EDIÇÃO DIGITAL Ano XXIII, Nº 50, primavera de 2020
Arquivo Cepagro
Ajuda humanitária de FLD-COMIN-CAPA promove segurança alimentar e sanitária a famílias afetadas pela covid-19. Recursos destinados à Cesta Solidária beneficiam quem produz alimentos e produtos de limpeza e quem mais necessita deles. Você também pode participar doando no link https://doe.fld.com.br. Confira ações da campanha nas pgs 4,6,8 e 9 desta edição.
João Daniel Wermann Foschiera
Campanha une famílias agricultoras àquelas que mais precisam de alimentos
Núcleo Erexim inicia projeto para cultivar em larga escala tomate rasteiro pg 5 Folder e filme para articular defesa do Pampa ameaçado por projetos de mineração pg 10 Receita e dicas de alimentos que fortalecem o sistema imunológico pg 10
TECNOLOGIAS
Opinião A bênção de poder compartilhar
EDIÇÃO DIGITAL
Horta comunitária coletiva responde a desafio de novos tempos
Em sua quinquagésima edição, o Recado da Terra registra ações de partilha e solidariedade que trazem esperança e vida para as Uma experiência nova, pessoas mais afetadas pela pandemia de covid-19 que trouxe de aprendizado conjunto, quarentena e dificuldades, princide doação da produção palmente para quem vive da ecocoletiva em um contexto nomia informal. urbano caracterizam essa No tempo de isolamento social, atividade. Aqui colaboram vários recursos do CAPA foram pessoas e empresas com redirecionados para a Campanha Cesta Consciente que beneficia trabalho, sementes e quem produz e quem mais equipamentos. precisa de alimentos e materiais O mesmo local da horta de limpeza (ver pgs. 4, 6, 8 e 9). é unidade de referência do Um destaque desta edição é Quintal Agroecológico, do a horta comunitária. Uma existe grupo de mulheres do Projeto em Pelotas/RS desde o ano 2000 e outra foi criada há poucos mede Saúde Comunitária, ses, em Teotônia, no terreno que organizado pelo CAPA de também recebe o Quintal AgroeSanta Cruz do Sul/RS. cológico do projeto Ecoforte (ver “Em função da pandemia, artigo ao lado e pg. 7). junto a este quintal iniciamos Outra farta colheita de quem o processo produtivo e surgiu distribui boas sementes, como o Programa Sementes Banrisul (ver a horta comunitária”, conta pg.7), são as quatro novas feiras Lauderson Holz, agrônomo ecológicas que iniciam nos próxie técnico do CAPA, . mos meses na região de Pelotas. Atualmente participantes Nesta edição digital, a ser lida buscam novos recursos para o no computador e no celular, as projeto de irrigação da horta. matérias estão mais enxutas, há Atividade comunitária na área urbana do bairro Canabarro, em Teotônia /RS um link para concluí-las no site do CAPA, e número de páginas está Artigo da Pastora Cristiane Echelmeier* menor. As seções Meio Ambiente, A pandemia gerou muitos problemas e ainda primeiras doações vieram da empresária Monica Juventude e Saúde ocupam agora trará grandes consequências a longo prazo que Wassen, da TeutoAgro Petshop e da psiquiatra a página dez da publicação. são imensuráveis em todos os segmentos da Michele Valent, que são admiradoras e parceiras Almejamos que partilha de do projeto. Ao divulgarmos os primeiros passos na sociedade. ideias, alimentos e boas ações pagina do facebook da Paróquia Evangélica TeotôNo entanto, percebe-se algumas mudanças seja farta e traga muitas bênçãos. significativas. Por vezes uma crise muito gran- nia Sul, recebemos doações de sementes, mudas de desencadeia algo extraordinário. E assim de hortaliças e plantas medicinais. aconteceu em Canabarro, bairro da cidade de Acreditamos ser fundamental cada Teutônia/RS. No início da pandemia, havia uma preocupação muito grande com as primeiras pessoa escolher o que gosta de comer situações de demissões e pedidos de cestas báe o que quer experimentar de novo O Recado da Terra é o jornal do Centro de Apoio e sicas. Voluntárias da Comunidade Redentor se Promoção da Agroecologia, CAPA, ligado à Fundação na sua alimentação. dispuseram a costurar aventais e mascaras para Luterana de Diaconia e à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, IECLB. os profissionais da saúde. A inquietação e angúsÉ uma questão de dignidade humana. Núcleos e coordenações tia permaneciam para algumas pessoas. Havia a Núcleo Erexim/RS Parcerias com empresas se fizeram necessárias procura para fazer trabalho voluntário. “Em que Ingrid Margarete Giesel posso ajudar”? Como pastora e fomentadora para termos hortaliças para doar para as famílias Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR Vilmar Saar e Jhony Alex Luchmann de lideranças essa é uma pergunta que sempre carentes. Logo contamos com a simpatia e parNúcleo Pelotas/RS ceria incondicional da Cooperativa Languiru que queremos ouvir no trabalho em comunidade. Fábio Mayer, Neuza Devantier Neunfeld e Roni Bonow Assim surgiu a proposta da Horta Comunitá- primeiramente forneceu em torno de 650 mudas Núcleo Santa Cruz do Sul/RS ria. Fazer algo a mais do que só distribuir cesta de alfaces. A Cooperativa doa regularmente muMelissa Lenz básica. Afinal, ali não tinha proteína animal nem das de hortaliças e sementes, além de assessoria Núcleo Verê/PR Talita Slota Kutz técnica para plantio e preparo do solo. verduras para uma alimentação saudável. Jornalista Responsável: Cláudia Dreier, Reg. prof. 8149 Quinzenalmente, o agrônomo do CAPA, LauCom o trabalho que o CAPA desenvolve há Edição de textos e fotos, projeto gráfico e editoração: Cláudia Dreier vários anos com o grupo de Saúde Comunitária derson Holz realiza uma roda de bate-papo com Contato: calendulaviva@gmail.com Vida Digna, em Canabarro, tínhamos um terreno as pessoas voluntárias sobre o manejo e preparo Este jornal digital foi finalizado em setembro de 2020. de potreiro onde estavam plantadas algumas do solo, assim como planejamento de plantio e Maiores informações www.capa.org.br arvores frutíferas de um projeto em andamento. semeadura para cada período e reutilização dos INSTITUIÇÕES PARCEIRAS Foram preparados os primeiros canteiros e as canteiros. (Continua no site do CAPA.) Pastora Cristiane Echelmeier
