LUTERANO
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JOREV LUTERANO SETEMBRO 2007
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JOREV
JORNAL EVANGÉLICO LUTERANO - IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL - ANO 36 - SETEMBRO DE 2007 - Nº 699 Tema: No poder do Espírito, proclamamos reconciliação
Lema: Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos (Atos 4.29)
Escritura, Cristo, graça e fé
Diaconia, amor e fé
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O fio do destino
Assumindo lideranças
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Editorial
A coragem para reformar Martinus Eleutherius atendeu o nosso pedido e respondeu a carta de Martinus Torneirus, publicada na edição anterior do Jorev Luterano. Nesta edição, no mês que antecede a comemoração da Reforma, o leitor terá acesso a este documento contendo uma extraordinária reflexão sobre algumas questões atuais que permeiam a trajetória da fé luterana, tendo como princípio que a Reforma Luterana é sobre a Escritura como única forma de Fé e vida. É sobre a Fé somente em Cristo como Salvador da humanidade e na Graça de Deus. Está também é a edição em que vamos conhecer a terceira e última parte da matéria ‘Desafios e Prioridades IECLB: auto-sustentabilidade’, um tema que realmente constitui-se numa questão importante a ser trabalhada em todos os níveis da nossa Igreja. A propósito, sustentabilidade é um tema muito
Canal direto Ivone Elena Braunholz, 49 anos, é natural de Jussara/PR, mas desde os dois anos de idade mora em Maripá/PR, onde, há três anos, trabalha como Auxiliar Administrativo na Paróquia Evangélica de Confissão
presente no dia-a-dia das atividades no Sínodo da Amazônia, como podemos constatar com os Presbíteros entrevistados na editoria Gente Luterana. Norte Catarinense é outro Sínodo presente nesta edição, representado por um Pastor e uma Presbítera, uma senhora muito atuante que não mede esforços para ajudar o próximo. As
mulheres, aliás, estão cada vez mais presentes na IECLB não só nas tarefas de base, mas também tomando a frente em muitos projetos, mostrando a sua capacidade e auxiliando com seus dons onde sentem-se chamadas. Com tantos acontecimentos tristes que presenciamos, ouvimos comentar e, infelizmente, muitas vezes, até nos acostumamos a saber que existem, não poderíamos deixar de falar do tão famoso ‘destino’ e toda a sua carga de absoluto, completo e imutável. Será mesmo? Será que estamos presos a algo que já está escrito? Será que ‘Deus quis’ é a resposta final para tudo o que está acontecendo à nossa volta? Não temos respostas definitivas, mas oferecemos uma oportunidade de pensar a respeito na editoria Fé Luterana. Boa leitura e até 31 de outubro!
Luterana em Maripá, composta por seis Comunidades. Como Auxiliar Administrativo na Paróquia, Ivone também desempenha a função de ser Agente do Jornal Evangélico Luterano, atividade que lhe dá muito prazer “Gosto de encaminhar o Jorev aos assinantes, pois, assim, posso ajudar a IECLB a propagar mais este veículo de divulgação do Evangelho”. Atendidos pela Pastora Neida Inês Altevogt Sander e pelo Pastor Marcos Cesar Sander, que não só assinam o Jornal Evangélico e gostam muito, como
também o divulgam nos cultos, encontros da OASE e na Secretaria “Os leitores gostam de todos os assuntos abordados, mas podemos destacar que, como estamos numa região de descendência germânica, temos aqueles que gostam muito da página em língua alemã”, conta Ivone que também tem a sua preferência no Jorev “Acho muito importante a parte da Consultoria Jurídica e de Finanças, pois podemos elucidar dúvidas referentes à parte legal da nossa Paróquia e das nossas Comunidades”.
CARTAS Jorev
Luterano IECLB Jornal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil www.luteranos.com.br PASTOR PRESIDENTE P. DR. WALTER ALTMANN SECRETÁRIO GERAL P. DR. NESTOR FRIEDRICH JORNALISTA RESPONSÁVEL LETÍCIA MONTANET-REG. PROF.: 10925 ADMINISTRAÇÃO / COMERCIAL CRISTIANO HENRIQUE LAMB CARTAS - SUGESTÕES DE PAUTA ARTIGOS - ANÚNCIOS FAMILIARES E ANÚNCIOS COMERCIAIS RUA SENHOR DOS PASSOS, 202/3 90.020-180 - PORTO ALEGRE/RS FONE: (51) 3227.1258 FAX: (51) 3225.7244 E-MAIL: jorev@ieclb.org.br SECRETARIA GERAL - IECLB FONE: (51) 3221.3433 ASSINATURA ANUAL - 11 EDIÇÕES R$ 18,00
Estimados e Estimadas! Fiquei muito contente com o presente recebido ontem da campanha de assinaturas do Jorev. A camiseta de fato serviu, mas é preciso que retornemos aos tempos mais magros. Estou um tanto triste porque o povo aqui no Sul tem medo de ler jornais de sua Igreja. No Sínodo da Amazônia, era mais fácil vender assinaturas e o povo ficava encantado. Aqui, sinto que há uma preguiça mesmo de leitura, sendo que o Jornal ficou muito gostoso de ler e saboreá-lo... Mais uma vez, obrigado e que a campanha traga os frutos necessários para manter a história desta Igreja que sofre de todos os lados, mas que ainda conta com umas minhocas que buscam adubar esta terra - IECLB. Irei continuar na campanha. Abraços com carinho e estima, P. Elio Scheffler - Cachoeira do Sul/RS Alô Pessoal do Jorev Fiquei surpreso e muito grato pelo sorteio na promoção Você: a nossa melhor notícia.
Meus melhores agradecimentos pelo envio do prêmio dos três CDS, adesivos e calendários 2007. É bom e gratificante receber surpresas assim! Mein Besten Dank! Abraços, Ernani Alzemiro Peters - Igrejinha/RS O Jorev está ótimo! Na edição de agosto, parabenizo pelo enfoque ‘pessoa com deficiência’, de Nádia de Oliveira, no qual cita um caderno de subsídio litúrgico e um folder, material excelente. Espero e recomendo que sejam utilizados em todas as Comunidades. Distribuí para todas as APAEs do nosso Sínodo, Noroeste Riograndense. O P. 1º Vice-Presidente da IECLB, Homero Pinto, também foi iluminado em refrescar a memória com as cinco moções aprovadas no Concílio de 1990, em Três de Maio/RS. Adorei a capa da edição de junho de 2007 do Jorev com a Pastora Iára Müller. Nunca é tarde para manifestar alegria! Atenciosamente, Lourdi Bender - Três de Maio/RS
Diário da redação Dia da Secretária Quando foi criado o Dia da Secretária, comemorado em 30 de setembro, a profissão era exercida basicamente por mulheres. Hoje, tempos mais democráticos, em que homens e mulheres compartilham praticamente todas as tarefas, o Jornal Evangélico Luterano deseja cumprimentar pela passagem do Dia da Secretária e do Secretário todos os profissionais que, sempre dispostos a ajudar, desempenham tão importante tarefa no cotidiano das empresas e instituições. Competência, atenção, presteza, confiança, agilidade e eficiência são algumas das palavras que definem vocês, por isso registramos o nosso agradecimento e desejamos um ótimo dia para quem está sempre empenhado em dedicar seu tempo, conhecimento e sensibilidade para fazer de cada dia um ótimo dia para suas chefias e colegas nas organizações que representam. Parabéns a todas as Secretárias e Secretários que valorizam a sua profissão, buscam aperfeiçoamento e investem na harmonia pessoal e profissional, pois gostam do que fazem! Que Deus abençoe a todos e renove as energias. Nosso sincero reconhecimento, admiração e agradecimento. Reforma Conforme comentamos na edição passada, estamos nos aproximado do Dia da Reforma, comemorado em 31 de outubro, momento histórico, ocorrido em 1517, em que Martim Lutero fixou as famosas 95 teses à porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, na Alemanha, fazendo nascer o debate teológico e dando um novo rumo à história da religiosidade cristã. Para estimular a reflexão em torno do tema da Reforma Protestante e da confessionalidade luterana, publicamos a carta de Martinus Torneirus, na pessoa do P. Dr. Martin Norberto Dreher, propondo alguns questionamentos a Martim Lutero, que, nesta edição, na pessoa do P. Dr. h.c. Gottfried Brakemeier, respondeu a carta. Ficou curioso? Então, vá até as páginas centrais conferir!
Capa Foto da edição original dos dois volumes da Bíblia completa, traduzida por Martim Lutero, à base dos originais em hebraico e grego para o alemão, em 1534, marco histórico dos mais importantes para a consolidação da Reforma luterana. No detalhe, A criação. Leia a carta de Martim Lutero nas páginas centrais desta edição.
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Curtas
Fundação Sinodal de Comunicação A Fundação Sinodal de Comunicação, mantenedora da Rádio União FM de Novo Hamburgo, doou um computador para cada Paróquia e Comunidade com funções paroquiais dos Sínodos Rio dos Sinos e Nordeste Gaúcho, no dia 30 de junho, na sede da emissora, em Novo Hamburgo/RS.
Na ocasião, o P. 1º Vice-Presidente da IECLB, Homero Severo Pinto, dirigiu uma meditação e foi prestada homenagem ao Professor Osvino Toillier pelos 15 anos de locução do Programa Um Olhar para o Vale. Hermedo Wagner, membro da Diretoria da Fundação Sinodal de Comunicação, destacou que a iniciativa da emissora é beneficiar o maior número possível de pessoas. Durante a Assembléia Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos, em 24 de junho, a Rádio União doou para o serviço um notebook e um datashow e, no dia 5 de junho, a Rádio União também doou para a sede da IECLB uma cadeira de rodas e um par de muletas, recebidos pela Coordenação de Diaconia. __________.....__________ Encontro de mulheres no Pará No dia 14 de julho, foi realizado o primeiro encontro de Mulheres (OASE) entre duas Paróquias, Santarém e Rurópolis, no oeste do Pará. Durante anos, a Paróquia de Rurópolis esteve isolada, não conseguia promover e nem participar de encontros setoriais devido às distâncias e às péssimas condições das estradas. Com o início do trabalho em Santarém, esse isolamento acabou. Depois de meses de preparação, o evento aconteceu na Comunidade do km 300, no município de Placas, Paróquia de Rurópolis, reunindo 40 mulheres.
Houve tempo para brincadeiras, amiga secreta, estudo da palavra e canto, proporcionando um agradável tempo de convívio e servindo para que os grupos se conhecessem. Foi um dia apenas, no entanto marcante na vida das duas Paróquias, das mulheres participantes, das Pastoras Carla e
Marta e do Pastor Joelson. Ao final do dia, foi lançado o desafio: no próximo ano, o encontro deverá ser realizado em Santarém. __________.....__________ Culto especial na CMD O culto realizado na Casa Matriz de Diaconisas (CMD), em São Leopoldo/RS, no dia 15 de julho, foi marcado por três momentos importantes. Foi ordenada Carla Maria Abeling, nascida em 1967, em
Horizontina/RS. Carla foi para São Leopoldo estudar Teologia, com ênfase em Diaconia, pois estava decidida a servir a Deus com dedicação integral. Trabalhar no Lar Moriá despertou o desejo de fazer parte da Irmandade, um espaço que possibilitará o desenvolvimento de todo seu potencial no Ministério. Também comemorou-se o Jubileu de Ouro da Irmã Gertrud Sauter, ordenada em 1957, na Igreja de Cristo, em São Leopoldo, juntamente com a Irmã Helda Roepke. O culto também foi a oportunidade escolhida para a posse da Diretoria da Casa Matriz de Diaconisas. __________.....__________ 115 anos do Pella Bethânia As atividades da Sociedade Evangélica Pella Bethânia tiveram início em 1892, quando o Pastor missionário da IECLB Michael Haetinger, ao viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, percebeu o elevado número de órfãos entre os alemães recém-imigrados, além de muitas viúvas e idosos desamparados. P. Haetinger, apoiado por um grupo de Pastores, adquiriu a antiga Fazenda Barros, às margens do Rio Taquari, na cidade de mesmo nome, dando início às atividades da entidade. Desde então, fundamentada no amor de Deus, a instituição filantrópica, nãogovernamental, ligada à IECLB, vem ampliando as suas estruturas para conseguir atender a crescente demanda de abrigo, prestando serviços assistenciais de orfanato, ancionato e educação. O aniversário do Pella Bethânia será comemorado no dia 11 de novembro, iniciando com culto festivo, seguido de almoço e apresentações no turno da tarde.
Organize a excursão da sua Comunidade e participe. Informações pelo telefone (51) 3653.1556. Conselheiros discutem planejamento O Conselho da Igreja (CI) da IECLB esteve reunido nos dias 27 e 28 de julho, em São Leopoldo/RS, para tratar de uma extensa pauta de assuntos. Um dos destaques da reunião foi a discussão sobre Planejamento Estratégico, sugerido pelo próprio Presidente do Conselho “A IECLB está muito preocupada em fazer planejamento estratégico e é preciso entender que planejamento só é estratégico se for feito a partir das Comunidades, das bases”, ressaltou Milton Laske, representante do Sínodo Centro-Sul Catarinense.
Sobe A auto-sustentabilidade que muitas Comunidades e Paróquias estão conquistando apesar das dificuldades.
Desce A preocupação apenas consigo mesmo: a falta de solidariedade com Comunidades e Paróquias mais pobres financeiramente e as poucas iniciativas de parceria entre Comunidades na IECLB.
Ofertas Nacionais Outros momentos da agenda foram a apresentação do cronograma de trabalho para a renovação do Plano de Ação Missionária (PAMI), a análise da proposta de uma campanha para o Fundo de Missão, a avaliação do Tema e Lema do Ano para 2008, em sintonia com o PAMI, e o Plano de Ofertas para 2008. __________.....__________ VI Convenção Nacional do Homem Evangélico Luterano Acontecerá nos dias 29 e 30 de setembro, em Santa Cruz do Sul/RS, a VI Convenção Nacional do Homem Evangélico Luterano, numa promoção da Legião Evangélica Luterana (LELUT) em parceria com a Coordenação Sinodal da LE do Sínodo Centro-Campanha-Sul e apoio da IECLB. A palestra central tradicionalmente faz referência ao Tema do Ano da IECLB, com enfoque específico para os homens luteranos. Este ano, o Pastor 1º VicePresidente, Homero Severo Pinto, fala sobre a temática No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação: missão e sustentabilidade entre os homens. O evento é promovido a cada dois anos e, até sua última versão, era denominado ‘Fórum do Homem
Evangélico’. A LELUT Núcleo Santa Cruz do Sul é responsável pela organização desta edição do evento, que será realizado no Centro Comunitário da Comunidade Evangélica da cidade.
16 de setembro 16º Domingo após Pentecostes Projeto apoiado pelo Fundo de Missão no Sínodo da Amazônia Sabemos que construindo pontes que edificam a vida, chegaremos mais rapidamente ao destino. Para que o anúncio do Evangelho pregado e vivido possa ser uma realidade concreta. O Sínodo da Amazônia quer ajudar a construir pontes, para que sejamos uma IECLB com um rosto em realidades diferentes. A solidariedade por meio da oferta e oração, visitação, partilha e convivência são necessários, pois as diferenças são enormes, mas o sentimento de pertença é força em nossa caminhada.
IV CONERE Nos dias 29 e 30 de outubro de 2007, ocorrerá, nas dependências da PUC, em São Paulo/SP, o IV Congresso Nacional de Ensino Religioso (CONERE), promovido pelo Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (FONAPER). O objetivo do evento é promover espaços de discussão, construção, articulação e divulgação de estudos, pesquisas e trabalhos relacionados à temática Diversidade e Ensino religioso: dez anos da Lei n. 9.475/97 (artigo 33 da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN), tendo como público-alvo Professores da Educação Básica, Professores do Ensino Superior, Coordenadores Pedagógicos, Pesquisadores e interessados na discussão do Ensino Religioso. Para maiores informações, consulte o site www.fonaper.com.br.
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Atualidade
Desafios e Prioridades IECLB: auto-sustentabilidade
O relatório da Presidência ao Concílio de Panambi colocou, ao final, três ênfases prioritárias: identidade confessional, missão e autosustentabilidade, os eixos mais relevantes no todo da IECLB neste momento. O Pastor Presidente da IECLB, Dr. Walter Altmann, concentrou-se no que é mais essencial para a vida da Igreja, constitui uma responsabilidade especial da Presidência e pode dar um norte teológico prioritário à IECLB, peparando o material Desafios e Prioridades para o encontro da Presidência com os Pastores Sinodais e revisto para a reunião do Conselho da Igreja, ambos relizados em março deste ano, o qual segue a terceira e última parte do resumo dividido em três edições: identidade confessional, missão e auto-sustentabilidade.
Auto-sustentabilidade O tema da auto-sustentabilidade se impõe à IECLB por razões externas (redução de recursos ‘de fora’) e por razões internas (uma igreja amadurecida precisa mover-se em direção à auto-sustentabilidade, incluindo também uma coresponsabilidade solidária com igrejas menores). Como ponto de partida, é fundamental reconhecer e afirmar que a IECLB, vista a partir das bases comunitárias, já é amplamente autosustentada. A partir daí, o desafio de atingir a auto-sustentabilidade da Igreja como entidade nacional é algo perfeitamente viável, desde que se consiga fazer avançar decisivamente na disposição para a oferta de gratidão, na consciência da responsabilidade eclesial no sentido
amplo e alcançar acordos que dêem sustentação à estrutura e aos programas da IECLB. A maioria das Paróquias e Comunidades se auto-sustentam. Também os Sínodos são basicamente auto-sustentáveis. A contribuição das Comunidades à Igreja já é significativa, embora ainda não seja plenamente seguida na Igreja. A IECLB carece de maiores recursos não simplesmente para a ‘estrutura’ (para tanto são mais do que suficientes), mas para as tarefas mais abrangentes, como formação e missão. Fé, gratidão e compromisso trabalha o embasamento bíblico-teológico, a motivação espiritual e o desdobramento prático da contribuição dos membros, em termos de dons, dedicação e dádivas, com ênfase na espontaneidade, mas acompanhada de contínua e indispensável motivação. Isso é fundamental. Cada qual contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria (2 Co 9.7). Será necessária uma reflexão sóbria, livre e solidária acerca dos recursos disponíveis e a serem motivados e a sua mais adequada alocação. O atual sistema do assim chamado ‘dízimo’ esgota, em definitivo, as possibilidades? Como regulamentação da Igreja, ele não é um sistema imutável, mas pode sofrer alteração, se novas situações exigirem novas soluções ou nos perguntemos, alternativa ou complementarmente, como poderá a IECLB alavancar recursos ‘adicionais’ para a missão e a formação por meio de campanhas especiais?
Auto-sustentabilidade Alguns assuntos específicos a serem desdobrados - Como motivar as Comunidades e as Paróquias a colocarem regularmente em seus orçamentos o item ‘missão’? - Podemos também instituir um Fundo Interparoquial de Solidariedade, à semelhança do Fundo Intersinodal de Solidariedade (por exemplo, para sustentação de Comunidades pequenas ou fragilizadas que carecem de apoio)? - Como gerar recursos para a área de formação, não apenas para a formação de Obreiros e Obreiras (área fortemente atingida pela redução de estudantes e de recursos), mas também para a formação cristã continuada, tão fundamental para a prática comunitária e o próprio futuro da IECLB?
Nenhuma conclusão, mas um caminho Como Igreja, temos dificuldades e sofremos percalços em nosso caminhar, mas não precisamos cair no pessimismo e neste remexer continuamente. Podemos e devemos deixar-nos animar pela extraordinária dedicação de muitos membros que amam sua Igreja, abraçam sua causa e estão motivados a servir ao próximo com alegria. Acima de tudo, temos a promessa de Cristo de que ele estará conosco todos os tempos, por isso, podemos acolher a exortação do salmista Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará (Salmo 37.5).
Folhas de figueiras Você compraria um livro que fala das mentiras que contamos para nós mesmos? Pois é, comprei tão logo li a última capa, que afirma que mentimos para nós mesmos o tempo todo e que nos vemos bem melhor do que somos. Além disso, diz que enganar a si mesmo é necessário para que a vida tenha algum encanto, mas também afirma que o auto-engano pode ser muito perigoso para a boa convivência social. Nas primeiras páginas de Auto-Engano, o autor nos mostra como as camuflagens ocorrem no reino vegetal e animal. A erva-de-vênus exala um falso perfume agradável a fim capturar um inseto que lhe servirá de alimento. Eduardo Gianneti, autor do livro, descreve que o percevejo africano se disfarça de formiga para entrar no ninho delas. Então, caça algumas formigas avulsas e as gruda ao seu próprio corpo. Assim, entra no ninho e faz a festa. Para o autor, a história do auto-engano vem de longe. Todos nós conhecemos o argumento de Adão, ainda no Paraíso, que tenta enganar a Deus ao esconder-se, mas Deus o vê. Então, a culpa é jogada sobre a Eva, mas ela também já tinha entrado no jogo e apontou para a serpente. A serpente havia
convencido Adão e Eva a comer do fruto proibido, mas a história vai mais longe: Como Deus criou a cobra, logo, Ele seria o mentiroso. Somos herdeiros e herdeiras das camuflagens de Adão e Eva. Precisamos de folhas de figueiras porque não agüentamos ficar nus diante de Deus. Exemplos não faltam. Não queremos ver que nossos filhos não
Somos herdeiros e herdeiras das camuflagens de Adão e Eva são só aquilo que desejamos que fossem e sempre os filhos dos outros são más companhias. Até admitimos ser traídos, desde que a traição não aconteça em frente aos nossos olhos. Mentimos a nós mesmos sobre a nossa saúde e desistimos de procurar o médico. Isto pode ser fatal. A lista de auto-enganos cresce. Corremos o risco de nos considerarmos a melhor igreja, de pertencermos a melhor família, de torcemos pelo melhor clube e de que somos a melhor escola. Assim, colhemos alegrias, mas
também podemos causar muitos sofrimentos. A tragédia que matou 199 pessoas em Congonhas/ SP mostra que o auto-engano é moeda nacional. As empresas acusam os governantes por não ter ranhuras na pista. Ninguém se responsabiliza pelo avanço de prédios sobre o aeroporto. Os governantes fazem acusações entre si, defendendo-se. A Airbus culpa os pilotos. Os donos das empresas não revelam os descuidos mecânicos da pressa e do lucro. Somente os enlutados estão nus diante da morte, mas eles são só um detalhe para grande parte da mídia que se coloca, como deuses, acima do bem e do mal, e quer faturar audiência fazendo da tragédia um espetáculo. Confrontando o Engana-te a ti mesmo com a Palavra de Deus, a hipocrisia coletiva é revelada: todos pecamos, diz Romanos 3.9-18, bem como a nossa luta interior: não pratico o que quero, mas faço o que detesto (Romanos 7.15). Dr. Oneide Bobsin Pastor da IECLB e Reitor da EST
Presidência
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Parceria e transformação
Terceiro volume da Coleção Fóruns IECLB
Em tempos de globalização, de reconciliação, de perdas e luto, de lucros e prejuízos, de encontros e desencontros, de decepções e perspectivas, precisamos sempre de novo ser lembrados da parceria entre Deus e os seres humanos. Que é necessário orar, não como um transferir de responsabilidades, mas como um trabalhar ao lado de Deus. Como igrejas, precisamos olhar, identificar a estrela de Belém, anunciante da vinda de Jesus Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos, nosso parceiro nos caminhos de justiça e paz. Além das parcerias de entidades civis e religiosas com o Governo, sem as quais nosso País seria ‘uma morte e vida severina’, temos, como IECLB, parcerias com igrejas e entidades no
Está disponível a publicação Fórum Nacional de Missão, o terceiro volume da Coleção Fóruns IECLB. Lançado em julho, durante a reunião do Conselho da Igreja, o livro foi entregue aos Conselheiros e será distribuído oportunamente para todos Obreiros e Obreiras. A publicação traz um conjunto de palestras, debates e conclusões do Fórum Nacional de Missão, realizado em julho de 2006, em Florianópolis/SC, Fórum que deu o sinal de largada para o planejamento da nova etapa do Plano de Ação Missionária (PAMI 20082012). Os outros dois volumes da Série Fóruns são Unidade: Contexto e Identidade da IECLB e Avaliação da Reestruturação da IECLB.
Brasil e no exterior. Uma, e a mais antiga delas, com a Igreja da Baviera, mereceu nossa atenção por ocasião da visita da delegação da IECLB, em junho, à Alemanha. A esperança cristã coloca-nos em movimento, no País e no mundo
Os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos em Jesus Cristo afora, em encontros, intercâmbios, serviços e desenvolvimento, em uma parceria voltada para o crescimento da fé em Jesus Cristo e a transformação. Aliás, ‘evangelização é, por excelência, a tarefa central de todas as igrejas’. Esta somente poderá ocorrer e ser instrumentalizada em parceria e
Homenagem a Júlio Redecker
cooperação, se a própria igreja vive do Evangelho e se deixa transformar por ele, se ela internamente, por exemplo, entre Paróquias e Sínodos, partilha e compartilha o que experimenta. Já existem diversas parcerias, no Brasil e no exterior, de Comunidades e Paróquias. Todas, no entanto, deveriam, a rigor, estar a serviço daquela parceria maior: de Deus, o Criador, com o seu povo, para que a vontade de Jesus Cristo se faça.
P. Carlos Möller Pastor 2º Vice-Presidente da IECLB
Ação Missionária na IECLB
Jefferson Bernardes/Governo RS
“A família de Júlio Redecker perde um filho, esposo e pai amoroso e dedicado. A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil perde um de seus membros que encarava a atuação na vida pública brasileira como vocação. O Rio Grande do Sul e o País perdem um político que pautou a sua atuação por um elevado padrão moral e ético”, disse o Pastor Presidente da
IECLB, Dr. Walter Altmann, no dia 20 de julho, durante a celebração do culto em homenagem ao Deputado Federal Júlio Redecker, 51 anos (PSDB), morto tragicamente no acidente com o vôo 3054, da TAM. O ato religioso, realizado durante o velório do Deputado Federal, no Palá-cio Piratini, em Porto Alegre/RS, foi conduzido pelo P. Altmann e teve participação do arcebispo católico de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. O Deputado Redecker, membro da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana da Ascensão, em Novo Hamburgo/RS, deixa a mulher, Salete, e os filhos Lucas, 26 anos, Mariana, 23, e Victória, 16.
Informações recebidas das Comunidades da IECLB confirmaram seis membros luteranos mortos no vôo 3054 da TAM. São estes: -Anderson Luis Faleiro Cassel, 32 anos, Gerente de suprimentos da Mercur, membro da Comunidade Evangélica de Venâncio Aires/RS. -Julio Redecker, 51, Deputado Federal (PSDB-RS), líder da minoria na Câmara Federal, membro da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana da Ascensão, em Novo Hamburgo/ RS. -Patrícia Hauschild, 30, Comissária de Vôo da TAM, membro da Paróquia Evangélica Teutônia Centro, em Teutônia/RS. -Peter Max Finzsch, 28, Assessor Técnico de Tecnologia da Informação no Grupo Gerdau, membro da Comunidade de São
Leopoldo/RS. -Rubem Wiethaeuper, 60, Superintendente dos Moinhos Cruzeiro do Sul S/A, filho de Arthur e Erna Wiethaeuper, membros da Paróquia Matriz, de Porto Alegre/RS. -Silvia Andréa Grunewald, 36, Gerente Comercial da Puras, residente em Porto Alegre/RS. Ainda, Rebeca Haddad, 14, neta de Carlos e Ceni Günther, membros da Comunidade de São Leopoldo/RS, e Soraya Charara, 42, Diretora da Fundação Freitas de Siqueira, irmã de Patrícia Charara, funcionária de muitos anos na Comunidade Evangélica de Porto Alegre/RS.
O grupo de trabalho relativo ao Plano de Ação Missionária – PAMI esteve reunido nos dias 17 e 18 de julho, em São Leopoldo/RS, sob a c o o r d e n a ç ã o d o P. 1 º Vi c e Presidente da IECLB, Homero Severo Pinto. O Grupo Assessor de Missão também participou da reunião, encarregado de pensar a criação de um fundo de missão que dê sustentabilidade a toda a proposta. Este foi o terceiro encontro do grupo em 2007, constituído sob a aprovação do Conselho da Igreja em novembro do ano passado. Seu objetivo é avaliar a caminhada do Plano de Ação Missionária e planejar a sua continuidade para o período 2008-2012, também considerando as contribuições obtidas no Fórum de Missão. “Estou contente com o andamento do trabalho e a colaboração das pessoas convidadas. Percebe-se uma grande vontade de acertar para que este plano seja da IECLB como um todo e não só de um grupo”, afirmou o P. Homero. Na agenda de trabalho, constaram itens como avaliação preliminar da primeira versão do documento que orientará as ações deste novo momento do PAMI, continuidade da criação do plano de ação e discussão sobre a criação de um fundo de missão. O planejamento da nova etapa do PAMI deverá ser concluído até o final de setembro para ser apresentado na reunião de novembro do Conselho da Igreja. O resultado deste trabalho deverá ser implementado de 2008 a 2012 como orientador de toda a ação missionária da Igreja.
AGENDA DA PRESIDÊNCI A PRESIDÊNCIA SETEMBRO 03-04/09 Visita do P. Martin Junge, Secretário da FLM para América Latina Porto Alegre/RS Presidência e Secretaria Geral 12-15/09 Reunião da Presidência com Pastores Sinodais Rodeio 12/SC P . Walter Altmann, P. Homero Pinto e P. Carlos Möller 17-20/09 CO Sínodo Sudeste (participação dia 19) Campinas/SP P. Walter Altmann 18-20/09 CO Sínodo Centro-Sul-Catarinense Rodeio 12/SC P. Homero Pinto 22-28/09 Comitê Executivo do CMI Etchmiadzin/Armênia P. Walter Altmann 24-27/09 Visita de delegação da Igreja Evangélica Luterana no Japão Porto Alegre/RS Presidência e Secretaria Geral 25/09 Atualização Teológica Sínodo Paranapanema Maringá/PR P. Homero Pinto 25-28/09 Atualização Teológica Sínodo Mato Grosso Chapada dos Guimarães/MT P. Carlos Möller 29/09 VI Congresso Nacional do Homem Luterano Santa Cruz do Sul/RS P. Homero Pinto
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Ministério
Visão missionária: precisamos ser cristãos e cidadãos lá onde nos encontramos Carlos Luiz Ulrich, 54 anos, Pastor da IECLB desde 1985, é casado com a Pa. Claudete Beise Ulrich e pai de Gabriela, Eduardo e Tobias, todos participantes da JE. Durante o tempo do Ministério pastoral, foi Pastor distrital do Distrito Eclesiástico Uruguai, Presidente da comissão coordenadora da parceria (Partnerschaft) do Distrito Eclesiástico Uruguai e o Kirchenkreis Neustadt am Rübenberg da Alemanha, Coordenador de Música Sacra da 3ª Região Eclesiástica e integrante do Conselho de Música da IECLB, entre outros. Desde 2004, atua, juntamente com a Pa. Claudete, na Paróquia Apóstolo Tiago, em Jaraguá do Sul/SC. Como foi o início da sua história de fé? A minha história pessoal de fé inicia no dia do meu Batismo, em 11 de fevereiro de 1953, na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Campo do Meio, em Montenegro/RS. Freqüentei o Ensino Confirmatório e o grupo da Juventude Evangélica, cursei o 2º grau no curso MagistérioCatequista, ingressei na, hoje, Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo/RS, e, em 2006, concluí a Especialização em Aconselhamento e Psicologia Pastoral com o tema O grupo como um espaço terapêutico e de afirmação da dignidade humana das pessoas idosas. De onde vem a motivação para ser Pastor? Nasci no seio de uma família luterana que me ensinou a amar a Deus e as pessoas. A realização no Pastorado se concretiza no processo de saber-se chamado e acompanhado pelo poder do Espírito Santo, no decorrer da história, e desafiado, sempre de novo, para a missão que é do próprio Deus. A vivência da espiritualidade pessoal, por meio da
oração e da meditação, tem me dado forças e luz no cotidiano do Ministério Pastoral.
Qual é a importância do Pastor na Comunidade? Ao Ministério Pastoral, cabe o testemunho da palavra de Deus e a correta administração dos sacramentos, estando a serviço da comunhão em Cristo, visando a promover o amadurecimento da Comunidade, capacitando-a para dar razão da sua fé, integrando as diferenças. O Ministério Pastoral precisa sempre ser definido e redefinido a partir do Evangelho em confronto com as necessidades vitais da Comunidade. Implica seguir a Jesus Cristo na cruz, mas também alimentar-se da esperança que brota da ressurreição, da manhã da Páscoa, no repartir do pão. Como funciona o seu trabalho com os idosos? No Sínodo Norte Catarinense, temos o Conselho Sinodal da Pastoral do Idoso, onde atuo como Secretário e também Orientador. A formação das lideranças que atuam nos grupos tem como base a reflexão bíblica e a identidade luterana, oferecendo subsídios práticos. Na Paróquia Apóstolo Tiago, assessoro quatro grupos, envolvendo em torno de 250 idosos. Em cada grupo, há uma equipe da Pastoral da pessoa idosa. O encontro tem acolhida, cantos, oração, meditação, reflexão bíblica ou palestra, café comunitário, atividades lúdicas, dança, jogos
interativos, aniversariantes do mês, datas comemorativas cívicas e do calendário litúrgico. Os grupos também realizam viagens, passeios e intercâmbios. O que você pensa sobre o lugar que o idoso (não) tem no Brasil? O Estatuto do Idoso de 1º de outubro de 2003 vem regular os direitos assegurados na Constituição de 1988: garantir a dignidade dessa parcela da população é fundamental para que seja alcançado o fim social almejado - um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Neste sentido, os grupos comunitários de idosos têm sido um espaço importante para a reflexão sobre o lugar da pessoa idosa. Em cada município deveria existir o Conselho Municipal do Direito dos Idosos para zelar pelo cumprimento da lei e das definições das políticas públicas locais, por isto tenho participado como representante da IECLB no Conselho Municipal do Direito dos Idosos de Jaraguá do Sul. As Comunidades cristãs e evangélicas de confissão luterana precisam se manter atentas à realidade da pessoa idosa, incluindo-a nas suas ações pastorais e missionárias. Você se considera um Pastor missionário? A visão missionária é própria de ser pessoa cristã. A vida do cristão se concretiza no mandato de Jesus Ide a todos os lugares e no convite de Jesus Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados. Isto significa, como Obreiro da Igreja, estar aberto para acolher e receber todas as pessoas e, ao mesmo tempo, estar inserido no contexto da Comunidade, abrindo espaços para além da Comunidade. Uma colocação de Lutero sempre tem acompanhado meu Ministério, precisamos ser cristãos e cidadãos lá onde nos encontramos.
Paz para todas as pessoas! “O preconceito é uma das formas mais perversas de violência contra pessoas com deficiência” destacou a Pastora Iára Muller no encontro com as lideranças na área da inclusão e deficiência da IECLB, ocorrido dia 21 de julho, na Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo/RS. A temática da violência diz respeito a toda Igreja e grupos. Precisamos reconhecer que pessoas com deficiência estão sendo abusadas e são as crianças com deficiência que mais sofrem abuso. Não existem pesquisas detalhadas do porquê crianças com deficiência são mais vulneráveis a sofrer abuso que crianças sem deficiência. Sabemos, sim, que crianças com deficiência são tratadas como ‘diferentes’ em comparação a outras crianças sem deficiência. Geralmente, são isoladas e estão mais propensas a passar o tempo em algum tipo de instituição
ou lares. Além disso, é dado às crianças com deficiência pouco controle ou liberdade de escolha sobre suas próprias vidas. Submissão e obediência são freqüentemente compreendidas como bom comportamento.
Encontro das lideranças da IECLB na área de inclusão e deficiência
Também existem mitos que contribuem para o aumento da vulnerabilidade, como, por exemplo, que crianças com deficiência não seriam alvo de
abuso – sua deficiência as protege, pois não são atrativas e porque as pessoas sentem pena delas ou, ainda, que crianças com deficiência não sabem diferenciar abuso de contatos corporais de rotina ou gestos de carinho. Estes e tantos outros mitos, carregados de preconceito com relação às crianças com deficiência, são extremamente violentos e são estes fatores que aumentam a situação de vulnerabilidade destas crianças e não o fato de terem uma deficiência. A igreja não está isenta de tal realidade. Temos a obrigação de assegurar que todas as crianças, especialmente crianças com deficiência, não estejam expostas a tais riscos. Que, como Igreja, possamos zelar pela paz e segurança de todas as nossas crianças.
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Presbitério
Nós somos apenas instrumentos nas mãos de Deus, a obra é de Deus Herta Heusser, 72 anos, é responsável pelo grupo de oração, participa da OASE, canta no Coral da Paz, faz parte da Equipe de Liturgia e integra o Presbitério como representante e Coordenadora do Departamento de Diaconia e Assistência Social na Paróquia da Paz, em Joinville/ SC. “Sei que Jesus está comigo desde o Batismo. Sou sua filha, herdeira da salvação em Cristo Jesus. Preciso viver esta dádiva recebida no Batismo no dia-a-dia de minha vida, por isso sou impelida, chamada a atuar em Seu Reino” afirma Herta. Qual é a sua trajetória na IECLB? Fui professora na Escola Dominical, ingressei na OASE e, em 1980, com a chegada da Irmã Lisellotte Kieckbusch como Coordenadora do Departamento de Diaconia e Assistência Social na Paróquia da Paz, em Joinville/SC, iniciei como voluntária neste departamento. Foi uma caminhada de aprendizado e de muitas bênçãos. Sinto muita alegria e satisfação neste trabalho, do qual participo até hoje. Fui Secretária e Presidente neste departamento por várias gestões.
da Legião Evangélica da Paróquia da Paz. A cesta básica é entregue uma vez por mês, sempre com um momento de meditação dirigido pelo Pastor Ari Knebelkamp, seguido do café de confraternização. O objetivo é auxiliar as famílias nas suas dificuldades, incentivando-as a lutar e assumir responsabilidades. Não queremos paternalismo, mas motivá-las a se promoverem. Auxiliamos também o Projeto Missão Criança, na Paróquia Cristo Libertador. Isto é diaconia, a fé que atua pelo amor.
Como é o seu trabalho na Paróquia da Paz? Nossa equipe de trabalho do Departamento de Diaconia e Assistência Social é formado por 12 voluntárias, além de coletoras e coletores da campanha do quilo. Também contamos com a colaboração
De que forma se dá a sua participação no Conselho do Presbitério? Participo do Presbitério como representante do Departamento de Diaconia e Assistência Social, a serviço de Deus, na Igreja. Cabe ao Conselho planejar e administrar corretamente para o bom funcionamento da Igreja e
seus departamentos. Tudo o que for feito deve ser unicamente para a honra e glória a Deus e não para agradar pessoas. São trabalhos de equipes nos quais ninguém deveria se destacar, tudo deve ser feito para o engrandecimento do reino de Deus neste mundo, caso também da Equipe de Liturgia, muito importante nos cultos, mas de uma responsabilidade muito grande diante de Deus e da Comunidade. É uma inovação em nossa Paróquia. Como equipe unida e muito responsável, procuramos moldar um culto alegre e significativo à vida das pessoas. São muitos os desafios encontrados nas suas atividades como Igreja? Um dos grandes desafios é conseguir motivar pessoas jovens e de meia idade a se engajarem, usando seus dons e talentos para assumir tarefas dentro da nossa querida IECLB. Em Mateus 20.28, Jesus disse que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. A nossa missão é seguir o exemplo do mestre sem preconceitos, deixando pequenos sinais do seu amor, ali onde ele nos coloca. Não é mérito nosso, pois tudo recebemos dele, tudo é graça de Deus. Minha motivação é a fé em Cristo Jesus e o amor que tenho pela minha Igreja. Como pessoas resgatadas pelo grande amor de Deus, que veio a nós em Jesus Cristo, não podemos passar despercebidos às necessidades dos que nos cercam.
Responsabilidade civil de dirigentes em instituições sem fins lucrativos O tema responsabilidade civil é bastante abrangente por regular quem responderá por atos possíveis de serem praticados por uma pessoa física ou jurídica. No caso, vamos nos limitar a tratar da responsabilidade perante terceiros (outras pessoas físicas/jurídicas) e perante a própria instituição, das pessoas integrantes da administração de instituições sem fins lucrativos, entre as quais se encontram as entidades religiosas. O fato de ser sem fins lucrativos em nada ameniza a situação dos dirigentes destas instituições. Pelo contrário, em alguns casos, como nas entidades beneficiadas com filantropia, a responsabilidade dos administradores é
maior, pois estão administrando o capital privado da instituição e também sendo responsáveis pela aplicação do valor que o Estado deixou de arrecadar com impostos e contribuições em decorrência da filantropia. A má administração de tais recursos implicará na perda da filantropia concedida à instituição e na responsabilização pessoal dos administradores (ordenadores de despesas). A princípio, podemos afirmar que, em regra, os administradores não responderão pelas obrigações contraídas em nome da instituição administrada, desde que comprovadamente tenham agido dentro dos limites impostos pela lei, pelo estatuto e com boa-fé, ressaltando existirem limites legais à exclusão da responsabilidade dos dirigentes regulada no âmbito do estatuto. O fato do estatuto regular uma hipótese como possível,
necessariamente não eximirá o administrador de responder pelos prejuízos causados pelos seus atos praticados em afronta à lei, em prejuízo da instituição administrada ou a terceiros, especialmente quando a parte prejudicada for o Estado, funcionários e consumidores protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor. Assim, fica o alerta aos administradores de instituições sem fins lucrativos, que poderão, em certa hipótese, responder com o patrimônio próprio, pois nenhuma entidade, mesmo sem fins lucrativos, caritativa ou beneficente, é imune à responsabilidade civil, ou seja, indenizar danos causados a outros por má gestão. Jeferson De Boni Almeida Consultor Jurídico da IECLB
Financeiro Responde Reunião dos Tesoureiros Sinodais Nos dias 1º e 2 de setembro, os Tesoureiros Sinodais estarão reunidos na Casa Matriz, em São Leopoldo/RS, para o encontro anual, no qual sempre discutimos e trocamos idéias sobre a situação financeira das Comunidades, Paróquias, Sínodos e a IECLB como um todo. A visão que precisamos ter é que somos parte de uma mesma estrutura, onde, em alguns momentos, somos a causa e, já em outros, a conseqüência. Por exemplo, nesta reunião, um dos assuntos a ser abordado é a projeção de receitas que irá compor a proposta de orçamento ordinário da IECLB para 2008. Essa projeção já vem definida do Sínodo, que, por sua vez, para fazer a sua projeção, coletou informações junto às Comunidades e Paróquias da sua abrangência. Isso quer dizer que se a informação que vem da base está incorreta e/ou incompleta, o orçamento do Sínodo e da IECLB estarão errados e/ou incompletos, tal a importância que a correta informação e o seu fluxo têm para a continuidade das organizações. Nessa linha, a IECLB, por meio do seu jornal, o Jorev, está empenhada em divulgar tudo o que permeia a atividade em nossas instituições, por isso, nestes últimos meses, foram apresentados assuntos diversos voltados à correta administração das entidades, ou seja, desde idéias gerais e simplificadas de planejamento, passando pela importância dos controles e da contabilidade, chegando até as questões efetivas como o cumprimento das legislações contábil, fiscal, tributária e trabalhista. A Secretaria Geral emitiu a Circular Informativa nº 135.705/2007, elencando a maioria das obrigações que uma instituição precisa cumprir para estar regular perante a lei. Gostaríamos de enfatizar que esta circular é de extrema importância e que fará parte da pauta da Reunião dos Tesoureiros Sinodais com a Secretaria Geral. Sejam bem-vindos!
Amauri Ludwig Secretário Executivo de Finanças da IECLB
Indicadores Financeiros UPM Agosto/2007 = 2,2009 Índice Julho/2007 = 0,81% Acumulado do ano = 4,78%
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UNIDADE
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Mulheres
As mulheres devem sair da ‘concha’ e assumir lideranças Léa Stange de Oliveira, 66 anos, é casada com Warmor Antonio de Oliveira e mãe de Regina, Rui, Roberto e Rubia. Empresária aposentada, foi Presidente da OASE, Presidente da Comunidade Evangélica Luterana Itajaí, Coordenadora do Conselho Distrital de Música, Representante do Sínodo no Concilio, Delegada Sinodal, Tesoureira e Vice-Tesoureira Sinodal. Atualmente, é Presidente Sinodal do Sínodo Vale do Itajaí “Sou muito grata a quem me animou a aceitar o desafio de ser Presidente Sinodal. Quero continuar a motivar as Paróquias e Comunidades a desenvolver o verdadeiro sentido de fé, gratidão e compromisso, acrescentando, agora, a missão”, explica Léa. Pelos artigos publicados nos números anteriores desta Editoria, vimos ‘que Cristo não faz distinção...’ (Pa. Mariane Beyer Ehrat), que ‘queremos ser igreja liderada por mulheres e homens com trabalho partilhado’ e que ‘mulheres devem ir além das fronteiras, ter coragem de enfrentar novos desafios na vida’ (Vera Roth). Creio que aí está o grande desafio: ir além do seu dia-a-dia, sair da sua ‘concha’ em que se sente útil e protegida pelos seus familiares, marido, filhos,
etc. sair do seu lar em que é a ‘dona do pedaço’, onde não compete com ninguém e suas decisões não são questionadas, pois é mãe e esposa. Quando uma mulher é convidada e indicada a exercer algum cargo, é comum ouvirmos o seguinte argumento como motivo para se esquivar: terei que me ausentar mais vezes e o meu marido não gosta. Portanto, a baixa participação feminina também se deve ao fato da própria mulher não assumir um espaço que lhe é devido.
Por outro lado, somos frutos de um tempo. Na nossa sociedade, até recentemente, todos os cargos importantes, normalmente, eram exercidos por homens e nós, mulheres, aceitávamos assim. Como mudar essa situação? Muita coisa já está sendo feita, como, por exemplo, fóruns e palestras, mas devem acontecer em maior escala, com uma situação geográfica mais próxima. Toda mulher luterana deve ter a oportunidade de ser conscientizada do valor de seu trabalho, sua presença, sua identidade feminina, da liderança que exerce com maestria em seu lar, grupo de OASE, em sua Comunidade e Paróquia, o que lhe trará mais segurança para assumir outros cargos, além dos que já conhece, dentro da Igreja de Cristo. Quero motivar as mulheres para saírem da ‘concha’, colocando-se à disposição para servirem com seus muitos e valiosos dons. Que as mulheres que já estão em cargos diretivos possam ser exemplo e motivação. Para isso, é importante compartilharmos da satisfação e da alegria que o servir na seara do Senhor traz, pois Deus é contigo em tudo o que fazes (Gênesis 21.22).
OASE O Coração da Igreja A Fundação Isaec (Instituição Sinodal de Assistência, Educação e Cultura), contemplando o valioso trabalho realizado ao longo dos anos pelas OASEs e suas auxiliadoras, gravou um CD com 17 hinos dedicados à atividade de ajudar a erguer e cuidar das nossas Comunidades.
Como este ano vários grupos de OASE completam entre 100 e 120 anos de formação e sabendo da enorme importância nas suas respectivas Paróquias a Fundação decidiu homenageá-las com um CD, valorizando seus trabalhos comunitários. “Muitos grupos não cantam apenas hinos dos hinários tradicionais da nossa Igreja. Existem também cancioneiros
Sínodo Rio dos Sinos
A nossa fonte jamais seca: Jesus Cristo Carole König, 51 anos, natural de Santa Rosa/RS e residente em Porto Alegre/RS, é casada com Raul König, com quem possui os filhos gêmeos Ricardo e Rodrigo (falecido) e os enteados Roberto e Luciana. Carole começou a participar ativamente na Comunidade há pouco tempo, mas desde os primeiros dias foi bem acolhida na Comunidade e logo convidada a participar do grupo de OASE, onde foi Presidente do grupo de OASE Matriz, membro do Conselho da Paróquia Matriz, além das várias atividades sociais desenvolvidas. Como é o trabalho na OASE local? Em Porto Alegre, temos nove grupos de OASE. Continuo participando ativamente do grupo de OASE Matriz. A cada reencontro, a disposição e alegria prenunciam um trabalho maravilhoso e abençoado. Após a meditação e estudo da Palavra, seguem-se os planejamentos das metas e ações previstas para o decorrer do ano. Além dos encontros semanais, há uma Oficina de Artesanato com participação opcional, temos um grupo
de visitadoras, um grupo que faz parte do Discipulado, outro no Celebrar e Viver e, assim, cada uma tem participação em algum grupo da Comunidade. Qual é o seu papel como Presidente Sinodal da OASE? A OASE é ação, realização, renovação, criando, muitas vezes, um belo trabalho que parte de quase nada, contando ‘apenas’ com muito amor e dedicação. Nossa ação comum é ajudar o próximo, uma bênção que liga toda Comunidade e os grupos entre si, contagiando-se mutuamente, frutificando e trazendo relevante crescimento. Cada ‘abelinha’, com seu labor contínuo, faz a sua parte para tornar o mundo melhor, espalhando confiança, solidariedade, respeito e amor. São muitos os planos e os projetos. O grupo está coeso e sabe suas responsabilidades e atribuições. Bonito ver e maravilhoso participar! Qual é o perfil das mulheres participantes da OASE no Sínodo Rio dos Sinos? A OASE não faz qualquer espécie de discriminação, pois todas têm vez e
uma tarefa a cumprir. Seja no aprender, ensinar, ouvir, transmitir ou executar, o que mais queremos é encontrar a felicidade do outro e esta não tem idade, limites e nem fronteiras. Deixo aqui o meu convite a todas as mulheres Venham e juntam-se a nós, pois sempre haverá uma atividade para cada mulher, conforme os dons que Deus lhe deu. O que a sua vivência contribui para esta responsabilidade? A história da nossa vida é como um bordado que fazemos a cada dia. Há pontos claros e escuros, luzes e sombras, exuberância de cores ou tons imperceptíveis: é a vida, com seus momentos de euforia, festa e dor, ao lado de espaços de silêncio, oração, paz e luta. Cada ponto, cada laço, cada nó vai manifestando aos outros o que somos. Estas reflexões são experiências de vida, podem ajudar, apontar caminhos, prevenir atritos, mas a originalidade, a beleza do nosso bordado depende de cada um de nós. É linda a vida e mais lindo ainda é poder vivê-la com sabedoria para que seja aquele pedaço insubstituível no tecido da nossa família, na Comunidade em que vivemos e na grande história humana.
usados por elas, porém nunca havia sido feita uma gravação em nível nacional! Assim, foram compilamos os mais bonitos hinos e fizemos a gravação. Espero que seja do agrado da maioria. Minha expectativa é grande”, confia Hanny Taeschner, Presidente da Fundação Isaec. A ação da Isaec busca divulgar os hinos da nossa Igreja de uma forma mais atual e com nova roupagem instrumental para atrair o público jovem e tornar os cultos mais vivos, alegres e emocionantes. O CD OASE - O Coração da Igreja será oferecido nas Paróquias e livrarias luteranas a partir de 22 de agosto. Maiores informações pelo telefone (47) 3323.6288.
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Fé Luterana
As insondáveis facetas do ‘destino’ Destino: personalização da fatalidade a que supostamente estão sujeitas todas as pessoas e todas as coisas do mundo. A sorte, o fardo ou a fortuna. Tudo que é determinado pela providência ou pelas leis naturais. Seqüência de fatos supostamente fatais. A fatalidade propriamente dita. Nossa! Que responsabilidade concedemos a uma palavra tão pequena, ‘destino’, mas tão carregada de significado, principalmente em tempos de tantas tragédias e dificuldades econômicas e sociais. Para esclarecer um pouco alguns questionamentos que fazem parte do imaginário popular, convidamos Silvio Meincke, Pastor aposentado da IECLB residente em Schwäbisch Hall, na Alemanha, P. Dr. Valdir Pedde, Pastor da IECLB que atuou na Instituição Evangélica de Novo
Hamburgo/RS e na Paróquia Matriz de Porto Alegre/RS. Com Mestrado e Doutorado em Antropologia Social, é Professor de Antropologia e Sociologia na Feevale, em Novo Hamburgo/ RS, P. Dr. Carlos Arthur Dreher, Pastor da IECLB desde 1973, atuando no momento como Pastor voluntário na Paróquia Imigrante, em São Leopoldo/RS. Com Mestrado e Doutorado em Teologia, é Professor do Curso de Teologia no Centro Universitário La Salle – Unilasalle, em Canoas/RS, onde também atua na Pastoral e P. Sigolf Greuel, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Sul Catarinense, Pós-graduado em Aconselhamento e Psicologia Pastoral e Mestrando em Teologia com ênfase em Educação Comunitária com Infância e Juventude.
Sorte ou azar, somos predestinados?
O destino é uma questão de acaso?
P. Silvio Meincke
P. Dr. Valdir Pedde
Duas vezes por ano, meu amigo Renato e eu buscávamos as margens do Rio Sargento para uma pescaria. ‘Seu’ Aldino, pioneiro do lugar chamado Poço da Capivara, era um caboclo boa gente que cevava as piavas para nós, mas cansava os nossos ouvidos com os seus queixumes. Um azar dos demônios rondava o seu sítio. Minhas vacas não pegam cria, os porcos negam a engorda e as galinhas se esquecem de por ovos, queixava-se. Quando o primeiro Veterinário se instalou em Cunha Porã, nós o convidamos para acompanhar-nos nas pescarias. Queríamos que ele ouvisse as choradeiras do Aldino e pesquisasse o azar que perseguia a sua criação. Passado um ano, o Dr. Elias já sabia fisgar piavas e o seu Aldino andava assobiando musiquinhas alegres. O azar que me perseguia foi morar em outras bandas, explicava. A partir dessa experiência, comecei a prestar atenção na sorte e no azar das pessoas e aprendi que: -Quando alguém vê a sua história de vida comandada pelas obras da sorte e do azar, não consegue organizá-la, porque entrega as rédeas a poderes estranhos. Com isso, perde a iniciativa de encarar os fatos para atuar positivamente sobre eles. -Ocorrem problemas, sobressaltos e tragédias que nos surpreendem, mas que obedecem simplesmente às leis da probabilidade. Quando um avião sai da pista de pouso e atravessa uma avenida, a probabilidade de atingir um táxi é maior do que atingir uma carroça na Picada do Meio. -Ainda assim, podemos ser atingidos por acontecimentos dolorosos e trágicos que fogem a todas as nossas explicações. Que se impõem sobre nossas precauções e nossos cuidados. Que só levantam perguntas, onde buscamos respostas. A nossa fé nos diz que Deus acolhe o nosso caminho todo, incluindo os trajetos dolorosos e trágicos. As Sagradas Escrituras dão testemunho abundante dessa fé. Para refletir, leia o Salmo 37.5
O destino está escrito? P. Dr. Carlos Arthur Dreher Creio que, por meio do meu Batismo, faço parte daqueles que foram santificados pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Pertenço a Deus e nada pode me separar do seu amor. Assim, minha fé me dá a convicção de que não há nada que tenha poder absoluto sobre mim, nem mesmo a morte. Jesus Cristo diz ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente’ (João 11.25s). Esse é o meu, o seu, o nosso destino: a vida eterna. É isso que está escrito. Contudo, tragédias acontecem, como no caso do terrível último acidente aéreo ou muitas outras catástrofes, como as bombas de Hiroshima e de Nagasaki, o tsunami, guerras, pestes, os acidentes que se abatem sobre as pessoas, roubando-lhes a vida ou deixando-lhes seqüelas irreversíveis. A pergunta retorna: estava escrito? Em alguns casos, podemos falar de falha humana, de culpa, de irresponsabilidade ou até de maldade humana. Em outros, ficamos atarantados com a força destruidora da natureza e não encontramos resposta. Aí, querendo uma explicação, falamos em destino ou até dizemos que foi vontade de Deus. Pode a vontade de Deus ser má? É evidente que não! Onde estava Deus quando essas coisas aconteceram? Estava lá, junto com as vítimas, assim como estava na cruz quando Jesus gritou ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’. Aconteça o que acontecer, Ele estará lá. Está predestinado para mim, para você, para todos nós que cremos nele, o que Ele tem reservado para os seus. Para refletir, leia Romanos 14.7-9
A maioria das pessoas acredita que é livre em suas ações e decisões. No entanto, boa parcela delas também não duvida da existência do destino. Isso é paradoxal. Pensar sobre o destino implica refletir sobre a liberdade. No passado, a vida era regida por poucas expectativas. Quem nascia nobre, nobre era. Quem vinha de berço pobre, assim permanecia. O destino era ‘constatável’. Crer no destino parecia ser o leito natural das coisas. Hoje, apesar das enormes dificuldades de concretizar a ascensão entre grupos sociais, a realidade é diferente. Ainda assim, não é fácil escapar das propaladas ‘evidências’ da existência do destino. A nossa vida está marcada por nossa origem social e cultural. De certa forma, presente e futuro estão marcados pelo grupo do qual somos originários: valores, hábitos, crenças. Entretanto, mantendo contato com grupos diferentes, vamos aprendendo a experimentar novidades. De algumas gostamos e as incluímos em nossas vivências. Outras, não. Algo parecido ocorre em muitos aspectos de nossa vida. A sociedade atual conta com uma enorme integração entre diferentes mundos culturais. Assim, é evidente que se abre um amplo campo de possibilidades de construção da própria vida, mas também de riscos. Estamos longe se sermos joguetes nas mãos de algo já programado. Confrontamo-nos com um vasto espectro de possibilidades e não apenas uma única estrada, a que já estaria traçada. Esperar que o destino nos seja bom ou ruim remete a uma acomodação, pois nos isenta da responsabilidade de construir nossa trajetória. Quem se pauta pela noção de destino, abre mão da liberdade da qual hoje podemos usufruir: tentar construir caminhos mais satisfatórios. Para refletir, leia Gálatas 5.1
Podemos escrever o nosso futuro? P. Sigolf Greuel Eis aí uma pergunta para a qual existem duas respostas, aparentemente contraditórias entre si: Sim, é possível escrever o nosso futuro. Ao mesmo tempo: Não, não podemos escrever o nosso futuro. Como entender esta aparente contradição? Por um lado, podemos afirmar, com segurança, que o nosso futuro está em nossas mãos, pois nós mesmos pavimentamos a estrada em que vamos caminhar Aquilo que o ser humano semear, isso também ceifará (Gálatas 6.7). Nossas escolhas e nossas decisões, no presente, sejam elas boas ou ruins, conscientes ou não, necessariamente implicarão em conseqüências das quais não teremos como fugir no futuro. Por outro lado, o futuro não nos pertence, mas ele é do Senhor. Se nos é concedida a possibilidade de escrevermos uma parte do nosso futuro, não está em nossa capacidade e poder prever e, muito menos, construir o futuro como um todo. Provérbios 16.1 nos ajuda a entender esta realidade O coração do ser humano pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. O Senhor nos anima a planejar, a semear e a construir na direção do futuro, mas, ao mesmo tempo, nos lembra que a última palavra é Dele. Graças a Deus que o futuro está nas mãos Dele. Assim, não nos tornamos reféns das nossas escolhas, dos nossos erros e acertos do presente. Pela Sua graça, Deus pode transformar um presente incerto num futuro seguro, um presente infeliz em um futuro feliz, um presente amargo em um futuro de paz. Com isso, somos desafiados a planejar e a construir como se o futuro dependesse inteiramente de nós e, simultaneamente, a orar e confiar como se tudo dependesse do Senhor. Para refletir, leia Mateus 25-34
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Geral
Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos O Tema do Ano é uma das principais vias de comunicação da IECLB. Por meio dele, podemos sentir e perceber que somos parte de um só corpo. Assim, ele ajuda a promover a unidade da igreja. No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação é o Tema do Ano de 2007, que está sendo refletido nas Paróquias e Comunidades da IECLB. Uma das formas de divulgação e engajamento na Campanha do Tema do Ano foram as Oficinas de Criatividade, que tinham como objetivo preparar lideranças dos distintos grupos comunitários. Ao longo do primeiro semestre de 2007, a equipe do D epartamento de Educação Cristã da IECLB (DEC) e da Coordenação de Diaconia realizou Oficinas de Criatividade em diversos Sínodos. A flexibilidade de dias e horários para as Oficinas proporcionou a maior procura, pois fo r a m r e a l i z a d a s Oficinas de um, dois e três dias. “As reflexões nos grupos foram marcadas pela participação e pela alegria das pessoas que participaram. Depoimentos como ‘agora
entendo melhor o Tema do Ano. Ele saiu do cartaz e faz sentido para mim’, fizeram parte das avaliações do evento, animando o trabalho da equipe”, comemora Edson Ponick, Catequista do DEC.
Uma das propostas do Tema do Ano 2007 é a realização de visitas, pois entendeu-se que visitar é uma bonita forma de fazer missão. É a Igreja indo ao encontro das pessoas. “Sabemos que as visitas acontecem ao longo de todo o ano. No entanto, para marcar a campanha em toda a IECLB, propomos um período intensivo de visitação, do dia 12 a 18 de novembro. Em seguida, sugerimos uma celebração de gratidão por todos os frutos alcançados com a realização das visitas”, explica o Catequista. A expectativa da ação é celebrar o encerramento da campanha Tema do Ano 2007 num culto festivo, no dia 2 de dezembro, 1 o Domingo de Advento, em todas as Paróquias da IECLB, reconhecendo, assim, a nossa unidade como Igreja. Edson antecipa que, nesse culto, será compartilhado o que foi possível realizar no poder do Espírito e repetir com Pedro e João, conforme o Lema de 2007, Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos (Atos 4.20).
Oficinas de Criatividade 2007 Planalto Rio-grandense
Centro-Campanha-Sul
A penúltima Oficina de Criatividade aconteceu em Panambi/RS, de 26 a 28 de julho. Sob um frio cinco graus ou menos, 26 pessoas se reuniram para refletir sobre os estudos bíblicos do Tema do Ano e esbanjar criatividade nos momentos de atividades envolvendo expressão plástica. Estiveram representados os grupos de Culto Infantil, Ensino Confirmatório, JE, OASE e o Presbitério.
A última Oficina de Criatividade sobre o Tema do Ano aconteceu nos dias 27 a 29 de julho, em Santa Cruz do Sul/RS. A baixa temperatura não impediu a participação entusiasmada de representantes de diversos e diferentes grupos das Comunidades e Paróquias do Sínodo Centro-Campanha-Sul. A Oficina foi marcada pelo aprofundamento do estudo do Tema do Ano 2007. “A abordagem do Tema do Ano foi muito produtiva, os subsídios irão facilitar o nosso trabalho com os diversos grupos na Comunidade”, avaliou um dos participantes do encontro.
Uma das características marcantes do encontro foi a troca de experiências, conforme afirmou um dos integrantes “A troca de experiências foi extremamente rica. Aprendemos coisas que podemos aplicar em nossas Comunidades para que as pessoas se sintam motivadas a participar da vida da Igreja”. Em relação ao estudo do Tema do Ano, uma avaliação diz o seguinte “O estudo do Tema provocou-nos várias inquietações e nos desafiou à prática do serviço diaconal (visitação)”. Um espaço para refletir sobre o Programa de Educação Cristã Contínua também fez parte do programa e a partilha de experiências novamente enriqueceu a reflexão.
Além do estudo do Tema do Ano, foram oferecidas Oficinas de datas litúrgicas e estêncil, possibilitando aos participantes um espaço para exercitarem a criatividade. Segundo as palavras de uma das participantes “Estamos levando uma bagagem cheia de novas dinâmicas, técnicas e experiências que foram vivenciadas nesta Oficina”.
Conaje Dia de promover a vida servindo! Catequista Cláudio Becker O desafio da Missão é lançado por Jesus Cristo, que nos deixou a tarefa de realizar a sua missão hoje. Motivada pelo Evangelho, a juventude criou o Mês de Missão da Juventude. A cada ano, os jovens dão-se as mãos promovendo solidariedade e levando esperança para muitas pessoas de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Ele acontece, conforme o planejamento de cada grupo, em setembro ou outubro. A proposta surgiu no Fórum Nacional da Juventude, em 1998, inspirado no programa Operação Dia de Trabalho da juventude
Norueguesa. Lá, todos os adolescentes e jovens são liberados da escola um dia por ano para trabalharem ou venderem produtos. O dinheiro arrecadado é destinado para a missão, alcançando trabalhos em outros países. O programa na IECLB pretende ser um trabalho voluntário, criativo e em favor de pessoas e instituições que carecem de apoio. Muitas ações podem ser realizadas: caminhada denunciando situações de violência, teatro de bonecos, cantos e brincadeiras em lares de idosos ou creches, arrecadação de alimentos, brinquedos, livros, roupas, campanha de conscientização sobre a reciclagem do lixo e preservação do meio ambiente, almoço para pessoas carentes, visitas a pessoas portadoras de deficiência e a internados em hospitais, campanha de prevenção de DSTs- HIV/Aids e doação sangue. Alguns passos: é importante haver consenso sobre a ação a ser desenvolvida, distribuir tarefas, contatar pessoas, instituições e preparar material. Da preparação, depende todo o sucesso do dia e o ânimo para dar continuidade a este trabalho em muitos outros momentos. A divulgação pode ser feita nos meios de comunicação, nos cultos e nos encontros para mobilizar toda a Comunidade para a participação. A iniciativa é da juventude, mas o desafio é lançado para todas as pessoas. Portanto, quanto mais pessoas se engajarem, mais gestos de solidariedade serão espalhados. Consulte a proposta de programa no site do Dnaj www.dnaj.org.br ou no portal Luteranos www.luteranos.com.br.
Comportamento
JOREV LUTERANO SETEMBRO 2007
Programa em HIV/Aids na IECLB informação, sensibilização e capacitação/formação. No decorrer dos próximos meses, a temática HIV/Aids continuará sendo discutida com vistas à implantação do Programa que objetiva amenizar o sofrimento das pessoas que vivem e convivem com HIV/Aids e seus familiares, além de unir forças para contribuir para a redução da epidemia.
Luteranos participam da caminhada na XVI Conferência Internacional sobre HIV/Aids, no Canadá
A IECLB, como Igreja inserida na sociedade, busca inteirar-se e atender as realidades que se apresentam de forma a dar maior atenção às suas Comunidades e membros. Dentre as questões atuais que afligem a sociedade e, conseqüentemente, as Comunidades da IECLB e seus membros, estão o HIV e a Aids. Para saber um pouco mais sobre o que a nossa Igreja está fazendo nesta área, conversamos com a Psicóloga Vera Beatris Walber, Coordenadora de Diaconia da IECLB, e com Valquiria Eloísa dos Santos, Secretária do Departamento de Educação Cristã (DEC) e Presidente do ASPA - Apoio, Solidariedade e Prevenção à AIDS, sobre este assunto que preocupa a todos nós. O que a IECLB já fez nesta área? Nestes 25 anos de epidemia, a IECLB buscou trabalhar a temática por meio de estudos produzidos para as atividades com jovens e do material para o Dia Nacional da Diaconia, seminários nacionais de formação e sensibilização, propostas litúrgicas, cartas pastorais, entre outros. No entanto, a epidemia vem crescendo de forma assustadora e exigindo um maior comprometimento das igrejas. Em 2007, a IECLB esteve presente em duas Oficinas de
Capacitação e Desenvolvimento de Projetos financiadas pela Federação Luterana Mundial. Essas participações vieram a somar no momento em que a IECLB vem discutindo e articulando o desenvolvimento de um Programa em HIV/Aids com vistas a responder da melhor forma as demandas dessa epidemia. Como será desenvolvido o Programa? A princípio, o Programa será dividido em três formas de ação:
Qual é o papel das igrejas na questão HIV/Aids? O comprometimento com a criação de Deus, porque, no mundo, existem cerca de 17,7 milhões de mulheres portadoras do HIV, 10 milhões de jovens são HIV positivo, até o ano de 2010 teremos, aproximadamente, 400 mil órfãos da Aids no mundo e, a cada 24 horas, 7 mil pessoas contraem o HIV só na América Latina. Fazendo parte de todos estes números assustadores estão também as Comunidades de fé, pessoas que vivem com HIV e sofrem com a estigmatização, discriminação e indiferença. Pessoas emocionalmente abaladas procuram nas igrejas as respostas às suas aflições e as igrejas têm que estar preparadas para receber e acolher estas pessoas. As pessoas que vivem e convivem com a Aids são parte da Igreja. Nós, filhos e filhas de Deus feitos a sua imagem e semelhança, devemos amar e acolher aos que sofrem independente do motivo do sofrimento. Ancorada na confessionalidade luterana, que se baseia nas Escrituras Sagradas e nos documentos confessionais, fundamentados na justificação por graça e fé em Jesus Cristo, a IECLB se sente chamada a dar respostas à sua Comunidade de fé frente a essa epidemia.
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IECLB forma lideranças na área HIV/Aids Desde que foram diagnosticados os primeiros casos de Aids que se têm conhecimento, tivemos muitos avanços em termos de tratamento e prevenção de novos casos. No entanto, ainda um número grande de pessoas no mundo todo é infectado com o HIV todos os dias. São dados preocupantes, pois representam um número alto de pessoas desinformadas ou que acreditam que, com os novos tratamentos, a Aids tornou-se uma doença ‘comum’, com a qual se pode conviver ‘sem problemas’. Há também pessoas que possuem as informações adequadas, mas que, por uma baixa autoestima, falta de horizontes ou mesmo arrogância, não se preocupam com a prevenção. A Aids também faz parte da realidade das Comunidades da Igreja. Por mais de uma década, as Igrejas pensaram que a Aids era um assunto que ficava fora dos muros das Comunidades eclesiais e da vida dos seus membros. Este era um assunto para outras esferas da sociedade, como se a Igreja não fizesse parte dela. Como Igreja no mundo, a IECLB também se ocupa com esta temática e começa a trabalhar na formação de lideranças para a área HIV e Aids. Em um primeiro momento, serão realizados três seminários regionais, com o apoio do Centro de Missão da Igreja Evangélico-Luterana ao Norte do Elba da Alemanha, com local e data a serem ainda definidos. Vera Beatris Walber Coordenadora de Diaconia da IECLB
‘Criar coragem’ Você é preconceituosa?, uma pessoa me perguntou outro dia. Esta pergunta me fez lembrar de uma história contada por uma Missionária do Exército da Salvação durante uma Oficina de Sensibilização em HIV/Aids promovida pela Federação Luterana Mundial. A Missionária relatou o trabalho que realiza junto a um sopão que alimenta pessoas moradoras de rua, dentre as quais muitas que vivem com o HIV. Um dia, a Missionária foi surpreendida com o desafio de uma mulher que, sentada no chão do grande galpão onde o sopão é servido, tomava sua sopa servida em prato de plástico, enquanto ouvia o sermão da Missionária. Em tom provocativo, a mulher questionou Esse papo de amor ao próximo, de aceitação, de que nós todos somos iguais diante de Deus é muito comovente, mas
Oficina de Capacitação e Planejamento em HIV/Aids, no Chile
quero ver você ter a coragem de pegar a minha colher e comer junto comigo, do mesmo prato que eu! O desfecho desta história, não sei, mas a pergunta ‘Você tem coragem?’ ficou martelando na minha cabeça. Mesmo sabendo que a probabilidade de contrair o vírus compartilhando uma colher é nula, senti um certo desconforto.
Entendi o questionamento dessa mulher como um protesto contra a ‘Boa Nova’ que estou chamada a proclamar e que tantas vezes não se traduz em gestos concretos de amor e solidariedade. Senti suas palavras me perguntando: Você tem coragem de viver o que você fala? Penso que nós, IECLB, estamos ‘criando coragem’ para comer do mesmo prato que tantas pessoas que vivem com o HIV. A Aids traz consigo uma gama de assuntos polêmicos para a maioria de nós, como, por exemplo, sexualidade, pecado, culpa, fidelidade. Abordar estes temas de forma aberta exige uma boa dose de coragem. Baseada no lema bíblico para este ano, afirmo que não podemos deixar de falar e de viver o amor, a misericórdia e a reconciliação que nós recebemos por Cristo Jesus. Que Ele continue criando em nós a coragem para enfrentar a epidemia da Aids de frente! Nádia C. Engler Cand. Pastorado
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Deutscheseite
Was ist der Mensch wert? Ein krasser Materialist würde sagen: „Nicht viel“. Wenn der Mensch das ist, was er isst, nun, dann kann man seinen Wert vergessen. Dann ist es gut, dass die Natur das recicling auf den Friedhöfen umsonst besorgt. Es liesse sich nicht viel damit verdienen. In Nordamerika kann man manchmal hören, wie einer nach dem Vermögen eines Menschen fragt: „What is he worth ?“ - Was ist er wert? Das heisst, wieviel Vermögen besitzt er? Eine halbe Million Dollar? – Nein, er ist bankrott – er ist also weniger wert als nichts! Das ist ein schrecklicher Wertmassstab, den man an einen Menschen anlegt. Und er ist bei vielen Menschen in Ost und West in Geltung. Kein Wunder, dass unter solchem Wertsystem ein Mensch den anderen betrügt, missachtet oder gar tötet, dass er Bomben in Menschenansammlungen zur Explosion bringt, die gleich Dutzende von Menschenleben auslöschen. Der Mensch hat ja keinen ewigen Wert. Man kann ihn also einsetzen wie ein Rädchen in einer Maschine, kann ihn sozusagen verheizen. Er ist ja so leicht zu ersetzen. So spricht man mancherorts ganz schamlos von „Menschenmaterial“. Verschlissenes Material lässt sich austauschen.Es ist nur die Frage ob sich der Austausch lohnt, ob er sich rechnet, wie man auf neudeutsch so unverblümt sagt. Mir sagte einmal ein österreichischer Kolonist in Treze Tilias (einer Siedlung von Oesterreichern auf dem Hochland von Santa Catarina), mit dem ich ins Gespräch gekommen war: „Alles Böse in der Welt
kommt daher, dass die Menschen Gottes Ordnung verdrehen. Für mich steht ganz oben Gott, und sonst nichts. Unter ihm kommt der Mensch, dann die Tiere (einschliesslich meiner Melkkühe), dann die Pflanzen, dann die Sachen und ganz unten das Geld. Das ist wie eine Leiter. Wer die Leiter umdreht, der verdirbt die ganze Schöpfung.“ Ich musste dem Mann recht geben. Wie sieht es mit meiner eigenen Leiter aus? Was ist oben und was ist unten? Welchen Wert messe ich meinen Mitmenschen zu? Meinen Mitgeschöpfen? Meinem Besitz? Welchen Wert besitze ich in meinen eigenen Augen? Die Antwort auf diese Fragen eintscheidet über mein Verhalten zu meinen Mitmenschen – und zu meiner gesamten Umwelt. Sie entscheidet auch über mein Verhältnis zu mir selbst. Wenn ich keinen ewigen Wert habe, nun, dann kommt es ja nicht
darauf an, ob ich dem Schnaps verfalle, ob ich Drogen nehme, ob ich mein Leben verantwortlich lebe oder ob ich es wegwerfe. Jesus Christus hat die Wertleiter, die die Menschen auf den Kopf gestellt hatten, wieder nach ihrem Urbild aufgerichtet. Gebet dem Kaiser, was des Kaisers ist und Gott, was Gottes ist. Du sollst Gott lieben über alle Dinge und deinen Nächsten wie dich selbst. Wahrlich, ich sage dir: Heute noch wirst du mit mir im Paradiese sein. Er hat die Verlorensten und Verachtetsten entdecken lassen, dass sie bei Gott einen unschätzbaren Wert haben. Der verlorene Sohn, der seine Nahrung mit den Schweinen hatte teilen müssen, wird im Vaterhaus aufgenommen als geliebtes Kind, wird mit Ring und Sandalen, mit Festgewand Festmahl empfangen. Auf Gottes Leiter hat der Mensch nicht nur einen hohen Stellenwert, er hat auf ihr einen himmlischen Ehrenplatz. Du hast ihn wenig niedriger gemacht denn die Engel. Er hat seinen Platz da, wo Jesus Christus ist. Im Vaterhaus. In meines Vaters Hause sind viele Wohnungen. Wir haben einen reichen Vater. Warum sollten wir leben, als ob wir Bettlerkinder und Taugenichtse wären? Und wir sollten diese Freudennachricht denen weitersagen, die ihren Wert vor Gott noch nicht begriffen haben.
Pfarrer Lindolfo Weingärtner
Etwas Aufmerksamkeit bitte!
Wohin wir schauen, überall werden wir von Werbung aufgefordert, unsere Aufmerksamkeit einzusetzen. Es herrscht eine Informations- und Reizüberflutung, der man sich kaum entziehen kann. Konsumiert werden sollen Marken statt
Produkte - Quantität statt Qualität. Hat so Aufmerksamkeit einen gleichen oder gar höheren Wert als Geld? Die Dinge und Menschen, die von uns beachtet werden wollen, werden immer mehr, und schon aus diesem Grund wird Aufmerksamkeit heute kaum noch verschenkt. Georg Franck, Professor an der Universität Wien entwickelte 1998 den Ansatz: Das Kapital der modernen Gesellschaft heißt Aufmerksamkeit. Nur wer Aufmerksamkeit erlangt, ist reich. Und wer keine Aufmerksamkeit hat, hat weniger Selbstwertgefühl und ist arm. Das Lächeln eines Babys schafft es, Aufmerksamkeit für sich zu gewinnen. Ganz reflexartig reagieren wir auf einen Hilfeschrei, der uns erreicht: Wir wenden unsere Aufmerksamkeit der Quelle des Reizes zu. „Wie aufmerksam“, bedanken wir uns für ein Geschenk, als „beachtlich“ bezeichnen wir eine Leistung, die uns gefällt. Ist es unter Christen und Christinnen auch so? Wer oder was verdient unsere Aufmerksamkeit? Haben wir nur noch Augen für die großen Dinge oder für das Unglück auf der Welt? Der deutsche Dichter Christian Morgenstern hat einmal die Idee gehabt: „Es müsste Zeitungen geben, die immer das mitteilen, was nicht ist: Kein Krieg! Keine Revolution! Keine Missernte!“ und er meinte: „Die tägliche Freude über die Abwesenheit großer Übel würde zweifellos die Menschen glücklicher machen“. Dazu sagt der Theologe Bodo Winkler: Nun wäre ich misstrauisch, wenn wirklich nur Gutes in der Zeitung stände. Sicher: Manchmal ist es
heilsam, sich klarzumachen: „Es könnte alles anders sein: Viel schlimmer! So selbstverständlich ist das Gute nicht!“ – Dann bekommen wir vielleicht ein Stück vergessener Freude zurück. Aber dazu brauche ich keine Zeitung. Dass Zeitungen viel über Krieg, Verbrechen und schlimme Probleme berichten, das muss sein. Sie tun es oft auf eine ungute, sensationslüsterne Art, aber es steckt trotzdem etwas dahinter, was schon die Bibel weiß: Immer das „Verlorene“: der verlorene Sohn, das verlorene Schaf und sogar der verlorene Groschen... brauchen mehr Aufmerksamkeit als alles, was in Ordnung ist. Geld, das ich verloren habe kann ich mit Glück zurückfinden, aber wenn ich meine Zeit, meine Aufmerksamkeit an irgendetwas verplempert habe, dann bekomme ich das nie mehr zurück. Deswegen ist es so wichtig, sie sinnvoll zu richten. Nicht nur den schlechten Ereignissen, nicht nur egoistisch an sich selbst. Es geschieht täglich vieles Gutes auf der Welt, was unsere Aufmerksamkeit verdient. Viele Menschen warten auf ein kleines Zeichen unserer Beachtung: auf ein ermutigendes Wort, auf einen freundlichen Gruß, auf ein unerwartetes Telefonat, auf einen Brief, auf einen lang versprochenen Besuch. Gott sei Dank, können wir unsere Aufmerksamkeit nicht verkaufen, sondern nur anderen schenken. Theologe Jaime Jung
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JOREV LUTERANO SETEMBRO 2007
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Anúncios Comunitários Neste espaço, a Comunidade pode compartilhar os momentos significativos da vida cristã, como Nascimento, Batismo, Confirmação, Benção Matrimonial, Bodas e Sepultamento. Entre em contato conosco! Com profundo pesar e saudade, participamos o falecimento de...
MARLI LUIZA HORST STROHSCHOEN ...ocorrido em 16 de junho de 2007, no Hospital de Caridade, em Ijuí-RS, alcançando a idade de 61 anos, 11 meses e 11 dias. Marli Luiza nasceu no dia 05 de julho de 1945, em Horizontina, filha de Lotário Horst e Nelly Lautert Horst. Casou-se em 30 de dezembro de 1967 com Ingo Bartz Strohschoen. O casal foi abençoado com duas filhas: Cristina e Karin. Deixou enlutados, o esposo, as filhas, um genro, quatro cunhadas e três cunhados, além de um grande número de parentes e amigos. A família enlutada agradece a todos pela solidariedade e apoio recebidos nos momentos de tristeza e dor. Em especial, aos pastores(as) que a acompanharam durante a enfermidade, pelo conforto espiritual. Marli Luiza foi muito atuante na IECLB. Foi membro nas comunidades de Vila Manchinha, Três de Maio, Horizontina, Panambi e Ijuí. Ocupou vários cargos de liderança, principalmente nas diretorias local e regional/sinodal da OASE. Foi uma das idealizadoras e fundadoras do Grupo de Terceira Idade Martinho Lutero de Horizontina. Durante sua vivência em comunidade dedicou seus dons ao serviço do Reino de Deus participando ativamente também no reencontro de casais, corais, conjunto instrumental, trabalhos manuais, culto infantil, ensino religioso, juventude, departamento de música, grupo de visitação, jornal sinodal (Sínodo Planalto RioGrandense), entre outros. Querida esposa e mãe, somos orgulhosos por teres vivido sabiamente, cultivando o amor fraterno, servindo sem te impor, animando a todos através dos teus múltiplos dons, de forma autêntica e caridosa. As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Jo 10.27-28a
“PAULA AMÁLIA BOECK ENGELMANN Nascimento: 06 OUT 1911 Falecimento: 01 JUN 2007 Querida Mama e Vóvi! Partiste tão repentinamente, mas com certeza não deixaste algo à fazer, pois tudo se concretizou. Nos deixou muitas lições, um exemplo de vida. A convivência com nós sempre foi de uma serenidade e uma paz total. Muitas são as nossas memórias e estas é que a manterá em nossas vidas e em nossos corações. Obrigado por você ter feito parte de nossas vidas. “Vóvi, você sempre será a maior e melhor Vóvi do mundo!” Homenagem das Filhas, Genro, Netos, Bisnetos
5º Encontro Família HAAS Data: 16 de setembro de 2007 Local: Complexo Oktober - Bairro Jardim Bela Vista - Itapiranga/SC Contatos (49)3677-0388 (Rudi Haas) ou (49)99881655 (Erni Haas) E-mail: haas.itapiranga@yahoo.com.br
1º Encontro da Família PORT Data: 14 outubro de 2007 Local: Boa Vista - Ibirubá/RS Contatos (54) 9978.2407 Martim Port (54) 3324.5027 Idércio Port
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Gente Luterana
O Sínodo da Amazônia é formado 11 Paróquias, 89 Comunidades, 56 pontos de pregação, 8051 pessoas batizadas e pelos Estados do Amazonas, Rondônia, Acre, Roraima e parte oeste do Mato Grosso, ou seja, um espaço geográfico enorme e de difícil acesso, mas a nossa gente luterana está bem representada por lá: Rejane Solange Link e Elias Helário Wachholz
Viver fé e harmonia
Ecumenismo de base orientar e incentivar o trabalho dos professores em sala de aula sobre os povos indígenas. Também estamos promovendo intercâmbio de material produzido pelos alunos índios e não-índios”, analisa a incansável Professora, que também está na organização do 3º Acampamento Sinodal da Família, uma iniciativa da PPL Sinodal e demais departamentos. “Preciso conciliar a minha profissão com todas as outras atividades ligada à Igreja, mas participo de tudo que posso, pois adoro estar aprendendo e sendo útil”, revela. Entre as dificuldades de ser IECLB, Rejane cita a Comunidade de Apuí/AM, 600 quilômetros de distância da sua Paróquia em Porto Velho/RO “Temos trabalhos lindos e desafiadores com crianças carentes em Rondônia e Amazonas, mas uma das minhas maiores preocupações é que somente 4 das 11 paróquias se mantêm com recursos próprios e a questão
Rejane Solange Link, 35 anos, mãe de Priscila e Filipe, é Professora de Matemática no Ensino Fundamental e Médio da rede pública do Estado de Rondônia. Natural de Tucunduva/RS, aos cinco anos de idade, Rejane mudou-se para Pimenta Bueno/RO, onde seu pai foi trabalhar como Catequista auxiliando o Pastor Geraldo Schach nos trabalhos pastorais da IECLB. “Lembro bem de ir com meu pai, de barco, rio acima, para realizar cultos, Batizados, casamentos, pois via terrestre era impossível”, rememora. Participante ativa dos cultos infantis, JE e liderança na Comunidade, Rejane nasceu no Rio Grande do Sul, mas diz que o seu coração é rondoniense “Tenho orgulho de falar que moro na Região Amazônica e em Rondônia. Sou fã da cultura pomerana, maior é alcançar a percentual no Sínodo”. auto-sustentabilidade. Atualmente, Rejane é SecreUltimamente, alguns Sítária da Diretoria Sinodal, nodos nos mandam ofertas que Representante são destinadas da OGA, inteaos trabalhos misSomos tímidos em grante do Consionários”. selho Sinodal de Ivone não fala convidar pessoas para Missão e faz em sonho para a nossas atividades parte do GAPI nossa Igreja, mas (Grupo de afirma acreditar Apoio ao Índio) – Comin, onde muito no respeito à diferença e na organizou dois Seminários para aproximação das igrejas em busca professores da rede pública e de um mundo melhor. “Uma das municipal que contaram com a coisas que amo no meu Sínodo é o participação de alguns índios e ecumenismo, principalmente com a seus relatos. “Observei que os igreja católica. Aposto no trabalho Seminários serviram para ecumênico de base”, finaliza.
Elias Helário Wachholz, Servidor Público Federal, nascido em 1960, em Marechal Cândido Rondon/PR, casado com Lúcia há 25 anos e pai de quatro filhas: Carla Simone, Carmem Solange, Cleide Silvane e Camila Sônia, acredita que “se eu levanto todas as manhãs para um novo dia, isso somente é possível porque Deus, em sua graça, permite que isso aconteça. Ser cristão é respeitar o próximo e ser solidário com as pessoas”. Confirmado em Porto Mendes, participante da JE em Pato Bragado e membro do Presbitério, ainda solteiro, em Foz do Iguaçu, Elias, em novembro de 1982, recémcasado, foi morar no Acre, onde só havia pastorado itinerante. “O Pastor residia em Ariquemes, 700 quilômetros de distância. Quando a IECLB enviou um Pastor a Rio Branco, participei novamente do Presbitério
e da organização da Paróquia”, relembra. Em 1993, como bancário, Elias foi morar na capital de Rondônia. “Desde então, faço parte do Presbitério da Comunidade de Porto Velho, ora como Tesoureiro, ora como Presidente. Também fui Presidente da Instituição Beneficente Oficina Criativa Luterana – a escola da Comunidade”,
explica o Presbítero, que também foi Tesoureiro do Distrito RegionalNoroeste, primeiro Presidente do Conselho Sinodal, da Assembléia Sinodal do Sínodo da Amazônia e Presidente do Conselho Sinodal, além de representante do Sínodo no Concílio. Com este período de intenso envolvimento nas atividades da IECLB, Elias conta que percebeu a importância da Igreja na sua vida “O trabalho na Igreja sempre foi fonte de inspiração para uma vida correta e digna, de respeito aos valores morais e à família”, mas ser Igreja no Sínodo da Amazônia não é tarefa fácil, pois as grandes distâncias elevam os custos de manutenção das Paróquias, um dos maiores desafios que a Igreja enfrenta no Norte. “Ser Igreja Luterana nesse contexto de migrantes em busca de terra e riqueza, em meio aos interesses desenvolvimentistas e de preservação ambiental é bem diferente de outras regiões. Um maior comprometimento dos membros com a Igreja também é uma grande questão a ser trabalhada”, desabafa. Elias não tem sonhos para a IECLB, pois se considera de uma
Almejo uma Igreja solidária em que haverá conforto para todos geração que faz a IECLB que está aí. “Nossos pais estão morrendo e nossos filhos, muitas vezes, não freqüentam a Igreja na qual os batizamos. Também não sabemos atrair outras pessoas. Vivemos um momento de crise”, diz, mas ele tem esperança, pois acredita que, no futuro, a nossa Igreja fará diferença na vida das pessoas “Os novos caminhos surgem nos momentos difíceis. Almejo uma Igreja efetivamente solidária em que haverá conforto para todos, sem shows ou espetáculos”.