Informativo Sinodal do Sínodo Brasil Central. Ano II, Nº 10, Abril de 2014

Page 1

Informativo Sinodal Sínodo Brasil Central - IECLB

Ano II

Nº 10

abril de 2014

“Onde há sepulturas, há ressurreição”

N

o mês de abril celebramos a Páscoa: para o povo do Antigo Testamento uma festa de passagem, de libertação; para o povo do Novo Testamento, celebração da ressurreição de Jesus Cristo. E para nós? Dias livres? Não para todos! Encontro familiar? Oportunidade de lucro do comércio que atrai ingênuos e afugenta empobrecidos da sociedade que mais e mais quer ter ao invés de ser? Curiosamente, pessoas que enfatizam tanto um Estado Laico utilizam-se justamente dos feriados cristãos para não trabalhar e engrossar a baixa média da produtividade brasileira. Esquecem-se que com exceção das constituições de 1891 e 1937 as demais invocam a proteção de Deus no preâmbulo do pacto. Como em todas as religiões, a divindade é a protetora natural da moral e do direito. Com razão, afirmou Francisco Jucá, professor universitário e juiz, “A América nasceu cristã. Negar a religiosidade do brasileiro é a busca pela negação das próprias origens, da nossa cultura”. Não adianta tampar a cabeça e descobrir os pés, ou tampar os pés e descobrir a cabeça. Defender a laicidade do Estado não nos dispensa de aprender e articular a liberdade religiosa, de consciência e de expressão (Gálatas 5). Nós, luteranos, afirmamos: Deus é o Deus da justiça, pois com a crucificação de Cristo tem início uma nova justiça, uma nova relação entre Deus e o ser humano, com toda sua Criação. Cristo personifica a graça de Deus! Assim, feriados deveriam ser oportunidades para uma auto-análise, em especial como sociedade, e perceber que em Cristo Deus quer entrar no todo da nossa existência (João 1.14). Aliás, aqui cabe a pergunta: quantos feriados suporta e qual seu real significado e proveito para a sociedade? Vem aí a Copa do Mundo durante a qual muito

mais dias que os feriados oficiais serão usados, mesmo sabendo que o tempo de jogo são apenas 90 minutos, no máximo 120, considerando toda a liturgia que o envolve. A Igreja Cristã é aqui desafiada a discernir claramente entre morte e vida e tomar para si essa advertência de Nietsche que intitula essa mensagem. Se há sepultura é porque houve cruz e morte, e não apenas em prédios públicos, também nas ruas e nas cidades, na terra e nos campos. Nós cremos na ressurreição – assim confessamos no terceiro artigo do Credo Apostólico – embora saibamos que a mensagem pascal, anunciada e ouvida, é também anúncio da Sexta-feira Santa, e viceversa. Ambas continuam atuais, e necessárias! Apenas podemos narrar e contar – temos isso em nossos cultos?! - sobre o ressurreto se reconhecermos no crucificado o ressurreto, como nos relatam João 20.20 e Marcos 16.6. Sim, pois a Igreja está sendo mais e mais tentada a reproduzir em suas fileiras e membresia aquilo que permeia e marca a nossa sociedade. Embora “filha de seu tempo”, a Igreja é chamada pelo seu Senhor e qualificada pelo Santo Espírito para ViDas em Comunhão. Está na hora de sair de casa. “Dispôe-te, vai à grande cidade...” (Jonas 1). Pastor Sinodal Carlos Möller

“Missão de Deus - Nossa Vocação”


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.
Informativo Sinodal do Sínodo Brasil Central. Ano II, Nº 10, Abril de 2014 by Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) - Issuu