02
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
GRATIDÃO
“
CONTINUE LENDO E COMPARTILHE
https://capa.org.br/2020/09/horta-comunitaria-coletiva-responde-a-desafio-de-novos-tempos/
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
Latino América
EDIÇÃO DIGITAL
Posição contra modelo industrial de agricultura O Movimento Agroecológico da América Latina e do Caribe (MAELA), avalia o cenário político frente à crise econômica e à pandemia, e reafirma que a Agroecologia é o caminho para garantir a soberania alimentar e preservar a vida em todas as suas dimensões (ver quadro abaixo). Foi lançado um comunicado em espanhol e português pelas organizações que compõem o MAELA, entre elas a FLD-COMIN-CAPA, que está direcionado a lideranças políticas, e a todas as pessoas campesinas, indígenas, agricultoras familiares e consumidoras. “Este documento objetiva ser um instrumento de diálogo, para reforçarmos a necessidade de políticas públicas que atendam comunidades indígenas e campesinas, que protejam seus direitos e estimulem sua participação na construção de projetos em defesa da vida e da Agroecologia”, explica Jhony Luchmann, coordenador do CAPA/ Núcleo Rondon/PR e coordenador do MAELA no Cone Sul. O MAELA reafirma a Agroecologia “como recriação de práticas ancestrais indígenas e campesinas de produção de alimentos saudáveis, com uma dimensão holística social, econômica, cultural e política, que respeite o equilíbrio natural e garanta a soberania alimentar dos povos”. Para Alicia Alem, da Argentina, a luta contra o poder hegemônico, cada vez mais concentrado, é também a luta contra a agricultura em escala industrial. “Fazemos isso a partir da resistência, das propostas e dos feitos concretos em nossos territórios. É uma luta desigual, mas nossa força emana da preservação da vida em todas as suas dimensões, e da defesa da biodiversidade”. (Continua.) CONTINUE LENDO E COMPARTILHE
Texto Diangela Menegazzi
Arquivo Núcleo Rondon/PR
03
O Conselho Político do Maela reuniu-se em Cuba, em setembro de 2019.
https://capa.org.br/2020/05/agroecologia-antes-durante-e-depois-da-pandemia/ e https://maela.org/
A Agroecologia para fazer frente à crise sanitária, econômica e social não só em tempos de Coronavírus, mas antes, durante e depois! O Movimento Agroecológico da América Latina e do Caribe (MAELA) trabalha para o fortalecimento da Agroecologia e das comunidades tradicionais, as mais afetadas pelo modelo exploratório do neoliberalismo que deu origem à atual pandemia de coronavírus. Vivemos em um mundo globalizado, onde os movimentos sociais, dos quais fazemos parte, vêm resistindo e lutando contra o poder econômico, esmagador e obsceno das grandes empresas e do capital financeiro. Essas instituições, responsáveis por instalar o neoliberalismo, geraram uma crise que aprofundou a indigência, a pobreza, a falta de acesso à terra, a contaminação das águas e dos bens naturais, a concentração de renda e de riqueza. O grande poder financeiro transnacional concentrado, manipulou e continua manipulando uma grande parte da opinião pública da América Latina e do Caribe, utilizando-se de pressão e de ferramentas midiáticas para instalar agendas, corrompendo grande parte dos poderes político e judiciário em benefício próprio em diversos países. Atacando e colocando em perigo incipientes democracias, asfixiadas pelo endividamento externo, destruindo a saúde e a educação pública, violando os direitos humanos e, em contrário, favorecendo a expansão da agricultura industrial com agrotóxicos e transgênicos, a mineração a céu aberto e a destruição dos mares com a pesca industrial, provocando o despovoamento das zonas rurais e colocando em risco a soberania alimentar dos povos. Como consequência da aplicação de políticas neoliberais por governos locais, em subordinação ao império, nossos países não contam com sistemas de saúde adequados e laboratórios, e uma infraestrutura que permita melhor resposta a um evento de
magnitude como a que estamos vivendo hoje com a Covid-19. Isso destaca a necessidade de um Estado presente, que observe, planeje e responda às necessidades que desde há muito tempo trazemos à tona a partir das organizações em nossos territórios. Essa resposta do estado precisa ser capaz de reverter situações como esta, que nos coloca a beira de uma crise maior. Com a pandemia, foi evidenciada a existência de uma grande parte da população com trabalho informal que, ao ter que suspender seus trabalhos, vê sua renda prejudicada de maneira violenta e, portanto, seu direito a uma dieta alimentar suficiente e saudável. É inaceitável que em um momento onde deveria imperar a solidariedade e a cooperação entre a sociedade, há setores que privilegiam a oportunidade de encher os próprios bolsos, aproveitando-se das necessidades de todas e todos. Priorizar os monocultivos aliados ao modelo industrial de agricultura é levar-nos a uma crise alimentar, à perda da biodiversidade, a uma dependência total da alimentação e à desapropriação dos territórios num cenário pós-coronavírus. Tudo isso, para garantir a governança da alimentação em mãos da indústria de alimentos com falsas soluções, como a agricultura climaticamente inteligente, agricultura de precisão e aumento de novos transgênicos, biologia sintética e impulsores genéticos, uma agricultura sem campesinato nem conhecimento ancestral indígena. (Continua no site do CAPA, link acima.)
