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Povo Jamamadi Deni - Festa e resistência na Amazônia brasileira

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Semana dos Povos IndĂ­genas 2020 - 19 a 25 de abril


Organização

Ana Patrícia Chaves Ferreira Kassiane Schwingel

Fotografia: Arquivo COMIN Revisão: Daniela Silva Huberty Projeto gráfico e diagramação: Cristina Pozzobon Tiragem: 30 mil exemplares Gráfica: Editora Evangraf Em www.comin.org.br você encontrará vídeos e propostas didáticas para aprofundar esta temática. Caso queira falar conosco, entre em contato pelo e-mail: cominprofordi@est.edu.br Conselho de Missão entre Povos Indígenas - COMIN Amadeo Rossi, 467, CEP 93030-220, São Leopoldo - RS - Brasil Fone: 55 51 3590-1440

Povo Jamamadi Deni festa e resistência na Amazônia Brasileira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) P879

Povo Jamamadi Deni : Festa e Resistência na Amazônia Brasileira / organização Ana Patrícia Chaves Ferreira, Kassiane Schwingel. – Porto Alegre : COMIN : Fundação Luterana de Diaconia, 2020. 39 p. : il. ; 21 cm. Inclui glossário. ISBN 978-85-93033-08-7 1. Indígenas - Brasil. 2. Jamamadi Deni - Amazônia. I. Ferreira, Ana Patrícia Chaves. II. Schwingel, Kassiane. CDU 397 (=1.81-82) CDD 981.00498 (Bibliotecária responsável: Sabrina Leal Araujo – CRB 8/10213)

Fundação Luterana de Diaconia Porto Alegre - RS 2020


Fazer festa é resistir “Povo Jamamadi Deni – festa e resistência na Amazônia brasileira” é o título do caderno da Semana dos Povos Indígenas 2020, pensado para dar visibilidade a mais um importante povo indígena no Brasil, mais precisamente da Amazônia. Existem controvérsias sobre a denominação do povo Jamamadi Deni, pois há suspeitas de que o povo Jamamadi dos municípios de Boca do Acre/AM e Pauiní/AM seriam do povo Deni. O equívoco teria acontecido na hora de não indígenas identificarem e nomearem este povo. Por este caderno ter sido

construído com a comunidade do Tocimão, que está na Terra Indígena Inauiní Teuiní, usaremos a autodenominação utilizada por esta comunidade, que é “Jamamadi Deni”. Para além das dúvidas ainda presentes nos estudos históricos, prevalecerá aqui a forma como estas pessoas se identificam e se apresentam. Segundo dados do Instituto Socioambiental, levantados no ano de 2000, a população total de Jamamadi era de cerca de 800 pessoas. Neste caderno, trabalhado especificamente com a comunidade do Tocimão, estamos falando de 81 pessoas. O processo de produção deste conteúdo aconteceu através de visitas à comunidade Jamamadi Deni, onde foram realizadas entrevistas, filmagens, fotos e também muitos diálogos com diversas pessoas da comunidade. No decorrer do processo de escrita e organização do material, o diálogo manteve-se para que

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tudo o que fosse escrito e exposto nele estivesse de acordo com a vontade e entendimento desta comunidade. Para além de se apresentarem enquanto povo às diversas pessoas que não as conhecem, as pessoas Jamamadi Deni perceberam nesta produção uma oportunidade de ter um registro de sua cultura e seu modo de ser. Também trouxeram temáticas que preocupam a comunidade, para que este caderno seja ferramenta de suas lutas. Para você, que recebe e lê agora este caderno, é uma oportunidade de aprender com um povo indígena amazônico que mostra a sua resistência mantendo-se em seu território. É importante ressaltar que este território

está na região brasileira conhecida pela vasta natureza, mas que também vem enfrentando grandes frentes que querem a exploração, o desmatamento e até mesmo a mineração. O povo Jamamadi Deni usa este caderno para exercer seu protagonismo como povo indígena amazônico e trazer sua perspectiva de uso do seu território em harmonia com a conservação da natureza. Também você poderá descobrir com as pessoas Jamamadi Deni a importância da festa: seja para agradecer uma colheita ou um roçado, seja para comemorar o nascimento de uma criança. A alegria e os ritos coletivos de agradecimento são também formas de resistir e seguir sendo quem são!

