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Primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal 14-16 de maio de 1950

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Primeiro Concílio da F e d e r a ç ã o

Igreja de Christo em São Leopoldo, na qual teve lugar o ato inaugural do primeiro Concílio Eclesiástico ãa Federação Sinodal.

Sinodal

De 14 a 16 de maio de 1950, realizou-se em São Leopoldo o primeiro Concílio da Federação Sinodal. A assembléia foi precedida por uma sessão do Conselho Diretor efetuada à noite de sábado, 13 de maio, na Casa Sinodal e na qual foi assentada a ordem do dia para a assembléia, bem como por um culto infantil celebrado pelo conselheiro eclesiástico supe­ rior Joh. Bartelt às 8 horas da manhã na Igreja de Christo. e pelo culto principal, no qual uma grande comunidade colocou-se sob a prédica de D. Niemoeller, que teve por tema a fé que venceu o mundo (I. João 5, 4— 5). A assembléia foi aberta, à noite de domingo, com um culto divino, seguido por uma solenidade no recinto da igreja. Pre­ dicou no culto divino o P. R. Saenger, falando sôbre I. João 5, 1— 5, da fé e do amor como características da Igreja. A solenidade subsequente foi dirigida pelo vice-presidente da Federação, P. E. Schlieper, o qual saudou a assembléia, a co­ munidade e os convidados que também estiveram presentes ao culto: S. Excia. o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, dr. Walter Jobim, o representante da Assembléia Legisla­ tiva do Estado, deputado Frederico Guilherme Schmidt e os deputados estaduais que o acompanharam, o prefeito de São Leopoldo, dr. Mário Sperb, os vereadores da Câmara Municipal de São Leopoldo que haviam comparecido com seu presidente dr. Victor Schmidt, o comandante da guarnição de S. Leopoldo, coronel Mourão Filho, o bispo Athaiício Pithan como represen­ tante da Confederação Evangélica e da Igreja Episcopal B ra ­ sileira, os representantes da Igreja Metodista, o presidente do Sínodo do Rio da Prata, Pastor M. Marczynski, e os hóspedes pertencentes à Igreja Evangélica na Alemanha, presidente de igreja D. Martin Niemoeller e conselheiro eclesiástico superior Joh. Bartelt. Passou o vice-presidente P. Schlieper a apresentar em público a Federação Sinodal, discursando sôbre sua origem, sua organização e seus propósitos. Dos hóspedes foi o primeiro a tomar a palavra o sr. governador que em frases concisas maniféstou a sua compreensão pelas tarefas da Igreja: ,,A minha presença nesta solenidade tem por fim dizer da minha solidariedade aos apóstolos que procuram ensinar o evangelho.. ." Falaram em seguida, fazendo votos para que a reunião tivesse as bênçãos divinas, o sr. prefeito de São Leopoldo, o bispo Athaiício Pithan e o presidente de igreja D. Niemoeller, cujas afetuosas e fraternais palavras foram tra­ duzidas para o vernáculo pelo P. Saenger. Com uma prece proferida pelo presidente da Federação, D. Dohms, terminou a solenidade. A Comunidade Evangélica de São Leopoldo, que convidou os membros do Concílio e hóspedes para o almôço no domingo,


Primeiro Concílio da F e d e r a ç ã o

Igreja de Christo em São Leopoldo, na qual teve lugar o ato inaugural do primeiro Concílio Eclesiástico ãa Federação Sinodal.

Sinodal

De 14 a 16 de maio de 1950, realizou-se em São Leopoldo o primeiro Concílio da Federação Sinodal. A assembléia foi precedida por uma sessão do Conselho Diretor efetuada à noite de sábado, 13 de maio, na Casa Sinodal e na qual foi assentada a ordem do dia para a assembléia, bem como por um culto infantil celebrado pelo conselheiro eclesiástico supe­ rior Joh. Bartelt às 8 horas da manhã na Igreja de Christo. e pelo culto principal, no qual uma grande comunidade colocou-se sob a prédica de D. Niemoeller, que teve por tema a fé que venceu o mundo (I. João 5, 4— 5). A assembléia foi aberta, à noite de domingo, com um culto divino, seguido por uma solenidade no recinto da igreja. Pre­ dicou no culto divino o P. R. Saenger, falando sôbre I. João 5, 1— 5, da fé e do amor como características da Igreja. A solenidade subsequente foi dirigida pelo vice-presidente da Federação, P. E. Schlieper, o qual saudou a assembléia, a co­ munidade e os convidados que também estiveram presentes ao culto: S. Excia. o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, dr. Walter Jobim, o representante da Assembléia Legisla­ tiva do Estado, deputado Frederico Guilherme Schmidt e os deputados estaduais que o acompanharam, o prefeito de São Leopoldo, dr. Mário Sperb, os vereadores da Câmara Municipal de São Leopoldo que haviam comparecido com seu presidente dr. Victor Schmidt, o comandante da guarnição de S. Leopoldo, coronel Mourão Filho, o bispo Athaiício Pithan como represen­ tante da Confederação Evangélica e da Igreja Episcopal B ra ­ sileira, os representantes da Igreja Metodista, o presidente do Sínodo do Rio da Prata, Pastor M. Marczynski, e os hóspedes pertencentes à Igreja Evangélica na Alemanha, presidente de igreja D. Martin Niemoeller e conselheiro eclesiástico superior Joh. Bartelt. Passou o vice-presidente P. Schlieper a apresentar em público a Federação Sinodal, discursando sôbre sua origem, sua organização e seus propósitos. Dos hóspedes foi o primeiro a tomar a palavra o sr. governador que em frases concisas maniféstou a sua compreensão pelas tarefas da Igreja: ,,A minha presença nesta solenidade tem por fim dizer da minha solidariedade aos apóstolos que procuram ensinar o evangelho.. ." Falaram em seguida, fazendo votos para que a reunião tivesse as bênçãos divinas, o sr. prefeito de São Leopoldo, o bispo Athaiício Pithan e o presidente de igreja D. Niemoeller, cujas afetuosas e fraternais palavras foram tra­ duzidas para o vernáculo pelo P. Saenger. Com uma prece proferida pelo presidente da Federação, D. Dohms, terminou a solenidade. A Comunidade Evangélica de São Leopoldo, que convidou os membros do Concílio e hóspedes para o almôço no domingo,


na sede da Sociedade Ginástica, gentilmente lhes ofereceu, após as solenidades da noite, uma recepção na casa da Ordem Auxiliadora das Senhoras, dando ocasião aos altos convidados, aos membros do Concílio e à Comunidade para se porem em contato pessoal, Ainda sob a impressão das comoventes solenidades de do­ mingo, tiveram início segunda-feira 15 cle maio, às 8,30 horas, no auditório do Instituto Pré-Teológico, os debates do Concílio com um ato sacro no qual falou o presidente P. Schlünzen, tomando por tema o Salmo 91, 4b, a divisa do dia: „Sua ver­ dade é escudo e broquel." Terminada esta solenidade, o presidente da Federação com o assentimento da assembléia convidou os srs. Bonno Kersten e prof. Willy Fuchs para secretariarem os debates e dirigiu as discussões preparatórias, nas quais fois constatado que o Con­ cílio contava, até a designação de mais um delegado pela Igreja Luterana, com 34 membros. São êstes os seguintes se­ nhores: Os membros do Conselho Diretor: D. II. Dohms, presidente, e P. E. Schlieper, presidente substituto do Sínodo Riograndense, P. K. Gottschald jr., prof. W. Fuchs e C. Lütke; pela Igreja Luterana: o presidente F. Schlünzen e O. Stange; pelo Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná: o dirigente religioso P. H. Soboll e pelo presidente do Sínodo C. Leyendecker; pelo Sí­ nodo Evangélico do Brasil Central: o dirigente religioso P. K. Graeter e o vice-presidente B. Kersten. Os membros do Concílio eleitos pelos Sínodos: pelo Sínodo Riogran­ dense: dr. Ervino Diefenthaeler, prof. dr. Erich Fausei, Werno Korndõrfer, Eugênio Michaelsen, Emílio Treter e os pas­ tores presidente honorário Th. Dietschi, K. Gottschald sen., G. Reusch, E. Jost e K. Warnke; pela Igreja Luterana: Julius Manteufel e os pastores A. Schneider e H. Bühler; pelo Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná: Frederico Kilian, Felix Odebrecht, Luiz Roso e Alfredo Sell; pelo Sínodo Evangélico do Brasil Central: Wilhelm Althausen o P. Joh. Schlupp. Os designados pelo Conselho da Federação: pelo Sínodo Riograndense Henrique Trein e P, G. Engelbreeht: pela Igreja Luterana: P. G. Weger, e pelo Sínodo Evangélico de Sta. Cata­ rina e Paraná: P. W. Spellenberg. Os srs. O. Stange e Luiz Rose justificaram sua ausência. Como membros substitutos do Concílio, como convidados e co­ laboradores participaram das discussões os senhores Carlos Oderich, dr. Edmundo Saft, dr. Lotário Storck, P. W. Hilbk, diretor P. R. Saenger, P. Joh. Raspe, Bruno Bercht, dr. G. Schréiber, prof. H. G. Naumann, prof. U. Soth, P. W. Noellenburg, P. R. Becker, P. H. Hoehn, P. G. A. Tornquist e diaconiza Margarete Hellwig. Após a constituição do primeiro Concílio da Federação e a aprovação da Ordem do Dia proposta pelo Conselho Diretor, o vice-presidente da Federação assumiu a direção dos trabalhos e deu a palavra ao presidente D. Dohms para explanações sôbre o eoníeúdo dos artigos I e I I dos „Estatutos ãa Federação Sínodal“. O presidente D. Dohms fez preceder ao seu relatório por uma dissertação biblicamente fundada sôbre o direito da Igreja,

As sessões do primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sínoãal tiveram lugar no Instituto Pré-Teológico, nos dias 15 e 16 de maio.


na sede da Sociedade Ginástica, gentilmente lhes ofereceu, após as solenidades da noite, uma recepção na casa da Ordem Auxiliadora das Senhoras, dando ocasião aos altos convidados, aos membros do Concílio e à Comunidade para se porem em contato pessoal, Ainda sob a impressão das comoventes solenidades de do­ mingo, tiveram início segunda-feira 15 cle maio, às 8,30 horas, no auditório do Instituto Pré-Teológico, os debates do Concílio com um ato sacro no qual falou o presidente P. Schlünzen, tomando por tema o Salmo 91, 4b, a divisa do dia: „Sua ver­ dade é escudo e broquel." Terminada esta solenidade, o presidente da Federação com o assentimento da assembléia convidou os srs. Bonno Kersten e prof. Willy Fuchs para secretariarem os debates e dirigiu as discussões preparatórias, nas quais fois constatado que o Con­ cílio contava, até a designação de mais um delegado pela Igreja Luterana, com 34 membros. São êstes os seguintes se­ nhores: Os membros do Conselho Diretor: D. II. Dohms, presidente, e P. E. Schlieper, presidente substituto do Sínodo Riograndense, P. K. Gottschald jr., prof. W. Fuchs e C. Lütke; pela Igreja Luterana: o presidente F. Schlünzen e O. Stange; pelo Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná: o dirigente religioso P. H. Soboll e pelo presidente do Sínodo C. Leyendecker; pelo Sí­ nodo Evangélico do Brasil Central: o dirigente religioso P. K. Graeter e o vice-presidente B. Kersten. Os membros do Concílio eleitos pelos Sínodos: pelo Sínodo Riogran­ dense: dr. Ervino Diefenthaeler, prof. dr. Erich Fausei, Werno Korndõrfer, Eugênio Michaelsen, Emílio Treter e os pas­ tores presidente honorário Th. Dietschi, K. Gottschald sen., G. Reusch, E. Jost e K. Warnke; pela Igreja Luterana: Julius Manteufel e os pastores A. Schneider e H. Bühler; pelo Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná: Frederico Kilian, Felix Odebrecht, Luiz Roso e Alfredo Sell; pelo Sínodo Evangélico do Brasil Central: Wilhelm Althausen o P. Joh. Schlupp. Os designados pelo Conselho da Federação: pelo Sínodo Riograndense Henrique Trein e P, G. Engelbreeht: pela Igreja Luterana: P. G. Weger, e pelo Sínodo Evangélico de Sta. Cata­ rina e Paraná: P. W. Spellenberg. Os srs. O. Stange e Luiz Rose justificaram sua ausência. Como membros substitutos do Concílio, como convidados e co­ laboradores participaram das discussões os senhores Carlos Oderich, dr. Edmundo Saft, dr. Lotário Storck, P. W. Hilbk, diretor P. R. Saenger, P. Joh. Raspe, Bruno Bercht, dr. G. Schréiber, prof. H. G. Naumann, prof. U. Soth, P. W. Noellenburg, P. R. Becker, P. H. Hoehn, P. G. A. Tornquist e diaconiza Margarete Hellwig. Após a constituição do primeiro Concílio da Federação e a aprovação da Ordem do Dia proposta pelo Conselho Diretor, o vice-presidente da Federação assumiu a direção dos trabalhos e deu a palavra ao presidente D. Dohms para explanações sôbre o eoníeúdo dos artigos I e I I dos „Estatutos ãa Federação Sínodal“. O presidente D. Dohms fez preceder ao seu relatório por uma dissertação biblicamente fundada sôbre o direito da Igreja,

As sessões do primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sínoãal tiveram lugar no Instituto Pré-Teológico, nos dias 15 e 16 de maio.


resumindo sua exposição sóbre os artigos I e II da organização federativa nas seguintes teses: ^ 1.° — A Federação Sinodal é Igreja de Jesus Christo no Brasil com tôdas as consequências que daí resultarem para a pregação do Evangelho neste país e a co-responsabilidade para a formação da vida política, cultural e econômica de seu povo. 2.° — Esta Igreja é confessionalmente determinada pela Confissão de Augsburgo e o Pequeno Catecismo de Luther, per­ tence à família das Igrejas moldadas péla reforma de Martin Luther, e quando adotará em lugar de „Federação Sinodal“ a denominação de Igreja, o que esperamos para breve, exprimilo-á nesta mesma denominação. 3.° —* Como Igreja assim determinada confessionalmente a Federação Sinodal se encontra na comunhão âas Igrejas repre­ sentadas no Conselho Ecumênico, as quais admitem o Evan­ gelho de Jesus Christo, que nos transmite a Sagrada Escritura, como única regra e diretriz de sua obra evangélica e de sua doutrina. 4.° — A Federação Sinodal cultiva a comunhão ãé fé com a Igreja Mãe, a Igreja Evangélica na Alemanha, que pela sua organização básica evidencia a comunhão da cristandade evan­ gélica na Alemanha e se enquadra na ordem da Ecúmena. ’ Depois de observações feitas pelos dirigentes religiosos dos Sínodos e pelo substituto do presidente do Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná e pelo P. G-. Reusch pôde o F. E. Schlieper, que presidia aos debates, constatar a unânime acei­ tação que tiveram as asserções do presidente Dohms. Em conseqüência das discussões ulteriores que à tarde de segunda-feira e à manhã de terça-feira tiveram por assunto as finalidades da Federação, o Concílio à tarde de terça-feira resolveu unanimemente autorizar o Conselho da Federação a providenciar sôbre a admissão da Federação Sinodal em caráter de Igreja no Conselho Mundial de Igrejas e na Federação M un­ dial Luterana, ambas em Genebra. Os objetivos da Federação segundo o artigo I II dos Esta­ tutos foram encarados pelo Concílio nos relatórios que expu­ seram o trabalho dos Sínodos nos mesmos objetivos. Êstes rela­ tórios tiveram por finalidade, de por o Concílio ao par da ex­ tensão em que de fato já foram postas mãos à obra, pelos Sí­ nodos pertencentes à Federação, tendo em vista o conjunto da Igreja, bem como de averiguar de que modo a Federação em concordância com o art. I I I dós Estatutos devia fomentar tais iniciativas ou tomá-las sob responsabilidade própria. Face à multiplicidade das tarefas só as mais importantes puderam ser consideradas nos relatórios, nem pôde ser procurada uma so­ lução imediata em todos os pontos para os problemas surgidos nos relatórios. O primeiro relatório foi apresentado pelo pároco das dia­ conisas P. Joh. Raspe, tratando da âiaconia feminina e da Casa Matriz da Irmandade em São Leopoldo, cujos pensamentos desde a sua fundação no ano de 1938 estão voltados para tôda a esfera da Igreja no Brasil, na qual também se apoia. Em conexão com o relatório falaram os senhores P. Soboll, P. W arn ke, presidente de igreja D. Niemoeller e F, Odebrecht sôbre propaganda, extensão do campo de trabalho e outros assuntos, os quais foram esclarecidos pelo P. Raspe. O dr. Ervino Diefen-

O presidente de igreja D. Niemoeller (à direita) em palestra com o presidente da Igreja Evangélica na Argentina, Pastor M. Marczynski (à esquerda), thaeler enalteceu os grandes méritos das diaconisas de Wittenberg no ambiente hospitalar de Pôrto Alegre, discorrendo sôbre as oportunidades que se oferecem para dar às jovens irmãs uma instrução que satisfaça as exigências oficiais no que diz res­ peito a enfermaçem. Ê de esperar que a nóvel Casa Matriz da Irmandade em São Leopoldo seja fortalecida nos moldes do con­ junto da Igreja, a fim de que possa cumprir a sua missão, forta­ lecimento êsse que deverá processar-se principalmente pelo encaminhamento de jovens irmãs em número crescente. Nos dias do Concílio, a Casa Matriz recebeu a visita de participantes da assembléia. N a quarta-feira, 17 de maio, aniversário da Casa Matriz, reuniu-se ali ao meio-dia o Conselho Diretor da Federa­ ção com a diretoria da Ordem Auxiliadora das Senhoras do Sínodo Riograndense e outros hóspedes. A presidente da Ordem Auxiliadora, sra. P. E. Strothmann, falou nesta ocasião sôbre a Ordem Auxiliadora e a Casa Matriz. Em continuação dos debates o diretor do Departamento de Ensino do Sínodo Riograndense, prof. W. Fuchs, apresentou um relato sôbre o extenso âmbito do ensino primário evangélico


resumindo sua exposição sóbre os artigos I e II da organização federativa nas seguintes teses: ^ 1.° — A Federação Sinodal é Igreja de Jesus Christo no Brasil com tôdas as consequências que daí resultarem para a pregação do Evangelho neste país e a co-responsabilidade para a formação da vida política, cultural e econômica de seu povo. 2.° — Esta Igreja é confessionalmente determinada pela Confissão de Augsburgo e o Pequeno Catecismo de Luther, per­ tence à família das Igrejas moldadas péla reforma de Martin Luther, e quando adotará em lugar de „Federação Sinodal“ a denominação de Igreja, o que esperamos para breve, exprimilo-á nesta mesma denominação. 3.° —* Como Igreja assim determinada confessionalmente a Federação Sinodal se encontra na comunhão âas Igrejas repre­ sentadas no Conselho Ecumênico, as quais admitem o Evan­ gelho de Jesus Christo, que nos transmite a Sagrada Escritura, como única regra e diretriz de sua obra evangélica e de sua doutrina. 4.° — A Federação Sinodal cultiva a comunhão ãé fé com a Igreja Mãe, a Igreja Evangélica na Alemanha, que pela sua organização básica evidencia a comunhão da cristandade evan­ gélica na Alemanha e se enquadra na ordem da Ecúmena. ’ Depois de observações feitas pelos dirigentes religiosos dos Sínodos e pelo substituto do presidente do Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná e pelo P. G-. Reusch pôde o F. E. Schlieper, que presidia aos debates, constatar a unânime acei­ tação que tiveram as asserções do presidente Dohms. Em conseqüência das discussões ulteriores que à tarde de segunda-feira e à manhã de terça-feira tiveram por assunto as finalidades da Federação, o Concílio à tarde de terça-feira resolveu unanimemente autorizar o Conselho da Federação a providenciar sôbre a admissão da Federação Sinodal em caráter de Igreja no Conselho Mundial de Igrejas e na Federação M un­ dial Luterana, ambas em Genebra. Os objetivos da Federação segundo o artigo I II dos Esta­ tutos foram encarados pelo Concílio nos relatórios que expu­ seram o trabalho dos Sínodos nos mesmos objetivos. Êstes rela­ tórios tiveram por finalidade, de por o Concílio ao par da ex­ tensão em que de fato já foram postas mãos à obra, pelos Sí­ nodos pertencentes à Federação, tendo em vista o conjunto da Igreja, bem como de averiguar de que modo a Federação em concordância com o art. I I I dós Estatutos devia fomentar tais iniciativas ou tomá-las sob responsabilidade própria. Face à multiplicidade das tarefas só as mais importantes puderam ser consideradas nos relatórios, nem pôde ser procurada uma so­ lução imediata em todos os pontos para os problemas surgidos nos relatórios. O primeiro relatório foi apresentado pelo pároco das dia­ conisas P. Joh. Raspe, tratando da âiaconia feminina e da Casa Matriz da Irmandade em São Leopoldo, cujos pensamentos desde a sua fundação no ano de 1938 estão voltados para tôda a esfera da Igreja no Brasil, na qual também se apoia. Em conexão com o relatório falaram os senhores P. Soboll, P. W arn ke, presidente de igreja D. Niemoeller e F, Odebrecht sôbre propaganda, extensão do campo de trabalho e outros assuntos, os quais foram esclarecidos pelo P. Raspe. O dr. Ervino Diefen-

O presidente de igreja D. Niemoeller (à direita) em palestra com o presidente da Igreja Evangélica na Argentina, Pastor M. Marczynski (à esquerda), thaeler enalteceu os grandes méritos das diaconisas de Wittenberg no ambiente hospitalar de Pôrto Alegre, discorrendo sôbre as oportunidades que se oferecem para dar às jovens irmãs uma instrução que satisfaça as exigências oficiais no que diz res­ peito a enfermaçem. Ê de esperar que a nóvel Casa Matriz da Irmandade em São Leopoldo seja fortalecida nos moldes do con­ junto da Igreja, a fim de que possa cumprir a sua missão, forta­ lecimento êsse que deverá processar-se principalmente pelo encaminhamento de jovens irmãs em número crescente. Nos dias do Concílio, a Casa Matriz recebeu a visita de participantes da assembléia. N a quarta-feira, 17 de maio, aniversário da Casa Matriz, reuniu-se ali ao meio-dia o Conselho Diretor da Federa­ ção com a diretoria da Ordem Auxiliadora das Senhoras do Sínodo Riograndense e outros hóspedes. A presidente da Ordem Auxiliadora, sra. P. E. Strothmann, falou nesta ocasião sôbre a Ordem Auxiliadora e a Casa Matriz. Em continuação dos debates o diretor do Departamento de Ensino do Sínodo Riograndense, prof. W. Fuchs, apresentou um relato sôbre o extenso âmbito do ensino primário evangélico


no campo de ação do Sínodo. As explanações detalhadas foram corroboradas por uma série de impressos que tratam de insti­ tuições da Igrej a servindo a escola evangélica e ao fortaleci­ mento de seu professorado. A pedido do relator, o dirigente dos debates presidente D. Dohms, completou o relato fundamen­ tando o direito ao ensino particular, garantido pela Constitui­ ção da República, e sublinhando a necessidade que tem a Igreja de manter a escola comunal evangélica e uma sólida instrução evangélica em geral, bem como de formar o corpo de colabora­ dores. Dos animados debates, em que se evidenciaram as difi­ culdades com que se depara a reconstituição e a constituição de um ensino evangélico sob a égide da Igreja nos outros Síno­ dos, mas também se patenteou a necessidade è as possibilidades da instrução evangélica, participaram muitos membros dos referidos Sínodos. f O conj unto dás tarefas que aí se tornara evidente revelou-se ainda no plano do ensino superior evangélico, do qual tratou o P. R. Saenger, diretor do Colégio Sinodal em São Leopoldo. O P. Saenger referlu-se ãs escolas superiores evangélicas no Rio Grande do Sul, Sta. Catarina e São Paulo como assunto que se enquadra no complexo total da Igreja, bem como a exigível séria orientação evangélica da escola, à assistência a que faz jus o jovem elemento estudantil evangélico nas Universidades, ao renovo do professorado e à idéia de uma Faculdade de Filo­ sofia evangélica. O Conselho recebeu a incumbência de examinar o alvitre feito, em conexão com os temas referidos, pelo P, Warnke, da edição áe um Livro de Religião. Os membros do Concílio tiveram aliás a oportunidade de co­ nhecer os Institutos do Sínodo Rlograndense, situados no Morro do Espelho, completando assim ,,de visu“ próprio as asserções dos relatórios. Como convidados almoçaram segunda-feira no Instituto Pré-Teológico e terça-feira no Colégio Sinodal, cujas dependências examinaram, e depois de concluído o Concílio ti­ veram tempo de visitar a Fundação Evangélica, bem como o G i­ násio para o sexo masculino que se acha em construção em Novo Hamburgo. O relatório seguinte foi o do presidente D. Dohms sôbre o Instituto Pré-Teológico e a Escola ãé Teologia em São Leopoldo. Apresentando êle a questão de que modo devia a Federação considerar a ambas as instituições, frequentadas por alunos de todos os Sínodos, como enquadradas no conjunto eclesiástico, pediram a palavra os senhores prof. dr. Fausel, F. Kilian, B. Kersten, D. M. Niemoeller, presidente F. Schlünzen, conselheiro Bartelt, C. Leyendecker e P. H. Soboll. A discussão culminou na proposta feita por iniciativa do presidente Schlünzen pelo P; Soboll, à qual correspondeu a seguinte resolução, vivamente apoiada e unanimemente aceita pelo Concílio: „Com sinceros agradecimentos o Concílio toma conheci­ mento do relatório do sr. Presidente D. Dohms sôbre a forma­ ção do renovo teológico no Instituto Pré-Teológico é na Escola de Teologia do Sínodo Riograndense e assim se manifesta sôbre o mesmo: No propósito de ser Igreja de Jesus Christo no Brasil, a Federação Sinodal toma sob sua responsabilidade, como tarefa primordial e de maior urgência, o trabalho do Instituto Pré-

Teológico e da Escola de Teologia, educandários para a form a­ ção de seus^ futuros pastores.“ À missão interna e de impressos o primeiro a reportar-se foi o P. W. Noellenburg para o Sínodo Rlograndense, o qual também falou sôbre evangelizações realizadas, retiros para membros de diretorias comunais e possibilidades futuras. A sessão da tarde de segunda-feira terminou, depois de ter a assembléia ouvido este relatório e resolvido alguns assuntos de ordem econômica, com um ato religioso dirigido pelo P. K. Graeter. À noite, realizou-se na Igreja de Christo um culto divino litúrgico, no qual foi oficiante o pároco W. Hilbk, tendo o côro da comunidade dirigido pelo prof. H. G. Naumann executado com acompanhamento de orquestra, entre outras peças da música sacra, as estrofes 1 e 2 'da cantata „Despertai, a voz nos chama“ e a Cantata n.° 4 de J. S. Bach e estando o órgão a cargo do prof. M. Maschler. O Concílio retomou os trabalhos às 8,30 horas da manhã de terça-feira com um ato religioso no qual o P. H. Soboll falou sôbre I. João 1, 1. Em continuação ao relatório sôbre a missão interna e de impressos falaram o presidente F. Schlünzen, P. H. Soboll e P. K. Graeter sôbre o trabalho em seus Sínodos. Se­ guiu-se um animado debate sôbre a execução do trabalho, tendo falado P. Warnke, P. Reusch, presidente Schlünzen, P. Soboll, P. Joh. Schlupp, F. Kilian e dr. Fausel. No decurso da dis­ cussão ofereceu-se ao presidente de igreja D. Niemoeller a opor­ tunidade de discorrer sôbre as suas experiências e o atual estado da evangelização na Alemanha. Respondendo a um inquérito, o P. E. Schlieper prestou informações sôbre o trabalho da Co­ missão do Hinário português, dando conta do que fôra feito e do que resta a fazer. Após haver o presidente D. Dohms demonstrado em síntese a indissolúvel conexão recíproca existente entre a Igreja e a missão, a assembléia resolveu que o Conselho Diretor da Fe­ deração solucionasse sob pontos de vista uniformes as questões que surgissem para a Federação no âmbito da missão interna. Em seguida tratou-se da questão financeira, falando como relatores os senhores P. K. Gottsehald jr. e vice-presidente P. E. Schlieper sôbre o orçamento e a Congregação Auxiliar do Sínodo Riograndense e os senhores presidente F. Schlünzen, P. H. Soboll e P. K. Graeter sôbre receita e despesa da Igreja Luterana, do Sínòdo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná e do Sínodo Evangélico do Brasil Central. Na discussão em que tomaram parte os senhores F. Kilian, P. Saenger, P. J. Schlupp, C. Leyendecker, B. Kersten, presidente D. Dohms, P. H. Soboll e presidente F. Schlünzen foi acentuada a importância das con­ tribuições sinodais a serem prestadas regularmente pelas co­ munidades, bem como da espontaneidade na coleta de meios para a Igre.ia. Foi alvitrado que as experiências do Sínodo Rio­ grandense fôssem postas à disposição dos outros Sínodos. Para o Orçamento da Federação Sinodal foram esclarecidas questões fundamentais numa discussão em que os senhores P. K. Gottsehald jr., P. H. Soboll. presidente F. Schlünzen, dr. L. Storck, F. Kilian, C. Leyendecker, P. Bartelt, dr. E. Fausel, P, K. Gottsehald sen., P. Th. Dietschi, F. Odebrecht, B. Kersten e D. M. Niemoeller deram opiniões sôbre o assunto. Em conclusão


no campo de ação do Sínodo. As explanações detalhadas foram corroboradas por uma série de impressos que tratam de insti­ tuições da Igrej a servindo a escola evangélica e ao fortaleci­ mento de seu professorado. A pedido do relator, o dirigente dos debates presidente D. Dohms, completou o relato fundamen­ tando o direito ao ensino particular, garantido pela Constitui­ ção da República, e sublinhando a necessidade que tem a Igreja de manter a escola comunal evangélica e uma sólida instrução evangélica em geral, bem como de formar o corpo de colabora­ dores. Dos animados debates, em que se evidenciaram as difi­ culdades com que se depara a reconstituição e a constituição de um ensino evangélico sob a égide da Igreja nos outros Síno­ dos, mas também se patenteou a necessidade è as possibilidades da instrução evangélica, participaram muitos membros dos referidos Sínodos. f O conj unto dás tarefas que aí se tornara evidente revelou-se ainda no plano do ensino superior evangélico, do qual tratou o P. R. Saenger, diretor do Colégio Sinodal em São Leopoldo. O P. Saenger referlu-se ãs escolas superiores evangélicas no Rio Grande do Sul, Sta. Catarina e São Paulo como assunto que se enquadra no complexo total da Igreja, bem como a exigível séria orientação evangélica da escola, à assistência a que faz jus o jovem elemento estudantil evangélico nas Universidades, ao renovo do professorado e à idéia de uma Faculdade de Filo­ sofia evangélica. O Conselho recebeu a incumbência de examinar o alvitre feito, em conexão com os temas referidos, pelo P, Warnke, da edição áe um Livro de Religião. Os membros do Concílio tiveram aliás a oportunidade de co­ nhecer os Institutos do Sínodo Rlograndense, situados no Morro do Espelho, completando assim ,,de visu“ próprio as asserções dos relatórios. Como convidados almoçaram segunda-feira no Instituto Pré-Teológico e terça-feira no Colégio Sinodal, cujas dependências examinaram, e depois de concluído o Concílio ti­ veram tempo de visitar a Fundação Evangélica, bem como o G i­ násio para o sexo masculino que se acha em construção em Novo Hamburgo. O relatório seguinte foi o do presidente D. Dohms sôbre o Instituto Pré-Teológico e a Escola ãé Teologia em São Leopoldo. Apresentando êle a questão de que modo devia a Federação considerar a ambas as instituições, frequentadas por alunos de todos os Sínodos, como enquadradas no conjunto eclesiástico, pediram a palavra os senhores prof. dr. Fausel, F. Kilian, B. Kersten, D. M. Niemoeller, presidente F. Schlünzen, conselheiro Bartelt, C. Leyendecker e P. H. Soboll. A discussão culminou na proposta feita por iniciativa do presidente Schlünzen pelo P; Soboll, à qual correspondeu a seguinte resolução, vivamente apoiada e unanimemente aceita pelo Concílio: „Com sinceros agradecimentos o Concílio toma conheci­ mento do relatório do sr. Presidente D. Dohms sôbre a forma­ ção do renovo teológico no Instituto Pré-Teológico é na Escola de Teologia do Sínodo Riograndense e assim se manifesta sôbre o mesmo: No propósito de ser Igreja de Jesus Christo no Brasil, a Federação Sinodal toma sob sua responsabilidade, como tarefa primordial e de maior urgência, o trabalho do Instituto Pré-

Teológico e da Escola de Teologia, educandários para a form a­ ção de seus^ futuros pastores.“ À missão interna e de impressos o primeiro a reportar-se foi o P. W. Noellenburg para o Sínodo Rlograndense, o qual também falou sôbre evangelizações realizadas, retiros para membros de diretorias comunais e possibilidades futuras. A sessão da tarde de segunda-feira terminou, depois de ter a assembléia ouvido este relatório e resolvido alguns assuntos de ordem econômica, com um ato religioso dirigido pelo P. K. Graeter. À noite, realizou-se na Igreja de Christo um culto divino litúrgico, no qual foi oficiante o pároco W. Hilbk, tendo o côro da comunidade dirigido pelo prof. H. G. Naumann executado com acompanhamento de orquestra, entre outras peças da música sacra, as estrofes 1 e 2 'da cantata „Despertai, a voz nos chama“ e a Cantata n.° 4 de J. S. Bach e estando o órgão a cargo do prof. M. Maschler. O Concílio retomou os trabalhos às 8,30 horas da manhã de terça-feira com um ato religioso no qual o P. H. Soboll falou sôbre I. João 1, 1. Em continuação ao relatório sôbre a missão interna e de impressos falaram o presidente F. Schlünzen, P. H. Soboll e P. K. Graeter sôbre o trabalho em seus Sínodos. Se­ guiu-se um animado debate sôbre a execução do trabalho, tendo falado P. Warnke, P. Reusch, presidente Schlünzen, P. Soboll, P. Joh. Schlupp, F. Kilian e dr. Fausel. No decurso da dis­ cussão ofereceu-se ao presidente de igreja D. Niemoeller a opor­ tunidade de discorrer sôbre as suas experiências e o atual estado da evangelização na Alemanha. Respondendo a um inquérito, o P. E. Schlieper prestou informações sôbre o trabalho da Co­ missão do Hinário português, dando conta do que fôra feito e do que resta a fazer. Após haver o presidente D. Dohms demonstrado em síntese a indissolúvel conexão recíproca existente entre a Igreja e a missão, a assembléia resolveu que o Conselho Diretor da Fe­ deração solucionasse sob pontos de vista uniformes as questões que surgissem para a Federação no âmbito da missão interna. Em seguida tratou-se da questão financeira, falando como relatores os senhores P. K. Gottsehald jr. e vice-presidente P. E. Schlieper sôbre o orçamento e a Congregação Auxiliar do Sínodo Riograndense e os senhores presidente F. Schlünzen, P. H. Soboll e P. K. Graeter sôbre receita e despesa da Igreja Luterana, do Sínòdo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná e do Sínodo Evangélico do Brasil Central. Na discussão em que tomaram parte os senhores F. Kilian, P. Saenger, P. J. Schlupp, C. Leyendecker, B. Kersten, presidente D. Dohms, P. H. Soboll e presidente F. Schlünzen foi acentuada a importância das con­ tribuições sinodais a serem prestadas regularmente pelas co­ munidades, bem como da espontaneidade na coleta de meios para a Igre.ia. Foi alvitrado que as experiências do Sínodo Rio­ grandense fôssem postas à disposição dos outros Sínodos. Para o Orçamento da Federação Sinodal foram esclarecidas questões fundamentais numa discussão em que os senhores P. K. Gottsehald jr., P. H. Soboll. presidente F. Schlünzen, dr. L. Storck, F. Kilian, C. Leyendecker, P. Bartelt, dr. E. Fausel, P, K. Gottsehald sen., P. Th. Dietschi, F. Odebrecht, B. Kersten e D. M. Niemoeller deram opiniões sôbre o assunto. Em conclusão


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Participantes do Concílio. o Concílio por proposta do P. H. Soboll autorizou o Conselho Diretor a elaborar o plano financeiro para o orçamento anual até o próximo Concílio. Outrossim o Conselho Diretor foi incum­ bido de resolver sôbre a realização de coletas nos cultos divinos, sendo também recomendado aos Sínodos angariarem meios para uin fundo da Federação Sinodal do modo que lhes pare­ cesse adequado. O último relato que então se ouviu foi dedicado à assistência aos imigrantes, que é prestada no Rio de Janeiro nos moldes da Confederação Evangélica e em colaboração com os órgãos eclesiásticos competentes do Conselho Ecumênico e da Federa­ ção Mundial Luterana em Genebra e com as repartições públi­ cas competentes. Foram relatores desta matéria os senhores B. Kersten e P. G. Tornquist secretário executivo da Comissão Central Pró-deslocados de Guerra no Rio. O debate animado sublinhou a importância desta obra da Igreja. No decurso das discussões de 15 e 16 de maio ainda foram aprovadas as seguintes resoluções pelo Concílio: Recomenda-se ao Conselho Diretor a divulgação de um impresso em que se dêem instruções aos membros das comuni­ dades para responderem de um modo uniforme à pergunta atinente à religião no censo geral a realizar-se no ano em curso. O Conselho Diretor recebe a incumbência de receber o protocolo das discussões do 1.° Concílio, de contestar as sau­ dações recebidas, de dirigir uma saudação ao Presidente da República e telegramas de agradecimento às autoridades que estiveram presentes ou se fizeram representar no ato inaugural. Procedeu-se à leitura das saudações das comunidades Canoinhas, da Igreja Luterana, e Petrópolis, do Sínodo Evangélico do Brasil Central, bem como dos telegramas de congratulações, da Repartição da Igreja Luterana em Hannover e do Concílio Nacional Luterano em Nova Iorque, e os votos de bênçãos formulados pessoalmente ao presidente da Federação pelo Bispo Sücasas, da Igreja Metodista, foram transmitidas à assembléia.

O Concílio aprovou o teor de um telegrama que em seu nome fôra dirigido ao presidente do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, D. Dr. Otto Dibelius, por ocasião do seu septuagési­ mo aniversário natalício no dia 15 de maio. i Uma „Mensagem às Comunidades“, redigida por iniciativa do Conselho Diretor, foi pelo vice-presidente da Federação, P. E. Schlieper, apresentada à assembléia e unânimemente aceita. Antes de chegar ao seu termo a sessão da tarde de terçafeira, o P. H. Soboll transmitiu em nome dos membros foras­ teiros do Concílio calorosos agradecimentos aos institutos sinodais e às famílias no Morro do Espelho bem como à comunidade evangélica pela acolhida e pelos cultos divinos e solenidades que lhes foi dado assistirem. O presidente D. Dohms manifestou a sua alegria pelo de­ curso unânime e abençoado da assembléia e exprimiu a todos os agradecimentos pela participação e colaboração, especial­ mente aos hóspedes da Igreja Mãe. Por fim falou o presidente de igreja D. M. Niemoeller sôbre a grande obra ora iniciada, manifestando o seu contentamento por ter podido assistir e terminando com a oração final e a bênção, À noite, os membros do Concílio e os hóspedes reuniram-se com a comunidade no culto divino final em que prègou o sr. Pastor M. Marczynski de Buenos Aires. Com uma sessão do Conselho à manhã de quarta-feira, 17 de maio, com uma excursão empreendida à tarde, após o almôço na Casa Matriz da Irmandade, excursão essa que passando por Caí, Feliz e Nova Petrópolis levou os participantes até Dois Irmãos, chegaram ao seu termo os dias do Concílio com um culto divino celebrado à véspera da Ascenção de Christo na igreja de Dois Irmãos pelo pároco da localidade e no qual D. Niemoeller dirigiu uma saudação à comunidade. Deus, porém, queira pelo exaltado e sempre presente Se­ nhor Christo abençoar êsses dias em todos que dêles partici­ param e estender sua bênção sôbre a Federação, os Sínodos e tôdas as suas comunidades, para honra d’Êle e para glória de Seu excelso nome!


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Participantes do Concílio. o Concílio por proposta do P. H. Soboll autorizou o Conselho Diretor a elaborar o plano financeiro para o orçamento anual até o próximo Concílio. Outrossim o Conselho Diretor foi incum­ bido de resolver sôbre a realização de coletas nos cultos divinos, sendo também recomendado aos Sínodos angariarem meios para uin fundo da Federação Sinodal do modo que lhes pare­ cesse adequado. O último relato que então se ouviu foi dedicado à assistência aos imigrantes, que é prestada no Rio de Janeiro nos moldes da Confederação Evangélica e em colaboração com os órgãos eclesiásticos competentes do Conselho Ecumênico e da Federa­ ção Mundial Luterana em Genebra e com as repartições públi­ cas competentes. Foram relatores desta matéria os senhores B. Kersten e P. G. Tornquist secretário executivo da Comissão Central Pró-deslocados de Guerra no Rio. O debate animado sublinhou a importância desta obra da Igreja. No decurso das discussões de 15 e 16 de maio ainda foram aprovadas as seguintes resoluções pelo Concílio: Recomenda-se ao Conselho Diretor a divulgação de um impresso em que se dêem instruções aos membros das comuni­ dades para responderem de um modo uniforme à pergunta atinente à religião no censo geral a realizar-se no ano em curso. O Conselho Diretor recebe a incumbência de receber o protocolo das discussões do 1.° Concílio, de contestar as sau­ dações recebidas, de dirigir uma saudação ao Presidente da República e telegramas de agradecimento às autoridades que estiveram presentes ou se fizeram representar no ato inaugural. Procedeu-se à leitura das saudações das comunidades Canoinhas, da Igreja Luterana, e Petrópolis, do Sínodo Evangélico do Brasil Central, bem como dos telegramas de congratulações, da Repartição da Igreja Luterana em Hannover e do Concílio Nacional Luterano em Nova Iorque, e os votos de bênçãos formulados pessoalmente ao presidente da Federação pelo Bispo Sücasas, da Igreja Metodista, foram transmitidas à assembléia.

O Concílio aprovou o teor de um telegrama que em seu nome fôra dirigido ao presidente do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, D. Dr. Otto Dibelius, por ocasião do seu septuagési­ mo aniversário natalício no dia 15 de maio. i Uma „Mensagem às Comunidades“, redigida por iniciativa do Conselho Diretor, foi pelo vice-presidente da Federação, P. E. Schlieper, apresentada à assembléia e unânimemente aceita. Antes de chegar ao seu termo a sessão da tarde de terçafeira, o P. H. Soboll transmitiu em nome dos membros foras­ teiros do Concílio calorosos agradecimentos aos institutos sinodais e às famílias no Morro do Espelho bem como à comunidade evangélica pela acolhida e pelos cultos divinos e solenidades que lhes foi dado assistirem. O presidente D. Dohms manifestou a sua alegria pelo de­ curso unânime e abençoado da assembléia e exprimiu a todos os agradecimentos pela participação e colaboração, especial­ mente aos hóspedes da Igreja Mãe. Por fim falou o presidente de igreja D. M. Niemoeller sôbre a grande obra ora iniciada, manifestando o seu contentamento por ter podido assistir e terminando com a oração final e a bênção, À noite, os membros do Concílio e os hóspedes reuniram-se com a comunidade no culto divino final em que prègou o sr. Pastor M. Marczynski de Buenos Aires. Com uma sessão do Conselho à manhã de quarta-feira, 17 de maio, com uma excursão empreendida à tarde, após o almôço na Casa Matriz da Irmandade, excursão essa que passando por Caí, Feliz e Nova Petrópolis levou os participantes até Dois Irmãos, chegaram ao seu termo os dias do Concílio com um culto divino celebrado à véspera da Ascenção de Christo na igreja de Dois Irmãos pelo pároco da localidade e no qual D. Niemoeller dirigiu uma saudação à comunidade. Deus, porém, queira pelo exaltado e sempre presente Se­ nhor Christo abençoar êsses dias em todos que dêles partici­ param e estender sua bênção sôbre a Federação, os Sínodos e tôdas as suas comunidades, para honra d’Êle e para glória de Seu excelso nome!


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A nossa Fé é a Vitória Dominadora do Mundo Prédica proferida pelo P. R. Saenger, no culto de abertura do 1.° Concílio Eclesiástico da Fede­ ração Sinodal, à 14 de maio de 1950, na Igreja de Christo em São Leopoldo. „Quem crê que Jesus ê o Christo, tem de Deus a sua vida. E quem ama o Pai, ama também o Filho dêle. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: em amarmos a Deus e guardarmos os seus mandamentos. Nisso, pois, consiste o amor de Deus: em observarmos os seus mandamentos, E os seus mandamentos não são difíceis. Quem de Deus tem a sua vida, domina o mundo. E esta é a vitória do­ minadora do mundo: a nossa fé. Quem é que dominaria o mundo, a não ser aquêle que crê que Jesus é o filho de Deus?“ (I. João 5, 1— 5).

Q

uando o discípulo predileto vem a falar na obra de salvação do divino Mestre, o vigor da fé como que o arrebata. Compelido pelo Espírito, os pensamentos se se sucedem, se elevam, como que se precipitam — e tece incomparável hino de fé e de amor. Duas realidades inse­ paráveis: a fé com que Deus nos chama, o amor que é a sua realidade no mundo. Palavra altiva essa do discípulo do amor, proferida como término da canção: „Quem de Deus tem a sua vida, domina o mundo“ . — E: „Esta é a vitória dominadora do mundo: a nossa fé !“ Parece ser dito ao mundo da criação, da criação de Deus, para o mundo, contra o mundo. Desafia a esta criação, apartada do Criador. Chora pela sua incredulidade. Clama pela união. Canta a vitó­ ria final do Deus salvador e santificador de sua criação. Começa pela terceira pessoa: Quem crê que Jesus é o Christo . . . e quem ama o p a i. . . como quem se dirige a todo o mundo, convidando a todos, chamando a todos, insistindo para com todos. Continua com a primeira pessoa do plural: Nisto conhecemos que amamos os filhos de D eus. . . para can­ tar, por fim, um cântico de glória.

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O grande mundo é cenário, é potência dinâmica desvirtuada e conscientemente afastada do Criador. Sem uma potência espiritual que tem a sua raiz fora do tempo e do espaço, o mundo seria irremediavelmente perdido, A sua salvação está tão somente naqueles portaestandartes que, por graça do Senhor, exercem a missão de ser sal da terra, para preservar o mundo do processo de putrefação; de ser luz do mundo, para evitar que o mesmo se perca em negra trevosidade. É a fé em Christo que constitue uma terceira di­ mensão, uma realidade, milagrosa e inexplicável, que venceu a realidade física na qual estamos imersos e da qual o homem jamais se libertará por si mesmo. Signi­ fica que o Onipotente Deus sempre venceu e vencerá, com os homens, pelos homens e mesmo contra êles. Foi Napoleão quem proferiu essa grave sentença: „H á no mundo dois poderes — a espada e o espírito; o espírito tem sempre vencido a espada“ . E no centro dêstes acontecimentos decisivos no campo da batalha está o pequeno EU, partícula da cria­ ção, sofrendo a cada passo a ação do mundo, — Mas, veja bem, não mais o EU e sim o NÓS na fé, o NÓS — isto é a fé, poder eterno que não pode ficar na solidão do isolamento, que tende poderosamente para a realiza­ ção em comunidade. O EU teria que atrofiar, não tivesse o Tu com quem vive em comunhão. „Aquêle que. crê que Jesus é o filho de Deus“ , — êste é o TU e EU — somos nós, E ,,a nossa fé é a vitória dominadora do mundo.“ Se na vida de cada crente individual essa profissão já exerce um poder revolucionário que ergue e leva ao desespêro a cada momento, quanto mais não há de nos tocar os corações em noites como esta ao juntarmos mãos e almas na mesma fé e no mesmo amor! Santo Deus, aqui estamos todos nós reunidos em co­ munhão de fé, discípulos de Lutero, de Calvino e de quan­ tos outros destemidos homens de fé. Entoamos o hino altivo da vitória. Professamos com tôda a cristandade: Cremos em Deus Pai todo poderoso . . . Cremos em Jesus Christo . . . Cremos no Espírito Santo . . . Afirmamos: „Todo aquêle que crê que Jesus é Christo . . . nós cremos“ . Esta fé constitui uma realidade entre nós? A palavra de João é um convite para meditarmos e remeditarmos sôbre a distância que separa o homem que assim podia cantar, orando, da vitória como realidade e


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A nossa Fé é a Vitória Dominadora do Mundo Prédica proferida pelo P. R. Saenger, no culto de abertura do 1.° Concílio Eclesiástico da Fede­ ração Sinodal, à 14 de maio de 1950, na Igreja de Christo em São Leopoldo. „Quem crê que Jesus ê o Christo, tem de Deus a sua vida. E quem ama o Pai, ama também o Filho dêle. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: em amarmos a Deus e guardarmos os seus mandamentos. Nisso, pois, consiste o amor de Deus: em observarmos os seus mandamentos, E os seus mandamentos não são difíceis. Quem de Deus tem a sua vida, domina o mundo. E esta é a vitória do­ minadora do mundo: a nossa fé. Quem é que dominaria o mundo, a não ser aquêle que crê que Jesus é o filho de Deus?“ (I. João 5, 1— 5).

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uando o discípulo predileto vem a falar na obra de salvação do divino Mestre, o vigor da fé como que o arrebata. Compelido pelo Espírito, os pensamentos se se sucedem, se elevam, como que se precipitam — e tece incomparável hino de fé e de amor. Duas realidades inse­ paráveis: a fé com que Deus nos chama, o amor que é a sua realidade no mundo. Palavra altiva essa do discípulo do amor, proferida como término da canção: „Quem de Deus tem a sua vida, domina o mundo“ . — E: „Esta é a vitória dominadora do mundo: a nossa fé !“ Parece ser dito ao mundo da criação, da criação de Deus, para o mundo, contra o mundo. Desafia a esta criação, apartada do Criador. Chora pela sua incredulidade. Clama pela união. Canta a vitó­ ria final do Deus salvador e santificador de sua criação. Começa pela terceira pessoa: Quem crê que Jesus é o Christo . . . e quem ama o p a i. . . como quem se dirige a todo o mundo, convidando a todos, chamando a todos, insistindo para com todos. Continua com a primeira pessoa do plural: Nisto conhecemos que amamos os filhos de D eus. . . para can­ tar, por fim, um cântico de glória.

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O grande mundo é cenário, é potência dinâmica desvirtuada e conscientemente afastada do Criador. Sem uma potência espiritual que tem a sua raiz fora do tempo e do espaço, o mundo seria irremediavelmente perdido, A sua salvação está tão somente naqueles portaestandartes que, por graça do Senhor, exercem a missão de ser sal da terra, para preservar o mundo do processo de putrefação; de ser luz do mundo, para evitar que o mesmo se perca em negra trevosidade. É a fé em Christo que constitue uma terceira di­ mensão, uma realidade, milagrosa e inexplicável, que venceu a realidade física na qual estamos imersos e da qual o homem jamais se libertará por si mesmo. Signi­ fica que o Onipotente Deus sempre venceu e vencerá, com os homens, pelos homens e mesmo contra êles. Foi Napoleão quem proferiu essa grave sentença: „H á no mundo dois poderes — a espada e o espírito; o espírito tem sempre vencido a espada“ . E no centro dêstes acontecimentos decisivos no campo da batalha está o pequeno EU, partícula da cria­ ção, sofrendo a cada passo a ação do mundo, — Mas, veja bem, não mais o EU e sim o NÓS na fé, o NÓS — isto é a fé, poder eterno que não pode ficar na solidão do isolamento, que tende poderosamente para a realiza­ ção em comunidade. O EU teria que atrofiar, não tivesse o Tu com quem vive em comunhão. „Aquêle que. crê que Jesus é o filho de Deus“ , — êste é o TU e EU — somos nós, E ,,a nossa fé é a vitória dominadora do mundo.“ Se na vida de cada crente individual essa profissão já exerce um poder revolucionário que ergue e leva ao desespêro a cada momento, quanto mais não há de nos tocar os corações em noites como esta ao juntarmos mãos e almas na mesma fé e no mesmo amor! Santo Deus, aqui estamos todos nós reunidos em co­ munhão de fé, discípulos de Lutero, de Calvino e de quan­ tos outros destemidos homens de fé. Entoamos o hino altivo da vitória. Professamos com tôda a cristandade: Cremos em Deus Pai todo poderoso . . . Cremos em Jesus Christo . . . Cremos no Espírito Santo . . . Afirmamos: „Todo aquêle que crê que Jesus é Christo . . . nós cremos“ . Esta fé constitui uma realidade entre nós? A palavra de João é um convite para meditarmos e remeditarmos sôbre a distância que separa o homem que assim podia cantar, orando, da vitória como realidade e


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o cristão do século 20; sobre a distância que vai entre as Igrejas modernas e aquêle punhado de cristãos ori­ ginais, perdidos num mar hostil de paganismo, cultura e filosofia amadurecidas pelos séculos, com uma única realidade* a do Senhor crucificado e ressuscitado que os fez levantar a cabeça: ,,E esta é a vitória dominadora do mundo; a nossa fé“ . Positivamente issò constituiu uma realidade, realidade poderosa que transformou os ho­ mens em irmãos, sociedades em comunhões. Não tivésse­ mos outro testemunho, bastaria o da história. E os milhões de cristãos de hoje? perguntas. Apoia­ dos por leis e garantias, à sombra de governos bem inten­ cionados na conservação do patrimônio cristão — não estão êles. a tremer em constante incerteza face ao mun­ do? E a fé por nós confessada, deixou ela de ser uma rea­ lidade milagrosa e dominadora do mundo? Dissenções e confissões divergentes, sempre as havia entre os homens. E serão tanto mais árduas, quanto o homem fôr incapaz de receber a verdade divina. Tal situação no terreno do humano há de nos compelir, cada vez mais, à procura das fontes eternas, do comêço e fim da nossa fé — Christo. E todo aquêle que se sabe impul­ sionado, compelido pelo Espírito Santo sempre encontrou como encontrará o caminho para o Pai, Christo que é também o caminho que leva aos irmãos. Passa por nossos corações, cruza as ruas das nossas cidades, está sentado nas mesas, nos lares, nas cátedras das escolas, visita Igrejas, leva de Igreja para Igreja — não se detem — nem em Gólgotá nem no túmulo aberto: o seu milliarium aureum está no céu, junto ao Pai — o seu marco terminal ainda no céu. Esta é a realidade dos apóstolos, também é a nossa realidade. Há, isso sim, também em nossos dias uma Igreja, invisível para os nossos olhos. É a da qual Lutero diz: que, dentro dela, „0 Espírito Santo me chamóu> me ilu­ minou com seus dons, me santificou e conservou na ver­ dadeira fé, assim como Êle chama tôda a cristandade na terra— dando, a mim e a todos os crentes em Christo a vida eterna“ . — Esta Igreja existe, invisível, entre nós e vislumbrada, de forma quase palpável em dias como êste, quando, o irmão oferece 0 amplexo fraternal ao irmão, a Igreja estende a mão à Igreja, e todas elas con­ fessam a sua fé, em comunidade. Como reza a Consti­ tuição da Federação Sinodal: „pelos credos da Igreja Antiga e. pela Confissão de Augsburgo, considerando-se

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vinculada pela fé à Igreja Mãe, bem como às demais Igrejas existentes no mundo, que a esta última se acham unidas pelo mesmo fundamento da fé. O Catecismo Me­ nor de Lutero, em uso nas entidades federadas é por elas reconhecido como confissão reformatória.“ Em tais mo­ mentos sentimos algo do obrar do Espírito Santo entre nós, realidade entre os homens, realidade milagrosa através dos séculos. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo — há de 0 homem ser transformado, revolucionado, absorvido e compelido, ainda hoje, pela magnificência da obra salvadora de Deus. Palavras hu­ manas são incapazes para descrever êsse processo; Jesus na meditação com Nicodemos encarece a necessidade do homem „nascer de novo“ , e 0 grande discípulo chama a êste homem de „ nova criatura“ . Insistimos: Que homem é êste? — É o homem transformado em irmão, irmão que nem mais reconhece direito ou necessidade de sobrepôr-se, de qualquer forma, ao outro, porque ambos estão em situação perfeitamente idêntica —• pecadores agraciados por Deus; pecadores que guardam as suas ordens, os seus mandamentos que são muito fáceis, no dizer de João, porque se resumem num só: Amar o próximo como a si mesmo e Deus sôbre tôdas as coisas. — É ô primeiro milagre operado pela fé, incompreensível à razão humana, como todos os m ila­ gres. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo —- o homem já constituiu a primeira comunhão, comunhão essa sem estatutos nem artigos, mas com a mesma fé, a mesma comunhão, sem intenções hierárquicas ou dominadoras, mas com o único objetivo de confessar no mundo a união de fé. — É o outro mila­ gre operado pelo Santo Espírito que transcende à razão humana. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo — 0 poder temporal encontrará va­ lores construtivos' inconfundíveis no plano terreno, va­ lores que não dependem dos altos e baixos da história política, nem com ela se confundem, porque as suas raízes estão no Divino e 0 seu objetivo também. — É ainda, outro milagre operado pelo Espírito do Christo. — Tirai êstes homens, a quem Pedro e Lutero ensina­ ram que „tôda a autoridade constituída no mundo vem de Deus“ , eliminai-os das nossas vilas e cidades, dos


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o cristão do século 20; sobre a distância que vai entre as Igrejas modernas e aquêle punhado de cristãos ori­ ginais, perdidos num mar hostil de paganismo, cultura e filosofia amadurecidas pelos séculos, com uma única realidade* a do Senhor crucificado e ressuscitado que os fez levantar a cabeça: ,,E esta é a vitória dominadora do mundo; a nossa fé“ . Positivamente issò constituiu uma realidade, realidade poderosa que transformou os ho­ mens em irmãos, sociedades em comunhões. Não tivésse­ mos outro testemunho, bastaria o da história. E os milhões de cristãos de hoje? perguntas. Apoia­ dos por leis e garantias, à sombra de governos bem inten­ cionados na conservação do patrimônio cristão — não estão êles. a tremer em constante incerteza face ao mun­ do? E a fé por nós confessada, deixou ela de ser uma rea­ lidade milagrosa e dominadora do mundo? Dissenções e confissões divergentes, sempre as havia entre os homens. E serão tanto mais árduas, quanto o homem fôr incapaz de receber a verdade divina. Tal situação no terreno do humano há de nos compelir, cada vez mais, à procura das fontes eternas, do comêço e fim da nossa fé — Christo. E todo aquêle que se sabe impul­ sionado, compelido pelo Espírito Santo sempre encontrou como encontrará o caminho para o Pai, Christo que é também o caminho que leva aos irmãos. Passa por nossos corações, cruza as ruas das nossas cidades, está sentado nas mesas, nos lares, nas cátedras das escolas, visita Igrejas, leva de Igreja para Igreja — não se detem — nem em Gólgotá nem no túmulo aberto: o seu milliarium aureum está no céu, junto ao Pai — o seu marco terminal ainda no céu. Esta é a realidade dos apóstolos, também é a nossa realidade. Há, isso sim, também em nossos dias uma Igreja, invisível para os nossos olhos. É a da qual Lutero diz: que, dentro dela, „0 Espírito Santo me chamóu> me ilu­ minou com seus dons, me santificou e conservou na ver­ dadeira fé, assim como Êle chama tôda a cristandade na terra— dando, a mim e a todos os crentes em Christo a vida eterna“ . — Esta Igreja existe, invisível, entre nós e vislumbrada, de forma quase palpável em dias como êste, quando, o irmão oferece 0 amplexo fraternal ao irmão, a Igreja estende a mão à Igreja, e todas elas con­ fessam a sua fé, em comunidade. Como reza a Consti­ tuição da Federação Sinodal: „pelos credos da Igreja Antiga e. pela Confissão de Augsburgo, considerando-se

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vinculada pela fé à Igreja Mãe, bem como às demais Igrejas existentes no mundo, que a esta última se acham unidas pelo mesmo fundamento da fé. O Catecismo Me­ nor de Lutero, em uso nas entidades federadas é por elas reconhecido como confissão reformatória.“ Em tais mo­ mentos sentimos algo do obrar do Espírito Santo entre nós, realidade entre os homens, realidade milagrosa através dos séculos. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo — há de 0 homem ser transformado, revolucionado, absorvido e compelido, ainda hoje, pela magnificência da obra salvadora de Deus. Palavras hu­ manas são incapazes para descrever êsse processo; Jesus na meditação com Nicodemos encarece a necessidade do homem „nascer de novo“ , e 0 grande discípulo chama a êste homem de „ nova criatura“ . Insistimos: Que homem é êste? — É o homem transformado em irmão, irmão que nem mais reconhece direito ou necessidade de sobrepôr-se, de qualquer forma, ao outro, porque ambos estão em situação perfeitamente idêntica —• pecadores agraciados por Deus; pecadores que guardam as suas ordens, os seus mandamentos que são muito fáceis, no dizer de João, porque se resumem num só: Amar o próximo como a si mesmo e Deus sôbre tôdas as coisas. — É ô primeiro milagre operado pela fé, incompreensível à razão humana, como todos os m ila­ gres. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo —- o homem já constituiu a primeira comunhão, comunhão essa sem estatutos nem artigos, mas com a mesma fé, a mesma comunhão, sem intenções hierárquicas ou dominadoras, mas com o único objetivo de confessar no mundo a união de fé. — É o outro mila­ gre operado pelo Santo Espírito que transcende à razão humana. Onde êste Evangelho da fé e do amor fôr prègado e ouvido no mundo — 0 poder temporal encontrará va­ lores construtivos' inconfundíveis no plano terreno, va­ lores que não dependem dos altos e baixos da história política, nem com ela se confundem, porque as suas raízes estão no Divino e 0 seu objetivo também. — É ainda, outro milagre operado pelo Espírito do Christo. — Tirai êstes homens, a quem Pedro e Lutero ensina­ ram que „tôda a autoridade constituída no mundo vem de Deus“ , eliminai-os das nossas vilas e cidades, dos


nossos estados e continentes e o que fica? Fica no caos o homem natural, consumido pelas paixões e ambições egoístas, capaz de nadar por rios de sangue e injustiças para o único fim que reconhece: a glorificação do homem, de si próprio. Tudo que tem a sua vida do tempo, para o tempo edifica. Só o que vem da eternidade para a eternidade pode construir. Rendemos graças ao onipotente Deus, Pai do nosso Senhor Jesus Christo, qué nos deu a vitória dominadora do mundo: a nossa fé. Amém. ■■■----- « o » -----

O que é a „Federação Sinodal“ ? Discurso proferido pelo vice-presidente da Fe­ deração Sinodal, P. E. Schlieper, por ocasião do ato inaugural do primeiro Concílio Eclesiástico, reali­ zado na Igreja de Christo em São Leopoldo, a 14 de maio de 1950.

Exmas. senhoras e senhores! Abrindo esta solenidade inaugural do Primeiro Con­ cílio Eclesiástico^ cabe-me a subida honra e o grato dever de dirigir, em nome dè sua Presidência, a todos que aqui se acham presentes, a calorosa e cordial saudação da Federação Sinodal, e expressar-lhes que muito nos co­ move poder realizar-se êste ato perante tão egrégia assistência. ;í ■■■■- ■% ^ f ! f Em especial dirijo respeitosas saudações ao exmo. sr. Governador do Estado que com a sua presença mais uma vez veio documentar a alta compreensão do Go­ verno do Estado pelo trabalho da Igreja; tenho a honra de saudar, com os mesmos sentimentos, a digna repre­ sentação da Assembléia Legislativa do Estado; o exmo. sr. Cel. Comandante da Guarnição de São Leopoldo; o exmo. sr. Prefeito do Município de São Leopoldo e os exmos. srs. representantes da Câmara dos Vereadores desta mesma cidade, com a qual tão intimamente está ligada, desde o princípio, a história da Igreja Evangélica em nossa Pátria. r Senhores: é para a Federação Sinodal,(que ora pela primeira vez se reune em concílio,\uma granae satisfação

poder contar, neste ato solene e importante para a Igreja Evangélica e o seu futuro no Brasil]) com a pre­ sença dos legítimos representantes dos poderes públicos, porque é publicamente, perante o nosso movo e o seu govêrno, que a Federação Sinodal desejafhoje apresen­ tar-se e doravante)desincumbir-se de sua'missão. Regozijamo-nos, pelo mesmo motivo, poder saudar em nosso m eio as representações eclesiásticas: os dignos senhores representantes das Igrejas-membros da Con­ federação Evangélica do Brasil; o reverendo bispo Dr. Athaiício Pithan da Igreja Episcopal Brasileira; os repre­ sentantes da Comunidade Evangélica de São Leopoldo, em cuja seio se realiza êste Concílio; os senhores mem­ bros e delegados das Igrejas federadas. E, com grande satisfação, dirijo as cordiais sauda­ ções ao Presidente da Igreja Evangélica na Argentina, Pastor M. Marczynski, e aos senhores representantes da Igreja Evangélica ha Alemanha os pastores presidente de igreja D. Martin Niemoeller, membro do Conselho Mundial das Igrejas, e o pastor-conselheiro Johannes Bartelt que hoje estão em nosso meio. Que lhes foi possível realizar esta viagem para cá, atendendo ao nosso convite, e estar conosco nestes dias, enche-nos de gra­ tidão e muito nos conforta. Senhoras e senhores! Irmãos em Christo! Instala-se hoje o primeiro concílio da Federação Sinodal. Justa, pois, a pergunta: o que é a Federação Si­ nodal? e simples é a resposta: a Federação Sinodal é a Federação de Sínodos. É do conhecimento de todos, pois é uma parte da realidade brasileira desde há mais de um século a exis­ tência de comunidades evangélicas, formadas por um processo orgânico proporcionado pela vinda de homens evangélicos para o Brasil, principalmente para o sul e o Brasil Central. Estas comunidades, com origem direta na Reforma, congregaram-se sucessivamente em quatro Sínodos: o Sínodo Evangélico do Brasil Central, o Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Paraná, a Igreja Lute­ rana no Brasil, e a Igreja Evangélica no Rio Grande do Sul (Sínodo Riograndense). Após mais de meio século de existência isolada, sem ligação entre si, êstes quatro Sínodos que hoje congre­


nossos estados e continentes e o que fica? Fica no caos o homem natural, consumido pelas paixões e ambições egoístas, capaz de nadar por rios de sangue e injustiças para o único fim que reconhece: a glorificação do homem, de si próprio. Tudo que tem a sua vida do tempo, para o tempo edifica. Só o que vem da eternidade para a eternidade pode construir. Rendemos graças ao onipotente Deus, Pai do nosso Senhor Jesus Christo, qué nos deu a vitória dominadora do mundo: a nossa fé. Amém. ■■■----- « o » -----

O que é a „Federação Sinodal“ ? Discurso proferido pelo vice-presidente da Fe­ deração Sinodal, P. E. Schlieper, por ocasião do ato inaugural do primeiro Concílio Eclesiástico, reali­ zado na Igreja de Christo em São Leopoldo, a 14 de maio de 1950.

Exmas. senhoras e senhores! Abrindo esta solenidade inaugural do Primeiro Con­ cílio Eclesiástico^ cabe-me a subida honra e o grato dever de dirigir, em nome dè sua Presidência, a todos que aqui se acham presentes, a calorosa e cordial saudação da Federação Sinodal, e expressar-lhes que muito nos co­ move poder realizar-se êste ato perante tão egrégia assistência. ;í ■■■■- ■% ^ f ! f Em especial dirijo respeitosas saudações ao exmo. sr. Governador do Estado que com a sua presença mais uma vez veio documentar a alta compreensão do Go­ verno do Estado pelo trabalho da Igreja; tenho a honra de saudar, com os mesmos sentimentos, a digna repre­ sentação da Assembléia Legislativa do Estado; o exmo. sr. Cel. Comandante da Guarnição de São Leopoldo; o exmo. sr. Prefeito do Município de São Leopoldo e os exmos. srs. representantes da Câmara dos Vereadores desta mesma cidade, com a qual tão intimamente está ligada, desde o princípio, a história da Igreja Evangélica em nossa Pátria. r Senhores: é para a Federação Sinodal,(que ora pela primeira vez se reune em concílio,\uma granae satisfação

poder contar, neste ato solene e importante para a Igreja Evangélica e o seu futuro no Brasil]) com a pre­ sença dos legítimos representantes dos poderes públicos, porque é publicamente, perante o nosso movo e o seu govêrno, que a Federação Sinodal desejafhoje apresen­ tar-se e doravante)desincumbir-se de sua'missão. Regozijamo-nos, pelo mesmo motivo, poder saudar em nosso m eio as representações eclesiásticas: os dignos senhores representantes das Igrejas-membros da Con­ federação Evangélica do Brasil; o reverendo bispo Dr. Athaiício Pithan da Igreja Episcopal Brasileira; os repre­ sentantes da Comunidade Evangélica de São Leopoldo, em cuja seio se realiza êste Concílio; os senhores mem­ bros e delegados das Igrejas federadas. E, com grande satisfação, dirijo as cordiais sauda­ ções ao Presidente da Igreja Evangélica na Argentina, Pastor M. Marczynski, e aos senhores representantes da Igreja Evangélica ha Alemanha os pastores presidente de igreja D. Martin Niemoeller, membro do Conselho Mundial das Igrejas, e o pastor-conselheiro Johannes Bartelt que hoje estão em nosso meio. Que lhes foi possível realizar esta viagem para cá, atendendo ao nosso convite, e estar conosco nestes dias, enche-nos de gra­ tidão e muito nos conforta. Senhoras e senhores! Irmãos em Christo! Instala-se hoje o primeiro concílio da Federação Sinodal. Justa, pois, a pergunta: o que é a Federação Si­ nodal? e simples é a resposta: a Federação Sinodal é a Federação de Sínodos. É do conhecimento de todos, pois é uma parte da realidade brasileira desde há mais de um século a exis­ tência de comunidades evangélicas, formadas por um processo orgânico proporcionado pela vinda de homens evangélicos para o Brasil, principalmente para o sul e o Brasil Central. Estas comunidades, com origem direta na Reforma, congregaram-se sucessivamente em quatro Sínodos: o Sínodo Evangélico do Brasil Central, o Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Paraná, a Igreja Lute­ rana no Brasil, e a Igreja Evangélica no Rio Grande do Sul (Sínodo Riograndense). Após mais de meio século de existência isolada, sem ligação entre si, êstes quatro Sínodos que hoje congre­


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gam um total dc aproximadamente 500.000 almas já em 1938 entraram em um primeiro contacto pessoal, por intermédio da conferência de seus presidentes, e, em 1949, resolveram unir-se na Federação Sinodal, dando-se uma Ordem que foi aceita, no mesmo ano, pelos quarto Sínodos, e há pouco registrada na Capital Federal como pessoa jurídica. Trata-se, nesta união, de uma federação e não de uma fusão. É, que êsse passo não foi ditado pela ambi­ ção de erguer uma construção artificial, e não foi ditado por meros motivos de conveniência. Êste passo nada mais quer ser do que a plena e cabal ratificação do que se nos apresenta como a realidade dos quatro Sínodos e de suas relações recíprocas, realidade na qual a fé reconhece uma dádiva e uma missão a nós confiadas pelo Senhor da Igreja. Os quatro Sínodos, com a forma­ ção da Federação Sinodal, ratificam não somente a sua intenção de não continuarem isolados, mas se reconhe­ cem como congêneres na fé, documentando o seu co­ mum acôrdo na base doutrinária da Igreja. A Federação Sinodal tem, pois, a sua razão de ser na fé em sendo Igreja de Christo no Brasil. Cada um dos quatro Sínodos tem >a sua própria história e continuará a tê-la. Doravante, porém, terão uma história em comum, um caminho, no qual andarão irmanados, lado a lado. Neste caminho não se puseram temeràriamente, mas se confessam; conduzidos por Aquele, que é o Senhor da Igreja e o Senhor de sua história. Se assim fôr, e isso quer dizer: se de boa consciência, cônscios de nossa responsabilidade perante Deus e as comunidades a nós confiadas, dermos hoje êste passo, então também quando surgirem dificuldades, não retrocederemos, mas continuaremos no caminho que iniciamos, na obediência para com Deus, para que melhor possamos servir-lhe e mais eficazmente dar lugar à Sua palavra. Nesse caminho a Federação Sinodal não se sente isolada. Ela sabe-se fraternalmente ligada às outras Igrejas cristãs que trabalham no Brasil e cujo caminho tem a mesma direção de dar lugar à palavra de Deus e sua absoluta autoridade sôbre nós. Alheia, a todo o fana­ tismo e orgulho humanos, ela exige e implanta o res­ peito de tôdas as outras confissões, que cooperam em levar o evangelho ao nosso povo.

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A Federação Sinodal sabe-se ligada a tôdas as Igrejas ecumênicas em todo o vasto mundo, às igrejas que crêem na unidade da Igreja de Christo: na santa igreja católica e apostólica, e que por isso, dentro da verdade, lutam e se esforçam pela unidade — pela unidade que unica­ mente em Christo já é realidade. Dentro dessas relações ecumênicas a Federação Si­ nodal sabe-se ligadá, de um modo especial, por motivos da fé e da história, à Igreja Evangélica na Alemanha. Chamando essa Igreja de Igreja Mãe, por ter sido ela quem gerou as nossas igrejas congregadas na Federação Sinodal, não poderá isso dar lugar a interpretações errôneas. Tôdas as igrejas em qualquer nação têm a sua Igreja Mãe. Quando os primeiros arautos do evangelho ultrapassaram os limites de sua própria comunidade, que era Jerusalém, levando a mensagem do evangelho a ou­ tros povos, as novas comunidades com gratidão cha­ maram a Igreja de Jerusalém a sua Igreja Mãe. Cada nova comunidade, quando viva na fé, leva o evangelho avante tornando-se assim a mãe de novas comunidades. É o que podemos notar na história de nossas próprias igrejas. E sempre fica essa relação que só pode ser com­ parada à relação que existe entre filho e mãe. É com gratidão e veneração que nos sentimos compelidos a chamar de Igreja Mãe a Igreja Evangélica na Alemanha, a Igreja da Reforma, com a qual nos une a fé e da qual somos devedores da nossa teologia e com ela de inesti­ máveis bens espirituais. A Federação Sinodal, sabendo-se assim vinculada às Igrejas no Brasil e às Igrejas ecumênicas em todo o mun­ do, é e será uma Igreja autônoma no Brasil, sem depen­ dências de qualquer natureza de outras igrejas ou insti­ tuições. Livre de quaisquer ambições de poder ou de atua­ ções alheias ao seu próprio mandato, ela reconhece como sua única missão, e com ela sabe indicada a direção do seu caminho: a de ser e tornar-se cada vez mais Igreja de Christo no Brasil. O seu caminho, pois, só poderá ser c caminho do servir: servir ao Senhor, para que Êle mes­ mo possa edificar e estender o seu reino entre nós e sôbre nós, como o reino daquêle, ao qual é dado todo o poder, que é o Senhor de todos os setores da vida humana, ao qual são responsáveis todos os homens, em qualquer situação ou posição, na totalidade de sua vida: o reino de Jesus Christo, em cujo nome unicamente há salvação para todos os homens e todos os povos.


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gam um total dc aproximadamente 500.000 almas já em 1938 entraram em um primeiro contacto pessoal, por intermédio da conferência de seus presidentes, e, em 1949, resolveram unir-se na Federação Sinodal, dando-se uma Ordem que foi aceita, no mesmo ano, pelos quarto Sínodos, e há pouco registrada na Capital Federal como pessoa jurídica. Trata-se, nesta união, de uma federação e não de uma fusão. É, que êsse passo não foi ditado pela ambi­ ção de erguer uma construção artificial, e não foi ditado por meros motivos de conveniência. Êste passo nada mais quer ser do que a plena e cabal ratificação do que se nos apresenta como a realidade dos quatro Sínodos e de suas relações recíprocas, realidade na qual a fé reconhece uma dádiva e uma missão a nós confiadas pelo Senhor da Igreja. Os quatro Sínodos, com a forma­ ção da Federação Sinodal, ratificam não somente a sua intenção de não continuarem isolados, mas se reconhe­ cem como congêneres na fé, documentando o seu co­ mum acôrdo na base doutrinária da Igreja. A Federação Sinodal tem, pois, a sua razão de ser na fé em sendo Igreja de Christo no Brasil. Cada um dos quatro Sínodos tem >a sua própria história e continuará a tê-la. Doravante, porém, terão uma história em comum, um caminho, no qual andarão irmanados, lado a lado. Neste caminho não se puseram temeràriamente, mas se confessam; conduzidos por Aquele, que é o Senhor da Igreja e o Senhor de sua história. Se assim fôr, e isso quer dizer: se de boa consciência, cônscios de nossa responsabilidade perante Deus e as comunidades a nós confiadas, dermos hoje êste passo, então também quando surgirem dificuldades, não retrocederemos, mas continuaremos no caminho que iniciamos, na obediência para com Deus, para que melhor possamos servir-lhe e mais eficazmente dar lugar à Sua palavra. Nesse caminho a Federação Sinodal não se sente isolada. Ela sabe-se fraternalmente ligada às outras Igrejas cristãs que trabalham no Brasil e cujo caminho tem a mesma direção de dar lugar à palavra de Deus e sua absoluta autoridade sôbre nós. Alheia, a todo o fana­ tismo e orgulho humanos, ela exige e implanta o res­ peito de tôdas as outras confissões, que cooperam em levar o evangelho ao nosso povo.

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A Federação Sinodal sabe-se ligada a tôdas as Igrejas ecumênicas em todo o vasto mundo, às igrejas que crêem na unidade da Igreja de Christo: na santa igreja católica e apostólica, e que por isso, dentro da verdade, lutam e se esforçam pela unidade — pela unidade que unica­ mente em Christo já é realidade. Dentro dessas relações ecumênicas a Federação Si­ nodal sabe-se ligadá, de um modo especial, por motivos da fé e da história, à Igreja Evangélica na Alemanha. Chamando essa Igreja de Igreja Mãe, por ter sido ela quem gerou as nossas igrejas congregadas na Federação Sinodal, não poderá isso dar lugar a interpretações errôneas. Tôdas as igrejas em qualquer nação têm a sua Igreja Mãe. Quando os primeiros arautos do evangelho ultrapassaram os limites de sua própria comunidade, que era Jerusalém, levando a mensagem do evangelho a ou­ tros povos, as novas comunidades com gratidão cha­ maram a Igreja de Jerusalém a sua Igreja Mãe. Cada nova comunidade, quando viva na fé, leva o evangelho avante tornando-se assim a mãe de novas comunidades. É o que podemos notar na história de nossas próprias igrejas. E sempre fica essa relação que só pode ser com­ parada à relação que existe entre filho e mãe. É com gratidão e veneração que nos sentimos compelidos a chamar de Igreja Mãe a Igreja Evangélica na Alemanha, a Igreja da Reforma, com a qual nos une a fé e da qual somos devedores da nossa teologia e com ela de inesti­ máveis bens espirituais. A Federação Sinodal, sabendo-se assim vinculada às Igrejas no Brasil e às Igrejas ecumênicas em todo o mun­ do, é e será uma Igreja autônoma no Brasil, sem depen­ dências de qualquer natureza de outras igrejas ou insti­ tuições. Livre de quaisquer ambições de poder ou de atua­ ções alheias ao seu próprio mandato, ela reconhece como sua única missão, e com ela sabe indicada a direção do seu caminho: a de ser e tornar-se cada vez mais Igreja de Christo no Brasil. O seu caminho, pois, só poderá ser c caminho do servir: servir ao Senhor, para que Êle mes­ mo possa edificar e estender o seu reino entre nós e sôbre nós, como o reino daquêle, ao qual é dado todo o poder, que é o Senhor de todos os setores da vida humana, ao qual são responsáveis todos os homens, em qualquer situação ou posição, na totalidade de sua vida: o reino de Jesus Christo, em cujo nome unicamente há salvação para todos os homens e todos os povos.


Eis o que me cabia dizer em apresentação da Federa­ ção Sinodal. Que Deus o Senhor esteja com a Federação Sinodal nesse seu caminho. Que Êle abençoe a obra de nossas mãos! « o » ------'■■

O Direitò da igreja Relatório do presidente D. Dohms (l.a parte). O amor de Christo é que nos impele, quando consideramos que, se um morreu por todos, todos morreram. Por todos morreu êle, para que os que vivem já não vivam para si, mas para aquêle que por êles morreu e ressuscitou. Por isso é que desde agora já não julgamos a ninguém segundo a carne; e, se outrora julgamos a Christo segundo a carne, já agora não pensamos dêste modo, Pois, quem vive em Christo é criatura nova; passou o que era velho — e eis que se fez o que é novo! Tudo isto vem de Deus, que por meio de Christo nos reconciliou con­ sigo e nos outorgou o ministério da reconciliação. Sim, foi por meio de Christo que Deus reconciliou consigo o mundo; já não lhe imputa os pecados e incumbiu-nos de anunciarmos a reconciliação. É, pois, em lugar de Christo que desempenhamos o ministério. & Deus que por nosso intermédio exorta. Em lugar de Christo é que pedimos: reconciliai-vos com Deus. Aquêle que de pecado nadá sabia fê-lo Deus pecado por nós, para que por êle fôssemos justificados diante de Deus. (2. Cor. 5/14-21).

Queridos irmãos! O primeiro Concílio da Federação Sinodal, para o qual aqui fomos reunidos, não tem tarefa mais nobre e de maior magnitude do que a de ser justamente aquilo que o seu nome indica. Não nos basta, para sermos Con­ cílio, que, segundo uma ordem do direito humano, os Estatutos da Federação Sinodal, a qual nos demos, nos assiste a faculdade de sê-lo, O direito humano é impor­ tante, e é necessário acatá-lo, mas não deixa de ser de todo discutível e será discutido por tanto mais tempo e com maior amplitude quanto mais ficar em olvido que

D, H. Dohms, o atual Presidente da Federação Sinodal.


Eis o que me cabia dizer em apresentação da Federa­ ção Sinodal. Que Deus o Senhor esteja com a Federação Sinodal nesse seu caminho. Que Êle abençoe a obra de nossas mãos! « o » ------'■■

O Direitò da igreja Relatório do presidente D. Dohms (l.a parte). O amor de Christo é que nos impele, quando consideramos que, se um morreu por todos, todos morreram. Por todos morreu êle, para que os que vivem já não vivam para si, mas para aquêle que por êles morreu e ressuscitou. Por isso é que desde agora já não julgamos a ninguém segundo a carne; e, se outrora julgamos a Christo segundo a carne, já agora não pensamos dêste modo, Pois, quem vive em Christo é criatura nova; passou o que era velho — e eis que se fez o que é novo! Tudo isto vem de Deus, que por meio de Christo nos reconciliou con­ sigo e nos outorgou o ministério da reconciliação. Sim, foi por meio de Christo que Deus reconciliou consigo o mundo; já não lhe imputa os pecados e incumbiu-nos de anunciarmos a reconciliação. É, pois, em lugar de Christo que desempenhamos o ministério. & Deus que por nosso intermédio exorta. Em lugar de Christo é que pedimos: reconciliai-vos com Deus. Aquêle que de pecado nadá sabia fê-lo Deus pecado por nós, para que por êle fôssemos justificados diante de Deus. (2. Cor. 5/14-21).

Queridos irmãos! O primeiro Concílio da Federação Sinodal, para o qual aqui fomos reunidos, não tem tarefa mais nobre e de maior magnitude do que a de ser justamente aquilo que o seu nome indica. Não nos basta, para sermos Con­ cílio, que, segundo uma ordem do direito humano, os Estatutos da Federação Sinodal, a qual nos demos, nos assiste a faculdade de sê-lo, O direito humano é impor­ tante, e é necessário acatá-lo, mas não deixa de ser de todo discutível e será discutido por tanto mais tempo e com maior amplitude quanto mais ficar em olvido que

D, H. Dohms, o atual Presidente da Federação Sinodal.


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a questão a ser dirimida não é a de que modo o direito humano nos autoriza a falar aqui de Igreja e de Con­ cílio, e sim a bem diversa de como nos é outorgada a faculdade de usarmos o têrmo Igreja como significando a Igreja de Jesus Christo. Pois para servirmo-nos do no­ me do Senhor Christo, como fazemos nos Estatutos da Federação, evidentemente não podemos reportar-nos a poderes que nós mesmos nos conferimos, nem a poderes por outrem conferidos, e sim Êle tão somente nos pode dar o direito e êste também não uma vez por tôdas, sem cogitar dos perigos de um abuso possível de Seu nome por parte dos homens, más sim somente num di­ reito que permanece sendo Seu direito que reside pri­ vativamente nÊle. Se enxergarmos tal coisa e nos fixarmos no fato de que ao formularmos a pergunta se pelo direito civil ou por qualquer outro assim chamado direito eclesiástico somos Igreja, ficamos longe ainda da verdadeira e de­ cisiva questão do direito da Igreja, ficaremos preserva­ dos de grandes perigos. O direito humano de uma Igreja e sua forma histórica são passíveis de ser postos em dú­ vida e discutidos, e isto de todos os lados e sob todos os pontos de vista, e de fato o serão. De nenhum modo po­ demos subtrair-nos a tal fato, e sim sempre devemos sentir-nos responsáveis contra quem quer que seja, ami­ go ou inimigo. Mas o que de nenhum modo deverá acon­ tecer é que por controvérsias no campo da disputa e contestação humanas possa ser obscurecida a questão decisiva do direito da Igreja. Pelo contrário, a contes­ tação nesse campo deverá nos impulsionar mais ainda em direção à pergunta, qual seria o direito que nos assis­ te para ser Igreja de Jesus Christo e continuar a sê-lo. A resposta a esta pergunta é a base do direito e da exis­ tência da Igreja e a base de nossa responsabilidade. A respeito dessa pergunta e resposta uma palavra se nos diz nos Estatutos da Federação Sinodal. A Con­ fissão de Augsburgo, à qual ela se refere, nos ensina no artigo IV, o qual trata da justificação, „que recebemos perdão dos pecados e nos tornamos justos perante Deus pela graça, por obra de Christo, pela fé“ . „Neste artigo“ , diz Luther, „repousa tudo que ensinamos e vivemos con­ tra papa, demônio e mundo. Por isso devemos estar bem certos dêle e não devemos duvidar; senão tudo está per­ dido e papa, demônio e tudo que estiver contra nós fica com vitória e direito“ . Nêste artigo que trata do direito

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por Deus conferido ao homem pecaminoso repousa tam­ bém o direito da Igreja de Christo, a qual segundo o ensinamento da Confessio Augustana „deverá por todos os tempos existir e persistir uma santa Igreja cristã, qual seja ,a reunião de todos os crentes, aos quais se prèga o evangelho genuíno e se administram os santos sacramentos conforme o evangelho“ . Esta uma santa Igreja cristã, a Igreja de Jesus Christo, que perdura por todos os tempos, existe através de tôdas as controvér­ sias e transformações históricas como obra de Deus em Christo nos homens ímpios. Estar no estado da Igreja significa pertencer à comunhão dos crentes que „perante Deus tornam-se justos pela graça, por obra de Christo.“ O direito humano, as constituições, as formas, as „cerimônias instituídas por homens“ , podem, como diz a Augustana, diferir e mudar. A uniformidade nessas coisas não é necessária à verdadeira unidade da Igreja cristã. Não que a determinação da constituição e da for­ ma da Igreja fosse deixada ao arbítrio humano; mas de fato a liberdade cristã encontra aqui como em tôda par­ te o. espaço que a ligação a Christo ao mesmo tempo lhe prepara e limita. A unidade da Igreja de Jesus Christo não se apresenta na uniformidade de sua configuração, e sim é fundada nêste uno Senhor e cabeça da comuni­ dade como diz o apóstolo Paulo: „Um só corpo e um só espírito, assim como também a vossa vocação vos deu uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só , batismo.“ Esta palavra do apóstolo, na qual a Confessio Au­ gustana reune sua confissão da Igreja, é da mesma for­ ma dita na questionabilidade da Igreja e de seu munus como aqueloutra que, extraida da segunda carta aos coríntios em seu 5.° capítulo, nos serviu de intróito. Paulo em pessoa, sua personalidade, a forma histórica pela qual o evangelho veiu a êles, é controvertido entre os coríntios. E em tais circunstâncias é de assinalar, quão pouco o apóstolo em sua manifestação fala particular­ mente daquilo de que na contestação de seu encargo e de seu direito efetivamente se tratava: Seu potente im­ pulso o leva para além dessas controvérsias até a altura em que o clamor pela unidade no espírito se remata: ,,ó coríntios! . . . Nosso coração é largo. Não tendes es­ paço estreito em nós, mas estreitos são os vossos cora­ ções. Falo convosco como. com meus filhos . . . tornai-vos


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a questão a ser dirimida não é a de que modo o direito humano nos autoriza a falar aqui de Igreja e de Con­ cílio, e sim a bem diversa de como nos é outorgada a faculdade de usarmos o têrmo Igreja como significando a Igreja de Jesus Christo. Pois para servirmo-nos do no­ me do Senhor Christo, como fazemos nos Estatutos da Federação, evidentemente não podemos reportar-nos a poderes que nós mesmos nos conferimos, nem a poderes por outrem conferidos, e sim Êle tão somente nos pode dar o direito e êste também não uma vez por tôdas, sem cogitar dos perigos de um abuso possível de Seu nome por parte dos homens, más sim somente num di­ reito que permanece sendo Seu direito que reside pri­ vativamente nÊle. Se enxergarmos tal coisa e nos fixarmos no fato de que ao formularmos a pergunta se pelo direito civil ou por qualquer outro assim chamado direito eclesiástico somos Igreja, ficamos longe ainda da verdadeira e de­ cisiva questão do direito da Igreja, ficaremos preserva­ dos de grandes perigos. O direito humano de uma Igreja e sua forma histórica são passíveis de ser postos em dú­ vida e discutidos, e isto de todos os lados e sob todos os pontos de vista, e de fato o serão. De nenhum modo po­ demos subtrair-nos a tal fato, e sim sempre devemos sentir-nos responsáveis contra quem quer que seja, ami­ go ou inimigo. Mas o que de nenhum modo deverá acon­ tecer é que por controvérsias no campo da disputa e contestação humanas possa ser obscurecida a questão decisiva do direito da Igreja. Pelo contrário, a contes­ tação nesse campo deverá nos impulsionar mais ainda em direção à pergunta, qual seria o direito que nos assis­ te para ser Igreja de Jesus Christo e continuar a sê-lo. A resposta a esta pergunta é a base do direito e da exis­ tência da Igreja e a base de nossa responsabilidade. A respeito dessa pergunta e resposta uma palavra se nos diz nos Estatutos da Federação Sinodal. A Con­ fissão de Augsburgo, à qual ela se refere, nos ensina no artigo IV, o qual trata da justificação, „que recebemos perdão dos pecados e nos tornamos justos perante Deus pela graça, por obra de Christo, pela fé“ . „Neste artigo“ , diz Luther, „repousa tudo que ensinamos e vivemos con­ tra papa, demônio e mundo. Por isso devemos estar bem certos dêle e não devemos duvidar; senão tudo está per­ dido e papa, demônio e tudo que estiver contra nós fica com vitória e direito“ . Nêste artigo que trata do direito

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por Deus conferido ao homem pecaminoso repousa tam­ bém o direito da Igreja de Christo, a qual segundo o ensinamento da Confessio Augustana „deverá por todos os tempos existir e persistir uma santa Igreja cristã, qual seja ,a reunião de todos os crentes, aos quais se prèga o evangelho genuíno e se administram os santos sacramentos conforme o evangelho“ . Esta uma santa Igreja cristã, a Igreja de Jesus Christo, que perdura por todos os tempos, existe através de tôdas as controvér­ sias e transformações históricas como obra de Deus em Christo nos homens ímpios. Estar no estado da Igreja significa pertencer à comunhão dos crentes que „perante Deus tornam-se justos pela graça, por obra de Christo.“ O direito humano, as constituições, as formas, as „cerimônias instituídas por homens“ , podem, como diz a Augustana, diferir e mudar. A uniformidade nessas coisas não é necessária à verdadeira unidade da Igreja cristã. Não que a determinação da constituição e da for­ ma da Igreja fosse deixada ao arbítrio humano; mas de fato a liberdade cristã encontra aqui como em tôda par­ te o. espaço que a ligação a Christo ao mesmo tempo lhe prepara e limita. A unidade da Igreja de Jesus Christo não se apresenta na uniformidade de sua configuração, e sim é fundada nêste uno Senhor e cabeça da comuni­ dade como diz o apóstolo Paulo: „Um só corpo e um só espírito, assim como também a vossa vocação vos deu uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só , batismo.“ Esta palavra do apóstolo, na qual a Confessio Au­ gustana reune sua confissão da Igreja, é da mesma for­ ma dita na questionabilidade da Igreja e de seu munus como aqueloutra que, extraida da segunda carta aos coríntios em seu 5.° capítulo, nos serviu de intróito. Paulo em pessoa, sua personalidade, a forma histórica pela qual o evangelho veiu a êles, é controvertido entre os coríntios. E em tais circunstâncias é de assinalar, quão pouco o apóstolo em sua manifestação fala particular­ mente daquilo de que na contestação de seu encargo e de seu direito efetivamente se tratava: Seu potente im­ pulso o leva para além dessas controvérsias até a altura em que o clamor pela unidade no espírito se remata: ,,ó coríntios! . . . Nosso coração é largo. Não tendes es­ paço estreito em nós, mas estreitos são os vossos cora­ ções. Falo convosco como. com meus filhos . . . tornai-vos


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largos também“ . . . „Pois, que tem a justiça com a in­ justiça?“ A comunhão do apóstolo com a comunidade em Corinto, a unidade da Igreja é dada em largueza e liber­ dade onde só valem a justiça e o direito que Deus ofere­ ce em Christo como Seu direito, que repousa nÊle e per­ manece com Êle e do qual participamos enquanto Êle estiver presente conosco em palavra e sacramento. Ê disso que fala Paulo no capítulo 3 e 5, quando diz que „Deus nos outorgou o ministério da reconciliação“ , e nos revestiu do encargo do Novo Testamento, do espí­ rito, o encargo que anuncia justiça, que prèga a recon­ ciliação. Nessa uma palavra da reconciliação se concen­ tra tudo que pode ser dito da Igreja de Jesus Ciiristo. É êste o seu encargo, de; testemunhar a todos os homens em palavra, ação e sofrimento para que a reconciliação sucedida em Jesus Christo suceda entre nós. Dela deve­ mos, em tôda mutação histórica e contestação, „estar bem certos e não duvidar, pois d’outro modo tudo está perdido e cabe . . . a tudo contra nós a vitória e o direito/1 Exclusivamente partindo da palavra da reconcilia­ ção devem ser julgados todos os vultos da Igreja. O que quer dizer que não devem ser julgados sob os critérios da filosofia ou psicologia religiosa, da sociologia, da éti­ ca ou quaisquer outros, e sim por padrões inteiramente novos. Pois onde a reconciliação de Jesus Christo é pre­ gada e efetivada,, ali pela morte e ressurreição de Jesus Christo há uma criação nova. „Passou o que era velho — e eis que se fez o que é novo.“ Doravante o „ministé­ rio que prèga a condenação“ , o encargo que mata, como diz Paulo, é ofuscado pelo resplendor do encargo da pré­ dica da ressurreição. Nãò mais é possível reconhecer o homem e sua história pelo modo antigo de uma passada época do mundo. „Desde agora já não julgamos a nin­ guém segundo a carne“ , e sim reconhecemos o homem em Christo como sendo nêle reconciliado com Deus e chamado para a vida, e somos agora mensageiros e pe­ dimos em nome de Christo: „Reconciliai-vos com Deus. Aquêle que de pecado nada sabia fê-lo Deus pecado por nós, para que por êle fôssemos justificados diante de Deus“ . Com esta mensagem de uma Igreja de Christo, qüe perdurará por todos os tempos, os mensageiros e as Igre­ jas em suas configurações e situações temporárias são os primeiros a colocarem-se sob a graça julgadora de

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Deus. A Igreja de Jesus Christo existe neles, como Igre­ ja daqueles que são „simul justi et peccatores“ , ao mes­ mo tempo justificados e pecadores, que andam na fé e não na visão. O misericordioso juízo de Deus, porém, sob o qual se acham os mensageiros e as Igrejas, larga­ mente se distancia de todos os padrões e julgamentos humanos. Permite que êles participem de todo pecado e infortúnio humanos até ao fundo no qual se efetua o mortal juízo divino, e permite, outrossim, que êles par­ ticipem ao mesmo tempo da magnificência da nova vida originária da reconciliação em que Deus perdoa e salva. Nesta posição subordinada à graça julgadora devem os mensageiros, os cristãos todos e as Igrejas comprovar a efetividade e eficiência de uma santa Igreja cristã, que deverá existir e persistir por todos os tempos, que é a reunião de todos os crentes aos quais é prègada a men­ sagem da reconciliação. Onde, porém, comprovarem aquela, ali tornar-se-á expressão de sua experiência a glorificação apostólica da força de Deus, que obra vigo­ rosamente nos fracos. Temos, porém, êste tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desesperados. Perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não perdidos, trazendo sempre por tôda a parte a mortificação do Senhor Jesus em nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. Quem seria capaz de fazer sua esta confissão do apóstolo? Quem na Igreja e qual das Igrejas é capaz de suportar a contradição de que um corpo mortal, um vulto transitório possa revelar uma vida de ressurreição, que um frágil vaso de barro possa compreender um con­ teúdo eterno? Se a Igreja no mundo só tiver sua exis-


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largos também“ . . . „Pois, que tem a justiça com a in­ justiça?“ A comunhão do apóstolo com a comunidade em Corinto, a unidade da Igreja é dada em largueza e liber­ dade onde só valem a justiça e o direito que Deus ofere­ ce em Christo como Seu direito, que repousa nÊle e per­ manece com Êle e do qual participamos enquanto Êle estiver presente conosco em palavra e sacramento. Ê disso que fala Paulo no capítulo 3 e 5, quando diz que „Deus nos outorgou o ministério da reconciliação“ , e nos revestiu do encargo do Novo Testamento, do espí­ rito, o encargo que anuncia justiça, que prèga a recon­ ciliação. Nessa uma palavra da reconciliação se concen­ tra tudo que pode ser dito da Igreja de Jesus Ciiristo. É êste o seu encargo, de; testemunhar a todos os homens em palavra, ação e sofrimento para que a reconciliação sucedida em Jesus Christo suceda entre nós. Dela deve­ mos, em tôda mutação histórica e contestação, „estar bem certos e não duvidar, pois d’outro modo tudo está perdido e cabe . . . a tudo contra nós a vitória e o direito/1 Exclusivamente partindo da palavra da reconcilia­ ção devem ser julgados todos os vultos da Igreja. O que quer dizer que não devem ser julgados sob os critérios da filosofia ou psicologia religiosa, da sociologia, da éti­ ca ou quaisquer outros, e sim por padrões inteiramente novos. Pois onde a reconciliação de Jesus Christo é pre­ gada e efetivada,, ali pela morte e ressurreição de Jesus Christo há uma criação nova. „Passou o que era velho — e eis que se fez o que é novo.“ Doravante o „ministé­ rio que prèga a condenação“ , o encargo que mata, como diz Paulo, é ofuscado pelo resplendor do encargo da pré­ dica da ressurreição. Nãò mais é possível reconhecer o homem e sua história pelo modo antigo de uma passada época do mundo. „Desde agora já não julgamos a nin­ guém segundo a carne“ , e sim reconhecemos o homem em Christo como sendo nêle reconciliado com Deus e chamado para a vida, e somos agora mensageiros e pe­ dimos em nome de Christo: „Reconciliai-vos com Deus. Aquêle que de pecado nada sabia fê-lo Deus pecado por nós, para que por êle fôssemos justificados diante de Deus“ . Com esta mensagem de uma Igreja de Christo, qüe perdurará por todos os tempos, os mensageiros e as Igre­ jas em suas configurações e situações temporárias são os primeiros a colocarem-se sob a graça julgadora de

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Deus. A Igreja de Jesus Christo existe neles, como Igre­ ja daqueles que são „simul justi et peccatores“ , ao mes­ mo tempo justificados e pecadores, que andam na fé e não na visão. O misericordioso juízo de Deus, porém, sob o qual se acham os mensageiros e as Igrejas, larga­ mente se distancia de todos os padrões e julgamentos humanos. Permite que êles participem de todo pecado e infortúnio humanos até ao fundo no qual se efetua o mortal juízo divino, e permite, outrossim, que êles par­ ticipem ao mesmo tempo da magnificência da nova vida originária da reconciliação em que Deus perdoa e salva. Nesta posição subordinada à graça julgadora devem os mensageiros, os cristãos todos e as Igrejas comprovar a efetividade e eficiência de uma santa Igreja cristã, que deverá existir e persistir por todos os tempos, que é a reunião de todos os crentes aos quais é prègada a men­ sagem da reconciliação. Onde, porém, comprovarem aquela, ali tornar-se-á expressão de sua experiência a glorificação apostólica da força de Deus, que obra vigo­ rosamente nos fracos. Temos, porém, êste tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desesperados. Perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não perdidos, trazendo sempre por tôda a parte a mortificação do Senhor Jesus em nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. Quem seria capaz de fazer sua esta confissão do apóstolo? Quem na Igreja e qual das Igrejas é capaz de suportar a contradição de que um corpo mortal, um vulto transitório possa revelar uma vida de ressurreição, que um frágil vaso de barro possa compreender um con­ teúdo eterno? Se a Igreja no mundo só tiver sua exis-


tência nesta contradição, será ela uma coisa humana­ mente impossível. E de fato é ela uma impossibilidade humana e quer ser reconhecida como tal, para que e~ xista puramente como possibilidade de Deus para o ho­ mem. No estado, porém, no qual a Igreja vive coftio obra de Deus em Christo, e fora do qual.é incapacitada para tudo, nela é válida a palavra da reconciliação e com ela o perdão que sempre de novo é perdão e, sendo sempre de novo sôbre tudo perdão, põe um novo princípio, fun­ damenta a certeza da esperança de um novo início sem fim, a salvação eterna, Aquêle que na cruz nos recon­ ciliou com Deus é o ressuscitado* o Senhor e Salvador de sua comunhão. Só com e sob a mensagem da recon­ ciliação e do perdão, só na certa esperança da forma de­ finitiva as Igrejas podem ser Igreja. Nossas Igrejas são choupanas e tendas, entretanto as faz reluzir o fulgor da esperança eterna da casa edificada por Deus, onde reconciliação e perdão são sucessos hodiernos. Aí é que há Igreja, aí é que as Igrejas se tornam sinais daquilo que há de vir. „Pois sabemos“ — ' diz o apóstolo Paulo, falando, na segunda epístola aos coríntios, ainda em conexão que tem como ponto de partida a contestabilidade e magni­ ficência de seu encargo ■ — „pois sabemos que, quando se desfizer a nossa tenda, receberemos uma casa eterna no céu, casa edificada não por mãos humanas, mas por Deus.“ Deus nos dê essa certeza! Nela poderemos por-nos com alegria ao serviço da Federação Sinodal. *— *oQO' ~~

A Significação dos Artigos I e ü da Ordem Básica (Estatutos) da Federação Sinodal Relatório do Presidente D. Dohms (2.a parte)

A „Ordem Básica da Federação Sinodal“ (OBS). foi no decurso do ano de 1949 ratificada pelos órgãos auto­ rizados dos quatro Sínodos que fazem parte da Federa­ ção, tendo por êste ato entrada em vigor, como pôde constatar a l.a sessão do Conselho da Federação reali­ zada a 26 de outubro de 1949. Constitui ela a base para a convocação e o trabalho do presente primeiro Concílio e os#ulteriores trabalhos dos órgãos da Federação e con­ sequentemente para o futuro desenvolvimento da „F e­ deração Sinodal“ , que se tem em mira. Entretanto, a significação real da OBS para a Fe­ deração não deve ser tomada no sentido de ser ela um instrumento jurídico em que se fundamentam os ór­ gãos da Federação para trabalharem e tomarem as suas decisões juridicamente válidas. Que a OBS seja um ins­ trumento jurídico não há que duvidar, mas êsse cará­ ter só lhe compete enquanto for tomado em considera­ ção que ela se refere a uma vida e um ser e a uma or­ dem neles instituída, e somente à medida de ser com­ preendida, e usada tendo por ponto de partida a ordem vivida. Quem tiver colaborado na elaboração dos projetos para a OBS saberá que as maiores dificuldades na formulação não foram oferecidas pelos artigos I e IX e mesmo pelo artigo III, e sim pelo artigo IV, cuja redação fez surgir muitas objeções, em parte tomadas em consideração, em parte superadas ou também apenas adiadas. Após ter sido apresentada a minuta da OBS aos sínodos, pràticamente os artigos I e II não mais foram discutidos e também ao artigo III não foram feitas objeções de monta. Entretanto ao artigo IV e subsequentemente ao artigo V só pôde ser dada a redação definitiva pouco antes da aprovação unânime da Ordem por todos os sínodos.


tência nesta contradição, será ela uma coisa humana­ mente impossível. E de fato é ela uma impossibilidade humana e quer ser reconhecida como tal, para que e~ xista puramente como possibilidade de Deus para o ho­ mem. No estado, porém, no qual a Igreja vive coftio obra de Deus em Christo, e fora do qual.é incapacitada para tudo, nela é válida a palavra da reconciliação e com ela o perdão que sempre de novo é perdão e, sendo sempre de novo sôbre tudo perdão, põe um novo princípio, fun­ damenta a certeza da esperança de um novo início sem fim, a salvação eterna, Aquêle que na cruz nos recon­ ciliou com Deus é o ressuscitado* o Senhor e Salvador de sua comunhão. Só com e sob a mensagem da recon­ ciliação e do perdão, só na certa esperança da forma de­ finitiva as Igrejas podem ser Igreja. Nossas Igrejas são choupanas e tendas, entretanto as faz reluzir o fulgor da esperança eterna da casa edificada por Deus, onde reconciliação e perdão são sucessos hodiernos. Aí é que há Igreja, aí é que as Igrejas se tornam sinais daquilo que há de vir. „Pois sabemos“ — ' diz o apóstolo Paulo, falando, na segunda epístola aos coríntios, ainda em conexão que tem como ponto de partida a contestabilidade e magni­ ficência de seu encargo ■ — „pois sabemos que, quando se desfizer a nossa tenda, receberemos uma casa eterna no céu, casa edificada não por mãos humanas, mas por Deus.“ Deus nos dê essa certeza! Nela poderemos por-nos com alegria ao serviço da Federação Sinodal. *— *oQO' ~~

A Significação dos Artigos I e ü da Ordem Básica (Estatutos) da Federação Sinodal Relatório do Presidente D. Dohms (2.a parte)

A „Ordem Básica da Federação Sinodal“ (OBS). foi no decurso do ano de 1949 ratificada pelos órgãos auto­ rizados dos quatro Sínodos que fazem parte da Federa­ ção, tendo por êste ato entrada em vigor, como pôde constatar a l.a sessão do Conselho da Federação reali­ zada a 26 de outubro de 1949. Constitui ela a base para a convocação e o trabalho do presente primeiro Concílio e os#ulteriores trabalhos dos órgãos da Federação e con­ sequentemente para o futuro desenvolvimento da „F e­ deração Sinodal“ , que se tem em mira. Entretanto, a significação real da OBS para a Fe­ deração não deve ser tomada no sentido de ser ela um instrumento jurídico em que se fundamentam os ór­ gãos da Federação para trabalharem e tomarem as suas decisões juridicamente válidas. Que a OBS seja um ins­ trumento jurídico não há que duvidar, mas êsse cará­ ter só lhe compete enquanto for tomado em considera­ ção que ela se refere a uma vida e um ser e a uma or­ dem neles instituída, e somente à medida de ser com­ preendida, e usada tendo por ponto de partida a ordem vivida. Quem tiver colaborado na elaboração dos projetos para a OBS saberá que as maiores dificuldades na formulação não foram oferecidas pelos artigos I e IX e mesmo pelo artigo III, e sim pelo artigo IV, cuja redação fez surgir muitas objeções, em parte tomadas em consideração, em parte superadas ou também apenas adiadas. Após ter sido apresentada a minuta da OBS aos sínodos, pràticamente os artigos I e II não mais foram discutidos e também ao artigo III não foram feitas objeções de monta. Entretanto ao artigo IV e subsequentemente ao artigo V só pôde ser dada a redação definitiva pouco antes da aprovação unânime da Ordem por todos os sínodos.


Aponto êsses fatos para indicar que dêles não se deve deduzir esteja nos artigos IV e V o ponto de gravitação da OBS. Êste se encontra incontestavelmente nos artigos I e II, e de tal modo que uma compreensão exata das determinações seguintes só se obterá partindo dos dois primeiros artigos, e que quaisquer decisões que vistos do lado puramente formal talvez se deixassem fundamentar nas determinações dos arti­ gos seguintes, só podem ser consideradas válidas ,,de jure“, se se acharem em concordância com o que está expresso nos dois primeiros artigos. Nada mais quer dizer isto do que já foi expresso: a OBS está em vigor exclusivamente no que se refere a uma vida e um ser, e poderá ser aplicada ,,de jure“ na sua referência á Fede­ ração que a tem por „Ordem“. Desta vida e existência, desta realidade, falam preferencialmente os artigos I e II. Portanto não é possível realizarmos o primeiro concílio da Federação pressupondo simplesmente a OBS pelo auspicioso fato de ter sido aprovada unanimemente pelos sínodos e acharse em vigor. Em vigor, no sentido próprio, ela se acha apenas enquanto a vida e o ser designados em seu intróito forem vigo­ rosos e tivermos presente a significação dos artigos funda­ mentais. Em seguida procurarei assinalar êsse significado. O texto dos artigos I e II reza o seguinte: Nome, fim,- sede e fôro jurídico da Federação, Sôbre o fundamento da fé cristã, que lhes é comum, e com a finalidade de serem Igrej'a de Jesus Christo no Brasil, congregam-se as seguintes entidades evangélicas: Sínodo Evangé­ lico de Santa Catarina e Paraná, Sínodo Riograndense (Igreja Evangélica no Rio Grande do S u l), Igreja Luterana no Brasil e o Sínodo Evangélico do Brasil Central, com o nome de „Fe­ deração Sinodal“, a qual terá um centro administrativo na localidade em que residir o presidente da Federação, tendo por sede e fôro jurídico a cidade do Rio de Janeiro. A Federação é constituída por tempo indeterminado. Fundamento da fé. Constitui fundamento da Federação Sinodal o Evangelho de Jesus Christo, na forma constante das Sagradas Escrituras do Velho e do Novo Testamento. Em reconhecendo êstè funda­ mento, confessam as federadas sua fé no Senhor da universal, una, santa e apostólica Igreja. A Federação Sinodal confessa sua fé pelos credos da Igreja Antiga e pela Confissão de Augsburgo (Confessio Augustana) como credo reformatório, considerando-se vinculada pela fé à Igreja Mãe (na conformidade com o Preâmbulo e o Art. 1.° da Ordem Fundamental desta), bem como às demais igrejas existentes no mundo, que a esta última se acham unidas, pelo mesmo fundamento da fé. O catecismo Menor de Lutero está em uso nas entidades federadas e é por elas reconhecido como confissão reformatória. Artigo I. Como não podia deixar de ser, o artigo I é em sua feição formal determinado em alto grau pela legislação brasileira

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referente às sociedades e ao seu registro como pessoas do di­ reito civil. Para a „Federação Sinodal“ êsse registro se apre­ senta como uma mera questão de conveniência, cuja solução em sentido afirmativo se impõe. Por isso o Conselho da Fede­ ração em outubro de 1949 decidiu-se pelo registro, entrementes efetuado pelo procurador da Federação no Rio de Janeiro. Talvez não seja escusado anotar aqui o fato de que o pro­ cedimento que se designa por registro de uma sociedade apenas confere a faculdade jurídica no âmbito do direito civil ( prati­ camente a nós somente interessa o direito patrimonial) e que portanto para a lei só poucas das determinações da OBS im­ portam. Ê errônea a opinião muito divulgada de que o registro dos estatutos de qualquer associação religiosa tivesse por efeito o reconhecimento ou a proteção dos princípios eclesiásticos ou modos de proceder nêles expressos. À associação registrada é garantida pelo registro exclusivamente a faculdade jurídica qiie também possuem as pessoas individuais. A Constituição e legis­ lação brasileiras desconhecem um direito público das Igrejas. Para a validade e aplicação do direito eclesiástico quiçá desen­ volvido pelas Igrejas, estas dependem portanto exclusiva­ mente da autoridade que possuem por uma própria natureza. A lei sôbre o registro no entanto exige, entre outras coisas, e em primeiro lugar, a indicação de nome, membros, finalidade, sede e duração da associação a ser registrada. A tal questioná­ rio responde o artigo I, como de outro lado também o artigo V, 1 e 2 contém informações a serem prestadas de um ou outro modo em conformidade com a lei.

O primeiro parágrafo do art. I indica portanto em primeiro lugar os membros da „congregação“ , cujo re­ gistro como „sociedade“ se pretende. A expressão „con­ gregação“ foi aí empregada conscientemente afim de destacar a associação em sua particularidade de outras sociedades civis, tendo em vista que o têrmo „congre­ gação“ é de uso corrente em sua significação eclesiás­ tica. Do mesmo modo consciente é dito dos membros ,,congregarem-se“ êles, no sentido duplo de que consti­ tuem esta congregação que de fato já existe indepen­ dentemente da constituição, como sociedade do direito civil. Como membros da congregação são indicados os sí­ nodos com seus nomes registrados sob os quais êles pró­ prios possuem e conservam a faculdade jurídica como pessoas do direito civil, A Federação Sinodal não é cons­ tituída por fusão, e sim por associação de pessoas jurí­ dicas. Se tal caráter da Federação já não estivesse niti­ damente delineado no artigo I, ressaltaria êle indubitàvelmente de outros trechos da OBS. De mais a mais, an­ tes da aprovação da OBS pelos sínodos foi expressamen­


Aponto êsses fatos para indicar que dêles não se deve deduzir esteja nos artigos IV e V o ponto de gravitação da OBS. Êste se encontra incontestavelmente nos artigos I e II, e de tal modo que uma compreensão exata das determinações seguintes só se obterá partindo dos dois primeiros artigos, e que quaisquer decisões que vistos do lado puramente formal talvez se deixassem fundamentar nas determinações dos arti­ gos seguintes, só podem ser consideradas válidas ,,de jure“, se se acharem em concordância com o que está expresso nos dois primeiros artigos. Nada mais quer dizer isto do que já foi expresso: a OBS está em vigor exclusivamente no que se refere a uma vida e um ser, e poderá ser aplicada ,,de jure“ na sua referência á Fede­ ração que a tem por „Ordem“. Desta vida e existência, desta realidade, falam preferencialmente os artigos I e II. Portanto não é possível realizarmos o primeiro concílio da Federação pressupondo simplesmente a OBS pelo auspicioso fato de ter sido aprovada unanimemente pelos sínodos e acharse em vigor. Em vigor, no sentido próprio, ela se acha apenas enquanto a vida e o ser designados em seu intróito forem vigo­ rosos e tivermos presente a significação dos artigos funda­ mentais. Em seguida procurarei assinalar êsse significado. O texto dos artigos I e II reza o seguinte: Nome, fim,- sede e fôro jurídico da Federação, Sôbre o fundamento da fé cristã, que lhes é comum, e com a finalidade de serem Igrej'a de Jesus Christo no Brasil, congregam-se as seguintes entidades evangélicas: Sínodo Evangé­ lico de Santa Catarina e Paraná, Sínodo Riograndense (Igreja Evangélica no Rio Grande do S u l), Igreja Luterana no Brasil e o Sínodo Evangélico do Brasil Central, com o nome de „Fe­ deração Sinodal“, a qual terá um centro administrativo na localidade em que residir o presidente da Federação, tendo por sede e fôro jurídico a cidade do Rio de Janeiro. A Federação é constituída por tempo indeterminado. Fundamento da fé. Constitui fundamento da Federação Sinodal o Evangelho de Jesus Christo, na forma constante das Sagradas Escrituras do Velho e do Novo Testamento. Em reconhecendo êstè funda­ mento, confessam as federadas sua fé no Senhor da universal, una, santa e apostólica Igreja. A Federação Sinodal confessa sua fé pelos credos da Igreja Antiga e pela Confissão de Augsburgo (Confessio Augustana) como credo reformatório, considerando-se vinculada pela fé à Igreja Mãe (na conformidade com o Preâmbulo e o Art. 1.° da Ordem Fundamental desta), bem como às demais igrejas existentes no mundo, que a esta última se acham unidas, pelo mesmo fundamento da fé. O catecismo Menor de Lutero está em uso nas entidades federadas e é por elas reconhecido como confissão reformatória. Artigo I. Como não podia deixar de ser, o artigo I é em sua feição formal determinado em alto grau pela legislação brasileira

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referente às sociedades e ao seu registro como pessoas do di­ reito civil. Para a „Federação Sinodal“ êsse registro se apre­ senta como uma mera questão de conveniência, cuja solução em sentido afirmativo se impõe. Por isso o Conselho da Fede­ ração em outubro de 1949 decidiu-se pelo registro, entrementes efetuado pelo procurador da Federação no Rio de Janeiro. Talvez não seja escusado anotar aqui o fato de que o pro­ cedimento que se designa por registro de uma sociedade apenas confere a faculdade jurídica no âmbito do direito civil ( prati­ camente a nós somente interessa o direito patrimonial) e que portanto para a lei só poucas das determinações da OBS im­ portam. Ê errônea a opinião muito divulgada de que o registro dos estatutos de qualquer associação religiosa tivesse por efeito o reconhecimento ou a proteção dos princípios eclesiásticos ou modos de proceder nêles expressos. À associação registrada é garantida pelo registro exclusivamente a faculdade jurídica qiie também possuem as pessoas individuais. A Constituição e legis­ lação brasileiras desconhecem um direito público das Igrejas. Para a validade e aplicação do direito eclesiástico quiçá desen­ volvido pelas Igrejas, estas dependem portanto exclusiva­ mente da autoridade que possuem por uma própria natureza. A lei sôbre o registro no entanto exige, entre outras coisas, e em primeiro lugar, a indicação de nome, membros, finalidade, sede e duração da associação a ser registrada. A tal questioná­ rio responde o artigo I, como de outro lado também o artigo V, 1 e 2 contém informações a serem prestadas de um ou outro modo em conformidade com a lei.

O primeiro parágrafo do art. I indica portanto em primeiro lugar os membros da „congregação“ , cujo re­ gistro como „sociedade“ se pretende. A expressão „con­ gregação“ foi aí empregada conscientemente afim de destacar a associação em sua particularidade de outras sociedades civis, tendo em vista que o têrmo „congre­ gação“ é de uso corrente em sua significação eclesiás­ tica. Do mesmo modo consciente é dito dos membros ,,congregarem-se“ êles, no sentido duplo de que consti­ tuem esta congregação que de fato já existe indepen­ dentemente da constituição, como sociedade do direito civil. Como membros da congregação são indicados os sí­ nodos com seus nomes registrados sob os quais êles pró­ prios possuem e conservam a faculdade jurídica como pessoas do direito civil, A Federação Sinodal não é cons­ tituída por fusão, e sim por associação de pessoas jurí­ dicas. Se tal caráter da Federação já não estivesse niti­ damente delineado no artigo I, ressaltaria êle indubitàvelmente de outros trechos da OBS. De mais a mais, an­ tes da aprovação da OBS pelos sínodos foi expressamen­


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te declai ado que estes, continuai, iam «, a v i pessuÈtE» j undicas independentes/ conforme o direito associativo. Outrossim o artigo I devia indicar o fim a que se destina a congregação. Essa exigência foi cumprida pela declaração de ter a congregação por fim „ser Igreja de Jesus Christo no Brasil sôbre o fundamento da fé co­ mum aos seus membros.“ Esta formulação é também determinada em parte pelo intuito de corresponder a lei de modo tal que o quesito referente ao „fim “ rece­ besse uma resposta eclesiástica e teologicamente sus­ tentável. Do ponto de vista form al seja anotado aqui que a tentativa de opor óbices, por meio do estatuto, à irrup­ ção de uma mentalidade orientada pelo direito associa­ tivo na mentalidade eclesiástica em nossas comunidades e sínodos foi feita aqui com tanto mais de decisão quan­ to mais fôra reconhecido o perigo daí decorrente. A Igreja não é sociedade. Entre nós muitas vezes tivemos de lembrá-lo. Após as exposições na primeira parte do meu relatório julgo-me dispensado de alongar-me sôbre o assunto. Também nos parágrafos de um estatuto ecle­ siástico referentes ao direito associativo a linguagem deve ter cunho eclesiástico. Se aí na primeira seção é indicado como „finali­ dade“ da congregação „ser Igreja de Jesus Christo no Brasil sôbre a base da fé comum aos seus membros“ , com isso certamente não se aponta um „objetivo“ , nem é fundada uma liga corti objetivo determinado. Pois se me afigura teologicamente irresponsável determinar a uma associação o objetivo de ser Igreja de Jesus Christo. O ser da Igreja é como dádiva de Deus dado ou não da­ do. Sendo assim uma congregação que de fato é Igreja sôbre o fundamento comum, só poderá afirmar não ter outro fim senão o de ser o que realmente é. Neste caso, porém, deve refletir bem no que ela afirma. Não fala ela de um objetivo, mas sim de uma dádiva. Aí, entretanto, onde o Estado inquire perante o mais amplo auditório, composto em sua maioria de católicos romanos, não pôde ser indicada outra finalidade de me­ nor conceito senão o de ser Igreja de Jesus Christo, ou seja particular da una santa Igreja cristã que por to­ dos os tempos deve existir e persistir, como o exprime a Confissão de Augsburgo da reforma luterana. A Federação é Igreja, diz-se com isto, a saber Igreja com a profissão de fé na una santa Igreja cristã. Não

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pode, pois, permitir que por outra Igreja com a preten­ são de ser tão somente ela a Una Igreja com completa exclusividade, seja publicamente taxada como seita em igualdade de condições com ocultismo e comunismo. A Federação como Igreja se opõe a tal. Assim procedendo, longe está a Federação de de- clarar-se a Igreja de Jesus Christo, e sim faz com a Augustana sua profissão de fé na una Igreja de Christo como sendo a Igreja que não pode ser identificada com uma das formas históricas da Igreja, nem destacada destas como entidade à parte. As Igrejas no mundo sem exceção só podem viver na fé de que pela mensagem da qual foram encarregadas, a Igreja de Jesus Christo se torne realidade em seu meio. Não menos infundado seria o julgamento de que aqui se falava da Igreja de Jesus Christo num tom mís­ tico, porque falho de precisão. Se a Ordem Básica real­ mente falasse imprecisamente neste ponto, desinteres­ sando-se de tôda forma e linha históricas, de fato fala­ ria uma linguagem mística. Mas é justamente isso que não se dá, mas sim fala-se da Igreja de Jesus Christo partindo do fundamento da fé comum aos seus mem­ bros, e êste fundamento é determinado com tôda preci­ são no artigo II, também com a Augustana, com a qual foi interpretado aqui o 1.° parágrafo do artigo I. Finalmente se oferece o ensejo de dizer em relação ao término do parágrafo 1.° do artigo I I mais uma pala­ vra sôbre a determinação segundo a qual a Federação tem a finalidade de ser Igreja no Brasil, No que diz res­ peito a ela, foi uma vez expresso o receio de que aqui fôra dado ao princípio territorial uma ascendência de­ masiada sôbre a mentalidade teológica, Não é perceptí­ vel como êsse receio pudesse ser motivado. Nada na OBS indica que a nossa meta seja um sistema eclesiás­ tico territorial, no qual se achassem reunidas tôdas as Igrejas do Brasil sem distinção da confissão. Igrejas territoriais formaram-se na Europa, na época da refor­ ma na qual países inteiros com as suas dinastias passa­ ram-se de uma confissão para outra, e o estado assim criado foi proclamado como existindo de direito. Quem pertencia ao domínio de algum regente podia ou devia ser da confissão do mesmo regente. O sistema eclesiás­ tico assim instituido existiu e produziu os seus efeitos por muito tempo. Todavia, nos séculos passados nin­ guém que eu saiba emigrou para a América para im­


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te declai ado que estes, continuai, iam «, a v i pessuÈtE» j undicas independentes/ conforme o direito associativo. Outrossim o artigo I devia indicar o fim a que se destina a congregação. Essa exigência foi cumprida pela declaração de ter a congregação por fim „ser Igreja de Jesus Christo no Brasil sôbre o fundamento da fé co­ mum aos seus membros.“ Esta formulação é também determinada em parte pelo intuito de corresponder a lei de modo tal que o quesito referente ao „fim “ rece­ besse uma resposta eclesiástica e teologicamente sus­ tentável. Do ponto de vista form al seja anotado aqui que a tentativa de opor óbices, por meio do estatuto, à irrup­ ção de uma mentalidade orientada pelo direito associa­ tivo na mentalidade eclesiástica em nossas comunidades e sínodos foi feita aqui com tanto mais de decisão quan­ to mais fôra reconhecido o perigo daí decorrente. A Igreja não é sociedade. Entre nós muitas vezes tivemos de lembrá-lo. Após as exposições na primeira parte do meu relatório julgo-me dispensado de alongar-me sôbre o assunto. Também nos parágrafos de um estatuto ecle­ siástico referentes ao direito associativo a linguagem deve ter cunho eclesiástico. Se aí na primeira seção é indicado como „finali­ dade“ da congregação „ser Igreja de Jesus Christo no Brasil sôbre a base da fé comum aos seus membros“ , com isso certamente não se aponta um „objetivo“ , nem é fundada uma liga corti objetivo determinado. Pois se me afigura teologicamente irresponsável determinar a uma associação o objetivo de ser Igreja de Jesus Christo. O ser da Igreja é como dádiva de Deus dado ou não da­ do. Sendo assim uma congregação que de fato é Igreja sôbre o fundamento comum, só poderá afirmar não ter outro fim senão o de ser o que realmente é. Neste caso, porém, deve refletir bem no que ela afirma. Não fala ela de um objetivo, mas sim de uma dádiva. Aí, entretanto, onde o Estado inquire perante o mais amplo auditório, composto em sua maioria de católicos romanos, não pôde ser indicada outra finalidade de me­ nor conceito senão o de ser Igreja de Jesus Christo, ou seja particular da una santa Igreja cristã que por to­ dos os tempos deve existir e persistir, como o exprime a Confissão de Augsburgo da reforma luterana. A Federação é Igreja, diz-se com isto, a saber Igreja com a profissão de fé na una santa Igreja cristã. Não

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pode, pois, permitir que por outra Igreja com a preten­ são de ser tão somente ela a Una Igreja com completa exclusividade, seja publicamente taxada como seita em igualdade de condições com ocultismo e comunismo. A Federação como Igreja se opõe a tal. Assim procedendo, longe está a Federação de de- clarar-se a Igreja de Jesus Christo, e sim faz com a Augustana sua profissão de fé na una Igreja de Christo como sendo a Igreja que não pode ser identificada com uma das formas históricas da Igreja, nem destacada destas como entidade à parte. As Igrejas no mundo sem exceção só podem viver na fé de que pela mensagem da qual foram encarregadas, a Igreja de Jesus Christo se torne realidade em seu meio. Não menos infundado seria o julgamento de que aqui se falava da Igreja de Jesus Christo num tom mís­ tico, porque falho de precisão. Se a Ordem Básica real­ mente falasse imprecisamente neste ponto, desinteres­ sando-se de tôda forma e linha históricas, de fato fala­ ria uma linguagem mística. Mas é justamente isso que não se dá, mas sim fala-se da Igreja de Jesus Christo partindo do fundamento da fé comum aos seus mem­ bros, e êste fundamento é determinado com tôda preci­ são no artigo II, também com a Augustana, com a qual foi interpretado aqui o 1.° parágrafo do artigo I. Finalmente se oferece o ensejo de dizer em relação ao término do parágrafo 1.° do artigo I I mais uma pala­ vra sôbre a determinação segundo a qual a Federação tem a finalidade de ser Igreja no Brasil, No que diz res­ peito a ela, foi uma vez expresso o receio de que aqui fôra dado ao princípio territorial uma ascendência de­ masiada sôbre a mentalidade teológica, Não é perceptí­ vel como êsse receio pudesse ser motivado. Nada na OBS indica que a nossa meta seja um sistema eclesiás­ tico territorial, no qual se achassem reunidas tôdas as Igrejas do Brasil sem distinção da confissão. Igrejas territoriais formaram-se na Europa, na época da refor­ ma na qual países inteiros com as suas dinastias passa­ ram-se de uma confissão para outra, e o estado assim criado foi proclamado como existindo de direito. Quem pertencia ao domínio de algum regente podia ou devia ser da confissão do mesmo regente. O sistema eclesiás­ tico assim instituido existiu e produziu os seus efeitos por muito tempo. Todavia, nos séculos passados nin­ guém que eu saiba emigrou para a América para im­


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plantar aqui um tal sistema, e sim muitos emigraram para se lhe subtrair. O perigo de um sistema eclesiás­ tico territorial não existe aqui. Na Federação Sinodal no Brasil o ponto de vista dominante não é o território e tão pouco a nação, e sim a confissão. A Federação Sinodal existe no Brasil, quer dizer isso simplesmente: Tem ela aqui sua pátria e seu campo de ação. Constitui-se aqui como entidade jurídica e ad­ ministrativa, com os próprios meios materiais, em plena autonomia e em concordância com a legislação brasi­ leira. Tem sua vida aqui, no povo e Estado brasileiros, em cujo destino se acha entrelaçado com os seus mem­ bros. Procura com todo o seu serviço o bem desta terra e de seu povo. Que a Federação como Igreja resoluta­ mente queira edificar assim e levar assim a co-responsabilidade para que na pátria brasileira seja procurada a honra de Deus, anunciada sua palavra, que sejam ensi­ nados e cumpridos os seus mandamentos, é nisso que reside um dos motivos pelos quais nossas comunidades . tão entusiasticamente a acolheram. Enfeixa ela as fôrças dos Sínodos no Brasil para obra de tanta respon­ sabilidade. Em relação artigo I, que em antecipando um ser dito ainda o

ao segundo e os demais parágrafos do seguida devem ser considerados, talvez, assunto referente ao artigo II, deverá seguinte:

Por que a OBS fala de uma federação, sendo que a congregação dos sínodos se entende como Igreja? Por que a Igreja se denomina „Federação Sinodal“ ? Para quem conhecer os esforços feitos em data mais recente para a realização da congrega­ ção, abrangendo os quatro sínodos, e que tiveram, início em 1946, a resposta se oferece de modo insofismável. Os sínodos em sua maioria insistiram desde logo na ne­ cessidade de não ser limitada pela união sua faculdade jurídica civil. Para tal condicionamento, principalmen­ te são dois os motivos que se deixam aduzir. Devem-se apontar, em primeiro lugar, as diferenças na evolução eclesiástica e no estado dos sínodos (administração, es­ tabelecimentos e instituições etc.), das quais decorrem desajustes que por enquanto aconselham como conve­ niente a continuidade dos sínodos como pessoas jurídi­ cas. Ademais deve-se tomar em consideração que o fato de ser o Brasil uma federação de Estados indica como

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desejável a faculdade jurídica dos sínodos para ações imediatas nos diferentes Estados. O caráter federativo da congregação é fundado nas circunstâncias referidas, e é por causa destas que a con­ gregação leva atualmente o nome de „Federação Sino­ dal“ . Á êsse respeito, todavia, impõe-se declarar o se­ guinte, com apôio no contexto geral da OBS: 1) A congregação não se chama nem é Federação por ser uma congregação de sínodos òu Igrejas diferen­ ciados por uma determinação confessional. Os artigos referentes à confissão têm nos sínodos o seguinte teor: Sínodo Riograndense: „O Sínodo fundando-se na Sagrada Escritura, declara-se em conformidade com os símbolos da reforma de Martin Luther, sobretudo a Con­ fissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Luther.“ < Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná:' „O Sínodo, que só tem fins religiosos e determinados pela fé, se fundamenta na Sagrada Escritura e se declara concorde com as confissões da reforma luterana.“ Igreja Luterana no Brasil: „Declara-se em concor­ dância com a Sagrada Escritura do Velho e do Novo Testamento como única regra e diretriz da fé e vida de seus membros, bem como com todos os escritos confes­ sionais da Igreja Evangélico-Luterana, a saber os três Credos gerais cristãos, a inalterada Confissão de Augs­ burgo, a Apologia ou Defesa da mesma, o Catecismo Menor e Maior do dr. M artin Luther, os Artigos de Schmalkalden, a Fórmula de Concórdia, como a doutri­ na pura e genuina da palavra e vontade divinas.“ Tendo por base tais determinações e declarações correspondentes de todos os Sínodos, a Augustana e o Catecismo de Luther foram constatados no artigo I I da OBS como sendo confissões comuns à Federação e con­ firmadas com a aprovação da OBS. A Federação é por­ tanto uma congregação uniformemente determinada pela reforma de Martin Luther. 2) Pelo fato de designar-se como Federação para efeitos do direito associativo, a congregação dos quatro sínodos não faz desistência da pretensão de ser Igreja desde o início. As tarefas que ela se propõe no artigo I I I pressupõem de um lado que a Federação seja Igreja, e de outro lado oferecem a oportunidade de desenvolver também em maior grau a unidade eclesiástica no âmbi­ to administrativo, se bem que ao meu parecer seja re­


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plantar aqui um tal sistema, e sim muitos emigraram para se lhe subtrair. O perigo de um sistema eclesiás­ tico territorial não existe aqui. Na Federação Sinodal no Brasil o ponto de vista dominante não é o território e tão pouco a nação, e sim a confissão. A Federação Sinodal existe no Brasil, quer dizer isso simplesmente: Tem ela aqui sua pátria e seu campo de ação. Constitui-se aqui como entidade jurídica e ad­ ministrativa, com os próprios meios materiais, em plena autonomia e em concordância com a legislação brasi­ leira. Tem sua vida aqui, no povo e Estado brasileiros, em cujo destino se acha entrelaçado com os seus mem­ bros. Procura com todo o seu serviço o bem desta terra e de seu povo. Que a Federação como Igreja resoluta­ mente queira edificar assim e levar assim a co-responsabilidade para que na pátria brasileira seja procurada a honra de Deus, anunciada sua palavra, que sejam ensi­ nados e cumpridos os seus mandamentos, é nisso que reside um dos motivos pelos quais nossas comunidades . tão entusiasticamente a acolheram. Enfeixa ela as fôrças dos Sínodos no Brasil para obra de tanta respon­ sabilidade. Em relação artigo I, que em antecipando um ser dito ainda o

ao segundo e os demais parágrafos do seguida devem ser considerados, talvez, assunto referente ao artigo II, deverá seguinte:

Por que a OBS fala de uma federação, sendo que a congregação dos sínodos se entende como Igreja? Por que a Igreja se denomina „Federação Sinodal“ ? Para quem conhecer os esforços feitos em data mais recente para a realização da congrega­ ção, abrangendo os quatro sínodos, e que tiveram, início em 1946, a resposta se oferece de modo insofismável. Os sínodos em sua maioria insistiram desde logo na ne­ cessidade de não ser limitada pela união sua faculdade jurídica civil. Para tal condicionamento, principalmen­ te são dois os motivos que se deixam aduzir. Devem-se apontar, em primeiro lugar, as diferenças na evolução eclesiástica e no estado dos sínodos (administração, es­ tabelecimentos e instituições etc.), das quais decorrem desajustes que por enquanto aconselham como conve­ niente a continuidade dos sínodos como pessoas jurídi­ cas. Ademais deve-se tomar em consideração que o fato de ser o Brasil uma federação de Estados indica como

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desejável a faculdade jurídica dos sínodos para ações imediatas nos diferentes Estados. O caráter federativo da congregação é fundado nas circunstâncias referidas, e é por causa destas que a con­ gregação leva atualmente o nome de „Federação Sino­ dal“ . Á êsse respeito, todavia, impõe-se declarar o se­ guinte, com apôio no contexto geral da OBS: 1) A congregação não se chama nem é Federação por ser uma congregação de sínodos òu Igrejas diferen­ ciados por uma determinação confessional. Os artigos referentes à confissão têm nos sínodos o seguinte teor: Sínodo Riograndense: „O Sínodo fundando-se na Sagrada Escritura, declara-se em conformidade com os símbolos da reforma de Martin Luther, sobretudo a Con­ fissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Luther.“ < Sínodo Evangélico de Sta. Catarina e Paraná:' „O Sínodo, que só tem fins religiosos e determinados pela fé, se fundamenta na Sagrada Escritura e se declara concorde com as confissões da reforma luterana.“ Igreja Luterana no Brasil: „Declara-se em concor­ dância com a Sagrada Escritura do Velho e do Novo Testamento como única regra e diretriz da fé e vida de seus membros, bem como com todos os escritos confes­ sionais da Igreja Evangélico-Luterana, a saber os três Credos gerais cristãos, a inalterada Confissão de Augs­ burgo, a Apologia ou Defesa da mesma, o Catecismo Menor e Maior do dr. M artin Luther, os Artigos de Schmalkalden, a Fórmula de Concórdia, como a doutri­ na pura e genuina da palavra e vontade divinas.“ Tendo por base tais determinações e declarações correspondentes de todos os Sínodos, a Augustana e o Catecismo de Luther foram constatados no artigo I I da OBS como sendo confissões comuns à Federação e con­ firmadas com a aprovação da OBS. A Federação é por­ tanto uma congregação uniformemente determinada pela reforma de Martin Luther. 2) Pelo fato de designar-se como Federação para efeitos do direito associativo, a congregação dos quatro sínodos não faz desistência da pretensão de ser Igreja desde o início. As tarefas que ela se propõe no artigo I I I pressupõem de um lado que a Federação seja Igreja, e de outro lado oferecem a oportunidade de desenvolver também em maior grau a unidade eclesiástica no âmbi­ to administrativo, se bem que ao meu parecer seja re­


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comendável ainda que os sínodos fiquem como pessoas jurídicas com a faculdade jurídica imediata em suas re­ giões, notadamente no que concerne ao direito p a trí-; monial. Deste modo já passamos a ocupar-nos do artigo II. Artigo

II.

Trata-se no artigo I I das determinações do funda­ mento da fé da congregação que se apresenta na Fede­ ração Sinodal ou seja do desdobramento daquilo que se diz no primeiro parágrafo do artigo I sôbre a finalidade da congregação determinada neste fundamento. Como ponto de partida aí foi tomado no primeiro parágrafo, que é concordante com a Ordem básica da EKD, o evangelho de Jesus Christo segundo a Sagrada Escritura e a profissão de fé no Uno Senhor da Una Igreja. Seguidamente nos parágrafos 2 e 3 é atualmen­ te professa a fé no Uno Senhor e na Una Igreja com os antigos Credos cristãos e com a Augustana e o Catecis­ mo de Luther, e expressa a comunhão de fé com a EKD e com as Igrejas a ela ligadas na fé em todo o mundo, ou seja na ecúmena. , Não pretendo discutir se achou sua mais feliz e sa­ tisfatória expressão no texto da OBS aquilo que aí foi dito sôbre o conteúdo do artigo II. No entanto é prová­ vel que contribuiremos para a elucidação dêsse conteúdo se procurarmos apanhá-lo uma vez em direção inversa, não partindo do Evangelho da Sagrada Escritura toda. Assim procedendo nos colocamos no lugar histórico, no qual a fé cristã é hoje professada por nós: Êste lugar se nos apresenta na sucessão e na percepção viva da refor­ ma de Martin Luther, da Augustana e do Catecismo de Luther. O porquê de ser aqui o lugar histórico no qual a profissão de fé se dá hoje, já foi enunciado quando se tratou do artigo I. A palavra da comunhão de fé com a EKD e as Igrejas que com ela estão na ecúmena, e com as uniões ecumênicas, bem como a profissão de fé no Uno Senhor da Una Igreja, no Evangelho, feita nos têrmos dos antigos Credos cristãos, historicamente vistas procede daqui. Que significa isso? Refiro-me implicitamente ou ci­ tando nomes, e em concordância, às hodiernas declara­ ções das Igrejas procedentes da reforma de Luther, reu­ nidas na ecúmena, bem como a manifestações da pró­

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33 —

pria ecúmena, ao redarguir o seguinte a tal pergunta: Nenhuma Igreja, seja ela luterana, reformada ou confessionalmente determinada de outro modo, está na ecúmena, ou se mostra capaz de estar nela, se render culto a um confessionalismo de qualquer forma. Como confessionalismo pretendo designar aqui aquêle enten­ dimento das Igrejas confessionais que julga a confissão que lhes é peculiar não mais como norma normata, não mais como um testemunho que permanece sob a crítica da Sagrada Escritura como única regra e diretriz da fé, e sim permite que ela se torne norma normans, coorde­ nando ou sobrepondo-a assim à Sagrada Escritura. O artigo I I da OBS reconhece explicitamente o lu­ gar histórico em que se acha e a Igreja confessional e repudia implicitamente o confessionalismo. Êste não po­ derá se reportar à reforma de Martin Luther nem à re­ forma em geral e não se enquadra portanto no sentido da ecúmena, a qual poderá tornar-se realidade onde a Sagrada Escritura, o Evangelho, o Christo do Evangelho permanecer como único Senhor e Juiz da Igreja e das Igrejas, Para elucidá-lo, não preciso aqui referir-me concretamente a Igrejas reformadas e outras Igrejas confessio­ nais ou eclesiásticas não luteranas que cultuam o con­ fessionalismo. Basta citar o exemplo que se nos apre­ senta mais próximo, o Sínodo de Missouri. De fato êle permite que a sua doutrina sôbre a Sagrada Escritura, ou seja a doutrina humana da inspiração verbal, a qual tem como genuinamente luterana, domine ao lado da Escritura ou sobreponha-se a esta, e se bem que recen­ temente pareça defender essa doutrina de forma mais afrouxada, nela se encontra virtualmente o motivo deci­ sivo para o repúdio da ecúmena pelo Sínodo de Missouri. De modo bem diferente, não por questão de fato mas de princípios, a Igreja católico-romana acha-se im­ pedida a chegar-se à ecúmena, enquanto emprestar à tradição e à cátedra infalível o domínio sôbre a Sagrada Escritura, fechando-se assim à compreensão evangélica da Igreja. Do outro lado passo a citar aqui em lugar de muitos, como exemplo de uma legítim a compreensão reformatória da Igreja e da ecúmena, apenas o presidente da União Universal Luterana, o professor Anders Nygren (in Theologische Literaturzeitung 1948, N.° 9: „Die Grundlage der Oekumenizit,tó,^áçk,i,útherischem Ver-


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comendável ainda que os sínodos fiquem como pessoas jurídicas com a faculdade jurídica imediata em suas re­ giões, notadamente no que concerne ao direito p a trí-; monial. Deste modo já passamos a ocupar-nos do artigo II. Artigo

II.

Trata-se no artigo I I das determinações do funda­ mento da fé da congregação que se apresenta na Fede­ ração Sinodal ou seja do desdobramento daquilo que se diz no primeiro parágrafo do artigo I sôbre a finalidade da congregação determinada neste fundamento. Como ponto de partida aí foi tomado no primeiro parágrafo, que é concordante com a Ordem básica da EKD, o evangelho de Jesus Christo segundo a Sagrada Escritura e a profissão de fé no Uno Senhor da Una Igreja. Seguidamente nos parágrafos 2 e 3 é atualmen­ te professa a fé no Uno Senhor e na Una Igreja com os antigos Credos cristãos e com a Augustana e o Catecis­ mo de Luther, e expressa a comunhão de fé com a EKD e com as Igrejas a ela ligadas na fé em todo o mundo, ou seja na ecúmena. , Não pretendo discutir se achou sua mais feliz e sa­ tisfatória expressão no texto da OBS aquilo que aí foi dito sôbre o conteúdo do artigo II. No entanto é prová­ vel que contribuiremos para a elucidação dêsse conteúdo se procurarmos apanhá-lo uma vez em direção inversa, não partindo do Evangelho da Sagrada Escritura toda. Assim procedendo nos colocamos no lugar histórico, no qual a fé cristã é hoje professada por nós: Êste lugar se nos apresenta na sucessão e na percepção viva da refor­ ma de Martin Luther, da Augustana e do Catecismo de Luther. O porquê de ser aqui o lugar histórico no qual a profissão de fé se dá hoje, já foi enunciado quando se tratou do artigo I. A palavra da comunhão de fé com a EKD e as Igrejas que com ela estão na ecúmena, e com as uniões ecumênicas, bem como a profissão de fé no Uno Senhor da Una Igreja, no Evangelho, feita nos têrmos dos antigos Credos cristãos, historicamente vistas procede daqui. Que significa isso? Refiro-me implicitamente ou ci­ tando nomes, e em concordância, às hodiernas declara­ ções das Igrejas procedentes da reforma de Luther, reu­ nidas na ecúmena, bem como a manifestações da pró­

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pria ecúmena, ao redarguir o seguinte a tal pergunta: Nenhuma Igreja, seja ela luterana, reformada ou confessionalmente determinada de outro modo, está na ecúmena, ou se mostra capaz de estar nela, se render culto a um confessionalismo de qualquer forma. Como confessionalismo pretendo designar aqui aquêle enten­ dimento das Igrejas confessionais que julga a confissão que lhes é peculiar não mais como norma normata, não mais como um testemunho que permanece sob a crítica da Sagrada Escritura como única regra e diretriz da fé, e sim permite que ela se torne norma normans, coorde­ nando ou sobrepondo-a assim à Sagrada Escritura. O artigo I I da OBS reconhece explicitamente o lu­ gar histórico em que se acha e a Igreja confessional e repudia implicitamente o confessionalismo. Êste não po­ derá se reportar à reforma de Martin Luther nem à re­ forma em geral e não se enquadra portanto no sentido da ecúmena, a qual poderá tornar-se realidade onde a Sagrada Escritura, o Evangelho, o Christo do Evangelho permanecer como único Senhor e Juiz da Igreja e das Igrejas, Para elucidá-lo, não preciso aqui referir-me concretamente a Igrejas reformadas e outras Igrejas confessio­ nais ou eclesiásticas não luteranas que cultuam o con­ fessionalismo. Basta citar o exemplo que se nos apre­ senta mais próximo, o Sínodo de Missouri. De fato êle permite que a sua doutrina sôbre a Sagrada Escritura, ou seja a doutrina humana da inspiração verbal, a qual tem como genuinamente luterana, domine ao lado da Escritura ou sobreponha-se a esta, e se bem que recen­ temente pareça defender essa doutrina de forma mais afrouxada, nela se encontra virtualmente o motivo deci­ sivo para o repúdio da ecúmena pelo Sínodo de Missouri. De modo bem diferente, não por questão de fato mas de princípios, a Igreja católico-romana acha-se im­ pedida a chegar-se à ecúmena, enquanto emprestar à tradição e à cátedra infalível o domínio sôbre a Sagrada Escritura, fechando-se assim à compreensão evangélica da Igreja. Do outro lado passo a citar aqui em lugar de muitos, como exemplo de uma legítim a compreensão reformatória da Igreja e da ecúmena, apenas o presidente da União Universal Luterana, o professor Anders Nygren (in Theologische Literaturzeitung 1948, N.° 9: „Die Grundlage der Oekumenizit,tó,^áçk,i,útherischem Ver-


staendnis“ ) . Segundo Nygren a ecúmena não se faz por­ ventura como obra dos homens, como proveniente de concessões recíprocas das Igrejas confessionais na causa de sua compreensão da fé. „Isso, porém, não significa que aquilo que é confessional possa ser posto em oposi­ ção àquilo que é c ris tã o ... Não se compreendeu o luterismo como êle é realmente. Luther não quis fundar uma nova Igreja. Quis devolver em sua prim itiva pure­ za a esta uma Igreja de Christo, existente desde os dias dos apóstolos e de Christo, o Evangelho que fora tur­ vado . . . A unidade da Igreja não é uma coisa que por nós deva ser criada. Ela já existe — em Jesus Christo, nosso Sen hor. . . A Igreja de Christo não existe numa única comunhão eclesiástica, mas sim se espalha sôbre todo o mundo, sôbre tôda ecúmena.“ — E mais, na im­ possibilidade de citar tudo: „Se porém já existe esta u~ nidade, que é, então, feito das confissões?. , . Resposta: Nós todos temos um e o mesmo Evangelho, mas nao o compreendemos todos do mesmo m o d o . , . Durante os decênios vindouros nos será dado assistir a uma discus­ são renovada entre as confissões, mas não para conten­ derem entre si e sim para auxiliarem uns aos outros a penetrar mais profundamente no Evangelho. Aqui — na reunião em tôrno do Evangelho e sua compreensão exa­ ta — segundo a concepção luterana se apresenta a base apropriada para a obra unificadora ecumênica. Justa­ mente por ter a Igreja luterana seu centro no Evange­ lho ela se declara conforme com o pensamento ecumê­ nico, exige porém, ao mesmo tempo que êste se oriente pelo Evangelho.“ 1 Estas sucintas citações esclarecem o que é essencial. A Una Santa e a ecúmena são vistas aqui do lugar his­ tórico da Igreja da reforma de Martin Luther, através da Confissão de Augsburgo. A profissão de fé na Una Igreja e no pensamento ecumênico é dêste ponto de par­ tida falado em termos da atualidade, pois é daí que se reconhece o Evangelho como regra e diretriz sôbre tôdas as confissões e sua diferente compreensão do Évangelho. Ora, se assim dissermos, que deve ser compreendido o artigo I I da OBS historicamente, não do ponto de vista histórico-cronográfico, mas sim atualizado nos eventos da história, na Igreja em sua forma histórica de vez em vez hodierna, e que a profissão de fé na Una Igreja de

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Christo se atualiza justamente através das confissões, com isso fica dito também o seguinte. Primeiro: não pode ser objetado que no artigo I I os credos estariam sendo considerados apenas históricocronogràficamente como meros testemunhos do passa­ do, por terem recebido os atributos „da Igreja An tiga“ e „reform atório“ . Contra a suposição de terem sido as confissões (os credos) postas em relatividade histórica, fala todo conexo, no qual através delas a Una Igreja, que por todos os tempos deverá existir e persistir, é pro­ fessada hoje com as profissões feitas sucessivamente nesses tempos, como sendo sempre contemporânea. Que ela, porém, é hoje professada com tôdas as suas dádivas, das quais falam as confissões referidas, diz o texto do artigo II. Propositalmente aí não se diz que a congre­ gação dos sínodos tinha o seu fundamento nessas con­ fissões, e sim presencialmente: „A Federação confessa sua fé.“ Em segundo lugar, porém, patenteia-se que, se con­ cebermos o ponto de partida historicamente na Igreja confessional com seriedade e em sentido de atualidade, tornar-se-á claro que só poderemos fazê-lo por enunciar a confissão que seu ponto de partida se acha em prin­ cípio no Evangelho de Jesus Christo dado pela Sagrada Escritura. Achando tudo isso no artigo II, finalmente podere­ mos passar à proposição que exprime a comunhão de fé com a Igreja Evangélica na Alemanha e com as Igrejas com ela unidas na ecúmena. Como poderíamos fazer objeções a tal proposição? Em longos períodos recebemos bens e dádivas espiri­ tuais da Igreja Evangélica na Alemanha em tanta abundância que devemos e queremos manifestar a nossa gratidão. Como, porém, exprimí-la de outro modo senão testemunhando nossa comunhão de fé? Não devemos encarar aquilo que se fez para conosco como o efeito do amor que obra pela fé? Pretendo lembrar aqui só duas das dádivas espirituais que recebemos da Igreja evan­ gélica na Alemanha. D. L ilje diz em seu livro „Luther“ : ,,A Igreja da reforma é a Igreja da Bíblia e do hinário.“ Entre nós está em uso o hinário da Igreja Evangélica na Alemanha, o qual tem sua origem no primeiro hiná­ rio de Luther. É nele que achamos os hinos que canta­ mos, de confissão e glorificação da fé, hinos de Luther e Paul Gerhardt, de Neander e Tersteegen. Cantamo-los


staendnis“ ) . Segundo Nygren a ecúmena não se faz por­ ventura como obra dos homens, como proveniente de concessões recíprocas das Igrejas confessionais na causa de sua compreensão da fé. „Isso, porém, não significa que aquilo que é confessional possa ser posto em oposi­ ção àquilo que é c ris tã o ... Não se compreendeu o luterismo como êle é realmente. Luther não quis fundar uma nova Igreja. Quis devolver em sua prim itiva pure­ za a esta uma Igreja de Christo, existente desde os dias dos apóstolos e de Christo, o Evangelho que fora tur­ vado . . . A unidade da Igreja não é uma coisa que por nós deva ser criada. Ela já existe — em Jesus Christo, nosso Sen hor. . . A Igreja de Christo não existe numa única comunhão eclesiástica, mas sim se espalha sôbre todo o mundo, sôbre tôda ecúmena.“ — E mais, na im­ possibilidade de citar tudo: „Se porém já existe esta u~ nidade, que é, então, feito das confissões?. , . Resposta: Nós todos temos um e o mesmo Evangelho, mas nao o compreendemos todos do mesmo m o d o . , . Durante os decênios vindouros nos será dado assistir a uma discus­ são renovada entre as confissões, mas não para conten­ derem entre si e sim para auxiliarem uns aos outros a penetrar mais profundamente no Evangelho. Aqui — na reunião em tôrno do Evangelho e sua compreensão exa­ ta — segundo a concepção luterana se apresenta a base apropriada para a obra unificadora ecumênica. Justa­ mente por ter a Igreja luterana seu centro no Evange­ lho ela se declara conforme com o pensamento ecumê­ nico, exige porém, ao mesmo tempo que êste se oriente pelo Evangelho.“ 1 Estas sucintas citações esclarecem o que é essencial. A Una Santa e a ecúmena são vistas aqui do lugar his­ tórico da Igreja da reforma de Martin Luther, através da Confissão de Augsburgo. A profissão de fé na Una Igreja e no pensamento ecumênico é dêste ponto de par­ tida falado em termos da atualidade, pois é daí que se reconhece o Evangelho como regra e diretriz sôbre tôdas as confissões e sua diferente compreensão do Évangelho. Ora, se assim dissermos, que deve ser compreendido o artigo I I da OBS historicamente, não do ponto de vista histórico-cronográfico, mas sim atualizado nos eventos da história, na Igreja em sua forma histórica de vez em vez hodierna, e que a profissão de fé na Una Igreja de

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Christo se atualiza justamente através das confissões, com isso fica dito também o seguinte. Primeiro: não pode ser objetado que no artigo I I os credos estariam sendo considerados apenas históricocronogràficamente como meros testemunhos do passa­ do, por terem recebido os atributos „da Igreja An tiga“ e „reform atório“ . Contra a suposição de terem sido as confissões (os credos) postas em relatividade histórica, fala todo conexo, no qual através delas a Una Igreja, que por todos os tempos deverá existir e persistir, é pro­ fessada hoje com as profissões feitas sucessivamente nesses tempos, como sendo sempre contemporânea. Que ela, porém, é hoje professada com tôdas as suas dádivas, das quais falam as confissões referidas, diz o texto do artigo II. Propositalmente aí não se diz que a congre­ gação dos sínodos tinha o seu fundamento nessas con­ fissões, e sim presencialmente: „A Federação confessa sua fé.“ Em segundo lugar, porém, patenteia-se que, se con­ cebermos o ponto de partida historicamente na Igreja confessional com seriedade e em sentido de atualidade, tornar-se-á claro que só poderemos fazê-lo por enunciar a confissão que seu ponto de partida se acha em prin­ cípio no Evangelho de Jesus Christo dado pela Sagrada Escritura. Achando tudo isso no artigo II, finalmente podere­ mos passar à proposição que exprime a comunhão de fé com a Igreja Evangélica na Alemanha e com as Igrejas com ela unidas na ecúmena. Como poderíamos fazer objeções a tal proposição? Em longos períodos recebemos bens e dádivas espiri­ tuais da Igreja Evangélica na Alemanha em tanta abundância que devemos e queremos manifestar a nossa gratidão. Como, porém, exprimí-la de outro modo senão testemunhando nossa comunhão de fé? Não devemos encarar aquilo que se fez para conosco como o efeito do amor que obra pela fé? Pretendo lembrar aqui só duas das dádivas espirituais que recebemos da Igreja evan­ gélica na Alemanha. D. L ilje diz em seu livro „Luther“ : ,,A Igreja da reforma é a Igreja da Bíblia e do hinário.“ Entre nós está em uso o hinário da Igreja Evangélica na Alemanha, o qual tem sua origem no primeiro hiná­ rio de Luther. É nele que achamos os hinos que canta­ mos, de confissão e glorificação da fé, hinos de Luther e Paul Gerhardt, de Neander e Tersteegen. Cantamo-los


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em comunhão com a cristandade na Alemanha, seja em que língua for. Como denominar essa união que ali e aqui se manifesta no canto da Igreja; que é confissão e oração, senão como vínculo pela fé? Não recebemos também da Igreja evangélica alemã a Bíblia que ainda hoje continua a ser a Bíblia de Lu­ ther, „novamente revista segundo o texto aprovado pela comissão eclesiástica evangélica alemã“ , como se lê em nossas Bíblias alemãs, sejam elas impressas em Stuttgart ou na América ou Inglaterra? E não devemos con­ servar a Bíblia assim, como uma dádiva da cristandade evangélica na Alemanha, ao colaborarmos agora com a Sociedade Bíblica do Brasil na nova tradução da Sagra­ da Escritura no sentido de uma teologia reformatória na sucessão de Luther? E não seria lícito aos reunidos aqui e ali em tôrno da mesma tradução da Bíblia, ou se­ ja da Sagrada Escritura fundamentalmente apercebida no mesmo sentido, de falarem num vínculo pela fé? Entretanto, ao dizermos de modo tão simples como o experimentamos e sentimos, o que aqui significa a união pela fé, nossa resposta não satisfará a todos aquêles que porventura ponham em discussão o direito que nos assiste de assim falarmos. Vemo-nos obrigados a também justificarmo-nos teològicamente, . e queremos fazê-lo tão sucinta e simplesmente quanto seja possível, com uma única adução. Na reunião plenária do Con­ selho Ecumênico em Amsterdam no ano de 1948 foram fundamentais os trabalhos da primeira seção da reu­ nião plenária, realizados sob a direção do bispo D. Lilje sôbre o tema „A Igreja no plano de salvação de Deus“ , tendo a seção apresentado sôbre o resultado dessa dis­ cussão um relatório, o qual foi defendido por D. Lilje na reunião plenária e por esta aprovado e recomendado às Igrejas. Êste relatório („ A Igreja no plano de salva­ ção de Deus“ , 1.° vol., pag. 227) toma como ponto de partida ,,a unidade“ que nos (às Igrejas ecumênicas) foi dada, fala em seguida da „diferença mais profunda“ e fórmula depois, antes de mais, „credos comuns e pro­ blemas comuns“ . Quem lêr êsse relatório, cujos pará­ grafos têm sempre o mesmo entróito „Todos nós cre­ mos concordará com D. Lilje, o qual declarou na reunião plenária afigurar-se-lhe „êste documento como o mais vigoroso testemunho da unidade que houve em todos os tempos“ , e não negará, qualquer que seja a Igreja confessional a que pertença, que há uma unidade

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na diversidade das Igrejas ecumênicas e mais ainda nas Igrejas da reforma alemã, a qual não pode ser designada senão como vínculo pela fé. Nenhuma Igreja confessio­ nal na ecúmena, ou seja nenhuma Igreja que de ver­ dade submete a sua confissão ao julgamento da Sagra­ da Escritura, poderá identificar o conceito do „vínculo pela fé“ com a concepção de uma completa concordân­ cia na doutrina teológica, e mormente não o poderá fa ­ zer uma Igreja da confissão de Augsburgo. Pois qual­ quer Igreja confessional que compreender dêsse modo a união na fé como a completa concordância na doutri­ na, não somente de sua parte se distanciará de uma Igreja com uma compreensão do Evangelho divergente num ou noutro ponto de sua própria doutrina, mas também a excluirá da cristandade de modo a não se mostrar mais disposta a uma discussão fraternal, a qual, para citarmos mais uma vez o bispo Nygren, tem por finalidade, „não contender uns com os outros, e sim auxiliar uns aos outros a penetrar mais profundamente no Evangelho.“ Também teològicamente podemos em bôa consciên­ cia falar no artigo I I da OBS da união pela fé com a EKD e as Igrejas da ecúmena, vinculadas a ela na fé, como também as Igrejas luteranas, reformadas e unidas pertencentes à EKD segundo a Ordem Fundamental desta reconhecem tal vínculo entre si ao dizerem que na EKD se tornara „visível a comunhão existente na cris­ tandade evangélica alemã“ . Cheguei assim ao têrmo de minha exposição sôbre o significado dos artigos I e I I da OBS, a qual resumo nas seguintes teses: 1.° — A Federação Sinodal é Igreja de Jesus Chris­ to no Brasil com tôdas as consequências que daí resul­ tarem para a prègaçao do Evangelho neste país e a coresponsabilidade para a formação da vida política, cul­ tural e econômica de seu povo. 2,° — Esta Igreja é confessionalmente determi­ nada pela Confissão de Augsburgo e o Pequeno Cate­ cismo de Luther, pertence à fam ília das Igrejas molda­ das pela reforma de Martin Luther, e quando adotará em lugar d e ' „Federação Sinodal“ a denominação de Igreja, o que esperamos para breve, exprimí-lo-á nesta mesma denominação. 3.° — Como Igreja assim determinada confessio­ nalmente a Federação Sinodal se encontra na comu-


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em comunhão com a cristandade na Alemanha, seja em que língua for. Como denominar essa união que ali e aqui se manifesta no canto da Igreja; que é confissão e oração, senão como vínculo pela fé? Não recebemos também da Igreja evangélica alemã a Bíblia que ainda hoje continua a ser a Bíblia de Lu­ ther, „novamente revista segundo o texto aprovado pela comissão eclesiástica evangélica alemã“ , como se lê em nossas Bíblias alemãs, sejam elas impressas em Stuttgart ou na América ou Inglaterra? E não devemos con­ servar a Bíblia assim, como uma dádiva da cristandade evangélica na Alemanha, ao colaborarmos agora com a Sociedade Bíblica do Brasil na nova tradução da Sagra­ da Escritura no sentido de uma teologia reformatória na sucessão de Luther? E não seria lícito aos reunidos aqui e ali em tôrno da mesma tradução da Bíblia, ou se­ ja da Sagrada Escritura fundamentalmente apercebida no mesmo sentido, de falarem num vínculo pela fé? Entretanto, ao dizermos de modo tão simples como o experimentamos e sentimos, o que aqui significa a união pela fé, nossa resposta não satisfará a todos aquêles que porventura ponham em discussão o direito que nos assiste de assim falarmos. Vemo-nos obrigados a também justificarmo-nos teològicamente, . e queremos fazê-lo tão sucinta e simplesmente quanto seja possível, com uma única adução. Na reunião plenária do Con­ selho Ecumênico em Amsterdam no ano de 1948 foram fundamentais os trabalhos da primeira seção da reu­ nião plenária, realizados sob a direção do bispo D. Lilje sôbre o tema „A Igreja no plano de salvação de Deus“ , tendo a seção apresentado sôbre o resultado dessa dis­ cussão um relatório, o qual foi defendido por D. Lilje na reunião plenária e por esta aprovado e recomendado às Igrejas. Êste relatório („ A Igreja no plano de salva­ ção de Deus“ , 1.° vol., pag. 227) toma como ponto de partida ,,a unidade“ que nos (às Igrejas ecumênicas) foi dada, fala em seguida da „diferença mais profunda“ e fórmula depois, antes de mais, „credos comuns e pro­ blemas comuns“ . Quem lêr êsse relatório, cujos pará­ grafos têm sempre o mesmo entróito „Todos nós cre­ mos concordará com D. Lilje, o qual declarou na reunião plenária afigurar-se-lhe „êste documento como o mais vigoroso testemunho da unidade que houve em todos os tempos“ , e não negará, qualquer que seja a Igreja confessional a que pertença, que há uma unidade

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na diversidade das Igrejas ecumênicas e mais ainda nas Igrejas da reforma alemã, a qual não pode ser designada senão como vínculo pela fé. Nenhuma Igreja confessio­ nal na ecúmena, ou seja nenhuma Igreja que de ver­ dade submete a sua confissão ao julgamento da Sagra­ da Escritura, poderá identificar o conceito do „vínculo pela fé“ com a concepção de uma completa concordân­ cia na doutrina teológica, e mormente não o poderá fa ­ zer uma Igreja da confissão de Augsburgo. Pois qual­ quer Igreja confessional que compreender dêsse modo a união na fé como a completa concordância na doutri­ na, não somente de sua parte se distanciará de uma Igreja com uma compreensão do Evangelho divergente num ou noutro ponto de sua própria doutrina, mas também a excluirá da cristandade de modo a não se mostrar mais disposta a uma discussão fraternal, a qual, para citarmos mais uma vez o bispo Nygren, tem por finalidade, „não contender uns com os outros, e sim auxiliar uns aos outros a penetrar mais profundamente no Evangelho.“ Também teològicamente podemos em bôa consciên­ cia falar no artigo I I da OBS da união pela fé com a EKD e as Igrejas da ecúmena, vinculadas a ela na fé, como também as Igrejas luteranas, reformadas e unidas pertencentes à EKD segundo a Ordem Fundamental desta reconhecem tal vínculo entre si ao dizerem que na EKD se tornara „visível a comunhão existente na cris­ tandade evangélica alemã“ . Cheguei assim ao têrmo de minha exposição sôbre o significado dos artigos I e I I da OBS, a qual resumo nas seguintes teses: 1.° — A Federação Sinodal é Igreja de Jesus Chris­ to no Brasil com tôdas as consequências que daí resul­ tarem para a prègaçao do Evangelho neste país e a coresponsabilidade para a formação da vida política, cul­ tural e econômica de seu povo. 2,° — Esta Igreja é confessionalmente determi­ nada pela Confissão de Augsburgo e o Pequeno Cate­ cismo de Luther, pertence à fam ília das Igrejas molda­ das pela reforma de Martin Luther, e quando adotará em lugar d e ' „Federação Sinodal“ a denominação de Igreja, o que esperamos para breve, exprimí-lo-á nesta mesma denominação. 3.° — Como Igreja assim determinada confessio­ nalmente a Federação Sinodal se encontra na comu-


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nhão das Igrejas representadas no Consélhò Ecumênico as quais admitem o Evangelho de Jesus Christo, que nos transmite a Sagrada Escritura, como única regra e diretriz de sua obra evangélica e de sua doutrina. 4.° — A Federação Sinodal cultiva a comunhão de fé com a Igreja Mãe, a Igreja Evangélica na Alemanha, que pela sua organização básica evidencia a comunhão da cristandade evangélica na Alemanha e se enquadra na ordem da Ecúmena. " ooo-

colegas o que foi aquêle ato e caracterizar, de um modo geral, a sua importância. Foi por um processo orgânico, proporcionado pela vinda de homens evangélicos para o Brasil que se forma­ ram, entre nós, as centenas e centenas de comunidades evangélicas. Estas comunidades, com origem direta da Reforma, congregaram-se sucessivamente em 4 sínodos: — o Sínodo Evangélico do Brasil Central; — o Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Para­ ná; — a Igreja Luterana no Brasil; — a Igreja Evangélica do Rio Grande do Sul — Sínodo Riograndense.

Rèperciissão db i.° Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal na Assembléia Legislativa do Estádò ; O ilustre e dinâmico deputado evangélico Frederico Guilherme Schmidt em um discurso proferido na Assem­ bléia Legislativa sublinhou a finalidade da Federação Sinodal e sua importância para o nosso Estado c o Bra­ sil todo. Dêste discurso, publicado no „Diário da Assem­ bléia Legislativa“ de 26/V/1950, transcrevemos os se­ guintes trechos: „Distinguido com um convite especial, esta Casa teve a feliz oportunidade de associar-se à solenidade da insta­ lação do Primeiro Concilio Eclesiástico, que a Federação Sinodal do Brasil acaba de realizar na cidade de São Leo­ poldo. Em atenção à designação feita por V. Excia., Sr. Presidente, representamos a Assembléia Legislativa na­ quela solenidade na honrosa companhia dos nobres cole­ gas srs. deputados Bruno Bórn, Nestor Jost e Helmuth Closs. : Tratando-se de um acontecimento de larga reper­ cussão no mundo evangélico do Estado e do nosso país, cabe-me, como integrante da delegação que representou esta colenda Assembléia na solenidade inaugural do Con­ cílio, e como leopoldense em particular, referir aos nobres

Após mais de meio século de existência isolada, êstes 4 sínodos já em 1938 entraram em um primeiro contacto, por intermédio da Conferência de seus presidentes; e, no ano passado, após um período de crescente intensificação de suas relações recíprocas, e reconhecendo sua base dou­ trinária comum, constituiram-se em Federação Sinodal, com a finalidade de serem Igreja de Jesus" Christo no Brasil. Assim nasceu, esta entidade de âmbito nacional, autônoma, integrada pelos mencionados Sínodos Evangé­ licos regionais de denominação luterana, a qual, somando aproximadamente meio milhão de fiéis, forma a maior expressão da Igreja Evangélica não só em nossa Pátria, mas em toda a América Latina, O poder supremo da Federação Sinodal é o Concílio Eclesiástico, um órgão que se compõe de 35 membros credenciados pelos Sínodos federados, que acaba de reu­ nir-se pela primeira vez e de cuja solenidade inaugural participaram, além de grande número de fiéis das co­ munidades de São Leopoldo e das comunidades vizinhas e das autoridades civis e militares da loçalidade, o exmo. dr. Walter Jobim, honrado e eminente Governador do Estado e a representação desta Assembléia. Entre os altos dignatários do clero nacional e do ex­ terior, presentes ao Concílio, destacaram-se os líderes das Igrejas Metodistas e Episcopal no Rio Grande do Sul, o bispo da Igreja Evangélica na Argentina, o representante da Confederação Evangélica do Rio de Janeiro e a repre-


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nhão das Igrejas representadas no Consélhò Ecumênico as quais admitem o Evangelho de Jesus Christo, que nos transmite a Sagrada Escritura, como única regra e diretriz de sua obra evangélica e de sua doutrina. 4.° — A Federação Sinodal cultiva a comunhão de fé com a Igreja Mãe, a Igreja Evangélica na Alemanha, que pela sua organização básica evidencia a comunhão da cristandade evangélica na Alemanha e se enquadra na ordem da Ecúmena. " ooo-

colegas o que foi aquêle ato e caracterizar, de um modo geral, a sua importância. Foi por um processo orgânico, proporcionado pela vinda de homens evangélicos para o Brasil que se forma­ ram, entre nós, as centenas e centenas de comunidades evangélicas. Estas comunidades, com origem direta da Reforma, congregaram-se sucessivamente em 4 sínodos: — o Sínodo Evangélico do Brasil Central; — o Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Para­ ná; — a Igreja Luterana no Brasil; — a Igreja Evangélica do Rio Grande do Sul — Sínodo Riograndense.

Rèperciissão db i.° Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal na Assembléia Legislativa do Estádò ; O ilustre e dinâmico deputado evangélico Frederico Guilherme Schmidt em um discurso proferido na Assem­ bléia Legislativa sublinhou a finalidade da Federação Sinodal e sua importância para o nosso Estado c o Bra­ sil todo. Dêste discurso, publicado no „Diário da Assem­ bléia Legislativa“ de 26/V/1950, transcrevemos os se­ guintes trechos: „Distinguido com um convite especial, esta Casa teve a feliz oportunidade de associar-se à solenidade da insta­ lação do Primeiro Concilio Eclesiástico, que a Federação Sinodal do Brasil acaba de realizar na cidade de São Leo­ poldo. Em atenção à designação feita por V. Excia., Sr. Presidente, representamos a Assembléia Legislativa na­ quela solenidade na honrosa companhia dos nobres cole­ gas srs. deputados Bruno Bórn, Nestor Jost e Helmuth Closs. : Tratando-se de um acontecimento de larga reper­ cussão no mundo evangélico do Estado e do nosso país, cabe-me, como integrante da delegação que representou esta colenda Assembléia na solenidade inaugural do Con­ cílio, e como leopoldense em particular, referir aos nobres

Após mais de meio século de existência isolada, êstes 4 sínodos já em 1938 entraram em um primeiro contacto, por intermédio da Conferência de seus presidentes; e, no ano passado, após um período de crescente intensificação de suas relações recíprocas, e reconhecendo sua base dou­ trinária comum, constituiram-se em Federação Sinodal, com a finalidade de serem Igreja de Jesus" Christo no Brasil. Assim nasceu, esta entidade de âmbito nacional, autônoma, integrada pelos mencionados Sínodos Evangé­ licos regionais de denominação luterana, a qual, somando aproximadamente meio milhão de fiéis, forma a maior expressão da Igreja Evangélica não só em nossa Pátria, mas em toda a América Latina, O poder supremo da Federação Sinodal é o Concílio Eclesiástico, um órgão que se compõe de 35 membros credenciados pelos Sínodos federados, que acaba de reu­ nir-se pela primeira vez e de cuja solenidade inaugural participaram, além de grande número de fiéis das co­ munidades de São Leopoldo e das comunidades vizinhas e das autoridades civis e militares da loçalidade, o exmo. dr. Walter Jobim, honrado e eminente Governador do Estado e a representação desta Assembléia. Entre os altos dignatários do clero nacional e do ex­ terior, presentes ao Concílio, destacaram-se os líderes das Igrejas Metodistas e Episcopal no Rio Grande do Sul, o bispo da Igreja Evangélica na Argentina, o representante da Confederação Evangélica do Rio de Janeiro e a repre-


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sentaçao da Igreja Evangélica na Alemanha, chefiada pelo rev. Pastor Martin Niemoeller, sôbre cuja singular e marcante personalidade já se ocuparam os principais órgãos da imprensa porto-alegrense. É o atual presidente da Federação o rev. Dr. H. Dohms, que durante muitos anos vem presidindo os des­ tinos do Sínodo Riograndense“ . Depois de citar uma parte do discurso do pastor E. Schlieper, publicado a página 14 deste folheto, o depu­ tado Frederico Guilherme Schmidt assim finalizou o seu discurso: „Igualmente fundo calaram as palavras expressivas pronunciadas pelo Eminente Sr. Dr. Walter Jobim, quando ao Primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal, trazia a reverência do Estado. Foi também impressionante a saudação do represen­ tante da Igreja Mãe, o Pastor Niemoeller, o qual, com palavras simples, claras e incisivas, soube precisar o sig­ nificado do momento. Foi dentro de ta l espírito de elevação que se inau­ guraram os trabalhos do Primeiro Concílio Eclesiástico dá Federação Sinodal, durante os quais se procedeu a um amplo exame das condições que, na nossa Pátria, carac­ terizam a complexa e fértil obra evangelizadora para a qual a Federação Sinodal está sendo chamada, com cres­ cente insistência, por largas camadas da coletividade brasileira. ... . c . - .... Coube a São Leopoldo *— o vigoroso cèntrò irradiador da vida evangélica em nosso Estado — o privilégio de abrigar tão excelso conclave, cuja importância só muito mais tarde se revelaria em tôda a sua plenitude.— como tão autorizadamente o vaticionou, no momento solene da abertura, o bondoso pastor Niemoeller, cuja presença, aliás, na América do Sul, se deve, em particular, à reali­ zação do 1.° Concílio da Federação Sinodal. Coube a São Leopoldo — o centro propulsor do mo­ vimento unificador da Igreja Evangélica em nossa Terra — a íntima satisfação de participar do grande abraço fraternal das comunidades evangélicas de todo Brasil meridional desde o Espírito Santo, até o Rio Grande do Sul. Coube finalmente, a São Leopoldo em particular, sentir e experimentar, bem de perto, durante alguns dias,

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o irresistível calor da genuina fé cristã que irradia dêsse corajoso líder da Cristandade contemporânea que até o pastor M artin Niemoeller, o qual, além de externar o seu entusiasmo pela Federação Sinodal do Brasil e de hipo­ tecar-lhe o seu irrestrito apôio, fez empenho em procla­ mar sua admiração pelo povo pacífico, progressista, or­ deiro e democrata do Rio Grande. Foi êste, Sr. Presidente, o Concílio, que se instala na cidade de São Leopoldo, e que, reunindo delegados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná, São Pau­ lo, Distrito Federal e Estado do Rio, distinguiu não só a comunidade e a cidade de São Leopoldo mas todo o Rio Grande do Sul, e de cujos relevantes trabalhos muito poderá aproveitar o povo de nosso querido Brasil“ . « o » -----


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sentaçao da Igreja Evangélica na Alemanha, chefiada pelo rev. Pastor Martin Niemoeller, sôbre cuja singular e marcante personalidade já se ocuparam os principais órgãos da imprensa porto-alegrense. É o atual presidente da Federação o rev. Dr. H. Dohms, que durante muitos anos vem presidindo os des­ tinos do Sínodo Riograndense“ . Depois de citar uma parte do discurso do pastor E. Schlieper, publicado a página 14 deste folheto, o depu­ tado Frederico Guilherme Schmidt assim finalizou o seu discurso: „Igualmente fundo calaram as palavras expressivas pronunciadas pelo Eminente Sr. Dr. Walter Jobim, quando ao Primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal, trazia a reverência do Estado. Foi também impressionante a saudação do represen­ tante da Igreja Mãe, o Pastor Niemoeller, o qual, com palavras simples, claras e incisivas, soube precisar o sig­ nificado do momento. Foi dentro de ta l espírito de elevação que se inau­ guraram os trabalhos do Primeiro Concílio Eclesiástico dá Federação Sinodal, durante os quais se procedeu a um amplo exame das condições que, na nossa Pátria, carac­ terizam a complexa e fértil obra evangelizadora para a qual a Federação Sinodal está sendo chamada, com cres­ cente insistência, por largas camadas da coletividade brasileira. ... . c . - .... Coube a São Leopoldo *— o vigoroso cèntrò irradiador da vida evangélica em nosso Estado — o privilégio de abrigar tão excelso conclave, cuja importância só muito mais tarde se revelaria em tôda a sua plenitude.— como tão autorizadamente o vaticionou, no momento solene da abertura, o bondoso pastor Niemoeller, cuja presença, aliás, na América do Sul, se deve, em particular, à reali­ zação do 1.° Concílio da Federação Sinodal. Coube a São Leopoldo — o centro propulsor do mo­ vimento unificador da Igreja Evangélica em nossa Terra — a íntima satisfação de participar do grande abraço fraternal das comunidades evangélicas de todo Brasil meridional desde o Espírito Santo, até o Rio Grande do Sul. Coube finalmente, a São Leopoldo em particular, sentir e experimentar, bem de perto, durante alguns dias,

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o irresistível calor da genuina fé cristã que irradia dêsse corajoso líder da Cristandade contemporânea que até o pastor M artin Niemoeller, o qual, além de externar o seu entusiasmo pela Federação Sinodal do Brasil e de hipo­ tecar-lhe o seu irrestrito apôio, fez empenho em procla­ mar sua admiração pelo povo pacífico, progressista, or­ deiro e democrata do Rio Grande. Foi êste, Sr. Presidente, o Concílio, que se instala na cidade de São Leopoldo, e que, reunindo delegados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná, São Pau­ lo, Distrito Federal e Estado do Rio, distinguiu não só a comunidade e a cidade de São Leopoldo mas todo o Rio Grande do Sul, e de cujos relevantes trabalhos muito poderá aproveitar o povo de nosso querido Brasil“ . « o » -----


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Exmo. Sr. Presidente e demais membros da Assem­ bléia Legislativa do Estado, Pôrto Alegre: Federação Si­ nodal ao encerrar seu primeiro Concílio Eclesiástico, reu­ nido em São Leopoldo, sauda os nobres representantes do povo gaúcho, renovando seus agradecimentos pelas homenagens que lhe prestaram, rogando a bênção divina para os trabalhos do poder legislativo. Dr. Dohms, Pre­ sidente. — // —

T e 1e g r a m a s (Autoridades civis) General Eurico Gaspar Dutra, Digníssimo Presiden­ te da República, Rio de Jaiieiro: Federação Sinodal, reu­ nida cidade São Leopoldo, constituída pelas Igrejas Evan­ gélicas do Brasil, em nome mais de meio milhão brasi­ leiros evangélicos apresenta a Vossência, no ato de en­ cerramento seu primeiro Concílio Eclesiástico, as suas mais respeitosas saudações, rogando a Deus queira aben­ çoar governo benemérito Vossência. Dr. Dohms, Presi­ dente.

Dr. Dohms, Presidente Federação Sinodal, São Leo­ poldo: Incumbiu-me Sr. Presidente República acusar recebimento vosso telegrama e agradecer saudações e votos da Federação Sinodal das Igrejas Evangélicas formulados reunião cidade São Leopoldo. Nesta oportuni­ dade apresento-vos cordiais saudações. Carlos Roberto de Aguiar Moreira, Secretário Particular do Presidente da República. — // — Dr. Walter Jobim, MD Governador do Estado, Pôrto Alegre: Federação Sinodal ao encerrar seu 1.° Concílio Eclesiástico, reunido em São Leopoldo, tem a honra de renovar a Vossência. respeitosas saudações e agradeci­ mentos honrosa presença ato inaugural, rogando a Deus queira abençoar govêrno benemérito Vossência. Dr. Dohms, Presidente. — // —

Dr. Mário Sperb, Digníssimo Prefeito Municipal, São Leolpodo: Federação Sinodal, reunida hospitaleira cidade São Leopoldo, autorizou-me, ao encerrar primeiro Concílio Eclesiástico, apresentar ao distinto Prefeito dessa comuna suas cordiais saudações agradecendo hon­ rosa presença ato inaugural. Roga bênção divina bene­ mérito govêrno Vossa Senhoria. Dr, Dohms, Presidente. -/ / — Presidente e demais membros da Câmara Vereadores de São Leopoldo: Federação Sinodal, reunida nesta cida­ de, ao encerrar seu primeiro Concílio Eclesiástico, apre­ senta nobres representantes do povo leopoldense suas cordiais saudações agradecendo honrosa presença sua representação ato inaugural. Roga bênção divina para os trabalhos do poder legislativo. Dr. Dohms, Presidente. # 4: fis


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Exmo. Sr. Presidente e demais membros da Assem­ bléia Legislativa do Estado, Pôrto Alegre: Federação Si­ nodal ao encerrar seu primeiro Concílio Eclesiástico, reu­ nido em São Leopoldo, sauda os nobres representantes do povo gaúcho, renovando seus agradecimentos pelas homenagens que lhe prestaram, rogando a bênção divina para os trabalhos do poder legislativo. Dr. Dohms, Pre­ sidente. — // —

T e 1e g r a m a s (Autoridades civis) General Eurico Gaspar Dutra, Digníssimo Presiden­ te da República, Rio de Jaiieiro: Federação Sinodal, reu­ nida cidade São Leopoldo, constituída pelas Igrejas Evan­ gélicas do Brasil, em nome mais de meio milhão brasi­ leiros evangélicos apresenta a Vossência, no ato de en­ cerramento seu primeiro Concílio Eclesiástico, as suas mais respeitosas saudações, rogando a Deus queira aben­ çoar governo benemérito Vossência. Dr. Dohms, Presi­ dente.

Dr. Dohms, Presidente Federação Sinodal, São Leo­ poldo: Incumbiu-me Sr. Presidente República acusar recebimento vosso telegrama e agradecer saudações e votos da Federação Sinodal das Igrejas Evangélicas formulados reunião cidade São Leopoldo. Nesta oportuni­ dade apresento-vos cordiais saudações. Carlos Roberto de Aguiar Moreira, Secretário Particular do Presidente da República. — // — Dr. Walter Jobim, MD Governador do Estado, Pôrto Alegre: Federação Sinodal ao encerrar seu 1.° Concílio Eclesiástico, reunido em São Leopoldo, tem a honra de renovar a Vossência. respeitosas saudações e agradeci­ mentos honrosa presença ato inaugural, rogando a Deus queira abençoar govêrno benemérito Vossência. Dr. Dohms, Presidente. — // —

Dr. Mário Sperb, Digníssimo Prefeito Municipal, São Leolpodo: Federação Sinodal, reunida hospitaleira cidade São Leopoldo, autorizou-me, ao encerrar primeiro Concílio Eclesiástico, apresentar ao distinto Prefeito dessa comuna suas cordiais saudações agradecendo hon­ rosa presença ato inaugural. Roga bênção divina bene­ mérito govêrno Vossa Senhoria. Dr, Dohms, Presidente. -/ / — Presidente e demais membros da Câmara Vereadores de São Leopoldo: Federação Sinodal, reunida nesta cida­ de, ao encerrar seu primeiro Concílio Eclesiástico, apre­ senta nobres representantes do povo leopoldense suas cordiais saudações agradecendo honrosa presença sua representação ato inaugural. Roga bênção divina para os trabalhos do poder legislativo. Dr. Dohms, Presidente. # 4: fis


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as Comunidades como sendo missão genuína sua, de coração e alma. O Concílio pede às Comunidades que se empenham por esta missão sem cessar; orar por ela; contribuir para a sua efetivação; amá-la, como sendo o prim eiro.encargo comum da Federação Sinodal. A Federação quer servir às comunidades. Somente poderá realizá-lo, se as comunidades a mantêm aceitando os seus objetivos.

Mensagem às Comunidades De 14 a 16 de maio de 1950 teve lugar em São Leo­ poldo, no Estado do Rio Grande do Sul, o primeiro Con­ cílio Eclesiástico da Federação Sinodal, constituída pelos quatro sínodos evangélicos no Brasil. Êste primeiro Concílio evidenciou que os quatro sí­ nodos são mütuamente ligados entre si pela igualdade da confissão e pela igualdade da sua origem da Igreja da Reforma e que lhes é confiada uma missão comum: A de ser Igreja de Jesus Christo no Brasil. O Concílio transmite saudações a tôdas as Comuni­ dades Sinodais dos Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Distrito Federal, dos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais bem como nos demais Estados e Territórios do Brasil, Comunidades da Federação, desej ando-lhes paz e consolação e alegria em Christo. A Igreja está, onde a palavra de Deus é prègada pura e simples e os sacramentos são corretamente adminis­ trados. Por esta palavra o Senhor Jesus Christo cria para si comunidades vivas, conscientes de que a Êle pertencem e que pela prègação e exemplo são testemu­ nhas de Sua fôrça que tudo renova. Que esta prègação se realize cada vez mais entre nós, para que Christo se apodere cada vez mais de todos nós, para nisso servir e nisso ajudar, eis a razão de ser da congregação dos Sí­ nodos da Federação Sinodal. Por isso o Concílio assumiu em nome da Federação a responsabilidade pela formação de Pastores para as nossas Comunidades no Instituto Pré-Teológico e na Escola de Teologia em São Leopoldo. Êste encargo de responsabilidade comum é agora recomendado a tôdas

Deus queira fortalecer cada vez mais os laços que unem aS nossas comunidades na comum confissão do Christo, no qual se encerra toda a salvação. ass. D. H. Dohms Presidente da

Federação

Sinodal.


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as Comunidades como sendo missão genuína sua, de coração e alma. O Concílio pede às Comunidades que se empenham por esta missão sem cessar; orar por ela; contribuir para a sua efetivação; amá-la, como sendo o prim eiro.encargo comum da Federação Sinodal. A Federação quer servir às comunidades. Somente poderá realizá-lo, se as comunidades a mantêm aceitando os seus objetivos.

Mensagem às Comunidades De 14 a 16 de maio de 1950 teve lugar em São Leo­ poldo, no Estado do Rio Grande do Sul, o primeiro Con­ cílio Eclesiástico da Federação Sinodal, constituída pelos quatro sínodos evangélicos no Brasil. Êste primeiro Concílio evidenciou que os quatro sí­ nodos são mütuamente ligados entre si pela igualdade da confissão e pela igualdade da sua origem da Igreja da Reforma e que lhes é confiada uma missão comum: A de ser Igreja de Jesus Christo no Brasil. O Concílio transmite saudações a tôdas as Comuni­ dades Sinodais dos Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Distrito Federal, dos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais bem como nos demais Estados e Territórios do Brasil, Comunidades da Federação, desej ando-lhes paz e consolação e alegria em Christo. A Igreja está, onde a palavra de Deus é prègada pura e simples e os sacramentos são corretamente adminis­ trados. Por esta palavra o Senhor Jesus Christo cria para si comunidades vivas, conscientes de que a Êle pertencem e que pela prègação e exemplo são testemu­ nhas de Sua fôrça que tudo renova. Que esta prègação se realize cada vez mais entre nós, para que Christo se apodere cada vez mais de todos nós, para nisso servir e nisso ajudar, eis a razão de ser da congregação dos Sí­ nodos da Federação Sinodal. Por isso o Concílio assumiu em nome da Federação a responsabilidade pela formação de Pastores para as nossas Comunidades no Instituto Pré-Teológico e na Escola de Teologia em São Leopoldo. Êste encargo de responsabilidade comum é agora recomendado a tôdas

Deus queira fortalecer cada vez mais os laços que unem aS nossas comunidades na comum confissão do Christo, no qual se encerra toda a salvação. ass. D. H. Dohms Presidente da

Federação

Sinodal.


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í n d i c e

Primeiro Concílio da Federação Sinodal

.....................

i

A nossa Fé é a Vitória Dominadora do Mundo . . . . . .........

10

O que é a Federação Sinodal .....................

14

O Direito da Igreja ........... ;

18

..................................

A Significação dos Artigos I e I I da Ordem Básica (Esta­ tutos) da Federação Sinodal . . . . ......

25

Repercussão do 1.° Concílio Eclesiástico da Federação Sino­ dal na Assembléia Legislativa do Estado ................... Telegramas

.....................................................................

Mensagem às Comunidades índice

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38 42

............... 44 40


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Primeiro Concílio da Federação Sinodal

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A nossa Fé é a Vitória Dominadora do Mundo . . . . . .........

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O que é a Federação Sinodal .....................

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O Direito da Igreja ........... ;

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A Significação dos Artigos I e I I da Ordem Básica (Esta­ tutos) da Federação Sinodal . . . . ......

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Repercussão do 1.° Concílio Eclesiástico da Federação Sino­ dal na Assembléia Legislativa do Estado ................... Telegramas

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Mensagem às Comunidades índice

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Primeiro Concílio Eclesiástico da Federação Sinodal 14-16 de maio de 1950 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu