Editado pelo Centro de Elaboração de Material da lECLB Riia Epifanio Fogaça,467 Caixa Postal 11 -Tel.:(0512)92-2399 93000-SÃOLEOPOLDO « RS
Equipe do Centro de Elaboração de Material: Silvio Sdineider(Coordenador) Irineu Lasdi Danflo Streck Wigand Eidam
Ilustrações: Cerise T.Pahl Arte final: Vilson SchoeneO
1981 EDITORA SINODAL Rua Epifanio Fogaça,467 93000 - SÃO LEOPOLDO - RS
Composiçãoeimpressão: EDITORA SINODAL
APRESENTAÇÃO A família X tem uma criança cujo desenvolvimento é notadamente diferente. Os pais Jd perceberam que algo não está certo, mas continuam esperando que a coisa mude. Na vizinhança comenta-se que o menino é anormal, uns até dizem que é loúco. Na escola e no culto infantil a criança é marginalizada e até mesmo ridicularizada. Os pais do menino entendem o que está acontecen do? Será castigo de Deus,como se comenta? Qual o papel do pas tor, do catequista e de outros obreiros da comunidade para com esta criança e família? O que os pais poderiam fazer? Onde eles poderiam procurar ajuda profissional? Como a comunidade pode colocar-se ao lado desta família? A criança da família X é possivelmente uma das muitas em nossa comunidade e local onde moramos que poderia ser qualifi cada de deficiente. Ela é também uma das muitas pessoas que, para a maioria de nós, passam desapercebidas como seres humanos com direito a uma vida plena (Jo 10.10). Com este material queremos participar do diálogo sobre a si tuação da pessoa deficiente. Os artigos aqui apresentados querem auxiliar-nos a: - saber compreender a pessoa deficiente e sua família, para o que precisamos de informações adequadas; - estar preparado para agir nas situações que se nos apresen tam como profissionais, educadores, pais, vizinhos ou como membros da comunidade no relacionamento com pessoas deficientes; - refletir teologicamente a realidade da pessoa deficiente. Ao reunirmos o material para esta revista damo-nos conta da pouca experiência que temos, como Igreja, neste campo. Sem dú vida, existem iniciativas isoladas na educação de deficientes, há os asilos que realizam um importante trabalho. No entanto, parece faltar-nos ainda uma visão da pessoa deficiente que leve a uma prá tica que não seja apenas assistencialista e paternalista. Poderiamos perguntar: Estamo-nos contentando com remendos quando estes deveríam ser parte de uma política de aceitação e integração do deficiente na sociedade? Preocupamo-nos suficientemente com cau sas mais freqüentes da deficiência em nosso meio: alimentação adequada e acesso aos recursos médicos para toda a população? Para concretizar os objetivos acima mencionados pudemos contar com a colaboração de pessoas que compartilham suas re flexões e experiências, bem como de instituições que se dedicam exclusivamente ao trabalho com deficientes. Entre estas destaca mos a Fundação Riograndense de Atendimento ao Excepcional (FAERS) e Associação de Pais e Amigos de Excepcionais(APAE) de São Leopoldo, A todas elas os nossos agradecimentos. Equipe do Centro de Elaboração de Material da ÍECLB.
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Aprendendo A Viver Com As Pessoas Deficientes Rolf Droste Avatta-se que de cada dez pessoas, uma é deficiente
1981 foi declarado pela Organização das Nações Unidas çomo Ano Internacional das Pessoas Deficientes. O Conselho Mundial de Igreias conclamou as 299 Igrajas-Membro "qua sa ampanhassam pela integraçao e plana participação das pessoas deficientes na vida t ik-!'%' «'«««"' aproximadamente 450 «ntn axoapcionais físicos e mentais. Portanto, 10 /«da população mundial 4 portadora de alguma excepçionahdade. Um grau que não deve passar desapercebido. 80% dos excepcionais vivem nos assim denominados países em desenvolvimento. Af já transparece a conotação da deficiência física e mental com a deficiência social e econômica. No Brasil, assim se estima, existem 12 milhões de deficientes O último censo demográfico (1980) não fez nenhum levantamento neste sentido. Sena isto um atestado de desinteresse para com os excepcionais? A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (lECLB), membro do Conselho Mundial de Igrejas, depositária do vangelho de Jesus Cristo, não pode ignorar aqueles 450 milhões de deficientes no mundo, nem os 12 milhões no Brasil. *
Responsabilidades a partir do Evangelho
Nao queremos, nestas considerações, definir termos como deficiência e excepcionalidade. Aqui é suficiente saber que se trata de nossos semelhantes, irmãs e irmãos, que tiveram um desvio em sua formação físico-orgânico-mental e r que necessitam de recursos e serviço» espeçiai» e complementares, çomo uma psicàloga e nõs sim. verificar como nos relacionamos, como pessoas e Igreja, com as pessoas deficientes. Que responsabilidades nos são atribuídas tantn h
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Sem esperança -com esperança A deficiência sempre ffo* tofiimentos
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diram não comprar frutas que vinham da República da África dó
5 Sul. Queriam mostrar o seu protesto á díscriminaçâío racial(minoria branca para com a maioria negra) reinante naquele pafs. A aç5o ficou conhecida como "boicote de frutas". Quanto à sua validade, o Secretário Geral do Conselho da Igreja Sul-Afrlcana (Desmond Tutu) disse aos europeus: 'Sem boicote nós sofremos sem espeiranças. Com boicote nis sofremos com esperança." A deficidncia e excepcionalidade sempre trazem determinados sofrimentos consi go. Acredito que estas pessoas, vendo a nossa omissáTo ou o nosso engajamento, poderiam dizer: Sem a vossa solidariedade nós so fremos sem esperança. Com a vossa solidariedade nós sofremos com esperança. Talvez a reflexão sobre o Ano Internacional das Pessoas Deficientes nos mostre oquanto todos nós somos interdependentes, sadios e doentes, pretos e brancos, idosos e jovens. Não podemos pensar em nós sem pensar nos outros. E todas as vezes que esquecemos isto, acontece, por exemplo, que um dependente de cadeira de rodas não consegue visitar seus amigos, porque a cadeira não passa pelas portas do elevador e apartamento. Tudo ó feito com os olhos voltados para os sadios. E estes, como disse Jesus, não preci sam de atenção especial (Lucas 5.31).
Igreja deficiente Temos que admitir que como Igreja fizemos pouco pelas pas- PoMOprevençãoe soas deficientes. Muito pouco. Não esquecemos, entretanto, aque- reabüitaçâb Ias pessoas que tiveram ou têm em sua família um membro defici ente e lhe dedicam a atenção que merece, O mesmo vale de certas instituições e serviços. Mas não temos empenhado muito tempo, nem recursos na causa do deficiente. Fizemos pouco em termos de prevenção de excepcionalldades, e pouco em termos de reabilita ção. E nestas duas áreas todos nós,como Igreja, temos uma grande responsabilidade a assumir. A integração da pessoa deficiente na vida da sociedade pode acontecer especialmente através de serviços de reabilitação. Assim mesmo são muitas as barreiras naturais que uma sociedade de competição e espírito materialista impõe. Para inserir as pessoas deficientes no processo de trabalho e também de lazer, muitos preconceitos deverão ser eliminados. Temos que aban donar o pecado de dividir a comunidade em classes, como se cá fos se o lugar dos sadios e acolá o lugar dos deficientes; aqui dos capa zes e lá dos incapazes. Os cristãos são chamados a ser sal e luz. Portanto, devem escla recer erros e propor mudanças. Não podemos compartilhar da filo sofia de vida exclusivista, que usufrui os bens da terra e os benefí cios sociais, sem perguntar se o próximo tem chances e direitos iguais. Quantos passeiam á noite e nos fins de semana totaimente à toa, esbanjando inutilmente gasolina porque podem, e nem de longe pensam nos parentes que vám rodando cansados em suas ca deiras, quase que perdidos no horizonte brumoso de uma socieda de trepidante. O que é feito da palavra: "Sejam humildes, e cada um conside re os outros superiores a si mesmo. Que cada um procure os interes-
6 MS dos outros, e nfo somente os seus próprios interesses"(Filipenses 2.3 e 4)7 Alto útdicede defldênela espirüud?
●í N3o seria o grau de deficiência das pessoas deficientes tão ele vado, porque os cristãos e a igreja cristã apresentam um fndice elevado de deficiência espiritual? Este aspecto deve ser analisado com seriedade. Antes um reconhecimento tardio e uma penitência humilhante, mas regenadora, do que viver em permanente estado de coma espiritual.
*"Não tenho ninguém
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Naturalmente, todos são responsáveis por todos neste mundo. Mas sabemos que se trata de uma ordem por demais pervertida. Muitos, que nasceram sendo alguém e possuindo bens, e nada fize^ ram por merecê-los, dispõem de recursos para chegarem onde que-* rem e alcançarem o que querem. Via de regra, são estes que se es quecem dos outros. “Equanto eu vou, desce Tanto mais os cristãos são solicitados a proclamar e viver o que outro antes de mim ’* Cristo ensinou e vivpu. E triste que alguém tenha que chegar ao ponto de dizer "não tenho ninguém" (João 5.7). E foi isto que um deficiente ffsico disse no tempo de Jesus, lá em Betesda, lugar de banhos, aos quais se atribufa milagres." Enquanto que eu vou, des ce outro antes de mim", se queixou o deficiente. Alguém que não está em situação ffsica ou mental para compe tir encontra alguém que fica e vai com ele, ou deve mesmo resignar. E resignar é retirar-se da vida, é morrer antes da morte. De certo já fomos surpreendidos por uma palavra assim, referindo-se. por exemplo, a uma pessoa idosa: "Mas ela ainda vive?" Só por isso o Ano Internacional da Pessoa Deficiente já se jus tifica. Vamos parar e ouvir o que estas pessoas nos têm a dizer. São elas que devem opinar e aconselhar a comunidade nas coisas que lhe dizem respeito. E se esta não as quer ouvir, porque se narcotiza com outras "músicas", os deficientes devem gritar e, se pre ciso, xingart Porque é preciso que os 90 % de normais aprendam a "conviver e a compreender-se" com os 10% de deficientes, como um jovem deficiente advoga em artigo por ele escrito. A necessidade de integração dos deficientes na comunidade e Igreja é inquestionável. E a sociedade, que tanto gasta em coisas supérfruas, tem os recursos e meios necessários à mão para promover esta integração.
Fatos concretos e não pensamentos bonitos Precisamos de amor que se levanta, vaiefat
Este tema internacional está levantando bastante vento. Mais necessária, porém, é a chuva. Em outras palavras: Não podemos satisfazer-nos com alguns pensamentos sublimes. Precisamos de fatos e ações concretas. Não precisamos daquele amor que fica sentado, mas daquele que se levanta, vai e faz! Daquele amor que não pergunta se é visto, mas tem consciência que "carregar o far-
7 do do outro" (Gálatas 6.2) faz parte da justiça e fraternidade e "Eu sinto exige renúncia e despreendimento. Um deficiente disse: comigo ó fingida e artiflque a bondade de muitas pessoas para ^ . .. . . ciai." E pergunta: "Então carregar o outro não significa ajudar dizer, entre as linhas, o com alegria? Por que sempre precisam quanto devem sacrificar para terem tempo para nós?” As Comunidades devem examinar onde e como vivem as pessoas deficientes. Precisam ouvir e auscultar-lhes as reivindicações . e sugestões, e dar-lhes a participação e o lugar que lhes cabem, ictri fa7 narte da resDonsabilidade missionária do cristão. Quando a lECLB, em fine de 1978, escolheu, entre outros. como tema prioritário a questa-p indigina, ela justificou a escolha
Osdeflaentesquerem pemapaçaü e mtegraçao
dizendo que os índios representavam as minorias esquecidas e re legadas As pessoas deficientes fazem parte destas minorias Mas não pensemos que os deficientes queiram afagos e misericórdia. Querem participação e integração. Querem viver a vida. É um direito humano.
Evangelho para os deficientes Quem tiver dúvidas quanto ao comprometimento de Jesus Jesus se com os "enteados sociais”, deve ler Mateus 25.31-46. têm comida, roupas, casa., nao identifica com os prejudicados, que pátria, saúde e liberdade à qual têm direito. Em outra ocasiao re comenda, que não convidemos para as nossas festas aquelas pessoas que consideramos em condições de retribuírem o convite. "Convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, e voca sera você fez, mas Deus abençoado. Pois eles não poderão pagar o que fazem o bem ressuscitarem pagará no dia em que as pessoas que E Ias deficientes! (Lucas 14. 13-14). Jesus pensa nas pessoas estavam para ele acima das convenções sociais, acima do protoco-
Jesus pensa nas pessoas defícientesl
lo (Marcos 10.46SS - especialmente 48). E é através da atuação a do auxílio dado aos deficientes que Discutir quem tem culDeus é glorificado (ler João, capítulo 9). pa na situação do cego. pode ser interessante, mas ainda não ajuda (João 9.2). Isto os discípulos devem aprender! - De nada também vale os vizinhos falarem dos outros, dos "golpeados pelo envolver-se (João 9.8ss). — destino", com os quais não costumam E averiguar se as leis permitem ou não prestar este ou aquele não está no auxílio ao deficiente, só é interessante para quem 9.13ss). Existem aperto e não sabe o que é sentir alívio (João das que ajudam. São pessoas que não ajudam e ainda têm ciúmes duplamente prejudiciais. Graças a Deus, o dom de curar sempre foi dado a alguns na Comunidade (1 Coríntios 12.9). Este dom de socorrer e curar se man ifesta de muitas maneiras. Pode ser por meio da oração (Tiago meio de cuidados físicos especiais e outros 5.16); pode ser por recursos que Deus põe ao nosso alcartce. Também há casos em que a cura não acontece. Atenuar a dor e repartir o sofrimento, então, vale mil vezes mais do que se omitir. Existe o.pecado da omissão. Quem sabe
pecamos mais naquilo que não fazemos, do que na-
O dom de curar se manifesta de muitas maneiras
8 quilo que fazemos. Quem ler Mateus 10.5-15, verá que Jesus nao enviou os 12 apóstolos apenas para que pregassem o Evangelho, mas para que Unidade de testemunho o proclamassem por meio de ações concretas. Testemunho (mare auxílio prático tiria) e auxilio prático (diaconia) eram uma unidade. Onde na igreja o testemunho falado do Evangelho 6 separado do testemu nho praticado do Evangelho (ação social), ali podemos falar em esquizofrenia eclesiástica. lapso orgânico. — O amor ●Certa vez Jesus disse obras" (Mateus 11.19). sabedoria
E uma doença sorrateira e leva ao co é parte da fé, e a fé ó parte do amor! que "a sabedoria é justificada pelas Bem poderiamos substituir a palavra
pela "fé" e dizer: A fé é justificada pela ação (Gálatas
5.6). Ou: Pelos resultados práticos é que o Evangelho de Jesus Cristo mostra que é autêntico e verdadeiro. A festa dos reabilitados Pouca palavra e muita identificação
A caminhada pela vida, na companhia de deficientes, pode ser penosa. Principalmente i n o que diz respeito às explicações e respostas que temos que dar ás pessoas deficientes, quando nos pyguntarem sobre o porquê da sua excepcionalidade Talvez nao nos reste sabedoria muito maior do que a solidariedade. Pou ca pajavra e muita identificação. - Identificação? A grande ceia é para os Ou estamos num beco sem saTda nesta questão da pessoa ■ marginalizados .deficiente? Não existe uma última e grande palavra de alcance transcendental para todas as pessos? Existe. Deus afi — toda a aparência: "Tenho pensamentos de paz a vosso respeito, e não de mal, para vos dar o fim que desejais" (Jeremias 29.11) No reino de Deus não há lugar reservado para o mal (Apocalipse 21. 3-4). Seria irônico e imperdoável chamar de felizes osque so frem (choram), se não houvesse a porta para a felicidade (Mateus 5.4). A grande ceia é para os marginalizados (Lucas 14 .15ss)! Somente para eles. Deles será a alegria. - E nós? Bem, depende se somos necessitados e deficientes (João 9.41).
Cremos na festa dos reabilitados
Mas, e deste pecado a mais Deus nos livre, a festa dos reabi litados não é apenas futuro e expectativa . Não é por crermos que Deus, então, acabará com todos as deficiências. que nós hoje podemos ficar tranquilos e descansados, Mas exatamente por crermos na festa dos reabilitados, é que nós começamos a enxugar lágrimas e cerrar fileiras com os deficientes - hoje e aqui. O reino de Deus é promessa 9 realidade, simultaneamente. Quem fala num remo de Deus do amanhã, está sonhando e não sabe de nada! Nós estamos vivendo hoje e aqui, em pleno Ano Internacional das Pessoas Deficientes. E antes que outros o façam , temos que nos perguntar, como descípulos e Igreja de Jesus Cristo: O que podem significar para os outros, - hoje as psssoas deficientes, a nossa fé, a nossa esperança, o nosso' amor? (1 Co 13.13)
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0 Deficiente Na Família Colaboração da PAERS
A chegada de. uma criança deficiente representa uma situa* ção nova para a famflia e a maioria dos país tãm pouca experiên cia com a espécie de mudanças que surgem na estrutura e orien tação da família a fim de lidar confortavelmente com um filho que é deficiente em seu padrão de desenvolvimento e conduta,
Uma situação nova para afamüia
8 para o qual serão necessários expectativas e objetivos diferentes daqueles que a família teria para outro tipo de criança. A descoberta pode dar-se numa destas três situações: a) os pais são avisados pelo médico ou por si sós, logo após o nascimento, se dão conta de que o filho é deficiente; b) os pais notam, com o decorrer dos anos, que a crianca não se desenvolve como deveria; c) ao ingressar na escola surgem os entraves para uma apren dizagem em tempo normal. As reações dos pais podem ser diversas: cboque, rejeição, me do, gica pais pais
insegurança. Evídentemente deve haver uma estrutura psicoló e um relacionamento muito estável entre o casal, para que os superem sadiamente os obstáculos. Observando a conduta dos de crianças excepcionais, encontramos certos padrões comuns; — encarar os problemas da criança excepcional de modo rea lista; — negação da deficiência da criança — um defeito na criança parece aos pais como uma falha deles; - autocomiseração — a lamentação de sua própria sorte e uma consequente acomodação se faz presente em muitas casos; - sentimentos ambivalentes em
relação aos deficientes - a
ambivalência traz reações de culpa que se traduzem em superproteção, solicitude, exagerada, etc.; - projeção — a causa da deficiência é projetada de cônjuge a cônjuge ou ao médico, à parteira, até à inexperiência da professora; - culpa, vergonha e depressão — "o que os outros vão dizer'*; os pais procuram em si as causas da deficiência e se autoacusam; — dependência mútua — a condição da criança exige mais cui dados, tornando-se dependentedos pais. A mãe ou pai, por
Fundação Riograndense de Atendimento ao Excepcionai. Av. Borges de Medeiros, 549 — Porto Alegre — RS,
reações dos pais são diversas
10 sua vez, dependem do filho para provar que são um bom pai ou uma boa mãe. É importante que os pais averíguem as áreas de possível desen volvimento de seus filhos, que compreendam suas limitações físi cas e mentais e que procurem nelas as condições para crescer e aprender na medida de sua capacidade. Para que a família realize estes objetivos, devemos oferecer-lhe apoio emocional e ajudá-la a efetuar avaliações objetivas, seja de recursos ou das dificuldades da criança. Devemos ajudar os pais a saber como responder a uma criança cujo desenvolvimento e con duta diferem do normal. Auxiliar os pais a serem melhores pais
A orientação aos pais deve ser dirigida no sentido de auxiliá-los a se tornarem melhores país. Devemos ter em mente as qualidades individuais, considerando situações e limitações, pois cada um delas necessita reconhecimento e compreensão, como um direito oessoal seu e não apenas poraue tem um filho retardado.
VIVENDO COM A DEFICIÊNCIA Para os nonnais ou para quem não convive diariamente com pessoas deficientes, e difícil compreender suas dúvidas e alegrias ou entender a situação de um lar ou instituição que contam com* um membro deficiente. Com o fim de nos aproximarmos mais da reaüdade destas pessoas, transcrevemos o depoimento de um pai que conto suas dúvidas, frustrações e êxitos; de um diretor de uma msti^çao de ensmo que acolheu uma menina deficiente,e de uma estudante de nivel superior que nos lembra dos obstáculos que pre cisa vencer diariamente.
FOI-NOS DADA UMA CRIANÇA DEFICIENTE Nosso filho era deficiente Notamos que nosso filho era diferente
Nosso filho nasceu norm al como outras crianças. Ao crescer começamos a notar que o „ se-j desenvolvimento era diferente O crescimento era mais lento, era uma crianra ● miiitn criança inquieta e nos exigia muito. Por exemplo, minha esposa eu chegamos a passar dois anos nao sabendo o que é dormi ir uma noite. Um tinha que ficar sentado na cama, de vigília, porque a criança tinha problema de convulsões, Nós assumimos nossa responsabilidade. Constatamos logo no primeiro ano que o menino tinha uma deficiência mental, uma disritmia, de leve para moderada. Não nos conformamos com a situação. Entendemos desafio apresentado para nós e le; an 1 * a procurar recursos. Naquela época (há mais ou menos 15 anos) pode-se dizer que este campo era um "mato virgem". Psicólogos 9 neurologistas s6 havia em Porto Alegre.
n Quando procuramos o neurologista, nosso pediatra disse que éramos uns bobos, que tínhamos caído na mâo de tubarões que só queriam nosso dinheiro, que isto era uma coisa simples. Mesmo as* sim minha esposa e eu continuamos, Um ano depois este pediatra foi a um congresso no qual apresentaram um tema sobre neurolo gia. Aí ele nos chamou para pedir desculpas e dizer que continuás semos assim. Eu disse que se ele não tivesse segurança, não deveria dar este tipo de orientação. Se nós tivéssemos seguido seu conselho, nosso filho teria perdido um ano de tratamento. A escola Vinham reações da sociedade, mas nós as ignorávamos. Quer dizer, era nosso filho, nós procurávamos viver mais dentro do lar. viver com ele e superar a situação dentro do nosso alcance. Até a idade escolar não sentíamos conflitos diretos. O nosso problema começou quando teve que entrar na escola. Em vez de nos chama rem e dizerem que o menino não tinha condições, passaram a iso lá-lo. Um dia fomos ao colégio. Todos tinham ido a uma festa e o meu guri estava sozinho numa sala. Aí eu fiquei "perigoso". "Mas como? Por quê?" Então nos disseram que o menino não ficava quieto, que ele não tinha condições de ficar naquela aula.
Isolado na classe
ní Teve início aí o nosso drama no estudo. Nós tínhamos um filho em idade escolar e tínhamos que colocar este menino numa escola. Procuramos a APAE de nossa cidade: fechada! Consegui mos um lugar numa escola evangélica onde há uma sala para aten dimento de crianças deficientes. O pastor nos recebeu. Foi uma alegria. Não me convenci de estar certo o que lá se fazia. Não achei certo 15 crianças numa saia, cada uma com um problema diferente. Devia ser feita uma triagem, uma avaliação. Um mongoiôide tem que ficar com mongoiôide. O meu guri não ô mongoiôide. Deve-se
Uma sala para deficientes
12 colocar um daficiente com uma pequena deficiência mental com um outro mais ou menos numa faixa igual. O pastor disse que era difícil, que nao havia condições. Assim, parece que todas as portas se fechavam. Às vezes eu chegava a perguntar para minha esposa: "Será que nós somos dife rentes? O que há conosco? Os outros conseguem!" No fim colo camos o menino na APAE de São Leopoldo. Com a criança ali den tro a coisa começou a caminhar melhor.
A família Nosso neurologista havia recomendado que tivéssemos no mí nimo três a quatro filhos. Quanto maior a família, tanto melhor
Ê difícil educar uma criança deficiente
para diluir a situação. Partimos para o desafio e hoje temos quatro filhos. Felizmente a gente teve condições de contratar uma equipe que nos pudesse orientar como deveriamos agir. É fácil educar uma criança normal. Agora, criar e educar uma criança que tem deficiência não é fácil. O problema simplesmente foi posto à nossa frente. N unca alguém nos disse: "Tem que fazer assim. . Foi-nos
Não adianta surrar, não adianta castigar
dada uma criança deficiente. Agora a gente tem que educá-ia. A criança normal, por exemplo, tu dizes para ela não pegar e ela não pega. Com a criança deficiente é diferente. Um exemplo: o guri tinha uns cinco anos e eu tinha o meu carro na garagem, ao lado da casa. Um corredor dava acesso aos fundos da casa. O guri vinha tirar fininho com sua bicicleta. Cha mei-o e expliquei para não fazer isto novamente. Deixei-o um tempo na cadeira. "Pode sair, tu já pensaste que chega." Ele ia lá de novo. Não adianta surrar, não adianta castigar. Colocamos a questão para nosso conselheiro. Ele disse: "Se você iá fez de tudo só tem uma saída. Tira o auto de lá." Veja o conflito que isto dá para um pai. Normalmente o pai quer impor sua autoridade, quer ensinar que a autoridade é dc pai.
Para o casal isto não é fácil. Por causa dos conflitos a gente chegava a passar noites sem dormir. Cada um tentando acertar e não conseguindo. Imagina o casal. Tu estás defronte da esposa e dizes: "Tu fizeste isso errado." Ela diz: "Não eu fiz ce rto. Tu "Não vai lá porque tem guri louco"
O deficiente tomou-se o modelo para os irmãos
que fizeste errado." Aí começa... Nós enfrentamos coisas muito sérias. £ u tive que sair do Lions. tive que deixar de jogar tênis. Visitas a amigos, saídas, isso também terminou. Tivemos que nos recolher dentro de casa e encontrar as soluções e os caminhos para que o Carlos tivesse seus amigos e convivesse com os nossos vizinhos e os filhos de nossos vizinhos Várias vezes vizinhos diziam aos seus filhos: "Não vai lá porque tem um guri louco," Veja o que aconteceu, A minha filha tem uma personalidade muito forte, muito marcante e não entrou na dos guris. Mas dos três guris, os dois mais novos passaram a copiar o mais velho. Como nós tínhamos o mais velho deficiente, o pessoal começou a julgar que os outros dois filhos também eram deficientes. Mas não eram.
13 F izemos exames e o resultado foi negativo. Na escola, quando nos damos conta, os dois guris já estavam há muito tempo na classe es* peciai. Com isso se criaram dentro dos dois outros guris problemas emocionais muito sérios. Eles estavam copiando a deficiência do maior. fetal. Isso nada Por exemplo, os dois dormiam na posição mais é que uma pessoa insegura que volta à barriga da mae. En tão todas as noites um de nós sentava na carna do guri e dizia: Falando "Tu és muito bom. O pai gosta de ti. Tudo vai dar certo.” de amor, que gosta, que gosta, que gosta... Vê como a questão da família é difícil. Eu costumava voltar para casa às 7,8 horas (ficava no escritório, trabalhando). Como Os eu estava ausente, o menino mais velho me representava. outros então copiavam a figura do pai deficiente. Aí diz o médico: "Daqui em diante tu estás em casa às cinco e meia”. Fim de tenis. fim de Lions, fim de diretoria da Ginástica. Só em casa. Mais ener gia para dentro de casa. T fnhamos que quebrar o esqueminha deles. E quando comecei aI estar em casa na hora da janta, o mas velho Os outros começaram copiar a minha sentiu que perdeu autoridade. .. figura de pai. O mais velho começou a se revoltar. Batia na mesa, saía. Aí se teve que trabalhar com o mais velho. Não adianta surrar, nao adianta bater, Tens que trabalhar a criança, sempre repetindo as mesmas coisas. Minha esposa e eu poderiamos nos ter separado. Havia motivos bastantes. Mas a gente se uniu e viu que a solução é se amar cada vez mais. Só pelo amor, só pela união que vamos vencer. Não adianta fugir, nao adianta beber. Tu gostarias de vir bêbado. Não adianta. Dá vontade de desaparecer, que a barra está pesada demais. Uma coisa que nos ajudou foi trazer Cristo mais para dentro de casa. Aceitei um cargo na Diretoria da Comunidade. Quandodizia
Conflitos no casal
que ia para uma reunião da Diretoria, não tinha problema nenhum. Começamos a trazer para dentro de nós valores diferentes dos que netínhamos antes É necessário lazer, mas antes disso Cristo. É Cristo. Começamos a parcessário uma ginástica, mas antes disso licipar em estudos bíblicos e isto foi trazendo mais força para nós. Num lar normal há briga entre crianças, mas não da maneira
Desiauilíbrio no lar
como havia conosco. Cada um brigava com todos e todos brigavam com um. O guri deficiente tinha algo dentro de si que, quando estava tudo quieto, enfogueirava o negócio e daí caia fora. Ele incen tivava a discórdia. A gente estava em constante conflito.
Diante da sociedade e vizinhança Ficávamos, às vezes, muito chateados. Quando se ia a um lu gar, notava-se que o comportamento das pessoas era diferente. Então aquilo nos machucava. Eu ia num lugar e já notava um afas tamento. Percebia que os pais procuravam separar-se da gente. Evitava-se, por exemplo, ir a um almoço público. O guri simples mente não parava. Nós compreendemos as reações da sociedade. Se eu só tivesse filhos normais, não saberia compreender a situação de pais que
O comportamento da sociedade
14 têm um filho excepcional. Eu procuraria para meu filho uma edu
O risco que se corre ao sair
cação sempre melhor, sempre maior. A gente fazia uma auto-análisa e procurava não se afastar do pessoal. Pelo contrário, procurávamos nos aproximar, conversar. Mas não podíamos exigir que aquele que tem filhos normais nos compreendesse. Eles não esta vam no nosso problema, não viam a nossa situação. Começamos a fazer testes. Almoçávamos fora. Era comum pas sarmos vergonha. A gurizada levantava, corria, não queria saber de nada. Chegávamos em casa e dávamos a explicação. "Enquanto fo rem rebeldes assim, nós não vamos sair. Está na hora de botar juízb nesta cabeça." Depois de certo tempo tentávamos de novo. Hoje ainda, com tudo que acontece, a gente pensa: que lição vamos dar âs crianças... Quando se chega num lugar não se diz que o menino é defi ciente. Tudo vai bem até que conversam com ele. Quando pergun tam: "Em que colégio estás?" "Estou na APAE." Pronto; aí ele já se idc.itificou. Ele quer brincar. As crianças fazem uma colocação para ele, ele não acompanha, O guri é Mmitado. E le não compreende. E muito difícil.
Incompreendido pelo amigo
Lembro-me de uma situação;
O füho de um vizinho nosso
estava com uma lente de aumento tentando queimar um papel atra vés da concentração dos raios solares. Carlos queria ver e se colo cava entre o sol e a lente. O outro pediu que saísse e ele saiu. Na hora do papei pegar fogo, Carlos voltou á posição anterior. Com isto o outro se incomodou e deu-lhe uns tombos. Carlos arranh ou 0 rosto e se machucou.
I I
Pensamos muito sobre como deveriamos agir. Não podíamos ser agressivos nem ficar omissos. Resolvi falar com os vizinhos. Imagina a cena que encontrei: mãe e filho chorando. Deu quase vontade de me abraçar com eles e chorar junto. "A minha intenção
Ter aula assim como os outros
não foi brigar com vocês. Queria trazer uma situação que aconteceu. Não preciso dizer que o Carlos é um menino que tem defi ciências e o Eduardo é um menino sem problema nenhum. Eie a outros têm que se unir aqui na zona para ajudar ao Carlos que é um deficiente." Pela maneira como nós reagimos, estes vizinhos se preocuparam, acompanharam a cura do Carlos e o Eduardo hoje é um dos melhores amigos de nosso filho. Procuramos dar ao Carlos todas as chances Que ds outras cnanças têm. Por exemplo, embora bastante deficiente, teve aulinha de tenis como os outros. Eu disse ao professor; "Talvez Carlos nem acerte a bola. mas é importante que tenha aula. Ele não pode botar na sua cabeça que não tem aula por ser diferente dos outros. Não pode avaliar se é bom mas aval ia que também ele está tendo auIas."
A comunidade Um canai ainda não aberto
Acredito que a comunidade tem ali um canal que ainda não foi aberto. No caso ■■ concreto de meu filho, ele agora está em idade de ser confirmado. Nós .. . . -- ®5tamos fazendo questão que a confirmação nao seja simplesmente realizada por uma formalidade, sem o devido
15 preparo Achamos que a comunidade deve achar um meio, deve procurar alguém para ensinar Carlos a conhecer Cristo. Ele vai entender os ensinamentos de outra forma que as crianças normais, mas por isso nâo é menos importante que tenha este conhecimento. Já fizemos contato com a comunidade e com a nossa equipe orien tadora que está estudando um esquema de educação nesta área. Certamente conseguiremos. (Nilson Cassei)
OBRIGADO, RENILDA 25.5.1967 temos junto com os nossos alunos saos "Desde o dia . uma menina de nove anos que não ouve e, por isso, também nao boletim informativo da Aspode falar." Assim diz uma nota num socíação Oiacònica Luterana (Serra Pelada, ES). Esta menina foi encontrada em Vitória, Fazia parte de um grupo de crianças abandonadas que, sem rumo, andavam pela cidade.
Seus dias eram agitados. Vivia em completa insegurança. Não
sabia, muitas vezes, onde passar a noite. Além de tudo, presenciou muitos acontecimentos que a marcaram profundamente. Certo dia. o então diretor da Associação, numa de suas viagens â capitai capixaba, encontrou a menina e a reconheceu, Seus pais haviam sido membros de uma comunidade em que o diretor daADL,anos
Agitaçao e insegurança: a caminho do abandono
atrás, fora pastor. Agora, os pais da menina já não mais viviam juntos. N inguém sabia ao certo onde andavam. Mas a mãe foi localizada, e Renilda — é esse o nome da menina — pôde ser levada para a Associação Diacônica. N o início foi muito difícil. A menina se refugiava num canto do seu quarto e lá ficava qual animal assustado. Ganhou algumas roupas, objetos para uso pessoal e uma boneca. Levava tudo consi go para a cama quando ia dormir. Somente quando foi possível explicar-lhe que nesta comunidade ninguém lhe tiraria algo, Reniida deixou suas coisas na prateleira. Quando, juntamente com minha esposa, assumi a direção do estabelecimento. Renilda tinha 12 anos e já estava integrada. Ela
Integrar é a solução
ajudava na cozinha. Quando se oferecia uma oportunidade, participava das horas de recreação dos alunos, isso ela adorava. Al iás, ela sentia uma necessidade muito grande de brincar. Alegrava-se com os modestos brinquedos que recebia. Mas o que eia gostava mesmo era ir aos cultos. Na igreja ela prestava atenção aos mínimos deta lhes. O que estaria ela pensando quando fixava seu olhar em algum símboio cristão? Em todo caso. parecia mergulhada na riqueza dos seus significados. Certo dia, ievamos Renilda para um especialista. As chances de ala chegar a ouvir eram mínimas. Mesmo assim, passou a usar um aparelho auditivo, Às vezes, ouvia alguns sons. Seus olhos brilhavam! Veio mesmo a aprender uma porção de palavras. Dizer "bom dia" e "boa noite" significou para ela uma aventura em termos de comunicação! Foi então que ficamos sabendo da existência de
A alegria de ouvir e falar
16 uma escola para surdos-mudos ligada á nossa Igreja. Levamos Renílda para lá. Mas, com os problemas da adolescência, muito mais acentuados nela do que nas outras mocinhas da sua idade, não pôde ficar. Era uma época de crise e de revoltas. Retornou, então, à Associação. Isso, aliás, para ela foi motivo de grande felicidade. Era esta o seu lar! Aprendemos com
Renilda
Ainda quanto a adolecéncia, Renilda gostava de se apresen tar da maneira mais atrativa possível diante dos nossos rapazas. Ou tro dia ela foi encontrada diante do espelho com um vidro de tinta na rhão a aplicar sombra sobre as pálpebras. Graças à comunidade do internato que soube entender Renilda, muitas dificuldades pu deram ser vencidas. E nesta comunidade que ela se desenvolveu. E ali que ela foi aceita. E a nós todos ela ensinou muito sobre a vida. Na minha opinião, o mais importante é possibilitar ao defi ciente a experiência da comunhão, onde eie não se sinta um estor vo, mas encontra espaço para viver. (Ervino Schmidt)
LUTAS DIÁRIAS A vida de um deficiente físico consiste em lutas íntimas diá rias, tentando vencer obstáculos sociais de discriminação e barreiras arquitetônicas. À medida que estes obstáculos são vencidos, trans formam-se em vitórias (para nós grandes vitórias, talvez impercep tíveis aos não deficientes). Nesta nossa sociedade que tem por padrão de beleza corpos "sadios" e "normais", onde o homem é encarado como eiemento Temos capacidades
produtivo, somos considerados empecilhos. Queremos provar que temos capacidades e cabe a esta mesma sociedade dar-nos esta chance. Seria bem mais fácil para o deficiente alienar-se do mundo, revoltar-se e não lutar junto com as pessoas "normais”, Mas os resultados destas lutas, deste empenho total é que nos gratifica. Para que esta integração na sociedade se torne possív el, preci¬
Não queremos comiseração
samos vencer primeiro nossas barreiras, E para vencé-ia s precisamos nos sentir aceitos pelas outras pessoas. precisamos de apoio moral, espiritual e inclusive físico. É importante que alguém nos díga"Tu podes fazer isto! Vamos! Tu vais conseguir!" Queremos ser aceitos e receber um tratamento igual nao de comiseração. Queremos ’ ser atuantes numa atividade adequada ao grau oa nossa deficiência. Nossas capacidades ultrapassam nossa deficiência.
(Uma estudante)
M
Tipos De Deficiência O termo
u
defidéncia” refere-se a uma grande variedade de
situações, todas elas merecedoras da mesma atenção. Com este análise sistemática de todas os artigo não se visa, portanto, uma mais tipos de deficiência. Optamos por aquelas deficiências que diretamente interferem com a aprendizagem e que, talvez por serem menos perceptíveis, causem maiores dificuldades para o rela cionamento. Por exemplo, uma professora naturalmente teiá o cui nas dado de não exigir de uma criança paraplégica(com deficienaa pernas) certas atividades de movimento que espera de uma cnança normal. Por outro lado, uma criança com dific^dade na leitura (talvez disléxica) pode ser julgada preguiçosa ou %urra” pela pro fessora uma vez que sua deficiência não é percebida e de modo gerai não conhecida. Colaboração de FAERS
DISTÚRBIOS AUDITIVOS A cnança com uma audição permanentemente comprometida, pela própria natureza de seu distúrbio, sofre desvantagens que produzem um impacto .em seu desenvolvimento e ajustamento total. Em geral, o que mais se faz notar nela é o seu modo diferente de falar A dificuldade com a linguagem resulta da audição imperfeita (não de defeitos no mecanismo da fala), As criançasj com um distúrbio temporário do ouvido, ou aque las que têm o tipo de perda de audição que pode ser compensado por meio de aparelho de surdez, não são necessariamente causas de preocupação para o educador especial, que, quando muito, pode ser solicitado a orientar os pais quanto aos serviços médicos e avaliativos apropriados ou recomendar pequenos ajustamentos para tais crianças na sala de aula. Mas a sua preocupação principal dirá respeito a crianças que tenham dificuldades com a linguagem devido a uma função auditiva permanentemente danificada. As causas da surdez variam não só de área geográfica como de acordo com a idade das pessoas. As moléstias da infância são as mais comuns contribuidoras, nos primeiros anos de vida, e as infecções do ouvido médio, as características mais frequentes na idade escolar. Também as in fecções pré e pós-natais constituem causas específicas da surdez.
Quando defeitos na audição são problema
As caiÁsas da surdez podem ser variadas
18 Contam-sa ainda as pancadas na cabeça, os acidentes, o uso exage rado da hidro-estreptomicina, etc. As moléstias da infância que podem causar a surdez são a me ningite, o sarampo, a otite média aguda, a disenteria, a malária, a intoxicação pór quinino, febre alta com convulsão. Pode-se evitar a mudez de um surdo. Há professores especial mente preparados para educar as crianças surdas e um dos primei ros passos a dar nesse sentido é o ensino da fala, da linguagem. O problema da criança surda é diferente do adulto que ficou surdo. O adulto retém todo o conhecimento, toda a experiência e vocabulário que adquiriu e que fazem parte de uma personalidade construída pela audição. Começando na "estaca zero ”
Uma criança surda começa na "estaca zero", apenas com os olhos, Tem de ser ensinada a entender as palavras, as sentenças, antes de poder associá-las a qualquer significação, A compreensão das palavras deve preceder o uso das mesmas. O que os pais podem fazer — Quando souber que o seu filho é surdo, lembre-se de que ele não deve crescer mudo também. - No caso da criança surda, o primeiro passo para a aquisição da linguagem é dado pela leitura da fala. A compreensão das palavras deve vir antes do uso das mesmas. - Você não pode começar cedo demais. Ao saber que seu fi lho é surdo ás 4 (quatro) semanas de idade, no 1-° ano de vida, ou ainda, aos 2, 3 4 ou 5 anos de idade, comece a falar com ele, com as mesmas palavras que você empregaria se ele pudesse ouvir. Pronuncie, porém, palavras só quando ele estiver olhando para você. Espere até que ele olhe. Suas palavras devem encontrar seus olhos ao invés de seus ouvi dos. — No início, ele começará a entender o que você diz através de sua expressão. Este passo corresponde, na vida da crian ça que ouve, ao ponto em que ela aprende pelo tom de voz empregado, a significação da atitude tomada. — Esqueça que seu filho é surdo. Lembre-se de que ele pode "ver” as suas palavras se você lhe falar de maneira simples e firme quando ele estiver olhando para você, Ensine-o "bater palmas”. Diga-lhe que "papai vem vindo" (e mostre-lhe quem é papal quando ele aparecer). Diga-lhe frases como "Abra a boca","Venha com o papai",todas as palavras e frases que, de fato, você diria se ele pudesse ouvir, — Sempre se lembre de que uma criança que pode ouvir tem milhares de oportunidades de ouvir as mesmas palavras e frases constantemente repetidas. Estas oportunidades são como 08 grãos de areia que formam a praia. Cada vez que uma criança surda tem oportunidade de "ver" palavras e associar o seu significado, está tendo um tipo de experiên cia que a ajudará a compreender o que as palavras que você diz significam para ela. Desta forma simples as palavras começam a desempenhar um papel na sua vida mental.
19 / O que se deve observar com uma criança aucUção
com problemas de \.
- Colocar sempre a criança com as costas para a luz de for^ ma que veja iluminada a face da pessoa que falar com ela; - Não “mastigar" as palavras quando falar com a criança. A palavra ou palavras que vão ser identificadas pela cri ança devem ser pronunciadas um pouco devagar e muito claramente, sem exagero, quando ela estiver olhando pa ra você; Falar com palavras simples, mas não falar como bebe. A expressão de sua face como um todo auxiliará a criança a compreender o significado das palavras que você diz. Em primeiro lugar escolha as palavras que são fáceis de “ver”. Quando ela aprendeu a observar o seu rosto, a extensão das palavras Já não mais terá importância; a crianSe você usar gestos ao invés de palavras para com ça, ela jamais iniciará a leitura da fala. Não é que haja erro nos gestos em si, mas cada vez que um gesto é em pregado em lugar de uma palavra, uma oportunidade de ajudar a criança a aprender a leitura labial foi perdida para sempre. Pois o gesto, ao invés da palavra, situou-se com lugar próprio na vida mental da criança. Quando são usados gestos em lugar de palavras, eles animam a mudez.
DEFICIÉNCIA VISUAL A visão ó, entre o sentidos de que é dotado o homem, o que nos dá a melhor e mais segura informação e orientação. Basta lembrarmos que através da visão levamos ao nosso cérebro cerca de 80% das informações da nossa vida de relação e aprendizagem. Isto significa, por exemplo, que a criança visualmente deficien te sofre algumas restrições importantes na aquisição de conhecimentos, principalmente na área da percepção. A maior parte da aprendizagem nos primeiros anos de vida é de natureza imitativa e se realiza através da visão. A criança que tem um defeito visual nunca aprenderá tais atividades sa seus pais e professores não dedicarem o tempo necessário para mostrar ou explicar pacientemente como deve proceder. Como se pode identificar uma criança com problemas de visão - Faz movimentos com a mio diante dos olhos, numa tentativa de clarear a visão obscura, esfrega frequentemente os olhos, franze a testa;
A deficiência visual atrasa o aprendizado
20 - Fecha um dos oihos ou cobre-o com a mão, inciina a cabeça ou lança-a para frente quando olha objetos próximos ou dis tantes; — Tem dificuldade em lar ou em outras tarefas que requeiram um esforço de visão; — Pestaneja muito, chora com freqüência ou fica irritada quando executa trabalhos que exigem atenção; — Tropeça ou bate com o pé em objetos pequenos; — Chega muito aos olhos os livros ou objetos pequenos; — É incapaz de tomar parte em jogos que requeiram visão à distância; — Mostra uma sensibilidade excessiva à luz; — Tem as pálpebras orladas de vermelho, inchadas ou encrostadas, com terçóis freqüentes; - Queixa-se de não poder enxergar bem, de sentir tonturas, dor de cabeça ou náuseas depois de um trabalho visual exi gente e de ter a visão turva ou de ver dobrado. As crianças que manifestam constantemente qualquer destes sinais devem ser enviadas a um oculista para submeter-se a um exame.
''^gumas sugestões que ajudarão o seu relacionamento conN, pessoas cegas: - Nao fale com a pessoa cega como se eia fosse surda. O faro de não ver não significa que não ouça bem; - Não modifique a linguagem para evitar a palavra “ver" e substitui-la por “ouvir". Conversando sobre cegueira com quem não vê, use a palavra "cego ” sem rodeios; - Não guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo braço; basta deixá-la segurar seu braço, que o movimento de seu corpo dará a orientação que precisa. Nas passagens estreitas, tome a frente e deixe-a segui-lo mesmo com a mão em seu ombro; ~ Não deixe de apertar a mão da pessoa cega ao encontrá-fa ou ao despedir-se dela. O aperto de mão cordial substitui, para ela, o sorriso amável; - Não fique procurando orientar a colher ou o garfo da pessoa cega para apanhar a comida no prato. Ela pode falhar algumas vezes, mas acabará por comer tudo; - Não pegue a pessoa cega pelos braços, rodando com eia para pô-la na posição de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta por-lhe a mão no encosto ou braço da ca deira, que isso lhe indicará a sua posição; - Não deixe de falar ao entrar no recinto onde haja uma pes soa cega; isso anuncia a sua presença e a auxilia a identificá-
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21 Causas dos problemas visuais Muitas sâo as causas responsáveis pelos distúrbios visuais. Está provado que a maioria dos casos de cegueira, em nossos dias, poderiam ter sido evitadas, através do medidas preventivas, mais incidente do Antigamente, a cegueira entra crianças era que hoje. Graças aos grandes progressos médicos ô às atividades de assistência ou de promoção social, sua frequência é, atualmente, bem menor. No entanto, entre as doenças ainda causadoras de cegueira na infância podemos reiacionar: — Blenorragia ou gonorréia - doença dos órgãos sexuais dos pais, responsável por inflamação nos olhos dos recém-nas cidos; Tracoma - doença muito contagiosa, cuja feqüêncla tem diminuído após o aparecimento dos antibióticos; — Sifilis — due provoca inflamações altamente perigosas; Glaucoma — que se caracteriza pela natureza e dilataçâo dos olhos que se projetam fora da órbita, provocando deformação; - Sarampo, varíola, tifo, escarlatina - doenças contagiosas das quais podem surgir inflamações nos olhos, responsáveis por muitos casos de cegueira; - Catarata - opacidade do cristalino, impedindo a chegada dos raios solares à retina, sendo mais comum em idade avan çada. Outras causas responsáveis pela cegueira: diabetes, xeroftalmia (carência de vitamina A na alimentação), acidentes provocados pela falta de proteção nos olhos, casamento consangüíneo (entre caren tes).
Como vocé pode evitar uma cegueira A prevenção da cegueira inicia com o namoro entre jovens de famílias que sabidamente apresentam sérios problemas de visão (glaucoma, catarata congênita, etc.) principalmente se a deficiên cia ocorre em ambas as fam ílias. As uniões entre parentes (primos) deverão ser evitadas sempre, mesmo que entre eles não haja problemas visuais aparentes, pois desta união poderá originar o aparecimento de características here ditárias anômalas no campo visual.
O perigo do casamemo entre parentes
Se procurarmos saber dos antecedentes familiares devemos fa zê-lo tão logo isso for passível para evitar uma ruptura dolorosa, mais tarde, no exame pré-nupcial. O passo seguinte na prevenção da cegueira é durante a gravi dez quando a futura mamãe deverá apresentar-se com os esquemas de vacinação preenchidos. Cuidará também para que neste período a exposição ès viroses (rubéoia, varíola, etc.) seja a mínima possível. O acompanhamento médico se faz necessário durante a gesta-
Vacina e viroses
22 ção para orientação da gestante e diagnosticar precocemente doen ças (toxoplasmose, sífilis, etc.) e ainda evitar ao máximo a automedicação que tantos danos têm causado ao feto. Outro grande momento para prevenir a cegueira é na sala de parto, ao nascer o bebê em hospital, quando geralmente estes cui dados são tomados ao aplicar o método "crede" para evitar a conjuntivite. Uma dificuldade se apresenta em casos de parto atendido Na hora do parto
por parteiras que não tomam tais cuidados; principalmente em parturiente com doenças venéreas esses cuidados são mais necessários. Logo após o nascimento os pais deverão providenciar um exa me com o pediatra para que qualquer alteração oftalmoiõgica no bebé seja logo verificada por um especialista. Com um diagnóstico precoce e com um imediato infcio de tratamento geralmente evita mos o pior. No dia-a*dia de uma família podemos evitar uma cegueira ao tirarmos do alcance das crianças objetos cortantes, ponteagudos ou ainda líquidos cáusticos, inflamáveis, inseticidas, explosivos, etc. Toda vez que, em uma pessoa, criança, jovem ou aduito, sur gir algum sintoma dê doença ou distúrbio visual, devem ser toma das imediatas providências para seu encaminhamento a um médico
Tratamento médico adequado
oftalmologista. Com isso, a cegueira poderá ser evitada, através de um tratamento adequado, sendo pois imprescindível assistência e orientação do médico especialista.
DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA (DCM) Do ponto de vista escolar, a criança com disfunção cerebral mínima (DCM) se caracteriza pelas dificuldades de aprender deter minadas áreas do programa de ensino e pela falta de concentração. Geralmente são disléxicas, isto ó, conseguem ler total ou parcialmente, e/ou escrevem com letra ilegível ou suprimem letras, ou emendam palavras, ou não respeitam a linha dos cadernos. Podem chegar a ler com dificuldades, ou escrever, mas se dispersam e, com Sinais da disfunção cerebral mínima
isso, copiam partes de um tema, ou se atrasam nas cópias do quadro-negro. É bom enfatizar que nem sempre a criança com DCM é extre mamente ativa (hipercinética) e perturba o andamento da sala de aula. Convém lembrar sempre aqueles casos de DCM nos quais predomina a torpeza motora com hipotonia, fazendo com que esse tipo de criança não consiga manter uma postura adequada para o aprendizado, sem se levantar de sua classe e sem perturbar os co legas. Estas crianças permanecem quietinhas em seu lugar, mas sao extremamente distraídas ou "desligadas" do tema que está sendo desenvolvido pela professora e, talvez, por não "incomodarem", possam passar desapercebidas e só demonstram um mau rendimen to escolar nas situações de provas e testes. O fato de não haver hipercinesia (hiperatividade, criança muito agitada) não invalida o
23 deficiência mental diügnóstico de DCM e não caracteriza uma (DM). DCM,com sua conduta É importante dizer Que a criança com muitas vezes hiperativa (hipercinética), dificulta o convívio com ou tras pessoas. São crianças capazes de despertar a impaciência nos circunstantes: amigos, pais. parentes, irmãos, professores, colegas. Acabam por estimular estes a desenvolverem noções de rechaço, de intolerância e até mesmo de agressividade para com elas. Por tudo isso. sugere-se que nenhuma criança que perturba a aula ou que não corresponde às expectativas com respeito ao rendimento escolar, seja enviada a uma classe especial sem que antes seja avaliada, pelo menos do ponto de vista neurológico e psicoló(e isso ocorre com muita gico. Uma criança com DCM pode ter frequência) um nível de inteligência normal ou até superior e, por isso, um nível de autocrítica elevado, sofrendo muito com suas dificuldades de aprender e sofrendo mais ainda se for mandada para uma classe de deficientes mentais. Poderá considerar-se em condi mentai pela indicação da escola ções de igualdade com o deficiente e isso piorará em muito sua pequena auto-estima. serem desenvolvidos Com relação aos programas específicos a modo de ensino ade¬ pela professora no intuito de possibilitar um quado à criança com DCM, esses ficam ao encargo de pedagogos e orientadores educacionais.
DEFICIÊNCIA MENTAL Uma pessoa com deficiência mental (ou retardamento) é aque la cuja capacidade de interagir Pode-se notar que uma criança é nao está se desenvolvendo como A criança retardada é mais
com o meio ambiente é reduzida, mentalmente retardada quando ela deveria, lenta e tem sua aprendizagem afe
tada. No entanto, nem toda a criança que ô mais lenta tem um re tardamento mental. Uma criança retardada geralmente apresenta vários aspectos de desenvolvimento mais lento. Normalmente os pais desconfiam que há algo errado com o filho, pois comparado com as outras crianças, as reações são diferentes, è importante os pais saberem o mais cedo possível o que há com o filho, pois as chances para ajudar a criança são maiores enquanto ela é pequena. Se os pais escondem o fato ou se envergonham do filho, isto só será negativo. É importante que a criança tenha acesso a uma educação ade quada (fisioterapia, educação vocacionai, etc.) e que lhe seja dado um lar emocionalmente estável. Desta forma poderá mais efetivam ente participar da sociedade. As causas do retardamento mental podem ser muitas: a) Fatores pré-natais:
Saber o mais cedo possível
24 — Infecções da mãe, como rubóola ou toxoplasmose no pri meiro trimestre da gravidez; — drogas que entram acidentaimente no organismo da mãe ou são ingeridas por ela, como chumbo, monóxido de carbono, herónia ou LSD; — radiações (exposição a raio X até 4^ mês); — fatores genéticos e metabóücos. bj Fatores perinatais: — Complicações no trabalho de parto cj Fatores pós-natais — enfermidades agudas como meningite e encefalite; — traumas — quando uma criança se machuca na cabeça; — distúrbios progressivos — doenças degenerativas ligadas ao sistema nervoso central; — envenenamento por chumbo — quando uma criança de um a três anos come pedaços de pintura à base de chumbo oue se soltam das paredes ou dos móveis; - ambientes pobres em estimulação — onde as condições de vida são precárias, nada estimula a criança, a alimentação é insuficiente (criança mal nutrida tém 300 gramas menos de cérebro). Graus de deficiência Algumas crianças mentalmente retardadas podem, quando che gam à vida adulta, ser auto-suficientes e ter um emprego e família. Outras terão que ser supervisionadas e necessitam de atendimento constante. Isto depende do grau de retardamento, que a profundo, pasando por moderado e grave.
vai de leve
Uma criança com retardamento mental leve pode ser educada e levar uma vida adulta como um ser auto-suficiente. Algumas características para reconhecer crianças neste grupo: — reações muito lentas. Precisam de mais tempo para se adap tar a coisas novas. A rotina é mais fácil para elas; — pouca atenção — é difícil concentrar-se em algo por um pe ríodo de tempo mais longo; — limitação de linguagem - limitada capacidade de avaliar e julgar - elas tém dificulda de de planejar o que é mais importante fazer primeiro. Com um retadamento moderado as deficiências são maiores, sendo os problemas físicos mais evidentes. Há um atraso no desen volvimento motor, por exemplo, na fala. Se estão sob orientação adequada e desenvolverem seu potencial, aprenderão as coisas básicas como vestir-se, alimentar-se e comunicar-se. Poderão aprender a ler e ter um ofício. Vdrios problemas ao mesmo tempo
A saúde das crianças jravemen/e retardadas é bem mais frágil. Elas podem ter epilepsia, perder a visão ou a audição. Muitas vezes
25 elas têm vários problemas ao mesmo tempo. Na maioria das vezas têm lesões no sistema nervoso central e isto faz com que suas res postas motoras são descoordenadas e Inadequadas. Quando treina das, têm condições de poder se vestir, ir ao banheiro, alimentar e comunicar-se. Aprendem isto lentamente. As habilidades das pessoas profundamente retardadas sao muito reduzidas e normaImente não conseguem fazer nada sozinhas. Muitas estão acamadas.
Bibliografia consultada F1 FiyyHMn Jiianita. A criança excepcional, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora S. A., 1978. SHAW, Charles, Quando seu filho precisa de ajuda. Porto Alegre. Editora Globo, 1977. TELFORD, Charles e SAWREY,James, O indivíduo excepcional. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978.
Causas Da Deficiência E Prevenção Colaboração da FAERS 0 indivíduo excepcional é aquele que está notadamente desviado do que é considerado crescimento e desenvolvimento normal, que não pode se beneficiar ao máximo com um programa escolar regular, necessitando assim de uma classe especial ou instituição 3 serviços complementares.
1. Causas da deficiência Existem diversos fatores que podem vir a provocar o nascimento de um excepcional, caso não sejam prevenidos. As causas mais freqüentes são divididas em fatores pré-natais, peri-natais e pós-na¬ tais. a) Os pré-natais: ocorrem durante a concepção e desenvolvi mento da gravidez. Podem ser genéticos, defeitos na união dos gens. como por exemplo o mongolismo, onde as crianças apresen tam além do retardo mental acentuado, crânio pequeno, língua grande, olhos amendoados entre outras características.
26 Os agentes infecciosos como a rubóola, sífilis e viroses em ge ra! podem alterar a formação dos sistema nervoso central, origi nando uma criança deficiente. Há também o perigo de a mulher grávida em se expor ao raio X ou a outro tipo de radiação, em ingerir medicamento sem receita médica, em consumir álcool, em fazer uso do fumo, que torna o cérebro do feto menor e mais leve. A importância da alimentação da gestante
Falta de oxigênio e instrumentos que machucam
O estado nutricional de uma gestante e seu regime al imentar, são de fundamental importância para a formação normal do em brião e para o desenvolvimento pós-natal. Está provado que as mulheres desnutridas na infância e adolescência tendem a gerar crianças com potencialidades de deficiências ffsicas e mental. A alimentação da gestante, além de cobrir as exigências de seu pró prio organismo, que se encontra aumentado na gestação, deve for necer 08 elementos necessários para a formção do feto. b) Os peri-natais Idurante o parto): entre eles encontramos a anóxia, que é responsável por problemas neurológicos posteriores, devido a diminuição de oxigênio no cérebro, quando a criança dei xa de iniciar os movimentos respiratórios dentro dos 60 primeiros segundo, depois do pinçamento do cordão umbilical. 0 parto a fórceps (através de instrumentos) também pode ocasionar proble mas futuros, c) Os pós-naiais \depois do nascimento): evidenciam-se as in fecções do sistema nervoso central adquiridos pela criança, como por exemplo as meningites e encefalites, originadas pelo sarampo, As fraturas coqueluche, caxumba, rubéola, difteria, varicela, ou ferimentos penetrantes no crânio, as radiações e a má alimenta ção são as outras causas que originam as deficiências.
Ir ao médico logo pode ser decisivo
Uma vez estabelecida a deficiência, é de primordial importân cia que os pais procurem um atendimento especializado o mais ce do possível.
O Conselhor Diretor da lECLB sugeriu, para 1982, o tema
Terra de Deus — Terra para todos”. Assim como 0 corI rente ano, também sobre este tema o CEM elaborará material j para as comunidades. Em seu planejamento constam: * 2 Revista do CEM * 1 Cartaz « 2 Temas Atuais da SECLB f» Audiovisuais # 2 Folhetos * Documentos da lECLB A maioria desse material deveiá estar á disposição até dezembro próximo. Solicitamos a todos que tiverem estudos, programas, ptédicas, fotos e informações diversas sobre o as sunto, bem como sugestões, que nos enviem com a maior brevidade.
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28 2. Constatando o problema Os olhos são as janelas para o mundo
A
criança
portadora
de um
distúrbio visual é facilmente
identificável. Se é completamente cega, a ausência de expressão animada, os olhos como que vazios, a capacidade reduzida de orientar-se no espaço denotam sua deficiência, se possui uma visão parcial, os óculos de lentes grossas, a maneira de entrecerrar as pálpebras ou de aproximar os objetos aos oihos a distinguem das demais crianças. Quando a audição é permanentemente comprometida, nota-se uma maneira diferente de falar. A dificuldade com a linguagem geralmente resulta da audição imperfeita e não de defeitos no me canismo da faia.
Lesão cerebral e consequências
As diferentes formas de incapacidade ou paralisias físicas são causadas mais frequentemente por lesão cerebral. A criança apre senta alterações ou perda de controle dos músculos. Em conseqüência das lesões cerebrais, associam-se a elas outras deficiên cias como a mental, auditiva, visual, distúrbios de conduta, etc. A deficiência mental está intimamente ligada á noção de in teligência, pode-se-dizer que consiste numa limitação intelectual marcante, o ponto de ser evidente a incapacidade da criança reagir a diversos fatos. A deficiência mental existe em todos os graus, do mais leve ao mais grave. Na disfunção cerebral mínima (DCM) devemos destacar um ponto básico: não há qualquer comprometimento da inteligência, atenção, mudando de atividade constantemente mesmo que a ativi dade muito lhe agrade; é desastrada e inábil; retardo na aprendiza gem da fala; distúrbios de escolaridade. Esse conjunto de sintomas da DCM se apresenta de forma bastante variável de um caso para outro. Gostaríamos de enfatizar que essas crianças não sejam con fundidas com o indivíduo deficiente mental.
3. Nutrição da gestante 0 estado nutricional de uma gestante e seu regime alimentar, são de fundamental importância para a formação normal do em brião e para o desenvolvimento pós-natal. Está provado que as mulheres desnutridas na infância e ado lescência tendem a gerar crianças com potencial idade de deficiên cias física e mentais.
29 A alimentação da gestante além de cobrir as exigências de seu próprio organismo, que se'encontra aumentado na gestação, deve fornecer os elementos necessários para a do feto No seguinte quadro temos uma dieta de 2-200 cobrem todas as exigências recomendadas para uma gestante.
/ aiMENTO leite carne ovo
QUANT.
equivalente
700ml
leite em pó aves e peixes 1 fatia de queqo tomate,couve-flor,etc. cenoura, chuchu,abóbora,etc. batatas,aipim,etc. laranja,lima, melão, abacaxi banana, manga,abacate,etc. outro cereal
lOOgr 50gr 200gr veg. A 100gr veg.B 100gr veg.C 200gr frutaA 200gr fruta B arroz 60gr 80gr feijão lOOgr pao massas 60gr 50gr açúcar ou mel 30 ml gordura
lentilha, ervilha bolo ou biscoito pão e derivados doces como condimento
desnutrida Uma criança que nasce desnutrida e que continua - imeiros anos de vida. estará destinada a um atraso no seu nos pn mental. Estará condenada a uma aprendesenvolvimento físico e abaixo do normal, retardamento dizagem deficiente, inteligência rí p «suas funções cognitivas, memória e etc. Quando há desequilíbrio nutricional na etapa de crescimento
/Is consequências da subnutrição permanecem
e por longo tempo, o processo é irreversível.
4. Importância do leite materno bem-estar das As organizações que se preocupam com o sobre a dupla mães e crianças dispõem de abundantes informações condição do leite materno e da importância psíquica que tem a amamentaçao. maDaí o imperativo que pesa sobre todos para devolver a primeira etapa.decisiva mentação o lugar que lhe corresponde, na para a~i saúde física e mental das crianças. Infelizmente, a maioria das pessoas consideram a sucção so mente um meio pelo qual o bebê ingere seu alimento. Entretanto, queremos salientar que a sucção satisfaz importantes necessidades psicológicas, pois a amamentação ao seio é a primeira satisfação que uma criança tem, após o nascimento, por intermédio da mae.
A amamentação nao e simples sucção
30 5. Principais cuidados preventivos be o a 1 ano de idade: — não deixar pequenos objetos (botões, moedas, boMnhas) ao alcance do bebê; — as crianças não devem ser deixadas sozinhas em lugares al tos, escadas, cama com grades levantadas, fixas; - evitar panelas com os cabos virados para fora no fogão, crianças perto de ferro elétrico e de tomadas e fios elétricos desencapados; — não dar medicamentos sem verificar a dose e o nome do mesmo; — não deixá-la sozinha em banheiros e reservatórios d'água. mesmo rasos. De l a 4 anos de idade: — não deixar objetos ponteagudos e cortantes ao aicance da criança, assim como, dar toda a atenção a brincadeiras em árvores e muros. — atenção às plásticos;
banheiras e piscinas,
afastando-as de sacos
— ensinar a criança a atravessar ruas; - quando sozinha, fora de casa, ela deve ser mantida em luga res cercados. Evitar jogo de bola na calçada; - todos os medicamentos, produtos de limpeza, inseticidas devem ser trancados em lugar alto; — evitar proximidades de churrasqueiras, brinquedos com ou' a ma n ipu laçâo de inflamá ve is, álcool, caso lina benzina etc. De 5 a 14 anos de idade: — oferecer a seu filho locais seguros de recreação; ensinar-lhe regras de segurança como pedestre e, também, quando esti ver usando bicicleta; — supervisionar banhos em piscinas, lagos e balneários: - evitar fogos de artifício e fogueiras; - as armas de fogo devem estar fora do alcance das crianças.
Emabrflp.p,, O CEM reuniu um grupo de colaboradores para a elaboração do Manual para Orientadores do Culto Infan til e da Escola Dominical - edição 1982. Buscou-se, nesse encontro, uma modalidade de elaboração que fosse coerente com a re^ídade de nossos orientadores e crianças, princi' palmente quanto ao nfvei e à linguagem. A edição 1982 re fletirá esta preocupação. Â disposição a partir de dezembro, 0 Manual do Culto Infantil apresentará ricas e variadas suges tões de como trabalhar com as crianças na comunidade.
31
Como Ajudar Uma Criança Deficiente Colaboração da FAERS
A educação do deficiente exige medidas e cuidados espec.a.s^ Não pode haver, portanto, uma separação radical com o trabalho pedagógico comum. rmal e o defieducação da pessoa no Algumas ligações entre a ciente são: se pessoa deficiente - na educaçao tentamos fazer com que a poder viver feliz ajuste da melhor maneira possível, para mundo dos normais, no seu ambiente social, situado no seja onde for; deficiente como ho¬ - o educador vai de encontro à criança mem normal; vivem entre seres noras crianças deficientes normaimente estarem sendo mais e muitas delas sofrem quando percebem tratadas de maneira diferente das outras crianças. Tratamento especifico A criança deficiente apresenta aspectos específicos que exi gem prolidéncias específicas; os meios a serem — consecução dos objetivos devem ser específicos também Just ti educação especializada, da qual o ca-se então a existência de uma : e indispensável. ensino especializado é parte integrante ; da educação especializada, temos os Como agentes diretos pais, a família a, num aíruulu mais amplo, a comunidade. Já o ensino especializado, está na dependência da existinca de uma escola, tendo como agentes os professores para que se processe o aprendizado propriamente dito. escplal tra balham iuntos, Quanto mais os agentes (família e I chan ce de um filosofia, tanto maior será a guiados pela mesma princ ipalmente aproveitamento harmonioso por parte da criança pela segurança que lhe é transmitida. ' cam po deve Todo o trabalho educativo desenvolvido neste totais de cada visar o desenvolvimento máximo das capacidades . desenvolum, sem perder de vista o grau de relatividade de que esse vimento se reveste, O desenvolvimento de suas habilidades e aptidões deve ser eficiente e de utilidade prática, visando o ambiente em que irá viver.
Princípios que se deve observar É importante que não só o educador, mas também os pais en-
A imporm^cia de um trabalho em conjunto
32 Conhecer o problema para poder agir
tBndam a fundo o problema para poder agir adequadamente, não podendo contar apenas com a sua intuição. Deve ser feito um pla nejamento geral para a criança excepcionai. Apesar da necessidade de uma educação especializada, ó im portante saber adaptar os princípios metodológicos que podem ser aplicados em qualquer situação que apareça; — a criança aprende melhor quando a situação conduz ao aprendizado; — a criança aprende quando está pronta para tal. É importante conhecer o ritmo de crescimento natural da inteligência de cada uma para estabelecer a hora certa. Entram aqui três fatores que ajudam a indicar a hora exata; - o que a criança faz espontaneamente. — o que podería ser ensinado à criança, — o que deveria ser ensinado á criança; ~ a criança aprende quando partímos do conhecido para o desconhecido, levando em conta os passos intermediá rios gradativos deste aumento e o máximo grau concreto dentro deste apredizado; - a criança aprende mais eficientemente quando o seu apren dizado é relacionado com suas aspirações, motivações e in teresses. Temos a tendência de substituir os nosso interes ses e motivações aos das crianças; - a criança aprende por meio de repetições lógicas; — a criança aprende e retém o que aprendeu se houver cons tância na instrução. Para isto é necessário um intercâmbio entre os pais e a escola, para poder traçar a mesma linha na educação; — a criança aprende se houver um bom relacionamento com 0 educador. ^
NOVO OLADO
LANÇAMENTO
PITORESCO
DA
VIDA
liga K.Knorr,148 páginas, CrS 320,00 até 30/09/81. Coletânea de crônicas, contos e histórias que envolvem Tia Jane e seus familiares. A linguagem simples e cativante, a es pontaneidade das situações em que se envolvem seus persona gens, na convivência familiar, no trabalho diário, na vida da cidade e do campo, nos pequenos conflitos, o conhecimento íntimo das relações e do comportamento humano, tudo com uma boa dose de humor sadio, fazem desta coletânea muito mais do que a descrição do lado pitoresco da vida. EDITORA SINODAL
Cx.P. 11 - 93000 - SÃO LEOPOLDO - RS
34 A expressão do instinto vêncía que se expressa primeiro pelo anseio de aconchego materno de sobrevivência e de leite, mais tarde pelo desejo de relação com os outros.* Colo — para a criancinha, o aconchego fTsiço da mãe significa proteção e segurança, um instinto básico e tão necessário à criança como o ar para respirar ou a alimento para ingerir. Privá-la daqui lo que a natureza determinou pode ser seriamente prejudicial ao seu desenvolvimento emocional. Vinte e quatro horas por dia
O recém-nascido deve ficar ao lado da mãe vinte e quatro ho ras por dia. Está em jogo o futuro bem-estar de dois seres huma nos. Quando o bebé sai do hospital para casa, o aconchego é ainda vital. O aconchego inicial leva a maior independência e segurança emocional á medida que a criança cresce. "O bebé pode progredir usando uma camisola esfarrapada e dormindo num berço velho, mas sua vida pode ficar arruinada se perder a proteção da mãe numa idade tenra." A criancinha é muitíssimo sensível não só à proximidade da O bebê absorve a tensão mae, mas à maneira como é segurada. Pode sentir a tensão nos do ambiente braços e no corpo da pessoa que a pega ao colo.
A alimentaçao deve transmitir calor e afeto
Alimentação — ser alimentada e também aconchegada signi fica, para a criança, ser amada. Amadurece muito mais rapidamente quando se sente segura, resultado da satisfação adequada de suas necessidades iniciais de dependência. 0 melhor alimento do bebê é o leite de sua mãe. Seu equilíbrio de elementos alimentícios é perfeito, e é facilmente assim ilado. O desenvolvimento emocional depende grandemente da satis fação das necessidades básicas de alimentação, aconchego maternal e proteção. Ao alimentar o bebê com mamadeira, esta deve ser dada ao bebê da maneira que mais se assemelhe à amamentação. A ama mentação deve ser um momento de calor e afeto. Sono — os bebês dormem aos "goles”, nunca o fazem profun damente. Sendo puramente físico o padrão do sono, é inútil, e multas vezes prejudicial, tentar regular as horas de sono dos bebês recém-nascidos. Os bebês devem ter um lugar relativamente tranquilo, confor tável e escuro para dormirem. Choro - quando o bebê chora,ha razões para isso. Seja qual for a razão, a mãe deve atendê-lo tão rapidamente quanto possível.
Explorar o mundo de pende de estimulação
Brincar - praticamente a primeira forma de brincadeiira que o bebé desenvolve é estender as maos para a mãe, quando esta o alimenta. Desde estas primeiras apalpadelas, a mãe deve estimular e encorajar o bebê a explorar o mundo em seu redor. Tornando o bebê confortável, contente e seguro mediante cui dados, alimentação e afeto apropriados, preenchem-se os requisitos indispensáveis à criação de um bebê feliz, saudável e ajustado.
O que é importante no primeiro ano de vida 0 desenvolvimento da inteligência começa desde o primeiro
35 dia de vida. Para que progrida, ó preciso criança nasce
incentivá-la desde que a
e algo que vai crescendo igual ao corpo. E, para isso,
é preciso que os pais ajudern. , infantil constitui a melhor A observação do comportamento indicação de como a criança sente e reage. Algumas necessitam de muita estimulação, outras, mais ativas requerem menos, Você pode ajudar seu filho através de atividades simples aplicadas durante o banho, a alimentação, o vestir.
a) Estimulação visual (a partir de 1 mês); coloridos e pendura- Proporcionar-ihe brinquedos simples, com a brisa, ou mesmo luminosos, dos, como os que se movem todos que incidam sobre o seu campo visual; Enfeitar o seu quarto com cortinas coloridas e quadros com motivos infantis e brinquedos nos móveis. Ele poderá ver coisas novas na parede, na janela e nos móveis. b) E stim ulaçâo auditiva (a partir de 1 més). - Possibilitar-lhe a experiência de novos sons e vozes que a tranqüiiizem, falando-lhe em diferentes lugares da casa; - Dar brinquedos que produzem sons. apertando-os primeiramente. para que depois possa repetir a ação; enquanio asta — Cantar, cantarolar, balbuciar ou falar-lhe São importantes para sendo cuidada (no banho, na alimentação), ala quaisquer tipos de sons emitidos pela voz das pessoas. c) Estimulação olfativa e gustativa (a partir de 4 meses): - Procurar que cheire o sabonete, a loção após o banho, quan do lhe está trocando as fraldas; cozinha, de mo¬ - Levar o berço ou cadeira da criança para a sentir o cheiro de comida; do que possa — Utilizar alimentos de diferentes sabores (doce, salgado), pa ra que possa desenvolver o sentido do paladar.
A inteligência cresce como o corpo
36 d) Estimulação do tato (a partir de 3 meses): — Possibilitar á criança estímulos táteis que incidam sobre a pele em diferentes partes do corpo: mãos para sentir o calor (das pessoas, da mamadaira), o frio (da água, do metal), o macio (ani* mais felpudos, esponjas, toalhas), prazer (de cócegas, carícias), no corpo em geral para perceber texturas, friccionando a fralda en quanto a está banhando ou deixando que a água goteja sobre o seu corpo; — Mudá-la de posição com certa frequência, para que possa aperceber-se do seu corpo e espaço que a cerca. e) Estimulação motora (a partir de 5 meses): - Encorajá-la a fazer movimentos corporais, através de brinca deira de movimento de vaivém, para desenvolver a posição de sen tar-se; — Utilizar estímulos auditivos quando a criança estiver de bru ços, levando-a a levantar a cabeça na posição vertical e horizontal; — Levá-la a pegar e apertar objetos pendurados (bolas, sininhos, argolas) ou ao alcance de suas mãos; — Ajudá-la a sustentar-se de pé, inicialmente apoiada pelas axilas, depois pelas mãos. f) Estimulação cognitiva (a partir dos 6 meses): — Proporcionar-lhe objetos com protuberância, buraco e al ças, para que possa pegar e explorá-los, e ir percebendo o seu uso; — Levá-la a participar de brincadeiras de encontrar pessoas e objetos, escondendo-os total ou parcialmente dentro ou fora de sua visão, para desenvolver-lhe a noção de permanência do objeto; — Possibilitar-lhe brinquedos amarrados por um barbante, para que possa jogar no chão e observar a noção de cair. g) Estimulação de linguagem (a partir do nascimento): — Usar sempre a linguagem quando está perto da criança, es pecialmente durante o atendimento a ela prestado. A estimulação da linguagem dev^e ter lugar em situações naturais, não devendo ser forçada; não apresse a criança e nem antecipe o que ela quer di zer.
O CEM e o Departamento de Produção de Programas Radiofônicos da lECLB acabam de produzir dois audiovi suais, já á disposição das comunidades pelo preço de custo: - O HORÓSCOPO (19 slides, 10 min.) - ADVENTO (18 slides, 10 min.) Ambos contém, no final do texto correspondente,questões para reflexão e debate, podendo ser usados tanto na comuni dade como em escolas. Maiores informações com: Centro de Elaboração de Material C. Postal 11 -93000 - São Leopoldo - RS.
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Através dos tempos, as pessoas e os povos tiveram soes
üiferer:tes da d!ficiéncia e. canse,üentemenje. sua açaojom ou pelas pessoas deficientes teve características tigo procuramos enfocar alguns momentos imp trajetória, desde o antigo Egito até o final do s °^ maneira mo ●deficiente" é entendido, neste contexto, ^ r,nhrp<! os bastante abrangente. Enquadram-se nesta definição órfa-os, os velhos desamparados e outros grupos e pessoas margin lizadas aos quais se destina o trabalho diacônico da Igreja. Remi Klein
de cinco mil anos. um egípcio, de nome AmeEgito: Há cerca . enire outros, o némope. recomendou a seu filho guardar e ensmar rias de um seguinte conselho: “Não faças troça de um anao nem aleiiado". Ê daro, c maia importante no ant.go .f'" ° 9 estar físico e material. Já encontramos muito cedo a alimentar famintos, dar de beber a sete obras de misericórdia: ,cuidar de sedentos , vestir nus hospedar forasteiros , libertar presos en fermos e enterrar mortos. A história egípcia registra em muitos lugares o °
“Não rias de um aleijado"
dessas obras. Os enfermos estavam ao cuidado, de médicos que eram funcionários do governo. Seus métodos eram exatos e bons. bandagistas. Também Além dos médicos, existiam os práticos e os mentais recebiam cuidados especiais. A os excepcionais físicos e declínio da cultura medicina descambou para o lado mágico com o egípcia em geral , Estas “obras de misericórdia" não devem, porém, encobrir o doentes fato de que também houve muitos pobres que sofriam, _ relegados, etc. negar que no social . Não se trado tamanha
Os primeiros sinais de justiça social
- daí a necessidade da “lei". Mas nao há como temos os priimeiros sinais de justiça
Egitc antigo
sabe de outros povos antigos sabedoria social.
que tenham demons-
Na Grécia antiga encontramos um entendimento de amor ao próximo diferente daquele dos egípcios. Isto está relacioeles era exemplo nado com a idéia “Deus" dos gregos. Deus para divindade morava em alturas inatingíveis para o hom e ideai. A e era intocável pelas dores e dificuldades dos homens. O deus grego m isericórdia não exercia misericórdia, nem os gregos esperavam
Grécia:
Deus era exemplo e ideal
38 de seu deus. Eles se satisfaziam em saber que os deuses existiam e o seu desejo ia no sentido de também alcançarem, já nesta vida, harmonia, alegria e beleza (estética grega}. A misericórdia ou com paixão não tinham lugar em sua sociedade. Pelo contrário, ter com paixão era sinal de fraqueza e coisa indigna do homerri, Se os deu ses castigavam o homem com pesares e dores, então cabia ao homerh suportá-los com dignidade! A sociedade grega buscava "tranqüilidada, paz, satisfação" (Platão), mas não oferecia campo para uma ação em favor dos po bres. O pobre e o mendigo incomodavam e desfiguravam a harmo nia. E esta harmonia se preservava da melhor maneira expulsando o pobre. A dureza de coração no comportamento social ia mais
Culto à harmonia
Vinho e centeio para abadar o povo
longe ainda; O aborto era permitido e crianças que nasciam defei tuosas, podiam ser eliminadas após o nascimento. O "culto" à harmonia — em ligação com a maneira pragmática de pensar dos gregos — não dava espaço à ação caritativa e à compaixão. Igualmente conta a história áurea dos tempos de Atenas que cidadãos empobrecidos eram amparados pelas autoridades, e que cidadãos desempregados recebiam temporariamente subvenções do Estado. Os defeituosos por motivo de ferimentos em guerra aurenam uma espécie de pensão. Mas, convém salientar, estas leis sociais só valiam para os cidadãos. Os pobres, os mendigos, os mendigos que não tinham a cidadania, ficavam excluídos. Roma: Os romanos mostravam-se prestativos em situações de sofrimento e catástrofe. Os imperadores tinham o hábito de dis tribuir centeio e vinho entre o povo. Supõe-se que o faziam mais para agradar do que para socorrer, mas não deixava de ser um au xílio. As subvenções do governo eram bem organizadas (Veja Quo Vadis). O filósofo Séneca (4 a. C — 65 a. D.) referiu-se em seus es critos, várias vezes, à questão da misericórdia, à obrigação de todos os cidadãos para com o bem-estar social , E nsinou aos rom anos que deviam amar a todos os homens, e isto porque "por natureza todos os homens são irmãos".
As raízes do amor estão em Deus
Israel;
Entre o povo de Israel
estão em Deus as raízes e os
motivos do amor ao próximo, sendo este expressão de gratidão e obediência a Deus. Principalmente as viúvas, os órfãos e forasteiros tinham direito á misericórdia (Ex 23.10-11; Lv 25. 1-55), mas também os deficientes físicos mereciam respeito e cuidado (Lv 19,14). Não havia um amparo social, mas o auxílio era individual, de pes soa para pessoa.
Socorro ao homem todo
Jgsus: Jesus não só ensinou e praticou 0 amor; ele foi o amor a misericórdia personificados, cumprindo o mandamento do amor com a sua vida e morte. O Senhor mesmo se tornou servo. Suas palavras e seus atos se completaram. Jesus sempre teve em e
vista o homem todo. Socorreu-o em seu mal-estar físico e espirituai. Vemos que ele sofreu com os que sofriam, quer fossem paraiíticos, leprosos ou cegos, quer fossem deficientes físicos ou men tais.
39 É interessante notar como esta abertura do amor de Cristo gerou
uma reação: quatro homens lhe trouxeram um paralítico (Mt 9); um outro lhe trouxe um cego (Mc 8,22), etc. Todos sen tiam que ele lhes estava dizendo e mostrando como deviam viver 8 conviver. A dimensão radical e sem limites deste amor temos em seus discípulos ao Jo 13. 1-17. Com esta lição o mestre enviou os mundo. E eles, por seu Espírito, lhe foram fiéis, como vemos ern relatos sobre a vida dos pri-
Atos 2. 42-47; 4, 36-37 e 6. 1-7, nos meiros cristãos.
Paulo: Para Paulo o amor é o cumprimento da lei. 0 que a lei exige, o amor cumpre espontaneamente (Gl 5.14; Rm 13. 8-10). Cristo. Paulo sente-se Este amor emana do grande amor de Deus em Senhor mandado a amar o próximo, porque vé este amor no seu (Ef 5.2; 2 Co 5.14). Tudo o que Paulo pensou, planejou e fez, ele o fez por graça do amor de Deus em Cristo Jesus. Idade Média; Quando Basílio, no século IV, se tornou bispo de foi construir um Cesaréia, uma das suas primeiras providências um dos Este hospital se tornou hospital na periferia da cidade, redor do prédio principal se mais conhecidos daquela época. Em en fermos e pobres. Até agrupavam várias casas para forasteiros, os.Jeprosos, até então temidos pela sociedade, receberam uma casa própria. Assim surgiu uma primeira ''Betei'', cidade de miseric r
Um lugar fora para os míseros
dia, termo este que originalmente significa ter um coração P^'’^ °s m íseros" Quando Basílio morreu, em 379, o bispo Gregório disse na^üa alocução; "Ide às portas da cidade e vede a cidade da misericórdia, - . o re● servatórío da piedade, a despensa do amor, onde estão deposimenores moedas, onde o amor tadas as sobras das riquezas e as sofrimento tido é exercitado, experimentada a compaixão e o como bem-aventurado. O que são as grandes pirâmides dos faraós em comparação com esta obra de caridade? Basílio nos 'n misericórdia a Deus, assim como ensinou a ernprestar a nossa da misericórdia de Deus." nós mesmos necessitamos No século VI destacou-se o bispo Cesdrio de Aries como líder ir um hospital, espiritual no Ocidente. Quando mandou construir dispôs a planta de tal forma que os pacientes pudessem acompanhar a "missa" de seus leitos. Atrás deste piano estava o reconhecimento de que o homem precisa de atendimento físico e espiriunidade.Em sua época,a tual,de que o corpo e a alma formam uma Igreja se preocupou com as mães solteiras. O aborto era conside rado crime tão grande como um homicídio. O bispo Cesário de Aries também condenou o abandono de recém-nascidos pelas suas mães Nem por isso entregou essas vítimas à sua própria sorte. Defronte de igrejas construíram-se grandes pias de mármores nas quais podiam ser "depositadas" as criancinhas. A Igreja as recolhia a as educava em instituições caritativas. Certamente esta não era a solução do problema, mas pelo menos havia socorro para as crianças, que não tinham culpa de sua situação. E as mães, pelo menos, eram poupadas dos tormentos de uma consciência pesada.
Uma solução para as crianças abandormdas
40 sabendo seus filhos em boas mãos. A caminho dafustiç social'
Até Carlos Magno {768-814) a caridade era praticada quase que exciusivamente por ordens religiosas ou por pessoas caridosas. A partir de então o Estado assumiu, pela primeira vez, esta tarefa. Sempre de novo o Imperador admoestava os mosteiros e o clero a usarem a misericórdia e a praticarem a caridade. Quatro vezes ao ano deviam ser distribuídos alimentos e bens de consumo entre os pobres. Leis regulamentavam a educação de crianças ilegrtimas. Fo rasteiros, peregrinos, viúvas e órfãos recebicm cuidados especiais. Geralmente esquece-se este lado na pessoa de Carlos Magno, talvez porque o lado de sua situação política foi muito destacado. Não obstante, o fato de ter dado especial atenção aos marginalizados o coloca em destaque flagrante em comparação com outros governan tes de seu tempo. Pode-se aizer que 'emos nele um precursor vigo roso da justiça social. Um reavivamento geral sofreram os i mosteiros no século X, com a fundação do Mosteito de Cluny. Realizou-se uma reforma monástica que incluía, naturalmente, o cuidado pelo próximo ca rente. O Mosteiro de Cluny tinha uma grande hospedaria e um hos pital para os pobres. Quem batia à porta era recebido e, quando deixava a hospedaria, levava consigo merenda para uma jornada. Os documentos dizem que o Mosteiro de Cluny sustentava até 17000 pobres anualmente, entre viúvas, órfãos, deficientes, mendigos e peregrinos.
Trocando o luxo pela pobreza
Em 1182 nasceu Francisco de Assis, que deu origem à ordem dos franciscanos. Deixaram as regalias da vida saturada, vestiram a roupa modesta do pastor e andaram pelos lugarejos como mendi gos. Pregavam aquela alegria que nasce da Palavra de Jesus que pro meteu que Deus veste sem dificuldade as pessoas, assim como o faz com os lírios do campo e com as aves sob o céu. Eles detestavam tristeza e preocupações. Alegravam-se com a chuva, o sol, o vento e as flores. Nem por isso viveram cegos para a miséria dos outros. Francisco se compadeceu em especial dos leprosos, amava-os e bei java-lhes as mãos {"No amor não há medo” - 1 Jo 4.181. Susten tava-os com al imentos. Certa vez disse; "Não quero ser ladrão usur pador, porém nós roubamos do grande Doador quando não reparti mos com os outros. Aliás, no repartir está a sabedoria da vida- re partir alegria e pesar, pão, saúde e bens.” No século XIII surgiram as corporações profissionais. E Ias mantinham caixas de auxílio, das quats pagavam pensões às viúvas e órfãos.
Assistência espiritual e cama e comida
No século XIV, os enfermos estavam entregues quase que exclusivamente às mãos de monges e freiras. que em primeiro lugar davam assistência espiritual. O tratamento da saúde não era melhor do que o cuidado que se dava a um mendigoicama e comida.Triste, sobremodo, é o que ouvimos sobre os leprosos daquela época. Eles eram expulsos, perdiam seus bens. Eram considerados "mor tos”. Deviam habitar em pequenas casas fora das cidades e longe da sociedade. Conta-se que, antes de expulsar um coitado desses, até se faziam funerais simbólicos do enfermo. Os doentes mentais
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nâo tinham melhor sorte. Acreditava-se que doença mental signifi ca possessão pelo demônio e calcula-se que aproximadamente 30 mil doentes foram mortos como bruxos e bruxas durante a Ida e Média. cuiEntre as ordens monásticas que surgiram nesta época para dar de enfermos, há osAleixanos, uma espécie de grupo-tarefa, que ainda hoje existem, dedicando-se axclusivamente a dementes. Os que conseguiam filiação em uma das corporações profissio nais tinham sorte. Recebiam apoio a auxílio. Mas o pobre ficava relegado à sua sorte. Dava-se-lhe esmolas e era tido "sob a proteção de Deus". De 1500 a 1900: ... No século da Reforma desenvolveu-se a diaconia comunitân^ . Sabe-se que as comunidades se unem mais em época de perseguição É nos Países e que se dispõem mais para o serviço e o sacrifício. Baixos que a diaconia de comunidade experimentou um forte cres cimento. Comércio marítimo e bem-estar dos países favoreceram tcance. Quase todas as isso, colocando os recursos financeiros ao a cidades tinham serviços sociais estabeiecidos, e surgiram anciona tos, orfanatos, hospitais e hospitais psiquiátricos exemplares, m 1579, em Amsterdã, foi construída uma "casa de tecelagem" para nde mendigos tinham que recuperação de mulheres e uma outra o trabalhar para aprender e ganhar dinheiro. Em 1601 a Rainha Elisabeth I promulgou^a "lei social dos pobres" que até hoje tem influência na legislação social na Ing a terra, Ela ordenou que para cada quarteirão Iconjunto de várias "supervisores dos pobres". quadras! existissem os assim chamados
Assvnéncia garantida por Isi
Deviam cuidar que mendigos recebessem trabalho, que os filhos de gente pobre recebessem instrução, que cidadãos cegos, coxos, ve lhos e impedidos para o serviço recebessem subvenções. Originalmente esta lei valia somente para as comunidades eclesiásticas, mas aos poucos foi aceita também pelo Estado. O princípio básico era trabalhavam e somente sussempre o de dar trabalho aos que não verdadeiramente em apuros, tentar os catoiica do século "Cáritas' Personagem de destaque na Seu primeiro cuiXVI foi o arcebispo de Milão, Carlos Borromeo "amas" p rocurando dado dedicou às "criancinhas expostas", para elas. Construiu uma casa para deficientes mentais e outra para prostitutas. Mas cedo viu que era melhor prevenir do que remediar, por causa do Viu. por exemplo, que muitas moças se prostituíarn dinheiro. Nada tinham aprendido para ganhar seu pão honestamenMilão recebeu por iniciativa de Borromeo uma "lei dos pote. bres", que se tornou modelar em todo mundo católico. Com o Pietismo. no século XVII, nasceu um grande movimento caritativo-pedagógico-assistenciai na Alemanha protestante. Surgiram muitos orfanatos nos moldes da "escola integral" ideali Esta reforma zada por Augusto Hermann Francke (1663-1727). no campo caritativo-assistencial teve reflexos em outros setores, por exemplo nos presídios, nos quais desde então podia entrar sol e os quais no inverno podiam ser aquecidos, século XVIH o problema social da época foram os enfer-
Melhor prevenir do queremediar
42 mos, entre estes especiaimente os cegos e surdos. Principalmente para os cegos um francês de nome Valentin Haüy se tornou como uma luz nas trevas. Tinha 26 anos de idade quando viú em uma ta berna a propaganda: "Concerto de cegos". Lá se podia ver cegos com óculos de papelão, sem vidro, e um dirigente corn orelhas do burro, tocando para um público que "pagava para ver burros". Haüy se rebelou e gritou: "Eu os farei ler!" Catorze anos mais tarde o mundo viu nele o fundador das primeiras escplas para ce gos. Um dia encontrou um mendigo de 17 anos, cego desde os pri meiros anos de vida. Pediu que este se deixasse instruir por ele. O cego concordou, se lhe pagassem, Seu nome era François. Mas tal“Eu os farei ler” -
vez tudo teria fracassado se François, certo dia, no zelo de pôr ordem na mesa do seu mestre, não tivesse deixado cair um cartaoconvite no chão. Ao ajuntá-lo, sentiu que as letras eram em alto-relevo. Conseguiu senti-las e decifrar algumas, podendo assim lê-las Eufórico, contou ao mestre sua arte. O mestre ficou perplexo. Achou o que procurava: Letra em alto-relevo ara a solução. Não demorou e uma organização filantrópica lhe encaminhou doze cegos. 0 presidente desta organização era o chefe de polícia de Pa ris. A organização pagava uma "pensão mensal" a Haüy, o que lhe aliviava o problema financeiro. Assim surgiu, em 1784, a primeira escola para cegos. Após a Revolução Francesa, que lutou por liberdade, igualdade e fraternidade, Haüy recebeu muito apoio. Fez viagens e fundou escolas similares em Berlim e Petersburgo. Quan do faleceu, em 1820, sua obra já se firmara. Da escola de Paris saiu Louis Braille (1809 - 1852). que ficara cego aos trés anos de idade e que, por volta de 1820, criou o siste ma de escrita para cegos (sistema alfabético de pontos — Veja Servindo ao Senhor, 1.1, aluno: alfabeto Braille). Na mesma época surgiu, em Salzburgo, na Ãustna, a primeira escola para deficientes mentais. Até o século XVIII estes deficien tes eram recolhidos com os loucos em instituições. Afinal, não eram normais. A medicina pouco tinha a oferecer a estes clientes, afora a higiene e algumas vitaminas. mas começou-se a enxergar que estes clientes precisavam de uma educação adequada. Nesta luta destacaram-se Goggenmoos e Gugenbühl como pionei ros na Áustria.
■iliviaro sofrimento
Entre os médicos em destaque daquela época encontramos Philippe Pinei. Foi diretor de um sanatório e escreveu um livro SQbre "doentes mentais". Sua grande preocupação era aliviar o sofri¬ mento destes pacientes. Seu mérito maior, porém, está na Psiquiatria. Para isto contribuiu uma experiência muito pessoal. Um amigo "adoeceu da mente" e perambulava "errado" pelos matagais, onde foi estraçalhado por lobos. Este episódio determinou o rumo da pesquisa médica de Pinei. Em 1792 ele assumiu a direção de um sanatório feminino em Bicetre. A situação que encontrou foi sem similar. Os enfermos estavam acorrentados e eram tratados como se fossem animais. No sanatório não havia médico, e novos pacientes simplesmente eram colocados nos mesmos comparti mentos dos demais, sem que se analisassem o grau ou o tipo de en-
43 ferm idade. Também aqui a Revolução Francesa trouxe a liberdade para os doentes. Caíram as correntes e foram tratados como os outros enfermos. Os sanatórios deixaram de ser presídios para se rem, na verdade, sanatórios. Assim Pinei se destacou na vanguarda da medicina já antes do século XIX, o "século da medicina. Anthony Ashley Cooper, nascido em 1801, em Londres, e conhecido como Lord Shaftesbury, também empenhou-se em favor dos "alienados mentais" (loucos), Lutou por uma lei que garantisse ao "alienado mental" um tratamento específico, em vez de foi eleito membro de internação em estilo presidiário. Ele mesmo uma comissão à qual cabia zelar pelas instituições desse genero, cuidando durante cinco decênios para que as instituições cumpris
Um tratamento conforme o caso
sem a lei ao pé da letra. Não se podaria deixar de mencionar Bethel e Bodeischwingh. Bethel surgiu na Alemanha, em 1867, acolhendo epilépticos. Em 1872 Bodeischwingh assumiu a direção de Bethel. Seu princípio era de que cada um pode fazer algo. Hoje Bethel constitui-se numa verdadeira "cidade de misericórdia". (Veja Anuário Evangélico 1981).
Brasil: A história até o final do século passado deve ser vista a partir da realidade da escravidão, uma realidade de "não-fraternidade , de "não-caridade" {História da Igreja no Brasil. Tomo 2, pág. 361).
Remendos assistêncialistas e paternalistas
Os esforços caritativos são no sentido de amenizar as consequências desta organização social desumana. São, pois, iniciativas de cará ter assistencial e paternalista. Os pobres e marginalizados em geral são objetos de caridade e não de justiça. função à Igreja, a qual cria O Estado, por sua vez, reserva esta i "casas de expostos para crianças abandonadas, recolhimentos de órfãos, recolhimentos de crianças pobres, asilos de mendigos, asilos de mulheres desvalidas, hospícios de alienados (doentes men tais). hospitais de "lázaros", consultórios anexos a hospitais para o atendimento de doentes pobres, irmandades que colocavam entre suas finalidades a libertação dos escravos através de alforria. Mas sobretudo as santas casas de misericórdia continuavam desempenhando o papel mais importante deste atendimento aos pobres" (História da igreja no Brasil, tomo 11/2, pág. 211)
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^Bibliografia consultada 1- COMISSÃO OE HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA, História da Igreia no Brasil, Editora Ltda., Petrópolts, 1979.
Vozes
2- TELFORD, Charles W. a SAWRÊY, James M., O Indiví duo Excepcional. Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1978. & HOFXMANN, Hans-Joachlm, 3- VONHOFF. Heinz Samariter der Menschheit, Claudíus Verlag, Muenchen, 1977. 4- Polígrafos de História da Diaconia, Casa Matriz de Diaconisas. São Leopoldo.
A tarefa é da Igreja
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Na Comunidade Wilfrid Hssenack
Tarefas segundo a capacidade
O mundo astá cheio de separações, classificações e discrimina ções. Algumas são necessárias, outras são provas de falta de amor. Para que uma firma possa funcionar, ô necessário que sejam distribuidas as tarefas entre as pessoas que nela trabalham . Haverá, por ISSO, pessoas que coordenam e determinam o funcionamento de toda a empresa. Haverá outras encarregadas da supervisão da determinados setores. , Haverá aquelas que estarão nas máquinas, manejando-as e trabalhando nelas. Esta divisão é necessária. Precisa haver diretor e precisa haver operário, As tarefas são distribuídas de acordo com a capacidade de cada um. Quando, porém, não for a capacidade que determina a distribuição das tarefas, mas outros motivos, então acontece discriminação. Discriminação é toda atitu de que não permite a participação plena e livre e em condicõe «de igualdade de direitos no convívio e nas atividades.
Você conhece casos onde pessoas foram deixadas de lado ^ injustamente? Por quê? Procure relacionar os motivos por que acontecem discriminações onde você mora.
Valores da sociedade X fé cristã Em nossa sociedade de consumo, a pessoa vale pelo que pro duz ou tem. Quem produz ou tem, é bem aceito e vale mais. Quem não pode produzir seja devido a deficiências físicas, mentais, ou idade, sexo e outras razões - é ignorado, não ó aceito, não tem participação plena. Para este não há lugar. A discriminação contra Toda e qualquer discriminação - também aquela feita entre ria o plano de Deus bons 6 maus que por princípio marginaliza e exclui alguém do conv.vio com outros, é contra a vontade de Deus. Por isto o apóstolo Paulo faz questão de destacar: "Todos vós sois filhos de Deus me diante a fé em Cristo Jesus, porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cnsto vos revestistes. Dessarte não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um Cristo Jesus" (Gálatas 3,26-28). Confira » tamb0m Romanos 10.12; 1 Coríntios 12.13; ● Colossenses 3.9-11. Na comunidade cristã não há lugar para discriminação e exclu são. Ela é o lugar onde cada pessoa é acolhida sem distinção algu-
45 fTia. Os membros da comunidade, tendo sido batizados em Cristo, tornaram-se irmãos uns dos outros. Nesta família um não vale mais que o outro, Aí ninguém ô considerado pelo que produz ou possui, mas unicamente pelo fato de pertencer a Deus. Mesmo pessoas que pouco ou nada produzem ou possuem, têm lugar no povo de DeuS e precisam receber condições de se integrarem na vida da comuni^ dade.
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Apesar de haver unanimidade em dizer que deve ser dada opor tunidade de participação livre e plena a todas as pessoas numa co munidade, sem distinção de raça, cor, sexo, idade, posses, capacidades, etc., as nossas comunidades dificultam a participação de deficientes físicos e de deficientes mentais.
Nossas co/nunidojtís
também discriminan
46 Observe a sua comunidade: as construções e instahções\ que ela tem tomam possível e fácil a participação de pessoas paralizadas ou cegas? Elas podem entrar com relativa facilida de na igreja, no salão da comunidade, enfim naqueleá lugares e salas onde os membros constumam se reunir? 0 que faz a sua comunidade para que estas pessoas possam participar na vida e no convívio da ma igreja? Será que cultos radiofônicos são suficientes para entender as necessidades des tas pessoas? Participar na comunidade não é só ouvira sua mensagem, mas importante é o convívio, o conteúdo com outras pessoas, o entrosamento, a integração onde se vivência a comunhão. Que possibilidades você veria de integrar, na comunidade, os paralíticos, os cegos, os idosos e outras pessoas que têm dificiências físicas? E quanto aos deficientes mentais? A comunidade tem a tarefa de testemunhar a todas as pessoas o amor de Deus.Como ela se desincumbe desta tarefa junto aos excepcionais? Uma criança com deficiência mental pode receber ensino confirmatório e ser confirmada?
Em busca de uma proposta Conhecer o deficiente para anunciar o Evangelho
A comunidade tem a tarefa de testemunhar a todos os homens o amor de Deus. Quando os missionários, movidos por esta incum bência, se dirigiram aos povos da Ásia, África e ainda hoje aos po vos indfgenas, tiveram que estudar em primeiro lugar seu idioma, sua cultura e hábitos, antes de iniciarem a sua pregação. Isto tam bém precisa acontecer em relação aos deficientes mentais: que pri meiramente se conheça sua psicologia, sua linguagem, suas neces sidades. Terão que ser encontradas formas de transmissão, de teste munho que os excepcionais entendem. Talvez se torne necessário que não se usem tanto palavras, mas principalmente gestos, atitu-' des, como aliás encontramos em personagens bíblicos (confira, por exemplo. Jeremias IS.lOss; 27.2; Ezequiel 4.1 ss; 12.3ss;37. ISss). Em vez de contanas histórias bíblicas, estas talvez tenham que ser encenadas, representadas. A fantasia e a criatividade devem ser postas em ação, fantasia e criatividade como tiveram os quatro amigos do paralítico (Marcos 2. 1-12). Mas eles não só tiveram isto; tiveram também multa persistência! Entretanto, não só é necessário o testemunho, a pregação e a transmissão de conhecimentos, mas é preciso que os deficientes mentais possam participar da vida da comunidade. E como fazé-lo?
O deficiente no culto
A vida normal da comunidade, onde se procura integrar todas as faixas de idade e todos os grupos existentes, acontece principaimente no culto, é por isto que também no culto dominical precisa acontecer a integração e participação dos deficientes mentais. Terá que ser levada em conta a linguagem da pregação, a liturgia terá que ser simplificada e abreviada. A duração do culto como um todo
47 terá que ser menor. Também a linguagem usada em oraçao deve ser considerada. E a comunidade toda. a partir de grupos que se reúnem durante a semana, deve ser preparada para a e presença de excepcionais. Entretanto, o ambiente em si e pies fato de serem recebidos são para eles o mais importan e. cipalmente sua integração na comunidade terá para eles enorme sig^ tem algo a dizer e transm^ ficado. E será-qua a presença deles não tir também a toda a comunidade?
Pessoas excepcionais sentem mais do que ■ fletem o que acontece com elas. Não seria o caso dai, repensarmos e reconsiderarmos a presença e par de excepcionais na Santa Ceia? Reflita sobre isso: Mesmo pessoas que V* . produzem ou possuem, têm lugar no povo de eus P receber condições de se integrarem na vida a comun
Declaração E Dados DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS DEFICIENTES (Resolução 3447 - XXX -09 dezembro de 19751 inO termo "pessoas deficientes refere-se a qualquer pessoa capaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decor rência de uma deficiência, congênita ou não. em suas capacidades fisicas ou mentais. os direitos estabeleci2 As pessoas deficientes gozarão de todos dos a seguir nesta Declaração. Estes direitos serão garantidos a todas as pessoas deficientes sem nenhuma exceção e sem qual quer distinção ou discriminação com base em raça. cor. sexo, língua, religião, opiniões políticas ou outras, origem social ou nacional, estado de saúde, nascimento ou qualquer outra situa ção que diga respeito ao próprio deficiente ou è sua família. direito inerente de respeito por 3. As pessoas deficientes têm o sua dignidade humana. As pessoas deficientes, qualquer que
1
●18 $eja a orígam, natureza e gravidade de suas deficiências, têm os mesmos direitos fundamentais que seus concidadãos da mesma idade, o que implica, antes de tudo, o direito de desfru tar de uma vida decente, tão normal e plena quanto possfvel. 4.
As pessoas deficientes têm os mesmos direitos civis a políticos que outros sêres humanos: o parágrafo 7 da Declaração dos Direitos das Pessoas Mentalmente Retardadas aptica-se a qual quer possfvel limitação ou supressão desces direitos para as pessoas mentaimente deficientes.
5.
As pessoas deficientes têm direito a medidas que visam capaci tá-las e tornarem-se tão auto-confiantes quanto possível.
6.
As pessoas deficientes têm direito a tratamento médico, psico lógico e funcionai, incluindo-se af aparelhos protéticos e ortóticos, á reabilitação médica e social, educação, treinamento vocacional e reabilitação, assistência, aconselhamento, serviços de colocação e outros serviços que lhes possibilitem o máximo desenvolvimento de sua capacidade e habilidades e que acele rem o processo dê sua integração ou reintegração social.
7.
As pessoas deficientes têm direito à segurança economica e social e a um nível de vida decente e, de acordo com suas capacidades, a obter e manter um emprego ou desenvolver ativi dades úteis, produtivas e remuneradas e a participar dos sindi catos.
8.
As pessoas deficientes têm direito de ter suas necessidades es peciais levadas em consideração em todos os estágios de plane jamento econômico e social.
9
As pessoas deficientes têm direito de viver com suas famílias ou com pais adotivos e de participar de todas as atividades so ciais, criativas e recreativas. Nenhuma pessoa deficiente será submetida, em sua residência, a tratamento diferencial, além daquele requerido por sua condição ou necessidade de recupe ração. Se a permanência de uma pessoa deficiente em um esta belecimento especializado for indispensável, o ambiente e as condições de vida nesse lugar devem ser, tanto quanto possí vel, próximos da vida normal de pessoas de sua idade.
10. As pessoas deficientes deverão ser protegidas contra toda ex ploração, todos os regulamentos e tratamentos de natureza discriminatória, abusiva ou degradante. 11. As pessoas deficientes deverão poder valer-se de assistência le gal qualificada quando tal assistência for indispensável para a proteção de suas pessoas e propriedade. Se forem instituídas medidas judiciais contra elas, o procedimento legal aplicado deverá
levar em consideração sua condição fisica
e mental.
12. As organizações de pessoas deficientes poderão ser consultadas com proveito em todos os assuntos referentes aos direitos de pessoas deficientes.
49 13. As pessoas deficientes, suas famílias e comunidades deverão ser plenamente informadas por todos os meios apropriados, sobre os direitos contidos nesta Declaração.
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO RETARDA MENTO MENTAL '.Direitos Humanos, Adotados pela ONU em relação ao retardado mental) mesmos direitos "A pessoa mentalmente deficiente possui os básicos comuns ao cidadão do mesmo país e da mesma cidade; 3 pessoa mentalmente deficiente tem direito dos cuidados médic^os 3 a reabilitação física adequados e a toda espécie de educação, desenvolver treinamento, habilitação e orientação que a capacite a sua habilidade e potencialidade ao máximo, não importando quão grave seja o seu grau de deficiência. Nenhuma pessoa mentalmente deficiente deverá ficar privada de tais serviços devido ao seu alto custo; a pessoa mentalmente deficiente tem direito à segurança econômica e um padrão de vida decente.”
DADOS: A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 450 outra de milhões de pessoas da Terra apresentam uma forma ou deficiência física ou mental. Aproximadamente 12 milhões destas são brasileiras, ou seja, uma em cada dez pessoas da população em paínacional. A grande maioria das pessoas deficientes mora ses em vias de desenvolvimento. Entre as causas principais de incaoacidade em todo o mundo, estão; - Acidentes: zando um
particuiarmente acidentes domésticos, total imínimo de 20 milhões por an o, deixando
110.000 pessoas com deficiências permanentes. — Acidentes de Trânsito: Mais de 10 milhões feridos por ano, muitas vezes gravemente, com consequências que incluem amputações, ferimentos cerebrais, parapiegia e quadriplegía. — Doenças incapacitantes ainda são frequentes: por exemplo, vinte milhões de pessoas têm Hanseníase. Incapacidades li gadas à subnutrição são muito comuns em países em desen volvimento. Para citar só um exemplo, 250.000 crianças por ano tornam-se cegas por causa de deficiência crônica de vitam inas.
50 — Doenças Mentais: sagundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) uma em cada dez pessoas sofrerá durante 'sua vida urna forma de doença mental. Um em cada quatro de todos os leitos hospitalares do mundo são ocupados por pacientes com doença mental. — Cegueira: aproximadamente 10 a 15 milhões de pessoas no mundo.
— Audição: 70 milhões de pessoas sofrem de uma deficiáncia significativa de audição. - Paralisia cerebral: 15 milhões. — Epilépticos: 15 milhões.
Sugestão De Literatura 1. FLEMING, Juanita ■ A^Crian£a^^çe^çionaL^^D\e^nàsx\co B Tratamento. Livraria Francisco Alves Editora S. A., 1978. R io de Janeiro — RJ. O termo excepcionai, geralmente compreendido e usado como sinônimo de deficiente, engloba na verdade também a situação dos superdotados, Este livro aborda, com maior ênfase, causas, prevenção e tratamento dos casos de limitações e deficiência por serem em maior número. Apesar de seu estilo científico e de visar principalmente os pro fissionais no campo do tratamento da excepcionalldade, o livro se destina também a pais, professores e a todas as pessoas que se preocupam com a pessoa excepcional.
2. MACHADO, Maria Therezinha de Carvalho, ALMEIDA, Mariene Concetta de Oliveira. Ensinando Crianças Excep cionais, Livraria José Olímpio Editora, 1971, Rio de Ja¬ neiro, RJ. ^ certamente
um dos poucos trabalhos brasileiros, fruto da pesquisa e experiência autóctones, sobre o assunto. De fácil leitura e compreensão, o livro orienta país e professores pobre como pro ceder com crianças excepcionais. Aborda assuntos tais como: - O que é educação especial — A importância do professor de crianças excepcionais
51 — A criança excepcional: causas tipos de excepcionalidade prevenção e tratarriento — Os programas de ensino com vistas à criança excepcional — Técnicas de trabalho com excepcionais. 3. SHAW, Dr. Charles. Quando Seu Filho Precisa de Ajuda, Editora Globo, 1977, Porto Alegre, RS, O livro de psiquiatra infantil Charles Schaw tem como primei>■0 endereço os pais de crianças com problemas de relacionamento e com dificuldades escoiares ou aqueles que desconfiam que algo não está bem com seu filho. São abordados, entre outras, os se guintes assuntos:
os sinais de perturbação, lesão cerebral, esquizo
frenia infantil, psiconeurose, incapacidades de aprendizagem, retardamento mental a tratamento. Apresentando casos de crian ças com os problemas citados e usando uma linguagem simples, o autor contribui para desmistificar o tratamento de distúrbios de ordem psicológica, é sem dúvida uma boa leitura para pastores e educadores que diariamente entram em contato com situações semelhantes às analisadas no livro. 4. WERNER. David.
Onde Não Há Médico.
Edições Paulinas,
1987, São Paulo, SP. Numa época em que o tratamento médico em geral torna-se, por razões diversas, cada vez mais difícil, milhares de pessoas estão à mercê da doença, do sofrimento e, consequentemente, das ben zeduras e crendices. Este livro quer vir ao encontro desta situaçao, oferecendo orientações seguras e simples de como proceder em si tuações de doenças e tratá-las.
Ê. pois, um manual que se destina
principalmente às pessoas do campo e aos operários.
52 t
Anóxía: falta parcial de oxigênio. Disritmia: alteração constatada no eletroencefalograma. Eletroencefalograma: ondas magnéticas que detectam as ondas na superffcie do cérebro. Detectam o local de alteração no cérebro e o tipo de alteração. Encefalite: inflamação no encéfaio. Hanseni^ase: lepra. Hidro-estreptomícinai antibióticos (alteração da audição). Hipotonia: flacídez muscular, "moleza", Intoxicação por quinino: excesso de medicação para matar certos parasitas. Meningite*, infecção muito grave do cérebro, mais comum entre crianças.
Método “crede”: colocar gotas de nitrato de prata para evitar infecção. Mongolismo: alteração genética. Otite média aguda: tipo de inflamação de ouvido. Paraplegía: paralisia dos membros inferiores,
Sífilis:
doença venérea muito comum e aitamente contagiosa
através do contato sexuai. Toxoplasmose:
infecção caracterizada por grande variedade de
sintomas, como febre, lesões dos olHos, pulmões, etc. Manifesta-se tanto nos homens como nos animais e em certos casos pode levar à morte.
IN D I C E 3 APRESENTAÇÃO APRENDENDO A VTVER COM AS PESSOAS DEFICIENTES 4 9 O DEFICIENTE NA FAMÍLIA 17 TIPOS DE DEFICIÊNCIA 25 CAUSAS DA DEFICIÊNCIA E PREVENÇÃO 32 COMO AJUDAR UMA CRIANÇA DEFICIENTE 33 O QUE TODO BEBÊ PRECISA 37 O DEFICIENTE NA HISTÓRIA E NA BTBLIA 44 O DEFICIENTE NA COMUNIDADE 47 declaração E DADOS 50 SUGESTÃO DE UTERATURA 52 VOCABULÁRIO
N
DECLARAÇAO DOS DIREITOS DO EXCEPCIONAL “São universalmente reconhecidos os direitos da criança:o di reito de ser desejada, o direito de nascer sadia, o direito de viver num ambiente saudável, o direito de satisfazer as necessidades bási cas, o direito do continuo cuidado afetivo, o direito de adquirir ha bilidades intelectuais e emocionais necessárias para alcançar aspira ções individuais e de competir efetivamente em nossa sociedade, o direito de receber assistência e tratamento através de instituições que sejam apropriadas às suas necessidades e que as mantenham o mais próximo possível, dentro do seu meio social normal. Estes são também, os direitos do excepcional que, primeiramente, tem de ser visto como pessoa, para depois ser visto na condição de excepcio nal.”
(Direitos Humanos,adotados pela ONU em relação ao excepcional).
Cr$ 60,00