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
Pauta Central
Ações Humanitárias na Pandemia
EDIÇÃO DIGITAL
FLD-COMIN-CAPA levam segurança alimentar e sanitária a famílias afetadas pela covid-19 Texto Thais Künhrich Arquivo FLD
04
Até meados de agosto, entidades distribuíram cerca de cinco mil cestas a famílias afetadas.
A pandemia da Covid-19 agravou a fome e o desemprego no país. Por isso, a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN) e o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) estão, desde março, atuando por meio de ações de ajuda humanitária para promover segurança alimentar e sanitária para milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. A iniciativa de enfrentamento à pandemia, que conta com recursos próprios e com apoio de organizações parceiras, já beneficiou 2.811 famílias (dados de 12 de agosto, dia de fechamento desta matéria) por meio da entrega de 4.985 cestas com alimentos perecíveis, não-perecíveis e panificados, provenientes da agricultura familiar e agroecológica, e kits de higiene, proteção e limpeza, produzidos por empreendimentos da economia solidária. O contexto permanece muito grave e por isso a FLD-COMIN-CAPA lançaram, no dia 17 de julho, data em que a FLD celebrou seus 20 anos, a campanha Cesta Consciente. O objetivo é engajar pessoas, instituições e comunidades para apoiar as ações de ajuda humanitária junto às famílias profundamente afetadas pelos efeitos sociais e econômicos provocados pela pandemia. Também busca contribuir com a sustentabilidade de cooperativas da agricultura familiar, assessoradas pelo CAPA, da reforma agrária, e de empreendimentos econômicos solidários, integrantes da Rede de Comércio Justo e Solidário ou presentes nos territórios de atuação de CAPA e COMIN. Grupos estes que tiveram cerca de 70% da sua comercialização afetada em razão da pandemia e da forte estiagem que atingiu a região nos últimos meses. “Com essa pandemia, a gente teve bastante travada as nossas vendas. Então esses projetos das cestas são muito imporCONTINUE LENDO E COMPARTILHE
Essas entregas foram possíveis graças ao apoio de Pão para o Mundo e da Igreja Evangélica Luterana na América e a parceria com o Sínodo do Rio Paraná da IECLB, com a Juventude Rural da Baviera, com a Aliança ACT, com a Companhia Nacional de Abastecimento, com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço e com a Fundação Banco do Brasil. Também houve o apoio de famílias agriculturas, cooperativas e associações em cada uma das regiões onde as cestas foram feitas entregues. O Programa de Pequenos Projetos da FLD apoia, até o momento, 15 ações de ajuda humanitária desenvolvidas por movimentos sociais, organizações comunitárias e comitês locais no Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Santa Catarina e Paraná. Acesse o link e faça sua doação: https://doe.fld.com.br
tantes”, afirma Clécio Weber, agricultor familiar da ECOVALE, de Venâncio Aires/RS, acompanhado pelo CAPA/Núcleo Santa Cruz. Dentre os produtos que compõem as cestas conscientes estão máscaras de proteção, alimentos como arroz, feijão, farinha, açúcar mascavo, mel, pão, tubérculos, hortaliças, frutas e ovos. Já os itens de limpeza incluem sabão em barra e desinfetantes ecológicos e biodegradáveis. Assim que montadas, elas são entregues às famílias pelas equipes, que seguem os protocolos de segurança sanitária para reduzir os riscos de propagação da Covid-19. São beneficiadas catadoras e catadores de materiais recicláveis, comunidades indígenas e kilombolas, famílias acampadas e assentadas da reforma agrária, povo cigano e empreendimentos da economia solidária. Gilberto Benitez, acadêmico de história e vice-cacique da aldeia Tekoha Pohã Renda, em Guaíra/PR, agradeceu em nome do povo Avá-Guarani. “Nesse momento, quero agradecer a quem apoiou essa iniciativa pra que esses alimentos chegassem até nós e pedimos que continuem nos apoiando. Vamos à luta e já, já venceremos essa doença. Com certeza, juntas e juntos somos fortes”. Famílias trabalhadoras de Empreendimentos Econômicos Solidários do Vale dos Sinos também receberam as cestas com alimentos agroecológicos. Ana Rejane Dias Celistre, da Associação de Artesãos da Feitoria (AAF), de São Leopoldo/RS, conta que, ao receber as cestas, não precisam comprar alimentos e, com isso, conseguem pagar água e luz. “Muita gente do nosso grupo tem famílias que precisam muito mesmo”. Luis Fábio Tavares Soares, também da AAF, vê o apoio como positivo. “Têm famílias com necessidade no nosso meio e essas cestas são muito importante para podermos nos manter durante
https://fld.com.br/capa/ecoforte/2020/acoes-de-ajuda-humanitaria-promovem-seguranca-alimentar-e-sanitaria-a-familias-afetadas-pela-covid-19/
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
CAPA Núcleo Erexim
EDIÇÃO DIGITAL
Ações para preservar a água como bem público Texto Cláudia Dreier
Com o propósito de defender ações em prol da democracia e dos bens públicos, o CAPA/Núcleo Erexim/RS, participa do Fórum Popular em Defesa da Água. Em plena pandemia, através de uma audiência pública virtual, a prefeitura municipal quer privatizar a água e o saneamento básico, condizente com a lei nacional do novo Marco Legal do Saneamento Básico recentemente aprovado. Saiba mais sobre esse assunto que afetará a grande maioria de brasileiras e brasileiros na matéria completa disponibilizada no site do CAPA pelo link abaixo.
Manifestação de integrantes do Fórum Popular em defesa da água em frente ao prédio da prefeitura de Erexim.
saneamento ser de fato tratado como direito básico e não como Desde sua criação, em 2010, o CAPA/Núcleo Erexim/RS participa mercadoria”, explica Grasiele. Ela alerta que entre os riscos da prido Fórum Popular em Defesa da Água, um movimento da sociedavatização está um aumento significativo na tarifa e a má prestação de civil na luta contra a privatização deste bem público. “Durante do serviço como tem sido observado em Uruguaiana/RS, Novo a pandemia está acontecendo uma tentativa de privatizar a água Hamburgo/RS, Manaus/AM, Teresina/PI e no Chile. na cidade de Erexim. Em 07 de agosto aconteceu uma audiência Existem vários motivos que levam o grupo a contestar: “a audiênpública virtual que pretende aprovar a privatização sem ouvir nincia do dia sete, dita pública, restringiu enormemente a participação guém”, denuncia Grasiele Berticelli, integrante da coordenação do popular, porque se deu apenas de forma virtual, considerando que Fórum Popular em Defesa da Água de Erechim, representando o a maioria da população não tem acesso adequado à tecnologia. Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Além disso, os questionamentos foram enviados para o e-mail da “O Fórum sempre prezou por fazer o bom debate junto da prefeitura antecipadamente. Foram os organizadores que decidiram sociedade, alertando sobre a importância do acesso à água e ao CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/09/acoes-para-preservar-a-agua-como-bem-publico/
João Daniel Wermann Foschiera
05
TECNOLOGIAS
Tomate rasteiro frutifica junto ao solo Texto Cláudia Dreier
Parceria e inovação marcam a nova atividade do CAPA/Núcleo Erexim que desenvolve o cultivo de tomate junto ao chão, sem estaqueamento. O núcleo oferece a assistência técnica, famílias agricultoras disponibilizam a área de cultivo e a Cooperativa Nossa Terra busca mercado para ampliar a comercialização. “Além de serem oferecidos nos cestos de alimentos, distribuídos em tempos de pandemia, e nas feiras, os tomates podem ir mais longe, distribuídos pela cooperativa que é referência de comercialização em todo país”, explica João Daniel Wermann Foschiera, do CAPA Erexim. Para o cultivo junto ao chão, os tomateiros precisam da palhada proveniente da plantação de centeio.
Estimulando a diversificação de cultivos, o CAPA/Núcleo Erexim/RS assessora uma área experimental de produção de tomate rasteiro. “A Rede Ecovida promoveu uma visita a uma propriedade próxima à Passo Fundo/RS que já realiza esse cultivo no Planalto. Agora estamos adaptando a experiência aqui, no Alto Uruguai, visando uma produção maior”, conta João Daniel Wermann Foschiera, engenheiro agrônomo do núcleo Erexim. “A área de plantio primeiro produz centeio. Este, além da adubação verde, fornece a palhada que permanece no solo para receber as mudas e proteger os tomateiros da umidade que deixam esse cultivo suscetível aos fungos”, explica João. Nesse primeiro momento, busca-se acertar a variedade e a adubação para depois ter uma produção em larga escala e com menor demanda de mão-de-obra. Este é um projeto conjunto desenvolvido pelo CAPA de Erexim, pela Cooperativa de Produção e Consumo Familiar Nossa Terra Ltda,
por famílias agricultoras e pelo Reassentamento Passo da Conquista do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Desde 2019, o CAPA trabalha com a Nossa Terra para organizar a comercialização de uma linha de produtos orgânicos que inicialmente incluiu a mandioca, os ovos orgânicos e agora investe na produção de tomates e sua respectiva agroindústria para atender a chamadas públicas como a merenda escolar. “Enquanto a cooperativa tem expertise em comercialização, o CAPA a auxilia na produção orgânica”, conta João. Agora, as mudas estão no viveiro e o plantio está previsto para meados de outubro. “Pretendemos realizar dois outros plantios, no final do ano e em janeiro, mas isso vai depender da adaptação do primeiro cultivo e do tempo meteorológico”. Segundo ele, já existe a previsão de uma nova estiagem para a região: “as árvores destruídas na Amazônia estão diminuindo os rios voadores e a chuva não chega até nós”.
CAPA Núcleo Marechal C. Rondon
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
EDIÇÃO DIGITAL
Comida boa na mesa em tempos de covid-19 Texto Diangela Menegazzi
Diangela Menegazzi
Em tempos de pandemia Alcides Lucatelle passou a entregar os alimentos agroecológicos. na casa das pessoas.
Em meio à crise social, ambiental e econômica, aprofundada pela pandemia da covid-19, organizações e movimentos sociais mostram a necessidade da construção de uma vida saudável, justa e solidária. E apontam a Agroecologia como o caminho a ser seguido. No Oeste do Paraná, famílias agricultoras e camponesas atendidas pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, CAPA/ Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR, em parceria com Itaipu Binacional, têm se esforçado para continuar a produção e comercialização de alimentos com práticas agroecológicas. O trabalho tem exigido persistência, criatividade e confiança no entendimento de que produzir alimentos saudáveis também é um
Uma das maneiras encontradas pelas famílias agricultoras da região Oeste do PR para manter a produção e a comercialização de alimentos agroecológicos durante a pandemia foi a entrega domiciliar. A procura pelo delivery aumentou em várias cidades como em Cascavel e Foz do Iguaçu, as maiores da região. Em Marechal Cândido Rondon, as vendas na Associação Central de Produtores Rurais Ecológicos (Acempre) cresceu em torno de 40% Outro ponto importante para o escoamento da produção de muitas famílias foi a manutenção do PNAE no Paraná.
gesto de amor à vida. Os desafios em manter a produção e a comercialização de alimentos têm sido inúmeros. Porém, uma das consequências positivas nesse período tem sido o fortalecimento da relação entre quem consome e quem produz por meio da venda direta. É o que tem acontecido, por exemplo, em Cascavel e Foz do Iguaçu, os dois maiores municípios da região Oeste do Paraná. Em ambas as cidades, funcionavam semanalmente feiras agroecológicas nas dependências da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná). Com a suspensão das aulas, e das atividades nos campi, as feiras foram paralisadas. Assim, tanto famílias que
CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/07/comida-boa-na-mesa-em-tempos-de-covid-19/
Cestas doadas pelo CAPA somam 12 toneladas Texto Diangela Menegazzi
Alimentos, produtos de higiene e proteção materializaram solidariedade e resistência beneficiando 14 comunidades indígenas Avá-Guarani localizadas no Oeste do Paraná, área de atuação do CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon. As famílias encontram-se em situação vulnerável especialmente durante a pandemia, enquanto resistem e ainda aguardam a demarcação de suas terras. A entrega das 712 Cestas Conscientes teve a participação de integrantes da IECLB e de produtoras e produtores agroecológicos da região. Entre os dias 1 e 3 de setembro, a equipe do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR, montou e entregou 712 Cestas Conscientes a comunidades indígenas Avá-Guarani de Guaíra e Terra Roxa, na região Oeste do Paraná. Ao todo, foram doadas 12 toneladas de alimentos e produtos de higiene e de proteção. Paulina Martines, professora e liderança Avá-Guarani da comunidade do Tekoha Y’Hovy, disse que as doações aliviam os desafios causados pelo distanciamento social, especialmente para as CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/09/5102/
Diangela Menegazzi
06
Comunidades em situação vulnerável recebem alimentos e produtos de higiene e proteção.
mulheres que têm bebês de colo. “Essas doações estão sendo importantes, principalmente, para as mães e para as mães solteiras que a gente tem nas comunidades, porque elas são mãe e pai ao mesmo tempo. E nesse período de pandemia elas não têm mais a liberdade de trabalhar fora da aldeia, trazendo ainda mais dificuldade para elas”. A ação de ajuda humanitária é realizada por FLD (Fundação Luterana de Diaconia, COMIN (Conselho de Missão entre Povos Indígenas) e CAPA por meio de doações à Campanha Cesta Cons-
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
CAPA Núcleo Pelotas
Rede CAPA implanta sistemas agroflorestais Texto Cláudia Dreier
Com apoio da Fundação Banco do Brasil, o programa Ecoforte permite investimentos em Agroecologia. Ao participar dele, o CAPA fortalece a produção, a comercialização, os processos de transição para a agricultura ecológica e a certificação participativa. A partir do projeto Rede CAPA de Agroecologia são criadas unidades de referência (URs), que funcionam como espaços pedagógicos, servindo de modelo de práticas agroecológicas a pessoas e grupos que as visitam
Implantação de um Sistema Agroflorestal que é uma Unidade de Referência (UR) do projeto Ecoforte.
FLD/CAPA foi contemplado com recursos do Ecoforte, programa de fortalecimento e ampliação das redes de Agroecologia, extrativismo e produção orgânica. Com o título Rede CAPA de Agroecologia Semeando o Bem Viver, o projeto prevê a estruturação de 46 unidades de referência (UR) nos cinco núcleos do CAPA. Destas, 18 estão localizadas na área de atuação do núcleo Pelotas/RS. “As atividades envolvem os mais diversos públicos: mulheres, jovens, escolas agrícolas, kilombolas, indígenas, cooperativas, associações e grupos informais da agricultura familiar”, conta Zamir Cardoso da equipe técnica do CAPA Pelotas. Dos cinco tipos de URs: Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Quintais Agroecológicos; Processamento de Grãos e Produtos da Sociobiodiversidade; Conservação, Recuperação e Reprodução das Sementes Crioulas e Varietais; Processamento de Hortaliças e Frutas; e Feira da Juventude com Produtos da Sociobiodiversidade, os primeiros terão oito unidades no núcleo. Zamir explica que “um grande diferencial é que as comunidades beneficiadas escolhem os tipos de mudas
que querem plantar na UR de SAFs. Indígenas preferem erva-mate e nativas, kilombolas dão ênfase a espécies medicinais e madeiras-de-lei, plantas que remetem ao passado”. Futuramente os SAFs serão registrados na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, permitindo à família agricultora usar as árvores que plantou, pois essa produção atende às demandas legais de corte. Outra característica do projeto é disponibilizar recursos para a compra de equipamentos para estruturar as URs. “60% da verba do projeto destina-se a bens materiais. Por exemplo, as padarias, URs de processamento de grãos, recebem forno, mesa, amassadeira, cilindro, etc. “, afirma Zamir. “Já para a UR feira da juventude, que irá iniciar em Turuçu,em janeiro de 2021, foi adquirida uma tenda coletiva, caixas de feira, balanças e freezer.” As atividades do projeto iniciaram em agosto de 2019, com previsão de término para março de 2021.”Devido à pandemia vamos tentar prorrogá-las por pelo menos três meses, pois neste ano não tivemos condições de realizar as atividades coletivas”, conclui.
Distribuição de sementes, cultivo e quatro novas feiras Texto Cláudia Dreier
Comunidade do Kilombo Medeiros recebendo sementes da Bionatur e mudas do Ecoforte.
O Programa Sementes Banrisul atendeu à solicitação do CAPA/Núcleo Pelotas/RS possibilitando a distribuição de 1500 kits de 17 sachês diversos que serão entregues nas comunidades até o final de setembro. Indígenas Guaranis, kilombolas e famílias agricultoras, entre elas pomeranas, já receberam o kit de sementes agroecológicas produzidas pela BIONATUR, de Candiota. Além das sementes, técnicas e técnicos do CAPA orientam o cultivo ecológico e organizam a comercialização, tanto em pontos de venda quanto na criação de novas feiras com oferta direta à população urbana. “Nos próximos meses serão inauguradas quatro novas feiras”, revela Márcio Morales, da equipe do núcleo.
3.582,00. Esses alimentos tanto podem atender a necessidade de “Em poucos meses, o conjunto de ações do CAPA/Núcleo Pelotas/ consumo das famílias agricultoras quanto podem ser vendidos em RS junto à agricultura familar fecha um ciclo que inicia na distrimercados ou nas feiras ecológicas. buição de sementes, passa pela assistência técnica na produção e Resultado da construção coletiva também junto aos governos chega à disponibilização desses alimentos nas feiras ecológicas, locais, nos próximos meses serão implantadas quatro novas feiras. com venda direta a habitantes das cidades”, contextualiza Márcio Em 14 de outubro inicia a feira do grupo Serra do Tapes/Arroio do Marcelo Garcia Morales, agrônomo e técnico do núcleo Pelotas. Padre, na avenida República do Líbano, em Pelotas. “Em breve tereO CAPA solicitou ao programa Sementes Banrisul, que distribui mos a Feira Kilombola, no largo do Mercado Público de Pelotas, e as kits de sementes orgânicas, benefícios a quatro entidades: três coofeiras nos municípios de Morro Redondo e de Turuçu, que receberam perativas e uma associação kilombola. “Encaminhamos as propostas recursos do Ecoforte – Rede CAPA de Agroecologia”, afirma ele. em abril e no final de junho, para nossa satisfação, todas foram Entre as famílias agricultoras que recebem os kits do programa aprovadas, abrangendo 1502 famílias”, conta Márcio. Sementes Banrisul, 23 são indígenas da etnia Guarani, 415 são Segundo ele, um kit de sementes com 17 sachês pode produkilombolas, 33 são de produção Agroecológica e 1031 famílias, da zir 1193 unidades e 749,50 quilos de produtos, equivalente à R$ CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/09/sementes-cultivo-e-quatro-novas-feiras-ecologicas/
Arquivo Núcleo Pelotas/RS
EDIÇÃO DIGITAL
Arquivo Núcleo Pelotas/RS
07
CAPA Núcleo Santa Cruz do Sul Agroecologia promove cooperação, saúde e paz Arquivo Núcleo Santa Cruz/RS
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
EDIÇÃO DIGITAL
Parcerias permitem realizar ações emergenciais de ajuda Texto Augusto Weber
Em tempos de pandemia, o CAPA/Núcleo Santa Cruz buscou apoio de entidades parceiras para auxiliar famílias em situação de risco. Momentos de partilha e aprendizado vieram com os webinários, debates via internet, para aprofundar temas da Agroecologia. Segue abaixo o link do evento ocorrido na Semana dos Alimentos Orgânicos, promovido pela Associação Agroecógica do Vale do Rio Pardo, da qual faz parte o núcleo Santa Cruz. Foram convidados para a conversa virtual o agrônomo Sebastião Pinheiro e o médico veterinário especialista em homeopatia Alexandre Mendonça.
COMENTÁRIO Vivemos em tempos de aceleradas mudanças, preocupações e incertezas. Preocupações com a nossa saúde, que se acentuam com o covid19, mas que de longe é a única. Ansiedades, depressões e outras doenças decorrentes do nosso acelerado ritmo de vida e da má qualidade da nossa alimentação. Há uma preocupação cada vez mais crescente com a qualidade dos nossos alimentos. Em contrapartida a liberação e o uso do agrotóxicos cresce como nunca visto antes. Nossos alimentos estão cada vez mais contaminados e esta informação nos é escondida. Além disto temos a contaminação do ar e das nossas águas. Um coquetel com 27 agrotóxicos foi encontrado nas águas de 25% dos municípios brasileiros entre 2014 e 2017. Isto não quer dizer que nos outros não tenha, só não tem o coquetel completo. Esta informação é baseada em dados oficiais do Ministério da Saúde. A alternância entre secas e chuvas em excesso são cada vez mais frequentes. Neste cenário se apresenta a Agroecologia e cooperação como opção para produção de alimentos saudáveis e fazê-los chegar a quem consomer numa relação de maior proximidade e respeito. A Agroecologia é um jeito de viver, da agricultura familiar e camponesa, que contribui para a promoção da paz. Enquanto o uso do agrotóxico se orienta pela eliminação e extermínio do indesejado a agroecologia se orienta pela tolerância e respeito a natureza. Insetos e ervas indesejadas são entendidos como sinalizadores do desequilíbrio provocado e não como inimigos. Esta sensibilidade também se estende para as relações humanas. Agroecologia normalmente é vivenciada em grupos e pequenas cooperativas. Sighard Hermany - Engenheiro Agrônomo do CAPA/Núcleo Santa Cruz/RS.
O CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul, junto com entidades parceiras, neste momento tão atípico de pandemia da covid-19 em que estamos vivendo, tem realizado ações emergenciais de ajuda comunitária às famílias em situação de insegurança alimentar, proporcionando o direito humano à alimentação saudável. Nos meses de abril, maio e junho foram feitas entregas de cestas básicas com alimentos agroecológicos. Elas foram viabilizadas com recursos das Ações de Assistência Social e Saúde da Fundação Banco do Brasil. Os projetos foram executados em parceria com o consórcio de entidades de Agroecologia do RS e outro elaborado pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e CAPA. Nestas ações foram beneficiadas 124 famílias em situação de vulnerabilidade social, contemplando as famílias das cooperativas de catadoras e catadores de materiais recicláveis de Santa Cruz do Sul (COOMCAT), Encruzilhada do Sul (COMCREAL) e Rio Pardo (COCAMARP), bem como a Comunidade Kilombola Jacinta Souza, em Rio Pardo, totalizando a entrega de cerca de 3.500kg de alimentos agroecológicos. As cestas distribuídas possibilitaram refeições saudáveis e nutritivas a muitas pessoas, em especial, um grande número de crianças e idosos que compõem as famílias beneficiadas. Arquivo Núcleo Santa Cruz/RS
08
Alimentos entregues a famílias da Associação Comunitária Kilombola Jacinta Souza, em Rio Pardo/RS
Essas ações contaram com apoio da Cooperativa Regional de Agricultores Familiares Ecologistas Ltda - ECOVALE, que através dos seus associados e associadas forneceram os alimentos Agroecológicos. Vinte famílias de agricultores associadas a ECOVALE dos municípios de Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Candelária e Cachoeira do Sul, que também vivem contextos difíceis em função da estiagem e pela propagação do coronavírus, foram beneficiadas com a comercialização dos seus alimentos agroecológicos para compor as cestas doadas às famílias em vulnerabilidade social. Neste momento em que vivemos num cenário tão incerto e atípico, contribuir com o combate a fome, com alimentos agroecológicos, é exercitar a cidadania e a solidariedade, reforçando o direito à alimentação saudável, contribuindo para o fortalecimento da produção agroecológica da agricultura familiar e também da economia local e regional. ASSISTA O WEBINÁRIO NO LINK https://www.facebook.com/watch/?v=354013818905243
O RECADO DA TERRA - Primavera 2020
CAPA Núcleo Verê
EDIÇÃO DIGITAL
Verê empenha-se em ação humanitária na pandemia Texto Cláudia Dreier
Entrega de materiais em comunidade kilombola no município de Palmas/PR.
A equipe do CAPA/Núcleo Verê definiu como uma de suas prioridades desde o início da pandemia a ação de arrecadar verbas e distribuir cestos às pessoas mais atingidas pela esta crise sanitária e econômica causada pela Covid-19. Segundo Talita Kutz, coordenadora do núcleo, foram remanejados mais de dezoito mil reais de recursos próprios para a compra de cestos. “Realizamos também uma campanha de arrecadação permanente junto à Igreja Luterana da IECLB da região Sudoeste do Paraná.” Talita ressalta a importância da participação de integrantes da igreja nesta campanha que abrangeu nove municípios. “Em nome do CAPA/ Núcleo Verê registro aqui um agradecimento especial a
O CAPA/Núcleo Verê remanejou recursos próprios para a compra de cestas para atender comunidades mais afetadas pela pandemia de Covid-19. Em parceria com a Igreja IECLB do Sudoeste do Paraná, com o Fórum Popular Regional e com o Comitê Resistência e Solidariedade do Sudoeste do Paraná, entidades das quais o CAPA faz parte, foram beneficiadas cerca de mil e quinhentas famílias em nove municípios da região. Entre elas estão comunidades indígenas rurais e urbanas, acampamentos do MST, comunidades kilombolas e famílias urbanas em vulnerabilidade.
todas e todos que doaram e se envolveram no trabalho que já atendeu cerca de mil e quinhentas famílias, nesta ação conjunta do Fórum Popular Regional e do Comitê Resistência e Solidariedade do Sudoeste do Paraná”, enfatiza Talita. O conjunto de ações humanitárias beneficiou comunidades indígenas rurais e urbanas, acampamentos do MST, comunidades kilombolas e famílias urbanas em vulnerabilidade. Foram distribuídos cestos de alimentos com frutas e verduras orgânicas, kits de higiene e sabão caseiro, cobertores, livros, calçados, kits infantis, álcool e máscaras. “Muitas pessoas doaram materiais, alimentos e até mesmo o
CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/09/vere-empenha-se-em-acao-humanitaria-na-pandemia/
CAPA apoia grupo de mulheres Ana Primavesi
Arquivo Coletivo Ana Primavesi
09
Texto Cláudia Dreier
Coletivo de mulheres agricultoras do MST opta pela Agroecologia e recebe apoio da FLD e do CAPA de Verê para desenvolver quintais agroflorestais, trabalhar como guardiãs de sementes e construir uma estufa de mudas. Mesmo vivendo sem água encanada e luz elétrica, o coletivo demonstra sua força e solidariedade ao produzir, de maneira voluntária, alimentos e sabão ecológico para serem distribuídos a comunidades kilombolas. Responder a um edital da FLD aproximou o CAPA/Núcleo Verê/ PR de um grupo de mulheres de Clevelândia/PR, que vivem em um acampamento do MST. “Desde o início construímos o projeto junto com elas. Desta partilha vieram as bases do trabalho em Agroecologia e o nome do grupo: Ana Primavesi”, ressalta Jeniane Lima, Engenheira Florestal e técnica do CAPA Verê que assessora do grupo. O edital que originou o Ana Primavesi destinou recursos para quinze Quintais Agroflorestais: Mulheres cultivando a Agroecologia, expressão que deu o nome ao projeto. “Em agosto iniciamos a construção de um quintal para cada família do acampamento”, conta Jeniane. “Em espaço muito pequeno, uns cem metros quadrados,
Espaço coletivo rústico é utilizado para múltiplas atividades entre elas produzir sabão.
será colocado em prática os princípios da Agroecologia. Respeitar os ciclos da natureza, fomentar a diversidade de cultivos, produzir alimentos saudáveis, observar as espécies mais adaptadas ao local fazem parte deste aprendizado coletivo.” Mesmo vivendo em um local sem rede elétrica nem água encanada, além do envolvimento com os quintais, três integrantes do grupo aceitaram o desafio e passaram a ser guardiãs de sementes. Elas realizaram oficinas e receberam sementes da ReSA (Rede de Sementes de Agroecoogia do Paraná), da qual o CAPA faz parte. Outro projeto em andamento coordenado pelo CAPA é a construção de estufas para a produção de mudas. Esta ação recebeu o
CONTINUE LENDO E COMPARTILHE https://capa.org.br/2020/09/capa-apoia-grupo-de-mulheres-ana-primavesi/
MEIO AMBIENTE Mandala
RECADO DA TERRA - Primavera2020
EDIÇÃO DIGITAL
Campanha pela preservação do Pampa
Comunidades kilombolas e da agricultura tradicional que vivem no entorno do Rio Camaquã estão ameaçadas por dois empreendimentos de mineração: Mina Caçapava do Sul e Fostato Três Estradas. Rejeitos de tais atividades contaminam a água, o ar e o solo. A Associação Kilombola Tio Dô, a partir de um projeto da FLD, conseguiu recursos para mobilizar e orientar outras comunidades sobre essa ameaça ao bioma Pampa, sistematizando informações em um folder. “As pessoas receberam muito bem o material e constataram que a mineração não traz benefício nenhum”, conta Daniel Roberto Soares, da equipe do CAPA Pelotas, que assessora a Tio Dô. O material foi entregue junto com sementes, mudas (ver pg 04 e 07) e cestas de alimentos, viabilizadas a partir de recursos da Igreja Evangélica Luterana na América. No dia 07 de setembro, o Comitê de Combate à Megamineração no RS, do qual a FLD faz parte, lançou o filme “Dossiê Viventes - O Pampa viverá”, que pode ser visto no link abaixo. VEJA E COMPARTILHE
https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=MIXozp6SZQE&feature=emb_logo&fbclid=IwAR0m3yrIJBzjmkd_9YzJ9emjomOfYThG7102IyJHnF5Pz3ievtYiElXetTM
Quintal agroecológico na escola
JUVENTUDE
Em 24 de agosto, a Escola do Campo Casa Familiar Rural, em São Jorge D’Oeste/PR recebeu um grupo de seis pessoas para o plantio de 19 mudas de árvores frutíferas. A atividade integra o projeto Unidade de Referência em Quintais Agroecológicos que é coordenada CAPA/Núcleo Verê/PR em São Jorge D’Oeste/PR e integra o programa Ecoforte. O quintal terá o acompanhamento de estudantes do curso técnico em Agroecologia da Casa Familiar Rural e do ensino médio da Escola do Campo Pio X, ambas instituições situadas no mesmo município. Devido à pandemia, o projeto ficou parado a partir de sua apresentação à comunidade escolar, feita em fevereiro. O pequeno grupo formado por Gabriel, um professor, uma professora e dois estudantes veio à escola para aproveitar a época propícia ao plantio e dispôs no local as futuras árvores de cereja, acerola, uvaia, guabiju, cítricos e outras. “A ideia inicial era que a gurizada, além de plantar, cuidasse do crescimento das mudas. Como agora estamos no tempo das aulas virtuais e isso não é possível, o zelador da escola é quem irá cuidar do pomar. Outras atividades serão agendadas para grupos menores de estudantes nos meses de outubro e novembro”, explica Gabriel. LEIA MAIS E COMPARTILHE
SAÚDE Texto Cláudia Dreier
RECEITA Ingredientes 1\2 cabeça de alho descascado 2 cebolas médias 4 a 5 raízes de açafrão com casca sal a gosto azeite de oliva
https://www.capa.org.br/2020/05/estudantes-vao-acompanhar-quintal-agroecologico-em-sao-jorge-doeste/
Gabriel Rodrigues Lima
10
Pequeno grupo realiza plantio de frutíferas na escola Casa Família Rural.
Orientações para se prevenir da covid-19 Pasta de Açafrão Modo de preparo Descasque o alho, a cebola e o açafrão e bata tudo no liquidificador, vá colocando sal aos poucos e se necessário umas gotas azeite de oliva ou de água. O ideal é que fique uma pasta para temperar carnes, molhos, colocar no arroz, massas, omeletes, sopas, maioneses, misturar junto com nata ou iogurte natural. Guardar na geladeira, validade 10 dias.
Pode ser feito só com cebola ou só com alho. Recomenda-se ingerir o açafrão da terra com pimenta, pois a pimentina potencializa a absorção da curcumina. CONTINUE LENDO E COMPARTILHE
Duas escolhas simples podem diminuir a ação do vírus Sars-CoV-2, que afeta vários órgãos vitais. Uma é o uso de máscara. Pesquisas comprovam que quanto menor a quantidade de vírus que uma pessoa recebe, menor é a gravidade da doença covid-19. Outra é ter um cardápio que fortaleça o sistema imunológico. Veja nesta matéria alimentos indicados para reforçar as defesas do organismo para conter o vírus. Pesquisas recentes mostram que além de danos nos pulmões, o Sars-CoV-2 pode afetar o coração, os rins, o intestino, o fígado, o pâncreas/sistema endócrino, o sistema vascular e até o cérebro. Cientistas também constataram que quanto menor a quantidade de vírus que a pessoa recebe, menor será a gravidade da doença covid-19, por isso é fundamental usar máscara. Há 17 anos o CAPA/Núcleo Santa Cruz/RS trabalha com grupos de saúde comunitária, estimulando uma alimentação que promova a saúde. “A receita que escolhemos para esta edição do Recado é pasta de açafrão, pois é muito boa para aumentar a imunidade”, afirma Melissa Lenz, nutricionista e coordenadora do núcleo.“Nas palestras nos grupos também falamos de outros alimentos como mel, propólis, limão, que fortalecem o sistema imunológico.” Compartilhamos no texto que segue materiais organizados pela enfermeira
https://capa.org.br/2020/09/orientacoes-para-prevenir-se-da-covid-19/