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Aqui é nossa aldeia mesmo! Damásio Tamakurideni

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a comunidade Jamamadi Deni tenha acesso a ferramentas que facilitem estas práticas, elas seguem existindo muito parecidas, como será descrito no decorrer deste caderno. Napãnava Anupideni, uma das anciãs da comunidade, lembradosprimeiroscontatos que teve com não indígenas: “Antes nós tínhamos medo do kariú, nós corríamos, nós nos escondíamos.” As reações de estranhamento e medo para com não indígenas são frequentemente relatadas pelas pessoas mais velhas da comunidade, lembrando também que muitas vezes o contato não

Muito antes da chegada de não indígenas, o povo Jamamadi Deni já habitava a região do Médio Purus onde vivia do que a natureza oferecia: “No começo, não tinha farinha. Comiam só palmito, pau do índio e cará do mato.” Vaimã Maukuvideni “Primeiro nós não tínhamos nada, nem machado, nem terçado, nem isqueiro nós não tínhamos. Meu pai que começou a sair pra fora e comprava: sal, isqueiro, machado. Mas machado meu pai não tinha dinheiro pra comprar, aí os parentes arranjavam pra ele. Primeiro nosso jeito era outro.” Vithanaha Taruzazadeni Nos relatos dos tempos antigos, estão muito presentes os diversos alimentos que eram coletados, além das caças e pescas. Embora hoje

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era amistoso, especialmente durante o período conhecido como “segundo ciclo da borracha” (década de 1940). Nessa época, quando houve grande exploração nos seringais, muitos povos indígenas foram dizimados, outros tiveram seus territórios invadidos e a força de trabalho de quem sobreviveu foi escravizada. Assim também

aconteceu com gente do povo Jamamadi Deni. Atualmente, com a organização geográfica não indígena, o território Jamamadi Deni está nos municípios de Boca do Acre e Pauini, no sul do estado do Amazonas. Esse povo vive em uma área de 4.690 Km, a Terra Indígena Inauiní Teuiní, demarcada no ano de 1997.

Mapa Terra Indígena Inauini/Teuini, Boca do Acre e Pauini/AM | Fonte: IMAZON

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A demarcação da sua terra é considerada pelo povo Jamamadi Deni fruto da luta dos seus e das suas ancestrais: “O meu avô, que era o mais velho, ele lutou muito pra conseguir essa terra pra nós. Ele lutou muito pra fora, junto com os parentes Apurinã e de outros povos. Por isso que até hoje que nós estamos aqui.” Vahanu Maukuvidei. O professor Francisco Maukuvideni alerta: “A nossa terra foi demarcada em 1997 como área indígena. Isso pra nós é possibilidade de futuro. Aqui tem muita caça e peixe. E só Jamamadi que a gente quer aqui. Não queremos que os não indígenas venham entrar na área indígena pra pescar e vender no município. Também os fazendeiros nós não queremos que entrem aqui e invadam nossa terra. Aqui faz tempo que nós estamos, nossos bisavôs, tataravôs... E daqui a 20 anos pra frente muitos parentes ainda estarão aqui.”

Essa preocupação com a manutenção de seu território e também com sua preservação é muito presente nas falas de pessoas Jamamadi Deni. Sobre as ameaças ao território, o cacique da comunidade Mavira Zepenekusi relata: “Tem muito fazendeiro que derruba muitas árvores, pescadores e caçadores também. Nós aqui na nossa Terra Indígena demarcada Inauiní Teuiní já há muitos anos e até hoje nós não queremos isso. Não vamos derrubar todas as árvores, não podemos pescar e caçar muito, mas só para comer. Também pra fazer casas tem

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Mito de origem do povo Jamamadi Deni

to peixe pra vender e quase falta aqui pra nós.” Vahanu Maukuvideni A lógica de vida e organização social Jamamadi Deni não compreende a exploração desmedida da natureza e a ganância, que criam invasões aos territórios. “Tem pessoal que fala que vão matar nós, devido a nossa terra, devido à madeira. Mas eu falo assim: não, eles têm terra pra lá. Como é que vão mexer com a nossa terra? Antigamente nossos avós já moravam por aqui.” Napãnava Anupideni.

que derrubar árvores, mas é só para as casas. Se vem fazendeiro e começa a derrubar tudo, a gente não vai mais viver, o sol é muito quente.” Embora o território Jamamadi Deni esteja demarcado e, por isso, deveria ser protegido pelo governo federal, a comunidade já sente a proximidade das ameaças: “Têm muitos caçadores e pescadores que gostam de entrar no nosso ambiente aqui. Já está ficando quase difícil, principalmente peixe. Na vazão do peixe pescador entra aqui de todo jeito. Eles pegam mui10

O povo fazia festa todo dia e não tinha roçado, não procurava fruta na mata. Uma velha que estava com fome foi procurar um pé de cará ou inhame na mata e não achou nada. Ela chamou o pajé do outro lado do céu. Antigamente, nas comunidades Jamamadi Deni, não existia pajé e, por isso, tudo era longe e para conseguir construir um roçado era difícil. Chegou um pajé na aldeia e, no dia em que ele chegou, ele cheirou o rapé dele e subiu para o céu. Começou então a cortar o céu até que ele conseguiu arrombar, furar o céu. Choveu muito e começou a alagar toda a terra. Com isso, morreu todo mundo, só escaparam dois irmãos porque não estavam no momento da alagação. Quando os dois irmãos chegaram à aldeia deles, encontraram um lago bem grande e todo mundo morto.

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Eles estavam com muita fome, então colocaram tingui no lago, pescaram peixe, muquinharam, assaram e comeram durante todo o dia. No outro dia, um dos irmãos saiu cedo para olhar o roçado que eles tinham preparado e tinha nascido um pé de milho. O milho cresceu e eles colheram. Um dos irmãos pegou o milho e comeu, só que o milho era muito duro e quebrou o dente dele. Então ele pegou uma faca e cortou a boca e jogou para cima. Quando chegou lá em cima, a boca cortada virou um ratinho e, quando caiu no chão, virou o peixe cará. No outro dia, resolveram pescar novamente. Pescaram o peixe poraquê, fizeram um caldo bem forte dele e tomaram. Ficaram bem fortes e, no dia seguinte, começaram a resgatar o povo que tinha morrido com a alagação. Mas, no momento em que um dos irmãos começou a beber o caldo forte de poraquê, ele vomitou e começou a falar outra língua de outro povo e saiu outro povo de dentro dele. O outro irmão pediu para que ele tomasse novamente o caldo e assim ele fez, mas vomitou novamente e começou a falar a língua de outro e saiu outro povo de dentro dele novamente. E assim se repetiu por muitas vezes. Então o outro irmão decidiu tomar o caldo de poraquê e vomitou também, mas conseguiu falar a língua do povo Jamamadi Deni. Ele conseguiu resgatar seu povo que foi saindo de dentro dele até a aldeia ficar completa novamente. (Mito contado por Vahanu Maukuvideni) 12

A vida no sobe e desce das águas e verão. O inverno amazônico, como é chamado, acontece entre os meses de dezembro e maio. O verão amazônico acontece entre os meses de junho e novembro. Para cada estação existe um tipo de ciclo com atividades de pesca, caça, plantio de roçado, coleta de frutos na mata, construções de

No mito de origem do povo Jamamadi Deni, estão descritas diversas práticas que este povo faz até hoje: muita festa, plantio de roçados, pesca... Para além dos aspectos culturais, algo que influencia diretamente na vida destas pessoas são os ciclos da natureza. Na Amazônia, existem somente duas estações do ano: inverno

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casas e embarcações e até canoas e rabetas (tipo de camesmo seus rituais de festas. noa), conseguem chegar até O inverno amazônico é bem o Tocimão. Devido à distância, chuvoso, sendo entre os me- não é muito frequente a preses de janeiro e março o pe- sença de Jamamadi Deni do ríodo de maior densidade de Tocimão na cidade de Pauichuvas, quando os rios ni e muitas dessas e igarapés estão pessoas passam extremamente até meses sem As condições cheios e bons ir à cidade. climáticas interferem para navegar. Essa vida diretamente na vida do O verão sustentada povo Jamamadi Deni. amazônico praticamente Talvez na sua vida isso é seco, com pelo que há também aconteça. pouquíssimas no próprio Já pensou chuvas e muito território só calor, período é possível por sobre isso? quando os rios e não ser uma terra igarapés ficam mais pequena. “Nós precisecos e baixos, sendo samos desta terra grande. Às muito ruim para navegar. “No vezes nós vamos caçar e pasverão, se pescar de noite ou samos uma semana caçande dia, pega! Piau, bucão, do pra trazer um rancho pra pacu, matrinxã, tucunaré.” comunidade. Quando nós Nupi Maukuvideni vamos pra coleta da castaA distância da comunida- nha, subimos uns três dias de de Tocimão até a cidade mais canoa com motor e lá temos próxima, que é Pauini, utilizan- tipo uma aldeia assim, pra nós do as embarcações (barcos e irmos todos. Ficamos lá um ou canoas) Jamamadi Deni, édois dois mês, coletando a castadias navegando. Somente nha e vendemos pra comprar embarcações menores, como açúcar, café, sabão... Isso pra

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seu próprio território, que faz com que, de acordo com os ciclos e estações, estejam em lugares diferentes. Constroem pequenas casas e tapiris para suas migrações sazonais ou expedições de caças, pescas e, principalmente, na coleta de frutos da mata como castanha e piquiá, buriti, patoá, bacaca, pupunha, uxi, sova, cacau, cupuaçu, shuvi, ingá, shabunu, pama, tucumã, mulungu, abacate e açaí.

poder ajudar também. Então a gente precisa dessa terra grande também pra fazer um roçado grande, plantar macaxeira, banana, um legume, pra gente se manter, sobreviver. Se nós não tivermos essa terra grande, a gente tem que comprar e é tão caro uma farinha no mercado!” Vahanu Maukuvideni Aqui aparece outra característica do povo Jamamadi Deni do Tocimão que é a organização seminômade dentro do

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O povo Jamamadi Deni se dedica especialmente à coleta da castanha e do piquiá, sendo a castanha o produto que gera mais possibilidade de ser comercializado. Durante os meses de dezembro a março, o povo se desloca para os castanhais, que ficam a dois ou três dias da comunidade central, levando toda a família. Praticamente toda comunidade se deslocada para realizar essa atividade, inclusive várias crianças Jamamadi Deni já nasceram durante as coletas nos castanhais. Napãnava Anupideni fala mais sobre esse período: “Quando chegamos à mata, uns se organizam para fazer o tapiri, outros pescar ou caçar, enquanto outros vão coletar castanha. Eu gosto muito de ir para os castanhais, logo pego palha de buriti para fazer um paneiro e cipó para fazer ces-

tos para colocar as castanhas. Assamos e muquinhamos peixe, tiramos açaí, piquiá. Eu gosto muito de tudo isso, mas é trabalhoso, difícil também, porque tem malária, e podemos adoecer”. Essa vida seminômade tem a ver com uma relação estabelecida por este povo com a natureza que é baseada no respeito. Ao invés de forçar a produção de alimentos em um mesmo espaço durante todo o ano, as pessoas Jamamadi Deni se deslocam em busca do que a natureza pode lhes oferecer. Também se percebe esse res-

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O povo Jamamadi Deni leva para a cidade apenas alguns produtos para vender, como: vassouras, abanos, cestos, peneiras, castanhas, farinha. “As vassouras a gente faz aqui. Busca o cipó no mato e faz pra vender. Vende a cinco reais, seis reais e quando vende caro é oito reais.” Visuharu Maukuvideni Quando vendem os produtos na cidade de Pauini, geralmente usam o dinheiro para comprar combustível e se locomover nas suas canoas a motor, além de sabão e sal para consumo.

peito nos relatos sobre a busca de alimentos: “Eu pesco meu peixe pra trazer pra casa, pra comer! Se topar com um bando de queixadas a gente mata um ou dois. Porque é pra comer mesmo.” Maukuvideni “Se tiver muita produção no roçado a gente vende. Se não, a gente planta pra fazer só o nosso costume mesmo.” Vahanu Maukuvideni Ou seja, o que se retira da natureza, as caçadas e pescas que são feitas, sempre tem o intuito de alimentar as pessoas e não explorar esses recursos.

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Não se é feliz só - vida coletiva A comunidade Jamamadi Deni do Tocimão é composta, no período da elaboração deste caderno, por 81 pessoas, sendo que destas 44 são crianças. Está organizada em cinco clãs, que são: Maukhuvideni, Avamakhuvideni, Anupideni, Tamakurideni e Taruzazadeni. Na co-

munidade também há um cacique e um vice-cacique e, sobre isso, o atual cacique Mavira Zepenekusi explica: “Tudo, até as caças, tem um chefe: queixada tem um chefe, porquinho tem um chefe, veado tem um chefe. Então nós temos que ter um chefe também.”

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Quase todas as atividades somente um gerador à diesel praticadas na comunidade que é ligado quando há algusão feitas de forma coleti- ma atividade na comunidade. Os roçados também são va. Quando se constrói uma casa, por exemplo, toda a importantes espaços e pocomunidade se envolve e dem estar perto ou mais disajuda nesta construção. “Nós tantes da comunidade. Neles, as pessoas Jamamadi não sabemos vender madeiDeni plantam mara. Na área indígena é c a x e i ra , m a proibido vender Um exemplo dado mão, banana, madeira. Agopelas pessoas Jamamadi raízes como ra se for pra Deni de trabalho coletivo cará e batacomunidade tas. Existem mesmo, pra é a construção das casas. também gente fazer No lugar em que você outras frutas uma casa pra vive, as pessoas se unem introduzidas uma família, para trabalhos pelo contato aí pode serrar coletivos? com a sociedamadeira. Mas pra de não indígena, vender, não.” Vahacomo goiabeiras, laranjeinu Maukuvideni As casas Jamamadi Deni ras, limoeiros e mangueiras. do Tocimão são feitas de ma- Segundo Visuhara Maukuvideira com assoalho da ripa da deni, toda a família participa paxiuba ou tábua de madeira no preparo do roçado. “Os homens começam e telhado de palha. São feitas bem altas, no modelo de ca- derrubando a mata bruta, é sas de palafitas, protegendo um trabalho muito duro, tem de animais da mata e alaga- que estar bem forte e com ções. Na comunidade Toci- saúde para fazer. Eles comemão, não há energia elétrica, çam brocando e derrubando. 19


Depois de um mês que a terra está descansada, lá pelo mês de maio, vamos tocar fogo. Depois de queimar tudo é que vamos plantar. Senão queimar bem, aí vai fazer coivara. As mulheres e a meninada é quem plantam e colhem. Cuidamos do roçado, temos muito trabalho pra fazer, mas é

muito importante ensinar tudo para os nossos filhos e netos, pois assim eles sempre irão lembrar e fazer sempre, irão comer o que a terra nos dá e irão cuidar da terra também”. Existem algumas divisões de tarefas definidas, especialmente entre homens e mulheres. Cuidar do roçado

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é tarefa das mulheres: “Aqui nós estamos vivendo bem. A mulherada vai pro roçado, tira cará, inhame, macaxeira. A gente vive assim.” Nupi Maukuvideni Também são as mulheres que preparam as carnes para as refeições. Já a caça e a pesca são atividades dos homens: “Quando a gente chega de uma caçada, as mulheres preparam tudo e chama todos os parentes pra comer junto.” Tanurivi Taruzazadeni Para cozinhar seus alimentos, a comunidade do Tocimão usa o zipha “fogão de barro”. O fogão de barro é feito pelos homens e pelas mulheres e geralmente é construído bem no fundo da cozinha. Porém, para o fogão funcionar, é necessário sempre ter lenha e essa é mais uma tarefa das mulheres: “O homem não tira lenha aqui. Só as mulheres. Torrar a farinha também é só as mulheres.” VithanahaTaruzazadeni O povo Jamamadi Deni

tem a prática de produzir cestarias de cipó “pavi”, a fibra e folha de duas palmeiras: buriti “maruepe” e tucumã “kuriaepe”, como também a fibra da envira, para fazer rede. São feitos paneiros “rhaba”, paneiros fechados “rhabakunezari”, peneiras “sasava”, cestas “sasurini”, tapiti “manu”, abano “phephe”, vassoura “rõverõve”, rede “phoi”, chápeu “kiki” e cocar “tushaha”. O processo de confecção das cestarias e tecelagem envolve toda a comunidade. Algumas pessoas ficam responsáveis por retirar as folhas do buriti e tucumã e o cipó envira na mata, outras ficam responsáveis pelo processo da tecelagem. 21


O coletivo, para além das pessoas A organização coletiva da posso caçar quem é do meu vida na comunidade Tocimão clã.” Para os povos indígenas, a não fica restrita somente entre espiritualidade e cosmovisão os seres humanos. Nos diálo- de mundo têm uma relação muito forte com os segos com as pessoas Jamares, sejam eles humadi Deni, é possível manos, animais perceber sua liou plantas. Engação e preoComo você enxerga tre as pessoas cupação com as plantas, os animais, Jamamadi os outros seos rios? Sua relação é Deni não é dires, como os de respeito para com a ferente essa animais e as natureza e a vida que relação: um plantas. “As nela há? animal, planta, árvores têm rio, igarapé por que ser deixavezes pode ser gendas, não derrubar. te, por vezes pode ser um Ali estão os animais na natureza, na floresta. Onde ser espiritual, como também tem fruta, eles se alimentam.” pode ser um animal, planta, Essa ligação com os ani- rio, igarapé tão somente. “A árvore tem cabelo, tem mais e as plantas pode ter relação com aspectos da espiri- os filhos dela. As árvores tualidade, como no exemplo são filhas da terra. Quando citado por Francisco Maukuvi- derruba uma árvore, a terra deni: “Aqui tem cinco clãs. Não chora. Assim como nós que pode se casar com o mesmo sentimos saudade da famíclã. Mas, a queixada era gen- lia.” Francisco Maukuvideni te de um clã, então eu não Já com os animais há bas22

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em torno do fogo é porque vai chegar a queixada!” “Quando amanhece e os pássaros estão muito animados cantando é porque está tudo bem e é pra fazer uma festa grande.” “Se o macaco ‘zóg zóg’ canta de manhã é porque vai chover o dia todinho. Aí ninguém sai para caçar ou trabalhar.” Também as plantas e os ventos podem comunicar coisas às pessoas Jamamadi Deni,

tante proximidade, especialmente com os macacos. Muitas pessoas criam macacos em suas casas e esses são carregados por todos os lados da comunidade, normalmente pelas crianças. Além disso, há formas de comunicação estabelecidas, com interpretações de sinais dados pelos animais para as pessoas. Alguns exemplos dados por Francisco Maukuvideni são: “Quando a abelha azul fica rodando, de manhãzinha,

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segundo Francisco Maukuvi- do mato. Tem uma cana que deni: “Quando, ao meio dia, a gente raspa e coloca onde dá um vento forte em frente que o bicho pegou.” da casa, levanta a poeira e fica Muitas outras situações de girando, é um aviso que vai vir doenças ou machucados são parentes e é pra fazer uma fes- tratados pelos remédios da ta com muita dança.” própria mata. “De primeiro “Quando a capeba do Jo- não tinha os kariú da saúde ari cai emborcada é porque e a gente usava só os chá do não vai encher muito mato. Meus menio rio. Quando ela nos, quando tão cai com a bardoente, eu faço Na sua família são riga pra cima chá do mato. usados remédios da é porque o Tem o ‘emnatureza? Quem são as rio vai encher bireira preta’ pessoas que conhecem muito.” que a gente estes remédios? Porém, nem chama, raspa e todos os animais faz cozimento e são amigos. As ondá pros meninos até ças, por exemplo, são os meninos ficarem bons. A tidas como muito perigosas, gente sabe, porque antes não especialmente quando os tinha essas coisas de doutor homens saem para as caça- ou enfermeira.” das e podem encontrá-las no E nessa organização da meio da mata. José Maukuvi- vida, as plantas e os animais deni cita outros animais pe- que são incluídos e incluídas rigosos: “Cobra é bicho pe- na coletividade do povo Jarigoso. Também tucandeira, mamadi Deni também proaranha, dentro da água a ar- movem curas e colaboram raia. Se uma cobra pega, por para uma vida com maior exemplo, a gente faz remédio qualidade e saúde. 25


As crianças e a educação Jamamadi Deni 26

Para o povo Jamamadi terreiro. Quando a goiaba dá, Deni, crianças de 0 a 6 anos as crianças todinhas pegam e são chamadas de edeni. Me- vão comer as goiabas juntas. ninos de sete a doze anos são Assim também é no tempo do chamados de zabizu e meni- ingá, do maracujá. As crianças nas são chamadas de zuvatu. todinhas comem juntas.” ViAs crianças Jamamadi Deni thanaha Taruzazadeni são extremamente indepenOs meninos também dentes e livres no seu dia a logo cedo acompanham os dia. Brincam na mata, no pais para aprendeigarapé, no rio, nos rem a caçar, pesAs crianças castanhais e vão car, preparar o Jamamadi Deni estão para a escola. roçado, fazer quase sempre em grupos, As meninas uma canoa brincando Na comunidade, cedo acomou uma casa, panham as nenhuma criança tem acesso buscar frutos mães com as na mata, ter a computador ou celular. tarefas domésconhecimenVocê consegue imaginar ticas, aprendem to da mata, uma infância assim? a cozinhar, lavar, aprender os citer conhecimento clos da lua e das da mata, dos ciclos estações. Eles também da lua e das estações, cuidar ajudam no cuidado com os da casa e dos irmãos e das irmãos e as irmãs menores. irmãs menores. Geralmente, “Quem me ensinou a caçar as crianças se cuidam entre foi meu avô, pois eu andava si, mas, ao mesmo tempo, to- com ele e ele foi me apresendas as pessoas na comunida- tando.” Tanurivi Taruzazadeni de são responsáveis por suas Não se vê na comunidacrianças. “As crianças tiram de Jamamadi Deni, entre folha pra brincar no meio do crianças, mães e pais, gritos 27


raivosos, castigos ou crianças madi Deni muito cedo aprenapanhando. Acompanhando dem a nadar, o que para elas as pessoas adultas nas tarefas também é uma questão de é que as crianças vão apren- sobrevivência, pois os rios e dendo e também vão brin- igarapés são os caminhos por cando: “Quando tá na mata onde se locomovem para outirando cipó, nós pegamos os tros lugares dentro e fora do meninos e puxamos o cipó seu território. “As crianças vão e caímos tudo junto! Damos brincando na água, tomam risada, gritamos com os banho. A gente ensina meninos no mato. É logo a criança a naÉ muito comum assim nosso jeidar, assim que coencontrar muitas to!” Vithanaha meça a andar. A Taruzazadeni gente fala ‘nada crianças no rio: “Quando o banhando-se, nadando meu filho!’” Vipai vai pescar, thanaha Taruzae brincando! O rio os meninos vão zadeni ou igarapé é parte do junto. Quando Brincar na cotidiano das a mãe vai pro rocanoa é outra crianças! çado, os filhos vão atividade que as junto ajudar a mãe. crianças Jamamadi No caminho pro roçaDeni gostam muito de fazer. do, as crianças vão brincan- Desde cedo, já aprendem a do.” Francisco Maukuvideni navegar e remar pelos rios O banho no rio e igarapé e igarapés do seu território. é uma das atividades que Uma das brincadeiras que as crianças Jamamadi Deni elas mais gostam é apostar gostam de fazer, o que, na corrida a remo. A canoa norverdade, vira uma brincadei- malmente usada é feita da ra para todos e todas. casca do jutaí (um tipo de Por isso, as crianças Jama- árvore da Amazônia). Muito 28

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leve e resistente, é um tipo de embarcação tradicional do povo Jamamadi Deni. Além dos processos educativos desenvolvidos pelas famílias e pela comunidade, as crianças da aldeia Tocimão frequentam a escola na própria comunidade. Esse é um elemento recente e que encontra alguns desafios, como a falta de materiais didáticos escritos na sua língua. As crianças aprendem primeiramente a língua do povo Jamamadi Deni e a escola acaba sendo o local de contato e aprendizado da língua portuguesa. Por isso, a escola tem sido percebida como uma possibilidade de acessar os conhecimentos não

indígenas. Quando concluem o Ensino Fundamental precisam sair da comunidade para estudar: “Eu sou feliz aqui. Sou professor e fico feliz por isso, porque tem muita criança aqui e elas precisam estudar. Tem também sobrinhos meus que moram em Boca do Acre pra estudar e já são sabidos. Quando vou lá eles me perguntam dos parentes, da família. Mesmo lá, eles nunca esquecem a aldeia.” Francisco Maukuvideni Para as pessoas jovens que vão às cidades vizinhas estudar, os desafios são muitos, desde a sobrevivência material até acostumar-se com outro modo de viver e perceber o mundo. Porém, o conselho das pessoas adultas é para que não desistam: “Eu falo pros meninos que estudam que a gente precisa de mais pessoas pra ajudar nós. Pessoas que entendam das leis. Por isso, não podem deixar logo de estudar, só quando terminar.” Francisco Maukuvidei 30

tataburatsunukha” Jamamadi Deni faz festa! 31


O povo Jamamadi Deni meçam à tarde, com vinho de do Tocimão é um povo que “zamaphani”, bebida fermenprepara festas por vários tada de banana, macaxeira, motivos: comemorar uma batata doce, açaí e milho. colheita, pelo nascimento Cada canto tem um signifide uma criança, por um ca- cado e as músicas mais cansamento, pela chegada de tadas são a da caroba (peixe visitantes à comunidade. pirara), da avitamidzi (anta) e Para as pessoas mais velhas, zumivi (do peixe piau). essa prática é uma Durante os riforma de não estuais de festas, Você participa quecerem suas as pessoas Jade festas no lugar tradições e enmamadi Deni onde você vive? Essas sinarem às mais costumam se festas fazem parte da novas as músiornamentar e cas e danças. pintar. Para as cultura local? “Tatabura” sigpinturas, utilizam nifica festa e “tsua tinta do jenipanukha”, música e as po “ura” fazendo alguns festas Jamamadi Deni pode- grafismos no corpo e ururiam ser resumidas em: toda cum “hidepi” no rosto. Ora comunidade reunida no namentam-se também com pátio, cantando e dançando tiras, fibras, faixas e cocar (de suas músicas tradicionais. penas de arara e papagaio) A festa realizada com mais de tucumã e buriti. frequência é a da banana Antes das festas, a comuni“ima’anusinaha”, celebrada dade toda se organiza para a o ano todo, pois a banana é confecção dos enfeites. É um uma fruta que produz duran- dos momentos de total intete todo o ano. gração e de maior empolgaAs festas geralmente co- ção de toda comunidade. 32

Povo isolado? 33


Pela distância que a co- tempo fora da comunidade munidade está das cidades e depois retornou: “Agora e pela dificuldade de acesso voltei de novo. Eu não posda comunidade em alguns so deixar eles. Eles são assim períodos do ano, é possí- como meus irmãos. Eu gosvel que algumas pessoas to deles! Quando eu estava imaginem este povo quase lá na minha casa eu chorava que isolado. Porém, o povo de saudades dele. Considero Jamamadi Deni tem contaeles como minha família.” to com outros povos Esse acolhimento indígenas, espepara com todas as Embora estejam cialmente com pessoas é algo distantes das cidades, as bastante preo povo Apupessoas Jamamadi Deni rinã, inclusive sente no povo criam relações com povos acontecendo Jamamadi casamentos Deni. Há uma próximos e com não entre pessoas postura muiindígenas, especialmente dos dois povos. to amistosa e quando vão para as Maria, uma de diálogo com cidades. jovem Apurinã, quem é diferente. casou-se com um raPorém, quando olham paz Jamamadi Deni. “Me para a vida que as pessoas sinto muito feliz estando junto não indígenas têm nas cidacom os Jamamadi. Já falo a lín- des, são diretos e diretas em gua, aprendi com eles. Acho expressar que não querem bom morar aqui, porque eles isso para si. têm a cultura deles e eu vou “Aqui a gente fica em casa aprendendo junto com eles.” de palha, assoalho de paxiAssim como a jovem, úba. As casas da cidade, se Dona Maria, que também é você entra onde não tem um do povo Apurinã, viveu um ventilador, é muito quente. 34

muito calor, sem passarinho e onde tudo é comprado. O professor Apurinã, que atua na comunidade do Tocimão, Francisco Ferreira questiona: “Será que somos nós, aqui, que vivemos isolados? Ou são os não indígenas, que estão no meio da cidade, mas nem conhecem seu vizinho? Aqui, a gente está conectado! Conectado com nossa comunidade, conectado com a natureza. Isoladas são as pessoas que perderam essas conexões.”

Na cidade, tudo é comprado. Aqui não, você pega um peixe e uma caça e é de graça. Você pega pra comer, não custa nada.” Vahanu Maukuvideni Francisco Maukuvideni também pensa muito parecido: “Na cidade, é muito calor. Na aldeia, é fresco, tem os passarinhos, os animais. Na cidade, tem que comprar tudo.” Essa leitura de mundo que as pessoas Jamamadi Deni fazem sobre não indígenas reflete como enxergam a sociedade não indígena:

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O futuro que se quer A comunidade Jamamadi querem, ficam em silêncio por Deni do Tocimão fala muito alguns instantes. “Eu gosto de sobre seu passado e seu pre- morar aqui. Não tem pertursente. Relatam como viviam e bação, a terra é boa. Eu quero como conseguiam encontrar que todo o pessoal fique aqui, alternativas para resolver seus minhas filhas. Quero meu pesproblemas, mesmo quando soal tudo aqui, com saúde.” ainda não tinham acesso a Agostinho Taruzazadeni Sobre o futuro: “Daqui ferramentas. Contam com há 20 anos, o povo orgulho as histórias Jamamadi Deni vai de lutas que posO futuro do povo seguir nesse terrisibilitaram a deJamamadi Deni depende tório, pois nossa marcação de seu território e também de outros povos população está a consequente respeitarem seu modo de aumentando. E assim vai ser até sobrevivência ser e seu território! o fim desta terra. enquanto povo. Eu não sei quantos Os homens se anos ainda vou viver, empolgam ao relamas o povo vai seguir aqui e tar histórias de caçadas, quando enfrentaram onças este povo está aumentando.” e garantiram alimento para Mavira Zepenekusi Junto com esse profundo a comunidade. As mulheres contam orgulhosas como desejo de seguirem vivendo suas mães faziam redes de a seu modo e com tranquilifibras naturais para que dor- dade, já há preocupações em relação à presença de não inmissem protegidas. Porém, quando se pergun- dígenas nas proximidades, seta ao povo sobre o futuro que jam pessoas fazendeiras, caça-

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dá bem. Se vai pra cidade e passa dois ou três dias, já sente saudades. A gente não se acostuma na cidade, tem que estar aqui na aldeia mesmo.” Jamamadi Deni, povo que faz resistência e festa na Amazônia brasileira, quer para seu futuro liberdade, a fim de continuar sendo como é e ter autonomia sobre seu território. Tendo sua liberdade e autonomia garantidas, seguirá como símbolo de resistência e nos ensinando que a festa é parte importante de cada povo.

doras ou pescadoras. O povo Jamamadi Deni sabe que estas presenças podem afetar profundamente seu modo de ser e, por isso, pede ajuda. “Se a gente não pedir ajuda pra resolver isso, vai faltar peixe aqui pro nosso pessoal. Nós já estamos ficando velho, mas têm nossos netos, nossos filhos que vão precisar mais tarde.” Vahanu Maukuvideni Nupi Maukuvideni expressa que a aldeia é o seu lugar de felicidade: “Eu sou feliz aqui. Aqui todo mundo se

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KARIU – É uma palavra usada tanto pelos povos Apurinã como Ja-

mamadi para se referir ao não indígena.

MUQUINHAR – É um tipo de técnica usado por povos indígenas na Amazônia para assar peixes ou carnes de caça, onde a carne ou peixe, depois de muquinhados, podem ainda ser comidos por dois ou três dias. Quando é peixe ele é muquinhado na folha da bananeira.

PANEIRO – Cesto grande feito de cipós com duas asas para colocar alimentos e objetos.

glossário

PAXIÚBA – É um tipo de palmeira comum na região Amazônica, sen-

BATELÃO –

É um tipo de embarcação comum na região do Amazonas, navega nos rios em igarapés mais profundos. Geralmente é uma embarcação de porte médio ou grande que transporta pessoas ou mercadorias de um lugar para outro.

BROCAR – Na região Amazônica, usa-se muito esse termo para se referir a roçar ou cortar o mato da área onde irá se fazer um roçado.

CAPEBA DO JOARI – É uma planta da região Amazônica que é usada

de forma medicinal para muito povos da região.

COIVARA – É uma técnica agrícola feita em comunidades tradicionais como indígenas, ribeirinhas e quilombolas no Brasil. Conhecida também como agricultura itinerante com práticas de poucos anos de cultivo seguidos de muitos anos de repouso.

IGARAPÉ – O nome igarapé é de origem da língua tupi e significa ‘caminho de canoa’. Ele pode ser estreito, largo, raso ou fundo, com águas límpidas, transparentes ou escuras, que geralmente passam pelo interior da mata. É encontrado no bioma da Amazônia, zona norte do Brasil, sendo muito utilizado como meio fluvial para os povos e populações dessa região que utilizam embarcações de pequenos portes como barcos e canoas. JUTAÍ – É uma árvore da região Amazônica muito utilizada para

do muito utilizada para construção de casas e para assoalhar o chão.

TAPIRI – É uma palavra de origem tupi. É uma espécie de palhoça, casa pequena coberta de palha, um abrigo provisório para uma curta temporada de pessoas pescadoras, caçadoras, coletoras e viajantes. É uma típica moradia provisória de povos e populações da região Amazônica. TAPITI – Tapiti ou tipiti é uma palavra de origem tupi. É um instrumen-

to usado pelos povos indígenas para espremer a massa de mandioca ralada no processo de produção da farinha de mandioca.

TERÇADO – É uma palavra especialmente usada no Acre. É uma designação para a palavra fação.

TINGUI – É uma palavra de origem tupi. Um tipo de planta, arbusto que é retirado o sumo para colocar nos igarapés para adormecerem os peixes, sem causar danos para quem come, facilitando a pesca em grande quantidade.

TUCANDEIRA – É uma espécie de formiga comum nas florestas amazônicas, da família dos períneos. Possui grandes e fortes ferrões e é carnívora. VOADEIRA – Tipo de embarcação utilizada na região Amazônica nos

rios e igarapés, também conhecida em outras regiões como lancha.

construção de canoas. Por ser uma madeira muito leve, é excelente para a navegação.

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Semana dos Povos IndĂ­genas 2020 - 19 a 25 de abril


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Povo Jamamadi Deni - Festa e resistência na Amazônia brasileira by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu