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Jornal Evangélico Luterano - Ano 36 - nº 700 - Outubro 2007

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LUTERANO

www.luteranos.com.br

JOREV LUTERANO OUTUBRO 2007

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JOREV

JORNAL EVANGÉLICO LUTERANO - IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL - ANO 36 - OUTUBRO DE 2007 - Nº 700 Tema: No poder do Espírito, proclamamos reconciliação

Lema: Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos (Atos 4.29)

A Reforma Luterana

As origens da IECLB

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Lutero e Catarina

Ser evangélico luterano


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Editorial

Ser sal luterano Um dos desafios lançados na ‘resposta’ de Lutero na última edição do Jorev (setembro), foi o de ‘ser sal luterano na sopa religiosa do Brasil’. Lembrei da pesquisa realizada pela Secretaria Geral junto à OASE. A questão era: que assuntos e temas permeiam o dia-a-dia das mulheres que participam destes grupos? O conjunto dos depoimentos foi surpreendente. De um lado, revelou uma angústia profunda diante de uma realidade sócio-econômica que dificulta e, em certa medida, praticamente inviabiliza possibilidades de vislumbrar horizontes possíveis, ou seja, destrói a esperança. Revelou também uma impotência assustadora diante desta realidade. Dentre os muitos depoimentos, um dizia o seguinte Nos preocupa a violência nesta vida! Liga-se a

Canal direto Egon Schwarz, 62 anos, primeiro Presidente do Sínodo Nordeste Gaúcho, é Agente do Jorev Luterano com muito orgulho. “Sou leitor do Jorev desde sempre. Gosto muito do jornal, além disso, é o jornal da nossa Igreja!”, explica. Natural de São Luiz Gonzaga/RS,

Jorev

Luterano IECLB Jornal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil www.luteranos.com.br PASTOR PRESIDENTE P. DR. WALTER ALTMANN SECRETÁRIO GERAL P. DR. NESTOR FRIEDRICH JORNALISTA RESPONSÁVEL LETÍCIA MONTANET-REG. PROF.: 10925 ADMINISTRAÇÃO / COMERCIAL CRISTIANO HENRIQUE LAMB CARTAS - SUGESTÕES DE PAUTA ARTIGOS - ANÚNCIOS FAMILIARES E ANÚNCIOS COMERCIAIS RUA SENHOR DOS PASSOS, 202/3 90.020-180 - PORTO ALEGRE/RS FONE: (51) 3227.1258 FAX: (51) 3225.7244 E-MAIL: jorev@ieclb.org.br SECRETARIA GERAL - IECLB FONE: (51) 3221.3433 ASSINATURA ANUAL - 11 EDIÇÕES R$ 18,00

televisão e existe só coisa ruim. Predominam as drogas, os assaltos... Esperamos um mundo melhor, mas quando? As pessoas não se entendem mais. Quantas pessoas passam fome e isto é muito triste... Por outro lado, a intensidade dos clamores revelou uma compreensão de mundo, de igreja e de responsabilidade evangélica que faz diferença, que revela um jeito de ser sal. Evidenciou uma consciência crítica em relação ao contexto histórico, aos limites que a realidade impõe à vida enquanto cidadãs cristãs

e ao compromisso no sentido da transformação dessa realidade, ou seja, as mulheres têm consciência de temas relevantes que permeiam suas vidas e esperam de sua igreja ‘de confissão luterana’ uma palavra que ajude na construção e articulação de um projeto de vida com as marcas da esperança. Lutero respondeu aos anseios do povo de sua época apontando para o Cristo crucificado enquanto sinal do amor de Deus aos que não o merecem, mas, ainda assim, são amados por ele. É lá na cruz que Deus quer ser reconhecido como Deus e é de lá que brotam a fé e a esperança que superam todo o mal e nos dão coragem para temperarmos a vida.

do Jorev “A espera sempre é com grande expectativa, mas o pessoal não costuma comentar sobre páginas específicas, apenas um leitor sempre analisa e comenta. Recentemente, ele falou a respeito da nova diagramação, do colorido em algumas páginas, principalmente as centrais, e dos ótimos conteúdos em forma de matérias e entrevistas”, conta Egon, que tem a sua preferência “Gosto de todo o jornal, mas, em especial, da página 11 – Fé Luterana, pois há sempre uma palavra interessante”, completa.

CARTAS

Ao Jorev Escrevo para compartilhar com os demais leitores que o Jorev é ótimo, pois nos deixa informados sobre o que acontece na nossa IECLB e também presta um grande auxílio em termos de atividades que podemos desenvolver na Comunidade.

Saúdo a todos e todas, expressando também os meus cumprimentos e bons votos à Redação do Jorev. Saúde e paz! P. em. João Pedro Brueckheimer Blumenau/SC

Reforma Chegamos aos 490 anos da Reforma Luterana, comemorado em 31 de outubro, momento histórico, ocorrido em 1517, em que Martim Lutero fixou as famosas 95 teses à porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, na Alemanha, fazendo nascer o debate teológico e dando um novo rumo à história da religiosidade cristã.

Pastor Nestor Friedrich Secretário Geral da IECLB

Egon foi morar em Canela/RS em 1994, transferido como funcionário da Caixa Econômica Federal. Atualmente aposentado, o ex-Presidente Sinodal, pertencente à Comunidade com funções paroquiais São João, em Canela, que conta com um Ponto de Pregação em São Francisco de Paula, cidade vizinha, dedica-se a aproveitar o merecido descanso, mas sempre promovendo o Jorev Luterano na Comunidade juntamente com a Pastora Christa Starosky Fleck, outra fiel leitora e assinante no nosso jornal. Na região, os leitores gostam muito

À Redação do Jornal Evangélico Luterano Sou novo assinante do Jorev desde julho último e já consegui mais um assinante aqui da região do nosso Sínodo. Este meu empenho expressa que apreciei a nova forma de jornalismo, identificado com a nossa IECLB, pois, já agora, o jornal é, acima de tudo, teológico e poimênico, pelo que vai mais ao encontro do anseio e da necessidade da nossa gente. Quanto à apresentação, parabéns ao artista Walter Berner pelo lindo trabalho publicado! Como último item, sublinho com gratidão as colocações do nosso Presidente, P. Dr. Walter Altmann, em ‘Somos igreja – que igreja somos’.

Diário da redação

Parabéns! Marli Zenker Pacheco Cerro Grande do Sul/RS Este espaço é seu A sua opinião é fundamental no nosso trabalho. Conhecer suas preferências, ouvir suas dicas de pauta, suas sugestões para o jornal e seus comentários sobre as nossas matérias é muito importante para que possamos sempre oferecer um Jorev melhor para você. Faça o seu Jorev. Escreva para nós e participe! Capa e Editorial Ambas as obras são do pintor Lucas Cranach (1472-1553).

Para estimular a reflexão em torno do tema da Reforma Protestante e da confessionalidade luterana, na edição de agosto publicamos nas páginas centrais a carta de Martinus Torneirus, na pessoa do P. Dr. Martin Norberto Dreher, um documento que faz uma bela e importante análise dos pilares da nossa confessionalidade luterana com base em um relato do nosso momento atual, propondo alguns questionamentos a Martim Lutero. Para nossa satisfação, na edição seguinte, setembro, Martim Lutero (Martinus Eleutherius), representado pelo P. Dr. h.c. Gottfried Brakemeier, respondeu à carta de Martinus Torneirus, oferecendo valiosos subsídios para nossa meditação. Agora, após esta introdução ao tema, feita em grande estilo pelos nossos Pastores Martin Norberto Dreher e Gottfried Brakemeier, convidamos o P. Ms. Osmar Luiz Witt para fazer uma revisão histórica sobre as questões que estavam em pauta naquele momento da Reforma, com seu contexto e significado, apresentada aos nossos leitores nas páginas centrais. Como presente especial, oferecemos esta edição em homenagem ao aniversário da Reforma. Temos o prazer de levar aos leitores não apenas as páginas centrais, mas uma edição inteira voltada à Reforma e à Confessionalidade Luterana, com entrevistas, matérias e textos que nos levam a conhecer, relembrar e refletir sobre as nossas origens e a nossa missão no Brasil e no mundo.


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Curtas

180 anos de história e fé No dia 25 de junho, a Paróquia M a r t i n Luther/RJ completou 180 anos e esta data tão expressiva não poderia deixar de ser comemorada de forma marcante. Com culto de abertura no dia 17, foram iniciadas as comemorações diárias, que se seguiram com Noite de Homenagens, Almoço Beneficente na Sociedade Germânia, comemoração dos 45 anos do Grupo de Encontro, Reflexão e Fé, Seminário sobre Luteranismo, exibição do filme Lutero, debate e churrasco na Noite dos Jovens e concerto de órgão com o belga Johan Hermans. O encerramento foi preparado pelo Pároco, P. Dorival Ristoff, com culto solene co-celebrado por todos os Pastores luteranos das Paróquias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, pelo Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste, Guilherme Lieven, e com prédica do Pastor Presidente, Dr. Walter Altmann, registrando a presença de inúmeros representantes de denominações co-irmãs. Na ocasião, foi lançado o livro 180 anos de História e Fé, que resgata algumas lembranças desta linda caminhada. __________.....__________ General Câmara inaugura templo Desde 1965, a Comunidade de General Câmara/RS sonhava com a construção do templo para celebração

dos cultos, que eram realizados em um salão. Foi um longo período de espera e, apesar de ser uma Comunidade de poucos membros, com a doação e colaboração de cada um e de moradores da cidade, esse sonho se tornou realidade e, no dia 8 de julho, às 9 horas, foi realizado o culto inaugural com a presença do Pastor Sinodal Enos Heidemann, que conduziu o ato de inauguração, consagração e a prédica sob o texto dos dois fundamentos de Mateus 7.24-27, para um público de 150 pessoas. O louvor foi ministrado pelo grupo Manancial, da Comunidade de Camaquã/RS, e pelo Coral feminino da Assembléia de Deus, de General Câmara. Após o culto, foi servido um almoço com som ao vivo do grupo gaúcho Chama da Adoração.

Aniversário em Santa Maria de Jetibá No decorrer da história, a data de 17 de julho firmou-se como o dia do aniversário do Grupo de Trombonistas de Santa Maria de Jetibá/ES. Tudo começou no ano de 1927, quando Hermann Roelke, segundo Pároco a residir em Santa Maria, incentivou a formação do grupo, agora octogenário, que atua até os dias de hoje, sem interrupção.

Como a data de 14 de julho, aniversário do atual templo, também é histórica, a Comunidade celebrou os dois aniversários na mesma noite com a participação de, aproximadamente, 500 pessoas da Comunidade, além dos grupos de trombonistas de Comunidades vizinhas, formando um conjunto de 80 instrumentistas. Sob a regência de Izidoro Boldt, o grupo embelezou a noite com a apresentação de várias músicas. Encerrada a celebração no templo, os presentes saborearam o bolo de aniversário em comemoração aos 89 anos de inauguração do templo e aos 80 anos do grupo de trombonistas da Comunidade de Santa Maria de Jetibá. __________.....__________ Cosmópolis em festa Neste ano, no dia 29 de julho, quando a Comunidade de Cosmópolis/SP completa 105 anos de existência, a comemoração aconteceu com a reinauguração do seu templo. Construído na década de 70, o templo, apesar da construção sólida, apresentava goteiras em épocas de chuvas e o forro estava bastante deteriorado. A Comunidade empenhou-se na captação de recursos e a realização dos cultos foi transferida para as dependências do Salão Comunitário para que fosse promovida a reforma do templo. Para comemorar, foi realizado um culto festivo que contou com a

presença de mais de 150 pessoas. Após o culto, todos se reuniram para confraternização na qual não faltaram o bolo e outros quitutes trazidos pelos membros da Igreja. Situada na região Centro-Oeste do Estado de São Paulo, a Paróquia congrega as Comunidades de Cosmópolis e Artur Nogueira, sendo atendida pelo Pastor Leandro Luís da Silva desde agosto de 2005.

Concerto em Petrópolis/RJ Aconteceu em 3 de agosto, no Templo da Comunidade Luterana em Petrópolis, um belíssimo concerto com repertório vasto, apresentado pelo Coral dos Canarinhos de Petrópolis e pela Camerata Vocale de Freiburg, Alemanha. Este evento cultural é mais um marco da presença luterana voltada para a sociedade petropolitana, promovendo nesta oportunidade ímpar uma acolhida calorosa e ecumênica. A noite foi agradável e o público presente pode apreciar e aplaudir de pé o canto e o louvor a Deus. Estiveram presentes em torno de 250 pessoas, entre espectadores e coralistas.

Sobe 31 de outubro – Comemoração dos 490 anos da Reforma Luterana.

Desce A falta de solidariedade com Comunidades e Paróquias mais pobres financeiramente .

