

Informativo do Sínodo Espírito Santo a Belém
| Lançamento Pedra Fundamental em Santa Maria de Jetibá | p. 5




































O lema Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores, de Apocalipse 7.3, reafirma o chamado e destaca a importância de que todas as pessoas assumam o compromisso de preservar a Casa Comum. | p. 18




























































Igreja e Meio Ambiente | Experiências e impulsos a partir da COP30 | p. 12
Comunidade de Jacutinga

Cuidados ao envelhecer: redes de apoio como expressão da fé cristã conversando sobre saúde
Nosso e Credo em Pomerano
A tarefa de cuidar da boa e perfeita Criação de Deus
História
Editorial
CUIDAR DA CRIAÇÃO DE DEUS: Uma fé que se
vive no presente!
Colocamos em suas mãos mais uma edição do Jornal “O Semeador”. E esta edição chega até você marcada por um chamado que ecoa com urgência em nosso tempo: “Cuidar da Criação de Deus”, Tema do Ano de 2026 da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. Não é apenas uma proposta temática, mas um convite à mudança do olhar, da mente e das atitudes.
Vivemos dias em que a criação geme. O calor excessivo, as enchentes devastadoras, as secas prolongadas e tantas outras manifestações da crise climática nos mostram que algo precisa mudar. No entanto, antes de falarmos de florestas, rios ou mares, é preciso lembrar: nós também somos a criação. Cuidar da criação é, portanto, cuidar da vida — da nossa vida e da vida das próximas gerações.
É nesse espírito que esta edição foi preparada. Ao longo das páginas, você encontrará reflexões que nos ajudam a compreender que preservar não é uma opção ideológica, mas uma responsabilidade espiritual. Quando o lema bíblico nos adverte: “Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores” (Apocalipse 7.3), somos chamados a fazer uma pausa. Uma pausa para rever caminhos, escolhas e prioridades. E essa responsabilidade se manifesta concretamente na vida comunitária.
Quando acompanhamos o lançamento da Pedra Fundamental em Santa Maria de Jetibá, percebemos que cuidar da criação também é construir espaços onde crianças e jovens possam crescer na fé. Quando relembramos o “Dia da Comunidade” na Comunidade de Jacutinga, vemos que preservar a memória é também uma forma de cuidado — cuidado com a história, com as raízes e com o testemunho das gerações que vieram antes de nós.
Da mesma forma, ao celebrarmos o envio à Inatividade Ministerial, o reconhecimento de um Ministro na ênfase pastoral e a chegada de uma nova família ministerial, compreendemos que Deus continua cuidando de sua Igreja por meio de pessoas vocacionadas. Cada chamado, cada envio e cada reconhecimento revelam que a obra não para. A criação continua; a missão continua.
Ao recordarmos os 127 anos da OASE, percebemos como o cuidado sempre esteve presente na caminhada da Igreja. Mulheres que, em meio as dificuldades históricas e sociais, encontraram na fé força para servir. Fé que se transforma em testemunho. Testemunho que se transforma em ação. A história da OASE nos ensina que cuidar é um verbo que exige coragem.
E quando refletimos sobre o envelhecer à luz da fé cristã, entendemos que cuidar da criação também significa cuidar das pessoas em sua fragilidade; construir redes de apoio; fortalecer vínculos; praticar o mandamento do amor — tudo isso é expressão concreta do Evangelho vivido no cotidiano. Cuidar começa nas pequenas atitudes, nas escolhas diárias, nos gestos silenciosos. Começa na família, na comunidade, no cuidado com a palavra, com o próximo e com a terra que nos sustenta. É por isso que também valorizamos nossas raízes culturais, preservando o Pai Nosso e o Credo Apostólico na língua pomerana. Preservar a fé é também preservar a identidade. E enquanto os adultos refletem, as crianças aprendem. Nas páginas da “A Sementinha”, o caminho da cruz à luz da vida nos recorda que a esperança da ressurreição ilumina toda a caminhada cristã. Plantar fé nas crianças é semear o futuro. Talvez o grande desafio do nosso tempo seja este: transformar discurso em prática. Vivemos em uma sociedade acelerada, consumista e muitas vezes indiferente. Falamos de cuidado, mas nem sempre cuidamos. Falamos de amor, mas nem sempre amamos. Falamos de esperança, mas muitas vezes esquecemos de agir.
Por isso, esta edição não quer apenas informar. Quer provocar. Quer inspirar. Quer convidar cada leitor e cada leitora a refletir: como tenho vivido minha fé? O que significa, para mim, cuidar da criação de Deus?
Que esta leitura seja mais do que um momento de informação. Que seja um tempo de pausa, de revisão e de compromisso renovado. Que todas as pesssoas possam olhar para o passado com gratidão, viver o presente com responsabilidade e confiar o futuro nas mãos daquele que criou todas as coisas e viu que tudo era muito bom.
Abençoada leitura e até a próxima edição!
Pastor Ronei Odair Ponath
Endereço | Rua Engenheiro Fábio Ruschi, 161 Bento Ferreira, Vitória – ES, CEP 29050-670
Telefone | 27 99719-0690 e 27 99788-6625
E-mail | secretaria@sesb.org.br
O Semeador é uma publicação trimestral informativa destinada às Comunidades, Paróquias, Uniões Paroquiais e Instituições do Sínodo Espírito Santo a Belém (SESB), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
Correção | P. Ismar Schiefelbein, P. Rubens Sthur, Diác. Luciano Butzke, P. Alexander Roberto Busch, P. Ronei Odair Ponath, P. Stefan Krambeck, P. Adair Leomar Dockhorn, Nilza Buss.
Projeto gráfico | Willi Piske Júnior
Diagramação | Adriana Serrano
Conselho de Comunicação | P. Ismar Schiefelbein, P. Rubens Sthur, P. Joelmir Schanoski, P. Alexander Roberto Busch, P. Ronei Odair Ponath, P. Stefan Krambeck, Miss. Franciele Kampke Esteves Borchardt, Nilza Buss.
Colaboradores | P. Rubens Sthur, P. Simão Schreiber, P. Dr. Paulo Afonso Butske, Walter Luiz Oliveira Có, P. Luciano Butske, Francielle da Penha Reinel Rasch, P. Ismar Schiefelbein, P. Edilson Tetzner, Jorev Luterano, Novembro de 2025, P. 8 e 9, Pastor Lucas Gabriel Ulrich, Vanderlei Boldt, Pa. Ariádner Jastrow Berger, P Sidney Reetz.
Distribuição e Correspondências | Sínodo Espírito Santo a Belém – IECLB
Secretária/Administração | Nilza Buss
Tiragem | 6.763 exemplares
Os artigos assinados são de responsabilidade dos respectivos autores.
Orientações para enviar matérias para O Semeador
Para enviar uma matéria ao jornal O Semeador, procure seguir as seguintes orientações:
• Que a notícia mostre algo especial, incomum à vida da comunidade.
• Que as notícias dos acontecimentos possam cumprir uma função missionária, ou seja, que despertem e motivem para seguir a mesma ideia.
• Divulgar notícia de cunho histórico, como lançamento de pedra fundamental, inauguração, um encontro especial, algo que vá ficar registrado como momento único.
• Que a matéria traga, além da notícia em si, na medida do possível, uma reflexão sobre determinado tema abordado no evento;
• Que a notícia seja escrita de forma atraente, noticiando o essencial; evitar textos que tenham caráter de ata.
• Enviar fotos com boa resolução; isso dá mais qualidade à impressão. Esperamos contar com sua compreensão e colaboração para, juntos, melhorarmos cada vez mais a qualidade do nosso jornal!
Internet | luterano.org.br/meu-sinodo/espirito-santo-a-belem/ Facebook | facebook.com/sinodoluteranoesbelem Fechamento da próxima edição: 04/05/26 Mande informações, notícias e/ou fotos para o e-mail secretaria@sesb.org.br
IECLB - Tema do Ano 2026 –“Cuidar da Criação de Deus”
“Cuidar da Criação de Deus” é um compromisso ético, social, ecológico e econômico, fundamentado no mandamento divino (Gn 2.15). A urgência deste tema é justificada pelos desafios ambientais sem precedentes que a humanidade enfrenta, como o aumento da temperatura média global, eventos climáticos severos, elevação do nível do mar, perda acelerada da biodiversidade, escassez hídrica e insegurança alimentar. Esses problemas afetam desproporcionalmente os mais vulneráveis, exacerbando a pobreza, a injustiça social e o fenôme no da migração.
O objetivo central do Tema do Ano 2026 é refletir sobre o testemunho bíblico e confessional da criação divina, visando desenvolver uma posição ético-sócio-ambiental e ações ecológicas concretas nas comunidades e instituições da IECLB. Os objetivos específicos incluem, além da compreensão dos fundamentos bíblicos e teológicos do cuidado com a criação, o reconhecimento da destruição da natureza como pecado, a identificação de oportunidades de educação ecológica e a promoção da justiça socioambiental através de apoio a iniciativas e influência em polí ticas públicas.
Para que a igreja possa contribuir com a sociedade de forma decisiva, ela necessita expor com clareza a compreensão bíblica e confessional a respeito da criação divina. Criação é tudo que Deus criou no princípio de todas as coisas (criação original) e com o qual continua comprometido (criação contínua) e que renovará quando da instalação definitiva do Reino (criação nova). Enquanto criação divina, tudo o que foi criado é transparente para a realidade do Criador e nele adquire sentido e plenitude. A presença divina na criação implica sua santidade e a responsabilidade ética e moral humana de não explorá-la arbitrariamente. A sustentabilidade, como imperativo ético, busca garantir a vida e os recursos para
todas as gerações, equilibrando dimensões ecológicas, sociais, culturais e econômicas, e submetendo interesses econômicos a limites de de senvolvimento.
No Antigo Testamento, o ser humano, feito à imagem de Deus, é parceiro no cuidado da criação, que é “muito boa” e com a qual Deus firmou uma aliança. Todos os seres são solidários, recebem vida de Deus e aguardam a redenção. No Novo Testamento, a teologia da criação e da redenção estão interligadas, com a salvação de toda a criação (cosmos) através de Cristo. A encarnação de Cristo não se reduz à salvação humana, mas abrange toda a criação, que será transformada em uma nova criação. A fé cristã, portanto, implica um cuidado solidário com toda a vida criada.
O lema bíblico de 2026 - “Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores” (Ap 7.3) - provém do livro do Apocalipse, escrito para dar esperança a comunidades cristãs que sofriam perseguição no primeiro século. No meio de um contexto de destruição, este versículo é uma pausa ordenada por Deus, visando proteger tanto o povo de Deus quanto a própria natureza. Isso mostra que Deus tem o controle e se importa com a criação. Ap 7.3 não se restringe à humanidade; ele abrange toda a criação, revelando um plano divino de renovação, não de aniquilação. A esperança de um mundo restaurado nos impulsiona a agir agora. A “ pausa ” em Apocalipse 7.3 é um clamor por conversão, para ouvirmos o “grito da natureza”. Ao preservar a criação, estamos vivendo, no presente, o futuro que Deus planejou.
P. Dr. Paulo Afonso Butzke Núcleo de Produção e Assessoria da IECLB
O objetivo central do Tema do Ano 2026 é refletir sobre o testemunho bíblico e confessional da criação divina, visando desenvolver uma posição éticosócio-ambiental e ações ecológicas concretas
Reflexão
“Cuidar da Criação de Deus”
Antes que você comece a ler este texto, preciso avisar que não sou uma pessoa da igreja. Sou alguém que passou a vida em contato com a natureza e também a estudando profundamente. Dediquei minha vida a compreender a vida e suas relações, mas também a mostrar às pessoas os frutos desses anos de estudo e observação.
Dito isso, quero afirmar meu profundo respeito e admiração pela Igreja Luterana. O Pastor Nivaldo, que me convidou a escrever este texto, assim como tantos outros representantes que conheci, sempre me transmitiram uma preocupação genuína com os problemas ambientais e humanos de suas comunidades. Demonstram compreender a necessidade de ações humanas concretas para enfrentar esses desafios, sem esperar passivamente apenas pela “vontade divina”.
Conheço agricultores que, por meio da Igreja Luterana, se converteram à agricultura orgânica, pensando na saúde do solo, de suas famílias e dos consumidores de seus produtos. Respeitam, assim, um dos ensinamentos cristãos mais nobres: não desejar ao próximo aquilo que não desejariam para si. E quem desejaria para si um alimento repleto de veneno? Plantar sem veneno é sinônimo de comer sem veneno e também de amor ao próximo.
Mas é exatamente pelo ser humano que gostaria de começar a falar sobre o cuidado com a criação de Deus. Sempre que vejo igrejas se referindo ao cuidado com a “ Criação ”, percebo que falam da natureza, deixando o ser humano de fora. Temos a ideia de que Deus criou o ser humano e a natureza de forma independente, como se fossem realidades distintas.
Mas vou lhe perguntar algo: você também se considera uma criação de Deus? E seus filhos, você também os considera parte da criação divina? Mesmo sem conhecê-lo, tenho absoluta certeza de que sim. Você se reconhece — e reconhece seus filhos — como parte da criação divina. Então, a primeira coisa que gostaria que você compreendesse é esta: todos nós — seres humanos, animais de quatro patas, de penas, de escamas, seres com folhas, flores e frutos — somos frutos do mesmo Criador e da mesma criação, que acontece todos os dias.
Surge, então, uma segunda reflexão: sendo todos nós frutos da mesma criação divina, precisamos de cuidados, certo? Dentre todos os seres da natureza, o ser humano é o que mais precisa de cuidados — e por mais tempo. Quanto tempo leva para um gato, um cachorro, uma galinha ou um cavalo começar a andar e cuidar da própria vida depois de nascer? Dias? Meses? Em poucos meses, esses filhotes já andam, correm, caçam e sobrevivem. Agora, o que faz um bebê humano de seis meses? Anda? Corre? Sobreviveria sozinho? Jamais. Um bebê de seis meses mal consegue sentar-se. Levará meses para andar, mais tempo ainda para correr e muitos anos para sobreviver sem a ajuda dos pais.
Diferentemente de todos os outros animais, o ser humano precisa ser cuidado por anos para sobreviver. Qualquer criança abandonada no início da vida morreria. Se você está lendo este texto agora, é porque sobreviveu e, se sobreviveu, foi porque alguém cuidou de você diariamente, alimentou, protegeu, limpou e tratou suas doenças. E na velhice, reiniciamos o ciclo de cuidados até o último suspiro. Neste momento, é muito provável que você esteja cuidando de alguém ou sendo cuidado por alguém. Essa é a história da vida humana.
Então, o cuidado talvez seja a palavra que melhor define a humanidade.
Mas, meu caro leitor, você percebeu que em nenhum momento falei do cuidado de Deus? Apesar da presença constante de Deus em nossas vidas, é você — pessoa humana — quem precisa cuidar de seus filhos, netos, pais e avós. Sem suas mãos e seus cuidados, mesmo com o amor de Deus, eles morreriam. Talvez esta seja uma das maiores verdades sobre nossa relação com Ele: Deus atua muito mais por meio das nossas ações do que das nossas orações. Mas, e o restante da criação? Como ficam os outros seres vivos?
Meu irmão, ficam da mesma maneira. A natureza também é feita de cuidado. Cada ninho de passarinho, cada toca de tatu, cada formigueiro está repleto de pais e mães cuidando de seus filhos. Cada árvore carregada de frutos e sementes está garantindo o futuro de sua descendência.
Muitos acreditam que a natureza — essa “ criação divina” — foi feita para nós. Não foi. Um ninho de beija-flor não existe para que você o admire e muito menos para que o destrua. A maior parte da história da vida acontece longe dos olhos humanos. Animais e plantas vivem suas vidas como nós vivemos as nossas: buscam alimento, água e companhia; namoram, reproduzem-se, adoecem, sentem dor, medo e sofrimento.
Mas o mais triste é que somos nós, seres humanos, o maior motivo da dor e do sofrimento das demais formas de vida da Terra. Não amamos a criação divina como deveríamos. Não respeitamos as outras formas de vida como poderíamos. Destruímos lares, filhos, pais e mães sem reflexão, sem dó, sem piedade. Mas isso precisa mudar, urgentemente.
Nossa forma de tratar a natureza está desfazendo a teia de relações que sustenta a vida de todos. Sem essa teia, pereceremos juntos. O calor cada vez mais intenso, a falta de chuva em longos períodos e, em outros momentos, as chuvas devastadoras são sinais claros de que a natureza agoniza e já não suporta tanta violência. Colocamos fogo em uma mata sem lembrar que ali existe vida. Que pássaros serão carbonizados em seus ninhos. Que animais e plantas morrerão aos milhares, sem chance de fuga, em agonia.
Essa falta de sensibilidade já nos afeta e afetará ainda mais. Sem água, sem alimento e sob um calor insuportável, seremos nós os próximos a perecer em agonia.
Peço desculpas pelo peso dessas palavras, mas descrevo apenas a realidade. E a realidade é dura. Somos responsáveis por ela. Precisamos voltar a cuidar da vida, de toda ela. Se cuidarmos melhor da natureza, ela cuidará melhor de nós. Pertencemos à mesma teia. Somos frutos da mesma criação. Somos complementares e o destino de um selará também o destino do outro.
A criação divina não é um jardim que cuidamos apenas para embelezar nossas vidas. Um jardim você pode escolher abandonar; se as flores morrerem, paciência. A natureza é diferente. É dela que vem a água que você e seus filhos bebem. É dela que vêm a chuva, o calor, o frio, a escassez e a abundância. Cuidar da criação divina não é cuidar do jardim de Deus. É cuidar de nós mesmos. É cuidar do nosso futuro e do futuro de nossos filhos e netos.
Cuidar da criação é, na minha humilde e esperançosa opinião, o maior ato de amor a Deus e o melhor destino que você pode dar, em vida, aos seus braços e às suas mãos.
Walter Luiz Oliveira Có Biólogo, consultor na área de meio ambiente e educação ambiental
Lançamento Pedra Fundamental em Santa Maria de Jetibá
A Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Santa Maria de Jetibá lançou a Pedra Fundamental de seu novo Centro Comunitário. O Centro Comunitário é destinado para a reunião do Culto Infantil, Ensino Confirmatório e Juventude Evangélica. O prédio terá dois pavimentos. O primeiro andar é destinado para o Culto Infantil. Terá duas salas, banheiros e área de alimentação. O segundo pavimento terá salas para o Ensino Confirmatório. O andar térreo será destinado para o trabalho com os Jovens.
O Culto do Lançamento da Pedra Fundamental foi realizado no primeiro domingo do mês de fevereiro de 2026. A celebração foi conduzida pelos pastores Rubens Stuhr e Pastor Sinodal Ismar Schiefelbein. Além dos Ministros houve uma participação ativa das lideranças da Comunidade, da Paróquia e das crianças.
O Pastor Sinodal Ismar trouxe a mensagem do Culto, onde pregou sobre o Evangelho do dia, conforme Mateus 5. 1-12. Chamou atenção para a humildade espiritual que nós cristãos somos chamados a ter. Quase sempre queremos nos orientar pela vontade humana e esta vontade trás violência, discriminação e toda sorte de sofrimentos. O texto aponta para o contrário: Nossa sabedoria e orientações na vivência diária devem ser orien tadas por Deus.
Após a pregação, as crianças, que haviam se reunido para o Culto Infantil, trouxeram as mensagens que prepararam e as colocaram na urna junto com os demais objetos que o presbitério já tinha

trazido no início do Culto. Entre eles a ata do dia, um exemplar do Jornal Luteranos, O Semeador, Castelo Forte, Bíblia, Hinário, Cate cismo e outros.
Após esse momento, a caixa contendo os elementos da Pedra Fundamental foi levada pelo presidente da Comunidade Marssuel Lauvers, acompanhado dos Ministros e da Comunidade até o local da construção. As crianças, além da Comunidade, tiveram participação ativa no momento do lançamento da Pedra Fundamental; uma vez que o objetivo principal da obra é oferecer um espaço amplo para as crianças.
A Diretoria da Comunidade é composta por: Sônia Burzlaff (Presidente), Marssuel Lauvers (Vice-Presidente), Juliana Reetz (Secretária), Luciana Schroeder (Vice-Secretária), Rubens Schroeder (Tesoureiro) e Lucinéia Doring Sperandio (Vice-Tesoureira). O Ministro que acompanha o Presbitério da Comunidade é o Pastor Rubens Stuhr. A comissão da construção convidada para auxiliar a Diretoria da Paróquia é formada por: Valdemiro Kampim, Valcídio Burzlaff, Adelson Ropke e Elmiro Haese.
Que esse empreendimento comunitário seja para a honra e glória de Deus e o bem da Comunidade.
Pastor Rubens Stuhr

Após a pregação, as crianças, que haviam se reunido para o Culto Infantil, trouxeram as mensagens que prepararam e as colocaram na urna junto com os demais objetos que o presbitério já tinha trazido no início do Culto. Entre eles a ata do dia, um exemplar do Jornal Luteranos, O Semeador, Castelo Forte, Bíblia, Hinário, Catecismo e outros.
Comunidade de Jacutinga
Um
pouco da
história da primeira comunidade ao norte do Rio Doce
Na paróquia de Baixo Guandu todas as comunidades celebram todos os anos o seu Dia da Comunidade. Nesse Dia da Comunidade se reconta e se relembra a história da Comunidade. A Comunidade de Jacutinga comemorou o seu Dia da Comunidade no dia 09.11.2025. No início do culto, após a acolhida de todas as pessoas presentes, foi feito o relato histórico da comunidade que consta no livro: “Pomeranos. Os primórdios da colonização e a importância da religiosidade na formação da cultura pomerana no Espírito Santo e Minas Gerais” , páginas 353-354, escrito pelo P. Carlos Stuhr. Ele escreveu: “No Espírito Santo, Jacutinga é a primeira comunidade fundada no Norte do Rio Doce. Entre montanhas e as matas virgens, sob a atuação do Pastor Bartelmann, surgiu em 1919 a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Jacutinga. Sob atuação do Pastor Bartelmann realizou-se cultos na casa de Hermann Holz: 23 de maio de 1921; 12 de março de 1922. Para a Comunidade de Jacutinga vinham colonos residentes em Santo Antônio, Vala do Jaó (Resplendor), Mutum e Racha Pau.
A primeira capela foi construída e inaugurada no dia 06 de novembro de 1923. A capela foi construída de madeira, localizada próxima do cemitério ativo até hoje. Contudo, a capela não existe mais. Encontramos apenas pequenos vestígios e memórias da sua existência. No dia da inauguração, a recém-construída capela recebeu o nome de “Capela Sinai” . No culto, ocorreu a consagração do templo e a realização dos primeiros batismos, da Santa Ceia e de confirmações de fé.
Em 28 de agosto de 1937, a Comunidade de Jacutinga lançou a Pedra Fundamental da sua segunda igreja, oficiado pelo Pastor Friedrich Fuchshuber. A 2ª igreja foi construída no terreno da viúva Zimmermann. A viúva Zimmermann doou o terreno para a construção da capela. No culto, o Pastor Fuchshuber disse: ‘Minha casa é uma casa de oração’ . Inicialmente, a intensão do Pastor Fuchshuber era que a Comunidade de Jacutinga não construísse uma nova capela, mas propôs aos membros que participassem da Comunidade de Mutum Km 12. Contudo, as famílias perguntaram: ‘Temos a primeira capela no norte do Rio Doce e agora não teremos mais igreja? Ainda temos dinheiro e podemos construir a Casa de Deus’. O pastor percebeu o amor e a dedicação dos membros pela sua igreja e construíram a nova no local doado.
A inauguração da 2ª igreja ocorreu no dia 16 de abril de 1939, sob a liderança do Pastor Georg Burger. A 2ª igreja tinha o piso de madeira. O zelador da igreja, Sr. Martim Eggert, carregava baldes de água do córrego para lavar a igreja no alto do morro.
No dia 16 de abril de 1959, a comunidade se reuniu para celebrar a memória e a inauguração da 2ª capela – 20º aniversário de inauguração. Para o culto vieram o Pastor Distrital Hermann Rölke, o Pastor Gotthilf Aichele e o Pastor Erich Ruff.
Inauguração da 3ª Igreja: 03 de junho de 1962. Uma grande comunidade festiva se reuniu na frente da nova igreja – 3ª igreja (atual). Quando a comunidade cantou: ‘Vinde abrir-me a porta bela’, o Pastor Georg Bertlein de São Bento abriu as portas da igreja. Ele

também fez a pregação em língua portuguesa. O Pastor Eugen Baltzer de Vila Pavão fez a pregação na língua alemã. A comunidade agradeceu aos pastores das duas paróquias pela proclamação da Palavra. Para o culto, vários hinos foram cantados e tocados pelos seguintes grupos: o coral de trombones de Córrego Bley, coral da Comunidade de Córrego Bley e o coral da Comunidade de Vila Pavão. Após o culto, tradicional almoço e um leilão, em prol dos custos na construção da igreja. O construtor da 3ª igreja chamava-se Artur Ramlo.
Reinauguração da 3ª igreja: outubro de 1978, sob a liderança do Pastor Helmar Reinhard Rölke.”
No Dia da Comunidade de 2025, P. Simão fez a pregação na qual utilizou os textos de Romanos 1.16-17 e de Mateus 7.24-27, e abordou a temática dos quatro pilares da Reforma Cristã, alicerces da teologia evangélica: Somente Cristo (Solus Christus), Somente a Graça (Sola Gratia), Somente a Escritura (Sola Escriptura) e Somente a Fé (Sola Fides), e refletiu também sobre o sacerdócio geral de todas as pessoas que creem, enfatizando que a comunidade estava comemorando os seus 106 anos de existência justamente devido à vivência prática e concreta desses fundamentos.
Após o culto festivo a Comunidade se reuniu em frente à atual igreja para tirar uma foto e teve um delicioso almoço comunitário, seguido de roleta com brindes doados pelos membros e um pequeno sorteio!
“Até aqui me trouxe Deus; guiou-me com bondade. Ele amparou os passos meus, com graça e fieldade. Até aqui me protegeu, perdão e paz me concederam, conforto e alegria.” 1ª estrofe do Hino 470 do Livro de Canto da IECLB
P. Simão Schreiber
Cultos de Gratidão e Envio
“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças” (Colossenses 3.17).
O último semestre foi marcado por 5 celebrações de gratidão e envio de quatro ministros e uma ministra que encerraram suas atividades em Campos de Atividades Minist eriais no SESB.
No dia 26 de setembro de 2025, pastor Wonibaldo encerrou uma caminhada de mais de 10 anos junto a Paróqui a de Crisciúma.
Na semana seguinte, no dia 05 de outubro, foi celebrado o culto de gratidão e envio do pastor Lincoln que, depois de três anos e meio atuando em Marechal Floriano, se transferiu para a comunidade de Bel o Horizonte/MG.
Na noite do dia 19 de novembro, os membros das comunidades da paróquia de Santa Maria de Jetibá se reuniram em culto para agradecer e enviar a pastora Elisabet Lieven, que atuou junto a paróqu ia por 10 anos.
No final do ano, no dia 28 de dezembro, a comunidade de Domingos Martins rendeu graças a Deus em culto, pelos 5 anos de ministério do pastor Lucas Villan Arrue, que se transferiu para a paróquia Luz do Mundo - Pirabeiraba - Joinville/SC.
O começo do ano de 2026, foi marcado com forte emoção, com o culto de gratidão e envio do pastor Thiago Pagung Lauvers. O culto aconteceu na comunidade de São José do Mantimento/MG, sede da paróquia do Funil, onde o pastor Thiago atuou por 3 anos. No mesmo culto foi realizado momento de benção e envio do jovem Feliphe Emerick Keller da Silva que participará durante um ano do intercâmbio jovem na Alemanha. Desejamos que seja um período abençoado e de muito aprendizado.
A direção do Sínodo Espírito Santo a Belém agradece a ministra e aos ministros pela dedicação e pelo zelo com os quais se dedicaram ao ministério nas comunidades em que atuaram. Deseja que Deus abençoe os novos caminhos que irão trilhar, fazendo com que continuem sendo instrumentos de Deus o nde estiverem.
Ismar Schiefelbein
Pastor Sinodal









Notícias
Reconhecimento da Segunda Ênfase Ministerial – Pastoral
Vivi um momento de profunda gratidão e alegria com o reconhecimento da minha segunda ênfase ministerial: a Pastoral. Este marco representa não apenas uma etapa alcançada, mas a confirmação de um chamado que se expressa no cuidado, na escuta, no acompanhamento espiritual e no compromisso diário com o Evangelho, vivido junto a o povo de Deus.
A celebração ocorreu no dia 27 de novembro de 2026, na comunidade de Melgaço. O ato de reconhecimento foi conduzido pela vice pastora sinodal, Iraci Wutke, e contou com a presença significativa de muitos colegas pastores, pela comunidade local, por amigos das paróquias onde tive a alegria de atuar ao longo da caminhada ministerial. Participaram ainda autoridades do município de Domingos Martins, bem como o Deputado Estadual Adilson Espíndula e sua esposa, amigos de longas décadas que gentilmente prestigiaram este momento. Cada presença foi um sinal de comunhão, apoio e reconhecimento da importância do ministério pastoral tanto para a Igreja quanto para minha traj etória pessoal.
Recebo este reconhecimento com humildade e um senso renovado de responsabilidade, reafirmando meu compromisso de servir com amor, fidelidade e dedicação. Que este novo tempo fortaleça ainda mais minha missão pastoral, para que eu continue caminhando ao lado da comunidade, promovendo esperança, diálogo e fé, sempre para a glória de Deus e o b em do Seu povo.

Paróquia de Marechal Floriano recebe nova Família Ministerial
Pastor Adriel Raach e família
O pastor Adriel Raach é natural de Vila Valério, ES e está vindo do Sínodo Mato Grosso. Ele retorna ao seu Estado de origem acompanhado de sua esposa, Ilaide Heep Raach, de sua filha Isadora H. Raach e com a alegria da chegada de mais uma filha. Ordenado há 12 anos, realizou seu Período Prático na Paróquia de Sinop (MT), sendo posteriormente enviado à Paróquia Transamazônica (PA), onde permaneceu por cinco anos. Ele teve como último campo de atuação a Comunidade da IECLB em Cuiabá (MT) e agora assume o trabalho pastoral na Paróquia de Marechal Floriano, na União Paroquial Jucu, em nosso Sínodo Espírito Santo a Belém. Sua família expressa gratidão pela acolhida em terras capixabas e roga a Deus por sabedoria e discernimento para a caminhada conjunta junto às comunidades que os acolhem.
Francielle da Penha Reinel Rasch

Pastor Luciano Butske
Culto de Instalação
Celebração com Instalação pastoral marca novo tempo na Paróquia de Marechal Floriano
No dia 08 de fevereiro de 2026, a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Marechal Floriano viveu um momento histórico com a instalação do pastor Adriel Raach para o exercício do ministério pastoral na paróquia. A celebração ocorreu na Comunidade de Marechal Floriano e reuniu expressiva participação da comunidade, além de lideranças, ministros e ministra da IECLB.
O culto de instalação foi conduzido pelo Pastor Sinodal Ismar Schiefelbein, contando com a presença de ministros e ministra da UP Jucu, bem como de assistentes e ministros amigos provenientes de outras localidades, que se deslocaram para prestigiar este significativo momento da vida paroquial e no ministério do pastor Adriel.
A comunidade compareceu de forma numerosa, demonstrando alegria, acolhida e esperança diante da nova etapa que se inicia. O clima da celebração foi marcado por gratidão a Deus, espírito de comunhão e confiança na caminhada pastoral. As palavras, os cânticos e as orações ressaltaram que este é um tempo de renovação, de fortalecimento da unidade e de seguirmos firmes como igreja de Jesus Cristo, sustentados pela graça de Deus.
Durante o culto, foi destacada a corresponsabilidade entre ministério pastoral, presbitério e comunidade, bem como a confiança na ação do Espírito Santo, que anima, conduz e faz florescer a fé em ação, produzindo frutos para o bem da igreja e do testemunho cristão no contexto local.
O pastor Adriel Raach possui uma trajetória marcada pelo serviço à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em diferentes regiões do país. Estudou na ADL entre 2002 e 2004 e realizou sua formação teológica na Faculdades EST, no período de 2005 a 2010. O Período Prático de Habilitação ao Ministério foi realizado na Paróquia de Sinop, MT (2012–2013). Posteriormente, foi enviado à Paróquia Transamazônica, no Pará, onde atuou entre 2014 e 2018 e, de 2019 a 2025, exerceu o ministério na Comunidade da IECLB em Cuiabá, MT.
O pastor chega a Marechal Floriano acompanhado de sua esposa, Ilaide Heep Raach, e de sua filha Isadora, de 8 anos, trazendo ânimo, disposição para servir e profunda gratidão pela acolhida recebida. A família também vive a alegria da expectativa pelo nascimento da segunda filha, Ester, previsto para os próximos meses.
O culto de instalação do pastor Adriel Raach representa um marco importante na história da Paróquia de Marechal Floriano e sinaliza um tempo de esperança e fortalecimento da vida comunitária. Sob a graça de Deus, a comunidade segue sustentada, confiante de que o Espírito Santo continuará conduzindo a caminhada, fazendo florescer a fé, o serviço e o testemunho cristão.
Que Deus siga abençoando todas as pessoas que formam a Igreja Evangélica de Confissão Luterana em Marechal Floriano e conceda ao pastor Adriel um tempo fecundo de atuação e presença pastoral no Sínodo Espírito Santo a Belém.



Francielle da Penha Reinel Rasch
Notícias
Culto de Gratidão e Envio a Inatividade Ministerial
Diácona Gisela Maria Reinke recebe envio para quadro de ministros eméritos
No domingo, dia 01 de fevereiro de 2026, a Diácona Gisela Maria Reinke recebeu o seu certificado de gratidão da IECLB pelo trabalho comunitário realizado por ela.
Gisela nasceu no dia 12 de agosto de 1955. Filha de Werner Reinke e de Martha Brandt Reinke. Gisela iniciou seus estudos em Santa Maria de Jetibá. No ano de 1972 foi estudar na ADL. No dia 31 de outubro de 1976 foi ordenada para o ministério diaconal. Inicialmente trabalhou na Paróquia de Laranja da Terra. Em 1977 trabalhou como secretária da ADL. Depois de um tempo na ADL foi trabalhar na Paróquia de Palmeira de Santa Joana. Em 1979 veio para Santa Maria de Jetibá onde trabalhou como professora em colégio público. No ano de 2003, Gisela pode aposentar-se como professora do Colégio Graça Aranha. Na comunidade, além de coordenar um grupo de danças folclóricas, exercia a função de orientadora do Ensino Confirmatório, Culto Infantil e grupo de visitação.
No domingo, dia 01 de fevereiro, durante culto da Comunidade em Santa Maria de Jetibá, Gisela recebeu das mãos do Pastor Sinodal Ismar Schiefelbein o certificado de gratidão da IECLB. Além da entrega do certificado, Gisela recebeu a bênção do envio para a inatividade. O momento da bênção contou com a participação do seu irmão Pastor Ildomar Reinke que atua como pastor na Paróquia de Nova Gonçalves, em Canguçu, no Rio Grande do Sul.
P. Rubens Stuhr

Paróquia de Funil se despede do Pastor Thiago Pagung Lauvers

No dia 10 de fevereiro, a Paróquia de Funil, localizada em São José do Mantimento – MG, despediu-se do Pastor Thiago Pagung Lauvers e de sua esposa, Sara Lauvers. Foi uma significativa noite de envio, marcada por gratidão, emoção e reconhecimento. O Pastor Thiago recebeu diversas homenagens de lideranças e membros da Paróquia, que expressaram carinho e apreço pelos três anos de dedicado ministério pastoral exercido naquela paróquia. Após esse período de trabalho em solo mineiro, o Pastor Thiago retornará ao Rio Grande do Sul, junto à família de sua esposa, iniciando uma nova etapa de sua vida.
Durante sua permanência em São José do Mantimento, a família foi abençoada com o nascimento de sua filha Esther, e seus filhos José e Samuel. Atualmente, Sara está grávida da quarta criança, e a família aguarda com alegria e expectativa a chegada do novo bebê, sem ainda saber se será menino ou menina.
O culto de gratidão e envio contou com a presença do Pastor Sinodal e dos pastores da União Paroquial Guandu, que se uniram à comunidade nesse momento de despedida. A União Paroquial Guandu expressa sincero agradecimento ao Pastor Thiago pela amizade, parceria e companheirismo vividos ao longo desses três anos de ministério em Minas Gerais. Rogamos que o Senhor da Igreja o acompanhe em sua caminhada no Rio Grande do Sul, concedendo-lhe sabedoria e muitas bênçãos.
Que o Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti (Números 6.24-26).
Pastor Edilson Tetzner
Coordenador da União Paroquial Guandu
Na foto da esquerda para a direita: Pastor Ildomar Reinke. Simone Burzlaf presidente da Paróquia. Diácona Em. Gisela Maria Reinke. Marssuel Lauvers vice-presidente da Comunidade. Pastor Sinodal Ismar Schiefelbein e Pastor Rubens Stuhr

Cuidados ao envelhecer: redes de apoio como expressão da fé cristã

A vida é feita de encontros e despedidas, de alegrias que nos fortalecem e de dores que nos desafiam profundamente. Em todas as fases da existência somos surpreendidos e surpreendidas por mudanças, perdas, enfermidades e crises inesperadas. Contudo, ao envelhecer, essas experiências tornam-se mais próximas e, muitas vezes, mais intensas. Pensar o envelhecimento à luz da fé cristã é reconhecer a fragilidade humana, mas também afirmar a dignidade da vida e a importância do cuidado mútuo vivido em comunidade.
A tradição cristã, e de modo especial a tradição luterana, sempre enfatizou que a vida é dom de Deus e que somos chamados a viver em comunhão. Não fomos criados e criadas para caminhar sozinhos ou sozinhas. O apóstolo Paulo recorda à comunidade da Galácia: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6.2). Essa palavra aponta para uma fé que se traduz em responsabilidade mútua, solidariedade concreta e cuidado diário. Portanto, uma rede de apoio não se improvisa quando a dor chega; ela é construída ao longo da vida, em relações marcadas por confiança, reciprocidade e amor.
Rede de apoio é aquilo que sustenta quando as forças parecem faltar. É a presença que permanece quando a autonomia diminui. É o cuidado que se expressa tanto em palavras quanto em gestos simples do cotidiano. Quando a vida surpreende com o inesperado, é essa rede que transforma a solidão em esperança e a dor em caminho possível de ser percorrido.
Uma rede de apoio é formada por pessoas e/ou instituições que oferecem suporte emocional, ajuda prática, fomento espiritual e, quando necessário, ajuda profissional. A rede de apoio pode ser a própria família, amigos, vizinhos, profissionais da saúde, grupos de convivência, serviços sociais e, de maneira muito especial, a comunidade de fé. É o abraço que acolhe, a escuta atenta que conforta, a oração compartilhada e a mão estendida nos dias difíceis. Fortalecer esses laços é investir no bem-estar integral e na capacidade de enfrentar os desafios da vida com dignidade.
A relevância de uma rede de apoio caracteriza-se por duas necessidades básicas do ser humano. Suporte emocional: cria um espaço seguro para expressar sentimentos, medos e angústias. A presença de pessoas confiáveis reduz o isolamento e fortalece o senso de pertencimento, tão essencial especialmente na idade avançada. O cuidado comunitário: contribui para o bem-estar psicológico, favorecendo a autoestima, a resiliência e a capacidade de enfrentar situações de estresse. Além disso, atua de forma preventiva, amenizando os impactos da depressão, da ansiedade e de outras fragilidades emocionais. Muitas vezes, esse cuidado também se concretiza em auxílio prático: ajuda em tarefas do dia a dia, acompanhamento em consultas médicas, organização da rotina e apoio em momentos de maior necessidade.
Pensar o envelhecer, portanto, não é apenas refletir sobre o passar do tempo, mas sobre qualidade de vida. Vida longa nem sempre significa vida vivida com segurança, saúde, tranquilidade e sentido. O adoecimento, por exemplo, pode tornar essa fase muito mais complexa, não apenas pelo medo da dor ou da proximidade da morte, mas, sobretudo, pela ameaça à autonomia e à independência. A perda da capacidade de decidir, agir e participar ativamente da vida comunitária pesa profundamente sobre muitas pessoas idosas.
Diante disso, algumas perguntas se tornam inevitáveis e necessárias: quem fará parte da minha rede de apoio e cuidado quando eu precisar?
Quem caminhará comigo nos momentos de limitação física ou emocional? Quando não puder mais participar dos cultos e das atividades da vida comunitária, como se dará o suporte espiritual? A comunidade de fé está preparada para cuidar de mim quando as limitações da idade me alcançarem? O ministro ou a ministra da paróquia conta com pessoas que auxiliam no cuidado pastoral, especialmente por meio da visitação? Essas questões nos conduzem ao papel fundamental da igreja como espaço do cuidado. Em uma sociedade marcada por rápidas transformações, individualismo crescente e enfraquecimento de vínculos, a igreja é chamada a ser sinal do amor de Deus em meio a esta realidade de mundo. O pastor e teólogo Rodolfo Gaede Neto afirma que, diante de tantas mudanças culturais e sociais, muitos valores tradicionais se perderam, gerando uma necessidade emergente: a igreja precisa se tornar um lugar de acolhimento, orientação e cuidado, respondendo às demandas das pessoas que buscam sentido, apoio e esperança em meio ao sofrimento. Nesse contexto, o Ministério de Visitação assume grande relevância. Trata-se de um serviço exercido em nome da comunidade de fé, em parceria com o ministro ou a ministra, voltado ao cuidado pastoral de pessoas em situações de enfermidade, luto, solidão ou crise. O Ministério de Visitação baseia-se no acolhimento humanizado, no aconselhamento cristão e no consolo oferecido pela Palavra de Deus. Seu objetivo não é apenas aliviar o sofrimento imediato, mas afirmar a vida, fortalecer a fé e sustentar a esperança. As pessoas vocacionadas para esse ministério tornam-se verdadeiros agentes diaconais da comunidade. Elas levam consigo a presença da igreja até os lares, hospitais e instituições, testemunhando que ninguém é esquecido, esquecida ou abandonado, abandonada. Em muitos casos, a visita, a oração e a escuta atenta tornam-se sinais concretos do cuidado de Deus em momentos de profunda vulnerabilidade.
Não é por acaso que muitas pessoas, diante da enfermidade ou da fragilidade, voltam-se de maneira mais intensa para Deus. Situações de internação hospitalar ou de permanência em leito domiciliar costumam gerar crises existenciais profundas, mas também se tornam oportunidades singulares para o encorajamento e o conforto espiritual. Estatísticas indicam que a grande maioria das pessoas enfermas passa a refletir mais intensamente sobre a fé e o sentido da vida nesses momentos.
Como afirma o pastor e teólogo Lothar Carlos Hoch: “Muitas vezes, o verdadeiro milagre não consiste tanto no fato de acontecer uma cura sensacional, mas no fato da pessoa aflita receber força para carregar a sua cruz com dignidade e esperança”. Essa compreensão nos ajuda a olhar para o cuidado não apenas como busca por soluções imediatas, mas como acompanhamento fiel e amoroso ao longo do caminho.
Diante disso, somos convidados e convidadas a refletir: o que posso fazer hoje para que, amanhã, eu também tenha apoio quando precisar? Cuidar de relacionamentos, valorizar a comunidade, investir na espiritualidade, buscar equilíbrio entre corpo, mente e emoções, e aprender a pedir ajuda são atitudes fundamentais. Reconhecer a própria vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas expressão de humanidade e fé.
O mandamento de Jesus — “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15.12) — vai além de uma ordem divina; é um estilo de vida marcado pelo cuidado recíproco. Quando vivemos esse amor na prática, testemunhamos o Evangelho de forma concreta. Como comunidades que professam a fé cristã, possamos ser e fortalecer redes de apoio e cuidado, para que todas as pessoas, especialmente as que envelhecem em meio a fragilidades, saibam que não caminham sozinhas. Pois, como nos lembra o próprio Cristo: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).
Diác. Vanderlei Boldt Capelão da Pastoral da Consolação do SESB/AAML
Igreja e Meio Ambiente
Experiências e impulsos a partir da COP30
Ministros e jovens da IECLB participam da COP30, em Belém – PA
Participar da COP30, realizada em Belém do Pará, foi uma experiência profunda de aprendizado, escuta, testemunho e pensar teológico. Para além de ser um evento diplomático e/ou ambiental, a COP30 foi também um espaço de encontro entre povos, culturas, ciências, espiritualidades e compromissos éticos diante da emergência climática global. Estar nesse contexto significou ouvir o clamor da criação, perceber as suas dores e reconhecer a urgência de uma resposta cristã profética. Desse modo, refletir sobre e na COP30, a partir de um viés bíblico e teológico implica em reconhecer que o cuidado com a criação é parte integrante da vocação cristã, ou seja, a partir do mandato recebido por Deus desde o princípio (cf. Gênesis 1 e 2).
Desde o momento da chegada em Belém, é importante entender o que significa COP30 acontecer no bioma Amazônico. A floresta, os povos tradicionais, as comunidades ribeirinhas e os diferentes biomas brasileiros ecoam vozes no debate mundial sobre o futuro climático do planeta. A programação da qual participamos envolveu espaços como a Zona Azul, onde ocorreram negociações oficiais entre Estados; a Zona Verde, dedicada à sociedade civil; e eventos paralelos, como a Cúpula dos Povos e encontros inter-religiosos. Nesses ambientes, foram debatidos temas como: adapta -
ção climática, mitigação, financiamento ambiental, justiça climática, perdas e danos e transição justa (cf. Carta mensagem da COP da Juventude Evangélica da IECLB).
Como pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), entendo que precisamos destacar o aspecto marcante da presença da nossa Igreja por meio da Juventude Evangélica, também de ministras, ministros e lideranças locais que participaram de diálogos sobre justiça climática e socioambiental. Essa representação mostra novamente e reforça a trajetória histórica da IECLB no engajamento com campanhas ambientais e na defesa da Criação de Deus. Esse cuidado com a criação se expressa em campanhas como Juventudes e Justiça Ambiental e o tema do ano da Igreja para 2026, “Cuidar da criação de Deus”, que tem como lema “Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores” (Apocalipse 7.3).
A participação da delegação da IECLB na COP30 não se limitou à observação, mas houve envolvimento em momentos de oração, articulações ecumênicas e inter-religiosas e outros momentos importantes para com a temática do evento. Vale aqui ressaltar que a crise climática também é uma crise espiritual e de valores, exi -

Igreja e Meio

gindo um reposicionamento ético e pastoral por parte das igrejas. Essa percepção dialoga com a compreensão bíblica de que o pecado não afeta apenas as relações humanas, mas também toda a criação (cf. Gênesis 3).
Em Romanos 8, o apóstolo Paulo afirma que toda a criação geme e aguarda a redenção, sendo libertada da corrupção que a aprisiona (Romanos 8.18-22). Essa passagem fundamenta uma teologia que reconhece que o plano redentor de Deus não se restringe apenas aos seres humanos, mas envolve a restauração de toda a criação. Ou seja, dessa forma, cuidar do meio ambiente não é apenas uma atitude responsável, mas uma expressão concreta da fé cristã e da esperança escatológica que temos. Trata-se de viver hoje sinais do Reino de Deus, que ainda virá em plenitude.
Dessa forma, os relatos da criação, em Gênesis 1 e 2, oferecem bases essenciais para uma ética ambiental cristã. O ser humano que é criado à imagem (tselem) e semelhança (demut) de Deus, tem ali dignidade, responsabilidade e vocação de cuidado com a criação (cf. Gênesis 1.26-27). Essa condição implica na atuação do ser humano como representante de Deus na terra, exercendo domínio não como exploração, mas como serviço, proteção e preservação. Como Gerhard von Rad defende, o domínio confiado ao ser humano é consequência de sua criação à imagem de Deus, e não uma autorização para predar ou destruir. 1
1 RAD, Gerhard von. Das erste Buch Mose. 8. Aufl. Genesis Kapitel 1-12.9. v. 3 Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht (Das Alte Testament Deutsch; 2, 3 e 4.), 1949, p. 48
Lembramos aqui que os verbos associados ao mandato humano, dominar, guardar e cultivar/trabalhar, revelam que a relação correta com a criação envolve cuidado, responsabilidade e obediência a Deus (cf. Gênesis 1.26; 2.15). Teologicamente, vemos que o verbo guardar significa: preservar, proteger, vigiar e conservar. Já o verbo que remete ao cultivo da terra, fala do trabalho como serviço, inclusive como forma de adoração e obediência a Deus. Assim, cultivar a terra e cuidar dela constituem práticas espirituais e éticas que se complementam. Dessa forma, esses textos reforçam que o trabalho humano, inclusive na agricultura e na produção de alimentos, não é resultado do pecado, mas parte do projeto original de Deus. A queda coloca o sofrimento e a fadiga, mas não elimina a dignidade do trabalho nem o chamado para cuidar da terra (cf. Gênesis 2-3). E aqui, entendemos que também a agricultura moderna enfrenta dilemas entre produtividade, sustentabilidade, saúde humana e preservação ambiental.
Na COP30 dialogamos, e vimos os muitos problemas ambientais, como erosão, desmatamento, poluição, perda de biodiversidade e mudanças climáticas, e isso tudo, está ligado a modelos de produção que desconsideram os limites da criação e a responsabilidade ética dos seres humanos. Desse modo, entendemos que os dilemas da agricultura moderna, podem gerar riscos ambientais, sociais e alimentares. Deve-se assim, reforçar que a fé cristã preci -
Desde o momento da chegada em Belém, é importante entender o que significa COP30 acontecer no bioma Amazônico. A floresta, os povos tradicionais, as comunidades ribeirinhas e os diferentes biomas brasileiros ecoam vozes no debate mundial sobre o futuro climático do planeta.
Igreja e Meio Ambiente
sa orientar decisões concretas, equilibrando necessidades econômicas, justiça social e cuidado com a criação.
Apesar das limitações políticas e das tensões diplomáticas que correram por meio de burburinhos nas áreas da COP30, este evento despertou esperanças significativas. A experiência fortaleceu o sentimento de comunhão global e a convicção de que a luta por justiça climática exige ações locais, nacionais e internacionais. Começando desde já em nossas comunidades locais e na vida de cada pessoa membro que entende seu papel de responsabilidade e de cuidado com a criação, diante de Deus e diante de todas as pessoas.

Entre as esperanças pós COP, buscamos o fortalecimento da participação de ministras e ministros da IECLB em espaços públicos de debate ambiental, ampliando a presença da igreja em espaços políticos, acadêmicos e comunitários. Essa atuação contribui para a formação de consciência crítica, para a incidência pública e para a promoção de práticas sustentáveis. Além disso, a COP30 inspira comunidades locais a desenvolverem projetos socioambientais, iniciativas de educação ecológica, campanhas de reflorestamento e ações de justiça climática, conectando fé e prática cotidiana. A esperança cristã, que não é passiva, mas ativa, crítica e também perseverante, se trata de uma esperança que se expressa no verbo “ esperançar ”, ou seja, cultivar confiança em Deus enquanto se trabalha concretamente pela transformação da realidade.
Nesse sentido, precisamos entender e enfatizar o papel central da pregação e do ensino cristão na formação de uma mentalidade ecoteologicamente responsável. A doutrina da criação deve ocupar espaço nos púlpitos, nos estudos bíblicos e nas formações teológicas, ajudando comunidades, paróquias e instituições, a com-
Pomerano
OOS FĂTER
Oos fåter im himel, hiligt wäs dij nåme, dij rijk kåm, dij wile wäs im himel soo as upe ër måkt, oos dåglig brood geew oos hüüt, forgeew oos schulden soo as wij oos schüüldigers forgeewe, låt oos ni in forsuikung fale, åwer rer oos fon dem böös, weegen dij is dat rijk, dai macht un dai herligkët in ëwigkët. Amen
preenderem o mundo como boa criação de Deus.
A igreja é chamada a recordar constantemente que as pessoas são guardiãs da criação e que não há separação entre fé e vida prática, ou seja, o mundo é criação de Deus, e por isso deve ser cuidado e respeitado (cf. Romanos 1.20). Dessa forma, lembramos que Deus cria por livre bondade e sustenta todas as coisas, chamando pessoas a assumirem responsabilidade no mundo. Assim, as comunidades cristãs são chamadas a atuar em diferentes espaços: agricultura, política, educação, economia e nestes lugares, promover justiça, paz e cuidado ambiental como expressão concreta do Evangelho.
Além do engajamento prático e público, a experiência da COP30 recorda a importância da oração como parte essencial da resposta cristã à crise ambiental. Orar pela criação, pelas lideranças políticas, pelas comunidades afetadas por desastres climáticos e pelas futuras gerações é reconhecer nossa dependência de Deus e confiar em sua ação. Dessa forma, a espiritualidade ecológica convida pessoas cristãs a desenvolverem uma relação mais profunda com a criação, reconhecendo nela um sinal da glória de Deus e um espaço de comunhão com o Criador (cf. Salmo 8; Romanos 8). Orar pela Casa Comum significa também confessar pecados coletivos, pedir sabedoria para decisões éticas e renovar o nosso compromisso com uma vida simples, responsável e solidária.
Por fim, a COP30 revelou que a questão ambiental é também uma questão teológica, ética e pastoral. Ao falarmos disso, não falamos apenas do ministério com ordenação, mas também de sacerdócio geral de todas as pessoas que creem em Jesus Cristo. A nossa vivência da fé envolve o cuidado com a criação de Deus, pois não é possível amar o Criador sem amar aquilo que Ele criou. Criadas à imagem e semelhança de Deus, as pessoas recebem não apenas dignidade, mas responsabilidade. Dominar a terra significa servi-la, protegê-la e cultivá-la com sabedoria, justiça e amor.
Pastor Lucas Gabriel Ulrich
Porto Velho/RO – Sínodo da Amazônia
APOSTOLISCHE GLOOWEBEKENTNISS
Ik glööw an God, dem fåter, dai almäächtig, schafer fom himel un fone ër.
Un an Jësus Kristus, sij airgebooren jong, oos Her, upnåme doir dem Hilige Gaist, gebooren fon dai jungfruug Mari, leere uuner Pontius Pilatus, krüütsigt, stårwe un forgråwe, ruunersteege in dat rijk fon dai doore, am drüre dag upståe fon dai doore; hoogsteege ine himel; sitend an God sijn rechten, fom almäächtige fåter, fon dår hai kåme wart, taum richten dai leewige un dai doore.
Ik glööw an dem Hilige Gaist, dai hilig kristlig kirch, gemainschaft fon dai hilige,forgeewung fon dai süün, upståen fon dai doore un dat ëwige leewent. Amen.
Presença Luterana
Surgimento da OASE Comunhão, Testemunho e Serviço
Neste ano, a OASE celebra 127 anos de atuação em território brasileiro. É motivo de grande alegria e profunda gratidão a Deus pelo belíssimo trabalho realizado ao longo dessa caminhada. Nesta edição do jornal O Semeador, recordaremos parte da história da OASE, desde sua formação na Alemanha até sua consolidação no Brasil.
Contexto histórico: a Revolução Industrial e seus impactos
A invenção da máquina a vapor, conhecida como Revolução Industrial, trouxe profundas transformações na vida dos artesãos, tecelões, latoeiros, alfaiates, ferreiros, condutores de carroças e diligências, trabalhadores da agricultura, entre outros. O trabalho exercido por essas pessoas começou a ser substituído pela produção em massa realizada pelas máquinas.
Surge o capitalismo, no qual o mais importante passa a ser o capital e o lucro, e não as pessoas. Como consequência, milhares de trabalhadores ficaram desempregados. Os salários eram irrisórios e as condições de trabalho, deploráveis. Para sobreviver, muitas famílias passaram a empregar crianças em longas jornadas de trabalho. Formou-se, assim, uma grande massa de desempregados e sem-teto. A pergunta que se impunha era: o que fazer com essa multidão de pessoas desempregadas e sem teto?
A imigração europeia
Diante dessa realidade, houve um acordo entre governantes da Alemanha, Suíça, Itália e Áustria para enviar “essa sobra de gente” para outros países, como Brasil, Estados Unidos, Austrália, Peru e Bolívia. Iniciava-se um movimento migratório que começou há mais de 200 anos, do qual muitos de nós fazemos parte.
Mesmo com a imigração, o capitalismo, as guerras, as epidemias de cólera e os problemas na agricultura continuaram a produzir milhares de famintos e desempregados na Europa.
Amalie Sieveking e o início do trabalho social feminino
Amalie Sieveking (1794–1859) foi uma filantropa e ativista social alemã, considerada pioneira do trabalho social moderno na Alemanha. Após uma epidemia de cólera em Hamburgo, fundou a Weiblicher Verein für Armen-und Krankenpflege (Associação de Mulheres para o Cuidado dos Pobres e Enfermos), promovendo o cuidado aos doentes, a educação e a criação de moradias populares. Amalie propôs um papel mais ativo para as mulheres na sociedade, através da caridade.
Ao observar o trabalho das freiras católicas, Amalie questionou:
“Por que, na Igreja Evangélica, não existem ordens em que mulheres possam colocar-se a serviço dos seus próximos?”
Em 1832, fundou uma associação com 12 ajudantes para cuidar de pobres e doentes. Mais tarde, a Imperatriz da Alemanha, Augusta Vitória, convocou mulheres e moças evangélicas para auxiliar no cuidado de mais de 200 mil pessoas desamparadas, dando origem à Frauenhilfe – “Associação de Auxílio das Mulheres”.
Da Alemanha para o Brasil
Os representantes da OASE da Alemanha, Zöllner e Cremer, visitaram Comunidades brasileiras com o objetivo de despertar as mulheres para a organização dos grupos da Frauenhilfe. Surgiram grupos em São Leopoldo, Montenegro, Panambi, São Sebastião do Caí, Estrela e Santa Cruz.
Em outubro de 1908, foi criada, em Berlim, a “Frauenhilfe fürs Ausland” (Associação Feminina para o Exterior). A Frauenhilfe da Alemanha havia sido muito bem-sucedida. Surgia então a pergunta: por que
não levar essa iniciativa para outros países?
Com o surgimento de diversos grupos da OASE, muitas pessoas passaram a contratar diaconisas e parteiras, que também estavam empenhadas na fundação de hospitais e maternidades. O objetivo era reduzir o alto índice de mortalidade de mulheres parturientes e de crianças recém-nascidas.
A construção e a melhoria dos espaços comunitários também estiveram presentes entre os objetivos dos grupos. Por meio da produção e comercialização de trabalhos manuais como bordado, costura, crochê, tricô, tecelagem e pintura, as mulheres da OASE encontraram uma forma de gerar recursos para seus projetos, preservando uma rica bagagem cultural trazida pelas imigrantes alemãs evangélicas.
A OASE tornou-se, assim, o primeiro espaço reconhecido de atuação das mulheres no seio das Comunidades Evangélicas no Brasil. Sophie Pauline Zink, nascida em Rio Claro/SP, foi a primeira diaconisa brasileira. Formada em enfermagem, ingressou na Casa Matriz da Ordem Auxiliadora de Senhoras para o Exterior, em Wittenberg, no ano de 1909.
Foi também a primeira diretora do Hospital Alemão e Casa de Diaconisas da Ordem Auxiliadora de Senhoras, em Porto Alegre/RS, inaugurado em 1927. Em 1942, após a guerra, o hospital passou a se chamar Hospital Moinhos de Vento.
As diaconisas realizavam um trabalho especializado no cuidado aos enfermos, partos, curativos, atendimento a crianças e manutenção de escolas. Em 1913, chegaram as primeiras diaconisas da Alemanha ao Brasil, atuando em Blumenau, Rio de Janeiro (Amparo Feminino), Florianópolis, Porto Alegre e Rio Grande. Destaca-se o Hospital e Maternidade da OASE em Blumenau, com Johanna Hering e Gertrud Gross.
A construção e melhoria dos espaços comunitários também marcaram a atuação da OASE. Em Rio Claro, por exemplo, o grupo auxiliou na construção da torre e na aquisição dos sinos.
O pastor e professor Theodor Kölle fundou, em 15.08.1899, em Rio Claro/SP, a Frauenverein (Associação das Mulheres). Nessa Comunidade surgiu oficialmente a OASE - Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas com o lema: “Viver para servir” (Comunhão, Testemunho e Serviço). O movimento de fé e serviço que nasceu em Rio Claro, teve como objetivo fortalecer a fé, auxiliar a Comunidade e as pessoas necessitadas, além de valorizar a mulher luterana, atuando como um setor de trabalho a Igreja Evangélica.
Hino, distintivo e identidade da OASE
No ano de 1949, foi adotado, em Ijuí/RS, o hino da OASE: “Jesus Cristo é Rei e Senhor” (LCI 519):
1. Jesus Cristo é Rei e Senhor, seu é o reino e o louvor, é Senhor somente, hoje e eternamente.
2. Ao chegar o dia final para este mundo com seu mal, nós aos pés de Cristo, confessaremos isto:
3. Jesus Cristo é Rei e Senhor, seu é o reino e o louvor, é Senhor somente, hoje e eternamente.
No mesmo ano, foi criado o distintivo da OASE: uma âncora branca sobre fundo azul. O branco simboliza alegria, paz e justiça; a âncora é símbolo de esperança. O distintivo expressa o lema: “Jesus Cristo é a nossa Esperança, Luz, Alegria, Paz e Justiça.”
O Salmo da OASE é o Salmo 100, que convida ao louvor, à gratidão e ao serviço alegre ao Senhor:
1 Cantem hinos a Deus, o Senhor, todos os moradores da terra!
2 Adorem o Senhor com alegria e venham cantando até a sua presença.
Presença Luterana
3 Lembrem que o Senhor é Deus. Ele nos fez, e nós somos dele; somos o seu povo, o seu rebanho.
4 Entrem pelos portões do Templo com ações de graças, entrem nos seus pátios com louvor. Louvem a Deus e sejam agradecidos a ele.
5 Pois o Senhor é bom; o seu amor dura para sempre, e a sua fidelidade não tem fim.
Organização nacional da OASE
No dia 21 de maio de 1968, ocorreu a 1ª Reunião Nacional de Lideranças da OASE, com o objetivo de conhecer a realidade dos grupos e decidir os rumos do trabalho.
Com o surgimento da IECLB, em 1968, organizada em cinco regiões eclesiásticas, cada região passou a ter uma diretoria da OASE. Em 1977, foi proposta a criação do Conselho Nacional da OASE, ligado à Secretaria de Missão. A primeira reunião aconteceu em 1978.
Em 1984, no Congresso Geral Constituinte da OASE, foi aprovado o Regimento Interno da OASE.
A OASE no Estado do Espírito Santo
Antes da II Guerra já existia trabalho das mulheres no Espírito Santo. O primeiro grupo da OASE foi criado em Domingos Martins, em 17/05/1936, por iniciativa da Sra. Emma Bielefeld, esposa do pastor Bielefeld. Inicialmente, 17 mulheres se reuniram para criar uma “Associação de Mulheres”. Um ano depois, o grupo já contava com 40 mulheres.
As mulheres adquiriram um tapete para o corredor do templo (198$000 réis), ajudaram na construção do muro em volta da torre (300$000 réis) e, em 1938, se engajaram na festa da Comunidade.
Em 1952, já existiam grupos da OASE em Santo Antônio, Racha Pau e Baixo Guandu. O pastor Artur Schmidt tinha grande apreço pela diaconia e incentivava os grupos a conhecerem o trabalho da ADL. Em 06 de outubro de 1968, o grupo da OASE de Santa Maria de Jetibá visitou a ADL, levando bolos, verduras, frutas e ovos para os estudantes.

Em 1956, por iniciativa do Distrito Norte do Sínodo Evangélico Luterano, ainda antes da IECLB, foi convidada a coordenadora da OASE do Sínodo do Rio Grande do Sul, Dorothea Seydel para visitar as comunidades no Espírito Santo, para apresentar o trabalho com as mulheres
No jornal Heimatbote de setembro de 1956, o pastor Schmidt escreveu:
“Recebemos a visita de Dorothea Seydel, que veio do Rio Grande do Sul e esteve visitando as paróquias de Santo Antônio, Baixo Guandu (onde fez palestra com uso de slides), Laranja da Terra (Passa tarde), Lagoa (Palestra para comunidade e aulas na ADL através de slides), Ribeirão da Costa (Palestra com slides), Santa Maria de Jetibá, Califórnia
e Domingos Martins. Sua visita ao Espírito Santo foi inesquecível. Estamos iniciando o trabalho com as mulheres. Há muitas possibilidades que temos diante de nós. Que as comunidades saibam acolher esse trabalho, que certamente trará muitas bênçãos”
No ano de 1961, ocorreu a segunda viagem da coordenadora da OASE do Rio Grande do Sul Dorothea Seydel ao Espírito Santo. Desta vez para o Norte do Estado do Espírito Santo. Eis o relatório do pastor Eugen Baltzer, datado de 20 de agosto de 1961, falando da visita da Dona Dorotea Seydel a Vila Pavão, onde deu início aos trabalhos da OASE. “Em continuidade ao encontro de Lagoa, 07 a 13 de agosto de 1961, a senhora Seydel visitou as nossas comunidades. Frau Seydel era a coordenadora da Ordem Auxiliadora das Senhoras no Brasil. No dia 15 de agosto de 1961, Frau Seydel falou, depois de culto com batismos na capela, sobre o seu trabalho. Dona Seydel falou sobre o lugar e tarefas da mulher dentro da família e na comunidade. Na tarde do mesmo dia mostrou uma série de slides sobre o trabalho das diaconisas, da ordem auxiliadora da OASE e das comunidades do Sul. A mostra dos slides trouxe muita alegria para a comunidade de Vila Pavão. No dia seguinte, dia 16 de agosto de 1961, ela veio junto para Córrego da Peneira e lá também falou sobre o trabalho da OASE. Depois de Córrego da Peneira visitou as comunidades de Onze de Novembro e Quinze de Novembro. A alegria sobre a sua visita foi muito grande em todos os lugares pelos quais ela passou. No dia 20 de agosto de 1961, dia da inauguração do templo da comunidade de Córrego Bley, uma grande parte da nossa comunidade participou deste evento”

Em 1973, Já IECLB, a coordenadora da Região I, Liselotte Zander, veio de São Paulo para o Norte do Espírito Santo: Vila Pavão. As coordenadoras distritais do Distrito Norte eram Marlene Hollerbach, Vanda Dalabarba e Adélia Graff.
Os Encontros Regionais e Sinodais fortaleceram a identidade da OASE.
O 1º Encontro Regional da OASE foi realizado, em 1971, em Laranja da Terra., onde se registrou: “Percebemos como é importante o nosso trabalho como mulheres e mães”
O 2º Encontro Regional da OASE foi realizado em Vila Pavão, no ano de 1973. Já havia a Igrejona, com o “Centro de Formação”
No 3º Encontro Regional, em 1975, refletiu-se sobre os impedimentos à maior participação das mulheres na igreja e sociedade, que, impulsionado pelo testemunho bíblico em Gênesis 1.27–28, reafirmou que homens e mulheres são criados em igualdade. Eis um relato mais detalhado sobre este 3º Encontro Regional.
O 3º Encontro Regional foi realizado em Vila Pavão em 1975. Era o Ano Internacional da Mulher. A pergunta motivadora para nossa reflexão era ‘Quais são os empecilhos/barreiras que as mulheres enfrentam para poderem participar dos grupos da OASE?’ Destacamos na resposta: muito trabalho em casa e na roça, longas distâncias, doenças, falta
OASE de Santo Antônio/MG
Grupo da OASE de Vila Pavão. 15 de agosto de 1961
de interesse, falta de recursos e o marido, que não valoriza e apoia o trabalho das mulheres. O marido costuma dizer, “Esse trabalho não existia antes e a mulher precisa estar em casa”. São questões quentes. Resolvemos recorrer à bíblia para nos orientar. Lemos e estudamos Gênesis 1. 27-28: “Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse, ‘Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’.” Portanto, concluímos que homens e mulheres são criados em igualdade, à imagem de Deus. Nascia em nós uma grande alegria. Naturalmente sabemos das nossas responsabilidades, ao lado dos nossos maridos, para com a nossa família. Todos nós, mulheres e homens, pais e mães, somos chamados a nos ajudar. Ficou claro que: “Ainda temos muito para fazer até que isso aconteça.”
Liselotte Zander ainda deixou o seguinte relato: “11 mulheres, estavam viajando para participar do terceiro Encontro regional da OASE em Vila Pavão. A Kombi quebrou. Com muito atraso conseguiram chegar a Nova Venécia (1975). Os taxistas queriam trazê-las para Vila Pavão por CR$ 200,00. Muito dinheiro, que elas nem tinham consigo. As mulheres tinham conseguido uma outra Kombi alugada. Os taxistas chamaram a polícia, impedindo o embarque. Como podem ver, relata dona Liselotte, um encontro da OASE exige muita força e lutas para acontecer. As mulheres fizeram valer seu direito, conseguindo embarcar na Kombi alugada e chegaram tarde da noite a Vila Pavão. O encontro valeu a pena”.
Depois do tempo da 2ª Guerra Mundial, a língua alemã pode ser retomada nos encontros. Agora em companhia da língua portuguesa. No primeiro exemplar do jornal Semeador, a OASE teve espaço para publicar suas notícias. Era o Ano Internacional da Criança. Adélia Lemke Graff escreveu um texto sobre a responsabilidade de ter filhos, incluindo o bom planejamento da família para acolher a criança.

Em 1998, a IECLB passou por uma reestruturação, aprovada em Concílio, substituindo a estrutura anterior de Regiões Eclesiásticas pela atual estrutura de 18 Sínodos, visando uma maior integração e assistência pastoral. Também a partir deste ano temos momentos marcantes na história da OASE.
Entre 13 a 15 de agosto de 1999, cerca de 2.000 mulheres se reuniram em Rio Claro/SP para celebrar os 100 anos da OASE. No recém-criado Sínodo Espírito a Belém (SESB), o 1º Encontro Sinodal da OASE foi realizado em 03 de outubro de 1999, em Pancas. A primeira presidente da OASE sinodal foi Evanir Burzlaff Borchardt, de Pancas. O 2º Encontro Sinodal da OASE foi em Domingos Martins. O 3º Encontro em Santa Maria de Jetibá. O 4º Encontro em Itaguaçu. E assim se seguiram outros.
Em 2006, foi constituída em Associação Nacional dos Grupos de OASE para facilitar a melhor integração e administração entre os di-
Presença Luterana
versos grupos de OASE nos 18 sínodos da IECLB, agora representados não somente como um grupo de trabalho da comunidade, mas também como pessoa jurídica, agregando maior força e impacto junto a IECLB e sociedade. No SESB, os grupos de OASE formaram a Associação dos Grupos de OASE do SESB, de portas abertas para acolher e fortalecer novos grupos de mulheres que vão surgindo nas comunidades dentro do sínodo. É caminhando juntas que os grupos de mulheres conseguirão realizar sua missão de Comunhão, Testemunho e Serviço.

Grupo da OASE de Barra de São Francisco.
Comunidade Espera Que Vem
Conclusão
Essa história continua sendo escrita, com fé, coragem, serviço e esperança.
Nos encontros da OASE, as mulheres têm vez e voz, podendo buscar motivação e esperança na solidariedade das companheiras, compartilhando suas dificuldades, num ambiente que favorece o crescimento e fortalecimento da fé em Jesus Cristo, a valorização de sua dignidade como pessoa, a descoberta e o uso de seus dons no serviço dentro e além da comunidade, servindo às pessoas em necessidade, dando testemunho da fé e do amor.
Atualmente, a Associação Nacional dos Grupos de OASE conta com cerca de 1.200 grupos e 40.000 mulheres dos 18 Sínodos da IECLB. É o maior grupo organizado de mulheres na sociedade brasileira.
A história da OASE é uma história marcada pela fé viva, pelo serviço dedicado e pela coragem das mulheres que, ao longo de 127 anos, responderam ao chamado de Deus com amor e compromisso. Desde suas origens na Alemanha, em meio a tempos de crise, pobreza e sofrimento, até sua consolidação nas Comunidades neste solo brasileiro, a OASE tem sido sinal concreto do Evangelho em ação. Inspiradas pela Palavra de Deus, elas encontram na comunhão, na solidariedade e na diaconia forças para enfrentar desafios pessoais, familiares e sociais, sem perder a esperança.
A OASE permanece, ainda hoje, como espaço onde a mulher tem voz, é valorizada e reconhecida como criada à imagem e semelhança de Deus. Em tempos marcados por novas formas de exclusão, violência, desigualdade e crise ambiental, o testemunho da OASE continua atual e necessário. Cada geração é chamada a assumir, com criatividade e fidelidade, os desafios do seu tempo.
Assim, olhando para o passado com gratidão, vivendo o presente com responsabilidade e confiando o futuro nas mãos de Deus, a OASE reafirma o lema que sustenta essa caminhada: Comunhão, Testemunho e Serviço. Que o Trino Deus continue conduzindo a OASE, fortalecendo mulheres, Comunidades e a Igreja, hoje e sempre.
P. Sidney Reetz
P. Rubens Stuhr
OASE de Santa Maria de Jetibá visitando a Barragem de Rio Bonito
Tema do Ano
A tarefa de cuidar da boa e perfeita Criação de Deus
A cada 1º Domingo de Advento, a IECLB lança um novo Tema do Ano, acompanhado de um lema bíblico. Para 2026, foi escolhido o tema Cuidar da Criação de Deus, que aponta para a necessidade urgente de olhar e proteger o mundo que nos acolhe. O lema Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores, de Apocalipse 7.3, reafirma o chamado e destaca a importância de que todas as pessoas assumam o compromisso de preservar a Casa Comum.

Atualmente, a humanidade está diante de desafios ambientais sem precedentes, que colocam em risco a vida no planeta Terra. São muito os problemas climáticos que devem intensificar-se na próxima década. Entre eles, o aumento da temperatura média global, causando ondas de calor extremas; os eventos climáticos severos, como secas, enchentes, furacões, que são cada vez mais frequentes e intensos – vale lembrar aqui a catástrofe ocorrida no Rio Grande do Sul, com as enchentes de 2024; a elevação do nível do mar, ameaçando regiões costeiras e comunidades vulneráveis; a perda acelerada da biodiversidade, resultando em desequilíbrios ecológicos graves; a escassez crescente de água e a insegurança alimentar, ampliando desigualdades sociais, confirmando que são as pessoas pobres as que mais sofrem com as tragédias climáticas.
“A tarefa de cuidar da boa e perfeita Criação divina não é assunto novo na IECLB”, escreve a Pastora Presidente da IECLB, Pa. Sílvia Genz, na apresentação do Caderno do Tema do Ano 2026. “ Tem sido temática importante e central para a Igreja nas últimas décadas e, neste momento histórico, impõe-se novamente pela urgência dos gravíssimos desafios da crise climática atual. ” acrescenta. De acordo com a Pa. Sílvia, Deus criador chama ao cuidado de sua boa Criação. “Por isso, queremos nos posicionar e vamos fazê-lo a partir da fé em Deus. Vamos compartilhar com a sociedade a visão bíblica e confessional a respeito do cuidado com a Criação, um
mandato divino outorgado à humanidade.
A destruição da natureza é incompatível com a fé e é pecado contra Deus. Não é possível haver outra posição na IECLB” , afirma.
A escolha do tema Cuidar da Criação de Deus é, portanto, um compromisso ético, social, ecológico e econômico. A partir da fé, vem a responsabilidade de proteger o meio ambiente e lidar com as mudanças climáticas de forma justa e eficaz.
Cuidar da Criação não é uma moda ou apenas uma causa ambiental. É reconhecer que a Terra pertence a Deus (Salmo 24.1) e que somos apenas suas “ cuidadoras ” e seus “ cuidadores ” (Gênesis 2.15). O Apocalipse, de onde foi retirado o lema bíblico, termina com a visão de um mundo restaurado. Essa esperança motiva a agir agora, cuidando da Criação como um sinal do Reino de Deus que está por vir.
Assim, o Tema do Ano é um convite para um momento de parada, de pausa, para encarar a realidade como ela é, um convite para uma profunda reflexão a partir da fé. Será que é possível, em meio às crises do presente tempo — climática, social, política, econômica — perceber esses “intervalos de respiro”? Perceber que Deus sustenta a vida?
Cuidar da Criação é uma vocação da IECLB há mais de 200 anos. As Comunidades são vocacionadas a serem espaços de cuidado com o ambiente em que vivem. Preservar a Criação é viver no presente o futuro que Deus planejou.
Objetivos do Tema do Ano 2026
O obje tivo central é:
• Refletir acerca do testemunho bíblico e confessional da Criação divina, visando ao seu desdobramento em uma posição ético-sócio-ambiental e em ações ecológicas concretas nas Comunidades e instituições da IECLB.

Já os objetivos específicos são:
• Entender os fundamentos bíblicos e teológicos do cuidado com a Criação e desenvolver uma ética ambiental;
• Compreender nossa solidariedade com toda a Criação, que, em sua plenitude, é valiosa para Deus;
• Reconhecer que a destruição da natureza é um pecado contra Deus e sua vontade, tornando-nos culpadas e culpados diante da Criação que Ele considerou muito boa;
• Identificar oportunidades de educação ecológica sob uma perspectiva bíblica e realizar ações de justiça ambiental;
• Apoiar iniciativas e programas de instituições da IECLB e parceiras que buscam a justiça ambiental;
• Influenciar políticas públicas para combater crimes ambientais e sociais e promover a justiça socioambiental
Cartaz simboliza a interdependência da vida
O cartaz da IECLB para 2026 é um manifesto visual de fé, compromisso e responsabilidade ecológica. O centro da arte, um vibrante círculo amarelo representando o sol, irradia a própria essência da vida, envolvendo a rica biodiversidade terrestre. Nele, flores brancas e folhas verdes se entrelaçam com nuances azuis, simbolizando a riqueza da flora, a vitalidade do planeta e a essencialidade da água. A abelha, em destaque, não é mera ilustração; é um poderoso ícone da polinização, da interdependência da vida e da fragilidade dos ecossistemas.
A polinização é vital para a reprodução de grande parte das plantas, garantindo a produção de sementes e frutos que sustentam ecossistemas inteiros. As abelhas são as principais agentes polinizadoras, responsáveis por cerca de 80% dos cultivos no planeta. Ao coletarem pólen e néctar, elas os transportam de flor em flor, permitindo a fertilização e a continuidade das espécies vegetais. Esse processo não só assegura a base da cadeia alimentar, mas também promove a diversidade agrícola e a resiliência dos ecossistemas.
Sem as abelhas, a produção de alimentos, como frutas e legumes, seria drasticamente reduzida, afetando a segurança alimentar e a economia global.
O lema bíblico de Apocalipse 7.3, “Não danifiquem nem a terra, nem o mar, nem as árvores”, é mais do que uma simples proibição divina destinada a interromper a destruição, tornando-se um convite à ação e ao cuidado ativo. A IECLB, guiada pela Palavra, reforça seu compromisso fundamental com Criação, instigando cada pessoa a se engajar na proteção e valorização deste presente divino.

Fonte: Jorev Luterano, edição de novembro de 2025, p. 8 e 9
A sementinha
Anúncios
TEMA: Do Caminho da Cruz à Luz da Vida!
Olá, amiguinhos e amiguinhas!
Você sabia que a Quaresma é como uma grande caminhada de 40 dias que nos prepara para a maior festa de todas? É tempo de pensar em como podemos ser mais parecidos com Jesus: amando, perdoando e ajudando as pessoas.
Uma História de Esperança
Certo dia, Jesus foi para um jardim chamado Getsêmani para conversar com Deus. Ele sabia que algo difícil ia acontecer, mas Ele nos amava tanto que aceitou o plano de Deus para nos salvar. Jesus morreu na cruz na Sexta-feira Santa (um dia triste, de silêncio), mas a história não termina ali!
No domingo de manhã, as mulheres foram ao túmulo e levaram um susto: a pedra estava rolada e o túmulo estava vazio! Um anjo disse: “Ele não está aqui, pois ressuscitou!” (Mateus 28.6). Jesus venceu a morte para que possamos viver com Ele para sempre!
Atividade Interativa: O Caminho da Luz
O Calendário da Bondade: Durante esta Quaresma, em cada dia que você fizer uma boa ação (ajudar em casa, dar um abraço, dividir um brinquedo), desenhe uma pequena flor no quadro abaixo. Quantas flores de amor você vai colher até a Páscoa?

Vamos Colorir o Símbolo da Vida?
Na tradição luterana, o ovo de Páscoa representa o túmulo que se abriu para a vida. Desenhe um ovo bem grande e decore-o com cores alegres! Dentro dele, escreva a palavra: RESSURREIÇÃO

Desafio do Labirinto Bíblico: Ajude as mulheres a chegarem ao túmulo vazio para descobrir a grande notícia!

P. Ariádner Jastrow Potratz Berger Coordenação Sinodal do Culto Infantil