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Nossas histórias e projetos avanços e desafios
Seminário promovido pela Fundação Luterana de Diaconia com organizações parceiras no Estado do Rio de Janeiro
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Seminário Nossas histórias e projetos – avanços e desafios Responsáveis: Angelique van Zeeland e Ana Cristina Kirchheim, assessoras programáticas da Fundação Luterana de Diaconia Caderno Nossas Histórias e Projetos Coordenação e edição dos textos: Susanne Buchweitz Projeto gráfico: Cristina Pozzobon (Lavoro C&M) Capa: Artesanato das crianças do Cecuca Agradecimento Paróquia Bom Samaritano, Ipanema – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB)
N897
Nossas histórias e projetos: avanços e desafios / Angelique van Zeeland, Ana Cristina Kirchheim, responsáveis .— Porto Alegre : Fundação Luterana de Diaconia, 2007. 27 p. ; il. Seminário promovido pela Fundação Luterana de Diaconia com organizações parceiras no Estado do Rio de Janeiro. 1. Projeto social - História. 2. Qualidade de vida. 3. Cidadania. 4. Justiça social. I. Zeeland, Angelique van. II. Kirchheim, Ana Cristina. III. Fundação Luterana de Diaconia. CDU304 Catalogação na Publicação: Bibliotecária Eliete Mari Doncato Brasil - CRB 10/1184
Introdução Fundação Luterana de Diaconia Projetos sociais no contexto da globalização e da espiritualidade Waldo César Os projetos no seminário – I Cecuca Cecip Da Vida Brincando de Fazer Arte Sistema de Planejamento, Monitoramento e Avaliação – PMA – como elemento do fortalecimento de organizações da sociedade civil Fátima Nascimento Os projetos no seminário – II Camtra Ser Mulher Jornada Ecumênica Profec Recomendações Conclusão Contatos
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Um “vai-e-vem” ou uma via de duas mãos Nossa história e projetos – avanços e desafios: com este título, a Fundação Luterana de Diaconia – FLD organizou um seminário de dois dias com organizações parceiras no Rio de Janeiro. Entre os objetivos, estavam a atualização de informações sobre as organizações e sobre a conjuntura brasileira e internacional e a possibilidade de proporcionar momentos de reflexão sobre instrumentos de Planejamento, Monitoramento e Reflexão – PMA. 8 Além da apresentação das histórias das organizações, discussão sobre os limites e os potenciais dos projetos apoiados pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia, houve uma rica e intensa troca de experiências entre os participantes. Os grupos que participaram foram o Centro Cultural da Candelária – Cecuca; Centro de Criação de Imagem Popular – Cecip; Brincando de Fazer Arte; Casa da Mulher Trabalhadora – Camtra; Ser Mulher; Koinonia – Jornada Ecumênica; Da Vida; e Programa de Formação Continuada – Profec. Representantes de organizações parceiras da FLD, como a Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa – Capina e o Serviço de Análise e Assessoria a Projetos da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Saap/Fase, também estiveram presentes. As discussões foram conduzidas pelas assessoras programáticas da Fundação Luterana de Diaconia, junto com os consultores externos Waldo Cesar e Fátima Nascimento.
Ana Cristina Kirchheim e Angelique van Zeeland Assessoras programáticas da Fundação Luterana de Diaconia Março, 2007
Fundação Luterana de Diaconia A Fundação Luterana de Diaconia – FLD foi criada em 17 de julho de 2000, por decisão do Conselho da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, a partir do antigo Serviço de Projetos de Desenvolvimento. Seu objetivo é apoiar a execução de programas e projetos que promovam a qualidade de vida, cidadania e justiça social.
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Com sede em Porto Alegre – RS, a FLD atende projetos em todo o território nacional. Suas linhas de ação priorizam iniciativas que busquem a igualdade de gênero e o combate ao racismo e à violência em quatro áreas: • Geração de trabalho e renda; • Educação popular; • Agricultura familiar e ecologia; • Saúde comunitária.
Além do Fundo de Projetos, existem dois programas acompanhados pela Fundação Luterana – um na área de agroecologia e outro junto a populações indígenas: o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA, que atende agricultores, quilombolas, pescadores artesanais profissionais e indígenas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; e o Conselho de Missão entre Índios – Comin, com atividades em todo o Brasil. A partir de 2004, a FLD passou a atender convênios com organismos públicos, como o projeto Cadeia Produtiva de Reciclagem, em parceria com o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR-RS, apoiado pelo Petrobrás; e o Projeto Ações Integradas de Desenvolvimento Social e Organização dos Catadores de Materiais Recicláveis do Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, também com o MNCR, com financiamento do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS.
Os projetos encaminhados são analisados inicialmente pelos assessores programáticos, que verificam sua viabilidade e se atendem os critérios de apoio do Fundo de Projetos. Depois disso, são apresentados à Comissão de Avaliação de Projetos e Programas, que se reúne duas vezes ao ano. Os projetos aprovados são monitorados e avaliados pelos assessores programáticos, através de visitas e reuniões, contatos pessoais, por e-mail ou telefone, relatórios narrativos, relatórios financeiros e prestação de contas. A FLD trabalha com o Fundo de Projetos, que tem parceria com o Serviço das Igrejas Evangélicas na Alemanha para o Desenvolvimento (sigla em alemão EED), Pão para o Mundo (PPM) e Federação Luterana Mundial (FLM). Também oferece formação a partir da identificação de demandas no acompanhamento aos projetos. Um exemplo é o curso de três etapas intitulado “Este projeto é viável? Melhorando iniciativas comunitárias de geração de renda”, ou ainda cursos como o de Formação de Lideranças e de Elaboração de Projetos Sociais.
Fundação Luterana de Diaconia Rua Dr. Flores, 62/901 Porto Alegre Fone: 51 3225 9066 www.fld.com.br fld@fld.com.br
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Os jovens que participaram do projeto Cinema e Vídeo, do grupo Brincando de Fazer Arte, tiveram aulas de roteiro, fotografia, estrutura dramática e direção de atores.
Projetos sociais no contexto da globalização e da espiritualidade Waldo Cesar
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Ao contemplar as pessoas aqui presentes, renovo a convicção de que este grupo vai muito além do nosso encontro e reflete a grande rede que cada um representa, uma articulação fantástica de pessoas, movimentos, entidades, relações. O espaço e as ações aparentemente reduzidas que incorporamos, no país e além dele, são muito significativos. Podemos até mesmo dizer que o Brasil e o nosso mundo estariam piores sem a nossa atuação, sem o trabalho alternativo de milhares de organismos que tentam preencher as lacunas deixadas pelos governos, a tal ponto que hoje em dia muitos órgãos oficiais reconhecem o papel da sociedade civil e contam com ela para amenizar os crescentes e graves problemas que enfrentam.
Os processos globais que consideramos, na sua correlação com os projetos sociais, podem gerar novas formas de intervenção no campo da ajuda internacional e nacional, nas agências que canalizam recursos governamentais ou ecumênicos; e uma renovação constante de um compromisso mútuo.
Dentro dessa visão, quero refletir sobre o nosso trabalho segundo um quadro mais global que, estou convencido, afeta profundamente o compromisso que assumimos na busca de uma sociedade mais justa e mais humana. Nesse contexto, assinalo duas expressões marcantes, ambas de natureza mundial: o processo de globalização, embora tão exaustivamente debatido; e a questão da espiritualidade, menos analisado no conjunto de nossos projetos de ajuda. O que há de positivo e de negativo nessas duas manifestações de âmbito
global? E tento ainda provocar a velha questão: se estamos sujeitos a fatores de tais dimensões, o que fazer? Como sustentar nossas organizações e alimentar a esperança de uma transformação da nossa realidade? Nessa dimensão, talvez os projetos de ajuda possam ganhar novos significados; talvez até mesmo retomar o debate, que não é novo, mas sempre nos desafia, a respeito da busca de um novo paradigma da ajuda. Uma ditadura mundial Em primeiro lugar, o papel da globalização, de cujo processo não temos como escapar. Estamos diante de uma nova ditadura mundial – do dinheiro e da informação, de um sistema acima das políticas nacionais. O geógrafo Milton Santos dizia que os bancos centrais são muito mais poderosos do que todos os parlamentos do mundo, como agentes de um tipo de poder e de imposição sobre o mercado mundial e os governos. Tal sistema, afirmava ainda, trabalha com uma racionalidade totalitária, onde não há lugar para a solidariedade e uma verdadeira transformação social. Assim, muito do que fazemos é absorvido, engolido e contestado por esse processo dominante. A Organização das Nações Unidas, já na sua assembléia de 1998, assinalava como as grandes corporações dos mercados competitivos aumentam a desigualdade, gerando desníveis sociais – fenômeno que conhecemos profundamente no Brasil, em termos tanto nacionais como locais, parte de nossa própria experiência profissional. Segundo o historiador inglês Robert Kurz, estamos diante de uma “nova simultaneidade histórica”, contrária às particularidades dos contextos e identidades nacionais. Quer dizer, está se perdendo o que é peculiar à cultura dos países, vítimas de uma padronização que pode ir além do “pensamento único” e chegar à unificação de modas e costumes, talvez até dos sabores (a McDonalds já impera em mais de 100 países). Com a globalização, a dependência tomou novas formas, a violência e a miséria cresceram em todo o mundo, além de uma enorme sofisticação sistêmica nos processos de corrupção. Mais ainda: esse panorama predatório de nossa condição humana atual desenvolveu, isto sim, um quase incontrolável processo de destruição da Natureza, afetada e consumida de maneira brutal e irresponsável principalmente pelos países mais ricos.
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Aqui temos outro fruto dessa imposição globalizante sobre a vida do planeta, que afeta a nossa própria individualidade, marcada pela aceleração do tempo, resultado direto dessa intervenção irresponsável no processo da criação. A sensação universal de que o tempo passa “cada vez mais depressa” provém, segundo o físico alemão W. O. Schumann, do aumento da instabilidade climática e telúrica (terremotos, maremotos, explosões vulcânicas etc), assim como das tensões sociais e conflitos bélicos. Schumann constatou, na década de 50, que o campo eletromagnético que envolve o nosso planeta, cuja freqüência foi, durante eras, de aproximadamente 7,83 (7,83 Hz) pulsações por segundo, passou, entre as décadas de 80 e 90, para 11 a 13 Hz. Quer dizer, o ritmo normal da Natureza, comum a todas as formas de vida terrestre, foi rompido. Isto significa que o “coração” da terra se acelerou – e daí a sensação real de que o tempo está mais veloz, alterando a nossa constituição física, a cadência da agenda de cada dia e de nossos planos e projetos. A espiritualidade – uma resposta global Uma segunda dimensão significativa na operacionalidade do nosso trabalho está na espiritualidade, concepção que pode parecer algo estranha no contexto das ações que empreendemos. Tomo esta outra característica da conjuntura por sua expressão também global e crescente ocupação de espaços seculares, antes alheios ou até mesmo contestadores do mundo da religião.
As religiões e suas inúmeras correntes e variadas manifestações de espiritualidade, com exceção de alguns tipos de fundamentalismo, têm cada vez mais peso social na ocupação de espaços antes alheios às suas teologias e formas de ação.
A explosão de inúmeras formas de espiritualidade no mundo (cerca de 10 mil religiões, e a cada dia mais três ou quatro novos movimentos),
assinala um quadro que tem desafiado cientistas sociais e estudiosos desse fenômeno. O tema também nos afeta por que várias das atividades sociais empreendidas pelas ONGs tiveram origem ou se relacionam de muitas maneiras com o campo religioso, confessional ou ecumênico. Mais do que isto, as religiões e suas inúmeras correntes e variadas manifestações de espiritualidade (com exceção de alguns tipos de fundamentalismo) têm cada vez mais peso social na ocupação de espaços antes alheios às suas teologias e formas de ação. Sua penetração na política, na economia, na cultura indica uma invasão insólita do transcendente na realidade social e na cotidianidade. Para o sociólogo alemão Nikolas Luhmann, dentro da complexidade social em que vivemos, dominada por tantos apelos e imposições, a religião exerce um papel de redutor das alternativas de vida, amenizando a tensão entre o real e o possível. Sua “teoria sistêmica”, ao indicar campos de ação que tornam a vida viável ou pelo menos mais suportável – o poder, o dinheiro, o amor, a verdade e a religião –, conclui que somente a religião dá sentido à vida e oferece valores éticos e possibilidades de interpretação do mundo, além de estabelecer certa mediação simbólica entre as demais áreas. A religião, como fonte de orientação para todos os sistemas, ainda estabelece relação entre imanência e transcendência. Creio poder acrescentar que esta dimensão espiritual e sua universalidade pode se constituir numa forma intuitiva de a humanidade reagir contra o materialismo e a desumanidade da globalização. Qual é a importância desse fator espiritual para o nosso trabalho? Várias pessoas aqui fizeram referência ao ecumenismo, à igreja, a conceitos éticos. Tudo isso tem fundamento religioso. Nem sempre a dimensão religiosa é levada a sério. Penso, no entanto, que o mundo da espiritualidade constitui um campo importante na reflexão e debate sobre a questão da ajuda e cumprimento de nossa tarefa, não apenas em encontros como o que temos aqui, mas no interior de nossas próprias organizações. Um novo paradigma da ajuda? Os processos globais que consideramos, na sua correlação com os projetos sociais, podem gerar novas formas de intervenção no campo da aju-
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da internacional e nacional, nas agências que canalizam recursos governamentais ou ecumênicos; e uma renovação constante de um compromisso mútuo. A bela e rica palavra da língua aimara – ayni –, expressa o duplo significado de uma ajuda responsável – exigência mútua e discussão. Somente assim estaremos explorando mais a fundo o processo alternativo que caracteriza o nosso trabalho. A palavra “alternativa” tem definição interessante no dicionário. Significa “uma outra opção, uma outra resposta, uma substituição ao que existe e vigora, algo fora do convencional”. Diria, mais uma vez, que é por aí que se pode recuperar a nossa humanidade, no Brasil e no mundo – e evitar o isolamento e o egoísmo institucional. Como disse Eduardo Galeano, analisando a desintegração latino-americana, “o isolamento é o nosso fracasso”. E desta forma estaremos mais aptos para criar relações fortes, explorar uma pedagogia de participação através de um otimismo metodológico. Se assim não for, a ajuda pode até mesmo ser um obstáculo para o desenvolvimento.
A palavra “alternativa” tem definição interessante no dicionário. Significa “uma outra opção, uma outra resposta, uma substituição ao que existe e vigora, algo fora do convencional”. Talvez seja por ai que se possa recuperar a nossa humanidade.
Nessa direção, creio que podemos explorar melhor a possibilidade de novos caminhos na cooperação nacional e internacional – e dentro de nossas próprias instituições. Digamos, a busca de um novo paradigma da ajuda. O sistema de ajuda que herdamos tem sofrido várias e importantes mudanças através da nossa experiência de campo e como intermediários entre os que dão e os que recebem. Porém o processo de globalização e as novas contingências políticas, sociais e culturais, a rapidez da comunicação e seu impacto numa escala instantânea e coti-
diana, tudo isto clama por novas formas de “intervenção social”, um novo estilo que capte a instabilidade do momento e sua significação simultaneamente local e global. E não se trata apenas da quantidade da ajuda externa, cerca de 0,38% do PIB dos países desenvolvidos. É pouco e desproporcional com as riquezas mundiais e nacionais (um submarino atômico custa tanto quanto a ajuda externa oferecida à América Latina em um ano). É questão, mais uma vez, de lutar incansavelmente para superar a disparidade da distribuição dos bens do planeta e as contradições da nossa realidade, de mudar a sorte dos 50 milhões de refugiados ecológicos, fugitivos do seu ethos, desfeito pela destruição da Natureza. E os 35 milhões de brasileiros, acima de 16 anos, que vivem abaixo da linha da pobreza – e que não participam sequer dessa busca por uma nova forma de vida, talvez apenas esperando passivamente por sua “cesta básica”? As escalas dessa turbulência global têm que ser confrontadas com novos parâmetros e novas forças sociais, cujo papel pode ser mais decisivo do que pensamos. Duas realidades contemporâneas talvez nos dêem pistas importantes: o movimento das multidões, superando padrões institucionais e políticos, conforme indica o filósofo italiano Antonio Negri; e a força do cotidiano cultivada principalmente por duas expressões religiosas, uma talvez mais secular, o islamismo, e outra recente, o pentecostalismo. Mas, sobretudo, a nossa convicção pessoal e espiritual, capaz de romper barreiras aparentemente irremovíveis. Um pequeno acontecimento ilustra como formas tradicionais de ajuda podem ser revolucionadas, no caso pela força da imaginação (sem ela também fracassamos). Inúmeras pessoas cruzavam por um mendigo, em Paris, mas seu chapéu permanecia praticamente vazio. Um transeunte pegou o cartaz que apenas anunciava tradicionalmente a sua cegueira, escreveu uma nova mensagem no verso e a expôs para o público. No final do dia, retornou ao local e o chapéu do cego estava transbordando de moedas. O cego pediu que alguém lesse o novo cartaz para ele. Estava escrito: “Hoje começa a primavera e eu não posso vê-la”. Há muitas dimensões não exploradas no processo de ajuda, seja no anonimato de uma ação que promove novas formas de comunicação, capaz de
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despertar parcerias até mesmo desconhecidas, seja no trabalho por uma nova globalização e sua humanização (Milton Santos), assim como afirmamos que um novo mundo é possível. Ou ainda marcar os nossos campos de ação como instrumentos de pressão e de conscientização dos poderes públicos – e desta forma não haverá “pequenos” ou “grandes” projetos, mas todos terão dimensão nacional, quiçá mundial. Os projetos de ajuda, na tentativa de romper as barreiras que impedem ou limitam o desenvolvimento e a autonomia de setores desfavorecidos da sociedade, muito dependem de nossa firme convicção e vocação. De outra maneira, corremos o risco de cair na tentação do profeta Jonas. Instado por Deus para mudar a vida do povo da cidade de Nínive, Jonas não acreditou na sua missão. Depois de várias peripécias, inclusive uma simbólica retenção nas trevas das entranhas de um grande peixe, o profeta aceita o compromisso e cumpre a tarefa. Esta pode ser a tentação — não acreditar que o nosso trabalho faz sentido e tem a possibilidade de mudar o mundo. Quando Jonas assume o projeto, tudo se transforma, e ele se torna agente e testemunha de um evento global – a conversão de toda a cidade, diz o texto bíblico, com mais de 120 mil habitantes e (um dado ecológico) muitos animais.
Os projetos de ajuda, na sua tentativa para romper as barreiras que impedem ou limitam o desenvolvimento e a autonomia de setores desfavorecidos da sociedade, muito dependem de nossa firme convicção e vocação.
Li em algum lugar que o processo de ajuda deve incorporar componentes de natureza estrutural, ética e revolucionária. Ou seja, ter estrutura suficientemente forte para suportar e contestar a pressão internacional da globalização, uma ética voltada para o serviço ao “outro” e, ademais, uma
concepção revolucionária capaz de recriar a vida e a sociedade – se quisermos mudar a conjuntura presente. Temos que tentar viver a tensão entre o nosso chamado e a realidade, entre o concreto e o utópico – o pão nosso de cada dia, porém com o olhar para o Reino.
Waldo César é jornalista e sociólogo, bolsista do Instituto Ecumênico (Conselho Mundial de Igrejas, Genebra, 1957) para especialização em Ecumenismo e em “Igreja e Sociedade”. Fez parte do Núcleo de Pesquisas do Iser – Instituto de Estudos da Religião (Rio, 1984-1993) e coordenou a seção de religião das enciclopédias Delta-Larousse e Mirador Internacional. De 1979 a 1987, como funcionário da FAO-Nações Unidas, foi coordenador para a América Latina do programa “Ação para o Desenvolvimento”. Autor, com o teólogo Richard Shaull, de Pentecostalismo e futuro das Igrejas Cristãs – Promessas e desafios. Membro da Comissão de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia e do Grupo Assessor da Presidência da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
Discussão e comentários
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“Quando falamos em articulação, alguém falou hoje aqui sobre a Central dos Movimentos Populares. No caso da central, o meu entendimento era juntar o Movimento de Mulheres com o Movimento Indígena, o Movimento de Favela com o Movimento de Moradia, e que isso provocaria realmente um processo de articulação, onde se pudesse estar resolvendo ou buscando alternativas. Não foi isso o que aconteceu. Continuou sendo um processo de alguns encontros, onde trocamos nossas conclusões. Acho que articulação deveria ser assim: o Da Vida tem o projeto da Seresta na Praça Tiradentes. Por que a Gabriela [Leite] não convida para que eu leve o meu grupo para assistir a seresta e atenuar o processo de exclusão das mulheres que estão lá? Assim, juntamos estes dois grupos para que possamos realmente fazer esta articulação, não só Gabriela e eu, mas das ações que nós coordenamos.” Jorge Arruda, Cecuca “Fiquei pensando sobre o paradoxo do tempo e da eficiência, tentando trazer um pouco para dentro do trabalho das nossas organizações. Fazendo o resgate histórico do tempo – o movimento dos movimentos – é possível perceber que, a partir dos anos 90, em termos estruturais, acontece uma individualização das organizações, em vários sentidos. Cada vez mais temos que responder de forma mais rápida – e aí entra a lógica do tempo – à cooperação internacional ou, no caso de convênios, a órgãos financiadores governamentais locais. O tempo tem diminuído muito. Não temos mais tanto tempo, como há alguns anos, para refletirmos sobre os nossos trabalhos e projetos. Aqui também entra a questão da memória desses processos todos. Nós trabalhamos com processos, com pessoas, com seres humanos, cada qual com sua lógica específica. E com muito menos tempo para fazermos tudo.” Ana Cristina Kirchheim, Fundação Luterana de Diaconia
“Somos organizações de base, e devemos sempre estar falando na base, formando lideranças, acho que precisamos voltar a fazer isso. Uma das inquietações que vivemos é o individualismo muito grande das organizações. Outra é que muitas vezes criticamos este modelo do segundo setor que veio mostrar uma nova forma de fazer projetos sociais, dentro da globalização. Estamos deixando de fazer aquilo que deveríamos, que é organizar o povo e formar pensadores para trabalhar melhor e acabamos virando empresa social. A todo momento, temos que ter o melhor departamento, o melhor intelectual, a melhor captação de renda, e aquele olhar para dentro das pequenas coisas acaba se perdendo.” José Carlos Dionizio, Profec
“Queria me referir ao que o Waldo falou, sobre respeito, respeitar a comunidade. Os trabalhos sociais que cada um desenvolve são absolutamente fundamentais. Sou novo, tenho 18 anos, faço 19 no domingo, mas este meu lado social é bastante importante dentro do mundo.” Adalberto Bastos, Brincando de Fazer Arte
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O foco de atuação do Centro Cultural da Candelária está voltado para a cultura e o desenvolvimento comunitário, através de oficinas de artesanato, música, dança e reforço escolar e também passeios realizados para fora da comunidade.
Os projetos no Seminário – I Centro Cultural da Candelária – Cecuca
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A Candelária é um pequeno morro localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro e que faz parte do Morro da Mangueira. O Cecuca, inicialmente chamado de Grupo Cultural da Candelária, nasceu em 1991, da solidariedade dos moradores e da pastoral universitária da Pontifícia Universidade católica – PUC. O foco de atuação do Cecuca está voltado para a cultura e o desenvolvimento comunitário, através de oficinas de artesanato, música, dança e reforço escolar, além de passeios realizados para fora da comunidade. Entre alguns projetos particularmente interessantes, o coordenador Jorge Arruda cita um realizado com a juventude da Candelária, voltado à qualificação e a capacitação profissional, e um segundo, envolvendo as famílias: depois do desastre causado pelo excesso de chuvas, em 1988, com muitas mortes e inúmeros barracos destruídos, o Cecuca apoiou e participou do trabalho de mutirão para a construção de 58 casas – “ninguém ganhou dinheiro para construir as casas, foi uma grande tarefa de solidariedade.” A sede do Cecuca fica inserida na Candelária. O público beneficiado é o de crianças e jovens, de sete a 16 anos. As atividades são diárias, de manhã e à tarde, e acontecem ao longo de todo o ano (12 meses). A casa fica aberta também à noite e nos finais de semana, quando se realizam oficinas.
Público Alvo Direto: 130 crianças e adolescentes, de sete a 14 anos, de ambos os sexos, moradores do morro da Candelária no Complexo da Mangueira; indireto: as famílias e a comunidade. Realidade De acordo com recenseamento realizado em 2001, na Candelária vivem 3.086 moradores, sendo destes 1.976 adultos e 1.129 crianças e adolescentes. A Candelária tem uma associação de moradores, duas creches (uma da prefeitura e a outra mantida pela Igreja Católica), uma igreja católica, três igrejas evangélicas, dois grupos culturais (afro e folia de Reis). Constatou-se que 30% das crianças e 4% dos adolescentes da Candelária não estão na escola; a evasão escolar é apenas uma das graves conseqüências verificadas. O desemprego (34%), analfabetismo (4%) e a fome (55% das famílias têm renda de meio a dois salários mínimos) também fazem parte das estatísticas. Atividades Oficinas de artes integradas – artes cênicas, arte circense, oficina da palavra – e música, oficinas pedagógicas, oficinas de informática e recreação.
• Ação Caras e Nomes Projetos apoiados pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Integração Caras e Nomes Objetivo geral Aproximar de forma mais efetiva as questões entre escola/comunidade (família) e o Cecuca, com base nas premissas da arte-educação. A proposta, em 2002, foi de desenvolver, no público beneficiado, a capacidade crítica, expressiva e criadora, fomentando a construção de uma consciência cidadã e sensível ao seu ambiente.
Objetivo geral Ampliar o horizonte social e cultural de crianças e adolescentes atendidos pelo Cecuca, além de contribuir para a ampliação da consciência de todos os atendidos e suas famílias a respeito dos seus direitos e responsabilidades como cidadãos (2004). Público Alvo Direto: 100 crianças e adolescentes, de sete a 14 anos, de ambos os sexos, moradores do morro da Candelária no Complexo da Mangueira; indireto: as famílias e a comunidade.
Atividades Oficinas de artes integradas – artes cênicas, arte circense, oficina da palavra – e música, oficinas pedagógicas, oficinas de informática e recreação.
Centro de Criação de Imagem Popular – Cecip
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O Centro de Criação de Imagem Popular – Cecip pode ser definido como uma agência promotora de educação e comunicação. Fundado em 1986, por profissionais de diversas áreas, tinha como objetivo criar materiais educativos acessíveis, com enfoque em direitos e deveres da cidadania. A produção inicial de vídeos foi ampliada ao longo dos anos e o Cecip passou a criar kits educativos, compostos de vídeos, manuais, folhetos e cartazes, além de investir na capacitação de profissionais da educação. Seu primeiro projeto foi a TV Maxambomba, uma televisão comunitária. “Produzíamos os vídeos a partir das demandas da população e os exibíamos em praça pública, na Baixada Fluminense, na região de Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Belford Roxo”, relatou Dinah Frotté. A experiência da TV Maxambomba abriu caminho para outros projetos de comunicação popular. O Cecip também realiza documentários para TV e cinema, em parceria com televisões européias (BBC, Channel 4, ARTE, ZDF, Canal +) ou nacionais. O trabalho de formação de atores sociais realizado pelo Cecip é feito através da Facilitação de Mudanças Educacionais. “Esta metodologia foi adaptada e recriada com a assessoria do grupo holandês APS International, que trabalha com educação de adultos. Formamos no Cecip um grupo de facilitadores que atuam nos nossos projetos”, esclareceu Dinah. O público atendido pela ONG é amplo, mas o trabalho é realizado prioritariamente através da formação de professores, educadores, gestores de escolas, jovens e agentes na área de saúde, direitos e meio-ambiente. A atuação do Cecip é nacional – as capacitações e projetos acontecem em todo o Brasil. “Nosso foco é educação e comunicação e trabalhamos em parceria com Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e com o Ministério de Educação.”
Projetos apoiados pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Botando a mão na mídia A realização da TV Maxambomba recebeu apoio do antigo Serviço de Projetos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. O apoio ao projeto Botando a Mão na Mídia (1999/2003), que sistematizou toda a atividade da TV Maxambomba e TV na Praça, já aconteceu através da Fundação Luterana de Diaconia, (criada em 2000, a partir do Serviço de Projetos da IECLB). Com o Botando a Mão na Mídia, o Cecip tirou a ação da rua e entrou na escola. O Botando a Mão na Mídia trabalha com capacitação de professores, preparando-os para utilizar o vídeo-cassete e outras ferramentas em sala de aula. Além disso, busca despertar um olhar crítico em relação à mídia e às mensagens que chegam pela televisão e jornais. Objetivos gerais e específicos • Que educadores integrem as tecnologias de informação e comunicação às suas práticas, trazendo a mídia para a sala de aula como instrumento de apoio pedagógico. • Que alunos e professores saiam do papel de consumidores para o de leitores críticos dos meios de comunicação e criadores de mensagens. • Esferas governamentais e da sociedade civil tenham acesso à metodologia, visando o aperfeiçoamento dos processos de ensino-aprendizagem. • Sistematizar os cinco anos de experiência do Projeto Botando a Mão na Mídia. • Produzir um kit Botando a Mão na Mídia. • Capacitar multiplicadores para a disseminação da metodologia. Resultados quantitativos • Multiplicação da Oficina Botando a Mão na Mídia pelo Estado do Rio de Janeiro, com capacitação realizada pelos telepostos para 1.243 educadores. • Estima-se que estes educadores atendam 310.750 alunos.
• Reeditada para professores da rede pública municipal (Niterói e Nova Iguaçu). • Atividades em andamento nos municípios-polo dos telepostos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Maricá, Rio das Flores e Rio Bonito).
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Resultado qualitativo • Os professores que utilizaram esta metodologia transformaram sua ação junto com os alunos, em sala de aula, obtendo maior interesse e motivação por parte destes para trabalhar questões do cotidiano, aumentando sua auto-estima.
• Prevenindo e combatendo o racismo na escola O segundo projeto apoiado pela Fundação Luterana de Diaconia, Prevenindo e combatendo o racismo na escola, ocorreu em 2004 e surgiu a partir do material criado para a campanha Direitos são para valer. O projeto buscou estimular educadores e alunos a discutir as questões raciais que surgem na escola. Isto foi realizado por meio de observação, pesquisa dos meios de comunicação e, principalmente, por um processo de sensibilização e tomada de consciência a respeito das próprias atitudes e expressões usadas na linguagem cotidiana. O projeto aconteceu no Estado do Rio de Janeiro, no Centro de Estudos dos Diretos da Mulher – Cedim; Colégio Estadual Heitor Lira; Colégio Estadual Julia Kubitscheck; e Colégio Estadual Agostinho Porto. Público atendido • Direto: 140 pessoas, formado por professores, alunos e gestores de escolas. • Indireto: Cerca de 12.500 alunos que tiveram contato, ao longo do ano de 2004, em sala de aula, com educadores sensibilizados para observar e atuar em questões que envolvam preconceito e discriminação racial. Estratégia e atividades • Realização de quatro oficinas, no formato de 16 horas, com quatro encontros uma vez por semana, para educadores e alunos, utilizando o kit.
• Estímulo ao uso do audiovisual no aprendizado escolar, incentivando o intercâmbio multidisciplinar. “A idéia era que eles usassem o material nas salas de aula e possibilitassem uma atuação multidisciplinar sobre a questão – pois estávamos trabalhando com professores de História, de Português, de Artes. Cada professor deveria utilizar o vídeo e a cartilha dentro da sua área de atuação”. • Articulação com o poder público, visando à disseminação desta experiência. O Cecip trabalhou com escolas do Município e do Estado que, além de indicarem professores para participar da capacitação, também cederam espaço para a realização das oficinas. • Formação de uma rede de troca de experiências entre os grupos. “Neste item, não obtivemos sucesso. Talvez porque, além do excesso de atividades, muitos professores ainda não têm acesso à Internet, dificultando a comunicação entre eles”. • Envolvimento da escola em um encontro de encerramento - Culminância. O encontro de culminância foi organizado pelos próprios professores e alunos. • Estímulo à observação dentro e fora do espaço escolar sobre situações de discriminação e preconceito raciais. Resultados das oficinas • Ampliação do público de alunos dos Ensinos Fundamental e Médio que tiveram acesso às informações. • Relatos de situações cotidianas de transformação de atitude dos participantes – questões colhidas no próprio espaço escolar, de discriminação, que antes passavam despercebidas, foram levadas pelos professores para as salas de aula e discutidas com os alunos. As pessoas entenderam a questão do preconceito como um fato existente. As brincadeiras com relação a questões étnico-raciais, que antes eram “apenas uma brincadeira”, deixaram de ser toleradas. As pessoas estavam mais atentas na hora de falar ou lidar com isso. • Mudança no entendimento sobre os conceitos fundamentais – preconceito, discriminação, etnia, raça, auto-estima, identidade racial e desigualdade racial. • Intervenção nas práticas de discriminação dentro da escola.
• Oportunidade de colocar em prática a utilização dos recursos audiovisuais.
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Resultados dos encontros de culminância • 1ª e 2ª Oficinas – Os professores levaram alunos representantes para participar de uma atividade conjunta (professores, alunos e equipe de multiplicadores). Os encontros aconteciam um mês depois da capacitação, com tempo para as pessoas trabalharem isso com seus alunos. • 3ª Oficina - Os participantes decidiram fazer uma representação teatral para um público de cerca 150 alunos, durante a Semana da Consciência Negra. • 4ª Oficina - Os participantes foram a um Programa da Rádio Comunitária Onda Livre para debater o tema.
Da Vida A organização Da Vida foi criada em 1992, em continuidade a um trabalho iniciado no Instituto de Estudos da Religião – Iser. O nome surgiu da expressão Mulher da Vida. Sua missão é criar oportunidades para o fortalecimento da cidadania das prostitutas, por meio da organização da categoria, da defesa e promoção de direitos, da mobilização e do controle social. “Como existe um estigma muito grande, trouxemos aqui a visão da ONG, para ficar bem claro o porquê do nosso trabalho”, afirmou Gabriela Leite, sócia-fundadora.. A missão do Da Vida, portanto, diz que prostitutas são participantes da sociedade como os demais cidadãos; elas têm direitos e deveres como todos; merecem se respeitar e ser respeitadas e reconhecidas pela profissão que exercem; dão importante contribuição nos campos da sexualidade, cultura, saúde e criatividade transgressora para o restante da sociedade. Projetos apoiados pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Aprimoramento de modelo de intervenção com profissionais do sexo Iniciado em 2001, buscou atender profissionais do sexo feminino do
município do Rio de Janeiro e, indiretamente, de outras regiões do país. Incluiu várias atividades e a produção do jornal Beijo da Rua.Público Alvo – prostitutas femininas. Público alvo Prostitutas femininas. Atividades Grupos focais, intervenções de rua em 12 áreas de prostituição no Rio de Janeiro, oficinas e elaboração do jornal Beijo da Rua. Resultados • Os resultados permitiram sistematizar a estratégia de trabalho em educação de pares – uma metodologia criada dentro do movimento de HIV/Aids, que trabalha a mudança de comportamento pelos próprios pares. • Realização do I Encontro Fluminense de Prostitutas – o primeiro encontro em nível local; • Fundação do bloco carnavalesco Unidos da Praça Tiradentes; • Continuidade das ações – o projeto está sendo replicado em outros locais.
• Prostitutas Cidadãs Em 2003, o Da Vida estava iniciando todo um processo de discussão com o projeto de revitalização da Praça Tiradentes, o Monumenta. “O diálogo estava difícil, dos dois lados. A proposta do Monumenta era simplesmente tirar as prostitutas do seu lugar de trabalho. Isso aconteceu em todos os locais onde houve projetos de revitalização – Recife, Salvador, por exemplo – elas tiveram que sair. Também identificamos preconceito por parte das prostitutas em relação ao projeto”, contou Gabriela. “O Da Vida promoveu muitas discussões políticas com os técnicos do Monumenta e com as prostitutas. Os projetos das mulheres seresteiras e do bloco de carnaval, por exemplo, têm a ver com a permanência das prostitutas na praça”, confirmou. A partir destas discussões, o Da Vida criou o Prostitutas Cidadãs, com o
objetivo de informar e mobilizar para a garantia ao trabalho, a prevenção da Aids e a permanência em áreas históricas. Objetivo Geral Criar oportunidades para reduzir as fragilidades e fortalecer a cidadania das profissionais do sexo, por meio da organização da categoria, da defesa e promoção dos seus direitos, da comunicação, da mobilização pública e do exercício do controle social.
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Público Alvo Direto – prostitutas; indireto – clientes e trabalhadores das áreas de prostituição. Atividades Treinamento de multiplicadoras, divulgação do projeto nas áreas de prostituição e entre o poder público, oficinas, promoção do evento mensal Mulheres Seresteiras, ensaios do bloco de carnaval, elaboração do jornal Beijo da rua. Todos os eventos foram acompanhados de distribuição de preservativos e material educativo. Resultados: • Realização de oficinas educativas em saúde e cidadania. • Prostitutas e outras pessoas ligadas à prostituição contatados, em seis áreas da capital. • Diálogo e parceria política com o Projeto Monumenta de Revitalização da Praça e com a Prefeitura da cidade. • Inclusão de Mulheres Seresteiras e Cabaré Davida na programação cultural oficial da praça e permanência das prostitutas na praça. • Distribuição de quatro edições do jornal Beijo da Rua. • Reutilização do modelo de revitalização para Belo Horizonte/MG e Corumbá/MS. • Realização do Evento Mulheres Seresteiras toda última quinta-feira do mês. • Ensaios e saída do bloco de carnaval Unidos da Praça Tiradentes.
Brincando de Fazer Arte O Grupo Brincando de Fazer Arte foi criado em março de 1998, por 12 jovens da comunidade do Morro da Lagartixa, da Região do Complexo do Acari – localizado na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. O grupo surgiu a partir da preocupação com os demais jovens da comunidade, expostos a situações de risco, como violência, abuso sexual, drogadição etc. A maioria destes jovens não tem acesso ao lazer e à cultura que a cidade do Rio de Janeiro oferece. Desde o seu início, o Brincando de Fazer Arte buscou ser um canal de comunicação e de expressão cultural, trazendo assuntos do cotidiano para o debate – primeiramente em forma de teatro – despertando a discussão e o diálogo entre a juventude local. A proposta é criar um espaço sócio-cultural que amplie os horizontes dos jovens e que possa mostrar opções diferenciadas para as suas vidas. Projeto apoiado pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Cinema e Vídeo O projeto propõe uma intervenção sócio-cultural – através da realização de três documentários – com a finalidade de implementar a mobilização e a formação de 50 jovens na área do audiovisual. Estes jovens vivem no Complexo do Acari, em situação de vulnerabilidade. O objetivo final do projeto, iniciado em 2005, é oportunizar a saída dos jovens de sua condição de risco social. A idéia é que os documentários sejam apresentados futuramente em mostras e festivais nacionais e internacionais. Além da formação artística, os jovens ainda farão parte de um programa pedagógico que inclui a sua participação em grupos educativos sobre arte e cidadania – buscando contribuir para o desenvolvimento de suas habilidades e auto-estima. A base filosófica do projeto está centrada na importância de motivar a formação profissional e social dos jovens, que quase não têm oportunidades de acesso a programas pedagógicos que levem em consideração a sua cultura local.
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Primeiros resultados “Estamos finalizando o primeiro documentário, intitulado Foi sem querer – sobre gravidez na adolescência”, relatou o diretor de cinema, Jocemir Ferreira. Jocemir tem uma história particular: nascido na favela, ganhou uma bolsa para cursar cinema na Escola de Cinema de Cuba. Formado, voltou para seu lugar de origem: “meu compromisso é devolver o investimento que fizeram em mim”, disse, sem pestanejar. Desta primeira oficina, participaram 25 jovens, entre 12 e 17 anos. Eles tiveram aulas de roteiro, fotografia, estrutura dramática e direção de atores. A oficina durou 10 meses e os próprios alunos escolheram o tema dentro da comunidade e tiveram que ir atrás de informações para elaborar o documentário final. A escolha do tema se deu a partir da percepção dos alunos do número enorme de meninas grávidas na comunidade. “É uma coisa assustadora, meninas de 17 anos já com três filhos, sem nenhuma infra-estrutura de vida”. O grupo quis retratar isso no documentário. Mas além de simplesmente mostrar a situação, buscou mostrar caminhos. “A idéia é trazer um alerta para outras meninas que, quando virem as que estão no vídeo, possam se dar conta e dizer: não, não quero passar por esta situação, vou procurar seguir um outro caminho, vou estudar, e é por ai”, complementou Alberto Bastos, monitor da oficina e integrante do Brincando de Fazer Arte. Cerca de 40 jovens se inscreveram na primeira oficina. “Para concorrer a uma vaga, era preciso estar matriculado em uma escola pública, ter entre 12 e 17 anos e fazer uma prova, que identificou o grau de interesse em cinema”, disse Jocemir. Os 25 selecionados foram divididos em cinco grupos de cinco – um grupo ficou responsável pela produção, outro pesquisou e encontrou meninas grávidas, outro grupo ficou responsável pelo roteiro, outro grupo fez a edição do material e outro dirigiu o documentário. Além do apoio da Fundação Luterana de Diaconia, o projeto Cinema e Vídeo não conta com nenhum outro recurso financeiro. “As oficinas acontecem em uma casa no Acari e os equipamentos foram emprestados da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, que ficou muito entusiasmada com o projeto”, revelou Jocemir. Duas alunas da oficina vão iniciar um estágio de fotografia na Secreta-
ria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. “A idéia é esta – queremos formar novos cineastas, novos diretores, novos produtores, dar a oportunidade, mostrando um outro caminho, de os jovens perguntarem – o que eu quero com a minha vida?”, finalizou Jocemir.
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O Centro de Criação de Imagem Popular – Cecip iniciou suas atividades com a produção de vídeos e, mais tarde, passou a criar kits educativos, compostos de vídeos, manuais, folhetos e cartazes, além de investir na capacitação de profissionais da educação.
Sistema de Planejamento, Monitoramento e Avaliação – PMA – como elemento do fortalecimento de organizações da sociedade civil1 Fátima Nascimento
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Origem do debate sobre PMA Na literatura internacional, muitos autores remontam a origem da discussão do que hoje denominamos planejamento, monitoramento e avaliação ainda nos primórdios do século passado. Mais precisamente entre as décadas de 20 e 40, com a crítica aos projetos de desenvolvimento implementados especialmente nas ex-colônias britânicas e francesas na África. A avaliação de que os projetos de desenvolvimento, em especial econômico, não eram acompanhados de desenvolvimento social, exigiu um repensar na sua forma de execução. Ao mesmo tempo, a atuação na área de apoio a projetos de desenvolvimento, com enfoque em grandes projetos, foi revista. Foi refletindo sobre o efeito dos grandes projetos que surgiu no Brasil, na década de 70, a primeira entidade com ação prioritária voltada para o apoio a pequenos projetos.2 Mais recentemente – nas décadas de 70, 80 – as agências multilaterais vivenciaram um processo muito rico de discussão, no Brasil e no mundo, sobre políticas para os projetos de desenvolvimento. Entre diversas questões, surgiram perguntas como: “quais os parâmetros usados para se fazer uma avaliação?” “Quais são as questões centrais que devem ser consideradas?”, que deram início ao debate sobre avaliação, entre agências governamentais, multilaterais, não-governamentais, ecumênicas.
Sustentabilidade pressupõe que a entidade seja democrática, interna e externamente, que exista um diálogo entre a área programática e a área financeira, que ela tenha capacidade de influir no cenário nacional e até internacional.
O debate, que ganhou força no Brasil na década de 80, também gerou uma mudança no diálogo da cooperação internacional e nas suas políticas de apoio a projetos. Ainda, resultou em dois avanços importantes, tanto na área de atuação governamental quanto na de atuação não-governamental. O primeiro deles consolida a visão de projetos como processos sociais; e o segundo, o assumir da compreensão de que avaliação é um instrumento de fortalecimento institucional, que deve ser visto pelo grupo, entidade e pelos próprios executores dos projetos como uma oportunidade de rever sua prática e os resultados de sua ação, tendo assim elementos para a melhoria da sua atuação. Voltando um pouco no tempo, por volta da década de 60 teve início, no âmbito internacional, um debate sobre indicadores. No Brasil, a mesma discussão ganhou força a partir da contribuição do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – Pnud, com a criação do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH. Não é um indicador perfeito, mas traz elementos bem mais pertinentes, embora não possa ser considerado sem levar em conta as teorias que estão por trás da sua formulação. 3 No entanto, foi a partir do surgimento do neoliberalismo e da globalização – que trouxeram junto consigo um modo pragmático de ver as coisas, aparentemente desprovido de ideologias – que se começou a perceber de forma mais nítida uma mudança no comportamento das agências de cooperação internacional. Estas não ficaram imunes à globalização e passaram, elas próprias, por transformações radicais nos seus países de origem, devido ao aumento da cobrança por parte dos governos e da população repassadora de recursos. A questão a ser respondida era: quais os resultados existentes depois de 30 a 40 anos de apoio a projetos de desenvolvimento localizados em países do Sul? Em meio a uma crise muito séria na Ásia e na África, o aumento da disputa por recursos acabou trazendo impactos na relação das agências de cooperação, que passaram a indicar aos projetos apoiados e aos parceiros que o apoio financeiro deveria ter uma lógica mais racional, mais operacional, mais efetiva. Esse processo não se deu sem embates e sem discussões, que continuam até nossos dias, com estágios diferenciados
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de acordo com suas fontes de financiamento e as relações que as agências financiadoras têm com os governos dos seus países. No Brasil e na América Latina a situação não é muito diferente. A partir do processo de redemocratização no Brasil e do surgimento da Constituição Brasileira de 1988, se teve necessidade de repensar as formas de organização e de gestão social. Também a partir da Constituição, surgiram novos espaços de poder e a necessidade cada vez maior das organizações de influir nas políticas públicas. No marco da realização da Eco 92, as ONGs começaram a aparecer como atores coletivos e os novos sujeitos coletivos – as diversas associações de bairro, clubes de mães etc – apresentavam uma diversidade enorme. Aliado a isso, surgiu no Brasil e no mundo um crescimento das novas tecnologias de gestão. Entidades com mais de 15 anos, no Brasil, com certeza passaram pelas discussões sobre qualidade total, culminando com uma discussão sobre terceiro setor, empresa social, muito presente hoje ainda. Outro fator que também teve um avanço significativo foi o das novas tecnologias de comunicação. Seu impacto foi decisivo nas organizações por duas razões: 1. a demanda cada vez maior por informações objetivas, que vão formar cada vez mais opiniões; 2. a discussão sobre o que é informação e o que é conhecimento.
Pensar em gestão não significa apenas entrar em uma lógica empresarial ou só da contabilidade.
Mas o que é um sistema de PMA? A partir da necessidade de rever as práticas, as ações, e a própria forma de organização das entidades de ação social é que vamos tentar definir o sistema de Planejamento, Monitoramento e Avaliação. Ainda como esclarecimento, o PMA surgiu com força mas não foi o único: nesse mesmo período, surgiu a discussão sobre desenvolvimento institucional, que foi privilegiado por algumas agências. Particularmente, acredito em PMA como
um sistema de gestão que, se bem empregado, colabora para o desenvolvimento institucional das organizações. De qualquer modo, ainda hoje não existe um conceito preciso do que seja PMA. Ocorreram vários debates a respeito, um deles motivado pelo Conselho Mundial de Igrejas – CMI e agências ecumênicas, que resultou numa publicação chamada Construindo as bases para um PMA. O glossário da publicação é um acordo coletivo sobre terminologias e conceitos que não temos como tratar nesse momento, mas que é importante que o grupo se aproprie, pois sem dúvida colabora para que se tenha uma linguagem comum nesse meio. No Brasil, o Processo de Articulação e Diálogo entre as Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros – PAD4 promove a discussão sobre PMA junto às entidades participantes, utilizando as mesmas referências do processo desenvolvido pelo CMI e agências ecumênicas européias. O que se pode dizer é que não existe um modelo pronto e acabado. O que, em síntese, podemos dizer, é que PMA é um sistema articulado de metodologias, procedimentos e instrumentos de planejamento, de monitoramento e de avaliação, envolvendo procedimentos e metodologias específicas nos três campos. Com relação aos métodos para a aplicação do PMA, não diferem muito dos métodos gerais relativos à administração/gestão de uma organização empresarial, governamental ou não-governamental. O que se discute muito a partir daí é o que melhor cabe a cada um, como a organização pode estar melhorando a sua forma de gestão, a forma de planejar a sua ação, como pode estar constituindo procedimentos e instrumentos de monitoramento e avaliação de projetos e de ação que sejam adequados à realidade e a cultura de cada instituição. Alguns aspectos a serem considerados ao se vivenciar processos de PMA Considerando que cada entidade tem a sua cultura institucional, alguns aspectos devem ser considerados ao se vivenciar processos de PMA. • Concepção e estratégia de desenvolvimento da entidade. Talvez este seja o elemento mais importante na discussão e elaboração do planeja-
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mento e avaliação de um projeto social, pois leva em conta a visão de desenvolvimento – sustentável, justo, democrático – do lugar de atuação a partir da qual se define qual a melhor estratégia de atuação do grupo. • Muito embora não seja fácil nem simples é preciso estabelecer desde a elaboração do plano quais os parâmetros que serão utilizados para avaliar o processo de desenvolvimento. Sem esses elementos, fica difícil demonstrar as mudanças e os avanços possibilitados pela ação do grupo. • Não se faz nenhum processo de PMA sem discutir também as relações internas de poder das organizações, pois ao estabelecer esses processos se está debatendo as diferentes visões que os participantes têm do desenvolvimento, da entidade, das parcerias etc. Também é o momento em que se discute as relações com os destinatários, parceiros, financiadores e que se procede à distribuição de responsabilidades internas. • Legitimidade e credibilidade das ações das organizações – Este item está diretamente relacionado com visibilidade. Como exemplo, podemos citar o Movimento dos Sem Terra – MST, que consegue passar uma imagem muito clara e, com críticas ou sem críticas, apresenta resultados muito concretos da sua ação.
O fato de se ter cada vez menos apoio institucional é uma questão séria. É necessário um contexto institucional para que as reflexões e o trabalho se transformem em algo revolucionário. É preciso sustentação desse papel revolucionário. • Outro elemento fundamental para se levar em conta ao se desenvolver um sistema de PMA é a sistematização, tanto que algumas organizações passaram a agregar o “S” junto da sigla original. A partir da sistematização, as nossas práticas, nossas experiências, nossas inovações estarão se transformando em novos conhecimentos e serão socializadas,
difundidas, entre um público mais amplo do que o diretamente atendido pela nossa ação. • Prestação de contas – Deve-se lembrar sempre que as organizações da sociedade civil são organizações públicas, de direito privado mas de fundos públicos. É preciso manter uma relação de transparência, não só internamente mas também com o público externo. Alguns desafios que estão presentes na discussão sobre PMA: • PMA para quem? Com quem? Esta questão ainda não está superada. Muitos grupos se recusam a trabalhar na lógica do PMA. Outros consideram fundamental a ação, não dando maior importância à reflexão. Essas posições são legítimas, muito embora quem aja dessa forma terá mais dificuldade de conseguir financiamento externo. Outros, no entanto, consideram que o PMA serve essencialmente para a própria organização, para melhorar a sua ação e intervenção. Além disso, é importante entender quem é que faz PMA nas organizações e como se articulam os diferentes atores envolvidos nesse processo, pois também nesses momentos se conhece (reconhece) a prática institucional: é democrática? De que maneira inclui os diferentes envolvidos – beneficiários, pessoal interno, dirigentes (tendo claro que a participação não necessariamente deve se dar da mesma forma e na mesma intensidade). • Tomar cuidado para não engessar a organização. A implantação de um sistema de PMA deve contribuir para o trabalho da organização e não engessálo em procedimentos, tornando-o um fim em si mesmo. PMA é instrumento de gestão – não é a ação-fim da entidade e isto tem que ficar bastante claro. • Como lidar com a tensão entre o processo e o resultado? Como, ao se trabalhar com projetos sociais, avaliar os resultados e os passos dados no sentido da realização da nossa utopia? Aqui entra a discussão sobre indicadores quantitativos e qualitativos e sobre a construção de outros indicadores que dêem conta dos processos sociais e da atuação das organizações. • Como articular o local com o global? Em que medida a forma como eu consigo articular a minha ação, mesmo sendo local, tem influência em uma discussão global.
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• Como se tornar eficiente, eficaz, apresentar os melhores resultados e obter maior impacto sem perder o caráter de negação à lógica de acumulação? Como se pode perceber melhor o resultado do nosso trabalho? Como ser revolucionário e ao mesmo tempo ser mais eficiente e organizado? No âmbito da economia solidária esta é uma discussão muito forte e muito palpável – em que medida os grupos que estamos fortalecendo contribuem para a construção de um novo modelo de economia, baseado em valores e princípios que não só os da economia tradicional de mercado. • Como articular na nossa prática mobilização – organização – formação – inovação – sistematização? O desafio colocado para os movimentos sociais na atualidade é como articular a prática nestas várias dimensões – com cada vez menos recursos financeiros e humanos nas organizações. • Como garantir nossos princípios/valores e ao mesmo tempo garantir a sustentabilidade de nossas organizações e projetos? Como garantir a permanência da nossa utopia e ao mesmo tempo a sustentabilidade das nossas organizações e dos nossos projetos.
Notas 1. A apresentação teve como referência o texto “PMA: Conceitos, Origens e Desafios”, de Domingos Armani, publicado em “Caminhos: Planejamento, Monitoramento e Avaliação”, CESE. 2. A Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE surgiu em 1973, tendo como ação prioritária o apoio a pequenos projetos oriundos dos movimentos populares. Nos anos subseqüentes, a Cáritas, o Serviço de Projetos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB e a Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional – Fase, que cria o Serviço de Análise e Assessoria a Projetos – Saap na década de 90, também assumiram a execução de Fundos de Pequenos Projetos. Atualmente, existem inúmeros fundos de pequenos projetos, tanto de fontes privadas como públicas. 3. O IDH mede o nível de desenvolvimento humano dos países utilizando como critérios indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita) – do que os que estavam colocados antes pelo PIB. 4. O Processo de Articulação e Diálogo entre as Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros – PAD, que tem por objetivo promover o diálogo multilateral e a construção de um novo pacto de cooperação, possui como marco referencial a Agenda Comum de atuação e aprofundamento de diálogo político definida em março de 1996, durante seminário realizado em Salvador. Esta agenda tem como pressupostos a ampla articulação dos atores envolvidos, a busca da expressão pública, integração e tematização da cooperação internacional e das relações Norte-Sul. Participam do PAD Movimentos Sociais, Entidades Ecumênicas, ONGs e Agências Ecumênicas, contrapartes de Heks (Suíça), NCA (Noruega), Icco e de Solidaridad (Holanda), PPM e EED (Alemanha) e Christian Aid (Reino Unido). A iniciativa esteve calcada no período de 1998/2001 nos eixos temáticos: 1. Direitos Humanos e Modelos de Desenvolvimento; e 2. Desenvolvimento Institucional e Desenvolvimento Organizacional. Atualmente, promove diálogo, capacitação, articulação e mobilização em torno do eixo temático dos Dhescs. As organizações brasileiras envolvidas no PAD articulam-se por intermédio de regionais, coordenação nacional, coordenação executiva e grupos de trabalho, e as agências, por sua vez, no Europad. Fátima Nascimento, mestranda em Políticas Sociais e Cidadania na Universidade Católica de Salvador – UCSal, é formada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes. Trabalhou de 1985 a 2004 na Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, como supervisora de projetos, na coordenação do programa de apoio a projetos sociais, coordenação de eventos, captação de recursos e relações institucionais. Continua colaborando com a CESE em consultorias eventuais e na representação da entidade no Projeto Mapas/ Ibase e no Consea-BA. Atualmente, trabalha como coordenadora executiva do Escritório de Ligação e Organização – ELO, entidade civil que atua na área de desenvolvimento institucional de movimentos sociais e ONGs.
Discussão e alguns comentários A partir da apresentação sobre Planejamento, Monitoramento e Avaliação – PMA, os participantes foram desafiados a discutir sobre como as organizações vivem esta tensão entre o seu trabalho e a necessidade de apresentar resultados e, ainda, o que isso tem a ver com sustentabilidade. Como não perder de vista os valores da entidade, como ser revolucionário e utópico e, ao mesmo tempo, lidar de forma eficiente com estes processos de organização e de gerenciamento? A seguir, reproduzimos alguns comentários gerais. 48
Gestão, sustentabilidade e PMA • Uma questão central que se coloca hoje é a questão da gestão. Talvez seja o principal problema, com grande impacto no PMA e na sustentabilidade das entidades. Não é uma questão pacífica. Vivemos culturas institucionais bastante diferenciadas, com práticas democráticas e outras nem tão democráticas, com práticas de controle, de transparência, muito diferenciadas. • Como discutir gestão sem entrar em uma lógica muito empresarial ou só da contabilidade? • No caso do PMA – anteontem passei um dia inteiro fazendo análise quantitativa de um projeto nosso. Tem que fazer isso? Tem sim. E o que isso tem a ver com movimento ao qual eu pertenço? Muita coisa. Acredito piamente em organização profissional. Muitas pessoas falam mal do profissionalismo das ONGs, mas nas suas próprias organizações, são profissionais. E querem que os movimentos sociais sejam uma ONG de qualquer jeito, ou seja, dizem que se é movimento tem que estar no meio da rua. Eu acho que não é tão simples assim. Nós, movimentos sociais, também temos que estar no escritório, com bons profissionais. É preciso ter dinheiro sim para pagar bons profissionais. Acho que devemos estar lá no movimento, na sua vida, na sua militância, mas com uma estrutura de apoio, para fazer cada dia o movimento crescer mais. E nunca esquecer de sonhar, sonhar e sonhar. Sustentabilidade de uma entidade é só financeira? • Não. A combinação de vários fatores indica sustentabilidade.
Sustentabilidade pressupõe várias coisas – por exemplo, que a entidade seja democrática, interna e externamente, que exista um diálogo entre a área programática e a área financeira, que ela tenha capacidade de influir no cenário nacional e até internacional, capacidade de tornar público o que está fazendo e, obviamente, a capacidade de captar recursos. • É preciso pensar em sustentabilidade técnica, financeira e política. Na minha opinião, a dificuldade de sustentabilidade financeira é decorrente das demais. Trabalhamos com processos, como medimos resultados? • Todas as nossas organizações trabalham com processos. Então, como medir os resultados? Se não medimos os resultados, o que acontece? E o que entendemos por resultados? Discutíamos antes a questão da sustentabilidade, que é uma questão financeira mas é muito mais ampla que isso. Tem muito a ver com a gestão, missão da organização e também tem a ver com os processos. • Todos nós lidamos com processos sociais. Realmente, é um grande desafio trabalhar um processo qualitativo, que é demorado, que tem ritmos, que tem interrupções, não é algo linear, em termos de resultados. Envolve muita subjetividade. Como trabalhar e como sistematizar? • A questão dos indicadores deixa de ser menos complexa se nos dermos conta de que local e de que contexto estamos falando. Desta forma, é mais fácil determinar indicadores para monitorar o andamento da ação. PMA, para que e para quem? • Eu preenchi inúmeros relatórios solicitando financiamento para a realização da Jornada Ecumênica – é impressionante as diferenças, as perguntas e as exigências colocadas pelos apoiadores. • Acho que ai [na declaração acima] fica clara a questão do “para que e para quem”. Eu faço relatórios para prestar contas aos parceiros, mas também preciso considerar o quanto estes relatórios e esta sistematização servem para a minha organização e para quem participou. Eu preencho os relatórios simplesmente para atender uma exigência externa ou também
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começo a discutir como esses relatórios, essas prestações de conta e essa transparência podem trazer coisas para dentro da organização e principalmente como poderiam estar beneficiando o público-alvo. Estas pessoas [público atendido] poderiam participar na sistematização? Na avaliação?
• Manter a memória da organização é fundamental. Contribui também para a democratização das informações. • PMA não significa necessariamente só relatórios. Estes são uma parte do processo. PMA é algo mais permanente.
Clareza da missão e preservação da memória • Ainda existe muita confusão sobre PMA. Em primeiro lugar, é importante entender que PMA é um instrumento, que pode ser utilizado pelas organizações para o seu fortalecimento. Agora, se não existe clareza na entidade sobre a sua missão, o PMA não substitui este tipo de discussão, não importa qual a metodologia que se vá utilizar. • Para continuar com as nossas inquietações, a sustentabilidade de uma organização precede a questão de valores e da missão da entidade. E dai encontramos alguns problemas. Por exemplo: como já dissemos anteriormente, temos que lidar com diversos financiadores. Cada um tem sua maneira de exigir prestação de contas, relatórios, não existe um modelo que agrade a todo mundo. A questão dos projetos pontuais acaba resultando em uma deficiência enorme, que não deixa a entidade avançar muito no seu trabalho – que é a rotatividade das pessoas dentro da organização. Pessoas que são incorporadas ao quadro técnico para atender um projeto só e depois vão embora. Elas acabam não falando a linguagem, não vivenciando a missão, o objetivo da organização. E, às vezes, acabam prejudicando a nossa boa relação com os atores sociais, as parcerias, colocando em risco inclusive a nossa credibilidade. • Neste ponto também entra uma questão relacionada à memória da instituição. Este rodízio, das pessoas entrando e saindo, provoca uma pergunta – como e quem deve fazer planejamento, monitoramento e avaliação nas organizações? O correto é fazer isso coletivamente – para todos incorporarem e conhecerem a missão e as atividades. • Os momentos de planejamento e monitoramento podem ser espaços muito ricos de troca, de discussão sobre pensamentos e formas de trabalhar. Um lugar para discutir, dentro da equipe, o andamento do trabalho. É importante ter esses espaços, inclusive para embates e conflitos. Senão, os conflitos estouram no grupo, no estômago ou na alma das pessoas.
A falta de apoio institucional • Acho que o fato de se ter cada vez menos apoio institucional é uma questão séria. É necessário um contexto institucional para que as reflexões e o trabalho se transformem em algo revolucionário. É preciso sustentação desse papel revolucionário. • Outro elemento é esta questão de “modismo”. Muitas ONGs sofrem de uma coisa fashion: uma época existe mais recurso para questões de gênero, depois para geração de trabalho e renda, depois para HIV Aids e assim por diante. Muitos vão atrás de uma coisa e de outra, não necessariamente com conteúdo e não necessariamente com reflexão suficiente. E como surgem os apoios financeiros? Acho que sempre é importante ter em mente e perguntar: por que alguém dá dinheiro para nós sairmos da pobreza, da miséria? Que contexto existe, o que acontece para um grupo lá da Alemanha ou de outro lugar decidir dar dinheiro para este ou aquele projeto? O que representa isso, em termos de responsabilidade, para nós? E o que significa para os doadores? O que é um projeto social? Outra coisa que deve estar muito clara é o que é um projeto, qual o seu significado e função dentro de uma organização ou mesmo de um movimento social. Um projeto tem um início, meio e fim, mas a missão da entidade é uma coisa muito maior. A verdade é que a maioria dos grupos tem falado em projeto e praticamente não falam mais da questão institucional, o que acho extremamente perigoso.
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Por meio do projeto TV Maxambomba, uma televisão comunitária, se produzia vídeos a partir das demandas da população, que depois eram exibidos em praça pública.
Os projetos no Seminário – II Casa da Mulher Trabalhadora – Camtra
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A Camtra foi criada em março de 1997, na perspectiva de colaborar para o fortalecimento e autonomia das mulheres trabalhadoras. Uma equipe de quatro mulheres trabalha diretamente na organização, de segunda a sexta, além das multiplicadoras treinadas pela equipe da Camtra. São três as áreas temáticas atendidas – Direitos, Saúde e Violência contra a Mulher (educação, saúde e direitos humanos) – através das seguintes linhas de ação: Núcleo de Juventude Trocando Idéias; De jovem para jovem; Núcleo Mulher; Trabalho e Fortalecimento Institucional – Redes e Fóruns. Todos os projetos estão interligados, sendo complementares um ao outro. Projeto apoiado pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• De Boca em Boca O projeto De Boca em Boca trabalha aspectos ligados à saúde, violência doméstica e direitos sociais junto a trabalhadoras do Centro Comercial do Saara, na cidade do Rio de Janeiro, e trabalhadoras do setor informal que se encontram no entorno dessa região – mulheres que são demitidas e que vão trabalhar na informalidade como vendedoras de alimentos (refeições e lanches) e serviços de higiene pessoal (manicure, corte de cabelo e venda de produtos de beleza). As ações acontecem no centro de comércio popular Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega – Saara, maior shopping a céu aberto da América Latina. Dividido por 11 ruas, o comércio do Saara comporta 1.250 lojas que vendem roupas, bijuterias, tecidos, apetrechos e roupa infantil, jóias, presentes, utilidades para o lar, bem como fantasias para o carnaval. Em busca desses produtos mais baratos, 100 mil pessoas circulam por ali diariamente e, para atender a essa multidão, atuam cerca de 10 mil trabalhadores(as), sendo que 70% da mão de obra é de
mulheres jovens (faixa etária média de 25 a 30 anos – dados de levantamento realizado pela Camtra). Ações do Boca em Boca • Visitas feitas às trabalhadoras no seu local de trabalho, com o objetivo de identificar quais as dificuldades enfrentadas, tanto em relação à saúde quanto em relação a direitos trabalhistas e outros (existem muitos casos de assédio sexual, por exemplo. Ao identificar tais situações, a Camtra encaminha as mulheres para os órgãos públicos competentes, como a Delegacia da Mulher, Delegacia de Atendimento a Mulher – Deam, Centro Integrado de Atendimento a Mulher – Ciam). • Montagem de uma barraca, todas as sextas-feiras, para a distribuição de material informativo – por exemplo, sobre DST Aids e outras DST e sobre a camisinha feminina – e atendimento direto. A barraca acaba funcionando com um espaço público de discussão. • Spots de rádio, divulgados na Rádio Saara, com informações gerais e o número 0800 do Disque Mulher Trabalhadora. Resultados • Formação de uma equipe de multiplicadoras entre as próprias trabalhadoras do Saara. São cerca de 25 lojas cadastradas, cada uma com uma multiplicadora responsável por distribuir material e manter contato com a Camtra. • Duzentos e cinqüenta pessoas cadastradas nas lojas e uma média de 150 pessoas cadastradas no entorno. • Em termos de público atendido, a média é de 500 pessoas a cada sexta-feira (cerca de 2 mil pessoas por mês).
Ser Mulher – Centro de Estudos e Ação da Mulher Urbana e Rural O Ser Mulher foi criado em 1989, na cidade de Friburgo, Estado do Rio de Janeiro. É filiada à Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos. “Nossa missão é muito próxima à da Camtra”, diz Maria Fernanda Escurra: “Criar consciência na sociedade sobre as desigualdades do gênero e promover mudanças em prol da cidadania e autonomia das mulheres.”
Projetos apoiados pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Reciclando a Cidadania II Objetivo Reciclar as agentes de cidadania/promotoras legais populares para uma visão atualizada, crítica e avaliativa sobre as leis e o direito em função da capacitação do curso de Promotoras Legais Populares, realizado em 1997.
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Público Trinta e cinco agentes comunitárias multiplicadoras de cidadania/promotoras legais populares. Resultados Um total de 48 mulheres participaram das oficinas, que foram ricas em conteúdo e possibilitaram a troca de informações entre as participantes; as promotoras se reintegraram na proposta de novas ações e se propuseram a criar meios para que o grupo seja mais participativo e dinâmico; a participação de lideranças femininas serviu para ampliar e fortalecer as perspectivas de ação do Ser Mulher em municípios vizinhos.
• Fórum Municipal de Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher
Jornada Ecumênica As jornadas ecumênicas são encontros de entidades e de pessoas que acreditam no ecumenismo. São promovidas pelo Fórum Ecumênico Brasil Fe Brasil, integrado pelas seguintes organizações: Cebi, Ceca, Cediter, Cese, Cesep, Clai-Brasil, Conic, Creas, Diaconia, GTME, Koinonia e Unipop. Tem parceria do Processo de Articulação e Diálogo das Agências Ecumênicas Européias e Entidades Parceiras no Brasil – PAD Brasil. A 3ª Jornada Ecumênica, realizada em Mendes – RJ, de 12 a 15 de outubro de 2005, recebeu apoio, entre diversas outras entidades, da Fundação Luterana de Diaconia. Entre os objetivos do encontro, que abordou o tema Solidariedade, Justiça e Paz, estão: refletir o movimento ecumênico hoje na realidade latino-americana, caribenha e internacional; fortalecer as redes de solidariedade e cooperação entre igrejas, organizações ecumênicas e movimentos e organizações sociais; propor e incentivar formas de articulação em redes, do movimento ecumênico com os movimentos e organizações sociais na América Latina e Caribe. Convidados para esta jornada foram o Conselho Mundial de Igrejas – CMI, agências ecumênicas, igrejas da Europa e América do Norte, outras expressões de fé e movimentos e organizações sociais. Participantes Participaram da jornada um total de 408 pessoas. Destas, 200 eram mulheres e 208, homens; 357, brasileiros, e 51, estrangeiros.
Programa de Formação e Educação Comunitária – Profec Objetivo Sensibilizar e mobilizar a sociedade em geral e às mulheres em particular visando ações locais de prevenção e combate à violência. Resultados O Fórum contou com a participação de 130 mulheres e três homens. O Fórum atingiu os objetivos em torno do tema de vista da abordagem teórica necessária para os processos de prevenção e combate à violência contra a mulher.
O Programa de Formação e Educação Comunitária – Profec é uma organização ecumênica e de direitos humanos fundada em 1993. Seu objetivo é assessorar os movimentos sociais e desenvolver o potencial de lideranças comunitárias, através de projetos de educação popular. Está localizada na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O público-alvo é composto de crianças e adolescentes, jovens e adultos e grupos comunitários. O Profec desenvolve projetos nas áreas de educação; ecumenismo; desenvolvimento local; e economia popular.
Projeto apoiado pelo Fundo de Projetos da Fundação Luterana de Diaconia
• Mundo jovem, por uma cultura de paz Objetivo geral – Construir uma nova forma de convivência social, através da cultura, comunicação e convivência familiar, para a juventude do 2o Distrito do município de Duque de Caxias, visando a construção da justiça, solidariedade e paz.
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Público alvo Grupo de jovens que participam de projeto ecumênico, em prol da cultura de paz, integrado por representantes das igrejas Católica, Metodista, Presbiteriana, Ortodoxa, Assembléia de Deus e da Sociedade em Comunhão Cristão, Crescer em nossa Comunidade e Grupo Comunitário Chocobim.
Sugestões e recomendações No final do encontro, após a discussão sobre Planejamento, Monitoramento e Avaliação – PMA e a reflexão sobre a política das organizações e o significado de sustentabilidade, os participantes foram solicitados a avaliar a relação com a Fundação Luterana de Diaconia. Divididos em dois grupos, elaboraram as seguintes sugestões e recomendações para a FLD. • A partir dos relatórios enviados à Fundação Luterana de Diaconia, deveria haver uma resposta/diálogo sobre a avaliação feita • A FLD deveria possibilitar mais encontros com os parceiros e os parceiros deveriam buscar um maior entrosamento a partir de projetos identificados com o mesmo público, temas, atividades etc • A FLD deveria ser um “centro” irradiador das informações, experiências etc dos parceiros • A FLD deveria aprofundar o sistema de PMA com os parceiros • A FLD deveria discutir junto com os parceiros as linhas e prioridades de financiamento da FLD • A FLD poderia investir em pessoas das instituições parceiras, visando formação de quadros e individual • É preciso dar continuidade ao diálogo e integração entre os grupos, estimulando encontros deste tipo • Atualizar o site da FLD com os projetos aprovados, acrescentando links para as organizações • Importante manter análise contextual (no caso, a palestra de Waldo César) • Incorporar dinâmicas na metodologia do evento • Estabelecer relação entre os critérios do PMA e a vida das ONGs, através da seleção de alguns pontos definidos com antecedência pelos próprios grupos Em termos de continuidade, a Fundação Luterana leva as recomendações do seminário e deve discutir sobre elas, aproveitando-as também em termos de auto-avaliação e de planejamento para seu trabalho.
Conclusão
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A sugestão de Waldo Cesar, de se explorar mais a fundo o processo alternativo que caracteriza o trabalho das organizações de projetos tocou em um item fundamental das questões atuais. Waldo apontou que “a palavra ‘alternativa’ tem uma definição interessante no dicionário, significando uma outra opção, uma outra resposta, uma substituição ao que existe e vigora, algo fora do convencional”. Nesta direção, disse ainda, “podemos explorar melhor a possibilidade de novos caminhos na cooperação nacional e internacional – e dentro de nossas instituições”. No que se refere a Planejamento, Monitoramento e Avaliação – PMA, o tema da discussão do seminário, a grande pergunta continua – para que e para quem? Conforme a fala dos participantes, é preciso entender PMA como uma ferramenta de prestação de contas, mas também de organização de relatórios e de sistematização do seu próprio trabalho. Assim, este deveria servir para qualificar o trabalho da organização. Uma das principais questões que deve ser respondida é – o trabalho está atendendo o público-alvo? Importante seria que as pessoas e grupos beneficiados pudessem participar da avaliação e da sistematização. A apresentação de Fátima Nascimento aponta para um caminho: PMA pode ser visto como um sistema de gestão que, se bem empregado, colabora para o desenvolvimento institucional das organizações. No entanto, a tarefa não é simples. No cenário atual, onde, de grandes projetos institucionais o apoio muda para projetos pontuais, as organizações desenvolvem um sem número de projetos, financiados por diversas agências. Neste contexto, como trabalhar a questão do PMA e da relação da unidade da organização, no sentido da sua missão? Cada vez mais, as ações são fragmentadas e a sustentabilidade da instituição é dificultada. Junto disso, como trabalhar as novas relações com prefeituras, ministérios, órgãos públicos? Os convênios impõem uma nova lógica na questão de prestação de contas ou mesmo na forma de trabalhar com os grupos atendidos. A discussão trouxe mais clareza sobre o sistema de Planejamento, Monitoramento e Avaliação – incluindo ai também o S de Sistematização – mas obviamente não está encerrada.
A avaliação final, feita pelos participantes, confirmou o acerto da proposta do seminário, pela possibilidade mais intensa de troca de experiências. Além da discussão em si, as pessoas conheceram o trabalho dos outros participantes por meio dos seus representantes. Algumas pessoas, mesmo morando na mesma cidade, ainda não se conheciam até o encontro. A apresentação da palestra sobre a nova conjuntura de cooperação – no contexto da globalização e da espiritualidade – em conjunto com a apresentação e discussão sobre Planejamento, Monitoramento e Avaliação (PMA) – foi considerada muito apropriada. Outro ponto positivo ressaltado pelos participantes é que estes tiveram que sistematizar suas experiências para a apresentação, a partir de um roteiro previamente distribuído pela Fundação Luterana de Diaconia.
Nomes e contatos dos participantes Mônica Maria Ribeiro Mumme/ Dinah Frotté Centro de Criação de Imagem Popular – Cecip cecip.ong@uol.com.br Gabriela Leite/ Friederike Strack Da Vida davida@davida.org.br 62
Maria Fernanda Escurra Ser Mulher sermulher@sermulher.org.br José Carlos Dionizio/ Sergio Bonato Programa de Formação e Execução – Profec profec@profec.org.br Jorge Arruda Centro Cultural da Candelária centrocc@ig.com.br Daniele Duarte Casa da Mulher Trabalhadora – Camtra camtra@camtra.org.br Jocemir Ferreira/Adalberto Bastos Brincando de Fazer Arte jocemirf@hotmail.com Daniel Evangelista de Souza Projornada – 3a Jornada Ecumênica projornada@projornada.org.br
Leonardo Lintz Serviço de Análise e Assessoria a Projetos – Saap/Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Fase fase@fase.org.br Ricardo Costa Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa – Capina capina@capina.org.br Fátima Nascimento Escritório de Ligação e Organização – Elo elo@elobrasil.org.br Waldo César waldocesar@uol.com.br Angelique van Zeeland/ Ana Cristina Kirchheim Fundação Luterana de Diaconia fld@fld.com.br Susanne Buchweitz subuc@terra.com.br