Ofertas Nacionais 7 de outubro 19º Domingo após Pentecostes

Os Canarinhos de Petrópolis, jovens cantores da Escola Bom Jesus, dos Franciscanos, já consagrados no exterior, estão sob a regência e direção do Maestro Marco Aurélio Lischt, e a Camerata Vocale de Freiburg é dirigida pelo Teólogo e Professor Winfried Toll, ambos internacionalmente reconhecidos e premiados. __________.....__________ UP de Campinas promove encontro de lideranças A União Paroquial de Campinas/ SP, Sínodo Sudeste, promoveu, no dia 4 de agosto, no Lar Luterano Belém, um encontro de Presbíteros e lideranças que teve como tema ‘visitas’, parte do projeto missionário

Educação Cristã Contínua Uma das tarefas da Igreja, a partir do Evangelho de Jesus Cristo, é promover a Educação Cristã Contínua entre as pessoas batizadas ou que estejam se preparando para receber o Batismo. A Educação Cristã está presente em todas as fases da vida e por meio dela nos preparamos para testemunhar o amor de Deus e responder ao seu chamado, anunciando a sua palavra e servindo uns aos outros conforme os dons que recebemos. Esta oferta contribuirá para promover e manter diversos programas que fortalecem e edificam a Comunidade por meio das equipes sinodais de Educação Cristã Contínua. 28 de outubro 22º Domingo após Pentecostes

da UP de Campinas. Participaram do encontro 56 pessoas das 7 Paróquias filiadas a UP entre Presbíteros, lideranças e Obreiros, contando ainda com a presença do Pastor Sinodal Guilherme Lieven e do Presidente do Conselho Sinodal Miltom de Oliveira, também representante do Sínodo no Conselho de Igreja. Os preletores do encontro foram os Pastores Mauri Kappel e Eldo Krügel da Paróquia de Rio Claro, também Vice-Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste. Houve oportunidade para a reflexão sobre os resultados do tema no Seminário Fé, Gratidão e Compromisso e foram compartilhadas as principais atividades e metas do Sínodo e da IECLB para 2008.

Projeto apoiado pelo Fundo de Missão no Sínodo Brasil Central No Sínodo Brasil Central, situado no coração do Brasil e rico em sua diversidade de culturas, raças e religiosidade, muitos ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o Evangelho e pertencer à família de Deus. A Oferta Nacional destinada para o Projeto Missionário no Sínodo Brasil Central quer auxiliar na obra do Senhor. A IECLB, que tanto tem sido abençoada, quer ser uma benção, se tornar conhecida também no Brasil Central e levar pessoas ao conhecimento de Jesus Cristo. Seja nas capitais, nas cidades ou no ambiente rural dos Estados de Minas Gerais, Tocantins, Distrito Federal, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Goiás e Bahia, No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação e não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.


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Atualidade

Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - origens

I Concílio Geral da Federação Sinodal, realizado de 14 a 16 de maio de 1950, em São Leopoldo/RS

Como surge a Igreja de Jesus Cristo? Como surgiu a nossa Igreja, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil? Neste momento em que comemoramos os 490 da Reforma Luterana, de maneira a apresentar para alguns e relembrar para outros as origens da IECLB, fizemos estas perguntas ao P. Dr. h.c. Joachim Herbert Fischer e a resposta vem no texto que seque. Jesus chamou pessoas a se juntarem a ele Venha comigo (Mateus 9.9b). Prometeu a seus seguidores e seguidoras Onde dois ou três estão juntos em meu nome, eu estou ali com eles (Mateus 18.20). Está presente em sua palavra e nos sacramentos que instituiu, o Batismo e a Santa Ceia - presente todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28.20b). Tais reuniões de pessoas são Igreja de Jesus Cristo. É a Igreja da fé da qual confessamos no Credo

Apostólico ‘Creio na santa Igreja Cristã’. Ela permanece sempre através dos tempos no mundo inteiro. É única e universal. É santa, santificada pelo Espírito Santo, e apostólica, baseada no testemunho dos apóstolos e apóstolas. Os seguidores e as seguidoras de Jesus Cristo organizam-se em comunidades locais. Essas se unem em Igrejas regionais. Muitas vezes, as Igrejas regionais de um país formam uma Igreja nacional. Tanto comunidades locais como Igrejas regionais e nacionais têm aspectos humanos, são instituições, como dizem os Sociólogos, mas, em todas elas, os olhos da fé enxergam a Igreja de Jesus Cristo. No âmbito da atual IECLB, também trilhamos esse caminho. A partir de 1824, com a imigração de protestantes, sobretudo alemães, surgiram comunidades locais. Entre

1886 e 1912, comunidades locais formaram quatro Igrejas regionais: uma no Rio Grande do Sul (1886), duas em Santa Catarina, no Paraná e no Espírito Santo (1905 e 1911, respectivamente) e uma no Brasil Central (1912). Essas Igrejas regionais foram chamadas de ‘Sínodos’. Eram independentes entre si. Para distingui-los dos atuais Sínodos, costumam ser chamados de ‘os Sínodos antigos’. Os quatro Sínodos tinham a mesma origem, atuavam no mesmo país e estavam diante dos mesmos desafios. Não deviam trabalhar juntos? Por volta de 1938, começaram a discutir uma cooperação mais estreita entre eles, mas o processo foi interrompido pela 2ª Guerra Mundial (1939 - 1945), devido às restrições impostas às comunidades de origem alemã, sendo retomado após a época da guerra e levando à constituição da Federação Sinodal, a associação dos quatro Sínodos, em 26 de outubro de 1949. O 1º Concílio Geral foi realizado de 14 a 16 de maio de 1950, em São Leopoldo/RS. Em quatro teses, apresentadas por Hermann Dohms, Pastor Presidente do Sínodo Riograndense, e aprovadas por unanimidade, o Concílio declarou como a Federação se entendeu a si mesma: como Igreja de Jesus Cristo no Brasil, portanto, como Igreja de abrangência nacional, plenamente inserida no país e baseada na Sagrada Escritura, determinada pela Confissão de Augsburgo e o Catecismo Menor de Martim Lutero, portanto, de confissão Luterana.

Mudanças na IECLB Joachim Herbert Fischer nasceu na Alemanha, onde cursou Teologia, doutorando-se em História da Igreja. De 1960 a 1992, lecionou na Faculdade de Teologia, hoje EST. P. Joachim Fischer ainda desenvolveu pesquisas sobretudo nas áreas da história da Reforma religiosa do século XVI e da IECLB. Atualmente, é integrante da Diretoria do Arquivo Histórico da IECLB e da Comissão de Avaliação de Obreiros do Sínodo Rio dos Sinos, além de colaborador do ‘Castelo Forte’.

A Federação Sinodal, criada em 1949, depois chamada de Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, assumiu, inicialmente, apenas algumas poucas tarefas comuns, mas rapidamente manifestou-se o desejo de unificar ainda mais a Igreja nacional. Em 1962, fundiram-se os dois Sínodos que trabalhavam em Santa Catarina e no Paraná, formando o Sínodo Evangélico Luterano Unido. Uma reorganização interna muito mais profunda (Reestruturação) foi aprovada pelo 6º Concílio Geral, em 1968. Os três Sínodos foram incorporados plena e definitivamente na IECLB. Essa continuou sendo Igreja de Jesus Cristo no Brasil, mas tornou-se uma instituição centralizada, subdividida, inicialmente, em quatro Regiões Eclesiásticas (REs), depois em sete e uma em formação. Durante 30 anos cresceu na IECLB a consciência de unidade, mas, frente às grandes distâncias e à diversidade regional no país, resolveu-se descentralizar a Igreja, com maior autonomia para as unidades menores e, desde 1998, está em vigor a atual estrutura da IECLB, com a subdivisão em 18 Sínodos.

Bush, Saddam e Lutero Meus parentes chegaram do trabalho e havia um aviso na porta mandando-os deixarem a nossa casa, disse Ibrahim Dawood ao repórter de um jornal brasileiro. Fatos como estes repetem-se aos milhares, diariamente, no Iraque dos últimos meses, em razão da guerra declarada por Bush em 2003, sob o pretexto de que Saddam Hussein detinha armas químicas. Entre as pessoas que são obrigadas a abandonar seus lares estão cristãos iraquianos. Aproximadamente, 600 mil deles tiveram que abandonar as suas casas. A guerra e os conflitos religiosos exacerbados por ela não fazem distinção de credo. Mais de 26 milhões de iraquianos tiveram que deixar a sua terra natal. Desses, dois milhões são refugiados internos e um outro tanto teve que abandonar o país. Centenas de milhares desejam ir morar nos Estados Unidos, mas o Governo Bush freia o processo temendo que terroristas se misturem com esta população. No Iraque, por sua vez, quem deseja migrar para os USA é tido por traidor. O que este drama tem a ver com Lutero? Ele se envolveria com uma situação como essa se vivesse hoje? Se olharmos para a sua atuação e para os seus textos, diríamos

que sim. Lutero não ficou impassível diante do avanço dos turcos — leia-se muçulmanos — sobre a Europa. Lutero escreve um sermão sobre o assunto, quando as tropas turcas sitiavam Viena. Quando veio a público o seu sermão, as tropas já tinham sido contidas.

Hoje, Lutero pediria 101 florins para a educação Mesmo que o seu sermão não tivesse influência sobre os acontecimentos naquele momento, ele não deixou de ser um testemunho de fé diante de fatos (des)humanos como a guerra. Lutero não se acovardou diante do acontecimento político-militar. Falou sem medo e trouxe uma nova visão para o seu e o nosso tempo, contestando Bush e o enforcado Saddam. Não cabe ao papa ou a qualquer autoridade eclesiástica convocar forças armadas para defender, em nome de Deus, o território. Isto é responsabilidade de Governo. Com isto, a guerra perdeu a justificativa religiosa. Não há, pois, guerra santa.

Neste sentido, cai por terra o discurso cristão de Bush, que buscava razões religiosas para a entrada do seu país na guerra. Bush mentiu duas vezes ao não assumir o caráter político do seu plano: usou o nome de Deus em vão para mentir a seu povo e ao justificar o seu intento dizendo que o Iraque teria armas químicas. Saddam, por sua vez, também quis irmanar o mundo muçulmano contra os USA firmando-se na idéia de guerra santa contra os idólatras ocidentais. Uma mentira não justifica a outra. Para Lutero, a guerra é um assunto político frente ao qual os cristãos não devem se omitir. Nem as mulheres nem as crianças. Por causa desta visão, ele pôde afirmar diante do avanço iminente das tropas turcas que governantes, mesmo assim, deveriam dar cem florins para educação e um para a guerra. Hoje, com certeza, ele pediria 101 florins para a educação.

Dr. Oneide Bobsin Pastor da IECLB e Reitor da EST


Presidência

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Que é confessionalidade? A IECLB é igreja evangélica ‘de confissão luterana’. Que significa isso? A confessionalidade luterana é o rosto que temos como igreja. Se escondemos nossa confessionalidade, estamos escondendo nosso rosto. Se perdêssemos nossa confessionalidade, teríamos perdido nossa própria identidade. Assim, é importante conhecer nossa confissão e isso por duas razões principais. A primeira delas é interna à própria IECLB. Nossa origem histórica como igreja abriga diversas tradições teológicas e espirituais. Também hoje temos internamente diversas correntes e movimentos com suas peculiaridades. O que nos une – ou deveria unir – é nossa confissão luterana comum. A segunda razão é externa. Há uma crescente ‘oferta’ no ‘mercado religioso’. Por que somos como somos? É importante que os

membros da IECLB saibam o que significa ser de ‘confissão luterana’, poder dar testemunho dela. Nosso fundamento confessional por excelência é a Escritura, Antigo e Novo Testamentos, por isso temos no

A confessionalidade luterana é o rosto que temos como igreja nome da Igreja a palavra ‘evangélica’. O evangelho é o coração da Escritura, mas todas as igrejas se reportam à Escritura e procuram segui-la. Ainda assim, cada uma delas tem também um determinado jeito de interpretálas. É onde entram os chamados ‘escritos confessionais’. No caso da IECLB, trata-se dos credos da Igreja Antiga, da Confissão de Augsburgo (1530) e do Catecismo Menor de Lutero

Apoio às vítimas do terremoto

(1529). Entendemos que, no fundamental – o evangelho da graça de Deus, a ser acolhida em fé –, esses escritos interpretam corretamente a Escritura. Assim, quando lemos os escritos confessionais é como se olhássemos em nosso espelho como igreja. Assim somos, assim nos apresentamos, assim testemunhamos. Assim confessamos nossa fé. É bem verdade que também adquirimos traços do contexto em que vivemos, ‘no Brasil’. Assim também consta em nosso nome, mas nossa identidade está dada na ‘confissão luterana’.

P. Walter Altmann Pastor Presidente da IECLB

Missão África O Pastor 1º Vice-Presidente da IECLB e Coordenador de Missão Global, Pastor Homero Severo Pinto, esteve em viagem a Moçambique e Angola entre os dias 29 de julho e 11 de agosto e conta que foi muito bem acolhido por todos. No dia 31 de julho, participou da reunião do Conselho da Igreja Evangélica Luterana em Moçambique (IELM). Entre diversos outros assuntos, a reunião propiciou a troca de informações ainda sobre o caso da Irmã Doraci Edinger. Foi manifestado diversas vezes o quanto sentiam pela sua perda. “Cruzar o oceano e, em solo africano, cantar Sempre quero estar contigo e Graças dou por esta vida evoca muitos sentimentos. Isso foi o que ocorreu

Consternada pela catástrofe ocorrida no Peru e solidária às vítimas do terremoto, a IECLB iniciou um movimento para coletar recursos que serão canalizados à Igreja Luterana Evangélica Peruana (ILEP). As ofertas e doações devem ser depositadas em conta bancária aberta especialmente para este fim. O terremoto que abalou o Peru no dia 15 de agosto atingiu 7.9 graus na escala Richter, causando um grande número de vítimas, especialmente na cidade de Ica, ao sul de Lima, capital do Peru, e cidades circunvizinhas. Em todo o país, houve um número muito significativo de pessoas mortas e feridas. A ILEP, uma pequena igreja legalmente constituída desde 1992, congrega 1.100 membros, organizados em 17 comunidades localizadas principalmente na capital e em outras quatro cidades do país, e, desde 2005, é membro da Federação Luterana Mundial (FLM). Mobilizada e trabalhando em conjunto com a

agência ecumênica ACT Emergências, a ILEP participa do mutirão de solidariedade que foi organizado no país para o atendimento às vítimas. O Pastor Presidente da ILEP, Pedro Bullón Moreano (que estudou no IEPG, em São Leopoldo/RS), agradeceu pelos primeiros sinais de solidariedade já recebidos. “Saibam, irmãs e irmãos, que a ajuda e o acompanhamento que vocês nos oferecem tem um valor inestimável para a ILEP. Lembramos, neste momento, que seguimos orando por nossa comunhão.”

A conta bancária aberta para acolher as ofertas é: Favorecido IECLB terremoto no Peru CNPJ 92.926.864/0001-57 Banco Bradesco Agência 0491-0 Conta Corrente 575.200-0

durante a reunião do Conselho da IELM. No momento em que usei da palavra para pronunciar-me em nome da IECLB, o fiz saudando com o Lema No poder do Espírito, proclamamos reconciliação. Se, por um lado, não é possível esquecer o que ocorreu com uma Obreira da IECLB que estava servindo a Deus em terra moçambicana e do resultado final do processo, por outro, a missão para qual fomos chamados por Cristo convida-nos para que, por meio do poder do Espírito Santo, mesmo em meio à dor e ao sofrimento, possamos ter um novo olhar a partir do Evangelho”, afirmou o Pastor 1º Vice-Presidente.

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Programa de visitas reforça unidade Com o objetivo de compartilhar e reforçar o modelo da IECLB de ser Igreja, além de proporcionar um momento de diálogo sobre questões mais gerais, o Pastor Presidente, Dr. Walter Altmann, participou de diferentes conferências de Obreiros: no dia 24 de julho, esteve na Comunidade de Alto Jatibocas, no município de Itarana/ES (Sínodo Espírito Santo a Belém), em 7 de agosto, participou da conferência do Núcleo do Vale do Rio Pardo, em Ferraz/RS (Sínodo Centro Campanha Sul), e, no dia 8 de agosto, esteve na reunião realizada em Sertão Santana/RS (Sínodo Sul-Riograndense). “O programa de visitas acontece desde o início do ano”, comentou P. Altmann. “A idéia é apresentar questões relativas à base bíblica e à base confessional de uma igreja, esclarecer sobre diferentes modelos eclesiológicos e entender qual é o nosso, falando a partir do enfoque bíblico, confessional e dos regulamentos da IECLB”, esclareceu. Em um momento quando há uma enorme diversidade de igrejas e de correntes teológicas – e um diálogo com elas, “é essencial fortalecer o conhecimento sobre o que é característico da IECLB, para não perdermos a nossa identidade”, confirmou o Pastor Presidente. A programação de visitas segue até o final do ano. Nos próximos meses, a participação da Presidência se dará nas conferências de Obreiros realizadas em Osório/RS, São Leopoldo/RS, Campinas/ SP e Bela Vista/Ituporanga/SC.

AGENDA DA PRESIDÊNCI A PRESIDÊNCIA OUTUBRO 12-14/10 Conferência de Obreiros/as do Sínodo Brasil Central Goiânia/GO P. Homero Pinto 14/10 V Encontro Nacional de Trombonistas Schroeder/SC P. Walter Altmann 15-16/10 Conferência de Obreiros/as do Sínodo da Amazônia Cacoal/RO P. Carlos Möller 16-18/10 Conferência da Sociedade Missionária Norueguesa com líderes de Igrejas parceiras Stavanger/Noruega P. Homero Pinto 19/10 Diretoria do CI Porto Alegre/RS P. Walter Altmann 19-21/10 III Seminário Nacional de Educação Cristã Porto Alegre/RS P. Walter Altmann P. Homero Pinto 25/10 Conferência de Obreiros/as do Sínodo Vale do Taquari Canabarro/RS P. Walter Altmann 28/10 Dia da Igreja do Sínodo Sul-RioGrandense Tapes/RS P. Walter Altmann 29/10 Palestra na FATEV Curitiba/PR P. Walter Altmann


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Ministério

Ser evangélico luterano: um jeito de crer, viver e celebrar o Evangelho de Cristo O que esta data (31/10) diz para a Comunidade? Diz que em todas as circunstâncias da vida e da história o Evangelho de Cristo precisa ser colocado em primeiro lugar, lido, estudado, interpretado e indicar caminhos. Neste ano, em especial, o dia da Reforma nos diz que há muito a ser feito, há um longo caminho de diálogo a ser trilhado e obstáculos a serem superados. Infelizmente, com os últimos documentos papais, ficou claro que sob muitos aspectos, a Reforma ainda não foi compreendida e muito menos aceita pela cúpula Romana e que o nome Martim Lutero continua constrangendo alguns setores da Igreja Católica Romana. Eloir Enio Weber, nascido no dia 29 de julho de 1970, em Três Passos/RS, é casado com Sibele Ivania Massirer, Professora de Matemática e Catequista da IECLB, e pai de Sofia, nascida em junho de 2005. Pastor da IECLB desde 2000, Eloir atuou na Paróquia Evangélica em Igrejinha/ RS, por seis anos e, desde agosto de 2006, é Pastor na CEPA – Paróquia do Salvador, em Porto Alegre/RS.

Como você resumiria a Reforma Luterana? Um movimento que transformou, por meio do Evangelho, não só a Igreja, mas também o mundo. O movimento da Reforma não ficou restrito aos muros da Igreja, mas alcançou as mais diversas áreas da vida: antropologia, política, cultura e sociedade. Não foi um movimento separatista, mas uma oportunidade de reflexão e crescimento do Corpo de Cristo, a Igreja. Penso, inclusive, que o movimento da Reforma desencadeado por Martim Lutero foi muito importante para o próprio Catolicismo Romano, que se viu obrigado a fazer uma releitura da sua prática eclesial e da sua forma de fazer teologia, que tornava o Evangelho de Cristo inacessível para as pessoas de fé.

O que temos para comemorar? Temos a comemorar que o véu que cobria a Bíblia foi retirado. Penso que o luteranismo e a forma de ser Igreja que ele trouxe é motivo de comemoração. Comemorar é também ser grato a Deus porque ele foi o agente da Reforma e é o Senhor da Igreja de Jesus Cristo da qual somos parte e temos um papel específico e muito rico, como Igreja da Reforma. Considera que a Comunidade passou a ter (mais) espaço na vida religiosa, após a Reforma Luterana? Sem dúvida. A iniciativa de traduzir a Bíblia para a linguagem que o povo conhecia e falava (alemão) trouxe uma forma ampliada de viver a fé cristã. A compreensão de Igreja e de Ministério está diretamente ligada a uma comunidade de pessoas reunidas em torno do Evangelho de Cristo, que recebe o amor de Deus que é graça, mas que tem responsabilidade para com a vivência da Palavra e dos Sacramentos na vida das pessoas.

O que mais o atrai na forma de pensar da religião luterana? A antropologia, ou seja, visão de ser humano, é um dos aspectos muito ricos da Teologia Luterana. A partir da visão bíblica, Lutero defendeu que o ser humano é simultaneamente justo e pecador: apesar da natureza humana pecaminosa e decaída, somos justificados pela graça de Deus, a partir da fé em Jesus Cristo. Esta forma de conceber a vida humana nos dá dignidade e nos coloca em pé de igualdade em relação aos nossos semelhantes, não estamos acima nem abaixo, porque Deus nos torna dignos e nos concede o verdadeiro valor. Especialmente na IECLB? São muitos os motivos que me enchem de orgulho de ser Evangélico de Confissão Luterana: a riqueza teológica que herdamos e preservamos, a liturgia que é moldada a partir de uma ordem que tem lógica e vem da vertente das primeiras comunidades cristãs e a organização em comunidades nas quais as pessoas têm voz, têm espaço para dar suas opiniões e para celebrar as alegrias e as tristezas da vida. Dos planos da Reforma, o que falta colocar em prática e/ou o que deveria, hoje, ser ‘reformado’? Lutero defendeu a idéia de que a Igreja deve estar em constante reforma. A história da Igreja não é estática, mas está em constante movimento. Certamente, muitos aspectos da Reforma precisam ser praticados e reinterpretados. Um dos grandes sonhos de Lutero era a educação cristã para as crianças, em seus lares. Função que deveria ser assumida pelos próprios pais. Percebemos que, de modo geral, as famílias estão se distanciando desta tarefa. Uma das funções fundamentais do Catecismo Menor era a educação de fé nos lares, desde a mais tenra idade.

Paz para todas as pessoas! Reforma: ato ou efeito de melhorar; mudança para melhor. Estes são dois dos significados da palavra Reforma. Lutero na sua Reforma deu ênfase a algo que não estava adaptado, conseqüentemente não acessível ao povo da época: a Bíblia. Refletimos e celebramos o quanto foi abençoada a postura de Lutero ao querer incluir todas as pessoas no conhecimento da Palavra de Deus. Neste sentido, também somos convidados e convidadas para refletir hoje sobre qual é a nossa postura frente à inclusão de todas as pessoas na sociedade. Na Secretaria Geral da IECLB, também é tempo de celebrar, entre outras coisas, a reforma de um banheiro, que passou a ser adaptado para receber pessoas em cadeiras de rodas. O banheiro, que não tinha padrões que possibilitassem acesso a todas

as pessoas, passa a ter porta mais larga, barras de apoio e pia em altura adequada. Pela Constituição Federal, todas as pessoas têm o direito de ir e vir livremente: ter acesso a banheiros públicos, ônibus, lojas, supermercados, carros, vias públicas, escolas, faculdades, Igrejas. É direito de todos

Banheiro adaptado para receber pessoas em cadeiras de rodas

e permitir esse acesso sem barreiras é exercício para todas as pessoas que estão engajadas na causa de Cristo. Assim como para o reformador Martim Lutero, reformar não é tarefa cômoda. É necessário planejar, identificar o que não está de acordo com as expectativas, derrubar e reconstruir aquilo que precisa urgente de mudança para melhor. Isso toma tempo e energia. Transtornos temporários, benefícios permanentes. Para tal tarefa, somos animados pela fé: Para Edificar, destruirás e plantarás (Jr. 1.10). Neste tempo de celebrar a Reforma, queremos também lembrar que a IECLB aprovou no Concílio Geral de 1990 uma moção sobre a remoção de barreiras arquitetônicas. Como comunidade cristã, precisamos unir forças com a sociedade, rever conceitos, padrões e ambientes para que possamos conviver num meio social mais acolhedor e fraterno. Teóloga Sharlene Leber Coordenadora de Projeto com pessoas com deficiência


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Presbitério

Reforma Luterana e o sacerdócio geral de todos os crentes Milton Laske, Advogado, representante do Sínodo Centro Sul Catarinense no Conselho da Igreja, do qual é Presidente, explica que o CI é a instância que atua em caráter supletivo ao Concílio, cuida da execução das metas e da implantação das normas estabelecidas pelo Concílio e, em situações especiais, o CI pode tomar decisões que são da alçada do Concílio. O Presidente, juntamente com o VicePresidente, o 1º Secretário e o 2º Secretário, constituem a Diretoria do Conselho da Igreja. Antes da Reforma, qual era o lugar do leigo na religiosidade? O papel do leigo na Idade Média e no tempo anterior à Reforma, ocorrida no século XVI, era o de consumidor. Não havia outro espaço do que o de obedecer às autoridades da Igreja. Leigos e leigas não tinham lugar designado e de valor na administração eclesiástica. Apesar disso, nos séculos que antecederam à Reforma e ao longo de toda a história da Igreja, houve movimentos de leigos que se sentiam chamados para o exercício da missão, da evangelização e da diaconia. Na Reforma Luterana, que espaço se deu para o leigo? Um dos escritos mais revolucionários de Martim Lutero data de 1523 - Fundamento e motivação da Escritura para o direito e a autoridade de uma

assembléia ou comunidade cristã julgar sobre toda doutrina, chamar, nomear e demitir professores. Neste documento, Lutero, a partir do conceito bíblico do sacerdócio geral de todos os crentes (1Pedro 2.9 ‘raça eleita, sacerdócio real, nação santa’) como base da comunidade cristã, chega a afirmar que ‘Cristo tira dos bispos, eruditos e concílios ambas as coisas, tanto o direito como o poder de julgar a doutrina, dando-os a todo mundo e a todos os cristãos de modo geral, ao dizer em João 10.27: Minhas ovelhas ouvem a minha voz’. A partir desta e de outras colocações, a dignidade do leigo, seus direitos e sua responsabilidade na igreja ganharam espaço fundamental na Comunidade. Qual é o papel do leigo na IECLB? Na Constituição da IECLB, já no art. 1º, está estabelecido que a IECLB é

formada por Comunidades e pelos membros a ela filiados. No art. 6º, está disposto que um dos objetivos fundamentais da IECLB é propiciar condições para que os membros das Comunidades possam exercitar seus dons na missão da Igreja, na perspectiva do sacerdócio geral de todos os crentes e do Ministério compartilhado. Na estrutura da IECLB, a responsabilidade do serviço do leigo é muito grande, pois Concílio, Conselho da Igreja, Assembléias e Conselhos Sinodais são presididos por leigos, uma prática nas Comunidades e Paróquias há decênios. O Ordenamento Jurídico Doutrinário, inclusive, designa os titulares desses cargos como Autoridades Administrativas da Igreja. O que pensa a respeito do leigo assumir funções na estrutura da Igreja? A nossa Igreja era predominantemente rural. Isso está mudando rapidamente, com a urbanização e mobilidade das pessoas. Especialmente os jovens estão buscando os centros urbanos. Nas cidades, o trabalho do Pastor é muito diferente das Comunidades do interior, onde todos moram sempre no mesmo lugar e não têm as ofertas de programações fora da Igreja. O trabalho na cidade deve ser diferente do ‘assistencialismo eclesiástico’ que se pratica no interior. Em muitas cidades temos grande riqueza de lideranças leigas, mas não temos sabido chamá-las para atuar no sacerdócio geral de todos os crentes.

O processo de dúvida Considerando o crescimento de casos em que os Oficiais do Registro de Pessoas Jurídicas deixam de registrar os estatutos novos ou alterações estatutárias das Comunidades, Paróquias e Sínodos, solicitando aos apresentantes dos estatutos alteração na redação de cláusulas e inserção de novas cláusulas para atender alguma disposição legal, passamos a orientar como proceder em tais casos. Sempre que o Oficial encarregado do registro exigir da entidade apresentante do estatuto o preenchimento de qualquer requisito atinente ao registro, cabem a esta as

seguintes alternativas: a) concordar e atender às exigências, b) desistir do registro do estatuto ou c) requerer ao Oficial que este suscite dúvida ao Juiz de Direito. Caso a entidade opte por atender as exigências realizadas pelo Oficial, o estatuto será registrado. Se optar por não registrar o estatuto, continuará em vigor os termos do estatuto já registrado no caso de alteração ou ficará sem efeito algum no caso de estatuto novo (originário), tendo direito a entidade apresentante à restituição dos valores que desembolsou (art. 14, da LRP), no entanto, caso haja discordância das exigências, deve a entidade apresentante protocolar junto ao cartório

requerimento dirigido ao Oficial para que este suscite dúvida. Julgada improcedente a dúvida pelo Juiz, caberá ao Oficial proceder ao registro do estatuto e desta decisão não caberá recurso por parte do Oficial. Por outro lado, caso seja julgada procedente a dúvida, pode a entidade apresentante recorrer desta decisão a instância superior. No caso de confirmada a decisão, não estará obrigado o oficial a proceder ao registro, podendo então a entidade recorrer ao Poder Judiciário em busca de seu direito.

Jeferson De Boni Almeida Consultor Jurídico da IECLB

Financeiro Responde Mapeamento geral de responsabilidades Estamos no último trimestre do ano, por isso sugiro a elaboração de um mapeamento geral de todas as responsabilidades, tanto da Diretoria da instituição quanto do profissional da contabilidade, evitando surpresas no fim do exercício. É necessário analisar o orçamento, avaliando o que foi projetado e o que foi realizado até o momento. Além disso, precisa-se verificar se as obrigações fiscais, trabalhistas, previdenciárias e contábeis estão sendo cumpridas, evitando futuros passivos para outras Diretorias. É fundamental cobrar do profissional da contabilidade, coresponsável conforme rege o novo Código Civil brasileiro, pela correta execução do que exige a lei, ou seja, a efetiva realização da sua atividade com os documentos contábeis, a conferência dos impostos, se estes estão sendo retidos, contabilizados e recolhidos corretamente, se as certidões negativas de débito (CND) junto às esferas municipal, estadual e federal estão em dia, se os livros contábeis, fiscais e do trabalho estão devidamente registrados, atualizados e guardados em segurança, se os documentos do registro no Cartório de Pessoas Jurídicas, como o estatuto atualizado, as atas de eleições e a posterior regularização junto às instituições públicas, como a Secretaria da Receita Federal, por meio do CNPJ, estão corretas e atualizadas. Ainda, a questão dos alvarás, de localização e funcionamento, bombeiros, saúde, etc. também precisa estar regular. A Diretoria deve estar ciente que esse processo, para o qual foi eleita e, por conseqüência, é responsável, precisa ser acompanhado de perto, nunca deixando de lado as obrigações, pois as dores de cabeça virão juntamente com gastos desnecessários. Isso é gerir bem os recursos que recebemos para serem efetivamente aplicados na atividade da Igreja.

Amauri Ludwig Secretário Executivo de Finanças da IECLB

Indicadores Financeiros UPM Agosto/2007 = 2,2009% Índice Julho/2007 = 0,81% Acumulado do ano = 4,78%


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UNIDADE

Um olhar histórico sobre a Reforma Luterana Somos herdeiros e herdeiras de um movimento que começou no século XVI, no interior da una, santa, apostólica e universal Igreja cristã. Martim Lutero não é fundador da nossa igreja, pois, a pedra fundamental da Igreja é uma só: Jesus Cristo. Lutero foi, isto sim, líder de um movimento que pretendia mudanças na Igreja da época. Em Wittenberg, onde foi Professor e Pregador, Lutero deparou-se com uma situação que julgou merecer a atenção das pessoas cristãs, por isso escreveu as 95 Teses (31.10.1517). O assunto das indulgências, que constava nessas teses, preocupou Lutero quando recebia pessoas no confessionário. Quando falava da necessidade da penitência, algumas simplesmente retrucavam Eu comprei carta de indulgência, já paguei a pena! Não levavam a sério a necessidade do arrependimento e buscavam um atalho para alcançar o perdão de Deus. Havia uma explicação teológica para essa prática. Ensinava-se que para alcançar a salvação era preciso que a pessoa tivesse méritos perante Deus. Cristo e todos os santos tinham acumulado méritos por suas boas obras. Esses méritos formavam o tesouro da Igreja, o qual era administrado por ela para a salvação dos fiéis. Numa de suas 95 teses, Lutero declarou que o verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus. Deve-se aconselhar aos cristãos para que sigam a Cristo, pois, ao dizer Fazei penitência, (Mt. 4.17), nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência. As teses, traduzidas e impressas, ganharam popularidade e ameaçaram o negócio das indulgências, por isso Lutero foi denunciado em Roma. Daí em diante, o movimento de Reforma produziu antagonismos sempre maiores. Em 1520, Lutero escreveu três livros que se tornaram muito famosos. Neles, o reformador apresentou o que julgava ser importante para que pudesse acontecer uma reforma da Igreja. O primeiro desses livros chama-se A nobreza cristã da nação alemã. Nele, afirma que, pelo Batismo, todos são sacerdotes e o caminho para Deus está livre por meio da fé em Cristo. No outro, Do cativeiro babilônico da Igreja, examina a doutrina dos Sacramentos e denuncia seu uso para fins de dominação sobre o povo cristão. O terceiro livro chama-se Da liberdade cristã e descreve a maneira como a pessoa cristã se relaciona com Deus e com o próximo: pela fé em Deus a pessoa é livre e, pelo amor ao próximo, é serva de todos. Em abril de 1521, após ter sido excomungado, o reformador foi convocado à cidade de Worms, onde, diante de uma assembléia de nobres e príncipes que governavam com o imperador, deveria retratar-se dos seus ensinamentos. As questões religiosas eram tratadas em foro político, pois o Império entendia-se como o defensor da verdadeira fé. Diante daquela assembléia, Lutero insistia que seus erros lhe fossem apontados com base nas Sagradas Escrituras. O resultado foi a perda dos seus direitos de cidadão. Foi, então, obrigado a viver clandestinamente, assumindo, temporariamente, outra identidade. Com o auxílio de muitas pessoas, levou adiante o movimento de Reforma. Traduziu a Bíblia para o alemão, pois não podia conceber vida cristã sem leitura bíblica, e voltou para Wittenberg quando soube que alguns entusiastas pretendiam impor a reforma com outros meios que não unicamente o anúncio da Palavra de Deus. Lutero estava convencido de que a Palavra traz reforma, como ele mesmo experimentou quando, no estudo da Bíblia, fez a descoberta que modificou sua vida. Esta descoberta tomou conta dele de tal maneira que já não podia agir como se nada tivesse acontecido. Ela se tornou libertadora para Lutero e tem a ver com a gente. Esta descoberta é resumida assim O justo viverá por fé (Rm 1.17). No século XVI, as pessoas se preocupavam muito com a pergunta Como alcançarei a salvação? ou, então, O que posso fazer para me tornar justo perante Deus? Esta pergunta existencial levou o reformador a desistir da Faculdade de Direito para tornar-se monge. No mosteiro, ele seguia todas

as normas que lhe eram ensinadas. Em tudo procurava ser perfeito para merecer a salvação, mas nunca sabia ao certo se já tinha feito o suficiente. A descoberta libertadora para Lutero foi que não é preciso fazer algo, pois, em Cristo, Deus mesmo nos faz justos e salvos. É pela fé na obra de Cristo em nosso favor que podemos ter paz em nossos corações. Deus nos reconcilia consigo não pelo mérito de nossas obras, mas por sua graça. É difícil dizer o quanto, hoje, as pessoas ainda se importam se Deus as salva ou não e se ele o faz por graça ou não. A indiferença, mais do que a descrença, é um dos males do nosso tempo. As pessoas já não temem mais o juízo de Deus. Na época de Lutero, era difícil livrar-se da imagem de um Deus juiz, pronto para castigar. A misericórdia de Deus tinha sido deixada em segundo plano. Hoje, abusa-se da graça e da bondade divinas e quer-se que Deus atenda aos caprichos. Esquecemo-nos que devemos prestar contas de nossos atos e agimos como se nada mais fosse pecado e como se nossas vidas estivessem em nossas mãos apenas. Desta forma, para muita gente, a vida se torna um fardo pesado, pois é desesperador pensar que minha vida depende apenas de mim mesmo, que sou falho e limitado! Confortante é saber que Deus cuida da minha vida, pois ele me criou e me sustenta, justamente também quando experimento a cruz e o sofrimento. Não é por nosso merecimento, nem por nossas obras, nem por nossa piedade que Deus nos reconcilia consigo e nos dá paz, mas porque nos ama. Ele vem ao nosso encontro e desse encontro com Deus brota alegria e novo sentido para a vida. A Boa Notícia é que Cristo morreu em favor de pecadores e de pecadoras. Somos nós os alvos do amor de Deus. Não precisamos mais fugir dele como quem foge de um carrasco. Também não precisamos viver como se este mundo estivesse irremediavelmente fora de rumo e ninguém mais precisasse prestar contas de seus atos. Podemos nos achegar a ele, pois o Pai de Jesus Cristo é o Deus que procura quem está longe e traz para perto de si. Somos amparados e amparadas por um Deus que trabalha pela nossa salvação! Crer nisso foi libertador para Lutero e para tanta outra gente que insistiu em confessar que a salvação é obra de Cristo em nosso favor. A certeza de que somos amparados por Deus nos dá liberdade, nos faz mais alegres e permite que vivamos exercitando solidariedade. Cristo identificou-se com os pequenos e fracos (Mt. 25). É a ele que servimos quando servimos aos que de nós necessitam. É disto que também nos lembra Lutero Cristo nos ensina para quem devemos fazer boas obras, mostrando-nos quais são boas obras. Todas as outras obras, com exceção da fé, devemos fazê-las para o próximo, pois Deus não exige de nós que lhe façamos uma obra, a não ser unicamente a fé, através de Cristo. Com a fé, Ele tem o suficiente. Com ela, o honramos como aquele que é benévolo, misericordioso, sábio, bom, verdadeiro... Depois disso, cuida apenas para proceder com o próximo como Cristo procedeu contigo e deixa todas as tuas obrascom toda a tua vida visar ao teu próximo. Procura onde há pobres, doentes e débeis, ajuda-os, exercita neles a tua vida, para que tenham apoio, por tua parte, todos aqueles que precisam de ti, ajuda-os na medida de tuas capacidades com teu corpo, teus bens e tua honra... Sabe que servir a Deus não é outra coisa senão servir ao teu próximo, fazendo-lhe bem, com amor, seja ele uma criança, uma mulher, um criado, um inimigo ou um amigo. Não faças distinções quaisquer. O teu próximo é aquele que necessita de ti em assuntos de corpo e alma. Onde podes ajudar corporal e espiritualmente, lá há serviço a Deus e boas obras. Quando confiamos na obra que Jesus Cristo realizou em favor de nós, abre-se a possibilidade de sairmos de nosso egoísmo e vencermos nossos preconceitos. Deixa de haver lugar para o orgulho que levanta muros entre as pessoas. Deus nos salva por sua graça mediante a fé e o

fundamento disso é seu amor, concretizado na Cruz de Cristo. Esta é a forma como Deus promove vida para a eternidade e para o presente. Estar salvo é também estar comprometido com essa promoção da vida. Estar em paz com Deus é também viver inconformado com o pecado em nossa vida pessoal, comunitária e social. Conta-se de Lutero que teria dito que, se soubesse que o mundo terminaria amanhã, aproveitaria o dia de hoje para plantar uma macieira e para pagar suas dívidas, pois o cristão jamais entrega a boa criação de Deus de mãos beijadas ao inimigo de Deus. O cristão planta esperança e age com retidão. Aquilo que o movimento de reforma no século XVI entendeu como central na vida da Igreja preserva toda a sua atualidade, a saber, o anúncio da salvação por graça mediante a fé. Cristãos, alegres jubilai, felizes exultando. Com fé e com fervor cantai, a Deus glorificando. O que por nós fez o Senhor, por seu divino e excelso amor, custou-lhe a própria vida (HPD, 155).

P. Osmar Luiz Witt é Mestre em Teologia e Doutorando no IEPG, além de Professor na Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo/RS, vinculado ao Departamento HistóricoSistemático. Na IECLB, é integrante da Comissão Interluterana de Diálogo (CID) e da Comissão Editorial Obras de Lutero (Ceol).


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Mulheres

Com a Reforma, qual é o papel da mulher nesta nova igreja? Residente em Santa Rosa/RS, Ledy Zimmermann nasceu em Giruá/RS, tem 53 anos, é casada com Atemir Zimmermann, mãe de Juliano, Cristina e Ricardo e vó de Joana e Arthur. Pedagoga com habilitação nas Séries Iniciais, Supervisão Escolar e Orientação Educacional e com Especialização em Ensino Religioso na EST, atualmente trabalha na Escola Estadual de Educação Básica Santos Dumont como Orientadora Educacional no Ensino Médio e Professora da 3ª série do Ensino Fundamental. Na IECLB, Ledy, membro da Comunidade Evangélica da Paz, é suplente no Conselho Sinodal e integra as Bancas de Avaliação e de Envio e Designação de Obreiros e Obreiras da IECLB. Catarina Von Bora, esposa de Lutero, juntamente com mais onze mulheres, abandonou o convento, após ler as 95 teses de Lutero. Elas desistiram de ser freiras, mas cada uma achou o seu destino e não ficaram omissas à Reforma. Ao se casar com Martim Lutero, Catarina Von Bora se colocou ao lado do seu esposo e de todo trabalho da Igreja. Vejo isto como um estímulo para nós mulheres, nos dias de hoje, com tantos afazeres, pois, naquela época, também não era fácil e Catarina conseguia conciliar suas tarefas domésticas, ir ao encontro das pessoas necessitadas e ser

uma líder num mundo bastante machista daquele tempo. Acredito que, a partir da Reforma Luterana, nós mulheres temos um campo de atuação que depende da nossa ação, pois não paramos para estudar e pensar em nossa responsabilidade enquanto mulheres nesta Igreja. Sabemos que muito já se fez, muito se faz e temos na IECLB boas lideranças femininas, mas que, no momento, não são o desejado. Queremos mais, estamos ansiosas clamando Venham, vamos em frente! O papel da mulher nesta nova Igreja é ter coragem, é desacomodar-se, é compartilhar vivências, é dizer a si própria: sou capaz de assumir uma liderança.

Precisamos ter presente que, para Deus, fomos criados à sua imagem e semelhança, tanto homens como mulheres, e é aí que surge a necessidade de reconhecermos as nossas semelhanças e sabermos partilhar idéias diferentes, funções diferentes e as Comunidades e outras instâncias da Igreja acreditarem no trabalho da mulher bem como a própria mulher assumir funções novas. São nos desafios que crescemos na vida. As mulheres, na Reforma Luterana, também são chamadas à missão de desenvolver o hábito da oração espontânea e a leitura bíblica em nossa menor Comunidade, que é a família. A partir da descoberta do valor da oração em família com a participação das crianças, dialogando sobre a importância do amor de Deus em nossas vidas, teremos crianças mais felizes e famílias confiantes no amor de Deus. Assim como a oração, temos a missão de resgatar o uso da Bíblia com as crianças e em família, pois Lutero traduziu a Bíblia para que pudéssemos fazer uso desta sabedoria. Em todas as atividades que assumi e participei na IECLB, aprendi muito e sou grata a Deus por fazer parte desta Igreja, por isso peço que possamos nos sentir animadas a servir com alegria em tudo que fizermos para engrandecer o Reino de Deus.

Sínodo Vale do Taquari

Proclamando a reconciliação Claire Valmi Schlabitz, natural de Carazinho/RS, 58 anos, reside em Teutônia/RS com o marido, Siegmundo Romar Schlabitz, com quem tem dois filhos, Carlos Henrique e Lílian Viviane, e uma neta Rafaela. Foi integrante e Secretária da JE, Professora da Escola Dominical e do Culto Infantil, Coordenadora Paroquial da OASE, participante do Conselho Paroquial, Presidente de Comunidade, além de incentivadora da criação do grupo de oração, de visitação a doentes e enlutados e do grupo da Vida Digna. No Sínodo Vale do Taquari, é membro do Conselho Sinodal pela OASE, foi 2ª e 1ª VicePresidente da OASE e, desde agosto de 2006, é Presidente Sinodal da OASE. Qual é o seu papel como Presidente Sinodal da OASE? Com a nossa mão, ação, oração e formação há transformação! É uma grande responsabilidade estar à frente deste grande e seleto grupo que procuramos incentivar a assumir cargos em sua Comunidade e/ou Paróquia, estudar da Palavra de Deus, criar o sentimento de pertença ao grupo e, conseqüentemente, à sua Comunidade, dar seu testemunho de fé fora do grupo,

estimular a ação por meio da visita, do ouvir, abraçar, orar, estar junto nos momentos bons e difíceis, promovendo a união, a comunhão, porque, juntas, com diferentes idéias, podemos transformar nossos grupos de OASE, tornando-os mais dinâmicos e atraentes. Quais são os temas da OASE no Sínodo? Nosso tema para este ano é Mulheres empoderadas pelo Espírito proclamam reconciliação. A partir deste tema, os grupos que ainda não tinham visitação estão se preparando para esta tarefa importante. Outro desafio que temos é a conquista das mulheres mais jovens: elas reclamam da falta de tempo, condições físicas e, algumas, têm certo tabu em relação à OASE Ainda sou muito jovem para participar da OASE. A OASE também sofre concorrência dos Clubes de Mães e de Idosos, que proporcionam alguns atrativos mais ‘interessantes’, como bailões. Neste sentido, é importante as lideranças da OASE e seu Obreiro ou Obreira trabalharem juntos, pois o ânimo e a criatividade são muito maiores. Existem peculiaridades no trabalho? É muito gratificante e enriquecedor o trabalho com as mulheres no Sínodo Vale

do Taquari, porque são grupos muito abertos a novidades. O trabalho também é facilitado pela pequena extensão geográfica, uma área de aproximadamente 3.500 km2, com 57 Comunidades e 49 grupos de OASEs, reunindo em torno de 4 mil membros. Além disso, é fácil a comunicação e a locomoção em estradas asfaltadas em quase toda área. Em apenas uma hora, pode-se atravessar o Sínodo de ponta a ponta. Quais as prioridades no trabalho da OASE no Sínodo Vale do Taquari? Todas as atividades que promovemos têm como enfoque o resgate da autoestima das mulheres, fazendo com que elas percebam que são criadas à imagem e semelhança do Criador e que isto tem conseqüências para o seu dia-a-dia. Em nosso Sínodo, há muitas mulheres ocupando cargos em Diretorias de Comunidade, de Paróquia e no Sínodo e se saindo muito bem. Elas vestem a camiseta e colocam a mão na massa, mostrando seus dons com muita criatividade. Quem ainda não participa é porque falta aquele ‘empurrãozinho’ ou tem insegurança, medo de não poder atender às exigências do cargo, um pouco de comodismo e até desconhecimento do que é a IECLB.

Grupo Singulares Sou fruto de um ambiente fundamentado no trabalho, dedicado e vivenciado no respeito ao próximo. Natural de Cachoeira do Sul/RS, tive a influência forte das mulheres na família, tanto no ambiente doméstico, quanto no trabalho e na participação na Igreja. Portanto, desde muito jovem, sou assídua na caminhada da Igreja: Culto infantil, coral, JE, Professora no Jardim de Infância e, mais tarde, atividades na OASE. Conforme a música Começar de novo... Vai valer a pena..., iniciei uma fase desafiadora em minha vida. Quando convidada para um grupo em formação na Paróquia São Lucas, em Porto Alegre/RS, em 1993, ‘Singulares’, Deus colocou-me novamente em minha Igreja e sou grata por este reencontro. Na Década Ecumênica de Solidariedade para com as Mulheres, criou-se em mim a percepção do muito a fazer pelas mulheres luteranas. Ampliar nossos horizontes e viabilizar anseios, até então apenas em projetos. Ao representar as mulheres do Grupo de Reflexão, em 2004, em Neuendettelsau, na região da Baviera, na Alemanha, convivendo com mulheres de 16 países de culturas e realidades tão diversas, constatei o quanto nós, mulheres, temos que lutar pela vida digna, sem nos submetermos às opressões. Trouxe comigo, muito mais forte, o desejo de atuar e provar que nós, participando ativamente, agregando conhecimento e capacitação, estaremos aptas a contribuir com nossa força e decisão nos Conselhos Paroquiais, Sinodais e deliberativos da IECLB. Tudo isso é para falar sobre a importância do Grupo Singulares, que celebrou seu 14º ano de atividades em julho. O Grupo é formado por mulheres independentes que exercem ou não atividades profissionais e, imbuídas do espírito cristão, valorizam e são valorizadas em sua individualidade. Nos encontros mensais, realizados no segundo sábado de cada mês, reúnem-se, aproximadamente, 30 participantes. O objetivo é proporcionar integração e confraternização por meio da troca de experiências em que alegrias e dificuldades são compartilhadas juntamente com atividades de lazer, cultura e de cunho social e devocional. Que Deus derrame sobre nós a sua benção e que sejamos como luzes a refletir, entre mulheres da IECLB, o amor e a comunhão. Ieda Radünz Grupo Singulares Fórum de Reflexão da Mulher Luterana


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Fé Luterana

Os quatro pilares da Reforma Luterana Para esta edição especial, reeditamos um grande tema para nós, luteranos, os pilares da Reforma comentados por quatro Pastores Eméritos da IECLB: Somente a Escritura, Somente a Fé, Somente Jesus Cristo e Somente a Graça de Deus, pois a Reforma Luterana é sobre a Escritura como única forma de Fé e vida. É sobre a Fé somente em Cristo como Salvador da humanidade e na Graça de Deus. Somente a Escritura (sola scriptura), pelo P. Günter Böebel, formado pelo Curso intensivo para Formação de Pastores da IECLB, em 1968. Atualmente, presta assessoria em treinamento de

lideranças e palestras de motivação a partir do Evangelho. Somente a Fé (sola fide), pelo P. Harald Malschitzky. Formado pela EST, em 1964, foi Pastor em Marechal Cândido Rondon/PR, Pastor regional da 5a. Região Eclesiástica, com sede em Toledo/PR, Professor na EST, Professor e Pastor em Cuba, em 1988, Secretário de formação da IECLB e Pastor na Paróquia Matriz, em Porto Alegre/RS. Atualmente, atua no PROEDUC, na área de apoio à formação e pós-graduação. Somente Jesus Cristo (solus Christus), pelo P. Helmut Burger. Formado pela EST em 1960, foi Orientador na EST, Secretário de

Missão e Ev.- Luth. Missionswerk in Niedersachsen. Somente a Graça de Deus (sola gratia), pelo P. Günter Karl Fritz Wehrmann, formado no ‘Missionsseminar’, em Hermannsburg, na Alemanha, em 1970. Pósgraduado em Aconselhamento e Psicologia Pastoral, com ênfase em Capelania Hospitalar, na EST, exerceu o pastorado em várias Comunidades, atuou junto à 4ª Região Eclesiástica, foi Assessor da Presidência e Secretário das Relações com América Latina, na Obra Missionária Evangélica Luterana na Baixa Saxônia em Hermannsburg, na Alemanha.

Somente Escritura

Somente Fé

P. Günter Böebel

P. Harald Malschitzky

Escritura: testemunho e palavra! Lutero, o Reformador, quando expressa ‘somente a Escritura’ deixa claro que o ponto de partida da fé cristã é a revelação de Cristo afirmando quem é o Pai e quem é o Criador. Na sua época, havia afirmações de que a tradição da igreja poderia correr em paralelo ou até subjugar a Escritura, por isso, a ênfase de Lutero de que, para a salvação em Jesus Cristo, ‘somente a Escritura’ pode levar ao caminho da salvação por meio de Jesus Cristo. Nenhuma lei, nenhuma tradição, nem mesmo da igreja, pode duvidar da Sagrada Escritura, que é norma para a salvação em Jesus Cristo. Desde o momento em que Deus começa a se revelar aos homens, ele o faz das maneiras mais diversas, por isso sempre, de novo, é lembrado ‘o Deus de Abraão, Isaque e Jacó...’. Deus se comunica com os homens e estes homens que vivem esta fé testemunham e vivem as verdades ditas por Deus. Este testemunho era tão importante que as histórias de Deus, passadas às gerações seguintes, eram a expressão da verdade. Quando a história de Deus com os homens se aprofunda e vai surgindo a escrita, torna-se palavra de Deus escrita por homens que tiveram uma maravilhosa experiência com Deus, que, na sua infinita bondade, misericórdia e amor, envia seu filho para que este o diga, de forma concreta, quem é este Deus amoroso e Pai. Portanto, a Escritura Sagrada é a revelação de Deus para com os homens e Jesus, como autor e consumador da fé, é o revelador do Deus que se torna conhecido. Aqui, não existe mais possibilidade de interferência humana, por isso Lutero deixa claro que somente a Escritura, que revelou Deus em Jesus Cristo, é o ponto de partida para a fé cristã. Claro, sob os outros pilares da reforma e da confissão de fé que proclamamos. Para refletir, leia Romanos 10.16-18

Somente Cristo P. Helmut Burger O alicerce da confissão luterana: somente Cristo Na opinião dos luteranos, ‘Somente Cristo’ é o suficiente para a nossa vida aqui na terra e também para depois. Exemplificando isso, tenho contado um episódio: era dia de forte chuva e o trânsito parou, mas eu tinha que viajar. Num posto de gasolina, olhei por uma carona, quando encostou um carro. O motorista foi ao restaurante e nós também. Foi quando uma senhora constatou ‘Sr. Pastor, hoje o senhor não viaja!’. O motorista nos olhou ‘É Pastor de que Igreja? Da luterana?’. Pouco depois, ele voltou a falar conosco ‘Se o senhor me responder com toda sinceridade a uma pergunta, o levo’. No carro, nos apresentamos. Era um verdadeiro ‘pai coruja’. A pergunta era precisa: ‘É verdade que os luteranos acreditam que a pessoa pode aprontar o que quiser, que Deus perdoa tudo e sempre?’ ‘É’, minha resposta era de uma só letra. Onde pára este mundo se Deus perdoa tudo!?’ Continuei ‘Se sua filha de cinco anos aprontar das dela, você faz o quê, castiga severamente?’ ‘Bom’, respondeu ele, ‘Aí, castigo não resolve. Eu a tomo nos meus braços e a aperto com todo o meu carinho. Isso resolve tudo, mas ela é só uma criança...’. A conclusão foi fácil: perante Deus, somos sempre crianças e o seu abraço resolve. Cristo é o abraço de Deus. No tempo de Lutero, o ‘Somente Cristo’ significava, passado à prática, três senhas: Somente pela fé, Somente pela graça e Somente pela Escritura. Hoje, penso que o Somente Cristo deveria ter as seguintes três senhas: Somente pela comunhão - contra a fervorosa piedade individualista, Somente pelo abraço - contra a busca por cura de doenças físicas e mentais e Somente pela dignidade - contra o apostar em mera segurança e prosperidade. Para refletir, leia Lucas 15

A fé e nada mais ‘Deus é amor’. Este é o fio condutor que atravessa a Bíblia do começo ao fim. Esta afirmação vai sendo desdobrada em diversas formas e acontecimentos desde o povo de Israel até Jesus e as primeiras comunidades cristãs retratadas no Novo Testamento. Acontece, porém, que, muitas vezes, este amor foi soterrado por ritos, exigências e prescrições. O próprio Lutero sofreu com essa realidade: tentava obedecer tudo à risca, mas via o amor de Deus cada vez mais distante. Seu sofrimento se condensava na pergunta Como vou conseguir um Deus gracioso? Em outras palavras: como chego ao tão falado amor de Deus? Dito ainda de outra forma: como eu, pobre diabo, posso me apropriar do amor de Deus? A resposta a estas perguntas estava – e está – na Bíblia. Seguramente, Lutero já tinha lido aquela passagem, mas em uma das leituras lhe caiu a ficha. O justo viverá por fé. No estudo da Bíblia, Lutero vinha descobrindo que justo não é o ‘certinho’, mas o ‘perdoado’, amado por Deus, justificado por Deus em seu amor e, por tudo isso ser a forma do amor de Deus se manifestar, só há um jeito de se apropriar dele: a fé. Amor não pode ser conquistado, somente pode ser aceito como um presente gratuito e imerecido. Este ato de aceitar se chama fé. Aceito o presente que Deus me dá: perdão, reconciliação e nova vida. Por isso o justo viverá por fé! A experiência de viver pela fé é a experiência da liberdade para a vida em direção aos outros. Se já não é preciso investir tempo e energia para conquistar os favores de Deus, posso investir na vida dos outros e na vida da criação por causa e motivado pelo amor de Deus. É por isso que Lutero afirmou que, pela fé, somos livres de tudo e servos de todos. Para refletir, leia Romanos 1.17b

Somente Graça P. Günter Wehrmann Gente que se sabe agraciada se torna ‘graciosa’ Vivemos num mundo em que tudo deve ser pago. Essa regra vale do nascimento até a morte. Nada é de graça. Pessoas fortes, inteligentes, ricas, sãs e jovens vencem as pessoas fracas, menos inteligentes, pobres, doentes e idosas. Contudo, também para as pessoas aparentemente bem favorecidas e sucedidas, as coisas essenciais da vida, como fé, esperança, paz e amor, não podem ser produzidas ou merecidas e muito menos compradas. Em situações de perda, flagram-se da própria impotência e da falta de sentido para viver. Mesmo que tenham levado uma vida religiosa como o fariseu Saulo ou o monge Martim Lutero, à luz da palavra de Deus, reconhecerão que ficam devendo sempre. Isso seria desesperador se Deus não tivesse vindo ao nosso encontro. Por meio de Jesus Cristo, ele nos reconciliou consigo, conosco e uns com os outros. Ele nos certificou disso já no Santo Batismo sem que o tivéssemos merecido. De graça, nos incorporou na grande família de Deus e nos ofereceu tudo o que é necessário para viver feliz, morrer com esperança e ressuscitar para a vida eterna. Essa grata experiência revolucionou a vida do Apóstolo Paulo e do Reformador Martim Lutero. Por meio da palavra de Deus, dos Sacramentos do Santo Batismo e da Ceia do Senhor, estamos sendo libertados - do ter para o ser, do eu para o tu. Vivendo da graça e da misericórdia de Deus, em sua comunidade, estamos sendo cativados e constrangidos para agir de maneira graciosa e misericordiosa, pois, pela graça de Deus, vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. Em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para que fizéssemos as boas obras que ele já havia preparado para nós. Para refletir, leia Efésios 2.8 e 10


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Geral

Liturgia especial para comemorar a Reforma Luterana Um dos símbolos mais conhecidos e que identifica o movimento da Reforma é a Rosa de Lutero, por isso a liturgia proposta para este dia é inspirada neste símbolo. Não há espaço para propor uma liturgia completa, mas vamos propor fragmentos que possam ser úteis na moldagem do culto como um todo. Preparo anterior: é necessário confeccionar uma Rosa de Lutero em tamanho grande, mantendo

A liturgia 1. Leitura intercalada do Salmo 46. 1-7 Separar a Comunidade em dois grupos para a leitura dos versículos. Intercalar com a canção Nada te turbe (n°453 - HPD 2) 2. Canto HPD 97 – Deus é Castelo Forte 3. Kyrie Eleison (Durante o Kyrie Eleison, o painel com a Rosa de Lutero vai sendo formado) L.: Ao iniciar o culto, a Comunidade olha para fora, para o mundo que a rodeia, e dá-se conta de que está celebrando seu encontro com Deus no meio de um mundo dilacerado que necessita do testemunho e do clamor cristão. Vamos nos unir e clamar a Deus, entregando-lhe situações de sofrimento. Ao final de cada súplica, a Comunidade responde cantando: Tem piedade Senhor. (em pé) L.: Clamamos pelas pessoas que sofrem com a fome e a desnutrição. Clamamos pelas pessoas que vivem em contextos de guerra, de violência, rodeados de morte e desolação. Juntos, clamamos: C.: Tem, Senhor, piedade... (Enquanto se canta, a cruz preta [da Rosa de Lutero] é fixada no painel). L.: Clamamos pelos jovens que se perdem no mundo das drogas. Pelas adolescentes que se prostituem para sobreviver. Pelos pais e mães que perdem seus filhos de forma violenta. Juntos, clamamos: C.: Tem, Senhor, piedade... (Enquanto se canta, o coração vermelho [da Rosa de Lutero] é fixado no painel). L.: Clamamos por paz. Paz e justiça andam de mãos dadas. Que a Palavra, redescoberta pela Reforma, possa trazer harmonia e entendimento entre os povos e as igrejas. Juntos, clamamos: C.: Tem, Senhor, piedade... (Enquanto se canta, a rosa branca [da Rosa de Lutero] é fixada no painel). A Deus, pedimos: Salva-nos, Senhor, socorre-nos, ouve o nosso clamor. Amém. 4. Gloria in Excelsis (Durante o Glória o painel com a Rosa de Lutero continua sendo formado) L.: Apesar dos sofrimentos que nos cercam, sabemos que temos em Deus um ouvido aberto. Sabemos que

separadas as diferentes partes da mesma. Pode ser em cartolina, bordado, pintura, enfim, usar a criatividade e os talentos locais. As partes são fixadas uma a uma num painel durante o desenvolver da liturgia. P. Eloir Enio Weber CEPA - Paróquia do Salvador Porto Alegre – RS

Deus ouve o nosso clamor e nos atende. Por isso, da mesma forma como os anjos louvaram a Deus na noite em Cristo nasceu, nós também vamos louvá-lo, cantando glória a Deus nas alturas: C.: Glória, glória, glória a Deus nas alturas. Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós. (Enquanto se canta, o fundo azul [da Rosa de Lutero] é fixado no painel). 1. Senhor Deus, Rei dos céus, 2. Deus Pai todo-poderoso: 1. Nós te louvamos, 2. Nós te bendizemos, 1. Nós te adoramos, 2. Nós te glorificamos, 1. Nós te damos graças 2. Por tua imensa glória. C.: Glória, glória, glória (Enquanto se canta, o anel dourado [da Rosa de Lutero] é fixado no painel). 1. Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito: 2. Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai: 1. Tu que tiras o pecado do mundo, tem piedade de nós. 2. Tu que tiras o pecado do mundo, acolhe a nossa súplica. 1. Tu que estás à direita do Pai, tem piedade de nós. 2. Só tu és o Santo; 1. Só tu, o Senhor; 2. Só tu, o Altíssimo, 1. Jesus Cristo, com o Espírito Santo, 2. Na glória de Deus Pai. Amém. C.: Glória, glória, glória 5. Oração do Dia Deus de amor que és fiel com o teu povo desde o princípio da história. És Deus que cria e dás condições de vida. Em Cristo, vieste para selar a Eterna Aliança da salvação em toda a tua criação. Tu usas pessoas para que o teu Evangelho alcance toda a gente. Chamaste Lutero para que a mensagem de Salvação do teu Santo Evangelho fosse redescoberta pela Igreja. Assim, também chamas e colocas a tua Igreja a caminho para dar testemunho no dinâmico rumo da história do mundo. Sê conosco para unir e fortalecer os nossos laços. Por Jesus Cristo, que contigo e com o espírito Santo reina de eternidade a eternidade. Amém. 6. Pregação A pregação terá como base bíblica os textos previstos para o Dia da Reforma: Isaías 45.19.25, Filipenses 2.1213 e Mateus 10.26b-33. Proponho usar, na pregação, a Rosa de Lutero que foi sendo montada ao longo da Liturgia de Entrada, falando do seu significado e da mensagem que ela transmite, hoje, para nós.

Conaje Ser jovem com uma identidade P. Roni Roberto Balz Videira/SC Lembro-me, como se fosse ontem, meu pai me dizer Hoje, vamos até a vila para fazer tua carteira de identidade. Tu vais fazer 15 anos e este documento vai dizer quem tu és. A identidade é algo próprio, só meu, é o que me diferencia de todas as outras pessoas. Por outro lado, a identidade também me associa, me faz pertencer a diferentes grupos. Existem vários aspectos que influenciam na formação da identidade: social, religioso, político, econômico. Recebemos nossa identidade cristã no Batismo. É ali que Deus nos aceita e nos abraça, presenteando-nos com o perdão dos pecados, a vida

nova e a comunhão com todas as pessoas que crêem nas palavras e nas promessas de Deus. Aceitar, pela fé em Cristo, esta influência e ação de Deus em nosso favor, nos liberta de relações competitivas, excludentes e doentias. Martin Luther definiu muito bem a identidade cristã a partir do Evangelho: pela fé em Jesus Cristo, estou livre e não sujeito a ninguém, mas, pelo amor ao próximo, sou seu servo e me coloco a seu serviço pelo bem-estar comum. A vida cristã acontece nesta tensão, neste diálogo entre a liberdade e amor ao próximo e nesta ponte, onde a liberdade e o amor se encontram, o Evangelho nos ensina e nos desafia a sermos igreja libertadora, a zelarmos pela dignidade da vida, encorajando-nos a praticar a verdade e a exercitar a justiça. Como luteranos, estamos livres da sede por poder, cobiça, mentira, autojustificação, individualismo, para semearmos a reconciliação, o perdão, o mutirão, o amor, a esperança e a fé. Podemos contribuir na construção da identidade confessional uns dos outros, compartilhando nossas experiências e nossos conhecimentos a respeito da fé. Também podemos nos sentir livres e abertos para perguntar, questionar e conversar sobre as dúvidas que diariamente mexem com nossa identidade. Que Deus nos ensine e nos ajude a construirmos em nossa comunidade espaços e momentos para a partilha das perguntas, das inquietações e dos medos, para que experimentemos a identidade confessional como algo que provoca alegria, comunhão, saúde, dignidade, liberdade e compromisso com o próximo em amor.


Comportamento

JOREV LUTERANO OUTUBRO 2007

Igreja sempre em reforma

Heinz Ehlert, Pastor emérito em Curitiba/ PR, é membro fundador e atual Presidente da Associação Cristã de Assistentes Espirituais Hospitalares do BrasilACAEHB, com sede em Curitiba/PR, e membro, pela IECLB, da Comissão Interluterana de Diálogo – CID. Manifestação de Pastores Aposentados é o título de um documento que há alguns meses foi enviado à direção da IECLB. Nele, Pastores aposentados de Santa Catarina e do Paraná fazem uma análise da situação atual na IECLB. Motivação e conteúdo podem ser entendidos melhor com base na história do luteranismo. Demos, pois, uma rápida olhada em acontecimentos históricos. No dia 31 de outubro de 1517, o Professor universitário, Dr. Martim Lutero, redigiu 95 teses contra o abuso da venda de ‘Cartas de Indulgência’ e as afixou na Igreja do Castelo em Wittenberg, na Alemanha. Foi uma preocupação pastoral com os seus paroquianos enganados. Ao fazê-lo, julgava-se em perfeita sintonia com sua Igreja e o papa em Roma. Não foi! Alvo de oposição, sofreu perseguição e punição que culminaram

com a sua excomunhão. Isto, porém, não o impediu de declarar-se, durante toda a sua vida, parte da una santa Igreja, da ‘comunhão dos santos’ (cf. 3º artigo do Credo). Buscara reforma e não divisão. Isto ainda se evidencia no documento confessional ‘A Confissão de Augsburgo’, de 1530. Mesmo assim, surgiram Igrejas territoriais e nacionais que se chamaram evangélicas ou luteranas. O fundamento da doutrina do movimento da Reforma era (e é) a Sagrada Escritura, única fonte e norma de fé e vida, por isso Lutero também a traduziu logo para o alemão, língua do povo. O movimento também produziu uma máxima A Igreja que se reformou estará sempre em processo de reforma, ou seja, deve analisar sempre de novo doutrina e prática à luz do Evangelho - a justificação graciosa do pecador pela fé em Jesus Cristo, sempre pronta à correção mútua. Ao comemorarmos, este ano, os 490 anos de Reforma Luterana, lembremos essa máxima no relacionamento com outras igrejas, especialmente com a nossa irmã ‘Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB)’. O compromisso com a unidade dos cristãos, segundo a oração de Jesus “...que todos sejam um”( cf. Ev.João 17.21), continua atual. A postura ecumênica não poderá ser abandonada, mesmo diante da última declaração do Vaticano sobre a sua compreensão de Igreja. O diálogo e a cooperação devem continuar. A necessidade de autocrítica e diálogo foi o que motivou a Manifestação de Pastores Aposentados. Afirmam eles que a IECLB se define, em sua Constituição, como Igreja de Jesus Cristo neste País e parte da una santa Igreja. Lembrando a história, desde a formação das

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Pastor Dohms

primeiras Comunidades em nosso País, no século XIX, constatam que Deus, em sua graça, a conduziu através de turbulências. Manifestam preocupação ao indicar sinais de fadiga, sofrimento e desânimo, hoje, justamente em virtude da busca de renovação e engajamento missionário e apontam para tendências sectárias que já levaram – como se sabe – não só a tensões no seio da Igreja, mas até a divisões, grupos que saíram da Igreja. Chamam atenção para o que é essencial para a vida e ação da Igreja ‘o artigo com o qual a Igreja está de pé ou cai’ ou seja ‘a justificação incondicional do pecador por parte de Deus, somente por Cristo, somente pela graça, somente pela fé, segundo as Escrituras’. Alertam para fatos na prática comunitária, onde se tem dado mais ênfase à ação do homem que se converte, envolve e engaja na política e missão do que à ação salvadora e renovadora de Deus - não raro copiando práticas de movimentos de fora. Criticam certas arbitrariedades de Obreiros referente à liturgia e cânticos, fazendo com que membros e visitantes se manifestem confundidos e ‘não mais em casa’. Por fim, a Direção da Igreja, dos Sínodos, Obreiros e Comunidades são conclamados a empenhar-se ao máximo no apoio e exortação mútua, mantendo a unidade de espírito, na pregação pura do Evangelho e na reta administração dos sacramentos. Nisso, nos inspira o Lema e o Tema da IECLB, também por ocasião das comemorações dos 490 anos da Reforma Luterana, No poder do Espírito, proclamamos a reconciliação.

P. Dr. Hermann Gottlieb Dohms nasceu em Sapiranga/RS, em 3 de novembro de 1887. Hermann Dohms teve sua formação quase que exclusivamente na Alemanha. De 1898 a 1907, estudou em Gütersloh, em instituição da Sociedade Missionária da Renânia. Desde sua Comunidade, em Cachoeira do Sul/RS, P. Dohms começou a influenciar toda a vida do Sínodo Rio-Grandense. Ocasionalmente, escrevia no órgão do Sínodo Rio-Grandense, a Folha Dominical. Em 1919, começou a editar a Deutsche Evangelische Blätter für Brasilien (Folhas Evangélicas Teutas para o Brasil). Nos quase vinte anos de existência da revista, foram três os temas de maior abrangência que se destacaram: Igreja evangélica, germanidade e Brasil. Quando Pastor em Cachoeira do Sul, fundou o Instituto Pré-Teológico. Foi Presidente do Sínodo Rio-grandense durande 21 anos, fundou a Escola de Teologia, hoje Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo/ RS, e reuniu os quatro Sínodos Evangélicos na Federação Sinodal, que mais tarde adotaria o nome de Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, da qual P. Hermann Dohms foi o primeiro Presidente. Sob sua orientação, nasceu e moldou-se o conjunto de Instituições do Morro do Espelho que faz da cidade de São Leopoldo um dos centros mais importantes do evangelismo latino-americano. Ao falecer, em 4 de dezembro de 1956, em São Leopoldo, seu currículo indicava que fora Pastor (desde 1913), Diretor do Insituto PréTeológico (desde 1921), Presidente do Sínodo Rio-Grandense (desde 1935), fundador do Colégio Sinodal (1936), Reitor e Professor da Escola de Teololgia (desde 1946) e Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (desde 1950).

Creio na santa igreja católica por que os luteranos têm a vocação ecumênica de ser ponte entre evangélicos e católicos À pergunta Você é evangélico ou católico?, respondo Os dois, porque não esqueço a nossa origem na Reforma. Os reformadores eram católicos. Lutero era monge, padre e doutor de Teologia da Igreja Católica Romana, na época quase a única igreja na Europa ocidental. Lutero não queria fundar uma igreja nova, apenas mudar umas práticas contrárias ao Evangelho. Venderam indulgências para os fieis se livrarem do purgatório e Lutero não podia imaginar que o papa havia permitido isso. Lutero só queria corrigir o errado, mas foi expulso da igreja. Uma nova igreja nasceu, a qual, para ele, era continuidade da igreja verdadeira, de Cristo, que é uma só no mundo todo, universal (em grego, católica). Não era mais a igreja de Roma, mas católica, sim, no sentido de universal. Só que precisava um nome diferente. Lutero, em vez de ‘Igreja Luterana’, preferia

Cristã ou Evangélica, porque a base da Reforma foi e é o Evangelho, mas logo nasceram outras igrejas evangélicas e por isso a igreja que segue as suas idéias foi chamada Evangélica-Luterana,

Matthias Ristau, natural de Hamburgo, Alemanha, com estudos em Teologia realizados em Hamburgo e Berlim, é Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Norte do Elba, em intercâmbio na IECLB de 2004 até 2007 na Paróquia Leste SP, Sínodo Sudeste

ou Evangélica de Confissão Luterana. Então, nós luteranos somos evangélicos e católicos. Temos uma vocação especial na conjuntura atual das igrejas, chamados a ser ponte entre católicos e evangélicos. Lutero, mesmo com toda polêmica contra o papismo, sofreu muito com a separação de Roma. Seguindo a ele e a Jesus, devemos buscar união entre os cristãos, ainda mais que nós luteranos ficamos ‘no meio’: depois de séculos de conflitos, temos mais proximidade com a igreja Católica Romana e, do outro lado, temos muito em comum com as igrejas evangélicas, afinal representamos a origem histórica delas. No contexto atual de conflitos entre igrejas, somos chamados a ficar ‘no meio’, a mediar, a ser ponte. Nem a carta do Vaticano e nem tantas igrejas que proclamam cada uma ser a única verdadeira devem afetar a nossa consciência que a Igreja de Cristo é maior que as igrejas e que, apesar das diferenças, somos chamados a viver a unidade que temos Nele.


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Deutscheseite

Was ist Kirche Christi? Es gibt ein Wort Martin Luthers, das uns eine bündige Antwort auf unsere Frage gibt. Es steht in den „Schmalkaldischen Artikeln“: „Gottlob weiss ein Kind von sieben Jahren, was Kirche ist, nämlich die heiligen Gläubigen und die Schäflein, die ihres Herren Stimme hören“. Hat hier Vater Luther die Sache nicht allzusehr vereinfacht? Ein Kind von sieben Jahren – das soll wissen, was Kirche ist und wer zur Kirche gehört, wo doch kürzlich ein ganz hoher kirchlicher Amtsträger unserer Zeit proklamiert hat, dass er Millionen von Schäflein Christi nicht zur eigentlichen Herde rechnen will, nur weil sie nicht in einer bestimmten Umzäunung leben? Ist die Zugehörigkeit zu einem bestimmten Pferch (curral) vielleicht doch wichtiger als das Hören auf die Stimme des guten Hirten? Gott behüte uns vor einer Pferch-theologie, in der das Wort Christi nicht mehr die Grenzen der Kirche bestimmt, sondern in der die Kirche dem Wort Christi die Grenzen setzt! Die Stimme des guten Hirten hole uns aus unseren Irrwegen heraus und bringe uns zur Herde Christi, bringe uns zu ihr zurück, oder erhalte uns bei ihr, wenn wir schon zu ihr gehören! Die Hürden und die Zäune – die wollen wir der Not und der Lage entsprechend bauen und in Stand halten, reformieren oder abreissen. Worauf es uns ankommt, das soll die Stimme des guten Hirten sein. Sie genügt uns, so wie sie den Aposteln genügt hat. Wir wollen Schäflein sein, die ihres Hirten Stimme hören. Nichts weiter. Doch wie erkennen wir die Stimme des guten

Hirten? Ist nicht die ganze religiöse Konfusion unserer Zeit gerade dadurch entstanden, dass die Pferchzäune niedergerissen wurden und die Schäflein nun kreuz und quer durch die Gegend laufen und dabei auf Mietlinge und Verführer hereinfallen? Es liegt nicht am Pferch, nein, es liegt mit Gewissheit nicht am perfekten Pferch, auch bei uns. Mauern und Zäune halten heute niemanden mehr in einer Gemeinschaft fest. Es ist die Stimme des guten Hirten, auf die es ankommt. Sie ist die einzige Stimme, die sich in der Wirrnis der Zeit nicht verändert hat, die ihre Autorität und ihre Kraft bewahrt hat. Und sie ist erkennbar und unterscheidbar auch im Wirrwar der Stimmen unserer Zeit, in der globalen Konfusion der religiösen Angebote, in denen oft Geld, Macht und

Ehrgeiz die treibenden Kräfte sind. Jesus betet: „Ich preise dich, Vater, dass du dies den Klugen und Weisen verborgen hast und hast es den Unmündigen offenbart“.Die Stimme des guten Hirten ist unsere Waffe. Das Wort sie sollen lassen stahn. Lutherisch sein, heisst: das Wort als Wort des guten Hirten „stehen lassen“, heisst diesem seinem Wort folgen. Und das ist es, was schon ein kleinstes Kind erkennen kann: Es kann die Stimme der Mutter, des Vaters, einer wohlvertrauten Oma, von fremden Stimmen unterscheiden. Schon ein Kleinkind „fremdet“, wenn es ein Unbekannter aus den Armen der Mutter wegnehmen will. Es klammert sich am Halse der Mutter fest. Ja, ein Kind von sieben Jahren kann die Grenzen seiner Glaubenswelt schon wie instinktiv erkennen. Es genügt ja die Stimme, der Blick, die Geste, der Atemzug einer vertrauten und vertrauenswürdigen Person. Es weiss auch die Stimme des guten Hirten von anderen Stimmen zu unterscheiden. So halten wir uns an das alte Lutherwort – besser noch, halten wir uns an das Wort Jesu Christi und lassen wir uns nicht irremachen durch Urteile und Definitionen, die nicht des guten Hirten Stimme offenbaren. „Meine Schafe hören meine Stimme“, sagt Jesus. „Fremden“ wir, wo Mietlinge am Werk sind. Vertrauen und folgen wir, wo wir in Einfalt des Herzens des guten Hirten Stimme vernehmen und erkennen! Pfarrer Lindolfo Weingärtner

Keine Rechtfertigung für Doping!

„Wer dopt hier mit Banane?“ Diese ungewohnte Frage steht auf einem Plakat in Nürnberg. Es handelt sich um eine Einladung zu einem Radrennen. Ich nehme an, dass auch dort Doping verboten ist, das heisst seine Leistung mit im Sport verbotenen Mitteln zu steigern. Nach all den letzten DopingSkandalen unter deutschen Radfahrern, kommt die Frage auf: welche Motivation treibt die Sportler dazu, sich zu dopen?

Unter Doping versteht man die Einnahme von Substanzen zum Zweck der Leistungssteigerung. Da dies als unfair betrachtet wird und zudem äusserst gesundheitsschädigend sein kann, ist Doping in vielen Ländern verboten. Sowohl in Deutschland, wie übrigens auch in Brasilien. Deswegen wirbt das Plakat in Nürnberg auf spielerische Weise damit, dass sich die Radsportler nur mit Bananen „dopen“ dürfen. Ein Profisportler verdient seinen Lebensunterhalt mit Hilfe von Siegerprämien und Sponsorenverträgen. Diese Gelder sind von seiner Leistung abhängig. Um sich gegen andere Sportler durchzusetzen wird sich - zusätzlich zum weiterhin notwendigen Training - für Doping entschieden. Oft geschieht dies unter anderem durch den hohen Erwartungsdruck den Trainer, Sponsoren und auch die Gesellschaft ausübt. Leistung zu zeigen ist hier eine finanzielle und soziale

Überlebensfrage! Was hat das mit dem Leben der Christen zu tun? Gott sei Dank, geht es in unserem Leben nicht um Resultate. Vor Gott werden wir nicht durch unsere eigenen Leistungen hoch qualifiziert. Ihn können wir und müssen wir nicht täuschen, da er nicht erwartet, dass wir die Besten sind. Unser Gott nimmt uns an, so wie wir sind. Auch die Schwachen, auch die von der Gesellschaft als Versager angesehen, sind von Gott als Sieger anerkannt. Martin Luther hat das auch entdeckt: Nicht durch unsere Werke können wir uns Gott näher bringen, sondern nur durch den Glauben an Jesus Christus allein. Das war Luthers große Erkenntnis als er damals über der Heiligen Schrift saß und mit Gott gerungen hat. Gott kennt uns, er durchblickt unser Herz, er weiß von unseren Erfolgen und Misserfolgen. Vor Gott braucht kein Mensch sich zu „dopen“, sondern einfach vertrauen. Denn „die auf den Herrn harren, kriegen neue Kraft, dass sie auffahren mit Flügeln wie Adler, dass sie laufen und nicht matt werden, dass sie wandeln und nicht müde werden.“ (Jesaja 40,31).

Theologe Jaime Jung


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JOREV LUTERANO OUTUBRO 2007

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Anúncios Comunitários Neste espaço, a Comunidade pode compartilhar os momentos significativos da vida cristã, como Nascimento, Batismo, Confirmação, Benção Matrimonial, Bodas e Sepultamento. Entre em contato conosco!

Você: a nossa melhor notícia É com imensa satisfação que apresentamos a Sra. Célia Peter Nath, assinante do Jornal Evangélico Luterano, ganhadora do DVD player no sorteio da promoção realizada pelo Jorev – Você: a nossa melhor notícia. Os participantes concor-reram a um DVD, duas máquinas fotográficas digitais e a muitos outros prêmios – foram mais de 50 cupons sorteados! A sortuda Sra. Célia Peter Nath escreveu ao Jorev contando que ficou muito feliz, grata a todos e mandando a todos um enorme abraço.

Nota de falecimento

ORDELANDA NEITZEL “Ó Senhor Deus, os teus feitos poderosos me tornam feliz! Eu canto de alegria pelas coisas fazes”. Salmo 92.4 Selvino Messer nasceu dia 13 de junho de 1927 em Não-Me Toque, e Hilma Messer (nascida Soder) nasceu dia 21 de outubro de 1927, também em Não-Me-Toque. Casaram-se em 19 de abril de 1947, na IECLB em Não-Me-Toque, transferindo residência para Padre Gonzales, município de Três Passos (RS) no mesmo ano, onde residem até hoje. Celebram 60 anos de vida matrimonial dizendo o seguinte: “O segredo de uma vida a dois abençoada é lutar sempre juntos, ter muito amor, fé, erguer a cebeça e sempre seguir em frente, com a graça e bênçãos do Senhor”. Compartilham esse momento tão belo e único os filhos Eloisa, Adelaide, Ismar e Bruno (in memorian), a nora Terezinha, os netos Vinicius, Patrícia, Caroline e Fernando e o bisneto Guilherme. Os familiares.

Lembramos, com pesar, o falecimento de

ZILDA ARÉVALO GRÄBIN Filha de Robustiano Arévalo e de Arminda Arévalo, Zilda Arévalo Gräbin nesceu em Porto Alegre/RS, em 14 de fevereiro de 1926, alcançando a idade de 81 anos, três meses e doze dias, e faleceu na capital gaúcha em 26 de maio de 2007, em casa, vítima de morte súbita parada cardíaca. Em 2 de janeiro de 1952, casou-se com Ary Gräbin, em Porto Alegre, de cujo matrimônio nasceu um filho, Jorge Augusto, e uma filha, Magali, que antecedeu a mãe na morte. Zilda Arévalo Gräbin deixa enlutados o esposo, um filho, uma neta, Isadora, e a nora, Simone. A família enlutada agradece com gratidão os cuidados dispensados pelo médico, Dr. Luiz Carlos Fantin e a todos que trouxeram a sua mensagem de consolo na hora da dor, em especial ao Pastor Eloir Weber, pelas palavras de conforto proferidas. A falecida foi lembrada em culto in memoriam em 10 de junho PPDO na Paróquia São Mateus, oficiado pelo Pastor Douglas Wehmuth, a quem agradecemos pelas manifestações de carinho e consolo. Por fim, um agradecimento especial a todas as pessoas que estenderam a sua mão amiga. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Salmo 23.4

nascida em 07/12/1926 em Taquari/RS falecimento em 28/07/2007 em Chopinzinho (PR).

Mamãe, dia 28/07/07 você nos deixou e foi morar com Deus. Seus 80 anos foram para nós um orgulho. Orgulho de ser uma pessoa participativa na comunidade. Foi madrinha da pedra fundamental, madrinha da igreja, membra muito participativa. Interessada sempre por aquilo que acontecia na igreja, foi assinante por muitos anos do Jornal Evangélico. Viúva desde seus 48 anos, sempre soube educar seus filhos para levarem uma vida de fé. Mamãe, você foi uma pessoa exemplar, uma avó carinhosa e bisavó coruja. Você, mamãe, deixou um vazio muito grande na nossa comunidade e um belo exemplo para ser seguido. Mamãe, como dói a sua ausência. Mas somos muito felizes pela mãe que a senhora sempre foi. Obrigado, Pastor Janio, pela força que você nos deu nessa hora tão difícil. Suas palavras de fé e esperança preencheu o vazio que sentíamos naquele momento. Que bom que Deus colocou pessoas tão especiais no nosso caminho, como você, Pastor. Estamos com saudade, mamãe. Seus filhos: Gisela, Edio, Sueli, Hugo, Ursula, Brunilde e Bruno(falecido).


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Gente Luterana

Nesta edição especial sobre Reforma e Confessionalidade Luterana, dois entrevistados ilustres: o reformador Martim Lutero, representado pelo Pastor Dr. Martin Norberto Dreher, e sua esposa, Katharina von Bora, na pessoa da Pastora Heloisa Gralow Dalferth, contam um pouco sobre a sua biografia

Katharina von Bora Entrei na história como esposa do renomado Reformador, Dr. Martim Lutero, mas também tenho uma biografia exclusiva. Tenho uma vida antes do meu casamento e, mesmo durante os 20 anos de matrimônio com Luther, não deixei de ter a minha própria personalidade. Nasci no dia 29 de janeiro de 1499, em Zülsdorf, junto à Lippendorf, povoado situado ao sul de Leipzig. Meus pais vêm de famílias nobres empobrecidas. Minha mãe faleceu em conseqüência de um parto quando ainda era bem pequena. Depois que meu pai casou Comprei terras e cuidei para que a novamente, concluíram que o produção de alimentos fosse melhor para mim seria entrar em suficiente, para não extrapolar o um convento. nosso orçamento. Meu esposo não Assim, passei minha infância e entendia de administração. Até com juventude em dois conventos, os editores de seus livros eu primeiro em Brehna e depois em negociava! Nimbschen. A vida era de clausura Participei também, mesmo que e a rotina repleta de regras, mas o em meio a tantas tarefas, do convento me proporcionou uma boa processo da Reforma e das formação. Lá, aprendi a ler e conversas teológicas que escrever, também em latim, e os aconteciam ao redor da nossa conhecimentos sobre ervas e chás mesa. Lutero me mantinha que tanto usei junto à minha família informada dos acontecimentos, e a doentes da comunidade, aprendi também quando estava longe no convento. e por meio das suas cartas. Estava bem conformada com a Minha opinião parece lhe ter idéia de que essa seria a minha vida sido valiosa! Sem dúvida, para sempre. Até que alguns escritos tudo valeu a pena. A do ‘monge’ Martim Lutero foram Reforma também teria camuflados para dentro do acontecido sem mim ao convento. Junto com outras freiras, lado de Lutero, mas estudei-os a fundo. O que nos tocou com certeza difedemais foi a doutrina da justificação rente. por graça e fé. O nosso Deus é bom e Como Igreja de gracioso, seu amor por nós é Confissão incondicional e libertador. ConcluíLuterana, mos que não precisávamos passar a vida enclausuradas, mas que poderíamos viver livres, até casar e somos herdeiros e formar uma família. Planejamos herdeiras também da tudo e fugimos. personalidade inovadora que a Passei a viver em Wittemberg. Lá Reforma trouxe consigo. Katharina von conheci o meu primeiro amor: Bora nos ensina a perder o ‘medo do novo’ e a Hieronymus Baumgärtner. Estános animarmos para mudanças, conforme as vamos apaixonados e queríamos situações e as épocas. Segura, pela sua fé, teve casar, porém o fato de sua família coragem de expor sua opinião, ser crítica e até não permitir que seu filho casasse ousada. Não hesitou em com uma exajudar a quem precisasse monja fez com O amor do nosso Deus e até arriscar-se quando que ele me abannecessário. Conta-se que donasse. Acabei por nós é incondicional ela nem sempre pôde casando com e libertador assistir os cultos de seu Lutero. No início, marido porque estava não podemos diocupada fazendo visitas a pessoas idosas, zer que casamos por amor, mas, com doentes ou enlutadas. Não deixou de ser o passar dos anos, aprendemos a nos mulher, mãe, esposa, feminina, mas sempre amar profundamente. Tivemos três lutou pela sua autonomia. Como luteranas e filhas e três filhos. Duas filhas nossas luteranos, somos chamados, a partir da nossa faleceram ainda crianças. fé, a nos engajarmos em nossas Comunidades Tornei-me administradora do e, de cabeça erguida, colocar os nossos dons e nosso dinheiro e dos nossos bens. Em as nossas potencialidades em ação em favor do nossa grande casa, instalei um Reino de Deus que já inicia. pensionato para estudantes.

Martin Luther se, no meu tempo, havia pais menos severos. Procurei ser menos severo com meus filhos. Eles me apresentaram um Deus rigoroso, juiz que castiga os maus e recompensa os bons. Meu pai decidiu que eu deveria estudar Direito. Esforcei-me nos estudos, mas acontecimentos levaram-me a contradizer as intenções de meu pai, que só se reconciliou comigo quando Joãozinho nasceu. A vida religiosa no seu tempo era multicor. Em minha ordem, os Agostinianos Eremitas da Observância, havia muita seriedade, conhecimento de Bíblia e oração. Os Nasci num 10 de novembro de 1483, cargos eclesiásticos, contudo, eram em Eisleben, na Alemanha. Meus pais, preenchidos por filhos da nobreza. A João e Margarida Luder, solicitaram meu vida em Roma requeria muito Batismo no dia seguinte, 11 de dinheiro, que era obtido a partir de novembro, cujo santo era Martim. Em um sem número de taxas, cobradas 1525, casei com Catarina de Bora, uma de bispados, paróquias, feudos, ex-monja de Cistér. Ela me procurou, mosteiros e pela venda de cartas de em 1523, juntamente com outras crédito religioso, designadas de monjas que haviam fugido do indulgências. mosteiro de Nimbschen, depois de Por volta de 1517, o papa Leão terem lido escritos meus e estava precisando de dinheiro para descoberto que a salvação não se construir nova basílica de São Pedro. encontra quando se foge do Ordenou, então, que se vendesse nova mundo. No início, não queria saber indulgência. Um dos pregadores de dela, também não queria deixar indulgência anunciava ‘Quando o viúva, mas como não encontrasse dinheiro retine na caixinha, a alma pretendente e devido à insissalta do purgatório para o céu’. Disse tência da própria e de meus também coisas piores ‘Mesmo que amigos, fiquei ‘com pena da alguém tivesse violentado a Virgem coitada’. Maria, essa indulgência obteria seu No matrimônio, aprendi perdão’. Indignei-me pelo pecador que Deus quer que os esposos que vendia a base do sustento de sua sejam amigos em Cristo. família para comprar o céu. Também Catarina me foi muito coloquei minha indignação no papel, importante. Fui monge e em 95 sentenças, nas quais quis nunca deixei de sê-lo em discutir o valor e a virtude das meus hábitos. Com indulgências. Estava começando a Catarina, aprendi a mexer com a doutrina da Igreja. Em administrar uma caRoma, os padres dominicanos me sa. Além disso, soube denunciaram por heresia e as coisas me enfrentar. se precipitaram. Tive que me Tivemos seis defender. Em meio a ataques e defesas, filhos: João, muitos começaram a, comigo, falar da graça e do amor de Deus. O Evangelho alastrou-se pela Alemanha e pelos países vizinhos. Elisabeth, Fui excomungado e perdi meus Madalena, Martim, direitos políticos. Descobri que Paulo e Margarida. reforma não é algo que se faz de uma Elisabeth nos foi tomada quando vez por todas. A Igreja deve ser tinha um ano de idade. Madalena, continuamente reformada, pois o aos doze anos. Chorei pecado sempre de muito a morte de amnovo se apossa A Igreja deve ser bas. Para Madalena, das pessoas e das continuamente compus Eu venho a vós instituições. É dos altos céus... A bonito ver quanreformada melodia faz jus a seu do o Evangelho belo so-prano. Além corre livremente. dessas crianças, tivemos mais 11 filhos Ele põe as pessoas a cantar da de criação. As crianças me são liberdade que Deus nos dá quando intérpretes das escrituras. Quando nos tira todos os nossos temores. Joãozinho cantava a plenos pulmões e Começaria tudo novamente, mas, eu não conseguia me concentrar no como cristãos, jamais ficamos escritório, falei meio alto com ele, que, de satisfeitos com resultados. Não baixo para cima, me olhou e continuou podemos entender toda a profuncantando, baixinho. Era como se me didade de Jesus e dos apóstolos, por quisesse explicar o que é temor e tremor. isso, só podemos nos inclinar Com ele, aprendi o que é devemos temer e reverentes ante os vestígios do amor amar a Deus e confiar nele sobre todas as coisas. de Deus. Somos mendigos. Esta é a verdade. Meu pai era homem severo. Não sei


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Jornal Evangélico Luterano - Ano 36 - nº 700 - Outubro 2007 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu