Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
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Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Reflexão sobre o texto de Marcos 12.38-44 Nos primeiros versículos do texto (38-40), Jesus faz um alerta em relação aos escribas: a forma como se comportam, as roupas especiais que vestem, os lugares de honra que ocupam nas casas de oração e nos banquetes. Os escribas eram intérpretes da Lei Judaica, eram os mestres da religião. No versículo 40, Jesus diz: “Exploram as viúvas e roubam os seus bens; e, para disfarçarem, fazem orações compridas. Portanto, o castigo que eles vão sofrer será pior ainda!” (conforme a Nova Tradução na Linguagem de Hoje). O texto continua a relatar que Jesus está no templo, sentado perto da caixa das ofertas, e observa como o povo coloca ali a sua doação. Jesus declara, então, que a viúva que colocou duas moedas “deu tudo o quanto tinha para viver” (v. 44). Ao dar de sua pobreza, ela dispôs toda a sua vida perante Deus. O texto evidencia fortes contrastes e mudanças de paradigmas: o que vale para Jesus não é a quantidade, o valor da oferta, mas, sim, a forma, o jeito como a doação é depositada na caixa das ofertas. Há uma oposição entre a atitude dos professores da Lei (escribas) e a atitude da viúva pobre. Nos versículos 38-40, Jesus censura a forma como os escribas se apresentam e atuam, e nos versículos 41-44, exalta a oferta da viúva pobre. Jesus apresenta dois grupos que se opõem na sociedade. Ele condena, com rigor, o fato dos escribas tirarem, de alguma forma, os recursos das viúvas. Aí se encontra o conflito do texto.
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Os escribas consideravam-se melhores que as viúvas, seja como religiosos, seja como cidadãos. Viúvas e pessoas órfãs eram o símbolo de pobreza, do desamparo, da marginalização. Estavam entregues à própria sorte. Não havia sistema previdenciário, nem um serviço básico de saúde que as amparasse. Viúvas não davam oferta – mendigavam esmolas. Elas eram marginalizadas porque dependiam de outras pessoas para sobreviver. Se não tinham filhos, estavam, então, totalmente desamparadas.
A viúva pobre é um exemplo Para além do contraste fundamental e mais óbvio (v. 41: ricos e v. 42: viúva pobre), Jesus “desloca” a viúva da situação de pessoa marginalizada, trazendo-a para o centro, como pessoa ativa. A viúva que é descrita como referência de devoção e de fé e não os “senhores da lei”. Quem se torna exemplo de fé não são os escribas, e sim, a viúva pobre. É importante destacar que Jesus não faz uma comparação entre ricos e pobres. Não é esta a questão. O que Jesus compara é a atitude das pessoas que se dizem crentes em Deus. No Evangelho acontece uma inversão do paradigma. Não são os mestres da lei, os escribas, os exemplos de fé, mas, sim, a viúva que doa tudo o que tem. A viúva fazia parte do grupo de pobres. O texto diz que ela deu “tudo quanto possuía”. À primeira vista, esse gesto parece até ser um ato de irresponsabilidade. No entanto, é um gesto de desprendimento e confiança irrestrita em Deus. Dessa forma, precisamos ter o cuidado para não usar este texto como uma lei, mas como ação libertadora, como uma boa-nova. .
Coração agradecido Na doação da viúva pobre percebemos relações com a ação de Jesus, que se entregou inteiramente por amor a nós. No seguimento a Jesus, também será necessário fazer renúncias, afirmar outro tipo de mentalidade, outro jeito de viver que transparece nas relações de solidariedade. As viúvas bíblicas e as pessoas marginalizadas de hoje mostram o quanto a sociedade está amarrada ao lucro de poucos em detrimento do prejuízo de muitos. A viúva que foi vista por Jesus sobrevive até hoje, servindo de inspiração para nós, pois ela entendeu o que significa viver graças ao amparo de Deus. A atitude de humildade da viúva a re-ligou mais a Deus do que a atitude dos escribas, que faziam, nas praças, suas longas orações. A viúva que Jesus observou deixou, no templo de Deus, o sustento de sua vida. A pobre viúva entregou a sua oferta, como era costume. O detalhe importantíssimo, porém, é que ela “da sua pobreza, deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento”. Trata-se de uma entrega total, abnegada, mas que indica uma forte esperança que sustenta a vida. Ela entregou sua vida nas mãos de Deus. Lembro-me da palavra da Carta de Tiago (1.27): “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. A exemplo da viúva, também nós damos dinheiro à Igreja. Com esta oferta possibilitamos que a mensagem do Evangelho gracioso e libertador seja proclamada e que viúvas, pessoas pobres e pessoas excluídas sejam amparadas.
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Saiba mais Dicas de leitura • SOUZA, Carolina Bezerra de. A viúva pobre e seu exemplo. Fragmentos de Cultura, Goiânia, v. 25, n. 4, p. 461-469, out./dez. 2015. Disponível em: http:// seer.pucgoias.edu.br/index.php/fragmentos/article/viewFile/4387/2519. Acesso em 10 nov. 2017. • ULRICH, Claudete Beise. A oferta de uma viúva pobre: mudança de paradigma. Disponível em: https://www.cebi.org.br/2015/11/03/marcos12-38-44-a-oferta-de-uma-viuva-pobre-mudanca-de-paradigma/. Acesso em 10 nov. 2017. • ULRICH, Claudete Beise. Dízimo no Antigo Testamento: fidelidade a Deus, princípio de solidariedade e justiça social. In: ORDEM AUXILIADORA DAS SENHORAS EVANGÉLICAS. Estudos sobre oferta e gratidão. Blumenau: Otto Kuhr, 2013. Disponível em: http://www.luteranos.com.br/conteudo_ organizacao/oase/dizimo-no-antigo-testamento. Acesso em 10 nov. 2017. Pesquise por “fé, gratidão e compromisso” no Portal Luteranos e encontre outros textos sobre o tema.
Fortalecendo um coração agradecido Leitura bíblica - Marcos 12.38.44 Convide o grupo para ouvir o texto bíblico. Faça a leitura duas vezes, se possível em duas traduções diferentes da Bíblia, para se perceber as diferenças e também fixar melhor o texto.
Encenação do texto Forme grupos de 4 ou 5 pessoas ou faça a encenação do texto com todo o grupo. Motive para que assumam os papéis de viúva, Jesus, escribas, multidão, discípulos e discípulas. Dê alguns minutos para a preparação e ensaio da encenação. Após, convide para a apresentação.
Roda de conversa Após a encenação, faça uma roda de conversa. Ela pode se basear nas seguintes perguntas: • Como eu me senti encenando tal personagem do texto? • O que eu penso sobre a atitude da viúva? O que ela me ensina?
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• Como entendo a atitude dos escribas? • Como é a questão da contribuição na minha comunidade? • Como eu contribuo financeiramente com a minha comunidade, a minha Igreja? • Como o grupo de jovens pode motivar mais pessoas a contribuir?
Recordar a palavra Faça uma terceira leitura de Marcos 12.38-44 e, após, comente: Contribuição é um sinal de gratidão, compromisso e fé, e isto aprendemos da viúva pobre, que doou tudo o que tinha, com o coração aberto. A história da viúva é como um grande quadro que Jesus pinta para seus seguidores e seguidoras. É um quadro de inversão de valores, de mudança de paradigma. Jesus não valoriza a quantidade, mas como a oferta é dada: isto é, de coração aberto e grato. Também, hoje, somos chamados e chamadas para ofertar e contribuir com o trabalho da Igreja. Também a nossa oferta e contribuição é recebida por Deus quando é dada com o coração aberto e solidário, comprometido com a boa notícia do Evangelho. Somos movidos e movidas pela esperança da salvação, que nos é dada gratuitamente por Deus. A nossa oferta não é um pagamento, mas uma resposta ao grande amor de Deus, revelado em Jesus Cristo. Como já afirmava Lutero em seu livro Da Liberdade Cristã: “a fé recebe e o amor dá”. A fé ativa no amor se mostra também na nossa contribuição – em dinheiro, em tempo e em trabalho – pela causa do Evangelho.
Sugestões de ações complementares Seguem algumas ações que podem ser feitas pelo grupo, como expressão de gratidão e de contribuição para a missão: • Visitar um lar de pessoas idosas. • Desenvolver campanha de arrecadação de alimentos ou roupas.
• Desenvolver campanha de arrecadação de brinquedos educativos e de livros para crianças. • Visitar pessoas idosas e pessoas com deficiência. • Visitar pessoas doentes. • Assumir o compromisso de ofertar com o coração alegre e agradecido.
Oração
Encontre a partitura em: www.luteranos.com.br/textos/sabes-senhor-o-quetemos-e-tao-pouco-pra-dar. Ouça o canto em: https://www.youtube.com/watch?v=rHt_Z8uU1-o.
Bênção Encerre o encontro com a seguinte benção:
Material: uma vela para cada participante, pano na cor do tempo litúrgico. Disponha as velas apagadas, em forma de coração, sobre o pano. Forme um círculo com o grupo. Motive os jovens e as jovens a partilharem motivos de agradecimento ou de intercessão, acendendo uma vela. Ao final convide para a oração do Pai Nosso, com fé de que Deus acolhe os pedidos e os agradecimentos que estão em nossos corações.
Quando você abraça o movimento do amor, sua vida é fortalecida. Quando você abraça o movimento do amor, o amor está em você. Você terá a plenitude da vida, pois amar é o objetivo da vida. Então, abençoe-nos Deus, fonte da vida, para que possamos ter uma fé ativa no amor. Amém.
Canto Leia ou faça cópias da letra do canto Sabes, Senhor, o que temos é tão pouco para dar, de Lindbergh Pires. Estr.: Sabes, Senhor, o que temos é tão pouco pra dar, mas este pouco nós queremos como irmãos compartilhar. 1. Queremos nesta hora, diante dos irmãos, comprometer a vida, buscando a união. 2. Sabemos que é difícil os bens compartilhar, mas com a tua graça, Senhor, queremos dar. 3. Olhando o teu exemplo, Senhor, vamos seguir fazendo o bem a todos, sem nada exigir.
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Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Pa. Claudete Beise Ulrich Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – novembro de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Vocação: missão (im)possível
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
soa feliz e plena. Tal visão influencia significativamente na decisão de jovens que estão (prematuramente) prestes a decidir qual caminho irão seguir, o que irão fazer nos próximos anos.
O que você vai ser quando crescer? Desde criança ouvimos a famosa indagação: “o que você vai ser quando crescer?” Em nossa maior sinceridade, respondemos conforme os nossos desejos mais íntimos. Por vezes, desejamos ser bailarinos, bailarinas, garis, médicos, médicas, cozinheiros, cozinheiras, cantores, cantoras e uma infinidade de outras profissões que vivenciamos e admiramos todos os dias. A juventude se aproxima e eis que nossa decisão precisa ser tomada. Somos cobrados e cobradas, constantemente, pela escola, pela família, pela mídia e pela sociedade: “Está estudando?”, “Já fez a inscrição do ENEM?”, “E o vestibular? Já decidiu o que vai fazer?”. E, então, em um tempo de intenso desenvolvimento (aos 17 anos, geralmente), temos que decidir o que vamos ser “quando crescer”.
Vocação, expectativas e realidade Constantemente nos deparamos com jovens vivenciando o dilema da vida pré -universitária. Muita gente vive “entocada” em seus espaços de estudos, escolas e bibliotecas, devorando livros e mais livros, buscando atender às exigências do sistema escolar e, por muitas vezes, de seus pais e mães. Infelizmente, cada vez mais, a sociedade considera uma pessoa bem-sucedida aquela que tem muitos bens e uma conta bancária bem recheada, e não uma pes-
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Da mesma forma que algumas pessoas jovens são extremamente cobradas para decidir tal coisa, outras já descobriram sua vocação e têm seus sonhos interrompidos (mesmo que temporariamente) por razões diversas. Geralmente, a principal razão pela qual a maioria das pessoas jovens não segue seus desejos para o futuro é a difícil situação financeira da família, que permite, apenas, um curso diferente, mais “em conta” e na própria cidade. Às vezes, nem permite tal opção, e a pessoa jovem precisa dedicar a remuneração do seu trabalho para auxiliar nas despesas da casa.
Seguir a vocação depende da decisão Precisamos decidir entre ir ou ficar, continuar estudando ou nos aperfeiçoar no trabalho que já realizamos, deixar nossos pais e mães, avós, companheiros e companheiras e partir para o desconhecido, entre comprometer ou auxiliar no orçamento familiar, entre muitas outras questões. A decisão é a parte primordial nesse momento. O diálogo com a família é de suma importância para essa tomada de decisões. Somos influenciados e influenciadas, significativamente, pelas pessoas que estão próximas a nós. É comum nos espelharmos em pessoas que admiramos e tendermos a segui-las. No tempo em que Jesus iniciou sua caminhada pela Galiléia, as pessoas também precisavam tomar diversas decisões. Quando Jesus chamou os primeiros discípulos para segui-lo (Lucas 5.1-11), eles precisaram tomar uma decisão, visto que deixariam para trás suas famílias e o trabalho que já exerciam.
Os discípulos abandonaram as atividades que realizavam, motivados pelo desejo de seus corações em “pescar gente” e por estarem maravilhados com o poder do Filho de Deus. Provavelmente, os discípulos já tinham ouvido falar de Jesus (Lucas 4.14) e confiar nele foi decisivo para descobrirem suas vocações. A exemplo dos discípulos, somos chamados e chamadas a confiar na ação transformadora de Deus. Somo chamadas e chamados para agir em prol de nosso próximo e nossa próxima por meio de nossa vocAÇÃO!
Saiba mais Dica de leitura • EHLERT, Heinz. Vocação de pe(s)cadores para a obra de Jesus. In: Proclamar Libertação: auxílios homiléticos. 9.v. Disponível em: <http://www.luteranos. com.br/textos/lucas-5-1-11>. Acesso em 28 set. 17. Dicas de hinos • Dá-nos olhos claros (Hinos do Povo de Deus, nº166) • O profeta (Hinos do Povo de Deus, nº 323) • Pedro, Pedro, Pedro (Hinos do Povo de Deus, nº448) * A letra e a partitura dos hinos mencionados estão disponíveis no Portal Luteranos: http://www.luteranos.com.br/textos/hinos-do-povo-de-deus
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Leitura Bíblica: Lucas 5.1-11
Vocação não é só para quem quer trabalhar na igreja Inicie o estudo com um momento de diálogo. Pergunte às jovens e aos jovens o que entendem por “vocação”. Em seguida, comente brevemente sobre o significado desse termo a partir da seguinte explicação:
Convide o grupo para a leitura bíblica, destacando trechos que mais chamaram atenção. Após a partilha das impressões, explique que, a partir do chamado de Jesus, somos convidados e convidadas a refletir sobre a nossa vocação e quais as barreiras que nos impedem de segui-la.
Dinâmica: A realidade que tenho e sonho Material: Livros e revistas para recortar, tesouras, cola, caneta hidrocor, papel pardo ou cartolina confeccionar para um painel.
Vocação é um termo derivado do verbo latino “vocare”, que significa chamar. Segundo o dicionário da língua portuguesa, é uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva a pessoa a exercer determinada carreira ou profissão. Vocação é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades que estão associadas aos seus desejos de seguir determinado caminho.
Desenvolvimento: Peça que cada pessoa jovem procure em revistas e jornais uma ou duas imagens que a represente atualmente, recortando-as.
Assim, vocação não está ligada apenas ao lado espiritual e nem é só para quem quer trabalhar na igreja! Toda pessoa é vocacionada por Deus através do batismo para anunciar a boa nova do Evangelho. Além disso, a vocação é o desejo do nosso coração em realizar determinada atividade, visando o desenvolvimento e o bem da sociedade, em qualquer âmbito.
Após todos e todas terem escolhido suas respectivas imagens, peça que cada jovem cole sobre o painel a sua figura (em qualquer uma das extremidades ou sobre a ponte), representando, assim, a distância que cada um e cada uma acredita estar de sua vocação.
Nossa vocação se baseia em servir o próximo e a próxima em suas necessidades, através das habilidades que nos foram dadas por Deus – de graça e por meio do Espírito Santo. Martim Lutero, em sua época, já compreendia isso. Conta-se que um sapateiro perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir bem a Deus e ser um cristão melhor. A resposta foi: “Faça um bom sapato e venda por um preço justo”.
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Enquanto isso, desenhe no papel pardo ou na cartolina uma ponte e suas duas extremidades de terra. Em um dos lados escreva “realidade” e no outro lado escreva “sonho/vocação”.
Peça que compartilhem com o grupo os motivos e as barreiras que os e as mantêm distantes de suas vocações. Escreva as contribuições no painel. Incentive as pessoas participantes a sugerirem ações que possam diminuir essa distância e como colocá-las em prática. Se todo o grupo está certo de sua vocação, incentive a pensar em ações que possam auxiliar outras pessoas no processo de decisão e na descoberta de sua vocação.
Atividade complementar
Expediente:
Caso seu grupo seja formado por pessoas jovens que, em sua maioria, ainda não descobriu suas vocações, uma outra atividade pode ser fazer um teste vocacional. Entre os vários testes disponíveis na internet está o Guia do Estudante, da Editora Abril, que é gratuito. Basta fazer um cadastro e responder a algumas perguntas. Ele está disponível neste link: http://testevocacional.guiadoestudante.abril.com.br/ Vale lembrar que os testes vocacionais indicam profissões conforme suas aptidões, e as mesmas, embora não determinantes, devem ser consideradas no processo de reflexão sobre a vocação.
Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Taelyne Andressa Greef Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – outubro de 2017
Oração final
Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
Encerre o encontro com uma oração. Eis uma sugestão: Senhor, nosso Deus, tu nos enviaste para a grande viagem, a viagem de nossas vidas. Nós te pedimos: fique ao nosso lado durante o caminho – um caminho que passa por montes, mas também por vales escuros. Não permita que nos cansemos e nos dá a força e a coragem necessárias para que alcancemos o destino em direção ao qual caminhamos. Auxilia-nos em nossa vocação e que possamos ser teus instrumentos neste mundo. Em nome de Jesus, teu filho amado. Amém.
Bibliografia: BRAKEMEIER, Gottfried. Confessionalidade Luterana: manual de estudos. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2010. SIEGLE, Carmen Michel; WITT, Maria Dirlane (Orgas.). Dinâmicas para escolas e comunidades. São Leopoldo: Sinodal, 2016. SILVA, João Artur M. da. (Org.). Orações: para diferentes momentos da vida. São Leopoldo: Sinodal, 2011. .
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Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
30 Sou pedra: Que pedra sou?
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Quem nunca? Você gosta de ler biografias (aqueles livros que falam a respeito da vida de pessoas) ou assistir filmes que retratam histórias de vida? Costuma folhear revistas ou acessar sites de fofocas de celebridades? Já deu uma “espiadinha” em reality shows como Big Brother Brasil? Pois bem, se você respondeu sim a alguma dessas perguntas, você é pessoa normal! A curiosidade pela vida das outras pessoas é característica humana. Aliás, nós aprendemos muitas coisas na vida assim: vendo como as outras pessoas fazem, aprendendo com seus erros e com seus acertos. Também podemos satisfazer esta curiosidade natural e aprender muito com a vida das pessoas que estão relatadas na Bíblia. Nesse estudo, vamos conhecer um pouco mais sobre a vida de Pedro, um dos discípulos de Jesus Cristo. O nome dele foi mudado pelo próprio Cristo: Pedro chamava-se Simão. Por Cristo, Simão se tornou Pedro (João 1.42).
Sou Pedro: por Cristo! Cristo transformou Pedro: Simão, um pescador humilde, teve seu nome mudado para Pedro quando Jesus o convidou para ser “pescador de gente” (Lucas 5.1-11). Pedro sempre se esforçou em ser um bom discípulo. Procurava, inclusive, estar à
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frente do grupo, sendo, em muitos momentos, a liderança: foi ele quem pediu a Jesus para andar sobre as águas (Mateus 14.28); foi ele quem cortou a orelha do soldado que queria prender Jesus (João 18.10); foi ele quem disse que estaria com Cristo até o fim (Marcos 14.29); foi ele quem pediu para que Jesus lavasse não somente seus pés, mas suas mãos e a sua cabeça (João 13.9). Mas também foi Pedro quem afundou nas águas por desviar seu olhar de Jesus; foi ele quem negou Jesus três vezes e foi para ele que Jesus gritou: “Sai de perto, Satanás, porque tu não estás pensando de acordo com a vontade de Deus!” (Mateus 16.23). Foi a ele que Cristo disse que seu Reino não será instaurado através de espada e violência. Durante todo o período em que conviveram, Jesus Cristo agiu para transformar aquele homem rude, pouco instruído, de temperamento explosivo e impulsivo, em seu discípulo fiel. Pedro, que significa “pedra”, se comportou muitas vezes como pedra de tropeço, mas, no final, a vontade de Cristo venceu: Pedro se tornou pedra de construção da Igreja Cristã. Na história da crucificação de Jesus, Pedro o negou por três vezes. Mas depois que Jesus ressuscitou, subiu ao céu e o Espírito Santo foi enviado, Pedro testemunhou a mensagem do Reino de Deus com coragem e determinação. Assim foi a vida de Pedro: intensa, cheia de altos e baixos, acertos e erros. Tanto nas alturas, como nas profundezas de suas experiências, Cristo estava com ele. Nesse sentido, a letra “P” no nome desse homem é sinal de transformação: P de por Cristo. Por Cristo, Simão tornou-se Pedro, o apóstolo. Por Cristo, Pedro passou de pedra de tropeço à pedra de construção!
Saiba mais Dicas de leitura • CAIN, Susan. O poder dos quietos: como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar. Rio de Janeiro: Agir, 2012. • CULLMANN, Oscar. Pedro - Discípulo, Apóstolo e Mártir. 2.ed. São Paulo: ASTE, 2014. Dicas de hinos • Pedro (Hinos do Povo de Deus - nº 448) • Senhor, se tu me chamas (Hinos do Povo de Deus – nº 413) • Senhor, eu quero amar-te (Hinos do Povo de Deus – nº 452) * A letra e a partitura dos hinos mencionados estão disponíveis no Portal Luteranos: http://www.luteranos.com.br/textos/hinos-do-povo-de-deus
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Leitura bíblica: Mateus 14.22-33
Somos pedra, como Pedro Sensibilização: Ser pedra Material: pedras de tipos (brutas, polidas) e tamanhos diferentes em número suficiente para cada participante. Mostre para o grupo diferentes tipos e tamanhos de pedras e compare as pedras mais “brutas” (com mais saliências) com as pedras mais polidas. Comente que o processo de lapidação das pedras implica em atrito. Sem atrito não há como diminuir as saliências da pedra. De maneira semelhante, na vida das pessoas ocorre um processo de lapidação do caráter e da personalidade. Esse processo, por vezes, também passa por atritos, ou seja, conflitos consigo mesmo ou consigo mesma, com outras pessoas e com o meio em que se vive. Assim como o atrito molda a pedra, as dificuldades formam a pessoa, por isso são parte de seu processo de amadurecimento. É geralmente nos períodos de mais atritos e conflitos que mais crescemos. Não precisamos ter medo desses períodos, mas enfrentá-los com fé, permitindo que eles nos formem e reformem. Tudo leva tempo e a fé nos ajuda a passar por este processo que pode ser doloroso, mas, também, necessário e compensador. Partilha: Peça que cada jovem escolha uma pedra conforme o momento de “lapidação” pelo qual está passando. Em seguida, motive para a partilha no grupo. Destaque que cada pessoa tem liberdade para falar sobre o motivo de sua escolha. Independente do que for comentado, relembre a necessidade de respeito e confiança que precisa haver no grupo com relação ao que é compartilhado. Se preferir, forme grupos com 4 ou 5 jovens para realizar essa atividade.
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Convide alguém para fazer a leitura de Mateus 14.22-33. Em seguida, motive o grupo a dialogar sobre suas impressões do texto e, principalmente, sobre as atitudes de Pedro. Perguntas que podem ajudar: • Quais foram as atitudes de Pedro nesse encontro com Jesus? • O que fez a coragem de Pedro ir “água abaixo”? • Vocês já receberam a ajuda de alguém num momento de necessidade? Como foi? • Como percebemos alguém “afundando” na vida? O que podemos fazer nessa situação? Comentário: Prossiga com o estudo explicando, brevemente, quem foi Pedro. Para isso, use os subsídios da seção PALAVRA. Enfatize que, pela fé, Pedro foi transformado. Tal transformação foi tão intensa que seu nome foi mudado de Simão para Pedro, que significa “pedra”. Em alguns momentos, a fé de Pedro era tão forte que ele foi elogiado por ser uma das primeiras pessoas a reconhecer e confessar que Jesus era o Cristo, o filho de Deus (Lucas 8.20). No entanto, em outras vezes, ele teve medo, duvidou e chegou a negar que conhecia Jesus. Assim como Pedro, a vida tem altos e baixos. Mesmo que tenhamos fé e oremos a Deus, podemos errar e encontrar situações em que nada parece dar certo. Nessas situações, precisamos colocar nossa confiança em Deus. A ação de Deus muda nomes, muda relacionamentos, muda situações, muda vidas! Foi assim com Pedro e pode ser assim conosco também. O próprio apóstolo Pedro disse, em uma de suas cartas: “Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês” (1 Pedro 5.7).
Dinâmica: Medidor de estresse
Assim como o nome e a afirmação “Por Cristo” borraram uma a outra, a fé em Deus “borra”, ou seja, marca a vida de quem crê. O nome não deixa de ser nome, nem a afirmação é modificada em seu significado, mas ambos se misturam, estão simultaneamente presentes. A partir disso, que aspectos da sua vida são ou podem ser “borrados” ou transformados pela fé? (Aguarde as reações do grupo). Ser jovem de fé cristã luterana é entender a si como uma pessoa composta de simultaneidades: boa e ruim, forte e fraca, capaz e incapaz, justa e pecadora. Deus está conosco em todas essas dimensões e nos desafia a usar todo o nosso ser para a prática do bem e da justiça.
Oração final
Material: Tarja de papel com espessura fina e canetinha colorida para cada pessoa, bacia com água. Desenvolvimento: Distribua as tarjas de papel e as canetinhas para as pessoas. Peça que cada jovem escreva em um dos lados da tarja a afirmação “Por Cristo” e, no outro lado, no mesmo lugar da afirmação, o seu primeiro nome. Em seguida, coloque a bacia com água no centro do grupo e peça para que coloquem as tarjas sobre a água. Motive para observarem o que acontece com o papel e as palavras escritas – em instantes, ficarão borradas. Após, comente:
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Encerre o estudo com oração, que pode ser feita da seguinte forma: Forme um círculo com o grupo. Peça que cada jovem estenda seu braço direito para frente de forma que a palma da mão fique aberta e para cima. Explique que esse gesto simboliza que Jesus Cristo é o braço que nos ampara e ajuda a perseverar na vida e na fé. Em seguida, convide para que a pessoa do lado direito coloque sua mão esquerda sobre a palma da mão da direita da pessoa que está ao seu lado. Explique que a mão esquerda com a palma da mão virada para baixo sobre a mão da pessoa ao lado simboliza a transmissão do amor ao próximo e à próxima, pois esta é a mão do coração. Digira a oração final ou convide o grupo para orar em conjunto o Pai Nosso.
Bibliografia: DREHER, Martin Norberto. De Luder a Lutero: uma biografia. São Leopoldo: Sinodal, 2014. Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: P. Samuel Gausmann Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – setembro de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
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Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
A família de Jesus: tão humana como a nossa! Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Humanizando a família Antes de mais nada, uma informação libertadora: não existe a família do comercial de margarina! Essa ideia que a mídia nos vende de “família perfeita” está moldada nos parâmetros mercadológicos e, definitivamente, muito longe da realidade dos nossos lares. Muitas vezes as igrejas seguem essa mesma linha, criando um ideal de família cristã distante do que a nossa humanidade “simultaneamente justa e pecadora” é capaz de ser. Fala-se da “família cristã” que deveria seguir os moldes da família de Jesus. Mas seria a família de Jesus livre de conflitos e desentendimentos, tão comuns a qualquer instituição humana?
A família no tempo de Jesus No Antigo Testamento não existe palavra que corresponda precisamente ao moderno termo “família”. A palavra que mais se aproxima é Bêth, termo que significa “casa” e que passou a significar “grupo de pessoas”. No tempo de Jesus, a família era composta por pessoas unidas ao mesmo tempo pela relação de sangue e pelo local de habitação. Dessa maneira, um grupo familiar poderia abranger diversas gerações, além dos servos e das servas, e possíveis estrangeiros e estrangeiras, que morassem junto com o clã.
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Na família judaica, o “pai” (a pessoa mais velha do sexo masculino) era detentor da lei, de forma que as decisões em nome da família eram de sua responsabilidade. Porém, a mãe tinha uma posição elevada se comparada com a de outras nações da época. Isso talvez seja vestígio de um tempo em que o matriarcado era a estrutura familiar dominante. Vale ressaltar que, para os filhos e as filhas, a mãe era tão digna de honra quanto o pai, como nos atesta o quarto mandamento. Jesus mesmo, como fruto da sociedade de seu tempo, deu o exemplo e se fez obediente a seu pai e a sua mãe (Lucas 2.51).
Jesus e sua família Jesus conhecia muito bem a realidade familiar de seu tempo. Sua própria família seguia tal configuração, como nos exemplificam as genealogias presentes em Mateus 1.1-17 e Lucas 3.23-38. Os evangelistas citam que Jesus tinha vários irmãos e irmãs (Marcos 3.32; 6.1-3; João 2.12). Na compreensão evangélico-luterana, o fato de Maria ter tido outros filhos e filhas não muda ou altera em nada a missão do Cristo, mas revela o quanto a sua família foi definitivamente humana. A passagem de Marcos 3.20-22,31-35 reflete grandes tensões entre Jesus e seus familiares. Quando anunciada a chegada de sua família, Jesus reage, questionando a multidão que estava ao seu redor: “Quem é a minha mãe? E quem são os meus irmãos?” (v. 33). Ele mesmo responde: “quem faz a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (v. 35). Com isto, fica claro que não é a origem, e sim, a participação em um mesmo projeto de vida que vincula profundamente os seres humanos. O parentesco ou a proximidade física e cultural não podem substituir a livre adesão às palavras e à pessoa de Jesus. A participação no Reino de Deus não se fundamenta na consanguinidade. Quem faz a vontade de Deus se torna mãe, irmão e irmã de Jesus. O Cristo se sente próximo e familiar de todas as pessoas que se deixam envolver em sua missão.
Saiba mais Dicas de leitura • GIDDENS, Anthony. Mundo em descontrole. Rio de Janeiro: Record, 1999. (O capítulo 4 traz uma reflexão sobre a família na atualidade). • TORRES, Juliana Barbosa; YACOUB, Giselle Picorelli. As relações familiares na Contemporaneidade. Disponível no link: http://www.aninter.com.br/ ANAIS%20I%20CONITER/GT17%20Estudos%20de%20fam+%A1lia%20 e%20gera+%BA+%C1es/%D4%C7%A3AS%20RELA+%E7+%F2ES%20 FAMILIARES%20NA%20CONTEMPORANEIDADE%20CONFLITOS%20E%20 SOLU+%E7+%F2ES%D4%C7%D8%20-%20Trabalho%20completo.pdf Dicas de filmes • A Família Savage. Gênero: Drama/Comédia dramática. Direção de Tamara Jenkins. EUA. Fox Filmes, 2007. Duração: 113 min. Classificação indicativa: 12 anos. • Acontece nas melhores famílias. Gênero: Comédia dramática. Direção de Fred Schepisi. EUA. Buena Vista, 2003. Duração: 109 min. Classificação indicativa: 14 anos.
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O objetivo é ajudar o grupo a perceber que o modelo apresentado nos comerciais muitas vezes não é o da grande maioria das famílias e de que há, sim, discordâncias e conflitos.
Dinâmica: Medidor de estresse
Minha família é nOrMaL
Material: Um balão colorido para cada jovem.
Sensibilização
Objetivos: Conscientizar que existem situações geradoras de estresse na família, muitas dessas provenientes de superproteção familiar. Perceber que ansiedades e irritações podem atrapalhar o relacionamento familiar, pois, de tanto “encher a paciência”, a outra pessoa poderá “explodir”.
Inicie o estudo com um bate-papo questionando o modelo de família “perfeita”. Convide o grupo para assistir a alguns “comerciais de margarina”, ou seja, que mostram famílias sorridentes e, aparentemente, sem nenhum problema. Alguns links que podem ajudar: • https://www.youtube.com/watch?v=Vg7pMu6qA5c • https://www.youtube.com/watch?v=7__qc_HsTBc • https://www.youtube.com/watch?v=6VmF80YvO2Q Em seguida, questione o grupo sobre o padrão de família apresentado nesses comerciais. Algumas perguntas que podem ajudar: • • • •
Os comerciais retratam fielmente o dia a dia das famílias? Que elementos diferenciam ficção e realidade? Há identificação com alguma das famílias apresentadas? Como definir uma família “normal”?
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Desenvolvimento: Entregue um balão para cada jovem. Após, dê a seguinte orientação: Cada um e cada uma de vocês recebeu um balão. O balão será um “medidor de estresse”. Vamos medir o nível de estresse existente dentro de sua família proveniente das ansiedades e irritações do dia a dia. Algumas perguntas serão feitas e, para responder, faça a ação que corresponda a sua resposta: A. “Não me estresso” – não fazer nada B. “Me estresso um pouco” – dar um sopro no balão C. “Me estresso bastante” – dar dois sopros no balão D. “Me estresso muito e estou a ponto de explodir” – dar três sopros no balão Perguntas: Você se estressa quando alguém da sua família... 1. ... se atrasa? 2. ... deixa as suas coisas bagunçadas? 3. ... não lhe avisa sobre algo importante?
4. ... lhe manda cumprimentar a visita? 5. ... está nervoso ou nervosa com o trabalho? 6. ... não tem tempo para você? 7. ... se esquece dos compromissos? 8. ... não cumpre ou adia promessas? 9. ... reclama demais? 10. ... não respeita o seu espaço? 11. ... fica teimando? 12. ... se fecha para o diálogo? 13. ... só vê os seus defeitos? 14. ... não entende seu ponto de vista? 15. ... lhe cobra demais? Dica: Altere ou acrescente outras perguntas conforme o contexto do grupo de jovens. Diálogo: A partir da experiência, motive o diálogo partindo dos seguintes questionamentos: • Quem anda mais estressado ou estressada com a família? Por quê? • O que você pode fazer para se estressar menos com estas e outras situações? • Como ter menos irritações e melhorar o relacionamento familiar?
Em seguida, leia com o grupo apenas a passagem de Marcos 3.31-35, questionando: Como vocês avaliam a atitude de Jesus para com a sua família? Proporcione um tempo de partilha das respostas, ajudando o grupo a perceber a tensão que havia entre Jesus e a sua família. Logo após, leia Marcos 3.20-22, elucidando o porquê da tensão familiar. Para isso, pergunte: Qual era a tensão existente entre Jesus e sua família? Como se pode entender a ação da família de Jesus? A família de Jesus, assim apresentada, tem ligação com o dia a dia da nossa família? Comentário: A passagem de Marcos 3.20-22,31-35 reflete uma tensão entre Jesus e seus familiares. A sua família, ouvindo acerca dos acontecimentos, supôs que ele tivesse sido mentalmente afetado (“louco”, v. 21). Tal julgamento sobre Jesus pode ter sido motivado pela sua atividade e o modo de se comportar, que fugia dos esquemas e modelos comuns. Soma-se também a acusação dos escribas dele estar possesso (v. 22). Sua família talvez temia que essa maneira de Jesus agir comprometesse o bom nome do clã familiar. Certamente, seus familiares pensaram estar fazendo um ato de misericórdia ao prender Jesus e o levar para casa. É certo que não foram até ali a fim de atrair a atenção do povo. Pelo contrário: queriam livrar Jesus de sua suposta insanidade, bem como das ameaças das autoridades religiosas. Sua intenção era honesta. Esse incidente na vida de Jesus ilustra quão pouco a sua própria família o compreendia e também quão pouco compreendia a sua missão.
Leitura bíblica: Marcos 3.20-22, 31-35
Atividade complementar
Antes da leitura bíblica, teça um breve comentário sobre o conceito de família na época de Jesus a partir dos subsídios presentes na seção PALAVRA.
É importante também oportunizar espaço para se pensar formas de superação dos conflitos familiares. Não basta afirmar a existência dos conflitos e a imperfeição das relações humanas. A partir da contribuição das pessoas jovens, é importante tecer um olhar positivo, com o intuito de vislumbrar relações com mais paz, compreensão e reconciliação.
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A partir do diálogo no grupo, uma sugestão é elaborar, juntamente com o ministro ou a ministra, uma celebração especial ou um culto jovem que aborde a temática “reconciliação familiar”. Outra opção é pesquisar sobre como a família foi retratada em pinturas de diferentes épocas, em diferentes países e por diferentes artistas. A partir disso, será possível perceber como o cotidiano familiar era retratado nas obras, revelando a harmonia e as tensões existentes nas famílias. Nesse sentido, pode-se incluir como a família de Jesus é retratada em diferentes pinturas.
Bibliografia: VILLAR, Evaristo. Família: As alternativas de Jesus e do Evangelho de Marcos. CEBI: São Leopoldo, 2015. STOEGER, Alois. O Evangelho Segundo Lucas. Petrópolis: Vozes, 1973.
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Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: P. Gerson Acker Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – agosto de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Débora: promotora de justiça
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Quando, porém, olhamos para Deus e para as experiências de justiça divina a partir da Bíblia, percebemos outra face de justiça. Uma justiça que nasce da fé (Romanos 1.17), da bondade (Salmos 33.5), da misericórdia (Mateus 9.13) e da promoção da dignidade de vida (João 10.10). A justiça de Deus sempre nos conduzirá a olhar, conhecer e respeitar a vida da outra pessoa (Mateus 22.39).
Alguém sabe o que é justiça?
Para entendemos melhor sobre a justiça de Deus vamos saber mais sobre Débora, uma mulher justa!
Queremos justiça! Essa é uma exclamação que muitas pessoas fazem no dia a dia a partir de suas vidas e experiências. Outros exemplos seguem nessa mesma direção:
Débora, mulher líder e justa
Não é justo que eu trabalhe e aquela pessoa ganhe ajuda! A justiça só deve ajudar as pessoas de bem! Não é justo que eu faça tudo certo, mas é na vida das outras pessoas que tudo dá certo! A justiça tem que ser feita, se matou tem que morrer também!
Mas o que afinal é justiça? Quando olhamos ao nosso redor, vemos pessoas defendendo suas opiniões a partir da justiça humana. Essa justiça, muitas vezes, parte da ideia de defender os próprios pensamentos e verdades sem se importar com a história e a vida das outras pessoas. Por exemplo, quando se entende que somente a pessoa que trabalhou pelo alimento pode comê-lo, consequentemente se afirma que a pessoa que não trabalhou está impedida de comer. Logo, é injusto que uma pessoa coma da comida pela qual outra trabalhou.
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Débora é uma das personagens bíblicas mais intrigantes do Antigo Testamento. Sua história se encontra no livro de Juízes, capítulos 4 e 5, e releva a presença de respeito entre homens e mulheres, que tantas vezes é apagada ou passa despercebida na História. O cântico de Débora, presente no capítulo 5, é considerado um dos textos mais antigos da Bíblia. Débora era profetisa (enviada por Deus), juíza (liderança política) e grande líder. Viveu e atuou no período entre a chegada do povo israelita à terra prometida, Palestina, e a formação do Reino de Israel. Ela era tão carismática e forte que era chamada “mãe de Israel”. Por ser profetisa e mulher de grande fé, Débora percebia as injustiças vividas pelo povo camponês de Israel, que sofria pela cobrança de tributos abusivos por parte do grupo governante. A partir disso, ela instigava o povo a não aceitar as injustiças e a exploração, que o levava a passar necessidades. Suas palavras motivaram o povo a defender seus direitos e a buscar de volta aquilo que lhe foi pego de forma desonesta. Em parceria com Baraque, Débora organizou o povo para a batalha, defendendo a justiça, os direitos e a vida das pessoas. Essas pessoas, motivadas
pela ação de Deus junto às suas antepassadas, seguiram com fé e venceram a batalha.
Saiba mais
Com o exemplo de Débora somos motivadas e motivados a agir para que a justiça humana se aproxime cada vez mais da justiça de Deus.
Dicas de sites Confira algumas ações que inspiram e promovem a justiça de Deus no Brasil acessando: • Portal Luteranos, Página “Diaconia” (http://luteranos.com.br/organizacao/ missao-diaconia). • Fundação Luterana de Diaconia (http://fld.com.br/). Dicas de hinos • O profeta (Hinos do Povo de Deus 2, nº 323) • Gente que espera (Hinos do Povo de Deus 2, nº 440) • Pelas dores deste mundo *A letra, partitura e cifras desses e de outros hinos da Igreja estão disponíveis no Portal Luteranos, Página “Música na IECLB”, aba “Mais”: http://www.luteranos. com.br/organizacao/celebracao-musica
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DesCobrir as injustiças (1)
Percebendo a (in)justiça Sensibilização A partir do exemplo de Débora, somos desafiadas e desafiados a olhar para a nossa realidade e enxergar quais as injustiças que estão ao nosso redor. Como grupo de jovens, podemos percebê-las, denunciá-las e agir para a promoção da justiça.
Leitura bíblica: Juízes 4.4-5 e 5.1-9,31 Faça a leitura bíblica. Após, pergunte ao grupo o que mais lhe chamou atenção no texto. Finalize com um breve comentário a partir dos indicativos presentes na seção PALAVRA deste estudo.
Opções de dinâmicas: Realize uma ou mais das dinâmicas sugeridas, levando em conta as características e necessidades do grupo. O objetivo comum das dinâmicas é que as pessoas jovens sensibilizem seu olhar para perceber as injustiças do cotidiano. Desta forma poderão, como Débora, falar e ajudar a superar as injustiças que temos em nossas comunidades e cidades.
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Material: folhas de papel ou cartolina, canetões para cartaz, imagens de pinturas de Candido Portinari, encontradas no Anexo 1: Favela, Grupo com Homem Doente, Retirantes, Criança Morta, Guerra e Paz. As imagens podem ser projetadas com uso de computador e projetor ou impressas. Caso houver acesso à Internet, as obras podem ser pesquisadas e visualizadas no celular. Desenvolvimento: Faça um breve comentário sobre o artista Candido Portinari: Candido Portinari foi um pintor brasileiro que procurou retratar a realidade vivida pelas pessoas de sua época. Nasceu em 30 de dezembro de 1903, em São Paulo, e faleceu em 6 de fevereiro de 1962. Por meio de cores fortes, expressou em suas obras as contradições sociais existentes, colocando em evidência o cotidiano dos grupos que mais sofriam e tematizando as injustiças sociais. Em seguida, reúna os jovens e as jovens em até 5 grupos. Dependendo da realidade, podem ser dadas mais imagens para o mesmo grupo ou ainda analisar todas as obras em conjunto. Desafie os grupos a analisarem as obras de Portinari a partir das seguintes perguntas: • Qual injustiça social está em evidência na imagem? • De onde surge esta injustiça? • Qual minha posição como pessoa cristã frente a esta injustiça? • Como, a partir da fé e do exemplo de Débora, podemos propor ações para resolver esta injustiça? Após alguns instantes, motive para a partilha das reflexões. Essa partilha pode ser feita por meio de exposição oral, vídeo curto, cartaz ou cena estática.
DesCobrir as injustiças (2)
DesCobrir as injustiças (3)
Material: Folhas com a letra da música Eu só peço a Deus (Original Sólo le pido a Dios), cantada por Mercedes Sosa e Beth Carvalho (Anexo 2), 1 caneta ou lápis de cor para cada jovem, áudio ou vídeo com a referida música (Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=tz9AqH-Mqu8), equipamento para reprodução da música.
Material: Dados disponíveis nos anexos 3 e 4.
Desenvolvimento: Divida os jovens e as jovens em grupos de até 5 pessoas. Entregue para cada grupo a letra da música e peça que leiam o texto e destaquem as injustiças sociais que aparecem. Realizada a atividade, comente: Essa música foi escrita pelo cantor e compositor argentino León Gieco na década de 1970, época de ditadura militar na Argentina. Foi gravada por Mercedes Sosa em 1983, sendo traduzida para mais de 50 idiomas, dentre eles o português, na voz de Beth Carvalho. Nessa música, o autor procurou retratar sua profunda tristeza pela situação em que vivia seu país de origem e a expectativa de que não precisasse novamente viver exilado diante da realidade existente. Em seguida, convide os grupos para conversarem sobre as seguintes perguntas: • Quais as consequências das injustiças na vida das pessoas jovens? • Quais precisam ser a nossa voz e ação profética, a exemplo de Débora, nestes casos de injustiças? Motive à partilha das impressões em plenária.
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Desenvolvimento: Convide o grupo a formar um círculo e sentar no chão. Mostre os dois dados e explique que um possui temas ligados à vida humana digna e o outro contém diferentes grupos de pessoas. Motive duas pessoas a iniciarem o exercício, jogando, cada uma, um dos dados. Após, peça que juntas identifiquem e falem no grupo como percebem a relação entre o público e o tema selecionados nos dados (por exemplo: educação e crianças). Instigue o grupo a dialogar sobre possíveis situações de injustiça presentes nessa relação e como se pode intervir para a sua transformação.
Encerramento do encontro Oração Querido Deus, pedimos: Diante de alguém que passa fome, Diante de alguém que sofre humilhação na escola/faculdade/trabalho, Diante de alguém que vive com medo, Diante de alguém não tem acesso à educação de qualidade, Diante de alguém que sofre violência, Diante de alguém que vive discriminação por sua cor ou sua origem, Coloque pessoas sensíveis que possam ser braço estendido, olhar amoroso, ouvido atento. Dê coragem para que não nos conformemos com a injustiça, mas possamos falar e agir a partir do teu amor e misericórdia. Amém. Canto O Profeta (Hinos do Povo de Deus nº 323)
Bibliografia:
Expediente:
DREHER, Carlos A. A formação social do Israel pré-estatal: uma tentativa de reconstrução histórica a partir do Cântico de Débora (Jz 5). Tese de Mestrado. São Leopoldo: EST, 1984. RÖSEL, Martin. Panorama do Antigo Testamento: história, contexto e teologia. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2009. PROJETO PORTINARI. Disponível em: <http://www.portinari.org.br>. Acesso em 25 mai 2017.
Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Diác. Jaime José Ruthmann Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – julho de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
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Anexo 1
Favela Autor: Candido Portinari Data: 1957 FCO: 2102 CR: 4185 Técnica: Pintura a óleo/tela Dimensões: 46 x 55 cm Direito de reprodução gentilmente cedido por João Candido Portinari.
Grupo com Homem Doente Autor: Candido Portinari Data: 1958 FCO: 1689 CR: 4352 Técnica: Desenho a lápis de cor/papel Dimensões: 27 x 38 cm Direito de reprodução gentilmente cedido por João Candido Portinari.
Retirantes Autor: Candido Portinari Data: 1944 FCO: 2733 CR: 2054 Técnica: Painel a óleo/tela Dimensões: 190 x 180 cm Direito de reprodução gentilmente cedido por João Candido Portinari.
Criança Morta Autor: Candido Portinari Data: 1944 FCO: 2735 CR: 2057 Técnica: Painel a óleo/tela Dimensões: 180 x 190 cm Direito de reprodução gentilmente cedido por João Candido Portinari.
Guerra Autor: Candido Portinari Data: 1952 - 1956 FCO: 3799 CR: 3719 Técnica: Painel a óleo/madeira compensada Dimensões: 1400 x 1058 cm (aproximadas) Paz Autor: Candido Portinari Data: 1952 – 1956 FCO: 3798 CR: 3720 Técnica: Painel a óleo/madeira compensada Dimensões: 1400 x 953 cm (aproximadas) Direito de reprodução gentilmente cedido por João Candido Portinari.
Anexo 2 Eu só peço a Deus
Sólo le pido a Dios
Eu só peço a Deus, Que a dor não me seja indiferente Que a morte não me encontre um dia, Solitário sem ter feito o q’eu queria
Sólo le pido a Dios Que el dolor no me sea indiferente Que la reseca muerte no me encuentre Vacía y sola sin haber hecho lo suficiente
Eu só peço a Deus, Que a dor não me seja indiferente Que a morte não me encontre um dia, Solitário sem ter feito o que eu queria
Sólo le pido a Dios Que el dolor no me sea indiferente Que la reseca muerte no me encuentre Vacía y sola sin haber hecho lo suficiente
Eu só peço a Deus, Que a injustiça não me seja indiferente Pois não posso dar a outra face, Se já fui machucada brutalmente
Sólo le pido a Dios Que lo injusto no me sea indiferente Que no me abofeteen la otra mejilla Después que una garra me arañó esta suerte
Eu só peço a Deus, Que a guerra não me seja indiferente É um monstro grande e pisa forte, Toda a pobre inocência dessa gente É um monstro grande e pisa forte, Toda a pobre inocência dessa gente
Sólo le pido a Dios Que la guerra no me sea indiferente Es un monstruo grande y pisa fuerte Toda la pobre inocencia de la gente Es un monstruo grande y pisa fuerte Toda la pobre inocencia de la gente
Eu só peço a Deus, Que a mentira não me seja indiferente Se um só traidor tem mais poder que um povo Que este povo não esqueça facilmente
Sólo le pido a Dios Que el engaño no me sea indiferente Si un traidor puede más que unos cuantos Que esos cuantos no lo olviden fácilmente
Eu só peço a Deus, Que o futuro não me seja indiferente Sem ter que fugir desenganado, Pra viver uma cultura diferente
Sólo le pido a Dios Que el futuro no me sea indiferente Desahuciado está el que tiene que marchar A vivir una cultura diferente
Eu só peço a Deus, Que a guerra não me seja indiferente É um monstro grande e pisa forte, Toda a pobre inocência dessa gente É um monstro grande e pisa forte, Toda a pobre inocência dessa gente
Sólo le pido a Dios Que la guerra no me sea indiferente Es un monstruo grande y pisa fuerte Toda la pobre inocencia de la gente Es un monstruo grande y pisa fuerte Toda la pobre inocencia de la gente
Composição: León Gieco
Composição: León Gieco
Anexo 3
Imprima em folha mais grossa. Recorte na linha contĂnua. Dobre na linha pontilhada. Cole as abas para fechar o dado.
Crianças
Pessoas pobres
Jovens
Pequenos agricultores e pequenas agricultoras
Mulheres
Pessoas negras
Anexo 4
Imprima em folha mais grossa. Recorte na linha contínua. Dobre na linha pontilhada. Cole as abas para fechar o dado.
Respeito
Educação
Comida
Água
Saúde
Trabalho
Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Percebendo nossa finitude com Ana e Simeão Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Quando mais o tempo passa, mais tempo temos
A morte no contexto jovem Pesquisas apontam que as causas da maioria das mortes de pessoas jovens entre 15 e 29 anos no Brasil estão relacionadas à violência, acidentes de trânsito e suicídio. Segundo o “Mapa da Violência”, 58% dos homicídios ocorridos no Brasil em 2014 – ano mais recente abordado no documento –, foram de pessoas jovens, especialmente de pele negra. Outras causas de morte entre jovens são doenças como câncer, HIV e infecções respiratórias. A juventude é vista como época de felicidade, plena disposição e saúde. Ao mesmo tempo, essa fase da vida é permeada por medos, inseguranças e angústias, nos quais a pessoa jovem se vê desafiada a abandonar a identidade ainda ligada à infância para construir sua identidade adulta, seu “lugar no mundo”. Em meio a essas mudanças, ela experimenta mais liberdade. Esta liberdade, por sua vez, exige que faça mais escolhas, optando por comportamentos que podem levar à vida ou à morte. Ao mesmo tempo em que as pessoas jovens têm consciência de que a morte é irreversível, muitas vezes acabam optando por atitudes que apresentam algum risco à vida, talvez para reafirmar a força da própria vida. Nesse sentido, o tema da morte é algo que está presente no contexto jovem, devendo ser abordado também nessa fase da vida. Séries, jogos, filmes, músicas e fatos relacionados à temática podem ser instrumentos para se falar da morte, desde que com diálogo e acompanhamento necessário.
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Avanços na área da saúde e maior acesso a tratamentos eficazes fazem aumentar cada vez mais a expectativa de vida. Ao mesmo tempo, doenças como Parkinson, Alzheimer, câncer e acidentes cardiovasculares tornam-se mais comuns no cotidiano das famílias. Nestes casos em especial, o morrer e a morte muitas vezes são acompanhados de sofrimento e dor. Com frequência, provocam a pergunta pela dignidade da vida diante da doença, pela liberdade de escolha frente à aceitação de tratamentos e cirurgias e pela própria influência no processo do morrer e da morte. É inevitável que cada pessoa, em algum período da vida, tenha contato com a morte, momento em que a própria finitude vem à consciência. Perguntas do tipo “por que morrer?” e sentimentos como revolta e inconformidade com a morte são reações muito humanas. Sua importância deve ser considerada, mesmo que não se tenha soluções para elas. .
As expectativas de Simeão e Ana diante da morte Na Bíblia, no momento em que José e Maria levaram seu pequeno filho Jesus para ser apresentado no templo em Jerusalém, duas pessoas tiveram papel importante: Simeão e a profetisa Ana (Lucas 2.22-38). Ambos eram pessoas idosas e tinham uma expectativa de vida limitada. Isso, porém, não impediu que se alegrassem com o nascimento do menino tão esperado. O texto bíblico aponta que, por causa da promessa feita pelo Espírito de Deus, Simeão veria o Salvador antes de morrer. Ele tinha consciência de que, quando isso acontecesse, qualquer dia poderia ser o último de sua existência. Quando o menino Jesus é trazido até o templo por seu pai e sua mãe para ser apresentado e circuncidado, Simeão toma a criança no colo e diz: “Agora, Senhor, cumpriste
a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz” (Lucas 2.29). Ele sabia que agora poderia morrer, pois a promessa de Deus havia se cumprido. Simeão dava-se por satisfeito com tudo o que tinha vivido e entendia a morte e o morrer como algo natural para aquele momento da sua vida. Ele estava tranquilo, realizado e preparado para enfrentar a morte. Se, por um lado, Simeão refletiu a chegada de Jesus Cristo a partir de sua perspectiva – de sua própria finitude, dando por cumprida a sua missão –, a profetisa Ana encarou o fato a partir da missão de Deus. Mesmo tendo bastante idade, sua missão não estava cumprida, pois ela precisava dar um importante recado para todo o mundo. A ação relatada no texto bíblico indica seu sentimento de poder anunciar adiante o que estava acontecendo (Lucas 2.38). Era como se dissesse: “Ouçam, o Messias chegou! Deus seja louvado! Contem para todos e todas!”.
Passando a Palavra Como encarar a morte com naturalidade, como Simeão, e viver o tempo de vida com alegria e intensidade, como Ana? Eu e você iremos morrer! Contra esse fato, não podemos fazer nada. Mas também recebemos uma promessa: a de que toda pessoa que crê em Cristo terá a vida eterna, pois Ele é a ressurreição e a vida. Isso nos dá confiança para encarar a morte com naturalidade, mas também para valorizarmos ao máximo a oportunidade de viver que recebemos a cada novo dia.
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Saiba mais Dicas de filme • Como Eu Era Antes de Você. Gênero: Drama/Romance. Direção de Thea Sharrock. Estados Unidos: Warner Bros, 2016. Duração: 100 min. Classificação indicativa: 12 anos. • A Culpa é das Estrelas. Gênero: Drama. Direção: Josh Boone. Estados Unidos: Temple Hill Entertainment/Fox Filmes, 2014. Duração: 125 min. Classificação indicativa: 12 anos. • A Teoria de Tudo. Gênero: Biografia/Drama/Romance. Direção de James Marsh. Inglaterra: Universal Pictures, 2014. Duração: 123 min. Classificação indicativa: 12 anos. Dicas de leitura • MOYES, Jojo. Como Eu Era Antes de Você. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013. • CENTRO de Valorização da Vida: Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Site: <http://www.cvv.org.br>. • FALANDO Abertamente sobre Suicídio: Folheto voltado para jovens e adolescentes. Disponível em: <http://www.cvv.org.br/downloads/falando_ abertamente_sobre_suicidio.pdf>. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. Comportamento Suicida: Conhecer para prevenir – Orientações sobre como abordar o suicídio na imprensa. Rio de Janeiro: ABP, 2009. pag. 20 - 23. Disponível em: <http:// www.cvv.org.br/downloads/cartilha_suicidio_profissionais_imprensa. pdf>.
Leitura bíblica - Lucas 2.22-38
Percebendo nossa vida com Ana e Simeão Sensibilização Material necessário: Imagens e objetos que possam ser relacionados à morte. Exemplos: vela, cruz, terra, sementes, cacos de piso/telha, folha de papel, flores, foto antiga, panos nas cores branca, preta e cinza, lenço de papel, travesseiro. Pano na cor litúrgica da data em que for realizado o estudo. Preparação do ambiente: Prepare o ambiente fazendo um círculo com cadeiras. No centro do círculo, estenda o pano na cor litúrgica da data do estudo. Fora do círculo, em uma mesa auxiliar, disponha as imagens e objetos que podem ser relacionados com a morte. Desenvolvimento: Convide os jovens e as jovens para escolherem, na mesa auxiliar, um símbolo que tenha ligação com o tema morte, trazendo-o para o centro do circulo. Após, peça que sentem novamente e partilhem o porquê da escolha.
Faça duas leituras do texto. Antes de iniciar a segunda leitura, peça que cada pessoa destaque, mentalmente, uma palavra ou versículo que lhe chamar a atenção. Após as duas leituras, motive a partilha das palavras ou versículos mais significativos, seguindo a ordem do texto – ou seja, começa quem destacou algo do versículo 22, depois do versículo 23 e assim por diante. Comentário: Embora a questão central seja o louvor ao nascimento do menino tão esperado, a morte está bem presente nesse texto. A certeza de que um dia morreremos deve nos impulsionar para uma atitude de gratidão diante de tudo que podemos viver. Também desafia para encararmos tudo o que temos em nossa vida como privilégio e oportunidade: ter pessoas ao nosso lado que nos apoiam e nos chamam a atenção porque se preocupam conosco, possuir sentidos para percebermos tudo o que nos cerca, ser racional para tentar compreender e melhorar o mundo, poder abraçar e receber abraços.
Dinâmica: O que eu quero fazer na vida? Material necessário: vela, papel e caneta para cada pessoa, fósforo e música instrumental durante a reflexão individual. Desenvolvimento: Entregue uma vela, papel e caneta para cada jovem. Acenda uma ou duas das velas. A partir delas, motive para que as demais velas sejam acesas. Peça que cada jovem escolha um local para sentar diante de sua vela acesa e escreva no papel a resposta para a seguinte pergunta: Imagine que a sua vida tem a duração desta vela, que aos poucos derrete. O que você ainda quer fazer na vida? Enquanto o grupo realiza o exercício, coloque a música instrumental para facilitar a concentração.
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Assim que forem terminando, convide os jovens e as jovens a voltarem para o círculo, colocando sua vela no centro, junto com os símbolos anteriormente trabalhados. Com o grupo reunido, convide a expressarem sentimentos e pensamentos sobre a dinâmica e a reflexão feita. Comentário: A morte não pode ser romantizada ou estimulada, mas precisa ser refletida como parte do processo vital. Ter consciência da finitude da vida aponta para a valorização da própria existência. Com alegria, podemos dizer que temos mais tempo de vida do que estas velas. Isso significa que podemos dedicar mais tempo para realizar as ações que colocamos no papel. O que foi colocado ali tem muito valor e pode receber ainda mais atenção com o tempo a mais que temos. Saber que um dia vamos morrer e que não somos eternos ou eternas possibilita pensarmos e valorizarmos mais a vida. A vida é coletiva desde a sua concepção, por isso ter consciência sobre a morte nos desafia a olhar para as outras pessoas e tentar contribuir positivamente na vida delas.
Bibliografia: KOVÁCS, Maria J. (Orga.). Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992. WAISELFI, Julio Jacobo. Mapa da violência: homicídios por armas de fogo. Brasília: Flacso Brasil, 2016. Disponível em: >http://www.mapadaviolencia.org. br/pdf2016/Mapa2016_armas_web.pdf>. Acesso em 10 mai 2017.
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Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: P. Daniel Kreidlow e Cat. Daniela Hack Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – junho de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Jó: empatia e esperança
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
A cruz de Cristo, de Jó e da pessoa cristã
Sofrimento: por que comigo? Você já teve a sensação de se sentir abandonado ou abandonada por Deus? De que Ele não escuta as suas orações ou não responde a elas? Quem de nós, em um momento de dor e sofrimento, nunca se questionou: por que eu? Por que comigo e não com outras pessoas? Ou ainda: é justo Deus agir assim? Em geral, nossa maneira de pensar é: a pessoa boa deve ser recompensada e a que pratica o mal, castigada. Não é verdade? Segundo o apóstolo Paulo (Romanos 3.20ss), a justiça divina não é mérito nem conquista humana, mas dádiva do próprio Deus. Não se trata de compensação ou retribuição motivada por feitos ou realizações humanas. O reformador Martim Lutero também não entendia o porquê do sofrimento. Na sua época, era forte a compreensão de que as angústias e amarguras na vida de uma pessoa eram castigo de Deus, por causa do pecado. Da mesma forma, não aceitava que as pessoas pagassem altos valores de indulgências à Igreja, na tentativa de serem salvas por Deus. A redescoberta de que a pessoa justa vive pela fé (Romanos 1.17) o ajudou muito na reflexão desses temas. Situações difíceis podem romper completamente com a lógica da retribuição a partir da qual nos acostumamos a pensar e viver. Nesse estudo vamos trabalhar com um exemplo profético, descobrindo o que aconteceu com Jó, quando uma sequência imensa de sofrimentos se abateu sobre ele. O texto aponta para a esperança e para a certeza da intervenção de Deus em meio ao sofrimento.
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Jó era um homem bom, rico, correto e temente a Deus. Sua fé foi posta à prova mediante diversos sofrimentos. Primeiro, perdeu tudo o que tinha: as pessoas que lhe serviam, seus animais, suas terras, seus filhos e filhas. Depois, teve o corpo coberto por feridas horríveis. Ainda assim, continuou crendo em Deus e não pôs a culpa de tudo o que havia acontecido Nele, como disseram para ele fazer. Nesse sentido, o livro de Jó mostra algo diferente de nosso senso comum: que a pessoa justa também sofre. Durante seu período de grande sofrimento, Jó recebeu a visita de três amigos. Eles ouviram seu desabafo e não disseram nada. Porém, quando começaram a falar, os três avaliaram que Jó havia pecado e que era sua vez de sofrer. Seria a única explicação. Essas palavras não foram nem um pouco confortantes para Jó. Ele ouviu que a aflição em sua vida era punição de Deus e que ele deveria se arrepender e pedir perdão pelos erros que havia cometido. Os amigos de Jó falaram de um Deus sem amor e misericórdia. Ocorre que, no sofrimento, Deus está ainda mais presente. No texto de Jó, Deus fala apenas no final, depois dos discursos dos amigos ou do próprio Jó, com seus questionamentos e provocações. Ele aparece e mostra a Jó como as coisas nunca fugiram do seu controle. A fé em Deus não poupa ninguém do sofrimento. “Nós cremos, em primeiro lugar, num Jesus que passou pelo sofrimento, aceitou o seu caminho de dor e passou o sofrimento humano (...). Isto é teologia da cruz” (ILLENSEER, 2003, p. 32). Lutero vê a cruz de Cristo e a cruz da pessoa cristã em conjunto. Primeiro, os sofrimentos de Cristo em sua cruz, e depois, também os sofrimentos e a cruz da pessoa cristã.
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Consolo no colo de Deus Até aqui, já compreendemos que o sofrimento atinge também as pessoas que creem. Mesmo que não compreendamos, o sofrimento faz parte da vida e, inevitavelmente, não há como fugir ou poupar alguém de experimentá-lo. Com Jó, aprendemos que não estamos sozinhos e sozinhas em nossas dificuldades, lutas e dores. Ainda que nos sintamos assim em algumas situações, somos convidados e convidadas a confiar na presença de Deus. O sofrimento, aliás, talvez seja o melhor momento para colocar nossa vida sob a luz da graça de Deus e reconhecer que nossa suficiência vem Dele. É muito fácil confiar em Deus quando tudo vai bem. O difícil e necessário é continuar confiando quando as dificuldades aparecem. Nesses momentos, precisamos mais ainda do aconchego e da força que vem de Deus, que continua conosco, perdoando e acolhendo. Agostinho de Hipona, ao interpretar o livro de Jó, afirma: “Jó foge de Deus para o colo de Deus”. Ou seja, não temos outro que nos console diante do sofrimento. A verdadeira esperança está no redentor Jesus Cristo. A esperança cristã, mesmo em meio ao sofrimento do presente, olha firmemente para a promessa da ressureição.
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Saiba mais • BATISTA, Israel (Org). Graça, cruz e esperança na América Latina. Tradução de Vicente Eduardo Ribeiro Marçal. São Leopoldo: Editora Sinodal; Quito: CLAI. 2005. • DREHER, Martin. A teologia crucis da Lutero e o tema da teologia da libertação. In: Estudos Teológicos, n.2, São Leopoldo, EST, 1988. p. 137-152. • ILLENSEER, Louis Marcelo. Todas as cruzes na cruz de Cristo. In: PalavrAção - Graça e Fé: Temperos para a Vida. São Leopoldo: Contexto, 2003, p. 32-33 (Lado Palavra). • LOEWENICH, Walther von. A teologia da cruz de Lutero. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1988. • WANKE, Roger Marcel. Prédica: Jó 19.23-27a. In: Proclamar Libertação 37: auxílios para o anúncio do evangelho. São Leopoldo: Editora Sinodal/EST, 2012. p. 329 – 335.
Empatia: a capacidade de se colocar no lugar d@ outr@ Sensibilização Para iniciar a discussão sobre o tema, convide os jovens e as jovens a assistirem um pequeno trecho do filme Patch Adams – O amor é contagioso (cena em que Patch ajuda Rudy a ir ao banheiro. Disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=ESk4e3fgXhk). Após este momento, incentive a reflexão sobre a cena a partir das seguintes perguntas: • o que mais chamou atenção na cena? • qual a dificuldade retratada? • qual mudança de comportamento houve?
Dinâmica: Colocando-se no lugar d@ outr@ Peça que todas as pessoas fiquem de pé e façam um círculo. Convide para observarem seus pés e como eles se “sentem” dentro do calçado, independente se for chinelo, sandália, tênis, bota ou de outro tipo. Em seguida, motive para tirarem os calçados, colocando-os no centro do círculo. De volta ao lugar, explique que cada jovem deve retornar ao centro e pegar dois outros calçados que não o seu. Lembre que não se pode escolher cor, modelo, tamanho, pé esquerdo ou direito.
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Peça que o grupo caminhe pelo espaço com seus calçados novos. Após um tempo de caminhada, convide o grupo para sentar e pergunte sobre o que sentiu ao estar com calçados que não eram seus (se estavam apertados, folgados, se deram certo, se usariam esses calçados, entre outros comentários que podem surgir). Comentário: Nesse exercício e no trecho do filme Patch Adams, houve a prática da empatia. Alguém sabe o que é empatia? (deixe alguns instantes para as respostas). A empatia é a capacidade humana de se colocar no lugar de outra pessoa. Ela tem o poder de transformar vidas e de promover profundas mudanças nas relações humanas. As atitudes empáticas podem aparecer nas pequenas coisas, como no trecho do filme. Nele, o personagem Patch Adams não anulou o que o colega Rudy estava sentindo, que era o medo dos esquilos (resultado da esquizofrenia). Pelo contrário, ele percebeu a necessidade de “entrar” na história, compartilhar desse sentimento, para então poder ajudar.
Leitura bíblica - Jó 19.1-27 Antes da leitura bíblica, faça uma breve contextualização da história de Jó, a partir dos subsídios presentes na seção “Palavra”. Em seguida, motive à leitura de Jó 19.1-27. Comentário: Como falar de fé em nossos dias em situação de grande sofrimento, como a perda de um familiar ou a descoberta de uma doença terminal? Ou para alguém que não sabe onde vai dormir na noite seguinte? Apenas dizer: “não é nada, já vai passar”? Apesar de todas as dificuldades, Jó continuou fiel. Embora em alguns momentos questionasse Deus sobre o seu sofrimento, manteve a fé e a coragem. E esse é o nosso desafio hoje, enquanto pessoas jovens cristãs luteranas. Deus se revela também na cruz e no sofrimento. Isso não quer dizer que Deus quer o sofrimento, mas que o sofrimento está presente na vida humana desde a criação. Quando possível, podemos questionar o sofrimento e transformá-lo em sinais de vida e ressureição.
Dinâmica: Vivenciando a empatia
Dicas de leitura:
Reúna os jovens e as jovens em grupos de 3 a 5 pessoas, conforme as possibilidades. A partir do que foi estudado sobre Jó e a empatia, motive a discussão a partir das seguintes questões: • quais são os grandes sofrimentos que encontramos em nosso grupo, comunidade ou sociedade? • quem são os “Jós” dos dias de hoje, as pessoas que sofrem desses males e como nós as enxergamos? • o que podemos fazer para amenizar esses sofrimentos? Se achar necessário, entregue papel e caneta para que os grupos escrevam suas respostas. Depois de alguns minutos de discussão, peça que cada grupo construa uma esquete (breve encenação) a partir do que discutiu. Motive os grupos para apresentarem seu trabalho e, ao final, dê tempo para explicações e reações.
KRZNARIC, Roman. O poder da empatia: a arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo. Rio de Janeiro: Zahar, 2015. CONTAIFER, Juliana; RUSKY, Renata. “Colocando-se no lugar do outro”, Correio Braziliense, 1º jan. 2017. Disponível em: http://www.correiobraziliense.com. br/app/noticia/revista/2017/01/01/interna_revista_correio,562973/o-quee-empatia-e-como-ela-e-colocada-em-pratica-no-brasil-e-no-mundo.shtml. Acesso em 10 mai 2017.
Atividades complementares - Pesquisar sobre estatísticas a respeito de diversas formas de sofrimento no seu município, região, estado ou país (casos de depressão, pessoas que moram na rua, desemprego, entre outros). Em outro encontro o grupo pode produzir cartazes ou materiais explicativos e realizar uma exposição na igreja ou em outro espaço da comunidade, do bairro ou do município; - Em conjunto com o ministro ou a ministra, construir a mensagem do culto a partir das esquetes sobre empatia que foram elaboradas no encontro; - Organizar uma oração de intercessão para ser partilhada no culto da comunidade; - Em diálogo com o ministro ou a ministra, organizar visitas para algumas pessoas ou famílias que estão em situação de sofrimento. Nesse caso, é importante ter um momento prévio de formação sobre visitação antes de realizar a atividade.
Dicas de filme: Intocáveis. Gênero: Comédia/Drama. Direção de Olivier Nakache; Eric Toledano. França. California Filmes. 2012. Duração: 112 min. Classificação indicativa: 14 anos. Patch Adams – O amor é contagioso. Gênero: Comédia/Drama. Direção: Tom Shadyac. Estados Unidos. Universal Studios. 1998. Duração: 115 min. Classificação indicativa: 12 anos. Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Martina Wrasse Scherer Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – maio de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
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Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
25 A restauração da vida (a partir) de Jonas
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
O contexto de Jonas
Deus quis assim. Será mesmo? O Brasil enfrenta um período inusitado. Pessoas que bateram panelas pelo fim da corrupção são acusadas de serem corruptas. Conceitos e paradigmas estão sendo colocados em discussão, seja para dar novos sentidos a eles a partir da realidade atual, seja para reafirmar antigos dogmas discriminatórios e fundamentar a perda de direitos. Critica-se o que é diferente, muitas vezes, pelo simples fato de ser diferente. Nesse sentido, ainda é possível citar um exemplo bem próximo à nossa realidade: a crítica em relação à Comunidade/Igreja. Criticar é um meio de se desabilitar da missão recebida no Batismo e reafirmada no ato da Confirmação. Quando o tema da culpa surge, é direcionado sempre para a outra pessoa ou grupo. Comum também é ouvir que a culpa ou a responsabilidade é de Deus: “Deus quis assim”! Mas será mesmo que tudo é responsabilidade de Deus? A distância criada entre o discurso e a prática cristã abre um vão que favorece a desumanização das pessoas, gerando sofrimento, violência e morte. Para dentro dessa realidade, é desafiador ler o livro de Jonas, um relato da experiência de um jovem com o seu contexto religioso, social e político.
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O livro de Jonas é um dos menores da Bíblia. É considerado uma narrativa de perfil novelístico, que retrata a experiência de um jovem teimoso e egoísta, desafiado a preservar vidas, anunciando o amor de Deus à cidade de Nínive. O texto faz uso de imagens exageradas a fim de chamar atenção para o agir misericordioso de Deus. A narrativa provavelmente foi escrita entre os anos 400 e 350 a.C., um momento histórico em que o povo hebreu era dominado por grandes potências imperiais e não podia se reconstruir politicamente. Diante dessa realidade, a religião foi crucial para preservação da identidade. O povo de Deus tinha como missão praticar e dar testemunho da ação de Deus no cuidado e preservação da vida. Vários temas podem surgir a partir da história de Jonas: missão, testemunho de fé, violência, atitudes de bondade, ética, fragilidade humana diante de desafios, dignidade humana, mudança de vida, entre outros. Outro tema interessante é a justiça. Para Jonas, a justiça é retributiva, ou seja, a pessoa recebe pelo merecimento: quem matou precisa morrer também e quem plantou vai colher. É a política do “olho por olho, dente por dente”. Para Deus, na compreensão luterana, a justiça, entretanto, é restaurativa. Uma justiça restaurativa busca olhar as necessidades e vislumbra o perdão como meio para a mudança de atitudes e o bem-viver. O relato bíblico conta como essas concepções vão sendo experimentadas na perspectiva da bondade e da misericórdia de Deus.
Unidade na diversidade Não é nenhuma surpresa o fato de que o arrependimento e a mudança de vida da população de Nínive começam com o povo e a organização do mesmo. Só depois chega até o rei, que promove medidas gerais para nortear as ações. O cuidado com a vida requer fazer crescer e amadurecer, em cada ser humano, a perspectiva de unidade na diversidade, do respeito, da valorização, do direito de ser diferente. Não há um modelo, mas muitos modelos que valorizam a vida. Torna-se fundamental saber que a misericórdia de Deus é oferecida a todas as pessoas. E nessa oferta, Deus conta conosco. Apesar da inicial má vontade de Jonas, seus medos e opiniões, ele dá um testemunho que leva a atitudes de cuidado e preservação da vida, provocando mudança de mentes e transformação na realidade do povo de Nínive. Em outras palavras, a missão foi cumprida.
Saiba mais • KILPP, Nelson. Jonas. Petrópolis: Vozes; São Leopoldo: Sinodal, 1994. • BALANCIN, Euclides Martins; STORNIOLO, Ivo. Como ler o livro de Jonas: Deus não conhece fronteiras. São Paulo: Paulinas, 1991. • NUSSE, Dietlind. “Eu sabia... por isso fugi”: Jonas e a misericórdia de Deus. São Leopoldo: CEBI, 2001. • ROSENDO Daniela; GONÇALVES, Tamara Amoroso. Porque a perspectiva de gênero é importante para se pensar direitos humanos? Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2016/09/16/porque-perspectivade-genero-e-importante-para-se-pensar-direitos-/humanos/>. Acesso em 07 mar 2017.
sempre dá para mudar!!!
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Após alguns instantes de silêncio, leia os versículos 11 a 17. Peça ao grupo que, lentamente, balance o corpo de um lado para o outro. Aos poucos, vá se colocando na posição de cócoras, vivenciando, assim, o momento de estar dentro do peixe.
A vida como processo
Segundo momento (Jonas 2.1-10)
O estudo está dividido em quatro momentos, que mesclam leitura do texto bíblico, movimentos conjuntos, reflexão individual e em grupo. Dependendo do tempo disponível, opte por dois ou três momentos ou ainda realize o estudo em dois encontros.
Desenvolvimento: Convide para que metade do grupo fique de pé e forme um círculo bem fechado ao redor de quem está no chão. Os demais e as demais continuam de cócoras, procurando movimentar-se dentro do pequeno espaço do círculo, vivenciando o pouco espaço disponível dentro do peixe. Nesse momento, leia Jonas 2.1-5.
Primeiro momento (Jonas 1.1-17) Material: cobertores, em número suficiente para que todo o grupo possa se deitar sobre eles no chão. Preparação do ambiente: Deixe o centro da sala livre e espalhe cobertores no chão. Desenvolvimento: Convide o grupo para se deitar sobre os cobertores espalhados pelo chão e fechar os olhos, procurando não se movimentar. Em seguida, faça a leitura do texto de Jonas 1.1-10. Enquanto ainda estão deitadas, motive as pessoas do grupo a refletirem sobre a seguinte pergunta: Pensando na realidade em que você vive, quais são os motivos que lhe fazem querer fugir, com vontade de entrar em um sono profundo e se afastar de tudo?
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Depois da leitura, os grupos trocam de lugar, assumindo um a posição do outro. Faça a leitura de Jonas 2.6-9. Motive as pessoas que estão de pé a se juntarem às que estão de cócoras, ficando bem próximas umas das outras. Comente que o espaço dentro do peixe é pequeno e a posição não é confortável. Pode até ser dolorido. Assim como Jonas foi engolido por um grande peixe – símbolo da viagem para dentro de si mesmo em busca de transformação – viaje para dentro de si mesmo e de si mesma e reflita sobre esta pergunta: O que você gostaria que fosse transformado, modificado em você? Após alguns instantes, convite os jovens e as jovens a sentarem e, em duplas ou trios, compartilharem o que refletiram. Prossiga com a leitura do versículo 10. Depois, peça ao grupo que dê um salto para frente e fique de pé.
Terceiro momento (Jonas 3.1-10)
Quarto momento (Jonas 4.1-10)
Material: manta feita de algodão cru ou juta para cada jovem, bacias com água perfumada (acrescente pétalas de flores e algumas gotas de essência ou óleo para perfumar a água), potes com cinzas e toalhas na mesma quantidade de bacias, aparelho de som e música instrumental.
Material: pano ou lençol na cor verde.
Preparação do ambiente: Espalhe pelo chão as mantas de algodão cru ou juta. Em alguns pontos da sala, coloque bacias com água perfumada. Ao lado de cada bacia, coloque um pote com cinzas e uma toalha para secar as mãos. Desenvolvimento: Explique ao grupo que ele agora está livre do pequeno espaço dentro do peixe e convide para que se movimente expressando essa liberdade. Enquanto o grupo se movimenta, leia Jonas 3.1-4. Em seguida, leia os versículos 5 a 9. A partir da leitura, motive os jovens e as jovens a representarem o povo de Nínive, vestindo-se simbolicamente com as mantas de algodão cru e passando cinza sobre as mãos e na testa, como prova de arrependimento e de transformação. Coloque a música instrumental para tocar enquanto o grupo realiza essa ação. Faça a leitura do versículo 10. Em seguida, convide as pessoas do grupo a formarem duplas ou trios e tirarem umas das outras as mantas de algodão cru. Após, peça que se dirijam até as bacias e, em comunhão, lavem as mãos nas águas perfumadas, que simbolizam o perdão de Deus. Comente que Deus é misericordioso e acolhe a todos e todas em seus braços. Desligue a música instrumental e convide todo o grupo a conversar brevemente sobre a pergunta: O que Jonas e nós, pessoas jovens e grupo de jovens, podemos aprender com a atitude do povo de Nínive?
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Desenvolvimento: Motive os jovens e as jovens a vivenciar o que Jonas pensa da misericórdia de Deus. Peça que as pessoas do grupo se sentem no chão, em trios ou quartetos, apoiando-se nas costas umas das outras e cobrindo o rosto com as mãos, numa atitude de falta de vontade de dialogar. Leia Jonas 4.1-4. Após, peça que os pequenos grupos conversem brevemente sobre a pergunta: Deus quer dialogar com Jonas. Em que momentos ou espaços e situações você tem mais dificuldade para dialogar? Após alguns instantes, solicite que os pequenos grupos, ainda de costas, cruzem os braços como forma de fechamento para o diálogo e comecem a se levantar sem colocar as mãos no chão, apenas com o apoio das costas das outras pessoas. Quando todos os trios ou quartetos estiverem de pé, peça que caminhem em direção a outro, formando um novo e maior grupo. Comente que Deus não desiste de conversar com Jonas e procura acalmá-lo para retomar o diálogo. E, para isso, age de forma bem especial. Convide todas as pessoas a se sentarem no chão, bem próximas umas das outras. Depois, representando uma árvore, passe o pano ou lençol verde sobre todas para dar a ideia de frescor. Leia os versículos 5 a 10 e, em seguida, comente que, como jovens cristãos e cristãs, somos porta-vozes de Deus. Para isso, precisamos nos desarmar, desbancar preconceitos e estar abertos e abertas ao diálogo. A abertura para o diálogo, a exemplo da história de Jonas, é o próprio Deus quem nos dá. No
processo dinâmico da vida, algumas vezes somos Jonas, outras vezes agimos como o povo de Nínive. Somos pessoas humanas e, em nossa humanidade, necessitamos da constante misericórdia e perdão de Deus. Para finalizar, peça a todos e todas que caminhem pela sala, com os braços cruzados e a cabeça baixa. Motive para que, aos poucos, levantem a cabeça e se olhem nos olhos. Em seguida, peça que descruzem os braços, tornando-os flexíveis e abertos, prontos para muitos abraços – sinal de disposição e abertura para o diálogo. Encerre com uma oração. (Proposta adaptada de WITT, Maria Dirlane. Um convite para o diálogo: o profeta Jonas. In: Cadernos Semanas de Criatividade: Espaços de transformação: propostas educativas na atuação dos profetas. v.9. São Leopoldo: Departamento de Catequese da IECLB/CEBI, 2005, p. 55-58.)
Bibliografia: WITT, Maria Dirlane (Orga.). Cadernos Semanas de Criatividade: Espaços de transformação: propostas educativas na atuação dos profetas. v.9. São Leopoldo: Departamento de Catequese da IECLB/CEBI, 2005.
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Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Pa. Dione Carla Baldus Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – abril de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Imigração: uma oportunidade para acolher, respeitar e aprender
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
fronteira com o México, para barrar a imigração ilegal de pessoas de vários países latino-americanos. Também sob o pretexto da segurança nacional e combate ao terrorismo, Trump assinou um decreto que impede a entrada de imigrantes de sete países em especial, entre outras medidas anti-imigração.
Para início de conversa O Brasil é um país de pessoas imigrantes. Em sua história, foram inúmeros os grupos de pessoas e povos que a estas terras se deslocaram para se estabelecer. Vieram de países da Europa (Portugal, Alemanha, entre outros), da África (vítimas da escravidão foram trazidas especialmente de Angola e Moçambique) e também de regiões da Ásia (Japão, por exemplo). Mesmo os grupos indígenas são imigrantes. A própria IECLB é uma igreja formada por famílias de imigrantes, que ao chegarem ao Brasil, sentiram a necessidade de se reunir para celebrar a sua fé e educar seus e suas descendentes. A imigração de pessoas e povos é, de fato, um fenômeno antigo. A Bíblia igualmente o conhece. O patriarca Abraão, chamado por Deus, partiu da cidade de Ur dos Caldeus para morar nas terras de Canaã (Gênesis 12). Jesus e seus pais, para escapar da perseguição do rei Herodes, fugiram e moraram por um tempo no Egito (Mateus 2.13-15). A Bíblia também reflete a diversidade de motivos para o fenômeno da imigração: guerras, perseguições, catástrofes naturais, motivações religiosas. Em tempos recentes, o movimento migratório tem ganhado destaque internacional. Na Europa, existe uma crise gerada com a migração de pessoas oriundas de países do Oriente Médio que, especialmente devido ao conflito armado e à perseguição política ou religiosa, têm atravessado terra e mar rumo aos países europeus. Infelizmente, muitas pessoas em busca de refúgio têm perdido suas vidas no Mar Mediterrâneo. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem gerado desconforto devido a sua insistência em construir um imenso muro na
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Na última década, aumentou no Brasil o número de pessoas imigrantes, especialmente procedentes do Haiti, Bolívia, Angola e Senegal. Muitas pessoas do Haiti, país arrasado por forte terremoto em 2010, têm obtido visto humanitário, assegurando-lhes permissão para residir e trabalhar no Brasil. A vida de uma pessoa imigrante no novo país passa por altos e baixos. Por um lado, existem expectativas de uma vida melhor, com mais oportunidades. Por outro lado, a pessoa precisa construir uma nova identidade, aprender uma nova língua e cultura e assegurar o seu futuro em um país onde tudo é novo. Não é um processo de integração fácil e pacífico. Muitas vezes, surge um sentimento de melancolia e saudade pelo passado. Também se alimenta a incerteza e a insegurança quanto ao futuro, agravado por atitudes de preconceito e marginalização oriundas das pessoas que já habitam o local.
Passando a Palavra A questão da imigração é uma questão complexa, que envolve relações políticas, econômicas, sociais e – ante a ameaça terrorista –inclui também a segurança nacional. Fato é que no Brasil existem muitas pessoas e famílias imigrantes procurando reconstruir sua história e contribuir com a sociedade da qual agora fazem parte. Neste contexto, a pergunta para as pessoas cristãs pode ser: “o que eu devo fazer, como discípula de Jesus Cristo?”. E Jesus Cristo nos responde, afirmando: “Eu era estrangeiro, e vocês me receberam na sua casa” (Mateus 25.35). Estas são palavras de Jesus, na qual ele se identifica com a pessoa estrangeira e espera que sua comunidade exerça a hospitalidade para com as pessoas que vêm de fora.
Bibliografia:
Saiba mais
VELASCO, Clara; MANTOVANI, Flávia. Em 10 anos, número de imigrantes aumenta 160% no Brasil, diz PF. Portal G1, São Paulo, 25 jun. 2016. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/06/em-10-anos-numero-deimigrantes-aumenta-160-no-brasil-diz-pf.html>. Acesso em 25 jan. 2017. BAUMAN, Zygmunt. Mensageiros da globalização. Jornal Grande Bahia, 15 jan. 2017. Disponível em: <http://www.jornalgrandebahia.com.br/2017/01/ mensageiros-da-globalizacao-por-zygmunt-bauman/>. Acesso em 25 jan. 2017.
Dica de livros: • BAUMAN, Zygmunt: Estranhos à nossa porta. Editora Zahar, 2017. • BONDER, Nilton: Tirando os sapatos: o caminho de Abraão, um caminho para o outro. Editora Rocco, 2008.
Dica de filmes: • Samba. Ano: 2014; Gênero: Comédia/drama; Direção: Eric Toledano, Olivier Nakache; Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim; Nacionalidade: França; Duração: 118min; Classificação: 12 anos. • Intocáveis. Ano: 2012; Gênero: Comédia; Direção: Eric Toledano, Olivier Nakache; Elenco: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny; Nacionalidade: França; Duração: 112min; Classificação: 14 anos. • O Visitante. Ano: 2009; Gênero: Drama/romance/musical; Direção: Tom McCarthy; Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Gurira; Nacionalidade: Alemanha; Duração: 105min; Classificação: 14 anos.
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O caminho do diálogo para construir relacionamentos e transformar pessoas Sensibilização
Comentário: A música da banda Titãs provoca a refletir sobre o que as pessoas estão buscando. “Você tem fome de quê? Você tem sede de quê?”. Comida, necessidades, vontades e desejos fazem parte do dia a dia das pessoas. Todas anseiam por uma vida não pela metade, mas uma vida por inteiro. Não estamos falando aqui do consumismo que gera um ciclo sem fim de desejos humanos, mas de se viver com dignidade, tendo o necessário para uma vida digna. Infelizmente, há uma grande parcela de pessoas que não tem acesso à vida digna. Essa realidade leva muitas pessoas, sozinhas ou acompanhadas pela família, a migrarem de sua terra de origem para outro lugar.
Leitura Bíblica - João 4.4-30,40-42
1. Providencie o clipe ou o áudio da música Comida, da banda Titãs (disponível na internet), computador e caixas de som. 2. Convide o grupo para ouvir a música Comida. Segue parte da letra: Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida, A gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, A gente não quer só comer, A gente quer comer e quer fazer amor. A gente não quer só comer, A gente quer prazer pra aliviar a dor. A gente não quer só dinheiro, A gente quer dinheiro e felicidade. A gente não quer só dinheiro, A gente quer inteiro e não pela metade Desejo, necessidade e vontade.
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No clima quente e seco, ao meio-dia, duas pessoas que não se conheciam se encontraram e começaram a conversar: Jesus e a mulher samaritana. Jesus era o estrangeiro que, junto com seu grupo de discípulos judeus, precisou percorrer a região da Samaria. Entre os povos judeu e samaritano somavam-se séculos de hostilidade por causa de diferenças étnicas e religiosas. Por isso, um diálogo pacífico entre um judeu e uma samaritana era altamente improvável para a época. Além do mais, era proibido que uma mulher conversasse com um desconhecido. Desconfiança e medo deveriam ter impedido esta conversa. O reino de Deus, porém, aos olhos humanos se revela em momentos e lugares improváveis. Ao lado do poço, Jesus iniciou a conversa. Assim como nós, que para iniciar uma conversa comentamos algo do cotidiano, Jesus pediu à mulher algo trivial: “Por favor, dê-me um pouco de água.” A mulher, surpresa, prosseguiu com a conversa. O diálogo foi se aprofundando à medida que um elo de confiança foi sendo construído. Jesus e a mulher conversaram sobre as diferenças religiosas, sobre a água que gera vida. Até mesmo a vida pessoal foi assunto na conversa. O texto bíblico não indica se a mulher se separou ou ficou viúva cinco vezes. Assim como as diferenças religiosas, este também era um assunto delicado para a época.
O elo de confiança firmado através do diálogo transformou a percepção da mulher samaritana. Ela descobriu em Jesus o Messias, o Salvador prometido. Sua vida foi transformada a tal ponto que ela desejou que outras pessoas de seu povo se aproximem de Jesus. E, ao ouvir o testemunho da mulher, as pessoas de seu vilarejo assim o fizeram. Onde antes havia hostilidade, passou a existir proximidade. Onde antes havia desconfiança, passou a existir a confissão de fé no Deus que aproxima pessoas diferentes. O reino de Deus, de fato, é revelado entre as pessoas, em momentos e lugares improváveis. Nós também somos chamadas e chamados para anunciar o Reino de Deus através do diálogo, da acolhida e do respeito a todas as pessoas. Assim como Jesus Cristo acolhe incondicionalmente, nós também podemos acolher as pessoas imigrantes, conversar e conhecer sua história, para a glória de Deus (Romanos 15.7-13). Pela graça de Deus, o encontro e o diálogo se tornam caminho para construir relacionamentos e transformar pessoas.
Dinamizando
Em seguida, convide algumas pessoas a entrar no “barco”. Esse número irá variar conforme o tamanho do saco. Estipule um percurso a ser navegado pelo barco. Para um maior envolvimento do grupo, inclua obstáculos no percurso. A travessia termina quando o grupo conseguir chegar até a outra margem do mar. Opção 2: O círculo da união Materiais: Tiras longas de TNT ou cordas finas com tamanho suficiente para envolver todo o grupo, folhas de jornal. Desenvolvimento: Peça para o grupo formar um círculo com todas as pessoas voltadas para fora. Em seguida, com a corda ou com a tira de TNT, envolva o grupo, “amarrando-o”. Distribua pelo ambiente as folhas de jornal, formando com elas obstáculos.
Escolha uma das dinâmicas abaixo para realizar com o grupo. Opção 1: Todas as pessoas no mesmo barco Materiais: Um saco bem grande, feito com tecido elástico e maleável, que suporte várias pessoas dentro. Ele pode confeccionado, por exemplo, com tecido utilizado em forros de biquínis ou malha elástica. Desenvolvimento: Explique que todas as pessoas do grupo deverão percorrer um determinado “trajeto marítimo” dentro de um grande saco, que será o barco. O objetivo é chegar à outra margem do mar, superando as dificuldades internas (dentro do barco) e externas (fora do barco).
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Explique que o desafio do grupo será trilhar o caminho entre as folhas de jornal sem passar por cima delas. Para isso, será preciso criar estratégias e trabalhar de forma cooperativa e sincronizada.
Bate-papo: Após realizar uma das opções de dinâmicas acima, converse com o grupo sobre a experiência. Questões que podem estimular o diálogo: • • • •
Quão confortável ou desconfortável foi realizar a dinâmica? O que foi necessário para completar a tarefa? O que a dinâmica ensina a respeito da convivência com outras pessoas? Como a dinâmica e a história do diálogo entre Jesus e a mulher samaritana se relacionam uma com a outra?
Atividade Complementar Apoio a pessoas e famílias de imigrantes Consulte o Centro de Referência da Assistência Social do município (CRAS) para descobrir se há algum grupo de pessoas imigrantes de outros países em sua região. Se possível, marque uma visita a uma família de imigrantes ou convide para uma conversa com o grupo de jovens. A partir dessa aproximação, motive o grupo a pensar em alguma ação que possa ajudar essa família.
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Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: P. Alexander Roberto Busch Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – março de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
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Em 2017, o tema geral dos estudos é Bíblia e Juventude - tudo a ver: pessoas da Bíblia e sua relação com a realidade da pessoa e grupo de jovens.
Jetro, Euquipe e Equipe
Oferece reflexão a respeito do tema proposto. Por meio dela, você tem acesso a subsídios que auxiliam na preparação de estudos sobre determinada temática. Ação: Apresenta sugestões de atividades e dinâmicas para o estudo. Você pode adaptá-las para melhor atenderem à realidade e necessidades do seu grupo de jovens.
Espera aí! Quem é Jetro?
Equipe ou EUquipe, qual a diferença? Há algum tempo, era considerada uma boa líder a pessoa que tinha domínio sobre as demais e sobre as situações. Tudo era feito do seu jeito, da forma que julgava ser a correta e a melhor. Parecia ter, assim, tudo sob o seu controle. Era uma Euquipe! Lembra até aquela brincadeira chamada “mestre mandou”: alguém coordena e dá a ordem e o resto do grupo obedece, sem colaborar muito com seus conhecimentos e experiências. De um tempo para cá, algumas mudanças ocorreram nessa maneira de pensar. Acentuou-se a necessidade de valorizar as relações e os saberes de cada pessoa. Considera-se a ‘bagagem’ do outro e da outra e se vê, na partilha, uma possibilidade de crescer como grupo, como equipe. Hoje, uma boa liderança é aquela que consegue perceber os diferentes dons e habilidades de cada um e cada uma e leva isso em conta para estimular o trabalho. Confia nas demais pessoas e distribui as responsabilidades, evitando, assim, a sobrecarga e o desgaste (Gálatas 6.2). O personagem bíblico Jetro já pensava de forma semelhante a essa. Ele ressaltou a importância de ser equipe e trabalhar em conjunto.
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Jetro foi sacerdote na região de Midiã e era sogro de Moisés. Eles se conheceram e se aproximaram quando Moisés fugiu do Egito após matar um egípcio que estava batendo em um escravo hebreu. Perseguido pelo rei do Egito, Moisés foi morar na terra onde Jetro era sacerdote. Moisés defendeu e ajudou as sete filhas de Jetro que estavam sendo impedidas de pegar água para dar de beber ao rebanho de seu pai. Para agradecer, Jetro mandou chamar Moisés e lhe deu Zípora, uma de suas filhas, em casamento, além de seus rebanhos para ele apascentar (Êx 2.11-21). Após o casamento, Moisés foi chamado e enviado por Deus para tirar o povo de Israel da escravidão do Egito (Êx 3.10). Já livres e em direção à terra prometida, Moisés precisou julgar diversas questões e problemas entre o povo (Êx 18.3). Como líder, as pessoas esperavam que ele soubesse o que estava certo ou não. Os assuntos eram tantos que Moisés passava boa parte do seu tempo em função disso e muitas pessoas esperavam bastante tempo para falar com ele. Jetro tomou conhecimento do que Deus havia feito por Moisés e pelo povo e foi ao encontro de seu genro (Êx 18.1-12). Estando com ele, viu tudo o que Moisés fazia e constatou: “o que você está fazendo não está certo” (Êx 18.17). Aconselhou-o, então, a motivar e ensinar pessoas do povo para que o auxiliassem nessa tarefa. E assim Moisés fez.
Jetro e o trabalho em equipe Jetro teve papel fundamental no ministério de Moisés. Valorizou a sua experiência individual, mas também deu sentido ao plano de Deus que acontece no partilhar e na comunhão. Como líderes, como grupos, como sociedade e como Igreja, aprendemos com isso. Cremos que os dons são concedidos por Deus e esses são usados como instrumentos em sua missão. Na IECLB, compreendemos que a partir do nosso Batismo, somos parte do Corpo de Cristo. Somos diferentes, com dons distintos, com ideias diversas, mas parte de um mesmo corpo, onde cada membro é importante e vocacionado a servir com um único proposito: testemunhar o Evangelho de Cristo. Isso é o sacerdócio geral de todas as pessoas que creem. Somos chamados e chamadas a estimular e dar espaço a quem quiser e puder colaborar. A missão de Deus é ampla e requer de nós a sensibilidade e a percepção de Jetro, assim como a empatia e abertura de Moisés. É preciso perceber, despertar, instruir, dividir. Onde acontece o sacerdócio geral, deve haver participação, engajamento, cuidado, preocupação com as outras pessoas, sensibilidade em relação às necessidades e dores. É importante motivar o grupo a perceber e colocar em prática os diferentes dons.
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Saiba mais Dicas de livros: • HUNTER, C. James. De volta ao mosteiro: o Monge e o Executivo Falam de Liderança e Trabalho em Equipe. Rio de Janeiro: Sextante, 2014. • VOIGT. Emilio. Como exercer liderança? In: Guia para o presbitério: manual de estudos. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: IECLB, 2010, p.29-40. (Série Educação Cristã Contínua)
Dicas de hinos: • Senhor se tu me chamas, de Luíz Susin (Hinos do Povo de Deus 2, nº 413) • Igreja que serve, de Cláudio Kupka (Hinos do Povo de Deus 2, nº 417)
Partilhando cargas e saberes Dinâmica inicial
Material: um balão para cada jovem. Objetivo: Experimentar o que Moisés, possivelmente, sentiu quando estava sozinho e o que sentiu depois que acatou o conselho de Jetro. Refletir sobre a sensação de sobrecarga, o alívio e a possibilidade de crescimento mútuo quando se pode dividir as responsabilidades com outras pessoas. Desenvolvimento: Primeira parte • Convide cada jovem para encher um balão. • Explique que cada balão representa um problema que enfrentamos no dia a dia. Anime o grupo a citar alguns exemplos desses problemas. (Ex.: desinteresse, intrigas, fofocas, competições, inimizade, discórdia). • No momento em que se fala o problema, coloca-se o balão no centro do grupo. Quem preferir não falar o seu problema, somente coloca o balão no centro. • Convide uma pessoa para realizar a tarefa seguinte. • Diga que, a partir de agora, ela está diante de todos os problemas do grupo e tem a tarefa de cuidar de todos eles. Peça para que ela segure todos esses problemas e não os deixe cair no chão.
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• É possível que ela diga apenas que não dá. Nesse caso, estimule-a a tentar, ou, diante de nova negativa, pergunte se outra pessoa quer tentar. • Após o exercício, convide-a para falar como se sentiu. • Motive o grupo para comentar o que percebeu e como se sentiu diante da situação. * Exemplos de sentimentos que podem ser citados: sozinho ou sozinha é mais difícil, medo ou receio de realizar o que foi dado como tarefa, vontade de ajudar. Segunda parte • Convide, além da pessoa que se dispôs na primeira etapa, mais algumas pessoas para realizar a mesma tarefa. O objetivo é manter todos os balões no ar. • Caso necessário, instrua sobre a necessidade de trabalharem em conjunto. Ou seja, todo grupo deverá ser envolvido. • Em seguida, motive para um momento de diálogo. • Perguntas que podem ajudar: O que foi diferente em relação à primeira tentativa? Como se sentiram ao poder partilhar a responsabilidade? * É importante que a pessoa que se dispôs inicialmente comente seus sentimentos.
Leitura Bíblica - Êxodo 18.13-27 Este texto trata da história de Moisés e de Jetro, seu sogro. A dinâmica e o texto ajudam a refletir sobre a importância de perceber que as outras pessoas podem nos ajudar individualmente e contribuir com o grupo. Ao compartilhar as tarefas aliviamos o peso das responsabilidades, que não precisamos carregar sozinhos ou sozinhas, e crescemos em conjunto. O coletivo é favorecido.
Atividade complementar Que tal conversar sobre os diferentes estilos de personalidade de cada jovem que faz parte do grupo? O Guia do Presbitério da IECLB traz, em sua unidade 3, “Como exercer liderança?”, informações interessantes sobre o assunto. A partir dessa reflexão, segue uma atividade que pode ser feita com o grupo. É importante lembrar que toda classificação tem suas limitações, mas pode ser um instrumento interessante para a reflexão e o diálogo. Material: Caneta e 1 cópia do “Questionário Estilos de Personalidade e Interação” (anexo 1) para cada jovem, e 1 cópia do quadro com características de quatro estilos fundamentais de personalidade (anexo 2) para cada trio ou quarteto que será formado. Desenvolvimento: • Entregue para cada jovem uma cópia do questionário em anexo. • Após o preenchimento individual, peça que contem a quantidade de marcações que cada letra recebeu. • Explique que cada letra corresponde a um estilo de personalidade. Quanto maior a frequência que determinada letra aparece, mais presentes são aquelas características na pessoa. • Divida o grupo em trios ou quartetos e entregue o quadro com as características de quatro estilos fundamentais de personalidade (Estilo Pessoal de Interação). Nesse quadro consta um cruzamento de todos os estilos, que também pode ser analisado por cada grupo. • Após, reúna os grupos na plenária, motivando a compartilharem as descobertas e reflexões, relacionando-as com a postura de Jetro e com a realida-
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de do próprio grupo, da família de cada jovem, da comunidade e da sociedade em geral. • - Ressalte que cada pessoa tem um jeito de ser e que, com o seu estilo, cada um e cada uma pode contribuir muito para a caminhada e crescimento do grupo e da igreja.
Bibliografia BÍBLIA Sagrada: Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. São Paulo: Editora das Américas, 2014. MARQUES, Edinaldo. Liderança no século XXI. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/lideranca-no-seculo-xxi/58647/ VOIGT. Emilio. Guia para o presbitério: manual de estudos. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: IECLB, 2010. (Série Educação Cristã Contínua) Expediente: Palavr@ção é uma publicação da IECLB – Núcleo de Produção e Assessoria/Coordenação de Educação Cristã, e é destinada para pessoas que orientam a educação cristã de grupos de jovens. Colaboração: Secretaria da Ação Comunitária/Coordenação do Trabalho com Jovens e Conselho Nacional da Juventude Evangélica - CONAJE Elaboração: Teól. Gislaini Rodrigues Endlich e Teól. Renato Endlich Equipe de revisão: Profª Andressa Luana Hardt, Cat. Daniela Hack, P. Emilio Voigt, P. Gerson Acker, Cat. Maria Dirlane Witt, Jorn. Martina Wrasse Scherer e Diác. Simone Voigt. Revisão ortográfica: Jorn. Martina Wrasse Scherer Projeto Gráfico: Leandro Bierhals Coordenação: Cat. Daniela Hack Postagem: Portal Luteranos – fevereiro de 2017 Gostou do estudo? Tem alguma sugestão de tema ou atividade? Então escreva para nós: secretariageral@ieclb.org.br. Acesse a Página da ECC no Portal Luteranos e confira os demais estudos do Palavr@ção.
23 Anexo 1: Estilos de personalidade e interação – Questionário autoavaliativo* Marque até duas alternativas que melhor lhe definem em cada conjunto: a. detalhista b. é claro/a nas afirmações c. cooperativo/a d. visionário/a a. preza pela justiça b. sabe o que quer c. confiável d. direto/a a. resume as informações b. age rapidamente c. necessita de aceitação d. adapta-se facilmente a. busca informações confiáveis b. cria alternativas c. preza as relações d. aprecia a novidade a. necessita de provas b. tem disposição c. sensível às necessidades alheias d. compartilha informações a. precisa de critérios b. aprecia o controle c. bom ouvinte d. cooperativo/a
a. objetivo/a b. orienta-se por resultados c. busca o consenso d. prioriza a qualidade a. responsável b. necessita de comprovação c. apoiador/a d. inovador/a a. organizado/a b. busca o equilíbrio entre custo e qualidade c. responsável d. preza as relações *Essas características ajudam na reflexão e no auto e mútuo conhecimento. Entretanto, avaliações mais profundas devem ser feitas por profissionais com habilitação na área.
23 Anexo 2: Características de quatro estilos fundamentais de personalidade* Confira as principais características de cada estilo: a. Analista É detalhista, processual, resume as coisas, busca exatidão, necessita de provas, precisa de critérios; é objetivo/a, eficiente, informativo/a, organizado/a. Pontos Fortes Pontos a Melhorar Precisão (resultados confiáveis), pro- Tomar iniciativa, ser mais decisivo/a, fundidade, detalhista, distanciamento mais aberto/a, investir nas relações dos interesses pessoais, na tomada de pessoais, ser mais emocional. decisões, se baseia em informações, pensa de maneira linear (1,2,3,.. a,b,c..) b. Batalhador/a Orienta-se em resultados, tem controle, busca opções, possui clareza, vai ao foco, tem metas, quer a prova das coisas, age, orienta-se no proveito. Pontos Fortes Pontos a Melhorar Sabe o que quer, tem muita energia, Capacidade de adaptação, entrar em age rapidamente, cria opções, man- consenso com outras pessoas, diminuir tém equilíbrio entre custo e qualida- o ritmo, delegar mais, capacidade de de, esclarece necessidades. ouvir e entender outras pessoas, mostrar e trabalhar mais suas emoções. c. Amistoso/a É bastante relacional, precisa se sentir inserido/a no grupo, necessita de aceitação, é de confiança, precisa e dá apoio, é cooperativo/a, responsável, solícito/a, precisa de reputação. Pontos Fortes Pontos a Melhorar É sensível para necessidades alheias, Trabalhar orientado/a para metas, tem relações confiáveis, direitos e buscar medir resultados em ações, exigências devem ser cumpridas, é agir mais rapidamente, tomar deciconsensual. sões.
d. Criativo/a É visionário/a, aberto/a, tem muita inspiração, é direto/a, trabalha em equipe, é relacional, inovador/a, tem uma visão global das coisas. Pontos Fortes Pontos a Melhorar Capacidade de adaptação, sociabili- Aumentar a disciplina, diminuir o invesdade, inovação, prioriza a qualidade, timento de tempo em contatos, ter mais trabalho em equipe, compartilha in- planejamento e organização, distribuir formações. mais tarefas e melhorar sua coordenação. Estilo Pessoal de Interação
No quadro acima, os números na vertical à direita e as letras na horizontal auxiliam na busca de nosso estilo específico. Pessoas com menor abertura emocional e mais racionais enquadram-se na linha do número 1. Pessoas com grau emocional maior enquadram-se na linha 4. Na coluna da letra A estão as pessoas que tomam a iniciativa mais frequentemente, que experimentam, avaliam, dialogam e agem mais. Na coluna da letra D encontram-se àquelas que ficam na expectativa, na espera, que observam, perguntam, ouvem e analisam mais. (Fonte: VOIGT. Emilio. Guia para o presbitério: manual de estudos. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: IECLB, 2010, p.36-38) *Essas características ajudam na reflexão e no auto e mútuo conhecimento. Entretanto, avaliações mais profundas devem ser feitas por profissionais com habilitação na área.