Firmando o pé
Vida digna: saúde e o cuidado integral Palavr@ção on-line 52
PALAVRA Moisés: 40 anos de mutirão por vida plena O que você pensa sobre o tema saúde? Como este tema é tratado em sua comunidade? Você faz uso de plantas medicinais? Você acha que um corpo bonito é sinônimo de saúde? O que você acha de conhecimentos práticos na área da saúde que são passados de geração em geração? Como você cuida de sua saúde? Como você se posiciona sobre a ideia de saúde coletiva? Em sua opinião, é possível ser saudável sozinho ou sozinha? Quando falamos em saúde, é bastante comum pensarmos em bem- estar, planos de saúde e SUS (Sistema Único de Saúde). Muitas pessoas e organizações compreendem a saúde como um negócio muito lucrativo1. A redução de investimentos públicos com a Emenda Constitucional nº 95, que os reduziu ao nível da inflação, diminuiu a capacidade de políticas públicas que pudessem ampliar o conceito de saúde, reduzindo-a apenas ao atendimento clínico convencional. O contraponto do que está posto seria pensar a saúde de forma alternativa, quer dizer, um conceito de saúde mais amplo, __________________________________________ 1
Veja o comparativo dos lucros dos planos de saúde. VALOR ECONÔMICO. Os 50 maiores planos de saúde. Disponível em: <https://www.valor.com.br/valor1000/2019/ranking50maioresplanosdesaude>. Acesso em: 08 mar. 2020.
compreendendo a ideia de uma vida saudável.2 Isso significa uma ampliação de tal modo, que tudo que faz parte de nossa vida estaria interligada com a nossa saúde, desde aspectos físicos, psicológicos e também sociais. Para tanto, a experiência do povo de Israel, que passou 40 anos em peregrinação pelo deserto, mostra que saúde é também um ato político e não apenas o cuidado com o corpo. Vejamos o que Êxodo 2 e 3 contam. O contexto que aparece no livro de Êxodo é o contraste social entre o estado egípcio e o povo escravo, que têm a sua origem na migração forçada de minorias pela fome e pela seca, conforme relato de Gênesis 47.20. A narrativa descreve e caracteriza dois projetos sociais: o projeto do estado egípcio e o projeto de Deus da libertação dos oprimidos. Ela indica que a opção de Deus é pelo povo camponês e escravo, como diz em Êxodo 3.10: “para que você tire do Egito o meu povo, os filhos de Israel”. Outro elemento que caracteriza a atuação de Deus está em Êxodo 3.18, que diz: “O Senhor, o Deus dos hebreus, veio ao nosso encontro.” A expressão “hebreu” em seu significado mais antigo designa classe social, “os hapirus” eram os pobres da terra. Somente mais tarde virou denominação de povo, nação. Tão logo, Deus é o Deus da classe camponesa e escrava, que liberta o povo pobre da exploração econômica, política e religiosa. Ele assume esta luta e promete proteção a seu povo._______________________________ 2
A OMS trabalha com o conceito de saúde que abrange aspectos físicos e psicossociais. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Constituição da organização Mundial da Saúde. Documentos básicos, suplemento da 45ª edição, outubro de 2006. Disponível em: <https://www.who.int/governance/eb/who_constitution_sp.pdf>. Acesso em: 08 mar. 2020.
A diferença do projeto de Deus ao projeto de Faraó consiste primordialmente na vida livre e igualitária. A fé em Deus requer uma posição política que defenda a vida plena. Deus não é neutro em relação ao que produz sofrimento e escravidão. Em Êxodo 1.15ss, as parteiras desobedecem às ordens do Faraó. Moisés é fruto da desobediência civil. Moisés foi adotado pela família do Faraó. A astúcia das mulheres criou uma oportunidade de acesso à proteção e à formação plena de um filho de pessoas escravas. Enquanto membro da família real, Moisés teve formação em todas as artes e ciências da elite social egípcia. Aprendeu a arte de governar, liderar, administrar, reger leis, a arte da guerra para manter a concentração das riquezas sob a mão da família real e a arte da dominação social. Moisés foi preparado para ajudar a manter o projeto de dominação egípcia baseada na mão de obra escrava. Contudo, Moisés fez uma escolha diferente ao que foi lhe ensinado. Ao liderar, junto com seu irmão, Arão, e sua irmã, Miriã, a saída do Egito e a caminhada do povo pelo deserto durante 40 anos, ele, sob a bênção e orientação de Deus, liderou um processo de desenvolvimento social, político, econômico e religioso. Transformou pessoas escravizadas em pessoas livres. Ajudou a criar condições para que todas as pessoas livres pudessem viver numa sociedade fraterna, sem classes sociais, sem templo e sem Estado, na qual o meio de produção, a terra, estaria sob o controle do coletivo, o clã e a tribo (Números 26.52-56). Não haveria acúmulo (Êxodo 16), nem pessoas empobrecidas (Deuteronômio 15.7ss), onde todos participam das decisões políticas na assembleia popular, diante da tenda da congregação, local de culto e de tomada de decisões políticas e administrativas, não havendo separação entre fé, cultura, economia e política. (Números 27.111; Êxodo 18). A fé deste povo renasce como processo revolucionário que passa da escravidão para a liberdade. O processo histórico do
Êxodo mostra que o cuidado com a vida corresponde compreender a saúde de forma ampla, formativa e que abrange um processo de cura social. Os conhecimentos do povo desde sua escravidão foram ressignificados para a liberdade. É na experiência do deserto que o povo construiu uma consciência de cuidado integral da vida, um cuidado que observava a vida de todas as pessoas, de forma coletiva, para que tenham vida em abundância.
AÇÃO Propostas de dinâmica 1: A importância do toque Objetivos: Sensibilizar as pessoas do grupo ao cuidado com a outra pessoa. Estimular o olhar comunitário àquelas pessoas que estão à margem. Material: Um dispositivo de som com música de relaxamento (p.ex.: sons da natureza), colchonetes, papel craft ou pardo para anotar as respostas do grupo, canetinhas. Comentário introdutório: Em nossos dias, facilmente passamos da realidade concreta para a realidade virtual sem nos darmos conta dessa mudança. Na verdade, a vida transformou-se numa “concreta virtualidade”. Algumas pessoas já sugerem que a aproximação física entre as pessoas, o toque, o abraço, tornaram-se ações de pessoas “ultrapassadas”. A velocidade da internet globalizada tornou a vida, em muitos casos, rasa, instantânea e aparente. Tornamo-nos uma soma de “likes”. As relações tornaram-se mais interesseiras e convenientes. Já não dispomos de tempo para nos aproximarmos e desfrutarmos da presença do outro e da outra. Nossa rotina sempre ocupada pelas tarefas mais diversas nos faz otimizar o tempo de tal forma que cuidamos da saúde como uma forma de “manter-se vivo” para dar conta de tudo o que temos que fazer. Não há tempo para realizar as refeições em conjunto ou espaço para conversas cotidianas. Estamos sobrecarregados e sobrecarregadas.
1º momento: Divida o grupo em duplas. Coloque a música de fundo e explique que neste momento acontecerá um processo de massagem. Nele, uma pessoa da dupla se deita sobre o colchonete enquanto a outra realiza uma breve massagem nos ombros e braços. Observe o envolvimento dos jovens e das jovens. Depois de alguns instantes, troca-se de lugar entre as duplas. A pessoa também pode ficar sentada confortavelmente na cadeira e receber a massagem nessa posição. 2º momento: Convide para o grupo sentar em círculo e pergunte a eles suas impressões sobre a experiência. Anote-as no papel craft. Algumas perguntas podem estimular a fala: O que vocês sentiram? Qual foi o melhor papel para exercer, massagista ou pessoa massageada? Por quê? O quanto o toque (o abraço, o carinho, a massagem, o aperto de mão) faz parte da sua vida? Você acha isso importante? 3º momento: Pense com o grupo uma proposta prática para envolvimento da comunidade pensando a saúde de forma alternativa e ampla. Por exemplo, um grupo terapêutico de apoio às famílias enlutadas, alguns bate-papos ou um grupo de estudo de temas complexos como depressão, suicídio na adolescência, futuro profissional, entre outros. É importante que a tarefa seja de interesse do grupo e que haja uma divisão de tarefas (reservar o espaço, convidar possível especialista, fazer a divulgação, etc). Proposta de dinâmica 2: O debate está na mesa Objetivo: Resgatar conhecimentos de pessoas da comunidade sobre saúde. Material: Um dispositivo de som e vídeo, papel craft ou pardo e 3 canetinhas de cores diferentes.
Comentário introdutório: O grande debate atual sobre a sustentabilidade prevê ações individuais que nem sempre são eficazes a ponto de solucionar os problemas climáticos diversos. Porém, alguns hábitos cotidianos podem contribuir para uma realidade contextual local mais saudável. Debater à luz do Evangelho o tema da sustentabilidade do planeta faz com que fiquemos alertas à compreensão do nosso papel de sermos sal e luz, propondo práticas que vão na contramão da proposta ideológica do mercado. A vida deve sempre estar em primeiro lugar. Isso significa pensar em como podemos vivenciar relações fraternas, pautadas por experiências que contabilizam para o bem-estar de todos e todas. 1º momento: Vídeo-debate com o curta-metragem CAPA – Comida Boa na Mesa (5min27seg), disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hqE- NM07jDs. Ele integra a Campanha Comida Boa na Mesa, uma iniciativa do CAPA - Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, ligado à IECLB, que propõe a reflexão permanente sobre o acesso à alimentação saudável e a articulação de ações de incidência pública. A campanha envolve o reconhecimento do papel da agricultura familiar e da agroecologia na produção de alimentos, das feiras e cooperativas na promoção do comércio justo e solidário e das organizações de apoio. Mais informações sobre a campanha e o trabalho do CAPA podem ser obtidas em www.capa.org.br. Se o tempo permitir, outra opção é o documentário O veneno está na mesa II (Caliban Cinema e Conteúdo, 1h10min), disponível em https://www.youtube.com/watch?v=fyvoKljtvG4.
2º momento: Preferencialmente ao redor de uma mesa, debate sobre as ideias abordadas no vídeo, pensando sobre a realidade contextual da comunidade e como podemos organizar a comunidade para contrapor ao processo de exploração da vida. No centro da mesa, anotar algumas palavras-chave no papel craft. Nele também poderão ser anotadas as ideias e decisões do momento 3 (com outra cor de canetinha). 3º momento: Propor uma equipe de organização de canteiros na comunidade, disponibilizando ervas medicinais para ser distribuídas e utilizadas para o preparo de chá no fim do culto. Essa atividade pode ser realizada junto com as crianças do Culto Infantil ou com o Ensino Confirmatório. Junto à construção dos canteiros, resgatar com pessoas da comunidade suas propriedades terapêuticas. Caso já houver iniciativa parecida, a JE pode contribuir com a identificação das plantas e suas propriedades e na divulgação do trabalho. Para ajudar nesse trabalho, a JE pode fazer uso das informações do ANEXO 1. Elas são da ACESA - Associação Central da Saúde Alternativa do Espírito Santo, uma instituição ligada à IECLB e que tem como objetivo resgatar e divulgar a medicina preventiva. Ela existe desde 2001 e desenvolve parcerias com diversos grupos e municípios do ES, para que esse conhecimento alcance o maior número possível de pessoas. Impulsos para uma celebração na JE ou conduzida por ela com outro grupo da comunidade Acolhida Que bom que vocês vieram se nutrir da Palavra de Deus. Sejam bem- vindos e bem-vindas a este encontro e sintam-se à vontade neste convívio.
Hino Reunidos aqui (Hinos do Povo de Deus, 337; Livro de Canto 26) Saudação trinitária (Acender a vela) Estamos reunidos e reunidas em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo para celebrar a vida, a esperança, compromisso com o Evangelho e criar comunhão na partilha dos ensinamentos de Deus ao longo da história. Hino Quando o Espírito de Deus soprou (Hinos do Povo de Deus, 437) Confissão de pecados Em Provérbios 28.13 está escrito: “Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia.” Assim, convido para confessarmos os nossos pecados a Deus, buscando sua misericórdia e perdão. Nossa oração será feita por meio das palavras do Salmo 51. 1-10. São palavras de uma confissão do rei Davi, por causa de um grande erro. Elas foram importantes em sua vida e trouxeram mudanças e compromisso com Deus. Da mesma forma, convido a nos arrependermos de nossos pecados proferindo estas palavras: (Ler o texto coletivamente) Anuncio de Perdão O apostolo João escreveu: “Meus filhinhos, escrevo isso para vocês para que não cometam pecado, porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que não tem nenhuma culpa; ele nos defende diante do Pai. Porque é pelo próprio Jesus Cristo que nossos pecados são perdoados, e não somente os nossos, mas também os pecados do mundo. Creia em Jesus e receba o perdão dos seus pecados em nome do Pai do Filho e do Espirito Santo”. Amém.
Oração do dia Ó Deus do amor e da compaixão! Reunimo-nos diante da tua presença porque cremos que nos enxergas, nos carregas, nos perdoas, nos ilumina e enxuga as nossas lágrimas. Dá-nos o Espirito Santo, para acolhermos com fé a tua Palavra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém. Leitura bíblica (Duas pessoas fazem a leitura.) Êxodo 2 e 3 Reflexão O grupo pode realizar uma das propostas de dinâmica sugeridas ou ouvir uma breve reflexão a partir da seção PALAVRA. Hino Pela Palavra de Deus (Hinos do Povo de Deus, 381; Livro de Canto, 152) Confissão de fé: O Credo Apostólico resume o que nós acreditamos. Ele, na verdade, fala onde está depositado a nossa fé. Por isso que se chama confissão de fé. É o que Deus nos ensina. Não são palavras vazias. É a resposta para todo mundo sobre o que nós cremos. Por isso confessemos com estas palavras: Creio em Deus Pai,... Oração final e Pai Nosso Benção Em Números 6.22-26, lemos assim: O SENHOR disse a Moisés: Fale com Arão e com os seus filhos, dizendo que abençoem os filhos de Israel do seguinte modo: “O SENHOR os abençoe e os guarde; o SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre vocês e tenha misericórdia de vocês; o SENHOR sobre vocês levante o seu rosto e lhes dê a paz.”
Que a bênção de Deus nos acompanhe hoje, amanhã e sempre. Amém.
Gostou deste estudo? Tem sugestão de tema ou atividade? Então escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Postagem: Portal Luteranos – abril de 2020 Elaboração: P. Enio Fuchs, pela ACESA/ES Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens. Confira os demais estudos do Palavr@ção! Acesse www.luteranos.com.br/ecc - Recursos com jovens, ou posicione a câmera do celular sobre o código:
Palavr@ção 52 Anexo 1 Plantas que fortalecem o sistema imunológico: Arnica A arnica tem, além de efeitos estimulantes do sistema imunológico, uma função antibiótica poderosa para tratar infecções. É usada especialmente como tintura. Manjerona A manjerona aumenta rapidamente a temperatura do organismo, o que ajuda o sistema imunológico. O chá de manjerona pode deter um resfriado e trazer um gratificante relaxamento muscular. Alho Este tempero teve um longo histórico de valor medicinal. Tem propriedades cardiovasculares, antimicrobianas e antineoplásica. Babosa Também conhecida como aloe vera, é um poderoso desintoxicante e antisséptico com propriedades imunológicas. Limão Célebre por conta de seu teor de vitamina C, no chá ele ganha outros destaques. Ao ser fervido, libera polifenóis. Guaco É uma das plantas mais importantes para o aumento da imunidade, pois melhora as nossas defesas contra vírus. ACESA - ES - Associação Central da Saúde Alternativa do Espírito Santo Telefones: (27) 9 96409038 e 999991412 E-mail: acesa.es@gmail.com
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Juventudes e o direito à moradia Palavr@ção on-line 51 Você mora em apartamento ou casa? É própria, cedida ou alugada? Fica na cidade ou na roça? Você tem um endereço para colocar nos formulários e cadastros? Possuir um teto sobre a cabeça e poder chamá-lo de “casa” é um dos grandes objetivos do ser humano. Encontrar uma moradia é uma das primeiras preocupações de quem quer constituir família, morar sozinho, sozinha ou se mudar. A casa é o espaço das conversas, dos planejamentos, das orações, dos sonhos e também das tristezas e das decepções. Ter um endereço, um lugar de referência é muito importante para a cidadania plena. Na casa, as pessoas se encontram. Depois de um dia de trabalho ou de estudo, elas voltam e se reencontram em casa. Ali elas descansam, dormem, fazem suas refeições, compartilham das tarefas domésticas, amam, educam filhos e filhas, por vezes cuidam das pessoas idosas. De vez em quando também se desentendem. A casa é, de toda forma, um espaço importante. É espaço privado, íntimo. Reflete e revela as personalidades de seus habitantes. O direito à moradia, à habitação, é um direito básico, assim como a educação, a saúde, a segurança etc. O artigo 25, parágrafo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos define: "Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle." Infelizmente, o fato da moradia digna ser um direito humano não significa que todas as pessoas têm acesso a ela. Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelam que o déficit de moradias cresceu 7% no Brasil entre 2007 e 2017, atingindo 7,78 milhões de unidades habitacionais em 20171. Você já se deparou com pessoas em situação de rua? Pessoas sem casa, sem teto? Como será que elas vivem? Como suprem suas necessidades básicas, como, por exemplo, ir ao banheiro e tomar banho? E quando faz frio, como elas sobrevivem? O lar, a moradia, a casa deveria ser um espaço seguro, mas, infelizmente, isso nem sempre acontece. Há violência dentro das casas, especialmente contra crianças, mulheres, pessoas idosas e pessoas com deficiência. Isso precisa ser denunciado, combatido e superado. A casa é o primeiro lugar onde deveria haver paz, amor e respeito. Se isso não acontece lá, o que esperar da paz na rua e na sociedade como um todo? Por que a questão da moradia deveria ser uma preocupação da Igreja? É uma questão importante para ser conversada no grupo de jovens e demais grupos comunitários.
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Mais detalhes em https://economia.uol.com.br/noticias/estadaoconteudo/2019/01/07/deficit-habitacional-e-recorde-no-pais.htm. Acesso em 2/9/19.
AÇÃO Leitura bíblica: Salmo 24.1 Salmos são hinos, confissões de fé, lamentos, orações de agradecimento ou de súplica. Foram compostos ao longo de centenas de anos. 150 deles foram selecionados e estão, hoje, na Bíblia. Os Salmos são importantes porque revelam muitas das situações pelas quais passou o povo de Deus ao longo dos tempos. Para a nossa reflexão hoje, queremos nos fixar no primeiro versículo do Salmo 24: Ele afirma: “Ao Senhor pertence a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam.” (Salmo 24.1) O salmista define que tudo o que existe pertence a Deus. Foi Deus quem tudo criou e, portanto, é o “proprietário” de tudo. Por conseguinte, o que nós temos, na verdade, é um simples empréstimo. Deus nos empresta aquilo que é seu. Isso inclui a nossa vida, as pessoas com quem nos relacionamos, os bens materiais, incluindo a nossa casa. É bom lembrar que, quando partirmos desta vida para a vida eterna, nada levaremos. Partiremos deste mundo da mesma forma que chegamos: apenas com o amor. Tudo pertence a Deus. Esta afirmação deveria nos trazer tranquilidade. Embora a maioria de nós almeje possuir uma casa, uma moradia própria, um lugar para poder fazer furos na parede sem dar maiores explicações, em última análise se trata de mero empréstimo. Tudo pertence a Deus. Isso fica ainda mais evidente quando ampliamos nossa visão e passamos a entender que nossa casa, na verdade e de fato, é o nosso planeta. A Terra é a nossa grande casa, nosso oikos, nossa morada. E, ao que tudo indica, neste momento só temos este planeta para viver. Deste ponto de vista, portanto, não temos um “plano B”, ou um “planeta B”.
Dali decorre uma pergunta óbvia: será que estamos cuidando de nossa casa maior suficientemente? Ou: cuidamos da Terra da mesma forma que cuidamos da nossa casa menor? Se houver diferença entre uma e outra, então temos um problema. A Terra está sob nossa responsabilidade. Deus nos criou e nos colocou nela para que a cuidássemos (Gênesis 1.28; 2.15). Dinâmica da casa Veja anexo 1. Atividade complementar Observar e fazer levantamento da situação habitacional no bairro ou na cidade. É suficiente para o número de pessoas que nela moram? Há déficit? Conhecemos alguém que esteja em situação de moradia precária ou mora na rua? No que o grupo de jovens poderia ajudar? Observar e fazer levantamento dos problemas ambientais na cidade ou localidade. Quais são? Olhar também para o espaço e atividades do grupo ou da comunidade (ex.: separação do lixo, uso e destinos de copos descartáveis...). O que mais podemos fazer no cuidado com a nossa “casa comum”? Oração Deus de bondade. Agradecemos porque tu nos permitir viver nesta tua grande casa chamada Terra. Agradecemos pelo ar, pela água, pelo alimento, pela saúde. Também por termos um teto sobre nossas cabeças. Ajuda-nos a trabalhar para que todas as pessoas tenham um lar seguro e saudável. Amém. Bênção A bênção do Deus da vida venha sobre nós, hoje e sempre. Amém.
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Postagem: Portal Luteranos – dezembro de 2019 Elaboração: P. Mauro Batista de Souza Equipe de Revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes; Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Confira os demais estudos do Palavr@ção! Acesse www.luteranos.com.br/ecc - Recursos com jovens, ou posicione a câmera do celular sobre o código:
Gostou deste estudo? Tem sugestĂŁo de tema ou atividade? EntĂŁo escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Palavr@ção 51 Anexo 1 Dinâmica da casa Material: folha e caneta para cada jovem, tesouras. 1º Passo: Pegue uma folha em branco: Quais são os modelos de casa, habitação que conhecemos? Motive o grupo a pensar tipos diferentes de habitações. 2º Passo: Forme uma “meia-água” (veja ilustração ao lado): Meia-água é uma edificação composta por sala, quarto, cozinha e banheiro. A construção leva esse nome devido ao estilo de sua construção, que consiste na metade de uma edificação básica comum. Seu telhado é de lado único. 3º Passo: Forme a casa: Nosso modelo de casa muitas vezes está relacionado a esta forma. Escrevam ou desenhem o que consideram fundamental em uma casa. 4º Passo: Faça uma dobra (conforme ilustração ao lado): Pensemos um pouco sobre as necessidades que colocamos em nossa casa desejada. O que colocamos é acessível e disponível para todas as pessoas? Todas as pessoas tem acesso à moradia?
5º Passo: Faça outra dobra: Na falta de moradia digna, quais são as consequências para a sociedade? 6º Passo: Faça mais uma dobra: Qual é o nosso papel como comunidade cristã no cuidado com a criação, a casa comum? Quais os impactos de nosso estilo de vida para a criação? Muitas vezes estamos no limite da dignidade da vida humana e da vida no planeta. 7º Passo: Rasgue ou corte um pedaço: Precisamos ter ações condizentes com a nossa fé. O que podemos fazer pensando em condições de moradia digna? Convido para rasgarem um pedaço da folha e falar um compromisso, uma ação possível para mudar a realidade. 8º Passo: Rasgue ou corte mais um pedaço do papel: O que estamos fazendo ou podemos fazer no cuidado de nossa casa comum, o planeta Terra? Convido para rasgarem um novo pedaço da folha e falar uma ação possível para mudar a realidade.
9º Passo: Abrir o papel: A fé em Cristo é o que nos impulsiona para ações transformadoras. Ela é central para pensarmos o cuidado com a dignidade e a sustentabilidade da vida.
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O bem viver A sabedoria dos povos indígenas em perspectiva ecológica e de partilha Palavr@ção on-line 50
PALAVRA Se olharmos ao redor e prestarmos atenção no meio ambiente, vamos perceber que, a cada dia, mais uma árvore está sendo cortada, substituída por um edifício, estacionamento, farmácia, monocultivos, e campo para criação de gado. Ampliando o olhar para além do local em que moramos, perceberemos a destruição da natureza em uma abrangência bem maior. Brumadinho e Mariana, municípios em Minas Gerais, são nomes que já falam por si. Ambos foram palco do rompimento das barragens de rejeitos de mineração da empresa Vale S.A., deixando sequelas não somente no ambiente, mas também nas pessoas. Segundo indígenas do povo Tupinikim, do Espírito Santo, “o crime ambiental afetou a organização social, a espiritualidade e a cultura dos indígenas. [...] As praias ao longo do leito dos rios e a pesca farta desapareceram.” (GUIMARÃES, 2018) O garimpo toma espaços cada vez mais extensos, com a política de mineração visando somente o lucro e a exploração de minérios. Costuma ser feito sem planejamento, usando técnicas que afetam o meio ambiente. O garimpo do ouro, por exemplo, utiliza o mercúrio
como componente da extração. O mercúrio é um metal tóxico, que afeta o sistema nervoso no ser humano. Mulheres grávidas podem gerar fetos com má formação. “No mais, os garimpos continuam como nos tempos do Velho Oeste, mercuriais e febris por ouro, com governos coniventes, leis próprias, sempre em nome do desenvolvimento como única alternativa para sobrevivência econômica, pouco importando se estão em áreas proibidas como terras indígenas (TIs) ou unidades de conservação (UCs). Só no território Yanomami são mais de 10 mil garimpeiros cavando a floresta, assoreando rios, contaminando águas, corrompendo indígenas, chamando violência, prostituição, armas e drogas.” (SCANNAVINO, 2019) Veja o vídeo “Garimpos ilegais despejam "uma Brumadinho" por mês na Amazônia”1, denunciando a água barrenta do rio Tapajós, com dragas por todos os lados e o uso de mercúrio. No Rio Grande do Sul, a mineração também traz impactos e está crescendo. “Há pelo menos 166 projetos para serem implantados no estado, a maioria localizada em territórios da metade sul”2, atingindo comunidades tradicionais e o meio ambiente. Só para ter uma ideia: “A cada hora, a mineradora da Nexa [Nexa Resources S.A, antiga Votorantim Metais Holding] vai beber 150 metros cúbicos de água do [rio] Camaquã.” (REINHOLZ, 2019), para poder extrair titânio e zircônio. 1
https://www.youtube.com/watch?v=KLjnJFhfNtI&feature=youtu.be. O assunto foi tematizado na Assembleia popular, em Eldorado do Sul, debaterá impactos da mineração no RS, ocorrida em 11 de jun. de 2019, em Eldorado do Sul/RS. Disponível em: <https://www.sul21.com.br/ultimasnoticias/geral/2019/06/assembleia-popular-em-eldorado-do-sul-debatera-impactos- damineracao-no-rs/>. Acesso em: 27 dez. 2019. 2
O tema na Bíblia Diante do quadro de destruição da sócio-bio-diversidade, que visa interesses próprios e enriquecimento a qualquer custo, é preciso colocar o olhar em outra perspectiva: a da partilha e a da vida. Neste sentido, Isaías (5.8) denuncia: “Ai dos que ajuntam casas e mais casas, reúnem para si campos e mais campos, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra!” Mudanças precisam ser realizadas, para alcançarmos e mantermos o bem comum, assim como era vivido pela comunidade cristã, conforme o relato de Atos (2.44-47). É preciso anunciar a boa nova do pão a quem tem fome, da visita a quem está na prisão, da roupa, a quem passa frio, da acolhida a quem sofre preconceitos. Com coragem e determinação, é preciso buscar sabedoria e discernimento, para lutar por justiça socioambiental e dignidade humana. Vivem no Brasil 304 diferentes povos indígenas, representando uma população de 896 mil pessoas, segundo o censo de 2010. Abrir mentes e corações para ouvir os povos indígenas que anunciam boas novas, ao viver reciprocidade e partilha, partilhando o Bem Viver e nos colocando em lugares de luta pela terra e pela diversidade. Diminuindo preconceitos e não ajuntando casas e campos, há mais liberdade para receber e partilhar vida digna.
Saiba Mais 25 Postulados de Bem Viver: http://iserassessoria.org.br/wpcontent/uploads/2019/01/Dossiê-Bem-Viver.pdf, p. 3-6. Alberto Acosta, O Bem Viver. Uma Oportunidade para Imaginar Outros Mundos, Editora Elefante, 2011. COMIN, Bem Viver na Criação, Oikos: São Leopoldo, 2013.
Manifesto da IECLB: Nosso Compromisso é o Evangelho: http://www.luteranos.com.br/textos/manifesto-da-ieclb-nossocompromisso-e-o-evangelho, especialmente os itens 4 e 7. Política de Justiça Socioambiental da FLD: https://fld.com.br/wpcontent/uploads/2019/06/Politica-Justica-SocioAmbiental.pdf, especialmente a fundamentação teológica-diaconal. Terra Vermelha. Direção de Marco Bechis. Itália/Brasil: Paris Filmes, 2008. (Filme, 1h46min.) Disponível na internet. Timóteo da Silva Verá Tupã Popygua, Yvyrupa. A Terra uma Só, Editora Hedra 2017. Uatu – Agora o rio corre calado. (Minidocumentário, 6min21seg.) Disponível em: https://youtu.be/SEnZK9Z_V0U.
Políticas públicas Criação da Sesai – Secretaria Especial de Saúde Indígena, através da Lei nº 12.314/2010. A Lei atende a uma antiga reivindicação dos povos indígenas e foi construída em diálogo com as comunidades de todo o Brasil. Através da Constituição, os povos indígenas têm o direito à educação diferenciada. No artigo 78 da LDBEN-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), o governo estabelece que desenvolverá pesquisas, a fim de construir uma educação bilíngue e intercultural para os povos indígenas.
CURIOSIDADE
O 24º. Confresso Nacional da Juventude Evangélica – CONGRENAJE, em 2018, tratou do tema “Vida digna, nosso compromisso”. Antes, durante e depois do Congresso, as pessoas jovens e os grupos de jovens da IECLB foram chamados a conversar e desenvolver ações que visem a “vida plena e em abundância”, pensando em todos os povos. Pois, “a garantia de uma vida digna para todas as pessoas é, também, um dever de todas as pessoas cristãs”. (Caderno Pré-Congrenaje 2018, p. 03) No Caderno Pré-Congrenaje, há uma proposta de estudo sobre o tema e o lema, que pode considerar também a pergunta: e você, pessoa jovem, na sua casa, cidade ou região, o que tem feito para evitar que tragédias como a de Brumadinho e Mariana se repitam, mesmo que em pequena escala e com menos “alarme nacional”? Materiais disponíveis em: https://www.luteranos.com.br/conteudo/24-congrenaje-2018
AÇÃO Quebra gelo – nos aproximando Entregue para cada jovem papel e caneta. Neste papel, devem anotar duas perguntas: o O que você faz ou deve fazer para quem lhe deu a vida? o O que você não deve fazer para quem lhe deu a vida? Coloque a música “Latinoamerica”, da banda Calle 13, para tocar. Enquanto toca a música, motive as pessoas a caminharem pelo espaço, fazendo essas perguntas para outras pessoas e anotando um resumo das respostas. Exemplo: O que você faz ou deve fazer para quem lhe deu a vida? Agradecer, honrar, respeitar, cuidar, amar... O que você não deve fazer para quem lhe deu a vida? Desrespeitar, maltratar, ignorar, praticar violência... Ao final da música, convide para uma rodada de partilha sobre as respostas. Pergunte também em quem ou no que pensaram ao responder as perguntas (Mãe e pai? Deus?) Em seguida, leia a fala de Francisco Rokã dos Santos, indígena Kaingang e pergunte: “A terra é nossa mãe, é dela que a gente vem, ela que nos deu a vida. E tem gente que está envenenando a mãe. Tem gente maltratando a mãe. Tem gente matando a própria mãe.” Olhando para o que respondemos, como é possível relacionar essa frase como as respostas?
Qual é nossa realidade? Refletindo com imagens Para fazer uma leitura da realidade atual, mostre ao grupo diversas imagens, de lugares e paisagens diferentes de nosso país. É importante que as imagens retratem o quanto a interação humana com a natureza a tem transformado, especialmente no caso de grandes obras (hidrelétricas, duplicações de estradas...), mineração e latifúndios. Também mostre imagens de boas experiências e práticas para com a natureza. Entregue uma imagem para cada dupla e proponha que ela reflita sobre o que vê na imagem e se nela vemos uma relação positiva ou negativa com “a fonte de vida” natureza. Forme duplas ou trios e peça para conversarem sobre as imagens. Após alguns instantes, proponha a socialização da seguinte forma: sempre que a imagem retratar uma situação negativa, coletivamente, discutam o porquê de esta situação estar acontecendo e quais seriam as alternativas para que não acontecesse. Por exemplo: em uma imagem de uma usina hidrelétrica, pode-se discutir que o impacto acontece por uma necessidade da nossa sociedade, mas que, como alternativa, há fontes de energia limpas. Qual a perspectiva de futuro apontada pelos povos indígenas? Faça um breve comentário a partir da reflexão da seção PALAVRA. A partir da leitura da realidade atual, é importante reconhecer como os povos indígenas têm lutado para resistir ao sistema de exploração da natureza. Finalize com as duas leituras bíblicas citadas no item “O tema na Bíblia”: Isaías 5.8 e Atos 2.44-47. Atividade complementar Convide para assistirem à série “Guerreiros da Floresta”, produzida pelo Canal Futura (Santa Rita Filmes, 2019). São 13 episódios, de 26
minutos cada, que estão disponíveis em: http://www.futuraplay.org/serie/guerreiros-da-floresta/ Na série, é possível perceber os problemas enfrentados na região Amazônica e como os povos indígenas Yanomami, Huni Kuin e Suruí têm buscado superar estes problemas ou apontar para outro tipo de relação com a natureza. Como nos comprometemos? Pensando que, assim como os povos indígenas, queremos nos comprometer com um futuro saudável para todos os seres vivos, convide o grupo para conversar sobre as seguintes questões: o Como podemos nos comprometer? o Como fugir da lógica da exploração e do lucro, para pensar em ecologia e partilha? A partir da conversa, motive para a elaboração de 2 cartazes. Em um deles, o grupo lista as micro atitudes que quer adotar, ou seja, pequenas atitudes que o grupo se dispõe a rever e adotar, para seguir no caminho da partilha e do respeito à natureza. No segundo cartaz, são anotadas as macro atitudes, ou seja, como o grupo quer se posicionar em relação às questões maiores. Por exemplo: micro atitudes podem ser deixar de usar copos plásticos, reduzir o consumo de industrializados, etc. Macro atitudes podem ser apoiar movimentos de agroecologia, de energia renovável, etc. Encerramento Disponha os cartazes e as imagens no centro do grupo. Acenda uma vela e convide para ouvir o texto ou a música “Samba da utopia”, de Jonathan Silva (o clipe está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KDXX7m3iBzc). Previamente, prepare tarjas de papel com as palavras destacadas na canção (POESIA, SABEDORIA, REBELDIA, TEIMOSIA, UTOPIA). Coloque junto aos cartazes
e às imagens as palavras, à medida que vão sendo citadas. Termine com um abraço em círculo, convidando para oração e bênção. Bibliografia ASSEMBLEIA popular, em Eldorado do Sul, debaterá impactos da mineração no RS. Sul 21, 07 de jun. de 2019. Disponível em: <https://www.sul21.com.br/ultimasnoticias/geral/2019/06/assembleia-popular-em-eldorado-do-suldebatera-impactos-da-mineracao-no-rs/>. Acesso em 27 dez. 2019. GUIMARÃES, Juca. Indígenas e pescadores: vidas tomadas pela lama, respostas da Samarco "em análise". Dez. de 2018. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2018/12/07/indigenas-e-pescadoresvidas-tomadas-pela-lama-respostas-da-samarco-em-analise/>. Acesso em 27 dez. 2019. REINHOLZ, Fabiana. Mineração de metais pesados ameaça a metade sul do RS. 25 de abr. de 2019. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2019/04/25/mineracao-de-metaispesados-ameaca-a-metade-sul-do-rs/>. Acesso em 27 dez. 2019. SCANNAVINO, Caetano. Amazônia: o Velho Oeste do garimpo ilegal. Jun. de 2019. Disponível em: <https://envolverde.cartacapital.com.br/amazonia-o-velho-oeste-dogarimpo-ilegal/>. Acesso em 27 dez. 2019.
Gostou deste estudo? Tem sugestão de tema ou atividade? Então escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) e Conselho Nacional de Educação Cristã Contínua (CONECC) Postagem: Portal Luteranos – dezembro de 2019 Elaboração: Kassiane Schwingel, Nienke Pruisma e Pa. Renate Gierus Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens. Confira os demais estudos do Palavr@ção! Acesse www.luteranos.com.br/ecc - Recursos com jovens, ou posicione a câmera do celular sobre o código:
Firmando o pé
Juventudes e as novas formas de trabalho Palavr@ção on-line 49
PALAVRA Se trabalho fosse bom, não se chamava trabalho. É o que diz a gracinha dita, geralmente, quando se está “pê da vida” com o emprego e com as condições de trabalho. Conforme o Ministério do Trabalho, o número de ocupações reconhecidas no Brasil chega a, nada menos que, 2.685 - algumas incluídas recentemente, como Sonoplasta e Analista Musical.1 Já um levantamento do IPEA apontou que 38% das pessoas formadas no ensino superior não trabalham em setores afins ao que estudaram na faculdade. Entre as pessoas jovens (24 a 35 anos), esse percentual chega a 44,2%.2 O trabalho dos sonhos Estima-se que, em poucos anos, haverá um grande contingente de pessoas que vão trabalhar em casa ou alugar espaço em escritórios 1
Leia mais detalhes no site do Ministério da Economia - Secretaria do Trabalho: http://trabalho.gov.br/noticias/5502-ministerio-do-trabalho-reconhece-19-novasocupacoes. 2 Os detalhes estão disponíveis no site do IPEA: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34 487:quase-metade-dos-jovens-ocupados-com-nivel-superior-esta-em-postos-detrabalho-de-menor-qualificacao&catid=3:dimac&directory=1.
compartilhados, ou ainda: venderão suas horas de trabalho em sites de leilão. Carteira assinada? Esqueça. A tecnologia avança a passos rápidos e o jeito de trabalhar está em constante mudança. O teletrabalho (home working ou teleworking), por exemplo, em que as pessoas trabalham de um local remoto, via computador, e fazem reuniões via videoconferência, já é uma realidade. Com internet e celular, as pessoas podem trabalhar de qualquer lugar – até mesmo de outros países. Também o home office ou o “escritório em casa” vem ganhando força. O fato de descontar as horas de trânsito possibilita mais tempo livre. Mas o que é uma vantagem pode ser um fardo, sem um bom gerenciamento do tempo. Não é raro acabar trabalhando mais horas e a casa virar um escritório, perdendo sua dimensão de descanso e lazer. Startups, agências de publicidade e grandes empresas de comunicação, como Facebook e Google, investem há algum tempo em espaços criativos em seus escritórios. Paredes coloridas e ilustradas, ausência de divisórias, espaços de diversão e convivência. Já foi comprovado que ter um animal de estimação no ambiente de trabalho é benéfico tanto para seu dono ou dona quanto para as demais pessoas da equipe. Desde que não se tenha alergia ou medo, a presença dos bichinhos reduz o estresse e eleva a sensação de bem- estar tanto para eles como para os humanos. Por sua vez, os coworking são lugares que não oferecem apenas um ambiente profissional diferenciado, mas também uma oportunidade de trocar experiências com pessoas diferentes e ampliar a rede de contatos. Nesse conceito de espaços compartilhados, além do espaço de trabalho, já existem espaços para estudar, enfocados em aulas e eventos relacionados à educação. Esses espaços funcionam em esquemas de aluguéis e assinaturas, incentivando a economia
colaborativa. Na esfera pública, prefeituras já têm popularizado essa proposta de coworking, oferecendo espaços públicos coletivos para empresas pequenas e micro empreendedoras e pessoas desempregadas que resolveram trabalhar por conta própria. 3 Outra forma nova de trabalho - que tem proporcionado o pão de cada dia para milhões de pessoas desempregadas - principalmente nas cidades de médio e grande porte, são os aplicativos de transporte e de entrega de comida. Nesses casos, a pessoa é autônoma e assume os riscos do trabalho, ou seja, sem direitos trabalhistas. Para a maioria das pessoas que tem um “emprego fixo”, o modelo é o “patrão-funcionário”, onde as relações estão marcadas, ainda que indiretamente, pela luta de classes. Quem emprega quer ter mais lucro e gastar menos; quem é empregado, busca por salários e direitos. Nesse modelo, quando o desemprego cresce, as garantias trabalhistas de quem permanece trabalhando são flexibilizadas. O tema na Bíblia No Antigo Testamento, as leis deveriam proteger as pessoas mais fracas de serem oprimidas e exploradas pelas mais fortes. Nesse contexto, injustiça significava exploração da mais forte sobre a mais fraca: “Não oprima o empregado pobre e necessitado, seja ele um dos seus compatriotas ou um estrangeiro que está morando na terra e na cidade onde você vive. Pague-lhe o salário no mesmo dia, antes do pôr do sol, porque ele é pobre, e a vida dele depende disso; para que ele não clame ao SENHOR contra você, e você seja culpado de pecado.” (Deuteronômio 24.14-15) 3
Exemplos são a Worktiba Barigui, da Prefeitura de Curitiba/PR (http://worktiba.curitiba.pr.gov.br/) e a Teia Taipas, em São Paulo/SP (https://revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2019/05/empreendedor es-detaipas-na-periferia-de-sp-ganham-espaco-de-coworking.html).
O texto se refere ao diarista e, podemos dizer hoje, também às pessoas que trabalham sem algum direito trabalhista. O texto não elogia o patrão, diferente do que algumas “teologias”, como a da prosperidade ensinam, mas o adverte: Deus tem os seus ouvidos sobre as pessoas pobres. Se gritarem a Deus, clamando por justiça, ele as ouvirá. No Novo Testamento, Jesus diz que “o trabalhador é digno do seu salário” (Lucas 10.7). Provérbios 6.6-11 faz referência à formiga ceifeira, muito comum em Israel. Algumas traduções bíblicas também incluíram aqui o exemplo das abelhas. Desta forma, formigas e abelhas são contrapostas ao ser humano preguiçoso. As formigas e abelhas trabalham pelo bem-estar da comunidade. A pessoa preguiçosa não. A preguiça é uma atitude voluntária, e ela é um pecado, porque a pessoa preguiçosa pensa somente em si mesma. No centro da vida da pessoa preguiçosa só tem lugar para ela mesma e seu bem-estar. Nos seus pensamentos, a pessoa preguiçosa não tem lugar para Deus, nem para as pessoas que estão a sua volta. Em várias passagens dos Evangelhos, Jesus indica que nisso se mostra o poder do pecado sobre nós (Mt 16.24; Mc 12.28- 34). Faz de nós pessoas egocêntricas e avarentas que não conseguem mais pensar nos outros. Lutero (1483-1546) e Calvino (1509-1564) pensavam de forma muito semelhante a respeito do trabalho. Segundo eles, o trabalho é uma forma de prestar culto a Deus. Cada pessoa tem sua vocação para alguma forma de trabalho e essa é dada por Deus. Por isso, cada pessoa deveria encarar seu trabalho como uma bênção de Deus, uma forma de fazer o bem e servir a Deus, à próxima e ao próximo. Na tradução do Novo Testamento, do grego para o alemão, em 1522, Lutero traduziu a palavra corresponde a trabalho por BERUF (vocação) em lugar de ARBEIT (que seria trabalho propriamente dito). Essa tradução gerou uma mudança muito importante no conceito de
trabalho. Todas as traduções posteriores, inglesas e francesas, incorporaram esse conceito iniciado por Lutero. O teólogo alemão Jürgen Moltmann escreveu um livro chamado “Ética da Esperança”, que fala sobre uma economia inspirada nos valores do Reino de deus. Ele diz que o oposto da pobreza não deve ser a riqueza. A riqueza não é garantia de sustentabilidade social. A alternativa deve ser sempre a solidariedade e a vida em comunidade. A pobreza se combate com medidas políticas que promovem o emprego, que garantem a saúde pública, a educação, o transporte e a segurança. No campo, a pobreza se combate com incentivo à produção familiar, pois ela garante o alimento diário – de boa qualidade – sobre as nossas mesas. Portanto, nem pobreza nem riqueza, mas fortalecer a vida em comunidade. É na convivência que as pessoas tornam-se plenas e abundantes em relações de confiança, auxílio mútuo, amparo e cuidados, ideias e forças, solidariedade e de amor recíproco.
AÇÃO Inicie o encontro com cantos. Em seguida, convide para as leituras bíblicas: Leituras bíblicas: Deuteronômio 24.14-15 e Provérbios 6.6-11 Após as leituras, converse com o grupo sobre o que entendeu. Em seu comentário, considere a reflexão bíblica que consta na seção PALAVRA deste estudo. Dinâmica: Roda de conversa Material: tarjas de papel no tamanho de 16x22cm (ou 1/3 de uma cartolina), canetinhas hidrocor com ponta grossa. Forme grupos de 5 pessoas ou, em casos de grupos com menos pessoas, convide o grupo todo para trabalhar junto. No grupo, escolhe- se rapidamente uma pessoa para cada uma destas funções: o Secretária o Coordenadora o Cronometrista A secretária terá a missão de fazer uma síntese do que o grupo falar e apresentar esse informe no retorno à plenária. A coordenadora terá a função de fazer com que todos e todas participem. Sua preocupação deve ser que os objetivos da reflexão sejam alcançados. Também pedirá que o grupo defina um slogan sobre o conteúdo discutido, escrevendo-o na tarja de papel. A cronometrista deverá dividir o tempo do grupo em 4 partes e avisar à medida que o tempo vai avançando. A duração do trabalho nos grupos dependerá do tempo disponível no encontro.
Perguntas para os grupos: 1. No que você gostaria de trabalhar? 2. Que diferenças e semelhanças há entre a forma de trabalhar das gerações mais velhas para as mais novas? (Baseie-se na seção PALAVRA para enriquecer a conversa.) 3. Os textos bíblicos falam de duas coisas que Deus não gosta: a exploração e a preguiça. A alternativa é pensar mais no bem-estar coletivo. Isso significa que o governo pode fazer, basicamente, duas coisas: primeiro, criar um ambiente favorável para o desenvolvimento de cada pessoa (com crescimento econômico, contenção de inflação, infraestrutura, criação de empregos…); segundo, dando uma atenção maior para quem tem mais necessidades. O que você acha disso? 4. Para Martim Lutero (1483-1546), o trabalho é uma forma de prestar culto a Deus. Cada pessoa tem sua vocação para alguma forma de trabalho e essa é dada por Deus. Por isso, cada pessoa deveria encarar seu trabalho como uma bênção de Deus, uma forma de fazer o bem e servir a Deus, à próxima e ao próximo. O que isso significa para hoje? Após a reflexão em grupos, convide a pessoa com função de secretária em cada grupo para apresentar o slogan e a síntese na plenária. Para concluir este momento, motive o grupo a criar um slogan que resuma as apresentações dos grupos, como síntese da reflexão do grupo de jovens. Oração Em seguida, convide todos e todas para darem-se as mãos ou enganchar os braços e orar por motivos relacionados a trabalho e o que foi refletido no encontro, mas também a outros motivos importantes. Encerre com o Pai Nosso.
Benção Que o Senhor nos abençoe com outros encontros frutíferos e diálogos edificantes como esse de hoje. Que Jesus nos abençoe com sua presença e que possamos reconhecê-lo nas palavras de amor e nos gestos de solidariedade que recebemos. Que o Espírito Santo nos abençoe com sabedoria e talentos, para transformar nossos sonhos e a vontade de Deus em atitudes concretas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
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Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) e Conselho Nacional de Educação Cristã Contínua (CONECC) Postagem: Portal Luteranos – dezembro de 2019 Elaboração: P. Nilton Giese Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens. Confira os demais estudos do Palavr@ção! Acesse www.luteranos.com.br/ecc - Recursos com jovens, ou posicione a câmera do celular sobre o código:
Firmando o pé
Juventudes e economia solidária
Palavr@ção on-line 48
PALAVRA Economia Solidária: economia comprometida com a vida
Onde você faz as suas compras?
Você conhece as condições de trabalho e o impacto no meio ambiente da empresa ou empreendimento do qual compra produtos?
Comprar produtos de uma grande empresa internacional ou em uma feira de agroecologia e economia solidária realizada na comunidade faz diferença?
No processo de produção, foi usado trabalho infantil, trabalho precário ou em condições análogas a trabalho escravo?
Será que, a cada estação, é necessário comprar novas roupas?
O trabalho foi remunerado de forma justa?
Será que o celular precisa ser trocado sempre que um novo modelo é lançado no mercado, mesmo que o atual ainda funcione bem? O que você faz com os produtos que descarta?
A sobra foi distribuída de forma igualitária?
Estas perguntas remetem aos padrões de produção e consumo. O atual modelo de desenvolvimento é baseado no crescimento econômico, na expansão do consumo, na exploração de trabalhadoras e trabalhadores e dos bens naturais. Este modelo tem gerado crises ambientais e profundas desigualdades sociais, econômicas, de gênero e étnico-raciais, bem como violação de direitos humanos e presença contínua de pobreza e fome. O tema da economia também esteve presente nas reflexões de Martim Lutero1 e focam na discussão sobre o combate à ganância. A ganância se manifestava na usura e no comércio, por meio dos quais a injustiça era praticada, resultando no enriquecimento de algumas pessoas e no empobrecimento de muitas. É possível dizer que Lutero deixou um legado em termos de crítica às injustiças do modelo econômico dominante (BORCHARDT, 2017). De que outra forma a sociedade poderia se organizar para diminuir as desigualdades, preservar a natureza e respeitar trabalhadoras e trabalhadores e os direitos humanos? Nesse sentido, a economia solidária se caracteriza como uma prática social transformadora, que visa o desenvolvimento humano e sustentável. As iniciativas da economia solidária têm como objetivo a sustentação da vida das pessoas trabalhadoras e suas famílias e seguem uma lógica diferente das empresas capitalistas, que são voltadas para o lucro e acúmulo de riqueza de poucas pessoas. A economia solidária tem como principal valor o trabalho e não o capital, isso se expressa na gestão democrática, propriedade coletiva dos meios de produção, divisão igualitária das sobras, cooperação, solidariedade e preservação
___________________________________ 1
O Tema do Ano 2018, por exemplo, refletiu sobre igreja, Economia e Política, que, na visão de Lutero, são instrumentos de Deus para concretizar a sua vontade. Veja mais sobre isso no Caderno de Estudos TA 2018. Disponível em: www.luteranos.com.br/temaano/2018
da natureza. Por meio do trabalho em rede entre os empreendimentos econômicos solidários, atendendo as necessidades e demandas das comunidades, está sendo criada uma economia comprometida com a vida. Em 2012 foi criada a Rede de Comércio Justo e Solidário, uma iniciativa da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), que tem como objetivo a promoção da economia solidária e do comércio justo. A Rede reúne empreendimentos econômicos solidários dos três estados do sul do Brasil, que atuam nos segmentos de alimentação, artesanato, confecção, reciclagem e serviços. Os empreendimentos são compostos em sua maioria por mulheres, que enfrentam relações de injustiça de gênero, discriminação e violações de direitos. A Rede fornece formação para os empreendimentos e propõe reflexão e adoção de outra forma de consumo, com compromisso social e ambiental, por meio da aproximação entre pessoas produtoras e pessoas consumidoras. A economia solidária denuncia o sistema econômico que gera desigualdades, pobreza, violação de direitos e degradação ambiental. Ao mesmo tempo, anuncia possibilidades de adoção de práticas de consumo responsável e de relações justas de produção e distribuição de bens que visam o cuidado integral da vida. O ato de consumir é uma escolha para a valorização das pessoas trabalhadoras e produtoras de empreendimentos econômicos solidários, a preservação da natureza e o estímulo ao desenvolvimento local sustentável. Em comunidades, escolas e eventos podem ser realizadas feiras de economia solidária e oficinas sobre consumo responsável. A Rede de Comércio Justo e Solidário já esteve presente em escolas, no Congresso Nacional da Juventude Evangélica, em acampamentos da Juventude Evangélica e em Dias da Igreja de diversos sínodos.
CURIOSIDADE: No dia 15 de dezembro é celebrado o Dia Nacional da Economia Solidária. Nesta data é lembrado o nascimento do Chico Mendes, ambientalista, defensor dos povos da floresta, do extrativismo ecologicamente sustentável e da sustentabilidade econômica e solidária. A data tem o objetivo de refletir e incentivar a economia solidária e o desenvolvimento local sustentável com respeito à vida e com justiça social. Que tal aproveitar essa data para debater o tema de economia solidária e consumo responsável no grupo de jovens? O tema na Bíblia - At 2.44-45 Após um período de medo e recolhimento, os apóstolos receberam o Espírito Santo e foram transformados. Passaram a ser reconhecidos por sua alegria e coragem. Reuniam-se e confessavam o Cristo ressuscitado, levavam essa mensagem às pessoas da cidade de Jerusalém. Transmitiam uma força que exteriorizava a fé na maneira de ser e de fazer. A comunhão desse grupo acontecia através do compartilhar. Essa comunhão revela a atitude de quem não se considera dono ou dona do que possui, mas tem coragem de partilhar os bens com outras pessoas. A igreja é o encontro de pessoas que reconhecem Jesus Cristo como seu salvador pessoal, mas também reconhecem a impossibilidade de viver a fé de forma isolada. Essa comunidade das primeiras pessoas cristãs era consciente das necessidades de cada pessoa, e saía ao encontro delas para que todas tivessem o suficiente. Cada palavra e cada ação de Jesus orientavam servir as pessoas em suas necessidades. E esta pequena comunidade tinha o exemplo de Jesus a seguir.
Saiba mais Vídeos “Rede de Comércio Justo e Solidário – Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2013”. Disponível no site da FLD: https://fld.com.br/videos-audios/ “Mulher Catadora é Mulher que Luta”, da Fundação Luterana de Diaconia e Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, 2018. Disponível no site da FLD: https://fld.com.br/videos-audios/ “A história das coisas” (versão brasileira), “The Story of Stuff”, 2007, de Annie Leonard e Louis Fox. Há versões na internet legendadas e dubladas, de diferentes tamanhos. Redes Rede de Comércio Justo e Solidário: Site: https://comerciojustofld.com.br/ Facebook: https://www.facebook.com/comerciojustofld/ JUVESOL – Juventudes e Economia Solidária: Site: http://juvesol.com.br/ Facebook: https://pt-br.facebook.com/juvesolbrasil/
AÇÃO Materiais necessários para o encontro: Senhas de papel nas cores verde, azul e amarela, música animada, torta, pão de queijo, sanduíches, pizza, pastéis, bolo de chocolate, bolachas secas, computador, projetor, tiras de papel pardo nas dimensões de 30cm x 1m, pincéis. Dinâmica: Festas diferentes Previamente, prepare no local do encontro: o Uma mesa, identificada com a cor verde, com alimentos que o grupo
goste muito; o Duas mesas, identificada com a cor azul, com um bolo de chocolate e pão de queijo; o Cinco mesas, identificada com a cor amarela, com poucas bolachas secas (menos que 1 por pessoa).
Deixe tocando músicas animadas para ajudar o grupo a “entrar no clima” de uma refeição festiva. Antes dos jovens e das jovens entrarem no local do encontro, entregue senhas de três cores: 1 senha verde, 3 senhas azuis e, para as demais pessoas, senhas amarelas. Convide o grupo a festejar em volta da mesa com a sua cor e explique que não poderão chegar perto das outras mesas. Após 5 minutos de “festa”, ainda em pé e em volta das mesas, faça a leitura bíblica de Atos 2.44-45. Canto O pão nosso de cada dia – Livro de Canto (LC) 206 Motive o grupo a sentar em círculo e cantar. Após o canto, conduza o momento de diálogo a seguir.
Diálogo O refrão deste hino diz que recebemos o pão de cada dia de Deus e podemos dividi-lo com irmãos e irmãs. O texto de Atos diz que as primeiras pessoas cristãs dividiam seus bens, compartilhando de acordo com as necessidades. Como a dinâmica inicial ajuda na nossa reflexão? (tempo para reações) Leitura bíblica Jesus também viveu num mundo de grandes diferenças sociais e de exclusões. Porém, há um texto do evangelho de João que nos aponta possibilidades de convivência comunitária e inclusiva: Jo 6.1-14. (Convide alguém para ler) Comente: Quando Jesus vê a grande multidão que o seguia, entendeu que ela precisava ser alimentada, pois sabia que muitas pessoas não tinham comida. A primeira saída seria COMPRAR. Jesus mesmo pergunta: Onde vamos comprar comida para toda essa gente? E a discussão fica em torno dessa proposta, com cálculos sobre os gastos e sobre a necessidade. Mas alguém rompe essa lógica da compra! André diz que um menino tem 5 pães e 2 peixes. Ao mesmo tempo em que aponta para uma saída diferente, duvida que ela seja viável: afinal, o que é isso para tanta gente? Com isso em mente, Jesus pede que organizem o povo. Todas as pessoas sentam, Jesus agradece por aqueles alimentos doados e os reparte com todas as pessoas, que ficam satisfeitas, e ainda sobra muito. A sobra é recolhida para que nada se perca.
Jesus alimentou a multidão sem comprar alimentos. O milagre da partilha aconteceu a partir de recursos próprios. A bênção de Jesus foi sobre os alimentos doados, que se multiplicaram porque cada pessoa sentiu-se capaz de doar o que tinha. As que nada tinham puderam participar da festa porque outras colocaram seus alimentos à disposição. Diálogo Como esse texto pode nos auxiliar na interpretação da dinâmica inicial? Não precisamos falar só de alimentos, mas podemos questionar todas as formas de consumo e concentração de recursos. Qual é a opinião de vocês sobre isso? (Esperar reações) Muitas pessoas já estão comprando suas roupas basicamente em brechós. Não é porque não tenham dinheiro para comprar em grandes lojas, mas porque querem promover a reutilização. Uma jovem universitária de nossa Igreja compra ovos de uma colega de faculdade, que mora no interior e traz ovos da colônia para serem vendidos. Pessoas optam por comer só verduras e frutas da época para não dar suporte ao transporte de alimentos por longas distâncias, muitas vezes de avião. E assim há inúmeros exemplos de partilha, alternativas ao consumismo, comércio alternativo e mais justo. Conclusão da dinâmica e canto Convide as pessoas jovens para, durante o canto, juntarem as mesas ou reunirem todos os alimentos numa mesa só. Durante o vídeo-debate ou no término do encontro, todo o grupo poderá aproveitar, participando, em conjunto, de uma “festa da partilha”. Sugestões de canto: Deus quer todo mundo contente – LC 532 Arde a voz em meu peito – LC 591
Vídeo-debate: Rede de Comércio Justo e Solidário
Para motivar o debate sobre economia solidária, comércio justo e consumo responsável, projete o vídeo “Rede de Comércio Justo e Solidário”. Ele está disponível no site da Rede de Comércio Justo e Solidário - RCJS: https://comerciojustofld.com.br/ Este vídeo mostra dois modos de produção e consumo, baseados em dois modelos de desenvolvimento: um baseado na exploração das pessoas trabalhadoras e dos bens naturais; outro baseado na cooperação, solidariedade, respeito aos direitos humanos e em harmonia com a natureza. O vídeo é feito em forma de animação e é de curta duração em torno de 3 minutos. Após assistirem ao vídeo, convide para o diálogo, anotando no papel pardo: • De onde vem o produto que consumimos? Quem produz? Em que • • • •
condições trabalham e vivem as pessoas que o produzem? Como a produção de produtos de consumo impacta o meio ambiente e a vida das pessoas? Qual a diferença entre os dois modos de produção e consumo? Com qual modo de produção e consumo você se identifica? Por quê? Como podemos nos envolver para promover a economia solidária e o consumo responsável? Quais ações podemos desenvolver?
Benção “Ó Senhor, Deus da vida: Que a nossa força não seja a violência, mas o amor; Que nossa riqueza não seja o dinheiro, mas a partilha; Que o nosso caminho não seja a ambição, mas a justiça; Que nossa vitória não seja a vingança, mas o perdão.” Assim nos abençoe Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
(Em tua graça – livro de culto e orações, p.36)
Algumas ações para a promoção da economia solidária e do consumo responsável: • •
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Discutir o tema da economia solidária, comércio justo, solidário e consumo responsável na escola, em grêmios estudantis e grupos de jovens; Procurar conhecer as ações de fóruns e redes de economia solidária, de feiras da economia solidária e agroecológicas e da existência de grupos, coletivos e empreendimentos da economia solidária, da agricultura familiar e ecológica e de catadoras e catadores de materiais recicláveis. Organizar rodas de diálogos e troca de experiências e saberes sobre o tema da economia solidária com pessoas das comunidades (pessoas de grupos de economia solidária, artesãs e artesões, catadoras e catadores de materiais recicláveis, agricultoras e agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais). Organizar feiras de economia solidária e da agricultura familiar e ecológica na comunidade, em eventos, ou após o culto. Dar preferência à compra de produtos locais produzidos por coletivos e empreendimentos da economia solidária, da agricultura familiar e ecológica. Destinar o resíduo seco reciclável para associações e cooperativas de catadoras e catadores de materiais recicláveis. Planejar campanhas comunitárias de educação ambiental, reciclagem ou consumo responsável.
Bibliografia BORCHARDT, Eduardo. Lutero e seu legado para compreender a Economia. In: KUSS, Cibele. (Org.). Fé, justiça de gênero e incidência pública: 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora. Porto Alegre: Fundação Luterana de Diaconia, 2017. Disponível em: <https://fld.com.br/portfolio/fe-justica-de-genero-e-incidenciapublica-500-anos-da-reforma-e-diaconia-transformadora/>.
EM TUA GRAÇA. Livro de culto e orações. Genebra: WCC Publications. 2006. FUNDAÇÃO LUTERANA DE DIACONIA – FLD. Política de Justiça Socioambiental. Disponível em: < https://fld.com.br/wp- content/uploads/2019/06/PoliticaJustica-SocioAmbiental.pdf> GONÇALVES, Juliana R.; MASCARENHAS, Thais S. Consumo Responsável em Ação: Tecendo relações solidárias entre o campo e a cidade. São Paulo: Instituto Kairós, 2017. Disponível em: <https://biblioteca.consumoresponsavel.org.br/items/show/125>. ZEELAND, Angelique J. W. M. van. Economia solidária, diaconia e desenvolvimento transformador: por mudanças significativas e duradouras. 1. ed. São Leopoldo: Oikos, 2014. Disponível em: <https://fld.com.br/portfolio/economia-solidaria-diaconia-edesenvolvimento-transformador/>.
Gostou deste estudo? Tem sugestão de tema ou atividade? Então escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Elaboração: Pa. Ma. Ruth L. W. Musskopf e Dra. Angelique J. W. M. van Zeeland Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Confira os demais estudos do Palavr@ção! Acesse www.luteranos.com.br/ecc - Recursos com jovens, ou posicione a câmera do celular sobre o código:
Firmando o pé
Tráfico humano Palavr@ção on-line 47
PALAVRA O tráfico humano Desde os primórdios da história humana, o tráfico de pessoas é uma terrível realidade. Também nos tempos bíblicos, o tráfico aconteceu, especialmente a partir da prática da escravidão (Gênesis 9.25; 37.27).
Tráfico é realizado quando uma pessoa é submetida ao poder de outra para fins de exploração. O tráfico de pessoas consiste no ato de vender e comprar, escravizar, explorar e privar vidas da liberdade, caracterizando-se como uma forma de violação dos direitos humanos. Mesmo se, aparentemente, a vítima tenha consentido, o tráfico se caracterizará se houver violação de algum desses direitos. Muitas vezes, traficantes aproveitam as situações de pobreza, de vulnerabilidade social, econômica ou do desejo de ter vida melhor para, sutilmente, enganar pessoas e levá-las aos cativeiros e explorá- las. A Organização das Nações Unidas – ONU, no Protocolo de Palermo (2003), define tráfico de pessoas como o “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça
ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”1. É importante observar e considerar, palavra por palavra, os diferentes aspectos do conceito de tráfico. Segundo o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2018, organizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC): •
70% das vítimas do tráfico de seres humanos detectadas em todo o mundo pertencem ao sexo feminino. As meninas representam um quinto de todas as vítimas em todo o mundo.
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A exploração sexual continua sendo a principal finalidade do tráfico de pessoas, representando 59% dos casos detectados, enquanto o trabalho forçado equivale a 34% dos casos.
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Embora a maioria das crianças seja traficada para trabalhos forçados (50%), muitas também são vítimas de exploração sexual (27%) e outras formas de exploração, como mendicância forçada, criminosas forçadas.crianças-soldado e atividades
Pode-se dizer que há uma íntima relação entre a existência de exploração sexual e tráfico de pessoas e o modelo de desenvolvimento. Um modelo excludente que favorece a acumulação de bens acaba por aumentar também as desigualdades. Estas, por sua vez, favorecem a exploração humana.
_______________________________ 1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5017.htm (Artigo 3º) 2 https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2019/01/trfico-de-pessoas--umaferramenta-de-grupos-armados-para-financiar-atividades---aponta-relatrio-do- unodc.html
O Brasil é um país onde acontece tráfico humano. Há rotas nacionais e internacionais de tráfico. Segundo a “Pesquisa sobre Tráfico Humano de Mulheres, Crianças e Adolescentes”, há, pelo menos, 241 rotas, sendo 131 internacionais, 78 interestaduais e 32 intermunicipais. Portanto, o tráfico humano é um problema grave, silencioso e cruel. É crime organizado que envolve um conjunto de cúmplices: quem explora, quem transporta, quem dá assistência jurídica, os “paraísos fiscais” para lavagem do dinheiro, além de profissionais da saúde e clínicas para extração de órgãos. Importante é reconhecer o problema do tráfico humano, prevenir e combater a prática. Na internet, é possível encontrar algumas práticas e sugestões de ação, como neste site, da organização Politize: https://www.politize.com.br/trafico-de-pessoas-no-brasil-e-no- mundo/. A questão na Bíblia Nos tempos bíblicos, o tráfico humano era uma prática em diversos lugares e culturas. É isso que está escrito no texto de Gênesis 37.12-36: José foi vendido por seus irmãos a estrangeiros. Era fácil comprar e vender gente. Havia comércio de homens, mulheres, crianças. O processo, geralmente, era muito cruel com as vítimas. Uma imagem disso foi sentida por José, sua agonia, seu desespero e suas dores estão descritas em Gênesis 42.21, quando os irmãos que venderam José caíram em si: “Então disseram entre si: Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade.”.
A história de José tem um final feliz, por assim dizer. Ele se tornou administrador, no Egito, e, com sua sabedoria e ajuda de Deus, salvou o povo da fome. Mas é exceção. E a exceção serve para explicar que a realidade não é esta. O tráfico leva a dores, sofrimentos e morte. O povo de Israel teve normas para a libertação e reestabelecimento do direito escravo:
“Se um de seus compatriotas, hebreu ou hebreia, for vendido a você como escravo, ele trabalhará para você durante seis anos; mas no sétimo ano você lhe dará a liberdade. 13 E, quando você o puser em liberdade, não o mande embora de mãos vazias. 14 Liberalmente, você deve lhe fornecer animais do seu rebanho e do produto da sua eira e do seu lagar; daquilo com que o SENHOR, seu Deus, o tiver abençoado, você lhe dará. 15 Lembre-se de que você foi escravo na terra do Egito e de que o SENHOR, seu Deus, o resgatou; por isso, hoje estou dando esta ordem a você.” (Deuteronômio 15.12-15)
Quem foi resgatado e libertado pela ação de Deus não deixa ninguém de mãos vazias. Você foi escravo. Deus lhe libertou. Lembre-se bem disso. Jesus ordenou que os cativos fossem libertados. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e proclamar o ano aceitável do Senhor.” (Lucas 4.18-19). Jesus conviveu e se solidarizou
especialmente com as pessoas marginalizadas, escravizadas e sofredoras. Hoje, apoiados e apoiadas na Bíblia, precisamos ter uma postura clara contra o Tráfico Humano e em favor da liberdade das pessoas. Sabemos que seu objetivo é enriquecer um pequeno grupo explorador às custas da vida de outras pessoas. A IECLB apoia iniciativas de prevenção e combate ao tráfico humano e à exploração sexual, porque à luz da fé, todas as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus e vemos nestas iniciativas uma forma de preservação da dignidade humana.3 Se implantarmos, com nossa luta, políticas públicas que oportunizem trabalho digno e salário justo, sem dúvida, o tráfico diminuirá.
Saiba Mais Palestra: Tráfico Humano: isso existe? E eu com isso? Disponível em: https://www.luteranos.com.br/conteudo_organizacao/missaosociedade/trafico-humano-isso-existe-e-eu-com-isso Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_enfrentam ento_t rafico_pessoas.pdf
_______________________________ 3 https://www.luteranos.com.br/conteudo_organizacao/missao-sociedade-
copa-do- mundo/direitos-humanos-trafico-humano-e-a-exploracao-sexualde-criancas
Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Pesquise na internet como esse trabalho se organiza no seu estado e as formas de participar e receber materiais e informações. Notícia: Tráfico de Pessoas, uma ferramenta dos grupos armados para financiar suas atividades - aponta Relatório do UNODC Disponível em: https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/frontpage/2019/01/trfico-depessoas--uma-ferramenta-de-grupos-armados-para-financiaratividades---aponta-relatrio-do-unodc.html Anexo à notícia está o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2018 completo.
AÇÃO Saudação “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes e não se submetam, de novo, a jugo de escravidão.” (Gálatas 5.1) Uma breve introdução ao tema pode ser feita com base na seção PALAVRA.
Leitura bíblica: Gênesis 37.12-36 Faça a leitura do texto com o grupo. Em seguida, converse sobre o que compreenderam da história. Se necessário, forneça algumas informações complementares sobre o texto: No vale de Siquém, desde a mais antiga menção à Canaã, teve abundância de água. A presença de água significou, também, pastagem para o rebanho. Portanto, os filhos de Jacó foram de Hebrom para este lugar em cerca de vinte horas de viagem, um pouco mais de cinquenta milhas, para pastorear e cuidar do rebanho. Ansioso para saber como seus filhos estavam em seu acampamento distante, Jacó enviou José, seu filho jovem. O objetivo foi visitar os irmãos em busca de notícias e dar apoio aos irmãos. Ao chegar ao local, José foi hostilizado pelos irmãos. Movidos por inveja, numa trama macabra, planejaram seu destino. Houve tentativa de matá-lo. No fim, José foi vendido para mercadores midianitas, que o traficaram e venderam no mercado de escravos, no Egito.
Dinâmica: Duplas de conversa a. Previamente, prepare tiras de papel com as palavras-chave: Tráfico de pessoas Prostituição Uma pessoa ter controle sobre outra pessoa Recebimento de pessoas Abuso de poder
Recrutamento Formas de coerção Posição de vulnerabilidade Propósito de exploração
Escravizar Formas de rapto Dar benefícios para obter o consentimento Ameaça ou uso da força
Cada palavra precisa ser escrita em duas tiras, a fim de, mais tarde, formar duplas. Se o grupo for pequeno, cada dupla poderá receber uma nova palavra-chave depois de algum tempo de conversa sobre a primeira. b. No encontro, entregue uma tira de papel para cada jovem. As pessoas que receberam a mesma palavra devem formar uma dupla. Cada dupla conversa sobre a palavra que recebeu: o que entende dessa palavra, sua relação ou não relação com o texto bíblico. Se necessário, após alguns instantes, distribua uma nova palavra para cada dupla dialogar. Após, reúna o grupo em plenária e peça para as duplas falarem sobre o que conversaram. Após a partilha, motive o grupo a dialogar sobre as seguintes questões (sugestões): 1. O que as pessoas de suas relações falam sobre o tráfico humano? 2. Vocês conhecem ou tem notícias de pessoas que foram traficadas? Em caso positivo, podem contar brevemente o que aconteceu? 3. Há algo que podemos fazer, como grupo, para prevenir ou enfrentar o tráfico de pessoas?
Ampliando a palavra e a ação O tráfico humano, na maioria das vezes, é silencioso e envolve pessoas que estão perto de nós. Podem ser até mesmo conhecidas nossas. A sugestão é procurar, junto à prefeitura municipal e câmara de vereadores, sobre a política de prevenção e enfrentamento ao tráfico humano. De posse das informações, discutir e assumir com o grupo compromissos viáveis com base no tema e no que já está sendo desenvolvido. Comentário final “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes e não se submetam, de novo, a jugo de escravidão.” (Gálatas 5.1) “Para nós, pessoas cristãs, que entendemos que a nossa vida e a nossa fé são presentes divinos e que Deus é amor e cuidado, é inadmissível negociar a vida e a dignidade humana”.4
Oração Querido Deus, alegria e esperança de homens e mulheres. Confessamos que nem sempre prestamos atenção ao que acontece ao nosso redor, onde acontece o tráfico humano, a escravidão e a exploração sexual. Estas tragédias acabam com a vida de centenas de pessoas e famílias. Quanta dor, sofrimento e morte! Pedimos perdão por nossa indiferença em relação ao sofrimento de outras pessoas. Pedimos, também, por criatividade e amor para a prática da liberdade a qual tu, em Jesus Cristo, nos deste por graça e bondade. Em gratidão a ti, Deus, colocamo-nos à disposição para viver em comunhão libertadora e transformadora. Envia teu santo Espírito da coragem e da criatividade. Amém.
4
Cat. Vera Lucia Gewehr, no artigo “Lutero - Reforma: 500 anos: As pessoas não estão à venda!”, JOREV, out. 2016, p.8.
Bibliografia
BRASIL. Decreto nº 5.017, de 12 de março de 2004. Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças (Protocolo de Palermo), Brasília, DF, mar 2004. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2004/Decreto/D5017.htm>. Acesso em: 22 jul. 2019. BRASIL. Ministério da Justiça. Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Humano. Brasília, 2007. Disponível em: <vsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_enfrentamento_trafico_ pessoas.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2019. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. III Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Disponível em: < https://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de- pessoas/coletaneade-instrumentos-de-enfrentamento-ao-trafico-de- pessoas>. Acesso em: 22 jul. 2019. CHAGAS, Inara. Tráfico de Pessoas: como é feito no Brasil e no mundo? Disponível em: <https://www.politize.com.br/trafico-de-pessoas-nobrasil-e-no-mundo/>. Acesso em: 22 jul. 2019. GEWEHR, Vera Lucia. Lutero - Reforma: 500 anos: As pessoas não estão à venda! Jorev, ano 45, n.799, out. 2016, p.8-9. Disponível em: <https://www.luteranos.com.br/_arquivos/Jorev799_outubro2016.pdf >. Acesso em: 22 jul. 2019.
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Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Postagem: Portal Luteranos – outubro de 2019 Elaboração: P. Teobaldo Witter Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer, Diác. Simone Engel Voigt, P. Gerson Acker, Pa. Cleide Olsson Schneider Revisão ortográfica: Profª Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: : Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes:
Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática.
Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
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Firmando o pé
Juventudes e essa tal felicidade Palavr@ção on-line 46
PALAVRA O que faz você feliz? O que é felicidade para você? Ganhar na loteria? Estar com a família, com amigos e amigas? Viajar? Ter saúde? Comer bolo de chocolate? Ter um corpo definido? Pagar todos os boletos e contas do mês com tranquilidade? Estar em comunhão com Deus? Ou seria tudo isso? É possível ter tudo isso para ser feliz?
Todas as pessoas buscam a felicidade. Qualquer coisa que você faça ou deixe de fazer é por acreditar que, assim, você será feliz. Existem muitas definições para “felicidade”. Considero interessante a definição de Sigmund Freud. Para ele, “a felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”. Nota-se que Freud tratava a “felicidade” como um processo de construção individual, o que destoa muito da premissa cristã de uma felicidade coletiva. Talvez possamos nos questionar: Felicidade é algo apenas individual? Sabemos que palavra “felicidade” move a indústria da moda, da beleza e do comércio. Boas campanhas publicitárias não vendem meramente produtos, mas a promessa de que, adquirindo determinado produto, seu público-alvo alcançará a felicidade. Além disso, surgem cada vez
mais best-sellers de autoajuda que prometem levar a pessoa à verdadeira felicidade, desde que siga determinada metodologia proposta. Será que existe um manual com o passo a passo para alcançar a felicidade? A juventude é, certamente, um período propício à felicidade. À parte das crises e dos desafios próprios deste momento da vida, trata-se de uma fase de diversão, época de estar na companhia de pessoas amigas e aproveitar a leveza de não ter tantos compromissos. As redes sociais são fundamentais nessa construção de “felicidade”, pois não basta estar feliz, é preciso compartilhar na internet a “felicidade”, seja mediante fotos, vídeos, stories ou outro tipo de postagem. É sempre um perigo colocar a felicidade nas mãos dos “cliques” alheios. No livro “Os jovens e a felicidade”, o sociólogo Javier Elzo afirma que “os jovens que somente pensam em festas, bebem e consomem drogas até que o corpo ou o bolso aguentem, estão manifestamente menos contentes com suas vidas que os jovens que sabem aliar os momentos de festa com o trabalho, o estudo, o esporte ou, simplesmente, a vida cotidiana do dia seguinte”. Talvez seja muito importante perguntar: Como a JE tem experimentado a felicidade? Na Sagrada Escritura, a melhor definição para “felicidade” encontramos na expressão “bem-aventurados”, traduzida geralmente em nossas bíblias por “felizes”. Esta é uma expressão sapiencial que aponta para uma felicidade duradoura, valiosa, não passageira. No Novo Testamento, muitas vezes são proclamados felizes aquelas pessoas que veem, entendem, recebem a palavra de Deus e a põe em prática, as que creem sem ter visto, as vigilantes e até mesmo aquelas que são perseguidas por causa do nome de Cristo. No Sermão da Montanha (Mateus 5.1-12), Jesus pronunciou primeiramente a felicidade das pessoas pobres, não por causa de suas
boas disposições pessoais, mas porque Deus toma a defesa delas. É justamente esse tipo de felicidade que Deus oferece e que o mundo tenta oferecer, mas não consegue, pois é uma felicidade plena que se origina no próprio Deus. Como podemos compreender esse conceito de felicidade que a Palavra de Deus oferece?
Saiba Mais: O Quarteto da Felicidade Segundo endocrinologistas e neurocientistas, podemos encontrar a “felicidade” a partir de quatro substâncias químicas naturais do corpo humano, chamadas de neurotransmissores ou “quarteto da felicidade”: Endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina. Essas substâncias não surgem com frequência, precisando, muitas vezes, de estímulos externos. Existem várias formas de estimular a liberação desses compostos, sem a necessidade de drogas ou substâncias nocivas à saúde. Algumas dicas: Endorfina: As endorfinas agem como uma espécie de analgésico, mascarando a dor física. Assistir a filmes tristes ajuda a elevar os níveis das endorfinas, assim como dançar, cantar e realizar atividades em equipe. Serotonina: Praticar atividades físicas, como corrida, ciclismo e exercícios aeróbicos é uma maneira de estimular o aumento dos níveis de serotonina. A ausência deste neurotransmissor está ligada ao sentimento de solidão e depressão. Uma das principais estratégias para melhorar os níveis da substância é recordar momentos felizes, como conversar com amigos, receber mensagens e rever fotos antigas. Dopamina: Responsável pela libido e pelo sentimento de amor, essa substância é conhecida como a mediadora do prazer. Para elevar seus níveis, os especialistas recomendam definir metas de curto prazo, ou
dividir metas mais longas para que sejam, aos poucos, alcançadas e celebradas. Ocitocina: Este hormônio está relacionado ao comportamento e ao vínculo social, tanto físico quanto emocional. Os níveis dessa substância podem ser elevados até mesmo com um simples abraço!
Dica de filme À Procura da Felicidade, 2006, drama, 1h e 58min, classificação livre. Sinopse: Chris Gardner enfrenta uma vida difícil. Despejado de seu apartamento, este pai solteiro e seu filho não têm onde morar. Chris consegue um estágio não remunerado em uma firma de prestígio. Sem dinheiro, os dois são obrigados a viver em abrigos, mas Chris está determinado a criar uma vida melhor para ele e seu filho.
AÇÃO Qual é a verdadeira felicidade? Dinâmica de quebra-gelo: “Gatinho/gatinha da alegria” Convidar uma pessoa do grupo para ser “o gatinho ou a gatinha da alegria”. O restante do grupo permanecerá em silêncio, o mais sério possível, sentado num círculo de cadeiras. O gatinho ou a gatinha da alegria deve ser aproximar de alguém engatinhando, miando, fazendo graça para fazer quem estiver a sua frente sorrir/rir. Uma vez que consiga fazer alguém rir, esta pessoa que riu passa a ser o gatinho ou a gatinha da alegria. O objetivo da dinâmica é fazer as pessoas rirem.
Dinâmica: O que é ser feliz? Dispor no chão pequenos cartazes com definições de “felicidade”, conforme sugestões abaixo. Convidar as pessoas jovens a olhar e ler com atenção as descrições. Em seguida, traçar uma linha divisória com giz ou barbante, e pedir que sejam separados os cartazes em dois grupos: CONCORDO ou DISCORDO com essa afirmação. Se houver alguma frase sem consenso, pode-se colocá-la no meio sobre a linha divisória. É importante que cada frase receba uma justificativa do porquê está sendo colocada neste grupo. Sugestões de frases: 1. “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” (Thich Nhat Hanh) 2. “A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.” (Joseph Addison) 3. “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros é o segredo da felicidade.” (Georges Bernanos)
4. “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.” (Érico Veríssimo) 5. “A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças do que nos nossos bolsos.” (Arthur Schopenhauer) 6. “A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” (Sigmund Freud)
Leituras Bíblicas: Eclesiastes 11.9-10 e Salmo 41.1-3 Formar dois grupos. Cada grupo lerá um dos textos bíblicos. Entregar para cada grupo algumas perguntas para auxiliar na atualização da leitura bíblica: 1. Felicidade é algo apenas individual? 2. Será que existe manual com passo a passo para alcançar a felicidade? 3. Como a JE tem experimentado a felicidade? 4. Como podemos compreender esse conceito de felicidade que a Palavra de Deus oferece? Após um tempo de diálogo (10-15 minutos), convidar as pessoas jovens para partilhar as conclusões em grande grupo.
Breve comentário O texto de Eclesiastes fala de uma felicidade que precisa “seguir os desejos do coração” com a responsabilidade de arcar com as consequências diante de Deus. Ele enfatiza a felicidade altruísta, a alegria que provém a partir da ajuda ao próximo e à próxima que mais necessitam (pobres, doentes).
Atividade complementar Sugestão 1: Na certeza de que a felicidade nasce de pequenos gestos concretos, o grupo de JE pode organizar uma “tarde do abraço”. O grupo deve escolher um local público, como um shopping ou uma praça, e se dispor a ofertar abraços a quem passa. É importante três ou quatro jovens fazerem a atividade em conjunto e preparar cartazes, coletes ou camisetas com o dizer: “Aceita um abraço?”. O grupo também pode fazer a acolhida antes do culto, ofertando abraços a quem chega. Depois dessa atividade, é importante avaliar a experiência no encontro do grupo. Sugestão 2: Pesquisar na Internet como o conceito de “felicidade” aparece em músicas e videoclipes e compartilhar as impressões. Algumas composições que vale a pena ouvir: “Felicidade” – Seu Jorge; “Felicidade” – Marcelo Jeneci; “Receita de felicidade” – Toquinho. Sugestão 3: Ouvir a música “Receita de felicidade”, de Toquinho e, após, conversar sobre a música e convidar cada pessoa jovem a escrever a sua “receita” de felicidade.
Votos de felicidade Considerando as quatro substâncias químicas naturais do corpo humano que dão a sensação de bem-estar e contribuem para a felicidade e a explicação do tópico “Saiba mais: O quarteto da felicidade”, na seção PALAVRA, os seguintes votos podem ser realizados: Que tenhamos mais coragem para cantarmos e dançarmos mais, produzindo endorfina. Que tenhamos o ânimo necessário para fazer atividade física, de modo a aumentar nossos níveis de serotonina.
Que tenhamos a convicção necessária para definimos metas de curto prazo e valorizarmos aquilo que conseguimos fazer, criando condições para a produção de dopamina. Que aceitemos e ofereçamos mais abraços, promovendo a comunhão e estimulando o aumento da ocitocina. Que, repletos e repletas de hormônios da felicidade, possamos inspirar outras pessoas a produzi-los e serem mais felizes.
Bibliografia DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DA BÍBLIA. São Paulo: Loyola; Paulus; Paulinas, 2013. ELZO, Javier. Los jovenes y la felicidad. ES: PPC, 2015. https://veja.abril.com.br/saude/hormonios-da-felicidade-saiba-comoestimular-seus-efeitos/
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Firmando o pé
Juventudes e justiça de gênero – a equidade entre homens e mulheres Palavr@ção on-line 45
PALAVRA Antes de mais nada, vamos dialogar: Como você percebe a relação entre as pessoas jovens? Há diferença de valoração, de autonomia, de poder de decisão, de reconhecimento por ser mulher ou por ser homem? Se pudesse usar um semáforo (sinaleira) como indicativo, para que atitudes você diria: ATENÇÃO (amarelo, sinal de alerta), PARE: é injusto (vermelho) ou SIGA EM FRENTE – é justo (verde)? Liste-as!
Refletindo: Você já ouviu uma música como a indicada a seguir, ou outra, de conteúdo semelhante? “Desculpa a visita Eu só vim te falar Tô a fim de você E se tiver, cê vai ter que ficar Eu vim acabar com essa sua vidinha de balada E dar outro gosto pra essa sua boca de ressaca Vai namorar comigo, sim! Vai por mim. Igual nós dois não tem Se reclamar, cê vai casar também Com comunhão de bens Seu coração é meu e o meu é seu também” (Vidinha de Balada - Henrique e Juliano) “Sim, respeito é bom! Bom, flores também são. Mas não quando são dadas só no dia 08/03 Comemoração não é bem a questão. Dá uma segurada e aprende outra vez Saio e gasto um dim, sou feliz assim, Me viro ganho menos e não perco um rolezin Cê fica em choque por saber que eu não sou submissa e quando eu Tenho voz cê grita: “ Ah lá a feminista!” Não aguenta a pressão, arruma confusão, Para que tá feio, irmão!” (Respeita as Mina - Kell Smith) Somos do gênero humano. Dos 23 pares de cromossomos que nos formam, apenas um nos diferencia: XX para as mulheres e XY para os homens. Em função desta diferença congênita, convencionou-se classificar as mulheres como sendo do sexo feminino e, os homens, do sexo masculino.
No sentido biológico, portanto, nascemos do sexo feminino ou masculino. O mesmo não se pode dizer sobre o sentido cultural. Em cada sociedade, meninas e meninos são educadas e educados, dia após dia, para assumirem os papéis de mulher e de homem na juventude e em idade adulta. As identidades feminina e masculina, portanto, são construídas a partir de interesses culturais, religiosos, raciais, políticos e econômicos da sociedade na qual uma pessoa está inserida. Você já pensou sobre isso? • meninas e meninos foram ensinadas e ensinados a se comportar de forma diferenciada; • foram estimuladas e estimulados a reproduzir, em suas brincadeiras, o que a sociedade estipula como sendo inerente ao sexo feminino ou ao sexo masculino; • por muito tempo, elas e eles foram educadas e educados para o trabalho e a vida profissional em função, primeiramente, do seu sexo e não de sua capacidade para o exercício da mesma; • ouviram histórias infantis nas quais as mulheres, em geral, dependiam da proteção e da decisão do homem; • habituaram-se a conviver com uma linguagem (oral, visual, corporal e escrita) a qual, muitas vezes, desmerecia o sexo feminino e a aceitar a linguagem masculina como sendo universal e inclusiva; • o uso de determinadas cores nas vestimentas e o uso de adornos/enfeites no corpo correspondia ao estabelecido para mulheres e homens naquela sociedade;
• numa relação adulta no matrimônio, mulheres e homens estabeleciam acordos (muitas vezes silenciosos) na vida cotidiana, correspondentes ao que haviam aprendido dos papéis que cabiam às mulheres e aos homens; nem sempre, no entanto, firmados em uma relação de igualdade; • as funções de representação, de chefia e de decisão cabiam, por excelência, aos homens; as mulheres ficavam mais restritas ao espaço privado da casa e eram tidas como auxiliadoras em casa, na igreja e no espaço público de produção; • o trabalho das mulheres em casa e, quando possível, no espaço público, em geral, foi considerado de menor valor que o dos homens, resultando em salários diferenciados para mulheres e homens nas mesmas funções; • o corpo de mulheres foi manipulado como objeto masculino por muito tempo; sua vontade, suas necessidades e suas capacidades foram ignoradas; • uma cultura silenciosa ensinou mulheres a competirem entre si, dimuindo a imagem umas das outras; • textos bíblicos mal interpretados foram utilizados para inferiorizar as mulheres e afirmar a superioridade dos homens; • historicamente, em muitas situações, também se exerceu relações de opressão sobre pessoas do mesmo sexo, a partir de diferenças raciais, culturais, econômicas e religiosas: mulheres oprimiram mulheres e homens oprimiram homens!
Resumindo... Ao longo da história da humanidade, cada pessoa foi educada para ser mulher ou para ser homem. As compreensões teológicas de cada época e contexto também contribuíram para a igualdade ou para a desigualdade entre os sexos. Esta construção de identidades feminina e masculina, em sociedades explícitas ou implicitamente machistas, resultou em relações injustas e desiguais entre mulheres e homens, nas quais o exercício do poder - de poder ser, de poder decidir, de poder fazer algo – foi, sobretudo, um privilégio masculino. Além disso, interesses raciais, econômicos, religiosos, políticos e culturais fortaleceram relações injustas de poder entre as pessoas, de modo geral.
A partir de Jesus Cristo primamos por relações de gênero fundamentadas na justiça e na igualdade. Saiba mais: Políticas públicas e eclesiásticas 1. Você sabia que a lei publicada no DOE n.º 022, de 31 de janeiro de 2014, dispõe sobre a utilização da linguagem inclusiva de gênero no âmbito da Administração Pública Estadual no Estado do Rio Grande do Sul? Além disso, o RS tem aprovado o “Manual para o uso não sexista da linguagem – O que bem se diz, bem se entende”. Em que outros Estados brasileiros há normativas semelhantes? 2. Pesquise na Internet dados sobre a violência contra a mulher e sobre fóruns de reflexão, leis e espaços diversos de apoio às mulheres vítimas de violência.
3. A IECLB dispõe de um vídeo sobre Justiça de Gênero publicado no início de 2018. Acesse o link abaixo e confira! https://www.youtube.com/watch?v=pS5RgWJBvYQ 4. A IECLB está comprometida com a justiça de gênero na igreja e na sociedade. Veja o Documento “Política de Justiça de Gênero” da Federação Luterana Mundial - FLM. http://www.luteranos.com.br/textos/missaomulheres/politica-de- justica-de-genero-federacaoluterana-mundial 5. A IECLB conta com o caderno Estudos sobre Gênero, voltado especialmente para a reflexão em grupos, que trabalha com conceitos como: gênero, justiça de gênero e temáticas relacionadas na própria Bíblia. Acesse este link e confira: http://www.luteranos.com.br/conteudo/estudos-sobregenero- introducao-1 6. Entre as metas missionárias da IECLB, aprovadas pelo XXXI Concílio da Igreja, realizado em Curitiba/PR em outubro de 2018, a META 4 inclui a promoção da Justiça de Gênero por meio de: • elaboração de uma Política de Justiça de Gênero; • formação de mulheres e de homens para uma vivência de relações justas; • sensibilização e visibilização de ações que envolvam violência doméstica e institucional em todas as instâncias da vida da Igreja e sua superação.
AÇÃO Desenvolva uma ou as duas propostas abaixo: Proposta 1 Faça uma playlist com músicas conhecidas do grupo ou a partir das sugestões abaixo, imprima suas letras e verifique com o grupo que conceitos elas trazem da relação entre mulheres e homens. É importante que a playlist apresente, também, canções que expressem um relacionamento justo entre os sexos. Lôrabúrra – Gabriel Pensador Trepadeira – Emicida Run For Your Life - The Beatles Amiga da Minha Mulher - Seu Jorge Meu Anjo - João neto e Frederico Maria Chiquinha - Sandy & Junior Se é pra Gente Ficar - Solange Almeida Ciumento Eu - Henrique e Diego Pros Malas – MC Livinho e MC Lustosa Adestrador de Cadela - MC MM Love The Way You Lie – Eminem (feat. Rihanna)
Respeita as Mina - Kell Smith Ouvi Dizer – Melim Por causa de você – Kelly Key Linda, Louca e Livre - Apanhador Só Can't Hold Us Down – Christina Aguilera Decote – Preta Gil Onde Nasce o Sol - Bruninho e Davi 1º de Julho – Renato Russo Desconstruindo Amélia – Pitty Flawless – Beyoncé
Proposta 2 Conte para o grupo um ou mais “contos de fadas” que apresentam um relacionamento entre casais (A bela adormecida, Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel ou outro). Converse sobre os conceitos de valor e relação entre mulheres e homens existentes na história. Após, forme grupos menores e proponha que pensem em outro final possível para a história, com protagonismo de ambos os personagens. A apresentação em plenária pode ser feita presencialmente ou por meio de um vídeo curto. Se possível, ofereça um spoiler ao grupo de um filme legal que você assistiu recentemente ou outro conto que você conhece, os quais apresentam uma relação de parceria entre mulheres e homens. Depois das apresentações, converse com o grupo sobre a experiência. Comentário Independente do estilo ou da época em que a canção ou o conto surgiu, fato é que as letras musicais e as tramas que nos agradam ou desagradam revelam muito sobre nós e a nossa maneira de pensar, agir, perceber o mundo e nos relacionar com ele. Por exemplo, quando cantamos uma música na qual a mulher ocupa um lugar de fragilidade, passividade, submissão ou é merecedora de agressões físicas e psicológicas, damos voz ao machismo e reforçamos estereótipos masculinos e femininos com valores, representações e práticas vigentes que desmerecem um dos sexos (geralmente, a mulher). Também, quando homens, por motivos fúteis e sexistas, são colocados em lugar de disputa, desafiados a provar sua força, seu poder e sua masculinidade, gera-se um sofrimento desnecessário fundamento em uma cultura na qual alguém precisa ser melhor que outrem, e exercer poder sobre a outra pessoa. Na busca por relações de poder justas e equilibradas entre homens e mulheres tais valores, práticas e representações devem ser questionados. É possível e necessário encontrar novos caminhos, justos e respeitosos, de parceria entre os seres humanos!
Leitura bíblica Forme quatro grupos e entregue, a cada um, uma tarja de papel e uma caneta. Num dos lados da tarja deverá estar escrito um dos textos bíblicos abaixo. No outro, a pergunta que segue. 1. ”Assim Deus criou os seres humanos [...], homem e mulher os criou”
(Gênesis 1.27); 2. “Ame o Senhor, seu Deus e ame a teu próximo como a ti mesmo”.
(Marcos 12.31s); 3. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça e
todas estas cousas vos serão acrescentadas”. (Mateus 6.33) 4. “Não existe mais diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e
pessoas livres, entre homens e mulheres”. (Gálatas 3.28). Numa perspectiva teológica e de gênero, como você percebe os conceitos de JUSTIÇA e de IGUALDADE a partir do testemunho bíblico a seguir? Motive os pequenos grupos a fazerem a leitura do texto bíblico e a conversarem sobre a pergunta que receberam. A resposta para a pergunta pode ser escrita na própria tarja de papel. Passado algum tempo, reúna os pequenos grupos em plenária e convide para que partilhem, com todos, o que dialogaram. Comentário Destaque alguns aspectos presentes na seção PALAVRA. Para ajudar na reflexão, mostre o vídeo sobre Justiça de Gênero que consta no item “Saiba mais”. Realce que, a partir de Jesus Cristo, primamos por relações de gênero fundamentadas na justiça e na igualdade.
Atividade complementar Há ações que podem ser promovidas pelo grupo para fortalecer relações justas entre todas as pessoas que dele participam? Com o que ele pode se comprometer?
Oração Deus, criador da vida, nós te agradecemos pela oportunidade de nos reunirmos em grupo e melhorarmos os nossos relacionamentos a partir da tua Palavra. Agradecemos-te porque nos fizeste mulheres e homens, diferentes, mas iguais em valor. Permita que, no dia-a-dia, esta verdade se torne uma realidade. Que um ser humano não domine o outro. Que, inspiradas e inspirados por tua Palavra e pelo teu Santo Espírito, possamos viver em harmonia, assumindo, em conjunto, a responsabilidade de construímos uma sociedade mais justa. Como comunidade de fé reunida, oramos em conjunto a oração que Jesus Cristo nos ensinou: Pai Nosso... (Oração adaptada do caderno de auxílio para estudos bíblicos Bem me quero, bem te quero: construindo relações de paz. Autoria de Scheila dos Santos Dreher, Claire V. Schlabitz e Maria Helena Ost. Editora Con-Texto, 2005)
Gostou deste estudo? Tem sugestão de tema ou atividade? Então escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Postagem: Portal Luteranos – abril de 2018 Elaboração: P. Francisco dos Santos Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Engel Voigt Revisão ortográfica: Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Firmando o pé
JUVENTUDES E A CULTURA DA PAZ Palavr@ção on-line 44
“Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou.” João 14.27
PALAVRA As juventudes no Brasil são alvo de graves problemas sociais, principalmente de violência. O alto número de homicídios de pessoas jovens, o individualismo, a polarização e a facilitação do acesso às armas demostram que temos um grande desafio enquanto igreja e sociedade: transformar a cultura do ódio e o uso abusivo do poder em cultura de paz, cooperação e diálogo. Ao olharmos dados do Mapa da Violência, constatamos que o número de homicídios sofridos por indivíduos de 15 a 24 anos é maior do que entre outras faixas etárias. O Brasil ocupa a sexta posição mundial, motivo de grande preocupação. Podemos afirmar que a violência cresce em espiral no Brasil e atinge diretamente as juventudes. Jesus Cristo nasceu em um tempo de dominação do Império Romano. Na Palestina havia vários conflitos por questões ideológicas. Sua promessa em João 14.17 - “Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou.” foi feita num contexto de sofrimento, pois em seu dia a dia os conflitos eram frequentes. A comunhão com Deus proporcionava paz em seu coração.
Ao mesmo tempo, os líderes religiosos e os líderes políticos também prometiam a “paz”. Diferentemente dessa falsa ideia de paz, a paz que Cristo oferece é um dom e tem o poder de afastar o medo. Os pacificadores e pacificadoras são movidos e movidas pelo Espírito Santo para não se deixarem intimidar diante de dificuldades. A paz de Jesus Cristo é uma proposta de ação libertadora, comunitária, e convida a todos e a todas para participarem da “mesa da comunhão” em fraternidade e amor. O Evangelho de Jesus Cristo anuncia a acolhida, o amor e a reconciliação. No Reino de Deus a proposta é amar e cuidar de todas as pessoas, sem exclusão. A vida cristã deve rejeitar aquilo que promove o ódio. Jesus Cristo foi um militante da paz. Mesmo tendo afirmado certa vez que a fé nele provocaria divisão (Mt 10.34), toda sua ação de reação se deu de forma não-violenta. Por isso seu Evangelho da paz venceu o sistema de morte de cruz e, assim, a reconciliação trazida por meio da ressurreição é oferecida a todas e todos. Na Bíblia às vezes fica difícil distinguir quando se fala da paz de Deus, paz com Deus e paz entre os seres humanos. A principal concepção é de que a paz é dom de Deus (Nm 6.26; Jo 14.27). Também encontramos uma correlação dela com a graça, pela qual Deus estabelece a sua aliança (Is 54.9). As promessas messiânicas são acompanhadas pelo anúncio da paz. O Messias será chamado de príncipe da paz (Is 9.6). A paz nunca está dissociada de uma condição básica, a saber, de que só há paz se houver justiça (Sl 72.3-7; Mt 6.33). Ao preparar os discípulos para a missão, Jesus ensinou que o amor está fundamentado na ação de Deus. Assim, a paz entre as pessoas está fundamentada na paz concedida por Deus em Jesus Cristo e, em nosso tempo, proclamamos o “Evangelho da Paz” (Rm 12.14-21).
Deus, por misericórdia e graça, estende a salvação a todos e todas sem distinção. Ele nos justifica por graça e fé. A justiça divina nos desafia a querermos transformar a sociedade da violência em uma sociedade de justiça e paz de Deus. É só olhar o noticiário para constatarmos que o país vive situações de guerra. Mas nós, pessoas cristãs, muitas vezes achamos que a paz “nasce sozinha” e ficamos surpresas quando a violência chega a nossas casas, igrejas e escolas. Se não agirmos para a promoção da paz, o que surgirá será mais violência. Sabemos que a violência é um “roteiro desgastado” e potencialmente destrutivo. A cultura da paz começa com a tomada de consciência de que o ser humano tem respostas instintivas, que o leva a esse roteiro de violência. Se quisermos viver em um mundo melhor, devemos nos engajar, individual e coletivamente, para a construção de um mundo de paz. A base para a cultura de paz está em amar todas as pessoas e perdoar, esse é o centro do Evangelho. Somos alcançados e alcançadas pela justificação por graça e fé e nossa resposta se dá ao nos envolvermos em ações que visam interromper os ciclos progressivos da violência. Temos condições de responder aos conflitos de forma não-violenta. A todas as pessoas cristãs, cabe lançar as sementes do amor, vivendo a cultura de paz em uma vida não-violenta, com disposição para amar a nós mesmos, nós mesmas, aos inimigos, às inimigas e a Deus.
Um exemplo de história de vida que pode nos inspirar como pessoa cristã é a do pastor luterano, Richard Wangen, que nasceu nos Estados Unidos. Quando se formou na teologia, foi chamado para trabalhar no Brasil como pastor universitário. Em 1975, envolveu-se em movimentos em prol da justiça e dos direitos humanos. Também foi professor da Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo/RS, e trabalhou firmemente na educação pela paz. Participou da criação do SERPAZ- Serviço de Paz, no mesmo município. Faleceu aos 81 anos de idade, em 15 de março de 2006. Mais informações sobre o SERPAZ estão disponíveis na fanpage da instituição: https://www.facebook.com/serpaz.servicodepaz.
Saiba mais: Mapa da Violência: homicídios por armas de fogo no Brasil (2016). Julio Jacobo Waiselfsz. Disponível em: https://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2016/Mapa2016_ar mas_web. pdf Portal Luteranos – IECLB. Cultura da Paz não pode ficar na periferia das ações. 2014. Disponível em: http://www.luteranos.com.br/conteudo_organizacao/juventudeevangelica/congrenaje-em-revista-2 Portal Luteranos – IECLB. Igreja, Economia, Política: Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou. Tema do Ano 2019. Disponível em: http://www.luteranos.com.br/temaano/2019 REZENDE, Marcelo Guimarães. Cidadãos do Presente: Crianças e Jovens na Luta pela Paz. São Paulo: Saraiva, 2002.
AÇÃO Leitura bíblica: João 14. 21-27 PROPOSTA 1 Dinâmica: Tomando posição Material: giz para quadro escolar ou barbante. Desenvolvimento: Num espaço sem cadeiras nem mesas, faça uma linha no chão com giz ou barbante. Explique que um dos lados da linha será chamado de “violento” e o outro de “não-violento”. Quanto mais longe da linha, maior o índice de “violência” ou de “não-violência”. Perto da linha, a situação fica mais ambígua ou neutra. Se alguém tiver dúvida, pode ficar em cima da linha. Leia para o grupo as situações abaixo e pergunte se a ação da pessoa é violenta ou não-violenta. A cada situação, as pessoas devem tomar posição e ocupar o seu lugar em relação à linha. A cada posicionamento, pergunte para as pessoas por que se posicionaram onde estão. Estimule para que argumentem o porquê da sua opinião, deixando de lado o “por que sim” e “por que não”. Elas podem mudar de lugar se alguma coisa que o grupo disser as fizer mudar de opinião. Lembre que todas as opiniões devem ser respeitadas.
Sugestões de situações (acrescente outras que achar necessárias): 1. Marta insultou Matheus várias vezes. Matheus, por sua vez, pôs Marta para fora de sua vida e se recusa a reconhecer que ela existe. Bloqueou-a no Facebook e no Whatsapp. A ação de Matheus é violenta ou não violenta? 2. Durante uma festa, Caio observa Melissa com atenção. Ela diz que não quer ficar com ele, mas ele acha que as atitudes dela demonstram interesse. Ele insiste diversas vezes para ficarem. A ação de Caio é violenta ou não-violenta? 3. Uma pessoa caminha na rua e vê um homem ameaçando bater em uma mulher, que parece ser sua esposa ou namorada. Ela observa a situação e continua seu caminho, pois não gosta de se envolver em brigas. A ação dessa pessoa é violenta ou não-violenta? 4. Elisa compartilha em suas redes sociais seu repúdio ao machismo e apoio aos movimentos feministas e à justiça de gênero. Ao mesmo tempo, ela tem grande dificuldade em aceitar opiniões que diferem da dela. A postura dela pode estimular para uma ação violenta ou não- violenta? 5. Leonardo bate em sua filha porque está fazendo travessura. A ação de Leonardo é violenta ou não-violenta? 6. Um jovem que sofre bullying entra em sua escola e ameaça seus colegas e suas colegas com uma faca. Ele faz uma ação violenta ou não- violenta? 7. Davi e Patrícia, guiados por suas consciências de impedir a produção de armas e promover a paz, bloqueiam a entrada de uma fábrica de armamentos colocando fogo em pneus. A ação de Davi e Patrícia é violenta ou não-violenta?
Diálogo A partir da dinâmica e do texto bíblico, converse com o grupo: • O que o texto bíblico indica para a vida humana em relação à promoção da paz? • Que tipo de atitudes cada jovem pode ter para fortalecer a cultura de paz? • Lembram-se de alguém que atua de forma não-violenta na resolução de problemas? Quem? Como sua postura pode nos inspirar enquanto pessoas e grupo?
PROPOSTA 2 Dinâmica dos Talheres Objetivo: refletir com o grupo acerca de certos comportamentos que temos na família, escola e igreja, tais como isolamento, ruptura, colaboração e solidariedade. Material: um garfo, uma faca, uma colher, folhas de papel e caneta para cada jovem. Desenvolvimento: Explique o objetivo da dinâmica, mostrando e falando sobre as características dos talheres: Garfo: espeta, desmancha, agarra, prende, fere. Faca: corta, fere, separa, divide, isola. Colher: empurra, recolhe, encaminha, dirige, reúne, recolhe. Convide os jovens e as jovens a pensarem por alguns instantes sobre situações em que exercem as funções apresentadas, sendo garfo, faca ou colher. Cada pessoa deve anotar as suas observações na folha. Após algum tempo, todos e todas partilham suas observações.
Diálogo A partir da dinâmica e do texto bíblico, converse com o grupo: • Quando não estou bem, como fico? Quais são minhas ações e reações? • Como reajo diante de situações e ações que me incomodam? • O que entendo por “cultura de paz”? • O que o texto bíblico indica para a vida humana em relação à promoção da paz? Como praticar isso? Canto No Livro de Canto (LC), há uma seção intitulada “cultura de paz”: hinos 556 a 561. Oração de intercessão Deus da esperança, Deus da justiça, Deus da paz: apelamos à tua misericórdia em favor do povo brasileiro e especialmente por todas as vítimas de violência, tortura, opressão e injustiça. Ao orarmos, molda nossos corações ao teu, e semeia em nós as sementes da esperança para um futuro de paz duradoura. Oramos pelas pessoas que ocupam posições de poder, autoridade e influência no governo. Que tu possas mantê-las na convicção divina de se posicionar pela verdade e de agir com justiça e misericórdia. Pelo poder do teu Santo Espírito, seja semeado em seus corações um sonho de um futuro compartilhado, que promova a vida, a justiça e a paz. Oramos para que as sementes da paz germinem no coração dos jovens e das jovens. Que teu Espírito de reconciliação possa nos inspirar a sermos defensores e defensoras de toda a dignidade humana e nos defenda das tentações de preconceitos tendenciosos e da indiferença. Concede-nos perseverança e coragem para trabalhar com esperança, testemunhando em palavras e ações a nossa fé cristã. Amém.
Canto de Benção Sugestões: Deus te abençoe – LC 286, Gesto da paz – LC 260
Bibliografia BUTIGAN, Ken. Da violência à integridade. São Leopoldo: Sinodal, 2003. CONSELHO NACIONAL DA JUVENTUDE EVANGÉLICA DA IECLB (Coord.). Criatitude: Pela Justiça de Gênero, 2016. Disponível em: http://www.luteranos.com.br/textos/criatitude-pela-justica-de-genero. Acesso em: 20 dez. 18. SATYAGRAHA - força do amor. Revista nº 1, Serviço de Paz-SERPAZ. São Leopoldo, 2014. VON ALLMEN, J.J. Vocabulário Bíblico. São Paulo: ASTE, 1972.
Gostou deste estudo? Tem sugestão de tema ou atividade? Então escreva para: secretariageral@ieclb.org.br
Expediente Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação de Educação Cristã e Coordenação do Trabalho com Jovens, em parceria com o Núcleo de Produção e Assessoria e Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE) Postagem: Portal Luteranos – abril de 2018 Elaboração: P. Francisco dos Santos Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Engel Voigt Revisão ortográfica: Martha Regina Maas Capa: Jackson Brum Coordenação: Cat. Daniela Hack Palavr@ção é um material on-line destinado às pessoas que orientam o trabalho de educação cristã com grupos de jovens. Cada estudo possui duas partes: Palavra: Oferece reflexão sobre o tema proposto para auxiliar na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de texto bíblico e atividades para o estudo. Adapte e complemente conforme a realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
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