PROCLAMAR LIBERTAÇÃO Volume 30 AUXÍLIOS HOMILÉTICOS SOBRE A SÉRIE ECUMÊNICA TRIENAL – ANO A Editado pela ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Coordenação de VERNER HOEFELMANN e JOÃO A. M. DA SILVA
2004
© Editora Sinodal, 2004 Caixa Postal 11 93001-970 São Leopoldo, RS Fone/fax: (51) 590-2366 E-mail: editora@editorasinodal.com.br Home-page: www.editorasinodal.com.br Conselho Editorial de Proclamar Libertação: Norberto da Cunha Garin, Valdemar Witter, Margarete E. Engelbrecht, Mauro Schwalm e Carlos L. Ulrich Coordenação editorial: João Artur M. da Silva Série: Teologia Prática Auxílios Homiléticos Publicado sob a coordenação do Fundo de Publicações Teológicas/Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Teologia da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Impressão: Gráfica Pallotti
PROCLAMAR LIBERTAÇÃO Volume 30 AUXÍLIOS HOMILÉTICOS SOBRE A SÉRIE ECUMÊNICA TRIENAL – ANO A Editado pela ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Coordenação de VERNER HOEFELMANN e JOÃO A. M. DA SILVA
2004
© Editora Sinodal, 2004 Caixa Postal 11 93001-970 São Leopoldo, RS Fone/fax: (51) 590-2366 E-mail: editora@editorasinodal.com.br Home-page: www.editorasinodal.com.br Conselho Editorial de Proclamar Libertação: Norberto da Cunha Garin, Valdemar Witter, Margarete E. Engelbrecht, Mauro Schwalm e Carlos L. Ulrich Coordenação editorial: João Artur M. da Silva Série: Teologia Prática Auxílios Homiléticos Publicado sob a coordenação do Fundo de Publicações Teológicas/Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Teologia da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Impressão: Gráfica Pallotti
Sumário Prefácio Verner Hoefelmann e João Artur Müller da Silva ...................... 5 AUXÍLIOS HOMILÉTICOS 1º Domingo do Advento (28-11-04) Is 2.1-5 Norberto Garin ................ 9 3º Domingo do Advento (12-12-04) Jr 7.21-26 Enio Müller .................. 15 4º Domingo do Advento (19-12-04) Mt 1.18-25 Ulrico Sperb ............... 19 Vigília do Natal (24-12-04) Lc 2.1-7 Sisi Blind ....................................... 24 1º Domingo após Natal (26-12-04) Gl 4.4-7 Haroldo Reimer ................ 31 2º Domingo após Natal (2-1-05) Ef 1.3-6,15-18 Marga Ströher ..........37 1º Domingo após Epifania (9-1-05) Mt 3.13-17 Albérico Baeske ........44 3º Domingo após Epifania (23-1-05) Am 3.1-8 Werner Brunken ......... 54 Último Domingo após Epifania (6-2-05) Mt 17.1-9 Louraini Christmann ............................................................................. 60 1º Domingo da Quaresma (13-2-05) Gn 2.7-9,15-17; 3.1-7 Harald Malschitzky ............................................................................... 66 3º Domingo da Quaresma (27-2-05) Is 42.14-21 Günter Wolff ............. 72 4º Domingo da Quaresma (6-3-05) Os 5.15-6.2 Leandro Dentee ......... 83 5º Domingo da Quaresma (13-3-05) Ez 37.1-3,11-14 Gottfried Brakemeier ........................................................................... 89 Domingo da Paixão (20-3-05) Is 50.4-9a Martin Norberto Dreher ....... 94 Quinta-feira da Paixão (24-3-05) Jo 13.1-17,34 Erni Drehmer ............ 100 Sexta-feira da Paixão (25-3-05) Sl 22.1-12,17-20 Heinz Ehlert ........... 104 Domingo da Páscoa (27-3-05) Jo 20.1-9(10-18) Silvia Genz ................ 109 2º Domingo da Páscoa (3-4-05) 1Pe 1.3-9 Claus Dreher ..................... 114 3º Domingo da Páscoa (10-4-05) 1Pe 1.17-21 Pedro Kalmbach .......... 118 4º Domingo da Páscoa (17-4-05) 1Pe 2.18-25 Gerd Uwe Kliewer ...... 122 5º Domingo da Páscoa (24-4-05) 1Pe 2.4-10 Nilton Giese .................. 128 6º Domingo da Páscoa (1-5-05) Is 65.17-25 Arnoldo Maedche ........... 133 Ascensão de Nosso Senhor (5-5-05) Ef 1.(16-20a)20b-23 Margarete Engelbrecht ....................................................................... 138 7º Domingo da Páscoa (8-5-05) 1Rs 3.16-28 Elaine Neuenfeldt .......... 143 Domingo de Pentecoste (15-5-05) Jo 20.19-23 Ari Knebelkamp ......... 150 1º Domingo após Pentecoste (22-5-05) Mt 28.16-20 Wilfrid Buchweitz ............................................................................... 156 2º Domingo após Pentecoste (29-5-05) Mt 7.21-29 Vera Maria Immich ............................................................................. 163 5º Domingo após Pentecoste (19-6-05) Mt 10.26-33 René Krüger ...... 168 6º Domingo após Pentecoste (26-6-05) Mt 10.34-42 Claudete Beise Ulrich ......................................................................... 174
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7º Domingo após Pentecoste (3-7-05) Mt 11.25-30 Guilherme Lieven ................................................................................ 184 8º Domingo após Pentecoste (10-7-05) Mt 13.1-9 Valdemar Lückemeyer ........................................................................ 189 9º Domingo após Pentecoste (17-7-05) Rm 8.26-27 Rocío Morales .... 193 11º Domingo após Pentecoste (31-7-05) Is 55.1-5 Valério Schaper .... 197 12º Domingo após Pentecoste (7-8-05) 1Rs 19.9-13a Acyr Raymann . 204 13º Domingo após Pentecoste (14-8-05) Is 56.1,6-8 Antonio Ribeiro . 209 14º Domingo após Pentecoste (21-8-05) Êx 6.2-8 Anete Roese .......... 214 15º Domingo após Pentecoste (28-8-05) Jr 15.15-21 Valdemar Schultz ................................................................................ 220 16º Domingo após Pentecoste (4-9-05) Mt 18.15-20 Ivoni Richter Reimer ........................................................................... 227 17º Domingo após Pentecoste (11-9-05) Mt 18.21-35 Almir dos Santos ................................................................................. 234 18º Domingo após Pentecoste (18-9-05) Mt 20.1-16a Erni Seibert ..... 239 21º Domingo após Pentecoste (9-10-05) Mt 22.1-10(11-14) Vera Regina Waskow .......................................................................... 243 22º Domingo após Pentecoste (16-10-05) Mc 6.34-44 Wilhelm Wachholz .............................................................................. 247 23º Domingo após Pentecoste (23-10-05) Mt 22.34-40(41-46) Eloir Weber ......................................................................................... 253 24º Domingo após Pentecoste (30-10-05) Mt 23.1-12 Vera Weissheimer ................................................................................ 259 Dia da Reforma da Igreja (31-10-05) Ef 2.1-10 Werner Wiese ............ 265 Dia dos Finados (2-11-05) Jo 5.24-29 Teobaldo Witter ........................ 271 Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico (6-11-05) Mt 25.1-13 Carlos Ulrich ....................................................................................... 277 Penúltimo Domingo do Ano Eclesiástico (13-11-05) Mt 25.14-30 Arteno Spellmeier ............................................................................... 286 Último Domingo do Ano Eclesiástico (20-11-05) 1Co 15.20-28 Mauro Schwalm .................................................................................. 293 AUXÍLIOS PARA OCASIÕES ESPECIAIS Festa da Ascensão de Jesus Cristo Albérico Baeske .............................. 303 ÍNDICES ..................................................................................................... 322
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Sumário Prefácio Verner Hoefelmann e João Artur Müller da Silva ...................... 5 AUXÍLIOS HOMILÉTICOS 1º Domingo do Advento (28-11-04) Is 2.1-5 Norberto Garin ................ 9 3º Domingo do Advento (12-12-04) Jr 7.21-26 Enio Müller .................. 15 4º Domingo do Advento (19-12-04) Mt 1.18-25 Ulrico Sperb ............... 19 Vigília do Natal (24-12-04) Lc 2.1-7 Sisi Blind ....................................... 24 1º Domingo após Natal (26-12-04) Gl 4.4-7 Haroldo Reimer ................ 31 2º Domingo após Natal (2-1-05) Ef 1.3-6,15-18 Marga Ströher ..........37 1º Domingo após Epifania (9-1-05) Mt 3.13-17 Albérico Baeske ........44 3º Domingo após Epifania (23-1-05) Am 3.1-8 Werner Brunken ......... 54 Último Domingo após Epifania (6-2-05) Mt 17.1-9 Louraini Christmann ............................................................................. 60 1º Domingo da Quaresma (13-2-05) Gn 2.7-9,15-17; 3.1-7 Harald Malschitzky ............................................................................... 66 3º Domingo da Quaresma (27-2-05) Is 42.14-21 Günter Wolff ............. 72 4º Domingo da Quaresma (6-3-05) Os 5.15-6.2 Leandro Dentee ......... 83 5º Domingo da Quaresma (13-3-05) Ez 37.1-3,11-14 Gottfried Brakemeier ........................................................................... 89 Domingo da Paixão (20-3-05) Is 50.4-9a Martin Norberto Dreher ....... 94 Quinta-feira da Paixão (24-3-05) Jo 13.1-17,34 Erni Drehmer ............ 100 Sexta-feira da Paixão (25-3-05) Sl 22.1-12,17-20 Heinz Ehlert ........... 104 Domingo da Páscoa (27-3-05) Jo 20.1-9(10-18) Silvia Genz ................ 109 2º Domingo da Páscoa (3-4-05) 1Pe 1.3-9 Claus Dreher ..................... 114 3º Domingo da Páscoa (10-4-05) 1Pe 1.17-21 Pedro Kalmbach .......... 118 4º Domingo da Páscoa (17-4-05) 1Pe 2.18-25 Gerd Uwe Kliewer ...... 122 5º Domingo da Páscoa (24-4-05) 1Pe 2.4-10 Nilton Giese .................. 128 6º Domingo da Páscoa (1-5-05) Is 65.17-25 Arnoldo Maedche ........... 133 Ascensão de Nosso Senhor (5-5-05) Ef 1.(16-20a)20b-23 Margarete Engelbrecht ....................................................................... 138 7º Domingo da Páscoa (8-5-05) 1Rs 3.16-28 Elaine Neuenfeldt .......... 143 Domingo de Pentecoste (15-5-05) Jo 20.19-23 Ari Knebelkamp ......... 150 1º Domingo após Pentecoste (22-5-05) Mt 28.16-20 Wilfrid Buchweitz ............................................................................... 156 2º Domingo após Pentecoste (29-5-05) Mt 7.21-29 Vera Maria Immich ............................................................................. 163 5º Domingo após Pentecoste (19-6-05) Mt 10.26-33 René Krüger ...... 168 6º Domingo após Pentecoste (26-6-05) Mt 10.34-42 Claudete Beise Ulrich ......................................................................... 174
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7º Domingo após Pentecoste (3-7-05) Mt 11.25-30 Guilherme Lieven ................................................................................ 184 8º Domingo após Pentecoste (10-7-05) Mt 13.1-9 Valdemar Lückemeyer ........................................................................ 189 9º Domingo após Pentecoste (17-7-05) Rm 8.26-27 Rocío Morales .... 193 11º Domingo após Pentecoste (31-7-05) Is 55.1-5 Valério Schaper .... 197 12º Domingo após Pentecoste (7-8-05) 1Rs 19.9-13a Acyr Raymann . 204 13º Domingo após Pentecoste (14-8-05) Is 56.1,6-8 Antonio Ribeiro . 209 14º Domingo após Pentecoste (21-8-05) Êx 6.2-8 Anete Roese .......... 214 15º Domingo após Pentecoste (28-8-05) Jr 15.15-21 Valdemar Schultz ................................................................................ 220 16º Domingo após Pentecoste (4-9-05) Mt 18.15-20 Ivoni Richter Reimer ........................................................................... 227 17º Domingo após Pentecoste (11-9-05) Mt 18.21-35 Almir dos Santos ................................................................................. 234 18º Domingo após Pentecoste (18-9-05) Mt 20.1-16a Erni Seibert ..... 239 21º Domingo após Pentecoste (9-10-05) Mt 22.1-10(11-14) Vera Regina Waskow .......................................................................... 243 22º Domingo após Pentecoste (16-10-05) Mc 6.34-44 Wilhelm Wachholz .............................................................................. 247 23º Domingo após Pentecoste (23-10-05) Mt 22.34-40(41-46) Eloir Weber ......................................................................................... 253 24º Domingo após Pentecoste (30-10-05) Mt 23.1-12 Vera Weissheimer ................................................................................ 259 Dia da Reforma da Igreja (31-10-05) Ef 2.1-10 Werner Wiese ............ 265 Dia dos Finados (2-11-05) Jo 5.24-29 Teobaldo Witter ........................ 271 Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico (6-11-05) Mt 25.1-13 Carlos Ulrich ....................................................................................... 277 Penúltimo Domingo do Ano Eclesiástico (13-11-05) Mt 25.14-30 Arteno Spellmeier ............................................................................... 286 Último Domingo do Ano Eclesiástico (20-11-05) 1Co 15.20-28 Mauro Schwalm .................................................................................. 293 AUXÍLIOS PARA OCASIÕES ESPECIAIS Festa da Ascensão de Jesus Cristo Albérico Baeske .............................. 303 ÍNDICES ..................................................................................................... 322
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Prefácio
E
ste volume completa três dezenas de edições de Proclamar Libertação, um projeto editorial nascido em 1976, voltado para pregadores e pregadoras do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo nas comunidades cristãs espalhadas pelo nosso país. O volume 30 reúne 49 auxílios homiléticos regulares e um auxílio para ocasiões especiais. Os auxílios homiléticos regulares seguem a indicação de perícopes bíblicas do Ano A da Série Ecumênica Trienal ABC. No entanto, em quatro domingos do Ano Eclesiástico, a coordenação do PL inovou ao considerar eventos do calendário civil que coincidem com esses domingos e indicou uma série de textos para motivar a reflexão em torno dessas datas. Assim sendo, os seguintes domingos sugerem a reflexão em torno dos temas: no 3º Domingo de Advento o tema é o Dia da Bíblia, que acontece normalmente no segundo domingo de dezembro; no 6º Domingo da Páscoa, o tema é o feriado nacional Dia do Trabalhador ou Dia Internacional do Trabalhador; no 7º Domingo da Páscoa, o tema é o Dia das Mães, que ocorre no segundo domingo de maio; no 22º Domingo após Pentecoste, o tema é o Dia Internacional da Alimentação. Com essa inovação estamos propondo trazer para dentro do âmbito do culto alguns temas que são da vida cotidiana da nossa gente e entendemos que esses domingos diferenciados tematicamente poderiam receber uma reflexão bíblica e instrução a partir da fé cristã. Manifestamos nossa gratidão aos autores e autoras de Proclamar Libertação, que mais uma vez acolheram o convite para colaborar com mais esta edição. Ainda não conseguimos editar um PL completo, ou seja, com auxílios homiléticos para todos os domingos do Ano Eclesiástico. Permanecem o desafio e a esperança de um dia conseguirmos essa façanha! É nosso desejo que esta edição de Proclamar Libertação possa realmente ser um auxílio e fonte de pesquisa para muitos irmãos e irmãs incumbidas de anunciar a palavra de Deus nas muitas e diferentes comunidades cristãs. Também é nosso desejo que as pregações/sermões dominicais ou semanais sejam uma bênção para o povo da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo no Brasil.
Verner Hoefelmann e João Artur Müller da Silva Coordenadores de PL
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Prefácio
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ste volume completa três dezenas de edições de Proclamar Libertação, um projeto editorial nascido em 1976, voltado para pregadores e pregadoras do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo nas comunidades cristãs espalhadas pelo nosso país. O volume 30 reúne 49 auxílios homiléticos regulares e um auxílio para ocasiões especiais. Os auxílios homiléticos regulares seguem a indicação de perícopes bíblicas do Ano A da Série Ecumênica Trienal ABC. No entanto, em quatro domingos do Ano Eclesiástico, a coordenação do PL inovou ao considerar eventos do calendário civil que coincidem com esses domingos e indicou uma série de textos para motivar a reflexão em torno dessas datas. Assim sendo, os seguintes domingos sugerem a reflexão em torno dos temas: no 3º Domingo de Advento o tema é o Dia da Bíblia, que acontece normalmente no segundo domingo de dezembro; no 6º Domingo da Páscoa, o tema é o feriado nacional Dia do Trabalhador ou Dia Internacional do Trabalhador; no 7º Domingo da Páscoa, o tema é o Dia das Mães, que ocorre no segundo domingo de maio; no 22º Domingo após Pentecoste, o tema é o Dia Internacional da Alimentação. Com essa inovação estamos propondo trazer para dentro do âmbito do culto alguns temas que são da vida cotidiana da nossa gente e entendemos que esses domingos diferenciados tematicamente poderiam receber uma reflexão bíblica e instrução a partir da fé cristã. Manifestamos nossa gratidão aos autores e autoras de Proclamar Libertação, que mais uma vez acolheram o convite para colaborar com mais esta edição. Ainda não conseguimos editar um PL completo, ou seja, com auxílios homiléticos para todos os domingos do Ano Eclesiástico. Permanecem o desafio e a esperança de um dia conseguirmos essa façanha! É nosso desejo que esta edição de Proclamar Libertação possa realmente ser um auxílio e fonte de pesquisa para muitos irmãos e irmãs incumbidas de anunciar a palavra de Deus nas muitas e diferentes comunidades cristãs. Também é nosso desejo que as pregações/sermões dominicais ou semanais sejam uma bênção para o povo da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo no Brasil.
Verner Hoefelmann e João Artur Müller da Silva Coordenadores de PL
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AUXÍLIOS HOMILÉTICOS
AUXÍLIOS HOMILÉTICOS
1O D O M I N G O D O A D V E N T O
o
1 DOMINGO DO ADVENTO
28 Nov 2004
MATEUS 24.37-44 ROMANOS 13.11-14
PRÉDICA: ISAÍAS 2.1-5 Norberto Garin
1 Considerações preliminares No ano passado, cheguei bem cedo ao templo e comecei a saudar as pessoas com a expressão: Bom ano novo! . Elas me olharam e começaram a perguntar: Mas, pastor, estamos recém em 30 de novembro! . Tive a oportunidade de explicar individualmente que para nós, cristãos e cristãs, o ano inicia com o primeiro domingo do Advento. O ciclo foi fechado com o último domingo do ano cristão. Agora um novo começo reinicia o ciclo de mensagens e reflexões. Como a criação, somos a terra fértil, grávida da semente do novo tempo. É um período de espera/preparação. O menino-Deus será celebrado dentro de poucos dias. Ele rompe com as antigas concepções azedas do passado e introduz o Tempo da Graça . A igreja precisa ser preparada para isso. Mãos à obra! O texto previsto para a prédica do primeiro domingo do Advento encontra-se no profeta Isaías. Sua mensagem é um anúncio e uma denúncia para os tempos modernos. Aquilo que sempre foi exaltado como instrumento de poder (e de morte) necessita ser convertido em instrumento de produção e saciedade. Quem possuir o PL VI poderá examinar as contribuições de Nelson Kirst, que apresenta uma importante contribuição (8º Domingo após a Trindade) para a compreensão do texto. Também no PL 18, Hans Alfred Trein ajuda a aprofundar a compreensão desse mesmo texto.
2 Isaías Isaías foi um profeta que provavelmente sempre viveu em Jerusalém. Pertencia a uma classe privilegiada e dialogava com o pessoal da corte de igual para igual (Amsler, 1992, p. 96). Supõe-se que era sobrinho do rei Amazias (2 Rs 14.1-22). Era um profeta de fé, que não cessava de estimular seus compatriotas nesse sentido. Acreditava que, mesmo no meio das dificuldades, todos deveriam confiar em Deus (Amsler, 1992, p. 106).
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Seu ministério profético desenvolveu-se entre 740 e 701 a.C. O livro em si pode ser dividido em três partes: 1-39; 40-55 e 56-65. Entretanto, redações diversas determinaram diferentes camadas, de tal sorte que os temas se sobrepõem em alguns momentos.
3 Considerações sobre o texto É possível deduzir, a partir de sua teologia, que esse texto é um acréscimo posterior. Ele se refere a um momento da vida de Israel vivido pelo segundo e terceiro Isaías o tempo de retorno do exílio (Gottwald, 1988, p. 360). Entretanto, é impossível localizar com exatidão a cronologia desse texto, considerando a atuação de Isaías. Contudo, ele projeta a esperança sobre todas as catástrofes sofridas pelo povo. Lá adiante está a luz para a qual todos/as estão sendo chamados/as. O v. 1 constitui um título para o oráculo que vem a seguir (2-4). Os v. 2-4 constituem um texto que aparece, com algumas variantes, em outros momentos. Com poucas diferenças o encontramos em Ez 4.1-4 e também em Is 60.1-7. O perfil teológico e de linguagem aponta para o final do exílio. Representa ser uma mensagem de esperança, dirigida à comunidade do retorno . Há quem acredite que esse texto é parte da propaganda judaica exílica e pós-exílica (Croato, 1989, p. 40). A origem desse texto é discutível, mas os indícios mais confiáveis apontam para Isaías (Bíblia de Jerusalém, 1985, p. 1361). Mesmo que pairem dúvidas sobre quem seriam as nações e os muitos povos que virão a Jerusalém (Croato, 1989, p. 40), parece tratar-se dos israelitas espalhados pelo mundo conhecido. Nesse grupo incluem-se também os repatriados que vêm da Babilônia. Tem-se uma visão mais clara desse movimento com o apelo para resgatar aquilo que restar na Assíria e no Egito, em Patros, em Cuch e no Elam, em Senaar, em Emat, nas ilhas do mar (Is 11.10-11). O v. 2 destaca a casa de Javé sobre o mais alto monte. É a expressão de visibilidade de Jerusalém como cidade canalizadora dos judeus espalhados pelo mundo. Jerusalém resplandecerá de tal sorte que todas as nações correrão em sua direção. O projeto centralizador da monarquia é enaltecido como possibilidade de salvação. A maneira como o versículo inicia denota o fim de um tempo, que aponta para uma nova era: a nova era de Javé. É importante lembrar como o monte, no contexto bíblico, é considerado o local do poder. Aparece como lugar da revelação de Javé. No período pós-exílico, os samaritanos chegaram a construir um templo no monte Gerizim (Dt 11.29; 27.12; Js 8.33; Jz 9.7; Jo 4.20). No v. 3, o monte Sião é o novo Sinai, que emanará a luz e a instrução para os povos que vêm ao Deus de Jacó. Não se trata da velha Torá, mas de uma nova lei futura. É recomendável comparar com Jr 31.31-34; 32.37-38; Ez
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1 DOMINGO DO ADVENTO
28 Nov 2004
MATEUS 24.37-44 ROMANOS 13.11-14
PRÉDICA: ISAÍAS 2.1-5 Norberto Garin
1 Considerações preliminares No ano passado, cheguei bem cedo ao templo e comecei a saudar as pessoas com a expressão: Bom ano novo! . Elas me olharam e começaram a perguntar: Mas, pastor, estamos recém em 30 de novembro! . Tive a oportunidade de explicar individualmente que para nós, cristãos e cristãs, o ano inicia com o primeiro domingo do Advento. O ciclo foi fechado com o último domingo do ano cristão. Agora um novo começo reinicia o ciclo de mensagens e reflexões. Como a criação, somos a terra fértil, grávida da semente do novo tempo. É um período de espera/preparação. O menino-Deus será celebrado dentro de poucos dias. Ele rompe com as antigas concepções azedas do passado e introduz o Tempo da Graça . A igreja precisa ser preparada para isso. Mãos à obra! O texto previsto para a prédica do primeiro domingo do Advento encontra-se no profeta Isaías. Sua mensagem é um anúncio e uma denúncia para os tempos modernos. Aquilo que sempre foi exaltado como instrumento de poder (e de morte) necessita ser convertido em instrumento de produção e saciedade. Quem possuir o PL VI poderá examinar as contribuições de Nelson Kirst, que apresenta uma importante contribuição (8º Domingo após a Trindade) para a compreensão do texto. Também no PL 18, Hans Alfred Trein ajuda a aprofundar a compreensão desse mesmo texto.
2 Isaías Isaías foi um profeta que provavelmente sempre viveu em Jerusalém. Pertencia a uma classe privilegiada e dialogava com o pessoal da corte de igual para igual (Amsler, 1992, p. 96). Supõe-se que era sobrinho do rei Amazias (2 Rs 14.1-22). Era um profeta de fé, que não cessava de estimular seus compatriotas nesse sentido. Acreditava que, mesmo no meio das dificuldades, todos deveriam confiar em Deus (Amsler, 1992, p. 106).
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Seu ministério profético desenvolveu-se entre 740 e 701 a.C. O livro em si pode ser dividido em três partes: 1-39; 40-55 e 56-65. Entretanto, redações diversas determinaram diferentes camadas, de tal sorte que os temas se sobrepõem em alguns momentos.
3 Considerações sobre o texto É possível deduzir, a partir de sua teologia, que esse texto é um acréscimo posterior. Ele se refere a um momento da vida de Israel vivido pelo segundo e terceiro Isaías o tempo de retorno do exílio (Gottwald, 1988, p. 360). Entretanto, é impossível localizar com exatidão a cronologia desse texto, considerando a atuação de Isaías. Contudo, ele projeta a esperança sobre todas as catástrofes sofridas pelo povo. Lá adiante está a luz para a qual todos/as estão sendo chamados/as. O v. 1 constitui um título para o oráculo que vem a seguir (2-4). Os v. 2-4 constituem um texto que aparece, com algumas variantes, em outros momentos. Com poucas diferenças o encontramos em Ez 4.1-4 e também em Is 60.1-7. O perfil teológico e de linguagem aponta para o final do exílio. Representa ser uma mensagem de esperança, dirigida à comunidade do retorno . Há quem acredite que esse texto é parte da propaganda judaica exílica e pós-exílica (Croato, 1989, p. 40). A origem desse texto é discutível, mas os indícios mais confiáveis apontam para Isaías (Bíblia de Jerusalém, 1985, p. 1361). Mesmo que pairem dúvidas sobre quem seriam as nações e os muitos povos que virão a Jerusalém (Croato, 1989, p. 40), parece tratar-se dos israelitas espalhados pelo mundo conhecido. Nesse grupo incluem-se também os repatriados que vêm da Babilônia. Tem-se uma visão mais clara desse movimento com o apelo para resgatar aquilo que restar na Assíria e no Egito, em Patros, em Cuch e no Elam, em Senaar, em Emat, nas ilhas do mar (Is 11.10-11). O v. 2 destaca a casa de Javé sobre o mais alto monte. É a expressão de visibilidade de Jerusalém como cidade canalizadora dos judeus espalhados pelo mundo. Jerusalém resplandecerá de tal sorte que todas as nações correrão em sua direção. O projeto centralizador da monarquia é enaltecido como possibilidade de salvação. A maneira como o versículo inicia denota o fim de um tempo, que aponta para uma nova era: a nova era de Javé. É importante lembrar como o monte, no contexto bíblico, é considerado o local do poder. Aparece como lugar da revelação de Javé. No período pós-exílico, os samaritanos chegaram a construir um templo no monte Gerizim (Dt 11.29; 27.12; Js 8.33; Jz 9.7; Jo 4.20). No v. 3, o monte Sião é o novo Sinai, que emanará a luz e a instrução para os povos que vêm ao Deus de Jacó. Não se trata da velha Torá, mas de uma nova lei futura. É recomendável comparar com Jr 31.31-34; 32.37-38; Ez
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34.25-26 e 37.20-21, que também se referem a uma nova aliança, não mais baseada nas leis escritas no Sinai, mas gravadas na mente e no coração; será uma aliança que não será mais necessário ser ensinada. Ela terá como base o perdão das iniqüidades. É importante notar que Isaías se refere a termos sapienciais, tais como caminhos , veredas , marcando sua experiência e vocação. O v. 4 salienta a figura de Javé como juiz. Não se trata da questão de julgamento em si, mas da capacidade de Javé governar, ser o cabeça da nação, não para condenar, mas para salvar. É a instauração de uma nova ordem de coisas, que resulta da transformação dos instrumentos de guerra e dominação em instrumentos de produção e trabalho. Preconiza o fim da guerra, que tanta tristeza trouxe ao povo. O desarmamento é geral e irrestrito. A força agora será empregada na construção de um mundo de paz. Quem sabe, mais significativo do que o final do texto de Isaías é o de Miquéias, que salienta um novo tempo para o povo: Cada qual se sentará debaixo de sua vinha e debaixo de sua figueira, e ninguém o inquietará (Mq 4.4a). No v. 5, Isaías prefere encerrar o texto, salientando a luz de Javé, que deverá guiar a casa de Jacó. É uma forma de fechar a perícope, que se abre com a proeminência do monte de Sião como casa de Javé. O tempo de paz é também resultado da luz de Javé sobre as nações.
entre os membros das comunidades, uma diversidade de deuses . Por um lado, as divindades estão dissimuladas nas superstições, que se imiscuem por intermédio de processos de inculturação. Por outro, estão os novos deuses da sociedade de mercado, impondo às pessoas e famílias pesados tributos e oferendas . Chamar a comunidade de volta ao Deus eterno, com seus valores e bênçãos, não constitui uma distorção nem ameaça o diálogo ecumênico ou inter-religioso. É tempo de recomeçar. Que seja um recomeço voltado para o Deus eterno, libertador, salvador, cujas promessas têm se cumprido na vida da comunidade e das pessoas em particular. Por último, é chegado o Advento. O novo tempo já se anuncia, pelo menos na dimensão da celebração do nascimento de Cristo. Esse novo tempo tem que ser marcado por mudanças na forma de ser e de agir das comunidades e das pessoas. Num tempo em que ainda se utilizam as prerrogativas da guerra para firmar hegemonias, é necessário anunciar um novo tempo diferente, em que a tecnologia da guerra tem que ser convertida para a tecnologia da paz. Os instrumentos da destruição precisam ser derretidos e transformados em instrumentos de trabalho. É necessário que dessas máquinas de horror nasçam oportunidades de emprego, de produção de alimentos, de condições para a paz. Mesmo que a comunidade e as pessoas não tenham condições imediatas de derreter os instrumentos de guerra, devem começar a orar para que isso aconteça. Quem sabe não nasce dessa atitude um movimento pela mudança de atitudes a partir de indivíduos e grupos? A luz de Deus, a nova luz refletida em Jesus Cristo, necessita iluminar os novos caminhos de agora.
4 Considerações para a prédica Dentro da concepção de Israel da época do retorno e influenciado pela ideologia deuteronomística, Jerusalém é o lugar da habitação de Javé. Sem emitir juízo de valor sobre essa visão, é possível considerar a necessidade desse procedimento. Em contrapartida, hoje se vive num mundo de diferenças, tanto de denominações e religiões como de matizes religiosos dentro das próprias comunidades. É possível perceber distinções entre visões doutrinárias tanto dentro de uma comunidade particular, como diferenças acentuadas entre uma e outra comunidade numa mesma denominação. Por vezes, esses diferentes matizes doutrinários atingem níveis exagerados, de tal sorte que se torna necessário chamar a comunidade às raízes doutrinárias tradicionais. Do contrário, pode-se perder o fio que caracteriza a denominação. Quando se perde a identidade, já não se têm mais condições de cooperar com a diversidade , visto que a fluidez doutrinária acabou por engolir a contribuição de cada segmento denominacional/religioso. A centralidade do culto, na perspectiva deuteronomista, é tanto geográfica como teológica. Javé é o único Deus que deve ser adorado em Jerusalém e pelos judeus de toda a terra. É possível observar-se hoje, mesmo
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5 Considerações litúrgicas Antes de oferecer algumas alternativas para o desenvolvimento do culto, quem possui o PL 29 pode dar uma olhada na contribuição de Roberto E. Zwetsch, que apresenta um testemunho sobre o Advento, celebrado em dezembro de 2002, no encerramento do ano acadêmico da EST. É muito interessante e poderia ser utilizado em diferentes comunidades. a)Litania de Acolhida D: Nós te saudamos, Senhor. T: E nos alegramos em te ver. D: Apertamos tua mão na mão da irmã e do irmão. T: E sentimos a tua acolhida no olhar daquele que nos recebe. D: Te agradecemos pelo teu convite. T: Hoje e toda as vezes que já fomos acolhidos. D: Desde a primeira vez, quando nos enviaste a mensagem por teu próprio Filho.
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34.25-26 e 37.20-21, que também se referem a uma nova aliança, não mais baseada nas leis escritas no Sinai, mas gravadas na mente e no coração; será uma aliança que não será mais necessário ser ensinada. Ela terá como base o perdão das iniqüidades. É importante notar que Isaías se refere a termos sapienciais, tais como caminhos , veredas , marcando sua experiência e vocação. O v. 4 salienta a figura de Javé como juiz. Não se trata da questão de julgamento em si, mas da capacidade de Javé governar, ser o cabeça da nação, não para condenar, mas para salvar. É a instauração de uma nova ordem de coisas, que resulta da transformação dos instrumentos de guerra e dominação em instrumentos de produção e trabalho. Preconiza o fim da guerra, que tanta tristeza trouxe ao povo. O desarmamento é geral e irrestrito. A força agora será empregada na construção de um mundo de paz. Quem sabe, mais significativo do que o final do texto de Isaías é o de Miquéias, que salienta um novo tempo para o povo: Cada qual se sentará debaixo de sua vinha e debaixo de sua figueira, e ninguém o inquietará (Mq 4.4a). No v. 5, Isaías prefere encerrar o texto, salientando a luz de Javé, que deverá guiar a casa de Jacó. É uma forma de fechar a perícope, que se abre com a proeminência do monte de Sião como casa de Javé. O tempo de paz é também resultado da luz de Javé sobre as nações.
entre os membros das comunidades, uma diversidade de deuses . Por um lado, as divindades estão dissimuladas nas superstições, que se imiscuem por intermédio de processos de inculturação. Por outro, estão os novos deuses da sociedade de mercado, impondo às pessoas e famílias pesados tributos e oferendas . Chamar a comunidade de volta ao Deus eterno, com seus valores e bênçãos, não constitui uma distorção nem ameaça o diálogo ecumênico ou inter-religioso. É tempo de recomeçar. Que seja um recomeço voltado para o Deus eterno, libertador, salvador, cujas promessas têm se cumprido na vida da comunidade e das pessoas em particular. Por último, é chegado o Advento. O novo tempo já se anuncia, pelo menos na dimensão da celebração do nascimento de Cristo. Esse novo tempo tem que ser marcado por mudanças na forma de ser e de agir das comunidades e das pessoas. Num tempo em que ainda se utilizam as prerrogativas da guerra para firmar hegemonias, é necessário anunciar um novo tempo diferente, em que a tecnologia da guerra tem que ser convertida para a tecnologia da paz. Os instrumentos da destruição precisam ser derretidos e transformados em instrumentos de trabalho. É necessário que dessas máquinas de horror nasçam oportunidades de emprego, de produção de alimentos, de condições para a paz. Mesmo que a comunidade e as pessoas não tenham condições imediatas de derreter os instrumentos de guerra, devem começar a orar para que isso aconteça. Quem sabe não nasce dessa atitude um movimento pela mudança de atitudes a partir de indivíduos e grupos? A luz de Deus, a nova luz refletida em Jesus Cristo, necessita iluminar os novos caminhos de agora.
4 Considerações para a prédica Dentro da concepção de Israel da época do retorno e influenciado pela ideologia deuteronomística, Jerusalém é o lugar da habitação de Javé. Sem emitir juízo de valor sobre essa visão, é possível considerar a necessidade desse procedimento. Em contrapartida, hoje se vive num mundo de diferenças, tanto de denominações e religiões como de matizes religiosos dentro das próprias comunidades. É possível perceber distinções entre visões doutrinárias tanto dentro de uma comunidade particular, como diferenças acentuadas entre uma e outra comunidade numa mesma denominação. Por vezes, esses diferentes matizes doutrinários atingem níveis exagerados, de tal sorte que se torna necessário chamar a comunidade às raízes doutrinárias tradicionais. Do contrário, pode-se perder o fio que caracteriza a denominação. Quando se perde a identidade, já não se têm mais condições de cooperar com a diversidade , visto que a fluidez doutrinária acabou por engolir a contribuição de cada segmento denominacional/religioso. A centralidade do culto, na perspectiva deuteronomista, é tanto geográfica como teológica. Javé é o único Deus que deve ser adorado em Jerusalém e pelos judeus de toda a terra. É possível observar-se hoje, mesmo
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5 Considerações litúrgicas Antes de oferecer algumas alternativas para o desenvolvimento do culto, quem possui o PL 29 pode dar uma olhada na contribuição de Roberto E. Zwetsch, que apresenta um testemunho sobre o Advento, celebrado em dezembro de 2002, no encerramento do ano acadêmico da EST. É muito interessante e poderia ser utilizado em diferentes comunidades. a)Litania de Acolhida D: Nós te saudamos, Senhor. T: E nos alegramos em te ver. D: Apertamos tua mão na mão da irmã e do irmão. T: E sentimos a tua acolhida no olhar daquele que nos recebe. D: Te agradecemos pelo teu convite. T: Hoje e toda as vezes que já fomos acolhidos. D: Desde a primeira vez, quando nos enviaste a mensagem por teu próprio Filho.
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T: A quem tanto mal fizemos por não crer nele. D: Deixa-nos pedir perdão de novo por essas coisas... T: E escutar o que nos dizes: já passou! D: Sentir que renovas em nós a vida. T: E nos confirmas tua amizade. D: Graças pelo espaço que nos ofereces. T: Porque gostamos de sentar e conversar contigo. D: Falar diante de ti, como irmãs e irmãos, das coisas que te interessam. T: Especialmente do mundo que criaste e de nós que nele vivemos. D: Fala-nos, Senhor, da voz da irmã e do irmão. T: Fala-nos suavemente. Nós queremos te escutar. Amém! (Caderno de Auxílio Litúrgico, IMS/UNIMEP/Imprensa Metodista, São Bernardo do Campo, 1988, p. 9)
cado e, sinceramente, nos arrependemos. Perdoa-nos e concede-nos a luz do teu Espírito, para que acolhamos a tua palavra por meio dos teus servos e servas. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
b) Chamado à Adoração D: O nosso Deus caminha conosco e Ele está no meio de nós. T: Bendito seja nosso Deus! D: Desde os tempos mais antigos e até agora Ele tem guiado os nossos passos e nos trouxe a este santo lugar. T: Bendito seja nosso Deus! D: Reunimo-nos como seu povo para celebrar a esperança e a partilha. T: Em Deus não estamos sós!
Bibliografia AMSLER, S.; ASURMENDI, J.; AUNEAU, J.; MARTIN-ACHARD, R. Os profetas e os livros proféticos. São Paulo: Paulinas, 1992. CROATO, Severino. Isaías a palavra profética e sua releitura hermenêutica vol. I: 1-39 O profeta da justiça e da fidelidade. Petrópolis, São Paulo e São Leopoldo: Vozes, Imprensa Metodista e Editora Sinodal, 1989. GOTTWALD, Norman K. Introdução socioliterária à Bíblia Hebraica. São Paulo: Paulinas, 1988.
2° DOMINGO DO ADVENTO ISAÍAS 11.1-10 MATEUS 3.1-12 ROMANOS 15.4-9(10-13)
c) Oração Deus, Todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Nós te glorificamos e te rendemos graças porque, neste mundo de morte, nos deste teu reino pelo qual a tua palavra é anunciada a teu povo reunido. Dá à tua igreja, pelo socorro de tua graça, a coragem de professar sua fé, sem temor, e de dar um testemunho de reconhecimento de teu amor sem limites. Conserva-nos no bom caminho, para que, no meio de tantas hostilidades, não caiamos no desespero, nem na exaltação. Por Jesus Cristo, nosso único Salvador. Amém. (Caderno de Auxílios Litúrgicos XV Concílio Geral da Igreja Metodista, Juiz de Fora, 5 13 de julho de 1991, p. 16) d) Oração de Confissão Senhor Deus, nós confessamos que temos pecado contra ti; muitas vezes temos negligenciado o ministério que nos deste. Não temos sido, na verdade, um só corpo em Cristo, cumprindo com fidelidade a função que nos foi dada, colocando a serviço do teu povo os dons que nos concedeste. Nem sempre temos exercido, com integridade, o ministério de embaixadores no mundo por meio da palavra da reconciliação. Não temos atendido, de todo o coração e mente, as palavras daqueles que visam a nossa edificação, a nossa unidade e o conhecimento de Cristo. Reconhecemos que temos pe-
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T: A quem tanto mal fizemos por não crer nele. D: Deixa-nos pedir perdão de novo por essas coisas... T: E escutar o que nos dizes: já passou! D: Sentir que renovas em nós a vida. T: E nos confirmas tua amizade. D: Graças pelo espaço que nos ofereces. T: Porque gostamos de sentar e conversar contigo. D: Falar diante de ti, como irmãs e irmãos, das coisas que te interessam. T: Especialmente do mundo que criaste e de nós que nele vivemos. D: Fala-nos, Senhor, da voz da irmã e do irmão. T: Fala-nos suavemente. Nós queremos te escutar. Amém! (Caderno de Auxílio Litúrgico, IMS/UNIMEP/Imprensa Metodista, São Bernardo do Campo, 1988, p. 9)
cado e, sinceramente, nos arrependemos. Perdoa-nos e concede-nos a luz do teu Espírito, para que acolhamos a tua palavra por meio dos teus servos e servas. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
b) Chamado à Adoração D: O nosso Deus caminha conosco e Ele está no meio de nós. T: Bendito seja nosso Deus! D: Desde os tempos mais antigos e até agora Ele tem guiado os nossos passos e nos trouxe a este santo lugar. T: Bendito seja nosso Deus! D: Reunimo-nos como seu povo para celebrar a esperança e a partilha. T: Em Deus não estamos sós!
Bibliografia AMSLER, S.; ASURMENDI, J.; AUNEAU, J.; MARTIN-ACHARD, R. Os profetas e os livros proféticos. São Paulo: Paulinas, 1992. CROATO, Severino. Isaías a palavra profética e sua releitura hermenêutica vol. I: 1-39 O profeta da justiça e da fidelidade. Petrópolis, São Paulo e São Leopoldo: Vozes, Imprensa Metodista e Editora Sinodal, 1989. GOTTWALD, Norman K. Introdução socioliterária à Bíblia Hebraica. São Paulo: Paulinas, 1988.
2° DOMINGO DO ADVENTO ISAÍAS 11.1-10 MATEUS 3.1-12 ROMANOS 15.4-9(10-13)
c) Oração Deus, Todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Nós te glorificamos e te rendemos graças porque, neste mundo de morte, nos deste teu reino pelo qual a tua palavra é anunciada a teu povo reunido. Dá à tua igreja, pelo socorro de tua graça, a coragem de professar sua fé, sem temor, e de dar um testemunho de reconhecimento de teu amor sem limites. Conserva-nos no bom caminho, para que, no meio de tantas hostilidades, não caiamos no desespero, nem na exaltação. Por Jesus Cristo, nosso único Salvador. Amém. (Caderno de Auxílios Litúrgicos XV Concílio Geral da Igreja Metodista, Juiz de Fora, 5 13 de julho de 1991, p. 16) d) Oração de Confissão Senhor Deus, nós confessamos que temos pecado contra ti; muitas vezes temos negligenciado o ministério que nos deste. Não temos sido, na verdade, um só corpo em Cristo, cumprindo com fidelidade a função que nos foi dada, colocando a serviço do teu povo os dons que nos concedeste. Nem sempre temos exercido, com integridade, o ministério de embaixadores no mundo por meio da palavra da reconciliação. Não temos atendido, de todo o coração e mente, as palavras daqueles que visam a nossa edificação, a nossa unidade e o conhecimento de Cristo. Reconhecemos que temos pe-
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3 DOMINGO DO ADVENTO
12 DEZ 2004
JOÃO 6.3-35 2 PEDRO 1.19-21
PRÉDICA: JEREMIAS 7.21-26 Enio Müller
1 As leituras O texto de Jeremias interpela o povo acerca da palavra de Deus. Duas vezes faz referência à saída do Egito como o início da história de Deus com esse povo (v. 22, 25). O contencioso é sobre o conteúdo da palavra de Deus: trata-se da lei ritual (v. 21-22) ou da instrução ética (v. 23)? Para Jeremias está claro que se trata da instrução ética, justamente ali menosprezada em função das observâncias rituais. A palavra de Deus é a palavra profética, que tem sido enviada constantemente desde a saída do Egito até o tempo de Jeremias (v. 24). Mas essa palavra o povo não ouviu. Há uma ironia no ar: por querer observar a palavra de Deus (entendida como a instrução ritual), o povo deixa de ouvir a palavra de Deus, a instrução ética pregada pelos profetas. Das leituras que acompanham, a leitura apostólica interpreta a palavra profética , candeia que brilha nas trevas , cuja observância levará ao nascente (v. 19). Isto porque tal palavra não tem origem humana, e sim divina (v. 21); quem a proclamou o fez movido pelo Espírito Santo . O evangelho do dia não tem, à primeira vista, relação direta com o tema. Trata-se do relato joanino da multiplicação dos pães (Jo 6.3-15), seguido do episódio do caminhar sobre a água (v. 16-21) e do dia seguinte, quando Jesus discute com a multidão acerca da multiplicação dos pães (v. 22-40). Para Jesus, há dois tipos de comida: uma física, natural, e uma espiritual, eterna (v. 27). Sem menosprezar a primeira (ele próprio a repartiu quando tiveram fome), a gente deveria buscar mesmo a segunda. Na seqüência, os interlocutores mudam o foco e perguntam por um sinal que autentique a demanda de Jesus pela fé nele próprio (v. 29-30). Afinal, os pais no passado tinham recebido o maná, o pão do céu, como sinal para a demanda da fé em Moisés. O que segue é revestido de ironia. O sinal que acontecera, referente à comida física (a multiplicação dos pães), pelo jeito não fora percebido como tal; resta agora somente o sinal espiritual, a comida espiritual que Deus manda do céu: o próprio Jesus (v. 35).
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O Salmo previsto, que consiste de dois versículos do Sl 119, mostra o povo à espera do cumprimento da promessa divina (v. 123) e a oração pela firmeza na palavra, entendida como instrução ética (v. 133).
2 Preparando a prédica A prédica poderia tematizar o seguinte. Primeiro, a certeza de uma palavra de Deus em nossa história. Esta palavra foi dada aos israelitas desde a saída do Egito e os acompanhou por toda a história, sendo constantemente enviada por intermédio dos profetas. O Antigo Testamento encerra quando a palavra profética cessa. O último dos profetas bíblicos, Malaquias, termina anunciando para o futuro o sol nascente, o sol da justiça que trará salvação (Ml 4.2). Nesse contexto, em que consiste a palavra de Deus? Esta é a discussão de Jeremias. O povo, com apoio da religião organizada em torno dos sacerdotes, inclinava-se a ver o conteúdo da palavra de Deus nas prescrições rituais, nas ofertas e sacrifícios, no culto do templo. Jeremias, que tem palavras duras acerca da religião do templo (cf. o início do capítulo 7), contesta esse entendimento e insiste em que a verdadeira palavra de Deus não tem a ver com rituais (v. 22), mas com o discipulado do caminho (v. 23). A palavra de Deus é instrução para a vida, dando sabedoria ética e prática. Dando ouvidos a essa palavra, as coisas irão bem para o povo. Mas é justamente isso que não está acontecendo. Como interpretar isso e que ênfase dar na prédica? Poderíamos adotar uma perspectiva dual, bipolar, e dizer: O povo é mau, não quer saber de vida moral, por isso não obedece à palavra de Deus. Receio que muitos/as de nós vão por esse caminho na pregação sobre esse texto. A alternativa vem do próprio texto: o povo se preocupa com a palavra de Deus, sim; mas a interpreta mal. Entende que o seu propósito é o ordenamento das práticas cultuais. Estas, então, se seguidas à risca, significam o cumprimento dessa palavra. A preocupação com a religião pode ser um empecilho para a vida na palavra de Deus: uma vez por desviar o olhar do central para o periférico e mantê-lo lá por bastante tempo, e outra vez porque esse periférico, a religião cultual, tem um aspecto bem mais impressionante do que a simples e humilde caminhada cotidiana à luz da palavra profética. Assim interpretado, a verdadeira questão nos textos de leitura para o terceiro domingo do Advento de 2004 é: o que é central e o que é periférico na palavra de Deus e na vivência da mesma? Jeremias insiste em que, desde o começo, não eram prescrições cultuais a verdadeira palavra de Deus, e sim a palavra profética, luz que brilha na escuridão e que mostra o caminho para uma vida de sabedoria em Deus. A palavra de Deus cumpre-se não tanto naquilo que aparece, que impressiona, mas que pertence ao âmbito físico,
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12 DEZ 2004
JOÃO 6.3-35 2 PEDRO 1.19-21
PRÉDICA: JEREMIAS 7.21-26 Enio Müller
1 As leituras O texto de Jeremias interpela o povo acerca da palavra de Deus. Duas vezes faz referência à saída do Egito como o início da história de Deus com esse povo (v. 22, 25). O contencioso é sobre o conteúdo da palavra de Deus: trata-se da lei ritual (v. 21-22) ou da instrução ética (v. 23)? Para Jeremias está claro que se trata da instrução ética, justamente ali menosprezada em função das observâncias rituais. A palavra de Deus é a palavra profética, que tem sido enviada constantemente desde a saída do Egito até o tempo de Jeremias (v. 24). Mas essa palavra o povo não ouviu. Há uma ironia no ar: por querer observar a palavra de Deus (entendida como a instrução ritual), o povo deixa de ouvir a palavra de Deus, a instrução ética pregada pelos profetas. Das leituras que acompanham, a leitura apostólica interpreta a palavra profética , candeia que brilha nas trevas , cuja observância levará ao nascente (v. 19). Isto porque tal palavra não tem origem humana, e sim divina (v. 21); quem a proclamou o fez movido pelo Espírito Santo . O evangelho do dia não tem, à primeira vista, relação direta com o tema. Trata-se do relato joanino da multiplicação dos pães (Jo 6.3-15), seguido do episódio do caminhar sobre a água (v. 16-21) e do dia seguinte, quando Jesus discute com a multidão acerca da multiplicação dos pães (v. 22-40). Para Jesus, há dois tipos de comida: uma física, natural, e uma espiritual, eterna (v. 27). Sem menosprezar a primeira (ele próprio a repartiu quando tiveram fome), a gente deveria buscar mesmo a segunda. Na seqüência, os interlocutores mudam o foco e perguntam por um sinal que autentique a demanda de Jesus pela fé nele próprio (v. 29-30). Afinal, os pais no passado tinham recebido o maná, o pão do céu, como sinal para a demanda da fé em Moisés. O que segue é revestido de ironia. O sinal que acontecera, referente à comida física (a multiplicação dos pães), pelo jeito não fora percebido como tal; resta agora somente o sinal espiritual, a comida espiritual que Deus manda do céu: o próprio Jesus (v. 35).
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O Salmo previsto, que consiste de dois versículos do Sl 119, mostra o povo à espera do cumprimento da promessa divina (v. 123) e a oração pela firmeza na palavra, entendida como instrução ética (v. 133).
2 Preparando a prédica A prédica poderia tematizar o seguinte. Primeiro, a certeza de uma palavra de Deus em nossa história. Esta palavra foi dada aos israelitas desde a saída do Egito e os acompanhou por toda a história, sendo constantemente enviada por intermédio dos profetas. O Antigo Testamento encerra quando a palavra profética cessa. O último dos profetas bíblicos, Malaquias, termina anunciando para o futuro o sol nascente, o sol da justiça que trará salvação (Ml 4.2). Nesse contexto, em que consiste a palavra de Deus? Esta é a discussão de Jeremias. O povo, com apoio da religião organizada em torno dos sacerdotes, inclinava-se a ver o conteúdo da palavra de Deus nas prescrições rituais, nas ofertas e sacrifícios, no culto do templo. Jeremias, que tem palavras duras acerca da religião do templo (cf. o início do capítulo 7), contesta esse entendimento e insiste em que a verdadeira palavra de Deus não tem a ver com rituais (v. 22), mas com o discipulado do caminho (v. 23). A palavra de Deus é instrução para a vida, dando sabedoria ética e prática. Dando ouvidos a essa palavra, as coisas irão bem para o povo. Mas é justamente isso que não está acontecendo. Como interpretar isso e que ênfase dar na prédica? Poderíamos adotar uma perspectiva dual, bipolar, e dizer: O povo é mau, não quer saber de vida moral, por isso não obedece à palavra de Deus. Receio que muitos/as de nós vão por esse caminho na pregação sobre esse texto. A alternativa vem do próprio texto: o povo se preocupa com a palavra de Deus, sim; mas a interpreta mal. Entende que o seu propósito é o ordenamento das práticas cultuais. Estas, então, se seguidas à risca, significam o cumprimento dessa palavra. A preocupação com a religião pode ser um empecilho para a vida na palavra de Deus: uma vez por desviar o olhar do central para o periférico e mantê-lo lá por bastante tempo, e outra vez porque esse periférico, a religião cultual, tem um aspecto bem mais impressionante do que a simples e humilde caminhada cotidiana à luz da palavra profética. Assim interpretado, a verdadeira questão nos textos de leitura para o terceiro domingo do Advento de 2004 é: o que é central e o que é periférico na palavra de Deus e na vivência da mesma? Jeremias insiste em que, desde o começo, não eram prescrições cultuais a verdadeira palavra de Deus, e sim a palavra profética, luz que brilha na escuridão e que mostra o caminho para uma vida de sabedoria em Deus. A palavra de Deus cumpre-se não tanto naquilo que aparece, que impressiona, mas que pertence ao âmbito físico,
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natural, mas naquela integridade pessoal que ela realiza e que é seu grande propósito. Visto assim, a leitura do evangelho adquire surpreendente relevância para a interpretação do texto profético, já apoiado pelo texto apostólico, como observamos. O povo foi impactado pela multiplicação dos pães e viu nisso a evidência de que Jesus poderia ser o profeta esperado, a quem proclamariam rei e que restabeleceria o bem-estar físico do seu povo (Jo 6.1415). Jesus, porém, recusa o papel que lhe é oferecido. Isto seria fazer do periférico o central, e ele sabe bem que isso pode ser uma das tentações demoníacas (segundo os relatos sinóticos da tentação de Jesus, Mt 4.1-11 e Lc 4.1-13). O que Jesus pede é que se creia nele, o enviado de Deus (Jo 6.29). A reação do povo é digna de nota. Parece que se faz uma separação tão grande entre o material e o espiritual, que agora, quando se discute o espiritual , eles não sabem de sinal algum que Jesus tenha feito. Inclusive podem se referir ao sinal espiritual do maná, do pão do céu, que os antepassados, no tempo de Moisés, puderam comer e que por isso mesmo criam em Moisés. Mas Jesus não fez coisa desse tipo! Isso, então, parece ser o argumento para não crerem nele, como mostra a seqüência do capítulo. Confirma-se, assim, na vinda de Jesus, a palavra do profeta Jeremias. O povo, fixado naquilo que na religião é periférico, menospreza a instrução divina que dá sabedoria para o cotidiano, para o caminho (cf. o Sl 119.133), que faz nascer o sol da justiça (Ml 4.2), a estrela da alva (2 Pe 1.19) nos corações, trazendo a salvação prometida.
sua sabedoria. Ao mesmo tempo, especialmente num contexto como o nosso, em que tantas pessoas passam fome literalmente, lembramo-nos de que a recepção daquilo que é central no cristianismo e na palavra de Deus traz junto a demanda pela atenção ao que aqui, nesses textos, é considerado periférico. Como Jesus multiplicou os pães e alimentou as multidões, também nós hoje devemos nos empenhar para que, no horizonte das nossas possibilidades (talvez não miraculosas), as multidões tenham o que comer. Pois no Advento proclamamos a vinda do reino de Deus, que, na sua integralidade, restabelece o ser humano como um todo.
3 O delineamento da prédica
4 Recursos litúrgicos Creio que o próprio ambiente do templo e a seqüência litúrgica oferecem recursos para uma visualização do tema das leituras. As velas do Advento podem ser referidas em algum momento como que simbolizando essa palavra profética, que brilha e mostra o caminho. O fato de irmos acendendo uma a mais a cada domingo representa a nossa esperança de que a salvação esteja sempre mais perto e nos convoca para uma espiritualidade de vivência da expectativa. O pão partido na Ceia remete direto ao Jesus da leitura do evangelho. Poderíamos nos referir à Ceia como representando já aqui e agora essa integralidade prometida no evangelho. Quando insistimos em que pão e vinho são o corpo e sangue de Cristo, insistimos em que o nosso ser como um todo é alimentado por Deus. A aliança à qual o cálice se refere poderia ser assumida como compromisso de buscar essa integralidade para toda a criação, mensagem central do Advento.
Como pregar sobre esses textos no Advento? Penso que poderíamos fazê-lo a partir do seguinte. Primeiro: considerar a palavra profética dita no passado ao povo de Deus do Antigo Testamento, vinda concretamente ao mundo em Jesus e anunciada/vivenciada como promessa de salvação no povo de Deus do Novo Testamento. Refletir sobre o que é central nessa palavra, chamando-nos a todos/as de volta para isso que é central, pois constantemente estamos ameaçados de trazer o periférico para o centro, perdendo de vista esse elemento central. Segundo: anunciar o advento dessa palavra sucessivamente entre nós. Jesus, o Deus que se fez carne e habitou entre nós, continua entre nós por sua palavra e pelo pão eucarístico, que nos é repartido. Queremos, neste tempo de Advento, que as promessas contidas nessa palavra e nesse pão se realizem em nós e em nosso mundo. Uma última parte da pregação poderia ser o presente sob essa promessa. Apropriamo-nos dela por fé e nos colocamos a caminho com Jesus, no caminho do discipulado, rogando a ele que sua palavra nos transforme em
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natural, mas naquela integridade pessoal que ela realiza e que é seu grande propósito. Visto assim, a leitura do evangelho adquire surpreendente relevância para a interpretação do texto profético, já apoiado pelo texto apostólico, como observamos. O povo foi impactado pela multiplicação dos pães e viu nisso a evidência de que Jesus poderia ser o profeta esperado, a quem proclamariam rei e que restabeleceria o bem-estar físico do seu povo (Jo 6.1415). Jesus, porém, recusa o papel que lhe é oferecido. Isto seria fazer do periférico o central, e ele sabe bem que isso pode ser uma das tentações demoníacas (segundo os relatos sinóticos da tentação de Jesus, Mt 4.1-11 e Lc 4.1-13). O que Jesus pede é que se creia nele, o enviado de Deus (Jo 6.29). A reação do povo é digna de nota. Parece que se faz uma separação tão grande entre o material e o espiritual, que agora, quando se discute o espiritual , eles não sabem de sinal algum que Jesus tenha feito. Inclusive podem se referir ao sinal espiritual do maná, do pão do céu, que os antepassados, no tempo de Moisés, puderam comer e que por isso mesmo criam em Moisés. Mas Jesus não fez coisa desse tipo! Isso, então, parece ser o argumento para não crerem nele, como mostra a seqüência do capítulo. Confirma-se, assim, na vinda de Jesus, a palavra do profeta Jeremias. O povo, fixado naquilo que na religião é periférico, menospreza a instrução divina que dá sabedoria para o cotidiano, para o caminho (cf. o Sl 119.133), que faz nascer o sol da justiça (Ml 4.2), a estrela da alva (2 Pe 1.19) nos corações, trazendo a salvação prometida.
sua sabedoria. Ao mesmo tempo, especialmente num contexto como o nosso, em que tantas pessoas passam fome literalmente, lembramo-nos de que a recepção daquilo que é central no cristianismo e na palavra de Deus traz junto a demanda pela atenção ao que aqui, nesses textos, é considerado periférico. Como Jesus multiplicou os pães e alimentou as multidões, também nós hoje devemos nos empenhar para que, no horizonte das nossas possibilidades (talvez não miraculosas), as multidões tenham o que comer. Pois no Advento proclamamos a vinda do reino de Deus, que, na sua integralidade, restabelece o ser humano como um todo.
3 O delineamento da prédica
4 Recursos litúrgicos Creio que o próprio ambiente do templo e a seqüência litúrgica oferecem recursos para uma visualização do tema das leituras. As velas do Advento podem ser referidas em algum momento como que simbolizando essa palavra profética, que brilha e mostra o caminho. O fato de irmos acendendo uma a mais a cada domingo representa a nossa esperança de que a salvação esteja sempre mais perto e nos convoca para uma espiritualidade de vivência da expectativa. O pão partido na Ceia remete direto ao Jesus da leitura do evangelho. Poderíamos nos referir à Ceia como representando já aqui e agora essa integralidade prometida no evangelho. Quando insistimos em que pão e vinho são o corpo e sangue de Cristo, insistimos em que o nosso ser como um todo é alimentado por Deus. A aliança à qual o cálice se refere poderia ser assumida como compromisso de buscar essa integralidade para toda a criação, mensagem central do Advento.
Como pregar sobre esses textos no Advento? Penso que poderíamos fazê-lo a partir do seguinte. Primeiro: considerar a palavra profética dita no passado ao povo de Deus do Antigo Testamento, vinda concretamente ao mundo em Jesus e anunciada/vivenciada como promessa de salvação no povo de Deus do Novo Testamento. Refletir sobre o que é central nessa palavra, chamando-nos a todos/as de volta para isso que é central, pois constantemente estamos ameaçados de trazer o periférico para o centro, perdendo de vista esse elemento central. Segundo: anunciar o advento dessa palavra sucessivamente entre nós. Jesus, o Deus que se fez carne e habitou entre nós, continua entre nós por sua palavra e pelo pão eucarístico, que nos é repartido. Queremos, neste tempo de Advento, que as promessas contidas nessa palavra e nesse pão se realizem em nós e em nosso mundo. Uma última parte da pregação poderia ser o presente sob essa promessa. Apropriamo-nos dela por fé e nos colocamos a caminho com Jesus, no caminho do discipulado, rogando a ele que sua palavra nos transforme em
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4 DOMINGO DO ADVENTO
19 DEZ 2004
3 O José traído
(Pode ser lido antes do texto da prédica)
ISAÍAS 7.10-14 ROMANOS 1.1-7
PRÉDICA: MATEUS 1.18-25 Ulrico Sperb
1 Introdução A leitura do Antigo Testamento fala da virgem que dará à luz o Emanuel ( Deus conosco ). É interessante que o próprio Deus desafia o rei Acaz (736 a 716 a. C.) para pedir um sinal nas profundezas ou nas alturas. Como esse se recusa a fazê-lo, Deus se dispõe a dar um sinal, porém na terra dos viventes (nem no fundo, tampouco no alto) no chão mesmo: o filho da virgem. No início de sua Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo apresenta-se como servo de Jesus Cristo, prometido pelos profetas, descendente de Davi, Filho de Deus. Nessa leitura de epístola fica claro que emissor e receptores da carta são de Cristo. E o texto para a pregação fala da origem de Jesus, como aquele que foi prometido pelo profeta Isaías e que será o redentor do seu povo. Isto, porém, se realiza dentro de um contexto muito humano e compreensível. A ação de Deus se dá dentro da história e da vida de pessoas.
2 O 4° Advento No 4° Domingo do Advento acende-se a quarta vela na coroa de Advento. Esta foi introduzida por Johann Hinrich Wichern em 1839 na Casa Rústica ( Rauhes Haus ), instituição fundada por ele para o amparo de jovens órfãos, em Hamburgo, na Alemanha. Quatro velas vermelhas simbolizam os quatro domingos do Advento. A cada domingo é acesa uma vela, até que as quatro brilhem no quarto Advento. Os quatro domingos do Advento têm os seguintes temas (entre parênteses o significado de cada vela): 1º Advento (Paz): A segunda vinda de Cristo no juízo final. 2º Advento (Fé): O preparo para a vinda do Salvador. 3º Advento (Amor): Os precursores do Senhor (João Batista). 4º Advento (Esperança): A alegria que se aproxima.
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Ela está grávida! Grávida está ela! pensa ele. Como foi acontecer isto comigo? Ela parecia tão pura e ingênua. No entanto, andou me traindo. Sim, porque eu não fiz nada com ela disso tenho certeza. Ela está esperando um filho de um outro! O que vou fazer agora? O que os outros vão pensar? E ela não fala comigo sobre isso. Como pode? Se eu quiser limpar o meu nome e fazer valer os meus direitos, será o fim dela. Ela não terá nenhuma chance. Vai ser mesmo o fim dela. Mas será que é isso o que eu quero? Bem, talvez a minha honra seja lavada, mas e a minha paz? Será que eu um dia ainda vou ter paz, sabendo que o nome e a vida dela foram jogados na lama? Sei não! Será que eu vou ficar feliz, vendo ela ser justiçada, como merece? Vale a pena eu me vingar dela? Isso vai devolver a minha dignidade? Os outros sempre vão me encarar como o traído. Eu acho que o melhor que tenho a fazer é eu me mandar. Vou embora... para bem longe. Assim ela fica na dela e eu posso recomeçar a minha vida onde ninguém saiba do meu passado.
4 A análise do texto v. 18 Naquele tempo, o noivado equivalia ao casamento. Nos v. 19, 20 e 24 fala-se de José e Maria como seu esposo e sua mulher . José ainda não tinha mantido relações sexuais com sua noiva, ou seja, esposa. Mas ela engravidara! Isto equivalia a adultério. Mas o autor do evangelho acrescenta uma informação que tira do leitor qualquer dúvida sobre a honestidade e a castidade de Maria: ela estava grávida pelo Espírito Santo . v. 19 José, porém, não tem condições de saber isso e está convicto de que Maria o traiu. Mas ele não quer prejudicá-la ou castigá-la. A punição poderia culminar no apedrejamento. José é um justo , ou seja, piedoso . Justiça e piedade têm a ver com bondade no trato com as outras pessoas. Isto tem uma importância vital no Evangelho de Mateus, tanto nesse seu prólogo como em diversas outras passagens. Vide o Sermão do Monte (5.6 e 20; 6.1 e 33; 7.1). A resolução de José de deixar (abandonar) sua noiva secretamente faria recair sobre ele toda a culpa e a isentaria das desconfianças normais. v. 20 Seus propósitos foram interrompidos por um mensageiro de Deus, que lhe apareceu num sonho. Anjos aparecem no início e no fim da história de Jesus, na tentação, na paixão e na ressurreição nos quatro evangelhos: Mt 2.13; 4.11; Mc 1.13; Lc 22.43; 24.4; Jo 20.12. Eles estão a serviço de
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3 O José traído
(Pode ser lido antes do texto da prédica)
ISAÍAS 7.10-14 ROMANOS 1.1-7
PRÉDICA: MATEUS 1.18-25 Ulrico Sperb
1 Introdução A leitura do Antigo Testamento fala da virgem que dará à luz o Emanuel ( Deus conosco ). É interessante que o próprio Deus desafia o rei Acaz (736 a 716 a. C.) para pedir um sinal nas profundezas ou nas alturas. Como esse se recusa a fazê-lo, Deus se dispõe a dar um sinal, porém na terra dos viventes (nem no fundo, tampouco no alto) no chão mesmo: o filho da virgem. No início de sua Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo apresenta-se como servo de Jesus Cristo, prometido pelos profetas, descendente de Davi, Filho de Deus. Nessa leitura de epístola fica claro que emissor e receptores da carta são de Cristo. E o texto para a pregação fala da origem de Jesus, como aquele que foi prometido pelo profeta Isaías e que será o redentor do seu povo. Isto, porém, se realiza dentro de um contexto muito humano e compreensível. A ação de Deus se dá dentro da história e da vida de pessoas.
2 O 4° Advento No 4° Domingo do Advento acende-se a quarta vela na coroa de Advento. Esta foi introduzida por Johann Hinrich Wichern em 1839 na Casa Rústica ( Rauhes Haus ), instituição fundada por ele para o amparo de jovens órfãos, em Hamburgo, na Alemanha. Quatro velas vermelhas simbolizam os quatro domingos do Advento. A cada domingo é acesa uma vela, até que as quatro brilhem no quarto Advento. Os quatro domingos do Advento têm os seguintes temas (entre parênteses o significado de cada vela): 1º Advento (Paz): A segunda vinda de Cristo no juízo final. 2º Advento (Fé): O preparo para a vinda do Salvador. 3º Advento (Amor): Os precursores do Senhor (João Batista). 4º Advento (Esperança): A alegria que se aproxima.
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Ela está grávida! Grávida está ela! pensa ele. Como foi acontecer isto comigo? Ela parecia tão pura e ingênua. No entanto, andou me traindo. Sim, porque eu não fiz nada com ela disso tenho certeza. Ela está esperando um filho de um outro! O que vou fazer agora? O que os outros vão pensar? E ela não fala comigo sobre isso. Como pode? Se eu quiser limpar o meu nome e fazer valer os meus direitos, será o fim dela. Ela não terá nenhuma chance. Vai ser mesmo o fim dela. Mas será que é isso o que eu quero? Bem, talvez a minha honra seja lavada, mas e a minha paz? Será que eu um dia ainda vou ter paz, sabendo que o nome e a vida dela foram jogados na lama? Sei não! Será que eu vou ficar feliz, vendo ela ser justiçada, como merece? Vale a pena eu me vingar dela? Isso vai devolver a minha dignidade? Os outros sempre vão me encarar como o traído. Eu acho que o melhor que tenho a fazer é eu me mandar. Vou embora... para bem longe. Assim ela fica na dela e eu posso recomeçar a minha vida onde ninguém saiba do meu passado.
4 A análise do texto v. 18 Naquele tempo, o noivado equivalia ao casamento. Nos v. 19, 20 e 24 fala-se de José e Maria como seu esposo e sua mulher . José ainda não tinha mantido relações sexuais com sua noiva, ou seja, esposa. Mas ela engravidara! Isto equivalia a adultério. Mas o autor do evangelho acrescenta uma informação que tira do leitor qualquer dúvida sobre a honestidade e a castidade de Maria: ela estava grávida pelo Espírito Santo . v. 19 José, porém, não tem condições de saber isso e está convicto de que Maria o traiu. Mas ele não quer prejudicá-la ou castigá-la. A punição poderia culminar no apedrejamento. José é um justo , ou seja, piedoso . Justiça e piedade têm a ver com bondade no trato com as outras pessoas. Isto tem uma importância vital no Evangelho de Mateus, tanto nesse seu prólogo como em diversas outras passagens. Vide o Sermão do Monte (5.6 e 20; 6.1 e 33; 7.1). A resolução de José de deixar (abandonar) sua noiva secretamente faria recair sobre ele toda a culpa e a isentaria das desconfianças normais. v. 20 Seus propósitos foram interrompidos por um mensageiro de Deus, que lhe apareceu num sonho. Anjos aparecem no início e no fim da história de Jesus, na tentação, na paixão e na ressurreição nos quatro evangelhos: Mt 2.13; 4.11; Mc 1.13; Lc 22.43; 24.4; Jo 20.12. Eles estão a serviço de
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Deus e não têm um fim em si mesmos. Sua função é transmitir a mensagem (vontade) de Deus. Neste caso, o anjo restabelece a pureza da relação entre José e Maria. Sua gravidez tem origem divina. v. 21 O anjo diz de maneira resumida o conteúdo do evangelho: Maria dará à luz um menino. José deverá dar-lhe o nome de Jesus; pois ele salvará o povo dos seus pecados . Esta expressão provém do Salmo 130.8. O perdão dos pecados está intimamente ligado à salvação de Deus tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Já no início do evangelho, Mateus deixa claro a que veio Jesus. Os leitores sabiam que seu nome era emblemático para a salvação: Jesus é o Salvador! v. 22 Também nesse contexto já aparece uma das intenções de Mateus: com Jesus se cumprem as Sagradas Escrituras (nosso Antigo Testamento) e os anúncios dos profetas. v. 23 A citação de Is 7.14 é quase que verbal. Com o Deus conosco (Emanuel) Isaías se refere ao Messias esperado. E Mateus diz que ele chega com Jesus. Tudo é sublinhado com o nascimento através da virgem . Do texto hebraico pode-se depreender que se trata de uma jovem mulher, com sua primeira gravidez. No grego, também se pode concluir que é uma mulher pura . Para Mateus e Lucas, é importante ressaltar que o Espírito Santo engravidou Maria. v. 24 José obedece ao mensageiro de Deus e mantém a sua união, o seu matrimônio com Maria. v. 25 Até o nascimento do menino, que chama de Jesus, José não tem relações sexuais com Maria.
5 O drama de José é solucionado Para José, a evidência depunha contra Maria: uma gravidez extraconjugal. Quando tudo parecia terminar para José, Deus transformou sua frustração em uma grande tarefa a ser cumprida: ser o pai do Salvador. O que aos olhos de José parecia o fim do mundo é o começo da história da salvação: a encarnação do Redentor, o cumprimento das profecias, a realização da esperança do povo de Deus. Onde José não via outra saída, a não ser o abandono da esposa que o traíra, acontece a entrada de Deus na história humana. Aquilo que era um drama se torna o início de uma caminhada que transformaria os rumos do mundo. De espectador e sofredor, o carpinteiro José (Mt 13.55) passa a ser protagonista e participante. Deus lhe dá um papel preponderante como pai de Jesus. José torna-se assim o pai do filho de Maria, dando-lhe a linhagem e a descendência de Davi (Mt 1.16). Nos quatro evangelhos, José não aparece muito somente Mateus e Lucas o mencionam. O texto de prédica deixa claro que José é um homem justo que ama. É um homem de fé. É obediente e tem muita paciência.
21
6 A ação de Deus Mt 1.17 diz que o tempo estava maduro: de Abraão até Jesus Cristo são três vezes catorze gerações (42 gerações), passando por Davi, o ilustre rei antepassado de Jesus. O prólogo do Evangelho de Mateus, portanto, contém a genealogia de Jesus e descreve a sua origem divina (Mt 1.18ss). O Deus que está fora e acima do tempo e do espaço entra na história humana e incumbe um casal com a tarefa de criar seu Filho. Tanto Maria como José aceitam o desafio. Em Lc 1.26-56 é dado um destaque especial à mãe de Jesus. No texto para a nossa pregação, há uma reflexão maior sobre o seu pai. O conteúdo de Mt 1.18ss é único nos evangelhos. Em Jesus Cristo, o transcendente entra no imanente. Esta é a razão de toda a esperança humana. Por isso pode haver alegria na semana que antecede o Natal. A expectativa pelo que virá está fundamentada naquele que já veio.
7 A prédica Na semana do Natal é bom pregar sobre o nascimento de Jesus e desta vez sob a ótica de seu pai José, o carpinteiro. Sugiro o seguinte roteiro: Ler a breve crônica sobre o José traído. Ler o texto de Mt 1.18-25. Explicar o texto, conforme a análise exegética acima. Falar sobre a maneira maravilhosa como o drama de José foi transformado no desafio para ele de ser o pai do Salvador. Refletir sobre a entrada de Deus na vida humana. Citar o termo preconizado por Richard Shaul: A alternativa ao desespero. Quando para as pessoas tudo parece levar ao desespero, a interferência de Deus traz a alternativa, que se transforma numa grandiosa esperança. Atualizar o significado do Advento, em especial o 4º Domingo do Advento. Expressar os votos de que a época de Natal seja muito feliz, serena e repleta de esperança e paz.
8 Orações Confissão de pecados: Senhor, nosso querido Deus e Pai. Confessamos que somos mais rápidos em desconfiar do que em confiar nas outras
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Deus e não têm um fim em si mesmos. Sua função é transmitir a mensagem (vontade) de Deus. Neste caso, o anjo restabelece a pureza da relação entre José e Maria. Sua gravidez tem origem divina. v. 21 O anjo diz de maneira resumida o conteúdo do evangelho: Maria dará à luz um menino. José deverá dar-lhe o nome de Jesus; pois ele salvará o povo dos seus pecados . Esta expressão provém do Salmo 130.8. O perdão dos pecados está intimamente ligado à salvação de Deus tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Já no início do evangelho, Mateus deixa claro a que veio Jesus. Os leitores sabiam que seu nome era emblemático para a salvação: Jesus é o Salvador! v. 22 Também nesse contexto já aparece uma das intenções de Mateus: com Jesus se cumprem as Sagradas Escrituras (nosso Antigo Testamento) e os anúncios dos profetas. v. 23 A citação de Is 7.14 é quase que verbal. Com o Deus conosco (Emanuel) Isaías se refere ao Messias esperado. E Mateus diz que ele chega com Jesus. Tudo é sublinhado com o nascimento através da virgem . Do texto hebraico pode-se depreender que se trata de uma jovem mulher, com sua primeira gravidez. No grego, também se pode concluir que é uma mulher pura . Para Mateus e Lucas, é importante ressaltar que o Espírito Santo engravidou Maria. v. 24 José obedece ao mensageiro de Deus e mantém a sua união, o seu matrimônio com Maria. v. 25 Até o nascimento do menino, que chama de Jesus, José não tem relações sexuais com Maria.
5 O drama de José é solucionado Para José, a evidência depunha contra Maria: uma gravidez extraconjugal. Quando tudo parecia terminar para José, Deus transformou sua frustração em uma grande tarefa a ser cumprida: ser o pai do Salvador. O que aos olhos de José parecia o fim do mundo é o começo da história da salvação: a encarnação do Redentor, o cumprimento das profecias, a realização da esperança do povo de Deus. Onde José não via outra saída, a não ser o abandono da esposa que o traíra, acontece a entrada de Deus na história humana. Aquilo que era um drama se torna o início de uma caminhada que transformaria os rumos do mundo. De espectador e sofredor, o carpinteiro José (Mt 13.55) passa a ser protagonista e participante. Deus lhe dá um papel preponderante como pai de Jesus. José torna-se assim o pai do filho de Maria, dando-lhe a linhagem e a descendência de Davi (Mt 1.16). Nos quatro evangelhos, José não aparece muito somente Mateus e Lucas o mencionam. O texto de prédica deixa claro que José é um homem justo que ama. É um homem de fé. É obediente e tem muita paciência.
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6 A ação de Deus Mt 1.17 diz que o tempo estava maduro: de Abraão até Jesus Cristo são três vezes catorze gerações (42 gerações), passando por Davi, o ilustre rei antepassado de Jesus. O prólogo do Evangelho de Mateus, portanto, contém a genealogia de Jesus e descreve a sua origem divina (Mt 1.18ss). O Deus que está fora e acima do tempo e do espaço entra na história humana e incumbe um casal com a tarefa de criar seu Filho. Tanto Maria como José aceitam o desafio. Em Lc 1.26-56 é dado um destaque especial à mãe de Jesus. No texto para a nossa pregação, há uma reflexão maior sobre o seu pai. O conteúdo de Mt 1.18ss é único nos evangelhos. Em Jesus Cristo, o transcendente entra no imanente. Esta é a razão de toda a esperança humana. Por isso pode haver alegria na semana que antecede o Natal. A expectativa pelo que virá está fundamentada naquele que já veio.
7 A prédica Na semana do Natal é bom pregar sobre o nascimento de Jesus e desta vez sob a ótica de seu pai José, o carpinteiro. Sugiro o seguinte roteiro: Ler a breve crônica sobre o José traído. Ler o texto de Mt 1.18-25. Explicar o texto, conforme a análise exegética acima. Falar sobre a maneira maravilhosa como o drama de José foi transformado no desafio para ele de ser o pai do Salvador. Refletir sobre a entrada de Deus na vida humana. Citar o termo preconizado por Richard Shaul: A alternativa ao desespero. Quando para as pessoas tudo parece levar ao desespero, a interferência de Deus traz a alternativa, que se transforma numa grandiosa esperança. Atualizar o significado do Advento, em especial o 4º Domingo do Advento. Expressar os votos de que a época de Natal seja muito feliz, serena e repleta de esperança e paz.
8 Orações Confissão de pecados: Senhor, nosso querido Deus e Pai. Confessamos que somos mais rápidos em desconfiar do que em confiar nas outras
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pessoas. Estamos prontos a condenar, mas relutamos em dar uma oportunidade. De ti, porém, esperamos que nos perdoes sempre e que nunca nos deixes na mão. Perdoa esse jeito incoerente de conviver. Nesta semana de Natal, ajuda-nos a manter uma boa relação familiar e comunitária. Limpa o nosso interior, para que teu amado Filho Jesus Cristo possa nascer dentro de nós. Amém. Oração de coleta: Senhor Jesus Cristo, tu nasceste para dentro de uma família. Trouxeste alegria e esperança a Maria e José. Mas ambos também sofreram por ti. Desde o início da tua vida aqui entre as pessoas, houve situações delicadas. Neste 4º Advento e nesta semana de Natal, a história do teu nascimento ocupará os momentos da comunidade e da família. Ajudanos a dar atenção aos desafios que isso traz para a nossa vida diária. Para tal pedimos que nos dês o teu Santo Espírito. Amém. Oração comunitária: Querido Deus e Pai, nós te agradecemos que vieste para dentro da vida humana, valorizando-a e trazendo uma esperança que ultrapassa as fronteiras das coisas do dia-a-dia. Por isso hoje rogamos que nos dês uma feliz semana de Natal. Que a nossa felicidade venha do teu Filho! Pedimos por todas as pessoas que nos são queridas, perto ou longe que tenham um tempo de Natal tranqüilo, sereno e alegre. Suplicamos por nosso povo e por nossa pátria que aconteçam muitos gestos fraternos de amor, para que muitas situações de infelicidade sejam superadas. No Natal falamos muito de paz. Mas no mundo ela é um artigo raro e caro. E tu a ofereces de graça em teu amado Filho Jesus Cristo. Que ele preencha os nossos corações com a sua paz e que ele comova as pessoas que governam, a fim de que busquem a paz que provém do Natal e deixem para trás os interesses partidários e facciosos. Oramos a ti, Deus Pai, movidos pelo Espírito Santo e unidos no amor de Jesus Cristo. Amém.
Bibliografia EHLERT, Heinz. Meditação sobre Mateus 1.18-25. In: SCHNEIDER, Nélio; WITT, Osmar L. (coord.). Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1998. p. 29-33. SCHNIEWIND, Julius. Das Evangelium nach Matthäus. In: Das Neue Testament Deutsch. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1964. p. 13-16. ZIPPERT, Christian. Meditação sobre Mateus 1. In: HÄRTLING, Peter (coord.). Textspuren, Konkretes und Kritisches zur Kanzelrede. Hamburgo: Radius, 1990. p. 36-40.
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24 DEZ 2004
VIGÍLIA DO NATAL SALMO 2.6-12 COLOSSENSES 2.15-20
PRÉDICA: LUCAS 2.1-7 Sisi Blind
1 Palavras É Natal. Os tempos de atropelo estão terminando. Os últimos dias foram tão intensivos, que esquecemos de analisar os detalhes das questões que nos cercaram e nos deixamos atropelar pela corrida de mais um tempo de Advento. Portanto, queremos propor que este ano seja diferente. Não queremos mais que esses dias sejam de canseira e exaustão, mas que possamos festejar este Natal como se fosse o último. O convite é para que tenhamos tempo de revisar nossa maneira de ver o sentido de tudo o que faz parte do Natal. Também as palavras e os símbolos precisam ser revistos e repensados. A celebração natalina é uma excelente oportunidade para fazermos um momento que contenha um diferencial neste ano. Nossa sugestão é que seja um momento bonito, cativante e diferente. Não vamos fazer uma prédica natalina somente, vamos fazer uma celebração inclusiva. É preciso preparála antecipadamente. Os símbolos podem ajudar a entender aquilo que as palavras expressam. Palavras que há tanto tempo fazem parte do nosso Natal. Palavras, apenas, palavras pequenas... São palavras que usamos para transmitir nossos votos de Natal. São palavras cantadas, faladas, escritas e ditas. Palavras de hoje para falar dos fatos que sucederam naqueles dias.
2 Naqueles dias Toda história tem seu lugar. Também o evangelista Lucas situa a história do nascimento do menino num lugar, num determinado momento da história. A partir da época, sabemos qual o contexto sociopolítico em que estão envolvidos os acontecimentos do nascimento da criança de Belém. É a presença da ação de Deus na vida cotidiana das pessoas. O contexto político é a região da Palestina sob o domínio do Império Romano. Naqueles dias, diz o texto, Quirino era governador da Síria. Não existe precisão histórica em relação à data e às questões que estavam aconte-
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pessoas. Estamos prontos a condenar, mas relutamos em dar uma oportunidade. De ti, porém, esperamos que nos perdoes sempre e que nunca nos deixes na mão. Perdoa esse jeito incoerente de conviver. Nesta semana de Natal, ajuda-nos a manter uma boa relação familiar e comunitária. Limpa o nosso interior, para que teu amado Filho Jesus Cristo possa nascer dentro de nós. Amém. Oração de coleta: Senhor Jesus Cristo, tu nasceste para dentro de uma família. Trouxeste alegria e esperança a Maria e José. Mas ambos também sofreram por ti. Desde o início da tua vida aqui entre as pessoas, houve situações delicadas. Neste 4º Advento e nesta semana de Natal, a história do teu nascimento ocupará os momentos da comunidade e da família. Ajudanos a dar atenção aos desafios que isso traz para a nossa vida diária. Para tal pedimos que nos dês o teu Santo Espírito. Amém. Oração comunitária: Querido Deus e Pai, nós te agradecemos que vieste para dentro da vida humana, valorizando-a e trazendo uma esperança que ultrapassa as fronteiras das coisas do dia-a-dia. Por isso hoje rogamos que nos dês uma feliz semana de Natal. Que a nossa felicidade venha do teu Filho! Pedimos por todas as pessoas que nos são queridas, perto ou longe que tenham um tempo de Natal tranqüilo, sereno e alegre. Suplicamos por nosso povo e por nossa pátria que aconteçam muitos gestos fraternos de amor, para que muitas situações de infelicidade sejam superadas. No Natal falamos muito de paz. Mas no mundo ela é um artigo raro e caro. E tu a ofereces de graça em teu amado Filho Jesus Cristo. Que ele preencha os nossos corações com a sua paz e que ele comova as pessoas que governam, a fim de que busquem a paz que provém do Natal e deixem para trás os interesses partidários e facciosos. Oramos a ti, Deus Pai, movidos pelo Espírito Santo e unidos no amor de Jesus Cristo. Amém.
Bibliografia EHLERT, Heinz. Meditação sobre Mateus 1.18-25. In: SCHNEIDER, Nélio; WITT, Osmar L. (coord.). Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1998. p. 29-33. SCHNIEWIND, Julius. Das Evangelium nach Matthäus. In: Das Neue Testament Deutsch. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1964. p. 13-16. ZIPPERT, Christian. Meditação sobre Mateus 1. In: HÄRTLING, Peter (coord.). Textspuren, Konkretes und Kritisches zur Kanzelrede. Hamburgo: Radius, 1990. p. 36-40.
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VIGÍLIA DO NATAL SALMO 2.6-12 COLOSSENSES 2.15-20
PRÉDICA: LUCAS 2.1-7 Sisi Blind
1 Palavras É Natal. Os tempos de atropelo estão terminando. Os últimos dias foram tão intensivos, que esquecemos de analisar os detalhes das questões que nos cercaram e nos deixamos atropelar pela corrida de mais um tempo de Advento. Portanto, queremos propor que este ano seja diferente. Não queremos mais que esses dias sejam de canseira e exaustão, mas que possamos festejar este Natal como se fosse o último. O convite é para que tenhamos tempo de revisar nossa maneira de ver o sentido de tudo o que faz parte do Natal. Também as palavras e os símbolos precisam ser revistos e repensados. A celebração natalina é uma excelente oportunidade para fazermos um momento que contenha um diferencial neste ano. Nossa sugestão é que seja um momento bonito, cativante e diferente. Não vamos fazer uma prédica natalina somente, vamos fazer uma celebração inclusiva. É preciso preparála antecipadamente. Os símbolos podem ajudar a entender aquilo que as palavras expressam. Palavras que há tanto tempo fazem parte do nosso Natal. Palavras, apenas, palavras pequenas... São palavras que usamos para transmitir nossos votos de Natal. São palavras cantadas, faladas, escritas e ditas. Palavras de hoje para falar dos fatos que sucederam naqueles dias.
2 Naqueles dias Toda história tem seu lugar. Também o evangelista Lucas situa a história do nascimento do menino num lugar, num determinado momento da história. A partir da época, sabemos qual o contexto sociopolítico em que estão envolvidos os acontecimentos do nascimento da criança de Belém. É a presença da ação de Deus na vida cotidiana das pessoas. O contexto político é a região da Palestina sob o domínio do Império Romano. Naqueles dias, diz o texto, Quirino era governador da Síria. Não existe precisão histórica em relação à data e às questões que estavam aconte-
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VIGÍLIA DO NATAL
cendo. Mas existe uma preocupação do autor em colocar a história num contexto internacional. É através da localização da história que o autor quer transmitir que o nascimento do menino é um fato que tem contexto de influência internacional. Não há precisão nas datas, mas há certeza do que é dito. Sabemos que, naqueles dias da história da humanidade, acontece algo que interfere na compreensão de sociedade e poder. Naqueles dias acontece um chamado para toda a população do Império Romano. Não é apenas um chamado. É um decreto.
3 Decreto Decretos são ordenamentos que devem ser cumpridos. De acordo ou não com os decretos, as pessoas que fazem parte de uma nação, sob as ordens de um governo, são submetidas às leis e aos desígnios que são provenientes da direção. No caso do nosso texto, a população está sob as ordens de César Augusto. É César Augusto quem manifesta posição de poder. É ele quem determina os acontecimentos da nação a partir do seu decreto. Toda a população coloca-se em movimento, um movimento de obediência ao que foi promulgado. Assim ainda fazemos hoje. Quando da parte dos governantes se estabelecem ordenamentos, nós cumprimos. Assim todos os brasileiros que movimentam seu dinheiro nos bancos pagam CPMF; da mesma forma votamos por causa da lei da obrigatoriedade do voto. Da mesma forma, Maria e José põem-se a caminho para o cumprimento da ordem dada. A ordem do império é que toda a população se identifique cadastralmente. É uma pesquisa populacional, que tem como objetivo levantar os dados da realidade daquele povo
4 Recenseamento O recenseamento é, de certa forma, a nota fiscal em prol do império. O objetivo do decreto é o recenseamento de pessoas, que também são trabalhadores e proprietários. É a pesquisa qualitativa e quantitativa. Querse saber o que faz parte do território do império, ou seja, quem são as pessoas, o que elas fazem e o que elas possuem. A pesquisa compilará as informações para fins de tributação e análise da realidade do próprio império. É o recenseamento que dará ao governo da época a capacidade da leitura de sua realidade e a proposição de seus projetos de governo. Com certeza um governo nada democrático e participativo, antes um governo de imposição e centralidade no seu próprio interesse e não no inte-
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VIGÍLIA DO
NATAL
resse da população. Um governo de conquista, de interesse expansionista. Portanto é preciso reforçar esse sistema, para que seu poderio possa alcançar e manter suas metas conquistadoras. Para isso nada melhor do que uma lista que contemple a composição do território conquistado.
5 Alistar-se Alistar-se é fazer parte da lista desejada. Cada um em sua cidade é algo tremendamente interessante. Pois, além de se ter uma lista, tem-se também a noção de descendência, parentesco, realidade e entendimento da tradição e história de um povo. Nós como igreja entendemos muito melhor nossas comunidades quando conhecemos de que tradição, de que grupo, de que forma comunitária os membros que compõem a comunidade procedem. A lista que contempla a origem, a ascendência dos alistados é um tesouro nas mãos do império. É assim que ele saberá lidar com os cidadãos de seu governo. Politicamente correta é a atitude do império, que defende seus interesses. Podemos ser críticos em relação ao objetivo do império, mas podemos aprender com a sua metodologia, que contempla riqueza e sabedoria para o trabalho de entender quem é a população que está sob sua jurisdição. Havia naqueles dias grupos, pessoas, que faziam oposição ao governo e assim não obedeciam aos decretos, mas este não é o caso dos nossos personagens textuais. José, mencionado no texto, sujeita-se ao ordenamento e coloca-se em movimento. Ao alistar-nos, fazemos parte de um conjunto. Listas fazem parte também de nossas vidas. Estamos alistados nas entidades civis, na comunidade religiosa, nas entidades beneficentes... Existem as listas voluntárias, as listas necessárias, as listas obrigatórias. José fazia parte do conjunto da população que pertencia à realidade de vida da época e assumia também todas as suas circunstâncias.
6 José José é moço da casa e da família de Davi. Informação importante para o império. Nessa terra tem gente de descendência real. Faz parte da população do Império Romano a dinastia davídica, que perdeu o seu lugar. José é exemplo daquele povo que perdeu seu lugar. Ele já não reside em sua casa. Sua terra já não é mais sua, sua tribo já não existe, seu clã foi dizimado. Ao que o texto indica, José perdeu o referencial de sua terra. Sua ascendência parece não existir mais naquele local. Pois ele e sua esposa não encontram lugar em sua casa . Este fato poderia nos indicar que José não
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cendo. Mas existe uma preocupação do autor em colocar a história num contexto internacional. É através da localização da história que o autor quer transmitir que o nascimento do menino é um fato que tem contexto de influência internacional. Não há precisão nas datas, mas há certeza do que é dito. Sabemos que, naqueles dias da história da humanidade, acontece algo que interfere na compreensão de sociedade e poder. Naqueles dias acontece um chamado para toda a população do Império Romano. Não é apenas um chamado. É um decreto.
3 Decreto Decretos são ordenamentos que devem ser cumpridos. De acordo ou não com os decretos, as pessoas que fazem parte de uma nação, sob as ordens de um governo, são submetidas às leis e aos desígnios que são provenientes da direção. No caso do nosso texto, a população está sob as ordens de César Augusto. É César Augusto quem manifesta posição de poder. É ele quem determina os acontecimentos da nação a partir do seu decreto. Toda a população coloca-se em movimento, um movimento de obediência ao que foi promulgado. Assim ainda fazemos hoje. Quando da parte dos governantes se estabelecem ordenamentos, nós cumprimos. Assim todos os brasileiros que movimentam seu dinheiro nos bancos pagam CPMF; da mesma forma votamos por causa da lei da obrigatoriedade do voto. Da mesma forma, Maria e José põem-se a caminho para o cumprimento da ordem dada. A ordem do império é que toda a população se identifique cadastralmente. É uma pesquisa populacional, que tem como objetivo levantar os dados da realidade daquele povo
4 Recenseamento O recenseamento é, de certa forma, a nota fiscal em prol do império. O objetivo do decreto é o recenseamento de pessoas, que também são trabalhadores e proprietários. É a pesquisa qualitativa e quantitativa. Querse saber o que faz parte do território do império, ou seja, quem são as pessoas, o que elas fazem e o que elas possuem. A pesquisa compilará as informações para fins de tributação e análise da realidade do próprio império. É o recenseamento que dará ao governo da época a capacidade da leitura de sua realidade e a proposição de seus projetos de governo. Com certeza um governo nada democrático e participativo, antes um governo de imposição e centralidade no seu próprio interesse e não no inte-
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resse da população. Um governo de conquista, de interesse expansionista. Portanto é preciso reforçar esse sistema, para que seu poderio possa alcançar e manter suas metas conquistadoras. Para isso nada melhor do que uma lista que contemple a composição do território conquistado.
5 Alistar-se Alistar-se é fazer parte da lista desejada. Cada um em sua cidade é algo tremendamente interessante. Pois, além de se ter uma lista, tem-se também a noção de descendência, parentesco, realidade e entendimento da tradição e história de um povo. Nós como igreja entendemos muito melhor nossas comunidades quando conhecemos de que tradição, de que grupo, de que forma comunitária os membros que compõem a comunidade procedem. A lista que contempla a origem, a ascendência dos alistados é um tesouro nas mãos do império. É assim que ele saberá lidar com os cidadãos de seu governo. Politicamente correta é a atitude do império, que defende seus interesses. Podemos ser críticos em relação ao objetivo do império, mas podemos aprender com a sua metodologia, que contempla riqueza e sabedoria para o trabalho de entender quem é a população que está sob sua jurisdição. Havia naqueles dias grupos, pessoas, que faziam oposição ao governo e assim não obedeciam aos decretos, mas este não é o caso dos nossos personagens textuais. José, mencionado no texto, sujeita-se ao ordenamento e coloca-se em movimento. Ao alistar-nos, fazemos parte de um conjunto. Listas fazem parte também de nossas vidas. Estamos alistados nas entidades civis, na comunidade religiosa, nas entidades beneficentes... Existem as listas voluntárias, as listas necessárias, as listas obrigatórias. José fazia parte do conjunto da população que pertencia à realidade de vida da época e assumia também todas as suas circunstâncias.
6 José José é moço da casa e da família de Davi. Informação importante para o império. Nessa terra tem gente de descendência real. Faz parte da população do Império Romano a dinastia davídica, que perdeu o seu lugar. José é exemplo daquele povo que perdeu seu lugar. Ele já não reside em sua casa. Sua terra já não é mais sua, sua tribo já não existe, seu clã foi dizimado. Ao que o texto indica, José perdeu o referencial de sua terra. Sua ascendência parece não existir mais naquele local. Pois ele e sua esposa não encontram lugar em sua casa . Este fato poderia nos indicar que José não
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NATAL
possui mais grupo familiar em sua terra natal. O que significa isto? Poderia o próprio fato da pertença ser responsável pelo despovoamento familiar? Isso porque o exílio ao qual o povo de Deus foi submetido foi mais rigoroso com as famílias dos monarcas. Isto é apenas uma hipótese, considerando a lógica da história do povo de Israel. José saiu de Nazaré, da Galiléia, e foi para Belém, da Judéia. Ele é migrante. Migrantes são todos aqueles que por razões diversas saem de sua terra natal, familiar, para outros lugares. As razões são infinitamente diversificadas, mas, muitas vezes, elas são decorrentes da inviabilidade de sobrevivência no local de nascimento. Essa realidade está muito presente na própria IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil). Ao que tudo indica, José é um migrante pobre. Ele vai a Belém acompanhado de sua esposa Maria, em estado avançado de gravidez. O que poderiam eles levar consigo? Poucos pertences, considerando a distância e a dificuldade da viagem que eles empreenderam.
7 Maria De Maria pouco se sabe. Ela é a esposa de José, que estava grávida. Se ela é da mesma terra, o texto não fala. Aliás, de Maria não se fala, a não ser que é esposa de José e que está grávida. Não fica claro se a contagem de toda a população também inclui a mulher ou não. Sabemos apenas que Maria acompanhou José. O que deve ter sido uma tarefa bastante difícil, pois no estado avançado de gravidez empreender uma viagem tão grande não deve ter sido agradável. Lembro de minhas caminhadas como gestante. O deslocamento da gestante pode ser tranqüilo, mas os passos dos últimos tempos da gravidez são mais lentos. O corpo torna-se pesado, nossa agilidade está comprometida e nosso fôlego é mais curto. A alegria do movimento do bebê não tira o peso e o inchaço do organismo da mulher. Como mulher me chama a atenção o fato de Maria estar a caminho, sem lugar fixo, justamente nos últimos dias da gravidez, pois este período é o tempo em que a maioria das mães prepara suas sacolas para ir ao hospital. Preparamos o nosso conforto, buscamos as coisas necessárias para nós e para o bebê. Maria encontra-se no desconforto, na transitoriedade, não tem lugar fixo. O decreto do império atinge a mulher em sua condição de esposa. O bebê é atingido pela manobra do governo, pela sua condição de feto. Todas as decisões na vida atingem as pessoas, que de uma forma ou de outra fazem parte do corpo familiar/comunitário. Ainda que Maria não seja o objeto da pesquisa, ela foi à cidade de José e ali se completaram os dias.
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VIGÍLIA DO
NATAL
8 Os dias A espera de uma criança é algo extraordinário. O pré-anúncio do nascimento são as inúmeras contrações e a imensa dor que o parir causa. Ao completarem-se-lhe os dias de gestação, Maria é atingida pelo pré-anúncio do nascimento. Este anúncio se dá a essa mulher anônima, que sente sua dor em lugar estranho. O mais estranho desse lugar é que não há espaço, não há sensibilidade para a situação dessa pobre retirante. O parto é algo que, quando anunciado, não tem como parar. Assim, Maria, querendo ou não, precisará de forças para fazer nascer seu filho. Sem lugar, sem assistência, essa grande mulher enfrenta a sua dor na solidão do abandono. José estava com ela, mas eram somente os dois. Ele, homem obediente ao decreto do império. Ela, submissa à sua condição de esposa, expõe a sua própria vida e a da criança para cumprir o decreto emitido a seu esposo. Exposta a precariedade, nasce-lhe o menino. Em meio à escuridão da noite, ela deu à luz.
9 Luz O nascimento é um ato iluminador. A luz é tão grande, que ofusca os olhos daquele que passou nove luas no ventre escurecido da mãe. As crianças, ao nascerem, sob as condições das maternidades de nossa época, são cegadas pela luminosidade do ambiente. É tanta luz, que os olhos não vêem. Já no caso do nascimento do menino de Maria, não ocorreu esse problema. A escuridão ao redor da manjedoura foi iluminada pela luz da criança. A luz do pequeno menino denuncia a precariedade da sociedade, que tem decretos, mas não tem lugar. Sim, o império tem leis e decretos para as pessoas, mas não oferece as mínimas condições para que as pessoas possam cumprir o exigido. O espaço para a luz que Maria concede é fora do âmbito da vivência e da comunhão das pessoas. A luz que Maria dá ilumina a sociedade cegada por sua própria luminosidade. O menino que nasce em precárias condições é o ato de amor de Deus que denuncia os atos de desumanidade das estruturas humanas. A luz que vem ilumina a vida a partir de fora. Não é do centro do poder que vem essa força, mas do lado de fora. Da periferia da pequena Belém.
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possui mais grupo familiar em sua terra natal. O que significa isto? Poderia o próprio fato da pertença ser responsável pelo despovoamento familiar? Isso porque o exílio ao qual o povo de Deus foi submetido foi mais rigoroso com as famílias dos monarcas. Isto é apenas uma hipótese, considerando a lógica da história do povo de Israel. José saiu de Nazaré, da Galiléia, e foi para Belém, da Judéia. Ele é migrante. Migrantes são todos aqueles que por razões diversas saem de sua terra natal, familiar, para outros lugares. As razões são infinitamente diversificadas, mas, muitas vezes, elas são decorrentes da inviabilidade de sobrevivência no local de nascimento. Essa realidade está muito presente na própria IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil). Ao que tudo indica, José é um migrante pobre. Ele vai a Belém acompanhado de sua esposa Maria, em estado avançado de gravidez. O que poderiam eles levar consigo? Poucos pertences, considerando a distância e a dificuldade da viagem que eles empreenderam.
7 Maria De Maria pouco se sabe. Ela é a esposa de José, que estava grávida. Se ela é da mesma terra, o texto não fala. Aliás, de Maria não se fala, a não ser que é esposa de José e que está grávida. Não fica claro se a contagem de toda a população também inclui a mulher ou não. Sabemos apenas que Maria acompanhou José. O que deve ter sido uma tarefa bastante difícil, pois no estado avançado de gravidez empreender uma viagem tão grande não deve ter sido agradável. Lembro de minhas caminhadas como gestante. O deslocamento da gestante pode ser tranqüilo, mas os passos dos últimos tempos da gravidez são mais lentos. O corpo torna-se pesado, nossa agilidade está comprometida e nosso fôlego é mais curto. A alegria do movimento do bebê não tira o peso e o inchaço do organismo da mulher. Como mulher me chama a atenção o fato de Maria estar a caminho, sem lugar fixo, justamente nos últimos dias da gravidez, pois este período é o tempo em que a maioria das mães prepara suas sacolas para ir ao hospital. Preparamos o nosso conforto, buscamos as coisas necessárias para nós e para o bebê. Maria encontra-se no desconforto, na transitoriedade, não tem lugar fixo. O decreto do império atinge a mulher em sua condição de esposa. O bebê é atingido pela manobra do governo, pela sua condição de feto. Todas as decisões na vida atingem as pessoas, que de uma forma ou de outra fazem parte do corpo familiar/comunitário. Ainda que Maria não seja o objeto da pesquisa, ela foi à cidade de José e ali se completaram os dias.
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VIGÍLIA DO
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8 Os dias A espera de uma criança é algo extraordinário. O pré-anúncio do nascimento são as inúmeras contrações e a imensa dor que o parir causa. Ao completarem-se-lhe os dias de gestação, Maria é atingida pelo pré-anúncio do nascimento. Este anúncio se dá a essa mulher anônima, que sente sua dor em lugar estranho. O mais estranho desse lugar é que não há espaço, não há sensibilidade para a situação dessa pobre retirante. O parto é algo que, quando anunciado, não tem como parar. Assim, Maria, querendo ou não, precisará de forças para fazer nascer seu filho. Sem lugar, sem assistência, essa grande mulher enfrenta a sua dor na solidão do abandono. José estava com ela, mas eram somente os dois. Ele, homem obediente ao decreto do império. Ela, submissa à sua condição de esposa, expõe a sua própria vida e a da criança para cumprir o decreto emitido a seu esposo. Exposta a precariedade, nasce-lhe o menino. Em meio à escuridão da noite, ela deu à luz.
9 Luz O nascimento é um ato iluminador. A luz é tão grande, que ofusca os olhos daquele que passou nove luas no ventre escurecido da mãe. As crianças, ao nascerem, sob as condições das maternidades de nossa época, são cegadas pela luminosidade do ambiente. É tanta luz, que os olhos não vêem. Já no caso do nascimento do menino de Maria, não ocorreu esse problema. A escuridão ao redor da manjedoura foi iluminada pela luz da criança. A luz do pequeno menino denuncia a precariedade da sociedade, que tem decretos, mas não tem lugar. Sim, o império tem leis e decretos para as pessoas, mas não oferece as mínimas condições para que as pessoas possam cumprir o exigido. O espaço para a luz que Maria concede é fora do âmbito da vivência e da comunhão das pessoas. A luz que Maria dá ilumina a sociedade cegada por sua própria luminosidade. O menino que nasce em precárias condições é o ato de amor de Deus que denuncia os atos de desumanidade das estruturas humanas. A luz que vem ilumina a vida a partir de fora. Não é do centro do poder que vem essa força, mas do lado de fora. Da periferia da pequena Belém.
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VIGÍLIA DO
NATAL
10 Enfaixou-se Faixas são utilizadas em situações distintas. Os governantes recebem as faixas condecorativas. As princesas e as rainhas recebem faixas para identificação de sua colocação e desfilam com as belas faixas cheias de rendas, lantejoulas e pedras bordadas. Faixas também são usadas para envolver e curar feridas e para firmar quebraduras. Maria envolveu sua criança em faixas. Certamente não eram faixas decorativas, antes eram panos que estavam desajeitadamente arrumados na pequena bagagem de viagem. Na sua sacola, Maria tinha carregado o imprescindível. Panos que poderiam envolver seu bebê. Ela carregou com José essa bagagem, sem saber que seria a única coisa que o seu bebê receberia. A criança que saiu do aconchego do útero materno encontrou o conforto nos braços do pai e a doçura do alimento no seio da mãe e as faixas que ambos trouxeram para condecorar aquele pequeno rei que lhes havia nascido.
VIGÍLIA DO
é trazer símbolos que falam do que essas palavras representam. É importante que cada palavra seja importante na composição do entendimento aprofundado do Natal. Cada palavra poderá ser apresentada por uma pessoa ou um grupo diferente da comunidade. Assim essa celebração será intensamente participativa. Cada palavra poderá ser retrabalhada nos grupos, enriquecendo assim o seu conteúdo e fazendo a reflexão ser diferente da que sempre fazemos a partir desse texto. Importante é que esse culto seja realizado por uma equipe, fazendo-o mais rico e bonito.
NATAL DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 9.2-7 JOÃO 1.1-11 TITO 2.11-14
11 Manjedoura A manjedoura é o lugar para a criança. O texto não fala do lugar da mãe e nem do lugar do pai. Para a criança tem um lugar. Não temos detalhes, no texto, de como era essa manjedoura. Com certeza não tinha colchão e muito menos cobertor de fibra. Não havia toalhinha bordada com ponto cruz e muito menos lembranças para os visitantes. A manjedoura é cocho de alimentar animais. Ali pode ter no máximo resíduo do alimento que os bichos comem. O cocho é forte e oferece proteção ao recém-nascido, mas não tem conforto. Ali o menino recebe o seu lugar. A mãe de Moisés teve o tempo de lhe preparar um cesto de junco, calafetado de betume e piche (Êx 2.3). A mãe de Jesus não teve sequer lugar e nem tempo de lhe preparar um lugar, mas tinha a faixa para envolvê-lo e deitá-lo no cocho, que lhe ofereceu o resíduo do alimento dos animais, a sobra. A palha é sobra. Ela serviu para amaciar a dureza da madeira para acolher aquele frágil menino.
12 A celebração Que seja diferente. Que as palavras possam ser aliadas com os símbolos. A composição da mensagem pode montar o presépio. Outra alternativa
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10 Enfaixou-se Faixas são utilizadas em situações distintas. Os governantes recebem as faixas condecorativas. As princesas e as rainhas recebem faixas para identificação de sua colocação e desfilam com as belas faixas cheias de rendas, lantejoulas e pedras bordadas. Faixas também são usadas para envolver e curar feridas e para firmar quebraduras. Maria envolveu sua criança em faixas. Certamente não eram faixas decorativas, antes eram panos que estavam desajeitadamente arrumados na pequena bagagem de viagem. Na sua sacola, Maria tinha carregado o imprescindível. Panos que poderiam envolver seu bebê. Ela carregou com José essa bagagem, sem saber que seria a única coisa que o seu bebê receberia. A criança que saiu do aconchego do útero materno encontrou o conforto nos braços do pai e a doçura do alimento no seio da mãe e as faixas que ambos trouxeram para condecorar aquele pequeno rei que lhes havia nascido.
VIGÍLIA DO
é trazer símbolos que falam do que essas palavras representam. É importante que cada palavra seja importante na composição do entendimento aprofundado do Natal. Cada palavra poderá ser apresentada por uma pessoa ou um grupo diferente da comunidade. Assim essa celebração será intensamente participativa. Cada palavra poderá ser retrabalhada nos grupos, enriquecendo assim o seu conteúdo e fazendo a reflexão ser diferente da que sempre fazemos a partir desse texto. Importante é que esse culto seja realizado por uma equipe, fazendo-o mais rico e bonito.
NATAL DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 9.2-7 JOÃO 1.1-11 TITO 2.11-14
11 Manjedoura A manjedoura é o lugar para a criança. O texto não fala do lugar da mãe e nem do lugar do pai. Para a criança tem um lugar. Não temos detalhes, no texto, de como era essa manjedoura. Com certeza não tinha colchão e muito menos cobertor de fibra. Não havia toalhinha bordada com ponto cruz e muito menos lembranças para os visitantes. A manjedoura é cocho de alimentar animais. Ali pode ter no máximo resíduo do alimento que os bichos comem. O cocho é forte e oferece proteção ao recém-nascido, mas não tem conforto. Ali o menino recebe o seu lugar. A mãe de Moisés teve o tempo de lhe preparar um cesto de junco, calafetado de betume e piche (Êx 2.3). A mãe de Jesus não teve sequer lugar e nem tempo de lhe preparar um lugar, mas tinha a faixa para envolvê-lo e deitá-lo no cocho, que lhe ofereceu o resíduo do alimento dos animais, a sobra. A palha é sobra. Ela serviu para amaciar a dureza da madeira para acolher aquele frágil menino.
12 A celebração Que seja diferente. Que as palavras possam ser aliadas com os símbolos. A composição da mensagem pode montar o presépio. Outra alternativa
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NATAL
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1O D O M I N G O A P Ó S N A T A L
o
1 DOMINGO APÓS NATAL
26 DEZ 2004
ISAÍAS 63.7-9 MATEUS 2.13-15,19-23
PRÉDICA: GÁLATAS 4.4-7 Haroldo Reimer
1 O contexto oculto O contexto do culto e da pregação sobre Gl 4.4-7 há de ser uma certa ressaca das celebrações e festividades do Natal. Neste ano, há uma coincidência de três dias festivos e cúlticos natalinos consecutivos. Em vários lugares e comunidades de nossa igreja, a véspera de Natal é um momento alto nas celebrações natalinas, em que muitas expectativas e também obrigações da religiosidade cultural natalina são resolvidas. É o momento em que se vive de forma forte o tempo mítico das origens dessa data na religião cristã. Os vários elementos culturais que foram sendo agregados através dos tempos a essa data têm aí o seu lugar privilegiado: presépio como recomposição do momento fundante em termos bíblicos, árvore de Natal, enfeites, velas, presentes, cantos tradicionais etc. Nas casas, agrega-se ainda o elemento de uma ceia que, dependendo das condições, pode ser mais farta ou mais modesta. Esse conjunto de ações religioso-culturais quer de alguma maneira expressar essa data da plenitude dos tempos. O dia de Natal propriamente dito continua a respirar esse tempo mítico de recomposição do ciclo da fé (Gross, p. 39). No templo permanecem os enfeites e os adereços, que querem ajudar a lembrar as ações fundantes dessa celebração, bem como as inserções que grupos culturais diferentes foram agregando a esses tempos especiais ao longo da história da fé cristã e que as comunidades, diversamente, procuram cultivar e transmitir. Dependendo do lugar, porém, esse dia pode também já ter sofrido um esvaziamento em termos de participação. Lembro aqui de uma comunidade urbana em que o ponto alto era a véspera de Natal; em outra, marcada por contexto de diáspora luterana no centro-oeste brasileiro, busca-se condensar esse momento numa celebração noturna numa data mais próxima ao Natal. Em muitas cidades litorâneas, por exemplo de Santa Catarina, acontece um êxodo rumo às praias. Qual é, então, o realce especial do primeiro domingo após o Natal um ou dois dias após o momento climático da celebração? A participação nos
31
cultos não há de ser a mais expressiva; talvez os membros mais tradicionais, mais apegados a seu lugar e a seu ritmo, talvez até por limitações financeiras, sejam as pessoas que estejam compondo a comunidade cúltica desse dia. Volta-se, pois, aos poucos ao rotineiro das celebrações.
2 As leituras As duas leituras destacam ações salvíficas de Deus em favor do seu povo. Com isso estabelece-se um vínculo temático com os conteúdos característicos do espírito de Natal. O texto de Is 63.7-9 fala expressamente das benignidades do Senhor (v. 7), com o que provavelmente há uma referência aos eventos fundantes do êxodo, seja o da travessia do mar dos juncos (Êx 14), seja o da travessia do deserto, o novo êxodo indicado nos textos do Deutero-Isaías. Essas benignidades (hebraico: hesed) de Deus em favor do seu povo estão fundamentadas na gratuidade do amor de Deus. Ele se torna assim o salvador (hebraico: moshi ah) de Israel. Na continuidade do texto, há referências a situações de desamparo por parte de Israel. Isto é motivo de clamor para nova intervenção divina. Com isso o profeta provavelmente está indicando para rupturas de relações de aliança do povo com Deus, mas também para o rompimento de relações entre o próprio povo. Seria isso indicação velada de rupturas com fundamentos da Torá? De uma forma geral, situações que requerem nova intervenção divina estão relacionadas muitas vezes com rupturas com a Torá enquanto indicador do caminho salvífico de Israel. O texto de Mt 2.13-15,19-23 indica que o caminho do Salvador da plenitude dos tempos vive uma situação de contradição com o poder da lei, como é indicado por Paulo na Carta aos Gálatas, mas também com o poder temporal, indicado aqui pela necessidade da fuga ao Egito. De lá o menino retorna como o redentor, como um novo Moisés. Com isso estabelece-se a ligação também dessa leitura com o tema natalino, mas também com o tema da ação salvífica de Deus por seus filhos, aqui figurado na pessoa do menino Jesus. Para a reflexão das conexões entre os três textos, é importante considerar, embora o texto de Gálatas fale da plenitude dos tempos, que a ligação entre Deus e a história humana não é algo que começa em Cristo, mas perpassa de forma especial a revelação de Deus na história do povo de Israel (Gross, p. 40). Com essa reflexão pode-se evitar de cair em esquemas temporais delimitados da ação da graça de Deus. Se Jesus é entendido, aceito e proclamado como a graça de Deus que se tornou forma humana, então é o ponto alto da história da relação de Deus com a humanidade, e de forma especial com Israel. Todo o tempo da criação é, na verdade, tempo da graça
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1O D O M I N G O A P Ó S N A T A L
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1 DOMINGO APÓS NATAL
26 DEZ 2004
ISAÍAS 63.7-9 MATEUS 2.13-15,19-23
PRÉDICA: GÁLATAS 4.4-7 Haroldo Reimer
1 O contexto oculto O contexto do culto e da pregação sobre Gl 4.4-7 há de ser uma certa ressaca das celebrações e festividades do Natal. Neste ano, há uma coincidência de três dias festivos e cúlticos natalinos consecutivos. Em vários lugares e comunidades de nossa igreja, a véspera de Natal é um momento alto nas celebrações natalinas, em que muitas expectativas e também obrigações da religiosidade cultural natalina são resolvidas. É o momento em que se vive de forma forte o tempo mítico das origens dessa data na religião cristã. Os vários elementos culturais que foram sendo agregados através dos tempos a essa data têm aí o seu lugar privilegiado: presépio como recomposição do momento fundante em termos bíblicos, árvore de Natal, enfeites, velas, presentes, cantos tradicionais etc. Nas casas, agrega-se ainda o elemento de uma ceia que, dependendo das condições, pode ser mais farta ou mais modesta. Esse conjunto de ações religioso-culturais quer de alguma maneira expressar essa data da plenitude dos tempos. O dia de Natal propriamente dito continua a respirar esse tempo mítico de recomposição do ciclo da fé (Gross, p. 39). No templo permanecem os enfeites e os adereços, que querem ajudar a lembrar as ações fundantes dessa celebração, bem como as inserções que grupos culturais diferentes foram agregando a esses tempos especiais ao longo da história da fé cristã e que as comunidades, diversamente, procuram cultivar e transmitir. Dependendo do lugar, porém, esse dia pode também já ter sofrido um esvaziamento em termos de participação. Lembro aqui de uma comunidade urbana em que o ponto alto era a véspera de Natal; em outra, marcada por contexto de diáspora luterana no centro-oeste brasileiro, busca-se condensar esse momento numa celebração noturna numa data mais próxima ao Natal. Em muitas cidades litorâneas, por exemplo de Santa Catarina, acontece um êxodo rumo às praias. Qual é, então, o realce especial do primeiro domingo após o Natal um ou dois dias após o momento climático da celebração? A participação nos
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cultos não há de ser a mais expressiva; talvez os membros mais tradicionais, mais apegados a seu lugar e a seu ritmo, talvez até por limitações financeiras, sejam as pessoas que estejam compondo a comunidade cúltica desse dia. Volta-se, pois, aos poucos ao rotineiro das celebrações.
2 As leituras As duas leituras destacam ações salvíficas de Deus em favor do seu povo. Com isso estabelece-se um vínculo temático com os conteúdos característicos do espírito de Natal. O texto de Is 63.7-9 fala expressamente das benignidades do Senhor (v. 7), com o que provavelmente há uma referência aos eventos fundantes do êxodo, seja o da travessia do mar dos juncos (Êx 14), seja o da travessia do deserto, o novo êxodo indicado nos textos do Deutero-Isaías. Essas benignidades (hebraico: hesed) de Deus em favor do seu povo estão fundamentadas na gratuidade do amor de Deus. Ele se torna assim o salvador (hebraico: moshi ah) de Israel. Na continuidade do texto, há referências a situações de desamparo por parte de Israel. Isto é motivo de clamor para nova intervenção divina. Com isso o profeta provavelmente está indicando para rupturas de relações de aliança do povo com Deus, mas também para o rompimento de relações entre o próprio povo. Seria isso indicação velada de rupturas com fundamentos da Torá? De uma forma geral, situações que requerem nova intervenção divina estão relacionadas muitas vezes com rupturas com a Torá enquanto indicador do caminho salvífico de Israel. O texto de Mt 2.13-15,19-23 indica que o caminho do Salvador da plenitude dos tempos vive uma situação de contradição com o poder da lei, como é indicado por Paulo na Carta aos Gálatas, mas também com o poder temporal, indicado aqui pela necessidade da fuga ao Egito. De lá o menino retorna como o redentor, como um novo Moisés. Com isso estabelece-se a ligação também dessa leitura com o tema natalino, mas também com o tema da ação salvífica de Deus por seus filhos, aqui figurado na pessoa do menino Jesus. Para a reflexão das conexões entre os três textos, é importante considerar, embora o texto de Gálatas fale da plenitude dos tempos, que a ligação entre Deus e a história humana não é algo que começa em Cristo, mas perpassa de forma especial a revelação de Deus na história do povo de Israel (Gross, p. 40). Com essa reflexão pode-se evitar de cair em esquemas temporais delimitados da ação da graça de Deus. Se Jesus é entendido, aceito e proclamado como a graça de Deus que se tornou forma humana, então é o ponto alto da história da relação de Deus com a humanidade, e de forma especial com Israel. Todo o tempo da criação é, na verdade, tempo da graça
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de Deus. A vinda do messias-criança leva essa relação de gratuidade, graça e amor divinos a um ponto climático. Há, pois, uma continuidade na história da graça. Com isso também a relação entre graça e lei recebe nova luz. A superação da lei pela liberdade da graça sempre compreende e supõe a continuidade da própria lei. O evangelho está intrinsicamente vinculado com a própria Torá.
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4 Pregando sobre o texto de Gl 4.4-7
Sobre a carta de Paulo aos Gálatas, é bom ter presente que se trata de um escrito nos inícios do cristianismo originário, que pela relevância do autor-apóstolo e do próprio conteúdo tornou-se orientador ou normativo em termos de práxis comunitária. Trata-se, pois, de uma epístola circunstancial, que se tornou dogmática. A dimensão mais importante a considerar em relação à Carta aos Gálatas é que se trata da epístola da liberdade e da justificação pela fé. A pregação da liberdade na e através da fé em Jesus Cristo marca o ponto alto desse escrito, assim como deve ter marcado a própria pregação apostólica na comunidade. Essa liberdade é outorgada por Deus ao ser humano por graça e fé sem a colaboração de obras (da lei). Isto constitui um critério de fé fundamental nesse escrito. A liberdade outorgada por Deus ao ser humano pela fé em Jesus Cristo impulsiona (quer impulsionar) a pessoa crente e a comunidade a um exercício de fé em que as assimetrias sociais, raciais e de gênero sejam gradualmente superadas. Isso se expressa de forma clara no final do capítulo 3 (v. 28), onde Paulo parece assumir e transmitir uma fórmula batismal, na qual a superação dessas assimetrias teria um lugar de confissão de fé pessoal e comunitária, sobretudo por ocasião de batismos. A superação das assimetrias não significa de modo algum um nivelamento das diferenças existentes no seio de uma comunidade cristã. As diferenças existem e devem ser percebidas como tais, mas não devem ser tomadas ou transformadas em fator de desqualificação e separação. A comunidade cristã é uma espécie de campo experimental de novas relações sociais. Isso vale para relações em termos etnoculturais, em termos hierárquico-sociais e em termos das relações entre homens e mulheres. Na lide pastoral com comunidades da IECLB, percebe-se quão difícil isso pode ser às vezes. Uma comunidade cristã deve ser um espaço criativo, experimental para a superação de tais assimetrias rumo à constituição de uma comunidade com relações mais humanas e mais justas, de inclusão e solidariedade. É obvio que tal intento pessoal e comunitário sempre estará inscrito dentro da tensão e dos limites do simul justus et pecator. Por isso não se deve trabalhar com pressupostos e objetivos demasiadamente idealistas. A nova realidade da vivência da liberdade em gratuidade movimenta-se na tensão dialética entre ruptura e continuidade.
No espírito das celebrações de Natal, a referência à plenitude do tempo está associada ao nascimento do messias-criança Jesus. Esse tempo da plenitude salvífica, na ótica paulina, está intrinsicamente vinculado com a outorgação de liberdade plena para as pessoas que fizeram o encontro com o Cristo. A dinâmica do pensamento é similar aos textos de leitura, sobretudo de Isaías, na medida em que se supõe intervenção salvífica de Deus em favor do seu povo. Para Paulo, assumir a fé em Jesus Cristo está associado a um processo de maioridade. O apóstolo parece supor que, antes da encarnação de Deus em Jesus, os seres humanos não viviam uma condição de liberdade plena. Isso Paulo expressa com a imagem do vir-a-tornar-se filhos (e filhas). A condição anterior é entendida como uma submissão da pessoa em relação às leis da Torá e a tempos e normas designados de rudimentos do mundo (stoicheia tou kosmou v. 3). Somente pela fé em Cristo adviria o tempo da liberdade e da autonomia plena do ser humano. Essa maioridade, autonomia e liberdade são uma espécie de capacitação teológica e antropológica fundamental: a pessoa, no espírito de Jesus-filho, pode dirigir-se a Deus na forma de tratamento aba Pai. A relação de fé em Jesus coloca a pessoa crente numa relação filial com o próprio Deus. Lutero diz a respeito: Cristo é o filho; por isso aqueles que nele crêem são filhos com ele (Lutero, p. 170). Ser filho (e filha) é o caminho para assumir a liberdade e a autonomia (na fé), e isto é condição para uma vivência de novas relações que buscam a superação das assimetrias sociais. Na pregação sobre o texto, poder-se-ia buscar evitar uma demasiada contraposição entre Torá / escravidão e graça / liberdade. É verdade que isso está no espírito da Carta aos Gálatas e foi amplamente afirmado por Lutero e seguidores. Penso, contudo, que um destaque mais positivo da Torá é muito mais apropriado aos conteúdos bíblicos como um todo e faz mais jus aos esforços de viver a fé cristã após o holocausto. Afinal, a fé em Jesus Cristo não significa uma superação total da lei/Torá. A Torá não é abolida; antes, na fé em Jesus, ela é levada à plenitude. Só se pode levar à plenitude aquilo que já existe em princípio. Positivamente pode-se, pois, destacar as imagens do aio e da tutela . No caminho da pessoa rumo à liberdade, a lei/Torá é um esteio importante para conduzir a pessoa, a comunidade ou o povo para uma vivência eticamente regrada. Observância da Torá não precisa significar somente o estereotipado legalismo farisaico ou algo assim. Observar os preceitos da Torá pode ser perfeitamente uma forma de exercitar a fidelidade em relação à vontade de Deus, revelada na própria Torá. A vivência da fé cristã, na liberdade da fé e no exercício do amor, pode e deve manter a relação positiva com os preceitos da Torá, pois sem normas
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3 A Carta aos Gálatas
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de Deus. A vinda do messias-criança leva essa relação de gratuidade, graça e amor divinos a um ponto climático. Há, pois, uma continuidade na história da graça. Com isso também a relação entre graça e lei recebe nova luz. A superação da lei pela liberdade da graça sempre compreende e supõe a continuidade da própria lei. O evangelho está intrinsicamente vinculado com a própria Torá.
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4 Pregando sobre o texto de Gl 4.4-7
Sobre a carta de Paulo aos Gálatas, é bom ter presente que se trata de um escrito nos inícios do cristianismo originário, que pela relevância do autor-apóstolo e do próprio conteúdo tornou-se orientador ou normativo em termos de práxis comunitária. Trata-se, pois, de uma epístola circunstancial, que se tornou dogmática. A dimensão mais importante a considerar em relação à Carta aos Gálatas é que se trata da epístola da liberdade e da justificação pela fé. A pregação da liberdade na e através da fé em Jesus Cristo marca o ponto alto desse escrito, assim como deve ter marcado a própria pregação apostólica na comunidade. Essa liberdade é outorgada por Deus ao ser humano por graça e fé sem a colaboração de obras (da lei). Isto constitui um critério de fé fundamental nesse escrito. A liberdade outorgada por Deus ao ser humano pela fé em Jesus Cristo impulsiona (quer impulsionar) a pessoa crente e a comunidade a um exercício de fé em que as assimetrias sociais, raciais e de gênero sejam gradualmente superadas. Isso se expressa de forma clara no final do capítulo 3 (v. 28), onde Paulo parece assumir e transmitir uma fórmula batismal, na qual a superação dessas assimetrias teria um lugar de confissão de fé pessoal e comunitária, sobretudo por ocasião de batismos. A superação das assimetrias não significa de modo algum um nivelamento das diferenças existentes no seio de uma comunidade cristã. As diferenças existem e devem ser percebidas como tais, mas não devem ser tomadas ou transformadas em fator de desqualificação e separação. A comunidade cristã é uma espécie de campo experimental de novas relações sociais. Isso vale para relações em termos etnoculturais, em termos hierárquico-sociais e em termos das relações entre homens e mulheres. Na lide pastoral com comunidades da IECLB, percebe-se quão difícil isso pode ser às vezes. Uma comunidade cristã deve ser um espaço criativo, experimental para a superação de tais assimetrias rumo à constituição de uma comunidade com relações mais humanas e mais justas, de inclusão e solidariedade. É obvio que tal intento pessoal e comunitário sempre estará inscrito dentro da tensão e dos limites do simul justus et pecator. Por isso não se deve trabalhar com pressupostos e objetivos demasiadamente idealistas. A nova realidade da vivência da liberdade em gratuidade movimenta-se na tensão dialética entre ruptura e continuidade.
No espírito das celebrações de Natal, a referência à plenitude do tempo está associada ao nascimento do messias-criança Jesus. Esse tempo da plenitude salvífica, na ótica paulina, está intrinsicamente vinculado com a outorgação de liberdade plena para as pessoas que fizeram o encontro com o Cristo. A dinâmica do pensamento é similar aos textos de leitura, sobretudo de Isaías, na medida em que se supõe intervenção salvífica de Deus em favor do seu povo. Para Paulo, assumir a fé em Jesus Cristo está associado a um processo de maioridade. O apóstolo parece supor que, antes da encarnação de Deus em Jesus, os seres humanos não viviam uma condição de liberdade plena. Isso Paulo expressa com a imagem do vir-a-tornar-se filhos (e filhas). A condição anterior é entendida como uma submissão da pessoa em relação às leis da Torá e a tempos e normas designados de rudimentos do mundo (stoicheia tou kosmou v. 3). Somente pela fé em Cristo adviria o tempo da liberdade e da autonomia plena do ser humano. Essa maioridade, autonomia e liberdade são uma espécie de capacitação teológica e antropológica fundamental: a pessoa, no espírito de Jesus-filho, pode dirigir-se a Deus na forma de tratamento aba Pai. A relação de fé em Jesus coloca a pessoa crente numa relação filial com o próprio Deus. Lutero diz a respeito: Cristo é o filho; por isso aqueles que nele crêem são filhos com ele (Lutero, p. 170). Ser filho (e filha) é o caminho para assumir a liberdade e a autonomia (na fé), e isto é condição para uma vivência de novas relações que buscam a superação das assimetrias sociais. Na pregação sobre o texto, poder-se-ia buscar evitar uma demasiada contraposição entre Torá / escravidão e graça / liberdade. É verdade que isso está no espírito da Carta aos Gálatas e foi amplamente afirmado por Lutero e seguidores. Penso, contudo, que um destaque mais positivo da Torá é muito mais apropriado aos conteúdos bíblicos como um todo e faz mais jus aos esforços de viver a fé cristã após o holocausto. Afinal, a fé em Jesus Cristo não significa uma superação total da lei/Torá. A Torá não é abolida; antes, na fé em Jesus, ela é levada à plenitude. Só se pode levar à plenitude aquilo que já existe em princípio. Positivamente pode-se, pois, destacar as imagens do aio e da tutela . No caminho da pessoa rumo à liberdade, a lei/Torá é um esteio importante para conduzir a pessoa, a comunidade ou o povo para uma vivência eticamente regrada. Observância da Torá não precisa significar somente o estereotipado legalismo farisaico ou algo assim. Observar os preceitos da Torá pode ser perfeitamente uma forma de exercitar a fidelidade em relação à vontade de Deus, revelada na própria Torá. A vivência da fé cristã, na liberdade da fé e no exercício do amor, pode e deve manter a relação positiva com os preceitos da Torá, pois sem normas
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3 A Carta aos Gálatas
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orientadoras não há como concretizar uma vivência pessoal e comunitária eticamente regrada ou orientada. Não há dúvida de que, como filhos e filhas, e assim como herdeiros das promessas, nosso caminho e propósito, enquanto crentes em Deus e Jesus, é assumir a maioridade e a liberdade. Mas o nosso caminho cotidiano permanece ligado à palavra que se tornou letra na Torá. Mantém, no meu entender, uma constante dialética entre a vivência da liberdade na fé e o serviço no amor e na letra dos mandamentos éticos. Não há nisso nenhum intento de afirmar qualquer tipo de justificação por obras; justificação se dá unicamente por fé. Mas os preceitos da Torá são os indicadores para a caminhada da gente e do povo crente em Deus em meio aos percalços históricos. A Torá pode apresentar-se também na forma de evangelho (Reimer; Richter Reimer, p. 28-31).
ANO NOVO – CIRCUNCISÃO E NOME DO SENHOR SALMO 8 LUCAS 2.21 ROMANOS 1.1-7
Para a pregação, caminharia por três momentos: destaque para o momento da plenitude dos tempos, fazendo talvez uma breve avaliação das celebrações e festividades de Natal. Não caminharia muito na crítica ao modo cultural como muitos vivem o Natal; antes apostaria na chance concreta de ter uma comunidade que busca alguma forma de contato com esses conteúdos vitais; realce da plenitude dos tempos no sentido do nascimento do messias-criança; aí se dá concretamente a possibilidade para a maioridade na fé e na liberdade enquanto alvos (promessa) da caminhada da pessoa crente; a plenitude dos tempos realça de forma climática a vontade salvífica de Deus por seu povo; isto é expressão de pura graça/gratuidade; destaque positivo para o aio ou a tutela da Torá enquanto vontade expressa de Deus a seu povo; a vivência cristã necessita de orientações firmes para uma vivência ética da fé e do amor. É difícil conceber uma ética cristã que não esteja ancorada na própria Torá.
Bibliografia CRUSEMANN, F. A Torá. Leis do Antigo Testamento em perspectiva histórico-social. Tradu-
ção de Haroldo Reimer. Petrópolis: Vozes, 2002. GROSS, E. Primeiro Domingo após Natal. Gálatas 4.4-7. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1992, v. 18, p. 38-41. KLIEWER, G.U. Gálatas 4.1-7. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1983, v. 9, p. 144-9. LUTHER, M. Kommentar zum Galaterbrief. Munique; Hamburgo: Siebenstern Taschenbuch Verlag, 1968. OEPKE, A. Der Brief des Paulus an die Galater. Berlin: Evangelische Verlagsantalt, 1964. REIMER, H.; RICHTER REIMER, I. Tempos de graça. O jubileu e as tradições jubilares na Bíblia. São Leopoldo; São Paulo: Cebi; Sinodal; Paulus, 1999.
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orientadoras não há como concretizar uma vivência pessoal e comunitária eticamente regrada ou orientada. Não há dúvida de que, como filhos e filhas, e assim como herdeiros das promessas, nosso caminho e propósito, enquanto crentes em Deus e Jesus, é assumir a maioridade e a liberdade. Mas o nosso caminho cotidiano permanece ligado à palavra que se tornou letra na Torá. Mantém, no meu entender, uma constante dialética entre a vivência da liberdade na fé e o serviço no amor e na letra dos mandamentos éticos. Não há nisso nenhum intento de afirmar qualquer tipo de justificação por obras; justificação se dá unicamente por fé. Mas os preceitos da Torá são os indicadores para a caminhada da gente e do povo crente em Deus em meio aos percalços históricos. A Torá pode apresentar-se também na forma de evangelho (Reimer; Richter Reimer, p. 28-31).
ANO NOVO – CIRCUNCISÃO E NOME DO SENHOR SALMO 8 LUCAS 2.21 ROMANOS 1.1-7
Para a pregação, caminharia por três momentos: destaque para o momento da plenitude dos tempos, fazendo talvez uma breve avaliação das celebrações e festividades de Natal. Não caminharia muito na crítica ao modo cultural como muitos vivem o Natal; antes apostaria na chance concreta de ter uma comunidade que busca alguma forma de contato com esses conteúdos vitais; realce da plenitude dos tempos no sentido do nascimento do messias-criança; aí se dá concretamente a possibilidade para a maioridade na fé e na liberdade enquanto alvos (promessa) da caminhada da pessoa crente; a plenitude dos tempos realça de forma climática a vontade salvífica de Deus por seu povo; isto é expressão de pura graça/gratuidade; destaque positivo para o aio ou a tutela da Torá enquanto vontade expressa de Deus a seu povo; a vivência cristã necessita de orientações firmes para uma vivência ética da fé e do amor. É difícil conceber uma ética cristã que não esteja ancorada na própria Torá.
Bibliografia CRUSEMANN, F. A Torá. Leis do Antigo Testamento em perspectiva histórico-social. Tradu-
ção de Haroldo Reimer. Petrópolis: Vozes, 2002. GROSS, E. Primeiro Domingo após Natal. Gálatas 4.4-7. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1992, v. 18, p. 38-41. KLIEWER, G.U. Gálatas 4.1-7. In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Sinodal, 1983, v. 9, p. 144-9. LUTHER, M. Kommentar zum Galaterbrief. Munique; Hamburgo: Siebenstern Taschenbuch Verlag, 1968. OEPKE, A. Der Brief des Paulus an die Galater. Berlin: Evangelische Verlagsantalt, 1964. REIMER, H.; RICHTER REIMER, I. Tempos de graça. O jubileu e as tradições jubilares na Bíblia. São Leopoldo; São Paulo: Cebi; Sinodal; Paulus, 1999.
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2 JAN 2005
ISAÍAS 61.10-62.3 JOÃO 1.1-18
PRÉDICA: EFÉSIOS 1.3-6,15-18 Marga Ströher
1 Introdução e considerações à Carta aos Efésios 1.1 Introdução geral à Carta aos Efésios A chamada Carta aos Efésios tem mais caráter de síntese teológica, composta de liturgia e de discurso parenético, do que de carta. É também uma das mais discutidas do NT no que diz respeito à autoria e à comunidade destinatária. Essa carta não estava destinada, pelo menos não exclusivamente, à comunidade de Éfeso. A expressão em Éfeso , presente na saudação inicial da carta, falta em vários manuscritos mais antigos e relevantes para a análise textual dos escritos paulinos e é desconhecida ou contestada em várias fontes dos chamados Pais da Igreja, como Orígenes, Tertuliano, Basílio e Jerônimo. O título aos efésios deve ter entrado somente depois do fim do século II na lista do cânon. É possível que as destinatárias da carta fossem as comunidades do vale do Lico, na região da Frígia. Tíquico é enviado à comunidade para a qual essa carta é dirigida (6.21-22) e, segundo Cl 4.7-9, Tíquico e Onésimo são enviados para a comunidade de Colossos, que tem relações próximas com as comunidades de Laodicéia e Hierápolis (Cl 2.1; 4.13-16). Há evidências, inclusive, de uma possível dependência literária de Efésios em relação a Colossenses ou conjeturas de que essa tenha sido a carta enviada aos Laodicenses (hoje desconhecida). Dificilmente pode-se afirmar para qual igreja ou quais igrejas em particular a carta foi escrita; de qualquer maneira, ela foi bastante difundida entre as comunidades cristãs e consolidou-se como a Epístola aos Efésios. A característica dessa epístola é de carta circular, pois não aparecem situações ou problemas de uma comunidade em particular, não há saudações a pessoas da comunidade e há indicações de que a pessoa que escreveu essa carta não conhecia seus destinatários (1,15; 3.2; 4.20). O único nome citado é o de Tíquico, que seria o portador da mesma. Essa carta provavelmente não é de Paulo: ela menciona que a igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (2.20). Dificilmente pode-se imaginar que Paulo ou algum apóstolo ou apóstola tenha se autoproclamado como o
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fundamento da comunidade. Antes a convicção de que o único fundamento da igreja é Jesus Cristo (cf. 1 Co 3.11). A carta deve ter sido escrita para um círculo de comunidades da Ásia Menor, incluindo a comunidade de Éfeso, e faz parte da tradição teológica paulina. Há discussão na pesquisa sobre a autoria e a autenticidade paulina da carta. Alguns autores defendem que ela foi escrita por Paulo. José Comblin afirma que não há argumento decisivo de crítica externa para decidir a favor da autenticidade paulina ou não ; o conteúdo da carta é melhor compreendido a partir da situação da igreja ao redor dos anos 90 depois da Era Comum (d. E.C.) e não da época contemporânea de Paulo (Comblin, p. 7). Dois argumentos em favor disso: a) em Ef 2.20, por exemplo, pressupõe-se que os apóstolos estão mortos, pois é afirmado que a igreja está construída sobre o fundamento dos apóstolos e profetas conforme exposto acima; b) a carta é bastante geral, impessoal, não menciona pessoas na saudação e fala das pessoas da comunidade como se não as conhecesse pessoalmente: tive notícias de vossa fé no Senhor Jesus (1.1; 2.1ss; 1.15; 3.2; 3.25; 4.17). Em Atos, no entanto, temos referências a uma longa temporada de Paulo nessa comunidade, pelo menos três anos (At 19.10; 20.30-31; cf. 18.18-21), o que faria com que tivesse uma vinculação pessoal com ela. Em Efésios, não há sinal de um episcopado já estabelecido nas igrejas; não há grande preocupação pelos desvios de doutrina e pelo ensino dos chamados falsos mestres (de outra doutrina), presente nas Cartas Pastorais e nas cartas de Inácio de Antioquia. Também não há referência explícita a perseguições o que pode ser uma indicação de a carta ser anterior às Pastorais, às cartas de Inácio de Antioquia e às perseguições de Domiciano. O autor da Carta aos Efésios é o mesmo ou conhecia a Carta aos Colossenses. Se não é possível afirmar uma dependência dessa carta, podese indicar uma influência da Carta aos Colossenses sobre a Carta aos Efésios. A carta parece que reescreve a Carta aos Colossenses, fazendo uma releitura da mesma, ampliando alguns conceitos, como a eclesiologia aqui vinculada em boa parte ao modelo de família patriarcal. A Carta aos Efésios está construída basicamente em dois blocos: um com desenvolvimento teológico mais dogmático, intercalado com a linguagem discursiva e litúrgica, e outro mais prático, com diversas parêneses e recomendações familiares e comunitárias. A primeira parte da carta (cap. 13) apresenta a estrutura litúrgica judaica: louvor/bênção; ação de graças; doxologia. Em termos de gênero literário, a carta apresenta várias citações do Antigo Testamento, autobiografia (3.1-13), parêneses (vícios: 4.31; 5.3-5; virtudes: 4.23; 4.32-5.2 (5.9); catálogo de comportamento familiar/código doméstico: 5.22-6.9; exortação à luta espiritual: 6.10-17), hino (1.3-14).
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PRÉDICA: EFÉSIOS 1.3-6,15-18 Marga Ströher
1 Introdução e considerações à Carta aos Efésios 1.1 Introdução geral à Carta aos Efésios A chamada Carta aos Efésios tem mais caráter de síntese teológica, composta de liturgia e de discurso parenético, do que de carta. É também uma das mais discutidas do NT no que diz respeito à autoria e à comunidade destinatária. Essa carta não estava destinada, pelo menos não exclusivamente, à comunidade de Éfeso. A expressão em Éfeso , presente na saudação inicial da carta, falta em vários manuscritos mais antigos e relevantes para a análise textual dos escritos paulinos e é desconhecida ou contestada em várias fontes dos chamados Pais da Igreja, como Orígenes, Tertuliano, Basílio e Jerônimo. O título aos efésios deve ter entrado somente depois do fim do século II na lista do cânon. É possível que as destinatárias da carta fossem as comunidades do vale do Lico, na região da Frígia. Tíquico é enviado à comunidade para a qual essa carta é dirigida (6.21-22) e, segundo Cl 4.7-9, Tíquico e Onésimo são enviados para a comunidade de Colossos, que tem relações próximas com as comunidades de Laodicéia e Hierápolis (Cl 2.1; 4.13-16). Há evidências, inclusive, de uma possível dependência literária de Efésios em relação a Colossenses ou conjeturas de que essa tenha sido a carta enviada aos Laodicenses (hoje desconhecida). Dificilmente pode-se afirmar para qual igreja ou quais igrejas em particular a carta foi escrita; de qualquer maneira, ela foi bastante difundida entre as comunidades cristãs e consolidou-se como a Epístola aos Efésios. A característica dessa epístola é de carta circular, pois não aparecem situações ou problemas de uma comunidade em particular, não há saudações a pessoas da comunidade e há indicações de que a pessoa que escreveu essa carta não conhecia seus destinatários (1,15; 3.2; 4.20). O único nome citado é o de Tíquico, que seria o portador da mesma. Essa carta provavelmente não é de Paulo: ela menciona que a igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (2.20). Dificilmente pode-se imaginar que Paulo ou algum apóstolo ou apóstola tenha se autoproclamado como o
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fundamento da comunidade. Antes a convicção de que o único fundamento da igreja é Jesus Cristo (cf. 1 Co 3.11). A carta deve ter sido escrita para um círculo de comunidades da Ásia Menor, incluindo a comunidade de Éfeso, e faz parte da tradição teológica paulina. Há discussão na pesquisa sobre a autoria e a autenticidade paulina da carta. Alguns autores defendem que ela foi escrita por Paulo. José Comblin afirma que não há argumento decisivo de crítica externa para decidir a favor da autenticidade paulina ou não ; o conteúdo da carta é melhor compreendido a partir da situação da igreja ao redor dos anos 90 depois da Era Comum (d. E.C.) e não da época contemporânea de Paulo (Comblin, p. 7). Dois argumentos em favor disso: a) em Ef 2.20, por exemplo, pressupõe-se que os apóstolos estão mortos, pois é afirmado que a igreja está construída sobre o fundamento dos apóstolos e profetas conforme exposto acima; b) a carta é bastante geral, impessoal, não menciona pessoas na saudação e fala das pessoas da comunidade como se não as conhecesse pessoalmente: tive notícias de vossa fé no Senhor Jesus (1.1; 2.1ss; 1.15; 3.2; 3.25; 4.17). Em Atos, no entanto, temos referências a uma longa temporada de Paulo nessa comunidade, pelo menos três anos (At 19.10; 20.30-31; cf. 18.18-21), o que faria com que tivesse uma vinculação pessoal com ela. Em Efésios, não há sinal de um episcopado já estabelecido nas igrejas; não há grande preocupação pelos desvios de doutrina e pelo ensino dos chamados falsos mestres (de outra doutrina), presente nas Cartas Pastorais e nas cartas de Inácio de Antioquia. Também não há referência explícita a perseguições o que pode ser uma indicação de a carta ser anterior às Pastorais, às cartas de Inácio de Antioquia e às perseguições de Domiciano. O autor da Carta aos Efésios é o mesmo ou conhecia a Carta aos Colossenses. Se não é possível afirmar uma dependência dessa carta, podese indicar uma influência da Carta aos Colossenses sobre a Carta aos Efésios. A carta parece que reescreve a Carta aos Colossenses, fazendo uma releitura da mesma, ampliando alguns conceitos, como a eclesiologia aqui vinculada em boa parte ao modelo de família patriarcal. A Carta aos Efésios está construída basicamente em dois blocos: um com desenvolvimento teológico mais dogmático, intercalado com a linguagem discursiva e litúrgica, e outro mais prático, com diversas parêneses e recomendações familiares e comunitárias. A primeira parte da carta (cap. 13) apresenta a estrutura litúrgica judaica: louvor/bênção; ação de graças; doxologia. Em termos de gênero literário, a carta apresenta várias citações do Antigo Testamento, autobiografia (3.1-13), parêneses (vícios: 4.31; 5.3-5; virtudes: 4.23; 4.32-5.2 (5.9); catálogo de comportamento familiar/código doméstico: 5.22-6.9; exortação à luta espiritual: 6.10-17), hino (1.3-14).
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1.2 Temas principais
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história traditiva da mesma tem como fundamento a diversidade, tal qual é afirmado na carta, mas também há elementos que evocam a uniformidade. A cristologia em Efésios, pelo menos em seu desdobramento prático, aparece vinculada às regras de comportamento familiar vigentes na sociedade, que se tornaram regras de relações comunitárias das igrejas na casa. A fundamentação ética em Efésios é desenvolvida a partir da eclesiologia, e esta se desenvolve a partir da cristologia, que têm como ponto de convergência o corpo (Wendland, p. 108). Este corpo, no entanto, tem uma cabeça, à qual se deve se subordinar. E, assim como Cristo é cabeça do corpo, algumas pessoas podem ser cabeça sobre outros membros da comunidade. Especialmente o homem sobre a mulher, mas também o pai sobre as crianças e os senhores sobre escravas e escravos. Uma outra cristologia, concebida de maneira hierárquica, reforçada com a entrada dos códigos domésticos, demonstra que as comunidades cristãs passam por um processo de patriarcalização.
A Carta aos Efésios tem como foco central a igreja. Uma das preocupações centrais dessa carta é com a unidade comunitária, concebida a partir dos conceitos básicos de fé e espiritualidade comum e da unidade dos diversos ministérios (4.1-16). A proposta de unidade familiar entra como uma das formas de preservar a unidade mais ampla: a unidade familiar está ligada à unidade comunitária (o privado se faz público). Isto se mostra no código doméstico (5.[21] 22-6.9), que trata de normas para a vida doméstica, ou seja, dos deveres das mulheres, homens, crianças, pais; escravos/escravas e senhores, segundo o modelo patriarcal. A família patriarcal é colocada como parâmetro para entender a relação entre Cristo e a igreja. A comunidade é entendida como um corpo, porém com uma cabeça. Nas cartas de Paulo às comunidades de Corinto e Roma, a idéia de Cristo e/ou a igreja como corpo ainda não aparece ligada a concepções hierárquicas de funcionamento e funções. O corpo é concebido como uma realidade dinâmica, com participação dinâmica da diversidade de suas partes conquanto muitos somos um só corpo em Cristo... tendo diferentes dons e a mútua solidariedade como membros uns dos outros (Rm 12. 3-8; 1 Co 12). A concepção de igreja na Carta aos Efésios, portanto, é menos dinâmica e mais centralizadora em relação a 1 Coríntios e Romanos. Em Paulo, a idéia do corpo, como metáfora relacionada à comunidade, aparece como corpo dinâmico e integral, incluindo a cabeça, que somente funciona com a cooperação e o serviço de cada membro (1 Co 12 e Rm 12). A comunidade forma o corpo completo, integral. Em Efésios, assim como em Colossenses, essa idéia paulina do corpo está presente. Em Ef 4.11-13, por exemplo, os dons e ministérios na comunidade apóstolas, profetas, evangelistas, pastores, mestres são compreendidos como concedidos pelo próprio Cristo, com o objetivo do aperfeiçoamento das santas e dos santos para o desempenho do serviço de Cristo, a edificação do corpo de Cristo, a unidade na fé e o pleno conhecimento do Filho de Deus. A unidade da igreja, como corpo de Cristo, é construída sobre a unidade da fé, da esperança e do amor (Ef 4.4; 5.15) Na Carta aos Efésios, a comunidade é vista como corpo, que é bem ajustado por toda junta e pela cooperação de cada parte para o crescimento e a edificação de Cristo. Esse crescimento, porém, somente se dá a partir da cabeça, que é Cristo (Ef 4.16; cf. Cl 2.19). No decorrer do desenvolvimento temático e prático da carta, contudo, a ênfase está mais na divisão desse corpo em partes diferentes, pelo menos em cabeça e outros membros, ou pela justaposição de suas partes. Cristo não é mais o corpo completo e dinâmico, mas é a cabeça desse corpo. Cabeça e corpo estão separados; o corpo está fragmentado e hierarquizado. Com isso podemos perceber que nem tudo o que é concebido como unidade nessa carta e nas interpretações da
Um dos temas de reflexão dessa perícope poderia concentrar-se no tema da esperança. Na formulação do v. 18, menciona-se a esperança da vocação, do chamamento. O texto apresenta enfoques muito interessantes. A vocação é chamado, convocação, e não se restringe ao talento. Chamar, convocar é o significado de kalein, a raiz de ekklesia chamado, convocação para reunir-se, assembléia, igreja. Portanto, o vínculo com a igreja é interpretado como chamado e vocação. Este chamado acontece a partir da
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2 O texto da pregação 2.1 O texto em seu contexto da carta O texto proposto de Ef 1.3-6 e 15-18 faz parte de duas partes litúrgicas da Carta aos Efésios: o hino litúrgico de 1.3-14 e a oração de ação de graças e intercessão por sabedoria de 1.15-18. O hino louva a Deus por sua obra de salvação, revelação e redenção, evidenciando a graça e o amor filial de Deus através de Jesus Cristo às cristãs e aos cristãos como escolhidos e chamados por ele, e daí a sua vinculação espiritual com Jesus. Aqui há um acento no conhecimento dessa revelação, dada pela luz espiritual, que conduz à sabedoria e à revelação de Deus (1.17-18). O conjunto do texto de Ef 1.15-23 apresenta um eixo de uma visão de Cristo presente e atuante no cosmo (cristologia cósmica), de Cristo como vencedor de todo principado, potestade, poder e domínio e da supremacia de Cristo sobre todas as coisas e como cabeça da igreja, o corpo de Cristo. 2.2 A esperança que serve de horizonte para o nosso caminhar
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1.2 Temas principais
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história traditiva da mesma tem como fundamento a diversidade, tal qual é afirmado na carta, mas também há elementos que evocam a uniformidade. A cristologia em Efésios, pelo menos em seu desdobramento prático, aparece vinculada às regras de comportamento familiar vigentes na sociedade, que se tornaram regras de relações comunitárias das igrejas na casa. A fundamentação ética em Efésios é desenvolvida a partir da eclesiologia, e esta se desenvolve a partir da cristologia, que têm como ponto de convergência o corpo (Wendland, p. 108). Este corpo, no entanto, tem uma cabeça, à qual se deve se subordinar. E, assim como Cristo é cabeça do corpo, algumas pessoas podem ser cabeça sobre outros membros da comunidade. Especialmente o homem sobre a mulher, mas também o pai sobre as crianças e os senhores sobre escravas e escravos. Uma outra cristologia, concebida de maneira hierárquica, reforçada com a entrada dos códigos domésticos, demonstra que as comunidades cristãs passam por um processo de patriarcalização.
A Carta aos Efésios tem como foco central a igreja. Uma das preocupações centrais dessa carta é com a unidade comunitária, concebida a partir dos conceitos básicos de fé e espiritualidade comum e da unidade dos diversos ministérios (4.1-16). A proposta de unidade familiar entra como uma das formas de preservar a unidade mais ampla: a unidade familiar está ligada à unidade comunitária (o privado se faz público). Isto se mostra no código doméstico (5.[21] 22-6.9), que trata de normas para a vida doméstica, ou seja, dos deveres das mulheres, homens, crianças, pais; escravos/escravas e senhores, segundo o modelo patriarcal. A família patriarcal é colocada como parâmetro para entender a relação entre Cristo e a igreja. A comunidade é entendida como um corpo, porém com uma cabeça. Nas cartas de Paulo às comunidades de Corinto e Roma, a idéia de Cristo e/ou a igreja como corpo ainda não aparece ligada a concepções hierárquicas de funcionamento e funções. O corpo é concebido como uma realidade dinâmica, com participação dinâmica da diversidade de suas partes conquanto muitos somos um só corpo em Cristo... tendo diferentes dons e a mútua solidariedade como membros uns dos outros (Rm 12. 3-8; 1 Co 12). A concepção de igreja na Carta aos Efésios, portanto, é menos dinâmica e mais centralizadora em relação a 1 Coríntios e Romanos. Em Paulo, a idéia do corpo, como metáfora relacionada à comunidade, aparece como corpo dinâmico e integral, incluindo a cabeça, que somente funciona com a cooperação e o serviço de cada membro (1 Co 12 e Rm 12). A comunidade forma o corpo completo, integral. Em Efésios, assim como em Colossenses, essa idéia paulina do corpo está presente. Em Ef 4.11-13, por exemplo, os dons e ministérios na comunidade apóstolas, profetas, evangelistas, pastores, mestres são compreendidos como concedidos pelo próprio Cristo, com o objetivo do aperfeiçoamento das santas e dos santos para o desempenho do serviço de Cristo, a edificação do corpo de Cristo, a unidade na fé e o pleno conhecimento do Filho de Deus. A unidade da igreja, como corpo de Cristo, é construída sobre a unidade da fé, da esperança e do amor (Ef 4.4; 5.15) Na Carta aos Efésios, a comunidade é vista como corpo, que é bem ajustado por toda junta e pela cooperação de cada parte para o crescimento e a edificação de Cristo. Esse crescimento, porém, somente se dá a partir da cabeça, que é Cristo (Ef 4.16; cf. Cl 2.19). No decorrer do desenvolvimento temático e prático da carta, contudo, a ênfase está mais na divisão desse corpo em partes diferentes, pelo menos em cabeça e outros membros, ou pela justaposição de suas partes. Cristo não é mais o corpo completo e dinâmico, mas é a cabeça desse corpo. Cabeça e corpo estão separados; o corpo está fragmentado e hierarquizado. Com isso podemos perceber que nem tudo o que é concebido como unidade nessa carta e nas interpretações da
Um dos temas de reflexão dessa perícope poderia concentrar-se no tema da esperança. Na formulação do v. 18, menciona-se a esperança da vocação, do chamamento. O texto apresenta enfoques muito interessantes. A vocação é chamado, convocação, e não se restringe ao talento. Chamar, convocar é o significado de kalein, a raiz de ekklesia chamado, convocação para reunir-se, assembléia, igreja. Portanto, o vínculo com a igreja é interpretado como chamado e vocação. Este chamado acontece a partir da
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2 O texto da pregação 2.1 O texto em seu contexto da carta O texto proposto de Ef 1.3-6 e 15-18 faz parte de duas partes litúrgicas da Carta aos Efésios: o hino litúrgico de 1.3-14 e a oração de ação de graças e intercessão por sabedoria de 1.15-18. O hino louva a Deus por sua obra de salvação, revelação e redenção, evidenciando a graça e o amor filial de Deus através de Jesus Cristo às cristãs e aos cristãos como escolhidos e chamados por ele, e daí a sua vinculação espiritual com Jesus. Aqui há um acento no conhecimento dessa revelação, dada pela luz espiritual, que conduz à sabedoria e à revelação de Deus (1.17-18). O conjunto do texto de Ef 1.15-23 apresenta um eixo de uma visão de Cristo presente e atuante no cosmo (cristologia cósmica), de Cristo como vencedor de todo principado, potestade, poder e domínio e da supremacia de Cristo sobre todas as coisas e como cabeça da igreja, o corpo de Cristo. 2.2 A esperança que serve de horizonte para o nosso caminhar
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esperança: tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos (1.18). A esperança não está colocada como esperar passivamente pelas coisas e ações, mas como atitude. Esperança como atitude nos torna membros ativos e nos conecta a projetos de esperança. Sobretudo em nosso contexto, marcado por projetos de morte, que geram violência, injustiças, guerras, fome, desemprego, estruturas de educação e saúde precárias, caracterizando a sociedade pela não-esperança, quando não pelo desespero, a igreja é convocada para demonstrar a esperança de seu chamamento. Essa mesma idéia aparece em Ef 4.4, indicando que é a própria esperança que favorece a unidade comunitária: há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação. A unidade da igreja, corpo de Cristo, é construída sobre a unidade da fé, da esperança e do amor (Ef 4.4; 5.15), e estes são o fundamento da atuação cristã, colocando sinais de esperança no mundo. A afirmação da esperança como marca ou mesmo distinção da comunidade cristã também provoca uma pergunta: no que consiste a esperança cristã? A esperança como atitude destaca a sua dimensão ética, de convocação para a prática da justiça e a libertação de escravidões, o sentido do termo grego de redenção (1.7) , sejam econômicas, espirituais, sociais, pessoais, das relações malcuidadas, de discriminações racistas e sexistas, da condição física e mental, da mídia, de estruturas opressoras. A esperança é o que nos faz caminhar, que nos alenta para superar essas amarras e condicionamentos e nos convoca e vocaciona a abrir horizontes novos e práticas renovadas no plano pessoal, social e comunitário.
A pregação desse texto está prevista para o domingo anterior à Epifania o tempo de aparição, de manifestação, de revelação do significado da intervenção salvadora de Deus na realidade humana. No tempo de Epifania, lembra-se a revelação de Deus em Jesus Cristo, o tempo das luzes, da revelação da sabedoria de Deus ao mundo e do conhecimento dessa revelação. É tempo de observar o curso das estrelas no céu como os magos e contemplar luzes em estrebarias na terra. O texto de pregação aponta para o acontecimento Deus na realidade humana (em Jesus Cristo), a sua encarnação e a redenção (que literalmente quer dizer libertar-se da escravidão), bem como os textos indicados para leituras. Versículo de saudação do culto: Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8.12).
Confissão/unção Estrela-guia... D: Poderoso Deus, que enviaste uma estrela para guiar teu povo ao Menino, confessamos que não temos seguido a luz de Tua Palavra. C: Não temos buscado os sinais de teu amor no mundo ou dado crédito à bondade do evangelho. D: Temos falhado em não louvar com nossa alma o nascimento de Teu Filho e temos afastado a Sua paz de nossa terra. C: Perdoa nossos pecados e renova em nós toda boa vontade para transformar nosso mundo em teu reino. Amém. (Paulo Roberto Rodrigues). Deus amou tanto o mundo... Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho. As estrelas do céu falam-nos de seu perdão ao brilhar nas noites escuras de nossas vidas. (Inês de França Bento) Conforme Rubem Alves (Org.). Culto Arte (p. 66). Leituras dos textos indicados Versículo de aclamação às leituras: Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para meu caminho (Sl 119.105). O texto de pregação Pode-se incluir os versículos 7 a 14 na leitura do texto e na reflexão. O eixo da reflexão poderia ser a esperança. Sugiro trabalhar o texto de forma litúrgica, preservando, assim, sua característica original. Iniciar com a leitura do texto de forma bem pausada (a). Depois, repetir a leitura (b), intercalando os versículos indicados com pequenas reflexões (frases reflexivas) e cantos (c). Por fim, fazer uma pequena reflexão sobre a esperança e convidar a comunidade para participar, levantando desafios concretos de esperança e epifania de Jesus no mundo (d). A seguir, uma sugestão de roteiro para concretizar essa proposta: Roteiro Canto: Em ti, ó Deus, nossos olhos esperam. Em ti, ó Deus, nossos olhos esperam. a) Leitura completa da perícope de Efésios b) Leitura intercalada da perícope (com cantos e pequenas reflexões) Canto: Caminhamos pela luz de Deus (HPD 2, 463). Leitura do v. 3 Canto: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Leitura dos v. 4-6 Canto: Louvemos todos juntos, o nome do Senhor, Louvemos todas juntas, o nome do Senhor. Leitura dos v. 15-16 Canto: Graças, Senhor! Graças, Senhor! Por tua bondade, teu poder, teu amor: Graças, Senhor!
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3 Subsídios para uso do texto na celebração comunitária
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esperança: tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos (1.18). A esperança não está colocada como esperar passivamente pelas coisas e ações, mas como atitude. Esperança como atitude nos torna membros ativos e nos conecta a projetos de esperança. Sobretudo em nosso contexto, marcado por projetos de morte, que geram violência, injustiças, guerras, fome, desemprego, estruturas de educação e saúde precárias, caracterizando a sociedade pela não-esperança, quando não pelo desespero, a igreja é convocada para demonstrar a esperança de seu chamamento. Essa mesma idéia aparece em Ef 4.4, indicando que é a própria esperança que favorece a unidade comunitária: há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação. A unidade da igreja, corpo de Cristo, é construída sobre a unidade da fé, da esperança e do amor (Ef 4.4; 5.15), e estes são o fundamento da atuação cristã, colocando sinais de esperança no mundo. A afirmação da esperança como marca ou mesmo distinção da comunidade cristã também provoca uma pergunta: no que consiste a esperança cristã? A esperança como atitude destaca a sua dimensão ética, de convocação para a prática da justiça e a libertação de escravidões, o sentido do termo grego de redenção (1.7) , sejam econômicas, espirituais, sociais, pessoais, das relações malcuidadas, de discriminações racistas e sexistas, da condição física e mental, da mídia, de estruturas opressoras. A esperança é o que nos faz caminhar, que nos alenta para superar essas amarras e condicionamentos e nos convoca e vocaciona a abrir horizontes novos e práticas renovadas no plano pessoal, social e comunitário.
A pregação desse texto está prevista para o domingo anterior à Epifania o tempo de aparição, de manifestação, de revelação do significado da intervenção salvadora de Deus na realidade humana. No tempo de Epifania, lembra-se a revelação de Deus em Jesus Cristo, o tempo das luzes, da revelação da sabedoria de Deus ao mundo e do conhecimento dessa revelação. É tempo de observar o curso das estrelas no céu como os magos e contemplar luzes em estrebarias na terra. O texto de pregação aponta para o acontecimento Deus na realidade humana (em Jesus Cristo), a sua encarnação e a redenção (que literalmente quer dizer libertar-se da escravidão), bem como os textos indicados para leituras. Versículo de saudação do culto: Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8.12).
Confissão/unção Estrela-guia... D: Poderoso Deus, que enviaste uma estrela para guiar teu povo ao Menino, confessamos que não temos seguido a luz de Tua Palavra. C: Não temos buscado os sinais de teu amor no mundo ou dado crédito à bondade do evangelho. D: Temos falhado em não louvar com nossa alma o nascimento de Teu Filho e temos afastado a Sua paz de nossa terra. C: Perdoa nossos pecados e renova em nós toda boa vontade para transformar nosso mundo em teu reino. Amém. (Paulo Roberto Rodrigues). Deus amou tanto o mundo... Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho. As estrelas do céu falam-nos de seu perdão ao brilhar nas noites escuras de nossas vidas. (Inês de França Bento) Conforme Rubem Alves (Org.). Culto Arte (p. 66). Leituras dos textos indicados Versículo de aclamação às leituras: Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para meu caminho (Sl 119.105). O texto de pregação Pode-se incluir os versículos 7 a 14 na leitura do texto e na reflexão. O eixo da reflexão poderia ser a esperança. Sugiro trabalhar o texto de forma litúrgica, preservando, assim, sua característica original. Iniciar com a leitura do texto de forma bem pausada (a). Depois, repetir a leitura (b), intercalando os versículos indicados com pequenas reflexões (frases reflexivas) e cantos (c). Por fim, fazer uma pequena reflexão sobre a esperança e convidar a comunidade para participar, levantando desafios concretos de esperança e epifania de Jesus no mundo (d). A seguir, uma sugestão de roteiro para concretizar essa proposta: Roteiro Canto: Em ti, ó Deus, nossos olhos esperam. Em ti, ó Deus, nossos olhos esperam. a) Leitura completa da perícope de Efésios b) Leitura intercalada da perícope (com cantos e pequenas reflexões) Canto: Caminhamos pela luz de Deus (HPD 2, 463). Leitura do v. 3 Canto: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Leitura dos v. 4-6 Canto: Louvemos todos juntos, o nome do Senhor, Louvemos todas juntas, o nome do Senhor. Leitura dos v. 15-16 Canto: Graças, Senhor! Graças, Senhor! Por tua bondade, teu poder, teu amor: Graças, Senhor!
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3 Subsídios para uso do texto na celebração comunitária
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Leitura do v. 17 Canto: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Leitura do v. 18 Canto: Dá-nos esperança e paz, dá-nos bênção, dá-nos fé, dá-nos a luz do teu olhar, dá-nos teu amor. c) Pequena reflexão sobre a esperança e a epifania de Jesus, incluindo a comunidade Canto da esperança (HPD 2, 438) Sugestão de canto de despedida e envio da comunidade: Vamos agora em paz (HPD 2, 374)
Bibliografia ALVES, Rubem (Org.). Culto Arte: Celebrando a vida Advento/Natal/Epifania. Campinas: CEBEP, Petrópolis: Vozes, 1999. BANKS, Robert. Paul s idea of community: the early house churches in their cultural setting. 2. ed. rev. Peabody (Massachusetts): Hendrickson Publishers, 1994. 233 p. COMBLIN, José. Epístola aos Efésios. Petrópolis: Vozes/Imprensa Metodista/Sinodal, 1987. 111 p. (Comentário Bíblico, NT). FOULKES, Francis. Efésios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, Mundo Cristão, [198-], 150 p. (Série Cultura Bíblica, 10). SCHLIER, Heinrich. Carta a los Efésios: comentário. Salamanca: Sígueme, 1991. 415 p. (Biblioteca de Estudios Bíblicos, 71). WENDLAND, Heinz-Dietrich. Ética do Novo Testamento: uma introdução. 2. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1981.
EPIFANIA DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 60.1-6 MATEUS 2.1-12 EFÉSIOS 3.2-12
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1o DOMINGO APÓS EPIFANIA BATISMO DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 42.1-7 ATOS 10.34-38
9 JAN 2005
PRÉDICA: MATEUS 3.13-17 Albérico Baeske
Saudando as pastoras da IECLB que trabalham na Amazônia Legal; sua disposição e seu despojamento nos questionam e animam.
1 Recordando o Batismo 1 Existem paróquias que celebram este domingo como dia comunitário de recordação do Batismo. Isto é um bom hábito; ele possui raízes na história litúrgica da Igreja Universal. Urge que sejamos lembrados e lembradas de que fomos batizados e batizadas. Naturalmente, tal evento anual único não substitui o cantus firmus da pregação do evangelho de Jesus Cristo. Este reside em convencer as pessoas para que se deixem batizar, dando elas assim publicamente razão a Jesus Cristo e não a si mesmas (cf., p. ex., At passim), ou em descrever às pessoas batizadas as conseqüências individuais e familiares, comunitárias e eclesiais, econômicas e sociopolíticas decorrentes do Batismo, exortando-as assim a vivenciar seu status (cf., p. ex., Rm 6 e 1 Pe). Recordar uma vez ao ano que fomos batizados em absoluto é próprio do evangelho. Todavia, é melhor do que corroborar a idéia de que o Batismo seja um rito mágico de passagem para o bem-estar de recém-nascidos, uma cerimônia que ornamenta sua entrada na vida com arabescos religiosos, os quais as famílias solicitam ou exigem, e a comunidade, caso esteja presente, contempla sentimentalmente. Ato, pois, que parece não ter nada a ver com a gente quando se é adulto. O que é reforçado pelo hábito antievangélico de realizar batismos sem prédicas explicativas. Tudo indica que quanto mais bebês se batizam na IECLB tanto menos se prega sobre o Batismo. 2 Essa situação revela às quantas andam proclamação e vivência do evangelho em nosso meio. A situação é séria, justamente quando se tem claro que os efeitos de atuais omissões da igreja vêm sempre trinta anos depois (K. Barth). Para enfrentá-la, pouco ajuda repristinar ou engenhar moldurações litúrgicas do Batismo na acepção igrejeira; menos ainda repetições do rito. Jeito apenas há no entranhamento paciente e persistente nos
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Leitura do v. 17 Canto: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra. Leitura do v. 18 Canto: Dá-nos esperança e paz, dá-nos bênção, dá-nos fé, dá-nos a luz do teu olhar, dá-nos teu amor. c) Pequena reflexão sobre a esperança e a epifania de Jesus, incluindo a comunidade Canto da esperança (HPD 2, 438) Sugestão de canto de despedida e envio da comunidade: Vamos agora em paz (HPD 2, 374)
Bibliografia ALVES, Rubem (Org.). Culto Arte: Celebrando a vida Advento/Natal/Epifania. Campinas: CEBEP, Petrópolis: Vozes, 1999. BANKS, Robert. Paul s idea of community: the early house churches in their cultural setting. 2. ed. rev. Peabody (Massachusetts): Hendrickson Publishers, 1994. 233 p. COMBLIN, José. Epístola aos Efésios. Petrópolis: Vozes/Imprensa Metodista/Sinodal, 1987. 111 p. (Comentário Bíblico, NT). FOULKES, Francis. Efésios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, Mundo Cristão, [198-], 150 p. (Série Cultura Bíblica, 10). SCHLIER, Heinrich. Carta a los Efésios: comentário. Salamanca: Sígueme, 1991. 415 p. (Biblioteca de Estudios Bíblicos, 71). WENDLAND, Heinz-Dietrich. Ética do Novo Testamento: uma introdução. 2. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1981.
EPIFANIA DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 60.1-6 MATEUS 2.1-12 EFÉSIOS 3.2-12
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1o DOMINGO APÓS EPIFANIA BATISMO DE NOSSO SENHOR ISAÍAS 42.1-7 ATOS 10.34-38
9 JAN 2005
PRÉDICA: MATEUS 3.13-17 Albérico Baeske
Saudando as pastoras da IECLB que trabalham na Amazônia Legal; sua disposição e seu despojamento nos questionam e animam.
1 Recordando o Batismo 1 Existem paróquias que celebram este domingo como dia comunitário de recordação do Batismo. Isto é um bom hábito; ele possui raízes na história litúrgica da Igreja Universal. Urge que sejamos lembrados e lembradas de que fomos batizados e batizadas. Naturalmente, tal evento anual único não substitui o cantus firmus da pregação do evangelho de Jesus Cristo. Este reside em convencer as pessoas para que se deixem batizar, dando elas assim publicamente razão a Jesus Cristo e não a si mesmas (cf., p. ex., At passim), ou em descrever às pessoas batizadas as conseqüências individuais e familiares, comunitárias e eclesiais, econômicas e sociopolíticas decorrentes do Batismo, exortando-as assim a vivenciar seu status (cf., p. ex., Rm 6 e 1 Pe). Recordar uma vez ao ano que fomos batizados em absoluto é próprio do evangelho. Todavia, é melhor do que corroborar a idéia de que o Batismo seja um rito mágico de passagem para o bem-estar de recém-nascidos, uma cerimônia que ornamenta sua entrada na vida com arabescos religiosos, os quais as famílias solicitam ou exigem, e a comunidade, caso esteja presente, contempla sentimentalmente. Ato, pois, que parece não ter nada a ver com a gente quando se é adulto. O que é reforçado pelo hábito antievangélico de realizar batismos sem prédicas explicativas. Tudo indica que quanto mais bebês se batizam na IECLB tanto menos se prega sobre o Batismo. 2 Essa situação revela às quantas andam proclamação e vivência do evangelho em nosso meio. A situação é séria, justamente quando se tem claro que os efeitos de atuais omissões da igreja vêm sempre trinta anos depois (K. Barth). Para enfrentá-la, pouco ajuda repristinar ou engenhar moldurações litúrgicas do Batismo na acepção igrejeira; menos ainda repetições do rito. Jeito apenas há no entranhamento paciente e persistente nos
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testemunhos neotestamentários e reformatórios a respeito do Batismo. Enfatiza-se como imprescindível para um estudo acurado e comprometedor, quanto aos primeiros, G. Barth (veja: Recomendações bibliográficas), e quanto aos segundos, M. Lutero (veja: ibidem). Quem se enfronha aí toma pé no que é o Batismo e o que significa ter sido batizado para a vida que vivemos no corpo e em suas relações. Oxalá lutemos por clarividência teológica com respeito a esse meio da livre poderosa graça de Deus. Sem clareza exegética e alicerce confessional, contribuímos tão-somente para o lusco-fusco igrejeiro quanto ao Batismo. Com eles sentiremos a necessidade inadiável de catequese e pastoral batismais. No desempenho das mesmas, é central comunicar o que Deus faz com as pessoas que são batizadas. A prática igrejeira, corrente entre nós, no entanto, é declaratória e não existencial. O valor vital único do Batismo está sendo obscurecido, sim, suprido pela execução esquemática e artificiosa de uma cerimônia igrejeira. Consciências despertadas por testemunhos bíblicos e confessionais e aterrorizadas quando confrontadas com o Abtaufen [batizar por série, ao estilo vapt-vupt, de maneira formal e irrefletida, com o resultado de que as pessoas acabam ficando fora da comunidade] em vez do Hineintaufen [batizar de maneira consciente e compromissada para dentro de Jesus Cristo e sua comunidade] (E. Thurneysen) precisam ser confortadas. Aqui prestam auxílio os da família da fé (Gl 6.10) na África e na Ásia. Também, nesse contexto, está mais do que na hora de trocarmos nossa fixação no Hemisfério Norte pelo olhar atento para o Sul. Nosso norteamento afunda-nos sempre mais nas brumas concernentes ao Batismo, enquanto cristãos e cristãs da outra parte do Terceiro Mundo nos alertam e desafiam: Coragem isto nos dará, fraqueza vencerá (Hinos do Povo de Deus / HPD 1, 98.4). 3 O testemunho desses familiares da fé é quase desconhecido em nossas plagas. Daí informações que estimulam uma pastoral batismal, tão premente entre nós (para detalhes, veja: Recomendações bibliográficas W. Freytag e G. F. Vicedom): a O Batismo é mais importante do que o nascimento. Um europeu perguntou a um velho africano sua idade. Este respondeu: Tenho dois anos . O europeu, perplexo: Como, dois anos? . O velho, radiante: Fui batizado dois anos atrás! . b O Batismo nos assevera extra nos que Deus nos quer bem. Idéias profundas, até cristãs, declarações de amor a Jesus, além de permitir uma vida dupla, não nos asseguram a benevolência recriadora de Deus. Exclusivamente pelo Batismo público, com muita água e rodeado pela comunidade, ocorre a ruptura com a velha existência e, concomitantemente, o surgimento do novo ser. Eis o que testificam indianos. Zulus denominam o Batismo de o grande vau, o único lugar onde se pode passar para o outro lado : da velha vida para a nova, deste mundo para o reino de Deus, da morte para a vida.
c O Batismo envolve a abrenunciação da vida antiga com seus esconderijos, ídolos e tramóias. Por isso, na véspera do Batismo, batizandos na África e na Ásia abrem de maneira total sua vida até então perante confessores particulares ou a comunidade reunida e pedem a absolvição em nome de Deus. E a comunidade preocupa-se poimenicamente com cada um dos batizandos. d O Batismo determina toda a vida. O mencionado ancião africano o entendeu. Irmãos e irmãs dele se dão nomes por ocasião do Batismo. Como: Deus me carrega , uma pessoa nova , eu fui acrescentada ao povo de Deus . Doravante insistem que se use esse nome. Não atendem pelo velho. Quando chamados pelo novo, lembram-se: crer em Jesus Cristo é viver de modo diferente do que todo mundo vive. E o pessoal que chama ou escuta chamar aquele nome está sendo constantemente questionado: que vida nós estamos levando? Um missionário papua explica: Mediante o Batismo, Deus coloca as pessoas batizadas em sua mochila; assim lhe pertencem. Ele cuida delas em corpo e alma. Quando se perdem, ele as procura de novo . e Batismo leva à vida eterna. Batizados de Papua-Nova Guiné testemunham após o Batismo aos não-batizados: Antes do Batismo, temíamos a morte como vocês. Igual a esta pedra aqui queríamos ficar sempre em cima da terra. Nós não tínhamos nenhuma esperança de vida eterna. Agora sabemos que precisamos morrer, não porque fomos enfeitiçados, mas porque pecamos. Contudo, temos um amparo na morte, e ele nos preparou, mesmo pelo túmulo, um caminho ao céu . Uma africana, crente em Jesus Cristo, morreu dizendo: Eu vou agora para aquele que vi no Batismo . f Batismo custa caro. Em vez de uma promessa verbal, o Batismo é uma ruptura existencial. Enquanto as pessoas simpatizam com Jesus Cristo, seus parentes, vizinhos e compatriotas não acham isso nada demais, até apóiam e compartilham suas lucubrações. No entanto, quando se deixam batizar, são hostilizadas, excluídas do convívio parentesco e social, deserdadas. Em países muçulmanos, famílias colocam anúncio fúnebre no jornal relativo a seu membro que foi batizado. Na Índia, sucede que batizados são considerados párias, que eles próprios odiavam antes, e suas mulheres os abandonam e seus filhos fogem deles. g Batismo inclui na comunidade. Pelo Batismo as pessoas referidas perderam a comunhão legada e, ao mesmo tempo, ganham parte naquela que rompe círculos étnicos, barreiras sociológicas e fronteiras políticas. Ser batizado é idêntico a ser membro do corpo vivo de Jesus Cristo, que recebe, abarca e vela os que o Batismo tornou míseros e sós. Um catequista africano fez a seguinte comparação: A criança vive antes do nascimento no ventre da mãe e não entende nada do mundo. Assim também nós, que vivemos neste mundo, não entendemos o reino de Deus. Nele se entra através de um segundo nascimento, ou seja, o Batismo . O Batismo é, pois, naturalização no reino de Deus.
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testemunhos neotestamentários e reformatórios a respeito do Batismo. Enfatiza-se como imprescindível para um estudo acurado e comprometedor, quanto aos primeiros, G. Barth (veja: Recomendações bibliográficas), e quanto aos segundos, M. Lutero (veja: ibidem). Quem se enfronha aí toma pé no que é o Batismo e o que significa ter sido batizado para a vida que vivemos no corpo e em suas relações. Oxalá lutemos por clarividência teológica com respeito a esse meio da livre poderosa graça de Deus. Sem clareza exegética e alicerce confessional, contribuímos tão-somente para o lusco-fusco igrejeiro quanto ao Batismo. Com eles sentiremos a necessidade inadiável de catequese e pastoral batismais. No desempenho das mesmas, é central comunicar o que Deus faz com as pessoas que são batizadas. A prática igrejeira, corrente entre nós, no entanto, é declaratória e não existencial. O valor vital único do Batismo está sendo obscurecido, sim, suprido pela execução esquemática e artificiosa de uma cerimônia igrejeira. Consciências despertadas por testemunhos bíblicos e confessionais e aterrorizadas quando confrontadas com o Abtaufen [batizar por série, ao estilo vapt-vupt, de maneira formal e irrefletida, com o resultado de que as pessoas acabam ficando fora da comunidade] em vez do Hineintaufen [batizar de maneira consciente e compromissada para dentro de Jesus Cristo e sua comunidade] (E. Thurneysen) precisam ser confortadas. Aqui prestam auxílio os da família da fé (Gl 6.10) na África e na Ásia. Também, nesse contexto, está mais do que na hora de trocarmos nossa fixação no Hemisfério Norte pelo olhar atento para o Sul. Nosso norteamento afunda-nos sempre mais nas brumas concernentes ao Batismo, enquanto cristãos e cristãs da outra parte do Terceiro Mundo nos alertam e desafiam: Coragem isto nos dará, fraqueza vencerá (Hinos do Povo de Deus / HPD 1, 98.4). 3 O testemunho desses familiares da fé é quase desconhecido em nossas plagas. Daí informações que estimulam uma pastoral batismal, tão premente entre nós (para detalhes, veja: Recomendações bibliográficas W. Freytag e G. F. Vicedom): a O Batismo é mais importante do que o nascimento. Um europeu perguntou a um velho africano sua idade. Este respondeu: Tenho dois anos . O europeu, perplexo: Como, dois anos? . O velho, radiante: Fui batizado dois anos atrás! . b O Batismo nos assevera extra nos que Deus nos quer bem. Idéias profundas, até cristãs, declarações de amor a Jesus, além de permitir uma vida dupla, não nos asseguram a benevolência recriadora de Deus. Exclusivamente pelo Batismo público, com muita água e rodeado pela comunidade, ocorre a ruptura com a velha existência e, concomitantemente, o surgimento do novo ser. Eis o que testificam indianos. Zulus denominam o Batismo de o grande vau, o único lugar onde se pode passar para o outro lado : da velha vida para a nova, deste mundo para o reino de Deus, da morte para a vida.
c O Batismo envolve a abrenunciação da vida antiga com seus esconderijos, ídolos e tramóias. Por isso, na véspera do Batismo, batizandos na África e na Ásia abrem de maneira total sua vida até então perante confessores particulares ou a comunidade reunida e pedem a absolvição em nome de Deus. E a comunidade preocupa-se poimenicamente com cada um dos batizandos. d O Batismo determina toda a vida. O mencionado ancião africano o entendeu. Irmãos e irmãs dele se dão nomes por ocasião do Batismo. Como: Deus me carrega , uma pessoa nova , eu fui acrescentada ao povo de Deus . Doravante insistem que se use esse nome. Não atendem pelo velho. Quando chamados pelo novo, lembram-se: crer em Jesus Cristo é viver de modo diferente do que todo mundo vive. E o pessoal que chama ou escuta chamar aquele nome está sendo constantemente questionado: que vida nós estamos levando? Um missionário papua explica: Mediante o Batismo, Deus coloca as pessoas batizadas em sua mochila; assim lhe pertencem. Ele cuida delas em corpo e alma. Quando se perdem, ele as procura de novo . e Batismo leva à vida eterna. Batizados de Papua-Nova Guiné testemunham após o Batismo aos não-batizados: Antes do Batismo, temíamos a morte como vocês. Igual a esta pedra aqui queríamos ficar sempre em cima da terra. Nós não tínhamos nenhuma esperança de vida eterna. Agora sabemos que precisamos morrer, não porque fomos enfeitiçados, mas porque pecamos. Contudo, temos um amparo na morte, e ele nos preparou, mesmo pelo túmulo, um caminho ao céu . Uma africana, crente em Jesus Cristo, morreu dizendo: Eu vou agora para aquele que vi no Batismo . f Batismo custa caro. Em vez de uma promessa verbal, o Batismo é uma ruptura existencial. Enquanto as pessoas simpatizam com Jesus Cristo, seus parentes, vizinhos e compatriotas não acham isso nada demais, até apóiam e compartilham suas lucubrações. No entanto, quando se deixam batizar, são hostilizadas, excluídas do convívio parentesco e social, deserdadas. Em países muçulmanos, famílias colocam anúncio fúnebre no jornal relativo a seu membro que foi batizado. Na Índia, sucede que batizados são considerados párias, que eles próprios odiavam antes, e suas mulheres os abandonam e seus filhos fogem deles. g Batismo inclui na comunidade. Pelo Batismo as pessoas referidas perderam a comunhão legada e, ao mesmo tempo, ganham parte naquela que rompe círculos étnicos, barreiras sociológicas e fronteiras políticas. Ser batizado é idêntico a ser membro do corpo vivo de Jesus Cristo, que recebe, abarca e vela os que o Batismo tornou míseros e sós. Um catequista africano fez a seguinte comparação: A criança vive antes do nascimento no ventre da mãe e não entende nada do mundo. Assim também nós, que vivemos neste mundo, não entendemos o reino de Deus. Nele se entra através de um segundo nascimento, ou seja, o Batismo . O Batismo é, pois, naturalização no reino de Deus.
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1O D O M I N G O A P Ó S E P I F A N I A
h Batismo é a palavra visível de Deus. Por isso a comunidade vigia para que a dádiva inefável de Deus não seja malbaratada. Sua assembléia examina os/as catecúmenos/as e decide quem será batizado. A comunidade conhece os pais que solicitam o Batismo para suas crianças e cuida para não serem batizadas crianças cujos pais são crentes em Jesus Cristo da boca pra fora. Destarte muitos pais entre nós aprenderam que não se pode brincar com as coisas de Deus , afirmam africanos e chineses. i Batismo compromete com a missão. Na Índia, um bispo fez com que os/as catecúmenos/as, que pediram o Batismo, colocassem, durante sua realização, a mão direita na cabeça e declarassem: Ai de mim se não pregar o evangelho (1 Co 9.16) . E um outro expressou: Eu não posso crer na ação salvadora de Jesus por mim, se ela não se destina a todos . j Eficácia dupla do Batismo. Um evangelista papua dirigiu-se assim aos que esqueceram seu Batismo : No Batismo, Deus colocou sua mão em cima de vocês. Não a vêem, pois Deus é invisível. Contudo, ele é poderoso. Como conseguem se livrar de sua mão? Ora, vocês têm duas possibilidades: ou seguem no discipulado e a mão de Deus os acaricia, ou não seguem, então ela bate neles .
as pessoas ordenadas para um ministério eclesiástico, em particular, estão sendo desafiadas, exigidas e comprometidas. Na certa: valorização do Batismo acaba com a paz igrejeira. É verdade, o Batismo custa caro igualmente entre nós. Desse modo ele se evidencia meio da livre e poderosa graça de Deus. Que a obreirada, antes dos demais, seja bem calçada e assistida no sentido acima esboçado (cf. I.2s.). 2 No afã de estimular o tino para o que se pode ouvir concernente ao Batismo e fortalecer a disposição de se expor às colocações e trabalhá-las, seguem manifestações recolhidas, escolhidas aleatoriamente. a Ninguém nos precisa dizer o que é o Batismo nós sabemos o que é praxe em nossa igreja. b Quem não é batizado é selvagem. c Quando nasce a criança, ela em seguida é batizada. Assim sempre foi e é em nossa família. Ser batizado como adulto é uma vergonha. d Batizamos o nosso Joãozinho para poder chamá-lo pelo nome. e Batizar faz bem ao bebê, inclusive vamos levar a água batismal para casa. Se o bebê passa mal, botamos na testa dele alguns pingos dessa água. f Batizar não faz mal, não. Melhor ainda é deixar-se batizar logo em mais duas ou três igrejas. g Nós [pais e padrinhos] queremos batizar o menino, a comunidade não tem nada a ver com isso. h Se vocês complicam com o Batismo, saibam que existem muitas igrejas que batizam sem fazer perguntas. i Afinal, o que meu Batismo tem a ver com meu ganha-pão? j Na história de Jesus com as crianças [Mc 10.13-6], a gente nota que abençoar não é batizar. k Puxa, aqui [At 8.26-40] é bem diferente do que em nossa igreja: aqui o Batismo fica no fim e na igreja, no início.
2 A comunidade 1 A comunidade com que o leitor e a leitora de PL convivem, ela pensa o que em relação ao Batismo e de que jeito o vivencia intra et extra muros ecclesiae? Ninguém, em culto e comunidade, pronuncie a palavra batismo/batizar sem ter presente o que as pessoas que aí estão associam com o termo. Enfatiza-se, pois, realizar enquetes comunitárias com a finalidade de descobri-lo. Já a disposição da Quarta Parte do Catecismo Menor coloca as perguntas básicas; também contribui o respectivo trecho de Nossa Fé Nossa Vida. Então o que o povo com que o pregador e a pregadora lidam e eles próprios entendem por Batismo? Por que a gente o realiza ou o solicita? Quem batiza? Quem é batizado? Ter sido batizado implica o quê? Resumindo: Quem é Deus no Batismo, quem somos nós no Batismo? Procedendo nesta linha, começa-se a valorizar o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo (Lutero). É fácil formular tais perguntas de forma curta e grossa. Já mais difícil é ganhar o apoio do presbitério para a iniciativa e animar a comunidade a responder com desenvoltura. Dificílimo é, no entanto, ouvir bem e, depois, matutar no que se ouviu. Ora, quem se aproxima do Batismo em nossas paragens e analisa sua praxe mexe com fogo. Falar em questões políticas e nelas optar por determinada alternativa, perante a comunidade, constitui um foguinho em comparação com o fogaréu que a preocupação conseqüente com o Batismo pode provocar. Aí quem crer em Jesus Cristo, em geral, e
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3 O texto-base para a prédica 1 O fato de que Jesus de Nazaré foi batizado por João Batista pertence aos dados históricos da vida de Jesus, que pessoa alguma, familiarizada com a tradição sinótica, contesta. Agora, o apaixonante é como cada um dos sinóticos, respectivamente as comunidades pós-pascais que eles representam ou às quais falam, interpreta tal fato inconteste. À medida que os sinóticos transmitem o que houve com Jesus, expõem o Evangelho de Jesus Cristo (Mc 1.1), que extrapola a história do homem de Nazaré. Eles são mais do que tradutores e transmissores; são testemunhas vivas que puxam e atualizam o que houve para sua hora e contexto, pois crêem e sabem que o próprio Jesus Cristo o ubíquo, o onipresente e o monoagente suscita e
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1O D O M I N G O A P Ó S E P I F A N I A
h Batismo é a palavra visível de Deus. Por isso a comunidade vigia para que a dádiva inefável de Deus não seja malbaratada. Sua assembléia examina os/as catecúmenos/as e decide quem será batizado. A comunidade conhece os pais que solicitam o Batismo para suas crianças e cuida para não serem batizadas crianças cujos pais são crentes em Jesus Cristo da boca pra fora. Destarte muitos pais entre nós aprenderam que não se pode brincar com as coisas de Deus , afirmam africanos e chineses. i Batismo compromete com a missão. Na Índia, um bispo fez com que os/as catecúmenos/as, que pediram o Batismo, colocassem, durante sua realização, a mão direita na cabeça e declarassem: Ai de mim se não pregar o evangelho (1 Co 9.16) . E um outro expressou: Eu não posso crer na ação salvadora de Jesus por mim, se ela não se destina a todos . j Eficácia dupla do Batismo. Um evangelista papua dirigiu-se assim aos que esqueceram seu Batismo : No Batismo, Deus colocou sua mão em cima de vocês. Não a vêem, pois Deus é invisível. Contudo, ele é poderoso. Como conseguem se livrar de sua mão? Ora, vocês têm duas possibilidades: ou seguem no discipulado e a mão de Deus os acaricia, ou não seguem, então ela bate neles .
as pessoas ordenadas para um ministério eclesiástico, em particular, estão sendo desafiadas, exigidas e comprometidas. Na certa: valorização do Batismo acaba com a paz igrejeira. É verdade, o Batismo custa caro igualmente entre nós. Desse modo ele se evidencia meio da livre e poderosa graça de Deus. Que a obreirada, antes dos demais, seja bem calçada e assistida no sentido acima esboçado (cf. I.2s.). 2 No afã de estimular o tino para o que se pode ouvir concernente ao Batismo e fortalecer a disposição de se expor às colocações e trabalhá-las, seguem manifestações recolhidas, escolhidas aleatoriamente. a Ninguém nos precisa dizer o que é o Batismo nós sabemos o que é praxe em nossa igreja. b Quem não é batizado é selvagem. c Quando nasce a criança, ela em seguida é batizada. Assim sempre foi e é em nossa família. Ser batizado como adulto é uma vergonha. d Batizamos o nosso Joãozinho para poder chamá-lo pelo nome. e Batizar faz bem ao bebê, inclusive vamos levar a água batismal para casa. Se o bebê passa mal, botamos na testa dele alguns pingos dessa água. f Batizar não faz mal, não. Melhor ainda é deixar-se batizar logo em mais duas ou três igrejas. g Nós [pais e padrinhos] queremos batizar o menino, a comunidade não tem nada a ver com isso. h Se vocês complicam com o Batismo, saibam que existem muitas igrejas que batizam sem fazer perguntas. i Afinal, o que meu Batismo tem a ver com meu ganha-pão? j Na história de Jesus com as crianças [Mc 10.13-6], a gente nota que abençoar não é batizar. k Puxa, aqui [At 8.26-40] é bem diferente do que em nossa igreja: aqui o Batismo fica no fim e na igreja, no início.
2 A comunidade 1 A comunidade com que o leitor e a leitora de PL convivem, ela pensa o que em relação ao Batismo e de que jeito o vivencia intra et extra muros ecclesiae? Ninguém, em culto e comunidade, pronuncie a palavra batismo/batizar sem ter presente o que as pessoas que aí estão associam com o termo. Enfatiza-se, pois, realizar enquetes comunitárias com a finalidade de descobri-lo. Já a disposição da Quarta Parte do Catecismo Menor coloca as perguntas básicas; também contribui o respectivo trecho de Nossa Fé Nossa Vida. Então o que o povo com que o pregador e a pregadora lidam e eles próprios entendem por Batismo? Por que a gente o realiza ou o solicita? Quem batiza? Quem é batizado? Ter sido batizado implica o quê? Resumindo: Quem é Deus no Batismo, quem somos nós no Batismo? Procedendo nesta linha, começa-se a valorizar o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo (Lutero). É fácil formular tais perguntas de forma curta e grossa. Já mais difícil é ganhar o apoio do presbitério para a iniciativa e animar a comunidade a responder com desenvoltura. Dificílimo é, no entanto, ouvir bem e, depois, matutar no que se ouviu. Ora, quem se aproxima do Batismo em nossas paragens e analisa sua praxe mexe com fogo. Falar em questões políticas e nelas optar por determinada alternativa, perante a comunidade, constitui um foguinho em comparação com o fogaréu que a preocupação conseqüente com o Batismo pode provocar. Aí quem crer em Jesus Cristo, em geral, e
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3 O texto-base para a prédica 1 O fato de que Jesus de Nazaré foi batizado por João Batista pertence aos dados históricos da vida de Jesus, que pessoa alguma, familiarizada com a tradição sinótica, contesta. Agora, o apaixonante é como cada um dos sinóticos, respectivamente as comunidades pós-pascais que eles representam ou às quais falam, interpreta tal fato inconteste. À medida que os sinóticos transmitem o que houve com Jesus, expõem o Evangelho de Jesus Cristo (Mc 1.1), que extrapola a história do homem de Nazaré. Eles são mais do que tradutores e transmissores; são testemunhas vivas que puxam e atualizam o que houve para sua hora e contexto, pois crêem e sabem que o próprio Jesus Cristo o ubíquo, o onipresente e o monoagente suscita e
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sustenta seu testemunho (Mc 13.31 par.; cf. Hb 13.6; Ap 4.9 par.), já que lhe apraz, através deles, alcançar todo mundo e o mundo todo (cf. Mt 28.18-20). (Veja para a questão hermenêutica que se coloca em qualquer época e ambiente: G. Eichholz, Tradition und Interpretation Studien zum Neuen Testament und zur Hermeneutik. München: Kaiser, 1965. p. 11-34; mormente: p. 11-4, 21-6, 34 [Theologische Bücherei Band 29]). 2 Mt 3.13-17: A perícope se subdivide em três partes: v. 13 relação batizando-batizador; v. 14s. diálogo entre os dois; v. 16s. os acontecimentos que envolvem o Batismo de Jesus de Nazaré. O jeito mais transparente de descobrir o testemunho específico de Mateus referente ao fato de que João Batista batizou Jesus é compará-lo com os de Marcos (Mc 1.9-11) e de Lucas (Lc 3.21s.). A concentração restrita e exclusiva em Mateus evidencia: a O diálogo entre João Batista e Jesus de Nazaré (Mt 3.14s.) é matéria peculiar ao primeiro evangelista; se ele a delineia ou já lhe vem da tradição anterior, não importa. A pergunta do Batista (v. 14b) focaliza o que pessoas desde os primórdios da igreja até hoje remoem: o enigma que rodeia o Batismo de Jesus. Respondeu-se e responde-se de dois jeitos. O primeiro, sob o ponto de vista psicológico/ético, ressalta, por exemplo, a humildade e solidariedade de Jesus. O segundo, sob o ponto de vista dogmático, e aí em alusão antecipada ao v. 17, encontra, por exemplo, reflexos da polêmica entre discípulos do Batista e discípulos do Nazareno e de convicções cristológicas, sejam adocianistas ou redentoristas. Em vez de voltar-se a tais conjeturas, corresponde à ausculta concentrada do testemunho mateíno entranhar-se na resposta de Jesus de Nazaré (v. 15). Por sinal, na primeira palavra que ele pronuncia conforme Mateus, chama atenção particular a expressão: nos convém cumprir toda a justiça (v. 15c). O que quer dizer toda a justiça ? A concordância grega (A. Schmoller, Handkonkordanz zum Griechischen Neuen Testament. 15. ed. Stuttgart: Bibelanstalt, 1973, verbete dikaiosynae = p. 124, 2ª coluna) arrola sete textos que trazem o vocábulo justiça . Levando-os em devida conta, a acepção de justiça no primeiro evangelista poderia caracterizar-se como a seqüência da ação resgatadora que Deus traça, determina e impulsiona. E, ao mesmo tempo, Deus vela para que as pessoas se enquadrem em sua justiça (cf. Is 56.1), esperando e cobrando que andem no caminho da justiça (21.32). De certa forma, o v. 15c resume todo o testemunho mateíno. Jesus de Nazaré conhece a justiça , compreende-a, concorda com ela, assimila-a, entrega-se a ela e está decidido a trilhar o caminho dela. Ele é manso e humilde de coração , o obediente a Deus por excelência (11.29 [cf. 5.5]; 26. 42d ambas as passagens só em Mateus). Razão pela qual para ele não há outra opção, a saber: convém cumpri-la . Mais perto do termo original plaeroosai seria realizá-la completa e plenamente, de pronto e sem embargo nem senões e, assim, erigir a justiça de vez em parâmetro. Con-
vém a nós significa: a ele próprio, Jesus de Nazaré, e a João Batista e à comunidade que o evangelista tem em mira (cf. 5.20,48). Eis o testemunho atualizador de Mateus, seu proprium: o escopo poimênico-eclesial (cf. para o enfoque, p. ex., 7.21-9; 22.1-14; 25.31-46). O primeiro evangelista insiste no Batismo, porque Deus assim o quer; necessitas praecepti (K. Barth) qualifica o Batismo. Se Jesus de Nazaré vem, livre e espontaneamente, com a finalidade de se deixar batizar (3.13), seus discípulos não podem agir de modo diferente. Discípulos não simpatizam com ele, mas o seguem em tudo, inclusive rompendo com a sinagoga, representada por fariseus e saduceus (v. 7-12; cf. 23.13-36), isto é, procurando o Batismo. b Ao registrar batizado Jesus, saiu logo da água (v. 16a), Mateus descreve, de maneira objetiva e afirmativa, os fenômenos que ocorrem (cf. Ez 1.1-4). Para o evangelista, esses são acontecimentos que se enxergam e ouvem (v. 16b-17). Assim introduz a descrição deles com seu termo predileto: idou, que usa 62 vezes (cf. W. Bauer, Wörterbuch zum Neuen Testament. 5. ed. Berlin: Töpelmann, 1963. verbete idou = coluna 733); a interjeição idou é a versão grega popular da hebraica hinne, eis [aí] (v. 16b e 17a). O vocábulo expressa perplexidade em relação ao que se segue e confere gravidade/dignidade ao mesmo; enfatiza algo totalmente inesperado (Bauer, o. c.) e que, eo ipso, envolve, confronta e força a decidir-se. Já esse detalhe remete, novamente, ao escopo poimênico-eclesial de Mateus. Corroborando o impacto, o evangelista junta o fender-se do céu com o descer da pomba. Os céus foram abertos (o original tem aoristo na voz passiva; recomenda-se acompanhar o texto editado por E. Nestle, que faz jus à maneira afirmativo-objetiva de Mateus) (v. 16b) e o Espírito de Deus veio sobre ele [Jesus] (v. 16d). Céu aberto assinala o caráter escatológico do Batismo de Jesus de Nazaré. O próprio Deus se auto-revela, fato ansiosamente esperado e ardentemente implorado por seu povo (cf., p. ex., Is 63.19). E, quando Deus se auto-revela, vem junto o Espírito de Deus . Jesus de Nazaré, Batismo e Espírito de Deus estão inter-relacionados. O evangelista salienta sobremodo o aspecto do último, pois, como testifica já antes, Jesus é gerado do Espírito Santo (1.20,18). O ressalto, no contexto do Batismo de Jesus, esmiúça, igualmente, o escopo poimênico-eclesial de Mateus: o Batismo, realizado na comunidade, acontece com o Espírito Santo e com fogo (3.11). Ele exprime com precisão seu testemunho, colocando que o Espírito de Deus [sic] vem sobre Jesus de Nazaré (v. 16c), aquele Espírito de Deus da criação (Gn 1.2) e da recriação por intermédio do rebento de Jessé (Is 11.1-10) / do servo de Deus (42.1-9; cf. 61.1-11). Agora e aqui, com e em Jesus, irrompe a nova criação. Mateus particulariza a imbricação entre Batismo e Espírito de Deus com as formulações de que Jesus, após ter sido batizado, saiu logo [sic] da água (v. 16a) e de que o Ressurreto encarrega os onze a fazer discípulos e batizá-los em nome do Pai e do Filho
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sustenta seu testemunho (Mc 13.31 par.; cf. Hb 13.6; Ap 4.9 par.), já que lhe apraz, através deles, alcançar todo mundo e o mundo todo (cf. Mt 28.18-20). (Veja para a questão hermenêutica que se coloca em qualquer época e ambiente: G. Eichholz, Tradition und Interpretation Studien zum Neuen Testament und zur Hermeneutik. München: Kaiser, 1965. p. 11-34; mormente: p. 11-4, 21-6, 34 [Theologische Bücherei Band 29]). 2 Mt 3.13-17: A perícope se subdivide em três partes: v. 13 relação batizando-batizador; v. 14s. diálogo entre os dois; v. 16s. os acontecimentos que envolvem o Batismo de Jesus de Nazaré. O jeito mais transparente de descobrir o testemunho específico de Mateus referente ao fato de que João Batista batizou Jesus é compará-lo com os de Marcos (Mc 1.9-11) e de Lucas (Lc 3.21s.). A concentração restrita e exclusiva em Mateus evidencia: a O diálogo entre João Batista e Jesus de Nazaré (Mt 3.14s.) é matéria peculiar ao primeiro evangelista; se ele a delineia ou já lhe vem da tradição anterior, não importa. A pergunta do Batista (v. 14b) focaliza o que pessoas desde os primórdios da igreja até hoje remoem: o enigma que rodeia o Batismo de Jesus. Respondeu-se e responde-se de dois jeitos. O primeiro, sob o ponto de vista psicológico/ético, ressalta, por exemplo, a humildade e solidariedade de Jesus. O segundo, sob o ponto de vista dogmático, e aí em alusão antecipada ao v. 17, encontra, por exemplo, reflexos da polêmica entre discípulos do Batista e discípulos do Nazareno e de convicções cristológicas, sejam adocianistas ou redentoristas. Em vez de voltar-se a tais conjeturas, corresponde à ausculta concentrada do testemunho mateíno entranhar-se na resposta de Jesus de Nazaré (v. 15). Por sinal, na primeira palavra que ele pronuncia conforme Mateus, chama atenção particular a expressão: nos convém cumprir toda a justiça (v. 15c). O que quer dizer toda a justiça ? A concordância grega (A. Schmoller, Handkonkordanz zum Griechischen Neuen Testament. 15. ed. Stuttgart: Bibelanstalt, 1973, verbete dikaiosynae = p. 124, 2ª coluna) arrola sete textos que trazem o vocábulo justiça . Levando-os em devida conta, a acepção de justiça no primeiro evangelista poderia caracterizar-se como a seqüência da ação resgatadora que Deus traça, determina e impulsiona. E, ao mesmo tempo, Deus vela para que as pessoas se enquadrem em sua justiça (cf. Is 56.1), esperando e cobrando que andem no caminho da justiça (21.32). De certa forma, o v. 15c resume todo o testemunho mateíno. Jesus de Nazaré conhece a justiça , compreende-a, concorda com ela, assimila-a, entrega-se a ela e está decidido a trilhar o caminho dela. Ele é manso e humilde de coração , o obediente a Deus por excelência (11.29 [cf. 5.5]; 26. 42d ambas as passagens só em Mateus). Razão pela qual para ele não há outra opção, a saber: convém cumpri-la . Mais perto do termo original plaeroosai seria realizá-la completa e plenamente, de pronto e sem embargo nem senões e, assim, erigir a justiça de vez em parâmetro. Con-
vém a nós significa: a ele próprio, Jesus de Nazaré, e a João Batista e à comunidade que o evangelista tem em mira (cf. 5.20,48). Eis o testemunho atualizador de Mateus, seu proprium: o escopo poimênico-eclesial (cf. para o enfoque, p. ex., 7.21-9; 22.1-14; 25.31-46). O primeiro evangelista insiste no Batismo, porque Deus assim o quer; necessitas praecepti (K. Barth) qualifica o Batismo. Se Jesus de Nazaré vem, livre e espontaneamente, com a finalidade de se deixar batizar (3.13), seus discípulos não podem agir de modo diferente. Discípulos não simpatizam com ele, mas o seguem em tudo, inclusive rompendo com a sinagoga, representada por fariseus e saduceus (v. 7-12; cf. 23.13-36), isto é, procurando o Batismo. b Ao registrar batizado Jesus, saiu logo da água (v. 16a), Mateus descreve, de maneira objetiva e afirmativa, os fenômenos que ocorrem (cf. Ez 1.1-4). Para o evangelista, esses são acontecimentos que se enxergam e ouvem (v. 16b-17). Assim introduz a descrição deles com seu termo predileto: idou, que usa 62 vezes (cf. W. Bauer, Wörterbuch zum Neuen Testament. 5. ed. Berlin: Töpelmann, 1963. verbete idou = coluna 733); a interjeição idou é a versão grega popular da hebraica hinne, eis [aí] (v. 16b e 17a). O vocábulo expressa perplexidade em relação ao que se segue e confere gravidade/dignidade ao mesmo; enfatiza algo totalmente inesperado (Bauer, o. c.) e que, eo ipso, envolve, confronta e força a decidir-se. Já esse detalhe remete, novamente, ao escopo poimênico-eclesial de Mateus. Corroborando o impacto, o evangelista junta o fender-se do céu com o descer da pomba. Os céus foram abertos (o original tem aoristo na voz passiva; recomenda-se acompanhar o texto editado por E. Nestle, que faz jus à maneira afirmativo-objetiva de Mateus) (v. 16b) e o Espírito de Deus veio sobre ele [Jesus] (v. 16d). Céu aberto assinala o caráter escatológico do Batismo de Jesus de Nazaré. O próprio Deus se auto-revela, fato ansiosamente esperado e ardentemente implorado por seu povo (cf., p. ex., Is 63.19). E, quando Deus se auto-revela, vem junto o Espírito de Deus . Jesus de Nazaré, Batismo e Espírito de Deus estão inter-relacionados. O evangelista salienta sobremodo o aspecto do último, pois, como testifica já antes, Jesus é gerado do Espírito Santo (1.20,18). O ressalto, no contexto do Batismo de Jesus, esmiúça, igualmente, o escopo poimênico-eclesial de Mateus: o Batismo, realizado na comunidade, acontece com o Espírito Santo e com fogo (3.11). Ele exprime com precisão seu testemunho, colocando que o Espírito de Deus [sic] vem sobre Jesus de Nazaré (v. 16c), aquele Espírito de Deus da criação (Gn 1.2) e da recriação por intermédio do rebento de Jessé (Is 11.1-10) / do servo de Deus (42.1-9; cf. 61.1-11). Agora e aqui, com e em Jesus, irrompe a nova criação. Mateus particulariza a imbricação entre Batismo e Espírito de Deus com as formulações de que Jesus, após ter sido batizado, saiu logo [sic] da água (v. 16a) e de que o Ressurreto encarrega os onze a fazer discípulos e batizá-los em nome do Pai e do Filho
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e do Espírito Santo [sic] (28.16.19). O Batismo coloca os batizandos no raio de ação do Espírito de vosso [seu] Pai (10.20-3), ou seja, da presença de Deus, que está agindo neles e mediante eles pelo mundo afora (28.18-20). Conseqüentemente, quem falar contra o Espírito Santo aquele que determina e impulsiona a comunidade não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir (12.32). c Objetividade e afirmação no testemunho mateíno chegam a seu auge no v. 17. Uma voz dos céus, que dizia (v. 17a), isto é, Deus quebra seu silêncio e fala o que apenas ocorre no fim dos tempos. O próprio Deus proclama Jesus de Nazaré. Deus se manifesta de maneira direta e exclusiva: é este , não há outro. Deus mesmo faz este (v. 17b) conhecido e reconhecido. Jesus não se autoproclama, ele só pode ser o que Deus dele faz (A. Schlatter). Deus é insofismável: sua eudokia (11.26) incorpora; sim, realizase sua epifania. O que desdobra, por assim dizer urbi et orbi, denominando Jesus de Nazaré meu filho (cf. Sl 2.7) amado , mais perto do texto original: meu filho, o único que amo (v. 17b). O que Isaque é para Abraão (Gn 22.2,12, 16) e o que seu filho amado, que ainda lhe restava é para o dono da vinha (Mc 12.6 par.), assim Jesus de Nazaré é para Deus. Em quem me comprazo (v. 17c) remete a Is 42.1. A combinação entre Sl 2.7 e Is 42.1 leva a concluir que comprazer e escolher interpretam-se mutuamente. Deus constata que o meu servo , prometido a tanto tempo, está aí; este é Jesus adequado, pois, à leitura no culto de Is 42.1-7, também a de At 10. 34-8. Ora, Deus em absoluto se dirige a Jesus de Nazaré, mas a todo o mundo e ao mundo todo sobre este . A este as pessoas reagem de modo diferenciado (Mt 27.37-54). Deus garante este o evangelho segundo Mateus inteiro o testifica, referências são desnecessárias. Em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra Deus está presente e entra em campo e em ninguém e nada mais; em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra a vontade de Deus é cristalina e está consumada e em mais nada e ninguém. Unicamente em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra, os céus estão abertos , inicia o novo éon. Eis a Boa Nova de Deus tão-somente em Jesus de Nazaré. Mateus dentro de seu escopo poimênico-eclesial alteia Jesus perante a comunidade destinatária como o espelho do coração paterno [de Deus], sem o qual nada vemos senão um juiz encolerizado e terrível (Lutero). Exorta-a a ficar bem junto de Jesus embora apareça só em 17.5 o acréscimo: a ele ouvi , vale que ele é a única Palavra de Deus que deve ouvir, em quem deve confiar e a quem deve obedecer na vida e na morte , e além dele não pode ter outros acontecimentos e poderes, personagens e verdades como fontes de sua pregação e como revelação divina (1ª Tese da Declaração Teológica da Igreja Evangélica Alemã, Barmen, 1934). Procedendo dessa forma, a comunidade torna-se filha do vosso Pai celeste (5.45.9; cf. 13.38). Logo, Mateus inculca na comunidade que Deus não pode negarse a si mesmo [...] por isso, quando seus filhos [e suas filhas] se apartam da
obediência e tropeçam, faz que sejam revocados[as] pela palavra ao arrependimento [...]. E quando tornam a voltar-se para ele em genuíno arrependimento mediante fé verdadeira, ele sempre quer mostrar o velho coração paterno a quantos temem sua palavra [veja Jr 3.1]. (Declaração Sólida) Para o evangelista, Jesus de Nazaré não precisa ser chamado como foram os profetas do Primeiro Testamento ele salvará o seu povo dos pecados deles , é Emanuel (1.23; 28.20) desde sua concepção (Mt 1.18.203). O que foi preciso era que fosse proclamado como tal em público e com voz inconfundível, e disso Deus mesmo se encarrega. Que Jesus não pode ser comparado com os profetas, e muito menos ainda com os doze, se demonstra no fato de que não recebe envio. Conseqüentemente segue a prova inicial que atesta a autenticidade de sua existência: 4.1-11. Com o que Mateus alude, em conformidade com seu afã poimênico-eclesial, ao futuro imediato da congregação dos batizados.
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4 Sugestões para o culto 1 Continuando a linha de pensamento desenvolvida até aqui, o culto não pode deixar de focalizar o Batismo (cf., em termos, PL 24, p. 67-9). Festividade é inoportuna; extremamente oportuno é encaminhar para a compenetração. Ao que corresponde implorar a Deus que nos conceda a graça da metanoia (Mt 3.2), cujo primeiro fruto digno (v. 8) é o empenho comunitário pela redescoberta do Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo : sua praxe intrépida, refletida e diferenciada, que envolve existencialmente, e sua vivência cotidiana, alegre e consciente, em nosso ambiente. 2 Um jogral, formulado por membros, que espelha o que se entende por Batismo na comunidade, dê a devida introdução ao tema do culto . 3 As orações sejam voltadas ao Batismo. A confissão dos pecados enumere superficialidades, desleixos e abusos em relação ao sacramento, constatados in loco et concreto, entre pais e padrinhos, presbitérios e obreiros e obreiras. A coleta peça a Deus por clareza, instrução e decisão em nossas brumas relativas ao Batismo a partir de sua palavra. A oração final rogue para que Deus providencie que a IECLB descubra o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo e anime a comunidade presente a tomar iniciativas concretas e corajosas nessa direção, esboçadas na prédica, tanto em âmbito local quanto sinodal. 4 Como hinos ofereçam-se: HPD 1, 40; 42; 96; 100; 105; 137; 177; 188. O Povo Canta, 230s. 5 Lutero pregou 47 vezes (sic) sobre Mt 3.13-7. Em nosso meio, nos últimos trinta anos, a perícope está sendo tratada pela quarta vez (as outras abordagens encontram-se em PL X, p. 206-15 [com muitas observações valiosas no texto em pauta e nos correlatos]; XVIII, p. 57-60; XXIV [24], p. 67-9).
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e do Espírito Santo [sic] (28.16.19). O Batismo coloca os batizandos no raio de ação do Espírito de vosso [seu] Pai (10.20-3), ou seja, da presença de Deus, que está agindo neles e mediante eles pelo mundo afora (28.18-20). Conseqüentemente, quem falar contra o Espírito Santo aquele que determina e impulsiona a comunidade não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir (12.32). c Objetividade e afirmação no testemunho mateíno chegam a seu auge no v. 17. Uma voz dos céus, que dizia (v. 17a), isto é, Deus quebra seu silêncio e fala o que apenas ocorre no fim dos tempos. O próprio Deus proclama Jesus de Nazaré. Deus se manifesta de maneira direta e exclusiva: é este , não há outro. Deus mesmo faz este (v. 17b) conhecido e reconhecido. Jesus não se autoproclama, ele só pode ser o que Deus dele faz (A. Schlatter). Deus é insofismável: sua eudokia (11.26) incorpora; sim, realizase sua epifania. O que desdobra, por assim dizer urbi et orbi, denominando Jesus de Nazaré meu filho (cf. Sl 2.7) amado , mais perto do texto original: meu filho, o único que amo (v. 17b). O que Isaque é para Abraão (Gn 22.2,12, 16) e o que seu filho amado, que ainda lhe restava é para o dono da vinha (Mc 12.6 par.), assim Jesus de Nazaré é para Deus. Em quem me comprazo (v. 17c) remete a Is 42.1. A combinação entre Sl 2.7 e Is 42.1 leva a concluir que comprazer e escolher interpretam-se mutuamente. Deus constata que o meu servo , prometido a tanto tempo, está aí; este é Jesus adequado, pois, à leitura no culto de Is 42.1-7, também a de At 10. 34-8. Ora, Deus em absoluto se dirige a Jesus de Nazaré, mas a todo o mundo e ao mundo todo sobre este . A este as pessoas reagem de modo diferenciado (Mt 27.37-54). Deus garante este o evangelho segundo Mateus inteiro o testifica, referências são desnecessárias. Em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra Deus está presente e entra em campo e em ninguém e nada mais; em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra a vontade de Deus é cristalina e está consumada e em mais nada e ninguém. Unicamente em, com e sob a pessoa de Jesus e sua obra, os céus estão abertos , inicia o novo éon. Eis a Boa Nova de Deus tão-somente em Jesus de Nazaré. Mateus dentro de seu escopo poimênico-eclesial alteia Jesus perante a comunidade destinatária como o espelho do coração paterno [de Deus], sem o qual nada vemos senão um juiz encolerizado e terrível (Lutero). Exorta-a a ficar bem junto de Jesus embora apareça só em 17.5 o acréscimo: a ele ouvi , vale que ele é a única Palavra de Deus que deve ouvir, em quem deve confiar e a quem deve obedecer na vida e na morte , e além dele não pode ter outros acontecimentos e poderes, personagens e verdades como fontes de sua pregação e como revelação divina (1ª Tese da Declaração Teológica da Igreja Evangélica Alemã, Barmen, 1934). Procedendo dessa forma, a comunidade torna-se filha do vosso Pai celeste (5.45.9; cf. 13.38). Logo, Mateus inculca na comunidade que Deus não pode negarse a si mesmo [...] por isso, quando seus filhos [e suas filhas] se apartam da
obediência e tropeçam, faz que sejam revocados[as] pela palavra ao arrependimento [...]. E quando tornam a voltar-se para ele em genuíno arrependimento mediante fé verdadeira, ele sempre quer mostrar o velho coração paterno a quantos temem sua palavra [veja Jr 3.1]. (Declaração Sólida) Para o evangelista, Jesus de Nazaré não precisa ser chamado como foram os profetas do Primeiro Testamento ele salvará o seu povo dos pecados deles , é Emanuel (1.23; 28.20) desde sua concepção (Mt 1.18.203). O que foi preciso era que fosse proclamado como tal em público e com voz inconfundível, e disso Deus mesmo se encarrega. Que Jesus não pode ser comparado com os profetas, e muito menos ainda com os doze, se demonstra no fato de que não recebe envio. Conseqüentemente segue a prova inicial que atesta a autenticidade de sua existência: 4.1-11. Com o que Mateus alude, em conformidade com seu afã poimênico-eclesial, ao futuro imediato da congregação dos batizados.
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4 Sugestões para o culto 1 Continuando a linha de pensamento desenvolvida até aqui, o culto não pode deixar de focalizar o Batismo (cf., em termos, PL 24, p. 67-9). Festividade é inoportuna; extremamente oportuno é encaminhar para a compenetração. Ao que corresponde implorar a Deus que nos conceda a graça da metanoia (Mt 3.2), cujo primeiro fruto digno (v. 8) é o empenho comunitário pela redescoberta do Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo : sua praxe intrépida, refletida e diferenciada, que envolve existencialmente, e sua vivência cotidiana, alegre e consciente, em nosso ambiente. 2 Um jogral, formulado por membros, que espelha o que se entende por Batismo na comunidade, dê a devida introdução ao tema do culto . 3 As orações sejam voltadas ao Batismo. A confissão dos pecados enumere superficialidades, desleixos e abusos em relação ao sacramento, constatados in loco et concreto, entre pais e padrinhos, presbitérios e obreiros e obreiras. A coleta peça a Deus por clareza, instrução e decisão em nossas brumas relativas ao Batismo a partir de sua palavra. A oração final rogue para que Deus providencie que a IECLB descubra o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo e anime a comunidade presente a tomar iniciativas concretas e corajosas nessa direção, esboçadas na prédica, tanto em âmbito local quanto sinodal. 4 Como hinos ofereçam-se: HPD 1, 40; 42; 96; 100; 105; 137; 177; 188. O Povo Canta, 230s. 5 Lutero pregou 47 vezes (sic) sobre Mt 3.13-7. Em nosso meio, nos últimos trinta anos, a perícope está sendo tratada pela quarta vez (as outras abordagens encontram-se em PL X, p. 206-15 [com muitas observações valiosas no texto em pauta e nos correlatos]; XVIII, p. 57-60; XXIV [24], p. 67-9).
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O enfoque a respeito do Batismo entre nós (veja I.s.) e as informações exegéticas e reflexões teológicas anteriores (veja III.) podem orientar a(s) prédica(s) como segue. Os pontos arrolados não querem indicar uma ordem prioritária, apenas lembrar aquilo que se deveria rebuscar, investigar a fundo e contextualizar. a Fomos batizados e batizadas. Que importância tem esse fato em nossas vidas? Ele nos alegra e custa algo? b É determinação de Deus que nos deixemos batizar. Quem fica distante ou hesita em se submeter, de livre e espontânea vontade, ao Batismo quer superar Jesus de Nazaré. Com o que em absoluto se justifica batizar, a torto e direito, qualquer bebê. Batismo não é meio apropriado para encher os templos aos domingos ou para aumentar o número de membros. Batismo é, isto sim, meio da graça livre e poderosa de Deus. c Batismo provoca ruptura com o estabelecido e estratificado religioso e social, com suas regras e ideologias, com suas forças mantenedoras e defensoras. A ruptura inicia por abolir o batizar como mera celebração igrejeira e social, esperada e aplaudida, sem conseqüências eclesiais e sociais. A ruptura prossegue em envolver a comunidade toda, responsabilizando-a pela prática batismal e pelo acompanhamento dos batizandos e das batizandas. A ruptura vai adiante à medida que o Batismo constituir o critério da vida no corpo em todas as suas dimensões. Chega de tanto faz quanto fez , Maria vai com as outras , compromissos religiosos múltiplos, achar que se é cristão e cristã quando se ama o próximo, discutir fés, mesclar fé em Deus com nossa boa e livre vontade, misturar a vida que se imagina com a vida que Deus dá. d Batismo coloca-nos perante a face de Deus. Seu Espírito nos prende aí. Deus fala de si e quer que o proclamemos e não a nós e nossa igreja . Deus desdobra que ele próprio está presente em Jesus de Nazaré para sempre e para todos. Desta feita destitui os mais diversos filhos de Deus . Quem é Deus nota-se no jeito de Jesus e em ninguém outro. A este nos cabe seguir no caminho da justiça em gratidão e alegria. Aqui o céu está aberto, olhamos além dos horizontes da IECLB e a presença de Deus nos é garantida. e Batismo atrai tentação. O caráter do Batismo revela-se em meio a atribulações. Seu valor está sendo comprovado nas aflições que assolam fé e vida da gente batizada. A tentação qualifica e acera a existência dos batizados e das batizadas. 2° DOMINGO APÓS EPIFANIA ISAÍAS 49.1-6 JOÃO 1.29-34(35-41) 1 CORÍNTIOS 1.1-9
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3o DOMINGO APÓS EPIFANIA
23 JAN 2005
MATEUS 4.12-23 1 CORÍNTIOS 1.10-17
PRÉDICA: AMÓS 3.1-8 Werner Brunken
1 Considerações gerais O texto de Am 3.1-8 foi comentado no volume 24 do Proclamar Libertação. Este auxílio fala sobre o texto de maneira mais geral. Torna-se necessário pesquisar em outras fontes, a fim de tornar o texto mais acessível para estudo em grupos ou pregação.
2 Texto de pregação com relação aos demais Em Mt 4.12-23, somos confrontados com a seriedade do seguir a Jesus. Este seguir exige obediência e sacrifício. Jesus ensinava, pregava e curava. Pessoas eram chamadas para sair das trevas e viver na luz. Já em 1 Co 1.10-17, os cristãos são exortados a viver a unidade em Cristo Jesus. Era sua convicção de que os que são de Jesus não poderiam seguir outros deuses. Comparando os dois textos com Am 3.1-8, percebo a centralidade em Jesus Cristo, que tem como alvos o Deus Eterno e seu reino. Deus usa a sua graça para com seu povo, mas ao mesmo tempo espera arrependimento e compromisso com ele e com o povo em geral.
3 Amós e o livro Não sabemos quando Amós nasceu ou faleceu. Só sabemos que atuou como profeta entre 760-750 antes de Cristo. Nasceu ao sul de Jerusalém na pequena cidade de Tecoa e atuou como profeta no reino do Norte (Israel). Amós não escolheu ser profeta. Deus o chamou e enviou (1.1ss.). Na época, era rei em Israel Jeroboão II.
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O enfoque a respeito do Batismo entre nós (veja I.s.) e as informações exegéticas e reflexões teológicas anteriores (veja III.) podem orientar a(s) prédica(s) como segue. Os pontos arrolados não querem indicar uma ordem prioritária, apenas lembrar aquilo que se deveria rebuscar, investigar a fundo e contextualizar. a Fomos batizados e batizadas. Que importância tem esse fato em nossas vidas? Ele nos alegra e custa algo? b É determinação de Deus que nos deixemos batizar. Quem fica distante ou hesita em se submeter, de livre e espontânea vontade, ao Batismo quer superar Jesus de Nazaré. Com o que em absoluto se justifica batizar, a torto e direito, qualquer bebê. Batismo não é meio apropriado para encher os templos aos domingos ou para aumentar o número de membros. Batismo é, isto sim, meio da graça livre e poderosa de Deus. c Batismo provoca ruptura com o estabelecido e estratificado religioso e social, com suas regras e ideologias, com suas forças mantenedoras e defensoras. A ruptura inicia por abolir o batizar como mera celebração igrejeira e social, esperada e aplaudida, sem conseqüências eclesiais e sociais. A ruptura prossegue em envolver a comunidade toda, responsabilizando-a pela prática batismal e pelo acompanhamento dos batizandos e das batizandas. A ruptura vai adiante à medida que o Batismo constituir o critério da vida no corpo em todas as suas dimensões. Chega de tanto faz quanto fez , Maria vai com as outras , compromissos religiosos múltiplos, achar que se é cristão e cristã quando se ama o próximo, discutir fés, mesclar fé em Deus com nossa boa e livre vontade, misturar a vida que se imagina com a vida que Deus dá. d Batismo coloca-nos perante a face de Deus. Seu Espírito nos prende aí. Deus fala de si e quer que o proclamemos e não a nós e nossa igreja . Deus desdobra que ele próprio está presente em Jesus de Nazaré para sempre e para todos. Desta feita destitui os mais diversos filhos de Deus . Quem é Deus nota-se no jeito de Jesus e em ninguém outro. A este nos cabe seguir no caminho da justiça em gratidão e alegria. Aqui o céu está aberto, olhamos além dos horizontes da IECLB e a presença de Deus nos é garantida. e Batismo atrai tentação. O caráter do Batismo revela-se em meio a atribulações. Seu valor está sendo comprovado nas aflições que assolam fé e vida da gente batizada. A tentação qualifica e acera a existência dos batizados e das batizadas. 2° DOMINGO APÓS EPIFANIA ISAÍAS 49.1-6 JOÃO 1.29-34(35-41) 1 CORÍNTIOS 1.1-9
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MATEUS 4.12-23 1 CORÍNTIOS 1.10-17
PRÉDICA: AMÓS 3.1-8 Werner Brunken
1 Considerações gerais O texto de Am 3.1-8 foi comentado no volume 24 do Proclamar Libertação. Este auxílio fala sobre o texto de maneira mais geral. Torna-se necessário pesquisar em outras fontes, a fim de tornar o texto mais acessível para estudo em grupos ou pregação.
2 Texto de pregação com relação aos demais Em Mt 4.12-23, somos confrontados com a seriedade do seguir a Jesus. Este seguir exige obediência e sacrifício. Jesus ensinava, pregava e curava. Pessoas eram chamadas para sair das trevas e viver na luz. Já em 1 Co 1.10-17, os cristãos são exortados a viver a unidade em Cristo Jesus. Era sua convicção de que os que são de Jesus não poderiam seguir outros deuses. Comparando os dois textos com Am 3.1-8, percebo a centralidade em Jesus Cristo, que tem como alvos o Deus Eterno e seu reino. Deus usa a sua graça para com seu povo, mas ao mesmo tempo espera arrependimento e compromisso com ele e com o povo em geral.
3 Amós e o livro Não sabemos quando Amós nasceu ou faleceu. Só sabemos que atuou como profeta entre 760-750 antes de Cristo. Nasceu ao sul de Jerusalém na pequena cidade de Tecoa e atuou como profeta no reino do Norte (Israel). Amós não escolheu ser profeta. Deus o chamou e enviou (1.1ss.). Na época, era rei em Israel Jeroboão II.
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3O D O M I N G O A P Ó S E P I F A N I A
A partir do século X, o povo de Israel estava acostumado a ouvir profetas reformistas . Estes estavam cientes das falhas do povo, mas acreditavam que tais erros poderiam ser solucionados dentro das estruturas em vigor e com o esforço do povo. Com Amós surgiram os profetas que disseram que todo o sistema estava corrompido e que o esforço era inútil para sair do buraco. Israel não era capaz de se manter em pé. Era como um cesto de figos maduros, preparados para a colheita (8.1-3). O reino do Norte (Israel) atravessou situações difíceis no século IX. Israel foi dominado pelos sírios. No entanto, com o reinado de Joás no início do século VIII as coisas mudaram. A situação de Israel mudou para melhor, principalmente no tempo do rei Jeroboão II. Israel experimentou prosperidade. Foram construídas casas luxuosas. Por causa do bom comércio com outros povos, apareceram os ricos. Esse bem-estar, no entanto, trouxe problemas sociais. Havia os ricos e os pobres. Estes sempre mais dependentes dos ricos (5.11-12). Havia suborno e os necessitados eram ignorados. Para dentro dessa situação soaram as palavras de Deus por intermédio de Amós.
deu-lhe a terra prometida. Recebeu tudo de Javé. Por isso terá que prestar contas de todos os seus atos. 3.4-6,8: Estes versículos, mesmo tendo temas diferentes, formam em si uma unidade de pensamento. São situações conhecidas do povo: andar juntos, leão no bosque, aves, trombeta. Em todos os versículos são enumeradas perguntas, que esperam respostas claras. Amós não teve saída. Precisou anunciar as palavras de Javé. Como nos exemplos citados, nada acontecia por si mesmo, pois as perguntas exigem respostas; assim Amós precisou anunciar as palavras de Javé, que igualmente exigem respostas precisas. Conclusão: O povo pecou? O castigo virá. Anunciar essa verdade foi difícil para Amós e para o povo, que a escutou. v. 7: Este versículo destoa dos demais. É como se Amós pretendesse justificar sua ação. Tudo é Javé, que faz a história, mas usa os profetas para revelá-la ao povo.
6 Meditação
3.1-2: Nestes versículos descobrimos que a eleição do povo de Israel significava responsabilidade. O povo foi escolhido para escutar com atenção as palavras de Javé. Este tirou o povo do Egito, conduziu-o pelo deserto;
O nosso mundo vive a realidade do Você aprontou? Procure corrigir! . Preferimos esta saída do que a outra: Você aprontou? Vai ter que ser castigado! . O povo de Israel no tempo de Moisés estava acostumado a viver a primeira possibilidade: estava ciente de que os erros cometidos precisavam ser corrigidos. Tinha-se a convicção de que o próprio povo seria capaz de corrigir os erros e melhorar de vida. Entretanto, o profeta Amós quebrou esse pensamento. Afirmou que o povo será incapaz de melhorar sua situação, mesmo sendo o escolhido por Deus entre todas as nações. O povo foi confrontado com a realidade do castigo: Deus punirá todas as sua iniquidades . O castigo aconteceu com o exílio na Babilônia alguns anos mais tarde. Mas, mesmo antes que isso acontecesse, Deus anunciou por intermédio de Amós que jamais abandonaria seu povo escolhido. Mesmo nas ruínas, haverá sinal de vida (9.11ss): levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei como fora nos dias da antigüidade . Essa atitude de Deus se faz presente também no Novo Testamento. O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 6.23). Esta mensagem é como uma luz nessas semanas de Epifania. Como para os magos apareceu aquela luz brilhante, que os levou à manjedoura em Belém, assim é a palavra na Sagrada Escritura hoje: aponta para nós como escolhidos de Deus desde o nosso Batismo e que vivemos a partir de sua graça e não de nossos esforços ou merecimentos. Jesus chama pessoas a cada instante para segui-lo. Mostra-lhes que jamais conquistarão o reino de Deus por seu esforço, mas pelo arrependimento entregam sua vida a Cristo, tornando-se por ele novas criaturas.
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4 Contexto Algo do contexto já está escrito acima. De 1.3 a 2.16, o livro anuncia o castigo que as nações e cidades vizinhas de Israel sofrerão por causa de sua crueldade nas guerras. São mencionados alguns oráculos (respostas recebidas de Deus), que precedem o da condenação de que Israel e Judá se tornaram merecedores, mesmo sendo o povo escolhido. Deus não deixará impune os seus pecados. Precisamente por causa de sua eleição, a sua responsabilidade aos olhos de Deus é maior. Por isso, mais severo será o castigo (3.1-2). A partir de 3.10, Amós atacou a injustiça social reinante (5.11; 8.4-6), o suborno e a prevaricação de juízes e tribunais (5.12), a opressão, a violência e até a escravidão, a que os mais pobres eram submetidos (2.6; 8.6). O profeta Amós proclamou que Deus castigará os que cometem tais pecados. Entretanto, mesmo que os castigos sejam inevitáveis, é certo que Deus não desejava destruir Israel. Deus quer reedificá-lo, para que continue sendo seu povo eleito (9.11-15).
5 Reflexão sobre o texto
3O D O M I N G O A P Ó S E P I F A N I A
3O D O M I N G O A P Ó S E P I F A N I A
A partir do século X, o povo de Israel estava acostumado a ouvir profetas reformistas . Estes estavam cientes das falhas do povo, mas acreditavam que tais erros poderiam ser solucionados dentro das estruturas em vigor e com o esforço do povo. Com Amós surgiram os profetas que disseram que todo o sistema estava corrompido e que o esforço era inútil para sair do buraco. Israel não era capaz de se manter em pé. Era como um cesto de figos maduros, preparados para a colheita (8.1-3). O reino do Norte (Israel) atravessou situações difíceis no século IX. Israel foi dominado pelos sírios. No entanto, com o reinado de Joás no início do século VIII as coisas mudaram. A situação de Israel mudou para melhor, principalmente no tempo do rei Jeroboão II. Israel experimentou prosperidade. Foram construídas casas luxuosas. Por causa do bom comércio com outros povos, apareceram os ricos. Esse bem-estar, no entanto, trouxe problemas sociais. Havia os ricos e os pobres. Estes sempre mais dependentes dos ricos (5.11-12). Havia suborno e os necessitados eram ignorados. Para dentro dessa situação soaram as palavras de Deus por intermédio de Amós.
deu-lhe a terra prometida. Recebeu tudo de Javé. Por isso terá que prestar contas de todos os seus atos. 3.4-6,8: Estes versículos, mesmo tendo temas diferentes, formam em si uma unidade de pensamento. São situações conhecidas do povo: andar juntos, leão no bosque, aves, trombeta. Em todos os versículos são enumeradas perguntas, que esperam respostas claras. Amós não teve saída. Precisou anunciar as palavras de Javé. Como nos exemplos citados, nada acontecia por si mesmo, pois as perguntas exigem respostas; assim Amós precisou anunciar as palavras de Javé, que igualmente exigem respostas precisas. Conclusão: O povo pecou? O castigo virá. Anunciar essa verdade foi difícil para Amós e para o povo, que a escutou. v. 7: Este versículo destoa dos demais. É como se Amós pretendesse justificar sua ação. Tudo é Javé, que faz a história, mas usa os profetas para revelá-la ao povo.
6 Meditação
3.1-2: Nestes versículos descobrimos que a eleição do povo de Israel significava responsabilidade. O povo foi escolhido para escutar com atenção as palavras de Javé. Este tirou o povo do Egito, conduziu-o pelo deserto;
O nosso mundo vive a realidade do Você aprontou? Procure corrigir! . Preferimos esta saída do que a outra: Você aprontou? Vai ter que ser castigado! . O povo de Israel no tempo de Moisés estava acostumado a viver a primeira possibilidade: estava ciente de que os erros cometidos precisavam ser corrigidos. Tinha-se a convicção de que o próprio povo seria capaz de corrigir os erros e melhorar de vida. Entretanto, o profeta Amós quebrou esse pensamento. Afirmou que o povo será incapaz de melhorar sua situação, mesmo sendo o escolhido por Deus entre todas as nações. O povo foi confrontado com a realidade do castigo: Deus punirá todas as sua iniquidades . O castigo aconteceu com o exílio na Babilônia alguns anos mais tarde. Mas, mesmo antes que isso acontecesse, Deus anunciou por intermédio de Amós que jamais abandonaria seu povo escolhido. Mesmo nas ruínas, haverá sinal de vida (9.11ss): levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei como fora nos dias da antigüidade . Essa atitude de Deus se faz presente também no Novo Testamento. O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 6.23). Esta mensagem é como uma luz nessas semanas de Epifania. Como para os magos apareceu aquela luz brilhante, que os levou à manjedoura em Belém, assim é a palavra na Sagrada Escritura hoje: aponta para nós como escolhidos de Deus desde o nosso Batismo e que vivemos a partir de sua graça e não de nossos esforços ou merecimentos. Jesus chama pessoas a cada instante para segui-lo. Mostra-lhes que jamais conquistarão o reino de Deus por seu esforço, mas pelo arrependimento entregam sua vida a Cristo, tornando-se por ele novas criaturas.
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4 Contexto Algo do contexto já está escrito acima. De 1.3 a 2.16, o livro anuncia o castigo que as nações e cidades vizinhas de Israel sofrerão por causa de sua crueldade nas guerras. São mencionados alguns oráculos (respostas recebidas de Deus), que precedem o da condenação de que Israel e Judá se tornaram merecedores, mesmo sendo o povo escolhido. Deus não deixará impune os seus pecados. Precisamente por causa de sua eleição, a sua responsabilidade aos olhos de Deus é maior. Por isso, mais severo será o castigo (3.1-2). A partir de 3.10, Amós atacou a injustiça social reinante (5.11; 8.4-6), o suborno e a prevaricação de juízes e tribunais (5.12), a opressão, a violência e até a escravidão, a que os mais pobres eram submetidos (2.6; 8.6). O profeta Amós proclamou que Deus castigará os que cometem tais pecados. Entretanto, mesmo que os castigos sejam inevitáveis, é certo que Deus não desejava destruir Israel. Deus quer reedificá-lo, para que continue sendo seu povo eleito (9.11-15).
5 Reflexão sobre o texto
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A partir daí poderão viver diferente, conforme Paulo coloca em 1 Co 1.10-17: não precisam mais viver na competição de grupos. Podem viver como irmãos e irmãs na fé, aceitando, abraçando, ajudando-se para viver a justiça de Deus. Fazer com que todas as pessoas tenham uma vida nova e digna a partir de Jesus Cristo.
Leituras: Convidar para ler 1 Co 1.10-17 (alguém da comunidade lê ou dois grupos alternados). Terminada a leitura, cantar: Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração... (HPD 213). (De pé) Convidar para a leitura do evangelho em Mt 4.12-23. Após a leitura, cantar: Viver com Jesus é cantar... (HPD 181,1-2).
7 Celebração Intróito (instrumentos, coral, sinos): É grande a nossa alegria em cumprimentar todos e todas neste terceiro domingo do tempo de Epifania. Deus fez sua luz aparecer por meio do nascimento de Jesus e deseja que ela brilhe em nós. Estamos, por isso, reunidos em nome do Deus Criador e Pai, de Jesus Cristo, nosso Salvador, e do Espírito Santo, nosso Consolador. Amém. Convido para cantar: Vem à luz alegremente, ó povo do Senhor... . Confissão: Ó Deus! Tu vieste ao mundo na pessoa de Jesus, para revelar o teu grande amor para com a humanidade. Tu nos aceitaste como filhos e filhas através de nosso Batismo. Entretanto, confessamos que não correspondemos à tua vontade. Somos filhos desobedientes, que merecem ser castigados. Perdoa-nos pelo sacrifício de Jesus na cruz. Renova-nos com a luz do teu Espírito. Tem, Senhor, piedade! Cantar em conjunto: Tem, Senhor, piedade! (três vezes) Absolvição: Deus no seu grande amor para conosco perdoa as nossas iniqüidades e renova nossas vidas, para vivermos unidos a Ele e entre nós. Por essa razão podemos render glória a Deus, cantando: Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós . Oração: Obrigado, Deus e Pai, pela luz que brilha também hoje em nós. É esta luz que resplandece através da tua palavra. Que ela abra nossas mentes, ouvidos e corações para recebê-la com atenção e compromisso. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém. Cantar: Chegou a nós a redenção por graça e por bondade... (HPD 156,1-4).
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Pregação: Leitura de Am 3.1-8. Passos para estudo em grupos ou pregação (baseados na meditação). Como vivemos neste mundo. Amós anunciou outra realidade a partir da palavra de Deus. O salário do pecado é a morte. O dom gratuito de Deus é vida em Jesus Cristo. Jesus é a luz que ilumina o nosso caminho. Em Jesus podemos viver como irmãos e irmãs sem explorar uns aos outros. Confissão de fé: Como resposta ao desafio da palavra de Deus: Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra... . Recolhimento das ofertas: Faz parte daquilo que nós podemos oferecer a Deus em gratidão por aquilo que Ele fez por nós. Explicar a finalidade, destino, motivar, cantar durante o recolhimento. Levá-las ao altar, agradecer e interceder. Avisos comunitários: Boas-vindas aos visitantes. Pedir que se apresentem: nome, de onde vêm, igreja da qual participam; entregar uma lembrança. Oração final: Enaltecer a grandeza da obra de Deus em nosso favor. Somente a partir dele é que podemos viver como novas criaturas. Agradecer pelo culto, pelos visitantes, por cada pessoa presente. Pedir pela vivência cristã na nova semana. Interceder pelos doentes, deficientes, desempregados, injustiçados. Interceder pelo fim da violência nas cidades e no campo. Encerrar com o Pai-Nosso em conjunto. Cantar: Abençoa tu, Senhor, a saída, a nossa entrada... (HPD 131).
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A partir daí poderão viver diferente, conforme Paulo coloca em 1 Co 1.10-17: não precisam mais viver na competição de grupos. Podem viver como irmãos e irmãs na fé, aceitando, abraçando, ajudando-se para viver a justiça de Deus. Fazer com que todas as pessoas tenham uma vida nova e digna a partir de Jesus Cristo.
Leituras: Convidar para ler 1 Co 1.10-17 (alguém da comunidade lê ou dois grupos alternados). Terminada a leitura, cantar: Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração... (HPD 213). (De pé) Convidar para a leitura do evangelho em Mt 4.12-23. Após a leitura, cantar: Viver com Jesus é cantar... (HPD 181,1-2).
7 Celebração Intróito (instrumentos, coral, sinos): É grande a nossa alegria em cumprimentar todos e todas neste terceiro domingo do tempo de Epifania. Deus fez sua luz aparecer por meio do nascimento de Jesus e deseja que ela brilhe em nós. Estamos, por isso, reunidos em nome do Deus Criador e Pai, de Jesus Cristo, nosso Salvador, e do Espírito Santo, nosso Consolador. Amém. Convido para cantar: Vem à luz alegremente, ó povo do Senhor... . Confissão: Ó Deus! Tu vieste ao mundo na pessoa de Jesus, para revelar o teu grande amor para com a humanidade. Tu nos aceitaste como filhos e filhas através de nosso Batismo. Entretanto, confessamos que não correspondemos à tua vontade. Somos filhos desobedientes, que merecem ser castigados. Perdoa-nos pelo sacrifício de Jesus na cruz. Renova-nos com a luz do teu Espírito. Tem, Senhor, piedade! Cantar em conjunto: Tem, Senhor, piedade! (três vezes) Absolvição: Deus no seu grande amor para conosco perdoa as nossas iniqüidades e renova nossas vidas, para vivermos unidos a Ele e entre nós. Por essa razão podemos render glória a Deus, cantando: Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós . Oração: Obrigado, Deus e Pai, pela luz que brilha também hoje em nós. É esta luz que resplandece através da tua palavra. Que ela abra nossas mentes, ouvidos e corações para recebê-la com atenção e compromisso. Por Jesus Cristo, que contigo e com o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém. Cantar: Chegou a nós a redenção por graça e por bondade... (HPD 156,1-4).
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Pregação: Leitura de Am 3.1-8. Passos para estudo em grupos ou pregação (baseados na meditação). Como vivemos neste mundo. Amós anunciou outra realidade a partir da palavra de Deus. O salário do pecado é a morte. O dom gratuito de Deus é vida em Jesus Cristo. Jesus é a luz que ilumina o nosso caminho. Em Jesus podemos viver como irmãos e irmãs sem explorar uns aos outros. Confissão de fé: Como resposta ao desafio da palavra de Deus: Creio em Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra... . Recolhimento das ofertas: Faz parte daquilo que nós podemos oferecer a Deus em gratidão por aquilo que Ele fez por nós. Explicar a finalidade, destino, motivar, cantar durante o recolhimento. Levá-las ao altar, agradecer e interceder. Avisos comunitários: Boas-vindas aos visitantes. Pedir que se apresentem: nome, de onde vêm, igreja da qual participam; entregar uma lembrança. Oração final: Enaltecer a grandeza da obra de Deus em nosso favor. Somente a partir dele é que podemos viver como novas criaturas. Agradecer pelo culto, pelos visitantes, por cada pessoa presente. Pedir pela vivência cristã na nova semana. Interceder pelos doentes, deficientes, desempregados, injustiçados. Interceder pelo fim da violência nas cidades e no campo. Encerrar com o Pai-Nosso em conjunto. Cantar: Abençoa tu, Senhor, a saída, a nossa entrada... (HPD 131).
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
Envio: Ide em paz e servi ao Senhor! Comunidade: Demos graças a Deus!
6 FEV 2005
ÊXODO 14.12,15-18 2 PEDRO 1.16-19
PRÉDICA: MATEUS 17.1-9
Bibliografia NASH, Peter T. Auxílio homilético sobre Amós 3.1-8. In: Proclamar Libertação vol. 24. São Leopoldo: Sinodal, 1998. SCHOKEL, L. Alonso e DIAZ, J.L. Sicre. Grande Comentário Bíblico. Profetas II. São Paulo: Paulinas, 1991. WEISER, Artur. ATD: Die Propheten. Göttingen: Vandenhoeck & Rupprecht, 1949. Vol. 24.
4° DOMINGO APÓS EPIFANIA MIQUÉIAS 6.1-8 MATEUS 5.1-12 1 CORÍNTIOS 1.26-31
Louraini Christmann
1 Que tal o texto em poesia! Para iniciar, quero propor a leitura desse texto em versos populares , escritos por Severino Batista (A Palavra na Vida, 146, CEBI). Que tal iniciar a pregação lendo esses versos? Ou melhor ainda: Você mesmo(a) pode compor seus versos, que dirão criativamente o que o texto diz. 1 Ali seu rosto em clarão Igual ao sol brilhava Sua veste reluzente Em brancura se tornava Eis que Moisés e Elias Muita atenção lhe prestavam. 2 Pedro pediu a palavra Dizendo: Senhor, atenção É bom estarmos aqui Se queres na ocasião Três tendas para os três Eu farei com perfeição. 3 Uma será para ti Outra pra Moisés eu dou Outra pra Elias faço Eis que uma nuvem baixou Mais luminosa que tudo E tudo ali rodeou. 4 Daquela nuvem se fez Ouvir com toda atenção Uma voz que lhe dizia
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
Envio: Ide em paz e servi ao Senhor! Comunidade: Demos graças a Deus!
6 FEV 2005
ÊXODO 14.12,15-18 2 PEDRO 1.16-19
PRÉDICA: MATEUS 17.1-9
Bibliografia NASH, Peter T. Auxílio homilético sobre Amós 3.1-8. In: Proclamar Libertação vol. 24. São Leopoldo: Sinodal, 1998. SCHOKEL, L. Alonso e DIAZ, J.L. Sicre. Grande Comentário Bíblico. Profetas II. São Paulo: Paulinas, 1991. WEISER, Artur. ATD: Die Propheten. Göttingen: Vandenhoeck & Rupprecht, 1949. Vol. 24.
4° DOMINGO APÓS EPIFANIA MIQUÉIAS 6.1-8 MATEUS 5.1-12 1 CORÍNTIOS 1.26-31
Louraini Christmann
1 Que tal o texto em poesia! Para iniciar, quero propor a leitura desse texto em versos populares , escritos por Severino Batista (A Palavra na Vida, 146, CEBI). Que tal iniciar a pregação lendo esses versos? Ou melhor ainda: Você mesmo(a) pode compor seus versos, que dirão criativamente o que o texto diz. 1 Ali seu rosto em clarão Igual ao sol brilhava Sua veste reluzente Em brancura se tornava Eis que Moisés e Elias Muita atenção lhe prestavam. 2 Pedro pediu a palavra Dizendo: Senhor, atenção É bom estarmos aqui Se queres na ocasião Três tendas para os três Eu farei com perfeição. 3 Uma será para ti Outra pra Moisés eu dou Outra pra Elias faço Eis que uma nuvem baixou Mais luminosa que tudo E tudo ali rodeou. 4 Daquela nuvem se fez Ouvir com toda atenção Uma voz que lhe dizia
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
Meu filho do coração Amado em quem pus Toda minha perfeição.
ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
Paralelos Mateus, Marcos e Lucas narram a mesma passagem. Antecede sempre o anúncio da cruz e vem logo após o anúncio da boa-nova da cura de um menino. E nos três também aparecem claramente os discípulos de Jesus negando a cura ao menino, os mesmos discípulos dentre os quais Pedro, Tiago e João, que de imediato queriam construir tendas para este Jesus brilhante e glorioso. É! Temem o Jesus da cruz, que desafia a cura, inclusive do menino ao qual negam a cura, e querem prender a si o Jesus da glória, do brilho. É claro que a cruz angustia. É claro que ela preocupa. Mas Jesus não pode voltar atrás e isto Pedro não entende e não aceita. Arreda, Satanás para Pedro (Mt 16.23). Mas parece que o tal de Satanás continua firme nos discípulos, agora na vontade de perpetuar uma paz gloriosa, uma paz fictícia, uma paz sem paz. E para Jesus poder iniciar a construção da paz verdadeira é preciso que ele passe pela cruz. Não tem outro jeito.
5 Ouvindo estas palavras Os três discípulos caíram Com a face sobre a terra Muito medo eles sentiram Mas Jesus os levantou Rápido que eles não viram. 6 Quando eles desciam Jesus começou a falar Não conteis para ninguém Proibiu-lhes de contar Que viram o filho do homem Só quando ressuscitar.
3 Senhor, como é bom estarmos aqui
2 Mateus pergunta: Quem somos nós? E qual é a nossa missão? O Evangelho de Mateus quer dar essa resposta em uma época em que o judaísmo tenta se adaptar ao novo em Jesus. Ele é, sim, o Messias (Mt 17.5). Para sempre Jesus estará com a gente (Mt 28.20), mesmo que no presente passemos pelas mais diversas crises. Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino definem a função do Evangelho de Mateus assim: Neste Evangelho, as comunidades de judeu-cristãos encontravam uma fonte de consolo para o momento presente, uma nova maneira de entender o passado e uma prática que abria o caminho para o futuro com Deus (na introdução ao livro Travessia Quero Misericórdia e não Sacrifícios Palavra da Vida 135/136 CEBI). Em nosso texto me parece que aparecem justamente estes elementos: consolo para o presente: a visão; nova maneira de entender o passado: agora a mensagem de Moisés e Elias é radicalizada ou completada por Jesus; prática que abre o caminho para um futuro com Deus: as palavras de Deus para os discípulos Ouçam o que ele diz e a palavra de Jesus Não tenham medo . Bom pensar que esse texto poderia ser um pouco o resumo do evangelho todo.
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Sim, é bom ver Jesus daquele jeito, com o rosto brilhante como o sol, com as roupas brancas como a luz. É um momento forte. Sim, é bom estar aí. Também para Jesus. Por isso sobe para um alto monte, onde sempre acontecem momentos importantes. Pois ele precisa também se alimentar de um momento importante, especial, sublime, como também nós precisamos. O momento no alto do monte, da reza, da busca por energia para enfrentar a vida, é um momento do coração, não da razão. E o coração precisa desses momentos. Ah, como precisa! Também é importante saber adorar esse Deus com toda a intensidade por um outro motivo: isso faz a gente se desprender da gente mesmo. Isso nos impede de adorar a nós mesmos. Armar barraca para a glória Mas Pedro, Tiago e João querem perpetuar esse momento, querem ficar só nele, querem esquecer a cruz. Por isso propõem a construção de uma barraca. A barraca seria a maneira de segurá-lo desse jeito, de garantir que ele não viesse de novo com aquela conversa da cruz. Ali, brilhando, reluzindo ao lado de Elias e Moisés, seria muito mais fácil assumi-lo. Nós, muitas vezes, sentimos também essa tentação. Desenvolver uma fé descomprometida, apenas contemplativa, é também hoje armar barraca para a glória, é também hoje ignorar a passagem pela cruz. Imaginar Jesus
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
Meu filho do coração Amado em quem pus Toda minha perfeição.
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Paralelos Mateus, Marcos e Lucas narram a mesma passagem. Antecede sempre o anúncio da cruz e vem logo após o anúncio da boa-nova da cura de um menino. E nos três também aparecem claramente os discípulos de Jesus negando a cura ao menino, os mesmos discípulos dentre os quais Pedro, Tiago e João, que de imediato queriam construir tendas para este Jesus brilhante e glorioso. É! Temem o Jesus da cruz, que desafia a cura, inclusive do menino ao qual negam a cura, e querem prender a si o Jesus da glória, do brilho. É claro que a cruz angustia. É claro que ela preocupa. Mas Jesus não pode voltar atrás e isto Pedro não entende e não aceita. Arreda, Satanás para Pedro (Mt 16.23). Mas parece que o tal de Satanás continua firme nos discípulos, agora na vontade de perpetuar uma paz gloriosa, uma paz fictícia, uma paz sem paz. E para Jesus poder iniciar a construção da paz verdadeira é preciso que ele passe pela cruz. Não tem outro jeito.
5 Ouvindo estas palavras Os três discípulos caíram Com a face sobre a terra Muito medo eles sentiram Mas Jesus os levantou Rápido que eles não viram. 6 Quando eles desciam Jesus começou a falar Não conteis para ninguém Proibiu-lhes de contar Que viram o filho do homem Só quando ressuscitar.
3 Senhor, como é bom estarmos aqui
2 Mateus pergunta: Quem somos nós? E qual é a nossa missão? O Evangelho de Mateus quer dar essa resposta em uma época em que o judaísmo tenta se adaptar ao novo em Jesus. Ele é, sim, o Messias (Mt 17.5). Para sempre Jesus estará com a gente (Mt 28.20), mesmo que no presente passemos pelas mais diversas crises. Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino definem a função do Evangelho de Mateus assim: Neste Evangelho, as comunidades de judeu-cristãos encontravam uma fonte de consolo para o momento presente, uma nova maneira de entender o passado e uma prática que abria o caminho para o futuro com Deus (na introdução ao livro Travessia Quero Misericórdia e não Sacrifícios Palavra da Vida 135/136 CEBI). Em nosso texto me parece que aparecem justamente estes elementos: consolo para o presente: a visão; nova maneira de entender o passado: agora a mensagem de Moisés e Elias é radicalizada ou completada por Jesus; prática que abre o caminho para um futuro com Deus: as palavras de Deus para os discípulos Ouçam o que ele diz e a palavra de Jesus Não tenham medo . Bom pensar que esse texto poderia ser um pouco o resumo do evangelho todo.
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Sim, é bom ver Jesus daquele jeito, com o rosto brilhante como o sol, com as roupas brancas como a luz. É um momento forte. Sim, é bom estar aí. Também para Jesus. Por isso sobe para um alto monte, onde sempre acontecem momentos importantes. Pois ele precisa também se alimentar de um momento importante, especial, sublime, como também nós precisamos. O momento no alto do monte, da reza, da busca por energia para enfrentar a vida, é um momento do coração, não da razão. E o coração precisa desses momentos. Ah, como precisa! Também é importante saber adorar esse Deus com toda a intensidade por um outro motivo: isso faz a gente se desprender da gente mesmo. Isso nos impede de adorar a nós mesmos. Armar barraca para a glória Mas Pedro, Tiago e João querem perpetuar esse momento, querem ficar só nele, querem esquecer a cruz. Por isso propõem a construção de uma barraca. A barraca seria a maneira de segurá-lo desse jeito, de garantir que ele não viesse de novo com aquela conversa da cruz. Ali, brilhando, reluzindo ao lado de Elias e Moisés, seria muito mais fácil assumi-lo. Nós, muitas vezes, sentimos também essa tentação. Desenvolver uma fé descomprometida, apenas contemplativa, é também hoje armar barraca para a glória, é também hoje ignorar a passagem pela cruz. Imaginar Jesus
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
eternamente ao lado de Elias e Moisés, conversando com eles, é não querer seguir o rumo da cruz. É preciso saber levantar-se depois dos momentos de glória, depois dos momentos de se ajoelhar. Jesus faz isto também. Busca momentos de se reabastecer e vai à luta. Este ir à luta começa aí não aceitando a proposta de Pedro.
4 Escutem o que ele diz! (Mt 17.5c) Aí o próprio Deus coloca a sua proposta. Deus leva a visão para a audição: Escutem o que ele diz . É preciso ouvir o que Jesus diz, porque este é seu Filho querido, este lhe dá muita alegria (Mt 17.5). Ao ouvirem essa voz, os discípulos tremem na base. Sabem já o que isso significa. Já ouviram tanto ele dizendo, desafiando, convocando... Levantem-se e não tenham medo (Mt 17.6b). É preciso levantar-se e viver o que ele diz. Para isso necessita-se de coragem, de energia, de fibra. Não é fácil ser seguidor de alguém que assume o sofrimento. Bem mais fácil seria seguir um Jesus que aceitasse a instalação de uma confortável barraca ao lado de Elias e Moisés, personagens gloriosos da história de Israel.
5 Jesus é mais brilhante do que Elias e Moisés Jesus é o filho amado de Deus. Não Elias, nem Moisés. Só Jesus. Isto o deixa em destaque. Elias e Moisés lembram Deus revelando sua palavra. Mas Jesus é mais do que isso. Jesus é o verbo que se fez carne. Eles são importantes, sim. Estão aí, no alto do monte, conversando com Jesus. Mas Jesus é o filho amado que a gente precisa ouvir e seguir. Depois da visão, Moisés e Elias desaparecem. Fica bem claro quem é que interessa dali para frente. A mensagem do evangelho passa a valer mais do que a lei e os profetas. Mas o importante é que Jesus faz essa ponte entre essas mensagens, todas com o seu devido valor, devidamente explicadas, vividas no decorrer do evangelho de Jesus. Somem tradições e costumes. Fica Jesus. Jesus aparecendo com o rosto brilhante e as roupas brancas como a luz quer ser a prova de que é o Messias tão esperado. Ele tem a ver com os anjos, ele tem a ver com Deus. É o seu filho amado, que lhe dá tanta alegria.
ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
6 O momento do brilho entre as cruzes hoje Como necessitamos de momentos de brilho também entre as nossas cruzes hoje! E é a vida comunitária, vivida com responsabilidade e intensidade, que dá isso para a gente. Precisamos poder também transfigurar comunitariamente, na base da história que a gente já viveu, na base de tudo o que a gente já aprendeu, na base da vida. As nossas celebrações comunitárias deveriam ser esses momentos fortes de brilho e glória. Deveriam iniciar com canções marcantes, que possam nos emocionar. Os nossos cultos precisam ser um preparo para a vida, um fortalecimento para a vida, porque a vida não é uma beleza o tempo todo. Penso que, no geral, a gente, como igreja de origem luterana e alemã, dá muita ênfase à razão em detrimento da emoção. Não é necessário explicar tudo em nossas celebrações. Não é preciso entender tudo. Mas é preciso sentir tudo, é preciso conseguir juntar as coisas que a gente sente com a vida do dia-a-dia, onde a gente sente muito.
7 Não tenham medo! Levantem-se (Mt 17.6b) Mas não dá para ficar no momento do brilho. Isto é muito pouco. Não dá para perpetuar o momento da glória. Este Jesus glorioso também anuncia a cruz. Pois não dá para negar a cruz. Ela precisa ser assumida em todas as suas dimensões. É preciso que nos levantemos do êxtase e que não tenhamos medo. Pedro quer se apoderar de Jesus, quer construir uma barraca para prendê-lo a esse momento de glória; ele merece uma indireta bonita de Deus: Ouçam o que Jesus diz! Isto é o que importa. Será que a gente não merece também uma indireta dessas? Eu penso que não, simplesmente porque em muitas de nossas comunidades nem há esse momento de brilho. Há celebrações frias, racionais, estáticas. Há muitas celebrações sem celebração alguma. Lastimável, mas é.
8 A celebração como um todo, liturgia e pregação A celebração precisa ser bonita, precisa mexer com a emoção, como todas, aliás. Mas esta em especial deve lembrar-nos de que temos a necessidade também dos nossos momentos de brilho. Precisamos sentir a glória de Jesus inundando aquele momento todo especial na companhia da comuni-
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ÚLTIMO DOMINGO APÓS EPIFANIA
eternamente ao lado de Elias e Moisés, conversando com eles, é não querer seguir o rumo da cruz. É preciso saber levantar-se depois dos momentos de glória, depois dos momentos de se ajoelhar. Jesus faz isto também. Busca momentos de se reabastecer e vai à luta. Este ir à luta começa aí não aceitando a proposta de Pedro.
4 Escutem o que ele diz! (Mt 17.5c) Aí o próprio Deus coloca a sua proposta. Deus leva a visão para a audição: Escutem o que ele diz . É preciso ouvir o que Jesus diz, porque este é seu Filho querido, este lhe dá muita alegria (Mt 17.5). Ao ouvirem essa voz, os discípulos tremem na base. Sabem já o que isso significa. Já ouviram tanto ele dizendo, desafiando, convocando... Levantem-se e não tenham medo (Mt 17.6b). É preciso levantar-se e viver o que ele diz. Para isso necessita-se de coragem, de energia, de fibra. Não é fácil ser seguidor de alguém que assume o sofrimento. Bem mais fácil seria seguir um Jesus que aceitasse a instalação de uma confortável barraca ao lado de Elias e Moisés, personagens gloriosos da história de Israel.
5 Jesus é mais brilhante do que Elias e Moisés Jesus é o filho amado de Deus. Não Elias, nem Moisés. Só Jesus. Isto o deixa em destaque. Elias e Moisés lembram Deus revelando sua palavra. Mas Jesus é mais do que isso. Jesus é o verbo que se fez carne. Eles são importantes, sim. Estão aí, no alto do monte, conversando com Jesus. Mas Jesus é o filho amado que a gente precisa ouvir e seguir. Depois da visão, Moisés e Elias desaparecem. Fica bem claro quem é que interessa dali para frente. A mensagem do evangelho passa a valer mais do que a lei e os profetas. Mas o importante é que Jesus faz essa ponte entre essas mensagens, todas com o seu devido valor, devidamente explicadas, vividas no decorrer do evangelho de Jesus. Somem tradições e costumes. Fica Jesus. Jesus aparecendo com o rosto brilhante e as roupas brancas como a luz quer ser a prova de que é o Messias tão esperado. Ele tem a ver com os anjos, ele tem a ver com Deus. É o seu filho amado, que lhe dá tanta alegria.
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6 O momento do brilho entre as cruzes hoje Como necessitamos de momentos de brilho também entre as nossas cruzes hoje! E é a vida comunitária, vivida com responsabilidade e intensidade, que dá isso para a gente. Precisamos poder também transfigurar comunitariamente, na base da história que a gente já viveu, na base de tudo o que a gente já aprendeu, na base da vida. As nossas celebrações comunitárias deveriam ser esses momentos fortes de brilho e glória. Deveriam iniciar com canções marcantes, que possam nos emocionar. Os nossos cultos precisam ser um preparo para a vida, um fortalecimento para a vida, porque a vida não é uma beleza o tempo todo. Penso que, no geral, a gente, como igreja de origem luterana e alemã, dá muita ênfase à razão em detrimento da emoção. Não é necessário explicar tudo em nossas celebrações. Não é preciso entender tudo. Mas é preciso sentir tudo, é preciso conseguir juntar as coisas que a gente sente com a vida do dia-a-dia, onde a gente sente muito.
7 Não tenham medo! Levantem-se (Mt 17.6b) Mas não dá para ficar no momento do brilho. Isto é muito pouco. Não dá para perpetuar o momento da glória. Este Jesus glorioso também anuncia a cruz. Pois não dá para negar a cruz. Ela precisa ser assumida em todas as suas dimensões. É preciso que nos levantemos do êxtase e que não tenhamos medo. Pedro quer se apoderar de Jesus, quer construir uma barraca para prendê-lo a esse momento de glória; ele merece uma indireta bonita de Deus: Ouçam o que Jesus diz! Isto é o que importa. Será que a gente não merece também uma indireta dessas? Eu penso que não, simplesmente porque em muitas de nossas comunidades nem há esse momento de brilho. Há celebrações frias, racionais, estáticas. Há muitas celebrações sem celebração alguma. Lastimável, mas é.
8 A celebração como um todo, liturgia e pregação A celebração precisa ser bonita, precisa mexer com a emoção, como todas, aliás. Mas esta em especial deve lembrar-nos de que temos a necessidade também dos nossos momentos de brilho. Precisamos sentir a glória de Jesus inundando aquele momento todo especial na companhia da comuni-
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dade reunida. Penso que deveria ser pensado especialmente em detalhes brilhantes, talvez inclusive lembrando coisas do passado (Moisés e Elias), importantes para nós. Uma pessoa poderia ser vestida de uma maneira chamativa, talvez uma menina vestida de anjo com muito brilho. Assim, em época fora do Natal, chamaria bastante a atenção. Esse anjo poderia ser despido do brilho durante a pregação, restando nele roupas rústicas, que lembram trabalho, sofrimento, cruz, que lembram o trabalho do dia-a-dia. Ele poderia estar prostrado e ser convidado a se levantar e seguir o caminho. Poderia ser convidada uma pessoa da comunidade para estender a mão ao anjo agora despido de brilho. Essa poderia ser convidada a dirigir-lhe uma palavra de Jesus, já que Deus fala que é preciso ouvir o que este nos diz. Quanto aos passos da pregação, penso que poderiam ser seguidos os mesmos desta minha meditação. Organizei esta de tal maneira que isso fosse possível. Aclamação do evangelho Penso que ficaria bem simplesmente repetir a leitura de 1 Pe 1.19b: Vocês fazem bem em prestar atenção nesta mensagem, porque ela é como uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a luz da estrela da manhã brilhe no coração de vocês .
Bibliografia BATISTA, Severino. O Evangelho de Mateus em Versos Populares A Palavra na Vida 146. CEBI, 2000. MALSCHITZKY, Harald. Auxílio sobre Mt 17.1-9 Proclamar Libertação Vol. XVIII, São Leopoldo: Sinodal, 1992. MESTERS, Carlos; LOPES, Mercedes; OROFINO, Francisco. Travessia Quero misericórdia e não sacrifícios A Palavra na Vida 135/136, CEBI, 1999. VASCONCELOS, Pedro Lima; RODRIGUES da Silva, Rafael. Feliz quem tem fome e sede de justiça, a Boa Notícia segundo a comunidade de Mateus A Palavra na Vida 134, CEBI, 1999.
1o DOMINGO DA QUARESMA
13 FEV 2005
MATEUS 4.1-11 ROMANOS 5.12(13-16),17-19
PRÉDICA: GÊNESIS 2.7-9,15-17;3.1-7 Harald Malschitzky
1 Algumas considerações gerais
Alguém teria perguntado a Lutero onde Deus estava antes de criar o céu e a terra. E ele teria respondido: Deus estava no mato, cortando uma vara para bater na boca dos curiosos! É enorme o número de perguntas que os primeiros três capítulos de Gênesis já suscitaram, assim como é enorme e até antagônico o número de conclusões que já se tiraram daqui. Sem querer adiantar detalhes, lembro que para muitos a idéia do paraíso é uma existência sem fazer nada, o próprio estado de dolce far niente. Ou quantos séculos de marginalização da mulher determinada leitura do texto conseguiu impor! Quanta doutrina rasteira, negativa e prejudicial na área da sexualidade se construiu a partir da nudez de Adão e Eva! O pior é que algumas idéias, conceitos e preconceitos se transformaram em doutrinas que até hoje nos ocupam e criam dificuldades. No mundo ecumênico se continua discutindo, sem que se chegue a um consenso, o papel da mulher na igreja, o lugar da sexualidade na vida e convivência do ser humano, o planejamento familiar, e por aí vai. Sabemos que também em nossas comunidades há muitas distorções. A perícope é composta de partes de um texto maior. Ainda assim, temos diante de nós um texto longo e muito denso. Impossível pretender que todos os seus aspectos sejam considerados em uma prédica só.
2 Comentando o texto
2.7 A idéia de que o ser humano é criado a partir do pó era muito difundida e o autor do texto a pode ter assumido, porque ela responde à pergunta pelo limite da vida e pela relação do ser humano com a terra. Os termos hebraicos adam e adamah expressam essa relação de forma magistral. A raiz da palavra terra e do coletivo Adão é a mesma. O específico e diferente do ser humano é justamente o sopro de Deus, através do qual ele é
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dade reunida. Penso que deveria ser pensado especialmente em detalhes brilhantes, talvez inclusive lembrando coisas do passado (Moisés e Elias), importantes para nós. Uma pessoa poderia ser vestida de uma maneira chamativa, talvez uma menina vestida de anjo com muito brilho. Assim, em época fora do Natal, chamaria bastante a atenção. Esse anjo poderia ser despido do brilho durante a pregação, restando nele roupas rústicas, que lembram trabalho, sofrimento, cruz, que lembram o trabalho do dia-a-dia. Ele poderia estar prostrado e ser convidado a se levantar e seguir o caminho. Poderia ser convidada uma pessoa da comunidade para estender a mão ao anjo agora despido de brilho. Essa poderia ser convidada a dirigir-lhe uma palavra de Jesus, já que Deus fala que é preciso ouvir o que este nos diz. Quanto aos passos da pregação, penso que poderiam ser seguidos os mesmos desta minha meditação. Organizei esta de tal maneira que isso fosse possível. Aclamação do evangelho Penso que ficaria bem simplesmente repetir a leitura de 1 Pe 1.19b: Vocês fazem bem em prestar atenção nesta mensagem, porque ela é como uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a luz da estrela da manhã brilhe no coração de vocês .
Bibliografia BATISTA, Severino. O Evangelho de Mateus em Versos Populares A Palavra na Vida 146. CEBI, 2000. MALSCHITZKY, Harald. Auxílio sobre Mt 17.1-9 Proclamar Libertação Vol. XVIII, São Leopoldo: Sinodal, 1992. MESTERS, Carlos; LOPES, Mercedes; OROFINO, Francisco. Travessia Quero misericórdia e não sacrifícios A Palavra na Vida 135/136, CEBI, 1999. VASCONCELOS, Pedro Lima; RODRIGUES da Silva, Rafael. Feliz quem tem fome e sede de justiça, a Boa Notícia segundo a comunidade de Mateus A Palavra na Vida 134, CEBI, 1999.
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13 FEV 2005
MATEUS 4.1-11 ROMANOS 5.12(13-16),17-19
PRÉDICA: GÊNESIS 2.7-9,15-17;3.1-7 Harald Malschitzky
1 Algumas considerações gerais
Alguém teria perguntado a Lutero onde Deus estava antes de criar o céu e a terra. E ele teria respondido: Deus estava no mato, cortando uma vara para bater na boca dos curiosos! É enorme o número de perguntas que os primeiros três capítulos de Gênesis já suscitaram, assim como é enorme e até antagônico o número de conclusões que já se tiraram daqui. Sem querer adiantar detalhes, lembro que para muitos a idéia do paraíso é uma existência sem fazer nada, o próprio estado de dolce far niente. Ou quantos séculos de marginalização da mulher determinada leitura do texto conseguiu impor! Quanta doutrina rasteira, negativa e prejudicial na área da sexualidade se construiu a partir da nudez de Adão e Eva! O pior é que algumas idéias, conceitos e preconceitos se transformaram em doutrinas que até hoje nos ocupam e criam dificuldades. No mundo ecumênico se continua discutindo, sem que se chegue a um consenso, o papel da mulher na igreja, o lugar da sexualidade na vida e convivência do ser humano, o planejamento familiar, e por aí vai. Sabemos que também em nossas comunidades há muitas distorções. A perícope é composta de partes de um texto maior. Ainda assim, temos diante de nós um texto longo e muito denso. Impossível pretender que todos os seus aspectos sejam considerados em uma prédica só.
2 Comentando o texto
2.7 A idéia de que o ser humano é criado a partir do pó era muito difundida e o autor do texto a pode ter assumido, porque ela responde à pergunta pelo limite da vida e pela relação do ser humano com a terra. Os termos hebraicos adam e adamah expressam essa relação de forma magistral. A raiz da palavra terra e do coletivo Adão é a mesma. O específico e diferente do ser humano é justamente o sopro de Deus, através do qual ele é
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feito gente, a partir do qual ele é vivente. Sem esse sopro ele simplesmente não é. Nenhuma palavra de que esse sopro tenha eternidade, nada da dicotomia corpo/alma. O ser-tomado-da-terra indica os limites em todos os sentidos do ser humano. No seu viver e no seu fazer ele é criatura e não criador! Dar vida é uma prerrogativa de Deus. Com essa afirmação o javista critica a compreensão vigente entre os poderosos, que afirmam que o ser humano só será gente, quando ele (às custas de outros!) fizer para si um grande nome (cf. Gn 11.4) (Dunze, p. 172). 2.8-9+15 Estes versículos falam do meio ambiente em que esse ser vivente é colocado. Árvores e plantas em profusão. Frutas boas de se comer. O jardim não tem finalidade própria a não ser servir de ambiente de vida e alimentação para a criatura. Mas tem mais: Aqui se fala de duas árvores especiais a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao que tudo indica, não se trata da mesma árvore, mas da confluência de duas tradições, sendo que só a segunda será de importância para o destino humano. O ser humano recebe um papel: cuidar e cultivar o jardim. Simplesmente para viver. Deus não o colocou no jardim para ser seu escravo, a exemplo de povos inteiros que trabalhavam para as divindades. Viver no jardim e cuidá-lo tem quase uma finalidade própria. Já aqui se sugere que o trabalho é parte inerente ao ser humano e não algo estranho à sua natureza. 2.16-17 O jardim tem espaço, o jardim é bonito, seus frutos são bons. Este é o grande presente, é a grande oportunidade que Deus dá. Entretanto, assim como o próprio ser humano é limitado, também no jardim existem limites, e um deles é a árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. detalhes abaixo). Os frutos dessa árvore não podem ser comidos. E um mandamento traça o limite claro. Mas dentro dos limites, em cujo horizonte está o mandamento da árvore ... não comerás , há muito espaço. Na verdade, esse mandamento, como também os 10 Mandamentos, não tolhe a liberdade, mas a organiza. 3.1-5 Se a primeira parte é mais narrativa, a segunda é marcada por um diálogo que desencadeia uma ação. Um dos personagens é uma serpente. Querem alguns exegetas que se trata de uma escolha aleatória e que poderia ter sido qualquer outro animal, pois nas fábulas qualquer animal fala. Já outros lembram que a serpente assusta, dá medo por sua picada que pode ser mortal, causa atração e repulsa ao mesmo tempo, fascina pela forma diferente, rápida e ágil de se movimentar. O mito da Hidra de Lerna é, no mínimo, ilustrativo: um monstro tinha sete cabeças, e sempre que uma lhe era cortada, renascia outra. Coube a Hércules a tarefa de destruí-la. Olhando por aqui, realmente a serpente não é só um bicho entre outros. A serpente em nosso texto é caracterizada como astuta, detalhe que, aliás, seria lembrado também por Jesus bem mais tarde (cf. Mt 10.16 ). Ela
habilmente pergunta, como para se informar melhor, sobre a dimensão do mandamento de Deus. Fazendo-o, ela distorce o mandamento de forma tal que Eva sai em defesa de Deus! Sem se dar conta, ela já estava enredada em um diálogo de conseqüências fatais. A serpente retruca que Eva está equivocada. A verdade, segundo ela, é outra: comer da árvore os tornaria iguais a Deus, abrir-se-iam os seus olhos e eles seriam conhecedores do bem e do mal. O reconhecimento do bem e do mal não está direcionado apenas a um reconhecer tudo, mas também a um saber e poder tudo, e por isso mesmo a um ser igual a Deus (H. Werner, apud Jetter, p. l83). Ser igual a Deus sempre foi sonho dos seres humanos. Ter os olhos abertos significa assumir o controle da vida e, claro, de tudo o que a cerca. 3.6-7 A mulher entendeu que bem outros horizontes se abririam; ser igual a Deus é não dever nada a Deus, nem a vida! Eva colhe a fruta e a dá também a Adão. Ambos comem! Somente uma leitura muito preconceituosa pode imputar toda a culpa do estrago a Eva. Adão nem ao menos pergunta pela razão de comer da árvore proibida. Ele se torna cúmplice por seu silêncio. Tanto um como o outro são responsáveis e responsabilizáveis por seu ato. Realmente os olhos lhes são abertos, mas a grandeza dos horizontes pára ali, a alguns palmos de distância, na nudez de ambos. De repente, quem buscava horizontes infinitos não suporta ver o parceiro (a parceira) como ele é. De alguma forma, isto lembra uma reflexão do filósofo F. Nietzsche: Ó Zaratustra! Tu, (...) outrora caçador de Deus, rede em que se captavam todas as virtudes, flecha do mal. Hoje, perseguido por ti mesmo, tua própria presa, ferido por tua própria flecha, enforcado por tua própria corda, conhecedor de ti mesmo, algoz de ti mesmo! (de Assim falou Zaratustra). Quem queria ser igual a Deus é incapaz de, ao menos, criar um avental para se tapar; ele depende da natureza que não criou! É mais ou menos ridículo o que acontece em lugar de promessas e planos mirabolantes. Não há nenhuma palavra ou indicação de que o sexo como tal seja pecado, tenha que ser desprezado ou até sufocado. Quando muito está por trás o reconhecimento da força, tantas vezes irresistível, da atração sexual, que é capaz de causar muito sofrimento, de ser usada para a exploração e a escravização das pessoas. Mas, mesmo depois da queda, a sexualidade continua sendo algo bom, algo que potencializa a comunhão entre homem e mulher, estabelecendo laços muito fortes entre pessoas. Adão e Eva constatarem a sua nudez significa quebra da confiança total e última, quebra de uma comunhão sem rodeios e sem enganos. Análogo ao que acontece em relação a Deus (cf. v. 8-13) é o que ocorre entre os seres humanos: Já não mais se pode confiar um no outro. Ficar de olho a gente fica porque desconfia, quando antes o olhar fazia parte dos gestos que denotavam a comunhão plena.
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feito gente, a partir do qual ele é vivente. Sem esse sopro ele simplesmente não é. Nenhuma palavra de que esse sopro tenha eternidade, nada da dicotomia corpo/alma. O ser-tomado-da-terra indica os limites em todos os sentidos do ser humano. No seu viver e no seu fazer ele é criatura e não criador! Dar vida é uma prerrogativa de Deus. Com essa afirmação o javista critica a compreensão vigente entre os poderosos, que afirmam que o ser humano só será gente, quando ele (às custas de outros!) fizer para si um grande nome (cf. Gn 11.4) (Dunze, p. 172). 2.8-9+15 Estes versículos falam do meio ambiente em que esse ser vivente é colocado. Árvores e plantas em profusão. Frutas boas de se comer. O jardim não tem finalidade própria a não ser servir de ambiente de vida e alimentação para a criatura. Mas tem mais: Aqui se fala de duas árvores especiais a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao que tudo indica, não se trata da mesma árvore, mas da confluência de duas tradições, sendo que só a segunda será de importância para o destino humano. O ser humano recebe um papel: cuidar e cultivar o jardim. Simplesmente para viver. Deus não o colocou no jardim para ser seu escravo, a exemplo de povos inteiros que trabalhavam para as divindades. Viver no jardim e cuidá-lo tem quase uma finalidade própria. Já aqui se sugere que o trabalho é parte inerente ao ser humano e não algo estranho à sua natureza. 2.16-17 O jardim tem espaço, o jardim é bonito, seus frutos são bons. Este é o grande presente, é a grande oportunidade que Deus dá. Entretanto, assim como o próprio ser humano é limitado, também no jardim existem limites, e um deles é a árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. detalhes abaixo). Os frutos dessa árvore não podem ser comidos. E um mandamento traça o limite claro. Mas dentro dos limites, em cujo horizonte está o mandamento da árvore ... não comerás , há muito espaço. Na verdade, esse mandamento, como também os 10 Mandamentos, não tolhe a liberdade, mas a organiza. 3.1-5 Se a primeira parte é mais narrativa, a segunda é marcada por um diálogo que desencadeia uma ação. Um dos personagens é uma serpente. Querem alguns exegetas que se trata de uma escolha aleatória e que poderia ter sido qualquer outro animal, pois nas fábulas qualquer animal fala. Já outros lembram que a serpente assusta, dá medo por sua picada que pode ser mortal, causa atração e repulsa ao mesmo tempo, fascina pela forma diferente, rápida e ágil de se movimentar. O mito da Hidra de Lerna é, no mínimo, ilustrativo: um monstro tinha sete cabeças, e sempre que uma lhe era cortada, renascia outra. Coube a Hércules a tarefa de destruí-la. Olhando por aqui, realmente a serpente não é só um bicho entre outros. A serpente em nosso texto é caracterizada como astuta, detalhe que, aliás, seria lembrado também por Jesus bem mais tarde (cf. Mt 10.16 ). Ela
habilmente pergunta, como para se informar melhor, sobre a dimensão do mandamento de Deus. Fazendo-o, ela distorce o mandamento de forma tal que Eva sai em defesa de Deus! Sem se dar conta, ela já estava enredada em um diálogo de conseqüências fatais. A serpente retruca que Eva está equivocada. A verdade, segundo ela, é outra: comer da árvore os tornaria iguais a Deus, abrir-se-iam os seus olhos e eles seriam conhecedores do bem e do mal. O reconhecimento do bem e do mal não está direcionado apenas a um reconhecer tudo, mas também a um saber e poder tudo, e por isso mesmo a um ser igual a Deus (H. Werner, apud Jetter, p. l83). Ser igual a Deus sempre foi sonho dos seres humanos. Ter os olhos abertos significa assumir o controle da vida e, claro, de tudo o que a cerca. 3.6-7 A mulher entendeu que bem outros horizontes se abririam; ser igual a Deus é não dever nada a Deus, nem a vida! Eva colhe a fruta e a dá também a Adão. Ambos comem! Somente uma leitura muito preconceituosa pode imputar toda a culpa do estrago a Eva. Adão nem ao menos pergunta pela razão de comer da árvore proibida. Ele se torna cúmplice por seu silêncio. Tanto um como o outro são responsáveis e responsabilizáveis por seu ato. Realmente os olhos lhes são abertos, mas a grandeza dos horizontes pára ali, a alguns palmos de distância, na nudez de ambos. De repente, quem buscava horizontes infinitos não suporta ver o parceiro (a parceira) como ele é. De alguma forma, isto lembra uma reflexão do filósofo F. Nietzsche: Ó Zaratustra! Tu, (...) outrora caçador de Deus, rede em que se captavam todas as virtudes, flecha do mal. Hoje, perseguido por ti mesmo, tua própria presa, ferido por tua própria flecha, enforcado por tua própria corda, conhecedor de ti mesmo, algoz de ti mesmo! (de Assim falou Zaratustra). Quem queria ser igual a Deus é incapaz de, ao menos, criar um avental para se tapar; ele depende da natureza que não criou! É mais ou menos ridículo o que acontece em lugar de promessas e planos mirabolantes. Não há nenhuma palavra ou indicação de que o sexo como tal seja pecado, tenha que ser desprezado ou até sufocado. Quando muito está por trás o reconhecimento da força, tantas vezes irresistível, da atração sexual, que é capaz de causar muito sofrimento, de ser usada para a exploração e a escravização das pessoas. Mas, mesmo depois da queda, a sexualidade continua sendo algo bom, algo que potencializa a comunhão entre homem e mulher, estabelecendo laços muito fortes entre pessoas. Adão e Eva constatarem a sua nudez significa quebra da confiança total e última, quebra de uma comunhão sem rodeios e sem enganos. Análogo ao que acontece em relação a Deus (cf. v. 8-13) é o que ocorre entre os seres humanos: Já não mais se pode confiar um no outro. Ficar de olho a gente fica porque desconfia, quando antes o olhar fazia parte dos gestos que denotavam a comunhão plena.
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Finalmente não se pode esquecer que toda a natureza foi arrastada para a quebra de comunhão e nós hoje somos testemunhas da dimensão desse rompimento de convivência e comunhão.
3 Caminhando para a prédica
Dentro do grande cenário da criação cabe ao ser humano um papel especial, ainda que ele faça parte dessa criação, pois é feito de barro. O quanto ele é criação mostra-se com mais ênfase na afirmação de que ele vive graças ao sopro de Deus. O Salmo 8 retrata, em poesia e canto, e não sem uma grande dose de admiração, a grandeza desse ato de criação e a confiança de Deus emprestando à sua criatura o papel que lhe empresta: um papel autônomo em um âmbito de muita liberdade. Além disso, todas as frutas estavam à disposição dessa criatura. É verdade que havia um limite, que era determinada árvore. Mas ela não fazia falta para a vida correr bem. No entanto, com ajuda da própria natureza na figura de uma serpente , o ser humano se deixou enredar pela idéia de que, por trás da árvore proibida, deveriam existir dimensões de vida que alcançariam o infinito. Quem sabe não haveria mais nenhum limite, nenhuma fronteira? E Adão e Eva pagaram para ver. Deveria ser muito bom ser igual a Deus, deixar de ser criatura. O que acontece, porém, é que o limite do horizonte de repente não passa do próprio umbigo. Na busca de ser igual a Deus, a criatura encontrou a si mesma, agora não apenas limitada, mas também suscetível ao sofrimento e capaz de causar sofrimento. É claro que também a sexualidade foi afetada, mas nada está escrito sobre a perda de sua dignidade. Adão e Eva continuam homem e mulher e a sexualidade faz parte da comunhão. Em decorrência do passo que deram, também a sexualidade serve para explorar, escravizar, fazer sofrer. Não esqueçamos, porém, que isso se pode fazer também com gestos, palavras e outras partes do corpo. O nosso texto deseja transmitir, com todas as letras, que o ser humano, criado por Deus e por ele agraciado com uma vida bonita, tendo destaque na grande orquestra da criação, é responsável por sofrimento, falta de paz, ódio, fragilidades de toda ordem, tudo porque se deixou levar pelo sonho de ser igual a Deus. Deus, porém, não se satisfaz com a derrota de sua criatura e envia um novo Adão. Alguém que veio das alturas e ainda assim não queria ser como Deus, mas queria ser gente. Gente como Adão no paraíso, um novo Adão. Ele não era tão sabido como nós, tão sabido a ponto de direcionar sua vida segundo os seus próprios interesses (...), mas ele foi tão tolo a ponto de se empenhar por seus semelhantes, (...) tão tolo de simplesmente ficar perto de Deus. Em Jesus Cristo, Deus, depois de tudo, tudo o que aconteceu,
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está novamente diante de nós assim como no paraíso estava diante de Adão como amigo (Hans Freiherr von Campenhausen, prédica sobre Gn 3.1-6)(cf. Fl 2. 6s). Eu iniciaria a prédica lendo com muita vontade! o Salmo 8, para em seguida meditar sobre a boa criação de Deus. Depois, eu perguntaria por que essa boa criação e essa boa criatura estão corrompidas, para responder com a segunda parte do texto, enfatizando que o ser humano precisa assinar embaixo do estrago. Em terceiro lugar, eu lembraria que Deus não se deixou corromper e nem se deixou demover de seu amor e fidelidade. No novo Adão, Jesus Cristo, isto se manifestou de uma vez por todas (cf. Hb 9), restaurando o ser humano como imagem de Deus.
4 Subsídios litúrgicos Sugiro que se use o Livro de Culto, da IECLB, que contém muitas sugestões para estruturar um culto. Se houver bons leitores/as na comunidade, poder-se-iam convidar três pessoas para a leitura do texto da prédica em momentos distintos: Salmo 8; 1ª parte do texto; 2ª parte do texto. Coloco à disposição uma bênção tirada do Evangelisches Gesangbuch, da Baviera. O Senhor Cheio de amor como uma mãe e bondoso como um pai. Ele te abençoe Ele permita que tua vida desabroche, ele permita que esperança floresça e permita que os frutos amadureçam. O Senhor te guarde Ele te abrace em teus medos, ele se coloque diante de ti no perigo. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti Assim como um olhar amoroso aquece, assim ele desfaça em ti o que enrijeceu. Ele tenha misericórdia de ti Quando culpa pesa sobre ti, que ele te faça respirar e te liberte. O Senhor levante sobre ti o seu rosto Que ele veja o teu sofrimento, que ele te console e te cure.
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Finalmente não se pode esquecer que toda a natureza foi arrastada para a quebra de comunhão e nós hoje somos testemunhas da dimensão desse rompimento de convivência e comunhão.
3 Caminhando para a prédica
Dentro do grande cenário da criação cabe ao ser humano um papel especial, ainda que ele faça parte dessa criação, pois é feito de barro. O quanto ele é criação mostra-se com mais ênfase na afirmação de que ele vive graças ao sopro de Deus. O Salmo 8 retrata, em poesia e canto, e não sem uma grande dose de admiração, a grandeza desse ato de criação e a confiança de Deus emprestando à sua criatura o papel que lhe empresta: um papel autônomo em um âmbito de muita liberdade. Além disso, todas as frutas estavam à disposição dessa criatura. É verdade que havia um limite, que era determinada árvore. Mas ela não fazia falta para a vida correr bem. No entanto, com ajuda da própria natureza na figura de uma serpente , o ser humano se deixou enredar pela idéia de que, por trás da árvore proibida, deveriam existir dimensões de vida que alcançariam o infinito. Quem sabe não haveria mais nenhum limite, nenhuma fronteira? E Adão e Eva pagaram para ver. Deveria ser muito bom ser igual a Deus, deixar de ser criatura. O que acontece, porém, é que o limite do horizonte de repente não passa do próprio umbigo. Na busca de ser igual a Deus, a criatura encontrou a si mesma, agora não apenas limitada, mas também suscetível ao sofrimento e capaz de causar sofrimento. É claro que também a sexualidade foi afetada, mas nada está escrito sobre a perda de sua dignidade. Adão e Eva continuam homem e mulher e a sexualidade faz parte da comunhão. Em decorrência do passo que deram, também a sexualidade serve para explorar, escravizar, fazer sofrer. Não esqueçamos, porém, que isso se pode fazer também com gestos, palavras e outras partes do corpo. O nosso texto deseja transmitir, com todas as letras, que o ser humano, criado por Deus e por ele agraciado com uma vida bonita, tendo destaque na grande orquestra da criação, é responsável por sofrimento, falta de paz, ódio, fragilidades de toda ordem, tudo porque se deixou levar pelo sonho de ser igual a Deus. Deus, porém, não se satisfaz com a derrota de sua criatura e envia um novo Adão. Alguém que veio das alturas e ainda assim não queria ser como Deus, mas queria ser gente. Gente como Adão no paraíso, um novo Adão. Ele não era tão sabido como nós, tão sabido a ponto de direcionar sua vida segundo os seus próprios interesses (...), mas ele foi tão tolo a ponto de se empenhar por seus semelhantes, (...) tão tolo de simplesmente ficar perto de Deus. Em Jesus Cristo, Deus, depois de tudo, tudo o que aconteceu,
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está novamente diante de nós assim como no paraíso estava diante de Adão como amigo (Hans Freiherr von Campenhausen, prédica sobre Gn 3.1-6)(cf. Fl 2. 6s). Eu iniciaria a prédica lendo com muita vontade! o Salmo 8, para em seguida meditar sobre a boa criação de Deus. Depois, eu perguntaria por que essa boa criação e essa boa criatura estão corrompidas, para responder com a segunda parte do texto, enfatizando que o ser humano precisa assinar embaixo do estrago. Em terceiro lugar, eu lembraria que Deus não se deixou corromper e nem se deixou demover de seu amor e fidelidade. No novo Adão, Jesus Cristo, isto se manifestou de uma vez por todas (cf. Hb 9), restaurando o ser humano como imagem de Deus.
4 Subsídios litúrgicos Sugiro que se use o Livro de Culto, da IECLB, que contém muitas sugestões para estruturar um culto. Se houver bons leitores/as na comunidade, poder-se-iam convidar três pessoas para a leitura do texto da prédica em momentos distintos: Salmo 8; 1ª parte do texto; 2ª parte do texto. Coloco à disposição uma bênção tirada do Evangelisches Gesangbuch, da Baviera. O Senhor Cheio de amor como uma mãe e bondoso como um pai. Ele te abençoe Ele permita que tua vida desabroche, ele permita que esperança floresça e permita que os frutos amadureçam. O Senhor te guarde Ele te abrace em teus medos, ele se coloque diante de ti no perigo. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti Assim como um olhar amoroso aquece, assim ele desfaça em ti o que enrijeceu. Ele tenha misericórdia de ti Quando culpa pesa sobre ti, que ele te faça respirar e te liberte. O Senhor levante sobre ti o seu rosto Que ele veja o teu sofrimento, que ele te console e te cure.
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1O D O M I N G O
DA
QUARESMA
Ele te dê a paz O bem-estar do corpo, a alegria da alma, o futuro aos teus filhos. Amém.
Bibliografia
DUNZE, Gerhard. Gn 2,4b-9(10-14),15. In: Neue Calwer Predigthilfen, ano VI, v. B. Stuttgart, 1984, p. 169-176. JETTER, Hartmut. Gn 3,1-19(20-24). In: Neue Calwer Predigthilfen, ano III, v. A. Stuttgart, 1980, p. 182-189. RUPRECHT, Walter. 1. Mose 3,1-19. In: Calwer Predigthilfen, v. 4. Stuttgart, 1965, p. 106-121. VOIGT, Gottfried. 1. Mose 3,1-19(20-24). In: _____. Die geliebte Welt. Göttingen, 1980, p. 142149. WESTERMANN, Claus. 1. Mose 2, 4b-3,24. In: Calwer Predigthilfen, v. 6. Stuttgart, 1971, p. 42 55.
2° DOMINGO DA QUARESMA GÊNESIS 12.1-4 JOÃO 4.5-26 ROMANOS 4.1-5,13-17
3o DOMINGO DA QUARESMA
27 FEV 2005
JOÃO 9.13-17,34-39 EFÉSIOS 5.8-14
PRÉDICA: ISAÍAS 42.14-21 Günter Wolff
1 A realidade: Por muito tempo me calei 1.1 A realidade nacional Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. Política O governo Lula é um governo de centro (como diz o ministro Tarso Genro na revista Caros Amigos, de dezembro de 2003), mantido por uma aliança policlassista que abarca até a ala mais reacionária, como os coronéis Sarney e ACM. Essa aliança quer garantir a reeleição de Lula em 2006. Alguns dizem que esse é um governo em disputa e que a esquerda e os movimentos sociais ainda podem conseguir trazê-lo para o lado de um projeto popular. Outros dizem que o governo Lula apenas está continuando a política neoliberal do FHC e que não tem mais volta; já foi para a direita. A história dirá a verdade! Na verdade, estamos num período de reformas e não num período revolucionário e por isso precisamos aproveitar esse momento para acumular forças, já que a repressão está mais estancada. É o momento para elevar o nível de consciência do povo e o nível de organização do povo para nos preparar para um embate posterior. Isto significa que será necessário empreender esforços para ajudar na organização do movimento popular, sindical, eclesial, partidário e empreender esforços redobrados na formação e capacitação do povo. Isto tudo qualificará a luta de classes no futuro. Este é o desafio (nestes, quem sabe, oito anos de governo Lula)! Economia Enquanto isso, a economia continua estancada graças às dívidas externa e interna, que sangram este país. Gastos com a dívida foram 140 bilhões de reais em 2003 (Serviço da Dívida Interna 110.440.041 reais; Serviço da
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Ele te dê a paz O bem-estar do corpo, a alegria da alma, o futuro aos teus filhos. Amém.
Bibliografia
DUNZE, Gerhard. Gn 2,4b-9(10-14),15. In: Neue Calwer Predigthilfen, ano VI, v. B. Stuttgart, 1984, p. 169-176. JETTER, Hartmut. Gn 3,1-19(20-24). In: Neue Calwer Predigthilfen, ano III, v. A. Stuttgart, 1980, p. 182-189. RUPRECHT, Walter. 1. Mose 3,1-19. In: Calwer Predigthilfen, v. 4. Stuttgart, 1965, p. 106-121. VOIGT, Gottfried. 1. Mose 3,1-19(20-24). In: _____. Die geliebte Welt. Göttingen, 1980, p. 142149. WESTERMANN, Claus. 1. Mose 2, 4b-3,24. In: Calwer Predigthilfen, v. 6. Stuttgart, 1971, p. 42 55.
2° DOMINGO DA QUARESMA GÊNESIS 12.1-4 JOÃO 4.5-26 ROMANOS 4.1-5,13-17
3o DOMINGO DA QUARESMA
27 FEV 2005
JOÃO 9.13-17,34-39 EFÉSIOS 5.8-14
PRÉDICA: ISAÍAS 42.14-21 Günter Wolff
1 A realidade: Por muito tempo me calei 1.1 A realidade nacional Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. Política O governo Lula é um governo de centro (como diz o ministro Tarso Genro na revista Caros Amigos, de dezembro de 2003), mantido por uma aliança policlassista que abarca até a ala mais reacionária, como os coronéis Sarney e ACM. Essa aliança quer garantir a reeleição de Lula em 2006. Alguns dizem que esse é um governo em disputa e que a esquerda e os movimentos sociais ainda podem conseguir trazê-lo para o lado de um projeto popular. Outros dizem que o governo Lula apenas está continuando a política neoliberal do FHC e que não tem mais volta; já foi para a direita. A história dirá a verdade! Na verdade, estamos num período de reformas e não num período revolucionário e por isso precisamos aproveitar esse momento para acumular forças, já que a repressão está mais estancada. É o momento para elevar o nível de consciência do povo e o nível de organização do povo para nos preparar para um embate posterior. Isto significa que será necessário empreender esforços para ajudar na organização do movimento popular, sindical, eclesial, partidário e empreender esforços redobrados na formação e capacitação do povo. Isto tudo qualificará a luta de classes no futuro. Este é o desafio (nestes, quem sabe, oito anos de governo Lula)! Economia Enquanto isso, a economia continua estancada graças às dívidas externa e interna, que sangram este país. Gastos com a dívida foram 140 bilhões de reais em 2003 (Serviço da Dívida Interna 110.440.041 reais; Serviço da
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Dívida Externa 30.397.218 reais), enquanto os gastos sociais foram de 78 bilhões de reais e o governo economizou, tirando do investimento na população, 66 bilhões (via superávit primário), que não dão para pagar a metade dos encargos da dívida previstos no ano. Isto significa que não há saída sem uma moratória. O desemprego está em alta e os salários em baixa. Para 2004, o governo promete reativar o crescimento.
famílias acampadas em todo o país, a Via Campesina está se organizando, a CMS Coordenação dos Movimentos Sociais organizou-se em 2003, o MAB, MMC Movimentos de Mulheres Camponesas e MPA estão se fortalecendo, além de muitos movimentos urbanos, como o MTST Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto, MTD Movimentos dos Trabalhadores Desempregados e outros. Por isso é importante a igreja articular-se com os movimentos sociais nesse período para acumular forças para que se possa dar um salto de qualidade no futuro.
Salário mínimo nominal e necessário janeiro de 2002 a janeiro de 2004 Período Salário mínimo nominal Janeiro 2002 R$ 180,00 Janeiro 2003 R$ 200,00 Janeiro 2004 R$ 240,00
Salário mínimo necessário R$ 1.116,66 R$ 1.385,91 R$ 1.445,39
Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente no ano. Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Veja os dados atualizados em http://www.dieese.org.br/rel/rac/ salminfev04.html
1.2 A realidade eclesial Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves.
Os movimentos sociais continuam combativos, apesar de um descenso em relação aos anos 1980. Os povos indígenas estão lutando para reconquistar suas terras, os movimentos de luta pela terra em 2003 tinham 200 mil
Uma boa parte do nosso povo luterano está participando ativamente nos movimentos sociais, nos partidos de esquerda e no movimento sindical combativo (que ainda existe). A igreja, na verdade, não está enxergando isso porque os presbitérios reacionários, em sua maioria, e muitos obreiros/ as que também não se importam ou têm medo não querem que se veja isso. O P. Altmann diz em seu relatório de 2003, publicado em fevereiro de 2004, algo muito interessante: Não quero omitir que em minhas visitas no âmbito da IECLB pude observar e ouvir relatos acerca de grandes dificuldades, tensões e conflitos, indefinições teológicas, desordem na vida comunitária, individualismo em práticas ministeriais, inobservância de decisões da igreja e limitações de recursos. De outra parte, é gratificante perceber quantas pessoas membros da IECLB, com o pano de fundo de formação através dela, muitas vezes desde a escola dominical e a juventude evangélica, ou de outros grupos de estudo e ação, se engajam em associações, movimentos sociais, mesmo partidos políticos e em suas próprias profissões como pessoas que querem viver conscientemente sua fé nesses espaços. É preciso reconhecer também que muitas pessoas se ressentem de que a igreja não as acompanha nem as valoriza adequadamente, e tampouco as apóia e subsidia como necessário nessa atuação . Por outro lado, também se lê num calendário de atividades de uma paróquia um horror da teologia da prosperidade, dando culpa aos pobres de sua própria pobreza, dizendo ainda que pobre não tem fé, culpando a Deus pelo fato de ter pobres nesse mundo e que uma boa contribuição à igreja vai acabar com a pobreza. Isto está parecido com a palavra de um pastor pentecostal de Porto Alegre, que disse: Se eu fosse pobre, me daria um tiro na cabeça . Ele considera pobreza sinal de afastamento da pessoa de Deus. Neste calendário diz: Jamais diga: Não contribuo porque sou pobre... An-
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Quanto se trabalha para comer em Porto Alegre Janeiro de 2004
(1) Tempo que o trabalhador de salário mínimo precisa para comprar a Ração Essencial (Decreto Lei no. 399 de 30/04/1938 ). Em horas de trabalho deu uma melhorada. Segundo a Lei Trabalhista, são 220 horas de trabalho ao mês. Veja os dados atualizados em http://www.dieese.org.br/rel/rac/ trafev04.html#tabelao
Movimentos sociais
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Dívida Externa 30.397.218 reais), enquanto os gastos sociais foram de 78 bilhões de reais e o governo economizou, tirando do investimento na população, 66 bilhões (via superávit primário), que não dão para pagar a metade dos encargos da dívida previstos no ano. Isto significa que não há saída sem uma moratória. O desemprego está em alta e os salários em baixa. Para 2004, o governo promete reativar o crescimento.
famílias acampadas em todo o país, a Via Campesina está se organizando, a CMS Coordenação dos Movimentos Sociais organizou-se em 2003, o MAB, MMC Movimentos de Mulheres Camponesas e MPA estão se fortalecendo, além de muitos movimentos urbanos, como o MTST Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto, MTD Movimentos dos Trabalhadores Desempregados e outros. Por isso é importante a igreja articular-se com os movimentos sociais nesse período para acumular forças para que se possa dar um salto de qualidade no futuro.
Salário mínimo nominal e necessário janeiro de 2002 a janeiro de 2004 Período Salário mínimo nominal Janeiro 2002 R$ 180,00 Janeiro 2003 R$ 200,00 Janeiro 2004 R$ 240,00
Salário mínimo necessário R$ 1.116,66 R$ 1.385,91 R$ 1.445,39
Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente no ano. Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Veja os dados atualizados em http://www.dieese.org.br/rel/rac/ salminfev04.html
1.2 A realidade eclesial Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves.
Os movimentos sociais continuam combativos, apesar de um descenso em relação aos anos 1980. Os povos indígenas estão lutando para reconquistar suas terras, os movimentos de luta pela terra em 2003 tinham 200 mil
Uma boa parte do nosso povo luterano está participando ativamente nos movimentos sociais, nos partidos de esquerda e no movimento sindical combativo (que ainda existe). A igreja, na verdade, não está enxergando isso porque os presbitérios reacionários, em sua maioria, e muitos obreiros/ as que também não se importam ou têm medo não querem que se veja isso. O P. Altmann diz em seu relatório de 2003, publicado em fevereiro de 2004, algo muito interessante: Não quero omitir que em minhas visitas no âmbito da IECLB pude observar e ouvir relatos acerca de grandes dificuldades, tensões e conflitos, indefinições teológicas, desordem na vida comunitária, individualismo em práticas ministeriais, inobservância de decisões da igreja e limitações de recursos. De outra parte, é gratificante perceber quantas pessoas membros da IECLB, com o pano de fundo de formação através dela, muitas vezes desde a escola dominical e a juventude evangélica, ou de outros grupos de estudo e ação, se engajam em associações, movimentos sociais, mesmo partidos políticos e em suas próprias profissões como pessoas que querem viver conscientemente sua fé nesses espaços. É preciso reconhecer também que muitas pessoas se ressentem de que a igreja não as acompanha nem as valoriza adequadamente, e tampouco as apóia e subsidia como necessário nessa atuação . Por outro lado, também se lê num calendário de atividades de uma paróquia um horror da teologia da prosperidade, dando culpa aos pobres de sua própria pobreza, dizendo ainda que pobre não tem fé, culpando a Deus pelo fato de ter pobres nesse mundo e que uma boa contribuição à igreja vai acabar com a pobreza. Isto está parecido com a palavra de um pastor pentecostal de Porto Alegre, que disse: Se eu fosse pobre, me daria um tiro na cabeça . Ele considera pobreza sinal de afastamento da pessoa de Deus. Neste calendário diz: Jamais diga: Não contribuo porque sou pobre... An-
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Quanto se trabalha para comer em Porto Alegre Janeiro de 2004
(1) Tempo que o trabalhador de salário mínimo precisa para comprar a Ração Essencial (Decreto Lei no. 399 de 30/04/1938 ). Em horas de trabalho deu uma melhorada. Segundo a Lei Trabalhista, são 220 horas de trabalho ao mês. Veja os dados atualizados em http://www.dieese.org.br/rel/rac/ trafev04.html#tabelao
Movimentos sociais
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tes deveria dizer: Sou pobre porque não contribuo . O pastor que escreveu isto esqueceu que quem mantém financeiramente a igreja ainda e sempre são os pobres e por causa disso não ficaram ricos.
2 O texto: Agora darei gritos e Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai 2.1 O contexto Os capítulos 40 a 55 são os escritos do Deutero-Isaías (também conhecido como o Livro da Consolação), que pode ser uma pessoa ou uma comunidade de profetas que viveram no exílio babilônico (597 a.C. a 538 a.C.) junto com os deportados de Jerusalém. Ele não fala muito do templo (como Ezequiel), mas fala mais da cidade de Jerusalém. Tem a tradição de grupos de cantores de salmos, pois seus textos são cânticos ou poemas. Daria para dizer que é o profeta do novo êxodo, onde se manifesta a glória de Deus (Is 40.5 e 55.13). Ele está na tradição de Ezequiel, pois também diz que Javé está com o seu povo no exílio. Esse profeta é mais conhecido pelos textos sobre o Servo Sofredor. O texto anterior (v. 10-13) fala da glória de Deus para combater a idolatria no exílio, inimiga de Javé. E o texto posterior fala que Deus pôs o povo no exílio por causa do seu pecado, tão alardeado pelos profetas ante do exílio.
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QUARESMA
v. 18-21 A experiência do profeta lhe ensinou que o povo não estava ouvindo o que lhe era dito, talvez porque não queria ouvir aquilo de que não gostava. O sofrimento da escravidão embotou os sentidos do povo. Uma das coisas da qual não queria ouvir era a Lei de Deus, que o confrontava com a realidade de seu exílio (2 Rs 17.3-18 e Zc 7.8-14 falam das causas do exílio) e do seguimento a outros deuses. O sofrimento no exílio, a religião babilônica sempre presente em tudo e a falta de uma utopia fizeram com que o povo se acomodasse e desistisse de sonhar com a volta para casa. Nós só queremos ouvir o que nos agrada, o que nos convém, o que se encaixa em nossa ideologia ou teologia atual.
3 As leituras
2.2 O texto
João 9.13-17,34-39 Este texto mostra o poder de transformação que veio por meio de Jesus Cristo. Nada vai ficar sempre como está depois de Jesus Cristo. O cego viu, a lei que escraviza foi quebrada, o poder protetor de Deus se manifestou em Jesus Cristo, que foi reconhecido pelo que começou a enxergar. Hoje, a cegueira ideológica, que esconde a opressão e a idolatria capitalista, vai acabar sendo vista por aqueles que são iluminados pelo evangelho. Jesus Cristo tem o poder para transformar a realidade opressora. Isto significa que o capitalismo também vai desaparecer, assim como desapareceu a cegueira do cego. Tudo o que as pessoas constroem (também o capitalismo) desaparece e fica somente o poder de Deus, que vai construir o novo céu e a nova terra, onde habita justiça.
Este texto lembra Jr 20.7-18 por causa do grito de desabafo. O texto é um poema ou um canto; talvez cantado numa celebração no sábado, no período do exílio. A cegueira de Israel parece que continua como era antes do exílio. Não consegue ver o poder e a proteção de Deus e a sua própria idolatria. O texto tem dois blocos:
Efésios 5.8-14 O evangelho de Jesus Cristo muda-nos radicalmente (v. 8) e por isso não precisamos mais ser cúmplices do velho sistema capitalista escravizador (v. 11). Somos convidados a despertar (v. 14) da alienação ideológica que o capitalismo nos impôs e a viver a nova vida com os frutos da luz, provenientes da prática da fé em Jesus Cristo.
v. 14-17 Deus, pelo profeta, vai falar primeiro de sua glória, de sua lei (v. 21) e, por fim, fala da idolatria do povo e precisa gritar isto bem alto, pois, ao que parece, o povo não está muito aí para escutar isso. Deus diz que vai guiar esse povo cego por caminhos novos para que possa enxergar o seu pecado e também a saída que Deus propõe. O texto assegura que Deus não abandonará o seu povo no exílio (v. 16c). Os v. 15-16 falam da proteção de Deus e do novo que vai acontecer e da estrada que Deus preparará para facilitar a volta do povo. Após os seguidores de deuses falsos terem visto o poder protetor de Deus, eles se arrependerão e se envergonharão.
4 A meditação
75
v. 14 Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos; v. 16b tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Deus quer clarear a sua glória e o seu poder, mas também a nossa idolatria e falta de fé na proposta de Deus em nos guiar de tal forma que não nos machuquemos.
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tes deveria dizer: Sou pobre porque não contribuo . O pastor que escreveu isto esqueceu que quem mantém financeiramente a igreja ainda e sempre são os pobres e por causa disso não ficaram ricos.
2 O texto: Agora darei gritos e Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai 2.1 O contexto Os capítulos 40 a 55 são os escritos do Deutero-Isaías (também conhecido como o Livro da Consolação), que pode ser uma pessoa ou uma comunidade de profetas que viveram no exílio babilônico (597 a.C. a 538 a.C.) junto com os deportados de Jerusalém. Ele não fala muito do templo (como Ezequiel), mas fala mais da cidade de Jerusalém. Tem a tradição de grupos de cantores de salmos, pois seus textos são cânticos ou poemas. Daria para dizer que é o profeta do novo êxodo, onde se manifesta a glória de Deus (Is 40.5 e 55.13). Ele está na tradição de Ezequiel, pois também diz que Javé está com o seu povo no exílio. Esse profeta é mais conhecido pelos textos sobre o Servo Sofredor. O texto anterior (v. 10-13) fala da glória de Deus para combater a idolatria no exílio, inimiga de Javé. E o texto posterior fala que Deus pôs o povo no exílio por causa do seu pecado, tão alardeado pelos profetas ante do exílio.
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v. 18-21 A experiência do profeta lhe ensinou que o povo não estava ouvindo o que lhe era dito, talvez porque não queria ouvir aquilo de que não gostava. O sofrimento da escravidão embotou os sentidos do povo. Uma das coisas da qual não queria ouvir era a Lei de Deus, que o confrontava com a realidade de seu exílio (2 Rs 17.3-18 e Zc 7.8-14 falam das causas do exílio) e do seguimento a outros deuses. O sofrimento no exílio, a religião babilônica sempre presente em tudo e a falta de uma utopia fizeram com que o povo se acomodasse e desistisse de sonhar com a volta para casa. Nós só queremos ouvir o que nos agrada, o que nos convém, o que se encaixa em nossa ideologia ou teologia atual.
3 As leituras
2.2 O texto
João 9.13-17,34-39 Este texto mostra o poder de transformação que veio por meio de Jesus Cristo. Nada vai ficar sempre como está depois de Jesus Cristo. O cego viu, a lei que escraviza foi quebrada, o poder protetor de Deus se manifestou em Jesus Cristo, que foi reconhecido pelo que começou a enxergar. Hoje, a cegueira ideológica, que esconde a opressão e a idolatria capitalista, vai acabar sendo vista por aqueles que são iluminados pelo evangelho. Jesus Cristo tem o poder para transformar a realidade opressora. Isto significa que o capitalismo também vai desaparecer, assim como desapareceu a cegueira do cego. Tudo o que as pessoas constroem (também o capitalismo) desaparece e fica somente o poder de Deus, que vai construir o novo céu e a nova terra, onde habita justiça.
Este texto lembra Jr 20.7-18 por causa do grito de desabafo. O texto é um poema ou um canto; talvez cantado numa celebração no sábado, no período do exílio. A cegueira de Israel parece que continua como era antes do exílio. Não consegue ver o poder e a proteção de Deus e a sua própria idolatria. O texto tem dois blocos:
Efésios 5.8-14 O evangelho de Jesus Cristo muda-nos radicalmente (v. 8) e por isso não precisamos mais ser cúmplices do velho sistema capitalista escravizador (v. 11). Somos convidados a despertar (v. 14) da alienação ideológica que o capitalismo nos impôs e a viver a nova vida com os frutos da luz, provenientes da prática da fé em Jesus Cristo.
v. 14-17 Deus, pelo profeta, vai falar primeiro de sua glória, de sua lei (v. 21) e, por fim, fala da idolatria do povo e precisa gritar isto bem alto, pois, ao que parece, o povo não está muito aí para escutar isso. Deus diz que vai guiar esse povo cego por caminhos novos para que possa enxergar o seu pecado e também a saída que Deus propõe. O texto assegura que Deus não abandonará o seu povo no exílio (v. 16c). Os v. 15-16 falam da proteção de Deus e do novo que vai acontecer e da estrada que Deus preparará para facilitar a volta do povo. Após os seguidores de deuses falsos terem visto o poder protetor de Deus, eles se arrependerão e se envergonharão.
4 A meditação
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v. 14 Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos; v. 16b tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Deus quer clarear a sua glória e o seu poder, mas também a nossa idolatria e falta de fé na proposta de Deus em nos guiar de tal forma que não nos machuquemos.
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v. 16 Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem. Nós, da igreja, também não conhecemos muito bem o caminho da organização popular pela qual Deus nos quer guiar para enfrentar a nossa cegueira teológica e a nossa opressão para nos livrar dos nossos problemas teológicos, econômicos, políticos, culturais e ideológicos.
ciam dela, que são muitos de nossos presbíteros e membros das comunidades.
v. 18 Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. O que hoje não se quer ouvir e ver na IECLB? Uma questão é a capacitação dos nossos presbitérios conservadores, que normalmente também não abrem espaço para gente nova, apesar de sempre reclamarem que ninguém quer nada com nada. Outra questão é a formação permanente. Sobre a necessidade de formação de nosso povo todos concordam, mas viabilizá-la está difícil. Uma vez porque o povo não está motivado para essa necessidade e outra porque não sabemos como fazê-la ou, se a fazemos, procuramos fazer uma formação neutra , que não é neutra, capacitando apenas para visitação e poimênica contra a depressão, esquecendo a leitura da realidade. Assim não levamos em conta as causas da depressão e da falta de ânimo do povo, que é a sua insegurança econômica. Precisamos de uma formação politizada e teologicamente clara, mesmo que os presbitérios não gostem disso e os/as obreiros/as tenham medo dela. Precisamos resgatar o tema do êxodo e da cruz, que são realidades presentes na vida do povo. Precisamos resgatar a Teologia da Libertação com os aprendizados dos anos 1990, que acrescentaram ao tema da libertação do oprimido os temas de gênero, ecologia, etnia, exclusão social. Não se quer ouvir também algumas decisões conciliares (como as de 1982, 1984, 1986, 1988), que mexem nas feridas da exploração do povo e principalmente daqueles que apóiam a exploração e participam e se benefi-
v. 20 Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves. O que não queremos ouvir e ver em nossa família, em nossa comunidade, em nosso município e em nosso país? No culto, queremos somente ouvir coisas bonitas, porque a vida diária é tão dura? Queremos enlevo espiritual para voltar para casa e deixar tudo como está na comunidade e no país? Não queremos nos deixar desafiar pela realidade dura e cruel do dia-a-dia e preferimos tapar os ouvidos e os olhos para a realidade da exploração do povo? Povo que está desempregado ou com medo do desemprego, povo que vive uma vida miserável em família com brigas e desentendimentos, povo que está com medo da violência, povo que está com um salário miserável, mas, por outro lado, vemos que os que enriquecem são os que pagam o salário miserável. Isaías chama o povo de Israel no exílio de cego e surdo perante a Lei de Deus e porque segue falsos deuses (Gn 1 fala dessa realidade de combate aos deuses: Sol e Lua). Nós cristãos preferimos também ser cegos e surdos frente à nossa própria miséria e à dos outros. Preferimos uma religião alienada, que nos traga milagres como saúde e dinheiro. Jesus também disse aos judeus que pediam um milagre que ele não lhes daria milagre nenhum, pois também queriam ficar alienados frente à opressão romana e do Templo. O que nós vemos sempre de novo, mas fazemos de conta que não é conosco? À beira das BRs vemos acampamentos de sem-terra, na TV vemos mobilizações do MPA na luta contra o preço do fumo e por crédito subsidiado, vemos ocupações de sem-teto nas cidades, mobilizações do MAB contra as barragens, vemos as mulheres se organizando no MMC Movimento de Mulheres Camponesas e na luta por seus direitos, vemos desempregados em nossa volta e até em nossa família, mas como comunidade cristã não tomamos conhecimento disso e fazemos de conta que isso tudo não é conosco. Até fazemos de conta que não sabemos que os membros de nossas comunidades estão engajados nos movimentos sociais e nem emprestamos os nossos pavilhões e salas desocupadas e vazias durante 25 dias ao mês para os movimentos terem um espaço para se reunir e se organizar, porque isto não tem a ver com a igreja, argumentamos. Na IECLB só se fala de que o nosso povo luterano é pobre quando se discute a contribuição financeira, mas criar condições para superar a pobreza, via luta popular, nisto a igreja não se mete porque é política; afinal a igreja é neutra . Um exemplo: numa reunião da OASE, alguém falou do desemprego e aí logo alguém do PFL disse: Mas isso não acontece em nossa cidade. E uma senhora do grupo respondeu: Meu filho está desempregado e não acha trabalho . A realidade brutal e cruel está no meio de nós e nós fazemos de
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v. 17 Os que confiam em imagens de escultura. Não temos diretamente imagens esculpidas, a não ser as moedas e as imagens nas notas nas quais está escrito: Deus seja louvado. A idolatria de hoje é a idolatria do capital. Nada pode ameaçar o capital, e isto não queremos ver e ouvir. A maioria dos cristãos são seguidores cegos do capitalismo e ai daquele que agride o sacrossanto sistema capitalista! Por outro lado, não queremos ver os males que ele nos traz. Até falamos dos problemas que o capitalismo traz, mas não apoiamos nenhuma ação contra ele. Está na hora de dar gritos contra o deus capital e a sua teologia da prosperidade, que legitima a exploração. Nós também não confiamos em Deus e no seu evangelho e por isso não nos arriscamos a enfrentar o capital, que se tornou um deus muito poderoso, que nos escraviza da mesma forma como o povo de Israel era escravo na Babilônia.
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v. 16 Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem. Nós, da igreja, também não conhecemos muito bem o caminho da organização popular pela qual Deus nos quer guiar para enfrentar a nossa cegueira teológica e a nossa opressão para nos livrar dos nossos problemas teológicos, econômicos, políticos, culturais e ideológicos.
ciam dela, que são muitos de nossos presbíteros e membros das comunidades.
v. 18 Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. O que hoje não se quer ouvir e ver na IECLB? Uma questão é a capacitação dos nossos presbitérios conservadores, que normalmente também não abrem espaço para gente nova, apesar de sempre reclamarem que ninguém quer nada com nada. Outra questão é a formação permanente. Sobre a necessidade de formação de nosso povo todos concordam, mas viabilizá-la está difícil. Uma vez porque o povo não está motivado para essa necessidade e outra porque não sabemos como fazê-la ou, se a fazemos, procuramos fazer uma formação neutra , que não é neutra, capacitando apenas para visitação e poimênica contra a depressão, esquecendo a leitura da realidade. Assim não levamos em conta as causas da depressão e da falta de ânimo do povo, que é a sua insegurança econômica. Precisamos de uma formação politizada e teologicamente clara, mesmo que os presbitérios não gostem disso e os/as obreiros/as tenham medo dela. Precisamos resgatar o tema do êxodo e da cruz, que são realidades presentes na vida do povo. Precisamos resgatar a Teologia da Libertação com os aprendizados dos anos 1990, que acrescentaram ao tema da libertação do oprimido os temas de gênero, ecologia, etnia, exclusão social. Não se quer ouvir também algumas decisões conciliares (como as de 1982, 1984, 1986, 1988), que mexem nas feridas da exploração do povo e principalmente daqueles que apóiam a exploração e participam e se benefi-
v. 20 Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves. O que não queremos ouvir e ver em nossa família, em nossa comunidade, em nosso município e em nosso país? No culto, queremos somente ouvir coisas bonitas, porque a vida diária é tão dura? Queremos enlevo espiritual para voltar para casa e deixar tudo como está na comunidade e no país? Não queremos nos deixar desafiar pela realidade dura e cruel do dia-a-dia e preferimos tapar os ouvidos e os olhos para a realidade da exploração do povo? Povo que está desempregado ou com medo do desemprego, povo que vive uma vida miserável em família com brigas e desentendimentos, povo que está com medo da violência, povo que está com um salário miserável, mas, por outro lado, vemos que os que enriquecem são os que pagam o salário miserável. Isaías chama o povo de Israel no exílio de cego e surdo perante a Lei de Deus e porque segue falsos deuses (Gn 1 fala dessa realidade de combate aos deuses: Sol e Lua). Nós cristãos preferimos também ser cegos e surdos frente à nossa própria miséria e à dos outros. Preferimos uma religião alienada, que nos traga milagres como saúde e dinheiro. Jesus também disse aos judeus que pediam um milagre que ele não lhes daria milagre nenhum, pois também queriam ficar alienados frente à opressão romana e do Templo. O que nós vemos sempre de novo, mas fazemos de conta que não é conosco? À beira das BRs vemos acampamentos de sem-terra, na TV vemos mobilizações do MPA na luta contra o preço do fumo e por crédito subsidiado, vemos ocupações de sem-teto nas cidades, mobilizações do MAB contra as barragens, vemos as mulheres se organizando no MMC Movimento de Mulheres Camponesas e na luta por seus direitos, vemos desempregados em nossa volta e até em nossa família, mas como comunidade cristã não tomamos conhecimento disso e fazemos de conta que isso tudo não é conosco. Até fazemos de conta que não sabemos que os membros de nossas comunidades estão engajados nos movimentos sociais e nem emprestamos os nossos pavilhões e salas desocupadas e vazias durante 25 dias ao mês para os movimentos terem um espaço para se reunir e se organizar, porque isto não tem a ver com a igreja, argumentamos. Na IECLB só se fala de que o nosso povo luterano é pobre quando se discute a contribuição financeira, mas criar condições para superar a pobreza, via luta popular, nisto a igreja não se mete porque é política; afinal a igreja é neutra . Um exemplo: numa reunião da OASE, alguém falou do desemprego e aí logo alguém do PFL disse: Mas isso não acontece em nossa cidade. E uma senhora do grupo respondeu: Meu filho está desempregado e não acha trabalho . A realidade brutal e cruel está no meio de nós e nós fazemos de
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v. 17 Os que confiam em imagens de escultura. Não temos diretamente imagens esculpidas, a não ser as moedas e as imagens nas notas nas quais está escrito: Deus seja louvado. A idolatria de hoje é a idolatria do capital. Nada pode ameaçar o capital, e isto não queremos ver e ouvir. A maioria dos cristãos são seguidores cegos do capitalismo e ai daquele que agride o sacrossanto sistema capitalista! Por outro lado, não queremos ver os males que ele nos traz. Até falamos dos problemas que o capitalismo traz, mas não apoiamos nenhuma ação contra ele. Está na hora de dar gritos contra o deus capital e a sua teologia da prosperidade, que legitima a exploração. Nós também não confiamos em Deus e no seu evangelho e por isso não nos arriscamos a enfrentar o capital, que se tornou um deus muito poderoso, que nos escraviza da mesma forma como o povo de Israel era escravo na Babilônia.
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conta que não temos nada a ver com isso. Até falamos da depressão e da auto-estima, mas não vamos ao fundo de suas causas, que são a opressão de gênero, a opressão econômica e política, a opressão ideológica e teológica. v. 21 Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Hoje, cabe engrandecer o evangelho de Jesus Cristo, que anuncia o reino de Deus e a sua justiça. Onde conseguimos fazer isso em nossa vida diária? Esquecemos que há um projeto claro de vida no evangelho, que pode enfrentar a opressão capitalista que nos escraviza e nos deixa sem ação. Assim como na Babilônia havia uma proposta alternativa de vida a partir da lei de Moisés; hoje há uma proposta de vida que se contrapõe ao capitalismo, que encontramos no evangelho de Jesus Cristo. O texto deixa claro que a escravidão não será eterna, mas Deus vai nos guiar para fora dela e nos preparar um caminho seguro (v. 15-16). É só confiar em Deus, deixar o falso deus capital de lado e começar a enxergar as saídas que Deus propõe. Mas isto requer (v. 17) arrependimento e confiança no poder de Deus.
5 Sugestões para o desenvolvimento da pregação a partir dos temas que aparecem no texto O que precisa ser dito bem alto sobre nós, sobre a comunidade e sobre o país e que nunca ou pouco foi dito? v. 14. Ânimo, Deus está do nosso lado para nos amparar e quer nos guiar pelos caminhos que levam à superação de nossos problemas e dificuldades que procuramos esconder v. 15-16. As dificuldades que o capitalismo traz e a sua inviabilidade social devem ser expostos à luz do dia, denunciada a idolatria do capital e o seguimento ao deus capital, que está enraizada na vida dos membros da comunidade e requer arrependimento v. 17. Onde nos fazemos de cegos e surdos e acabamos achando alguns fatos como normais na família (drogas [álcool e fumo] e brigas), na comunidade (acomodação e assistencialismo religioso) e no país (corrupção, violência e dívidas externa e interna, que estrangulam o país) e o que fazemos de conta que não vemos? v. 18-20. Foi do agrado de Deus anunciar o seu evangelho através de Jesus Cristo para nossa salvação. Nem tudo está perdido, há esperança v. 21.
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6 Liturgia Confissão de pecados: Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1, 8-9). Confessemos o nosso pecado diante de Deus e na presença das irmãs e dos irmãos aqui reunidos. Tomemos primeiro um tempo no qual, em silêncio, refletimos sobre nossos atos e pensamentos com os quais prejudicamos nossa vida comunitária e a vida do país, quando fortalecemos o capitalismo em vez do teu evangelho. Confessamos que estamos escravizados e escravizadas pelo pecado de adesão ao sistema capitalista opressor e não podemos libertar-nos por nós mesmos. Falhamos porque não queremos nos livrar da idolatria do capital. Não temos amado de todo o coração; não temos apoiado os movimentos sociais quando solicitaram apoio na luta por uma nova sociedade. Temos nos empenhado por coisas secundárias em detrimento do que é prioritário. Estamos arrependidos e arrependidas. Por amor de teu Filho Jesus Cristo, tem compaixão de nós. Perdoa-nos, renova-nos, torna-nos sensíveis para nosso próximo, dirige-nos para que andemos nos teus caminhos, para a glória de teu santo nome. Por isso cantemos: Absolvição: O onipotente e misericordioso Deus teve compaixão de nós. Ele deixou que seu Filho unigênito fosse entregue à morte por nós na cruz e perdoou-nos de graça todo o pecado. Por isso anuncio o perdão dos teus pecados com a Palavra de Deus, que diz: Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei (Is 42.16). Versículo de entrada A Sagrada Escritura diz: Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa (Is 42.21). Kyrie Diante dessa glória de Deus temos que admitir que nós vivemos em meio a sofrimentos, injustiças, violências e dores neste mundo; estas nós queremos trazer agora. Pelo sistema falho de saúde que deixa o povo sem assistência em sua doença e sofrimento. Pela dor que a separação e o divórcio de casais está
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conta que não temos nada a ver com isso. Até falamos da depressão e da auto-estima, mas não vamos ao fundo de suas causas, que são a opressão de gênero, a opressão econômica e política, a opressão ideológica e teológica. v. 21 Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Hoje, cabe engrandecer o evangelho de Jesus Cristo, que anuncia o reino de Deus e a sua justiça. Onde conseguimos fazer isso em nossa vida diária? Esquecemos que há um projeto claro de vida no evangelho, que pode enfrentar a opressão capitalista que nos escraviza e nos deixa sem ação. Assim como na Babilônia havia uma proposta alternativa de vida a partir da lei de Moisés; hoje há uma proposta de vida que se contrapõe ao capitalismo, que encontramos no evangelho de Jesus Cristo. O texto deixa claro que a escravidão não será eterna, mas Deus vai nos guiar para fora dela e nos preparar um caminho seguro (v. 15-16). É só confiar em Deus, deixar o falso deus capital de lado e começar a enxergar as saídas que Deus propõe. Mas isto requer (v. 17) arrependimento e confiança no poder de Deus.
5 Sugestões para o desenvolvimento da pregação a partir dos temas que aparecem no texto O que precisa ser dito bem alto sobre nós, sobre a comunidade e sobre o país e que nunca ou pouco foi dito? v. 14. Ânimo, Deus está do nosso lado para nos amparar e quer nos guiar pelos caminhos que levam à superação de nossos problemas e dificuldades que procuramos esconder v. 15-16. As dificuldades que o capitalismo traz e a sua inviabilidade social devem ser expostos à luz do dia, denunciada a idolatria do capital e o seguimento ao deus capital, que está enraizada na vida dos membros da comunidade e requer arrependimento v. 17. Onde nos fazemos de cegos e surdos e acabamos achando alguns fatos como normais na família (drogas [álcool e fumo] e brigas), na comunidade (acomodação e assistencialismo religioso) e no país (corrupção, violência e dívidas externa e interna, que estrangulam o país) e o que fazemos de conta que não vemos? v. 18-20. Foi do agrado de Deus anunciar o seu evangelho através de Jesus Cristo para nossa salvação. Nem tudo está perdido, há esperança v. 21.
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6 Liturgia Confissão de pecados: Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1, 8-9). Confessemos o nosso pecado diante de Deus e na presença das irmãs e dos irmãos aqui reunidos. Tomemos primeiro um tempo no qual, em silêncio, refletimos sobre nossos atos e pensamentos com os quais prejudicamos nossa vida comunitária e a vida do país, quando fortalecemos o capitalismo em vez do teu evangelho. Confessamos que estamos escravizados e escravizadas pelo pecado de adesão ao sistema capitalista opressor e não podemos libertar-nos por nós mesmos. Falhamos porque não queremos nos livrar da idolatria do capital. Não temos amado de todo o coração; não temos apoiado os movimentos sociais quando solicitaram apoio na luta por uma nova sociedade. Temos nos empenhado por coisas secundárias em detrimento do que é prioritário. Estamos arrependidos e arrependidas. Por amor de teu Filho Jesus Cristo, tem compaixão de nós. Perdoa-nos, renova-nos, torna-nos sensíveis para nosso próximo, dirige-nos para que andemos nos teus caminhos, para a glória de teu santo nome. Por isso cantemos: Absolvição: O onipotente e misericordioso Deus teve compaixão de nós. Ele deixou que seu Filho unigênito fosse entregue à morte por nós na cruz e perdoou-nos de graça todo o pecado. Por isso anuncio o perdão dos teus pecados com a Palavra de Deus, que diz: Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei (Is 42.16). Versículo de entrada A Sagrada Escritura diz: Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa (Is 42.21). Kyrie Diante dessa glória de Deus temos que admitir que nós vivemos em meio a sofrimentos, injustiças, violências e dores neste mundo; estas nós queremos trazer agora. Pelo sistema falho de saúde que deixa o povo sem assistência em sua doença e sofrimento. Pela dor que a separação e o divórcio de casais está
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causando em nossas famílias. Pelo sofrimento que muitas crianças passam por causa do alcoolismo de seus pais. Pelo sofrimento dos pais por causa do consumo de drogas de seus filhos. Pela miséria e desespero que o desemprego está gerando no meio de nossas famílias. Cantemos:
Intercedemos pela comunidade que está empenhada em proclamar e viver o anúncio do evangelho de Jesus Cristo. Intercedemos pelas famílias que têm em seu meio alguma pessoa que tenha dependência química, álcool ou cocaína e que estão tentando recuperá-la. Cantemos: Intercedemos, Senhor, para que nós nos organizemos o suficiente para poder pressionar os governantes para que se empenhem pela erradicação das drogas e para que as autoridades não se deixem corromper pelos narcotraficantes. Cantemos:
Glória Frente a essas e outras dores do mundo queremos anunciar e confessar a glória e a vitória de Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te, pois nos anunciaste através de teu Filho o projeto da felicidade eterna. Exaltamos-te, Senhor, porque a função da tua igreja hoje é participar do processo de libertação iniciado por Jesus Cristo. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te, pois deixaste teu Filho Jesus Cristo morrer na cruz para nos mostrar o caminho da vida eterna. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te pelo teu amor por todos nós. Deixaste que teu Filho fosse entregue à cruz. Porém não o deixaste na morte, mas sim lhe deste a vida, para por meio dele dar vida a todos os que nele crêem. Por isso cantemos:
Bibliografia ELLIGER, Karl. Biblischer Kommentar Altes Testament. Jesaja II, vol XI4. Neukirchner Verlag: Neukirchen-Vluyn, 1973. LOPES, Eliseu. Livros Proféticos: profetas posteriores. Roteiro para reflexão IV. São Leopoldo: CEBI, 1996. SCHWANTES, Milton. Sofrimento e Esperança no Exílio. São Leopoldo e São Paulo: Editora Sinodal & Edições Paulinas, 1987. STEINMANN, J. O Livro da Consolação de Israel e os profetas da volta do exílio. São Paulo: Edições Paulinas, 1976.
Oração do dia Oremos: Gracioso Deus, fonte de vida e de esperança. A ti somente rendemos graça por aqui estarmos, podendo participar deste culto na época da Paixão de Cristo. Tua presença nos anima, indica rumos, desafia e capacita. Que tua paz continue conosco, sendo nosso rumo em todos os nossos passos. Que o teu evangelho seja fonte de inspiração e critério para a nossa vida, para que ela seja do teu agrado. Obrigado, santo Deus, por aceitares a Paixão de teu filho para que fôssemos livres de teu juízo de ira. Obrigado, Senhor Jesus Cristo, porque todo o castigo que merecíamos foi sofrido por ti. Obrigado, Espírito Santo, porque nos encorajas a esperar diariamente, por amor de Cristo, na misericórdia de Deus. Ilumina-nos para que não apenas ouçamos a tua palavra, mas que estejamos dispostos a viver segundo ela. Amém. Intercessões gerais da igreja Queremos trazer agora perante Deus as nossas intercessões. Oremos: Oramos, Senhor, por todos nós para que nos engajemos em favor das lutas dos oprimidos para que haja justiça, bem-estar e paz. Oramos, Senhor, por nossa comunidade para que se sinta motivada a entrar na missão que tu lhe confiaste. Oramos, Senhor, pelos doentes e por todos os que cuidam de doentes; oramos pelos enlutados que estão prestes a perder a esperança. Cantemos:
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causando em nossas famílias. Pelo sofrimento que muitas crianças passam por causa do alcoolismo de seus pais. Pelo sofrimento dos pais por causa do consumo de drogas de seus filhos. Pela miséria e desespero que o desemprego está gerando no meio de nossas famílias. Cantemos:
Intercedemos pela comunidade que está empenhada em proclamar e viver o anúncio do evangelho de Jesus Cristo. Intercedemos pelas famílias que têm em seu meio alguma pessoa que tenha dependência química, álcool ou cocaína e que estão tentando recuperá-la. Cantemos: Intercedemos, Senhor, para que nós nos organizemos o suficiente para poder pressionar os governantes para que se empenhem pela erradicação das drogas e para que as autoridades não se deixem corromper pelos narcotraficantes. Cantemos:
Glória Frente a essas e outras dores do mundo queremos anunciar e confessar a glória e a vitória de Deus na pessoa de seu Filho Jesus Cristo. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te, pois nos anunciaste através de teu Filho o projeto da felicidade eterna. Exaltamos-te, Senhor, porque a função da tua igreja hoje é participar do processo de libertação iniciado por Jesus Cristo. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te, pois deixaste teu Filho Jesus Cristo morrer na cruz para nos mostrar o caminho da vida eterna. Deus, Todo-Poderoso, exaltamos-te pelo teu amor por todos nós. Deixaste que teu Filho fosse entregue à cruz. Porém não o deixaste na morte, mas sim lhe deste a vida, para por meio dele dar vida a todos os que nele crêem. Por isso cantemos:
Bibliografia ELLIGER, Karl. Biblischer Kommentar Altes Testament. Jesaja II, vol XI4. Neukirchner Verlag: Neukirchen-Vluyn, 1973. LOPES, Eliseu. Livros Proféticos: profetas posteriores. Roteiro para reflexão IV. São Leopoldo: CEBI, 1996. SCHWANTES, Milton. Sofrimento e Esperança no Exílio. São Leopoldo e São Paulo: Editora Sinodal & Edições Paulinas, 1987. STEINMANN, J. O Livro da Consolação de Israel e os profetas da volta do exílio. São Paulo: Edições Paulinas, 1976.
Oração do dia Oremos: Gracioso Deus, fonte de vida e de esperança. A ti somente rendemos graça por aqui estarmos, podendo participar deste culto na época da Paixão de Cristo. Tua presença nos anima, indica rumos, desafia e capacita. Que tua paz continue conosco, sendo nosso rumo em todos os nossos passos. Que o teu evangelho seja fonte de inspiração e critério para a nossa vida, para que ela seja do teu agrado. Obrigado, santo Deus, por aceitares a Paixão de teu filho para que fôssemos livres de teu juízo de ira. Obrigado, Senhor Jesus Cristo, porque todo o castigo que merecíamos foi sofrido por ti. Obrigado, Espírito Santo, porque nos encorajas a esperar diariamente, por amor de Cristo, na misericórdia de Deus. Ilumina-nos para que não apenas ouçamos a tua palavra, mas que estejamos dispostos a viver segundo ela. Amém. Intercessões gerais da igreja Queremos trazer agora perante Deus as nossas intercessões. Oremos: Oramos, Senhor, por todos nós para que nos engajemos em favor das lutas dos oprimidos para que haja justiça, bem-estar e paz. Oramos, Senhor, por nossa comunidade para que se sinta motivada a entrar na missão que tu lhe confiaste. Oramos, Senhor, pelos doentes e por todos os que cuidam de doentes; oramos pelos enlutados que estão prestes a perder a esperança. Cantemos:
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4 DOMINGO DA QUARESMA
6 MAR 2005
MATEUS 20.17-28 ROMANOS 8.1-10
PRÉDICA: OSÉAS 5.15-6.2 Leandro Dentee
Um pouco de frustração? Ao receber o convite para escrever sobre Os 5.15-6.2, naturalmente fui ler o texto para obter algumas impressões. Ao fazê-lo, logo tive a impressão de que se tratava de uma confissão de fé, algo que comprovava a fé de um povo em seu Deus. Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar (...) ; Daqui uns dois ou três dias no máximo, ele nos dará novas forças (...) Palavras bonitas! Uma fé expressa com convicção! Será assim mesmo?
1 Aproximando-nos do profeta Oséias O profeta Oséias, assim como todos e todas nós, expressa uma determinada situação em sua pregação. Como toda pessoa, é fruto de seu contexto histórico. Por isso queremos, em primeiro lugar, retomar o contexto histórico desse profeta, sendo este fundamental para entender a perícope em questão. 1.1 Contexto de Israel no século VIII a.C.
Acaz não aceitou a proposta posteriormente os fatos históricos lhe dariam razão e iniciou então a chamada guerra sírio-efraimita. Não sendo possível suportar por muito tempo um sítio provocado por Damasco e Israel, Acaz, mesmo sob o protesto do profeta Isaías, pediu a ajuda de Tiglate-Pileser III. Com a superioridade das tropas assírias, Rezim e Peca de Israel foram vencidos; primeiro este, depois aquele. A classe alta de Israel foi deportada para a cidade de Assur e a população rural permaneceu no país, que recebeu, por sua vez, outra classe alta estrangeira. Após essa intervenção de Tiglate-Pileser III, a região teve relativa paz. Todos permaneceram como vassalos da Assíria, sem tomar iniciativas de libertação (H. Donner, p. 349-362). Além dessa investida fracassada, a sociedade israelita estava mergulhada em problemas. O profeta Oséias, bem como seu companheiro Amós, nos dão uma visão profunda da sociedade israelita da época e deixam claro que, além da aparência de riqueza no norte do Estado, também lá encontrava-se um avançado quadro de decadência social, moral e religiosa. A desintegração social acompanhava a decadência religiosa. Os grandes templos de Israel estavam cheios de adoradores; no entanto, o javismo em sua forma pura não era praticado (Os 1-3; 4.1-14) Muitos israelitas eram adoradores de Baal. A verdade é que tinha havido uma perversão íntima na religião de Javé. Os atos generosos de Javé em benefício de Israel eram lembrados no culto, só que vistos como uma proteção incondicional de Javé em favor da nação. As obrigações do povo devido à aliança realizada com Deus estavam esquecidas. As obrigações da aliança eram concebidas como algo puramente de culto. O javismo corria o risco de tornar-se uma religião pagã. Neste contexto aparecem dois profetas, a saber, Oséias e Amós, os dois primeiros cujas palavras foram preservadas na Bíblia (J. Bright, p. 359-350). 1.2 Oséias e sua pregação
O reino do Norte durante o século VIII, época de atuação do profeta Oséias, é marcado por um acontecimento especial. Este fato histórico é denominado de guerra sírio-efraimita. Esta guerra viria a decretar o fim do próprio reino. Sob o governo de Menaém (747-738), Israel teve o último período de calma. Nessa época, o império neo-assírio sob Tiglate-Pileser III torna-se um fator de grande poder. Com seguidas conquistas e a constante expansão do império, muitos reinados, tomados de pavor, apresentavam-se para pagar contribuições ao império assírio. A campanha do reino assírio no ano de 734 realizou-se na vizinhança do reino do Sul, Judá. No final da primavera ou do verão de 734, Rezim, rei de Damasco, e Peca, rei de Israel (735-732), tentaram convencer, primeiramente de forma diplomática, o rei Acaz de Judá a unir-se a eles numa coalizão antiassíria.
O profeta atuou durante o reinado de Jeroboão e descobriu, segundo J. Bright, a sua vocação por meio de uma trágica experiência doméstica, a saber, o adultério. Esta experiência pessoal contribuiu para dar à sua mensagem uma forma característica. A mensagem de Oséias descreve o vínculo da aliança como um matrimônio: Deus casado com a nação de Israel. Esta o traiu adotando outros deuses, cometeu adultério e por isso está sujeita à ruína (2.2-13). Oséias foi contra o culto a Baal e a corrosão moral que isso ocasionava (4.1-14), acusando Israel de ter esquecido os benefícios de Deus (11.1-4). Para Oséias, não havia nenhum sinal de verdadeira penitência por parte do povo. Suas orações eram vazias (5.15-6.6). Acreditava, assim como Amós, que a nação estava condenada à destruição (7.13; 3.9-17) devido a seu afastamento de Deus. Mesmo com uma visão tão crítica, o profeta alimentava a esperança de que, como ele tinha
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MATEUS 20.17-28 ROMANOS 8.1-10
PRÉDICA: OSÉAS 5.15-6.2 Leandro Dentee
Um pouco de frustração? Ao receber o convite para escrever sobre Os 5.15-6.2, naturalmente fui ler o texto para obter algumas impressões. Ao fazê-lo, logo tive a impressão de que se tratava de uma confissão de fé, algo que comprovava a fé de um povo em seu Deus. Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar (...) ; Daqui uns dois ou três dias no máximo, ele nos dará novas forças (...) Palavras bonitas! Uma fé expressa com convicção! Será assim mesmo?
1 Aproximando-nos do profeta Oséias O profeta Oséias, assim como todos e todas nós, expressa uma determinada situação em sua pregação. Como toda pessoa, é fruto de seu contexto histórico. Por isso queremos, em primeiro lugar, retomar o contexto histórico desse profeta, sendo este fundamental para entender a perícope em questão. 1.1 Contexto de Israel no século VIII a.C.
Acaz não aceitou a proposta posteriormente os fatos históricos lhe dariam razão e iniciou então a chamada guerra sírio-efraimita. Não sendo possível suportar por muito tempo um sítio provocado por Damasco e Israel, Acaz, mesmo sob o protesto do profeta Isaías, pediu a ajuda de Tiglate-Pileser III. Com a superioridade das tropas assírias, Rezim e Peca de Israel foram vencidos; primeiro este, depois aquele. A classe alta de Israel foi deportada para a cidade de Assur e a população rural permaneceu no país, que recebeu, por sua vez, outra classe alta estrangeira. Após essa intervenção de Tiglate-Pileser III, a região teve relativa paz. Todos permaneceram como vassalos da Assíria, sem tomar iniciativas de libertação (H. Donner, p. 349-362). Além dessa investida fracassada, a sociedade israelita estava mergulhada em problemas. O profeta Oséias, bem como seu companheiro Amós, nos dão uma visão profunda da sociedade israelita da época e deixam claro que, além da aparência de riqueza no norte do Estado, também lá encontrava-se um avançado quadro de decadência social, moral e religiosa. A desintegração social acompanhava a decadência religiosa. Os grandes templos de Israel estavam cheios de adoradores; no entanto, o javismo em sua forma pura não era praticado (Os 1-3; 4.1-14) Muitos israelitas eram adoradores de Baal. A verdade é que tinha havido uma perversão íntima na religião de Javé. Os atos generosos de Javé em benefício de Israel eram lembrados no culto, só que vistos como uma proteção incondicional de Javé em favor da nação. As obrigações do povo devido à aliança realizada com Deus estavam esquecidas. As obrigações da aliança eram concebidas como algo puramente de culto. O javismo corria o risco de tornar-se uma religião pagã. Neste contexto aparecem dois profetas, a saber, Oséias e Amós, os dois primeiros cujas palavras foram preservadas na Bíblia (J. Bright, p. 359-350). 1.2 Oséias e sua pregação
O reino do Norte durante o século VIII, época de atuação do profeta Oséias, é marcado por um acontecimento especial. Este fato histórico é denominado de guerra sírio-efraimita. Esta guerra viria a decretar o fim do próprio reino. Sob o governo de Menaém (747-738), Israel teve o último período de calma. Nessa época, o império neo-assírio sob Tiglate-Pileser III torna-se um fator de grande poder. Com seguidas conquistas e a constante expansão do império, muitos reinados, tomados de pavor, apresentavam-se para pagar contribuições ao império assírio. A campanha do reino assírio no ano de 734 realizou-se na vizinhança do reino do Sul, Judá. No final da primavera ou do verão de 734, Rezim, rei de Damasco, e Peca, rei de Israel (735-732), tentaram convencer, primeiramente de forma diplomática, o rei Acaz de Judá a unir-se a eles numa coalizão antiassíria.
O profeta atuou durante o reinado de Jeroboão e descobriu, segundo J. Bright, a sua vocação por meio de uma trágica experiência doméstica, a saber, o adultério. Esta experiência pessoal contribuiu para dar à sua mensagem uma forma característica. A mensagem de Oséias descreve o vínculo da aliança como um matrimônio: Deus casado com a nação de Israel. Esta o traiu adotando outros deuses, cometeu adultério e por isso está sujeita à ruína (2.2-13). Oséias foi contra o culto a Baal e a corrosão moral que isso ocasionava (4.1-14), acusando Israel de ter esquecido os benefícios de Deus (11.1-4). Para Oséias, não havia nenhum sinal de verdadeira penitência por parte do povo. Suas orações eram vazias (5.15-6.6). Acreditava, assim como Amós, que a nação estava condenada à destruição (7.13; 3.9-17) devido a seu afastamento de Deus. Mesmo com uma visão tão crítica, o profeta alimentava a esperança de que, como ele tinha
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perdoado a sua mulher (cap. 3), Deus, em seu infinito amor, mais uma vez casaria com a nação (2.14-23). Este novo casamento entre Deus e o seu povo, agora perdoado, somente seria possível após o inevitável desastre (J. Bright, p. 352-353). 1.3 Lugar dos profetas na religião de Israel Amós e Oséias são os primeiros representantes de um grupo que irá influenciar de forma profunda a história de Israel. Os profetas clássicos representam um fenômeno novo em Israel. Não foram os pioneiros espirituais, mas pessoas que, bem inseridas na tradição de Israel, adaptavam essa tradição a uma nova situação. Os profetas clássicos eram representantes de uma missão que existia em Israel desde o começo ou pouco antes da monarquia. A missão era a que concebia Deus como exercendo o governo direto de seu povo. Tratava-se de uma missão política: os profetas falavam como mensageiros da corte celeste, sendo dever lembrar os reis e dirigentes de que o governador de Israel era o próprio Deus. Oséias é o crítico mais contundente da monarquia (8.4). Ele compreende a monarquia como uma instituição humana ou dádiva da ira de Deus (13.11). O profeta não menciona culto nem monarquia como dádivas que Deus dará ao povo depois do juízo (2.16ss). Deus retira os bens enganosos da terra, também monarquia e culto (2.5,11-14). Oséias desenvolve uma idéia básica tendo em vista a história de Israel: um segundo êxodo (11.11) A partir deste êxodo Israel voltará para as suas origens. A salvação que Oséias promete pressupõe juízo (W. Schmidt, p. 199-200). Em meados do século VIII, quando o povo parecia ter esquecido seu Deus e as ordens proféticas tinham perdido força, palavras mais severas tornaram-se necessárias. Estas palavras foram trazidas pelos profetas clássicos. O ataque à sociedade estava fundamentado no reinado de Deus e que o povo tinha obrigações com este Deus. Era repudiada a idéia de que o status de povo de Javé se baseava, como faziam os pagãos, no sangue, no solo e no culto. A lei justa de Deus deveria ser obedecida tanto no plano da vida particular bem como no plano social. Estava claro para eles que Israel tinha violado a vontade de Deus, e assim as únicas palavras só poderiam ser palavras de julgamento: Deus voltou sua ira contra seu povo, o que desencadeará as maldições da aliança contra o próprio povo. Israel, rico e confiante no futuro, estava com uma doença incurável. As palavras de Amós e Oséias nos mostram que a religião de Israel não podia mais fazer as pazes com Deus. O povo havia esquecido o seu Senhor. Foi graças aos profetas que a religião de Israel recebeu nova injeção de vida (J. Bright, p. 356).
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2 O texto em questão e o desafio por ele colocado Queremos e devemos buscar ser fiéis em nossa pregação. Creio que um dos maiores desafios de seguir uma proposta de textos como base para a nossa pregação vem a ser o fato de, fundamentados neles, pregarmos sobre os mais variados temas e ênfases. O texto do profeta Oséias fala de um falso arrependimento. O povo havia entendido o amor e o perdão de Deus como algo automático, ligado às funções litúrgicas somente. Conforme a situação histórica do povo, palavras duras tornaram-se necessárias. Por isso o livro do profeta é intercalado com palavras de juízo e redenção. Falso arrependimento é o tema central da perícope. Torna-se necessário, nesta época da Quaresma, refletir sobre essa questão e como ela se apresenta hoje em nossas comunidades; afinal, somos justificados por graça e fé. Não entendemos nós também o amor e o perdão de Deus de forma automática, assim como o povo naquela época? Arrependemo-nos realmente? Como recebemos a absolvição de nossos pecados? A palavra grega para arrependimento é metanoia e significa mudança de caminho, mudança de rumo. Perdoados e perdoadas mudam de rumo? Não julgamos nós de forma barata a graça de Deus? Dietrich Bonhoeffer, em seu livro Discipulado, cujo texto é um clássico digno de nota, já nos alertava sobre essa tentação quando escreve: Graça barata significa a graça como doutrina, como princípio, como sistema; significa perdão dos pecados como verdade geral, significa o amor de Deus (...) Como a graça tudo faz sozinha, tudo pode permanecer como dantes. A graça barata é a pregação sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado. (...) A graça preciosa assim o é (...) porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo, é preciosa porque custa a vida do homem, e é graça, por assim, lhe dar a vida, é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador (D. Bonhoeffer, p. 9-10). Nosso reformador diz: Afirmo, entretanto, que não se pode provar, a partir da Escritura, que a justiça divina deseja ou exige do pecador qualquer pena ou satisfação, mas sim unicamente sua contrição ou conversão verdadeira, com o propósito de, doravante, carregar a cruz de Cristo (M. Lutero, p. 32).
A graça barata, distribuída sem discipulado, vem a ser um verme que corrói as comunidades e, por sua vez, a igreja. Creio que a graça barata é para nós, obreiros e obreiras da IECLB, uma saída muitas vezes usada. A certeza do perdão não nos deixa acomodados e acomodadas como obreiros e obreiras e como comunidades? Não abandonamos uma teologia libertadora e assim também a graça preciosa? A teologia da libertação parece ter passa-
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perdoado a sua mulher (cap. 3), Deus, em seu infinito amor, mais uma vez casaria com a nação (2.14-23). Este novo casamento entre Deus e o seu povo, agora perdoado, somente seria possível após o inevitável desastre (J. Bright, p. 352-353). 1.3 Lugar dos profetas na religião de Israel Amós e Oséias são os primeiros representantes de um grupo que irá influenciar de forma profunda a história de Israel. Os profetas clássicos representam um fenômeno novo em Israel. Não foram os pioneiros espirituais, mas pessoas que, bem inseridas na tradição de Israel, adaptavam essa tradição a uma nova situação. Os profetas clássicos eram representantes de uma missão que existia em Israel desde o começo ou pouco antes da monarquia. A missão era a que concebia Deus como exercendo o governo direto de seu povo. Tratava-se de uma missão política: os profetas falavam como mensageiros da corte celeste, sendo dever lembrar os reis e dirigentes de que o governador de Israel era o próprio Deus. Oséias é o crítico mais contundente da monarquia (8.4). Ele compreende a monarquia como uma instituição humana ou dádiva da ira de Deus (13.11). O profeta não menciona culto nem monarquia como dádivas que Deus dará ao povo depois do juízo (2.16ss). Deus retira os bens enganosos da terra, também monarquia e culto (2.5,11-14). Oséias desenvolve uma idéia básica tendo em vista a história de Israel: um segundo êxodo (11.11) A partir deste êxodo Israel voltará para as suas origens. A salvação que Oséias promete pressupõe juízo (W. Schmidt, p. 199-200). Em meados do século VIII, quando o povo parecia ter esquecido seu Deus e as ordens proféticas tinham perdido força, palavras mais severas tornaram-se necessárias. Estas palavras foram trazidas pelos profetas clássicos. O ataque à sociedade estava fundamentado no reinado de Deus e que o povo tinha obrigações com este Deus. Era repudiada a idéia de que o status de povo de Javé se baseava, como faziam os pagãos, no sangue, no solo e no culto. A lei justa de Deus deveria ser obedecida tanto no plano da vida particular bem como no plano social. Estava claro para eles que Israel tinha violado a vontade de Deus, e assim as únicas palavras só poderiam ser palavras de julgamento: Deus voltou sua ira contra seu povo, o que desencadeará as maldições da aliança contra o próprio povo. Israel, rico e confiante no futuro, estava com uma doença incurável. As palavras de Amós e Oséias nos mostram que a religião de Israel não podia mais fazer as pazes com Deus. O povo havia esquecido o seu Senhor. Foi graças aos profetas que a religião de Israel recebeu nova injeção de vida (J. Bright, p. 356).
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2 O texto em questão e o desafio por ele colocado Queremos e devemos buscar ser fiéis em nossa pregação. Creio que um dos maiores desafios de seguir uma proposta de textos como base para a nossa pregação vem a ser o fato de, fundamentados neles, pregarmos sobre os mais variados temas e ênfases. O texto do profeta Oséias fala de um falso arrependimento. O povo havia entendido o amor e o perdão de Deus como algo automático, ligado às funções litúrgicas somente. Conforme a situação histórica do povo, palavras duras tornaram-se necessárias. Por isso o livro do profeta é intercalado com palavras de juízo e redenção. Falso arrependimento é o tema central da perícope. Torna-se necessário, nesta época da Quaresma, refletir sobre essa questão e como ela se apresenta hoje em nossas comunidades; afinal, somos justificados por graça e fé. Não entendemos nós também o amor e o perdão de Deus de forma automática, assim como o povo naquela época? Arrependemo-nos realmente? Como recebemos a absolvição de nossos pecados? A palavra grega para arrependimento é metanoia e significa mudança de caminho, mudança de rumo. Perdoados e perdoadas mudam de rumo? Não julgamos nós de forma barata a graça de Deus? Dietrich Bonhoeffer, em seu livro Discipulado, cujo texto é um clássico digno de nota, já nos alertava sobre essa tentação quando escreve: Graça barata significa a graça como doutrina, como princípio, como sistema; significa perdão dos pecados como verdade geral, significa o amor de Deus (...) Como a graça tudo faz sozinha, tudo pode permanecer como dantes. A graça barata é a pregação sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado. (...) A graça preciosa assim o é (...) porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo, é preciosa porque custa a vida do homem, e é graça, por assim, lhe dar a vida, é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador (D. Bonhoeffer, p. 9-10). Nosso reformador diz: Afirmo, entretanto, que não se pode provar, a partir da Escritura, que a justiça divina deseja ou exige do pecador qualquer pena ou satisfação, mas sim unicamente sua contrição ou conversão verdadeira, com o propósito de, doravante, carregar a cruz de Cristo (M. Lutero, p. 32).
A graça barata, distribuída sem discipulado, vem a ser um verme que corrói as comunidades e, por sua vez, a igreja. Creio que a graça barata é para nós, obreiros e obreiras da IECLB, uma saída muitas vezes usada. A certeza do perdão não nos deixa acomodados e acomodadas como obreiros e obreiras e como comunidades? Não abandonamos uma teologia libertadora e assim também a graça preciosa? A teologia da libertação parece ter passa-
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do. Prova disso é o próprio Proclamar Libertação. Estamos mais mansos . Análise de conjuntura pouco fazemos. A Associação de Pastoras e Pastores da IECLB (APPI) luta para organizar uma classe, a pastorada , que não quer ser organizada. Até parece que nossos direitos estão todos assegurados, ou organização e reivindicação é coisa de baderneiro? Vamos manter a ordem! Cada um em sua paróquia encantada . Quando tomamos posturas claras? Somos capazes de desafiar os causadores de injustiças nesse nosso meio de trabalho? Há mais obreiros e obreiras do que vagas, fiquemos então assim, quietos, acobertados por uma graça... Este tema, graça barata, apontado por Oséias, descrito por Bonhoeffer e também por Lutero, serve para nós como reflexão. A graça barata sustenta o nosso status quo? Por enquanto, vamos seguindo...
3 Pistas para a pregação A sugestão de pregação é dividida em três partes, fundamentando-se cada uma delas nos textos sugeridos para este quarto domingo da Quaresma. Eis a proposta: Oséias 5.15-6.2: O contexto em que viveu o profeta, principalmente visto sob o aspecto religioso, é fundamental para a compreensão da perícope. O profeta aponta o falso arrependimento. Algo que ainda hoje temos em nosso meio cristão. Assim: a) contexto do profeta e sua pregação; b) ainda hoje temos falso arrependimento. Podemos aqui perguntar aos ouvintes se eles concordam ou não com essa afirmação. Romanos 8.1-10: Somos perdoados por Deus por intermédio de Cristo Jesus. O perdão de Deus não é dado por nosso próprio mérito, mas dado por graça divina. Vivemos sob a graça de Deus, que perdoa o pecador. Assim: a) o profeta aponta o falso arrependimento; b) o perdão nos é dado por Deus por meio de Cristo; c) não podemos nos acomodar na graça de Deus graça barata; d) o que seria demonstrar arrependimento? Mateus 20.17-28: Demonstrar arrependimento é seguir a palavra de Jesus Cristo. Assim: a) arrepender-se é conforme o texto em questão: (...) quem quiser ser importante, que sirva os outros (...) ; b) quem recebe o perdão de Deus e realmente se arrepende coloca-se a serviço do outro, não transforma a outra pessoa em objeto. Escopo: Oséias nos alerta para o falso arrependimento. Receber o perdão não é um ato litúrgico simplesmente. O perdão nos é dado por intermédio da graça de Deus, que nos faz ser novas criaturas em Cristo Jesus. Essa graça de Deus não pode ser barata. Ela exige mudança de mente. É necessário servir . Arrependimento sem diaconia é falso.
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4 A celebração Quando da realização do nosso Dia Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, um dos momentos de maior comoção, na minha opinião, foi a confissão de pecados. Por quê? Usamos o recurso de um telão, que reproduzia imagens relativas à situação de pecado que confessávamos naquele momento. Quando da injustiça social, imagens de pessoas excluídas e assim por diante. Uma sugestão de recurso litúrgico seria usar imagens, como, por exemplo, imagens recortadas de jornais, ou o telão, para quem tem essa possibilidade. Imagens de situações de pecado. Estas imagens poderiam ser colocadas no corredor, e assim as pessoas passariam por elas, ou ainda no altar e convidar, quando da confissão de pecados, as pessoas presentes para uma aproximação. Podemos ainda usar arame de cercas, simbolizando as nossas diferenças. Quantas cercas nos separam hoje? A cerca da exclusão social, cultural, econômica, social... Sendo a idéia do texto um arrependimento sincero, imagens e objetos que representam ou mostram a realidade de pecado em que vivemos ajudam-nos a descobrir a responsabilidade que temos. No caso da celebração da Ceia do Senhor, como gesto simbólico de comprometimento com uma mudança, após o Credo Apostólico as pessoas poderiam retirá-las e colocá-las sobre a mesa do altar. A idéia é demonstrar que a ceia que celebramos quer acabar com essas situações. A bênção final deve ser enfatizada como um envio concreto para o arrependimento sincero, ou seja, segundo o evangelho do domingo, o servir. Como sinal de que vamos em busca do servir, cada participante poderia receber, no final, um pequeno pão, que levaria para alguém que não se encontra no culto, buscando, em especial, pessoas com alguma dificuldade, como um doente, por exemplo. De forma concreta vamos ao encontro da outra pessoa. Somos perdoados e perdoadas por Deus, mas também convocados e convocadas para ações de diaconia.
Bibliografia BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Edições Paulinas, 1980. BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1989. DOBBERAHN, Friederich Erich. Oséias 5.15-6.2. In: HOEFELMANN, V.; SILVA, J. A. M. da. Proclamar Libertação, São Leopoldo: Sinodal, 1992. p. 95-102. DONNER, Herbert. História de Israel e dos povos vizinhos. Vol. 2. Da época da divisão do Reino até Alexandre Magno. São Leopoldo (RS) e Petrópolis (RJ): Editora Sinodal e Vozes, 1997. LUTERO, Martin. Um sermão sobre a indulgência e a graça. In: Obras Selecionadas, vol. 1, São Leopoldo e Porto Alegre: Editora Sinodal e Concórdia Editora, 1987. p. 31-34. SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1994.
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3 Pistas para a pregação A sugestão de pregação é dividida em três partes, fundamentando-se cada uma delas nos textos sugeridos para este quarto domingo da Quaresma. Eis a proposta: Oséias 5.15-6.2: O contexto em que viveu o profeta, principalmente visto sob o aspecto religioso, é fundamental para a compreensão da perícope. O profeta aponta o falso arrependimento. Algo que ainda hoje temos em nosso meio cristão. Assim: a) contexto do profeta e sua pregação; b) ainda hoje temos falso arrependimento. Podemos aqui perguntar aos ouvintes se eles concordam ou não com essa afirmação. Romanos 8.1-10: Somos perdoados por Deus por intermédio de Cristo Jesus. O perdão de Deus não é dado por nosso próprio mérito, mas dado por graça divina. Vivemos sob a graça de Deus, que perdoa o pecador. Assim: a) o profeta aponta o falso arrependimento; b) o perdão nos é dado por Deus por meio de Cristo; c) não podemos nos acomodar na graça de Deus graça barata; d) o que seria demonstrar arrependimento? Mateus 20.17-28: Demonstrar arrependimento é seguir a palavra de Jesus Cristo. Assim: a) arrepender-se é conforme o texto em questão: (...) quem quiser ser importante, que sirva os outros (...) ; b) quem recebe o perdão de Deus e realmente se arrepende coloca-se a serviço do outro, não transforma a outra pessoa em objeto. Escopo: Oséias nos alerta para o falso arrependimento. Receber o perdão não é um ato litúrgico simplesmente. O perdão nos é dado por intermédio da graça de Deus, que nos faz ser novas criaturas em Cristo Jesus. Essa graça de Deus não pode ser barata. Ela exige mudança de mente. É necessário servir . Arrependimento sem diaconia é falso.
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4 A celebração Quando da realização do nosso Dia Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, um dos momentos de maior comoção, na minha opinião, foi a confissão de pecados. Por quê? Usamos o recurso de um telão, que reproduzia imagens relativas à situação de pecado que confessávamos naquele momento. Quando da injustiça social, imagens de pessoas excluídas e assim por diante. Uma sugestão de recurso litúrgico seria usar imagens, como, por exemplo, imagens recortadas de jornais, ou o telão, para quem tem essa possibilidade. Imagens de situações de pecado. Estas imagens poderiam ser colocadas no corredor, e assim as pessoas passariam por elas, ou ainda no altar e convidar, quando da confissão de pecados, as pessoas presentes para uma aproximação. Podemos ainda usar arame de cercas, simbolizando as nossas diferenças. Quantas cercas nos separam hoje? A cerca da exclusão social, cultural, econômica, social... Sendo a idéia do texto um arrependimento sincero, imagens e objetos que representam ou mostram a realidade de pecado em que vivemos ajudam-nos a descobrir a responsabilidade que temos. No caso da celebração da Ceia do Senhor, como gesto simbólico de comprometimento com uma mudança, após o Credo Apostólico as pessoas poderiam retirá-las e colocá-las sobre a mesa do altar. A idéia é demonstrar que a ceia que celebramos quer acabar com essas situações. A bênção final deve ser enfatizada como um envio concreto para o arrependimento sincero, ou seja, segundo o evangelho do domingo, o servir. Como sinal de que vamos em busca do servir, cada participante poderia receber, no final, um pequeno pão, que levaria para alguém que não se encontra no culto, buscando, em especial, pessoas com alguma dificuldade, como um doente, por exemplo. De forma concreta vamos ao encontro da outra pessoa. Somos perdoados e perdoadas por Deus, mas também convocados e convocadas para ações de diaconia.
Bibliografia BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Edições Paulinas, 1980. BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1989. DOBBERAHN, Friederich Erich. Oséias 5.15-6.2. In: HOEFELMANN, V.; SILVA, J. A. M. da. Proclamar Libertação, São Leopoldo: Sinodal, 1992. p. 95-102. DONNER, Herbert. História de Israel e dos povos vizinhos. Vol. 2. Da época da divisão do Reino até Alexandre Magno. São Leopoldo (RS) e Petrópolis (RJ): Editora Sinodal e Vozes, 1997. LUTERO, Martin. Um sermão sobre a indulgência e a graça. In: Obras Selecionadas, vol. 1, São Leopoldo e Porto Alegre: Editora Sinodal e Concórdia Editora, 1987. p. 31-34. SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1994.
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o
5 DOMINGO DA QUARESMA
13 MAR 2005
a) Na época de Ezequiel, no início do século VI antes de Cristo, a esperança na ressurreição dos mortos ainda não fazia parte do credo israelita.
Mesmo assim, a idéia como tal não era desconhecida. Caso contrário, o profeta não poderia ter lançado mão dela. Ele a usa em sentido simbólico, como ilustração do resgate de um povo. Mas a renovação será muito real. Quem espera de Javé milagre semelhante não está distante da fé na ressurreição apregoada por Daniel (cap. 12), pelo apocalipsismo judaico e, sobretudo, pelo Novo Testamento. A fé na ressurreição dos mortos nasce, quase que forçosamente, da confiança em Deus. Seria a morte mais poderosa? Fé autêntica não pode conceder-lhe a onipotência. b) Tal fé está em evidência também em Ezequiel. Perguntado se julga possível a revitalização de ossos, ele é cuidadoso. Não diz sim nem não. A resposta positiva iria conflitar com a experiência do cotidiano, enquanto a resposta negativa seria equivalente a um prejulgamento das potencialidades de Deus. Iria limitá-las ao tamanho humano e sinalizar descrença. Ezequiel deixa o assunto aos cuidados de Deus. E este não o deixa na dúvida. Mostra ser capaz de recriar o que está morto. A afirmação da morte como estação final da vida ofende Deus. Declara ser a morte, não Deus, o alfa e o ômega (Ap 1.8), o horizonte de todas as coisas. Isto destoa da fé de Israel, que, em sua história, aprendeu que Deus também é o Senhor da sheol, do mundo dos mortos (cf. Sl 49.16; etc.). Não há espaço inacessível para Deus, excluído de seu reino . c) Já a essas alturas está claro que ressurreição não deve ser confundida com o simples reavivamento de cadáveres. Embora Ezequiel descreva a ressurreição em termos maciços como revestimento dos ossos com os demais componentes do corpo, ele sabe ser necessário um ato criador. Ressurreição não é remontagem de um organismo com as peças originais. É renovação . Sublinha-o o Novo Testamento mediante o testemunho do Cristo ressurreto. Da ressurreição nasce um novo ser, um corpo espiritual (1 Co 15.35s), diferente do primeiro, nova criatura, não mais sujeita ao domínio da morte. Em Ezequiel, temos indícios nessa direção. Isso porque ele trabalha com as categorias do Deus criador, que não conserta, e sim renova. d) A recondução do povo de Israel à terra prometida e sua renovação espiritual não são exatamente prefiguração da ressurreição no fim dos tempos. Não é Páscoa em sentido pleno. Em termos escatológicos, ressurreição não tem analogia. Mas tem precedentes, vestígios precursores, antecipações históricas. Sempre que acontece real renovação, novidade escatológica se anuncia. Por isso Ezequiel pode prenunciar ressurreição ao povo desesperado no exílio. Por isso o apóstolo Paulo diz ser nova criatura quem está em Cristo (2 Co 5.14). Novidade não é ilusão, e sim realidade, onde o Espírito sopra. A ressurreição futura projeta-se no presente em sinais de renovação, libertação, nova vida. e) É do que fala o texto paralelo de Rm 8,11-17. O Espírito de Deus inaugura nova existência em meio às condições precárias deste mundo. É bem verdade que o mundo oferece resistência à obra renovadora do Espíri-
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JOÃO 11.47-53 ROMANOS 8.11-17
PRÉDICA: EZEQUIEL 37.1-3,11-14 Gottfried Brakemeier
1 O texto O profeta Ezequiel descreve, no cap. 37 de seu livro, uma visão fantástica: é conduzido pelo Espírito divino a um vale coberto de ossos ressequidos. Abre-se perante seus olhos um grande cemitério aberto, símbolo inexorável da transitoriedade humana. Por acaso, poderão esses ossos voltar a viver? Assim pergunta Deus ao profeta. Ao que este responde: Senhor Deus, tu o sabes (v. 1-3). A seguir, Deus manda pregar aos ossos e dar-lhes a ordem de se recompor. E a carne cresceu de novo e os corpos se reconstituíram. Quando, finalmente, o Espírito chega dos quatro ventos e assopra sobre os mortos (cf. Gn 2.7), estes se levantam e a vida retorna (v. 410). Assim há de acontecer com Israel: Deus vai abrir as sepulturas em que o povo se encontra lançado, vai libertá-lo dos cativeiros e reconduzi-lo à terra de origem. Mais: Deus vai pôr nele o Espírito para viver de verdade. O texto previsto para a prédica, já diversas vezes tratado nesta série de Auxílios Homiléticos (PL XV, 193; XVII, 103; XXIV, 117), exclui os v. 4-10. Isto não é prejuízo, uma vez que a promessa da ressurreição da ossada consta no v. 12. Os v. 1-3 descrevem a visão, os v. 11-14 oferecem a interpretação. Ressurreição é o que vai acontecer com o povo de Israel, metido em cativeiro longe da pátria, na Babilônia. Os exilados recebem a promessa da repatriação , de um novo início, para voltar a viver como povo de seu Deus. A promessa dirige-se a gente desesperada, dizendo: Os nossos ossos se secaram e sucumbiu a nossa esperança; estamos de todo exterminados (v. 11). É a isto que o profeta reage. A lamentação fornece as imagens da profecia. Os sepulcros vão se abrir e devolver a vida.
2 Destaques
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5 DOMINGO DA QUARESMA
13 MAR 2005
a) Na época de Ezequiel, no início do século VI antes de Cristo, a esperança na ressurreição dos mortos ainda não fazia parte do credo israelita.
Mesmo assim, a idéia como tal não era desconhecida. Caso contrário, o profeta não poderia ter lançado mão dela. Ele a usa em sentido simbólico, como ilustração do resgate de um povo. Mas a renovação será muito real. Quem espera de Javé milagre semelhante não está distante da fé na ressurreição apregoada por Daniel (cap. 12), pelo apocalipsismo judaico e, sobretudo, pelo Novo Testamento. A fé na ressurreição dos mortos nasce, quase que forçosamente, da confiança em Deus. Seria a morte mais poderosa? Fé autêntica não pode conceder-lhe a onipotência. b) Tal fé está em evidência também em Ezequiel. Perguntado se julga possível a revitalização de ossos, ele é cuidadoso. Não diz sim nem não. A resposta positiva iria conflitar com a experiência do cotidiano, enquanto a resposta negativa seria equivalente a um prejulgamento das potencialidades de Deus. Iria limitá-las ao tamanho humano e sinalizar descrença. Ezequiel deixa o assunto aos cuidados de Deus. E este não o deixa na dúvida. Mostra ser capaz de recriar o que está morto. A afirmação da morte como estação final da vida ofende Deus. Declara ser a morte, não Deus, o alfa e o ômega (Ap 1.8), o horizonte de todas as coisas. Isto destoa da fé de Israel, que, em sua história, aprendeu que Deus também é o Senhor da sheol, do mundo dos mortos (cf. Sl 49.16; etc.). Não há espaço inacessível para Deus, excluído de seu reino . c) Já a essas alturas está claro que ressurreição não deve ser confundida com o simples reavivamento de cadáveres. Embora Ezequiel descreva a ressurreição em termos maciços como revestimento dos ossos com os demais componentes do corpo, ele sabe ser necessário um ato criador. Ressurreição não é remontagem de um organismo com as peças originais. É renovação . Sublinha-o o Novo Testamento mediante o testemunho do Cristo ressurreto. Da ressurreição nasce um novo ser, um corpo espiritual (1 Co 15.35s), diferente do primeiro, nova criatura, não mais sujeita ao domínio da morte. Em Ezequiel, temos indícios nessa direção. Isso porque ele trabalha com as categorias do Deus criador, que não conserta, e sim renova. d) A recondução do povo de Israel à terra prometida e sua renovação espiritual não são exatamente prefiguração da ressurreição no fim dos tempos. Não é Páscoa em sentido pleno. Em termos escatológicos, ressurreição não tem analogia. Mas tem precedentes, vestígios precursores, antecipações históricas. Sempre que acontece real renovação, novidade escatológica se anuncia. Por isso Ezequiel pode prenunciar ressurreição ao povo desesperado no exílio. Por isso o apóstolo Paulo diz ser nova criatura quem está em Cristo (2 Co 5.14). Novidade não é ilusão, e sim realidade, onde o Espírito sopra. A ressurreição futura projeta-se no presente em sinais de renovação, libertação, nova vida. e) É do que fala o texto paralelo de Rm 8,11-17. O Espírito de Deus inaugura nova existência em meio às condições precárias deste mundo. É bem verdade que o mundo oferece resistência à obra renovadora do Espíri-
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JOÃO 11.47-53 ROMANOS 8.11-17
PRÉDICA: EZEQUIEL 37.1-3,11-14 Gottfried Brakemeier
1 O texto O profeta Ezequiel descreve, no cap. 37 de seu livro, uma visão fantástica: é conduzido pelo Espírito divino a um vale coberto de ossos ressequidos. Abre-se perante seus olhos um grande cemitério aberto, símbolo inexorável da transitoriedade humana. Por acaso, poderão esses ossos voltar a viver? Assim pergunta Deus ao profeta. Ao que este responde: Senhor Deus, tu o sabes (v. 1-3). A seguir, Deus manda pregar aos ossos e dar-lhes a ordem de se recompor. E a carne cresceu de novo e os corpos se reconstituíram. Quando, finalmente, o Espírito chega dos quatro ventos e assopra sobre os mortos (cf. Gn 2.7), estes se levantam e a vida retorna (v. 410). Assim há de acontecer com Israel: Deus vai abrir as sepulturas em que o povo se encontra lançado, vai libertá-lo dos cativeiros e reconduzi-lo à terra de origem. Mais: Deus vai pôr nele o Espírito para viver de verdade. O texto previsto para a prédica, já diversas vezes tratado nesta série de Auxílios Homiléticos (PL XV, 193; XVII, 103; XXIV, 117), exclui os v. 4-10. Isto não é prejuízo, uma vez que a promessa da ressurreição da ossada consta no v. 12. Os v. 1-3 descrevem a visão, os v. 11-14 oferecem a interpretação. Ressurreição é o que vai acontecer com o povo de Israel, metido em cativeiro longe da pátria, na Babilônia. Os exilados recebem a promessa da repatriação , de um novo início, para voltar a viver como povo de seu Deus. A promessa dirige-se a gente desesperada, dizendo: Os nossos ossos se secaram e sucumbiu a nossa esperança; estamos de todo exterminados (v. 11). É a isto que o profeta reage. A lamentação fornece as imagens da profecia. Os sepulcros vão se abrir e devolver a vida.
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to. Disto lembra o trecho Jo 11.47-53. Jesus sofre perseguição e acaba crucificado. Mesmo assim, nem Páscoa tampouco Pentecoste podem ser impedidos. Acontecem a despeito das forças de oposição a Deus. Aliás, sem novo Espírito toda renovação fica a meio caminho. No texto de Ezequiel, os corpos, mesmo reconstituídos, não se levantam enquanto não inspirados pelo vento de Deus. Sem o Espírito Santo pode haver muita transformação, mas não real renovação.
parte. Um novo Espírito terá que tomar conta e promover justiça, paz e cuidado com o meio ambiente. d) As pessoas costumam resistir à renovação. Obstaculizam o agir renovador de Deus, recusam a penitência, crucificam Jesus. A Sexta-feira Santa é a demonstração hedionda da oposição do velho mundo ao novo. O pecado resiste à renovação. Não quer a reforma por julgar que poderá ferir direitos adquiridos . O mundo não quer a Páscoa. Prefere continuar em seu cativeiro. Será que os exilados na Babilônia pensavam da mesma forma? Transformação renovadora deve preparar-se para enfrentar oposição. e) Ela vai acontecer, não obstante. Graças a Deus! A morte não terá a última palavra. Já agora o triunfo de Deus se anuncia. A prédica deverá dar especial atenção às ressurreições precursoras . E, no entanto, importa não nivelar a diferença entre as primícias e a colheita , entre o penúltimo e o último (D. Bonhoeffer), o provisório e o definitivo, entre as ressurreições hoje e a ressurreição no fim dos tempos. Sem a aniquilação da morte, as ressurreições precursoras ficam prejudicadas. Nós vivemos da fé em Deus, que exclui a fé na morte. Por isso mesmo podemos, desde já, celebrar as vitórias temporais de Deus e nos engajar na renovação deste mundo pela força do Espírito.
3 Pistas para a prédica Dada a importância do Espírito como força vivificadora e renovadora da realidade, o presente texto, às vezes, tem servido de base para a prédica no dia de Pentecoste. Mas também o quinto domingo da Quaresma é ótima oportunidade. Estamos no limiar da Sexta-feira Santa e da Páscoa. O texto dirige os olhares para esses marcos fundamentais da fé cristã, nem mesmo excluindo Pentecoste do horizonte. O capítulo 37 de Ezequiel manda pregar ressurreição . Mas isto antes (!) da Páscoa. Desdobraremos as implicações: a) Ressurreição em sentido pleno tem por premissa a superação da morte. É no que o apóstolo Paulo insiste em 1 Co 15. Ressurreição vence não somente crises , fracassos , emergências , tempestades, blecautes temporários. Ela resgata do não-ser, da aniquilação, do apagão total , tendo na ressurreição de Jesus o parâmetro. Sob tal ótica, Ezequiel não prega real ressurreição. Ele não tem em vista o triunfo definitivo sobre a morte. É preciso não confundir. Ezequiel ainda não sabe da Páscoa. b) E, no entanto, está muito próximo dela. Pois o Deus que resgata Israel da ruína não pode ser outro senão aquele que chama à existência as coisas que não existem (Rm 4.17). A promessa de que Ezequiel é porta-voz tem por conteúdo uma das manifestações precursoras da Páscoa. O reinício por ele anunciado pertence aos vestígios da ressurreição que Deus opera mesmo antes do final da história. E é isto o que deveria ser conteúdo da prédica no quinto domingo da Quaresma, a saber, as primícias da Páscoa, sua prefiguração em renovações históricas . c) Sugerimos, pois, colocar a prédica sob o tema prelúdios da ressurreição . Isto permite fazer jus ao contexto histórico de Ezequiel e à promessa concreta que articula. Mas não há por que ficar preso à história passada. Pois as primícias da Páscoa são abundantes. Sempre que houver autêntica renovação , seja de pessoas, grupos ou instituições, estamos autorizados a falar de ressurreição. Algo da perfeição por vir se antecipa. Velhos ossos são transformados em corpos vivos , sucata volta a ser reciclada, nova arrancada inspira esperança. Necessitamos urgentemente de tais ressurreições ! Reforma, libertação, reconciliação fazem-se necessárias em toda a
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4 Subsídios liturgicos Confissão de pecados: Senhor, perdoa-nos o comodismo. Sabemos que muitas coisas entre nós deveriam ser diferentes. Há injustiça, falta de amor, violência. Estamos por demais conformados com o mal. Desperta-nos para a nossa missão de aliviar as dores, de anunciar a tua vontade e de contribuir para a cura dos males na sociedade. Senhor, tem compaixão. Oração de coleta: Senhor, nosso Deus! Tu não tens necessidade de nós. Mas nós temos necessidade de ti. Precisamos de teu auxílio para vencer as dificuldades, de teu amparo nas ameaças, de teu Espírito para nos conduzir pela estrada da vida. Agradecemos pelo amor manifesto em Jesus Cristo. Por ele sabemos que seguras a mão de quem confia em ti. Acompanha-nos também nesta semana, concedendo-nos a tua bênção e a tua paz. Amém. Oração de intercessão: Senhor, trazemos diante de ti as dores deste mundo. Escuta-lhe os clamores. Rogamos pelas vítimas da violência, da injustiça, da ganância. Lembramos as pessoas doentes, portadoras de deficiências, solitárias. Intercedemos por quem carrega responsabilidade em nosso município, país e mundo. Todos de uma ou de outra forma necessitam de tua ajuda e de tua orientação. Concede com que a tua igreja cumpra seu mandato de ser sal da terra e luz do mundo. Tu lhe reservaste o privilégio de
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to. Disto lembra o trecho Jo 11.47-53. Jesus sofre perseguição e acaba crucificado. Mesmo assim, nem Páscoa tampouco Pentecoste podem ser impedidos. Acontecem a despeito das forças de oposição a Deus. Aliás, sem novo Espírito toda renovação fica a meio caminho. No texto de Ezequiel, os corpos, mesmo reconstituídos, não se levantam enquanto não inspirados pelo vento de Deus. Sem o Espírito Santo pode haver muita transformação, mas não real renovação.
parte. Um novo Espírito terá que tomar conta e promover justiça, paz e cuidado com o meio ambiente. d) As pessoas costumam resistir à renovação. Obstaculizam o agir renovador de Deus, recusam a penitência, crucificam Jesus. A Sexta-feira Santa é a demonstração hedionda da oposição do velho mundo ao novo. O pecado resiste à renovação. Não quer a reforma por julgar que poderá ferir direitos adquiridos . O mundo não quer a Páscoa. Prefere continuar em seu cativeiro. Será que os exilados na Babilônia pensavam da mesma forma? Transformação renovadora deve preparar-se para enfrentar oposição. e) Ela vai acontecer, não obstante. Graças a Deus! A morte não terá a última palavra. Já agora o triunfo de Deus se anuncia. A prédica deverá dar especial atenção às ressurreições precursoras . E, no entanto, importa não nivelar a diferença entre as primícias e a colheita , entre o penúltimo e o último (D. Bonhoeffer), o provisório e o definitivo, entre as ressurreições hoje e a ressurreição no fim dos tempos. Sem a aniquilação da morte, as ressurreições precursoras ficam prejudicadas. Nós vivemos da fé em Deus, que exclui a fé na morte. Por isso mesmo podemos, desde já, celebrar as vitórias temporais de Deus e nos engajar na renovação deste mundo pela força do Espírito.
3 Pistas para a prédica Dada a importância do Espírito como força vivificadora e renovadora da realidade, o presente texto, às vezes, tem servido de base para a prédica no dia de Pentecoste. Mas também o quinto domingo da Quaresma é ótima oportunidade. Estamos no limiar da Sexta-feira Santa e da Páscoa. O texto dirige os olhares para esses marcos fundamentais da fé cristã, nem mesmo excluindo Pentecoste do horizonte. O capítulo 37 de Ezequiel manda pregar ressurreição . Mas isto antes (!) da Páscoa. Desdobraremos as implicações: a) Ressurreição em sentido pleno tem por premissa a superação da morte. É no que o apóstolo Paulo insiste em 1 Co 15. Ressurreição vence não somente crises , fracassos , emergências , tempestades, blecautes temporários. Ela resgata do não-ser, da aniquilação, do apagão total , tendo na ressurreição de Jesus o parâmetro. Sob tal ótica, Ezequiel não prega real ressurreição. Ele não tem em vista o triunfo definitivo sobre a morte. É preciso não confundir. Ezequiel ainda não sabe da Páscoa. b) E, no entanto, está muito próximo dela. Pois o Deus que resgata Israel da ruína não pode ser outro senão aquele que chama à existência as coisas que não existem (Rm 4.17). A promessa de que Ezequiel é porta-voz tem por conteúdo uma das manifestações precursoras da Páscoa. O reinício por ele anunciado pertence aos vestígios da ressurreição que Deus opera mesmo antes do final da história. E é isto o que deveria ser conteúdo da prédica no quinto domingo da Quaresma, a saber, as primícias da Páscoa, sua prefiguração em renovações históricas . c) Sugerimos, pois, colocar a prédica sob o tema prelúdios da ressurreição . Isto permite fazer jus ao contexto histórico de Ezequiel e à promessa concreta que articula. Mas não há por que ficar preso à história passada. Pois as primícias da Páscoa são abundantes. Sempre que houver autêntica renovação , seja de pessoas, grupos ou instituições, estamos autorizados a falar de ressurreição. Algo da perfeição por vir se antecipa. Velhos ossos são transformados em corpos vivos , sucata volta a ser reciclada, nova arrancada inspira esperança. Necessitamos urgentemente de tais ressurreições ! Reforma, libertação, reconciliação fazem-se necessárias em toda a
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4 Subsídios liturgicos Confissão de pecados: Senhor, perdoa-nos o comodismo. Sabemos que muitas coisas entre nós deveriam ser diferentes. Há injustiça, falta de amor, violência. Estamos por demais conformados com o mal. Desperta-nos para a nossa missão de aliviar as dores, de anunciar a tua vontade e de contribuir para a cura dos males na sociedade. Senhor, tem compaixão. Oração de coleta: Senhor, nosso Deus! Tu não tens necessidade de nós. Mas nós temos necessidade de ti. Precisamos de teu auxílio para vencer as dificuldades, de teu amparo nas ameaças, de teu Espírito para nos conduzir pela estrada da vida. Agradecemos pelo amor manifesto em Jesus Cristo. Por ele sabemos que seguras a mão de quem confia em ti. Acompanha-nos também nesta semana, concedendo-nos a tua bênção e a tua paz. Amém. Oração de intercessão: Senhor, trazemos diante de ti as dores deste mundo. Escuta-lhe os clamores. Rogamos pelas vítimas da violência, da injustiça, da ganância. Lembramos as pessoas doentes, portadoras de deficiências, solitárias. Intercedemos por quem carrega responsabilidade em nosso município, país e mundo. Todos de uma ou de outra forma necessitam de tua ajuda e de tua orientação. Concede com que a tua igreja cumpra seu mandato de ser sal da terra e luz do mundo. Tu lhe reservaste o privilégio de
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ser serva de teu amor e mensageira de tua palavra. Nós precisamos de ressurreição, de renovação, de novidade de vida, seja na política, na economia ou em qualquer outra esfera. Cumpre os nossos anseios, vem e renova todas as coisas. Amém.
DOMINGO DA PAIXÃO (RAMOS)
20 MAR 2005
MATEUS 26.30-56 FILIPENSES 2.5-11
PRÉDICA: ISAÍAS 50.4-9a Martin Norberto Dreher
1 Introdução O texto que trata do servo de Javé é hino de lamentação, no qual foram incluídos elementos de discurso de apelação do acusado. Como há parentesco entre hinos de lamentação e hinos de confiança, pode-se também chegar à conclusão de que, no presente hino, sobressai a confiança. A delimitação da perícope é correta, pois a partir do v. 10 há outro locutor, que se dirige a outras pessoas, aparentemente prosélitos, tementes a Deus.
2 Texto v. 4 Quem fala é pessoa que constantemente ouve Deus. Tem um ministério da palavra, dirigido ao cansado . v. 5 Obediente a Deus, não foge à incumbência que recebeu. Não somos informados do(s) motivo(s) que o poderia(m) ter levado a se retrair ou a ser rebelde . Simplesmente é fiel. v. 6 Sofreu abusos de toda natureza. v. 7 No entanto, Deus o fortaleceu: fez seu rosto como um seixo e não passou vergonha (cf. Ez 3.89). Por isso, v. 8, provoca seu(s) adversário(s) para um debate jurídico: que apareça o promotor! v. 9 Tem certeza da proteção de Deus e de que seus adversários serão corroídos, assim como o vestido é comido pelas traças (cf. tb. Is 51.6,8). A perícope nos traz um texto marginal ao grande texto sobre o servo de Javé, que estamos acostumados a ler nesta época do ano eclesiástico: Is 53. Não tem a profundidade, nem a abrangência do texto clássico que fala sobre aquele que carregou sobre si nossas enfermidades e nossas dores. Traz, contudo, alguns aspectos, nos quais a comunidade deveria se aprofundar, pois neles o homem das dores a caminho de Gólgota pode ser identificado. Por que um texto tão antigo para o Domingo de Ramos? Por que não
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ser serva de teu amor e mensageira de tua palavra. Nós precisamos de ressurreição, de renovação, de novidade de vida, seja na política, na economia ou em qualquer outra esfera. Cumpre os nossos anseios, vem e renova todas as coisas. Amém.
DOMINGO DA PAIXÃO (RAMOS)
20 MAR 2005
MATEUS 26.30-56 FILIPENSES 2.5-11
PRÉDICA: ISAÍAS 50.4-9a Martin Norberto Dreher
1 Introdução O texto que trata do servo de Javé é hino de lamentação, no qual foram incluídos elementos de discurso de apelação do acusado. Como há parentesco entre hinos de lamentação e hinos de confiança, pode-se também chegar à conclusão de que, no presente hino, sobressai a confiança. A delimitação da perícope é correta, pois a partir do v. 10 há outro locutor, que se dirige a outras pessoas, aparentemente prosélitos, tementes a Deus.
2 Texto v. 4 Quem fala é pessoa que constantemente ouve Deus. Tem um ministério da palavra, dirigido ao cansado . v. 5 Obediente a Deus, não foge à incumbência que recebeu. Não somos informados do(s) motivo(s) que o poderia(m) ter levado a se retrair ou a ser rebelde . Simplesmente é fiel. v. 6 Sofreu abusos de toda natureza. v. 7 No entanto, Deus o fortaleceu: fez seu rosto como um seixo e não passou vergonha (cf. Ez 3.89). Por isso, v. 8, provoca seu(s) adversário(s) para um debate jurídico: que apareça o promotor! v. 9 Tem certeza da proteção de Deus e de que seus adversários serão corroídos, assim como o vestido é comido pelas traças (cf. tb. Is 51.6,8). A perícope nos traz um texto marginal ao grande texto sobre o servo de Javé, que estamos acostumados a ler nesta época do ano eclesiástico: Is 53. Não tem a profundidade, nem a abrangência do texto clássico que fala sobre aquele que carregou sobre si nossas enfermidades e nossas dores. Traz, contudo, alguns aspectos, nos quais a comunidade deveria se aprofundar, pois neles o homem das dores a caminho de Gólgota pode ser identificado. Por que um texto tão antigo para o Domingo de Ramos? Por que não
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pregar sobre o texto do Novo Testamento? O texto não quer trazer previsão de fatos futuros; fala de pessoa que vive no século VI a. C. ou do próprio povo de Israel. O que esse texto tem a ver com o Cristo? Sempre é bom lembrar que a cruz de Jesus é também a cruz de sua igreja. É verdade que nem de longe precisamos enfrentar todas as profundezas do abandono pelo qual passou o crucificado. No entanto, tudo o que acontece em sua igreja está sob o signo de sua cruz. Seguir a Jesus é seguir o crucificado. Lembro que Paulo carregava em si os estigmas de Jesus (Gl. 6.17), a morte de seu Senhor (2 Co 4.10). Também os que precederam Jesus viveram sob o sinal da cruz: Assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mt 5.12). Onde a ação de Deus se encontra com a ação pecaminosa do ser humano, só existe uma opção: juízo ou sofrimento. Em qualquer lugar, onde se sofre por causa da vontade de Deus, a cruz de Cristo está presente. Isto também se aplica ao servo de Javé. É esse o motivo que nos faz reconhecer a sina do Senhor, que ele ainda não conhece. A isso deve ser acrescido o fato de que o Novo Testamento se reporta aos textos que falam do servo de Javé (Mt 12.18; At 3.13,26; 4.27,30; Ap 8.32s). O próprio Jesus e a primeira comunidade interpretaram o sofrimento do Cristo a partir dos textos que nos falam do servo de Javé. É, por isso, que podemos interpretar a caminhada de Jesus até o Gólgota a partir de nossa perícope.
experiência de Jesus, segundo o Evangelho de João (8.26; 5.19,30; 7.16). Não penso em dizer que o que dá destaque a Jesus resida no fato de ouvir. No entanto, quando percebemos esse ouvir, descobrimos algo muito importante em Jesus. É importante que se entenda Jesus como alguém que sempre está aberto para ouvir o que o Pai tem a dizer. É por isso que Jesus tem tanta autoridade: tudo o que diz e faz vem do ouvir e do obedecer. Em Jesus, a incumbência que recebeu é o mais importante. Agora, é bom refletir, quem está de tal maneira ancorado em Deus está preso a ele. Não fui rebelde, não me retraí. Ouvir e agir formam uma unidade. Não se pode estar aberto para Deus e, depois, agir de maneira discordante daquilo que foi dito e ouvido. Aí não se pode mais ouvir a própria voz ou a voz de outros. O que eu mesmo penso e pretendo fazer posso alterar. No caso daquele que caminha para o Gólgota, tal possibilidade inexiste. Já houve muitos que fizeram acordos com o Sinédrio. Jesus está sempre em posição de conflito em relação a seus opositores. Terá sido pessoa tão problemática?Não. É pessoa que ouve! Sua expressão Eu, porém, vos digo.... não brota de opinião própria, mas é decorrência da vontade de Deus, que quer e que tem (!) que expressar. O servo diz, ele próprio, como nos serve. Sua função é responder aos cansados, apascentá-los. Ele anuncia o Deus que dá força aos cansados, que está aí para os sobrecarregados. Ele não se apresenta contra os seres humanos, mas a favor deles, dizendo: Não resignem! Deus deseja o melhor para vocês! Tudo o que ele experimentar e sofrer está a serviço dos seres humanos. É morrendo que está a serviço dos cansados. b) Ele está a nosso serviço e nós o rejeitamos. Sim, nós. Só poderíamos evitar esse nós caso conseguíssemos comprovar que não nos fechamos a Deus, que ele sempre pode contar conosco, que não o desonramos no mundo... É na comunidade que acontece o choque entre o mensageiro de Deus e o mundo ao qual ele se dirige. O texto nos diz que o servo é desprezado pela comunidade e na comunidade! Nos acontecimentos da semana santa, a culpa é de Pilatos, do Sinédrio, da multidão que gritava crucifica-o! , mas também da comunidade que o abandonou. O servo não se volta contra Deus e não se torna desobediente. Assume as conseqüências do falar de Deus. É batido, tem a barba arrancada, cospese-lhe no rosto. É maltratado e profundamente humilhado. Nossa perícope nos deixa entrever quanto ódio é capaz de irromper desde as entranhas de um ser humano! Os horrores da semana santa não são fato único na história da humanidade. Deus ouve os gritos dos torturados de todos os séculos da história da humanidade: Brasil, nunca mais! Auschwitz, Bagdá, Gaza... Nosso texto fala do que é pecado. Não que pecado só existisse ali, onde se praticam excessos. Há variantes muito piedosas desses excessos na chamada luta do bem contra o mal, ... mas também lá em casa. Jesus não morreu porque, infelizmente, no meio de uma maioria querida e bondosa, houve alguns safados. A antropologia bíblica não é otimista. Nossa resposta ao
3 Meditando a) Na Paixão Segundo São Mateus, Johann Sebastian Bach traz as palavras: Ele fez o bem a todos nós. Aos cegos deu a visão. Aos coxos fez andar. Deu-nos a palavra de seu Pai. Expulsou o demônio. Ergueu os cansados. Aceitou os pecadores. Nada mais fez meu Jesus . Em nosso texto, o próprio servo de Deus descreve sua atuação: ele transmite a palavra. Toda a sua vida está determinada pelo ouvir e falar. É um aprendiz. Não é autônomo. Nada é por si mesmo. Tudo o que faz vem de um ouvir obediente. Não pensa sequer que algum dia poderá ser auto-suficiente, autônomo, que não precisará mais ouvir a Deus. Permanece aberto para a voz de Deus. Ele me desperta todas as manhãs , caso contrário seria incapaz de ouvir. O milagre que experimenta dia após dia é que Deus se lhe revela sucessivamente. É alguém que não sabe tudo de antemão, nem tem uma fórmula para responder a qualquer pergunta que lhe é feita. Deus ensinouo a ouvir atentamente. Quem de nós ainda é capaz de ouvir? Quem de nós consegue ouvir Deus? Parece-me por vezes que, quando abrimos a Bíblia, ela permanece muda ou nós [soberbos!] já sabemos de antemão o que ela vai dizer! Ouvir é um milagre. Esta é a experiência diária do servo de Javé. Essa é também a
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DOMINGO DA PAIXÃO
pregar sobre o texto do Novo Testamento? O texto não quer trazer previsão de fatos futuros; fala de pessoa que vive no século VI a. C. ou do próprio povo de Israel. O que esse texto tem a ver com o Cristo? Sempre é bom lembrar que a cruz de Jesus é também a cruz de sua igreja. É verdade que nem de longe precisamos enfrentar todas as profundezas do abandono pelo qual passou o crucificado. No entanto, tudo o que acontece em sua igreja está sob o signo de sua cruz. Seguir a Jesus é seguir o crucificado. Lembro que Paulo carregava em si os estigmas de Jesus (Gl. 6.17), a morte de seu Senhor (2 Co 4.10). Também os que precederam Jesus viveram sob o sinal da cruz: Assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós (Mt 5.12). Onde a ação de Deus se encontra com a ação pecaminosa do ser humano, só existe uma opção: juízo ou sofrimento. Em qualquer lugar, onde se sofre por causa da vontade de Deus, a cruz de Cristo está presente. Isto também se aplica ao servo de Javé. É esse o motivo que nos faz reconhecer a sina do Senhor, que ele ainda não conhece. A isso deve ser acrescido o fato de que o Novo Testamento se reporta aos textos que falam do servo de Javé (Mt 12.18; At 3.13,26; 4.27,30; Ap 8.32s). O próprio Jesus e a primeira comunidade interpretaram o sofrimento do Cristo a partir dos textos que nos falam do servo de Javé. É, por isso, que podemos interpretar a caminhada de Jesus até o Gólgota a partir de nossa perícope.
experiência de Jesus, segundo o Evangelho de João (8.26; 5.19,30; 7.16). Não penso em dizer que o que dá destaque a Jesus resida no fato de ouvir. No entanto, quando percebemos esse ouvir, descobrimos algo muito importante em Jesus. É importante que se entenda Jesus como alguém que sempre está aberto para ouvir o que o Pai tem a dizer. É por isso que Jesus tem tanta autoridade: tudo o que diz e faz vem do ouvir e do obedecer. Em Jesus, a incumbência que recebeu é o mais importante. Agora, é bom refletir, quem está de tal maneira ancorado em Deus está preso a ele. Não fui rebelde, não me retraí. Ouvir e agir formam uma unidade. Não se pode estar aberto para Deus e, depois, agir de maneira discordante daquilo que foi dito e ouvido. Aí não se pode mais ouvir a própria voz ou a voz de outros. O que eu mesmo penso e pretendo fazer posso alterar. No caso daquele que caminha para o Gólgota, tal possibilidade inexiste. Já houve muitos que fizeram acordos com o Sinédrio. Jesus está sempre em posição de conflito em relação a seus opositores. Terá sido pessoa tão problemática?Não. É pessoa que ouve! Sua expressão Eu, porém, vos digo.... não brota de opinião própria, mas é decorrência da vontade de Deus, que quer e que tem (!) que expressar. O servo diz, ele próprio, como nos serve. Sua função é responder aos cansados, apascentá-los. Ele anuncia o Deus que dá força aos cansados, que está aí para os sobrecarregados. Ele não se apresenta contra os seres humanos, mas a favor deles, dizendo: Não resignem! Deus deseja o melhor para vocês! Tudo o que ele experimentar e sofrer está a serviço dos seres humanos. É morrendo que está a serviço dos cansados. b) Ele está a nosso serviço e nós o rejeitamos. Sim, nós. Só poderíamos evitar esse nós caso conseguíssemos comprovar que não nos fechamos a Deus, que ele sempre pode contar conosco, que não o desonramos no mundo... É na comunidade que acontece o choque entre o mensageiro de Deus e o mundo ao qual ele se dirige. O texto nos diz que o servo é desprezado pela comunidade e na comunidade! Nos acontecimentos da semana santa, a culpa é de Pilatos, do Sinédrio, da multidão que gritava crucifica-o! , mas também da comunidade que o abandonou. O servo não se volta contra Deus e não se torna desobediente. Assume as conseqüências do falar de Deus. É batido, tem a barba arrancada, cospese-lhe no rosto. É maltratado e profundamente humilhado. Nossa perícope nos deixa entrever quanto ódio é capaz de irromper desde as entranhas de um ser humano! Os horrores da semana santa não são fato único na história da humanidade. Deus ouve os gritos dos torturados de todos os séculos da história da humanidade: Brasil, nunca mais! Auschwitz, Bagdá, Gaza... Nosso texto fala do que é pecado. Não que pecado só existisse ali, onde se praticam excessos. Há variantes muito piedosas desses excessos na chamada luta do bem contra o mal, ... mas também lá em casa. Jesus não morreu porque, infelizmente, no meio de uma maioria querida e bondosa, houve alguns safados. A antropologia bíblica não é otimista. Nossa resposta ao
3 Meditando a) Na Paixão Segundo São Mateus, Johann Sebastian Bach traz as palavras: Ele fez o bem a todos nós. Aos cegos deu a visão. Aos coxos fez andar. Deu-nos a palavra de seu Pai. Expulsou o demônio. Ergueu os cansados. Aceitou os pecadores. Nada mais fez meu Jesus . Em nosso texto, o próprio servo de Deus descreve sua atuação: ele transmite a palavra. Toda a sua vida está determinada pelo ouvir e falar. É um aprendiz. Não é autônomo. Nada é por si mesmo. Tudo o que faz vem de um ouvir obediente. Não pensa sequer que algum dia poderá ser auto-suficiente, autônomo, que não precisará mais ouvir a Deus. Permanece aberto para a voz de Deus. Ele me desperta todas as manhãs , caso contrário seria incapaz de ouvir. O milagre que experimenta dia após dia é que Deus se lhe revela sucessivamente. É alguém que não sabe tudo de antemão, nem tem uma fórmula para responder a qualquer pergunta que lhe é feita. Deus ensinouo a ouvir atentamente. Quem de nós ainda é capaz de ouvir? Quem de nós consegue ouvir Deus? Parece-me por vezes que, quando abrimos a Bíblia, ela permanece muda ou nós [soberbos!] já sabemos de antemão o que ela vai dizer! Ouvir é um milagre. Esta é a experiência diária do servo de Javé. Essa é também a
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servo é miserável. O servo não se volta contra Deus o servo não se volta contra nós. Ele assume tudo, ele carrega tudo. Não se defende, não foge: Ofereci as costas aos que me feriam e as faces aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam . Por mais macabra que seja a cena da semana santa, não a deveríamos apagar. Na semana santa, o Deus encarnado esteve entregue a nós (cf. Mt 20.19)! A semana santa nos mostra como nós agimos com Deus, quando o conseguimos agarrar. E ele, ele não desiste e aceita a cruz: Eu não fui rebelde, não me retraí , para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado . c) Deus está com ele. Tudo o que é dito a partir do v. 7 refere-se à fidelidade de Deus em relação a ele. As sandices praticadas contra ele não são o fim de sua tarefa. Ele sabe que Deus está a seu lado. Deus não impede os sofrimentos, mas sustenta o servo em meio a eles. Porque Deus está com ele, seu rosto fica duro como um seixo. Que cuspam, debochem, batam, matem ... há uma certeza que permanece, mesmo quando a vida se for e quando o coração parar de bater. Deus está com ele; não será envergonhado. Por isso, pode chamar seus detratores para um debate. É incrível: está nas mãos dos que o maltratam. Não tem amigos, não tem defensores. Tudo o que disse a respeito de seu Deus está desmentido, e é grotesco que ainda continue a invocar esse Deus. Podemos entender que Deus chega a seus objetivos por meio da cruz? O poder de Deus revela-se na fraqueza, no escândalo da cruz. É bom dar uma olhada no v. 10, que já não faz parte de nossa perícope: Quem há entre vós que tema ao Senhor, e ouça a voz do seu servo, que andou em trevas sem nenhuma luz, e ainda assim confiou em o nome do Senhor e se firmou nele sobre o seu Deus? . Nossa soberba sucumbe ante a graça de Deus, que tudo suporta. Não que Deus desista de seu juízo sobre nós. Se ela não sucumbir, seremos incapazes de ver que somos como pano velho comido pelas traças. O Jesus com o qual caminhamos na semana santa não é simples repetição do servo de Javé. O servo soube Deus presente em todas as fases pelas quais passou. Com Jesus foi diferente. O castigo que lhe foi imposto, para que nós tivéssemos paz, foi o abandono total. A cruz de Jesus é o escândalo total: Fazendo-se ele próprio maldito em nosso lugar, porque está escrito: Maldito aquele que for pendurado em madeiro (Gl 3.13). Jesus não teve apenas seres humanos como inimigos. Na hora derradeira, Deus se lhe tornou inimigo e juiz. Entrou mais no fosso do que seu predecessor. A semana santa nos quer auxiliar a odiar o pecado do fundo do nosso ser e amar, profundamente, aquele que o carregou por nós.
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Bibliografia SCHWANTES, Milton. Sofrimento e esperança no Exílio. História e Teologia do povo de Deus no século VI a.C. São Leopoldo: Sinodal; São Paulo: Paulinas, 1987. SCHWANTES, Milton. Sexta-feira da Paixão: Isaías 50.4-9a(9b-11). In: van KAICK, Baldur (Coord.) Proclamar Libertação. Auxílios Homiléticos. V. II. São Leopoldo: Sinodal, 1977. p. 28-33. WIENER, Claude. O Dêutero-Isaías. O profeta do novo êxodo. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1984.
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servo é miserável. O servo não se volta contra Deus o servo não se volta contra nós. Ele assume tudo, ele carrega tudo. Não se defende, não foge: Ofereci as costas aos que me feriam e as faces aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam . Por mais macabra que seja a cena da semana santa, não a deveríamos apagar. Na semana santa, o Deus encarnado esteve entregue a nós (cf. Mt 20.19)! A semana santa nos mostra como nós agimos com Deus, quando o conseguimos agarrar. E ele, ele não desiste e aceita a cruz: Eu não fui rebelde, não me retraí , para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado . c) Deus está com ele. Tudo o que é dito a partir do v. 7 refere-se à fidelidade de Deus em relação a ele. As sandices praticadas contra ele não são o fim de sua tarefa. Ele sabe que Deus está a seu lado. Deus não impede os sofrimentos, mas sustenta o servo em meio a eles. Porque Deus está com ele, seu rosto fica duro como um seixo. Que cuspam, debochem, batam, matem ... há uma certeza que permanece, mesmo quando a vida se for e quando o coração parar de bater. Deus está com ele; não será envergonhado. Por isso, pode chamar seus detratores para um debate. É incrível: está nas mãos dos que o maltratam. Não tem amigos, não tem defensores. Tudo o que disse a respeito de seu Deus está desmentido, e é grotesco que ainda continue a invocar esse Deus. Podemos entender que Deus chega a seus objetivos por meio da cruz? O poder de Deus revela-se na fraqueza, no escândalo da cruz. É bom dar uma olhada no v. 10, que já não faz parte de nossa perícope: Quem há entre vós que tema ao Senhor, e ouça a voz do seu servo, que andou em trevas sem nenhuma luz, e ainda assim confiou em o nome do Senhor e se firmou nele sobre o seu Deus? . Nossa soberba sucumbe ante a graça de Deus, que tudo suporta. Não que Deus desista de seu juízo sobre nós. Se ela não sucumbir, seremos incapazes de ver que somos como pano velho comido pelas traças. O Jesus com o qual caminhamos na semana santa não é simples repetição do servo de Javé. O servo soube Deus presente em todas as fases pelas quais passou. Com Jesus foi diferente. O castigo que lhe foi imposto, para que nós tivéssemos paz, foi o abandono total. A cruz de Jesus é o escândalo total: Fazendo-se ele próprio maldito em nosso lugar, porque está escrito: Maldito aquele que for pendurado em madeiro (Gl 3.13). Jesus não teve apenas seres humanos como inimigos. Na hora derradeira, Deus se lhe tornou inimigo e juiz. Entrou mais no fosso do que seu predecessor. A semana santa nos quer auxiliar a odiar o pecado do fundo do nosso ser e amar, profundamente, aquele que o carregou por nós.
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Bibliografia SCHWANTES, Milton. Sofrimento e esperança no Exílio. História e Teologia do povo de Deus no século VI a.C. São Leopoldo: Sinodal; São Paulo: Paulinas, 1987. SCHWANTES, Milton. Sexta-feira da Paixão: Isaías 50.4-9a(9b-11). In: van KAICK, Baldur (Coord.) Proclamar Libertação. Auxílios Homiléticos. V. II. São Leopoldo: Sinodal, 1977. p. 28-33. WIENER, Claude. O Dêutero-Isaías. O profeta do novo êxodo. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1984.
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QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
24 MAR 2005
a) O capítulo 13 é um divisor de águas . Até o capítulo 12, fala-se de como Deus se tornou ser humano para morar entre as pessoas. A partir do capítulo 14, fala-se de como Jesus volta para o Pai (que é como João lê morte e ressurreição). Até o capítulo 12, Jesus traz Deus para junto do ser humano , interioriza Deus no ser humano. A partir do capítulo 14, Jesus faz o caminho inverso, levando o ser humano para junto de Deus . Ele prepara esse caminho por meio da sua morte e ressurreição. b) Jesus sabe desse momento ( sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai v. 1). Jesus sabe três coisas: Deus lhe confiou tudo nas mãos; ele veio do Pai; ele volta para o Pai. c) Agora Jesus volta-se para os seus, iniciando os momentos e os sermões de despedida. O ponto alto de sua auto-revelação na ressurreição de Lázaro decretou sua sentença de morte por parte dos principais sacerdotes. Sua missão estava se completando. É hora de pensar nos seus. O tudo que Deus lhe confiou está representado, em primeiro lugar, pelos discípulos. Sabendo, pois, que em breve não vai mais estar junto a esse grupo confiado a ele por Deus, como fazer para que esses permaneçam firmes a Deus e entre si? d) O lava-pés reveste-se, a partir dessa reflexão, de especial significado. Não se trata de simples prática exterior, de um gesto meramente simbólico para externar amor fraterno.Não se trata de um ritual carregado de simbologia, de um ato litúrgico. Também não é uma encenação na qual o senhor e seu escravo trocam temporariamente os papéis, como uma espécie de laboratório, para que cada um possa sentir a realidade do outro. O lavapés é a concretização do amor até o fim (v. 1). Jesus realiza uma tarefa apenas reservada a escravos não-judeus, portanto uma tarefa que implica muita humilhação. e) Jesus tira a veste e se cinge de um avental. A veste simboliza tudo o que o ser humano adquire como virtudes ou qualificativos. Tirando a veste,
Jesus afasta tudo o que nele possa significar virtudes humanas, para lavar os pés dos discípulos. O que está para acontecer é ação de Deus, não de seres humanos. O esvaziamento total que o lava-pés exige não pode ser compreendido, nem praticado, a partir da compreensão humana. Ao mesmo tempo em que Jesus se despe de tudo o que é humano, ele se cinge (= se amarra , se prende ) com o compromisso de Deus com o servir, com o gesto extremo de amar até o final. O avental representa esse cingir-se da coerência com o gesto de amor de Deus pela humanidade. f) Pedro não compreende o que está acontecendo. Ele se nega a ter os pés lavados pelo mestre, pelo Senhor. A reação de Jesus é conseqüente: se não me deixares lavar os teus pés, não tens comunhão comigo. Quem não consegue compreender a postura de Jesus como um gesto extremo do amor de Deus pela humanidade não tem comunhão com ele, não consegue entender o verdadeiro significado do amor de Deus. g) Diante da reação de Jesus, Pedro pula para o outro extremo: se antes não queria nada, agora quer tudo. A mente humana segue uma lógica incompatível com a lógica de Deus. Não consegue medir a exata dimensão do amor até o fim. Trata-se da lógica do querer , do ambicionar , de conseguir conquistar com esforço ou méritos próprios. Talvez por isso seja tão difícil para tantas pessoas em nossas comunidades, especialmente as poderosas, entenderem a graça, a dádiva. Tudo é uma questão de luta, de conquista, se preciso até usando métodos ilegais, imorais e injustos. h) Assim também o mandamento do amor (já mencionado em parte em Lv 19.18 ) não se estabelece como lei, como regra de ouro para uma convivência responsável entre os discípulos. O evangelista acrescenta ao texto de Levíticos: como eu vos amei . Chave é: como Deus amou, isto é, na mesma profundidade, com a mesma intensidade, com o mesmo propósito, assim também amem vocês uns aos outros. O amor de Deus não é modelo ou padrão a ser imitado quando possível, mas ponto de partida, empurrão inicial, base para qualquer outro critério de amor. Assim, a comunhão experimentada deve ser multiplicada entre os discípulos, não como imitação, mas como princípio básico para todo e qualquer tipo de comunhão nascida pelo gesto de amor extremo, mostrado por Deus em Jesus Cristo. i) Para Karl Barth, o conceito de servir passa a ter significado e necessidade totalmente novos no NT: a graça de Deus, que sempre agiu das alturas para a profundidade, chegou agora realmente às profundezas, pois se tornou serviço, correspondendo à meta de seu caminho (seu objetivo). A graça se transforma em serviço para a pessoa e entre as pessoas. Exatamente por isso, participar dessa graça e ser discípulo de Cristo está diretamente relacionado com a nossa disposição em servir entre as pessoas e às pessoas. Barth segue Lutero nesse pensamento, para o qual é necessário um servir diário e sempre renovado, principalmente para quem é agraciado com dádivas ou é chamado para uma função eclesiástica.
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ÊXODO 12.1-14 1 CORÍNTIOS 11.23-26
PRÉDICA: JOÃO 13.1-17,34 Erni Drehmer
1 Considerações sobre o texto
QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
24 MAR 2005
a) O capítulo 13 é um divisor de águas . Até o capítulo 12, fala-se de como Deus se tornou ser humano para morar entre as pessoas. A partir do capítulo 14, fala-se de como Jesus volta para o Pai (que é como João lê morte e ressurreição). Até o capítulo 12, Jesus traz Deus para junto do ser humano , interioriza Deus no ser humano. A partir do capítulo 14, Jesus faz o caminho inverso, levando o ser humano para junto de Deus . Ele prepara esse caminho por meio da sua morte e ressurreição. b) Jesus sabe desse momento ( sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai v. 1). Jesus sabe três coisas: Deus lhe confiou tudo nas mãos; ele veio do Pai; ele volta para o Pai. c) Agora Jesus volta-se para os seus, iniciando os momentos e os sermões de despedida. O ponto alto de sua auto-revelação na ressurreição de Lázaro decretou sua sentença de morte por parte dos principais sacerdotes. Sua missão estava se completando. É hora de pensar nos seus. O tudo que Deus lhe confiou está representado, em primeiro lugar, pelos discípulos. Sabendo, pois, que em breve não vai mais estar junto a esse grupo confiado a ele por Deus, como fazer para que esses permaneçam firmes a Deus e entre si? d) O lava-pés reveste-se, a partir dessa reflexão, de especial significado. Não se trata de simples prática exterior, de um gesto meramente simbólico para externar amor fraterno.Não se trata de um ritual carregado de simbologia, de um ato litúrgico. Também não é uma encenação na qual o senhor e seu escravo trocam temporariamente os papéis, como uma espécie de laboratório, para que cada um possa sentir a realidade do outro. O lavapés é a concretização do amor até o fim (v. 1). Jesus realiza uma tarefa apenas reservada a escravos não-judeus, portanto uma tarefa que implica muita humilhação. e) Jesus tira a veste e se cinge de um avental. A veste simboliza tudo o que o ser humano adquire como virtudes ou qualificativos. Tirando a veste,
Jesus afasta tudo o que nele possa significar virtudes humanas, para lavar os pés dos discípulos. O que está para acontecer é ação de Deus, não de seres humanos. O esvaziamento total que o lava-pés exige não pode ser compreendido, nem praticado, a partir da compreensão humana. Ao mesmo tempo em que Jesus se despe de tudo o que é humano, ele se cinge (= se amarra , se prende ) com o compromisso de Deus com o servir, com o gesto extremo de amar até o final. O avental representa esse cingir-se da coerência com o gesto de amor de Deus pela humanidade. f) Pedro não compreende o que está acontecendo. Ele se nega a ter os pés lavados pelo mestre, pelo Senhor. A reação de Jesus é conseqüente: se não me deixares lavar os teus pés, não tens comunhão comigo. Quem não consegue compreender a postura de Jesus como um gesto extremo do amor de Deus pela humanidade não tem comunhão com ele, não consegue entender o verdadeiro significado do amor de Deus. g) Diante da reação de Jesus, Pedro pula para o outro extremo: se antes não queria nada, agora quer tudo. A mente humana segue uma lógica incompatível com a lógica de Deus. Não consegue medir a exata dimensão do amor até o fim. Trata-se da lógica do querer , do ambicionar , de conseguir conquistar com esforço ou méritos próprios. Talvez por isso seja tão difícil para tantas pessoas em nossas comunidades, especialmente as poderosas, entenderem a graça, a dádiva. Tudo é uma questão de luta, de conquista, se preciso até usando métodos ilegais, imorais e injustos. h) Assim também o mandamento do amor (já mencionado em parte em Lv 19.18 ) não se estabelece como lei, como regra de ouro para uma convivência responsável entre os discípulos. O evangelista acrescenta ao texto de Levíticos: como eu vos amei . Chave é: como Deus amou, isto é, na mesma profundidade, com a mesma intensidade, com o mesmo propósito, assim também amem vocês uns aos outros. O amor de Deus não é modelo ou padrão a ser imitado quando possível, mas ponto de partida, empurrão inicial, base para qualquer outro critério de amor. Assim, a comunhão experimentada deve ser multiplicada entre os discípulos, não como imitação, mas como princípio básico para todo e qualquer tipo de comunhão nascida pelo gesto de amor extremo, mostrado por Deus em Jesus Cristo. i) Para Karl Barth, o conceito de servir passa a ter significado e necessidade totalmente novos no NT: a graça de Deus, que sempre agiu das alturas para a profundidade, chegou agora realmente às profundezas, pois se tornou serviço, correspondendo à meta de seu caminho (seu objetivo). A graça se transforma em serviço para a pessoa e entre as pessoas. Exatamente por isso, participar dessa graça e ser discípulo de Cristo está diretamente relacionado com a nossa disposição em servir entre as pessoas e às pessoas. Barth segue Lutero nesse pensamento, para o qual é necessário um servir diário e sempre renovado, principalmente para quem é agraciado com dádivas ou é chamado para uma função eclesiástica.
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ÊXODO 12.1-14 1 CORÍNTIOS 11.23-26
PRÉDICA: JOÃO 13.1-17,34 Erni Drehmer
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QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
j) O lava-pés torna-se uma ação que fala, a qual quer permitir ao ouvinte descobrir por si a verdade libertadora. Um desafio para a igreja, que, muitas vezes, quer ter tudo previamente discutido, avaliado, programado. Um desafio para que a igreja descubra a força da prática comum, interpretativa, a unidade entre ação, experiência e palavra. l) A surpresa da ação de Jesus (e o incompreensível): podemos aceitar e compreender que Deus nos ama, que supera a morte por nós, que nos eleva até ele, que nos transforma, que nos torna conhecidos como senhores e poderosos, que nos abre o caminho para o transcendente e para o louvor. Mas temos dificuldades em aceitar que Deus se torne um servo em Jesus, que ele deixe confusa a imagem divina/humana, que ele se torne vulnerável em seu amor, que seja aparentemente batido pela morte na cruz, que ele nos sirva assim como somos. Preferimos ver Deus como o poderoso a vê-lo como aquele que se torna poderoso exatamente na sua falta de poder. O Evangelho de João tem essa linha mestra (não apenas no relato do lava-pés): Deus quer ser Deus de tal forma que nos ama ao extremo. Nisso ele é o nosso Deus. Não na demonstração de força, nos acontecimentos arrebatadores e fenômenos sobrenaturais. m) A comunhão com Jesus, criada com sua doação até a morte, liberta da necessidade de querer ter (Pedro), torna impossível apossar-se do amor. Nada maior me pode ser dado do que amor ao extremo. Não é algo que eu possa ou deva perseguir. Jesus coloca os discípulos e a comunidade no centro de sua atenção muito antes que estes dessem o primeiro passo. Torna-os merecedores de serem amados e servidos. Com isso os faz dignos de serem amados. Tornamo-nos senhores quando nos deixamos servir por Jesus. n) O servir de Jesus permite a cada um descobrir nova compreensão de si mesmo, abre-lhe a compreensão para a comunhão com Deus. Ao mesmo tempo aponta para o próximo, de quem eu preciso e o qual precisa de mim. A partir do serviço de Jesus esse próximo é reconhecido como alguém que Jesus ama da mesma forma como a mim. Por meio do seu servir Jesus me possibilita redescobrir o próximo. Pelo servir Jesus me habilita duplamente para o amor. Nas palavras de Bultmann: Como amados por ele, nos abre para o amor, para os que amam . Isto não é apenas exemplo. É ação que cria uma nova situação. Assim ganha nova força e interpretação a palavra de Jesus: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei .
Começaria com a pergunta sobre se realmente conseguimos entender o gesto de Jesus ou se ainda restam resquícios de frustração pelo poder que esperávamos que Jesus demonstrasse e não demonstrou. Uma boa pergunta, a seguir, é se conseguimos entender a estrutura da igreja como aquela que serve da forma como Jesus serviu ou se essa estrutura ainda está por demais comprometida com o poder, a força, a imponência dos seus prédios ou sua conta bancária. A igreja e seus membros não aprenderão pelo Ensino Confirmatório, pela oração ou pelo conhecimento dos documentos normativos o verdadeiro sentido de serviço. Esse aprendizado se dá, antes de mais nada, quando nos deixamos presentear com o serviço de Deus. Encerraria a prédica apontando para formas concretas de deixar que Deus transforme nossos conceitos de serviço: revisão do conceito autoridade e de como se exerce a mesma, começando na comunidade e chegando aos poderes públicos; revisão do que significa ser igreja presente no contexto social e político (não para tirar vantagem ao lado do poder, mas ser ferramenta de transformação de estruturas); revisão do uso do dinheiro na igreja (não mais um instrumento de ostentação, mas de um meio para a capacitação do testemunho).
2 A caminho da prédica
3 Auxílios litúrgicos Confissão de pecados: Deus de amor infinito. Ainda não compreendemos o significado que tu queres dar ao servir. Por isso mesmo temos tantas barreiras entre nós para viver uma verdadeira comunhão. Apesar de já termos ouvido tantas vezes a respeito, continuamos fazendo o que tu não esperas de nós: exercemos autoridade como forma de opressão e não de serviço; estabelecemos contatos com pessoas conforme nossos interesses futuros e não para nos colocar à disposição; perguntamos pelas vantagens que podemos obter como membros da tua igreja e não perguntamos pela melhor forma de servir em gratidão ao teu amor. Tudo isso confunde, enfraquece e mina nosso convívio. Perdoa-nos por isso, ó Deus, e concede-nos a luz de teu Santo Espírito, para que diariamente busquemos a tua face para melhorar nossas atitudes e, através delas, o mundo ao nosso redor. Por Jesus Cristo, suplicamos que tenhas piedade, Senhor.
Uma boa abordagem na prédica seria olhar o lava-pés a partir de Pedro. Mas Pedro não como um personagem fictício, bíblico (por isso mesmo facilmente deslocável para longe da nossa realidade). Pedro é a personificação de muitos de nós ou todos nós.
Quanto ao lava-pés: Considerando que a Quinta-Feira da Paixão é momento de celebração da Ceia do Senhor na maioria das comunidades, proponho que se motive que o gesto da paz antes da partilha seja realizado em forma de lava-pés. Para isso se teria que tomar providências prévias (material à disposição), além de sugerir que pessoas poderiam lavar os pés umas das outras enquanto esperam o momento de chegar à mesa do altar
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QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
j) O lava-pés torna-se uma ação que fala, a qual quer permitir ao ouvinte descobrir por si a verdade libertadora. Um desafio para a igreja, que, muitas vezes, quer ter tudo previamente discutido, avaliado, programado. Um desafio para que a igreja descubra a força da prática comum, interpretativa, a unidade entre ação, experiência e palavra. l) A surpresa da ação de Jesus (e o incompreensível): podemos aceitar e compreender que Deus nos ama, que supera a morte por nós, que nos eleva até ele, que nos transforma, que nos torna conhecidos como senhores e poderosos, que nos abre o caminho para o transcendente e para o louvor. Mas temos dificuldades em aceitar que Deus se torne um servo em Jesus, que ele deixe confusa a imagem divina/humana, que ele se torne vulnerável em seu amor, que seja aparentemente batido pela morte na cruz, que ele nos sirva assim como somos. Preferimos ver Deus como o poderoso a vê-lo como aquele que se torna poderoso exatamente na sua falta de poder. O Evangelho de João tem essa linha mestra (não apenas no relato do lava-pés): Deus quer ser Deus de tal forma que nos ama ao extremo. Nisso ele é o nosso Deus. Não na demonstração de força, nos acontecimentos arrebatadores e fenômenos sobrenaturais. m) A comunhão com Jesus, criada com sua doação até a morte, liberta da necessidade de querer ter (Pedro), torna impossível apossar-se do amor. Nada maior me pode ser dado do que amor ao extremo. Não é algo que eu possa ou deva perseguir. Jesus coloca os discípulos e a comunidade no centro de sua atenção muito antes que estes dessem o primeiro passo. Torna-os merecedores de serem amados e servidos. Com isso os faz dignos de serem amados. Tornamo-nos senhores quando nos deixamos servir por Jesus. n) O servir de Jesus permite a cada um descobrir nova compreensão de si mesmo, abre-lhe a compreensão para a comunhão com Deus. Ao mesmo tempo aponta para o próximo, de quem eu preciso e o qual precisa de mim. A partir do serviço de Jesus esse próximo é reconhecido como alguém que Jesus ama da mesma forma como a mim. Por meio do seu servir Jesus me possibilita redescobrir o próximo. Pelo servir Jesus me habilita duplamente para o amor. Nas palavras de Bultmann: Como amados por ele, nos abre para o amor, para os que amam . Isto não é apenas exemplo. É ação que cria uma nova situação. Assim ganha nova força e interpretação a palavra de Jesus: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei .
Começaria com a pergunta sobre se realmente conseguimos entender o gesto de Jesus ou se ainda restam resquícios de frustração pelo poder que esperávamos que Jesus demonstrasse e não demonstrou. Uma boa pergunta, a seguir, é se conseguimos entender a estrutura da igreja como aquela que serve da forma como Jesus serviu ou se essa estrutura ainda está por demais comprometida com o poder, a força, a imponência dos seus prédios ou sua conta bancária. A igreja e seus membros não aprenderão pelo Ensino Confirmatório, pela oração ou pelo conhecimento dos documentos normativos o verdadeiro sentido de serviço. Esse aprendizado se dá, antes de mais nada, quando nos deixamos presentear com o serviço de Deus. Encerraria a prédica apontando para formas concretas de deixar que Deus transforme nossos conceitos de serviço: revisão do conceito autoridade e de como se exerce a mesma, começando na comunidade e chegando aos poderes públicos; revisão do que significa ser igreja presente no contexto social e político (não para tirar vantagem ao lado do poder, mas ser ferramenta de transformação de estruturas); revisão do uso do dinheiro na igreja (não mais um instrumento de ostentação, mas de um meio para a capacitação do testemunho).
2 A caminho da prédica
3 Auxílios litúrgicos Confissão de pecados: Deus de amor infinito. Ainda não compreendemos o significado que tu queres dar ao servir. Por isso mesmo temos tantas barreiras entre nós para viver uma verdadeira comunhão. Apesar de já termos ouvido tantas vezes a respeito, continuamos fazendo o que tu não esperas de nós: exercemos autoridade como forma de opressão e não de serviço; estabelecemos contatos com pessoas conforme nossos interesses futuros e não para nos colocar à disposição; perguntamos pelas vantagens que podemos obter como membros da tua igreja e não perguntamos pela melhor forma de servir em gratidão ao teu amor. Tudo isso confunde, enfraquece e mina nosso convívio. Perdoa-nos por isso, ó Deus, e concede-nos a luz de teu Santo Espírito, para que diariamente busquemos a tua face para melhorar nossas atitudes e, através delas, o mundo ao nosso redor. Por Jesus Cristo, suplicamos que tenhas piedade, Senhor.
Uma boa abordagem na prédica seria olhar o lava-pés a partir de Pedro. Mas Pedro não como um personagem fictício, bíblico (por isso mesmo facilmente deslocável para longe da nossa realidade). Pedro é a personificação de muitos de nós ou todos nós.
Quanto ao lava-pés: Considerando que a Quinta-Feira da Paixão é momento de celebração da Ceia do Senhor na maioria das comunidades, proponho que se motive que o gesto da paz antes da partilha seja realizado em forma de lava-pés. Para isso se teria que tomar providências prévias (material à disposição), além de sugerir que pessoas poderiam lavar os pés umas das outras enquanto esperam o momento de chegar à mesa do altar
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QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO
para a Ceia. Naturalmente, precisa ser entendido que esse gesto não é condição para participação na Ceia, nem imitação de Cristo, também não um teatrinho para deixar melhor marcado o culto na memória, mas oportunidade de experimentar um aperitivo do gesto que Deus faz em nossa direção na Ceia.
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
25 MAR 2005
JOÃO 19.16-30 HEBREUS 4.14-16;5.7-9
PRÉDICA: SALMO 22.1-12,17-20
Bibliografia
Heinz Ehlert
TRACK, Joachim. Gründonnerstag. In: Neue Calwer Predigthilfen. Stuttgart: Calwer Verlag, 1978. p. 236-243. LEE, Witness. Leben im Johannesevangelium. 2. ed. Stuttgart: Der Strom, 1982. SCHULTZ, Siegfried e STAHLIN, Gustav. Das Evangelium nach Johannes. In: Das Neue Testament Deutsch, vol 2. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1979.
1 Observação preliminar Admito que a proposta de perícope para a prédica considere a contagem dos versículos conforme a Bíblia Hebraica e não segundo a edição da Sociedade Bíblica, versão de Almeida (que no mais tomo como base de texto). Esta última tem como nota preliminar o que na Bíblia Hebraica é contado como v. 1. Vários autores de auxílios homiléticos, a que tive acesso, preferem estudar o Salmo inteiro (v. 1-32) e não apenas o trecho em pauta. Faz sentido. Mesmo assim, restringir-me-ei ao trecho indicado no presente auxílio. Convém destacar que o trecho já foi estudado em Proclamar Libertação vol. XVIII. Recomendo, a quem tiver acesso, inteirar-se do que lá foi apresentado, uma vez que enfatiza diferentes maneiras de interpretação.
2 Considerações exegéticas A própria perícope, segundo delimitação adotada, apresenta uma divisão em duas partes: v. 1-12 e v. 17-20. A primeira parte, por sua vez, pode ser estruturada em três subtrechos: a) v. 2-6: Primeira lamentação e lembrança do agir de Deus no passado do povo; b) v. 7-11: Segunda lamentação e correspondente lembrança do agir de Deus na própria vida do salmista; c) v. 12: Súplica pela proximidade de Deus. Também a segunda parte permite uma subdivisão: a) v. 17-19: Terceira lamentação os adversários; b) v. 20: Súplica por socorro. A seguir, a análise dos versículos dentro dessa subdivisão. O v. 1 é apenas uma instrução ao mestre cântico. Bem por isso na versão de Almeida não é considerada pertencente ao texto.
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para a Ceia. Naturalmente, precisa ser entendido que esse gesto não é condição para participação na Ceia, nem imitação de Cristo, também não um teatrinho para deixar melhor marcado o culto na memória, mas oportunidade de experimentar um aperitivo do gesto que Deus faz em nossa direção na Ceia.
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
25 MAR 2005
JOÃO 19.16-30 HEBREUS 4.14-16;5.7-9
PRÉDICA: SALMO 22.1-12,17-20
Bibliografia
Heinz Ehlert
TRACK, Joachim. Gründonnerstag. In: Neue Calwer Predigthilfen. Stuttgart: Calwer Verlag, 1978. p. 236-243. LEE, Witness. Leben im Johannesevangelium. 2. ed. Stuttgart: Der Strom, 1982. SCHULTZ, Siegfried e STAHLIN, Gustav. Das Evangelium nach Johannes. In: Das Neue Testament Deutsch, vol 2. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1979.
1 Observação preliminar Admito que a proposta de perícope para a prédica considere a contagem dos versículos conforme a Bíblia Hebraica e não segundo a edição da Sociedade Bíblica, versão de Almeida (que no mais tomo como base de texto). Esta última tem como nota preliminar o que na Bíblia Hebraica é contado como v. 1. Vários autores de auxílios homiléticos, a que tive acesso, preferem estudar o Salmo inteiro (v. 1-32) e não apenas o trecho em pauta. Faz sentido. Mesmo assim, restringir-me-ei ao trecho indicado no presente auxílio. Convém destacar que o trecho já foi estudado em Proclamar Libertação vol. XVIII. Recomendo, a quem tiver acesso, inteirar-se do que lá foi apresentado, uma vez que enfatiza diferentes maneiras de interpretação.
2 Considerações exegéticas A própria perícope, segundo delimitação adotada, apresenta uma divisão em duas partes: v. 1-12 e v. 17-20. A primeira parte, por sua vez, pode ser estruturada em três subtrechos: a) v. 2-6: Primeira lamentação e lembrança do agir de Deus no passado do povo; b) v. 7-11: Segunda lamentação e correspondente lembrança do agir de Deus na própria vida do salmista; c) v. 12: Súplica pela proximidade de Deus. Também a segunda parte permite uma subdivisão: a) v. 17-19: Terceira lamentação os adversários; b) v. 20: Súplica por socorro. A seguir, a análise dos versículos dentro dessa subdivisão. O v. 1 é apenas uma instrução ao mestre cântico. Bem por isso na versão de Almeida não é considerada pertencente ao texto.
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v. 2-6: Ao iniciar, o salmista grita a sua lamentação a Deus. Do fundo da alma lança para fora todo o desespero. Formula a pergunta: Por que me desamparaste? , que parece conter uma acusação. Não há razão palpável para uma auto-incriminação. Então: Por quê? Está diante de um enigma. Ainda assim: Deus meu! . Nenhuma salvação em vista. Pois o seu Deus está longe. Solta o bramido, clama dia e noite e nada! Contudo tu és santo. É assim como canta a comunidade de fé. Aqui começa a mudança de posição e atitude. Agregado à comunidade na lembrança de seu louvor, vai, aos poucos, encaminhar a virada: muda a posição; o seu olhar, que estava fixo em si, no seu desespero, volta-se a Deus. Ele é o Senhor, soberano. Não deve satisfação. Mas, graças à lembrança da tradição do seu povo, consegue divisar uma saída: Nossos pais confiaram em ti; confiaram e tu os livraste! . Podese pensar em tantas situações da história de Israel, mas especialmente no êxodo. Foi um milagre. Não é isto que busca? v. 7-11: Imediatamente toda a atenção se volta outra vez ao sofrimento individual. Sente-se como verme. Isto porque os inimigos, sem que sejam identificados concretamente ( opróbrio dos homens e desprezado do povo ), zombam dele. Constatam que ele confiou no Senhor. E agora está desse jeito? Então a fé não valeu nada! Mas, no momento seguinte, recorre outra vez à memória. Só que desta vez é sua história pessoal. Tem existência pela vontade de Deus (não pediu para nascer). Foi também preservado pela graça de Deus. Sugere também que por ato voluntário se entregou a Deus. Esta lembrança lhe dá nova coragem para suplicar. v. 12: Eis a súplica: Não te distancies de mim! . É o que mais atormentava: O Deus distante. Grita por socorro. A tribulação está próxima e ninguém que pudesse acudir. Expressa confiança em Deus somente. v. 17-19: Terceira lamentação. Agora descreve os inimigos como cães e malfeitores . E a agressão é até física. Imagine-se: traspassaram mãos e pés! A pessoa é atingida por inteiro. Dói tudo, física, psíquica e emocionalmente. Eles me estão olhando... Tornou-se um espetáculo para os inimigos. O v. 19 chama atenção de modo especial. Como no v.17, esse versículo, que se refere às vestes e à túnica dos quais se apoderam como se fossem de um condenado, lembra forçosamente a paixão de Cristo (cf. Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jo 19.24). No atual contexto soa até bastante estranho. Faltam pormenores para se ter uma idéia do que teria acontecido. Seja como for, o trecho termina com nova súplica. v. 20: Nova súplica: Tu, porém, não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me . Diante dos inimigos poderosos, só Deus, a sua força, pode ajudar. Aí terminam solidão e fraqueza.
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SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
3 Meditação A experiência do sofrimento é comum a todos os mortais. Desde o nascimento até a morte nos acompanha. Faz parte da vida. O sofrimento faz chorar, gritar. Acontece com o bebê, a criança, o adolescente, o adulto, o ancião e ainda com o moribundo. Tanto mais insuportável parece quando não tem explicação. Por quê? Assim gritava o salmista, assim bradou Jesus. Compreender, enquadrar o sofrimento, conseguir-lhe um sentido seria o caminho para superá-lo. E isto, por sua vez, está intimamente ligado ao sentido da vida. Qual o sentido que vemos em nossa existência? O crente do AT como o do NT não concebem um sentido em sua vida sem Deus, separado de Deus. Por isso também não conseguem enquadrar o sofrimento, conviver com ele longe de Deus. Deus como senhor da vida e como senhor da história. Da história pessoal, da história da humanidade, do universo. O Salmo 22, como um dos salmos de lamentação, expressa isso de maneira singular. Sugere que seja possível à criatura humana relacionada com Deus, portanto ao piedoso , gritar a sua angústia, o sentimento de abandono, de perdição, ao perguntar pelo porquê. É capaz de, em rebeldia, lançar uma acusação contra esse Deus senhor da vida, da história, do universo, sem se afastar definitivamente dele. Parece expressar o mais profundo sofrimento que o ser humano pode passar: ser abandonado por Deus! É a pior solidão que pode sobrevir. Não dá para comparar com nada. É a mais horrível perda. Infinitamente pior do que perder pais, irmãos, cônjuge, filhos, amigos... Neste sentido está muito próximo dos sofrimentos narrados no livro de Jó, um homem que andara reto perante Deus e ainda assim se viu cair nas profundezas do sofrimento. O salmista fica agarrado a esse Deus, recordando a história passada. Ela está aí: a do seu povo e a da própria vida. Deus é ao mesmo tempo criador e pai amoroso. Por isso a palavra de ordem só pode ser: Agarrar-se a ele e não soltar! Jesus, ao orar na cruz, clamando as palavras iniciais desse salmo, evidenciou toda a sua humanidade/fragilidade. Foi verdadeiro homem! Mas, igual ao salmista, também Jesus não ficou só no grito de desespero. No fim exclamou: Está consumado (Jo 19.30). O evangelista acrescenta que logo rendeu o espírito . Segundo Lucas, Jesus teria declarado isto: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23.46). Ou seja: Entregou-se confiante na mão do Pai. Para o cristão segue disso que ele tem tanto mais motivo para permanecer firme em Deus, mesmo em toda a tribulação e sofrimento, até a hora derradeira. Uma vez, porque o próprio Filho de Deus passou por isso (Hb
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v. 2-6: Ao iniciar, o salmista grita a sua lamentação a Deus. Do fundo da alma lança para fora todo o desespero. Formula a pergunta: Por que me desamparaste? , que parece conter uma acusação. Não há razão palpável para uma auto-incriminação. Então: Por quê? Está diante de um enigma. Ainda assim: Deus meu! . Nenhuma salvação em vista. Pois o seu Deus está longe. Solta o bramido, clama dia e noite e nada! Contudo tu és santo. É assim como canta a comunidade de fé. Aqui começa a mudança de posição e atitude. Agregado à comunidade na lembrança de seu louvor, vai, aos poucos, encaminhar a virada: muda a posição; o seu olhar, que estava fixo em si, no seu desespero, volta-se a Deus. Ele é o Senhor, soberano. Não deve satisfação. Mas, graças à lembrança da tradição do seu povo, consegue divisar uma saída: Nossos pais confiaram em ti; confiaram e tu os livraste! . Podese pensar em tantas situações da história de Israel, mas especialmente no êxodo. Foi um milagre. Não é isto que busca? v. 7-11: Imediatamente toda a atenção se volta outra vez ao sofrimento individual. Sente-se como verme. Isto porque os inimigos, sem que sejam identificados concretamente ( opróbrio dos homens e desprezado do povo ), zombam dele. Constatam que ele confiou no Senhor. E agora está desse jeito? Então a fé não valeu nada! Mas, no momento seguinte, recorre outra vez à memória. Só que desta vez é sua história pessoal. Tem existência pela vontade de Deus (não pediu para nascer). Foi também preservado pela graça de Deus. Sugere também que por ato voluntário se entregou a Deus. Esta lembrança lhe dá nova coragem para suplicar. v. 12: Eis a súplica: Não te distancies de mim! . É o que mais atormentava: O Deus distante. Grita por socorro. A tribulação está próxima e ninguém que pudesse acudir. Expressa confiança em Deus somente. v. 17-19: Terceira lamentação. Agora descreve os inimigos como cães e malfeitores . E a agressão é até física. Imagine-se: traspassaram mãos e pés! A pessoa é atingida por inteiro. Dói tudo, física, psíquica e emocionalmente. Eles me estão olhando... Tornou-se um espetáculo para os inimigos. O v. 19 chama atenção de modo especial. Como no v.17, esse versículo, que se refere às vestes e à túnica dos quais se apoderam como se fossem de um condenado, lembra forçosamente a paixão de Cristo (cf. Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jo 19.24). No atual contexto soa até bastante estranho. Faltam pormenores para se ter uma idéia do que teria acontecido. Seja como for, o trecho termina com nova súplica. v. 20: Nova súplica: Tu, porém, não te afastes de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me . Diante dos inimigos poderosos, só Deus, a sua força, pode ajudar. Aí terminam solidão e fraqueza.
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3 Meditação A experiência do sofrimento é comum a todos os mortais. Desde o nascimento até a morte nos acompanha. Faz parte da vida. O sofrimento faz chorar, gritar. Acontece com o bebê, a criança, o adolescente, o adulto, o ancião e ainda com o moribundo. Tanto mais insuportável parece quando não tem explicação. Por quê? Assim gritava o salmista, assim bradou Jesus. Compreender, enquadrar o sofrimento, conseguir-lhe um sentido seria o caminho para superá-lo. E isto, por sua vez, está intimamente ligado ao sentido da vida. Qual o sentido que vemos em nossa existência? O crente do AT como o do NT não concebem um sentido em sua vida sem Deus, separado de Deus. Por isso também não conseguem enquadrar o sofrimento, conviver com ele longe de Deus. Deus como senhor da vida e como senhor da história. Da história pessoal, da história da humanidade, do universo. O Salmo 22, como um dos salmos de lamentação, expressa isso de maneira singular. Sugere que seja possível à criatura humana relacionada com Deus, portanto ao piedoso , gritar a sua angústia, o sentimento de abandono, de perdição, ao perguntar pelo porquê. É capaz de, em rebeldia, lançar uma acusação contra esse Deus senhor da vida, da história, do universo, sem se afastar definitivamente dele. Parece expressar o mais profundo sofrimento que o ser humano pode passar: ser abandonado por Deus! É a pior solidão que pode sobrevir. Não dá para comparar com nada. É a mais horrível perda. Infinitamente pior do que perder pais, irmãos, cônjuge, filhos, amigos... Neste sentido está muito próximo dos sofrimentos narrados no livro de Jó, um homem que andara reto perante Deus e ainda assim se viu cair nas profundezas do sofrimento. O salmista fica agarrado a esse Deus, recordando a história passada. Ela está aí: a do seu povo e a da própria vida. Deus é ao mesmo tempo criador e pai amoroso. Por isso a palavra de ordem só pode ser: Agarrar-se a ele e não soltar! Jesus, ao orar na cruz, clamando as palavras iniciais desse salmo, evidenciou toda a sua humanidade/fragilidade. Foi verdadeiro homem! Mas, igual ao salmista, também Jesus não ficou só no grito de desespero. No fim exclamou: Está consumado (Jo 19.30). O evangelista acrescenta que logo rendeu o espírito . Segundo Lucas, Jesus teria declarado isto: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23.46). Ou seja: Entregou-se confiante na mão do Pai. Para o cristão segue disso que ele tem tanto mais motivo para permanecer firme em Deus, mesmo em toda a tribulação e sofrimento, até a hora derradeira. Uma vez, porque o próprio Filho de Deus passou por isso (Hb
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SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
4), mas, de outra parte, em vista de toda a história da salvação (redenção) em Cristo. Recordar e sempre ensaiar isso, especialmente a oração com irmãos na fé, no seio da comunidade, é alentador. O culto é a oportunidade, além de outros encontros da comunidade eclesial. Serve para a prática da oração e ajuda na superação do sofrimento. Tirar os olhos da própria desesperança para voltá-los a Deus. Suportar o sofrimento e adquirir a paz. A mensagem da ressurreição e da vida eterna, que é parte integrante do evangelho salvífico, é o consolo singular dos sofredores. Não há como não lembrá-la nesse contexto.
5 Subsídios litúrgicos
4 Indicações para a prédica
Oração de coleta: Pai celeste, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, invocamos-te para agradecer por tua palavra a teu povo, desde os tempos antigos. Ilumina-nos para compreender a mensagem a nós, contida em tua palavra, neste culto. Assiste-nos com teu Santo Espírito, para que seja estabelecida verdadeira comunhão entre nós, sob a tua palavra. Amém.
A própria data de Sexta-feira Santa, como também as leituras indicadas, tornam forçoso que uma prédica sobre esse texto se refira ao grito de Jesus, pregado na cruz. Sugiro, pois, que para iniciar a prédica esse versículo (primeira lamentação) seja citado, declarando que esse foi o grito que ressoou naquela sexta-feira do alto do Gólgota. Então Jesus não ficou em silêncio o tempo todo. Mas o seu clamor foi uma oração de seu povo, justamente esse Salmo 22. O povo presente escutou só o começo. Para nós, porém, é significativo com vistas à compreensão do trecho recomendado para a pregação. Em seguida, colocar a pergunta: O que esse salmo tão conhecido pela história da paixão nos ensina sobre o sofrimento humano? Para desenvolver a pregação, podemos servir-nos das partes e suas subdivisões, que apontamos nas considerações exegéticas e na meditação. Ao apontar para a seqüência de lamentação, lembrança de ajuda e súplica, encontradas no Salmo, podemos ressaltar como a oração do povo do AT nos orienta a lidar com o nosso sofrimento. O fato de Jesus ter orado justamente esse Salmo na cruz legitima essa maneira de lidar, perante Deus, com o sofrimento humano. Mostra também o que a leitura de Hebreus afirma: Jesus em tudo foi tentado à nossa semelhança, foi verdadeiro homem. Mas sobretudo ensina que, no pior sofrimento, isto é, sentir-se abandonado por Deus, ainda é permitido ao crente invocar, clamar a Deus, o Senhor, para pedir socorro. Jesus não pediu para ser tirado da cruz, nem isso aconteceu. Mas, no fim, quando exclamou está consumado (e rendeu o espírito , isto é, entregou a vida a Deus), demonstrou que foi, literalmente, consolado. Expressa a certeza de que está com Deus. Isto nos anima a seguir o seu exemplo e entregar-nos nas mãos de Deus em qualquer tribulação.
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Confissão de pecados: Sendo Sexta-feira Santa e havendo celebração da Santa Ceia neste culto, é possível realizar, já nessa altura do culto, a confissão de pecados (comum), prevista para a liturgia da Eucaristia. Ou então formular uma confissão, onde lembramos e confessamos o sofrimento que causamos uns ao outros, a nossa omissão em consolar os sofredores, desanimados, enfermos e moribundos. Pedir perdão pelo sofrimento que causamos a Deus.
Oração final de intercessão: Solicitar aos presentes sugestões de oração ou desafiá-los a colocar os seus assuntos na oração comunitária. Agradecer pela comunidade unida (ou rogar pela unidade dos cristãos), pelos grupos existentes, rogando que sejam, sempre mais, grupos de apoio mútuo. Não esquecer de rogar pelo mundo contemporâneo e pelo sofrimento causado por conflitos armados, terrorismo e outras calamidades.
Bibliografia MARTIN, Gerhard Marcel. Auxílio Homilético sobre Salmo 22.2-6,12,23-28. In: Textspuren. Stuttgart: Radius-Verlag GmbH, 1994. WEISER, Artur. Die Psalmen I. In: Das Alte Testament Deutsch, Teilband 14, 4. ed. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1955. WESTERMANN, Claus. Auxílio Homilético sobre Salmo 22. In: Calwer Predigt-Hilfen. Stuttgart: Calwer Verlag, 1962.
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4), mas, de outra parte, em vista de toda a história da salvação (redenção) em Cristo. Recordar e sempre ensaiar isso, especialmente a oração com irmãos na fé, no seio da comunidade, é alentador. O culto é a oportunidade, além de outros encontros da comunidade eclesial. Serve para a prática da oração e ajuda na superação do sofrimento. Tirar os olhos da própria desesperança para voltá-los a Deus. Suportar o sofrimento e adquirir a paz. A mensagem da ressurreição e da vida eterna, que é parte integrante do evangelho salvífico, é o consolo singular dos sofredores. Não há como não lembrá-la nesse contexto.
5 Subsídios litúrgicos
4 Indicações para a prédica
Oração de coleta: Pai celeste, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, invocamos-te para agradecer por tua palavra a teu povo, desde os tempos antigos. Ilumina-nos para compreender a mensagem a nós, contida em tua palavra, neste culto. Assiste-nos com teu Santo Espírito, para que seja estabelecida verdadeira comunhão entre nós, sob a tua palavra. Amém.
A própria data de Sexta-feira Santa, como também as leituras indicadas, tornam forçoso que uma prédica sobre esse texto se refira ao grito de Jesus, pregado na cruz. Sugiro, pois, que para iniciar a prédica esse versículo (primeira lamentação) seja citado, declarando que esse foi o grito que ressoou naquela sexta-feira do alto do Gólgota. Então Jesus não ficou em silêncio o tempo todo. Mas o seu clamor foi uma oração de seu povo, justamente esse Salmo 22. O povo presente escutou só o começo. Para nós, porém, é significativo com vistas à compreensão do trecho recomendado para a pregação. Em seguida, colocar a pergunta: O que esse salmo tão conhecido pela história da paixão nos ensina sobre o sofrimento humano? Para desenvolver a pregação, podemos servir-nos das partes e suas subdivisões, que apontamos nas considerações exegéticas e na meditação. Ao apontar para a seqüência de lamentação, lembrança de ajuda e súplica, encontradas no Salmo, podemos ressaltar como a oração do povo do AT nos orienta a lidar com o nosso sofrimento. O fato de Jesus ter orado justamente esse Salmo na cruz legitima essa maneira de lidar, perante Deus, com o sofrimento humano. Mostra também o que a leitura de Hebreus afirma: Jesus em tudo foi tentado à nossa semelhança, foi verdadeiro homem. Mas sobretudo ensina que, no pior sofrimento, isto é, sentir-se abandonado por Deus, ainda é permitido ao crente invocar, clamar a Deus, o Senhor, para pedir socorro. Jesus não pediu para ser tirado da cruz, nem isso aconteceu. Mas, no fim, quando exclamou está consumado (e rendeu o espírito , isto é, entregou a vida a Deus), demonstrou que foi, literalmente, consolado. Expressa a certeza de que está com Deus. Isto nos anima a seguir o seu exemplo e entregar-nos nas mãos de Deus em qualquer tribulação.
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Confissão de pecados: Sendo Sexta-feira Santa e havendo celebração da Santa Ceia neste culto, é possível realizar, já nessa altura do culto, a confissão de pecados (comum), prevista para a liturgia da Eucaristia. Ou então formular uma confissão, onde lembramos e confessamos o sofrimento que causamos uns ao outros, a nossa omissão em consolar os sofredores, desanimados, enfermos e moribundos. Pedir perdão pelo sofrimento que causamos a Deus.
Oração final de intercessão: Solicitar aos presentes sugestões de oração ou desafiá-los a colocar os seus assuntos na oração comunitária. Agradecer pela comunidade unida (ou rogar pela unidade dos cristãos), pelos grupos existentes, rogando que sejam, sempre mais, grupos de apoio mútuo. Não esquecer de rogar pelo mundo contemporâneo e pelo sofrimento causado por conflitos armados, terrorismo e outras calamidades.
Bibliografia MARTIN, Gerhard Marcel. Auxílio Homilético sobre Salmo 22.2-6,12,23-28. In: Textspuren. Stuttgart: Radius-Verlag GmbH, 1994. WEISER, Artur. Die Psalmen I. In: Das Alte Testament Deutsch, Teilband 14, 4. ed. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1955. WESTERMANN, Claus. Auxílio Homilético sobre Salmo 22. In: Calwer Predigt-Hilfen. Stuttgart: Calwer Verlag, 1962.
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DOMINGO DA PÁSCOA
DOMINGO DA PÁSCOA RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR SALMO 118.1-2,13-24 COLOSSENSES 3.1-4
27 MAR 2005
PRÉDICA: JOÃO 20.1-9 (10-18) Silvia Genz
1 Considerações iniciais A Carta aos Colossenses foi escrita por Paulo quando esteve na prisão, provavelmente na cidade de Éfeso, nos anos 56 a 57. Há autores que afirmam que pode ter sido escrita um pouco mais tarde, 58 a 60, quando Paulo esteve preso em Cesaréia, ou ainda em 61-63, quando Paulo esteve novamente preso em Roma. Há, portanto, dificuldades com a exatidão da época e, para alguns autores, inclusive quanto à autoria. Baseado na Carta aos Colossenses 4.18, podemos concluir que Paulo ditou a carta e a assinou quando estava na prisão, após ter tomado conhecimento das dificuldades pelas quais passava a comunidade dos colossenses por intermédio de Epafras, fundador da mesma. As dificuldades que estavam passando os colossenses em sua caminhada de cristãos devem ter levado Epafras a recorrer a Paulo, pedindo por ajuda. Paulo o saúda em 4.12 como servo de Cristo e fala do esforço que tem desprendido pela comunidade; em 1.17, chama-o de nosso amado conservo e salienta que Epafras foi aquele que instruiu os fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos . A carta é ocasional e quer ser uma ajuda para a comunidade em meio às dificuldades presentes. Na cidade de Colossos, além do grupo ao qual é endereçada a carta, há ainda o grupo que se reunia na casa de Filemom, ao qual Paulo envia por essa época o escravo Onésimo de volta, 4.9, com o escrito, bilhete, conhecido como Epístola a Filemom. A Carta aos Colossenses é levada por Tíquico, que Paulo chama de irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor (4.7). Colossos era uma cidade da Frígia, região da Ásia Menor (atual Turquia). Encontrava-se na parte superior do vale do rio Lico, a uns 120 quilômetros de Éfeso ... A cidade estava unida a Éfeso pela principal estrada comercial da Ásia, de modo que entre essas duas cidades havia comunicação intensa. (José Bortolini)
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2 Situação dos cristãos na cidade de Colossos dificuldades No ano 210 antes de Cristo, Antioco III instalou uma colônia militar judaica de 2.000 famílias (naquela região) para vigiar a população nativa. Flávio Josefo conservou-nos a carta do rei ao governador da Frígia (E. Cothenet), em que descreve a satisfação e a firme esperança de que esses enviados serão guardiães dos nossos interesses, em virtude de sua piedade para com Deus . Quer dizer, o judaísmo está presente na região devido à presença de colônias militares de judeus piedosos. É nesse contexto que o cristianismo começa a se desenvolver. Os moradores da Frígia, e assim também de Colossos, acreditavam em poderes celestiais, potências, potestades, além dos demônios, imaginavam que o céu estivesse cheio de tronos, principados e autoridades (1.16;2.15), que o espaço, o cosmo estivesse infestado de espíritos maus, espalhados pelos ares, e imaginavam que havia espíritos superiores e inferiores. Os superiores recebem o nome de pleroma, que significa plenitude, e os espíritos inferiores de kenoma, que significa nada. O povo tinha facilidade para acreditar que havia batalhas entre os espíritos dos ares e do inferno (Bortolini, p.14). A Frígia é uma região vulcânica, com muitos terremotos, onde gases quentes saíam da terra e aqueciam as águas. Em Laodicéia e Hierápolis, cidades vizinhas, há muitos poços de caldas, águas quentes, o que ajudava o povo a pensar que havia lutas entre os espíritos bons e maus. A igreja, os cristãos de Colossos, eram constituídos predominantemente por gentios e por poucos judeus de elite. A fé dos novos convertidos estava sendo distorcida por misteriosas e místicas religiões gregas e perturbada por leis e costumes judaicos. Além disso, alguns filósofos daquela região defendiam a idéia de que o mundo em que viviam era essencialmente mau, o oposto a Deus, que é essencialmente bom. Por isso o mundo não pode ser obra de Deus. Isto levava a afirmações de que esse mundo mau era criado por outros poderes secundários e intermediários entre Deus e o mundo. Logo Deus não pode sujar as mãos com este mundo mau. Tarefa de Deus é contemplar a si próprio... ( Bortolini). Este mundo mau fora criado por seres maus, intermediários, que vêm de Deus, mas à medida que vão decaindo vão se afastando de Deus, afastam-se da hierarquia e vão decaindo em perfeição e formam o império das trevas (Cl 1.13). Na compreensão dos moradores de Colossos, o mundo foi assaltado por esses poderes e a alma humana é uma faísca de luz vinda do reino superior, onde está Deus. Essa alma perdida nesse mundo das trevas, nesse mundo material, precisa de libertação. Aqueles que tinham pleno conhecimento , que chegavam a entender essa situação, eram considerados e chamavam-se de iluminados ou gnósticos . Para chegar a essa iluminação deviam passar por um longo processo de iniciação, que vinha acompanhada de rigorosas práticas ascéticas, da observância de um calen-
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DOMINGO DA PÁSCOA
DOMINGO DA PÁSCOA RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR SALMO 118.1-2,13-24 COLOSSENSES 3.1-4
27 MAR 2005
PRÉDICA: JOÃO 20.1-9 (10-18) Silvia Genz
1 Considerações iniciais A Carta aos Colossenses foi escrita por Paulo quando esteve na prisão, provavelmente na cidade de Éfeso, nos anos 56 a 57. Há autores que afirmam que pode ter sido escrita um pouco mais tarde, 58 a 60, quando Paulo esteve preso em Cesaréia, ou ainda em 61-63, quando Paulo esteve novamente preso em Roma. Há, portanto, dificuldades com a exatidão da época e, para alguns autores, inclusive quanto à autoria. Baseado na Carta aos Colossenses 4.18, podemos concluir que Paulo ditou a carta e a assinou quando estava na prisão, após ter tomado conhecimento das dificuldades pelas quais passava a comunidade dos colossenses por intermédio de Epafras, fundador da mesma. As dificuldades que estavam passando os colossenses em sua caminhada de cristãos devem ter levado Epafras a recorrer a Paulo, pedindo por ajuda. Paulo o saúda em 4.12 como servo de Cristo e fala do esforço que tem desprendido pela comunidade; em 1.17, chama-o de nosso amado conservo e salienta que Epafras foi aquele que instruiu os fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos . A carta é ocasional e quer ser uma ajuda para a comunidade em meio às dificuldades presentes. Na cidade de Colossos, além do grupo ao qual é endereçada a carta, há ainda o grupo que se reunia na casa de Filemom, ao qual Paulo envia por essa época o escravo Onésimo de volta, 4.9, com o escrito, bilhete, conhecido como Epístola a Filemom. A Carta aos Colossenses é levada por Tíquico, que Paulo chama de irmão amado, e fiel ministro, e conservo no Senhor (4.7). Colossos era uma cidade da Frígia, região da Ásia Menor (atual Turquia). Encontrava-se na parte superior do vale do rio Lico, a uns 120 quilômetros de Éfeso ... A cidade estava unida a Éfeso pela principal estrada comercial da Ásia, de modo que entre essas duas cidades havia comunicação intensa. (José Bortolini)
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2 Situação dos cristãos na cidade de Colossos dificuldades No ano 210 antes de Cristo, Antioco III instalou uma colônia militar judaica de 2.000 famílias (naquela região) para vigiar a população nativa. Flávio Josefo conservou-nos a carta do rei ao governador da Frígia (E. Cothenet), em que descreve a satisfação e a firme esperança de que esses enviados serão guardiães dos nossos interesses, em virtude de sua piedade para com Deus . Quer dizer, o judaísmo está presente na região devido à presença de colônias militares de judeus piedosos. É nesse contexto que o cristianismo começa a se desenvolver. Os moradores da Frígia, e assim também de Colossos, acreditavam em poderes celestiais, potências, potestades, além dos demônios, imaginavam que o céu estivesse cheio de tronos, principados e autoridades (1.16;2.15), que o espaço, o cosmo estivesse infestado de espíritos maus, espalhados pelos ares, e imaginavam que havia espíritos superiores e inferiores. Os superiores recebem o nome de pleroma, que significa plenitude, e os espíritos inferiores de kenoma, que significa nada. O povo tinha facilidade para acreditar que havia batalhas entre os espíritos dos ares e do inferno (Bortolini, p.14). A Frígia é uma região vulcânica, com muitos terremotos, onde gases quentes saíam da terra e aqueciam as águas. Em Laodicéia e Hierápolis, cidades vizinhas, há muitos poços de caldas, águas quentes, o que ajudava o povo a pensar que havia lutas entre os espíritos bons e maus. A igreja, os cristãos de Colossos, eram constituídos predominantemente por gentios e por poucos judeus de elite. A fé dos novos convertidos estava sendo distorcida por misteriosas e místicas religiões gregas e perturbada por leis e costumes judaicos. Além disso, alguns filósofos daquela região defendiam a idéia de que o mundo em que viviam era essencialmente mau, o oposto a Deus, que é essencialmente bom. Por isso o mundo não pode ser obra de Deus. Isto levava a afirmações de que esse mundo mau era criado por outros poderes secundários e intermediários entre Deus e o mundo. Logo Deus não pode sujar as mãos com este mundo mau. Tarefa de Deus é contemplar a si próprio... ( Bortolini). Este mundo mau fora criado por seres maus, intermediários, que vêm de Deus, mas à medida que vão decaindo vão se afastando de Deus, afastam-se da hierarquia e vão decaindo em perfeição e formam o império das trevas (Cl 1.13). Na compreensão dos moradores de Colossos, o mundo foi assaltado por esses poderes e a alma humana é uma faísca de luz vinda do reino superior, onde está Deus. Essa alma perdida nesse mundo das trevas, nesse mundo material, precisa de libertação. Aqueles que tinham pleno conhecimento , que chegavam a entender essa situação, eram considerados e chamavam-se de iluminados ou gnósticos . Para chegar a essa iluminação deviam passar por um longo processo de iniciação, que vinha acompanhada de rigorosas práticas ascéticas, da observância de um calen-
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DOMINGO DA PÁSCOA
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dário semanal, mensal e anual (2.16), do culto aos anjos (2.18), da abstinência do vinho e da carne (tabus alimentares) e da continência em todos os sentidos (2.16,20-23). Essa é uma herança de vários séculos, desde os antigos filósofos gregos, que consideravam a matéria má. (Bortolini) Paulo usa na carta expressões comuns na vida da comunidade de Colossos: pleno conhecimento, sabedoria e entendimento, severidade com o corpo, circuncisão, plenitude, principados e potestades, não pegue, não prove, não toque (2.23). Tudo isto é considerado por Paulo como filosofias enganosas e vãs . Os elementos do mundo representam o sistema filosófico dos iluminados , que consideravam o mundo mau, matéria ruim, corpo como prisão da alma, as regras alimentares como caminho para a iluminação. O Batismo é visto como morte com Cristo para os elementos do mundo. Segundo Bortolini, é possível perceber como os cristãos daquele tempo batizavam adultos: faziam-nos mergulhar numa piscina (simbolizando o aspecto da morte para a sociedade injusta), para que ressurgissem do outro lado (simbolizando o nascimento-ressurreição para uma vida nova, em que as relações vão construindo um novo arranjo social, a comunidade de iguais). Temos assim o ensinamento sobre Batismo como morte e ressurreição (2,203,4) e como despojamento do homem velho/revestimento do homem novo (3,5-17). Parece que a grande novidade de Paulo, dentro de uma sociedade que era ao mesmo tempo permissiva e repressora, é o novo critério para as comunidades: Examinem tudo e fiquem com o que é bom (1 Ts 5.21). Um não para as proibições e um sim definitivo para a liberdade em Cristo. Na visão dele, os colossenses estavam voltando ao passado, à escravidão em que viviam antes de conhecer o evangelho.
O Império Romano fazia uso da possibilidade de diversas religiões, de poderes diversos e se apresentava como um opressor sagrado, dirigido pelas potências celestiais e espirituais, sobre as quais o ser humano não tem influência. Diante desse poder é necessário anunciar que a cruz de Cristo anulou o poder das potestades. Sim, todos os poderes desse mundo perderam a força, o domínio! Inclusive o príncipe das trevas , o rei infernal já está condenado, foi vencido. No alto está Cristo, que ressuscitou e subiu aos céus. Por isso Paulo afirma: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus . A tarefa do cristão é pensar e procurar as coisas do alto, o que é da vontade de Deus: o projeto de Deus revelado em Jesus Cristo. Em palavras simples, cabe aos cristãos discernirem o que é projeto de Deus. Paulo contrapõe as coisas do alto às coisas da terra, para mostrar e alertar o cristão do perigo que representa levar uma vida ambígua, que não testemunha o Cristo ressuscitado (viver como se o depois fosse o mesmo que o antes). O cristão já participa da vida de Cristo, mas o que ele deve fazer concretamente, como viver, ainda não está claro e exige discernimento constante, até que Cristo, pela prática dos cristãos, manifeste-se definitivamente, levando as pessoas à plena comunhão. A fé cristã celebra nova vida a partir de Cristo, o ressurreto. A ressurreição é o sinal. Se antes os colossenses estavam submetidos às ordens das potestades, agora já não vivem mais sob esse domínio, mas sob o senhorio de Cristo e buscam as coisas do alto, de Deus. Cristo é o senhor sobre tudo e todas as coisas; isto faz com que aqui, neste mundo, vivamos as coisas do alto, a vontade de Deus no dia-a-dia. Pensar, procurar as coisas do alto, é não se orientar nas coisas da terra; ídolos, bens materiais, coisas palpáveis, deuses, espíritos... Deus nos liberta em Cristo para uma nova vida. Libertação é uma realidade ligada à fé e a superação de todos os poderes que escravizam o ser humano, a pessoa. Assim perseverança na fé é a condição para a nova vida em Cristo e por Cristo.
3 Texto Cl 3.1-4 situa-se no final das advertências de Paulo quanto aos rituais ascéticos, que vai de 2.16 a 3.4, e aponta para a necessidade de viver a nova vida em Cristo. Paulo preparou o momento para a discussão do agir dos iluminados e dos grupos judaicos; ele o fez com carinho, mostrando que em Jesus Cristo Deus modificou a história. A ação de Jesus Cristo em nosso favor traz algumas conseqüências; um antes e um depois na vida dos cristãos, e isto leva Paulo para a prisão, tribulação e ao sofrimento. Para a pequena comunidade de Colossos chega um novo momento: viver a fé cristã com todas as conseqüências. Cristo é o único mediador. Em Cristo toda a especulação sobre outros poderes perde o sentido. A fé cristã é exclusiva, confessa um Deus único Triuno; a pessoa crente entrega-se exclusivamente a Deus e não é um refúgio espiritual para fugir do mundo material.
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4 Celebração da Páscoa sugestões práticas Os textos indicados para este domingo da Páscoa apontam para o poder de Deus, a sua vitória sobre todos os poderes e a nossa vitória com Cristo diante de todos os poderes deste mundo. O relato da Páscoa no Evangelho de João conta a vitória de Deus em Cristo sobre todos os poderes (imperador, governador, sumo sacerdote, soldados... todos tremem e perdem a força, o poder). Em Colossenses, Paulo diz que as coisas da terra foram vencidas pelas do alto e convida para o seguimento do evangelho revelado em Jesus Cristo. Ele é o senhor. No hinário Hinos do Povo de Deus, o hino nº 264 descreve essa vitória de Deus, de Cristo, assim:
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dário semanal, mensal e anual (2.16), do culto aos anjos (2.18), da abstinência do vinho e da carne (tabus alimentares) e da continência em todos os sentidos (2.16,20-23). Essa é uma herança de vários séculos, desde os antigos filósofos gregos, que consideravam a matéria má. (Bortolini) Paulo usa na carta expressões comuns na vida da comunidade de Colossos: pleno conhecimento, sabedoria e entendimento, severidade com o corpo, circuncisão, plenitude, principados e potestades, não pegue, não prove, não toque (2.23). Tudo isto é considerado por Paulo como filosofias enganosas e vãs . Os elementos do mundo representam o sistema filosófico dos iluminados , que consideravam o mundo mau, matéria ruim, corpo como prisão da alma, as regras alimentares como caminho para a iluminação. O Batismo é visto como morte com Cristo para os elementos do mundo. Segundo Bortolini, é possível perceber como os cristãos daquele tempo batizavam adultos: faziam-nos mergulhar numa piscina (simbolizando o aspecto da morte para a sociedade injusta), para que ressurgissem do outro lado (simbolizando o nascimento-ressurreição para uma vida nova, em que as relações vão construindo um novo arranjo social, a comunidade de iguais). Temos assim o ensinamento sobre Batismo como morte e ressurreição (2,203,4) e como despojamento do homem velho/revestimento do homem novo (3,5-17). Parece que a grande novidade de Paulo, dentro de uma sociedade que era ao mesmo tempo permissiva e repressora, é o novo critério para as comunidades: Examinem tudo e fiquem com o que é bom (1 Ts 5.21). Um não para as proibições e um sim definitivo para a liberdade em Cristo. Na visão dele, os colossenses estavam voltando ao passado, à escravidão em que viviam antes de conhecer o evangelho.
O Império Romano fazia uso da possibilidade de diversas religiões, de poderes diversos e se apresentava como um opressor sagrado, dirigido pelas potências celestiais e espirituais, sobre as quais o ser humano não tem influência. Diante desse poder é necessário anunciar que a cruz de Cristo anulou o poder das potestades. Sim, todos os poderes desse mundo perderam a força, o domínio! Inclusive o príncipe das trevas , o rei infernal já está condenado, foi vencido. No alto está Cristo, que ressuscitou e subiu aos céus. Por isso Paulo afirma: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus . A tarefa do cristão é pensar e procurar as coisas do alto, o que é da vontade de Deus: o projeto de Deus revelado em Jesus Cristo. Em palavras simples, cabe aos cristãos discernirem o que é projeto de Deus. Paulo contrapõe as coisas do alto às coisas da terra, para mostrar e alertar o cristão do perigo que representa levar uma vida ambígua, que não testemunha o Cristo ressuscitado (viver como se o depois fosse o mesmo que o antes). O cristão já participa da vida de Cristo, mas o que ele deve fazer concretamente, como viver, ainda não está claro e exige discernimento constante, até que Cristo, pela prática dos cristãos, manifeste-se definitivamente, levando as pessoas à plena comunhão. A fé cristã celebra nova vida a partir de Cristo, o ressurreto. A ressurreição é o sinal. Se antes os colossenses estavam submetidos às ordens das potestades, agora já não vivem mais sob esse domínio, mas sob o senhorio de Cristo e buscam as coisas do alto, de Deus. Cristo é o senhor sobre tudo e todas as coisas; isto faz com que aqui, neste mundo, vivamos as coisas do alto, a vontade de Deus no dia-a-dia. Pensar, procurar as coisas do alto, é não se orientar nas coisas da terra; ídolos, bens materiais, coisas palpáveis, deuses, espíritos... Deus nos liberta em Cristo para uma nova vida. Libertação é uma realidade ligada à fé e a superação de todos os poderes que escravizam o ser humano, a pessoa. Assim perseverança na fé é a condição para a nova vida em Cristo e por Cristo.
3 Texto Cl 3.1-4 situa-se no final das advertências de Paulo quanto aos rituais ascéticos, que vai de 2.16 a 3.4, e aponta para a necessidade de viver a nova vida em Cristo. Paulo preparou o momento para a discussão do agir dos iluminados e dos grupos judaicos; ele o fez com carinho, mostrando que em Jesus Cristo Deus modificou a história. A ação de Jesus Cristo em nosso favor traz algumas conseqüências; um antes e um depois na vida dos cristãos, e isto leva Paulo para a prisão, tribulação e ao sofrimento. Para a pequena comunidade de Colossos chega um novo momento: viver a fé cristã com todas as conseqüências. Cristo é o único mediador. Em Cristo toda a especulação sobre outros poderes perde o sentido. A fé cristã é exclusiva, confessa um Deus único Triuno; a pessoa crente entrega-se exclusivamente a Deus e não é um refúgio espiritual para fugir do mundo material.
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4 Celebração da Páscoa sugestões práticas Os textos indicados para este domingo da Páscoa apontam para o poder de Deus, a sua vitória sobre todos os poderes e a nossa vitória com Cristo diante de todos os poderes deste mundo. O relato da Páscoa no Evangelho de João conta a vitória de Deus em Cristo sobre todos os poderes (imperador, governador, sumo sacerdote, soldados... todos tremem e perdem a força, o poder). Em Colossenses, Paulo diz que as coisas da terra foram vencidas pelas do alto e convida para o seguimento do evangelho revelado em Jesus Cristo. Ele é o senhor. No hinário Hinos do Povo de Deus, o hino nº 264 descreve essa vitória de Deus, de Cristo, assim:
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Nome sobre todo o nome é o nome do meu Cristo. Diante de tão grande nome todos se prostrarão. Todas as forças da escuridão, todas as forças do mundo vil, Todos os céus e as hostes de Deus; todos se prostrarão. Nossos olhos te contemplam, nosso coração te adora, nossa língua já proclama: Jesus Cristo é o Senhor. Este hino não é apenas uma sugestão de canto, mas mostra como é a fé dos que de Cristo e em Cristo vivem. É a Páscoa, a vitória sobre a morte, sobre um mundo vil, opressor, sobre todas as forças da opressão... É a vitória em Cristo. É a superação do medo, da tristeza, da angústia e da dor. É a passagem de um mundo que leva para a morte a um mundo de vida plena, abundante. Que seja assim o dia-a-dia! A celebração pode dar ênfase a essa vitória de Cristo, que é Senhor sobre tudo e todos/as. Os relatos da Páscoa mostram o poder do mundo; os poderosos que faziam o povo tremer de medo e gemer de dor estão agora caídos, como mortos, desmaiados, sem força diante do poder de Deus. O poder de Deus, revelado em Cristo, é o mesmo poder que dá forças para todos os que nele crêem e leva a viver uma feliz Páscoa passagem do medo para a firmeza na fé, da tristeza para a alegria, da opressão para a liberdade limitada pelo amor... Que a Páscoa seja momento de reafirmar a fé e a vivência do evangelho de Jesus Cristo. Que a pregação e a celebração contagiem com essa alegria transformadora do presente, da graça de Deus revelada em Cristo. Uma possibilidade de dinâmica é deixar o espaço, igreja, com cartazes que afirmam o que é a Páscoa. Pode ser assim que, de um lado, apareçam os medos e os desvios da verdadeira Páscoa cristã e, de outro, o que é a Páscoa, baseado no estudo acima. Aproveitando as frases na pregação com leitura dos participantes. Também sugerimos o hino 60 do HPD, que expressa o louvor e a alegria da vitória de Deus - Páscoa.
Bibliografia BÍBLIA DA MULHER. São Paulo: Mundo Cristão & Sociedade Bíblica do Brasil, 2003. p. 1.514-1.521. BORTOLINI, José. Como ler a Carta aos Colossenses. Série Como Ler a Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996. p. 05-55. COTHENET, Edouard. As Epístolas aos Colossenses e aos Efésios. Cadernos Bíblicos. São Paulo: Paulus, 1995. p. 09-41. LUTZ, Marli. Exegese sobre Colossenses 3.1-4. In: SCHNEIDER, Nélio & DEIFELT, Wanda, coord. Proclamar Libertação vol. 21. São Leopoldo: Sinodal & IEPG, 1985. p. 117-120. SCHMIDT, Ervino. Exegese sobre Colossenses 3.1-4. In: KAICK, Baldur van, coord. Proclamar Libertação vol. III. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 70-77.
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2o DOMINGO DA PÁSCOA
3 ABR 2005
SALMO 105.1-8 JOÃO 20.19-31
PRÉDICA: 1 PEDRO 1.3-9 Claus Dreher
v. 3 Louvado (seja) Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, 1) Renascido para a esperança na salvação vindoura que, conforme a sua muita misericórdia, nos fez renascer para uma esperança viva, através da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, v. 4 para uma herança imperecível, imaculada e imarcescível, que nos céus está reservada para vós, v. 5 que sois resguardados no poder de Deus, através da fé, para a salvação, preparada para ser revelada no último tempo. 2) Comprovação da fé no sofrimento v. 6 Por isso exultais, (vós) que agora, se necessário, vos contristais um pouco, nas várias provações, v. 7 para que a autenticidade de vossa fé muito mais valiosa do que ouro perecível, apurado pelo fogo redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. 3) Fé exultante sem ver v. 8 A ele amais, sem tê-lo visto, nele crendo, sem vê-lo agora, exultais em alegria indivisível e cheia de glória, v. 9 alcançando o alvo de vossa fé: a salvação das almas. 4) A respeito disso já os profetas predisseram v. 10 Por essa salvação procuraram e inquiriram os profetas, os quais profetizaram sobre a graça a vós (destinada), v. 11 investigando que ou qual ocasião
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DOMINGO DA PÁSCOA
Nome sobre todo o nome é o nome do meu Cristo. Diante de tão grande nome todos se prostrarão. Todas as forças da escuridão, todas as forças do mundo vil, Todos os céus e as hostes de Deus; todos se prostrarão. Nossos olhos te contemplam, nosso coração te adora, nossa língua já proclama: Jesus Cristo é o Senhor. Este hino não é apenas uma sugestão de canto, mas mostra como é a fé dos que de Cristo e em Cristo vivem. É a Páscoa, a vitória sobre a morte, sobre um mundo vil, opressor, sobre todas as forças da opressão... É a vitória em Cristo. É a superação do medo, da tristeza, da angústia e da dor. É a passagem de um mundo que leva para a morte a um mundo de vida plena, abundante. Que seja assim o dia-a-dia! A celebração pode dar ênfase a essa vitória de Cristo, que é Senhor sobre tudo e todos/as. Os relatos da Páscoa mostram o poder do mundo; os poderosos que faziam o povo tremer de medo e gemer de dor estão agora caídos, como mortos, desmaiados, sem força diante do poder de Deus. O poder de Deus, revelado em Cristo, é o mesmo poder que dá forças para todos os que nele crêem e leva a viver uma feliz Páscoa passagem do medo para a firmeza na fé, da tristeza para a alegria, da opressão para a liberdade limitada pelo amor... Que a Páscoa seja momento de reafirmar a fé e a vivência do evangelho de Jesus Cristo. Que a pregação e a celebração contagiem com essa alegria transformadora do presente, da graça de Deus revelada em Cristo. Uma possibilidade de dinâmica é deixar o espaço, igreja, com cartazes que afirmam o que é a Páscoa. Pode ser assim que, de um lado, apareçam os medos e os desvios da verdadeira Páscoa cristã e, de outro, o que é a Páscoa, baseado no estudo acima. Aproveitando as frases na pregação com leitura dos participantes. Também sugerimos o hino 60 do HPD, que expressa o louvor e a alegria da vitória de Deus - Páscoa.
Bibliografia BÍBLIA DA MULHER. São Paulo: Mundo Cristão & Sociedade Bíblica do Brasil, 2003. p. 1.514-1.521. BORTOLINI, José. Como ler a Carta aos Colossenses. Série Como Ler a Bíblia. São Paulo: Paulus, 1996. p. 05-55. COTHENET, Edouard. As Epístolas aos Colossenses e aos Efésios. Cadernos Bíblicos. São Paulo: Paulus, 1995. p. 09-41. LUTZ, Marli. Exegese sobre Colossenses 3.1-4. In: SCHNEIDER, Nélio & DEIFELT, Wanda, coord. Proclamar Libertação vol. 21. São Leopoldo: Sinodal & IEPG, 1985. p. 117-120. SCHMIDT, Ervino. Exegese sobre Colossenses 3.1-4. In: KAICK, Baldur van, coord. Proclamar Libertação vol. III. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 70-77.
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SALMO 105.1-8 JOÃO 20.19-31
PRÉDICA: 1 PEDRO 1.3-9 Claus Dreher
v. 3 Louvado (seja) Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, 1) Renascido para a esperança na salvação vindoura que, conforme a sua muita misericórdia, nos fez renascer para uma esperança viva, através da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, v. 4 para uma herança imperecível, imaculada e imarcescível, que nos céus está reservada para vós, v. 5 que sois resguardados no poder de Deus, através da fé, para a salvação, preparada para ser revelada no último tempo. 2) Comprovação da fé no sofrimento v. 6 Por isso exultais, (vós) que agora, se necessário, vos contristais um pouco, nas várias provações, v. 7 para que a autenticidade de vossa fé muito mais valiosa do que ouro perecível, apurado pelo fogo redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. 3) Fé exultante sem ver v. 8 A ele amais, sem tê-lo visto, nele crendo, sem vê-lo agora, exultais em alegria indivisível e cheia de glória, v. 9 alcançando o alvo de vossa fé: a salvação das almas. 4) A respeito disso já os profetas predisseram v. 10 Por essa salvação procuraram e inquiriram os profetas, os quais profetizaram sobre a graça a vós (destinada), v. 11 investigando que ou qual ocasião
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2O D O M I N G O D A P Á S C O A
o espírito de Cristo, atuante neles, indicava, (o espírito) o qual de antemão dava testemunho sobre os sofrimentos de Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.
Esse amor que se mantém amadureceu, é como o ouro que resistiu ao fogo. Assim os momentos de crise e sofrimento nos fortalecem e tornam claro o que é perene em nossas vidas. Servir a Cristo, rendendo louvor, glória e honra a seu nome, é hino de louvor vivido e sofrido. Neste sentido, Dietrich Bonhoefer, na eminência de sua morte no campo de concentração nazista, dá testemunho de sua fé ao compor o hino Por bons poderes . Quem sempre viveu seguro daquilo que tem em casa ou nas mãos não sabe a alegria que existe no amor que crê, resiste. O poder, a força de Deus, presente no dia-a-dia, nos mantém, ampara e envolve e nos permite perseverar; essa proteção vem pela fé que Deus mesmo cria e mantém em nós e que conta com esse Deus potente na fraqueza. A fé nos protege, envolve, dá paz na espera pela herança celestial, pelo reino. Mas como, se nossa fé tantas vezes se mostra tão frágil? Pedro mesmo é exemplo de desesperança e fé: negou Jesus três vezes antes de o galo cantar, como Jesus disse; mas a força que carrega o fraco em Pedro permanece: Eu tenho orado por ti, para que tua fé não te falte (Lc 22.31ss). A vida da pessoa renascida, batizada, é vida em Cristo, que não pode ser destruída, apesar de tudo o que há ao nosso redor. Quando alguém tem uma expectativa de grande alegria diante de si, então carrega o esforço e o peso dos preparativos e dificuldades que ainda existem de forma mais leve. Já cantamos hoje o novo hino de amanhã. O hino de Simei Monteiro A nova canção (O Povo Canta 30) ajuda-nos a cantar essa realidade. Assim é o antejúbilo pelo dia do Senhor, quando nada mais nos separará de Deus, já celebrado hoje. Já hoje se vive diferente com esse horizonte; uma nova perspectiva de vida se descortina. Outro hino que serve para a meditação do texto de 1 Pedro é o de Johann Franck: Ó minha alegria (HPD 208); sua leitura pode ser meditada estrofe por estrofe.
5) O pro nobis de seu testemunho v. 12 A eles foi revelado que não a si mesmos, mas a vós serviam através disso, o que agora vos foi anunciado por aqueles que vos pregavam o Evangelho no poder do Espírito Santo, enviado do céu, coisas que mesmo os anjos anelavam perscrutar. O texto previsto para o domingo Quasimodogeniti é de exaltação a Deus, constituída num período artístico, com certo ritmo. Gerhard Barth propõe uma estruturação do texto de 1 Pe 1.3-12 em cinco estrofes, como acima, o que permite também uma divisão de seu conteúdo. Vamos ater-nos às três primeiras estrofes, como previsto para este domingo.
1 Renascido para a esperança na salvação vindoura A esperança fundada em Cristo transcende o agora. Cristo é o Alpha e o Ômega. Nós vivemos num tempo intermediário. Somos peregrinos a caminho do reino. Vivemos um hoje pleno de um futuro, pelo qual podemos nos alegrar. Isto Pedro quer expressar em nosso texto.
2 Comprovação da fé no sofrimento A carta de 1 Pedro está no contexto das primeiras perseguições às pessoas cristãs. E anuncia que tudo o que acontece está dado no campo do domínio, da ação, da preocupação de Deus. É Deus quem determina se somos exigidos na resistência ou se podemos ter paz. O texto não diz que o sofrimento é condição constante da cristandade, nem é apaixonado pelas tentações. Mas conhece a necessidade de algum sofrimento, no qual Deus nos põe à prova, não se afastando do seu povo, permanecendo a seu lado. A carta dá sentido à resistência na provação: pois Deus é Deus e não qualquer coisa passageira. A fé é algo muito mais precioso do que o passageiro, como o ouro deste mundo. Observamos o que a carta anuncia em cada espaço do compromisso humano: em tempo de crise e de caristia é que se mostra o que é amor matrimonial, amizade, camaradagem, relação de irmãos e irmãs...
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3 Fé exultante sem ver Se com Cristo respiramos (vivemos no dia-a-dia), podemos chegar ao louvor espontâneo de Deus, não obrigado, não manifesto de forma artificial. Quasimodogeniti: Nascidos de novo para uma esperança viva, porque o Senhor está conosco. Futuro e presente pertencem um ao outro. A spes quae sperat e a spes quae speratur estão ligadas. O porvir, pelo qual nos alegramos, torna nossa esperança hoje alerta e atuante. A concomitância dos tempos permite crer hoje sem ter visto: no encontro com Cristo hoje, minha existência se transforma. O Cristo com o qual me encontro hoje é o Jesus dos anos 1-30, que eu não conheço somente
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o espírito de Cristo, atuante neles, indicava, (o espírito) o qual de antemão dava testemunho sobre os sofrimentos de Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.
Esse amor que se mantém amadureceu, é como o ouro que resistiu ao fogo. Assim os momentos de crise e sofrimento nos fortalecem e tornam claro o que é perene em nossas vidas. Servir a Cristo, rendendo louvor, glória e honra a seu nome, é hino de louvor vivido e sofrido. Neste sentido, Dietrich Bonhoefer, na eminência de sua morte no campo de concentração nazista, dá testemunho de sua fé ao compor o hino Por bons poderes . Quem sempre viveu seguro daquilo que tem em casa ou nas mãos não sabe a alegria que existe no amor que crê, resiste. O poder, a força de Deus, presente no dia-a-dia, nos mantém, ampara e envolve e nos permite perseverar; essa proteção vem pela fé que Deus mesmo cria e mantém em nós e que conta com esse Deus potente na fraqueza. A fé nos protege, envolve, dá paz na espera pela herança celestial, pelo reino. Mas como, se nossa fé tantas vezes se mostra tão frágil? Pedro mesmo é exemplo de desesperança e fé: negou Jesus três vezes antes de o galo cantar, como Jesus disse; mas a força que carrega o fraco em Pedro permanece: Eu tenho orado por ti, para que tua fé não te falte (Lc 22.31ss). A vida da pessoa renascida, batizada, é vida em Cristo, que não pode ser destruída, apesar de tudo o que há ao nosso redor. Quando alguém tem uma expectativa de grande alegria diante de si, então carrega o esforço e o peso dos preparativos e dificuldades que ainda existem de forma mais leve. Já cantamos hoje o novo hino de amanhã. O hino de Simei Monteiro A nova canção (O Povo Canta 30) ajuda-nos a cantar essa realidade. Assim é o antejúbilo pelo dia do Senhor, quando nada mais nos separará de Deus, já celebrado hoje. Já hoje se vive diferente com esse horizonte; uma nova perspectiva de vida se descortina. Outro hino que serve para a meditação do texto de 1 Pedro é o de Johann Franck: Ó minha alegria (HPD 208); sua leitura pode ser meditada estrofe por estrofe.
5) O pro nobis de seu testemunho v. 12 A eles foi revelado que não a si mesmos, mas a vós serviam através disso, o que agora vos foi anunciado por aqueles que vos pregavam o Evangelho no poder do Espírito Santo, enviado do céu, coisas que mesmo os anjos anelavam perscrutar. O texto previsto para o domingo Quasimodogeniti é de exaltação a Deus, constituída num período artístico, com certo ritmo. Gerhard Barth propõe uma estruturação do texto de 1 Pe 1.3-12 em cinco estrofes, como acima, o que permite também uma divisão de seu conteúdo. Vamos ater-nos às três primeiras estrofes, como previsto para este domingo.
1 Renascido para a esperança na salvação vindoura A esperança fundada em Cristo transcende o agora. Cristo é o Alpha e o Ômega. Nós vivemos num tempo intermediário. Somos peregrinos a caminho do reino. Vivemos um hoje pleno de um futuro, pelo qual podemos nos alegrar. Isto Pedro quer expressar em nosso texto.
2 Comprovação da fé no sofrimento A carta de 1 Pedro está no contexto das primeiras perseguições às pessoas cristãs. E anuncia que tudo o que acontece está dado no campo do domínio, da ação, da preocupação de Deus. É Deus quem determina se somos exigidos na resistência ou se podemos ter paz. O texto não diz que o sofrimento é condição constante da cristandade, nem é apaixonado pelas tentações. Mas conhece a necessidade de algum sofrimento, no qual Deus nos põe à prova, não se afastando do seu povo, permanecendo a seu lado. A carta dá sentido à resistência na provação: pois Deus é Deus e não qualquer coisa passageira. A fé é algo muito mais precioso do que o passageiro, como o ouro deste mundo. Observamos o que a carta anuncia em cada espaço do compromisso humano: em tempo de crise e de caristia é que se mostra o que é amor matrimonial, amizade, camaradagem, relação de irmãos e irmãs...
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3 Fé exultante sem ver Se com Cristo respiramos (vivemos no dia-a-dia), podemos chegar ao louvor espontâneo de Deus, não obrigado, não manifesto de forma artificial. Quasimodogeniti: Nascidos de novo para uma esperança viva, porque o Senhor está conosco. Futuro e presente pertencem um ao outro. A spes quae sperat e a spes quae speratur estão ligadas. O porvir, pelo qual nos alegramos, torna nossa esperança hoje alerta e atuante. A concomitância dos tempos permite crer hoje sem ter visto: no encontro com Cristo hoje, minha existência se transforma. O Cristo com o qual me encontro hoje é o Jesus dos anos 1-30, que eu não conheço somente
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porque ele se tornou carne, mas que, por meio do que ele fez, disse, sofreu e transformou, criou a condição sob a qual se dá o meu encontro com ele hoje (Anamnesis). As pessoas que lêem a carta de 1 Pedro (também nós) não viram Jesus. Amá-lo: tanto elas como nós podemos. Pela carta ele não é um estranho para nós, nisto consiste o cerne da questão. A esperança dos renascidos não são somente novos relacionamentos, um ser diferente. A salvação é primeiro uma nova relação com Deus. Se eu tiver a ti, então não me preocupam o céu e a terra com amor verdadeiro é assim. Ser amados e amar: nisto vamos estar sempre ligados a Deus. O Senhor está conosco! Por fim, uma pergunta motivadora, que pode desencadear a pregação ou o diálogo com a comunidade: O que me sustenta, mantém de pé e desafia a resistir, em tempo de desemprego, violência contra mulheres e crianças, diante da fome, dos gastos astronômicos dos governos com armamento...?
Bibliografia BARTH, Gerhard. A Primeira Epístola de Pedro Comentários Bíblicos. São Leopoldo: Sinodal, 1987. p. 9-33. VOIGT, Gottfried. Das heilige Volk Homiletische Auslegung der Predigttexte der Reihe II. Gottingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1979. p. 220-227.
3o DOMINGO DA PÁSCOA
10 ABR 2005
SALMO 16.1-5a LUCAS 24.13-25
PRÉDICA: 1 PEDRO 1.17-21 Pedro Kalmbach
1 Observaciones generales Según el versículo 14 del primer capítulo, la primera carta de Pedro va dirigida a grupos de cristianos conversos, es decir, a cristianos de origen gentil, que vivían expatriados en los territorios de Ponto, Galacia, Capadocia, Asia y Bitinia (1.1). El tema central de la carta es la exhortación a la esperanza (1.3-12), a la santidad (1.13-2.10: tornarse piedras vivas de un edificio espiritual cuya piedra angular es Cristo) y a la buena conducta. El fundamento de ello se encuentra en el hecho salvífico de Dios a través de la muerte y de la resurrección de Jesucristo (1.3.18-19; idea del rescate sacral del esclavo que también se encuentra en Mt 10.45; 1 Co 6.20, 7.23). Esta es la razón para alabar a Dios, para agradecerle, para tener esperanza (1.5-12) y para el cambio de actitud de la persona cristiana (1.13ss). El contenido de la carta puede ser atribuída al apóstol Pedro, pero no su redacción (O. Cullmann, A formação do Novo Testamento, p. 73-76.).
2 Aproximación al texto Si invocamos al Padre, es decir, si nos llamamos cristianos/as debemos buscar la forma de ser consecuentes y de vivir a partir de ello. Sin embargo, ¿qué es lo que significa ser cristiano/a y vivir como cristiano/a? ¿Qué es actuar a partir de una identidad cristiana? En un país que asume como su religión oficial al cristianismo ¿no corremos el riesgo de que se pierdan y se diluyan aspectos centrales que hacen a la identidad cristiana? ¿Cuál es la diferencia, la marca, que hace a una persona ser cristiana? ¿Se trata de atenerse a algunas prescripciones de tipo moral? ¿Se trata de cumplir algunas leyes? Leo y releo el texto. Hay un fuerte apelo a la coherencia (v. 17). A través de Jesucristo, Dios ha inaugurado para todas las personas que lo invocan (que fueron bautizadas) una nueva realidad. La muerte sacrificial de
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porque ele se tornou carne, mas que, por meio do que ele fez, disse, sofreu e transformou, criou a condição sob a qual se dá o meu encontro com ele hoje (Anamnesis). As pessoas que lêem a carta de 1 Pedro (também nós) não viram Jesus. Amá-lo: tanto elas como nós podemos. Pela carta ele não é um estranho para nós, nisto consiste o cerne da questão. A esperança dos renascidos não são somente novos relacionamentos, um ser diferente. A salvação é primeiro uma nova relação com Deus. Se eu tiver a ti, então não me preocupam o céu e a terra com amor verdadeiro é assim. Ser amados e amar: nisto vamos estar sempre ligados a Deus. O Senhor está conosco! Por fim, uma pergunta motivadora, que pode desencadear a pregação ou o diálogo com a comunidade: O que me sustenta, mantém de pé e desafia a resistir, em tempo de desemprego, violência contra mulheres e crianças, diante da fome, dos gastos astronômicos dos governos com armamento...?
Bibliografia BARTH, Gerhard. A Primeira Epístola de Pedro Comentários Bíblicos. São Leopoldo: Sinodal, 1987. p. 9-33. VOIGT, Gottfried. Das heilige Volk Homiletische Auslegung der Predigttexte der Reihe II. Gottingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1979. p. 220-227.
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10 ABR 2005
SALMO 16.1-5a LUCAS 24.13-25
PRÉDICA: 1 PEDRO 1.17-21 Pedro Kalmbach
1 Observaciones generales Según el versículo 14 del primer capítulo, la primera carta de Pedro va dirigida a grupos de cristianos conversos, es decir, a cristianos de origen gentil, que vivían expatriados en los territorios de Ponto, Galacia, Capadocia, Asia y Bitinia (1.1). El tema central de la carta es la exhortación a la esperanza (1.3-12), a la santidad (1.13-2.10: tornarse piedras vivas de un edificio espiritual cuya piedra angular es Cristo) y a la buena conducta. El fundamento de ello se encuentra en el hecho salvífico de Dios a través de la muerte y de la resurrección de Jesucristo (1.3.18-19; idea del rescate sacral del esclavo que también se encuentra en Mt 10.45; 1 Co 6.20, 7.23). Esta es la razón para alabar a Dios, para agradecerle, para tener esperanza (1.5-12) y para el cambio de actitud de la persona cristiana (1.13ss). El contenido de la carta puede ser atribuída al apóstol Pedro, pero no su redacción (O. Cullmann, A formação do Novo Testamento, p. 73-76.).
2 Aproximación al texto Si invocamos al Padre, es decir, si nos llamamos cristianos/as debemos buscar la forma de ser consecuentes y de vivir a partir de ello. Sin embargo, ¿qué es lo que significa ser cristiano/a y vivir como cristiano/a? ¿Qué es actuar a partir de una identidad cristiana? En un país que asume como su religión oficial al cristianismo ¿no corremos el riesgo de que se pierdan y se diluyan aspectos centrales que hacen a la identidad cristiana? ¿Cuál es la diferencia, la marca, que hace a una persona ser cristiana? ¿Se trata de atenerse a algunas prescripciones de tipo moral? ¿Se trata de cumplir algunas leyes? Leo y releo el texto. Hay un fuerte apelo a la coherencia (v. 17). A través de Jesucristo, Dios ha inaugurado para todas las personas que lo invocan (que fueron bautizadas) una nueva realidad. La muerte sacrificial de
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Jesús, como un rescate, es lo único que libera, que salva (v. 18-19), que hace que las personas cristianas sean santas (v. 15-16). Jesucristo trae y muestra el amor de Dios a las comunidades y a las personas. A través de Él, Dios expresa y manda su amor para la humanidad. Se trata de vivir a partir de esa realidad, de la muerte y resurrección de Jesucristo. Ya nada podemos hacer para nuestra propia salvación, pues todo lo ha hecho Dios a través de la muerte y resurrección de su Hijo. El fundamento de la vida cristiana, la esperanza de la salvación se encuentran exclusivamente en el hecho salvífico de Dios a través de Jesucristo, del cual pasamos a formar parte con el bautismo (Rm 6.3-5, Cl 2.12.20). Quiere decir que por mérito propio no podemos lograr nada ante Dios. Es Él quien nos ha hecho santos por la acción salvífica en Jesucristo. El texto es un llamado a que las personas cristianas asuman su santidad, a que tomen conciencia de la misma. En el verscículo 17 se habla de Dios como el Padre y como el juez. Padre da una idea de intimidad, de afecto, de confianza, de cercanía, de protección. El término juez limita esta intimidad y confianza. De esta manera la relación entre Dios y el ser humano es colocado en un justo equilibrio. Con ello, según Rudi Kich (Proclamar Libertação, Vol XIII, p. 154), el autor quiere expresar que la persona cristiana no puede disponer de la gracia.
realizado en su Hijo. El texto es un llamado a que las personas cristianas abandonen una vida fundamentada en las propias acciones y en cosas corruptibles y que fundamenten su dignidad y su santidad exclusivamente en la acción de Dios. En la presente época del año litúrgico (período pascual), se recuerda que Cristo ha muerto y resucitado por y para los seres humanos. Es por eso que la esperanza y la fe pueden ser puestas exclusivamente en Dios, en aquél que resucitó a Cristo de entre los muertos (v. 21).
3 Los otros textos Salmo16.1-5a: El salmista reconoce en Javé al único Dios en quien se puede confiar y en el que encuentra el fundamento de todo lo bueno que le sucede. Lucas 24.13-25: Jesús ha resucitado de entre los muertos. Él camina con la gente, enseña acompañándola, escucha y no se manifiesta de forma espectacular. Muchas veces sucede, al igual que con los dos apóstoles, que estamos ciegos y que no lo reconocemos. Jesús también nos llama a caminar con la gente, a acompañarla en sus preocupaciones, en sus vivencias, en sus dificultades.
4 Énfasis teológicos El asunto central del texto (v. 18-19) se refiere al valor de la vida humana. Esta, la vida humana, se volvió santa por la acción salvífica de Dios a través de Jesucristo. De esta manera la vida humana debe ser medida a partir de la muerte de Jesucristo. Ninguna acción humana, ningún esfuerzo o sacrificio por parte del ser humano es igualable al sacrificio que Dios ha
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5 Apuntando a la predicación La santidad de las personas cristianas se basa en el hecho salvífico de Dios a través de Jesucristo. En este sentido no existen campeones de la santidad. En todo caso existen personas que buscan vivir o que han buscado vivir en forma consciente y consecuente su santidad. Los sacrificios y esfuerzos humanos nada pueden agregar a lo que Dios ha dado. Ellos deben ser entendidos como consecuencia del hecho de asumir la santidad dada por Dios. En otras palabras, la persona cristiana está llamada a construir su vida a partir de la realidad de Dios. Esto se produce todos los días de nuevo, como una conversión diaria y no como un acto puntual y único. Cuando las personas toman en serio lo que Dios les ha dado, cuando orientan sus vidas a partir del hecho salvífico en Jesucristo, ellas buscan ser coherentes y responsables en el día a día y buscan responder a las enseñanzas de aquél que inauguró una nueva realidad en este mundo. La tarea de las personas que se consideran cristianas es la de testimoniar con sus vidas, con sus palabras y con su actuar que Dios quiere la liberación y la salvación de todas las personas. La coherencia y el testimonio de la comunidad cristiana también es un punto que puede ser tematizado. Se trata sobre la pregunta de lo que significa ser iglesia/comunidad cristiana hoy. Otro aspecto que puede ser considerado en la predicación es el de la esperanza. El texto habla de la esperanza en el v. 21 (en el v. 13 ya se hace mención de la misma). Base y fundamento para la esperanza se encuentran en la resurrección de Jesús. Es decir, en Dios mismo. Quizás cabería aquí una reflexión sobre los diversos fundamentos de nuestra esperanza hoy (partido político, empleo, estudio, juegos de azar etc.), los cuales son pasajeros y corruptibles, como oro y plata (v. 18) y ver cómo estos pueden ser reencauzados a partir del horizonte que es dado por la esperanza mayor y en qué medida congenian con la misma o no.
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Jesús, como un rescate, es lo único que libera, que salva (v. 18-19), que hace que las personas cristianas sean santas (v. 15-16). Jesucristo trae y muestra el amor de Dios a las comunidades y a las personas. A través de Él, Dios expresa y manda su amor para la humanidad. Se trata de vivir a partir de esa realidad, de la muerte y resurrección de Jesucristo. Ya nada podemos hacer para nuestra propia salvación, pues todo lo ha hecho Dios a través de la muerte y resurrección de su Hijo. El fundamento de la vida cristiana, la esperanza de la salvación se encuentran exclusivamente en el hecho salvífico de Dios a través de Jesucristo, del cual pasamos a formar parte con el bautismo (Rm 6.3-5, Cl 2.12.20). Quiere decir que por mérito propio no podemos lograr nada ante Dios. Es Él quien nos ha hecho santos por la acción salvífica en Jesucristo. El texto es un llamado a que las personas cristianas asuman su santidad, a que tomen conciencia de la misma. En el verscículo 17 se habla de Dios como el Padre y como el juez. Padre da una idea de intimidad, de afecto, de confianza, de cercanía, de protección. El término juez limita esta intimidad y confianza. De esta manera la relación entre Dios y el ser humano es colocado en un justo equilibrio. Con ello, según Rudi Kich (Proclamar Libertação, Vol XIII, p. 154), el autor quiere expresar que la persona cristiana no puede disponer de la gracia.
realizado en su Hijo. El texto es un llamado a que las personas cristianas abandonen una vida fundamentada en las propias acciones y en cosas corruptibles y que fundamenten su dignidad y su santidad exclusivamente en la acción de Dios. En la presente época del año litúrgico (período pascual), se recuerda que Cristo ha muerto y resucitado por y para los seres humanos. Es por eso que la esperanza y la fe pueden ser puestas exclusivamente en Dios, en aquél que resucitó a Cristo de entre los muertos (v. 21).
3 Los otros textos Salmo16.1-5a: El salmista reconoce en Javé al único Dios en quien se puede confiar y en el que encuentra el fundamento de todo lo bueno que le sucede. Lucas 24.13-25: Jesús ha resucitado de entre los muertos. Él camina con la gente, enseña acompañándola, escucha y no se manifiesta de forma espectacular. Muchas veces sucede, al igual que con los dos apóstoles, que estamos ciegos y que no lo reconocemos. Jesús también nos llama a caminar con la gente, a acompañarla en sus preocupaciones, en sus vivencias, en sus dificultades.
4 Énfasis teológicos El asunto central del texto (v. 18-19) se refiere al valor de la vida humana. Esta, la vida humana, se volvió santa por la acción salvífica de Dios a través de Jesucristo. De esta manera la vida humana debe ser medida a partir de la muerte de Jesucristo. Ninguna acción humana, ningún esfuerzo o sacrificio por parte del ser humano es igualable al sacrificio que Dios ha
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5 Apuntando a la predicación La santidad de las personas cristianas se basa en el hecho salvífico de Dios a través de Jesucristo. En este sentido no existen campeones de la santidad. En todo caso existen personas que buscan vivir o que han buscado vivir en forma consciente y consecuente su santidad. Los sacrificios y esfuerzos humanos nada pueden agregar a lo que Dios ha dado. Ellos deben ser entendidos como consecuencia del hecho de asumir la santidad dada por Dios. En otras palabras, la persona cristiana está llamada a construir su vida a partir de la realidad de Dios. Esto se produce todos los días de nuevo, como una conversión diaria y no como un acto puntual y único. Cuando las personas toman en serio lo que Dios les ha dado, cuando orientan sus vidas a partir del hecho salvífico en Jesucristo, ellas buscan ser coherentes y responsables en el día a día y buscan responder a las enseñanzas de aquél que inauguró una nueva realidad en este mundo. La tarea de las personas que se consideran cristianas es la de testimoniar con sus vidas, con sus palabras y con su actuar que Dios quiere la liberación y la salvación de todas las personas. La coherencia y el testimonio de la comunidad cristiana también es un punto que puede ser tematizado. Se trata sobre la pregunta de lo que significa ser iglesia/comunidad cristiana hoy. Otro aspecto que puede ser considerado en la predicación es el de la esperanza. El texto habla de la esperanza en el v. 21 (en el v. 13 ya se hace mención de la misma). Base y fundamento para la esperanza se encuentran en la resurrección de Jesús. Es decir, en Dios mismo. Quizás cabería aquí una reflexión sobre los diversos fundamentos de nuestra esperanza hoy (partido político, empleo, estudio, juegos de azar etc.), los cuales son pasajeros y corruptibles, como oro y plata (v. 18) y ver cómo estos pueden ser reencauzados a partir del horizonte que es dado por la esperanza mayor y en qué medida congenian con la misma o no.
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6 Para la celebración Confesión de pecados: Presentémonos ante Dios y abramos nuestros corazones. Queremos colocar en sus manos lo que somos y hacemos: (silencio) Querido Dios, tu nos haces dignos y santos, sin embargo nosotros no vivimos de acuerdo a esa dignidad y santidad, se nos hace difícil sentirte como el único fundamento de lo que somos. Querido Dios, tu nos haces partícipes de tu acción salvífica sin embargo nos cuesta vivir de acuerdo a esa realidad, muchas veces desesperamos y perdemos nuestras esperanzas. Querido Dios, tu nos amas en forma incondicional, recibimos tu gracia pero no la compartimos con las demás personas. Tu nos llamas a ser hijos tuyos, seguidores de aquél que fue muerto en la cruz y que tu resucitaste, sin embargo, cuántas veces nos convertimos en seguidores de cosas y o de otros líderes , cuántas veces desistimos y nos volvemos indiferentes. Querido Dios, te pedimos que alimentes en nosotros la esperanza, que nos des las fuerzas y el coraje para vivir a partir de tu hecho salvífico, por Jesucristo, nuestro Señor. Amén.
Bibliografía BUCHWEITZ, Wilfrid. Meditação sobre 1 Pedro 1.17-21. In: Proclamar Libertação Vol. XVIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1992. CULLMANN, Oscar. A formação do Novo Testamento. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2001. KICH, Rudi. Meditação sobre 1 Pedro 1.(1-17)18-21. In: Proclamar Libertação Vol. XIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1987.
4o DOMINGO DA PÁSCOA
17 ABR 2005
SALMO 23 JOÃO 10.1-10
PRÉDICA: 1 PEDRO 2.18-25 Gerd Uwe Kliewer
1 Observação preliminar O texto indicado para a pregação do 4º Domingo da Páscoa é 1 Pe 2.19-25. Parece-me imprescindível, porém, incluir o versículo 18 na reflexão, por ele especificar os destinatários da exortação que o texto faz. O seu tema é a postura das escravas e dos escravos ante os seus donos e senhores. Não há relação evidente das outras duas leituras (o salmo e a perícope de João) com esse tema. Ou sugere-se que, para pessoas que sofrem sob relações sociais injustas, a imagem de Deus, respectivamente Jesus como o Bom Pastor , possa ser um consolo ou um exemplo?
2 Quem escreve? O remetente da carta identifica-se, em 1.1, como Pedro, o apóstolo. No fim da carta, em 5.12, é mencionado Silvano como aquele que redigiu a carta, sob orientação de Pedro. Este Silvano seria Silas, companheiro de Paulo (At 15.22ss e 2 Co 1.19). Sua redação explicaria a semelhança e concordância da carta com a teologia de Paulo. A carta foi escrita em Roma, pois a Babilônia , mencionada em 5.15, é sigla para essa cidade usada pelos cristãos no fim do primeiro século. A autoria de Pedro é contestada por muitos estudiosos com bons argumentos. Mesmo assim, usarei a seguir o nome Pedro para designar o autor da carta.
3 A quem a carta é dirigida? Aos eleitos e forasteiros nas regiões de Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1.1). São regiões do interior da Ásia Menor, entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro, incorporadas ao Império Romano, onde o trabalho missionário da jovem igreja cristã criara comunidades entre os judeus
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6 Para la celebración Confesión de pecados: Presentémonos ante Dios y abramos nuestros corazones. Queremos colocar en sus manos lo que somos y hacemos: (silencio) Querido Dios, tu nos haces dignos y santos, sin embargo nosotros no vivimos de acuerdo a esa dignidad y santidad, se nos hace difícil sentirte como el único fundamento de lo que somos. Querido Dios, tu nos haces partícipes de tu acción salvífica sin embargo nos cuesta vivir de acuerdo a esa realidad, muchas veces desesperamos y perdemos nuestras esperanzas. Querido Dios, tu nos amas en forma incondicional, recibimos tu gracia pero no la compartimos con las demás personas. Tu nos llamas a ser hijos tuyos, seguidores de aquél que fue muerto en la cruz y que tu resucitaste, sin embargo, cuántas veces nos convertimos en seguidores de cosas y o de otros líderes , cuántas veces desistimos y nos volvemos indiferentes. Querido Dios, te pedimos que alimentes en nosotros la esperanza, que nos des las fuerzas y el coraje para vivir a partir de tu hecho salvífico, por Jesucristo, nuestro Señor. Amén.
Bibliografía BUCHWEITZ, Wilfrid. Meditação sobre 1 Pedro 1.17-21. In: Proclamar Libertação Vol. XVIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1992. CULLMANN, Oscar. A formação do Novo Testamento. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2001. KICH, Rudi. Meditação sobre 1 Pedro 1.(1-17)18-21. In: Proclamar Libertação Vol. XIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1987.
4o DOMINGO DA PÁSCOA
17 ABR 2005
SALMO 23 JOÃO 10.1-10
PRÉDICA: 1 PEDRO 2.18-25 Gerd Uwe Kliewer
1 Observação preliminar O texto indicado para a pregação do 4º Domingo da Páscoa é 1 Pe 2.19-25. Parece-me imprescindível, porém, incluir o versículo 18 na reflexão, por ele especificar os destinatários da exortação que o texto faz. O seu tema é a postura das escravas e dos escravos ante os seus donos e senhores. Não há relação evidente das outras duas leituras (o salmo e a perícope de João) com esse tema. Ou sugere-se que, para pessoas que sofrem sob relações sociais injustas, a imagem de Deus, respectivamente Jesus como o Bom Pastor , possa ser um consolo ou um exemplo?
2 Quem escreve? O remetente da carta identifica-se, em 1.1, como Pedro, o apóstolo. No fim da carta, em 5.12, é mencionado Silvano como aquele que redigiu a carta, sob orientação de Pedro. Este Silvano seria Silas, companheiro de Paulo (At 15.22ss e 2 Co 1.19). Sua redação explicaria a semelhança e concordância da carta com a teologia de Paulo. A carta foi escrita em Roma, pois a Babilônia , mencionada em 5.15, é sigla para essa cidade usada pelos cristãos no fim do primeiro século. A autoria de Pedro é contestada por muitos estudiosos com bons argumentos. Mesmo assim, usarei a seguir o nome Pedro para designar o autor da carta.
3 A quem a carta é dirigida? Aos eleitos e forasteiros nas regiões de Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1.1). São regiões do interior da Ásia Menor, entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro, incorporadas ao Império Romano, onde o trabalho missionário da jovem igreja cristã criara comunidades entre os judeus
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4º D O M I N G O D A P Á S C O A
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da diáspora e seus simpatizantes. Hoje fazem parte da Turquia e seus habitantes são muçulmanos. Essas comunidades cristãs já têm algum tempo de existência, se a gente considera que a carta foi escrita após o ano 80 d. C. (Hauck, p. 36), mas boa parte dos membros ainda é da primeira geração. O autor da carta esclarece, no desenvolvimento de sua exposição, melhor os termos eleitos e forasteiros , com os quais rotula esses cristãos. Chamaos de raça eleita , povo da propriedade de Deus (2.9); eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação de Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo (1.2). Como tais, são forasteiros e peregrinos neste mundo. Não fazem parte dessa sociedade e dos seus valores. Têm uma visão diferente daquela do povo entre o qual vivem, têm outras metas. Obedecem a um poder maior que o do Império Romano, obedecem a Jesus Cristo. Essa distância crítica para com a sociedade circundante, essa consciência de pertencer a algo maior do que aos poderes que reinam neste mundo é uma característica da cristandade primitiva. É nessa base que o autor da carta em Roma e as comunidades da Ásia Menor se comunicam e se entendem. Para um grupo que assume essa atitude em relação ao meio social em que vive colocam-se dois problemas: Primeiro, como viver dentro de uma ordem social com a qual não concordam e que consideram errada? Até que ponto podem participar dela? E, sendo obrigados a participar, o que isso significa para a sua fé? Segundo, como lidar com a hostilidade que toda sociedade dispensa àquelas pessoas, àqueles grupos que são e querem ser diferentes, que pensam e crêem de outra maneira, que se negam a participar integralmente. A primeira carta de Pedro quer dar orientação nessa situação. Apesar de ainda não haver perseguição sistemática e generalizada aos cristãos, eles já são alvo de repressão, chicanices, processos e castigos por parte dos tribunais no reinado do imperador Domiciano entre 81 e 96 (Heussi, p. 46). Fica perigoso ser conhecido como cristão em todo o Império Romano. Há o risco de ser acusado de desordeiro, de cidadão desobediente, de desrespeito à autoridade e à religião por não aceitar certas práticas e normas oficiais. Na época da carta, isso vale também na região em que vivem as comunidades destinatárias da carta. Por isso o tema geral da carta é a postura cristã diante do sofrimento imerecido por causa dessa opressão e perseguição da sociedade circundante.
Instituição humana eram também as regras que definiam o trabalho e o comércio, as normas que regiam as relações entre mulheres e homens, pais e filhos, familiares e colegas. Uma instituição muito importante para a sociedade daquela época era a escravidão, que dava a um ser humano poder total sobre a vida e o corpo de outro ser humano. A essas instituições humanas os cristãos devem obediência por causa do Senhor (2.13). Esta é a vontade de Deus e prática do bem , escreve Pedro. Entre os membros das comunidades cristãs do primeiro século havia muitos escravos e escravas. A mensagem do evangelho de Jesus Cristo, apontando para a esperança de uma vida melhor e uma liberdade além das amarras e limitações em que estavam forçados a viver, teve um apelo muito forte para essa gente escravizada. A imagem do Cristo sofredor assemelhava-se à de seu próprio sofrimento. E a afirmação de que em Cristo todas as pessoas senhores e escravos, chefes e empregados, homens e mulheres eram iguais significava um questionamento incrível. Havia escravos que, motivados por essa mensagem, fugiram de seus senhores. Isto pode ter sido o caso com Onésimo, o escravo fugitivo que conhecemos na carta de Paulo a Filemom. Onésimo tinha um senhor que era cristão, e Paulo pode apelar a este que recebesse o seu escravo fugido de volta como irmão. Mas seguramente a maioria dos esravos que aderiram à fé cristã não tinha senhores da mesma fé, como podemos concluir a partir de 1 Co 1.26.
5 O que o texto diz aos escravos?
O texto de 1 Pe 2.18 é dirigido aos servos, às escravas e aos escravos. Ele segue a exortação de que os cristãos devem sujeitar-se a toda instituição humana (2.13). Instituição humana, no entendimento dos cristãos, era o Império Romano, com suas leis, sua administração e seus funcionários.
A orientação que o autor da carta dá aos escravos e escravas é: Sejam submissos! Respeitem os seus senhores! E não só os que são corretos e justos, mas também os que são ruins, imprevisíveis, perversos. Pois é uma graça de Deus suportar injustiça e sofrer injustamente. Agir bem e corretamente e mesmo assim ser castigado e oprimido faz parte da vocação cristã. Jesus Cristo não sofreu também por vocês? Ele deixou o exemplo que devem seguir. Pois não tinha cometido crime algum e foi levado a julgamento, foi xingado, mas não respondeu, chicoteado, mas não reagiu, porém entregou tudo nas mãos de Deus, cujos desígnios são retos e justos. E assim carregou os nossos pecados para a cruz, para que nós, livres dos pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas vocês foram sarados, e isto os torna capazes de, seguindo as pegadas dele, suportar também tratamento injusto como parte da peregrinação cristã. Vemos que a paixão e a morte de Jesus Cristo recebem aqui um segundo significado. Além de ato salvífico para a nossa redenção, também é exemplo a ser seguido. O autor da carta quer transmitir o seguinte aos servos: Como cristãos não somente nos regozijamos na redenção proporcionada a nós no sofrimento e morte do nosso Senhor por nós, mas também procura-
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4 A quem fala o nosso texto?
4º D O M I N G O D A P Á S C O A
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da diáspora e seus simpatizantes. Hoje fazem parte da Turquia e seus habitantes são muçulmanos. Essas comunidades cristãs já têm algum tempo de existência, se a gente considera que a carta foi escrita após o ano 80 d. C. (Hauck, p. 36), mas boa parte dos membros ainda é da primeira geração. O autor da carta esclarece, no desenvolvimento de sua exposição, melhor os termos eleitos e forasteiros , com os quais rotula esses cristãos. Chamaos de raça eleita , povo da propriedade de Deus (2.9); eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação de Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo (1.2). Como tais, são forasteiros e peregrinos neste mundo. Não fazem parte dessa sociedade e dos seus valores. Têm uma visão diferente daquela do povo entre o qual vivem, têm outras metas. Obedecem a um poder maior que o do Império Romano, obedecem a Jesus Cristo. Essa distância crítica para com a sociedade circundante, essa consciência de pertencer a algo maior do que aos poderes que reinam neste mundo é uma característica da cristandade primitiva. É nessa base que o autor da carta em Roma e as comunidades da Ásia Menor se comunicam e se entendem. Para um grupo que assume essa atitude em relação ao meio social em que vive colocam-se dois problemas: Primeiro, como viver dentro de uma ordem social com a qual não concordam e que consideram errada? Até que ponto podem participar dela? E, sendo obrigados a participar, o que isso significa para a sua fé? Segundo, como lidar com a hostilidade que toda sociedade dispensa àquelas pessoas, àqueles grupos que são e querem ser diferentes, que pensam e crêem de outra maneira, que se negam a participar integralmente. A primeira carta de Pedro quer dar orientação nessa situação. Apesar de ainda não haver perseguição sistemática e generalizada aos cristãos, eles já são alvo de repressão, chicanices, processos e castigos por parte dos tribunais no reinado do imperador Domiciano entre 81 e 96 (Heussi, p. 46). Fica perigoso ser conhecido como cristão em todo o Império Romano. Há o risco de ser acusado de desordeiro, de cidadão desobediente, de desrespeito à autoridade e à religião por não aceitar certas práticas e normas oficiais. Na época da carta, isso vale também na região em que vivem as comunidades destinatárias da carta. Por isso o tema geral da carta é a postura cristã diante do sofrimento imerecido por causa dessa opressão e perseguição da sociedade circundante.
Instituição humana eram também as regras que definiam o trabalho e o comércio, as normas que regiam as relações entre mulheres e homens, pais e filhos, familiares e colegas. Uma instituição muito importante para a sociedade daquela época era a escravidão, que dava a um ser humano poder total sobre a vida e o corpo de outro ser humano. A essas instituições humanas os cristãos devem obediência por causa do Senhor (2.13). Esta é a vontade de Deus e prática do bem , escreve Pedro. Entre os membros das comunidades cristãs do primeiro século havia muitos escravos e escravas. A mensagem do evangelho de Jesus Cristo, apontando para a esperança de uma vida melhor e uma liberdade além das amarras e limitações em que estavam forçados a viver, teve um apelo muito forte para essa gente escravizada. A imagem do Cristo sofredor assemelhava-se à de seu próprio sofrimento. E a afirmação de que em Cristo todas as pessoas senhores e escravos, chefes e empregados, homens e mulheres eram iguais significava um questionamento incrível. Havia escravos que, motivados por essa mensagem, fugiram de seus senhores. Isto pode ter sido o caso com Onésimo, o escravo fugitivo que conhecemos na carta de Paulo a Filemom. Onésimo tinha um senhor que era cristão, e Paulo pode apelar a este que recebesse o seu escravo fugido de volta como irmão. Mas seguramente a maioria dos esravos que aderiram à fé cristã não tinha senhores da mesma fé, como podemos concluir a partir de 1 Co 1.26.
5 O que o texto diz aos escravos?
O texto de 1 Pe 2.18 é dirigido aos servos, às escravas e aos escravos. Ele segue a exortação de que os cristãos devem sujeitar-se a toda instituição humana (2.13). Instituição humana, no entendimento dos cristãos, era o Império Romano, com suas leis, sua administração e seus funcionários.
A orientação que o autor da carta dá aos escravos e escravas é: Sejam submissos! Respeitem os seus senhores! E não só os que são corretos e justos, mas também os que são ruins, imprevisíveis, perversos. Pois é uma graça de Deus suportar injustiça e sofrer injustamente. Agir bem e corretamente e mesmo assim ser castigado e oprimido faz parte da vocação cristã. Jesus Cristo não sofreu também por vocês? Ele deixou o exemplo que devem seguir. Pois não tinha cometido crime algum e foi levado a julgamento, foi xingado, mas não respondeu, chicoteado, mas não reagiu, porém entregou tudo nas mãos de Deus, cujos desígnios são retos e justos. E assim carregou os nossos pecados para a cruz, para que nós, livres dos pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas vocês foram sarados, e isto os torna capazes de, seguindo as pegadas dele, suportar também tratamento injusto como parte da peregrinação cristã. Vemos que a paixão e a morte de Jesus Cristo recebem aqui um segundo significado. Além de ato salvífico para a nossa redenção, também é exemplo a ser seguido. O autor da carta quer transmitir o seguinte aos servos: Como cristãos não somente nos regozijamos na redenção proporcionada a nós no sofrimento e morte do nosso Senhor por nós, mas também procura-
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mos segui-lo, se nos toca sofrer injustamente. Não que o nosso sofrimento se igualasse ao de nosso Senhor e tivesse efeito salvífico como o dele. O nosso sofrimento não se compara ao dele. Mas, conscientes do que Ele sofreu por nós, conseguimos suportar com paciência a injustiça que sofremos.
cias do tempo presente, vocês precisam submeter-se a elas de bom grado para que a redenção oferecida à humanidade em Jesus Cristo possa ser divulgada e a igreja cresça. Se isto implica sofrimento para vocês, tenham diante de si o exemplo de Jesus Cristo, que sofreu injustamente, salvando-os por meio de sua paixão e morte.
6 Pedro se conforma com a maldade dos senhores? Temos dificuldade, hoje, para aceitar uma postura como essa. Ela parece confirmar o que os críticos da igreja cristã têm afirmado: A religião serve para acalmar, para controlar as camadas sociais oprimidas, exploradas e injustiçadas pelos que estão no poder e possuem a riqueza. Dizendo aos escravos que devem obedecer e respeitar os senhores, inclusive os maus e perversos, a igreja coloca-se a serviço da classe dominante. Dando essa orientação aos escravos, ela aceita a injustiça e se conforma com ela. É necessário, porém, analisar a questão no seu contexto. A sociedade do Império Romano baseava a sua economia e todo o seu funcionamento na escravidão. Sem os escravos não havia produção. Estes, juntamente com os escravos libertos e a população rural semi-escravizada, formavam a base produtiva da sociedade. Por isso, qualquer idéia libertária, qualquer vestígio de rebelião entre a massa de escravos, o mais leve que fosse, era erradicada a ferro e fogo. Os senhores tinham poder de castigar os seus escravos com a morte. Um movimento religioso no meio das camadas populares precisava, para se manter, conformar-se à ordem vigente. Era questão de sobrevivência, tanto para a fé cristã como para as escravas e escravos que a seguiam. Por isso a igreja, seguindo a orientação do apóstolo Paulo, que mandou o escravo fugido de volta a seu senhor, apelando apenas que este o recebesse como irmão (Fm 12-18), orientava os escravos a serem submissos a seus senhores, apelando para estes, se eram cristãos, a tratarem os seus escravos com justiça (além do nosso texto, também em Ef 6.5ss e Cl 3.22ss). Esta orientação aos escravos, adotada na segunda metade do primeiro século, foi mantida durante a maior parte da história da igreja. Somente no século XIX venceu, na teologia e prática cristãs, a tese de que a escravidão era uma instituição abominável e anticristã. Mas há elementos nessa exortação de Pedro que apontam para além da injustiça presente. Quando ele, no versículo 13 do mesmo capítulo, resume o império, as autoridades civis, as normas familiares e a instituição da escravidão como instituições humanas , ele tira da ordem vigente o caráter do sagrado. Implicitamente ele diz aos cristãos, e especificamente aos escravos em nossa perícope: Essas instituições são temporais e temporárias, foram feitas por homens e têm poder limitado. Não podem negar a liberdade que vocês receberam em Jesus Cristo. Não têm força para destruir a vida nova que há em vós. Podem ser mudadas com o tempo. Mas, nas circunstân-
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7 Há sentido no sofrimento das pessoas escravizadas? Pedro sugere que esse sofrimento recebe sentido a partir do sofrimento de Jesus Cristo. Seguindo o exemplo de Jesus de não revidar a agressão, de não retornar a palavra ofensiva e hostil, de suportar pacientemente tratamento injusto e perseguição, o escravo cristão e a escrava cristã colaboram, por intermédio do bom exemplo, com a pregação do evangelho. A carta aponta para isso quando, em 2.12, destaca o comportamento exemplar dos cristãos entre os gentios, que fará com que estes, observando as boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação, isto é, se converterão e estarão juntos quando o Senhor Jesus Cristo voltar. E mais, sofrendo imerecidamente como o seu Salvador, os escravos cristãos se conscientizam ainda mais da grandeza e da profundidade da obra salvífica de Jesus Cristo. Entendem que o seu sofrimento no tempo presente aponta para o mundo melhor, preparado para eles em Jesus Cristo, o reino de Deus, para o qual o seu sofrimento atual contribui, também se não entendem como.
8 O que pregar? Sofrimento imerecido faz parte da vida cristã. Mas não é necessário para a salvação. Não encontro elementos na carta de Pedro que digam isso. A obra salvífica de Jesus Cristo é única e completa. Não precisa de complementação. Não há mérito no sofrimento imerecido, e muito menos no merecido. Mas, na hora de sofrer injustamente, nós cristãos podemos tirar paciência, força e consolo do exemplo que Jesus nos deu em sua paixão. Isto nos pode valer em circunstâncias adversas, que, no tempo presente, não podem ser mudadas. Apesar de a escravidão hoje ser uma situação excepcional (ainda existe trabalho escravo no Brasil e há resquícios de escravidão na África), há muitas situações em que pessoas são obrigadas pelas circunstâncias a sujeitar-se a sofrimento: a empregada doméstica que sofre com os desmandos e caprichos da patroa, mas tem que engolir tudo para não perder o emprego, está numa situação comparável, em certos aspectos, à dos escravos e escravas no tempo da carta de Pedro. Não é diferente com a funcionária ou o funcionário que são demitidos porque sua consciência não permite encobrir
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mos segui-lo, se nos toca sofrer injustamente. Não que o nosso sofrimento se igualasse ao de nosso Senhor e tivesse efeito salvífico como o dele. O nosso sofrimento não se compara ao dele. Mas, conscientes do que Ele sofreu por nós, conseguimos suportar com paciência a injustiça que sofremos.
cias do tempo presente, vocês precisam submeter-se a elas de bom grado para que a redenção oferecida à humanidade em Jesus Cristo possa ser divulgada e a igreja cresça. Se isto implica sofrimento para vocês, tenham diante de si o exemplo de Jesus Cristo, que sofreu injustamente, salvando-os por meio de sua paixão e morte.
6 Pedro se conforma com a maldade dos senhores? Temos dificuldade, hoje, para aceitar uma postura como essa. Ela parece confirmar o que os críticos da igreja cristã têm afirmado: A religião serve para acalmar, para controlar as camadas sociais oprimidas, exploradas e injustiçadas pelos que estão no poder e possuem a riqueza. Dizendo aos escravos que devem obedecer e respeitar os senhores, inclusive os maus e perversos, a igreja coloca-se a serviço da classe dominante. Dando essa orientação aos escravos, ela aceita a injustiça e se conforma com ela. É necessário, porém, analisar a questão no seu contexto. A sociedade do Império Romano baseava a sua economia e todo o seu funcionamento na escravidão. Sem os escravos não havia produção. Estes, juntamente com os escravos libertos e a população rural semi-escravizada, formavam a base produtiva da sociedade. Por isso, qualquer idéia libertária, qualquer vestígio de rebelião entre a massa de escravos, o mais leve que fosse, era erradicada a ferro e fogo. Os senhores tinham poder de castigar os seus escravos com a morte. Um movimento religioso no meio das camadas populares precisava, para se manter, conformar-se à ordem vigente. Era questão de sobrevivência, tanto para a fé cristã como para as escravas e escravos que a seguiam. Por isso a igreja, seguindo a orientação do apóstolo Paulo, que mandou o escravo fugido de volta a seu senhor, apelando apenas que este o recebesse como irmão (Fm 12-18), orientava os escravos a serem submissos a seus senhores, apelando para estes, se eram cristãos, a tratarem os seus escravos com justiça (além do nosso texto, também em Ef 6.5ss e Cl 3.22ss). Esta orientação aos escravos, adotada na segunda metade do primeiro século, foi mantida durante a maior parte da história da igreja. Somente no século XIX venceu, na teologia e prática cristãs, a tese de que a escravidão era uma instituição abominável e anticristã. Mas há elementos nessa exortação de Pedro que apontam para além da injustiça presente. Quando ele, no versículo 13 do mesmo capítulo, resume o império, as autoridades civis, as normas familiares e a instituição da escravidão como instituições humanas , ele tira da ordem vigente o caráter do sagrado. Implicitamente ele diz aos cristãos, e especificamente aos escravos em nossa perícope: Essas instituições são temporais e temporárias, foram feitas por homens e têm poder limitado. Não podem negar a liberdade que vocês receberam em Jesus Cristo. Não têm força para destruir a vida nova que há em vós. Podem ser mudadas com o tempo. Mas, nas circunstân-
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7 Há sentido no sofrimento das pessoas escravizadas? Pedro sugere que esse sofrimento recebe sentido a partir do sofrimento de Jesus Cristo. Seguindo o exemplo de Jesus de não revidar a agressão, de não retornar a palavra ofensiva e hostil, de suportar pacientemente tratamento injusto e perseguição, o escravo cristão e a escrava cristã colaboram, por intermédio do bom exemplo, com a pregação do evangelho. A carta aponta para isso quando, em 2.12, destaca o comportamento exemplar dos cristãos entre os gentios, que fará com que estes, observando as boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação, isto é, se converterão e estarão juntos quando o Senhor Jesus Cristo voltar. E mais, sofrendo imerecidamente como o seu Salvador, os escravos cristãos se conscientizam ainda mais da grandeza e da profundidade da obra salvífica de Jesus Cristo. Entendem que o seu sofrimento no tempo presente aponta para o mundo melhor, preparado para eles em Jesus Cristo, o reino de Deus, para o qual o seu sofrimento atual contribui, também se não entendem como.
8 O que pregar? Sofrimento imerecido faz parte da vida cristã. Mas não é necessário para a salvação. Não encontro elementos na carta de Pedro que digam isso. A obra salvífica de Jesus Cristo é única e completa. Não precisa de complementação. Não há mérito no sofrimento imerecido, e muito menos no merecido. Mas, na hora de sofrer injustamente, nós cristãos podemos tirar paciência, força e consolo do exemplo que Jesus nos deu em sua paixão. Isto nos pode valer em circunstâncias adversas, que, no tempo presente, não podem ser mudadas. Apesar de a escravidão hoje ser uma situação excepcional (ainda existe trabalho escravo no Brasil e há resquícios de escravidão na África), há muitas situações em que pessoas são obrigadas pelas circunstâncias a sujeitar-se a sofrimento: a empregada doméstica que sofre com os desmandos e caprichos da patroa, mas tem que engolir tudo para não perder o emprego, está numa situação comparável, em certos aspectos, à dos escravos e escravas no tempo da carta de Pedro. Não é diferente com a funcionária ou o funcionário que são demitidos porque sua consciência não permite encobrir
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a sonegação e desonestidade do dono da firma. A própria situação do desempregado que procura desesperadamente um emprego e só acumula negativas é um sofrimento imerecido. E que dizer da esposa que agüenta um matrimônio de abuso e desrespeito por parte do marido, para que as crianças não percam o seu lar? Olhando para a vida diária das pessoas e famílias, para a vida de nossa sociedade tão desigual, para as nossas instituições, descobriremos muitas situações de sofrimento irremediáveis, pelo menos no tempo presente. Situações que, fortalecidas no exemplo do Jesus sofredor, precisamos suportar na esperança de que, de uma maneira que só Deus sabe, esse nosso sofrimento contribuirá para que o seu reino cresça. É claro que, assumindo essa postura, não se quer pregar a passividade ou o conformismo total. É mister discernir o que é irremediável no tempo presente do que pode ser mudado. É necessário avaliar se a obediência trará melhores resultados do que a resistência, sempre tendo em vista o alvo, que é a promessa de um mundo de paz e justiça em que somos regenerados para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para nós (1.3bs).
9 Sugestões litúrgicas O culto ainda está sob a luz da paixão e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Sugiro usar como versículo de entrada 1 Pe 1.3-5. Como hino o nº 318 do HPD 2: Vem, Espírito de Deus . Para o anúncio da graça, após a confissão dos pecados, pode-se aproveitar Jo 10.9, da leitura do evangelho. O Kyrie da liturgia-modelo do Livro de Culto (p. III.47) combina muito bem com a temática proposta da pregação. Pode-se cantar também o Kyrie eleison de Rodolfo Gaede (Livro de Culto, p VIII.341). Nas leituras bíblicas procede-se como de costume. Após a pregação, o hino 435 do HPD 2, ou outro que fale da esperança de vencer a desigualdade social. A oração geral não poderá esquecer as pessoas que sofrem devido à injustiça social e outras situações adversas.
Bibliografia HAUCK, Friedrich. NTD 10. Die Kirchenbriefe. Göttingen, 1954. HEUSSI, Karl. Kompendium der Kirchengeschichte. 11. Auflage. Tübingen, 1957.
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5o DOMINGO DA PÁSCOA
24 abr 2005
SALMO 33.1-8,12 JOÃO 14.1-12
PRÉDICA: 1 PEDRO 2.4-10 Nilton Giese
1 Olhos de Páscoa No interior da França, num lugar chamado Piemont, o Domingo de Páscoa tem uma tradição bastante curiosa. As pessoas saem cedo de suas casas e reúnem-se na frente da igreja à espera do badalar dos sinos. Quando os sinos tocam, as pessoas saem correndo em direção ao centro da praça, onde há uma fonte. Lá crianças e adultos lavam os seus olhos com a água fria que sai da fonte, enquanto os sinos badalam. Dizem que a maioria das pessoas não sabe o que isso significa. Apenas acompanham a tradição. Mas os mais velhos afirmam que esse ritual começou muitos anos atrás, em tempos de guerra e de fome. Lavar os olhos na água da fonte comunitária na manhã de Páscoa significava que as pessoas pediam que Deus as presenteasse com novos olhos, com olhos de Páscoa, olhos que conseguissem enxergar além de sua realidade de guerra e fome.
2 As leituras A primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos um primeiro conflito na comunidade, a igreja-mãe de Jerusalém. Como os bens eram postos em comum, a comunidade devia encarregar-se dos mais pobres e fracos, dos que não podiam trabalhar ou não tinham quem os assistisse. Entre estes estavam as viúvas. Os judeu-cristãos de origem helenista, ou seja, os de língua grega, queixavam-se de que suas viúvas não eram bem atendidas na hora da partilha e, como ouvimos, a comunidade, presidida pelos apóstolos e animada pelo Espírito Santo, encontrou uma solução muito sábia: encarregar sete pessoas desse ofício, para que os apóstolos ficassem livres dessa preocupação e pudessem dedicar-se plenamente à sua tarefa, que era a pregação do evangelho e a oração. Como segunda leitura, ouvimos da primeira carta de Pedro 2.4-10. Este é o texto para a pregação desse domingo. Importante é conseguir localizar o texto. Primeiro vale dizer que o autor não tem nada a ver com o discípulo Pedro. A carta de 1 Pedro foi escrita provavelmente em Roma, em torno do
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a sonegação e desonestidade do dono da firma. A própria situação do desempregado que procura desesperadamente um emprego e só acumula negativas é um sofrimento imerecido. E que dizer da esposa que agüenta um matrimônio de abuso e desrespeito por parte do marido, para que as crianças não percam o seu lar? Olhando para a vida diária das pessoas e famílias, para a vida de nossa sociedade tão desigual, para as nossas instituições, descobriremos muitas situações de sofrimento irremediáveis, pelo menos no tempo presente. Situações que, fortalecidas no exemplo do Jesus sofredor, precisamos suportar na esperança de que, de uma maneira que só Deus sabe, esse nosso sofrimento contribuirá para que o seu reino cresça. É claro que, assumindo essa postura, não se quer pregar a passividade ou o conformismo total. É mister discernir o que é irremediável no tempo presente do que pode ser mudado. É necessário avaliar se a obediência trará melhores resultados do que a resistência, sempre tendo em vista o alvo, que é a promessa de um mundo de paz e justiça em que somos regenerados para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para nós (1.3bs).
9 Sugestões litúrgicas O culto ainda está sob a luz da paixão e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Sugiro usar como versículo de entrada 1 Pe 1.3-5. Como hino o nº 318 do HPD 2: Vem, Espírito de Deus . Para o anúncio da graça, após a confissão dos pecados, pode-se aproveitar Jo 10.9, da leitura do evangelho. O Kyrie da liturgia-modelo do Livro de Culto (p. III.47) combina muito bem com a temática proposta da pregação. Pode-se cantar também o Kyrie eleison de Rodolfo Gaede (Livro de Culto, p VIII.341). Nas leituras bíblicas procede-se como de costume. Após a pregação, o hino 435 do HPD 2, ou outro que fale da esperança de vencer a desigualdade social. A oração geral não poderá esquecer as pessoas que sofrem devido à injustiça social e outras situações adversas.
Bibliografia HAUCK, Friedrich. NTD 10. Die Kirchenbriefe. Göttingen, 1954. HEUSSI, Karl. Kompendium der Kirchengeschichte. 11. Auflage. Tübingen, 1957.
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5o DOMINGO DA PÁSCOA
24 abr 2005
SALMO 33.1-8,12 JOÃO 14.1-12
PRÉDICA: 1 PEDRO 2.4-10 Nilton Giese
1 Olhos de Páscoa No interior da França, num lugar chamado Piemont, o Domingo de Páscoa tem uma tradição bastante curiosa. As pessoas saem cedo de suas casas e reúnem-se na frente da igreja à espera do badalar dos sinos. Quando os sinos tocam, as pessoas saem correndo em direção ao centro da praça, onde há uma fonte. Lá crianças e adultos lavam os seus olhos com a água fria que sai da fonte, enquanto os sinos badalam. Dizem que a maioria das pessoas não sabe o que isso significa. Apenas acompanham a tradição. Mas os mais velhos afirmam que esse ritual começou muitos anos atrás, em tempos de guerra e de fome. Lavar os olhos na água da fonte comunitária na manhã de Páscoa significava que as pessoas pediam que Deus as presenteasse com novos olhos, com olhos de Páscoa, olhos que conseguissem enxergar além de sua realidade de guerra e fome.
2 As leituras A primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos um primeiro conflito na comunidade, a igreja-mãe de Jerusalém. Como os bens eram postos em comum, a comunidade devia encarregar-se dos mais pobres e fracos, dos que não podiam trabalhar ou não tinham quem os assistisse. Entre estes estavam as viúvas. Os judeu-cristãos de origem helenista, ou seja, os de língua grega, queixavam-se de que suas viúvas não eram bem atendidas na hora da partilha e, como ouvimos, a comunidade, presidida pelos apóstolos e animada pelo Espírito Santo, encontrou uma solução muito sábia: encarregar sete pessoas desse ofício, para que os apóstolos ficassem livres dessa preocupação e pudessem dedicar-se plenamente à sua tarefa, que era a pregação do evangelho e a oração. Como segunda leitura, ouvimos da primeira carta de Pedro 2.4-10. Este é o texto para a pregação desse domingo. Importante é conseguir localizar o texto. Primeiro vale dizer que o autor não tem nada a ver com o discípulo Pedro. A carta de 1 Pedro foi escrita provavelmente em Roma, em torno do
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ano 64 d.C. Portanto, muito próxima da grande perseguição que Nero desencadeou contra os cristãos daquela cidade. A carta quer animar os seus leitores a manterem, em meio às aflições e perseguições, uma conduta digna daqueles que professam a fé em Jesus Cristo, com uma forte exortação pastoral. A carta tem como destino aquelas pessoas que toparam o chamado de Deus. Os membros da comunidade passaram pelo ensino e pelo Batismo. São agora membros integrados na comunidade pelo Batismo. Tornaram-se diferentes dos demais. Arrancados das trevas, foram implantados numa nova convivência. Não a barreira que os separa de Deus, mas a comunhão que os une com Deus é o sinal do novo ser (PL XVIII, p. 139). Deus quer vocacionar essas pessoas a viverem de forma diferente neste mundo. A imagem da igreja como templo de Deus vem da memória comunitária, dos ensinamentos de Jesus (Mc 9.35; Lc 10.1-12). A primeira carta de Pedro fala da igreja como pedras vivas , que sugere dinamicidade, possibilidade de mudanças, de assumir novos desafios. O texto também afirma que a mensagem de Deus tem um centro, uma pedra angular . A comunidade precisa sempre ser lembrada dessa pedra angular , a saber: o ato salvífico de Jesus Cristo. O Evangelho de João destaca a centralidade desse ato no capítulo 3 versículo 16. (Sugiro montar este versículo com a ajuda de algumas pessoas diante da comunidade.) Aí encontramos o resumo de toda a mensagem da salvação: a existência, a vida e a missão da comunidade cristã devem estar fundamentadas em Jesus Cristo. Portanto, 1 Pedro está dirigida àquelas pessoas que foram atingidas pela bondade divina, àquelas pessoas que conhecem a misericórdia de Deus. Essas pessoas, sentindo-se agraciadas por Deus, constroem-se sobre o alicerce que é Cristo para um ministério santo. A eleição bondosa de Deus passa a ter o sentido de fortalecimento e coloca esses agraciados na responsabilidade de serem sacerdotes (Sauer, p. 257). O Evangelho de João relata-nos parte dos chamados discursos de despedida de Jesus, pronunciados durante a ceia que celebrou com seus discípulos momentos antes da paixão. Esse discurso se prolonga através dos capítulos 14 a 17 e é como o testamento do Senhor. Jesus diz a seus discípulos que vai partir e isto não deve perturbá-los, porque vai para poder depois levá-los e tê-los sempre consigo, para preparar-lhes um lugar na casa do Pai, uma casa grande onde todos cabem, sobretudo os mais pobres, que nunca tiveram uma casa própria, os filhos pródigos que desejam regressar.
tãs tratam de compreender sua missão. Mas não existem modelos estruturais. O que existe é a consciência de que comunidade é movimento, que ela tem o sentido de que uns cuidem dos outros, que através dela Jesus está presente neste mundo. Todo grupo precisa ser administrado. O que Jesus pede é bom ânimo diante das dificuldades e das provações. Como pedras vivas, os cristãos vão ter de aprender a conviver e a dar respostas a novos desafios. Para que a existência da igreja seja possível, é necessário sempre falar da razão de sua existência. É importante lembrar que a comunidade de 1 Pedro vive na iminência de uma grande perseguição. Como novos cristãos, são chamados a dar testemunho de sua fé dentro de seu contexto. Numa sociedade de rejeitados, eles são chamados por Deus a construir uma igreja de pedras rejeitadas, que se tornam pedras vivas. Uma igreja que dê testemunho da vida diante das situações que oprimem e negam a vida. Fala-se aqui do serviço, da missão da comunidade. Mas também aqui vem um alerta: essa igreja não é feita por uma pedra só, por uma só pessoa, mas de muitas pedras, de muitas pessoas, de muitos dons. Esses dons devem ser aproveitados na comunidade. O testemunho em favor da vida vai ser um divisor de águas. A oposição vai se manifestar. Nesses momentos, é importante que a comunidade se lembre de que sua existência, vida e missão estão fundamentadas em Jesus Cristo. A pedra angular é a pedra principal. No tratamento dos conflitos, o apóstolo Paulo recomenda humildade, paciência, mansidão e tolerância (Ef 4.2). A igreja nascente soube enfrentar com muita criatividade as dificuldades que foram aparecendo, assim ouvimos de Atos dos Apóstolos e de 1 Pedro. Colaboramos também nós para que a igreja encontre soluções novas para os novos problemas com que se defronta no mundo de hoje? Aceitamos que a igreja tem capacidade de se renovar ou somos daqueles que pensam que ela sempre deve estar voltada para o passado, tentando encontrar ali soluções para os problemas atuais?
3 A caminho da prédica Estamos no 5º Domingo da Páscoa. Os textos bíblicos alertam-nos de que a aparente ausência de Jesus parece trazer conflitos na comunidade. Existe ansiedade no coração dos discípulos. As primeiras comunidades cris-
129
4 Sugestões para uso neste culto Como introdução à pregação, mostrar uma figura de uma casa feita com pedras diferentes. É só entrar na internet em www.google.com.br e procurar imagens de casas de pedra . Imprimir a figura em transparência e usar o retroprojetor. Convidar a comunidade a relacionar a figura com o texto de 1 Pedro. É importante que a comunidade se sinta carregada por Deus. Tudo vem de ti, Senhor. Daí a importância da bênção. Sugiro o seguinte texto:
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ano 64 d.C. Portanto, muito próxima da grande perseguição que Nero desencadeou contra os cristãos daquela cidade. A carta quer animar os seus leitores a manterem, em meio às aflições e perseguições, uma conduta digna daqueles que professam a fé em Jesus Cristo, com uma forte exortação pastoral. A carta tem como destino aquelas pessoas que toparam o chamado de Deus. Os membros da comunidade passaram pelo ensino e pelo Batismo. São agora membros integrados na comunidade pelo Batismo. Tornaram-se diferentes dos demais. Arrancados das trevas, foram implantados numa nova convivência. Não a barreira que os separa de Deus, mas a comunhão que os une com Deus é o sinal do novo ser (PL XVIII, p. 139). Deus quer vocacionar essas pessoas a viverem de forma diferente neste mundo. A imagem da igreja como templo de Deus vem da memória comunitária, dos ensinamentos de Jesus (Mc 9.35; Lc 10.1-12). A primeira carta de Pedro fala da igreja como pedras vivas , que sugere dinamicidade, possibilidade de mudanças, de assumir novos desafios. O texto também afirma que a mensagem de Deus tem um centro, uma pedra angular . A comunidade precisa sempre ser lembrada dessa pedra angular , a saber: o ato salvífico de Jesus Cristo. O Evangelho de João destaca a centralidade desse ato no capítulo 3 versículo 16. (Sugiro montar este versículo com a ajuda de algumas pessoas diante da comunidade.) Aí encontramos o resumo de toda a mensagem da salvação: a existência, a vida e a missão da comunidade cristã devem estar fundamentadas em Jesus Cristo. Portanto, 1 Pedro está dirigida àquelas pessoas que foram atingidas pela bondade divina, àquelas pessoas que conhecem a misericórdia de Deus. Essas pessoas, sentindo-se agraciadas por Deus, constroem-se sobre o alicerce que é Cristo para um ministério santo. A eleição bondosa de Deus passa a ter o sentido de fortalecimento e coloca esses agraciados na responsabilidade de serem sacerdotes (Sauer, p. 257). O Evangelho de João relata-nos parte dos chamados discursos de despedida de Jesus, pronunciados durante a ceia que celebrou com seus discípulos momentos antes da paixão. Esse discurso se prolonga através dos capítulos 14 a 17 e é como o testamento do Senhor. Jesus diz a seus discípulos que vai partir e isto não deve perturbá-los, porque vai para poder depois levá-los e tê-los sempre consigo, para preparar-lhes um lugar na casa do Pai, uma casa grande onde todos cabem, sobretudo os mais pobres, que nunca tiveram uma casa própria, os filhos pródigos que desejam regressar.
tãs tratam de compreender sua missão. Mas não existem modelos estruturais. O que existe é a consciência de que comunidade é movimento, que ela tem o sentido de que uns cuidem dos outros, que através dela Jesus está presente neste mundo. Todo grupo precisa ser administrado. O que Jesus pede é bom ânimo diante das dificuldades e das provações. Como pedras vivas, os cristãos vão ter de aprender a conviver e a dar respostas a novos desafios. Para que a existência da igreja seja possível, é necessário sempre falar da razão de sua existência. É importante lembrar que a comunidade de 1 Pedro vive na iminência de uma grande perseguição. Como novos cristãos, são chamados a dar testemunho de sua fé dentro de seu contexto. Numa sociedade de rejeitados, eles são chamados por Deus a construir uma igreja de pedras rejeitadas, que se tornam pedras vivas. Uma igreja que dê testemunho da vida diante das situações que oprimem e negam a vida. Fala-se aqui do serviço, da missão da comunidade. Mas também aqui vem um alerta: essa igreja não é feita por uma pedra só, por uma só pessoa, mas de muitas pedras, de muitas pessoas, de muitos dons. Esses dons devem ser aproveitados na comunidade. O testemunho em favor da vida vai ser um divisor de águas. A oposição vai se manifestar. Nesses momentos, é importante que a comunidade se lembre de que sua existência, vida e missão estão fundamentadas em Jesus Cristo. A pedra angular é a pedra principal. No tratamento dos conflitos, o apóstolo Paulo recomenda humildade, paciência, mansidão e tolerância (Ef 4.2). A igreja nascente soube enfrentar com muita criatividade as dificuldades que foram aparecendo, assim ouvimos de Atos dos Apóstolos e de 1 Pedro. Colaboramos também nós para que a igreja encontre soluções novas para os novos problemas com que se defronta no mundo de hoje? Aceitamos que a igreja tem capacidade de se renovar ou somos daqueles que pensam que ela sempre deve estar voltada para o passado, tentando encontrar ali soluções para os problemas atuais?
3 A caminho da prédica Estamos no 5º Domingo da Páscoa. Os textos bíblicos alertam-nos de que a aparente ausência de Jesus parece trazer conflitos na comunidade. Existe ansiedade no coração dos discípulos. As primeiras comunidades cris-
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4 Sugestões para uso neste culto Como introdução à pregação, mostrar uma figura de uma casa feita com pedras diferentes. É só entrar na internet em www.google.com.br e procurar imagens de casas de pedra . Imprimir a figura em transparência e usar o retroprojetor. Convidar a comunidade a relacionar a figura com o texto de 1 Pedro. É importante que a comunidade se sinta carregada por Deus. Tudo vem de ti, Senhor. Daí a importância da bênção. Sugiro o seguinte texto:
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5º D O M I N G O D A P Á S C O A
5º D O M I N G O D A P Á S C O A
O Senhor
Bibliografia
O Pai de Jesus Cristo, O Deus dos pequenos, dos pobres e dos fracos, O amigo daqueles que quase ninguém gosta.
KUNERT, Augusto Ernesto. Proclamar Libertação vol. XVIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 138-145. SAUER, Sergio. Proclamar Libertação vol. XV. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 254-260.
Ele te abençoe Dando-te alegria e bem-aventurança, Plenitude e salvação, Ele te permita crescer como ser humano. Ele te proteja No medo, na necessidade e no perigo. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti Lá onde estiver escuro ao teu redor, Para que consolado possas continuar o teu caminho E não percas de vista o teu objetivo. O Senhor tenha misericórdia de ti Quando tu agires de forma injusta com alguém Ou quando outros carregarem culpa sobre ti, O Senhor te corrija quando agires mal E que Ele te mostre sempre o que espera de ti. O Senhor levante o seu rosto sobre ti E veja o que te falta, Que ele te dê atenção todas as vezes que lhe dirigires a palavra. Ele cuide de ti, assim como uma mãe cuida de seu filho. O Senhor te dê a paz Para que a paz reine dentro de ti e ao teu redor. Assim te abençoe o nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
131
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O Senhor
Bibliografia
O Pai de Jesus Cristo, O Deus dos pequenos, dos pobres e dos fracos, O amigo daqueles que quase ninguém gosta.
KUNERT, Augusto Ernesto. Proclamar Libertação vol. XVIII. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 138-145. SAUER, Sergio. Proclamar Libertação vol. XV. São Leopoldo: Editora Sinodal, p. 254-260.
Ele te abençoe Dando-te alegria e bem-aventurança, Plenitude e salvação, Ele te permita crescer como ser humano. Ele te proteja No medo, na necessidade e no perigo. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti Lá onde estiver escuro ao teu redor, Para que consolado possas continuar o teu caminho E não percas de vista o teu objetivo. O Senhor tenha misericórdia de ti Quando tu agires de forma injusta com alguém Ou quando outros carregarem culpa sobre ti, O Senhor te corrija quando agires mal E que Ele te mostre sempre o que espera de ti. O Senhor levante o seu rosto sobre ti E veja o que te falta, Que ele te dê atenção todas as vezes que lhe dirigires a palavra. Ele cuide de ti, assim como uma mãe cuida de seu filho. O Senhor te dê a paz Para que a paz reine dentro de ti e ao teu redor. Assim te abençoe o nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
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6º D O M I N G O D A P Á S C O A
6o DOMINGO DA PÁSCOA
1 MAI 2005
LUCAS 13.10-17 TIAGO 5.1-6
PRÉDICA: ISAÍAS 65.17-25 Arnoldo Maedche
1 Introdução Na tradição litúrgica e nos comentários exegéticos procedentes da Alemanha, esse texto é trabalhado no Domingo da Eternidade, último Domingo do Ano Eclesiástico. Nesse culto costumava-se fazer a leitura de nomes das pessoas falecidas nos últimos 12 meses, honrando com isso a tradição da comunidade local e marcando o final dos grandes temas do calendário eclesiástico. O caráter escatológico do texto, particularmente nos versículos 17 e 25, encaminha a reflexão para além dos tempos de nossa era, jogando com a esperança de um novo céu e nova terra (= tudo!), recriados por Javé. Os demais versículos são expectativas de reconstrução do já agora , passíveis de concretização na história do povo de Israel, precisamente de Jerusalém. Também o Dia Internacional do Trabalhador (ou do Trabalho) é cercado de expectativas afirmativas. Governo, congressistas, lideranças sindicalistas, empresários, economistas e mídia fazem análises e previsões, sobretudo quanto ao valor do novo salário mínimo. Por isso é preciso que os pregadores abram olhos e ouvidos para o que se diz e o que se ouve no momento brasileiro (Schwantes, no PL III), para enquadrar a mensagem desse dia especial e, é claro, sem esquecer o recado que o texto de Isaías e as leituras bíblicas da Liturgia da Palavra projetam em termos de reflexão. O tema permanente do desemprego e o jogo de percentagens de aumento no salário mínimo ainda ocuparão lugar destacado nas manifestações públicas em nosso país. A perda do valor aquisitivo, o empobrecimento contínuo dos assalariados, o crescimento das tensões sociais nos grandes centros, a ocupação de terras também com desempregados urbanos e as desigualdades históricas das classes não resolvidas (vide a xingação aos ricos em Tg 5.1-6) estarão na ordem do dia. Nesse mergulho no contexto brasileiro permanece a dúvida entre o que há de real e de imaginário, entre o empírico e o utópico. Também o nosso texto joga com essas possibilidades entre o mundo de cá e o de lá. Como será o já agora e o ainda não na agenda dos exilados?
133
Haverá avanços e recuperação na destruída Jerusalém? Marchará o mundo em termos globais em nosso tempo para um fim apocalíptico de esgotamento dos recursos ou poderemos alcançar a longevidade média dos 100 anos anunciados e hoje já previsíveis nos países mais desenvolvidos? Já vai longe o tempo em que a igreja tinha um mandato público reconhecido, que lhe conferia audiência e poder de influência na vida pública. Nesse tempo de enxugamento e de exílio eclesial, convém ter os pés no chão da realidade e tentar descobrir o que ainda podemos dizer e fazer em prol de mais justiça e esperança de reconstrução nas relações locais e comunitárias. A realidade operária continua recheada de receios e medos. A chegada de um metalúrgico ao poder central de nosso país pode não alterar o rumo da nossa história. Entre a esperança de uma recuperação da economia e da justiça social para a grande maioria dos empobrecidos intercala-se a ameaça de mais um fracasso de esperanças, que se postergam pelas amarras herdadas não-resolvidas do endividamento crônico do Brasil. A classe trabalhadora, com a iminente reforma da CLT, poderá ter que renunciar a direitos arduamente conquistados no passado para poder manter empregos aguardando tempos melhores. O autor do nosso texto também pretendia construir esperanças e semear certezas para um futuro melhor de sua comunidade de exilados. Com essas preocupações queremos entrar no texto e tirar dele o sustento para coexistir com a força da fé neste mundo que nos é dado viver. Nem mais, nem menos!
2 Texto Exegetas do calibre de Claus Westermann e J. Severino Croatto sugerem iniciar a perícope com 16b, o que também faz a versão do Almeida. Na versão Linguagem de Hoje, no v. 25, há um erro de digitação: no au leia-se mau . Se excluirmos os versículos 17 e 25 com seu carácter de intervenção divina, vamos verificar um quadro de expectativas humanas comuns às festividades do Dia Internacional do Trabalhador, quais sejam: um futuro alegre e feliz, com reconstrução das condições de vida urbana e rural saudáveis, diminuição da mortalidade infantil, longevidade acima do normal para todos, casas para todos, festas regadas a vinho produzido pelas próprias mãos e um Deus atencioso e presente, que atende com rapidez em todos os momentos da vida. Já nos versículos 17 e 25 encaminham-se transformações que ultrapassam as expectativas humanas: surgirá uma nova configuração planetária e a vida animal se transformará da rivalidade para a convivência pacífica. O
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6o DOMINGO DA PÁSCOA
1 MAI 2005
LUCAS 13.10-17 TIAGO 5.1-6
PRÉDICA: ISAÍAS 65.17-25 Arnoldo Maedche
1 Introdução Na tradição litúrgica e nos comentários exegéticos procedentes da Alemanha, esse texto é trabalhado no Domingo da Eternidade, último Domingo do Ano Eclesiástico. Nesse culto costumava-se fazer a leitura de nomes das pessoas falecidas nos últimos 12 meses, honrando com isso a tradição da comunidade local e marcando o final dos grandes temas do calendário eclesiástico. O caráter escatológico do texto, particularmente nos versículos 17 e 25, encaminha a reflexão para além dos tempos de nossa era, jogando com a esperança de um novo céu e nova terra (= tudo!), recriados por Javé. Os demais versículos são expectativas de reconstrução do já agora , passíveis de concretização na história do povo de Israel, precisamente de Jerusalém. Também o Dia Internacional do Trabalhador (ou do Trabalho) é cercado de expectativas afirmativas. Governo, congressistas, lideranças sindicalistas, empresários, economistas e mídia fazem análises e previsões, sobretudo quanto ao valor do novo salário mínimo. Por isso é preciso que os pregadores abram olhos e ouvidos para o que se diz e o que se ouve no momento brasileiro (Schwantes, no PL III), para enquadrar a mensagem desse dia especial e, é claro, sem esquecer o recado que o texto de Isaías e as leituras bíblicas da Liturgia da Palavra projetam em termos de reflexão. O tema permanente do desemprego e o jogo de percentagens de aumento no salário mínimo ainda ocuparão lugar destacado nas manifestações públicas em nosso país. A perda do valor aquisitivo, o empobrecimento contínuo dos assalariados, o crescimento das tensões sociais nos grandes centros, a ocupação de terras também com desempregados urbanos e as desigualdades históricas das classes não resolvidas (vide a xingação aos ricos em Tg 5.1-6) estarão na ordem do dia. Nesse mergulho no contexto brasileiro permanece a dúvida entre o que há de real e de imaginário, entre o empírico e o utópico. Também o nosso texto joga com essas possibilidades entre o mundo de cá e o de lá. Como será o já agora e o ainda não na agenda dos exilados?
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Haverá avanços e recuperação na destruída Jerusalém? Marchará o mundo em termos globais em nosso tempo para um fim apocalíptico de esgotamento dos recursos ou poderemos alcançar a longevidade média dos 100 anos anunciados e hoje já previsíveis nos países mais desenvolvidos? Já vai longe o tempo em que a igreja tinha um mandato público reconhecido, que lhe conferia audiência e poder de influência na vida pública. Nesse tempo de enxugamento e de exílio eclesial, convém ter os pés no chão da realidade e tentar descobrir o que ainda podemos dizer e fazer em prol de mais justiça e esperança de reconstrução nas relações locais e comunitárias. A realidade operária continua recheada de receios e medos. A chegada de um metalúrgico ao poder central de nosso país pode não alterar o rumo da nossa história. Entre a esperança de uma recuperação da economia e da justiça social para a grande maioria dos empobrecidos intercala-se a ameaça de mais um fracasso de esperanças, que se postergam pelas amarras herdadas não-resolvidas do endividamento crônico do Brasil. A classe trabalhadora, com a iminente reforma da CLT, poderá ter que renunciar a direitos arduamente conquistados no passado para poder manter empregos aguardando tempos melhores. O autor do nosso texto também pretendia construir esperanças e semear certezas para um futuro melhor de sua comunidade de exilados. Com essas preocupações queremos entrar no texto e tirar dele o sustento para coexistir com a força da fé neste mundo que nos é dado viver. Nem mais, nem menos!
2 Texto Exegetas do calibre de Claus Westermann e J. Severino Croatto sugerem iniciar a perícope com 16b, o que também faz a versão do Almeida. Na versão Linguagem de Hoje, no v. 25, há um erro de digitação: no au leia-se mau . Se excluirmos os versículos 17 e 25 com seu carácter de intervenção divina, vamos verificar um quadro de expectativas humanas comuns às festividades do Dia Internacional do Trabalhador, quais sejam: um futuro alegre e feliz, com reconstrução das condições de vida urbana e rural saudáveis, diminuição da mortalidade infantil, longevidade acima do normal para todos, casas para todos, festas regadas a vinho produzido pelas próprias mãos e um Deus atencioso e presente, que atende com rapidez em todos os momentos da vida. Já nos versículos 17 e 25 encaminham-se transformações que ultrapassam as expectativas humanas: surgirá uma nova configuração planetária e a vida animal se transformará da rivalidade para a convivência pacífica. O
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verbo bará de Gn 1.1 é utilizado no v. 17, indicando ato exclusivo e absoluto de Deus. Esse patamar não comporta obras humanas. Deixando de lado a problemática de que se trataria em Isaías de três livros com autores diferentes, a mensagem central do livro encontra-se nas passagens 12.1, 40.1 e 66.13: consolar o povo que se encontra no exílio, anunciando o fim do castigo e oferecendo um retorno digno e glorioso. As experiências de sofrimento dos últimos anos da nação Israel serão anuladas pelo esquecimento de Deus e pela falta de lembrança do povo. A cortina da reconciliação será aberta. O cenário mudará. No entanto, no lado de cá das coisas e em nosso mundo, no suor do teu rosto (Gn 3.19) continua valendo. Há muito o que fazer para chegar à vida abundante de Jo 10.10 (vide Lc 13.10-17 e a cessação do sofrimento da mulher acima da Lei do Sábado). Enquanto em algumas nações se anunciam longevidades (como das árvores, v. 22) para a vida humana, noutras persistem as tragédias da mortalidade infantil, da fome e da Aids. Se considerarmos os v. 17 e 25 como acréscimos redacionais possíveis, então o autor de Isaías trabalhava com uma expectativa histórica no horizonte da atuação humana. A cristandade, porém, encontra no NT uma ampliação de expectativa, ultrapassando seu mundo e sonhando muito além da longevidade dos 100 anos com a vida eterna (Jo 3.16). Entramos então no campo da fé (fides) com certezas (fiducia) que caracterizam também nossa concepção luterana. É coisa para Deus mesmo! Será que a arrumação da casa Brasil pela situação herdada dos 300 anos de colonialismo, de monarquia dos Bragança e de uma era republicana marcada primeiro pelo positivismo da Ordem e Progresso e pelo capitalismo predatório tem esse poder sinistro que jamais será superado? Estamos à mercê dos poderosos investidores internos e externos, que jamais esquecerão os erros das gerações passadas?
v. 21: Edificarão casas e residirão, plantarão vinhas e comerão de seus frutos; v. 22: Não edificarão para que outro resida, nem plantarão para que outro coma, porque como os dias da árvore serão os dias de meu povo, e meus eleitos gastarão o produto de suas mãos. v. 23: Não se cansarão em vão, nem darão à luz para o espanto, porque eles serão descendência bendita de Javé, assim como seus rebentos com eles. v. 24: Sucederá que, antes que chamem, eu responderei; ainda estarão falando e eu já os ouvirei. v. 25: Lobo e cordeiro pastarão como um só, e o leão, como a vaca, comerá palha (quanto à serpente, seu pão será o pó): não causarão dano nem destruição em toda a minha montanha santa , diz Javé.
3 Tradução de Croatto v. 16b: Quando tenham sido esquecidas as adversidades primeiras e tenham sido ocultadas de meus olhos, v. 17: Pois eis aqui que crio novos céus e nova terra e não se lembrarão das primeiras coisas, nem subirão ao coração, v. 18: mas antes exultai e alegrai-vos para sempre pelo que estou criando, pois eis que recrio Jerusalém com alegria e seu povo como gozo , v. 19: pois me alegrarei em Jerusalém e exultarei em meu povo, e não mais se ouvirá nela voz de pranto nem voz de clamor. v. 20: Não haverá mais, (que seja levada) dali, nenhuma criança de dias, ou velho que não complete seus dias, porque o jovem morrerá aos cem anos, e aquele que não chegar aos cem anos será (como) maldito.
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4 Comentários Esse poema escatológico, diz Croatto, é constituído por fragmentos que anunciam uma nova era da ação de Javé. O que era sofrimento e tristeza vira alegria e gozo. De meus servos surge na virada o meu povo . Neste mundo novo prometido não importa a transformação dos astros ou do planeta Terra, mas as transformações das condições humanas que geram o pranto, o clamor, as angústias e a dor... (Croatto, p. 343). O ponto de partida do imaginário (continuando com Croatto, p. 347) do texto é a realidade vivida , com as mazelas de sofrimento, inimizade e ódio da presente era. Mas isso não basta ! A esperança consiste precisamente em que é possível um mundo diferente. Mas como este é um ainda não , é preciso imaginá-lo. Por ser uma utopia, quando chegar deixará de ser o imaginado. Por isso é preciso pensá-lo continuamente. A ação extraordinária de Javé inclui a harmonia da natureza, já mencionada em Is 11.6-9. Apenas as serpentes permanecem no seu isolamento. A montanha santa não se refere ao templo, mas à terra montanhosa de Judá, onde ocorrerá a nova ordem criada por Javé.
5 Elementos para o culto e a pregação Imagino que o culto no Dia Internacional do Trabalhador poderia até ter uma configuração como os cultos da Colheita (de Ação de Graças). O fruto do trabalho, seja urbano ou rural, poderia estar presente no altar e ser destinado para uma instituição social de necessitados.
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verbo bará de Gn 1.1 é utilizado no v. 17, indicando ato exclusivo e absoluto de Deus. Esse patamar não comporta obras humanas. Deixando de lado a problemática de que se trataria em Isaías de três livros com autores diferentes, a mensagem central do livro encontra-se nas passagens 12.1, 40.1 e 66.13: consolar o povo que se encontra no exílio, anunciando o fim do castigo e oferecendo um retorno digno e glorioso. As experiências de sofrimento dos últimos anos da nação Israel serão anuladas pelo esquecimento de Deus e pela falta de lembrança do povo. A cortina da reconciliação será aberta. O cenário mudará. No entanto, no lado de cá das coisas e em nosso mundo, no suor do teu rosto (Gn 3.19) continua valendo. Há muito o que fazer para chegar à vida abundante de Jo 10.10 (vide Lc 13.10-17 e a cessação do sofrimento da mulher acima da Lei do Sábado). Enquanto em algumas nações se anunciam longevidades (como das árvores, v. 22) para a vida humana, noutras persistem as tragédias da mortalidade infantil, da fome e da Aids. Se considerarmos os v. 17 e 25 como acréscimos redacionais possíveis, então o autor de Isaías trabalhava com uma expectativa histórica no horizonte da atuação humana. A cristandade, porém, encontra no NT uma ampliação de expectativa, ultrapassando seu mundo e sonhando muito além da longevidade dos 100 anos com a vida eterna (Jo 3.16). Entramos então no campo da fé (fides) com certezas (fiducia) que caracterizam também nossa concepção luterana. É coisa para Deus mesmo! Será que a arrumação da casa Brasil pela situação herdada dos 300 anos de colonialismo, de monarquia dos Bragança e de uma era republicana marcada primeiro pelo positivismo da Ordem e Progresso e pelo capitalismo predatório tem esse poder sinistro que jamais será superado? Estamos à mercê dos poderosos investidores internos e externos, que jamais esquecerão os erros das gerações passadas?
v. 21: Edificarão casas e residirão, plantarão vinhas e comerão de seus frutos; v. 22: Não edificarão para que outro resida, nem plantarão para que outro coma, porque como os dias da árvore serão os dias de meu povo, e meus eleitos gastarão o produto de suas mãos. v. 23: Não se cansarão em vão, nem darão à luz para o espanto, porque eles serão descendência bendita de Javé, assim como seus rebentos com eles. v. 24: Sucederá que, antes que chamem, eu responderei; ainda estarão falando e eu já os ouvirei. v. 25: Lobo e cordeiro pastarão como um só, e o leão, como a vaca, comerá palha (quanto à serpente, seu pão será o pó): não causarão dano nem destruição em toda a minha montanha santa , diz Javé.
3 Tradução de Croatto v. 16b: Quando tenham sido esquecidas as adversidades primeiras e tenham sido ocultadas de meus olhos, v. 17: Pois eis aqui que crio novos céus e nova terra e não se lembrarão das primeiras coisas, nem subirão ao coração, v. 18: mas antes exultai e alegrai-vos para sempre pelo que estou criando, pois eis que recrio Jerusalém com alegria e seu povo como gozo , v. 19: pois me alegrarei em Jerusalém e exultarei em meu povo, e não mais se ouvirá nela voz de pranto nem voz de clamor. v. 20: Não haverá mais, (que seja levada) dali, nenhuma criança de dias, ou velho que não complete seus dias, porque o jovem morrerá aos cem anos, e aquele que não chegar aos cem anos será (como) maldito.
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4 Comentários Esse poema escatológico, diz Croatto, é constituído por fragmentos que anunciam uma nova era da ação de Javé. O que era sofrimento e tristeza vira alegria e gozo. De meus servos surge na virada o meu povo . Neste mundo novo prometido não importa a transformação dos astros ou do planeta Terra, mas as transformações das condições humanas que geram o pranto, o clamor, as angústias e a dor... (Croatto, p. 343). O ponto de partida do imaginário (continuando com Croatto, p. 347) do texto é a realidade vivida , com as mazelas de sofrimento, inimizade e ódio da presente era. Mas isso não basta ! A esperança consiste precisamente em que é possível um mundo diferente. Mas como este é um ainda não , é preciso imaginá-lo. Por ser uma utopia, quando chegar deixará de ser o imaginado. Por isso é preciso pensá-lo continuamente. A ação extraordinária de Javé inclui a harmonia da natureza, já mencionada em Is 11.6-9. Apenas as serpentes permanecem no seu isolamento. A montanha santa não se refere ao templo, mas à terra montanhosa de Judá, onde ocorrerá a nova ordem criada por Javé.
5 Elementos para o culto e a pregação Imagino que o culto no Dia Internacional do Trabalhador poderia até ter uma configuração como os cultos da Colheita (de Ação de Graças). O fruto do trabalho, seja urbano ou rural, poderia estar presente no altar e ser destinado para uma instituição social de necessitados.
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6º D O M I N G O D A P Á S C O A
O livro de Isaías é apaixonante, pois contempla uma experiência riquíssima de no mínimo 200 anos de história do povo de Israel (Meister, p. 479). O texto reproduz a experiência do exílio e do seu retorno, paz e guerra, destruição e reconstrução. Nesse contexto de dificuldades, o profeta oferece a mensagem do consolo, visão de esperanças, e pede pela paciência histórica. A tradição judaico-cristã caracteriza-se pela teologia da história, que nos distingue de outras grandes religiões. A vida pode ser abundante e já neste mundo pode-se usufruí-la com satisfação. Neste sentido, o texto fornece plasticidades interessantes: viver tanto como as árvores, morar em casas construídas para si, colher frutos da terra para sua própria alimentação, crianças que sobreviverão aos primeiros dias e assistir a própria natureza transformar-se em harmonia. Isto remete a pregação a pensar nas esperanças do Dia do Trabalhador: os sonhos de um emprego estável, um salário compatível com as necessidades, uma vida do bem conduzida por uma sociedade democrática, aberta e feliz. Mas isto não é tudo! O ainda não reserva-nos um encontro com Cristo diante do nosso Criador. Sobre isso a fé alimenta a certeza de que preencherá o já agora com uma nova qualidade de vida. Está nas mãos de Javé, mas também começa com nossas mãos. Ao povo da fé cabe viver e agir na manutenção da vida, na construção de esperanças por um mundo melhor, na busca da paz entre os povos. Isto exige participação, engajamento e atitudes corajosas na concretização do que a fé já anuncia e imagina. A esperança concretiza-se quando nós começamos a dar o primeiro passo. Como Isaías, cabe aos pregadores um papel de levantar o moral do povo e desafiar seus ouvintes para assumirem responsabilidades de um tempo que se completará com a ação de Javé.
Bibliografia CROATTO, J. Severino. Isaías vol. III, A Utopia da Nova Criação, Vozes, 2002. MEISTER, Ralf. Göttinger Predigt-Meditationen in: Pastoral-Theologie, de agosto de 2000. VOIGT, Gottfried. Die himmlische Berufung, Berlim, 1987.
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
5 MAI 2005
SALMO 110 LUCAS 24.44-56
PRÉDICA: EFÉSIOS 1.(16-20a)20b-23 Margarete Engelbrecht
1 Aprendendo a conviver com sobreviventes: nossa realidade Eis que, diante de nós, estão pessoas que sobreviveram ao caos econômico de saídas quase mágicas de governos comprometidos com a manutenção de domínios seculares. Eis que, diante de nós, estão pessoas que sobrevivem a desrespeito e desprezo, oriundas de preconceitos de gênero, etnia e tantos outros percalços a que são submetidas em nosso país, sutil ou declaradamente. Eis que, diante de nós, estão pessoas que se têm agarrado a esperanças de promoção individual, a promessas de crescimento econômico, a valores tortos de crescimento, trazidos por uma religiosidade também comprometida com dominação e escravização da criação de Deus. Eis que, diante de nós, estão sobreviventes da bela criação de Deus: crianças envelhecidas precocemente, já responsáveis pela vida de seus irmãos e irmãs; crianças e adolescentes submetidos à tortura de seus pais, de suas mães, padrastos, madrastas; crianças e adolescentes que não sabem mais brincadeiras infantis, porque seus corpos foram desrespeitados e buscam já sozinhos o que neles foi despertado sem nenhum pudor. Eis que, diante de nós, sobrevive, nem sempre majestosamente, a mata atlântica, a mata nativa de araucárias, os rios que deram origem a povoações inteiras. Tanto pequenos arbustos como grandes áreas vão sendo submetidos ao desrespeito e à violência, numa cadeia de ações que parecem não ter fim. São os traumas e conseqüências das atitudes violentas em pessoas. E ainda há sobreviventes em nossas comunidades ou fora delas vivendo e precisando viver do amor/poder de Deus.
2 Sobreviventes nas comunidades cristãs: texto e contexto A Carta aos Efésios não é atribuída a Paulo, mas a pessoas que o sucederam na missão. Por ser mais tardia (em torno de 90 d.C.), é dirigida a pessoas que sobreviveram à promessa da segunda vinda de Cristo ainda no
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O livro de Isaías é apaixonante, pois contempla uma experiência riquíssima de no mínimo 200 anos de história do povo de Israel (Meister, p. 479). O texto reproduz a experiência do exílio e do seu retorno, paz e guerra, destruição e reconstrução. Nesse contexto de dificuldades, o profeta oferece a mensagem do consolo, visão de esperanças, e pede pela paciência histórica. A tradição judaico-cristã caracteriza-se pela teologia da história, que nos distingue de outras grandes religiões. A vida pode ser abundante e já neste mundo pode-se usufruí-la com satisfação. Neste sentido, o texto fornece plasticidades interessantes: viver tanto como as árvores, morar em casas construídas para si, colher frutos da terra para sua própria alimentação, crianças que sobreviverão aos primeiros dias e assistir a própria natureza transformar-se em harmonia. Isto remete a pregação a pensar nas esperanças do Dia do Trabalhador: os sonhos de um emprego estável, um salário compatível com as necessidades, uma vida do bem conduzida por uma sociedade democrática, aberta e feliz. Mas isto não é tudo! O ainda não reserva-nos um encontro com Cristo diante do nosso Criador. Sobre isso a fé alimenta a certeza de que preencherá o já agora com uma nova qualidade de vida. Está nas mãos de Javé, mas também começa com nossas mãos. Ao povo da fé cabe viver e agir na manutenção da vida, na construção de esperanças por um mundo melhor, na busca da paz entre os povos. Isto exige participação, engajamento e atitudes corajosas na concretização do que a fé já anuncia e imagina. A esperança concretiza-se quando nós começamos a dar o primeiro passo. Como Isaías, cabe aos pregadores um papel de levantar o moral do povo e desafiar seus ouvintes para assumirem responsabilidades de um tempo que se completará com a ação de Javé.
Bibliografia CROATTO, J. Severino. Isaías vol. III, A Utopia da Nova Criação, Vozes, 2002. MEISTER, Ralf. Göttinger Predigt-Meditationen in: Pastoral-Theologie, de agosto de 2000. VOIGT, Gottfried. Die himmlische Berufung, Berlim, 1987.
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
5 MAI 2005
SALMO 110 LUCAS 24.44-56
PRÉDICA: EFÉSIOS 1.(16-20a)20b-23 Margarete Engelbrecht
1 Aprendendo a conviver com sobreviventes: nossa realidade Eis que, diante de nós, estão pessoas que sobreviveram ao caos econômico de saídas quase mágicas de governos comprometidos com a manutenção de domínios seculares. Eis que, diante de nós, estão pessoas que sobrevivem a desrespeito e desprezo, oriundas de preconceitos de gênero, etnia e tantos outros percalços a que são submetidas em nosso país, sutil ou declaradamente. Eis que, diante de nós, estão pessoas que se têm agarrado a esperanças de promoção individual, a promessas de crescimento econômico, a valores tortos de crescimento, trazidos por uma religiosidade também comprometida com dominação e escravização da criação de Deus. Eis que, diante de nós, estão sobreviventes da bela criação de Deus: crianças envelhecidas precocemente, já responsáveis pela vida de seus irmãos e irmãs; crianças e adolescentes submetidos à tortura de seus pais, de suas mães, padrastos, madrastas; crianças e adolescentes que não sabem mais brincadeiras infantis, porque seus corpos foram desrespeitados e buscam já sozinhos o que neles foi despertado sem nenhum pudor. Eis que, diante de nós, sobrevive, nem sempre majestosamente, a mata atlântica, a mata nativa de araucárias, os rios que deram origem a povoações inteiras. Tanto pequenos arbustos como grandes áreas vão sendo submetidos ao desrespeito e à violência, numa cadeia de ações que parecem não ter fim. São os traumas e conseqüências das atitudes violentas em pessoas. E ainda há sobreviventes em nossas comunidades ou fora delas vivendo e precisando viver do amor/poder de Deus.
2 Sobreviventes nas comunidades cristãs: texto e contexto A Carta aos Efésios não é atribuída a Paulo, mas a pessoas que o sucederam na missão. Por ser mais tardia (em torno de 90 d.C.), é dirigida a pessoas que sobreviveram à promessa da segunda vinda de Cristo ainda no
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primeiro século. Traz, assim, a confissão de fé que perpassa a obra de Paulo e prossegue. Tal confissão é dirigida a várias igrejas, já que é bastante impessoal.1 Mesmo assim, percebe-se que não eram neoconvertidos. Eram famílias já instaladas no cristianismo que procuravam um status estável no mundo e na igreja. A comunidade local já não era novidade e já não suscitava tanto entusiasmo: precisavam de uma identificação mais forte. Já se encontravam bastante afastados da conversão porque estavam no perigo de se deixar contaminar pelo paganismo ambiental. 2
Há algo que vai tornando a Carta aos Efésios notadamente diferente de outras cartas. Ela não parece ser dirigida a grupos e pessoas pobres como em outras cartas ou nos evangelhos. É dirigida a comunidades que sofrem com a fraqueza de suas ações, já que refletem o mundo romano, que relaxara as perseguições. A luta contra o Império não é luta contra a perseguição, e sim contra a pressão permanente dum mundo decadente.3
O agradecimento (v. 16 a 20) pela sobrevivência é a forma de encorajar justamente quem permanece na comunidade fundada pela pregação de Paulo e seu grupo. A carta aponta para a esperança que significa a comunidade cristã dentro de uma sociedade marcada pela indiferença e pela falência que o poder romano vinha sofrendo, qual seja, a esperança da extensão do próprio Cristo (v. 20b a 23). Há ações de graças, provavelmente partes de hinos já conhecidos (na Carta aos Efésios, em comparação a Colossenses 1.15-20, o conteúdo do hino foi aumentado), fortalecendo a igreja já constituída. Ao proclamar o direcionamento do corpo pela cabeça, Cristo, não deixam de exaltar aqui também o corpo: as pessoas percebem como são agraciadas! E se tornam, na ótica da ascensão, uma extensão do poder de Cristo: poder de justiça, de misericórdia, de profecia, de novas formas de existir dentro de uma sociedade que vivencia o caos, mas que as capacita ao trabalho de Deus no mundo. Essa confissão, escrita para uma comunidade algo desanimada e não mais motivada para um embate , pode estimular de novo a fé e o entusiasmo .4 O hino vai mostrando a confissão de que só Cristo está acima de qualquer outro poder. 1 Comblim, p.18. 2 Idem, p. 18s. 3 Idem, p. 23. 4 Idem, p. 37.
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
3 Anúncio de chão e de esperança: contextualização Anúncio da mensagem do evangelho a sobreviventes: esta é uma das luzes da Carta aos Efésios. Anunciar igreja a esses sobreviventes é anunciar poder a quem não tinha perdido a vida, mas que, mesmo assim, não possuía poder algum. Havia apenas sobrevivido, fazendo parte da comunidade cristã ou sendo acolhida por ela. Lamentavelmente, temos exemplos cotidianos de abusos no poder. Lamentavelmente não temos exemplos rotineiros de quem, no uso de funções que detenham poder, mantenha-se sem corromper ou ser corrompido. Mesmo a postura estrutural de nossas igrejas cristãs pode distanciá-las da verdadeira igreja da resistência, de onde o poder realmente vem da experiência misericordiosa e profética de Cristo. Mesmo assim, anunciar igreja entre os que sobrevivem na própria comunidade cristã ou a quem sobrevive, no dia-a-dia, ante nossos olhos, é anunciar a expectativa do que nos diz a canção popular: pra que a vida nos dê flor e fruto! . Traumas não são facilmente esquecidos, tristeza pode continuar nas vidas das pessoas, mesmo não fazendo parte de um quadro depressivo: afinal, a vida, para quem sobrevive, tem marcas tristes. Por isso mesmo, anunciar que há poder de vida, há vida em nosso redor, é anunciar, sim, evangelho a sobreviventes. O salmo indicado, Sl 110, é anúncio de vitória. A leitura do evangelho prevista para esta data, Lc 24.44-53, é anúncio do poder de Jesus Cristo estendendo-se ao mundo, que junta arrependimento e perdão a todas as nações, inclusive Jerusalém, onde Cristo foi condenado. Há o compromisso dos discípulos com o testemunho e há o momento de bênção e ascensão mostrando que o poder de Cristo está além daquilo que nossos olhos podem ver e crer. Cristo está presente ahora con una presencia mucho más viva que cuando peregrinó 33 años entre nosotros(...) la Ascensión de Cristo anuncia que la creación entera será también redimida en Él, porque Él dará la explicación de todo cuanto Dios ha creado y pondrá a los pies de Dios, al final de los tiempos, en el juicio final que en eso consistirá el juicio final el gran discernimiento entre el bien y el mal. El mal para ser eliminado definitivamente y el bien para ser asumido en la glorificación eterna de Cristo; o sea, que la Ascensión del Señor marca también la glorificación del universo. 5 5 Pregação de Oscar Romero em 07 de maio de 1978.
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primeiro século. Traz, assim, a confissão de fé que perpassa a obra de Paulo e prossegue. Tal confissão é dirigida a várias igrejas, já que é bastante impessoal.1 Mesmo assim, percebe-se que não eram neoconvertidos. Eram famílias já instaladas no cristianismo que procuravam um status estável no mundo e na igreja. A comunidade local já não era novidade e já não suscitava tanto entusiasmo: precisavam de uma identificação mais forte. Já se encontravam bastante afastados da conversão porque estavam no perigo de se deixar contaminar pelo paganismo ambiental. 2
Há algo que vai tornando a Carta aos Efésios notadamente diferente de outras cartas. Ela não parece ser dirigida a grupos e pessoas pobres como em outras cartas ou nos evangelhos. É dirigida a comunidades que sofrem com a fraqueza de suas ações, já que refletem o mundo romano, que relaxara as perseguições. A luta contra o Império não é luta contra a perseguição, e sim contra a pressão permanente dum mundo decadente.3
O agradecimento (v. 16 a 20) pela sobrevivência é a forma de encorajar justamente quem permanece na comunidade fundada pela pregação de Paulo e seu grupo. A carta aponta para a esperança que significa a comunidade cristã dentro de uma sociedade marcada pela indiferença e pela falência que o poder romano vinha sofrendo, qual seja, a esperança da extensão do próprio Cristo (v. 20b a 23). Há ações de graças, provavelmente partes de hinos já conhecidos (na Carta aos Efésios, em comparação a Colossenses 1.15-20, o conteúdo do hino foi aumentado), fortalecendo a igreja já constituída. Ao proclamar o direcionamento do corpo pela cabeça, Cristo, não deixam de exaltar aqui também o corpo: as pessoas percebem como são agraciadas! E se tornam, na ótica da ascensão, uma extensão do poder de Cristo: poder de justiça, de misericórdia, de profecia, de novas formas de existir dentro de uma sociedade que vivencia o caos, mas que as capacita ao trabalho de Deus no mundo. Essa confissão, escrita para uma comunidade algo desanimada e não mais motivada para um embate , pode estimular de novo a fé e o entusiasmo .4 O hino vai mostrando a confissão de que só Cristo está acima de qualquer outro poder. 1 Comblim, p.18. 2 Idem, p. 18s. 3 Idem, p. 23. 4 Idem, p. 37.
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
3 Anúncio de chão e de esperança: contextualização Anúncio da mensagem do evangelho a sobreviventes: esta é uma das luzes da Carta aos Efésios. Anunciar igreja a esses sobreviventes é anunciar poder a quem não tinha perdido a vida, mas que, mesmo assim, não possuía poder algum. Havia apenas sobrevivido, fazendo parte da comunidade cristã ou sendo acolhida por ela. Lamentavelmente, temos exemplos cotidianos de abusos no poder. Lamentavelmente não temos exemplos rotineiros de quem, no uso de funções que detenham poder, mantenha-se sem corromper ou ser corrompido. Mesmo a postura estrutural de nossas igrejas cristãs pode distanciá-las da verdadeira igreja da resistência, de onde o poder realmente vem da experiência misericordiosa e profética de Cristo. Mesmo assim, anunciar igreja entre os que sobrevivem na própria comunidade cristã ou a quem sobrevive, no dia-a-dia, ante nossos olhos, é anunciar a expectativa do que nos diz a canção popular: pra que a vida nos dê flor e fruto! . Traumas não são facilmente esquecidos, tristeza pode continuar nas vidas das pessoas, mesmo não fazendo parte de um quadro depressivo: afinal, a vida, para quem sobrevive, tem marcas tristes. Por isso mesmo, anunciar que há poder de vida, há vida em nosso redor, é anunciar, sim, evangelho a sobreviventes. O salmo indicado, Sl 110, é anúncio de vitória. A leitura do evangelho prevista para esta data, Lc 24.44-53, é anúncio do poder de Jesus Cristo estendendo-se ao mundo, que junta arrependimento e perdão a todas as nações, inclusive Jerusalém, onde Cristo foi condenado. Há o compromisso dos discípulos com o testemunho e há o momento de bênção e ascensão mostrando que o poder de Cristo está além daquilo que nossos olhos podem ver e crer. Cristo está presente ahora con una presencia mucho más viva que cuando peregrinó 33 años entre nosotros(...) la Ascensión de Cristo anuncia que la creación entera será también redimida en Él, porque Él dará la explicación de todo cuanto Dios ha creado y pondrá a los pies de Dios, al final de los tiempos, en el juicio final que en eso consistirá el juicio final el gran discernimiento entre el bien y el mal. El mal para ser eliminado definitivamente y el bien para ser asumido en la glorificación eterna de Cristo; o sea, que la Ascensión del Señor marca también la glorificación del universo. 5 5 Pregação de Oscar Romero em 07 de maio de 1978.
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4 Anúncio da Ascensão: pregação Interessante observar a diferença na atualização das mensagens elaboradas por colegas nos volumes anteriores do PL. Interessante constatar o quanto a realidade que nos envolve direciona a nossa interpretação. Há um ditado popular que afirma: Cerração que baixa, sol que racha . Normalmente, quando a neblina cobre a cidade pela manhã, é com vigor que o sol desponta ao meio-dia. Lembro de trabalhos feitos pelo Culto Infantil que anunciavam a ascensão como uma cruz que ia sendo envolta por nuvens. E volta-me a imagem da cerração/neblina, onde o céu desce , a cruz sobe , o poder se desloca e a natureza resplandece depois disso. Ora, nem sempre o sofrimento agudiza a sensibilidade para a dor do mundo .6 Há formas de encarar o sofrimento de outras pessoas ou da natureza que vão subtraindo o sentido de transformação que a cruz anuncia. Ora se convive bem com a criança maltratada, que pede dinheiro e ganha, e com isto perpetua sua escravidão, ora se compactua com quem abandona sua criança, por acreditar não ter nada a contribuir para o desenvolvimento da mesma. Ora se é conivente com a violência e o desrespeito, porque talvez sejam formas de aprendizagem, ora se enaltecem diferenças culturais porque produzem retorno econômico. O hino de agradecimento não é somente hino direcionado a sobreviventes, como também é hino dos mesmos. A Carta aos Efésios agradece a Deus por aquelas pessoas que continuaram firmes na comunidade, que se reconheceram como corpo de Cristo . Nós entenderemos, então, esse hino como hino de vida da igreja de Jesus Cristo. Nós somos as pessoas convidadas a ler o evangelho; Cristo está nos mostrando o lado da vida que resiste à nossa ganância (exploração do ambiente e das pessoas), que resiste ao nosso sectarismo (das crianças de rua que vêm de famílias pobres da vila), que resiste à nossa falta de misericórdia (do mundo que produz tanto alimento e mata tanta gente de fome), que resiste ao nosso cinismo (da violência em família, que é escondida por vergonha). Eis o evangelho que resiste à morte de Cristo na cruz, que prega ressurreição e que anuncia que Cristo tem poder para ir aos céus diante de nossos olhos, por formas que para nós podem parecer estranhas e mágicas, como as vidas dos sobreviventes do sistema: vidas mágicas! Confesso que ver a cruz vazia ascendendo, num cartaz no interior gaúcho, numa igreja quase centenária e sem luz, sem cuidados, sem perspectivas de vida comunitária ativa, traz-me, até hoje, incômodas reflexões. A vida expressa o corpo de Cristo: o hino da vida é o hino que reconhece a força de Deus nas pessoas enfraquecidas pelos poderes da antivida (a poesia de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina , enriqueceria aqui a pregação).
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
Está em nós alterar as condições sociais determinantes de sofrimento humano. Possuímos o poder de mudar e de aprender no sofrimento, em vez de nos tornarmos piores. Podemos afastar gradativamente e suprimir o sofrimento que ainda hoje serve de proveito a uns poucos. Contudo, em todos estes avanços nos defrontamos com barreiras intransponíveis. A morte não é o único limite que barra nosso agir. Existem o embrutecimento e a dessensibilização. Há mutilações e vulnerações que são irreversíveis. A única maneira de ultrapassar tais limites é compartilhar a dor dos que sofrem, não abandoná-los à própria sorte e fazer com que seu clamor encontre eco.7
A revelação do Deus crucificado, que agora, exaltado, direciona seu poder a toda a sua criação (sofrimento de Cristo é sofrimento humano, é sofrimento da natureza), é percebida por nós, é anunciada a nós. Nós e os sobreviventes somos parte de um mesmo corpo glorioso. Talvez sejamos todos sobreviventes de um mundo que quer manter cravada a cruz como espelho de um martírio e sofrimento que parece não ter fim, que parece dignificar o ser humano somente no céu. Ascensão, porém, nos diz que o poder de Deus retira do mundo o sofrimento. A visão do Cristo crucificado desaparece porque a igreja é o corpo daqueles que resistem à pregação da morte, daqueles que anunciam a sobrevivência da vida ressuscitada em Cristo e do poder que se desloca para o céu e enche seus discípulos de alegria, porque mostra um novo caminho, um novo poder , conferido às testemunhas da vida , aos sobreviventes que insistem em escrever o evangelho de Jesus Cristo em suas vidas. E ainda há sobreviventes.8
Bibliografia COMBLIN, José. Epístola aos Efésios. Comentário Bíblico NT. Vozes, Metodista e Sinodal, 1987. 111p. SÖLLE, Dorothee. Sofrimento. Petrópolis: Vozes, 1996. 189p. PREGAÇÕES diversas de D. Oscar Romero. In: Servicio Bíblico LatinoAmericano. Servicio Bíblico Koinonia. www.servicioskoinonia.org
7 Idem, p.183. 8 Agradeço a contribuição da pastora Vânia Moreira Klen na discussão e finalização deste auxílio homilético.
6 Dorothee Sölle, p. 132.
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4 Anúncio da Ascensão: pregação Interessante observar a diferença na atualização das mensagens elaboradas por colegas nos volumes anteriores do PL. Interessante constatar o quanto a realidade que nos envolve direciona a nossa interpretação. Há um ditado popular que afirma: Cerração que baixa, sol que racha . Normalmente, quando a neblina cobre a cidade pela manhã, é com vigor que o sol desponta ao meio-dia. Lembro de trabalhos feitos pelo Culto Infantil que anunciavam a ascensão como uma cruz que ia sendo envolta por nuvens. E volta-me a imagem da cerração/neblina, onde o céu desce , a cruz sobe , o poder se desloca e a natureza resplandece depois disso. Ora, nem sempre o sofrimento agudiza a sensibilidade para a dor do mundo .6 Há formas de encarar o sofrimento de outras pessoas ou da natureza que vão subtraindo o sentido de transformação que a cruz anuncia. Ora se convive bem com a criança maltratada, que pede dinheiro e ganha, e com isto perpetua sua escravidão, ora se compactua com quem abandona sua criança, por acreditar não ter nada a contribuir para o desenvolvimento da mesma. Ora se é conivente com a violência e o desrespeito, porque talvez sejam formas de aprendizagem, ora se enaltecem diferenças culturais porque produzem retorno econômico. O hino de agradecimento não é somente hino direcionado a sobreviventes, como também é hino dos mesmos. A Carta aos Efésios agradece a Deus por aquelas pessoas que continuaram firmes na comunidade, que se reconheceram como corpo de Cristo . Nós entenderemos, então, esse hino como hino de vida da igreja de Jesus Cristo. Nós somos as pessoas convidadas a ler o evangelho; Cristo está nos mostrando o lado da vida que resiste à nossa ganância (exploração do ambiente e das pessoas), que resiste ao nosso sectarismo (das crianças de rua que vêm de famílias pobres da vila), que resiste à nossa falta de misericórdia (do mundo que produz tanto alimento e mata tanta gente de fome), que resiste ao nosso cinismo (da violência em família, que é escondida por vergonha). Eis o evangelho que resiste à morte de Cristo na cruz, que prega ressurreição e que anuncia que Cristo tem poder para ir aos céus diante de nossos olhos, por formas que para nós podem parecer estranhas e mágicas, como as vidas dos sobreviventes do sistema: vidas mágicas! Confesso que ver a cruz vazia ascendendo, num cartaz no interior gaúcho, numa igreja quase centenária e sem luz, sem cuidados, sem perspectivas de vida comunitária ativa, traz-me, até hoje, incômodas reflexões. A vida expressa o corpo de Cristo: o hino da vida é o hino que reconhece a força de Deus nas pessoas enfraquecidas pelos poderes da antivida (a poesia de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina , enriqueceria aqui a pregação).
ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR
Está em nós alterar as condições sociais determinantes de sofrimento humano. Possuímos o poder de mudar e de aprender no sofrimento, em vez de nos tornarmos piores. Podemos afastar gradativamente e suprimir o sofrimento que ainda hoje serve de proveito a uns poucos. Contudo, em todos estes avanços nos defrontamos com barreiras intransponíveis. A morte não é o único limite que barra nosso agir. Existem o embrutecimento e a dessensibilização. Há mutilações e vulnerações que são irreversíveis. A única maneira de ultrapassar tais limites é compartilhar a dor dos que sofrem, não abandoná-los à própria sorte e fazer com que seu clamor encontre eco.7
A revelação do Deus crucificado, que agora, exaltado, direciona seu poder a toda a sua criação (sofrimento de Cristo é sofrimento humano, é sofrimento da natureza), é percebida por nós, é anunciada a nós. Nós e os sobreviventes somos parte de um mesmo corpo glorioso. Talvez sejamos todos sobreviventes de um mundo que quer manter cravada a cruz como espelho de um martírio e sofrimento que parece não ter fim, que parece dignificar o ser humano somente no céu. Ascensão, porém, nos diz que o poder de Deus retira do mundo o sofrimento. A visão do Cristo crucificado desaparece porque a igreja é o corpo daqueles que resistem à pregação da morte, daqueles que anunciam a sobrevivência da vida ressuscitada em Cristo e do poder que se desloca para o céu e enche seus discípulos de alegria, porque mostra um novo caminho, um novo poder , conferido às testemunhas da vida , aos sobreviventes que insistem em escrever o evangelho de Jesus Cristo em suas vidas. E ainda há sobreviventes.8
Bibliografia COMBLIN, José. Epístola aos Efésios. Comentário Bíblico NT. Vozes, Metodista e Sinodal, 1987. 111p. SÖLLE, Dorothee. Sofrimento. Petrópolis: Vozes, 1996. 189p. PREGAÇÕES diversas de D. Oscar Romero. In: Servicio Bíblico LatinoAmericano. Servicio Bíblico Koinonia. www.servicioskoinonia.org
7 Idem, p.183. 8 Agradeço a contribuição da pastora Vânia Moreira Klen na discussão e finalização deste auxílio homilético.
6 Dorothee Sölle, p. 132.
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7o DOMINGO DA PÁSCOA
8 MAI 2005
JOÃO 19.25-27 EFÉSIOS 6.1-4
PRÉDICA: 1 REIS 3.16-28 Elaine Neuenfeldt
1 Motivação Não quero mais celebrar o Dia das Mães como a rainha do lar , nem motivada pela idéia de que mãe tudo sofre, tudo suporta, ou o velho e desgastado padecer no paraíso . A maternidade pode ser ressignificada a partir das experiências das mães concretas de nossas amigas, das mães dos amigos e amigas de nossos filhos e filhas, de nós mesmas. Não nos enquadramos num ideal de mãe, desenhado por não se sabe quem, mas, com certeza, que não tem a nossa participação, que reflete muito pouco de nossas angústias, de nossos desejos e de nossos sonhos. Não nos encaixamos no ideal de maternidade desenhado para não se sabe quem. Somos mães, mulheres, profissionais, donas de casa, numa incrível simultaneidade que nos assusta e nos cansa, às vezes! Simultaneidade que enriquece, que nos faz múltiplas, multilocais, multivocais, multi muita coisa. Ser mãe é ser cada uma do seu jeito. É tudo isso, e mais um pouco. É não ter manual de instrução quando o filho ou a filha está doente. É aprender na caminhada, partilhar dores e alegrias, sufocar dores, é, enfim, uma pluralidade sem ideais, sem modelos, sem caixas, sem padrões fixos definidos pela mídia ou pela cultura. O critério e parâmetro do exercício da maternidade deve ser o testemunho cristão. A palavra de Deus é a orientação, a luz e a guia de nossos passos nesse processo de aprender a ser mãe. Essa palavra vem até nós de muitas formas. Às vezes, na leitura contemplativa de textos bíblicos, de salmos, de profecias, em que Deus se compara a uma mãe que geme e sofre em dores de parto. Outras vezes, essa palavra vem misturada com a vida, com o testemunho de outras mães, com a partilha em comunidade das alegrias e prazeres de ser mãe ou também das tristezas, das dificuldades, enfim, da realidade que contorna a maternidade em nossa sociedade hoje. A maternidade não é garantia de salvação. Enquanto mães e mulheres, somos formadas e formatadas entre luzes e sombras, entre as nossas vontades e desejos de seguir o bem e fazer o que é bom e agradável aos olhos do
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Senhor, mas também somos insensíveis, carregamos os sinais da falta de solidariedade nas relações. O desafio é assumir nossas luzes e sombras e conviver com estas, tentando superar, transformar e recriar as relações. Neste sentido, é desafiador celebrar o Dia das Mães tendo como motivação bíblica um relato de experiência de maternidade tão conturbada como essa do texto.
2 O texto de 1 Rs 3.16-28 O texto encontra-se num contexto onde é exaltada a sabedoria do rei Salomão. No início do capítulo, Deus mesmo aparece ao rei em sonhos, dizendo: Pede-me o que queres que eu te dê (3.5). Salomão pede sabedoria: Coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal . Parece que o texto que trata da disputa entre as duas mulheres é quase uma aplicação ou verificação de eficácia do rei em exercer a sua opção pela sabedoria. A história tem o objetivo de exaltar a figura do rei Salomão. Por isso, as duas personagens mulheres aparecem sem nome. O anonimato das duas mulheres tem a intenção de colocar o rei, glorificando sua sabedoria, no centro da cena. Elas são apresentadas como prostitutas (zônôt). O hebraico usa duas formas para designar as prostitutas: zonah, que é usado em sentido próprio, como é usado para Tamar em Gn 38.24; ou com conotações de idolatria, como em Ez 16.28, Jr 3.1, Is 23.17. Outra forma para dizer prostituta no AT é qedeshim. As qedeshim são mulheres que exerciam alguma função cultual no templo, como grupo de especialistas, funcionárias consagradas. Estudos feministas propõem que a expressão prostituição/prostituta/o sagrada/o deve ser repensada. O termo prostituta/o sagrada/o transfere uma idéia atual, a qual liga a esfera sagrada com a de comércio sexual, o que não corresponde ao termo em hebraico. Na Bíblia Hebraica, o termo qedeshim ocorre cinco vezes no feminino: Gn 38.21-22, três vezes; Os 4. 14 e Dt 23.18. No masculino, ocorre em Jó 46.14; 1Rs 19.24; 15.12; 22.47; 2Rs 23.7. A figura da prostituta é usada nos textos bíblicos para demonstrar a insensatez, o reverso da sabedoria. Nos capítulos 1 a 9 de Provérbios, esse contraste entre a Senhora Sabedoria e a Dama Insensatez é colocado explicitamente. Essa contextualização do texto na literatura sapiencial motiva para a pergunta pelo uso da imagem, corporeidade e sexualidade da mulher para exemplificar a ordem ou o caos social. A prostituta aparece como representação da desordem, de uma vivência corporal que está às margens e, portanto, fora do controle da sociedade patriarcal. Por outro lado, o rei, com sua sabedoria, a qual é promovida pela construção textual, evidencia a ordem e o corpo sob controle, aceita e promovida socialmente da mulher-mãe.
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7º D O M I N G O D A P Á S C O A
7o DOMINGO DA PÁSCOA
8 MAI 2005
JOÃO 19.25-27 EFÉSIOS 6.1-4
PRÉDICA: 1 REIS 3.16-28 Elaine Neuenfeldt
1 Motivação Não quero mais celebrar o Dia das Mães como a rainha do lar , nem motivada pela idéia de que mãe tudo sofre, tudo suporta, ou o velho e desgastado padecer no paraíso . A maternidade pode ser ressignificada a partir das experiências das mães concretas de nossas amigas, das mães dos amigos e amigas de nossos filhos e filhas, de nós mesmas. Não nos enquadramos num ideal de mãe, desenhado por não se sabe quem, mas, com certeza, que não tem a nossa participação, que reflete muito pouco de nossas angústias, de nossos desejos e de nossos sonhos. Não nos encaixamos no ideal de maternidade desenhado para não se sabe quem. Somos mães, mulheres, profissionais, donas de casa, numa incrível simultaneidade que nos assusta e nos cansa, às vezes! Simultaneidade que enriquece, que nos faz múltiplas, multilocais, multivocais, multi muita coisa. Ser mãe é ser cada uma do seu jeito. É tudo isso, e mais um pouco. É não ter manual de instrução quando o filho ou a filha está doente. É aprender na caminhada, partilhar dores e alegrias, sufocar dores, é, enfim, uma pluralidade sem ideais, sem modelos, sem caixas, sem padrões fixos definidos pela mídia ou pela cultura. O critério e parâmetro do exercício da maternidade deve ser o testemunho cristão. A palavra de Deus é a orientação, a luz e a guia de nossos passos nesse processo de aprender a ser mãe. Essa palavra vem até nós de muitas formas. Às vezes, na leitura contemplativa de textos bíblicos, de salmos, de profecias, em que Deus se compara a uma mãe que geme e sofre em dores de parto. Outras vezes, essa palavra vem misturada com a vida, com o testemunho de outras mães, com a partilha em comunidade das alegrias e prazeres de ser mãe ou também das tristezas, das dificuldades, enfim, da realidade que contorna a maternidade em nossa sociedade hoje. A maternidade não é garantia de salvação. Enquanto mães e mulheres, somos formadas e formatadas entre luzes e sombras, entre as nossas vontades e desejos de seguir o bem e fazer o que é bom e agradável aos olhos do
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Senhor, mas também somos insensíveis, carregamos os sinais da falta de solidariedade nas relações. O desafio é assumir nossas luzes e sombras e conviver com estas, tentando superar, transformar e recriar as relações. Neste sentido, é desafiador celebrar o Dia das Mães tendo como motivação bíblica um relato de experiência de maternidade tão conturbada como essa do texto.
2 O texto de 1 Rs 3.16-28 O texto encontra-se num contexto onde é exaltada a sabedoria do rei Salomão. No início do capítulo, Deus mesmo aparece ao rei em sonhos, dizendo: Pede-me o que queres que eu te dê (3.5). Salomão pede sabedoria: Coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal . Parece que o texto que trata da disputa entre as duas mulheres é quase uma aplicação ou verificação de eficácia do rei em exercer a sua opção pela sabedoria. A história tem o objetivo de exaltar a figura do rei Salomão. Por isso, as duas personagens mulheres aparecem sem nome. O anonimato das duas mulheres tem a intenção de colocar o rei, glorificando sua sabedoria, no centro da cena. Elas são apresentadas como prostitutas (zônôt). O hebraico usa duas formas para designar as prostitutas: zonah, que é usado em sentido próprio, como é usado para Tamar em Gn 38.24; ou com conotações de idolatria, como em Ez 16.28, Jr 3.1, Is 23.17. Outra forma para dizer prostituta no AT é qedeshim. As qedeshim são mulheres que exerciam alguma função cultual no templo, como grupo de especialistas, funcionárias consagradas. Estudos feministas propõem que a expressão prostituição/prostituta/o sagrada/o deve ser repensada. O termo prostituta/o sagrada/o transfere uma idéia atual, a qual liga a esfera sagrada com a de comércio sexual, o que não corresponde ao termo em hebraico. Na Bíblia Hebraica, o termo qedeshim ocorre cinco vezes no feminino: Gn 38.21-22, três vezes; Os 4. 14 e Dt 23.18. No masculino, ocorre em Jó 46.14; 1Rs 19.24; 15.12; 22.47; 2Rs 23.7. A figura da prostituta é usada nos textos bíblicos para demonstrar a insensatez, o reverso da sabedoria. Nos capítulos 1 a 9 de Provérbios, esse contraste entre a Senhora Sabedoria e a Dama Insensatez é colocado explicitamente. Essa contextualização do texto na literatura sapiencial motiva para a pergunta pelo uso da imagem, corporeidade e sexualidade da mulher para exemplificar a ordem ou o caos social. A prostituta aparece como representação da desordem, de uma vivência corporal que está às margens e, portanto, fora do controle da sociedade patriarcal. Por outro lado, o rei, com sua sabedoria, a qual é promovida pela construção textual, evidencia a ordem e o corpo sob controle, aceita e promovida socialmente da mulher-mãe.
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A cena de 1 Reis é intrigante. Duas prostitutas-mães, uma criança morta, uma criança viva e o rei. Extremos da vida que se reúnem: prostituta-mãe, criança viva-criança morta, rei (poder e riqueza)-prostituta (pobreza e exclusão). Em meio a estes extremos, a sabedoria deve desamarrar essa trama: Quem é mãe? De quem é o filho morto? Quem está mentindo? Mas o método que a narrativa da sabedoria articula na construção da história não é ditando sentenças, nem fazendo declarações e investigações. Podemos até questionar o método no sentido de sua crueldade, de sua falta de didática, ao tomar a outra criança, a única viva, como lugar da provocação. O rei toma justamente o que de mais sagrado é para essas duas mães, o que mais dói, o que mais as vai atingir: a criança. Mas é algo de mais caro que lhes arranca a voz presa e as faz falar. É delas que vem a resposta. Elas que articulam as saídas para a crise. Elas são sujeitos. As duas mulheres convivem, supostamente, na mesma casa, dormem na mesma cama, dividem as aflições de uma vida à margem, sem homem que as proteja numa sociedade patriarcal, que vê o lugar social da mulher em função de sua condição de esposa e mãe. A criança de uma morre, porque a mãe se deita sobre ela (v. 19). Ora, é crucial perguntar pelos fatores que levam uma mãe a sufocar seu bebê durante o sono. O cansaço de noites de trabalho? A embriaguez? As condições deploráveis de pobreza que levam a dividir os espaços, até da cama, com outra mulher e sua criança? Todas estas são possibilidades reais, conhecidas igualmente hoje em dia em lugares de pobreza e prostituição. O desespero de ver seu bebê morto leva a mãe a tomar um rumo atravessado. Ela troca o bebê morto pelo filho vivo da outra e o coloca no próprio seio . Uma cena triste. A reação desesperada de ter um filho vivo em seu seio é plasmada aqui. Resgatar essa atitude maternal é uma forma de contrapor a interpretação que geralmente coloca uma mãe dedicada contra a outra mentirosa. Uma mãe cuidadosa contra a outra descuidada. Uma mãe falsa da outra verdadeira . As duas são mães e se relacionam com a maternidade a partir das condições que enfrentam, inseridas em seu contexto social. As duas vêm até o rei movidas pela vontade de arrancar o filho para a vida. Se a intenção do texto é evidenciar a sabedoria, pode-se sugerir que o processo de busca pela sabedoria não começa com Salomão, com o rei. A sabedoria começa a ser explicitada na casa dessas duas mulheres, que vivem a prostituição e a maternidade simultaneamente. Elas têm acesso ao rei para que este exerça os instrumentais que lhe foram concedidos para ajudar nos conflitos e nas situações de crise em grupos sociais. Ou seja, a sabedoria é delas, que buscam os mecanismos adequados, exigem das instituições responsáveis e incumbidas de exercer julgamento que cumpram seu papel. A justiça, ou o acesso à justiça, é aberta porque elas buscam as portas e as abrem solicitando a intervenção em sua disputa. Aqui começa a situação de
definir onde mora a sabedoria. A sabedoria reside no fato de o texto apresentá-las superando o papel estereotipado de prostitutas e enxergá-las como mães. Outra pergunta pode ser dirigida pela crítica implícita no texto: Que tipo de sabedoria é esta que quer cortar uma criança ao meio? Que tipo de rei é este que propõe um absurdo desses de matar a única criança viva dessas duas mulheres, que moram e convivem na mesma casa? Não estaria entretecida nas entrelinhas dessa história uma denúncia de insensatez do rei, do palácio, da monarquia em si, que gera situações em que mães esmagam crianças, pois se apertam na mesma cama, cansadas de tanta pobreza e violência? Ou de um reinado que mata crianças, que gera situações de prostituição, de conflitos e de morte? A sabedoria que fica como desafio no texto é a pergunta: Quem é a mãe do filho vivo, afinal? A resposta parece lógica: Ora, a mãe biológica é a mãe verdadeira! Mas, com a solução sábia do rei, outros critérios são levantados para estabelecer quem é a mãe verdadeira. As duas afirmam claramente diante do rei ser mães do filho vivo. O texto abre a possibilidade para o exercício da maternidade a partir de uma postura de defesa da vida. Mais do que perguntar quem deu à luz a criança que continua viva, a cena nos abre os olhos para uma postura de maternagem. É possível ser mãe de diversas formas. Mulheres em diferentes contextos, em diferentes situações vão atuar com mães de formas e jeitos diversos. Não há um modelo-padrão e idealizado de ser mãe, nem de ser mulher. Além de desconstruir a imagem de que prostitutas também podem ser boas mães, esse texto desafia a reconceituar a idéia mesma de ser mãe. Salomão dá a criança à mulher que demonstra maior respeito pela vida dessa mesma criança. Podemos supor que ela também seja a mais capaz de cuidar do bebê. Isso parece endossar o conceito de maternidade como uma instituição social mais do que primariamente biológica, e, de fato, talvez consista nisso a sabedoria do rei.
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3 Maternidade, sabedoria e discipulado As leituras bíblicas que acompanham o texto da pregação são indicadoras dessa possibilidade de exercício da maternidade como testemunho e discipulado. As mulheres ao pé da cruz são discípulas do crucificado. Acompanharam Jesus em toda a sua caminhada. Permaneceram fiéis e solidárias em todas as horas. A mãe de Jesus, Maria, é ligada aqui ao discípulo amado como continuidade de sua caminhada. Desta hora em diante o discípulo a tomou para sua casa , diz em Jo 19.27. Ou seja, incorporou-a entre os seus. Proporcionou um novo espaço de acolhida a esta mulher que sofria a perda de um filho. Mulheres que perdem filhos são acolhidas! Talvez seja
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A cena de 1 Reis é intrigante. Duas prostitutas-mães, uma criança morta, uma criança viva e o rei. Extremos da vida que se reúnem: prostituta-mãe, criança viva-criança morta, rei (poder e riqueza)-prostituta (pobreza e exclusão). Em meio a estes extremos, a sabedoria deve desamarrar essa trama: Quem é mãe? De quem é o filho morto? Quem está mentindo? Mas o método que a narrativa da sabedoria articula na construção da história não é ditando sentenças, nem fazendo declarações e investigações. Podemos até questionar o método no sentido de sua crueldade, de sua falta de didática, ao tomar a outra criança, a única viva, como lugar da provocação. O rei toma justamente o que de mais sagrado é para essas duas mães, o que mais dói, o que mais as vai atingir: a criança. Mas é algo de mais caro que lhes arranca a voz presa e as faz falar. É delas que vem a resposta. Elas que articulam as saídas para a crise. Elas são sujeitos. As duas mulheres convivem, supostamente, na mesma casa, dormem na mesma cama, dividem as aflições de uma vida à margem, sem homem que as proteja numa sociedade patriarcal, que vê o lugar social da mulher em função de sua condição de esposa e mãe. A criança de uma morre, porque a mãe se deita sobre ela (v. 19). Ora, é crucial perguntar pelos fatores que levam uma mãe a sufocar seu bebê durante o sono. O cansaço de noites de trabalho? A embriaguez? As condições deploráveis de pobreza que levam a dividir os espaços, até da cama, com outra mulher e sua criança? Todas estas são possibilidades reais, conhecidas igualmente hoje em dia em lugares de pobreza e prostituição. O desespero de ver seu bebê morto leva a mãe a tomar um rumo atravessado. Ela troca o bebê morto pelo filho vivo da outra e o coloca no próprio seio . Uma cena triste. A reação desesperada de ter um filho vivo em seu seio é plasmada aqui. Resgatar essa atitude maternal é uma forma de contrapor a interpretação que geralmente coloca uma mãe dedicada contra a outra mentirosa. Uma mãe cuidadosa contra a outra descuidada. Uma mãe falsa da outra verdadeira . As duas são mães e se relacionam com a maternidade a partir das condições que enfrentam, inseridas em seu contexto social. As duas vêm até o rei movidas pela vontade de arrancar o filho para a vida. Se a intenção do texto é evidenciar a sabedoria, pode-se sugerir que o processo de busca pela sabedoria não começa com Salomão, com o rei. A sabedoria começa a ser explicitada na casa dessas duas mulheres, que vivem a prostituição e a maternidade simultaneamente. Elas têm acesso ao rei para que este exerça os instrumentais que lhe foram concedidos para ajudar nos conflitos e nas situações de crise em grupos sociais. Ou seja, a sabedoria é delas, que buscam os mecanismos adequados, exigem das instituições responsáveis e incumbidas de exercer julgamento que cumpram seu papel. A justiça, ou o acesso à justiça, é aberta porque elas buscam as portas e as abrem solicitando a intervenção em sua disputa. Aqui começa a situação de
definir onde mora a sabedoria. A sabedoria reside no fato de o texto apresentá-las superando o papel estereotipado de prostitutas e enxergá-las como mães. Outra pergunta pode ser dirigida pela crítica implícita no texto: Que tipo de sabedoria é esta que quer cortar uma criança ao meio? Que tipo de rei é este que propõe um absurdo desses de matar a única criança viva dessas duas mulheres, que moram e convivem na mesma casa? Não estaria entretecida nas entrelinhas dessa história uma denúncia de insensatez do rei, do palácio, da monarquia em si, que gera situações em que mães esmagam crianças, pois se apertam na mesma cama, cansadas de tanta pobreza e violência? Ou de um reinado que mata crianças, que gera situações de prostituição, de conflitos e de morte? A sabedoria que fica como desafio no texto é a pergunta: Quem é a mãe do filho vivo, afinal? A resposta parece lógica: Ora, a mãe biológica é a mãe verdadeira! Mas, com a solução sábia do rei, outros critérios são levantados para estabelecer quem é a mãe verdadeira. As duas afirmam claramente diante do rei ser mães do filho vivo. O texto abre a possibilidade para o exercício da maternidade a partir de uma postura de defesa da vida. Mais do que perguntar quem deu à luz a criança que continua viva, a cena nos abre os olhos para uma postura de maternagem. É possível ser mãe de diversas formas. Mulheres em diferentes contextos, em diferentes situações vão atuar com mães de formas e jeitos diversos. Não há um modelo-padrão e idealizado de ser mãe, nem de ser mulher. Além de desconstruir a imagem de que prostitutas também podem ser boas mães, esse texto desafia a reconceituar a idéia mesma de ser mãe. Salomão dá a criança à mulher que demonstra maior respeito pela vida dessa mesma criança. Podemos supor que ela também seja a mais capaz de cuidar do bebê. Isso parece endossar o conceito de maternidade como uma instituição social mais do que primariamente biológica, e, de fato, talvez consista nisso a sabedoria do rei.
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3 Maternidade, sabedoria e discipulado As leituras bíblicas que acompanham o texto da pregação são indicadoras dessa possibilidade de exercício da maternidade como testemunho e discipulado. As mulheres ao pé da cruz são discípulas do crucificado. Acompanharam Jesus em toda a sua caminhada. Permaneceram fiéis e solidárias em todas as horas. A mãe de Jesus, Maria, é ligada aqui ao discípulo amado como continuidade de sua caminhada. Desta hora em diante o discípulo a tomou para sua casa , diz em Jo 19.27. Ou seja, incorporou-a entre os seus. Proporcionou um novo espaço de acolhida a esta mulher que sofria a perda de um filho. Mulheres que perdem filhos são acolhidas! Talvez seja
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esta uma outra perspectiva que pode ser desenvolvida a partir da reflexão do texto de 1 Reis e a mãe de Jesus ao pé da cruz. O texto de Efésios lembra o respeito mútuo que deve ser experimentado nas relações familiares. O chamado pelas relações de respeito se dá para os filhos, mas igualmente para os pais/mães: que não provoquem seus/ suas filhos/as. A casa, como espaço de convivência, deve ser lugar de experiências que tragam a dignidade, que sejam exercidas com justiça, que promovam o testemunho de fé. A Bíblia nos informa sobre diversas formas de exercer a maternidade. De Débora nos é dito que exerce sua maternidade como forma de profecia, em Jz 5.7. Outra forma de maternidade é aquela exercida pelas mães dos heróis bíblicos Ana, mãe de Samuel, a mãe de Sansão, sem nome, por exemplo. Aqui são as mulheres que recebem o anúncio da parte de Deus através de um mensageiro. Os homens são coadjuvantes numa história em que elas são protagonistas. Às vezes, os pais nem acreditam na tarefa que é anunciada por intermédio da maternidade. Duvidam. É preciso que se lhes explique mais uma vez. Seria isso porque a maternidade também naquelas épocas era vista de forma natural para as mulheres, ou seja, toda mulher deve ser mãe, ou é esperado e função que toda mulher deve cumprir? Exercer essa função que lhe é dada como lugar de revelação e de testemunho é uma novidade. Mas talvez seja inspirada pelos textos em que Deus é comparado a uma mãe. Textos proféticos atribuem a Deus características atribuídas ao gênero feminino, como o cuidado, a amamentação e a educação, ou, mais especificamente, nas funções da mulher que dá à luz, sofre e geme em dores de parto (Is 42.14; 49.15; 66. 13; Jó 38.28-30; Os 11.1-4). Ou o salmista que canta os amores da mãe que dá carinho, cuida e protege (Sl 131.1-2). São textos que mostram uma identificação muito profunda e próxima com as experiências das mulheres. Não servem para complementar a figura do Deus Pai, único e soberano. São experiências outras, que vão além, que mostram outras formas, cores, experiências e desenhos da divindade. A sabedoria (a hokma) e o espírito (a ruah) são termos femininos em hebraico e são atributos de Deus em forma feminina. Outra metáfora para falar do amor e da fortaleza de Deus é a rocha. E aí, muitas vezes, a gente pensa em grandeza, imensidão, fortaleza. Mas outra possibilidade é ver a rocha como aquelas pedras usadas pelas mulheres para dar à luz, para o parto. Era uma forma de cadeira de parto , onde pedras eram colocadas de uma forma que as mulheres se acocoravam sobre elas e nessa posição davam à luz. Esta prática era comum nas culturas do antigo Israel, bem como é atestado em evidências arqueológicas também de culturas circundantes, como o Egito e a Mesopotâmia. Essas pedras também podiam receber atribuições divinas.
Nesse contexto, usar a metáfora da rocha para Deus assume outros significados para as mulheres, que passavam pelas dificuldades do parto na época (e hoje). Partos eram momentos de crise e de perigo. As mortalidades materna e infantil eram muito altas. E nesse momento o pedido pela ajuda de Deus adquire uma voz muito maternal. Alguns textos bíblicos poderiam ser lembrança ou memória desses murmúrios e gemidos. O texto de Dt 32.36, 18 fala da rocha que gera e protege. O Sl 78.15-16 alude à rocha em que brota água, fonte de vida. É no Êxodo, com Moisés, que isso acontece, mas água e fonte de vida também acontecem no parto.
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4 Símbolo Sugiro que muitas pedras sejam colocadas no centro, no chão em frente ao altar. Estas pedras podem ser colocadas pelas crianças do Culto Infantil ou pelos jovens, e também pelos pais. Muitas e variadas pedras coloridas, de diversos tamanhos. Aqui pode ser usada muita criatividade. As pedras podem ser colocadas dentro de sacos com cheiros, com ervas ou em potes com água, ou também em potes de argila com terra. No final, as pedras devem ser entregues às mães. Aqui também podem ser envolvidos os pais, os filhos e as filhas, os jovens, as crianças, de acordo com a realidade que mais está em evidência ou deve ser fortalecida na comunidade. Essas pedras, de diversos tamanhos, formas e coloridos, representam a diversidade, a pluralidade de possibilidades de ser mãe, de exercer a maternidade. Não temos UM manual, nem A forma. Mas somos aprendizes e aprendentes como e com os nossos filhos e nossas filhas. É essa atitude de processo e de aprendizado constante que marca a maternidade. As pedras mostram, num primeiro momento, o lado duro, perene, eterno, o que também é importante. Mas o seu colorido mostra a diversidade, a pluralidade, a heterogeneidade. Pedras podem representar os tropeços, as dificuldades, os momentos difíceis que encontramos na tarefa de ser mães. Mas podem lembrar também a idéia de fortaleza, de apoio, de colocar a cabeça, como Jacó colocou sua cabeça numa pedra e sonhou com Deus.
5 Bênção Que Deus abrace vocês com amor de pai, cuide de vocês com carinho de mãe, faça vocês sorrirem com a ternura de uma criança e guie vocês com a sabedoria de avós. Amém.
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esta uma outra perspectiva que pode ser desenvolvida a partir da reflexão do texto de 1 Reis e a mãe de Jesus ao pé da cruz. O texto de Efésios lembra o respeito mútuo que deve ser experimentado nas relações familiares. O chamado pelas relações de respeito se dá para os filhos, mas igualmente para os pais/mães: que não provoquem seus/ suas filhos/as. A casa, como espaço de convivência, deve ser lugar de experiências que tragam a dignidade, que sejam exercidas com justiça, que promovam o testemunho de fé. A Bíblia nos informa sobre diversas formas de exercer a maternidade. De Débora nos é dito que exerce sua maternidade como forma de profecia, em Jz 5.7. Outra forma de maternidade é aquela exercida pelas mães dos heróis bíblicos Ana, mãe de Samuel, a mãe de Sansão, sem nome, por exemplo. Aqui são as mulheres que recebem o anúncio da parte de Deus através de um mensageiro. Os homens são coadjuvantes numa história em que elas são protagonistas. Às vezes, os pais nem acreditam na tarefa que é anunciada por intermédio da maternidade. Duvidam. É preciso que se lhes explique mais uma vez. Seria isso porque a maternidade também naquelas épocas era vista de forma natural para as mulheres, ou seja, toda mulher deve ser mãe, ou é esperado e função que toda mulher deve cumprir? Exercer essa função que lhe é dada como lugar de revelação e de testemunho é uma novidade. Mas talvez seja inspirada pelos textos em que Deus é comparado a uma mãe. Textos proféticos atribuem a Deus características atribuídas ao gênero feminino, como o cuidado, a amamentação e a educação, ou, mais especificamente, nas funções da mulher que dá à luz, sofre e geme em dores de parto (Is 42.14; 49.15; 66. 13; Jó 38.28-30; Os 11.1-4). Ou o salmista que canta os amores da mãe que dá carinho, cuida e protege (Sl 131.1-2). São textos que mostram uma identificação muito profunda e próxima com as experiências das mulheres. Não servem para complementar a figura do Deus Pai, único e soberano. São experiências outras, que vão além, que mostram outras formas, cores, experiências e desenhos da divindade. A sabedoria (a hokma) e o espírito (a ruah) são termos femininos em hebraico e são atributos de Deus em forma feminina. Outra metáfora para falar do amor e da fortaleza de Deus é a rocha. E aí, muitas vezes, a gente pensa em grandeza, imensidão, fortaleza. Mas outra possibilidade é ver a rocha como aquelas pedras usadas pelas mulheres para dar à luz, para o parto. Era uma forma de cadeira de parto , onde pedras eram colocadas de uma forma que as mulheres se acocoravam sobre elas e nessa posição davam à luz. Esta prática era comum nas culturas do antigo Israel, bem como é atestado em evidências arqueológicas também de culturas circundantes, como o Egito e a Mesopotâmia. Essas pedras também podiam receber atribuições divinas.
Nesse contexto, usar a metáfora da rocha para Deus assume outros significados para as mulheres, que passavam pelas dificuldades do parto na época (e hoje). Partos eram momentos de crise e de perigo. As mortalidades materna e infantil eram muito altas. E nesse momento o pedido pela ajuda de Deus adquire uma voz muito maternal. Alguns textos bíblicos poderiam ser lembrança ou memória desses murmúrios e gemidos. O texto de Dt 32.36, 18 fala da rocha que gera e protege. O Sl 78.15-16 alude à rocha em que brota água, fonte de vida. É no Êxodo, com Moisés, que isso acontece, mas água e fonte de vida também acontecem no parto.
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4 Símbolo Sugiro que muitas pedras sejam colocadas no centro, no chão em frente ao altar. Estas pedras podem ser colocadas pelas crianças do Culto Infantil ou pelos jovens, e também pelos pais. Muitas e variadas pedras coloridas, de diversos tamanhos. Aqui pode ser usada muita criatividade. As pedras podem ser colocadas dentro de sacos com cheiros, com ervas ou em potes com água, ou também em potes de argila com terra. No final, as pedras devem ser entregues às mães. Aqui também podem ser envolvidos os pais, os filhos e as filhas, os jovens, as crianças, de acordo com a realidade que mais está em evidência ou deve ser fortalecida na comunidade. Essas pedras, de diversos tamanhos, formas e coloridos, representam a diversidade, a pluralidade de possibilidades de ser mãe, de exercer a maternidade. Não temos UM manual, nem A forma. Mas somos aprendizes e aprendentes como e com os nossos filhos e nossas filhas. É essa atitude de processo e de aprendizado constante que marca a maternidade. As pedras mostram, num primeiro momento, o lado duro, perene, eterno, o que também é importante. Mas o seu colorido mostra a diversidade, a pluralidade, a heterogeneidade. Pedras podem representar os tropeços, as dificuldades, os momentos difíceis que encontramos na tarefa de ser mães. Mas podem lembrar também a idéia de fortaleza, de apoio, de colocar a cabeça, como Jacó colocou sua cabeça numa pedra e sonhou com Deus.
5 Bênção Que Deus abrace vocês com amor de pai, cuide de vocês com carinho de mãe, faça vocês sorrirem com a ternura de uma criança e guie vocês com a sabedoria de avós. Amém.
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DOMINGO DE PENTECOSTE
Bibliografia REINHARTZ, Adele. Mulheres anônimas e o colapso da monarquia: um estudo de técnica narrativa. In: BRENNER, Athalya. (Org.) Samuel e Reis a partir de uma perspectiva de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 55-84. FONTAINE, Carole. A influência na estrutura sapiencial de 2 Samuel 11-12 e 1 Reis 3. In: BRENNER, Athalya. (Org.) Samuel e Reis a partir de uma perspectiva de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 184-205. CAMP, Claudia V. 1 and 2 Kings. In: NEWSOM, Carol A.; RING, Sharon H. (Ed.) The Women s Bible Commentary. Kentucky: Westerminster/John Knox Press, 1992. p. 96-109.
15 MAI 2005
JOEL 2.28-29 ATOS 2.1-21
PRÉDICA: JOÃO 20.19-23 Ari Knebelkamp
1 Introdução Pentecoste lembra o aniversário da Igreja de Jesus Cristo. E dia de aniversário é dia de festa. Por isso o culto de Pentecoste há de ser moldado de maneira alegre, coletiva, participativa, com celebração eucarística. O seu conteúdo destacará: a) a alegria de estar reunido em nome de Jesus, celebrando a presença do Espírito Santo; b) que a comunidade é criada e mantida pelo agir do Espírito Santo e que comunidade é lugar de gente perdoada e reconciliada; c) a fé no Espírito Santo que sustenta e encoraja a Igreja de Jesus Cristo a dar um testemunho firme e inabalável do evangelho numa realidade de conflitos, dominada pela violência e pela ausência de paz; d) a fé no Espírito Santo que não convive com o individualismo nem com o consumismo da fé e também não com a busca frenética de felicidade imediata, que não tem olhos para a dor e o sofrimento.
2 Os textos Joel 2.28-29: Pedro cita este texto em seu discurso em Jerusalém. Nele há a promessa do derramamento de um Espírito universal, global, com olhos para o concreto. Este Espírito desce até os mais fracos. Atos 2.1-21: O livro de Atos dos Apóstolos mostra a ação poderosa do Espírito na comunidade primitiva. Mostra como o Espírito Santo quebra as divisões entre as pessoas, causadas pelo racismo, sexismo e nacionalismo. E, ao quebrar divisões, o Espírito também gera conflitos. Onde o evangelho é anunciado com fidelidade, o conflito necessariamente aparece. E é nele que as pessoas crescem, fortalecem a fé e o amor. A Igreja de Jesus Cristo toma forma no dia de Pentecoste. Estavam presentes representantes de muitos povos, falando muitas línguas. Eles não foram excluídos como destinatários do discurso de Pedro e da ação do Espí-
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7º D O M I N G O D A P Á S C O A
DOMINGO DE PENTECOSTE
Bibliografia REINHARTZ, Adele. Mulheres anônimas e o colapso da monarquia: um estudo de técnica narrativa. In: BRENNER, Athalya. (Org.) Samuel e Reis a partir de uma perspectiva de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 55-84. FONTAINE, Carole. A influência na estrutura sapiencial de 2 Samuel 11-12 e 1 Reis 3. In: BRENNER, Athalya. (Org.) Samuel e Reis a partir de uma perspectiva de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 184-205. CAMP, Claudia V. 1 and 2 Kings. In: NEWSOM, Carol A.; RING, Sharon H. (Ed.) The Women s Bible Commentary. Kentucky: Westerminster/John Knox Press, 1992. p. 96-109.
15 MAI 2005
JOEL 2.28-29 ATOS 2.1-21
PRÉDICA: JOÃO 20.19-23 Ari Knebelkamp
1 Introdução Pentecoste lembra o aniversário da Igreja de Jesus Cristo. E dia de aniversário é dia de festa. Por isso o culto de Pentecoste há de ser moldado de maneira alegre, coletiva, participativa, com celebração eucarística. O seu conteúdo destacará: a) a alegria de estar reunido em nome de Jesus, celebrando a presença do Espírito Santo; b) que a comunidade é criada e mantida pelo agir do Espírito Santo e que comunidade é lugar de gente perdoada e reconciliada; c) a fé no Espírito Santo que sustenta e encoraja a Igreja de Jesus Cristo a dar um testemunho firme e inabalável do evangelho numa realidade de conflitos, dominada pela violência e pela ausência de paz; d) a fé no Espírito Santo que não convive com o individualismo nem com o consumismo da fé e também não com a busca frenética de felicidade imediata, que não tem olhos para a dor e o sofrimento.
2 Os textos Joel 2.28-29: Pedro cita este texto em seu discurso em Jerusalém. Nele há a promessa do derramamento de um Espírito universal, global, com olhos para o concreto. Este Espírito desce até os mais fracos. Atos 2.1-21: O livro de Atos dos Apóstolos mostra a ação poderosa do Espírito na comunidade primitiva. Mostra como o Espírito Santo quebra as divisões entre as pessoas, causadas pelo racismo, sexismo e nacionalismo. E, ao quebrar divisões, o Espírito também gera conflitos. Onde o evangelho é anunciado com fidelidade, o conflito necessariamente aparece. E é nele que as pessoas crescem, fortalecem a fé e o amor. A Igreja de Jesus Cristo toma forma no dia de Pentecoste. Estavam presentes representantes de muitos povos, falando muitas línguas. Eles não foram excluídos como destinatários do discurso de Pedro e da ação do Espí-
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rito Santo. Muito pelo contrário, foram chamados a ouvir a mensagem, cada um na sua própria língua, para que cada um se sentisse em casa com a boanova. Nesse dia memorável, o Espírito Santo comunicou à igreja que todos são bem-vindos e que ninguém precisa deixar seu povo, sua língua, sua cultura para ser aceito no povo de Jesus.
v. 22: Recebei o Espírito Santo! O sopro de Jesus remete-nos àquilo que Deus fez quando criou o ser humano (Gn 2.7). É o sopro de criação, sopro de vida, que agora é ratificado por meio da obra de Cristo com os discípulos. Recebei o Espírito Santo! Que belo presente! A igreja é comunhão de pessoas, que na força do Espírito Santo crêem em Jesus Cristo. O Espírito Santo é a força que concede alento e vida a essa comunhão. É só mesmo com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. E o Espírito Santo é dado preferencialmente não a indivíduos isolados, mas sim a uma comunidade. O mundo está repleto de obras que não procedem do Espírito Santo. Em Gl 5.19, Paulo menciona várias dessas obras. Hoje, acrescentaríamos os graves problemas de injustiça social no mundo, que tornam impossível uma convivência fraterna e pacífica. A fome de milhões, em contraste com a superabundância de outros. A maneira sofisticada como as nações ricas se servem das mais fracas e as exploram. Nem são obras do Espírito Santo os seqüestros, assaltos, tráfico de drogas, a violência no trânsito. Só para citar alguns exemplos. A igreja tem, pois,
João 20.19-23: v. 19: Paz seja convosco! Por intermédio de Maria Madalena os discípulos sabem que Jesus ressuscitou. Em João, Páscoa e Pentecoste ocorrem quase simultaneamente; eles se fundem no mesmo evento: o ressurreto se apresenta aos seus e ao mesmo tempo envia-os concedendo-lhes o poder do Espírito Santo. À tardinha da Páscoa, os discípulos estão reunidos numa casa cujas portas estão trancadas. Tudo está muito confuso em suas mentes. Estão angustiados e com medo. Também não podia ser diferente. O contexto em que vivem é de ameaça, de hostilidade e de perseguição a quem aderira ao movimento desencadeado por Jesus de Nazaré. Nesse clima de medo e angústia, Jesus coloca-se no meio deles e oferece paz, não uma paz qualquer, mas uma paz que elimina o medo, que faz surgir novas esperanças, que abre novas perspectivas e novos horizontes. O reencontro entre Jesus e seus discípulos se dá com o voto da paz. v. 20: Alegraram-se ao verem o Senhor . Jesus mostra as mãos e o lado. Ele carrega em seu corpo os sinais da violência do mundo. Ao verem as mãos, os discípulos estão certos: É, sim, Jesus de Nazaré, com quem viveram o sonho do estabelecimento de um reino de alegria, bondade, justiça e paz. O primeiro fruto da presença de Jesus e do anúncio da paz é a alegria. Os discípulos alegram-se muito ao ver Jesus. O Jesus que está com os discípulos e está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso, que não tem mais nada em comum com a vida da gente. O Jesus que está conosco quando estamos reunidos é o Jesus com os sinais da paixão nas mãos e no lado e cujas marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo. v. 21: Como o Pai me enviou, eu envio vocês! Jesus é o enviado de Deus: O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4.18). Conforme o NT, Jesus não é só o portador do Espírito Santo, mas também aquele que o envia (Lc 24.49; Jo 20.22; At 1.8). E é com esse mandato bem concreto que Jesus também envia os discípulos. E Jesus os envia na paz de Deus. Construir a paz faz parte da missão de Deus, do envio de Jesus Cristo.
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a responsabilidade histórica de trabalhar pela libertação integral do ser humano, realizando ações com a força do Espírito: com o Espírito de Gênesis, que não convive com o caos; com o Espírito da ressurreição, que não convive com a morte. Os que estão cheios desse Espírito são os que andam pelo caminho da libertação. Para transitar por esse caminho da libertação, é preciso caminhar para Damasco: caminho de arrependimento e conversão; caminhar de Jerusalém para Jericó: caminho da solidariedade ativa; caminhar para Emaús: caminho do Ressuscitado (Pentecostais: Libertação e Ecumenismo, p. 16).
v. 23: Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos! Tendo todo o poder no céu e na terra, Jesus Cristo comunica aos discípulos o poder de perdoar ou de reter os pecados. Os discípulos podem perdoar pecados, mas devem também reter o perdão quando não há arrependimento sincero e quando a paz e a justiça não se beijarem (Sl 85.10). O ponto central da missão de paz está na reconciliação verdadeira, na tentativa de superar as barreiras que nos separam. Este poder de reconciliar é dado à comunidade de Jesus Cristo.
3 Paz seja convosco A paz seja convosco! Esta saudação é muito comum entre os judeus e na Bíblia. Ela aparece quando surge um mensageiro da parte de Deus. O primeiro encontro entre o Jesus ressuscitado e seus discípulos é marcada por essa saudação feita por Jesus. Quando Jesus saúda seus seguidores com
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rito Santo. Muito pelo contrário, foram chamados a ouvir a mensagem, cada um na sua própria língua, para que cada um se sentisse em casa com a boanova. Nesse dia memorável, o Espírito Santo comunicou à igreja que todos são bem-vindos e que ninguém precisa deixar seu povo, sua língua, sua cultura para ser aceito no povo de Jesus.
v. 22: Recebei o Espírito Santo! O sopro de Jesus remete-nos àquilo que Deus fez quando criou o ser humano (Gn 2.7). É o sopro de criação, sopro de vida, que agora é ratificado por meio da obra de Cristo com os discípulos. Recebei o Espírito Santo! Que belo presente! A igreja é comunhão de pessoas, que na força do Espírito Santo crêem em Jesus Cristo. O Espírito Santo é a força que concede alento e vida a essa comunhão. É só mesmo com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. E o Espírito Santo é dado preferencialmente não a indivíduos isolados, mas sim a uma comunidade. O mundo está repleto de obras que não procedem do Espírito Santo. Em Gl 5.19, Paulo menciona várias dessas obras. Hoje, acrescentaríamos os graves problemas de injustiça social no mundo, que tornam impossível uma convivência fraterna e pacífica. A fome de milhões, em contraste com a superabundância de outros. A maneira sofisticada como as nações ricas se servem das mais fracas e as exploram. Nem são obras do Espírito Santo os seqüestros, assaltos, tráfico de drogas, a violência no trânsito. Só para citar alguns exemplos. A igreja tem, pois,
João 20.19-23: v. 19: Paz seja convosco! Por intermédio de Maria Madalena os discípulos sabem que Jesus ressuscitou. Em João, Páscoa e Pentecoste ocorrem quase simultaneamente; eles se fundem no mesmo evento: o ressurreto se apresenta aos seus e ao mesmo tempo envia-os concedendo-lhes o poder do Espírito Santo. À tardinha da Páscoa, os discípulos estão reunidos numa casa cujas portas estão trancadas. Tudo está muito confuso em suas mentes. Estão angustiados e com medo. Também não podia ser diferente. O contexto em que vivem é de ameaça, de hostilidade e de perseguição a quem aderira ao movimento desencadeado por Jesus de Nazaré. Nesse clima de medo e angústia, Jesus coloca-se no meio deles e oferece paz, não uma paz qualquer, mas uma paz que elimina o medo, que faz surgir novas esperanças, que abre novas perspectivas e novos horizontes. O reencontro entre Jesus e seus discípulos se dá com o voto da paz. v. 20: Alegraram-se ao verem o Senhor . Jesus mostra as mãos e o lado. Ele carrega em seu corpo os sinais da violência do mundo. Ao verem as mãos, os discípulos estão certos: É, sim, Jesus de Nazaré, com quem viveram o sonho do estabelecimento de um reino de alegria, bondade, justiça e paz. O primeiro fruto da presença de Jesus e do anúncio da paz é a alegria. Os discípulos alegram-se muito ao ver Jesus. O Jesus que está com os discípulos e está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso, que não tem mais nada em comum com a vida da gente. O Jesus que está conosco quando estamos reunidos é o Jesus com os sinais da paixão nas mãos e no lado e cujas marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo. v. 21: Como o Pai me enviou, eu envio vocês! Jesus é o enviado de Deus: O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4.18). Conforme o NT, Jesus não é só o portador do Espírito Santo, mas também aquele que o envia (Lc 24.49; Jo 20.22; At 1.8). E é com esse mandato bem concreto que Jesus também envia os discípulos. E Jesus os envia na paz de Deus. Construir a paz faz parte da missão de Deus, do envio de Jesus Cristo.
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a responsabilidade histórica de trabalhar pela libertação integral do ser humano, realizando ações com a força do Espírito: com o Espírito de Gênesis, que não convive com o caos; com o Espírito da ressurreição, que não convive com a morte. Os que estão cheios desse Espírito são os que andam pelo caminho da libertação. Para transitar por esse caminho da libertação, é preciso caminhar para Damasco: caminho de arrependimento e conversão; caminhar de Jerusalém para Jericó: caminho da solidariedade ativa; caminhar para Emaús: caminho do Ressuscitado (Pentecostais: Libertação e Ecumenismo, p. 16).
v. 23: Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos! Tendo todo o poder no céu e na terra, Jesus Cristo comunica aos discípulos o poder de perdoar ou de reter os pecados. Os discípulos podem perdoar pecados, mas devem também reter o perdão quando não há arrependimento sincero e quando a paz e a justiça não se beijarem (Sl 85.10). O ponto central da missão de paz está na reconciliação verdadeira, na tentativa de superar as barreiras que nos separam. Este poder de reconciliar é dado à comunidade de Jesus Cristo.
3 Paz seja convosco A paz seja convosco! Esta saudação é muito comum entre os judeus e na Bíblia. Ela aparece quando surge um mensageiro da parte de Deus. O primeiro encontro entre o Jesus ressuscitado e seus discípulos é marcada por essa saudação feita por Jesus. Quando Jesus saúda seus seguidores com
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as palavras a paz seja convosco , ele quer fazer com que as pessoas sintam um bem-estar interior, mas também que possam usufruir do amparo de Deus e dos bens necessários para uma vida digna. Por duas vezes, Jesus deseja a paz a seus amigos. Em seguida, Jesus os envia em missão, soprando sobre eles o Espírito Santo. Quando Jesus sopra sobre aqueles a quem ele deseja paz, ele está demonstrando que a paz só é possível com a presença do Espírito de Deus entre nós. Precisamos, em primeiro lugar, do Espírito de Deus, do sopro da vida, para poder acreditar na paz e para resistir a toda e qualquer atitude que leva à violência, à discriminação e à indiferença para com o nosso próximo e para com toda a criação de Deus. Espírito Santo, missão e paz são inseparáveis. Afinal, construir a paz é a missão dos discípulos e das discípulas de Jesus (Mt 10.13; Lc 10.5). O reino de Deus, pregado e realizado por Jesus e continuado pelas comunidades animadas pelo Espírito, manifesta-se na paz (Lc 1.79; 2.14).
4 Pistas para a prédica 4.1 Plenitude pela ação do Espírito Santo Tudo o que possuímos neste mundo é dom gratuito do Criador. Ninguém produziu nem mereceu o ar que respiramos, a água que bebemos, o sol que nos ilumina e aquece. Todo o mundo que nos cerca é obra de Deus. Nenhum ser humano deu alguma contribuição para criá-lo e colocá-lo onde está. Pelo trabalho humano, entretanto, acontece a segunda criação, que faz os benefícios da criação chegarem até nós. Coisa semelhante ocorre com os dons do Espírito. São dons graciosamente concedidos a todos. Para que se tornem existenciais e úteis à vida de cada um, devem ser acolhidos e zelosamente cultivados. Só com o cumprimento dessa missão, a natureza humana chega à sua plenitude. Pela fidelidade aos desígnios divinos, a criatura humana chega à sua própria e plena realização. O Espírito do Senhor está sobre mim reconheceu Jesus. Nossa vida, como a de Jesus, alcança sua plenitude pela ação do Espírito Santo. 4.2 Espírito Santo a mão em meu ombro
DOMINGO DE PENTECOSTE
4.3 Abraço entre paz e justiça Um dos frutos do Espírito é a paz. Paz significa integridade da pessoa diante de Deus e dos outros. Significa também uma vida plena, feliz, abundante. É preciso confiar, lutar, trabalhar, perseverar no Espírito para que um dia a paz de Deus triunfe. Nesse dia, amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam (Sl 85.11). Então, como ensina Paulo, o reino será justiça, paz e alegria como fruto do Espírito Santo (Rm 14.17). 4.4 Educação para a paz Paulo Freire afirmava, pouco antes de morrer, que os jovens que mataram o índio Gaudino aprenderam a matar índios ainda em sua infância, diante dos videogames ou arrancando pescoços de passarinhos. Com que valores e métodos educamos para a paz em nossas famílias e em nossas escolas, em nossas comunidades? Paz é sinal da presença de Deus, porque o nosso Deus é um Deus da paz (Jz 6.24; Rm 15.33). Mas o que fazer com o Senhor dos Exércitos ? Se queremos continuar buscando forças na Bíblia, inclusive para construir a verdadeira paz, nela encontraremos muitos textos que pregam a paz: Bemaventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos da paz! (Mt 5.9). Mas também vamos encontrar textos que incentivam a violência e a vingança. Não podemos deixar de lê-los; a Bíblia, no seu conjunto, continua sendo palavra de Deus. Mas precisamos compreender as riquezas e as limitações culturais de cada povo, inclusive do povo que nos legou a Bíblia. Se a nossa percepção de Deus avança para a visão de um Deus que, como um pai e uma mãe, cuida com carinho de cada um e de cada uma de seus filhos e filhas, não nos será mais agradável imaginá-lo como chefe militar. Não somos soldados, somos filhos e filhas, irmãos e irmãs, em busca da paz verdadeira. 4.5 Uma comunidade cristã sem perdão nem reconciliação não é comunidade cristã. Comunidade é lugar de festa e de perdão, de gente reconciliada.
5 Possibilidades litúrgicas
O Espírito Santo é a mão no meu ombro, que me dá forças, que me aquece, que às vezes é um pouco pesada e outras vezes nem bem a sinto, mas assim mesmo ela está ali, em meu ombro.
5.1 Principalmente no culto de Pentecoste há de se evitar uma comunicação unilateral. Estabelecer uma interação entre a comunidade e o pastor ou a pastora, isto também no tocante à prédica. A dramatização de gestos de paz, de tolerância, de construção de relações ajudaria a tornar a celebração mais plástica.
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as palavras a paz seja convosco , ele quer fazer com que as pessoas sintam um bem-estar interior, mas também que possam usufruir do amparo de Deus e dos bens necessários para uma vida digna. Por duas vezes, Jesus deseja a paz a seus amigos. Em seguida, Jesus os envia em missão, soprando sobre eles o Espírito Santo. Quando Jesus sopra sobre aqueles a quem ele deseja paz, ele está demonstrando que a paz só é possível com a presença do Espírito de Deus entre nós. Precisamos, em primeiro lugar, do Espírito de Deus, do sopro da vida, para poder acreditar na paz e para resistir a toda e qualquer atitude que leva à violência, à discriminação e à indiferença para com o nosso próximo e para com toda a criação de Deus. Espírito Santo, missão e paz são inseparáveis. Afinal, construir a paz é a missão dos discípulos e das discípulas de Jesus (Mt 10.13; Lc 10.5). O reino de Deus, pregado e realizado por Jesus e continuado pelas comunidades animadas pelo Espírito, manifesta-se na paz (Lc 1.79; 2.14).
4 Pistas para a prédica 4.1 Plenitude pela ação do Espírito Santo Tudo o que possuímos neste mundo é dom gratuito do Criador. Ninguém produziu nem mereceu o ar que respiramos, a água que bebemos, o sol que nos ilumina e aquece. Todo o mundo que nos cerca é obra de Deus. Nenhum ser humano deu alguma contribuição para criá-lo e colocá-lo onde está. Pelo trabalho humano, entretanto, acontece a segunda criação, que faz os benefícios da criação chegarem até nós. Coisa semelhante ocorre com os dons do Espírito. São dons graciosamente concedidos a todos. Para que se tornem existenciais e úteis à vida de cada um, devem ser acolhidos e zelosamente cultivados. Só com o cumprimento dessa missão, a natureza humana chega à sua plenitude. Pela fidelidade aos desígnios divinos, a criatura humana chega à sua própria e plena realização. O Espírito do Senhor está sobre mim reconheceu Jesus. Nossa vida, como a de Jesus, alcança sua plenitude pela ação do Espírito Santo. 4.2 Espírito Santo a mão em meu ombro
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4.3 Abraço entre paz e justiça Um dos frutos do Espírito é a paz. Paz significa integridade da pessoa diante de Deus e dos outros. Significa também uma vida plena, feliz, abundante. É preciso confiar, lutar, trabalhar, perseverar no Espírito para que um dia a paz de Deus triunfe. Nesse dia, amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam (Sl 85.11). Então, como ensina Paulo, o reino será justiça, paz e alegria como fruto do Espírito Santo (Rm 14.17). 4.4 Educação para a paz Paulo Freire afirmava, pouco antes de morrer, que os jovens que mataram o índio Gaudino aprenderam a matar índios ainda em sua infância, diante dos videogames ou arrancando pescoços de passarinhos. Com que valores e métodos educamos para a paz em nossas famílias e em nossas escolas, em nossas comunidades? Paz é sinal da presença de Deus, porque o nosso Deus é um Deus da paz (Jz 6.24; Rm 15.33). Mas o que fazer com o Senhor dos Exércitos ? Se queremos continuar buscando forças na Bíblia, inclusive para construir a verdadeira paz, nela encontraremos muitos textos que pregam a paz: Bemaventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos da paz! (Mt 5.9). Mas também vamos encontrar textos que incentivam a violência e a vingança. Não podemos deixar de lê-los; a Bíblia, no seu conjunto, continua sendo palavra de Deus. Mas precisamos compreender as riquezas e as limitações culturais de cada povo, inclusive do povo que nos legou a Bíblia. Se a nossa percepção de Deus avança para a visão de um Deus que, como um pai e uma mãe, cuida com carinho de cada um e de cada uma de seus filhos e filhas, não nos será mais agradável imaginá-lo como chefe militar. Não somos soldados, somos filhos e filhas, irmãos e irmãs, em busca da paz verdadeira. 4.5 Uma comunidade cristã sem perdão nem reconciliação não é comunidade cristã. Comunidade é lugar de festa e de perdão, de gente reconciliada.
5 Possibilidades litúrgicas
O Espírito Santo é a mão no meu ombro, que me dá forças, que me aquece, que às vezes é um pouco pesada e outras vezes nem bem a sinto, mas assim mesmo ela está ali, em meu ombro.
5.1 Principalmente no culto de Pentecoste há de se evitar uma comunicação unilateral. Estabelecer uma interação entre a comunidade e o pastor ou a pastora, isto também no tocante à prédica. A dramatização de gestos de paz, de tolerância, de construção de relações ajudaria a tornar a celebração mais plástica.
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5.2 Símbolos para Pentecoste e para a paz há muitos: vento, fogo, pomba etc. Fazer uso dos mesmos. Para João, Páscoa e Pentecoste ocorrem no mesmo dia. Panos brancos sinalizando o túmulo vazio (somente panos brancos havia na sepultura) e vermelhos sinalizando o fogo Espírito Santo e o envio poderiam ser usados. 5.3 O gesto da paz e o envio merecem atenção especial nesse culto. 5.4 Sugestões de hinos: HPD 2 nºs 337, 321, 437. 5.5 Partilhar um bolo de aniversário com café após o culto.
Bibliografia CEBI. Série: A Palavra na Vida. O Espírito de Jesus rompe as barreiras, nº 158/159. São Leopoldo: Gráfica e Editora Contexto, 2001. COMBLIN, José. Atos dos Apóstolos. Coleção Comentário Bíblico. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes; São Leopoldo: Sinodal, 2001. BAEREND, Hartmut. Der Heilige Geist und seine Fruechte. Neukirchen: Aussaat Verlag, 2002. CASCO, Miguel; CABEZAS, Roger; MANRIQUEZ, Samuel Palma. Pentecostais, Libertação e Ecumenismo. Co-ed. CECA E CEBI, São Leopoldo: Gráfica e Editora Contexto, 1996.
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1o DOMINGO APÓS PENTECOSTE SANTÍSSIMA TRINDADE DEUTERONÔMIO 4.32-34,39-40 2 CORÍNTIOS 13.11-14
22 MAI 2005
PRÉDICA: MATEUS 28.16-20 Wilfrid Buchweitz
1 Introdução Deus nos dá sua palavra como instrumento de comunicação através de todos os tempos em todos os lugares. Mas cabe à igreja administrar a comunicação dessa palavra pelos tempos e lugares afora. Faz sentido que em diferentes situações sejam lidos e ouvidos e considerados textos adequados. O roteiro mais usado e mais conhecido é o que segue as datas mais importantes na vida de Jesus e que gira em torno dos acontecimentos de Natal, Páscoa e Pentecoste. Mas nem todos os textos da Bíblia cabem automaticamente nesse esquema. Por isso a igreja, em suas diversas instâncias, coloca-os em outros lugares do ano eclesiástico. Assim os três textos acima são colocados num domingo que, ao menos numa das tradições, chama-se de Domingo da Santíssima Trindade. Parece que, depois de ler e ouvir muitos textos sobre o Deus Filho (Natal e Páscoa) e no domingo passado sobre o Deus Espírito Santo, agora é importante reunir novamente num mesmo texto Deus Pai, Filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade. Parece que, depois de ter olhado a face Filho de Deus e a face Espírito Santo, agora é importante olharmos juntas a face Pai, a face Filho e a face Espírito Santo de nosso um só Deus. Então um dos elementos para os cultos deste domingo é a Santíssima Trindade. Outro é o conteúdo dos três textos. Precisamos estudá-los e descobrir seu significado. E o terceiro elemento é nossa realidade, a realidade da comunidade, dentro da qual a mensagem precisa ser inserida. Como organizar tanta riqueza de forma significativa dentro da pregação, das orações e dos hinos de um culto de mais ou menos uma hora é nosso desafio.
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5.2 Símbolos para Pentecoste e para a paz há muitos: vento, fogo, pomba etc. Fazer uso dos mesmos. Para João, Páscoa e Pentecoste ocorrem no mesmo dia. Panos brancos sinalizando o túmulo vazio (somente panos brancos havia na sepultura) e vermelhos sinalizando o fogo Espírito Santo e o envio poderiam ser usados. 5.3 O gesto da paz e o envio merecem atenção especial nesse culto. 5.4 Sugestões de hinos: HPD 2 nºs 337, 321, 437. 5.5 Partilhar um bolo de aniversário com café após o culto.
Bibliografia CEBI. Série: A Palavra na Vida. O Espírito de Jesus rompe as barreiras, nº 158/159. São Leopoldo: Gráfica e Editora Contexto, 2001. COMBLIN, José. Atos dos Apóstolos. Coleção Comentário Bíblico. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes; São Leopoldo: Sinodal, 2001. BAEREND, Hartmut. Der Heilige Geist und seine Fruechte. Neukirchen: Aussaat Verlag, 2002. CASCO, Miguel; CABEZAS, Roger; MANRIQUEZ, Samuel Palma. Pentecostais, Libertação e Ecumenismo. Co-ed. CECA E CEBI, São Leopoldo: Gráfica e Editora Contexto, 1996.
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1o DOMINGO APÓS PENTECOSTE SANTÍSSIMA TRINDADE DEUTERONÔMIO 4.32-34,39-40 2 CORÍNTIOS 13.11-14
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PRÉDICA: MATEUS 28.16-20 Wilfrid Buchweitz
1 Introdução Deus nos dá sua palavra como instrumento de comunicação através de todos os tempos em todos os lugares. Mas cabe à igreja administrar a comunicação dessa palavra pelos tempos e lugares afora. Faz sentido que em diferentes situações sejam lidos e ouvidos e considerados textos adequados. O roteiro mais usado e mais conhecido é o que segue as datas mais importantes na vida de Jesus e que gira em torno dos acontecimentos de Natal, Páscoa e Pentecoste. Mas nem todos os textos da Bíblia cabem automaticamente nesse esquema. Por isso a igreja, em suas diversas instâncias, coloca-os em outros lugares do ano eclesiástico. Assim os três textos acima são colocados num domingo que, ao menos numa das tradições, chama-se de Domingo da Santíssima Trindade. Parece que, depois de ler e ouvir muitos textos sobre o Deus Filho (Natal e Páscoa) e no domingo passado sobre o Deus Espírito Santo, agora é importante reunir novamente num mesmo texto Deus Pai, Filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade. Parece que, depois de ter olhado a face Filho de Deus e a face Espírito Santo, agora é importante olharmos juntas a face Pai, a face Filho e a face Espírito Santo de nosso um só Deus. Então um dos elementos para os cultos deste domingo é a Santíssima Trindade. Outro é o conteúdo dos três textos. Precisamos estudá-los e descobrir seu significado. E o terceiro elemento é nossa realidade, a realidade da comunidade, dentro da qual a mensagem precisa ser inserida. Como organizar tanta riqueza de forma significativa dentro da pregação, das orações e dos hinos de um culto de mais ou menos uma hora é nosso desafio.
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2 Doutrina
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ou grupos na igreja não é muito difícil de acontecer, então o estrago e o testemunho negativo podem ser grandes. Mas cabe-nos levar a sério as pessoas e os grupos que na igreja alertam para distorções. Já por isso o domingo da Santíssima Trindade é importante.
2.1 A Santíssima Trindade Não cabe aqui, nem é possível, elaborar ou reproduzir uma doutrina da Santíssima Trindade. Mas quero traçar algumas considerações que me parecem importantes. Deus sempre é maior do que nossa cabeça. Ele não cabe em nosso raciocínio. Às vezes, eu não me conheço nem entendo a mim mesmo. Como vou querer entender e conhecer Deus! Mas, na Sagrada Escritura, Deus nos revela traços, aspectos, faces dele que são importantes, necessários, imprescindíveis para a nossa fé e vida. A Bíblia fala de Deus como Pai, Criador. Minha vida vem dele. O mundo e tudo o que existe vêm dele. Mas, quando eu na minha Bíblia leio a palavra Pai, lembro as outras faces de Deus, a face de Filho e de Espírito Santo. Não dá para dividir Deus em partes. Junto com o Pai, Criador, sempre também está presente o Filho, o Salvador, e o Espírito Santo. Se eu falo do Filho, também estão presentes o Pai e o Espírito Santo. E o Espírito Santo sempre é o Espírito do Pai e do Filho. Por isso, se eu, a partir de minha fé cristã, digo Pai ou Criador, eu implicitamente também digo Filho e digo Espírito Santo. Se eu, a partir de minha fé cristã, digo Filho, eu implicitamente também digo Pai e Espírito Santo. Se eu, a partir de minha fé cristã, digo Espírito Santo, implicitamente também digo Pai e Filho. Mas pode acontecer que, na minha limitação ou conveniência ou ignorância, eu só fale de Deus Pai, Deus Criador, o tempo todo, a vida toda; pode acontecer que não só a face de Deus Filho deixe de ser importante, mas que a própria obra salvadora do Filho perde sua importância na minha vida e isto pode ter como consequência que eu, ou uma igreja inteira, não tenha mais consciência do meu pecado. Ou isso pode ter como resultado que não só o Espírito Santo deixa de ser importante, mas que a própria obra santificadora do Espírito Santo perde sua importância. Então minha fé não é mais obra do Espírito Santo, mas é obra de não sei o quê. A igreja não é mais obra do Espírito Santo, mas é obra de pessoas. O que muitas vezes acontece em igrejas nessa situação é que um grupo de pessoas ou comunidades se dá conta dessa anormalidade e começa a acentuar a dimensão esquecida ou negligenciada, que acentua ou superacentua de tal forma que cria uma nova unilateralidade. Se antes os membros da igreja só (estou exagerando de propósito) eram criaturas de Deus, agora são só (exagero de novo) pecadores. Se antes o Espírito Santo era deixado de lado, agora tudo é Espírito Santo. Uma preocupação legítima, em vez de levar a uma correção, leva a uma nova deformação. Vai dos 8 aos 80. Se no meio disso se instala uma luta por poder, o que em nós pessoas
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2.2 Os textos 2.2.1 Deuteronômio 4.32-34,39-40 Moisés fala ao povo que se encontra frente à terra prometida. Faz o povo olhar para trás, para sua história, e ver como Deus o acompanhou. Podem comparar a história de Deus com Israel a qualquer outro povo e a quaisquer outros deuses. Não há comparação. Nenhum outro deus fez o que o Deus de Israel fez. E o que Deus fez no passado ele vai fazer também no futuro, quando o povo entrar em sua nova terra. Deus acompanhará o povo. Protegerá. Mostrará o caminho. Dará mandamentos. Só o Senhor é Deus em cima no céu e embaixo na terra. Se o povo guardar os mandamentos, ele irá bem e os filhos também. Vão viver bem na terra que Deus promete para sempre. A palavra de Moisés é de uma importância extraordinária nesse momento na história de Israel. O Deus Todo-poderoso entrará com o povo na terra prometida e estará com eles. 2.2.2 Mateus 28.16-20 Jesus fala a seus discípulos numa situação que tem alguma semelhança com a de Moisés e de Israel naquele tempo. O povo de Jesus também entrará, não numa nova terra, mas num novo mundo. Para isso Jesus dá a seus discípulos a tarefa de fazerem o povo do novo Israel passar pela celebração do Batismo. O Batismo será a marca de que Deus vai estar com ele. Deus Pai, Filho e Espirito Santo vai estar com as pessoas e o povo até o fim do mundo. Também aqui não haverá comparação com outros deuses. Jesus tem todo o poder no céu e na terra. E Jesus dá mais uma tarefa: ensinar ao povo os mandamentos. Na obediência aos mandamentos, o novo Israel também irá bem. Sem os mandamentos, o velho Israel foi mal e o novo também irá mal. Ignorar ou desprezar os mandamentos será desprezar Deus, afastar-se de Deus, desprezar o pacto estabelecido por Deus no Batismo. 2.2.3 2 Coríntios 13.11-14 Entendo que este texto foi escolhido e juntado aos dois acima por causa da menção da Trindade no versículo 13. O Deus Pai, Filho e Espírito Santo está, estará e o apóstolo Paulo deseja que esteja com as pessoas cris-
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2 Doutrina
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ou grupos na igreja não é muito difícil de acontecer, então o estrago e o testemunho negativo podem ser grandes. Mas cabe-nos levar a sério as pessoas e os grupos que na igreja alertam para distorções. Já por isso o domingo da Santíssima Trindade é importante.
2.1 A Santíssima Trindade Não cabe aqui, nem é possível, elaborar ou reproduzir uma doutrina da Santíssima Trindade. Mas quero traçar algumas considerações que me parecem importantes. Deus sempre é maior do que nossa cabeça. Ele não cabe em nosso raciocínio. Às vezes, eu não me conheço nem entendo a mim mesmo. Como vou querer entender e conhecer Deus! Mas, na Sagrada Escritura, Deus nos revela traços, aspectos, faces dele que são importantes, necessários, imprescindíveis para a nossa fé e vida. A Bíblia fala de Deus como Pai, Criador. Minha vida vem dele. O mundo e tudo o que existe vêm dele. Mas, quando eu na minha Bíblia leio a palavra Pai, lembro as outras faces de Deus, a face de Filho e de Espírito Santo. Não dá para dividir Deus em partes. Junto com o Pai, Criador, sempre também está presente o Filho, o Salvador, e o Espírito Santo. Se eu falo do Filho, também estão presentes o Pai e o Espírito Santo. E o Espírito Santo sempre é o Espírito do Pai e do Filho. Por isso, se eu, a partir de minha fé cristã, digo Pai ou Criador, eu implicitamente também digo Filho e digo Espírito Santo. Se eu, a partir de minha fé cristã, digo Filho, eu implicitamente também digo Pai e Espírito Santo. Se eu, a partir de minha fé cristã, digo Espírito Santo, implicitamente também digo Pai e Filho. Mas pode acontecer que, na minha limitação ou conveniência ou ignorância, eu só fale de Deus Pai, Deus Criador, o tempo todo, a vida toda; pode acontecer que não só a face de Deus Filho deixe de ser importante, mas que a própria obra salvadora do Filho perde sua importância na minha vida e isto pode ter como consequência que eu, ou uma igreja inteira, não tenha mais consciência do meu pecado. Ou isso pode ter como resultado que não só o Espírito Santo deixa de ser importante, mas que a própria obra santificadora do Espírito Santo perde sua importância. Então minha fé não é mais obra do Espírito Santo, mas é obra de não sei o quê. A igreja não é mais obra do Espírito Santo, mas é obra de pessoas. O que muitas vezes acontece em igrejas nessa situação é que um grupo de pessoas ou comunidades se dá conta dessa anormalidade e começa a acentuar a dimensão esquecida ou negligenciada, que acentua ou superacentua de tal forma que cria uma nova unilateralidade. Se antes os membros da igreja só (estou exagerando de propósito) eram criaturas de Deus, agora são só (exagero de novo) pecadores. Se antes o Espírito Santo era deixado de lado, agora tudo é Espírito Santo. Uma preocupação legítima, em vez de levar a uma correção, leva a uma nova deformação. Vai dos 8 aos 80. Se no meio disso se instala uma luta por poder, o que em nós pessoas
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2.2 Os textos 2.2.1 Deuteronômio 4.32-34,39-40 Moisés fala ao povo que se encontra frente à terra prometida. Faz o povo olhar para trás, para sua história, e ver como Deus o acompanhou. Podem comparar a história de Deus com Israel a qualquer outro povo e a quaisquer outros deuses. Não há comparação. Nenhum outro deus fez o que o Deus de Israel fez. E o que Deus fez no passado ele vai fazer também no futuro, quando o povo entrar em sua nova terra. Deus acompanhará o povo. Protegerá. Mostrará o caminho. Dará mandamentos. Só o Senhor é Deus em cima no céu e embaixo na terra. Se o povo guardar os mandamentos, ele irá bem e os filhos também. Vão viver bem na terra que Deus promete para sempre. A palavra de Moisés é de uma importância extraordinária nesse momento na história de Israel. O Deus Todo-poderoso entrará com o povo na terra prometida e estará com eles. 2.2.2 Mateus 28.16-20 Jesus fala a seus discípulos numa situação que tem alguma semelhança com a de Moisés e de Israel naquele tempo. O povo de Jesus também entrará, não numa nova terra, mas num novo mundo. Para isso Jesus dá a seus discípulos a tarefa de fazerem o povo do novo Israel passar pela celebração do Batismo. O Batismo será a marca de que Deus vai estar com ele. Deus Pai, Filho e Espirito Santo vai estar com as pessoas e o povo até o fim do mundo. Também aqui não haverá comparação com outros deuses. Jesus tem todo o poder no céu e na terra. E Jesus dá mais uma tarefa: ensinar ao povo os mandamentos. Na obediência aos mandamentos, o novo Israel também irá bem. Sem os mandamentos, o velho Israel foi mal e o novo também irá mal. Ignorar ou desprezar os mandamentos será desprezar Deus, afastar-se de Deus, desprezar o pacto estabelecido por Deus no Batismo. 2.2.3 2 Coríntios 13.11-14 Entendo que este texto foi escolhido e juntado aos dois acima por causa da menção da Trindade no versículo 13. O Deus Pai, Filho e Espírito Santo está, estará e o apóstolo Paulo deseja que esteja com as pessoas cris-
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tãs e a comunidade de Corinto. Assim como Moisés e Jesus, também Paulo menciona os mandamentos: Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz (v. 11). Onde isto acontecer, a comunidade irá bem. E Paulo mostra, em outros trechos das duas cartas aos Coríntios, que onde eles não respeitam os mandamentos, as pessoas e a comunidade vão mal. E que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com eles é o voto de Paulo. Através de graça, amor e comunhão Deus estará com eles, sempre.
3 A realidade Numa primeira olhada saltam aos olhos violência, injustiça, exploração, desemprego, doença, descrença, falta de esperança, filas em toda parte, insegurança, desfalques, corrupção, um quadro muito sombrio. Algumas dessas coisas têm suas causas a nível individual, outras a nível coletivo local ou nacional ou internacional ou global. Este é o pano de fundo do tom, do clima, da atmosfera de televisão, jornal, conversa de grupos. Mas quando a gente olha mais detidamente, com mais cuidado e com mais atenção, percebe-se no meio do quadro acima muita vida, muito amor, muita luta pela vida por parte de pessoas, grupos, comunidades, igrejas, ONGs (organizações não-governamentais), escolas, grupos de voluntários, empresas, em uma diversidade e criatividade muito grandes. Há milagres pipocando em muitos lugares. A gente corre perigo de não enxergar isso, porque esses sinais são simples, não causam sensação, não interessam muito à mídia, não vendem jornal. Dá para constatar tranqüilamente que, ali onde são vividos e aplicados valores como os que propõe o evangelho e mandamentos como os que estão na Bíblia, nasce e cresce vida. Nem todas essas coisas acontecem nas igrejas. Muitas vezes, acontecem em quaisquer grupos. E quem diz que Deus não age por meios e caminhos que não são identificados como cristãos? O Espírito de Deus age onde quer. Lembro-me de ter lido um texto em que Dietrich Bonhoeffer, que lutou ativamente contra a violência do nazismo e por isso foi preso e executado, manifesta-se no sentido de que há épocas em que se devem identificar as diferenças entre pessoas, grupos, igrejas, para clarear motivações, objetivos, verdades. Mas que há outras épocas em que todas as pessoas que lutam pelo bem e justiça devem juntar suas forças para lutar pelo bem e pela justiça, independente de traços e naturezas diferenciados. Ele era de opinião de que na situação em que ele vivia isso deveria acontecer. Acho que hoje Bonhoeffer diria a mesma coisa, que todas as pessoas de boa vontade devem unir suas forças na luta contra sofrimentos e males.
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4 Meditação Num mundo injusto e cheio de males, Deus é Senhor e acompanha a caminhada de seu povo. Este é o evangelho, a boa-nova de todos os textos. O que deixa a gente pensativo é que essa injustiça e grande parte desses males são causadas por estruturas construídas e sociedades administradas por pessoas e países assim denominados de cristãos. A Europa é de tradição cristã. A América do Norte também. A América do Sul também. O Brasil se orgulha de sua tradição cristã. A grande maioria dos governantes é batizada e seus filhos também. A grande maioria das pessoas responsáveis pela economia também é batizada e seus filhos também. As igrejas sempre tiveram poder e influência muito grandes. O Brasil é um país muito rico. Como então montar estruturas e leis que permitiram e até promoveram tanta injustiça? Como é que o amor e a justiça foram banidos pelo egoísmo e pela ganância. Onde ficou o Batismo? Se guardar os mandamentos tem a promessa de ir bem, por que vamos tão mal? E os filhos também vão mal. E os netos também. Fomos batizados, mas não assumimos o Batismo? Estudamos os mandamentos, mas não os aplicamos na vida? Confessamos nossos pecados, mas não nos arrependemos e não mudamos de vida? Deus é maior do que todos os deuses. A Jesus foi dado todo o poder no céu e na terra. Por que permitimos que outros deuses tomassem conta ou por que chamamos outros deuses? Ou não ensinamos os mandamentos às pessoas, aos filhos? Por que não estudamos os mandamentos? Deveríamos conhecer Deus melhor? Dividimos Deus em partes e observamos só a parte que nos convinha? Damos atenção ao Criador, mas achamos que não precisamos do Salvador porque não temos pecado? Por que não sabemos o que fazer com o Espírito Santo e o deixamos de lado? Absolutizamos o Criador, ou o Salvador, ou o Santificador? Não soubemos dar repercussão política ao serviço da igreja? Ou substituímos a dimensão evangélica de nossa pregação pela dimensão política e, às vezes, por política partidária? Ao mesmo tempo pregamos, sim, a palavra de Deus e ensinamos, sim, os mandamentos e, por isso, pessoas e comunidades viveram e vivem melhor. Há experiências de vida feliz e rica ao nosso redor. Às vezes, corremos perigo de nos deixar contagiar por um pessimismo generalizado e nos tornamos cegos para os milagres que acontecem ao nosso redor e em nosso meio. Achamos que só os seres humanos vão decidir os rumos do mundo e esquecemos que Jesus Cristo é o Senhor. Por que não nos treinamos para ver os sinais de vida ali onde pessoas amam e praticam a justiça? Por que não falamos disso? Por que não agradecemos por isso? Por que não louvamos a Deus pela sua presença entre nós? Por que não escrevemos em nossas
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tãs e a comunidade de Corinto. Assim como Moisés e Jesus, também Paulo menciona os mandamentos: Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz (v. 11). Onde isto acontecer, a comunidade irá bem. E Paulo mostra, em outros trechos das duas cartas aos Coríntios, que onde eles não respeitam os mandamentos, as pessoas e a comunidade vão mal. E que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com eles é o voto de Paulo. Através de graça, amor e comunhão Deus estará com eles, sempre.
3 A realidade Numa primeira olhada saltam aos olhos violência, injustiça, exploração, desemprego, doença, descrença, falta de esperança, filas em toda parte, insegurança, desfalques, corrupção, um quadro muito sombrio. Algumas dessas coisas têm suas causas a nível individual, outras a nível coletivo local ou nacional ou internacional ou global. Este é o pano de fundo do tom, do clima, da atmosfera de televisão, jornal, conversa de grupos. Mas quando a gente olha mais detidamente, com mais cuidado e com mais atenção, percebe-se no meio do quadro acima muita vida, muito amor, muita luta pela vida por parte de pessoas, grupos, comunidades, igrejas, ONGs (organizações não-governamentais), escolas, grupos de voluntários, empresas, em uma diversidade e criatividade muito grandes. Há milagres pipocando em muitos lugares. A gente corre perigo de não enxergar isso, porque esses sinais são simples, não causam sensação, não interessam muito à mídia, não vendem jornal. Dá para constatar tranqüilamente que, ali onde são vividos e aplicados valores como os que propõe o evangelho e mandamentos como os que estão na Bíblia, nasce e cresce vida. Nem todas essas coisas acontecem nas igrejas. Muitas vezes, acontecem em quaisquer grupos. E quem diz que Deus não age por meios e caminhos que não são identificados como cristãos? O Espírito de Deus age onde quer. Lembro-me de ter lido um texto em que Dietrich Bonhoeffer, que lutou ativamente contra a violência do nazismo e por isso foi preso e executado, manifesta-se no sentido de que há épocas em que se devem identificar as diferenças entre pessoas, grupos, igrejas, para clarear motivações, objetivos, verdades. Mas que há outras épocas em que todas as pessoas que lutam pelo bem e justiça devem juntar suas forças para lutar pelo bem e pela justiça, independente de traços e naturezas diferenciados. Ele era de opinião de que na situação em que ele vivia isso deveria acontecer. Acho que hoje Bonhoeffer diria a mesma coisa, que todas as pessoas de boa vontade devem unir suas forças na luta contra sofrimentos e males.
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4 Meditação Num mundo injusto e cheio de males, Deus é Senhor e acompanha a caminhada de seu povo. Este é o evangelho, a boa-nova de todos os textos. O que deixa a gente pensativo é que essa injustiça e grande parte desses males são causadas por estruturas construídas e sociedades administradas por pessoas e países assim denominados de cristãos. A Europa é de tradição cristã. A América do Norte também. A América do Sul também. O Brasil se orgulha de sua tradição cristã. A grande maioria dos governantes é batizada e seus filhos também. A grande maioria das pessoas responsáveis pela economia também é batizada e seus filhos também. As igrejas sempre tiveram poder e influência muito grandes. O Brasil é um país muito rico. Como então montar estruturas e leis que permitiram e até promoveram tanta injustiça? Como é que o amor e a justiça foram banidos pelo egoísmo e pela ganância. Onde ficou o Batismo? Se guardar os mandamentos tem a promessa de ir bem, por que vamos tão mal? E os filhos também vão mal. E os netos também. Fomos batizados, mas não assumimos o Batismo? Estudamos os mandamentos, mas não os aplicamos na vida? Confessamos nossos pecados, mas não nos arrependemos e não mudamos de vida? Deus é maior do que todos os deuses. A Jesus foi dado todo o poder no céu e na terra. Por que permitimos que outros deuses tomassem conta ou por que chamamos outros deuses? Ou não ensinamos os mandamentos às pessoas, aos filhos? Por que não estudamos os mandamentos? Deveríamos conhecer Deus melhor? Dividimos Deus em partes e observamos só a parte que nos convinha? Damos atenção ao Criador, mas achamos que não precisamos do Salvador porque não temos pecado? Por que não sabemos o que fazer com o Espírito Santo e o deixamos de lado? Absolutizamos o Criador, ou o Salvador, ou o Santificador? Não soubemos dar repercussão política ao serviço da igreja? Ou substituímos a dimensão evangélica de nossa pregação pela dimensão política e, às vezes, por política partidária? Ao mesmo tempo pregamos, sim, a palavra de Deus e ensinamos, sim, os mandamentos e, por isso, pessoas e comunidades viveram e vivem melhor. Há experiências de vida feliz e rica ao nosso redor. Às vezes, corremos perigo de nos deixar contagiar por um pessimismo generalizado e nos tornamos cegos para os milagres que acontecem ao nosso redor e em nosso meio. Achamos que só os seres humanos vão decidir os rumos do mundo e esquecemos que Jesus Cristo é o Senhor. Por que não nos treinamos para ver os sinais de vida ali onde pessoas amam e praticam a justiça? Por que não falamos disso? Por que não agradecemos por isso? Por que não louvamos a Deus pela sua presença entre nós? Por que não escrevemos em nossas
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mesas, como fez Martim Lutero, ou em outros lugares Baptisatus sum (sou batizado), Jesus Cristo é o Senhor da minha vida?
5 A prédica vejo:
Há várias possibilidades para a prédica. Vou mencionar aquelas que eu
1º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Bibliografia HEIM, Burkhard. Beten im Gottesdienst. Neuffen: Sonnenweg Verlag, 1973. SCHLATTER, Adolf. Das Evangelium nach Matthäus. Stuttgart: Calwer Verlag, 1947. (Schlatters Erläuterungen zum Neuen Testament, 1) SCHNIEWIND, Julius. Das Evangelium nach Matthäus. 5. ed. Göttingen: Vandenhoeck&Ruprecht, 1950. (Das Neue Testament Deutsch, 2) WOLFF, Günter. Mateus`28.16-20. In: Proclamar Libertação. Vol. X, São Leopoldo.
a) Pode-se, partindo do domingo, pregar sobre a Santíssima Trindade. Ajudar a comunidade a entender algo mais da Trindade e depois trazer esse Deus triuno para a comunidade de nosso tempo naquilo que os textos dizem. b) Pode-se tematizar o Deus presente na caminhada do povo de Deus através da história. Deus está presente com poder e, ali onde nós o permitimos e estamos dispostos a ser seus instrumentos, vai-se bem, experimentam-se sinais do reino. c) Pode-se tematizar o Batismo. Somos batizados. Que importância o Batismo continua tendo em nossa vida? Vamos recordar nosso Batismo? Vamos reassumir nosso Batismo? d) Vamos tematizar: batizar e ensinar?
6 Subsídios litúrgicos Confissão de pecados: Agradecemos-te, misericordioso Deus, que podemos iniciar nosso culto com a confissão de nossos pecados, de nossas confusões e de nossos medos. Agradecemos-te, nosso Senhor Jesus Cristo, que entregaste tua vida na cruz para nos redimir de todo mal e nos reconciliar com Deus. Agradecemos-te, Espírito Santo, que intercedes por nós e nos consolas quando oramos: Tem piedade de nós, Senhor. Oração do dia: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Prostramo-nos em adoração diante do mistério de tua essência divina. Não pretetendemos decifrar o que não podemos entender. Ajuda que aceitemos: chamar-te, ó Deus, nosso Pai, conhecer-te, Senhor Jesus, como nosso irmão e salvador, invocar-te, Espírito Santo, como nosso consolador e poder em nossas vidas. Glória seja a ti, Deus triuno, que nos aceitas. Fortalece nossa fé, Senhor. Amém. Oração de intercessão: Pedir que a comunidade mencione motivos de intercessão e intercalar as preces com: Tem, Senhor, piedade.
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mesas, como fez Martim Lutero, ou em outros lugares Baptisatus sum (sou batizado), Jesus Cristo é o Senhor da minha vida?
5 A prédica vejo:
Há várias possibilidades para a prédica. Vou mencionar aquelas que eu
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Bibliografia HEIM, Burkhard. Beten im Gottesdienst. Neuffen: Sonnenweg Verlag, 1973. SCHLATTER, Adolf. Das Evangelium nach Matthäus. Stuttgart: Calwer Verlag, 1947. (Schlatters Erläuterungen zum Neuen Testament, 1) SCHNIEWIND, Julius. Das Evangelium nach Matthäus. 5. ed. Göttingen: Vandenhoeck&Ruprecht, 1950. (Das Neue Testament Deutsch, 2) WOLFF, Günter. Mateus`28.16-20. In: Proclamar Libertação. Vol. X, São Leopoldo.
a) Pode-se, partindo do domingo, pregar sobre a Santíssima Trindade. Ajudar a comunidade a entender algo mais da Trindade e depois trazer esse Deus triuno para a comunidade de nosso tempo naquilo que os textos dizem. b) Pode-se tematizar o Deus presente na caminhada do povo de Deus através da história. Deus está presente com poder e, ali onde nós o permitimos e estamos dispostos a ser seus instrumentos, vai-se bem, experimentam-se sinais do reino. c) Pode-se tematizar o Batismo. Somos batizados. Que importância o Batismo continua tendo em nossa vida? Vamos recordar nosso Batismo? Vamos reassumir nosso Batismo? d) Vamos tematizar: batizar e ensinar?
6 Subsídios litúrgicos Confissão de pecados: Agradecemos-te, misericordioso Deus, que podemos iniciar nosso culto com a confissão de nossos pecados, de nossas confusões e de nossos medos. Agradecemos-te, nosso Senhor Jesus Cristo, que entregaste tua vida na cruz para nos redimir de todo mal e nos reconciliar com Deus. Agradecemos-te, Espírito Santo, que intercedes por nós e nos consolas quando oramos: Tem piedade de nós, Senhor. Oração do dia: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Prostramo-nos em adoração diante do mistério de tua essência divina. Não pretetendemos decifrar o que não podemos entender. Ajuda que aceitemos: chamar-te, ó Deus, nosso Pai, conhecer-te, Senhor Jesus, como nosso irmão e salvador, invocar-te, Espírito Santo, como nosso consolador e poder em nossas vidas. Glória seja a ti, Deus triuno, que nos aceitas. Fortalece nossa fé, Senhor. Amém. Oração de intercessão: Pedir que a comunidade mencione motivos de intercessão e intercalar as preces com: Tem, Senhor, piedade.
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o
2 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
29 MAI 2005
DEUTERONÔMIO 11.18-21,26-28 ROMANOS 3.21-25a
PRÉDICA: MATEUS 7.21-29 Vera Maria Immich
Tema do culto: Ouvir a palavra, permitir que ela more em nosso coração e que impulsione a nossa ação.
1 Os textos das leituras do dia Deuteronômio 11.18-21,26-28: Este texto fala de guardar os ensinamentos recebidos dos ancestrais, ou seja, a Torá. Mas não é qualquer guardar. É guardar no coração e na alma e também nos lugares visíveis para não esquecê-los em nenhum momento e também não ser esquecido por Deus. A palavra deve fazer parte da vida. Assim como a receberam, também devem passá-la adiante, aos filhos, em qualquer oportunidade. Então, guardando a palavra sempre, Deus os abençoará e multiplicará os dias sobre a terra. Romanos 3. 21-25 a: Na Carta aos Romanos, Paulo escreve falando do grande desejo de Deus em reconciliar-se com o mundo e que para tal Ele deu seu filho Jesus Cristo para nos fazer justos. Paulo também lembra que perante Deus todos são iguais (todos pecaram) e carecem da graça de Deus, que há em Jesus Cristo.
2 Considerações exegéticas Nosso texto é o final do Sermão do Monte, e este continua presente influenciando o texto. Ele não deve ser visto apenas como uma bela mensagem, mas deve ser vivenciado. Por isso, ao longo do subsídio, buscarei elementos do referido sermão. Recomendo a leitura dos capítulos 5 a 7 de Mateus para melhor situar o texto em questão. O ponto central do Sermão do Monte e da pregação é que é da vontade de Jesus chegarmos ao reino dos céus, conf. 7.21, que nos diz: Nem todo o que me diz: Senhor, senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz
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a vontade do meu Pai que está nos céus . Incomum e surpreendente para os ouvidos evangélicos é que o caminho para o reino de Deus passa pelo agir/fazer e não somente pelo ouvir e crer teóricos. É imprescindível que o ouvir nos leve para o caminho do agir. O Sermão do Monte inicia com o relato das bem-aventuranças, continua com os ensinamentos sobre a oração, tanto a secreta quanto a pública e comunitária. Enfim, chegando ao nosso texto, a casa e seus fundamentos possíveis nos indicam o fio vermelho para a pregação. O ponto forte está em 7.21b, que fala do fazer a vontade do meu Pai, que está nos céus.
3 Reflexão Ouvindo... crendo e fazendo... É no ouvir que a palavra de Deus é preenchida de sentido e alcança seu objetivo. A união do ouvir a pregação e a pratica é que traz discernimento e sabedoria ao ser humano. Algumas cenas são tão constantes nos noticiários, que nem é necessário situar um local específico. Basta chover mais do que previsto e estritamente necessário, que já vemos nos noticiários cenas de desabamento de casas/barracos construídos nos morros e sem a menor estabilidade, sem um alicerce seguro. É verdade que não podemos apenas responsabilizar aquelas pessoas que constroem suas residências em locais inapropriados, chamando-as de imprudentes. Mas imprudente é nossa política que atraiu as famílias para as cidades, oferecendo mão-de-obra às indústrias, e esqueceu que elas precisam de um novo local para construir suas casas e sua nova história. Estabilidade, segurança e certeza é o mais importante na construção de uma casa que deverá abrigar e proteger pessoas por longos anos e gerações. Sabemos que, ao construirmos uma casa, não podemos olhar somente pelo mais barato. Quem quer arriscar ao construir uma casa que o fundamento possa desaparecer ou que o telhado voe com a força dos ventos e tempestades? De qualquer forma, o exemplo usado por Jesus não está falando de políticas governamentais excludentes e nem de projetos arquitetônicos. Mas está falando de nossa vida e dos fundamentos que devemos estabelecer. O fundamento que Jesus propõe dá alicerce estável à nossa existência e discernimento. Assim como não devemos construir nossa casa sobre a areia, fato que vemos tantas vezes nos jornais, pois a natureza apenas vem pegar o que lhe pertence em seus movimentos naturais, assim não devemos construir nossas vidas sobre alicerces inseguros. Muitas vezes, a angústia, as dificuldades e problemas insolúveis nos fragilizam, enfraquecendo-nos e confundindo-nos. Se não voltarmos nossos olhos para Jesus, poderemos facilmente sucumbir.
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DEUTERONÔMIO 11.18-21,26-28 ROMANOS 3.21-25a
PRÉDICA: MATEUS 7.21-29 Vera Maria Immich
Tema do culto: Ouvir a palavra, permitir que ela more em nosso coração e que impulsione a nossa ação.
1 Os textos das leituras do dia Deuteronômio 11.18-21,26-28: Este texto fala de guardar os ensinamentos recebidos dos ancestrais, ou seja, a Torá. Mas não é qualquer guardar. É guardar no coração e na alma e também nos lugares visíveis para não esquecê-los em nenhum momento e também não ser esquecido por Deus. A palavra deve fazer parte da vida. Assim como a receberam, também devem passá-la adiante, aos filhos, em qualquer oportunidade. Então, guardando a palavra sempre, Deus os abençoará e multiplicará os dias sobre a terra. Romanos 3. 21-25 a: Na Carta aos Romanos, Paulo escreve falando do grande desejo de Deus em reconciliar-se com o mundo e que para tal Ele deu seu filho Jesus Cristo para nos fazer justos. Paulo também lembra que perante Deus todos são iguais (todos pecaram) e carecem da graça de Deus, que há em Jesus Cristo.
2 Considerações exegéticas Nosso texto é o final do Sermão do Monte, e este continua presente influenciando o texto. Ele não deve ser visto apenas como uma bela mensagem, mas deve ser vivenciado. Por isso, ao longo do subsídio, buscarei elementos do referido sermão. Recomendo a leitura dos capítulos 5 a 7 de Mateus para melhor situar o texto em questão. O ponto central do Sermão do Monte e da pregação é que é da vontade de Jesus chegarmos ao reino dos céus, conf. 7.21, que nos diz: Nem todo o que me diz: Senhor, senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz
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a vontade do meu Pai que está nos céus . Incomum e surpreendente para os ouvidos evangélicos é que o caminho para o reino de Deus passa pelo agir/fazer e não somente pelo ouvir e crer teóricos. É imprescindível que o ouvir nos leve para o caminho do agir. O Sermão do Monte inicia com o relato das bem-aventuranças, continua com os ensinamentos sobre a oração, tanto a secreta quanto a pública e comunitária. Enfim, chegando ao nosso texto, a casa e seus fundamentos possíveis nos indicam o fio vermelho para a pregação. O ponto forte está em 7.21b, que fala do fazer a vontade do meu Pai, que está nos céus.
3 Reflexão Ouvindo... crendo e fazendo... É no ouvir que a palavra de Deus é preenchida de sentido e alcança seu objetivo. A união do ouvir a pregação e a pratica é que traz discernimento e sabedoria ao ser humano. Algumas cenas são tão constantes nos noticiários, que nem é necessário situar um local específico. Basta chover mais do que previsto e estritamente necessário, que já vemos nos noticiários cenas de desabamento de casas/barracos construídos nos morros e sem a menor estabilidade, sem um alicerce seguro. É verdade que não podemos apenas responsabilizar aquelas pessoas que constroem suas residências em locais inapropriados, chamando-as de imprudentes. Mas imprudente é nossa política que atraiu as famílias para as cidades, oferecendo mão-de-obra às indústrias, e esqueceu que elas precisam de um novo local para construir suas casas e sua nova história. Estabilidade, segurança e certeza é o mais importante na construção de uma casa que deverá abrigar e proteger pessoas por longos anos e gerações. Sabemos que, ao construirmos uma casa, não podemos olhar somente pelo mais barato. Quem quer arriscar ao construir uma casa que o fundamento possa desaparecer ou que o telhado voe com a força dos ventos e tempestades? De qualquer forma, o exemplo usado por Jesus não está falando de políticas governamentais excludentes e nem de projetos arquitetônicos. Mas está falando de nossa vida e dos fundamentos que devemos estabelecer. O fundamento que Jesus propõe dá alicerce estável à nossa existência e discernimento. Assim como não devemos construir nossa casa sobre a areia, fato que vemos tantas vezes nos jornais, pois a natureza apenas vem pegar o que lhe pertence em seus movimentos naturais, assim não devemos construir nossas vidas sobre alicerces inseguros. Muitas vezes, a angústia, as dificuldades e problemas insolúveis nos fragilizam, enfraquecendo-nos e confundindo-nos. Se não voltarmos nossos olhos para Jesus, poderemos facilmente sucumbir.
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Sucumbimos quando construímos nossa existência sobre falsas ideologias, superstições, ganância, egoísmo, enriquecimento ilícito e tantas outras coisas que não agradam ao Deus da vida e que nos afastam do projeto de Jesus de que todos possamos ter nossa existência ancorada em um porto seguro, que é ele. Jesus diz no texto em questão: a estabilidade da casa de vocês depende de como vocês a construíram, depende da qualidade do material e do empenho do pedreiro. Assim é a tua vida. Nossa casa precisa resistir aos primeiros ventos e tempestades, mas também aos últimos. Qual o fundamento de nossa vida? Sobre o que nossa vida deve ser fundamentada? Jesus disse: você tem esse fundamento. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (7.24). Estas palavras são uma referência a todo o Sermão do Monte. Ele é um convite para entrar no reino de Deus e não um mandamento, uma barreira intransponível que me paralisa e diante da qual eu somente sei dizer: não sou capaz de fazer tudo isso! Em Mt 13.44-45, Jesus nos promete o melhor e mais precioso que podemos alcançar. Ele compara o reino de Deus a um tesouro e a pérolas. Ele quer que alcancemos o melhor, ou seja, o reino. Jesus diz: eu trago o reino de Deus e desejo que vocês também façam parte dele. Então também podemos confiar nessa pregação. Se nós ouvirmos o seu convite e crermos nele e nos deixarmos impulsionar para uma nova ação, então edificaremos a nossa vida sobre um fundamento sólido e não sobre areia. Ouvir e crer nos ensinamentos de Jesus é uma parte do fundamento sólido, mas que não pode ser separada da segunda parte, que é fazer a vontade do Pai. As palavras de Jesus não devem entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mas entrar e chegar até o coração, fazendo morada ali. Se, de fato, permitirmos a sua morada em nós, então ele atuará em nós, transformando-nos e capacitando-nos. Em outro texto, Jesus diz que uma boa árvore somente pode dar bons frutos. Por meio do nosso agir surgem as luzes do reino de Deus. E a terra experimenta um aperitivo do reino. Por isso, no Pai-Nosso, oramos: Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu . O fundador da Diaconia em Württemberg, Gustav Werner, que viveu entre 1809 e 1887, disse: Aquilo que não transformamos em ação não tem valor . Com esta motivação ele ajudou órfãs, viúvas, deficientes e idosos. Ele transformou sua fé em ação. Para Jesus, não precisamos ser Gustav Werner ou Madre Tereza de Calcutá. Para ele não são as grandes obras as mais importantes. Ele fala de edificar bem uma casa, ou seja, a nossa vida. A Jesus interessa que a nossa vida tenha um bom fundamento, que não se desfaz com a primeira tempestade e nem com a última e derradeira, que é a morte. A última instância neste mundo não pertence a nenhuma pessoa, na-
ção ou organização. Pertence tão-somente a Deus. Jesus não quer nos amedrontar. Ele nos quer convencer de que a sua alegria é a nossa participação no seu reino. Nós fazemos parte desse reino quando agimos de acordo com os ensinamentos de Jesus. A diferença de uma casa mal-edificada e de nossa vida mal-alicerçada é que não podemos simplesmente transportar uma casa para um fundamento sólido e novo, mas podemos reconstruir nossa vida sobre um novo fundamento, independente de nossa idade e de nossas experiências de vida. Sempre é tempo de recomeçar.
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4 Pregação Tema do culto: Ouvir a palavra, permitir que ela more em nosso coração e que impulsione a nossa ação. O pregador poderá seguir um esquema com a comunidade, fazendo-a responder às perguntas. O esquema a ser seguido pode ser o seguinte: 1 Qual o fundamento de nossa vida? a) Ouvir e crer na pregação de Jesus. b) Crer e agir segundo a pregação de Jesus. 2 Praticamos a vontade de Deus? a) Aquilo que se aprende e não se pratica não tem valor. b) Pequenos frutos do nosso cotidiano (citar exemplos). 3 No ouvir e na ação está a participação no reino de Deus. a) A mudança ainda é possível. b) Inscrever a palavra de Deus em nossa existência e em nosso coração.
5 Subsídios litúrgicos O tema da pregação deverá ser também o tema do culto, que deverá permear toda a liturgia, desde os hinos, as orações e o Kyrie. Acolhida: A comunidade poderá ser acolhida com Mt 7.24, que diz: Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhálo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha . Oração: Senhor Jesus, minhas bases estão tremendo. O chão parece abrir-se aos meus pés. Preciso da tua estabilidade. Ajuda-me a reconstruir a
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Sucumbimos quando construímos nossa existência sobre falsas ideologias, superstições, ganância, egoísmo, enriquecimento ilícito e tantas outras coisas que não agradam ao Deus da vida e que nos afastam do projeto de Jesus de que todos possamos ter nossa existência ancorada em um porto seguro, que é ele. Jesus diz no texto em questão: a estabilidade da casa de vocês depende de como vocês a construíram, depende da qualidade do material e do empenho do pedreiro. Assim é a tua vida. Nossa casa precisa resistir aos primeiros ventos e tempestades, mas também aos últimos. Qual o fundamento de nossa vida? Sobre o que nossa vida deve ser fundamentada? Jesus disse: você tem esse fundamento. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha (7.24). Estas palavras são uma referência a todo o Sermão do Monte. Ele é um convite para entrar no reino de Deus e não um mandamento, uma barreira intransponível que me paralisa e diante da qual eu somente sei dizer: não sou capaz de fazer tudo isso! Em Mt 13.44-45, Jesus nos promete o melhor e mais precioso que podemos alcançar. Ele compara o reino de Deus a um tesouro e a pérolas. Ele quer que alcancemos o melhor, ou seja, o reino. Jesus diz: eu trago o reino de Deus e desejo que vocês também façam parte dele. Então também podemos confiar nessa pregação. Se nós ouvirmos o seu convite e crermos nele e nos deixarmos impulsionar para uma nova ação, então edificaremos a nossa vida sobre um fundamento sólido e não sobre areia. Ouvir e crer nos ensinamentos de Jesus é uma parte do fundamento sólido, mas que não pode ser separada da segunda parte, que é fazer a vontade do Pai. As palavras de Jesus não devem entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mas entrar e chegar até o coração, fazendo morada ali. Se, de fato, permitirmos a sua morada em nós, então ele atuará em nós, transformando-nos e capacitando-nos. Em outro texto, Jesus diz que uma boa árvore somente pode dar bons frutos. Por meio do nosso agir surgem as luzes do reino de Deus. E a terra experimenta um aperitivo do reino. Por isso, no Pai-Nosso, oramos: Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no céu . O fundador da Diaconia em Württemberg, Gustav Werner, que viveu entre 1809 e 1887, disse: Aquilo que não transformamos em ação não tem valor . Com esta motivação ele ajudou órfãs, viúvas, deficientes e idosos. Ele transformou sua fé em ação. Para Jesus, não precisamos ser Gustav Werner ou Madre Tereza de Calcutá. Para ele não são as grandes obras as mais importantes. Ele fala de edificar bem uma casa, ou seja, a nossa vida. A Jesus interessa que a nossa vida tenha um bom fundamento, que não se desfaz com a primeira tempestade e nem com a última e derradeira, que é a morte. A última instância neste mundo não pertence a nenhuma pessoa, na-
ção ou organização. Pertence tão-somente a Deus. Jesus não quer nos amedrontar. Ele nos quer convencer de que a sua alegria é a nossa participação no seu reino. Nós fazemos parte desse reino quando agimos de acordo com os ensinamentos de Jesus. A diferença de uma casa mal-edificada e de nossa vida mal-alicerçada é que não podemos simplesmente transportar uma casa para um fundamento sólido e novo, mas podemos reconstruir nossa vida sobre um novo fundamento, independente de nossa idade e de nossas experiências de vida. Sempre é tempo de recomeçar.
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4 Pregação Tema do culto: Ouvir a palavra, permitir que ela more em nosso coração e que impulsione a nossa ação. O pregador poderá seguir um esquema com a comunidade, fazendo-a responder às perguntas. O esquema a ser seguido pode ser o seguinte: 1 Qual o fundamento de nossa vida? a) Ouvir e crer na pregação de Jesus. b) Crer e agir segundo a pregação de Jesus. 2 Praticamos a vontade de Deus? a) Aquilo que se aprende e não se pratica não tem valor. b) Pequenos frutos do nosso cotidiano (citar exemplos). 3 No ouvir e na ação está a participação no reino de Deus. a) A mudança ainda é possível. b) Inscrever a palavra de Deus em nossa existência e em nosso coração.
5 Subsídios litúrgicos O tema da pregação deverá ser também o tema do culto, que deverá permear toda a liturgia, desde os hinos, as orações e o Kyrie. Acolhida: A comunidade poderá ser acolhida com Mt 7.24, que diz: Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhálo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha . Oração: Senhor Jesus, minhas bases estão tremendo. O chão parece abrir-se aos meus pés. Preciso da tua estabilidade. Ajuda-me a reconstruir a
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minha vida a partir da tua palavra. Ajuda-me a confiar em Deus e a praticar os seus ensinamentos. Assim me presenteia, bondoso Deus, para que eu faça parte do teu reino. Amém!
5o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
19 JUN 2005
JEREMIAS 20.7-13 ROMANOS 5.12-15
Kyrie Como cristãos agradecemos e intercedemos por nós mesmos e também por aqueles que amamos. Mas não podemos esquecer de interceder e clamar pelos sofrimentos do mundo e por irmãos desfavorecidos. Por isso, após cada petição, clamamos: Kyrie eleison. L.: Deus misericordioso: clamamos por todas as pessoas que não têm casa ou que residem em barracões sem um alicerce seguro. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison... L.: Deus misericordioso: intercedemos por todas aquelas pessoas que não construíram suas vidas sobre um alicerce seguro e que, por isso, vivem angustiadas e procurando preencher seu vazio existencial com tantas ilusões. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison... L.: Deus misericordioso: Intercedemos por todos os que vêem suas vidas desabarem junto com suas casas. Seus sonhos desaparecem junto com as chuvas inesperadas. Sê tu o Deus que conforta e fortalece e que permite a reconstrução de vidas em qualquer época, idade e circunstância. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison...
3º DOMINGO APÓS PENTECOSTE OSÉIAS 5.15-6.6 MATEUS 9.9-13 ROMANOS 4.18-25 4º DOMINGO APÓS PENTECOSTE
PRÉDICA: MATEUS 10.26-33 René Krüger
1 Introducción El texto de Mt 10.26-33 pertenece al llamado discurso misionero del Evangelio de Mateo y se propone fortalecer a los discípulos que pasan por situaciones de persecución y cuya reacción natural es el miedo. Jesús brinda varias razones por las cuales el temor en última instancia carece de fundamento. Mateo incorpora aquí el material de la Fuente de Dichos (también llamado Documento Q , del alemán Quelle, fuente), introduciendo algunas simplificaciones (cf. Lc 12.2-7). Los v. 26-31 forman una unidad en la que el v. 31 retoma la orden de no temer del v. 26. Originalmente se trataba de dichos de orígenes separados, que fueron compaginados para formar una composición coherente. Bajo la rúbrica general del pasaje No temer (repetido tres veces en los v. 26, 28 y 31) se presentan los siguientes elementos: La proclamación pública de lo que hasta ese momento fue secreto; Lo que no hay que temer y lo que sí hay que temer (relación cuerpoalma); Dos ejemplos que indican que no es necesario temer (los pajarillos los cabellos de la cabeza).
2 Repaso exegético
ÊXODO 19.2-6a MATEUS 9.35-10.8 ROMANOS 5.6-11
v. 26 27: A pesar de las persecuciones y los problemas que sobrevendrán a quienes proclaman el evangelio del reino, los discípulos no han de temer a sus perseguidores. Éstos habían sido retratados en los versiculos anteriores. El evangelio, originalmente encubierto y oculto (acaso en referencia al llamado secreto mesiánico), debe hacerse manifiesto y claro a través de la proclamación pública, respaldada por las actitudes concretas de vida de los miembros de la iglesia. El garante de esta proclamación es Dios mismo,
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minha vida a partir da tua palavra. Ajuda-me a confiar em Deus e a praticar os seus ensinamentos. Assim me presenteia, bondoso Deus, para que eu faça parte do teu reino. Amém!
5o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
19 JUN 2005
JEREMIAS 20.7-13 ROMANOS 5.12-15
Kyrie Como cristãos agradecemos e intercedemos por nós mesmos e também por aqueles que amamos. Mas não podemos esquecer de interceder e clamar pelos sofrimentos do mundo e por irmãos desfavorecidos. Por isso, após cada petição, clamamos: Kyrie eleison. L.: Deus misericordioso: clamamos por todas as pessoas que não têm casa ou que residem em barracões sem um alicerce seguro. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison... L.: Deus misericordioso: intercedemos por todas aquelas pessoas que não construíram suas vidas sobre um alicerce seguro e que, por isso, vivem angustiadas e procurando preencher seu vazio existencial com tantas ilusões. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison... L.: Deus misericordioso: Intercedemos por todos os que vêem suas vidas desabarem junto com suas casas. Seus sonhos desaparecem junto com as chuvas inesperadas. Sê tu o Deus que conforta e fortalece e que permite a reconstrução de vidas em qualquer época, idade e circunstância. Por isso, clamamos: Kyrie eleison... C.: Kyrie eleison...
3º DOMINGO APÓS PENTECOSTE OSÉIAS 5.15-6.6 MATEUS 9.9-13 ROMANOS 4.18-25 4º DOMINGO APÓS PENTECOSTE
PRÉDICA: MATEUS 10.26-33 René Krüger
1 Introducción El texto de Mt 10.26-33 pertenece al llamado discurso misionero del Evangelio de Mateo y se propone fortalecer a los discípulos que pasan por situaciones de persecución y cuya reacción natural es el miedo. Jesús brinda varias razones por las cuales el temor en última instancia carece de fundamento. Mateo incorpora aquí el material de la Fuente de Dichos (también llamado Documento Q , del alemán Quelle, fuente), introduciendo algunas simplificaciones (cf. Lc 12.2-7). Los v. 26-31 forman una unidad en la que el v. 31 retoma la orden de no temer del v. 26. Originalmente se trataba de dichos de orígenes separados, que fueron compaginados para formar una composición coherente. Bajo la rúbrica general del pasaje No temer (repetido tres veces en los v. 26, 28 y 31) se presentan los siguientes elementos: La proclamación pública de lo que hasta ese momento fue secreto; Lo que no hay que temer y lo que sí hay que temer (relación cuerpoalma); Dos ejemplos que indican que no es necesario temer (los pajarillos los cabellos de la cabeza).
2 Repaso exegético
ÊXODO 19.2-6a MATEUS 9.35-10.8 ROMANOS 5.6-11
v. 26 27: A pesar de las persecuciones y los problemas que sobrevendrán a quienes proclaman el evangelio del reino, los discípulos no han de temer a sus perseguidores. Éstos habían sido retratados en los versiculos anteriores. El evangelio, originalmente encubierto y oculto (acaso en referencia al llamado secreto mesiánico), debe hacerse manifiesto y claro a través de la proclamación pública, respaldada por las actitudes concretas de vida de los miembros de la iglesia. El garante de esta proclamación es Dios mismo,
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como lo sugieren los verbos puestos en pasivo divino será manifestado y será sabido: Dios es el agente activo que obra a través de sus enviados. Evidentemente Jesús está preparando a sus seguidores para la tarea que deberán emprender después de la Pascua, de allí el contraste entre el tiempo presente (es decir, la vida terrenal de Jesús) y el desarrollo futuro. A pesar de un ambiente general teñido de colores escatológicos, el texto está hablando de la misión de la iglesia y no del juicio final. La instrucción paciente realizada por Jesús junto a sus discípulos debe sobrepasar los círculos fundadores y llegar a todas las personas. El mensaje cristiano no es una doctrina esotérica o de misterios, sino una buena noticia para toda la humanidad. La luz puede tomarse como la iluminación que traerá la Pascua para todo el movimiento. Aquí parece haber una cierta analogía a las parábolas del crecimiento, en las que de una semilla pequeña y de manera casi oculta se forma una planta fructífera y enorme. v. 28: El término psyjé, alma, debe ser tomado en un sentido amplio y no sólo como el principio de vida que anima el cuerpo. Psyjé remite a la dimensión del espíritu que sobrepasa la limitación de la muerte física. Apunta a la vida eterna junto a Dios. El término destruir no implica aniquilación, sino castigo eterno (cf. Mt 5.22). El objetivo del dicho no es la descripción de futuras experiencias de fuego infernal, sino la instalación de la dimensión del correcto temor: no temer a los perseguidores, sino únicamente a Dios. Frente a su autoridad merman totalmente las figuras humanas que pueden oponerse a la proclamación del evangelio, perseguir e incluso matar a los discípulos. Si la misión universal es voluntad y obra de Dios a través de los discípulos, éstos no necesitan temer. Lo peor que les puede pasar en términos de persecuciones es la muerte del cuerpo (sôma). Pero ellos son más que cuerpo. Son imagen de Dios, unidad de cuerpo-alma-espíritu. Aquí el texto refleja la influencia del judaísmo helenístico y de la teología contemporánea del martirio que se había desarrollado en aquel entonces. Los perseguidores matarán el cuerpo, pero sólo Dios tiene poder sobre el alma o espíritu, y de esta manera, sobre la persona entera. Por ello se ha de temer sólo a Dios, el juez universal, y no a individuos humanos. Lejos de infundir miedo, pánico o terror frente a Dios, la propuesta bíblica del temor a Dios implica obediencia y confianza; y aquí se trata concretamente de la obediencia al mandato misionero y de la confianza en la guía de Dios. No es adecuado elaborar especulaciones sobre el dualismo alma cuerpo, un estado intermedio del alma entre la muerte y el juicio final, alguna diferencia cualitativa entre los mártires y quienes no lo son, o la calidad indestructible del alma. Estas cuestiones no se hallan en el foco del interés del dicho. El énfasis en la libertad frente al temor ante perseguidores era sumamente importante en el contexto de la misión de la iglesia naciente, pues
ésta debía desarrollar su tarea en un mundo hostil que respondía de múltiples maneras, moviéndose entre los extremos de la indiferencia y la burla hasta la reacción violenta y fatal. El NT contiene múltiples textos que dan testimonio de estas reacciones. v. 29: Ambas ilustraciones se enmarcan en la confianza total en la providencia divina, característica de la fe bíblica, que además del ser humano incluye toda la naturaleza. Dios presta atención irrestricta incluso a las cosas más pequeñas: la vida de los pajarillos más baratos, el número de nuestros cabellos. Dios se preocupa por los gorriones cuyo valor para el ser humano es la mitad de la moneda más pequeña. Dios se preocupa también por la cantidad de nuestros cabellos. ¿Hemos pensado alguna vez en este detalle de nuestro cuerpo? ¡Qué le hace al montón si se cae un pelo de la cabeza! Quizá sólo se nos ocurra preocuparnos por esta insignificancia cuando empieza a caerse este atribuyo decorativo. El v. 31 sacará una deducción decisiva de lo expuesto, anticipándola con la referencia a vuestro Padre. Por la larga tradición cristiana estamos tan acostumbrados a la formulación nuestro Padre que la misma ya no nos impacta; pero tengamos en cuenta el carácter novedoso de la misma en la época neotestamentaria. Jesús introdujo una profunda dimensión de confianza e intimidad en la relación con Dios, invocándolo como Padre mío, Padre nuestro. Esta formulación, que tiene como antecedente veterotestamentario sólo Is 63.16 y 64.8, se hizo común en el NT, de lo cual dan testimonio el Padrenuestro y diversas salutaciones epistolares. La alusión a los pajaritos remite al ejemplo del Sermón del Monte sobre la alimentación, Mt 6.26; mientras que la referencia al número de cabellos remite de manera original (empleando quizá un dicho conocido) a la idea expresada también en 1 Sm 14.45; 2 Sm 14.11; Lc 21.18 y At 27.34. En estos textos se subraya el hecho de que ni siquiera un cabello puede caérsele a alguien sin el consentimiento de Dios. Hay, pues, hay una doble profundidad que espera que la recuperemos: el concepto de Dios nuestro Padre y la certeza de la protección total (que no debe confundirse con garantía de vida). v. 31: La conclusión de este planteo radical es una nueva insistencia en no temer, indicándose el valor superior de las personas con respecto a los sencillos pajaritos. Dios tiene poder, conocimiento y cuidado como para proteger lo suficientemente a los discípulos de todo peligro y mal. Si los pajarillos valen apenas la mitad de una minúscula moneda de ínfimo valor, pero su vida igualmente está bajo el control de vuestro Padre, cuánto más valen los creyentes (véase también Mt 12.12, donde se compara el valor de la vida de un hombre con el de una oveja). La lectora y el lector son invitados a sacar la deducción superior: Cuánto más nuestro Padre se preocupará por nosotros.
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como lo sugieren los verbos puestos en pasivo divino será manifestado y será sabido: Dios es el agente activo que obra a través de sus enviados. Evidentemente Jesús está preparando a sus seguidores para la tarea que deberán emprender después de la Pascua, de allí el contraste entre el tiempo presente (es decir, la vida terrenal de Jesús) y el desarrollo futuro. A pesar de un ambiente general teñido de colores escatológicos, el texto está hablando de la misión de la iglesia y no del juicio final. La instrucción paciente realizada por Jesús junto a sus discípulos debe sobrepasar los círculos fundadores y llegar a todas las personas. El mensaje cristiano no es una doctrina esotérica o de misterios, sino una buena noticia para toda la humanidad. La luz puede tomarse como la iluminación que traerá la Pascua para todo el movimiento. Aquí parece haber una cierta analogía a las parábolas del crecimiento, en las que de una semilla pequeña y de manera casi oculta se forma una planta fructífera y enorme. v. 28: El término psyjé, alma, debe ser tomado en un sentido amplio y no sólo como el principio de vida que anima el cuerpo. Psyjé remite a la dimensión del espíritu que sobrepasa la limitación de la muerte física. Apunta a la vida eterna junto a Dios. El término destruir no implica aniquilación, sino castigo eterno (cf. Mt 5.22). El objetivo del dicho no es la descripción de futuras experiencias de fuego infernal, sino la instalación de la dimensión del correcto temor: no temer a los perseguidores, sino únicamente a Dios. Frente a su autoridad merman totalmente las figuras humanas que pueden oponerse a la proclamación del evangelio, perseguir e incluso matar a los discípulos. Si la misión universal es voluntad y obra de Dios a través de los discípulos, éstos no necesitan temer. Lo peor que les puede pasar en términos de persecuciones es la muerte del cuerpo (sôma). Pero ellos son más que cuerpo. Son imagen de Dios, unidad de cuerpo-alma-espíritu. Aquí el texto refleja la influencia del judaísmo helenístico y de la teología contemporánea del martirio que se había desarrollado en aquel entonces. Los perseguidores matarán el cuerpo, pero sólo Dios tiene poder sobre el alma o espíritu, y de esta manera, sobre la persona entera. Por ello se ha de temer sólo a Dios, el juez universal, y no a individuos humanos. Lejos de infundir miedo, pánico o terror frente a Dios, la propuesta bíblica del temor a Dios implica obediencia y confianza; y aquí se trata concretamente de la obediencia al mandato misionero y de la confianza en la guía de Dios. No es adecuado elaborar especulaciones sobre el dualismo alma cuerpo, un estado intermedio del alma entre la muerte y el juicio final, alguna diferencia cualitativa entre los mártires y quienes no lo son, o la calidad indestructible del alma. Estas cuestiones no se hallan en el foco del interés del dicho. El énfasis en la libertad frente al temor ante perseguidores era sumamente importante en el contexto de la misión de la iglesia naciente, pues
ésta debía desarrollar su tarea en un mundo hostil que respondía de múltiples maneras, moviéndose entre los extremos de la indiferencia y la burla hasta la reacción violenta y fatal. El NT contiene múltiples textos que dan testimonio de estas reacciones. v. 29: Ambas ilustraciones se enmarcan en la confianza total en la providencia divina, característica de la fe bíblica, que además del ser humano incluye toda la naturaleza. Dios presta atención irrestricta incluso a las cosas más pequeñas: la vida de los pajarillos más baratos, el número de nuestros cabellos. Dios se preocupa por los gorriones cuyo valor para el ser humano es la mitad de la moneda más pequeña. Dios se preocupa también por la cantidad de nuestros cabellos. ¿Hemos pensado alguna vez en este detalle de nuestro cuerpo? ¡Qué le hace al montón si se cae un pelo de la cabeza! Quizá sólo se nos ocurra preocuparnos por esta insignificancia cuando empieza a caerse este atribuyo decorativo. El v. 31 sacará una deducción decisiva de lo expuesto, anticipándola con la referencia a vuestro Padre. Por la larga tradición cristiana estamos tan acostumbrados a la formulación nuestro Padre que la misma ya no nos impacta; pero tengamos en cuenta el carácter novedoso de la misma en la época neotestamentaria. Jesús introdujo una profunda dimensión de confianza e intimidad en la relación con Dios, invocándolo como Padre mío, Padre nuestro. Esta formulación, que tiene como antecedente veterotestamentario sólo Is 63.16 y 64.8, se hizo común en el NT, de lo cual dan testimonio el Padrenuestro y diversas salutaciones epistolares. La alusión a los pajaritos remite al ejemplo del Sermón del Monte sobre la alimentación, Mt 6.26; mientras que la referencia al número de cabellos remite de manera original (empleando quizá un dicho conocido) a la idea expresada también en 1 Sm 14.45; 2 Sm 14.11; Lc 21.18 y At 27.34. En estos textos se subraya el hecho de que ni siquiera un cabello puede caérsele a alguien sin el consentimiento de Dios. Hay, pues, hay una doble profundidad que espera que la recuperemos: el concepto de Dios nuestro Padre y la certeza de la protección total (que no debe confundirse con garantía de vida). v. 31: La conclusión de este planteo radical es una nueva insistencia en no temer, indicándose el valor superior de las personas con respecto a los sencillos pajaritos. Dios tiene poder, conocimiento y cuidado como para proteger lo suficientemente a los discípulos de todo peligro y mal. Si los pajarillos valen apenas la mitad de una minúscula moneda de ínfimo valor, pero su vida igualmente está bajo el control de vuestro Padre, cuánto más valen los creyentes (véase también Mt 12.12, donde se compara el valor de la vida de un hombre con el de una oveja). La lectora y el lector son invitados a sacar la deducción superior: Cuánto más nuestro Padre se preocupará por nosotros.
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v. 32-33: Mediante apretadas palabras de tono escatológico y dos versículos puestos en estricto paralelismo antitético, Jesús sintetiza la enorme importancia del testimonio. Hasta aquí el discurso se había centrado en el mensaje del reino que los discípulos deben proclamar aún en medio de la oposición y el sufrimiento. Ahora el discurso pega un salto y coloca a la persona misma de Jesús en el centro del testimonio, estableciendo de esta manera una relación intrínseca entre el evangelio del reino y Jesucristo. Al mismo tiempo, el discurso subraya la relación especial entre Jesús y Dios su Padre; una relación que también es compartida por los discípulos por tratarse de vuestro Padre. La traducción dice confesarme. El griego dice homologêsei en emoí, reproduciendo un arameísmo (no un hebraísmo). Traducido literalmente resulta confesar en mí, y contiene un sentido de unidad con Cristo y de Cristo con quien lo representa con su confesión. La confesión pública de Jesús implica aceptación de su mensaje y un discipulado o seguimiento comprometido. La misión y la identidad de los mensajeros van de la mano. El testimonio no es algo opcional, sino que es directamente una demanda. Las palabras de Jesús, que combinan hábilmente el requerimiento con la promesa (en su versión positiva y negativa), suministran una motivación adicional a la realización de la misión, anunciando el ambiente hostil en el que la misma debe llevarse a cabo. El empleo del término cualquiera amplía el círculo de los destinatarios más allá de los doce discípulos a quienes se dirigía originalmente la arenga misionera. Negar a Cristo es mucho más que ocultar la creencia personal. Es decirle no, repudiarlo públicamente, rechazarlo. En términos religiosos se trata de apostasía. Rechazar a Jesús implica ser rechazado por él delante del Padre. Mc 8.38 contiene la misma idea (Mateo omite este versículo). Que estas palabras se muevan en un esquema de recompensa, es decir, de premio y castigo, sólo puede espantar a alguien que se haya adaptado totalmente a la mentalidad de la gracia barata, donde todo da igual y según la cual toda exigencia de decisión y acción huele a justificación por las obras . Muy por el contrario, la relación dialéctica entre la confesión y la gracia por una parte y la negación y el castigo por la otra fue asumida desde temprano por los autores neotestamentarios, como lo evidencia, p. ej., 2 Tm 2.12: Si sufrimos, también reinaremos con él; Si le negáremos, él también nos negará.
El mensaje del reino no es una enseñanza filosófica o religiosa más entre tantas otras que circulan por la historia y el mundo. Ni siquiera cabe hablar de la doctrina más atractiva, bonita o convincente que otras. El men-
saje contiene un núcleo viviente, y ése es Jesucristo mismo. La misión no consiste en contar cosas de Jesús o sobre él, sino en llevar a Jesús mismo a todas las personas mediante el testimonio en palabras, actitudes y hechos. Por ello la relación personal de todo testigo con Jesús es decisiva a la hora de dar testimonio. Al mismo tiempo la relación con Dios sólo es posible a través de la relación con Jesús. De allí que rechazar a Jesús equivalga a rechazar a Dios mismo. Aquí late la cristología de Mateo, que no tolera ningún tipo de neutralidad. Frente a esta exclusividad cayeron todas las fronteras levantadas por las formas tradicionales de la religiosidad de aquel entonces, ya que ningún profeta, maestro, rabí o líder era capaz de pronunciar con autoridad palabras similares. El énfasis en este carácter único de Jesús es uno de los grandes aportes de Mateo. Al proclamar de manera auténtica el evangelio, siempre hay que contar con algún tipo de oposición. Cuando esta oposición aumenta de tono y se convierte en hostilidad abierta, los mensajeros y las mensajeras pueden confiar en Dios y superar su miedo. El mensaje debe ser proclamado y Dios mismo se preocupará por sus siervos y siervas, cuya existencia temporal y eterna está en las manos de Dios. En tiempos de dificultad para el testimonio la iglesia siempre ha encontrado una fuente de coraje en estas palabras de Jesús. Por una parte es cierto que no nos encontramos en el mismo ambiente hostil que debieron enfrentar los primeros discípulos y discípulas de Jesús. A través de un largo proceso, la tolerancia en materia religiosa se ha ido imponiendo paso tras paso en occidente, tanto a nivel de las conciencias como de la legislación. De esta manera pudieron afirmarse los derechos fundamentales de la libertad de pensamiento y de fe y práctica religiosas. Pero por otra parte el carácter oficial y masivo que adquirió el cristianismo en muchos países occidentales ha achatado la seriedad del evangelio; y lamentablemente muchas iglesias han optado por mantener a masas nominalmente cristianizadas en su seno en vez de plantear las exigencias del evangelio, lo cual implica el riesgo de perder eventualmente a muchos indecisos y sobre todo a los cadáveres de fichero. Sobre todo nuestras iglesias históricas sufren bajo este peso de su propia historia. Y si bien quedan por aquí y por allí considerables bolsones de masas tradicionalmente evangélicas, frecuentemente la predicación dominical y la instrucción cristiana no se animan a plantear el carácter contracultural de la fe y la práctica evangélicas, pues eso podría restar miembros proceso éste que de todos modos se encarga de acelerar la secularización. Por doquier se nota una acomodación de la predicación a lo que la gente quiere oír . Un movimiento con un fuerte impulso contracultural, con un modelo alternativa de vida, con énfasis en la comunidad y la solidaridad, derivó en muchos lugares del mundo en un sentimiento que se parece más a las ofertas de sentirse bien (Wellness y Fitness) que a los planteos desafiantes de Jesús.
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3 Reflexionando con el texto
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5º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
v. 32-33: Mediante apretadas palabras de tono escatológico y dos versículos puestos en estricto paralelismo antitético, Jesús sintetiza la enorme importancia del testimonio. Hasta aquí el discurso se había centrado en el mensaje del reino que los discípulos deben proclamar aún en medio de la oposición y el sufrimiento. Ahora el discurso pega un salto y coloca a la persona misma de Jesús en el centro del testimonio, estableciendo de esta manera una relación intrínseca entre el evangelio del reino y Jesucristo. Al mismo tiempo, el discurso subraya la relación especial entre Jesús y Dios su Padre; una relación que también es compartida por los discípulos por tratarse de vuestro Padre. La traducción dice confesarme. El griego dice homologêsei en emoí, reproduciendo un arameísmo (no un hebraísmo). Traducido literalmente resulta confesar en mí, y contiene un sentido de unidad con Cristo y de Cristo con quien lo representa con su confesión. La confesión pública de Jesús implica aceptación de su mensaje y un discipulado o seguimiento comprometido. La misión y la identidad de los mensajeros van de la mano. El testimonio no es algo opcional, sino que es directamente una demanda. Las palabras de Jesús, que combinan hábilmente el requerimiento con la promesa (en su versión positiva y negativa), suministran una motivación adicional a la realización de la misión, anunciando el ambiente hostil en el que la misma debe llevarse a cabo. El empleo del término cualquiera amplía el círculo de los destinatarios más allá de los doce discípulos a quienes se dirigía originalmente la arenga misionera. Negar a Cristo es mucho más que ocultar la creencia personal. Es decirle no, repudiarlo públicamente, rechazarlo. En términos religiosos se trata de apostasía. Rechazar a Jesús implica ser rechazado por él delante del Padre. Mc 8.38 contiene la misma idea (Mateo omite este versículo). Que estas palabras se muevan en un esquema de recompensa, es decir, de premio y castigo, sólo puede espantar a alguien que se haya adaptado totalmente a la mentalidad de la gracia barata, donde todo da igual y según la cual toda exigencia de decisión y acción huele a justificación por las obras . Muy por el contrario, la relación dialéctica entre la confesión y la gracia por una parte y la negación y el castigo por la otra fue asumida desde temprano por los autores neotestamentarios, como lo evidencia, p. ej., 2 Tm 2.12: Si sufrimos, también reinaremos con él; Si le negáremos, él también nos negará.
El mensaje del reino no es una enseñanza filosófica o religiosa más entre tantas otras que circulan por la historia y el mundo. Ni siquiera cabe hablar de la doctrina más atractiva, bonita o convincente que otras. El men-
saje contiene un núcleo viviente, y ése es Jesucristo mismo. La misión no consiste en contar cosas de Jesús o sobre él, sino en llevar a Jesús mismo a todas las personas mediante el testimonio en palabras, actitudes y hechos. Por ello la relación personal de todo testigo con Jesús es decisiva a la hora de dar testimonio. Al mismo tiempo la relación con Dios sólo es posible a través de la relación con Jesús. De allí que rechazar a Jesús equivalga a rechazar a Dios mismo. Aquí late la cristología de Mateo, que no tolera ningún tipo de neutralidad. Frente a esta exclusividad cayeron todas las fronteras levantadas por las formas tradicionales de la religiosidad de aquel entonces, ya que ningún profeta, maestro, rabí o líder era capaz de pronunciar con autoridad palabras similares. El énfasis en este carácter único de Jesús es uno de los grandes aportes de Mateo. Al proclamar de manera auténtica el evangelio, siempre hay que contar con algún tipo de oposición. Cuando esta oposición aumenta de tono y se convierte en hostilidad abierta, los mensajeros y las mensajeras pueden confiar en Dios y superar su miedo. El mensaje debe ser proclamado y Dios mismo se preocupará por sus siervos y siervas, cuya existencia temporal y eterna está en las manos de Dios. En tiempos de dificultad para el testimonio la iglesia siempre ha encontrado una fuente de coraje en estas palabras de Jesús. Por una parte es cierto que no nos encontramos en el mismo ambiente hostil que debieron enfrentar los primeros discípulos y discípulas de Jesús. A través de un largo proceso, la tolerancia en materia religiosa se ha ido imponiendo paso tras paso en occidente, tanto a nivel de las conciencias como de la legislación. De esta manera pudieron afirmarse los derechos fundamentales de la libertad de pensamiento y de fe y práctica religiosas. Pero por otra parte el carácter oficial y masivo que adquirió el cristianismo en muchos países occidentales ha achatado la seriedad del evangelio; y lamentablemente muchas iglesias han optado por mantener a masas nominalmente cristianizadas en su seno en vez de plantear las exigencias del evangelio, lo cual implica el riesgo de perder eventualmente a muchos indecisos y sobre todo a los cadáveres de fichero. Sobre todo nuestras iglesias históricas sufren bajo este peso de su propia historia. Y si bien quedan por aquí y por allí considerables bolsones de masas tradicionalmente evangélicas, frecuentemente la predicación dominical y la instrucción cristiana no se animan a plantear el carácter contracultural de la fe y la práctica evangélicas, pues eso podría restar miembros proceso éste que de todos modos se encarga de acelerar la secularización. Por doquier se nota una acomodación de la predicación a lo que la gente quiere oír . Un movimiento con un fuerte impulso contracultural, con un modelo alternativa de vida, con énfasis en la comunidad y la solidaridad, derivó en muchos lugares del mundo en un sentimiento que se parece más a las ofertas de sentirse bien (Wellness y Fitness) que a los planteos desafiantes de Jesús.
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3 Reflexionando con el texto
5º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
6o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
4 Rumbo a la predicación El texto es muy denso y será difícil si no imposible tratar todos sus contenidos en un solo sermón. Necesariamente habrá que tomar una opción a la hora de preparar la predicación. A la manera de sugerencia puede pensarse en el siguiente esquema: 1) Descripción en términos algo exagerados de un cristianismo de Wellness : Todo anda bien en la comunidad, todo está en orden, somos todos buenos, todos vamos al cielo, se tolera y se acepta todo, estamos de acuerdo con el desarrollo general de la sociedad y del país, nos adaptamos perfectamente al estilo de vida actual, la iglesia tiene presencia pública, su voz tiene peso, aparecemos en la televisión, somos ciudadanos respetables y respetados, no ofendemos ni molestamos a nadie, nadie nos ofende ni molesta. Como ilustración podría mostrarse alguna estadística de ingresos, construcciones, crecimiento; o también algunas fotos del templo y sus decoraciones y eventualmente de alguna celebración muy emotiva, como el culto de Navidad con la iglesia repleta. 2) En diálogo con la comunidad, señalar qué elementos de este cuadro de un cristianismo de Wellness contradicen la imagen bíblica de la comunidad creyente. ¿Dónde la adaptación al estilo de vida común y corriente es abandono de la voluntad de Dios? ¿Qué tipo de presencia pública quiere Jesús para su iglesia? 3) Señalar algunas líneas a partir del texto bíblico: ¿Qué implica hoy confesar públicamente a Jesús con el testimonio explícito (evangelización y misión) respaldado por el propio estilo de vida de los miembros y la iglesia como institución? ¿En qué aspectos la iglesia puede ofrecer modelos alternativos de vida, dónde debe insistir en la solidaridad, en qué cuestiones somos llamados a vivir contra la corriente ? Para que esta parte no se reduzca a un apelo moralista o legalista, conviene subrayar que es un enorme privilegio el haber sido elegidos y elegidas por Dios para anunciar a Jesucristo al mundo; y que antes de sentirnos agobiados por las exigencias, podemos sentirnos contentos porque Dios nos tiene semejante confianza.
Bibliografía HANGER, Donald. Matthew. Dallas, Texas: Word Books Publisher. Word Biblical Commentary, 1993 (Versión electrónica). KEENER, Craig S., The IVP Bible Background Commentary. NT. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1993. (Versión electrónica). WIEFEL, Wolfgang, Das Evangelium nach Matthäus, ThHKNT 1. Leipzig: Evangelische Verlagsanstalt, 1998.
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26 JUN 2005
JEREMIAS 28.5-9 ROMANOS 6.1b-11
PRÉDICA: MATEUS 10.34-42 Claudete Beise Ulrich
1 Introduzindo O Evangelho de Mateus brota da história de uma comunidade que sofre perseguição por causa do anúncio da boa-nova de Jesus Cristo. As primeiras comunidades cristãs estavam inseridas num contexto hostil ao anúncio do reino de Deus. Havia perseguição, tortura e morte. Por isso, a comunidade de Mateus também é marcada pela parusia, pela espera paciente e ativa na volta de Jesus Cristo (Mt 24-25). No entanto, os/as discípulos/as de Jesus se questionam: Não existe outra forma de viver e anunciar o evangelho sem passar pela perseguição? Até que ponto o testemunho cristão tem que passar necessariamente pela rejeição, enfrentando a violência? Como se posicionar diante da morte violenta? Estas perguntas estão por trás do capítulo 10 de Mateus. O texto previsto para reflexão encontra-se neste contexto. O texto de Mt 10.34-42 apresenta como tema central as conseqüências do discipulado. Mateus responde às perguntas e ansiedades da comunidade cristã por meio da proposta de vida e solidariedade de Jesus. O texto do Antigo Testamento para a leitura é Jr 28.5-9. Jeremias trava uma batalha com o falso profeta Hananias, que anuncia promessas vãs. Jeremias aponta para a legitimidade da atuação do profeta: O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta de fato enviado do Senhor (Jr 28.9). O texto do Novo Testamento é Rm 6.1b-11. Ele aponta para a novidade de vida, recebida no Batismo (Rm 6.4). Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos (Rm 6.7). Portanto, podemos nos considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo. Isto significa assumir o projeto do reino de Deus, inaugurado por Jesus Cristo.
2 Situando o texto em seu contexto O presente texto em estudo encontra-se no contexto maior do Evangelho de Mateus (Mt 9.35-13.52). É o confronto da novidade cristã que ven-
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6o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
4 Rumbo a la predicación El texto es muy denso y será difícil si no imposible tratar todos sus contenidos en un solo sermón. Necesariamente habrá que tomar una opción a la hora de preparar la predicación. A la manera de sugerencia puede pensarse en el siguiente esquema: 1) Descripción en términos algo exagerados de un cristianismo de Wellness : Todo anda bien en la comunidad, todo está en orden, somos todos buenos, todos vamos al cielo, se tolera y se acepta todo, estamos de acuerdo con el desarrollo general de la sociedad y del país, nos adaptamos perfectamente al estilo de vida actual, la iglesia tiene presencia pública, su voz tiene peso, aparecemos en la televisión, somos ciudadanos respetables y respetados, no ofendemos ni molestamos a nadie, nadie nos ofende ni molesta. Como ilustración podría mostrarse alguna estadística de ingresos, construcciones, crecimiento; o también algunas fotos del templo y sus decoraciones y eventualmente de alguna celebración muy emotiva, como el culto de Navidad con la iglesia repleta. 2) En diálogo con la comunidad, señalar qué elementos de este cuadro de un cristianismo de Wellness contradicen la imagen bíblica de la comunidad creyente. ¿Dónde la adaptación al estilo de vida común y corriente es abandono de la voluntad de Dios? ¿Qué tipo de presencia pública quiere Jesús para su iglesia? 3) Señalar algunas líneas a partir del texto bíblico: ¿Qué implica hoy confesar públicamente a Jesús con el testimonio explícito (evangelización y misión) respaldado por el propio estilo de vida de los miembros y la iglesia como institución? ¿En qué aspectos la iglesia puede ofrecer modelos alternativos de vida, dónde debe insistir en la solidaridad, en qué cuestiones somos llamados a vivir contra la corriente ? Para que esta parte no se reduzca a un apelo moralista o legalista, conviene subrayar que es un enorme privilegio el haber sido elegidos y elegidas por Dios para anunciar a Jesucristo al mundo; y que antes de sentirnos agobiados por las exigencias, podemos sentirnos contentos porque Dios nos tiene semejante confianza.
Bibliografía HANGER, Donald. Matthew. Dallas, Texas: Word Books Publisher. Word Biblical Commentary, 1993 (Versión electrónica). KEENER, Craig S., The IVP Bible Background Commentary. NT. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1993. (Versión electrónica). WIEFEL, Wolfgang, Das Evangelium nach Matthäus, ThHKNT 1. Leipzig: Evangelische Verlagsanstalt, 1998.
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JEREMIAS 28.5-9 ROMANOS 6.1b-11
PRÉDICA: MATEUS 10.34-42 Claudete Beise Ulrich
1 Introduzindo O Evangelho de Mateus brota da história de uma comunidade que sofre perseguição por causa do anúncio da boa-nova de Jesus Cristo. As primeiras comunidades cristãs estavam inseridas num contexto hostil ao anúncio do reino de Deus. Havia perseguição, tortura e morte. Por isso, a comunidade de Mateus também é marcada pela parusia, pela espera paciente e ativa na volta de Jesus Cristo (Mt 24-25). No entanto, os/as discípulos/as de Jesus se questionam: Não existe outra forma de viver e anunciar o evangelho sem passar pela perseguição? Até que ponto o testemunho cristão tem que passar necessariamente pela rejeição, enfrentando a violência? Como se posicionar diante da morte violenta? Estas perguntas estão por trás do capítulo 10 de Mateus. O texto previsto para reflexão encontra-se neste contexto. O texto de Mt 10.34-42 apresenta como tema central as conseqüências do discipulado. Mateus responde às perguntas e ansiedades da comunidade cristã por meio da proposta de vida e solidariedade de Jesus. O texto do Antigo Testamento para a leitura é Jr 28.5-9. Jeremias trava uma batalha com o falso profeta Hananias, que anuncia promessas vãs. Jeremias aponta para a legitimidade da atuação do profeta: O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta de fato enviado do Senhor (Jr 28.9). O texto do Novo Testamento é Rm 6.1b-11. Ele aponta para a novidade de vida, recebida no Batismo (Rm 6.4). Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos (Rm 6.7). Portanto, podemos nos considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo. Isto significa assumir o projeto do reino de Deus, inaugurado por Jesus Cristo.
2 Situando o texto em seu contexto O presente texto em estudo encontra-se no contexto maior do Evangelho de Mateus (Mt 9.35-13.52). É o confronto da novidade cristã que ven-
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ce o velho sistema da Lei (Mt 12.7), revela o mistério do reino e da nova família de Jesus. (Gorgulho e Anderson, 1981: 99) Esta parte do evangelho fala novamente da missão de Jesus, fazendo um resumo da sua atividade. E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Jesus vê as multidões e se compadece delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não tem pastor (Mt 9.36). Jesus é o pastor que tem compaixão do povo que está aflito e exausto. Esta imagem sustenta o sentido teológico do que se segue, e também da narrativa da paixão. É da compaixão de Jesus, o Bom Pastor (Ez 34; Zc 13.7-9), que vai nascer a missão dos discípulos (Gorgulho e Anderson, 1981: 104). Jesus se dirige a seus discípulos, afirmando: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (9.37-38). 2.1 Jesus chama e dá autoridade aos discípulos O capítulo 10.1 inicia com Jesus chamando seus discípulos e dando a eles autoridade, para expelir espíritos imundos e curar toda sorte de doenças e enfermidades. Os discípulos também são apresentados com os seus nomes (Mt 10.2-4). O texto segue com as instruções para os doze discípulos (Mt 10.5-15), as admoestações (Mt 10.16-23) e os estímulos (Mt 10.24-33), as dificuldades (Mt 10.34-39) e as recompensas (Mt 10.40-42). Os/as discípulos/as são missionários/as de Jesus. Eles são portadores do mesmo evangelho do reino e com os mesmos poderes de mestre (Mt 10.1 e Mt 10.42). O capítulo 10 inicia com o chamado de Jesus, dando autoridade aos discípulos, e encerra afirmando: E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão . Jesus se identifica com os pequeninos, que são seus enviados. A característica principal da ação missionária será a gratuidade: de graça recebestes, de graça dai (Mt 10.8). A vida na humildade e pobreza caracteriza o trabalho dos missionários (Mt 10.9-10). Eles anunciam a paz (Mt 10.11-15). A missão dos discípulos é a mesma de Jesus, por isso entra em confronto com a prática dos escribas, saduceus e fariseus. Trata-se de uma luta entre ovelhas e lobos; são projetos de vida, sociedade e mundo que entram em confronto. Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas (Mt 10.16). Esta luta entre ovelhas e lobos suscitará perseguição no plano religioso, ideológico e político (Mt 10.17-18). O Espírito de vosso Pai é a força e a verdade que está com os discípulos e com eles age (Mt 10.19-20). Pelo testemunho, os discípulos serão perseguidos (Mt 10.21-23), exigindo perseverança até o fim (Mt 24.13).
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2.2 Basta ao discípulo ser como seu mestre O texto de Mt 10.24-33 aponta para as características da existência dos discípulos em seu testemunho. A primeira característica dessa existência é a identificação com a missão do próprio mestre (Mt 10.24-25). A perseguição que os discípulos sofrem é a mesma que Jesus sofre (Mt 10.25-26). A segunda característica é a confiança na força da verdade, que, no final, vencerá (Mt 10.26-27). A terceira característica está em entregar a vida por causa do testemunho. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo (Mt 10.28ss). A expressão não tenham medo aparece três vezes no texto (Mt 10.26,38,31), sendo uma espécie de refrão e marcando com força que é preciso ter coragem. O medo vem das conseqüências que a prática do seguimento ao mestre traz: hostilidades, perseguições, acusações e morte. O testemunho não deve amedrontar ninguém, mas deve ser feito de forma clara, como a luz do dia e proclamado bem alto (Mt 10.27). Os homens podem considerar-se donos de vidas humanas, mas a vida pertence a Deus (Mt 10.29-30). Em outras palavras, Jesus diz: Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais (Mt 10.31). O contexto dos v. 32-33 lembra as perseguições que os cristãos sofriam por seguir o Mestre. A morte para os cristãos tem sentido enquanto solidariedade com Jesus e seu projeto. Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus. Portanto, o desafio dos discípulos é aceitar ou rejeitar a proposta de Jesus, com todas as suas conseqüências. Ser discípulo/a não é um mar de rosas, mas traz dificuldades, tensões, lutas, perseguições e escolhas. É isto que nos indica o texto de Mt 10.34-42, apontando para uma nova relação de família e um novo projeto de vida que nasce da vida solidária com Jesus.
3 As conseqüências do discipulado: Mateus 10.34-42
O texto de Mt 10.34-42 traz presente a conseqüência do discipulado. A ação missionária de Jesus é como uma espada. Não penseis que vim trazer paz a terra; não vim trazer paz, mas espada (Mt 10.34). A espada aponta para a verdade. A verdade liberta. Encontra-se aqui uma ligação com o texto de Jr 28.5-9. A paz só se concretiza quando se realiza a palavra do profeta. Percebe-se aqui a íntima ligação entre a palavra e a ação. A realização da palavra se mostra na concretização da paz cotidiana. A paz anunciada no AT (schalom) e no NT (eirene) aponta para o bem-estar físico, social, espiritual, tendo como alvo a vida em plenitude. Portanto, a proposta de Jesus é como uma espada, pois é anunciada dentro de um contexto de paz aparente: a pax
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ce o velho sistema da Lei (Mt 12.7), revela o mistério do reino e da nova família de Jesus. (Gorgulho e Anderson, 1981: 99) Esta parte do evangelho fala novamente da missão de Jesus, fazendo um resumo da sua atividade. E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Jesus vê as multidões e se compadece delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não tem pastor (Mt 9.36). Jesus é o pastor que tem compaixão do povo que está aflito e exausto. Esta imagem sustenta o sentido teológico do que se segue, e também da narrativa da paixão. É da compaixão de Jesus, o Bom Pastor (Ez 34; Zc 13.7-9), que vai nascer a missão dos discípulos (Gorgulho e Anderson, 1981: 104). Jesus se dirige a seus discípulos, afirmando: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (9.37-38). 2.1 Jesus chama e dá autoridade aos discípulos O capítulo 10.1 inicia com Jesus chamando seus discípulos e dando a eles autoridade, para expelir espíritos imundos e curar toda sorte de doenças e enfermidades. Os discípulos também são apresentados com os seus nomes (Mt 10.2-4). O texto segue com as instruções para os doze discípulos (Mt 10.5-15), as admoestações (Mt 10.16-23) e os estímulos (Mt 10.24-33), as dificuldades (Mt 10.34-39) e as recompensas (Mt 10.40-42). Os/as discípulos/as são missionários/as de Jesus. Eles são portadores do mesmo evangelho do reino e com os mesmos poderes de mestre (Mt 10.1 e Mt 10.42). O capítulo 10 inicia com o chamado de Jesus, dando autoridade aos discípulos, e encerra afirmando: E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão . Jesus se identifica com os pequeninos, que são seus enviados. A característica principal da ação missionária será a gratuidade: de graça recebestes, de graça dai (Mt 10.8). A vida na humildade e pobreza caracteriza o trabalho dos missionários (Mt 10.9-10). Eles anunciam a paz (Mt 10.11-15). A missão dos discípulos é a mesma de Jesus, por isso entra em confronto com a prática dos escribas, saduceus e fariseus. Trata-se de uma luta entre ovelhas e lobos; são projetos de vida, sociedade e mundo que entram em confronto. Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas (Mt 10.16). Esta luta entre ovelhas e lobos suscitará perseguição no plano religioso, ideológico e político (Mt 10.17-18). O Espírito de vosso Pai é a força e a verdade que está com os discípulos e com eles age (Mt 10.19-20). Pelo testemunho, os discípulos serão perseguidos (Mt 10.21-23), exigindo perseverança até o fim (Mt 24.13).
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2.2 Basta ao discípulo ser como seu mestre O texto de Mt 10.24-33 aponta para as características da existência dos discípulos em seu testemunho. A primeira característica dessa existência é a identificação com a missão do próprio mestre (Mt 10.24-25). A perseguição que os discípulos sofrem é a mesma que Jesus sofre (Mt 10.25-26). A segunda característica é a confiança na força da verdade, que, no final, vencerá (Mt 10.26-27). A terceira característica está em entregar a vida por causa do testemunho. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo (Mt 10.28ss). A expressão não tenham medo aparece três vezes no texto (Mt 10.26,38,31), sendo uma espécie de refrão e marcando com força que é preciso ter coragem. O medo vem das conseqüências que a prática do seguimento ao mestre traz: hostilidades, perseguições, acusações e morte. O testemunho não deve amedrontar ninguém, mas deve ser feito de forma clara, como a luz do dia e proclamado bem alto (Mt 10.27). Os homens podem considerar-se donos de vidas humanas, mas a vida pertence a Deus (Mt 10.29-30). Em outras palavras, Jesus diz: Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais (Mt 10.31). O contexto dos v. 32-33 lembra as perseguições que os cristãos sofriam por seguir o Mestre. A morte para os cristãos tem sentido enquanto solidariedade com Jesus e seu projeto. Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus. Portanto, o desafio dos discípulos é aceitar ou rejeitar a proposta de Jesus, com todas as suas conseqüências. Ser discípulo/a não é um mar de rosas, mas traz dificuldades, tensões, lutas, perseguições e escolhas. É isto que nos indica o texto de Mt 10.34-42, apontando para uma nova relação de família e um novo projeto de vida que nasce da vida solidária com Jesus.
3 As conseqüências do discipulado: Mateus 10.34-42
O texto de Mt 10.34-42 traz presente a conseqüência do discipulado. A ação missionária de Jesus é como uma espada. Não penseis que vim trazer paz a terra; não vim trazer paz, mas espada (Mt 10.34). A espada aponta para a verdade. A verdade liberta. Encontra-se aqui uma ligação com o texto de Jr 28.5-9. A paz só se concretiza quando se realiza a palavra do profeta. Percebe-se aqui a íntima ligação entre a palavra e a ação. A realização da palavra se mostra na concretização da paz cotidiana. A paz anunciada no AT (schalom) e no NT (eirene) aponta para o bem-estar físico, social, espiritual, tendo como alvo a vida em plenitude. Portanto, a proposta de Jesus é como uma espada, pois é anunciada dentro de um contexto de paz aparente: a pax
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romana, onde aqueles/as que seguem a proposta de Jesus, de paz e justiça, são perseguidos. 3.1 A proposta de Jesus exige mudanças radicais A proposta de Jesus é uma espada, exigindo decisão dos seus/suas seguidores/as, para que possam andar em novidade de vida (como diz Rm 6.4). A proposta de vida de Jesus é uma espada, provocando divisão por causa da resistência das pessoas. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa (Mt 10.35-36). Jesus aponta para novas relações familiares, já não só baseadas nos laços de sangue, mas no compromisso solidário com a justiça e a paz. Jesus destaca aqui o conflito presente na própria família. É interessante observar que Jesus aponta a família como o início dos conflitos e também das transformações. A família sempre foi considerada a célula básica da sociedade. A família fala do cotidiano da vida das pessoas. Este cotidiano foi, muitas vezes, considerado algo privado, pessoal e particular. Por isso, a violência cometida contra as mulheres e as crianças, que acontece dentro das famílias, ficou por muito tempo escondida. O cotidiano familiar também precisa ser tema de reflexão pública e cristã. O privado também é político, pois ali também vivem pessoas cidadãs e cristãs. Jesus veio para anunciar relações fraternas, amorosas, justas, solidárias. A família é nomeada por Jesus como um espaço importante para as mudanças nas relações entre as pessoas. Essa nova família é também a nova comunidade. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim (Mt 10.37-38). Estas palavras estão na continuidade daquilo que foi anunciado anteriormente. Assumir a proposta do reino da justiça é como uma espada que provoca grandes transformações. As palavras que se repetem nos versículos são quem ama ... mais do que a mim não é digno de mim . Um mundo que valoriza o status social (pertence à família fulana de tal ), os bens materiais, as aparências não consegue amar Jesus e nem ser digno da proposta do reino de Deus. O discipulado não se concretizará se não rompermos com um tipo de família e sociedade que considera dignas e justas as relações baseadas na hierarquia do homem sobre a mulher, do adulto sobre a criança, do branco sobre o negro, do rico sobre o pobre, a má distribuição de renda, o aumento das desigualdades sociais, gerando desemprego, violência e morte. A força da ação missionária está no critério que apresenta: a superioridade do amor a Jesus, como fonte e luz para todos os outros atos de amor (v. 37). [...] Revela que a novidade do amor está acima dos laços que vêm da raça, da nação e dos interesses das classes sociais. (Gorgulho e Anderson, 110: 1981)
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3.2 Seguir Jesus é segui-lo na cruz Ser digno de Jesus é ter a coragem de assumir a sua proposta, de segui-lo na cruz. Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim (Mt 10.39). Jesus revelou-se totalmente na cruz! Aqueles/as que confessam ser cristãos/ãs não podem esquecer que são seguidores de um crucificado, alguém que foi morto por causa da proposta do reino. Quem segue Jesus também poderá sofrer a cruz. Portanto, aqui se fala do seguimento a Jesus, de assumir a proposta do mestre. Seguir a Jesus é segui-lo até as últimas conseqüências. É segui-lo até a cruz. Jesus desafiou os princípios de uma sociedade que anunciava uma paz aparente, baseada no acúmulo da riqueza, do prestígio e do poder. Quem segue os ensinamentos de Jesus e denuncia os pecados individuais e coletivos, que afirmam a sociedade capitalista, e anuncia um novo projeto baseado nos valores da solidariedade, da partilha e do amor certamente sofrerá perseguição e até a morte em nosso mundo. Seguir o discipulado é não se conformar com este século (Rm 12.2). 3.3 Como e onde encontrar o verdadeiro sentido da vida? Que sentido tem a vida para aquelas pessoas que se conformam com a realidade presente? A vida é muito mais do que as aparências. O versículo de Mt 10.39 ajuda a iluminar a realidade. Jesus afirma: Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perder a vida por minha causa acha-la-á . Quem não anda em novidade de vida, isto é, não procura viver o batismo, isto é, o afogamento da velha pessoa em nós no cotidiano , e conforma-se com este mundo, achando que encontrou a vida, irá, na verdade, perder a vida. Quem perde a vida por causa de Jesus, isto é, quem procura a transformação deste mundo, vivenciando a proposta de Jesus, seguindo-o até as últimas conseqüências, este/a encontrará o verdadeiro sentido da existência. Jesus afirma que o sentido da vida está na doação, na entrega pela justiça do reino (Mt 5.6). 3.4 Encontrar o sentido da vida no acolhimento O texto final de Mt 10.40-42 apresenta uma proposta para a nova família e a nova comunidade: o acolhimento. As palavras que se repetem são: recebe, receberá, galardão. Elas são os fios condutores de todo o texto. Elas querem esclarecer o que foi apresentado anteriormente no capítulo 10. Receber implica abrir as portas, acolher, aceitar e cuidar do/a outro/a. Os/as primeiros/as discípulos/as não tinham um lugar fixo, iam de cidade em cidade, de casa em casa, de aldeia em aldeia, anunciando o reino da justiça com palavras e ações, libertando as pessoas dos demônios. Eles também não eram bem-vistos pela sociedade estabelecida, sofrendo perseguições e martírio. Eram profetas, justos e pequenos e, dessa forma, anuncia-
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romana, onde aqueles/as que seguem a proposta de Jesus, de paz e justiça, são perseguidos. 3.1 A proposta de Jesus exige mudanças radicais A proposta de Jesus é uma espada, exigindo decisão dos seus/suas seguidores/as, para que possam andar em novidade de vida (como diz Rm 6.4). A proposta de vida de Jesus é uma espada, provocando divisão por causa da resistência das pessoas. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa (Mt 10.35-36). Jesus aponta para novas relações familiares, já não só baseadas nos laços de sangue, mas no compromisso solidário com a justiça e a paz. Jesus destaca aqui o conflito presente na própria família. É interessante observar que Jesus aponta a família como o início dos conflitos e também das transformações. A família sempre foi considerada a célula básica da sociedade. A família fala do cotidiano da vida das pessoas. Este cotidiano foi, muitas vezes, considerado algo privado, pessoal e particular. Por isso, a violência cometida contra as mulheres e as crianças, que acontece dentro das famílias, ficou por muito tempo escondida. O cotidiano familiar também precisa ser tema de reflexão pública e cristã. O privado também é político, pois ali também vivem pessoas cidadãs e cristãs. Jesus veio para anunciar relações fraternas, amorosas, justas, solidárias. A família é nomeada por Jesus como um espaço importante para as mudanças nas relações entre as pessoas. Essa nova família é também a nova comunidade. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim (Mt 10.37-38). Estas palavras estão na continuidade daquilo que foi anunciado anteriormente. Assumir a proposta do reino da justiça é como uma espada que provoca grandes transformações. As palavras que se repetem nos versículos são quem ama ... mais do que a mim não é digno de mim . Um mundo que valoriza o status social (pertence à família fulana de tal ), os bens materiais, as aparências não consegue amar Jesus e nem ser digno da proposta do reino de Deus. O discipulado não se concretizará se não rompermos com um tipo de família e sociedade que considera dignas e justas as relações baseadas na hierarquia do homem sobre a mulher, do adulto sobre a criança, do branco sobre o negro, do rico sobre o pobre, a má distribuição de renda, o aumento das desigualdades sociais, gerando desemprego, violência e morte. A força da ação missionária está no critério que apresenta: a superioridade do amor a Jesus, como fonte e luz para todos os outros atos de amor (v. 37). [...] Revela que a novidade do amor está acima dos laços que vêm da raça, da nação e dos interesses das classes sociais. (Gorgulho e Anderson, 110: 1981)
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3.2 Seguir Jesus é segui-lo na cruz Ser digno de Jesus é ter a coragem de assumir a sua proposta, de segui-lo na cruz. Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim (Mt 10.39). Jesus revelou-se totalmente na cruz! Aqueles/as que confessam ser cristãos/ãs não podem esquecer que são seguidores de um crucificado, alguém que foi morto por causa da proposta do reino. Quem segue Jesus também poderá sofrer a cruz. Portanto, aqui se fala do seguimento a Jesus, de assumir a proposta do mestre. Seguir a Jesus é segui-lo até as últimas conseqüências. É segui-lo até a cruz. Jesus desafiou os princípios de uma sociedade que anunciava uma paz aparente, baseada no acúmulo da riqueza, do prestígio e do poder. Quem segue os ensinamentos de Jesus e denuncia os pecados individuais e coletivos, que afirmam a sociedade capitalista, e anuncia um novo projeto baseado nos valores da solidariedade, da partilha e do amor certamente sofrerá perseguição e até a morte em nosso mundo. Seguir o discipulado é não se conformar com este século (Rm 12.2). 3.3 Como e onde encontrar o verdadeiro sentido da vida? Que sentido tem a vida para aquelas pessoas que se conformam com a realidade presente? A vida é muito mais do que as aparências. O versículo de Mt 10.39 ajuda a iluminar a realidade. Jesus afirma: Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perder a vida por minha causa acha-la-á . Quem não anda em novidade de vida, isto é, não procura viver o batismo, isto é, o afogamento da velha pessoa em nós no cotidiano , e conforma-se com este mundo, achando que encontrou a vida, irá, na verdade, perder a vida. Quem perde a vida por causa de Jesus, isto é, quem procura a transformação deste mundo, vivenciando a proposta de Jesus, seguindo-o até as últimas conseqüências, este/a encontrará o verdadeiro sentido da existência. Jesus afirma que o sentido da vida está na doação, na entrega pela justiça do reino (Mt 5.6). 3.4 Encontrar o sentido da vida no acolhimento O texto final de Mt 10.40-42 apresenta uma proposta para a nova família e a nova comunidade: o acolhimento. As palavras que se repetem são: recebe, receberá, galardão. Elas são os fios condutores de todo o texto. Elas querem esclarecer o que foi apresentado anteriormente no capítulo 10. Receber implica abrir as portas, acolher, aceitar e cuidar do/a outro/a. Os/as primeiros/as discípulos/as não tinham um lugar fixo, iam de cidade em cidade, de casa em casa, de aldeia em aldeia, anunciando o reino da justiça com palavras e ações, libertando as pessoas dos demônios. Eles também não eram bem-vistos pela sociedade estabelecida, sofrendo perseguições e martírio. Eram profetas, justos e pequenos e, dessa forma, anuncia-
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vam a vinda do reino de justiça e paz. Jesus também foi profeta, justo e se fez pequeno por amor a nós. No entanto, Jesus foi rejeitado e sofreu a cruz. Como são recebidos os/as seguidores de Jesus? Jesus diz: Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou (Mt 10.40). Quem recebe os/as seguidores/as de Jesus recebe o próprio Jesus, assim como recebe o próprio Deus. Cada um/a receberá o seu galardão, isto é, a sua recompensa, conforme a atitude de acolhimento. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo (Mt 10.41). A recompensa, isto é, o galardão, realizar-se-á se a pessoa for recebida assim como ela se apresenta: profeta, justo. O profeta fala em nome de Deus, anunciando um mundo novo; quem o recebe nessa qualidade está recebendo a palavra de Deus e o conteúdo dessa promessa. O justo é aquele/a que comunica a vida e as promessas da justiça; quem o recebe está recebendo a justiça como luz e força para a própria vida. A novidade do texto está no fato de que é na ação dos pequeninos que está a recompensa prometida. E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão (Mt 10.42). Nada melhor do que oferecer um copo de água fria a quem está cansado e sedento. Como recebemos nossos pequeninos irmãos em nosso cotidiano? Em Mt 25.31-46, encontramos a resposta à pergunta: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? ... Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes . Acolhimento é a palavra-chave para a nova família e comunidade de Jesus, baseada nos valores da solidariedade, da paz, do cuidado e da justiça. Solidarizar-se com as pessoas que assumem atitudes proféticas, justas e assumem a posição de pequenos é o mandato de Jesus. Como realizar isso no cotidiano de nossas famílias e comunidades? Jesus não dá receitas. Os/as seguidores/as de Jesus são pessoas que se alimentam da palavra, por isso agem com sensibilidade, humanidade e justiça nas mais diferentes situações. Jesus deixa claro: Quem oferecer um copo de água aos profetas, justos e pequenos não ficará sem recompensa. O/a discípulo/a de Jesus é portador da mesma autoridade de Jesus; aqui se encontra a validade da promessa.
o discipulado e a atuação da igreja que não sofre nenhum tipo de rejeição e perseguição? Lembrar o exemplo da Irmã Doraci, que deu a própria vida (sofreu a morte), seguindo o amor de Jesus, pelos mais pequeninos irmãos (povo pobre de Moçambique). Tomar a cruz é seguir a proposta de Jesus até as últimas conseqüências. Trago como subsídio de reflexão o texto editado pelo grupo de pesquisa: Práxis social da Igreja, publicado no site da EST. Diaconia e martírio
4 Impulsos para a mensagem A perseguição e o martírio sempre se manifestaram na vida daquelas pessoas que seguem e seguiram Jesus. O discipulado inclui a cruz. Seguir Jesus é segui-lo até as últimas conseqüências. Perguntamos: são autênticos
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O assassinato da diaconisa Doraci Edinger, no dia 21 de fevereiro de 2004, em Moçambique, desafia a compreensão de diaconia na IECLB. Ainda perplexos e chocados, não sabemos definir exatamente o significado desta morte. Na busca por entender o seu grau de relevância histórica e teológica, arriscamos dizer que o fato imprime, de forma irreversível, uma marca na diaconia da IECLB. Esta não mais poderá contar sua história sem lembrar o martírio (martiría = testemunho) da Irmã Doraci. Perguntamo-nos se a morte da Irmã Doraci não reivindica de nós assumir a linguagem do martírio! Isto, independentemente das causas ainda não definitivamente esclarecidas desta morte. Essa pergunta se impõe ainda com mais força quando consideramos a repercussão que o fato teve em toda a IECLB, entre as igrejas do mundo ecumênico, da própria nação brasileira e da mídia, suscitando comoção e solidariedade. O martírio como sofrimento por causa do testemunho da fé cristã, sem dúvida, já alcançou muitas pessoas em nossa igreja. Porém, teria havido, na história da IECLB, outro caso de morte em conseqüência do testemunho? Consideramos justo perguntar se não é legítimo afirmar que a diaconia da IECLB tem uma mártir. Mais do que isto, que a própria IECLB tem uma mártir. Uma mártir mulher. Uma mártir diaconisa. Ter uma mártir não é nenhum mérito. Não representa motivo de orgulho ou satisfação. O martírio não se conquista, se sofre em conseqüência do testemunho corajoso do evangelho de Jesus Cristo. O martírio, sempre presente no testemunho cristão como uma possibilidade, evidenciou-se agora na história da IECLB como um fato real. O martírio sofrido pela Irmã Doraci mostra que o fundamento teológico da diaconia é o seguimento de Jesus no caminho da cruz. Perguntamo-nos se, a partir da morte da Irmã Doraci, a diaconia e a própria IECLB não deverão proceder a uma releitura das palavras do apóstolo Paulo: Eu trago no corpo as marcas de Jesus (Gl 6.17b) e Levo sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo (2 Co 4.10). (Autores Rodolfo Gaede Neto e Lothar Carlos Hoch Pelo Grupo de Pesquisa “Práxis Social da Igreja”)
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vam a vinda do reino de justiça e paz. Jesus também foi profeta, justo e se fez pequeno por amor a nós. No entanto, Jesus foi rejeitado e sofreu a cruz. Como são recebidos os/as seguidores de Jesus? Jesus diz: Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou (Mt 10.40). Quem recebe os/as seguidores/as de Jesus recebe o próprio Jesus, assim como recebe o próprio Deus. Cada um/a receberá o seu galardão, isto é, a sua recompensa, conforme a atitude de acolhimento. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo (Mt 10.41). A recompensa, isto é, o galardão, realizar-se-á se a pessoa for recebida assim como ela se apresenta: profeta, justo. O profeta fala em nome de Deus, anunciando um mundo novo; quem o recebe nessa qualidade está recebendo a palavra de Deus e o conteúdo dessa promessa. O justo é aquele/a que comunica a vida e as promessas da justiça; quem o recebe está recebendo a justiça como luz e força para a própria vida. A novidade do texto está no fato de que é na ação dos pequeninos que está a recompensa prometida. E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão (Mt 10.42). Nada melhor do que oferecer um copo de água fria a quem está cansado e sedento. Como recebemos nossos pequeninos irmãos em nosso cotidiano? Em Mt 25.31-46, encontramos a resposta à pergunta: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? ... Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes . Acolhimento é a palavra-chave para a nova família e comunidade de Jesus, baseada nos valores da solidariedade, da paz, do cuidado e da justiça. Solidarizar-se com as pessoas que assumem atitudes proféticas, justas e assumem a posição de pequenos é o mandato de Jesus. Como realizar isso no cotidiano de nossas famílias e comunidades? Jesus não dá receitas. Os/as seguidores/as de Jesus são pessoas que se alimentam da palavra, por isso agem com sensibilidade, humanidade e justiça nas mais diferentes situações. Jesus deixa claro: Quem oferecer um copo de água aos profetas, justos e pequenos não ficará sem recompensa. O/a discípulo/a de Jesus é portador da mesma autoridade de Jesus; aqui se encontra a validade da promessa.
o discipulado e a atuação da igreja que não sofre nenhum tipo de rejeição e perseguição? Lembrar o exemplo da Irmã Doraci, que deu a própria vida (sofreu a morte), seguindo o amor de Jesus, pelos mais pequeninos irmãos (povo pobre de Moçambique). Tomar a cruz é seguir a proposta de Jesus até as últimas conseqüências. Trago como subsídio de reflexão o texto editado pelo grupo de pesquisa: Práxis social da Igreja, publicado no site da EST. Diaconia e martírio
4 Impulsos para a mensagem A perseguição e o martírio sempre se manifestaram na vida daquelas pessoas que seguem e seguiram Jesus. O discipulado inclui a cruz. Seguir Jesus é segui-lo até as últimas conseqüências. Perguntamos: são autênticos
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O assassinato da diaconisa Doraci Edinger, no dia 21 de fevereiro de 2004, em Moçambique, desafia a compreensão de diaconia na IECLB. Ainda perplexos e chocados, não sabemos definir exatamente o significado desta morte. Na busca por entender o seu grau de relevância histórica e teológica, arriscamos dizer que o fato imprime, de forma irreversível, uma marca na diaconia da IECLB. Esta não mais poderá contar sua história sem lembrar o martírio (martiría = testemunho) da Irmã Doraci. Perguntamo-nos se a morte da Irmã Doraci não reivindica de nós assumir a linguagem do martírio! Isto, independentemente das causas ainda não definitivamente esclarecidas desta morte. Essa pergunta se impõe ainda com mais força quando consideramos a repercussão que o fato teve em toda a IECLB, entre as igrejas do mundo ecumênico, da própria nação brasileira e da mídia, suscitando comoção e solidariedade. O martírio como sofrimento por causa do testemunho da fé cristã, sem dúvida, já alcançou muitas pessoas em nossa igreja. Porém, teria havido, na história da IECLB, outro caso de morte em conseqüência do testemunho? Consideramos justo perguntar se não é legítimo afirmar que a diaconia da IECLB tem uma mártir. Mais do que isto, que a própria IECLB tem uma mártir. Uma mártir mulher. Uma mártir diaconisa. Ter uma mártir não é nenhum mérito. Não representa motivo de orgulho ou satisfação. O martírio não se conquista, se sofre em conseqüência do testemunho corajoso do evangelho de Jesus Cristo. O martírio, sempre presente no testemunho cristão como uma possibilidade, evidenciou-se agora na história da IECLB como um fato real. O martírio sofrido pela Irmã Doraci mostra que o fundamento teológico da diaconia é o seguimento de Jesus no caminho da cruz. Perguntamo-nos se, a partir da morte da Irmã Doraci, a diaconia e a própria IECLB não deverão proceder a uma releitura das palavras do apóstolo Paulo: Eu trago no corpo as marcas de Jesus (Gl 6.17b) e Levo sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo (2 Co 4.10). (Autores Rodolfo Gaede Neto e Lothar Carlos Hoch Pelo Grupo de Pesquisa “Práxis Social da Igreja”)
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O texto de Rm 6.1b-11 afirma que nós fomos feitos novas pessoas por meio do Batismo cristão, na morte e ressurreição de Jesus. Como vivenciar o Batismo diariamente? Como fazer para tornar-nos defensores e promotores da vida na sociedade capitalista em que nós vivemos? Como vivenciar o acolhimento (Mt 10.40-42) anunciado por Jesus? E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. Receber alguém com um copo de água é sinal de acolhimento, de vida, de compromisso... Oferecer um copo de água é oferecer vida/renovação das forças... A água que é um bem de toda a humanidade e que também se encontra, atualmente, ameaçada devido à ganância e à falta de responsabilidade das pessoas e da sociedade capitalista. O acolhimento é característica das pessoas e também da comunidade que segue Jesus. Somos uma comunidade acolhedora? Como acolhemos nossos/as mais pequeninos/as irmãos/ãs (as pessoas empobrecidas em nossos diferentes contextos)? Como acolhemos os/as profetas e os/as justos/as de nosso tempo? São perguntas que desafiam o discipulado (seja na diaconia, na missão, na pregação ou no ensino). Jeremias deixa claro que o reconhecimento do profeta está não somente no anúncio da paz, mas na sua concretização em nosso cotidiano.
Sinal de alerta e de esperança, Sinal de juízo e de perdão: Ao mundo inteiro o anunciemos Que em Cristo há paz e salvação! (Lindolfo Weingärtner) Hinos: HPD 2 336; O Povo Canta 71; O Povo Canta 158; e HPD 2 449. Confissão de pecados:
5 Celebrando...
Saudação com a poesia: Prece por mensageiros e mensageiras Se não houver quem profetize, quem fale aos homens e às mulheres com poder: Senhor, o que será da terra, Se teu juízo a surpreender? Se não houver quem diga ao mundo Que só em ti há salvação: Por falsos deuses enganados, Perecerá na escuridão. Cidade que sem atalaia A espada não verá chegar: Acordará desprevenida, O seu destino a lamentar. Ó Deus, nos faze mensageiros e mensageiras Da boa nova de Jesus! No mundo inquieto e conturbado Ergamos o sinal da cruz!
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Confesso-te, Senhor, Hoje não foi um dia muito bom. Aquela menina vendendo flores.... Aquela mãe sem dinheiro para o remédio do filho... Aquele telefonema que atrapalhou meu trabalho... A notícia do desemprego do meu amigo... Confesso-te, Senhor, Minha limitação, minha indignação Diante das coisas que não consigo mudar E ao mesmo tempo Minha indiferença para com aquelas coisas Que posso mudar. Acolhe-me, Senhor, e transforma meu jeito de viver! (Inês de França Bento) Após a pregação Sugiro celebrar a ágape, oferecendo um copo de água como sinal do acolhimento que recebemos de Cristo. Cristo nos acolhe. Temos uma tarefa como seguidores/as de Jesus: Acolher nossos/as pequeninos/as irmãos/ãs! O auge do texto que refletimos nos diz que, se alguém oferecer um copo de água aos/ás pequeninos/as irmãos/irmãs de Jesus, de modo algum perderá o galardão/a recompensa. Encerrar com a oração de uma mulher de Teresina/Piauí: Meu querido Deus, obrigado pelo papelão que eu tenho para dormir, mas ajude aquela vizinha... a ter um bom papelão para dormir; a ter comida no dia de amanhã para os seus filhos. (Extrato da carta/relatório da Missão Zero 2004 Teresina/Piauí do estudante de teologia Mateus Holz Tasso)
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O texto de Rm 6.1b-11 afirma que nós fomos feitos novas pessoas por meio do Batismo cristão, na morte e ressurreição de Jesus. Como vivenciar o Batismo diariamente? Como fazer para tornar-nos defensores e promotores da vida na sociedade capitalista em que nós vivemos? Como vivenciar o acolhimento (Mt 10.40-42) anunciado por Jesus? E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. Receber alguém com um copo de água é sinal de acolhimento, de vida, de compromisso... Oferecer um copo de água é oferecer vida/renovação das forças... A água que é um bem de toda a humanidade e que também se encontra, atualmente, ameaçada devido à ganância e à falta de responsabilidade das pessoas e da sociedade capitalista. O acolhimento é característica das pessoas e também da comunidade que segue Jesus. Somos uma comunidade acolhedora? Como acolhemos nossos/as mais pequeninos/as irmãos/ãs (as pessoas empobrecidas em nossos diferentes contextos)? Como acolhemos os/as profetas e os/as justos/as de nosso tempo? São perguntas que desafiam o discipulado (seja na diaconia, na missão, na pregação ou no ensino). Jeremias deixa claro que o reconhecimento do profeta está não somente no anúncio da paz, mas na sua concretização em nosso cotidiano.
Sinal de alerta e de esperança, Sinal de juízo e de perdão: Ao mundo inteiro o anunciemos Que em Cristo há paz e salvação! (Lindolfo Weingärtner) Hinos: HPD 2 336; O Povo Canta 71; O Povo Canta 158; e HPD 2 449. Confissão de pecados:
5 Celebrando...
Saudação com a poesia: Prece por mensageiros e mensageiras Se não houver quem profetize, quem fale aos homens e às mulheres com poder: Senhor, o que será da terra, Se teu juízo a surpreender? Se não houver quem diga ao mundo Que só em ti há salvação: Por falsos deuses enganados, Perecerá na escuridão. Cidade que sem atalaia A espada não verá chegar: Acordará desprevenida, O seu destino a lamentar. Ó Deus, nos faze mensageiros e mensageiras Da boa nova de Jesus! No mundo inquieto e conturbado Ergamos o sinal da cruz!
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Confesso-te, Senhor, Hoje não foi um dia muito bom. Aquela menina vendendo flores.... Aquela mãe sem dinheiro para o remédio do filho... Aquele telefonema que atrapalhou meu trabalho... A notícia do desemprego do meu amigo... Confesso-te, Senhor, Minha limitação, minha indignação Diante das coisas que não consigo mudar E ao mesmo tempo Minha indiferença para com aquelas coisas Que posso mudar. Acolhe-me, Senhor, e transforma meu jeito de viver! (Inês de França Bento) Após a pregação Sugiro celebrar a ágape, oferecendo um copo de água como sinal do acolhimento que recebemos de Cristo. Cristo nos acolhe. Temos uma tarefa como seguidores/as de Jesus: Acolher nossos/as pequeninos/as irmãos/ãs! O auge do texto que refletimos nos diz que, se alguém oferecer um copo de água aos/ás pequeninos/as irmãos/irmãs de Jesus, de modo algum perderá o galardão/a recompensa. Encerrar com a oração de uma mulher de Teresina/Piauí: Meu querido Deus, obrigado pelo papelão que eu tenho para dormir, mas ajude aquela vizinha... a ter um bom papelão para dormir; a ter comida no dia de amanhã para os seus filhos. (Extrato da carta/relatório da Missão Zero 2004 Teresina/Piauí do estudante de teologia Mateus Holz Tasso)
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6º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Bênção e envio: Que o Deus da Vida ajude vocês a construírem uma família e comunidade, firmada no diálogo e no respeito. Que a Paz de Cristo acompanhe a todos e todas! Que o Espírito Santo sopre sobre vocês a coragem Para que vosso testemunho seja de amor, solidariedade e justiça. Que a disposição em acolher aos pequeninos e as pequeninas irmãs Seja um sinal visível de vosso discipulado! Ofereçam sempre um copo de água fresca como sinal de vossa hospi talidade! Água do Batismo... Água da vida... Sinal visível do acolhimento de pessoas cristãs... Pessoas renascidas e comprometidas com o reino de Deus! Amém. (Claudete B. Ulrich)
Bibliografia GORGULHO, Gilberto e ANDERSON, Ana Flora. A justiça dos pobres: círculos bíblicos preparados por Frei Gilberto Gorgulho e Ana Flora Anderson. São Paulo: Paulinas, 1981. BORTOLINI, JOSÉ. Roteiros Homiléticos: Evangelho (Mt 10.37-42): Encontrar a vida acolhendo. Vida Pastoral n. 170, Ano XXXIV, maio-junho de 1993, p. 63-64. LUTZ, Marli. 6º Domingo após Pentecostes: Mateus 10.34-42. In: STRECK, Edson Emilio e KILPP, Nelson. (Coord.) Proclamar Libertação. V. XVIII, São Leopoldo: Sinodal, 1992. p. 181-185. WEINGÄRTNER, Lindolfo. Prática da Esperança: poemas e meditações para refletir e orar. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 80.
7o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
3 JUL 2005
EZEQUIEL 34.1-2(3-9),10-16,31 ROMANOS 9.9-12
PRÉDICA: MATEUS 11.25-30 Guilherme Lieven
1 Introdução O texto de Mt 11.25-30, previsto para pregação neste 7º Domingo após Pentecoste, tem uma importância teológica especial. Foi fonte para a compreensão trinitária de Deus e para as elaborações da cristologia, ao indicar a união perfeita entre o Pai e o Filho (v. 27) sob o enfoque da eternidade e da encarnação do Filho. Um Deus eterno que se tornou humano plenamente, dando-se a conhecer aos pequeninos e fracos como bondoso e humilde, como um Deus que dá paz e descanso. Neste estudo proponho uma reflexão com um enfoque comunitário e ético, permitindo que traços da realidade e do cotidiano das cidades da Grande São Paulo determinem e influenciem as propostas para a mensagem e para a celebração. Antecipo uma questão intrigante, que o confronto do texto com esse contexto suscita: como anunciar um Deus que se revelou aos humildes e pequeninos, um Deus que dá paz e descanso, para quem vive num movimento humano marcado por regras e propostas excludentes e injustas, para um público que desaprendeu a descansar e que não conhece a paz?
2 Sobre o texto Logo após o relato sobre algumas dificuldades de Jesus com os moradores das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum (11.20-24), Mateus apresenta uma oração, um breve diálogo de Jesus com o Pai, Senhor do céu e da terra, que anuncia a escolha de Deus em se revelar aos pequenos e humildes. Também denuncia a arrogância dos sábios e dos instruídos (v. 25 e 26). Estes formavam um significativo segmento da população de vilas e cidades, que não acreditavam nos milagres de Jesus e não o aceitavam como o messias, o mediador de Deus. O v. 27 explica por que os sábios e instruídos não conseguem ver todas as coisas ( aquilo , v. 25) que Deus deu ao Filho. Apresenta a íntima e exclusiva comunhão do Deus Pai com o Filho e a revelação de todas as
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Bênção e envio: Que o Deus da Vida ajude vocês a construírem uma família e comunidade, firmada no diálogo e no respeito. Que a Paz de Cristo acompanhe a todos e todas! Que o Espírito Santo sopre sobre vocês a coragem Para que vosso testemunho seja de amor, solidariedade e justiça. Que a disposição em acolher aos pequeninos e as pequeninas irmãs Seja um sinal visível de vosso discipulado! Ofereçam sempre um copo de água fresca como sinal de vossa hospi talidade! Água do Batismo... Água da vida... Sinal visível do acolhimento de pessoas cristãs... Pessoas renascidas e comprometidas com o reino de Deus! Amém. (Claudete B. Ulrich)
Bibliografia GORGULHO, Gilberto e ANDERSON, Ana Flora. A justiça dos pobres: círculos bíblicos preparados por Frei Gilberto Gorgulho e Ana Flora Anderson. São Paulo: Paulinas, 1981. BORTOLINI, JOSÉ. Roteiros Homiléticos: Evangelho (Mt 10.37-42): Encontrar a vida acolhendo. Vida Pastoral n. 170, Ano XXXIV, maio-junho de 1993, p. 63-64. LUTZ, Marli. 6º Domingo após Pentecostes: Mateus 10.34-42. In: STRECK, Edson Emilio e KILPP, Nelson. (Coord.) Proclamar Libertação. V. XVIII, São Leopoldo: Sinodal, 1992. p. 181-185. WEINGÄRTNER, Lindolfo. Prática da Esperança: poemas e meditações para refletir e orar. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 80.
7o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
3 JUL 2005
EZEQUIEL 34.1-2(3-9),10-16,31 ROMANOS 9.9-12
PRÉDICA: MATEUS 11.25-30 Guilherme Lieven
1 Introdução O texto de Mt 11.25-30, previsto para pregação neste 7º Domingo após Pentecoste, tem uma importância teológica especial. Foi fonte para a compreensão trinitária de Deus e para as elaborações da cristologia, ao indicar a união perfeita entre o Pai e o Filho (v. 27) sob o enfoque da eternidade e da encarnação do Filho. Um Deus eterno que se tornou humano plenamente, dando-se a conhecer aos pequeninos e fracos como bondoso e humilde, como um Deus que dá paz e descanso. Neste estudo proponho uma reflexão com um enfoque comunitário e ético, permitindo que traços da realidade e do cotidiano das cidades da Grande São Paulo determinem e influenciem as propostas para a mensagem e para a celebração. Antecipo uma questão intrigante, que o confronto do texto com esse contexto suscita: como anunciar um Deus que se revelou aos humildes e pequeninos, um Deus que dá paz e descanso, para quem vive num movimento humano marcado por regras e propostas excludentes e injustas, para um público que desaprendeu a descansar e que não conhece a paz?
2 Sobre o texto Logo após o relato sobre algumas dificuldades de Jesus com os moradores das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum (11.20-24), Mateus apresenta uma oração, um breve diálogo de Jesus com o Pai, Senhor do céu e da terra, que anuncia a escolha de Deus em se revelar aos pequenos e humildes. Também denuncia a arrogância dos sábios e dos instruídos (v. 25 e 26). Estes formavam um significativo segmento da população de vilas e cidades, que não acreditavam nos milagres de Jesus e não o aceitavam como o messias, o mediador de Deus. O v. 27 explica por que os sábios e instruídos não conseguem ver todas as coisas ( aquilo , v. 25) que Deus deu ao Filho. Apresenta a íntima e exclusiva comunhão do Deus Pai com o Filho e a revelação de todas as
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coisas como um atributo e vontade do Filho. Ele é o único mediador. As elites e os sábios, marcados pela visão e pela ordem patriarcal, não conseguem ver em Jesus a mediação de Deus. Mateus permite concluir que as dificuldades criadas pelos sábios e instruídos destacam a opção de Jesus em revelar-se ao povo da terra , formado pelas pessoas humildes que não tiveram acesso à instrução. Jesus derruba a ordem vigente da revelação, legitimada pela idéia judaica de que a sabedoria de Deus é acessível somente a um pequeno grupo de sábios. Em seguida (v. 28 s.), Jesus convida os humildes, os cansados, as mulheres, os trabalhadores rurais, os pescadores, as crianças e todos os que vivem à margem do poder e da sabedoria para segui-lo, aprender dele e descansar. Este convite é profético, é o destaque do texto, é um material próprio de Mateus. A humildade e o descanso revelam Deus e comunicam a postura de Jesus, que se aproxima dos pequeninos e humildes com amor, compaixão e solidariedade. Ao mesmo tempo denuncia e nega todas as exigências e poderes que sobrecarregam, oprimem e violentam os humildes e pequenos. Nesse texto de Mateus, Jesus apresenta o seu convite de forma surpreendente: as suas exigências são poucas e leves, a sabedoria exigida restringe-se à humildade e bondade e tudo é possível na dimensão do descanso. Seu convite traz descanso. Podemos dizer que a revelação de Deus através da mediação de Jesus passa pela experiência da humildade, da solidariedade e do descanso. A misericórdia é superior à sabedoria convencional e ao sacrifício.
Anunciar a revelação de Jesus aos humildes e pequenos no contexto urbano das cidades da Grande São Paulo, conjugando-a com o seu convite para aprender uma outra proposta de vida, que inclui comunhão, paz e descanso, é uma ação desafiadora, tal como foi na Palestina para o próprio Cristo e seus discípulos. A proposta e a mensagem do nosso texto conflitam com os valores, opções e comportamentos de pessoas, grupos, organizações sociais, comunidades e instituições religiosas que apresentam alternativas para superar ou curar o sofrimento humano. A revelação de Deus aos humildes e o convite de Jesus ao descanso invertem consensos, questionam comportamentos, valores e propostas de vida consideradas alternativas para a superação dos estados de opressão e de sofrimento das pessoas. Enquanto nosso texto apresenta um caminho que passa pela experiência e valorização da paz, do descanso, da humildade e da solidariedade, a sociedade urbana pós-moderna, com seus meios e métodos, induz saídas para a felicidade e para a liberdade, fabricadas pelas indústrias de lazer e prazer, que
comercializam meios, espaços, mão-de-obra, utensílios, conteúdos e propostas sustentados por mecanismos que mantêm as desigualdades, a injustiça social e econômica, o individualismo, o culto ao corpo e ao ser humano, o benefício de poucos, a vantagem social de pessoas e pequenos grupos, a prosperidade individual. Nas cidades existe uma demanda reprimida por descanso, paz, sentido para a vida, consolo e segurança. O enorme movimento humano pela busca desesperada por sobrevivência causa doenças físicas, psíquicas e emocionais. Cria privações, medos e angústias. Todos correm, ameaçados e amedrontados, para o trabalho, em busca do emprego ou em busca da formação intermediária (cursos de línguas, atualizações). Em todos os espaços e demandas existem filas e disputas para conseguir acesso a tudo o que é necessário para viver. Neste movimento são corriqueiros os conflitos, as contradições e as ameaças à vida. As regras de convivência são marcadas por um sistema que, via de regra, transforma todos em mercadorias de uso, de troca e de lucro. As diferenças são visíveis. Os espaços e impérios da riqueza estão cercados pelos bolsões enormes da população excluída dos meios essenciais para a sobrevivência, que interagem num movimento humano gerador de desigualdades, perdas, injustiças, violência e morte. Este movimento tem dimensões e poderes monstruosos, criando em todos o sentimento de inoperância e conformismo, que passa ao largo da proposta de humildade, solidariedade, paz e descanso, apresentada por Jesus. Aponto ainda três situações que esclarecem melhor esse descompasso e conflito entre a mensagem do nosso texto e as propostas apresentadas como salvadoras pela sociedade urbana: a Proliferam as ofertas de lazer e descanso, que prometem resolver os problemas causados pelo estresse e pelo cansaço, que vendem solução para a superação das sobrecargas do trabalho e das conseqüências maléficas do trânsito, da poluição sonora, da exclusão e da marginalização. São inúmeras as ofertas de hotéis-fazenda, academias, clínicas, academias de musculação e de tratamento do corpo. Nos feriados, é grande a correria em direção às áreas públicas e particulares de lazer. b Cresce o número de adeptos às propostas religiosas e espirituais desvinculadas de instituições religiosas tradicionais. Essas pessoas aceitam e convivem com conteúdos, significados e práticas religiosas múltiplas, que não exigem compromissos comunitários de nenhuma ordem. Elas individualmente procuram por soluções, explicações e justificação dos problemas do cotidiano. c Aumentam e se estruturam as propostas cristãs neopentecostais, que prometem felicidades aqui e agora, criando e estimulando ilhas de fantasia para desempregados, doentes, empresários falidos, desesperados e marginalizados. No entanto, via de regra, essas pessoas são espoliadas e, mais tarde, devolvidas para a cruel realidade em que vivem.
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3 Meditação
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coisas como um atributo e vontade do Filho. Ele é o único mediador. As elites e os sábios, marcados pela visão e pela ordem patriarcal, não conseguem ver em Jesus a mediação de Deus. Mateus permite concluir que as dificuldades criadas pelos sábios e instruídos destacam a opção de Jesus em revelar-se ao povo da terra , formado pelas pessoas humildes que não tiveram acesso à instrução. Jesus derruba a ordem vigente da revelação, legitimada pela idéia judaica de que a sabedoria de Deus é acessível somente a um pequeno grupo de sábios. Em seguida (v. 28 s.), Jesus convida os humildes, os cansados, as mulheres, os trabalhadores rurais, os pescadores, as crianças e todos os que vivem à margem do poder e da sabedoria para segui-lo, aprender dele e descansar. Este convite é profético, é o destaque do texto, é um material próprio de Mateus. A humildade e o descanso revelam Deus e comunicam a postura de Jesus, que se aproxima dos pequeninos e humildes com amor, compaixão e solidariedade. Ao mesmo tempo denuncia e nega todas as exigências e poderes que sobrecarregam, oprimem e violentam os humildes e pequenos. Nesse texto de Mateus, Jesus apresenta o seu convite de forma surpreendente: as suas exigências são poucas e leves, a sabedoria exigida restringe-se à humildade e bondade e tudo é possível na dimensão do descanso. Seu convite traz descanso. Podemos dizer que a revelação de Deus através da mediação de Jesus passa pela experiência da humildade, da solidariedade e do descanso. A misericórdia é superior à sabedoria convencional e ao sacrifício.
Anunciar a revelação de Jesus aos humildes e pequenos no contexto urbano das cidades da Grande São Paulo, conjugando-a com o seu convite para aprender uma outra proposta de vida, que inclui comunhão, paz e descanso, é uma ação desafiadora, tal como foi na Palestina para o próprio Cristo e seus discípulos. A proposta e a mensagem do nosso texto conflitam com os valores, opções e comportamentos de pessoas, grupos, organizações sociais, comunidades e instituições religiosas que apresentam alternativas para superar ou curar o sofrimento humano. A revelação de Deus aos humildes e o convite de Jesus ao descanso invertem consensos, questionam comportamentos, valores e propostas de vida consideradas alternativas para a superação dos estados de opressão e de sofrimento das pessoas. Enquanto nosso texto apresenta um caminho que passa pela experiência e valorização da paz, do descanso, da humildade e da solidariedade, a sociedade urbana pós-moderna, com seus meios e métodos, induz saídas para a felicidade e para a liberdade, fabricadas pelas indústrias de lazer e prazer, que
comercializam meios, espaços, mão-de-obra, utensílios, conteúdos e propostas sustentados por mecanismos que mantêm as desigualdades, a injustiça social e econômica, o individualismo, o culto ao corpo e ao ser humano, o benefício de poucos, a vantagem social de pessoas e pequenos grupos, a prosperidade individual. Nas cidades existe uma demanda reprimida por descanso, paz, sentido para a vida, consolo e segurança. O enorme movimento humano pela busca desesperada por sobrevivência causa doenças físicas, psíquicas e emocionais. Cria privações, medos e angústias. Todos correm, ameaçados e amedrontados, para o trabalho, em busca do emprego ou em busca da formação intermediária (cursos de línguas, atualizações). Em todos os espaços e demandas existem filas e disputas para conseguir acesso a tudo o que é necessário para viver. Neste movimento são corriqueiros os conflitos, as contradições e as ameaças à vida. As regras de convivência são marcadas por um sistema que, via de regra, transforma todos em mercadorias de uso, de troca e de lucro. As diferenças são visíveis. Os espaços e impérios da riqueza estão cercados pelos bolsões enormes da população excluída dos meios essenciais para a sobrevivência, que interagem num movimento humano gerador de desigualdades, perdas, injustiças, violência e morte. Este movimento tem dimensões e poderes monstruosos, criando em todos o sentimento de inoperância e conformismo, que passa ao largo da proposta de humildade, solidariedade, paz e descanso, apresentada por Jesus. Aponto ainda três situações que esclarecem melhor esse descompasso e conflito entre a mensagem do nosso texto e as propostas apresentadas como salvadoras pela sociedade urbana: a Proliferam as ofertas de lazer e descanso, que prometem resolver os problemas causados pelo estresse e pelo cansaço, que vendem solução para a superação das sobrecargas do trabalho e das conseqüências maléficas do trânsito, da poluição sonora, da exclusão e da marginalização. São inúmeras as ofertas de hotéis-fazenda, academias, clínicas, academias de musculação e de tratamento do corpo. Nos feriados, é grande a correria em direção às áreas públicas e particulares de lazer. b Cresce o número de adeptos às propostas religiosas e espirituais desvinculadas de instituições religiosas tradicionais. Essas pessoas aceitam e convivem com conteúdos, significados e práticas religiosas múltiplas, que não exigem compromissos comunitários de nenhuma ordem. Elas individualmente procuram por soluções, explicações e justificação dos problemas do cotidiano. c Aumentam e se estruturam as propostas cristãs neopentecostais, que prometem felicidades aqui e agora, criando e estimulando ilhas de fantasia para desempregados, doentes, empresários falidos, desesperados e marginalizados. No entanto, via de regra, essas pessoas são espoliadas e, mais tarde, devolvidas para a cruel realidade em que vivem.
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3 Meditação
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Mesmo com o surgimento e a estruturação desses caminhos e propostas, são visíveis e audíveis gritos por vida, busca por dignidade, paz e, especialmente, descanso. Muitas pessoas que negam essas ofertas ou que por elas são descartadas, ou ainda, que a elas nunca tiveram acesso, continuam buscando outra alternativa para partilhar seus conflitos e aliviar suas cargas e sofrimentos.
Caso julgar conveniente, após a saudação jogar uma enorme bola de plástico sobre a comunidade, sugerindo a brincadeira e tocá-la uns para os outros. Esta dinâmica pode despertar em muitos uma meditação sobre a importância do descanso e da alegria. Incluir as crianças nessa brincadeira e apresentá-las como cidadãs do reino que sempre, tal como Jesus, convidam para o descanso.
4 Sugestões para a mensagem
Salmo do dia: Salmo 145.1-10.
Apresentar o texto de Mt 11.25-30, destacando a sua revelação aos humildes e o seu convite de Jesus para o descanso. Questionar a idéia de que o ser humano sozinho é o único sujeito capaz de superar as suas próprias barreiras e de curar as suas doenças, anunciando a mediação de Jesus ao Deus do consolo, da cura, da paz e do descanso. Apresentar o amor incondicional de Deus, revelado por Jesus aos humildes, como uma rede de vida (um movimento) no mundo, que inclui todos, sem a exigência de obras, currículo, experiência, conhecimento de línguas, poder, corpo com peso, curvas e medidas especiais, sabedoria, cartão de crédito, conta bancária, propriedades etc. Lembrar que o convite de Jesus (v. 28: venham a mim, todos vocês... ) faz parte da liturgia da Santa Ceia e é uma das palavras bíblicas mais conhecidas pelas comunidades. Assim sendo, associar essa oferta de descanso com a experiência espiritual e comunitária do sacramento. Apontar para os eventos e serviços da comunidade com as características do convite de Jesus, que facilitam o envolvimento concreto e espiritual das pessoas. Apresentar uma proposta comunitária cristã que valorize o descanso, a humildade e a comunhão; que partilha a vida com respeito, transparência e alegria. Sugiro encerrar a mensagem com esta orientação: alertar a comunidade para não diminuir o descanso a uma dimensão somente espiritual, que permite a experiência do alívio e descanso, conformando-se com a opressão, o cansaço e a violência. Ressaltar, portanto, que Jesus promete em seu convite descanso também físico e real.
Kyrie: Deus, ouve o nosso clamor! Tem piedade de todos os que estão cansados e sobrecarregados pelas exigências dos sistemas de vida, que exigem poder e sabedoria, que prometem falsas fantasias e injustas prosperidades. Anúncio da graça: Fazer o anúncio da graça com os versículos 1, 2, 3 e 6 do Salmo 23. Leituras bíblicas do dia: Ez 34.1-2(3-9)10-16: Deus acusa o sistema de poder que visa os seus próprios interesses. Anuncia uma nova proposta de vida em que há comunhão, alimento, cuidado, cura e descanso. O convite de Jesus resgata o projeto de vida já anunciado pelos profetas. Rm 8.9-12: O Espírito de Deus é vida. Ele nos aproxima de Deus. Ele é Deus presente em nós desde o Batismo. Ele facilita e viabiliza a nossa opção pela proposta de vida de Deus, revelada aos humildes e pequenos. O Espírito de Deus nos auxilia a aceitar o convite de Jesus. Bênção: Abençoe-vos o Deus da graça, da paz e do descanso. Abençoe-vos o Deus das crianças. Que ele vos guie por caminhos da alegria, da solidariedade, da humildade e da esperança. O Deus dos pequeninos e humildes vos dê a paz. Amém.
5 Sugestões para momentos da celebração Acolhida: Saudar a comunidade motivando para o descanso, para a comunhão e a alegria. Citar os versículos 28 e 29: Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar a suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso....
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Mesmo com o surgimento e a estruturação desses caminhos e propostas, são visíveis e audíveis gritos por vida, busca por dignidade, paz e, especialmente, descanso. Muitas pessoas que negam essas ofertas ou que por elas são descartadas, ou ainda, que a elas nunca tiveram acesso, continuam buscando outra alternativa para partilhar seus conflitos e aliviar suas cargas e sofrimentos.
Caso julgar conveniente, após a saudação jogar uma enorme bola de plástico sobre a comunidade, sugerindo a brincadeira e tocá-la uns para os outros. Esta dinâmica pode despertar em muitos uma meditação sobre a importância do descanso e da alegria. Incluir as crianças nessa brincadeira e apresentá-las como cidadãs do reino que sempre, tal como Jesus, convidam para o descanso.
4 Sugestões para a mensagem
Salmo do dia: Salmo 145.1-10.
Apresentar o texto de Mt 11.25-30, destacando a sua revelação aos humildes e o seu convite de Jesus para o descanso. Questionar a idéia de que o ser humano sozinho é o único sujeito capaz de superar as suas próprias barreiras e de curar as suas doenças, anunciando a mediação de Jesus ao Deus do consolo, da cura, da paz e do descanso. Apresentar o amor incondicional de Deus, revelado por Jesus aos humildes, como uma rede de vida (um movimento) no mundo, que inclui todos, sem a exigência de obras, currículo, experiência, conhecimento de línguas, poder, corpo com peso, curvas e medidas especiais, sabedoria, cartão de crédito, conta bancária, propriedades etc. Lembrar que o convite de Jesus (v. 28: venham a mim, todos vocês... ) faz parte da liturgia da Santa Ceia e é uma das palavras bíblicas mais conhecidas pelas comunidades. Assim sendo, associar essa oferta de descanso com a experiência espiritual e comunitária do sacramento. Apontar para os eventos e serviços da comunidade com as características do convite de Jesus, que facilitam o envolvimento concreto e espiritual das pessoas. Apresentar uma proposta comunitária cristã que valorize o descanso, a humildade e a comunhão; que partilha a vida com respeito, transparência e alegria. Sugiro encerrar a mensagem com esta orientação: alertar a comunidade para não diminuir o descanso a uma dimensão somente espiritual, que permite a experiência do alívio e descanso, conformando-se com a opressão, o cansaço e a violência. Ressaltar, portanto, que Jesus promete em seu convite descanso também físico e real.
Kyrie: Deus, ouve o nosso clamor! Tem piedade de todos os que estão cansados e sobrecarregados pelas exigências dos sistemas de vida, que exigem poder e sabedoria, que prometem falsas fantasias e injustas prosperidades. Anúncio da graça: Fazer o anúncio da graça com os versículos 1, 2, 3 e 6 do Salmo 23. Leituras bíblicas do dia: Ez 34.1-2(3-9)10-16: Deus acusa o sistema de poder que visa os seus próprios interesses. Anuncia uma nova proposta de vida em que há comunhão, alimento, cuidado, cura e descanso. O convite de Jesus resgata o projeto de vida já anunciado pelos profetas. Rm 8.9-12: O Espírito de Deus é vida. Ele nos aproxima de Deus. Ele é Deus presente em nós desde o Batismo. Ele facilita e viabiliza a nossa opção pela proposta de vida de Deus, revelada aos humildes e pequenos. O Espírito de Deus nos auxilia a aceitar o convite de Jesus. Bênção: Abençoe-vos o Deus da graça, da paz e do descanso. Abençoe-vos o Deus das crianças. Que ele vos guie por caminhos da alegria, da solidariedade, da humildade e da esperança. O Deus dos pequeninos e humildes vos dê a paz. Amém.
5 Sugestões para momentos da celebração Acolhida: Saudar a comunidade motivando para o descanso, para a comunhão e a alegria. Citar os versículos 28 e 29: Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar a suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso....
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8 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
10 JUL 2005
ISAÍAS 55.10-11 ROMANOS 8.18-23(24-25)
PRÉDICA: MATEUS 13.1-9 Valdemar Lückemeyer
1 Introdução Quero iniciar o estudo sobre o texto com uma pergunta intrigante: Por que o Lecionário Histórico (tradicional ou alemão, o das seis séries) não contempla Mt 13.1-9? Entre os vários comentários exegéticos e homiléticos consultados não encontrei nenhum que abordasse o texto. Por outro lado, a Série Trienal/Ecumência o inclui, e por isso há um novo estudo e comentário sobre o mesmo, até com certa freqüência. Em Proclamar Libertação encontramos dois bons estudos sobre o texto, sempre indicado para o 8º Domingo após Pentecoste: em PL XXI, p. 196ss, encontramos o estudo de Uwe Wegner e, em PL XXVII, p. 188ss, o de Günter K. F. Wehrmann. Busquei muitas informações nestes dois estudos para o presente trabalho e recomendo a leitura dos mesmos.
2 Um detalhe importante A parábola do semeador é narrada pelos três evangelistas sinóticos: Mt 13.1-9, Mc 4.1-9 e Lc 8.4-8. Entre os exegetas há consenso de que Mt e Lc se basearam no texto de Mc e, individualmente, cada um fez a sua atualização e interpretação ao passar o texto para suas comunidades. Os evangelistas também foram pregadores. Eles fizeram o seu trabalho redacional e também as devidas adaptações para os seus leitores/ouvintes. Os três evangelistas também narram a explicação da parábola do semeador. Aliás, a explicação da parábola é de Jesus mesmo ou é da comunidade primitiva? O nosso texto de estudo é apenas a parábola do semeador! Mas conseguimos ler, meditar e pregar sobre a parábola do semeador sem que nos lembremos da explicação da mesma conforme os evangelistas? É também muito provável que a explicação posterior da parábola (Mc 4.10ss e par.) seja antes uma reflexão da comunidade primitiva do que propriamente a explicação dada por Jesus (U. Wegner, p. 196).
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3 Outro detalhe importante A parábola do semeador (Mt 13.1-9 e paralelos) é uma parábola, não uma alegoria. A diferença entre uma e outra nem sempre é clara, e por isso há muitas controvérsias entre os exegetas sobre a questão. Jesus falava em parábolas a respeito do reino de Deus. Por quê? Para que alguns ouvintes não o compreendessem? Será que o jeito de falar em parábolas serve para encobrir e ocultar o conteúdo para determinadas pessoas, às quais não é dado conhecer o mistério do reino dos céus (Mt 13.11)? Este era o pensamento nas comunidades cristãs primitivas, que se admiravam diante do milagre da fé, que acontecia mais entre os gentios do que entre os judeus... Ou será que a alegoria é o jeito adequado de entender uma parábola? A interpretação que Mateus oferece nos v. 18-23 tem uma tendência alegórica quando identifica a semente com a palavra, o solo com os ouvintes e as adversidades com poderes diabólicos e incredulidade. Tal interpretação precisa ver cada traço da parábola em seu sentido alegórico, o que pode levar a paralelos forçados, além de induzir para o apelo moralista. Ou é a parábola a única maneira adequada de falar do mistério do reino de Deus? Identificando-o como mistério, afirma-se que ele ultrapassa todas as nossas categorias relativas e contextuais de falar do eterno, do absoluto, do reino de Deus (G. Wehrmann, p. 188).
4 Estrutura do texto v. 1-3a: introdução v. 3b-8: a semente nos quatro tipos de solo v. 9: chamado de alerta/conclusão
5 Comentários exegéticos v. 1: Não há referência precisa de qual casa Jesus sai para chegar ao lado (da Galiléia). É para as margens desse mesmo lago que Jesus chamou os discípulos (4.18) e onde os discípulos tiveram a sua primeira experiência com o poder de Jesus (8.24-28). v. 3: Mateus destaca que Jesus fala ao povo, ao passo que Marcos registra que Jesus ensinava . Para Mateus, Jesus ensina na sinagoga ou também em outras ocasiões, mas sempre quando explica a lei. Ao povo Je-
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8º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
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8 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
10 JUL 2005
ISAÍAS 55.10-11 ROMANOS 8.18-23(24-25)
PRÉDICA: MATEUS 13.1-9 Valdemar Lückemeyer
1 Introdução Quero iniciar o estudo sobre o texto com uma pergunta intrigante: Por que o Lecionário Histórico (tradicional ou alemão, o das seis séries) não contempla Mt 13.1-9? Entre os vários comentários exegéticos e homiléticos consultados não encontrei nenhum que abordasse o texto. Por outro lado, a Série Trienal/Ecumência o inclui, e por isso há um novo estudo e comentário sobre o mesmo, até com certa freqüência. Em Proclamar Libertação encontramos dois bons estudos sobre o texto, sempre indicado para o 8º Domingo após Pentecoste: em PL XXI, p. 196ss, encontramos o estudo de Uwe Wegner e, em PL XXVII, p. 188ss, o de Günter K. F. Wehrmann. Busquei muitas informações nestes dois estudos para o presente trabalho e recomendo a leitura dos mesmos.
2 Um detalhe importante A parábola do semeador é narrada pelos três evangelistas sinóticos: Mt 13.1-9, Mc 4.1-9 e Lc 8.4-8. Entre os exegetas há consenso de que Mt e Lc se basearam no texto de Mc e, individualmente, cada um fez a sua atualização e interpretação ao passar o texto para suas comunidades. Os evangelistas também foram pregadores. Eles fizeram o seu trabalho redacional e também as devidas adaptações para os seus leitores/ouvintes. Os três evangelistas também narram a explicação da parábola do semeador. Aliás, a explicação da parábola é de Jesus mesmo ou é da comunidade primitiva? O nosso texto de estudo é apenas a parábola do semeador! Mas conseguimos ler, meditar e pregar sobre a parábola do semeador sem que nos lembremos da explicação da mesma conforme os evangelistas? É também muito provável que a explicação posterior da parábola (Mc 4.10ss e par.) seja antes uma reflexão da comunidade primitiva do que propriamente a explicação dada por Jesus (U. Wegner, p. 196).
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3 Outro detalhe importante A parábola do semeador (Mt 13.1-9 e paralelos) é uma parábola, não uma alegoria. A diferença entre uma e outra nem sempre é clara, e por isso há muitas controvérsias entre os exegetas sobre a questão. Jesus falava em parábolas a respeito do reino de Deus. Por quê? Para que alguns ouvintes não o compreendessem? Será que o jeito de falar em parábolas serve para encobrir e ocultar o conteúdo para determinadas pessoas, às quais não é dado conhecer o mistério do reino dos céus (Mt 13.11)? Este era o pensamento nas comunidades cristãs primitivas, que se admiravam diante do milagre da fé, que acontecia mais entre os gentios do que entre os judeus... Ou será que a alegoria é o jeito adequado de entender uma parábola? A interpretação que Mateus oferece nos v. 18-23 tem uma tendência alegórica quando identifica a semente com a palavra, o solo com os ouvintes e as adversidades com poderes diabólicos e incredulidade. Tal interpretação precisa ver cada traço da parábola em seu sentido alegórico, o que pode levar a paralelos forçados, além de induzir para o apelo moralista. Ou é a parábola a única maneira adequada de falar do mistério do reino de Deus? Identificando-o como mistério, afirma-se que ele ultrapassa todas as nossas categorias relativas e contextuais de falar do eterno, do absoluto, do reino de Deus (G. Wehrmann, p. 188).
4 Estrutura do texto v. 1-3a: introdução v. 3b-8: a semente nos quatro tipos de solo v. 9: chamado de alerta/conclusão
5 Comentários exegéticos v. 1: Não há referência precisa de qual casa Jesus sai para chegar ao lado (da Galiléia). É para as margens desse mesmo lago que Jesus chamou os discípulos (4.18) e onde os discípulos tiveram a sua primeira experiência com o poder de Jesus (8.24-28). v. 3: Mateus destaca que Jesus fala ao povo, ao passo que Marcos registra que Jesus ensinava . Para Mateus, Jesus ensina na sinagoga ou também em outras ocasiões, mas sempre quando explica a lei. Ao povo Je-
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sus fala , fala em e através de parábolas. Mateus concentra as parábolas em dois grandes blocos por ele agrupados: no cap. 13, onde são relatadas sete parábolas, e ainda no cap. 21.28-22.14. O semeador é mencionado aqui e não aparece mais na parábola! v. 4-7: O sujeito agora é a semente. Uma parte cai à beira do caminho. Por descuido? Era natural que assim acontecesse? Outra parte cai em solo rochoso = camada rasa de terra, com pouco húmus, com poucos nutrientes, sem condições para resistir a uma seca! Outra parte cai entre os espinhos. A lavoura não estava limpa? Ela é assim mesmo? As sementes, se crescessem rapidamente, poderiam sufocar os espinhos? v. 8: A produção da semente que caiu em terra boa é excepcional. Mateus inverte o resultado da produção em relação a Marcos, apresentando-o em forma decrescente. Apenas a semente que caiu em solo fértil, terra boa, é que produz fruto.
8º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
7 Para refletir Se me fosse possível começar, hoje, a pregar o evangelho, eu o faria de modo bem diferente. Pregaria o evangelho e o consolo especialmente para as consciências temerosas, humilhadas, desesperadas e simples. Por isso o pregador deve conhecer o mundo muito bem e reconhecer que ele é desesperadamente mau, propriedade do diabo, na melhor das hipóteses. Eu é que fui estupidamente ingênuo, não sabendo quando comecei, como eram as coisas, pensando que o mundo seria muito piedoso e, tão logo ouvisse o evangelho, viria correndo para aceitá-lo com alegria. Mas agora descubro, com grande dor, que fui vergonhosamente enganado (M. Lutero).
8 Pensando na prédica
6 Meditação Por que Jesus contou essa parábola? A parábola foi contada a partir da perspectiva do semeador ou da semente e dos vários tipos de solo? Sem dúvida, no AT, a palavra de Deus é comparada à semente. É uma metáfora muito usada. Um dos textos mais lembrados é a leitura bíblica do AT para este 8º Domingo após Pentecoste: Is 55.10-11. O acento, portanto, não está no semeador, que, apesar de frustrações, tem no final uma grande recompensa. O acento está na semente. Semente que é lançada na terra, apesar de alguns obstáculos e dificuldades, produz e produz muito. A parábola seria a expressão da certeza de Jesus de que a palavra de sua pregação, a despeito de encontrar resistência em um e outro ouvinte, daria muito fruto de aceitação e compromisso em sua obra missionária. Neste sentido, a comunidade primitiva também interpretou o texto (cf. Mc 4.10ss) (U. Wegner, p. 198). E mais: a semente não é apenas a palavra pregada, anunciada por Jesus, isto é, o seu ensino, mas semente é toda a sua atividade, toda a sua vida. Em sua pessoa o reino de Deus estava sendo anunciado, sendo semeado . A parábola quer transmitir confiança e ânimo aos ouvintes. Apesar das dificuldades e eventuais contratempos, o resultado da colheita será muito bom, será excepcional. Assim é o reino de Deus. Assim é com a palavra de Deus anunciada. Disso sabemos desde a Páscoa. Por isso, não mais precisamos desanimar diante dos insucessos, mas continuamos com a semeadura, intensificando o esmero com o preparo da semente e do solo e com o cultivo (G. Wehrmann, p. 191).
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A palavra de Deus não volta vazia; ela produz, com certeza! Sob essa perspectiva a comunidade realiza sua tarefa evangelizadora. O ministério da pregação é da comunidade. Todos os setores de trabalho na comunidade são chamados para esse serviço. Há momentos próprios e indicados para semear. É preciso planejar, é preciso preparar-se para a semeadura. O critério é semear em abundância.
Bibliografia LUZ, Ulrich. Das Evangelium nach Matthäus. In: Evangelisch-Katholischer Kommentar zum Neuen Testament, Vol I/2, Mt 8-17, Benziger Verlag, Neukirchner Verlag. WEGNER, Uwe. Meditação sobre Mateus 13.1-9, in: SCHNEIDER, Nélio e DEIFELT, Wanda (coord.). Proclamar Libertação XXI. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1995. p. 196ss. WEHRMANN, Günter Karl Fritz. Meditação sobre Mateus 13.1-9, in: HOEFELMANN, Werner e SILVA, João A. M. da (coord). Proclamar Libertação XXVII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2001. p. 188ss.
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sus fala , fala em e através de parábolas. Mateus concentra as parábolas em dois grandes blocos por ele agrupados: no cap. 13, onde são relatadas sete parábolas, e ainda no cap. 21.28-22.14. O semeador é mencionado aqui e não aparece mais na parábola! v. 4-7: O sujeito agora é a semente. Uma parte cai à beira do caminho. Por descuido? Era natural que assim acontecesse? Outra parte cai em solo rochoso = camada rasa de terra, com pouco húmus, com poucos nutrientes, sem condições para resistir a uma seca! Outra parte cai entre os espinhos. A lavoura não estava limpa? Ela é assim mesmo? As sementes, se crescessem rapidamente, poderiam sufocar os espinhos? v. 8: A produção da semente que caiu em terra boa é excepcional. Mateus inverte o resultado da produção em relação a Marcos, apresentando-o em forma decrescente. Apenas a semente que caiu em solo fértil, terra boa, é que produz fruto.
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7 Para refletir Se me fosse possível começar, hoje, a pregar o evangelho, eu o faria de modo bem diferente. Pregaria o evangelho e o consolo especialmente para as consciências temerosas, humilhadas, desesperadas e simples. Por isso o pregador deve conhecer o mundo muito bem e reconhecer que ele é desesperadamente mau, propriedade do diabo, na melhor das hipóteses. Eu é que fui estupidamente ingênuo, não sabendo quando comecei, como eram as coisas, pensando que o mundo seria muito piedoso e, tão logo ouvisse o evangelho, viria correndo para aceitá-lo com alegria. Mas agora descubro, com grande dor, que fui vergonhosamente enganado (M. Lutero).
8 Pensando na prédica
6 Meditação Por que Jesus contou essa parábola? A parábola foi contada a partir da perspectiva do semeador ou da semente e dos vários tipos de solo? Sem dúvida, no AT, a palavra de Deus é comparada à semente. É uma metáfora muito usada. Um dos textos mais lembrados é a leitura bíblica do AT para este 8º Domingo após Pentecoste: Is 55.10-11. O acento, portanto, não está no semeador, que, apesar de frustrações, tem no final uma grande recompensa. O acento está na semente. Semente que é lançada na terra, apesar de alguns obstáculos e dificuldades, produz e produz muito. A parábola seria a expressão da certeza de Jesus de que a palavra de sua pregação, a despeito de encontrar resistência em um e outro ouvinte, daria muito fruto de aceitação e compromisso em sua obra missionária. Neste sentido, a comunidade primitiva também interpretou o texto (cf. Mc 4.10ss) (U. Wegner, p. 198). E mais: a semente não é apenas a palavra pregada, anunciada por Jesus, isto é, o seu ensino, mas semente é toda a sua atividade, toda a sua vida. Em sua pessoa o reino de Deus estava sendo anunciado, sendo semeado . A parábola quer transmitir confiança e ânimo aos ouvintes. Apesar das dificuldades e eventuais contratempos, o resultado da colheita será muito bom, será excepcional. Assim é o reino de Deus. Assim é com a palavra de Deus anunciada. Disso sabemos desde a Páscoa. Por isso, não mais precisamos desanimar diante dos insucessos, mas continuamos com a semeadura, intensificando o esmero com o preparo da semente e do solo e com o cultivo (G. Wehrmann, p. 191).
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A palavra de Deus não volta vazia; ela produz, com certeza! Sob essa perspectiva a comunidade realiza sua tarefa evangelizadora. O ministério da pregação é da comunidade. Todos os setores de trabalho na comunidade são chamados para esse serviço. Há momentos próprios e indicados para semear. É preciso planejar, é preciso preparar-se para a semeadura. O critério é semear em abundância.
Bibliografia LUZ, Ulrich. Das Evangelium nach Matthäus. In: Evangelisch-Katholischer Kommentar zum Neuen Testament, Vol I/2, Mt 8-17, Benziger Verlag, Neukirchner Verlag. WEGNER, Uwe. Meditação sobre Mateus 13.1-9, in: SCHNEIDER, Nélio e DEIFELT, Wanda (coord.). Proclamar Libertação XXI. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1995. p. 196ss. WEHRMANN, Günter Karl Fritz. Meditação sobre Mateus 13.1-9, in: HOEFELMANN, Werner e SILVA, João A. M. da (coord). Proclamar Libertação XXVII. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2001. p. 188ss.
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9 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
17 JUL 2005
ISAÍAS 44.6-9 MATEUS 13.1-9
PRÉDICA: ROMANOS 8.26-27 Rocío Morales
1 Introducción En este mundo de afanes y sufrimientos, donde el tiempo es uno de los mayores enemigos, las personas viven en un continuo estrés el cual las lleva a expresar sus sentimientos y deseos de una forma apresurada causando más problemas. Además, el egoísmo, tan característico en los seres humanos no permite actuar coherentemente, sino siempre buscando el propio bienestar que al final de cuentas no es tan bueno para si mismos. El texto para la meditación de este domingo invita a reflexionar precisamente sobre nuestras debilidades, nuestros deseos, el tipo de peticiones que hacemos y la forma como el Espíritu actúa frente a esto. Nos invita también a reconocer la soberanía de Dios y a dejarnos guiar por Él.
ciones, los deseos y pensamientos más profundos de nuestro corazón y el propósito del mismo Espíritu, intercede de acuerdo a su voluntad.
3 Estructura Encontramos en estos dos versículos una estructura con un paralelismo quiásmico así: 1. El Espíritu viene a ayudarnos en nuestra debilidad. 2. a. Nuestra debilidad consiste en que no sabemos como pedir, b. ni podemos comprender la ayuda del Espíritu Santo. 2 a. Dios, en cambio sabe que necesitamos b. y conoce la intención del Espíritu Santo. 1 Porque el Espíritu pide por los santos conforme la voluntad de Dios. Podemos ver en los axiomas 1 y 1 una correspondencia en cuanto a la acción del Espíritu Santo y en las partes 2 y 2 un paralelismo antitético entre la incapacidad nuestra y el poder de Dios.
4 Meditación
v. 26: (Y del mismo modo), el Espíritu Santo, viene a ayudarnos en nuestra debilidad.. Pues no sabemos pedir como se debe. Pero, el mismo Espíritu ruega por nosotros con gemidos que no pueden expresarse con palabras. Con relación al ser humano se resalta su debilidad y limitación en reconocer lo que es realmente necesario para su vida, demostrado la total dependencia suya ante Dios. Dos funciones específicas se resaltan aquí con relación al Espíritu Santo: ayudador y guía de nuestras vidas. El Espíritu intercede por nosotros con gemidos que no pueden ser expresados en palabras, lo que los coloca más allá de nuestra comprensión. v. 27: Y el que investiga los corazones, conoce la intención del Espíritu, porque, conforme la voluntad de Dios, intercede por los santos. En oposición al ser humano, que no sabe que pedir para si mismo y que no puede comprender la ayuda del Espíritu Santo, Dios si conoce las inten-
Con la Epístola para este domingo tenemos la posibilidad de destacar la naturaleza del ser humano, la acción del Espíritu Santo y la actitud de Dios. 4.1 El ser humano El capítulo 7 de la carta a los Romanos analiza la ambigüedad de la persona frente a la exigencia de la ley de Dios: Así que queriendo yo hacer el bien, halló esta ley: que el mal está en mi (Rm 7.21). La superación de este dilema se encuentra en Jesucristo (v. 25). El estar en Cristo lleva a una distinción entre andar conforme a la carne y andar conforme al Espíritu. Este es el asunto que aborda Pablo en el capítulo 8. El ser humano que vive por naturaleza conforme a la carne es egoísta y quiere las cosas inmediatamente y para su provecho (Gl 5.16). Es común escuchar historias de personas que se arrepienten de haber pedido algo insistentemente (por mucho tiempo) en oración, pues cuando su deseo se cumple , se dan cuenta que no era lo mejor para su vida. La carne pues, no permite que se pida lo que se debe y de la manera debida. Esa es nuestra gran debilidad: dejarnos llevar por los deseos de la carne y por los afanes de este mundo; no saber que pedir y como pedir; no comprender cual es la voluntad de Dios para con nosotros. 4.2 La acción del Espíritu Santo Dios responde a nuestra debilidad, permitiendo que al estar en Cristo seamos apoyados por el propio Espíritu Santo. Vivir conforme al Espíritu
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ISAÍAS 44.6-9 MATEUS 13.1-9
PRÉDICA: ROMANOS 8.26-27 Rocío Morales
1 Introducción En este mundo de afanes y sufrimientos, donde el tiempo es uno de los mayores enemigos, las personas viven en un continuo estrés el cual las lleva a expresar sus sentimientos y deseos de una forma apresurada causando más problemas. Además, el egoísmo, tan característico en los seres humanos no permite actuar coherentemente, sino siempre buscando el propio bienestar que al final de cuentas no es tan bueno para si mismos. El texto para la meditación de este domingo invita a reflexionar precisamente sobre nuestras debilidades, nuestros deseos, el tipo de peticiones que hacemos y la forma como el Espíritu actúa frente a esto. Nos invita también a reconocer la soberanía de Dios y a dejarnos guiar por Él.
ciones, los deseos y pensamientos más profundos de nuestro corazón y el propósito del mismo Espíritu, intercede de acuerdo a su voluntad.
3 Estructura Encontramos en estos dos versículos una estructura con un paralelismo quiásmico así: 1. El Espíritu viene a ayudarnos en nuestra debilidad. 2. a. Nuestra debilidad consiste en que no sabemos como pedir, b. ni podemos comprender la ayuda del Espíritu Santo. 2 a. Dios, en cambio sabe que necesitamos b. y conoce la intención del Espíritu Santo. 1 Porque el Espíritu pide por los santos conforme la voluntad de Dios. Podemos ver en los axiomas 1 y 1 una correspondencia en cuanto a la acción del Espíritu Santo y en las partes 2 y 2 un paralelismo antitético entre la incapacidad nuestra y el poder de Dios.
4 Meditación
v. 26: (Y del mismo modo), el Espíritu Santo, viene a ayudarnos en nuestra debilidad.. Pues no sabemos pedir como se debe. Pero, el mismo Espíritu ruega por nosotros con gemidos que no pueden expresarse con palabras. Con relación al ser humano se resalta su debilidad y limitación en reconocer lo que es realmente necesario para su vida, demostrado la total dependencia suya ante Dios. Dos funciones específicas se resaltan aquí con relación al Espíritu Santo: ayudador y guía de nuestras vidas. El Espíritu intercede por nosotros con gemidos que no pueden ser expresados en palabras, lo que los coloca más allá de nuestra comprensión. v. 27: Y el que investiga los corazones, conoce la intención del Espíritu, porque, conforme la voluntad de Dios, intercede por los santos. En oposición al ser humano, que no sabe que pedir para si mismo y que no puede comprender la ayuda del Espíritu Santo, Dios si conoce las inten-
Con la Epístola para este domingo tenemos la posibilidad de destacar la naturaleza del ser humano, la acción del Espíritu Santo y la actitud de Dios. 4.1 El ser humano El capítulo 7 de la carta a los Romanos analiza la ambigüedad de la persona frente a la exigencia de la ley de Dios: Así que queriendo yo hacer el bien, halló esta ley: que el mal está en mi (Rm 7.21). La superación de este dilema se encuentra en Jesucristo (v. 25). El estar en Cristo lleva a una distinción entre andar conforme a la carne y andar conforme al Espíritu. Este es el asunto que aborda Pablo en el capítulo 8. El ser humano que vive por naturaleza conforme a la carne es egoísta y quiere las cosas inmediatamente y para su provecho (Gl 5.16). Es común escuchar historias de personas que se arrepienten de haber pedido algo insistentemente (por mucho tiempo) en oración, pues cuando su deseo se cumple , se dan cuenta que no era lo mejor para su vida. La carne pues, no permite que se pida lo que se debe y de la manera debida. Esa es nuestra gran debilidad: dejarnos llevar por los deseos de la carne y por los afanes de este mundo; no saber que pedir y como pedir; no comprender cual es la voluntad de Dios para con nosotros. 4.2 La acción del Espíritu Santo Dios responde a nuestra debilidad, permitiendo que al estar en Cristo seamos apoyados por el propio Espíritu Santo. Vivir conforme al Espíritu
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más que una exigencia hacia un modelo ético de vida, es el soporte dado a los cristianos para aliviar sus vidas (Rm 8.15). Este testimonio es dado por el propio Espíritu Santo (8.16) quien nos afirma como hijos de Dios. A partir del bautismo, el Espíritu Santo comienza a hacer parte de nuestra vida. Así Dios nos acerca a su presencia, a su voluntad. La manera como describe la Biblia la acción del Espíritu es con gemidos indecibles . Algunas personas ven en estos gemidos una referencia al don de lenguas (1Co 14), pero el texto dice justamente que estos gemidos son indecibles, es decir no pueden expresarse con lenguaje y no dice que sean solamente incomprensibles. Lo que realmente debe ocuparnos es en cuanto a la incapacidad nuestra en comprender la manera como el Espíritu Santo nos ayuda en nuestra debilidad. Pensemos por un momento cuando éramos niños e inclusive jóvenes y nuestros padres nos pedían hacer cosas que eran necesarias para nuestro bienestar, o nos negaban algo que queríamos porque no nos convenía. Nuestra reacción común era no entender su voluntad y pensar que no nos amaban. En realidad el lenguaje que ellos usaban, aunque fuera el mismo que hablábamos, no lo entendíamos porque las intenciones por detrás de la exigencia o negación eran para nosotros incomprensibles, tal vez aun porque ellos no encontraban palabras para decir lo que realmente querían. Así como nos fue tan difícil entender la voluntad de nuestros padres y como es para nuestro hijos hoy en día entendernos a nosotros aunque sólo queramos su bienestar, de la misma manera entender la acción del Espíritu Santo, entender sus ruegos exactos a Dios por nuestra vida llega a ser difícil para nuestra forma de pensar. 4.3 La obra de Dios La característica principal de Dios en este texto es su omnisapiencia. Ese Dios que todo lo sabe, que todo lo conoce. Aquel que investiga hasta lo más profundo de cada corazón y del cual nadie puede intentar burlarse o engañar (Gl 6.7-8). Dios en primera medida conoce nuestros pensamientos, necesidades y peticiones, los cuales, seguramente están completamente alejados de Él. Pero a la vez tiene presente que en nosotros además de nuestra naturaleza pecadora está el Espíritu Santo, quien nos ayuda por medio de sus incesantes ruegos. Aunque nosotros no tengamos la capacidad de entenderlos, El Padre si sabe cuál es la intención del Espíritu, su deseo, sus anhelos con relación a nosotros y además le entiende perfectamente porque su estilo de ver las situaciones, necesidades y soluciones es el mismo. El Espíritu ruega no conforme a nuestra voluntad, sino a la voluntad de Dios, a su manera. Sus ruegos están de acuerdo a lo que Dios, como buen Padre, quiere para nosotros, así nosotros no los entendamos por ahora. Dios conoce los deseos de nuestro corazón y conoce lo que nos convie-
ne. Así, nuestras peticiones son tomadas por el Espíritu Santo y convertidas en verdadera oración delante del trono de Dios. Por eso, lo único que nos resta es descansar y esperar en la voluntad de nuestro único y soberano Dios para nuestras vidas y permitir que el Espíritu Santo sea quien nos dirija en nuestra oración. Pues como pedir de una manera conveniente, por nuestra propia razón, no sabemos.
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Cuando en Tg 4.3 leemos: Pedís, y no recibís, porque pedís mal , no debemos concluir que la respuesta a nuestras oraciones radica en la forma exterior de las mismas ni en el carácter piadoso de ellas, lo cual sería orar según la carne. Por el contrario, la correcta oración aquella conforme al Espíritu, es la que parte del entendimiento de que nuestra oración siempre es inadecuada, pero que descansa en la acción intercesora del Espíritu Santo por nosotros.
5 Indicaciones para el mensaje Para la realización de la predicación sugiero: Pensar en tu caso: cuantas veces has demostrado tu debilidad frente a Dios en la oración: como pesan en ti los deseos de la carne, tu afán, y hasta tu incomprensión para pedir y aceptar la voluntad de Dios. Invitar a la comunidad a pensar en esto y si el ambiente así lo permite, que dos o tres personas den testimonio de esto. Describir la acción del Espíritu Santo, enfatizando que el creyente no está abandonado a su suerte para enfrentar los problemas. Apuntar para la soberanía del amor de Dios. Y motivar a la comunidad para que permita que sea el Espíritu Santo quien les ayude y guíe su vida de oración.
Bibliografía WEISHEIT, Eldon. Sermonetes: O Evangelho para as crianças. Porto Alegre: Concórdia, 1990. p. 91-92.
10º DOMINGO APÓS PENTECOSTE 1 REIS 3.5-12 MATEUS 13.44-52 ROMANOS 8.28-30
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más que una exigencia hacia un modelo ético de vida, es el soporte dado a los cristianos para aliviar sus vidas (Rm 8.15). Este testimonio es dado por el propio Espíritu Santo (8.16) quien nos afirma como hijos de Dios. A partir del bautismo, el Espíritu Santo comienza a hacer parte de nuestra vida. Así Dios nos acerca a su presencia, a su voluntad. La manera como describe la Biblia la acción del Espíritu es con gemidos indecibles . Algunas personas ven en estos gemidos una referencia al don de lenguas (1Co 14), pero el texto dice justamente que estos gemidos son indecibles, es decir no pueden expresarse con lenguaje y no dice que sean solamente incomprensibles. Lo que realmente debe ocuparnos es en cuanto a la incapacidad nuestra en comprender la manera como el Espíritu Santo nos ayuda en nuestra debilidad. Pensemos por un momento cuando éramos niños e inclusive jóvenes y nuestros padres nos pedían hacer cosas que eran necesarias para nuestro bienestar, o nos negaban algo que queríamos porque no nos convenía. Nuestra reacción común era no entender su voluntad y pensar que no nos amaban. En realidad el lenguaje que ellos usaban, aunque fuera el mismo que hablábamos, no lo entendíamos porque las intenciones por detrás de la exigencia o negación eran para nosotros incomprensibles, tal vez aun porque ellos no encontraban palabras para decir lo que realmente querían. Así como nos fue tan difícil entender la voluntad de nuestros padres y como es para nuestro hijos hoy en día entendernos a nosotros aunque sólo queramos su bienestar, de la misma manera entender la acción del Espíritu Santo, entender sus ruegos exactos a Dios por nuestra vida llega a ser difícil para nuestra forma de pensar. 4.3 La obra de Dios La característica principal de Dios en este texto es su omnisapiencia. Ese Dios que todo lo sabe, que todo lo conoce. Aquel que investiga hasta lo más profundo de cada corazón y del cual nadie puede intentar burlarse o engañar (Gl 6.7-8). Dios en primera medida conoce nuestros pensamientos, necesidades y peticiones, los cuales, seguramente están completamente alejados de Él. Pero a la vez tiene presente que en nosotros además de nuestra naturaleza pecadora está el Espíritu Santo, quien nos ayuda por medio de sus incesantes ruegos. Aunque nosotros no tengamos la capacidad de entenderlos, El Padre si sabe cuál es la intención del Espíritu, su deseo, sus anhelos con relación a nosotros y además le entiende perfectamente porque su estilo de ver las situaciones, necesidades y soluciones es el mismo. El Espíritu ruega no conforme a nuestra voluntad, sino a la voluntad de Dios, a su manera. Sus ruegos están de acuerdo a lo que Dios, como buen Padre, quiere para nosotros, así nosotros no los entendamos por ahora. Dios conoce los deseos de nuestro corazón y conoce lo que nos convie-
ne. Así, nuestras peticiones son tomadas por el Espíritu Santo y convertidas en verdadera oración delante del trono de Dios. Por eso, lo único que nos resta es descansar y esperar en la voluntad de nuestro único y soberano Dios para nuestras vidas y permitir que el Espíritu Santo sea quien nos dirija en nuestra oración. Pues como pedir de una manera conveniente, por nuestra propia razón, no sabemos.
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Cuando en Tg 4.3 leemos: Pedís, y no recibís, porque pedís mal , no debemos concluir que la respuesta a nuestras oraciones radica en la forma exterior de las mismas ni en el carácter piadoso de ellas, lo cual sería orar según la carne. Por el contrario, la correcta oración aquella conforme al Espíritu, es la que parte del entendimiento de que nuestra oración siempre es inadecuada, pero que descansa en la acción intercesora del Espíritu Santo por nosotros.
5 Indicaciones para el mensaje Para la realización de la predicación sugiero: Pensar en tu caso: cuantas veces has demostrado tu debilidad frente a Dios en la oración: como pesan en ti los deseos de la carne, tu afán, y hasta tu incomprensión para pedir y aceptar la voluntad de Dios. Invitar a la comunidad a pensar en esto y si el ambiente así lo permite, que dos o tres personas den testimonio de esto. Describir la acción del Espíritu Santo, enfatizando que el creyente no está abandonado a su suerte para enfrentar los problemas. Apuntar para la soberanía del amor de Dios. Y motivar a la comunidad para que permita que sea el Espíritu Santo quien les ayude y guíe su vida de oración.
Bibliografía WEISHEIT, Eldon. Sermonetes: O Evangelho para as crianças. Porto Alegre: Concórdia, 1990. p. 91-92.
10º DOMINGO APÓS PENTECOSTE 1 REIS 3.5-12 MATEUS 13.44-52 ROMANOS 8.28-30
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31 JUL 2005
Dt-Is conhece de perto como vive o povo no exílio, mas o texto não é muito abundante em indicações nem muito preciso na descrição da situação. Há uma série de passagens que, com muita força expressiva, apontam
para a situação do exílio. A questão é se podemos considerar essas descrições do ponto vista histórico. Em geral, elas parecem buscar um efeito narrativo (estético-literário) mais do que analítico ou descritivo (47.6; 48.10,18; 49.7,14,17,21,24-5,26; 51.7,11,13-14, 17,19-21; 52.2,3,5; 54.11,14). Embora alguns termos de caráter mais técnico apontem para o fato concreto do exílio e da escravidão (49.7; 51.14; 52.2), a maioria dos termos (assolação, ruína, fome, espada, tirania, opressão etc.) tem um uso simbólico e estilizado na poesia profética (p. ex., 47.1-15), oferecendo pouca possibilidade de inferir as condições socioeconômicas da escravidão na Babilônia a partir do Deutero-Isaías. Vale a pena, no entanto, reter aqui uma consideração. Em 40.1, o profeta diz que Deus permitirá que o povo solte um profundo suspiro de alívio (traduzido normalmente por consolai ou confortai ), pois está chegando ao fim o tempo de sua provação (originalmente a palavra pode indicar serviço militar , e a Tradução Ecumênica da Bíblia traduziu por corvéia serviço gratuito obrigatório que o servo da gleba devia a seu senhor). O abatimento espiritual do povo, no entanto, soa mais forte no livro do que abatimento físico pela escravidão. Sobre isto se falará mais adiante. Cruzando outras informações bíblicas e extrabíblicas, Meztger (p. 1212) oferece uma descrição mais colorida da situação dos exilados na Babilônia. Segundo ele, os que foram para Babilônia não viviam como escravos, mas semilivres . Tinham liberdade de movimento, mas deviam executar determinados serviços por ordem dos babilônicos. Conforme as informações do profeta da primeira geração de exilados, Ezequiel, eram obrigados a viver em colônias cercadas às margens do rio Quebar (Ez 1.1,3), em Tel-abibe (Ez 3.15) e outros locais. Podiam fazer reuniões (Ez 33.30s) e instituir anciãos (Ez 8.1; 14.1; 20.1). Havia ainda uma certa liberdade para construir casas, plantar pomares e constituir família (Jr 29.4-7). Metzger conclui que as condições de vida dos exilados e cativos eram suportáveis e, com o tempo, tornaram-se boas, pois muitos, bem adaptados ao novo mundo, não retornaram quando os persas permitiram. A maioria, porém, estava consciente de sua heterogeneidade cultural em relação àquela terra estrangeira e vivia unida pela fé em Deus e o anseio de voltar. Pela carta de Jeremias (27) e pelo texto de Ezequiel é possível concluir que a situação dos exilados era conhecida para os que ficaram na terra e vice-versa. É interessante fazer notar aqui que, talvez, o poder coercitivo do Império Babilônico não viesse tanto da força física sobre os exilados, mas da violência acachapante de sua impressionante vitalidade cultural e do poder antropofágico de seu universo ideológico-religioso, ao qual os exilados estavam submetidos. Entretanto, a catástrofe de 587 a.C. tinha sido algo mais do que um golpe político. O impacto fora também intelectual e religioso. O exílio sob o jugo babilônico punha fim à noção de uma duração eterna do reinado davídico e a destruição do templo colocava por terra a construção teológica
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MATEUS 14.13-21 ROMANOS 8.35-39
PRÉDICA: ISAÍAS 55.1-5 Valério Guilherme Schaper A José Severino Croatto (In memoriam - 26.04.2004)
1 Acolhida
Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas. (Is 55.1) Com um outro estilo e um outro universo de idéias, os capítulos 40-55 do livro atribuído ao profeta Isaías apresentam um novo autor, tendo como pano de fundo um contexto completamente mudado. Escrevendo cerca de dois séculos depois do profeta Isaías, o Deutero-Isaías (Dt-Is) dirige-se à segunda geração de exilados na Babilônia. Ecoa ainda pelo texto a memória da destruição de Jerusalém e do templo (44.26 e 28; 49.19; 52.9). Espalhamse também pelo texto referências à situação do povo humilhado e exilado (40.2; 42.22, 24; 43.14; 45.13b; 48.20; 49.20a e 21). Alguns autores acreditam ser possível datar o Dt-Is por volta de 550-540 a.C. A referência para essa datação é a menção textual do imperador persa, Ciro, que, presente no horizonte político daquele momento, ainda não efetivara a profecia da queda da Babilônia, anunciada ao longo do texto (41.2s, 25; 44.28; 45.1,13; o capítulo 47; 48.14) e que só se consumará em 539 a.C. O Dt-Is escreve muito provavelmente na Babilônia, conhece bem a situação do povo exilado e dirige-se ao restante da casa de Israel (46.3) com o intento de consolar (40.1), anunciar o fim próximo do sofrimento (40.2; 46.13) e animar para um novo êxodo (48.20-21) rumo à Sião restaurada e gloriosa ( 49.1-18; 51.11; capítulo 54).
2 Kyrie eleison Pelas dores desse mundo, ó Senhor, imploramos piedade.
1 1O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
o
11 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
31 JUL 2005
Dt-Is conhece de perto como vive o povo no exílio, mas o texto não é muito abundante em indicações nem muito preciso na descrição da situação. Há uma série de passagens que, com muita força expressiva, apontam
para a situação do exílio. A questão é se podemos considerar essas descrições do ponto vista histórico. Em geral, elas parecem buscar um efeito narrativo (estético-literário) mais do que analítico ou descritivo (47.6; 48.10,18; 49.7,14,17,21,24-5,26; 51.7,11,13-14, 17,19-21; 52.2,3,5; 54.11,14). Embora alguns termos de caráter mais técnico apontem para o fato concreto do exílio e da escravidão (49.7; 51.14; 52.2), a maioria dos termos (assolação, ruína, fome, espada, tirania, opressão etc.) tem um uso simbólico e estilizado na poesia profética (p. ex., 47.1-15), oferecendo pouca possibilidade de inferir as condições socioeconômicas da escravidão na Babilônia a partir do Deutero-Isaías. Vale a pena, no entanto, reter aqui uma consideração. Em 40.1, o profeta diz que Deus permitirá que o povo solte um profundo suspiro de alívio (traduzido normalmente por consolai ou confortai ), pois está chegando ao fim o tempo de sua provação (originalmente a palavra pode indicar serviço militar , e a Tradução Ecumênica da Bíblia traduziu por corvéia serviço gratuito obrigatório que o servo da gleba devia a seu senhor). O abatimento espiritual do povo, no entanto, soa mais forte no livro do que abatimento físico pela escravidão. Sobre isto se falará mais adiante. Cruzando outras informações bíblicas e extrabíblicas, Meztger (p. 1212) oferece uma descrição mais colorida da situação dos exilados na Babilônia. Segundo ele, os que foram para Babilônia não viviam como escravos, mas semilivres . Tinham liberdade de movimento, mas deviam executar determinados serviços por ordem dos babilônicos. Conforme as informações do profeta da primeira geração de exilados, Ezequiel, eram obrigados a viver em colônias cercadas às margens do rio Quebar (Ez 1.1,3), em Tel-abibe (Ez 3.15) e outros locais. Podiam fazer reuniões (Ez 33.30s) e instituir anciãos (Ez 8.1; 14.1; 20.1). Havia ainda uma certa liberdade para construir casas, plantar pomares e constituir família (Jr 29.4-7). Metzger conclui que as condições de vida dos exilados e cativos eram suportáveis e, com o tempo, tornaram-se boas, pois muitos, bem adaptados ao novo mundo, não retornaram quando os persas permitiram. A maioria, porém, estava consciente de sua heterogeneidade cultural em relação àquela terra estrangeira e vivia unida pela fé em Deus e o anseio de voltar. Pela carta de Jeremias (27) e pelo texto de Ezequiel é possível concluir que a situação dos exilados era conhecida para os que ficaram na terra e vice-versa. É interessante fazer notar aqui que, talvez, o poder coercitivo do Império Babilônico não viesse tanto da força física sobre os exilados, mas da violência acachapante de sua impressionante vitalidade cultural e do poder antropofágico de seu universo ideológico-religioso, ao qual os exilados estavam submetidos. Entretanto, a catástrofe de 587 a.C. tinha sido algo mais do que um golpe político. O impacto fora também intelectual e religioso. O exílio sob o jugo babilônico punha fim à noção de uma duração eterna do reinado davídico e a destruição do templo colocava por terra a construção teológica
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MATEUS 14.13-21 ROMANOS 8.35-39
PRÉDICA: ISAÍAS 55.1-5 Valério Guilherme Schaper A José Severino Croatto (In memoriam - 26.04.2004)
1 Acolhida
Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas. (Is 55.1) Com um outro estilo e um outro universo de idéias, os capítulos 40-55 do livro atribuído ao profeta Isaías apresentam um novo autor, tendo como pano de fundo um contexto completamente mudado. Escrevendo cerca de dois séculos depois do profeta Isaías, o Deutero-Isaías (Dt-Is) dirige-se à segunda geração de exilados na Babilônia. Ecoa ainda pelo texto a memória da destruição de Jerusalém e do templo (44.26 e 28; 49.19; 52.9). Espalhamse também pelo texto referências à situação do povo humilhado e exilado (40.2; 42.22, 24; 43.14; 45.13b; 48.20; 49.20a e 21). Alguns autores acreditam ser possível datar o Dt-Is por volta de 550-540 a.C. A referência para essa datação é a menção textual do imperador persa, Ciro, que, presente no horizonte político daquele momento, ainda não efetivara a profecia da queda da Babilônia, anunciada ao longo do texto (41.2s, 25; 44.28; 45.1,13; o capítulo 47; 48.14) e que só se consumará em 539 a.C. O Dt-Is escreve muito provavelmente na Babilônia, conhece bem a situação do povo exilado e dirige-se ao restante da casa de Israel (46.3) com o intento de consolar (40.1), anunciar o fim próximo do sofrimento (40.2; 46.13) e animar para um novo êxodo (48.20-21) rumo à Sião restaurada e gloriosa ( 49.1-18; 51.11; capítulo 54).
2 Kyrie eleison Pelas dores desse mundo, ó Senhor, imploramos piedade.
1 1O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
1 1º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
da inviolabilidade da residência de Deus. Os anteriores sucessos militares dos babilônicos e a preservação de Jerusalém haviam reforçado aquelas certezas. Os acontecimentos de 587 a.C. abalaram, então, a fé na fidelidade de Deus às suas promessas e/ou na sua capacidade de manter as promessas e proteger sua residência. Essa crise de fé exigia novas respostas teológicas. Em alguns casos, a decepção abrira a possibilidade do retorno às divindades anteriormente adoradas (Jr 44.15-19).
A intensidade da crise que se abatera sobre Israel suscitou várias respostas-propostas teológicas. O Escrito Sacerdotal (P), por exemplo, que, em parte, surge nesse mesmo período, preocupava-se em formular uma unidade cronológica (Criação-Noé-Abraão-Moisés-Sinai) que apontasse para a importância da comunidade cúltica e da instituição divina do culto sacrificial. O culto sacrificial, em sua dimensão expiatória, propiciava a vivência cotidiana diante de um Deus Santo, afastando sua ira e resguardando das catástrofes, como as dos séculos VII e VI a.C. Programático, P procurava estabelecer as bases resistentes para o futuro de Israel, sem as quais não poderia subsistir diante de Deus. Isso fez com que P se tornasse determinante para a constituição da comunidade pós-exílica (Metzger, p. 130-1). Schmidt reconhece o intenso interesse de P na comunidade cúltica, mas dilui essa preocupação apontando para o que ele chama de perspectiva universalista de P (Schmidt, p. 103-5). O diferencial do Dt-Is está no fato de oferecer uma resposta distinta, e sobremodo inovadora, à crise de fé gerada pelo exílio. À crise de fé, motivada pelo fim do reinado davídico e da destruição do templo em Jerusalém, soma-se no exílio, à medida que o tempo avança, uma sensação de desamparo, de abandono, de esquecimento da parte de Deus (49.14; 54.8). O abatimento espiritual era intenso. O povo achava que Deus não se dava conta do que sucedera com eles e era como se o seu caminho estivesse oculto ao Senhor (40.27). Conforme o Sl 137, desamparado e em terra estrangeira , eles penduravam seus instrumentos e o canto dava lugar ao choro. No entanto, em seu sofrimento no exílio, a sensação de desamparo e de ocultamento estava mais nos seus olhos e ouvidos do que de fato no afastamento de Deus (42.18-20, 23; 43.8), embora Ele diga que, de fato, indignou-se e, por um momento, escondeu a sua face (47.6; 54.7-8). Entretanto, ao reclamo de desamparo , Deus pergunta: Poderia uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama? (49.14-17). Diante da sensação de desamparo, desespero, o Dt-Is anuncia um tempo cheio de esperanças, pois o fim do exílio aproxima-se rapidamente. Deus
já suscitou um instrumento (Ciro) capaz de derrubar e submeter a Babilônia e, mais do que isso, o próprio Deus, qual um pastor, promete conduzi-los pessoalmente em uma saída honrosa não mais uma fuga desesperada rumo a Sião em glória. O Dt-Is procura trazer elementos concretos de esperança com base nas antigas tradições da história da salvação (Homburg, p. 171), imprimindo-lhes originalidade ao verter seu conteúdo em formas que lhe são estranhas (Von Rad, p. 232). O autor não só introduz o conceito de futuro (41.22-23; 42.14), mas afirma também que é este futuro que trará o novo (Wolff, p. 91), superando em muito aquilo que já era conhecido (42.9; 43.19). Diante do novo , até então ignorado (48.6), o passado pode ser esquecido (48.19). Assim, a saída do exílio será um novo êxodo de qualidade muito diferente da memória que se tinha do êxodo do Egito (52.12; 55.12), pois, sem as duras provações do deserto (41.18; 43.19-20), serão ternamente guiados (40.11; 42.16; 49.10; 55.12). Aos céticos, que apontam para a aparente impotência de Deus, ele, evitando uma postura apologética, mostra como tudo o que aconteceu está contido na totalidade das mensagens anteriores de Deus e, obviamente, também a promessa da libertação iminente (Wolff, p. 91; G. von Rad, p. 233, 237-9). O Dt-Is faz repousar a força desse argumento sobre o poder, a eficácia da palavra de Deus como predição (Schmidt, p. 247; G. von Rad, p. 233), e essa palavra não volta atrás e nem volta vazia sem realizar aquilo para que foi designada (40.8; 44.26; 45.23; 55.11). Portanto, Deus não abandonou, não esqueceu nem esquecerá Israel (41.7; 42.16; 44.21; 49.15). Assim, numa suprema ousadia, o Dt-Is, supondo o juízo completamente realizado e correndo o risco de bagatelizar a ira e o julgamento de Deus sobre Israel (G. von Rad, p. 240), anuncia a graça de uma forma radical e inédita. Deus concedeu perdão a seu povo. É uma virada inesperada. A promessa de salvação não depende de como se comportaram ou comportarão os atingidos. Tampouco depende de qualquer tipo de expiação pelo sofrimento no exílio, pois Deus diz que, mesmo tendo acrisolado o povo, não resultou prata (48.10). O perdão e a promessa de salvação estão vinculados exclusivamente a uma transformação do próprio Deus (43.25; 48.9,11). Situações de crise profunda demandam soluções radicais e criativas. Assim, numa situação de crise tão intensa em que o cerne da fé de Israel esteve ameaçado, o Dt-Is é de uma liberdade em relação às tradições da fé de Israel e de uma criatividade teológica que espantam. A saída do exílio é um novo êxodo que supera qualitativamente o anterior. O Dt-Is, porém, vai além disso. Ele lê esse novo êxodo como uma nova criação (44.21-24; 51.9-11). De maneira original, ele funde a tradição do êxodo com a da criação (41.20; 44.2-3, 24; 45.8; 51.13; 54.5). O Deus que cria é o mesmo que salva e vice-versa. Dessa forma, o Dt-Is apresenta uma concepção soteriológica da criação (G. von Rad, p. 231-2; Homburg, p. 172; Croatto, 1981, p. 36-7; Westermann, p. 30; Schmidt, p. 251, de forma nuançada.). Os verbos criar e resgatar ou redimir têm certa equivalência para o Dt-Is. Assim, o novo
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3 Palavra: a consolação do povo! Consolai, consolai o meu povo. (Is 40.1)
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1 1º D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
da inviolabilidade da residência de Deus. Os anteriores sucessos militares dos babilônicos e a preservação de Jerusalém haviam reforçado aquelas certezas. Os acontecimentos de 587 a.C. abalaram, então, a fé na fidelidade de Deus às suas promessas e/ou na sua capacidade de manter as promessas e proteger sua residência. Essa crise de fé exigia novas respostas teológicas. Em alguns casos, a decepção abrira a possibilidade do retorno às divindades anteriormente adoradas (Jr 44.15-19).
A intensidade da crise que se abatera sobre Israel suscitou várias respostas-propostas teológicas. O Escrito Sacerdotal (P), por exemplo, que, em parte, surge nesse mesmo período, preocupava-se em formular uma unidade cronológica (Criação-Noé-Abraão-Moisés-Sinai) que apontasse para a importância da comunidade cúltica e da instituição divina do culto sacrificial. O culto sacrificial, em sua dimensão expiatória, propiciava a vivência cotidiana diante de um Deus Santo, afastando sua ira e resguardando das catástrofes, como as dos séculos VII e VI a.C. Programático, P procurava estabelecer as bases resistentes para o futuro de Israel, sem as quais não poderia subsistir diante de Deus. Isso fez com que P se tornasse determinante para a constituição da comunidade pós-exílica (Metzger, p. 130-1). Schmidt reconhece o intenso interesse de P na comunidade cúltica, mas dilui essa preocupação apontando para o que ele chama de perspectiva universalista de P (Schmidt, p. 103-5). O diferencial do Dt-Is está no fato de oferecer uma resposta distinta, e sobremodo inovadora, à crise de fé gerada pelo exílio. À crise de fé, motivada pelo fim do reinado davídico e da destruição do templo em Jerusalém, soma-se no exílio, à medida que o tempo avança, uma sensação de desamparo, de abandono, de esquecimento da parte de Deus (49.14; 54.8). O abatimento espiritual era intenso. O povo achava que Deus não se dava conta do que sucedera com eles e era como se o seu caminho estivesse oculto ao Senhor (40.27). Conforme o Sl 137, desamparado e em terra estrangeira , eles penduravam seus instrumentos e o canto dava lugar ao choro. No entanto, em seu sofrimento no exílio, a sensação de desamparo e de ocultamento estava mais nos seus olhos e ouvidos do que de fato no afastamento de Deus (42.18-20, 23; 43.8), embora Ele diga que, de fato, indignou-se e, por um momento, escondeu a sua face (47.6; 54.7-8). Entretanto, ao reclamo de desamparo , Deus pergunta: Poderia uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama? (49.14-17). Diante da sensação de desamparo, desespero, o Dt-Is anuncia um tempo cheio de esperanças, pois o fim do exílio aproxima-se rapidamente. Deus
já suscitou um instrumento (Ciro) capaz de derrubar e submeter a Babilônia e, mais do que isso, o próprio Deus, qual um pastor, promete conduzi-los pessoalmente em uma saída honrosa não mais uma fuga desesperada rumo a Sião em glória. O Dt-Is procura trazer elementos concretos de esperança com base nas antigas tradições da história da salvação (Homburg, p. 171), imprimindo-lhes originalidade ao verter seu conteúdo em formas que lhe são estranhas (Von Rad, p. 232). O autor não só introduz o conceito de futuro (41.22-23; 42.14), mas afirma também que é este futuro que trará o novo (Wolff, p. 91), superando em muito aquilo que já era conhecido (42.9; 43.19). Diante do novo , até então ignorado (48.6), o passado pode ser esquecido (48.19). Assim, a saída do exílio será um novo êxodo de qualidade muito diferente da memória que se tinha do êxodo do Egito (52.12; 55.12), pois, sem as duras provações do deserto (41.18; 43.19-20), serão ternamente guiados (40.11; 42.16; 49.10; 55.12). Aos céticos, que apontam para a aparente impotência de Deus, ele, evitando uma postura apologética, mostra como tudo o que aconteceu está contido na totalidade das mensagens anteriores de Deus e, obviamente, também a promessa da libertação iminente (Wolff, p. 91; G. von Rad, p. 233, 237-9). O Dt-Is faz repousar a força desse argumento sobre o poder, a eficácia da palavra de Deus como predição (Schmidt, p. 247; G. von Rad, p. 233), e essa palavra não volta atrás e nem volta vazia sem realizar aquilo para que foi designada (40.8; 44.26; 45.23; 55.11). Portanto, Deus não abandonou, não esqueceu nem esquecerá Israel (41.7; 42.16; 44.21; 49.15). Assim, numa suprema ousadia, o Dt-Is, supondo o juízo completamente realizado e correndo o risco de bagatelizar a ira e o julgamento de Deus sobre Israel (G. von Rad, p. 240), anuncia a graça de uma forma radical e inédita. Deus concedeu perdão a seu povo. É uma virada inesperada. A promessa de salvação não depende de como se comportaram ou comportarão os atingidos. Tampouco depende de qualquer tipo de expiação pelo sofrimento no exílio, pois Deus diz que, mesmo tendo acrisolado o povo, não resultou prata (48.10). O perdão e a promessa de salvação estão vinculados exclusivamente a uma transformação do próprio Deus (43.25; 48.9,11). Situações de crise profunda demandam soluções radicais e criativas. Assim, numa situação de crise tão intensa em que o cerne da fé de Israel esteve ameaçado, o Dt-Is é de uma liberdade em relação às tradições da fé de Israel e de uma criatividade teológica que espantam. A saída do exílio é um novo êxodo que supera qualitativamente o anterior. O Dt-Is, porém, vai além disso. Ele lê esse novo êxodo como uma nova criação (44.21-24; 51.9-11). De maneira original, ele funde a tradição do êxodo com a da criação (41.20; 44.2-3, 24; 45.8; 51.13; 54.5). O Deus que cria é o mesmo que salva e vice-versa. Dessa forma, o Dt-Is apresenta uma concepção soteriológica da criação (G. von Rad, p. 231-2; Homburg, p. 172; Croatto, 1981, p. 36-7; Westermann, p. 30; Schmidt, p. 251, de forma nuançada.). Os verbos criar e resgatar ou redimir têm certa equivalência para o Dt-Is. Assim, o novo
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3 Palavra: a consolação do povo! Consolai, consolai o meu povo. (Is 40.1)
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1 1O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
êxodo, o evento salvífico por excelência, apresenta uma recriação do mundo por intermédio da reordenação do caos social e espiritual em que o povo se encontra, pois Deus não criou a terra para ser um caos , mas para ser habitada (45.18). Há espaço nessa compreensão para agregar também uma nova tradição: a de Sião, cuja glória espelhará o senhorio absoluto de Deus. Portanto, a singularidade de Deus no meio da multiplicidade dos deuses da Babilônia verifica-se a partir do seu agir salvífico-criacional, que já se fez presente na história do povo e que se anuncia agora por meio do novo êxodo (42.8; 43.3,11,12,15; 44.24; 45.3,5,6,18,22; 46.9; 48.17; 49.23,26; 51.15). Para além do fato histórico, o Dt-Is aponta para o eschaton, para as coisas novas que estão vindo à luz, para o novo céu e a nova terra (42.9, 43.19; 51.16). Não se pode esquecer, porém, que os exilados eram compostos de membros ou descendentes da classe dirigente (política e sacerdotal). O povo pobre havia ficado na terra, em Israel. É, então, aos remanescentes da classe dirigente que o profeta lembra e reitera, numa leitura muito original, os fundamentos da fé, que alicerçam a esperança. A esses ele diz que é um tempo de grande chance e que, ainda que pela mão de Ciro e sob o domínio persa, não pode ser desperdiçado. Não se pode perder a chance de (re)construir a nação sobre bases sólidas e justas (45.8; 46.13; 51.4, 6,8; 54.14).
52.3). Mais promissor semanticamente é o campo em torno da fome (51.19), da sede (41.17; 48.21; 49.10; 50.2; 55.1) e da água (41.18; 43.20; 44.3,4; 48.21; 50.2; 55.1). Em algumas passagens, a fome e a sede descrevem a situação de desamparo, cansaço do povo no exílio (41.17; 51.19); em outras passagens, descreve a situação do povo durante o êxodo (49.10). Outras passagens associam a saciedade da sede e da fome à promessa futura da glória universal do Deus, que reordena o caos ao afastar as águas e mantém a salvação (40.12; 41.18-20; 43.2,16; 44.27; 51.10; 54.9). Os v. 1-2 têm a sua compreensão enriquecida se lidos contra esse pano de fundo semântico do próprio Dt-Is. Não é preciso suar e gastar dinheiro em coisas que não são verdadeiras e, portanto, não satisfazem. Para ter acesso à água e à comida, que saciam de fato, não é preciso dinheiro, pois não há preço. O leite que alimenta e o vinho que alegra são oferecidos gratuitamente agora (ao libertado do cativeiro não faltará pão: 51.14) e também como promessa futura, dimensão simbólica da plenitude da vida na Sião redimida No segundo bloco, 3b-5, o Dt-Is introduz mais uma de suas ousadias teológicas. Deus fará uma aliança perpétua com o povo. As fiéis misericórdias prometidas a Davi são agora democratizadas (G. Von Rad, p. 231; Homburg, p. 172; Schmidt, p. 252). No e para o povo tornar-se-ão concretas as promessas dadas a Davi, e Israel será o soberano dos povos (49. 8-13; 55.4-5). Fazendo um corte cronológico radical, há um canto que diz que o pão da eucaristia é mais do que pura massa, é feito de alegria é dado a nós de graça . No pão e no vinho comemos mais do que massa e bebida. Ao comungarmos o corpo e o sangue de Cristo, tornamo-nos participantes de algo maior: tornamo-nos cúmplices da promessa de um mundo novo, renascido em Cristo. Os nossos sonhos de um mundo novo (nas formas múltiplas que cada um de nós sonha) são unificados em Cristo e a partir de Cristo são redimidos do pecado que constitui cada um dos nossos sonhos e planos humanos e, assumidos por Cristo, torna-nos cúmplices-participantes da grande conspiração do novo éon, das coisas novíssimas (eschaton) que o Senhor está trazendo à luz. É disso que fala Is 55.1-5: das coisas novas que nos interpelam e nos animam para um novo êxodo , para um êxodo permanente das forças do velho mundo, do velho ser humano, que querem nos enredar, que querem nos levar a adorar falsos deuses, a compactuar com realidades que degradam a imagem e semelhança de Deus em cada ser humano, ainda que caído e pecador como todos nós, e que nos levam a fazer acordos e concessões, onde comprometemos mais do que apenas elementos supostamente irrelevantes de nós ou da nossa fé, da nossa igreja. É tempo de lembrar que a libertação é possível; mais do que isso, além de anunciada, ela é a realidade novíssima que Cristo conquistou e deu início.
4 Eucaristia: a partilha O exilado cativo será libertado (...) o seu pão não lhe faltará. (Is 51.14) O texto indicado, 55.1-5, destaca-se por algumas especificidades: a) não aparece mais o discurso para Jerusalém (que vinha formulado na segunda pessoa do singular no feminino); b) é introduzido um vós , que, no v. 5, transforma-se em tu . Sugere-se, em geral, dividir o texto em dois blocos: 1-3a (um convite que, segundo alguns, é para um banquete), 3b-5 (promessa de uma aliança perpétua). Alguns autores querem, no primeiro bloco, ouvir soar o pregão dos vendedores de rua, que Dt-Is teria usado para descrever a situação em que o povo se encontrava (Schoors, p. 147; Melugin, p. 172): sedento, faminto e atento a toda oferta pública. Croatto lembra que um vendedor de rua não vai indicar um outro lugar nem anunciar algo sem pagamento. Além disso, Croatto vê uma tendência em espiritualizar rapidamente essa fala do texto, quando se afirma que é uma sede e fome da palavra de Deus. O Dt-Is trata de uma libertação sociopolítica. Por que o texto se espiritualizaria a essa altura? (Croatto, 1998, p. 303-4). Na verdade, o campo semântico do tema economia é restrito no Dt-Is e gira em torno da venda como escravo e do resgate sem dinheiro (50.1,
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êxodo, o evento salvífico por excelência, apresenta uma recriação do mundo por intermédio da reordenação do caos social e espiritual em que o povo se encontra, pois Deus não criou a terra para ser um caos , mas para ser habitada (45.18). Há espaço nessa compreensão para agregar também uma nova tradição: a de Sião, cuja glória espelhará o senhorio absoluto de Deus. Portanto, a singularidade de Deus no meio da multiplicidade dos deuses da Babilônia verifica-se a partir do seu agir salvífico-criacional, que já se fez presente na história do povo e que se anuncia agora por meio do novo êxodo (42.8; 43.3,11,12,15; 44.24; 45.3,5,6,18,22; 46.9; 48.17; 49.23,26; 51.15). Para além do fato histórico, o Dt-Is aponta para o eschaton, para as coisas novas que estão vindo à luz, para o novo céu e a nova terra (42.9, 43.19; 51.16). Não se pode esquecer, porém, que os exilados eram compostos de membros ou descendentes da classe dirigente (política e sacerdotal). O povo pobre havia ficado na terra, em Israel. É, então, aos remanescentes da classe dirigente que o profeta lembra e reitera, numa leitura muito original, os fundamentos da fé, que alicerçam a esperança. A esses ele diz que é um tempo de grande chance e que, ainda que pela mão de Ciro e sob o domínio persa, não pode ser desperdiçado. Não se pode perder a chance de (re)construir a nação sobre bases sólidas e justas (45.8; 46.13; 51.4, 6,8; 54.14).
52.3). Mais promissor semanticamente é o campo em torno da fome (51.19), da sede (41.17; 48.21; 49.10; 50.2; 55.1) e da água (41.18; 43.20; 44.3,4; 48.21; 50.2; 55.1). Em algumas passagens, a fome e a sede descrevem a situação de desamparo, cansaço do povo no exílio (41.17; 51.19); em outras passagens, descreve a situação do povo durante o êxodo (49.10). Outras passagens associam a saciedade da sede e da fome à promessa futura da glória universal do Deus, que reordena o caos ao afastar as águas e mantém a salvação (40.12; 41.18-20; 43.2,16; 44.27; 51.10; 54.9). Os v. 1-2 têm a sua compreensão enriquecida se lidos contra esse pano de fundo semântico do próprio Dt-Is. Não é preciso suar e gastar dinheiro em coisas que não são verdadeiras e, portanto, não satisfazem. Para ter acesso à água e à comida, que saciam de fato, não é preciso dinheiro, pois não há preço. O leite que alimenta e o vinho que alegra são oferecidos gratuitamente agora (ao libertado do cativeiro não faltará pão: 51.14) e também como promessa futura, dimensão simbólica da plenitude da vida na Sião redimida No segundo bloco, 3b-5, o Dt-Is introduz mais uma de suas ousadias teológicas. Deus fará uma aliança perpétua com o povo. As fiéis misericórdias prometidas a Davi são agora democratizadas (G. Von Rad, p. 231; Homburg, p. 172; Schmidt, p. 252). No e para o povo tornar-se-ão concretas as promessas dadas a Davi, e Israel será o soberano dos povos (49. 8-13; 55.4-5). Fazendo um corte cronológico radical, há um canto que diz que o pão da eucaristia é mais do que pura massa, é feito de alegria é dado a nós de graça . No pão e no vinho comemos mais do que massa e bebida. Ao comungarmos o corpo e o sangue de Cristo, tornamo-nos participantes de algo maior: tornamo-nos cúmplices da promessa de um mundo novo, renascido em Cristo. Os nossos sonhos de um mundo novo (nas formas múltiplas que cada um de nós sonha) são unificados em Cristo e a partir de Cristo são redimidos do pecado que constitui cada um dos nossos sonhos e planos humanos e, assumidos por Cristo, torna-nos cúmplices-participantes da grande conspiração do novo éon, das coisas novíssimas (eschaton) que o Senhor está trazendo à luz. É disso que fala Is 55.1-5: das coisas novas que nos interpelam e nos animam para um novo êxodo , para um êxodo permanente das forças do velho mundo, do velho ser humano, que querem nos enredar, que querem nos levar a adorar falsos deuses, a compactuar com realidades que degradam a imagem e semelhança de Deus em cada ser humano, ainda que caído e pecador como todos nós, e que nos levam a fazer acordos e concessões, onde comprometemos mais do que apenas elementos supostamente irrelevantes de nós ou da nossa fé, da nossa igreja. É tempo de lembrar que a libertação é possível; mais do que isso, além de anunciada, ela é a realidade novíssima que Cristo conquistou e deu início.
4 Eucaristia: a partilha O exilado cativo será libertado (...) o seu pão não lhe faltará. (Is 51.14) O texto indicado, 55.1-5, destaca-se por algumas especificidades: a) não aparece mais o discurso para Jerusalém (que vinha formulado na segunda pessoa do singular no feminino); b) é introduzido um vós , que, no v. 5, transforma-se em tu . Sugere-se, em geral, dividir o texto em dois blocos: 1-3a (um convite que, segundo alguns, é para um banquete), 3b-5 (promessa de uma aliança perpétua). Alguns autores querem, no primeiro bloco, ouvir soar o pregão dos vendedores de rua, que Dt-Is teria usado para descrever a situação em que o povo se encontrava (Schoors, p. 147; Melugin, p. 172): sedento, faminto e atento a toda oferta pública. Croatto lembra que um vendedor de rua não vai indicar um outro lugar nem anunciar algo sem pagamento. Além disso, Croatto vê uma tendência em espiritualizar rapidamente essa fala do texto, quando se afirma que é uma sede e fome da palavra de Deus. O Dt-Is trata de uma libertação sociopolítica. Por que o texto se espiritualizaria a essa altura? (Croatto, 1998, p. 303-4). Na verdade, o campo semântico do tema economia é restrito no Dt-Is e gira em torno da venda como escravo e do resgate sem dinheiro (50.1,
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12o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
5 Despedida: doxologia (...) dêem honra ao Senhor e anunciem a sua glória nas terras do mar. ( Is 42.12) Como se vê, a própria estrutura da reflexão apresenta uma estrutura litúrgica. Pode ser aproveitada dessa forma para cada uma das partes do culto. Vale frisar um aspecto que, ainda que não esteja presente no texto examinado, é um dos sustentáculos da profecia do Dt-Is: a eficácia criadora e salvífica da palavra de Deus (40.8; 52.10-11). Neste sentido, esse culto pode intensificar o aspecto doxológico da celebração: glorificar Deus e sua palavra que cria e recria o mundo permanentemente (42.10-13, 44.23, 45.8, 48.20s, 52.9s). A dimensão missionária e diaconal do culto deve ser acentuada na despedida, lembrando que cabe aos participantes anunciarem a glória de Deus, animando os cansados e abatidos (40.28-31, 41.12-17). Formosos são os pés dos que cumprem essa tarefa (52.7). Durante a oração de intercessão, intercalando os diversos pedidos, faria muito sentido com o todo da mensagem cantar: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra (HPD 2). Outro canto bonito é aquele que diz: Quando o Senhor nos libertar, parecerá um sonho .
Bibliografia CROATTO,
José Severino. Êxodo: uma hermenêutica da liberdade. São Paulo: Paulinas. 1981. 182 p. CROATTO, José Severino. Isaías A palavra profética e a releitura hermenêutica. Vol. II: 4055 A libertação é possível. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. 1998. p. 301-310 [Comentário Bíblico AT]. CROATTO, José Severino. O Deutero-Isaías, profeta da utopia. RIBLA, Petrópolis, v. 2, n. 24, 238-243, 1996. HOMBURG, Klaus. Introdução ao Antigo Testamento. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal. 1981. p. 203. MELUGIN, Roy. The formation of Isaiah 40-55. Berlin/New York: Walter de Gruyter, 1978. p. 172. METZGER, Martin. História de Israel. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal. 1981. 213 p. SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 1994. 395 p. SCHOORS, Anton. I am God your Savior. A form-critical study of the main genres in Is. XLLV. Leiden: E. J. Brill. 1973. p. 146-50. VON RAD, Gerhard. Teologia do Antigo Testamento. Vl II. São Paulo: ASTE. 1986. 466 p. WESTERMANN, Claus. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas. 1987. 205 p. WOLFF, Hans W. Bíblia Antigo Testamento: Introdução aos escritos e aos métodos de estudo. São Paulo: Paulinas, 1978. 143 p.
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7 ago 2005
MATEUS 14.22-33 ROMANOS 9.1-5
PRÉDICA: 1 REIS 19.9-13a Acyr Raymann
1 As leituras do dia Rm 9.1-5 O apóstolo Paulo é fascinado por seu amor a Cristo e também por seu amor para com os irmãos judeus. Não há maior amor do que este, ou seja, de alguém dar a sua própria vida em favor de outro. Os israelitas receberam essa grande dádiva de Deus, essa privilegiada herança divina de ser povo de Deus e, entretanto, rejeitaram Cristo. Paulo fala de Israel, mas fala sem rancor, apesar de trazer no corpo as marcas da maldade de Israel (cf. 2Co 11.24) e, em breve, seria novamente exposto ao ódio fanático dos rebeldes que vivem na Judéia (15.31). O apóstolo fala não com a malícia de alguém que se alegra com o destino fatal de um povo que o lançou fora, uma espécie de Schadenfreude. Não, Paulo fala com afeto, mas com grande tristeza, dor no coração, desejando até separar-se de Cristo por amor a seus irmãos separados. Não é a grandeza anterior de Israel, mas a grandeza dos dons e dádivas de Deus a Israel, dissipados agora pela desobediência de Israel, que leva Paulo a prantear por esse povo. O desvio é incompreensível. A começar pelo nome israelita , nome sagrado, que os distingue como receptores da graça e promessa de Deus, até ser um povo a quem Deus se revelara de forma exclusiva por meio da manifestação da sua glória no culto, na palavra, nas promessas, começando nos patriarcas e estendendo-se até a manifestação visível, na plenitude dos tempos, na pessoa e obra do Messias, o Cristo, Deus bendito para sempre. Somos povo de Deus, que conhece as promessas de Deus, que se cumpriram. Sem dúvida, temos fascínio e entusiasmo pela mensagem da redenção em Cristo. Apesar disso, muitos são os que se afastam, abandonando e até mesmo rejeitando essa fé. Não poucos pastores, pais e amigos ecoam hoje o sentimento do apóstolo: Eu mesmo desejaria ser anátema, ser separado de Cristo por amor de meus irmãos, minha filha, meu amigo . Mt 14.22-33 A única criatura que pode andar sobre as águas é a aranha aquática. O ser humano não pode. Jesus pode. O milagre é fenomenal. Jesus não apenas pode andar sobre as águas, como as ondas se encrespam ao seu andar. Este é um milagre composto de dois atos, cada um de seis
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1 1O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
12o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
5 Despedida: doxologia (...) dêem honra ao Senhor e anunciem a sua glória nas terras do mar. ( Is 42.12) Como se vê, a própria estrutura da reflexão apresenta uma estrutura litúrgica. Pode ser aproveitada dessa forma para cada uma das partes do culto. Vale frisar um aspecto que, ainda que não esteja presente no texto examinado, é um dos sustentáculos da profecia do Dt-Is: a eficácia criadora e salvífica da palavra de Deus (40.8; 52.10-11). Neste sentido, esse culto pode intensificar o aspecto doxológico da celebração: glorificar Deus e sua palavra que cria e recria o mundo permanentemente (42.10-13, 44.23, 45.8, 48.20s, 52.9s). A dimensão missionária e diaconal do culto deve ser acentuada na despedida, lembrando que cabe aos participantes anunciarem a glória de Deus, animando os cansados e abatidos (40.28-31, 41.12-17). Formosos são os pés dos que cumprem essa tarefa (52.7). Durante a oração de intercessão, intercalando os diversos pedidos, faria muito sentido com o todo da mensagem cantar: Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra (HPD 2). Outro canto bonito é aquele que diz: Quando o Senhor nos libertar, parecerá um sonho .
Bibliografia CROATTO,
José Severino. Êxodo: uma hermenêutica da liberdade. São Paulo: Paulinas. 1981. 182 p. CROATTO, José Severino. Isaías A palavra profética e a releitura hermenêutica. Vol. II: 4055 A libertação é possível. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal. 1998. p. 301-310 [Comentário Bíblico AT]. CROATTO, José Severino. O Deutero-Isaías, profeta da utopia. RIBLA, Petrópolis, v. 2, n. 24, 238-243, 1996. HOMBURG, Klaus. Introdução ao Antigo Testamento. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal. 1981. p. 203. MELUGIN, Roy. The formation of Isaiah 40-55. Berlin/New York: Walter de Gruyter, 1978. p. 172. METZGER, Martin. História de Israel. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal. 1981. 213 p. SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 1994. 395 p. SCHOORS, Anton. I am God your Savior. A form-critical study of the main genres in Is. XLLV. Leiden: E. J. Brill. 1973. p. 146-50. VON RAD, Gerhard. Teologia do Antigo Testamento. Vl II. São Paulo: ASTE. 1986. 466 p. WESTERMANN, Claus. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas. 1987. 205 p. WOLFF, Hans W. Bíblia Antigo Testamento: Introdução aos escritos e aos métodos de estudo. São Paulo: Paulinas, 1978. 143 p.
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7 ago 2005
MATEUS 14.22-33 ROMANOS 9.1-5
PRÉDICA: 1 REIS 19.9-13a Acyr Raymann
1 As leituras do dia Rm 9.1-5 O apóstolo Paulo é fascinado por seu amor a Cristo e também por seu amor para com os irmãos judeus. Não há maior amor do que este, ou seja, de alguém dar a sua própria vida em favor de outro. Os israelitas receberam essa grande dádiva de Deus, essa privilegiada herança divina de ser povo de Deus e, entretanto, rejeitaram Cristo. Paulo fala de Israel, mas fala sem rancor, apesar de trazer no corpo as marcas da maldade de Israel (cf. 2Co 11.24) e, em breve, seria novamente exposto ao ódio fanático dos rebeldes que vivem na Judéia (15.31). O apóstolo fala não com a malícia de alguém que se alegra com o destino fatal de um povo que o lançou fora, uma espécie de Schadenfreude. Não, Paulo fala com afeto, mas com grande tristeza, dor no coração, desejando até separar-se de Cristo por amor a seus irmãos separados. Não é a grandeza anterior de Israel, mas a grandeza dos dons e dádivas de Deus a Israel, dissipados agora pela desobediência de Israel, que leva Paulo a prantear por esse povo. O desvio é incompreensível. A começar pelo nome israelita , nome sagrado, que os distingue como receptores da graça e promessa de Deus, até ser um povo a quem Deus se revelara de forma exclusiva por meio da manifestação da sua glória no culto, na palavra, nas promessas, começando nos patriarcas e estendendo-se até a manifestação visível, na plenitude dos tempos, na pessoa e obra do Messias, o Cristo, Deus bendito para sempre. Somos povo de Deus, que conhece as promessas de Deus, que se cumpriram. Sem dúvida, temos fascínio e entusiasmo pela mensagem da redenção em Cristo. Apesar disso, muitos são os que se afastam, abandonando e até mesmo rejeitando essa fé. Não poucos pastores, pais e amigos ecoam hoje o sentimento do apóstolo: Eu mesmo desejaria ser anátema, ser separado de Cristo por amor de meus irmãos, minha filha, meu amigo . Mt 14.22-33 A única criatura que pode andar sobre as águas é a aranha aquática. O ser humano não pode. Jesus pode. O milagre é fenomenal. Jesus não apenas pode andar sobre as águas, como as ondas se encrespam ao seu andar. Este é um milagre composto de dois atos, cada um de seis
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versículos: um centrado em Jesus (v. 22-27), o outro centrado na dicotômica espiritualidade de Pedro (v. 28-33). O texto é um retrato de Cristo e sua igreja. No primeiro ato, Cristo aborda a sua aflita e perturbada igreja e lhe diz: Tende bom ânimo! Sou eu! Não temais! . No segundo ato, um confiante discípulo e um poderoso Senhor fazem o impossível: dominam os elementos e, por um breve instante, dão à igreja um vislumbre das suas possibilidades não-terrenas sobre a terra. Mas, na segunda cena do segundo ato, o confiante torna-se desconfiante, afunda e se exaspera. Só lhe resta clamar ao Senhor. A salvação vem das mãos estendidas de Jesus. O Deus que cria é o mesmo Deus que tem controle sobre a natureza criada. O centro absoluto desse episódio é a palavra de Jesus Sou eu! . Nesse milagre, essas palavras de Jesus são o centro exato da narrativa. A expressão de identificação de Jesus Sou eu! liga os dois atos, ou seja, Ele é a conexão entre Deus e igreja no mundo.
maior do que a fé (cf. o evangelho). O que fazer? O que faz o pastor quando isso lhe acontece no ministério? O que faz o congregado cristão quando enfrenta situações similares de perigo para si e para sua fé? Elias foge, mas foge para um refúgio seguro. Horebe é o monte de Deus . É lá que tudo começou. Elias precisa de ajuda e vai à fonte certa. Foi ali que as coisas aconteceram para o grande líder Moisés. Para Elias, Moisés é o arquétipo do sucesso da missão de Deus. Ao chegar no Horebe, Elias vai à caverna (com artigo definido), o que estabelece a conexão com o aparecimento de Deus a Moisés, descrito em Êx 33.3 ss. Ali lhe vem a palavra do Senhor: Que fazes aqui, Elias? . Quando Deus pergunta, Ele não espera resposta. Deus sabe, conhece. Foi assim desde o começo (Gn 3.9; 4.6, 9,10). O objetivo é levar o ser humano à análise e reflexão. Que sentido tem um profeta no deserto? Na caverna? É ali o seu lugar? v. 10: A reação de Elias à palavra de Deus é de autopiedade. Tem pena de si mesmo. Tenho sido zeloso , diz Elias. Fiz tudo o que pude ; Tenho sido fiel ; Escrevo os melhores sermões mas ninguém reconhece... O zelo de Elias relembra o zelo de Finéias em Nm 25.11, pondo fim à prostituição dos filhos de Israel com as filhas de Moabe. Mas o zelo de Finéias estava em harmonia com o zelo de Deus (v. 13). Enquanto Finéias recebera a promessa de um sacerdócio permanente por seu zelo, Elias vira muito pouco fruto no seu zelo contra os adoradores de Baal, que até mesmo procuravam tirar-lhe a vida. O fato é que Elias se sente só e sua autopiedade o cega, impedindo-o de lembrar-se até do mordomo de Acabe, Obadias, e seu zelo para com os cem profetas do Senhor (18.3 ss.). v. 11-12: Embora Elias se compare aos grandes homens de Deus (e tal fato não precisa ser negado), a sua missão é diferente da de Finéias ou Moisés. A substância e o estilo são parecidos, mas as circunstâncias históricas são diferentes e o motivo dos servos de Deus é outro. No caso de Moisés, foi seu ardente e descomprometido amor para com o bem-estar do povo. O apóstolo Paulo está pronto a sujeitar-se à separação de Cristo para o bem-estar espiritual de Israel. Mas Elias quer ver resultados de seu próprio trabalho. Quer ver conversões em massa. Quer ver números. Estatística é o que importa? Mas a estatística de Deus é muito diferente da estatística dos homens. O verdadeiro Israel não é visto pelos olhos; a igreja de Deus é invisível. No Sinai, no tempo de Moisés, Deus estabelecera a aliança com seu povo e o momento foi marcado pelo testemunho de fenômenos naturais. Biblicamente, o vento, o terremoto e o fogo (cf. 2Sm 15.1) são anúncios da aproximação da teofania (Êx 19.16, 18; Sl 18.7-15). Foram um dramático prelúdio para o cicio tranqüilo e suave um silêncio tão intenso que poderia ser ouvido. v. 13: Assim como Moisés cobrira seu rosto por temer olhar para Deus
2 1 Rs 19.9-13a: Contexto e texto Este capítulo narra mais um ciclo dos encontros e desencontros do profeta Elias com o frágil rei Acabe e a despótica esposa desse, Jezabel. O contexto inicia no capítulo 18 com o confronto entre o profeta e os líderes políticos de Israel na questão do culto a Baal. A grande dieta acontece no monte Carmelo, uma cadeia de montanhas que se estende de leste a oeste por cerca de 32 km, beirando o vale de Jezreel e terminando num promontório, com larga vista para o mar Mediterrâneo. A assistência é variada, envolvendo todo o Israel , os 450 profetas de Baal e os 400 profetas do posteídolo [a deusa Asherah], que comem da mesa de Jezabel (18.19). A narrativa, repleta de ironia e cinismo, culmina com a manifestação epifânica de que o Senhor é o Deus . O culto é restaurado e os profetas ateus são aniquilados, no cumprimento de Dt 13.12-18 e 20.12-13. O episódio, vivenciado por Acabe, tem conseqüências para Elias. O profeta não teme o rei; mas teme a rainha. Foge dela e vai para Berseba, cerca de 500 km ao sul, dali para o deserto e, então, mais 40 dias e noites até chegar a Horebe, o monte de Deus (v. 8). Nosso texto é a seqüência desse episódio.
3 Texto v. 9: O estado emocional, físico e espiritual de Elias é comovente. Não soube conviver com a vitória no monte Carmelo. O profeta-herói entra em depressão. Pensamentos negativos sobre todo o episódio o abatem. A idéia da perseguição o amedronta. A ameaça de morte o apavora. A onda parece
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versículos: um centrado em Jesus (v. 22-27), o outro centrado na dicotômica espiritualidade de Pedro (v. 28-33). O texto é um retrato de Cristo e sua igreja. No primeiro ato, Cristo aborda a sua aflita e perturbada igreja e lhe diz: Tende bom ânimo! Sou eu! Não temais! . No segundo ato, um confiante discípulo e um poderoso Senhor fazem o impossível: dominam os elementos e, por um breve instante, dão à igreja um vislumbre das suas possibilidades não-terrenas sobre a terra. Mas, na segunda cena do segundo ato, o confiante torna-se desconfiante, afunda e se exaspera. Só lhe resta clamar ao Senhor. A salvação vem das mãos estendidas de Jesus. O Deus que cria é o mesmo Deus que tem controle sobre a natureza criada. O centro absoluto desse episódio é a palavra de Jesus Sou eu! . Nesse milagre, essas palavras de Jesus são o centro exato da narrativa. A expressão de identificação de Jesus Sou eu! liga os dois atos, ou seja, Ele é a conexão entre Deus e igreja no mundo.
maior do que a fé (cf. o evangelho). O que fazer? O que faz o pastor quando isso lhe acontece no ministério? O que faz o congregado cristão quando enfrenta situações similares de perigo para si e para sua fé? Elias foge, mas foge para um refúgio seguro. Horebe é o monte de Deus . É lá que tudo começou. Elias precisa de ajuda e vai à fonte certa. Foi ali que as coisas aconteceram para o grande líder Moisés. Para Elias, Moisés é o arquétipo do sucesso da missão de Deus. Ao chegar no Horebe, Elias vai à caverna (com artigo definido), o que estabelece a conexão com o aparecimento de Deus a Moisés, descrito em Êx 33.3 ss. Ali lhe vem a palavra do Senhor: Que fazes aqui, Elias? . Quando Deus pergunta, Ele não espera resposta. Deus sabe, conhece. Foi assim desde o começo (Gn 3.9; 4.6, 9,10). O objetivo é levar o ser humano à análise e reflexão. Que sentido tem um profeta no deserto? Na caverna? É ali o seu lugar? v. 10: A reação de Elias à palavra de Deus é de autopiedade. Tem pena de si mesmo. Tenho sido zeloso , diz Elias. Fiz tudo o que pude ; Tenho sido fiel ; Escrevo os melhores sermões mas ninguém reconhece... O zelo de Elias relembra o zelo de Finéias em Nm 25.11, pondo fim à prostituição dos filhos de Israel com as filhas de Moabe. Mas o zelo de Finéias estava em harmonia com o zelo de Deus (v. 13). Enquanto Finéias recebera a promessa de um sacerdócio permanente por seu zelo, Elias vira muito pouco fruto no seu zelo contra os adoradores de Baal, que até mesmo procuravam tirar-lhe a vida. O fato é que Elias se sente só e sua autopiedade o cega, impedindo-o de lembrar-se até do mordomo de Acabe, Obadias, e seu zelo para com os cem profetas do Senhor (18.3 ss.). v. 11-12: Embora Elias se compare aos grandes homens de Deus (e tal fato não precisa ser negado), a sua missão é diferente da de Finéias ou Moisés. A substância e o estilo são parecidos, mas as circunstâncias históricas são diferentes e o motivo dos servos de Deus é outro. No caso de Moisés, foi seu ardente e descomprometido amor para com o bem-estar do povo. O apóstolo Paulo está pronto a sujeitar-se à separação de Cristo para o bem-estar espiritual de Israel. Mas Elias quer ver resultados de seu próprio trabalho. Quer ver conversões em massa. Quer ver números. Estatística é o que importa? Mas a estatística de Deus é muito diferente da estatística dos homens. O verdadeiro Israel não é visto pelos olhos; a igreja de Deus é invisível. No Sinai, no tempo de Moisés, Deus estabelecera a aliança com seu povo e o momento foi marcado pelo testemunho de fenômenos naturais. Biblicamente, o vento, o terremoto e o fogo (cf. 2Sm 15.1) são anúncios da aproximação da teofania (Êx 19.16, 18; Sl 18.7-15). Foram um dramático prelúdio para o cicio tranqüilo e suave um silêncio tão intenso que poderia ser ouvido. v. 13: Assim como Moisés cobrira seu rosto por temer olhar para Deus
2 1 Rs 19.9-13a: Contexto e texto Este capítulo narra mais um ciclo dos encontros e desencontros do profeta Elias com o frágil rei Acabe e a despótica esposa desse, Jezabel. O contexto inicia no capítulo 18 com o confronto entre o profeta e os líderes políticos de Israel na questão do culto a Baal. A grande dieta acontece no monte Carmelo, uma cadeia de montanhas que se estende de leste a oeste por cerca de 32 km, beirando o vale de Jezreel e terminando num promontório, com larga vista para o mar Mediterrâneo. A assistência é variada, envolvendo todo o Israel , os 450 profetas de Baal e os 400 profetas do posteídolo [a deusa Asherah], que comem da mesa de Jezabel (18.19). A narrativa, repleta de ironia e cinismo, culmina com a manifestação epifânica de que o Senhor é o Deus . O culto é restaurado e os profetas ateus são aniquilados, no cumprimento de Dt 13.12-18 e 20.12-13. O episódio, vivenciado por Acabe, tem conseqüências para Elias. O profeta não teme o rei; mas teme a rainha. Foge dela e vai para Berseba, cerca de 500 km ao sul, dali para o deserto e, então, mais 40 dias e noites até chegar a Horebe, o monte de Deus (v. 8). Nosso texto é a seqüência desse episódio.
3 Texto v. 9: O estado emocional, físico e espiritual de Elias é comovente. Não soube conviver com a vitória no monte Carmelo. O profeta-herói entra em depressão. Pensamentos negativos sobre todo o episódio o abatem. A idéia da perseguição o amedronta. A ameaça de morte o apavora. A onda parece
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na sarça ardente (Êx 3.6), e como fizeram os serafins em Is 6, da mesma forma Elias envolve o rosto no seu manto. A presença do Santo amedronta o ser humano. Mas quando Deus chama, é porque Ele se humaniza, torna-se como um de nós e nos aceita como nós somos. Elias não precisa cobrir o rosto para sair da caverna para ver Deus.
4 Sugestões homiléticas a) A grandeza da tarefa e a responsabilidade exigida em relação a ela podem levar o líder do povo de Deus a um sentimento de impotência e fracasso. Quem dos servos de Deus não se identifica, vez por outra, com Elias, procurando por refúgio, fugindo de ameaças e perigos? A exaustão física, a solidão e o sentimento de fracasso atingem níveis maiores quando agregados à experiência de culpa por fugir da missão de Deus. b) Na tarefa da sua missão no mundo por parte dos seus filhos, Deus não os isenta do confronto com toda sorte de situações, inclusive ameaças e desafios. Jesus envia seus discípulos sozinhos ao mar, mas não impede que se defrontem com ameaças e perigos. A igreja, pastores, líderes e leigos cristãos nunca estão longe da aflição, da turbulência e eventual perseguição. Se for necessário ir em busca de ajuda, que vamos à fonte correta onde Deus está. c) Tempestade, terremotos, fogo são fenômenos da natureza que estão no controle de Deus. O Criador é maior do que a criatura. Embora pudesse aniquilar os inimigos e pulverizar o seu poderio, Deus permite que eles persigam os cristãos e criem obstáculos à marcha do evangelho. Muitas vezes, somos tentados a aplicar métodos enérgicos no trabalho das congregações, no que somos secundados, não raramente, por membros bem-intencionados que, a seu modo, dizem: só com boas maneiras não se consegue muito; o povo deve ser obrigado a sujeitar-se, deve sentir mão forte, caso contrário, o trabalho não terá êxito. Se for assim, estaremos dando ao evangelho muletas de lei. d) Deus quer falar pelo cicio tranqüilo e suave. Esta voz se ouviu através do Antigo Testamento. Era a voz da promessa da vinda de Jesus Cristo. Nesta promessa, o povo de Deus se alegrou, vivendo na esperança da sua redenção em Cristo. O cicio tranqüilo e suave apontava para aquele que é maior do que Elias . Sobre ele o Deus trovejou a sua ira para que nós, livres dela, pudéssemos recorrer ao abraço de Cristo, que diz: Tem bom ânimo! Sou eu! Não temas! . Com estas palavras os fantasmas que imaginamos desaparecem, Deus é real e está presente. Em Cristo Deus nos estende a sua mão e nos revela o seu bondoso rosto.
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Bibliografia COGAN, Mordecai. 1 Kings: A New Translation with Introduction and Commentary. In: The Anchor Bible. New York: Doubleday, 2001. HUMMEL, Horace D. The Word Becoming Flesh: an Introduction to the Origin, Purpose, and Meaning of the Old Testament. St. Louis: Concordia, 1979. KEIL, C. F. e DELITZSCH, F. Biblical Commentary on the Old Testament: the Books of the Kings. Grand Rapids, MI: Wm B. Eerdmans Publishing Company, 1950. RICE, Gene. Nations Under God: A Commentary on the Book of 1 Kings. Grand Rapids, MI: Wm B. Eerdmans Publishing Company, 1990.
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na sarça ardente (Êx 3.6), e como fizeram os serafins em Is 6, da mesma forma Elias envolve o rosto no seu manto. A presença do Santo amedronta o ser humano. Mas quando Deus chama, é porque Ele se humaniza, torna-se como um de nós e nos aceita como nós somos. Elias não precisa cobrir o rosto para sair da caverna para ver Deus.
4 Sugestões homiléticas a) A grandeza da tarefa e a responsabilidade exigida em relação a ela podem levar o líder do povo de Deus a um sentimento de impotência e fracasso. Quem dos servos de Deus não se identifica, vez por outra, com Elias, procurando por refúgio, fugindo de ameaças e perigos? A exaustão física, a solidão e o sentimento de fracasso atingem níveis maiores quando agregados à experiência de culpa por fugir da missão de Deus. b) Na tarefa da sua missão no mundo por parte dos seus filhos, Deus não os isenta do confronto com toda sorte de situações, inclusive ameaças e desafios. Jesus envia seus discípulos sozinhos ao mar, mas não impede que se defrontem com ameaças e perigos. A igreja, pastores, líderes e leigos cristãos nunca estão longe da aflição, da turbulência e eventual perseguição. Se for necessário ir em busca de ajuda, que vamos à fonte correta onde Deus está. c) Tempestade, terremotos, fogo são fenômenos da natureza que estão no controle de Deus. O Criador é maior do que a criatura. Embora pudesse aniquilar os inimigos e pulverizar o seu poderio, Deus permite que eles persigam os cristãos e criem obstáculos à marcha do evangelho. Muitas vezes, somos tentados a aplicar métodos enérgicos no trabalho das congregações, no que somos secundados, não raramente, por membros bem-intencionados que, a seu modo, dizem: só com boas maneiras não se consegue muito; o povo deve ser obrigado a sujeitar-se, deve sentir mão forte, caso contrário, o trabalho não terá êxito. Se for assim, estaremos dando ao evangelho muletas de lei. d) Deus quer falar pelo cicio tranqüilo e suave. Esta voz se ouviu através do Antigo Testamento. Era a voz da promessa da vinda de Jesus Cristo. Nesta promessa, o povo de Deus se alegrou, vivendo na esperança da sua redenção em Cristo. O cicio tranqüilo e suave apontava para aquele que é maior do que Elias . Sobre ele o Deus trovejou a sua ira para que nós, livres dela, pudéssemos recorrer ao abraço de Cristo, que diz: Tem bom ânimo! Sou eu! Não temas! . Com estas palavras os fantasmas que imaginamos desaparecem, Deus é real e está presente. Em Cristo Deus nos estende a sua mão e nos revela o seu bondoso rosto.
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Bibliografia COGAN, Mordecai. 1 Kings: A New Translation with Introduction and Commentary. In: The Anchor Bible. New York: Doubleday, 2001. HUMMEL, Horace D. The Word Becoming Flesh: an Introduction to the Origin, Purpose, and Meaning of the Old Testament. St. Louis: Concordia, 1979. KEIL, C. F. e DELITZSCH, F. Biblical Commentary on the Old Testament: the Books of the Kings. Grand Rapids, MI: Wm B. Eerdmans Publishing Company, 1950. RICE, Gene. Nations Under God: A Commentary on the Book of 1 Kings. Grand Rapids, MI: Wm B. Eerdmans Publishing Company, 1990.
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13 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
14 ago 2005
MATEUS 15.21-28 ROMANOS 11.13-15,29-32
PRÉDICA: ISAÍAS 56.1,6-8 Antonio C. Ribeiro
1 Introdução O homem com testículos esmagados ou com o membro viril cortado não poderá entrar na assembléia de Iahweh. Nenhum bastardo entrará na assembléia de Iahweh. (Dt 23.2-3) Aos eunucos... eu lhes darei em minha casa e em meus muros mão e nome... os filhos do estrangeiros aderidos a Iahweh para seu ministério... eu os levarei à minha montanha santa, e os alegrarei em minha casa de oração. (Is 56.4-7) O texto para esse domingo toca num problema antigo e atual: a discriminação, especialmente a que se baseia na origem étnica, na cultura e na condição social de grupos humanos que vivem no mesmo espaço dos que se sentem especiais. O problema é de tal ordem incômodo, que cria dificuldades até para sua abordagem. Ao que parece, qualquer aproximação implica um posicionamento e qualquer posicionamento exige radicalidade, seja com os interesses étnicos, culturais e sociais a que estamos ligados, seja com uma postura politicamente correta, à qual, mesmo quando não abraçamos, não queremos confrontar. Numa palavra: ou isso se compõe daquele substrato mental que só se expressa de forma reservada e em tom pejorativo ou no discurso no qual podemos escolher milimetricamente as palavras que possam nos livrar do limbo discricionário, cada vez mais reduzido em ambientes cultos, para simular uma postura básica , como dizem os comentaristas de moda, situando-nos no bloco de gente com perspectiva social, maturidade política, profundidade de análise e razão. Mas então surge o desafiador rosto do outro, como lembra Levinas, que, quanto mais marcado pelo sofrimento, mais nos interpela. Rosto vincado pelos muitos desgastes, da vida no campo e na cidade, das atrocidades (as criminosas, as que resultam de acidentes, os erros médicos e as decisões
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políticas e judiciais). E, o que mais choca nos jornais e revistas, o rosto da vítima. Então, mesmo decididos a não olhar, acabamos encontrando o seu olhar pela praça (os que ainda as freqüentam), pelas vidraças, através das grades ou protegidos num ambiente ao qual poucos têm acesso. Nossa tranqüilidade só é rompida ao lembrar da fronte ensangüentada ferida pela dor, do hino 53 (HPD 1). É Pentecoste. Por essa força que provoca nas igrejas de hoje o mesmo rebuliço do Novo Testamento, a mesma que levou a mulher cananéia a clamar pela filha doente, lutar para conseguir a atenção e, finalmente, ensinar o amor de Deus a Jesus de Nazaré (Mt 15.21-28). Ou a levantar Paulo para ministrar aos gentios, resgatar-lhes a dignidade e integrá-los à comunhão do povo de Deus, o que feria o orgulho dos judeus. Esses relatos bíblicos colocam para nosso tempo a pergunta: que pistas o evangelho ensina para superar a discriminação (étnica, cultural e social)?
2 Contexto e ambiente O Trito-Isaías (TtIs) teria atuado em Jerusalém depois de 538 a.C., provavelmente antes da reconstrução do templo, entre 520-515 a.C. Ele parece se compreender como discípulo do Deutero-Isaías (DtIs), procurando até retomar sua mensagem de salvação e renovação nas circunstâncias alteradas de sua nova situação. O texto descreve as leis da comunidade ou um programa para a comunidade, confrontando o texto da epígrafe (Is 56.1,6-8) com as regras de Dt 23, junto a um povo crente e marcado pela miséria econômica de sua época. O estado de espírito parece também ter importância, já que a promessa do DtIs não se cumpriu. Junto a essa gente que retornou à sua terra, encontrando-a destruída, o TtIs tenta animar essa gente cansada e sem perspectivas, proclamando sua esperança na glorificação de Sião. A mensagem do TtIs é uma grande moldura para o anúncio profético, que pode ser sintetizado nesse texto (56.1-8) e encontra sua perspectiva mais apocalíptica na ampliação da comunidade para além dos limites da era pré-exílica.
3 Análise do texto Os capítulos de Is 56-66 formam um complexo literário independente, afirma Schmidt, deixando a controvérsia se o texto é realmente uma unidade ou apenas uma composição de pequenas coleções de palavras de épocas diferentes. As profecias dos capítulos 60-62, o núcleo do livro, devem ser atribuídas a um profeta do pós-exílio, já no período persa.
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PRÉDICA: ISAÍAS 56.1,6-8 Antonio C. Ribeiro
1 Introdução O homem com testículos esmagados ou com o membro viril cortado não poderá entrar na assembléia de Iahweh. Nenhum bastardo entrará na assembléia de Iahweh. (Dt 23.2-3) Aos eunucos... eu lhes darei em minha casa e em meus muros mão e nome... os filhos do estrangeiros aderidos a Iahweh para seu ministério... eu os levarei à minha montanha santa, e os alegrarei em minha casa de oração. (Is 56.4-7) O texto para esse domingo toca num problema antigo e atual: a discriminação, especialmente a que se baseia na origem étnica, na cultura e na condição social de grupos humanos que vivem no mesmo espaço dos que se sentem especiais. O problema é de tal ordem incômodo, que cria dificuldades até para sua abordagem. Ao que parece, qualquer aproximação implica um posicionamento e qualquer posicionamento exige radicalidade, seja com os interesses étnicos, culturais e sociais a que estamos ligados, seja com uma postura politicamente correta, à qual, mesmo quando não abraçamos, não queremos confrontar. Numa palavra: ou isso se compõe daquele substrato mental que só se expressa de forma reservada e em tom pejorativo ou no discurso no qual podemos escolher milimetricamente as palavras que possam nos livrar do limbo discricionário, cada vez mais reduzido em ambientes cultos, para simular uma postura básica , como dizem os comentaristas de moda, situando-nos no bloco de gente com perspectiva social, maturidade política, profundidade de análise e razão. Mas então surge o desafiador rosto do outro, como lembra Levinas, que, quanto mais marcado pelo sofrimento, mais nos interpela. Rosto vincado pelos muitos desgastes, da vida no campo e na cidade, das atrocidades (as criminosas, as que resultam de acidentes, os erros médicos e as decisões
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políticas e judiciais). E, o que mais choca nos jornais e revistas, o rosto da vítima. Então, mesmo decididos a não olhar, acabamos encontrando o seu olhar pela praça (os que ainda as freqüentam), pelas vidraças, através das grades ou protegidos num ambiente ao qual poucos têm acesso. Nossa tranqüilidade só é rompida ao lembrar da fronte ensangüentada ferida pela dor, do hino 53 (HPD 1). É Pentecoste. Por essa força que provoca nas igrejas de hoje o mesmo rebuliço do Novo Testamento, a mesma que levou a mulher cananéia a clamar pela filha doente, lutar para conseguir a atenção e, finalmente, ensinar o amor de Deus a Jesus de Nazaré (Mt 15.21-28). Ou a levantar Paulo para ministrar aos gentios, resgatar-lhes a dignidade e integrá-los à comunhão do povo de Deus, o que feria o orgulho dos judeus. Esses relatos bíblicos colocam para nosso tempo a pergunta: que pistas o evangelho ensina para superar a discriminação (étnica, cultural e social)?
2 Contexto e ambiente O Trito-Isaías (TtIs) teria atuado em Jerusalém depois de 538 a.C., provavelmente antes da reconstrução do templo, entre 520-515 a.C. Ele parece se compreender como discípulo do Deutero-Isaías (DtIs), procurando até retomar sua mensagem de salvação e renovação nas circunstâncias alteradas de sua nova situação. O texto descreve as leis da comunidade ou um programa para a comunidade, confrontando o texto da epígrafe (Is 56.1,6-8) com as regras de Dt 23, junto a um povo crente e marcado pela miséria econômica de sua época. O estado de espírito parece também ter importância, já que a promessa do DtIs não se cumpriu. Junto a essa gente que retornou à sua terra, encontrando-a destruída, o TtIs tenta animar essa gente cansada e sem perspectivas, proclamando sua esperança na glorificação de Sião. A mensagem do TtIs é uma grande moldura para o anúncio profético, que pode ser sintetizado nesse texto (56.1-8) e encontra sua perspectiva mais apocalíptica na ampliação da comunidade para além dos limites da era pré-exílica.
3 Análise do texto Os capítulos de Is 56-66 formam um complexo literário independente, afirma Schmidt, deixando a controvérsia se o texto é realmente uma unidade ou apenas uma composição de pequenas coleções de palavras de épocas diferentes. As profecias dos capítulos 60-62, o núcleo do livro, devem ser atribuídas a um profeta do pós-exílio, já no período persa.
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O v. 1 expressa três idéias fundamentais: um convite expresso para cumprir o programa de Iahweh, a promessa de Iahweh a dois grupos sociais marginalizados (eunucos e estrangeiros), inclusive e sobretudo do ponto de vista religioso, e um oráculo de Iahweh que desautoriza o ensino da lei, substituindo-o por uma prática justa. As palavras que inicialmente saltam aos olhos da palavra de Iahweh são direito (mishpât), justiça (sedâqâ), salvação (yeshû âtî) e libertação (sidqâtî). Dessas premissas vão resultar conclusões claras em relação à prática da discriminação étnica, social e religiosa de seu tempo, notadamente em relação à condição dos eunucos e estrangeiros, contra a qual o oráculo final é definitivo ao assegurar uma condição de dignidade. O v. 1 traz uma orientação clara a partir de sua própria estrutura literária: Guardai o direito e fazei a justiça, porque está próxima a minha salvação de chegar e a minha libertação de revelar-se. Os verbos revelam ação ao lado dos substantivos já mencionados no parágrafo anterior. É uma proposta para a comunidade colocar-se em condições de receber essa graça. O profeta enfatiza que o projeto de salvação/libertação presente na intervenção divina está próximo, mas Iahweh precisa de espaço para realizá-lo. Essa advertência, própria do TtIs, é diferente do DtIs, e assinala que é o próprio Iahweh quem vem e está por manifestar-se. A ênfase não condiciona a vinda, mas insiste que a comunidade se prepare no seu aspecto ético-social de forma a permitir que Iahweh se manifeste. O uso da palavra mishpât (direito) no singular indica, segundo Croatto, não uma exortação para guardar as leis, mas para realizar a ordem divina na prática social, como indica o verso Guarda o amor e o direito e espera sempre em teu Deus (Os 12.7). Apesar de os v. 2-5 não fazerem parte da perícope, eles elogiam os seres humanos que seguem essa orientação (v. 2) e trazem o consolo aos estrangeiros, aderidos a Iahweh , que se sentem excluídos (v. 3), e aos eunucos, que se autodefinem como árvore seca (v. 4), prometendo-lhes mão e nome em minha casa e em meus muros, melhor do que filhos e filhas... nome eterno, que não será cortado . O léxico distingue os estrangeiros (nokrîm) dos estrangeiros residentes num determinado país (gerîm), como eram os patriarcas nas migrações pelas terras dos cananeus. Os residentes na terra de Israel tinham certos direitos que os nativos não tinham, mas os estrangeiros não podiam celebrar a páscoa, a não ser que se deixassem circuncidar. A adesão a Iahweh deveria ser suficiente para quebrar as normas de exclusão, costumes e preconceitos, geralmente mais fortes do que o amor. A suspeita é que esses estrangeiros tenham sido judeus nascidos no estrangeiro e por isso tidos em menor consideração pelos de dentro , por razões religiosas ou culturais. Talvez pudessem ser comparados aos samareus ou samaritanos, mas eram judeus que regressaram de outras nações, que se mantiveram fiéis a
Iahweh ou que voltaram a ele. A outra forma de exclusão era a sentida pelos eunucos. O texto de Dt 23.2 mostra o modo de discriminação praticada contra os portadores de deficiências genitais, que por sua incidência se transformava em cultural. Etimologicamente, a expressão refere-se a um ofício de palácio. O oráculo traz a promessa destinada aos eunucos, que: 1. guardam os sábados, 2. optam pelo que lhe é agradável e 3. mantêm-se firmes em sua aliança. No entanto, essa promessa aos eunucos refere-se exclusivamente ao templo e à cidade. Fora desses espaços, eles voltam a sofrer a mesma discriminação, permanecendo marginalizados e desprotegidos. A promessa de mão e nome feita aos eunucos está associada ao relato da morte de Absalão, segundo o qual Absalão decidiu construir um monolito que está no Vale dos Reis, e por não ter filhos para recordar seu nome, chamou-a de a mão de Absalão (2Sm 18.18). O fato de ser eunuco (castrado), oriundo dos lugares da diáspora, trazia consigo outra marca de exclusão, segundo as regras da tradição interna: ter servido a reis de outras nações, com todos os condicionamentos sociais, culturais e religiosos que isto implicava. A promessa de Iahweh de levá-los à sua casa, muros, montanha e casa de oração (v. 7) tirará a importância de marcas como a castração ou o fato de ter estado a serviço de reis do império, ou ainda o de haver nascido em países estrangeiros e ter assimilado seus costumes. Esse oráculo chama-a de casa de oração para todos os povos e dá a esses excluídos a inclusão plena no culto. O TtIs desce aos problemas concretos, resultantes do retorno da gente da diáspora. O desfecho desse programa para a comunidade acontece por meio do oráculo (v. 8), que inclui o título Senhor ao nome de Iahweh. A expressão é significativa por causa de suas conotações sociais, políticas e religiosas, marcando o domínio de quem fala, por falar contra normas e práticas que são interpretadas como emanadas dele mesmo. Nessa condição, Senhor Iahweh rompe com as tradições de exclusão de pessoas e tem força para reunir os dispersos de Israel. A partir da diáspora, esse título de Iahweh se converte em anúncio de libertação.
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4 Meditação: Transformando a riqueza em pobreza A lista de discriminações é extensa. O seu volume corresponde à insegurança, disfarçada de prepotência e arrogância, de quem precisa ser superior, melhor ou acima dos demais. Apesar de o comportamento denotar uma patologia, seria também errado discriminar quem se comporta assim, para não continuar alimentando um ciclo interminável de afirmações egóicas.
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O v. 1 expressa três idéias fundamentais: um convite expresso para cumprir o programa de Iahweh, a promessa de Iahweh a dois grupos sociais marginalizados (eunucos e estrangeiros), inclusive e sobretudo do ponto de vista religioso, e um oráculo de Iahweh que desautoriza o ensino da lei, substituindo-o por uma prática justa. As palavras que inicialmente saltam aos olhos da palavra de Iahweh são direito (mishpât), justiça (sedâqâ), salvação (yeshû âtî) e libertação (sidqâtî). Dessas premissas vão resultar conclusões claras em relação à prática da discriminação étnica, social e religiosa de seu tempo, notadamente em relação à condição dos eunucos e estrangeiros, contra a qual o oráculo final é definitivo ao assegurar uma condição de dignidade. O v. 1 traz uma orientação clara a partir de sua própria estrutura literária: Guardai o direito e fazei a justiça, porque está próxima a minha salvação de chegar e a minha libertação de revelar-se. Os verbos revelam ação ao lado dos substantivos já mencionados no parágrafo anterior. É uma proposta para a comunidade colocar-se em condições de receber essa graça. O profeta enfatiza que o projeto de salvação/libertação presente na intervenção divina está próximo, mas Iahweh precisa de espaço para realizá-lo. Essa advertência, própria do TtIs, é diferente do DtIs, e assinala que é o próprio Iahweh quem vem e está por manifestar-se. A ênfase não condiciona a vinda, mas insiste que a comunidade se prepare no seu aspecto ético-social de forma a permitir que Iahweh se manifeste. O uso da palavra mishpât (direito) no singular indica, segundo Croatto, não uma exortação para guardar as leis, mas para realizar a ordem divina na prática social, como indica o verso Guarda o amor e o direito e espera sempre em teu Deus (Os 12.7). Apesar de os v. 2-5 não fazerem parte da perícope, eles elogiam os seres humanos que seguem essa orientação (v. 2) e trazem o consolo aos estrangeiros, aderidos a Iahweh , que se sentem excluídos (v. 3), e aos eunucos, que se autodefinem como árvore seca (v. 4), prometendo-lhes mão e nome em minha casa e em meus muros, melhor do que filhos e filhas... nome eterno, que não será cortado . O léxico distingue os estrangeiros (nokrîm) dos estrangeiros residentes num determinado país (gerîm), como eram os patriarcas nas migrações pelas terras dos cananeus. Os residentes na terra de Israel tinham certos direitos que os nativos não tinham, mas os estrangeiros não podiam celebrar a páscoa, a não ser que se deixassem circuncidar. A adesão a Iahweh deveria ser suficiente para quebrar as normas de exclusão, costumes e preconceitos, geralmente mais fortes do que o amor. A suspeita é que esses estrangeiros tenham sido judeus nascidos no estrangeiro e por isso tidos em menor consideração pelos de dentro , por razões religiosas ou culturais. Talvez pudessem ser comparados aos samareus ou samaritanos, mas eram judeus que regressaram de outras nações, que se mantiveram fiéis a
Iahweh ou que voltaram a ele. A outra forma de exclusão era a sentida pelos eunucos. O texto de Dt 23.2 mostra o modo de discriminação praticada contra os portadores de deficiências genitais, que por sua incidência se transformava em cultural. Etimologicamente, a expressão refere-se a um ofício de palácio. O oráculo traz a promessa destinada aos eunucos, que: 1. guardam os sábados, 2. optam pelo que lhe é agradável e 3. mantêm-se firmes em sua aliança. No entanto, essa promessa aos eunucos refere-se exclusivamente ao templo e à cidade. Fora desses espaços, eles voltam a sofrer a mesma discriminação, permanecendo marginalizados e desprotegidos. A promessa de mão e nome feita aos eunucos está associada ao relato da morte de Absalão, segundo o qual Absalão decidiu construir um monolito que está no Vale dos Reis, e por não ter filhos para recordar seu nome, chamou-a de a mão de Absalão (2Sm 18.18). O fato de ser eunuco (castrado), oriundo dos lugares da diáspora, trazia consigo outra marca de exclusão, segundo as regras da tradição interna: ter servido a reis de outras nações, com todos os condicionamentos sociais, culturais e religiosos que isto implicava. A promessa de Iahweh de levá-los à sua casa, muros, montanha e casa de oração (v. 7) tirará a importância de marcas como a castração ou o fato de ter estado a serviço de reis do império, ou ainda o de haver nascido em países estrangeiros e ter assimilado seus costumes. Esse oráculo chama-a de casa de oração para todos os povos e dá a esses excluídos a inclusão plena no culto. O TtIs desce aos problemas concretos, resultantes do retorno da gente da diáspora. O desfecho desse programa para a comunidade acontece por meio do oráculo (v. 8), que inclui o título Senhor ao nome de Iahweh. A expressão é significativa por causa de suas conotações sociais, políticas e religiosas, marcando o domínio de quem fala, por falar contra normas e práticas que são interpretadas como emanadas dele mesmo. Nessa condição, Senhor Iahweh rompe com as tradições de exclusão de pessoas e tem força para reunir os dispersos de Israel. A partir da diáspora, esse título de Iahweh se converte em anúncio de libertação.
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4 Meditação: Transformando a riqueza em pobreza A lista de discriminações é extensa. O seu volume corresponde à insegurança, disfarçada de prepotência e arrogância, de quem precisa ser superior, melhor ou acima dos demais. Apesar de o comportamento denotar uma patologia, seria também errado discriminar quem se comporta assim, para não continuar alimentando um ciclo interminável de afirmações egóicas.
1 3O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Se o texto fosse dos nossos dias, haveria a lista e ela seria tão longa quanto absurda. Entrariam os motivos de cor da pele, condição social, gênero, orientação sexual e da própria sexualidade. A dificuldade de identificarse ou a necessidade de afirmar-se sobre membros de determinados grupos humanos mostra como a xenofobia nos afeta e como constitui uma das expressões dos países ricos ou de grupos racistas, sexistas e elitistas. As acusações naquele tempo tinham conotações religiosas, sociais, culturais e econômicas. A falta de pudor era a mesma quando aplicada à mesma família étnica, especialmente aos que eram vistos como contaminados pelo contato com outras culturas, tornando o preconceito ainda pior. Essa prática, exercida durante décadas, especialmente nalgumas épocas, entre membros das igrejas cristãs tem provocado muita dor, sofrimento e inquietação entre os que praticam e os que sofrem discriminação. Entre os que sofrem estão os que reagem, produzindo os traumas resultantes da busca, tão intensa quanto vã, por um espaço num grupo social. Como as instituições têm componentes de discriminação racial e cultural já em sua constituição, isto atrai reações, rotulagem e, por vezes, um irrecuperável desgaste para as instituições. A incapacidade, pela sua própria condição, de lidar com essa situação implica desgastes especialmente grandes para mudar uma imagem. Mas de longe a situação mais inquietante aparece no contato entre pessoas, nos relacionamentos afetivos, no comprometimento da educação dos filhos e numa vida de desgastes e cansaços, para quem sofre e para quem impõe discriminações. A dificuldade de lidar com essa situação gera por vezes a necessidade de disfarçar, negar ou encontrar outras explicações, que acabam por piorar, especialmente quando oferecidas a gente inteligente, num mundo no qual o comportamento é associado a quem quer dominar, é incapaz de respeitar o diferente, quer tirar proveito político e econômico e adota uma postura tão arrogante quanto carente de sentido e legalidade. A experiência mostra situações em que bem-estruturados edifícios estão inteiramente carcomidos por dentro. Mesmo nas regiões em que certos grupos humanos se organizam para não perder a hegemonia, parece que isso se torna inevitável. Os esforço de proteger-se e fechar-se parece apenas adiantar um processo em pleno andamento.
Bibliografia CROATTO, J. S. Isaías a palavra profética e sua releitura hermenêutica. Trad. Lúcia M. E. Orth. Petrópolis: Vozes, 2002. v. 3. SCHMIDT, W. H. Introdução ao Antigo Testamento. Trad. Annemarie Höhn. São Leopoldo: Sinodal, 1994.
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14o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
21 AGO 2005
MATEUS 16.13-20 ROMANOS 11.33-36
PRÉDICA: ÊXODO 6.2-8 Anete Roese
1 O nome de Deus. A revelação de Deus Êxodo 6.2-8 é um texto sobre a revelação, o nome, os atos e a presença de Deus. Deus aparece a Moisés, se mostra, se diz, fala de si, se revela de um modo surpreendente, antes desconhecido. Essa revelação de Deus está dentro do interessante contexto de toda a situação de escravidão do povo hebreu no Egito. A revelação de Deus a Moisés situa-se especificamente dentro de um momento de fragilidade e medo de Moisés, que se sente ameaçado diante do poder do faraó e duvida de sua própria vocação. O capítulo anterior (Êx 5) descreve o movimento que Moisés e Arão iniciam quando se dirigem ao faraó, pedindo-lhe que liberte o povo (que deixe o povo ir ao deserto oferecer sacrifícios a seu Deus). Esta iniciativa de Moisés e Arão foi frustrada e representou mais sofrimento para o povo, pois, por causa da ameaça de abandono do trabalho, o faraó impôs mais trabalho e castigo ao povo escravo. No entanto, diante desse quadro, o próprio povo sentiu-se mais ameaçado e se revoltou contra Moisés e Arão: Por causa de vocês, o rei e os seus funcionários estão com ódio de nós (Êx 5.21). Desenha-se então uma situação de extrema tensão e medo por todas as partes: os líderes do povo escravo, o próprio povo, o faraó, Moisés e Arão todos estão com medo! E o medo ameaça todo um processo de libertação, que é vontade de Deus. O faraó impõe mais trabalho e castiga o povo, os chefes do povo e os escravos hebreus se revoltam contra Moisés e Arão, e Moisés se revolta contra Deus. Moisés reclama e acusa Deus: Iahweh! Por que afligiste este povo? Por que me enviaste? Pois, desde que me apresentei a Faraó, para falar-lhe em teu nome, ele maltratou este povo; e tu, de nenhuma sorte, livraste o teu povo (Êx 5.22-23). Diante dessa situação tensa, diante do desespero de Moisés, Iahweh volta-se para o clamor do povo e do seu enviado e, como numa nova atitude, numa nova tentativa, numa nova manifestação de seu poder, numa outra estratégia que fortalecerá a confiança e a fé de Moisés, Deus se revela, se mostra em uma outra face, com um novo nome, e diz: Agora verás o que hei de fazer... Então vem o texto de Êx 6.2-8:
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Se o texto fosse dos nossos dias, haveria a lista e ela seria tão longa quanto absurda. Entrariam os motivos de cor da pele, condição social, gênero, orientação sexual e da própria sexualidade. A dificuldade de identificarse ou a necessidade de afirmar-se sobre membros de determinados grupos humanos mostra como a xenofobia nos afeta e como constitui uma das expressões dos países ricos ou de grupos racistas, sexistas e elitistas. As acusações naquele tempo tinham conotações religiosas, sociais, culturais e econômicas. A falta de pudor era a mesma quando aplicada à mesma família étnica, especialmente aos que eram vistos como contaminados pelo contato com outras culturas, tornando o preconceito ainda pior. Essa prática, exercida durante décadas, especialmente nalgumas épocas, entre membros das igrejas cristãs tem provocado muita dor, sofrimento e inquietação entre os que praticam e os que sofrem discriminação. Entre os que sofrem estão os que reagem, produzindo os traumas resultantes da busca, tão intensa quanto vã, por um espaço num grupo social. Como as instituições têm componentes de discriminação racial e cultural já em sua constituição, isto atrai reações, rotulagem e, por vezes, um irrecuperável desgaste para as instituições. A incapacidade, pela sua própria condição, de lidar com essa situação implica desgastes especialmente grandes para mudar uma imagem. Mas de longe a situação mais inquietante aparece no contato entre pessoas, nos relacionamentos afetivos, no comprometimento da educação dos filhos e numa vida de desgastes e cansaços, para quem sofre e para quem impõe discriminações. A dificuldade de lidar com essa situação gera por vezes a necessidade de disfarçar, negar ou encontrar outras explicações, que acabam por piorar, especialmente quando oferecidas a gente inteligente, num mundo no qual o comportamento é associado a quem quer dominar, é incapaz de respeitar o diferente, quer tirar proveito político e econômico e adota uma postura tão arrogante quanto carente de sentido e legalidade. A experiência mostra situações em que bem-estruturados edifícios estão inteiramente carcomidos por dentro. Mesmo nas regiões em que certos grupos humanos se organizam para não perder a hegemonia, parece que isso se torna inevitável. Os esforço de proteger-se e fechar-se parece apenas adiantar um processo em pleno andamento.
Bibliografia CROATTO, J. S. Isaías a palavra profética e sua releitura hermenêutica. Trad. Lúcia M. E. Orth. Petrópolis: Vozes, 2002. v. 3. SCHMIDT, W. H. Introdução ao Antigo Testamento. Trad. Annemarie Höhn. São Leopoldo: Sinodal, 1994.
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14o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
21 AGO 2005
MATEUS 16.13-20 ROMANOS 11.33-36
PRÉDICA: ÊXODO 6.2-8 Anete Roese
1 O nome de Deus. A revelação de Deus Êxodo 6.2-8 é um texto sobre a revelação, o nome, os atos e a presença de Deus. Deus aparece a Moisés, se mostra, se diz, fala de si, se revela de um modo surpreendente, antes desconhecido. Essa revelação de Deus está dentro do interessante contexto de toda a situação de escravidão do povo hebreu no Egito. A revelação de Deus a Moisés situa-se especificamente dentro de um momento de fragilidade e medo de Moisés, que se sente ameaçado diante do poder do faraó e duvida de sua própria vocação. O capítulo anterior (Êx 5) descreve o movimento que Moisés e Arão iniciam quando se dirigem ao faraó, pedindo-lhe que liberte o povo (que deixe o povo ir ao deserto oferecer sacrifícios a seu Deus). Esta iniciativa de Moisés e Arão foi frustrada e representou mais sofrimento para o povo, pois, por causa da ameaça de abandono do trabalho, o faraó impôs mais trabalho e castigo ao povo escravo. No entanto, diante desse quadro, o próprio povo sentiu-se mais ameaçado e se revoltou contra Moisés e Arão: Por causa de vocês, o rei e os seus funcionários estão com ódio de nós (Êx 5.21). Desenha-se então uma situação de extrema tensão e medo por todas as partes: os líderes do povo escravo, o próprio povo, o faraó, Moisés e Arão todos estão com medo! E o medo ameaça todo um processo de libertação, que é vontade de Deus. O faraó impõe mais trabalho e castiga o povo, os chefes do povo e os escravos hebreus se revoltam contra Moisés e Arão, e Moisés se revolta contra Deus. Moisés reclama e acusa Deus: Iahweh! Por que afligiste este povo? Por que me enviaste? Pois, desde que me apresentei a Faraó, para falar-lhe em teu nome, ele maltratou este povo; e tu, de nenhuma sorte, livraste o teu povo (Êx 5.22-23). Diante dessa situação tensa, diante do desespero de Moisés, Iahweh volta-se para o clamor do povo e do seu enviado e, como numa nova atitude, numa nova tentativa, numa nova manifestação de seu poder, numa outra estratégia que fortalecerá a confiança e a fé de Moisés, Deus se revela, se mostra em uma outra face, com um novo nome, e diz: Agora verás o que hei de fazer... Então vem o texto de Êx 6.2-8:
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1 4O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Eu sou Iahweh. Eu apareci a Abraão... como o Deus Todo-Poderoso (El Shadai), mas pelo meu nome Iahweh não lhes fui perfeitamente conhecido. Com eles estabeleci aliança para dar-lhes a terra... tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel... me lembrei da minha aliança. Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Iahweh, vos tirarei... das cargas dos egípcios, vos livrarei... vos resgatarei... vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus... vos levarei à terra... vo-la darei por herança, Eu sou Iahweh.
1 4O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
necessidade (Rt 4). Assim Iahweh se aproxima de seu povo por intermédio de imagens muito humanas, de metáforas muito conhecidas e como Deus que salva o povo. A escolha de Iahweh, a oferta de proteção ao povo de Israel vos tomarei por meu povo (v. 7) , é uma revelação de ternura. Deus é como uma mãe que adota crianças que não são suas. A revelação afirma que Iahweh é Deus que se revela de modos específicos para necessidades e povos singulares. A escolha de um povo não significa a rejeição de outro povo. Iahweh se dá a conhecer desse modo a esse povo. Aos patriarcas não se deu a conhecer deste modo , mas de outro, porque a necessidade era outra. Iahweh se oferece para ser Deus desse povo ...serei vosso Deus (v. 7). É uma oferta gratuita, apenas baseada na confiança mútua. Iahweh é Deus que cumpre promessas (v. 8). Tal como fez com a mão estendida, como em posição de juramento, quando prometeu a terra para os patriarcas. Por fim, Iahweh conclui sua revelação diante de Moisés com as palavras Eu Sou Iahweh, tal como iniciou e reafirmou no meio de sua revelação. A fala de Iahweh cobre Moisés de confiança, fortalece novamente a vocação do líder, que estava abalada pela tentativa frustrada do contato e estratégia anterior com o faraó. Dessa forma Deus se revela também em Jesus Cristo como Deus compassivo e salvador. A partir de agora Iahweh está ligado ao Êxodo para uma nova história, uma nova revelação. O nome de Deus foi agregando significado ao longo de sua história. Iahweh salva o povo da escravidão do Egito (Gn 20.2); conduz o povo para a terra de Canaã (Dt 26.9); convoca juízes (Jz 2.16) etc. O seu nome Eu sou foi se revelando e reafirmando de forma inusitada ao longo da história com seu povo.
Deus revela seu nome, se apresenta, fala de si diante de uma nova situação, um novo contexto. A revelação do nome de Deus é a revelação do Ser de Deus, seus atos, seus feitos, sua essência, sua glória e seu poder (cf. Êx 6.3). Revelar o nome é, para os hebreus, a revelação do caráter, das habilidades. O texto de Êxodo é uma afirmação da ação de Deus. Para os patriarcas, Iahweh era conhecido como Shadai (Gn17); mas como Iahweh Deus não era plenamente conhecido por eles: Sob o meu nome Iahweh não me dei a conhecer a eles (Êx 6.3). Esta revelação, este nome muda para Elohim, quando há necessidade de julgamento; e quando há necessidade de intervir com força de guerra, essa revelação se chama pelo nome Sebaot e se revela como El Shadai, quando é necessário avaliar os pecados humanos. Assim Deus conserva o seu mistério, conserva seu poder, pois seu nome e sua imagem não são totalmente desveladas para os humanos. Iahweh é Deus que aparece, se revela de forma dinâmica, não estática, surpreendente, contextual. Não se revela explicitamente, mas mantém sempre algo não-revelado. Assim, sua presença não pode ser dominada, sua revelação não pode ser usurpada, sua imagem não pode ser manipulada, porque permanece mistério em seu Ser, em sua imagem. Iahweh revelase não por meio de imagens fixas, mas de verbos, feitos, promessas, ações. Iahweh revela-se nesse momento, para Moisés e para o povo escravo, como o Deus que cumpre suas promessas, que lembra das alianças feitas anteriormente (v. 4), e se apresenta como o Deus em quem o povo pode confiar: Deus que protege, que cuida, que tem compaixão, que ouve, que liberta, que conduz para a terra prometida. O nome Iahweh também é uma revelação da mutualidade na confiança, Deus comprometido com a memória, Deus que intervém na necessidade do povo. Iahweh lembra-se da aliança (v. 5) feita com os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó de que o seu povo receberia a terra onde viviam apenas como peregrinos, pois a terra que ocupavam era terra alheia (Gn 17.8; 23.4). Agora essa aliança se cumpriria, o povo seria libertado e conduzido para a terra prometida como herança. Esse acontecimento se realizaria por intermédio de grandes acontecimentos juízos e julgamentos (v. 6), onde o poder de Deus se afirmaria, conforme aconteceu por meio das pragas. Deus que cumpre a aliança feita com seu povo é também Deus resgatador (v. 6), que se compara com a relação humana que se dá entre parentes, que visa garantir dignidade, justiça para uma pessoa que está em
Em circunstâncias novas, inusitadas, inesperadas, Deus vem e revela algo mais do seu nome, algo mais de sua divindade. Neste texto de Êx 6, a revelação de Iahweh é surpreendente e transmite confiança e firmeza. Deus se mostra em muitas imagens diferentes. Revela-se Deus que aparece; que ouve o gemido; que lembra de suas promessas; que tira as cargas; que liberta e que resgata; que vai em direção ao povo e o escolhe gratuitamente; que se oferece para ser Deus; que quer conduzir para o lugar prometido e que confirma a promessa da aliança. É importante que tenhamos tempo e lugar na vida e na igreja para perceber as surpresas da revelação de Deus. Que possamos também nesses espaços abrir nossa capacidade e nossa espiritualidade e ampliar a nossa compreensão de Deus, de sua revelação e manifestação. É fundamental que possamos identificar lugares de sofrimento, onde Deus se revela hoje. Ali
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2 Considerações para meditar e pregar
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Eu sou Iahweh. Eu apareci a Abraão... como o Deus Todo-Poderoso (El Shadai), mas pelo meu nome Iahweh não lhes fui perfeitamente conhecido. Com eles estabeleci aliança para dar-lhes a terra... tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel... me lembrei da minha aliança. Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Iahweh, vos tirarei... das cargas dos egípcios, vos livrarei... vos resgatarei... vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus... vos levarei à terra... vo-la darei por herança, Eu sou Iahweh.
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necessidade (Rt 4). Assim Iahweh se aproxima de seu povo por intermédio de imagens muito humanas, de metáforas muito conhecidas e como Deus que salva o povo. A escolha de Iahweh, a oferta de proteção ao povo de Israel vos tomarei por meu povo (v. 7) , é uma revelação de ternura. Deus é como uma mãe que adota crianças que não são suas. A revelação afirma que Iahweh é Deus que se revela de modos específicos para necessidades e povos singulares. A escolha de um povo não significa a rejeição de outro povo. Iahweh se dá a conhecer desse modo a esse povo. Aos patriarcas não se deu a conhecer deste modo , mas de outro, porque a necessidade era outra. Iahweh se oferece para ser Deus desse povo ...serei vosso Deus (v. 7). É uma oferta gratuita, apenas baseada na confiança mútua. Iahweh é Deus que cumpre promessas (v. 8). Tal como fez com a mão estendida, como em posição de juramento, quando prometeu a terra para os patriarcas. Por fim, Iahweh conclui sua revelação diante de Moisés com as palavras Eu Sou Iahweh, tal como iniciou e reafirmou no meio de sua revelação. A fala de Iahweh cobre Moisés de confiança, fortalece novamente a vocação do líder, que estava abalada pela tentativa frustrada do contato e estratégia anterior com o faraó. Dessa forma Deus se revela também em Jesus Cristo como Deus compassivo e salvador. A partir de agora Iahweh está ligado ao Êxodo para uma nova história, uma nova revelação. O nome de Deus foi agregando significado ao longo de sua história. Iahweh salva o povo da escravidão do Egito (Gn 20.2); conduz o povo para a terra de Canaã (Dt 26.9); convoca juízes (Jz 2.16) etc. O seu nome Eu sou foi se revelando e reafirmando de forma inusitada ao longo da história com seu povo.
Deus revela seu nome, se apresenta, fala de si diante de uma nova situação, um novo contexto. A revelação do nome de Deus é a revelação do Ser de Deus, seus atos, seus feitos, sua essência, sua glória e seu poder (cf. Êx 6.3). Revelar o nome é, para os hebreus, a revelação do caráter, das habilidades. O texto de Êxodo é uma afirmação da ação de Deus. Para os patriarcas, Iahweh era conhecido como Shadai (Gn17); mas como Iahweh Deus não era plenamente conhecido por eles: Sob o meu nome Iahweh não me dei a conhecer a eles (Êx 6.3). Esta revelação, este nome muda para Elohim, quando há necessidade de julgamento; e quando há necessidade de intervir com força de guerra, essa revelação se chama pelo nome Sebaot e se revela como El Shadai, quando é necessário avaliar os pecados humanos. Assim Deus conserva o seu mistério, conserva seu poder, pois seu nome e sua imagem não são totalmente desveladas para os humanos. Iahweh é Deus que aparece, se revela de forma dinâmica, não estática, surpreendente, contextual. Não se revela explicitamente, mas mantém sempre algo não-revelado. Assim, sua presença não pode ser dominada, sua revelação não pode ser usurpada, sua imagem não pode ser manipulada, porque permanece mistério em seu Ser, em sua imagem. Iahweh revelase não por meio de imagens fixas, mas de verbos, feitos, promessas, ações. Iahweh revela-se nesse momento, para Moisés e para o povo escravo, como o Deus que cumpre suas promessas, que lembra das alianças feitas anteriormente (v. 4), e se apresenta como o Deus em quem o povo pode confiar: Deus que protege, que cuida, que tem compaixão, que ouve, que liberta, que conduz para a terra prometida. O nome Iahweh também é uma revelação da mutualidade na confiança, Deus comprometido com a memória, Deus que intervém na necessidade do povo. Iahweh lembra-se da aliança (v. 5) feita com os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó de que o seu povo receberia a terra onde viviam apenas como peregrinos, pois a terra que ocupavam era terra alheia (Gn 17.8; 23.4). Agora essa aliança se cumpriria, o povo seria libertado e conduzido para a terra prometida como herança. Esse acontecimento se realizaria por intermédio de grandes acontecimentos juízos e julgamentos (v. 6), onde o poder de Deus se afirmaria, conforme aconteceu por meio das pragas. Deus que cumpre a aliança feita com seu povo é também Deus resgatador (v. 6), que se compara com a relação humana que se dá entre parentes, que visa garantir dignidade, justiça para uma pessoa que está em
Em circunstâncias novas, inusitadas, inesperadas, Deus vem e revela algo mais do seu nome, algo mais de sua divindade. Neste texto de Êx 6, a revelação de Iahweh é surpreendente e transmite confiança e firmeza. Deus se mostra em muitas imagens diferentes. Revela-se Deus que aparece; que ouve o gemido; que lembra de suas promessas; que tira as cargas; que liberta e que resgata; que vai em direção ao povo e o escolhe gratuitamente; que se oferece para ser Deus; que quer conduzir para o lugar prometido e que confirma a promessa da aliança. É importante que tenhamos tempo e lugar na vida e na igreja para perceber as surpresas da revelação de Deus. Que possamos também nesses espaços abrir nossa capacidade e nossa espiritualidade e ampliar a nossa compreensão de Deus, de sua revelação e manifestação. É fundamental que possamos identificar lugares de sofrimento, onde Deus se revela hoje. Ali
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2 Considerações para meditar e pregar
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onde o povo negro, pessoas homossexuais, famílias, jovens, crianças, a natureza está no limite do seu sofrimento, da sua escravidão, ali Deus se revela de forma surpreendente. Estaremos no meio do ano, no inverno. Talvez em meio a uma situação de fragilidade na família, na sociedade, na igreja; em meio a um conflito pessoal, ou mesmo em tempo de alegria. No tempo do ano litúrgico, estamos no 14º Domingo após Pentecoste, e isto é um paradoxo interessante para a homilia. Em meio a um tempo difícil, Deus aparece de forma inusitada, nova, inesperada, numa situação-limite do povo hebreu, e também hoje. Deus fala a Moisés e ele escuta, ouve, vê, percebe a revelação de Deus. Mesmo assim, é possível imaginar que, nesse momento de tribulação do próprio Moisés, em vista de toda a situação de sofrimento e opressão e de exigência que se impunha sobre ele como líder, essa revelação de Deus também tenha surpreendido Moisés. Ele que se havia dirigido a Deus com certa arrogância, conforme Êx 5.22-23. Descobrir em Deus uma nova imagem, uma nova e inesperada manifestação é sempre chocante, pois a humanidade sempre pecou o mesmo pecado de Moisés a arrogância de que já conhecemos Deus, que já dominamos seus atos, que já sabemos como Deus se manifesta e se revela. Dessa forma queremos ter Deus em nossas mãos, sentir segurança e impedir que Deus atenda e seja Deus também daqueles povos, grupos e seres que nós consideramos insignificantes e indignos. A revelação de Deus é sempre presente, renovada; é contextual, é situacional, é conforme a necessidade de um povo específico, ilustra as bênçãos de Deus a seu povo. Ao povo que se sente estéril (Is 54.1-3) é dito: sede fecundos ; ao povo que se sente sem rei nem herdeiro se diz: multiplicaivos ; ao povo que teve que abandonar sua terra é dito: enchei a terra ; ao povo que sofre a dominação estrangeira se diz que é chamado a submeter a terra; ao povo submetido é dito: mandai, dominai (Santiso, 235). Na homilia ou no estudo bíblico, pode-se convidar a comunidade para um exercício de imaginação, para, de fato, imaginar várias situações de revelação de Deus. O texto nos dá luz, nos dá discernimento, ilumina nossa mente para que no momento de revelação estejamos preparados como Moisés, talvez com medo, mas capazes de lutar contra nosso medo e capazes de aceitar a revelação surpreendente de Deus. As pessoas poderiam colocar-se dentro dessa história em que acontece uma revelação de Deus e imaginar-se no lugar de Moisés ouvindo Deus, tendo sido enviada ou enviado. Depois imaginar-se no lugar do povo escravo do faraó. Imaginar-se também como faraó. Depois imaginar um povo que luta e sofre ou um grupo marginalizado hoje. Imaginar que Deus vem e se revela para um povo, para um grupo marginalizado, num determinado lugar, e que revela uma imagem que antes nós jamais aceitamos ou imaginamos que Deus seria. Que povo seria este? Que sofrimentos há? Que revelação Deus faria? A oficiante pode colher das
pessoas algumas situações que vieram à mente. Neste contexto, é importante lembrar que a tradução do termo Iahweh por Senhor, conforme apresentam várias traduções, é uma referência complicada porque é uma linguagem que limita a revelação de Deus a uma figura masculina. Ademais, a experiência de muitas mulheres, meninas e meninos com senhores que representam uma figura violenta não tem sido agradável. Deve ser levado em conta que usar o mesmo nome para Deus e para um homem certamente aproxima uma imagem da outra. Temos que levar em conta que, conforme aponta o nosso texto, a revelação de Deus é mais plural, mais dinâmica do que um único e limitado nome para Deus.
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3 Outras possibilidades para a celebração Observar a igreja, o lugar onde a comunidade está e ver imagens religiosas em pinturas, vitrais, cruzes. Como forma de despertar a atenção para as revelações de Deus. Considerar imagens e revelações de Deus que existem para grupos diferentes em nossa igreja e sociedade: para crianças, jovens, mulheres, pessoas negras etc. Talvez novas revelações de Deus podem ser descobertas entre as pessoas. Imagens e revelações bíblicas de Deus que podem ser lembradas: Gn 1 Divindade Criadora; Sl 17.8 Sombra; Dt 32.4; 1 Sm 2.2 Rocha; Êx 15.10 Vento; Is 42.14 como a mulher; Mt 23.37 como a galinha. Em grupos de estudo, o texto deve servir como convite para o aprofundamento da nossa compreensão e experiência de Deus. Cada pessoa pode moldar sua experiência de Deus em argila. Serão muitas formas pessoais de ver a presença ou ausência de Deus, que servirão justamente para alcançarmos a percepção das inúmeras manifestações de Deus na vida das pessoas.
4 Leituras dos textos indicados Uma questão fundamental em toda a celebração e reflexão bíblica é a própria leitura dos textos. O método do bibliodrama aponta para esse detalhe específico e importante: uma leitura bem feita, um texto bíblico bem lido é uma oportunidade de manifestação e revelação de Deus em si. Num culto, o texto pode ser bem lido uma vez, pode ser recontado ou retomado no início da pregação e pode ser relido ou relembrado no final da homilia. Quando é um texto como esse de Êxodo, duas pessoas podem lê-lo de forma criativa, de um lugar diferente da igreja, com seriedade e clareza, repetindo
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onde o povo negro, pessoas homossexuais, famílias, jovens, crianças, a natureza está no limite do seu sofrimento, da sua escravidão, ali Deus se revela de forma surpreendente. Estaremos no meio do ano, no inverno. Talvez em meio a uma situação de fragilidade na família, na sociedade, na igreja; em meio a um conflito pessoal, ou mesmo em tempo de alegria. No tempo do ano litúrgico, estamos no 14º Domingo após Pentecoste, e isto é um paradoxo interessante para a homilia. Em meio a um tempo difícil, Deus aparece de forma inusitada, nova, inesperada, numa situação-limite do povo hebreu, e também hoje. Deus fala a Moisés e ele escuta, ouve, vê, percebe a revelação de Deus. Mesmo assim, é possível imaginar que, nesse momento de tribulação do próprio Moisés, em vista de toda a situação de sofrimento e opressão e de exigência que se impunha sobre ele como líder, essa revelação de Deus também tenha surpreendido Moisés. Ele que se havia dirigido a Deus com certa arrogância, conforme Êx 5.22-23. Descobrir em Deus uma nova imagem, uma nova e inesperada manifestação é sempre chocante, pois a humanidade sempre pecou o mesmo pecado de Moisés a arrogância de que já conhecemos Deus, que já dominamos seus atos, que já sabemos como Deus se manifesta e se revela. Dessa forma queremos ter Deus em nossas mãos, sentir segurança e impedir que Deus atenda e seja Deus também daqueles povos, grupos e seres que nós consideramos insignificantes e indignos. A revelação de Deus é sempre presente, renovada; é contextual, é situacional, é conforme a necessidade de um povo específico, ilustra as bênçãos de Deus a seu povo. Ao povo que se sente estéril (Is 54.1-3) é dito: sede fecundos ; ao povo que se sente sem rei nem herdeiro se diz: multiplicaivos ; ao povo que teve que abandonar sua terra é dito: enchei a terra ; ao povo que sofre a dominação estrangeira se diz que é chamado a submeter a terra; ao povo submetido é dito: mandai, dominai (Santiso, 235). Na homilia ou no estudo bíblico, pode-se convidar a comunidade para um exercício de imaginação, para, de fato, imaginar várias situações de revelação de Deus. O texto nos dá luz, nos dá discernimento, ilumina nossa mente para que no momento de revelação estejamos preparados como Moisés, talvez com medo, mas capazes de lutar contra nosso medo e capazes de aceitar a revelação surpreendente de Deus. As pessoas poderiam colocar-se dentro dessa história em que acontece uma revelação de Deus e imaginar-se no lugar de Moisés ouvindo Deus, tendo sido enviada ou enviado. Depois imaginar-se no lugar do povo escravo do faraó. Imaginar-se também como faraó. Depois imaginar um povo que luta e sofre ou um grupo marginalizado hoje. Imaginar que Deus vem e se revela para um povo, para um grupo marginalizado, num determinado lugar, e que revela uma imagem que antes nós jamais aceitamos ou imaginamos que Deus seria. Que povo seria este? Que sofrimentos há? Que revelação Deus faria? A oficiante pode colher das
pessoas algumas situações que vieram à mente. Neste contexto, é importante lembrar que a tradução do termo Iahweh por Senhor, conforme apresentam várias traduções, é uma referência complicada porque é uma linguagem que limita a revelação de Deus a uma figura masculina. Ademais, a experiência de muitas mulheres, meninas e meninos com senhores que representam uma figura violenta não tem sido agradável. Deve ser levado em conta que usar o mesmo nome para Deus e para um homem certamente aproxima uma imagem da outra. Temos que levar em conta que, conforme aponta o nosso texto, a revelação de Deus é mais plural, mais dinâmica do que um único e limitado nome para Deus.
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3 Outras possibilidades para a celebração Observar a igreja, o lugar onde a comunidade está e ver imagens religiosas em pinturas, vitrais, cruzes. Como forma de despertar a atenção para as revelações de Deus. Considerar imagens e revelações de Deus que existem para grupos diferentes em nossa igreja e sociedade: para crianças, jovens, mulheres, pessoas negras etc. Talvez novas revelações de Deus podem ser descobertas entre as pessoas. Imagens e revelações bíblicas de Deus que podem ser lembradas: Gn 1 Divindade Criadora; Sl 17.8 Sombra; Dt 32.4; 1 Sm 2.2 Rocha; Êx 15.10 Vento; Is 42.14 como a mulher; Mt 23.37 como a galinha. Em grupos de estudo, o texto deve servir como convite para o aprofundamento da nossa compreensão e experiência de Deus. Cada pessoa pode moldar sua experiência de Deus em argila. Serão muitas formas pessoais de ver a presença ou ausência de Deus, que servirão justamente para alcançarmos a percepção das inúmeras manifestações de Deus na vida das pessoas.
4 Leituras dos textos indicados Uma questão fundamental em toda a celebração e reflexão bíblica é a própria leitura dos textos. O método do bibliodrama aponta para esse detalhe específico e importante: uma leitura bem feita, um texto bíblico bem lido é uma oportunidade de manifestação e revelação de Deus em si. Num culto, o texto pode ser bem lido uma vez, pode ser recontado ou retomado no início da pregação e pode ser relido ou relembrado no final da homilia. Quando é um texto como esse de Êxodo, duas pessoas podem lê-lo de forma criativa, de um lugar diferente da igreja, com seriedade e clareza, repetindo
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15o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
cada versículo. O texto de Rm 11.33-36 é uma oração curta e bonita, e a comunidade pode ser convidada a repeti-la acompanhando trechos curtos. Da leitura de Mt 16.13-20 pode ser destacada também a revelação de Cristo, o reconhecimento que Pedro faz de Cristo. Também podem ser destacadas a liderança e a vocação de Pedro, que são reconhecidas e anunciadas por Jesus. À semelhança do que acontece com Moisés e a revelação de Deus diante de um acontecimento que mudaria a história de Deus com seu povo.
MATEUS 16.21-26 ROMANOS 12.1-8
Absolvição: Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o Deus Eterno consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadece (Is 49.13).
1 Introdução
Acolhida e bênção: usar o mesmo texto de Is 58.8-11 nessas duas ocasiões da celebração ou encontro.
Bibliografia CHOURAQUI, André. Nomes (Êxodo). São Paulo: Imago. JOHNSON, Elisabeth A. Aquela que É. O Mistério de Deus no Trabalho Teológico Feminino. Petrópolis: Vozes, 1995. RAVASI, Gianfranco. Êxodo. São Paulo: Paulinas. SANTISO, Maria Tereza. A Mulher. Espaço de Salvação. São Paulo: Paulinas, 1993. WITHÖFT, Susanne Wolf-. Spiel mit der Bibel als Weg zur Predigt. Impulse für die Predigtvorbereitung. In: NAURATH, Elisabeth; PATALONG, Uta Pohl-. Bibliodrama. Theorie Praxis Reflexion. Stuttgart: Kohlhammer, 2002.
28 AGO 2005
PRÉDICA: JEREMIAS 15.15-21 Valdemar Schultz
Os seus textos proféticos revelam situações de intenso conflito. Ao lermos esses textos, sentimos uma certa cumplicidade com a pessoa do profeta por causa da carga biográfica de seus escritos. O profeta, embora expresse experiências comunitárias, é identificado como indivíduo. O profeta ouve, fala, grita, anuncia, denuncia, queixa-se, xinga, sofre e também se alegra. A mensagem profética está vinculada a uma situação histórica concreta e a uma experiência coletiva com o povo. Durante os conflitos, os profetas sofrem isolamento dos seus compatriotas. Em momentos posteriores aos conflitos, a tradição profética ajuda a resgatar a identidade do povo de Deus. O povo sente-se identificado com seu orador. A linguagem simbólica presente na profecia muitas vezes também poética produz culpa e vergonha nos ouvintes por meio da rejeição ou da aceitação da sua mensagem. Do encontro/confronto com o dito/escrito nasce uma nova consciência. Segue uma proposta de leitura de Jr 15.15-21, segunda das cinco Confissões de Jeremias.
2 Texto Jr 15.15-21 insere-se no bloco maior dos capítulos 1-24, que têm por tema o juízo contra Judá e Jerusalém. Desse bloco, os capítulos 11-20 centram o compromisso pessoal do profeta com o anúncio do juízo de Deus. Neles encontram-se as cinco confissões: 11.18-12.6; 15.10-21; 17.14-18; 18.18-23; 20.7-20. A segunda confissão inclui os v. 10-14 como parte da perícope. Nossa delimitação (15-21) é proposta pelo lecionário litúrgico adotado. Os v. 15-18 retomam o lamento de 10-11. O profeta tenta atrair a atenção de Deus para a sua causa. Quer que Deus vingue-se de seus perseguidores. Queixa-se da excessiva paciência de Deus, pela demora de seu juízo. O profeta tenta atrair o juízo de Deus para se livrar da desforra contra seus inimigos.
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15o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
cada versículo. O texto de Rm 11.33-36 é uma oração curta e bonita, e a comunidade pode ser convidada a repeti-la acompanhando trechos curtos. Da leitura de Mt 16.13-20 pode ser destacada também a revelação de Cristo, o reconhecimento que Pedro faz de Cristo. Também podem ser destacadas a liderança e a vocação de Pedro, que são reconhecidas e anunciadas por Jesus. À semelhança do que acontece com Moisés e a revelação de Deus diante de um acontecimento que mudaria a história de Deus com seu povo.
MATEUS 16.21-26 ROMANOS 12.1-8
Absolvição: Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o Deus Eterno consolou o seu povo, e dos seus aflitos se compadece (Is 49.13).
1 Introdução
Acolhida e bênção: usar o mesmo texto de Is 58.8-11 nessas duas ocasiões da celebração ou encontro.
Bibliografia CHOURAQUI, André. Nomes (Êxodo). São Paulo: Imago. JOHNSON, Elisabeth A. Aquela que É. O Mistério de Deus no Trabalho Teológico Feminino. Petrópolis: Vozes, 1995. RAVASI, Gianfranco. Êxodo. São Paulo: Paulinas. SANTISO, Maria Tereza. A Mulher. Espaço de Salvação. São Paulo: Paulinas, 1993. WITHÖFT, Susanne Wolf-. Spiel mit der Bibel als Weg zur Predigt. Impulse für die Predigtvorbereitung. In: NAURATH, Elisabeth; PATALONG, Uta Pohl-. Bibliodrama. Theorie Praxis Reflexion. Stuttgart: Kohlhammer, 2002.
28 AGO 2005
PRÉDICA: JEREMIAS 15.15-21 Valdemar Schultz
Os seus textos proféticos revelam situações de intenso conflito. Ao lermos esses textos, sentimos uma certa cumplicidade com a pessoa do profeta por causa da carga biográfica de seus escritos. O profeta, embora expresse experiências comunitárias, é identificado como indivíduo. O profeta ouve, fala, grita, anuncia, denuncia, queixa-se, xinga, sofre e também se alegra. A mensagem profética está vinculada a uma situação histórica concreta e a uma experiência coletiva com o povo. Durante os conflitos, os profetas sofrem isolamento dos seus compatriotas. Em momentos posteriores aos conflitos, a tradição profética ajuda a resgatar a identidade do povo de Deus. O povo sente-se identificado com seu orador. A linguagem simbólica presente na profecia muitas vezes também poética produz culpa e vergonha nos ouvintes por meio da rejeição ou da aceitação da sua mensagem. Do encontro/confronto com o dito/escrito nasce uma nova consciência. Segue uma proposta de leitura de Jr 15.15-21, segunda das cinco Confissões de Jeremias.
2 Texto Jr 15.15-21 insere-se no bloco maior dos capítulos 1-24, que têm por tema o juízo contra Judá e Jerusalém. Desse bloco, os capítulos 11-20 centram o compromisso pessoal do profeta com o anúncio do juízo de Deus. Neles encontram-se as cinco confissões: 11.18-12.6; 15.10-21; 17.14-18; 18.18-23; 20.7-20. A segunda confissão inclui os v. 10-14 como parte da perícope. Nossa delimitação (15-21) é proposta pelo lecionário litúrgico adotado. Os v. 15-18 retomam o lamento de 10-11. O profeta tenta atrair a atenção de Deus para a sua causa. Quer que Deus vingue-se de seus perseguidores. Queixa-se da excessiva paciência de Deus, pela demora de seu juízo. O profeta tenta atrair o juízo de Deus para se livrar da desforra contra seus inimigos.
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O v. 15 enfatiza a situação específica de sofrimento do profeta Jeremias: marginalizado entre seus próprios compatriotas. A fidelidade à sua vocação o faz passar por humilhações. Atacado por todos, sua carga parece-lhe pesada demais para ser suportada. O v. 16 traz um conteúdo oposto ao versículo anterior. Lembra momentos de júbilo em sua vida vocacional. A metáfora do profeta que se alimenta das palavras de Deus tem paralelo em Ez 2.8-3.3: o profeta literalmente come o rolo de um livro. A palavra de Deus é o fundamento de sua vida (Sl 119.47). O profeta compreende-se como propriedade de Deus por ter sido chamado em seu nome. A expressão de invocação remete ao Templo (7.10). A roda das pessoas que se alegram, no v. 17, pode referir-se à categoria de pessoas soberbas, gozadoras e orgulhosas, muito freqüentes nos escritos sapienciais (Sl 119.51). O cumprimento da missão profética separa Jeremias de uma vida amigável com o povo. Deus mesmo e sua mensagem são a razão de seu sofrimento. Jeremias sente-se totalmente rejeitado e faz a experiência do isolamento (de forma mais radicalizada em 16.1-3). O ilusório ribeiro, descrito no v. 18, pode referir-se ao fluxo d água que seca no verão ou a uma miragem. A partir de sua experiência de abandono, Jeremias recusa-se a crer que Deus tenha se afastado dele. Ele não pode crer que Deus tenha deixado de ser fonte de água viva para se tornar um ribeiro ou um poço seco. O conjunto dos v. 19-21 lembra 1.17-19. O retorno pode referir-se ao templo (7.10, 1Cr 8.43), à arca (2Sm 6.2), a Jerusalém (25.29) ou ao povo (Is 63.19). No v. 19, refere-se à relação entre Deus e a pessoa do profeta. A ação do profeta só é possível porque Deus age em sua vida (também em 31.18). O profeta é levado à renovação de sua conversão, a uma reafirmação da sua missão. Ele esqueceu-se de que foi chamado ao anúncio profético antes de seu nascimento (1.5) e que sua vida depende de Deus e de sua palavra. Jeremias não encontra resposta aos lamentos e aos protestos anteriores, mas suas dúvidas a esse respeito parecem desaparecer, apesar das respostas serem indiretas ou em forma de advertência em relação a seu compromisso. Suas orações são uma conversa íntima com Deus. Tal oração contém em si mesmo a certeza da resposta. No v. 20, o isolamento do profeta é ratificado como proteção. Uma barreira lhe servirá de escudo. O povo permanece sem esperança. O juízo é sem perdão. O pacto é unilateral com o profeta. Evidencia-se uma falta de projeto por parte do povo e uma ruptura com o pacto estabelecido por Deus. Sem a certeza da ação de Deus para mudar a sorte do povo, expressa no v. 21, ratifica-se a proteção de Deus diante de seus inimigos, a única resposta com a qual o profeta pode contar. Para o povo, em tempos posteriores, essa resposta transforma-se num sinal de que ainda há esperança e jurisdição em Judá.
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3 Contexto Jeremias viveu de 627 até 580 a.C., aproximadamente. Apesar de ter nascido em Anatot, uma aldeia a 7 km de Jerusalém, Jeremias era descendente da tribo de Benjamim, pois essa pequena localidade já pertencia à região benjaminita. Há uma grande probabilidade de que Jeremias tenha sido descendente de Abiatar, o sacerdote de Davi (1Rs 2.26). A atuação do profeta abrangeu o tempo dos reinados de Josias (640609), de Jeoaquim (608-598) e Zedequias (597-587). Dessa sucessão de reinados, Josias (627-621) teve maior popularidade. Aproveitou-se do recuo da Assíria, que já se encontrava bastante enfraquecida, e fez uma ampla reforma religiosa. Nessa época, a Babilônia constituiu-se como império. Os egípcios, temendo a ameaça babilônica, tentaram usar Judá para fechar o corredor de passagem da Palestina. Em 609, em batalha contra os babilônicos, Josias foi morto. No período do reinado de Jeoaquim, babilônicos e medos frustaram as tentativas dos egípcios de dominarem o cenário político na região da Palestina. Judá foi submissa, o rei Jeoaquim ainda tentou resistir, mas morreu em seguida. Sob o domínio de Nabucodonosor, no ano de 597, ocorreu a primeira deportação para a Babilônia. Nabucodonosor instalou Zedequias para governar em Jerusalém, permitindo que Judá mantivesse sua identidade como nação, mas sem autonomia de governo. Na primeira tentativa de rebelião, Jerusalém é conquistada e, após 18 meses de cerco, o rei Zedequias foi morto. Em 587, ocorreu a segunda deportação. A destruição de Jerusalém foi completa, incluindo o templo. A atuação de Jeremias aconteceu em meio a esse turbilhão político. Conforme Klaus Homburg, os capítulos 7-20 foram transmitidos principalmente no tempo do rei Jeoaquim, filho mais velho de Josias. Jeoaquim foi um rei tirano (22.13-17). Jeremias opôs-se energicamente ao rei, à classe sacerdotal de Jerusalém e aos profetas cultuais. Difamado e perseguido de morte (26.8), seguidas vezes desabafava em acessos de recriminação e cólera. Jeremias foi testemunha viva de um dos momentos mais angustiantes e sangrentos da história do povo de Deus, que teve inúmeras conseqüências políticas e religiosas para os períodos seguintes. Todas as vezes em que o povo de Deus se encontrava em perigo, aparecia a voz profética com sentido político e religioso. O que caracteriza esse tempo de incertezas é a falta de um projeto comum. O povo estava dividido entre diferentes interesses: apoiar os egípcios, favorecer os babilônicos, fortalecer o poder do rei ou opor-se ao rei. Após a derrota de Jerusalém, Jeremias tentou mostrar que resistir ao império babilônico seria um suicídio. Sua oposição à política de alianças dos reis de Judá levou-o ao isolamento e ao
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O v. 15 enfatiza a situação específica de sofrimento do profeta Jeremias: marginalizado entre seus próprios compatriotas. A fidelidade à sua vocação o faz passar por humilhações. Atacado por todos, sua carga parece-lhe pesada demais para ser suportada. O v. 16 traz um conteúdo oposto ao versículo anterior. Lembra momentos de júbilo em sua vida vocacional. A metáfora do profeta que se alimenta das palavras de Deus tem paralelo em Ez 2.8-3.3: o profeta literalmente come o rolo de um livro. A palavra de Deus é o fundamento de sua vida (Sl 119.47). O profeta compreende-se como propriedade de Deus por ter sido chamado em seu nome. A expressão de invocação remete ao Templo (7.10). A roda das pessoas que se alegram, no v. 17, pode referir-se à categoria de pessoas soberbas, gozadoras e orgulhosas, muito freqüentes nos escritos sapienciais (Sl 119.51). O cumprimento da missão profética separa Jeremias de uma vida amigável com o povo. Deus mesmo e sua mensagem são a razão de seu sofrimento. Jeremias sente-se totalmente rejeitado e faz a experiência do isolamento (de forma mais radicalizada em 16.1-3). O ilusório ribeiro, descrito no v. 18, pode referir-se ao fluxo d água que seca no verão ou a uma miragem. A partir de sua experiência de abandono, Jeremias recusa-se a crer que Deus tenha se afastado dele. Ele não pode crer que Deus tenha deixado de ser fonte de água viva para se tornar um ribeiro ou um poço seco. O conjunto dos v. 19-21 lembra 1.17-19. O retorno pode referir-se ao templo (7.10, 1Cr 8.43), à arca (2Sm 6.2), a Jerusalém (25.29) ou ao povo (Is 63.19). No v. 19, refere-se à relação entre Deus e a pessoa do profeta. A ação do profeta só é possível porque Deus age em sua vida (também em 31.18). O profeta é levado à renovação de sua conversão, a uma reafirmação da sua missão. Ele esqueceu-se de que foi chamado ao anúncio profético antes de seu nascimento (1.5) e que sua vida depende de Deus e de sua palavra. Jeremias não encontra resposta aos lamentos e aos protestos anteriores, mas suas dúvidas a esse respeito parecem desaparecer, apesar das respostas serem indiretas ou em forma de advertência em relação a seu compromisso. Suas orações são uma conversa íntima com Deus. Tal oração contém em si mesmo a certeza da resposta. No v. 20, o isolamento do profeta é ratificado como proteção. Uma barreira lhe servirá de escudo. O povo permanece sem esperança. O juízo é sem perdão. O pacto é unilateral com o profeta. Evidencia-se uma falta de projeto por parte do povo e uma ruptura com o pacto estabelecido por Deus. Sem a certeza da ação de Deus para mudar a sorte do povo, expressa no v. 21, ratifica-se a proteção de Deus diante de seus inimigos, a única resposta com a qual o profeta pode contar. Para o povo, em tempos posteriores, essa resposta transforma-se num sinal de que ainda há esperança e jurisdição em Judá.
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3 Contexto Jeremias viveu de 627 até 580 a.C., aproximadamente. Apesar de ter nascido em Anatot, uma aldeia a 7 km de Jerusalém, Jeremias era descendente da tribo de Benjamim, pois essa pequena localidade já pertencia à região benjaminita. Há uma grande probabilidade de que Jeremias tenha sido descendente de Abiatar, o sacerdote de Davi (1Rs 2.26). A atuação do profeta abrangeu o tempo dos reinados de Josias (640609), de Jeoaquim (608-598) e Zedequias (597-587). Dessa sucessão de reinados, Josias (627-621) teve maior popularidade. Aproveitou-se do recuo da Assíria, que já se encontrava bastante enfraquecida, e fez uma ampla reforma religiosa. Nessa época, a Babilônia constituiu-se como império. Os egípcios, temendo a ameaça babilônica, tentaram usar Judá para fechar o corredor de passagem da Palestina. Em 609, em batalha contra os babilônicos, Josias foi morto. No período do reinado de Jeoaquim, babilônicos e medos frustaram as tentativas dos egípcios de dominarem o cenário político na região da Palestina. Judá foi submissa, o rei Jeoaquim ainda tentou resistir, mas morreu em seguida. Sob o domínio de Nabucodonosor, no ano de 597, ocorreu a primeira deportação para a Babilônia. Nabucodonosor instalou Zedequias para governar em Jerusalém, permitindo que Judá mantivesse sua identidade como nação, mas sem autonomia de governo. Na primeira tentativa de rebelião, Jerusalém é conquistada e, após 18 meses de cerco, o rei Zedequias foi morto. Em 587, ocorreu a segunda deportação. A destruição de Jerusalém foi completa, incluindo o templo. A atuação de Jeremias aconteceu em meio a esse turbilhão político. Conforme Klaus Homburg, os capítulos 7-20 foram transmitidos principalmente no tempo do rei Jeoaquim, filho mais velho de Josias. Jeoaquim foi um rei tirano (22.13-17). Jeremias opôs-se energicamente ao rei, à classe sacerdotal de Jerusalém e aos profetas cultuais. Difamado e perseguido de morte (26.8), seguidas vezes desabafava em acessos de recriminação e cólera. Jeremias foi testemunha viva de um dos momentos mais angustiantes e sangrentos da história do povo de Deus, que teve inúmeras conseqüências políticas e religiosas para os períodos seguintes. Todas as vezes em que o povo de Deus se encontrava em perigo, aparecia a voz profética com sentido político e religioso. O que caracteriza esse tempo de incertezas é a falta de um projeto comum. O povo estava dividido entre diferentes interesses: apoiar os egípcios, favorecer os babilônicos, fortalecer o poder do rei ou opor-se ao rei. Após a derrota de Jerusalém, Jeremias tentou mostrar que resistir ao império babilônico seria um suicídio. Sua oposição à política de alianças dos reis de Judá levou-o ao isolamento e ao
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martírio. Jeremias fez a experiência fracassada de oposição aos projetos do reinado.
4 Confissões de Jeremias profecia no sofrimento As confissões de Jeremias, também conhecidas como lamentações, apresentam um vínculo estreito entre o ministério profético e a pessoa do profeta. Em seus desabafos e queixas, o homem Jeremias revela-se sensível e frágil, enérgico e corajoso, engajado e comprometido com a palavra libertadora de Deus. Conforme Nelson Kirst, o gênero de lamentações pode ser classificado em dois tipos: lamentações do povo e lamentações do indivíduo. As lamentações do povo eram cerimônias dirigidas por reis, sacerdotes ou anciãos e organizadas em tempos de grande calamidade pública, tais como guerra, seca, fome, peste, pragas na lavoura, cativeiro (exílio). As lamentações do indivíduo eram manifestações espontâneas de protesto e de acusação diante de situações de adversidade que se abatem sobre o indivíduo, como doença, miséria, perseguição religiosa e política. Caracterizam as lamentações do indivíduo: exclamações provenientes da mais profunda miséria humana, seguidas de uma expressão de confiança a Deus, ameaças e desejo de vingança e, por fim, resposta à garantia de atendimento. As confissões alternam-se entre monólogo e colóquio. Seus textos são poéticos, bem elaborados e impressionam por seu vigor e pela forma humana como expõem os seus conflitos, suas lutas, seus temores contra um mundo que o ameaçava e sua angústia e sede por justiça. A maior tristeza de Jeremias era a rejeição à sua mensagem profética (17.15). De uma parte, Jeremias consola-se em saber que, por causa de Deus, sofre perseguição (15.15); de outra, já não suporta mais a sua existência, porque, durante todo o tempo, sua missão profética torna-se motivo de humilhação e perseguição (20.8; 32.2-5; 37.11-16). Atacado por todos, é constantemente afligido pelo medo. Ele sente que ninguém o compreende ou aceita, que todos o rejeitam. A resposta de Deus torna-se seu único apoio (15.19-21). Entre monólogos e colóquios, ora Deus parece estar ausente, indiferente aos acontecimentos, ora revela-se presente, pronto para proteger a vida do profeta. A omissão de Deus diante do sofrimento humano pode levar a uma idéia de que Deus gosta de ver seu povo sofrer. Conforme Dorothee Sölle: O cristianismo possui também elementos sadomasoquistas (...). De muitas formas ele anunciou um Deus que faz os inocentes sofrerem e que os tortura com o fim de castigá-los, purificá-los e prová-los. Um Senhor todo-poderoso e
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onipotente que, se quisesse, poderia mudar o sofrimento, mas que prefere esperar. (Sölle, p. 457)
As confissões de Jeremias testemunham sua experiência de oração. Ele tem liberdade de dizer o que o sufoca diante daquele que ouve suas preces secretamente e as responde publicamente. Nas Confissões de Jeremias, vemos que não é apenas o ser humano que se relaciona com total franqueza com Deus; o próprio Deus se relaciona com o ser humano. Walter Altmann lembra da controvérsia que houve entre Lutero e Erasmo, em que o reformador fez a distinção entre Deus absconditus (oculto) e Deus revelatus (revelado). Lutero afirma: Ele (Deus) está em toda parte, mas não quer que tateies por toda parte à sua procura (Altmann, p. 49). Nos momentos em que está abandonado e sofre dura perseguição, Jeremias queixa-se e protesta contra Deus. Exige que Deus se revele, que dê respostas claras e vingue seus perseguidores. Mas, muitas vezes, Deus parece estar alheio à miséria humana. Como diante de um ribeiro seco, a esperança parece dissipar-se. Conforme Altmann, a grande dúvida dessa duplicidade está na pergunta onde e como Deus pode ser encontrado. Como ter certeza de que Deus está agindo se a experiência vivida é marcada pela fome, doença, perseguição, injustiça e até mesmo pela morte? Se, de uma parte, pouco podemos saber do agir de Deus todo-poderoso, em quem somente nos resta confiar através da fé, de outra parte, Deus se deu a conhecer e se definiu na fraqueza de Cristo. Em Cristo, o crucificado, conhecemos Deus que chora, lamenta e geme com o ser humano em seu sofrimento e desesperança, em sua humilhação e pobreza, fraqueza e marginalização. Conforme Lutero: Assim ele, o crucificado, é a contradição de Deus contra todos os que querem prescrever a Deus sua própria justiça, sua própria sabedoria, seus próprios alvos. O crucifixus é o protesto de Deus, é o sinal de que Deus é o senhor, é o rechaço de todos aqueles que não são os seus, é o juízo sobre toda piedade falsa, pois nele, no crucifixus, está julgado tudo quanto pretende ser elevado, nobre, piedoso e verdadeiro neste mundo, sem Cristo. (Altmann, p. 50)
5 Jeremias e sua mensagem hoje A leitura do profeta Jeremias confronta-nos com o nosso modo de viver, a forma como testemunhamos esperança, como nos entendemos como sociedade e como anda nosso relacionamento com Deus. Nossa relação com Deus se apóia na sua oferta de salvação por meio de Jesus Cristo. Seguir a Cristo é estar marcado pela cruz (Mt 16.21-26). Para nós, pessoas cristãs, a
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martírio. Jeremias fez a experiência fracassada de oposição aos projetos do reinado.
4 Confissões de Jeremias profecia no sofrimento As confissões de Jeremias, também conhecidas como lamentações, apresentam um vínculo estreito entre o ministério profético e a pessoa do profeta. Em seus desabafos e queixas, o homem Jeremias revela-se sensível e frágil, enérgico e corajoso, engajado e comprometido com a palavra libertadora de Deus. Conforme Nelson Kirst, o gênero de lamentações pode ser classificado em dois tipos: lamentações do povo e lamentações do indivíduo. As lamentações do povo eram cerimônias dirigidas por reis, sacerdotes ou anciãos e organizadas em tempos de grande calamidade pública, tais como guerra, seca, fome, peste, pragas na lavoura, cativeiro (exílio). As lamentações do indivíduo eram manifestações espontâneas de protesto e de acusação diante de situações de adversidade que se abatem sobre o indivíduo, como doença, miséria, perseguição religiosa e política. Caracterizam as lamentações do indivíduo: exclamações provenientes da mais profunda miséria humana, seguidas de uma expressão de confiança a Deus, ameaças e desejo de vingança e, por fim, resposta à garantia de atendimento. As confissões alternam-se entre monólogo e colóquio. Seus textos são poéticos, bem elaborados e impressionam por seu vigor e pela forma humana como expõem os seus conflitos, suas lutas, seus temores contra um mundo que o ameaçava e sua angústia e sede por justiça. A maior tristeza de Jeremias era a rejeição à sua mensagem profética (17.15). De uma parte, Jeremias consola-se em saber que, por causa de Deus, sofre perseguição (15.15); de outra, já não suporta mais a sua existência, porque, durante todo o tempo, sua missão profética torna-se motivo de humilhação e perseguição (20.8; 32.2-5; 37.11-16). Atacado por todos, é constantemente afligido pelo medo. Ele sente que ninguém o compreende ou aceita, que todos o rejeitam. A resposta de Deus torna-se seu único apoio (15.19-21). Entre monólogos e colóquios, ora Deus parece estar ausente, indiferente aos acontecimentos, ora revela-se presente, pronto para proteger a vida do profeta. A omissão de Deus diante do sofrimento humano pode levar a uma idéia de que Deus gosta de ver seu povo sofrer. Conforme Dorothee Sölle: O cristianismo possui também elementos sadomasoquistas (...). De muitas formas ele anunciou um Deus que faz os inocentes sofrerem e que os tortura com o fim de castigá-los, purificá-los e prová-los. Um Senhor todo-poderoso e
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onipotente que, se quisesse, poderia mudar o sofrimento, mas que prefere esperar. (Sölle, p. 457)
As confissões de Jeremias testemunham sua experiência de oração. Ele tem liberdade de dizer o que o sufoca diante daquele que ouve suas preces secretamente e as responde publicamente. Nas Confissões de Jeremias, vemos que não é apenas o ser humano que se relaciona com total franqueza com Deus; o próprio Deus se relaciona com o ser humano. Walter Altmann lembra da controvérsia que houve entre Lutero e Erasmo, em que o reformador fez a distinção entre Deus absconditus (oculto) e Deus revelatus (revelado). Lutero afirma: Ele (Deus) está em toda parte, mas não quer que tateies por toda parte à sua procura (Altmann, p. 49). Nos momentos em que está abandonado e sofre dura perseguição, Jeremias queixa-se e protesta contra Deus. Exige que Deus se revele, que dê respostas claras e vingue seus perseguidores. Mas, muitas vezes, Deus parece estar alheio à miséria humana. Como diante de um ribeiro seco, a esperança parece dissipar-se. Conforme Altmann, a grande dúvida dessa duplicidade está na pergunta onde e como Deus pode ser encontrado. Como ter certeza de que Deus está agindo se a experiência vivida é marcada pela fome, doença, perseguição, injustiça e até mesmo pela morte? Se, de uma parte, pouco podemos saber do agir de Deus todo-poderoso, em quem somente nos resta confiar através da fé, de outra parte, Deus se deu a conhecer e se definiu na fraqueza de Cristo. Em Cristo, o crucificado, conhecemos Deus que chora, lamenta e geme com o ser humano em seu sofrimento e desesperança, em sua humilhação e pobreza, fraqueza e marginalização. Conforme Lutero: Assim ele, o crucificado, é a contradição de Deus contra todos os que querem prescrever a Deus sua própria justiça, sua própria sabedoria, seus próprios alvos. O crucifixus é o protesto de Deus, é o sinal de que Deus é o senhor, é o rechaço de todos aqueles que não são os seus, é o juízo sobre toda piedade falsa, pois nele, no crucifixus, está julgado tudo quanto pretende ser elevado, nobre, piedoso e verdadeiro neste mundo, sem Cristo. (Altmann, p. 50)
5 Jeremias e sua mensagem hoje A leitura do profeta Jeremias confronta-nos com o nosso modo de viver, a forma como testemunhamos esperança, como nos entendemos como sociedade e como anda nosso relacionamento com Deus. Nossa relação com Deus se apóia na sua oferta de salvação por meio de Jesus Cristo. Seguir a Cristo é estar marcado pela cruz (Mt 16.21-26). Para nós, pessoas cristãs, a
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cruz ocupa um lugar central em nossa fé. Ao longo da história do cristianismo, a imagem de Jesus na cruz tem recebido inúmeros sentidos. Em diferentes períodos, várias imagens da crucificação de Cristo têm ajudado a apregoar a passividade em meio a situações de opressão. A morte de Cristo, retratada de forma expiatória, não poucas vezes serviu e ainda serve para defender os interesses daqueles que têm causado sofrimento, justificando a pobreza, a violência, a discriminação, o desrespeito e a exclusão de pessoas individualmente e de grupos étnicos e sociais. A comemoração da semana santa foi mais incentivada no hemisfério sul do que no norte. Este incentivo reforça a compreensão de que o Deus dos pobres é sempre o Deus que sofre. Aceitar a cruz é interpretado no sentido de suportar pacientemente o jugo do opressor, calar-se diante de situações de injustiça ou renunciar ao prazer e à alegria de viver. Diante de realidades que necessitam ser transformadas, a imagem de Cristo, que tem seu corpo torturado na cruz, parece ter pouca chance de transmitir força de vida. Uma imagem de Cristo, a partir do testemunho do evangelho, não permite legitimar o sofrimento das pessoas pelo sofrimento de Jesus, e sim o anúncio da sua vitória sobre qualquer manifestação de morte que não seja natural. A consciência alegre e livre é despertada mais por meio de um Cristo vivificante, que supera situações de morte, do que por meio de um Cristo meramente sofredor passivo ou herói glorificado. Conforme o apóstolo Paulo, a loucura, o escândalo que a cruz provoca, está justamente no fato de Deus decepcionar toda a ambição humana de querer ser Deus. Essa imagem de Deus está relacionada com a fraqueza e o abandono. Deus se faz presente entre as pessoas consideradas loucas, fracas, humildes (1Co 1.18-29).
socialmente provocados. É preciso distinguir, na medida do possível, os dois tipos de sofrimento. Que sofrimentos fazem parte da vida? A dor causada por um espinho, a doença ou a própria morte, como parte do ciclo da vida. Que sofrimentos ameaçam a vida? Aqueles que são conseqüência do pecado humano, todas as formas de discriminação e destruição, a própria violência. Todo sofrimento torna-se uma cruz? Que significa carregar a própria cruz? A partir da leitura de Jr 15.15-21, vemos que o profeta não causou sofrimento para si próprio. De modo semelhante, também Jesus não buscou o sofrimento. Sua morte na cruz é conseqüência de sua fidelidade ao projeto de Deus. Quais são as cruzes do discipulado? A leitura do evangelho traz o dilema do discipulado. O comprometimento com o reino de Deus pode ter como conseqüência o sofrimento. Rm 12.1-8, tema do ano para a IECLB, mostra que o testemunho cristão precisa ser transformador. Como Jeremias em seu tempo, nós, em nosso tempo, somos desafiados a contestar situações que ameaçam a vida. Somos desafiados a agir na perspectiva de mudança de realidades e estruturas que produzem morte e violência. Na comunidade cristã, o corpo de Cristo, não pode haver isolamento, mas valorização dos diversos dons e solidariedade para com as pessoas que sofrem discriminação, violência, injustiça.
6 Sugestões para a mensagem Propomos distribuir rosas às pessoas presentes na celebração para o momento da reflexão. Rosas são flores bonitas e perfumadas. Gostamos de cultivá-las no jardim e as oferecemos em momentos especiais a pessoas que nos são queridas. Mas as rosas também têm espinhos. É preciso ter cuidado para lidar com os seus espinhos. Geralmente colocamos luvas para a poda e usamos uma embalagem para fazer o buquê. A pessoa que recebe as rosas ainda terá que ter algum cuidado com os espinhos. Mesmo assim, se algum espinho picar, não se queixará, pois espinhos fazem parte das rosas. Questões a partir da leitura de Mt 16.21-26: Há sofrimentos que fazem parte da vida humana e outros que são
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Bibliografia ALTMANN, Walter. Lutero e Libertação. Releitura de Lutero em perspectiva latino-americana. São Leopoldo/São Paulo: Sinodal/Ática, 1994. 352 p. BRENNER, Athalya (Org.). Profetas, a partir de uma leitura de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003, p. 347-373. DREHER, Martin Norberto. A redescoberta da Teologia da Cruz de Lutero no debate com a teologia da Libertação. São Leopoldo, Estudos Teológicos Vol./No. 34 (1994). p. 124139. KIRST, Nelson. Jeremias. Testos selecionados. São Leopoldo: Faculdade de Teologia, 1984. SKINNER, John. Jeremias. Profecia e religião. São Paulo: ASTE, 1996. SÖLLE, Dorothee. Sofrimento/sacrifício. In: GÖSSMANN, Elisabeth, WENDEL, Elisabeth Moltmann et al. (Orgs.) Dicionário de Teologia Feminista. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 456-458. WERNER, Wolfgang. Das Buch Jeremia. Kapitel 1-25. Stuttgart: Verlag Katholisches Bibelwerk GmbH, 1997. 220 p.
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cruz ocupa um lugar central em nossa fé. Ao longo da história do cristianismo, a imagem de Jesus na cruz tem recebido inúmeros sentidos. Em diferentes períodos, várias imagens da crucificação de Cristo têm ajudado a apregoar a passividade em meio a situações de opressão. A morte de Cristo, retratada de forma expiatória, não poucas vezes serviu e ainda serve para defender os interesses daqueles que têm causado sofrimento, justificando a pobreza, a violência, a discriminação, o desrespeito e a exclusão de pessoas individualmente e de grupos étnicos e sociais. A comemoração da semana santa foi mais incentivada no hemisfério sul do que no norte. Este incentivo reforça a compreensão de que o Deus dos pobres é sempre o Deus que sofre. Aceitar a cruz é interpretado no sentido de suportar pacientemente o jugo do opressor, calar-se diante de situações de injustiça ou renunciar ao prazer e à alegria de viver. Diante de realidades que necessitam ser transformadas, a imagem de Cristo, que tem seu corpo torturado na cruz, parece ter pouca chance de transmitir força de vida. Uma imagem de Cristo, a partir do testemunho do evangelho, não permite legitimar o sofrimento das pessoas pelo sofrimento de Jesus, e sim o anúncio da sua vitória sobre qualquer manifestação de morte que não seja natural. A consciência alegre e livre é despertada mais por meio de um Cristo vivificante, que supera situações de morte, do que por meio de um Cristo meramente sofredor passivo ou herói glorificado. Conforme o apóstolo Paulo, a loucura, o escândalo que a cruz provoca, está justamente no fato de Deus decepcionar toda a ambição humana de querer ser Deus. Essa imagem de Deus está relacionada com a fraqueza e o abandono. Deus se faz presente entre as pessoas consideradas loucas, fracas, humildes (1Co 1.18-29).
socialmente provocados. É preciso distinguir, na medida do possível, os dois tipos de sofrimento. Que sofrimentos fazem parte da vida? A dor causada por um espinho, a doença ou a própria morte, como parte do ciclo da vida. Que sofrimentos ameaçam a vida? Aqueles que são conseqüência do pecado humano, todas as formas de discriminação e destruição, a própria violência. Todo sofrimento torna-se uma cruz? Que significa carregar a própria cruz? A partir da leitura de Jr 15.15-21, vemos que o profeta não causou sofrimento para si próprio. De modo semelhante, também Jesus não buscou o sofrimento. Sua morte na cruz é conseqüência de sua fidelidade ao projeto de Deus. Quais são as cruzes do discipulado? A leitura do evangelho traz o dilema do discipulado. O comprometimento com o reino de Deus pode ter como conseqüência o sofrimento. Rm 12.1-8, tema do ano para a IECLB, mostra que o testemunho cristão precisa ser transformador. Como Jeremias em seu tempo, nós, em nosso tempo, somos desafiados a contestar situações que ameaçam a vida. Somos desafiados a agir na perspectiva de mudança de realidades e estruturas que produzem morte e violência. Na comunidade cristã, o corpo de Cristo, não pode haver isolamento, mas valorização dos diversos dons e solidariedade para com as pessoas que sofrem discriminação, violência, injustiça.
6 Sugestões para a mensagem Propomos distribuir rosas às pessoas presentes na celebração para o momento da reflexão. Rosas são flores bonitas e perfumadas. Gostamos de cultivá-las no jardim e as oferecemos em momentos especiais a pessoas que nos são queridas. Mas as rosas também têm espinhos. É preciso ter cuidado para lidar com os seus espinhos. Geralmente colocamos luvas para a poda e usamos uma embalagem para fazer o buquê. A pessoa que recebe as rosas ainda terá que ter algum cuidado com os espinhos. Mesmo assim, se algum espinho picar, não se queixará, pois espinhos fazem parte das rosas. Questões a partir da leitura de Mt 16.21-26: Há sofrimentos que fazem parte da vida humana e outros que são
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Bibliografia ALTMANN, Walter. Lutero e Libertação. Releitura de Lutero em perspectiva latino-americana. São Leopoldo/São Paulo: Sinodal/Ática, 1994. 352 p. BRENNER, Athalya (Org.). Profetas, a partir de uma leitura de gênero. São Paulo: Paulinas, 2003, p. 347-373. DREHER, Martin Norberto. A redescoberta da Teologia da Cruz de Lutero no debate com a teologia da Libertação. São Leopoldo, Estudos Teológicos Vol./No. 34 (1994). p. 124139. KIRST, Nelson. Jeremias. Testos selecionados. São Leopoldo: Faculdade de Teologia, 1984. SKINNER, John. Jeremias. Profecia e religião. São Paulo: ASTE, 1996. SÖLLE, Dorothee. Sofrimento/sacrifício. In: GÖSSMANN, Elisabeth, WENDEL, Elisabeth Moltmann et al. (Orgs.) Dicionário de Teologia Feminista. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 456-458. WERNER, Wolfgang. Das Buch Jeremia. Kapitel 1-25. Stuttgart: Verlag Katholisches Bibelwerk GmbH, 1997. 220 p.
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o
16 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
4 SET 2005
EZEQUIEL 33.7-9 ROMANOS 13.1-10
PRÉDICA: MATEUS 18.15-20 Ivoni Richter Reimer
1 O culto e os textos Estou concluindo este auxílio homilético no dia de abertura da Semana de Oração pela Unidade de Pessoas Cristãs. Para mim é uma feliz coincidência, pois um dos destaques dos textos bíblicos reside exatamente na unidade marcada pelo desafio da inclusão e do cuidado para com todos os pequeninos dentro e fora da igreja, principalmente para com quem erra, peca, se perde do rebanho... A igreja está conclamada a acolher e corrigir os malvados (Ez 33.7-9), buscando a unidade e a inclusão junto a quem se perde . É nesse sentido que podemos nos reportar a Rm 13.1-10, cuja concepção de exusía está subordinada a Deus, colocando, portanto, freio não apenas aos maus , mas também às próprias autoridades civis e religiosas , quando estas não trabalham pela justiça, sendo elas mesmas, assim, ilegítimas diante da fonte da qual procedem. O importante é acolher, corrigir, incluir por causa do amor que cumpre a Torá (Rm 13.8-10). Assim, o culto estará marcado pelo poder transformador do perdão, que pressupõe esforços, buscas e diálogos tanto por parte de quem sofre a ação do pecado como por quem peca.
2 Textos e contextos
nesse contexto, cada vez mais importantes. A afirmação de identidade é uma exigência não apenas interna, mas também externa, visto que agora esse grupo não mais está protegido pela religião judaica1, tida até então como lícita pelo Império Romano. Nesse novo momento histórico-religioso, o Evangelho de Mateus busca resgatar algumas características fundantes e fundamentais do movimento jesuânico: a participação de mulheres no seguimento e ministério de Jesus; a participação de pequeninos em termos sociais e generacionais; a observância cotidiana e prática da Torá para garantir a afirmação de identidade e convivência social com justiça.2
3 Contexto literário e fontes Em termos literários, a perícope de Mt 18.15-20 situa-se na terceira parte do evangelho (16.21-28.20), a qual coloca Jesus a caminho de Jerusalém. Este caminho está marcado por confrontos com autoridades, bem como por orientações de Jesus a suas discípulas e seus discípulos. Aqui, Jesus e seu grupo encontram-se em Cafarnaum, e é nesse contexto que se organiza o quarto discurso3, que visa orientar a comunidade sobre questões eclesiais (18.1-35) em situações de conflito. É importante destacar que para essa perícope não há paralelo sinótico, sendo material exclusivo para comunidades das quais e para as quais se escreve o Evangelho de Mateus.4 A fonte da qual se bebeu para construir esse texto jorra principalmente desde Lv 19 (interpretação dos mandamentos), sendo que Mt 18.15-20 apresenta um midrash altamente normativo para a vida sociorreligiosa dessas comunidades. Além disso, observa-se a lei acerca de testemunhas (Dt 19.14-21). Portanto, também através desse texto e da normatização da prática da correção e do perdão objetiva-se afirmar identidade a partir de origens judaicas.
Escrito em torno do ano 80, após a destruição de Jerusalém pelos romanos, o Evangelho de Mateus busca, mesmo que fragmentariamente, registrar a memória da história de Jesus de Nazaré junto com suas discípulas e seus discípulos. Este é, portanto, um escrito pós-guerra. Os judeu-cristãos tinham sobrevivido, porque fugiram de Jerusalém e se assentaram na região circunvizinha ou mais distante, talvez em Antioquia. É no contexto de perseguição, fuga, esconderijos e de resgate da memória histórica dos primeiros tempos que as comunidades judeu-cristãs terão que elaborar e efetivar outras formas e outros lugares de reunião, estudo, celebração e organização. As igrejas que se reúnem nas casas tornam-se,
Na Guerra Judaica, entre os grupos judeus organizados, sobreviveram apenas os fariseus, que começam a formatar, em Jâmnia, a partir de 80, o rabinismo formal. Decide-se, a partir do Concílio em Jâmnia, a expulsão dos nazarenos/nazireus (=judeu-cristãos) das sinagogas judaicas, também como forma de amainar conflitos de identidade religiosa junto às autoridades romanas. 2 É importante lembrar disso, porque na mesma época havia outras tendências e vivências, refletidas, p.ex., em literaturas deuteropaulinas e pastorais. 3 O Evangelho de Mateus contém cinco grandes discursos de Jesus: 5.1-7.29 (Sermão da Montanha); 9.36-10.42 (Instruções sobre Missão); 13.1-52 (Parábolas sobre o Reino); 18.1-35 (Instrução Eclesiológica); 24.1-25.46 (Discurso Apocalíptico). 4 Sem poder aqui discutir pormenores da estrutura, parece que Mt 18.15-20 forma uma inserção textual dentro desse discurso eclesial. Deve ter sido parte da tradição eclesial mataica e talvez foi colocado aqui exatamente por causa do cuidado com os pequenos , também os pecadores.
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PRÉDICA: MATEUS 18.15-20 Ivoni Richter Reimer
1 O culto e os textos Estou concluindo este auxílio homilético no dia de abertura da Semana de Oração pela Unidade de Pessoas Cristãs. Para mim é uma feliz coincidência, pois um dos destaques dos textos bíblicos reside exatamente na unidade marcada pelo desafio da inclusão e do cuidado para com todos os pequeninos dentro e fora da igreja, principalmente para com quem erra, peca, se perde do rebanho... A igreja está conclamada a acolher e corrigir os malvados (Ez 33.7-9), buscando a unidade e a inclusão junto a quem se perde . É nesse sentido que podemos nos reportar a Rm 13.1-10, cuja concepção de exusía está subordinada a Deus, colocando, portanto, freio não apenas aos maus , mas também às próprias autoridades civis e religiosas , quando estas não trabalham pela justiça, sendo elas mesmas, assim, ilegítimas diante da fonte da qual procedem. O importante é acolher, corrigir, incluir por causa do amor que cumpre a Torá (Rm 13.8-10). Assim, o culto estará marcado pelo poder transformador do perdão, que pressupõe esforços, buscas e diálogos tanto por parte de quem sofre a ação do pecado como por quem peca.
2 Textos e contextos
nesse contexto, cada vez mais importantes. A afirmação de identidade é uma exigência não apenas interna, mas também externa, visto que agora esse grupo não mais está protegido pela religião judaica1, tida até então como lícita pelo Império Romano. Nesse novo momento histórico-religioso, o Evangelho de Mateus busca resgatar algumas características fundantes e fundamentais do movimento jesuânico: a participação de mulheres no seguimento e ministério de Jesus; a participação de pequeninos em termos sociais e generacionais; a observância cotidiana e prática da Torá para garantir a afirmação de identidade e convivência social com justiça.2
3 Contexto literário e fontes Em termos literários, a perícope de Mt 18.15-20 situa-se na terceira parte do evangelho (16.21-28.20), a qual coloca Jesus a caminho de Jerusalém. Este caminho está marcado por confrontos com autoridades, bem como por orientações de Jesus a suas discípulas e seus discípulos. Aqui, Jesus e seu grupo encontram-se em Cafarnaum, e é nesse contexto que se organiza o quarto discurso3, que visa orientar a comunidade sobre questões eclesiais (18.1-35) em situações de conflito. É importante destacar que para essa perícope não há paralelo sinótico, sendo material exclusivo para comunidades das quais e para as quais se escreve o Evangelho de Mateus.4 A fonte da qual se bebeu para construir esse texto jorra principalmente desde Lv 19 (interpretação dos mandamentos), sendo que Mt 18.15-20 apresenta um midrash altamente normativo para a vida sociorreligiosa dessas comunidades. Além disso, observa-se a lei acerca de testemunhas (Dt 19.14-21). Portanto, também através desse texto e da normatização da prática da correção e do perdão objetiva-se afirmar identidade a partir de origens judaicas.
Escrito em torno do ano 80, após a destruição de Jerusalém pelos romanos, o Evangelho de Mateus busca, mesmo que fragmentariamente, registrar a memória da história de Jesus de Nazaré junto com suas discípulas e seus discípulos. Este é, portanto, um escrito pós-guerra. Os judeu-cristãos tinham sobrevivido, porque fugiram de Jerusalém e se assentaram na região circunvizinha ou mais distante, talvez em Antioquia. É no contexto de perseguição, fuga, esconderijos e de resgate da memória histórica dos primeiros tempos que as comunidades judeu-cristãs terão que elaborar e efetivar outras formas e outros lugares de reunião, estudo, celebração e organização. As igrejas que se reúnem nas casas tornam-se,
Na Guerra Judaica, entre os grupos judeus organizados, sobreviveram apenas os fariseus, que começam a formatar, em Jâmnia, a partir de 80, o rabinismo formal. Decide-se, a partir do Concílio em Jâmnia, a expulsão dos nazarenos/nazireus (=judeu-cristãos) das sinagogas judaicas, também como forma de amainar conflitos de identidade religiosa junto às autoridades romanas. 2 É importante lembrar disso, porque na mesma época havia outras tendências e vivências, refletidas, p.ex., em literaturas deuteropaulinas e pastorais. 3 O Evangelho de Mateus contém cinco grandes discursos de Jesus: 5.1-7.29 (Sermão da Montanha); 9.36-10.42 (Instruções sobre Missão); 13.1-52 (Parábolas sobre o Reino); 18.1-35 (Instrução Eclesiológica); 24.1-25.46 (Discurso Apocalíptico). 4 Sem poder aqui discutir pormenores da estrutura, parece que Mt 18.15-20 forma uma inserção textual dentro desse discurso eclesial. Deve ter sido parte da tradição eclesial mataica e talvez foi colocado aqui exatamente por causa do cuidado com os pequenos , também os pecadores.
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4 Conteúdos de vida e morte Abrindo a porta O texto evidencia que há problemas de relacionamento com os menores , os pequenos , os devedores no seio da comunidade. O indício é que há práticas de exclusão, um processo de limpeza eclesial por meio da condenação sumária de quem erra, de quem peca. O tema pecado , nesse contexto, deve ser entendido a partir de sua fonte (Lv 19), referindo-se, pois, a práticas de não-cumprimento do Decálogo. O texto e esse processo de exclusão demonstram que, mesmo sendo um grupo majoritariamente de gente marginalizada e oprimida em seu contexto histórico-social, os problemas comunitários internos refletem uma dinâmica semelhante aos problemas e processos de opressão externa. Repete-se, aqui, o que se vivencia ali. Para dentro dessa situação de conflito, o objetivo é orientar, colocar limites normativos de comportamento e de ética eclesial, afirmando uma identidade diferencial dentro de um contexto hostil. Eixo temático dos textos, principalmente de pregação dentro do contexto maior, é o cuidado especial para com os pequenos na comunidade eclesial e social (18.1-5; 18.6,10,14). Nesse sentido, 18.14 serve como ponte para 18.15 com uma novidade temática: nossa perícope introduz a realidade específica do pecado. A partir do contexto literário podemos entender que, para Mateus, neste caso, quem peca também faz parte dos pequenos , que merecem cuidado, acolhida, enfim, perdão, porque Deus não quer que nenhuma pessoa se perca! A graça do perdão de Deus, por isso e nesse sentido, também depende do nosso esforço e estratégica competência evangélica em salvar quem peca entre nós, em relação a nós e a nós mesmos (porque também nós pecamos). A orientação básica é que a prática comunitária deve voltar-se sempre com maior cuidado para os pequenos . O ponto referencial para uma ação comprometida com o reino de Deus está sempre embaixo , afirmando-se uma inversão de valores existentes naquele sistema que acabou de vencer o povo de Deus por meio da força das armas. Nisto reside uma das práticas de resistência desses grupos pós-guerra, que dão continuidade ao movimento de Jesus. O recado é: que não se repita em nosso meio o que acontece sob o manto dos poderosos. O cuidado, a opção pelos pequenos deve ser a marca eclesial. Desta marca fazem parte seguindo a estrutura do discurso eclesial a cidadania da criança, a aceitação incondicional de pessoas marginalizadas e que se perdem , a festa em processos de acolhida, a correção mútua, o perdão de todas as dívidas. Afirmando a continuidade da história de Deus com seu povo, a comunidade judeu-cristã ligada ao Evangelho de Mateus compreende-se como igreja/ povo convocado pelo Senhor (kahal LXX), que, de maneira escatológica, prenuncia, vivendo já agora, o reino de Deus inaugurado pelo
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Messias Jesus de Nazaré (Goppelt, p. 264-266). Assim, por intermédio do Jesus Messias, a comunidade judeu-cristã sabe-se inserida no povo de Deus. Nessa continuidade escatológica, igreja quer se construir como um lugar de engendrar e vivenciar processos e espaços alternativos que fluem e agem na contramão da história que se impõe. Não se trata de adaptação, nem assimilação, tampouco inculturação.5 Aqui se elabora um processo de contraprodução, de contracultura, de experimento do reino de Deus. Essa organização eclesial cria, dentro do mesmo espaço habitado pelo sistema, outros espaços de sobrevivência, de sobrevida, de nova vida, colocando-se como diácona de Deus. Esta é a proposta do discurso eclesial em Mateus. A radicalidade do amor-diaconia, da solidariedade para com os pequenos, que os torna sujeitos de sua própria vida, é tão grande que exige a retirada das pedras de tropeço (18.6-9). O que se propõe para a igreja, de acordo com o Evangelho de Mateus, não é uma porção de atitudes reparatórias , mas preventivas: para que o dano nem venha a acontecer e que o corpo todo seja salvo. A comunidade, porém, vivencia a realidade de que o dano de fato continua acontecendo. O amor nem sempre vence o medo, o ódio, a ganância. As pessoas erram, se perdem, pecam. E então como a pessoa lesada, a comunidade e a igreja devem agir? Aqui o texto para pregação responde com a correção irmanal, o perdão e a reelaboração de compromissos.
5 Correção, perdão e compromisso Adentrando na casa O texto de Mt 18.15-20 situa-se literariamente de forma estratégica no meio do discurso eclesial: é como uma mola propulsora que, bem ancorada e equilibrada, dá o impulso exato e necessário para a direção pretendida. A base e o equilíbrio estão dados pela gratuidade de Deus, elaborada em 18.114: a acolhida e aceitação de pequenos e perdidos. A direção pretendida é a construção de relações socioeclesiais qualitativas, que testemunhem a presença redentora de Deus. Assim como Deus me/nos trata, assim é preciso tratar as outras pessoas. Caso contrário, Deus retirará de mim/nós o bem já recebido (18.23-35).6 Qual e o que seria, então, em nossa figura, a mola propulsora? Exatamente a disposição de investir tempo e esforços para com aquelas pessoas que erram, que pecam em relação a mim/nós e, portanto, Outras formas de elaborar organização socioeclesial, que assimilam dinâmicas sistêmicas de dominação, podem ser encontradas em outros textos bíblicos, como nos códigos domésticos de Cl 3; Ef 5; 1Pe 2-3. 6 Sobre esta lógica retributiva libertadora, veja REIMER, Haroldo; RICHTER REIMER, Ivoni, na interpretação de Mt 18.23-35. 5
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4 Conteúdos de vida e morte Abrindo a porta O texto evidencia que há problemas de relacionamento com os menores , os pequenos , os devedores no seio da comunidade. O indício é que há práticas de exclusão, um processo de limpeza eclesial por meio da condenação sumária de quem erra, de quem peca. O tema pecado , nesse contexto, deve ser entendido a partir de sua fonte (Lv 19), referindo-se, pois, a práticas de não-cumprimento do Decálogo. O texto e esse processo de exclusão demonstram que, mesmo sendo um grupo majoritariamente de gente marginalizada e oprimida em seu contexto histórico-social, os problemas comunitários internos refletem uma dinâmica semelhante aos problemas e processos de opressão externa. Repete-se, aqui, o que se vivencia ali. Para dentro dessa situação de conflito, o objetivo é orientar, colocar limites normativos de comportamento e de ética eclesial, afirmando uma identidade diferencial dentro de um contexto hostil. Eixo temático dos textos, principalmente de pregação dentro do contexto maior, é o cuidado especial para com os pequenos na comunidade eclesial e social (18.1-5; 18.6,10,14). Nesse sentido, 18.14 serve como ponte para 18.15 com uma novidade temática: nossa perícope introduz a realidade específica do pecado. A partir do contexto literário podemos entender que, para Mateus, neste caso, quem peca também faz parte dos pequenos , que merecem cuidado, acolhida, enfim, perdão, porque Deus não quer que nenhuma pessoa se perca! A graça do perdão de Deus, por isso e nesse sentido, também depende do nosso esforço e estratégica competência evangélica em salvar quem peca entre nós, em relação a nós e a nós mesmos (porque também nós pecamos). A orientação básica é que a prática comunitária deve voltar-se sempre com maior cuidado para os pequenos . O ponto referencial para uma ação comprometida com o reino de Deus está sempre embaixo , afirmando-se uma inversão de valores existentes naquele sistema que acabou de vencer o povo de Deus por meio da força das armas. Nisto reside uma das práticas de resistência desses grupos pós-guerra, que dão continuidade ao movimento de Jesus. O recado é: que não se repita em nosso meio o que acontece sob o manto dos poderosos. O cuidado, a opção pelos pequenos deve ser a marca eclesial. Desta marca fazem parte seguindo a estrutura do discurso eclesial a cidadania da criança, a aceitação incondicional de pessoas marginalizadas e que se perdem , a festa em processos de acolhida, a correção mútua, o perdão de todas as dívidas. Afirmando a continuidade da história de Deus com seu povo, a comunidade judeu-cristã ligada ao Evangelho de Mateus compreende-se como igreja/ povo convocado pelo Senhor (kahal LXX), que, de maneira escatológica, prenuncia, vivendo já agora, o reino de Deus inaugurado pelo
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Messias Jesus de Nazaré (Goppelt, p. 264-266). Assim, por intermédio do Jesus Messias, a comunidade judeu-cristã sabe-se inserida no povo de Deus. Nessa continuidade escatológica, igreja quer se construir como um lugar de engendrar e vivenciar processos e espaços alternativos que fluem e agem na contramão da história que se impõe. Não se trata de adaptação, nem assimilação, tampouco inculturação.5 Aqui se elabora um processo de contraprodução, de contracultura, de experimento do reino de Deus. Essa organização eclesial cria, dentro do mesmo espaço habitado pelo sistema, outros espaços de sobrevivência, de sobrevida, de nova vida, colocando-se como diácona de Deus. Esta é a proposta do discurso eclesial em Mateus. A radicalidade do amor-diaconia, da solidariedade para com os pequenos, que os torna sujeitos de sua própria vida, é tão grande que exige a retirada das pedras de tropeço (18.6-9). O que se propõe para a igreja, de acordo com o Evangelho de Mateus, não é uma porção de atitudes reparatórias , mas preventivas: para que o dano nem venha a acontecer e que o corpo todo seja salvo. A comunidade, porém, vivencia a realidade de que o dano de fato continua acontecendo. O amor nem sempre vence o medo, o ódio, a ganância. As pessoas erram, se perdem, pecam. E então como a pessoa lesada, a comunidade e a igreja devem agir? Aqui o texto para pregação responde com a correção irmanal, o perdão e a reelaboração de compromissos.
5 Correção, perdão e compromisso Adentrando na casa O texto de Mt 18.15-20 situa-se literariamente de forma estratégica no meio do discurso eclesial: é como uma mola propulsora que, bem ancorada e equilibrada, dá o impulso exato e necessário para a direção pretendida. A base e o equilíbrio estão dados pela gratuidade de Deus, elaborada em 18.114: a acolhida e aceitação de pequenos e perdidos. A direção pretendida é a construção de relações socioeclesiais qualitativas, que testemunhem a presença redentora de Deus. Assim como Deus me/nos trata, assim é preciso tratar as outras pessoas. Caso contrário, Deus retirará de mim/nós o bem já recebido (18.23-35).6 Qual e o que seria, então, em nossa figura, a mola propulsora? Exatamente a disposição de investir tempo e esforços para com aquelas pessoas que erram, que pecam em relação a mim/nós e, portanto, Outras formas de elaborar organização socioeclesial, que assimilam dinâmicas sistêmicas de dominação, podem ser encontradas em outros textos bíblicos, como nos códigos domésticos de Cl 3; Ef 5; 1Pe 2-3. 6 Sobre esta lógica retributiva libertadora, veja REIMER, Haroldo; RICHTER REIMER, Ivoni, na interpretação de Mt 18.23-35. 5
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também em relação a Deus. O resultado desse esforço, que se espera positivo, será testemunho para a própria ação de Deus, que serve de base para toda a estrutura desse empreendimento. Vejamos alguns detalhes do texto de pregação: v. 15: introduz o tema do pecado no discurso eclesial, e a preocupação está em orientar a pessoa e a comunidade a acharem o perdido e ganhá-lo de volta, questionando, com isso, a prática da exclusão, da excomunhão (veja Mt 18.10-14), que talvez estivesse acontecendo e espelhando um dos problemas comunitários. Referindo-se a Lv 19.17-18, recorda-se o mandamento áureo do amor ao próximo, também ao inimigo. Mt 18.15 aposta no resultado positivo dessa primeira investida. v. 16: parte da eventualidade de fracasso no diálogo pessoal com quem cometeu pecado. Recomenda, somente neste caso, levar uma ou duas testemunhas para a conversa reconciliatória (Dt 19.14-21). Levar testemunhas era uma prática judaico-rabínica, e elas tinham uma função específica: auxiliar na admoestação da pessoa pecadora com o objetivo de dificultar e preferencialmente impedir sua condenação. v. 17: não mais pressupõe, positivamente como no v. 15, que esse procedimento tenha êxito. Por isso, somente agora a igreja deve ser informada, como última instância. E somente ante a possibilidade de fracasso diante da igreja/comunidade reunida, na busca por reconciliação, deverá acontecer a exclusão. O sentido da exclusão está dado com a utilização dos termos gentio e publicano : trata-se de gente com quem não queremos nos relacionar. O texto não contém nenhuma norma de como se concretiza a exclusão, mas parece que, neste caso, ela é definitiva (diferente de 1Co 5.5 e 2Co 2.7-10, onde a porta do juízo final ainda permanece aberta). v. 18: abre uma nova pequena unidade. Por causa da gravidade da definitiva situação de exclusão, são introduzidas as palavras em verdade vos digo , que têm função normativa e são seguidas pelos termos ligar e desligar , as quais reforçam a decisão legal tomada pela igreja (v. 17). Trata-se aqui de termos sinônimos para reter pecado ou perdoar. Essa decisão mostra ou busca evidenciar o peso institucional já existente no final do século 1, mesmo que de forma incipiente: essa decisão eclesial não se restringe às relações na terra, mas invade as realidades celestiais; vale para o aqui e agora e para o além e eterno. O poder é total, legitimado pela fórmula quiriacal introdutória. Tudo indica que essa estratégia pudesse servir como modelo pedagógico para prevenir e evitar exclusões. Infelizmente, o texto não informa sobre a especificidade das ações e dos sujeitos transgressores, sendo que não podemos ter um quadro mais claro da realidade e dos problemas daquela(s) comunidade(s). Para encerrar, os v. 19-20 novamente introduzem a fórmula quiriacal para dar autoridade ao novo assunto: o destaque é numérico e aposta na unidade ou unanimidade daquilo que se quer, se pede. A oração é prática
judaico-cristã, e seu atendimento está ligado e até depende da prática comunitária. Aqui se trata da oração em favor da reconciliação de pessoas que pecam e com isso dividem a comunidade. Essa oração, portanto, deve fazer parte da agenda comunitária. E comunidade existe a partir de duas ou três pessoas. Não mais são necessárias nem sequer dez pessoas (número necessário para o culto sinagogal) para que o culto a Deus aconteça. Na verdade, para Jesus não importa a quantidade, mas a qualidade. Esta qualidade repercutirá por si própria e testemunhará do amor disposto à reconciliação. A marca dessa qualidade fica registrada com em meu nome , um acento cristológico que sustenta tanto a vida cotidiana como a prática cultual, que dá sentido tanto à diaconia diária quanto à diaconia dominical. Cristologicamente isto significa, para o Evangelho de Mateus, relembrar o Deus Conosco, Emanuel. Sabemos que Mt 18.20 é por demais conhecido. Por isso será importante resgatá-lo no contexto da perícope: a presença de Cristo não se restringe ao número reunido dominicalmente e não serve para justificar o pequeno número de membros de uma comunidade/paróquia, mas marca exatamente o jeito como celebramos a vida, resolvendo conflitos cotidianos, movidos por atitudes de diálogo pessoal e comunitário, que objetivam processos de perdão, de inclusão. Assim como Deus, também nós devemos alegrar-nos somente com a inclusão, com o encontrar e ganhar quem está perdido , e não com sua condenação e exclusão.
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6 Abrindo janelas O encontro na palavra O culto todo deverá ser diaconia que objetiva reconciliação. Os hinos, as orações, alguns símbolos podem destacar essa postura. Para a pregação, sugiro que se utilize a imagem da mola propulsora para ilustrar a temática e a dinâmica de trabalhar situações de conflito (como elucidado acima), objetivando testemunho eficaz. A fim de encorajar as pessoas para esse processo, poderão ser elaborados/renovados alguns compromissos comunitários (talvez em forma de oração ou um painel ou jogral, elaborados por grupos da comunidade). Enfim, é bom recordar que não são somente os malvados ou os maus que pecam, mas, conforme Paulo e Lutero, não há sequer uma pessoa justa, e todos nós carecemos da graça e do perdão cotidianos eternamente.
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também em relação a Deus. O resultado desse esforço, que se espera positivo, será testemunho para a própria ação de Deus, que serve de base para toda a estrutura desse empreendimento. Vejamos alguns detalhes do texto de pregação: v. 15: introduz o tema do pecado no discurso eclesial, e a preocupação está em orientar a pessoa e a comunidade a acharem o perdido e ganhá-lo de volta, questionando, com isso, a prática da exclusão, da excomunhão (veja Mt 18.10-14), que talvez estivesse acontecendo e espelhando um dos problemas comunitários. Referindo-se a Lv 19.17-18, recorda-se o mandamento áureo do amor ao próximo, também ao inimigo. Mt 18.15 aposta no resultado positivo dessa primeira investida. v. 16: parte da eventualidade de fracasso no diálogo pessoal com quem cometeu pecado. Recomenda, somente neste caso, levar uma ou duas testemunhas para a conversa reconciliatória (Dt 19.14-21). Levar testemunhas era uma prática judaico-rabínica, e elas tinham uma função específica: auxiliar na admoestação da pessoa pecadora com o objetivo de dificultar e preferencialmente impedir sua condenação. v. 17: não mais pressupõe, positivamente como no v. 15, que esse procedimento tenha êxito. Por isso, somente agora a igreja deve ser informada, como última instância. E somente ante a possibilidade de fracasso diante da igreja/comunidade reunida, na busca por reconciliação, deverá acontecer a exclusão. O sentido da exclusão está dado com a utilização dos termos gentio e publicano : trata-se de gente com quem não queremos nos relacionar. O texto não contém nenhuma norma de como se concretiza a exclusão, mas parece que, neste caso, ela é definitiva (diferente de 1Co 5.5 e 2Co 2.7-10, onde a porta do juízo final ainda permanece aberta). v. 18: abre uma nova pequena unidade. Por causa da gravidade da definitiva situação de exclusão, são introduzidas as palavras em verdade vos digo , que têm função normativa e são seguidas pelos termos ligar e desligar , as quais reforçam a decisão legal tomada pela igreja (v. 17). Trata-se aqui de termos sinônimos para reter pecado ou perdoar. Essa decisão mostra ou busca evidenciar o peso institucional já existente no final do século 1, mesmo que de forma incipiente: essa decisão eclesial não se restringe às relações na terra, mas invade as realidades celestiais; vale para o aqui e agora e para o além e eterno. O poder é total, legitimado pela fórmula quiriacal introdutória. Tudo indica que essa estratégia pudesse servir como modelo pedagógico para prevenir e evitar exclusões. Infelizmente, o texto não informa sobre a especificidade das ações e dos sujeitos transgressores, sendo que não podemos ter um quadro mais claro da realidade e dos problemas daquela(s) comunidade(s). Para encerrar, os v. 19-20 novamente introduzem a fórmula quiriacal para dar autoridade ao novo assunto: o destaque é numérico e aposta na unidade ou unanimidade daquilo que se quer, se pede. A oração é prática
judaico-cristã, e seu atendimento está ligado e até depende da prática comunitária. Aqui se trata da oração em favor da reconciliação de pessoas que pecam e com isso dividem a comunidade. Essa oração, portanto, deve fazer parte da agenda comunitária. E comunidade existe a partir de duas ou três pessoas. Não mais são necessárias nem sequer dez pessoas (número necessário para o culto sinagogal) para que o culto a Deus aconteça. Na verdade, para Jesus não importa a quantidade, mas a qualidade. Esta qualidade repercutirá por si própria e testemunhará do amor disposto à reconciliação. A marca dessa qualidade fica registrada com em meu nome , um acento cristológico que sustenta tanto a vida cotidiana como a prática cultual, que dá sentido tanto à diaconia diária quanto à diaconia dominical. Cristologicamente isto significa, para o Evangelho de Mateus, relembrar o Deus Conosco, Emanuel. Sabemos que Mt 18.20 é por demais conhecido. Por isso será importante resgatá-lo no contexto da perícope: a presença de Cristo não se restringe ao número reunido dominicalmente e não serve para justificar o pequeno número de membros de uma comunidade/paróquia, mas marca exatamente o jeito como celebramos a vida, resolvendo conflitos cotidianos, movidos por atitudes de diálogo pessoal e comunitário, que objetivam processos de perdão, de inclusão. Assim como Deus, também nós devemos alegrar-nos somente com a inclusão, com o encontrar e ganhar quem está perdido , e não com sua condenação e exclusão.
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6 Abrindo janelas O encontro na palavra O culto todo deverá ser diaconia que objetiva reconciliação. Os hinos, as orações, alguns símbolos podem destacar essa postura. Para a pregação, sugiro que se utilize a imagem da mola propulsora para ilustrar a temática e a dinâmica de trabalhar situações de conflito (como elucidado acima), objetivando testemunho eficaz. A fim de encorajar as pessoas para esse processo, poderão ser elaborados/renovados alguns compromissos comunitários (talvez em forma de oração ou um painel ou jogral, elaborados por grupos da comunidade). Enfim, é bom recordar que não são somente os malvados ou os maus que pecam, mas, conforme Paulo e Lutero, não há sequer uma pessoa justa, e todos nós carecemos da graça e do perdão cotidianos eternamente.
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17o DOMINGO APÓS PENTECOSTE
Bibliografia GOPPELT, Leonardo. Teologia do Novo Testamento. Vol. I: Jesus e a Comunidade Primitiva (Tradução de Martin Dreher). São Leopoldo; Petrópolis: Sinodal; Vozes, 1976. MOLZ, Cláudio. 16º Domingo após Pentecoste. Prédica: Ezequiel 33.7-9. In: Verner HOEFELMANN; João A. M. da SILVA (org.), Proclamar Libertação, vol. 27. São Leopoldo: Sinodal; IEPG, 2001. p. 230-236. REIMER, Haroldo; RICHTER REIMER, Ivoni. Tempos de Graça. O Jubileu e as tradições jubilares na Bíblia. São Leopoldo; São Paulo: CEBI; Paulus; Sinodal, 2000. RICHARD, Pablo (org.). O Evangelho de Mateus. A igreja de Jesus, utopia de uma igreja nova. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, vol. 27. São Leopoldo; Petrópolis: Sinodal; Vozes, 1997.
11 SET 2005
GÊNESIS 50.15-21 ROMANOS 14.5-9
PRÉDICA: MATEUS 18.21-35 Almir dos Santos
Deus é comunidade de amor. E o Deus do perdão
1 Introdução Quando o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza infinita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra de Deus . Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso eu para um tu e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impresso em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão: a Trindade. Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo. Buscar a Deus Em nossa vida cotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito complicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Amor este que envolve o perdoar. Devemos voltar-nos para essa luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. Gostaríamos de poder dizer: Aqui está Deus; Deus é assim... . Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e oculta-se naqueles que precisam de nós e diz: Buscai-me aqui . Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada novo dia. Diante disso, podemos entoar esta antífona: Bendito seja Deus Pai, Bendito o Filho unigênito E bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco ... e fazer esta oração: Oh Deus, nosso Pai, enviado ao mundo, a Palavra da verdade e o Espírito Santificador, revelaste aos homens teu inefável mistério.
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Bibliografia GOPPELT, Leonardo. Teologia do Novo Testamento. Vol. I: Jesus e a Comunidade Primitiva (Tradução de Martin Dreher). São Leopoldo; Petrópolis: Sinodal; Vozes, 1976. MOLZ, Cláudio. 16º Domingo após Pentecoste. Prédica: Ezequiel 33.7-9. In: Verner HOEFELMANN; João A. M. da SILVA (org.), Proclamar Libertação, vol. 27. São Leopoldo: Sinodal; IEPG, 2001. p. 230-236. REIMER, Haroldo; RICHTER REIMER, Ivoni. Tempos de Graça. O Jubileu e as tradições jubilares na Bíblia. São Leopoldo; São Paulo: CEBI; Paulus; Sinodal, 2000. RICHARD, Pablo (org.). O Evangelho de Mateus. A igreja de Jesus, utopia de uma igreja nova. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, vol. 27. São Leopoldo; Petrópolis: Sinodal; Vozes, 1997.
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GÊNESIS 50.15-21 ROMANOS 14.5-9
PRÉDICA: MATEUS 18.21-35 Almir dos Santos
Deus é comunidade de amor. E o Deus do perdão
1 Introdução Quando o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza infinita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra de Deus . Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso eu para um tu e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impresso em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão: a Trindade. Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo. Buscar a Deus Em nossa vida cotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito complicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Amor este que envolve o perdoar. Devemos voltar-nos para essa luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. Gostaríamos de poder dizer: Aqui está Deus; Deus é assim... . Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e oculta-se naqueles que precisam de nós e diz: Buscai-me aqui . Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada novo dia. Diante disso, podemos entoar esta antífona: Bendito seja Deus Pai, Bendito o Filho unigênito E bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso para conosco ... e fazer esta oração: Oh Deus, nosso Pai, enviado ao mundo, a Palavra da verdade e o Espírito Santificador, revelaste aos homens teu inefável mistério.
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Faze que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Teu Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2 O perdão: setenta vezes sete O judaísmo já conhecia o dever do perdão das dívidas ou das ofensas, mas se tratava de uma conquista recente, que só se conseguia impor mediante a lista de tarifas precisas . A mesquinhez humana procura sempre uma medida, uma norma que lhe dê satisfação. Perdoar sim, mas quantas vezes? Os rabinos, para acentuar a liberalidade de Deus, diziam que ele perdoa três vezes; as escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes a mulher, os filhos, os irmãos etc., e esta lista variava de escola para escola. Pedro pergunta a Jesus qual a sua taxa. Setenta vezes sete Jesus havia ensinado a amar os próprios inimigos e orar pelos que nos perseguem, a fim de sermos filhos do Pai que está nos céus, que faz surgir o sol sobre os maus e os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5.44-45). No Pai-nosso, havia ensinado a pedir: Perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos os nossos devedores . Pedro compreendeu no contato com Jesus que as medidas até agora tidas como válidas não servem mais; ele tenta uma resposta: até sete vezes . É mais do que o dobro de três e, além disso, é o número simbólico que significa plenitude. Jesus formula sua resposta retomando o número simbólico, mas multiplicando-o de tal maneira que signifique uma plenitude ilimitada. É preciso perdoar sempre. A parábola que segue explica esse dever de perdoar sem limites. O sentido da parábola é que Deus perdoa gratuitamente o pecado de quem lhe pede perdão, demonstrando uma benevolência absolutamente desinteressada para com os pecadores. Em consequência dessa experiência do perdão de Deus, o homem deve aprender a perdoar seus irmãos, tanto porque suas ofensas nada são diante da gravidade do pecado como porque ele já foi alvo do perdão de Deus.
3 O perdão cristão pode transformar a fisionomia da história O perdão das ofensas e o amor aos inimigos constituem uma das características mais evidentes e a maior novidade da moral evangélica. Mas, como acontece freqüentemente, quanto maior a exigência, mais elevada a meta indicada, tanto mais mesquinha e pobre se manifesta sua realização na vida prática. Qual a influência da doutrina evangélica sobre o perdão das dívidas na
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vida e no comportamento prático dos cristãos? Deve-se dizer que muitos cristãos, no decorrer da história da igreja, têm levado a sério a palavra de Jesus, e a hagiografia cristã está cheia de exemplos sublimes de amor e de gestos heróicos de perdão e reconciliação. Se hoje se fala cada vez com mais frequência de paz, desarmamento, solução pacífica das controvérsias internacionais e de cooperação mútua e auxílio aos povos em via de desenvolvimento, temos de reconhecer que muitos cristãos têm contribuído para a difusão e a maturação desses ideais do cristianismo. O evangelho teve importância capital na educação dos povos do Ocidente, e muitas idéias, instâncias e estímulos positivos, alimentados por sistemas que combatem o cristianismo, nasceram de uma cultura originalmente cristã e fortemente marcada pelo espírito evangélico. Mas a história dos povos, mesmo a dos cristãos, está cheia de testemunhos negativos: guerras, discórdias, morticínios, vinganças, injustiças, guerras de religião, conquistas coloniais; e hoje: o imperialismo econômico, a exploração do Terceiro Mundo, a indústria da guerra e da morte. A responsabilidade dos cristãos perante o evangelho e perante os irmãos ainda não iluminados pela luz da fé é enorme. Os contratestemunhos desmentem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e comprometem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e a credibilidade do próprio evangelho. Romper a cadeia do ódio A iniciativa da reconcilicação vem de Deus, e a igreja e os cristãos devem ser os construtores da paz no mundo; devem criar um clima de reconciliação, de perdão, encontro, fraternidade em todos os setores e todos os níveis, desde o internacional até as pequenas relações de vizinhança e trabalho, entre esposos, entre os filhos, nas relações entre operários e patrões, entre pobres e ricos. Não há relação humana, por maior que seja, que não possa melhorar pela reconciliação e pelo perdão. A curva ascendente da violência é um apelo ao amor cristão, do qual o perdão é um momento importante. Só com o amor é possível formar uma comunidade, também a nacional.
4 Subsídios para a liturgia Salmo para meditação (para ser lido em conjunto entre as leituras do Antigo Testamento e da Epístola. É o chamado gradual). Refrão: O Senhor é misericordioso e clemente! (Após cada versículo) 1. Bendize ao Senhor, ó minha alma, e tudo o que há em mim ao seu nome santo. Bendize ao Senhor, ó minha alma, e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
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Faze que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Teu Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
2 O perdão: setenta vezes sete O judaísmo já conhecia o dever do perdão das dívidas ou das ofensas, mas se tratava de uma conquista recente, que só se conseguia impor mediante a lista de tarifas precisas . A mesquinhez humana procura sempre uma medida, uma norma que lhe dê satisfação. Perdoar sim, mas quantas vezes? Os rabinos, para acentuar a liberalidade de Deus, diziam que ele perdoa três vezes; as escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes a mulher, os filhos, os irmãos etc., e esta lista variava de escola para escola. Pedro pergunta a Jesus qual a sua taxa. Setenta vezes sete Jesus havia ensinado a amar os próprios inimigos e orar pelos que nos perseguem, a fim de sermos filhos do Pai que está nos céus, que faz surgir o sol sobre os maus e os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5.44-45). No Pai-nosso, havia ensinado a pedir: Perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos os nossos devedores . Pedro compreendeu no contato com Jesus que as medidas até agora tidas como válidas não servem mais; ele tenta uma resposta: até sete vezes . É mais do que o dobro de três e, além disso, é o número simbólico que significa plenitude. Jesus formula sua resposta retomando o número simbólico, mas multiplicando-o de tal maneira que signifique uma plenitude ilimitada. É preciso perdoar sempre. A parábola que segue explica esse dever de perdoar sem limites. O sentido da parábola é que Deus perdoa gratuitamente o pecado de quem lhe pede perdão, demonstrando uma benevolência absolutamente desinteressada para com os pecadores. Em consequência dessa experiência do perdão de Deus, o homem deve aprender a perdoar seus irmãos, tanto porque suas ofensas nada são diante da gravidade do pecado como porque ele já foi alvo do perdão de Deus.
3 O perdão cristão pode transformar a fisionomia da história O perdão das ofensas e o amor aos inimigos constituem uma das características mais evidentes e a maior novidade da moral evangélica. Mas, como acontece freqüentemente, quanto maior a exigência, mais elevada a meta indicada, tanto mais mesquinha e pobre se manifesta sua realização na vida prática. Qual a influência da doutrina evangélica sobre o perdão das dívidas na
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vida e no comportamento prático dos cristãos? Deve-se dizer que muitos cristãos, no decorrer da história da igreja, têm levado a sério a palavra de Jesus, e a hagiografia cristã está cheia de exemplos sublimes de amor e de gestos heróicos de perdão e reconciliação. Se hoje se fala cada vez com mais frequência de paz, desarmamento, solução pacífica das controvérsias internacionais e de cooperação mútua e auxílio aos povos em via de desenvolvimento, temos de reconhecer que muitos cristãos têm contribuído para a difusão e a maturação desses ideais do cristianismo. O evangelho teve importância capital na educação dos povos do Ocidente, e muitas idéias, instâncias e estímulos positivos, alimentados por sistemas que combatem o cristianismo, nasceram de uma cultura originalmente cristã e fortemente marcada pelo espírito evangélico. Mas a história dos povos, mesmo a dos cristãos, está cheia de testemunhos negativos: guerras, discórdias, morticínios, vinganças, injustiças, guerras de religião, conquistas coloniais; e hoje: o imperialismo econômico, a exploração do Terceiro Mundo, a indústria da guerra e da morte. A responsabilidade dos cristãos perante o evangelho e perante os irmãos ainda não iluminados pela luz da fé é enorme. Os contratestemunhos desmentem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e comprometem, no plano dos fatos, todo esforço de evangelização e a credibilidade do próprio evangelho. Romper a cadeia do ódio A iniciativa da reconcilicação vem de Deus, e a igreja e os cristãos devem ser os construtores da paz no mundo; devem criar um clima de reconciliação, de perdão, encontro, fraternidade em todos os setores e todos os níveis, desde o internacional até as pequenas relações de vizinhança e trabalho, entre esposos, entre os filhos, nas relações entre operários e patrões, entre pobres e ricos. Não há relação humana, por maior que seja, que não possa melhorar pela reconciliação e pelo perdão. A curva ascendente da violência é um apelo ao amor cristão, do qual o perdão é um momento importante. Só com o amor é possível formar uma comunidade, também a nacional.
4 Subsídios para a liturgia Salmo para meditação (para ser lido em conjunto entre as leituras do Antigo Testamento e da Epístola. É o chamado gradual). Refrão: O Senhor é misericordioso e clemente! (Após cada versículo) 1. Bendize ao Senhor, ó minha alma, e tudo o que há em mim ao seu nome santo. Bendize ao Senhor, ó minha alma, e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
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2. É ele quem perdoa tua culpa toda e cura todos os teus males. É ele que redime a tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. 3. Ele não vai disputar perpetuamente, e seu rancor não dura para sempre. Nunca nos trata conforme os nossos erros, nem nos devolve segundo as nossas culpas. 4. Como o céu que se alteia sobre a terra, É forte o seu amor por aqueles que o temem. Como o oriente está longe do ocidente, ele afasta de nós as nossas transgressões.
1 7O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Senhor, nosso Deus, acolhe as orações dos teus filhos e filhas, que se dirigem a Ti com confiança e humildade; e, a fim de que nossos desejos sejam sempre atendidos, concede-nos pedir o que é agradável à tua vontade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Bibliografia LITURGIA da Assembléia Cristã, Edições Paulinas, 1980, Vol. I. ESCRITURAS Sagradas. LOC Livro de Oração Comum da IEAB.
Juntos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo; Como era no princípio, é agora e será sempre, por todos os séculos. Amém. A palavra se faz oração (sugestões para as orações intercessórias).
• Ao Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia e que realiza os desejos de seus filhos e filhas, dirijamos confiadamente nossa oração. Todos: Senhor, escuta a nossa prece. • Pelos sacerdotes que receberam de Cristo o poder de perdoar os pecados, para que sejam, como ele, cheios de misericórdia e compaixão, semeadores de esperança e conversão, oremos: Senhor, escuta ... • Pelos pobres e oprimidos, para que diante das injustiças que sofrem não reajam com violência e vingança, mas com as armas da justiça e da razão, oremos: Senhor, escuta... • Pelos que alimentam pensamentos de ódio e vingança, para que me-
ditem na palavra de Jesus: Perdoai e sereis perdoados , oremos: ...
• Aqui podem ser acrescentadas outras intenções (da comunidade) ou orações de ações de graças. E após será concluída com uma oração de acolhimento pelo sacerdote: 237
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2. É ele quem perdoa tua culpa toda e cura todos os teus males. É ele que redime a tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. 3. Ele não vai disputar perpetuamente, e seu rancor não dura para sempre. Nunca nos trata conforme os nossos erros, nem nos devolve segundo as nossas culpas. 4. Como o céu que se alteia sobre a terra, É forte o seu amor por aqueles que o temem. Como o oriente está longe do ocidente, ele afasta de nós as nossas transgressões.
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Senhor, nosso Deus, acolhe as orações dos teus filhos e filhas, que se dirigem a Ti com confiança e humildade; e, a fim de que nossos desejos sejam sempre atendidos, concede-nos pedir o que é agradável à tua vontade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Bibliografia LITURGIA da Assembléia Cristã, Edições Paulinas, 1980, Vol. I. ESCRITURAS Sagradas. LOC Livro de Oração Comum da IEAB.
Juntos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo; Como era no princípio, é agora e será sempre, por todos os séculos. Amém. A palavra se faz oração (sugestões para as orações intercessórias).
• Ao Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia e que realiza os desejos de seus filhos e filhas, dirijamos confiadamente nossa oração. Todos: Senhor, escuta a nossa prece. • Pelos sacerdotes que receberam de Cristo o poder de perdoar os pecados, para que sejam, como ele, cheios de misericórdia e compaixão, semeadores de esperança e conversão, oremos: Senhor, escuta ... • Pelos pobres e oprimidos, para que diante das injustiças que sofrem não reajam com violência e vingança, mas com as armas da justiça e da razão, oremos: Senhor, escuta... • Pelos que alimentam pensamentos de ódio e vingança, para que me-
ditem na palavra de Jesus: Perdoai e sereis perdoados , oremos: ...
• Aqui podem ser acrescentadas outras intenções (da comunidade) ou orações de ações de graças. E após será concluída com uma oração de acolhimento pelo sacerdote: 237
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18 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
18 set 2005
ISAÍAS 55.6-9 FILIPENSES 1.20c-27
PRÉDICA: MATEUS 20.1-16a Erni Seibert
1 O texto e seu contexto
denário. Um denário era o valor pago a um trabalhador braçal diarista. E os que reclamam por ter trabalhado o dia todo pelo mesmo valor pago aos que trabalharam apenas uma hora ouvem que não há injustiça nenhuma nisso. Mais um contraste forte entre o que Jesus ensina e a prática diária. Quem não iria considerar injusto trabalhar o dia inteiro e receber o mesmo que uma pessoa que trabalhou no mesmo serviço apenas uma hora? Logo depois dessa parábola, o evangelista começa a encaminhar a narrativa do evangelho para a história da paixão e morte de Jesus Cristo. É nessa perspectiva que o próprio texto deve ser compreendido.
2 Os demais textos do dia
O texto de Mateus 20 está numa seção do evangelho em que o autor mostra vários ensinamentos de Jesus à comunidade cristã. A vida cristã tem um padrão de comportamento diferente daquele normalmente assumido pelas pessoas na sua vida em sociedade. No texto anterior (capítulo 19), Jesus fala do casamento, sugerindo que o divórcio não deveria existir. Além disso, ele abençoa as crianças dizendo ser delas o reino dos céus e ainda fala duro com um jovem rico, exortando quanto ao perigo das riquezas. Tudo isso apresentava um forte contraste com o padrão social daquela época. Se compararmos com o padrão social de hoje, veremos que a realidade é tanto ou mais contrastante ao padrão anunciado por Jesus. Jesus falou (19.3-12) que o casamento não deveria resultar em separação. O divórcio só acontecia por causa da dureza do vosso coração . Em nossa sociedade, muitas pessoas casam pensando na separação. Jesus disse que das crianças é o reino dos céus (19.13-15). Hoje, crianças não são vistas como proprietárias do reino dos céus. Se possível, filhos devem ser evitados. Se não puderem ser evitados, que, pelo menos, não incomodem demais. Para Jesus, a riqueza não é a questão mais importante. Ao jovem rico Jesus aconselhou vender os seus bens e dá-los aos pobres. Logo depois, Jesus falou sobre os perigos da riqueza (19.16-29). Hoje ninguém parece estar preocupado com os perigos da riqueza. Nessa questão da riqueza, considera-se perigoso não tê-la. Os cursos universitários mais procurados são aqueles que prometem melhores salários na vida profissional. Ter é mais importante do que ser. Todos esses contrastes entre o reino de Deus e a vida aqui no mundo são o contexto anterior ao texto do evangelho em foco no 18o Domingo após Pentecoste. Logo em seguida, o evangelista apresenta Jesus contando a parábola dos trabalhadores da vinha . A história é bastante simples. Trabalhadores são contratados em diferentes horas do dia. No final, mesmo tendo trabalhado períodos diferentes, o salário recebido por todos eles é igual: um
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As demais leituras desse domingo também tratam da diferença que há entre o modo de agir de Deus e o dos seres humanos. Isaías 55.6-9 é o clássico texto em que a graça de Deus é oferecida a todos. No v. 9, o autor nos lembra que os pensamentos e os caminhos de Deus não são os pensamentos e os caminhos humanos. Filipenses 1.20c-27 afirma que viver de modo digno do evangelho de Cristo é viver de tal forma que morrer é lucro . Normalmente, as pessoas dizem que a morte é a derrota. Evita-se morrer. Mas, quando o viver é Cristo, o morrer é lucro.
3 O objetivo do texto Qual o objetivo de estar esse texto incluído no evangelho? Isso poderá nos auxiliar para estabelecer o objetivo da pregação. A resposta para essa questão encontramos possivelmente nos últimos versículos dessa perícope. Nos v. 15 e 16 são feitas duas afirmações. Deus em sua soberania e bondade toma decisões que vão além da lógica humana. Ele, em sua soberania e bondade, pode beneficiar os que aparentemente não têm direito, sem prejudicar os que têm direito. Este é o argumento para pagar a mesma quantia paga aos que trabalharam o dia inteiro aos que apenas trabalharam uma hora. Deus é bom. Ele pode fazer o que quiser do que é seu. Não há injustiça no fato de ter beneficiado alguns. O outro argumento utilizado no v. 16 aponta para uma completa inversão de valores. Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos. Aqui Jesus aponta para o contraste que há entre os critérios humanos, vigentes na sociedade, e os critérios vigentes no reino dos céus . A lógica de Deus parte do fato de ele ser Deus e de sua bondade. Ele trata com o ser humano com um objetivo claro. Ele quer salvar os perdidos. Se Deus quer salvar aqueles que mereciam ser condenados, isto se deve a
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ISAÍAS 55.6-9 FILIPENSES 1.20c-27
PRÉDICA: MATEUS 20.1-16a Erni Seibert
1 O texto e seu contexto
denário. Um denário era o valor pago a um trabalhador braçal diarista. E os que reclamam por ter trabalhado o dia todo pelo mesmo valor pago aos que trabalharam apenas uma hora ouvem que não há injustiça nenhuma nisso. Mais um contraste forte entre o que Jesus ensina e a prática diária. Quem não iria considerar injusto trabalhar o dia inteiro e receber o mesmo que uma pessoa que trabalhou no mesmo serviço apenas uma hora? Logo depois dessa parábola, o evangelista começa a encaminhar a narrativa do evangelho para a história da paixão e morte de Jesus Cristo. É nessa perspectiva que o próprio texto deve ser compreendido.
2 Os demais textos do dia
O texto de Mateus 20 está numa seção do evangelho em que o autor mostra vários ensinamentos de Jesus à comunidade cristã. A vida cristã tem um padrão de comportamento diferente daquele normalmente assumido pelas pessoas na sua vida em sociedade. No texto anterior (capítulo 19), Jesus fala do casamento, sugerindo que o divórcio não deveria existir. Além disso, ele abençoa as crianças dizendo ser delas o reino dos céus e ainda fala duro com um jovem rico, exortando quanto ao perigo das riquezas. Tudo isso apresentava um forte contraste com o padrão social daquela época. Se compararmos com o padrão social de hoje, veremos que a realidade é tanto ou mais contrastante ao padrão anunciado por Jesus. Jesus falou (19.3-12) que o casamento não deveria resultar em separação. O divórcio só acontecia por causa da dureza do vosso coração . Em nossa sociedade, muitas pessoas casam pensando na separação. Jesus disse que das crianças é o reino dos céus (19.13-15). Hoje, crianças não são vistas como proprietárias do reino dos céus. Se possível, filhos devem ser evitados. Se não puderem ser evitados, que, pelo menos, não incomodem demais. Para Jesus, a riqueza não é a questão mais importante. Ao jovem rico Jesus aconselhou vender os seus bens e dá-los aos pobres. Logo depois, Jesus falou sobre os perigos da riqueza (19.16-29). Hoje ninguém parece estar preocupado com os perigos da riqueza. Nessa questão da riqueza, considera-se perigoso não tê-la. Os cursos universitários mais procurados são aqueles que prometem melhores salários na vida profissional. Ter é mais importante do que ser. Todos esses contrastes entre o reino de Deus e a vida aqui no mundo são o contexto anterior ao texto do evangelho em foco no 18o Domingo após Pentecoste. Logo em seguida, o evangelista apresenta Jesus contando a parábola dos trabalhadores da vinha . A história é bastante simples. Trabalhadores são contratados em diferentes horas do dia. No final, mesmo tendo trabalhado períodos diferentes, o salário recebido por todos eles é igual: um
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As demais leituras desse domingo também tratam da diferença que há entre o modo de agir de Deus e o dos seres humanos. Isaías 55.6-9 é o clássico texto em que a graça de Deus é oferecida a todos. No v. 9, o autor nos lembra que os pensamentos e os caminhos de Deus não são os pensamentos e os caminhos humanos. Filipenses 1.20c-27 afirma que viver de modo digno do evangelho de Cristo é viver de tal forma que morrer é lucro . Normalmente, as pessoas dizem que a morte é a derrota. Evita-se morrer. Mas, quando o viver é Cristo, o morrer é lucro.
3 O objetivo do texto Qual o objetivo de estar esse texto incluído no evangelho? Isso poderá nos auxiliar para estabelecer o objetivo da pregação. A resposta para essa questão encontramos possivelmente nos últimos versículos dessa perícope. Nos v. 15 e 16 são feitas duas afirmações. Deus em sua soberania e bondade toma decisões que vão além da lógica humana. Ele, em sua soberania e bondade, pode beneficiar os que aparentemente não têm direito, sem prejudicar os que têm direito. Este é o argumento para pagar a mesma quantia paga aos que trabalharam o dia inteiro aos que apenas trabalharam uma hora. Deus é bom. Ele pode fazer o que quiser do que é seu. Não há injustiça no fato de ter beneficiado alguns. O outro argumento utilizado no v. 16 aponta para uma completa inversão de valores. Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos. Aqui Jesus aponta para o contraste que há entre os critérios humanos, vigentes na sociedade, e os critérios vigentes no reino dos céus . A lógica de Deus parte do fato de ele ser Deus e de sua bondade. Ele trata com o ser humano com um objetivo claro. Ele quer salvar os perdidos. Se Deus quer salvar aqueles que mereciam ser condenados, isto se deve a
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dois motivos: o primeiro é que ele é Deus. Em sua soberania ele decidiu salvar. Em segundo lugar, deriva de sua bondade. Ele é bom. Ele quer salvar. Ele quer salvar todos. Tanto é que convida todos a participarem do trabalho de seu reino. Não há maiores ou menores, nem pessoas com mais ou menos méritos. Todos recebem o mesmo benefício. E o benefício é mais do que justo para todos.
serão os primeiros. Graças a Deus isto é assim. Será que a igreja de Deus tem esse padrão em sua vida diária? Será que os cristãos vivem conforme esse padrão divino?
4 Ler o evangelho Um exercício útil para a preparação da pregação é examinar o que o texto condena e o que ele traz de mensagem para superar o condenado. É interessante notar que, nesse texto, nenhum dos trabalhadores está em situação diferente dos outros: todos esperam que alguém lhes traga trabalho. Eles não têm condições de providenciar nada. Não se espera deles que façam algo ou que possam fazer algo para mudar a situação deles. Se ninguém fizer algo por eles, estarão perdidos. Esta é a situação do ser humano diante de Deus. Ele está perdido. Não consegue fazer nada para mudar a sua situação. Precisa irremediavelmente de ajuda. A ajuda só pode vir de Deus. Se Deus não estende a mão, as pessoas estão perdidas. Um outro aspecto que chama a atenção no texto é que Deus toma a iniciativa de ajudar aqueles que sem ele estão perdidos. Ele vai até a praça e ali busca os que esperam por ajuda. Ele assume a posição daquele que vai ao encontro. Ele tem o coração aberto para ajudar. O condenável surge quando aqueles que foram auxiliados na primeira hora julgam-se no direito de receber mais do que os outros. Esse é o ponto problemático do texto. Aqueles que foram ajudados mais cedo e tiveram oportunidade de participar do trabalho mais cedo se julgam com mais direitos do que aqueles que foram chamados por último. O condenável, nesse ponto, é não ter o mesmo amor que o dono da casa teve. O texto parte do princípio de que, se o dono da casa não tivesse feito nada, todos estariam sem serviço. Mas pelo fato de o dono ter ajudado todos e ter dado a todos a mesma recompensa, alguns se julgaram injustiçados. Os participantes do reino de Deus deveriam aceitar que Deus em sua soberania e bondade pode fazer o mesmo bem a todos. Os méritos humanos não mudam a situação. Deus dá a recompensa. É isto que Deus faz aos que ele salva. O malfeitor da cruz recebe a mesma recompensa dos discípulos que passaram a vida a serviço do Senhor. Deus em sua bondade é quem recompensa. Essa mesma lição aparece no texto de Isaías e na Epístola aos Filipenses. Os critérios do reino dos céus são diferentes dos critérios deste mundo. No reino dos céus, quem não tem dinheiro compra. A morte é lucro. Os últimos
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5 Esboço Tema: As dificuldades do homem contemporâneo para entender Deus. 1) Entender a sua bondade são maus os teus olhos porque eu sou bom? 2) Entender os seus valores Os últimos serão os primeiros. Ao abordar o texto sob essa forma, lembrar os ouvintes de que nenhum de nós mereceria ser tratado por Deus com essa sua bondade e que ninguém, por si, mereceria os primeiros lugares. Isto deveria levar todos nós a ser humildes diante de Deus e do nosso semelhante e tratar o nosso próximo como Deus nos trata.
6 Sugestões litúrgicas Mostrar, com ajuda de cadernos de empregos em jornais, que os empregos considerados mais importantes oferecem melhores salários. Mostrar, com ajuda de noticiários, que as pessoas mais importantes são colocadas nas primeiras páginas e nos lugares mais importantes das notícias. Depois, com o texto, mostrar o contraste disso com o que Jesus diz ser o reino dos céus . Aplicar essas verdades à vida da igreja.
19º DOMINGO APÓS PENTECOSTE EZEQUIEL 18.1-4, 25-32 MATEUS 21.28-32 FILIPENSES 2.1-5 (6-11) 20º DOMINGO APÓS PENTECOSTE ISAÍAS 55.1-7 MATEUS 21.33-43 FILIPENSES 3.12-21
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dois motivos: o primeiro é que ele é Deus. Em sua soberania ele decidiu salvar. Em segundo lugar, deriva de sua bondade. Ele é bom. Ele quer salvar. Ele quer salvar todos. Tanto é que convida todos a participarem do trabalho de seu reino. Não há maiores ou menores, nem pessoas com mais ou menos méritos. Todos recebem o mesmo benefício. E o benefício é mais do que justo para todos.
serão os primeiros. Graças a Deus isto é assim. Será que a igreja de Deus tem esse padrão em sua vida diária? Será que os cristãos vivem conforme esse padrão divino?
4 Ler o evangelho Um exercício útil para a preparação da pregação é examinar o que o texto condena e o que ele traz de mensagem para superar o condenado. É interessante notar que, nesse texto, nenhum dos trabalhadores está em situação diferente dos outros: todos esperam que alguém lhes traga trabalho. Eles não têm condições de providenciar nada. Não se espera deles que façam algo ou que possam fazer algo para mudar a situação deles. Se ninguém fizer algo por eles, estarão perdidos. Esta é a situação do ser humano diante de Deus. Ele está perdido. Não consegue fazer nada para mudar a sua situação. Precisa irremediavelmente de ajuda. A ajuda só pode vir de Deus. Se Deus não estende a mão, as pessoas estão perdidas. Um outro aspecto que chama a atenção no texto é que Deus toma a iniciativa de ajudar aqueles que sem ele estão perdidos. Ele vai até a praça e ali busca os que esperam por ajuda. Ele assume a posição daquele que vai ao encontro. Ele tem o coração aberto para ajudar. O condenável surge quando aqueles que foram auxiliados na primeira hora julgam-se no direito de receber mais do que os outros. Esse é o ponto problemático do texto. Aqueles que foram ajudados mais cedo e tiveram oportunidade de participar do trabalho mais cedo se julgam com mais direitos do que aqueles que foram chamados por último. O condenável, nesse ponto, é não ter o mesmo amor que o dono da casa teve. O texto parte do princípio de que, se o dono da casa não tivesse feito nada, todos estariam sem serviço. Mas pelo fato de o dono ter ajudado todos e ter dado a todos a mesma recompensa, alguns se julgaram injustiçados. Os participantes do reino de Deus deveriam aceitar que Deus em sua soberania e bondade pode fazer o mesmo bem a todos. Os méritos humanos não mudam a situação. Deus dá a recompensa. É isto que Deus faz aos que ele salva. O malfeitor da cruz recebe a mesma recompensa dos discípulos que passaram a vida a serviço do Senhor. Deus em sua bondade é quem recompensa. Essa mesma lição aparece no texto de Isaías e na Epístola aos Filipenses. Os critérios do reino dos céus são diferentes dos critérios deste mundo. No reino dos céus, quem não tem dinheiro compra. A morte é lucro. Os últimos
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5 Esboço Tema: As dificuldades do homem contemporâneo para entender Deus. 1) Entender a sua bondade são maus os teus olhos porque eu sou bom? 2) Entender os seus valores Os últimos serão os primeiros. Ao abordar o texto sob essa forma, lembrar os ouvintes de que nenhum de nós mereceria ser tratado por Deus com essa sua bondade e que ninguém, por si, mereceria os primeiros lugares. Isto deveria levar todos nós a ser humildes diante de Deus e do nosso semelhante e tratar o nosso próximo como Deus nos trata.
6 Sugestões litúrgicas Mostrar, com ajuda de cadernos de empregos em jornais, que os empregos considerados mais importantes oferecem melhores salários. Mostrar, com ajuda de noticiários, que as pessoas mais importantes são colocadas nas primeiras páginas e nos lugares mais importantes das notícias. Depois, com o texto, mostrar o contraste disso com o que Jesus diz ser o reino dos céus . Aplicar essas verdades à vida da igreja.
19º DOMINGO APÓS PENTECOSTE EZEQUIEL 18.1-4, 25-32 MATEUS 21.28-32 FILIPENSES 2.1-5 (6-11) 20º DOMINGO APÓS PENTECOSTE ISAÍAS 55.1-7 MATEUS 21.33-43 FILIPENSES 3.12-21
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21 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
9 OUT 2005
ISAÍAS 25.6-9 FILIPENSES 4.4-8(9-13)
PRÉDICA: MATEUS 22.1-10(11-14) Vera Regina Waskow
1 Considerações finais Faz-se necessário lembrar que o texto da pregação foi trabalhado em outros dois momentos. Inicialmente no PL IV, pelo P. Wilfrid Buchweitz, e posteriormente no PL XVIII, por Mercedes García Bachmann. Recomendo a leitura. Levando em consideração que muitas são as pessoas que não têm acesso a esses exemplares, tratarei de, baseado neles e em outros materiais, trazer-lhes uma singela contribuição.
2 Evangelho de Mateus Baseado em estudos, fica claro que os evangelistas Mateus e Lucas usaram duas fontes literárias para a sua redação, que são: o Evangelho de Marcos e um outro documento chamado pelos historiadores de Fonte Q . Precisamos dizer também que nenhum dos evangelistas se deu por satisfeito apenas copiando os relatos das fontes, mas atribuíram ao evangelho seu próprio testemunho. O evangelho não é simplesmente uma reprodução mecânica, mas um processo de proclamação em que a tradição é reinterpretada. Quanto à autoria, não existem informações precisas. O evangelista Mateus, discípulo de Jesus, foi considerado o autor pela igreja antiga. Mas é bastante difícil afirmar isso, pois o autor trabalha com fontes e não com suas memórias; sendo assim, não poderíamos dizer que Mateus tenha sido uma testemunha ocular. O evangelista dá uma grande importância ao cumprimento dos anúncios do AT na história de Jesus. Jesus é para Mateus o divino mestre que com autoridade única interpretou a lei e definiu a vontade de Deus.
3 Considerações exegéticas A parábola das bodas está inserida dentro de um contexto maior que vem desde o cap. 21 ao 25, que se referem ao período em que Jesus viveu em Jerusalém, antes de sua morte. Não podemos deixar de assinalar para a semelhança entre a parábola dos dois filhos, Mt 21.28-32, a parábola dos lavadores maus, Mt 21.33-46, e a parábola das bodas, Mt 22.1-14, aqui estudada. As três parábolas trazem como pano de fundo o distanciamento das pessoas de Deus, mas mostram sobremodo o amor de Deus, revelado na imagem do Pai na parábola dos dois filhos, e a justiça de Deus, revelada nas atitudes do dono da vinha e do rei. Em nosso texto, esbarramos no v. 11, no qual o rei questiona um de seus convidados por não estar usando uma veste nupcial, uma roupa de festas. Essa atitude nos parece estranha quando sabemos que os convidados são pessoas oriundas das estradas, das encruzilhadas; por que então a pergunta pela veste? Entre muitas respostas encontramos um exegeta chamado Adolf Schlatter, que diz que a cobrança com a veste faz parte de um convite que precisa ser levado a sério. O convite feito deve ser honrado, respeitado. Schlatter afirma que a pessoa que senta à mesa de festa sem vestes apropriadas quer que seus pecados sejam perdoados, mas ao mesmo tempo quer conservá-los. A pessoa que entra sem as vestes das bodas quer fazer sua própria festa, é como alguém que aceita o convite do reino de Deus, mas continua construindo seu próprio reino. E para Deus isto não é possível. O reino de Deus é presente, é dado de graça. Os convidados não precisam fazer nada, nem contribuir com nada, apenas aceitar o convite. O rei prepara tudo e convida as pessoas indiscriminadamente. Deus quer a casa cheia, quer uma grande festa, mas infelizes serão aqueles que não acolherem o convite. A gratuidade de Deus provoca nossa compreensão utilitarista. Para nós, seres humanos, a graça é inconcebível, mas para Deus ela é a base e o princípio de tudo. Ela é amor pleno. Deus convida, e aceitar esse convite tem implicações muito grandes. Aceitar o convite significa mudança de atitude, significa mudança de realidade, significa viver a vida sustentada por esse amor que nos é dado de graça. Dentro desse espaço não cabe a velha roupa, não cabe a velha vida. Deus convida todos para um novo momento, um novo tempo, mas poucos são os que aceitam o convite e compreendem a dimensão e o compromisso desse convite.
4 Reflexão A interpretação dessa porção do evangelho é um grande desafio. No entanto, muito oportuna para a realidade religiosa mercantilista que hoje se
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21 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
9 OUT 2005
ISAÍAS 25.6-9 FILIPENSES 4.4-8(9-13)
PRÉDICA: MATEUS 22.1-10(11-14) Vera Regina Waskow
1 Considerações finais Faz-se necessário lembrar que o texto da pregação foi trabalhado em outros dois momentos. Inicialmente no PL IV, pelo P. Wilfrid Buchweitz, e posteriormente no PL XVIII, por Mercedes García Bachmann. Recomendo a leitura. Levando em consideração que muitas são as pessoas que não têm acesso a esses exemplares, tratarei de, baseado neles e em outros materiais, trazer-lhes uma singela contribuição.
2 Evangelho de Mateus Baseado em estudos, fica claro que os evangelistas Mateus e Lucas usaram duas fontes literárias para a sua redação, que são: o Evangelho de Marcos e um outro documento chamado pelos historiadores de Fonte Q . Precisamos dizer também que nenhum dos evangelistas se deu por satisfeito apenas copiando os relatos das fontes, mas atribuíram ao evangelho seu próprio testemunho. O evangelho não é simplesmente uma reprodução mecânica, mas um processo de proclamação em que a tradição é reinterpretada. Quanto à autoria, não existem informações precisas. O evangelista Mateus, discípulo de Jesus, foi considerado o autor pela igreja antiga. Mas é bastante difícil afirmar isso, pois o autor trabalha com fontes e não com suas memórias; sendo assim, não poderíamos dizer que Mateus tenha sido uma testemunha ocular. O evangelista dá uma grande importância ao cumprimento dos anúncios do AT na história de Jesus. Jesus é para Mateus o divino mestre que com autoridade única interpretou a lei e definiu a vontade de Deus.
3 Considerações exegéticas A parábola das bodas está inserida dentro de um contexto maior que vem desde o cap. 21 ao 25, que se referem ao período em que Jesus viveu em Jerusalém, antes de sua morte. Não podemos deixar de assinalar para a semelhança entre a parábola dos dois filhos, Mt 21.28-32, a parábola dos lavadores maus, Mt 21.33-46, e a parábola das bodas, Mt 22.1-14, aqui estudada. As três parábolas trazem como pano de fundo o distanciamento das pessoas de Deus, mas mostram sobremodo o amor de Deus, revelado na imagem do Pai na parábola dos dois filhos, e a justiça de Deus, revelada nas atitudes do dono da vinha e do rei. Em nosso texto, esbarramos no v. 11, no qual o rei questiona um de seus convidados por não estar usando uma veste nupcial, uma roupa de festas. Essa atitude nos parece estranha quando sabemos que os convidados são pessoas oriundas das estradas, das encruzilhadas; por que então a pergunta pela veste? Entre muitas respostas encontramos um exegeta chamado Adolf Schlatter, que diz que a cobrança com a veste faz parte de um convite que precisa ser levado a sério. O convite feito deve ser honrado, respeitado. Schlatter afirma que a pessoa que senta à mesa de festa sem vestes apropriadas quer que seus pecados sejam perdoados, mas ao mesmo tempo quer conservá-los. A pessoa que entra sem as vestes das bodas quer fazer sua própria festa, é como alguém que aceita o convite do reino de Deus, mas continua construindo seu próprio reino. E para Deus isto não é possível. O reino de Deus é presente, é dado de graça. Os convidados não precisam fazer nada, nem contribuir com nada, apenas aceitar o convite. O rei prepara tudo e convida as pessoas indiscriminadamente. Deus quer a casa cheia, quer uma grande festa, mas infelizes serão aqueles que não acolherem o convite. A gratuidade de Deus provoca nossa compreensão utilitarista. Para nós, seres humanos, a graça é inconcebível, mas para Deus ela é a base e o princípio de tudo. Ela é amor pleno. Deus convida, e aceitar esse convite tem implicações muito grandes. Aceitar o convite significa mudança de atitude, significa mudança de realidade, significa viver a vida sustentada por esse amor que nos é dado de graça. Dentro desse espaço não cabe a velha roupa, não cabe a velha vida. Deus convida todos para um novo momento, um novo tempo, mas poucos são os que aceitam o convite e compreendem a dimensão e o compromisso desse convite.
4 Reflexão A interpretação dessa porção do evangelho é um grande desafio. No entanto, muito oportuna para a realidade religiosa mercantilista que hoje se
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apresenta. O povo de Israel recusou o convite para o reino de Deus. Não precisamos pensar em Israel do ponto de vista geográfico, mas simplesmente como povo escolhido por Deus. O criador em sua liberdade escolhe um determinado povo, elege-o, convida-o para a festa do reino, mas este continua a caminhar na sua auto-suficiência. Deus não faz apenas um mero convite, mas insiste (v. 3 e 4), detalhando inclusive características do reino (os bois cevados já foram abatidos, e tudo já está pronto). No entanto, nem mesmo assim o povo escolhido se deixa convencer. Um vai para o campo, outro vai se dedicar a seu negócio, cada qual construindo o seu próprio reino. Há aquelas pessoas que de forma alguma querem reagir ao convite de Deus. A correria, a pressa, os muitos afazeres são colocados sempre em primeiro plano. Os reinos deste mundo são mais importantes. Não obstante, essa atitude, conforme a parábola contada por Jesus, tem conseqüências catastróficas. O juízo de Deus é inevitável. No entanto, é importante observar que o juízo de Deus igualmente se apresenta para aquelas pessoas que aceitaram o convite. Vejamos, a pergunta no versículo 12: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ou seja, aceitar o convite implica uma postura diferente. Não se pode fazer parte do reino mantendo a mesma postura como se dele não fizesse parte. É o conflito do antigo e o novo ser humano, enfatizado por Paulo em suas cartas. O texto questiona a comunidade e seus membros, como pessoas que aceitaram o convite para a festa do reino. Pois se pressupõe que a pessoa que decide fazer parte de uma comunidade denominada cristã tenha consciência de ter aceito o convite. Neste sentido, o texto pode levantar a reflexão sobre diferentes interesses que levam uma pessoa a fazer parte da comunidade cristã: batismo, casamento, sepultamento, cemitério e tantos outros. Quando a filiação a uma comunidade está sustentada por esse tipo de interesse, não há nenhum comprometimento com o anfitrião da festa: Deus. É claro que a aceitação autêntica e consciente do convite para o reino não trará solução automática para todas as mazelas da humanidade, porque as pessoas continuam sendo humanas e, portanto, falhas, pecadoras, presas ainda ao velho ser humano. Não obstante, fará uma grande diferença. Neste sentido, cada pessoa e cada comunidade em seu contexto precisam levantar a seguinte pergunta: Que diferença faz para a minha realidade ser pessoa cristã, comunidade cristã, que aceitou o convite para a caminhada face à construção do reino de Deus? É ofensa a Deus pessoas e comunidades que confessam a fé no trino Deus manterem postura descomprometida e omissa na sociedade.
b) Deixar claro que nem mesmo a consciência do convite feito por Deus possibilita a implantação do reino. Ele tem caráter escatológico. Não se concretiza plenamente em nosso meio. Está sob controle de Deus e é bom que assim seja. No entanto, essa característica não pode sustentar acomodação da comunidade cristã. c) Levar a comunidade a refletir sobre a autenticidade de sua fé. Que fundamento sustenta a caminhada da comunidade? Que diferença faz nesse contexto ser comunidade de Jesus Cristo?
5 Pistas para a prédica
6 Recursos litúrgicos Acolhida: Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto, e que esses frutos não se estraguem (Jo 15.16). Confissão de pecados: Das profundezas eu clamo a ti, Senhor, meu Deus, nos escute. Veja, Senhor, a culpa em que caímos, veja nosso fraquejar na luta. Sabemos, senhor, que perante Ti não tem valor virtudes e cuidados, pois somente tua graça e teu amor nos absolvem dos pecados. Por isso não confiamos em nossa dignidade, mas sempre nos queremos apoiar em tua fidelidade. Quer dure até o anoitecer, quer surja um novo dia em Ti, Senhor, e em teu poder nosso coração confia. Se mil pecados em nós há, em Ti, bondoso Deus, há mais piedade e por tua mão nos guiará em luta e tempestade. Por Cristo Jesus, amém (baseado no hino 147 [HPD1] de Martin Lutero). Kyrie: Sugiro o canto Kyrie eleison, de Rodolfo Gaede Neto; encontramos este hino nos anexos do Livro de Culto, na p. 341. Glória: Por Deus nos aceitar como seus filhos e filhas, por fazermos parte de sua grande família num convite que nos foi feito de graça e por amor, louvamos e adoramos a Deus, cantando ... Oração do dia: Bondoso e amado Deus, concede-nos sabedoria, paz e coragem para ouvir, crer e testemunhar tua palavra. Que o teu evangelho, que é fonte de vida, possa nos iluminar mostrando-nos assim por onde andar. Que pela fé que tu nos concedes possamos reconhecer que somos teus filhos e filhas e de tua família somos parte e que assim também possamos viver. Aquieta-nos agora e fala conosco através de tua palavra. Por Cristo Jesus, amém.
Bibliografia
a) Em primeiro lugar, quero enfatizar que o convite de Deus se estende a todas as pessoas. Deus não impõe condições, no entanto aceitar o convite implica mudança de vida. Deus não obriga, apenas convida.
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KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1982. p 121148. BRAKEMEIER, Gottfried. Observações introdutórias referentes ao Evangelho de Mateus. Proclamar Libertação II. São Leopoldo: Sinodal, 1977. p. 176.
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apresenta. O povo de Israel recusou o convite para o reino de Deus. Não precisamos pensar em Israel do ponto de vista geográfico, mas simplesmente como povo escolhido por Deus. O criador em sua liberdade escolhe um determinado povo, elege-o, convida-o para a festa do reino, mas este continua a caminhar na sua auto-suficiência. Deus não faz apenas um mero convite, mas insiste (v. 3 e 4), detalhando inclusive características do reino (os bois cevados já foram abatidos, e tudo já está pronto). No entanto, nem mesmo assim o povo escolhido se deixa convencer. Um vai para o campo, outro vai se dedicar a seu negócio, cada qual construindo o seu próprio reino. Há aquelas pessoas que de forma alguma querem reagir ao convite de Deus. A correria, a pressa, os muitos afazeres são colocados sempre em primeiro plano. Os reinos deste mundo são mais importantes. Não obstante, essa atitude, conforme a parábola contada por Jesus, tem conseqüências catastróficas. O juízo de Deus é inevitável. No entanto, é importante observar que o juízo de Deus igualmente se apresenta para aquelas pessoas que aceitaram o convite. Vejamos, a pergunta no versículo 12: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ou seja, aceitar o convite implica uma postura diferente. Não se pode fazer parte do reino mantendo a mesma postura como se dele não fizesse parte. É o conflito do antigo e o novo ser humano, enfatizado por Paulo em suas cartas. O texto questiona a comunidade e seus membros, como pessoas que aceitaram o convite para a festa do reino. Pois se pressupõe que a pessoa que decide fazer parte de uma comunidade denominada cristã tenha consciência de ter aceito o convite. Neste sentido, o texto pode levantar a reflexão sobre diferentes interesses que levam uma pessoa a fazer parte da comunidade cristã: batismo, casamento, sepultamento, cemitério e tantos outros. Quando a filiação a uma comunidade está sustentada por esse tipo de interesse, não há nenhum comprometimento com o anfitrião da festa: Deus. É claro que a aceitação autêntica e consciente do convite para o reino não trará solução automática para todas as mazelas da humanidade, porque as pessoas continuam sendo humanas e, portanto, falhas, pecadoras, presas ainda ao velho ser humano. Não obstante, fará uma grande diferença. Neste sentido, cada pessoa e cada comunidade em seu contexto precisam levantar a seguinte pergunta: Que diferença faz para a minha realidade ser pessoa cristã, comunidade cristã, que aceitou o convite para a caminhada face à construção do reino de Deus? É ofensa a Deus pessoas e comunidades que confessam a fé no trino Deus manterem postura descomprometida e omissa na sociedade.
b) Deixar claro que nem mesmo a consciência do convite feito por Deus possibilita a implantação do reino. Ele tem caráter escatológico. Não se concretiza plenamente em nosso meio. Está sob controle de Deus e é bom que assim seja. No entanto, essa característica não pode sustentar acomodação da comunidade cristã. c) Levar a comunidade a refletir sobre a autenticidade de sua fé. Que fundamento sustenta a caminhada da comunidade? Que diferença faz nesse contexto ser comunidade de Jesus Cristo?
5 Pistas para a prédica
6 Recursos litúrgicos Acolhida: Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto, e que esses frutos não se estraguem (Jo 15.16). Confissão de pecados: Das profundezas eu clamo a ti, Senhor, meu Deus, nos escute. Veja, Senhor, a culpa em que caímos, veja nosso fraquejar na luta. Sabemos, senhor, que perante Ti não tem valor virtudes e cuidados, pois somente tua graça e teu amor nos absolvem dos pecados. Por isso não confiamos em nossa dignidade, mas sempre nos queremos apoiar em tua fidelidade. Quer dure até o anoitecer, quer surja um novo dia em Ti, Senhor, e em teu poder nosso coração confia. Se mil pecados em nós há, em Ti, bondoso Deus, há mais piedade e por tua mão nos guiará em luta e tempestade. Por Cristo Jesus, amém (baseado no hino 147 [HPD1] de Martin Lutero). Kyrie: Sugiro o canto Kyrie eleison, de Rodolfo Gaede Neto; encontramos este hino nos anexos do Livro de Culto, na p. 341. Glória: Por Deus nos aceitar como seus filhos e filhas, por fazermos parte de sua grande família num convite que nos foi feito de graça e por amor, louvamos e adoramos a Deus, cantando ... Oração do dia: Bondoso e amado Deus, concede-nos sabedoria, paz e coragem para ouvir, crer e testemunhar tua palavra. Que o teu evangelho, que é fonte de vida, possa nos iluminar mostrando-nos assim por onde andar. Que pela fé que tu nos concedes possamos reconhecer que somos teus filhos e filhas e de tua família somos parte e que assim também possamos viver. Aquieta-nos agora e fala conosco através de tua palavra. Por Cristo Jesus, amém.
Bibliografia
a) Em primeiro lugar, quero enfatizar que o convite de Deus se estende a todas as pessoas. Deus não impõe condições, no entanto aceitar o convite implica mudança de vida. Deus não obriga, apenas convida.
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KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1982. p 121148. BRAKEMEIER, Gottfried. Observações introdutórias referentes ao Evangelho de Mateus. Proclamar Libertação II. São Leopoldo: Sinodal, 1977. p. 176.
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22 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
16 OUT 2005
GÊNESIS 2.2-17 2 TESSALONICENSES 3.6-13
PRÉDICA: MARCOS 6.34-44 Wilhelm Wachholz
1 Textos do Antigo Testamento e da Epístola Lembre-se de que o domingo (dia 16) é reservado ao Dia Mundial da Alimentação. Os três textos indicados têm o alimento como tema comum. Em Gn 2.2-17, é relatado que, antes da criação do ser humano, nenhuma erva do campo havia brotado (v. 5). Depois que o ser humano passou a ser alma vivente (v. 7), Deus sai a plantar (v. 8) e faz brotar árvores que pudessem servir de alimento (v. 9). O alimento é doação de Deus e, quando é apropriado de forma egoísta, redunda em pecado (v. 16s). Conforme 2Ts 3.6-13, Paulo percebia que pessoas cristãs locais estavam vivendo às custas de outros, alienadas da realidade terrena, sob pretexto da vinda iminente do Senhor. Esse contexto é importante para que não se interprete o texto de forma legalista. Atualizando o texto para nossos dias, cabe lembrar dos milhões de desempregados/as que procuram desesperadamente por trabalho e, por falta dele, não têm o que comer.
2 Introdução ao texto da prédica O texto do evangelho encontra paralelos nos outros três evangelhos. Em Mc, Mt e Lc, a perícope é antecedida pelo relato da morte de João Batista. Somente em Mc e Lc, o relato da multiplicação está vinculado ao envio dos doze por Jesus. O retorno dos discípulos para junto de Jesus (Mc 6.30 e Lc 9.10) ocorreu depois de terem sido enviados para pregar, expulsar demônios, curar doentes (Mc 6.12s e Lc 9.1s, 6). Portanto, o contexto é o do serviço, de anunciar e restaurar a dignidade das pessoas. O relato do partir dos pães e peixes é repetido em Mc 8.1-10. Trata-se de um recurso narrativo que também é encontrado no AT, com o objetivo de, num lugar de privação do alimento (deserto ou lugar desabitado), apontar para a manifestação do poder divino: Deus provê pelo seu povo (Ex 16; Nm 11.31ss; Dt 8). Em Mc se combina isso com a imagem de Jesus como pastor de ovelhas .
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3 Texto da prédica v. 30: Os discípulos, na condição de enviados de Jesus (v. 7), retornam e relatam, eufóricos e impressionados, o que puderam realizar e ensinar. No Evangelho de Marcos, esta é a única referência aos discípulos como ensinadores. A condição daqueles doze não pode limitar-se somente a de discípulos (= aprendentes), mas também de apóstolos (palavra derivada do grego cujo significado é enviado , mensageiro , ou seja, ensinante). v. 31: Jesus revela-se especialmente compreensível e solidário: Descansem um pouco . Ele sabe que o corpo tem seus limites. Os discípulos também precisavam de tranqüilidade para alimentar-se. Mas o fato de se retirarem para um lugar deserto lugar inabitado indica que Jesus deseja que meditem em paz. Portanto, o descanso visa não somente o corpo, mas também o espírito. A euforia impediria que refletissem sobre a missão realizada. v. 32s: A seguir, junto com Jesus, todos se retiram num barco para o Mar da Galiléia. Muitas pessoas acompanham Jesus e os doze a pé pela margem do mar. Será que são peregrinos? Ou são pessoas colocadas em movimento pela ação anterior dos discípulos ou do próprio Cristo? Ou são pessoas que vão ou vêm das celebrações pascais? O texto relata que essas pessoas chegam ao lugar do desembarque antes de Jesus e dos doze. v. 34: As pessoas esperam por Jesus e ele se compadece delas. A partir de Mc, não se poderia afirmar que a compaixão de Jesus fora motivada por necessidades bem concretas do povo. (Em Mt 14.14, a multiplicação é precedida de cura e, em Lc 9.11, de curas e pregação.) Por meio de sua pregação Jesus torna aquelas ovelhas sem pastor em rebanho, em corpo. Os milhares se tornaram uma comunidade. A caracterização daquelas pessoas como ovelhas sem pastor indica uma crítica às autoridades; elas não se compadecem nem se preocupam com as necessidades espirituais e materiais do povo. v. 35s: Ao final da tarde, os discípulos sugerem a Jesus que despeça a multidão para que cada pessoa possa providenciar comida para si a última refeição do dia era a principal para os judeus! , pois, naquele lugar desabitado, não se encontraria alimento. v. 37: Jesus surpreende os discípulos ao não concordar com a sua sugestão. Além disso, faz recair a responsabilidade pela alimentação daquela gente sobre os próprios discípulos. O que Jesus queria dizer com isso? Eles pensam logicamente. Calculam. Somam. São 200 denários disponíveis. Mas este valor não é suficiente (cf. Jo 6.7) para adquirir comida para aquela multidão. v. 38: Jesus ignora os cálculos dos discípulos e pergunta pelo que, potencialmente, estava disponível ali: cinco pães e dois peixes. O pão de ceva-
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GÊNESIS 2.2-17 2 TESSALONICENSES 3.6-13
PRÉDICA: MARCOS 6.34-44 Wilhelm Wachholz
1 Textos do Antigo Testamento e da Epístola Lembre-se de que o domingo (dia 16) é reservado ao Dia Mundial da Alimentação. Os três textos indicados têm o alimento como tema comum. Em Gn 2.2-17, é relatado que, antes da criação do ser humano, nenhuma erva do campo havia brotado (v. 5). Depois que o ser humano passou a ser alma vivente (v. 7), Deus sai a plantar (v. 8) e faz brotar árvores que pudessem servir de alimento (v. 9). O alimento é doação de Deus e, quando é apropriado de forma egoísta, redunda em pecado (v. 16s). Conforme 2Ts 3.6-13, Paulo percebia que pessoas cristãs locais estavam vivendo às custas de outros, alienadas da realidade terrena, sob pretexto da vinda iminente do Senhor. Esse contexto é importante para que não se interprete o texto de forma legalista. Atualizando o texto para nossos dias, cabe lembrar dos milhões de desempregados/as que procuram desesperadamente por trabalho e, por falta dele, não têm o que comer.
2 Introdução ao texto da prédica O texto do evangelho encontra paralelos nos outros três evangelhos. Em Mc, Mt e Lc, a perícope é antecedida pelo relato da morte de João Batista. Somente em Mc e Lc, o relato da multiplicação está vinculado ao envio dos doze por Jesus. O retorno dos discípulos para junto de Jesus (Mc 6.30 e Lc 9.10) ocorreu depois de terem sido enviados para pregar, expulsar demônios, curar doentes (Mc 6.12s e Lc 9.1s, 6). Portanto, o contexto é o do serviço, de anunciar e restaurar a dignidade das pessoas. O relato do partir dos pães e peixes é repetido em Mc 8.1-10. Trata-se de um recurso narrativo que também é encontrado no AT, com o objetivo de, num lugar de privação do alimento (deserto ou lugar desabitado), apontar para a manifestação do poder divino: Deus provê pelo seu povo (Ex 16; Nm 11.31ss; Dt 8). Em Mc se combina isso com a imagem de Jesus como pastor de ovelhas .
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3 Texto da prédica v. 30: Os discípulos, na condição de enviados de Jesus (v. 7), retornam e relatam, eufóricos e impressionados, o que puderam realizar e ensinar. No Evangelho de Marcos, esta é a única referência aos discípulos como ensinadores. A condição daqueles doze não pode limitar-se somente a de discípulos (= aprendentes), mas também de apóstolos (palavra derivada do grego cujo significado é enviado , mensageiro , ou seja, ensinante). v. 31: Jesus revela-se especialmente compreensível e solidário: Descansem um pouco . Ele sabe que o corpo tem seus limites. Os discípulos também precisavam de tranqüilidade para alimentar-se. Mas o fato de se retirarem para um lugar deserto lugar inabitado indica que Jesus deseja que meditem em paz. Portanto, o descanso visa não somente o corpo, mas também o espírito. A euforia impediria que refletissem sobre a missão realizada. v. 32s: A seguir, junto com Jesus, todos se retiram num barco para o Mar da Galiléia. Muitas pessoas acompanham Jesus e os doze a pé pela margem do mar. Será que são peregrinos? Ou são pessoas colocadas em movimento pela ação anterior dos discípulos ou do próprio Cristo? Ou são pessoas que vão ou vêm das celebrações pascais? O texto relata que essas pessoas chegam ao lugar do desembarque antes de Jesus e dos doze. v. 34: As pessoas esperam por Jesus e ele se compadece delas. A partir de Mc, não se poderia afirmar que a compaixão de Jesus fora motivada por necessidades bem concretas do povo. (Em Mt 14.14, a multiplicação é precedida de cura e, em Lc 9.11, de curas e pregação.) Por meio de sua pregação Jesus torna aquelas ovelhas sem pastor em rebanho, em corpo. Os milhares se tornaram uma comunidade. A caracterização daquelas pessoas como ovelhas sem pastor indica uma crítica às autoridades; elas não se compadecem nem se preocupam com as necessidades espirituais e materiais do povo. v. 35s: Ao final da tarde, os discípulos sugerem a Jesus que despeça a multidão para que cada pessoa possa providenciar comida para si a última refeição do dia era a principal para os judeus! , pois, naquele lugar desabitado, não se encontraria alimento. v. 37: Jesus surpreende os discípulos ao não concordar com a sua sugestão. Além disso, faz recair a responsabilidade pela alimentação daquela gente sobre os próprios discípulos. O que Jesus queria dizer com isso? Eles pensam logicamente. Calculam. Somam. São 200 denários disponíveis. Mas este valor não é suficiente (cf. Jo 6.7) para adquirir comida para aquela multidão. v. 38: Jesus ignora os cálculos dos discípulos e pergunta pelo que, potencialmente, estava disponível ali: cinco pães e dois peixes. O pão de ceva-
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da era o alimento principal da ceia judaica e o peixe, grelhado ou salgado, o acompanhamento. v. 39s: Jesus converte seus discípulos em colaboradores, em partícipes da refeição maravilhosa. A multidão deve sentar-se. Normalmente, naquela situação, as pessoas comiam em pé, sentadas ou de cócoras. Ao insistir que se sentassem, Jesus quer deixar claro que se trata de algo mais do que dar de comer àquela multidão. Como pastor , Jesus convida para a comunhão festiva à mesa . Ele não quer alimentar indivíduos isoladamente; quer alimentar um povo, uma comunhão de pessoas. Ao fazê-los sentar-se em grupos, ele quer recriar Israel (cf. Ex 18.21, 25) numa nova perspectiva, com dimensão escatológica. v. 41: Como hospedeiro e garçom , Jesus toma os cinco pães e os dois peixes e volta os olhos para o céu. Com este gesto evidenciam-se a liberdade e a sinceridade de Jesus diante de Deus. Sobre a multiplicação de pães e peixes propriamente dito existem basicamente três formas interpretativas. Segundo Schabert, muitos afirmam que Jesus já faz aqui uma alusão à eucaristia. Simbolicamente, já se tem uma alusão a Cristo como o pão da vida, que nutre a comunidade. Outros, segundo Schabert, interpretam o relato na perspectiva da refeição messiânica no reino vindouro. Contudo, o sentido da multiplicação não deveria ser buscado naquilo a que remete, mas no próprio fato em si. Os milagres de Jesus são sinais do mundo vindouro, mundo este que, no entanto, não é somente vindouro, mas também já presente, em que seus sinais irrompem na própria história. Neste sentido, o mundo vindouro irrompe à medida que ocorre libertação do pecado, da injustiça, da morte. Desta forma, a refeição dos cinco mil é um sinal da irrupção do novo mundo para dentro da história; é a irrupção da nova criação de Deus. A comunidade de Jesus Cristo não mais precisa ter preocupação e medo da falta de pão, pois Deus a alimenta e a fez comunidade solidária. v. 42: A multidão é saciada por intermédio do repartir abençoado de pão e peixe. Ao pensar o coletivo, o povo, Jesus supriu cada indivíduo. Jesus concebe a comunhão no reino de Deus como uma refeição comunitária, que já é experienciada na história. Com aquela refeição Jesus reúne o povo da Galiléia (ele está se despedindo da Galiléia) como parte da aliança escatológica. v. 43s: O fato de sobrarem doze cestos de alimentos (cf. 2 Rs 4.42-44) após todos (!) terem sido saciados indica a multiplicação extraordinária daquele alimento. A indicação dos doze cestos se relaciona com os doze discípulos. O serviço deles não se encerra ali. Pelo contrário, aquela experiência os desafia à continuidade da ação diaconal. Neste sentido, cabe mencionar que, na igreja antiga, refeição (ágape) e eucaristia são distintos, mas não separados. Na eucaristia, Cristo vem, se doa e faz presente. Na ágape, a comunidade cristã é desafiada a doar-se em serviço. O número de cinco mil não deve ser entendido como absoluto. Ele indica a grandiosidade do repartir abençoado por Jesus.
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4 Encaminhando a prédica No relatório da FAO (Food and Agriculture Organization), uma agência da ONU, divulgado em 25 de novembro de 2003, aponta-se para o crescimento da fome no planeta desde meados da década de 1990. A cada ano, aumenta em cerca de 5 milhões o número de pessoas famintas no mundo. São cerca de 850 milhões de pessoas que diariamente passam fome no planeta. No Brasil, entre 1990-92, eram 18,6 milhões de pessoas (12% da população) e, entre os anos de 1995-96, 16,7 milhões (10%) passavam fome. Este número diminuiu para 15,6 milhões de pessoas famintas entre 1999-2001. Sinal de esperança! Ainda assim, 9% de brasileiros/as passam fome. Ainda segundo o relatório da FAO, não existe falta de alimento no mundo, mas falta política no gerenciamento do alimento. Diante da conclusão do relatório não temos outra alternativa senão constatar: o alimento precisa ser repartido de forma mais igualitária; quando o pão é repartido de forma justa, ele é multiplicado. O extraordinário da multiplicação de Jesus deveria ser concebido a partir desta constatação: existe alimento para todos/as, e isto é dádiva de Deus. Em Jesus Cristo, Deus afirma que, por ser o alimento uma dádiva divina, não pode ser apropriado por uma parte da população de forma que outra seja privada dele. Vejamos que a multiplicação do alimento por Jesus se dá a partir do pão e peixe disponíveis. O desafio de Jesus é dignificar as pessoas de forma que todas (!) tenham pão e sejam saciadas. No final da ceia, doze cestos foram recolhidos. A menção a este fato é muito importante, pois indica que, como dádiva de Deus para todos, o alimento não deveria parar na lata de lixo . As muitas pessoas que vivem dos restos depositados nas latas de lixo anunciam silenciosa e diariamente a dignidade roubada. Comungar à mesa representa um ato de reconciliação com o/a semelhante criado/a à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Esta reconciliação não se limita ao outro/a em seu espírito, mas também a seu corpo. A esperança pelo novo mundo irrompe ali onde o amor é servente, diaconal. Pessoas que são feitas comunidade por e de Cristo vivem na relação com o outro, como se a nova criação já estivesse plenamente aí. Por isso, ali onde a comunidade vive como se a nova criação já estivesse presente, ali sempre de novo acontece o milagre do repartir do pão, de forma que a fome não ameace a vida do/a semelhante. Na ação diaconal, o/a outro/a deve ser o foco e não eu mesmo/a . Uma ação diaconal pode ser egoísta quando alguém a realiza porque se sente bem ou porque gosta . Neste caso, o/a outro/a não é semelhante, mas objeto para alívio de consciência. O verdadeiro altruísmo está quando
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da era o alimento principal da ceia judaica e o peixe, grelhado ou salgado, o acompanhamento. v. 39s: Jesus converte seus discípulos em colaboradores, em partícipes da refeição maravilhosa. A multidão deve sentar-se. Normalmente, naquela situação, as pessoas comiam em pé, sentadas ou de cócoras. Ao insistir que se sentassem, Jesus quer deixar claro que se trata de algo mais do que dar de comer àquela multidão. Como pastor , Jesus convida para a comunhão festiva à mesa . Ele não quer alimentar indivíduos isoladamente; quer alimentar um povo, uma comunhão de pessoas. Ao fazê-los sentar-se em grupos, ele quer recriar Israel (cf. Ex 18.21, 25) numa nova perspectiva, com dimensão escatológica. v. 41: Como hospedeiro e garçom , Jesus toma os cinco pães e os dois peixes e volta os olhos para o céu. Com este gesto evidenciam-se a liberdade e a sinceridade de Jesus diante de Deus. Sobre a multiplicação de pães e peixes propriamente dito existem basicamente três formas interpretativas. Segundo Schabert, muitos afirmam que Jesus já faz aqui uma alusão à eucaristia. Simbolicamente, já se tem uma alusão a Cristo como o pão da vida, que nutre a comunidade. Outros, segundo Schabert, interpretam o relato na perspectiva da refeição messiânica no reino vindouro. Contudo, o sentido da multiplicação não deveria ser buscado naquilo a que remete, mas no próprio fato em si. Os milagres de Jesus são sinais do mundo vindouro, mundo este que, no entanto, não é somente vindouro, mas também já presente, em que seus sinais irrompem na própria história. Neste sentido, o mundo vindouro irrompe à medida que ocorre libertação do pecado, da injustiça, da morte. Desta forma, a refeição dos cinco mil é um sinal da irrupção do novo mundo para dentro da história; é a irrupção da nova criação de Deus. A comunidade de Jesus Cristo não mais precisa ter preocupação e medo da falta de pão, pois Deus a alimenta e a fez comunidade solidária. v. 42: A multidão é saciada por intermédio do repartir abençoado de pão e peixe. Ao pensar o coletivo, o povo, Jesus supriu cada indivíduo. Jesus concebe a comunhão no reino de Deus como uma refeição comunitária, que já é experienciada na história. Com aquela refeição Jesus reúne o povo da Galiléia (ele está se despedindo da Galiléia) como parte da aliança escatológica. v. 43s: O fato de sobrarem doze cestos de alimentos (cf. 2 Rs 4.42-44) após todos (!) terem sido saciados indica a multiplicação extraordinária daquele alimento. A indicação dos doze cestos se relaciona com os doze discípulos. O serviço deles não se encerra ali. Pelo contrário, aquela experiência os desafia à continuidade da ação diaconal. Neste sentido, cabe mencionar que, na igreja antiga, refeição (ágape) e eucaristia são distintos, mas não separados. Na eucaristia, Cristo vem, se doa e faz presente. Na ágape, a comunidade cristã é desafiada a doar-se em serviço. O número de cinco mil não deve ser entendido como absoluto. Ele indica a grandiosidade do repartir abençoado por Jesus.
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4 Encaminhando a prédica No relatório da FAO (Food and Agriculture Organization), uma agência da ONU, divulgado em 25 de novembro de 2003, aponta-se para o crescimento da fome no planeta desde meados da década de 1990. A cada ano, aumenta em cerca de 5 milhões o número de pessoas famintas no mundo. São cerca de 850 milhões de pessoas que diariamente passam fome no planeta. No Brasil, entre 1990-92, eram 18,6 milhões de pessoas (12% da população) e, entre os anos de 1995-96, 16,7 milhões (10%) passavam fome. Este número diminuiu para 15,6 milhões de pessoas famintas entre 1999-2001. Sinal de esperança! Ainda assim, 9% de brasileiros/as passam fome. Ainda segundo o relatório da FAO, não existe falta de alimento no mundo, mas falta política no gerenciamento do alimento. Diante da conclusão do relatório não temos outra alternativa senão constatar: o alimento precisa ser repartido de forma mais igualitária; quando o pão é repartido de forma justa, ele é multiplicado. O extraordinário da multiplicação de Jesus deveria ser concebido a partir desta constatação: existe alimento para todos/as, e isto é dádiva de Deus. Em Jesus Cristo, Deus afirma que, por ser o alimento uma dádiva divina, não pode ser apropriado por uma parte da população de forma que outra seja privada dele. Vejamos que a multiplicação do alimento por Jesus se dá a partir do pão e peixe disponíveis. O desafio de Jesus é dignificar as pessoas de forma que todas (!) tenham pão e sejam saciadas. No final da ceia, doze cestos foram recolhidos. A menção a este fato é muito importante, pois indica que, como dádiva de Deus para todos, o alimento não deveria parar na lata de lixo . As muitas pessoas que vivem dos restos depositados nas latas de lixo anunciam silenciosa e diariamente a dignidade roubada. Comungar à mesa representa um ato de reconciliação com o/a semelhante criado/a à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Esta reconciliação não se limita ao outro/a em seu espírito, mas também a seu corpo. A esperança pelo novo mundo irrompe ali onde o amor é servente, diaconal. Pessoas que são feitas comunidade por e de Cristo vivem na relação com o outro, como se a nova criação já estivesse plenamente aí. Por isso, ali onde a comunidade vive como se a nova criação já estivesse presente, ali sempre de novo acontece o milagre do repartir do pão, de forma que a fome não ameace a vida do/a semelhante. Na ação diaconal, o/a outro/a deve ser o foco e não eu mesmo/a . Uma ação diaconal pode ser egoísta quando alguém a realiza porque se sente bem ou porque gosta . Neste caso, o/a outro/a não é semelhante, mas objeto para alívio de consciência. O verdadeiro altruísmo está quando
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o/a outro/a não permanece na condição de outro/a (distante!), mas de semelhante. Altruísmo move para a solidariedade, a compaixão e o repartir.
novos/excluídos tanto no culto como na refeição é fundamental. Que se organizem as mesas de tal forma que pessoas mais integradas na comunidade sentem com as novas . Lembrem-se: panelas são necessárias para cozinhar, mas panelinhas não servem para edificar comunidade solidária e diaconal!
5 Ensaiando iniciativas diaconais A comunidade vai ser convidada a orar em conjunto a oração do Painosso durante o culto. Em sua explicação sobre a quarta petição dessa oração, Lutero atualizou, para a sua época, o significado do pão: pão significa tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como, por exemplo: comida, bebida, vestes, calçado, casa, lar [...], paz, saúde [...] (Catecismo Menor). Portanto, pão diz respeito ao que confere dignidade à vida humana. Existem muitas iniciativas diaconais de fato evangélicas por se engajar em favor da manutenção e dignificação da vida. Nestes casos, a prédica poderia mobilizar ou reanimar a comunidade em torno de tais iniciativas. Iniciativas novas poderiam ser tomadas como desafio. Em conjunto com presbitérios, lideranças, setores/departamentos, grupos da comunidade poder-se-ia, por exemplo, iniciar uma campanha do quilo em favor de uma creche, asilo ou família necessitada, ou um sopão em uma escola de bairro, ou um mutirão para a construção de uma casa, ou doação de móveis para uma família que vive em condições indignas etc. Enfim, cabe diagnosticar situações em que semelhantes foram empurrados para a dessemelhança , para a exclusão. Fundamental, no entanto, que a iniciativa não seja um projeto pessoal do pastor/a, mas que envolva a comunidade. Isto requer planejamento e decisões antecipadas! Em cultos anteriores e durante a semana que antecede o culto, a comunidade poderia ser motivada a trazer ao culto e ofertar alimentos que poderiam representar o início (ou continuidade) de um projeto diaconal. A presença em culto de pessoa(s) que vá (ão) receber a doação é muito importante. Com isso poder-se-ia enfatizar que aquelas pessoas são feitas semelhantes por intermédio da solidariedade. A celebração da Santa Ceia é fundamental (evite-se a formação de filas para a distribuição da ceia; organizem-se pequenos grupos, a exemplo do que Jesus fez). Durante a celebração, poder-se-ia ressaltar que, por meio de pão e vinho, de seu corpo e sangue, Cristo nos concede dignidade ao nos justificar por graça e fé. Como expressão de gratidão a Deus, a comunidade testemunha o amor e a dignidade concedidos por Deus e manifesta sinal de reconciliação. Lembremo-nos: a falta de pão, a fome, a desumanidade são expressões do pecado e da indignidade, fruto da ganância, da negação do/a outro/a como semelhante. Em conexão com a eucaristia, um almoço (ou janta com pães e peixes) comunitário seria extremamente significativo. Neste caso, integrar os
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Bibliografia DEIS, Fritzleo Lentzen. Comentario al Evangelio de Marcos; modelo de nueva evangelización. Estella/España: Verbo Divino, 1998. p. 208-213. GRUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Markus. 8. Aufl. Berlim: Evangelische Verlagsanstalt, 1980. v. 2, p. 176-183. POHL, Adolf. O Evangelho de Marcos; comentário esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1998. p. 207-216. SCHABERT, Arnold. Das Markus-Evangelium; eine Auslegung für die Gemeinde. 1. Aufl. München: Claudius Verlag. 1964. p. 103-108.
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o/a outro/a não permanece na condição de outro/a (distante!), mas de semelhante. Altruísmo move para a solidariedade, a compaixão e o repartir.
novos/excluídos tanto no culto como na refeição é fundamental. Que se organizem as mesas de tal forma que pessoas mais integradas na comunidade sentem com as novas . Lembrem-se: panelas são necessárias para cozinhar, mas panelinhas não servem para edificar comunidade solidária e diaconal!
5 Ensaiando iniciativas diaconais A comunidade vai ser convidada a orar em conjunto a oração do Painosso durante o culto. Em sua explicação sobre a quarta petição dessa oração, Lutero atualizou, para a sua época, o significado do pão: pão significa tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como, por exemplo: comida, bebida, vestes, calçado, casa, lar [...], paz, saúde [...] (Catecismo Menor). Portanto, pão diz respeito ao que confere dignidade à vida humana. Existem muitas iniciativas diaconais de fato evangélicas por se engajar em favor da manutenção e dignificação da vida. Nestes casos, a prédica poderia mobilizar ou reanimar a comunidade em torno de tais iniciativas. Iniciativas novas poderiam ser tomadas como desafio. Em conjunto com presbitérios, lideranças, setores/departamentos, grupos da comunidade poder-se-ia, por exemplo, iniciar uma campanha do quilo em favor de uma creche, asilo ou família necessitada, ou um sopão em uma escola de bairro, ou um mutirão para a construção de uma casa, ou doação de móveis para uma família que vive em condições indignas etc. Enfim, cabe diagnosticar situações em que semelhantes foram empurrados para a dessemelhança , para a exclusão. Fundamental, no entanto, que a iniciativa não seja um projeto pessoal do pastor/a, mas que envolva a comunidade. Isto requer planejamento e decisões antecipadas! Em cultos anteriores e durante a semana que antecede o culto, a comunidade poderia ser motivada a trazer ao culto e ofertar alimentos que poderiam representar o início (ou continuidade) de um projeto diaconal. A presença em culto de pessoa(s) que vá (ão) receber a doação é muito importante. Com isso poder-se-ia enfatizar que aquelas pessoas são feitas semelhantes por intermédio da solidariedade. A celebração da Santa Ceia é fundamental (evite-se a formação de filas para a distribuição da ceia; organizem-se pequenos grupos, a exemplo do que Jesus fez). Durante a celebração, poder-se-ia ressaltar que, por meio de pão e vinho, de seu corpo e sangue, Cristo nos concede dignidade ao nos justificar por graça e fé. Como expressão de gratidão a Deus, a comunidade testemunha o amor e a dignidade concedidos por Deus e manifesta sinal de reconciliação. Lembremo-nos: a falta de pão, a fome, a desumanidade são expressões do pecado e da indignidade, fruto da ganância, da negação do/a outro/a como semelhante. Em conexão com a eucaristia, um almoço (ou janta com pães e peixes) comunitário seria extremamente significativo. Neste caso, integrar os
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Bibliografia DEIS, Fritzleo Lentzen. Comentario al Evangelio de Marcos; modelo de nueva evangelización. Estella/España: Verbo Divino, 1998. p. 208-213. GRUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Markus. 8. Aufl. Berlim: Evangelische Verlagsanstalt, 1980. v. 2, p. 176-183. POHL, Adolf. O Evangelho de Marcos; comentário esperança. Curitiba: Editora Esperança, 1998. p. 207-216. SCHABERT, Arnold. Das Markus-Evangelium; eine Auslegung für die Gemeinde. 1. Aufl. München: Claudius Verlag. 1964. p. 103-108.
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23 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
23 OUT 2005
ÊXODO 22.21-27 1 TESSALONICENSES 1.5b-10
PRÉDICA: MATEUS 22.34-40(41-46) Eloir Enio Weber
1 Preâmbulo O coração perfeito
O jovem permaneceu em silêncio, lágrimas corriam no seu rosto. Aproximou-se do senhor idoso, arrancou uma parte do seu formoso e jovem coração e lho ofereceu. O senhor idoso o recebeu e o colocou em seu coração, por sua vez arrancou uma parte do seu, já velho e danificado, e com ela tapou o rombo aberto no coração do jovem. A peça se amoldou, porém não com perfeição; por não serem idênticas as partes, notavam-se suas bordas. O jovem olhou o seu coração, que já não era perfeito como antes, porém parecia muito mais formoso, pois o amor do senhor idoso fluía em seu interior. Autor: Aldo Bidán (Argentina) Texto: El corazón perfecto Tradução e adaptação: Eloir E. Weber
2 Contexto e delimitação
Certo dia, um jovem sentou-se no meio de um povoado e anunciou que possuía o coração mais formoso de todo aquele lugar. Uma grande multidão reuniu-se em seu redor; todos o admiraram e confirmaram que seu coração era perfeito, pois não se podiam ver nele maldades nem arranhões. Todos concordaram que era o coração mais formoso que já tinham visto. Neste instante chegou um homem já idoso e disse: Por que dizes isto? O teu coração não é tão formoso quanto o meu! Surpresos, a multidão e o jovem olharam o coração daquele senhor e viram que pulsava vigorosamente, estava coberto de cicatrizes e até havia lugares onde faltavam pedaços e estes haviam sido substituídos por outros que não encaixavam perfeitamente em seu lugar, pois se viam bordas e arestas irregulares. E mais, havia lugares com buracos, onde faltavam pedaços grandes. O olhar das pessoas demonstrava surpresa. O senhor idoso então disse: O teu coração parece perfeito, porém falta algo... Veja, Deus tem me amado e assim aprendi a amar as pessoas. Cada cicatriz representa uma pessoa à qual entreguei todo o meu amor. Arranquei partes do meu coração para entregá-las a cada um daqueles que eu tenho amado. Muitos, por sua vez, têm-me oferecido uma parte do seu coração, que foi colocada nos lugares que estavam abertos. Como as partes não eram iguais, sobraram as bordas pelas quais me alegro, porque elas me recordam do amor que temos partilhado... Houve oportunidades nas quais entreguei parte do meu coração a alguém, porém esta pessoa não me ofereceu um pouco do seu em troca. Dali vieram os buracos... Dar amor é arriscar, no entanto, apesar da dor que essas feridas produzem por ter ficado abertas, lembram-me de que as sigo amando e alimentam a esperança de que algum dia talvez regressem e preencham o vazio que deixaram em meu coração. Compreendes agora o que é verdadeiramente formoso? .
O texto de Mt 22.34-40 (41-46) está localizado dentro da seção que fala do ministério de Jesus em Jerusalém (Mt 21-27). No contexto ainda menor, Jesus aparece respondendo três perguntas e, em seguida, é a vez dele perguntar aos interlocutores. Este era um método de discussão rabínica que Jesus usava para tomar posição diante das diversas correntes religiosas de seu tempo (VV.AA., p. 86). Veja os opositores e os respectivos assuntos: Fariseus e herodianos: o imposto a César (22.15-22). Saduceus: a ressurreição dos mortos (22.23-33). Um legalista fariseu: o maior mandamento (22.34-40). Finalmente Jesus interroga seus adversários sobre ele mesmo (22.41-46). Pode-se perceber que o texto em estudo localiza-se dentro do bloco das controvérsias, que têm origem na resistência oferecida por diversos grupos judaicos aos ensinamentos de Jesus. Numa tentativa de combatê-lo, procuram atacá-lo com questões de cunho teológico e político. Assim, aos poucos, o caminho da cruz vai sendo traçado. Neste 23º Domingo após Pentecoste está colocado diante de nós o texto de Mt 22.34-40 (41-46), portanto duas unidades de texto que têm início e fim bem moldurados e próprios entre si. No desdobramento exegético e temático desse domingo, sugiro manter-nos no tema do duplo mandamento do amor. Antes, porém, é necessário dizer que a discussão levantada por Jesus (v. 41-46) tem como origem a sua entrada em Jerusalém. Na ocasião, ele foi aclamado como Filho de Davi . Aqui ele procura fazer perceber toda a profundeza de um título cujo sentido será descoberto só depois da ressurreição. Os adversários, a partir daí, não ousam mais interrogá-lo. Depois dessa discussão, Jesus deixa escapar, para a multidão e para seus discípulos, um longo grito de amor desiludido (VV.AA., p. 86).
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ÊXODO 22.21-27 1 TESSALONICENSES 1.5b-10
PRÉDICA: MATEUS 22.34-40(41-46) Eloir Enio Weber
1 Preâmbulo O coração perfeito
O jovem permaneceu em silêncio, lágrimas corriam no seu rosto. Aproximou-se do senhor idoso, arrancou uma parte do seu formoso e jovem coração e lho ofereceu. O senhor idoso o recebeu e o colocou em seu coração, por sua vez arrancou uma parte do seu, já velho e danificado, e com ela tapou o rombo aberto no coração do jovem. A peça se amoldou, porém não com perfeição; por não serem idênticas as partes, notavam-se suas bordas. O jovem olhou o seu coração, que já não era perfeito como antes, porém parecia muito mais formoso, pois o amor do senhor idoso fluía em seu interior. Autor: Aldo Bidán (Argentina) Texto: El corazón perfecto Tradução e adaptação: Eloir E. Weber
2 Contexto e delimitação
Certo dia, um jovem sentou-se no meio de um povoado e anunciou que possuía o coração mais formoso de todo aquele lugar. Uma grande multidão reuniu-se em seu redor; todos o admiraram e confirmaram que seu coração era perfeito, pois não se podiam ver nele maldades nem arranhões. Todos concordaram que era o coração mais formoso que já tinham visto. Neste instante chegou um homem já idoso e disse: Por que dizes isto? O teu coração não é tão formoso quanto o meu! Surpresos, a multidão e o jovem olharam o coração daquele senhor e viram que pulsava vigorosamente, estava coberto de cicatrizes e até havia lugares onde faltavam pedaços e estes haviam sido substituídos por outros que não encaixavam perfeitamente em seu lugar, pois se viam bordas e arestas irregulares. E mais, havia lugares com buracos, onde faltavam pedaços grandes. O olhar das pessoas demonstrava surpresa. O senhor idoso então disse: O teu coração parece perfeito, porém falta algo... Veja, Deus tem me amado e assim aprendi a amar as pessoas. Cada cicatriz representa uma pessoa à qual entreguei todo o meu amor. Arranquei partes do meu coração para entregá-las a cada um daqueles que eu tenho amado. Muitos, por sua vez, têm-me oferecido uma parte do seu coração, que foi colocada nos lugares que estavam abertos. Como as partes não eram iguais, sobraram as bordas pelas quais me alegro, porque elas me recordam do amor que temos partilhado... Houve oportunidades nas quais entreguei parte do meu coração a alguém, porém esta pessoa não me ofereceu um pouco do seu em troca. Dali vieram os buracos... Dar amor é arriscar, no entanto, apesar da dor que essas feridas produzem por ter ficado abertas, lembram-me de que as sigo amando e alimentam a esperança de que algum dia talvez regressem e preencham o vazio que deixaram em meu coração. Compreendes agora o que é verdadeiramente formoso? .
O texto de Mt 22.34-40 (41-46) está localizado dentro da seção que fala do ministério de Jesus em Jerusalém (Mt 21-27). No contexto ainda menor, Jesus aparece respondendo três perguntas e, em seguida, é a vez dele perguntar aos interlocutores. Este era um método de discussão rabínica que Jesus usava para tomar posição diante das diversas correntes religiosas de seu tempo (VV.AA., p. 86). Veja os opositores e os respectivos assuntos: Fariseus e herodianos: o imposto a César (22.15-22). Saduceus: a ressurreição dos mortos (22.23-33). Um legalista fariseu: o maior mandamento (22.34-40). Finalmente Jesus interroga seus adversários sobre ele mesmo (22.41-46). Pode-se perceber que o texto em estudo localiza-se dentro do bloco das controvérsias, que têm origem na resistência oferecida por diversos grupos judaicos aos ensinamentos de Jesus. Numa tentativa de combatê-lo, procuram atacá-lo com questões de cunho teológico e político. Assim, aos poucos, o caminho da cruz vai sendo traçado. Neste 23º Domingo após Pentecoste está colocado diante de nós o texto de Mt 22.34-40 (41-46), portanto duas unidades de texto que têm início e fim bem moldurados e próprios entre si. No desdobramento exegético e temático desse domingo, sugiro manter-nos no tema do duplo mandamento do amor. Antes, porém, é necessário dizer que a discussão levantada por Jesus (v. 41-46) tem como origem a sua entrada em Jerusalém. Na ocasião, ele foi aclamado como Filho de Davi . Aqui ele procura fazer perceber toda a profundeza de um título cujo sentido será descoberto só depois da ressurreição. Os adversários, a partir daí, não ousam mais interrogá-lo. Depois dessa discussão, Jesus deixa escapar, para a multidão e para seus discípulos, um longo grito de amor desiludido (VV.AA., p. 86).
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3 Análise do texto Jesus é perguntado por um fariseu: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? (v. 36). Ele responde (v. 37-40) recitando dois versículos conjugados da própria lei: Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força (Dt 6.5) e ... amarás o teu próximo como a ti mesmo... (Lv 19.18b). Conforme a concepção bíblica, a profissão de fé em Deus acarreta um compromisso prático imediato: o ser humano é ligado a Deus, na totalidade de seu ser e de sua existência, por um pacto de obediência, dedicação e fidelidade. Na tradição da Torá, esse compromisso fundamental é resumido na palavra amor (Barbalho, p. 566). Vejamos a seguir uma análise dessa resposta de Jesus: a) v. 37 Amar a Deus O amor a Deus sempre precisa ser entendido como reação ao amor que recebemos dele primeiro. O mandamento de amar a Deus, no Antigo Testamento, é a estipulação básica da aliança, pois mostra a fidelidade do povo ao único Deus. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. A intenção de Jesus certamente não é distinguir entre faculdades e potências, mas, sim, insistir na plenitude da resposta. O amor a Deus precisa ser supremo. Na compreensão da época, o amor era visto como regulador de toda a atitude do ser humano: tanto para com Deus como para com o próximo. Além disso, o amor deveria ser incondicional, exigir decisão definitiva, confiança sem restrição e manifestar-se na afirmação e execução da vontade de Deus. O amor deve-se mostrar ativo em obras, em serviço, em dedicação e doação da vida (Bauer, p. 47). A novidade do texto não consiste em propor o amor como mandamento principal. A novidade talvez nem consista na íntima conexão estabelecida entre o mandamento do amor a Deus e ao próximo: o amor a Deus se exprime e se realiza no amor para com o próximo. O amor tem que ser entendido como um ato voluntário, não como um sentimento. Nisto consiste a verdadeira essência da autêntica piedade (Schmidt, p. 330). ... de todo o teu coração : o coração, na compreensão hebraica, é o interior do ser humano, que Deus vê, a sede das forças da alma, da inteligência, das faculdades espirituais do ser humano. Ali têm lugar a alegria, o temor, a dor, o amor, o desejo, a inteligência e o pensamento. Ali nascem os propósitos e as resoluções. O coração é a própria consciência. O coração é o eu do ser humano em que Deus escreve a lei, ali estão a fé e a dúvida. O coração é, sobretudo, a fonte do amor a Deus e ao próximo. Ele serve para
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descrever a atitude ético-religiosa da pessoa e tem sentido de sede do segredo vital , do destino vital do ser humano. Na Bíblia não existe qualquer sugestão de que o cérebro seja o centro da consciência, do pensamento ou da vontade; tudo isto acontece no coração. Amar a Deus de todo o coração é igual a amar a Deus de toda a alma, mente e força (pois tudo isso está contido no coração). A Bíblia não distingue os processos racionais ou mentais, a exemplo da filosofia grega (Douglas, p. 323). ... de toda a tua alma : a alma é considerada a fonte da vontade e dos sentimentos do ser humano, muitas vezes vista como a vida em si. ... e de todo o teu entendimento : o entendimento pode significar mente ou inteligência. Em última análise, o uso dos três termos tinha a intenção de dar a entender que precisamos amar Deus com todo o nosso ser, sem reservas. Na prática, amar a Deus é, simplesmente, permitir que ele nos ame; permitir que seu amor flua em nós; entender que não podemos conquistá-lo por méritos. Nem podemos atraí-lo por meio dos nossos feitos, prestígio ou piedade. O amor em si é dádiva dele, não conquista nossa. Portanto, a única maneira de amar a Deus é dar espaço e permitir que o seu amor aja em nós. b) v. 39 Amar o próximo como a nós mesmos Jesus une com um elo o amor a Deus e ao próximo, que contém em si todos os mandamentos da lei. A medida e a norma que ele coloca do amor, ao próximo é o amor que o ser humano tem de si mesmo, naturalmente. Assim, pois, a relação íntima desses mandamentos é também evidente no judaísmo. A forma como Jesus apresenta o enlace do duplo mandamento do amor é novo. Jesus ultrapassa, assim, o ponto de vista do judaísmo, porque a justiça e a santidade consistem no cumprimento do duplo mandamento do amor, que inclui toda a lei. Jesus reúne dois mandamentos originalmente separados, embora cada um seja ardentemente recomendado pelos rabinos. Ninguém, exceto Jesus, apresentou-os juntos como sendo os dois princípios reguladores que representam a síntese da fé (Schmidt, p. 331). O texto do Antigo Testamento que Jesus usa como base (Lv 19.18) recomendava que os israelitas amassem os demais membros de seu povo; mais tarde isso foi ampliado e se incluíram no amor ao próximo os residentes estrangeiros, pelo menos (Lv 19.34). Ambos os mandamentos eram capitais na religião judaica. O conceito de próximo que Jesus tinha era certamente mais amplo do que o de muitos escribas (Lc 10.25-37). Não há nenhuma exortação especial feita por Jesus para amar a si mesmo; ele certamente presumia que o princípio da vida é conservá-la. O cristão, no entanto, busca mais do que isso: livremente, a partir da fé, ele ama os outros da mesma forma.
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3 Análise do texto Jesus é perguntado por um fariseu: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? (v. 36). Ele responde (v. 37-40) recitando dois versículos conjugados da própria lei: Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força (Dt 6.5) e ... amarás o teu próximo como a ti mesmo... (Lv 19.18b). Conforme a concepção bíblica, a profissão de fé em Deus acarreta um compromisso prático imediato: o ser humano é ligado a Deus, na totalidade de seu ser e de sua existência, por um pacto de obediência, dedicação e fidelidade. Na tradição da Torá, esse compromisso fundamental é resumido na palavra amor (Barbalho, p. 566). Vejamos a seguir uma análise dessa resposta de Jesus: a) v. 37 Amar a Deus O amor a Deus sempre precisa ser entendido como reação ao amor que recebemos dele primeiro. O mandamento de amar a Deus, no Antigo Testamento, é a estipulação básica da aliança, pois mostra a fidelidade do povo ao único Deus. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. A intenção de Jesus certamente não é distinguir entre faculdades e potências, mas, sim, insistir na plenitude da resposta. O amor a Deus precisa ser supremo. Na compreensão da época, o amor era visto como regulador de toda a atitude do ser humano: tanto para com Deus como para com o próximo. Além disso, o amor deveria ser incondicional, exigir decisão definitiva, confiança sem restrição e manifestar-se na afirmação e execução da vontade de Deus. O amor deve-se mostrar ativo em obras, em serviço, em dedicação e doação da vida (Bauer, p. 47). A novidade do texto não consiste em propor o amor como mandamento principal. A novidade talvez nem consista na íntima conexão estabelecida entre o mandamento do amor a Deus e ao próximo: o amor a Deus se exprime e se realiza no amor para com o próximo. O amor tem que ser entendido como um ato voluntário, não como um sentimento. Nisto consiste a verdadeira essência da autêntica piedade (Schmidt, p. 330). ... de todo o teu coração : o coração, na compreensão hebraica, é o interior do ser humano, que Deus vê, a sede das forças da alma, da inteligência, das faculdades espirituais do ser humano. Ali têm lugar a alegria, o temor, a dor, o amor, o desejo, a inteligência e o pensamento. Ali nascem os propósitos e as resoluções. O coração é a própria consciência. O coração é o eu do ser humano em que Deus escreve a lei, ali estão a fé e a dúvida. O coração é, sobretudo, a fonte do amor a Deus e ao próximo. Ele serve para
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descrever a atitude ético-religiosa da pessoa e tem sentido de sede do segredo vital , do destino vital do ser humano. Na Bíblia não existe qualquer sugestão de que o cérebro seja o centro da consciência, do pensamento ou da vontade; tudo isto acontece no coração. Amar a Deus de todo o coração é igual a amar a Deus de toda a alma, mente e força (pois tudo isso está contido no coração). A Bíblia não distingue os processos racionais ou mentais, a exemplo da filosofia grega (Douglas, p. 323). ... de toda a tua alma : a alma é considerada a fonte da vontade e dos sentimentos do ser humano, muitas vezes vista como a vida em si. ... e de todo o teu entendimento : o entendimento pode significar mente ou inteligência. Em última análise, o uso dos três termos tinha a intenção de dar a entender que precisamos amar Deus com todo o nosso ser, sem reservas. Na prática, amar a Deus é, simplesmente, permitir que ele nos ame; permitir que seu amor flua em nós; entender que não podemos conquistá-lo por méritos. Nem podemos atraí-lo por meio dos nossos feitos, prestígio ou piedade. O amor em si é dádiva dele, não conquista nossa. Portanto, a única maneira de amar a Deus é dar espaço e permitir que o seu amor aja em nós. b) v. 39 Amar o próximo como a nós mesmos Jesus une com um elo o amor a Deus e ao próximo, que contém em si todos os mandamentos da lei. A medida e a norma que ele coloca do amor, ao próximo é o amor que o ser humano tem de si mesmo, naturalmente. Assim, pois, a relação íntima desses mandamentos é também evidente no judaísmo. A forma como Jesus apresenta o enlace do duplo mandamento do amor é novo. Jesus ultrapassa, assim, o ponto de vista do judaísmo, porque a justiça e a santidade consistem no cumprimento do duplo mandamento do amor, que inclui toda a lei. Jesus reúne dois mandamentos originalmente separados, embora cada um seja ardentemente recomendado pelos rabinos. Ninguém, exceto Jesus, apresentou-os juntos como sendo os dois princípios reguladores que representam a síntese da fé (Schmidt, p. 331). O texto do Antigo Testamento que Jesus usa como base (Lv 19.18) recomendava que os israelitas amassem os demais membros de seu povo; mais tarde isso foi ampliado e se incluíram no amor ao próximo os residentes estrangeiros, pelo menos (Lv 19.34). Ambos os mandamentos eram capitais na religião judaica. O conceito de próximo que Jesus tinha era certamente mais amplo do que o de muitos escribas (Lc 10.25-37). Não há nenhuma exortação especial feita por Jesus para amar a si mesmo; ele certamente presumia que o princípio da vida é conservá-la. O cristão, no entanto, busca mais do que isso: livremente, a partir da fé, ele ama os outros da mesma forma.
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Na prática, é necessário começar exercitando o amor próprio e confiar no amor de Deus por nós, porque assim vai crescendo em nós a capacidade de ver, nas outras pessoas, criaturas que também são amadas por Deus. Somente assim poderemos respeitá-las como seres integrais. Descobrir semelhanças e diferenças. Perceber o próximo em suas alegrias e dores; ouvilo e tentar entendê-lo em sua real necessidade. Amar o próximo também significa estar sempre atento e aberto ao perdão de Deus, que abre novas possibilidades de vida em nós quando, por meio do pecado, fechamos espaços. Assim, o amor possibilita exercitar na prática o ato de abrir espaços aos que viram seus caminhos obstruídos pela maldade humana.
confeccionados em papel dupla face, as duas pessoas vão interagindo, no desenrolar da leitura, por meio de mímica. Uma pessoa deve ter um coração bem recortado e liso, enquanto o da outra será todo remendado e com partes faltando. Criatividade é a palavra-chave. Depois da estória é necessário fazer a análise do texto bíblico de Mateus, destacando as conseqüências da prática do duplo mandamento do amor. O amor nos compromete com a vida. De que forma? Diferencial cristão é a motivação para amar. Não amamos para somar pontos, mas porque Deus nos ama primeiro e nos capacita para tal. Amar a Deus e ao próximo é sempre estrada de mão dupla. É sempre doação em forma de corrente. Há um dito popular que diz: Tem gente que tá pior . O amor nunca usa esse parâmetro. d) Liturgia da eucaristia: A eucaristia é a concretização plena do amor de Deus por nós. Por isso vamos moldar uma oração eucarística, destacando a mensagem central da proclamação do evangelho: o amor. A seguir, alguns elementos que, entre outros, não podem faltar na oração eucarística. Prefácio: É uma explosão de gratidão a Deus por amar incondicionalmente e colocar em nós a capacidade de promover o amor. Proclamar ação de graças a Deus desde a criação até a ressurreição é motivar a comunidade a viver o duplo mandamento do amor. Anamnese: Em Cristo Deus encarna todo o seu amor pela humanidade. Vamos então reatualizar esse evento de amor, invocando Jesus do passado e tornando o amor dele presente e ativo em nosso meio. Epiclese: O Espírito Santo é quem realiza a comunhão em Cristo. Peçamos, pois, que em torno da mesa da eucaristia o amor de Deus nos una e nos comprometa a viver o duplo mandamento do amor. Mementos: Aqui é o momento de pedir: Lembra-te, Senhor, dos fiéis batizados de todos os tempos... O amor de Deus nos une em fé para proclamar a esperança do reino por meio do banquete celestial preparado para todos os seus filhos.
4 Textos de leitura a) Êx 22.21-27: Este texto amplia a compreensão de próximo . Deus condena a exploração da miséria. O imigrante, o órfão, a viúva e o pobre devem ser protegidos pelo direito. A não-exploração desses já é o princípio do mandamento duplo do amor. As necessidades vitais do ser humano estão acima de qualquer direito de propriedade. b) 1 Ts 1.5b-10: Os cristãos de Tessalônica compreenderam a profundidade da mensagem do evangelho. Neste texto, Paulo elogia a fé e a constante busca dessa comunidade, tornando-se imitadores do próprio apóstolo e de Cristo . A fé deles tem servido de exemplo para cristãos de outras comunidades. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que nos chama a viver o duplo mandamento do amor.
5 A celebração O texto abre muitas possibilidades para moldar a liturgia. Destaco alguns elementos da liturgia oficial da IECLB que merecem atenção: a) Kyrie eleison: No clamor coletivo pelas dores do mundo é necessário destacar os tantos sinais de que o duplo mandamento do amor é ignorado, fazendo pessoas sofrerem todos os tipos de exploração e violência. O texto de leitura do Êxodo pode nos ajudar a formular a motivação do clamor a Deus. b) Gloria in excelsis: Temos muitos motivos de louvor e adoração. Acontecem muitos sinais de que o duplo mandamento do amor é vivenciado, é um grande motivo de louvor. No texto de leitura de 1 Ts, Paulo fala de servir ao Deus vivo ; coloquemos, pois, o nosso serviço em louvor. c) Interpretação da palavra: Sugiro começar a interpretação lendo a estória O coração perfeito (ver início do estudo). Enquanto a estória é lida, duas pessoas fazem a encenação da mesma. Com corações grandes,
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Bibliografia BARBAGLIO, Guiseppe et alii. Os Evangelhos (I). São Paulo: Loyola, 1973. BAUER, Johannes B. Dicionário de Teologia Bíblica. São Paulo: Loyola, 1973. DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, s.d. SCHMID, Josef. El Evangelio Según San Marcos. Barcelona: Herder, 1973. VV.AA. Leitura do Evangelho Segundo Mateus. São Paulo: Paulinas, 1985.
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Na prática, é necessário começar exercitando o amor próprio e confiar no amor de Deus por nós, porque assim vai crescendo em nós a capacidade de ver, nas outras pessoas, criaturas que também são amadas por Deus. Somente assim poderemos respeitá-las como seres integrais. Descobrir semelhanças e diferenças. Perceber o próximo em suas alegrias e dores; ouvilo e tentar entendê-lo em sua real necessidade. Amar o próximo também significa estar sempre atento e aberto ao perdão de Deus, que abre novas possibilidades de vida em nós quando, por meio do pecado, fechamos espaços. Assim, o amor possibilita exercitar na prática o ato de abrir espaços aos que viram seus caminhos obstruídos pela maldade humana.
confeccionados em papel dupla face, as duas pessoas vão interagindo, no desenrolar da leitura, por meio de mímica. Uma pessoa deve ter um coração bem recortado e liso, enquanto o da outra será todo remendado e com partes faltando. Criatividade é a palavra-chave. Depois da estória é necessário fazer a análise do texto bíblico de Mateus, destacando as conseqüências da prática do duplo mandamento do amor. O amor nos compromete com a vida. De que forma? Diferencial cristão é a motivação para amar. Não amamos para somar pontos, mas porque Deus nos ama primeiro e nos capacita para tal. Amar a Deus e ao próximo é sempre estrada de mão dupla. É sempre doação em forma de corrente. Há um dito popular que diz: Tem gente que tá pior . O amor nunca usa esse parâmetro. d) Liturgia da eucaristia: A eucaristia é a concretização plena do amor de Deus por nós. Por isso vamos moldar uma oração eucarística, destacando a mensagem central da proclamação do evangelho: o amor. A seguir, alguns elementos que, entre outros, não podem faltar na oração eucarística. Prefácio: É uma explosão de gratidão a Deus por amar incondicionalmente e colocar em nós a capacidade de promover o amor. Proclamar ação de graças a Deus desde a criação até a ressurreição é motivar a comunidade a viver o duplo mandamento do amor. Anamnese: Em Cristo Deus encarna todo o seu amor pela humanidade. Vamos então reatualizar esse evento de amor, invocando Jesus do passado e tornando o amor dele presente e ativo em nosso meio. Epiclese: O Espírito Santo é quem realiza a comunhão em Cristo. Peçamos, pois, que em torno da mesa da eucaristia o amor de Deus nos una e nos comprometa a viver o duplo mandamento do amor. Mementos: Aqui é o momento de pedir: Lembra-te, Senhor, dos fiéis batizados de todos os tempos... O amor de Deus nos une em fé para proclamar a esperança do reino por meio do banquete celestial preparado para todos os seus filhos.
4 Textos de leitura a) Êx 22.21-27: Este texto amplia a compreensão de próximo . Deus condena a exploração da miséria. O imigrante, o órfão, a viúva e o pobre devem ser protegidos pelo direito. A não-exploração desses já é o princípio do mandamento duplo do amor. As necessidades vitais do ser humano estão acima de qualquer direito de propriedade. b) 1 Ts 1.5b-10: Os cristãos de Tessalônica compreenderam a profundidade da mensagem do evangelho. Neste texto, Paulo elogia a fé e a constante busca dessa comunidade, tornando-se imitadores do próprio apóstolo e de Cristo . A fé deles tem servido de exemplo para cristãos de outras comunidades. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que nos chama a viver o duplo mandamento do amor.
5 A celebração O texto abre muitas possibilidades para moldar a liturgia. Destaco alguns elementos da liturgia oficial da IECLB que merecem atenção: a) Kyrie eleison: No clamor coletivo pelas dores do mundo é necessário destacar os tantos sinais de que o duplo mandamento do amor é ignorado, fazendo pessoas sofrerem todos os tipos de exploração e violência. O texto de leitura do Êxodo pode nos ajudar a formular a motivação do clamor a Deus. b) Gloria in excelsis: Temos muitos motivos de louvor e adoração. Acontecem muitos sinais de que o duplo mandamento do amor é vivenciado, é um grande motivo de louvor. No texto de leitura de 1 Ts, Paulo fala de servir ao Deus vivo ; coloquemos, pois, o nosso serviço em louvor. c) Interpretação da palavra: Sugiro começar a interpretação lendo a estória O coração perfeito (ver início do estudo). Enquanto a estória é lida, duas pessoas fazem a encenação da mesma. Com corações grandes,
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Bibliografia BARBAGLIO, Guiseppe et alii. Os Evangelhos (I). São Paulo: Loyola, 1973. BAUER, Johannes B. Dicionário de Teologia Bíblica. São Paulo: Loyola, 1973. DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, s.d. SCHMID, Josef. El Evangelio Según San Marcos. Barcelona: Herder, 1973. VV.AA. Leitura do Evangelho Segundo Mateus. São Paulo: Paulinas, 1985.
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24 DOMINGO APÓS PENTECOSTE
30 out 2005
MALAQUIAS 2.1-2,4-10 1 TESSALONICENSES 2.8-13
PRÉDICA: MATEUS 23.1-12 Vera Weissheimer
A fé é filha de gente pequena. Quando ela é encontrada junto a grandes senhores, é porque foi adotada ou serve de cocheiro para conduzir sua carruagem dourada ao céu. Joseph Wittig
1 Observações gerais
É preciso que consideremos algumas definições para compreender com clareza o texto. A primeira definição: Quem são os escribas? Eles eram copistas das escrituras. Devido à familiaridade com os pormenores da lei, vieram a ser reconhecidos como autoridades da lei. Às vezes, eram chamados de doutores . A segunda definição é muito importante para que a comunidade ouvinte dessa pregação compreenda quem são esses grupos dos quais fala Jesus. Quem são os fariseus? Estes formavam um partido religioso no judaísmo e se aplicavam em estudar profundamente a lei mosaica e as tradições dos antepassados. Exigiam a mais rigorosa observância, não da lei propriamente dita, mas da sua interpretação da lei, principalmente em relação à observância do sábado e à pureza dos rituais. O nome grego fariseu é derivado do hebraico perusim os separados. Teriam sido chamados assim pelos seus adversários, porque a sua severa interpretação da lei os obrigava a uma separação rigorosa da massa dos impuros . Na Mixná, o nome fariseus aparece poucas vezes; mas é usada a palavra haberim (camarada), título usado entre eles, que faz supor uma organização muito rígida do partido. É mais do que conhecido o juízo severo dos evangelhos e do próprio Jesus sobre os fariseus. Jesus condenava não a sua doutrina (cf. Mt 23.3), mas a sua mentalidade (de hipocrisia e soberba). Sobretudo no Sermão do Monte encontramos tal crítica. Desde o princípio houve uma oposição irreconciliável entre Jesus e os fariseus, tanto que eles chegam a conspirar contra Jesus (Mc 3.6). Não obstante, Flávio Josefo e autores modernos tentam justificar total ou parcialmente a ação dos fariseus, baseando-se na literatura rabínica posterior, embora haja também textos rabínicos que falam na
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praga dos fariseus . Um autor contemporâneo que também defende uma releitura da história desse grupo religioso é Evaristo Eduardo de Miranda, que escreveu o livro Sábios fariseus reparar uma injustiça (Editora Loyola). O certo é que não devemos perder a dimensão da seriedade com que os fariseus se dedicavam ao estudo das coisas da religião. Em muitos aspectos, eles foram os herdeiros e guardas da revelação do Antigo Testamento. Foram eles que, depois da queda de Jerusalém, mantiveram vivos o judaísmo e a sua tradição. Mas os seus princípios unilaterais levaram inevitavelmente à mentalidade censurada por Jesus. O zelo exagerado pela lei e pela pureza legal teve como conseqüência não uma comunidade unida pela solidariedade e amor, mas um isolamento e um desprezo pela massa ignorante e impura (o povo) e um particularismo exacerbado. A mentalidade exclusivamente jurídica trouxe consigo formalismo e hipocrisia, além de um congelamento da religião viva, de modo que secaram aquelas correntes férteis do AT que foram o messianismo e o profetismo.
2 Considerações sobre a perícope Essa perícope é trabalhada somente uma vez na série Proclamar Libertação. É Richard Wangen quem a destrincha no vol. II (1979). Dele buscamos agora o desemaranhar dos versículos. O capítulo 23 faz parte de um bloco que relata sobre o agir de Jesus em Jerusalém e os conflitos com os grupos-líderes do povo judaico. Neste relato, Mateus baseia-se em Mc 12.37-40. Alguns comentários apresentam o capítulo como parte de um bloco de ensinamentos ligados aos capítulos 24 e 25. Mateus quer dar testemunho do Jesus Messias em seu ambiente judaico é importante considerar que o fator obediência desempenha um importante papel para esse evangelista. v. 1: O sermão do capítulo 23 inclui o povo e os discípulos, diferentemente do Sermão do Monte (Mt.5.1-12/Lc 6.20-23), que é dirigido especialmente aos discípulos, apesar da presença das multidões ( Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes... ). v. 2: Na cadeira de Moisés : esta expressão não é meramente figurativa. Havia um móvel que na sinagoga representava o lugar da autoridade magisterial de Moisés, e o termo aqui se refere a uma instituição que reivindica para si a última instância em termos de estipular o padrão de verdades e comportamentos. v. 3: Fazei e guardai : alguns estudiosos duvidam que Jesus tenha mandado obedecer aos escribas e fariseus. Mas talvez ele o tenha feito no sentido de levar o ensino até as últimas conseqüências, considerando o grande mandamento ( Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento Mt 22.37 e 38).
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PRÉDICA: MATEUS 23.1-12 Vera Weissheimer
A fé é filha de gente pequena. Quando ela é encontrada junto a grandes senhores, é porque foi adotada ou serve de cocheiro para conduzir sua carruagem dourada ao céu. Joseph Wittig
1 Observações gerais
É preciso que consideremos algumas definições para compreender com clareza o texto. A primeira definição: Quem são os escribas? Eles eram copistas das escrituras. Devido à familiaridade com os pormenores da lei, vieram a ser reconhecidos como autoridades da lei. Às vezes, eram chamados de doutores . A segunda definição é muito importante para que a comunidade ouvinte dessa pregação compreenda quem são esses grupos dos quais fala Jesus. Quem são os fariseus? Estes formavam um partido religioso no judaísmo e se aplicavam em estudar profundamente a lei mosaica e as tradições dos antepassados. Exigiam a mais rigorosa observância, não da lei propriamente dita, mas da sua interpretação da lei, principalmente em relação à observância do sábado e à pureza dos rituais. O nome grego fariseu é derivado do hebraico perusim os separados. Teriam sido chamados assim pelos seus adversários, porque a sua severa interpretação da lei os obrigava a uma separação rigorosa da massa dos impuros . Na Mixná, o nome fariseus aparece poucas vezes; mas é usada a palavra haberim (camarada), título usado entre eles, que faz supor uma organização muito rígida do partido. É mais do que conhecido o juízo severo dos evangelhos e do próprio Jesus sobre os fariseus. Jesus condenava não a sua doutrina (cf. Mt 23.3), mas a sua mentalidade (de hipocrisia e soberba). Sobretudo no Sermão do Monte encontramos tal crítica. Desde o princípio houve uma oposição irreconciliável entre Jesus e os fariseus, tanto que eles chegam a conspirar contra Jesus (Mc 3.6). Não obstante, Flávio Josefo e autores modernos tentam justificar total ou parcialmente a ação dos fariseus, baseando-se na literatura rabínica posterior, embora haja também textos rabínicos que falam na
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praga dos fariseus . Um autor contemporâneo que também defende uma releitura da história desse grupo religioso é Evaristo Eduardo de Miranda, que escreveu o livro Sábios fariseus reparar uma injustiça (Editora Loyola). O certo é que não devemos perder a dimensão da seriedade com que os fariseus se dedicavam ao estudo das coisas da religião. Em muitos aspectos, eles foram os herdeiros e guardas da revelação do Antigo Testamento. Foram eles que, depois da queda de Jerusalém, mantiveram vivos o judaísmo e a sua tradição. Mas os seus princípios unilaterais levaram inevitavelmente à mentalidade censurada por Jesus. O zelo exagerado pela lei e pela pureza legal teve como conseqüência não uma comunidade unida pela solidariedade e amor, mas um isolamento e um desprezo pela massa ignorante e impura (o povo) e um particularismo exacerbado. A mentalidade exclusivamente jurídica trouxe consigo formalismo e hipocrisia, além de um congelamento da religião viva, de modo que secaram aquelas correntes férteis do AT que foram o messianismo e o profetismo.
2 Considerações sobre a perícope Essa perícope é trabalhada somente uma vez na série Proclamar Libertação. É Richard Wangen quem a destrincha no vol. II (1979). Dele buscamos agora o desemaranhar dos versículos. O capítulo 23 faz parte de um bloco que relata sobre o agir de Jesus em Jerusalém e os conflitos com os grupos-líderes do povo judaico. Neste relato, Mateus baseia-se em Mc 12.37-40. Alguns comentários apresentam o capítulo como parte de um bloco de ensinamentos ligados aos capítulos 24 e 25. Mateus quer dar testemunho do Jesus Messias em seu ambiente judaico é importante considerar que o fator obediência desempenha um importante papel para esse evangelista. v. 1: O sermão do capítulo 23 inclui o povo e os discípulos, diferentemente do Sermão do Monte (Mt.5.1-12/Lc 6.20-23), que é dirigido especialmente aos discípulos, apesar da presença das multidões ( Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes... ). v. 2: Na cadeira de Moisés : esta expressão não é meramente figurativa. Havia um móvel que na sinagoga representava o lugar da autoridade magisterial de Moisés, e o termo aqui se refere a uma instituição que reivindica para si a última instância em termos de estipular o padrão de verdades e comportamentos. v. 3: Fazei e guardai : alguns estudiosos duvidam que Jesus tenha mandado obedecer aos escribas e fariseus. Mas talvez ele o tenha feito no sentido de levar o ensino até as últimas conseqüências, considerando o grande mandamento ( Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento Mt 22.37 e 38).
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v. 4: Fardos opressivos/fardos pesados : o retrato da acumulação de leis que os escribas e fariseus exigem do povo é pintado como um feixe de lenha que vai se acumulando nas costas de quem o carrega, sem nenhuma vontade de modificá-lo. Seria uma referência à tentativa de controlar a consciência do povo por meio das leis. v. 5-7: Para serem vistos pelos homens : estes três versículos demonstram as maneiras ostensivas com que os fariseus tentavam atrair a atenção sobre si. O filactério (do grego: filacterion) era uma pequena caixa de couro (como uma caixinha de fósforos) que continha quatro pedaços de pergaminho, nos quais estavam escritos os textos de Dt 11.13-21; Dt 6.4-9; Êx 13.1116 e Êx 13.1-10. Posteriormente, começou a ser usado contra demônios e infortúnio (Dicionário Novo Testamento Grego, W. C. Taylor). Durante a oração, um filactério era usado na testa, entre as sobrancelhas, e outro mantido no braço esquerdo, junto ao cotovelo. Eram mantidos em seu lugar por tiras de couro que os fariseus alargavam para atrair maior atenção sobre si. O costume era baseado em Êx 13.9, 16; Dt 6.8; 11.18 embora os mais piedosos só tivessem começado a usar filactérios próximo à época de Cristo. Jesus não critica o costume em si, mas o espírito que o corrompeu. Aqui acrescentamos aos comentários de Richard Wangen algumas considerações sobre esses versículos. Conforme descreve o livro de Nm 15.38, as vestimentas deveriam ter franjas e borlas (do latim burrula, floco de lã). Na tradução da Bíblia da Edição Pastoral aparecem as duas palavras: façam borlas e as costurem com linha violeta na franja de suas vestes . Já na tradução de Ferreira de Almeida é mencionada somente a palavra borla, e na Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) o texto diz: Façam franjas nas bordas de suas vestes isto vale para as gerações futuras e ponham um fio de púrpura na franja em torno da veste . A idéia de colocar as franjas na vestimenta era para que se cumprisse a ordem: Lembrareis de todos os mandamentos do Senhor e os cumprireis, e não vos deixareis arrastar por vossos corações . Em nosso texto no original grego, encontramos a palavra kráspeda, que significa simplesmente franja. Jesus questionava a necessidade de alongar as franjas para que elas ficassem mais visíveis. Ele queria que o povo lembrasse que o sentido original da lei dada para Moisés era que cada ser humano olhasse para as suas próprias franjas e se lembrasse dos mandamentos que deveria seguir. v. 8-10: Vós, porém : segundo a análise de Wangen, esses últimos versículos estão endereçados diretamente à comunidade cristã. O procedimento cristão e comunitário descrito nesse trecho contrasta com o procedimento farisaico e tem caráter de regra para a comunidade. Os v. 8 e 10 talvez façam parte da redação de Mateus, pois são dirigidos aos irmãos (adelfoi); as multidões (hoi ochloi) não entenderiam essas palavras. O v. 9 fortalece a linha do texto na sua teo-cristo-centricidade, ressaltando que a única autoridade reside em Deus. Mateus tem o cuidado em manter a antítese aqui na
terra e o que está nos céus . Uma posição notável na crítica de Jesus aos fariseus é que o critério do evangelho é exterior a nós, o que significa que não possuímos a última medida com a qual seremos julgados. Os fariseus e escribas reivindicavam essa regalia para si mesmos. v. 11 e 12: Indicam de que maneira deve ser praticada a fé cristã: não em ostentação, mas em serviço. Por outro lado, somente Jesus conseguiu cumprir de forma plena esse serviço, que é o caminho de excelência para a comunidade cristã. Levei esse texto para um grupo de estudo bíblico cuja maioria dos participantes é de empregados em marcenarias à beira da BR 116, saída de São Paulo para a região sul do Brasil. Eles chegaram à conclusão de que os versículos finais são pesados e detiveram-se longamente na diferença entre humilhação e humildade. Eles em alguns casos se sentem humilhados pelos patrões, pois moram de forma improvisada em espaços cedidos pelas marcenarias, alguns dos quais se confundem com os depósitos das empresas. Conversamos longamente sobre essa diferença, pois, se permitirmos que nossa comunidade entenda que deve aceitar a humilhação vexatória, cometemos um grave erro. Humildade vem do latim humilitate, virtude que nos dá a exata noção de nossa fraqueza, no sentido de ter respeito pelo outro. Já a palavra humilhar vem do latim tardio humilio/humiliare, que significa rebaixar, vexar, oprimir, abater.
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3 Idéias para a pregação Que ponte podemos construir da perícope até nossas comunidades? Mateus nos apresenta dois problemas: o primeiro é a forte presença da comunidade judaica, que quer dominar doutrinariamente os cristãos; o segundo são os cristãos renegarem totalmente as leis (v. 3: Fazei e guardai, pois tudo quanto eles disserem... ). Jesus indica o caminho da valorização das escrituras e a necessidade de guiar a vida sob esses preceitos, não perdendo o foco de que o Pai, e não a lei/letra, é o guia. Ficar sem o teto da lei religiosa é cair numa total anomia, uma ausência de regras para a condução da vida. A lei tem uma função instrumental em nossa vida, que precisa ser considerada. Os textos de leitura nos remetem a isso também. Malaquias é bem claro na necessidade de se ouvir a palavra de Deus: Se não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos... O texto de 1 Ts 2.12 diz: Exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória . Assim podemos trabalhar a perícope de Mateus como uma exortação de Jesus para que o cristão viva de maneira digna a sua fé. O evangelista pede uma obediência à lei em termos de um
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v. 4: Fardos opressivos/fardos pesados : o retrato da acumulação de leis que os escribas e fariseus exigem do povo é pintado como um feixe de lenha que vai se acumulando nas costas de quem o carrega, sem nenhuma vontade de modificá-lo. Seria uma referência à tentativa de controlar a consciência do povo por meio das leis. v. 5-7: Para serem vistos pelos homens : estes três versículos demonstram as maneiras ostensivas com que os fariseus tentavam atrair a atenção sobre si. O filactério (do grego: filacterion) era uma pequena caixa de couro (como uma caixinha de fósforos) que continha quatro pedaços de pergaminho, nos quais estavam escritos os textos de Dt 11.13-21; Dt 6.4-9; Êx 13.1116 e Êx 13.1-10. Posteriormente, começou a ser usado contra demônios e infortúnio (Dicionário Novo Testamento Grego, W. C. Taylor). Durante a oração, um filactério era usado na testa, entre as sobrancelhas, e outro mantido no braço esquerdo, junto ao cotovelo. Eram mantidos em seu lugar por tiras de couro que os fariseus alargavam para atrair maior atenção sobre si. O costume era baseado em Êx 13.9, 16; Dt 6.8; 11.18 embora os mais piedosos só tivessem começado a usar filactérios próximo à época de Cristo. Jesus não critica o costume em si, mas o espírito que o corrompeu. Aqui acrescentamos aos comentários de Richard Wangen algumas considerações sobre esses versículos. Conforme descreve o livro de Nm 15.38, as vestimentas deveriam ter franjas e borlas (do latim burrula, floco de lã). Na tradução da Bíblia da Edição Pastoral aparecem as duas palavras: façam borlas e as costurem com linha violeta na franja de suas vestes . Já na tradução de Ferreira de Almeida é mencionada somente a palavra borla, e na Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) o texto diz: Façam franjas nas bordas de suas vestes isto vale para as gerações futuras e ponham um fio de púrpura na franja em torno da veste . A idéia de colocar as franjas na vestimenta era para que se cumprisse a ordem: Lembrareis de todos os mandamentos do Senhor e os cumprireis, e não vos deixareis arrastar por vossos corações . Em nosso texto no original grego, encontramos a palavra kráspeda, que significa simplesmente franja. Jesus questionava a necessidade de alongar as franjas para que elas ficassem mais visíveis. Ele queria que o povo lembrasse que o sentido original da lei dada para Moisés era que cada ser humano olhasse para as suas próprias franjas e se lembrasse dos mandamentos que deveria seguir. v. 8-10: Vós, porém : segundo a análise de Wangen, esses últimos versículos estão endereçados diretamente à comunidade cristã. O procedimento cristão e comunitário descrito nesse trecho contrasta com o procedimento farisaico e tem caráter de regra para a comunidade. Os v. 8 e 10 talvez façam parte da redação de Mateus, pois são dirigidos aos irmãos (adelfoi); as multidões (hoi ochloi) não entenderiam essas palavras. O v. 9 fortalece a linha do texto na sua teo-cristo-centricidade, ressaltando que a única autoridade reside em Deus. Mateus tem o cuidado em manter a antítese aqui na
terra e o que está nos céus . Uma posição notável na crítica de Jesus aos fariseus é que o critério do evangelho é exterior a nós, o que significa que não possuímos a última medida com a qual seremos julgados. Os fariseus e escribas reivindicavam essa regalia para si mesmos. v. 11 e 12: Indicam de que maneira deve ser praticada a fé cristã: não em ostentação, mas em serviço. Por outro lado, somente Jesus conseguiu cumprir de forma plena esse serviço, que é o caminho de excelência para a comunidade cristã. Levei esse texto para um grupo de estudo bíblico cuja maioria dos participantes é de empregados em marcenarias à beira da BR 116, saída de São Paulo para a região sul do Brasil. Eles chegaram à conclusão de que os versículos finais são pesados e detiveram-se longamente na diferença entre humilhação e humildade. Eles em alguns casos se sentem humilhados pelos patrões, pois moram de forma improvisada em espaços cedidos pelas marcenarias, alguns dos quais se confundem com os depósitos das empresas. Conversamos longamente sobre essa diferença, pois, se permitirmos que nossa comunidade entenda que deve aceitar a humilhação vexatória, cometemos um grave erro. Humildade vem do latim humilitate, virtude que nos dá a exata noção de nossa fraqueza, no sentido de ter respeito pelo outro. Já a palavra humilhar vem do latim tardio humilio/humiliare, que significa rebaixar, vexar, oprimir, abater.
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3 Idéias para a pregação Que ponte podemos construir da perícope até nossas comunidades? Mateus nos apresenta dois problemas: o primeiro é a forte presença da comunidade judaica, que quer dominar doutrinariamente os cristãos; o segundo são os cristãos renegarem totalmente as leis (v. 3: Fazei e guardai, pois tudo quanto eles disserem... ). Jesus indica o caminho da valorização das escrituras e a necessidade de guiar a vida sob esses preceitos, não perdendo o foco de que o Pai, e não a lei/letra, é o guia. Ficar sem o teto da lei religiosa é cair numa total anomia, uma ausência de regras para a condução da vida. A lei tem uma função instrumental em nossa vida, que precisa ser considerada. Os textos de leitura nos remetem a isso também. Malaquias é bem claro na necessidade de se ouvir a palavra de Deus: Se não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos... O texto de 1 Ts 2.12 diz: Exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória . Assim podemos trabalhar a perícope de Mateus como uma exortação de Jesus para que o cristão viva de maneira digna a sua fé. O evangelista pede uma obediência à lei em termos de um
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princípio de comportamento ético. Ou, como escreve Wangen, uma ética da relação que determina o exclusivismo ou inclusivismo, meu ou da minha comunidade. O texto levanta diversas reflexões pertinentes à igreja em contexto brasileiro. Uma delas pode ser sobre a espiritualidade vivida como se fosse a busca por um pronto-socorro, sem comprometimento, o que na maioria das vezes faz com que se confunda fé com bem-estar. A sede por soluções imediatas lota igrejas que preferem uma comunidade cuja cabeça já não é mais Cristo, mas algum apóstolo ou bispo . O texto também nos propõe um servir desinteressado, o que já é difícil compreender para um povo que participa de instituições que anunciam nos jornais e em outdoors a obra realizada, e muitas vezes nós caímos no mesmo erro quando enumeramos as obras de nossos membros em nossos boletins. Nunca se ache demais. O que é demais sobra, o que sobra é resto, e o que é resto vai para o lixo. Esta frase, dita por um humorista de televisão, nos lembra quão descartáveis são nossos pensamentos de soberba.
2 4O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Sugestão de bênção: O Senhor te abençoe. Ele encha teus pés com dança e teus braços com força solidária. Ele abra teus olhos para enxergares o mundo. Ele encha teus ouvidos com música. Ele sopre em tuas narinas o sopro de vida renovada. Ele coloque em tua boca palavras de júbilo e em teu coração alegria. Ele te dê ânimo e sabedoria para seres um reflexo da esperança. Ele te guarde em seu imenso amor.
Bibliografia WANGEN, Richard. Meditação sobre Mateus 23.1-12. Proclamar Libertação II , p. 325-335. ZUMSTEIN, Jean. Mateus o teólogo. São Paulo: Paulinas, 1990. 77 pp. DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BÍBLIA. Petrópolis: Rio de Janeiro. 1977. 1.588 pp ELIS REGINA. As aparências enganam . CD Minha História. Polygram.
4 Subsídios litúrgicos Se se desejar abordar a questão de Deus como único guia, é possível usar a simbologia do farol. Veja esta pequena meditação que recebi pela internet: Para que serve um farol? Como seria proveitoso se você pudesse sentar-se à beira-mar e conversar com quem entende de farol. Já que não será possível realizar esse encontro nesse momento, vamos nos valer do que ensinam os livros. Eles nos dizem que o farol serve de guia ou ponto de referência aos navegantes . Na vida não é diferente. Quantas pessoas já procuraram por você perguntando pelo melhor caminho a trilhar? Quantas vezes você próprio se fez a pergunta: que caminho devo seguir? Como o farol é norteador para quem navega, assim também o evangelista Mateus nos alerta: ... porque um só é vosso guia, o Cristo . É animadora também a palavra do profeta Isaías: Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e que te guia pelo caminho em que deves andar (Isaías 48.17). Lembre-se: por onde andar, você poderá dirigir-se a Deus, o Guia, Conselheiro, Protetor e Mestre. Ele será o teu farol. Há também a música As aparências enganam , gravada por Elis Regina, que pode ser usada como exemplo ou referência na pregação. Elis canta: As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam, porque o ódio e o amor se irmanam na fogueira das paixões . Pode-se trabalhar a questão de uma fé verdadeira e de uma fé vivida com ostentação de obras e ativismo eclesiástico.
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princípio de comportamento ético. Ou, como escreve Wangen, uma ética da relação que determina o exclusivismo ou inclusivismo, meu ou da minha comunidade. O texto levanta diversas reflexões pertinentes à igreja em contexto brasileiro. Uma delas pode ser sobre a espiritualidade vivida como se fosse a busca por um pronto-socorro, sem comprometimento, o que na maioria das vezes faz com que se confunda fé com bem-estar. A sede por soluções imediatas lota igrejas que preferem uma comunidade cuja cabeça já não é mais Cristo, mas algum apóstolo ou bispo . O texto também nos propõe um servir desinteressado, o que já é difícil compreender para um povo que participa de instituições que anunciam nos jornais e em outdoors a obra realizada, e muitas vezes nós caímos no mesmo erro quando enumeramos as obras de nossos membros em nossos boletins. Nunca se ache demais. O que é demais sobra, o que sobra é resto, e o que é resto vai para o lixo. Esta frase, dita por um humorista de televisão, nos lembra quão descartáveis são nossos pensamentos de soberba.
2 4O D O M I N G O A P Ó S P E N T E C O S T E
Sugestão de bênção: O Senhor te abençoe. Ele encha teus pés com dança e teus braços com força solidária. Ele abra teus olhos para enxergares o mundo. Ele encha teus ouvidos com música. Ele sopre em tuas narinas o sopro de vida renovada. Ele coloque em tua boca palavras de júbilo e em teu coração alegria. Ele te dê ânimo e sabedoria para seres um reflexo da esperança. Ele te guarde em seu imenso amor.
Bibliografia WANGEN, Richard. Meditação sobre Mateus 23.1-12. Proclamar Libertação II , p. 325-335. ZUMSTEIN, Jean. Mateus o teólogo. São Paulo: Paulinas, 1990. 77 pp. DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BÍBLIA. Petrópolis: Rio de Janeiro. 1977. 1.588 pp ELIS REGINA. As aparências enganam . CD Minha História. Polygram.
4 Subsídios litúrgicos Se se desejar abordar a questão de Deus como único guia, é possível usar a simbologia do farol. Veja esta pequena meditação que recebi pela internet: Para que serve um farol? Como seria proveitoso se você pudesse sentar-se à beira-mar e conversar com quem entende de farol. Já que não será possível realizar esse encontro nesse momento, vamos nos valer do que ensinam os livros. Eles nos dizem que o farol serve de guia ou ponto de referência aos navegantes . Na vida não é diferente. Quantas pessoas já procuraram por você perguntando pelo melhor caminho a trilhar? Quantas vezes você próprio se fez a pergunta: que caminho devo seguir? Como o farol é norteador para quem navega, assim também o evangelista Mateus nos alerta: ... porque um só é vosso guia, o Cristo . É animadora também a palavra do profeta Isaías: Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil e que te guia pelo caminho em que deves andar (Isaías 48.17). Lembre-se: por onde andar, você poderá dirigir-se a Deus, o Guia, Conselheiro, Protetor e Mestre. Ele será o teu farol. Há também a música As aparências enganam , gravada por Elis Regina, que pode ser usada como exemplo ou referência na pregação. Elis canta: As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam, porque o ódio e o amor se irmanam na fogueira das paixões . Pode-se trabalhar a questão de uma fé verdadeira e de uma fé vivida com ostentação de obras e ativismo eclesiástico.
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DIA DA REFORMA DA IGREJA
DIA DA REFORMA DA IGREJA
31 OUT 2005
SALMO 46.1-7 JOÃO 8.31-36
PRÉDICA: EFÉSIOS 2.1-10 Werner Wiese
1 Introdução O texto para a prédica de hoje dirigia-se originalmente aos cristãos na Ásia Menor. Lá havia uma série de comunidades cristãs, fruto do trabalho missionário dos primeiros anos e das primeiras décadas depois da morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus. A igreja em Éfeso era uma das mais expressivas na Ásia Menor, se não a mais expressiva. A Carta aos Efésios é um escrito circular, destinado a ser lido em várias comunidades cristãs. Isto acontecia também com outras cartas (Cl 4.16; cf. também 1Ts 5.27). Disso deduzimos que as instruções da carta são supracomunitárias.
2 Elementos do contexto da carta e da época Esses abrangem a origem da comunidade cristã em Éfeso, a razão de ser escrita e questões de conteúdo. a) A origem da comunidade cristã em Éfeso. Ela não surgiu da noite para o dia, mas foi fruto de longo e penoso trabalho missionário de várias pessoas; o apóstolo Paulo dedicou dois anos de trabalho intensivo nessa cidade (At 18.18ss; 18.24ss; 19.19.1ss, especialmente v. 10; 20.17ss; 1Co 15.32). Mais tarde, também João trabalhou nessa comunidade cristã (cf. Ap 2.1-7). b) A razão de essa carta ter sido escrita. Não é possível dizer com precisão quando a carta foi escrita; provavelmente entre os anos 57-62 d.C. Ela não se dirige a comunidades recém-fundadas, mas a comunidades já estabelecidas há mais tempo e que tiveram que enfrentar vários problemas, tais como: a relação com a sociedade civil pagã; a infiltração e recepção de doutrinas fraudulentas na igreja; o cansaço, formalismo, ativismo e o risco de cisão na própria comunidade ou cristandade (cf. At 20.17ss; 1Tm 1.3-7). A carta quer manter a unidade da igreja cristã (Ef 4.1-6). c) O conteúdo da carta. Não podemos retratá-lo minuciosamente aqui. Mas ele está intrinsecamente ligado ao item b, acima mencionado. Efésios pode ser considerada a carta por excelência no Novo Testamento, que zela
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pela unidade da igreja cristã (Ef 4.1-6). Igreja esta composta de judeus e gentios (Ef 2.11-22). Que de ambos se constitua uma só comunidade de fé, edificada sobre o firme fundamento apostólico e profético, cuja pedra de unidade é o próprio Cristo (Ef 2.20); aliás, ele é a cabeça (Ef 4.15). A comunidade de fé é corpo de Cristo a ser edificado, por cuja razão Deus lhe deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11-16).
3 Elementos exegético-teológicos do texto Chama a atenção que o apóstolo trabalha fortemente com expressões antitéticas, como: mortos vida (v. 1, 5); mortos em delitos e pecados nos ressuscitou ... em Cristo (v. 1, 5, 6); filhos da ira criados em Cristo (v. 3, 10); não de obras para boas obras (v. 9, 10). Isto nos faz ouvir atentamente o texto proposto para a prédica para o Dia da Reforma da Igreja. v. 1: A tradução de Almeida inclui logo no v. 1a: Ele nos deu vida . Esta expressão não consta do texto grego e sua inclusão não é feliz, pois nos induz a pensar imediatamente em vida sem antes ter percebido que vida não é algo óbvio, mas é dom de Deus em sentido duplo: vida biológica e vida eterna em Jesus Cristo. De vida o apóstolo só fala a partir do v. 5. Via de regra, todos os gentios eram mortos diante de Deus e sem esperança (Ef 2.12; 1Ts 4.13b). Os termos que o apóstolo usa delitos e pecados (paraptomatha e hamartias) evidenciam que o estar morto diante de Deus não caracteriza apenas um estado de coisas que faz do ser humano uma vítima inocente, mas denota uma realidade marcada por ações a caminho ou no caminho; caminho oposto ao caminho de Deus. v. 2: Isso é confirmado pelo verbo andar (peripateo) e a construção da frase toda que está ligada ao verbo: andar de acordo com a era deste mundo (periepatesate kata ton aiona tou kosmou toutou). A segunda parte do v. 2 circunscreve a primeira parte. Essa é uma típica construção para caracterizar um andar correspondente à ou conformado com a realidade sem esperança de Deus (Ef 2.12). Mundo, aqui, não é sinônimo de criação, que Deus nos confiou para a administrar de forma responsável, mas é expressão de uma realidade ou grandeza invisível que se opõe à realidade Deus e, por isso, gera morte. v. 3: Essa grandeza faz refém a todos os seres humanos; muito provavelmente sem que a maioria o perceba. Esta era também a situação dos agora membros da comunidade cristã de Éfeso. Os reféns dessa grandeza tornam-se escravos da sua própria conduta (cf. também Rm 1.21ss). E não é por menos que o apóstolo os chama de filhos da ira . É verdade, do céu não só se revela a justiça misericordiosa de Deus (Rm 1.17), mas também a ira de Deus (Rm 1.18).
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PRÉDICA: EFÉSIOS 2.1-10 Werner Wiese
1 Introdução O texto para a prédica de hoje dirigia-se originalmente aos cristãos na Ásia Menor. Lá havia uma série de comunidades cristãs, fruto do trabalho missionário dos primeiros anos e das primeiras décadas depois da morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus. A igreja em Éfeso era uma das mais expressivas na Ásia Menor, se não a mais expressiva. A Carta aos Efésios é um escrito circular, destinado a ser lido em várias comunidades cristãs. Isto acontecia também com outras cartas (Cl 4.16; cf. também 1Ts 5.27). Disso deduzimos que as instruções da carta são supracomunitárias.
2 Elementos do contexto da carta e da época Esses abrangem a origem da comunidade cristã em Éfeso, a razão de ser escrita e questões de conteúdo. a) A origem da comunidade cristã em Éfeso. Ela não surgiu da noite para o dia, mas foi fruto de longo e penoso trabalho missionário de várias pessoas; o apóstolo Paulo dedicou dois anos de trabalho intensivo nessa cidade (At 18.18ss; 18.24ss; 19.19.1ss, especialmente v. 10; 20.17ss; 1Co 15.32). Mais tarde, também João trabalhou nessa comunidade cristã (cf. Ap 2.1-7). b) A razão de essa carta ter sido escrita. Não é possível dizer com precisão quando a carta foi escrita; provavelmente entre os anos 57-62 d.C. Ela não se dirige a comunidades recém-fundadas, mas a comunidades já estabelecidas há mais tempo e que tiveram que enfrentar vários problemas, tais como: a relação com a sociedade civil pagã; a infiltração e recepção de doutrinas fraudulentas na igreja; o cansaço, formalismo, ativismo e o risco de cisão na própria comunidade ou cristandade (cf. At 20.17ss; 1Tm 1.3-7). A carta quer manter a unidade da igreja cristã (Ef 4.1-6). c) O conteúdo da carta. Não podemos retratá-lo minuciosamente aqui. Mas ele está intrinsecamente ligado ao item b, acima mencionado. Efésios pode ser considerada a carta por excelência no Novo Testamento, que zela
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pela unidade da igreja cristã (Ef 4.1-6). Igreja esta composta de judeus e gentios (Ef 2.11-22). Que de ambos se constitua uma só comunidade de fé, edificada sobre o firme fundamento apostólico e profético, cuja pedra de unidade é o próprio Cristo (Ef 2.20); aliás, ele é a cabeça (Ef 4.15). A comunidade de fé é corpo de Cristo a ser edificado, por cuja razão Deus lhe deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11-16).
3 Elementos exegético-teológicos do texto Chama a atenção que o apóstolo trabalha fortemente com expressões antitéticas, como: mortos vida (v. 1, 5); mortos em delitos e pecados nos ressuscitou ... em Cristo (v. 1, 5, 6); filhos da ira criados em Cristo (v. 3, 10); não de obras para boas obras (v. 9, 10). Isto nos faz ouvir atentamente o texto proposto para a prédica para o Dia da Reforma da Igreja. v. 1: A tradução de Almeida inclui logo no v. 1a: Ele nos deu vida . Esta expressão não consta do texto grego e sua inclusão não é feliz, pois nos induz a pensar imediatamente em vida sem antes ter percebido que vida não é algo óbvio, mas é dom de Deus em sentido duplo: vida biológica e vida eterna em Jesus Cristo. De vida o apóstolo só fala a partir do v. 5. Via de regra, todos os gentios eram mortos diante de Deus e sem esperança (Ef 2.12; 1Ts 4.13b). Os termos que o apóstolo usa delitos e pecados (paraptomatha e hamartias) evidenciam que o estar morto diante de Deus não caracteriza apenas um estado de coisas que faz do ser humano uma vítima inocente, mas denota uma realidade marcada por ações a caminho ou no caminho; caminho oposto ao caminho de Deus. v. 2: Isso é confirmado pelo verbo andar (peripateo) e a construção da frase toda que está ligada ao verbo: andar de acordo com a era deste mundo (periepatesate kata ton aiona tou kosmou toutou). A segunda parte do v. 2 circunscreve a primeira parte. Essa é uma típica construção para caracterizar um andar correspondente à ou conformado com a realidade sem esperança de Deus (Ef 2.12). Mundo, aqui, não é sinônimo de criação, que Deus nos confiou para a administrar de forma responsável, mas é expressão de uma realidade ou grandeza invisível que se opõe à realidade Deus e, por isso, gera morte. v. 3: Essa grandeza faz refém a todos os seres humanos; muito provavelmente sem que a maioria o perceba. Esta era também a situação dos agora membros da comunidade cristã de Éfeso. Os reféns dessa grandeza tornam-se escravos da sua própria conduta (cf. também Rm 1.21ss). E não é por menos que o apóstolo os chama de filhos da ira . É verdade, do céu não só se revela a justiça misericordiosa de Deus (Rm 1.17), mas também a ira de Deus (Rm 1.18).
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v. 4: De fato, a situação do ser humano, independentemente se ele cultiva ou não uma espécie de religiosidade, seria definitivamente desesperadora não fosse a intervenção de Deus. Aqui neste versículo é declarado e proclamado o rompimento do círculo vicioso da morte eterna. O apóstolo vinha preparando esse anúncio desde o início da carta. E em nosso texto, nos v. 2-3, o autor já fala no tempo passado, andastes outrora , todos nós andamos outrora. Finalmente ecoa com ímpeto: Mas Deus, sendo rico em misericórdia ... . Em Rm 12.1, tendo a mesma realidade em vista, Paulo escreve das misericórdias de Deus . v. 5-7: Nestes versículos a grandeza dos feitos de Deus é descrita com palavras que a razão humana não consegue captar e decodificar. Por exemplo: E estando nós mortos ... nos deu vida juntamente com Cristo, ... juntamente com ele, nos ressuscitou, ... nos fez sentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; ... . Verbalmente significa nos fez sentar nos celestiais (cf. também Ef 1.3). Chama a atenção que o texto grego do v. 1 ao v. 7 usa um único ponto final, dando a impressão de que o fluxo das palavras do apóstolo se encontrava sob compulsão divina (anagke Theou), a exemplo de Ef 1.314. A tônica desses três versículos é inteiramente cristológica. v. 8-9: Aqui nos defrontamos com a síntese teológica do texto como um todo. A conjunção porque/pois (gar, que é uma partícula pós-positiva) introduz e destaca o agir misericordioso de Deus em Jesus Cristo, de tal maneira que fica evidente que está excluído todo mérito e toda virtude por parte do ser humano, seja quem ele for. O acúmulo de vocábulos teológicos, que enfatiza o agir de Deus, dá na vista: graça (charis), salvação (soteria), fé (pistis); dom de Deus (Theou to doron). Estes vocábulos nos lembram do Dia da Reforma da Igreja e poderão ser explorados de forma atualizada na prédica. v. 10: Como no v. 8, também aqui o apóstolo usa a conjunção pois/ porque (gar). Não é por acaso que essa conjunção é usada somente nesses dois versículos do texto todo. Eles fundamentam tanto o agir salvífico exclusivo de Deus quanto a finalidade desse agir. A salvação (v. 8) não tem um fim em si mesma, mas sua finalidade está fora dela. O agir salvífico de Deus reconduz o ser humano ao propósito de Deus com o mesmo: o ser humano é criado em Cristo Jesus para boas obras . Também estas não são invenções e méritos humanos, pois Deus as preparou, isto é, deu as condições para que o ser humano redimido as concretize, ou seja: a graça e a redenção precedem as boas obras. Este é o sentido do v. 10. Boas obras de forma alguma devem ser confundidas com obras da lei, feitas para permutar a salvação. Obras da lei em nenhum lugar são classificadas pelo apóstolo como boas obras.
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4 Elementos homiléticos e estruturais Dos elementos de contexto e exegético-teológicos podemos partir para a estruturação e para aspectos homiléticos que facilitam a elaboração e exposição da mensagem. Estruturação e elementos homiléticos de fato são inseparáveis. 4.1 A estruturação do texto Não é difícil estruturá-lo para a prédica. Existem várias possibilidades de fazê-lo, sem que se usem artifícios que forcem o texto. Nós nos limitamos a sugerir apenas uma forma de estruturação do texto: 1) v. 1-3: a realidade pré-cristã dos Efésios ou a realidade humana fora de Cristo 2) v. 4-7: por meio de Jesus Cristo Deus intervém nessa realidade 3) v. 8-9: por meio de Jesus Cristo Deus renova o ser humano 4) v. 10: a realidade do ser humano em Cristo e o propósito de Deus para ele 4.2 Elementos homiléticos A partir da análise e estruturação feitas até aqui, apontamos para alguns elementos homiléticos. Sugestões temáticas: 1ª temática: a diferença entre outrora e agora 2ª temática: o agir/a graça de Deus faz a diferença Ao optar por uma das sugestões temáticas, é recomendável que o orador leve duas coisas em consideração: Uma é que se costure a ligação entre a temática e o Dia da Reforma da Igreja. A outra é que se costure igualmente a ligação entre Dia da Reforma da Igreja, a temática e a sugestão estrutural pela qual se opta no desdobramento da prédica para o dia. Qualquer uma das temáticas sugeridas e a estruturação proposta são facilmente de-duzíveis do texto da prédica, mas sua formulação não deve ser entendida como uma regra fixa. Destaquemos alguns itens: 1) A estrutura do texto e a temática da prédica mostram a radicalidade da corrupção do pecado e a necessidade de uma intervenção profunda nessa situação, como somente Deus pode efetuar. Aqui os v. 1-3 merecem destaque e Jo 8. 33-34 pode entrar no viés. 2) Nosso tempo ou nossa realidade está prenhe da necessidade de mu-
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v. 4: De fato, a situação do ser humano, independentemente se ele cultiva ou não uma espécie de religiosidade, seria definitivamente desesperadora não fosse a intervenção de Deus. Aqui neste versículo é declarado e proclamado o rompimento do círculo vicioso da morte eterna. O apóstolo vinha preparando esse anúncio desde o início da carta. E em nosso texto, nos v. 2-3, o autor já fala no tempo passado, andastes outrora , todos nós andamos outrora. Finalmente ecoa com ímpeto: Mas Deus, sendo rico em misericórdia ... . Em Rm 12.1, tendo a mesma realidade em vista, Paulo escreve das misericórdias de Deus . v. 5-7: Nestes versículos a grandeza dos feitos de Deus é descrita com palavras que a razão humana não consegue captar e decodificar. Por exemplo: E estando nós mortos ... nos deu vida juntamente com Cristo, ... juntamente com ele, nos ressuscitou, ... nos fez sentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; ... . Verbalmente significa nos fez sentar nos celestiais (cf. também Ef 1.3). Chama a atenção que o texto grego do v. 1 ao v. 7 usa um único ponto final, dando a impressão de que o fluxo das palavras do apóstolo se encontrava sob compulsão divina (anagke Theou), a exemplo de Ef 1.314. A tônica desses três versículos é inteiramente cristológica. v. 8-9: Aqui nos defrontamos com a síntese teológica do texto como um todo. A conjunção porque/pois (gar, que é uma partícula pós-positiva) introduz e destaca o agir misericordioso de Deus em Jesus Cristo, de tal maneira que fica evidente que está excluído todo mérito e toda virtude por parte do ser humano, seja quem ele for. O acúmulo de vocábulos teológicos, que enfatiza o agir de Deus, dá na vista: graça (charis), salvação (soteria), fé (pistis); dom de Deus (Theou to doron). Estes vocábulos nos lembram do Dia da Reforma da Igreja e poderão ser explorados de forma atualizada na prédica. v. 10: Como no v. 8, também aqui o apóstolo usa a conjunção pois/ porque (gar). Não é por acaso que essa conjunção é usada somente nesses dois versículos do texto todo. Eles fundamentam tanto o agir salvífico exclusivo de Deus quanto a finalidade desse agir. A salvação (v. 8) não tem um fim em si mesma, mas sua finalidade está fora dela. O agir salvífico de Deus reconduz o ser humano ao propósito de Deus com o mesmo: o ser humano é criado em Cristo Jesus para boas obras . Também estas não são invenções e méritos humanos, pois Deus as preparou, isto é, deu as condições para que o ser humano redimido as concretize, ou seja: a graça e a redenção precedem as boas obras. Este é o sentido do v. 10. Boas obras de forma alguma devem ser confundidas com obras da lei, feitas para permutar a salvação. Obras da lei em nenhum lugar são classificadas pelo apóstolo como boas obras.
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4 Elementos homiléticos e estruturais Dos elementos de contexto e exegético-teológicos podemos partir para a estruturação e para aspectos homiléticos que facilitam a elaboração e exposição da mensagem. Estruturação e elementos homiléticos de fato são inseparáveis. 4.1 A estruturação do texto Não é difícil estruturá-lo para a prédica. Existem várias possibilidades de fazê-lo, sem que se usem artifícios que forcem o texto. Nós nos limitamos a sugerir apenas uma forma de estruturação do texto: 1) v. 1-3: a realidade pré-cristã dos Efésios ou a realidade humana fora de Cristo 2) v. 4-7: por meio de Jesus Cristo Deus intervém nessa realidade 3) v. 8-9: por meio de Jesus Cristo Deus renova o ser humano 4) v. 10: a realidade do ser humano em Cristo e o propósito de Deus para ele 4.2 Elementos homiléticos A partir da análise e estruturação feitas até aqui, apontamos para alguns elementos homiléticos. Sugestões temáticas: 1ª temática: a diferença entre outrora e agora 2ª temática: o agir/a graça de Deus faz a diferença Ao optar por uma das sugestões temáticas, é recomendável que o orador leve duas coisas em consideração: Uma é que se costure a ligação entre a temática e o Dia da Reforma da Igreja. A outra é que se costure igualmente a ligação entre Dia da Reforma da Igreja, a temática e a sugestão estrutural pela qual se opta no desdobramento da prédica para o dia. Qualquer uma das temáticas sugeridas e a estruturação proposta são facilmente de-duzíveis do texto da prédica, mas sua formulação não deve ser entendida como uma regra fixa. Destaquemos alguns itens: 1) A estrutura do texto e a temática da prédica mostram a radicalidade da corrupção do pecado e a necessidade de uma intervenção profunda nessa situação, como somente Deus pode efetuar. Aqui os v. 1-3 merecem destaque e Jo 8. 33-34 pode entrar no viés. 2) Nosso tempo ou nossa realidade está prenhe da necessidade de mu-
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DIA DA REFORMA DA IGREJA
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danças (reformas) e ao mesmo tempo ocorrem constantes e rápidas mudanças. Pergunta-se: as mudanças e os reclamos da igreja cristã são de fato sustentáveis e saudáveis? O reformador Lutero não propôs, em primeiro lugar, novidades, mas trouxe à tona o que há séculos estava soterrado e obstruído: o evangelho como revelação da justiça graciosa de Deus e o acesso ou retorno às Sagradas Escrituras. Aqui nos defrontamos com profundas necessidades. Destacamos os v. 4-7 e Jo 8.35-36 podem ser mencionados. 3) Destaque-se a grandeza dos feitos de Deus por intermédio de Jesus Cristo, não por último como o próprio reformador Lutero a experimentou e proclamou publicamente. Neste item, os v. 8-9 deveriam ser enfatizados e também remetidos a Jo 8.31-32, 36. 4) Os grandes feitos de Deus por meio de Jesus Cristo não têm um fim naqueles que os experimentam, mas têm um propósito com o povo de Deus. Como a Reforma destaca, a salvação não vem por obras da lei e méritos humanos, mas a salvação deve conduzir para boas obras. As boas obras são indispensáveis para a vida em nossos dias, dentro da família, na vizinhança, na igreja cristã, na sociedade como um todo. Quem experimentou a misericórdia de Deus é um/a livre e feliz devedor/a dessa misericórdia para o seu semelhante. Isto torna o testemunho cristão autêntico dentro de um mundo enfermo e egoísta. Enfatizam-se aqui o v. 10 e o Sl 46.1-7.
por novos céus e nova terra, onde habita justiça, conforme tua promessa. Amém.
Bibliografia BANGEL, Johann Albrecht. GNOMON. Auslegung des Neuen Testaments in fortlaufenden Anmerkungen. 7. reedição da 3. ed. de 1876, vol. 2/1. Berlin: Evangelische Verlagsanstalt, 1960. CONZELMANN, Hans. Der Brief an die Epheser. In: NTD, vol. 8. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1976. JERUSALEMER BIBEL-LEXIKON. Kurt Henning (ed.). Neuhausen-Stuttgart: Hänsler-Verlag, 1990.
5 Recursos litúrgicos Confissão dos pecados: Senhor, nós nos queixamos de tantas coisas erradas no mundo e somos capazes de denunciar o mal dos outros. Mas te confessamos e admitimos que somos pecadores, e às vezes nos escondemos atrás desse fato e não reconhecemos que pecamos em palavras e ações que prejudicam o próximo, aumentam o mal no mundo e te desonramos. Senhor, queiras perdoar-nos por isso e despertar em nós um profundo reconhecimento dos nossos pecados para não só vivermos da tua graça, mas que a vivamos concretamente no lugar onde nos colocaste como sinal daquilo que é bom para todos. Amém. Intercessão: Senhor, intercedemos pela tua igreja espalhada e reunida no mundo inteiro, conceda a ela a busca pela tua palavra de maneira nova. Foi por meio da tua palavra que concedeste a Reforma no século XVI. Pedimos, faze-nos silenciar diante da tua palavra preservada como testemunho profético e apostólico e desperta mais pessoas para a proclamarem hoje com alegria e clareza. Recomendamos-te especialmente os enfermos, os privados de espaço de vida, os perseguidos por tua causa e sua justiça. Olhe com misericórdia sobre toda a tua criação e aumenta em nós a esperança
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danças (reformas) e ao mesmo tempo ocorrem constantes e rápidas mudanças. Pergunta-se: as mudanças e os reclamos da igreja cristã são de fato sustentáveis e saudáveis? O reformador Lutero não propôs, em primeiro lugar, novidades, mas trouxe à tona o que há séculos estava soterrado e obstruído: o evangelho como revelação da justiça graciosa de Deus e o acesso ou retorno às Sagradas Escrituras. Aqui nos defrontamos com profundas necessidades. Destacamos os v. 4-7 e Jo 8.35-36 podem ser mencionados. 3) Destaque-se a grandeza dos feitos de Deus por intermédio de Jesus Cristo, não por último como o próprio reformador Lutero a experimentou e proclamou publicamente. Neste item, os v. 8-9 deveriam ser enfatizados e também remetidos a Jo 8.31-32, 36. 4) Os grandes feitos de Deus por meio de Jesus Cristo não têm um fim naqueles que os experimentam, mas têm um propósito com o povo de Deus. Como a Reforma destaca, a salvação não vem por obras da lei e méritos humanos, mas a salvação deve conduzir para boas obras. As boas obras são indispensáveis para a vida em nossos dias, dentro da família, na vizinhança, na igreja cristã, na sociedade como um todo. Quem experimentou a misericórdia de Deus é um/a livre e feliz devedor/a dessa misericórdia para o seu semelhante. Isto torna o testemunho cristão autêntico dentro de um mundo enfermo e egoísta. Enfatizam-se aqui o v. 10 e o Sl 46.1-7.
por novos céus e nova terra, onde habita justiça, conforme tua promessa. Amém.
Bibliografia BANGEL, Johann Albrecht. GNOMON. Auslegung des Neuen Testaments in fortlaufenden Anmerkungen. 7. reedição da 3. ed. de 1876, vol. 2/1. Berlin: Evangelische Verlagsanstalt, 1960. CONZELMANN, Hans. Der Brief an die Epheser. In: NTD, vol. 8. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1976. JERUSALEMER BIBEL-LEXIKON. Kurt Henning (ed.). Neuhausen-Stuttgart: Hänsler-Verlag, 1990.
5 Recursos litúrgicos Confissão dos pecados: Senhor, nós nos queixamos de tantas coisas erradas no mundo e somos capazes de denunciar o mal dos outros. Mas te confessamos e admitimos que somos pecadores, e às vezes nos escondemos atrás desse fato e não reconhecemos que pecamos em palavras e ações que prejudicam o próximo, aumentam o mal no mundo e te desonramos. Senhor, queiras perdoar-nos por isso e despertar em nós um profundo reconhecimento dos nossos pecados para não só vivermos da tua graça, mas que a vivamos concretamente no lugar onde nos colocaste como sinal daquilo que é bom para todos. Amém. Intercessão: Senhor, intercedemos pela tua igreja espalhada e reunida no mundo inteiro, conceda a ela a busca pela tua palavra de maneira nova. Foi por meio da tua palavra que concedeste a Reforma no século XVI. Pedimos, faze-nos silenciar diante da tua palavra preservada como testemunho profético e apostólico e desperta mais pessoas para a proclamarem hoje com alegria e clareza. Recomendamos-te especialmente os enfermos, os privados de espaço de vida, os perseguidos por tua causa e sua justiça. Olhe com misericórdia sobre toda a tua criação e aumenta em nós a esperança
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DIA DOS FINADOS
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DIA DOS FINADOS SALMO 126 1 CORÍNTIOS 15.50-58
PRÉDICA: JOÃO 5.24-29 Teobaldo Witter
1 Introdução Tenho vários anos de pastorado. Oficiei o sepultamento de muitas pessoas: crianças, jovens, adolescentes, idosos, homens e mulheres, enfim, pessoas de todas as idades. Foram amigos, parentes, pessoas conhecidas ou gente do convívio diário. De minha própria casa já acompanhei a saída do caixão, levando pessoas muito queridas minhas. Já fiz muitos protestos e acompanhei protestos de familiares de vítimas de violência e morte. Poderse-ia dizer que não é mais novidade falar a respeito de finados, morte e luto. No entanto, falar de tais assuntos sempre é novidade. Toda vez que falo do assunto é como se fosse a primeira vez. Neste sentido, entendo-me como um aprendiz. Ouço as pessoas, a situação real e, especialmente, o que o Senhor quer dizer nesse momento. Cada situação é uma situação específica e nova. E a gente sempre tem que ser lembrado de que Deus nos deu dois ouvidos e uma só boca. E a palavra, quando for dita, precisa testemunhar a solidariedade e o consolo que vem de Deus, que se expressam em gestos humanos. Em momentos de dor, a palavra parece ter mais poder do que em outras situações. Mas não adianta falar por falar, dizer por dizer ou querer dizer umas verdades . As palavras devem, no entanto, estar acompanhadas da solidariedade expressa por Jesus Cristo: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá ... (Jo 11.25). Dele, somente dele, vêm consolo e amor. Por outro lado, percebemos a liberdade que Deus nos dá para tratar do assunto morte e luto. A palavra do Senhor nos leva à fé e confiança nele. Livra-nos do exagerado medo da morte. Se, por um lado, reconhecemos a gravidade, a perturbação e o caos que a morte produz, por outro lado, Deus nos livra pela fé e esperança na ressurreição para a promoção da vida com dignidade. O texto a seguir quer nos ajudar nesse caminho entre morte e vida para a edificação da comunidade de fé, da esperança, da terapia e de solidariedade com todas as pessoas que são agredidas em sua vida. Consolamo-nos, mutuamente, com a palavra do Senhor Jesus, que diz: Quem ouve a minha palavra... passou da morte para a vida (Jo 5.24).
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2 Contexto de João 5.24-29 O texto bíblico indicado como base para a pregação da palavra do Senhor está inserido no contexto maior que vai do capítulo 3 ao 6 no Evangelho segundo João. Este bloco pode ter o título: Jesus veio para os seus discípulos. O bloco pode ter duas partes menores, quais sejam: Jesus veio na palavra do Pai (capítulos 3 e 4). As principais ênfases são: Jesus se encontra com Nicodemos, João Batista dá testemunho a respeito de Jesus, o encontro com a mulher samaritana na fonte de água e a pregação a respeito da ceifa e dos ceifeiros. O segundo bloco menor pode ter o título: Jesus veio em seus milagres (capítulos 5 e 6). Os destaques dessa parte são: a cura do filho do oficial de Cafarnaum, a cura de um paralítico que há 38 anos esperava por aquele momento de restauração, a missão do Pai se concretiza na ação do Filho, a palavra dá a ressurreição (ressurreição para a vida e ressurreição para o juízo), multiplicar e repartir os pães, Jesus anda sobre o mar, Jesus é o pão da vida, a aflição dos discípulos e a confissão de Pedro. O contexto nos ensina a presença real e concreta do Senhor. Não há nenhum momento na história da humanidade em que se possa perceber Deus presente tão concretamente como nos é dito e ensinado no texto bíblico. Jesus se encontra com as pessoas em meio às suas dúvidas e interrogações. E ele não deixa ninguém na mão. Além de ouvi-las atentamente (Nicodemos, a samaritana, o doente...), Jesus faz perguntas. E as pessoas começam a refletir sobre si e seu mundo de maneira ainda não pensada antes por elas mesmas (veja Nicodemos, a samaritana...). Jesus também se manifesta em milagres. Jesus vence os temores humanos (o mar, a fome, a morte...). Inclusive os mortos ouvem a sua voz. O contexto mostra a vida que Jesus traz em sua palavra e em seus sinais bem concretos, que fortalecem a vida e luta contra a morte, que está instalada a seu redor. Jo 5.24-29 mostra que a morte que nos rodeia em vida e a que vai nos encontrar no fim da vida já começa a ser superada desde agora pela salvação, através do ouvir da palavra de Jesus e pela fé em Deus , conforme v. 24 (PL 29, p. 304).
3 O texto de João 5. 24-29 v. 24: Palavra e fé vão juntas, isto é, estão unidas, sendo que a palavra provoca a fé. O texto diz ainda que quem crê, alimentado na fé que vem pela palavra pregada pelo Filho, e crê no Pai que o enviou, esta pessoa tem a vida, está livre do juízo e passou da morte para a vida.
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DIA DOS FINADOS SALMO 126 1 CORÍNTIOS 15.50-58
PRÉDICA: JOÃO 5.24-29 Teobaldo Witter
1 Introdução Tenho vários anos de pastorado. Oficiei o sepultamento de muitas pessoas: crianças, jovens, adolescentes, idosos, homens e mulheres, enfim, pessoas de todas as idades. Foram amigos, parentes, pessoas conhecidas ou gente do convívio diário. De minha própria casa já acompanhei a saída do caixão, levando pessoas muito queridas minhas. Já fiz muitos protestos e acompanhei protestos de familiares de vítimas de violência e morte. Poderse-ia dizer que não é mais novidade falar a respeito de finados, morte e luto. No entanto, falar de tais assuntos sempre é novidade. Toda vez que falo do assunto é como se fosse a primeira vez. Neste sentido, entendo-me como um aprendiz. Ouço as pessoas, a situação real e, especialmente, o que o Senhor quer dizer nesse momento. Cada situação é uma situação específica e nova. E a gente sempre tem que ser lembrado de que Deus nos deu dois ouvidos e uma só boca. E a palavra, quando for dita, precisa testemunhar a solidariedade e o consolo que vem de Deus, que se expressam em gestos humanos. Em momentos de dor, a palavra parece ter mais poder do que em outras situações. Mas não adianta falar por falar, dizer por dizer ou querer dizer umas verdades . As palavras devem, no entanto, estar acompanhadas da solidariedade expressa por Jesus Cristo: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá ... (Jo 11.25). Dele, somente dele, vêm consolo e amor. Por outro lado, percebemos a liberdade que Deus nos dá para tratar do assunto morte e luto. A palavra do Senhor nos leva à fé e confiança nele. Livra-nos do exagerado medo da morte. Se, por um lado, reconhecemos a gravidade, a perturbação e o caos que a morte produz, por outro lado, Deus nos livra pela fé e esperança na ressurreição para a promoção da vida com dignidade. O texto a seguir quer nos ajudar nesse caminho entre morte e vida para a edificação da comunidade de fé, da esperança, da terapia e de solidariedade com todas as pessoas que são agredidas em sua vida. Consolamo-nos, mutuamente, com a palavra do Senhor Jesus, que diz: Quem ouve a minha palavra... passou da morte para a vida (Jo 5.24).
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2 Contexto de João 5.24-29 O texto bíblico indicado como base para a pregação da palavra do Senhor está inserido no contexto maior que vai do capítulo 3 ao 6 no Evangelho segundo João. Este bloco pode ter o título: Jesus veio para os seus discípulos. O bloco pode ter duas partes menores, quais sejam: Jesus veio na palavra do Pai (capítulos 3 e 4). As principais ênfases são: Jesus se encontra com Nicodemos, João Batista dá testemunho a respeito de Jesus, o encontro com a mulher samaritana na fonte de água e a pregação a respeito da ceifa e dos ceifeiros. O segundo bloco menor pode ter o título: Jesus veio em seus milagres (capítulos 5 e 6). Os destaques dessa parte são: a cura do filho do oficial de Cafarnaum, a cura de um paralítico que há 38 anos esperava por aquele momento de restauração, a missão do Pai se concretiza na ação do Filho, a palavra dá a ressurreição (ressurreição para a vida e ressurreição para o juízo), multiplicar e repartir os pães, Jesus anda sobre o mar, Jesus é o pão da vida, a aflição dos discípulos e a confissão de Pedro. O contexto nos ensina a presença real e concreta do Senhor. Não há nenhum momento na história da humanidade em que se possa perceber Deus presente tão concretamente como nos é dito e ensinado no texto bíblico. Jesus se encontra com as pessoas em meio às suas dúvidas e interrogações. E ele não deixa ninguém na mão. Além de ouvi-las atentamente (Nicodemos, a samaritana, o doente...), Jesus faz perguntas. E as pessoas começam a refletir sobre si e seu mundo de maneira ainda não pensada antes por elas mesmas (veja Nicodemos, a samaritana...). Jesus também se manifesta em milagres. Jesus vence os temores humanos (o mar, a fome, a morte...). Inclusive os mortos ouvem a sua voz. O contexto mostra a vida que Jesus traz em sua palavra e em seus sinais bem concretos, que fortalecem a vida e luta contra a morte, que está instalada a seu redor. Jo 5.24-29 mostra que a morte que nos rodeia em vida e a que vai nos encontrar no fim da vida já começa a ser superada desde agora pela salvação, através do ouvir da palavra de Jesus e pela fé em Deus , conforme v. 24 (PL 29, p. 304).
3 O texto de João 5. 24-29 v. 24: Palavra e fé vão juntas, isto é, estão unidas, sendo que a palavra provoca a fé. O texto diz ainda que quem crê, alimentado na fé que vem pela palavra pregada pelo Filho, e crê no Pai que o enviou, esta pessoa tem a vida, está livre do juízo e passou da morte para a vida.
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A morte é a realidade mais cruel, o caos em meio ao caos humano. Desde que a humanidade se deu conta dessa realidade, luta em vão para superá-la (eterna juventude, acumulação de bens, monumentos, ser lembrado na posteridade etc). Sonha com reencarnação, imortalidade da alma, ressurreição no futuro. O texto diz: quem crê no ensino do Filho e no Pai que o enviou já tem a vida eterna. Ele não apenas fala no futuro, mas no presente, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida . Está, portanto, libertado do poder escravizador da morte. A pergunta que logo se faz é: quem ouve e crê não vai mais para a sepultura? Todas as pessoas vão para a sepultura, até Jesus Cristo voltar em glória, quando um grande acontecimento será efetivado (1Ts 4.14-15). Apesar de estarem sujeitas a toda espécie de penúria humana, inclusive perseguições e incompreensões, estão libertas do poder da morte no presente, pois libertação da morte significa para os evangélicos luteranos que eles mantêm a esperança mesmo no desespero (Rm 4.18). Nós temos a liberdade dos sem-esperança. Não desanimamos com seguidos fracassos. Enxergamos longe. Mostramos que os mecanismos da preocupação e do medo deixam a pessoa passiva, induzindo-a a acomodar-se. Desmascaramos e desarmamos tais mecanismos e, em situação de risco, sabemos que a morte jamais é o fim. Em conseqüência, a vida, seja como ela for, não é tudo. Evangélicos luteranos o comprovam em sua existência. Estão conscientes de que todos os movimentos de libertação começam quando um punhado de pessoas perde o medo (A. Baeske). A liberdade que Deus nos dá, ao nos incluir, pela fé e confiança, no seu reino de graça e paz, impulsiona-nos a lutar em favor da vida de todas as pessoas e em todas as dimensões, tratando das feridas e dores e trabalhando para interromper o ciclo da ausência de fé, da violência, do ódio, da miséria, do medo e da morte. v. 25: Todos os seres ouvem a voz do Filho de Deus. Não há limite para a abrangência da ação de Deus. Os mortos estão sendo chamados e incluídos na ação de Deus. Quem ouve viverá. Mesmo quem estiver longe, no vale da sombra da morte (Sl 23.4a), pode ouvir a voz de Deus. v. 26: Deus Pai é a fonte da vida. Esta vida ele a deu ao Filho, pois a vida estava nele e a vida era a luz dos homens (Jo 1.4). É o poder criador e recriador de Deus. Por ser fonte da vida, recria-a também pela ressurreição dos mortos. v. 27: Jesus tem o poder de julgar, porque ele é Deus. O juízo é realidade para quem não quer ouvir a voz do Filho e, conseqüentemente, não quer chegar à fé e confiança em Deus. v. 28 e 29: Está em curso o veredicto final: quem ouve a palavra e crê passa da morte para a vida. É processo contínuo: aconteceu antes, acontece agora e acontecerá depois. Os que estão longe, os indiferentes, os neutros, os mortos também estão sendo chamados. Acontecerá o grande julgamen-
to, quando o Filho do Homem vier na sua majestade... e reunir todas as nações na sua presença (Mt 25.31ss). Mas lembramo-nos, no entanto, de que as afirmações dos v. 24-25 continuam valendo. O que se diz ali é muito precioso. Os que tiveram feito o bem sairão para a ressurreição da vida, mas os que estiverem feito o mal sairão para a ressurreição do juízo (v. 29). Não vamos entender que são as obras que salvam. O importante é ouvir a pregação que provoca e alimenta a fé. Entendo que aqui se fala da prática da fé como conseqüência do convite que Deus faz. Gostaria de lembrar a afirmação de Martim Lutero: As obras boas e piedosas jamais tornam a pessoa boa e justa, mas a pessoa boa e justa realiza obras boas e piedosas . Para os cristãos, as boas obras são frutos da fé e confiança em Deus criador e salvador. Concluímos com as palavras de Martim Lutero: Sim, onde estiver a fé, ela não consegue se refrear, ela se comprova, irrompe e confessa e ensina esse evangelho diante das pessoas e por ele arrisca sua vida. E tudo o que ela vive e faz destina-se ao proveito do próximo, para lhe ajudar, não só que ele alcance semelhante graça, mas também no que tange ao corpo, propriedade e honra, (da mesma forma) como ela vê que Cristo lhe fez, seguindo, portanto, ao exemplo de Cristo... onde não irrompem obras e amor, a fé não está bem, o evangelho ainda não pegou, e Cristo ainda não foi bem reconhecido (Prefácio ao NT, in: Pelo Evangelho de Cristo, p. 176).
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4 Salmo 126.1-9 Choro, sofrimento, tristeza ainda são realidades no cotidiano do ser humano. Mas o salmo expressa a alegria pela nova realidade. Sonhamos com nova vida, novo corpo, nova realidade, novos relacionamentos, com o fim da morte, da corrupção, do egoísmo e da pulsão de morte. Sonhamos com a pulsão de vida. A vida vence, porque Deus garante a vitória da vida. Nesse sonho está também o sonho de Deus. Aliás, é desse sonho de Deus como fonte da vida que nossos sonhos de vida, paz e justiça ganham corpo e concretude.
5 1 Coríntios 15.50-58 O poder criador e recriador de Deus não permite o nada, o vazio. Ele tem o poder de recriar a pessoa caída sob o poder de pecados e morte. Jesus venceu com a ressurreição a morte. Não é mais a morte que comanda. A palavra tem poder recriador. O texto fala em novo corpo: o nosso corpo da corrupção será revestido e será tornado incorruptível e o mortal em imor-
DIA DOS FINADOS
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A morte é a realidade mais cruel, o caos em meio ao caos humano. Desde que a humanidade se deu conta dessa realidade, luta em vão para superá-la (eterna juventude, acumulação de bens, monumentos, ser lembrado na posteridade etc). Sonha com reencarnação, imortalidade da alma, ressurreição no futuro. O texto diz: quem crê no ensino do Filho e no Pai que o enviou já tem a vida eterna. Ele não apenas fala no futuro, mas no presente, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida . Está, portanto, libertado do poder escravizador da morte. A pergunta que logo se faz é: quem ouve e crê não vai mais para a sepultura? Todas as pessoas vão para a sepultura, até Jesus Cristo voltar em glória, quando um grande acontecimento será efetivado (1Ts 4.14-15). Apesar de estarem sujeitas a toda espécie de penúria humana, inclusive perseguições e incompreensões, estão libertas do poder da morte no presente, pois libertação da morte significa para os evangélicos luteranos que eles mantêm a esperança mesmo no desespero (Rm 4.18). Nós temos a liberdade dos sem-esperança. Não desanimamos com seguidos fracassos. Enxergamos longe. Mostramos que os mecanismos da preocupação e do medo deixam a pessoa passiva, induzindo-a a acomodar-se. Desmascaramos e desarmamos tais mecanismos e, em situação de risco, sabemos que a morte jamais é o fim. Em conseqüência, a vida, seja como ela for, não é tudo. Evangélicos luteranos o comprovam em sua existência. Estão conscientes de que todos os movimentos de libertação começam quando um punhado de pessoas perde o medo (A. Baeske). A liberdade que Deus nos dá, ao nos incluir, pela fé e confiança, no seu reino de graça e paz, impulsiona-nos a lutar em favor da vida de todas as pessoas e em todas as dimensões, tratando das feridas e dores e trabalhando para interromper o ciclo da ausência de fé, da violência, do ódio, da miséria, do medo e da morte. v. 25: Todos os seres ouvem a voz do Filho de Deus. Não há limite para a abrangência da ação de Deus. Os mortos estão sendo chamados e incluídos na ação de Deus. Quem ouve viverá. Mesmo quem estiver longe, no vale da sombra da morte (Sl 23.4a), pode ouvir a voz de Deus. v. 26: Deus Pai é a fonte da vida. Esta vida ele a deu ao Filho, pois a vida estava nele e a vida era a luz dos homens (Jo 1.4). É o poder criador e recriador de Deus. Por ser fonte da vida, recria-a também pela ressurreição dos mortos. v. 27: Jesus tem o poder de julgar, porque ele é Deus. O juízo é realidade para quem não quer ouvir a voz do Filho e, conseqüentemente, não quer chegar à fé e confiança em Deus. v. 28 e 29: Está em curso o veredicto final: quem ouve a palavra e crê passa da morte para a vida. É processo contínuo: aconteceu antes, acontece agora e acontecerá depois. Os que estão longe, os indiferentes, os neutros, os mortos também estão sendo chamados. Acontecerá o grande julgamen-
to, quando o Filho do Homem vier na sua majestade... e reunir todas as nações na sua presença (Mt 25.31ss). Mas lembramo-nos, no entanto, de que as afirmações dos v. 24-25 continuam valendo. O que se diz ali é muito precioso. Os que tiveram feito o bem sairão para a ressurreição da vida, mas os que estiverem feito o mal sairão para a ressurreição do juízo (v. 29). Não vamos entender que são as obras que salvam. O importante é ouvir a pregação que provoca e alimenta a fé. Entendo que aqui se fala da prática da fé como conseqüência do convite que Deus faz. Gostaria de lembrar a afirmação de Martim Lutero: As obras boas e piedosas jamais tornam a pessoa boa e justa, mas a pessoa boa e justa realiza obras boas e piedosas . Para os cristãos, as boas obras são frutos da fé e confiança em Deus criador e salvador. Concluímos com as palavras de Martim Lutero: Sim, onde estiver a fé, ela não consegue se refrear, ela se comprova, irrompe e confessa e ensina esse evangelho diante das pessoas e por ele arrisca sua vida. E tudo o que ela vive e faz destina-se ao proveito do próximo, para lhe ajudar, não só que ele alcance semelhante graça, mas também no que tange ao corpo, propriedade e honra, (da mesma forma) como ela vê que Cristo lhe fez, seguindo, portanto, ao exemplo de Cristo... onde não irrompem obras e amor, a fé não está bem, o evangelho ainda não pegou, e Cristo ainda não foi bem reconhecido (Prefácio ao NT, in: Pelo Evangelho de Cristo, p. 176).
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4 Salmo 126.1-9 Choro, sofrimento, tristeza ainda são realidades no cotidiano do ser humano. Mas o salmo expressa a alegria pela nova realidade. Sonhamos com nova vida, novo corpo, nova realidade, novos relacionamentos, com o fim da morte, da corrupção, do egoísmo e da pulsão de morte. Sonhamos com a pulsão de vida. A vida vence, porque Deus garante a vitória da vida. Nesse sonho está também o sonho de Deus. Aliás, é desse sonho de Deus como fonte da vida que nossos sonhos de vida, paz e justiça ganham corpo e concretude.
5 1 Coríntios 15.50-58 O poder criador e recriador de Deus não permite o nada, o vazio. Ele tem o poder de recriar a pessoa caída sob o poder de pecados e morte. Jesus venceu com a ressurreição a morte. Não é mais a morte que comanda. A palavra tem poder recriador. O texto fala em novo corpo: o nosso corpo da corrupção será revestido e será tornado incorruptível e o mortal em imor-
DIA DOS FINADOS
DIA DOS FINADOS
talidade (v. 53). A ressurreição de Jesus é realidade. A nossa esperança é a nossa própria ressurreição mediante ação de Deus e nosso compromisso com essa voz do bom pastor.
não é mais a mesma. Tudo mudou. Mudou a maneira de entender a morte. Ela não tem mais aquele poder arrasador. O grito de desespero diante da morte virou grito de esperança, pois agora estou aqui sendo julgado por causa da esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais... Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? (At 26.6, 8). A afirmação de Estevão é contundente: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus (At 7.56). Jesus foi ressuscitado por Deus. E a esperança é a nossa ressurreição. Portanto, a morte perdeu o seu poder. Jesus a colocou debaixo dos seus pés e a enterrou no abismo. Temos vida agora e depois também. Jesus nos salvou do horror da morte. Livres por ele, podemos amar e servi-lo nas pessoas necessitadas.
6 Pregação no Dia dos Finados Quando estamos em época de Finados, confrontamo-nos mais diretamente com o tema morte. Apesar de que ela nos encontre cotidianamente, é nessa época em que a gente se dá conta do que aconteceu. Damo-nos conta do que aconteceu com pessoas de nosso convívio e, certamente, somos tocados com o fato de que alguém esteve conosco e não está mais. Nossa relação com a morte, nesse sentido acima, é entendida de muitas maneiras. Há pessoas que estão trabalhando bem com a separação causada pela morte, outras estão indiferentes e, outras, certamente, sofrem muito e não conseguiram trabalhar o luto. Em todas as situações, a palavra do Senhor nos encontra e quer mexer conosco. Ela quer nos colocar na real, pois desvela a morte tal como ela é: o maior dos nossos inimigos e o preço que pagamos pelo afastamento de Deus. A morte é a desestabilização de tudo o que nos é precioso. É o caos total e completo. Na morte perdemos tudo o que somos e temos. Nem nós nos podemos ajudar, nem as pessoas que nos amam podem fazer alguma coisa por nós por ocasião da morte. Tão profunda e radical é a morte. Entramos num túnel e somos arrastados por uma força indomável. É o pior que pode acontecer. A morte é o fim. Depois da morte, o silêncio se segue. Silenciam os palpiteiros, os de opiniões fáceis, que tentam esconder o problema, silenciam os médicos. Na morte, um grande e profundo silêncio se prolonga. Querer fugir da radicalidade da morte significa banalizar a mensagem cristã que anuncia a vitória sobre a morte. Mais radical do que a morte é a ação de Deus. Deus, em Jesus Cristo, veio do mundo metafísico, diretamente, sem intermediário nenhum, e agiu. Não ficou indiferente, nem naturalizou ou banalizou qualquer questão humana, incluindo a sua maior preocupação: a morte. A palavra se torna carne. É a incisão da Palavra Viva, que veio do mundo metafísico para o mundo físico, na história humana, pois a vida estava nele (no Verbo) e a vida era a luz dos homens (Jo 1.4). E a palavra diz: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá (Jo 11.25). Por isso, o apóstolo pode escrever: Tragada foi a morte pela vitória... Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo (1Co 15.54b, 57). Depois de perceber a ação reconciliadora e salvadora de Deus, a vida
275
Bibliografia BAESKE, Albérico. Quem são os evangélicos luteranos? In: Ingo Wulfhorst, ed. Grupo de Trabalho sobre Movimentos Religiosos; Informação e Posicionamento; Fascículo n° 10. São Leopoldo: Faculdade de Teologia - IECLB, 1994. (Cópia xerocada). GRÜBBER, George E. Edmundo. João 5.24-29. Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, Vol. XVIII. p. 267-271, 1992. LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo: Prefácio ao Novo Testamento. São Leopoldo e Porto Alegre: Editora Sinodal e Concórdia Editora. p. 171-177, 1984. WOLF, Günter Adolf. João 5.24-29. Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal e EST, Vol. 29. p. 302-310, 2003.
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DIA DOS FINADOS
DIA DOS FINADOS
talidade (v. 53). A ressurreição de Jesus é realidade. A nossa esperança é a nossa própria ressurreição mediante ação de Deus e nosso compromisso com essa voz do bom pastor.
não é mais a mesma. Tudo mudou. Mudou a maneira de entender a morte. Ela não tem mais aquele poder arrasador. O grito de desespero diante da morte virou grito de esperança, pois agora estou aqui sendo julgado por causa da esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais... Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? (At 26.6, 8). A afirmação de Estevão é contundente: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus (At 7.56). Jesus foi ressuscitado por Deus. E a esperança é a nossa ressurreição. Portanto, a morte perdeu o seu poder. Jesus a colocou debaixo dos seus pés e a enterrou no abismo. Temos vida agora e depois também. Jesus nos salvou do horror da morte. Livres por ele, podemos amar e servi-lo nas pessoas necessitadas.
6 Pregação no Dia dos Finados Quando estamos em época de Finados, confrontamo-nos mais diretamente com o tema morte. Apesar de que ela nos encontre cotidianamente, é nessa época em que a gente se dá conta do que aconteceu. Damo-nos conta do que aconteceu com pessoas de nosso convívio e, certamente, somos tocados com o fato de que alguém esteve conosco e não está mais. Nossa relação com a morte, nesse sentido acima, é entendida de muitas maneiras. Há pessoas que estão trabalhando bem com a separação causada pela morte, outras estão indiferentes e, outras, certamente, sofrem muito e não conseguiram trabalhar o luto. Em todas as situações, a palavra do Senhor nos encontra e quer mexer conosco. Ela quer nos colocar na real, pois desvela a morte tal como ela é: o maior dos nossos inimigos e o preço que pagamos pelo afastamento de Deus. A morte é a desestabilização de tudo o que nos é precioso. É o caos total e completo. Na morte perdemos tudo o que somos e temos. Nem nós nos podemos ajudar, nem as pessoas que nos amam podem fazer alguma coisa por nós por ocasião da morte. Tão profunda e radical é a morte. Entramos num túnel e somos arrastados por uma força indomável. É o pior que pode acontecer. A morte é o fim. Depois da morte, o silêncio se segue. Silenciam os palpiteiros, os de opiniões fáceis, que tentam esconder o problema, silenciam os médicos. Na morte, um grande e profundo silêncio se prolonga. Querer fugir da radicalidade da morte significa banalizar a mensagem cristã que anuncia a vitória sobre a morte. Mais radical do que a morte é a ação de Deus. Deus, em Jesus Cristo, veio do mundo metafísico, diretamente, sem intermediário nenhum, e agiu. Não ficou indiferente, nem naturalizou ou banalizou qualquer questão humana, incluindo a sua maior preocupação: a morte. A palavra se torna carne. É a incisão da Palavra Viva, que veio do mundo metafísico para o mundo físico, na história humana, pois a vida estava nele (no Verbo) e a vida era a luz dos homens (Jo 1.4). E a palavra diz: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá (Jo 11.25). Por isso, o apóstolo pode escrever: Tragada foi a morte pela vitória... Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo (1Co 15.54b, 57). Depois de perceber a ação reconciliadora e salvadora de Deus, a vida
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Bibliografia BAESKE, Albérico. Quem são os evangélicos luteranos? In: Ingo Wulfhorst, ed. Grupo de Trabalho sobre Movimentos Religiosos; Informação e Posicionamento; Fascículo n° 10. São Leopoldo: Faculdade de Teologia - IECLB, 1994. (Cópia xerocada). GRÜBBER, George E. Edmundo. João 5.24-29. Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, Vol. XVIII. p. 267-271, 1992. LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo: Prefácio ao Novo Testamento. São Leopoldo e Porto Alegre: Editora Sinodal e Concórdia Editora. p. 171-177, 1984. WOLF, Günter Adolf. João 5.24-29. Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal e EST, Vol. 29. p. 302-310, 2003.
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ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO AMÓS 5.18-24 1 TESSALONICENSES 4.13-14(15-18)
6 Nov 2005
PRÉDICA: MATEUS 25.1-13 Carlos Luiz Ulrich
1 Introduzindo Como comunidade cristã somos marcados pela esperança da Páscoa: a ressurreição de Jesus Cristo. Esperança de novos tempos... Esperança de relações mais justas entre as pessoas, esperança de trabalho, esperança de cura, esperança de melhores salários, esperança de paz, esperança de pão, esperança de mais solidariedade... Esperança... As parábolas fazem parte do método pedagógico de Jesus. Elas são uma espécie de comparação ou imagem, tirada da realidade da vida cotidiana, para esclarecer uma outra realidade, relacionada com o reino de Deus. Ao ensinar por meio de parábolas, Jesus entra no campo referencial dos seus ouvintes. Ele fala a partir daquilo que as pessoas de sua época conhecem e experimentam no seu cotidiano. É significativo ressaltar que Jesus parte das coisas da vida para trazer presentes as coisas de Deus . Para Jesus, portanto, a vida em sua totalidade é divina. A comunidade cristã primitiva esperava ansiosamente que Jesus, após a sua ressurreição, voltasse logo. Para o evangelista Mateus e sua comunidade não interessa a especulação sobre os detalhes da volta de Jesus. Ele apenas aponta para o modo como devemos agir hoje a fim de poder participar da festa final. A parábola das dez virgens (Mt 25.1-13) aponta para o final dos tempos. Esta festa do final dos tempos é simbolizada por uma festa de casamento, apontando para a união de Jesus com a humanidade, na prática da justiça. Todas as pessoas são convidadas para a festa... Algumas permanecem em espera vigilante, enquanto outras acabam se acomodando, esquecendo o óleo, isto é, tornando-se omissas na prática da justiça. Os outros dois textos apontados como leituras para esse domingo interligam-se com a mensagem da parábola. O texto do Antigo Testamento (Am 5.18-24) critica aquelas pessoas que fazem especulações sobre a vinda do Dia do Senhor. O profeta aponta para a necessidade de que o juízo corra como as águas e a justiça como ribeiro perene no cotidiano de nossas vidas, enquanto o texto do Novo Testamento (1Ts 4.13-14 [15-18]) traz presente o consolo e a esperança que temos na ressurreição de Jesus Cristo. Deus tem em sua compa-
277
nhia todas as pessoas que já morreram. O texto reforça a necessidade de comunhão entre as pessoas.
2 Meditando o contexto
A parábola das dez virgens faz parte do discurso escatológico de Mt (cap. 24-25), encontrando-se inserida num conjunto de quatro parábolas: 1) a parábola da figueira exortação à vigilância (Mt 24.32-44); 2) a parábola do bom servo e do mau (Mt 24.45-51); 3) a parábola das dez virgens (Mt 25.1-13) e 4) a parábola dos talentos (Mt 25.14-30). Todas as quatro parábolas trazem presente a necessidade da vigilância, apontando para a esperança da comunidade cristã primitiva na volta de Jesus (parusia). O não-sabera-hora é característico no contexto. As dez mulheres virgens representam a comunidade em estado de espera. Na comunidade, o joio e o trigo estão misturados (Mt 13.24-30). Sendo necessário esperar o tempo da colheita, onde o joio será queimado e o trigo recolhido no celeiro (Mt 13.30). O evangelista Mateus não faz especulações a respeito do fim dos tempos. Para ele interessa a práxis da justiça. Perpassa todo o Evangelho de Mateus a certeza de que Jesus, Emanuel Deus conosco, acompanhará a sua comunidade através de todas as dificuldades no presente. Estar vigilante, sendo fiel ao propósito da justiça e estar preparado/a são partes centrais do contexto da parábola das dez mulheres virgens. Para Mateus, o importante não é tanto a proximidade (ou não) da parusia, mas exatamente o não-saber-a-hora, conduzindo para uma constante vigilância. O último dia e a vinda de Cristo são uma possibilidade atual e real a cada raiar de um novo dia. Não é possível, para Mateus, fazer especulações sobre o tempo ou final do tempo. O que importa para o evangelista é poder contar com Jesus, Emanuel Deus conosco, em cada momento do cotidiano e da história. É interessante observar que o evangelista Mateus, nessa parte central do evangelho, coloca dez mulheres virgens como protagonistas da parábola. Além dessa parábola, somente Mt 13.33 (a parábola do fermento) apresenta uma mulher como personagem principal. A parábola das dez mulheres virgens é material exclusivo do evangelista Mateus, não tendo texto paralelo nos outros evangelhos. As dez mulheres virgens podem nos ajudar a entender a atitude e a realidade da comunidade. Existem dificuldades não apenas em crer e ter esperança, mas também em vigiar e estar preparado/a com o óleo, tendo atitudes de justiça. A imagem da festa do casamento é colocada como símbolo da união perfeita entre Jesus e a sua comunidade.
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ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO AMÓS 5.18-24 1 TESSALONICENSES 4.13-14(15-18)
6 Nov 2005
PRÉDICA: MATEUS 25.1-13 Carlos Luiz Ulrich
1 Introduzindo Como comunidade cristã somos marcados pela esperança da Páscoa: a ressurreição de Jesus Cristo. Esperança de novos tempos... Esperança de relações mais justas entre as pessoas, esperança de trabalho, esperança de cura, esperança de melhores salários, esperança de paz, esperança de pão, esperança de mais solidariedade... Esperança... As parábolas fazem parte do método pedagógico de Jesus. Elas são uma espécie de comparação ou imagem, tirada da realidade da vida cotidiana, para esclarecer uma outra realidade, relacionada com o reino de Deus. Ao ensinar por meio de parábolas, Jesus entra no campo referencial dos seus ouvintes. Ele fala a partir daquilo que as pessoas de sua época conhecem e experimentam no seu cotidiano. É significativo ressaltar que Jesus parte das coisas da vida para trazer presentes as coisas de Deus . Para Jesus, portanto, a vida em sua totalidade é divina. A comunidade cristã primitiva esperava ansiosamente que Jesus, após a sua ressurreição, voltasse logo. Para o evangelista Mateus e sua comunidade não interessa a especulação sobre os detalhes da volta de Jesus. Ele apenas aponta para o modo como devemos agir hoje a fim de poder participar da festa final. A parábola das dez virgens (Mt 25.1-13) aponta para o final dos tempos. Esta festa do final dos tempos é simbolizada por uma festa de casamento, apontando para a união de Jesus com a humanidade, na prática da justiça. Todas as pessoas são convidadas para a festa... Algumas permanecem em espera vigilante, enquanto outras acabam se acomodando, esquecendo o óleo, isto é, tornando-se omissas na prática da justiça. Os outros dois textos apontados como leituras para esse domingo interligam-se com a mensagem da parábola. O texto do Antigo Testamento (Am 5.18-24) critica aquelas pessoas que fazem especulações sobre a vinda do Dia do Senhor. O profeta aponta para a necessidade de que o juízo corra como as águas e a justiça como ribeiro perene no cotidiano de nossas vidas, enquanto o texto do Novo Testamento (1Ts 4.13-14 [15-18]) traz presente o consolo e a esperança que temos na ressurreição de Jesus Cristo. Deus tem em sua compa-
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nhia todas as pessoas que já morreram. O texto reforça a necessidade de comunhão entre as pessoas.
2 Meditando o contexto
A parábola das dez virgens faz parte do discurso escatológico de Mt (cap. 24-25), encontrando-se inserida num conjunto de quatro parábolas: 1) a parábola da figueira exortação à vigilância (Mt 24.32-44); 2) a parábola do bom servo e do mau (Mt 24.45-51); 3) a parábola das dez virgens (Mt 25.1-13) e 4) a parábola dos talentos (Mt 25.14-30). Todas as quatro parábolas trazem presente a necessidade da vigilância, apontando para a esperança da comunidade cristã primitiva na volta de Jesus (parusia). O não-sabera-hora é característico no contexto. As dez mulheres virgens representam a comunidade em estado de espera. Na comunidade, o joio e o trigo estão misturados (Mt 13.24-30). Sendo necessário esperar o tempo da colheita, onde o joio será queimado e o trigo recolhido no celeiro (Mt 13.30). O evangelista Mateus não faz especulações a respeito do fim dos tempos. Para ele interessa a práxis da justiça. Perpassa todo o Evangelho de Mateus a certeza de que Jesus, Emanuel Deus conosco, acompanhará a sua comunidade através de todas as dificuldades no presente. Estar vigilante, sendo fiel ao propósito da justiça e estar preparado/a são partes centrais do contexto da parábola das dez mulheres virgens. Para Mateus, o importante não é tanto a proximidade (ou não) da parusia, mas exatamente o não-saber-a-hora, conduzindo para uma constante vigilância. O último dia e a vinda de Cristo são uma possibilidade atual e real a cada raiar de um novo dia. Não é possível, para Mateus, fazer especulações sobre o tempo ou final do tempo. O que importa para o evangelista é poder contar com Jesus, Emanuel Deus conosco, em cada momento do cotidiano e da história. É interessante observar que o evangelista Mateus, nessa parte central do evangelho, coloca dez mulheres virgens como protagonistas da parábola. Além dessa parábola, somente Mt 13.33 (a parábola do fermento) apresenta uma mulher como personagem principal. A parábola das dez mulheres virgens é material exclusivo do evangelista Mateus, não tendo texto paralelo nos outros evangelhos. As dez mulheres virgens podem nos ajudar a entender a atitude e a realidade da comunidade. Existem dificuldades não apenas em crer e ter esperança, mas também em vigiar e estar preparado/a com o óleo, tendo atitudes de justiça. A imagem da festa do casamento é colocada como símbolo da união perfeita entre Jesus e a sua comunidade.
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ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
3 Entendendo o texto
ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
A parábola de Mt 25.1-13 inicia com um então, fazendo uma ligação com a parábola anterior (a parábola do bom servo e do mau). A novidade da parábola das dez virgens é que, das quatro parábolas, somente aqui Mateus fala da semelhança entre o fato do cotidiano e o reino dos céus (reino de Deus). Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo (Mt 25.1). Essa parábola parece fazer a interligação entre as quatro parábolas, pois somente nessa está explícita a semelhança com o reino de Deus. É interessante ressaltar que as protagonistas são dez mulheres virgens, como em Mt 13.33 ... O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado . Chama a atenção que todas as dez mulheres virgens saem para se encontrar com o noivo. As pessoas têm os mesmos direitos. O evangelista Mateus inclui todas. Para a comunidade isso é importante, todas as pessoas são incluídas. Todas as dez mulheres virgens tomaram as suas lâmpadas e saíram a encontrar-se com o noivo. Por que o texto fala em dez mulheres virgens? O que significa mulheres virgens? Segundo Ivoni Richter Reimer (1998: 315), virgens são mulheres qualificadas não apenas biologicamente como quem não teve relações sexuais com homens; a palavra virgens também caracteriza mulheres socialmente como as que não vivem relações de dependência com homens . Portanto, não se fala de dez mulheres noivas que vão se encontrar com o noivo, e sim de dez mulheres virgens que vão se encontrar com o noivo. Mesmo que o texto não fale de noivas, o contexto que está por trás da parábola é a festa de casamento. Quem se coloca a caminho para encontrar-se com o noivo são as dez mulheres virgens. Segundo Reimer 1998: 315, são diversos os costumes, no antigo Israel, relativos à festa de casamento. A situação mais provável, refletida na perícope, é o costume de o noivo buscar a noiva na casa dela, antes de ir para a festa de casamento propriamente dita, que acontece na casa dele. As virgens (mulheres jovens) saem da casa da noiva para encontrar e saudar o noivo na rua. Depois, as mulheres virgens (com as tochas) acompanham a noiva até a casa do noivo. Reimer também afirma que o que as mulheres virgens levam consigo não são lâmpadas (lychnos), mas tochas (lampas). As lâmpadas eram usadas dentro de casa (Mt 5.15, Lc 15.8); fora da casa eram usadas tochas (Mt 25.1ss, Jo 18.3). É provável que se trate de tochas com pedaços de pano embebidos em óleo/azeite, amarrados em cima de um pedaço de madeira. Como as virgens encontram-se e saúdam o noivo na rua, provavelmente elas estão carregando tochas, cumprindo com o ritual da festa de casamento. Segundo Bortolini 1990: 37, no tempo de Jesus, as festas de casamento eram, geralmente, realizadas à tardinha, e às vezes de
noite, com a casa de portas abertas; todo o povo podia participar da mesma. A noiva ficava em casa aguardando a chegada do noivo. Era costume que um grupo de amigas estivesse com a noiva durante o tempo de espera da chegada do noivo. O noivo, por sua vez, não tinha hora marcada para chegar, o que aumentava a expectativa e a espera. As dez mulheres virgens são apresentadas em dois grupos: cinco eram néscias e cinco prudentes (Mt 25.2). Estas palavras também são usadas em Mt 7.24-27, onde aparece o homem sábio que construiu a casa sobre a rocha e o insensato que edificou a casa sobre a areia. Portanto, no Evangelho de Mateus, esses termos são atribuídos a homens e mulheres. Onde reside o ponto nevrálgico da parábola? Não está, portanto, nas tochas que as mulheres virgens levam consigo. Todas levam as tochas, mas a questão principal está no óleo/azeite que as mulheres levam ou não levam consigo nas vasilhas (Mt 25.3-4). Como o noivo demorou para chegar, todas as mulheres virgens que estavam ali junto com a noiva vigiando, esperando o noivo, acabaram dormindo (Mt 25.5). O cansaço e a demora fizeram com que todas as dez mulheres virgens dormissem. A demora do noivo é um elemento importante para a comunidade de Mateus, que está ansiosa pela vinda de Jesus. Esta realidade demonstra a demora da parusia. No entanto, não é a demora da parusia que é motivo de não estar vigilante, preparado. Para o evangelista Mateus, a parusia é algo imprevisível, não é possível fazer especulações sobre o final dos tempos. É necessário estar sempre preparado. O texto não faz nenhuma crítica às dez mulheres que acabam dormindo devido à demora do noivo. O problema não está no cansaço e no sono, e sim em levar azeite/óleo na vasilha. A vigilância ativa não se mostra no fato de as dez mulheres virgens terem dormido. O sono e o cansaço fazem parte da realidade humana. A vigilância ativa se mostra no fato de ter ou não ter azeite/óleo na vasilha. O texto da Bíblia de Almeida fala em lâmpadas, mas, como já vimos, o correto é falar em tochas. As tochas eram embebidas em azeite/óleo e amarradas em cima de um pedaço de madeira. As lâmpadas com suporte de cerâmica eram usadas dentro de casa. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí a seu encontro (Mt 25.6). O susto e a pressa em levantar foi geral. Todas as virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas (Mt 25.7). É importante ressaltar que todas se levantam e todas preparam as suas lâmpadas. É neste momento que cinco virgens se dão conta de que as tochas estão se apagando. A alegria da chegada do noivo transforma-se num sufoco para cinco mulheres virgens. Elas se dão conta da sua falta de preparo: o azeite/o óleo está terminando. As néscias despreparadas recorrem às mulheres virgens sábias, dizendo: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas tochas estão se apagando. A resposta das virgens prudentes surpreende. Elas dizem: Não, para que não nos falte a nós e as vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o (Mt
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3 Entendendo o texto
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A parábola de Mt 25.1-13 inicia com um então, fazendo uma ligação com a parábola anterior (a parábola do bom servo e do mau). A novidade da parábola das dez virgens é que, das quatro parábolas, somente aqui Mateus fala da semelhança entre o fato do cotidiano e o reino dos céus (reino de Deus). Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo (Mt 25.1). Essa parábola parece fazer a interligação entre as quatro parábolas, pois somente nessa está explícita a semelhança com o reino de Deus. É interessante ressaltar que as protagonistas são dez mulheres virgens, como em Mt 13.33 ... O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado . Chama a atenção que todas as dez mulheres virgens saem para se encontrar com o noivo. As pessoas têm os mesmos direitos. O evangelista Mateus inclui todas. Para a comunidade isso é importante, todas as pessoas são incluídas. Todas as dez mulheres virgens tomaram as suas lâmpadas e saíram a encontrar-se com o noivo. Por que o texto fala em dez mulheres virgens? O que significa mulheres virgens? Segundo Ivoni Richter Reimer (1998: 315), virgens são mulheres qualificadas não apenas biologicamente como quem não teve relações sexuais com homens; a palavra virgens também caracteriza mulheres socialmente como as que não vivem relações de dependência com homens . Portanto, não se fala de dez mulheres noivas que vão se encontrar com o noivo, e sim de dez mulheres virgens que vão se encontrar com o noivo. Mesmo que o texto não fale de noivas, o contexto que está por trás da parábola é a festa de casamento. Quem se coloca a caminho para encontrar-se com o noivo são as dez mulheres virgens. Segundo Reimer 1998: 315, são diversos os costumes, no antigo Israel, relativos à festa de casamento. A situação mais provável, refletida na perícope, é o costume de o noivo buscar a noiva na casa dela, antes de ir para a festa de casamento propriamente dita, que acontece na casa dele. As virgens (mulheres jovens) saem da casa da noiva para encontrar e saudar o noivo na rua. Depois, as mulheres virgens (com as tochas) acompanham a noiva até a casa do noivo. Reimer também afirma que o que as mulheres virgens levam consigo não são lâmpadas (lychnos), mas tochas (lampas). As lâmpadas eram usadas dentro de casa (Mt 5.15, Lc 15.8); fora da casa eram usadas tochas (Mt 25.1ss, Jo 18.3). É provável que se trate de tochas com pedaços de pano embebidos em óleo/azeite, amarrados em cima de um pedaço de madeira. Como as virgens encontram-se e saúdam o noivo na rua, provavelmente elas estão carregando tochas, cumprindo com o ritual da festa de casamento. Segundo Bortolini 1990: 37, no tempo de Jesus, as festas de casamento eram, geralmente, realizadas à tardinha, e às vezes de
noite, com a casa de portas abertas; todo o povo podia participar da mesma. A noiva ficava em casa aguardando a chegada do noivo. Era costume que um grupo de amigas estivesse com a noiva durante o tempo de espera da chegada do noivo. O noivo, por sua vez, não tinha hora marcada para chegar, o que aumentava a expectativa e a espera. As dez mulheres virgens são apresentadas em dois grupos: cinco eram néscias e cinco prudentes (Mt 25.2). Estas palavras também são usadas em Mt 7.24-27, onde aparece o homem sábio que construiu a casa sobre a rocha e o insensato que edificou a casa sobre a areia. Portanto, no Evangelho de Mateus, esses termos são atribuídos a homens e mulheres. Onde reside o ponto nevrálgico da parábola? Não está, portanto, nas tochas que as mulheres virgens levam consigo. Todas levam as tochas, mas a questão principal está no óleo/azeite que as mulheres levam ou não levam consigo nas vasilhas (Mt 25.3-4). Como o noivo demorou para chegar, todas as mulheres virgens que estavam ali junto com a noiva vigiando, esperando o noivo, acabaram dormindo (Mt 25.5). O cansaço e a demora fizeram com que todas as dez mulheres virgens dormissem. A demora do noivo é um elemento importante para a comunidade de Mateus, que está ansiosa pela vinda de Jesus. Esta realidade demonstra a demora da parusia. No entanto, não é a demora da parusia que é motivo de não estar vigilante, preparado. Para o evangelista Mateus, a parusia é algo imprevisível, não é possível fazer especulações sobre o final dos tempos. É necessário estar sempre preparado. O texto não faz nenhuma crítica às dez mulheres que acabam dormindo devido à demora do noivo. O problema não está no cansaço e no sono, e sim em levar azeite/óleo na vasilha. A vigilância ativa não se mostra no fato de as dez mulheres virgens terem dormido. O sono e o cansaço fazem parte da realidade humana. A vigilância ativa se mostra no fato de ter ou não ter azeite/óleo na vasilha. O texto da Bíblia de Almeida fala em lâmpadas, mas, como já vimos, o correto é falar em tochas. As tochas eram embebidas em azeite/óleo e amarradas em cima de um pedaço de madeira. As lâmpadas com suporte de cerâmica eram usadas dentro de casa. À meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí a seu encontro (Mt 25.6). O susto e a pressa em levantar foi geral. Todas as virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas (Mt 25.7). É importante ressaltar que todas se levantam e todas preparam as suas lâmpadas. É neste momento que cinco virgens se dão conta de que as tochas estão se apagando. A alegria da chegada do noivo transforma-se num sufoco para cinco mulheres virgens. Elas se dão conta da sua falta de preparo: o azeite/o óleo está terminando. As néscias despreparadas recorrem às mulheres virgens sábias, dizendo: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas tochas estão se apagando. A resposta das virgens prudentes surpreende. Elas dizem: Não, para que não nos falte a nós e as vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o (Mt
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ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ANTEPENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
25.9). A resposta das sábias não demonstra egoísmo, falta de amor ao próximo ou avareza. A resposta das sábias aponta para uma ajuda na última hora: Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. Talvez ainda dê tempo! E as néscias saíram para comprar (Mt 25.10). Só que neste exato momento chega o noivo! As cinco mulheres virgens prudentes, caracterizadas como as que estavam apercebidas (cf. Bíblia de Almeida), isto é, preparadas, entraram com o noivo para a festa de casamento. É um momento de grande alegria, realizou-se a expectativa, valeu a pena a espera vigilante. Conforme Mateus, para essa festa muitas pessoas são convidadas, mas poucas são escolhidas (Mt 22.14). A parábola das dez mulheres virgens tem uma ligação com a parábola das bodas (Mt 22.1-14). Aquelas pessoas que haviam recebido o convite para a festa de casamento do filho não foram, todas tinham suas desculpas. Por isso foram para as encruzilhadas e convidaram todas as que encontraram. Para a festa todos e todas são convidados. Mas há um detalhe: é necessário estar preparado com o óleo na vasilha. Aquelas que têm óleo em sua vasilha entram para participar da festa de casamento, enquanto aquelas que não cuidaram do óleo, mesmo que foram rapidamente comprar, quando retornam tem uma surpresa: encontram a porta fechada. E fechou-se a porta (Mt 25.10) simboliza que acabou o tempo da espera. Com a chegada e ação do noivo decide-se a história. A imagem da porta que se fecha era muito conhecida no mundo judaico, mas não era usada no contexto da festa de casamento. Aqui se encontra a radicalidade do texto. Quem ouve a parábola passa a refletir e a entender que quem não está preparado (quem esquece o azeite/o óleo) corre o risco de encontrar a porta fechada, de perder o tempo oportuno da salvação. O v. 11 traz presente a triste realidade das virgens néscias: Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta . A porta fecha e a chegada mais tarde das virgens néscias aponta que o final da sua história será triste, de clamor. Desde o início da narração, as virgens néscias estavam dispostas a ir ao encontro do noivo como as virgens prudentes. Elas esperam de igual forma. Acabam cansando e dormindo como as virgens prudentes. Quando chega o noivo, se dão conta da sua realidade. O azeite/o óleo está acabando. Pedem-no para as prudentes. Elas dizem não, mas apontam para a possibilidade de elas irem comprar o azeite. Elas vão em busca dos vendedores de óleo; quando voltam, no entanto, a porta já está fechada. O grande problema das cinco mulheres virgens néscias é que não estavam preparadas. Quando retornam talvez preparadas já era muito tarde. A porta já havia se fechado. Elas clamam desesperadas: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Aqui acontece o desenlace da parábola (v. 11-12). As cinco mulheres virgens néscias clamam e até reconhecem que é o noivo. No entanto, não se trata mais de
um noivo terreno, mas é o Filho do Homem, que usa a palavra com autoridade: Em verdade vos digo que não vos conheço (Mt 12). Em meio à alegria da festa para algumas/alguns está também presente o juízo para outras/outros. A parábola aponta para o juízo do Filho do homem. O esperado encontro com o noivo transforma-se em separação definitiva dele para cinco mulheres. A radicalidade do juízo e a vivência cotidiana da espera vigilante são elementos típicos do Evangelho de Mateus. O Sermão da Montanha (Mt 5.112) aponta para a radicalidade da confissão de fé com a ação. A imagem das tochas nos remete a Mt 5.14: Vós sois luz do mundo . Ser luz do mundo é também estar preparado com o óleo e brilhar em meio a este mundo, no cotidiano de nossas vidas. Finalizando, a parábola apresenta o chamado à vigilância: Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora (Mt 25.13). Vigilância é estar em espera ativa desde o princípio. Mas como é que as pessoas podem se colocar em esperança ativa? A resposta parece estar no significado que damos ao óleo. Segundo o ensinamento rabínico, o óleo é símbolo das ações da justiça. Esta informação é importante e nos remete ao centro do Evangelho de Mateus. No Evangelho de Mateus, Jesus é apresentado como o novo mediador da justiça (Mt 3.15). A vigilância na espera ativa depende de nosso compromisso com a justiça do reino. Não é possível conseguir o óleo na última hora. As cinco virgens que haviam se preparado com óleo não emprestam para as outras cinco que não estavam preparadas. Esta não é uma atitude egoísta, de falta de amor ao próximo. Não é possível transferir a prática da justiça para outras pessoas. É possível praticá-la e ensiná-la, mas não é possível passá-la adiante como o soro penetra em nossas veias. A prática da justiça leva a ter bom senso, ter responsabilidade, ter compromisso! Estar preparadas/os para a hora do grito Chegou o noivo! significa ser construtores da prática de justiça, que traduza concretamente o reino de Deus inaugurado por Jesus. Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da lei e a dos fariseus, vocês não entrarão no reino dos céus (Mt 5.20). Nossa vida é um convite constante à festa da vida, que não termina, caracterizada na festa do casamento (vida, morte e ressurreição de Jesus), promessa de vida para todos e todas que praticam a justiça, ensinada e vivenciada por Jesus. A porta estará aberta ou fechada de acordo com nossa preparação, pois a morte e a ressurreição de Jesus nos convidam para uma vigilância ativa. Somos convidados a nos preparar para a vida, para que a festa de casamento, o reino de Deus, seja algo belo. Todos/as somos convidados/as para participar dele, e isto é maravilhoso!
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4 Preparando a pregação
Lembro dessa parábola desde pequeno. Eu ficava imaginando aquelas dez moças esperando o seu noivo. Ele demora a chegar. Elas ficam cansadas,
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25.9). A resposta das sábias não demonstra egoísmo, falta de amor ao próximo ou avareza. A resposta das sábias aponta para uma ajuda na última hora: Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. Talvez ainda dê tempo! E as néscias saíram para comprar (Mt 25.10). Só que neste exato momento chega o noivo! As cinco mulheres virgens prudentes, caracterizadas como as que estavam apercebidas (cf. Bíblia de Almeida), isto é, preparadas, entraram com o noivo para a festa de casamento. É um momento de grande alegria, realizou-se a expectativa, valeu a pena a espera vigilante. Conforme Mateus, para essa festa muitas pessoas são convidadas, mas poucas são escolhidas (Mt 22.14). A parábola das dez mulheres virgens tem uma ligação com a parábola das bodas (Mt 22.1-14). Aquelas pessoas que haviam recebido o convite para a festa de casamento do filho não foram, todas tinham suas desculpas. Por isso foram para as encruzilhadas e convidaram todas as que encontraram. Para a festa todos e todas são convidados. Mas há um detalhe: é necessário estar preparado com o óleo na vasilha. Aquelas que têm óleo em sua vasilha entram para participar da festa de casamento, enquanto aquelas que não cuidaram do óleo, mesmo que foram rapidamente comprar, quando retornam tem uma surpresa: encontram a porta fechada. E fechou-se a porta (Mt 25.10) simboliza que acabou o tempo da espera. Com a chegada e ação do noivo decide-se a história. A imagem da porta que se fecha era muito conhecida no mundo judaico, mas não era usada no contexto da festa de casamento. Aqui se encontra a radicalidade do texto. Quem ouve a parábola passa a refletir e a entender que quem não está preparado (quem esquece o azeite/o óleo) corre o risco de encontrar a porta fechada, de perder o tempo oportuno da salvação. O v. 11 traz presente a triste realidade das virgens néscias: Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta . A porta fecha e a chegada mais tarde das virgens néscias aponta que o final da sua história será triste, de clamor. Desde o início da narração, as virgens néscias estavam dispostas a ir ao encontro do noivo como as virgens prudentes. Elas esperam de igual forma. Acabam cansando e dormindo como as virgens prudentes. Quando chega o noivo, se dão conta da sua realidade. O azeite/o óleo está acabando. Pedem-no para as prudentes. Elas dizem não, mas apontam para a possibilidade de elas irem comprar o azeite. Elas vão em busca dos vendedores de óleo; quando voltam, no entanto, a porta já está fechada. O grande problema das cinco mulheres virgens néscias é que não estavam preparadas. Quando retornam talvez preparadas já era muito tarde. A porta já havia se fechado. Elas clamam desesperadas: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Aqui acontece o desenlace da parábola (v. 11-12). As cinco mulheres virgens néscias clamam e até reconhecem que é o noivo. No entanto, não se trata mais de
um noivo terreno, mas é o Filho do Homem, que usa a palavra com autoridade: Em verdade vos digo que não vos conheço (Mt 12). Em meio à alegria da festa para algumas/alguns está também presente o juízo para outras/outros. A parábola aponta para o juízo do Filho do homem. O esperado encontro com o noivo transforma-se em separação definitiva dele para cinco mulheres. A radicalidade do juízo e a vivência cotidiana da espera vigilante são elementos típicos do Evangelho de Mateus. O Sermão da Montanha (Mt 5.112) aponta para a radicalidade da confissão de fé com a ação. A imagem das tochas nos remete a Mt 5.14: Vós sois luz do mundo . Ser luz do mundo é também estar preparado com o óleo e brilhar em meio a este mundo, no cotidiano de nossas vidas. Finalizando, a parábola apresenta o chamado à vigilância: Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora (Mt 25.13). Vigilância é estar em espera ativa desde o princípio. Mas como é que as pessoas podem se colocar em esperança ativa? A resposta parece estar no significado que damos ao óleo. Segundo o ensinamento rabínico, o óleo é símbolo das ações da justiça. Esta informação é importante e nos remete ao centro do Evangelho de Mateus. No Evangelho de Mateus, Jesus é apresentado como o novo mediador da justiça (Mt 3.15). A vigilância na espera ativa depende de nosso compromisso com a justiça do reino. Não é possível conseguir o óleo na última hora. As cinco virgens que haviam se preparado com óleo não emprestam para as outras cinco que não estavam preparadas. Esta não é uma atitude egoísta, de falta de amor ao próximo. Não é possível transferir a prática da justiça para outras pessoas. É possível praticá-la e ensiná-la, mas não é possível passá-la adiante como o soro penetra em nossas veias. A prática da justiça leva a ter bom senso, ter responsabilidade, ter compromisso! Estar preparadas/os para a hora do grito Chegou o noivo! significa ser construtores da prática de justiça, que traduza concretamente o reino de Deus inaugurado por Jesus. Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da lei e a dos fariseus, vocês não entrarão no reino dos céus (Mt 5.20). Nossa vida é um convite constante à festa da vida, que não termina, caracterizada na festa do casamento (vida, morte e ressurreição de Jesus), promessa de vida para todos e todas que praticam a justiça, ensinada e vivenciada por Jesus. A porta estará aberta ou fechada de acordo com nossa preparação, pois a morte e a ressurreição de Jesus nos convidam para uma vigilância ativa. Somos convidados a nos preparar para a vida, para que a festa de casamento, o reino de Deus, seja algo belo. Todos/as somos convidados/as para participar dele, e isto é maravilhoso!
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4 Preparando a pregação
Lembro dessa parábola desde pequeno. Eu ficava imaginando aquelas dez moças esperando o seu noivo. Ele demora a chegar. Elas ficam cansadas,
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acabam dormindo. Cinco moças não se preparam com o óleo, as outras cinco se preparam... Quando ouvem o grito Chegou o noivo , as cinco moças que estavam preparadas entram, e para as outras cinco moças a porta se fecha. Lembro que eu ficava me imaginando diante de uma grande porta, querendo entrar, batendo com força, com desespero e nada... A porta não se abre! A vela que eu segurava na mão ficava cada vez mais fraquinha... De repente... Escuridão... Medo... Desespero... Também ficava imaginando a alegria e a festa das cinco moças que conseguiram entrar na festa do casamento... Como é bom estar preparado, eu pensava! Como a gente pode se preparar? Estar preparado significa compromisso, responsabilidade, alegria, esperança, festa, participação... Porta aberta! A parábola das dez virgens pode nos levar a fazer julgamentos. Cuidado! Não temos o direito de julgar, pois todas as moças dormiram, também aquelas que estavam preparadas com o óleo. Somos pessoas humanas; o sono, o cansaço, a fadiga fazem parte de nossa existência. Quem não se sente inseguro, cansado, com sono diante da realidade cruel de nosso país? Quem não tem vontade de dormir sossegado em sua casa? As contradições entre ricos e pobres aumentam a desconfiança, a fome, a violência e a morte. Dormir com tranqüilidade, quem não deseja? Todas as pessoas têm direito a um sono tranqüilo, a uma vida justa! Aqui se encontra o auge de nosso texto... Vida justa! O que significa viver a justiça anunciada por Jesus no contexto em que vivemos? Estar preparados para a chegada do noivo, para celebrar a festa do casamento, significa praticar ações de justiça (ter óleo em sua tocha, em sua vida)? Ter óleo para a tocha da sua vida significa ter compromisso com a justiça do reino, anunciada e vivenciada por Jesus. Compromisso com a justiça do reino é buscar a vivência da paz, da solidariedade, do amor em palavras e ações. Compromisso com a justiça do reino é diaconia, missão, ensino... É palavração! Ser uma pessoa cristã ou não, estar ou não preparada para a grande festa, simbolizada nessa parábola na festa do casamento, significa estar comprometido com a justiça do reino. O Evangelho de Mateus dá muitos exemplos da justiça do reino; o seu auge está no Sermão da Montanha (Mt 5.1-12).
Graças te dou, ó Deus bondoso, minha alma canta o teu louvor! Senhor, a noite me angustiou: Agora o dia triunfou. Com teu poder tu expulsaste da longa noite a escuridão. Dos seus temores libertaste esse mesquinho coração; O coração em seu torpor não creu em tua luz, Senhor! Ó não permitas, Pai amado, que para as trevas volte a olhar! Só pela tua luz guiado o meu caminho quero andar. Segue a meu lado, meu irmão, minha irmã: A luz venceu a escuridão! Lindolfo Weingärtner Hinos: HPD 1 nº 267; O Povo Canta nº 64; HPD 1 nº 165; O Povo Canta nº 158; HPD 2 Venha o teu Reino (autor: Silvio Meincke).
5 Celebrando
Sugiro iniciar com uma poesia que evoca a esperança.
Acolhimento: Preparar o grupo de liturgia para receber as pessoas na porta da igreja, passando um pouco de óleo perfumado em suas mãos. Confissão de pecados: Pedir perdão porque somos rápidos em julgar as atitudes das outras pessoas... Também nós cansamos, dormimos, esquecemos de vigiar e de nos preparar para a chegada do noivo... Muitos são convidados, poucos aceitam o convite... estamos nós entre estes/as? Perdão porque nós não nos preparamos para a vida e nem para a festa de casamento união de Jesus com toda a humanidade. Hino: HPD 1 nº 150. Leituras bíblicas: Amós 5.18-24 e 1 Tessalonicenses 4.13-14 (15-18). Símbolos: Tocha, oléo, porta aberta e porta fechada. Sugestões para a pregação Mt 25.1-13: Vigilância praticar ações de justiça! Buscar contrastar a realidade com reportagens que demonstram atitudes de injustiça e justiça... Temos óleo para a tocha de nossa vida? O que significa encontrar a porta fechada? O Evangelho de Mateus é caracteriza-
Prece ao despontar do dia O dia nasce jubiloso. O sol desponta com fulgor.
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acabam dormindo. Cinco moças não se preparam com o óleo, as outras cinco se preparam... Quando ouvem o grito Chegou o noivo , as cinco moças que estavam preparadas entram, e para as outras cinco moças a porta se fecha. Lembro que eu ficava me imaginando diante de uma grande porta, querendo entrar, batendo com força, com desespero e nada... A porta não se abre! A vela que eu segurava na mão ficava cada vez mais fraquinha... De repente... Escuridão... Medo... Desespero... Também ficava imaginando a alegria e a festa das cinco moças que conseguiram entrar na festa do casamento... Como é bom estar preparado, eu pensava! Como a gente pode se preparar? Estar preparado significa compromisso, responsabilidade, alegria, esperança, festa, participação... Porta aberta! A parábola das dez virgens pode nos levar a fazer julgamentos. Cuidado! Não temos o direito de julgar, pois todas as moças dormiram, também aquelas que estavam preparadas com o óleo. Somos pessoas humanas; o sono, o cansaço, a fadiga fazem parte de nossa existência. Quem não se sente inseguro, cansado, com sono diante da realidade cruel de nosso país? Quem não tem vontade de dormir sossegado em sua casa? As contradições entre ricos e pobres aumentam a desconfiança, a fome, a violência e a morte. Dormir com tranqüilidade, quem não deseja? Todas as pessoas têm direito a um sono tranqüilo, a uma vida justa! Aqui se encontra o auge de nosso texto... Vida justa! O que significa viver a justiça anunciada por Jesus no contexto em que vivemos? Estar preparados para a chegada do noivo, para celebrar a festa do casamento, significa praticar ações de justiça (ter óleo em sua tocha, em sua vida)? Ter óleo para a tocha da sua vida significa ter compromisso com a justiça do reino, anunciada e vivenciada por Jesus. Compromisso com a justiça do reino é buscar a vivência da paz, da solidariedade, do amor em palavras e ações. Compromisso com a justiça do reino é diaconia, missão, ensino... É palavração! Ser uma pessoa cristã ou não, estar ou não preparada para a grande festa, simbolizada nessa parábola na festa do casamento, significa estar comprometido com a justiça do reino. O Evangelho de Mateus dá muitos exemplos da justiça do reino; o seu auge está no Sermão da Montanha (Mt 5.1-12).
Graças te dou, ó Deus bondoso, minha alma canta o teu louvor! Senhor, a noite me angustiou: Agora o dia triunfou. Com teu poder tu expulsaste da longa noite a escuridão. Dos seus temores libertaste esse mesquinho coração; O coração em seu torpor não creu em tua luz, Senhor! Ó não permitas, Pai amado, que para as trevas volte a olhar! Só pela tua luz guiado o meu caminho quero andar. Segue a meu lado, meu irmão, minha irmã: A luz venceu a escuridão! Lindolfo Weingärtner Hinos: HPD 1 nº 267; O Povo Canta nº 64; HPD 1 nº 165; O Povo Canta nº 158; HPD 2 Venha o teu Reino (autor: Silvio Meincke).
5 Celebrando
Sugiro iniciar com uma poesia que evoca a esperança.
Acolhimento: Preparar o grupo de liturgia para receber as pessoas na porta da igreja, passando um pouco de óleo perfumado em suas mãos. Confissão de pecados: Pedir perdão porque somos rápidos em julgar as atitudes das outras pessoas... Também nós cansamos, dormimos, esquecemos de vigiar e de nos preparar para a chegada do noivo... Muitos são convidados, poucos aceitam o convite... estamos nós entre estes/as? Perdão porque nós não nos preparamos para a vida e nem para a festa de casamento união de Jesus com toda a humanidade. Hino: HPD 1 nº 150. Leituras bíblicas: Amós 5.18-24 e 1 Tessalonicenses 4.13-14 (15-18). Símbolos: Tocha, oléo, porta aberta e porta fechada. Sugestões para a pregação Mt 25.1-13: Vigilância praticar ações de justiça! Buscar contrastar a realidade com reportagens que demonstram atitudes de injustiça e justiça... Temos óleo para a tocha de nossa vida? O que significa encontrar a porta fechada? O Evangelho de Mateus é caracteriza-
Prece ao despontar do dia O dia nasce jubiloso. O sol desponta com fulgor.
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do com muitos exemplos de ações da justiça do reino. O que nós podemos fazer no contexto onde nos encontramos? A comunidade cristã, nós, estamos em esperança vigilante? A parábola das dez virgens nos questiona em nossas atitudes e nos dá exemplos de como estar ou não preparados/as. É importante estar preparados/as para a vida. As cinco mulheres prudentes nos dão um bonito exemplo de preparação. Elas não esqueceram de levar o óleo na vasilha. Temos nós óleo na vasilha de nossa vida? Não é possível fazer especulações em relação aos tempos. O tempo pertence a Deus. Somos convidados a nos preparar: Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora . Bênção: Jesus Emanuel Deus Conosco abençoa a nossa espera. Dá que a vigilância faça parte de nossa vida, Que o óleo que conduz para a vida justa não falte em nosso cotidiano. Abençoe a nossa confissão de fé e as nossas ações. Derrame sobre nós o Espírito Santo, O Espírito da vida, da solidariedade, da paz, Para que sejamos luz no mundo, Propagando os caminhos da esperança. Amém. (Claudete Beise Ulrich)
Bibliografia
BORTOLINI, José. Roteiros Homiléticos: Evangelho (Mt 25,1-13): Vigiar é praticar a justiça. Vida Pastoral, n. 155, Ano XXXI, novembro-dezembro de 1990, p. 37-38. DENKER, Jürgen. Último domingo do ano eclesiástico: Mateus 25.1-13. In: MALSCHITZKY, Harald. WEGNER, Uwe. (Coord.) Proclamar Libertação. v. XI. São Leopoldo: Sinodal, 1985. p. 336-344. KIRCHHEIM, Huberto. Último domingo do ano eclesiástico: Mateus 25.1-13. In: KAICK, Baldur Van (Coord.) Proclamar Libertação. v. IV. São Leopoldo : Sinodal, 1979. p. 243250. REIMER, Ivoni Richter. Antepenúltimo Domingo após Pentecoste: Mateus 25.1-13. In: SCHNEIDER, Nélio. WITT, Osmar L. (Ed. e Coord). Proclamar Libertação. v. 24. São Leopoldo : Sinodal, 1998. p. 312-321. (Série Teologia Prática Auxílios Homiléticos, 24.) WEINGÄRTNER, Lindolfo. Prática da Esperança: poemas e meditações para refletir e orar. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 53. JEREMIAS, J. Teologia do Novo Testamento: a pregação de Jesus. Trad. João Rezende Costa. São Paulo: Paulinas, 1977.
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PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
13 Nov 2005
OSÉIAS 11.1-4,8-9 1 TESSALONICENSES 5.1-11
PRÉDICA: MATEUS 25.14-30 Arteno Ilson Spellmeier
1 Informações e reflexões 1 J. Jeremias pressupõe que, originalmente, a parábola dos talentos tenha sido dirigida aos escribas, admoestando-os para que não privassem as pessoas das dádivas, promessas e mandamentos de Deus e do testemunho de vida inerentes a essas dádivas e mandamentos. Devemos perguntar-nos: a) Essa admoestação não vale também para nós hoje? b) De que forma estaremos nós hoje privando as pessoas das dádivas e mandamentos de Deus: pelo silêncio, pela omissão, pela incongruência entre o nosso discurso e a nossa prática? 2 No contexto em que Mateus colocou a parábola, ela acaba tendo uma outra função e um outro sentido: a) O problema das primeiras comunidades não era, em primeiro lugar, a omissão e a incongruência no testemunho, mas com a protelação da volta definitiva de Cristo; b) Com a demora da parusia, da volta definitiva de Cristo para o juízo final, os membros da comunidade, a quem Mateus dirige o evangelho, estão correndo o risco de se abancar , em dois sentidos: uns, na medida em que vivem a vinda do reino antecipadamente, só na fantasia, abandonando a criação de Deus a seu destino; outros, na medida em que vivem como se não tivesse um reino por vir, como parasitas da primeira criação de Deus, pois não têm porque preservá-la. Devemos perguntar-nos: Em que situações de nosso dia-a-dia na comunidade, na família, no trabalho, na sociedade, na política e na fé pessoal temos nós desistido de suportar a tensão entre o reino que está entre nós em meio às limitações, fragilidades e contradições e o reino definitivo e perfeito por chegar? De que forma temos nós fugido da tensão de crer e viver o amor trazido por Cristo em meio a uma realidade de falta de sensibilidade, ódio e opressão? De que forma temos nós vivido a tensão entre o amor de Deus por sua primeira criação, caída, traída, vilipendiada e a nova criação que não vai dar para entender sem a primeira? 3 A palavra talento hoje em dia tem, a partir dessa parábola, o sentido de aptidão invulgar (natural ou adquirida), habilidade, capacidade
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do com muitos exemplos de ações da justiça do reino. O que nós podemos fazer no contexto onde nos encontramos? A comunidade cristã, nós, estamos em esperança vigilante? A parábola das dez virgens nos questiona em nossas atitudes e nos dá exemplos de como estar ou não preparados/as. É importante estar preparados/as para a vida. As cinco mulheres prudentes nos dão um bonito exemplo de preparação. Elas não esqueceram de levar o óleo na vasilha. Temos nós óleo na vasilha de nossa vida? Não é possível fazer especulações em relação aos tempos. O tempo pertence a Deus. Somos convidados a nos preparar: Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora . Bênção: Jesus Emanuel Deus Conosco abençoa a nossa espera. Dá que a vigilância faça parte de nossa vida, Que o óleo que conduz para a vida justa não falte em nosso cotidiano. Abençoe a nossa confissão de fé e as nossas ações. Derrame sobre nós o Espírito Santo, O Espírito da vida, da solidariedade, da paz, Para que sejamos luz no mundo, Propagando os caminhos da esperança. Amém. (Claudete Beise Ulrich)
Bibliografia
BORTOLINI, José. Roteiros Homiléticos: Evangelho (Mt 25,1-13): Vigiar é praticar a justiça. Vida Pastoral, n. 155, Ano XXXI, novembro-dezembro de 1990, p. 37-38. DENKER, Jürgen. Último domingo do ano eclesiástico: Mateus 25.1-13. In: MALSCHITZKY, Harald. WEGNER, Uwe. (Coord.) Proclamar Libertação. v. XI. São Leopoldo: Sinodal, 1985. p. 336-344. KIRCHHEIM, Huberto. Último domingo do ano eclesiástico: Mateus 25.1-13. In: KAICK, Baldur Van (Coord.) Proclamar Libertação. v. IV. São Leopoldo : Sinodal, 1979. p. 243250. REIMER, Ivoni Richter. Antepenúltimo Domingo após Pentecoste: Mateus 25.1-13. In: SCHNEIDER, Nélio. WITT, Osmar L. (Ed. e Coord). Proclamar Libertação. v. 24. São Leopoldo : Sinodal, 1998. p. 312-321. (Série Teologia Prática Auxílios Homiléticos, 24.) WEINGÄRTNER, Lindolfo. Prática da Esperança: poemas e meditações para refletir e orar. São Leopoldo: Sinodal, 1981. p. 53. JEREMIAS, J. Teologia do Novo Testamento: a pregação de Jesus. Trad. João Rezende Costa. São Paulo: Paulinas, 1977.
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13 Nov 2005
OSÉIAS 11.1-4,8-9 1 TESSALONICENSES 5.1-11
PRÉDICA: MATEUS 25.14-30 Arteno Ilson Spellmeier
1 Informações e reflexões 1 J. Jeremias pressupõe que, originalmente, a parábola dos talentos tenha sido dirigida aos escribas, admoestando-os para que não privassem as pessoas das dádivas, promessas e mandamentos de Deus e do testemunho de vida inerentes a essas dádivas e mandamentos. Devemos perguntar-nos: a) Essa admoestação não vale também para nós hoje? b) De que forma estaremos nós hoje privando as pessoas das dádivas e mandamentos de Deus: pelo silêncio, pela omissão, pela incongruência entre o nosso discurso e a nossa prática? 2 No contexto em que Mateus colocou a parábola, ela acaba tendo uma outra função e um outro sentido: a) O problema das primeiras comunidades não era, em primeiro lugar, a omissão e a incongruência no testemunho, mas com a protelação da volta definitiva de Cristo; b) Com a demora da parusia, da volta definitiva de Cristo para o juízo final, os membros da comunidade, a quem Mateus dirige o evangelho, estão correndo o risco de se abancar , em dois sentidos: uns, na medida em que vivem a vinda do reino antecipadamente, só na fantasia, abandonando a criação de Deus a seu destino; outros, na medida em que vivem como se não tivesse um reino por vir, como parasitas da primeira criação de Deus, pois não têm porque preservá-la. Devemos perguntar-nos: Em que situações de nosso dia-a-dia na comunidade, na família, no trabalho, na sociedade, na política e na fé pessoal temos nós desistido de suportar a tensão entre o reino que está entre nós em meio às limitações, fragilidades e contradições e o reino definitivo e perfeito por chegar? De que forma temos nós fugido da tensão de crer e viver o amor trazido por Cristo em meio a uma realidade de falta de sensibilidade, ódio e opressão? De que forma temos nós vivido a tensão entre o amor de Deus por sua primeira criação, caída, traída, vilipendiada e a nova criação que não vai dar para entender sem a primeira? 3 A palavra talento hoje em dia tem, a partir dessa parábola, o sentido de aptidão invulgar (natural ou adquirida), habilidade, capacidade
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PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
(Larousse Cultural). Na Antigüidade, o talento era um peso e, posteriormente, transformou-se em moeda cujo valor unitário correspondia a 18 anos de trabalho ou, segundo outros autores, a 20kg de ouro. Os empregados, portanto, receberam, cada qual de acordo com a sua capacidade (v. 15), uma pequena fortuna para administrar, respectivamente, 5.000, 2.000 e 1.000 moedas, o correspondente a 5, 2 e 1 talentos. Como cada um deles recebeu um montante correspondente à sua capacidade, não podemos puxar um paralelo entre o termo no sentido do evangelho e no sentido de hoje, pois o evangelho pressupõe que cada um dos empregados já possuía talentos (capacidades) no sentido de hoje. O que, no entanto, não significa que não teremos que usar os nossos talentos naturais para administrar os talentos de Deus, pois, afinal, também aqueles recebemos de suas mãos. Devemos perguntar-nos: Quais serão os talentos que nós recebemos de Deus para administrar e multiplicar? a) Corresponderão os talentos à palavra de Deus e aos sacramentos? b) Corresponderão à fé, à graça, ao amor e à fidelidade a Deus? c) Corresponderão aos mandamentos de Deus? d) Corresponderão à tarefa de colocar sinais do reino dos céus? Independente da interpretação pela qual optamos, os talentos recebidos devem ser vistos como um todo, a serviço da primeira criação e da promessa da nova criação (Ap 21.1ss). Não tem atalho. Quem sonhar com a nova criação sem incluir nesse sonho o estar voltado de Deus à primeira criação só está sonhando. Quem se contentar com a primeira criação está abrindo mão das promessas de Deus de que haverá novos céus e novas terras e sempre se frustará com o fato de que a primeira criação está repleta de limitações, contradições e maldades e, mais cedo ou mais tarde, negará a realidade desse mundo e se refugiará em ideologias feitas à sua feição, entregando-a a seu próprio destino. Quem quiser viver o amor que Jesus viveu a favor da primeira criação, da qual fazemos parte, precisa ter uma motivação muito forte: saber-se amado e aceito por Deus e saber-se incumbido da tarefa (talentos) de já agora exercitar dimensões da nova criação. Se falarmos dos talentos, como sendo somente dinheiro e capital, restringindo seu sentido ao mundo econômico, sem nenhuma relação com a vida espiritual e comunitária, sem nenhuma relação com Deus e nossa fé, com nossas angústias e medos, não vamos entender a parábola. Se falarmos dos talentos como sendo a palavra de Deus e os sacramentos, no entanto, essa palavra e esses sacramentos não são restritos ao foro íntimo de cada pessoa, não são propriedade de pequenos grupos de iluminados, mas têm dimensões comunitárias, sociais, econômicas, psíquicas, políticas, éticas, étnicas, familiares, culturais, espirituais, humanas e escatológicas. Essas dimensões são intrínsecas à palavra e aos sacramentos, que são a ponta de lança da nova criação para dentro da primeira criação. A parábola que compara, segundo J. Jeremias, possivelmente, o reino dos céus com a ausência de um comerciante ganancioso e inescrupuloso deixa
transparecer essa relação das coisas de Deus com as coisas deste mundo . Quem restringir Deus à sacristia, quem o expulsar de sua vida familiar, espiritual, econômica, financeira... e se admirar de que ele não está presente em sua vida é, no mínimo, pouco inteligente. Um deus feito por nós, modelado por nossos interesses e paranóias, nada pode fazer por nós, pois não tem poder nenhum e está ocupando o espaço do Deus verdadeiro, que não se deixa modelar e prender em sacristias, em almas piedosas, em pensamentos, ideologias e sistemas humanos. 4 Como toda parábola, também a dos talentos não permite que se procurem paralelos para todos os elementos nela contidos: a) Deus não é comparado a um comerciante ganancioso e inescrupuloso , mas o reino dos céus é comparado à ausência de um homem rico que, ao viajar, entrega os seus bens à responsabilidade de três empregados. Assim como o homem rico entregou talentos a seus empregados para que eles, durante a sua ausência, os multiplicassem, assim são entregues a todos nós, como responsáveis pela colocação de sinais desse reino, talentos para que os multipliquemos. b) Os paralelos não se completam, pois enquanto o homem rico esteve ausente por longo tempo e não deu nenhum apoio aos empregados, Deus e seu reino estão entre nós, apoiando-nos, quando não sabemos como continuar, levantando-nos, quando caímos, admoestando-nos e animando-nos, quando ficamos com medo e enterramos os talentos recebidos. c) Se não é possível procurar paralelos para todos os elementos da parábola, sem forçar a situação, muito menos é possível fazer uma relação direta entre o que é dito no v. 28 ( Tirem o dinheiro dele e o dêem ao que tem dez mil moedas ) e o sistema capitalista, justificando este a partir daquele. 5 Afirmações centrais da parábola são: a) Na espera da plenitude do reino é preciso lutar e multiplicar os talentos de Deus. b) Ninguém recebe maior responsabilidade do que a que pode carregar; ela sempre corresponderá às suas capacidades. c) A compensação não é dada de acordo com o valor multiplicado, pois os dois primeiros empregados que se engajaram recebem a mesma promessa: Muito bem, empregado bom e fiel, disse o patrão. Você foi fiel negociando com pouco dinheiro; por isso vou pôr você para negociar com muito. Venha festejar comigo! (v. 21 e 23). d) A compensação tem como critério principal a obediência e a fidelidade, que têm como pressupostos o trabalho, a coragem e a disposição de assumir riscos, pois também os dois primeiros empregados sabiam que o patrão era rigoroso (e, talvez, justamente por isso se puseram a trabalhar). e) O que diferencia os dois primeiros do terceiro empregado não é o discurso, mas a prática: enquanto aqueles arriscam e agem, este tem medo e se abanca . f) O tempo à espera da parusia e da nova criação é tempo de muita luta, muito trabalho e muitos riscos, porque sinais da nova criação já se encontram em nosso meio e exigem multiplicação: palavra de Deus e sacramentos celebrados e vividos; sinais do reino como paz, justiça, perdão, amor vividos e anunciados; fé
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(Larousse Cultural). Na Antigüidade, o talento era um peso e, posteriormente, transformou-se em moeda cujo valor unitário correspondia a 18 anos de trabalho ou, segundo outros autores, a 20kg de ouro. Os empregados, portanto, receberam, cada qual de acordo com a sua capacidade (v. 15), uma pequena fortuna para administrar, respectivamente, 5.000, 2.000 e 1.000 moedas, o correspondente a 5, 2 e 1 talentos. Como cada um deles recebeu um montante correspondente à sua capacidade, não podemos puxar um paralelo entre o termo no sentido do evangelho e no sentido de hoje, pois o evangelho pressupõe que cada um dos empregados já possuía talentos (capacidades) no sentido de hoje. O que, no entanto, não significa que não teremos que usar os nossos talentos naturais para administrar os talentos de Deus, pois, afinal, também aqueles recebemos de suas mãos. Devemos perguntar-nos: Quais serão os talentos que nós recebemos de Deus para administrar e multiplicar? a) Corresponderão os talentos à palavra de Deus e aos sacramentos? b) Corresponderão à fé, à graça, ao amor e à fidelidade a Deus? c) Corresponderão aos mandamentos de Deus? d) Corresponderão à tarefa de colocar sinais do reino dos céus? Independente da interpretação pela qual optamos, os talentos recebidos devem ser vistos como um todo, a serviço da primeira criação e da promessa da nova criação (Ap 21.1ss). Não tem atalho. Quem sonhar com a nova criação sem incluir nesse sonho o estar voltado de Deus à primeira criação só está sonhando. Quem se contentar com a primeira criação está abrindo mão das promessas de Deus de que haverá novos céus e novas terras e sempre se frustará com o fato de que a primeira criação está repleta de limitações, contradições e maldades e, mais cedo ou mais tarde, negará a realidade desse mundo e se refugiará em ideologias feitas à sua feição, entregando-a a seu próprio destino. Quem quiser viver o amor que Jesus viveu a favor da primeira criação, da qual fazemos parte, precisa ter uma motivação muito forte: saber-se amado e aceito por Deus e saber-se incumbido da tarefa (talentos) de já agora exercitar dimensões da nova criação. Se falarmos dos talentos, como sendo somente dinheiro e capital, restringindo seu sentido ao mundo econômico, sem nenhuma relação com a vida espiritual e comunitária, sem nenhuma relação com Deus e nossa fé, com nossas angústias e medos, não vamos entender a parábola. Se falarmos dos talentos como sendo a palavra de Deus e os sacramentos, no entanto, essa palavra e esses sacramentos não são restritos ao foro íntimo de cada pessoa, não são propriedade de pequenos grupos de iluminados, mas têm dimensões comunitárias, sociais, econômicas, psíquicas, políticas, éticas, étnicas, familiares, culturais, espirituais, humanas e escatológicas. Essas dimensões são intrínsecas à palavra e aos sacramentos, que são a ponta de lança da nova criação para dentro da primeira criação. A parábola que compara, segundo J. Jeremias, possivelmente, o reino dos céus com a ausência de um comerciante ganancioso e inescrupuloso deixa
transparecer essa relação das coisas de Deus com as coisas deste mundo . Quem restringir Deus à sacristia, quem o expulsar de sua vida familiar, espiritual, econômica, financeira... e se admirar de que ele não está presente em sua vida é, no mínimo, pouco inteligente. Um deus feito por nós, modelado por nossos interesses e paranóias, nada pode fazer por nós, pois não tem poder nenhum e está ocupando o espaço do Deus verdadeiro, que não se deixa modelar e prender em sacristias, em almas piedosas, em pensamentos, ideologias e sistemas humanos. 4 Como toda parábola, também a dos talentos não permite que se procurem paralelos para todos os elementos nela contidos: a) Deus não é comparado a um comerciante ganancioso e inescrupuloso , mas o reino dos céus é comparado à ausência de um homem rico que, ao viajar, entrega os seus bens à responsabilidade de três empregados. Assim como o homem rico entregou talentos a seus empregados para que eles, durante a sua ausência, os multiplicassem, assim são entregues a todos nós, como responsáveis pela colocação de sinais desse reino, talentos para que os multipliquemos. b) Os paralelos não se completam, pois enquanto o homem rico esteve ausente por longo tempo e não deu nenhum apoio aos empregados, Deus e seu reino estão entre nós, apoiando-nos, quando não sabemos como continuar, levantando-nos, quando caímos, admoestando-nos e animando-nos, quando ficamos com medo e enterramos os talentos recebidos. c) Se não é possível procurar paralelos para todos os elementos da parábola, sem forçar a situação, muito menos é possível fazer uma relação direta entre o que é dito no v. 28 ( Tirem o dinheiro dele e o dêem ao que tem dez mil moedas ) e o sistema capitalista, justificando este a partir daquele. 5 Afirmações centrais da parábola são: a) Na espera da plenitude do reino é preciso lutar e multiplicar os talentos de Deus. b) Ninguém recebe maior responsabilidade do que a que pode carregar; ela sempre corresponderá às suas capacidades. c) A compensação não é dada de acordo com o valor multiplicado, pois os dois primeiros empregados que se engajaram recebem a mesma promessa: Muito bem, empregado bom e fiel, disse o patrão. Você foi fiel negociando com pouco dinheiro; por isso vou pôr você para negociar com muito. Venha festejar comigo! (v. 21 e 23). d) A compensação tem como critério principal a obediência e a fidelidade, que têm como pressupostos o trabalho, a coragem e a disposição de assumir riscos, pois também os dois primeiros empregados sabiam que o patrão era rigoroso (e, talvez, justamente por isso se puseram a trabalhar). e) O que diferencia os dois primeiros do terceiro empregado não é o discurso, mas a prática: enquanto aqueles arriscam e agem, este tem medo e se abanca . f) O tempo à espera da parusia e da nova criação é tempo de muita luta, muito trabalho e muitos riscos, porque sinais da nova criação já se encontram em nosso meio e exigem multiplicação: palavra de Deus e sacramentos celebrados e vividos; sinais do reino como paz, justiça, perdão, amor vividos e anunciados; fé
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e graça recebidas e correspondidas... g) Como outras parábolas, a dos talentos quer fazer um alerta aos que, por causa da demora da parusia, estão correndo o risco de se abancar: o abancamento tem como preço que, em lugar do Deus bondoso que ama as pessoas mais fracas, encontrarão um Deus severo, exigente, ameaçador. h) O castigo anunciado ao terceiro empregado (v. 30), assim como a atitude em geral do patrão deixam transparecer um senhor severo, impiedoso e rigoroso, nada simpático. Será que Deus é assim tão impiedoso e insensível? Ou será que era essa a imagem que Mateus ou as primeiras comunidades tinham de Deus? Ou, ainda pior, era essa, por acaso, a imagem que o próprio Jesus tinha de seu Pai? Como entender, então, as passagens que falam de Deus como Pai piedoso, bondoso, amoroso? i) Se esta imagem do Deus severo nos ajudar a entender que Deus em seu amor por nós não abriu mão do seu senhorio, então ela terá cumprido a sua missão: quem achar que pode manipular a seu belprazer a Deus por causa de seu amor não está entendendo bem a coisa. j) O anúncio primeiro dessa parábola e mensagem central do evangelho, no entanto, é outro: Vocês estão na situação dos empregados que estão recebendo os talentos, que ainda podem trabalhar com eles e, quando tiverem medo ou se enganarem, terão a seu lado este Deus que não se ausentou e não os deixou com os seus medos e suas angústias.
que forma enterramos os talentos hoje: procurando somente assegurar o que já temos, pensando somente em nós mesmos, seja como família, seja como comunidade, preocupando-nos exclusivamente com a nossa própria salvação, seja a física ou a eterna? Nós não precisamos ser iguais ao terceiro empregado: a) Quando erramos por ter medo, podemos levantar os olhos, pois Deus está do nosso lado; b) Quando tivermos medo de assumir riscos em favor do reino de Deus, em favor de sua primeira criação e de sua nova criação, a ele podemos pedir coragem, pois ele não é um senhor ausente. 4 Qual a diferença entre a situação do terceiro empregado e a nossa situação? Será que também não estamos ainda na situação dos dois primeiros empregados, pois ainda podemos agir diferente, multiplicando os talentos que Deus nos deu de acordo com a nossa capacidade? Quais serão esses talentos? Que meios possuímos para multiplicá-los? Será que só os estará multiplicando aquela pessoa que tiver um bom discurso? Há muitas pessoas que, de forma silenciosa, simplesmente vão dando testemunho do amor de Deus por toda a sua criação é esta aqui, a atual, a caída , cuidando de crianças, protegendo animais, protestando contra a destruição da natureza, visitando doentes e idosos, animando os abancados, consolando os entristecidos, clareando a visão do reino e da nova criação, engajando-se politicamente, colocando sinais da força e persistência da fé... Estas fazem, muitas vezes até meio sem ter tanta consciência, o que os dois primeiros empregados fizeram: puseram mãos à obra, sendo, assim, fiéis a seu senhor. 5 Em nossas comunidades certamente há muitos talentos enterrados , ou melhor, muitas capacidades para multiplicar os talentos recebidos de Deus. Como podemos des-cobri-los ? Como podemos, em conjunto, mobilizá-los? 6 Além da promessa de que seremos convidados a festejar com o Senhor, o texto contém outras promessas: a) Ao contrário do senhor da parábola, o Senhor que a nós entrega talentos continua presente, do nosso lado, ajudando-nos a levantar quando caímos, dando uns safanões quando nos abancamos, animando-nos quando ficamos com medo; b) Ele não nos entrega talentos além da nossa capacidade; recebemos somente a quantia que somos capazes de multiplicar; c) Ao contrário dos empregados da parábola, não precisamos nos virar sozinhos para multiplicar os talentos, mas podemos e devemos fazê-lo em comunidade, em companhia de muitos irmãos e irmãs e de pessoas que estão multiplicando fielmente talentos sem saber de quem os receberam.
2 Pistas para a prédica 1 Assim como o homem rico entrega a seus empregados os seus bens para que estes os administrem, assim como o evangelista Mateus tem em vista as primeiras comunidades cristãs, assim os primeiros endereçados da parábola dos talentos não são os outros, mas nós, não um grupo qualquer, mas a nossa comunidade. 2 Não é uma boa pedagogia fazer uso do último versículo, em que é anunciado o castigo do empregado medroso e inativo, pois, nos dias de hoje, as pessoas se sentem ameaçadas e têm medo de tantas coisas concretas (da violência, da doença, do desemprego, da falta de dinheiro, do abandono...), que essa ameaça lhes parecerá muito distante e, principalmente, porque esse versículo não traz a mensagem central da parábola dos talentos. 3 Como haverá da parte de muitos membros, possivelmente, uma identificação bem forte com o terceiro empregado, porque constantemente vivem situações parecidas, em que sentem medo, em que, em consideração à família, esquivam-se de riscos, em que precisam adivinhar o humor do patrão... é necessário falar sobre a relação entre a situação do terceiro empregado e a deles, é preciso falar sobre o medo. Do que nós temos medo? Da vida, do futuro, da violência, do desemprego? Estará nos levando esse medo a enterrar o talento recebido? De
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e graça recebidas e correspondidas... g) Como outras parábolas, a dos talentos quer fazer um alerta aos que, por causa da demora da parusia, estão correndo o risco de se abancar: o abancamento tem como preço que, em lugar do Deus bondoso que ama as pessoas mais fracas, encontrarão um Deus severo, exigente, ameaçador. h) O castigo anunciado ao terceiro empregado (v. 30), assim como a atitude em geral do patrão deixam transparecer um senhor severo, impiedoso e rigoroso, nada simpático. Será que Deus é assim tão impiedoso e insensível? Ou será que era essa a imagem que Mateus ou as primeiras comunidades tinham de Deus? Ou, ainda pior, era essa, por acaso, a imagem que o próprio Jesus tinha de seu Pai? Como entender, então, as passagens que falam de Deus como Pai piedoso, bondoso, amoroso? i) Se esta imagem do Deus severo nos ajudar a entender que Deus em seu amor por nós não abriu mão do seu senhorio, então ela terá cumprido a sua missão: quem achar que pode manipular a seu belprazer a Deus por causa de seu amor não está entendendo bem a coisa. j) O anúncio primeiro dessa parábola e mensagem central do evangelho, no entanto, é outro: Vocês estão na situação dos empregados que estão recebendo os talentos, que ainda podem trabalhar com eles e, quando tiverem medo ou se enganarem, terão a seu lado este Deus que não se ausentou e não os deixou com os seus medos e suas angústias.
que forma enterramos os talentos hoje: procurando somente assegurar o que já temos, pensando somente em nós mesmos, seja como família, seja como comunidade, preocupando-nos exclusivamente com a nossa própria salvação, seja a física ou a eterna? Nós não precisamos ser iguais ao terceiro empregado: a) Quando erramos por ter medo, podemos levantar os olhos, pois Deus está do nosso lado; b) Quando tivermos medo de assumir riscos em favor do reino de Deus, em favor de sua primeira criação e de sua nova criação, a ele podemos pedir coragem, pois ele não é um senhor ausente. 4 Qual a diferença entre a situação do terceiro empregado e a nossa situação? Será que também não estamos ainda na situação dos dois primeiros empregados, pois ainda podemos agir diferente, multiplicando os talentos que Deus nos deu de acordo com a nossa capacidade? Quais serão esses talentos? Que meios possuímos para multiplicá-los? Será que só os estará multiplicando aquela pessoa que tiver um bom discurso? Há muitas pessoas que, de forma silenciosa, simplesmente vão dando testemunho do amor de Deus por toda a sua criação é esta aqui, a atual, a caída , cuidando de crianças, protegendo animais, protestando contra a destruição da natureza, visitando doentes e idosos, animando os abancados, consolando os entristecidos, clareando a visão do reino e da nova criação, engajando-se politicamente, colocando sinais da força e persistência da fé... Estas fazem, muitas vezes até meio sem ter tanta consciência, o que os dois primeiros empregados fizeram: puseram mãos à obra, sendo, assim, fiéis a seu senhor. 5 Em nossas comunidades certamente há muitos talentos enterrados , ou melhor, muitas capacidades para multiplicar os talentos recebidos de Deus. Como podemos des-cobri-los ? Como podemos, em conjunto, mobilizá-los? 6 Além da promessa de que seremos convidados a festejar com o Senhor, o texto contém outras promessas: a) Ao contrário do senhor da parábola, o Senhor que a nós entrega talentos continua presente, do nosso lado, ajudando-nos a levantar quando caímos, dando uns safanões quando nos abancamos, animando-nos quando ficamos com medo; b) Ele não nos entrega talentos além da nossa capacidade; recebemos somente a quantia que somos capazes de multiplicar; c) Ao contrário dos empregados da parábola, não precisamos nos virar sozinhos para multiplicar os talentos, mas podemos e devemos fazê-lo em comunidade, em companhia de muitos irmãos e irmãs e de pessoas que estão multiplicando fielmente talentos sem saber de quem os receberam.
2 Pistas para a prédica 1 Assim como o homem rico entrega a seus empregados os seus bens para que estes os administrem, assim como o evangelista Mateus tem em vista as primeiras comunidades cristãs, assim os primeiros endereçados da parábola dos talentos não são os outros, mas nós, não um grupo qualquer, mas a nossa comunidade. 2 Não é uma boa pedagogia fazer uso do último versículo, em que é anunciado o castigo do empregado medroso e inativo, pois, nos dias de hoje, as pessoas se sentem ameaçadas e têm medo de tantas coisas concretas (da violência, da doença, do desemprego, da falta de dinheiro, do abandono...), que essa ameaça lhes parecerá muito distante e, principalmente, porque esse versículo não traz a mensagem central da parábola dos talentos. 3 Como haverá da parte de muitos membros, possivelmente, uma identificação bem forte com o terceiro empregado, porque constantemente vivem situações parecidas, em que sentem medo, em que, em consideração à família, esquivam-se de riscos, em que precisam adivinhar o humor do patrão... é necessário falar sobre a relação entre a situação do terceiro empregado e a deles, é preciso falar sobre o medo. Do que nós temos medo? Da vida, do futuro, da violência, do desemprego? Estará nos levando esse medo a enterrar o talento recebido? De
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3 Subsídios litúrgicos Confissão de pecados: Senhor, sabemos que és severo e rigoroso e que a morte de teu filho não invalidou os mandamentos. Pelo contrário, por não nivelares certo e errado, para sustentar a tua justiça, teu filho teve que morrer. Perdoa-nos, se oportunamente confundimos a tua bondade com frouxidão e somos tentados a te manipular de acordo com as nossas idéias e interesses. Perdoa-nos, se não mais sabemos ver os fortes elos que ligam a tua primeira criação à nova criação e que esta se reflete naquela. Perdoa-nos, se não mais sabemos diferenciar entre o que promove as tuas criações, a primeira e a definitiva, e o que as acaba destruindo. Perdoa-nos, se temos, muitas vezes, medo em trabalhar com os teus talentos, se os enterramos, se não queremos assumir riscos para não nos expor diante de ti e das outras pessoas. Pedimos a tua presença em nosso meio para que possamos assumir os riscos necessários na multiplicação dos teus talentos. Amém! Oração de coleta: Agradecemos-te, Senhor, por nos entregares a quantia certa de talentos, de acordo com a nossa capacidade. Agradecemos-te também que não precisamos trabalhar sozinhos com os talentos que nos deste, mas que podemos fazê-lo em comunidade, na comunhão de outras pessoas. Amém!
PENÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
Abençoe a nossa sociedade, os grupos que a compõem, os líderes na economia e na política, para que ela seja um local em que haja trabalho para todas as pessoas e reinem a paz e a justiça. A sociedade é a nossa família e comunidade ampliadas, por isso temos co-responsabilidade por ela. Cremos que tu tens o poder de renovar o que se desgastou, de reconciliar o que está rompido, de achar o que está perdido, de perdoar o que está errado, de criar justiça onde há injustiça, de dar nova vida ao que está morto. Por isso te pedimos. Atenda a nossa oração! Amém. Bênção: Tu, que estás acima, abençoe-nos! Tu, que estás abaixo de nós, carregue-nos! Tu, que estás ao nosso lado, fortifique-nos! Tu, que estás à nossa frente, guie-nos!
Bibliografia GRUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Matthäus, in: Theol. Handkommentar zum Neuen Testament, 6. ed., Berlin, 1986. KLIEWER, Gerd Uwe. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: VAN KAICK, Baldur (Coord.). Proclamar Libertação, v. II, p. 233-240. São Leopoldo, 1977. FERREIRA, Edson Saes. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: KIRST, Nelson, MALSCHITZKY, Harald e SCHWANTES, Milton (Coord.). Proclamar Libertação, v. X, pp. 395-400, São Leopoldo, 1984. KILPP, Nelson. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: STRECK, E. Edson e KILPP, Nelson (Coord.). Proclamar Libertação, v. XVIII, pp. 272-274, São Leopoldo, 1992.
Oração de intercessão: Bondoso Deus, agradecemos-te por nos convocares para trabalhar com os teus talentos, multiplicando o amor, a justiça, a bondade, a graça e fidelidade tuas através do anúncio de tuas promessas, da vivência do teu evangelho e sacramentos. Auxilia-nos a viver como irmãos e irmãs, a cuidar de crianças, a proteger animais, a protestar contra a destruição da natureza, a visitar doentes e idosos, a animar os abancados, a consolar os entristecidos, a clarear a visão do reino e da nova criação, a nos engajar politicamente, a colocar sinais da força e persistência da fé. Abençoe os nossos lares, as pessoas idosas, as crianças, os jovens, os casais, porque não está fácil para sobreviver e manter a família unida. Queremos reconciliarnos, quando diferenças e brigas nos separam na família. Queremos incluir as pessoas amadas por ti, independente de cor, religião, sexo e idade, orientando-nos somente pela necessidade que elas têm. Abençoe as nossas comunidades, os seus membros, os presbíteros e presbíteras, dirigentes e animadoras de grupos, para que elas sejam um local em que encontramos a nossa identidade, não para excluir as pessoas que são diferentes, mas aceitá-las com sua história e tradição e em seu jeito de ser. Dá-nos uma identidade aberta.
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3 Subsídios litúrgicos Confissão de pecados: Senhor, sabemos que és severo e rigoroso e que a morte de teu filho não invalidou os mandamentos. Pelo contrário, por não nivelares certo e errado, para sustentar a tua justiça, teu filho teve que morrer. Perdoa-nos, se oportunamente confundimos a tua bondade com frouxidão e somos tentados a te manipular de acordo com as nossas idéias e interesses. Perdoa-nos, se não mais sabemos ver os fortes elos que ligam a tua primeira criação à nova criação e que esta se reflete naquela. Perdoa-nos, se não mais sabemos diferenciar entre o que promove as tuas criações, a primeira e a definitiva, e o que as acaba destruindo. Perdoa-nos, se temos, muitas vezes, medo em trabalhar com os teus talentos, se os enterramos, se não queremos assumir riscos para não nos expor diante de ti e das outras pessoas. Pedimos a tua presença em nosso meio para que possamos assumir os riscos necessários na multiplicação dos teus talentos. Amém! Oração de coleta: Agradecemos-te, Senhor, por nos entregares a quantia certa de talentos, de acordo com a nossa capacidade. Agradecemos-te também que não precisamos trabalhar sozinhos com os talentos que nos deste, mas que podemos fazê-lo em comunidade, na comunhão de outras pessoas. Amém!
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Abençoe a nossa sociedade, os grupos que a compõem, os líderes na economia e na política, para que ela seja um local em que haja trabalho para todas as pessoas e reinem a paz e a justiça. A sociedade é a nossa família e comunidade ampliadas, por isso temos co-responsabilidade por ela. Cremos que tu tens o poder de renovar o que se desgastou, de reconciliar o que está rompido, de achar o que está perdido, de perdoar o que está errado, de criar justiça onde há injustiça, de dar nova vida ao que está morto. Por isso te pedimos. Atenda a nossa oração! Amém. Bênção: Tu, que estás acima, abençoe-nos! Tu, que estás abaixo de nós, carregue-nos! Tu, que estás ao nosso lado, fortifique-nos! Tu, que estás à nossa frente, guie-nos!
Bibliografia GRUNDMANN, Walter. Das Evangelium nach Matthäus, in: Theol. Handkommentar zum Neuen Testament, 6. ed., Berlin, 1986. KLIEWER, Gerd Uwe. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: VAN KAICK, Baldur (Coord.). Proclamar Libertação, v. II, p. 233-240. São Leopoldo, 1977. FERREIRA, Edson Saes. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: KIRST, Nelson, MALSCHITZKY, Harald e SCHWANTES, Milton (Coord.). Proclamar Libertação, v. X, pp. 395-400, São Leopoldo, 1984. KILPP, Nelson. Meditação sobre Mt 25.14-30. In: STRECK, E. Edson e KILPP, Nelson (Coord.). Proclamar Libertação, v. XVIII, pp. 272-274, São Leopoldo, 1992.
Oração de intercessão: Bondoso Deus, agradecemos-te por nos convocares para trabalhar com os teus talentos, multiplicando o amor, a justiça, a bondade, a graça e fidelidade tuas através do anúncio de tuas promessas, da vivência do teu evangelho e sacramentos. Auxilia-nos a viver como irmãos e irmãs, a cuidar de crianças, a proteger animais, a protestar contra a destruição da natureza, a visitar doentes e idosos, a animar os abancados, a consolar os entristecidos, a clarear a visão do reino e da nova criação, a nos engajar politicamente, a colocar sinais da força e persistência da fé. Abençoe os nossos lares, as pessoas idosas, as crianças, os jovens, os casais, porque não está fácil para sobreviver e manter a família unida. Queremos reconciliarnos, quando diferenças e brigas nos separam na família. Queremos incluir as pessoas amadas por ti, independente de cor, religião, sexo e idade, orientando-nos somente pela necessidade que elas têm. Abençoe as nossas comunidades, os seus membros, os presbíteros e presbíteras, dirigentes e animadoras de grupos, para que elas sejam um local em que encontramos a nossa identidade, não para excluir as pessoas que são diferentes, mas aceitá-las com sua história e tradição e em seu jeito de ser. Dá-nos uma identidade aberta.
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ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
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20 Nov 2005
A perícope que se estende entre os v. 20-28 está vinculada com todo o conteúdo do capítulo 15 de 1 Coríntios. Ou seja, precisa ser lida e compreendida no horizonte de um contexto mais abrangente e que está subdividido em blocos de ênfases distintas! Mas o v. 20 por si só já nos situa no núcleo da polêmica e do debate! O apóstolo Paulo anuncia e declara o que considera uma verdade fundamental da doutrina e da fé cristãs: ele ratifica o ensino acerca da ressurreição de Cristo dentre os mortos. E essa verdade é apresentada como o fundamento a garantia da ressurreição dentre os mortos
daqueles que estão unidos com Cristo. Entendo, como Martin Dreher (PL XVIII, p. 280-281), que, para Paulo, a ressurreição tem um significado soteriológico: para os que crêem (v. 23) a ressurreição significará salvação e vida eterna. Paulo contesta a afirmação de algumas pessoas entre a comunidade que se reunia em Corinto de que não haveria ressurreição de mortos. Toda a idéia da crença cristã na ressurreição dos mortos era negada por uma parcela da comunidade (15.12) (Kümmel, p. 351). E Paulo aponta para Cristo como aquele que deu início a essa esperança! O ponto de partida do texto, portanto, é expressão vigorosa de uma convicção! Isto certamente tem relevância para a meditação e para a pregação. Para ajudar os cristãos de Corinto a entenderem o que está afirmando, Paulo lança mão de uma comparação entre o que se realizou para a humanidade por meio de Adão e de Cristo: se por intermédio do primeiro a morte passou a se manifestar e se tornou realidade para a criação, por meio do segundo abriu-se a possibilidade da superação da morte mediante a ressurreição, passou a existir a possibilidade de vitória sobre a morte (v. 21-22). Essa abordagem e explicação são ampliadas no contexto posterior, na continuação do capítulo: 15.45,47-49,57. É de pressupor que essa comparação e contraposição de papéis e funções entre Adão (queda, velha criação) e Cristo (superação da queda, nova criação) já estavam presentes em outras pregações de Paulo também entre os coríntios. Dessa forma Paulo pretendia facilitar a compreensão do significado da ressurreição de Cristo. Com esse paralelo ele apresenta eventos distintos em termos temporais e de conteúdo como chaves comparativas e hermenêuticas. Se no v. 20 Paulo havia falado de Cristo como sendo as primícias dos que dormem , nos v. 23-24 ele retoma esse aspecto da ordem (seqüência), ampliando-o e incluindo a dimensão do fim de todas as coisas. Paulo enfatiza que, em primeiro lugar, Cristo ressuscitou. Portanto, a ressurreição de Cristo é a referência sobre a qual se pode construir a esperança da ressurreição dos que a ele pertencem, em segundo lugar. Subentende-se o questionamento de Paulo: a ressurreição de Cristo não teria sentido se não implicasse a possibilidade da ressurreição para quem nele crê (isto está formulado de forma precisa em 15.16-19). Porém, como diz Paulo, a ressurreição dos mortos se dará na sua vinda. Com isso um novo tema é trazido à tona: a parusia, a esperança do retorno de Cristo como plenificação do reino. Finalmente, como terceiro ponto nessa ordem sucederá o fim! Este fim é descrito como a vitória sobre todas as formas de poder e a entrega do reino a Deus: fim como reinício em novas bases. Embora exista uma vinculação clara entre o v. 24 e o v. 25, o v. 25 inicia uma nova abordagem temática na qual se passa a discorrer a respeito da relação do reinado de Cristo com o poder que lhe foi outorgado por Deus mesmo. Ou seja, o reinado de Cristo se estenderá até que todos os inimigos lhe sejam submissos, sendo que a morte é o último inimigo a ser destruído,
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EZEQUIEL 34.11-16,23-24 MATEUS 25.31-46
PRÉDICA: 1 CORÍNTIOS 15.20-28 Mauro Schwalm
1 Introdução Esta é a sétima vez que o texto de 1Co 15.20-28 está sendo objeto de estudo em PL, sendo que cinco vezes para o domingo da Páscoa e duas vezes para o último domingo do Ano Eclesiástico, incluindo este auxílio de PL XXX. Isto significa que há um farto material acerca do mesmo na coleção de PL. Trata-se de um texto de conteúdo doutrinário-teológico. Se, por um lado, é basilar como ponto de referência para a fundamentação de aspectos essenciais aos ensinamentos da fé cristã, por outro, exige especial atenção com vistas à pregação. Inegavelmente é um texto mais denso, que exigirá mais reflexão e compenetração dos ouvintes e dedicação do/da pregador/a para comunicar adequadamente essa sua densidade. O texto oferece oportunidade para instruir e orientar a comunidade acerca de um tema que não tem muito espaço em nosso cotidiano imediatista e marcado pelo pragmatismo, que só valoriza o que se mostra útil aqui e agora. Certamente é preciso proclamar libertação de uma visão espiritualizante e transcendente da fé. Mas o texto em questão oferece a oportunidade de proclamar libertação do vazio de sentido com base numa esperança que faz olhar para o reino de Deus e para a vida a partir dele. O conjunto dos textos do dia colabora para essa ênfase.
2 Apresentação do texto e observações exegéticas
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
20 Nov 2005
A perícope que se estende entre os v. 20-28 está vinculada com todo o conteúdo do capítulo 15 de 1 Coríntios. Ou seja, precisa ser lida e compreendida no horizonte de um contexto mais abrangente e que está subdividido em blocos de ênfases distintas! Mas o v. 20 por si só já nos situa no núcleo da polêmica e do debate! O apóstolo Paulo anuncia e declara o que considera uma verdade fundamental da doutrina e da fé cristãs: ele ratifica o ensino acerca da ressurreição de Cristo dentre os mortos. E essa verdade é apresentada como o fundamento a garantia da ressurreição dentre os mortos
daqueles que estão unidos com Cristo. Entendo, como Martin Dreher (PL XVIII, p. 280-281), que, para Paulo, a ressurreição tem um significado soteriológico: para os que crêem (v. 23) a ressurreição significará salvação e vida eterna. Paulo contesta a afirmação de algumas pessoas entre a comunidade que se reunia em Corinto de que não haveria ressurreição de mortos. Toda a idéia da crença cristã na ressurreição dos mortos era negada por uma parcela da comunidade (15.12) (Kümmel, p. 351). E Paulo aponta para Cristo como aquele que deu início a essa esperança! O ponto de partida do texto, portanto, é expressão vigorosa de uma convicção! Isto certamente tem relevância para a meditação e para a pregação. Para ajudar os cristãos de Corinto a entenderem o que está afirmando, Paulo lança mão de uma comparação entre o que se realizou para a humanidade por meio de Adão e de Cristo: se por intermédio do primeiro a morte passou a se manifestar e se tornou realidade para a criação, por meio do segundo abriu-se a possibilidade da superação da morte mediante a ressurreição, passou a existir a possibilidade de vitória sobre a morte (v. 21-22). Essa abordagem e explicação são ampliadas no contexto posterior, na continuação do capítulo: 15.45,47-49,57. É de pressupor que essa comparação e contraposição de papéis e funções entre Adão (queda, velha criação) e Cristo (superação da queda, nova criação) já estavam presentes em outras pregações de Paulo também entre os coríntios. Dessa forma Paulo pretendia facilitar a compreensão do significado da ressurreição de Cristo. Com esse paralelo ele apresenta eventos distintos em termos temporais e de conteúdo como chaves comparativas e hermenêuticas. Se no v. 20 Paulo havia falado de Cristo como sendo as primícias dos que dormem , nos v. 23-24 ele retoma esse aspecto da ordem (seqüência), ampliando-o e incluindo a dimensão do fim de todas as coisas. Paulo enfatiza que, em primeiro lugar, Cristo ressuscitou. Portanto, a ressurreição de Cristo é a referência sobre a qual se pode construir a esperança da ressurreição dos que a ele pertencem, em segundo lugar. Subentende-se o questionamento de Paulo: a ressurreição de Cristo não teria sentido se não implicasse a possibilidade da ressurreição para quem nele crê (isto está formulado de forma precisa em 15.16-19). Porém, como diz Paulo, a ressurreição dos mortos se dará na sua vinda. Com isso um novo tema é trazido à tona: a parusia, a esperança do retorno de Cristo como plenificação do reino. Finalmente, como terceiro ponto nessa ordem sucederá o fim! Este fim é descrito como a vitória sobre todas as formas de poder e a entrega do reino a Deus: fim como reinício em novas bases. Embora exista uma vinculação clara entre o v. 24 e o v. 25, o v. 25 inicia uma nova abordagem temática na qual se passa a discorrer a respeito da relação do reinado de Cristo com o poder que lhe foi outorgado por Deus mesmo. Ou seja, o reinado de Cristo se estenderá até que todos os inimigos lhe sejam submissos, sendo que a morte é o último inimigo a ser destruído,
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EZEQUIEL 34.11-16,23-24 MATEUS 25.31-46
PRÉDICA: 1 CORÍNTIOS 15.20-28 Mauro Schwalm
1 Introdução Esta é a sétima vez que o texto de 1Co 15.20-28 está sendo objeto de estudo em PL, sendo que cinco vezes para o domingo da Páscoa e duas vezes para o último domingo do Ano Eclesiástico, incluindo este auxílio de PL XXX. Isto significa que há um farto material acerca do mesmo na coleção de PL. Trata-se de um texto de conteúdo doutrinário-teológico. Se, por um lado, é basilar como ponto de referência para a fundamentação de aspectos essenciais aos ensinamentos da fé cristã, por outro, exige especial atenção com vistas à pregação. Inegavelmente é um texto mais denso, que exigirá mais reflexão e compenetração dos ouvintes e dedicação do/da pregador/a para comunicar adequadamente essa sua densidade. O texto oferece oportunidade para instruir e orientar a comunidade acerca de um tema que não tem muito espaço em nosso cotidiano imediatista e marcado pelo pragmatismo, que só valoriza o que se mostra útil aqui e agora. Certamente é preciso proclamar libertação de uma visão espiritualizante e transcendente da fé. Mas o texto em questão oferece a oportunidade de proclamar libertação do vazio de sentido com base numa esperança que faz olhar para o reino de Deus e para a vida a partir dele. O conjunto dos textos do dia colabora para essa ênfase.
2 Apresentação do texto e observações exegéticas
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
cujo poder se manifestará até o momento derradeiro antes do fim (apesar de Cristo já a ter vencido mediante a sua ressurreição). Mas Paulo faz questão de ressalvar que essa submissão não inclui o poder de Deus, que, na verdade, é a origem do poder de Cristo. Retoma-se aqui a idéia de ordem: Deus colocou Cristo como aquele que tem poder sobre tudo e todos, mas que está ele mesmo submisso à majestade de Deus. No fim de todas as coisas, o próprio Cristo se sujeitará a Deus e terá sua posição incorporada definitivamente na comunhão divina. De acordo com Heinz Dietrich Wendland, Paulo trata dos aspectos finais da história, de sua plenitude, tendo a ressurreição de Cristo como fundamento de suas convicções! Contra certo entusiasmo carismático Paulo procura resgatar a necessidade de uma compreensão sóbria para a tensão que há entre o que é realidade (já) e o que é promessa (ainda não). Ignorar essa tensão seria deixar-se iludir. Ou seja, entre os coríntios havia um segmento de pessoas que não entendia a ressurreição em termos escatológicos, futuros, mas apenas presentes: Para os coríntios Cristo nada mais significa do que o início [primícia] da sua própria ressurreição (Wendland, 127). Para Paulo, a ressurreição dentre os mortos e a plenificação do mandato messiânico de Cristo são esperanças, ainda não realidades consumadas. Paulo precisava colocar ênfase na ordem das coisas, pois a herança gnóstica dos coríntios os impedia de entender a situação de oposição vivenciada pela comunidade: apesar da ressurreição de Cristo, o poder dos inimigos de Deus e de sua palavra ainda se faz sentir e se manifesta. O final da história, a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, ainda está por ocorrer, pois a salvação ainda não é posse definitiva (Wendland, 128-129). Ao negarem a ressurreição [no final dos tempos], estavam negando a vitória final de Cristo. Eliminar a perspectiva desse futuro é tirar o sentido presente [atual] da existência bem como da fé da comunidade (Wendland, 129). De acordo com o pensamento de Paulo, o final de todas as coisas, o final da história, não é a absorção de tudo por parte de Deus, como se tudo se fundisse num nada cósmico, mas sim o estabelecimento da comunidade plena de Deus de todas as coisas, de acordo com a sua vontade e seu querer na fundação de um novo mundo. O evento definitivo da plenitude do tempo, que tem seu início com a ressurreição de Cristo, tem seu sentido justamente na superação da divisão entre tempo e eternidade, história e suprahistória, mundo e reino de Deus (Wendland, 130).
na presença de Jesus Cristo, no qual se evidenciará a diferença entre seus seguidores em palavra e obra e aqueles que enganaram a si mesmos. Este também é o tema do último domingo do Ano Eclesiástico: apontar para o Cristo que será colocado por Deus acima de todas as coisas e lembrar de nossa esperança escatológica. Embora a parte do capítulo 15 de 1 Coríntios, que serve à pregação neste domingo, não aborde a questão prático-ética e se restrinja mais à questão doutrinário-teológica, convém lembrar que na continuação do capítulo 15, v. 32-34, Paulo aponta para o imperativo ético: crer na ressurreição precisa mobilizar o cristão a desejar mais do que satisfazer o próprio estômago! Portanto o evangelho do dia resgata essa dimensão fundamental da fé e da esperança que leva a uma forma de condução da vida concretizada no servir. 1 Coríntios lembra que a fé na ressurreição dentre os mortos é a âncora que dá estabilidade desde agora até o fim de todas as coisas e o encontro definitivo com Jesus Cristo. Mateus 25 lembra do amor solidário! Ambas as dimensões não podem ser separadas. Já Ez 34.11-16,23-24 é um texto por excelência de anúncio de graça e misericórdia. Proclama a vontade de Deus em reunir seu povo de todos os cantos do mundo para dar-lhes o que precisam. Também este é um tema importante do domingo. Nossa esperança consiste em que o reino de Deus se concretize entre nós. E o desejo de Deus é conceder a seu povo um lugar em que possa viver plena e intensamente, assim como ele desde o princípio planejou. Obviamente, o contexto específico das palavras de Ezequiel não pode ser ignorado. Mas certamente convém proclamar no dia de Cristo Rei que Deus buscará seus filhos e filhas de todos os lugares para a realidade do seu reino. Reino do qual também Paulo falou aos coríntios: Para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15. 28).
4 Meditação com vistas à pregação
Os textos do dia permitem uma relação muito estreita com o texto da pregação. Partindo do princípio de que o evangelho determina o tema do domingo, Mt 25. 31-46 deixa-o muito claro: haverá um grande julgamento
Penso que são três os principais temas deste texto de 1 Coríntios com vistas à pregação. Três temas que precisam ser amarrados entre si, pois estão no horizonte da esperança cristã, além de estar intrinsecamente unidos com o motivo litúrgico do dia. O primeiro deles obviamente é o tema da ressurreição. O segundo é o tema do fim de todas as coisas, da plenitude do reino de Deus. E o terceiro, a lembrança de que Deus quer ser tudo em todos. O tema da ressurreição apresenta-se como lastro doutrinário, como luz que ilumina o caminho. É impossível separar a esperança por ressurreição da esperança por vida eterna. Nesta fé se dividem águas. E crer ou não na ressurreição tem implicações distintas tanto para a vida eterna como para a vida presente (o evangelho do dia que o diga!). Se a minha ressurreição já fosse posse, não haveria necessidade de comprometimento ético; não
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3 As leituras do dia em relação com o texto da pregação
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
cujo poder se manifestará até o momento derradeiro antes do fim (apesar de Cristo já a ter vencido mediante a sua ressurreição). Mas Paulo faz questão de ressalvar que essa submissão não inclui o poder de Deus, que, na verdade, é a origem do poder de Cristo. Retoma-se aqui a idéia de ordem: Deus colocou Cristo como aquele que tem poder sobre tudo e todos, mas que está ele mesmo submisso à majestade de Deus. No fim de todas as coisas, o próprio Cristo se sujeitará a Deus e terá sua posição incorporada definitivamente na comunhão divina. De acordo com Heinz Dietrich Wendland, Paulo trata dos aspectos finais da história, de sua plenitude, tendo a ressurreição de Cristo como fundamento de suas convicções! Contra certo entusiasmo carismático Paulo procura resgatar a necessidade de uma compreensão sóbria para a tensão que há entre o que é realidade (já) e o que é promessa (ainda não). Ignorar essa tensão seria deixar-se iludir. Ou seja, entre os coríntios havia um segmento de pessoas que não entendia a ressurreição em termos escatológicos, futuros, mas apenas presentes: Para os coríntios Cristo nada mais significa do que o início [primícia] da sua própria ressurreição (Wendland, 127). Para Paulo, a ressurreição dentre os mortos e a plenificação do mandato messiânico de Cristo são esperanças, ainda não realidades consumadas. Paulo precisava colocar ênfase na ordem das coisas, pois a herança gnóstica dos coríntios os impedia de entender a situação de oposição vivenciada pela comunidade: apesar da ressurreição de Cristo, o poder dos inimigos de Deus e de sua palavra ainda se faz sentir e se manifesta. O final da história, a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, ainda está por ocorrer, pois a salvação ainda não é posse definitiva (Wendland, 128-129). Ao negarem a ressurreição [no final dos tempos], estavam negando a vitória final de Cristo. Eliminar a perspectiva desse futuro é tirar o sentido presente [atual] da existência bem como da fé da comunidade (Wendland, 129). De acordo com o pensamento de Paulo, o final de todas as coisas, o final da história, não é a absorção de tudo por parte de Deus, como se tudo se fundisse num nada cósmico, mas sim o estabelecimento da comunidade plena de Deus de todas as coisas, de acordo com a sua vontade e seu querer na fundação de um novo mundo. O evento definitivo da plenitude do tempo, que tem seu início com a ressurreição de Cristo, tem seu sentido justamente na superação da divisão entre tempo e eternidade, história e suprahistória, mundo e reino de Deus (Wendland, 130).
na presença de Jesus Cristo, no qual se evidenciará a diferença entre seus seguidores em palavra e obra e aqueles que enganaram a si mesmos. Este também é o tema do último domingo do Ano Eclesiástico: apontar para o Cristo que será colocado por Deus acima de todas as coisas e lembrar de nossa esperança escatológica. Embora a parte do capítulo 15 de 1 Coríntios, que serve à pregação neste domingo, não aborde a questão prático-ética e se restrinja mais à questão doutrinário-teológica, convém lembrar que na continuação do capítulo 15, v. 32-34, Paulo aponta para o imperativo ético: crer na ressurreição precisa mobilizar o cristão a desejar mais do que satisfazer o próprio estômago! Portanto o evangelho do dia resgata essa dimensão fundamental da fé e da esperança que leva a uma forma de condução da vida concretizada no servir. 1 Coríntios lembra que a fé na ressurreição dentre os mortos é a âncora que dá estabilidade desde agora até o fim de todas as coisas e o encontro definitivo com Jesus Cristo. Mateus 25 lembra do amor solidário! Ambas as dimensões não podem ser separadas. Já Ez 34.11-16,23-24 é um texto por excelência de anúncio de graça e misericórdia. Proclama a vontade de Deus em reunir seu povo de todos os cantos do mundo para dar-lhes o que precisam. Também este é um tema importante do domingo. Nossa esperança consiste em que o reino de Deus se concretize entre nós. E o desejo de Deus é conceder a seu povo um lugar em que possa viver plena e intensamente, assim como ele desde o princípio planejou. Obviamente, o contexto específico das palavras de Ezequiel não pode ser ignorado. Mas certamente convém proclamar no dia de Cristo Rei que Deus buscará seus filhos e filhas de todos os lugares para a realidade do seu reino. Reino do qual também Paulo falou aos coríntios: Para que Deus seja tudo em todos (1 Co 15. 28).
4 Meditação com vistas à pregação
Os textos do dia permitem uma relação muito estreita com o texto da pregação. Partindo do princípio de que o evangelho determina o tema do domingo, Mt 25. 31-46 deixa-o muito claro: haverá um grande julgamento
Penso que são três os principais temas deste texto de 1 Coríntios com vistas à pregação. Três temas que precisam ser amarrados entre si, pois estão no horizonte da esperança cristã, além de estar intrinsecamente unidos com o motivo litúrgico do dia. O primeiro deles obviamente é o tema da ressurreição. O segundo é o tema do fim de todas as coisas, da plenitude do reino de Deus. E o terceiro, a lembrança de que Deus quer ser tudo em todos. O tema da ressurreição apresenta-se como lastro doutrinário, como luz que ilumina o caminho. É impossível separar a esperança por ressurreição da esperança por vida eterna. Nesta fé se dividem águas. E crer ou não na ressurreição tem implicações distintas tanto para a vida eterna como para a vida presente (o evangelho do dia que o diga!). Se a minha ressurreição já fosse posse, não haveria necessidade de comprometimento ético; não
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3 As leituras do dia em relação com o texto da pregação
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
haveria necessidade de arrependimento e perdão; não haveria necessidade de amor ou serviço. E se eu não contasse com a ressurreição no futuro, a vida perderia seu sentido e sua razão de ser. Portanto, a esperança pela ressurreição coloca-me no devido lugar: na dependência do criador. Se ela ainda não é minha posse, preciso, dependo do amor e da misericórdia de Deus. Se ela ainda não é minha posse, preciso avaliar regularmente a minha vida e reorientá-la a partir do evangelho. Mas simultaneamente sou animado a não desesperar, pois a primícia que foi a ressurreição de Cristo me faz crer que o tempo presente e os sofrimentos que gera (e que eu gero no presente!) serão vencidos. Estabelece-se uma tensão da qual não é possível fugir. Imagino o tema da ressurreição como a motivação que leva o cristão a caminhar, a mover-se entre certezas e inseguranças. Imagine uma pessoa atravessando um túnel longo e escuro. O que a move, apesar da possível insegurança? A esperança de que, se continuar caminhando (e só se continuar caminhando!), chegará ao outro extremo. E o caminhar não é mérito seu. É resposta ao chamado! O último domingo do Ano Eclesiástico também é conhecido como domingo de Cristo Rei. Em outras palavras, o domingo que encerra a jornada litúrgica do povo de Deus faz pensar acerca de como será no extremo final do túnel (para ficarmos nessa ilustração). No final estará a plenitude do reino de Deus. Não é justamente isto que incansavelmente suplicamos nas palavras do Pai-nosso: Venha a nós o teu reino ? Reino no qual definitivamente se fará a sua vontade! Vontade que está expressamente manifesta nas inúmeras parábolas de Jesus Cristo, em suas manifestações de poder e cura, em seu acolhimento e aceitação das pessoas independentemente de seu status, gênero, idade, etnia; em sua disposição de perdoar e em sua disposição de proclamar libertação aos cativos... A esperança pela ressurreição guia-me por um caminho em cujo desfecho aguardo a vitória do poder amoroso de Deus revelado em Cristo sobre todos os poderes que se lhe opõem. O que espero que se realize no final se torna inspiração para a forma como vou vivendo... Corresponder à proposta de Deus não pode ser atitude apenas para depois de chegar ao extremo final do túnel. É atitude para a caminhada! Aí está novamente o evangelho do dia, que evidencia diferentes formas de caminhar, nem sempre conscientes... Impossível de separar disso é a afirmação paulina de que Deus quer ser tudo em todos. Talvez aqui o texto da leitura de Ezequiel se aproxime melhor: Deus deseja reunir os seus debaixo dos seus cuidados, deseja oferecerlhes campo vasto no qual se sintam incluídos e protegidos. O propósito de Deus para com seu povo é propósito de unidade, de integridade, de restauração. Se eu olho para o futuro de Deus, para o seu povo como um futuro de vida plena e abundante, como um futuro de superação de poderes e forças que se opõem à vida; como um futuro de inclusão comunitária no horizonte da comunhão de Deus e com Deus, então isso implica necessariamente duas
formas de vivência da esperança: a) esperança vivenciada interiormente (pessoal, comunitária, celebrativa, intransferível), que sustenta contra todas as aparências e forças opositoras; e b) esperança vivenciada concretamente como antecipação, ou seja, como tentativa incansável de corresponder ao futuro almejado e desejado. O conjunto desses três temas lembra que vivemos alimentados e movidos por um futuro que não nos deixa sucumbir. Que nos mobiliza na busca da concretização daquilo pelo que ansiamos! Penso que os passos desta meditação podem servir de base para a pregação!
Sugestão de hinos do Hinos do Povo de Deus: 161; 165; 176; 184; 200; 432; 439; 441. Sugestão de temas para a confissão de pecados: confessar que nossas ações e omissões são fontes de muitos males e muitas dores causados a nossos semelhantes e à criação; confessar que nosso testemunho é vacilante; confessar que já não conseguimos mais crer e confiar que o reino de Deus será implantado de forma definitiva e que isso inibe nossa ação em favor da paz e da justiça; pedir perdão por nossa incapacidade em perceber os sofrimentos alheios que existem à nossa volta; pedir perdão pela tendência com que separamos a fé no futuro de Deus da necessidade do amor solidário no presente. Sugestão para o anúncio da graça: O Senhor, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele (2Cr 30.9). Sugestão de palavra bíblica após o kyrie: Cristo destruirá todos os governos espirituais, todas as autoridades e poderes e entregará o reino a Deus, o Pai (1Co 15.24). Por causa dessa esperança, cantemos glória a Deus nas maiores alturas! Sugestão de temas para a oração do dia: agradecer pelo dom da ressurreição manifesto em Jesus Cristo; agradecer pela esperança que podemos ter em nossa própria ressurreição; pedir que se cumpra a vontade de Deus e que o seu reino se concretize por intermédio de Jesus Cristo. Que a esperança da concretização do seu reino nos leve a agir contra tudo o que destrói a vida! Sugestão para o envio: Cristo ressuscitou! Vão e vivam como gente que espera pela ressurreição! Deus nos promete a plenitude do seu reino! Vão e creiam nesta promessa. Que ela conduza os seus passos, suas palavras, seus atos.
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5 Celebração
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
haveria necessidade de arrependimento e perdão; não haveria necessidade de amor ou serviço. E se eu não contasse com a ressurreição no futuro, a vida perderia seu sentido e sua razão de ser. Portanto, a esperança pela ressurreição coloca-me no devido lugar: na dependência do criador. Se ela ainda não é minha posse, preciso, dependo do amor e da misericórdia de Deus. Se ela ainda não é minha posse, preciso avaliar regularmente a minha vida e reorientá-la a partir do evangelho. Mas simultaneamente sou animado a não desesperar, pois a primícia que foi a ressurreição de Cristo me faz crer que o tempo presente e os sofrimentos que gera (e que eu gero no presente!) serão vencidos. Estabelece-se uma tensão da qual não é possível fugir. Imagino o tema da ressurreição como a motivação que leva o cristão a caminhar, a mover-se entre certezas e inseguranças. Imagine uma pessoa atravessando um túnel longo e escuro. O que a move, apesar da possível insegurança? A esperança de que, se continuar caminhando (e só se continuar caminhando!), chegará ao outro extremo. E o caminhar não é mérito seu. É resposta ao chamado! O último domingo do Ano Eclesiástico também é conhecido como domingo de Cristo Rei. Em outras palavras, o domingo que encerra a jornada litúrgica do povo de Deus faz pensar acerca de como será no extremo final do túnel (para ficarmos nessa ilustração). No final estará a plenitude do reino de Deus. Não é justamente isto que incansavelmente suplicamos nas palavras do Pai-nosso: Venha a nós o teu reino ? Reino no qual definitivamente se fará a sua vontade! Vontade que está expressamente manifesta nas inúmeras parábolas de Jesus Cristo, em suas manifestações de poder e cura, em seu acolhimento e aceitação das pessoas independentemente de seu status, gênero, idade, etnia; em sua disposição de perdoar e em sua disposição de proclamar libertação aos cativos... A esperança pela ressurreição guia-me por um caminho em cujo desfecho aguardo a vitória do poder amoroso de Deus revelado em Cristo sobre todos os poderes que se lhe opõem. O que espero que se realize no final se torna inspiração para a forma como vou vivendo... Corresponder à proposta de Deus não pode ser atitude apenas para depois de chegar ao extremo final do túnel. É atitude para a caminhada! Aí está novamente o evangelho do dia, que evidencia diferentes formas de caminhar, nem sempre conscientes... Impossível de separar disso é a afirmação paulina de que Deus quer ser tudo em todos. Talvez aqui o texto da leitura de Ezequiel se aproxime melhor: Deus deseja reunir os seus debaixo dos seus cuidados, deseja oferecerlhes campo vasto no qual se sintam incluídos e protegidos. O propósito de Deus para com seu povo é propósito de unidade, de integridade, de restauração. Se eu olho para o futuro de Deus, para o seu povo como um futuro de vida plena e abundante, como um futuro de superação de poderes e forças que se opõem à vida; como um futuro de inclusão comunitária no horizonte da comunhão de Deus e com Deus, então isso implica necessariamente duas
formas de vivência da esperança: a) esperança vivenciada interiormente (pessoal, comunitária, celebrativa, intransferível), que sustenta contra todas as aparências e forças opositoras; e b) esperança vivenciada concretamente como antecipação, ou seja, como tentativa incansável de corresponder ao futuro almejado e desejado. O conjunto desses três temas lembra que vivemos alimentados e movidos por um futuro que não nos deixa sucumbir. Que nos mobiliza na busca da concretização daquilo pelo que ansiamos! Penso que os passos desta meditação podem servir de base para a pregação!
Sugestão de hinos do Hinos do Povo de Deus: 161; 165; 176; 184; 200; 432; 439; 441. Sugestão de temas para a confissão de pecados: confessar que nossas ações e omissões são fontes de muitos males e muitas dores causados a nossos semelhantes e à criação; confessar que nosso testemunho é vacilante; confessar que já não conseguimos mais crer e confiar que o reino de Deus será implantado de forma definitiva e que isso inibe nossa ação em favor da paz e da justiça; pedir perdão por nossa incapacidade em perceber os sofrimentos alheios que existem à nossa volta; pedir perdão pela tendência com que separamos a fé no futuro de Deus da necessidade do amor solidário no presente. Sugestão para o anúncio da graça: O Senhor, vosso Deus, é misericordioso e compassivo e não desviará de vós o rosto, se vos converterdes a ele (2Cr 30.9). Sugestão de palavra bíblica após o kyrie: Cristo destruirá todos os governos espirituais, todas as autoridades e poderes e entregará o reino a Deus, o Pai (1Co 15.24). Por causa dessa esperança, cantemos glória a Deus nas maiores alturas! Sugestão de temas para a oração do dia: agradecer pelo dom da ressurreição manifesto em Jesus Cristo; agradecer pela esperança que podemos ter em nossa própria ressurreição; pedir que se cumpra a vontade de Deus e que o seu reino se concretize por intermédio de Jesus Cristo. Que a esperança da concretização do seu reino nos leve a agir contra tudo o que destrói a vida! Sugestão para o envio: Cristo ressuscitou! Vão e vivam como gente que espera pela ressurreição! Deus nos promete a plenitude do seu reino! Vão e creiam nesta promessa. Que ela conduza os seus passos, suas palavras, seus atos.
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5 Celebração
ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
Deus será tudo em todos! Vão e permitam que isto se mostre em suas vidas já agora! Amém.
Bibliografia BAPTISTA, Roberto N. Meditação sobre 1 Coríntios 15. 19-28 (domingo da Páscoa). In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1999. v. XXV. p. 175-180. DREHER, Martin N. Meditação sobre 1 Coríntios 15. 20-28 (último domingo do Ano Eclesiástico Cristo Rei). In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1992. v. XVIII. p. 280-285. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1982. QUESNEL, Michel. As Epístolas aos Coríntios. São Paulo: Edições Paulinas, 1983. WENDLAND, Heinz Dietrich. Das Neue Testament Deutsch. Die Briefe an die Korinther. Teilband 7. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1965.
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ÚLTIMO DOMINGO DO ANO ECLESIÁSTICO
Deus será tudo em todos! Vão e permitam que isto se mostre em suas vidas já agora! Amém.
Bibliografia BAPTISTA, Roberto N. Meditação sobre 1 Coríntios 15. 19-28 (domingo da Páscoa). In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1999. v. XXV. p. 175-180. DREHER, Martin N. Meditação sobre 1 Coríntios 15. 20-28 (último domingo do Ano Eclesiástico Cristo Rei). In: Proclamar Libertação. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1992. v. XVIII. p. 280-285. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1982. QUESNEL, Michel. As Epístolas aos Coríntios. São Paulo: Edições Paulinas, 1983. WENDLAND, Heinz Dietrich. Das Neue Testament Deutsch. Die Briefe an die Korinther. Teilband 7. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1965.
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AUXÍLIOS PARA OCASIÕES ESPECIAIS
AUXÍLIOS PARA OCASIÕES ESPECIAIS
sendo entendido como lugar das divindades, local da perpétua alegria e derradeira solução de todos os enigmas ou mistérios e domicílio definitivo do séquito feliz dos criadores de religiões (Leminski). O paralelismo da afirmação de ascensão em diferentes ambientes religiosos desestabiliza predicantes e catequistas, razão pela qual são tentados a evitar o desdobramento do evento conforme a assertiva do Credo Apostólico.
FESTA DA ASCENSÃO DE JESUS CRISTO SALMO 49.1-6,11-13,18-20 LUCAS 12.13-21 PRÉDICA: COLOSSENSES 3.1-11 Albérico Baeske Saudando Eduard Haller, contemplador da lógica de Deus, consolador, intercessor.
I. A festa Que festa? Por acaso consta em algum calendário? Ela fica registrada apenas no calendário eclesiástico e nos devocionários Castelo Forte, Semente de Esperança, Orando em Família contudo, nem sempre acompanhada de reflexão que elucide o intuito autêntico da festa. Já que não é feriado, alude-se a ela no culto dominical subseqüente (como na Prússia iluminista, entre 1773-89, e na Alemanha sob o jugo nazista). Nos 28 volumes de Proclamar Libertação [PL] existentes, encontram-se auxílios homiléticos, salvo engano, em 17(!). A pergunta é se foram aproveitados ou considerados inaproveitáveis. Pois de que maneira explicar que se escute, em comunidades filiadas à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil [IECLB]: Ascensão? Não é assunção de Maria? Ora, nós recitamos no culto, religiosamente, o Credo Apostólico com a assertiva: [Jesus Cristo] subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso !
2) Sem dúvida, é absurdo chamar Jesus Cristo, que sobe ao céu , de o divino astronauta . Seriam teatralidade e carpintaria teológicas. Porém, como encaixar a subida ao céu na visão de mundo em nossos dias, que desconhece em cima e embaixo, que rejeita a divisão em terrenal como oposto ao supralunar , de tal forma que não se confirme a acusação, tão estendida de que a fé cristã pertence irremediavelmente a uma mitologia passada (A. Torres Queiruga, Fim do cristianismo pré-moderno. São Paulo: Paulus, 2003. p. 82)? Dificilmente se arranja tempo e se tem disposição para acrobacias cristã-apologéticas ante a teoria superada dos três andares/níveis ou para malabarismos astronômico-metafísicos concernentes à ascensão corporal. Oxalá isso suceda com convicção teo-lógica (cf. PL 25, p. 56s., e 28, p. 340-3) e não por preguiça intelectual ou medo de safar-se de apuros pastoral-comunitários! Pois a tarefa da gente que prega e ensina não é, em absoluto, geografia celestial (R. Bohren, Predigtlehre. 2. ed. München: Kaiser, 1972. p. 286) penosa, mas, sim, alegre proclamação de Deus que com, em e por Jesus Cristo é ubíquo, onífero e monoagente.
1) No âmbito das religiões, sobretudo entre as universais, assegura-se que o personagem central / o fundador experimenta ou realiza uma ascensão (p. ex., G. Mensching, Leben und Legende der Religionsstifter Texte ausgewählt und erklärt. Darmstadt/Baden-Baden/Genf: Holle, s. a., passim). Ressalta-se a deidade dos inventores do signo transcendental (P. Leminski), sua eternidade e imortalidade, seu poder ilimitado e sabedoria ímpar, o céu
3) Aí é que está o busílis. Pregamos e ensinamos, via de regra, o que o espírito de nossa época julga verossímil: Deus, o vizinho compreensivo, e Jesus Cristo, o exemplo a ser imitado (conforme o refrão raso Amar como Jesus amou [Pastoral Popular Luterana {PPL}, O Povo Canta {OPC}. Palmitos, 1994. p. 120]; já raramente sob o enfoque da utopia ética , na qual P. Leminski vê o Jesus a. Cr. [grifo meu] empenhado [Vida. Porto Alegre: Sulinas, 1998. p. 113-72]). Perdemos a quintessência cristológica e sua adequada asserção. Em palavras de M. Lutero, Jesus Cristo exemplum absorve Jesus Cristo sacramentum. O que nada mais é do que obstruir o acesso a Deus que se auto-revela em Jesus Cristo, que carrega até ele. O que nada mais é do que espiritualizar, aliás evaporar a Deus, que está aqui em pessoa, porque vive e ama. Resultado: em lugar do evangelho, que não é divulgado, e da prédica, privada do seu ponto culminante (Bohren, o.c., p. 283), o sermão e a catequese viram alerta para bons modos e a poimênica se resume a rápidos serviços anímico-psíquicos anestésicos (cf. PL 28, p. 340s.; em especial: D. Bonhoeffer, Vida em Comunhão. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1997. p. 22s.). O Jesus Cristo que apagou ... o título de dívida que existe contra nós; e o suprimiu, pregando-o na cruz (Cl 2.14) virou o psicólogo para elevar nossas condições emocionais. Uma vez que tal supressão do proprium christianum pouco ou nada resolve, irrompe a frustração e, se esta não for-
303
304
Faltam só informação e conscientização quanto à ascensão de Jesus Cristo, ou a confusão e a conseqüente esquivança a seu respeito têm origens mais complicadas? Suspeito de que seja o último. Pessoas encarregadas de pregar e/ou de ensinar o elementar sentem-se inseguras pelo seguinte:
sendo entendido como lugar das divindades, local da perpétua alegria e derradeira solução de todos os enigmas ou mistérios e domicílio definitivo do séquito feliz dos criadores de religiões (Leminski). O paralelismo da afirmação de ascensão em diferentes ambientes religiosos desestabiliza predicantes e catequistas, razão pela qual são tentados a evitar o desdobramento do evento conforme a assertiva do Credo Apostólico.
FESTA DA ASCENSÃO DE JESUS CRISTO SALMO 49.1-6,11-13,18-20 LUCAS 12.13-21 PRÉDICA: COLOSSENSES 3.1-11 Albérico Baeske Saudando Eduard Haller, contemplador da lógica de Deus, consolador, intercessor.
I. A festa Que festa? Por acaso consta em algum calendário? Ela fica registrada apenas no calendário eclesiástico e nos devocionários Castelo Forte, Semente de Esperança, Orando em Família contudo, nem sempre acompanhada de reflexão que elucide o intuito autêntico da festa. Já que não é feriado, alude-se a ela no culto dominical subseqüente (como na Prússia iluminista, entre 1773-89, e na Alemanha sob o jugo nazista). Nos 28 volumes de Proclamar Libertação [PL] existentes, encontram-se auxílios homiléticos, salvo engano, em 17(!). A pergunta é se foram aproveitados ou considerados inaproveitáveis. Pois de que maneira explicar que se escute, em comunidades filiadas à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil [IECLB]: Ascensão? Não é assunção de Maria? Ora, nós recitamos no culto, religiosamente, o Credo Apostólico com a assertiva: [Jesus Cristo] subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso !
2) Sem dúvida, é absurdo chamar Jesus Cristo, que sobe ao céu , de o divino astronauta . Seriam teatralidade e carpintaria teológicas. Porém, como encaixar a subida ao céu na visão de mundo em nossos dias, que desconhece em cima e embaixo, que rejeita a divisão em terrenal como oposto ao supralunar , de tal forma que não se confirme a acusação, tão estendida de que a fé cristã pertence irremediavelmente a uma mitologia passada (A. Torres Queiruga, Fim do cristianismo pré-moderno. São Paulo: Paulus, 2003. p. 82)? Dificilmente se arranja tempo e se tem disposição para acrobacias cristã-apologéticas ante a teoria superada dos três andares/níveis ou para malabarismos astronômico-metafísicos concernentes à ascensão corporal. Oxalá isso suceda com convicção teo-lógica (cf. PL 25, p. 56s., e 28, p. 340-3) e não por preguiça intelectual ou medo de safar-se de apuros pastoral-comunitários! Pois a tarefa da gente que prega e ensina não é, em absoluto, geografia celestial (R. Bohren, Predigtlehre. 2. ed. München: Kaiser, 1972. p. 286) penosa, mas, sim, alegre proclamação de Deus que com, em e por Jesus Cristo é ubíquo, onífero e monoagente.
1) No âmbito das religiões, sobretudo entre as universais, assegura-se que o personagem central / o fundador experimenta ou realiza uma ascensão (p. ex., G. Mensching, Leben und Legende der Religionsstifter Texte ausgewählt und erklärt. Darmstadt/Baden-Baden/Genf: Holle, s. a., passim). Ressalta-se a deidade dos inventores do signo transcendental (P. Leminski), sua eternidade e imortalidade, seu poder ilimitado e sabedoria ímpar, o céu
3) Aí é que está o busílis. Pregamos e ensinamos, via de regra, o que o espírito de nossa época julga verossímil: Deus, o vizinho compreensivo, e Jesus Cristo, o exemplo a ser imitado (conforme o refrão raso Amar como Jesus amou [Pastoral Popular Luterana {PPL}, O Povo Canta {OPC}. Palmitos, 1994. p. 120]; já raramente sob o enfoque da utopia ética , na qual P. Leminski vê o Jesus a. Cr. [grifo meu] empenhado [Vida. Porto Alegre: Sulinas, 1998. p. 113-72]). Perdemos a quintessência cristológica e sua adequada asserção. Em palavras de M. Lutero, Jesus Cristo exemplum absorve Jesus Cristo sacramentum. O que nada mais é do que obstruir o acesso a Deus que se auto-revela em Jesus Cristo, que carrega até ele. O que nada mais é do que espiritualizar, aliás evaporar a Deus, que está aqui em pessoa, porque vive e ama. Resultado: em lugar do evangelho, que não é divulgado, e da prédica, privada do seu ponto culminante (Bohren, o.c., p. 283), o sermão e a catequese viram alerta para bons modos e a poimênica se resume a rápidos serviços anímico-psíquicos anestésicos (cf. PL 28, p. 340s.; em especial: D. Bonhoeffer, Vida em Comunhão. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1997. p. 22s.). O Jesus Cristo que apagou ... o título de dívida que existe contra nós; e o suprimiu, pregando-o na cruz (Cl 2.14) virou o psicólogo para elevar nossas condições emocionais. Uma vez que tal supressão do proprium christianum pouco ou nada resolve, irrompe a frustração e, se esta não for-
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Faltam só informação e conscientização quanto à ascensão de Jesus Cristo, ou a confusão e a conseqüente esquivança a seu respeito têm origens mais complicadas? Suspeito de que seja o último. Pessoas encarregadas de pregar e/ou de ensinar o elementar sentem-se inseguras pelo seguinte:
ça a desistir de labutar junto à base comunitária, reforça o legalismo, o liturgismo e o igrejeirismo no exercício ministerial. Perante a ascensão de Jesus Cristo verifica-se a quantas anda nossa cristologia. Lutero afirma que aquela é plenissimus articulus desta. A partir do século IV, a igreja comemora a ascensão de Jesus Cristo como festa em grande estilo (A. Agostinho). Ela a mantém entre as chamadas festas do Senhor, cujo escopo reside direta e exclusivamente no próprio Jesus Cristo. Correspondendo à localização da ascensão entre páscoa e pentecoste , a igreja insiste na exaltação/sobreexaltação de Jesus Cristo / no seu sentar à direita de Deus Pai, todo-poderoso (seg. Sl 110 [a perícope da Bíblia Hebraica mais citada e refletida no testemunho das comunidades primordiais que confessam a Jesus Cristo]; Mc 14.62 par.; At 2.33-36; 3.21; 5.31; 7.55; 1 Tm 3.16; Fp 2.9-11; 3.20; Rm 8.34; Ef 1.20-22; 4.7-12; Cl 3.1; Mt 28.18.20; Hb 1.3; 4.14; 6.19s.; 7.26; 9.12,24; 1 Pe 3.18-22; Jo 7.39; 12.32; 14.2s.; 16.7; 20.17) em detrimento do fenômeno de sua subida ao céu (seg. Lc 24.50s.; At 1.911; Mc 16.19). A igreja camufla, escamoteia e maquila (Leminski) o testemunho do qual é incumbido quando se debruça sobre o jeito da subida no espaço e, destarte, se emaranha nas questões aludidas de física e astronomia (cf., acima, I.2). Ela cai em lucubrações infantis e fantasia de um céu de bufonarias (Lutero). A igreja é sã na fé (cf. Tt 1.13) e transmite a doutrina salutar (cf. 2.1; 2 Tm 4.3) à medida que testemunha o sobreexaltado que, anteriormente, além de se encarnar, lutar e morrer, foi sepultado e desceu ao inferno tudo pro nobis. Ele subiu para nos poder servir ainda mais e melhor: aquele que agora intercede junto ao Pai pelos seus; aquele que está agindo entre nós / com seu Espírito e dons (M. Lutero, Obras Selecionadas [OS] v. 7. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 2000. p. 538.17s.) e em toda a parte; aquele que intervém hoje e aqui, inclusive quando lhe apraz e lhe apraz por nossa causa! , de modo pessoal e real, material e localizado nos meios de sua livre graça poderosa; aquele que há de vir , sem demora e disfarce, a julgar os vivos e os mortos , salvando os seus. Dito diferente: na e através da festa da ascensão de Jesus Cristo , a igreja não fita um acontecimento passado, mas, sim, Jesus Cristo, o ainda encoberto todavia presente, que domina a atualidade, que luta diariamente nos seus contra pecado, morte, diabo, lei e mundo (Lutero), que vence a seu modo onde e quando quiser e a quem pertence o futuro. Logo, a igreja é exercitada na fé e agraciada com a certeza na fé e explode em alegria à vista da iminente substituição de crer por ver. Certeza e alegria são os pilares da vivência da fé. Eis a caracterização da cristologia deduzida biblicamente e vivida presencialmente. Antes de muitos, J. Chr. Blumhardt (1805-1880) com seu hino confessante: Jesus vence. / Que Jesus vence é um fato, para sempre, /
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Seu será todo mundo... / Sim, Jesus vence, embora o povo do Senhor / esteja ainda duramente prostrado... / Assim, no final, de todas as correntes / o Senhor a criatura irá salvar ... / Sim, Jesus vence! Cremos nisto com certeza / e confiadamente lutamos... / Sim, Jesus vence (ID., Alles und in allen Christus. Gesammelte Aufsätze. Neuendettelsau: Freimund, 1975. p. 308; grifo meu) ajuda nesta percepção e comunicação apropriada; igualmente Bonhoeffer, para ele, a festa da ascensão de Jesus Cristo é a festa de alegria por excelência (cf. Id., Gesammelte Schriften, v. 4. München: Kaiser, 1961. p. 118-22; v. 3. Ibd., 1960. p. 409-15).
II. A comunidade 1) Testemunhar a Jesus Cristo, o sobreexaltado , é a maior honra, a maior satisfação, a maior alegria de seu povo. Tal fato não o cega, pelo contrário, aguça sua perspicácia para seu ambiente e os endereçados de seu testemunho. Testemunhas de Jesus Cristo foram convencidas por ele próprio e sabem agora: ele é inevitável e dispõe de um modo particular em qualquer contexto. Não podem viver sem o entranhamento bíblicoconfessional, a acurácia convivencial e a procura constante da concreção balizada pela existencialidade de seu depoimento. Seu testemunho sucede não na lua, no imaginário, no virtual, mas no experimentado a duras penas, na terra tal qual é, nua e crua, dura e cheia de abismos, sobressaltos e salteadores. É imprescindível ter em mente uma comunidade real ao falar de o sobreexaltado . A exemplo daquela com que convivi cinco anos e a qual apresento, doravante, em breves traços, dentro do pastoralmente responsável. 2) É uma comunidade em formação. Há pouco foi desmembrada da paróquia vizinha. O que se julgou conveniente, uma vez devido à distância geográfica da antiga sede paroquial e no propósito de melhorar o dito atendimento pastoral; e outra, para auxiliar na viabilização financeira da nova paróquia. Daí o pessoal se sente, simultaneamente, marginalizado e cortejado. Motivo para fortalecer nele a tendência enraizada em gente desbravadora nas frentes agrícolas do país e filiada à IECLB via tradição familiar, de se virar sozinha e quebrar os galhos de seu jeito, sobretudo os troço da igreja . Esta tendência aumenta quando a comuna é pequena e isolada. Vista de fora, tal conjuntura poderia formar contexto promissor para descoberta e exercício do sacerdócio geral dos crentes. Porém quatro contingências o dificultam bastante. A primeira: a idéia de que a fé é questão de foro íntimo, combinada com falta de saber elementar a seu respeito, resulta em analfabetismo na articulação da fé. Formulando agudamente, a fé fica encastelada e muda.
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ça a desistir de labutar junto à base comunitária, reforça o legalismo, o liturgismo e o igrejeirismo no exercício ministerial. Perante a ascensão de Jesus Cristo verifica-se a quantas anda nossa cristologia. Lutero afirma que aquela é plenissimus articulus desta. A partir do século IV, a igreja comemora a ascensão de Jesus Cristo como festa em grande estilo (A. Agostinho). Ela a mantém entre as chamadas festas do Senhor, cujo escopo reside direta e exclusivamente no próprio Jesus Cristo. Correspondendo à localização da ascensão entre páscoa e pentecoste , a igreja insiste na exaltação/sobreexaltação de Jesus Cristo / no seu sentar à direita de Deus Pai, todo-poderoso (seg. Sl 110 [a perícope da Bíblia Hebraica mais citada e refletida no testemunho das comunidades primordiais que confessam a Jesus Cristo]; Mc 14.62 par.; At 2.33-36; 3.21; 5.31; 7.55; 1 Tm 3.16; Fp 2.9-11; 3.20; Rm 8.34; Ef 1.20-22; 4.7-12; Cl 3.1; Mt 28.18.20; Hb 1.3; 4.14; 6.19s.; 7.26; 9.12,24; 1 Pe 3.18-22; Jo 7.39; 12.32; 14.2s.; 16.7; 20.17) em detrimento do fenômeno de sua subida ao céu (seg. Lc 24.50s.; At 1.911; Mc 16.19). A igreja camufla, escamoteia e maquila (Leminski) o testemunho do qual é incumbido quando se debruça sobre o jeito da subida no espaço e, destarte, se emaranha nas questões aludidas de física e astronomia (cf., acima, I.2). Ela cai em lucubrações infantis e fantasia de um céu de bufonarias (Lutero). A igreja é sã na fé (cf. Tt 1.13) e transmite a doutrina salutar (cf. 2.1; 2 Tm 4.3) à medida que testemunha o sobreexaltado que, anteriormente, além de se encarnar, lutar e morrer, foi sepultado e desceu ao inferno tudo pro nobis. Ele subiu para nos poder servir ainda mais e melhor: aquele que agora intercede junto ao Pai pelos seus; aquele que está agindo entre nós / com seu Espírito e dons (M. Lutero, Obras Selecionadas [OS] v. 7. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 2000. p. 538.17s.) e em toda a parte; aquele que intervém hoje e aqui, inclusive quando lhe apraz e lhe apraz por nossa causa! , de modo pessoal e real, material e localizado nos meios de sua livre graça poderosa; aquele que há de vir , sem demora e disfarce, a julgar os vivos e os mortos , salvando os seus. Dito diferente: na e através da festa da ascensão de Jesus Cristo , a igreja não fita um acontecimento passado, mas, sim, Jesus Cristo, o ainda encoberto todavia presente, que domina a atualidade, que luta diariamente nos seus contra pecado, morte, diabo, lei e mundo (Lutero), que vence a seu modo onde e quando quiser e a quem pertence o futuro. Logo, a igreja é exercitada na fé e agraciada com a certeza na fé e explode em alegria à vista da iminente substituição de crer por ver. Certeza e alegria são os pilares da vivência da fé. Eis a caracterização da cristologia deduzida biblicamente e vivida presencialmente. Antes de muitos, J. Chr. Blumhardt (1805-1880) com seu hino confessante: Jesus vence. / Que Jesus vence é um fato, para sempre, /
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Seu será todo mundo... / Sim, Jesus vence, embora o povo do Senhor / esteja ainda duramente prostrado... / Assim, no final, de todas as correntes / o Senhor a criatura irá salvar ... / Sim, Jesus vence! Cremos nisto com certeza / e confiadamente lutamos... / Sim, Jesus vence (ID., Alles und in allen Christus. Gesammelte Aufsätze. Neuendettelsau: Freimund, 1975. p. 308; grifo meu) ajuda nesta percepção e comunicação apropriada; igualmente Bonhoeffer, para ele, a festa da ascensão de Jesus Cristo é a festa de alegria por excelência (cf. Id., Gesammelte Schriften, v. 4. München: Kaiser, 1961. p. 118-22; v. 3. Ibd., 1960. p. 409-15).
II. A comunidade 1) Testemunhar a Jesus Cristo, o sobreexaltado , é a maior honra, a maior satisfação, a maior alegria de seu povo. Tal fato não o cega, pelo contrário, aguça sua perspicácia para seu ambiente e os endereçados de seu testemunho. Testemunhas de Jesus Cristo foram convencidas por ele próprio e sabem agora: ele é inevitável e dispõe de um modo particular em qualquer contexto. Não podem viver sem o entranhamento bíblicoconfessional, a acurácia convivencial e a procura constante da concreção balizada pela existencialidade de seu depoimento. Seu testemunho sucede não na lua, no imaginário, no virtual, mas no experimentado a duras penas, na terra tal qual é, nua e crua, dura e cheia de abismos, sobressaltos e salteadores. É imprescindível ter em mente uma comunidade real ao falar de o sobreexaltado . A exemplo daquela com que convivi cinco anos e a qual apresento, doravante, em breves traços, dentro do pastoralmente responsável. 2) É uma comunidade em formação. Há pouco foi desmembrada da paróquia vizinha. O que se julgou conveniente, uma vez devido à distância geográfica da antiga sede paroquial e no propósito de melhorar o dito atendimento pastoral; e outra, para auxiliar na viabilização financeira da nova paróquia. Daí o pessoal se sente, simultaneamente, marginalizado e cortejado. Motivo para fortalecer nele a tendência enraizada em gente desbravadora nas frentes agrícolas do país e filiada à IECLB via tradição familiar, de se virar sozinha e quebrar os galhos de seu jeito, sobretudo os troço da igreja . Esta tendência aumenta quando a comuna é pequena e isolada. Vista de fora, tal conjuntura poderia formar contexto promissor para descoberta e exercício do sacerdócio geral dos crentes. Porém quatro contingências o dificultam bastante. A primeira: a idéia de que a fé é questão de foro íntimo, combinada com falta de saber elementar a seu respeito, resulta em analfabetismo na articulação da fé. Formulando agudamente, a fé fica encastelada e muda.
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A segunda: a composição sociológica da comuna. Alguns são donos de consideráveis extensões de terra ou representantes de multinacionais ligadas ao agronegócio. A expressiva maioria é formada por capatazes, empregados fixos e trabalhadores sazonais. Todos dependem dos grandes proprietários em tudo, desde a corrida para buscar um remédio na longínqua farmácia, até a vinda do pastor, paga ou intermediada pelos home . Contudo, estes não são tão importantes e eles o percebem sem o admitir, pois sofrem humilhação nas mãos dos bancos; um perdeu, em pouco tempo, dois terços de sua vasta área. Em compensação, precisam ser alguém, pelo menos nas famílias e na comuna. Ai daquele sujeito [mulher ou filhos, pior ainda, um empregado] que complique [adicionalmente] a vida por ter participado em encontros (p. ex. sindicais e eclesiais) fora de seu ambiente diário ou por ler demais na Bíblia . A terceira contingência: cada um patrão, peão e familiares traz consigo uma imagem de igreja. Na solidão da diáspora absoluta, a mesma interioriza-se com vigor inextinguível. Embrenha-se de tal forma nas pessoas que passa a integrar sua identidade. O que acontece, precipuamente, entre mães e donas de casa. Em regra, os pais acompanham o afã de suas parceiras para não perder também as rédeas debaixo do próprio teto. Trata-se, quase sempre, da imagem de igreja como prestadora de serviços religiosos em situações de passagem e circunstâncias limítrofes de vida. Se em algum lugar tal imagem de igreja é plausível, então o é nas vicissitudes da existência toda incerta em regiões de desbravamento primário. Inclusive, parece lógico que na ânsia de alcançar o almejado serviço religioso se mude de igreja quando não se é atendido de pronto conforme a própria cabeça ou, ao menos, se brigue para que nossa igreja desempenhe de novo o papel que se crê lhe caiba. Ligado a isso, a quarta contingência: o conceito que se possui do pastor. Sua tarefa é a de feiticeiro de batina, de pistolão entre o povo e o que se entende por Deus. Quase todo mundo se lembra da figura e gosta de contar causo a seu respeito; às vezes aparecem frases soltas, de caráter moralístico, pronunciadas por tal pastor; normal e abundantemente, no entanto, citam suas extravagâncias ou fraquezas que a gente relevava porque o pastor fez o que nois queria . Na memória, o pastor tenha ele sido desse jeito mesmo ou apenas imaginado, não interessa agora se funde com a igreja e é critério para avaliação de seus colegas. Quando o atual pároco se assemelha àquele nosso pastor , é bem-vindo, recebe paga, assam-se churrascos para ele, organizam-se caçadas e pescarias com ele, cuida-se que sempre leve algum produto da estação pra muié e os fio pode até defender, uma vez, os índio, estes bicho à-toa . Se frustra as expectativas armazenadas nas cabeças, então não só perde todas as regalias, mas corre o risco de ser tirado da comuna na marra.
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Dada a situação surgida, pessoas mais à margem da comuna começam a questionar. Iniciando, evidentemente, com o pastor, acabam se informando sobre a ordem vigente e a base confessional da IECLB. Devagarzinho, abrem a Bíblia. Notam, admitem e enfrentam a fé subnutrida . Procuram por alfabetização no expressar a fé em Jesus Cristo. Adquirem literatura esclarecedora. Deixam-se animar a participar de encontros supraparoquiais de formação de líderes. Visitam recém-chegados, possíveis futuros membros. Em horas vagas ou em meses sem serviço colocam-se à disposição dos demais. Convidam pessoas para estudos bíblicos em casa. Reúnem mulheres, crianças e jovens para rever conhecimentos básicos da fé e de sua vivência. Confia-se a eles o que acontece às escondidas, pedindo conselhos em ocasiões como: senhora benfeitora da comuna ajuda a organizar sessões de baixo espiritismo, avó benzedeira constrange confirmanda, pai de família traz amante para casa. Assim são levados a fazer uma leitura crítica da comuna e de seu ideário. Denunciam o comércio com batismo e casamento na igreja . Arriscam, embora hesitantes, alguma contestação aos home e suas patroa . Tudo sob os olhares cada vez mais desconfiados da comuna, mas também sob os olhares do sobreexaltado .
III. O texto-base para a prédica 1) A Epístola aos Colossenses (Cl) junta-se ao grupo das deuteropaulinas. A afirmação se baseia na comparação entre ela e as paulinas (1 Ts, 1 e 2 Co, Gl, Fp, Fm, Rm), especialmente no que se refere à construção das frases, ao jeito de raciocinar e à abordagem teológica (de certa maneira semelhante a Ef). O conjunto dessas constatações legitima a afirmação. Uma leitura entranhante, já na versão portuguesa, pode apurar: na Cl não aparecem pecado no singular, justiça de Deus e crer , termos empregados por Paulo e objeto de sua constante reflexão; os destinatários não são tratados de [meus] irmãos , como nas epístolas paulinas; forma e conteúdo da argumentação em Cl 2.6-23 são diferentes dos em Rm 6. Não se nega que o autor anônimo tenha, de seu jeito, continuado a linha de Paulo, reinterpretando o testemunho deste para seu contexto (assim como Paulo fez com as confissões anteriores a ele, p. ex.: 1 Ts 1.10; 1 Co 11.23-26, 15.3b-5; Gl 4.6 par.; Fp 2.6-11; Rm 1.3s., 10.9 par.). Que justamente aí reside a intenção do remetente desconhecido, deduz-se do fato que temos Cl sob o nome do apóstolo. Na cristandade dos primórdios não se pensava, como hoje, em direitos autorais individuais, mas em autoridades da revelação, da doutrina e da tradição (cf. Cl 1.23d-25; 1.29 2.5.7b; 4.3d-18) lógico dentro do conceito fundante da encarnação e central para o posterior reconhecimento canônico
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A segunda: a composição sociológica da comuna. Alguns são donos de consideráveis extensões de terra ou representantes de multinacionais ligadas ao agronegócio. A expressiva maioria é formada por capatazes, empregados fixos e trabalhadores sazonais. Todos dependem dos grandes proprietários em tudo, desde a corrida para buscar um remédio na longínqua farmácia, até a vinda do pastor, paga ou intermediada pelos home . Contudo, estes não são tão importantes e eles o percebem sem o admitir, pois sofrem humilhação nas mãos dos bancos; um perdeu, em pouco tempo, dois terços de sua vasta área. Em compensação, precisam ser alguém, pelo menos nas famílias e na comuna. Ai daquele sujeito [mulher ou filhos, pior ainda, um empregado] que complique [adicionalmente] a vida por ter participado em encontros (p. ex. sindicais e eclesiais) fora de seu ambiente diário ou por ler demais na Bíblia . A terceira contingência: cada um patrão, peão e familiares traz consigo uma imagem de igreja. Na solidão da diáspora absoluta, a mesma interioriza-se com vigor inextinguível. Embrenha-se de tal forma nas pessoas que passa a integrar sua identidade. O que acontece, precipuamente, entre mães e donas de casa. Em regra, os pais acompanham o afã de suas parceiras para não perder também as rédeas debaixo do próprio teto. Trata-se, quase sempre, da imagem de igreja como prestadora de serviços religiosos em situações de passagem e circunstâncias limítrofes de vida. Se em algum lugar tal imagem de igreja é plausível, então o é nas vicissitudes da existência toda incerta em regiões de desbravamento primário. Inclusive, parece lógico que na ânsia de alcançar o almejado serviço religioso se mude de igreja quando não se é atendido de pronto conforme a própria cabeça ou, ao menos, se brigue para que nossa igreja desempenhe de novo o papel que se crê lhe caiba. Ligado a isso, a quarta contingência: o conceito que se possui do pastor. Sua tarefa é a de feiticeiro de batina, de pistolão entre o povo e o que se entende por Deus. Quase todo mundo se lembra da figura e gosta de contar causo a seu respeito; às vezes aparecem frases soltas, de caráter moralístico, pronunciadas por tal pastor; normal e abundantemente, no entanto, citam suas extravagâncias ou fraquezas que a gente relevava porque o pastor fez o que nois queria . Na memória, o pastor tenha ele sido desse jeito mesmo ou apenas imaginado, não interessa agora se funde com a igreja e é critério para avaliação de seus colegas. Quando o atual pároco se assemelha àquele nosso pastor , é bem-vindo, recebe paga, assam-se churrascos para ele, organizam-se caçadas e pescarias com ele, cuida-se que sempre leve algum produto da estação pra muié e os fio pode até defender, uma vez, os índio, estes bicho à-toa . Se frustra as expectativas armazenadas nas cabeças, então não só perde todas as regalias, mas corre o risco de ser tirado da comuna na marra.
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Dada a situação surgida, pessoas mais à margem da comuna começam a questionar. Iniciando, evidentemente, com o pastor, acabam se informando sobre a ordem vigente e a base confessional da IECLB. Devagarzinho, abrem a Bíblia. Notam, admitem e enfrentam a fé subnutrida . Procuram por alfabetização no expressar a fé em Jesus Cristo. Adquirem literatura esclarecedora. Deixam-se animar a participar de encontros supraparoquiais de formação de líderes. Visitam recém-chegados, possíveis futuros membros. Em horas vagas ou em meses sem serviço colocam-se à disposição dos demais. Convidam pessoas para estudos bíblicos em casa. Reúnem mulheres, crianças e jovens para rever conhecimentos básicos da fé e de sua vivência. Confia-se a eles o que acontece às escondidas, pedindo conselhos em ocasiões como: senhora benfeitora da comuna ajuda a organizar sessões de baixo espiritismo, avó benzedeira constrange confirmanda, pai de família traz amante para casa. Assim são levados a fazer uma leitura crítica da comuna e de seu ideário. Denunciam o comércio com batismo e casamento na igreja . Arriscam, embora hesitantes, alguma contestação aos home e suas patroa . Tudo sob os olhares cada vez mais desconfiados da comuna, mas também sob os olhares do sobreexaltado .
III. O texto-base para a prédica 1) A Epístola aos Colossenses (Cl) junta-se ao grupo das deuteropaulinas. A afirmação se baseia na comparação entre ela e as paulinas (1 Ts, 1 e 2 Co, Gl, Fp, Fm, Rm), especialmente no que se refere à construção das frases, ao jeito de raciocinar e à abordagem teológica (de certa maneira semelhante a Ef). O conjunto dessas constatações legitima a afirmação. Uma leitura entranhante, já na versão portuguesa, pode apurar: na Cl não aparecem pecado no singular, justiça de Deus e crer , termos empregados por Paulo e objeto de sua constante reflexão; os destinatários não são tratados de [meus] irmãos , como nas epístolas paulinas; forma e conteúdo da argumentação em Cl 2.6-23 são diferentes dos em Rm 6. Não se nega que o autor anônimo tenha, de seu jeito, continuado a linha de Paulo, reinterpretando o testemunho deste para seu contexto (assim como Paulo fez com as confissões anteriores a ele, p. ex.: 1 Ts 1.10; 1 Co 11.23-26, 15.3b-5; Gl 4.6 par.; Fp 2.6-11; Rm 1.3s., 10.9 par.). Que justamente aí reside a intenção do remetente desconhecido, deduz-se do fato que temos Cl sob o nome do apóstolo. Na cristandade dos primórdios não se pensava, como hoje, em direitos autorais individuais, mas em autoridades da revelação, da doutrina e da tradição (cf. Cl 1.23d-25; 1.29 2.5.7b; 4.3d-18) lógico dentro do conceito fundante da encarnação e central para o posterior reconhecimento canônico
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da epístola. Recorria-se aos nomes das mencionadas autoridades a fim de frisar a importância daquilo que se queria ensinar (Cl 1.7,28; 2.7; Paulo, passim, anuncia / prega / proclama , não ensina ): o que o apóstolo dos gentios (cf. Gl 2.6-9; Rm 1.5; 15.15s.) escreve tem incomparavelmente mais peso do que o que escrevem discípulos dele. O autor de Cl é tão cristalino nessa convicção qualquer truque ou enganação nem por sonhos! quanto é veemente na objeção a uma filosofia (polêmica direta: 2.4,8,16-23; polêmica indireta: 2.9-15 [cf. 1.15-20]), visceralmente contrária à pregação do apóstolo dos gentios (no início, veiculada por Epafras? [cf. 1.7s.; 4.12s.]), que está em voga em Colossos e cidades vizinhas ou que já grassa nas comunidades bem novas da região (cf. Cl 2.1; 4.13,15s. [veja Ap 3.14-22]), situada no vale do rio Lico, sudoeste da atual Turquia. Cl é, pois, um verdadeiro panfleto. 2) Eis o tema de Cl: Jesus Cristo e o cosmo. Seu testemunho consiste numa cristologia dinâmica (cf. Blumhardt, acima, I.3.-fim) ou cósmica (1.1320, 2.3.9, 3.1bc), provocada por uma cosmovisão, concreta e peculiar que impõe regras (2.11a.20-23) e exige determinado comportamento (v. 16-19) , e/ou aplicada de modo crítico à mesma. Tal testemunho se articula em categorias de espaço e de substância, diferente do de Paulo, que usa categorias de tempo e de esferas de domínio em sua asserção cristológica. Cl assevera: a) O Criador reconciliou o universo (não só o planeta azul!) consigo mediante a morte de Jesus Cristo na cruz, realizando a paz entre si e o universo (1.20-22; 2.21; 4.3). Jesus Cristo triunfou sobre os elementos/rudimentos do cosmo (a transcrição de stoicheia tou kosmou com espíritos {maus} que dominam o Universo [2.8c,20b] na Bíblia Sagrada Nova Tradução na Linguagem de Hoje, 2000, é infeliz, por abrir espaço para espiritualizações), sobre as potências, imaginadas ou reais, destruidoras e contrárias a Deus (1.13; 2.10b), pondo-as a nu e ridicularizando-as perante todo mundo (2.15), reduzindo-as a meras criaturas (1.16s.). Jesus Cristo é o da cruz: palpável, corporal e concreto, não etéreo, espiritual e abstrato. b) A comunidade, receptora da epístola, foi inteirada da referida ação salvífica concluída (1.21-23,26s.; 2.2s.), integrada nela por Batismo, fé e perdão das transgressões (2. 10-14,20a; cf. 1.13s.; 3.3.4a), e está na iminente dependência de ser manifesta em glória (3. 4c). c) Jesus Cristo, o senhor do cosmo, é a cabeça do corpo , ou seja, da igreja (1. 18,24; 3.15), a qual nele crê , o ensina e confessa (Fórmula de Concórdia), sendo mediador da criação do cosmo e seu reconciliador (1.20). Esta igreja integram aquelas ínfimas comunidades recém-surgidas à margem do Lico e cujos membros crescem em direção a Jesus Cristo (1.18; 2.10,19), que está no alto (3.1). Ele e a igreja toda são inseparáveis. O seu corpo é
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visível, também lá junto ao Lico fato que corresponde à corporeidade de Jesus Cristo na cruz. d) Daí urge que os membros incorporados no Crucificado, sua vida (3.4a; cf. v. 3), em vez de se evadirem para o mundo das idéias e especulações, visões e êxtases, conscientizem-se do comprometimento de Jesus Cristo com eles e, simultaneamente, do compromisso deles com ele, andando de maneira digna dele, sendo férteis em boas obras (1.10; 2.6s.), procurando as coisas do alto (3.1s.), enfim, vivenciando (3.5 4.6), em comunidade e família (!), seu status salvífico (1.2a,5-6a,6d,11a-c,12-14,22,26s.; 2.6s.,10-14; 3.1a.3s.) entre os ribeirinhos do Lico. 3) Constitui desafio para a labuta interpretativa no Novo Testamento de entender e descrever a filosofia que Cl rejeita de todo. A meu ver, G. Bornkamm elaborou, até o momento, a mais lúcida caracterização da mesma (Die Häresie im Kolosserbrief. In: ID, Das Ende des Gesetzes Paulusstudien [Gesammelte Aufsätze / Band I]. 2. ed. München: Kaiser, 1958. p. 139-56). Bornkamm parte de alusões da própria epístola e as interpreta, colocando-as para dentro do universo religioso da época. Resumido ao extremo: a) A filosofia recriminada é uma prática religiosa sincretista-mágica, que mistura componentes judaicos heterodoxos (cf. 2.11s,14s.,16-18,21s.) com iranianos/persas (cf. v. 8-10,15s.,19s. [cf. Gl 3.13,19,23, 4.5]) e cristãos. Ela não combate a fé em Jesus Cristo, mas cisma em superá-la, cultuando tanto a Jesus Cristo como o sol. Ambos são considerados revelações misteriosas do maioral dos altíssimos hipsistos , da suprema divindade completa, do éon imortal, que produz, perpassa e preenche o cosmo e suas forças, dando-lhes fundo e rumo. Para os iniciados, as revelações são transparentes e convincentes (cf. 2.18cd, 23a-b). Cristo figura como o princípio por excelência da moral, e o sol como o princípio por excelência da luz e da força geradora/salvífica do cosmo. b) Hipsistos, a divindade cósmica, a luz imortal, oferece refúgio, mais: participação nele, plena deificação ante todo tipo de adversidades e libertação total de qualquer mal, desde que o neófito se coloque solito a caminho das esferas do poder absoluto e da luz completa, isolando-se do mundo e observando rigorosos dogmas (cf. 2.18b,20bc) e regulamentos ascéticos (cf. v. 23c). A prática em tela persistia, tanto é que pais da igreja dos primórdios se referem a pessoas que se autodenominam hipsistários (ao que tudo indica, J. W. v. Goethe, falecido em 1832, foi um deles). c) A fusão de Jesus Cristo com os elementos/rudimentos do cosmo , sim, a substituição do primeiro pelos últimos, faz com que Cl assere a radical incomparabilidade e incompatibilidade entre ambos (2.8-10). Ora, a co-
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da epístola. Recorria-se aos nomes das mencionadas autoridades a fim de frisar a importância daquilo que se queria ensinar (Cl 1.7,28; 2.7; Paulo, passim, anuncia / prega / proclama , não ensina ): o que o apóstolo dos gentios (cf. Gl 2.6-9; Rm 1.5; 15.15s.) escreve tem incomparavelmente mais peso do que o que escrevem discípulos dele. O autor de Cl é tão cristalino nessa convicção qualquer truque ou enganação nem por sonhos! quanto é veemente na objeção a uma filosofia (polêmica direta: 2.4,8,16-23; polêmica indireta: 2.9-15 [cf. 1.15-20]), visceralmente contrária à pregação do apóstolo dos gentios (no início, veiculada por Epafras? [cf. 1.7s.; 4.12s.]), que está em voga em Colossos e cidades vizinhas ou que já grassa nas comunidades bem novas da região (cf. Cl 2.1; 4.13,15s. [veja Ap 3.14-22]), situada no vale do rio Lico, sudoeste da atual Turquia. Cl é, pois, um verdadeiro panfleto. 2) Eis o tema de Cl: Jesus Cristo e o cosmo. Seu testemunho consiste numa cristologia dinâmica (cf. Blumhardt, acima, I.3.-fim) ou cósmica (1.1320, 2.3.9, 3.1bc), provocada por uma cosmovisão, concreta e peculiar que impõe regras (2.11a.20-23) e exige determinado comportamento (v. 16-19) , e/ou aplicada de modo crítico à mesma. Tal testemunho se articula em categorias de espaço e de substância, diferente do de Paulo, que usa categorias de tempo e de esferas de domínio em sua asserção cristológica. Cl assevera: a) O Criador reconciliou o universo (não só o planeta azul!) consigo mediante a morte de Jesus Cristo na cruz, realizando a paz entre si e o universo (1.20-22; 2.21; 4.3). Jesus Cristo triunfou sobre os elementos/rudimentos do cosmo (a transcrição de stoicheia tou kosmou com espíritos {maus} que dominam o Universo [2.8c,20b] na Bíblia Sagrada Nova Tradução na Linguagem de Hoje, 2000, é infeliz, por abrir espaço para espiritualizações), sobre as potências, imaginadas ou reais, destruidoras e contrárias a Deus (1.13; 2.10b), pondo-as a nu e ridicularizando-as perante todo mundo (2.15), reduzindo-as a meras criaturas (1.16s.). Jesus Cristo é o da cruz: palpável, corporal e concreto, não etéreo, espiritual e abstrato. b) A comunidade, receptora da epístola, foi inteirada da referida ação salvífica concluída (1.21-23,26s.; 2.2s.), integrada nela por Batismo, fé e perdão das transgressões (2. 10-14,20a; cf. 1.13s.; 3.3.4a), e está na iminente dependência de ser manifesta em glória (3. 4c). c) Jesus Cristo, o senhor do cosmo, é a cabeça do corpo , ou seja, da igreja (1. 18,24; 3.15), a qual nele crê , o ensina e confessa (Fórmula de Concórdia), sendo mediador da criação do cosmo e seu reconciliador (1.20). Esta igreja integram aquelas ínfimas comunidades recém-surgidas à margem do Lico e cujos membros crescem em direção a Jesus Cristo (1.18; 2.10,19), que está no alto (3.1). Ele e a igreja toda são inseparáveis. O seu corpo é
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visível, também lá junto ao Lico fato que corresponde à corporeidade de Jesus Cristo na cruz. d) Daí urge que os membros incorporados no Crucificado, sua vida (3.4a; cf. v. 3), em vez de se evadirem para o mundo das idéias e especulações, visões e êxtases, conscientizem-se do comprometimento de Jesus Cristo com eles e, simultaneamente, do compromisso deles com ele, andando de maneira digna dele, sendo férteis em boas obras (1.10; 2.6s.), procurando as coisas do alto (3.1s.), enfim, vivenciando (3.5 4.6), em comunidade e família (!), seu status salvífico (1.2a,5-6a,6d,11a-c,12-14,22,26s.; 2.6s.,10-14; 3.1a.3s.) entre os ribeirinhos do Lico. 3) Constitui desafio para a labuta interpretativa no Novo Testamento de entender e descrever a filosofia que Cl rejeita de todo. A meu ver, G. Bornkamm elaborou, até o momento, a mais lúcida caracterização da mesma (Die Häresie im Kolosserbrief. In: ID, Das Ende des Gesetzes Paulusstudien [Gesammelte Aufsätze / Band I]. 2. ed. München: Kaiser, 1958. p. 139-56). Bornkamm parte de alusões da própria epístola e as interpreta, colocando-as para dentro do universo religioso da época. Resumido ao extremo: a) A filosofia recriminada é uma prática religiosa sincretista-mágica, que mistura componentes judaicos heterodoxos (cf. 2.11s,14s.,16-18,21s.) com iranianos/persas (cf. v. 8-10,15s.,19s. [cf. Gl 3.13,19,23, 4.5]) e cristãos. Ela não combate a fé em Jesus Cristo, mas cisma em superá-la, cultuando tanto a Jesus Cristo como o sol. Ambos são considerados revelações misteriosas do maioral dos altíssimos hipsistos , da suprema divindade completa, do éon imortal, que produz, perpassa e preenche o cosmo e suas forças, dando-lhes fundo e rumo. Para os iniciados, as revelações são transparentes e convincentes (cf. 2.18cd, 23a-b). Cristo figura como o princípio por excelência da moral, e o sol como o princípio por excelência da luz e da força geradora/salvífica do cosmo. b) Hipsistos, a divindade cósmica, a luz imortal, oferece refúgio, mais: participação nele, plena deificação ante todo tipo de adversidades e libertação total de qualquer mal, desde que o neófito se coloque solito a caminho das esferas do poder absoluto e da luz completa, isolando-se do mundo e observando rigorosos dogmas (cf. 2.18b,20bc) e regulamentos ascéticos (cf. v. 23c). A prática em tela persistia, tanto é que pais da igreja dos primórdios se referem a pessoas que se autodenominam hipsistários (ao que tudo indica, J. W. v. Goethe, falecido em 1832, foi um deles). c) A fusão de Jesus Cristo com os elementos/rudimentos do cosmo , sim, a substituição do primeiro pelos últimos, faz com que Cl assere a radical incomparabilidade e incompatibilidade entre ambos (2.8-10). Ora, a co-
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munidade por causa, mediante e em Jesus Cristo foi libertada da dominação dos elementos/rudimentos do cosmo (cf. 1.13s.,20; 2. 10b b-15), participa já da plenitude da deidade [autêntica] (2.9b,10a) e não necessita de mais nada como se ainda vivesse no mundo [velho, tiranizado pelos elementos/rudimentos do cosmo ] (v. 20c). O veredito irônico-sarcástico de Cl a respeito da filosofia exprobada acha-se em 2.23. Bornkamm traduz, parafraseando: Embora isto [a obediência aos dogmas estabelecidos pelos elementos/rudimentos do cosmo ] aparente ser sabedoria o que se costuma chamar de serviço voluntário , humildade , dominação do corpo , não tem, porém, nada a ver com honra e serve [tão-só] para abarrotar a carne (o. c., p. 152 nota 27). 4) Cl 3.1-11 é o caput da inerente lógica prática / do natural desdobro parenético (que 4.6 encerra) do testemunho teológico central de Cl que consta, imediatamente antes, em 2.6-23. Enquanto 3.1-4 sintetiza ou reafirma a verdadeira apreensão da salvação, 3.5-11 a puxa [como não pode ser diferente] para dentro da vida [como ela é] (Lutero). Eis a dinâmica bíblica: a salvação motu proprio fica virulenta na vida cotidiana. A palavra da verdade do Evangelho chega, produz frutos e cresce (1.5s.). Trata-se de uma só ação ação sempre desencadeada por Jesus Cristo mesmo (já em 1.21-23b; 2.16-23) , nunca sucede em dois tempos consecutivos, primeiro a salvação e, depois, sua vivência localizada. A fórmula calcedonense também se aplica a ela: é inconfundível e imutável, inseparável e indivisível. No afã de acompanhar a dinâmica bíblica, não me restrinjo, no que segue, a 3.1-4 (cf. PL III, p. 70-7, e XXI, p. 117-20). a) 3.1-4: Rebuscando 2.12s,17b, o trecho insta pela junção indissolúvel de Jesus Cristo com a comunidade; ele é a vida dela e ela é seu corpo. Esta realidade não é chavão igrejeiro, nem abstração dogmática; veja suas três características interligadas. A primeira: o ser com Jesus Cristo é exclusivamente comunitário (sete formulações referentes à 2ª pessoa do plural). A segunda: o ser com Jesus Cristo explode no testemunho ressurreição (cf. 3.1a), exaltação (cf. v. 1c), vinda em glória de Jesus Cristo (cf. v. 4a) e esperança da comunidade (cf. v. 4bc). A terceira característica: o ser com Jesus Cristo inclui per se uma conduta da presente vida que diferencia a comunidade de seu ambiente (cf. v. 2[s.]). Em meio ao mundo do pecado, a igreja dos pecadores perdoados tem de testemunhar que ela é tão-só a propriedade de Jesus Cristo, vive e quer viver tão-só de seu consolo e de sua determinação na esperança de sua epifania (Declaração Teológica de Barmen da Igreja Evangélica Alemã, 1934 [Barmen]). aa) A conjunção portanto (3.1a) liga, no sentido gramatical, os versículos que seguem com 2.6-23 e, sobretudo, esmiuça, no sentido teológico, o que 2.10-14,20a significa existencialmente. A transplantação da ação
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salvífica de Jesus Cristo sucedida no Batismo, na fé e no perdão das transgressões relativiza a morte como fim desta vida e, ao mesmo tempo, a vindoura conclusão daquela ação. A salvação lá do alto (3.1b,2b; cf. 1.5) já alcançou a comunidade. Jesus Cristo já incorporou a comunidade em si acontecimento que constitui base, sustento e força motriz da esperança desta. Devido a Jesus Cristo, a comunidade já passou pela morte como abismo entre Deus e ela própria (3.3a), estando entrementes em vida e salvação (Lutero), ou seja, escondida com Cristo em Deus (v. 3c). Falta apenas abrir a cortina (segundo Lutero) para que tal realidade seja desvelada e conhecida, epifânea não à comunidade, que dela já está ciente, pois foi-lhe manifestada (1.26b) em virtude da proclamação da Palavra da Verdade, o Evangelho (1.5b) e do mistério [da salvação por causa, mediante e em Cristo] (1.25s.; cf. 2.2d; 4.3c), de sua outorgação pelo Batismo e de sua aceitação em fé, sujeita a atribulações (3.3b), mas, sim, ao cosmo e aos ainda mortos por causa de suas transgressões e práticas religiosas (2.13a). O que ocorre na epifania de Jesus Cristo (cf. v. 3.4), a qual implica a transformação do cosmo. Então, o crer da comunidade será substituído pelo ver e as atribulações acabarão. A comunidade saberá e experimentará coisas inauditas, jamais ocorridas, jamais experimentadas (F.-W. Marquardt, Was dürfen wir hoffen, wenn wir hoffen dürften? Eine Eschatologie. Güterloh: Kaiser / Gütersloher, 1993. vol 1. p. 28). Elas não consistem de espetáculos celestes e, sim, de um novo, mais profundo compreender do mundo que conhecemos, numa forma agora [transparente e palpavelmente] permeada pelo amor de Deus, reconciliada, livre de todas as feridas da alienação da vida de um mundo, pois, mantido coeso pelo schalom..., que simultaneamente é zedaka [paz total com justiça integral]..., que satisfaz a cada um na necessidade específica de sua existência (o. c., p. 24; cf. M. Lutero, OS v. 7, p. 555.11-5; J. C. Maraschin (edit.), O Novo Canto da Terra. São Paulo: IAET, 1987. p. 65; PPL, OPC, p. 32s.; p. 92s.; p. 158s.). ab) Os verbos buscar (3.1b) e pensar (v. 2a) assinalam a percepção de vida das pessoas in loco et concreto. Lá do alto não quer dizer lá em cima ; jamais é categoria espacial, mas teológica / cristológica. Lá do alto é tropo para Deus, que está perto dos seres humanos de forma imediata e tremenda, concedendo-lhes fôlego e sentido de vida e decidindo a seu respeito, e onde Cristo vive (v. 1c). Sob hipótese alguma, Jesus Cristo está lá em cima. Pelo contrário, lá onde ele está há as coisas lá do alto ; aliás, elas são ele mesmo. Ele diz: Onde eu estou terás o céu. / Nada há de separarnos (M. Lutero. In: IECLB, Hinos do Povo de Deus [HPD]. 5. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1984. 155,7-fim; veja a estrofe inteira. Cf. ID, OS v. 7, p. 554.13 555.15).
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munidade por causa, mediante e em Jesus Cristo foi libertada da dominação dos elementos/rudimentos do cosmo (cf. 1.13s.,20; 2. 10b b-15), participa já da plenitude da deidade [autêntica] (2.9b,10a) e não necessita de mais nada como se ainda vivesse no mundo [velho, tiranizado pelos elementos/rudimentos do cosmo ] (v. 20c). O veredito irônico-sarcástico de Cl a respeito da filosofia exprobada acha-se em 2.23. Bornkamm traduz, parafraseando: Embora isto [a obediência aos dogmas estabelecidos pelos elementos/rudimentos do cosmo ] aparente ser sabedoria o que se costuma chamar de serviço voluntário , humildade , dominação do corpo , não tem, porém, nada a ver com honra e serve [tão-só] para abarrotar a carne (o. c., p. 152 nota 27). 4) Cl 3.1-11 é o caput da inerente lógica prática / do natural desdobro parenético (que 4.6 encerra) do testemunho teológico central de Cl que consta, imediatamente antes, em 2.6-23. Enquanto 3.1-4 sintetiza ou reafirma a verdadeira apreensão da salvação, 3.5-11 a puxa [como não pode ser diferente] para dentro da vida [como ela é] (Lutero). Eis a dinâmica bíblica: a salvação motu proprio fica virulenta na vida cotidiana. A palavra da verdade do Evangelho chega, produz frutos e cresce (1.5s.). Trata-se de uma só ação ação sempre desencadeada por Jesus Cristo mesmo (já em 1.21-23b; 2.16-23) , nunca sucede em dois tempos consecutivos, primeiro a salvação e, depois, sua vivência localizada. A fórmula calcedonense também se aplica a ela: é inconfundível e imutável, inseparável e indivisível. No afã de acompanhar a dinâmica bíblica, não me restrinjo, no que segue, a 3.1-4 (cf. PL III, p. 70-7, e XXI, p. 117-20). a) 3.1-4: Rebuscando 2.12s,17b, o trecho insta pela junção indissolúvel de Jesus Cristo com a comunidade; ele é a vida dela e ela é seu corpo. Esta realidade não é chavão igrejeiro, nem abstração dogmática; veja suas três características interligadas. A primeira: o ser com Jesus Cristo é exclusivamente comunitário (sete formulações referentes à 2ª pessoa do plural). A segunda: o ser com Jesus Cristo explode no testemunho ressurreição (cf. 3.1a), exaltação (cf. v. 1c), vinda em glória de Jesus Cristo (cf. v. 4a) e esperança da comunidade (cf. v. 4bc). A terceira característica: o ser com Jesus Cristo inclui per se uma conduta da presente vida que diferencia a comunidade de seu ambiente (cf. v. 2[s.]). Em meio ao mundo do pecado, a igreja dos pecadores perdoados tem de testemunhar que ela é tão-só a propriedade de Jesus Cristo, vive e quer viver tão-só de seu consolo e de sua determinação na esperança de sua epifania (Declaração Teológica de Barmen da Igreja Evangélica Alemã, 1934 [Barmen]). aa) A conjunção portanto (3.1a) liga, no sentido gramatical, os versículos que seguem com 2.6-23 e, sobretudo, esmiuça, no sentido teológico, o que 2.10-14,20a significa existencialmente. A transplantação da ação
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salvífica de Jesus Cristo sucedida no Batismo, na fé e no perdão das transgressões relativiza a morte como fim desta vida e, ao mesmo tempo, a vindoura conclusão daquela ação. A salvação lá do alto (3.1b,2b; cf. 1.5) já alcançou a comunidade. Jesus Cristo já incorporou a comunidade em si acontecimento que constitui base, sustento e força motriz da esperança desta. Devido a Jesus Cristo, a comunidade já passou pela morte como abismo entre Deus e ela própria (3.3a), estando entrementes em vida e salvação (Lutero), ou seja, escondida com Cristo em Deus (v. 3c). Falta apenas abrir a cortina (segundo Lutero) para que tal realidade seja desvelada e conhecida, epifânea não à comunidade, que dela já está ciente, pois foi-lhe manifestada (1.26b) em virtude da proclamação da Palavra da Verdade, o Evangelho (1.5b) e do mistério [da salvação por causa, mediante e em Cristo] (1.25s.; cf. 2.2d; 4.3c), de sua outorgação pelo Batismo e de sua aceitação em fé, sujeita a atribulações (3.3b), mas, sim, ao cosmo e aos ainda mortos por causa de suas transgressões e práticas religiosas (2.13a). O que ocorre na epifania de Jesus Cristo (cf. v. 3.4), a qual implica a transformação do cosmo. Então, o crer da comunidade será substituído pelo ver e as atribulações acabarão. A comunidade saberá e experimentará coisas inauditas, jamais ocorridas, jamais experimentadas (F.-W. Marquardt, Was dürfen wir hoffen, wenn wir hoffen dürften? Eine Eschatologie. Güterloh: Kaiser / Gütersloher, 1993. vol 1. p. 28). Elas não consistem de espetáculos celestes e, sim, de um novo, mais profundo compreender do mundo que conhecemos, numa forma agora [transparente e palpavelmente] permeada pelo amor de Deus, reconciliada, livre de todas as feridas da alienação da vida de um mundo, pois, mantido coeso pelo schalom..., que simultaneamente é zedaka [paz total com justiça integral]..., que satisfaz a cada um na necessidade específica de sua existência (o. c., p. 24; cf. M. Lutero, OS v. 7, p. 555.11-5; J. C. Maraschin (edit.), O Novo Canto da Terra. São Paulo: IAET, 1987. p. 65; PPL, OPC, p. 32s.; p. 92s.; p. 158s.). ab) Os verbos buscar (3.1b) e pensar (v. 2a) assinalam a percepção de vida das pessoas in loco et concreto. Lá do alto não quer dizer lá em cima ; jamais é categoria espacial, mas teológica / cristológica. Lá do alto é tropo para Deus, que está perto dos seres humanos de forma imediata e tremenda, concedendo-lhes fôlego e sentido de vida e decidindo a seu respeito, e onde Cristo vive (v. 1c). Sob hipótese alguma, Jesus Cristo está lá em cima. Pelo contrário, lá onde ele está há as coisas lá do alto ; aliás, elas são ele mesmo. Ele diz: Onde eu estou terás o céu. / Nada há de separarnos (M. Lutero. In: IECLB, Hinos do Povo de Deus [HPD]. 5. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1984. 155,7-fim; veja a estrofe inteira. Cf. ID, OS v. 7, p. 554.13 555.15).
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Jesus Cristo está assentado à direita de Deus (v. 1d; cf. segundo Sl 110.1; veja, acima, I.3.2º§), ocupando o lugar de honra de executivo exclusivo de sua decisão. E a decisão de Deus é arrancar-nos do poder das trevas e transportar-nos para o reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção a remissão dos pecados (1.13s.). Por causa, mediante e em Jesus Cristo, Deus mantém seu rosto voltado para nós e seu coração aberto. Com efeito, Jesus Cristo, assentado à direita de Deus , os torna, de vez e para sempre, incontornáveis, criativos e decisivos. Inexistem barreiras para este seu serviço ubíquo, onífero e monoagente. No cosmo, os jeitos de seu serviço são ilimitados; em sua comunidade, visam e envolvem nossos cinco sentidos. Daí seu serviço em palavra e sacramentos. Pensar nas coisas lá do alto é avaliar e julgar tudo nesta terra a partir de Jesus Cristo, o servo sobreexaltado . Buscar as coisas lá do alto é ser por ele marcado e direcionado em tudo nesta terra. O mesmo exprime o responsório prefacial na liturgia da Ceia do Senhor: Elevai os corações. / Ao Senhor os elevamos . Ele, a cabeça da igreja, está lá no alto , ou seja, junto a Deus, por ora invisível, no entanto a igreja, o seu corpo, está na terra e visível. Logo, as coisas aqui da terra (v. 2b; grifo meu), em especial religiosidades e suas práticas (cf. 2.20-23), são nocivas à comunhão indissolúvel na qual a comunidade peregrina neste mundo com Jesus Cristo, o assentado à direita de Deus , ao encontro da epifania dele e dela. A terra e seus poderes não causam mais obsessão sobre a comunidade peregrina, por isso ela pode se dedicar à terra como criação de Deus. ac) A vida da comunidade, aqui e agora, corresponde ao destino de Jesus Cristo: morre e é sepultada, e está sendo ressuscitada sempre com ele (cf. 3.3 e v. 1a). O Crucificado Ressurreto / o Ressurreto Crucificado é fundo e rumo de sua comunidade. A expressão com Cristo três [até quatro?] vezes em quatro versículos (v. 1a,3[a?]b,4c; cf. já 2.12,13b,20a) incute tal realidade. A existência da comunidade é, no sentido abrangente, Cristo-fundada. Em absoluto é produção própria dela, ao contrário, é feito do assentado à direita de Deus , do servo ubíquo, onífero e monoagente. Provém daí a certeza da salvação da comunidade. Esta chega de fora dela: sua vida é escondida com Cristo em Deus (v. 3b), independentemente do fato de que sua presente vida de longe não seja adequada a seu status junto a Jesus Cristo e a Deus. Razão por que quanto mais se confessa a certeza da salvação tanto mais urge insistir em que a gente salva assuma sua condição via nova vida já. Testemunho cristológico e ética nele embasada são irmãos gêmeos. b) 3.5-11: o trecho persegue dois objetivos. O primeiro: lembra a comunidade de seu compromisso com o sobreexaltado , que, em gratia praeveniens, se sacrifica por ela, cujos integrantes eram outrora estrangei-
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ros e inimigos pelo pensamento e pelas obras más (1.21), para que a comunidade doravante lhe pertença e viva submissa a ele, em seu reino, e o sirva [cf. 3.23s.] em eterna justiça, inocência e bem-aventurança (Lutero). A salvação foi imputada por causa, mediante e em Jesus Cristo, nada há para acrescentar graças a Deus! Logo, nenhuma preocupação mais com o céu, mas toda com a terra. Vale: O céu já é nosso, vamos, pois, colocar as nossas mãos na terra (P. Casaldáliga). Quem faz o contrário blasfema contra Deus, tira a honra de Cristo , tornando-se pessoa que vive nas nuvens, dita espiritual, que cai nos buracos cavados por diabo, do mundo e nossa carne (Lutero), revestidos de coisas e sentimentos religiosos (cf. os hipsistários antigos e modernos). O segundo objetivo do trecho: corta qualquer esoterização e metafisização do assentado à direita de Deus . Ele exercita na desmitificação/desmitologização bíblica da subida de Jesus Cristo ao céu . Ressalta que a fé no sobreexaltado liberta da alienação especulativa, faz cair na real, diz as coisas como elas são (Lutero) e entra no campo aberto e duro da vivência da fé. ba) Cl afiança que a vivência da fé não é moleza, nem pequena modificação, mas constitui ruptura radical entre antes e agora (cf. 1.21s., 2.13, 3.7s.) e vitalícia (cf. 3.5a,8a, 9a) para as pessoas. A vivência da fé dói, corta fundo, custa a velha vida. É mortificação dos membros terrenos [os membros = o corpo = a própria pessoa tal qual é; as pessoas não têm vícios, elas são intrinsecamente viciadas, o que fica patente nos membros corporais e nas práticas destes] (v. 5a,7,9b; cf. 2.20; Rm 13.12-14) e abandono (v. 8a; cf. 2.11,15) da vida costumeira; é largar o velho jeito de levar a vida e assumir o novo (v. 9b-11; cf. Gl 3.27; Rm 13.12,14). A vivência da fé não se dá por encanto, é trabalho árduo. Não sucede somente uma vez e então está estabelecida, importa que o velho ser humano em nós... seja afogado e morra com todos os pecados e maus desejos, e, por sua vez, ... ressurja diariamente novo ser humano, que viva em justiça e pureza diante de Deus (Lutero). Para Cl, a vivência da fé é existência nova, não apenas existência diferente. Não é melhor, mas também não é o que se entende por natural. Parece cruel e desumana, porém é alternativa sã. Não é maltrato, ao contrário, manifestação de alegria. A vivência da fé é divisor de águas em meio a tantas visões e opções de vida. Consciente de sua situação de diáspora, ri ao ser classificada de obsoleta. A vivência da fé jamais se sujeita aos eventos e espíritos dos tempos. Cl olha ao redor, avaliando criticamente o que se acha e pratica no vale do Lico. Resiste à máxima: é como é e continua sendo como sempre foi. Chama a vivência da fé a estar alerta, a ser inconformada e inconivente. Enfatiza que se exponha: não fique na defensiva passe à ofensiva; estorve a engrenagem das regras da vida, convencionadas na sociedade por acomodação, comodidade e mínima resistência geral possível.
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Jesus Cristo está assentado à direita de Deus (v. 1d; cf. segundo Sl 110.1; veja, acima, I.3.2º§), ocupando o lugar de honra de executivo exclusivo de sua decisão. E a decisão de Deus é arrancar-nos do poder das trevas e transportar-nos para o reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção a remissão dos pecados (1.13s.). Por causa, mediante e em Jesus Cristo, Deus mantém seu rosto voltado para nós e seu coração aberto. Com efeito, Jesus Cristo, assentado à direita de Deus , os torna, de vez e para sempre, incontornáveis, criativos e decisivos. Inexistem barreiras para este seu serviço ubíquo, onífero e monoagente. No cosmo, os jeitos de seu serviço são ilimitados; em sua comunidade, visam e envolvem nossos cinco sentidos. Daí seu serviço em palavra e sacramentos. Pensar nas coisas lá do alto é avaliar e julgar tudo nesta terra a partir de Jesus Cristo, o servo sobreexaltado . Buscar as coisas lá do alto é ser por ele marcado e direcionado em tudo nesta terra. O mesmo exprime o responsório prefacial na liturgia da Ceia do Senhor: Elevai os corações. / Ao Senhor os elevamos . Ele, a cabeça da igreja, está lá no alto , ou seja, junto a Deus, por ora invisível, no entanto a igreja, o seu corpo, está na terra e visível. Logo, as coisas aqui da terra (v. 2b; grifo meu), em especial religiosidades e suas práticas (cf. 2.20-23), são nocivas à comunhão indissolúvel na qual a comunidade peregrina neste mundo com Jesus Cristo, o assentado à direita de Deus , ao encontro da epifania dele e dela. A terra e seus poderes não causam mais obsessão sobre a comunidade peregrina, por isso ela pode se dedicar à terra como criação de Deus. ac) A vida da comunidade, aqui e agora, corresponde ao destino de Jesus Cristo: morre e é sepultada, e está sendo ressuscitada sempre com ele (cf. 3.3 e v. 1a). O Crucificado Ressurreto / o Ressurreto Crucificado é fundo e rumo de sua comunidade. A expressão com Cristo três [até quatro?] vezes em quatro versículos (v. 1a,3[a?]b,4c; cf. já 2.12,13b,20a) incute tal realidade. A existência da comunidade é, no sentido abrangente, Cristo-fundada. Em absoluto é produção própria dela, ao contrário, é feito do assentado à direita de Deus , do servo ubíquo, onífero e monoagente. Provém daí a certeza da salvação da comunidade. Esta chega de fora dela: sua vida é escondida com Cristo em Deus (v. 3b), independentemente do fato de que sua presente vida de longe não seja adequada a seu status junto a Jesus Cristo e a Deus. Razão por que quanto mais se confessa a certeza da salvação tanto mais urge insistir em que a gente salva assuma sua condição via nova vida já. Testemunho cristológico e ética nele embasada são irmãos gêmeos. b) 3.5-11: o trecho persegue dois objetivos. O primeiro: lembra a comunidade de seu compromisso com o sobreexaltado , que, em gratia praeveniens, se sacrifica por ela, cujos integrantes eram outrora estrangei-
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ros e inimigos pelo pensamento e pelas obras más (1.21), para que a comunidade doravante lhe pertença e viva submissa a ele, em seu reino, e o sirva [cf. 3.23s.] em eterna justiça, inocência e bem-aventurança (Lutero). A salvação foi imputada por causa, mediante e em Jesus Cristo, nada há para acrescentar graças a Deus! Logo, nenhuma preocupação mais com o céu, mas toda com a terra. Vale: O céu já é nosso, vamos, pois, colocar as nossas mãos na terra (P. Casaldáliga). Quem faz o contrário blasfema contra Deus, tira a honra de Cristo , tornando-se pessoa que vive nas nuvens, dita espiritual, que cai nos buracos cavados por diabo, do mundo e nossa carne (Lutero), revestidos de coisas e sentimentos religiosos (cf. os hipsistários antigos e modernos). O segundo objetivo do trecho: corta qualquer esoterização e metafisização do assentado à direita de Deus . Ele exercita na desmitificação/desmitologização bíblica da subida de Jesus Cristo ao céu . Ressalta que a fé no sobreexaltado liberta da alienação especulativa, faz cair na real, diz as coisas como elas são (Lutero) e entra no campo aberto e duro da vivência da fé. ba) Cl afiança que a vivência da fé não é moleza, nem pequena modificação, mas constitui ruptura radical entre antes e agora (cf. 1.21s., 2.13, 3.7s.) e vitalícia (cf. 3.5a,8a, 9a) para as pessoas. A vivência da fé dói, corta fundo, custa a velha vida. É mortificação dos membros terrenos [os membros = o corpo = a própria pessoa tal qual é; as pessoas não têm vícios, elas são intrinsecamente viciadas, o que fica patente nos membros corporais e nas práticas destes] (v. 5a,7,9b; cf. 2.20; Rm 13.12-14) e abandono (v. 8a; cf. 2.11,15) da vida costumeira; é largar o velho jeito de levar a vida e assumir o novo (v. 9b-11; cf. Gl 3.27; Rm 13.12,14). A vivência da fé não se dá por encanto, é trabalho árduo. Não sucede somente uma vez e então está estabelecida, importa que o velho ser humano em nós... seja afogado e morra com todos os pecados e maus desejos, e, por sua vez, ... ressurja diariamente novo ser humano, que viva em justiça e pureza diante de Deus (Lutero). Para Cl, a vivência da fé é existência nova, não apenas existência diferente. Não é melhor, mas também não é o que se entende por natural. Parece cruel e desumana, porém é alternativa sã. Não é maltrato, ao contrário, manifestação de alegria. A vivência da fé é divisor de águas em meio a tantas visões e opções de vida. Consciente de sua situação de diáspora, ri ao ser classificada de obsoleta. A vivência da fé jamais se sujeita aos eventos e espíritos dos tempos. Cl olha ao redor, avaliando criticamente o que se acha e pratica no vale do Lico. Resiste à máxima: é como é e continua sendo como sempre foi. Chama a vivência da fé a estar alerta, a ser inconformada e inconivente. Enfatiza que se exponha: não fique na defensiva passe à ofensiva; estorve a engrenagem das regras da vida, convencionadas na sociedade por acomodação, comodidade e mínima resistência geral possível.
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E isso por dois motivos. O primeiro: a ira de Deus (3.6; cf. 1 Ts 1.10; 5. 9; Rm 2.5; 3.5s.; 5.9; Ef 5.6), ou: o dia de Deus, grande e terrível (Jl 3.b). Por isso mesmo devemos amá-lo [a Deus], confiar nele e de boa vontade cumprir seus mandamentos (Lutero). Ninguém se iluda, Deus coloca os critérios, não a sociedade. Este fato determina os juízos da comunidade. O segundo motivo: o despir da pessoa velha e o revestir da nova [, acontecidos no batismo] (v. 9b-10a), que está sendo recriada [por Deus Criador] para que perceba tal qual a imagem [que está sendo restituída nela] do seu Criador [percebe] (v. 10b [cf. 2 Co 4.16]; tradução livre). Conforme Cl, a vivência da fé reflete, in loco et concreto, o fato de que vida e salvação , outorgadas à comunidade, têm fôlego e energia. A vivência da fé, embora escondida com Cristo em Deus sob progressões e regressões, testemunha que a comunidade é o corpo do sobreexaltado na terra, ao qual pertence o cosmo (cf. 1.16c-20), e não é nenhum conventículo com fins animantes e sociais. bb) Embora a vivência da fé ocorra em contextos de certos modos e hábitos de viver, Cl articula que jeitos concretos são inassimiláveis. Como a fé no assentado à direita de Deus não compactua com outros acontecimentos e poderes, figuras e verdades (Barmen; cf., acima, III.1.-3.), de semelhante modo sua vivência rejeita comportamentos específicos, encontrados e aplaudidos no meio social circundante (Cl 3.5bc,8b-9a). É provável que os catálogos de vícios em 3.5b e 8b duas vezes cinco, correspondendo aos dez dedos sejam tomados formalmente do ensino moral estóico popular da época, veiculados e adaptados pelo judaísmo helenista (opinião unânime dos biblistas consultados). O que só sublinha a convicção de Cl de que a vivência da fé acontece nesta terra e, em absoluto, não contra ela ou acima dela. Destarte a vivência da fé pode se aliar a critérios e apelos morais conhecidos se são seguidos pela sociedade que os escuta e, talvez, aceita, é outra coisa e aproveitá-los em sua prática (cf. Fp 4.8). Contudo, sua compreensão, estritamente por causa, mediante e em Cristo (cf. Cl 1.10a; cf. 3.17b,18b,20b,23b; 4.1b), e sua realização são genuínas de Cl, o que transparece nas ênfases e acréscimos com que o remetente cerceia aqueles critérios e apelos. Eis a dinamite. Em relação aos mencionados catálogos, constata-se: no primeiro, o artigo antes de avareza , bem como o acréscimo que é idolatria (Cl 3.5c; cf. Ef 5.5c) e, no segundo, a frase adicional não mintais uns aos outros (v. 9a). Aí Cl traz à tona um estilo de vida deveras alternativo; um convívio humano contrastante. Pois, por via de regra, as pessoas se produzem e garantem através de avareza e mentira. É sua razão de ser: acumular bens e prazeres, sobretudo sexuais (cf. Ef 5.5) os termos arrolados em 3.5b são todos relacionados à sexualidade, vão de brincadeiras sexuais sobre o laissez-
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faire sexual até a promiscuidade generalizada. Para chegar lá em cima radicalmente diferente de lá do alto da Cl , ao clímax do gozo, é imperativo inevitável mentir, ou seja, cumprir sem reservas as normas de subida ao topo. Incute-se a base de tais normas às pessoas desde pequenas: fazer o que todo mundo faz, ou seja, fugir da própria responsabilidade e da verdade. Motivo alegado: todos agem assim; quem vai contra sucumbe. Deste modo, as pessoas confundem umas as outras. Constroem uma jaula na qual ficam imprensadas (cf. Ec 5.10) uma das manifestações dos elementos/rudimentos/poderes dos quais Jesus Cristo liberta e que Cl qualifica de idolatria (cf. Mt 6.24). Aquilo... a que prendes o coração e te confias, isso... é propriamente o teu Deus , o que, por outro lado, significa nada mais nada menos do que a si mesmo reputar-se Deus e em tal [idéia absurda] se erigir (Lutero). bc) Os comportamentos recriminados em Cl 3.5bc e 8b.9 destroem a convivência humana seja dentro, seja fora da comunidade. Documentam que condutas humanas nunca se limitam ao âmbito individual, pois o indivíduo convive com outros, por conseguinte as atitudes pessoais permeiam suas mais diferentes relações interpessoais. Quando, então, as condutas humanas mudam, muda o convívio entre os seres humanos. Em v. 5b, a outra pessoa é tratada como objeto, mantida dependente, chantageada, rebaixada, oprimida e explorada de muitas maneiras, físicas e psíquicas, impossibilitando uma parceria integral, solidária e vitalícia entre iguais. Mormente v. 5c acentua a implosão do convívio social (cf. Ec 5.10; 1 Tm 6. 10), pois a avareza a acumulação de bens e sua defesa custe o que custar comprova que o ajuntado tem origem injusta; sua avidez conquista o poder total para segurar o acumulado e aumentá-lo de maneira ininterrupta e irrestrita, brecando qualquer tentativa de aproveitá-lo para o bem comum. A avareza torna os seres humanos entes econômicos totais e auto-suficientes, constrangendo-os a fazer ídolos de si mesmos. Razão pela qual a avareza é idolatria ; Lutero viu nela o principal pecado mortal e, repetidas vezes, enfatizou que as pessoas que se entregam a ela sejam excomungadas. Também v. 8b e 9 cantam pelo mesmo diapasão: os instintos negativos / os afetos narcisistas subjugam e soltam a língua, solapando a confiança entre as pessoas e estragando sua comunhão. A língua envenenada agride, mancha, tira a honra dos semelhantes com o que infernaliza ou, até, inviabiliza a existência humana (cf. Tg 1.26; 3.5-12; Mt 5.21). Por isso: devemos desculpar o próximo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira (Lutero). bd) Conforme Cl, a vivência da fé enxerga e denuncia os comportamentos em tela, os rejeita e combate. Ela o empreende tanto mais que sabe
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E isso por dois motivos. O primeiro: a ira de Deus (3.6; cf. 1 Ts 1.10; 5. 9; Rm 2.5; 3.5s.; 5.9; Ef 5.6), ou: o dia de Deus, grande e terrível (Jl 3.b). Por isso mesmo devemos amá-lo [a Deus], confiar nele e de boa vontade cumprir seus mandamentos (Lutero). Ninguém se iluda, Deus coloca os critérios, não a sociedade. Este fato determina os juízos da comunidade. O segundo motivo: o despir da pessoa velha e o revestir da nova [, acontecidos no batismo] (v. 9b-10a), que está sendo recriada [por Deus Criador] para que perceba tal qual a imagem [que está sendo restituída nela] do seu Criador [percebe] (v. 10b [cf. 2 Co 4.16]; tradução livre). Conforme Cl, a vivência da fé reflete, in loco et concreto, o fato de que vida e salvação , outorgadas à comunidade, têm fôlego e energia. A vivência da fé, embora escondida com Cristo em Deus sob progressões e regressões, testemunha que a comunidade é o corpo do sobreexaltado na terra, ao qual pertence o cosmo (cf. 1.16c-20), e não é nenhum conventículo com fins animantes e sociais. bb) Embora a vivência da fé ocorra em contextos de certos modos e hábitos de viver, Cl articula que jeitos concretos são inassimiláveis. Como a fé no assentado à direita de Deus não compactua com outros acontecimentos e poderes, figuras e verdades (Barmen; cf., acima, III.1.-3.), de semelhante modo sua vivência rejeita comportamentos específicos, encontrados e aplaudidos no meio social circundante (Cl 3.5bc,8b-9a). É provável que os catálogos de vícios em 3.5b e 8b duas vezes cinco, correspondendo aos dez dedos sejam tomados formalmente do ensino moral estóico popular da época, veiculados e adaptados pelo judaísmo helenista (opinião unânime dos biblistas consultados). O que só sublinha a convicção de Cl de que a vivência da fé acontece nesta terra e, em absoluto, não contra ela ou acima dela. Destarte a vivência da fé pode se aliar a critérios e apelos morais conhecidos se são seguidos pela sociedade que os escuta e, talvez, aceita, é outra coisa e aproveitá-los em sua prática (cf. Fp 4.8). Contudo, sua compreensão, estritamente por causa, mediante e em Cristo (cf. Cl 1.10a; cf. 3.17b,18b,20b,23b; 4.1b), e sua realização são genuínas de Cl, o que transparece nas ênfases e acréscimos com que o remetente cerceia aqueles critérios e apelos. Eis a dinamite. Em relação aos mencionados catálogos, constata-se: no primeiro, o artigo antes de avareza , bem como o acréscimo que é idolatria (Cl 3.5c; cf. Ef 5.5c) e, no segundo, a frase adicional não mintais uns aos outros (v. 9a). Aí Cl traz à tona um estilo de vida deveras alternativo; um convívio humano contrastante. Pois, por via de regra, as pessoas se produzem e garantem através de avareza e mentira. É sua razão de ser: acumular bens e prazeres, sobretudo sexuais (cf. Ef 5.5) os termos arrolados em 3.5b são todos relacionados à sexualidade, vão de brincadeiras sexuais sobre o laissez-
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faire sexual até a promiscuidade generalizada. Para chegar lá em cima radicalmente diferente de lá do alto da Cl , ao clímax do gozo, é imperativo inevitável mentir, ou seja, cumprir sem reservas as normas de subida ao topo. Incute-se a base de tais normas às pessoas desde pequenas: fazer o que todo mundo faz, ou seja, fugir da própria responsabilidade e da verdade. Motivo alegado: todos agem assim; quem vai contra sucumbe. Deste modo, as pessoas confundem umas as outras. Constroem uma jaula na qual ficam imprensadas (cf. Ec 5.10) uma das manifestações dos elementos/rudimentos/poderes dos quais Jesus Cristo liberta e que Cl qualifica de idolatria (cf. Mt 6.24). Aquilo... a que prendes o coração e te confias, isso... é propriamente o teu Deus , o que, por outro lado, significa nada mais nada menos do que a si mesmo reputar-se Deus e em tal [idéia absurda] se erigir (Lutero). bc) Os comportamentos recriminados em Cl 3.5bc e 8b.9 destroem a convivência humana seja dentro, seja fora da comunidade. Documentam que condutas humanas nunca se limitam ao âmbito individual, pois o indivíduo convive com outros, por conseguinte as atitudes pessoais permeiam suas mais diferentes relações interpessoais. Quando, então, as condutas humanas mudam, muda o convívio entre os seres humanos. Em v. 5b, a outra pessoa é tratada como objeto, mantida dependente, chantageada, rebaixada, oprimida e explorada de muitas maneiras, físicas e psíquicas, impossibilitando uma parceria integral, solidária e vitalícia entre iguais. Mormente v. 5c acentua a implosão do convívio social (cf. Ec 5.10; 1 Tm 6. 10), pois a avareza a acumulação de bens e sua defesa custe o que custar comprova que o ajuntado tem origem injusta; sua avidez conquista o poder total para segurar o acumulado e aumentá-lo de maneira ininterrupta e irrestrita, brecando qualquer tentativa de aproveitá-lo para o bem comum. A avareza torna os seres humanos entes econômicos totais e auto-suficientes, constrangendo-os a fazer ídolos de si mesmos. Razão pela qual a avareza é idolatria ; Lutero viu nela o principal pecado mortal e, repetidas vezes, enfatizou que as pessoas que se entregam a ela sejam excomungadas. Também v. 8b e 9 cantam pelo mesmo diapasão: os instintos negativos / os afetos narcisistas subjugam e soltam a língua, solapando a confiança entre as pessoas e estragando sua comunhão. A língua envenenada agride, mancha, tira a honra dos semelhantes com o que infernaliza ou, até, inviabiliza a existência humana (cf. Tg 1.26; 3.5-12; Mt 5.21). Por isso: devemos desculpar o próximo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira (Lutero). bd) Conforme Cl, a vivência da fé enxerga e denuncia os comportamentos em tela, os rejeita e combate. Ela o empreende tanto mais que sabe
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que são normais antes de ouvir e compreender, na verdade do evangelho, a graça de Deus (1.5s.; cf. v. 10-14,21s,27cd,28; 2.5d; 3.3) e, agora, os averigua como onipresentes aliciações desastrosas para a comunidade, santa, inculpável e irrepreensível perante Deus (cf. 1.22b,23). Assim a vivência da fé conhece, reconhece e segue a imagem do seu Criador (v. 10b; cf. Gn 1.26s. e 2 Co 4.4; 5.17); é o conhecimento / a sabedoria (Cl 2.2s.) que se opõe diametralmente à aparência de sabedoria (v. 23), pois age em conformidade com o Criador, que quer bem à sua criatura. A imagem do Deus invisível é o próprio Jesus Cristo (Cl 1.15). Este outorga sua imagem à comunidade via pregação, fé, Batismo e perdão dos pecados (cf. Gl 3.25-27 [Rm 13.14a; Ef 4. 24]). Ela é, portanto, imago Dei, restituída por causa, mediante e em Jesus Cristo (cf. 2 Co 3.18; Rm 8.29) imago Dei como saiu originalmente da mão de Deus e corresponde à vontade dele: a comunhão precógnita entre o Criador e as criaturas, e estas entre si. Tal comunhão, restabelecida na fé, leva a vivência da fé a visar, apressar e esperar o convívio humano global, sem separação alguma, em comunhão reconciliada, por ser encaminhada, mantida e permeada por Jesus Cristo (v. 11; cf. 1 Co 12.13; Gl 3.27s.). A raiz da separação entre as pessoas reside em sua rebeldia contra Deus (cf. Gn 3.8 11.9). O convívio humano global reconciliado se baseia e mantém, se impõe e alastra na comunhão imediata com Jesus Cristo (cf. Cl 1.13; 1 Co 15.28). Jesus Cristo é tudo (Cl 3.11c): norma e realidade, lei e vida; ele é a unidade de todas as diferenças [v. 11ab] e, por isso, a quintessência do mundo unido e reconciliado por ele. E ele é [tudo] em todos [v. 11c]: em cada pessoa, membro do seu corpo, ele é a força de sua vida e a realidade de sua existência (E. Lohmeyer, Die Briefe an die Philipper, Kolosser und an Philemon. Göttingen: Vandenhoeck, 1961. [Der Brief an die Kolosser] p. 144 [Kritisch-exegetischer Kommentar über das Neue Testament. 9. Abt. 12. Aufl.]). A vivência da fé, contudo, prefigura o convívio humano global no presente convívio no seio das comunidades junto ao rio Lico. Pois os destinatários de Cl já receberam a Cristo Jesus, o Senhor, logo andem nele, nele radicados e edificados, e confirmados na fé (2.6s.).
IV. Sugestões para o culto Tomara que a reflexão até essa altura tenha deixado claro: apenas alguém que convive com uma comunidade concreta pode pregar sobre Cl 3.111. Por isso é importante que os pregadores e as pregadoras se conscientizem daquilo que se pensa, almeja e pratica na mesma preferencialmente no campo religioso. A partir daí, não faltará ânimo, fôlego e fantasia para
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contextualizar a perícope, inclusive em mais de uma oportunidade e com diferentes abordagens. 1) Sugiro quatro temáticas distintas, que perpassarão os respectivos cultos: a) O lá em cima dos presentes ao culto antes de todos, naturalmente dos pregadores! com palpáveis desdobramentos nocivos ao convívio humano contrapõe-se ao lá d[n]o alto de Cl, com desdobramentos nas esferas pessoal/social e comunitária, que visam, apressam e esperam o convívio humano global reconciliado. A comunidade já foi resgatada, por isso ri de destinos, encara poderes manifestos e ocultos, é livre de opiniões que se tem dela. b) Vida e salvação já são dadas por causa, mediante e em Jesus Cristo. A comunidade tem tudo, não pode ganhar mais nada. Tal fato cria estilo alternativo de vida, individual e comunitário, na sociedade circundante, ensaiando o que será a nova humanidade. A comunidade local, chamada ao culto pelo próprio Jesus Cristo, é a prefiguração concreta da nova criação. A comunidade, em toda sua insignificância e debilidade, é fator insubstituível do novo céu e da nova terra. c) A vida da comunidade, chamada ao culto pelo próprio Jesus Cristo, está escondida com Cristo [grifo meu] em Deus , não está, simplesmente, escondida em Deus. Quer dizer: Jesus Cristo é quem diferencia entre a comunidade e a vida dela, avalia e orienta sua vida. Logo, a última se caracteriza por atribulação e conseqüente penitência, por alegria e conseqüente testemunho, por coragem e conseqüente insistência na superação de tudo aquilo que separa os seres humanos hoje. Agindo dessa maneira, a comunidade não impõe Jesus Cristo ao mundo, nem o defende perante este, apenas indica para Jesus Cristo, que já venceu sub specie Dei, o que basta. d) Subida de Jesus Cristo ao céu versus Cristo está sentado à direita de Deus . Jesus Cristo, o sobreexaltado , é o servo onipresente, onífero e monoagente de seu corpo . Ele aproveita e emprega tudo o que é diário e comum aos cinco sentidos humanos. Desse modo liberta seu corpo ; concede-lhe já parte nele próprio, o que tão-só torna público quando se manifesta em glória ; encaminha-o para transformar o que aí está. 2) Importa que o intróito e a(s) leitura(s) bíblica(s) combinem com a temática escolhida (veja I.3.2º§). Em detrimento dos textos no cabeçalho, que acompanham Cl 3.1-11, não podem faltar Sl 110; Fp 2.6-11; Rm 8.31-39 e At 2.33-36. Igualmente a escolha dos hinos seja consoante o tema selecionado (veja III.4.aa); será difícil omitir HPD 73s.; 155s.; 162; 175; 181; 187; 208 e OS v. 7, p. 554.12 555.15 (2ª coluna; melodia HPD 15).
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que são normais antes de ouvir e compreender, na verdade do evangelho, a graça de Deus (1.5s.; cf. v. 10-14,21s,27cd,28; 2.5d; 3.3) e, agora, os averigua como onipresentes aliciações desastrosas para a comunidade, santa, inculpável e irrepreensível perante Deus (cf. 1.22b,23). Assim a vivência da fé conhece, reconhece e segue a imagem do seu Criador (v. 10b; cf. Gn 1.26s. e 2 Co 4.4; 5.17); é o conhecimento / a sabedoria (Cl 2.2s.) que se opõe diametralmente à aparência de sabedoria (v. 23), pois age em conformidade com o Criador, que quer bem à sua criatura. A imagem do Deus invisível é o próprio Jesus Cristo (Cl 1.15). Este outorga sua imagem à comunidade via pregação, fé, Batismo e perdão dos pecados (cf. Gl 3.25-27 [Rm 13.14a; Ef 4. 24]). Ela é, portanto, imago Dei, restituída por causa, mediante e em Jesus Cristo (cf. 2 Co 3.18; Rm 8.29) imago Dei como saiu originalmente da mão de Deus e corresponde à vontade dele: a comunhão precógnita entre o Criador e as criaturas, e estas entre si. Tal comunhão, restabelecida na fé, leva a vivência da fé a visar, apressar e esperar o convívio humano global, sem separação alguma, em comunhão reconciliada, por ser encaminhada, mantida e permeada por Jesus Cristo (v. 11; cf. 1 Co 12.13; Gl 3.27s.). A raiz da separação entre as pessoas reside em sua rebeldia contra Deus (cf. Gn 3.8 11.9). O convívio humano global reconciliado se baseia e mantém, se impõe e alastra na comunhão imediata com Jesus Cristo (cf. Cl 1.13; 1 Co 15.28). Jesus Cristo é tudo (Cl 3.11c): norma e realidade, lei e vida; ele é a unidade de todas as diferenças [v. 11ab] e, por isso, a quintessência do mundo unido e reconciliado por ele. E ele é [tudo] em todos [v. 11c]: em cada pessoa, membro do seu corpo, ele é a força de sua vida e a realidade de sua existência (E. Lohmeyer, Die Briefe an die Philipper, Kolosser und an Philemon. Göttingen: Vandenhoeck, 1961. [Der Brief an die Kolosser] p. 144 [Kritisch-exegetischer Kommentar über das Neue Testament. 9. Abt. 12. Aufl.]). A vivência da fé, contudo, prefigura o convívio humano global no presente convívio no seio das comunidades junto ao rio Lico. Pois os destinatários de Cl já receberam a Cristo Jesus, o Senhor, logo andem nele, nele radicados e edificados, e confirmados na fé (2.6s.).
IV. Sugestões para o culto Tomara que a reflexão até essa altura tenha deixado claro: apenas alguém que convive com uma comunidade concreta pode pregar sobre Cl 3.111. Por isso é importante que os pregadores e as pregadoras se conscientizem daquilo que se pensa, almeja e pratica na mesma preferencialmente no campo religioso. A partir daí, não faltará ânimo, fôlego e fantasia para
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contextualizar a perícope, inclusive em mais de uma oportunidade e com diferentes abordagens. 1) Sugiro quatro temáticas distintas, que perpassarão os respectivos cultos: a) O lá em cima dos presentes ao culto antes de todos, naturalmente dos pregadores! com palpáveis desdobramentos nocivos ao convívio humano contrapõe-se ao lá d[n]o alto de Cl, com desdobramentos nas esferas pessoal/social e comunitária, que visam, apressam e esperam o convívio humano global reconciliado. A comunidade já foi resgatada, por isso ri de destinos, encara poderes manifestos e ocultos, é livre de opiniões que se tem dela. b) Vida e salvação já são dadas por causa, mediante e em Jesus Cristo. A comunidade tem tudo, não pode ganhar mais nada. Tal fato cria estilo alternativo de vida, individual e comunitário, na sociedade circundante, ensaiando o que será a nova humanidade. A comunidade local, chamada ao culto pelo próprio Jesus Cristo, é a prefiguração concreta da nova criação. A comunidade, em toda sua insignificância e debilidade, é fator insubstituível do novo céu e da nova terra. c) A vida da comunidade, chamada ao culto pelo próprio Jesus Cristo, está escondida com Cristo [grifo meu] em Deus , não está, simplesmente, escondida em Deus. Quer dizer: Jesus Cristo é quem diferencia entre a comunidade e a vida dela, avalia e orienta sua vida. Logo, a última se caracteriza por atribulação e conseqüente penitência, por alegria e conseqüente testemunho, por coragem e conseqüente insistência na superação de tudo aquilo que separa os seres humanos hoje. Agindo dessa maneira, a comunidade não impõe Jesus Cristo ao mundo, nem o defende perante este, apenas indica para Jesus Cristo, que já venceu sub specie Dei, o que basta. d) Subida de Jesus Cristo ao céu versus Cristo está sentado à direita de Deus . Jesus Cristo, o sobreexaltado , é o servo onipresente, onífero e monoagente de seu corpo . Ele aproveita e emprega tudo o que é diário e comum aos cinco sentidos humanos. Desse modo liberta seu corpo ; concede-lhe já parte nele próprio, o que tão-só torna público quando se manifesta em glória ; encaminha-o para transformar o que aí está. 2) Importa que o intróito e a(s) leitura(s) bíblica(s) combinem com a temática escolhida (veja I.3.2º§). Em detrimento dos textos no cabeçalho, que acompanham Cl 3.1-11, não podem faltar Sl 110; Fp 2.6-11; Rm 8.31-39 e At 2.33-36. Igualmente a escolha dos hinos seja consoante o tema selecionado (veja III.4.aa); será difícil omitir HPD 73s.; 155s.; 162; 175; 181; 187; 208 e OS v. 7, p. 554.12 555.15 (2ª coluna; melodia HPD 15).
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3) Referente à confissão dos pecados , mencionem-se comportamentos concretos, danosos e incoerentes, em conexão com a temática escolhida, os quais a prédica retoma, dando-lhes plasticidade. Relativo às orações, fiquem cristalinos tanto o louvor e a gratidão concernentes a vida e salvação já como a expressão do ardente anseio pela substituição do crer pelo ver. 4) Animo a organizar encontros de conversação sobre o(s) culto(s) havido(s). Além de verificar se sua mensagem foi entendida mais não é da conta do pregador e da pregadora! , é mister ajuda comunitária contra o pleno pecado das pessoas que pregam: sua tendência à abstração.
3º§: M. Lutero, OS v. 7, p. 537.5 p. 538.23 (cf. HPD 97) e p. 492.21-36 (cf. HPD 155.9s.). v. 4, p. 271 e Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 42, n. 2, p. 98s. [= nota 46]. 2002. III.1.-3.: J. Comblin, Epístola aos Colossenses e Epístola a Filemon. Petrópolis: Vozes / São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista / São Leopoldo: Sinodal, 1986. p. 19-21.24/1º§ (= fé em Jesus Cristo versus religiões) [Comentário Bíblico]. 4a.ab: M. Lutero, OS v. 7, p. 554.13 555.15. ab/ac: o mesmo assinalado sob I.3.3º§.
RECOMENDAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS Textos para ruminar (Lutero) referentes a: I.2.: Igreja Evangélica Luterana [IEL], Livro de Concórdia [LC]. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 1993. p. 585.36 p. 586.39.
b.bb: M. Lutero, OS v. 7, p. 333.30 p. 341.15 (= IEL, LC, p. 394.1 p. 402.48). bd: J. Comblin, o. c., p. 67s.
Textos para consultar referentes a: I.2.: R. Bultmann, o.c., p. 11-45.
R. Bultmann, Crer e Compreender Artigos Selecionados. São Leopoldo: Sinodal, 1987. p. 20s.
A. Torres Queiruga, Fim do cristianismo pré-moderno. São Paulo: Paulus, 2003. p. 25-36.82-91. 201-42.
(= A tarefa da desmitologização sob a perspectiva da essência do mito); p. 37.3º§
I.3.2ºs.§§: K. Barth, Credo Comentários ao Credo Apostólico. São Paulo: Novo Século, 2003. p. 111-20.
(= O acontecimento ocorrido em Cristo é a revelação do amor de Deus); p. 40s.
G. Aulén, A Fé Cristã. São Paulo: ASTE, 1965. p. 181-215.
(= A cruz de Cristo); p. 45 (= Conclusão). I.3.1º§: M. Lutero, OS v. 4. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 1993. p. 18s., 214-6. v. 1. Ibd., 1987. p. 250-6; v. 7, 2000. p. 395.14-23 (= IEL, LC p. 452.38s.), p. 460.24 p. 461.28 e p. 464.19 p. 465. 8 (IEL, LC p. 375.1 p. 376.10 e p. 378.4 p. 379. 10). v. 8. Ibd., 2003. p. 124.9 p. 127.14 (= M. Lutero, Pelo Evangelho de Cristo Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma. Porto Alegre: Concórdia / São Leopoldo: Sinodal, 1984. p. 173-6). D. Bonhoeffer, Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal, 1982 p. 9s. (= o que é comunhão entre cristãos ; p. 15s. (= o que é amor segundo Jesus Cristo); p. 17 (= unido na fé, não na experiência ).
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H. Küng, Ser Cristão. São Paulo: Paulinas, 1976. p. 305-7. P. Tillich, Teologia Sistemática. São Leopoldo: Sinodal / São Paulo: Paulinas, 1984. p. 368-71. C. E. Braaten. In: ID. & R. W. Jenson, Dogmática Cristã v. 1. São Leopoldo: Sinodal, 1990. p.535-9. K. Nordstokke. In: W. Altmann (org.), Eu creio nós cremos. A fé cristã ontem e hoje à base do Credo Apostólico. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 127-33. A. Baeske. In: W. Altmann, o. c., p. 63-79. II.1.: ID, Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 42, n. 2, p. 92s. 2002. III.1.1.: E. Lohse, Introdução ao Novo Testamento. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1985. p. 87-93.
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3) Referente à confissão dos pecados , mencionem-se comportamentos concretos, danosos e incoerentes, em conexão com a temática escolhida, os quais a prédica retoma, dando-lhes plasticidade. Relativo às orações, fiquem cristalinos tanto o louvor e a gratidão concernentes a vida e salvação já como a expressão do ardente anseio pela substituição do crer pelo ver. 4) Animo a organizar encontros de conversação sobre o(s) culto(s) havido(s). Além de verificar se sua mensagem foi entendida mais não é da conta do pregador e da pregadora! , é mister ajuda comunitária contra o pleno pecado das pessoas que pregam: sua tendência à abstração.
3º§: M. Lutero, OS v. 7, p. 537.5 p. 538.23 (cf. HPD 97) e p. 492.21-36 (cf. HPD 155.9s.). v. 4, p. 271 e Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 42, n. 2, p. 98s. [= nota 46]. 2002. III.1.-3.: J. Comblin, Epístola aos Colossenses e Epístola a Filemon. Petrópolis: Vozes / São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista / São Leopoldo: Sinodal, 1986. p. 19-21.24/1º§ (= fé em Jesus Cristo versus religiões) [Comentário Bíblico]. 4a.ab: M. Lutero, OS v. 7, p. 554.13 555.15. ab/ac: o mesmo assinalado sob I.3.3º§.
RECOMENDAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS Textos para ruminar (Lutero) referentes a: I.2.: Igreja Evangélica Luterana [IEL], Livro de Concórdia [LC]. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 1993. p. 585.36 p. 586.39.
b.bb: M. Lutero, OS v. 7, p. 333.30 p. 341.15 (= IEL, LC, p. 394.1 p. 402.48). bd: J. Comblin, o. c., p. 67s.
Textos para consultar referentes a: I.2.: R. Bultmann, o.c., p. 11-45.
R. Bultmann, Crer e Compreender Artigos Selecionados. São Leopoldo: Sinodal, 1987. p. 20s.
A. Torres Queiruga, Fim do cristianismo pré-moderno. São Paulo: Paulus, 2003. p. 25-36.82-91. 201-42.
(= A tarefa da desmitologização sob a perspectiva da essência do mito); p. 37.3º§
I.3.2ºs.§§: K. Barth, Credo Comentários ao Credo Apostólico. São Paulo: Novo Século, 2003. p. 111-20.
(= O acontecimento ocorrido em Cristo é a revelação do amor de Deus); p. 40s.
G. Aulén, A Fé Cristã. São Paulo: ASTE, 1965. p. 181-215.
(= A cruz de Cristo); p. 45 (= Conclusão). I.3.1º§: M. Lutero, OS v. 4. São Leopoldo: Sinodal / Porto Alegre: Concórdia, 1993. p. 18s., 214-6. v. 1. Ibd., 1987. p. 250-6; v. 7, 2000. p. 395.14-23 (= IEL, LC p. 452.38s.), p. 460.24 p. 461.28 e p. 464.19 p. 465. 8 (IEL, LC p. 375.1 p. 376.10 e p. 378.4 p. 379. 10). v. 8. Ibd., 2003. p. 124.9 p. 127.14 (= M. Lutero, Pelo Evangelho de Cristo Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma. Porto Alegre: Concórdia / São Leopoldo: Sinodal, 1984. p. 173-6). D. Bonhoeffer, Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal, 1982 p. 9s. (= o que é comunhão entre cristãos ; p. 15s. (= o que é amor segundo Jesus Cristo); p. 17 (= unido na fé, não na experiência ).
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H. Küng, Ser Cristão. São Paulo: Paulinas, 1976. p. 305-7. P. Tillich, Teologia Sistemática. São Leopoldo: Sinodal / São Paulo: Paulinas, 1984. p. 368-71. C. E. Braaten. In: ID. & R. W. Jenson, Dogmática Cristã v. 1. São Leopoldo: Sinodal, 1990. p.535-9. K. Nordstokke. In: W. Altmann (org.), Eu creio nós cremos. A fé cristã ontem e hoje à base do Credo Apostólico. São Leopoldo: Sinodal, 2004. p. 127-33. A. Baeske. In: W. Altmann, o. c., p. 63-79. II.1.: ID, Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 42, n. 2, p. 92s. 2002. III.1.1.: E. Lohse, Introdução ao Novo Testamento. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1985. p. 87-93.
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2.: J. Moltmann, O Caminho de Jesus Cristo Cristologia em dimensões messiânicas. Petrópolis: Vozes, 1993. p. 366-415. 3.: J. Comblin, o. c., p. 14-8. 4.: P. 63-8. W. Schrage, Ética do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994. p. 249-62 4.aa: G. Aulén, o. c., 201-6 (= propter Christum) ba/bd: D. Bonhoeffer, Discipulado. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1989. p. 188-93. bc: M. Lutero, OS v. 5. Ibd., 1995. p. 446-93, e, em especial, H. Assmann / F. Hinkelammert, A idolatria do mercado Ensaio sobre economia e teologia. São Paulo: Vozes, 1989; comparando com A. Dorfman, Avareza Terapia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999 [Coleção Plenos Pecados]. (Dezembro/2003)
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ÍNDICES TEMAS E TEXTOS TRATADOS NOS VOLUMES I XXX Advento Celebração ............................................................................................ XXIX, 325 AIDS Um grande desafio .......................................................................................... XV, 304 Ação de graças (Is 58.7-12) .......................................................................................... XII, 300 (Jr 30.18-22) ................................................................................................................ XX, 322 Achados e perdidos experiências ......................................................................... XVII, 288 A indústria da ilusão: como encarar o Feliz e Próspero Ano Novo ? (Tg 4.3-17) ................. IX, 34 Armas da morte: quem brinca com fogo, acaba se queimando (Zc 9.9-10) .................. X, 91 Associação popular: a união faz a força (Ne 5.1-12) ................................................... IX, 83 A velhice ...................................................................................................................... ... VI, 43 Batismo, alocução para ............................................................................................ XXVI, 357 Batismo, culto de ................................................................................................... XXVII, 299 Bênção matrimonial .................................................................................................. XIX, 310 (Jr 29.13) ........................................................................................................... XX, 351 (Ct 8.7) .............................................................................................................. XX, 353 (Ec 4.9-12) ........................................................................................................ XXI, 329 (Ct 1.2-3) .......................................................................................... XXI,332; XXII, 311 Bíblia e arte ................................................................................................................... XV, 77 Cadê a mulher?(Jz 5.24-31) ............................................................................................. X, 37 Carnaval: festejar é preciso (Jo 2.1-11) .......................................................................... IX, 41 Celebração da Santa Ceia (Lc 24.13-35) ........................................................................ VI, 40 (Sl 133.1-3) ...................................................................................................... XXII, 300 Coluna social promoção da fraternidade ou projeção egoísta? (Gl 3.28) .................. XII, 70 Como pode peixe vivo viver fora d água fria? O colono na cidade (Ec 4.1-4) ................ X, 84 Componentes éticos da organização popular .......................................................... XVII, 281 Comunidade cristã: instrumento ou entrave para as lutas populares uma avaliação (Ap 22.10-16) .......................................................................................... X, 11 Confirmação (Fp 3.12-16) ................................................................................................ II, 20 (Dt 30.11-20) ....................................................................................................... VIII, 23 (Jo 6.66-69) ......................................................................................................... XII, 293 (Mt 5.14-16) ...................................................................................................... XX, 339 (Ap 1.9-18) ........................................................................................................ XX, 342 Constituição as leis a serviço de quem? (Dt 17.14-20) ............................................... XII, 51 Contribuição para a Igreja Pago para ter (2 Co 8.1-5) ............................................. XIII, 18 Criança, não verá país nenhum como este! (Êx 1.8-22) ........................................... XI, 107 Culto batismal (Is 43.1) .............................................................................................. XXI, 326 Culto de Batismo ..................................................................................................... XXIV, 358 Culto como evento celebrativo (O) ................................................................................ XIV, 9 Culto de instalação de lideranças de comunidade (Hb 13) ...................................... XXI, 309 Culto em época de eleição (1 Sm 11.1-15) ...................................................................... V, 337 Culto eucarístico (Mc 14.32-42) ................................................................................. XX, 346 Culto eucarístico (alocução para) ........................................................................... XXIII, 237 Culto para o Dia dos Povos Indígenas ...................................................................... XXII, 295 (Lc 22.14-15) ..................................................................................................... XX, 349 Cultura popular: quando a vida se faz escola (1 Co 8.2) ............................................ XIII, 42
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2.: J. Moltmann, O Caminho de Jesus Cristo Cristologia em dimensões messiânicas. Petrópolis: Vozes, 1993. p. 366-415. 3.: J. Comblin, o. c., p. 14-8. 4.: P. 63-8. W. Schrage, Ética do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994. p. 249-62 4.aa: G. Aulén, o. c., 201-6 (= propter Christum) ba/bd: D. Bonhoeffer, Discipulado. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 1989. p. 188-93. bc: M. Lutero, OS v. 5. Ibd., 1995. p. 446-93, e, em especial, H. Assmann / F. Hinkelammert, A idolatria do mercado Ensaio sobre economia e teologia. São Paulo: Vozes, 1989; comparando com A. Dorfman, Avareza Terapia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999 [Coleção Plenos Pecados]. (Dezembro/2003)
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ÍNDICES TEMAS E TEXTOS TRATADOS NOS VOLUMES I XXX Advento Celebração ............................................................................................ XXIX, 325 AIDS Um grande desafio .......................................................................................... XV, 304 Ação de graças (Is 58.7-12) .......................................................................................... XII, 300 (Jr 30.18-22) ................................................................................................................ XX, 322 Achados e perdidos experiências ......................................................................... XVII, 288 A indústria da ilusão: como encarar o Feliz e Próspero Ano Novo ? (Tg 4.3-17) ................. IX, 34 Armas da morte: quem brinca com fogo, acaba se queimando (Zc 9.9-10) .................. X, 91 Associação popular: a união faz a força (Ne 5.1-12) ................................................... IX, 83 A velhice ...................................................................................................................... ... VI, 43 Batismo, alocução para ............................................................................................ XXVI, 357 Batismo, culto de ................................................................................................... XXVII, 299 Bênção matrimonial .................................................................................................. XIX, 310 (Jr 29.13) ........................................................................................................... XX, 351 (Ct 8.7) .............................................................................................................. XX, 353 (Ec 4.9-12) ........................................................................................................ XXI, 329 (Ct 1.2-3) .......................................................................................... XXI,332; XXII, 311 Bíblia e arte ................................................................................................................... XV, 77 Cadê a mulher?(Jz 5.24-31) ............................................................................................. X, 37 Carnaval: festejar é preciso (Jo 2.1-11) .......................................................................... IX, 41 Celebração da Santa Ceia (Lc 24.13-35) ........................................................................ VI, 40 (Sl 133.1-3) ...................................................................................................... XXII, 300 Coluna social promoção da fraternidade ou projeção egoísta? (Gl 3.28) .................. XII, 70 Como pode peixe vivo viver fora d água fria? O colono na cidade (Ec 4.1-4) ................ X, 84 Componentes éticos da organização popular .......................................................... XVII, 281 Comunidade cristã: instrumento ou entrave para as lutas populares uma avaliação (Ap 22.10-16) .......................................................................................... X, 11 Confirmação (Fp 3.12-16) ................................................................................................ II, 20 (Dt 30.11-20) ....................................................................................................... VIII, 23 (Jo 6.66-69) ......................................................................................................... XII, 293 (Mt 5.14-16) ...................................................................................................... XX, 339 (Ap 1.9-18) ........................................................................................................ XX, 342 Constituição as leis a serviço de quem? (Dt 17.14-20) ............................................... XII, 51 Contribuição para a Igreja Pago para ter (2 Co 8.1-5) ............................................. XIII, 18 Criança, não verá país nenhum como este! (Êx 1.8-22) ........................................... XI, 107 Culto batismal (Is 43.1) .............................................................................................. XXI, 326 Culto de Batismo ..................................................................................................... XXIV, 358 Culto como evento celebrativo (O) ................................................................................ XIV, 9 Culto de instalação de lideranças de comunidade (Hb 13) ...................................... XXI, 309 Culto em época de eleição (1 Sm 11.1-15) ...................................................................... V, 337 Culto eucarístico (Mc 14.32-42) ................................................................................. XX, 346 Culto eucarístico (alocução para) ........................................................................... XXIII, 237 Culto para o Dia dos Povos Indígenas ...................................................................... XXII, 295 (Lc 22.14-15) ..................................................................................................... XX, 349 Cultura popular: quando a vida se faz escola (1 Co 8.2) ............................................ XIII, 42
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Curandeirismo: um jeitinho popular de cura? (Mc 5.25-34) ..................................... XII, 27 Deus na marginalidade ................................................................................................. XVI, 9 Dedicação de templo ...............................................................................................XXVI, 361 Dia das Crianças (Zc 8.1-8) ..................................................................................... XXIV, 337 Dia de Ações de Graças (Gn 8.15-22) ............................................................................... I, 61 (Jo 4.31-38) ............................................................................................................. II, 89 (Ec 3.1-8) .............................................................................................................. VI, 48 (1 Tm 4.4-5) ....................................................................................................... XIII, 297 (Mt 13.24-30,36-43) ........................................................................................ XVIII, 287 Dia da Colheita (2 Co 9.6-15) .......................................................................................... V, 323 (Dt 26.1-11) ....................................................................................................... XX, 317 Dia do Colono (Gn 2.4b-15) ............................................................................................ V, 330 Dia de Finados (Fp 3.20-21) ........................................................................................... I, 129 (1 Co 15.50-58) ................................................................................................... III, 275 (1 Co 15.35-39,42b-44) .......................................................................................... V, 256 (Mt 22.23-33) ..................................................................................................... VIII, 336 (2 Pe 3.8-14) .................................................................................................... XVII, 237 (Jo 5.24-29) ..................................................................................................... XVIII, 267 Dia da Independência (1 Pe 2.13-17) .............................................................................. I, 102 (1 Tm 2.1-4) ........................................................................................................... II, 169 (Mc 12.13-17) ...................................................................................................... III, 213 (Hb 13.12-16) ........................................................................................................ V, 205 (Mt 6.9-13) .............................................................................................. VI, 53 XX, 328 Dia das Mães (Lc 15.8-10) ......................................................................................... XIX, 305 Dia da Reforma (Gl 5.1-11) .............................................................................................. I, 118 (Jo 8.31-36) ............................................................................................................ II, 216 (Rm 3.19-28) ....................................................................................................... III, 263 (Mt 5.1-10) ........................................................................................................... IV, 212 (Ap 14.6-7) ............................................................................................................ V, 249 (Mt 10.26b-33) .................................................................................................... VI, 291 (Is 62.1-12) ........................................................................................................ VIII, 331 (Mt 10.26b-33) ................................................................................................... XII, 268 (Gl 5.1-6) ........................................................................................................... XIII, 267 (Fp 2.12-13) ........................................................................................................ XV, 282 (Jo 8.31-36) ..................................................................................................... XVII, 225 Dia de Penitência (Is 1.10-17) ...................................................................................... XV, 297 Dia do Trabalhador (Dt 5.12-15) .................................................................................... III, 62 (2 Ts 3.6-13) ............................................................................................................ V, 97 Dia do Trabalho (1 Co 7.29-32a) ...................................................................................... II, 46 (Ez 34.1-2, (3-9), 10-16, 31) ................................................................................. VI, 170 (Tg 5.1-6) ........................................................................................................... XIII, 284 Dia dos Pais (Pv 4.10-19) ........................................................................................... XXI, 321 Dia Internacional da Mulher (Ct) ............................................................................. XXI, 316 Domingo de Penitência (vide também: Dia de Penitência [Mt 12.33-35, (36-37)]) ....... XII, 307 (Ap 3.14-22) ...................................................................................................... XIII, 303 Domingo de Ramos (Mc 14.3-9) ................................................................................. XX, 309 Ecologia A vida está a perigo (Gn 2.8-25) ................................................................. XIII, 74 Educação: para a liberdade ou para a opressão? (Ec 9.13-18) ....................................... X, 25 Em busca de espaço o deficiente na igreja e na sociedade (Mt 4.23-25) .................. XII,34 Empregadas domésticas (Gn 21.8-21) ........................................................................ XIII, 60
Entre morte e eternidade: morrendo um pouco a cada dia (Is 65.17-25) ............... IX, 15 Epifania, reflexões para o período de ................................................................ XXVII, 303 Época da Paixão I (Is 55.6-7) .......................................................................................... VI, 24 Época da Paixão II (Mt 26.36-46) ................................................................................... VI, 29 Época da Paixão III (Sl 130.4) ........................................................................................ VI, 34 Época da Paixão IV (Mt 11.28-30) .................................................................................. VI, 37 Estado, pátria, governo (Jz 9.7-15) ................................................................................. IX, 98 Estudo bíblico numa conferência (Jo 1.1-18) .............................................................. XVI, 42 Estudos bíblicos com pequenos agricultores ............................................................... XIV, 60 Exercício homilético ...................................................................................................... XII, 91 E viu Deus que isto era bom... ................................................................................ XIV, 101 Férias: alienação ou antecipação do Reino de Deus? (Ec 3.9-15) ................................... X, 16 Festa da Ascensão de Jesus Cristo ........................................................................... XXX, 303 Fome, instrumento de submissão (Mq 3.1-4) ................................................................. XI, 45 Formatura estudar para ganhar mais? (Jr 22.13-19) ................................................ XIII, 80 (Is 65.17-25) ...................................................................................................... XX, 334 Futebol: lazer ou instrumento de alienação (Jz 2.11-15) ............................................... XI, 20 Hermenêutica feminista latino-americana ................................................................ XIV, 101 Ídolos da opressão (Is 44.9-20) .................................................................................... XIII, 50 Inauguração da igreja (Mc 4.30-32; Mt 13.31-32; Lc 13.18-19) ................................... XII, 313 Inauguração de uma igreja (Is 24.12-16a) .................................................................. XIII, 311 Introdução a Dêutero-Isaías ........................................................................................ VIII, 16 João Batista: por que rolou sua cabeça? (Mc 6.14-29) .................................................... X, 74 Kurusu Ñe engatu Palavras que a história não pode esquecer ............................ XVII, 275 La comunidad luterana y la práctica de una pastoral de vida ..................................... XV, 71 La lucha por la tierra en el Paraguay ............................................................................ XV, 55 Leitura da Bíblia entre indígenas .................................................................................. XV, 61 Lepra uma doença que assusta? (Nm 12.9-16) .......................................................... XII, 18 Libertação: vitória sobre a cruz! (1 Jo 3.13-18) .............................................................. IX, 57 Medicina popular mutirão da saúde (Mt 12.22-28) .................................................... XI, 77 Meditação sobre o tema Terra I: terra na nova sociedade (At 4.32-37) ............................ V, 310 Meditação sobre o tema Terra II: terra para todos .................................................. V, 316 Migração: esperança ou desespero? (Lv 25.8-17, 23-28, 35-43) ..................................... XI, 65 Missão (1 Co 12) ........................................................................................................... XIII, 34 Movimento negro: alma não é branca, negro não é luto, preto não é cor! (Am 9.7-10) .. X, 128 Movimentos populares: povo unido jamais será vencido (Mc 10.32-45) ............................. X, 106 Mulheres agricultoras ................................................................................................. XVI, 15 Na estrebaria do mundo a criança é esperança (1 Co 1.26-31) ..................................... IX, 24 O assalariado empobrece produzindo riqueza (Ec 5.18) ............................................... X, 65 Observações introdutórias referentes ao Evangelho de Mateus ..................................II, 176 O deficiente na igreja e na sociedade (Mt 4.23-25) ...................................................... XII, 34 O desafio de ser autor de PL ......................................................................................... XV, 12 O ecumenismo na formação de lideranças ................................................................... XV, 33 O evangelho no Clube de Mães ocupação do solo urbano em Canoas .............................. XV, 17 O índio: nosso irmão na caminhada pela libertação (Ef 2.11-22) ................................... X, 48 O Lecionário Ecumênico ............................................................................................. XV, 315 O trabalho na Rondônia com agricultores vindos principalmente do Espírito Santo .... XV, 46 O veneno nosso de cada dia (Dt 8.6-10) ........................................................................ XII, 11 Pago para ter (2 Co 8.1-15) .......................................................................................... XIII, 18 Pastoral Ecumênica de Periferia ................................................................................. XVI, 91
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Curandeirismo: um jeitinho popular de cura? (Mc 5.25-34) ..................................... XII, 27 Deus na marginalidade ................................................................................................. XVI, 9 Dedicação de templo ...............................................................................................XXVI, 361 Dia das Crianças (Zc 8.1-8) ..................................................................................... XXIV, 337 Dia de Ações de Graças (Gn 8.15-22) ............................................................................... I, 61 (Jo 4.31-38) ............................................................................................................. II, 89 (Ec 3.1-8) .............................................................................................................. VI, 48 (1 Tm 4.4-5) ....................................................................................................... XIII, 297 (Mt 13.24-30,36-43) ........................................................................................ XVIII, 287 Dia da Colheita (2 Co 9.6-15) .......................................................................................... V, 323 (Dt 26.1-11) ....................................................................................................... XX, 317 Dia do Colono (Gn 2.4b-15) ............................................................................................ V, 330 Dia de Finados (Fp 3.20-21) ........................................................................................... I, 129 (1 Co 15.50-58) ................................................................................................... III, 275 (1 Co 15.35-39,42b-44) .......................................................................................... V, 256 (Mt 22.23-33) ..................................................................................................... VIII, 336 (2 Pe 3.8-14) .................................................................................................... XVII, 237 (Jo 5.24-29) ..................................................................................................... XVIII, 267 Dia da Independência (1 Pe 2.13-17) .............................................................................. I, 102 (1 Tm 2.1-4) ........................................................................................................... II, 169 (Mc 12.13-17) ...................................................................................................... III, 213 (Hb 13.12-16) ........................................................................................................ V, 205 (Mt 6.9-13) .............................................................................................. VI, 53 XX, 328 Dia das Mães (Lc 15.8-10) ......................................................................................... XIX, 305 Dia da Reforma (Gl 5.1-11) .............................................................................................. I, 118 (Jo 8.31-36) ............................................................................................................ II, 216 (Rm 3.19-28) ....................................................................................................... III, 263 (Mt 5.1-10) ........................................................................................................... IV, 212 (Ap 14.6-7) ............................................................................................................ V, 249 (Mt 10.26b-33) .................................................................................................... VI, 291 (Is 62.1-12) ........................................................................................................ VIII, 331 (Mt 10.26b-33) ................................................................................................... XII, 268 (Gl 5.1-6) ........................................................................................................... XIII, 267 (Fp 2.12-13) ........................................................................................................ XV, 282 (Jo 8.31-36) ..................................................................................................... XVII, 225 Dia de Penitência (Is 1.10-17) ...................................................................................... XV, 297 Dia do Trabalhador (Dt 5.12-15) .................................................................................... III, 62 (2 Ts 3.6-13) ............................................................................................................ V, 97 Dia do Trabalho (1 Co 7.29-32a) ...................................................................................... II, 46 (Ez 34.1-2, (3-9), 10-16, 31) ................................................................................. VI, 170 (Tg 5.1-6) ........................................................................................................... XIII, 284 Dia dos Pais (Pv 4.10-19) ........................................................................................... XXI, 321 Dia Internacional da Mulher (Ct) ............................................................................. XXI, 316 Domingo de Penitência (vide também: Dia de Penitência [Mt 12.33-35, (36-37)]) ....... XII, 307 (Ap 3.14-22) ...................................................................................................... XIII, 303 Domingo de Ramos (Mc 14.3-9) ................................................................................. XX, 309 Ecologia A vida está a perigo (Gn 2.8-25) ................................................................. XIII, 74 Educação: para a liberdade ou para a opressão? (Ec 9.13-18) ....................................... X, 25 Em busca de espaço o deficiente na igreja e na sociedade (Mt 4.23-25) .................. XII,34 Empregadas domésticas (Gn 21.8-21) ........................................................................ XIII, 60
Entre morte e eternidade: morrendo um pouco a cada dia (Is 65.17-25) ............... IX, 15 Epifania, reflexões para o período de ................................................................ XXVII, 303 Época da Paixão I (Is 55.6-7) .......................................................................................... VI, 24 Época da Paixão II (Mt 26.36-46) ................................................................................... VI, 29 Época da Paixão III (Sl 130.4) ........................................................................................ VI, 34 Época da Paixão IV (Mt 11.28-30) .................................................................................. VI, 37 Estado, pátria, governo (Jz 9.7-15) ................................................................................. IX, 98 Estudo bíblico numa conferência (Jo 1.1-18) .............................................................. XVI, 42 Estudos bíblicos com pequenos agricultores ............................................................... XIV, 60 Exercício homilético ...................................................................................................... XII, 91 E viu Deus que isto era bom... ................................................................................ XIV, 101 Férias: alienação ou antecipação do Reino de Deus? (Ec 3.9-15) ................................... X, 16 Festa da Ascensão de Jesus Cristo ........................................................................... XXX, 303 Fome, instrumento de submissão (Mq 3.1-4) ................................................................. XI, 45 Formatura estudar para ganhar mais? (Jr 22.13-19) ................................................ XIII, 80 (Is 65.17-25) ...................................................................................................... XX, 334 Futebol: lazer ou instrumento de alienação (Jz 2.11-15) ............................................... XI, 20 Hermenêutica feminista latino-americana ................................................................ XIV, 101 Ídolos da opressão (Is 44.9-20) .................................................................................... XIII, 50 Inauguração da igreja (Mc 4.30-32; Mt 13.31-32; Lc 13.18-19) ................................... XII, 313 Inauguração de uma igreja (Is 24.12-16a) .................................................................. XIII, 311 Introdução a Dêutero-Isaías ........................................................................................ VIII, 16 João Batista: por que rolou sua cabeça? (Mc 6.14-29) .................................................... X, 74 Kurusu Ñe engatu Palavras que a história não pode esquecer ............................ XVII, 275 La comunidad luterana y la práctica de una pastoral de vida ..................................... XV, 71 La lucha por la tierra en el Paraguay ............................................................................ XV, 55 Leitura da Bíblia entre indígenas .................................................................................. XV, 61 Lepra uma doença que assusta? (Nm 12.9-16) .......................................................... XII, 18 Libertação: vitória sobre a cruz! (1 Jo 3.13-18) .............................................................. IX, 57 Medicina popular mutirão da saúde (Mt 12.22-28) .................................................... XI, 77 Meditação sobre o tema Terra I: terra na nova sociedade (At 4.32-37) ............................ V, 310 Meditação sobre o tema Terra II: terra para todos .................................................. V, 316 Migração: esperança ou desespero? (Lv 25.8-17, 23-28, 35-43) ..................................... XI, 65 Missão (1 Co 12) ........................................................................................................... XIII, 34 Movimento negro: alma não é branca, negro não é luto, preto não é cor! (Am 9.7-10) .. X, 128 Movimentos populares: povo unido jamais será vencido (Mc 10.32-45) ............................. X, 106 Mulheres agricultoras ................................................................................................. XVI, 15 Na estrebaria do mundo a criança é esperança (1 Co 1.26-31) ..................................... IX, 24 O assalariado empobrece produzindo riqueza (Ec 5.18) ............................................... X, 65 Observações introdutórias referentes ao Evangelho de Mateus ..................................II, 176 O deficiente na igreja e na sociedade (Mt 4.23-25) ...................................................... XII, 34 O desafio de ser autor de PL ......................................................................................... XV, 12 O ecumenismo na formação de lideranças ................................................................... XV, 33 O evangelho no Clube de Mães ocupação do solo urbano em Canoas .............................. XV, 17 O índio: nosso irmão na caminhada pela libertação (Ef 2.11-22) ................................... X, 48 O Lecionário Ecumênico ............................................................................................. XV, 315 O trabalho na Rondônia com agricultores vindos principalmente do Espírito Santo .... XV, 46 O veneno nosso de cada dia (Dt 8.6-10) ........................................................................ XII, 11 Pago para ter (2 Co 8.1-15) .......................................................................................... XIII, 18 Pastoral Ecumênica de Periferia ................................................................................. XVI, 91
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324
Pentecostes: o Espírito sopra onde quer e quando aprouver (1 Jo 4.1-6) ............................ IX, 72 Perdas Alocução para Sepultamento (João 11.17-37) ........................................... XXII, 304 Planejamento familiar: genocídio planejado? (Sl 112) .................................................. XII, 77 Por uma linguagem integradora de mulheres e homens ......................................... XVII, 257 Posse de novo Presbitério, Conselho Sinodal ou Conselho Diretor (liturgia) ...... XXVIII, 368 Posto de Saúde: vitrine da miséria (Mc 3.1-6) .............................................................. X, 114 Proclamar Libertação I aspecto político (Lc 4.14-21) .................................................... VI, 7 Proclamar Libertação II aspecto eclesial (1 Pe 2.15-17) ............................................. VI, 13 Proclamar Libertação III aspecto individual (Lc 4.14-21) ............................................ VI,19 Propriedade e expropriação (Ne 5.1-6 [6-12]) ............................................................ XIII, 11 Quaresma: dor solitária ou solidária? (Is 58.1-12) .......................................................... IX, 50 Quem não faz política, sofre política (1 Rs 12.1-15) ....................................................... XI, 95 Relato de una caminata del pueblo con la Biblia ........................................................ XVI, 21 Ressurreição de que e para quê? (1 Co 15.35-38) ....................................................... XIII, 29 Sacerdócio geral vamos pegar juntos! (Ef 4.7-16) ....................................................... XI, 85 Semana do excepcional ........................................................................................... XVII, 264 Semana dos povos indígenas ................................................................................... XXIV, 347 Sepultamento ......................................................................................... XIX, 321; XXIII, 240 (Jo 6.28-40) ........................................................................................................ XX, 355 (Jo 19.25-27) ...................................................................................................... XX, 360 (Sl 39.5-7) .......................................................................................................... XX, 362 (Sl 142.1-2,5a) .................................................................................................. XXI, 336 (Ec 3.1-8) .................................................................................................... XXVIII, 365 Sindicato: órgão de assistência ou instrumento de defesa dos trabalhadores? (1 Co 12.20-26) ...................................................................................................... XI, 55 Superstição: produto de angústias (Rm 8.31-39) ........................................................... IX, 91 Teatro popular com crianças, adolescentes, jovens e adultos na periferia urbana de Belém ................................................................................. XVI,37 Tóxicos exploração e dependência (Pv 24.10.14) ...................................................... XII, 45 Trabalhador: entre a carência e o desemprego (Dt 24.14-35) ....................................... IX, 63 Trabalhando com agricultores sem terra .................................................................... XIV, 78 Trabalho com agricultores assentados ......................................................................... XIV, 20 Trabalho com idosos ................................................................................................ XVIII, 293 Todas as religiões são boas? (Cl 2.8-10) .......................................................................... XI, 35 Uso da Bíblia em estudos com colonos que migram (O) ............................................. XIV, 68 Vida: celebração da esperança em meio à morte (Sl 138.1-8) ......................................... XI, 9 Vida está em perigo: socorro! (A) (Gn 2.8-25) ............................................................. XIII, 74 Vigília pascal ............................................................................................................... XVI, 146 Violência no campo (Js 8.1-8) ........................................................................................ XII, 61
ÍNDICE DAS PERÍCOPES DOS VOLUMES I XXX ANTIGO TESTAMENTO Gênesis 1.1-4a,26-31; 2.1-4a ............... III,185 1.26-31; 2.1-3 ............................... III,105 2.4-15 ................................. XXVIII, 301 2.4b-15 .......................................... V,330 2.7-17 ......................... XIII,74; XVIII,84 2.7-9,15-17; 3.1-7 ...................... XXX,66 2.18-24 ..................... XXII,254; XXV,282 3.1-9 ........................... XII,170; XVIII,84 3.1-19(20-24) ........................... XXV,214 3.1-24 .......................................... VI,133 4.1-16 .......................... VII,203; XIII,246 8.1-13 ......................................... XV,135 8.15-22 ............................................. I,68 11.1-9 ........................ XII,205; XVII,130 12.1-4a ........................ VII,165; XVIII,88 15.1-6 ................................... XXVI, 256 17.1-13 ................................... XXVII, 40 18.1-10a(10b-14) ....................... XX,208 18.20-21(22)23-32 ...................... XX,225 21.8-21 ........................................ XIII,60 22.1-13 ......................................... VI,144 22.1-14(15-18) ........................... XXII,65 28.10-17(18-22) ......................... XXII,71 32.23-32 ........................ II,374; XVII,240 50.15-21 .............. XXIV,272; XXVII, 240 Êxodo 1.8-22 ..................................... IX,107 2.1-10 ................................. XXVIII, 181 3.1-14 ........................................ XII,154 3.1-8,13-15 ............................ XXVI, 109 6.2-8 ...................... XVIII,218; XXX,214 12.1-14 ...................................... XXI,108 13.20-22 ..................................... XXV,46 16.1-5,(6-11)12-21(22-30) ... XXVIII, 276 16.2-3,11-18 ............................... XIV,283 19.2-8a ...................................... XXI,176 20.1-3(4-6)7-8(9-11)12-17 .............. XII,75 22.21-27 .................................... XXI,280 24.3-11 ... XVI,224; XXV,164; XXVIII, 272 24.12,15-18 ................................. XXI,78 32.7-14 ...................... XV,225; XXIII,177 33.18-23 ....................................... VI,102 34.4b-10 ......................... III,153; XV,273 34.29-35 ................................... XXV,123 Números 11.11-12,14-17,24-25 ....... VIII,205 12.9-16 ......................................... XII,18
325
21.4-9 ............ VII,101;XIII,159; XXII,80 24.15-19 ...................................... XV,120 Deuteronômio 4.1-2,6-8 ............... XXII,235 4.32-34, 39-40 ...................... XXVII, 148 5.12-15 ........................................... III,43 6.4-9 ............................ XV,246, XIX,164 7.6-12 .......................................... VI,219 8.6-10 .......................................... XII,11 10.12-22 ................................ XXVI, 336 11.18-21,26-28 .......................... XXI,164 17.14-20 ....................................... XII,51 18.15-20 ...................................... XIX,67 24.14-15 ........................................ IX,63 26.3-11 .................................... XXVI, 91 30.11-20 ...................................... VIII,23 32.36-39 ................................... XXIII,79 34.1-12 ..................... XVII,74; XXIX, 77 Josué 1.1-9 ........................................ VII,36 8.1-8 ............................................ XII,61 24.1-2a,13-25 ............................... III,117 Juízes 5.24-31 ....................................... X,37 9.7-15 ........................................... IX,98 Rute 1.1-19a ............................... XXIX, 289 1 Samuel 2.1-10 .................... II,343; VII,113 3.1-10(19) ................................... XIX,55 3.1-10,19 .................................... XXV,86 11.1-15 ........................................... V,337 2 Samuel 7.4-6,12,14a,16 ................ XXV,35 11.26-12.10,13-15 ................. XXIX, 199 12.1-10,13-14 ............................... IX,264 12.1-10,13-15a ............................ XV,261 1 Reis 3.5-12 ................................. XXIV,240 3.16-28 .................................... XXX,143 8.(21-23,27-30)41-43 ................ XVII,141 8.22-24,26-28 ............................... VI,189 8.22-30 ....................................... XII,191 8.41-43 .................................. XXIX, 188 17.8-16 ...................................... XVI,292 17.17-24 ................ XVII,146; XXIX, 192 19.1-8(9-13a) .......................... XXII,226
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Pentecostes: o Espírito sopra onde quer e quando aprouver (1 Jo 4.1-6) ............................ IX, 72 Perdas Alocução para Sepultamento (João 11.17-37) ........................................... XXII, 304 Planejamento familiar: genocídio planejado? (Sl 112) .................................................. XII, 77 Por uma linguagem integradora de mulheres e homens ......................................... XVII, 257 Posse de novo Presbitério, Conselho Sinodal ou Conselho Diretor (liturgia) ...... XXVIII, 368 Posto de Saúde: vitrine da miséria (Mc 3.1-6) .............................................................. X, 114 Proclamar Libertação I aspecto político (Lc 4.14-21) .................................................... VI, 7 Proclamar Libertação II aspecto eclesial (1 Pe 2.15-17) ............................................. VI, 13 Proclamar Libertação III aspecto individual (Lc 4.14-21) ............................................ VI,19 Propriedade e expropriação (Ne 5.1-6 [6-12]) ............................................................ XIII, 11 Quaresma: dor solitária ou solidária? (Is 58.1-12) .......................................................... IX, 50 Quem não faz política, sofre política (1 Rs 12.1-15) ....................................................... XI, 95 Relato de una caminata del pueblo con la Biblia ........................................................ XVI, 21 Ressurreição de que e para quê? (1 Co 15.35-38) ....................................................... XIII, 29 Sacerdócio geral vamos pegar juntos! (Ef 4.7-16) ....................................................... XI, 85 Semana do excepcional ........................................................................................... XVII, 264 Semana dos povos indígenas ................................................................................... XXIV, 347 Sepultamento ......................................................................................... XIX, 321; XXIII, 240 (Jo 6.28-40) ........................................................................................................ XX, 355 (Jo 19.25-27) ...................................................................................................... XX, 360 (Sl 39.5-7) .......................................................................................................... XX, 362 (Sl 142.1-2,5a) .................................................................................................. XXI, 336 (Ec 3.1-8) .................................................................................................... XXVIII, 365 Sindicato: órgão de assistência ou instrumento de defesa dos trabalhadores? (1 Co 12.20-26) ...................................................................................................... XI, 55 Superstição: produto de angústias (Rm 8.31-39) ........................................................... IX, 91 Teatro popular com crianças, adolescentes, jovens e adultos na periferia urbana de Belém ................................................................................. XVI,37 Tóxicos exploração e dependência (Pv 24.10.14) ...................................................... XII, 45 Trabalhador: entre a carência e o desemprego (Dt 24.14-35) ....................................... IX, 63 Trabalhando com agricultores sem terra .................................................................... XIV, 78 Trabalho com agricultores assentados ......................................................................... XIV, 20 Trabalho com idosos ................................................................................................ XVIII, 293 Todas as religiões são boas? (Cl 2.8-10) .......................................................................... XI, 35 Uso da Bíblia em estudos com colonos que migram (O) ............................................. XIV, 68 Vida: celebração da esperança em meio à morte (Sl 138.1-8) ......................................... XI, 9 Vida está em perigo: socorro! (A) (Gn 2.8-25) ............................................................. XIII, 74 Vigília pascal ............................................................................................................... XVI, 146 Violência no campo (Js 8.1-8) ........................................................................................ XII, 61
ÍNDICE DAS PERÍCOPES DOS VOLUMES I XXX ANTIGO TESTAMENTO Gênesis 1.1-4a,26-31; 2.1-4a ............... III,185 1.26-31; 2.1-3 ............................... III,105 2.4-15 ................................. XXVIII, 301 2.4b-15 .......................................... V,330 2.7-17 ......................... XIII,74; XVIII,84 2.7-9,15-17; 3.1-7 ...................... XXX,66 2.18-24 ..................... XXII,254; XXV,282 3.1-9 ........................... XII,170; XVIII,84 3.1-19(20-24) ........................... XXV,214 3.1-24 .......................................... VI,133 4.1-16 .......................... VII,203; XIII,246 8.1-13 ......................................... XV,135 8.15-22 ............................................. I,68 11.1-9 ........................ XII,205; XVII,130 12.1-4a ........................ VII,165; XVIII,88 15.1-6 ................................... XXVI, 256 17.1-13 ................................... XXVII, 40 18.1-10a(10b-14) ....................... XX,208 18.20-21(22)23-32 ...................... XX,225 21.8-21 ........................................ XIII,60 22.1-13 ......................................... VI,144 22.1-14(15-18) ........................... XXII,65 28.10-17(18-22) ......................... XXII,71 32.23-32 ........................ II,374; XVII,240 50.15-21 .............. XXIV,272; XXVII, 240 Êxodo 1.8-22 ..................................... IX,107 2.1-10 ................................. XXVIII, 181 3.1-14 ........................................ XII,154 3.1-8,13-15 ............................ XXVI, 109 6.2-8 ...................... XVIII,218; XXX,214 12.1-14 ...................................... XXI,108 13.20-22 ..................................... XXV,46 16.1-5,(6-11)12-21(22-30) ... XXVIII, 276 16.2-3,11-18 ............................... XIV,283 19.2-8a ...................................... XXI,176 20.1-3(4-6)7-8(9-11)12-17 .............. XII,75 22.21-27 .................................... XXI,280 24.3-11 ... XVI,224; XXV,164; XXVIII, 272 24.12,15-18 ................................. XXI,78 32.7-14 ...................... XV,225; XXIII,177 33.18-23 ....................................... VI,102 34.4b-10 ......................... III,153; XV,273 34.29-35 ................................... XXV,123 Números 11.11-12,14-17,24-25 ....... VIII,205 12.9-16 ......................................... XII,18
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21.4-9 ............ VII,101;XIII,159; XXII,80 24.15-19 ...................................... XV,120 Deuteronômio 4.1-2,6-8 ............... XXII,235 4.32-34, 39-40 ...................... XXVII, 148 5.12-15 ........................................... III,43 6.4-9 ............................ XV,246, XIX,164 7.6-12 .......................................... VI,219 8.6-10 .......................................... XII,11 10.12-22 ................................ XXVI, 336 11.18-21,26-28 .......................... XXI,164 17.14-20 ....................................... XII,51 18.15-20 ...................................... XIX,67 24.14-15 ........................................ IX,63 26.3-11 .................................... XXVI, 91 30.11-20 ...................................... VIII,23 32.36-39 ................................... XXIII,79 34.1-12 ..................... XVII,74; XXIX, 77 Josué 1.1-9 ........................................ VII,36 8.1-8 ............................................ XII,61 24.1-2a,13-25 ............................... III,117 Juízes 5.24-31 ....................................... X,37 9.7-15 ........................................... IX,98 Rute 1.1-19a ............................... XXIX, 289 1 Samuel 2.1-10 .................... II,343; VII,113 3.1-10(19) ................................... XIX,55 3.1-10,19 .................................... XXV,86 11.1-15 ........................................... V,337 2 Samuel 7.4-6,12,14a,16 ................ XXV,35 11.26-12.10,13-15 ................. XXIX, 199 12.1-10,13-14 ............................... IX,264 12.1-10,13-15a ............................ XV,261 1 Reis 3.5-12 ................................. XXIV,240 3.16-28 .................................... XXX,143 8.(21-23,27-30)41-43 ................ XVII,141 8.22-24,26-28 ............................... VI,189 8.22-30 ....................................... XII,191 8.41-43 .................................. XXIX, 188 17.8-16 ...................................... XVI,292 17.17-24 ................ XVII,146; XXIX, 192 19.1-8(9-13a) .......................... XXII,226
326
19.1-13a ................... XIV,185; XVIII,204 19.1-18 ........................................... III,92 19.9-13a .................................. XXX,204 19.(14-18)19-21 .... XVII,159; XXIX, 205
35.3-10 ............ X,158; XIV,115; XIX,237 40.1-11 ............ VIII,40; XIV,124; XIX,15 40.25-31 ....................................... IX,216 42.1-7 ......................................... XXI,51 42.14-21 ..................... XVIII,92;XXX,72 43.1-7 ............................. II,299; XXV,80 44.9-20 ........................................ XIII,50 45.1-7 ......................................... XI,264 45.22-25 ................................. XXVIII,49 49.1-6 ............................................ III,85 50.4-7 ....................................... XIII,166 50.4-9a(9b-11) II,195; XIX,241; XXX,94 52.7-10 .......................... XV,100; XXII,37 52.13-53.12 . V,72; IX,196; XV,185; XXII,109 53.10-12 .................................... XXV,294 54.7-10 ............................ IX,183; XV,170 55.1-5 ........... III,68; VIII,213; XVIII,198; ................................................ XXX,197 55.6-7 ............................................ VI,24 55.(6-9),10-12a .......................... VIII,119 55,10-11 .................................. XXIV,223 56.1,6-8 .................. XVIII,213; XXX,209 58.1-9a ........................................ XV,147 58.1-12 ........................................... IX,50 58.5-9a ...................................... XXIV,88 58.7-12 ........................................ XII,300 60.1-6 .................. V,11; VIII,92; XVII,39; ................................ XXIV,63; XXIX, 54 61.1-3(4-9), 11 .......................... XIII,120 61.1-3,10-11 ........................... XXVIII,20 61.1-3,11,10 .................................. VII,44 61.10-62.3 ... XIX,42; XXV,68; XXVIII,59 62.1-5 ........................ XX,23; XXVIII,31 62.1-12 ............. II,423; VIII,331; XIX,279 62.6-7,10-12 ............ XXII,272; XXIV,297 63.7-9(10-16) ............................ XXIV,44 63.15-64.3 ................................... XIII,91 63.15-17,19; 64.(1-2)3-7 ............... XXII,9 63.15-16(17-19); 64.1-4a,8 .............. I,159 65.17-25 ........................ IX,15; XXX,133 66.10-14 ................................ XXIX, 213
2 Reis 5.1-19a ..................................... VII,58 Neemias 5.1-12 ..................... IX,83; XIII,11 8.1-2,5-6 .................................... XX,183 Jó 7.1-7 ............................................. XIX,73 38.1-11 ..................................... XXV,221 Salmo 22.2-12,17-10 ..................... XVIII,116 22.1-12,17-20 .......................... XXX,104 46.1-7(1-11) ........................... XXVI,313 111 ........................................... XXVI,27 112 ............................................... XII,77 130.4 .............................................. VI,34 Eclesiastes 1.2; 2.18-26 ................... XX,225 3.1-8 .............................................. VI,48 3.9-15 ............................................. X,16 4.1-4 ............................................... X,84 5.18 ................................................. X,65 9.13-18 ............................................ X,25 Provérbios 8.22-31 ...................... XXIII,109 9.1-6,10 ................................... XXII,230 9.7-13 .................................... XXIII,172 16.1-9 ......................................... VIII,80 24.10-14 ....................................... XII,45 30.5-9 .................................... XXVI,215 Isaías 1.1-9 ..................................... XIII,116 1.10-17 ........................................ XV,297 2.1-5 ................. VI,225; XVIII,9; XXX,9 5.1-7 .............. VII,87; XIII,147; XXI,252 6.1-13 ............................ VI,198; XII,213 7.10-14(15-17) ............. XIII,104; XXI,37 9.1-6 .............................. V,294; XVIII,31 9.1-6,10 ................................... XXII,230 11.1-5 ......................................... XVI,63 11.1-9(10-11) ........... XIV,148; XXVII,16 12.1-6 ................................... XXVI, 115 24.12-16a .................................. XIII,311 25.6-8 ....................................... XIX,114 25.6-9 ....................................... XXI,258 29.18-24 ....................................... III,130 30.(8-14),15-17 .............................. VI,97 35.1-10 .. XXI,273; XXIV,306; XXVIII,346
Jeremias 1.4-10 ................. VII,184; XIII,228 7.1-11 ........................................ VIII,257 7.1-11(12-15) ............................. XIV,301 7.21-26 ...................................... XXX,15 8.4-7 ........................... VIII,349; XIV,390 9.22-23 .......................................... VII,71 11.18-20 .................................... XIX,246 15.15-21 ................. XVIII,222; XXX,220 17.5-8 ....................................... XXIII,55
327
20.7-13 ....................... VIII,145; XXI,181 22.13-19 ...................................... XIII,80 23.1-6 ....................................... XVI,217 23.2-6 ........................................ XX,301 23.5-8 .............................. VI,62; XII,103 23.16-29 ........................... II,311; XII,209 26.8-15 .................................... XXVI, 97 28.5-9 ....................................... XXI,186 31.1-13 .................................... XXIX, 35 31.7-9 ...................................... XXV,301 31.10-13(14) .............................. XVII,34 31.31-34 .................................... XXII,85 Lamentações 3.21-26,31-32 .............. VI,269 3.21-33 ..................................... XXV,226 Ezequiel 2.3-8a; 3.17-19 ..................... II,263 18.1-4,21-24,30-32 ... IX,247; XXVII, 243 33.7-9 .................................. XXVII, 230 34.1-2(3-9),10-16,31 ...... VI,170; XXI,192 34.11-16,23-24 ........................ XXIV,330 37.1-3,11-14 .............................. XXX,89 37.1-14 ..... XV,193; XVIII,103; XXIV,117 37.24-28 ...................................... VIII,55 Daniel 5.1-30 ..................................... III,188 7.(1-12)13-14(15-28) ................. XVI,311 12.1-3 ....................................... XIX,296 Oséias 5.15-6.2 ............... XVIII,95; XXX,83 5.15-6.6 ..................................... XXI,169 11.1-4,8-9 ............ XXIV,323; XXVII, 284 Joel 2.12-18 ..................................... XII,166 2.28-29 ...................................... XXI,153 Amós 3.1-8 ...................... XXIV,75; XXX,54 5.21-24 ......................................... VII,76 6.1-7 ...................................... XXIII,189 7.10-15(16-17) .......................... XVI,211 8.4-7 ...................................... XXIII,181 9.7-10 ........................................... X,128 Jonas 3.1-5(6-9),10 ........................... XIX,61 Miquéias 5.1-4a .................... VI,88; XII,114 5.2-5 ........ XVI,63; XXVII, 29; XXIX, 21 6.1-8 ....................... XXIV,79; XXVII, 58 6.6-8 ........................... VIII,324; XIV,385 Habacuque 1.2-3(4); 2.1-4 ........... XVII,219;
............................................. XXIX, 281 Sofonias 3.14-18a .............................. XX,20 Zacarias 7.9-10 ......................... XXVI, 267 9.9-10 ............................ X,91; XIX,106 12.7-10(11) ............................. XVII,153 Malaquias 2.17-3.5 ......... XXIII,9; XXV,207 NOVO TESTAMENTO Mateus 1.18-25 ............ XVIII,25; XXIV,29; ................................................ XXX,19 2.1-12 . X,193; XVIII,49; XXI,46; XXV,74; ............................................. XXVII, 46 2.13-18 .......................................... V,304 3.1-12 ...................... XVIII,15; XXIV,24 3.13-17 ......... X,206; XVIII,53; XXIV,67; ................................................ XXX,44 4.1-11 .......................... IV,14; XXVII,70 4.12-23 ....................... XII,142; XVIII,61 4.23-25 ........................................ XII,35 5.1-12 .......................... IV,212; XVIII,64 5.13-16 ......................... X,390; XVIII,69 5.17-32 ......................... IV,125; XVIII,73 5.38-48 .............................. II,360; X,460 6.1-4 .......................... VIII,279; XIV,332 6.5-13 ............................ II,224; XIV,247 6.9-13 ............................ VI,53; VIII,192 6.16-18 ......................................... IV,133 6.24-34 ............................. IV,180; X,428 7.15-23 ......................................... IV,140 7.21-29 .................. XXIV,178; XXX,163 7.24-27 ...................... VI,233; XVIII,157 9.1-8 ............................................ IV,198 9.9-13 ..................... VIII,110; XVIII,161 9.35-10.8 ................................ XVIII,170 10.7-15 ......................................... II,271 10.26-36 ................................. XXIV,203 10.26b-33 .... VI,291; XII,268; XVIII,176; .............................................. XXX,168 10.34-42 .. XII,274; XVIII,181; XXX,174 11.2-11 .............. III,215; X,170; XXI,30; ............................................. XXVII, 22 11.25-30 .............. XVIII,186; XXIV,216; .............................................. XXX,184 12.22-30 ....................................... IV,217 12.33-35(36-37) ........................ XII,307 12.38-42 .................................... XII,175 13.1-9 . XXI,196; XXVII, 188; XXX,189
328
19.1-13a ................... XIV,185; XVIII,204 19.1-18 ........................................... III,92 19.9-13a .................................. XXX,204 19.(14-18)19-21 .... XVII,159; XXIX, 205
35.3-10 ............ X,158; XIV,115; XIX,237 40.1-11 ............ VIII,40; XIV,124; XIX,15 40.25-31 ....................................... IX,216 42.1-7 ......................................... XXI,51 42.14-21 ..................... XVIII,92;XXX,72 43.1-7 ............................. II,299; XXV,80 44.9-20 ........................................ XIII,50 45.1-7 ......................................... XI,264 45.22-25 ................................. XXVIII,49 49.1-6 ............................................ III,85 50.4-7 ....................................... XIII,166 50.4-9a(9b-11) II,195; XIX,241; XXX,94 52.7-10 .......................... XV,100; XXII,37 52.13-53.12 . V,72; IX,196; XV,185; XXII,109 53.10-12 .................................... XXV,294 54.7-10 ............................ IX,183; XV,170 55.1-5 ........... III,68; VIII,213; XVIII,198; ................................................ XXX,197 55.6-7 ............................................ VI,24 55.(6-9),10-12a .......................... VIII,119 55,10-11 .................................. XXIV,223 56.1,6-8 .................. XVIII,213; XXX,209 58.1-9a ........................................ XV,147 58.1-12 ........................................... IX,50 58.5-9a ...................................... XXIV,88 58.7-12 ........................................ XII,300 60.1-6 .................. V,11; VIII,92; XVII,39; ................................ XXIV,63; XXIX, 54 61.1-3(4-9), 11 .......................... XIII,120 61.1-3,10-11 ........................... XXVIII,20 61.1-3,11,10 .................................. VII,44 61.10-62.3 ... XIX,42; XXV,68; XXVIII,59 62.1-5 ........................ XX,23; XXVIII,31 62.1-12 ............. II,423; VIII,331; XIX,279 62.6-7,10-12 ............ XXII,272; XXIV,297 63.7-9(10-16) ............................ XXIV,44 63.15-64.3 ................................... XIII,91 63.15-17,19; 64.(1-2)3-7 ............... XXII,9 63.15-16(17-19); 64.1-4a,8 .............. I,159 65.17-25 ........................ IX,15; XXX,133 66.10-14 ................................ XXIX, 213
2 Reis 5.1-19a ..................................... VII,58 Neemias 5.1-12 ..................... IX,83; XIII,11 8.1-2,5-6 .................................... XX,183 Jó 7.1-7 ............................................. XIX,73 38.1-11 ..................................... XXV,221 Salmo 22.2-12,17-10 ..................... XVIII,116 22.1-12,17-20 .......................... XXX,104 46.1-7(1-11) ........................... XXVI,313 111 ........................................... XXVI,27 112 ............................................... XII,77 130.4 .............................................. VI,34 Eclesiastes 1.2; 2.18-26 ................... XX,225 3.1-8 .............................................. VI,48 3.9-15 ............................................. X,16 4.1-4 ............................................... X,84 5.18 ................................................. X,65 9.13-18 ............................................ X,25 Provérbios 8.22-31 ...................... XXIII,109 9.1-6,10 ................................... XXII,230 9.7-13 .................................... XXIII,172 16.1-9 ......................................... VIII,80 24.10-14 ....................................... XII,45 30.5-9 .................................... XXVI,215 Isaías 1.1-9 ..................................... XIII,116 1.10-17 ........................................ XV,297 2.1-5 ................. VI,225; XVIII,9; XXX,9 5.1-7 .............. VII,87; XIII,147; XXI,252 6.1-13 ............................ VI,198; XII,213 7.10-14(15-17) ............. XIII,104; XXI,37 9.1-6 .............................. V,294; XVIII,31 9.1-6,10 ................................... XXII,230 11.1-5 ......................................... XVI,63 11.1-9(10-11) ........... XIV,148; XXVII,16 12.1-6 ................................... XXVI, 115 24.12-16a .................................. XIII,311 25.6-8 ....................................... XIX,114 25.6-9 ....................................... XXI,258 29.18-24 ....................................... III,130 30.(8-14),15-17 .............................. VI,97 35.1-10 .. XXI,273; XXIV,306; XXVIII,346
Jeremias 1.4-10 ................. VII,184; XIII,228 7.1-11 ........................................ VIII,257 7.1-11(12-15) ............................. XIV,301 7.21-26 ...................................... XXX,15 8.4-7 ........................... VIII,349; XIV,390 9.22-23 .......................................... VII,71 11.18-20 .................................... XIX,246 15.15-21 ................. XVIII,222; XXX,220 17.5-8 ....................................... XXIII,55
327
20.7-13 ....................... VIII,145; XXI,181 22.13-19 ...................................... XIII,80 23.1-6 ....................................... XVI,217 23.2-6 ........................................ XX,301 23.5-8 .............................. VI,62; XII,103 23.16-29 ........................... II,311; XII,209 26.8-15 .................................... XXVI, 97 28.5-9 ....................................... XXI,186 31.1-13 .................................... XXIX, 35 31.7-9 ...................................... XXV,301 31.10-13(14) .............................. XVII,34 31.31-34 .................................... XXII,85 Lamentações 3.21-26,31-32 .............. VI,269 3.21-33 ..................................... XXV,226 Ezequiel 2.3-8a; 3.17-19 ..................... II,263 18.1-4,21-24,30-32 ... IX,247; XXVII, 243 33.7-9 .................................. XXVII, 230 34.1-2(3-9),10-16,31 ...... VI,170; XXI,192 34.11-16,23-24 ........................ XXIV,330 37.1-3,11-14 .............................. XXX,89 37.1-14 ..... XV,193; XVIII,103; XXIV,117 37.24-28 ...................................... VIII,55 Daniel 5.1-30 ..................................... III,188 7.(1-12)13-14(15-28) ................. XVI,311 12.1-3 ....................................... XIX,296 Oséias 5.15-6.2 ............... XVIII,95; XXX,83 5.15-6.6 ..................................... XXI,169 11.1-4,8-9 ............ XXIV,323; XXVII, 284 Joel 2.12-18 ..................................... XII,166 2.28-29 ...................................... XXI,153 Amós 3.1-8 ...................... XXIV,75; XXX,54 5.21-24 ......................................... VII,76 6.1-7 ...................................... XXIII,189 7.10-15(16-17) .......................... XVI,211 8.4-7 ...................................... XXIII,181 9.7-10 ........................................... X,128 Jonas 3.1-5(6-9),10 ........................... XIX,61 Miquéias 5.1-4a .................... VI,88; XII,114 5.2-5 ........ XVI,63; XXVII, 29; XXIX, 21 6.1-8 ....................... XXIV,79; XXVII, 58 6.6-8 ........................... VIII,324; XIV,385 Habacuque 1.2-3(4); 2.1-4 ........... XVII,219;
............................................. XXIX, 281 Sofonias 3.14-18a .............................. XX,20 Zacarias 7.9-10 ......................... XXVI, 267 9.9-10 ............................ X,91; XIX,106 12.7-10(11) ............................. XVII,153 Malaquias 2.17-3.5 ......... XXIII,9; XXV,207 NOVO TESTAMENTO Mateus 1.18-25 ............ XVIII,25; XXIV,29; ................................................ XXX,19 2.1-12 . X,193; XVIII,49; XXI,46; XXV,74; ............................................. XXVII, 46 2.13-18 .......................................... V,304 3.1-12 ...................... XVIII,15; XXIV,24 3.13-17 ......... X,206; XVIII,53; XXIV,67; ................................................ XXX,44 4.1-11 .......................... IV,14; XXVII,70 4.12-23 ....................... XII,142; XVIII,61 4.23-25 ........................................ XII,35 5.1-12 .......................... IV,212; XVIII,64 5.13-16 ......................... X,390; XVIII,69 5.17-32 ......................... IV,125; XVIII,73 5.38-48 .............................. II,360; X,460 6.1-4 .......................... VIII,279; XIV,332 6.5-13 ............................ II,224; XIV,247 6.9-13 ............................ VI,53; VIII,192 6.16-18 ......................................... IV,133 6.24-34 ............................. IV,180; X,428 7.15-23 ......................................... IV,140 7.21-29 .................. XXIV,178; XXX,163 7.24-27 ...................... VI,233; XVIII,157 9.1-8 ............................................ IV,198 9.9-13 ..................... VIII,110; XVIII,161 9.35-10.8 ................................ XVIII,170 10.7-15 ......................................... II,271 10.26-36 ................................. XXIV,203 10.26b-33 .... VI,291; XII,268; XVIII,176; .............................................. XXX,168 10.34-42 .. XII,274; XVIII,181; XXX,174 11.2-11 .............. III,215; X,170; XXI,30; ............................................. XXVII, 22 11.25-30 .............. XVIII,186; XXIV,216; .............................................. XXX,184 12.22-30 ....................................... IV,217 12.33-35(36-37) ........................ XII,307 12.38-42 .................................... XII,175 13.1-9 . XXI,196; XXVII, 188; XXX,189
328
13.24-30(36-43) ..... XVIII,287; XXI,203 13.44-46 .......... II,317; VIII,253; XIV,295 13.44-52 ............... XXI,207; XXVII, 194 14.13-21 ................. XXI,213; XXIV,245; ........................................... XXVII, 198 14.22-33 .................... VI,109; XXIV,249; ........................................... XXVII, 202 15.21-28 ... X,445; XXI, 218; XXVII, 208 16.13-19 .................................. XXIII,40 16.13-20 .. II,239; XXIV,260; XXVII, 216 16.21-26 ............... XXI,223; XXVII, 222 17.1-9 ........... X,216; XVIII,78; XXX,60 18.15-20 ..... II,290; XVIII,226; XXX,227 18.21-35 .... X,467; XVIII,232; XXX,234 19.16-26 ....................................... II,349 20.1-16a ............. IV,7; X,221; XVIII,236; ........................... XXIX, 296; XXX,239 20.17-28 ................... XXI,96; XXVII, 87 21.1-9 .............................. III,199; X,149 21.14-17 ......................... II,219; XII,185 21.28-32 .................... VI,247; XVIII,243 21.33-43 ................................. XVIII,250 22.1-10 (11-14) ...................... XXX,243 22.1-14 ....................... IV,205; XVIII,254 22.15-21 ................................. XVIII,259 22.23-33 ...... VIII,336; XVI,288; XX,285 22.34-40 ...................... IV,194; XXX,253 23.1-12 ........................ II,325; XXX,259 24.1-14 ........................ VI,68; XVIII,275 24.15-28 ....................................... IV,222 24.37-44 .................... XXI,21; XXVII, 9 25.1-13 .......... IV,243; XI,336; XXIV,312; .............................................. XXX,277 25.14-30 ......... II,400; X,394; XVIII,272; .............................................. XXX,286 25.31-46 ....... ..IV,231; X,472; XVIII,293; ............................. XXI,302; XXVII,291 26.30-56 ...................... VI,29; XVIII,109 26.57-75 ................................. XXIV,122 27.33-50(51-54) ......... VIII,162; XIV,201 27.33-54 ................. XXI,111; XXVII, 99 28.1-10 ....................... VI,167; XXIV,139 28.16-20 ...................... X,374; XXX,156
1.40-45 .......................... VI,258; XII,241 2.1-12 ...................... X,453; XXVIII,100 2.18-22 ...................................... VIII,105 2.23-28 ...... VIII,311; XIV,367; XXII,169; ........................................... XXVIII,228 3.1-6 ............................................ X,114 3.20-35 ................. XVI,192; XXVIII,233 3.31-35 ........................................ VI,252 4.26-29 ........................................ VI,113 4.26-34 ................. XXII,175;XXVIII,240 4.30.32 ....................................... XII,313 4.35-41 ... XVI,200; XXII,182; XXVIII,247 5.21-24a,35-43 .................... XXVIII,253 5.24b-34 ................................. XXII,188 5.25-34 ......................................... XII,27 6.1-6 .... XVI,205; XXII,200; XXVIII,260 6.6b-13 .................... XIX,201; XXV,236 6.14-29 ........................................... X,74 6.30-34 ..................... XIX,206; XXV,241 6.34-44 .................................... XXX,247 7.1-8,14-15,21-23 ..................... XIX,233 7.31-37 ............ IV,163; X,408; XXII,239; ........................................... XXVIII,307 8.22-26 ........................ VIII,269; XIV,317 8.27-35 ...................................... XVI,247 8.31-38 ............ X,234; XIX,83; XXV,129 9.2-9 .................... XVI,105; XXVIII,108 9.17-29 ........................................ VI,278 9.30-37 ..................... XVI,255; XXII,245 9.38-50 ................ XXII,250; XXVIII,322 9.43-48 ........................... II,305; XVI,263 10.2-12 ................................ XXVIII,326 10.13-16 .............................. XXVIII,313 10.17-27 ..................... XII,256; XVI,268; ............................................... XXII,260 10.32-45 ........................ X,106; XVI,277 10.35-45 .............................. XXVIII,289 10.46-52 ................... XVI,283; XXII,265 12.1-12 ......................................... X,242 12.13-17 ...................................... III,138 12.41-44 ...................... VI,138; XXII,281 13.1-13 . XVI,302; XXII,286; XXVIII,351 13.24-31 .............................. XXVIII,358 13.31-37 ......................... XIV,397; XIX,9 13.33-37 ..................................... XXV,17 14.3-9 ........................... VI,149; XXII,93 14.6-9 ........................................ XII,181 14.12-26 .................. XVI,134; XXII,104; ........................................... XXVIII,144 14.17-26 ...................................... VI,156 15.1-15(16-20) ..... XVI,129; XXVIII,139
Marcos 1.1-8 ............... XXII,14; XXVIII,13 1.4-11 .................... XXII,48; XXVIII,64 1.12-15 ....................... XIX,79; XXV,129 1.14-20 ................... XXII,56; XXVIII,73 1.21-28 ..................... XVI,99; XXVIII,79 1.29-39 .................................. XXVIII,87 1.32-39 .......................... VI,284; XII,261
329
16.1-8 .. IV,4; X,294; XVI,153; XXII,112; ........................................... XXVIII,159 16.9-14(15-20) ............ VIII,173; XIV,255 16.14-20 ......................................... IV,77 Lucas 1.1-4 .................................. XXIII,200 1.26-33(34-37) ........... 38 VI,81; XII,109; ..................................... XVI,56; XIX,27 1.26-38 .................... XXII,28; XXVIII,26 1.39-45(46-55) ........................ XXVI, 20 1.(39-45)46-55(56) ....................... X,175 1.46-55 .......................................... V,288 1.57-66 ................................... XXIV,200 1.67-79 .............................. V,270; VIII,30 2.1-7 ......................................... XXX,24 2.1-14 ................................. I,168; X,181 2.(1-14)15-20 ........................... XXIV,41 2.1-20 ................ III,218; IV,273; XVI,63; ................... XVII,28; XXI,41; XXIII,21; ............................ XXVII, 34; XXIX, 26 2.41-52 ........................................ XX,35 3.1-9 ............................................. V,281 3.1-14 ........................................... VI,76 3.7-18 ...... XVII,21; XXIII,15; XXIX, 16 3.15-17,21-22 .............. XX,40; XXVI, 36 4.1-13 ..................... XXIII,60; XXIX, 81 4.14-21 .......................................... VI,19 4.14-21(22) .... XX,50; XX,59; XXVI, 47 4.16-21 ......................................... X,186 4.21-30 .................................... XXVI, 54 5.1-11 .. IV,118; XVII,57; XX,65; XXVI, 59 6.17-26 ........................ XX,69; XXVI, 66 6.27-38 ........................ XX,73; XXVI, 74 6.36-42 .............................. IV,112; X,368 7.1-10 ................................... XXVI, 206 7.11-17 .......................... IV,186; VIII,293 7.36-50 ..... VIII,262; XIV,309; XXVI, 220 8.4-10 .......................................... X,228 9.10-17 ...................................... VIII,241 9.18-24(25-26) ........ XX,190; XXVI, 226 9.28-36 ........................ XX,82; XXVI, 85 9.51-56 ........................................ XV,167 9.51-62 ....................................... XX,198 9.57-62 ......................................... X,251 10.1-12,16 .................................. XX,204 10.17-20 ................................. XXIV,285 10.21-24 ........................................ II,249 10.25-37 ..... X,413; XVII,163; XXIII,135 10.38-42 ..................... VI,124; XVII,170; ........................... XXIII,140; XXIX, 216 11.1-13 ................... XVI,178; XXIII,145;
330
............................................. XXIX, 223 11.5-13 ........................................ VI,184 11.14-23 ......................... VI,297; XII,283 12.13-21 .............. XXIII,149; XXIX, 228 12.32-40 .................................. XVII,183 12.35-40 ...................................... III,226 12.41-48 ...................................... VI,302 12.42-48 ..................................... XII,289 12.49-53 ................ XVII,189; XXIII,154; ............................................. XXIX, 235 13.1-9 ...... XVII,83; XXIII,72; XXIX, 93 13.22-30 ................ XVII,193; XXIII,159; ............................................. XXIX, 241 13.31-35 ................... XVII,78; XXIII,65; .............................................. XXIX, 88 14.1-3,11b-32 ................. VI,209; XII,220 14.1,7-14 ............... XVII,196; XXIII,167; ............................................. XXIX, 247 14.15-24 .............................. IV,96; X,354 14.25-33 ... VIII,235; XX,251; XXVI, 277 15.1-3,11-32 ........... XVII,88; XXIX, 100 15.1-10 ................ IV,106; X,361; XX,255 15.8-32 ................................ XXVIII,265 16.1-9 .......................................... IV,147 16.1-13 .................... XX,260; XXVI, 286 16.19-31 ........................... IV,88; XX,265 17.1-10 .................... XX,270; XXVI, 298 17.5-6 ......................... VIII,286; XIV,346 17.7-10 ........................... VI,117; XII,160 17.11-19 ............. IV,172; X,421; XX,275; ............................................. XXVI, 305 17.20-35 ........................................ V,275 18.1-8a ..................... XX,291; XXIII,213 18.1-8 .................... VIII,343; XXVI, 325 18.9-14 ..................... IV,158; XXVIII,333 18.18-23 ..................................... XII,249 18.18-30 ....................................... IV,265 18.31-43 .................................... VIII,124 19.1-10 ............. II,279; VIII,219; XIV,275 19.28-40 ................................ XXVI, 121 19.41-48 ............................ IV,153; X,401 20.9-19 ................... XVII,94; XXIX, 105 20.27-38 ................................. XXIII,223 21.5-19 ....................................... XX,296 21.25-36 .......................... III,209; XVII,9 22.7-20 .................... XX,116; XXVI, 126 22.31-34 ...................... VIII,131; XIV,172 23.33-43 ................................ XXVI, 344 23.(26-32)33-49 ... XVII,102; XXIX, 119 23.33-49 ...................................... VI,162 23.35-43 .................................. XVII,248
13.24-30(36-43) ..... XVIII,287; XXI,203 13.44-46 .......... II,317; VIII,253; XIV,295 13.44-52 ............... XXI,207; XXVII, 194 14.13-21 ................. XXI,213; XXIV,245; ........................................... XXVII, 198 14.22-33 .................... VI,109; XXIV,249; ........................................... XXVII, 202 15.21-28 ... X,445; XXI, 218; XXVII, 208 16.13-19 .................................. XXIII,40 16.13-20 .. II,239; XXIV,260; XXVII, 216 16.21-26 ............... XXI,223; XXVII, 222 17.1-9 ........... X,216; XVIII,78; XXX,60 18.15-20 ..... II,290; XVIII,226; XXX,227 18.21-35 .... X,467; XVIII,232; XXX,234 19.16-26 ....................................... II,349 20.1-16a ............. IV,7; X,221; XVIII,236; ........................... XXIX, 296; XXX,239 20.17-28 ................... XXI,96; XXVII, 87 21.1-9 .............................. III,199; X,149 21.14-17 ......................... II,219; XII,185 21.28-32 .................... VI,247; XVIII,243 21.33-43 ................................. XVIII,250 22.1-10 (11-14) ...................... XXX,243 22.1-14 ....................... IV,205; XVIII,254 22.15-21 ................................. XVIII,259 22.23-33 ...... VIII,336; XVI,288; XX,285 22.34-40 ...................... IV,194; XXX,253 23.1-12 ........................ II,325; XXX,259 24.1-14 ........................ VI,68; XVIII,275 24.15-28 ....................................... IV,222 24.37-44 .................... XXI,21; XXVII, 9 25.1-13 .......... IV,243; XI,336; XXIV,312; .............................................. XXX,277 25.14-30 ......... II,400; X,394; XVIII,272; .............................................. XXX,286 25.31-46 ....... ..IV,231; X,472; XVIII,293; ............................. XXI,302; XXVII,291 26.30-56 ...................... VI,29; XVIII,109 26.57-75 ................................. XXIV,122 27.33-50(51-54) ......... VIII,162; XIV,201 27.33-54 ................. XXI,111; XXVII, 99 28.1-10 ....................... VI,167; XXIV,139 28.16-20 ...................... X,374; XXX,156
1.40-45 .......................... VI,258; XII,241 2.1-12 ...................... X,453; XXVIII,100 2.18-22 ...................................... VIII,105 2.23-28 ...... VIII,311; XIV,367; XXII,169; ........................................... XXVIII,228 3.1-6 ............................................ X,114 3.20-35 ................. XVI,192; XXVIII,233 3.31-35 ........................................ VI,252 4.26-29 ........................................ VI,113 4.26-34 ................. XXII,175;XXVIII,240 4.30.32 ....................................... XII,313 4.35-41 ... XVI,200; XXII,182; XXVIII,247 5.21-24a,35-43 .................... XXVIII,253 5.24b-34 ................................. XXII,188 5.25-34 ......................................... XII,27 6.1-6 .... XVI,205; XXII,200; XXVIII,260 6.6b-13 .................... XIX,201; XXV,236 6.14-29 ........................................... X,74 6.30-34 ..................... XIX,206; XXV,241 6.34-44 .................................... XXX,247 7.1-8,14-15,21-23 ..................... XIX,233 7.31-37 ............ IV,163; X,408; XXII,239; ........................................... XXVIII,307 8.22-26 ........................ VIII,269; XIV,317 8.27-35 ...................................... XVI,247 8.31-38 ............ X,234; XIX,83; XXV,129 9.2-9 .................... XVI,105; XXVIII,108 9.17-29 ........................................ VI,278 9.30-37 ..................... XVI,255; XXII,245 9.38-50 ................ XXII,250; XXVIII,322 9.43-48 ........................... II,305; XVI,263 10.2-12 ................................ XXVIII,326 10.13-16 .............................. XXVIII,313 10.17-27 ..................... XII,256; XVI,268; ............................................... XXII,260 10.32-45 ........................ X,106; XVI,277 10.35-45 .............................. XXVIII,289 10.46-52 ................... XVI,283; XXII,265 12.1-12 ......................................... X,242 12.13-17 ...................................... III,138 12.41-44 ...................... VI,138; XXII,281 13.1-13 . XVI,302; XXII,286; XXVIII,351 13.24-31 .............................. XXVIII,358 13.31-37 ......................... XIV,397; XIX,9 13.33-37 ..................................... XXV,17 14.3-9 ........................... VI,149; XXII,93 14.6-9 ........................................ XII,181 14.12-26 .................. XVI,134; XXII,104; ........................................... XXVIII,144 14.17-26 ...................................... VI,156 15.1-15(16-20) ..... XVI,129; XXVIII,139
Marcos 1.1-8 ............... XXII,14; XXVIII,13 1.4-11 .................... XXII,48; XXVIII,64 1.12-15 ....................... XIX,79; XXV,129 1.14-20 ................... XXII,56; XXVIII,73 1.21-28 ..................... XVI,99; XXVIII,79 1.29-39 .................................. XXVIII,87 1.32-39 .......................... VI,284; XII,261
329
16.1-8 .. IV,4; X,294; XVI,153; XXII,112; ........................................... XXVIII,159 16.9-14(15-20) ............ VIII,173; XIV,255 16.14-20 ......................................... IV,77 Lucas 1.1-4 .................................. XXIII,200 1.26-33(34-37) ........... 38 VI,81; XII,109; ..................................... XVI,56; XIX,27 1.26-38 .................... XXII,28; XXVIII,26 1.39-45(46-55) ........................ XXVI, 20 1.(39-45)46-55(56) ....................... X,175 1.46-55 .......................................... V,288 1.57-66 ................................... XXIV,200 1.67-79 .............................. V,270; VIII,30 2.1-7 ......................................... XXX,24 2.1-14 ................................. I,168; X,181 2.(1-14)15-20 ........................... XXIV,41 2.1-20 ................ III,218; IV,273; XVI,63; ................... XVII,28; XXI,41; XXIII,21; ............................ XXVII, 34; XXIX, 26 2.41-52 ........................................ XX,35 3.1-9 ............................................. V,281 3.1-14 ........................................... VI,76 3.7-18 ...... XVII,21; XXIII,15; XXIX, 16 3.15-17,21-22 .............. XX,40; XXVI, 36 4.1-13 ..................... XXIII,60; XXIX, 81 4.14-21 .......................................... VI,19 4.14-21(22) .... XX,50; XX,59; XXVI, 47 4.16-21 ......................................... X,186 4.21-30 .................................... XXVI, 54 5.1-11 .. IV,118; XVII,57; XX,65; XXVI, 59 6.17-26 ........................ XX,69; XXVI, 66 6.27-38 ........................ XX,73; XXVI, 74 6.36-42 .............................. IV,112; X,368 7.1-10 ................................... XXVI, 206 7.11-17 .......................... IV,186; VIII,293 7.36-50 ..... VIII,262; XIV,309; XXVI, 220 8.4-10 .......................................... X,228 9.10-17 ...................................... VIII,241 9.18-24(25-26) ........ XX,190; XXVI, 226 9.28-36 ........................ XX,82; XXVI, 85 9.51-56 ........................................ XV,167 9.51-62 ....................................... XX,198 9.57-62 ......................................... X,251 10.1-12,16 .................................. XX,204 10.17-20 ................................. XXIV,285 10.21-24 ........................................ II,249 10.25-37 ..... X,413; XVII,163; XXIII,135 10.38-42 ..................... VI,124; XVII,170; ........................... XXIII,140; XXIX, 216 11.1-13 ................... XVI,178; XXIII,145;
330
............................................. XXIX, 223 11.5-13 ........................................ VI,184 11.14-23 ......................... VI,297; XII,283 12.13-21 .............. XXIII,149; XXIX, 228 12.32-40 .................................. XVII,183 12.35-40 ...................................... III,226 12.41-48 ...................................... VI,302 12.42-48 ..................................... XII,289 12.49-53 ................ XVII,189; XXIII,154; ............................................. XXIX, 235 13.1-9 ...... XVII,83; XXIII,72; XXIX, 93 13.22-30 ................ XVII,193; XXIII,159; ............................................. XXIX, 241 13.31-35 ................... XVII,78; XXIII,65; .............................................. XXIX, 88 14.1-3,11b-32 ................. VI,209; XII,220 14.1,7-14 ............... XVII,196; XXIII,167; ............................................. XXIX, 247 14.15-24 .............................. IV,96; X,354 14.25-33 ... VIII,235; XX,251; XXVI, 277 15.1-3,11-32 ........... XVII,88; XXIX, 100 15.1-10 ................ IV,106; X,361; XX,255 15.8-32 ................................ XXVIII,265 16.1-9 .......................................... IV,147 16.1-13 .................... XX,260; XXVI, 286 16.19-31 ........................... IV,88; XX,265 17.1-10 .................... XX,270; XXVI, 298 17.5-6 ......................... VIII,286; XIV,346 17.7-10 ........................... VI,117; XII,160 17.11-19 ............. IV,172; X,421; XX,275; ............................................. XXVI, 305 17.20-35 ........................................ V,275 18.1-8a ..................... XX,291; XXIII,213 18.1-8 .................... VIII,343; XXVI, 325 18.9-14 ..................... IV,158; XXVIII,333 18.18-23 ..................................... XII,249 18.18-30 ....................................... IV,265 18.31-43 .................................... VIII,124 19.1-10 ............. II,279; VIII,219; XIV,275 19.28-40 ................................ XXVI, 121 19.41-48 ............................ IV,153; X,401 20.9-19 ................... XVII,94; XXIX, 105 20.27-38 ................................. XXIII,223 21.5-19 ....................................... XX,296 21.25-36 .......................... III,209; XVII,9 22.7-20 .................... XX,116; XXVI, 126 22.31-34 ...................... VIII,131; XIV,172 23.33-43 ................................ XXVI, 344 23.(26-32)33-49 ... XVII,102; XXIX, 119 23.33-49 ...................................... VI,162 23.35-43 .................................. XVII,248
24.1-11(12) ................................ XX,127 24.1-12 .......................................... II,201 24.13-35 ..... VI,40; XXI,125; XXVII, 114 24.36-49 ................................... XIX,128 24.44-53 .............................. XXVIII,201 24.(44-49)50-53 ...................... XXII,145 24.50-53 ........................ X,331; XIX,148 João 1.1-5.9-14 ................................ XXV,39 1.1-6,9-14 ................................... XIX,35 1.1-18 ..................... XXIII,30; XXIX, 46 1.6-8,19-28 ................................. XXV,29 1.19-23(24-28) .............. VIII,49; XIX,22 1.29-34 ........... VIII,98; XVIII,57; XXI,55 1.35-42 ....................... XII,227; XVIII,57 1.43-51 .......... XII,129; XVI,92; XXII,52; ............................................. XXVIII,68 2.1-11 .............. IX,41; XX,44; XXVI, 40 2.13-22 ........................... VI,237; XIX,87 3.1-11(15) .................................... X,347 3.1-17 ................. XXII,165; XXVIII,220 3.14-21 ....................... XIX,95; XXV,144 4.5-26 ........................................ XXI,82 4.31-38 .......................................... II,256 4.46-54 ....................................... XII,148 5.1-16 ....................................... XIV,360 5.1-16(18) ................................. VIII,304 5.19-21 ...................................... XIV,215 5.24-29 .................. XVIII,267; XXII,277; ............................ XXIX, 302; XXX,271 5.39-47 ........................................ VI,204 6.1-15 . IV,24; X,383; XIX,211; XXV,247 6.(22-23)24-35 ......................... XXV,254 6.24-35 ....................... VIII,151; XIX,217 6.37-40(41-43),44 .......................... II,367 6.41-51 ... XIX,220; XXV,259; XXVIII,284 6.51-58 ..................................... XIX,225 6.60-69 ........ XII,293; XIX,229; XXV,264 6.66-69 ....................................... XII,293 7.14-18 ......................................... VII,87 7.37-39a .............................. XXVIII,211 7.37-39 ........... VI,194; XII,199; XVI,187; ............................................... XXII,158 8.1-11 ....................................... VIII,228 8.21-30 ........................ VIII,138; XIV,179 8.31-36 ............ II,383; VIII,73; XVII,225; .............................................. XXIII,209 9.1-7 ........................... VIII,248; XIV,290 9.13-17,34-39 ........... XXI,91; XXVII, 81 9.35-41 ...................................... VIII,299 10.1-5,27-30 ................................. II,207
10.1-10 ................. XXI,133; XXVII, 119 10.11-16 ......................................... IV,53 10.11-18 ................................... XXV,181 10.11-18(27-30) ............ X,310; XIX,135 10.22-30 ................ XVII,117; XXIX, 141 11.1,3,17-27 .................................. II,355 11.1(2),3,17-27(41-45) .................. X,434 11.47-53 ....... VIII,157; XIV,192; XXI,103 12.12-19 .......................... X,269; XX,110 12.20-26 ........................................ X,258 12.20-30 ................................... XXV,150 12.20-33 ........................ X,258; XIX,102 12.44-50 ...................................... VIII,65 13.1-15,34-35 ............................... X,277 13.1-17,34 ................................. XXX,99 13.31-35 ............... XVII,121; XXIX, 149 14.1-6 ........................................ XII,134 14.1-12 ...... II,230; XXI,139; XXVII, 124 14.15-19 ..................................... XV, 232 14.23-27 ............................. IV,82; X, 341 14.23-29 ............... XVII,126; XXIX, 154 15.1-8 .......... X,317; XIX,139; XXV, 189 15.9-12(13-17) ......................... XIV, 374 15.9-17 ....... VIII,317; XIX,143; XXV,192 15.26-16.4 ................................... X, 337 15.26-27; 16.4b-11 .... XX,171; XXVI, 191 16.5-15 ........................................... IV,65 16.12-15 ................. XX,177; XXVI, 200 16.16-23a .......................... IV,57; VI,179 16.16,20-23a ............................... VI,129 16.22-28 ........................................ IV,72 16.23b-28,33 ............................... X,323 17.1-15 ................................... XXIV,159 17.1-11 ............... XXI,148; XXVII, 132 17.9-19 ........... IV,31; XIX,153; XXV,197 17.20-26 ................ VIII,198; XXIX, 168 18.33-37 .................................. XIX,299 19.16-30 ... IV,38; X,284; XIX,110; XXV,170 20.1-2,11-18 ........................... XXIV,230 20.1-9 ................................... XVIII,120 20.1-9(10-18) ....... XXVI, 136; XXX,109 20.11-18 ..................... VIII,166; XIV,207 20.19-23 ................ XXIV,173; XXX,150 20.(19,23)24-29 ............ X,301; XIX,119 20.19-31 ............. XXI,121; XXVII, 110; ............................................. XXIX, 128 21.1-14 ................ XVII,111; XXIX, 136 21.15-19 ................................... VIII,179 Atos 1.8-14 .................................. XXIV,168 1.1-11 .... XX,155; XX,160; XXVI, 182;
331
............................................. XXIX, 161 1.15-26 ................ XVI,184; XXVIII,206 1.3-4(5-7),8-11 .......................... XI,242 2.1-13 ........................................ XI,249 2.1-21 .... XI,249; XIX,158; XXVII, 139 2.14a,22-32 ............................ XXIV,143 2.14a,36-47 ............................ XXIV,150 2.22-23,32-33,36-39 ................... XV,239 2.36-41 ........................................ III,59 2.41a,42-47 ................................ XI,284 3.1-10 ....................................... VII,198 3.13-15,17-26 ...... XVI,158; XXVIII,165 4.8-12 ................ XVII,164; XXVIII,172 4.32-37 ........................................ V,310 5.12,17-32 ................................. XX,130 6.1-7 ......................... III,134; XXIV,155 8.26-40 ... XIII,222; XVI,169; XXVIII,188 9.1-20 ....................................... XX,136 10.34-38 .................. XIX,49; XXIII,35; .......................... XXVII, 52;XXVII, 105 11.19-30 .............. XVI,178; XXVIII,196 13.16-17,22-25 ......................... XXII,33 13.44-52 ...................... XX,140; XX,143 14.8-18 ...................................... XX,148 16.6-10 ...................................... XX,164 16.9-15 .......................... IX,171; XV,141 16.23-34 ...................... VII,122; XIV,233 17.16-34 .......................................... I,34 17.22-31 ..................................... XV,213 Romanos 1.1-7 XVI,77; XXV,55; XXVIII,54 3.19-28 ......... III,169; XX,291; XXI,267; ..................... XXV,287; XXVII,156, 272 4.1-5,13-17 ............................. XXIV,100 4.18-25 ............... XXIV,184; XXVII, 161 5.1-5 .................... XVII,137; XXIX, 180 5.1-11 ................................. XXVIII,122 5.6-11 ................ XXIV,190; XXVII, 166 5.12-15 ................................. XXVII, 172 6.1-11 ............................................. V,51 6.1b-11 .............. XXIV,211; XXVII, 183 6.3-8 .......................................... XI,278 6.19-23 ........................... VI,164; IX,258 8.1-11 ............. I,39; XIV,253; XXIV,111 8.12-17 ......................................... V,170 8.14-17 .................................... XXV,203 8.14-17,22-27 ........................ XXIX,174 8.18-23 ........................ V,150; XVIII,192 8.26-27 .................................... XXX,193 8.26-30 ....................................... IX,233 8.31-39 ............. IX,91; XI,144; XVI,110;
........................................... XXVIII,115 9.1-5,31-10.4 ............................ XIII,235 9.1-5; 10.1-4 ................................. V,185 9.30b-33 ..................................... III,124 10.5-13 ..................................... XVI,115 11.13-15,29-32 ....................... XXIV,255 11.25-32 ........................................ I,102 11.32-36 ........................... V,126; XI,256 12.1-8 ....................... XI,152; XXIV,265 12.6-16 ........................................... V,19 13.1-10 .................................... XXI,229 13.8-10(13-14) ........................... XI,107 13.11-14 ....................... IV,251; XXIV,19 14.5-9 ..................................... XXI,234 14.7-13 ......................................... III,79 14.10-13 ..................................... XI,266 15.4-13 ...................................... XXI,25 1 Coríntios 1.1-9 ..................................... 70 1.3-9 ............... V,228; XVI,51; XXVIII,9 1.10-17 ...................................... XXI,60 1.18,22-25 ................................... XX,97 1.26-31 ................. V,190; IX,24; XXI,65 2.1-5 ........................... XXI,71; XXII,60 2.1-10 .......................... VII,50; XIII,126 2.6-13 ....................................... XXI,74 3.9-15 ........................................ XV,266 3.16-23 ..................... XXII,193; XXV,96 7.29-31 .............................................. 90 8.2 ............................................. XIII,42 9.16-23 .................................... XIV,264 9.24-27 ...................................... XI,165 10.1-13 ............................. V,179; XX,91 10.16-17 ..................... VII,107; XIII,171 10.31-11.1 .............................. XXV,107 11.23-26 .............. XXIV,127; XXVII, 94 11.23-29 ......................................... V,65 12 .............................................. XIII,34 12.1,4-11 ................. XVII,47; XXIX, 59 12.12-21,26-27 ....... XXIII,45; XXIX, 64 12.27-13.13 ............. XVII,52; XXIX, 71 12.31b-13.13 ...................... V,32; XI,182 14.1-3,20-25 .............................. VII,158 14.12b-20 ................................ XXIII,49 15.1-11 ................................... XVII,108 15.1-20 ......................................... III,13 15.12,16-20 .............................. XVII,63 15.19-28 ............... I,16; IX,207; XV,207; .............................. XVIII,280; XXV,175 15.20-28 .................................. XXX,293 15.35-38 ..................................... XIII,29 15.45-49 ................................... XVII,69
332
24.1-11(12) ................................ XX,127 24.1-12 .......................................... II,201 24.13-35 ..... VI,40; XXI,125; XXVII, 114 24.36-49 ................................... XIX,128 24.44-53 .............................. XXVIII,201 24.(44-49)50-53 ...................... XXII,145 24.50-53 ........................ X,331; XIX,148 João 1.1-5.9-14 ................................ XXV,39 1.1-6,9-14 ................................... XIX,35 1.1-18 ..................... XXIII,30; XXIX, 46 1.6-8,19-28 ................................. XXV,29 1.19-23(24-28) .............. VIII,49; XIX,22 1.29-34 ........... VIII,98; XVIII,57; XXI,55 1.35-42 ....................... XII,227; XVIII,57 1.43-51 .......... XII,129; XVI,92; XXII,52; ............................................. XXVIII,68 2.1-11 .............. IX,41; XX,44; XXVI, 40 2.13-22 ........................... VI,237; XIX,87 3.1-11(15) .................................... X,347 3.1-17 ................. XXII,165; XXVIII,220 3.14-21 ....................... XIX,95; XXV,144 4.5-26 ........................................ XXI,82 4.31-38 .......................................... II,256 4.46-54 ....................................... XII,148 5.1-16 ....................................... XIV,360 5.1-16(18) ................................. VIII,304 5.19-21 ...................................... XIV,215 5.24-29 .................. XVIII,267; XXII,277; ............................ XXIX, 302; XXX,271 5.39-47 ........................................ VI,204 6.1-15 . IV,24; X,383; XIX,211; XXV,247 6.(22-23)24-35 ......................... XXV,254 6.24-35 ....................... VIII,151; XIX,217 6.37-40(41-43),44 .......................... II,367 6.41-51 ... XIX,220; XXV,259; XXVIII,284 6.51-58 ..................................... XIX,225 6.60-69 ........ XII,293; XIX,229; XXV,264 6.66-69 ....................................... XII,293 7.14-18 ......................................... VII,87 7.37-39a .............................. XXVIII,211 7.37-39 ........... VI,194; XII,199; XVI,187; ............................................... XXII,158 8.1-11 ....................................... VIII,228 8.21-30 ........................ VIII,138; XIV,179 8.31-36 ............ II,383; VIII,73; XVII,225; .............................................. XXIII,209 9.1-7 ........................... VIII,248; XIV,290 9.13-17,34-39 ........... XXI,91; XXVII, 81 9.35-41 ...................................... VIII,299 10.1-5,27-30 ................................. II,207
10.1-10 ................. XXI,133; XXVII, 119 10.11-16 ......................................... IV,53 10.11-18 ................................... XXV,181 10.11-18(27-30) ............ X,310; XIX,135 10.22-30 ................ XVII,117; XXIX, 141 11.1,3,17-27 .................................. II,355 11.1(2),3,17-27(41-45) .................. X,434 11.47-53 ....... VIII,157; XIV,192; XXI,103 12.12-19 .......................... X,269; XX,110 12.20-26 ........................................ X,258 12.20-30 ................................... XXV,150 12.20-33 ........................ X,258; XIX,102 12.44-50 ...................................... VIII,65 13.1-15,34-35 ............................... X,277 13.1-17,34 ................................. XXX,99 13.31-35 ............... XVII,121; XXIX, 149 14.1-6 ........................................ XII,134 14.1-12 ...... II,230; XXI,139; XXVII, 124 14.15-19 ..................................... XV, 232 14.23-27 ............................. IV,82; X, 341 14.23-29 ............... XVII,126; XXIX, 154 15.1-8 .......... X,317; XIX,139; XXV, 189 15.9-12(13-17) ......................... XIV, 374 15.9-17 ....... VIII,317; XIX,143; XXV,192 15.26-16.4 ................................... X, 337 15.26-27; 16.4b-11 .... XX,171; XXVI, 191 16.5-15 ........................................... IV,65 16.12-15 ................. XX,177; XXVI, 200 16.16-23a .......................... IV,57; VI,179 16.16,20-23a ............................... VI,129 16.22-28 ........................................ IV,72 16.23b-28,33 ............................... X,323 17.1-15 ................................... XXIV,159 17.1-11 ............... XXI,148; XXVII, 132 17.9-19 ........... IV,31; XIX,153; XXV,197 17.20-26 ................ VIII,198; XXIX, 168 18.33-37 .................................. XIX,299 19.16-30 ... IV,38; X,284; XIX,110; XXV,170 20.1-2,11-18 ........................... XXIV,230 20.1-9 ................................... XVIII,120 20.1-9(10-18) ....... XXVI, 136; XXX,109 20.11-18 ..................... VIII,166; XIV,207 20.19-23 ................ XXIV,173; XXX,150 20.(19,23)24-29 ............ X,301; XIX,119 20.19-31 ............. XXI,121; XXVII, 110; ............................................. XXIX, 128 21.1-14 ................ XVII,111; XXIX, 136 21.15-19 ................................... VIII,179 Atos 1.8-14 .................................. XXIV,168 1.1-11 .... XX,155; XX,160; XXVI, 182;
331
............................................. XXIX, 161 1.15-26 ................ XVI,184; XXVIII,206 1.3-4(5-7),8-11 .......................... XI,242 2.1-13 ........................................ XI,249 2.1-21 .... XI,249; XIX,158; XXVII, 139 2.14a,22-32 ............................ XXIV,143 2.14a,36-47 ............................ XXIV,150 2.22-23,32-33,36-39 ................... XV,239 2.36-41 ........................................ III,59 2.41a,42-47 ................................ XI,284 3.1-10 ....................................... VII,198 3.13-15,17-26 ...... XVI,158; XXVIII,165 4.8-12 ................ XVII,164; XXVIII,172 4.32-37 ........................................ V,310 5.12,17-32 ................................. XX,130 6.1-7 ......................... III,134; XXIV,155 8.26-40 ... XIII,222; XVI,169; XXVIII,188 9.1-20 ....................................... XX,136 10.34-38 .................. XIX,49; XXIII,35; .......................... XXVII, 52;XXVII, 105 11.19-30 .............. XVI,178; XXVIII,196 13.16-17,22-25 ......................... XXII,33 13.44-52 ...................... XX,140; XX,143 14.8-18 ...................................... XX,148 16.6-10 ...................................... XX,164 16.9-15 .......................... IX,171; XV,141 16.23-34 ...................... VII,122; XIV,233 17.16-34 .......................................... I,34 17.22-31 ..................................... XV,213 Romanos 1.1-7 XVI,77; XXV,55; XXVIII,54 3.19-28 ......... III,169; XX,291; XXI,267; ..................... XXV,287; XXVII,156, 272 4.1-5,13-17 ............................. XXIV,100 4.18-25 ............... XXIV,184; XXVII, 161 5.1-5 .................... XVII,137; XXIX, 180 5.1-11 ................................. XXVIII,122 5.6-11 ................ XXIV,190; XXVII, 166 5.12-15 ................................. XXVII, 172 6.1-11 ............................................. V,51 6.1b-11 .............. XXIV,211; XXVII, 183 6.3-8 .......................................... XI,278 6.19-23 ........................... VI,164; IX,258 8.1-11 ............. I,39; XIV,253; XXIV,111 8.12-17 ......................................... V,170 8.14-17 .................................... XXV,203 8.14-17,22-27 ........................ XXIX,174 8.18-23 ........................ V,150; XVIII,192 8.26-27 .................................... XXX,193 8.26-30 ....................................... IX,233 8.31-39 ............. IX,91; XI,144; XVI,110;
........................................... XXVIII,115 9.1-5,31-10.4 ............................ XIII,235 9.1-5; 10.1-4 ................................. V,185 9.30b-33 ..................................... III,124 10.5-13 ..................................... XVI,115 11.13-15,29-32 ....................... XXIV,255 11.25-32 ........................................ I,102 11.32-36 ........................... V,126; XI,256 12.1-8 ....................... XI,152; XXIV,265 12.6-16 ........................................... V,19 13.1-10 .................................... XXI,229 13.8-10(13-14) ........................... XI,107 13.11-14 ....................... IV,251; XXIV,19 14.5-9 ..................................... XXI,234 14.7-13 ......................................... III,79 14.10-13 ..................................... XI,266 15.4-13 ...................................... XXI,25 1 Coríntios 1.1-9 ..................................... 70 1.3-9 ............... V,228; XVI,51; XXVIII,9 1.10-17 ...................................... XXI,60 1.18,22-25 ................................... XX,97 1.26-31 ................. V,190; IX,24; XXI,65 2.1-5 ........................... XXI,71; XXII,60 2.1-10 .......................... VII,50; XIII,126 2.6-13 ....................................... XXI,74 3.9-15 ........................................ XV,266 3.16-23 ..................... XXII,193; XXV,96 7.29-31 .............................................. 90 8.2 ............................................. XIII,42 9.16-23 .................................... XIV,264 9.24-27 ...................................... XI,165 10.1-13 ............................. V,179; XX,91 10.16-17 ..................... VII,107; XIII,171 10.31-11.1 .............................. XXV,107 11.23-26 .............. XXIV,127; XXVII, 94 11.23-29 ......................................... V,65 12 .............................................. XIII,34 12.1,4-11 ................. XVII,47; XXIX, 59 12.12-21,26-27 ....... XXIII,45; XXIX, 64 12.27-13.13 ............. XVII,52; XXIX, 71 12.31b-13.13 ...................... V,32; XI,182 14.1-3,20-25 .............................. VII,158 14.12b-20 ................................ XXIII,49 15.1-11 ................................... XVII,108 15.1-20 ......................................... III,13 15.12,16-20 .............................. XVII,63 15.19-28 ............... I,16; IX,207; XV,207; .............................. XVIII,280; XXV,175 15.20-28 .................................. XXX,293 15.35-38 ..................................... XIII,29 15.45-49 ................................... XVII,69
332
15.50-58 ................ XIX,286; XXVI, 321 2 Coríntios 1.37 .................................. I,119 1.18-22 ........... VII,14; XIII,98; XXV,113 3.1b-6 ..................................... XXV,118 3.3-9 .......................................... IX,283 3.12-4.2 ..................................... XIX,76 4.3-6 ............................ IX,157; XIV,165 4.6-10 ......................... XI,158; XIX,169 4.7-18 .......................................... III,53 4.13-18 ..................... XIII,192; XIX,173 4.16-18 ..................................... XIII,192 5.1-10 ............ IX,295; XV,288; XIX,178 5.14-21 ............... I,7; XVI,140; XIX,181 5.(14b-18)19-21 .................. XXVIII,153 6.1-10 ......................................... VII,82 8.1-15 ........................ XIII,18; XIX,188 8.9 ............................................. XV,112 9.6-15 .............................. V,323; XI,272 (11.18,23b-30); 12.1-10 ............ XIII,141 12.1-10 ............................ V,26; XIX,195 13.11-13 ...................... IX,240; XXI,158 Gálatas 1.11-24 ......................... XXIII,113 2.16-21 ....................... VII,192; XIII,241 3.(23-25)26-29 ..................... XXIII,119 3.28 ............................................ XII,70 4.1-7 .......................................... IX,144 4.4-7 .......... XV,106; XVIII,38; XXX,31 5.1-6 ....................................... XIII,167 5.1-11 .......................................... I,125 5.1,13-25 .............................. XXIII,126 5.25-26; 6.1-3,7-10 ..... VII,214; XIII,253 6.14-18 ................................. XXIII,131 Efésios 1.3-6,15-18 ........ XXIV,58; XXX,37 1.3-14 .................................... XXII,204 1.3-14,15-18 ................. III,62; XVIII,43 1.20b-23 ... IX,227; XXI,144; XXX,138 2.1-10 .................................... XXX,265 2.4-10 ................. XVI,120; XXVIII,128 2.11-22 .......................................... X,48 2.13-22 .................................... XXII,209 3.2-12 ........................ XVI,83; XXII,43 3.14-21 ......................................... V,212 4.1-6 ............................. V,218; XIV,353 4.1-7,11-16 ............................. XXII,215 4.17-24 ................................... XXII,220 4.20-32 ......................................... V,235 4.30-5.2 ................................... XVI,228 5.1-9 ................................. V,46; XI,205 5.8-14 ................................... XXIV,105
5.9-14 ........................................ III,100 5.15-21 .......................... V,241; XVI,233 5.21(22-25)26-31 ..................... XVI,236 5.21-31 ................................ XXVIII,294 6.10-20 ..................................... XVI,242 Filipenses 1.3-11 ............. XI,324; XVII,14; ................................................ XXIX, 9 1.12-21 ....................................... VII,95 1.20c-27 ................................ XXIV,280 2.1-4 ......................................... VII,173 2.1-5(6-11) .............................. XXI,245 2.5-11 ................ V,57; XI,216; XVII,97; ............................ XXV,158; XXIX, 111 2.12-13 ...................................... XV,282 3.12-21 .............. XXIV,290; XXVII, 251 3.7-11 ....................................... XI,291 3.7-14 .......................................... V,261 3.8-14 ...................................... XX,102 3.12-16 ........................................ II,187 3.17-21 ....................................... XI,330 3.17-4.1 ..................................... XX,86 3.20-21 ......................................... I,143 4.4-7 ...................................... XXVI, 15 4.10-20 ....................................... IX,150 Colossenses 1.1-6 ...................... XXVI, 233 1.12-20 ................................. XXIII,229 1.15-23 ........................................... I,47 1.21-28 ................................. XXVI, 240 2.3,10 ...................................... XIV,140 2.6-15 .................................. XXVI, 250 2.12-15 .................................... XIII,186 3.1-4 ............................ III,48; XXI,117 3.12-17 ........................................ V,107 4.2-6 ............................ V,114; XIII,199 1 Tessalonicenses 1.1-5a .......... XXIV,294; .......................................... XXVII, 256 1.5b-10 .............................. XXVII, 263 1.2-10 ...................................... VII,210 2.8-15 ................................ XXVII, 277 3.9-13 ........................ XX,15; XXVI, 9 4.1-8 ................................. V,38; XI,315 4.13-14(15-18) ........ XXI,285; XXI,292 5.1-8 ......................................... IX,288 5.1-11 .................................... XXI,297 5.12-24 ...................................... IX,274 5.16-24 .................................... XXII,19 2 Tessalonicenses 2.1-17 ................. III,165
333
2.(13-15)16-17; 3.1-5 ........... XXIX, 311 3.1-5 ......................................... IX,252 3.6-13 ........................ V,97; XXIX, 317
2.14-24 ....................................... III,110 4.13-17 ....................... IX,34; XXIX, 40 5.1-6 ........................ XIII,284; XIX,252 5.7-8 .......................... XI,114; XVIII,19 5.13-16 ..................................... VII,220 1 Pedro 1.(1-17)18-21 . XIII,152; XVIII,129 1.17-21 ................................... XXX,118 1.3-9 ............. III,22; XI,221; XVIII,125; .............................................. XXX,114 2.1-10 ............. I,55; XV,254; XVIII,138 2.4-10 .................................... XXX,128 2.13-17 .......................................... I,109 2.15-17 ......................................... VI,13 2.18-25 ................................... XXX,122 2.21b-25 ......... V,91; XI,229; XVIII,133 3.8-17 ........................ V,156; XVIII,146 3.15-18 .................................. XXIV,165 4.7-11 .......................................... V,120 4.13-19 ................................. XVIII,152 5.1-5 ............................................. III,27 5.5b-11 ........................... V,144; XI,307
1 Timóteo 1.12-17 .......................... III,210; .......................... XVII,206; XXIX, 265 2.1-4 ........................................... II,336 2.1-8 ..................................... XVII,211 3.16 ......................................... XIV,132 4.4-5 ....................................... XIII,297 6.6-16 ................ XVII,215; XXIX, 274 6.11b-16 ........................................ V,97 2 Timóteo 1.3-8(9-12)13-14 ........ XXIII,195 2.8-13 .................................. XXIII,205 2.8a/8b-13 ................................ XV,198 Tito 2.11-14 .......... II,430; XI,128; XXIV,34 3.4-7 .............................. IV,280; XX,29 Filemom 8-21 ........................... XXIX, 254 9b-17(18-21) ......................... XVII,201 Hebreus 1.1-9 ............................... XVI,70 2.9-11 ................................... XIX,257 2.10-18 ...................................... IX,188 3.1-6 ...................................... XIX,262 4.9-16 ........... XI,171; XI,192; XIX,268 4.12-13 ...................................... XI,171 4.14-16 ...................................... XI,192 4.14-16; 5.7-9 ....................... XXIV,133 5.1-10 ......... XI,211; XVI,125; XIX,273 5.7-9 ...... XI,211; XVI,125; XXVIII,134 9.15-17,26b-28 ......................... XX,122 9.15,24-28 ........ III,7; XIII,179; XIX,291 10.19-25 ......................... II,408; IX,119 11.1-2,6,8-10 ............................. IX,178 11.1-3,8-16 ............................... XX,229 11.1-4 .................................. XXVIII,39 11.8-10 ...................................... XV,160 12.1-3 ....................................... XV,178 12.1-13 ..................................... XX,233 12.12-18(19-21),22-25a ............. XV,127 12.18-24 .................................. XX,242 13.1-8 ...................................... XX,246 13.(7)8-9b ................................ XIV,153 13.12-16 ....................................... V,205 Tiago 1.12-18 .................................. XV,154 1.17-27 .................................... XXV,268 2.1-13 ..................................... XIII,262 2,1-5,8-10,14-18 ..................... XXV,275
2 Pedro 1.3-11 ................................. III,145 1.16-19(20-21) ....... IX,165; XXVII, 65 1-16-21 ................................... XXIV,95 3.8-14 .... XVII,237; XXIII,218; XXV,23 1 João 1.(1-4)5-2.2 ...................... XXII,124 1.5-10; 2.1-6 ............................ XIII,216 2.21-25 ....................................... VII,30 3.1-3 .......................................... VII,21 3.13-18 ........................................ IX,57 3.18-24 ...................... III,159; XXII,130 4.1-6 ........................................... IX,72 4.1-11 ................................... XXII,135 4.7-12 ....................................... XI,299 4.7-16 .......................................... V,196 4.(7-16a)16b-21 .................... XXII,149 4.16b-21 ...................................... V,135 5.1-5 .................................. V,84; XI,235 5.1-6 ...................................... XXII,118 5.11-13 ....................................... XI,138 Apocalipse 1.4-8 .............. VII,131; XIII,204 1.9-18 .......................... VII,65; XIII,133 1.9-20 ................................... XXVI, 145 2.8-11 ......................... VII,228; XIII,275 1.9-20 ...................................... XXIII,84 3.1-6 ....... IX,127; IX,135; XV,89; XV,95 3.7-13 .......................................... II,416 3.14-22 ..................................... XIII,303
334
15.50-58 ................ XIX,286; XXVI, 321 2 Coríntios 1.37 .................................. I,119 1.18-22 ........... VII,14; XIII,98; XXV,113 3.1b-6 ..................................... XXV,118 3.3-9 .......................................... IX,283 3.12-4.2 ..................................... XIX,76 4.3-6 ............................ IX,157; XIV,165 4.6-10 ......................... XI,158; XIX,169 4.7-18 .......................................... III,53 4.13-18 ..................... XIII,192; XIX,173 4.16-18 ..................................... XIII,192 5.1-10 ............ IX,295; XV,288; XIX,178 5.14-21 ............... I,7; XVI,140; XIX,181 5.(14b-18)19-21 .................. XXVIII,153 6.1-10 ......................................... VII,82 8.1-15 ........................ XIII,18; XIX,188 8.9 ............................................. XV,112 9.6-15 .............................. V,323; XI,272 (11.18,23b-30); 12.1-10 ............ XIII,141 12.1-10 ............................ V,26; XIX,195 13.11-13 ...................... IX,240; XXI,158 Gálatas 1.11-24 ......................... XXIII,113 2.16-21 ....................... VII,192; XIII,241 3.(23-25)26-29 ..................... XXIII,119 3.28 ............................................ XII,70 4.1-7 .......................................... IX,144 4.4-7 .......... XV,106; XVIII,38; XXX,31 5.1-6 ....................................... XIII,167 5.1-11 .......................................... I,125 5.1,13-25 .............................. XXIII,126 5.25-26; 6.1-3,7-10 ..... VII,214; XIII,253 6.14-18 ................................. XXIII,131 Efésios 1.3-6,15-18 ........ XXIV,58; XXX,37 1.3-14 .................................... XXII,204 1.3-14,15-18 ................. III,62; XVIII,43 1.20b-23 ... IX,227; XXI,144; XXX,138 2.1-10 .................................... XXX,265 2.4-10 ................. XVI,120; XXVIII,128 2.11-22 .......................................... X,48 2.13-22 .................................... XXII,209 3.2-12 ........................ XVI,83; XXII,43 3.14-21 ......................................... V,212 4.1-6 ............................. V,218; XIV,353 4.1-7,11-16 ............................. XXII,215 4.17-24 ................................... XXII,220 4.20-32 ......................................... V,235 4.30-5.2 ................................... XVI,228 5.1-9 ................................. V,46; XI,205 5.8-14 ................................... XXIV,105
5.9-14 ........................................ III,100 5.15-21 .......................... V,241; XVI,233 5.21(22-25)26-31 ..................... XVI,236 5.21-31 ................................ XXVIII,294 6.10-20 ..................................... XVI,242 Filipenses 1.3-11 ............. XI,324; XVII,14; ................................................ XXIX, 9 1.12-21 ....................................... VII,95 1.20c-27 ................................ XXIV,280 2.1-4 ......................................... VII,173 2.1-5(6-11) .............................. XXI,245 2.5-11 ................ V,57; XI,216; XVII,97; ............................ XXV,158; XXIX, 111 2.12-13 ...................................... XV,282 3.12-21 .............. XXIV,290; XXVII, 251 3.7-11 ....................................... XI,291 3.7-14 .......................................... V,261 3.8-14 ...................................... XX,102 3.12-16 ........................................ II,187 3.17-21 ....................................... XI,330 3.17-4.1 ..................................... XX,86 3.20-21 ......................................... I,143 4.4-7 ...................................... XXVI, 15 4.10-20 ....................................... IX,150 Colossenses 1.1-6 ...................... XXVI, 233 1.12-20 ................................. XXIII,229 1.15-23 ........................................... I,47 1.21-28 ................................. XXVI, 240 2.3,10 ...................................... XIV,140 2.6-15 .................................. XXVI, 250 2.12-15 .................................... XIII,186 3.1-4 ............................ III,48; XXI,117 3.12-17 ........................................ V,107 4.2-6 ............................ V,114; XIII,199 1 Tessalonicenses 1.1-5a .......... XXIV,294; .......................................... XXVII, 256 1.5b-10 .............................. XXVII, 263 1.2-10 ...................................... VII,210 2.8-15 ................................ XXVII, 277 3.9-13 ........................ XX,15; XXVI, 9 4.1-8 ................................. V,38; XI,315 4.13-14(15-18) ........ XXI,285; XXI,292 5.1-8 ......................................... IX,288 5.1-11 .................................... XXI,297 5.12-24 ...................................... IX,274 5.16-24 .................................... XXII,19 2 Tessalonicenses 2.1-17 ................. III,165
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2.(13-15)16-17; 3.1-5 ........... XXIX, 311 3.1-5 ......................................... IX,252 3.6-13 ........................ V,97; XXIX, 317
2.14-24 ....................................... III,110 4.13-17 ....................... IX,34; XXIX, 40 5.1-6 ........................ XIII,284; XIX,252 5.7-8 .......................... XI,114; XVIII,19 5.13-16 ..................................... VII,220 1 Pedro 1.(1-17)18-21 . XIII,152; XVIII,129 1.17-21 ................................... XXX,118 1.3-9 ............. III,22; XI,221; XVIII,125; .............................................. XXX,114 2.1-10 ............. I,55; XV,254; XVIII,138 2.4-10 .................................... XXX,128 2.13-17 .......................................... I,109 2.15-17 ......................................... VI,13 2.18-25 ................................... XXX,122 2.21b-25 ......... V,91; XI,229; XVIII,133 3.8-17 ........................ V,156; XVIII,146 3.15-18 .................................. XXIV,165 4.7-11 .......................................... V,120 4.13-19 ................................. XVIII,152 5.1-5 ............................................. III,27 5.5b-11 ........................... V,144; XI,307
1 Timóteo 1.12-17 .......................... III,210; .......................... XVII,206; XXIX, 265 2.1-4 ........................................... II,336 2.1-8 ..................................... XVII,211 3.16 ......................................... XIV,132 4.4-5 ....................................... XIII,297 6.6-16 ................ XVII,215; XXIX, 274 6.11b-16 ........................................ V,97 2 Timóteo 1.3-8(9-12)13-14 ........ XXIII,195 2.8-13 .................................. XXIII,205 2.8a/8b-13 ................................ XV,198 Tito 2.11-14 .......... II,430; XI,128; XXIV,34 3.4-7 .............................. IV,280; XX,29 Filemom 8-21 ........................... XXIX, 254 9b-17(18-21) ......................... XVII,201 Hebreus 1.1-9 ............................... XVI,70 2.9-11 ................................... XIX,257 2.10-18 ...................................... IX,188 3.1-6 ...................................... XIX,262 4.9-16 ........... XI,171; XI,192; XIX,268 4.12-13 ...................................... XI,171 4.14-16 ...................................... XI,192 4.14-16; 5.7-9 ....................... XXIV,133 5.1-10 ......... XI,211; XVI,125; XIX,273 5.7-9 ...... XI,211; XVI,125; XXVIII,134 9.15-17,26b-28 ......................... XX,122 9.15,24-28 ........ III,7; XIII,179; XIX,291 10.19-25 ......................... II,408; IX,119 11.1-2,6,8-10 ............................. IX,178 11.1-3,8-16 ............................... XX,229 11.1-4 .................................. XXVIII,39 11.8-10 ...................................... XV,160 12.1-3 ....................................... XV,178 12.1-13 ..................................... XX,233 12.12-18(19-21),22-25a ............. XV,127 12.18-24 .................................. XX,242 13.1-8 ...................................... XX,246 13.(7)8-9b ................................ XIV,153 13.12-16 ....................................... V,205 Tiago 1.12-18 .................................. XV,154 1.17-27 .................................... XXV,268 2.1-13 ..................................... XIII,262 2,1-5,8-10,14-18 ..................... XXV,275
2 Pedro 1.3-11 ................................. III,145 1.16-19(20-21) ....... IX,165; XXVII, 65 1-16-21 ................................... XXIV,95 3.8-14 .... XVII,237; XXIII,218; XXV,23 1 João 1.(1-4)5-2.2 ...................... XXII,124 1.5-10; 2.1-6 ............................ XIII,216 2.21-25 ....................................... VII,30 3.1-3 .......................................... VII,21 3.13-18 ........................................ IX,57 3.18-24 ...................... III,159; XXII,130 4.1-6 ........................................... IX,72 4.1-11 ................................... XXII,135 4.7-12 ....................................... XI,299 4.7-16 .......................................... V,196 4.(7-16a)16b-21 .................... XXII,149 4.16b-21 ...................................... V,135 5.1-5 .................................. V,84; XI,235 5.1-6 ...................................... XXII,118 5.11-13 ....................................... XI,138 Apocalipse 1.4-8 .............. VII,131; XIII,204 1.9-18 .......................... VII,65; XIII,133 1.9-20 ................................... XXVI, 145 2.8-11 ......................... VII,228; XIII,275 1.9-20 ...................................... XXIII,84 3.1-6 ....... IX,127; IX,135; XV,89; XV,95 3.7-13 .......................................... II,416 3.14-22 ..................................... XIII,303
334
4.1-8 ............................................. I,153 5.1-14 ........................................... VII,7 5.11-14 ................. XXIII,90; XXVI, 150 7.9-12 .................................... XVII,230 7.9-17 ......... III,182; XIII,110; XXIII,94; ............................................. XXVI, 159 12.1-6 ..................................... XXIII,26 12.7-12 .................................... XXI,241 14.6-7 .......................................... V,249 15.2-4 ........................................ XV,218 19.11-16 ...................................... III,195 21.1-5 ................................... XXVI, 170 21.10-14,22-23 ....................... XXVI 176 22.10-16 ........................................ X,11 22.12-17,20 ............................. XXIII,99 Observação:Os números das páginas relativas aos volumes I e II referem-se à edição destes dois volumes num só tomo; os números do volume III referem-se à 2ª edição de 1981.
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ÍNDICE DOS COLABORADORES DESTE VOLUME - PL 30 BAESKE, Albérico: Rua Paraíso, 52, Bairro Jardim Pinheiro, 93042-260 - São Leopoldo/RS BLIND, Sisi: Rua João Caetano da Silva, 98, 89520-000 Curitibanos/SC, e-mail: sisiblind@hotmail.com BRAKEMEIER, Gottfried: Rua José Neumann Filho, 120, 95150-000 Nova Petrópolis/RS, email brakemeier@terra.com.br BRUNKEN, Werner: Rua Schiller, 655, ap.132 Cristo Rei 80050-260 Curitiba/PR, e-mail: sinodoparanapanema@hotmail.com BUCHWEITZ, Wilfrid: Rua Santo André, 90 Campestre Orpheu 93046-790 São Leopoldo/ RS, e-mail: wilfrid@portoweb.com.br CHRISTMANN, Louraini: Rua Luiz Lorenzone, 317, 85998-000 Mercedes/PR, e-mail: lola@fsnet.com.br DENTEE, Leandro: Caixa Postal 181 95900-000 Lajeado/RS, e-mail: leandrodentee@viars.com.br DREHER, Claus M.: Caixa Postal 21 95870-000 Bom Retiro do Sul/RS, e-mail: drehersantos@uol.com.br DREHER, Martim N.: Rua Suíça, 236 Pinheiros 93042-100 São Leopoldo/RS, e-mail: martindreher@terra.com.br DREHMER, Erni: Av. Pátria, 1136, 99500-000 Carazinho/RS, e-mail: sinodoplanrs@brturbo.com EHLERT, Heinz: Rua Valparaízo, 503, ap. 5 Bacacheri 82510-070 Curitiba/PR, e-mail: ehehlert@ig.com.br ENGELBRECHT, Margarete E.: Rua Teixeira Soares, 283 95680-000 Canela/RS, e-mail: margareteee@ibest.com.br GARIN, Norberto: Rua São Vicente, 180 90630-180 Porto Alegre/RS, e-mail: imwesley@terra.com.br GENZ, Silvia B.: Caixa Postal 5, 98390-000 Erval Seco/RS, e-mail: Silvia silda@fesau.psi.br GIESE, Nilton: Rua Estados Unidos, 1977, ap. 104 Boa Vista 82540-030 Curitiba/PR, email: ngiese@brturbo.com IMMICH, Vera M.: Rua Maria Clara, 127 Alto da Glóira 80030-140 Curitiba/PR, e-mail: veraodair@terra.com.br KALMBACH, Pedro: e-mail: carlaiostrowski@yahoo.com.ar KLIEWER, Gerd U.: Caixa Postal 169 84130-000 Palmeira/PR, e-mail: kliewer@terra.com.br KNEBELKAMP, Ari: Caixa Postal 214 89201-270 Joinville/SC, e-mail: ariknebelkamp@ielusc.br KRÜGER, René: Yerbal 23077 E 1406 Buenos Aires/Argentina, e-mail: renekruger@isedet.edu.ar LIEVEN, Guilherme: Rua Almirante Tamandaré, 550 Jardim Bela Vista, 09040-040 Santo André/SP, e-mail: glieven@uol.com.br LÜCKEMEIER, Valdemar: Rua Pedro Vargas, 541, 9950-000 Carazinho/RS, e-mail: luckemeyer@annex.com.br MAEDCHE, Arnoldo: Rua Pastor Rodolfo Senger, 164 Jardim América 93035-110 São Leopoldo/RS MALSCHITZKY, Harald: Caixa Postal 14, 93001-970 São Lepoldo/RS, e-mail: proeduc.harald@terra.com.br MORALES, Rocio: e-mail: elconsolador@ielco.org MÜLLER, Enio: Caixa Postal 14, 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: emueller@est.com.br NEUENFELDT, Elaine G.: Rua Riachuelo, 676 Santo Afonso, 93425-010 Novo Hamburgo/ RS, e-mail: elainenf@terra.com.br RAYMANN, Acyr: Caixa Postal 202, 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail:
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4.1-8 ............................................. I,153 5.1-14 ........................................... VII,7 5.11-14 ................. XXIII,90; XXVI, 150 7.9-12 .................................... XVII,230 7.9-17 ......... III,182; XIII,110; XXIII,94; ............................................. XXVI, 159 12.1-6 ..................................... XXIII,26 12.7-12 .................................... XXI,241 14.6-7 .......................................... V,249 15.2-4 ........................................ XV,218 19.11-16 ...................................... III,195 21.1-5 ................................... XXVI, 170 21.10-14,22-23 ....................... XXVI 176 22.10-16 ........................................ X,11 22.12-17,20 ............................. XXIII,99 Observação:Os números das páginas relativas aos volumes I e II referem-se à edição destes dois volumes num só tomo; os números do volume III referem-se à 2ª edição de 1981.
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ÍNDICE DOS COLABORADORES DESTE VOLUME - PL 30 BAESKE, Albérico: Rua Paraíso, 52, Bairro Jardim Pinheiro, 93042-260 - São Leopoldo/RS BLIND, Sisi: Rua João Caetano da Silva, 98, 89520-000 Curitibanos/SC, e-mail: sisiblind@hotmail.com BRAKEMEIER, Gottfried: Rua José Neumann Filho, 120, 95150-000 Nova Petrópolis/RS, email brakemeier@terra.com.br BRUNKEN, Werner: Rua Schiller, 655, ap.132 Cristo Rei 80050-260 Curitiba/PR, e-mail: sinodoparanapanema@hotmail.com BUCHWEITZ, Wilfrid: Rua Santo André, 90 Campestre Orpheu 93046-790 São Leopoldo/ RS, e-mail: wilfrid@portoweb.com.br CHRISTMANN, Louraini: Rua Luiz Lorenzone, 317, 85998-000 Mercedes/PR, e-mail: lola@fsnet.com.br DENTEE, Leandro: Caixa Postal 181 95900-000 Lajeado/RS, e-mail: leandrodentee@viars.com.br DREHER, Claus M.: Caixa Postal 21 95870-000 Bom Retiro do Sul/RS, e-mail: drehersantos@uol.com.br DREHER, Martim N.: Rua Suíça, 236 Pinheiros 93042-100 São Leopoldo/RS, e-mail: martindreher@terra.com.br DREHMER, Erni: Av. Pátria, 1136, 99500-000 Carazinho/RS, e-mail: sinodoplanrs@brturbo.com EHLERT, Heinz: Rua Valparaízo, 503, ap. 5 Bacacheri 82510-070 Curitiba/PR, e-mail: ehehlert@ig.com.br ENGELBRECHT, Margarete E.: Rua Teixeira Soares, 283 95680-000 Canela/RS, e-mail: margareteee@ibest.com.br GARIN, Norberto: Rua São Vicente, 180 90630-180 Porto Alegre/RS, e-mail: imwesley@terra.com.br GENZ, Silvia B.: Caixa Postal 5, 98390-000 Erval Seco/RS, e-mail: Silvia silda@fesau.psi.br GIESE, Nilton: Rua Estados Unidos, 1977, ap. 104 Boa Vista 82540-030 Curitiba/PR, email: ngiese@brturbo.com IMMICH, Vera M.: Rua Maria Clara, 127 Alto da Glóira 80030-140 Curitiba/PR, e-mail: veraodair@terra.com.br KALMBACH, Pedro: e-mail: carlaiostrowski@yahoo.com.ar KLIEWER, Gerd U.: Caixa Postal 169 84130-000 Palmeira/PR, e-mail: kliewer@terra.com.br KNEBELKAMP, Ari: Caixa Postal 214 89201-270 Joinville/SC, e-mail: ariknebelkamp@ielusc.br KRÜGER, René: Yerbal 23077 E 1406 Buenos Aires/Argentina, e-mail: renekruger@isedet.edu.ar LIEVEN, Guilherme: Rua Almirante Tamandaré, 550 Jardim Bela Vista, 09040-040 Santo André/SP, e-mail: glieven@uol.com.br LÜCKEMEIER, Valdemar: Rua Pedro Vargas, 541, 9950-000 Carazinho/RS, e-mail: luckemeyer@annex.com.br MAEDCHE, Arnoldo: Rua Pastor Rodolfo Senger, 164 Jardim América 93035-110 São Leopoldo/RS MALSCHITZKY, Harald: Caixa Postal 14, 93001-970 São Lepoldo/RS, e-mail: proeduc.harald@terra.com.br MORALES, Rocio: e-mail: elconsolador@ielco.org MÜLLER, Enio: Caixa Postal 14, 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: emueller@est.com.br NEUENFELDT, Elaine G.: Rua Riachuelo, 676 Santo Afonso, 93425-010 Novo Hamburgo/ RS, e-mail: elainenf@terra.com.br RAYMANN, Acyr: Caixa Postal 202, 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail:
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raymann@ulbranet.com.br REIMER, Ivoni R.: Rua 115 G, 10 Setor Sul, 74085-310 Goiânia/GO, e-mail: h.reimer@terra.com.br REIMER, Haroldo: Rua 115 G, 10 Setor Sul, 74085-310 Goiânia/GO, e-mail: h.reimer@terra.com.br RIBEIRO, Antonio C.S.: Av. Paranapuã, 1203, casa 10, Tauá 21910-000 Rio de Janeiro/RJ, email: weisribeir@ig.com.br ROESE, Anete: e-mail: anete.roese@ig.com.br SANTOS, Almir dos: Caixa Postal 0515, 70359-970 Brasília/DF, e-mail: bishopalmir@yahoo.com.br SCHAPER, Valério: e-mail: vmschaper@brturbo.com SCHULTZ, Valdemar: Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: valdemarschultz@terra.com.br SCHWALM, Mauro A.: Caixa Postal 214 89201-973 Joinville/SC, e-mail: mauroschwalm@ibestvip.com.br SEIBERT, Erni: Caixa Postal 60764, 05799-970 São Paulo/SP, e-mail: erni@sbb.org.br SPELLMEIER, Arteno: Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: arteno@comin.com.br SPERB, Ulrico: Rua Senhor 202, 1º andar, 90020-180 Porto Alegre/RS STRÖHER, Marga J.: Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: margajs@terra.com.br TOILLIER, Isabel: Rua Bento Gonçalves,1350, 98925-000 Dr. Maurício Cardoso/RS, e-mail: bela.le@terra.com.br ULRICH, Carlos L.: Caixa Postal 113, 89255-970 Jaraguá do Sul/SC, e-mail: caclaul@netuno.com.br ULRICH, Claudete B.: Caixa Postal 113, 89255-970 Jaraguá do Sul/SC, e-mail: caclaul@netuno.com.br WACHHOLZ, Wilhelm: Caixa Postal 14 93001-970 São Leopoldo/RS, e-mail: wwachholz@est.com.br WASKOW, Vera R.: Caixa Postal 06, 93600-000 Estância Velha/RS, e-mail: veraalfr@terra.com.br WEBER, Eloir E.: Caixa Postal 56, 95650-000 Igrejinha/RS, e-mail: elobele@terra.com.br WEISSHEIMER, Vera C.: Caixa Postal 1103 01059-970 São Paulo/SP, e-mail: veracw@uol.com.br WIESE, Werner: Caixa Postal 431, 89290-000 São Bento do Sul/SC, e-mail: wwiese@ceteol.com.br WITTER, Teobaldo: Caixa Postal4501, 78065-800 Cuiabá/MT, e-mail: twitter@terra.com.br WOLFF, Günter A.: Caixa Postal141, 89887-000 Palmitos/SC, e-mail: lobo@smo.com.br
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