Skip to main content

Jornal da Reconciliação. Ano 12, Nº 48, Abril de 2006

Page 1

Boletim trimestral da Paróquia Matriz de Porto Alegre - CEPA - Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

A vocação de reconciliar Aos poucos vamos internalizando esses valores e assumindo na prática as conseqüências dessa vocação da cidade. Temos diante de nós muitas diferenças a superar. A realidade social é assustadora. Não só a violência, mas toda a miséria que é pano de fundo para tantos outros problemas que batem à nossa porta.

A imagem que Porto Alegre transmite ao mundo nos tem deixado envaidecidos. Nem nós mesmos imaginávamos que nossa cidade tivesse um apelo tão cosmopolita, tão global. Mas não é só isto. A nossa cidade tem atraído eventos que indicam nossa vocação social e ecumênica. Eu diria que Porto Alegre tem uma vocação reconciliadora. Porto Alegre representa muito bem o que é típico das grandes cidades brasileiras do sul e do sudeste. Ela vive a diversidade decorrente do histórico afluxo de diferentes etnias que formaram nossa identidade cultural. Interessante é que essa diversidade ainda resiste à massificação da cultura urbana. É possível perceber ainda hoje essa diversidade nos diferentes bairros e nas típicas manifestações

culturais de nossa cidade. Isso quer dizer que conhecemos na pele o desafio de conviver e crescer respeitando as diferenças. Mesmo que cultivemos rivalidades tradicionais como gaúchos (vide o futebol, a política), sabemos considerar os limites da manifestação dessas diferenças. O Fórum Social Mundial e a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas não foram eventos que aconteceram em nossa cidade por acaso. Porto Alegre foi escolhida para sediar estes eventos por ser uma cidade vocacionada a unir pensamentos, grupos e anseios. Infelizmente esses eventos acontecem no período de férias, perdendo assim o impacto sobre a maioria da população que esvazia a cidade. Outro ponto a lamentar é a ainda fraca divulgação desse tipo de evento na mídia.

A Igreja de Cristo hoje não pode transmitir o Evangelho sem manifestar a misericórdia de Deus. Por isso, nosso olhar para a realidade deve ser permeado por gestos de perdão e acolhimento. Iniciativas humildes, porém concretas, devem sinalizar nosso compromisso com a Graça transformadora de Deus.

A nossa cidade tem atraído eventos que indicam nossa vocação social e ecumênica. Infelizmente observa-se no Cristianismo uma cisão entre a tarefa evangelizadora e a diaconal. Nós não podemos nos omitir em nenhuma das duas tarefas. O Jesus que testemunhamos é o Jesus do amor e da misericórdia. Cabe a nós, sob a orientação do Espírito de Deus, traduzir em nossa maneira de ser Igreja essa vocação de reconciliar. P. Cláudio Kupka

Entrevista

Central

Cultura e fé

Quatro pessoas de nossa paróquia tiveram uma vivência muito intensa da Assembléia do CMI. Exerceram a função de steward. Você sabe o que é isso?

Apresentamos de maneira resumida, porém ampla, o que foi a 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas. Mesmo para quem participou, é bom ter uma visão geral deste evento histórico.

O sensacionalismo criado em torno da publicação do Evangelho de Judas nos faz perguntar: Que relevância ele tem para a nossa fé?

Página 4

Páginas 8 e 9

Página 13


EDITORIAL

2

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Deus constrói nossa comunidade A primeira edição de 2006 não poderia refletir outra coisa senão o impacto do maior evento ecumênico mundial sobre nossa paróquia. Começamos o ano mais cedo, trabalhando muito na Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas. Chegou março e já recomeçamos nossos grupos e atividades há todo vapor. O retiro de planejamento do Conselho Paroquial, já em abril, selou nosso reinício com novas motivações e rumos Foto: Celso Marino para 2006. Logo chegou também a Páscoa e colo- também a inspiração para cou todo nosso agir em o nosso trabalho. Cremos que não trabalhamos outra perspectiva. para receber algo em Cremos que Deus nos troca. O Jesus crucificado dá, não só o poder, como nos ensina a servir, a

Expediente Boletim informativo da Paróquia Matriz de Porto Alegre Comunidade Evangélica de Porto Alegre - CEPA Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB Coordenação: Artur Sanfelice Nunes Huet Jorge Bacellar Junior José Sperb de Oliveira Liane Dagmar Schmidt Magda Regina Rockstroh P. Cláudio Kupka Editoração Vânia Möller Publicidade: Roberto Redlich multipublicidade@pop.com.br ou na Secretaria da Paróquia Rua Senhor dos Passos, 202 90020-180 - Porto Alegre/RS Fone: (51) 3224.5011 Expediente da Secretaria: 2a a 6a, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h30

Sempre ajude quem está precisando. Quem espera brilhar como indivíduo, lembre que Cristo renunciou à popularidade e à fama. Mais importante para Ele era a vontade do Pai. Então, o que parecia ter sido sepultado com sua morte, ressurgiu ao nascer a igreja, espaço de valorização de todos os dons, espaço de humildade e serviço. doar-se. Se alguém quer ser acolhido e valorizado, não olhe para si, olhe para o próximo como Jesus olha. Valorize o trabalho dos outros.

Que 2006 seja para nós a afirmação de que Deus é o criador de nossa comunidade! Seja Cristo a inspiração para cada gesto desta construção.

Curso Partilhar a Fé No dia 08 de março, iniciou na Paróquia Matriz o curso de Teologia denominado Partilhar a Fé, tendo uma participação média de 25 participantes. Estamos animados com esta participação e a concretização deste espaço de estudo e de formação na Paróquia Matriz. Os assessores deste curso são na sua maioria da nossa Escola Superior de Teologia de São Leopoldo. O curso terá 18 etapas. A duração vai até o mês de novembro. A Igreja é composta de espaços onde podemos celebrar, compartilhar, estudar. A Fé cristã é dinâmica e busca também através da razão a compreensão daquilo que Deus realiza, tornando o nosso testemunho autêntico, proporcionando discernimento ao nosso ser cristão em meio a este mundo que procura a cada dia nos envolver com tantas novidades religiosas. Esta iniciativa é fruto do processo de planejamento interno que detectou em dezembro passado a necessidade de investirmos em formação. Que o “Partilhar a Fé” seja um espaço importante de edificação da fé cristã, despertando lideranças na Igreja de Jesus Cristo. Pastor Werner Kiefer


Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

MEDITAÇÃO

3

A Biblia ajuda em meio ao luto A primeira morte – um homicídio Caim (o agricultor) assassinou seu irmão Abel (o pecuarista). Esta história é narrada em Gênesis 4. Desde sempre e para todos os povos, a morte foi e é um problema sério a ser enfrentado. O fato de a Bíblia dizer que a primeira morte que aconteceu entre os seres humanos foi um assassinato significa que, também para Deus, morrer é algo difícil e chocante. Mais abaixo veremos a oferta que Deus faz através de Jesus Cristo.

Deus ao nosso lar – o lugar onde melhor nos sentimos (Jo 14 1-3).

A superação do luto É notável o fato de que no início da Bíblia fala-se sobre a morte e o luto (Gn 4) e no final vem a promessa da superação de morte e luto (Ap 21). A vida eterna no reino de Deus através da ressurreição é a oferta que Deus nos faz através de Jesus Cristo. Bíblia. A palavra “luto” aparece catorze vezes e a palavra “tristeza” relacionada ao luto - quinze vezes. O luto oficial pela morte da Moisés – maior líder do povo de Israel – foi de Jesus Cristo passou pelo sofrimento e pela morte para trazer a ressurreição como o caminho para a salvação eterna.

A Bíblia fala muito sobre a morte e o luto Os termos “morrer”, “mortal”, “mortandade”, “morte” e “morto” aparecem 380 vezes na

trinta dias: o pranto por ele, portanto, foi de um mês. Os livros de Jó e Eclesiastes analisam a vida sob a ótica da sabedoria que provém da convivência com o sofrimento. Entre os Salmos, há diversos que pranteiam a morte, clamam no sofrimento e expressam a dor do luto (por exemplo: Sl 23.4; Sl 44.22; Sl 88.3).

Profetas estão de luto Nos livros dos profetas encontramos diversas passagens que falam sobre o luto: a esperança em meio ao luto (Is 60.20 e 61.3); o luto no exílio (Jr 8.21); o luto que provém da maldade humana (Os 4.2-3); o luto como conseqüência do afastamento de Deus (Am 8.10).

Jesus Cristo revela o Deus da vida A expressão “não temas” aparece 365 vezes na Bíblia, relacionada com Deus e seu contato com as pessoas. É como se fosse dita uma vez para cada dia. Jesus disse: “Deus não é Deus de mortos e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem” (Lc 20.38). Jesus compara a ressurreição para o Reino de

Época da Paixão – tempo de reflexão A Época da Quaresma também é o tempo da reflexão sobre morte e luto. Jesus Cristo passou pelo sofrimento e pela morte para trazer a ressurreição como o caminho para a salvação eterna. O luto e a dor pela despedida de uma pessoa querida continuam como uma realidade da vida humana. Para as pessoas cristãs batizadas, porém, a fé na ressurreição através de Jesus Cristo é um grande conforto em meio à dor da saudade. Do convívio no lar entregamos a pessoa amada que faleceu à casa, ao lar de Deus Pai, conforme a promessa de Jesus. Na vida ou na morte estamos com Deus e ele está conosco – esta é a verdade que nos é transmitida na Paixão e na Páscoa! P. Ulrico Sperb


ENTREVISTA

4

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Entrevista com jovens stewards

Quatro jovens atuantes em nossa paróquia tiveram o privilégio de atuar na 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas exercendo a função de steward. Os mais de 100 stewards formaram o grupo de apoio para a organização e funcionamento da Assembléia. Atuando em diferentes áreas, várias horas por dia, tiveram uma intensa vivência ecumênica nestes dias, especialmente convivendo com colegas de diferentes países e denominações cristãs do mundo. Henrique, Érico, Thomas e Priscila deixam para os leitores do JR um testemunho do que significou este evento para as suas vidas.

JR: O que significou para vocês serem escolhidos como um dos poucos stewards que representaram a IECLB na Assembléia do CMI? Henrique Renck: Significou uma oportunidade única e um voto de confiança. Não nos seria possível participar da Assembléia com a intensidade propiciada pelo programa de stewards se não fosse pelo papel central que a IECLB assumiu na organização do evento e seu interesse em estimular a participação da comunidade. Não demorou muito para que entendêssemos que, devido à envergadura do programa e da própria Assembléia, tínhamos assumido também a responsabilidade de deixar a “marca luterana” em nosso trabalho, isto é, mostrar que, mesmo entre membros de igrejas maiores e com mais recursos, o brasileiro luterano pode fazer uma significativa diferença. Foi ótimo perceber que não precisávamos mudar nossas atitudes do cotidiano da comunidade para isso. JR : Como foi a preparação e o encontro dos colegas

vindo de todas as partes dia. O resultado disso do mundo? foram grandes amizades e experiências compartiÉrico Loyola: A prepalhadas. Durante a Assemração dos stewards variou bléia, fomos divididos em bastante. Exemplo posiequipes, trabalhando em tivo foi dado pelos diversos setores para que jovens oriundos dos EUA. tudo funcionasse perfeiEstes acompanharam as reuniões dos delegados tamente. Além disso, jovens que iriam repre- estivemos envolvidos em sentar suas igrejas e muitas outras atividades mantiveram estreito con- tais como pré-assembléia tato com seus líderes jovem, “Diálogos Ecureligiosos. Destaque-se mênicos”, celebrações, que tal preparação plenárias, estudos bíblicos revelou-se útil espe- e nossos próprios enconcialmente quando se era tros entre stewards. exigido conhecimento Certamente, conhecer os mais aprofundado do desafios e experiências de funcionamento do CMI. cristãos do mundo todo Tal exemplo poderia fortaleceu nossa fé e mudou inclusive ser estudado pela nossa visão de mundo. nossa IECLB, pois melhor JR: Qual foi o impacto desse capacitaria nossos repreevento na vida de vocês? sentantes na próxima Assembléia. No que tange Priscila Brust: Participar ao convívio com os colegas de um evento como a de diversas partes do Assembléia do CMI faz a mundo, só tenho a dizer gente perceber a imque foi enriquecedor. portância para a Igreja de Foi ótimo manter contato estar unida e trocar com pessoas de diversas conhecimento com outras origens e nacionalidades, Igrejas. O movimento cada uma trazendo um ecumênico ganha novas ponto de vista e traba- proporções em nossas lhando em prol do vidas, ampliando horiecumenismo. Foi realmente zontes e contribuindo pra uma experiência ímpar. uma formação de caráter cristão mais consolidado, JR: Como foi o dia-a-dia da incentivando a prática de Assembléia? atividades junto a nossa Thomas Kang: Os 17 dias Igreja e em parceria com de atuação no evento outras denominações, foram intensos e ines- divulgando o amor de quecíveis. O CMI hospe- Deus. Sinto que todos dou os cerca de 140 jovens fomos inspirados e de diversas igrejas e partes coagidos a nos manifestar do mundo num hotel a fim e a viver de uma forma a de que convivêssemos repensar muitas de nossas juntos, expondo-nos ao ações no trabalho e na ecumenismo 24 horas por vida pessoal.


Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

ENFOQUE

5

Encontrar prazer no que se faz Ouvimos com freqüência este comentário. Um homem de negócios que, durante toda vida, obteve sucesso em seus empreendimentos ganhou muito dinheiro fazendo suas coisas. Recentemente foi entrevistado pela “Business News”. A pergunta era se ele iria se aposentar. Sua resposta

prazer na morte em si, mas sim pela alegria que estava proposta diante dele, que ele suportou a cruz, desprezando o opróbrio (Hebreus 12.2). Ele rendeu sua vida porque era certo fazer isso, A maioria das coisas e porque sua mais alta dignas de serem feitas prioridade era agradar ao Pai (João 4: 34; 6: 38). precisa ser feita, quer gostemos delas no Muitas vezes, porém, momento ou não. A partir não há razão para não para tomar a atitude de largar o trabalho de sua vida. Mais objetivamente: quem vai dizer que fazemos o que fazemos simplesmente por gostar disso?

Aprender a amar o que temos que fazer é a parte maior para nos tornarmos seres humanos maduros.

ratificou o título deste texto: “Bem, eu planejo continuar trabalhando enquanto apreciar isso. O dia em que eu não encontrar prazer no que faço, encerrarei minhas atividades”. Temos muito a dizer sobre nosso trabalho. Fazemos melhor quando gostamos de fazer e esta apreciação afeta a qualidade do que fazemos de tal modo que, quando deixamos de fazê-lo, isto poderá ser decorrente de uma necessidade prática porque nossa “alma” sai do que fazemos. Nosso trabalho raramente pode ser posto de lado simplesmente porque não o apreciamos mais. Pouquíssimas pessoas têm a independência financeira

daí, precisamos nos lembrar de que há uma coisa chamada dever, e que o dever nem sempre é uma má idéia. O que devemos fazer se situa mais alto do que aquilo que nos dá prazer fazer. Onde estaríamos se Jesus tivesse dito, “Bem, se não posso apreciar morrer pelos pecados do mundo, então jamais farei isso”. Não foi por qualquer

cumprir ambas as prioridades: podemos apreciar fazer o que devemos fazer! De fato, aprender a amar o que temos que fazer é a parte maior para nos tornarmos seres humanos maduros. Quando atingimos o ponto onde nossos corações e nossos sentimentos se tornem tão afinados com o que é certo, a ponto de coincidirem com as obrigações

de nossa vontade, então teremos crescido em sabedoria com respeito às coisas realmente boas do mundo. Sentimentos vêm e sentimentos vão, para todos nós. Mas os homens e as mulheres verdadeiros são aqueles que são capazes de pôr de lado, temporariamente, seus sentimentos desagradáveis, para conseguirem fazer o que é permanentemente bom. Nossos impulsos precisam ser subordinados aos nossos princípios, e fazer isso não deverá tornar-nos infelizes. Como cristãos, nossa maior motivação deverá ser agradar a Deus. Paulo disse: “É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis” (1. Coríntios 5.9). Se nosso caráter é o que deve ser, tudo o que agrada a Deus trará alegria aos nossos corações, ainda que o ato envolva algum desprazer na superfície. Seremos capazes de dizer: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração está a tua lei” (Salmo 40: 8). Carmen Goldmann Scherer - Colaboradora

Felipe Duarte Leques ADVOGADO 2ª feira - Paróquia Matriz - Sala 100 Escritório: R. Gal. Vitorino 330 Cj. 104 Fone: 3227.6934 com hora marcada


6

GRUPOS

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Linha bonita Acabaram as férias, sobraram as lembranças. Entre outras boas lembranças ficou-me o passeio a Linha Bonita que é um lugarejo perto de Gramado.

uma casa centenária. Mas a verdadeira atração era um majestoso carvalho, centenário também, de

no, muito humor e eloqüentes gestos, ora empunhando a enxada, ora capinando, ora enu-

copa frondosa e rica ramaria de folhas entrecortadas. Fomos recebidos pelo proprietário dum moinho d’água movido por enorme roda. Ele nos contou a história dos antepassados imigrantes italianos e suas dificuldades iniciais. Conhecemos a vida Tudo isso era apresentado dos colonos e visitamos com forte sotaque italia-

merando as árduas tarefas das mulheres. A esposa chamava-se Rosa. Eu, sentada na primeira fila do auditório improvisado, recebia freqüentes tapas nos joelhos durante o entusiasmado relato dos feitos da Rosa, que nos vendia biscoitos típicos. Ela era de origem alemã,

Acomodados numa van fomos levados morro abaixo e vale adentro, beirando vinhedos carregados de uvas prometendo farta safra e saboroso vinho; beirando plantações de figos e marmelos; passando por rebanhos de ovelhas, galinhas, gansos e cabras, jardins de flores fora de moda: glicínias, copos de leite e lírios. O motorista era um jovem com permanente sorriso. Era nordestino, e optou pelo frio da nossa Serra ao calor do seu Estado.

da cidade de Frankfurt. Conhecemos ainda uma usina de erva-mate e, por fim, tivemos calorosa acolhida pela família Foss que, apesar do nome, não falava alemão. Eram dois casais que nos deram as boas-vindas cantando e servindo delicioso pão feito na hora, sucos caseiros e, sinal da tecnologia que penetra nos mais remotos recantos, vendiam camisetas que ostentavam fotos coloridas da família, exibindo seus produtos coloniais. E vocês, o que fizeram? Com certeza esperaram, ansiosos e impacientes, pela volta das reuniões do Arco-Íris. Pois já começaram. Sejam bemvindas. Sofia Renner

OASE em foco As senhoras da OASE já tomaram seus lugares para cumprir sua missão abençoada! Na tarde do dia nove de março tivemos o início das atividades de 2006.O reencontro das amigas, a disposição e a alegria estampadas em seus rostos, prenunciava um ano maravilhoso e abençoado. Na verdade, uma retomada do trabalho, que teve uma pequena pausa durante janeiro e fevereiro a fim de buscar energia e nova disposição para a continuidade das atividades deste grupo, envolvido na ação comum de ajudar ao próximo. E essa tarefa comunitária, torna-se uma bênção que envolve e liga toda comunidade e os

Cada “abelhinha” faz a sua parte para tornar o mundo melhor. grupos entre si, contagiando-se mutuamente, frutificando e trazendo relevante crescimento pessoal e grupal. Assim sendo, cada “abelhinha”, com seu labor contínuo, faz a sua parte para tornar o mundo melhor, adoçando-o com seu néctar perfumado, espargindo pelos ares uma aura de confiança, solidariedade, respeito e amor. São muitos os planos e os projetos. O desejo de recomeçar

percebia-se nos olhares de cada uma. A recepção e boasvindas para veteranas e novas companheiras foram feitas pela Presidente Carole König, sendo Conselheiro Espiritual o Pastor Ulrico Sperb. O clima de euforia e satisfação correu leve e solto. Após a meditação e estudo da Palavra foi disponibilizado a todas o Calendário Anual que estabelece as metas e

ações previstas para o decorrer do ano. Uma novidade foi anunciada: além dos encontros semanais das quintas-feiras, haverá uma Oficina de Artesanato, às sextas-feiras, com participação opcional. O grupo está coeso e sabe suas responsabilidades e atribuições. Bonito de se ver. Maravilhoso participar. Se você quiser fazer parte deste grupo, não espere mais. Aqui na OASE tem um cantinho especial para você focalizar sua atenção em si mesma, nos amigos e nas necessidades dos outros, realizando um trabalho gratificante e abençoado. Deus está conosco. Junte-se a nós. Carmen Goldmann Scherer


Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

GRUPOS

7

2006... Novidades na Lupi O final de 2005 reservou uma bela surpresa para todos nós do Centro Infantil Lupicínio Rodrigues: recebemos uma verba extra da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre que nos possibilitou realizar no período de férias uma série de reformas e adequações necessárias para atendermos exigências da Secretaria Municipal da Saúde. Fizemos melhorias na cozinha, colocando azulejos e lajotas, colocamos piso quente em duas salas de aula, criamos um pátio interno para uma das salas, entre outras melhorias.

Esse projeto somente se tornou viável com a parceria e a ajuda de diversas pessoas. Dentre elas destacamos a do arquiteto Hilton Fagundes e da equipe de seu escritório que elaborou todo o projeto arquitetônico e está realizando o acompanhamento da obra de forma voluntária.

Outro projeto iniciado neste mês foi a tão sonhada ampliação da Lupi, com a construção de duas salas: uma de multiuso para atendimento das crianças e da comunidade, com biblioteca, computa-

dores e vídeo e outra para atendimentos diversos como: psicologia, nutrição, fonoaudiologia e pediatria. Estamos ainda construindo uma lavanderia, outra exigência da Secretaria Municipal da Saúde.

Nossa meta é inaugurar esta parte nova no início de junho. Agradecemos a todos da Paróquia Matriz que ajudam a fazer este belo trabalho, possibilitando atender mais e melhor a nossa comunidade. Leila Schwingel

Cantando e louvando Como é bom ouvir um coral cantando! A música faz bem para quem canta e para quem se deixa enlevar por ela. Você que participa dos Cultos e celebrações na Igreja da Reconciliação, não poucas vezes, já foi presenteado pelas apresentações do Grupo Cantabile. A música em forma de oração provoca arrepios. Pessoas de grande sensibilidade deixam-se levar pela emoção. No interior da casa de Deus ecoam sopranos, contraltos, tenores e baixos que louvam, adoram e ex-pressam de modo especial sua gratidão a Deus, o Senhor. Este ano, o grupo Cantabile está completando seu 10° aniversário. No decorrer desta década, inúmeras foram as apre-

musicalidade, harmonia e qualidade.

sentações na Igreja Matriz bem como em outros espaços culturais e eclesiásticos, numa constante renovação do repertório, preferencialmente sacro e erudito, com acompanhamentos de piano, órgão ou orquestra. O empenho dos coralistas é grande. A dedicação do maestro/

regente Delmar Dickel, que acompanha o grupo desde os primeiros passos e a constante atenção da preparadora vocal, Regina Schaumlöffel, incrementam dia-a-dia a qualidade da expressão vocal e artística de seus participantes, encorajando-os à aquisição de alto nível de

O Cantabile apresentou-se no Culto de Abertura das atividades da Paróquia Matriz, no dia 12 de março. Fora de casa, apresentou-se na Paróquia Evangélica de Igrejinha e, mais recentemente, no Culto da Paixão novamente em nossa paróquia. Na agenda do Grupo constam participações no Culto do Dia das Mães (14/05), Culto de Confirmação (04/ 06), além do Concerto no Dia da Igreja, em 21 de maio, nos festejos dos 120 anos do Ex-Sínodo Riograndense, no Morro do Espelho, em São Leopoldo. E continuam os ensaios... Carmen Goldmann Scherer


A 9ª Assembléia do Conse A atenção de milhares de cristãos convergiu a Porto Alegre nos dias 14 a 23 de fevereiro quando aconteceu a 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, o maior encontro ecumênico do início do século 21.

glicanas, Unidas e Pentecostais. Além disso, mais de 3000 convidados, conselheiros, observadores participaram dos mais de 200 Mutirões que foram workshops e exibições paralelas às plenárias e reuniões decisórias.

Transformação foi o tema central deste evento. Celebrações, reflexões e diálogos giraram em torno do tema Deus, em tua graça, transforma o mundo.

A participação jovem também teve grande visibilidade. Jovens delegados, stewards e outros visitantes estiveram muito envolvidos com a programação da Assembléia na definição de prioridades para o futuro. As mulheres também tiveram uma presença marcante. Eram 37% do grupo de delegados.

A Assembléia marca uma nova fase do ecumenismo. Delegados discutiram e decidiram como o CMI irá trabalhar a partir de um novo modelo consensual de decisão permitindo ampla participação dos delegados.

Foram 691 os delegados oficiais representando 348 Igrejas Protestantes, Ortodoxas, An-

A presença do Presidente Luis Inácio Lula da Silva atraiu a atenção da mídia televisiva e jornalística para o evento.

participantes se reuniram numa enorme tenda para quase 4000 pessoas. Lá em muitos idiomas, gêneros musicais e temas da Bíblia vivenciou-se uma expressão de fé diversa porém unida no mesmo Deus e na mesma esperança. Um A 9ª Assembléia foi grande coral acompatambém uma Assembléia nhado de instrumentistas conduziram a música provinda de diferentes partes do mundo. - “Orar o Pai nosso simultaneaO P. Dr. Walter mente em diferentes Altmann, Pastoridiomas ao mesmo tempo presidente da IECLB, é emocionante”, disse uma foi eleito o novo das participantes. Fora isso moderador, mais alto cargo do CMI. no domingo do dia 19, cada participante pode visitar uma comunidade local e participar de seu culto regular. celebrativa. Foi um dos Em nossa paróquia, o pontos altos na medida em que no início e no fim de culto foi celebrado em cada dia de atividades os português e alemão,

tendo como pregador o bispo alemão Dr. Martin Hermann. Após o culto um grupo de estrangeiros foi recepcionado num almoço especialmente preparado para acolhê-los. O CMI foi constituído em 1938, porém só teve a sua primeira assembléia em 1948 logo após a 2ª Grande Guerra como resposta a um mundo dividido e destruído. As igrejas cristãs há muitos anos iniciaram uma caminhada de diálogo em torno da missão conjunta dos cristãos no mundo. A realidade social e política do mundo pós-guerra delineou, no entanto, uma caminhada em que os temas da pauta não eram somente os de cunho teológico, mas também social.


nselho Mundial de Igrejas Temas como: direitos dos povos indígenas, o espaço da mulher na sociedade, os direitos das pessoas portadoras de deficiência, o envolvimento dos jovens na vida das igrejas, a preocupação com as pessoas portadoras de HIV, alternativas aos modelos econômicos atuais foram alvo de calorosas discussões. Um novidade nesta Assembléia foram os Mutirões. A partir de uma palavra de origem indí-

Nestes espaços houve oportunidade para reflexão, celebração e exibições. Igrejas e organizações ecumênicas de todo mundo propuseram discussões sobre uma grande variedade de temas.

O bispo alemão Dr. Martin Hermann foi o pregador do culto que acolheu visitantes estrangeiros em nossa paróquia no dia 19.

O evento ocupou amplo espaço na mídia televisiva e jornalística, especialmente no dia em que o Presidente Luis Inácio Lula da Silva esteve presente saudando os sociedade, demonstrando que receberam o Prêmio delegados da Assembléia. a necessidade do mundo Nobel da Paz como o Arcebispo Sul-africano Desmond Tutu e Adolfo Esquivel. Sua presença foi especialmente importante na Caminhada pela Paz realizada no dia 21 (vide reportagem na Um grande coral acompanhado de página 16). instrumentistas conduziram a música provinda de diferentes partes do mundo.

gena que significa lugar de encontro e trabalho conjunto, o CMI decidiu oportunizar a participação de centenas de pessoas nãodelegadas na Assembléia.

Justamente quando o mundo discutia a questão da intolerância religiosa, as posições expressas por autoridades ecumênicas surtiram muito efeito na

Além de elegerem presidentes das 8 regiões continentais, foi eleito o novo moderador, mais alto cargo do CMI (equivalente à Presidência) o presidente da IECLB, P. Dr. Walter Altmann.

A coordenação local do evento esteve sob a aprender que religiosidade responsabilidade do nunca deve ser motivo de pastor da IECLB, Rui violência e exclusão social. Bernhard, algo que foi digno de muitos elogios. Outro destaque foi a presença de autoridades P. Cláudio Kupka


NOTÍCIAS

10

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Um novo “candidato a pastor” entre nós Alguns devem estar se perguntando quem é este novo pastor que atua na Paróquia Matriz? Na verdade, não se trata de um novo pastor, mas de um Candidato a Pastor. Nós explicamos. Após o término dos estudos teológicos, aqueles que querem e são recomendados ao ministério pastoral, por exemplo, são admitidos ao Período Prático de Habilitação ao Ministério, uma espécie de estágio final. Só então, aprovado no PPHM, a Igreja designa este

obreiro a uma paróquia e lá então é ordenado. Marcos Aurélio de Oliveira foi apresentado à comunidade no culto de abertura no último dia 12 de março. Ele é casado com Nádia, obreira diaconal e coordenadora do departamento Diaconia PPD da IECLB, e pai de Bárbara de 3 anos. Marcos tem larga experiência com jovens e trabalhos sociais por conta de sua atuação junto a ONG’s ligadas à prevenção da HIV/Aids e à luta pela paz. Por isso a ênfase de seu PPHM será

Oficina de Páscoa

No último dia 18 de abril aconteceu a primeira Oficina para crianças deste ano, a Oficina de Páscoa. Com novas colaboradoras e sob a coordenação agora do P. Werner, a oficina

propiciou uma manhã intensa de atividades para 23 crianças. A próxima oficina, que será alusiva ao Dia das Mães, será no dia 6 de maio. Inscrições estão abertas na secretaria.

um amplo conhecimento e atuação em todas as áreas da paróquia. Desejamos que, não só o P. Marcos

se sinta bem entre nós, como também aproveite bem este tempo de aprendizado e convívio.

JESP tem nova diretoria A Juventude Evangélica Senhor dos Passos elegeu sua nova diretoria para a gestão 2006/2007. Após reflexão dirigida pelo Pastor Cláudio sobre o papel de uma diretoria no contexto da prática cristã do poder baseado em Marcos 10.35-45, thaeler para presidente, foi feita a eleição que Renata Fetzner Dias para escolheu Sibeli Diefen- vice, Samantha Diefenthaeler e Ana Kiefer para secretaria, Henrique Brusius Renck para tesoureiro, Tiago Kiefer para esportes, Ricardo König para o Dep. Musical e Eduardo Minossi para o Festivo. No culto de Quintafeira Santa, a diretoria foi empossada e sobre ela foi invocada a bênção de Deus.


ACONTECE

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

11

Visitas da 9º Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas Em todos os cantos do mundo pessoas se preparavam para participar deste importante evento que nós portoalegreses tínhamos o privilégio de acolher. Nós, as creches da CEPA, nos organizamos para acolher da melhor maneira possível todos os participantes dispostos a conhecer o nosso trabalho Diaconal e Ecumênico. Tivemos o privilégio de receber muitas pessoas, de diferentes partes do mundo no estande da CEPA no local da Assembléia, na PUC. Alguns se interessaram em conhecer nosso trabalho. Dentre as visitas recebidas gostaríamos de destacar a visita

de um grupo do Sul da Alemanha. Era um grupo de 7 pessoas que nos pediu auxílio para fazer um tour pela cidade. Eles gostariam de conhecer a sede da IECLB e outros pontos interessantes de Porto Alegre. Nossa primeira surpresa ocorreu quando os levamos para conhecer a Igreja da Reconciliação. Ao entrarem na Igreja começaram a cantar lindamente, oraram e uma pastora do grupo deu a todos uma bênção. Visitamos a CEPA, Paróquia Matriz e IECLB, o Mercado Público e retornamos para que eles conhecessem a Lupi e o CEDEL. O grupo nos solicitou a oportunidade de

Cedel faz seis anos

Uma importante data foi comemorada no mês de março. O nosso Centro Diaconal Evangélico Luterano comemorou 6 anos de intensa atividade entre crianças e adolescentes da região central de Porto Alegre. Na manhã do dia 14 de março, reunida a diretoria, educadores, fun-

cionários e voluntários da casa, comemoramos com canto e palavras de estímulo mútuo. Algo que se destaca em cada momento de avaliação é o ambiente acolhedor que a entidade apresenta, especialmente aos que chegam de fora. Deus abençoe este trabalho por muitos anos e use-o como instrumento de uma educação transformadora em nossa sociedade.

almoçar na Lupi e durante o almoço, muito elogiado, começaram a surgir perguntas referentes ao nosso trabalho e que foram prontamente respondidas. Em dado momento alguns integrantes do grupo, emocionados, começaram a chorar. Na continuação da visita à Lupi, outros integrantes do grupo também estavam chorando. Preocupada, perguntei o porquê da comoção e foi a minha vez de me emocionar com a resposta. Eles explicaram que estavam chorando de alegria e gratidão pela existência deste trabalho diaconal que proporciona a tantas crianças e famílias vitimas de violência doméstica uma possibilidade de afeto,

respeito e resgate, um lugar onde a violência não entra, onde se repensam as relações humanas, onde todos são tratados com tanto respeito e amor... E nesse clima de emoção e lágrimas aconteceu nossa despedida. Constatamos que em partes tão diferentes do mundo, somos Igreja de Cristo e queremos a mesma coisa: vida com dignidade para todos. Fica a dúvida do reencontro, mas a certeza de que acreditamos no mesmo Cristo, que nos impulsiona e motiva para a sua causa, a Diaconia. Leila Schwingel Diácona Coordenadora do C.I. Lupicinio Rodrigues


12

OFÍCIOS E AGENDA

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Ofícios 11/12/2005 - Vitor Reis Flores, filho de Marcos Marcio Koch; Mafalda Flávio Marques Flores e BöttgerLalande Böttger; Cíntia Reis Branco; Maria Henrietta Borchert Bergler; Liliane Rodrigues 18/12/2005 - Eurico Goebel da Silva e sua filha Ana Carlucci, filho de Carlos Luiza de Araújo; Luciana Fernando Bergmann Carlucci Saraiva Bender e seu filho e Fabiola Goebel Carlucci; Antônio Bender Macagnan da Silva; Vanete Olga Fauth 18/12/2005 - Antonio Breier e sua filha Clara Fauth Müller, filho de Paulo Soares; Michelle Bruxel; Ricardo Duarte Müller e Paulo Walter Schneider; Maria Cecília Breier; Membros Novos

Nilton L. Peuckert, Gerlinda Jähn Peuckert; Dóris Christina Weidemann e seu filho Diego Weidemann Rache Vitello; Lídia Scherer Klausgraber. Batismos 11/12/2005 - Rafaela Albrecht Dienstmann, filha de Carlos Eduardo Dienstmann e Angela Albrecht;

22/01/2005 - Arthur Martins Bodas de Diamante Zimmermann, filho de Juliano Reimundo Zimmermann 20/03/2006, José Henrie Isabel Sfreddo Martins que Gressler e Maria Zimmermann; Antonieta Gressler. 12/02/2006 - Luiza Flores Michel, filha de Luiz Paulo Óbitos Michel e Marinês de Castro Flores; 30/12/2005, com 78 anos, 12/02/2006 - Nicole Rodri- Ilga Jacquer Jorge; gues Leonhardt, filha de 02/01/2006, com 77 anos, Marcos Vinícios Leonhardt e Jorge Herbst; 10/01/2006, Márcia Rodrigues Leonhardt; com 91 anos, Lauro Pedro 25/12/2005 - Mabelle Pedó, 26/03/2006 - Samuel Müller; 15/01/2006, com filha de Júlio César Pedó e Ferreira Gohlke, filho de 81 anos, Oldine Hilda Nelson Gohlke e Carla Janaina Pedó; Rohde; 18/01/2006, com Santos Ferreira. 23 anos, Laura Lautert 08/01/2006 - Gabriela Fleck; 25/01/2006, com 90 Schneider Nazi, filha de Bênção Matrimonial Marcelo dos Santos Nazi e anos, Nelly Thofehrn; 10/12/2005, Estevão Nunes 04/02/2006, com 94 anos, Rejane Schneider Nazi; Sucupira e Sabrina Taffe. Erich Roberto Sommer; 08/01/2006 - Henrique 24/02/2006, com 47 anos, Kumbier Nunes dos Bodas de Prata Santos, filho de Jorge dos 11/12/2005, Ivo Darci Jonas Humberto Byk; Santos e Magali Cristini Möller e Edeli Inês Görgen 11/03/2006, com 72 anos, Casola Kumbier; Möller. Elvia Schaeffer Engel.

Calendário

Abril 26 GEELPA: Dr. Fernando Luchese. “Nosso estresse e saúde no dia-a-dia.” 29 Retiro da JESP e Confirmandos (até 1º/05) Maio 02 Grupo Doraci de Apoio a Pessoas Enlutadas 19h30min 11 Chá do Dia das Mães, promovido pela OASE 13 Oficina do Dia das Mães 19 Curso Profissão de Fé - 1 20 Passeio do Grupo Singulares à Gramado (Inscrições na Secretaria) 21 Dia da Igreja (Morro do Espelho/São Leopoldo) 25 GEELPA: “Deliberações e resoluções da 9a. Assembléia do CMI.” 26 Curso Profissão de Fé - 2 26 Retiro dos Confirmandos 2006/2007 28 Encontro dos Cachoeirenses Almoço Paroquial Junho 02 Curso Profissão de Fé - 3 04 Confirmação 09 Curso Profissão de Fé - 4 18 Almoço Paroquial 25 Evangelização (19h) 30 68º Encontro de Casais do CONCEPA (até o dia 02/07)

Cultos e Temas 23/04 Jo 20.19-31 30/04 Lc 24.36-49 07/05 14/05 21/05 28/05

Jo Jo Jo Jo

10.11-18 15.1-8 15.9-17 17.11-19

Ver para crer ou crer para ver? O recém sepultado reaparece e come com amigos A quem ouvimos? O amor de Deus se vincula à vida Amem uns aos outros Jesus intercede por ti!

Projeto Quinta Voz 15/05 22/06

Francis Padilha e “Vocal 5” Órgão: Anne Schneider e alunos


Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Há poucos dias saiu mais uma revelação na mídia: Foi terminada a tradução integral do Evangelho Segundo Judas! O manuscrito, descoberto em 1970, é escrito em copta (língua falada por comunidades cristãs egípcias) e demandou mais de 40 anos em sua tradução integral, um trabalho de fôlego e dedicação que muito merece ser elogiado. Mas e agora? Será que existem ali revelações fundamentais que nos levarão a uma nova visão de Jesus Cristo, de Judas e dos eventos que aconteceram em Jerusalém e que levaram à morte de Jesus? Ou será que temos, como diz o título daquela peça de teatro de Shakespeare, “muito barulho por nada”? Talvez um pouco dos dois. Claro que a mídia vive desses expedientes e descobertas; não sei se teremos um dia a noção de quanto foi, e está sendo, escrito a respeito dessa tradução e suas possíveis repercussões na fé cristã. Estudiosos das mais diferentes fontes, experts, teóricos, historiadores, teólogos e inúmeras outras autoridades estiveram envolvidos na análise e comentário do Evangelho Segundo Judas. Mas, para as comunidades e igrejas cristãs, acredita-se que a maior contribuição seja a de se ter mais uma voz, gnóstica, a contar sobre o impacto que a vida, obra e ensinamentos de Jesus de Nazaré tiveram sobre seus contemporâneos. Os gnósticos de então apresentavam ensinamentos esotéricos que

CULTURA E FÉ

Evangelho de Judas?

Essas páginas maltratadas estão sendo as atuais vedetes da mídia, coisa que seu desconhecido autor jamais poderia imaginar

conduziriam seus iniciados à salvação através do conhecimento de grandes verdades espirituais. Também demonstravam rejeição às realidades materiais – Jesus teria pedido a Judas que o “livrasse desse corpo” – e seu foco de interesse estava numa intelectualização da fé e da salvação. Falar sobre o grande mestre da Galiléia e seus ensinamentos são conseqüências esperadas num contexto como o de então, como também era de se esperar a forte reação contrária por parte dos cristãos, pois como diz o

Dr. João Batista Libanio, professor de teologia, “a insistência antignóstica da tradição cristã do início, valorizando o corpo de Cristo na vida terrestre e depois de glorificado, é dado essencial da fé.”

E de onde veio esse novo Evangelho? Mas e de onde veio esse novo Evangelho? E o que são livros apócrifos? Esse texto é uma descoberta arqueológica

13 de grande importância e faz parte do imenso contigente de livros escritos nos primeiros séculos de cristandade, reunindo relatos orais de testemunhas, pregações dos apóstolos e discípulos e, ainda, tradições e mitos. Com o tempo, as comunidades cristãs começaram a separar e guardar os textos que julgavam corresponder à verdadeira fé cristã, excluindo aqueles textos com os quais não concordava. Aos livros excluídos, deu-se o nome de apócrifos (“oculto” em grego, significando que tem autoria desconhecida) e aos considerados dignos de crédito, deu-se o nome de canônicos (“regra” em grego, significando sua adequação à fé cristã). Existem muitos livros apócrifos – a Editora Mercúrio publicou vários deles – e, de uma forma geral, também contribuem na construção do edifício da fé. Seja por ajudarem a termos uma visão mais abrangente da era apostólica, seja por serem uma coletânea de bons e sábios conselhos ou ainda para que saibamos quais caminhos não percorrer. Na realidade, cumprem uma função importante e devem ser vistos criteriosamente, com sabedoria. Sob essa ótica, a publicação do Evangelho de Judas certamente trará bons frutos, o que não deixa de ser uma bela surpresa, não é mesmo?

O beijo de Judas é dos temas mais pintados nas representações da paixão de Cristo - aqui, um detalhe da tela do mestre Giotto.

Artur Sanfelice Nunes Designer Gráfico


14

VARIEDADES

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Tijela de madeira Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes.

- Ah, estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem, quando eu crescer.

A família comia reunida à mesa. Mas as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça.

cozinha. Ali, o avô comia deixava um talher ou sozinho, enquanto o comida cair ao chão. restante da família fazia as O menino de quatro refeições à mesa, com anos de idade assistia a satisfação. tudo em silêncio. Uma Desde que o velho noite, antes do jantar, o - Precisamos tomar quebrara um ou dois pai percebeu que o filho uma providência com res- pratos, sua comida agora pequeno estava no chão, peito ao papai, disse o filho. era servida numa tigela de manuseando pedaços de madeira. madeira. - Já tivemos suficiente Quando a família leite derramado, barulho Ele perguntou delicaolhava para o avô sentado de gente comendo com a damente à criança: boca aberta e comida pelo ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus - O que você está chão. olhos. Mesmo assim, as fazendo? Então, eles decidiram únicas palavras que lhe colocar uma pequena diziam eram admoestaO menino respondeu mesa num cantinho da ções ásperas quando ele docemente:

O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite, o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família. Dali para frente, e até o final de seus dias, ele comeu todas as refeições com a família. E, por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando um garfo caía, leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.

Jesus vive em teu coração Se andas pela rua com um sorriso em teus lábios, é Jesus que vive em seu coração. Se as pessoas de teu bairro, ao te encontrar, te reconhecem e te cumprimentam, é Jesus que vive em seu coração. Se podes dar uma palavra de ânimo a quem te pede, é Jesus que vive em seu coração. Se oras ao Senhor de mãos dadas junto com outros irmãos, é Jesus que vive em seu coração. Se podes trabalhar em tua igreja, sem pedir absolutamente nada em troca, é Jesus que vive em seu coração. Se tens ensinado às tuas crianças a serem honestas, simples, boas, é Jesus que vive em seu coração. E, se no curso de sua vida, algumas coisas não saíram do jeito que pensaste, é Jesus que vive em seu coração.

Ele te ama tanto que dirige a tua vida por caminhos inesperados, mas sempre na confiança de que, se Jesus viver em teu coração, tudo isso será para o bem. Marta Dehn


15

Os últimos dias de Jesus Agora que passou a Sexta-feira Santa e a Páscoa, quero convidar vocês para relembrar os fatos dos últimos dias de Jesus, desde que ele entrou em Jerusalém até o dia que subiu ao céu. Você sabe a ordem certa dos fatos? Eu desafio você a fazer uma pesquisa para descobrir. Use a Bíblia, converse com seus pais ou irmãos. O objetivo é colocar o número “1” no fato que ocorreu primeiro, “2” no segundo e assim por diante. No último fato, coloque o número “6”. Fácil né? Então comece já. Ah, lembre que no dia 25 de maio é o dia que comemoramos o fato de número “6”.

A última Ceia

A ressurreição

Jesus lava os pés dos discípulos

Jesus sobe aos céus

A crucificação

Jesus expulsa os comerciantes


16

VOCÊ VIU?

Abril de 2006 - Ano 12 nº 48

Caminhada pela paz Sob o lema “Feliz quem promove a paz, transformando o mundo” foi realizada a “Caminhada pela Paz”, no centro de Porto Alegre, no dia 21 de fevereiro de 2006. O evento fez parte da programação da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, que aconteceu em Porto Alegre, de 14 a 23 de fevereiro. O evento da “Caminhada pela Paz” teve por objetivo congregar as pessoas que estavam participando da 9ª Assembléia e a comunidade local em um momento marcado pela espiritualidade (orações, músicas, intercessões) e simbologia (velas, bandeiras, gestos) que propiciasse às pessoas participantes se sentirem reconciliadas, comprometidas e amparadas pela graça de Deus na busca por transformação do mundo, com a superação da violência para uma vivência harmoniosa e pacífica. Além disto, foi o único evento da 9ª Assembléia que aconteceu fora do espaço da PUC.

Paz em 1980, fez uma fala poética conclamando as pessoas a não se deixarem abater pela violência que há no mundo, mas se levantarem, pois com a graça de Deus “um outro mundo é possível”.

A “Caminhada pela Paz” foi a oportunidade para o Conselho Mundial de Igrejas, a Década para Superação da Violência e a 9ª Assembléia demonstrarem que é possível reconciliação, respeito pela diversidade, diálogo, PAZ. Nesse evento, foi dado ao mundo um testemunho vivo da graça transformadora de Deus. Através da participação de mais de duas mil pessoas e de várias igrejas (as mais diversas possíveis) foi mostrado que se quer e se está buscando um mundo onde se possa viver de maneira mais harmônica e pacífica.

Peres, foi marcado pelo ato denominado “Bênção da Luz”, no qual representantes do grupo de diálogo inter-religioso local acenderam uma grande vela que guiou a caminhada. Neste mesmo ato, também foram proferidas as palavras da “oração dos quatro pontos cardeais”, significando a luz e a bênção para todos os povos e nações do mundo.

Outro ato marcante foi a parada na Esquina Democrática, na qual as pessoas foram motivadas a se colocarem ao chão e Adolfo Pérez Esquivel, O momento inicial, escritor argentino que realizado no Largo Glênio recebeu o Prêmio Nobel da

IMPRESSO Remetente: Paróquia Matriz Rua Senhor dos Passos, 202 - 90020-180 - Porto Alegre, RS - Fone: (51) 3224.5011

Destinatário:

Na escadaria da Praça da Matriz, local onde foi encerrada a caminhada, o Arcebispo Anglicano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, bradou: “o apartheid terminou na África, e a violência cairá em Porto Alegre”. Nesta mesma escadaria, integrantes do coral da 9ª Assembléia encerraram o evento cantando “caminhamos pela luz de Deus” e cada pessoa, com sua vela acesa, seguiu para seu hotel, casa, cidade, país, continente, levando consigo o compromisso de continuar caminhando pela paz, em busca de harmonia, de transformação. Marcos Aurélio de Oliveira Coordenador do Grupo de Trabalho Caminhada pela Paz


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Jornal da Reconciliação. Ano 12, Nº 48, Abril de 2006 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu