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Missão de Deus Nossa Paixão - Plano de Ação Missionária 2008/2012

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Missão de Deus Nossa Paixão

MISSÃO DE DEUS NOSSA PAIXÃO

de Ação Missionária da IECLB Texto-base paraPlano o Plano de Ação Missionária da IECLB 2008-2012 Texto-base

Editora Sinodal 2008


Grupo Tarefa do PAMI: Homero Severo Pinto (coordenador); Enos Heidemann; Douglas Wehmuth; Ernani Röpke; Paulo A. Butzke; Eric P. Nelson; Ingrit Vogt; Paulo Dienstmann; Carlos Gilberto Bock. Colaboradores/as Adicionais: Arzemiro Hoffmann; Oneide Bobsin; Roberto E. Zwetsch; Martin Weingaertner; Vera B. Walber; Nádia Mara dal Castel de Oliveira; Márcia E. L. da Paixão; Sissi Georg; Cláudio Kupka; Edson Ponick; Débora Raquel Klesener Conrad; Whanderson Perobelli; Dezir Garcia da Silva; Ricardo Fiegenbaum. Grupo Assessor de Missão: Adelmo O. Struecker; Elfride Gabel; Airton Palm; Elisabet Brehm; Ernani Röpke; Iris Pedrotti; Jairo Lindolfo Menezes dos Santos; Odemir Simon; Roberto E. Zwetsch e Sissi Georg. Fotos: Primeira e segunda da capa a partir da esquerda e página 11: Ricardo de Moraes. Terceira da capa: Centro Infantil Lupicínio Rodrigues - CEPA. Quarta da capa: Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor - CAPA. Capa e Projeto Gráfico: Jornalista Ricardo Fiegenbaum Revisão final: Pastor Johannes Hasenack M678

Missão de Deus – nossa paixão: texto-base para o plano de ação missionária da IECLB 2008-2012 / [Organizado por] Homero Severo Pinto. – São Leopoldo : Sinodal, 2008. 20x16cm. ; 82p. ISBN 978-85-233-0900-8 1. Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. 2. IECLB. 3. Plano de Ação Missionária 2008-2012. I. Pinto, Homero Severo. CDU 284.1(81)

Catalogação na publicação: Leandro Augusto dos Santos Lima – CRB 10/1273


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 5 1ª Parte: CONTEXTOS ....................................................................................................................... 9 2. Contextos em Transformação ......................................................................................................... 10 2.1. Contexto sócio-econômico ......................................................................................... 11 2.2. Contexto cultural ........................................................................................................ 14 2.3. Contexto religioso....................................................................................................... 16 3. A IECLB e a Missão......................................................................................................................... 21 3.1. Herança eclesial e teológica ...................................................................................... 21 3.2. Decisão histórica: ser igreja de Cristo no Brasil.......................................................... 22 3.3. Vocação e compromisso: participar na missão de Deus............................................. 23 3.4. Planejamento missionário: o PAMI ............................................................................. 23 3.4.1 - Crescimento numérico........................................................................... 25 3.4.2 - Crescimento qualitativo......................................................................... 26 3.4.3 - Questão financeira................................................................................ 26 3.4.4 - Frentes de missão................................................................................. 26 2ª Parte: RENOVANDO A AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB ............................................................ 29 4. Teologia e Visão Missionária - A paixão de Deus pelo mundo........................................................ 30 4.1. A paixão de Deus na criação....................................................................................... 30 4.2. A paixão de Deus em Cristo........................................................................................ 31 4.3. O Espírito Santo e a paixão de Deus......................................................................... 32 4.4. A paixão de Deus na solidariedade..............................................................................33 4.5. Construindo comunidades missionárias - Dimensões da igreja missionária .............. 35


5. Evangelização - O testemunho missionário da fé ........................................................................... 36 6. Comunhão - A vivência do Corpo de Cristo .................................................................................... 41 7. Diaconia -O agir restaurador e curador da comunidade ................................................................. 46 8. Liturgia - A celebração do amor de Deus ........................................................................................ 51 3ª Parte: COMPARTILHAR A BOA NOTÍCIA ................................................................................... 55 9. Formação e Sacerdócio Cristão Educando pessoas para a vivência missionária ......................... 56 9.1. Jesus como educador ................................................................................................ 56 9.2. Lutero e a educação ................................................................................................... 57 9.3. Orientações para a educação cristã ........................................................................... 57 9.4. Educação cristã e missão .......................................................................................... 60 10. AdministraçãoCriativa dos Recursos - Planejamento sustentável da igreja ................................. 61 10.1. O que é sustentabilidade? ........................................................................................ 62 10.2. A tradição luterana .................................................................................................... 62 10.3. Planejamento estratégico participativo na igreja ...................................................... 63 10.4. Mordomia cristã ........................................................................................................ 65 11. Missão e Comunicação - Compartilhando a Boa Notícia .............................................................. 67 11.1. A comunicação na missão da igreja ......................................................................... 69 11.2. Comentário final ........................................................................................................ 72 12. Criação de Novas Comunidades .................................................................................................. 74 13. CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 78 ANEXO: A Logomarca do PAMI .......................................................................................................... 81 1. Logomarca ...................................................................................................................................... 81 2. Descrição ........................................................................................................................................ 81


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1. INTRODUÇÃO

A missão de Deus é a nossa paixão... Pensemos um pouco sobre isso. A missão é de Deus, não é nossa. É Deus quem vem ao mundo para nos salvar. É ele quem nos procura, torna-se gente como nós, vive em nosso meio, sofre a injustiça da cruz e, finalmente, vence a cruz e a morte e absolve os arrependidos de todo o pecado. A missão de Deus é amar ao mundo de tal maneira que aquele que se encontra com seu Filho, Jesus Cristo, e nele crê, é nova criatura, passou da morte para a vida e vive da esperança confiada de que o reino de Deus já está aqui, em forma de sinais visíveis e virá em plenitude no final dos tempos. A missão de Deus cumpriu-se em Jesus Cristo e se atualiza diariamente na comunhão dos santos, na existência no mundo da igreja de Cristo. A missão é de Deus. Mas ela é a paixão da sua igreja. Que paixão é essa que nos une à missão de Deus, que nos envolve e arrebata e nos leva a anunciar a salvação que Deus ofertou a todas as pessoas? Paixão é um modo de amor ardente, uma afeição intensa. É um entusiasmo, um fogo que nos arde no coração, que faz tremer-nos as pernas, deixa nossa respiração profunda, faz-nos sentir vivos e perpassa todo o nosso


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corpo, emoção e razão. Paixão é um arrebatamento, um sair de si para um encontro sublime, único e verdadeiro com a nossa paixão. A missão de Deus é a nossa paixão. Paixão é sofrimento. É martírio. É sacrifício. É padecimento. Cristo, o Filho de Deus, sofreu até a cruz por amor. Seus discípulos, ao longo da história da igreja, sofreram por causa de Cristo. Muitos foram presos, torturados e mortos por causa da sua paixão pelo evangelho. Mas graças a essas pessoas, a missão de Deus nos alcançou. Fazemos parte dessa comunhão de “apaixonados”, que se entrega ao amor de Deus e assume as conseqüências desse amor na vida diária. Pai-Chão é Deus que se encarna em nossa realidade, que põe os pés no chão de nosso mundo para nos dizer, de um jeito que pudéssemos entender, que ele é amor e nos ama mais que tudo e não vai nos abandonar à nossa própria sorte. Paixão, amor intenso. Paixão, sofrimento por amor. Pai-Chão, o amor de Deus feito gente em cada contexto de nossa vida. É disso que trata esse texto-base para o Plano de Ação Missionária da IECLB. Em palavras mais objetivas, fala dos fundamentos que nos permitem entender a nossa tarefa missionária nesse país e planejar a nossa ação como igreja que se sente incumbida de anunciar o evangelho em cada lugar, no campo, na vila, no bairro, na cidade em todos os estados do território brasileiro.

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Esse texto é fruto do trabalho de muitas pessoas de diferentes lugares. É o trabalho de pessoas unidas pela mesma paixão: ajudar a IECLB, através de todas as suas comunidades e de seus membros, a anunciar o evangelho em palavra e ação ali onde se encontrem. Mas também é fruto de muitos outros trabalhos realizados ao longo dos anos por muitas outras pessoas de muitos lugares diferentes. E nesse sentido, também reconhecemos o caráter transitório desse texto-base. É que, assim como a missão de Deus através da IECLB não começa nesse documento, também não se encerra nele. Ele representa um esforço de organizar a reflexão


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sobre a missão na IECLB com o objetivo de ajudar os seus membros a assumirem essa paixão e planejarem a sua ação missionária a partir de alguns princípios gerais. E nesse sentido, este texto-base é um modo de motivá-los a isso. A motivação desse livro, portanto, refere-se ao que virá. Mas ele também nasceu da avaliação do que se fez nos últimos anos em relação à missão. O Plano de Ação Missionária da IECLB de 2000-2007 está entre os principais impulsionadores dessa nova etapa do PAMI. Dali surgiram questões que norteiam a etapa 2008-2012 do Plano. Elas estão resumidas a seguir. Hoje já é consenso na IECLB que é da essência da igreja cristã ser missionária. Anunciar o evangelho é a sua razão de ser, o seu ponto de partida e seu ponto de chegada. Considerar a missão como o cerne de nossa existência como Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil é reconhecer que toda a nossa prática comunitária volta-se para levar o evangelho até os confins da terra a partir do lugar onde nos encontramos.

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Conseqüentemente, a própria IECLB vai ganhando novos traços, acolhendo em suas comunidades a diversidade étnica, social, política, cultural que caracteriza o nosso país. Por causa disso, mais e mais precisamos saber responder a quem nos perguntar qual a razão e a paixão que nos une nesse corpo de Cristo. A nossa tradição permanece importante como traço

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Reconhecemos, por outro lado, que há diferenças na comprensão teológica da missão e no entendimento sobre as práticas missionárias que essas teologias sustentam. Mas essas diferenças podem ser assumidas como complementares umas em relação às outras. Nesse sentido, nenhuma teologia, e suas respectivas práticas missionárias, corresponde à totalidade da missão de Deus, mas cada uma, a partir de suas especificidades, constitui essa totalidade. Assim, ainda que de modos diferentes e de acordo com diversos matizes, muita gente tem encontrado na IECLB um lugar onde pode viver e crescer na fé em Jesus Cristo.


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que nos caracteriza. Nossos antepassados nos legaram uma história que precisa ser atualizada constantemente para que outras pessoas possam darlhe continuidade. Isso implica dizer, por outro lado, que ser luterano ou luterana apenas pela tradição ou pela etnia está cada vez mais raro. Por isso, também a atuação da IECLB, seguramente já há mais de dez anos, em número crescente de casos, não mais se restringe ao acompanhamento de seus membros. É necessário que em todos os níveis nossas práticas visem a alcançar pessoas para além de nossas fronteiras geográficas, culturais, étnicas, etc. O desafio, no entanto, é fazê-lo sem deixar de ser IECLB, ou seja, aprender das experiências religiosas mais diversas, saber ler os anseios da sociedade e integrá-las criticamente a nossa tradição bíblica e confessional. É o que nesse livro está sendo apontado como o esforço de tradução de nossa tradição. Esperamos, para finalizar, que esse texto esteja permeado dessa paixão que nos move a sermos colaboradores e colaboradoras na missão de Deus em nosso país, a partir do lugar no qual vivemos todas as dimensões da nossa vida. Desejamos que cada pessoa que ler esse texto possa sentir-se tocada pelo Espírito Santo de Deus e se agregue a esse esforço missionário da IECLB, com paixão e compaixão. Porque no amor de Deus está a nossa paixão e pelo amor de Deus olhamos o mundo compadecidos. E é o amor de Deus – com-Pai-chão - que vai conosco anunciar a boa nova de grande alegria para todas as pessoas.

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Brasil, Pentecostes 2008


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1ª PARTE:

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CONTEXTOS


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2. Contextos em Transformação

A igreja desenvolve a sua missão num determinado contexto histórico e cultural. Ela é porta-voz da boa notícia da salvação de Deus, em Cristo Jesus. O conteúdo da proclamação do evangelho é o mesmo em todos os tempos e lugares. Esse conteúdo, porém, sempre precisa ser atualizado para o contexto no qual as pessoas vivem. Jesus Cristo, o Verbo encarnado de Deus, assumiu plenamente a sua condição humana e, portanto, viveu e testemunhou o amor de Deus no seu próprio contexto social e cultural. O evangelho não se confunde com a cultura, mas esta é condição necessária para a sua encarnação. Por isso, como igreja de Cristo, necessitamos compreender a nossa cultura para sermos fiéis à dinâmica da encarnação da palavra de Deus.

Qual é a nossa capacidade como igreja para alterar minimamente o curso dos acontecimentos?

Diante da difícil e permanente tarefa de compreender a nossa sociedade e cultura atuais, nos deparamos com um desafio ainda mais significativo, a saber: qual é a nossa capacidade como igreja para alterar minimamente o curso dos acontecimentos? Somos levados a reconhecer que a mensagem das igrejas não orienta mais a sociedade em seus traços fundamentais. Ou seja, a nossa sociedade construiu fundamentos que dispensaram a palavra das igrejas e das demais instituições religiosas. A economia, a política e a cultura, em suas dinâmicas dominantes, não precisam das igrejas e das religiões de modo geral para se desenvolverem. A religião, em boa medida,

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A igreja desenvolve a sua missão num determinado contexto histórico e cultural.


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foi deslocada para a esfera subjetiva, para a vivência nos espaços privados. A sociedade de hoje é o resultado de um longo processo histórico, conhecido como Modernidade. O período histórico anterior, designado de Idade Média, teve como uma de suas principais características a forte influência da religião nos fundamentos das sociedades. Se, de um lado, as igrejas cristãs perderam influência na sociedade atual, de outro, elas podem hoje atuar sem carregar o peso de ser um dos seus sustentáculos. As grandes transformações hoje em curso não consideram de forma fundamental os princípios éticos cristãos, mas há espaços para a vivência desses valores.

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Nosso sistema sócio-econômico, político e cultural, isso que chamamos acima de espesso muro, represa poder e riqueza e contribui para as desigualdades sociais, gerando uma multidão de subempregados, empobrecidos, bem como faz do crime e da droga uma atividade que seduz grande parte da juventude sem perspectiva de trabalho. Ao lado disso, o muro se consolida pela perversa associação entre o poder político e o poder

Desigualdades sociais, desemprego, criminalidade, corrupção são alguns elementos de nossa estrutura econômica.

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2.1. Contexto sócio-econômico

Ainda hoje há espaço para a vivência de princípios e valores cristãos.

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Nesse cenário, as igrejas cristãs são chamadas a lançar a semente do Verbo e a colocar os sinais do reino de Deus nas pequenas brechas das estruturas de nossa sociedade. Podemos mesmo evocar a lembrança de uma pequena flor que se enraizou num espesso muro. Ela foi fincando suas raízes em busca de água. Sobreviveu e cresceu. Tornou-se uma bela planta numa rocha quase impenetrável e sem vida. Podemos imaginar o nosso sistema sócio-econômico, político e cultural como este espesso muro que permite pouco espaço para a vida que Deus nos deu em Cristo.


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São características de nosso país a economia de mercado, na qual convivem grandes e pequenas empresas, um estado voraz e programas sociais de compensação de renda.

Os avanços da Constituição Cidadã de 1988 ainda não se realizam plenamente na prática.

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As comunidades podem trabalhar em parceria com o poder público e a iniciativa privada em atividades diaconais.

econômico, o que, por sua vez, resulta num quadro de corrupção crônica e generalizada. Nosso sistema econômico está baseado no princípio da livre iniciativa, uma economia de mercado na qual convivem, em situação de desequilíbrio, as grandes corporações transnacionais e micros, pequenas e médias empresas nacionais. A pesada carga tributária associada a elevadas taxas de juros, que buscam manter a estrutura governamental e controlar a inflação, penaliza os setores produtivos da sociedade e, ao mesmo tempo, alarga o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres. Para compensar os contrastes, o governo realiza ações de distribuição de renda através de programas sociais. Abre-se espaço para o desenvolvimento de organizações do chamado terceiro setor da economia, especializadas em projetos sociais de toda ordem, com muitas empresas respondendo a essas iniciativas com financiamento de projetos ou instituindo seus próprios programas sociais. As cidades crescem pela migração, mas a falta de trabalho faz aumentar o contingente dos desempregados e dos subempregados. E embora a Constituição de 1988 tenha ampliado os direitos dos cidadãos e as formas de sua participação na definição de políticas e na fiscalização, esses avanços na lei ainda não se realizam plenamente na prática. Os Conselhos Municipais de Direitos, como o da Infância e Adolescência, o da Assistência Social, o da Educação e o da Saúde, são espaços em que essa participação cidadã pode se traduzir em oportunidades para a sociedade organizada, como as igrejas, propor e cobrar políticas de desenvolvimento que superem os quadros de exclusão social tão marcantes em nossas cidades. Os efeitos desse modelo de desenvolvimento também são sentidos no meio ambiente. A natureza sofre e geme as dores do progresso a qualquer preço. A poluição de mananciais de águas e rios resulta em prejuízo também à fauna de seu entorno. O desmatamento aniquila florestas, onde a biodiversidade é fator crucial para o equilíbrio ambiental. Felizmente, nesse cenário, surgem também propostas de modelos de desenvolvimento


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Os exemplos em Hebreus 11 mostram que temos outro futuro, garantido por Deus em Jesus Cristo. Pela fé, sabemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; foram feitos do nada. Não são cópias do que vemos. Pela fé, nosso antepassado Abraão, pai na fé, em obediência, saiu sem saber para onde ia. Pela fé, ele habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando de forma provisória. Pela fé, Sara deu à luz fora da idade, porque creu naquele que garante a promessa. Por fim, pela fé, caíram

O desaparecimento de limites, os excessos do imaginário consumista, a busca do prazer a qualquer preço e a supervalorização da estética em detrimento da ética são parte de nossa cultura.

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Hebreus 11

Mas temos outros recursos para ir para além destes sinais. O evangelho desmascara os pregadores do sistema que justificam a existência da muralha. “A muralha sempre esteve aqui; ela é imutável”, dizem eles. Pela fé sabemos que tudo o que parece sólido pode se desmanchar no ar. A grande muralha pode ser derrubada, e suas pedras podem ser usadas não mais para construir muros que nos separam, mas, pontes que nos unem. Cabe, pois, aos anunciadores da boa nova de Jesus desdizer os arautos das muralhas que afirmam que o mundo já chegou ao fim, que nada existe além do que vemos, e anunciar que, pela fé, muros são derrubados e pontes, contruídas.

Cabe, pois, aos anunciadores da boa nova de Jesus desdizer os arautos das muralhas.

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Por isso, mesmo que o sistema dominante, esse muro espesso, submeta a sociedade à sua lógica de exclusão da maioria, a fé em Jesus encontra brechas para se realizar e ser fonte de vida. Nossas comunidades podem trabalhar em parceria com o poder público e a iniciativa privada em atividades diaconais que oferecem alento e fazem desabrochar flores de vida na muralha do sistema dominante, como bem já assinalava o PAMI 2000-2007: “A ação diaconal ultrapassa as fronteiras internas e externas. Une-se ecumenicamente e coopera com órgãos gover namentais e nãogovernamentais, a fim de promover a justiça através da cura dos males sociais” (PAMI, 2000-2007, p. 14)

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sustentável, onde progredir não significa aniquiliar as condições de sobrevivência das próximas gerações. Muitas comunidades cristãs e seus grupos têm se mobilizado nesse sentido, a partir da ordem divina de que cuidássemos da sua boa criação.


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O modelo familiar tradicional convive com novas formas de relacionamento entre casais e entre pais e filhos.

Esse mundo cheio de ameaças aos nossos valores, também nos ajuda a questionar a hipocrisia e nos oferece diferentes possibilidades de vida digna.

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Assim como as relações familiares têm se modificado, também os relacionamentos sociais mais amplos sofrem modificações.

os muros de Jericó, depois de rodeados durante sete dias. Também a prostituta Raabe não pereceu, porque pela fé acolheu os espiões enviados por Deus para observar a terra da promessa. 2.2. Contexto cultural O contexto sócio-econômico e político e o contexto cultural estão mutuamente implicados. O desaparecimento de limites, os excessos do imaginário consumista, a busca do prazer a qualquer preço e a supervalorização da estética em detrimento da ética são parte de nossa cultura. O ser humano atual é hedonista (busca o prazer acima de tudo) e consumista, e tem na imprensa e na mídia as suas fontes substitutas da sabedoria de outrora. Há uma crise de referências que produz um sujeito frágil e deprimido, que necessita sempre de confirmações externas. A mutação nos laços sociais, num contexto em que os pais têm muita dificuldade em dizer ‘não’ aos filhos, exige estreita vigilância. A recusa à perda da satisfação (necessária à civilização) implica no surgimento de um indivíduo novo, mais adequado ao mercado que à própria humanidade. A família se modifica. O modelo familiar tradicional convive com novas formas de relacionamento entre casais e entre pais e filhos. Os papéis masculino e feminino adquirem novas configurações. Há mais flexibilidade e liberdade e desenvolve-se a visão de que todos os caminhos estão disponíveis para escolhas individuais. Isso, de um lado, fundamenta-se num grande engano, qual seja, o de que a liberdade individual é a possibilidade de realização de todos os sonhos. Mas as nossas escolhas sempre são condicionadas por opiniões de outras pessoas, por sistemas de pensamentos ou por razões que desconhecemos, dos quais não temos consciência. Só Deus é totalmente livre: nós sempre vivemos em liberdade condicional. Não seremos livres, se não formos libertados. Portanto, se nossas escolhas não se fundamentarem na escuta da palavra de Deus, da comunidade de fé


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Nesse sentido, podemos mesmo acolher como positiva a vivência pessoal e comunitária da fé em Cristo numa sociedade pós-cristã e multicultural. O que caracteriza a fé cristã é o vínculo com Cristo, que se reflete no relacionamento com as demais pessoas e com a sociedade. Ali nossa fé se encontra com diferentes confissões de fé, posições políticas, classes sociais, etnias, num constante exercício de amor e de tolerância frente à diversidade, como também ocorreu na convivência entre cristãos e não-cristãos das primeiras comunidades cristãs, que inclusive se refletia nas relações familares. Ao perceber isso na sua época, o apóstolo Paulo escreveu que “o marido

As mudanças em si estão carregadas de possibilidades e de ameaças.

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Assim como as relações familiares têm se modificado, também os relacionamentos sociais mais amplos sofrem modificações. A presença de tecnologias aplicadas à informação e à comunicação, como a telefonia móvel e a internet, permitem estabelecer vínculos com pessoas em qualquer parte do mundo, a qualquer hora. O tempo e o espaço tornam-se relativos, assim como a linha que separa o público do privado freqüentemente se rompe. Nesse contexto, muita gente prefere relacionamentos virtuais à convivência presencial e comunitária. Ao mesmo tempo em que isso possibilita a realização de relações afetivas para pessoas que não podem sair de casa, também implica o redesenho das vivências comunitárias mais tradicionais, como, por exemplo, os encontros oportunizados em celebrações de cultos e em grupos da comunidade.

O que caracteriza a fé cristã é o vínculo com Cristo, que se reflete no relacionamento com as demais pessoas e com a sociedade.

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De outro lado, esse mundo cheio de ameaças aos nossos valores também nos ajuda a questionar a hipocrisia e nos oferece diferentes possibilidades de vida digna. Ali onde relacionamentos são marcados por conflitos incontornáveis ou pela violência ou opressão física ou psíquica, a reconciliação pode se dar justamente pelo rompimento dessa relação, podendo-se, então, experimentar novos recomeços e outras formas de convivência humana, baseados no amor, no diálogo e na reciprocidade.

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ou de outros coletivos como a família, viveremos na ilusão da liberdade sem compromisso.


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As culturas e suas transformações podem servir como vasos para a palavra de Deus, mas também podem ameaçar a vida.

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Os efeitos das transformações da sociedade, sentidas no campo político, econômico, cultural, etc., também alcançam o contexto religioso.

incrédulo é santificado no convívio com a esposa; e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente: doutra sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”. Ele compreende essas relações a partir da liberdade cristã, segundo a qual, nas palavras do apóstolo, "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Este é o fundamento da liberdade para o qual fomos libertados em Cristo.

1 Coríntios 7.14

1 Coríntios 6.12; 10.23

Com base neste fundamento podemos nos posicionar sobre as mudanças que ocorrem em nossa sociedade. As mudanças em si estão carregadas de possibilidades e de ameaças. Uma tribo urbana, por exemplo, pode ser uma reação positiva ao individualismo e ao formalismo de tradições religiosas opacas de sentido. Mas também pode ser expressão de uma identidade rígida e fechada, que ameaça as liberdades individuais. Os movimentos fundamentalistas podem ser prova disto, como também certas tribos formadas por torcedores de times rivais. Uma comunidade religiosa tradicional pode ser fechada e legalista, mas também pode ser um espaço de resistência à massificação. As culturas e suas transformações podem servir como vasos para a palavra de Deus, mas também podem ameaçar a vida. Tudo o que é humano está impregnado de vida e de morte. Só o sopro de vida produzido pelo Espírito de Deus cria a diversidade reconciliada na cruz de Cristo, em contrapartida à diversidade em competição, tão a gosto do mercado. Nesta perspectiva, a reconciliação é mais que global, é universal. Porque em Cristo foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Logo, Cristo não está em tudo, mas tudo está em Cristo. 2.3. Contexto religioso Os efeitos das transformações da sociedade, sentidas no campo político,

Efésios 2.11-22

Colossenses 1.16ss


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econômico, cultural etc., também alcançam o contexto religioso. A idéia de que se pode escolher tudo vai fragilizando aquelas experiências ainda marcadas pela tradição. Também a religião passa a ser uma escolha, seja de uma igreja ou religiosidade entre tantas ou da busca de síntese delas. Mesmo em determinados meios cristãos, essa tendência está presente de forma dominante, marcada pela relação custo-benefício da lógica do mercado. Neste sentido, individualismo e opção são dois lados da mesma moeda.

A grande mudança em curso é que as instituições tradicionais perdem força.

A grande mudança em curso é que as instituições tradicionais perdem força, invertendo uma dinâmica de séculos. Nas sociedades tradicionais, as instituições religiosas faziam os indivíduos dobrarem os joelhos; na sociedade contemporânea, as instituições, perpassadas pelo individualismo, são forçadas a se dobrarem diante das necessidades dos indivíduos. Cria-se, assim, um mercado religioso, com uma diversidade, muitas vezes, camuflada. Os produtos religiosos são apresentados como qualquer produto de consumo.

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Apropriando-se de modos midiáticos de apresentar as suas mensagens, novas igrejas instituem novos modos de ser religioso, onde ser cristão é participar do mercado de produtos religiosos, com características do mercado secular de produtos culturais. Ou seja, comprar um CD de música gospel, ou ler um romance “cristão”, ou, ainda, assinar uma revista feminina religiosa, é o que torna o crente um “verdeiro cristão”. E há, inclusive, publicações e feiras que se voltam para o “consumidor cristão”, essa fatia do mercado que movimenta bilhões de dólares ao ano. As estratégias das igrejas para conquistar e manter seus fiéis reproduzem os modos da cultura secular,

Novas igrejas instituem novos modos de ser religioso, onde ser cristão é participar do mercado de produtos religiosos.

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Como parte das necessidades concretas é forjada pela ilusão da liberdade de escolha, os produtos religiosos nem sempre são tão distintos. O que muda substancialmente é a forma como as pessoas se apropriam deles. Nesse sentido, as pregações procuram falar mais à emoção e sintonizar-se com a cultura do ouvinte, o que não quer dizer, absolutamente, que nas novas igrejas não haja pregações fundamentalmente bíblicas e evangélicas. A emoção e a cultura embutidas no ‘novo' discurso fazem a diferença.


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A ética de algumas dessas novas igrejas é baseada sobre a teologia da prosperidade e sobre a batalha espiritual.

Com sua forte tradição interna diversificada, a IECLB precisa viver a tensão entre o velho e o novo.

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Não devemos plagiar quem tem um sucesso momentâneo e se torna popular a qualquer custo. Mas também não podemos ignorar outras formas de espiritualidade.

alcançando todos os segmentos sociais, das camadas mais pobres ao empresariado. Nesse contexto, pertencer a uma igreja é um ato de consumo de bens e mercadorias com rótulo cristão. Ao mesmo tempo, a ética de algumas destas igrejas é baseada na teologia da prosperidade e na batalha espiritual. A “vontade de Deus” é que seus filhos e filhas prosperem na vida, aqui e agora, de modo que toda a prosperidade é bênção de Deus e sinal de fé. Ao mesmo tempo, o crente precisa ser fiel e combater os espíritos do mal que o atrapalham ou o impedem de receber as bênçãos divinas. Deus dá a prosperidade como sinal de sua bênção para o fiel que a mereça participando do mercado religioso e esforçando-se para vencer satanás. Isso tem efeitos diretos sobre as igrejas tradicionais como a própria IECLB. Com sua forte tradição interna diversificada, a IECLB precisa viver a tensão entre o velho e o novo. Uma proposta se torna significativa para a sociedade na qual se insere quando articula dois eixos: um fixo e outro móvel. As questões doutrinais constituem um eixo fixo, ao passo que a tradução delas para realidades diversas deve assumir a linguagem do povo. Em nossa realidade eclesial, constatamos que nossa reflexão teológica ainda não superou as dificuldades para a encarnação da doutrina na nova realidade. Logo, temos um problema de tradução de nossa tradição. Outro problema, em direção contrária, contudo, pode ser o esforço por fortalecer o eixo da proximidade com as culturas no Brasil, abdicando-se, porém, da identidade teológico-confessional. Nosso compromisso com a proclamação, portanto, não é sinônimo de cópia. Não devemos plagiar quem tem sucesso momentâneo e se torna popular a qualquer custo. Mas também não podemos ignorar outras formas de espiritualidade que crescem em nosso meio e ao nosso redor. Somos chamados a olhar outras manifestações religiosas a fim de ver e ouvir o grito por salvação que se expressa em múltiplas linguagens espirituais dos seres humanos ali congregados. Estes, independentes de credos, ideologias,


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É crescente a busca por experiências religiosas que fogem da mensagem de um Deus crucificado. Novas espiritualidades procuram divinizar o “eu”. Estas espiritualidades prendem-se ao aqui e agora e desconsideram a esperança cristã de um novo céu e uma nova terra, a partir de Deus. Elas encontram afinidades no pensamento mágico predominante há séculos no Brasil: manipulam-se as forças espirituais para benefícios concretos imediatos. O toma lá, dá cá, tão fortemente presente há séculos, também é resultado da opressão e miséria a que a maioria foi submetida secularmente. Por esta razão, a pregação e ação das igrejas cristãs precisam articular-se com a cidadania que se afirma, por exemplo, por meio de movimentos sociais comprometidos com a vida plena.

Crescem as pessoas que se declaram sem religião. No recenseamento de 2000, do IBGE, este contingente passava de 7% da população brasileira, ou seja, mais de 12 milhões de pessoas.

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O avanço da fragilização dos meios de reprodução da tradição, especialmente em contextos urbanos, constitui questão central a ser percebida e respondida pela pregação e ação da igreja. O desafio não é somente a perda do fiel, mas a sua permanência na comunidade com vínculo de identidade. Essa pode ser uma tragédia silenciosa, perceptível, eventualmente, nos testemunhos dos avós, quando falam das dificuldades em repassar a sua tradição. Ouve-se dizer, por exemplo: “Quando eu partir, os meus não me substituirão. Aquele espaço na comunidade ficará vazio.”

O avanço da fragilização dos meios de reprodução da tradição, especialmente em contextos urbanos, constitui questão central a ser percebida e respondida pela pregação e ação da igreja.

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Outro aspecto que merece nossa atenção diz respeito à perda de membros. Existe um público que migra de igreja para igreja. Há entradas e saídas. Mas esta não é a questão de fundo. Nossas maiores dificuldades estão na transmissão da tradição, especialmente no contexto urbano. Tradição é nossa herança espiritual, teológica e eclesial. A idéia de transmissão do evangelho de geração a geração não é mais automática. Os filhos já não seguem necessariamente a religião dos pais. Os meios de transmissão da tradição se fragilizam com o crescimento do individualismo e do pluralismo religioso.

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gênero, etnia são imagens de Deus. É o pecado que desfigura a imagem divina e coloca rótulos em pessoas que são diferentes de nós.


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Precisamos olhar para a nossa história no país, reconhecer o nosso potencial eclesiológico e teológico e traduzi-los para o lugar específico onde cada membro vive.

A missão de Deus no mundo acontece em diferentes contextos. A IECLB é chamada a desincumbir-se da sua tarefa missionária na realidade social, política, econômica, cultural e religiosa brasileira. Isso implica reconhecerse como parte dessa realidade, com um papel importante no anúncio do reino de Deus. Ela precisa olhar para a sua história no país, reconhecer o seu potencial eclesiológico e teológico e traduzi-los para o lugar específico onde cada membro vive e testemunha a sua fé de confissão luterana. Isso requer um esforço de análise, de planejamento de estratégias e de ações efetivas articuladas.

Somos desafiados, como IECLB, a usar todas as nossas capacidades, dons e recursos para a tarefa comum de traduzir a riqueza da nossa herança espiritual para as novas gerações, em nosso contexto brasileiro.

Tomar consciência disso é o primeiro passo para levar o evangelho à nação brasileira sem perder-se na concorrência religiosa nem afastar-se dos próprios fundamentos. Mas também é o passo decisivo para tornar seus valores reconhecíveis e reconhecidos por todas as pessoas que anseiam pela boa nova de grande alegria trazida por Deus em Jesus. Daí a necessidade de traduzirmos a nossa tradição para os diversos contextos. Traduzir para a política, por exemplo, a ética administrativa e a prática democrática de nossas comunidades. Traduzir para a economia os princípios da solidariedade que garantem a sustentabilidade de nossas instituições. Traduzir para a cultura o valor da educação, da vivência comunitária, da tolerância e do respeito à diferença. Traduzir e atualizar para o contexto religioso o princípio luterano da salvação somente pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo e a centralidade da Bíblia como autoridade máxima orientadora da vida cristã.

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Portanto, somos desafiados, como IECLB, a usar todas as nossas capacidades, dons e recursos para a tarefa comum de traduzir a riqueza da nossa herança espiritual para as novas gerações, em nosso contexto brasileiro.


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Missão de Deus - Nossa Paixão ○

3. A IECLB e a Missão

3.1. Herança eclesial e teológica

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Na situação atual, vivemos um momento especialmente desafiador.

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Na situação atual, vivemos um momento especialmente desafiador. Ao longo de sua trajetória, a IECLB assumiu-se como igreja com fortes bases comunitárias, associativas e formação democrática. Ainda assim, temos pecados a confessar. No século XIX, mesmo sem o desejar, nossos antepassados assumiram um lugar social que poderia ter sido ocupado por remanescentes dos povos indígenas e comunidades negras do período colonial com mercado de escravos. Um certo sentimento de superioridade cultural nos afastou da maioria da população brasileira, fato agravado pelo abandono e, em certos casos, perseguição a que muitas comunidades, pastores e lideranças de ascendência teuto-brasileira sofreram por parte do governo brasileiro no período das duas grandes guerras mundiais do século

A IECLB é uma igreja oriunda de um rico e diversificado processo histórico.

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A IECLB é uma igreja oriunda de um rico e diversificado processo histórico. Presente no Brasil desde a chegada das primeiras famílias evangélicas que vieram do continente europeu como imigrantes, estabelecendo-se em Nova Friburgo (RJ) e em São Leopoldo (RS), desde 1824, passou por muitas dificuldades até se constituir como igreja nacional e afirmar sua identidade de confissão luterana. Somos gratos por esta história e pela herança eclesial e teológica que ela nos legou.


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XX. Estas circunstâncias provocaram nas comunidades evangélicas luteranas um sentimento de gueto, que inviabilizou uma presença missionária conseqüente na sociedade brasileira. 3.2. Decisão histórica: ser igreja de Cristo no Brasil

Ficou claro que só faz sentido sermos igreja cristã se assumimos o dom de Deus como serviço evangelizador e solidário ao povo brasileiro, sem fazer distinção.

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Missão faz parte da própria autocompreensão do povo de Deus, do povo de Cristo neste mundo.

Felizmente, houve lideranças evangélicas no passado que souberam compreender os sinais dos tempos e tomaram decisões cruciais, principalmente no período posterior a 1945. Em 1949, quando da formação da Federação Sinodal, que reuniu num organismo nacional os quatro sínodos então existentes, decidiu-se que a igreja evangélica seria uma igreja fundada sobre o evangelho de Cristo, uma igreja que faz parte da ecumene cristã em todo o mundo. Ao mesmo tempo, definiu-se como igreja de confissão luterana, conforme os principais documentos da Reforma do século XVI e a teologia de Martim Lutero, firmemente enraizada no Brasil. Ficou claro que só faz sentido sermos igreja cristã se assumimos o dom de Deus como serviço evangelizador e solidário ao povo brasileiro, sem fazer distinção de classe, etnia, gênero ou credo religioso. Deus nos chamou para ser igreja no Brasil e para servir a este povo, compartilhando a fé em Cristo que recebemos por graça, para vivermos em amor e solidariedade com todas as demais pessoas no caminho das quais somos enviados como crentes e como comunidade missionária que anuncia esperança. Desde então, a IECLB percebeu que igreja é bem mais que uma associação para atender demandas religiosas de seus membros. Crescentemente, estamos conscientes de que a igreja de Cristo é essencialmente missionária. A missão de anunciar e viver o evangelho não é um programa ou uma tarefa entre outras. Missão faz parte da própria autocompreensão do povo de Deus, do povo de Cristo neste mundo e, particularmente, na realidade onde somos convocados como comunidade a serviço do evangelho da paz.

1 Pedro 2.9s; 3.15

João 20.21; Efésios 2.17


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3.3. Vocação e compromisso: participar na missão de Deus Desde os anos de 1960, o Brasil tem vivido um processo de transformação social, econômica e política sem precedentes. A urbanização intensiva e caótica modificou radicalmente as cidades brasileiras. A população brasileira, antes majoritariamente rural, hoje é uma população urbana, de modo que mais de 83% vivem em pequenas, médias e grandes cidades. Boa parte dessa população se concentra em quatro ou cinco grandes áreas metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador. Este processo social ocorreu de forma muito rápida. A IECLB está diante de um desafio histórico: de uma igreja bem situada em pequenas e médias cidades, e com características rurais, principalmente no sul e sudeste do país, deve tornar-se uma igreja missionária em áreas urbanas, modernas e extremamente dinâmicas.

Desde os anos de 1960, o Brasil tem vivido um processo de transformação social, econômica e política sem precedentes.

Neste novo contexto, em que predomina uma cultura plural, caracterizada por um diversificado e complexo fenômeno religioso, a IECLB se encontra diante do desafio de renovar sua vocação e reafirmar seu compromisso de participar da missão de Deus a partir de comunidades e projetos diaconais e sociais que foram surgindo ao longo de sua trajetória eclesial. Em vista do novo momento que, pela graça de Deus, estamos vivendo, é importante considerar as diversas contribuições teológicas que recebemos tanto de igrejas irmãs do exterior quanto de movimentos eclesiais e missionários. Estas contribuições forjaram um dinamismo novo em termos de evangelização, projetos missionários e inserção na ação social transformadora.

Neste novo contexto, a IECLB se encontra diante do desafio de renovar sua vocação e reafirmar seu compromisso de participar da missão de Deus.

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Ao colocar o desafio de “nenhuma comunidade sem missão - nenhuma missão sem comunidade”, o Plano de Ação Missionária da IECLB (PAMI), lançado em outubro de 2000, por ocasião do XXII Concílio da igreja, em Chapada dos Guimarães (MT), não estava apenas fazendo um jogo de

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3.4. Planejamento missionário: o PAMI


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Objetivo do PAMI 2000 era recriar e criar comunidade juntos.

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O conteúdo do PAMI 2000-2007 abrange a) uma fundamentação teológica, b) uma parte estratégica e c) conseqüências práticas.

palavras. Por trás do slogan estava o objetivo fundamental de fazer de cada comunidade uma comunidade missionária e de cada projeto de missão uma possibilidade de criação de comunidade da IECLB. Assim, o PAMI 20002007 nascia com o propósito de “recriar e criar comunidade juntos”, como está formulado no seu objetivo geral: “Recriar e reavivar as comunidades da IECLB, por meio do evangelho em palavra, sacramento, oração e comunhão, com vistas à missão pela vivência de partilha solidária bem como com vistas à missão pelo ultrapassar de fronteiras sociais, econômicas, culturais, raciais, religiosas, nacionais, etárias e de gênero. Nessa missão irmanamo-nos com todas as comunidades, todos os sínodos, todos os setores de trabalho e todas as entidades da IECLB, com todas as igrejas cristãs bem como com órgãos governamentais e não-governamentais comprometidos com esse mandato divino. Nessa dinâmica do recriar comunidade queremos criar novas comunidades que por sua vez se caracterizam como comunidades missionárias.” Fruto de um processo exaustivo de consultas, que envolveu as bases da IECLB e os parceiros nacionais e internacionais da igreja, o PAMI se instituiu como documento de planificação da missão da igreja. Sua inspiração veio da proposta de Ministério Compartilhado e do processo de Reestruturação Administrativa da IECLB, refletidos no Fórum sobre Missão, realizado em maio de 2000. O seu foco estava no aprimoramento da comunidade missionária por meio do planejamento, o que é esclarecido já na apresentação do Plano: “animar e instrumentalizar as comunidades, os sínodos, as entidades e os setores de trabalho da IECLB, com vistas à elaboração de seus respectivos planos de ação missionária”. Com uma profunda fundamentação teológica, com a proposição de estratégias de ação e com a projeção de conseqüências práticas, o PAMI se constituiu no primeiro documento da igreja sobre missão a estabelecer prazos


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e competências, a buscar definições operativas e a apontar áreas estratégicas para a prática missionária. A Rosa de Lutero, com suas cinco pétalas, serviu de guia didático para o PAMI. O processo de execução do Plano Missionário foi colocado em movimento na maioria das instâncias da IECLB. Após seis anos de caminhada, a igreja reuniu-se no Fórum Nacional de Missão, em Florianópolis, de 13 a 16 de julho de 2006. Ali realizou-se a avaliação de todo o processo, a partir de um roteiro de questões específicas a respeito dos grandes temas e metas propostas pelo Plano, que os dezoito sínodos responderam em preparação ao Fórum. O roteiro desencadeou um processo avaliativo sobre a aplicação, a vivência e os reflexos deste Plano na IECLB.

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O esperado crescimento do número de membros não foi alcançado.

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3.4.1 - Crescimento numérico O PAMI 2000-2007 projetava um crescimento no número de membros da ordem de cinco por cento ao ano. Mas esse crescimento, esperado com muita euforia, em geral, não foi alcançado. A avaliação mostrou que, atualmente, as paróquias pequenas e médias apresentam algum crescimento, mas o cenário aponta para a diminuição do número de membros em médio

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A organização da IECLB em dezoito sínodos buscou aproximar o planejamento missionário aos contextos específicos em todo o território nacional. Assim, o planejamento em cada área passou a ser da competência do respectivo sínodo. Nesse contexto, e segundo a avaliação, o PAMI parece não ter conseguido articular uma visão comum de missão ou, se e quando esteve presente, não teve o apelo suficiente para unir sínodos e comunidades numa mesma caminhada. Ainda que a ferramenta de acompanhamento não tenha sido prevista no PAMI 2000-2007, o retorno dado pelos sínodos na avaliação permitiu identificar alguns temas comuns a todos os sínodos, desde aqueles situados num contexto de comunidades antigas, com trabalho consolidado, até os sínodos que cobrem vastas regiões com pequeno número de membros luteranos em comunidades novas. Vejamos alguns pontos dessa avaliação.

A avaliação do PAMI 2000-2007 parece mostrar que ele não conseguiu articular uma visão comum de missão ou, se e quando esteve presente, não teve o apelo suficiente para unir sínodos e comunidades numa mesma caminhada.


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O crescimento qualitativo está em processo.

Sínodos e comunidades precisam capacitar-se nas áreas de planejamento e gestão, para colocar este potencial a serviço, com intencionalidade.

A questão financeira continua sendo um fator limitador.

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O investimento em parcerias internas foi insuficiente para o surgimento de mais iniciativas missionárias.

prazo. Crescem de fato, e alcançam sustentabilidade, as comunidades formadas a partir de projetos da Missão Zero, principalmente no Sertão Nordestino. Comunidades iniciadas a partir de projetos incentivados pelo PAMI também começam a apresentar resultados, e para isto é determinante que a comunidade tenha um projeto e mantenha um obreiro identificado com a comunidade. 3.4.2 - Crescimento qualitativo Praticamente todos os sínodos oferecem formação para lideranças e obreiros e utilizam os recursos e materiais disponibilizados pela igreja. A IECLB consegue mobilizar grande número de pessoas, muito qualificadas, e que assumem voluntariamente trabalhos que trazem resultados para a igreja e fazem diferença na sociedade. Nesse sentido, o crescimento qualitativo está em processo. No entanto, na seqüência do PAMI, sínodos e comunidades precisam capacitar-se nas áreas de planejamento e gestão, para colocar este potencial a serviço, desenvolvendo ações intencionais e direcionadas para os objetivos. 3.4.3 - Questão financeira Para a maioria dos sínodos, a questão financeira continua sendo um fator limitador para alcançar as metas propostas pelo PAMI. Sem dinheiro e sem planejamento, fica difícil cumprir metas e objetivos missionários. Mas é um sinal de esperança e prova de que é possível mudar essa realidade o fato de que aquelas comunidades que estão trabalhando com seriedade e comprometimento o tema Fé, Gratidão e Compromisso têm começado a colher os frutos financeiros desse trabalho, resultando em novos investimentos em missão. 3.4.4 - Frentes de missão Apesar de o PAMI 2000-2007 apontar para a necessidade de ampliar as frentes de missão, na prática, os sínodos confirmaram que o investimento em parcerias internas foi insuficiente para o surgimento de mais iniciativas missionárias. A igreja continua com a prática dos anos de 1970/1980, prestando atendimento em áreas onde se encontram membros da IECLB.


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O auxílio que as igrejas e organizações parceiras colocam à disposição da IECLB, para investimento em projetos missionários e diaconais, ajudou a impulsionar o PAMI.

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O PAMI 2000-2007 trouxe avanços evidentes em diversos níveis e áreas geográficas, surgindo uma consciência maior acerca do desafio missionário da igreja.

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Mesmo que as metas do PAMI não tenham sido alcançadas plenamente, há avanços evidentes em diversos níveis e áreas geográficas, surgindo uma consciência maior acerca do desafio missionário da igreja. Ele estimulou comunidades e sínodos a criarem o seu próprio plano estratégico de missão. Em muitos lugares ele serviu para novas iniciativas de cunho missionário, possibilitando experiências que hoje podem ser úteis para o debate e a definição de novos rumos no futuro imediato e num prazo mais longo.

Com o incentivo do PAMI, foram implementados projetos missionários em todos os sínodos.

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Por intermédio do PAMI foram implementados projetos missionários em todos os sínodos, dos quais boa parte foi apoiada com recursos do exterior. Disso resultaram projetos bem sucedidos, como a implantação de um segundo ou terceiro campo de atividade ministerial numa paróquia, e projetos de consolidação de comunidades formadas por desmembramento de uma unidade maior. O desafio que resta a essas comunidades é ampliar os seus esforços no sentido de apoiar a criação de outras comunidades na IECLB, como já acontece na parceria que vários sínodos estão firmando com o Sínodo da Amazônia, para viabilizar o projeto qüinqüenal de Missão Sinodal. Isso é um indicativo de que o financiamento de nossas ações missionárias futuras dependerá cada vez mais de nossos próprios recursos.

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As “novas áreas”, como eram entendidas nas décadas de 1970 e 1980, já não são mais as regiões centro-oeste e norte do Brasil. Hoje, “novas áreas” estão ao alcance de todas as comunidades: são os bairros periféricos, as favelas, a região central das grandes cidades. As novas fronteiras territoriais deram lugar a fronteiras étnicas, culturais, econômicas, sociais como horizonte de nossa atuação como igreja. Nestes contextos, a igreja ensaia alguns passos, mas ainda caminha com muita dificuldade. Precisamos conhecer e entender essa realidade nova. Mas também devemos ter a humildade de reconhecer que necessitamos atuar em rede, buscar parcerias com outras organizações da sociedade civil que já atuam nesses contextos há mais tempo e estão mais politizadas, conscientes e exigentes.


2ª PARTE: RENOVANDO A AÇÃO MISSIONÁRIA DA IECLB


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Missão de Deus - Nossa Paixão ○

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4. Teologia e Visão Missionária A paixão de Deus pelo mundo

4.1. A paixão de Deus na criação Deus faz missão com um olhar de amor, desde o começo da história.

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É o amor de Deus que nos faz ver com ele que tudo o que ele fez é bom.

Falar da paixão de Deus pelo mundo é falar de um Deus que faz missão com um olhar de amor. Desde o começo da história de Deus com o mundo, o seu olhar sempre foi de bondade, misericórdia e compaixão. O olhar amoroso e apaixonado de Deus para com o mundo inicia com a criação. Começa com o seu gesto que dá forma, ordem, luz e vida ao caos e à escuridão que cobria o universo. Inicia com o seu ato de amor que cria homem e mulher à sua imagem e semelhança. Deus nos fez à sua imagem e semelhança não por acaso. Ao fazê-lo, ele nos convida, como homem e mulher, a vivermos uns com os outros o que de mais belo e maravilhoso nos é dado na sua criação: o amor. É o amor de Deus que dá vida ao universo, que nos convida à solidariedade, à fraternidade, à partilha e à comunhão uns com os outros. É esse amor que nos chama à reconciliação e nos leva a contemplar e cuidar da criação de Deus com paixão e amor. É o amor de Deus que nos faz ver com ele que tudo o que ele fez é bom. Mesmo depois do ser humano ter quebrado a harmonia da criação ao desobedecer a ordem divina, Deus se revela misericordioso e amoroso ao

Gênesis 1.1-2.4

Gênesis 1.27

Gênesis 1.31

Gênesis 3.1-6.4 Gênesis 6.5-10.32


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O olhar de amor de Deus, no entanto, vem novamente restabelecer a ordem da criação, organizando a sociedade humana em família. Infelizmente, ao gesto de amor de Deus, nossa resposta é a escravidão.

Êxodo 2.1; 3.8 Deuteronômio 34.12

Diante da escravidão, Deus volta a buscar refazer a harmonia da criação com o gesto de amor de libertar e dar uma terra. A terra da promessa, conhecida como terra que mana leite e mel, porém, torna-se lugar para oprimir, escravizar e sufocar a vida. Através dos profetas, Deus procura chamar o seu povo de volta à verdade e à justiça. No entanto, percebendo que a humanidade caminhava para um caos ainda maior, onde a própria lei divina, dada a Moisés para libertar, foi usada para oprimir, excluir e marginalizar, Deus realiza a sua maior demonstração de amor pela humanidade ao enviar ao mundo o seu querido e amado Filho, Jesus Cristo. 4.2. A paixão de Deus em Cristo

A nossa resposta ao amor de Deus revelado em Jesus Cristo, porém, é: “Crucifica-o!”. Jesus, no entanto, intercede por nós: “Pai, perdoa esta gente! Eles não sabem o que estão fazendo”. Portanto, é na cruz que Deus revela o seu amor e paixão maior pelo mundo. O evangelista João afirma: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele

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É em Cristo Jesus que Deus revela o seu maior e mais belo gesto de amor a todas as pessoas. É em Cristo que os sinais do reino de Deus já se tornam realidade em nosso meio: doentes são curados; crianças são valorizadas; mulheres são defendidas contra os homens acusadores; leis que ferem o amor ao próximo são questionadas; pecadores e pessoas de má fama são ouvidos, valorizados e transformados; estrangeiros são abençoados; mortos são ressuscitados; o verdadeiro servir é ensinado.

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João 3.16

É em Cristo Jesus que Deus revela o seu maior e mais belo gesto de amor a todas as pessoas.

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Mateus 27.22 Lucas 23.34

Ao longo da história, Deus sempre tenta restabelecer a harmonia da criação, quebrada pela desobediência humana.

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Marcos 5.1-43; 10.13-16 João 8.1-11 Marcos 2.23-3.6 Mateus 9.9-13 Lucas 7.1-17 João 13.1-20

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Gênesis 11.10- 50.26 Êxodo 1.1-22

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tentar restabelecê-la com o dilúvio. Porém, a resposta humana, manifestada na torre de Babel, mostra novamente a nossa presunção em sermos os construtores da ponte entre a terra e o céu.

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Gênesis 11.1-9


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É na cruz, na ressurreição de Jesus Cristo, que Deus nos liberta da escravidão do pecado e nos presenteia com a salvação.

É sob o poder do Espírito Santo que os dons se manifestam e se colocam a serviço da vida.

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Somos animados pelo poder do Espírito Santo ao testemunho e à ação da paixão e do imenso amor que Deus tem pela sua criação e humanidade.

que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”. A paixão de Deus pelo mundo é amor. É na cruz, na ressurreição de Jesus Cristo, que Deus nos liberta da escravidão do pecado e nos presenteia com a salvação. É na cruz que Deus se reconcilia conosco em Jesus Cristo e constrói a ponte que liga o céu à terra. 4.3. O Espírito Santo e a paixão de Deus Por amor à humanidade Deus ressuscita a Jesus Cristo e atende o pedido do Filho: “Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar com vocês para sempre”. É sob o poder do Espírito Santo que toda a comunidade cristã – dispersa, abatida e amedrontada com a morte de Jesus Cristo – é reanimada para a vida: “Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra”. É sob o poder do Espírito Santo que os apóstolos são animados a testemunhar aquilo que viram e ouviram da paixão de Deus revelada em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É sob o poder do Espírito Santo que homens e mulheres, no transcorrer da história cristã, não se deixaram intimidar por pessoas e autoridades civis e religiosas, que usurparam e usaram o evangelho para os seus próprios interesses. É sob o poder do Espírito Santo que os dons se manifestam e se colocam a serviço da vida.

João 14.16

Desde Pentecostes, somos animados pelo poder do Espírito Santo ao testemunho e à ação. Somos animados a falar da paixão e do imenso amor que Deus tem pela sua criação e humanidade. Somos incentivados a pôr em prática o convite de Jesus: “Vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”.

Atos 2.1ss

Atos 1.8

Mateus 28.19-20


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Suponhamos que um menino encontre pelo caminho uma senhora idosa carregando uma cesta pesada de maçãs. O menino, ao ver as maçãs apetitosas, sente vontade de comer uma delas. Pensa, então, que certamente a mulher lhe daria algumas maçãs se ele a ajudasse a carregar a cesta para casa. E assim acontece: ele carrega para ela a cesta pesada e ela lhe dá algumas maçãs em troca. Tudo bem até aqui. Embora o motivo do menino não fosse totalmente altruísta, ele, afinal, praticou uma boa ação, o que é muito melhor do que se não tivesse prestado ajuda. Seu ganho, além das maçãs que recebeu, será também um aumento da sensação de valor próprio: ele foi esperto e seu plano deu certo. Contrastemos agora o caso de um outro menino que também encontra a idosa com a cesta pesada. Ele vê a senhora e não as maçãs. Ele percebe como ela vai se arrastando pesadamente pelo caminho, de costas curvadas, e como ela tem que usar todas as suas forças. Nesta hora, o menino percebe o “sentido do momento”, que consiste em colocar suas forças juvenis a serviço de algo ou alguém que necessita delas. Também ele se oferece para levar a cesta para casa e, ao fazê-lo, recebe algumas maçãs de presente. Qual seria o ganho deste segundo menino? Ele teve contato com o “valor em si”, aquilo que é bom e tem sentido, que estava inerente à sua disposição de ajudar, independentemente dos resultados da ação que lhe adviriam no final. Com isto irá aumentar não apenas sua sensação de valor próprio, mas

Falar da paixão de Deus pelo mundo é falar de um Deus que faz missão com um olhar de amor. Com um olhar sensível à fraqueza, à angústia e à necessidade humana.

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Falar da paixão de Deus pelo mundo é falar de um Deus que faz missão com um olhar de amor. Com um olhar sensível à fraqueza, à angústia e à necessidade humana. O exemplo a seguir ilustra muito bem esse olhar de Deus por nós. O olhar apaixonado que se manifesta na solidariedade.

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4.4. A paixão de Deus na solidariedade


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Deus não olha para o que nós podemos lhe dar em troca pela salvação em Cristo Jesus.

sobretudo sua sensação de valor da vida, ao saber da plenitude de sentido de sua existência. Enquanto que o primeiro menino poderia dizer, satisfeito: “Fiz um bom negócio!”, o segundo poderia se sentir realizado ao pensar: “Foi bom eu ter passado pela estrada naquele momento!” (Elizabeth Lukas, Assistência Logoterapêutica). A paixão de Deus pelo mundo se revela neste olhar amoroso do segundo menino. Deus não olha para o que nós podemos lhe dar em troca pela salvação em Cristo Jesus. O seu olhar é amor ao outro como outro. É olhar sem espera de retorno. É olhar que consegue estender a mão sem a teologia da retribuição. É olhar que enxerga a nossa dor, a nossa agonia e a nossa angústia. É olhar que vem para se tornar próximo. É olhar que vem para aliviar as nossas cargas, para nos libertar da culpa e para nos convidar a ser próximos uns dos outros, como aliás afirma o novo mandamento de Jesus: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”.

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Falar da paixão de Deus pelo mundo é falar de um Deus que se revela em gestos singelos e amorosos como o das crianças com necessidades especiais, no exemplo a seguir: Há alguns anos, nos Jogos Especiais de Seattle, nos Estados Unidos, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, aliaram-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, exceto um garoto, que tropeçou, caiu e começou a chorar. Ao ouvirem o choro, os demais pararam para ver o que tinha acontecido. Então, todos eles viraram e voltaram. Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou-se, deu um beijo no garoto e disse: “Pronto, agora vai sarar”. E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou para aplaudi-los por muitos minutos”.

João 13.34


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A paixão de Deus pelo mundo, realizada desde o começo da criação até os dias de hoje, nos inspira a ser Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil a serviço da missão de Deus no mundo com este olhar de amor que dialoga, refaz, restaura, dignifica e reconcilia a vida sob o poder do Espírito Santo.

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A missão que o olhar amoroso de Deus em Cristo Jesus nos confia é a que sabe ouvir o choro, a dor, a necessidade e a aflição das pessoas. Não é a missão onde cada um dispara sozinho para os interesses e glória próprios. Porém, é a uma missão que sabe ouvir, dialogar, reavaliar o curso e descobrir que a vitória da vida se dá no caminhar solidário e fraterno com o outro. É a missão que consegue caminhar de mãos dadas com a outra pessoa em direção ao reino de Deus.

A missão que o olhar amoroso de Deus em Cristo Jesus nos confia é a que sabe ouvir o choro, a dor, a necessidade e a aflição das pessoas.

4.5. Construindo comunidades missionárias Dimensões da igreja missionária

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Como a missão pertence à essência do ser igreja, ela deve tornar-se perceptível nas dimensões fundamentais da vida de cada comunidade, bem como na vida de cada pessoa cristã. A missão integral de Deus, compreendida como a comunicação do amor de Deus, dá-se no testemunho missionário da fé (evangelização), na vivência concreta do Corpo de Cristo (comunhão), no agir restaurador e curador (diaconia), na celebração do amor divino (liturgia). É aí, portanto, que a paixão de Deus pela humanidade se revela ao mundo através da vida da igreja.

Como a missão pertence à essência do ser igreja, ela deve tornar-se perceptível nas dimensões fundamentais da vida de cada comunidade.

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Deus é o fundamento e o sujeito da missão que ele mesmo realiza através de sua obra criadora e mantenedora, redentora e santificadora. Deus inclui a igreja – a comunhão dos agraciados por fé – neste movimento em prol da cura e salvação do mundo. A missão da igreja, pois, não é outra do que inserir-se na missão divina e dispor-se a ser instrumento do agir salvífico de Deus.


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5. Evangelização O testemunho missionário da fé

Evangelização origina-se no desejo de Deus em ter um relacionamento integral e harmonioso conosco.

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Evangelização é a exposição explícita e intencional do evangelho, visando a uma resposta pessoal de fé e o ingresso no discipulado cristão vivido em comunidade.

O anúncio do evangelho que se dá através do testemunho missionário da fé, a evangelização, tem o seu ponto de partida no agir do próprio Deus Triúno. Evangelização origina-se no desejo de Deus em ter um relacionamento integral e harmonioso conosco. O anúncio da boa nova do amor incondicional de Deus desperta a fé e faz nascer a igreja. Assim, a igreja é criatura do evangelho. Neste sentido, não é a igreja que promove a evangelização, mas a evangelização promove a igreja. Muitas vezes, os termos “missão” e “evangelização” são utilizados como sinônimos. Neste capítulo, queremos diferenciá-los. “Missão” é o conjunto de ações pelas quais o reino de Deus é promovido, na igreja e na sociedade. “Evangelização”, embora não exclua outras dimensões da missão, concentra-se na exposição explícita e intencional do evangelho, visando a uma resposta pessoal de fé e o ingresso no discipulado cristão vivido em comunidade. No horizonte da missão de Deus neste mundo, a evangelização proclama o senhorio libertador de Deus. O centro dessa proclamação é Cristo crucificado e ressurreto e o seu alvo, a instauração plena do reino de Deus, que ele mesmo haverá de consumar no final dos tempos. É justamente dessa promessa de que o reino de Deus irá se tornar realidade neste mundo que a evangelização extrai sua motivação. A igreja, portanto, não evangeliza para superar carências internas, mas para corresponder à promessa de que


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A evangelização ocorre especialmente por meio da comunidade local à medida que ela disponibiliza em seu meio a palavra e os sacramentos – os elementos que, segundo a tradição luterana, comunicam o evangelho e a

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Forma e estilo da proclamação evangelística devem estar em conformidade com o seu conteúdo e com o seu objetivo: cativar e atrair as pessoas para o incondicional amor de Deus. Apelos e chantagens visando constranger a uma decisão ou conversão pessoal, portanto, não correspondem à compreensão evangélico-luterana de evangelização.

Forma e estilo da proclamação evangelística devem estar em conformidade com o seu conteúdo e com o seu objetivo.

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Assim, o objetivo maior da evangelização é que o ser humano deixe-se cativar pelo Deus que cria, reconcilia e salva. Desta forma, a evangelização o reconduz à sua origem e ao seu destino último: ser imagem de Deus e seu colaborador fiel neste mundo. O ser humano, no entanto, não é livre para, de própria vontade, desejar este retorno (metanoia) nem é capaz de realizálo. Quando um ser humano toma a decisão de se reaproximar de Deus, ele está sendo alvo do agir criador de Deus. É Deus mesmo que cria os ouvidos que ouvem sua palavra, os corações que a recebem e a fé que a ela responde.

O objetivo maior da evangelização é que o ser humano deixe-se cativar pelo Deus que cria, reconcilia e salva.

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A evangelização parte do fato de que a realidade humana está determinada por Cristo. Através do Cristo crucificado, o Deus Triúno vem até o ser humano distanciado da fonte e do sentido de sua vida, de seu semelhante e de si mesmo. Por meio do Cristo ressurreto, Deus eleva o ser humano e lhe oferece comunhão. Assim, mesmo distante e perdido, ele não é deixado à própria sorte, mas recuperado e restaurado por Cristo. Este é, justamente, o conteúdo da evangelização: a realidade de que Deus ama e aceita o ser humano de forma incondicional e deseja relacionar-se com ele intensamente, transformando-o integralmente.

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a palavra de Deus anunciada, vivida e testemunhada “não voltará vazia”. Evangelizar é exercitar-se na esperança de que Deus cumpre fielmente suas promessas.

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Isaías 55.11


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Cabe à comunidade local redescobrir a dimensão evangelística de todos seus programas e eventos. Tudo o que a igreja é ou faz deve ser evangelização.

Quem foi despertado para a fé deve receber instrução confiável e prática acerca de como viver a fé no dia-a-dia.

graça de Deus de forma preferencial. São justamente estes elementos que tornam a comunidade local igreja em sentido pleno. Assim, ela não pode delegar ou terceirizar a evangelização ou permitir que ela aconteça apenas de forma casual. Cabe à comunidade local redescobrir a dimensão evangelística de todos seus programas e eventos. Tudo o que a igreja é ou faz deve ser evangelização, isto é, deve cativar e atrair para a fé e à confiança em Deus. Trata-se da evangelização permanente. Naturalmente, a comunidade poderá promover a evangelização como evento pontual. Mas esta forma contingente e pontual deve estar embasada na evangelização permanente e constante. igreja que evangeliza deve, primeiro, ser continuamente evangelizada, expondo-se continuamente à mensagem vivificadora e renovadora do evangelho. Especialmente por realizar majoritariamente o batismo de crianças, a IECLB tem a responsabilidade de promover a evangelização das pessoas batizadas, a fim de que a graça divina oferecida no sacramento seja aceita existencialmente em fé. À responsabilidade de chamar para a fé deve se acrescer outra: a de acompanhar os primeiros passos na fé. Quem foi despertado para a fé deve receber instrução confiável e prática acerca de como viver a fé no diaa-dia. Trata-se do ensino das formas elementares da espiritualidade cristã, especialmente da prática da oração e da leitura e a meditação da Bíblia.

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A forma mais simples e eficaz de promover a evangelização permanente é investir no potencial evangelístico do culto comunitário. O culto tem a capacidade de reunir, além dos membros ativos, pessoas distanciadas da fé e da vida comunitária em muitas ocasiões diferentes e por vários motivos. São momentos estratégicos para expor o evangelho de maneira compreensível, elementar e criativa. Quem vem ao culto pela primeira vez ou novamente, depois de muito tempo, deve poder compreender a mensagem e sentir-se acolhido. Segundo 1 Coríntios 14, o visitante é o critério do culto que, como um todo, deve ser transparente para o conteúdo do evangelho. Lutero, ao refletir sobre a renovação do culto nas comunidades


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Em grande medida, no entanto, a capacidade evangelística de uma comunidade depende da efetividade com que seus membros testemunham sua fé em seus relacionamentos.

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A maioria dos visitantes de cultos e novos membros chegam às comunidades por meio de convites pessoais.

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Em grande medida, no entanto, a capacidade evangelística de uma comunidade depende da efetividade com que seus membros testemunham sua fé em seus relacionamentos. Pesquisas internacionais revelam que a maioria dos visitantes de cultos e novos membros chegam às comunidades por meio de convites pessoais. Um exemplo bíblico da evangelização relacional encontramos no evangelho de João 1.35, 40-51: após terem encontrado Jesus, André convida seu irmão Simão, e Felipe convida seu amigo Natanael. Eles compartilham com pessoas de seu relacionamento primário a descoberta que está transformando suas vidas: “Achamos o Messias”. Comunidade evangelizadora e missionária caracteriza-se pelo grande número de membros que convidam familiares, amigos, colegas, conhecidos e vizinhos para

A forma mais simples e eficaz de promover a evangelização permanente é investir no potencial evangelístico do culto comunitário.

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O culto e os demais encontros comunitários devem despertar o interesse por aprofundamento na fé e convidar para programações evangelísticas específicas. Desta forma, a evangelização pontual e contingente pode complementar a evangelização permanente. A evangelização pontual geralmente acontece através de projetos que, restritos a um período determinado, desejam causar impacto positivo. Aqui importa investir em formas que comunicam o evangelho de maneira efetiva para o mundo de hoje: realizar cursos evangelísticos (exemplos: Curso Básico da Fé, Curso Alpha); disponibilizar espaços de reflexão sobre temas que integrem fé e vida; promover a evangelização em sua forma clássica. O êxito de projetos evangelísticos depende de muitos fatores: da exposição criativa, elementar e efetiva do evangelho, da utilização da mídia, da otimização da comunicação interna e externa, do engajamento de toda a comunidade na oração e nos convites, do preparo adequado do ambiente onde ocorrerá o projeto (acolhida, decoração, materiais, comes e bebes, atendimento às crianças etc.).

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evangélicas nascentes, priorizou justamente a forma de culto com ênfase evangelística “para chamar e atrair para a fé” (Missa alemã e ordem do culto, 1526). Neste culto realizado na língua do povo ele esperava que as pessoas compreendessem o evangelho e iniciassem um processo de crescimento espiritual que as transformasse em membros ativos e missionários.


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Preparar os membros para “dar razão de sua esperança” significa provê-los com os elementos fundamentais da fé e da doutrina, visando a que os articulem de forma missionária no cotidiano de suas vidas.

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A qualidade da comunhão experimentada no seio de uma comunidade cristã determina em grande medida sua capacidade evangelizadora e sua atratividade missionária.

participarem de programas da comunidade. Um cuidado, porém, é preciso ter: só é possível convidar ali onde se tem a certeza do acolhimento. Convidar pessoas para uma comunidade fria e antipática é imunizá-las contra o evangelho. Por outro lado, também é preciso reconhecer que há muitas outras formas, além dos tradicionais programas de comunidade, através das quais as pessoas buscam uma comunidade de fé. Importa reconhecê-las e promovêlas, a fim de que a uniformização dos membros não seja o alvo da evangelização da comunidade, mas sim, a salvação pela graça de Deus. Se a evangelização é encargo da comunidade local, então, uma tarefa prioritária e estratégica se impõe: a capacitação dos membros para a articulação missionária da fé. Trata-se de responder positivamente ao desafio de estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. Preparar os membros para “dar razão de sua esperança” significa provê-los com os elementos fundamentais da fé e da doutrina, visando a que os articulem de forma missionária no cotidiano de suas vidas. Igualmente significa capacitá-los para o testemunho do evangelho em situações específicas – no acompanhamento a doentes, a enlutados, a pessoas em crise, a pessoas distanciadas da vida comunitária, ou no engajamento em movimentos e organizações da sociedade civil, entre outras situações. Diante das grandes e rápidas transformações sociais e culturais, hoje o testemunho evangelístico acontece majoritariamente como um processo de convivência e acompanhamento pessoal e comunitário. O roteiro tradicional que consistia em a) encontrar a fé e b) inserir-se em uma comunidade cristã corresponde cada vez menos às necessidades humanas atuais. Mais e mais pessoas encontram uma comunidade acolhedora e a partir da experiência da comunhão encontram a Cristo e a fé. Assim, a qualidade da comunhão experimentada no seio de uma comunidade cristã determina em grande medida sua capacidade evangelizadora e sua atratividade missionária.

1 Pedro 3.15


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6. Comunhão A vivência do Corpo de Cristo

A igreja que brota da ação missionária e redentora de Deus tem a comunhão na sua essência, no seu DNA.

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A igreja que brota da ação missionária e redentora de Deus, portanto, tem a comunhão na sua essência, no seu DNA. O ícone da vida da comunidade cristã primitiva revela a comunhão e a convivência como características marcantes da igreja. Ao se expandir por todo o mundo conhecido da época, as comunidades neotestamentárias conservaram a qualidade de sua comunhão como principal fator missionário. Elas se organizavam como “igrejas que se reúnem nas casas”, propiciando a membros e visitantes uma atmosfera de proximidade e acolhida, independente de sua origem racial, cultural ou social. Por serem inclusivas, oferecerem igualdade de direitos, valorizarem a pessoa e seus dons, as

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Atos 5.42 Atos 20.20 Romanos 16.2 Filemon 2 Colossenses 4. 15 Gálatas 3.28 1 Coríntios 12 Romanos 12

Deus é, antes de tudo, comunhão viva e relação dinâmica movida pelo infinito amor divino.

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Atos 2. 42-47

Sempre que nos referimos a Deus como Triúno – Pai, Filho e Espírito Santo – aludimos ao fato de que Deus é, antes de tudo, comunhão viva e relação dinâmica movida pelo infinito amor divino. As pessoas da Trindade, além de compartilharem a mesma substância, existem umas para as outras, vivem uma interdependência caracterizada pelo mútuo dar e receber. A comunhão divina, porém, não é fechada, não se basta a si mesma, mas transborda com o desejo de incluir tudo e todos nesta comunhão amorosa. A missão divina que daí nasce tem dimensões cósmicas, incluindo a edificação da igreja, a redenção da humanidade caída, a renovação de toda a criação e a instalação definitiva do reino de Deus.


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igreja é a comunhão solidária que renasce e se renova em cada celebração da Santa Ceia, o sacramento da comunhão.

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Comunhão é vivência concreta do sacerdócio cristão onde mutuamente nos tornamos servos uns dos outros, especialmente dos mais necessitados.

comunidades cristãs tornaram-se espaço de desenvolvimento pessoal e espiritual para pessoas de todas as camadas e posições sociais. As comunidades “caseiras” do Novo Testamento devem a estas características sua eficácia e sua atratividade missionária, possibilitando não somente a sobrevivência em tempos de dura perseguição, mas também o crescimento num ambiente de forte concorrência religiosa. Lutero, ao projetar sua visão de vida comunitária, inspirou-se nos relatos do Novo Testamento sobre a comunhão cristã arrolados acima. Para ele, o aposto “comunhão dos santos” no Credo Apostólico explica e interpreta exatamente o que é a igreja: comunhão solidária que renasce e se renova em cada celebração da Santa Ceia, o sacramento da comunhão. Lutero compreende esta comunhão como comunicação e partilha, primeiro, da graça e das dádivas divinas, depois, de tudo que somos e temos, incluídos bens materiais, tempo, dons e capacidades. Comunhão, portanto, não é um ideal espiritualizado de uma convivência sem conflitos. É vivência concreta do sacerdócio cristão onde mutuamente nos tornamos servos uns dos outros, especialmente dos mais necessitados. A entrega sacerdotal de Cristo, assumindo totalmente nossa forma em sua encarnação e cruz, portanto, deve realizar-se também entre os membros de seu Corpo. Assim, a vivência do sacerdócio torna-se a estrutura interna de uma igreja caracterizada pela comunhão. Além de expor sua profunda compreensão acerca da natureza da comunhão cristã, Lutero também esboçou um projeto para realizá-la na prática. Ele desejava reunir aquelas pessoas que “querem ser cristãs com seriedade e que confessam o evangelho com mãos e boca” (Missa alemã e ordem do culto, 1526). Estas deveriam “reunir-se entre si, em alguma casa, para orar, ler, batizar, receber o sacramento e fazer outras obras cristãs”. Lutero considerava esta a forma mais adequada para promover a comunhão cristã no sentido do evangelho. Aqui, seria possível promover o crescimento espiritual e incentivar a vivência do sacerdócio cristão na comunidade e na sociedade. Seu projeto permanece vivo até hoje nas igrejas luteranas,


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Quando nós somos os visitantes e chegamos a um ambiente pela primeira vez temos uma sensibilidade muito aguçada quanto à receptividade do local ou do grupo e sabemos instintivamente se somos bem-vindos, se somos acolhidos – ou não. Estas experiências podem se tornar úteis para o desenvolvimento de uma cultura de acolhida na comunidade. Podemos começar com as perguntas: que impressão causamos àquela pessoa que nos visita pela primeira vez? Que impressão causam os ambientes em que nos reunimos e recebemos pessoas? Esta reflexão crítica proporcionará à comunidade responder positivamente ao mandamento bíblico da

A linguagem corporal que a comunidade expressa em sua comunhão revela como ela pensa acerca de si própria e acerca do mundo.

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A linguagem corporal do Corpo de Cristo é a qualidade de sua comunhão. O seu jeito de ser – de acolher, de integrar, de incluir, de valorizar, de cuidar – tem, por isso, alto impacto missionário. A linguagem corporal que a comunidade expressa em sua comunhão revela como ela pensa acerca de si própria e acerca do mundo – por exemplo, se está convicta de ter uma missão no meio em que está inserida, se ela está interessada em incluir distanciados, diferentes, não-membros. Uma comunidade voltada para o objetivo de tornar sua comunhão atrativa e missionária deve desenvolver, por isso, a auto-crítica quanto ao padrão com que recebe e atende pessoas.

A edificação de comunidades missionárias em nosso meio passa pela conscientização de que a clareza do testemunho verbal do evangelho deve encontrar correspondência na qualidade da comunhão comunitária.

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Hoje, a edificação de comunidades missionárias em nosso meio passa pela conscientização de que a clareza da proclamação do evangelho deve encontrar correspondência na qualidade da comunhão comunitária. O Corpo de Cristo também comunica através de sua linguagem corporal. Em geral, a linguagem corporal diz muito mais do que a linguagem verbal. De acordo com pesquisas, o impacto de uma mensagem sobre o ouvinte está relacionado 7% a palavras (o que se diz), 38% ao tom de voz, inflexão (a maneira como se diz) e 55% à linguagem corporal (expressão e gestos do corpo, olhos, mãos, braços, pernas, dedos, etc.). Fato é que sempre comunicamos, enviando uma mensagem positiva ou negativa.

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inspirando e desafiando para uma vida comunitária que seja marcada pela comunhão.


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A elaboração de uma teologia da hospitalidade e a consideração de suas conseqüências práticas na vida comunitária deveria ser uma das prioridades da IECLB nos próximos anos.

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A característica mais marcante de um clima comunitário positivo é a valorização das pessoas.

hospitalidade, uma característica essencial da comunidade missionária. Neste sentido, a elaboração de uma teologia da hospitalidade e a consideração de suas conseqüências práticas na vida comunitária deveria ser uma das prioridades da IECLB nos próximos anos. Outra forma eficaz de avaliar e fomentar a qualidade da comunhão é perguntar pelo clima comunitário. Ele é positivo, animando à participação ativa? Ele é negativo ou marcado pela indiferença, gerando passividade e distanciamento? Do clima de uma comunidade fazem parte, por exemplo, sua forma de interação com as pessoas, sua forma de tomar decisões, sua forma de oportunizar participação dos membros, em suma, as regras de convivência que regulam o relacionamento dentro da comunidade. A característica mais marcante de um clima comunitário positivo é a valorização das pessoas. Trata-se de levar as pessoas a sério e respeitá-las em seus desejos, experiências, potencialidades, necessidades, e animá-las a contribuir voluntariamente com seu tempo, seus dons e bens. Desta forma, dons e potencialidades são despertados, aceitos, qualificados e colocados a serviço da missão de Deus no mundo. Comunidade que consegue incluir e valorizar membros e não-membros, que investe num bom clima e em pequenos grupos, possui alta atratividade e eficácia missionária. As pessoas devem sentir e perceber que sua presença, sua participação e sua ajuda são valorizadas e bem-vindas. A valorização tem conseqüências positivas para o clima na comunidade. Ela sempre traz consigo a confiança mútua e a comunicação franca. Esta valorização também deveria se estender à participação nas decisões que afetam a vida comunitária. Neste sentido, é útil fazer algumas perguntaschave: As pessoas sentem-se valorizadas como sujeitos da vida comunitária? Elas participam da tomada de decisão, participam do poder, são ouvidas e respeitadas? São co-responsáveis pela formulação da visão e dos objetivos da comunidade? Elas recebem todas as informações relevantes acerca da vida comunitária? Parece evidente que as respostas a estas perguntas estão

Hebreus 13.2 Romanos 15.7


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O grande desafio que advém da pergunta pela qualidade de nossa comunhão é o de proporcionar espaços de convivência, aceitação e valorização mútuas em nossa vida comunitária.

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Portanto, o grande desafio que advém da pergunta pela qualidade de nossa comunhão é o de proporcionar espaços de convivência, aceitação e valorização mútuas em nossa vida comunitária – espaços onde a graça de Deus determine o relacionamento das pessoas, oportunizando a vivência do Corpo de Cristo.

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vinculadas ao estilo de liderança praticado. Se o exercício da liderança for compreendido como serviço, o poder será compartilhado, o potencial de cada pessoa será valorizado, os dons comunitários serão capacitados, serviços serão delegados e novas oportunidades de participação serão continuamente criadas.


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7. Diaconia O agir restaurador e curador da comunidade A missão de Jesus é a vivência do amor na forma do serviço humilde, amoroso, acolhedor e inclusivo.

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O nosso servir e todas as nossas ações são frutos do amor de Deus em nós.

É Deus que, em sua missão, vêm ao mundo, em Jesus Cristo, e nos serve - “Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida para salvar muita gente”. A missão de Jesus é a vivência do amor na forma do serviço humilde, amoroso, acolhedor e inclusivo. O agir de Jesus transformava vidas. Ele ia ao encontro das pessoas doentes ou marginalizadas, as resgatava do isolamento, do desprezo, e possibilitava reconciliação e cura. A atitude de acolhimento e inclusão de Jesus frente às pessoas estrangeiras, pecadoras ou excluídas acalentava os corações sobrecarregados de culpa e devolvia a dignidade e o amor pela vida. Jesus falava do amor de Deus e agia vivendo este amor no dia-a-dia, através de atitudes concretas. Jesus abraçava, perdoava, incluía, ajudava, conversava, questionava e curava. Deus nos serve, por isso servimos. O nosso servir e todas as nossas ações são frutos do amor de Deus em nós. A comunidade missionária é aquela que serve às pessoas e ao mundo em gratidão a Deus pelo seu amor e acolhimento, e porque o próprio Cristo chama para dar continuidade a este serviço de amor - “Como eu vos fiz, façais vós também”. Todas as pessoas, a partir do batismo, são chamadas a fazer parte da missão de Deus através do amor e do serviço. Na comunidade missionária todos são chamados a colocar todo o corpo – mãos, pés, ouvidos, sentimentos e

Mateus 20.28

João 13.15


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A comunidade missionária que serve é aquela que promove ações efetivas e que questiona as situações de injustiça, de opressão e exclusão.

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A comunidade missionária que serve é aquela que promove ações efetivas e que questiona as situações de injustiça, de opressão e exclusão. As ações são manifestações da fé em resposta ao amor de Deus, como no exemplo das pessoas com deficiência que encontram na IECLB uma igreja que as acolhe e que se engaja no movimento pelos direitos dessas pessoas. É através desta parceria na busca por melhores condições de vida e inclusão para as pessoas com deficiência, por meio do serviço que a igreja presta ao mundo, que muitas pessoas optam por tornar-se luterana.

A comunidade missionária que serve é aquela que se aproxima das pessoas, que luta pela vida digna, não só a de sua comunidade, mas também a do mundo. Seu serviço ultrapassa fronteiras.

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Há muitos exemplos de comunidades da IECLB que servem. Geralmente, esse serviço começa a partir da percepção da realidade das pessoas, com seus problemas e suas esperanças e pode chegar até a criação de instituições diaconais, como hospitais, creches, albergues, lares, etc. Crianças, jovens e adolescentes em situação de risco e suas famílias, pessoas idosas ou enfermas, pessoas com deficiência e as que vivem com Aids, entre tantas outras, podem encontrar nas comunidades ou instituições diaconais um lugar onde têm a possibilidade de se sentir em casa e de ser valorizadas, de experimentarem acolhida e cura, porque lá encontram pessoas que acreditam que um futuro melhor pode existir. Porque lá encontram dignidade e respeito por parte de pessoas que estão empenhadas em contribuir para que a vida seja melhor em todos os sentidos. A partir da vivência cristã das pessoas que servem, várias outras acabam se aproximando das comunidades de confissão luterana e passam a fazer parte dela. Onde o trabalho diaconal inicia, porque pessoas sofrem e precisam de atenção, ali Deus age no sentido de criar comunidade, tornando visível a ação de Deus em favor da dignidade humana.

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razão – dons e bens a serviço das pessoas e do mundo, pois seu objetivo é colocar-se ao lado de pessoas como sinal do amor de Deus. A comunidade missionária que serve é aquela que se aproxima das pessoas, que luta pela vida digna, não só a de sua comunidade, mas também a do mundo. Seu serviço ultrapassa fronteiras.


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Por meio da visitação, se manifesta o poder que o amor de Deus tem para transformar a igreja, a sociedade e a vida.

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É a ação de serviço, a partir da identidade cristã, que se dá num contexto de sofrimento e injustiça com a finalidade de transformar, que chamamos diaconia.

A comunidade missionária que serve é aquela que se coloca ao lado, que vivencia e experimenta, que ensina a caminhar, que liberta para a autonomia e que, através deste serviço, proporciona cura. Algumas comunidades também são exemplo de espaços de acolhimento e cura, através do serviço de consolo e apoio a enlutados e enfermos. O serviço de consolação visa a prestar solidariedade a famílias enlutadas que não estão integradas em igrejas e a acompanhar enfermos internados em hospitais, em clínicas, ou, até mesmo, em seus lares. Por meio da visitação, se manifesta o poder que o amor de Deus tem para transformar a igreja, a sociedade e a vida. O agir em nome de Deus não pode ficar na vontade ou no discurso. Ele implica ação responsável e transformadora, restauradora e curativa. Para tanto, a comunidade missionária precisa também planejar, coordenar, acompanhar e avaliar seu serviço, suas ações ou iniciativas. Reconhecer as necessidades materiais de uma população empobrecida e ali colocar-se a serviço para transformar é um meio de assumir a vocação diaconal e missionária da comunidade. Como também é ação missionária engajar-se em defesa dos direitos fundamentais das pessoas, como o das pessoas com deficiência, que podem sentir-se acolhidas e valorizadas na comunhão luterana. Diante das situações de enfermidade e de luto, que provocam sofrimento a muitas pessoas, dedicar-se à consolação também é uma forma de mostrar o amor de Deus e de valorizar a vivência solidária na comunidade. São exemplos de diaconia, de manifestação do agir restaurador e curador da comunidade missionária. São exemplos de ações de misericórdia e de justiça que se manifestam através da assistência, da solidariedade, da ação política e da parceria. Ou seja, são a fé e a espiritualidade que se tornam ativas no amor. Estão predispostas à prática diaconal, à solidariedade voluntária, ao engajamento na missão de Deus, promovendo vida plena neste mundo através do serviço ao próximo e à sociedade. É a ação de serviço, a partir da identidade cristã, que se dá num contexto de sofrimento e injustiça com a finalidade de transformar, que chamamos diaconia.

Gálatas 5.6


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Assim, engajamento diaconal é um lugar privilegiado para a vivência do sacerdócio geral para o qual fomos ungidos por ocasião do batismo. O crescimento das comunidades e paróquias da IECLB dependerá em boa medida da relevância diaconal que possam conquistar na sociedade em que estão inseridas. Nesse sentido, a sociedade coloca muitos desafios para o serviço da comunidade missionária junto a pessoas em situação de sofrimento psíquico e espiritual, econômico e físico. Dependerá da disponibilidade para tornar-se comunidade solidária, terapêutica, curadora – igreja para os outros. Ser igreja para os outros é olhar com o olhar apaixonado de Deus para pessoas e famílias que sofrem com a dependência química. É perceber as pessoas que sofrem com a solidão e a depressão, e exercer um ministério curador e restaurador, oferecendo comunhão e esperança. É estar atenta para as situações de conflito, ajudando na mediação e buscando a reconciliação entre as pessoas. É assumir uma postura acolhedora para com pessoas que vivem com HIV/Aids. É promover espaços de perdão e cura, de justiça e paz, de prática do amor e de luta contra toda forma de opressão, seja entre crianças, junto aos jovens, nas famílias e com pessoas idosas, em qualquer situação de sofrimento e privação.

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O agir restaurador e curador da comunidade pode constituir-se num testemunho mais eficaz do amor de Deus quando a comunidade entende o serviço como uma dimensão estratégica de sua missão.

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Muitas vezes, a diaconia se caracteriza por ações espontâneas, diante de situações bem específicas, como, por exemplo, campanhas de ajuda humanitária ou a visitação a um membro da comunidade que está doente, etc. Mas o agir restaurador e curador da comunidade pode constituir-se em um testemunho mais eficaz do amor de Deus quando a comunidade entende o serviço como uma dimensão estratégica de sua missão. Então, ela identifica e valoriza os dons de cada membro e ajuda para que sejam desenvolvidos em função do serviço. A comunidade percebe a importância de planejar suas ações diaconais, porque assim otimiza os recursos humanos, financeiros, estruturais que sua ação demanda. Ao mesmo tempo, contribui mais eficazmente para as transformações sociais que resultem em bem-estar para todas as pessoas. A comunidade que se sente chamada para a diaconia também reconhece e promove grupos como os da OASE, cujo objetivo é


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Importa desenvolver sensibilidade para as necessidades e dores da sociedade e adquirir competência solidária.

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Neste sentido, a comunidade missionária que serve é aquela que entende o seu serviço de plantar e regar, através de ações e gestos práticos, visíveis e palpáveis, que tocam a vida das pessoas, que as resgatam do sofrimento e as motivam para viver o amor de Deus.

realizar a comunhão, o testemunho e o serviço. Grande relevância social tem hoje todo serviço às pessoas em situação de sofrimento e de carências. Importa desenvolver sensibilidade para as necessidades e dores da sociedade e adquirir competência solidária. Importa, ainda, estabelecer parcerias com organizações, com empresas ou com o poder público no sentido de unir esforços na luta em favor da dignidade humana. Reconhecemos, entendemos e cremos que a missão é de Deus. Então, o crescimento da igreja, como conseqüência da missão, também é obra divina – “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus”. Neste sentido, a comunidade missionária que serve é aquela que entende o seu serviço de plantar e regar, através de ações e gestos práticos, visíveis e palpáveis, que tocam a vida das pessoas, que as resgatam do sofrimento e as motivam para viver o amor de Deus. É aquela que se entrega ao serviço solidário, de justiça e de paz. O crescimento é presente de Deus para a comunidade que serve. Servir ao mundo, engajando-se na vida social, colocando-se ao lado das pessoas em situações de conflito e sofrimento sociais, culturais, econômicos, espirituais ou psíquicos, é servir a Deus e oportunizar que ele atue junto às pessoas. É levar a ajuda e o abraço dos quais todos nós necessitamos. As pessoas buscam uma comunidade para conviver e onde podem ser protagonistas, contribuindo com os dons que possuem e onde são valorizadas e amadas pelo que são e fazem. A comunidade missionária que serve conforme o chamado de Deus age nesta direção. Vivamos, pois, a alegria do servir.

1 Coríntios 3.6


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Missão de Deus - Nossa Paixão ○

8. Liturgia A celebração do amor de Deus

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Sempre que suspeitarmos de que nossa prática pareça carecer de sustentação teológica ou que tenhamos nos perdido entre as prioridades, é hora de refletir de novo sobre o que é fundamental. O que é culto? O que é central no culto? Que formulação conceitual poderia nos ajudar a balizar nossa visão de culto sem nos perdermos em academicismos? É bastante seguro afirmar que, por detrás do culto, há um Deus amoroso querendo nos encontrar. É um encontro no qual se realiza esta intenção básica de Deus para conosco.

Por detrás do culto, há um Deus amoroso querendo nos encontrar.

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Resiste, entretanto, uma visão positiva. Por mais que o culto seja ameaçado por vícios litúrgicos, comunicação truncada e falta de cuidado e criatividade, resiste nele algo belo e transformador. É como se uma poderosa semente sempre irrompesse do solo duro e árido fazendo nascer uma planta viçosa e frutífera. Que semente é essa? O que faz do culto algo intenso e revigorante? O que nos dá a sensação de que, mesmo que o culto “passe batido”, ele marcou de alguma maneira nossa vida?

O que faz do culto algo intenso e revigorante? O que nos dá a sensação de que, mesmo que o culto “passe batido”, ele marcou de alguma maneira nossa vida?

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Existem diferentes conceitos de culto povoando nossas mentes. Alguns deles são depreciativos: um reduto de preservação da tradição, um espaço de comunicação de pedagogia duvidosa, um difícil exercício de conciliação de linguagens de diferentes gerações.


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O amor de Deus perpassa os principais eixos do culto.

Este amor perpassa os principais eixos do culto. Por amor, Deus nos acolhe e nos aceita em nossa culpa e fragilidade. Este acolhimento nos fortalece e nos anima na caminhada. Ao celebrarmos o batismo, compreendemos o seu amor incondicional nos alcançando. Lembramos que a igreja é fruto do seu amor paterno e materno. Por amor, Deus nos orienta pela sua palavra, fazendo-nos compreender sua vontade para nossa vida. Por amor, Deus se dá a nós na celebração da Ceia do Senhor, assim nos sentimos ligados e alimentados por ele. Por amor, ele ouve nossa oração e a intercessão pelos que sofrem unindo-nos numa comunidade solidária. Por amor, Deus nos envia a servirmos à causa do reino em nosso dia-a-dia. Ele mesmo vai conosco nesta caminhada nos fortalecendo e guiando. A origem do sentido do culto vem da compreensão de que Deus nos serve no culto. Não há outra maneira de compreendê-lo sem considerar as diferentes dimensões do amor de Deus, tanto na dimensão individual quanto comunitária. É uma dimensão tão presente que, às vezes, escapa de nossa consciência.

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Compreender e viver o culto é sentir-se contagiado pelo Deus que ama a igreja – que ama o mundo.

Uma história ajuda a compreender este conceito: Visitada pelo seu pastor, uma senhora da comunidade admitia envergonhada que, ao chegar em casa, não lembrava mais quase nada da prédica do culto. O pastor, então, lhe pediu que pegasse uma velha cesta e fosse ao poço trazer água dentro dela. Contrariada, ela acabou fazendo a vontade do pastor. Foi e voltou várias vezes sem trazer água nenhuma na cesta. Quando ela quis questionar a idéia tola do pastor, ouviu dele: “É verdade que a senhora não conseguiu trazer uma gota de água sequer com sua cesta, mas observe bem que sua cesta está limpinha, como nova”. O culto luterano, comparado a muitas formas de celebração no meio cristão, é cheio de detalhes e aspectos que o torna rico e profundo. No entanto, esta riqueza tem um centro teológico básico. Compreender e viver o culto é sentir-se contagiado pelo Deus que ama a igreja – que ama o mundo. Culto é central no contato e na sintonia dos filhos e filhas com o


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A vida comunitária na Igreja de Confissão Luterana nasce do culto, no qual a palavra de Deus é anunciada e os sacramentos são ministrados de acordo com o evangelho. Neste sentido, o culto também é o centro da vida comunitária e da fé de cada pessoa luterana, do qual recebe conforto e novos impulsos para a vida. O culto sempre acontece “em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo”. Por isso, o culto é um espaço privilegiado da presença de Deus no mundo.

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Pai de amor. Ser filho e filha desse Pai é ser alimentado pelo mesmo amor. Se nossa vida sofre por tantas inspirações negativas, no culto somos renovados por um amor que nos liberta para ver o futuro com outros olhos e a servir em amor seguindo o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo.

Se nossa vida sofre por tantas inspirações negativas, no culto somos renovados por um amor que nos liberta para ver o futuro com outros olhos e a servir em amor seguindo o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo.

O culto é também uma experiência de comunhão – com o Deus Triúno e de uns com os outros e com cristãos e cristãs através dos tempos. É um acontecimento no qual Deus fala conosco através de sua palavra e dos sacramentos, e nós falamos com ele através de nossas orações e do louvor manifestado através de salmos e hinos. No culto, Deus confirma seu amor por nós, nos orienta e exorta, consola e abençoa. Além disso, testemunhamos nossa fé diante do mundo e manifestamos nossa busca e prece ardente por paz e reconciliação comunitárias.

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Há muitas formas de culto. Cada uma delas tem suas próprias características. Há cultos de batismo, em que celebramos que Deus nos encontra

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A prédica é a palavra de Deus anunciada e interpretada para a realidade atual. Quem prega busca, além de explicar o texto bíblico, criar na comunidade a experiência que o texto promove, quer seja de ensino, conforto ou desafio. A esperança é que as experiências de fé contidas nos relatos bíblicos tornem-se palavras vivas e relevantes para os dias de hoje, pelo poder do Espírito Santo. A Ceia do Senhor é mesa aberta para a participação de todas as pessoas batizadas. Também as crianças integram essa mesa da família de Deus.


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Abrir as nossas igrejas e locais de cultos permanentemente para oferecer diversas possibilidades de cultivar a espiritualidade, tanto individual quanto comunitária, é um modo de entender o culto como uma oportunidade de evangelização e missão.

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O culto, em sua liturgia, simbologia, música e sacramentos, deve proporcionar a experiência de que ali o Deus amoroso está querendo nos encontrar.

e nos recebe em sua grande comunhão de amor e, ao mesmo tempo, a comunidade se abre para acolher novos membros em seu meio. Há cultos de oração, onde buscamos levar a Deus as nossas súplicas e ações de graça, lembrando também as pessoas em suas necessidades e aflições. Há ainda cultos que são celebrações festivas, como as meditações que acontecem nos grupos da comunidade, em retiros, cultos especiais, ou os ofícios, como sepultamentos, bênçãos matrimoniais, cultos de reconciliação, ritos de unção de enfermos, cultos com ordenações, ou, ainda, na forma de meditação silenciosa e tantas outras maneiras de contemplação do sagrado. As pessoas buscam relacionar-se com Deus de forma pessoal e próxima, estando à procura de orientação e respostas para perguntas existenciais e advindas do contexto de exclusão e falta de sentido. Desenvolver o potencial missionário do culto significa, antes de mais nada, descobrir este potencial em cada forma de culto que a comunidade já realiza, e aperfeiçoá-lo, no sentido de torná-lo acolhedor, participativo, inspirador, envolvente, significativo para as pessoas e contextualizado. Abrir as nossas igrejas e locais de cultos permanentemente para oferecer diversas possibilidades de cultivar a espiritualidade, tanto individual quanto comunitária, é um modo de entender o culto como uma oportunidade de evangelização e missão. Os elementos litúrgicos, o modo como nos acomodamos no espaço do templo e os gestos que fazemos precisam contribuir para que cada participante sinta e entenda o amor de Deus. Nesse contexto, também a música tem um papel importante como expressão de fé e manifestação de nossa confessionalidade. Ela é um modo de externarmos nossa gratidão e louvor e também de traduzirmos o evangelho para a cultura na qual estamos inseridos como comunidade cristã. Em suma, o culto, em sua liturgia, simbologia, música e sacramentos, deve proporcionar a experiência de que ali o Deus amoroso está querendo nos encontrar.


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3ª PARTE:

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Missão de Deus - Nossa Paixão ○

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9. Formação e Sacerdócio Cristão Educando pessoas para a vivência missionária A ação educativa faz parte da história de Deus com seu povo. A experiência vivida pelo povo de Deus tem como característica aprender e ensinar.

A ação educativa faz parte da história de Deus com seu povo. A experiência vivida pelo povo de Deus tem como característica aprender e ensinar. Deus educa o povo, de forma contínua, através da experiência de libertação, que inicia com a saída do Egito, passa pelo deserto, pela organização na terra prometida e vem até os dias de hoje. O povo aprende através da vivência e da reflexão, dos acertos e dos erros. O povo também ensina. Os pais ensinam aos filhos para que se mantenham firmes e confiantes no Deus libertador.

Êxodo 16; 18; 20

Deuteronômio 6.1-25

A ação educativa segue sua trajetória na história. Deus sempre se preocupa em orientar o povo. Por isso, na época dos reis em Israel, ele envia os profetas, que alertam e chamam para o arrependimento e a mudança de vida. 9.1. Jesus como educador

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Jesus educava através de gestos e de palavras.

Entre os ensinamentos dos profetas, está o anúncio da vinda do Messias, do Filho de Deus. Essa profecia se cumpre com o nascimento de Jesus Cristo e se atualiza e se renova com a promessa da segunda vinda de Cristo. Toda a vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua morte, é ação educativa de Deus em favor das pessoas. Jesus educava através de gestos e de palavras. Partia da experiência de vida; contava histórias; questionava leis, tradições e posições estabelecidas; recebia as pessoas marginalizadas; ia ao encontro

João 4.1-30 Marcos 4.2


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A preocupação com a educação também está na origem da igreja luterana. Martim Lutero deu muita importância à educação. Por esse motivo, escreveu os catecismos, para que pais e filhos pudessem ensinar e aprender. Também aconselhou os príncipes a criarem escolas. Lutero se preocupava com sua formação pessoal e contínua. Ele dizia: “Eu, embora velho doutor das Escrituras, não compreendo ainda direito os Dez Mandamentos, o Credo e o Pai-Nosso; eu não posso estudar a fundo nem aprendê-los totalmente, assim aprendo o Catecismo dia após dia e oro com meu filho João e a minha filha Madalena”. A exemplo de Lutero, que nutria diariamente sua fé através do estudo da palavra de Deus, a educação na igreja é permanente e contínua. A igreja orienta seus membros para que possam viver diariamente seu batismo através do sacerdócio geral. 9.3. Orientações para a educação cristã

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9.2. Lutero e a educação

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A igreja prioriza a educação cristã porque visa a capacitar as pessoas para cooperar com a missão de Deus no mundo e para exercer plenamente o sacerdócio geral.

A exemplo de Lutero, que nutria diariamente sua fé através do estudo da palavra de Deus, a educação na igreja é permanente e contínua.

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A educação faz parte da vida e acontece em diferentes espaços e de diferentes maneiras. Na igreja, a prática educativa oportuniza aos membros a educação contínua na fé a partir da identidade luterana, capacitando-os para a vivência missionária do sacerdócio cristão.

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Marcos 7.24-30; 10.46-52; 5.2534; 2.1-12 Mateus 28.18-20 Atos 8.26-40

delas; caminhava com seus discípulos e tinha abertura para dialogar e aprender de outras pessoas. Também suas curas tinham aspectos educativos. Deixava as pessoas manifestar sua vontade; derrubava preconceitos; valorizava a atitude de fé das pessoas. Ao se despedir de seus discípulos, Jesus deu-lhes a tarefa de educar. As primeiras comunidades cristãs assumiram essa missão com muita coragem e criatividade. Desde então, a igreja prioriza a educação cristã, capacitando as pessoas para cooperar com a missão de Deus no mundo e para exercer plenamente o sacerdócio geral.

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João 8.1-11 Marcos 10.13-16 Lucas 19.1-10; 24.13-35


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A educação faz parte da vida e acontece em diferentes espaços e de diferentes maneiras.

O diálogo sobre as vivências diárias contribui para a compreensão da palavra de Deus.

As pessoas buscam respostas para suas dúvidas, consolo para suas aflições, orientação para sua vida. Elas aprendem de diversas maneiras. Existem várias metodologias que podem orientar o processo educativo. Não há um único método a ser seguido por todos, ou que sirva a todos. Cada contexto exige uma metodologia. É necessário planejar as ações educativas a partir de cada realidade. Alguns princípios podem orientar o processo de ensino e aprendizagem. São eles: Valorizar a experiência de vida das pessoas: O diálogo sobre as vivências diárias contribui para a compreensão da palavra de Deus. Ao ler ou estudar um texto bíblico em grupo, pode-se motivar as pessoas a falarem sobre suas experiências pessoais. Dessa forma, o conhecimento sobre a palavra de Deus não é transmitido de uma pessoa para outra, mas é construído através do diálogo e da partilha, onde todas as pessoas podem contribuir com sua experiência de vida. Concretamente, a valorização da experiência de vida acontece quando as pessoas têm espaço e se sentem à vontade no grupo para contar o que está acontecendo com elas: suas alegrias, suas tristezas, seus sonhos e suas preocupações. O desafio é relacionar essas experiências com o estudo da palavra de Deus, buscando nela orientação para a vida.

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Educação cristã envolve todo o ser e passa por todos os sentidos.

Envolver todo o corpo: Educação cristã envolve todo o ser e passa por todos os sentidos. A educação também acontece através de gestos, símbolos, expressão corporal. As diferentes formas de comunicação podem ser usadas nos encontros, nas celebrações e nos cultos para ampliar e diversificar as possibilidades de reflexão sobre os conteúdos da fé. A Ceia do Senhor é um exemplo onde todo o corpo é envolvido na aprendizagem de que Deus vem ao nosso encontro. A comunidade reunida, o movimento de ir com outros ao altar, o cheiro, a cor e o gosto da uva e do pão, o sentimento de comunhão e inclusão revelam e expressam a graça e o amor de Deus. Despertar a capacidade criativa de cada pessoa: Deus nos criou à sua

Gênesis 1.27


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Um dos fundamentos da educação cristã é abrir espaços, tanto em casa quanto na comunidade, para que as pessoas possam expressar suas dúvidas, conversar sobre elas e buscar orientação.

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Servir ao próximo: A ação diaconal contribui para a educação cristã, e a educação cristã fortalece a ação diaconal. O estudo da palavra de Deus fundamenta a prática do servir ao próximo e, ao mesmo tempo, as experiências diaconais enriquecem a reflexão em torno da palavra de Deus. A palavra de Deus fortalece e encoraja o ir aos lugares onde estão os mais fracos e marginalizados, lá onde o sofrimento compromete a vida, lá onde

As pessoas gostam de estar em ambientes alegres e que lhes dão prazer.

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Dialogar com liberdade sobre dúvidas e perguntas: Durante toda a vida, há diferentes situações que preocupam e geram dúvidas e perguntas. Um dos fundamentos da educação cristã é abrir espaços, tanto em casa quanto na comunidade, para que as pessoas possam expressar suas dúvidas, conversar sobre elas e buscar orientação no diálogo com outras pessoas, bem como na leitura e no estudo da Bíblia. Quando crianças sentem um clima de confiança e respeito, elas fazem perguntas, porque sabem que serão ouvidas e atendidas. Essas perguntas levam as pessoas adultas a refletirem sobre as questões levantadas, motivando o diálogo e a busca por respostas. Nesse processo educativo, todos contribuem, aprendendo e ensinando.

A educação cristã desperta a criatividade das pessoas quando trabalha a partir de diferentes linguagens.

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Humanizar a educação através da alegria: As pessoas gostam de estar em ambientes alegres e que lhes dão prazer. Tais ambientes propiciam a criatividade, a liberdade, a solidariedade, o crescimento grupal e individual. Nesses espaços, o conteúdo se traduz em gestos, expressões, jeitos, canto e dança. A brincadeira oportuniza às pessoas o auto-conhecimento e o conhecimento do outro na sua verdadeira essência. Nesse sentido, a brincadeira e a alegria humanizam a educação. A brincadeira amplia a capacidade humana de viver coletivamente.

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imagem e semelhança, dando-nos a capacidade de criar. A educação cristã desperta a criatividade das pessoas quando trabalha a partir de diferentes linguagens. A música, o teatro, as artes plásticas e outras atividades artísticas contribuem no processo educativo. Estas formas de ensinar e aprender possibilitam que as pessoas descubram e desenvolvam suas potencialidades.


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O estudo da palavra de Deus fundamenta a prática do servir ao próximo.

Não há missão sem educação cristã nem educação cristã sem missão.

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Missão e educação cristãs são carregadas pelo amor de Deus pelo mundo.

ninguém quer ir. Mas Deus está lá e chama pessoas para servir. Este serviço que brota da palavra de Deus também transforma. Transforma quem serve e quem é servido. 9.4. Educação cristã e missão A educação cristã e a missão estão inter-relacionadas. Não há missão sem educação cristã nem educação cristã sem missão. Dito positivamente, só há missão quando há educação cristã e só há educação cristã quando há missão. A experiência bíblica da educação de Deus com seu povo e a prática educativa de Jesus fundamentam essa afirmação. Ao dar o maná no deserto, Deus saciou a fome e ensinou a confiar nele diariamente. A ação diaconalmissionária de Jesus ao curar uma pessoa também está marcada pela ação educativa. A cura restabelece a saúde e, ao reintegrar a pessoa no convívio social, essa ação ensina que Deus quer vida digna para todas as pessoas. Missão e educação são carregadas pelo amor. O amor dá sentido ao ensino e à aprendizagem. O amor move-nos a querer aprender mais para servir melhor. É o amor de Deus pelo mundo que nos educa para viver em comunidade e ensina-nos a responder a quem pede a razão de ainda termos esperança. Missão e educação cristãs são carregadas pelo amor de Deus pelo mundo.


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10. Administração Criativa dos Recursos Planejamento sustentável da igreja

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As comunidades e paróquias da IECLB têm longa experiência em prover sua sustentabilidade. Ao longo dos mais de 180 anos de história, as lideranças da IECLB aprenderam a administrar os recursos financeiros com responsabilidade e fidelidade. No atual momento histórico, porém, a importância que o tema “Fé, Gratidão e Compromisso” assumiu nas agendas da IECLB em todos seus níveis aponta para a LB IEC DA ÃO urgente necessidade de discutir e refletir sobre UIÇ TIT CONS novos modelos de captação de recursos, que ed iên cia ao correspondam, ao mesmo tempo, às 3º AR TIG O : Em ob r, a IEC LB , ma nd am ent o do Sen ho exigências da fé e às necessidades da igreja. es, tem por através de suas comunidad Não se trata apenas de estabilizar fim e missão: orçamentos ordinários e garantir a ; isto Cr Jesus I - propagar o evangelho de lica sobrevivência institucional. Trata-se, antes ngé eva ia II - est im ula r a viv ênc ia; tár de tudo, de dotar toda a IECLB com os uni com pessoal, familiar e or am o e tiça jus a , recursos necessários para a realização paz a III - promover efetiva de sua missão assim como está ; ade ied na soc tem un ho do formulado na sua Constituição, Art. 3º. IV - par tic ipa r do tes ndo. Pois, da realização efetiva de sua missão evangelho no País e no mu depende o crescimento de nossa igreja.


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Sustentabilidade é a capacidade de um sistema de criar as condições favoráveis para sua sobrevivência e para seu desenvolvimento no presente e no futuro, evitando o esgotamento ou a sobrecarga dos recursos que o mantêm.

10.1. O que é sustentabilidade? Sustentabilidade é a capacidade de um sistema de criar as condições favoráveis para sua sobrevivência e para seu desenvolvimento no presente e no futuro, evitando o esgotamento ou a sobrecarga dos recursos que o mantêm. A história do conceito da sustentabilidade liga-se à preocupação crescente em alcançar o equilíbrio entre atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da humanidade. Em meio à crise ambiental em nossos dias, a promoção do desenvolvimento sustentável tornou-se decisivo para o futuro da vida em nosso planeta. Entrementes, o conceito de sustentabilidade também é fundamental para a administração e a gestão de organizações de todos os setores, especialmente no gerenciamento de organizações da sociedade civil, o chamado terceiro setor, ao qual pertencem as ONGs, as fundações, associações, igrejas etc.. É consenso que a sustentabilidade é resultado de um processo de desenvolvimento e fortalecimento institucional. 10.2. A tradição luterana

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Teologicamente, a sustentabilidade da igreja vincula-se à ação do Espírito Santo, que cria fé e comunidade ali onde a palavra é pregada e os sacramentos são administrados de acordo com o evangelho.

Não raro, a preocupação com a sustentabilidade da igreja encontra resistências no contexto da teologia luterana. Para ela, o que cria e sustenta a igreja não está à disposição, não é manipulável nem gerenciável. Teologicamente, a sustentabilidade da igreja vincula-se à ação do Espírito Santo, que cria fé e comunidade ali onde a palavra é pregada e os sacramentos são administrados de acordo com o evangelho. A história da igreja luterana nascente, porém, revela que os reformadores realizaram ações concretas visando assegurar e desenvolver a sustentabilidade de comunidades e paróquias. As visitações organizadas por Lutero, nos anos de 1527 a 1529, por exemplo, além de consolidar a teologia reformatória, tinham a função de organizar a sobrevivência material de paróquias, pastores e professores. Nos anos seguintes, a sustentabilidade da igreja evangélico-luterana foi


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Mas, mesmo assim, temos várias indicações de que o planejamento também é conhecido pela Bíblia – compreendido como atividade altamente espiritual. Assim, Moisés recebe o conselho de seu sogro Jetro para organizar

Ainda há resistências à realização de um planejamento estratégico na igreja e em suas paróquias.

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Nas paróquias da IECLB, não temos tradição em planejar a médio e longo prazos. Ainda há resistências à realização de um planejamento estratégico na igreja e em suas paróquias. De fato, à primeira vista, um planejamento estratégico parece interessante apenas para empresas e instituições seculares. A igreja, ao contrário destas, lida com “produtos” não mensuráveis, como a fé, o amor e a esperança. E estes, na verdade, são frutos da ação divina, do Espírito de Deus, e não de nossas estratégias e planos. Nada mais verdadeiro.

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Existe um sábio provérbio holandês que diz: “para navios sem porto de destino não existem bons ventos”. Isto também vale para o “navio” chamado igreja. Todos os recursos humanos e financeiros, todos os programas e atividades perdem grande parte de sua dimensão construtiva quando utilizados numa paróquia ou comunidade sem planejamento. Felizmente, o contrário também é verdade: onde existe planejamento, existe a concentração e a aplicação eficaz de todas as possibilidades de que a paróquia ou comunidade dispõe, facilitando que ela alcance os seus objetivos e coopere de forma eficaz com a missão de Deus no mundo.

Onde existe planejamento, existe a concentração e a aplicação eficaz de todas as possibilidades de que a paróquia ou comunidade dispõe.

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10.3. Planejamento estratégico participativo na igreja

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garantida por príncipes territoriais e governos nacionais, modelo que na Europa se manteve estável ao longo da história. Apenas com o transplante do luteranismo para o Novo Mundo surgiram novas concepções de sustentabilidade, adaptadas ao novo contexto e situação. A preocupação com a sustentabilidade tornou-se tarefa permanente das igrejas luteranas no continente americano, vendo-se desafiadas para recriarem permanentemente seus modelos de sobrevivência e de desenvolvimento institucional.


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Dirigir o navio chamado igreja, assumir a tarefa da liderança eclesiástica, é assumir a responsabilidade pelo planejamento criterioso.

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O planejamento estratégico impõe-se como ferramenta útil e necessária na construção de um novo futuro.

melhor o atendimento ao povo em Êxodo 18. Em Eclesiastes 10.10, ouvimos o sábio conselho: “Se você deixa o machado perder o corte e não o afia, terá de trabalhar muito mais. É mais inteligente planejar antes de agir”. Jesus, ao falar sobre o discipulado, recomenda calcular exatamente os custos de tal empreitada e os desdobramentos futuros: “Pois, qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?”. O apóstolo Paulo, por sua vez, lista entre os carismas da comunidade cristã o dom da “kybérnesis”, originalmente a “arte de pilotar ou dirigir um navio”. Trata-se do dom do “governo” ou da “direção” da comunidade. Ora, para se dirigir um navio nos tempos do Novo Testamento era preciso muita habilidade, conhecimento e capacidade de planejamento. A navegação precisava ser cuidadosamente planejada. Primordial era o conhecimento do mar, dos relevos da costa, da orientação astronômica, do aproveitamento estratégico dos ventos e das correntes marítimas. Tudo isto visando a alcançar com segurança o porto de destino. Não por acaso, o “navio” ou o “barco” tornou-se o símbolo da igreja. Dirigir o navio chamado igreja, assumir a tarefa da liderança eclesiástica, é assumir a responsabilidade pelo planejamento criterioso e pela navegação segura do povo de Deus rumo ao desempenho de sua missão e de seu futuro eterno. Em tempos de insegurança, quando se pergunta pelos recursos que viabilizam a realização das tarefas que competem à IECLB, o planejamento estratégico impõe-se como ferramenta útil e necessária na construção de um novo futuro. Planejar é (re)aprender a sonhar em conjunto – com que igreja, paróquia, comunidade eu/você/nós sonhamos? O planejamento inicia quando começamos a compartilhar estes sonhos e passamos a construir uma visão da comunhão na qual desejamos conviver, testemunhar, servir e celebrar. O caminho na direção desta visão será palmilhado passo a passo. Pequenas metas e objetivos parciais ajudarão a manter a perseverança e a direção. O importante é que ao longo do caminho

Lucas 14.28

1 Coríntios 12.28

Mateus 8.23-27 Mateus 14.22-33 HPD 98


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nos tornemos mais felizes, mais agradecidos, mais engajados, mais solidários, mais fraternos. Planejamento sempre é também um processo de transformação pessoal e comunitária, processo que nos devolve a capacidade para inspirar e cativar pessoas. Resultado deste processo é o desenvolvimento da sustentabilidade da igreja. 10.4. Mordomia cristã

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Outro fato positivo a ser destacado é a realização do trabalho de mordomia como evangelização. O reconhecimento das dádivas e da fidelidade de Deus permitiu aos membros darem sua resposta de fé na vida pessoal e no envolvimento com a comunidade. Ademais, tratou-se de evangelização

Programas de mordomia cristã resultam em evangelização participativa nas comunidades quando devidamente planejados e realizados.

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Promovida pela Federação Luterana Mundial a partir da década de 50 do século passado e exercitada na IECLB com muito êxito na década seguinte, a concepção de mordomia necessita ser reavaliada como instrumento útil para o fomento da fé que, em gratidão, também se expressa através do compromisso financeiro. O êxito do trabalho de mordomia na IECLB no passado deveu-se a que se tratou de um programa de desenvolvimento de comunidade com uma clara estrutura, com passos e cronograma definidos previamente, treinamento adequado para as pessoas envolvidas, materiais e literatura, coordenadores com experiência, além de clara identificação com a confessionalidade luterana.

Determinante para um programa de mordomia é a convicção de que os dons individuais, os bens materiais e o tempo nada mais são do que propriedade de Deus confiada aos seres humanos.

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Uma igreja que deseja desenvolver sua sustentabilidade necessariamente terá que implantar um programa de mordomia cristã. Determinante para um programa de mordomia é a convicção de que os dons individuais, os bens materiais e o tempo nada mais são do que propriedade de Deus confiada aos seres humanos. A estes cabe a tarefa de administrar esta propriedade divina de acordo com a vontade de Deus, colaborando com sua missão neste mundo. Trata-se da realização do desafio lançado por 1 Pedro 4.10: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros (administradores, mordomos) da multiforme graça de Deus”.


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realizada pela própria comunidade, através de pessoas visitadoras leigas que restabeleciam a comunicação da comunidade com os seus membros. É sinal de esperança que, após a realização do fórum nacional sobre o tema em 2005, em todos os sínodos estejam surgindo iniciativas em torno do tema “Fé, Gratidão e Compromisso”. O êxito de um programa de mordomia, porém, depende de algumas decisões fundamentais: a) Promover o tema “fé, gratidão e compromisso” é evangelizar a partir do primeiro artigo do Credo Apostólico. É preciso cativar o coração dos membros para o fato de que Deus nos abençoa para que nós possamos nos tornar bênção para outros – “... te abençoarei - sê tu uma bênção”. Gênesis 12.2-3

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Importantíssimo fator pedagógico é conectar a disposição de doar e de contribuir com o apoio a projetos missionários e diaconais.

b) O impacto positivo de um programa de mordomia depende da elaboração de um projeto coordenado, que contemple teologia, materiais, treinamento, metodologia. Sem esta infra-estrutura, comunidades, paróquias e sínodos não terão o fôlego necessário para implantar o programa, cujos resultados devem ser esperados a médio e longo prazos. c) Importantíssimo fator pedagógico é conectar a disposição de doar e de contribuir com o apoio a projetos missionários e diaconais. O movimento da mordomia cristã na América do Norte nasceu justamente do envolvimento com projetos missionários. Apenas num segundo momento ele foi canalizado também para a sustentabilidade das igrejas. É fundamental vencer a tentação de utilizar o tema “fé, gratidão e compromisso” apenas para o objetivo da auto-manutenção. A perspectiva que tem promessa de bênção é outra: a vocação missionária e diaconal da IECLB. É necessário sensibilizar-nos para o fato de que a IECLB necessita de mais recursos financeiros para alcançar a sustentabilidade de seus projetos missionários, diaconais, educacionais etc.; igualmente, para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento de nossas pequenas paróquias no norte, no nordeste e no centro do país; igualmente, para assumir uma parcela mais significativa no apoio financeiro a igrejas luteranas irmãs da América Latina ou de fala portuguesa na África.


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11. Missão e Comunicação Compartilhando a Boa Notícia

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Por outro lado, se algo nos entristece profundamente, se alguma coisa nos preocupa ou espanta, se algo nos faz sofrer e gemer, também aí é impossível para nós impedir que essas coisas se transmitam a outros, seja na forma de desabafo, de indignação ou de ação transformadora. Somos feitos de comunicação, desde quando ainda estamos na barriga de nossa mãe e por toda a nossa vida.

Somos feitos de comunicação, desde quando ainda estamos na barriga de nossa mãe e por toda a nossa vida.

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Faz parte, portanto, da essência da igreja ser comunicativa. Os apóstolos já afirmavam com coragem que não é possível deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos, porque nossa boca fala do que o coração está cheio. Se fomos maravilhosamente alcançados pela graça de Deus, como de fato o somos todos os dias, não podemos nos contentar até que conseguimos falar disso a quem quer que seja.

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Atos 4.20

Comunicar não é problema para a igreja.

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Comunicar não é problema para a igreja. Comunicar é da própria natureza da igreja, por isso não é um problema. Não se cria comunidade sem comunicação nem se mantém comunidades sem comunicação. A igreja nasce de processos de comunicação: um processo de comunicação divina, de Deus conosco, e um processo de comunicação entre nós, de uns para com os outros.


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Mas por que falar sobre comunicação na igreja, na realização da missão, se comunicar não é problema para nós? É que a nossa comunicação pessoal, face-a-face, comunitária, familiar, cotidiana é atravessada por um outro tipo de comunicação, uma comunicação que, às vezes, até atrapalha a nossa comunicação mais fundamental e próxima. É a comunicação monopolizada pelas tecnologias aplicadas a processos comunicacionais, desde o inocente telefone até o mundo da internet, passando pelo rádio, pela TV, pelo jornal, entre tantas formas de comunicação à distância. É aí que comunicar passa a ser problema para a igreja.

Os meios de comunicação mudam o modo de interagirmos com outras pessoas, no tempo e no espaço.

E é problema porque aquela comunicação que era tão natural para nós como igreja agora parece que se transforma em outra coisa. E de fato é assim. Os meios de comunicação – a mídia, como genericamente denominamos esse universo de tecnologias, meios e linguagens que atravessam o nosso dia-a-dia – mudam o modo de interagirmos com outras pessoas, no tempo e no espaço. Muda no tempo porque, ainda que nossa transmissão seja em tempo real, como um programa de TV ou rádio ao vivo, a resposta de nosso interlocutor não é simultânea nem direta. Muda no espaço porque não sabemos onde a pessoa que recebe a nossa mensagem está e o que está fazendo.

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Isso complica a nossa vida como igreja justamente porque sabemos nos comunicar bem daquele modo comunitário, olho no olho, que faz parte do nosso jeito luterano de ser. Mas, temos que reconhecer também que não são todos os meios de comunicação que atrapalham a nossa comunicação. Nós sabemos nos comunicar através da escrita. Nossa tradição luterana nos ajuda quando vamos imprimir jornais, revistas e livros. A Reforma de Martim Lutero avançou na Europa graças à imprensa. E nós aprendemos a usá-la bem, produzindo impressos de qualidade e promovendo a alfabetização das pessoas para poder lê-los juntamente com a Bíblia. Mas os tempos são outros, como já vimos no capítulo dos contextos. Há


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muito mais gente alfabetizada e letrada, mas, em compensação, há muito mais gente ainda vendo televisão, ouvindo rádio, etc... E há muita igreja que tira proveito disso porque nasceu nesse mundo multimídia, como nós luteranos nascemos no mundo da imprensa. E é aí, portanto, que começam os nossos problemas de comunicação. 11.1. A comunicação na missão da igreja

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A ação comunicativa pode ser mediada pela mídia.

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A ação comunicativa pode ser mediada pela mídia. Quando utilizamos os meios de comunicação para anunciarmos o evangelho, nossos objetivos missionários (valor, visibilidade e vínculo) permanecem os mesmos, mas o modo de interação se modifica. Geralmente, damos ênfase à mensagem, ao conteúdo, ou seja, aos nossos valores. Às vezes, conseguimos dar visibilidade à nossa igreja, falando das coisas que fazemos. O tipo de vínculo que se estabelece se modifica porque não está mais em jogo o vínculo com a comunidade de fé, mas com aquele tipo de mídia (ou seja, com um programa

Toda ação missionária implica uma ação comunicativa.

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Toda ação missionária implica uma ação comunicativa. Quando anunciamos o evangelho, em palavras ou em ações, estamos tornando público um conjunto de valores éticos, teológicos, comunitários, etc. com vistas a trazer pessoas para a fé em Cristo Jesus. Esse anúncio se mostra muito mais eficaz quando é presencial. A resposta é percebida no momento, e a interação é facilitada. Prevalece em nossa intenção comunicativa estabelecer vínculos. Nesse sentido, toda a ação missionária é uma ação comunicativa e os relatos bíblicos nos dizem mais a esse respeito.

A comunicação visa a difundir valores, obter visibilidade pública e estabelecer vínculos.

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Nossos problemas com a comunicação, no entanto, não devem nos desanimar nem intimidar. Antes, pelo contrário, devem ser encarados como um desafio para a qualificação de nossa ação missionária. Nessa perspectiva, queremos aqui propor algumas teses ou princípios para superarmos nossas dificuldades com a comunicação midiática a partir de três objetivos principais: a) difundir valores; b) obter visibilidade pública e c) estabelecer vínculos, os quais devem ser tomados como complementares e interdependentes.


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Pensar estrategicamente a comunicação em todos os seus sentidos é estabelecer o percurso da comunidade para o público que pretendemos alcançar e do público para a comunidade.

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O uso de um meio de comunicação pode ser mais eficaz com um tipo de público do que com outro. Daí a importância estratégica de fazer circular por diferentes meios a mesma mensagem.

de rádio, uma coluna de jornal, etc.). Aí é importante, como estratégia missionária, remeter o receptor, o nosso público, para a comunidade local, onde ele pode encontrar os laços que o vinculam à nossa igreja. Nossos objetivos missionários visam a uma relação de “contrato”, ou seja, queremos que as pessoas se comprometam com nossa igreja, tornem-se membros. As religiosidades midiáticas buscam, ao contrário, “contagiar”, ou seja, estabelecer uma adesão a produtos sem compromisso institucional. Tanto a comunicação comunitária como a comunicação midiática devem fazer parte das estratégias de ação missionária. Ao reconhecer essas duas dimensões da comunicação para a proposição de estratégias missionárias estamos levando em conta que uma e outra se interrelacionam. Por exemplo, vai adiantar muito pouco, em termos de ação missionária, realizar uma grande campanha publicitária na cidade sobre a nossa comunidade se nossa ação comunicativa de acolhimento for um fracasso. Por outro lado, ainda que tenhamos uma comunidade acolhedora, se as pessoas não souberem que ela existe, se não puderem encontrá-la no mapa ou no guia telefônico, etc. nossa ação missionária se tornará inócua. Pensar estrategicamente a comunicação em todos os seus sentidos é estabelecer o percurso da comunidade para o público que pretendemos alcançar e do público para a comunidade, garantindo que ao final do percurso as pessoas queiram voltar e se vincular à nossa igreja. Públicos diferentes pedem estratégias de comunicação diferentes. Público é o conjunto de pessoas com as quais buscamos estabelecer uma interação. Podemos dividi-lo em público interno (os membros da comunidade) e público externo (os não-membros). Mas também podemos separá-los por idade, por renda, por localidade, enfim. O importante é reconhecer que públicos diferentes pedem estratégias de comunicação diferentes. Isso quer dizer, por exemplo, que o uso de um meio de comunicação pode ser mais eficaz com um tipo de público do que com outro. Nesse sentido, as nossas estratégias devem poder reconhecer essa diversidade de acessos às informações. Na prática, nem todo mundo lê o boletim comunitário, assim


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Comunicação midiática é uma relação de parcerias em torno de interesses. Uma das características da relação entre instituições e os meios

O mundo da mídia faz circular bilhões de reais. Essa indústria não é movida por amadores com boas intenções. Há um alto grau de profissionalismo. Importa que as comunidades busquem assessoria com profisionais da área da comunicação.

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Amadorismo e voluntariado têm limites. Um dos traços marcantes de nossa igreja é sua capacidade de mobilizar pessoas para servirem na comunidade, com seus dons. O sacerdócio geral de todos os cristãos é uma conquista luterana que deve ser sempre lembrada e valorizada. No entanto, é preciso também reconhecer que todo voluntariado tem limites, assim como o serviço comunitário feito por amor à causa. O mundo da mídia religiosa faz circular na economia bilhões de reais. Essa indústria não é movida por voluntários e militantes. Há um grau de profissionalismo muito grande que tem implicações sobre nosso cotidiano comunitário. Fazer frente a essa concorrência exige de nós mais do que boas intenções. Sempre que possível, nossas comunidades deveriam buscar auxílio de pessoas da área da comunicação para ajudar no planejamento e na execução de estratégias midiáticas e até mesmo na formação de pessoas para realizar essas tarefas. Contar com mão-de-obra qualificada pode representar um salto qualitativo na missão de nossa comunidade.

Estratégias de comunicação devem levar em conta as características dos diversos meios.

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Meios de comunicação diferentes pedem estratégias diferentes.Todo mundo sabe a diferença entre o rádio e a televisão. Todo mundo sabe que um jornal é diferente da internet. Mas quando pensamos em usá-los para o anúncio do evangelho geralmente não nos preocupamos com as diferenças porque achamos que, se o conteúdo está bom, a forma não importa. Importa tanto quanto é diferente um culto de batismo de um ofício de sepultamento. Nossas estratégias de comunicação devem levar em conta os meios de comunicação em suas diferenças, porque os públicos estão "alfabetizados" para aquele determinado meio. Isso os torna seletivos quanto aos conteúdos se estes não estão adequados à forma.

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como não são todas as pessoas que ouvem o programa de rádio da comunidade e nem todo mundo tem acesso à internet. Daí a importância estratégica de fazer circular por diferentes meios a mesma mensagem.


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Parcerias com instituições de comunicação em torno de interesses mútuos podem ajudar a construir estratégias de presença da igreja na mídia.

É importante que os investimentos em comunicação estejam contemplados no orçamento da comunidade.

de comunicação é a realização de parcerias em torno de interesses. Não tomemos “interesse” na sua acepção negativa. É uma troca. Por exemplo, se um meio de comunicação concede espaço para publicar material sobre a nossa igreja, ele o faz porque tem interesse no público que essa informação vai alcançar, seja porque poderá ser assinante, seja porque constitui consumidor de produtos de seus anunciantes, ou seja apenas porque ganha em credibilidade junto à comunidade e seus membros. Na outra mão, a igreja tem interesse em ver-se noticiada porque aquele meio de comunicação tem credibilidade ou porque alcança um público que de outra maneira não alcançaria ou, ainda, porque dá credibilidade às ações da igreja. Muitas vezes, essa relação em torno de interesses mútuos também leva a parcerias de serviços e de compra e venda de espaço publicitário. Compreender e reconhecer esse jogo de interesses ajuda a construir estratégias de presença na mídia sem deixar-se manipular ou ferir em seus valores. Boas estratégias de comunicação podem não custar nada. Mas ter uma rubrica no orçamento para investimento em comunicação é melhor que depender só de boas idéias. A maioria das organizações que têm políticas de comunicação bem ajustadas inclui nessa política uma porcentagem de seu faturamento para investimento em comunicação. Pode ser 1% ou 20%. O importante é que os gastos e as receitas com comunicação estejam no orçamento da comunidade. 11.2. Comentário final

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Os meios de comunicação como vasos de barro. Assim como podem servir para a glória de Deus, podem inflar a vanglória humana.

Podemos pensar nos meios de comunicação como vasos de barro. Assim como podem acolher as palavras da salvação, também podem voltar-se contra elas. Assim como podem promover a paz e a tolerância, podem incitar à ira e à discórdia. Assim como podem servir para a glória de Deus, podem inflar a vanglória humana. São frágeis e podem se quebrar. A comunidade cristã e seus líderes não estão isentos da tentação da glória que os meios de comunicação podem proporcionar. Por isso, vale a pena sempre ter em mente a imagem do artista Lukas Cranach, na pintura que fez de Martim Lutero


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pregando a Cristo. À direita do quadro, sobre o púlpito, está Lutero apontando para a cruz no centro da figura.

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A imagem nos diz que não é Lutero nem o púlpito – não é o comunicador (pastor, leigo ou quem quer que seja) nem os meios de comunicação –, mas Cristo, crucificado e ressurreto, que ocupa o centro de nossas estratégias missionárias e comunicacionais. Tudo o mais passa. Cristo permanece. É ele que deve ser notado em nossas ações e é em torno dele que interessa estabelecer vínculos comunitários. É o Cristo, que tornou o amor de Deus visível para nós e em torno de quem importa vivermos em comunhão de amor, que está no centro da missão de Deus que é a nossa paixão.


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12. Criação de Novas Comunidades

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Quando pensamos em criar novas comunidades devemos olhar necessariamente para as Escrituras.

Nosso compromisso com a missão de Deus prevê, além da renovação das comunidades existentes, também a criação de novas comunidades. Quando pensamos em criar novas comunidades devemos olhar necessariamente para as Escrituras. Elas descrevem o início das primeiras igrejas e nelas encontramos o relato da atividade missionária do apóstolo Paulo. No início, ele, sem dúvida, estabeleceu um modelo básico de implantação de novas comunidades cristãs. No livro de Atos e nas cartas de Paulo, percebemos que ele foi um missionário apaixonado. Sua paixão evangelística o levou a ultrapassar barreiras geográficas, étnicas, culturais e religiosas para compartilhar a boa nova de Jesus. O livro de Atos descreve esta peregrinação incansável do apóstolo. Quando uma nova comunidade nascia, nós o vemos cuidando dos seus filhos espirituais para que cresçam na fé. As cartas a Timóteo refletem isso. Por fim, ele, sob a inspiração do Espírito Santo, sistematizou as bases do ensino cristão, como vemos nas suas cartas às igrejas. Portanto, o apóstolo Paulo pregou o evangelho em diferentes lugares, cuidou das comunidades nascentes e deu contornos mais definidos aos princípios da fé cristã.

1 Coríntios 10.11 Gálatas 4.4 Efésios 1.10

Também precisamos destacar a estratégia missionária de Paulo. Ele sempre tinha como objetivo em suas atividades missionárias difundir o evangelho e formar igrejas. Escolhia como alvo cidades-pólo de sua época,

1 Coríntios 3.10-12 Efésios 2.20


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1 Coríntios 1.18; 9.22

A segunda ponte é que Paulo acreditava que o evangelho era (e é) o instrumento “essencial” para a edificação de uma nova comunidade. Ao edificar uma nova comunidade Paulo tinha uma preocupação básica com o alicerce dela. O fundamento, a base, a pedra angular, tinha de ser Cristo, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Esta concentração no evangelho permitia ao apóstolo ser muito flexível para fazer “tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns”. Por isto, Paulo

O evangelho é o instrumento “essencial” para a edificação de uma nova comunidade.

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Efésios 1.23 Efésios 2.15 Efésios 4.24 Colossenses 3.10

As convicções que levaram Paulo a formar comunidades cristãs podem inspirar-nos e motivar-nos para orientar e avaliar criticamente nossas motivações missionárias hoje.

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Efésios 2

A primeira ponte entre o apóstolo Paulo e nós é a motivação escatológica: ele, como nós, entendia que o reino de Deus foi inaugurado com a vida, morte e ressurreição de Jesus e haverá de completar-se na sua volta gloriosa! Quem lê as cartas que Paulo enviou para as igrejas percebe que ele esperava que Cristo voltasse em breve. Em Cristo, o final dos tempos é antecipado e chegou à plenitude. Este fato fazia com que o apóstolo tivesse um senso de urgência muito grande, que o levava a não desperdiçar o tempo: sem dúvida alguma, aquele era o momento de anunciar a salvação. Formar novas comunidades era uma resposta a esta urgência da missão. Ele não tinha tempo a perder. Jesus estava batendo à porta. O próprio Paulo foi alcançado graciosamente pelo evangelho e por isto ele semeia incansavelmente a boa semente e estabelece igrejas antes do retorno de Cristo.

Paulo tinha como objetivo em suas atividades missionárias difundir o evangelho e formar igrejas.

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Quando olhamos para esta intensa atividade do apóstolo Paulo, podemos ser tomados por um sentimento de que este modelo é elevado demais e que está distante de nossa realidade. Na verdade, as convicções que o levaram a formar comunidades cristãs podem inspirar-nos e motivar-nos para orientar e avaliar criticamente nossas motivações missionárias hoje. Para isso, necessitamos perceber as pontes que nos unem a Paulo e sua realidade.

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na expectativa de que as igrejas que nelas surgissem, por sua vez, evangelizassem a circunvizinhança. Isto mostra uma ênfase urbana em suas atividades. Ele ajudou a formar novas comunidades em ao menos quatro províncias do Império Romano (Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia), num período de dez anos (de 47-57 d.C).

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1 Coríntios 9.20-23


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Este é o resultado que também nós devemos almejar: igrejas firmadas em Cristo e, ao mesmo tempo, flexíveis em relação à diversidade de costumes e culturas à sua volta.

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Quando Paulo plantava uma nova igreja ele cria que a presença de Jesus se concretizava neste mundo.

veio a ser apóstolo dos gentios, pois era capaz de adaptar-se aos mais diversos contextos culturais. Ele não negociava o conteúdo básico do evangelho, de que o Filho de Deus veio ao mundo para resgatar-nos, com sua morte e ressurreição, do pecado e da morte e para vencer o poder do diabo. Alicerçada neste valor divino a comunidade cresce. Nenhum método nem filosofia alguma podem substituir este evangelho. É o evangelho que nos capacita para plantar, regar e fazer crescer a nova comunidade de Cristo. A mensagem dos cristãos no Novo Testamento é cristocêntrica. O padrão apostólico de igreja não reúne pessoas em torno de algo que não seja o próprio Cristo. Este é o resultado que também nós devemos almejar: igrejas firmadas em Cristo, que não abrem mão da boa nova de que Jesus nos veio salvar e que, ao mesmo tempo, são flexíveis em relação à diversidade de costumes e culturas à sua volta. A terceira ponte a ser destacada é uma profunda convicção ministerial: o apóstolo sabia-se chamado para edificar a igreja de Jesus Cristo. Deus prometera, no passado, que restauraria Israel e que criaria um novo povo. Este povo viveria em santidade, de maneira diferente, sob os valores de Deus. Na igreja, estas promessas se realizaram, pois nela havia um convívio comunitário de judeus e gentios, homens e mulheres, libertos e escravos. Já não havia mais barreiras na igreja de Jesus, que personifica o próprio Cristo. Na igreja que vive o evangelho desta maneira, o Cristo ressurreto está presente na história. Assim, quando Paulo plantava uma nova igreja ele cria que a presença de Jesus se concretizava neste mundo. Por isso, também nós precisamos estar tão focados em plantar, edificar, construir, regar, fazer crescer a igreja pela qual Cristo se quer fazer presente neste mundo. A quarta ponte que une o ministério de Paulo ao nosso é a dimensão da igreja local. Os novos cristãos se reuniam em comunidades locais, casas, dentro das quais continuavam a ouvir o evangelho, a crescer na fé e no conhecimento das coisas do Pai. É importante observar que estas comunidades não viviam somente do carisma, das coisas espirituais, mas procuravam criar uma pequena e flexível estrutura que as ajudasse na vida

Atos 14.21-23

Atos 15.36 Atos 16.4-5 Atos 18.23

Lucas 1.75


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Era dentro da realidade de comunidades locais, muitas das quais compostas por pequenos grupos reunidos em casas, que Paulo encontrava a liderança.

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A compreensão destas quatro convicções de Paulo tem conexão conosco e com nossa realidade. Elas podem ajudar-nos como igreja na tarefa de criar novas comunidades, em nossos distintos contextos. Por exemplo, permanece atual o desafio de a IECLB se fazer presente em todas as capitais brasileiras, nas cidades com mais de 200 mil habitantes e nas diferentes regiões do país. Mas também é necessário olhar para os bairros e vilas de nossas cidades, pequenas e médias, para ali levar o evangelho. Da mesma forma, é atual o desafio de que as paróquias com grande número de membros se estruturem de tal maneira que nenhuma pessoa-obreira tenha mais do que aproximadamente mil membros sob seus cuidados. Permanece igualmente atual o desafio de ampliarmos a nossa presença e atuação comunitárias em escolas, hospitais, empresas, associações, etc. Esses são apenas alguns exemplos de possibilidades de criação de novas comunidades, que, por fidelidade ao evangelho e por compromisso com nosso contexto, somos também chamados a assumir.

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em comunidade. Vemos isto na eleição de suas lideranças. Era dentro desta realidade de comunidades locais, muitas das quais compostas por pequenos grupos reunidos em casas, que Paulo encontrava a liderança. Neste contexto, acontecia o discipulado permanente e surgiam pessoas que assumiam o cuidado das necessidades de seus membros. Assim, estas igrejas logo começavam a andar com seus próprios pés, de modo a liberar o apóstolo para a próxima empreitada. Quando possível, Paulo retornava em suas viagens para supervisioná-las, ou então lhes escrevia cartas para ensinar e corrigilas ou lhes enviava seus colaboradores.


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13. CONCLUSÃO

Agora estamos como num trampolim, membros e lideranças da IECLB, preparando o salto de fé para o encontro com a nossa paixão, a missão de Deus.

Chegamos à conclusão, mas este capítulo não é propriamente conclusivo. É antes o piso de um trampolim no qual todos estamos como IECLB, preparando o salto que nos levará ao encontro com nossa paixão, a missão de Deus. A fé tem sido comparada a um salto para o desconhecido, para o imponderável e o imprevisível. Seguir a nossa paixão, a missão de Deus, é um ato de fé. É seguir o coração em gratidão àquele que nos amou e se entregou por nós.

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Mas uma igreja, o barco de Cristo no oceano do mundo, não é apenas a sua navegação, como a missão não é apenas o salto. Um barco é tudo aquilo que o faz ser reconhecido como um barco: sua estrutura, seu casco, seus instrumentos de navegação, seu leme, seu mastro, etc, ou seja, a sua materialidade. Assim, a igreja é sua estrutura, sua imagem, os seus fundamentos teológicos, a sua tradição, o seu modo de liderar, etc. Mas como um barco em navegação é mais que sua materialidade, é também sua tripulação e seu capitão, assim também a igreja em missão é mais que seu organograma. São seus membros e suas lideranças. Essas duas comparações, a do salto e a da navegação, nos dizem que, de um lado, é a fé que nos move para a ação e, de outro, que a ação implica saber o que fazemos, como fazemos e com que objetivo o fazemos.


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Nesse sentido, estamos diante do salto; o salto qualitativo para a realização da missão que nos foi confiada pelo próprio Deus. Isso não quer dizer

Continua valendo o princípio que valoriza a comunidade local: Nenhuma comunidade sem missão - nenhuma missão sem comunidade.

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O Plano de Ação Missionária 2000-2007 projetava que nenhuma comunidade da IECLB ficasse sem missão e que, por outro lado, nenhuma missão ficasse sem comunidade. É um princípio que permanece atual, porque a comunidade local, com seus grupos, é o lugar onde as pessoas podem viver a sua fé, experimentar a comunhão, celebrar. É a partir da comunidade local que as pessoas podem ajudar outras pessoas, testemunhar o evangelho e viver a paixão de Deus pelo mundo. É através da comunidade local que a IECLB se torna presente nos diversos contextos no país. Portanto, é na comunidade local que o planejamento missionário assume sua relevância maior e é capaz de tornar-se mais eficaz para o crescimento da igreja.

Resta a tarefa de planejar as ações e realizá-las, levando em conta o que foi escrito nesse livro e a realidade mais próxima.

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Aprender a planejar é um processo para o qual o PAMI quer dar a sua contribuição. Nesse livro, procuramos ajudar nesse sentido. Partindo de uma descrição sumária dos contextos mais amplos de nossa ação, passando pela fundamentação bíblico-teológica e seus desdobramentos em quatro grandes eixos – evangelização, comunhão, diaconia e liturgia – e finalizando com reflexões sobre temas transversais à missão – educação cristã, sustentabilidade e comunicação – procuramos dar indicativos do lugar, dos fundamentos e das implicações gerais de nossa ação missionária. Andamos um bom caminho. Mas agora resta a tarefa mais difícil: planejar as ações e realizá-las, levando em conta o que foi escrito nesse livro e a realidade mais próxima de comunidades, paróquias e sínodos.

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Numa instituição como a igreja, isso significa saber planejar. Em nossa igreja, a cultura de planejamento ainda é pouco desenvolvida. A maioria de nossas comunidades já aprendeu a fazer orçamentos anuais, o que já é um passo importante. Mas a isso seria bom que agregassem também o planejamento de suas ações, não apenas em termos de um calendário de eventos e de ofícios, mas na forma de um investimento coordenado e organizado em missão, com objetivos claros, ações definidas e estratégias traçadas.


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O contexto no qual a igreja realiza a sua missão hoje mudou, e essa mudança cobra de nós novas posturas, novos modos de presença no mundo, um jeito de fazer as coisas que articule a espontaneidade de nossas iniciativas missionárias com o planejamento estratégico.

que nossa ação missionária até aqui não foi qualificada. Quer dizer apenas que o contexto no qual a igreja realiza a sua missão hoje mudou, e essa mudança cobra de nós novas posturas, novos modos de presença no mundo, um jeito de fazer as coisas que articule a espontaneidade de nossas iniciativas missionárias com o planejamento estratégico, visando a, em última instância, cumprir o artigo terceiro da Constituição da IECLB: “Em obediência ao mandamento do Senhor, a IECLB, através de suas comunidades, tem por fim e missão: I - propagar o evangelho de Jesus Cristo; II - estimular a vivência evangélica pessoal, familiar e comunitária; III - promover a paz, a justiça e o amor na sociedade; IV - participar do testemunho do evangelho no País e no mundo.” Como podemos ver, as tarefas missionárias que a nós competem não terminam aqui. É a partir daqui que elas devem ter seguimento. Afinal, se a missão de Deus é a nossa paixão, então, que a vivamos plenamente em todas as nossas ações.


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Anexo: A Logomarca do PAMI

1. Logomarca: A logomarca é a identidade visual do Plano de Ação Missionária da IECLB e expressa o caráter singular dessa iniciativa da igreja bem como o compromisso de todas as pessoas cristãs membros da IECLB com a missão de Deus no mundo. A Logomarca do PAMI deve ser utilizada exclusivamente em todos os materiais, projetos, ações e produtos relacionados ao PAMI.

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Inspirada no símbolo da IECLB, a logomarca do PAMI mantém os principais elementos daquele símbolo e seus significados. Desse modo, a CRUZ, colocada sobre o globo, quer lembrar que Cristo é o Senhor do mundo. Ele está acima de tudo e de todos. Todos lhe devem obediência. A cruz vazia lembra que Cristo morreu por nós, mas está vivo e seus

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2. Descrição


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ensinamentos querem ser vividos no dia-a-dia. A cruz sobre o globo é a expressão visível da paixão de Deus pelo mundo. O GLOBO mostra que os ensinamentos de Cristo devem ser divulgados em todos os lugares da terra. Nós fazemos parte desse mundo e, assim, também somos responsáveis pelo que acontece. O globo sob a cruz expressa a nossa paixão no mundo e pelo mundo. As LINHAS ao redor do globo e da cruz têm diversas sentidos. Lembram as COLUNAS do Palácio da Alvorada em Brasília, mas também indicam os quatro pontos cardeais. Com isso, mostram que a mensagem de Cristo quer ser vivida no Brasil e anunciada em todos lugares desse país, de norte a sul, de leste a oeste, cobrindo todo o território. As linhas, nas cores azul, verde, amarelo e branca (ou preta) acentuam a diversidade étnica e cultural que nos caracteriza como brasileiros.

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O fato de que as linhas formem um espaço definido, quer indicar que a presença de Cristo no mundo cria comunhão. Essa comunhão tem efeitos para fora. Ao mesmo tempo, esse espaço se apresenta permeável, ou seja, permite a passagem do que está dentro para fora e do que está fora para dentro. Alude, assim, a que o tesouro do evangelho ali contido e expressado na forma da cruz sobre o globo transcende os limites de nossa igreja; não são nossa propriedade. Por outro lado, esse tesouro, tal qual o entendemos e no qual cremos, também é percebido a partir do contexto no qual vivemos, possuindo, portanto, características da nossa cultura.


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MISSÃO DE DEUS NOSSA PAIXÃO Plano de Ação Missionária da IECLB 2008-2012 Texto-base

A missão de Deus é a nossa paixão... Pensemos um pouco sobre isso. A missão é de Deus, não é nossa. É Deus quem vem ao mundo para nos salvar. É ele quem nos procura, torna-se gente como nós, vive em nosso meio, sofre a injustiça da cruz e, finalmente, vence a cruz e a morte e nos absolve de todo o pecado. A missão de Deus é amar ao mundo de tal maneira que aquele que se encontra com seu Filho, Jesus Cristo, e nele crê, é nova criatura, passou da morte para a vida e vive da esperança confiada de que o Reino de Deus já está aqui. A missão de Deus cumpriu-se em Jesus Cristo e se atualiza diariamente na comunhão dos santos, na existência no mundo da igreja de Cristo. A missão é de Deus. Mas ela é a paixão da sua igreja. Que paixão é essa que nos une à missão de Deus, que nos envolve e arrebata, e nos leva a anunciar a salvação que Deus ofertou a todas as pessoas? Paixão, amor intenso. Paixão, sofrimento por amor. Pai-Chão, o amor de Deus feito gente em cada contexto de nossa vida. É disso que trata esse texto base para o Plano de Ação Missionária da IECLB. Em palavras mais objetivas, fala dos fundamentos que nos permitem entender a nossa tarefa missionária nesse país e planejar a nossa ação como igreja que se sente incumbida de anunciar o evangelho em cada lugar, no campo, na vila, no bairro, na cidade em todos os estados do território brasileiro.


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Missão de Deus Nossa Paixão - Plano de Ação Missionária 2008/2012 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu