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Jornal da Reconciliação. Ano 11, Nº 47, Novembro de 2005

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Boletim trimestral da Paróquia Matriz de Porto Alegre - CEPA - Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

O que deixaremos aos nossos filhos? muitos, parece um discurso descolado da realidade da vida. Ainda se tem a idéia de que a fé compete com a vida normal das pessoas.

Todo pai e toda mãe, em algum momento da vida, se fazem esta pergunta. A resposta nem sempre é fácil, pois a vida nos apresenta tantas demandas que nos sentimos meio confusos, com tantas coisas para nos preocuparmos.

Se eles encontram espaço entre nós ou se não o querem. E, se este for o caso, nos perguntamos por que isso acontece. Uma hipótese que temos é a de que no começo da vida matrimonial e da constituição de uma nova família os casais sentem-se tão ocupados que acabam deixando um pouco de lado o seu vínculo com a Igreja. É a questão da moradia, trabalho, creche, escola, aquisições. Tudo é tão intenso e interessante, que certos aspectos da vida ficam de lado. A dimensão religiosa seria uma delas.

Temos feito esta pergunta aqui na paróquia, nos últimos tempos. Há muitos grupos e atividades cuja freqüência indica que seus participantes encontram ali realmente respostas às suas perguntas. Mas, infelizmente, temos pouca participação de crianças e de seus jovens pais. Perguntamos-nos o que há de errado; se há algum problema em nossa oferta de atividades ou na A Igreja fica de lado possivelqualidade do trabalho que ofere- mente por não ter muito a acrescemos. Preocupamo-nos muito com centar a nossa vida, tão cheia de os jovens casais, com pais e mães. emoções e novidades. A fé, para

No entanto, isso parece um contra-senso. A Igreja desprezada nessa fase da vida é a mesma Igreja procurada com tanta esperança na hora em que a vida começa a apresentar a conta. Casais de meia idade freqüentemente nos procuram por causa de uma crise de relacionamento matrimonial, de relacionamento com filhos. Tem-se a impressão de que o seu projeto familiar ruiu por falta de algo. Faltou orientação, faltaram valores, faltou repensar a vida à luz da fé. Então o contra-senso revela suas perguntas mais críticas: por que não mantivemos o contato com a Igreja preservando a dimensão da fé na educação de nossos filhos? Porque não lhes ensinamos a tempo que a vida pode ter mais sentido do que tão somente divertir-se, namorar e consumir? Jesus um dia disse: “Deixem vir a mim as crianças. Não as impeçam de vir a mim, pois o reino dos céus é delas”. Cada pai e cada mãe devem fazer sempre a pergunta inicial, sem medo de não saber respondê-la. É só incluir na resposta o compromisso de falar-lhes sobre Deus e trazê-las à Igreja. Sem a “carona” dos pais fica bem mais difícil. P. Cláudio Kupka

Enfoque

Central

Cultura e fé

O P. Werner traz o desafio que inspira um novo grupo da paróquia: o de acompanhar as crianças batizadas e desafiar as famílias a educar as crianças na fé.

Publicamos um interessante artigo do P. Dr. Gottfried Brakemeier tratando de algumas ênfases urgentes de nossa postura luterana no atual contexto religioso.

O tema das cruzadas está de volta. Você sabe a importância desse tema para a nossa tradição cristã? Confira no artigo de Artur Nunes algumas descobertas sobre o tema.

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EDITORIAL

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Comemoração dá trabalho Mesmo que a data tenha transcorrido, o tema da criança merece sempre nossa atenção. Esta edição do jornal quer celebrar o espaço da criança entre nós, o espaço que o próprio Jesus preservou quando disse: “Deixai vir a mim os pequeninos”. O P. Werner Kiefer compartilha conosco a motivação e o projeto da Pastoral do Batismo. O P. Cláudio reflete conosco sobre a responsabilidade questões fundamentais do dos pais quanto à edu- luteranismo. cação cristã dos filhos. Na O nosso Jornal da Folha da Criança, uma noReconciliação não pode vidade: o humor infantil. deixar de compartilhar a A página central riqueza de atividades, reflete a preocupação de grupos e pessoas que são nossa IECLB com a sua a Paróquia Matriz. Assim identidade confessional. O conheceremos o presiP. Dr. Brakemeier trata de dente da JESP, os mo-

Expediente Boletim informativo da Paróquia Matriz de Porto Alegre Comunidade Evangélica de Porto Alegre - CEPA Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB Coordenação: Artur Sanfelice Nunes Huet Jorge Bacellar Junior José Sperb de Oliveira Liane Dagmar Schmidt Magda Regina Rockstroh P. Cláudio Kupka Editoração Vânia Möller Publicidade: Roberto Redlich multipublicidade@pop.com.br ou na Secretaria da Paróquia Rua Senhor dos Passos, 202 90020-180 - Porto Alegre/RS Fone: (51) 3224.5011 Expediente da Secretaria: 2a a 6a, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h30

apresenta a obra do P. Harald sobre Dietrich Bonhoeffer.

mentos marcantes da OASE, as últimas notícias do Centro Infantil Lupicínio Rodrigues e o trabalho com PPD. Não esqueçamos da área da cultura. Artur Nunes nos fala sobre as Cruzadas, tema de filme recente e P. Kupka

Você deve ter percebido que o JR em 2005 teve sua periodicidade alterada. Quem leu a edição passada sabe que a causa foi a sobrecarga da equipe que elabora o jornal. Considerando isso, o Conselho Paroquial, em sua reunião de 26 de novembro, decidiu suprimir a edição tradicional de dezembro e lançar a edição de novembro como a última do ano. Pedimos a compreensão de nossos leitores para o fato. Em 2006 certamente teremos uma equipe mais ágil e com menos sobrecarga. Em anexo estamos enviando nossa mensagem natalina.

Nona assembléia do CMI Você já sabe que vamos ter a 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas nos dias 14 a 23 de fevereiro na PUC/RS. Como maior organismo ecumênico do mundo, o CMI, através da 9ª assembléia, vai empenhar-se para tomar decisões que visem um mundo melhor, com paz e justiça para todos. Você já pensou em participar da elaboração destas propostas? Por isso nós te convidamos: reserve a data de 14 a 23 de fevereiro para participar da assembléia. Descubra com a comissão de organização como ser voluntário na preparação desse evento. Divulgue a assembléia para que muita gente possa participar dela e também o movimento ecumênico. Você poderá estar no Campus da PUC todos os dias e participar das as atividades programadas, desde as celebrações litúrgicas matutinas e vespertinas, estudos bíblicos diários, até as plenárias administrativas e temáticas; as atividades programadas no espaço do mutirão, na noite cultural latino-americana, etc. Para isso basta que consiga um crachá de identificação que estará disponível em sua comunidade/igreja. Para outras informações site: www.wcc-assembly.info Pastor Rui Bernhard/Coordenador local


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MEDITAÇÃO

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Escolher o caminho de baixo ou passar por cima? Como um rolo compressor

para acertar o sentido da vida, é necessário passar pela porta estreita. Não dá para passar por cima dos outros e, ao mesmo tempo, querer ser um bom cristão.

Certa vez um executivo de uma grande empresa em São Paulo me contou que fora preterido na escolha do novo diretor de área.

É mais importante ser sábio do que sabido. E a sabedoria da vida consiste em optar pela proposta do Evangelho de Jesus Cristo.

- Sabe, disse ele, pelo tempo de serviço eu estava na vez de subir de cargo. Mas “ele” usou de todos os recursos junto à presidência. Ele foi como um rolo compressor por cima de todo mundo... E chegou lá!

Não dá para passar por cima dos outros e, ao mesmo tempo, querer ser um bom cristão. A saída por baixo Uma secretária me contou que seu patrão, um dia desses, entrou na sua sala e começou a berrar com ela, aparentemente sem motivo algum. No início ela ainda tentara saber por que, qual o erro que ela cometera. Mas logo viu que era algo que nada tinha a ver com ela. O transtorno dele vinha de um grave problema que lhe acontecera e ele simplesmente estava extravasando sua raiva nela. Perguntei: - E o que você fez?

A porta estreita Jesus Cristo disse no Sermão do Monte (Mateus 7.13-14): “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. A tendência é procurar por portas largas e fáceis de se passar. A busca por portas ou passagens estreitas não é o corriqueiro. Por que então Jesus faz esta comparação? Exatamente porque Jesus conhece o ser humano e sabe que ele prefere o que é mais fácil e o que lhe dá mais vantagens.

Pessoas arrogantes e - Eu escolhi a saída que andam com os por baixo e saí de fininho! cotovelos de fora só

Jesus deixa claro que esta opção não é a mais fácil, uma vez que implica inclusive em superar coisas que fazem parte do próprio “eu”. Ao mesmo tempo, porém, o resultado é a consciência de que se acertou o alvo, conseguem passar por o sentido da vida. portas largas. As pessoas humildes e que andam com os braços junto ao Uma prece corpo conseguem passar Que Deus nos dê por portas estreitas. sabedoria para escolherA humildade é uma mos o caminho de baixo, virtude e, como tal, deve e que ele nos indique este ser exercitada. A arrogân- caminho. Que Deus nos cia é uma compulsão e, guie para a porta estreita, por isso, deve ser evitada. e que nós consigamos passar por ela. Que ele nos dê a humildade de Uma proposta de reconhecermos que o sentido da nossa vida é o escolha caminho indicado pelo Jesus propõe o Evangelho de Cristo. caminho da humildade Amém! como uma atitude de P. Ulrico Sperb vida. Ele deixa claro que,


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ENTREVISTA

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Entrevista com Érico Loyola

O JR entrevista nesta edição o atual presidente da JESP – Juventude Evangélica Senhor dos Passos. A JESP é um dos grupos mais atuantes da paróquia, despertando inclusive curiosidade por parte de pessoas de fora. Como vocês conseguem que os jovens ajudem desta maneira? – dizem. A liderança certamente é uma razão. Com seu jeito simpático, cativante e divertido, Loyola, como é conhecido entre nós, coordena uma equipe muito animada e cheia de idéias. Estudante de Direito na UFRGS, nascido no Rio de Janeiro há 20 anos, luterano por convicção desde 2003, esportista inveterado, Érico Loyola é o entrevistado desta edição.

JR: Como foi tua aproxi- tradição! Acho que ela mação com a nossa Igreja? consegue manter e valorizar suas raízes. Por Loyola: Bem, minhas exemplo, acho que é difícil origens luteranas remonta- encontrar uma comunidade vam à família do meu pai, como a nossa que cante enquanto por parte da “Noite Feliz” no culto de minha mãe eu tinha uma Natal, e que faça tal coisa certa influência católica. com emoção. Meus pais me deixaram “escolher” a religião que JR: E quanto à teologia eu queria seguir, e eu luterana, o que te chamou sempre me posicionei mais a atenção? pelo luteranismo. No colégio, eu conheci o Kang Loyola: O “crer” como (Thomas Kang), que era elemento central da teoluterano e vinha na JESP. logia é com certeza a parte Ele então me convidou pra que mais que me chamou participar da Juventude e, a atenção. Também me desde então, eu freqüento chamou a atenção a noção de comunidade que se a Paróquia. tem, em que cada um é JR: O que você achou da parte de um corpo, e deve JESP ou da comunidade? agir coordenadamente Loyola: Bem, a JESP é um para atingir um fim maior. grupo muito legal. Eu me senti muito bem acolhido, as pessoas me receberam muito bem, e eu aprendo muito com o pessoal de lá. O mesmo vale pra comunidade. A JESP é um grupo alegre, acolhedor e “espirituoso”. JR: O que você acha do jeito de ser de nossa comunidade, algo te chamou a atenção? Loyola: Particularmente, o que mais me chamou quanto à comunidade, foi o apego, positivo, à

JR: Como você se sente contribuindo com esta comunidade? Loyola: Eu me dedico à organização das atividades da JESP, tentando congregar pessoas. Ao fazer isso, acho que também colaboro com a Comunidade. Tento mostrar que temos também espaço para os jovens, e que a JESP é o local em que eles podem viver sua fé. Temos um ambiente agradável, no qual todos podem expressar os seus receios,

perguntas, anseios, etc. Ao fazer isso, colaboramos para que a comunidade cresça e que haja sempre integração entre todos. JR: O que você achou da JESP em 2005? Loyola: Eu achei a JESP 2005 muito legal! A JESP nunca teve tantas atividades quanto nesse ano. O grupo mostrou-se sempre receptivo, alegre, festivo. Tivemos excelentes momentos de integração. Conseguimos, com a ajuda essencial da Paróquia, o nosso espaço (nova sala da JESP), e, de quebra, fomos a melhor torcida nas Olimpíadas Sinodais! Outra coisa importante foi o intercâmbio que tivemos com a OASE. Em vários momentos, pudemos nos ajudar, e hoje cremos que há uma verdadeira amizade entre esses grupos. JR: E para 2006? Loyola: Acho que em 2006 o grupo vai continuar a crescer, englobando aqueles que hoje estão no Ensino Confirmatório. Além disso, novas lideranças vêm surgindo, e eu tenho certeza de que elas terão um papel muito importante no ano que vem.


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ENFOQUE

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“Batizado sou” Relembrado a Oferta da Graça de Deus no Batismo A casa necessita de um fundamento. Todo prédio repousa sobre esta estrutura com segurança. Ela é a base que transmite acolhida ao todo da construção, a qual segue sobre o mesmo. A vida também necessita de um fundamento sobre o qual possa repousar, que a sustenta diante de todas as situações, sabedora de que foi acolhida.

vida o movia a administrar os conflitos e dar direção a sua vida. O ser batizado o remetia à lembrança da presença de Deus, o bom fundamento com o qual Deus acolhia incondicionalmente todo o seu ser. Ali, no dia do batismo, não há apenas um rito. Ali está Deus cumprindo a sua promessa, fazendo aliança, chamando nominalmente a cada um (a): “Tu és meu”. “Tu és minha”. “Eu te chamei”. “Tu és o meu filho”. “Tu és

A comunidade reunida experimentou, de forma singular, a palavra de Jesus: “Deixai vir a mim os pequeninos...”

Assim, podemos comparar o batismo como sendo o fundamento que acolhe a vida com segurança. É a base para a vida cristã que proporciona a visualização da oferta da salvação em Jesus Cristo. Para tanto, é preciso acolher o batismo como o presente de Deus em nossa vida. Ele não é a garantia da salvação, mas a certeza de que, neste ato de batizar, Deus oferece a salvação como demonstração de sua misericórdia. “Batizado sou!” assim Martin Luther escreveu em sua escrivaninha. Esta certeza da presença de Deus em sua

minha filha”. Tudo isso acontece antes mesmo de eu conhecer a Deus. Ele me acolhe assim como sou e me conhece pelo nome. Sou alguém pela graça de Deus. Não é fantástica esta iniciativa de Deus? Claro que sim! Pois, já antes de eu ter consciência de mim mesmo, Deus já estava cuidando de mim, providenciando o bom fundamento para a minha existência. A nossa confiança nesta iniciativa de Deus é objeto da nossa reflexão, para que o batismo não se torne meramente num ritual de passagem. A valorização do batismo tem a ver com o exercício

No dia do batismo, não há apenas um rito. Ali está Deus chamando nominalmente. “Tu és o meu filho, minha filha”.

da fé cristã. Porém como experimentamos a confiança no batismo, acolhendo este fundamento? Eis a questão. A fidelidade ao batismo conduz a prática da fé cristã; é um chamado para o compromisso. Afinal, o que ainda temos como valor que direciona a vida, algo que seja de comum acordo em nosso convívio? O batismo será uma prioridade que expressamos através de nossas atitudes? Eis a questão: o que, afinal, é importante? Os valores, que no passado eram tidos como sagrados, hoje são supérfluos, relativizados. Porém, todos concordam, certamente, com a necessidade de princípios pelos quais a vida possa ser norteada. A Paróquia Matriz quer acolher esta reflexão envolvendo, inicialmente, os recém-batizados numa celebração anual, na qual possam relembrar a graça de Deus, ofertada no batismo. Em meio à relativização de valores, oferecemos uma celebração na qual somos relembrados deste feito de Deus na nossa vida, fortalecendo a chama da fé em Jesus Cristo.

A Pastoral do Batismo, grupo recém-criado, incentiva, de forma criativa, a valorização desta promessa que Deus firma conosco, e preparou a celebração denominada “Relembrando a graça de Deus ofertada no batismo”. Este culto aconteceu no dia 23 de outubro, com uma participação expressiva das nossas crianças, batizadas nos últimos 10 anos na Paróquia Matriz. Histórias bíblicas foram contadas, a família toda e padrinhos relembraram o batismo de seus pequeninos. A comunidade reunida experimentou, de forma singular, a palavra de Jesus: “Deixai vir a mim os pequeninos...” Após o Culto, cada criança recebeu um símbolo, cujo formato era o de uma Bíblia, com o nome da criança, envolvido no versículo bíblico de Isaías 43.1: “ Não temas, eis que te remi, chamei te pelo teu nome. Tu pertences a mim.” “Batizado sou” - esta certeza queremos celebrar e levar conosco como base e convicção de que o amor de Deus nos assiste sempre. Que o Batismo seja o início de uma vida cristã para o exercício consciente da fé cristã. P. Werner Kiefer


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GRUPOS

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Certificados Na frenética procura por um documento, encontrei uma pasta com vários certificados meus, testemunhos de etapas da minha vida. Chamou-me a atenção uma simples folha datilografada. No cabeçalho dizia: Sociedade de Ginástica Porto Alegre Turnerbund, ano 1942. Eram agradecimentos à atleta Sofia Tannhauser por sua participação no Campeonato Feminino de Atletismo. Os treinamentos eram sábados à tarde. Meu noivo não gostava nada da idéia. Foi o fim da minha breve carreira de atleta. Permaneceu o gosto pela ginástica, tanto assim que meus filhos, ainda bebês , eram exercitados por mim, seguindo os conselhos de

uma revista de idéias avançadas para a época. Nunca abandonei a ginástica. Hoje dou aulas de ginástica para vovós.

Outro certificado consiste em pomposa folha, ornamentada por uma lira, folhas de louro e notas musicais. Trata-se do Diploma de Virtuosidade Pianística. A solene conclusão do curso realizou-se no teatro S. Pedro. Tive o topete de apresentar uma sonata de Beethoven, de cor. Durante a execução do

movimento lento, entrei em pânico. Tive certeza de não saber tocar a peça até o fim. Terminei o movimento lento, deixando a sonata pela meNa frenética tade. Leprocura por vantei e um deixei o documento, palco de encontrei uma cabeça pasta com erguida, certificados. sem dar sinal de derrota. O público aplaudiu igual, provavelmente aliviado por ver abreviado o sarau. Outras duas folhas grampeadas dizem: Ginásio Pão dos Pobres e Colégio S. Manoel, onde fiz exames de Madureza, pois, quando meus filhos saíram da faculdade, formados, eu resolvi entrar. Como meus

nove anos de estudos no colégio bilíngüe Hindenburgschule não eram reconhecidos, tive que recuperar o curso ginasial e o 2º grau. Fiz tudo isso e mais um pré-vestibular num ano só, e ingressei na PUC, em Ciências Sociais. Tenho certeza de que vocês, a estas alturas, pensam: “Como ela é prosa, cheia de si”. Acho até que vocês têm razão. Mas talvez não saibam avaliar o prazer que os estudos me proporcionaram. Adquirir novos conhecimentos, descobrir novos horizontes são experiências que ninguém nos pode roubar, são valores guardados dentro de nós para o resto da vida. Sofia Renner

OASE em foco As senhoras da OASE Matriz estão felizes pelo sucesso obtido em seu 2º Café Colonial, realizado na tarde do dia 25 de agosto p.p. Pelo visto, o “Bauern’ Kaffee” preparado com tanto carinho e cuidados pelas abnegadas e incansáveis senhoras de nossa OASE será um evento anual. Foram muito elogiados e apreciados os quitutes preparados pela equipe “com a mão na massa”, composta pelas senhoras, também chamadas as “abelhinhas” da OASE. Convém destacar as doações de inúmeras pessoas da comunidade que, além de atender ao convite com suas presenças, contribuíram de

O 2º Café Colonial foi preparado com muito carinho e cuidado pelas abnegadas e incansáveis senhoras da OASE.

forma especial para a compra e confecção de bolos, cucas, pães, lingüiças, geléias de frutas variadas, Quark (Käseschmier), Leberwurst, Blutworst, Kopfwurst, Streuselkuchen, nata e outros mais. A recepção aos que participaram dos momentos agradáveis daquela tarde foi feita

pelas senhoras que usavam aventais vistosos da cor laranja e que se esmeraram no serviço de atendimento do café ou chá, pois sempre existe a opção para os diferentes paladares. Além disso, a tenda dos aventais bordados, pintados e “crochetados” pelas senhoras da OASE atraiu

a atenção de todos e foi motivo para a realização de um desfile informal, apresentado com elegância e graça pelas próprias anfitriãs. Modelos maravilhosos para deixar a dona de casa mais bonita, e cuja venda reverteu para as entidades mantidas pela Paróquia Matriz.


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GRUPOS

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Flores e fé no Morro No dia anterior havia chovido, mas aquele sábado, 15 de outubro, já amanhecia prenunciando tempo firme. Era tudo o que o grupo de exparticipantes do Celebrar & Viver precisava para concretizar o passeio ao Morro do Espelho, programado para aquele dia. O Pastor Werner e o Pastor Kurt acompanharam o grupo, que seguiu para São Leopoldo de TRENSURB. No caminho, a paisagem de concreto desfilava aos olhos dos passageiros do trem. Mas quanta diferença! Logo na chegada ao Morro do Espelho, todos puderam sentir aquela harmonia entre a natureza e a fé. Todo aquele verde, as flores, os pássaros e o sol envolvendo aqueles

A foto “oficial” foi junto ao busto de Lutero, recentemente inaugurado.

prédios e casas onde se trabalha e se estuda a fé, com fé. Alguns dos visitantes já conheciam o local, mas sempre há espaço para novas descobertas. O Pastor Kurt foi o guia do programa, que constou de um momento de reflexão e cantos pela manhã. Ao meio-dia, um gostoso almoço na Casa das Diaconisas, após o

qual houve aquele momento de tirar fotos e bater papo, sentados entre as árvores. O “bater papo” coube, na verdade, aos dois pastores, que fizeram um breve resumo da história e do funcionamento do local. E ainda repartiram com o grupo alguns “recuerdos” de seus tempos de estudantes de Teologia. À tarde, um

verdadeiro “tour” pelo Morro: prédios da Faculdade, a Biblioteca, os alojamentos dos estudantes, residências dos professores, o Colégio Sinodal, a Casa das Diaconisas e mais ainda. Um momento especialmente marcante foi a visita ao túmulo da irmã Doraci. Caminhadas entre as árvores, apreciando os cenários, aquelas flores silvestres por todo lado, outras flores plantadas por mãos caprichosas, muitas fotos e bate-papos. A foto “oficial” foi junto ao busto de Lutero, recentemente inaugurado. Ao voltar, os corações e mentes vinham repletos de alegria pelos momentos de convivência num lugar tão especial. Liane Dagmar Schmidt

O Centro Infantil vive novo momento A transição do trabalho com meninos de rua para o atendimento de crianças na Creche Lupicínio somente se tornou possível porque o grupo da OASE II assumiu, em 1994, a coordenação do Clube de Mães, entidade mantenedora da creche. Após muitos anos de funcionamento neste modelo, chegou o momento de estabelecer um vínculo formal com a CEPA, adequando a entidade segundo os seus parâmetros. Essa adequação implica, além da mudança da pessoa jurídica (passou a ser chamada de Centro Infantil Lupicínio Rodrigues), na adequação da

O trabalho da “Lupi” vive um momento muito especial. A equipe de educadores é muito dedicada e qualificada.

creche ao estatuto da CEPA. Toda a contabilidade e administração de pessoal agora seriam assumidas pela CEPA. Também uma nova diretoria deveria ser eleita. Devido a uma reestruturação do grupo OASE II, uma nova equipe foi formada. A nova Diretoria foi assim constituída: Presidente: Mariza Essig;

Vice-Presidente: Sandra Kiefer; 1º Tesoureiro: Egon Günther Lecke; 2ª Tesoureira: Mônica Kupka; Secretária: Márcia Bolla; 2ª Secretária: Anete Hilgemann. A instalação da Diretoria aconteceu no dia 21 de agosto e marcou o envolvimento direto de uma nova equipe com esse trabalho tão desafiador.

Internamente o trabalho da “Lupi” , como carinhosamente a denomina-mos, vive um momento muito especial. A equipe de educadores é muito dedicada e qualificada. A integração de toda a equipe de voluntários, estagiários e educadores é muito intensa. Estamos ampliando o espaço da sede, com a construção de duas novas salas no andar superior. Toda colaboração, seja em dinheiro, material ou em ajuda voluntária é bemvinda. Obreira Diaconal Leila Schwingel


ESPECIAL DE NATAL

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Natal: Deus se torna humilde - uma criança! Vamos lembrar um fato que aconteceu quando Quirino era governador da Síria. Todos tinham que se apresentar em sua cidade natal para o recenseamento. Maria estava grávida e morava com o seu noivo em Nazaré. Ambos tinham de ir para Belém, sua cidade natal. Ali se completaram os dias para a criança nascer. Procuraram uma pousada para dar aconchego ao bebê. Uma estrebaria de animais foi-lhe oferecida. Foi ali que nasceu Jesus. Foi ali, nesse curral de animais, que se comemorou o primeiro Natal. Afinal, o que uma história que fala sobre pobreza e rejeição tem de especial em nossos dias, quando tantas crianças também nascem em situações semelhantes? A pobreza não é uma boa notícia, pelo contrário, é uma má notícia. Ela agride, afeta a dignidade da criação de Deus. Entretanto é em meio à pobreza que Deus se faz criança, gente como a gente, para que assim possamos todos perceber o amor de Deus revelado em meio a nossa vida, ali onde está a contradição de nosso ser. Justamente onde negamos Deus, ali Ele está, nasce, transforma.

Certa vez uma criança foi até a igreja com a sua vovó. Lá chegando, ambos viram a igreja toda enfeitada. Era Natal. No

Creio que temos um valor grandioso para Deus. Deus deixa a sua morada celestial e vem se tornar pequeno, hospedar-se em

Que o seu amor revelado possa ser exercitado. Que, como crianças, possamos nos alegrar por este grande presente que nos

Deus se faz criança em meio à pobreza para que assim possamos todos perceber que o amor de Deus se revela em meio a nossa vida, ali onde está a contradição de nosso ser.

altar estava armado um pequeno presépio. A vovó começou a explicar o sentido dos enfeites de Natal ao seu neto. Depois de ter prestado atenção em tudo o que lhe fora dito, a criança fez a seguinte observação: “Vó, mas como Deus é pequeno! Deus é criança e está numa manjedoura no meio de animais”. E a vovó pensou consigo, no caminho da casa: “Mas o que tem o ser humano de tão especial que até Deus vem e se torna como a gente?”.

nosso meio. Deus criança, ternura, humildade, amor, humano. É assim que Deus vem e se encontra pessoalmente com cada um na noite de Natal. Não há mais motivo para termos medo de Deus. Deus mesmo nos liberta do medo, tornando-se como uma criança. Por isso, a boa notícia do Natal é: O teu Salvador, Jesus Cristo, nasceu! Que possamos dar valor à essência do Natal. Que façamos desta data uma celebração em que Jesus Cristo seja o convidado.

é dado. Que possamos deixar Jesus Cristo nos encontrar. Pois assim dizia Martin Lutero: “A Bíblia é a manjedoura na qual repousa Jesus. Se tu leres a Bíblia e não encontrares Jesus, então em teu coração só haverá palha”. Que tenhamos um Natal no qual Jesus e você, Deus e nós, celebremos o amor, o qual tudo vence e tudo transforma. Um Natal especial de Jesus para todos! P. Werner Kiefer


ESPECIAL DE NATAL

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Tarde de ação diaconal A tarde do dia 26 de colaboradores, cientes de Diaconal, bem como seus verificação da pressão novembro foi diferente sua missão de contribuir serviços prestados volun- arterial; Grupo de Teatro para quem acolheu o para o desenvolvimento tariamente: Adriano Bal- da Comunidade Evangélica convite da Comunidade de Pelotas - teatro e Evangélica do Porto Alegre debate; Antônio que, através do SAM, Sanford - pequenos Serviço de Atendimento consertos eletrônicos; Este grupo busca aos Membros, em parceria Carlos Hoffmeister – motivar e incentivar com o Grupo de Apoio a SICA (Serviço Interpessoas a atuar no Familiares e Pessoas com confessional de Aconprocesso de Deficiência, realizaram um selhamento); Arcílio inclusão das programa variado de ações Henke – advogado; pessoas deficientes. sociais nas diferentes áreas Lílian Hardt – da saúde, lazer, meio ampinturas; OASE – biente, educação e cultura. lanche com cucas e chá; Lilia da Costa – O objetivo principal canto; Cláudia consiste em beneficiar e integral do ser humano, bino – massagens; Débora Dienstmann – piano e melhorar as condições de numa vivência de amor, Schnarrndorf – fisiote- poesia; Florença Sanfelice vida das pessoas, em respeito, autonomia e rapeuta; Henriete Lichtenfels, – violino; JESP, Banda da especial os membros da responsabilidade. Os Marli Nedel, Sandra Kiefer Matriz e Pastor Cláudio nossa comunidade, bem resultados colhidos foram – psicólogas; Bianca Reinke Kupka– música; Pastor Uli como familiares e pessoas positivos, incentivando e Nádia Schmidt- unhas; e Rosângela Sperb – com deficiências. Este novas adesões. Vivian Bernsmüller – coordenação geral e do grupo de ação diaconal culto de encerramento. busca motivar e incentivar O Salão Paroquial foi tradutora para LIBRAS novas lideranças para tomado pelos diferentes (Língua Brasileira de Deus nos dá muitos atuarem no processo de setores de atividades. As Sinais); Karen Schumann e dons e talentos para que inclusão das pessoas pessoas voluntárias que Magda Amaral – respecti- possamos auxiliar nosso deficientes neste mundo realizaram os serviços vamente assistente social próximo de formas cheio de preconceitos. O demonstraram grande e estagiária da CEPA: diferentes. Nesta Tarde de maior desafio encontrado sensibilidade e satisfação divulgação do FUNCRIANÇA, Ação Diaconal, minha é sensibilizar e conscien- no que faziam. As Banco de Sangue, Casa de colaboração e participação tizar os indivíduos e “borboletas”, denominação Passagem, captação de ficaram na forma deste outros grupos de serviço, dos colaboradores, usando dados para o cadastro do depoimento e reportagem de que esta inclusão de- seu crachá de identifi- SAM; Ivone de Souza - sobre o evento realizado. pende da responsabilidade cação, realizavam seu corte de cabelo; Daniel Integrei-me totalmente ao de cada um de nós. O roteiro de atividades com Sperb - consulta médica; grupo e posso afirmar Melita Goelke - limpeza de com convicção: Foi graevento foi considerado muito entusiasmo. pele; Orlando Hehmann – tificante e enriquecedor. pelos organizadores o primeiro passo para esta Gostaria de relacionar carro para transporte; Eloi atividade prática, que as pessoas que se da Silva - motorista; Carmen Goldmann desde já, conta com um dispuseram a concretizar Gilberto Pitrofski – táxi; Scherer Virginia Esteves considerável número de esta Tarde de Ação


Balizas da confessio Balizas são estacas que demarcam uma área. Indicam limites. Também a IECLB necessita de tais demarcações para definir seu perfil. Jesus não aprova o “vale tudo”. Igreja confusa em sua proposta confunde também os membros. As balizas da IECLB são colocadas por sua confessionalidade, especificada em sua Constituição. Pois ela se identifica como “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”. Ela não é seita ou associação religiosa qualquer, é Igreja de Jesus Cristo, portanto fundada em Jerusalém há dois mil anos atrás, reformada por Martim Lutero e comprometida com a busca de autenticidade evangélica.

A graça de Deus é gratuita. Ela não é mercadoria negociável, não se compra nem se vende. Foi por isto que Lutero se voltou contra a prática das indulgências. O mesmo vale hoje para a cura divina, a prosperidade, a bênção, o perdão dos pecados ou uma graça qualquer que se tenta alcançar por promessa de pagamento. Nas dificuldades, somos convidados a nos dirigir em prece a Deus. Ele prometeu socorro nas aflições. Mas sucesso conseguido pela barganha com Deus é reprovado pelo evangelho.

2. Igreja luterana deve resistir à substituição da fé pelo êxtase. Trata-se de perigo constante na história da Igreja, mas particularmente forte hoje. Quem quer êxtase, quer a Tentaremos ilustrar: aventura. Quer o prurido 1. Igreja luterana se de uma sensação forte, opõe a qualquer tipo de para o que pode servir comércio com o sagrado. também a religião. Fé

A graça de Deus não é mercadoria negociável. Foi por isto que Lutero se voltou contra a prática das indulgências.

Igreja luterana se nega a divinizar autoridade humana. A autoridade máxima sempre será Jesus Cristo. Toda autoridade humana é relativa, falível. certamente produz emoção. Pode fazer as pessoas “vibrarem”. Mas o delírio, o “estar fora de si” não produz reforma nenhuma. Fervor religioso e fé não são necessariamente a mesma coisa. Fé mantém a cabeça no lugar. Não perde o bom senso. Nós vemos isto em Jesus: Ele soube emocionar-se, sim. E, no entanto, impressiona por sua lucidez de espírito. 3. Igreja luterana dispensa a pessoa da preocupação por sua salvação. Somos salvos não por esforço próprio, e, sim, por graça somente. A confissão luterana dirige a atenção aos “benefícios” que Deus nos fez e oferece. Entre eles está o batismo, pelo qual nos acolhe como filhos e filhas. Se ministrado em nome do trino Deus é sempre válido e não deve ser repetido. Quem rebatiza desconfia da fidelidade de Deus e se

coloca fora da confessionalidade da IECLB. O jeito evangélico-luterano é descobrir o quanto temos a agradecer. Decorre daí o nosso compromisso. Consiste em nada mais do que em acolher o dom de Deus pela fé e em traduzila em amor a Deus e serviço ao próximo. 4. Igreja luterana se nega a divinizar autoridade humana. É claro que também em comunidade luterana deve haver autoridade. Ela precisa de liderança, de ordens e instâncias decisórias. Mas a autoridade máxima sempre será Jesus Cristo. Toda autoridade humana é relativa, falível. Por isto é bom que na Igreja o poder seja distribuído e colocado sobre muitos ombros, inclusive leigos. Autoritarismo, “caciquismo”, hierarquia não combinam com o pensamento luterano, embora a prática


sionalidade luterana nem sempre correspondesse à teoria. É possível que por este motivo a comunidade luterana seja menos interessante para a mídia. Mesmo assim é preferível o modo participativo.

exigente. Devemos per- Lutero jamais se guntar pelo propósito dos deu por satisfeito textos e descobrir neles o com uma leitura evangelho. O que é “literalista” da realmente normativo na Bíblia, que é Sagrada Escritura é Jesus cômoda e dispensa Cristo, o evangelho, a a necessidade de manifestação do Espírito compreender. Santo. Cristão luterano quer entender. Busca 5. Igreja luterana a Palavra por trás das rejeita um magistério palavras. eclesiástico que esteja 6. Igreja luterana acima da Sagrada Escritura. Foi com ela que deplora a divisão dos Amar o próximo não bem e buscará formas de Lutero desencadeou a cristãos. Estamos compro- significa necessariamente pacífica convivência. Reforma. Confessiona- metidos com a unidade. concordar com ele. Mas lidade luterana, no fundo, Isto vale em primeiro lugar sempre vai querer-lhe o Prof. Dr. Gottfried Brackemeier é confessionalidade para a situação interna da bíblica. Mas ela não se IECLB. Devemos trabalhar prende à letra. Lutero jamais se deu por satis- nossas diferenças e Gottfried Brakemeier feito com uma leitura mostrar ser possível a

Quem rebatiza desconfia da fidelidade de Deus e se coloca fora da confessionalidade da IECLB.

“literalista”. Esta é cômoda. Dispensa da necessidade de compreender. Constata apenas que “assim está escrito”, e já tem as respostas para todas as perguntas. Ora, desse modo nós vamos ter as mais desencontradas interpretações, como poderíamos mostrar no caso do livro do Apocalipse. Não! Leitura luterana da Bíblia é algo mais

unidade na diversidade. Da mesma forma queremos o ecumenismo com outras Igrejas. Não se trata de nivelar as divergências. A fraternidade não proíbe a discordância. É preciso dialogar. Mas lembremonos: os outros jamais deixam de ser nossos irmãos e nossas irmãs. Aplica-se isto até mesmo aos não-cristãos.

Gottfried Brakemeier nasceu em Cachoeira do Sul em 1937. Graduou-se em Teologia em 1962 em Göttingen, Alemanha. Exerceu o ministério pastoral até 1965 na Paróquia Evangélica de São Leopoldo, quando voltou à Alemanha em 1966, onde, em 1968, defendeu tese de doutorado na área do Novo Testamento. Foi de 1968 a 1985 professor nessa especialidade na Escola Superior de Teologia, em São Leopoldo. De 1986 a 1994 ocupou o cargo de Pastor Presidente da IECLB. Atuante no meio ecumênico nacional e internacional e em diversas comissões e em funções específicas: presidente do Conselho Nacional de

Igrejas Cristãs (CONIC), membro da Comissão Internacional de Diálogo Católico-Romano / Evangélico Luterano, presidente da Federação Luterana Mundial (19901997). Em 1995, reassumiu a docência na Escola Superior de Teologia, agora na disciplina de Teologia Sistemática e Ecumenismo até 2002 quando se aposentou. Entre suas publicações, destacamos: Reino de Deus e Esperança Apocalíptica, O “Socialismo da Primeira Cristandade” – uma experiência e um desafio para Hoje, Testemunho da Fé em Tempos difíceis, A autoridade da Bíblia Controvérsias - Significado – Fundamento, O ser humano em busca de identidade - Contribuições para uma Antropologia Teológica. Por que ser cristão? Dez boas razões para..., Tesouro em Vasos de Barro.


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NOTÍCIAS

Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

Que tamanho tem o seu Deus? Oito horas da manhã do dia 24 de setembro. O sábado amanhecera claro e sem nuvens, desmentindo as previsões de chuva. O sol, curioso, espiava o movimento da multidão que chegava. A Igreja Matriz estava engalanada e pronta para acolher mais de cinco centenas de mulheres, vindas de todas as paróquias do Sínodo Rio dos Sinos. As anfitriãs, identificadas com o crachá pessoal sobre a camiseta preto / branco e o tema do ano “Deus, em tua graça, transforma o mundo”, recepcionavam as visitantes com carinho, levandoas a entrar no clima festivo, de confraternização e de comunhão. Era o tão esperado VIII Dia Sinodal da OASE, em sua segunda edição na Paróquia Matriz.

vam passar em brancas nuvens a data agendada. O trabalho foi ininterrupto e os mínimos detalhes foram ventilados entre as senhoras do grupo. O resultado positivo fez-se notar. Desde o hall de entrada, ajardinado com muito verde, a ala frontal, com mesas repletas de quitutes gostosos para o lanche matinal, até a entrada no templo monumental, decorado com motivos alusivos ao tema escolhido - “Que tamanho tem o seu Deus?” - para Os preparativos come- reflexão durante o dia. çaram quatro meses antes Tudo era motivo de e as reuniões semanais de quintas-feiras não deixa- surpresa e satisfação. Nada

foi esquecido. O pedido para doações para a “campanha do quilo”, visando auxiliar as entidades carentes do Sínodo foi atendido. A balança pesou a bondade e solidariedade dos colaboradores. O Coral da nossa OASE, a saudação dos presidentes, a apresentação de cada grupo, a meditação e a palestra dos pastores concentraram a atenção das senhoras na palavra de Deus. Depois do almoço e apresentação do Centro Infantil Lupicínio Rodrigues, estava prevista a Celebração de encerramento com Santa Ceia. E tudo correu tranqüilamente.

O Dia Sinodal da OASE em Porto Alegre ficará na memória de todas e todos os que participaram, mas principalmente na lembrança da cidade e de cada organizador comprometido com a realização deste evento, um desafio que foi lançado e abraçado pela Paróquia Matriz, com coragem e determinação. A decoração da Igreja permanecerá por algum tempo como resposta aos fiéis que participam dos cultos e eventos. É a resposta simbólica da grandiosidade do Senhor, pois tantas vezes entoamos: “Senhor, contemplo maravilhado a tua imensa criação. A terra, o mar e o céu todo estrelado me falam da tua perfeição. Grandioso és tu”.

Ao entardecer, era a hora da despedida.

Carmen Goldmann Scherer Secretária /OASE

Um quadro da paz Nossa Paróquia Matriz recebeu de presente um quadro valioso da pintora Ena Lautert, intitulado: “Paz”. Ela nos contou que a pintura surgiu em 2003, quando estava em andamento mais uma dessas guerras que tomam conta

do noticiário. Então ela deiro, 189 (vale a pena pintou este clamor pela fazer uma visita). paz. O quadro “Paz” foi Dona Ena participou fixado na saída da Igreja da de mais de 40 exposições Reconciliação – um lugar coletivas, entre 1987 e simbólico, pois expressa o 2001, no Brasil, Uruguai e desejo de que as pessoas Canadá. Também realizou que saem do culto sigam mais de uma dezena de em paz. exposições individuais. Nossa profunda graRecebeu cerca de vinte tidão a Dona Ena Lautert prêmios por sua arte. pela doação deste quadro! Ela expõe e vende seus quadros na “Ser e Estar”, que fica na Av. MostarP. Ulrico Sperb


Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

ACONTECE

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Homenagem ao “Seu Miguel” Há quem diga que ele se tornou parte do patrimônio da Igreja, mas isso não é justo. O “Seu Miguel”, apesar de seus 33 anos de casa, sempre foi para todos os funcionários do prédio da Senhor dos Passos e os membros da Paróquia Matriz uma pessoa muito especial, seja atendendo as pessoas com um sorriso generoso, seja dando aquela gargalhada às piadas do Jaci, seja dando uma de conselheiro para muitos que na portaria ficavam, seja cuidando de nossa segurança com a manha para perceber problemas em

O “Seu Miguel” sempre foi para todos nós uma pessoa muito especial atendendo as pessoas sempre com um sorriso generoso.

potencial. Sem contar que, Problemas de saúde nas horas de folga, era o levaram nosso Miguel a fotógrafo oficial do Grupo uma delicada intervenção Arco-Íris. cirúrgica cardíaca e, com

isso, a uma mudança radical em seu estilo de vida. A busca por um estilo de vida mais leve o impediu de continuar entre nós como funcionário. No dia 18 de agosto, todos os funcionários da casa homenagearam nosso amigo. Num delicioso café da manhã, pudemos lembrar momentos significativos de sua história entre nós, dizer palavras de gratidão a sua pessoa e confraternizar. Miguel recebeu uma placa onde registramos nossa profunda gratidão a ele e o desejo de que Deus o abençoe sempre.

Culto de Ação de Graças Todos os dias estamos envolvidos com afazeres, compromissos. O tempo voa. As cobranças são constantes. Somos medidos pelo que produzimos, pelo que temos. Certamente não é esta a vida que sonhamos, desejamos. A nossa vida não se resume, não pode ser medida somente por esta lógica. Podemos olhar a vida na direção de Deus que vem e se encontra conosco, deixar que Ele fale conosco. Deus torna, através de Jesus Cristo, este mundo

humano. Para tanto, Deus nos convida a nos aconchegar ao seu redor para celebrar. Deus é Pai/Mãe que deseja a companhia de seus filhos e filhas. O desejo constante de Deus é o encontro, o banquete, a comunhão. Deus abomina a solidão. E nós necessitamos do aconchego no qual somos aceitos, assim como somos. Precisamos do espaço no qual recebemos bondade, salvação, porque Deus é misericordioso para com a sua criação. Neste en-

Precisamos do espaço no qual recebemos bondade, salvação, porque Deus é misericordioso para com a sua criação.

contro de Deus conosco, Ele mesmo toma a iniciativa de servir, acolher, dar paz, perdão. É neste momento que Deus “carrega” as nossas “baterias” para uma vida de sentido em meio ao mundo. Deus não nos tira do mundo, mas no meio dele nos chama para aquietar-nos ao seu redor, animando-nos para a jornada, a vivê-la dignamente. Um novo espaço de culto às quintas-feiras é a novidade da Paróquia Matriz iniciada no mês de outubro. Este culto quer ser um espaço de

meditação, para sentir o aconchego de Deus em meio à jornada do dia, durante 20 a 30 minutos. Pois quantas vezes estamos no centro da cidade e podemos aquietar-nos na presença da Palavra de Deus? Divulgue esta nova iniciativa da Paróquia Matriz. Todos (as) são convidados (as) a participar. Cultos Todos os domingos, às 10:00h e 19:00h. Todas as terças, às 17:00h. Todas as quintas, às 12h30min.


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OFÍCIOS E AGENDA

Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

Ofícios Membros Novos Liana Geisel Schütz; Paulo Meyer e Agly Jorge Meyer; Ruth Ursula Bertschinger; Marcos Osvaldo Koutzmann, Jussara de Alencastro Gavay e seus filhos Isabella, Fernanda, Heleno, Adonis e Adriano; Eliéte Marlise Scherer; Ivo Darci Möller e Edeli Inês Görgen Möller; Manuel Luís Petrik Pereira; Glauto Lisboa Melo Júnior; Cintia Person Leite e seu filho Johann; Sabina Taffe e sua filha Luana; Nicole Chaves Anicet; Estevão Nunes Sucupira; Marcos Flávio Marques Flores e Cintia Reis Branco; Reginaldo Loeffer, Elizabete Rodrigues Loeffer e seus filhos Gustavo e Camila; Carmen Lucia Conrad dos Santos e

Dezembro 17 09-17h 18 19h

seus filhos Yasmin e Ste- 19/11/2005, Glauto Lisboa fany; Luana Beck. Melo Júnior e Nicole Chaves Anicet; 26/11/2005, Rinaldo Silveira Acosta e Batismos Carmen Lúcia Conrad dos 09/10/2005 - Fernanda Santos. Glembotzky Barbosa, filha de Carlos Mario Esnal BarBodas de Prata bosa e Rosani Glembotzky. 25/09/2005, Roberto Melatte e Ingeborg Koch Profissão de Fé Melatte; 16/10/2005 – Paulo 16/10/2005 - Nicole Chaves Fernando Araújo Kother e Anicet; Estevão Nunes Su- Lurdes Teresinha Escher cupira; Marcos Flávio Mar- Kother. ques Flores e Cintia Reis Branco. Óbitos Carlotta Müller, em 26/08/ 2005, com 78 anos; Vera 05/11/2005, Rafael Timm e Serena Franke Fleck, em Daniela Iracema Kopp; 12/ 07/09/2005, com 79 anos; 11/2005, Marcos Kappel Elio Carlos Roesler, em 16/ da Silva e Letícia Hoffmann 09/2005, com 57 anos; Künrath; 27/11/2005, Ma- Margit Borne, em 17/09/ nuel Luís Petrik Pereira e 2005, com 72 anos; Elza Mariana Gonçalves Boeckel; Paiva Diehl, em 20/09/ Bênção Matrimonial

Calendário

Programação musical de Advento

Oficina de Natal para crianças Culto de Encerramento das Atividades da Paróquia

Cultos e Temas 18/12 Rm 16.25-27 24/12 25/12 1º/01

2005, com 92 anos; Clélia Blauth Alves, em 20/09/ 2005, com 84 anos; Hélio Bruel, em 27/09/2005, com 51 anos; Lory Souza de Souza, em 01/10/2005, com 79 anos; Flávio Ricardo Eltz, em 07/10/ 2005, com 47 anos; Ady Konrad Lavigne, em 09/10/2005, com 96 anos; Antônio Waldomiro Petrik, em 10/10/2005, com 66 anos; Vera Irmgard Ebling Timmers, em 11/10/2005, com 81 anos; Ruth Reiniger de Azevedo Moura, em 11/ 11/2005, com 94 anos; Rosa Imelda Borchert, em 15/11/2005, com 82 anos; Gisela Elisa Straub, em 18/ 11/2005, com 66 anos; Egon Carli Klein, em 22/11/ 2005, com 72 anos; Melita Schneider, em 28/11/2005, com 85 anos.

A grande chegada Véspera de Natal Natal Ano Novo

04/12

11/12 15/12

18/12

Concerto do Coral Porto Alegre e Solistas, às 19h - Trechos da obra “O Messias”, de Händel Regência: Tiago Flores Coral Jovem da CEPA, às 19h - Celebração de Advento/Natal Projeto Quinta Voz, às 19h - Concerto do Coro de Câmara Ars Vocalis - Regência: Louis Marcelo Illenseer Encerramento das atividades da Paróquia Matriz, às 19h - Apresentação do Grupo Cantábile, às 20h - Regência: Delmar Dickel

Novos telefones do Centro Infantil Lupicínio Rodrigues 3211.0416 - 9127.6629

Advento na Praça Na Praça Otávio Rocha “Acima de tudo, Natal é Cristo” Atrações musicais 14 e 21 de dezembro 18h30min


Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

Há poucos dias assistimos ao filme “Cruzada” dirigido por Ridley Scott e foi uma surpresa descobrir que o título original do filme é “Reino dos Céus” (Kingdom of Heaven, em inglês). Fiquei mais surpreso ainda ao ver que durante o filme se discutem valores éticos e visões religiosas do Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. O tema das Cruzadas é algo que fascina. Foi um empreendimento imenso, de proporções inimagináveis e com duração de séculos. Os cristãos europeus se engajaram de corpo e alma na missão de resgatar Jerusalém e preservá-la como Reino Cristão. Todo esse empenho e fervor religioso é algo que faz parte da nossa herança cultural de igreja ocidental e acho que essa é uma das razões de nosso fascínio. Além disso, quem é que nunca se imaginou fazendo parte de uma aventura de cavaleiros andantes e princesas? E será que entre o filme e a história real há muitas diferenças? O filme conta a história do ferreiro Balian, que após se encontrar com seu pai, que não conhecia, e tendo perdido a esposa, vai à Terra Santa na esperança de redenção e perdão. No caminho se torna cavaleiro (seu pai era um barão) e se torna irrepreensível em sua conduta, tornando-se o defensor de Jerusalém, sitiada por muçulmanos. Jerusalém era governada por um rei cristão, Balduíno IV, que mantinha a região numa paz precária, baseada no equilíbrio militar entre as forças cristãs e muçulmanas.

CULTURA E FÉ

Vamos libertar Jerusalém!

Balduíno IV é mostrado como um rei tolerante, que permitia a coexistência pacífica das três religiões monoteístas e promovia um Estado de justiça e retidão que terminou com sua morte, devido à hanseníase (lepra). De acordo com os

E o que é esse Reino dos Céus que aparece no filme? historiadores, o filme tem uma série de erros – confunde acontecimentos históricos, troca as datas em que de fato ocorreram, caracteriza o Reino Latino de Jerusalém como um paraíso sobre a terra e vai mais longe, descrevendo os cruzados como brutos barbudos enquanto idealiza os muçulmanos, e em especial a Saladino, apresentando-o

como benevolente e ilustrado. Mas os personagens principais de fato existiram e conviveram, ainda que de forma diferente da apresentada no filme. Tudo isso é de se esperar porque é um filme e não um tratado histórico - o próprio diretor afirma que precisaram adaptar muitas coisas para que o filme não ficasse aborrecido e tivesse uma história para contar.

13 mento. Amarra-se à compreensão judaica de que Deus intervirá para restaurar a nação de Israel, e retornar a reinar. O Reino de Deus é um termo usado (alternado com Reino dos Céus) nos evangelhos. A explicação padrão para os 2 nomes é que Mateus se dirigia a uma audiência judaica que evitava o uso do nome de Deus. Marcos e Lucas se dirigiam a não judeus, que não entenderiam o termo “Reino dos Céus”.

A compreensão cristã do Reino abrange diversas idéias, mas fundamentalmente podemos falar de 2 aspectos: o presente e o futuro. No presente, a Igreja Cristã é onde o Reino dos Céus já se manifesta e, no futuro, a volta de Jesus Cristo Mas e esse Reino dos é o aspecto dominante. Céus que aparece no filme? Tem relação com nossa fé? E o filme? O filme O Reino dos Céus é um considera que o Reino dos conceito chave no judaismo Céus seria implantado em e no cristianismo. É relacio- Jerusalém, através da nado com o reino ou sobe- prática da ética cristã e dos rania de Deus sobre todas bons atos de seus cavaleiros as coisas, ao contrário dos peregrinos, os cruzados. Daí reinos e poderios terrenos. vem a discussão sobre a oportunidade de fazer com No judaísmo o Reino de que o Reino dos Céus se Deus é citado freqüenteconcretizasse, mesmo que mente no Antigo Testaa fio de espada. Uma visão errônea? Sem dúvida, mas que permitiu momentos de grande sabedoria, como essa frase, dos Cavaleiros Hospitalares: “Naquilo que decidir fazer todos os dias será ou não um bom homem”. Será que não precisamos aprender a ver essas lições de fé, que podem estar escondidas até mesmo nas produções de Hollywood?

O Rei Balduíno IV usava uma máscara devido à lepra, incurável em sua época - só não foi banido da sociedade por ser rei.

Artur Sanfelice Nunes designer gráfico


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VARIEDADES

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Quando você encontrar uma pessoa com deficiência Muitas pessoas nãodeficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do “diferente”.

As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas. Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja

As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, sentimentos, receios e sonhos.

Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e nãodeficientes.

melhor ou pior do que uma pessoa não-deficiente. Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema Não faça de conta que habilidade para fazer a deficiência não existe. Se outras coisas. Exatamente você se relacionar com uma como todo mundo. pessoa deficiente como se ela não tivesse uma A maioria das pesdeficiência, você vai estar soas com deficiência não ignorando uma caracte- se importam de responder rística muito importante a perguntas, principaldessa pessoa. Dessa mente aquelas feitas por forma, você não estará se crianças, a respeito da sua relacionando com ela, mas deficiência, e sobre como com outra pessoa, uma ela transforma a realização que você inventou, que de algumas tarefas. Mas, não é real. se você não tem muita intimidade com a pessoa, Aceite a deficiência. evite fazer perguntas Ela existe e você precisa muito íntimas. levá-la em sua devida consideração. Não subesQuando quiser algutime as possibilidades, ma informação de uma nem super-estime as pessoa deficiente, dirija-se dificuldades ou vice-versa. diretamente a ela, e não a

seus acompanhantes ou intérpretes. Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Sempre espere sua oferta ser aceita, antes de ajudar. Sempre pergunte a forma mais adequada para fazê-lo.

deficiente, sinta-se livre para recusar. Nesse caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.

As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos diMas não se ofenda se reitos, os mesmos sentio seu oferecimento for mentos, os mesmos receios, recusado, pois nem sempre os mesmos sonhos. as pessoas com deficiência Você não deve ter precisam de auxílio. Às receio de fazer ou dizer vezes, uma determinada alguma coisa errada. Aja atividade pode ser mais com naturalidade e tudo bem desenvolvida sem vai dar certo. assistência. Se ocorrer alguma Se você não se sentir situação embaraçosa, uma confortável ou seguro para boa dose de delicadeza, fazer alguma coisa soli- sinceridade e bom humor citada por uma pessoa nunca falham.


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Piadas de criança Um orientador contou à sua classe a história do Bom Samaritano, na qual um homem fora espancado, roubado e deixado à beira da estrada, à beira da morte. Ele descreveu a situação com detalhes realistas, para que seus ouvintes se sentissem envolvidos pelo drama. Então ele perguntou à classe: “Se você visse alguém nessas condições, caído na beira da estrada, ferido, sangrando. O que você faria?” Então uma criança quebrou o silêncio dizendo: “Eu acho que vomitaria.”

Uma orientadora explicava cuidadosamente a história do profeta Elias e os falsos profetas de Baal. Ela falava que Elias montou um altar, colocou pedaços de lenha sobre ele. Então Elias pediu que jogassem água sobre o altar, bastante água. Então o orientador perguntou: “Alguém poderia me dizer por que Deus permitiu que Elias colocasse água sobre o altar?” Uma menininha do fundo da sala respondeu: “Eu sei, eu sei! Pra fazer o molho?”

Uma professora perguntou: “Joãozinho, você acha que Noé pescou muito enquanto estava na arca?”

“Não, disse ele - Como ele que os israelitas fugissem poderia pescar se tinha do Egito. Quando chegou somente duas minhocas?” ao Mar Vermelho, ele e seus engenheiros construíram uma ponte para que o povo passasse em Uma orientadora segurança. Então ele usou disse às suas crianças: seu rádio intercomu“Nós aprendemos quão nicador para pedir reforpoderosos eram os reis e ços. Eles enviaram bombarrainhas nos tempos da deiros destruir a ponte e Bíblia. Mas há um poder os israelitas foram salvos”. maior. Alguém poderia me A mãe indignada perdizer qual é?” Um menino guntou: “José, foi assim gritou: “É o ”Ás”!” mesmo que seu professor lhe contou a história?” Ele respondeu: “Bem, mãe, José tinha nove anos não. Mas se eu te contasse quando foi perguntado como ele nos contou você pela sua mãe a respeito do não acreditaria”. que estava aprendendo no Culto Infantil. “Olha, mãe, nosso professor nos Os alunos foram contou como Deus enviou desafiados a decorar o Moisés para além das Salmo 23 para declamar linhas inimigas numa no culto. Tiveram um mês missão de resgate para para isso. O Beto estava

ansioso por este dia. No entanto, por mais que ensaiasse, não passava da primeira parte. Então chegou o dia do Beto recitar o Salmo 23. Ele tomou o microfone e começou: “O senhor é o Meu pastor e é isso é tudo o que eu preciso saber”.

O menino veio do Culto Infantil já perguntando pra sua mãe se era verdade que a Bíblia diz que o ser humano veio do pó da terra. Ela disse: “É claro, meu filho”. O menino foi para o quarto e voltou todo ofegante dizendo: “Mãe, vem cá ver. Pela quantidade de pó que tem debaixo da minha cama, ou tem alguém vindo, ou tem alguém indo”.


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VOCÊ VIU?

Novembro de 2005 - Ano 11 nº 47

Reflexões de um mártir luterano pando-as tematicamente. Cristo, discipulado, amor, igreja, mundo, política, futuro são alguns destes. Harald não se detém nisso. Ele acrescenta, de maneira meditativa, a sua reflexão a cada uma destas citações. O mais marcante, o que denota o quanto este autor foi importante para Harald, é a intimidade com os assuntos e a facilidade com que ele discorre sobre os temas. Harald capta como poucos a linguagem, a visão dialética e a tensão de certos temas tão caros a Bonhoeffer. Resgatar a profunda contribuição de Dietrich Bonhoeffer ao cristianismo e ao mundo nunca será um gesto sem valor. Esse teólogo alemão não foi só pastor e teólogo. Foi um homem lúcido e corajoso de seu tempo. Sua postura ética, profundamente cristã, o levou a se colocar contra o regime nazista. Preso, não deixou de ser um instrumento nas mãos de Deus. Mesmo bilhetes escondidos repassados a familiares foram reunidos e resultaram em obra literária. Nem sua morte

em 1945, um pouco antes O resultado é um livro de acabar a guerra, calou muito profundo, que nos suas palavras e a releleva a uma incansável vância de sua pregação. viagem por temas muito Tão vasta gama de vivências merece uma obra que pince pérolas de sua obra e traga ao leitor de hoje a profunda e relevante reflexão teológica. É o que nosso amigo e pastor Harald Malschitzky se propõe em sua obra “Dietrich Bonhoeffer – Discípulo – testemunha – P. Harald Maschitzky, o autor. mártir”. Harald coleta trechos das diferentes relevantes da nossa realiobras de Bonhoeffer agru- dade. O livro fala da busca

IMPRESSO Remetente: Paróquia Matriz Rua Senhor dos Passos, 202 - 90020-180 - Porto Alegre, RS - Fone: (51) 3224.5011

Destinatário:

do cristão em captar o cerne da fé; a compreensão mais verdadeira do Cristo. Fala da graça e do amor de Deus. Fala da condição humana como parte do ser cristão e das intricadas situações da vida que nos pedem uma resposta concreta. A fé que ilumina e desafia em meio à dor e à angústia da vida. Fala de uma igreja que não pode se omitir diante do mundo que não aceitamos ou não compreendemos. O Evangelho sempre de novo nos convida a servir e a agir.

Harald capta como poucos a linguagem, a visão dialética e a tensão de certos temas tão caros a Bonhoeffer. Recomendamos esta obra, talvez para ser lida nas longas tardes de verão das nossas férias que estão chegando. Elas não serão nem um pouco vazias. P. Cláudio Kupka


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Jornal da Reconciliação. Ano 11, Nº 47, Novembro de 2005 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu