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Recriar e criar comunidade juntos - Plano de Ação Missionária da IECLB

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Nenhuma comunidade sem missão – Nenhuma missão sem comunidade.

Plano de Ação Missionário da IECLB (PAMI)

Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil 1


Apresentação No mundo globalizado e informatizado, paradoxalmente muitas forças tendem a isolar, marginalizar e excluir. Isso se manifesta em nível pessoal, grupal, nacional e internacional. Os poderes desintegradores ameaçam ou mesmo impedem a dignidade humana, a justiça, a paz e o equilíbrio de toda a criação. Diante desse desafio há inúmeras ofertas e propostas de ação, de caráter sóciopolítico, econômico, cultural e religioso. Na sociedade multifacetada também as ofertas religiosas competem entre si. Nessa realidade, a IECLB precisa definir seu papel e sua razão de ser. No início de um novo século e milênio não nos deixamos levar pela resignação diante de um suposto fim do mundo. Pelo contrário, animados e encorajados por Cristo que diz Fazei discípulos ... para que tenham vida ... em abundância, lançamos o Plano de Ação Missionária da IECLB. Seu título Recriar e criar comunidade juntos sinaliza o ... Objetivo geral: Recriar e reavivar as comunidades da IECLB, por meio do evangelho em palavra, sacramento, oração e comunhão, com vistas à missão pela vivência de partilha solidária bem como com vistas à missão pelo ultrapassar de fronteiras sociais, econômicas, culturais, raciais, religiosas, nacionais, etárias e de gênero. Nessa missão irmanamo-nos com todas as comunidades, todos os sínodos, todos os setores de trabalho e todas as entidades da IECLB, com todas as igrejas cristãs bem como com órgãos governamentais e não-governamentais comprometidos com esse mandato divino. Nessa dinâmica do recriar comunidade queremos criar novas comunidades que por sua vez se caracterizam como comunidades missionárias. É por causa desse objetivo geral que o slogan afirma: Nenhuma comunidade sem missão – Nenhuma missão sem comunidade! Dessa maneira o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI) quer animar e instrumentalizar as comunidades, os sínodos, as entidades e os setores de trabalho da IECLB, com vistas à elaboração de seus respectivos planos de ação missionária. Percebendo na vida e ação de Jesus um plano estratégico, com vistas à sua missão de promover vida digna, também nós somos desafiados a elaborar, em todos os níveis, planejamentos estratégicos. Nesse sentido, os capítulos 5 e 6 do PAMI oferecem orientações e subsídios práticos. No capítulo 8 é anexada a palestra “Criando e recriando comunidade juntos”, proferida no Fórum de Missão. Ela enriquece a fundamentação teológica do PAMI.

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Todos os projetos missionários, por mais contextualizados que sejam em nível de comunidade, sínodo, entidade ou setor de trabalho, querem ser reconhecidos e valorizados como parte desse Plano de Ação Missionária da IECLB. Por ele se inspiram e para ele contribuem. Unidos em Cristo somamos os esforços para que ... creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais vida em seu nome (Jo 20.31). O presente PAMI é produto de um verdadeiro mutirão que envolveu as bases da IECLB, bem como os parceiros nacionais e internacionais. Auxílios importantes foram prestados por Enos Heidemann referente à idéia de usar o símbolo da rosa de Lutero como elemento norteador para todo o plano. Na elaboração do destaque dos pontos principais e do roteiro (itens 5 e 6) pudemos servir-nos de valiosos subsídios de Sérgio Seeländer. Na diagramação bem como na confecção do organograma do roteiro Cerise Pahl cooperou com a sua criatividade. Essas, entre outras, contribuições foram recebidas e digeridas pela comissão de sistematização, composta por Ani Cheila Fick Kummer, Enos Heidemann, Oneide Bobsin, Walter Altmann e Günter K.F. Wehrmann. Louvo a Deus que possibilitou esse criar e recriar juntos, ao longo de quase um ano, e agradeço a todas as irmãs e todos os irmãos que de uma ou de outra forma cooperaram. Rogo que Deus faça soprar fortemente o Espírito Santo e nos una como IECLB em sua missão no mundo. Porto Alegre, em Advento de 2000

Huberto Kirchheim Pastor Presidente

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Recriar e criar comunidade juntos Nenhuma comunidade sem missão. Nenhuma missão sem comunidade! Não há igreja sem comunidades – Entretanto, a igreja é mais do que a soma das comunidades!

1 - Introdução Motivada pela nova estrutura descentralizada, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) está resgatando a importância da comunidade como alvo e instrumento da missão de Deus. Nossas comunidades já são fruto da missão de Deus. Para que elas se tornem mais missionárias, atraindo e alcançando pessoas através de seu testemunho pela vivência fraterna e solidária e pelo ultrapassar de fronteiras, elas necessitam do reavivamento evangelístico/missionário. Precisam ser missionadas para que a fé, que atua pelo amor (Gl 5.6c), seja despertada e alimentada. O Espírito Santo opera o arrependimento, a conversão e a santificação. Esses milagres acontecem, conforme a Confissão de Augsburgo, Art. VII, pela pregação da palavra (Rm 10.17) e pelos sacramentos do Santo Batismo e da Ceia do Senhor. Segundo At 2.42 também pelo reunir-se em comunidade, pela partilha e oração. Toda e qualquer atividade missionária na IECLB, portanto, está fundamentada na vivência de uma espiritualidade evangélicoluterana e objetiva recriar e criar comunidade. Por isso o slogan afirma: Nenhuma comunidade sem missão – Nenhuma missão sem comunidade!

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Para que a comunidade reconheça, abrace e realize a missão, Deus concede diferentes ministérios específicos. Na IECLB temos reconhecidos os ministérios catequético, diaconal, missionário e pastoral que, em conjunto, formam o ministério eclesiástico. Todos eles, bem como os setores de trabalho, as instituições e entidades, partem da comunidade e para ela estão voltados. Objetivam a missão de promover vida que Deus quer realizar nela e através dela. Os desafios missionários são maiores do que aqueles que podem ser abraçados individualmente por uma pessoa, comunidade, paróquia e sínodo, ou mesmo por uma só igreja. É por isso que somos convidados a recriar e criar comunidade juntos. Nesse recriar e criar o Espírito Santo nos faz percorrer todas as cidades e povoados ..., ver as multidões aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor ... ensinando ..., pregando ... e curando ...(Mt 9.35,36). Somos lembrados, portanto, da multidão de excluídos e crucificados de hoje e a ela somos enviados. Nossa caminhada de comunidade e de igreja como um todo é seguimento ao próprio Jesus Cristo e, por isso, ainda acontece sob a cruz (Mt 16.24) e não sob a glória, prevenindo-nos de toda vanglória. Contudo, a vitória de Cristo sobre a morte e todos seus poderes, por mais que ainda matem, já nos enche de esperança, de alegria e paixão pela vida. É nova vida que Deus recria e cria na comunidade e 5


através dela, hoje já em forma de sinais concretos e, no final dos tempos, em definitivo e por completo. Algo desse mistério está simbolizado na rosa de Martim Lutero, símbolo dos luteranos no mundo inteiro. Essa rosa, “um distintivo” da teologia luterana, é composta por cinco elementos: a cruz preta, o coração vermelho, as cinco pétalas brancas, o fundo azul e o anel dourado. Cada parte tem seu significado: A cruz preta, no centro do emblema, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). A cruz preta, envolvida pelo coração vermelho, significa que Cristo é o centro da vida da comunidade e da igreja. Ele é o mais importante. A partir dele todas as outras coisas e pessoas recebem seus devidos lugares e seu valor. O coração nos faz recordar que é pela fé que somos justificados. A cor vermelha é símbolo do amor que se doa e reparte. Assim como Cristo nos amou, também os seus se amam uns aos outros. Assim como Cristo serve aos seus, eles servem uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu (Gl 6.2). Seguimos o Crucificado, confiando que a cruz não mata e, sim, nos mantém vivos. As cinco pétalas brancas assinalam que pela fé, atuante em prol da justiça e da paz, temos alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns com os outros. É isso que a cor branca simboliza. O fundo azul lembra o céu e aponta para a fidelidade de Deus. Em Cristo ele nos veio salvar e unir em comunidade. Cristo reina desde a Ascensão. A partir de Pentecostes ele cria, envia e guia a sua igreja e, indo à sua frente, abre-lhe caminho. Essa é a base de nossa esperança. 6


O anel dourado lembra o ouro, metal mais precioso. Simboliza tudo aquilo que Deus nos dá, já agora pela fé em forma de sinais: perdão, comunhão, esperança, sentido de vida, o pão de cada dia ... Aponta também para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim, satisfação de todas as necessidades e anseios. Então veremos, face a face, aquele no qual temos crido. Visto que a rosa é criada de maneira bela e ordenada, também a igreja é motivada para investir criativamente na confecção de seu plano de ação missionária. Inspirados pelo símbolo da rosa de Lutero, elaboraremos um planejamento dedutivo e participativo da missão. Partindo do centro, sua forma em círculos se assemelha a anéis subseqüentes, como aqueles provocados na superfície de um lago quando se joga uma pedra nele. É da cruz de Cristo que parte toda e qualquer missão verdadeira na Igreja e, com a força da própria cruz, a missão se expande até os confins da terra. Ao elaborar um Plano de Ação Missionária da IECLB partiremos metodologicamente do centro da rosa de Lutero. Atravessando os diferentes anéis, perceberemos sua interligação e interdependência. Veremos que o último anel, na verdade, é ilimitado, por apontar para a própria eternidade.

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2 - Rosa de Lutero – Plano de Ação Missionária da IECLB 2.1 - Cruz = Cristo é o ponto de partida e de chegada da comunidade missionária “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas

para

nós, que somos salvos, poder de

Deus”

(1 Co 1.18). Jesus, que nasceu numa manjedoura

em

Belém, que viveu na Palestina colocando sinais da eternidade através de seu ensinar, pregar e curar, que foi crucificado, ressuscitado e levantado ao céu em nosso favor, é o Cristo por nós. É o verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro homem segundo a imagem de Deus. Nele temos perdão e nova vida em paz com Deus, conosco mesmos, uns com os outros e com o meio ambiente. Justificados/as por graça, mediante a fé, expressamos, através da vivência pessoal, familiar, comunitária e social, os valores evangélicos. Na prática da diaconia (= serviço de promoção de vida digna) se concretizam os sinais do Reino de Deus, na expectativa da redenção de toda a criação (Rm 8.22-23). Somente por Cristo, somente pela graça de Cristo, somente pela fé em Cristo somos salvos e promovemos sinais de salvação. Isso está devida e suficientemente testemunhado somente pela Bíblia, que lemos a partir de Cristo e com vistas a ele. Esses quatro “somente” são a base 8


da fé luterana exposta nos escritos confessionais luteranos e nos documentos normativos da IECLB.

2.2 - Coração = Que move a comunidade missionada e missionária? “... porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45c). O coração simboliza o centro vital de cada pessoa. Sem ele pulsando, não podemos viver. A cada passo, somos preservados pelo amor de Deus. Qual é o sentido de nossa vida? Que pulsa em nosso coração? Que move a comunidade? É importante que em nosso planejamento saibamos responder a essas questões. A cruz, no centro do coração, simboliza o Deus apaixonado. Ele olha, com misericórdia, “para baixo”. Vê as multidões de carentes, marginalizados, excluídos, errantes. Ouve os clamores de seu povo e decodifica os gemidos de sua criação agonizante. Esse Deus deixa o céu e encarna na realidade para transformá-la. A cruz sem o crucificado nos lembra da vitória da vida sobre todos os poderes da morte. Por isso nos constrange e exorta, pessoal e comunitariamente, a não nos conformarmos com o estado de coisas na vida eclesial e política. O Cristo ressurreto nos liberta da acomodação e resignação e nos capacita para a corajosa resistência e ação. Onde estamos? A pergunta nos remete ao contexto em que a comunidade

está

inserida,

na

perspectiva

de

auscultar

os

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condicionamentos políticos, sociais e culturais a que ela pode estar submetida. A - Como vemos nossa comunidade/ igreja? (Análise do ambiente interno):

a) Que aspectos da vida comunitária são animadores? Que ela tem de bom? Podemos mencionar, por exemplo: pessoas dispostas; espaço físico; trabalhos que funcionam ... Aqui importa identificar as alegrias e forças motivadoras na vida da comunidade/ igreja! b) Que aspectos da vida comunitária são preocupantes? Quais são as fraquezas internas que podem minar o desempenho da instituição? Quais são as forças restritivas que nos causam tristeza? B - Como vemos o contexto da comunidade? (Análise do ambiente externo): a) Ameaças: Existem ameaças para a comunidade, o sínodo, a igreja que podem complicar nossa missão? Podemos lembrar, por exemplo: individualismo; relativização de valores e normas; fragmentação; redução da fé à esfera do privado; subordinação do evangelho à cultura e à etnia e outros elementos que dificultam a missão da comunidade. b) Oportunidades: Quais são as situações atuais ou potenciais que podem contribuir, em grau relevante e por longo tempo, para a realização da missão? Exemplos: Resgate do sentido da afetividade em meio à modernidade regida pela razão (recepcionistas nas portas dos templos e centros de reuniões; gestos e símbolos litúgicos, como imposição de mãos, abraço, velas, elementos de degustação, visualização; audição); maior diversificação profissional de formação escolar. Que lacunas há e como podem ser preenchidas. 10


C - Como vemos o contexto maior? (Análise das macrotendências): Obs.: Importa ver a ambivalência de todos os elementos identificados a seguir, ou seja, perceber como cada aspecto representa uma ameaça e em que sentido serve como oportunidade para a missão. a)

Revolução

científica

tecnológica:

informática;

biotecnologia;

telecomunicação; energia alternativa; ecologia; ... b) Sociedade do conhecimento: aumento da velocidade com que surgem novos conhecimentos; educação contínua; agilidade e flexibilidade para analisar e redefinir; atualização; ... c) Globalização econômica e política: transnacionalização; blocos econômicos;

mobilidade

dos

capitais;

empresas

sem

pátria;

redimensionamento da função do Estado; urbanização; falta de perspectiva para o pequeno agricultor bem como para o micro e médio empresário; ... d) Emergência de novos valores: necessidade de qualidade de vida; consumidores exigentes; consciência ecológica; ética; relativização de valores e normas culturais e religiosos; religiosidade em alta; realização pessoal; competitividade; exclusões; violência; ... e) Novos modelos de relações de trabalho: redução da jornada de trabalho; tempo de lazer ou de tédio; desemprego; habilidades para novas

gestões;

adaptação;

mudanças;

novas

tecnologias;

terceirização; ... Esses, além de muitos outros, são fenômenos que proporcionam novos recursos e possibilidades, mas também geram discriminações, violência, injustiças e exclusões. Nessa realidade de muitas facetas, Deus realiza sua missão na comunidade e através dela. Em meio a esse micro e macrocontexto a igreja adquire relevância à medida que se encontra ao 11


lado das pessoas em crise, em necessidade ou risco, promovendo vida nova. Convém lembrar, porém, que Deus não age somente através da comunidade/igreja. Ele age também através das instituições civis, como: família, escola, instituições governamentais e não-governamentais. Cabe-nos, portanto, valorizar, motivar, desafiar e apoiar toda iniciativa que promove vida digna. Nesse sentido amplo afirmamos: Nenhuma comunidade sem missão - Nenhuma missão sem comunidade!

2.3 - Pétalas brancas da rosa = Como recriar e criar comunidade missionária juntos? “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). Tudo o que fizermos em nossa vida particular, profissional, social, política, comunitária e eclesiástica será resposta grata ao amor de Deus, será dedicado, em última análise, a ele. É esse o culto racional, lógico, decorrente das misericórdias de Deus, de que Paulo fala em Rm 12.1. Baseado em 1 Pe 2.9, Lutero denominou esse “serviço santo” de sacerdócio geral de todos os crentes e afirmou que, a partir do Batismo, somos ordenados sacerdotes e sacerdotisas. Assumindo essa condição, vivemos em comunidade e somos um testemunho vivo da missão de Deus, tanto pela vivência e prática de amor ao próximo, quanto pelo ultrapassar de quaisquer fronteiras, como por exemplo culturais, religiosas e geográficas. Retomando, assim, o objetivo geral do Plano de Ação Missionária da IECLB, lembramos que todos os ministérios específicos, setores de 12


trabalho, instituições de formação e o serviço diaconal se justificam somente quando partem desse objetivo e para ele estão voltados. Tal plano requer o planejamento das diferentes áreas de serviço em nível comunitário, paroquial, sinodal e nacional. Os passos 2.1 e 2.2, enfocados anteriormente, são norteadores para todos os níveis, embora tenham conotações peculiares dependendo do respectivo nível. Isso vale da mesma forma para os passos seguintes. As cinco pétalas da rosa querem ajudar a distinguir diferentes áreas e facetas desse serviço, embora todas elas sejam inter-relacionadas e complementares entre si. Somente o conjunto das cinco pétalas forma e revela a beleza da rosa e, implicitamente, do recriar e criar comunidade juntos!

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Pétala A - Evangelização e reavivamento Não precisamos partir da estaca zero. Pois o Espírito Santo já agiu antes de nós, criando e recriando a comunidade da qual fazemos parte. Ela precisa do ar para a respiração e do pão para a alimentação. Ambos nos são concedidos no perseverar na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42). Esses são os pilares da vida cristã em comunidade. Caracterizam a espiritualidade evangélicoluterana. A evangelização oportuniza essa alimentação diária, bem como o despertar do que está adormecido, afastado, excluído ou ainda não alcançado. Por meio de conversão e arrependimento diários, a comunidade é missionada pelo Espírito Santo, para que ela seja um instrumento permanentemente renovado e aprimorado da missão de Deus no mundo. Assim ela assume e vivencia o Batismo como dádiva que compromete com a missão de Deus. Ela se torna instrumento dessa missão das seguintes maneiras: pelo anúncio alegre e destemido do amor e da vontade de Deus; pela convivência fraterna e solidária; pela prática do amor ao próximo (diaconia) e da cidadania, bem como pela prática da oração e pelo ultrapassar de quaisquer fronteiras internas e externas que querem limitar a ação do Espírito Santo na comunidade e no mundo. Evangelização contempla o bem-estar físico, material, espiritual, emocional, social, político e ambiental. Ela é integral e visa paz e justiça no sentido mais amplo da palavra (= shalom). Em meio ao mercado multi-religioso, o testemunho evangélico indica rumo e norte a partir da justificação por graça e fé, que se traduz em vivência de gratuidade. Dessa maneira contribui com o nosso “próprio” de luterano. 14


Esse avivamento, o recriar comunidade, engloba todas as facetas da vida comunitária, inclusive a vida de culto. Nesse sentido urge oportunizar a contextualização litúrgica, tanto em suas formas de canto, ritmo e música instrumental, quanto em seus conteúdos e horários. A cultura e a vida social do contexto devem ter expressão viva e autêntica, em concordância com os parâmetros confessionais e universais do culto cristão. A comunidade tem o direito e o dever de participar ativamente na celebração de culto. Pétala B - Acompanhamento e diaconia (serviço)

Já que a comunidade somente vive da bondade e misericórdia de Deus, ela se sabe desafiada a praticar o amor ao próximo. Alegra-se com os que estão alegres e chora com os que choram. Reparte com os que não têm. Torna-se sensível e solidária para com pessoas e grupos em situações de crise, necessidade e risco. Denuncia as causas geradoras de não-vida e testemunha os propósitos de Deus para sua criação. Assim a comunidade exercita a diaconia na perspectiva profética. Trata-se do serviço de promover vida em favor de todos, não se limitando aos próprios membros, mas incluindo todas as pessoas em necessidade, independente de gênero, faixa etária, cor, credo, nível social e cultural. A ação diaconal não visa “conquistar” pessoas de outra igreja para a nossa. Isso seria fazer proselitismo. Entretanto, há um número crescente de pessoas que andam desnorteadas e à procura de um sentido para suas vidas. O servir da comunidade é regido e possibilitado pelo amor de Deus, revelado em Cristo. Já que o coração está cheio do amor de Deus e dele transborda, a boca precisa falar na hora oportuna, o mais tardar quando formos indagados pelo porquê desse servir incondicional. Com alegria abrimos as portas da própria comunidade para que pessoas que não fazem parte dela, atraídas por seu testemunho, convivam conosco. Cabe15


nos acolhê-las afetiva e fraternalmente. Dessa maneira, também a ação diaconal é um elemento integral da missão e contribui decididamente para o recriar e criar comunidade. A ação diaconal ultrapassa as fronteiras internas e externas. Une-se ecumenicamente e coopera, na medida do possível, com órgãos governamentais e não-governamentais, a fim de promover a justiça através da cura dos males sociais. Dessa maneira acontece a atuação política da igreja. Excurso: A partir de um planejamento estratégico realizado, o Departamento de Diaconia da IECLB está em fase de implantação, respectivamente elaboração de um plano operacional. Partindo de necessidades e possibilidades dos sínodos, esse plano objetiva oportunizar assessoria de capacitação, organização e elaboração de planos de ação diaconal, em âmbito sinodal, nas seguintes áreas: crianças de rua; pessoas portadoras de deficiência; pessoas idosas; acompanhamento de pessoas em fase terminal; relações interpessoais com funcionários/as de hospitais e ancionatos; multiplicadores/as na área de diaconia. Esse plano será anexado ou integrado, oportunamente, ao Plano de Ação Missionária da IECLB.

Pétala C - Missão e ecumene (unidade)

A comunidade é missionada com vistas a seu envio missionário. Esse não pára no horizonte da torre de sua própria igreja. A partir do ide a todas as nações (Mt 28.19), o envio implica o ultrapassar de fronteiras eclesiais, religiosas e culturais, bem como étnicas, raciais, sociais e econômicas, de gênero e de faixa etária, inclusive fronteiras geográficas. Nesse último sentido vale lembrar que o passo de ultrapassar as fronteiras, com as quais já nos acostumamos, não pode

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esperar até que tenhamos resolvido todos os problemas internos. Se isso fosse possível, deveríamos esperar até a eternidade. Embora tenhamos tantos desafios internos por enfrentar, arriscamos apadrinhar, por exemplo, determinada frente missionária no Norte ou Nordeste brasileiro; mantemos frentes missionárias em áreas indígenas; enviamos uma obreira diaconal para Moçambique, um obreiro docente para os Estados Unidos; realizamos intercâmbio de obreiros/as com igrejas do exterior. Há desafios nacionais e internacionais que ultrapassam

nossas

pequenas forças. A partir da prece de Cristo que todos sejam um (Jo 17.21), somos impelidos a nos unirmos a outras igrejas para promover vida mais justa, por exemplo em termos de reforma agrária, distribuição mais justa da renda e preservação do meio ambiente, em nível nacional e mundial. Nesse sentido fazemos parte do Grupo de Trabalho Missionário Evangélico (GTME), da Comissão Pastoral da Terra (CPT); do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), da Federação Luterana Mundial (FLM), do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) ... Além disso, apoiamos entidades não-governamentais em suas lutas pela concessão e observação dos direitos humanos. A teologia luterana nos possibilita um máximo de abertura ecumênica. Ao mesmo tempo, ela nos constrange a contribuir, humilde e convictamente, com o evangelho de que Deus justifica quem não o merece. Essa boa nova liberta de todas as iniciativas vãs de autosalvação. Une-nos na busca por nova comunhão - no repartir e servir, com vistas a uma nova ordem econômico-social mais justa e humana, em nível nacional e internacional.

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Pétala D - Formação e capacitação

O objetivo geral do recriar e criar comunidade juntos requer obreiras e obreiros que assimilam e interiorizam a visão do ministério compartilhado. Ele não consiste apenas na parceria e cooperação entre os ministérios missionário, diaconal, catequético e pastoral. Mas objetiva, sobretudo, que esses reconheçam e assumam sua função instrumentalizadora e multiplicadora. Obreiros e obreiras não devem primar apenas pela capacidade de executar bem a tarefa específica de seu respectivo ministério. Muito antes, devem priorizar a vocação, a formação e o acompanhamento de colaboradores leigos, para que esses, homens e mulheres, possam ir assumindo determinadas tarefas do respectivo ministério específico. Nesse sentido, obreiras e obreiros se tornam pequenos professores e professoras em nível comunitário, paroquial e sinodal. Juntamente com esses, em equipe e parceria, atuam na comunidade, objetivando o fortalecimento do sacerdócio universal dos crentes, com vistas a seu serviço missionário (Ef 4. 11-12 ). Assim sendo, a formação e capacitação estão a serviço da missão, do acompanhamento e da diaconia, bem como da evangelização e do reavivamento. Do chamamento fazem parte tanto a vocação interna (pessoal e individual) quanto a vocação externa por parte da comunidade, paróquia, sínodo ou igreja (dependendo da competência). Em seu nome e sob sua responsabilidade acontecem a formação, o credenciamento e o acompanhamento espiritual e profissional em termos de atualização contínua. Por causa do objetivo geral de recriar e criar comunidade juntos é indispensável relacionar, já na fase de formação, o estudo com a convivência em comunidade, ou seja, ensaiar a espiritualidade da “vita communis”. 18


Justamente nessa relação é despertada e re-alimentada uma saudável e necessária “paixão pela causa”, tanto entre obreiros e obreiras quanto entre esses e pessoas colaboradoras leigas. Excurso: O Conselho da Igreja constituiu a Comissão de Formação e Educação. Ela opera nos seguintes quatro blocos temáticos: 1. Educação Formal; 2. Formação de Obreiros; 3. Formação de Lideranças; 4. Planejamento de Pessoal. Os quatro blocos já realizaram préconsultas com o objetivo de propor uma política educacional da IECLB. Essa será anexada ou integrada, oportunamente, ao Plano de Ação Missionária da IECLB.

Pétala E - Administração e estrutura Conscientemente destinamos a quinta pétala da rosa aos aspectos da administração e da estrutura. Dessa maneira não dizemos que sejam as áreas menos significativas na igreja. A figura da rosa nos ensina que todas as pétalas são igualmente importantes. Cada uma em seu lugar contribui para dar sustento ao todo. Somente o conjunto das cinco pétalas forma a perfeita e harmoniosa beleza da rosa. Por conseguinte, a administração e a estrutura não têm sentido em si mesmas. Há, porém, a tentação de tornarem-se auto-suficientes. O mesmo perigo se apresenta para qualquer faceta da missão. Administração e estrutura estão aí por Deus ser um Deus da coordenação, integração, partilha e cooperação. Estão, portanto, a serviço da missão da comunidade. Essa tarefa não se resume à manutenção do patrimônio, mas consiste, sobretudo, na promoção de vida. Qualquer instituição ou entidade eclesiástica, em última análise, vem da comunidade e para ela está voltada.

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Promover vida para todos, especialmente onde ela mais está sendo ameaçada ou mesmo falta, requer recursos humanos e financeiros. Já que a Bíblia fala em dinheiro, não nos envergonhamos de relacionar a fé com o dinheiro. Pelo contrário, recuperamos uma omissão de longa data e propagamos o ofertar por gratidão, espontaneidade, generosidade e proporcionalidade. Desafiamos cada membro a contribuir conforme suas possibilidades e como tiver proposto em seu coração (confira 2 Co 8 e 9). Decorrente do mesmo espírito do repartir e compartilhar, ensaiamos parcerias internas e externas. Uma comunidade ou paróquia reparte recursos com uma outra necessitada e distante. Um sínodo assume o apadrinhamento com determinado desafio missionário que outro sozinho não consegue enfrentar. Via sínodo e IECLB estruturamos parcerias com igrejas e entidades do exterior no sentido de proporcionar auxílio para a auto-ajuda. Assim evitamos a criação de dependências e estimulamos a mobilização de recursos internos, com vistas à auto-sustentação.

2.4 - Campo azul = Através de quem Deus recria e cria comunidade missionária? “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: ‟A quem enviarei, e quem há de ir por nós?‟ Disse eu: „Eis-me aqui, envia-me a mim.‟ ” (Is 6.8) O Cristo ressurreto diz aos seus: “„Paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.‟ E, havendo dito isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: „Recebei o Espírito Santo.‟ “(Jo 20.21-22)

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Já frisamos que a partir do Batismo somos ordenados para sermos sacerdotes e sacerdotisas, incumbência

que

na

fé

assumimos com liberdade e alegria. Recebemos o poder do

Espírito

Santo,

para

participarmos desse sacerdócio universal de todos os crentes,

da

comunidade

missionária. A comunidade é alvo e instrumento da missão de Deus. Para que ela se conscientize de sua condição de corpo de Cristo e abrace sua função de instrumento da missão de Deus, ele concede dons e institui ministérios específicos. Esses, enriquecidos por pessoas colaboradoras leigas, têm, sobretudo, função instrumentalizadora, a fim de que “brilhe a vossa luz diante dos homens (pessoas), para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5.16). Com esse intuito comunidades, paróquias, sínodos e a igreja como um todo elaborarão e executarão, a partir do objetivo geral e voltado para ele, seus planos de ação missionária.

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Observam-se as seguintes competências peculiares:

Compete às comunidades: realizar a missão em seu âmbito (confira Constituição da IECLB, Art. 11). Importa realizá-la pela vivência em comunidade solidária e terapêutica, bem como pelo ultrapassar de fronteiras sociais, culturais, religiosas, étnicas, etárias e de gênero.

Compete aos sínodos: recolher e intercambiar experiências missionárias das comunidades e estimulá-las. Nesse sentido investem na formação permanente de obreiros/as e na formação de lideranças comunitárias. Cabe-lhes promover ações missionárias em seu âmbito e ensaiar parceria intersinodal e internacional. Também compete a eles a função de monitoramento e zelo pela confessionalidade em seu âmbito (confira Constituição da IECLB, Art. 19 e 23).

Compete às instituições e setores: formar obreiros e obreiras com perfil correspondente ao Ministério Compartilhado com vistas ao desafio de recriar e criar comunidade evangélico-luterana; assessorar, primordialmente, os sínodos e a presidência em sua tarefa motivadora e instrumentalizadora.

Compete à IECLB como um todo: recolher e intercambiar experiências missionárias das bases. Motivar e instrumentalizar as mesmas com vistas a sua tarefa missionária dentro e para além de suas fronteiras. Assumir a representação da igreja nos espaços ecumênicos nacionais e internacionais. Promover e administrar parcerias internas e externas, intercambiando recursos financeiros e humanos. Lembramos a Constituição da IECLB, Art. 30 e 36, e os documentos IECLB às portas do novo milênio e IECLB no pluralismo religioso. Esses documentos podem ajudar para reconhecer e abraçar as tarefas de planejar a missão nos diferentes níveis bem como as incumbências de monitoramento e zelo pela contextualidade e confessionalidade. Nesta 22


tarefa a presidência será

assessorada pela Comissão Nacional

Permamente de Missão (a ser criada). Todo e qualquer planejamento missionário, seja em que nível for, parte das necessidades e possibilidades das bases e para elas está voltado. Deixa-se motivar e orientar pelos objetivos gerais traçados no Plano de Ação Missionária da IECLB. Assim, seguindo estas diretrizes gerais, é indispensável que a comunidade, a paróquia, o sínodo, o departamento, o setor de trabalho e a IECLB em seu conjunto, elaborem seu próprio planejamento estratégico de missão, com metas objetivas e concretas, para os próximos anos.

2.5 - Anel dourado = Para onde somos enviados? “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mt 28.19,20) A missão de Deus começa na comunidade, perpassa a igreja e alcança “até os confins da terra” (At 1.8). Implica o reavivamento na perspectiva do crescimento qualitativo e quantitativo da

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comunidade, com vistas ao ultrapassar de quaisquer fronteiras, ou seja, de gênero, faixa etária, etnia, raça, nação, cultura, religião, nível social e econômico. Nossa caminhada se realiza sob a cruz, símbolo de sofrimento e simultaneamente de vitória. Estamos a caminho entre Pentecostes e os “novos céus e a nova terra, nos quais habita justiça” ( 2 Pe 3.13). A eternidade já irrompeu, de maneira toda especial, na vinda de Cristo. Continua a lançar seus raios em cada sinal de nova vida que Deus possibilita através de nosso recriar e criar comunidade juntos. Nisso o próprio Cristo cumpre sua promessa: “Eis que estou convosco até a consumação do século”. Nosso caminhar é inspirado pela eternidade e a ela está voltado. É por isso que o símbolo do anel dourado, em suas margens externa e interna, poderia estar aberto, fluente e ilimitado.

3 - Propostas concretas 3.1 - Que cada comunidade, paróquia e sínodo se inspirem e orientem pelo Plano de Ação Missionária da IECLB, com vistas à avaliação, adaptação ou elaboração do planejamento estratégico de seu próprio projeto missionário. Dessa maneira, o Plano de Ação Missionária da IECLB tornar-se-á o elo de ligação entre as diferentes e múltiplas iniciativas missionárias dentro e fora do âmbito da IECLB. 3.2 - Identificar todos os templos e prédios eclesiásticos com o símbolo da IECLB. Sugere-se que em nível sinodal sejam fabricados painéis luminosos padronizados.

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3.3 - Colocar, em pontos estratégicos de cada vila, bairro, cidade e metrópole, placas indicativas e convidativas, contendo o símbolo da IECLB e indicação de local, dias e horários de encontros da comunidade. Sugere-se que, em nível sinodal, sejam fabricadas placas padronizadas.

3.4 - Objetivando a rápida identificação de uma comunidade/paróquia, como sendo da IECLB, em guias telefônicos, outdoors e semelhantes, sugere-se colocar as iniciais IECLB antes do nome específico – por exemplo: IECLB – Comunidade Evangélica de ... 3.5 - Considerar no planejamento estratégico a provisão de recursos para aquisição de terrenos, para construção de templo e/ou centro comunitário em áreas de desenvolvimento demográfico e para casas de retiros em áreas de fácil acesso. 3.6 - Viabilizar uma presença concreta da IECLB em todas as capitais brasileiras, bem como em cidades com mais de 200.000 habitantes e em locais estratégicos. 3.7 - Ampliar a rede de capelanias em instituições hospitalares, militares, escolares, penais e outras. 3.8 - Celebrar, no Domingo de Pentecostes, em todos as comunidades da IECLB, o Dia da Missão e destinar as ofertas ao Fundo de Missão da IECLB. 3.9 - Criar, em nível paroquial, sinodal e igreja como um todo, grupos permanentes de missão, objetivando o intercâmbio de experiências missionárias e a avaliação do respectivo plano estratégico, com vistas ao incentivo à missão. 25


3.10 - Fortalecer, intensificar e criar fundos internos de financiamento, em nível sinodal e nacional, para comunidades em formação, com vistas à auto-sustentação. Nesse sentido contamos com a proposta da Obra Gustavo Adolfo, de fomentar a ajuda mútua nas e entre as comunidades, e lhe prestamos todo o apoio. 3.11 - Promover o ensaio de parcerias internas e apadrinhamentos de paróquias em formação e outros projetos missionários. 3.12 - Estimular sínodos para encaminharem, via IECLB, projetos missionários com parceria externa, objetivando o intercâmbio ecumênico de experiências e recursos humanos e financeiros. De princípio, tais projetos serão concebidos para tempo predeterminado, objetivando a auto-sustentação respectivamente o retorno e feedback do aprendizado ecumênico. 3.13 - Intensificar e ampliar, em âmbito paroquial e sinodal, a formação de colaboradores/as leigos/as para todos os desafios missionários. Dar ênfase especial à capacitação de pessoas colaboradoras nas áreas de trabalho com crianças e jovens, valorizando-se recursos didáticos e humanos que os sínodos e o Departamento de Catequese e o Departamento Nacional para Assuntos da Juventude da IECLB colocam à disposição. 3.14 - Intensificar e ampliar as iniciativas de contínua formação teológico-prática de obreiros/as, aproveitando os serviços do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação (IEPG) da EST e do Centro de Ensino Teológico da MEUC (CETEOL), bem como 26


intensificar e ampliar a formação de colaboradores/as leigos/as valorizando as experiências já feitas pela Pró-Reitoria de Extensão da EST, o Instituto de Música (IM) da EST, do Centro de Pastoral e Missão (CPM), pelo Curso Básico da Fé (CBF), pelo Curso da Bíblia para a Vida (CBV) no Sínodo Vale do Itajaí, pelo Curso de Teologia Popular Luterana no Sínodo Uruguai e outras iniciativas semelhantes. 3.15 - Estimular o intercâmbio de experiências missionárias, diaconais e de formação de obreiros e leigos, tanto entre os sínodos quanto com os parceiros do exterior. 3.16 - Criar condições, talvez em forma de projeto de pesquisa, para reunir e sistematizar programas, já existentes de formação de pessoas leigas, visando à sua multiplicação. A partir desse serviço de coleta, sistematização e multiplicação poderia ser projetado um novo curso por correspondência que preenchesse lacunas na formação de lideranças leigas. 3.17 – Investir no melhoramento da comunicação em todos os níveis. 3.18 - Intensificar a presença missionária da IECLB nos meios de comunicação de massa em todos os níveis. 3.19 - Buscar recursos humanos e financeiros para estimular, acompanhar e monitorar o processo de encaminhamento do Plano de Ação Missionária da IECLB. Obs.:

Todas

estas

propostas

decorrem

da

espiritualidade

evangélico-luterana e a ela querem servir.

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Desafios específicos para a vida comunitária 1 - Criar condições para abrir as igrejas de todas as comunidades em todos os domingos. 2 - Criar grupos de visitação a pessoas doentes, deficientes, enlutadas, afastadas, encarceradas e equipes de liturgia, em todas as comunidades. 3 - Trabalhar a relação entre fé e dinheiro, em sua correlação com tempo e dons, em todas as comunidades, anualmente.

Desafios específicos para o ser IECLB nos próximos sete anos Todo e qualquer planejamento estratégico missionário precisa fixar metas que sejam viáveis e possam ser cobradas e avaliadas, com vistas ao crescimento qualitativo e quantitativo. Nesse sentido ousamos propor: 1-

que a percentagem média de participação de membros em algum se-tor de atuação comunitária cresça de 5-10% para 15-20%;

2-

que num prazo de sete anos nenhum pastor/a tenha uma área de res-ponsabilidade superior a 1000 pessoas batizadas; 28


3-

que os sínodos estabeleçam metas de presença e ação qualitativas que redundem em crescimento quantitativo anual da ordem de 5% ao longo dos próximos sete anos.

4 - Listagem de alguns subsídios existentes para planejamento missionário 4.1 - Planejamentos missionários sinodais já elaborados ou em fase de elaboração devem ser compartilhados. 4.2 - Curso Básico da Fé (CBF) e Curso da Bíblia para a Vida (CBV) - à disposição no Sínodo Vale do Itajaí. 4.3 - Curso de Teologia Popular Luterana – à disposição no Sínodo Uruguai. 4.4 - Materiais de estudo e formação – elaborados pelo Grupo de Trabalho sobre Movimentos Religiosos – à disposição na Escola Superior de Teologia (EST). 4.5 - Materiais de estudo e formação para leigos – à disposição no Instituto de Capacitação Teológica Especial (ICTE) – à disposição na Escola Superior de Teologia (EST). 4.6 - Centro de Pastoral e Missão em Curitiba, PR. 4.7 - Centro de Ensino Teológico (CETEOL) da Missão Evangélica União Cristã em Mato Preto, SC. 4.8 - PAGANELLI, Pastor Arno. Missão e edificação de comunidade – Reflexões, sugestões e propostas. (Polígrafo de 40 pp.)

5 – Destaque dos pontos principais  CRISTO É O PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA DA COMUNIDADE MISSIONÁRIA. Justificados por graça, mediante a fé, expressamos, através da vivência pessoal, familiar, comunitária e social, os valores evangélicos. 29


 Resgatar a importância da comunidade como ALVO e INSTRUMENTO da missão de Deus.  O que nos move como comunidade? É importante que saibamos responder a essa questão. Ver e sentir nosso próximo é saber se ele está incluído ou excluído de nosso/meu convívio.  Como vemos nossa comunidade/igreja? O que está funcionando bem? Funcionando bem para quem? De quem é a opinião – de quem analisa ou de quem é analisado? Há pessoas dispostas a juntar esforços ou é sempre aquela mesma meia dúzia? Há espaço físico adequado?  Ameaças? Individualismo; enfraquecimento de valores e normas; fragmentação; redução da fé a questões pessoais, inclusive financeiras (teologia da “prosperidade”); subordinação do evangelho à cultura e à etnia e outros elementos que dificultam a missão da comunidade.  Oportunidades? Satisfação de fazer parte de um grupo bem coeso mas aberto; resgate da afetividade entre as pessoas; maior disponibilização das qualificações pessoais e profissionais, inclusive para o treinamento dos outros irmãos e irmãs; maior valia no “estar junto entre irmãos e irmãs”, não destacando críticas ou diferenças, mas reforçando o amor fraternal; busca de uma maior qualidade de vida em conjunto; apoiar a busca de emprego compatível com as qualificações disponíveis; ampliar o leque de qualificações disponíveis.  A comunidade objetiva a missão de promover vida que Deus quer realizar nela e através dela. Para que se torne mais missionária ela necessita do reavivamento evangelístico/missionário.  Evangelização abrange e procura concretizar o bem-estar físico, material, espiritual, emocional, social, político e ambiental. 

A comunidade missionária torna-se sensível e solidária para com pessoas e grupos em situações de crise, necessidade e risco. Assim 30


como Cristo nos amou, também os seus se amam uns aos outros. Assim como ele serve aos seus, eles servem uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu.  Obreiros e obreiras, junto com as pessoas colaboradoras leigas, em nível comunitário, paroquial e sinodal, estão engajadas num processo contínuo de ensino, aprendizagem e vivência da fé evangélica de confissão luterana. Isso permite a cada qual entender o que somos e como somos, o que fazemos e o que buscamos.  Os desafios missionários são maiores do que aqueles que podem ser abraçados individualmente por uma pessoa, comunidade, paróquia ou sínodo.  O objetivo do recriar e criar comunidade juntos será alcançado pela interação das diversas estruturas, em nível nacional, que se apóiam mutuamente.

6 - Roteiro para elaboração de um planejamento estratégico em comunidades e sínodos, com base no Plano de Ação Missionária da IECLB Relembrando o objetivo geral: Recriar e criar comunidade juntos para que não haja Nenhuma comunidade sem missão e Nenhuma missão sem comunidade! “Comunidades, paróquias, sínodos e a igreja como um todo elaborarão e executarão, a partir do objetivo geral e voltado para ele, seus planos de ação missionária”. (Texto constante no documento em referência) 31


Define-se o campo de trabalho na observação dos seguintes aspectos: 1. EVANGELIZAÇÃO E 2. ACOMPANHAMENTO E E 3. MISSÃO E 4. FORMAÇÃO

REAVIVAMENTO DIACONIA ECUMENE (UNIDADE )

5. ADMINISTRAÇÃO

ESTRUTURA

E

CAPACITAÇÃO

Observar-se-ão as seguintes competências: COMPETE ÀS COMUNIDADES/PARÓQUIAS:

- realizar a missão 

pela vivência em comunidade solidária

(definir o entendimento do que seja comunidade solidária para os membros, no âmbito da comunidade) 

pela vivência em comunidade terapêutica

(definir o que significa comunidade terapêutica, principalmente em questões de saúde espiritual, emocional, física e social, bem como no apoio a ações concretas de assistência a membros que estejam se sentindo abandonados e afastados)

pelo ultrapassar de: - fronteiras sociais (não permitindo que sejam feitas distinções entre seus membros, visitantes, e outros, em função de diferenças econômicas, culturais e semelhantes)

- fronteiras culturais (tentando encontrar uma linguagem comum que aproxime as pessoas e as deixe tão confortáveis como se estivessem em suas casas)

- fronteiras religiosas (não criando diferenças entre irmãos e irmãs em Cristo - que confessem Cristo como Senhor, Salvador e único mediador entre o ser humano e o Deus Trino)

- fronteiras étnicas (que não sejam feitas diferenças entre as pessoas em função de sua origem ou cor) 32


- fronteiras etárias (observando que haja entendimento entre as pessoas, mesmo com grandes diferenças de idade, e a possibilidade de um diálogo franco e aberto entre elas, baseado no amor)

- fronteiras de gênero (não importa que as pessoas sejam homens ou mulheres, a comunidade deve compreender e atender às necessidades específicas, claramente definidas de seus membros)

COMPETE AOS SÍNODOS - recolher e intercambiar comunidades e estimulá-las

as

experiências

missionárias

das

(reunir e esquematizar os dados, as informações e as fontes onde essas informações estejam disponíveis; estabelecer uma sistemática de troca de informações e comunicações entre as comunidades. Criar um banco de dados sobre as experiências e disponibilizando o mesmo às outras comunidades do sínodo)

- investir em recursos (recursos financeiros, materiais, humanos, de tempo, de conhecimento, de competências da própria comunidade e/ou de terceiros)

- investir na formação permanente de obreiros/as e de lideranças comunitárias (na criação de materiais ou sistemas que estejam permanentemente atualizados, buscando o aperfeiçoamento contínuo em questões de fé e serviço aos outros; inclusive para identificar as lideranças potenciais ainda não reconhecidas pelas comunidades e estimulá-las a que se apresentem ao serviço das mesmas

- promover ações missionárias em seu âmbito - monitorar as ações missionárias - zelar pela confessionalidade

Orientações estratégicas Com base nesses elementos as comunidades, bem como os sínodos, deveriam realizar reuniões de avaliação e delineamento de seus planos de ação. Isso envolve a definição de:  objetivos a serem alcançados 33


 em quanto tempo  envolvendo quais recursos  que seriam buscados / estariam disponíveis onde  e com quem Para cada objetivo, ou meta quantificada, deveria ser feita uma análise de sensibilidade que envolver: 

ameaças, riscos de não funcionar,

razões que poderiam provocar esse não funcionamento

ações para prevenir ou corrigir essas razões

abertura de novas oportunidades para envolver mais pessoas nos trabalhos

abertura de oportunidades para nos tornarmos mais conhecidos e respeitados no meio em que vivemos

o que estaria faltando para dar certo?

7 - Uma palavra conclusiva Como está sinalizado no próprio Plano de Ação Missionária da IECLB, cabe à igreja “recolher e intercambiar as experiências missionárias das bases. Motivar e instrumentalizar as mesmas com vistas a sua tarefa missionária dentro e para além de suas fronteiras. ...” Embora a missão de Deus seja confiada à comunidade, o êxito do planejamento e da ação missionária depende, sobretudo, do sopro do Espírito Santo. Contudo, ele se utiliza do empenho de todas as forças comunitárias. A estrutura da IECLB, com suas instituições, está a serviço disso. Trata-se, pois, do Recriar e criar comunidade juntos para que não haja Nenhuma comunidade sem missão e Nenhuma missão sem comunidade!

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8 – Anexo Palestra do Pastor Presidente Huberto Kirchheim sobre o tema Criando e recriando comunidade juntos, proferida no Fórum sobre Missão, em Rodeio 12/SC, a 30/05/2000

Criando e recriando comunidade juntos 8.1. Observações preliminares Os relatórios dos sínodos e das entidades sobre os seus projetos missionários sinalizam diferentes contextos em que acontece o criar e recriar comunidade juntos. Também refletem muita confiança e esperança no Senhor da seara. Percebemos que ele já agiu onde nós chegamos. Criou comunidade antes de nós e nelas nos integrou. Não fosse assim, não estaríamos aqui reunidos. Esses projetos nos mostram que ainda temos comunidades acomodadas na mentalidade clubista - onde a pessoa paga como sócio para ter direitos; ou na mentalidade consumista - onde a pessoa vai às reuniões para servir-se como num supermercado, consumindo o que interessa, ou mesmo à procura de saciar sua fome e sede por acolhimento, aceitação e orientação. Esses projetos sinodais também expressam a firme vontade de investir na formação, em todos os níveis e de diferentes maneiras, para que as comunidades se tornem mais missionárias, no sentido amplo da palavra. Poderíamos concluir aqui, dizendo: Pois bem, vamos lá! Cada sínodo toque o barco a seu modo. Porém, esse jeito do cada um para si e Deus para todos não convenceria a ninguém que ama a IECLB e está preocupado com a eficácia de sua missão. É por isso que o tema proposto – Criando e recriando comunidade juntos - desafia para a cooperação e a união de esforços e recursos. Estamos cientes de que o dividir de forças prejudica a eficácia da nossa ação missionária. Também sabemos que num país como o nosso, com extensão geográfica de tamanho continental, a missão não pode ter somente uma forma de expressão, se é que quer fazer jus ao contexto caracterizado por muitas facetas. Muito antes cada comunidade e paróquia precisa planejar a sua presença e ação missionária em seu âmbito. Ela o faz a partir de sua realidade específica, vista à luz do evangelho sob a ótica da confessionalidade luterana. Esse plano de ação missionária da comunidade é compartilhado no respectivo sínodo, com vistas à definição de um objetivo maior e comum a todas as comunidades do sínodo. Esse objetivo maior e comum une, interliga e frutifica os diferentes planos missionários das comunidades. Assim se concretiza sínodo, ou seja, o caminhar juntos no mesmo caminho, valorizando as peculiaridades locais. O mesmo processo está acontecendo, neste fórum, em nível nacional. Partimos dos planos de ação missionária dos sínodos. Percebemos suas peculiaridades e o que eles têm em comum. E agora estamos à procura de um objetivo que seja 35


maior e mais abrangente do que um desafio missionário de nível comunitário e sinodal. Estamos à busca de um objetivo, um projeto, uma visão tão grande e amplo que possa abrigar as iniciativas missionárias de todas as comunidades e todos os sínodos da IECLB; um projeto tão importante que possa cativar as lideranças comunitárias, paroquiais e sinodais, a ponto de nele se encontrarem, com ele se identificarem e o promoverem em seus respectivos níveis de vivência e atuação. Seria esse o caminhar juntos em nível nacional. Esse planejar de baixo para cima é o novo para o qual a nova Constituição da IECLB, norteada pela visão do Ministério Compartilhado, nos desafia. Sonhamos com um projeto que se assemelhe àquela visão de corpo que Paulo desenhou em 1 Co 12. Muitos membros - diferentes em forma, expressão e função - estão incorporados no mesmo corpo. Cada um em seu devido lugar, exercendo a sua tarefa, é importante para o corpo ser belo e funcionar de maneira harmoniosa e eficaz. Ninguém exclui o outro nem se auto-exclui só por ser diferente. Todos têm a auto-estima necessária e valorizam-se mutuamente em sua importância e função cooperadora e complementadora. Estão sob a mesma coordenação geral que chamamos de cérebro ou de coração. Sim, sonho com uma igreja onde cada comunidade tenha consciência de sua própria importância e valorize a outra em sua função complementar, sob a central de comando que é Jesus Cristo. Nesse sentido busquemos, em conjunto, as condições, os pressupostos, os recursos e meios para tal. Não precisamos partir do nada. Pois já temos firmado e confirmado consensos elementares, que resumidamente lembro a seguir. 8.2. Consensos já fixados no encontro da presidência com os pastores sinodais e os presidentes dos conselhos sinodais, em março de 1999. Baseado na respectiva ata, no item 6, compartilho os principais elementos, em torno dos quais houve consenso geral: - a missão é de Deus; - ela acontece em determinados contextos; - Deus cria, recria e envia a comunidade como instrumento de sua missão por meio do ministério compartilhado; - a missão é proclamação da Palavra embasada no fundamento confessional e acontece em forma de serviço, testemunho e discipulado; - essa missão pressupõe a capacitação de obreiras, obreiros, colaboradoras e colaboradores leigos, a partir da concepção eclesial, já concebida nos documentos normativos da IECLB, sobretudo na nova Constituição, explicitados no documento IECLB às portas do novo milênio. Esses documentos retratam as definições do nosso ser igreja luterana, inspirado pela visão do ministério compartilhado;

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- a missão requer uma espiritualidade que relaciona a postura de oração com o labor do planejamento participativo, objetivando a criação de comunidade mais acolhedora, participativa e terapêutica; - essa missão implica na renovação litúrgica, a partir do nosso contexto, dentro dos referenciais universais e confessionais; - essa missão abarca também o aprofundamento da relação entre fé e tempo, fé e dons e fé e dinheiro. Entendo que aqui estão elementos centrais, que ainda deverão ser enriquecidos, complementados e aprofundados à luz do documento IECLB às portas do novo milênio, bem como do Ministério Compartilhado e da própria Constituição da IECLB. Pretendo enfocar cada um desses elementos, destacando algumas das implicações que julgo importantes para o nosso momento. Também mostrarei conseqüências práticas, deles decorrentes, com vistas ao recriar e criar comunidade juntos. 8.2.1 - Deus é o Senhor da missão, não os líderes nem obreiras ou obreiros da comunidade. O nosso falar e as nossas posturas, porém, freqüentemente comprovam o contrário, p. ex., quando se afirma: eu dei culto; quando se define: culto é o encontro da comunidade com Deus; ou quando se transforma o culto em show. Esse falar e agir coloca o ser humano no centro e Deus se torna apenas um meio ou um objeto, deixando de ser o sujeito. Onde o ser humano se coloca no centro da missão, vejo surgindo toda espécie de contenda e desgaste, como p. ex.: competição entre obreiras e obreiros; luta pelo poder - tanto entre si mesmos quanto entre eles e líderes leigos; tentativas desesperadas e, às vezes, desajeitadas, de atender às expectativas do povo, em prejuízo aos desafios do próprio evangelho e da identidade confessional; crises de identidade confessional e eclesiástica. A confissão que Deus é o Senhor da missão, entretanto, nos quer lembrar que a igreja existe por causa de Deus que se manifesta como criador, salvador e consolador. É ele quem a criou, mantém e a guiará até o fim bem-aventurado mesmo que, porventura, as evidências atuais sejam contrárias. Essa confissão quer animar a alma atribulada que desespera diante de tantas adversidades. Ao mesmo tempo, essa confissão nos quer libertar da mania de ter que ser grande, o melhor e sempre bem sucedido. Embora essas coisas possam ser meios importantes dos quais o Espírito Santo se utiliza, a missão de Deus não depende delas. A história do povo de Deus testifica, freqüentemente, que Deus caminha com o seu povo, agindo mesmo na sua fraqueza e insignificância. 8.2.2 - A missão acontece em determinado contexto Deus valoriza e considera a situação concreta de seu povo e faz história no caminhar com ele. Logo a missão da igreja não pode ignorar o tempo, o lugar e a realidade, no sentido amplo da palavra, ou seja, a realidade vivencial em suas 37


dimensões culturais, religiosas, sociais e políticas. Exatamente na contextualização da missão os nossos antepassados insistiram ao se denominarem de Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. A Bíblia é testemunho de fé sobre esse Deus que faz história através de pessoas e acontecimentos naturais. Ela parte da vida concreta e para dentro dela se dirige, com a intenção de promover vida nova, especialmente para quem mais dela carece. Quando lemos as Sagradas Escrituras e as interpretamos, levamos a sério a inserção histórica - tanto a nossa própria, de membros da IECLB, no ano de 2000, quanto a da Bíblia, cuja redação levou nada menos do que aproximadamente 1000 anos. Com vistas à pregação, importa estarmos cientes desses condicionamentos contextuais. Pois o nosso Deus é aquele que se tornou pessoa em lugar, tempo e situação específicos, valorizando e considerando assim os nossos condicionamentos contextuais. Como cristãos luteranos, portanto, não nos iludimos fazendo de conta como se houvesse uma leitura objetiva e nãocontextual. Seria leitura fundamentalista. Pelo contrário, somos livres para assumir a condição histórica, tanto a nossa própria quanto a da Bíblia. Perguntamos pela mensagem de determinado texto naquela época para dentro de nossa realidade. Pouco importa se partimos da atualidade para o texto ou se partimos do texto para a realidade atual. Indispensável, porém, é ter consciência dos condicionamentos históricos, tanto do texto quanto de mim, leitor. A Bíblia sempre parte da vida concreta e para dentro dela se dirige com determinada intenção transformadora. É preciso, pois, que o texto em seu contexto de então seja relacionado com o contexto atual a fim de que possamos ouvir a voz de Deus hoje, como o teólogo católico Carlos Mesters costuma dizer. Em relação ao contexto atual importa olharmos com os dois olhos e ouvirmos com os dois ouvidos, iluminados e aguçados pelo testemunho do evangelho. Conforme Karl Barth, teólogo suíço no tempo de resistência a Hitler, devemos ter abertos numa mão a Bíblia e na outra o jornal, simultaneamente. Como luteranos aprendemos a ler a Bíblia toda, a partir de Cristo e com vistas a ele. Como chave de leitura Lutero recomenda tudo aquilo que move a Cristo. E o que é isso, senão promover a vida para quem não a tem nem a merece e muito menos a pode pagar, ou seja, a justificação por graça e fé! Esse é o espírito norteador para ler a Bíblia em seu contexto, tanto o de então quanto o atual. Sobre a realidade atual os relatórios sinodais já refletiram muitos elementos importantes que, com a ajuda do Oneide, foram sistematizados. Quero relembrar e enfocar apenas alguns aspectos, com vistas ao nosso criar e recriar comunidade juntos. A importância da situação social, econômica e política se impõe com tanta força que não dá para ignorá-la. Lembro, p. ex., o desemprego, a má distribuição de renda, o isolamento, a solidão e a opressão de pessoas, grupos e povos. Essas, além de tantas outras manifestações de injustiça, marginalização e exclusão, 38


estão se intensificando, apesar ou mesmo por causa da assim chamada globalização neoliberal. Essas condicionantes, entre outras, agravam a dependência e o empobrecimento da maioria do povo brasileiro e, conseqüentemente, dos membros da IECLB. Além disso, está se travando uma luta entre idéias, filosofias, cosmovisões, sistemas sociais. Em nível teórico, distingue-se entre épocas diferentes, p. ex., o feudalismo, a modernidade e a pós-modernidade. Não me é possível, neste momento, elucidá-las devidamente. Contudo, por estar preocupado em identificar bem o contexto em que queremos realizar a missão, preciso enfocar alguns aspectos dessas três visões de mundo. A primeira está mais enraizada no meio rural, enquanto as outras duas se localizam mais no meio urbano. Embora distintas em seus modos de ver, pensar e agir, parece que no Brasil as três se confrontam simultaneamente. Percebemos essa luta de muitas maneiras, como p. ex. no campo da política agrária vemos o confronto entre os interesses de latifundiários com os interesses do MST; no nível da política trabalhista contrasta a fácil aprovação do elevado teto salarial do funcionalismo público com a vergonhosa discussão sobre o desumano salário-mínimo; percebemos essa luta quando o pequeno agricultor, querendo cortar uma árvore para o seu próprio uso, precisa enfrentar o IBAMA, enquanto o Governo quer autorizar a exploração de 60% da floresta amazônica, apesar de todo mundo saber que isso implicará em devastação e ameaça ao equilíbrio ecológico do meio ambiente nacional e planetário. Ainda há os que depositam confiança irrestrita na ciência, na tecnologia e no progresso orientados pela razão humana. Nessa visão da época moderna tudo parecia factível, desde que se aplicassem os meios adequados, o assim chamada know-how. Assim também o reino dos céus seria construído através da adequada estratégia, usada pelas pessoas devidamente convertidas, seja para a ideologia comunista, ou para a neoliberal capitalista, ou mesmo para a ideologia religiosa de caráter fundamentalista. Postulavam-se os absolutos e princípios inegociáveis que conduziriam, infalivelmente, a um mundo sem classes e sem problemas, ou pelo menos para um mundo melhor. Hoje, porém, cada vez mais pessoas enxergam criticamente as pretensões absolutistas da modernidade. Em meio a todo progresso percebem também os efeitos calamitosos da ciência nuclear que, caso não for responsavelmente usada e guardada, contaminará tudo o que vive. Temem-se pessoas que lidam de maneira descompromissada com a biogenética, capaz de criar o bicho que devora o seu próprio genitor. Representam um perigo determinados movimentos religiosos que, em nome da criação do reino de Deus, manipulam, tiranizam ou excluem tudo e todos que se opõem. Desnecessário é falar também da poluição do ar e das águas causada por pessoas exploradoras, gananciosas e inescrupulosas. Se são esses os frutos dos absolutos que a razão produz, é preciso desconfiar de todo absoluto. 39


Em conseqüência disso, parece não mais haver regras ou normas que tenham autoridade para organizar e controlar a vida em sociedade, nem mesmo Deus. Toda autoridade está inflacionada e não mais tem valor, nem sentido. Esse espírito da época pós-moderna caracteriza cada vez mais pessoas, principalmente pessoas jovens. Ou a pessoa aceita o jogo da competição cruel, atirando-se no ativismo sem limites, e se torna vencedora. Ou, mais cedo ou mais tarde, a pessoa se cansa, resigna em apatia e inércia, ou mesmo afunda na depressão. Visto que a pessoa não agüenta nem quer viver sem descanso e lazer, sem comunhão e sem sentido, procura anestesiar a dor por meio de drogas químicas ou busca sensações e emoções extáticas, esotéricas e religiosas. Já que a razão está por demais cansada, em todos os sentidos, procura saciar a sua fome e sede de vida através do sentir, tocar, saborear, cheirar. A pessoa da era pós-moderna dificilmente será compreendida por quem ainda vive na época moderna e aposta em valores, princípios e absolutos. Está aí uma das razões que caracterizam o conflito entre as gerações. Essas idéias, filosofias e cosmovisões, diferentes e mesmo antagônicas, não se restringem exclusivamente a determinadas faixas etárias nem a áreas geográficas nem a determinados grupos sociais, culturais ou religiosos. Muito antes, perpassam todas essas áreas e nelas se mesclam, até numa mesma pessoa. O nosso contexto atual realmente é multifacetado. E o grande desafio para a nossa missão é se a proposta da fé evangélica de confissão luterana tem ou não uma contribuição relevante a dar. 8.2.3 - Deus cria, recria e envia a comunidade ... Deus liberta do anonimato e do isolamento. Chama Abraão e lhe promete descendência para ele tornar-se uma grande nação, povo de Deus, assembléia, comunidade e igreja. Assim se estende um grande arco. Inicia em Deus, passando por Abraão e Sara, Jacó, Israel, Jesus, apóstolos, comunidades que se unem em igreja, que caminha entre Pentecostes, e aponta para a segunda vinda de Cristo. A igreja vem de Deus e nele tem o seu alvo. Ela vive em comunidade e com outras comunidades está a caminho. É isso que significa a palavra sínodo = syn-hodós = juntos a caminho. Segundo At 9.2, os primeiros cristãos eram também denominados os que são do caminho. Sinal visível do pertencer ao povo universal de Deus é o Batismo. Nele Deus oferece o seu amor incondicional, com tudo aquilo de que necessitamos para viver felizes, morrer com esperança e ressuscitar para a vida eterna. Esse amor imerecido quer ser aceito, abraçado e vivenciado em fé que atua pelo amor. Verdade é que esse viver em fé passa por acertos e desacertos, ações de amor e desamor. Os desacertos e o desamor manifestam-se em forma de contendas e separações inclusive entre igrejas, quando absolutizam a sua parte do reconhecimento da verdade. Assim como no convívio matrimonial é preciso reconhecer e confessar culpa, também na igreja isso é necessário. Somente o casal que vive do perdão convence a outros, num mundo cansado de ter que 40


aparentar o sucesso. Da mesma maneira, também o testemunho das igrejas cristãs somente terá força convencedora à medida em que nelas e entre elas se praticam a confissão e o perdão de culpa. Diante dessa visão realista da existência humana há os que apelam para os esforços morais a fim de fazer boas obras objetivando alcançar o céu como que subindo numa escada até chegar lá. É o caminho da auto-salvação que leva as pessoas ao desespero, como Lutero o confessa quando canta o hino “Cristãos, alegres jubilai”, conforme HPD 155.3: As obras nunca poderão livrar-me do pecado. ... Horrível medo me assaltou, ao desespero me levou, lançando-me ao inferno. No estudo da Bíblia, especialmente a carta aos Romanos, redescobriu a boa nova: Deus mesmo vê a nossa situação perdida e age. Ele mesmo vem, em Jesus, seu Filho amado, e se doa, reparte e sacrifica. Na ressurreição de Cristo ele dá vitória à vida sobre os poderes da morte. Esse Cristo vive e faz viver. Pelo Espírito Santo nos liberta das tentativas vãs de qualquer auto-salvação e nos faz abraçar em fé o amor e a misericórdia de Deus. Assim ele justifica quem não o merece nem o pode pagar. Essa boa nova é uma das heranças mais preciosas de nós, luteranos. Ela é bálsamo para pessoas cansadas nos caminhos da justificação por obras. Assim surge nova comunhão, com Deus, com outros e consigo mesmo, no sentido da auto-aceitação. Surge a comunidade de pessoas justificadas por graça e fé. Como pessoas agraciadas e em resposta ao amor de Deus ensaia-se a prática do amor ao próximo. Contagiadas pela graça de Deus ensaiam sinais concretos de gratuidade, p. ex.: acolhida de pessoas excluídas, perdão e reconciliação, apoio a desempregados, sem-teto, sem-terra, partilha e cura. De maneira concreta a vida nova deve ser criada e recriada em todas as esferas, ou seja, na familiar, comunitária, escolar, profissional e política. Assim servindo uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus, cumprimos, segundo 1 Pe 4.10, a lei de Cristo. E, conforme 1 Pe 2.9, esse servir é chamado de sacerdócio geral de todos os crentes. Dessa maneira Deus faz com que a comunidade seja missionária, simplesmente pela sua vivência. Pois a sua vida diferente destaca-se no contexto, é notada e registrada como cidade edificada sobre um monte (Mt 5.14). Para que a comunidade reconheça a sua condição de sacerdócio geral e abrace a sua missão, Deus concede ministérios específicos. Isso está fundamentado, p. ex., em Ef 4, e devidamente explicitado no documento Ministério Compartilhado, que norteia a nova Constituição e o texto IECLB às portas do novo milênio. Dessa visão de ministério destaco a sua função instrumentalizadora e o fato de que colaboradoras e colaboradores leigos participam ativamente dos respectivos ministérios específicos. Esses, com as suas tarefas específicas, compõem o ministério eclesiástico.

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Esses são alguns elementos que caracterizam comunidade da IECLB. Ela é igreja visível. Assim ela se identifica nesse mundo tão carente de graça. Contudo, por ora ainda é uma igreja por demais escondida, como nos tempos em que não lhe era permitido ter templo e sino. Por que será? Falta a nós luteranos autoestima? Se for o caso, não há nenhuma razão para tal. Pois, modéstia à parte, temos uma mensagem verdadeiramente libertadora, nesse mundo cheio de exclusões. A partir da justificação por graça e fé, que resulta na liberdade cristã, temos condições de assessorar as ciências e os legisladores, com vistas à tomada de decisões éticas em suas situações limítrofes, como p. ex. na questão da biogenética. Não se trata de estimular um orgulho dúbio, mas animo para humildemente nos conscientizarmos dos talentos que Deus nos confiou e emprestou. Atitude evangélico-luterana é trabalhar e servir com eles para que os resultados multipliquem a substância, a exemplo da parábola dos talentos (Mt 25.14-30). Penso que isso poderia ser a saudável auto-estima luterana. 8.2.4 - A missão é proclamação da Palavra, embasada no fundamento confessional. Ela acontece em forma de serviço, testemunho e discipulado. Estamos cientes, portanto, do nosso jeito contextualizado de ler e testemunhar a Bíblia. Levamos a sério a nossa própria historicidade cultural, social e confessional bem como a historicidade da Bíblia. Cremos que o Espírito Santo inspirou seus autores e rogamos que ele inspire também a nós, na tarefa de entender a mensagem naquela situação para dentro de nossos dias. Igualmente levamos a sério que Deus tem mil maneiras de salvar, como cantamos no hino Minha alma entoa um hino (HPD 257.3). Assim como Jesus resumiu o seu testemunho pelo percorrer a Galiléia respectivamente as cidades e povoados, ensinando, pregando e curando (cf. Mt 4.23; 9.35), o testemunho da igreja de Mateus e, conseqüentemente, também o nosso estão devidamente caracterizados. 1) Não nos compete somente a postura do vinde ao nosso templo, por mais importante que o convite seja, tendo em vista a celebração da comunhão de Deus com o seu povo; muito antes somos desafiados a sair das nossas quatro paredes da casa segura e ir às ruas e aos becos onde estão vagando as ovelhas sem pastor. 2) O testemunho não se resume no pregar. Pois igual importância tem o ensinar, seja que os pais ensinem a criança a caminhar e orar, seja que a professora ensine a criança a ler e escrever, a fim de que reconheça e assuma a sua cidadania cristã. 3) A ação prática do amor ao próximo liberta e cura. É parte integrante do testemunho. Pois seria blasfêmia dizer para o faminto que não só de pão vive o homem, mas de cada palavra que sai da boca de Deus, embora esteja escrito em Mt 4.4. Nesse sentido acontecem inúmeros serviços sociais e diaconais por iniciativa de comunidades, sínodos e do Serviço de Projetos de Desenvolvimento (SPD) da IECLB. São serviços que fascinam e impressionam muitas pessoas. Parece, porém, que em determinadas situações temos dificuldade de falar, com entusiasmo e convicção, da motivação que nos leva à prática do amor ao 42


próximo. Será que temos vergonha de convidar pessoas estranhas a participarem de nossa comunidade e igreja? Comunidade missionária é convite pelo ser, pelo agir e também pelo falar. Ela vivencia a fé, em palavra e ação e a testemunha pelo falar do que o coração está cheio, convidando e acolhendo. O ensinar, pregar e curar formam uma unidade inseparável, assim como um tripé. Se uma das três pernas falta, ele cai, não importando qual for. Também na IECLB sofremos a tentação de acentuar determinada parte a tal ponto que sucumbe uma ou mesmo as outras duas. Por isso, é necessário cuidarmos do bom equilíbrio entre os ministérios existentes. Caso contrário, estamos dando mau testemunho ou mesmo o ficamos devendo. Quando falamos em discipulado lembramos os discípulos que seguiam a Jesus, percorrendo a Palestina. Caminhando, compartilhavam com ele a missão do ensinar, pregar e curar. Os primeiros ouvintes, portanto, eram eles mesmos. Essa postura de aprendiz deve ser também a nossa. Não somente no início da vida cristã, mas ao longo da vida. Esse discipulado não acontece sob o signo do sucesso e da glória. Pelo contrário, a caminhada da igreja é caracterizada como discipulado sob a cruz. Baseado em Mc 8.34, o famoso teólogo Bonhoeffer nos lembrou disso por meio do seu próprio martírio, no campo de concentração. Nos anos 70, a IECLB se lembrou desse constante aprendizado na fé, quando concebeu a visão do Catecumenato Permanente. 8.2.5 - Justamente essa visão de Catecumenato Permanente nos faz entender a aprendizagem na fé como um processo de formação e educação contínuas. A IECLB investiu, decididamente, na formação de obreiros, desde a criação da Faculdade de Teologia, respectivamente da Escola Superior de Teologia (EST). Apoiou a formação diaconal em Lagoa Serra Pelada e São Leopoldo. Reconheceu, entrementes, a formação missionária no Centro de Ensino Teológico da MEUC em Mato Preto e no Centro de Pastoral e Missão em Curitiba. Além disso, valoriza estabelecimentos educacionais como a Escola Agrícola Teófilo Otoni. A visão evangelical do discipulado, a Pastoral Popular Luterana, a visão do Catecumenato Permanente, bem como a do Ministério Compartilhado, contribuíram efetivamente para o surgimento de inúmeras iniciativas de formação de lideranças leigas. Com gratidão a Deus registro que são tantas que seria impossível mencionar todas. A consciência de que colaboradores leigos não são meros “quebra-galho” do obreiro, em caso de seu impedimento, mas participantes efetivos dos respectivos ministérios, foi crescendo ao longo dos últimos 30 anos. As iniciativas de formação de lideranças têm a sua força no envolvimento e na limitação locais. Em termos gerais, porém, parece que um maior intercâmbio de experiências e propostas didáticas poderia significar enriquecimento, aperfeiçoamento e economia de recursos humanos, didáticos e financeiros. Algo semelhante vale em relação à formação de obreiros e obreiras, bem como em relação à atualização contínua.

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Nos últimos anos estamos redescobrindo a nossa responsabilidade com a formação de professores para o ensino público. A criação do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação, o reconhecimento da Escola Superior de Teologia pelo MEC, os projetos de criação de faculdades luteranas, como em Joinville, Curitiba, Três de Maio e Ivoti, marcam um reinício da nossa missão em nível educacional. Igualmente registro iniciativas de reflexão, conscientização e apoio a políticos luteranos. São sinais concretos do investir no sacerdócio geral de todos os crentes. Eles precisam de maior coordenação e intensificação. Precisam ser ampliados com vistas às áreas da ética na medicina e biogenética. Aí se abrem perspectivas de ação que somente em nível ecumênico e em cooperação com outras organizações, preocupadas com a preservação da criação e promoção da vida, poderão ser enfrentadas. Certamente podemos e devemos dar, a partir da teologia luterana sobre a justificação por graça e fé, uma contribuição importante para orientar e dimensionar o mercado social, econômico, cultural e religioso. Assim estamos enfatizando a amplitude do desafio missionário da formação e da educação. Ele consiste em conscientizar e instrumentalizar a comunidade e sociedade de sua dignidade e responsabilidade, com vistas à cidadania cristã, respectivamente a seu sacerdócio geral de todos os crentes. Os obreiros, em seu âmbito comunitário, participam dessa mesma missão e priorizam a formação de colaboradores leigos, objetivando o exercício dessa tarefa conscientizadora e instrumentalizadora. Com esse intuito estão sendo realizadas pré-consultas sobre Educação Formal, Formação de Lideranças; Formação de Obreiros/as, Planejamento de Pessoal. 8.2.6 – Essa missão requer uma espiritualidade que distingue e relaciona a postura de oração com o labor do planejamento participativo. Estamos lidando com mudança de mentalidade que ultrapassa todo o nosso entender e fazer, sem dispensá-lo. Lembro Fp 2.12-13, onde Paulo nos admoesta para investirmos todos os nossos esforços, visando à salvação, com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar. Essa dialética entre obra divina e obra humana não pode ser dissolvida para nenhum lado. Se não me falha a memória, foi Lutero quem disse: Devemos orar com tanto vigor como se tudo dependesse de Deus e trabalhar com tanta dedicação como se tudo dependesse de nosso esforço. Assim daremos a Deus o primeiro e o último lugar e assumimos a nossa responsabilidade de estudar, planejar, executar e reavaliar a nossa presença e ação missionárias. Todo projeto missionário deve visar à criação de comunidade. Pois é nela e através dela que o Espírito Santo cria a fé, irmana e congrega as pessoas. É na e através da comunidade que ele acolhe, aceita, perdoa e cura. Essa é a missão pela vivência. Ele faz a comunidade olhar para além do próprio horizonte e a faz ultrapassar de fronteiras sociais, culturais, religiosas, raciais e nacionais. Nesse sentido temos iniciativas de acolhimento de mães solteiras, de pessoas portadoras de deficiência ou de vírus HIV, centros de recuperação de dependentes químicos, ou mesmo apadrinhamento de uma paróquia na Transamazônica ou de uma obreira no Moçambique. Essa é a missão pelo sair 44


da casa segura, ou seja, a missão pelo ide! A missão pela vivência e a missão pelo ultrapassar de fronteiras são dois lados de uma mesma moeda. Não podem ser separadas. Andam de mãos dadas. No que diz respeito às definições dos termos evangelização e missão, ao meu ver, não precisamos discutir muito. Basta lembrar que antigamente a evangelização se referia ao despertamento e reavivamento de membros adormecidos, visando à missão pela vivência e pelo ide. Falava-se também em missão interna e missão externa, sendo que a última implicava também o ultrapassar de fronteiras geográficas. Esses limites geográficos hoje quase não existem mais. Importa, portanto, resguardar as duas dimensões do avivamento interno com vistas ao ultrapassar de fronteiras culturais, sociais, religiosas e nacionais. Ainda são poucos e pequenos os sinais do ultrapassar de fronteiras. Ainda estamos por demais acostumados a receber recursos de fora. Esses, porém, não tendem a aumentar, pelo contrário, já estão diminuindo, de forma que teremos menos condições de manter determinados projetos missionários a médio e longo prazo, muito menos abraçar novos desafios que estão à nossa frente. Diante disso, precisamos reavaliar nossas prioridades missionárias. O nosso slogan afirma de maneira categórica: Nenhuma missão sem comunidade e nenhuma comunidade sem missão! Isso nos deve fazer perguntar se os nossos projetos realmente estavam objetivando a criação de comunidade missionária. Hoje estamos sendo questionados se é responsável manter determinado projeto quando, após 10 ou 15 anos de subvenção e apoio de fora, ainda não conseguiu a sua autonomia financeira. Será que estamos apostando devidamente nos próprios recursos, como apadrinhamentos e parcerias internas? As relações recíprocas certamente ganhariam em intensidade, comprometimento mútuos. Isso reverteria em bênção tanto para a comunidade doadora quanto para o campo missionário receptor. Este poderia, através das novas formas de vida comunitária que está ensaiando, enriquecer e desafiar a comunidade tradicional e facilitar a sua abertura para pessoas de fora de seu âmbito. 8.2.7 – A missão implica em renovação litúrgica. Deus se torna pessoa em tempo e lugar específicos. Assume forma do contexto e dentro dele manifesta o mistério do eterno. Conseqüentemente também a liturgia precisa ser contextualizada, a partir e dentro dos paradigmas universais do culto cristão na compreensão luterana. Justamente a liberdade cristã, fruto da justificação por graça e fé, nos abre um campo amplo para a criatividade litúrgica. Ela se expressa em linguajar entendível, músicas e ritmos que dizem respeito ao sentimento das pessoas, recursos comunicativos que atingem também os outros sentidos humanos, além do sentido da audição. Visto que Deus é o centro, ponto de partida e de chegada do culto cristão e nele encarna de maneira palpável, os membros da comunidade podem e devem ter participação ativa. O ministério pastoral tem a função de presidir essa ação comunitária. Desse presidir faz parte o comprometimento com a confessionalidade luterana, a fim de 45


evitar o desvirtuamento e a alienação da liturgia. Nesse sentido cabe lembrar o documento IECLB no pluralismo religioso, agora em fase de impressão, que dará algumas definições e orientações. O próximo Fórum sobre Liturgia deverá elaborar uma proposta de normas litúrgicas, a serem apreciadas pelo XXII Concílio da Igreja. 8.2.8 – A missão requer o aprofundamento da relação entre fé e vida. Assim como precisamos ensinar a ler a Bíblia, a partir da vida e para dentro dela, também temos de aprender e ensinar a relacionar a fé com todas as esferas da vida. No primeiro mandamento se resumem todos os demais. Deus se nos apresenta como aquele que libertou, liberta e libertará da escravidão para a liberdade, do estado sem-terra para o viver digno em terra própria, da não-vida e morte para a vida. Por isso ele é o único digno de ter o primeiro e último lugar em nossas vidas. Estamos livres e motivados para temer e amar a Deus sobre todas as coisas. A partir disso, todas as coisas e pessoas receberão o seu lugar e valor devidos. - Disso decorre o dedicar tempo a Deus. Hoje o tempo parece ser mais precioso do que dinheiro. Onde isso é ensinado e reconhecido numa comunidade, os membros terão tempo para ler o devocionário diário e a Bíblia; tempo para participar dos encontros da comunidade. Quem tem tempo para Deus tem tempo para os outros e para si mesmo. - Igualmente importa ensinar como relacionar a fé com os dons. Deus distribuiu entre os membros da comunidade todos os dons necessários para a sua missão, tanto pela vivência quanto pelo ultrapassar de fronteiras. A visão do ministério compartilhado nos quer libertar da mentalidade do João sabe e faz tudo, com vistas à cooperação e complementação em equipe multidisciplinar. - Onde Deus é Senhor Libertador ele também o é sobre os bens e o dinheiro. Essa libertação parece ser a mais difícil e, como as demais conversões, precisa acontecer diariamente. Relacionar fé e dinheiro é uma expressão da liberdade cristã. Isso deve ser objeto de estudo em grupos e de pregação em cultos e, sobretudo, objeto de conversa na visitação regular nas casas dos membros. O falar em dízimo não nos deve induzir para uma mentalidade legalista de fariseu que ignora a relatividade da oferta. Muito antes importa priorizarmos a proporcionalidade, a espontaneidade e grata generosidade da contribuição, propagadas em 2 Co 8 e 9. À medida que trabalhamos, com seriedade, esse assunto da relação entre fé e dinheiro, cresceremos não somente na alegria em dar, contribuir e repartir, mas também numa política salarial mais evangélica, orientada muito antes pelas necessidades. Em conseqüência disso, as comunidades participarão com mais alegria e motivação de tarefas missionárias sinodais, nacionais ou mesmo no exterior, diminuindo assim o orçamento central. 8.3 – Finalizando esse exercício de reenfocar e aprofundar os consensos já alcançados, vejo que temos bases, objetivos e recursos suficientes para rogarmos juntos: Espírito, derrama a força divinal; acende em nós a chama da fé 46


pentecostal, ou seja, a fé de Pentecostes que ultrapassa fronteiras; faze que anunciemos, em palavras e ações de solidariedade e partilha, ao mundo o teu fulgor, que testemunho demos da salvação, Senhor (HPD 76.6). Não permitas que nos escondamos atrás de discussões teóricas, como tentou fazer aquele escriba quando perguntou: Quem é o meu próximo? Liberta-nos de todas as amarras, a fim de que possamos planejar comunidade missionária, tanto dentro dos limites da IECLB quanto fora de suas fronteiras. Que assim seja!

“Quem sabe o que está buscando e onde quer chegar, encontra os caminhos certos e o jeito de caminhar.” (Thiago de Melo)

Comissão (ampliada) de sistematização: Ani Cheila Fick Kummer, Enos Heidemann, Oneide Bobsin, Walter Altmann e Günter K.F. Wehrmann. Porto Alegre, de junho a novembro de 2000

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Recriar e criar comunidade juntos - Plano de Ação Missionária da IECLB by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu