegria em compartilhar os diversos conhecimentos com todos e todas, entendendo que o “ser escola” acontece somente quando se aceita a diversidade (de pessoas, de origens, de posicionamentos, de saberes, de credos, etc.). Exercer o ofício docente em uma instituição baseada nos princípios defendidos e difundidos por Martin Lutero é compreender que o ato educativo precisa ser pautado na liberdade. Sentir-se livre e educar para a liberdade: isso é ser e trabalhar em uma Escola Luterana. Prof. Glauber Seibert Instituto Sinodal da Paz
Educação Luterana é uma educação humanizadora. Ela representa o olhar, a escuta, o acolhimento e o cuidado que ajudam a formar pessoas autônomas e atuantes para melhorar a sociedade em que vivem. Profª Luciana Gossmann Araujo Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
P. Olmiro Ribeiro Junior Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann
Ser Escola Luterana é enaltecer os valores da Reforma, redescobrindo-os nas vivências diárias. É entender a macieira, símbolo do 31º Congresso da Rede Sinodal de Educação, como a representação da existência, da vida que brota de uma semente, desenvolve-se pela aprendizagem e gera frutos inspirados pelo conhecimento. Nesse sentido, cabe ressaltar o uso das novas tecnologias em nossas escolas, facilitando o encontro das informações que contribuirão para a construção de novas conexões. Ser Escola Luterana é, enfim, usar ferramentas atuais para preservar o cuidado de cada indivíduo e do seu entorno, visando o bem comum, formando cidadãos que trabalhem por um mundo de mais amor, com autonomia de pensamento crítico reflexivo, ética e na construção de relações de paz e fé. Profª Jordana Flores Quilião Instituição Evangélica de Novo Hamburgo
Ser escola luterana é… Exercer a liberdade com alteridade, ressignificando memórias e com o olhar comprometido com o futuro. Nela deve existir alegria, crescimento conjunto e paixão pela missão de educar, lembrando que todos são responsáveis pela identidade e princípios de sua escola, construindo conhecimento, espiritualidade, no equilíbrio constante entre tradição e inovação.
Depoimentos Trabalhar em uma escola luterana significa... estar comprometido com a formação integral do ser humano. Prof. Tiago Becker Colégio Gaspar Silveira Martins
A educação luterana no Brasil representa... Humanizar, respeitar, formar, dar autonomia, representar a fé, dialogar, valorizar, repensar, inovar, fazer, compartilhar, criar, aprender, ensinar, sonhar, realizar, transformar, ser solidário. Profª Andrea Eckhard Colégio Sinodal da Paz
Meu compromisso com a escola luterana é... dar todo suporte ao aluno, valorizando o que ele é e não o que tem. Mostrar caminhos para que tenha condições de fazer suas escolhas e tornar-se um cidadão crítico e ético.
Meu compromisso como escola luterana é: Ser uma professora que tem na sua prática a preocupação com a educação de crianças e adolescentes como seres únicos, com habilidades e necessidades diferentes, capazes de fazer a diferença no lugar onde estão, com ações movidas pela fé, pelo conhecimento, pela sensibilidade e pela solidariedade.
Profª Fabiani Keil Sattler Colégio Sinodal Gustavo Adolfo
Profa Denize Inez Volkart Pinto Colégio Sinodal
Ser escola luterana é... educar com base nos valores essenciais ao desenvolvimento do ser humano, como ética, respeito e responsabilidade, primando pela formação de pessoas autônomas, críticas e aptas para vencer os desafios de um mundo globalizado, que possam atuar ativamente na construção, aprimoramento e transformação da sociedade em que estão inseridos.
Meu compromisso com a Escola luterana é construir uma aprendizagem que seja significativa ao aluno, adotando práticas e processos adequados, baseados na observação e no diálogo constante, sempre tendo como princípio que “eu sou uma esperança e dou aula porque tenho esperança” (Leandro Karnal).
Profª Silvana Noll Colégio Sinodal da Paz
Profª Flávia Zanatta CEAT – Região Alta
revistalições
O compromisso da Escola Luterana necessita estar fundamentado no evangelho, que não tem o sentido de catequisar ou cristianizar, mas de libertar a pessoa de tudo o que não fomenta graça, sentido, realização, justiça para sua existência individual e social. O meu compromisso está orientado pela necessidade constante de reforma na educação, não baseada em modismos ou ideologias de aparência e hierarquização, mas na Reforma de tudo o que não propicia a formação da plenitude humana. Ou seja, formar pessoas que vivam, pensem, sintam, relacionem-se como humanas, respeitando e protegendo a multidiversidade da vida. Que os frutos semeados e cuidados na Escola Luterana tornem as pessoas humanas, a sociedade habitável e digna, as relações solidárias e com alteridade, e a vida com graça, paz e fé. Comprometo-me em ser um semeador da boa nova da educação, que forma pessoas educadas e sábias, pessoas integralmente humanas.
No Brasil, a Educação Luterana representa o compromisso com a emancipação humana, no sentido de tornar o humano, alimentado pelo conhecimento e conduzido pela fé e esperança, ‘liberto’ para ser e agir local e globalmente, de modo que seu comportamento ético e responsável contagie o espaço social. Silvana Luzia Weiler Colégio Sinodal Rui Barbosa
Profª Roberta Labres Flugseder Narcizo Colégio Sinodal Tramandaí 39
Encore – Encorse Encontro Nacional de Conjuntos Instrumentais e de Corais da Rede Sinodal de Educação
revistalições
A
40
nualmente, há mais de 35 anos, a Rede Sinodal de Educação realiza o Encontro Nacional de Conjuntos Instrumentais (ENCORE) e o Encontro Nacional de Corais (ENCORSE). Participam desses encontros estudantes regularmente matriculados na Educação Básica de instituições da Rede. O ENCORE reúne, a cada ano, aproximadamente, 500 estudantes. Em função do número de alunos envolvidos, ele é realizado, concomitantemente, em duas sedes, ao longo de três dias. Durante o dia, acontecem os ensaios por naipe e também da Grande Orquestra. À noite, há apresentações individuais das escolas participantes, e, nos últimos dois dias, a apresentação da grande orquestra, culminando com a realização de um culto ecumênico com a participação da orquestra. Já o ENCORSE reúne em torno de 300 estudantes e é realizado em uma única sede. O evento acontece ao longo de dois dias. Assim como no ENCORE, os estudantes das diferentes instituições ensaiam, ao longo do dia, por naipe e com o Grande Coro. À noite, são realizadas as apresentações individuais e, ao final, há a apresentação do grande coro. Em 2016, o ENCORE foi realizado no Colégio Teutônia, em Teutônia/RS, e no Colégio Evangélico Alberto Torres, em Lajeado/RS. Já o ENCORSE aconteceu no Colégio Martin Luther, em Estrela. No último dia dos eventos, dia 20 de agosto, com o objetivo lembrar e comemorar os 500 Anos da Reforma, cujo jubileu será festejado em 2017, estudantes dos conjuntos instrumentais e dos corais foram reunidos em uma única sede, no Ginásio Poliesportivo da Univates, em Lajeado/RS, para um grande culto musicado. Adiante, segue release do que foi divulgado na imprensa logo após a realização do evento.
ENCORE e ENCORSE Mais de 2,8 mil pessoas prestigiam celebração do canto e da música Culto festivo realizado na Univates encerra programação organizada pelo Colégio Teutônia, Colégio Martin Luther e Colégio Alberto Torres “Quem canta seus males espanta. Nós experimentamos um pedacinho do céu esta noite.” As palavras são do pastor presidente da IECLB, Nestor Paulo Friedrich, no encerramento do 35º Encontro Nacional de Conjuntos Instrumentais (ENCORE) e do 16º Encontro Nacional de Corais (ENCORSE) da Rede Sinodal de Educação, realizado de 18 a 20 de agosto no Colégio Teutônia (CT), de Teutônia, no Colégio Martin Luther (CML), de Estrela, e no Colégio Alberto Torres (CEAT), de Lajeado. O encerramento ocorreu na noite de sábado, dia 20 de agosto, com culto festivo no Ginásio Poliesportivo da Univates, em Lajeado, celebração que contou com a participação da Grande Orquestra e Coro, reunindo mais de 800 estudantes, e público que superou as 2,8 mil pessoas. Esta foi a primeira vez em que os encontros nacionais de conjuntos instru-
mentais e de corais foram realizados no mesmo período e tendo como sedes três escolas de uma mesma região. Os eventos foram ações que integram comemoração dos 500 anos da Reforma Luterana, celebrada no dia 31 de outubro de 2017. Culto festivo O culto festivo realizado na Univates foi conduzido pelo pastor Sinodal, Gilciney Tetzner. Na oportunidade, os diretores do CT, Jonas Rückert, do CML, Andréa Desbessel, e do CEAT, Rodrigo Ulrich, agradeceram a todos os envolvidos e responsáveis pelo sucesso dos eventos. “Foram três dias muito intensos de arte, música, integração e de fortalecimento de valores e princípios fundamentais da nossa sociedade. Os eventos são o ponto alto de um trabalho em equipe e da máxima de que ‘a união faz a força’. As escolas aceitaram o desafio, pois acreditamos na educação que forma para além do espaço de sala de aula. Acreditamos que nossa cultura só irá evoluir se conseguirmos fazer desses estudantes, pessoas melhores por um mundo melhor”, afirmaram. O diretor-executivo da Rede Sinodal de Educação, Ruben Goldmeyer, igualmente
Encore – Encorse
Avaliação positiva Anterior ao culto festivo de sábado, CT, CML e CEAT sediaram etapas do ENCORE e do ENCORSE em suas escolas. O 35º ENCORE e o 16º ENCORSE foram uma promoção da Rede Sinodal de Educação, parceria com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), realização do Colégio Teutônia, Colégio Martin Luther e Colégio Evangélico Alberto Torres, com apoio de Univates, Fruki, Docile e cooperativas Languiru e Sicredi. Crédito das fotos: Josiane Martini
revistalições
elogiou o espírito comunitário e o empenho coletivo. “Nenhuma palavra faz tanto sentido quanto os acordes e vozes. É uma alegria contagiante podermos realizar este histórico concerto. O sentimento é de dever cumprido. Mais da metade das escolas da Rede Sinodal de Educação estiveram aqui representadas”, enalteceu. “A música faz parte da história da Rede, assim como faz parte da história da nossa igreja. É sem sombra de dúvida um de nossos diferenciais e um de nossos pilares”, acrescentou. O pastor presidente da IECLB, Nestor Paulo Friedrich, exaltou o valor da música. “A música é um dos patrimônios de todas as igrejas cristãs, uma contribuição muito importante. Precisamos cultivar esta tradição com o envolvimento dos jovens. A música é um exercício de cidadania, visto que numa orquestra e num coral você até pode fazer o solo, mas não faz nada sozinho, é preciso se socializar, tocar com outros, colocar seu dom ao lado do outro, e o resultado final é magnífico”, frisou. Numa avaliação do culto festivo, com mais de 800 jovens cantores e instrumentistas, Friedrich classificou como uma celebração de vida. “É um exercício de caminhar juntos por três dias. As escolas não ensinam apenas para que os estudantes vençam no vestibular, as escolas ensinam a dar conta da vida, e a vida é algo muito frágil, que precisa de cuidados, de carinho e de paixão. Isso os jovens aprendem no colégio, com experiências como do ENCORE e do ENCORSE”, finalizou.
41
Concurso II Concurso de Redação da Rede Sinodal de Educação
N
o ano de 2016, a Rede Sinodal de Educação promoveu o II Concurso de Redação. Ele teve como base a proposta de Redação do ENEM, que é elaborada de modo a possibilitar que o(a) aluno(a), a partir de uma situação-problema e de subsídios oferecidos, realize uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social ou cultural, produzindo um texto dissertativo-argumentativo em prosa. Abaixo, segue o Regulamento do Concurso e os textos selecionados. Regulamento Os/as participantes Poderão participar do concurso de Redação alunos/as regularmente matriculados/as: – na última série do Ensino Fundamental II (para instituições que não têm Ensino Médio); – nas turmas do Ensino Médio de instituições da Rede Sinodal de Educação (para instituições com Ensino Médio). O número de redações por escola e as orientações para envio Cada escola poderá enviar até 3 (três) redações para a Rede Sinodal de Educação, através do e-mail rosangela@redesinodal.com.br. Observação: na folha de redação, não será permitida a identificação do/a aluno/a e da instituição que representa. Essas informações deverão ser preenchidas na ficha de inscrição (arquivo anexo). Na folha de redação, deverá ser informado apenas o pseudônimo do/a autor/a do texto. As redações selecionadas pelas instituições não devem ser corrigidas previamente.
As instruções para a escrita da Redação a) o texto deve ser escrito em até 30 linhas; b) a produção textual deve ser realizada individualmente, em sala de aula. Receberá zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que a) tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “insuficiente”; b) fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; c) apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos; d) apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto; e) apresentar plágio. A proposta de Redação - elaborada por Martiele Jung A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema: viver em um mundo mais justo e mais equitativo: uma utopia do século XXI. Para tanto, selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. Ademais, apresente proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Texto 1
O prazo de envio O prazo de envio das redações à Rede Sinodal de Educação é até o dia 8 de julho de 2016. A seleção dos/das ganhadores/as As 3 (três) melhores redações serão escolhidas por uma comissão de professores/as de língua portuguesa (corretores/as de redações do ENEM) até o dia 12 de agosto. A partir desse dia, as escolas receberão o resultado do concurso. Ele será enviado por e-mail às direções das escolas. Em caso de empate, será considerado ganhador o/a aluno/a que tiver maior pontuação no item “e” dos critérios de avaliação. Persistindo o empate, será considerada a maior pontuação do item “d”. Os prêmios As três melhores redações serão premiadas conforme segue: 1º lugar: um Ipad 2º lugar: um Ipod 3º lugar: um Ipod
revistalições
Os critérios de avaliação Para a escolha das três melhores redações, os/as avaliadores/as levarão em consideração a competência do/a aluno/a nos seguintes aspectos: a) domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; b) compreensão da proposta de redação e aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa; c) seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; d) conhecimento dos mecanismos linguísticos para a construção da argumentação; e) elaboração de proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. 42
Texto 2 Há homens que lutam um dia e são bons; Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis. (Bertold Brecht. Disponível em: <http://www.escritas.org/ pt/t/1496/> Acesso em: 07 de abril de 2016.) Texto 3 Todos os direitos da humanidade foram conquistados pela luta; seus princípios mais importantes tiveram de enfrentar os ataques daqueles que a eles se opunham; todo e qualquer direito, seja pelo de um povo, seja o direito do indivíduo, só se afirma por uma dissertação ininterrupta para a luta. (IHERING, Rudolf Von. A luta pelo direito. São Paulo: Pillares, 2009.) Texto 4 Podemos começar a resolver os problemas do desequilíbrio apenas se forjarmos um novo caminho de desenvolvimento que vincule o crescimento econômico com a responsabilidade social e ambiental. Isto significa dar a todos a possibilidade de uma vida segura, com direito a se expressar, a aprender, a um meio ambiente limpo, com iguais direitos para as mulheres, os deficientes, e direito ao desenvolvimento. (WOLFENSOHN, James D. Unir forças para modelar um mundo mais justo. Disponível em: <http://www.eco21.com.br/textos/textos. asp?ID=615> Acesso em: 07 de abril de 2016.)
Concurso Textos dos alunos ganhadores
revistalições
Aluno(a): Tainara Cecília Silveira Balt – 1º lugar Instituição: Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke
43
Concurso
revistalições
Aluno(a): Martina Souiljee Birck – 2º lugar Instituição: Colégio Sinodal Rui Barbosa
44
Concurso
revistalições
Aluno(a): Felipe Valentin Jung Spielmann – 3º lugar Instituição: Colégio Sinodal Rui Barbosa
45
95 teses 95 teses para um futuro melhor
revistalições
D
46
esde o ano de 2013, estão sendo desenvolvidas, em escolas protestantes de todo o mundo, atividades alusivas aos 500 anos da Reforma, cujo jubileu será comemorado em 2017. Também as instituições da Rede Sinodal de Educação estão engajadas e envolvidas nelas. Uma das atividades propostas às escolas no início do ano letivo de 2016 tinha por objetivo incentivar alunos/as de instituições de ensino da Rede a formularem hoje, quase 500 anos depois da Reforma, o seu protesto (em forma de tese) para um mundo/futuro melhor. Essa atividade foi lançada pela organização internacional schools500reformation (organização que reúne, através do site www.schools500reformation.net, escolas protestantes do mundo) no final de 2015 para as instituições envolvidas no projeto. Para participar da atividade, deveriam ser observados os seguintes critérios: – as teses deviam ser escritas por alunos/as matriculados no Ensino Fundamental I, no Ensino Fundamental II e/ou no Ensino Médio; – as teses deveriam ser escritas em alemão ou em inglês; – cada instituição poderia enviar até três teses por nível de ensino para a Rede Sinodal de Educação, totalizando, nove; No total, foram recebidas 108 teses de alunos/as de 21 instituições de ensino dos estados do Rio Grande do Sul (RS), de Santa Catarina (SC), do Paraná (PR) e de São Paulo (SP). Tendo como base a criatividade, a originalidade e a atualidade das teses, uma comissão (formada por professores de língua alemã e inglesa) selecionou 95 delas. 30 foram enviadas para a Alemanha e estão publicadas no site http://www.schools500reformation.net/de/materialien/2016/verantwortung-ubernehmen-und-daruber-sprechen-lokal-und-global/. Elas representam as vozes da América do Sul e somam-se às demais teses de alunos/as da África, da Ásia, da Europa e da América do Norte.
lhor. As pessoas devem viver mais, para que a vida melhore. Isabella Vale Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 2 – Eu quero uma cidade melhor, sem discriminação e violência. Quero o ar limpo e quero que crianças e animais não mais sejam abandonados. Pietra Fronza Gontijo Bom Jesus/ IELUSC – Joinville/SC Tese 3 – Um mundo melhor é um mundo repleto de amor. Angela Guimarrães Ijaille Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC
Em razão da qualidade e da contemporaneidade das teses, a Rede Sinodal de Educação publicou as 95 teses escolhidas em forma de brochura/livro. Na Revista Lições, serão publicadas as teses traduzidas para a língua portuguesa. No livro, elas estão também nas duas línguas estrangeiras, língua alemã e língua inglesa. As teses representam a visão que alunos/as de diferentes idades têm sobre o momento atual brasileiro e os seus desejos para um futuro/mundo melhor. Elas refletem as necessidades e os anseios de jovens de diferentes estados do país e expressam indignação em relação à corrupção, à discriminação, à fome, ao desmatamento, ao preconceito e a outros tantos temas por eles/as levantados. Esperamos que as teses produzidas por alunos/as de instituições da Rede Sinodal de Educação possam contribuir para a mudança que se faz necessária para um mundo mais justo e digno para todos/as! Que elas possam ser utilizadas pelas mais diversas pessoas, nos mais diferentes contextos, com os mais diversos públicos-alvos. Ensino Fundamental I Tese 1 – Meu desejo é que todos sejam respeitados e que não existam mais pessoas ruins. Todos devem trabalhar em conjunto para criação de um mundo me-
Tese 4 – Protestamos contra o fato de que, no mundo de hoje, existem pessoas que jogam lixo na rua e no mar, destroem florestas, caçam animais e existem pessoas que escolhem ficar do “lado ruim” em vez de ficar do “lado bom”. Precisamos pensar duas vezes antes de escolher o “nosso lado” e sempre discutir os problemas para poder resolvê-los. Marco Octávio Andretta, Rafael Gonçalves Borba e Henrique Sonntag Riether Centro de Ensino Médio Pastor Dohms Porto Alegre/RS Tese 5 – O mundo seria melhor, se as pessoas cuidassem das plantas e dos animais e se poupassem água. Manuella Kott de Oliveira Colégio Martinus – Curitiba/PR Tese 6 – O mundo seria melhor, se ninguém jogasse lixo no chão e se todas as pessoas tivessem amor, respeito e carinho uns pelos outros. Beatriz Silveira Lima Colégio Martinus – Curitiba/PR Tese 7 – O mundo seria melhor, se todos fossem amigos. Otávio Augusto Grossl Simões Colégio Martinus – Curitiba/PR
95 teses
Tese 9 – Numa boa escola somos tratados com respeito, amor e carinho. É um lugar em que as crianças aprendem a viver num mundo real. Carolina Poffo Colégio Sinodal Ruy Barbosa Rio do Sul/SC Tese 10 – Boa escola é aquela em que todos aprendem a se respeitar mutuamente e aprendem que o respeito é muito importante para uma amizade e que o período de estudos é nosso futuro. Luisa Schlemper Beber Colégio Sinodal Ruy Barbosa Rio do Sul/SC Tese 11 – Quero protestar contra os serviços públicos que são muito precários no Brasil. Você precisa pagar impostos mais altos se comparado a outros países e, mesmo assim, não é garantido que você terá acesso a um serviço razoável. Caio Kaefer de Azambuja Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS Tese 12 – Penso que deveria haver, em nosso mundo, direitos e deveres iguais para todos, como: qualidade da escola, trabalho com boa remuneração, comida boa, saúde, mais respeito para com as diferenças. Eduarda Letícia Reidel SETREM – Três de Maio/RS Tese 13 – Protestamos contra o fato de as pessoas estarem mais tristes. Elas se amam menos do que antes, devido a preocupações financeiras que têm. Protestamos porque as pessoas estão esquecendo de amar, esquecendo de serem felizes e de como é bom ser amado. Hoje em dia as pessoas pensam em resolver as coisas para que não lembrem de ser felizes. Precisamos ajudar uns aos outros. Maria Paula Silva Machado Instituto Educacional Luterano Ferraz de Vasconcelos/SP
Tese 14 – Protestamos contra o fato de tudo ser muito caro hoje em dia. Os políticos não utilizam bem nosso dinheiro. Murilo Garcia de Paulo Instituto Educacional Luterano Ferraz de Vasconcelos/SP Tese 15 – Protestamos contra um fato muito ruim do nosso mundo. Nossas áreas verdes estão desaparecendo e precisamos parar esse desmatamento. Temos que lembrar que viveremos em um mundo sujo e poluído se todas as árvores e plantas terminarem. Luana Burei Linares da Silva Instituto Educacional Luterano Ferraz de Vasconcelos/SP Tese 16 – Deveríamos praticar mais honestidade e mentir menos, ter menos corrupção e mostrar mais responsabilidade com as necessidades do povo. Johannes Ferster Schneider e Taciana Ferster Schneider SETREM – Três de Maio/RS Tese 17 – Precisamos dialogar para que todos encontrem a direção correta. Henrique Scheffler Marczewski SETREM – Três de Maio/RS Tese 18 – Eu protesto: contra a violência e contra a descrença, contra a poluição e contra a falta de amor. Lissa Shiromaru Ellwanger Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS Tese 19 – Quero um mundo sem pobreza. Carolina Weiss Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS Ensino Fundamental II Tese 20 – Precisamos educar bem as crianças, porque elas serão os cidadãos do futuro. João Vitor Guisso Schramm Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 21 – Reconhecer que ter características físicas e não físicas diferentes, tais como cor de pele e religião, não é razão para matar uns aos outros - é o primeiro
passo para um futuro brilhante para todos nós. Andreas Miguel Pett Zattar Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 22 – Podemos mudar o mundo protegendo nosso ecossistema porque, ao protegê-lo, estamos ajudando a nós mesmos e ao planeta. Lucas Roos Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 23 – Todos sabem que a maioria do dinheiro das pessoas de todo o mundo não é gasto de forma adequada. Acho que o maior problema do mundo seja a fome. Milhões de pessoas, incluindo você, deveriam salvar as pessoas da fome e não apenas esquecê-las. O problema é o que fazer. Isso é muito difícil, mas para tudo algo pode ser feito. Crianças e adultos morrem a cada segundo enquanto os governos gastam dinheiro de impostos em coisas para si próprios ou em coisas desnecessárias. Se o governo usasse esses recursos de forma mais adequada, o número de pessoas que passam fome diminuiria. Brenda Michel da Silva Colégio Evangélico Augusto Pestana Ijuí/RS Tese 24 – Protestamos contra o trabalho infantil, a desigualdade, a corrupção e a desumanidade. Queremos um mundo melhor! Bernardo Peixoto Haas e Augusto Zimmermann Colégio Evangélico Augusto Pestana Ijuí/RS Tese 25 – As pessoas vivem em uma sociedade em que são julgados pela sua vestimenta, seu rosto e seu corpo. Vivemos num mundo com guerras, brigas e assassinatos. O mundo nos diz que esqueçamos isso e possamos viver com isso, sem pensar muito nisso, pois, cada vez que uma pessoa é assassinada, uma parte de nossa coragem se perde. Começamos a temer essas pessoas. Em vez de simplesmente continuar assim, deveríamos questionar nossas concepções e começar a mudar o mundo, à medida que tenhamos respeito pelas pessoas e nos esforcemos para vencer preconceitos e guerras. Isso 47
revistalições
Tese 8 – Mulheres têm a mesma importância que os homens na sociedade. As mulheres e os homens precisam ter os mesmos direitos para trabalhar e ganhar a mesma quantidade de dinheiro, nem mais, nem menos. Isadora Martins Della Giustina de Moura Colégio Sinodal Ruy Barbosa Rio do Sul/SC
95 teses pode ser iniciado nas escolas. Podemos melhorar o mundo. Sofia Lindemann Kunzler Centro de Ensino Médio Pastor Dohms Porto Alegre/RS Tese 26 – Para um futuro melhor, desejo mais amor entre as pessoas. Mais educação, respeito, confiança e paz não apenas para o futuro, mas para o agora. Emelly Bittencourt de Bitencourt Colégio Gaspar Silveira Martins Venâncio Aires/RS Tese 27 – Espero, para um futuro melhor, que as pessoas vejam o que está acontecendo ao redor delas, que mantenham seus olhos abertos, que assistam e pensem sobre política, que pensem na pobreza e naqueles que sofrem e que sempre tenham fé e esperança. Deveríamos ter ciência de que, sem nossa própria contribuição, o mundo não mudará. Djussy da Silva Schneider Colégio Gaspar Silveira Martins Venâncio Aires/RS Tese 28 – Protestamos contra as guerras entre as religiões. Religiões e fé devem unir as pessoas, todas com seus próprios deuses, assim que, em lugar de travar guerras por motivos fúteis, elas lutem em conjunto por um mundo melhor. Júlia Grassi e Luize Simon Colégio Martin Luther – Estrela/RS
revistalições
Tese 29 – Dinheiro tem hoje uma grande importância. Algumas pessoas consideram-no mais importante que a própria família e isso gera corrupção. Assim, protestamos contra a ganância. Laura Weber e Gabryele Gerhardt Colégio Martin Luther – Estrela/RS
48
Tese 30 – Protestamos contra a violência que impera no mundo, que nos faz reféns e que destrói nossa vida. Clamamos por paz, por liberdade. Gustavo Kich e Vinicius de Castro Colégio Martin Luther – Estrela/RS Tese 31 – Sugiro que não julguemos as pessoas pela sua cor, seu gênero, sua reli-
gião ou por outros fatores. Somente assim, penso eu, nosso mundo melhorará. Julian E. A. Silva Colégio Martinus – Curitiba/PR Tese 32 – Um mundo sem guerras, em que os países se entendam sem ataques terroristas, em que um país não ataque o outro. Nosso mundo precisa de mais paz. Gabriel Brigola Colégio Martinus – Curitiba/PR Tese 33 – A água é nossa mercadoria mais preciosa. Não podemos desperdiçá-la; temos que usá-la com consciência assim como preservá-la. Camilla dos Santos Verdi Colégio Barão do Rio Branco Cachoeira do Sul/RS Tese 34 – Todo o lixo que é jogado fora em lugares inadequados é uma fonte potencial de doenças. Todo o lixo jogado na rua pode entupir os encanamentos e causar enchentes em dias de chuva. Se você jogar lixo no lugar certo, ele pode ser reutilizado. Essa ação ajudará o meio ambiente desde que novas matérias primas não sejam usadas para produzir o mesmo produto. Antônio Cristóvão Kipper Filho Colégio Barão do Rio Branco Cachoeira do Sul/RS Tese 35 – Um mundo ideal é um lugar onde as pessoas não têm nenhum preconceito. É um lugar onde as pessoas vivem em harmonia e se respeitam. Ana Carolina Steyer, Caroline Scherer Thiessen e Tainara Pedroso Campos Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS Tese 36 – Uma escola ideal é um lugar onde as pessoas são como irmãos e irmãs. Onde os alunos vivem juntos e se respeitam. Onde violência, racismo e bullying não existem. Bruna Wagner de Lima, Guto Finger Medeiros da Silva e Mariana Lopes da Rosa Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS
Tese 37 – Um mundo ideal é o amor nos nossos corações. O resultado de boas ações. Giovana Goulart de Souza, Evelin Sonnenstrahl Scherer e Cínthia Roesler Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS Tese 38 – Integridade política, ser exemplo para a conduta dos cidadãos. Nicolau Bauer Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 39 – Para que nosso futuro seja diferente, precisamos dar lugar à mudança. Turma do 9º Ano Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 40 – Valorizar o diálogo, evitar a violência e resolver conflitos em paz e com respeito deveriam caracterizar as conversas entre seres humanos. Turma do 9º Ano Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 41 – O mundo seria um lugar melhor se as pessoas aprendessem como apreciar aquelas coisas simples que tornam um dia terrível em um dia maravilhoso. Sabrina Marschalek Nascimento Escola Barão do Rio Branco Blumenau/SC Tese 42 – O sexismo é um valor que está inserido em nossa sociedade e que, infelizmente, apresenta-se na socialização de meninos e meninas. Assim como outras ideias tendenciosas e opressoras, valores sexistas são passados como naturais e, portanto, são inegáveis. Temos que lutar por direitos iguais, afinal de contas, somos todos humanos e precisamos ficar juntos e colaborar para nossa prosperidade. Berta Karina Knaczinski e Helena Bauermann Holler Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS Tese 43 – Pensamos que as pessoas poderiam tornar o mundo melhor fazendo pequenas coisas. Você poderia tornar o dia de alguém melhor apenas dizendo
95 teses
Tese 44 – O mundo em que vivemos passa por muitos conflitos hoje, como fome, guerras, preconceito, falta de educação, exclusão social, falta de recursos direcionados à saúde e muito mais. Na maioria das vezes, a maioria não faz nada para melhorar a situação. O mundo precisa de mais solidariedade porque as pessoas começaram a construir um mundo para si próprias e se preocupar com seu próprio bem. O mundo precisa de muito mais amor e cuidado, mais união, mais respeito, mais investimentos (como educação e saúde, por exemplo) e menos guerra. Acima de tudo, o mundo precisa de paz. Espero que as pessoas se conscientizem e percebam o mais rápido possível que o mundo precisa de uma mudança urgente e que essas mudanças dependem de nós, apenas de nós. Precisamos mudar o jeito que vemos o mundo, e assim conseguiremos salvar e ajudar este mundo que precisa e depende de nós. Este mundo que é composto por nós. Sthephanie de Souza Instituto Educacional Luterano Ferraz de Vasconcelos/SP Tese 45 – Florestas que não tenham sido tocadas pelos humanos são muito raras hoje em dia. A população humana ainda está crescendo. À medida que os anos passam, precisaremos de mais espaço para termos condições confortáveis de vida. Contudo, não sabemos como lidar com o espaço no qual vivemos. Uma consequência disso é o desmatamento. Aquecimento global é algo para nos preocuparmos. Deveríamos nos preocupar com o que podemos causar se não tivermos ciência do dano que fazemos. Uma nuvem de poluição na China, acidentes relacionados a minas no Brasil, derretimento nos Pólos, tudo isso e muitos outros exemplos da nossa falta de compro-
misso com o que nos mantém vivos, pela natureza, que um dia reagirá e não mais será fraca. No Brasil, há meses reclamamos sobre a seca e falta de água no sudeste e nordeste. Com a chegada do verão, as chuvas tornam-se constantes e fortes, e não estamos preparados. As enchentes por todo o sudeste tornaram-se comuns, às vezes causadas pelo estreitamento das ruas, pelo desmatamento e obstrução dos bueiros das grandes cidades. Consequentemente, devemos perceber que a degradação do meio ambiente não afeta uma única vizinhança, uma cidade ou um país, mas o mundo todo. Para evitarmos isso, precisamos manter florestas e rios em segurança. Não podemos poluí-los, o que significa ter mais vigilância e punição severa para crimes ambientais. Devemos cuidar do nosso mundo. Lívia Fernandes Instituto Educacional Luterano Ferraz de Vasconcelos/SP Tese 46 – Vivemos em uma época em que as pessoas têm medo de ir às ruas ou de frequentar lugares públicos, porque temem as suas diferenças. A discriminação atinge aqueles que não se enquadram perfeitamente no modelo social. Por isso está na hora de eliminar os preconceitos de raça, gênero, posição social e religião. Gabriela Kiesel, Isis Eduarda Krause Rambo, Ana Clara Paniz Donazzolo e Tamíris Träsel SETREM – Três de Maio/RS Tese 47 – Nós protestamos contra o fato de que haja na sociedade uma série de diferenças sociais, discriminação das mulheres e outras. Para melhorar a situação, deve haver maior conscientização que inicie na educação de casa e na escola. Ana Júlia Cassol, Ana Luísa Dal Forno, Brenda Luisa Buttinger Rodrigues e Mauren Júlia Blume SETREM – Três de Maio/RS Tese 48 – Nós não protestamos apenas contra os grandes problemas atuais como guerras, corrupção e poluição, mas principalmente contra os pequenos pro-
blemas, pois temos que nos melhorar nas pequenas coisas do cotidiano. Rafael Klaus Pilz, Arthur Tonial e Carlos Westermann Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS Tese 49 – Nós nos colocamos por um mundo em que a norma “nascer, estudar, trabalhar, aposentar-se e morrer” não vigore. Precisamos de transparência e de novas ideias para nosso estilo de vida e nossas profissões, novos pensamentos; podemos viver o inacreditável. Ana Bagatini, Gabriela Dias, Ingrid Knewitz e Isabella da Rosa Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS Tese 50 – Queremos um mundo sem diferenças em todas as áreas: religião, nação, etnia e gênero. Isadora Ritter, Mariana Coitinho e Larissa Paz Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS Tese 51 – Quando olhamos ao nosso redor, independentemente de onde estamos, podemos constatar que existem diferenças que chamam a atenção. Características corporais podem diferenciar-se drasticamente de um para outro; podem variar ou podem ser quase iguais. As pessoas são assim. Quando ando pelas ruas ou inclusive pelo corredor da escola, posso ver que as pessoas apresentam diferentes personalidades, gostos diferentes, sentimentos distintos, mesmo que sejam gêmeas. Essas diferenças algumas vezes podem levar a que as pessoas se aproximem ou se afastem. Contra isso temos que lutar em sociedade. Indiferente de quais diferenças existam, sejam sociais, étnicas, de raça ou culturais - se for nosso desejo viver com respeito para com os outros e se a harmonia e a paz forem maiores do que as diferenças, então é possível construir um mundo melhor. Um mundo em que cada um possa viver bem para si e com outras pessoas, sem se preocupar com sua aceitação. É nosso dever que cada um se esforce para respeitar opiniões e diferenças de colegas, amigos e inclusive pessoas que não conhecemos.
revistalições
“bom dia” ou “boa noite”, ou você poderia apenas ajudar alguém com as compras. Esperamos que as pessoas façam isso, então nossa sociedade será um lugar melhor e mais legal para vivermos. Bruna Martins Munaro e Laura Thaís Morbach Schuck Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS
49
95 teses Nós valorizamos respeito, formação e ética nas nossas relações. Eloísa Della Senta Pinzon Colégio Sinodal Rui Barbosa Carazinho/RS Tese 52 – Vivemos em uma época em que as pessoas têm medo de ir às ruas ou de frequentar lugares públicos, porque temem as suas diferenças. A discriminação atinge aqueles que não se enquadram perfeitamente no modelo social. Por isso está na hora de eliminar os preconceitos. Júlia Borgheti Brum Colégio Sinodal Rui Barbosa Carazinho/RS Tese 53 – Protesto contra a pobreza, o resultado da má educação, que poderia ser resolvida com uma educação digna para todos. Thomas de Souza Cisneros Colégio Sinodal do Salvador Porto Alegre/RS Tese 54 – Clamo por um mundo com mais liberdade de expressão. Onde crianças aprendam a pensar e não a copiar. Onde as pessoas possam escolher o que ser sem julgamento. Um mundo onde as crianças possam, também, ser ouvidas. Yasmin Bandeira Colégio Sinodal do Salvador Porto Alegre/RS
revistalições
Tese 55 – Enquanto a ganância falar mais alto, nosso planeta continuará morrendo, até que nada mais dele sobre. Então descobriremos que não podemos nos alimentar de dinheiro. Juliano Graeff Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS
50
Tese 56 – Como uma nação jovem lutamos contra corrupção e por uma democracia que possa ser verdadeiramente vivida na prática. Leonardo Rasche e Lucas Ganasini Colégio Evangélico Alberto Torres – Região Alta – Roca Sales/RS Tese 57 – O mundo somente melhorará, se as pessoas não mais se preocupa-
rem tanto com seus aparelhos eletrônicos, mas com os problemas sociais. Jonathan Amorim, Luiz Felipe Camargo Benato, Luiz Henrique Coser e Pablo Amorim Colégio Evangélico Alberto – Região Alta – Roca Sales/RS Ensino Médio Tese 58 – Protesto contra o fato de que no mundo atual não respeitamos as outras culturas. Luciane Wagner Dall´Agnese Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 59 – Aquele que compreende o outro além de si mesmo entende a chave para resolver a maioria dos problemas sociais e, portanto, encontra a chave para um futuro melhor. Lucas Melfior Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 60 – Um mundo melhor seria um lugar onde a educação tem o poder de colocar um fim a todos os tipos de ignorância. Marina de Oliveira Bom Jesus/IELUSC – Joinville/SC Tese 61 – Hoje em dia o desrespeito para com as diferenças de opiniões é um grande problema, pois existe determinado parâmetro no qual nós nos espelhamos, e as pessoas que pensem de forma diferente são descartadas. Para mudar isso, todos deveriam aprender esse respeito em casa. Assim todos poderiam viver em harmonia, à medida que se respeitassem opiniões e direitos de todos. Infelizmente isso não acontece. Aqueles que pensam de forma diferente são xingados e discriminados em vez de se ver sua posição de forma positiva e assim surja outra forma de pensar e, com ela, uma cultura mais desenvolvida e menos monótona. Nikolas Greiner Centro de Ensino Médio Pastor Dohms Porto Alegre/RS Tese 62 – O mundo seria melhor se todos tivessem acesso à educação e ao conhecimento, então as pessoas teriam
uma chance melhor de descobrir as coisas, tornarem-se interessadas, e então seriam capazes de tornar o conhecimento em algo melhor para o mundo. Diogo Dapper e Icaro Castello Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke – Taquara/RS Tese 63 – O mundo seria muito melhor se existisse igualdade de raças, etnias, religião e sexualidade, porque então não haveria preconceito contra os outros e, consequentemente, não haveria violência. Guilherme Kehl e Mirela Hunsche Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke – Taquara/RS Tese 64 – O mundo seria melhor se, em vez de balas para matar pessoas, as pessoas usassem o giz para educar. Arthur Gunschnig e Maria Luísa dos Santos Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke – Taquara/RS Tese 65 – Acredito que para ter um futuro melhor as pessoas deveriam aceitar os outros pelo que são, já que as pessoas tendem a julgar os outros. Por exemplo, se alguém é magro ou gordo demais, ou apenas segue um estilo específico. Às vezes aqueles que julgam nem conhecem a pessoa, mas a criticam baseados em sua aparência. Deveríamos parar de julgar as pessoas. Mariana Pergher Machado Colégio Gaspar Silveira Martins Venâncio Aires/RS Tese 66 – Espero que as necessidades das pessoas sejam supridas e que exista investimento suficiente em educação e saúde para assegurar aprendizado e bem-estar. Letícia Rediske Colégio Gaspar Silveira Martins Venâncio Aires/RS Tese 67 – Com uma educação melhor, as crianças crescerão cientes do que precisam fazer para mudarem o mundo. Lauriane Chloé, Anna Luíza Elias, André Yuji Aiyabe Kaetsu e Wen-Kai Yeh Colégio Martinus – Curitiba/PR
95 teses
Tese 69 – O amor é a maior virtude de uma sociedade ideal. É o princípio para o início do respeito seguido pela paz. Isabel Case da Silva e Clarice Contursi Sandmann Colégio Martinus – Curitiba/PR Tese 70 – Um mundo melhor é aquele onde o respeito pelos outros é maior que o preconceito. Luísa Brendler Hoerbe Colégio Barão do Rio Branco Cachoeira do Sul/RS Tese 71 – Um mundo melhor é construído pelas pessoas que possuem a habilidade de se colocar no lugar dos outros. Débora Binttencourt Netto Colégio Barão do Rio Branco Cachoeira do Sul/RS Tese 72 – Protestamos contra o individualismo propagado pelas pessoas todos os dias, engolidas pelo seu ego. Solidariedade, carinho e amor são ações raras e deveriam ser constantemente praticadas para superar a pobreza moral e ética através da união e do companheirismo. Bruna Kerber, Denys Coutinho Reis, Isadora Otero Hauth e Júllia Andrade Soares Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS
Tese 73 – Protestamos contra o fato de que, na sociedade, as pessoas são valorizadas de acordo com seus bens, não de acordo com o que realmente são. Mateus Arthur da Silva de Freitas, Pedro Henrique de Lima Moreira, Ruan Henrique dos Santos Schaurich Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS Tese 74 – Um mundo ideal é aquele no qual a dignidade humana tem prioridade. Esperamos poder morar em um mundo mais decente, onde as pessoas realizam seus deveres com a coragem de admitir erros, valorizam seu sucesso e compartilham vitórias sem pegar todos os créditos para si próprias. Queremos valer a pena. Queremos priorizar a cooperação, o companheirismo e o amor pelo próximo. Alessandra Freitas Kerschner, Gabrielle dos Santos e Larissa Mazzucco Teixeira Colégio Sinodal da Paz Novo Hamburgo/RS Tese 75 – Por um mundo melhor, menos padronizado, sem pessoas indiferentes e desonestas. Mais conhecimento, leitura, crescimento espiritual e dedicação ao universo. Equilíbrio, responsabilidade, reconhecimento, amor e união. Milena de Freitas Koch Colégio Sinodal Progresso Montenegro/RS Tese 76 – 500 anos atrás, Lutero revolucionou o mundo com suas 95 teses. Hoje, os revolucionários somos nós. Nossa geração precisa fazer um esforço para se tornar bons profissionais e, portanto, dar um fim à cultura política desonesta e corrupção. Então, poderemos fazer a diferença no futuro com relação à crise econômica e social. Temos que lutar pelos nossos direitos sem desconsiderar o direito dos outros. Hellen Kaiane George Colégio Sinodal Progresso Montenegro/RS Tese 77 – Acesso à educação é um direito humano, mas a ganância e a corrup-
ção de muitos governos tiram esse direito das pessoas. Wesley Camargo e Richard Vinícius Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 78 – Um dia, será possível todas as classes sociais viverem em igualdade e, finalmente, a pobreza terminará. Turma do 1º Ano Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 79 – A verdadeira felicidade é expressa de forma simples: um sorriso, um abraço refletem nossa alegria, nossa tranquilidade, nossa essência. O que importa não é ter dinheiro, mas viver com amigos ou família, com paz interior. Isso é a verdadeira felicidade. Luiz Henrique Raminson de Conto, Brenda Müller da Rosa e Vitória Maahs Colégio Sinodal Tiradentes Campo Bom/RS Tese 80 – Dever-se-ia garantir a cada pessoa o livre arbítrio, independente de sua origem, sua orientação sexual, seu gênero ou de outras características pessoais. Nada deveria limitar a liberdade da livre escolha e a sociedade jamais deveria agir sem consentimento de seu povo. Dessa forma cada pessoa tem possibilidades semelhantes e o desenvolvimento de sua personalidade é determinado por sua próprias decisões e não através de modelos prescritos. Ana Clara Ignacio Costa Escola Barão do Rio Branco Blumenau/SC Tese 81 – Um mundo mais justo em que todos tenham os mesmos direitos em relação à liberdade, sem racismo e sem preconceitos: em que a procura pela sinceridade e pela justiça vença a corrupção e a violência. Gustavo Krueger Escola Barão do Rio Branco Blumenau/SC Tese 82 – A sexualização excessiva do corpo das mulheres tornam-nas objetos se-
revistalições
Tese 68 – O egoísmo é a fonte de todas as coisas ruins, porque é do momento que o ser humano permite que sua individualidade domine a de alguém que a briga e a discussão acontecem. Para um futuro melhor é necessário, portanto, deixar pensamentos egoístas e começar a pensar nos outros, seguindo a regra de ouro. Se nós cuidarmos uns dos outros, ignoraremos todas as diferenças e o racismo e seremos capazes de tornar o mundo um lugar melhor para vivermos. João Felipe Chicarelli Lell, João Paulo Ferreira Fonseca, Antônio Germinari Kahtalian, Pietro Munari e Gabriel Marcatto Colégio Martinus – Curitiba/PR
51
95 teses xuais, o que tira seu direito de se vestirem como quiserem, sua dignidade e oportunidades em muitas instituições sociais. Então, devemos aprender a questionar dogmas impostos pela sociedade machista se é para alcançarmos igualdade e respeito para todos os gêneros. Ana Júlia Holler Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS
a corrupção que interfere na vida e no futuro de uma nação. Entretanto, Deus nos ensinou a amar nosso próximo e desejar-lhe o melhor, sem nem pensarmos em nós. Para melhorar essa situação, devemos lembrar que cada mudança vem de cada um de nós. Mathias Heinkel Instituto Sinodal da Paz Santa Rosa/RS
Tese 83 – Uma boa escola é aquela na qual os estudantes percebem e aplaudem os trabalhadores, tratando-os com o mesmo respeito que tratam o diretor. Assim, acrescentaremos humildade à humanidade e lutaremos por um mundo melhor. Deise Worst e Samanta Carolina Goltz Instituto de Educação Ivoti Ivoti/RS
Tese 88 – O preconceito ainda é um problema enorme em nossa sociedade. É um jeito de discriminar as pessoas apenas para machucá-las porque são diferentes do padrão “masculino, caucasiano, cristão e heterossexual”. Essas pessoas também são conhecidas como as “minorias”. O sexismo (atitudes ou comportamento baseados em estereótipos tradicionais de gênero), racismo (preconceito, discriminação ou antagonismo direcionados contra alguém de diferente raça baseado na crença de que sua raça é superior) e homofobia (aversão ou discriminação sexual contra a comunidade LGBT) são os exemplos mais comuns de preconceito. Não há nenhum ser humano que tenha nascido odiando o outro; nós aprendemos a odiar. É dever das escolas ensinar os alunos que respeito, amor e compreensão são as coisas mais importantes da nossa sociedade. O valor mais importante que Jesus nos ensinou é que devemos amar nosso próximo como a nós mesmos, mas muitas vezes nós nos esquecemos disso. Arthur Liberali Paes Instituto Sinodal da Paz Santa Rosa/RS
Tese 84 – Protestamos contra a corrupção e todos os tipos de preconceito e abuso. Turma do 3º Ano Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS Tese 85 – Um mundo melhor seria um mundo justo. Turma do 3º Ano Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS
revistalições
Tese 86 – Uma boa escola deveria lutar contra o bullying, já que o bem-estar de uma criança é tão importante quanto sua educação. Turma do 3º Ano Colégio Sinodal – São Leopoldo/RS
52
Tese 87 – Na realidade da nossa sociedade, ações que procuram sucesso pessoal sem pensar nos outros são muito comuns. Essas ações exclusivamente direcionam-se a uma vantagem pessoal, querendo tirar vantagem dos outros e, consequentemente, prejudicá-los. Tudo isso acontece porque queremos alcançar nosso objetivo da forma mais simples possível. Há diferentes casos desse comportamento, por exemplo, as pequenas corrupções que acontecem em nossa vida diária e para as quais não damos importância, como copiar alguma pesquisa que não é nossa; isso vai tão longe quanto
Tese 89 – Nossa escola deveria ser sustentável; deveríamos ter aulas sobre economia verde. Devemos mudar nossas mentes e pensar no futuro. Precisamos começar agora, porque com pequenas coisas podemos mudar o mundo. Amanda Pasini Instituto Sinodal da Paz Santa Rosa/RS Tese 90 – Falamos a favor da educação política porque dependemos da consciência de todos para definir o futuro de uma
nação e, consequentemente, da justiça e do bem-estar dos cidadãos. Alice Caumo Soster Paskulin, Ana Beatriz Pessoto, Eduarda Cardoso da Silva, Luiza Wanderley da Fonte, Nicole Lacerda Mendes, Tainá Musskopf Muswieck e Vinícius Schumann Esteves Colégio Sinodal do Salvador Porto Alegre/RS Tese 91 – Protesto contra culpar a vítima, usando seu comportamento como desculpa para os atos do agressor. Gabriela Cardaval Carboni e Luiza Lepkoski de Azevedo Colégio Sinodal do Salvador Porto Alegre/RS Tese 92 – Protestamos contra a desigualdade social. Podemos mudar essa realidade e cultura ao assegurar oportunidades iguais para os desfavorecidos. Ariane de Oliveira Ferreira, Júlia Ruvinski Leão e Yuri Arthur Marx Franzen Colégio Sinodal do Salvador Porto Alegre/RS Tese 93 – Penso que somos hoje egoístas. Os países e as pessoas não se integram mais. Não ajudamos o outro. Precisamos de carinho. Yasmin Ruppenthal Instituto de Educação Ivoti – Ivoti/RS Tese 94 – O povo não é levado a sério com promessas de um futuro melhor e se deixa impressionar por pessoas corruptas de gravata. Queremos que a política se torne mais transparente e que as funções do Estado sejam levadas a sério. Samuel Viviam e Rolf Fischer CEAT – Região Alta – Roca Sales/RS Tese 95 – Queremos para nosso país que o dinheiro do povo seja realmente usado para fins sociais, como na educação e na melhora dos cuidados com a saúde. Caroline Agostini Gianesini e Carolina Rosalem CEAT – Região Alta – Roca Sales/RS
Li e recomendo
C
omo o título afirma, o livro Era uma vez... na escola, formando educadores para formar leitores é destinado a professores preocupados com a formação de leitores. A obra apresenta uma progressão temática que permite ao leitor adulto configurar questões que compõe o campo da leitura e literatura infantojuvenil que não se reduz ou se esgota no ensino da Língua Portuguesa. De acordo com a autora Marília Fichtner, a metodologia da obra abrange o autoconhecimento do professor em relação ao processo de leitura literária e estende-se até o momento em que os conhecimentos
Millenium
P
arece estranho, pois me convidaram para dar dicas de filme e eu escreverei sobre livros, mas muita calma nessa hora, pois tenho uma explicação, uma boa explicação para tal. Vamos lá, primeiro escreverei sobre os livros da coleção “Millenium”, porque foi a partir das leituras deles que cheguei às obras cinematográficas que foram baseadas nos livros de Stieg Larsson. Os roteiros trazem adaptações muito interessantes, fiéis e são “bem-amarradas”, têm excelentes enquadramentos e a performance dos atores é muito boa. Ler e assistir Millenium foi uma experiência cultural inesquecível. Então a minha dica é: ler os livros da coleção “Millenium” e, depois, assistir à sequência de filmes. A trilogia é a seguinte: a) Millenium 1 - Os homens que não amavam as mulheres; b) Millenium 2 - A menina que brincava com fogo; c) Millenium 3 - A rainha do castelo de ar.
e valores assimilados pelo educador são mobilizados em um circuito de leitura em sala de aula. A obra apresenta a história da literatura infantil, os gêneros literários que a caracterizam, (tais como narrativa, poesia, imagens), focando as novelas, os contos de fadas, as lendas, as fábulas, os apólogos, as cantigas e canções de ninar, as parlendas e outras manifestações do folclore que sofrem, inclusive, um desdobramento autoral. As teorias apresentadas ao longo do livro relacionam questões atinentes ao desenvolvimento infantojuvenil com questões implicadas com a teoria literária e teorias de leitura baseadas no conceito de adaptação (de assunto, estilo, forma e meio) e na Estética da Recepção que permite a ampliação dos horizontes (culturais) de expectativas do leitor. Esse olhar metodológico é respaldado por sessões que propõem práticas de leitura em que o professor vai vivendo e construindo um conhecimento literário que lhe permite selecionar acervos e obras adequadas a cada faixa etária. A leitura desse livro é importante porque a própria estrutura da obra conduz o professor a colocar em prática as teorias estudadas através de exercícios metodológicas que lhe amparam para levar as obras lidas até a sala de aula. Cumpre destacar que a obra ganhou o Prêmio Altamente Recomendável – Teórico – da FNLIJ, em 2001 – sendo já considerado, hoje, um estudo clássico na área. Profª Ana Paula Charão Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
Stieg Larsson tem a maestria de abordar diversos temas em tramas instigantes, tendo como personagens principais um jornalista, Mikael Blomkvist, e uma jovem revoltada, Lisbeth Salander. Ambos são solitários que vivem mundos completamente diferentes e que desenvolvem uma parceria e um relacionamento intrigante, complicado, forte e incomum. O autor consegue construir um enredo irrigado de aventuras, perigos, corrupção, segredos de família e aventura. Apesar de ser um livro de ficção, destaco que, a cada novo capítulo, há dados coletados pelo autor sobre a quantidade de mulheres violentadas sexualmente na Suécia, e o que impressiona é que são números assustadores. É a ficção sendo irrigada pela realidade, neste caso, pela dura e cruel realidade. Ler e ver Millenium é ter medo, raiva, pavor. É ficar tenso. É amar e odiar. É visceral. É de sentir ódio e compaixão. Muitas surpresas. As histórias tomam caminhos diversos e inesperados. Esses três livros eu li em tempo recorde, pois, com tanto sentimento envolvido, as palavras foram devoradas, inclusive em madrugadas a dentro, qualquer pausa era uma oportunidade para ler. Quero deixar um aviso: não comece a ler, pois você será consumido pelo enredo desconfortável e pelos personagens envolventes e provocantes. Por fim, quero memorar o professor Adroaldo Fleck que me apresentou essas obras.
revistalições
Era uma vez... na escola, formando educadores para formar leitores
Prof. Edmar Galiza Instituto de Educação Ivoti 53
Li e recomendo O Perfume
E
nquanto eu arrumava os pertences de minha vó, uma das gavetas me chamou a atenção por causa do aroma. Entre lenços e pequenas amostras de perfume, encontrei um livro impregnado com as essências junto às quais fora guardado. Logo me chamou a atenção a capa, em que se dizia que era a história de um assassino. Lendo a contracapa, percebi que o livro era relativamente novo, fora lançado em 1985, sob o título original alemão Das Parfüm, die Geschichte eines Mörders. A história rapidamente me envolveu: O enredo é localizado no século XVIII, em que o protagonista Jean-Baptiste Grenouille veio ao mundo sendo parido de pé e abandonado atrás de uma banca de peixe onde sua mãe trabalhava. Desde muito cedo apresentou características excêntricas: ele não possuía cheiro, fato que se tornou o grande motivo de ser rejeitado por diversas amas de leite, que se horrorizavam quando descobriam que o garoto não tinha odor, como se isso fosse prenúncio de algum mal. Mas a mesma característica que o tornava intolerável o tornava também extraordinário, pois podia captar a grande distância o cheiro das pessoas. Nascido em 1738, sua vida foi marcada por vários infortúnios: passou por muitas doenças que enfraqueceram seu corpo e tam-
Volta ao Mundo em 13 Escolas: Sinais do Futuro no Presente
revistalições
O
54
livro “Volta ao mundo em 13 escolas: Sinais do Futuro no Presente”, André Gravatá, Camila Piza, Carla Mayumi e Eduardo Shimahara, relata a experiência de quatro brasileiros que viajaram por nove países, conhecendo treze escolas alternativas, com um único objetivo: alargar horizontes, buscando experiências inovadoras em escolas ao redor do mundo. O grupo visitou escolas na Argentina, nos Estados Unidos, na África do Sul, na Suécia, na Inglaterra, na Espanha, na Indonésia e na Índia. No Brasil, foram escolhidos três exemplos em São Paulo e um em Minas Gerais. As escolas visitadas atendem estudantes desde a Educação Infantil até o Ensino Superior através da Pedagogia Alternativa. Para os autores, o objetivo “não foi desfiar teorias sobre educação, menos ainda apontar fórmulas mágicas para mudar as escolas brasileiras. O foco está nas pessoas que tecem as redes
bém passou por muitas famílias pelas quais fora rejeitado. Sobrou para o padre da província a tarefa de encontrar alguém que quisesse ficar com a pobre criança sem cheiro. O padre descobriu na Madame Gaillard, uma jovem viúva, uma potencial mãe adotiva para o menino, já que havia perdido seu olfato quando criança, ao ser agredida pelo pai. Foi numa pensão que Madame Gaillard cuidou de Grenouille, junto com mais quatro crianças, que não suportavam-no por causa de sua singularidade. Foi neste lugar que o garoto descobriu que sua ausência de cheiro potencializava seu talento para se apropriar de cheiros alheios e memorizá-los. Quando a pensão fechou, ainda criança, Grenouille foi vendido para trabalhar como aprendiz de curtimento de couro. De lá, foi ser aprendiz de um famoso perfumista, Guiseppe Baldini. Tornou-se exímio na arte de combinar essências, e foi no atelier de Baldini que criou seus primeiros perfumes, tão perfeitos que renderam muito dinheiro. Foi nessa época que Grenouille conheceu uma moça, cujo odor ficaria impregnado em sua memória para sempre: era o cheiro mais perfeito, mais puro que já havia sentido. Queria esse cheiro pra ele, tornou-se obcecado, por isso extrai-o do corpo lívido da moça na tentativa de capturá-lo e, a partir dele, criar o perfume perfeito. Tudo o que mais queria era encontrar o cheiro perfeito: o seu perfume. Por meio dele, pretendia ser amado pelas outras pessoas, e isso só seria possível se ele tivesse um cheiro. O perfume ideal era a forma dele encontrar o belo e, nessa busca, nada o detém. No ano de 2006, a obra foi adaptada para o cinema, sendo o roteiro inspirado no livro. Profª Adriane Hauschild Colégio Martin Luther de convivência e espaços que visitamos, no aspecto social que se movimenta. Em vez de abordar a crise na educação com os preconceitos que inevitavelmente carregamos, nosso coletivo se despiu das certezas para ser preenchido por histórias que ampliassem nossos horizontes.” Denominada de “coletivo”, por sua construção colaborativa, a obra está organizada por temas como empreendedorismo, jogos, sustentabilidade, cultura e arte, considerados os fios condutores de cada um dos capítulos. Vivemos tempos de diversidade e transformação, conhecer experiências inovadoras torna-se fundamental para refletir sobre o nosso fazer pedagógico diário. Para quem admira novas experiências e criatividade, o livro nos leva a uma viagem por este mundo encantador e desafiador que é a Educação. Profª Renati Fronza Chitolina SETREM
Assisti e recomendo Valente
S
er mãe de menina faz com que tenhamos que revisitar, diariamente, muitos clássicos de animação e, quase que exclusivamente, o universo das princesas Disney. Passada a febre da Frozen, um dia resolvemos assistir Valente num canal infantil e… que linda surpresa! A princesa Merida, de longos cabelos ruivos e cachos desgrenhados, protagoniza uma aventura cheia de traços modernos e mensagem de empoderamento feminino, apesar de ser situada na Escócia Medieval. A ousada princesa Merida, herdeira do espírito livre e aventureiro de seu pai, o rei Fergus, gosta de cavalgar e atirar com seu arco e flecha. Sua mãe, a rainha Elinor, é centrada e extremamente preocupada com as tradições sociais. A pouca idade de Merida traz consigo a característica adolescente de questionar as regras e de acreditar que ela é dona do seu próprio destino. A partir deste conflito familiar é que esse belo roteiro, repleto de significados, se desenrola. Merida não deseja ter a vida que sua mãe planejou e a mãe não se conforma de a filha não realizar as suas expectativas. Mãe e filha precisam se unir para amenizar suas diferenças em busca da paz familiar e do respeito mútuo. Mas ainda há outra mensagem que me agrada muito nesta animação e que difere muito dos destinos das princesas “à moda antiga”, como Branca de Neve, Cinderela e Aurora. O filme não traz como tema central o amor romântico, no qual o príncipe e a princesa beijam-se ao final como cumprimento do destino de encontrar o amor verdadeiro. O verdadeiro amor está retratado pelo laço do afeto familiar, no qual pai, mãe e filhos não medem esforços para recuperarem a harmonia. Profª Patricia Castiglia Pereira Centro de Ensino Médio Pastor Dohms
A estrada 47
Prof. Tiago Weizenmann Colégio Evangélico Alberto Torres
revistalições
O
filme A Estrada 47 (2015) é uma dica para quem gosta de História do Brasil e de Segunda Guerra Mundial. A narrativa, baseada em fatos reais, resgata a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. Os pracinhas, como foram chamados os combatentes brasileiros enviados à Europa, encontravam-se nos fronts de combate, nos anos finais da guerra, contra as tropas nazifascistas. Nesse contexto, o enredo relata os desafios e as dificuldades de quatro soldados brasileiros na Itália. Vale a sugestão para conhecer uma parte da história brasileira que é pouco lembrada, e entender de que maneira se deu a participação do Brasil no conflito internacional, que encerrou em 1945.
55
Culto de encerramento Prédica do Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, no Culto de Encerramento do Congresso
revistalições
“Q
56
ue a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão com o Espírito Santo esteja conosco hoje e sempre. Amém!” Estimado Diretor Executivo da Rede Sinodal de educação Prof. Ruben Werner Goldmeyer! Estimados Diretores, Diretoras, Professores, professoras! Estimados Ministros e Ministras da IECLB! Estimados Irmãos e Irmãs em Cristo! Quero iniciar esta mensagem manifestando minha gratidão pelo convite para participar do 31º Congresso da Rede Sinodal de Educação. Manifestar minha alegria pela escolha do Tema deste Congresso: “ESCOLA LUTERANA: COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO!” à luz da celebração do jubileu dos 500 anos da Reforma! Nós, Igreja e escola, IECLB e Rede Sinodal, carregamos as marcas que têm sua origem no movimento da Reforma de 1517. Este Jubileu se apresenta como uma oportunidade ímpar para o nosso testemunho, para dar razão de nossa fé, de nossa vocação, da missão a nós confiada por Deus. Tenho destacado que queremos e vamos festejar e celebrar não uma ruptura ou divisão, mas, sim, a vocação e as marcas que tanto a Igreja quanto a escola receberam a partir do movimento da reforma que tem em Lutero grande liderança. Queremos festejar e celebrar nossa presença e nosso jeito de participar da missão da Igreja de Jesus Cristo neste mundo. Para a IECLB, a educação na comunidade de fé e na escola, embora distintas, tem base teológica e pedagógica comum. Em termos de Teologia, educamos para promover conhecimento e fé que reconhecem o presente (graça) da salvação em Jesus Cristo, cuja resposta se traduz em obras de amor. Educamos para a liberdade, para uma fé e uma consciência que se engajam livremente em favor do bem, contra o mal. Educamos para que se compreenda que Deus revelou seu rosto real no mais profundo abismo da dor; que lá Ele está. Sobretudo, entendemos a educação como meio que habilita as pessoas para a maturidade da fé e da cidadania.
Em termos de pedagogia, a IECLB compreende e promove a educação que é construída sobre as experiências de vida das pessoas, o que exige valorizar suas alegrias, tristezas e sonhos. Educação autêntica envolve a pessoa na sua integralidade; toca todo o ser e passa por todos os seus sentidos. Educação desperta e capacita para o desenvolvimento da criatividade (dons) que Deus conferiu a cada pessoa. Educar tem como alvo a humanização da coletividade. Educação assim se dá em ambientes de criatividade, liberdade, solidariedade, alegria, canto e dança. Educação autêntica ouve, ausculta, estimula o diálogo que liberta para perguntas e dúvidas. Não por último, mas como objetivo maior, educação contribui decisivamente para que filhos e filhas de Deus, em atitude de fé e de cidadania, assumam o compromisso de servir, como Jesus serviu. O tema deste culto de encerramento lembra uma frase bonita de Lutero: “Se eu soubesse que amanhã terminasse o mundo, ainda hoje plantaria uma árvore. (Se eu soubesse que amanhã acabaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira).” Esta frase é expressão de uma profunda confiança no Deus que sustenta a história, nossas vidas, nosso mundo. Expressa atitude de quem é movido pela esperança, por uma convicção profunda no senhorio de Jesus Cristo, que nos revela o rosto misericordioso de nosso Deus. Por isto mesmo Lutero pode cantar: Deus é Castelo forte e bom, defesa e armamento! Do texto do Evangelho de Lucas, que ouvimos na Liturgia da Palavra, do capítulo 6, destaco o versículo 45:
“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” A este texto agrego o lema bíblico que acompanha o Tema do Ano da IECLB para este ano: “Pela Graça de Deus, livres para cuidar”, de Amós 5.17a que diz: “Buscai o bem e não o mal”. O Jubileu dos 500 anos da Reforma ocorre num momento em que a humanidade e o planeta terra se encontram em uma enorme crise! A teóloga mexicana Elsa Tamez faz uma reflexão pertinente quando aponta para a necessidade de falarmos da Graça! Ela diz: O preocupante é o esquecimento deliberado deste termo e de suas noções, pois teologicamente trilham caminhos opostos àqueles que fazem da fé e da religião um negócio. Se o mercado não conhece a graça porque tudo se vende, se não conhece a misericórdia porque essa não é rentável, então a graça (assim como a misericórdia) pode ser um termo com noções subversivas. De onde surge a necessidade de falar da graça? (....) Graça é a resposta teológica a uma realidade particular, também teológica: o pecado, no singular. Não se trata de pecados pequenos: o pecado, no singular, é uma realidade insustentável, um poder mortífero. (...) Não se trata de uma realidade abstrata ou inventada, nem de demônios que andam pelos ares. (...) Trata-se de um poder que se faz presente em (...). Feridas, sofrimentos, mortes que se tocam, gritos desesperados pedindo justiça, guerras – santas ou pagãs – que produzem mortes; tudo isso são marcas visíveis do pecado. Esta realidade, por um lado, e a realidade de fascinação que está sendo criada pela cultura do mercado, por outro, trilham caminhos opostos. [p. 129] A experiência da graça faz com que aconteçam coisas: ela ilumina as desgraças do mundo, ou seja, as revela para que tomemos consciência delas e de nossa responsabilidade, e a graça também anima a cultivar a fé em que o reinado de Deus é possível, um reinado onde, também devido à gratuidade, se possa celebrar de antemão naqueles espaços de afirmação
da vida concreta e corporal, sem dar as costas para a morte. [p. 132. Elsa Tamez, Pensamentos sobre a graça a partir de um continente empobrecido. In: Profecia e Esperança – um tributo a Milton Schwantes. Oikos, São Leopoldo, 2016, p.125-135.] A Graça de Deus que revela as desgraças em nosso mundo! Destaco um aspecto desta realidade que tem o rosto da desgraça em nossos dias! A filósofa Marcia Tiburi, escritora e professora universitária, escreveu um livro que tem o título: “Como conversar com um fascista – reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro”! Sua questão é: “Eu queria saber por que dialogar é impossível”. A escritora, repórter e documentarista Eliane Brumm, à luz do livro de Marcia Tiburi, avalia que o atual confronto no Brasil não é um confronto “entre direita e esquerda, desenvolvimentistas e ecologistas, governistas e oposicionistas, machistas e feministas”. Isto, segundo ela, é uma redução. “O confronto atual seria mais profundo e também mais dramático: entre os que pensam e os que não pensam”. E ela continua: “Num país de antipolítica e antieducação generalizada como o Brasil é preciso se mover. (...) diálogo é um ato de resistência.” Destaco o que estas duas autoras escreveram porque percebo aqui um desafio fundamental para a Igreja e a escola! Do que nossos corações estão cheios? “As palavras expressam o que há no coração. Como diz o Evangelho: ‘porque a boca fala do que está cheio o coração’. (Lucas 6.45). Isso significa que com as palavras podemos construir diálogos para beneficiar ou destruir a vida de alguém. As palavras são fortes e poderosas. Elas têm o poder de carregar tanto a maldade como a bondade. E no uso que podemos fazer das palavras e diálogos, a Educação Cristã é essencial.” (P. Dr. Pedro Puentes) Educar para o diálogo e o respeito é anunciar e viver a unidade como dom gracioso de Deus, que somos chamados a receber e a preservar (Efésios 4.1-6). (Plano de Educação Cristã Contínua da IECLB, p.17) Esse também tem sido o desafio posto para nossa caminhada – IECLB e Rede Sinodal. Vejo frutos bonitos surgindo. Quando apostamos no diálogo, no encontro e não no desencontro, quando apostamos na confiança e na convicção de que podemos nos complementar, quando nos vemos como parceiros num processo de aprendizado, a graça de Deus revela seus milagres e frutos!
Neste sentido, quero destacar nossas ações conjuntas: Estabelecemos parcerias bonitas: 1. Tema do Ano: participação na elaboração de materiais; 2. Parceria no Amigo das Crianças – tivemos uma oficina neste Congresso; 3. Conselho Nacional de Educação Cristã Contínua; 4. Conselho de Educação da IECLB; 5. Pastorado Escolar – formação e acompanhamento; 6. Programa “Comunidades Criativas” – participação de professores/as em assessorias; 7. Superação de antigas rusgas, diferença; Em nosso horizonte está a ideia de reunir todas as Comunidades em que há uma escola da rede, independente se são mantenedoras ou não, para refletir esta relação e as perspectivas de trabalho que há; 8. Gestão Escola x Comunidades mantenedoras! Desafio: qualificar a gestão! A IECLB se compreende como uma Igreja de Comunidades! Quando falamos em Comunidade, comunidade escolar, pensamos em mais do que o espaço físico das construções, Comunidade / comunidade escolar tem a ver com interação, relações, movimento para fora, com o entorno, tem a ver com a dinâmica da vida, onde se celebra, onde se exercita a cidadania. Neste corpo vivo aparece a escola como formadora destas pessoas. Nesta comunidade escolar somos chamados a vivenciar o que significa liberdade, graça, respeito, tolerância, acolhida, cidadania, igualdade! Não se trata, portanto, de educação para dar conta, apenas, de um ENEM, também isto, mas para dar conta da vida, educação que constrói uma cultura de vida. Esta comunidade tem uma identidade! Ela confessa valores, convicções, parâmetros! Não somos apenas mais uma escola entre outras, mas somos Rede Sinodal a partir de uma convicção de vocação. Há um propósito, há uma missão de Deus confiada a este corpo chamado Rede Sinodal! A REDE SINODAL, essa escola comunitária, nasce quando o estado não dava conta da educação! Escolas comunitárias! Aqui foi construída uma história muito bonita. Temos um legado, construído pelo esforço, convicção e paixão por outros que nos antecederam. Com Getúlio Vargas, o Estado Novo, com o lema “o Brasil para os brasileiros”, muitas escolas foram fechadas, outras encampadas pelo estado,
fomos empurrados para a margem! Sobraram poucas escolas! Na IECLB estamos a um bom tempo treinando dar este passo de uma Igreja de manutenção para uma Igreja que tenha um rosto missionário, que tenha a coragem de fazer o movimento para fora das fronteiras e muros que construímos e dentro dos quais nos protegemos. Nós temos uma riqueza a nós confiada que precisa ser compartilhada! Este Congresso é mais uma evidência do dom bonito que Deus nos concedeu. Há uma riqueza de experiências (frutos) e reflexões que encantam e fazem acreditar, a plantar pés de maçã! Num contexto de extrema fragilidade da educação como a percebemos em nosso país, num contexto de antieducação, entendo que fazer o bem pode se traduzir numa atitude de quem faz o bem ao propor, a partir de suas experiências, a melhoria da educação com vistas a uma sociedade mais justa! Missão – educação. Trata-se de uma tarefa fantástica. Tarefa fácil? É óbvio que não! Há fragilidade! Há a pressão de pais e mães que terceirizaram, mas nem todos. Há muita concorrência; o que dizer da inadimplência em tempos de crise econômica, o que dizer da sustentabilidade, etc... Estar com Cristo não significa ausência de medo, angústia e sofrimento, mas é confessar que, na busca pelo bem, não estamos sós. Em Jesus Cristo, a graça de Deus me abraça, me envolve. A graça de Deus me reestrutura! Tenho um fundamento sólido! Construí sobre a rocha! De alguém inseguro em seguro em Deus! De alguém com medo do fim em alguém pronto para plantar árvores, como Lutero. Ela me permite um novo olhar, com os olhos de Deus! A plantar árvores como atitude de confiança no futuro de Deus! Por quê? Porque ele garante este futuro. A graça de Deus nos dá um novo coração! Ou como disse o apóstolo Paulo: ”Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”! Que a paz de Deus que excede todo o entendimento guarde nossos corações e nossas mentes em Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém! P. Dr. Nestor Paulo Friedrich Pastor Presidente da IECLB
revistalições
Culto de encerramento
57