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O Recado da Terra. Número 47, primavera de 2018 - CAPA ensina Comida Boa na Mesa

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Ano XXII, Nº47, primavera de 2018.

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Audiência pública sobre agrotóxicos em Santa Cruz

Arquivo Núcleo Verê/PR

Seminários sobre Trofobiose no núcleo Erexim

Mulheres Karo Arara lançam livro de receitas

Evento em Foz Rondon inicia projeto do Iguaçu reúne de piscicultura. Novas alternativas 1.300 pessoas de produzir frangos e ovos caipiras IECLB elege uma mulher no cargo de pastora presidenta TECNOLOGIAS pg 7

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Saiba como fazer um semeador de hortaliças

Elias Wojahn

CAPA ensina Comida Boa na Mesa

Percorrendo o jogo de tabuleiro ampliado pelo CAPA, crianças brincam e conversam sobre Comida Boa na Mesa. Confira na página central outras ações educativas deste projeto trienal.


Vivemos dias desafiadores no novo cenário político que se descortina aos nossos olhos. Mais do que nunca, manter a união e buscar parcerias realizadas ao longo de 40 anos de trabalho do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, CAPA, fortalece nossa identidade, nossas convicções e as ações que promovem o bem comum para diversos grupos e comunidades, incluindo os chamados de minorias e as mulheres. Na base da página, estendemos nossa gratidão ao grupo de kilombolas que produz feijão servido na Universidade Federal de Pelotas (grafamos com k por esta letra existir nas línguas africanas yorubá e kibundu que não possuem o q). Damos nosso aplauso à Pastora presidenta eleita no Concílio da IECLB que, na pg 16, deixou o seu recado para leitoras e leitores de nosso jornal. Nos três anos da Campanha Comida Boa na Mesa (confira Manifesto dos 40 anos do CAPA na página central) a educação é destaque: seja ensinando a Agroecologia em universidades e escolas, nos eventos do Maela, ENA, Paraná Agroecológico ou mesmo de maneira lúdica através de um jogo de tabuleiro (fotos de capa e central) que leva as crianças para o universo dos alimentos saudáveis. Prosseguir é preciso, com confiança no valor do trabalho de mãos capazes de construir um mundo mais justo, pacífico e saudável. Que os exemplos dessas páginas possam ser inspiração e apoio. Boa leitura a todas e todos.

02 - RECADO DA TERRA -Primavera 2018

O Recado da Terra é uma publicação do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia, CAPA, que está ligado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, IECLB.

Agroecologia, agrotóxicos e armas. Que relação existe entre esses conceitos?

Artigo de Sighard Hermany*

Para entender como a Agroecologia, os agrotóxicos e as armas relacionam-se, inicialmente é preciso ter bem claro o significado dos dois primeiros conceitos. A Agroecologia nasce da busca de alternativas ao modelo agroquímico de produção, conhecido como Revolução Verde. Este modelo está baseado no uso de agrotóxicos e adubos químicos sintéticos e formulados, que veio a causar sérios impactos ambientais e sobre a saúde humana. Em sua origem, os agrotóxicos foram formulados a partir de substâncias da indústria sintética, desenvolvidas durante a Primeira Guerra Mundial e amplamente usadas como armas químicas na Segunda Guerra Mundial. Após o conflito internacional, estas substâncias estocadas no pátio de grandes indústrias serviram de ingredientes para a fabricação dos agrotóxicos que passam a ser amplamente usados no combate às pragas e doenças na agricultura. O seu objetivo é combater, eliminar, matar insetos e, mais tarde, também plantas prejudiciais à produção agrícola. O amplo uso dos agrotóxicos passou a causar uma série de impactos ambientais, causando o desequilíbrio da natureza, a contaminação das águas e aumentando cada vez mais a necessidade do seu uso. Além de causar sérios problemas para a saúde humana, como câncer e interferências maléficas sobre o cérebro e sobre glândulas diversas. O uso dos agroquímicos, agrotóxicos e adubos teve como justificativa resolver o problema da fome, porém isto não aconteceu. Em abril deste ano até mesmo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, divulgou publicamente que a agroquímica fracassou, passando a recomendar a Agroeco-

logia como forma de produção para alimentar o mundo. Na Agroecologia a perspectiva é inversa. Procura-se entender as causas que fazem surgir pragas, doenças e plantas indesejadas. Estes problemas, via de regra são causados pelo desequilíbrio ambiental e da vida do solo provocado pelos agroquímicos. Busca-se então reestabelecer o equilíbrio da natureza e vida dos solos. Trabalha-se em harmonia com a natureza e com o respeito à vida.

“

Seguindo a mesma lógica dos agrotóxicos, armas tendem a demandar mais armas, sem perspectivas efetivas de construção de uma sociedade de equilíbrio e paz.

Ultimamente vem crescendo em nosso meio a defesa pelo direito de pessoas terem suas armas para a sua autodefesa. E o que isto tem a ver com Agroecologia e agrotóxicos? Armas e agrotóxicos têm em comum a sua origem, a indústria bélica, e o mesmo princípio de eliminar o inimigo. Este é, em realidade, nosso semelhante ou parte da mesma criação, mas indesejado. Seguindo a mesma lógica dos agrotóxicos, armas tendem a demandar mais armas, sem perspectivas efetivas de construção de uma sociedade de equilíbrio e paz. Quem sabe a Agroecologia possa nos inspirar, também, para uma sociedade mais equilibrada, justa, pacífica e feliz. Da mesma forma como acontece na Agroecologia, é preciso querer e acreditar. *Sighard Hermany é engenheiro agrônomo CAPA/Núcleo/ Santa Cruz do Sul/RS

Arquivo Núcleo Pelotas/RS

Editorial

Parcerias dão força para prosseguir

Núcleos e coordenações Núcleo Erexim/RS – Ingrid Margarete Giesel erexim@capa.org.br Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR – Vilmar Saar rondon@capa.org.br Núcleo Pelotas/RS – Rita Surita pelotas@capa.org.br Núcleo Santa Cruz do Sul/RS - Melissa Lenz santacruz@capa.org.br Núcleo Verê/PR – Jhony Alex Luchmann vere@capa.org.br Jornalista Responsável: Cláudia Dreier, Reg. prof. 8149

Edição, projeto gráfico e editoração: Cláudia Dreier Contato: calendulaviva@gmail.com O Recado da Terra circula duas vezes ao ano. Esta edição foi impressa em novembro de 2018. Maiores informações em www.capa.org.br INSTITUIÇÕES PARCEIRAS

GRATIDÃO À comunidade kilombola Maçambique que produz feijão servido na UFPEL. Dia de inverno, foto após reunião de produção.


TECNOLOGIAS INSUMOS

O trabalho do CAPA sempre esteve alicerçado no fortalecimento da produção de alimentos saudáveis pela agricultura familiar, povos indígenas, comunidades quilombolas e públicos urbanos. “Temos buscado cada vez mais o desenvolvimento de tecnologias que facilitem o trabalho, aumentando a capacidade produtiva e desempenho nas atividades desenvolvidas pelas famílias“ afirma Jhony Alex Luchmann, coordenador do CAPA/Núcleo Verê/PR. Uma tecnologia alternativa desenvolvida pelo CAPA é o semeador de hortaliças. O equipamento foi aperfeiçoado por Valdir Luchmann que integrou a equipes técnicas de Marechal Candido Rondon e Verê e atualmente é agricultor agroecológico em Cruz Alta/RS.

COMO FAZER O SEMEADOR O semeador de hortaliças é fabricado com técnicas simples, utilizando-se de recursos de pequenas oficinas e é utilizado e validado a campo pelas famílias agricultoras de Verê e região. Pode ser utilizado para semear cenoura, beterraba, rabanete e rúcula. Os materiais necessários para fazê-lo são: 1) 01 cano de PVC 100

mm com 8 cm de comprimento. Fazer nele: uma linha de furos com distância de 3,5 cm entre os furos e diâmetro do furo de 0,6 cm para semente de beterraba; e uma linha de furos com distância de 3,5 cm entre os furos e diâmetro do furo de 0,3 cm, para sementes de cenoura, rabanete e rúcula, (foto). A distância entre as duas linhas de furos, no centro do cano, deve ser de 1,0 cm. 2) 01 disco de madeira com 17 cm de diâmetro. 3) 02 discos de madeira com 9,7 cm de diâmetro. 4) 01 cabo de madeira (1,2 m x 3,0 cm x 2,0 cm); 5) 01 Isolador elétrico de plástico. 6) 01 parafuso, 01 polca, 01 roela e pregos. 7) 01 tira de borracha.

Para realizar a semeadura, primeiro é preciso escolher a cultura que irá semear. Depois isolar uma das linhas de furo do cano de PVC com uma tira de borracha. Por exemplo, ao semear cenoura que possui uma semente menor, isolar os furos maiores do cano de PVC. A próxima etapa é colocar a semente no cano PVC, tomando cuidado para não

encher muito, e fechá-lo. “No local de plantio, deve-se preparar os canteiros e fazer a marcação das linhas para semeadura. Em seguida vem a etapa de passar o semeador observando para que as sementes caiam nas aberturas. Por fim, cobrir levemente as sementes com um rastelo/ancinho e molhar”, conclui Jhony. Fotos Arquivo Núcleo Verê/PR

Texto Raquel Rossi Ribeiro

ETAPAS DA MONTAGEM Inicialmente fixar no centro do disco de madeira de 17 cm um dos discos de 9,7 cm. Em seguida encaixar o cano de PVC sobre o disco de 9,7 cm já fixado. Depois fixar um isolador elétrico no outro disco de 9,7 cm, que servirá de tampa para o reservatório de sementes e encaixa-lo sobre o cano de PVC, conforme foto. E finalmente fixar o cabo do outro lado do disco de 17 cm, utilizando uma polca, roela e parafuso, de maneira que o disco fique livre para girar.

Juventude e Tecnologias

Aprenda a fazer o semeador de hortaliças

Acima: esquema para furar o cano. No topo: materiais necessários e semeador pronto.

Certificação da Rede Ecovida dada a partir do trabalho do CAPA CAPA Pelotas 139 famílias 2 cooperativas 2 agroindústrias 1 associação

CAPA Sta. Cruz do Sul 26 famílias 5 agroindústrias

CAPA Verê 50 famílias 2 cooperativas 3 agroindústrias 1 associação

Aulas resgatam dignidade

Quando o CAPA/Núcleo Pelotas/RS iniciou o trabalho em comunidades kilombolas percebeu a necessidade de realizar um resgate cultural. “Primeiramente focamos na música e no artesanato, mas já em 2003 surgiram as rodas de capoeira” explica Daniel Roberto Soares, da equipe do CAPA/Núcleo Pelotas/RS. Conhecido como mestre Pretto, ele pratica capoeira há 30 anos. “A capoeira é o carro-chefe escolhido pelas crianças e juventude entre as atividades realizadas nas comunidades kilombolas e assentamento”, explica Pretto. “A base deste trabalho é a Educação Popular, pois ela é uma ferramenta muito importante na luta contra desigualdades diversas. Através da capoeira podemos fortalecer, empoderar, reavivar aspectos culturais afro brasileiros esquecidos ou quase destruídos pelo processo discriminatório do sistema racista que está encravado em toda sociedade brasileira.” Atualmente, o CAPA realiza oficinas de capoeira nos kilombos Maçambique, Monjolo e Torrão, no Assentamento Santa Alice e na Escola Família Agrícola da Região Sul, Efasul. O incentivo às alunas e aos alunos a ocuparem todos os espaços da sociedade através da cultura e do conhecimento, também leva jovens kilombolas a alistarem-se nas forças armadas. “Há alguns anos, moradores de kilombos não iam servir no exército, pois acreditavam que eles seriam alvo

de violência física nos quarteis. Hoje, essa crença mudou. Jesse Rodrigues, há muitos anos aluno do grupo no Kilombo Maçambique, está prestando serviço militar e, no quartel, é professor de capoeira, dando aulas para seus colegas”. Outra mudança promovida nas comunidades onde o CAPA atua reflete-se no nível de escolaridade. “Vemos a diferença de políticas públicas de cotas. Em 2003, o pessoal estudava e frequentava a escola no máximo até o quarto ano letivo. Em 2008, a maioria avançava até o oitavo ano e então parava de estudar.” A partir das políticas públicas e do estímulo durante as oficinas de capoeira sobre a importância de jovens graduarem-se e ocuparem as universidades, “em 2018 temos mais de 40 meninas e meninos Kilombolas cursando as universidades através das bolsas e cotas nas mais variadas áreas do conhecimento”, explica Pretto. A graduação em capoeira, para quem participa da oficinas, acontece no final de cada ano. O dia da troca de cordas marca o avanço de estudantes até chegarem ao 18° estágio, onde recebem o título de mestre de capoeira. “Em 2017, na praia do Laranjal, o evento que chamamos de batizado de capoeira reuniu mais de 150 estudantes e 36 mestres de capoeira para avaliar o desempenho de cada participante e dar sua respectiva graduação.” explica mestre Pretto.

Gilmar Majada

JUVENTUDE

CAPA M. Cândido Rondon 72 famílias 3 cooperativas 5 agroindústrias

Em 2017, batismo de capoeira reuniu 500 pessoas.

A próxima atividade de graduação será no dia 08 de dezembro e está aberta à comunidade para que haja um reconhecimento da formação de cada estudante. “O aumento da participação das mulheres na capoeira nos últimos anos fez com que elas ganhassem a coordenação desse importante evento, agora chamado de Ginga Menina”, conclui Pretto.

03 RECADO DA TERRA - Primavera 2018

CAPA Erexim 48 famílias 1 cooperativa 7 agroindústrias


Mulheres Karo Arara lançam livro de receitas tradicionais

NOTÍCIAS CURTAS EDUCAÇÃO PARA SOLIDARIEDADE E PAZ

Arquivo FLD

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O PAMPA TAMBÉM É KILOMBOLA

roças é a garantia da continuidade da vida e do mundo. “A origem dos alimentos, os feitios dos roçados, agora e antigamente, as restrições alimentares durante o resguardo, a relação muito próxima com Totó New, que anda pela cozinha preparando macaloba (chicha) e se deixa revelar, estão relatadas aqui”, disse a assessora de Projetos do COMIN, Jandira Keppi. A produção do livro durou quase dois anos, para acompanhar os momentos de cada estação (verão, outono, inverno e primavera). As receitas, anotadas inicialmente em português, foram produzidas coletivamente, por meio de encontros ou oficinas de alimentação ou individualmente – “quando eu estava passando por uma casa e a mulher estava fazendo alguma comida tradicional, me chamava para fazer os registros”, conta Jandira Keppi, assessora de Projetos do COMIN. Durante o desenvolvimento da obra, houve todo um coletivo de mulheres envolvido com esse projeto. No final da edição, decidiu-se dar autoria das receitas às 14 mulheres que estão no livro, mas o envolvimento de mulheres e homens foi mais amplo.

O Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e a FLD, por meio do Projeto Pampa, promoveram, nos dias 9 e 10 de junho de 2018, o Encontro de Comunidades Kilombolas da Pampa. O próprio nome do evento foi uma provocação à reflexão. No vocabulário das línguas africanas como yorubá e kibundu, é utilizada a letra “k” e não a letra “q”. Fortalecer a identidade kilombola passa por valorizar a ancestralidade e a oralidade e por um processo de descolonização, inclusive de palavras e linguagens. “Os negros sempre escreveram com K, os europeus é que não entenderam”, disse Francisco Paulo Jorge Pinto, Mestre Chico, que assessorou o encontro.

NÃO BASTA SACIAR A FOME A organização parceira da FLD-COMIN-CAPA, Pão para o Mundo, continua com sua campanha de comunicação Não basta saciar a fome!. Uma publicação em pdf, que está disponível em https://bit.ly/2OSSHZ7 , traz informações sobre o tema, sobre projetos apoiados em todo o mundo – o CAPA aparece como notícia na página 8 – e ideias para aderir à campanha. Confira!

04 RECADO DA TERRA - Outono 2018

Mulheres Karo Arara lançam livro de receitas tradicionais, publicação que vai além da combinação de ingredientes. A obra apresenta histórias sobre a origem dos alimentos; os feitios dos roçados, tanto de agora quanto de antigamente; as restrições alimentares durante o resguardo; a relação muito próxima com Totó New, que anda pela cozinha preparando macaloba (chicha) e se deixa revelar. O livro Alimentação Karo Arara: Saberes e Práticas Karo at Wirikanã: mabexépkanã, está disponibilizado gratuitamente no endereço http://comin.org.br/publicacoes/interna/ id/106 e foi desenvolvido por mulheres, homens, idosos, crianças e jovens das aldeias Iterap e Paygap, da Terra Indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji- Paraná, no estado brasileiro de Rondônia. Organizado pelo Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), em parceria com o Departamento de Educação Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (Deinter/ UNIR) e apoiado por Pão Para o Mundo – Áustria –, a obra revela o povo Karo Arara por meio das práticas da alimentação e sua lida com os roçados. Para esta etnia, fazer

Arquivo FLD

Notícias Institucionais

Arquivo FLD

Desde 2017, um grupo de trabalho está responsável pelo desenvolvimento do projeto Educação para Solidariedade e Paz, que promoverá ações junto a alunas e alunos de escolas ligadas à Rede Sinodal de Educação. O projeto vai divulgar iniciativas que tenham como base esses dois temas, motivando crianças e jovens a conhecer projetos com perspectivas de transformação social. COMIN-CAPA-FLD farão parte das iniciativas a serem divulgadas nas escolas.

Projeto de comunicação para jovens do campo recebe prêmio

Adolescentes e jovens do Assentamento Contestado, localizado na cidade da Lapa (PR), região metropolitana de Curitiba (PR), participam do projeto Click Parafuso, que consiste na realização de oficinas sobre comunicação, fotografia e direitos humanos. Os objetivos da proposta, que recebe apoio do Programa de Pequenos Projetos da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), são empoderar o público-alvo com recursos de comunicação, que facilitem suas mobilizações sociais, e contribuir para que estes e outros jovens reconheçam e valorizem os traços culturais de sua comunidade e dos movimentos sociais aos quais pertencem. Em julho, os grupos responsáveis pelo projeto, Parafuso Educomunicação e do Centro Cultural Humaita, receberam a notícia de que este havia recebido um dos mais importantes prêmios na área de Arte e Educação no Brasil:

o Prêmio Funarte, concedido pela Fundação Nacional das Artes e Ministério da Cultura! “Como se não bastasse, imagina a nossa surpresa ao percebermos que, dentre as 252 iniciativas inscritas, ficamos na primeira colocação geral?!”, escreveram as e os jovens. “E mais: nossa nota não ficou empatada com a de nenhum outro projeto; fomos a única iniciativa a tirar nota 100!” “Certamente, o Brasil está cheio de ações incríveis no campo da arte e educação e uma nota nem sempre é capaz de definir a grandeza de um projeto. Entretanto, é com imensa felicidade que recebemos mais este reconhecimento que nos impulsiona a continuar empreendendo nos campos da comunicação, educação, arte, cultura, desenvolvimento sustentável e direitos da criança, de adolescentes e das juventudes.”


Grupo reúne universidades e instituições da sociedade civil, como o CAPA.

“Em diversos espaços estão sendo discutidas e apresentadas propostas para solucionar problemas relacionados ao meio ambiente. O Fórum Ambiental de Erexim, do qual o CAPA faz parte, foi criado em julho, como um espaço para apresentar alternativas práticas para a produção de alimentos saudáveis, a energia solar, os resíduos e o IPTU Verde”, comenta Ingrid Margarete Giesel, a Coordenadora do CAPA/Núcleo Erexim/RS. Considerando a abrangência local, o município de Erexim, entram na pauta do fórum questionamentos sobre como cuidar dos bairros, dos espaços públicas, das praças, do parque, do abastecimento de água, do saneamento básico, da destinação dos resíduos domésticos, dos rios e da preservação das áreas verdes. “Temos pela frente alguns desafios

como dialogar estes temas com a sociedade e alterar a matriz produtiva para modelos, como o agroecológico, que permitem a sustentabilidade dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade”, explica ela. Nas reuniões do fórum foram apresentadas propostas para a criação de programas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico; ao uso e a instalação de sistemas de conversão e/ou aproveitamento de energia solar; e um programa de incentivo à sustentabilidade urbana, chamado de IPTU Verde, que estabelece o desconto progressivo no IPTU de imóveis que adotarem medidas de redução de impacto ambiental e eficiência energética. Ainda foram apresentadas experiências com placas solares e cisternas.

Feiras agroecológicas em universidades de Erexim O CAPA de Erexim, agricultoras e agricultores, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Universidade Regional Integrada (URI) têm realizado um trabalho de parceria promovendo feiras ecológicas nas instituições de ensino. As feiras cumprem um papel importante na divulgação e na oferta de produtos agroecológicos para comunidade universitária, incentivam o resgate de espécies que estão desaparecendo e a conscientização da consumidora e do consumidor. A alimentação agroecológica e natural faz parte da nova visão de mundo que tenta estabelecer uma interconexão entre o respeito a todas as formas de vida planetárias. As feiras representam a produção e a circulação dos alimentos em nível local, permitindo uma remuneração justa, pois são as próprias agricultoras e agricultores que estão comercializando. Além de adquirir produtos, as pessoas trocam ideias e socializam experiências. Resgata-se a forma humana de comércio, sendo possível conversar com quem produziu o alimento, sobre onde é a sua propriedade e quais as práticas utilizadas na sua produção. As feiras são, antes de tudo, espaço de convívio social, troca de informações e construção de cidadania. Entendemos que a busca por melhor qualidade de vida passa por mudanças nos hábitos alimentares e as feiras estão cada vez mais populares e surgem como uma alternativa à padronização dos supermercados.Qualquer mudança alimentar, prestando maior atenção no que estamos consumindo, irá trazer benefícios para nossa saúde e bem estar. A Campanha do CAPA Comida Boa na Mesa quer que todas as pessoas tenham acesso à alimentação saudável e com qualidade. Na Agroecologia, a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza, rica em diversidade. Quem consome produtos agroecológicos contribui para a recuperação das águas, da paisagem e da melhor qualidade de vida das pessoas que vivem no meio rural. Fica o convite: participe destes espaços agroecológicos, ricos em biodiversidade e saúde. Por Ingrid Margarete Giesel, coordenadora do CAPA Erexim/RS.

Saúde e Meio Ambiente

Arquivo Núcleo Erexim/RS

Criado Fórum Ambiental

ARTIGO

RECEITA

Em 2018, o tema escolhido para a palestra e a oficina prática foi Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCS): Identificação, nutrição e gastronomia. O assunto foi desenvolvido pela Engenheira Agrônoma Dra. em Horticultura Fernanda Ludwig e a gastrônoma e Mestre em Desenvolvimento Regional Ana Claudia Guske, ambas professoras da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), unidade Santa Cruz do Sul. A palestra despertou o interesse do público mostrando possibilidades de consumir PANCs e rompeu paradigmas de que elas são inços ou ervas daninhas. Para a nutricionista e coorde-

Palito salgado de ervas

Ingredientes 2 copos de água fria; 2 cebolas médias; 1 dente de alho, ou mais, se desejar; ½ copo de banha; 3 xícaras de farinha integral; 2 xícaras de farinha branca; sal a gosto; farinha branca ainda até dar o ponto; Ervas frescas ou secas de sua preferência; (orégano, manjericão, tomilho, alecrim, sálvia).

Modo de preparo Bata a água, a cebola e o alho no liquidificador. Coloque este líquido em uma tigela e adicione o sal, a gordura e as ervas picadinhas. Adicione as farinhas, pouco a pouco, mexendo sempre. Se precisar, adicione farinha branca até tudo ficar bem homogêneo. Abra com o rolo até a massa ficar bem fininha e coloque na forma untada. Corte palitinhos e leve para assar até dourar.

Projeto Saúde Comunitária existe há 15 anos reunindo grupos de mulheres do Vale do Taquari. nadora do CAPA/Núcleo/Santa Cruz, assim as atividades de promoção Melissa Lenz: “Esse ano o encontro e educação em saúde, segurança, trouxe essa temática cada vez mais soberania alimentar e nutricional no necessária na vida das pessoas, pois Vale do Taquari. são plantas simples, fáceis de en“Esse ano de 2018 é de muita contrar, muito saudáveis”. celebração para o CAPA, por comeForam realizadas oficinas com morar 40 anos de atuação em prol demonstração de alguns pratos com da agroecologia e também pelo ingredientes de PANCs, como geleia aniversário de 15 anos do Projeto de trevinho, suco PANC verde, sala- Saúde Comunitária.” comenta Meda de flores e folhas, entre outros. lissa enfatizando que ”é gratificante Um destaque do dia, que aten- escutar das mulheres as mudanças deu a uma demanda dos grupos que ocorreram na alimentação, na de saúde comunitária, foi o lança- saúde, autoestima e na vida delas.” mento da nova Feira da Ecovale. Ela Ao final do encontro, houve a irá ocorrer na segunda quinta-feira partilha do lanche comunitário trade cada mês, na Casa Sinodal, com zido pelos grupos com receitas que exposição e comercialização de aprenderam no projeto e também a produtos da agricultura familiar, degustação das receitas elaboradas orgânicos e integrais. Fortalecendo na oficina de PANCs.

05 - RECADO DA TERRA - Primavera 2018

O encontro anual dos Grupos de Saúde Comunitária foi em 09 de agosto de 2018, promovido pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) Núcleo/ Santa Cruz do Sul/RS em parceria com o Sínodo Vale do Taquari. Realizado na sede do Sínodo, em Teutônia/RS, o evento recebeu representantes dos 16 grupos que integram o Projeto Saúde Comunitária, abrangendo os municípios de Cruzeiro do Sul, Westfália, Paverama e Teutônia. Estiveram presentes autoridades municipais locais e de Westfália e o Pastor Sinodal Gilciney Tetzner, do Sínodo Vale do Taquari, que realizou a celebração inicial do encontro.

Arquivo Núcleo Santa Cruz/RS

Projeto de Saúde Comunitária faz 15 anos


Entre os dias 11 e 14 de julho em Foz do Iguaçu/PR reuniram-se os representantes do Movimento Agroecológico Latino-americano e Caribe (Maela) do Paraguai, Argentina, Chile, Cuba, México e Brasil. Mais de 50 pessoas participaram e se envolveram nas atividades. O Maela compõe-se por quatro regiões: Meso América, Andina, Caribe e Cone Sul, nesta está o Brasil, junto com Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Este encontro foi uma atividade específica do Cone Sul. O objetivo do Movimento Agroecológico é conectar experiências, lutas, organizações e pessoas dos mais diferentes lugares da América Latina que promovem a Agroecologia nos mais diversos campos. O atual coordenador da região do Cone Sul, Jhony Luchmann, coordenador do CAPA/NúcleoVerê/ PR justificou a proposta de realizar o encon-

tro em Foz do Iguaçu: “a região é rica em experiências agroecológicas, além de territorialmente conformar uma tríplice fronteira. Quando nos reunimos enquanto movimento, fortalecemos e estreita as relações de Agroecologia desenvolvidas nos territórios da nossa

grande América Latina.” As atividades iniciaram no dia 11 com uma visita à propriedade agroecológica da família do agricultor Luiz Arruda, em São Miguel do Iguaçu/PR, que há mais de 15 anos é agroecológica. Ele contou um pouco de sua vivência e o

Arqurivo Núcleo Verê/PR

Arquivo CAPA/Erexim/RS

Latino América

Reunião do Maela em Foz do Iguaçu

Juventude no Maela que publicou seu pronunciamento em português, espanhol e guarani.

grupo pode conhecer a plantação de palmito e a diversidade de frutas e hortaliças produzidas no sistema agroflorestal. No dia 12 aconteceu o Encontro das Mulheres e o Encontro da Juventude da região Cone Sul. A juventude ao final dos trabalhos apresentou um pronunciamento sobre suas demandas e anseios. O Seminário de Políticas Públicas, 13 e 14 de julho, teve relatos de experiências implementadas no Chile, Cuba, Argentina, Paraguai e Brasil. Neste espaço de dialogo também houve a participação e contribuição da FAO. Na noite do dia 13 o grupo também visitou a feira agroecológica do Gramadão em Foz do Iguaçu, afim de conhecer a experiência noturna da Feira da Lua. Durante a tarde do dia 14 aconteceu a Assembleia da Região Cone Sul do Maela, tendo que aprovou os novos estatutos e acordos e elegeu da nova coordenação regional.

O consórcio CAPA, representado pelos núcleos Erexim, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Verê, participou do IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA) realizado no Parque Municipal Américo Renné Giannetti em Belo Horizonte/ MG de 31 de maio a 3 de junho, tendo como tema Agroecologia e Democracia unindo o campo e cidade. “Foi um espaço de compartilhamento de saberes adquiridos ao longo dos inúmeros encontros preparatórios realizados em diversos locais do país”, comenta Ingrid Margarete Giesel, a Coordenadora do CAPA/Núcleo Erexim/RS. Mais de duas mil pessoas participaram do evento, socializando experiências territoriais em agroecologia de seis biomas: Pampa, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Amazônia. O evento possibilitou catorze seminários temáticos que aconteceram simultaneamente, com relatos de experiências; debates sobre as metrópoles eo litoral; bancas de produtos e artesanatos; Feira de Saberes e Sabores da Agroecologia; Espaço da Saúde e a Feira de Sementes, mais de cem atividades. Foi demonstrado que a Agroecologia contribui diretamente para o alcance da soberania e da segurança alimentar e nutricional do Brasil. No domingo, um ato público unificado com o Sindicato Único dos Trabalhadores na Educação reuniu dez mil pessoas. No encerramento, foi partilhado um Banquete Agroecológico, preparado com muito carinho, comida de verdade para todas as pessoas que estavam no parque. “Na Carta Política do evento, temos a reafirmação da Agroecologia como uma alternativa para a superação do modelo de desenvolvimento agrícola e abastecimento alimentar, ambientalmente predatório e socialmente injusto, que permanece dominando as orientações políticas do Estado brasileiro”, enfatiza Ingrid. (Confira partes da carta no quadro ao lado.)

CARTA POLÍTICA DO ENA

Pela primeira vez, realizamos nosso Encontro em praça pública. Essa opção sinaliza nosso empenho em nos comunicarmos diretamente com o povo das cidades. Somos 2.000 participantes vindos de todos os estados brasileiros. Somos trabalhadores e trabalhadoras do campo, das florestas, das águas e das cidades, portadores de diferentes identidades socioculturais (...) Viemos a Belo Horizonte para celebrar nossas lutas e conquistas. Viemos para renovar nossas esperanças. Para reforçar a unidade de um movimento constituído de tantas e tão expressivas diversidades. A Agroecologia cultua e se alimenta da diversidade. (...) As vozes dos territórios que aqui ecoaram denunciam a violência e o autoritarismo do latifúndio, dos monocultivos, da mineração, das obras de hidrelétricas e demais projetos do grande capital orientados a explorar a natureza de forma predatória para a produção de commodities, produtos ou bens primários comercializados nas bolsas internacionais de mercadorias e valores. Os três primeiros ENAs, realizados em 2002, 2006 e 2014, ocorreram em um período de significativas conquistas do campo agroecológico brasileiro.... importantes políticas públicas foram conquistadas nesse período. Os efeitos positivos dessas conquistas não tardaram a aparecer. Em pouco menos de uma década o Brasil saiu do Mapa da Fome das Nações Unidas, em 2014. (...) Essa trajetória virtuosa marcada por conquistas, mas também por profundas contradições, sofreu uma ruptura com o golpe parlamentar-jurídico-midiático que destituiu em 2016 o governo eleito com mais de 54 milhões de votos. Com o golpe, os impactos do desmonte neoliberal sobre o Estado Democrático de Direito são sentidos de forma cada vez mais aguda em nossas comunidades e territórios. O recrudescimento da violência no campo apresenta-se como a mais cruel e dolorosa evidência dessa realidade. (...) Constatamos que nosso movimento se amplia e se enriquece pela construção de alianças políticas e pelo crescente engajamento de outros movimentos e coletivos que lutam pela democracia e pela sustentabilidade da vida. (...) Continuaremos empunhando nossas bandeiras e cultivando no campo, nas florestas, nas águas e na cidade, a consciência de que a construção da Agroecologia e da democracia está em nossas mãos. Ao lado mesa coletiva. Núcleo Erexim com o professor Jorge Romano, da UFRJ, e produtos do CAPA.

Arquivo Núcleo Erexim/RS

06 - RECADO DA TERRA - Primavera 2018

IV Encontro Nacional de Agroecologia


Evento aprofunda práticas agroecológicas Textos Cláudia Dreier

Seminário de Educação Participação da agricultura e da academia Entidades de ATER, pesquisadores, fa- de leite em bases agroecológicas. Também em Agroecologia mílias agricultoras, visitantes do Paraguai foram abordados os sistemas agroflorestais”. e da Argentina, estudantes, professores e professoras foram os principais públicos envolvidos no III Paraná Agroecológico. “Este evento, como um todo, foi muito rico em conteúdos e teve ótima participação tanto de profissionais, quanto de agricultoras e agricultores”, afirma Vilmar Saar, coordenador do CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR. Para ele, foram contempladas desde discussões sobre metodologias de ATER e sobre o uso de homeopatia, até questões envolvendo educação e juventude. “Houve ainda temas bem específicos como produção de grãos, de olerícolas, de aves e

Micheli Becker

Integrando o III Paraná Agroecológico, na tarde do dia 06 de novembro realizou-se o Seminário de Educação em Agroecologia. Esse debate incluiu todos os níveis de ensino: educação superior, cursos de especialização, técnicos de ensino médio e ensino fundamental. Foram apresentadas experiências educativas, seus limites, suas dificuldades e os desafios de construir novas ações. “A principal lição partilhada neste encontro foi que a instituição de ensino, esteja ela em qualquer nível escolar, precisa entender a Agroecologia e construí-la como uma temática que vai além da grade curricular”, comenta Luiz Carlos Hartmann que possui formação técnica, graduação e mestrado em Agroecologia e integra a equipe técnica do CAPA/Marechal Cândido Rondon/PR. Segundo ele, nesta disciplina não basta apenas o conhecimento verbal é preciso buscar e construir ações que vivenciem esse saber. O Seminário propôs que sejam desenvolvidos projetos de extensão os quais realizem trabalhos de organização social e produtiva. “Entre eles estão práticas de hortas e sistemas agroflorestais, pois a Agroecologia é um modo de vida e não apenas uma técnica devinculada do contexto onde está inserida a escola ou instituição de ensino.” A aproximação da Agroecologia com a comunidade pode acontecer nas feiras ecológicas e em momentos culturais que permitam a troca de informações entre docentes, estudantes e a sociedade local.

Mesa de cooperativismo durante seminário.

Para o coordenador do CAPA/NúcleoVerê/ PR, Jhony Alex Luchmann o III Paraná Agroecológico foi um um momento muito importante para fortalecer as bases da Agroecologia “tendo em vista o contexto político atual, que se mostra bastante desafiador para este sistema de produção de alimentos. Tivemos a participação de um público diverso e muito expressivo, o que é fundamental para fortalecer as bases da Agroecologia. Precisamos sair do debate apenas teórico e construir a Agroecologia a partir de experiências práticas. Este é um caminho a seguir para continuarmos nosso trabalho de resistência ao modelo hegemônico que utiliza agrotóxicos e adubos químicos. Nosso objetivo é uma agricultura limpa e autônoma que promova a vida”. As famílias agricultoras tiveram uma participação mais expressiva nos dois primeiros dias durante o Encontro de ATER e Encontro de agricultores agroecológicos da Tríplice Fronteira, com as repectivas oficinas técnicas desenvolvidas na parte da tarde. Já o I Seminário Estadual de Homeopatia na Agroecologia reuniu famílias e academia. Nos dois últimos dias do evento, o III Congresso Paranaense de Agroecologia: Tecnologias e Sistemas de Produção, recebeu principalmente estudantes, doscentes, pesquisadoras e pesquisadores.

ESPECIAL Evento Paraná Agroecológico

Com expressiva participação na organização do evento, o CAPA/Núcleo Marechal Cândido Ronfon PR também levou uma considerável delegação de equipe técnica e famílias agricultoras para o III Paraná Agroecológico, que aconteceu de 5 a 9 de novembro em Foz do Iguaçu/PR. Mais de 1.300 pessoas estiveram presentes, participando de sete eventos concomitantes: Encontro da ATER em Agroecologia, I Seminário Estadual de Homeopatia, Encontro de Agricultores Agroecológicos da Tríplice Fronteira, III Seminário Paranaense de Educação em Agroecologia, V Seminário “Paraná Mais Orgânico”, III Congresso Paranaense de Agroecologia e Encontro de NEAs (Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica) e e CVTs (Centros Vocacionais Tecnológicos em Agroecologia e Produção Orgânica) e Preparatória para o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia.

O Encontro da Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER em Agroecologia do Paraná aconteceu na tarde de 05 de novembro, antecedendo a solenidade de abertura oficial do evento, que foi às 19h. Um dos organizadores do encontro e integrante da equipe técnica do CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR, Luiz Carlos Hartmann enfatiza a importância da metodologia no trabalho diferenciado de uma e um agente de ATER. ”Os mesmos resultados de um trabalho de assistência técnica tanto podem ser alcançados em dez visitas ou em apenas duas“. A metodolgogia utilizada por quem realiza assistência técnica não deve ser quantitativa, mas sim gerar impactos nos sistemas de produção e de manejo das propriedades. “Em nossa atividade devemos promover processos em Agroecologia. Entidades de apoio e extensão rural, como o CAPA, devem avançar para outros níveis além da produção. A comercialização, a industrialização e

a relação entre campo e cidade são caminhos a serem trilhados”, explica Luiz. Para ele, um dos elementos fundamentais que leva ao êxito nesta relação de assistente e produtora ou produtor é a inserção na realidade local. “Precisamos entender os problemas reais para saber qual a ação agroecológica devemos desenvolver.” Ele exemplifica esta teoria citando alguém que consegue produzir muitos alimentos orgânicos, mas inexiste o escoamento desta produção. “Neste caso cabe à ou ao agente de ATER organizar ou viabilizar a participação em feiras, a associação em cooperativas, a utilização do excedente em agroindústrias e programas de abastecimento como o PNAI.” No final do encontro, houve a proposta de sistematizar a temática aprofundada, produzindo um material que apresente “esta metodologia materialista dialética, para construir planos de ação que tenham resultados efetivos”, informa ele.

Micheli Becker

Debate sobre metodologia da assistência e extensão rural

Plateia atenta à palestrante do evento.

RECADO DA TERRA - Primavera 2018 - 07 RECADO DA TERRA - Primavera 2017


40 anos do CAPA e três anos do Projeto Comida Boa na Mesa

Educar faz a Comida Boa chegar n Texto Cláudia Dreier

Nestes 40 anos de trabalho, e especialmente nos três últimos durante a Campanha Comida Boa na Mesa, a atuação do CAPA destaca-se por promover a autonomia e o empoderamento das famílias e comunidades onde atua (ver manifesto abaixo). Com a metodologia de ouvir, planejar e construir de forma conjunta, promove a educação de forma criativa, sistemática e contínua.

A foto de capa desta edição mostra crianças brincando na praça com o jogo Comida Boa na Mesa, que foi elaborado pela revista o amigo das crianças. A edição nº 69 traz uma reportagem sobre a campanha. O tabuleiro foi ampliado nos núcleos, como em Pelotas/ RS e Erexim/RS, e é utilizado para educar as pequenas e os pequenos em várias atividades que envolvem Agroecologia, especialmente na Semana do Alimento Orgânico, realizada no Brasil desde 2004, no final de maio. Eventos como a reunião do Maela, o ENA e o Paraná Agroecológico (pgs 06 e 07) são marcos de uma educação continuada que tem fundamento na partilha e troca de teorias e de viviências práticas.

Comida Boa na Mesa – 40 anos da Agroecologia em defesa da vida. Esse foi o tema que motivou o encontro das equipes dos cinco núcleos do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), de agricultoras, agricultores, de representantes de comunidades kilombolas, de comunidades indígenas, de lideranças da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), de universidades, escolas do campo e entidades parceiras, entre os dias 16 e 19 de maio, de 2018, em Verê, no Paraná. Neste encontro reflexivo e festivo, celebramos os 40 anos do CAPA no serviço de apoio ao protagonismo de famílias agricultoras, de famílias assentadas da reforma agrária, de comunidades kilombolas e de comunidades indígenas na produção de alimentos saudáveis, em contraponto ao modelo de agricultura baseada no uso intensivo de agrotóxicos e outros insumos industriais e da mecanização agrícola, causadora do empobrecimento da maioria da população rural. (...) Como sinal de esperança, anunciamos a Agroecologia como projeto de sociedade transformadora de vidas, que viabiliza relações sociais justas, harmonia com a natureza e oferta de alimentos saudáveis para todos os seres. Reafirmamos o nosso compromisso na continuidade da construção da Agroecologia e de políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar na sociedade brasileira como uma utopia possível, em direção a uma sociedade responsável e solidária, com justiça de gênero, com ampla participação das juventudes e comida de verdade no campo e na cidade. Reafirmamos nossa crença na possibilidade de uma agricultura não mergulhada em agrotóxicos. Reafirmamos nossa luta e resistência contra práticas que transformam os campos em grandes monoculturas, sem vida, sem cultura e sem história. Agroecologia é Comida Boa na Mesa. Verê, 19 de maio de 2018.

MANIFESTO DOS 40 ANOS DO CAPA

Educar para saber o que se come e como produzir esse alimento saudável também é uma realidade do CAPA em várias inciativas da educação formal. Seja no convênio com universidades para realizar cursos, como o de homeopatia em Rondon e o de educadores em Erexim (ver matéria abaixo), seja na construção de cenários que permitam a existência de novos cursos de especialização e graduação em Agroecologia, como aconteceu em Santa Cruz do Sul/RS (ver matéria audiência pública agrotóxicos, pg 13). Na educação básica, o CAPA tem parcerias com escolas rurais públicas como no núcleo Verê/PR, na Escola Estadual do Campo Pio X, e no núcleo Erexim/RS, Escola Estadual

do Rio Toldo e Promovend para desenvolve existem as esco nível de ensino direta com o N uma com o núc oferece curso d logia para quem A comida b pelo caminho da inclusão, ta dade junto a po kilombolas (ver de gênero para criminação (ver

Projeto promove redução de violência e justiça de gênero O Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) teve aprovado pelo Núcleo de Projetos na IECLB uma proposta de fortalecimento das ações de enfrentamento de todas as violências, especialmente contra as mulheres, buscando a promoção da equidade de gênero. O projeto denomina-se Promotoras Legais Populares: Diaconia e Justiça de Gênero em Comunidades Rurais. As ações da proposta serão realizadas nas regiões de Pelotas, Santa Cruz do Sul e Erexim, sendo Pelotas a referência para a realização do curso das Promotoras Legais Populares. (PLPs). A metodologia das PLPs, que completa 20 anos de existência em 2018, foi desenvolvida pela organização Themis e implementada pelo Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (CECA). Nas três regiões de atuação do CAPA, as atividades de formação locais do projeto serão desenvolvidas com grupos organizados de mulheres rurais, incluindo mulheres de comunidades tradicionais quilombolas,

com as quais o CAPA desenvolve trabalhos na área de Agroecologia e produção de alimentos. Foi constatado que poucas mulheres ocupam espaços de liderança e tomada de decisão. Geralmente, as mulheres assumem jornadas triplas de trabalho, atuando na produção de alimentos e sendo responsáveis por todo o trabalho doméstico e pelo cuidado da família, em especial, de filhas e filhos. No contexto das mulheres rurais estimativas apontam que 55% delas já sofreram algum tipo de violência, seja ela violência patrimonial, moral, sexual, física e/ou psicológica. Supõe-se que tais números possam estar aquém da realidade, boa parte dos dados presentes no cotidiano do campo não são contabilizados, pois permanecem velados. O projeto visa, assim, capacitar a equipe do CAPA e as lideranças das comunidades para iniciar o processo de enfrentamento e transformaço para um convívio mais justo e pacífico.


na Mesa

Jovens recebem sementes de trigo mourisco

Em junho e julho, o CAPA/Núcleo Santa Cruz/RS realizou oficinas de alimentação saudável para as duas turmas do 1º ano da EFASOL (Escola Família Agrícola de Vale do Sol). Ambos são parceiros desde o diálogo em torno da criação da escola em 2013 e a partir disso vem se fortalecendo com várias iniciativas conjuntas. Através do agrônomo Luiz Rogério Boemeke, o CAPA também faz parte do conselho da AEFASOL – Associação Escola Família Agrícola de Vale do Sol. As oficinas foram ministradas pela nutricionista e coordenadora do CAPA Santa Cruz, Melissa Lenz, que falou sobre o CAPA, sobre a importância da agroecologia e da Comida Boa na Mesa para todas as pessoas. Ela expôs a importância do resgate de saberes e sabores e de valorizar a biodiversidade e as sementes crioulas. Explicou sobre o trigo sarraceno ou trigo morisco, que é uma semente crioula de trigo e que não contém glúten, e no final distribuiu sementes do trigo morisco para as e os jovens plantarem. As oficinas foram realizadas coletivamente e as e os participantes aprenderam diversas receitas como bolo de aveia e

banana, bolacha salgada de ervas, torta de aipim, creme energético, entre muitas outras. O projeto aconteceu em parceria com a monitora e professora da área de ciências agrárias da Efasol, Cláudia da Rosa Gonçalves. Cada vez mais a alimentação saudável é um assunto discutido na escola, junto com a valorização da agricultura local. “Poder partilhar saberes com o CAPA, para nós da EFASOL, é de grande valia. Uma alimentação saudável deve estar presente na vida de todas e de todos. Na escola prezamos por uma alimentação adequada e equilibrada, valorizando as produções locais e resgatando o modo de produzir e processar alimentos das famílias e estudantes da escola”, relatou Cláudia. Nesse semestre vão ocorrer mais oficinas, dessa vez para os alunos do 2° e 3° da EFASOL. Ao final, Melissa concluiu: “Enquanto CAPA, espero que essa parceria se fortaleça cada vez mais, pois a escola, através da pedagogia de alternância que reúne teoria e prática, leva à juventude uma metodologia diferenciada e que possibilita o conhecimento sobre Agroecologia, cooperativismo e organização comunitária”.

Fotos Núcleos Pelotas/RS, Erexim/RS, Verê/PR e Erexim/RS.

Escola Municipal Jaguaretê. do de maneira direta lições er a produção agroecológica, olas da Família Agrícola em o médio, duas com relação Núcleo Santa Cruz do Sul/RS e cleo Pelotas/RS, esta também de especialização em Agroecom já concluiu o ensino médio. boa na mesa também passa da igualdade, do respeito e anto para promover a digniopulações tradicionais, como r pg 03), quanto na questão a enfrentar a violência e a disr matéria abaixo).

EFASOL

Alimentação saudável no parque em Erexim Durante a Semana Municipal do Meio Ambiente, entre os dias 18 e 23 de junho foram realizadas diversas atividades de educação ambiental com os estudantes no Parque Natural Municipal Longines Malinowski. O município de Erexim/RS tem o privilégio de contar com uma extensa floresta no território urbano, considerado o pulmão verde. Esta área verde foi plantada há 70 anos pelo professor Longines Malinowski que trouxe espécies de árvores de vários lugares do mundo. Um Dia no Parque desafiou a juventude a realizar atividades práticas e recreativas, bem como conhecer melhor o espaço, uma parceria com a Equipe do Laboratório de Educação Ambiental, do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) e PATRAN. Os estudantes do ensino fundamental e médio do município de Erexim participaram das diferentes atividades lúdicas, oficinas e trilhas. As Oficinas sobre Alimentação Saudável foram ministradas pela Tecnóloga em Agroecologia Juliana Paula Vendrame, da equipe do CAPA Núcleo Erexim/ RS, utilizando o Jogo de Tabuleiro – Campanha Comida Boa na Mesa. Os estudantes tiveram a oportunidade de conversar sobre a importância dos alimentos, o que significa comer bem e refletir sobre o seu dia a dia. Neste parque também ocorre uma Feira Agroecológica e da Agricultura Familiar, aos sábados, com agricultores e agricultoras assessorados pelo CAPA e com certificação participativa.

Agroecologia e saúde é tema de formação Um Curso de Formação de Educadores Ambientais – Agroecologia e Saúde faz parte das ações do Projeto Ações para Manutenção e Fortalecimento do Núcleo de Agroecologia do Alto Uruguai (NAAU), um Projeto do CNPq desenvolvido em parceria com o CAPA/ Núcleo Erexim/RS, URI, UFFS, UERGS e EMATER, entre outras entidades. O curso abrange 130 participantes, profissionais das áreas do meio ambiente, educação, saúde e agricultura que representam órgãos de governo e entidades da região do Alto Uruguai. A formação iniciou no dia 13 de julho com a temática Agroecologia e Conservação da Biodiversidade com a participação dos Professores Sônia Zakrzevski e Jean Carlos Budke, da URI, da Engenheira Agrônoma Ingrid Margarete Giesel e do Zootecnista José Manuel Palazuelos Ballivián, do CAPA. No dia 3 de julho, foram abordado dois temas . Incialmente Agroecologia e Conservação da Água com os professores Luiz Hepp e Vanderlei Decian, da URI, e César da Rosa, da Emater Regional. Em seguida, o Manejo Agroecológico de Pragas e Doenças pelas Engenheiras Agrônomas Ingrid Margarete Giesel, do CAPA, e Tarita Deboni, da UFFS. As oficinas foram realizadas à tarde pelos professores Rozane Restello, Júlio Brancher e Raquel Lorenzi, da URI, Juliana Paula Vendrame, do CAPA, e Marcos Gobbo, da Emater. Participaram ainda Itacir Madalozzo e Evando Cantelle ministrando

uma oficina sobre Abelhas sem Ferrão. No dia 31 de julho foi desenvolvido o tema A Produção e Certificação de Produtos Agroecológicos pelo Engenheiro Agrônomo Ivo Severino Macagnan, do CAPA. Na mesma manhã houve Relato de Experiências em Agroecologia, entre elas, a do do agricultor Eloir de Paula, que recebe assessoria do CAPA. À tarde foram realizadas diversas oficinas. A apresentação das experiências relacionadas às hortas comunitárias e escolares foi no dia 15 de agosto. A Tecnóloga em Agroecologia Juliana P. Vendrame relatou a experiência do CAPA e à tarde participantes visitaram uma horta com plantas medicinais. No dia 30 de agosto foi realizada uma visita a Propriedade Agroecológica de Marilice Mader e Eloir de Paula, que possuem certificação da Rede Ecovida de Agroecologia e comercializam seus produtos na Feira do Parque Longines Malinowski e na Feira da URI. Em setembro e outubro as atividades serão realizadas à distância, para elaborar e desenvolver projetos de Educação em Agroecologia para a região do Alto Uruguai. O encerramento do curso está previsto para o dia 21 de novembro, quando irá ocorrer um Seminário Socializador, no qual participantes do curso irão apresentar os trabalhos desenvolvidos nos seus municípios.

RECADO DA TERRA - Primavera 2018


Visitantes conhecem cultivos na propriedade agroecológica. Nas mãos o solo fértil.

Reunir agricultoras e agricultores interessados em conhecer a produção agroecológica, com suas experiências exitosas e os seus desafios é o objetivo dos dois Seminários da Agricultura Familiar, realizados em agosto nos municípios de Arabutã/SC e Palmitos/ SC. Os eventos foram promovidos pelo CAPA/Núcleo/Erexim/RS e pelo Sínodo Uruguai. Além de realizar a Feira de Sementes e Mudas, o tema central do evento foi Trofobiose, discutida por participantes, com a assessoria de Juliana Paula Vendrame da Equipe Técnica do CAPA e de João Daniel Wermann Foschiera, estagiário do Curso de Agronomia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erexim. A Teoria da Trofobiose é um dos

CULTIVOS

pilares da agricultura e tem uma ótima conexão com a produção agroecológica, pois exige a verdadeira nutrição das plantas através da adoção de técnicas como a adubação orgânica, a adubação verde, a rotação de culturas, a cobertura morta e as plantas companheiras.

para a agricultura, seja ela agroecológica ou convencional. Em um vegetal bem alimentado e manejado, os parasitas morrem de fome. “As doenças e pragas são indicadores biológicos de mau manejo, são as consequências e não a causa. Os fatores que interferem no metabolismo da planta podem diminuir ou aumentar a sua resistência”, ressalta Ingrid Margarete Giesel, coordenadora do CAPA/Núcleo Erexim/RS. Ela reforça que a Agroecologia tem impactos positivos na produção de alimentos, na diminuição da pobreza e na mitigação das mudanças climáticas. Para maiores informações sobre Trofobiose, ela recomenda o Manual do Solo Vivo: Solo Sadio, Planta Sadia, Ser Humano Sadio de Ana Primavesi e Plantas Doentes pelo

Uso de Agrotóxicos – A Teoria da Trofobiose de Francis Chaboussou.

DIVERSIFICAR A PRODUÇÃO Em Palmitos, o seminário foi realizado na propriedade de. Edel Schneider, na Linha Santa Terezinha. Os 25 hectares destacam-se pela grande diversidade de orquídeas, cultivos diversos, mata nativa, um espaço para eventos e um quiosque para venda de produtos e artesanatos feitos com palha e cipós. “A propriedade é um espaço muito agradável e bonito, onde a Sra. Edel e sua filha Débora vivem e tiram o seu sustento” comenta Ingrid. Participantes também foram caminhar para conhecer um pouco mais desta vida rural e da prática da Agroecologia. Arquivo Núcleo Erexim/RS

Arquivo Núcleo Erexim/RS

Arqurivo CAPA Verê/PR

Notícias Núcleo Erexim

CAPA e o Sínodo Uruguai realizam Seminários da Agricultura Familiar

SIGNIFICADO DE TROFOBIOSE O termo Trofobiose significa existência da vida em função do alimento. Uma planta nutricionalmente sadia está menos suscetível às pragas e doenças do que uma planta desequilibrada. Todo ser vivo só sobrevive se houver alimento disponível para ele. A planta será atacada se houver na sua seiva o alimento de que parasitas precisam. Este conceito parece muito simples, mas é de extrema importância

Quiosque feito para abrigar eventos e visitantes. Artesanato com palha e cipó.

Legislativo municipal homenageia os 40 anos

Mogango

No topo sementes, no centro variedades, acima uma das áreas experimentais em Erexim/RS

Abóbora, moranga, jerimum e mogango são nomes populares de algumas espécies do gênero Cucurbita. Estas plantas são bastante semelhantes entre si e seus frutos variam muito em tamanho e formato, não sendo muito fácil distinguir as espécies. O mogango é uma espécie originária dos cultivos dos índios guarani. Nos últimos dois anos o CAPA Erexim está realizando o resgate, o melhoramento e a multiplicação das sementes de mogango, que são passadas de geração a geração e são objeto de trocas entre vizinhos. Algumas famílias de agricultores atuam como guardiãs destas sementes, cujos frutos de casca bastante dura e polpa amarela alaranjada, muito firme e doce, são apreciados no preparo do mogango caramelizado, rocambole e outros pratos na culinária brasileira. Também é muito apreciada na cultura italiana para fazer o tortéi. Quando maduras, possuem os gomos bem definidos e a casca muito dura, facilitando o transporte. Os experimentos estão sendo realizados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná com agricultoras e agricultores que recebem assessoria do CAPA e de entidades parceiras.

No dia 28 de maio, o aniversário de 40 anos do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) recebeu homenagem do Legislativo Municipal erexinense. A proposta foi do vereador Lucas Farina, que tratou do tema no programa de TV Câmera Entrevista, canal 16 da NET. A Coordenadora do CAPA/Núcleo/Erexim/RS Ingrid Margarete Giesel e o Vereador Lucas Farina conversaram sobre os programas e as atividades realizadas pelo CAPA no município e na região. A entrevista destacou as principais parcerias, a Campanha Comida Boa na Mesa, as leis que instituiram a Semana do Alimento Orgânico e Agroecológico e aquelas que dispõe sobre os incentivos aos Sistemas de Produção Agroecológica e Orgânica no Município de Erexim. Coordenadora do CAPA (à direita) sendo entrevistada na TV.


Família participa de biometria em pacu, criado em tanque flutuante do lago Itaipu.

desenvolvida nesta primeira fase é orientar e buscar intermediar questões relativas à parte legal do licenciamento da produção. Este sistema de produção piscícola adotado utiliza tanques rede flutuantes. “Colocamos no lago caixas com laterais de tela que trazem na parte de cima boias para flutuação. Cada tanque pro-

duz em torno de 300 peixes e possui uma âncora, chamada poita, que o mantém no mesmo local para resistir às turbulências do fluxo das águas”, explica Michele. “O tempo de produção, desde a colocação do peixe juvenil até o abate, varia em torno de oito meses. Se a temperatura da água for mais elevada, o processo será mais rápido”

Projeto para 590 famílias Arquivo Núcleo Rondon/PR

Texto Cláudia Dreier a situação local de cada comunidade. ”Em seguida

Curso sobre cultivos de videiras para famílias assentadas.

Com o novo convênio assinado com Itaipu Binacional, o CAPA/ Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR tem como meta assessorar de maneira direta 590 famílias de treze assentamentos da Reforma Agrária no oeste do Paraná. . “O projeto iniciou em junho, com uma dinâmica mais intensa, para que possamos construir indicadores sócio ambientais com as famílias” conta o integrante da equipe do CAPA, Luiz Carlos Hartmann, que possui formação técnica, graduação e mestrado em Agroecologia. “Indicadores como renda, produção, situação familiar, condições sociais, ambientais e estruturais permitem sistematizar dados e ter uma visão mais clara das estratégias a serem focadas para superar os problemas da vida das pessoas que participam do programa.” Luis contextualiza a assessoria às famílias como um conjunto de ações. Com a participação de órgãos públicos, inicialmente, são feitas reuniões de apresentação e sensibilização das pessoas, sendo também o momento de entender

dialogamos sobre as demandas para existir o entendimento de que nem tudo se consegue fazer. O próximo passo é construir, em conjunto, o plano de ação.” Integrando o trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) existem as visitas técnicas realizadas de maneira individual em cada propriedade e também atividades grupais de produção. Entre estas estão incluídos coletivos de apicultura, hortaliças e produção para programas públicos, como o da merenda escolar. “Conforme as demandas dos grupos realizamos também oficinas técnicas incluindo temas como biofertilizantes, caldas, rações caseiras, manejo de abelhas e sistemas agroflorestais” conta o agroecológo. Outra proposta do trabalho de assessoria agroecológica às famílias é estabelecer unidades demonstrativas de cultivos ecológicos. “Na unidade demonstrativa de feijão, por exemplo, a família foca na renda desde cultivo plantando dez variedades do grão. Essa atividade é feita com a parceira do Intituto Agronômico do Paraná (IAPAR) onde buscamos inovar também nas técnicas de manejo dos cultivos” explica Luiz. Nesta mesma proposta outra propriedade já está trabalhando com dez variedades de mandioca. Segundo Luiz, além das oficinas, são oferecidos cursos especializados de dois dias que podem ter várais etapas. Um deles foi sobre o cultivo de videiras que aconteceu em agosto e em setembro. “A ação educativa com maior profundidade é o seminário que irá debater um tema específico.” Entre as ações futuras a serem desenvolvidas junto às famílias, está o dia de estudo sobre método e planejamento para cooperativas em Agroecologia, que será ainda em 2018, e um seminário sobre comercialização e feiras. O convênio inclui assessoria de planejamento e gestão a duas cooperativas da reforma agrária: a COOPERCAM (Cooperativa de Industrialização e Comercialização Camponesa) e a COPCRAF (Cooperativa de Produção e Comercialização da Reforma Agrária e Agricultura Familiar).

Notícias Núcleo Marechal Cândido Rondon

Em setembro, o CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR iniciou atividades com um novo público visando o aprimoramento da produção de peixes no Lago de Ipaipu, em um território que abrange desde o município de Foz do Iguaçu/PR, no sul, até Guaíra/ PR. A proposta visa assessorar 60 famílias e faz parte de um convênio com Itaipu Binacional. “Iniciamos a parte prática do projeto realizando reuniões nas associações e colônias das famílias pescadoras para apresentar a proposta à comunidade”, conta a integrante da equipe técnica do projeto, Micheli Becker, engenheira de aquicultura. Segundo ela, houve bastante interesse em participar desta assessoria, sendo necessário adotar critérios de seleção. Entre eles, já ter realizado o curso sobre produção de peixes oferecido por Itaipu Binacional. “Um dos objetivos deste convênio, é consolidar o trabalho de quem está produzindo, fornecendo assistência técnica para aprimorar os processos de cultivo”. Outra ação

ensina a engenheira. Segundo Vinicius Ricardo Calcagno Bridi, tecnólogo em aquicultura que também trabalha no projeto, para instalar os tanques, são escolhidas as áreas propícias, onde a utilização do recurso hídrico para produzir peixes não interfera em outras atividades como navegação, pesca e abastecimento de água. Outra opção sustentável enfatizada por Vinícius é a composição da ração que irá alimentar os peixes nos tanques. Esta utiliza o mínimo possível de nutrientes como fósforo e nitrogênio que podem levar à eutrofização do lago. “Em nosso trabalho procuramos manter o equilíbrio do meio ambiente”. Ações como essa são importantes a sustentabilidade da atividade, tanto ambiental, quanto econômica e social. Entre as espécies a serem cultivadas nos tanques flutuantes está o pacu nativo por ser bem aceito no mercado. O filé defumado de pacu é bastante procurado pela gastronomia hoteleira de Foz do Iguaçu/PR. O peixe também pode ser processado como carne mecanicamente separada de peixe (carne moída de peixe) e oferecido nos projetos de merenda escolar.

CONVÊNIOS

Nova parceria amplia equipe Durante a celebração dos 40 anos do CAPA no Brasil, realizada na Comunidade Martin Luther no dia 11 de setembro, foi divulgado o novo convênio do CAPA/ Núcleo Marechal Cãndido Rondon/PR com Itaipu Binacional. A partir dele iniciaram os trabalhos com piscicultura e aumentou a assessoria dada a cooperativas dos assentamentos da reforma agrária. Com estas novas demandas, a equipe técnica foi ampliada, recebendo mais oito integrantes: uma zootecnista, um tecnólogo e uma engenheira de aquicultura, uma médica veterinária, uma engenheira agrônoma, uma tecnóloga e um tecnólogo em Agroecologia e um técnico em Agroecologia.

Ação conjunta resgata raças de aves Em parceria com a Unioeste, campus Marechal Cândido Rondon/PR, o CAPA retoma trabalhos para a produção e multiplicação de aves caipiras coloniais. Segundo Vilmar Saar, coordenador do CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/ PR, “cinco raças estão sendo resgatadas neste projeto para melhorar os planteis disponibilizados às famílias assessoradas pelo CAPA, em especial aquelas que vivem nos assentamentos da reforma agrária”.

05 RECADO DA TERRA - Primavera 2018

Texto Cláudia Dreier

Micheli Becker

Rondon inicia trabalho com piscicultura


Morando bem no kilombo é a denominação de dois projetos que o CAPA/Núcleo Pelotas/RS desenvolve no território da Zona Sul. “O primeiro tem por objetivo a construção de habitações para kilombolas, sendo financiado pelo Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) em parceria com Associação da Agricultura Familiar -Sul (Assaf-Sul)”, comenta Daniele Schmidt Peter, assessora social do CAPA. “O outro programa realiza a recuperação de nascentes e implanta hortas e pomares nas residências das 103 famílias cadastradas”. Este recebe recursos do Fundo Sócio Ambiental da Caixa Econômica Federal. A construção de unidade habitacionais já aconteceu na Comunidade Kilombola do Algodão, Pelotas/RS. Atualmente estão sendo construídas novas casas nas comunidades de Monjolo, Torrão, Picada e Coxilha Negra no município de São Lourenço do Sul/RS. “O projeto apoiado pela Caixa está focado nas mulheres. Embora o CAPA fomente a participação da família nas atividades, são elas as principais beneficiárias do projeto, considerando que o manejo e culti-

Arquivo Núcleo Pelotas/RS

Textos Cláudia Dreier

Mudas para criar agroflorestas e plantar pomares caseiros entregues a kilombolas.

vo de plantas tradicionais e alimentares, um dos focos do projeto, é uma tecnologia historicamente liderada pelas mulheres ”, explica Daniele. Este grupo de mulheres pertence às comunidades do Monjolo, em São Lourenço do Sul, do Tio Dô, em Santana da Boa Vista, do Algodão, em Pelotas, e do Cerro das Velhas, em Canguçu. A partir de maio, na primeira etapa do projeto, foram realizadas várias atividades coletivas com as comunidades incluindo momentos de formação sobre Agroecologia e sistemas agroflorestais (SAFs) para conhecer como plantar e manejar mudas de árvores frutíferas e or-

SEGURANÇA ALIMENTAR

Elias Wojahn

Colagem de cera nas caixas aumenta a produtividade.

Elias Wojahn

Comunidade indígena recebe equipamentos de apicultura No dia 26 de outubro, o CAPA, em parceria com a Embrapa, fez a entrega de oito caixas americanas para abrigar enxames de abelha, juntamente com equipamentos de apicultura. A atividade aconteceu na Aldeia Coxilha da Cruz, Barra do Ribeiro/RS, que conta atualmente com 32 famílias. O mel é um produto muito apreciado por indígenas guaranis que vivem na aldeia. Para aumentar as colmeias e a respectiva produção de mel, a equipe técnica fez uma prática de colagem de cera nas colmeias e sobre as caixas. Neste mesmo dia, houve a coleta de mel em quatro caixas povoadas de abelhas que já existiam aldeia. O resultado foi apreciado por todas e todos, principalmente pelas crianças. O cacique Diego Souza Gonçalves e outras famílias da aldeia participaram da atividade.

namentais. Foram abordados temas de saúde e alimentação, como fazer a Comida boa na Mesa a partir do resgate de receitas com ingredientes da horta e do pomar das participantes. “O projeto também inclui formação sobre gênero e busca fortalecer a autonomia e participação das mulheres na liderança das comunidades. Elas são muito atuantes no trabalho, mas falta espaço para a tomada de decisões” diz ela. Em novembro, quando diminuem as chuvas, o projeto passa para uma nova etapa: é hora dos mutirões comunitários, que envolvem toda a comunidade, para realizar a limpeza das nascentes e proteger as fontes.

“Foram selecionadas pelas comunidades seis nascentes, seja por estarem próximas à comunidade, em locais estratégicos ou em áreas de vulnerabilidade. Todas irão receber o sistema de proteção Caxambu, desenvolvido pela Epagri, de Santa Catarina.” Além do trabalho coletivo de limpeza e reflorestamento de mudas para garantir o abastecimento do lençol freático que recarrega os olhos d’água, esta etapa prevê um acompanhamento técnico em cada moradia para realizar a implantação da horta e do pomar. Entre as espécies escolhidas estão a erva-mate, o ipê amarelo e várias frutíferas nativas e exóticas. Os dois projetos, Morando bem no kilombo, qualificam as moradias e fortalecem as comunidades, que muitas vezes estão em áreas de grande vulnerabilidade, cercadas por áreas de tabaco que utilizam uma quantidade considerável de agrotóxicos na sua produção. “Após serem realizadas as proteções de nascentes, e com uma água de melhor qualidade, podemos avançar na discussão de produzir com a possibilidade de comercializar o excedente desta produção. Esta renda extra é um passo em direção à autonomia e melhora as condições de vida de quem mora nos kilombos” conclui Daniele.

Inaugurada loja vida a granel

Arqurivo CAPA Rondon/PR

Núcleo Pelotas

Recuperar nascentes integra projeto kilombola

Dia da inauguração da vittine de produção agroecológica no centro de Pelotas.

O tradicional ponto de comercialização de produtos orgânicos junto à sede do CAPA, em Pelotas, agora amplia a possibilidade de participação de diversos parceiros que representam a agricultura familiar regional. A loja da Rede Vida a Granel, uma rede composta por cooperativas e entidades da região comercializa produtos coloniais e orgânicos, que podem ser comercializados a granel. A quantidade escolhida por quem realizar as compras pode variar conforme a necessidade. O CAPA apoia a organização e a logística de funcionamento da Rede Vida a Granel. Os produtos orgânicos da loja são das famílias ligadas à associação Arpa Sul e a outras entidades, todos certificados pela Rede EcoVida. Durante a inauguração, em cinco de novembro, houve significativa participação de parceiras, parceiros, consumidoras e consumidores. Na ocasião correu a degustação de vários produtos que estão disponíveis na loja. “O agronegócio não produz alimentos, estamos muito preocupadas e preocupados com as possibilidades de apoio governa-

mental e futuras políticas para agricultura familiar” contextualizou a coordenadora do CAPA/ Núcleo Pelotas/RS, Rita Surita. “Ações como esta, disponibilizando o espaço de uma loja para comercialização, reforçam o trabalho das agricultoras e agricultoras que colocam comida boa nas nossas mesas.” Fabris Prestes, Presidente da Cooperativa União e responsável pela comercialização das lojas da Rede, e Nilo Schiavon Presidente da Arpa Sul, falaram sobre a importância não apenas comercial, mas também de ter uma vitrine da produção agroecológica no centro de Pelotas. A abertura recebeu benção da Pastora Sinodal do Sínodo Sul-Rio-Grandense, Roili Borchardt, “somos todos parte da criação de Deus e somos aquilo que consumimos, que através destes produtos possamos gerar vida e vida com qualidade.” disse ela. A loja Vida a Granel se localiza na Rua Barão de Santa Tecla, 510 em Pelotas. Ainda em novembro será inaugurada outra loja no Mercado Público Municipal.

12 - RECADO DA TERRA - Primavera 2018


Congrenaje em Teutônia tem palestra do CAPA

Audiência pública sobre agrotóxicos em Santa Cruz A primeira palestra foi de Neice Müller Xavier Faria, médica e doutora em Epidemiologia pela UFPel, que falou dos efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana. Em seguida, representada por Sighard Hermany e pelo professor da UERGS, José Antônio K. Schmitz, a AAVRP discorreu sobre os Rastros da Agroecologia no Vale do Rio Pardo. Para Sigard esta foi uma grande oportunidade de mostrar como tem avançado a Agroecologia no Vale do Rio Pardo. “O CAPA foi pioneiro nessa área, há 40 anos, e seu trabalho foi somando-se a outras iniciativas. Vimos, na audiência, os avanços que tivemos ao longo desses anos. Um destaque desta caminhada cabe ao curso de especialização em Agroecologia oferecido pela UERGS Santa Cruz, que iniciou em 2018, e o bacharelado na mesma área, previsto para 2019”.

Arquivo Núcleo Santa Cruz/RS

O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos promoveu no dia 24 de agosto uma Audiência Pública sobre Agrotóxicos. O evento aconteceu no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), recebeu o apoio da AAVRP (Associação em Agroecologia do Vale do Rio Pardo) e teve como tema o Impacto do agrotóxico na saúde, no meio ambiente e no consumidor. “A audiência foi um marco no Vale do Rio Pardo, pois permitiu levar para debate público a problemática do agrotóxico. Este tema não estava em debate em nossa região” declarou o engenheiro agrônomo Sighard Hermany, da equipe técnica do CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS que foi um dos palestrantes do evento. Segundo Sighard, houve uma participação expressiva, principalmente da juventudo que demonstrou grande interesse pelo assunto.

Sighard do CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS mostra os Rastros de Agroecologia no VAle do Rio Pardo..

13 RECADO DA TERRA - Primavera 2018

Tal interesse refletiu-se também na estande ocupada pelo CAPA, juntamente com a FLD e o COMIN. “Além de buscarem materiais de divulgação, fomos surpreendidos pelo volume de produtos vendidos como erva-mate, mel, feijão e arroz, todos com certicação orgânica”.

Fotos arquivo Núcleo Santa Cruz/RS

Lauderson, técnico do CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS coordena seminário sobre alimentos

Desde os dias 14 e 17 de agosto, a feira ecológica que acontece no pátio da loja da ECOVALE em Santa Cruz do Sul/RS teve um considerável aumento na oferta de produtos. Além do grupo AJESMA de Santa Cruz, que realizava a feira, dois novos grupos agroecológicos passaram a fazer parte do evento que acontece duas vezes por semana, nas terças e sextas-feiras das 14 h às 18h30min na Rua Thomaz Flores, número 805. “Demorou um pouco para ampliarmos a oferta de produtos na feira, pois além de buscar novas famílias, primeiro trabalhamos no processo de certificação das mesmas para garantir produtos orgânicos através da Rede EcoVida”, conta Augusto Weber, assessor técnico do CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS. O CAPA tem uma relação muito próxima da ECOVALE, acompanhando-a desde sua fundação e prestando-lhe assessoria. Atualmente, a feira conta com a participação de três famílias do grupo AJESMA, três famílias que integram o Grupo de Produtores Orgânicos da Coopervec, cooperativa de Vera Cruz/RS, e mais três famílias do Grupo Origem Camponesa, do município de Rio Pardo/RS. Estas trazem para a feira hortaliças, feijão de vagem, morangos e tomates. O primeiro grupo, além das hortaliças, tem como diferencial a produção de brotos de alfafa. A chegada das novas famílias à feira foi durante o mês de aniversário da ECOVALE, em agosto. Para celebrar os 18 anos da cooperativa, foram sorteados quatro cestos de alimentos orgânicos entre produtores e consumidores. “O principal motivo de investirmos na feira é aumentar a oferta em quantidade e variedade, permitindo que mais consumidoras e consumidores urbanos tenham comida boa na mesa”, comenta Augusto. Nos dois meses em que a feira tem ofertado mais produtos, o movimento é bastante variável: no início do mês aparecem mais pessoas e no final, menos, explica Augusto e conclui: “às vezes leva um tempo para cativar, para construir uma relação de fidelidade entre produtoras e produtores, com consumidoras e consumidores”.

Núcleo Santa Cruz do Sul

Novas famílias fazem feiras na ECOVALE Arquivo Núcleo Santa Cruz/RS

A FLD-COMIN-CAPA participou do 24º Congresso Nacional da Juventude Evangélica da IECLB (Congrenaje), realizado de 22 e 27 de julho em Teutônia /RS. O evento, que reuniu mais de 1.600 jovens de vários estados do Brasil, contou com palestras, seminários, oficinas e painéis temáticos, além de um local com estandes de divulgação do trabalho de diferentes organizações. Além do espaço para divulgar o trabalho da entidade e comercializar produtos da Agroecologia, o CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS participou do Seminário sobre Produção de Alimentos Saudáveis. “Repetimos o mesmo seminário em duas tardes diferentes e em cada uma delas houve a participação de mais de cem jovens”, conta Lauderson Holz, da equipe técnica do CAPA/Núcleo Santa Cruz do Sul/RS. Segundo ele, a juventude presente no evento mostrou-se bastante preocupada com a produção de alimentos e a questão ambiental. “Várias e vários jovens vieram conversar sobre a produção agroecológica. Mostram disponibilidade para discutir e buscar alternativas para a produção de alimentos focados na sustentabilidade.”

COMERCIALIZAÇÃO


Textos Raquel Rossi Ribeiro

O CAPA/Núcleo Verê/PR em parceria com a Prefeitura Municipal de Verê e o apoio da Cresol, está desenvolvendo o projeto Frango Caipira Verê, que inclui a produção de frangos e ovos caipiras de galinhas livres. Após visitas as famílias, cadastro das mesmas na Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) e análise de viabilidade, implantou-se o projeto em sete unidades familiares de produção, com o objetivo de proporcionar renda para as famílias e produzir alimento de qualidade. Atualmente, os aviários já estão alojando o terceiro lote de frangos, com uma média 200 aves por unidade de produção/mês, dando os primeiros retornos financeiros as famílias. Um dos pontos a se destacar nessa iniciativa é o modelo de aviário, que foi desenvolvido pelo CAPA para a produção das aves, uma tecnologia pensada, desenhada e implementada nas unidades de produção que vem dando resultados positivos. “Esse modelo permite um sistema de criação contínua para que as famílias tenham renda mensal a partir da entrega do primeiro lote. Outra vantagem é que a família pode aproveitar uma área da unidade de produção em pouco uso, destinando uma área pequena para os piquetes (pastagem) e o aviário de acordo

Outro projeto trata das galinhas poedeiras que também são criadas em espaços amplos.

Permitir ciscar e bater asas, ativa o sistema imunológico das aves e aumenta sua saúde.. de alta qualidade. “No momento, na loja da cooperativa Cooperveretemos a possibilidade de venda para da e em mercados locais de Verê”, um pequeno frigorífico de Foz do completou Douglas. Iguaçu. Nosso o objetivo é ampliar o Das sete famílias que iniciaram o número de famílias para produzir o projeto do frango caipira, três delas frango agroecológico e futuramente já estão em processo de transição incentivar o abate local destas aves, agroecológica para certificação existindo a possibilidade de fornecer orgânica da produção de frangos para a alimentação escolar e venda caipiras.

Rede EcoVida em pauta no CAPA

Em 06 e 07 de agosto integrantes das equipes técnicas do CAPA núcleos de Verê, Marechal Cândido Rondon e Erexim reuniram-se para uma capacitação sobre a Certificação Participativa da Rede Ecovida. A oficina foi em Verê, conduzida por Ivo Macagnan, Engenheiro Agrônomo do CAPA/Núcleo/Erexim/RS que atualmente está na coordenação da Rede Ecovida de Agroecologia. O CAPA, em seus cinco núcleos, assessora seis núcleos da Rede Ecovida. CAPA Pelotas assessora o núcleo Sul, Santa Cruz o núcleo Vale do Rio Pardo, Erexim o núcleo Alto Uruguai e Vale do Rio Uruguai, Verê o núcleo Sudoeste e Marechal Candido Rondon o núcleo Oeste do PR. Unificar o processo de certificação participativa entre os Núcleos do CAPA foi o objetivo do evento. “Agora as equipes técnicas podem replicar para as famílias e grupos assessorados o processo de certificação participativa de forma Arquivo Núcleo Verê/PR

14 - RECADO DA TERRA - Primavera 2018

CERTIFICAÇÃO

com as normas de biossegurança”, informa Douglas Barbosa, técnico do CAPA/Núcleo Verê/PR. O frango caipira de Verê tem uma característica peculiar que é o semiconfinamento. “Esses frangos ficam no primeiro momento confinados no aviário cerca de 10 dias e, após isso, saem para o pastejo. Quem conhece a carne de frango caipira sabe que tem sabor diferenciado. Além de um valor agregado maior, com uma qualidade superior. Por conta do pastejo, apresentam mais ácidos graxos polisaturados e ômega 3 que fazem muito bem para a saúde humana, especialmente crianças, mulheres grávidas e idosos”, afirma Douglas. O manejo e cuidados com a criação são muito fáceis por conta da quantidade de aves e da forma como são acondicionados. “Os pintainhos foram alojados com 25 dias e dentro de dez dias já saem para o pastejo. O que diminui o custo com ração e deixa o animal livre para expressar o comportamento de ciscar e bater asas, permitindo assim, que seu sistema imunológico seja ativado, diminuindo o risco de uso de medicamentos. Caso seja necessária a intervenção de medicamentos, iremos utilizar fitoterápicos e homeopáticos”, afirma Douglas. Nesse primeiro momento os frangos caipiras vão para abate aos 100 dias, para garantir uma carne

Fotos Arquivo Núcleo/verê/PR

Notícias Núcleo Verê

Alternativas para a produção de frangos caipiras

clara e precisa”, destaca Ivo. Na capacitação a metodologia adotada foi de leitura e interpretação dos documentos da Rede Ecovida. Além disso, simultaneamente houve partilha das vivências, dúvidas e troca de experiências. “O processo de certificação participativa é feito pelas famílias, estas é que são as protagonistas da Rede Ecovida. Às equipes técnicas do CAPA cabe conhecer os processos e a legislação vigente para orientar as famílias quanto ao preenchimento dos documentos e esclarecer eventuais dúvidas técnicas”, ressalta Ivo. A partir da reunião do consórcio CAPA, que aconteceu dia 13 de setembro em Porto Alegre, com representação de todos os núcleos do CAPA, encaminhou-se que formação com as equipes do CAPA deverá acontecer com mais frequência no âmbito dos núcleos para qualificar ainda mais a assessoria para a Rede Ecovida.

Encontro Regional de Agroecologia O IV Encontro Regional de Agroecologia (ERA) aconteceu no dia 27 de setembro em Verê/ PR, organizado pelo CAPA em conjunto com o NEA Sudoeste (Núcleo de Estudos em Agroecologia) da UTFPR-Pato Branco, ASSESOAR e Núcleo Sudoeste da Rede Ecovida de Agroecologia. “Esta foi uma retomada, após 10 anos da realização do último encontro durante a Festa Regional das Sementes” comenta Jhony Luchmann, coordenador do CAPA/Núcleo/Verê/PR. “Contamos com a contribuição do Ivo Macagnan do CAPA núcleo Erexim/RS que trouxe o contexto da agroecologia na atual conjuntura política em que o Brasil se encontra. Fazendo um recorte sobre as políticas públicas e seus desmontes nos últimos anos.” O professor doutor Marcio Gazzola da UTFPRPato Branco, trouxe para o ERA a apresentação dos resultados da FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) que foi realizado durante a oficina do Paraná Agroecológico, mostrando os principais elementos para o fortalecimento e avanço da Agroecologia na região Sudoeste do Paraná. Na parte da tarde, Valdemar Arl falou sobre a Plataforma da Comida Saudável, uma iniciativa do Fórum Regional das Organizações do Campo e da Cidade, que busca a soberania e segurança alimentar na perspectiva de um projeto popular para a região, unificando campo e cidade, o qual tem tido a contribuição do CAPA, da Coopervereda e da Coocamp. Para Jhony, “a retomada da realização do encontro regional vem como importante estratégia de resistência para a Agroecologia diante da atual da conjuntura política desfavorável em que nos encontramos em nível de Brasil”.


Agenda de atividades

Arquivo Núcleo Erexim/RS

Assembléia Legistativa do RS homenageia 40 anos de atuação do CAPA Os três núcleos do CAPA do Rio Grande do Sul receberam uma homenagem na Assembleia Legislativa gaúcha pelos 40 anos de trabalho em prol da Agroecologia, agricultura familiar e cooperativismo. O evento foi em 22 de agosto de 2018, no Plenário 20 de setembro, por iniciativa da Deputada Miriam Marroni.

PRÓXIMOS EVENTOS 20 e 21 de novembro 3ª Consulta Internacional sobre el tema de Monocultivos, agrotóxicos y alternativas agroecológicas. Buenos Aires/Argentina. Núcleos Pelotas e Santa Cruz.

fevereiro de 2019 Início do Projeto de Formação de Promotoras Legais. Pelotas/RS. CAPA Pelotas, CAPA Erexim e CAPA Santa Cruz.

24 e 25 de novembro Comemoração dos 35 Anos do Movimento das Mulheres Camponesas. Chapecó/SC. CAPA Erexim.

2 a 5 de março de 2019 Acampamento Repartir Juntos (ARJ). Aratiba/SC. CAPA Erexim.

24 de novembro Feira da Saúde e Qualidade de Vida. Westfália/RS. Participação do CAPA Santa Cruz.

07 e 08 de março de 2019 Seminário de Formação e Integração das equipes FLD – COMIN – CAPA . Porto Alegre/RS. Todos os Núcleos.

26 a 29 de novembro 2º Seminário Internacional do Cooperativismo de Crédito Solidário. Chapecó/SC. CAPA Erexim e e CAPA Santa Cruz do Sul. 30 de novembro e 1° de dezembro V Etapa do Curso Homeopatia na Agricultura. Marechal Cândido Rondon/PR. CAPA Rondon. 13 de dezembro Avaliação e Confraternização com Agricultores e Agricultoras. Paulo Bento/RS. CAPA Erexim.

VITRINE

abril de 2019 Encontro Sinodal de Saúde no Sínodo Sul-Rio-Grandense e Seminário sobre produção e alimentação orgânica com Karin Primavesi. Pelotas/ RS. CAPA Pelotas.

MÍDIA E PUBLICAÇÕES Site institucional: www.capa.org.br CAPA Erexim/RS Facebook: CAPA Erexim. Jornal do Sínodo Uruguai CAPA Marechal Cândido Rondon/PR Facebook: Capa Rondon. CAPA Pelotas/RS Facebook: CAPA - Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia. Programa: Terra Limpa, Rádio Litoral Sul FM, 104.3, quintas-feira às 8h10min. Na web: http://www.radiolitoralsulfm.com.br/

Vídeo de Pelotas sobre carijo Usando a metodologia de Campesino a Campesino, o CAPA realizou um intercâmbio cultural para a produção de erva mate nativa e orgânica na localidade de Santa Inês em São Lourenço do Sul. As imagens foram editadas e publicadas com o título Dia de Carijo. Confira o documentário de cinco minutos e trinta segundos no canal do CAPA no Youtube.

CAPA Santa Cruz/RS Publicação anual: Calendário Lunar Agrícola. Livros: Cartilha Sabores e Saberes, CAPA S. Cruz. A vitória de João Pardo: na busca de alternativas aos agrotóxicos, Silvio Meinke. Reservas e aquisições: (51) 3715 6118 ou e-mail: santacruz@capa.org.br Facebook: Cooperativa ECOVALE CAPA Verê/PR Facebook: Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia - CAPA Núcleo Verê Publicação anual: Agenda do Agricultor, lançada em janeiro. Reservas e aquisições: (46) 3535 1119 ou e-mail: vere@capa.org.br

15 RECADO DA TERRA - Primavera 2018

16 a 19 de maio Seminário do CAPA 40 Anos: Comida Boa na Mesa. Verê/PR. Consórcio CAPA. 24 a 30 de maio 14ª Semana do Alimento Orgânico da Zona Sul. Vários locais e atividades com destaque para o Piquenique Agroecológico, realizado em Pelotas/RS dia 26. CAPA Pelotas. 14ª Semana do Alimento Orgânico na Região do Alto Uruguai. CAPA Erexim. 31 de maio a 03 de junho Participação no Encontro Nacional de Agroecologia – ENA. Belo Horizonte/MG. CAPA Erexim, CAPA Pelotas e CAPA Santa Cruz. Junho Rodada de incidência política nas Assembleias Legislativas dos 3 estados do Sul da Rede Nacional de Diversificação ao Tabaco. CAPA Pelotas. 12 a 14 de junho Assembleia Cone Sul do MAELA, em Foz do Iguaçu/ PR. Núcleos Erexim, Pelotas, Rondon e Verê. 02 de julho Formação das comissões de ética da REDE ECOVIDA. Novo Hamburgo /RS. CAPA Santa Cruz. 12 de julho Festa Regional das Sementes. Planalto/PR. CAPA Verê. 14 de julho 1º Café Colonial Orgânico organizado pelo Grupo de Mulheres de Saúde Comunitária de Canabarro. Teutônia/RS. CAPA Santa Cruz. 27 e 28 de julho Participação na organização da 12º reunião técnica estadual das plantas bioativas, na UNIVATES. Lajeado/RS. CAPA Santa Cruz. 28 a 31 de julho Gravação do documentário “Curta Agroecologia”, uma co-produção da Ana e da FioCruz. Pelotas e São Lourenço do Sul/RS. CAPA Pelotas 10 e 11 de agosto Início V Edição do Curso Homeopatia na Agricultura. Marechal Cândido Rondon/PR. CAPA Rondon. 11 de setembro Celebração 40 anos do CAPA. Marechal Cândido Rondon/PR. CAPA Rondon. 13 de setembro Dia Sinodal da OASE do Sínodo Centro Campanha Sul. Santa Cruz do Sul /RS. CAPA Santa Cruz. 18 de setembro Dia Sinodal da OASE do Sínodo Vale do Taquari.. Teutônia /RS. CAPA Santa Cruz. 16 a 18 de outubro Seminário de interculturalidade: sistematizando experiências. Porto Alegre/RS. CAPA Pelotas. 17 a 21 de outubro Concílio da IECLB. Curitiba/PR. Núcleos Pelotas, Verê e Rondon. 22 a 24 de outubro Reunião Grupo Gestor Rede Diaconia. Afonso Cláudio/ES. CAPA Erexim. 23 de outubro Reunião do Consórcio de Entidades de Assessoria em Agroecologia no Estado do Rio Grande do Sul. Passo Fundo/RS . CAPA Erexim e CAPA Santa Cruz. 05 a 09 de novembro 3°Paraná Ecológico. Foz do Iguaçu/PR. CAPA Rondon. 06 de novembro Reuniões sobre a Comercialização em Feiras no município de Erexim/RS. CAPA Erexim. 08 e 09 de novembro Congresso Paranaense de Agroecologia. Foz do Iguaçu/PR./PR. CAPA Rondon e CAPA Verê. 09 de novembro Plenária da ABONG. Porto Alegre/RS. CAPA Erexim. 10 de novembro I Jantar Agroecológico da Coopervereda. Verê/ PR. CAPA Verê. 14 de novembro Reunião da CPOrg. Porto Alegre/RS. CAPA Erexim.

Arquivo Núcleo Pelotas/RS

DESTAQUES 2018


Arquivo FLD

Ano XXII, Nº 47, primavera de 2018

Comida boa na Rádio traz informações e dicas práticas No dia 14 de setembro, foi lançada pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) mais uma iniciativa da campanha Comida boa na Mesa: o Comida boa na Rádio. Ele compreende uma série de programas curtos, com informações sobre Agroecologia, dicas técnicas e o faça você mesmo. O lançamento aconteceu durante a Reunião entre a Presidência e os Pastores, Pastoras Sinodais, Presidentes, Tesoureiros e Tesoureiras Sinodais da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com a participação da

Secretaria Geral. A cada semana, o Comida boa na Rádio aborda um novo assunto. O material de apoio e os programas são publicados em http://capa.org. br/page/comida-boa-na-radio/ , para download, e são de livre uso, desde que citada a fonte: Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia e Fundação Luterana de Diaconia. O lançamento e a participação na reunião da IECLB fez parte da comemoração dos 40 anos do CAPA, celebrados este ano.

Programação do Comida boa na Rádio Coordenação dos núcleos do CAPA presente no lançamento dos programas de rádio.

14/9 21/9 28/9 5/10

Plantas Medicinais: como montar sua farmácia caseira Campanha Comida Boa na Mesa A melhor época para consumir frutas e verduras Agroecologia: compromisso de todas as pessoas

12/10 19/10 26/10 2/11 9/11

Disponível para cópia e transmissão em http://www.capa.org.br/

Como preparar chás com plantas medicinais Horta doméstica: fonte de saúde para toda família A importância do consumo de frutas Adubação verde Abelhas sem ferrão

16/11 23/11 30/11 7/12 14/12 21/12

Sistemas Agroflorestais Enfermeiras da terra Homeopatia na Agricultura Familiar Plantas repelentes Cultivo do tomateiro em estufa Pomares/hortas caseiras

28/12 4/1 11/1 18/1 25/1 1/2 8/2

Lua e agricultura Compostagem Plantas amigas e inimigas Mudas de hortaliças Bem estar animal Cultivo de erva-mate em sistemas agroflorestais Abelhas sem ferrão II

PROMOVER A JUSTIÇA E A PAZ Outro destaque do Concílio foi aprovar a moção para elaborar uma política de justiça de gênero da IECLB, sob a coordenação do Conselho da Igreja. Com a participação de 200 pessoas, na sua 31ª realização, o encontro teve como tema Viver o

Evangelho: empatia, compaixão, comunhão..., adequado para os atuais tempos que desafiam a paz e o convívio entre desiguais. “A partir da incorporação do COMIN e do CAPA, somos todas e todos FLD, atuando em diaconia transformadora e afirmando o Reino de Deus e sua justiça, em um contexto que nos desafia cada vez mais”, disse a secretária executiva da FLD, pastora Cibele Kuss. “No culto de abertura, pastor Nestor citou o Manifesto de Curitiba, elaborado no Concílio Geral em 1970, que, entre outras questões, denunciava a ditadura militar e expressava apoio aos Direitos Humanos. É fundamental reafirmar esse compromisso no atual momento de fanatização e de violência política”, enfatiza. Além de Cibele, a coordenadora programática e pastoral do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), pastora Renate Gierus e o coordenador do CAPA/Núcleo Marechal Cândido Rondon/PR, Vilmar Saar, falaram às e aos conciliares. Vilmar, representando o CAPA, lembrou como a IECLB criou a organização em um momento difícil e de exceção. Em 1978 a ditadura estava em curso e o modelo de desenvolvimento dominante tinha como base a produção agrícola em grande escala, o uso intensivo de agrotóxicos e a mecanização. “A IECLB foi ousada e corajo-

sa”, disse Vilmar. “E a semente plantada germinou e cresceu, com raízes firmes na realidade brasileira e nos contextos onde atua. O CAPA produziu frutos muito significativos, nas áreas da organização social, da cooperação, da produção, da agro-transformação e da comercialização, e vai continuar assim. Temos consciência das limitações de nossa atuação, mas sempre buscamos ser testemunho evangélico-luterano de que é possível e viável produzir de forma sustentável e ecológica”.

Sílvia Beatrice Genz, Pastora presidenta da IECLB. Arquivo FLD

Realizado em Curitiba/PR, de 17 a 21 de outubro, o Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) elegeu, pela primeira vez na história da igreja, uma mulher no cargo de pastora presidenta: Sílvia Beatrice Genz, que substitui, em 2019, o atual pastor presidente, Nestor Friedrich. “Como pastora, nestes 34 anos sempre trabalhei em comunidades com pequenas agricultoras e agricultores”, ressaltou a pastora Sílvia especialmente para o Recado da Terra. “Aprendi a valorizar a comida boa na mesa. Vejo também a luta pelo cuidado com a terra, o esforço para diminuir ou abandonar completamente o uso do veneno e os preços que muitas vezes não valorizam o trabalho como grandes desafios para a sobrevivência das famílias na roça. Deus fortaleça cada agricultora e cada agricultor pelo bem que fazem para a vida.” Sílvia Beatrice Genz nasceu em 19 de novembro de 1956, em Linha Nova, interior de Santa Cruz do Sul/ RS. Atualmente mora em Picada 48 B, Lindolfo Collor/RS.

Arquivo Sínodo Nordeste Gaúcho.

IECLB elege pastora presidenta

Integrantes da FLD - COMIN - CAPA presentes no Concílio (Da esq. para dir.) Cibele Kuss, secretária executiva da FLD, e Renate Gierus, coordenadora pastoral e programática do COMIN (de pé), Jhony Luchmann, coordenador do CAPA Verê, Vandeilson Ferreira de Almeida, técnico CAPA Rondon, Vilmar Saar, coordenador do CAPA Marechal Cândido Rondon, pastor Fábio Bernardo Rucks, vice-presidente da Diretoria da FLD, Cleci Terezinha Koch, conselheira da FLD, e Lorita Sonntag, conselheira do CAPA.


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O Recado da Terra. Número 47, primavera de 2018 - CAPA ensina Comida Boa na Mesa by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu