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Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - 21 a 28 de agosto de 2016

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SEMANA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

21 a 28 de agosto de 2016

IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL


SEMANA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

21 a 28 de agosto 2016

Apresentação Pela Graça de Deus, Livres para Cuidar da Família. Esse é o tema da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, de 21 a 28 de agosto de 2016. O tema nos chama e desafia a olhar para a família da pessoa com deficiência e perceber que ela também precisa de ações de cuidado e inclusão. Muitas vezes, pais, mas principalmente mães, estão envolvidas diária e permanentemente no cuidado de seus filhos, suas filhas. Uma rotina nada monótona, pois são consultas médicas, terapias, exercícios de estimulação precoce que precisam ser feitos em casa para o desenvolvimento de seu filho, de sua filha. Além disso, há todo o esforço para que seu filho, sua filha seja incluída no ensino regular, tenha o direito de ir e vir com segurança, seja incluída no mercado de trabalho, seja acolhida nos grupos comunitários. A partir disso, surgem as perguntas: Qual o tempo que o pai e a mãe têm para cuidarem de si? Para participarem dos grupos comunitários? Como a comunidade, corpo de Cristo, pode caminhar com a família e junto com ela pensar ações de cuidado e inclusão? Os recursos litúrgicos e o subsídio para a mensagem contribuem para esta reflexão. Sugerimos que, além do culto temático, seja realizado um encontro comunitário de famílias. Para este momento, há a proposta de uma dinâmica que pode ser realizada por todas as pessoas para promover um momento de comunhão, diversão, convívio. Lembramos que todas as famílias da comunidade são convidadas a participar. Ao final, disponibilizamos também um estudo bíblico para grupos comunitários que foi realizado no Congresso Nacional da Juventude, 2016. Que Deus abençoe e fortaleça todas as ações que já são desenvolvidas para a inclusão. Rogamos que Ele continue nos desafiando para novas ações, para que todas as pessoas se sintam acolhidas, cuidadas e incluídas na vida comunitária e também social. Desejamos um bom encontro de famílias!

P. Dr. Mauro Batista de Souza - Secretário da Ação Comunitária Diác. Ma. Carla Vilma Jandrey - Coordenadora de Diaconia e Programa Diaconia Inclusão


Culto da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência 2016 28 de Agosto de 2016 Pela graça de Deus, livres para cuidar da família. Recursos Litúrgicos

Observações quanto ao preparo desta liturgia: - Tendo em vista que será necessário um preparo prévio do culto e da liturgia, pensamos em oferecer o “esqueleto da liturgia” e deixar o resto em aberto para que cada ministro, ministra e equipe litúrgica possa elaborar suas próprias orações e costuras, bem como escolher os hinos. Lembramos que a escolha de hinos deve sempre levar em conta a tradição local e também o tema do dia. - Pense num ambiente e numa liturgia informais, não tão rígidos em termos de estrutura. É importante que haja flexibilidade para rever alguns passos durante a celebração. Lembre-se, os gestos de amor são muito mais significativos do que o muito falar. - Sugerimos, dentro do possível, adequar o ambiente litúrgico (bancos ou cadeiras) de maneira que as pessoas possam ver umas às outras durante a celebração. Uma boa forma é em “V”. Deixe espaço já preparado para as pessoas com deficiência que usam cadeira de rodas. Verifique se existem rampas e banheiros adaptados. - Imprima a liturgia toda para distribuir às pessoas que não entendem LIBRAS, não escutam ou têm baixa audição. - Inclua pessoas com deficiência nas leituras, na distribuição da Santa Ceia, nas orações, testemunhos, distribuição de hinários, bíblias, etc. Importante é que elas se sintam parte desse culto. - O local da celebração é acessível para todas as pessoas? Caso não seja, existe a possibilidade de pensar em realizar o culto em outro ambiente acessível?

LITURGIA DE ABERTURA Entrada Acolhida: Lema da semana: “Ó Senhor, eu sou teu, e por isso as tuas palavras encheram o meu coração de alegria e felicidade” (Jr 15.16). Pela graça de Deus somos livres para cuidar: cuidar do mundo, a criação de Deus, a fauna, a flora, as pessoas, nossos filhos e filhas, nossa família. Somos livres para cuidar uns dos outros, umas das outras. Este culto da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência é um convite para refletirmos sobre como estamos cuidando da nossa família, nosso pai, nossa mãe e nossos filhos e filhas. (Acolher visitantes e lembrar quantos dias faltam para a comemoração dos 500 anos da Reforma.)


Saudação Trinitária Hino Confissão de pecados Alguns motivos para lembrar durante a confissão: - Quando não capacitamos pessoas para exercitar o cuidado e a monitoria de pessoas com deficiência em nossos grupos, cultos e atividades; - Quando não adequamos nossos espaços de convívio para que todas as pessoas possam ir e vir com facilidade. - Quando, como comunidade, não vivemos o compromisso assumido no Batismo para com as pessoas com deficiência e suas famílias. - Quando, como pessoas com deficiência, não exercemos nossa missão e nos acomodamos frente aos desafios. - Quando esperamos passivamente pela ação das outras pessoas.

Anúncio da graça “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). Esta é a palavra de Deus que nos liberta de todo pecado e nos deixa livres para cuidar. Kyrie Apresentar alguns relatos e testemunhos de pessoas ou famílias que se sentiram injustiçadas por causa da indiferença e exclusão. Podem ser de pessoas da própria comunidade. Alguém que não consegue andar pelas calçadas porque elas não existem ou estão em péssimo estado. Alguém que não se sentiu incluído em alguma situação. Hino: Pelas dores deste mundo, ó Senhor!

Gloria in excelsis Lembrar que o Filho de Deus enviado a este mundo perguntou, certa vez, aos intérpretes da lei se era permitido curar no sábado. Eles ignoravam, pois sabiam que a lei dizia que não podia. Mas Jesus curava em dia de sábado, pois as pessoas eram mais importantes que a lei. Demos Glória a Deus pelo seu Filho, aquele que nos mostra que as pessoas estão acima de qualquer preconceito, religião, lei, cultura, limitação. As pessoas não estão à venda! Glória a Jesus, o filho de Deus encarnado. Canto Glória Oração do dia


LITURGIA DA PALAVRA Hino Primeira leitura Salmo 112 Aclamação do Evangelho Leitura do Evangelho Lucas 14.1-14 Pregação Confissão de fé LITURGIA DA CEIA (Se for realizada a Ceia, sugerimos seguir o costume local, lembrando-se de inserir aspectos relacionados ao tema deste culto.) Recolhimento das Ofertas (ler a motivação da oferta conforme caderno Ofertas. Proporcionar que todas as pessoas tenham acesso ao local da oferta.) [Sugestão: recolher nos bancos.] Destino: Trabalho junto a pessoas com deficiência Hino Oração Geral da Igreja Alguns motivos sugeridos: Ação de graças: - Pela família que cuida, protege, ampara e inclui a pessoa com deficiência no mundo; - Comunidades onde a inclusão já é uma realidade; - Pela graça de Deus que nos liberta para cuidar da pessoa próxima; Intercessões: - Igreja; - Ministros/as; - País e autoridades; por políticas públicas que garantam às pessoas com deficiência acesso e garantia dos seus direitos; - Pessoas que não têm seu direito de ir e vir garantidos por questões arquitetônicas ou atitudinais nas cidades, comunidades e locais públicos ou privados; (motivos locais de intercessão...) Pai-Nosso LITURGIA DE DESPEDIDA Avisos


Bênção O Senhor esteja diante de ti, para indicar-te o caminho correto. O Senhor esteja ao teu lado, para cingir-te em seus braços e proteger-te. O Senhor esteja atrás de ti, para proteger-te dos ataques traiçoeiros dos maus. O Senhor esteja debaixo de ti, para segurar-te quando caíres e para tirar-te da armadilha. O Senhor esteja dentro de ti, para consolar-te quando estiveres triste. O Senhor esteja ao redor de ti, para defender-te quando outros te assaltarem. O Senhor esteja sobre ti, para abençoar-te. Assim abençoe-te o bondoso Deus! Amém. (Bênção do Século IV)

Envio Vão! Sirvam ao Senhor cuidando da família com amor e alegria.

Hino final

Recursos litúrgicos elaborados por: P. Vilson Hining e Diác. Sônia Hining


Subsídios para pensar e desenvolver a pregação para o Culto da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência

28 de agosto

Pela graça de Deus, livres para cuidar da família. Lucas 14.1-14

Sobre o texto de Lucas existem alguns cadernos da série Proclamar Libertação que podem ajudar na exegese. Sugerimos que seja feita a leitura dos versículos 1 a 14. Jesus é convidado e entra na casa de um fariseu de muito prestígio para comer num sábado. Também estão ali outras pessoas, inclusive intérpretes da lei e fariseus. Entre os presentes há alguém que tem as pernas e braços (e/ou também barriga) inchados. Uma moléstia conhecida como hidropsia. Do grego hydrõpikos, cheio de água. Um sinal de doença do fígado, coração ou dos rins. In: O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995. Ao entrar na casa, Jesus é observado com atenção. Olhares curiosos e desconfiados ou, quem sabe, espantados. O que ele fazia ali? Certamente a presença de Jesus no meio de pessoas que sempre buscavam uma forma para condená-lo era de se estranhar. Por que ir à casa de hipócritas, comer com eles? Estaria armando alguma coisa? Ou será que estava de conluio com eles? No meio do caminho, na sua frente, estava um homem hidrópico. Jesus olhou para os escribas e fariseus e dirigiu a pergunta a eles: É ou não é lícito curar no sábado? Porém não obteve resposta deles. Então Jesus, segurando o homem pela sua mão, curou-o e o despediu/mandou embora. Fez nova pergunta a eles e também não obteve resposta. O encontro continua nos versículos que seguem, e percebe-se que a modéstia, humildade e simplicidade parecem não fazer parte dos costumes desse grupo. Cada qual procura os melhores lugares à mesa. Isso incomoda Jesus! Lembrando um antigo provérbio, ele recorda: “Quando você estiver diante das autoridades, não se faça de importante. É melhor que depois lhe deem um lugar de honra do que você ser humilhado na presença das autoridades” (Pv 25.6-7). Adverte o anfitrião que, ao convidar alguém, não convide os seus patrícios que, cedo ou tarde, poderão lhe retribuir o favor. Antes, pelo contrário, convide aqueles que, na visão de Jesus naquele contexto, não terão como retribuir o favor. Quem são? São as pessoas pobres, aleijadas, coxas e as cegas. Segundo Jesus, pessoas que nesse contexto não têm como retribuir, pois estão à margem, excluídas, distantes. “A tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.”


Jesus insiste para que as pessoas marginalizadas sejam convidadas. Ele deseja que todas façam parte do convívio, do aprendizado, da vida em comunidade. Sem as pessoas com deficiência, as crianças, as pessoas pobres, as pessoas idosas, sem as pessoas marginalizadas de modo geral, não existe verdadeira Igreja. Não existe verdadeiro testemunho e CUIDADO com a família. Pois Deus nos liberta para vivermos e cuidarmos bem uns dos outros, umas das outras. Pela graça de Deus somos livres para cuidar. Cuidar do mundo, a criação de Deus; da fauna, da flora, das pessoas, nossos filhos e filhas, nossa família. Livres para cuidarmos uns dos outros, umas das outras. Que esse culto nos ajude a refletir sobre como estamos cuidado da nossa família, nosso pai e mãe e nossos filhos e nossas filhas.

Sobre o tema proposto: Pela graça de Deus, livres para cuidar da família. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência definiu como lema a frase “Nada sobre nós sem nós”. Desejamos que este lema também seja a base para planejar o trabalho com pessoas com deficiência em nossas comunidades. Partilhamos algumas considerações: * Função evangelística do ser diferente; Tudo o que é diferente causa estranheza, desconfiança e até mesmo medo e rejeição. Por vezes, as pessoas com deficiência costumam provocar reações inusitadas nas outras pessoas. Elas normalmente causam algum tipo de impacto. Quando essa “força impactante” é canalizada para ações concretas de inclusão e amor, buscando estabelecer um diálogo construtivo, então, acredito que as pessoas com deficiência se tornam evangelistas e missionárias dentro do seu contexto. Nesse sentido, ter essas pessoas e seus familiares envolvidos no processo contínuo de ser comunidade viva e integral é fundamental. A frase: “Nada sobre nós sem nós” deixa bem claro o caráter dessa afirmação. As ações sempre devem ser pensadas junto com as pessoas e a partir delas. Nunca sem elas. Mas como fazer isso se temos que cumprir os rituais rígidos já perpetuados dentro de uma sociedade que é pensada geralmente para pessoas sem deficiência? As pessoas com deficiência atrapalham, tiram do ritmo... Por vezes não seguem o protocolo, quebram regras, dispersam a atenção das outras pessoas e, além do mais, requerem uma série de adaptações nos espaços físicos e também mudança na atitude das pessoas, etc. * Rotina da família: Sobrecarga; consultas médicas, terapias (fono, físio, hidro, TO, psico, etc.). Além de, em muitos casos, o pai e a mãe, ou um deles, ter que trabalhar fora de casa. Dependendo do tipo de deficiência e das limitações físicas, são necessários cuidados constantes, como troca de fralda, alimentação na boca, dar banho, interpretar aquilo que a pessoa tenta dizer quando ela não se comunica de forma convencional, etc.


- Consultas e atendimentos longe da sua cidade. Nessa situação, ainda depender do SUS, ter que fazer viagens cansativas. Sair de madrugada para ir a outras cidades e esperar o dia inteiro para ser atendido. Voltar somente outro dia para casa. Isso sempre junto com a pessoa com deficiência, que muitas vezes está cansada e não quer estar nesses lugares e esperar todo esse tempo. Isso faz parte da rotina. Além de ter que enfrentar o olhar das pessoas estranhas que, muitas vezes, causa desconforto e mal-estar à família toda. - Perder a privacidade da família. Contratar alguém para ajudar a cuidar da pessoa com deficiência ou dos afazeres domésticos é o mesmo que perder a privacidade. Muitas famílias não gostam de ter pessoas estranhas dentro de casa observando a sua rotina. Esse medo de se sentir vigiado e controlado por pessoas estranhas é o que faz com que muitas famílias optem por não ter empregados/as para cuidarem de seus filhos com deficiência. Além do mais, muitas famílias têm dificuldade na hora de contratar cuidador/a. Algumas pessoas até tentam, mas depois de alguns dias ou meses alegam que não poderão mais continuar trabalhando. Os motivos que alegam são muitos, todavia, sabemos que a razão é a dificuldade ou incapacidade de aprender com quem é diferente ou estar aberto ao convívio. Como família, não temos alternativa; precisamos conviver, aceitar, cuidar. Mas, muitas vezes, também não estamos bem emocionalmente. Aí entra o papel da Igreja. Ela tem a missão de auxiliar, cuidar, proporcionar formação e capacitação para que, por alguns momentos, a família possa descansar, enquanto que seu filho, sua filha, familiares com deficiência estejam inseridos em grupos na Igreja ou sociedade. Será que não temos aqui uma vinculação direta ao compromisso assumido no dia do Batismo? Quando diante de Deus e da família dizemos: Sim, com o auxílio de Deus! Qual é a graça que permeia nossa ação evangelística a partir do Batismo? Exemplos de inclusão que têm dado certo: Dependendo do tipo de deficiência, a pessoa necessita de monitoria constante. Não pode ficar sozinha nem por poucos minutos. Nesses casos, ela precisa de alguém sempre ao seu lado, incentivando, orientando e cuidando. Isso em casa, na escola, na igreja ou qualquer lugar que desejar ir. E, sim, elas têm vontade de sair, conhecer lugares novos, pessoas, etc. Quem pode acompanhá-las? Claro que a família em primeiro lugar! Mas será que sempre precisa ser a família? Poderíamos pensar em “formação/capacitação” para pessoas serem monitores/as, cuidadores/as em alguns momentos quando essas pessoas estão inseridas em algum grupo? Como reagiriam as pessoas e a família caso esse CUIDADO de monitoria fosse oferecido? A família também precisa aprender a confiar na equipe de monitores/as e cuidadores/as. Sem essa confiança o trabalho não irá prosperar. Quem tem filhos/as independentes os/as deixa na porta da escola/igreja e vai para o trabalho ou para casa tranquilo. Mas e quem tem um filho, uma filha com deficiência que necessita de auxílio físico pode fazer assim também? Os líderes do grupo cuidam daquela pessoa com deficiência sozinhos? Eles conseguem dar


alimento na boca, entendem os gestos de quem não fala ou não escreve? Quem troca a fralda ou leva ao banheiro se for preciso? Por isso é preciso conviver com essas pessoas e aprender junto com essas famílias. Nosso filho Pedro tem paralisia cerebral. Pedro tem seu cognitivo preservado. Sabe o que quer e o que não quer. Sabe se expressar e defender suas opiniões. Está na sétima série do ensino regular, faz o ensino confirmatório, participa do grupo de artes e teatro da comunidade, e ele e um amigo da mesma idade coordenam um pequeno grupo de estudos bíblicos, entre outras atividades regulares. Talvez você esteja se perguntando: Sim, mas você disse que ele tem paralisia cerebral?! Como ele consegue fazer tudo isso? Verdade, Pedro tem limitações também. Não fala, não caminha sem auxílio, precisa de prancha de comunicação alfabética, auxílio para ir ao banheiro e para fazer as refeições. Necessita de alguém que o monitore todo o tempo. Quem faz isso junto com ele quando o pai e mãe não estão presentes? Seus amigos ou os líderes dos grupos, que buscam auxiliares. Na escola, ele tem monitor (pessoa que o ajuda a realizar aquilo que o seu corpo não lhe permite fazer sozinho estimulando sua autonomia). Pedro “está sempre a mil”. Já pensou como seria triste se, na nossa comunidade e paróquia, não houvesse pessoas que cuidassem dele nesses momentos em que ele está nos grupos, longe do pai e da mãe? Como ele se sentiria se não pudesse participar? Creio que através da sua inserção e inclusão nesses espaços, por vezes sem a família, ele está tendo a oportunidade de exercitar sua plenitude como pessoa. Além do mais, creio que nesse convívio acontece a evangelização através do amor, cuidando de toda a família. E na sua comunidade e grupo existem pessoas que poderiam monitorar uma pessoa com deficiência durante um encontro ou uma atividade? Creio que a família iria se sentir muito feliz vendo seu filho, sua filha sendo amado de verdade. Creio ser esse um gesto de amor e cuidado que irá transformar sua vida e comunidade. P. Vilson Hining e Diác. Sônia Hining


Proposta de dinâmica Encontro Comunitário de Famílias

Brincando com o Paraquedas

Material: paraquedas1, lençol ou tecido redondo e bola/s (bola, bola de pilates, balão ou bola balão2). Número de pessoas: varia com o tamanho do paraquedas. Caso o grupo seja maior, fazer duas rodas, uma no meio, segurando o paraquedas, e outra ao redor com as pessoas de mãos dadas.

Descrição: Fazer um círculo ao redor do paraquedas. Cada pessoa segura o paraquedas pelas bordas. Podem ser realizadas as seguintes atividades: - Espelho: a pessoa coordenadora faz um movimento com o paraquedas, repetindo algumas vezes, e todas as outras devem imitar, preferencialmente de acordo com uma música. Sugere-se ir variando os movimentos. Outras pessoas podem coordenar. Variação: relaxamento – movimentar o paraquedas suavemente de acordo com a pulsação da música, imitando ou não a pessoa coordenadora. Utilizar músicas calmas. Exemplos de gestos: em pé – caminhar para um lado e para o outro, marchar, caminhar para frente e trás; em pé ou sentados/as: sacudir, sacudir na altura do chão, levantar com movimentos sincronizados, subir e descer, subir e deixar cair sem puxar, movimentar apenas com uma mão, passar o paraquedas para o lado, movimentar uma vez para a direita e outra para a esquerda, movimento “ola” (uma pessoa levanta o paraquedas de cada vez, sucessivamente, criando o efeito visual de uma onda). - Escravos de Jó: cantar a música “Escravos de Jó” sacudindo o paraquedas de acordo com a pulsação da música. No momento do “zig zig”, sacudir o paraquedas duas vezes, e no “zá”, jogar o paraquedas para cima sem soltar e deixálo cair sozinho. Após, seguir a canção sacudindo o paraquedas ou com outro/s gesto/s. - Pipoca: cantar a canção “Pipoca”. Na primeira parte da canção, movimentar levemente o paraquedas. No estribilho “é um tal de ploc...”, sacudir o paraquedas com mais força. Variação: colocar balões ou bolas dentro do paraquedas; primeiro

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Para confeccionar o paraquedas: possibilidade de tecido: microfibra. Na extremidade há uma corda por dentro para auxiliar a dar peso nas pontas. Tamanho: pode ser variado conforme a necessidade. Ex.: um paraquedas de 3 metros comporta até 25 pessoas. Onde se pode comprar: http://www.setesentidos.net.br/. 2 Consiste em balão inserido dentro de uma bola de tecido. A bola de tecido deve ter um furo para a inserção do balão, e, após, o balão é enchido.


movimentar levemente sem mexer muito os balões/bolas. Após, no estribilho, movimentar com força para que os balões/bolas pulem dentro do paraquedas. “Uma pipoca puxa assunto na panela, outra pipoca vem correndo responder, então começa um tremendo falatório, que ninguém mais consegue entender / Estribilho: É um tal de ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc.”3 - Música de fundo: o grupo pode ir brincando com movimentos variados de acordo com alguma música. Combinar um sinal (um gesto ou som) e explicar que a cada sinal troca-se o movimento. Variação: indicar quem irá trocar de lugar ou quem irá para baixo do paraquedas pela cor da roupa ou acessório, idade ou gênero. Levantar o paraquedas e deixá-lo cair sozinho sem soltar as bordas. Nesse momento, as pessoas indicadas trocam de lugar. - Efeito onda: fazer a bola (pode ser de pilates) ou balão girar dentro do paraquedas fazendo um efeito de onda (segurar o paraquedas na altura da cintura e fazer com que a bola corra pelo paraquedas numa trajetória circular), sem cair. Variação: acrescentar duas ou mais bolas/balões.

Obs.: A velocidade das músicas (rápida ou devagar) depende do objetivo que se quer alcançar: agitar ou relaxar. Todas as atividades podem ter as músicas cantadas pelas pessoas ou reproduzidas em aparelho de áudio. As atividades podem ser realizadas com o grupo em pé ou sentado.

Pensando na inclusão das pessoas com deficiência: Deficiência visual: pode-se caminhar ao redor do paraquedas deixando-o sempre esticado, sempre segurando as bordas, e o paraquedas torna-se um “guia” para as pessoas com deficiência visual. Explicar detalhadamente cada atividade. Usar sinais verbais para cada movimento, sendo o mais descritivo possível. Para a utilização de bolas, devem-se usar bolas ou balões com som (sagu, arroz, feijão, guizos). Na música da “Pipoca”, utilizar preferencialmente balões. Utilizar bolas/balões com cores intensas. Para movimentos mais complexos, pedir para a pessoa colocar uma das mãos em cima da mão da pessoa ao lado, para sentir o movimento. Assim pode ser feito com todas as pessoas na roda. Deficiência física: para pessoas com dificuldades para movimentar as duas mãos, prende-se a alça do paraquedas na mão da pessoa, ou as pessoas ao lado auxiliam segurando suas mãos no paraquedas. Se não for possível segurar o paraquedas, a pessoa participa da roda cantando, sentindo o vento e vendo as bolas e o movimento do paraquedas. Outros movimentos devem ser estimulados de acordo com os movimentos que a pessoa pode fazer: mexer as pernas, cabeça, tronco, boca, estalos de língua, tocar um instrumento com adaptação, etc. Deficiência auditiva: comandos devem ser dados olhando para as pessoas com deficiência auditiva para que possam ler os lábios; os comandos devem ser simples 3

A canção pode ser encontrada no YouTube como “é um tal de ploc” ou “uma pipoca puxa assunto na panela”.


e visuais caso a pessoa coordenadora não domine libras. As pessoas acompanham os movimentos também por imitação. Preferencialmente, realizar a atividade em locais fechados sem tapetes para melhor reverberação do som e utilizar, junto com as músicas, sons ou instrumentos graves para marcar a pulsação da música. Outras possibilidades: luz piscante, caminhar, marcar a pulsação da música com os pés, ou a pessoa colocar uma mão em cima da mão da pessoa ao lado a auxilia a sentir a música e, consequentemente, o movimento. Deficiência intelectual: explicar as regras antes de iniciar a atividade; iniciar com atividades mais livres e depois ir acrescentando comandos; dar comandos simples e com auxílio de gestos.

Objetivos e resultados: As dinâmicas promovem interesse e convidam todas as pessoas a participar, cada uma da sua forma e com as suas diferenças, compartilhando momentos especiais de convívio, de partilha, apoio, respeito, afetividade e cooperação em um ambiente solidário e acolhedor. Todas as pessoas contribuem para a atividade, podem se expressar e em grupo se divertir, se integrar e trabalhar em equipe para um momento de cuidado, inclusão, valorização das diferenças, aprendizado, alegria, reciprocidade que empodera as famílias, em direção à inclusão, à aceitação de todas as pessoas e à harmonia do grupo, oferecendo força, disposição, coragem, ânimo para seguir na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Todos e todas precisam se empenhar para as atividades, pois cada qual é responsável pelo movimento de um pedaço do paraquedas. O balanço livre do paraquedas também é importante em momentos de maior liberdade, de “bagunça” com o paraquedas. Todas as pessoas se sentem pertencentes ao grupo, seguras para fazer parte e conviver com o grupo. Vivencia-se assim a interdependência, as potencialidades e dificuldades de cada pessoa. É uma oportunidade para vencer desafios em união, sensibilizar-se e refletir sobre o compromisso com as outras pessoas, sobre a inclusão. As dinâmicas com o paraquedas propiciam um momento de convívio comunitário, de comunhão, integrando as pessoas, filhos e filhas sem deficiência e com deficiência com seus familiares e as famílias entre si, visando ao cuidado das famílias na promoção da inclusão de forma prazerosa.

Luciana Steffen Musicoterapeuta lucianast@gmail.com


Estudo Bíblico

A vida do meu próximo tem valor! A dignidade humana.

Oração inicial: Deus! Teu amor e Tua graça nos chamam a olhar para nosso próximo como semelhante: com potencialidades e limitações. Ajuda-nos a perdoar, para que nosso coração não se feche em individualismo. Ajuda-nos a romper a inércia do comodismo, para que tenhamos espírito corajoso de ir em busca dos que sofrem. Ajuda-nos a defender a dignidade humana e a valorizar a vida de nosso próximo, pois somos todos/as irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Amém.

Leitura do texto bíblico: Mateus 12.9-14 (Convidar duas pessoas para fazerem a leitura, uma na versão da NTLH e outra na Almeida).

Considerações exegéticas: O Evangelista Lucas faz questão de enfatizar que Jesus entrou na sinagoga no Sábado (v. 9). Na sinagoga encontrava-se um homem com uma enfermidade terrível, uma de suas mãos é ressequida (“aleijada” na NTLH). Se compararmos com os Evangelhos de Marcos e Lucas, observaremos que somente Lucas nos conta que o homem tinha “seca” sua mão direita. Aqui fala o médico Lucas, interessado nos detalhes do caso (Lc 6.6). A mão direita ressequida era símbolo de maldição e esse homem, segundo a Lei, deveria ser considerado imundo perante o povo. Os escribas e fariseus também estão na sinagoga. Vendo o contato de Jesus com o homem da mão ressequida, são tomados pela expectativa: “Será que Jesus vai curar no sábado?”. Havia prescrições exatas para a cura de doentes no sábado. A escola mais rigorosa, a do rabino Shammai, proibia até consolar doentes no sábado, além de outras 39 atividades! Nesse dia apenas se podia curar e ajudar quando a vida estivesse em perigo. Mas quando não havia risco de vida, ajudar um doente no sábado significava profanar o sábado, o que era punido com morte por apedrejamento. O homem na presente história não estava em perigo de vida! No dia seguinte ainda haveria ocasião para ajudá-lo. Porém, Jesus cura-o mesmo assim. Embora tenha confrontado o pensamento dos fariseus, Jesus não aboliu a lei do sábado. Jesus apresentou aos fariseus o verdadeiro princípio pelo qual o sábado veio a existir: “O sábado foi feito por causa do ser humano, e não o ser humano por causa do sábado” (Mc 2.27). Jesus confronta os fariseus porque se importa também com eles! Nas palavras de Cortella: “O que nos renova? É a outra pessoa. A que nos desafia a ser diferente, a que nos obriga a pensar de outro modo (...). Porque quando você tem verdadeira consideração com a outra pessoa, você a corrige, discorda dela”.


No final, o texto apresenta uma inversão curiosa: Os fariseus consideram Jesus, por ter realizado um benefício no sábado, um violador do sábado. Eles próprios, porém, não ponderam que justamente eles profanam o sábado com seus pensamentos homicidas. Pensamentos de morte e ódio são equivalentes ao próprio assassinato (segundo Mt 5.21s). Ou seja, “matar” alguém no sábado não é violação do sábado, enquanto curar uma pobre pessoa doente é.

Reflexão: Diálogo em duplas. - Tente imaginar o dia a dia de alguém com uma “mão ressequida” nos tempos de Jesus e de alguém com alguma deficiência nos dias de hoje. Compare. - O que significa o ato de curar para Jesus? - O que significa a cura para o homem da mão ressequida? - O que é Dignidade Humana a partir desse texto bíblico?

Dinâmica: A música “Milho aos pombos” foi composta por Zé Geraldo em 1981, na época da Ditadura Militar. Zé Geraldo é da linha de compositores que utiliza a música popular, simples, muitas vezes acompanhada apenas de um violão, para falar sobre o cotidiano, a vida e o amor. “Milho aos pombos” é uma crítica direta às pessoas que reclamam do que acontece, mas não fazem nada para que ocorra uma mudança. Convidamos para ouvir esta canção, refletindo sobre sua ligação com o texto bíblico. Enquanto ouvimos, podemos acompanhar a letra na projeção (Projetar a letra da música). Passados 35 anos, a letra da canção é muito pertinente na atualidade. Milho aos Pombos (Zé Geraldo) Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí Queimando pestanas organizando suas batalhas Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas mortalhas A cada conflito mais escombros /: Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos pombos :/ Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil O pão, o arroz, o feijão, o aluguel Uma nova corrida do ouro O homem comprando da sociedade o seu papel Quando mais alto o cargo maior o rombo /: Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos pombos :/ Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos pombos Eu dando milho aos pombos no frio desse chão


Eu sei tanto quanto eles se bater asas mais alto Voam como gavião Tiro ao homem tiro ao pombo Quanto mais alto voam maior o tombo Eu já nem sei o que mata mais Se o trânsito, a fome ou a guerra Se chega alguém querendo consertar Vem logo a ordem de cima Pega esse idiota e enterra Todo mundo querendo descobrir seu “ovo de Colombo”* /: Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça Dando milho aos pombos :/ *O “Ovo de Colombo” é uma famosa metáfora proverbial do folclore italiano contada em toda a Espanha para referir-se a soluções muito difíceis de se chegar, mas que quando reveladas mostramse, paradoxalmente, óbvias e simples.

Costura: Jesus valoriza a vida humana, quando questiona os costumes do seu tempo para salvar/curar uma pessoa excluída, ajudando esse homem a recuperar a sua dignidade humana. Nós, pessoas jovens não podemos só ficar “dando milho aos pombos”. Nós somos chamados/as a valorar e valorizar a vida de nosso próximo promovendo a inclusão, defendendo a dignidade de todas as pessoas.

Bênção: Que Deus mantenha tua cabeça fria, o coração quente, as mãos abertas e os pés sem pressa e sem preguiça. Que assim nos guie o Deus de Bondade. Amém.

P. Gerson Acker (Estudo Bíblico realizado no Congrenaje 2016)


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Semana Nacional da Pessoa com Deficiência - 21 a 28 de agosto de 2016 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu